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contraria a seus propositos: ha uma verdadeira necessidade de se distanciar dos
desejos dos mesmos. Contudo, em,contraposi<;ao, ha necessidade quase desesperada
de pertencer a urn grupo social. E af e agora que passam a ter valor inestimavel 0
grupo de amigos e de seu grupo, que the permitem se enquadrar em um contexto
social. Desta valoriza<;ao surge 0 sentimento de cla e a indiferen<;a total para com
os "grupos diferentes". Segundo Erikson (1950), trata-se de yma defesa necessaria
contra os perigos da auto difusao existente neste periodo. E 0 periodo de grande
atra<;ao pelos sistemas totalitarios, formando a identidade. A "identidade
democratica Ira emergir mais tardiamente, pois da envolve a liberdade de escolha".
E, conseqiientemente, 0 periodo do preto ou branco, numa dicotomia onde nao
cabem as tonalidades intermediarias.
Do acima referido observa-se a dificuldade e 0 perigo da escolha vocacional,
que tern de ser realizada nesta fase. Daf as inumeras conseqiiencias desastrosas da
escolha. 0 que nos leva a deddir pela Medicina, nesta periodo em questao? A
mutabilidade desta Ease,quando ainda se encontram, sem saber, no "reinado pelas
fantasias", pode torna-los estudantes inconEormados e futuros medicos frustrados.
Estas concli<;6espsicossociais em que se encontram, por ocasiao da escolha, implicam
a heterogeneidade dos colegas de turma, que vai desde os possuidores de um
puritanismo exacerbado ate os colegas extremamente liberais.
A p6s-adolescencia ou a adolescencia tardia traz consigo um problema que e 0
da "fantasia do salvamento": em vez de dominar as tarefas da vida, ele espera que
urn ambiente benevolo venha resolver seus problemas. Esta fantasia adolescente de
salvamento nao deve ser confundida com aquela descrita por Freud, em 1910, expressa
pdo "impulso de salvar a pessoa amada". Esta segunda e rnarcada pdo desejo de
salvar alguem, ao passo que a primeira refere-se ao desejo de ser salvo por uma
pessoa, atraves da sorte, ou privilegio. 0 referencial desta e 0 "SE": "se" eu Fosse
casado, "se eu Fosse residente, "se" meu nome Fosse outro etc, etc.
E aqui, neste ponto, que devemos falar no problema da voca<;ao.Quando se
fala em voca<;aomedica, a referenda se faz principalmente para as atividades clinicas
e cinlrgicas, e nao para toda uma constela<;ao de disdplinas que envolve hoje a
Medicina moderna.
o ideal medico deve-se constituir na vontade de socorrer, no"arnor ao proximo
e no espirito de sacrificio. Em contrapartida, 0 outro componente varia conforme 0
tempo, porquantQ cada epoca possui urn ideal medico. Cada epoca exige e aguarda
coisa diferente do medico.
omedico moderno nao pode mais limitar-se a cuidar tao somente do individuo.
Esta compelido a participar mais ativamente da vida c61etiva. Dai a necessidade de
alargar seus conhecimentos no que tange aos problemas da comunidade (aautoma<;ao,
a computa<;ao, 0 emprego de novas tecnicas bio-clinicas e de aparelhos sofisticados).
Dai, portanto, a abertura do "sentido vocacional", e a necessidade de novas tecrucas
de aferi<;aodesse potencial vocacional, que referimos no Wcio deste capitulo. Explica
tambem, como vimos anteriormente, aquele fato que logo chama a aten<;ao: a
heterogeneidade dos colegas de turma (NfeIei.ro,1994).