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HISTÓRIA DA EPILEPSIA | IVENA B FIUZA | MEDICINA 
 
Os gregos acreditavam que quando uma pessoa tinha uma convulsão ela era tocada por deuses. 
Na Idade Média, isso mudou e foi o reverso da medalha. Se na Grécia a epilepsia era chamada 
de morbus sacer (doença sagrada), na Idade Média era o morbus demoniacus (doença do 
demônio). Talvez até por isso a gente tenha essa conotação meio religiosa entre camadas mais 
populares, que acreditam que a epilepsia seja causada por problemas espirituais", afirma Marly 
de Albuquerque.
 
Foi Hipócrates (em torno de 460-375aC) - talvez influenciado por Atreya, pai da medicina hindu (e 
que viveu 500 anos antes), quem passou a afirmar que a epilepsia não tinha uma origem divina, 
sagrada ou demoníaca, mas que o cérebro era responsável por essa doença. E apenas muitos 
anos depois, Galeno (129 - em torno de 200 dC) fez a primeira classificação de diferentes formas 
da doença. Apesar das afirmações de Hipócrates e Galeno, as crenças em torno da epilepsia 
como possessão, maldição ou castigo perpetuaram por muito tempo
na Roma antiga, essas crenças mesclavam-se com a idéia de que a epilepsia era uma doença 
contagiosa e, a pessoa portadora, impura. Na Europa medieval, essa idéia continuou apesar da 
"doença sagrada" passar a ser conhecida como "doença das quedas". As pessoas portadoras 
da epilepsia eram segregadas da igreja, não podendo paticipar da eucaristia para que não 
contamissem ou profanassem o copo e o prato da comunhão. "A doença era vista como uma 
maldição, algo que só se poderia desejar ao pior inimigo. Martinho Lutero rogava à Igreja 
Católica: praga, sífilis, epilepsia, escorbuto, lepra e carbúnculo e denomiava a epilepsia como 
morbus demoniacus", escreve Elza Márcia Yacubian em seu livro Epilepsia: da Antiguidade ao 
segundo milênio saindo das sombras. Ela afirma também que, nesse período, alguns médicos 
suspeitavam que a contaminação se dava pela respiração e essa crença prevaleceu ainda no 
início do século XX, quando se preconizou a vacinação para erradicação de um microorganismo 
que seria o agente da epilepsia, Bacillus epilepticus
 
Foi no século XVIII que se iniciou a separação entre psiquiatria e neurologia. Essa separação se 
efetivou no século XIX, com a emergência da neurologia como uma disciplina distinta e com a 
afirmação de que a epilepsia era um distúrbio cerebral. Nesse período, Samuel-Auguste Tissot 
(1728-1797) escreve o Tratado da Epilepsia, no qual descrevia diferentes tipos de crises e 
síndromes.
TIPOS DE CRISES
Generalizadas: a descarga inicial envolve, simultaneamente, ambos os hemisférios cerebrais. Não 
há foco demonstrável no EEG. Consciência é sempre afetada. 
- Tonico-clonicas: convulsão propriamente dita. Chamada antigamente de “grande mau”. Difusa 
rigidez muscular (tonica), seguida de cianose intensa secundária ao espasmo muscular que 
impede eliminação de CO2, seguido por abalos clonicos dos 4 membros e respiração 
ofegante. Imediatamente após, já relaxamento dos esfíncteres vesical e anal. Durante a 
respiração estertorosa, pode haver liberação de saliva, comumente sanguinolenta, pela lesao 
causada durante a fase tonica. A consciência é recuperada lentamente e a imensa maioria 
destas pessoas irão referir cefaléia e mialgias difusas no pós crise. Fraturas ósseas, 
ocasionalmente, acontecem, seja pela queda ou pela violenta contração muscular, e devem ser 
pesquisadas na eventualidade de dor localizada persistente.
- Tonica: não há uma fase clônica; súbito enrijecimento muscular, fixando os membros numa 
posição de hiper-extensão e, geralmente, há queda ao solo. Seus braços podem ser elevados 
e, na imensa maioria das vezes, há mudança da expressão facial – as pupilas ficam dilatadas e 
os olhos desviam. A intensidade da hipertonia pode ser assimétrica, envolvendo mais um 
membro que outro. Fenômenos pós ictais, embora similares, não são tão acentuados como 
aqueles que se seguem a uma genuína crise tônico-clônica.
- Atônicas: súbita perda do tônus muscular com queda do paciente e ferimentos muitas vezes 
sérios. É o clássico drop attack da língua inglesa. Todavia, algumas vezes, a repentina abolição 
do tônus poderá ficar restrita a determinados músculos e o paciente poderá não sofrer queda. 
Simplesmente inclinar a cabeça ou baixar bruscamente o corpo, por exemplo. Caso não 
aconteça trauma relevante não se observa sintomatologia pós ictal e a recuperação costuma 
ser imediata.
- Clonicas: repetidos abalos clônicos. De maneira análoga ao visto na típica crise tônico-clônica, 
a freqüência dos abalos irá diminuindo com a progressão da crise. Por outro lado, sintomas 
pós ictais são, geralmente, de menor intensidade e, igualmente, de menor duração. Atenção: 
pode haver confusão desta modalidade de crise com mioclonia, principalmente, quando esta 
envolver vários grupos musculares, simultaneamente.
- Crises de ausência: Não há pródromo e os pacientes, habitualmente crianças, são geralmente 
incapazes de perceber a ocorrência dos eventos. Há, classicamente, uma súbita interrupção 
da consciência que dura uns poucos segundos; apesar da manutenção da postura, a atividade 
motora cessa e a criança permanece estática e irresponsível a qualquer estímulo. Um 
restabelecimento imediato e pleno da consciência segue-se imediatamente após a crise, 
permitindo a pessoa retornar à atividade que estava exercendo nos momentos que 
precederam a mesma.
- Mioclônicas: curtos abalos de um ou vários grupos musculares, e, por isso, são chamados, 
também, de mioclonias. O abalo pode ser único ou múltiplo e, neste caso, eles se repetem 
rapidamente. Suas vítimas, habitualmente se referem aos mesmos como tremeliques ou 
choques. Caso a mioclonia acometa algum dos membros superiores e se, naquele momento, o 
paciente estiver segurando algum objeto, este, habitualmente, será arremessado à distância do 
corpo. Como esta modalidade de crise ocorre preferencialmente no período matinal, na 
literatura inglesa esta situação é graciosamente referida como a síndrome do pires voador. E na 
verdade, estes pacientes destroem parte da louça familiar até terem sua condição reconhecida. 
Durante tais crises poderá haver queda ao solo, desde que músculos dos membros inferiores 
sejam envolvidos; porém, a recuperação costuma ser imediata. hipersensibilidade a luz 
intermitente; isto é, podem apresentar mioclonias em resposta a estímulos luminosos 
incessantes. 
Focais: envolvem inicialmente uma porção limitada do cérebro. Os sintomas refletem a função da 
área cerebral afetada. Quando a história não for esclaredora da etiologia, o paciente deve ser 
submetido a exames de neuroimagem
- Focais simples: quando não há alteração de consciência (o paciente consegue descrever o 
fenômeno epiléptico)
- Focal complexa: quando uma diminuição qualitativa importante da consciência é notada. nota-
se muitas vezes uma abolição completa da consciência nesta modalidade de crise parcial que, 
freqüentemente, é acompanhada de automatismos bizarros diversos.
Crises focais podem ser: motoras, sensoriais, psíquicas, automatismos,

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