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CARACTERIZAÇÃO DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA E SURDEZ 
 
Relma Urel Carbone Carneiro 
Daiane Natalia Schiavon 
 
1 Introdução 
 
O ser humano, de maneira geral, é dotado de sentidos que o ajudam em sua 
interação com o meio físico e social possibilitando de maneira gradual seu 
desenvolvimento global. A ausência ou diminuição de um ou mais sentidos interfere 
nessa dinâmica natural e provoca a utilização de mecanismos variados, diferentes 
dos usualmente utilizados, para adaptação do indivíduo ao seu meio. 
Assim, compreender quais as consequências da deficiência auditiva/surdez 
se faz necessário e importante sabermos sobre o processamento normal da 
audição, que envolve conhecimentos sobre a estrutura anatômica do ouvido humano 
e de seu funcionamento. 
A audição é um dos sentidos presente, na criança, desde o seu nascimento, 
trazendo informações sobre o mundo que a cerca, além de oferecer ao indivíduo 
informações sonoras, capazes de alertar quanto ao perigo e de situar um objeto no 
espaço, é o principal meio de desenvolvimento da linguagem oral, importante canal 
de desenvolvimento da comunicação e interação humana. 
Embora a linguagem seja manifestada de várias formas como pela escrita, 
por gestos, por expressões, a fala é muito importante e comumente a mais usada 
para a expressão do pensamento humano. Assim, indivíduos que não possuem a 
audição que proporcione o desenvolvimento natural da linguagem oral, desenvolvem 
outra forma de expressão da linguagem, isto é, de sinais. Essas diferenciações 
interferem diretamente no desenvolvimento e na aprendizagem de cada indivíduo e 
dependem de alguns fatores que serão discutidos a seguir. 
 
2 Conhecendo um pouco mais sobre a Deficiência Auditiva e Surdez 
 
 Existem diversas causas que podem contribuir para ocasionar à deficiência 
auditiva ou a surdez, sendo que, podem acontecer em momentos diferentes da vida. 
É importante ressaltarmos a evidência de conceitos distintos relacionados à 
deficiência auditiva e a surdez, isto é, um, do ponto de vista clínico (grau da perda) e 
outro, do ponto de vista linguístico e cultural. Destacamos neste momento que estes 
termos não são utilizados como sinônimos. 
Segundo autores como Lloyd e Kaplan (1978), Gonzáles (2007), Coll, 
Marchesi e Palacios (2004) e Bevilacqua (1998), podemos caracterizar estas de 
acordo com três principais aspectos: a Etiologia (causas da deficiência 
auditiva/surdez); ao período de aquisição e localização da lesão. 
 
2.1 Etiologia 
 
Pré-natais: quando a alteração ocorreu antes do nascimento, na vida 
intrauterina (dentro do útero), e como exemplo dessas causas temos fatores 
genéticos e hereditários, doenças adquiridas pela mãe como rubéola, toxoplasmose, 
sífilis, citomegalovírus, entre outras, drogas ototóxicas1, drogas como fumo, álcool, 
exposição a raio X, consanguinidade, fator RH, entre outras. 
 
Peri-natais: quando a alteração ocorreu durante o nascimento ou nos 
primeiros dias de vida podendo ser por anóxia2, baixo peso, traumatismo de parto, 
prematuridade e pós maturidade, entre outras. 
 
Pós-natais: quando a audição foi afetada após o nascimento podendo ocorrer 
ao longo da vida do indivíduo como doenças infecto contagiosas (caxumba, 
sarampo, meningite, etc), medicamento ototóxico, otites recorrentes, traumatismo 
craniano, exposição constante a ruído, avanço da idade, entre outras. Dependendo 
do momento em que audição foi lesada ela apresenta consequências diferentes 
como se antes ou depois do desenvolvimento da fala. Outro fator relevante é a 
localização da lesão dentro do sistema auditivo, que pode decorrer tanto um prejuízo 
leve quanto um severo. 
 
 
 
 
1 Remédios ingeridos pela mãe que podem afetar o desenvolvimento auditivo do feto. 
2 Falta de oxigenação no organismo por respiração deficiente. 
 
2.2 Período de aquisição e localização da Lesão 
 
Com relação ao período de aquisição, a surdez pode ser dividida em dois 
grandes grupos: 
 
Congênitas: quando o indivíduo já nasceu surdo. Nesse caso a surdez é 
pré-lingual, ou seja, ocorreu antes da aquisição da linguagem. 
Adquiridas: quando o indivíduo perde a audição no decorrer da sua vida. 
Nesse caso a surdez poderá ser pré ou pós-lingual, dependendo da sua 
ocorrência ter se dado antes ou depois da aquisição da linguagem (BRASIL, 
2002, p. 21-23). 
 
 Com relação à localização (tipo de perda auditiva) da lesão, a alteração 
auditiva pode ser: 
 
 
Condutiva: quando está localizada no ouvido externo e/ou ouvido médio; 
as principais causas deste tipo são as otites, rolha de cera, acúmulo de 
secreção que vai da tuba auditiva para o interior do ouvido médio, 
prejudicando a vibração dos ossículos (geralmente aparece em crianças 
frequentemente resfriadas). Na maioria dos casos, essas perdas são 
reversíveis após tratamento. 
Neurossensorial: quando a alteração está localizada no ouvido interno 
(cóclea ou em fibras do nervo auditivo). Esse tipo de lesão é irreversível; a 
causa mais comum é a meningite e a rubéola materna. 
Mista: quando a alteração auditiva está localizada no ouvido externo e/ou 
médio e ouvido interno. Geralmente ocorre devido a fatores genéticos, 
determinantes de má formação. 
Central: A alteração pode se localizar desde o tronco cerebral até às 
regiões subcorticais e córtex cerebral (BRASIL, 2002, p. 21-23). 
 
Dessa maneira, vemos na figura abaixo a estrutura do aparelho auditivo e 
podemos localizar em quais partes desta estrutura elas ocorrem: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem 1 – Estrutura do aparelho auditivo. 
 
Fonte: http://otorrinochapeco.site.med.br/index.asp?PageName=OUVIDOS 
 
2.3 Definição e classificação 
 
A deficiência auditiva/surdez é caracterizada como uma diminuição da 
capacidade de percepção dos sons que pode variar de um grau leve até um grau 
profundo. O ouvido humano é capaz de perceber sons que variam entre 0 e 120 
decibéis (dB), sendo que sons acima de 120 decibéis causam desconforto. A 
caracterização da deficiência auditiva/surdez quanto ao grau de comprometimento é 
classificada, de acordo com Lloyd e Kaplan (1978) e Bevilacqua (1998) da seguinte 
forma: ≤ 25 dB (Audição normal); 26 - 40 dB (Perda auditiva de grau leve); 41 - 55 
dB (Perda auditiva de grau moderado); 56 - 70 dB (Perda auditiva de grau 
moderadamente severo); 71 - 90 dB (Perda auditiva de grau severo); 91 dB (Perda 
auditiva de grau profundo) (Lloyd e Kaplan, 1978). 
Essa classificação significa que uma pessoa que tem uma perda de audição 
leve precisa que um som tenha uma intensidade maior que 26 decibéis para que ela 
o ouça. Da mesma forma, pessoas com perdas profundas de audição precisam que 
os sons sejam de intensidade maiores que 91 decibéis. Os sons da fala variam entre 
50 e 70 decibéis, desta forma, pessoas com perdas auditivas severas e profundas 
não percebem sons de fala. 
Essa variação de capacidade auditiva demonstra a heterogeneidade das 
pessoas com perdas de audição. Segundo Coll, Marchesi e Palacios (2004, p.221), 
"o desenvolvimento comunicativo e linguístico de crianças surdas com uma perda 
auditiva profunda, por exemplo, apresenta aspectos muito distintos daquelas com 
perdas leves ou hipoacústicas". Se os pais de crianças com perdas auditivas são 
surdos ou ouvintes também é um fator importante no desenvolvimento global dessa 
criança, uma vez que, são os primeiros modelos de comunicação. Pais surdos de 
crianças surdas as expõem ao contato com a língua de sinais desde seu 
nascimento, e isso, propicia um desenvolvimento linguístico adequado, 
diferentemente, pais ouvintes de filhos surdos não serão, a menos que façam isso 
intencionalmente, modelos linguísticos naturalmente. 
 
3 Caracterizando a perda auditiva 
 
Uma pessoa que nasce surda percebe os sons da fala? Pode adquirir 
linguagem? Deve colocar o implante? Deve apender Libras? Será que os diferentes 
grausde perda auditiva implicam em diferentes condições e possibilidades? Quais 
seriam essas? 
A seguir apresentamos um quadro das principais consequências da perda 
auditiva para o desenvolvimento da linguagem oral de uma criança, considerando os 
graus da perda. 
 
Quadro 1 – Classificação da Deficiência auditiva e Surdez 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Leve: 26 a 40 dB 
 
• Percebe todos os sons de fala (que variam entre 50 e 
70 dB); 
• Adquire linguagem oral espontaneamente; 
• Pode apresentar algumas dificuldades de 
compreensão em ambientes muito ruidosos. 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Moderada: 41 a 55 
• Geralmente há atraso na aquisição da linguagem oral; 
• Apresenta alterações articulatórias (trocas de fonemas 
na fala); 
dB 
 
• Não percebe todos os sons da fala com a mesma 
clareza; 
• Apresenta dificuldade em perceber a fala em ambiente 
ruidoso; 
• Geralmente apresentam-se desatentas e com 
dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. 
Porém podem se desenvolver quase que normalmente 
com a utilização de aparelho de amplificação sonora 
individual (AASI). 
Deficiência 
Auditiva de grau 
moderadamente 
severo: 56 - 70 dB 
• Apresenta dificuldade em adquirir a fala naturalmente, 
desenvolvendo, às vezes, apenas um vocabulário familiar 
de poucas palavras. 
• Pode se beneficiar do uso de aparelho de audição e 
terapia fonoaudiológica. 
 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Severo: 71 a 90 dB 
• Apresenta dificuldade de aprendizado da leitura e 
escrita, mas, com uso de aparelho auditivo e/ou implante 
coclear e intervenção fonoaudiológica a criança poderá 
receber informações utilizando a audição para o 
desenvolvimento da fala, linguagem e aprendizado 
acadêmico; 
• Quando usuária de LIBRAS necessita do professor 
interlocutor (intérprete educacional) e apoio da 
comunidade surda para referência e desenvolvimento da 
identidade surda. 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Profundo: acima 
de 91 dB 
• Não detecta sons de fala de forma que dificilmente a 
desenvolve; 
• Só responde auditivamente a sons muito intensos 
como bomba, trovão, motor de avião. 
• Pode ocasionar transtornos na vida social e 
educacional da criança; 
• O diagnóstico e a intervenção precoces (uso de 
aparelhos de audição e/ou implante coclear e terapia 
fonoaudiológica) são fatores fundamentais para o 
desenvolvimento da fala, da linguagem e, mais adiante, da 
leitura e escrita; 
• Caso a opção seja pela LIBRAS, as famílias devem 
buscar cursos de LIBRAS e a proximidade com a 
comunidade surda desde a mais tenra idade para que a 
criança possa ter ganhos na aprendizagem, bem como 
conversar com a criança em LIBRAS e contar histórias em 
LIBRAS na mesma época de outras crianças. 
• Frequentemente irão se valer da leitura orofacial, a 
qual produz resultados melhores em conversas de pares e 
grupos pequenos. 
 Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
Tais dados demonstram que as características de indivíduos com perda de 
audição são muito distintas, o que significa que suas necessidades também o são. 
Diante de um diagnóstico de perda de audição, a família deve ser orientada a fazer a 
opção ou não da adaptação de aparelho de amplificação sonora individual que, no 
caso de crianças com perdas leves e moderadas, podem auxiliar na percepção e 
desenvolvimento da linguagem oral. 
 
3.1 Perdas auditivas severas e profundas 
 
No caso de crianças com perdas severas e profundas de audição é 
necessário considerar que as experiências de aprendizagem dessa criança serão 
diferentes, não ancoradas na audição, mas sim nos outros sentidos. Neste caso a 
família deve ser orientada a aprender a língua de sinais, além de buscar o ensino 
dessa língua para seu filho o mais breve possível, pois a maioria das crianças 
surdas são filhas de pais ouvintes, o que não as coloca em um ambiente linguístico 
propício naturalmente. 
 
 
 
4 Deficiência Auditiva/Surdez e ações pedagógicas 
 
E na escola? Quando recebemos nossos estudantes com deficiência 
auditiva/surdez, o que pode acontecer? Como eles se comportam? Como os 
professores agem ou devem agir? 
Pensando no ambiente escolar percebemos que as ações pedagógicas 
necessárias para efetiva participação desses estudantes requerem adaptações de 
maneiras variadas e de acordo com a necessidade de cada um. Apresentamos no 
quadro abaixo, algumas estratégias de acordo com as características dos 
estudantes a partir do grau de sua perda auditiva. 
 
Quadro 2 - Características de estudantes com Deficiência Auditiva/Surdez e 
estratégias na escola. 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Leve: 26 a 40 dB 
 
Pode passar despercebido ou ser confundido como um 
estudante desatento ou desinteressado. O professor deve 
encaminhar para avaliação audiológica e, se confirmado o 
diagnóstico, considerar essa condição, preocupando-se com 
o ruído da sala de aula, colocando o estudante mais próximo 
dele e se certificando de que o estudante está 
acompanhando a aula. 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Moderado: 41 a 55 
dB 
Este estudante requer adaptações mais específicas como 
utilização de aparelho de amplificação sonora individual-
AASI e acompanhamento fonoaudiológico, que o auxiliará no 
desenvolvimento da linguagem oral. Na escola deve sentar-
se próximo ao professor, que deve sempre falar de frente 
para ele, beneficiando sua leitura orofacial-LOF; a sala de 
aula não deve ser ruidosa e o estudante poderá ter 
atendimento educacional especializado-AEE se a escola 
avaliar como necessário. Em sua prática pedagógica o 
professor deve considerar sua condição enriquecendo sua 
aula com informações visuais. 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Requer adaptações didáticas que podem variar de 
estratégias metodológicas a recursos variados, bem como, 
moderadamente 
severo: 56 - 70 dB 
atendimento educacional especializado. 
Deficiência 
Auditiva de grau 
Severo: 71 a 90 dB 
Este estudante deve ter acesso a aprendizagem da língua de 
sinais, professor interlocutor em sala de aula e atendimento 
educacional especializado. 
Deficiência 
Auditiva Profunda: 
acima de 91 dB 
Este estudante deve ter acesso a aprendizagem da língua de 
sinais, intérprete em sala de aula e atendimento educacional 
especializado. 
Fonte: Elaborado pelas autoras. 
 
No quadro fizemos menção à leitura orofacial-LOF que é a capacidade de 
entender a palavra falada por outra pessoa por meio dos movimentos dos lábios, 
independentemente da inteligência, sexo, grau de perda, época do aparecimento da 
deficiência e outros fatores. Este é um recurso bastante utilizado pelas pessoas com 
deficiência auditiva ou surda, auxiliando-os na compreensão da informação. O mais 
importante, inicialmente, não é o conteúdo do que se diz, mas a tentativa de se 
habituar a criança a fixar a atenção nos lábios do interlocutor, até o final da palavra 
ou frase, pois um dos objetivos principais do treinamento em LOF (que deve ser feito 
pelo fonoaudiólogo) é criar no estudante o hábito da atenção visual, interesse nos 
movimentos dos lábios e na expressão da face. 
Para o desenvolvimento da LOF, é imprescindível que se observe fatores 
como: 
• O rosto de quem fala deverá estar voltado para luz e ao nível dos olhos de 
quem está sendo treinado; 
• A distância entre emissor e receptor deverá ser suficiente para uma visão total 
do rosto; 
• A voz deverá ser normal, clara e a palavra bem articulada, mas sem 
exageros; 
• A expressão de quem fala deve ser coerente com a mensagem; 
• Os movimentos de boca, cabeça ou braços não devem ser exagerados; 
• Cigarros, balas, dedos na boca, devem ser evitados, pois podem dificultar a 
compreensão da leitura dos lábios; 
• As frases devem ser bem estruturadas em orações completas, porém claras, 
simples e significativas para o estudante; 
• A emissão da mensagem deve ser global e não fragmentada, pois a 
comunicação telegráficapode bloquear a compreensão. 
A surdez interfere diretamente nas interações do estudante na escola, 
considerando-se suas relações com os outros estudantes, com os professores, com 
os demais membros da equipe escolar, quando não é estabelecido um canal de 
comunicação. Desta forma é imprescindível que a escola se organize para oferecer 
ao estudante com deficiência todas as condições necessárias para sua participação 
de forma efetiva. 
 
4.1 Sugestões 
A seguir apresentamos algumas ações que podem, somadas a outras 
decorrentes da realidade de cada escola e de cada estudante, auxiliar neste 
processo. 
• Trate o estudante de forma natural, não adotando atitudes paternalistas e 
também não o relegando a um plano secundário; 
• Esclareça os demais estudantes da classe sobre as suas condições e 
necessidades favorecendo, assim, a sua aceitação e inclusão no ambiente 
escolar; 
• Determine o lugar do estudante, de modo que este veja o professor/intérprete 
a maior parte do tempo e que a luz incida sobre o mesmo, a fim de facilitar o 
uso de pistas visuais; 
• Esteja alerta para que o estudante tenha sua atenção constantemente voltada 
para o professor/intérprete durante as explicações; 
• Fale com clareza, naturalidade, sempre voltado para os estudantes, sem 
aumentar o tom de voz; 
• Exponha e repita as mesmas ideias e conceitos de formas variadas com 
vocabulário adequado e flexível; Inclua o estudante em todas as atividades 
como elemento integrante do grupo. 
 
 
 
4.2 Atenção! 
 
Considerando as necessidades específicas podemos diferenciar as ações 
pedagógicas para essa clientela em dois grandes grupos: 
• Para os estudantes com perdas leves e moderadas de audição que se 
beneficiam da tecnologia para amplificação de seu resíduo auditivo, as 
adaptações curriculares devem prever acompanhamento fonoaudiológico, a 
estruturação do ambiente físico, a formação do professor para adequação de 
sua metodologia e estratégias de ensino, e, quando necessário, AEE para 
apoiar sua escolarização e uma predisposição para o reconhecimento e 
valorização das diferenças dos estudantes. 
• Para os estudantes surdos, com perdas severas e profundas de audição as 
adaptações curriculares englobam outros aspectos. Conforme a Política 
Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 
(BRASIL, 2008), os estudantes surdos devem receber uma educação bilíngue 
(Língua Portuguesa/LIBRAS), sendo este um papel da escola. Assim, deverá 
oferecer o ensino de língua portuguesa na modalidade escrita como segunda 
língua, os serviços de tradutor/intérprete, promover o ensino da LIBRAS para 
os demais estudantes, oferecer o AEE tanto na modalidade oral e escrita 
quanto na língua de sinais e garantir o direito de estar com pares surdos nas 
turmas comuns. 
 
Essa recomendação é fundamental para proporcionar a interação 
comunicacional entre os pares. O AEE deve contar com profissionais com 
conhecimentos específicos no ensino da LIBRAS e na língua portuguesa como 
segunda língua. Para efetivação de um ensino de qualidade para os estudantes 
surdos temos que atentar para alguns aspectos: 
 
1º Aspecto: apropriação da Língua de Sinais como 1ª Língua 
 
O artigo 22 do Decreto nº 5.626/2005 (BRASIL, 2005), fala da garantia de 
escolas e classes de educação bilíngue, aberta a estudantes surdos e ouvintes, com 
professores bilíngues, na educação infantil e ensino fundamental, e esclarece que 
escolas ou classes bilíngues são aquelas em que a LIBRAS e a modalidade escrita 
da língua portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de 
todo o processo educativo. O decreto fala também de atendimento especializado no 
contraturno para o desenvolvimento de complementação curricular. Para tanto, as 
escolas com estudantes surdos de educação infantil e ensino fundamental devem 
contar com um professor de LIBRAS que ensine a língua de sinais aos estudantes 
surdos que não a possuem (a maioria dos surdos são filhos de pais ouvintes), como 
primeiro passo ao desenvolvimento do ensino. Sem uma língua de acesso a 
comunicação e aos conteúdos curriculares, o estudante surdo não pode ser 
ensinado. 
 
2º Aspecto: Presença do professor interlocutor de Libras - Língua Portuguesa 
em sala de aula 
 
A atuação do intérprete é prevista por lei e fundamental para garantia de 
acesso do surdo a escolarização, uma vez que, o professor da classe comum vai se 
utilizar da modalidade oral da língua portuguesa para transmitir os conteúdos 
curriculares. O tradutor/intérprete tem a função exclusiva de traduzir e interpretar os 
conteúdos linguísticos, cabendo ao professor a responsabilidade pelo 
desenvolvimento acadêmico do estudante surdo, contando com o apoio do professor 
especializado quando necessário. 
 
3º Aspecto: Adaptações curriculares 
 
Considerando as instruções oferecidas pelo material “Adaptações 
Curriculares – estratégias para educação de estudantes com necessidades 
educacionais especiais” (BRASIL, 1999), a inclusão de estudantes surdos em 
classes comuns passa, necessariamente, pela possibilidade das seguintes 
adaptações curriculares: 
 
Adaptações curriculares de grande porte: 
• contratação de professor de libras; 
• de tradutor/intérprete de libras/língua portuguesa; 
• organização de serviços de apoio especializado; 
• eliminação de objetivos, conteúdos, estratégias de ensino, formas de 
avaliação incompatíveis com a condição de surdez; 
• introdução de objetivos, conteúdos, estratégias de ensino, formas de 
avaliação, diferenciados, que contemplem a diferença linguística e cultural do 
surdo. 
• alteração na temporalidade de aprendizagem, quando necessário. 
 
Adaptações curriculares de pequeno porte: 
• organizativas (organização de agrupamentos, didática e espaço); 
• relativas aos objetivos e conteúdos (priorização, sequenciação e eliminação 
de conteúdos secundários); 
• avaliativas (adaptação e modificação de técnicas e instrumentos); 
• nos procedimentos didáticos e nas atividades (modificação, eliminação, 
adaptação); 
• na temporalidade (modificação da temporalidade para determinados objetivos 
e conteúdos previstos). 
 
Adaptações no nível do projeto pedagógico: 
• a escola assume a diversidade e trabalha com equidade. 
 
Adaptações relativas ao currículo da classe: 
• relação professor/estudante/estudante; 
• trabalho colaborativo; 
• organização do trabalho em classe promovendo a inclusão. 
 
Adaptações individualizadas do currículo devendo-se considerar: 
• a real necessidade das adaptações; 
• a avaliação do nível de competência curricular do estudante, tendo como 
referência o currículo regular; o respeito ao seu caráter processual, de modo 
que permita alterações constantes e graduais nas tomadas de decisão. 
 
 
 
Considerações finais 
 
As reflexões contidas neste texto apontam para a necessidade da correta 
identificação e caracterização dos estudantes com deficiência auditiva e com surdez, 
de forma a organizar a escola e o trabalho pedagógico com vistas a oferecer as 
respostas adequadas para que seu desenvolvimento aconteça de forma plena em 
uma escola democrática, plural e equânime. 
Zanata (2004) traz orientações específicas, advindas da Série Diretrizes, 
formulada pelo MEC em 1995, quanto ao atendimento educacional do estudante 
com perda auditiva, levando-se em consideração o nível de sua perda. A autora 
destaca o seguinte trecho sobre os estudantes com os seguintes graus de surdes: 
 
Surdez leve: o estudante deverá frequentar a escola comum do ensino 
regular, (...) em geral esse estudante não apresenta dificuldades na classe 
comum. 
Surdez moderada: o estudante poderá frequentar a creche ou a sala de 
estimulação, ou pré-escola do ensino regular, bem como ser alfabetizado e 
prosseguir seus estudos com educandos ouvintes desde que receba 
atendimento especializado em outro período diário. 
Surdez severa:o estudante deverá receber estimulação no período da 
educação infantil, em clínica fonoaudiológica, em sala de recurso, em 
escola especializada ou classe especial, em forma individual ou em grupo 
de até 30 oito estudantes.(...) tendo adquirido a linguagem e estando 
alfabetizado, poderá começar a frequentar a classe comum geralmente na 
3ª série do Ensino Fundamental em um período e uma escola especial ou 
sala de recurso para apoio pedagógico. 
Surdez profunda: o estudante geralmente ingressará em uma classe comum 
na 3ª série do ensino fundamental (...) e será alfabetizado em classe 
especial ou escola especializada (BRASIL, 1995 apud ZANATA, 2004, p. 
35). 
 
A partir dos documentos acima é possível perceber que para cada perda 
auditiva são indicadas orientações específicas ao trabalho do professor, isso porque, 
ao se falar em educação de surdos, é imprescindível considerar o aspecto da 
linguagem, tanto sua aquisição como seu desenvolvimento. 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
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Bauru: HPRLLP-USP, 1998. 
 
BRASIL. Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Especial. Política de 
Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Brasilia: MEC, 2008. 
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso 
em: 24 jul. 2014. 
 
BRASIL. Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Especial. Parâmetros 
Curriculares Nacionais. Adaptações Curriculares – estratégias para educação de 
estudantes com necessidades educacionais especiais. Brasília: MEC/SEESP, 
1999. 
 
BRASIL. Decreto-lei nº 5626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 
10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - 
Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da 
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GONZÁLEZ, E. Necessidades educacionais específicas - intervenção 
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LLOYD, L. L. e KAPLAN, H. Audiometric interpretation: a manual o basic audiometry. 
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MARCHESI, A. et al. A educação da criança surda na escola integradora. In: 
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especiais e aprendizagem escolar. V.3. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1995a. 
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ZANATA, E. M. Práticas pedagógicas inclusivas para estudantes surdos numa 
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Programa de Pós-graduação em Educação Especial: UFSCar, São Carlos, 2004.

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