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TIPOS DE EUTANASIA (CAP 2) va3 red

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2 TIPOS DE EUTANÁSIA
A evolução da medicina potencializou alternativas para afastar o tormento da morte, pois através dos métodos aprimorados é possível cultivar uma esperança de cura em determinados casos e até mesmo bem-estar através de tratamentos otimizadores da qualidade de vida.
 Os médicos possuem, hoje em dia, todo um aparato tecnológico, capaz de manter com vida, ou sobrevida, por anos a fio, de pessoas que não teriam, em condições normais, quaisquer chances de sobrevivência, suscitando a preocupação de que estas novas tecnologias não sejam utilizadas para o bem-estar do homem, mas sim, apenas para garantir-lhe uma vida mais prolongada, ainda que com grande sofrimento físico e psíquico. 
Com o objetivo de se traçar limites a este desenvolvimento tecnológico é que nasce a Bioética, que se ocupa da área das ciências da saúde, ponderando o uso correto destas novas técnicas, buscando soluções às controvérsias atualmente existentes entre a vida e a morte. (ARAUJO, 2010).
2.1 QUANTO A REALIZAÇÃO DA AÇÃO
A eutanásia ativa consiste no ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente, com fins misericordiosos. Normalmente executada por parente próximo da vítima e, em alguns casos, pelo médico que a acompanha.
A eutanásia passiva (ou ortotanásia, para alguns) consiste na suspensão do tratamento ou dos procedimentos que estão prolongando a vida de um doente terminal, com o objetivo de lhe abreviar a morte, sem sofrimento. Na maioria dos casos mantêm-se as medidas ordinárias, dentre as quais as que visam reduzir a dor, e suspendem-se as medidas extraordinárias ou as que estão dando suporte à vida.
A eutanásia de duplo efeito ocorre quando a morte é acelerada como consequência indireta das ações médicas que são executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal, a exemplo da utilização de altas doses de remédios com o intuito de aliviar a dor, sabendo-se que o tratamento também traz como consequência a abreviação da vida do paciente.
A morte ou suicídio assistido consiste na facilitação ao suicídio do paciente, onde o agente, normalmente parente próximo, põem ao alcance do enfermo terminal alguma droga fatal ou outro meio congênere.
2.2 QUANTO AO CONSENTIMENTO DO DOENTE
Eutanásia voluntária (executada conforme a vontade do paciente), eutanásia involuntária (executada contra a vontade do paciente) e eutanásia não voluntária (executada independentemente da manifestação de vontade do paciente). Esta classificação foi proposta por Neukamp em 1937 e visava estabelecer, em ultimo caso, a responsabilidade do agente. 
Grande parte da doutrina acredita que além da denominação passiva, pode ser nomeada de ortotanásia, que difere pelo fato de se levar em consideração o tipo de tratamento artificial que mantem as funções vitais.
A ortotanásia no Brasil e considera como ato licito, pois o que se leva em consideração não há nenhum fato típico, simplesmente o fato de existir um esgotamento dos recursos existentes para que o paciente continue vivo, exemplo dessa atitude e um médico se recusar a fazer uma cirurgia em seu paciente por já ter feito outras e nada de frutífero aconteceu, para a melhora do necessitado.
2.3 OUTROS PROCEDIMENTOS: INTERRUPÇÃO DA VIDA 
2.3.1 ORTOTANÁSIA
A Ortotanásia é definida como uma palavra de origem grega que possui o prefixo orto (correto) e que propõe, portanto, uma morte digna, em seu tempo certo, sem abreviações desnecessárias e sem sofrimentos adicionais, a uma abordagem mais sensível do processo de humanização de alívio das dores. Uma abordagem que não incorre em prolongamentos abusivos da vida, com a aplicação de meios desproporcionados que imporiam nada mais do que sofrimento adicionais ao paciente terminal. (PESSINI, 2008)
A ortotanásia é caracterizada como boa morte, a arte do bem morrer, de se respeitar o bem-estar global dos indivíduos, a fim de garantir a dignidade no viver e no morrer. Essa prática permite aos doentes e seus familiares defrontarem a morte como algo natural, um continuum da vida. Seguindo essa concepção, a ortotanásia é o procedimento pelo qual o médico suspende o tratamento, ou só realiza terapêuticas paliativas, para evitar mais dores e sofrimentos para o paciente terminal, que já não tem mais chances de cura, desde que essa seja sua vontade ou de seu representante legal. Outro estudo complementa que o médico não interfere no momento do desfecho letal nem para antecipá-lo nem para adiá-lo.
É oportuno destacar que a aplicabilidade da ortotanásia é permitida em diversos países, e no Brasil, implicitamente, é tutelada através de princípios jurídicos, consubstanciados em princípios éticos e morais. Entretanto, em virtude da insegurança jurídica propiciada pela ausência de legislação específica, conduz à permanência da prática distanásica. 
Nesse sentido, em nosso país, vêm se firmando alguns posicionamentos e discussões transdisciplinares sobre a aplicabilidade da ortotanásia, como forma de tutelar uma morte digna, sedimentam-se com suporte em princípios (bio) - éticos, sobretudo o da autonomia da vontade, e no primado constitucional da dignidade do ser humano, com diretrizes que envolvem o bem mais supremo do ser humano - a vida revestida de dignidade
O Conselho Federal de Medicina brasileiro editou a Resolução n. 1.805/2006, a qual dispõe sobre o conceito de Ortotanásia, regulamentando sua prática e estabelecendo todos os procedimentos para que seja executada nos casos concretos da relação médico-paciente. 
Na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal (Res. 1.805/2006 CFM).
Essa resolução é o primeiro enfrentamento ético da conduta médica diante da terminalidade da vida, assegura José Henrique Rodrigues Torre 5. O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a revogação da resolução sob alegação de que se tratava de eutanásia, proibida no Brasil, e que a ortotanásia deveria ser regulamentada pelo Congresso Nacional com edição de lei específica 6. Durante o processo, o MPF reconheceu a pertinência da resolução e pediu a extinção da ação. O juiz decidiu pela validade da resolução, que nunca mais foi contestada 
Na Resolução do Conselho Federal de Medicina n. 1.805/2006, o paciente em estado terminal, que não apresenta mais perspectiva de vida, tem seu tratamento limitado pelos médicos, porém os cuidados necessários que amenizassem a dor e o sofrimento são garantidos. 
A Resolução 1.931/09 do Conselho Federal de Medicina aprovou o novo Código de Ética Médica vigente até os dias atuais. A esse último código foram incorporadas novas sugestões à classe médica e à sociedade civil que contemplam o diálogo sobre assuntos que antes recebiam pouca atenção.
Temas como ortotanásia, obstinação terapêutica, cuidados paliativos e consentimento informado passaram à pauta de discussão dos profissionais de saúde com o devido embasamento sobre um código de ética. Equipe de saúde e sociedade tornam-se, assim, mais instruídas sobre seus deveres e seus direitos; mais capazes de tomar uma decisão esclarecida e autônoma sobre os cuidados de fim de vida.
Verifica-se assim que na prática, a aplicação da Ortotanásia deve considerar alguns princípios: a autonomia do paciente terminal em escolher viver ou morrer dignamente; a perversidade de exagerar em tratamento desnecessário que acarrete mais dores e sofrimentos; e na justiça, para aqueles que não são doentes terminais e que possam ter acesso ao tratamento adequado. O prolongamento ou não da vida do paciente em estágio terminal é um direito dele juntamente com seus familiares.
2.3.2 DISTANÁSIA
O termo Distanásia foi proposto por Morcahe em 1904, no livro Nascimento e Morte, e que pode ser entendido como uma agonia prolongada que origina uma morte com sofrimento físico ou psicológico do indivíduo

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