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FUNDAMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO Luis Agune , 2 SUMÁRIO 1 ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÕES ........................................................ 3 2 ABORDAGEM CLÁSSICA E HUMANÍSTICA .............................................. 17 3 ABORDAGEM ESTRUTURALISTA E NEOCLÁSSICA ................................... 44 4 ABORDAGEM SISTÊMICA E CONTINGENCIAL ......................................... 65 5 ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA .................................................. 103 6 ADMINISTRAÇÃO AVANÇADA .............................................................. 122 , 3 1 ADMINISTRAÇÃO E ORGANIZAÇÕES Neste bloco vamos definir o que é administração e sua importância para a gestão das empresas; explicar as principais escolas de administração e suas respectivas abordagens; descrever o que é organização e suas principais relações com administração; resumir a evolução histórica da administração no Brasil com contexto atual e seu futuro. O objetivo desse bloco é proporcionar uma visão geral a respeito da Administração, das Organizações e como o administrador deverá recorrer aos principais fundamentos das Escolas de Administração para tornar seu trabalho mais eficiente e eficaz. 1.1 Administração O atual mundo globalizado, complexo, competitivo e que está em constante mudança torna a gestão/administração de uma empresa uma ciência e uma arte. Ciência porque o administrador está em uma busca constante por métodos e ferramentas, procurando entender as relações de causas e efeitos, as possíveis consequências que uma má gestão pode acarretar numa organização e levá-la à extinção. Arte porque o mundo dos negócios está em constante mudança nas áreas tecnológica, social e econômica, onde o tempo não é linear e nem as relações de causa e efeito são iguais para todas as situações e empresas, exigindo do administrador cada vez mais conhecimentos teóricos, técnicos e práticos. Diante dessas dificuldades é importante que o administrador atual, independentemente de sua posição hierárquica e empresa em que atua, adquira habilidade de gerir uma empresa compatibilizando sua prática com as teorias de administração existentes. , 4 A junção da teoria com a prática, irá propiciar ao administrador habilidades para gerir empresas na atualidade, conforme podemos observar no quadro abaixo: Figura 1.1 Existem inúmeros conceitos que definem administração. Em linhas gerais, podemos afirmar que administração está relacionada com a maneira mais eficiente de utilizar os recursos necessários para alcançar os objetivos planejados através dos esforços de colaboradores da empresa. Qualquer que seja o tipo e tamanho da organização, é necessário saber administrar todas as atividades e recursos com muita eficiência e eficácia, utilizando todos os elementos do conceito de administração, conforme quadro abaixo: , 5 Figura 1.2 Administração é essencial para a existência, sobrevivência e o sucesso de qualquer tipo de organização. Nesse sentido o conhecimento das Teorias da Administração, torna-se o caminho necessário e obrigatório de toda pessoa que necessita trabalhar em uma organização, tendo que adquirir três habilidades para alcançar o sucesso: Habilidade Técnica: consiste no conhecimento dos métodos, técnicas e equipamentos para o desempenho das diversas tarefas que são necessárias numa organização. Habilidade Humana: consiste no conhecimento para relacionar, entender, comunicar e motivar as pessoas, através de uma liderança que consiga o alcance dos objetivos. Habilidade Conceitual: consiste na capacidade de ver a empresa de uma maneira global para definir as estratégias e ações da organização. A intensidade do uso de tais habilidades vai depender do cargo e nível hierárquico que o administrador possui na organização. Se for diretor, vai necessitar mais das habilidades conceituais. Se for gerente, vai utilizar mais a habilidade humana. Se for técnico, analista ou outro cargo operacional, vai utilizar mais a habilidade técnica. No quadro abaixo, podemos identificar o uso dessas habilidades: , 6 Figura 1.3 1.2 Principais Escolas de Administração Os primeiros estudos das Teorias de Administração apareceram no início do século XIX, justamente quando as empresas começaram a crescer de tamanho e complexidade. Segundo Chiavenato (2014), historicamente as empresas passaram pelas seguintes fases: 1ª Fase: com base na mecanização da indústria e da agricultura e a introdução das primeiras máquinas mecânicas. 2ª Fase: com a aplicação da força motriz na indústria e descoberta da máquina a vapor. 3ª Fase: desenvolvimento do sistema fabril, surgindo as grandes fábricas e desaparecendo as pequenas oficinas artesanais. 4ª Fase: aceleramento dos transportes e das comunicações, criação do telégrafo, telefone, estrada de ferro. Para tratar com tais fases as diversas teorias de administração foram estudadas e desenvolvidas com foco nas seguintes abordagens: , 7 • Tarefas: desenvolvida na Administração Científica, cujos principais autores foram Taylor e Fayol, buscando a racionalização do trabalho no nível operacional; • Estruturas: desenvolvida na Teoria Anatomista e Fisiologista, cujo principal representante foi Fayol, buscando a eficiência através dos órgãos. Tal foco foi também analisado pela Teoria da Burocracia, cujo principal representante foi Weber, introduzindo os conceitos de formalização, divisão de trabalho e impessoalidade; • Pessoas: desenvolvida nas Teorias de Relações Humanas e Comportamental, buscando o equilíbrio da organização através da motivação, liderança e do processo decisório; • Ambiente: desenvolvida nas Teorias de Sistemas, cujos principais representantes foram Bertalanffy, Wiener e Lawrence, que estudaram a organização na visão de um sistema aberto; • Tecnologia: desenvolvida na Teoria Contingencial, cujos principais representantes foram Woodward, Thompson, e Perrow, procurando analisar as variáveis ambientais e suas influências nas técnicas administrativas. (CHIAVENATO, 2014, p. 14) Tais abordagens são as principais variáveis que interferem diariamente no cotidiano das organizações, cada uma delas tendo uma maior ou menor influência, dependendo do tipo de organização, mercado e produto ou serviço que ela produz. Ou seja, tais variáveis são as preocupações constantes das empresas e administradores e, quando maior a eficiência e eficácia no uso e aplicação delas, mais competitiva a empresa será. Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 17 Figura 1.4 , 8 Os vários conceitos de administração podem ser explicados, conforme a classificação das categorias de Escolas, definidas por Silva (2008): Escola Funcional Administração é um processo que utiliza planejamento, organização, direção e controle para obter os resultados planejados através do uso de pessoas e recursos. Tais fundamentos foram utilizados por Henry Fayol e Frederick Taylor, dois expoentes nomes das Teorias da Administração. Escola das Relações Humanas Administração é um processo social, que busca o alcance dos resultados utilizando-se de pessoas. Elton Mayo foi um estudioso das relações sociais existentes nas organizações. Escola da Tomada de Decisões Administração é considerada um processo decisório, pois através das decisões e do controle das ações dos funcionários, a empresa alcançará seus objetivos. Peter Drucker foi um dos maiores defensores desse modelo. Escola de Sistemas Administração considera as organizações como sistemas orgânicos e abertos, onde interação e a interdependência das partes irá proporcionar o alcance dos objetivos organizacionais. Ludwig Von Bertalanffy, foi um dos criadores da Teoria de Sistemas. Escola Contingencial Administração é considerada situacional, pois depende de como a empresa iráadotar suas estratégias para lidar com o ambiente onde atua, onde não existe um modelo ideal e único para alcançar sucesso. Vários estudos foram desenvolvidos nesse modelo, tais como os dos autores Joan Woodward e Charles Perrow. 1.3 Organizações Vivemos em uma sociedade de organizações. Diariamente entramos e saímos de vários tipos de organizações onde, em cada uma delas, temos uma maneira de usar ou prestar serviços. De manhã, quando saímos para trabalhar, usamos um tipo de transporte (metrô, ônibus, taxi, trem, etc.) onde cada um tem sua maneira de ser utilizado e organizado. Antes de trabalhar vamos a um bar, lanchonete ou padaria para tomar café da manhã. Ao entrar na organização, temos que passar pelo sistema de catraca controlada por uma empresa terceirizada de vigilância. No almoço, vamos a um restaurante e podemos fazer compras em loja comercial (shopping, livraria, supermercado). No término do trabalho podemos ir ao cinema, teatro, academia, igreja, universidade, etc. , 9 Como vimos no parágrafo acima, diariamente, entramos e saímos de diversos tipos de organizações, onde cada uma tem sua administração própria, seus objetivos e forma de vender serviços ou produtos. “Organização é definida como duas ou mais pessoas com desejo e disposição para o alcance de um objetivo comum.” (SILVA, 2008, p.4) Apesar de a definição parecer simples, toda organização, independentemente do tipo e porte, tem seu grau de complexidade, sendo essencial ser bem administrada para poder sobreviver e competir no mercado onde atua. Toda organização é feita de pessoas diferentes umas das outras, iniciando assim a primeira dificuldade em escolher a pessoa certa para cada tarefa. Quando uma organização tem mais de uma pessoa, necessariamente deve realizar outra atividade complexa que é a divisão de trabalho, procurando conciliar habilidades de cada uma com as respectivas tarefas que terão de realizar. Conforme aumenta o número de pessoas numa organização, há necessidade de realizar uma separação de áreas, de acordo com a similaridade destas, é a departamentalização. Ao criar as áreas (departamentos, gerências) há uma nova necessidade de estabelecer coordenação entre elas em busca do objetivo comum da organização e de mensurar o desempenho de cada uma. Surge a necessidade de ter bons líderes e bons controles, além de uma estrutura organizacional adequada às necessidades da empresa e do ambiente onde atua. Outro papel importante numa organização é saber distinguir quais atividades fazem parte do seu negócio principal (core business) e quais atividades não são importantes, para poder decidir se vai ou não terceirizar (outsourcing), uma parte delas. Outro fator, também importante, é a organização definir quais serão seus limites e delimitá-los, para poder então definir qual será seu negócio e mercado onde vai atuar. , 10 Toda organização é considerada como um sistema aberto, onde irá interagir com outras organizações, e necessitar de entradas de outros ambientes (recursos necessários), realizar transformações das entradas (processos) para transformá-los em produtos/ou serviços (saídas), conforme demonstrado na figura abaixo: Fonte: SILVA, 2008, p. 44 Figura 1.5 Na figura acima o feedback significa o controle do retorno da informação que é necessário numa organização, desde a entrada dos recursos até a entrega dos produtos/saídas (saídas). 1.4 A Administração no Brasil A Administração é uma prática existente em todos os países do mundo, tendo iniciado em 1881 com a criação da Wharton Scholl – EUA, a primeira escola de administração. Em cada país a necessidade de administrar uma organização e o trabalho do administrador é quase o mesmo: alcançar os objetivos organizacionais com o menor uso de recursos. Cada país herda algumas características específicas oriundas da cultura nacional, que traz algumas diferenças na maneira de adotar o modelo de gestão ideal para administrar uma organização. , 11 Nos EUA, por exemplo, predomina o estilo de administrar com base no individualismo e pragmatismo, gerando um modelo de gestão com base no empreendedorismo e busca da competitividade. No Japão, o estilo predominante é com base no coletivismo, gerando decisões baseadas no consenso do grupo e ênfase no planejamento. Nesse sentido é importante conhecer a cultura brasileira, quais são nossas principais tradições culturais e valores, principalmente, em que medida eles influenciam o estilo brasileiro de administrar. Antes de falarmos a respeito da cultura brasileira, segue abaixo um quadro resumindo os principais eventos da história da Administração no Brasil: 1931 Fundação do Instituto da Organização Regional do Trabalho e criação do Departamento Administrativo do Serviço Público - DASP 1945 Criação dos Cursos de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas 1946 Início da Faculdade de Economia e Administração em SP - USP 1952 Início da Escola de Administração Pública Fundação Getúlio Vargas - FGV 1954 Início da Escola de Administração de Empresas Fundação Getúlio Vargas - FVG 1960 Criação da Associação Brasileira de Técnicos em Administração 1964 Início da expansão dos cursos de Administração em diversas Universidades e Faculdades 1965 Lei 4.769 regulamenta a profissão do Administrador 1985 Lei Federal 735 altera o nome de Técnico de Administração para Administrador. Cria os Conselhos Regionais e o Conselho Federal de Administração A cultura brasileira possui alguns traços que beneficiam a gestão da administração, comparados a outros países, mas também possui alguns traços que criam dificuldades. Segundo Sobral (2008), uma pesquisa realizada com 2.500 administradores brasileiros pela Betânia Barros e Marco Aurélio Prates, a cultura brasileira de administrar pode ser dividida em quatro grandes subsistemas: institucional, pessoal, líderes e liderados, conforme figura abaixo: , 12 Fonte: SOBRAL, 2008, p. 17 Figura 1.6 A intersecção desses quatro subsistemas permite identificar 9 traços culturais predominantes nos administradores brasileiros: • Concentração de poder: boa parte das empresas brasileiras centraliza o poder nos níveis mais elevados da empresa, contribuindo para a grande distância hierárquica em todos os níveis organizacionais; • Personalismo: muito típico nas organizações brasileiras e envolve o grau de amizade que os líderes têm em relação a alguns funcionários de sua confiança, cultivando a proximidade nessas relações interpessoais. Ou seja, às vezes a amizade tem mais poder que a própria autoridade do cargo que o líder ocupa; • Postura de espectador: esse traço cultural vem da nossa história desde a época colonial, tornando os funcionários passivos à espera da ordem dos líderes; • Aversão ao conflito: nesse caso os subordinados evitam o confronto com os líderes, reduzindo conflitos e fortalecendo a concentração do poder; • Formalismo: em virtude da falta de confiança, característica das instituições brasileiras, principalmente as de iniciativa pública, contribui para o aumento de normas e regulamentos, enrijecendo a organização; , 13 • Lealdade às pessoas: tal característica facilita o excesso de formalismo, fazendo da lealdade pessoal um bom mecanismo de integração nas organizações; • Paternalismo: os líderes agem como se fossem pais e protetores dos liderados, possibilitando a articulação da concentração do poder com o personalismo, originando inúmeras promoções que deixam de lado as competências técnicas dos liderados; • Flexibilidade: é o traço mais forte da cultura brasileira, cujo apelido famoso é “o jeitinho brasileiro”. Através dessa flexibilidade os administradores brasileiros conseguem realizar as articulações necessárias para adaptar a rigidez do formalismo, concentração de poder e aumentam a criatividade de decisões para adaptar-serapidamente às mudanças que o ambiente exige; • Impunidade: infelizmente também é um traço marcante, oriundo principalmente das relações interpessoais e da cultura do povo brasileiro, permitindo transgredir leis, regulamentos e normas. Segundo Sobral (2008) as principais características dos administradores brasileiros, definidos pelos pesquisadores Costa, Fonseca e Dourad são: Visão imediatista: prioriza somente projetos e tarefas de curto prazo; Estruturas organizacionais piramidais: proporcionando o distanciamento entre os níveis hierárquicos da empresa; Tomadas de decisão centralizadas e autocráticas: diminuindo a participação dos funcionários no processo decisório; Sistemas de controle punitivos: com base na centralização do poder e aumentando o nível de desconfiança dos funcionários; Prática de relações interpessoais com base no respeito ao poder das autoridades: devido à passividade e ao medo de conflitos; Estilo gerencial com grande distância entre o discurso e a prática: cultivando a desconfiança e políticas não éticas; Uso disfarçado da força da autoridade, para parecer que há participação e envolvimento dos funcionários; , 14 Conduta gerencial propícia a modo e modismos de ferramentas consagradas, mas sem o devido cuidado de analisar se são úteis ou não para a empresa. A atividade empresarial no Brasil é muito complexa devido a diversos problemas, que dificultam a obtenção de bons resultados. Os principais problemas são os seguintes: Elevada carga tributária: infelizmente é um dos países como a maior carga tributária do mundo, com cerca de 34%. A França, que lidera o ranking mundial, possui uma carga de 34,4%; Elevados custos de financiamento: a taxa de juros real da economia brasileira é a 7ª mais elevada do mundo, em 2019, com 2,38% ao ano; Excesso de burocracia: o Brasil é um país muito burocrático, dificultando a flexibilidade das empresas brasileiras; Produtividade baixa: devido aos fatores acima, a produtividade brasileira é baixa em relação aos países desenvolvidos. 1.5 A Administração atual e futura Vivemos em um mundo globalizado, complexo e em constantes mudanças. Tais características trazem inúmeras dificuldades às organizações e aos administradores. Atualmente, a quantidade de informações, ideias, pessoas e capital atingem um volume gigantesco e numa velocidade cada vez maior, por conta da evolução tecnológica dos meios de comunicação. Tudo isso leva uma constante incerteza na Administração, mudanças rápidas e bruscas, um maior crescimento organizacional e uma concorrência cada vez mais acirrada. Segundo Sobral (2008) as principais mudanças que devem ocorrer na administração das organizações são: Visão global do negócio: mesmo que a empresa seja pequena, deve ter um site na internet. É preciso enxergar o negócio em contexto global; , 15 Diversidade cultural: com a facilidade de uma empresa atuar em diversos países e com trabalhadores de diversas nacionalidades, a diversidade cultural poderá ser uma grande barreira se não for bem gerenciada, obrigando os administradores a lidarem com diversas culturas, línguas, tradições e valores, simultaneamente; Mudanças nas estruturas organizacionais: o modelo tradicional de estruturas hierárquicas, com centralização de poder, está sendo substituído por estruturas matriciais, mais flexíveis, onde você poderá ter inúmeros líderes, com base no projeto ou processo em que estiver atuando; O vínculo burocrático do administrador deverá mudar para o vínculo empreendedor, onde vai necessitar encontrar novas alternativas de negócios para sobreviver à concorrência cada vez mais acirrada; A informação que normalmente era centralizada, na mão de poucos gestores será cada vez mais pulverizada, trazendo maiores riscos com o uso de informações secretas e estratégicas que poderão ser acessadas indevidamente; O desempenho da organização, que era cobrado por tipo de área, passará a ser cobrado pelo desempenho global da organização. Ou seja, não existe uma área mais importante que a outra, todas são e devem contribuir igualmente para o desempenho da organização numa visão global e ampliada; As vendas que eram realizadas mais em locais físicos, estão sendo substituídas pelo comércio eletrônico. Tal impacto mudará totalmente a forma de administrar e se relacionar com as pessoas. Conclusão Nesse bloco estudamos o conceito de administração e organização; as principais Escolas de Administração que foram criadas; como a administração evoluiu no Brasil; quais são nossas principais características herdadas e a visão clara e objetiva para o administrador brasileiro entender a importância do seu trabalho perante uma organização que lida com a complexidade do mundo atual. Estudamos também como será a administração no futuro, o que permite ao administrador brasileiro se preparar para enfrentar os desafios com competência e eficiência. , 16 Referências CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014. SILVA, Reinaldo O. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. , 17 2 ABORDAGEM CLÁSSICA E HUMANÍSTICA Neste bloco, vamos apresentar as primeiras Teorias da Administração que tiveram foco em tarefas, estrutura organizacional e relacionamento das pessoas. Com a explicação da Teoria Clássica, que foi a pioneira, vamos analisar os princípios da administração. Na administração científica, estudaremos as principais ferramentas utilizadas para melhorar a eficiência nas tarefas. Através da Teoria das Relações Humanas e da Teoria Comportamental, explicaremos o que é estudado referente ao relacionamento nas organizações para identificar o comportamento e impacto no desempenho organizacional. Por último, veremos os principais tipos de liderança para estimular a motivação nas organizações. O objetivo desse bloco é permitir um entendimento dos princípios da administração, suas principais ferramentas e como desenvolver a liderança e motivação para melhorar o desempenho da organização. 2.1 Teoria Clássica O representante de maior vulto da Teoria Clássica da Administração foi Henri Fayol (1841-1925), nascido em Constantinopla, estudou no Liceu de Lion, na França e graduou-se engenheiro pela Escola Nacional de Minas em Saint Étienne. Foi um dos mais influentes nomes das Teorias de Administração, considerado pai da administração moderna e seus conceitos são referência até hoje nas empresas. Principais tópicos abordados: • Ênfase na estrutura das organizações: entendia que uma empresa para ser eficiente, deveria ter uma boa estrutura organizacional; , 18 • Ligação entre a estratégia e as premissas estabelecidas na teoria empresarial: uma empresa precisa saber planejar, definir estratégias e realizar suas atividades, seguindo tais premissas; • Necessidade de aprofundar os aspectos da gestão organizacional e de implantar e incentivar o uso da liderança: para Fayol uma boa gestão organizacional começa pela indicação e uso de bons líderes. Henry Fayol foi o pioneiro em definir quais eram as funções básicas de toda organização, classificou da seguinte maneira (CHIAVENATO, 2014, p. 82): 1. Funções técnicas: destinadas à produção de bens e serviços da empresa; 2. Funções comerciais: relacionadas à compra e venda da empresa; 3. Funções financeiras: captação e gerenciamento de capitais 4. Funções de segurança: responsáveis pelo cuidado e preservação dos bens patrimoniais e dos colaboradores; 5. Funções contábeis: registros, balanços, inventários, custos e estatísticas diversas. 6. Funções de administração: busca dar suportepara a integração das demais funções da organização. Fayol definiu que administração era a realização de atividades administrativas utilizando as seguintes funções (CHIAVENATO, 2014, p. 83): Previsão: com base nas informações do presente, tentar visualizar o futuro que deseja alcançar e elaborar um programa de ação, hoje conhecido como Plano Estratégico ou Objetivo Estratégico; Organização: identificar todos os recursos necessários para realizar o programa de ação definido na Previsão; Comando: orientar os funcionários a realizarem o programa de ação com base nos recursos identificados na Organização; Coordenação: unir todas as atividades e ações necessárias para alcançar os resultados esperados; , 19 Controle: verificar se todas as atividades e ações realizadas estão de acordo com o programa de ação definido na Previsão. Contudo, Fayol definiu quais eram os 14 Princípios Gerais da Administração que toda empresa deveria adotar, que são os seguintes (CHIAVENATO, 2014, p. 85): 1. Divisão de Trabalho: utilizando a especialização do trabalho, fracionando as atividades em partes para torná-la mais fácil. 2. Autoridade e Responsabilidade: para Fayol, autoridade era o direito de dar ordens e responsabilidade estava relacionada à confiabilidade para executar as ordens. 3. Disciplina: criar a necessidade de todos realizarem um esforço comum, para evitar as punições. 4. Unidade de comando: cada trabalhador deveria obedecer a um único chefe, para evitar confusão. 5. Unidade de direção: todas as áreas da empresa deveriam movimentar-se na mesma direção para alcançar um objetivo comum. 6. Subordinação do interesse individual ao geral: o interesse de um funcionário ou grupo, não deveria prevalecer aos interesses da organização. 7. Remuneração do pessoal: o pagamento deveria ser justo para recompensar o desempenho através de vários critérios como tempo e quantidade de produção. 8. Centralização: para Fayol, quanto maior a centralização, menor é o papel do funcionário, que varia dependendo do tipo de empresa. 9. Cadeia escalar: para Fayol era a linha de autoridade correspondente à posição hierárquica dentro da empresa. 10. Ordem: cada coisa em seu lugar para tornar o trabalho mais fácil. 11. Equidade: todos os funcionários deveriam ser tratados igualmente. 12. Estabilidade do pessoal no cargo: para reter os trabalhadores mais produtivos. 13. Iniciativa: todos os funcionários deveriam propor uma nova atividade. 14. Espírito de equipe: os gerentes deveriam enfatizar a harmonia entre os trabalhadores, para melhorar o desempenho da organização. , 20 Principais Funções da Administração, segundo Fayol: PLANEJAMENTO • Planejar é definir, buscar os objetivos ou resultados que a empresa pretende alcançar; • É estabelecer, através de técnicas consagradas, mecanismos que possibilite a realização de objetivos planejados; • É interferir na realidade, para passar de uma situação conhecida a uma situação desejada, dentro de um intervalo definido de tempo, que poderá ser de curto, médio ou longo prazo; • Objetivos: São resultados que a empresa precisa alcançar em determinado prazo estabelecido, para fortalecer sua visão e buscar sua competitividade no ambiente atual e futuro. Passos necessários para realizar um planejamento: • O que? – saber exatamente o que se deseja – definir objetivos; • Por quê? – significa validar o que se deseja fazer; • Como? – onde a empresa se encontra atualmente e onde pretendemos chegar; • Quando? – se não estabelecer um prazo, não será possível checar o desempenho da organização; • Quanto? – o volume de recursos necessários para alcançar os objetivos planejados; • Com que recursos? – de “onde” se vai retirar o montante, capital próprio, financiar. , 21 ORGANIZAÇÃO • É o processo de estabelecer um conjunto de recursos em uma estrutura para possibilitar o alcance dos objetivos; • Ordenar as partes de um todo, segundo algum tipo de critério (processo, custo, prazo); • Definir a estrutura organizacional da empresa que melhor irá atender aos seus objetivos. EXECUÇÃO/DIREÇÃO • Consiste em realizar atividades planejadas com liderança e motivação; • A natureza de cada atividade varia muito de empresa para empresa. CONTROLE • O controle é importante ferramenta para assegurar à consecução e realização dos objetivos; • O processo de controle auxilia a empresa na tomada de decisões; • Informa quais objetivos necessitam ser atingidos; • Informa como a empresa está em relação ao seu desempenho para alcançar os objetivos. Até hoje as Funções da Administração, definidas por Fayol, são muito utilizadas nas empresas, conhecidas como Ciclo PDCO (Planejamento-Organização-Direção- Controle), cada uma com características próprias, conforme quadro abaixo: , 22 Fonte: SILVA, 2008, p. 10 Figura 2.1 Críticas da Teoria Clássica Apesar de muito elogiada na época, a Teoria Clássica também foi objeto de várias críticas, dentre as quais, segundo Chiavenato (2014), destacamos as seguintes: Abordagem simplificada da organização formal: a maioria dos autores da Teoria Clássica consideraram a organização somente sob o lado lógico e racional, não considerando o lado psicológico de grande importância, que é a relação entre os funcionários; Ausência de Trabalhos Experimentais: a maioria dos conceitos e fundamentações estabelecidas foram com base em observações e no senso comum, o que contraria os pressupostos de tratar a Administração como uma Ciência; Abordagem incompleta da organização: foram analisados somente os aspectos da organização formal, preocupando-se demais com a estrutura organizacional e esquecendo a organização informal (não reconhecida nas estruturas organizacionais). , 23 2.2 Administração Científica Frederick Taylor (1856-1915) nascido na Pensilvânia – EUA, principal criador, do movimento que ficou conhecido como Administração Científica. Taylor inovou processos tradicionais de trabalho, utilizando métodos científicos que aprendeu quando estudou Engenharia. A Administração Científica tem como principal objetivo economizar trabalho, produzindo mais com a menor utilização do tempo. Conforme Silva (2008) os princípios básicos da Administração Científica, definidos por Taylor, foram: Desenvolvimento de um método científico para o trabalho dos operários: em substituição ao método tradicional que existia baseado no empirismo (regra do polegar); Estabelecimento de processo científico de seleção e treinamento do operário: na época não existia um processo de seleção e nem de treinamento. Cada um adotava o seu; Cooperação entre as gerências e os operários: para tentar garantir o uso de métodos científicos apropriados; Divisão do trabalho dos operários em função da sua especialização: para aumentar a eficiência na produção. A busca de substituir os métodos de trabalho com base no empirismo por outro com base em métodos científicos, ficou conhecido como Organizacional Racional do Trabalho – ORT. Segundo Chiavenato (2014) a Organização Racional do Trabalho se baseia nos seguintes princípios: Análise do Trabalho e Estudo dos Tempos e Movimentos: para analisar um trabalho era necessário identificar todas as fases (movimentos), colocando-as em ordem lógica e estabelecendo um tempo padrão para cada uma. Tal estudo permitia a racionalização dos métodos de trabalho; , 24 Estudo da fadiga humana: a fadiga tende a diminuir a produtividade do trabalhador. Estudando a fadiga, procurando eliminar os movimentos inúteis e arrumando adequadamente as ferramentas e equipamentos necessários ao trabalho, era possível reduzi-la. Um grande estudioso da fadiga na época foi Frank Gilbreth (1868-1924); Divisão do Trabalho e especialização do operário: com base no estudo dostempos, movimentos e análise do trabalho, criou-se a Divisão de Trabalho, separando as tarefas em partes menores e especializando o operário em cada parte, tornando-o mais produtivo. A ideia que surgiu era que a eficiência aumenta a especialização; Desenho de cargos e tarefas: Taylor foi um pioneiro em desenhar um cargo, relacionando-o como um conjunto de tarefas a ser realizada por um operário; Incentivos salariais e prêmios de produção: com o desenho de cargos estabelecido e o tempo padrão de cada tarefa determinado, Taylor criou um sistema de remuneração baseado na quantidade de peças produzidas e não mais no total de horas trabalhadas, o que revolucionou os conceitos na época; Padronização: além de criar os estudos de tempo padrão, a descrição de cargos e tarefas, também houve uma preocupação com a padronização dos métodos e processos de trabalho, ferramentas e matéria-prima. Tudo isso procurando eliminar desperdícios e aumentar a eficiência; Supervisão funcional: Taylor propôs que cada supervisor tinha que ter a especialização necessária da área, tornando-o um supervisor funcional, pois entendia todas as atividades e tarefas que os funcionários executavam. A Administração Científica teve outros representantes, além de Taylor: • Frank Bunker Gilbreth (1868-1924) e Lilian Moler Gilbreth (1878-1972). Frank publicou o livro Fatigue study (estudo da fadiga em 1916). Ele e sua esposa fizeram inúmeros estudos a respeito da fadiga humana e iniciou os estudos de tempo e movimento, dando inúmeras contribuições na busca da racionalização do trabalho e aumento da produtividade; , 25 • Henry Gantt (1861-1919): trabalhou junto com Taylor e foi o criador do Gráfico de Gantt, até hoje muito utilizado, para controlar atividades de um projeto em relação ao plano original; • Harrington Emerson (1853-1931): sua grande preocupação foi com a questão da produtividade correta das empresas. Segundo Silva (2008), definiu os 12 princípios da eficiência (muito utilizado pelas empresas na época), conforme abaixo: 1. Definir objetivos 2. Utilizar o bom senso 3. Ter orientação competente 4. Manter a disciplina 5. Praticar o tratamento justo 6. Ter registros confiáveis 7. Rapidez e prontidão nas rotinas 8. Estabelecer padrões e programações 9. Condições de trabalho devem ser padronizadas 10. As operações precisam ser padronizadas 11. Todas as instruções das práticas-padrão devem ser escritas 12. Dar recompensas pela eficiência alcançada • Henry Ford (1863-1947): Trouxe inúmeras contribuições para as indústrias da época. Implantou o sistema de produção em série na indústria automobilística, reduzindo tempo e custos de fabricação. Ford adotou três princípios básicos segundo Silva (2008): I. Princípio de intensificação: reduzir ao máximo o tempo de fabricação, hoje denominado de redução do ciclo de tempo. II. Princípio da economicidade: reduzir os estoques da matéria-prima ao mínimo. III. Princípio da produtividade: aumentar ao máximo a produtividade utilizando a especialização do trabalhador. , 26 Críticas a Administração Científica segundo Chiavenato (2014): Assim como aconteceu na Teoria Clássica, apesar das grandes contribuições que a Administração Científica trouxe para as organizações, também houve várias críticas. Mecanicismo: a Administração Científica se preocupou demais com a melhoria da tarefa, racionalização do trabalho e especialização do funcionário, tornando sua tarefa enfadonha. Ou seja, para tais estudiosos o homem deveria se comportar como uma máquina, com o máximo de produtividade, sem se preocupar com o lado psicológico e social do trabalhador, conforme demonstra a figura abaixo: Fonte: CHIAVENATO, 2014, p.70 Figura 2.2 Superespecialização do Operário: na busca de aumentar cada vez mais a produtividade, as atividades eram divididas em várias tarefas, para torná-la mais simples e, com isso, o funcionário ficava superespecializado em fazer só aquilo, trazendo inúmeros problemas como esgotamento físico, monotonia e outros. , 27 2.3 Teoria das Relações Humanas Origem A Experiência em Hawthorne, desenvolvida por Elton Mayo (1880-1949) e seus colaboradores, foi o principal movimento que deu início à Teoria das Relações Humanas. O foco da Teoria das Relações Humanas foi fazer oposição à Teoria Clássica da Administração que não se preocupava com o ser humano. O desenvolvimento das ciências humanas começou a influenciar várias aplicações práticas na organização, principalmente a psicologia e a sociologia. Elton Mayo e a Teoria das Relações Humanas A Teoria das Relações Humanas teve foco em estudar o ser humano e suas relações dentro da organização. Para os estudiosos dessa teoria o desempenho das organizações depende da eficiência dos sistemas técnicos existentes e do desempenho das pessoas. As organizações são sistemas cooperativos, pois dependem da integração das diversas áreas e dos colaboradores para realização dos seus objetivos. Para que haja cooperação entre as áreas e colaboradores, a organização precisa alcançar um equilíbrio entre os benefícios que oferece para seus colaboradores (inducements) em troca do esforço que o colaborador dá para a organização (contributions). Experimento de Hawthorne • Experimento desenvolvido e coordenado pelo professor Elton Mayo na fábrica da Western Eletric Co., no bairro de Hawthorne, em Chicago – EUA; • Inicialmente o objetivo da pesquisa era saber se a luminosidade do ambiente afetava ou não a produtividade da equipe de trabalho; , 28 • Como Mayo era observador, percebeu durante a pesquisa que a produtividade não era causada só por fatores físicos ou materiais, mas também, ou principalmente, por fatores sociais e psicológicos; • Tal experimento conseguiu demonstrar a importância do grupo sobre o desempenho dos indivíduos. Principais conclusões da Experiência de Hawthorne (CHIAVENATO, 2014, p.108): • Nível de Produção: quanto maior a integração da equipe de trabalho, maior a produtividade; • Comportamento Social dos Empregados: apoiam-se totalmente no grupo e não na empresa ou no chefe imediato; • Relações Humanas: os indivíduos dentro da organização participam de grupos sociais que nem sempre pertencem à mesma área de trabalho; • Grupos Informais: mantêm uma constante interação social, tornando-os fortes e unidos; • A relevância do Conteúdo do Cargo: quanto mais se sentir valorizado, maior é a motivação do funcionário. A conclusão da Experiência de Hawthorne trouxe novos conceitos para a Administração e vários outros estudiosos começaram a estudar a organização, com foco nos funcionários e seus relacionamentos. Segundo Fayol (2014), Roethlisberger e Dickson que participaram da pesquisa com Mayo, a organização industrial tem duas funções importantes: a função econômica (que é produzir bens ou serviços) e a função social (que tem a responsabilidade de distribuir satisfações aos funcionários), conforme figura abaixo: , 29 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 113 Figura 2.3 Críticas da Teoria das Relações Humanas segundo Chiavenato (2014) Desde que a Teoria das Relações Humanas foi criada, surgiram inúmeras críticas: • A negação do conflito empresa-funcionário. Para os estudiosos dessa teoria não havia conflitos; • Restrição de poucas variáveis e limitando-se apenas à análise de fábricas, pois a maioria dos estudos foi em indústrias; • Concepção utópica: visão idealizada de um funcionário feliz e integrado ao ambiente de trabalho; • Ênfase excessiva nos grupos informais: existiu uma supervalorização no fator “Integração Grupal” com relação à produtividade; , 30 • Espionagem: a participação dos funcionários nas decisões acabou sendo desvirtuada, pois alguns se tornaram “espiões” da empresa; • A Teoria das Relações Humanas nãotrouxe novos critérios de gestão diferentes da Teoria Clássica e da Administração Científica. A seguir veremos as principais diferenças entre a Teoria Clássica e a Teoria de Relações Humanas, segundo Silva (2008). Características Clássicas Relações Humanas Estrutura Mecânica, impessoal A organização é um sistema social Comportamento na organização Com base nas regras e regulamentos Depende dos sentimentos e atitudes dos funcionários Foco No trabalho, tarefas e nas necessidades econômicas dos trabalhadores Nos grupos e nas qualidades humanas e emocionais dos empregados Ênfase Na ordem e na racionalidade Na segurança pessoal e nas necessidades sociais dos trabalhadores Resultados Insatisfação, alienação no trabalho Empregados felizes tentam produzir mais Características Clássicas Relações Humanas Estrutura Mecânica, impessoal A organização é um sistema social Comportamento na organização Com base nas regras e regulamentos Depende dos sentimentos e atitudes dos funcionários Foco No trabalho, tarefas e nas necessidades econômicas dos trabalhadores Nos grupos e nas qualidades humanas e emocionais dos empregados Ênfase Na ordem e na racionalidade Na segurança pessoal e nas necessidades sociais dos trabalhadores Resultados Insatisfação, alienação no trabalho Empregados felizes tentam produzir mais , 31 2.4 Teoria Comportamental A Teoria Comportamental surgiu como um desdobramento das Teorias de Relações Humanas, mas preocupando-se com o comportamento organizacional, ou seja, com o comportamento dos funcionários, dos diversos grupos formais e informais e das organizações. Para tentar entender o comportamento organizacional, foi necessário estudar a motivação humana, já que ela é um dos principais elementos para entender o comportamento dos funcionários. Vários estudiosos da Teoria Comportamental despontaram e vamos falar dos mais importantes. Abraham Harold Maslow (1908-1970) Maslow foi um dos mais ilustres estudiosos da motivação, conhecido pela “Pirâmide de Maslow” onde apresentou uma teoria da motivação com base na hierarquia de necessidades. Segundo ele as pessoas são motivadas especialmente pelas necessidades humanas. Quanto mais forte é a necessidade, maior é a motivação. As necessidades humanas se dividem em cinco grupos, denominadas de Pirâmide das Necessidades de Maslow, conforme figura abaixo: , 32 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 326 Figura 2.4 Se um funcionário estiver com necessidades fisiológicas é porque ele necessita de descanso, conforto físico ou uma redução na jornada de trabalho. Conforme uma necessidade é atendida, passa para outro nível hierárquico, conforme demonstrado na figura acima. Frederick Herzberg (1923-2000) – Teoria da Motivação dois fatores Segundo Herzberg (CHIAVENATO, 2014, p. 326), na sua Teoria da Motivação dos Dois Fatores, existem dois fatores que podem explicar o comportamento dos funcionários no ambiente de trabalho: 1. Fatores higiênicos ou fatores extrínsecos: são localizados no ambiente de trabalho e afetam as condições do funcionário exercer seu papel. Tais fatores são administrados pela empresa, portanto o funcionário não tem qualquer poder sobre eles. Segundo a pesquisa realizada por Herzberg, quando tais fatores são bons servem apenas para evitar a insatisfação dos funcionários ou, , 33 quando muito, deixá-los satisfeitos por pouco tempo. Se tais fatores são ruins, provocam a insatisfação do funcionário. 2. Fatores motivacionais ou fatores intrínsecos: são os fatores que estão relacionados com tipo e conteúdo do cargo, bem como com as atividades que o funcionário executa. Tais fatores estão sob controle do funcionário, pois, dependendo do cargo que ocupa, poderá sentir-se satisfeito, quer pelo tipo de trabalho, possibilidade de crescimento, reconhecimento, etc. Esses fatores influenciam de maneira mais vigorosa na satisfação dos funcionários. Veja o quadro abaixo para melhor compreensão: Quadro 2.1 FATORES MOTIVACIONAIS (Satisfacientes) FATORES HIGIÊNICOS (Insatisfacientes) Conteúdo do cargo (como a pessoa se sente em relação a seu cargo) Contexto do cargo (como a pessoa se sente em relação a sua empresa) • O trabalho em si • Realização • Reconhecimento • Progresso profissional • Responsabilidade • Condições de trabalho • Administração da empresa • Salário • Relações com o supervisor • Benefícios e serviços sociais (CHIAVENATO, 2014, p. 328) Douglas McGregor (1906-1964) McGregor estudou os modelos de administrar uma empresa. Escolheu dois modelos que são opostos e que denominou de Teoria X e Y. Para ele o modelo mais tradicional de administrar é aquele onde o homem é considerado preguiçoso, sem ambição, resistente às mudanças e que precisa constantemente ser monitorado. Para esse estilo de administrar, deu o nome de Teoria X. , 34 O outro modelo, completamente oposto e com base nos pressupostos da Teoria Comportamental, o homem gosta de trabalhar, tem motivação e ambição, aceita mudanças e é responsável, não precisando de monitoramento constante. Para esse estilo de administrar, deu o nome de Teoria Y. Portanto, dependendo do modelo da organização, poderá desenvolver o estilo X ou Y de administrar, sendo que o Y é o modelo mais democrático, participativo e que valoriza as pessoas. E o modelo X é um modelo mais autoritário com vários controles impostos aos funcionários no sentido de supervisioná-los e fazê-los executar suas atividades, conforme quadro abaixo: Quadro 2.2 Pressuposições da Teoria X Pressuposições da Teoria Y • As pessoas são preguiçosas e indolentes; • As pessoas evitam o trabalho; • As pessoas evitam a responsabilidade, a fim de se sentirem mais seguras; • As pessoas precisam ser controladas e dirigidas; • As pessoas são ingênuas e sem iniciativa. • As pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer; • O trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar; • As pessoas procuram e aceitam responsabilidades e desafios; • As pessoas podem motivar e dirigir a si mesmas; • As pessoas são criativas e competentes. (CHIAVENATO, 2014, p. 333) Rensis Likert (1903-981) Foi professor e pesquisador. Trabalhou como diretor do Instituto de Pesquisas Sociais de Michigan-EUA e desenvolveu vários estudos sobre estilos de liderança e administração de empresas. Segundo ele a administração não pode ser igual para várias empresas e deve assumir diferentes modos de administrar, de acordo com várias condições internas e externas. , 35 No seu estudo criou quatro modelos de organização com base em quatro variáveis: processo de decisão, sistema de comunicação, tipo de relacionamento interpessoal e modelo de recompensas e punições. Tais modelos de administração foram denominados de: Autoritário-coercitivo, Autoritário-benevolente, Consultivo e Participativo. Dependendo da empresa e suas condições internas e externas, deverá adotar o modelo mais apropriado, conforme demonstra tabela abaixo: Quadro 2.3 Variáveis Autoritário- Coercitivo Autoritário - Benevolente Consultivo Participativo Processo de decisão Totalmente centralizado na cúpula da organização Centralizado na cúpula, mas permite alguma delegação, de caráter rotineiro Consulta aos níveis inferiores, permitindo participação e delegação Totalmente descentralizad o. A cúpula define políticas e controla os resultados Sistema de Comunicação Muito precário. Somente comunicações verticais e descendentes com ordens Relativamente precário, prevalecendo comunicações descendentes. A cúpula procura facilitar o fluxo no sentido vertical e horizontal Sistemas de comunicação eficientes são fundamentais para o sucesso da empresa Relacionamento interpessoal Provocam desconfiança. Organização informal éproibida. Cargos confinam as pessoas. São tolerados, com anuência. Organização informal é incipiente e considera uma ameaça à empresa Certa confiança nas pessoas e nas relações. A cúpula facilita a organização informal sadia. Trabalho em equipe. Formação de grupos é importante. Confiança mútua, participação e envolvimento grupal intenso. Modelo de recompensas e punições Utilização de punições e medidas disciplinares. Obediência restrita aos regulamentos. Raras recompensas sociais Utilizações de punições e medidas disciplinares, mas com menor arbitrariedade. Recompensas salariais e raras recompensas sociais Utilização de recompensas materiais. Recompensas sociais ocasionais. Raras punições ou castigos Utilização de recompensas sociais e recompensas materiais e salariais. Punições são raras e, quando ocorrem, são definidas pelas equipes (CHIAVENATO, 2014, p. 337) , 36 O modelo de administração Autoritário-Coercitivo é mais utilizado onde há muito volume de funcionários com pouca qualificação profissional, tais como empresas de construção civil, algumas indústrias de montagem e empresas de prestação de serviços operacionais (limpeza, jardinagem etc.). O modelo de administração Autoritário-Benevolente é mais utilizado em empresas com muitos funcionários especializados. É comum em grandes empresas de montagens industriais ou em algumas áreas de produção de grandes indústrias. O modelo de administração Consultivo é mais utilizado por empresas que prestam serviços como bancos ou em escritórios de empresas mais organizadas e modernas. O modelo de administração Participativo é para empresas que trabalham com tecnologia de ponta e/ou com pessoal altamente especializado tais como empresas de consultoria, tecnologia da informação, robótica etc. 2.5 Motivação e Liderança Motivação Motivação indica a origem ou motivo que faz com que o ser humano tenha determinado comportamento. A motivação é única e individual, ou seja, cada um tem sua forma diferente de estar motivado. Segundo Silva (2008), em 1982 T. E. Mitchell apresentou uma revisão da teoria da motivação, identificando quatro características da motivação: É definida como um fenômeno individual: cada pessoa tem sua maneira específica de encontrar motivação; É descrita, geralmente, como intencional: cada funcionário tem a sua própria intenção de realizar ou deixar de realizar algo, que o faz ficar motivado; É multifacetada: a pessoa tem um estímulo, que vai gerar um comportamento e ele vai escolher que tipo de comportamento vai adotar; , 37 O propósito das teorias de motivação é predizer o comportamento, ou seja, a motivação não é o comportamento que um determinado funcionário tem, mas sim é uma consequência de variáveis internas e externas que, através de uma decisão sua, gerou tal comportamento. Mitchell define motivação da seguinte forma: “é o grau para o qual um indivíduo quer e escolhe adotar determinado comportamento” (SILVA, 2008, p. 204). Podemos concluir que cada pessoa tem um determinado comportamento, de acordo com seu nível de motivação. Nesse sentido, se um gerente deseja melhorar o desempenho da sua equipe, através da motivação, precisa estar atento para identificar os comportamentos de cada funcionário e as razões que os levou a tal comportamento. O modelo básico de motivação pode ser representado, conforme a figura abaixo: Fonte: SILVA, 2008, p. 204 Figura 2.5 Na vida profissional, o indivíduo tem diversas necessidades e expectativas, que podem ser caracterizadas de várias maneiras. Pode ser necessidade de recompensas psicológicas, normalmente oriundas das ações individuais realizadas pelo gerente (motivações intrínsecas). Pode ser de necessidades de recompensas materiais, tais como salário, benefícios, condições de trabalho e outras, que a empresa é responsável (motivações extrínsecas). A motivação tem um ciclo, com uma sequência de eventos, que se inicia a partir do momento que a pessoa cria uma necessidade e ou expectativa, passa por vários , 38 estágios, até chegar a um comportamento final. Nesse momento, se a pessoa conseguiu realizar parte ou totalmente a necessidade criada, terá um grau de motivação positivo (geralmente de alegria e felicidade) por ter conseguido e, com bom desempenho. Caso contrário, terá um grau de motivação negativo (geralmente de tristeza, frustração) com baixo desempenho. A figura abaixo é um modelo do ciclo de motivação – desempenho. Fonte: SILVA, 2008, p. 207 Figura 2.6 Várias teorias de motivação foram desenvolvidas, sendo que duas são mais importantes: a Teoria dos Dois Fatores (Herzberg) e Teoria da Hierarquia das Necessidades (Maslow), já foram explicadas no subitem 2.4 desse bloco. Liderança Os estudiosos das Teorias das Relações Humanas e da Teoria Comportamental puderam perceber a grande importância que um líder pode exercer em seus liderados, dependendo da maneira como atuar. , 39 Surgiram então várias pesquisas e estudos para tentar entender o modelo ideal de liderança para uma empresa e atualmente a liderança é considerada como uma habilidade importante na função de direção. Existem inúmeros conceitos de liderança, mas o mais simples é esse: é um processo de conduzir e influenciar as atividades realizadas por um grupo de funcionários no sentido de alcançar os objetivos planejados previamente. Segundo Chiavenato (2014), a liderança pode ser vista e analisada sob diversos pontos de vista: Como fenômeno de influência interpessoal: dependendo da capacidade do líder de utilizar sua comunicação para influenciar as pessoas, poderá alcançar inúmeros adeptos que seguirão sua ordem no alcance dos objetivos, conseguindo um poder maior que sua autoridade funcional (derivada do cargo que ocupa); Como processo de redução da incerteza de um grupo: quanto mais o grupo acreditar na capacidade do líder de que poderá ajudá-los a alcançarem o objetivo, maior será seu poder sobre eles, eliminando ou reduzindo o grau de incerteza; Como uma relação funcional entre líder e subordinados: todo subordinado tem suas necessidades, mas sabe que sozinho, dificilmente irá alcançá-las. Quando encontra um líder em quem acredita que seja capaz de ajudá-lo na realização de suas necessidades, estabelece uma relação funcional com ele, onde um ajuda o outro; Como um processo em função do líder, dos seguidores e de variáveis da situação: a liderança, em cada situação, dependendo das variáveis envolvidas exige um modo de agir e decidir diferente. Portanto o líder deve saber como trabalhar com tais variáveis para conseguir o apoio dos funcionários naquela situação específica, conhecida como abordagem situacional. , 40 Por se tratar de um tema muito importante na organização, a Liderança tem inúmeras teorias e estudos que, segundo Chiavenato (2014) podem ser classificadas em três grupos: I. Teorias sobre traços de personalidade II. Teorias sobre estilos de liderança III. Teorias situacionais da liderança Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 125 Figura 2.7 Teorias sobre Traços de Personalidade Consideram que alguns traços poderão ajudar a ser um bom líder. Ou seja, deverá ter bons traços físicos, intelectuais, sociais e traços relacionados com a tarefa (experiência, competência, iniciativa). Teorias sobre Estilos de Liderança Foram analisados e estudados quais tipos de comportamento um líder deve possuir em relação a seus subordinados. , 41 Segundo Chiavenato (2014), uma das principais Teorias foi desenvolvida por Whitte e Lippitt através de uma pesquisa que realizaram, agrupou em três tipos: liderança democrática, liderança autocrática e liderança liberal (laissez-faire), conforme quadro abaixo: Quadro 2.4 Autocrática Democrática Liberal (laissez-faire)O líder determina as diretrizes, sem qualquer participação do grupo. As diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder. Há liberdade total para as decisões grupais ou individuais, e mínima participação do líder. O líder determina as providências para a execução das tarefas, cada uma por vez, na medida em que se tornam necessárias e de modo imprevisível para o grupo. O grupo esboça as providências para atingir o alvo e pede aconselhamento ao líder que sugere alternativas para o grupo escolher. As tarefas ganham novas perspectivas com os debates. A participação do líder é limitada, apresentando apenas materiais variados ao grupo, esclarecendo que poderia fornecer informações desde que as pedissem. O líder determina a tarefa que cada um deve executar e o companheiro de trabalho. A divisão das tarefas fica a critério do grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus companheiros de trabalho A divisão das tarefas e escolha dos colegas fica totalmente a cargo do grupo. Absoluta falta de participação do líder. O líder é dominador e é “pessoal” nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro. O líder procura ser um membro normal do grupo, em espírito. O líder é “objetivo” e limita-se aos “fatos” nas críticas e elogios. O líder não avalia o grupo e nem controla os acontecimentos. Apenas comenta as atividades quando perguntado. (CHIAVENATO, 2014, p.127) Teorias Situacionais da Liderança Estudiosos dessas teorias afirmam que a liderança não pode ser baseada em traços de personalidade nem em estilo de liderança. A Liderança deve ser baseada em variáveis e na situação que o momento exige, assim é possível trocar o líder de acordo com a situação específica. Segundo Chiavenato (2014), Tannenbaum e Schmidt definiram um estilo de liderança situacional com base no grau de centralização ou descentralização de autoridade que o líder dá para seus subordinados. Para eles dependendo do tipo de tarefa e tipo de subordinado, é possível estabelecer um continuum de padrões de liderança, conforme figura abaixo. , 42 Figura 2.8 – Estilos de Liderança Estudos recentes demonstram preocupação com a motivação e liderança sob um novo ângulo que foi denominado de Qualidade de Vida no Trabalho – QVT. A QVT baseia-se numa visão integral da pessoa, denominada de biopsicossocial. Ou seja, para o homem trabalhar motivado é necessário que esteja bem biologicamente (saúde), psicologicamente (pessoa, família) e socialmente (ambiente de trabalho, relações sociais). Conclusão Foram abordados os princípios da administração, definidos na teoria clássica; as principais ferramentas da Administração Científica; como se forma o relacionamento humano nas organizações; o impacto que o comportamento humano, a liderança e a motivação proporcionam no desempenho da empresa. O administrador poderá utilizar os conhecimentos estudados nesse bloco para buscar crescimento profissional, colaborando ativamente na melhoria contínua da gestão organizacional. , 43 Referências CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014. SILVA, Reinaldo O. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. , 44 3 ABORDAGEM ESTRUTURALISTA E NEOCLÁSSICA Neste bloco, vamos definir os principais tipos de poder usados nas organizações de acordo com a Teoria Estruturalista; explicar quais são os principais tipos de autoridade e as funções definidas pela Teoria da Burocracia; identificar as principais abordagens desenvolvidas pela Teoria Neoclássica; distinguir as principais características e vantagens que administração e objetivos proporcionam às empresas; saber reconhecer e interpretar os conceitos de eficiência, eficácia e competitividade. O objetivo desse bloco é proporcionar uma visão geral da Teoria Estruturalista e Neoclássica, que poderá proporcionar importantes ferramentas para o administrador utilizar no alcance dos objetivos organizacionais, tornando a empresa mais competitiva. 3.1 Teoria Estruturalista A Teoria Estruturalista surgiu em virtude da oposição que se criou em torno da Teoria Clássica e Teoria das Relações Humanas e por conta do movimento estruturalista, iniciando em 1950 na Europa. Tal movimento teve como objetivo estudar e analisar a interdisciplinaridade das diversas ciências. Segundo Chiavenato (2014), o conceito de estruturalismo e estrutura é: • Estruturalismo é um método analítico e comparativo que estuda os elementos ou fenômenos com relação à sua totalidade, salientando seu valor; • Estrutura significa a análise interna de uma totalidade em seus elementos constitutivos, sua disposição e inter-relações, permitindo uma comparação, pois pode ser aplicado a coisas diferentes entre si. , 45 De acordo com os estruturalistas a sociedade moderna e industrializada, é uma sociedade que poderia ser denominada de “sociedade de organizações”, onde todos nós ficamos totalmente dependentes para viver e sobreviver nesse ambiente. Tais organizações são complexas, diferentes e o homem tem que exercer vários papéis diferenciados em cada uma, para poder atender os objetivos ou utilizar seus produtos/serviços. As organizações existem há muito tempo e sempre foi uma fonte de preocupação para estudiosos e críticos no sentido de entender e encontrar o melhor meio de administrar suas relações complexas e diferenciadas. Segundo Chiavenato (2014), o histórico e desenvolvimento das organizações podem ser explicados em quatro etapas: I. Etapa da natureza: são aquelas organizações pioneiras que existiam somente com base na utilização e exploração dos elementos da natureza. II. Etapa de trabalho: são aquelas organizações que começaram a utilizar um novo elemento que surgiu e revolucionou o modo de operação das organizações: o trabalho. Com esse novo elemento as organizações passaram não só a utilizar os elementos da natureza, mas também a transformá-los em novos produtos. III. Etapa do capital: conforme as organizações cresceram e se tornaram complexas, surgiu a necessidade de grandes investimentos na construção e operação de uma organização. Nessa terceira etapa, o capital começa a ficar mais importante que os elementos da natureza e do trabalho. IV. Etapa da organização: na quarta etapa, todas as anteriores se tornam dependentes da organização para administrar e alcançar os objetivos, dando relevância à Ciência da Administração e seus fundamentos como um novo elemento propulsor e necessário para a existência, sobrevivência e sucesso das organizações. , 46 Nessa época começaram a surgir inúmeros estudos a respeito das organizações, principalmente no sentido de entender a tipologia de cada uma, pois cada organização é diferente de outra. Diversos autores estudaram a Tipologia das Organizações com base em características que eram semelhantes e através de uma análise comparativa entre elas, poderiam classificá-las em classes ou tipos. Vamos comentar alguns desses autores. Tipologia de Etzioni De acordo com Etzioni, as organizações tinham as seguintes características comuns: • Divisão de Trabalho, atribuição de poder e responsabilidades: cada organização possui uma forma de separar os diversos tipos de áreas e atividades necessárias para alcançar seus objetivos organizacionais; • Centros de poder: cada empresa tem uma forma de distribuir o poder na organização, para controlar e avaliar o desempenho organizacional; • Substituição do pessoal: cada empresa tem uma maneira de selecionar, demitir ou promover seus funcionários para manter o desempenho necessário no sentido de alcançar seus objetivos. (CHIAVENATO, 2014, p. 296) Com base nessas características, Ezioni concluiu que para a empresa se manterno mercado onde atua e gerenciar corretamente tais características precisa estabelecer mecanismos de controle para distribuir recompensas e punições para alcançar os objetivos. Dessa maneira, Etzioni interpretou as organizações existentes em três tipos: I. Controle físico: para fazer com que o funcionário cumpra determinadas atividades ou para punir aqueles que não fazem ou fazem incorretamente, utiliza-se a punição através de ameaças, força, imposição, sanções físicas, etc. Esse modelo de controle corresponde ao poder coercitivo. II. Controle material: nesse modelo, para o funcionário cumprir suas atividades, a organização distribui recompensas materiais tais como prêmios, promoções, dinheiro, etc. Assim o funcionário se sente motivado a melhor seu desempenho profissional. , 47 III. Controle normativo: nesse modelo o funcionário cumpre suas atividades ou recebe premiações por bom desempenho, através de símbolos normativos tais como reconhecimento, consideração, prestígio, aceitação, etc. É o tipo de controle moral e ético, com base em valores, crença, ideologia e fé. Com base nesses três tipos de controle, Etzioni classificou as organizações como: • Organizações coercitivas: prisões, campos de concentração etc.; • Organizações utilitárias: empresas privadas, comércio, indústrias etc.; • Organizações normativas: hospitais, igrejas, ONGs, universidades, etc. Para melhor entendimento dessa classificação, vide tabela abaixo: Quadro 3.1 Tipo de organização Tipo de Poder Controle utilizado Ingresso e permanência do pessoal Envolvimento do pessoal Exemplos Coercitiva Coercitivo Prêmios e punições Coação, imposição, força, ameaça e medo Alienativo com base no temor Prisões e penitenciárias Normativa Normativo Moral e ético Convicção, fé, crença, ideologia Moral e motivacional como autoexpressão Igrejas, hospitais, universidades Utilitárias Remunerativo Incentivos econômicos Interesse e vantagem percebida Calculativa, busca de vantagens Empresas em geral Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 298 Tipologia de Blau e Scott As organizações, de maneira geral, têm relações internas com seus funcionários e proprietários e relações externas com clientes, fornecedores, investidores e outros. Os estudos nas organizações realizados por Blau e Scott, tiveram como foco analisar o beneficiário principal da organização. Nesse sentido as organizações foram classificas da seguinte forma: I. Associações de interesses mútuos: os principais beneficiários da organização são os membros que dela fazem parte. , 48 II. Associações de interesses comerciais: os principais beneficiários da organização são os próprios donos ou acionistas, é o caso da maioria das organizações privadas existentes. III. Organizações de serviços: quando os principais beneficiários da organização fazem parte de um grupo específico de clientes. IV. Organizações de Estado: o principal beneficiário da organização é o público em geral que faça parte daquele Estado. Analise a tabela abaixo para entender melhor: Quadro 3.2 Beneficiário principal Tipo de organização Exemplos Os próprios membros da organização Associação de beneficiários mútuos associações profissionais, cooperativas, fundos mútuos, consórcio etc. Os proprietários ou acionistas da organização Organizações de interesses comerciais Sociedades anônimas ou empresas familiares Os clientes Organizações de serviços Hospitais, universidades, organizações religiosas e agencias sociais, organizações filantrópicas O público em geral Organizações de Estado Organização militar, segurança pública, correios e telégrafos, saneamento básico, organização jurídica e penal Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 299 3.2 Teoria da Burocracia O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) foi o criador da Sociologia da Burocracia. Weber definiu que as organizações formais modernas devem se basear em leis que as pessoas, por serem racionais, acabam aceitando como válidas. As pessoas que interagem nas organizações modernas, também por serem racionais, aceitam que algumas pessoas sejam representadas pela autoridade da lei. A obediência é conseguida através das leis que são definidas formalmente. Toda sociedade, empresa ou grupo que se baseie em leis racionais é considerada uma burocracia. , 49 Na Teoria da Burocracia criada por Max Weber, as organizações burocráticas apresentam as seguintes características principais, segundo Chiavenato (2014): Caráter legal das normas e procedimentos: toda organização é administrada através de normas e regulamentos estabelecidos por escrito, descrevendo a maneira de como a organização deve funcionar. Isso torna a organização uma estrutura social e organizada onde cada um tem seus deveres e com poderes legais previamente estabelecidos; Caráter formal das comunicações: a burocracia estabelece que todo o tipo de comunicação deva ser formal (escrita), para que não haja problemas de interpretação e garante legitimidade em todas as ações e decisões comunicadas formalmente; Caráter racional e divisão de trabalho: significa que todo funcionário deve ser selecionado com base nas suas habilidades e capacitação técnica, para desenvolver determinada atividade e que suas futuras promoções devam ser baseadas no mesmo critério. Além disso, todo cargo existente na organização tem sua esfera de competência e responsabilidade previamente definida para alcançar os objetivos; Impessoalidade nas relações: toda atividade é distribuída com base no cargo e função, para que a pessoa de determinado cargo tenha tais atribuições não por conta dela e sim por conta do cargo que ocupa. Ou seja, o poder pertence ao cargo que é detentor impessoal do poder; Hierarquia da autoridade: todo cargo está subordinado a um nível superior, ao qual deve prestar contas. Isso significa que nenhum cargo fica sem supervisão. Rotinas e procedimentos padronizados: o ocupante de um cargo não pode fazer o que considera melhor, deve realizar todas as atividades estabelecidas em rotinas e procedimentos escritos, dando garantia à existência da disciplina organizacional; , 50 Competência técnica e meritocracia: na burocracia a escolha de pessoas para ocupar um cargo ou receber uma promoção, é baseada em critérios técnicos e não pessoais. Tais critérios estão estabelecidos com base no tipo de atividade a ser realizada, levando em conta a competência e a capacidade do funcionário, para realizar tal atividade com eficiência; Especialização na administração: na burocracia há uma nítida separação entre propriedade que pertence à empresa e propriedade pessoal do funcionário. Especifica ao funcionário que ele não é o dono do negócio, portanto não pode confundir sua propriedade pessoal com a propriedade da empresa; Profissionalização dos participantes: a burocracia estabelece cada funcionário como um profissional especialista, assalariado, ocupante de um cargo nomeado pelo superior imediato e por tempo indeterminado até que surja alguma alteração. Portanto, esse profissional deve seguir carreira dentro dos critérios estabelecidos na organização, não é dono da organização e deve ser sempre fiel ao cargo e objetivos que a empresa estabelecer; Completa previsibilidade de funcionamento: o princípio da burocracia é a previsibilidade, fazendo com que todos cumpram as normas e regras estabelecidas, para alcançar máxima eficiência. Tais características podem ser mais bem entendidas conforme figura abaixo: Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 267 Figura 3.1 , 51 Em seus estudos, Weber apresentou três tipos de sociedade, conforme cita Chiavenato (2014) que são: Sociedade tradicional: é o tipo de sociedade que possui características oriundas de uma tradição patrimonialista e patriarcal; Sociedade carismática:é o tipo de sociedade que possui características consideradas místicas e personalistas; Sociedade legal, racional ou burocrática: é o tipo de sociedade onde as normas impessoais e racionais predominam. Diversas vantagens foram definidas por Weber para o uso da Burocracia e vamos comentar algumas delas, de acordo com Chiavenato (2014): 1. Racionalidade para alcançar os objetivos organizacionais. 2. Precisão na definição de cargos e operações: uma vez que todos eles já estavam previamente definidos e documentados. 3. Rapidez nas decisões: devido à precisão de cargos e operações, cada um sabia o que devia ser feito, tornando a decisão mais ágil. 4. Univocidade de interpretação: como as operações e cargos estavam definidos e documentados, não havia dúbia interpretação. 5. Uniformidade de rotinas e procedimentos: a busca pela eficiência nos processos estimulava a padronização de procedimentos e rotinas, tornando-os uniformes. 6. Continuidade da organização: todos os funcionários que são substituídos por demissão ou promoção recebem as mesmas rotinas e treinamentos, dando continuidade à atividade sem muitos problemas. 7. Redução do atrito entre pessoas: como os cargos e atividades são previamente definidos e documentados, cada um sabe das suas responsabilidades e atividades, reduzindo o atrito na questão de definir quem executa cada função. , 52 O uso da burocracia não traz somente vantagens, pois é apropriado para as empresas que não apresentam muita imprevisibilidade nos seus processos e negócios. Das várias disfunções que a Burocracia proporciona e comentadas por Chiavenato (2014), vamos falar de algumas como: Internalização das Regras e Apego aos Regulamentos: como a burocracia valoriza o uso de rotinas e procedimentos em todos os cargos e operações, o funcionário se acomoda e realiza somente aquilo que está previsto em tais documentos, transformando os regulamentos, que são os meios necessários para realizar uma atividade ou operação em objetivos, tornando a organização inflexível; Excesso de Formalismo e Papelório: como tudo tem que ser formalizado por escrito, a empresa exagera no uso de formulários e papeis, tornando-se engessada; Resistência a mudanças: como todas as atividades e operações são previsíveis, de acordo com as regras e regulamentos, os funcionários se apegam tanto que criam resistência quando é necessário alterá-las; Superconformidade a rotinas e procedimentos: como o funcionário trabalha baseado em regras e regulamentos previamente definidos, ele fica acomodado nessa situação confortável, deixando de criticar ou sugerir mudanças; Dificuldade no Atendimento a Clientes e Conflitos com o Público: dificilmente uma regra ou regulamento contém 100% de todas as probabilidades possíveis de acontecer, principalmente quando se trata de atendimento a clientes. Nesse sentido, a rotina de apego a regras e regulamentos dificulta alguns passos no processo de atendimento, gerando conflitos com o cliente ou público. O modelo da burocracia é uma das bases da Teoria da Administração no estudo das organizações, assim como foi a Administração Científica de Taylor e a Teoria Clássica de Fayol. , 53 Para melhor compreensão, observe o mapa mental dessa Teoria: Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 280 Figura 3.2 Críticas da Teoria da Burocracia Conforme já explicado anteriormente, a Teoria da Burocracia também recebeu inúmeras críticas de outros estudiosos das Teorias de Administração. Vamos falar de algumas, de acordo com Chiavenato (2014): Excessivo racionalismo: a burocracia focou muito o racionalismo, mas nas organizações algumas áreas necessitam de liberdade para criar sem se apegar às regras e regulamentos tais como marketing, desenvolvimento de novos produtos e outras. Ou seja, o racionalismo é bom em algumas atividades específicas e não na empresa como um todo; Mecanicismo e teoria da máquina: assim como na Administração Científica e Teoria Clássica, a Burocracia estudou apenas os aspectos internos da organização como um sistema fechado com operações repetitivas; Conservantismo da burocracia: como já explicado anteriormente, o foco da Burocracia em regras e regulamentos, torna a empresa conservadora e fechada para inovações e mudanças; , 54 Abordagem descritiva e explicativa: na Administração Científica, Teoria Clássica e Teoria das Relações Humanas, os estudiosos focaram em abordagens prescritivas e normativas, onde cabia ao administrador prescrever uma situação e adotar uma norma estabelecida. A Burocracia adotou a abordagem descritiva e explicativa, fazendo o administrador descrever corretamente as funções e operações e explicá-las como deveria executá-las. 3.3 Teoria Neoclássica A Teoria Neoclássica foi criada por inúmeros autores, entre os quais destacamos Peter Drucker, Harold Koontz e Cyril O´Donnel. O foco da abordagem neoclássica foi estudar os aspectos formais da organização tais como: hierarquia, autoridade, divisão de trabalho, etc. Ela também ficou conhecida como Escola Operacional ou Escola do Processo Administrativo. Segundo Chiavenato (2014), as principais características da Teoria Neoclássica foram: Ênfase na prática da administração: os autores neoclássicos se preocuparam mais com os aspectos práticos das Teorias de Administração com ênfase no alcance dos objetivos organizacionais, sem aprofundar muito os conceitos teóricos até então conhecidos; Reafirmação relativa dos postulados clássicos: todos os postulados desenvolvidos na Teoria Clássica e Administração Científica são analisados e confirmados com uma visão mais moderna, ampla e flexível. Várias definições clássicas como divisão de trabalho, departamentalização, problemas de autoridade e responsabilidade, e outras mais, tiveram uma nova abordagem mais moderna e atualizada; Ênfase nos princípios gerais da Administração: os princípios clássicos definidos por Fayol (planejamento, organização, direção e controle) são realinhados numa visão mais ampla e moderna por diversos autores, reafirmando a importância desses princípios gerais para qualquer tipo de organização; , 55 Ênfase nos objetivos e resultados: toda organização só existe para alcançar objetivos e resultados. A importância de relacionar todas as atividades da empresa com base nos objetivos é ampliada e reforçada pelos autores neoclássicos. Tal ênfase foi tão importante que originou a conhecida Administração por Objetivos – APO; Ecletismo nos conceitos: a base da Teoria Neoclássica foi a Teoria Clássica e a Administração Científica, mas os autores neoclássicos foram ecléticos e deram uma visão mais moderna (final do século XX) aos conceitos clássicos existentes. Centralização x Descentralização Um tema bastante discutido pelos autores neoclássicos, com relação à autoridade e responsabilidade, foi a Centralização x Descentralização. Segundo eles, tanto a Centralização quanto à Descentralização, tem vantagens e desvantagens, conforme podemos verificar nos quadros abaixo: CENTRALIZAÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS Decisões tomadas por quem tem visão global da empresa Decisões tomadas na cúpula que está longe dos fatos e acontecimentos Tomadores de decisão do topo estão mais bem preparados do que os demais Decisões tomadas no topo estão distantes dos funcionários que conhecem a real situação/problema Decisões mais coerentes com os objetivos organizacionais Comunicação mais lenta e demorada Elimina esforços duplicados e reduz custos Informação fica distorcida quando passa por vários níveis Certas funções permitem mais especialização com vantagens DESCENTRALIZAÇAO VANTAGENS DESVANTAGENS Gerentes mais próximos do local da decisão Falta de uniformidade nas decisões, pois cada um decide de uma maneira Melhora a qualidade da decisão, pois mais pessoassão envolvidas Nem todos os especialistas são aproveitados, pois a maioria fica centralizado Maior rapidez na decisão, pois não precisa ser levada a vários níveis Maior custo no treinamento para mais funcionários envolvidos Redução de gastos nas coordenações, dando maior autonomia para , 56 funcionários Permite que gerentes locais sejam mais motivados pela proximidade Adaptado de Chiavenato (2014) A Teoria Neoclássica utilizou conceitos e postulados de outras Teorias, segue abaixo um quadro comparativo para explicar melhor. Aspectos principais Abordagens prescritivas e normativas de Administração Teoria Clássica Teoria das Relações Humanas Teoria Neoclássica Abordagem da Organização Organização exclusivamente formal Organização exclusivamente informal Organização formal e informal Conceito de Organização Estrutura formal como conjunto de órgãos, cargos e tarefas Sistema social como conjunto de papéis sociais Sistema social com objetivos a serem alcançados racionalmente Principais representantes Taylor, Fayol, Gilbreth, Gantt, Gulick, Urwick, Mooney, Emerson e Sheldon Mayo, Follet, Roethlisberger, Dubin, Cartwright, French, Zalesnick, Tannenbaum, Lewin, Viteles e Homans Drucker, Koontz, Jucius, Newmann, Odiorne, Humble, Gelinier, Shehe, Dale Característica básica da Administração Engenharia humana/engenharia de produção Ciência social aplicada Técnica social básica Concepção do homem Homo economicus Homem social Homem organizacional e administrativo Comportamento organizacional do indivíduo Ser isolado que reage como indivíduo (atomismo tayloriano) Ser social que reage como membro de grupo Ser racional e social voltado para o alcance dos objetivos individuais e organizacionais Ciência mais relacionada Engenharia Psicologia social Ecletismo Tipos de incentivos Incentivos materiais e salariais Incentivos sociais e simbólicos Incentivos mistos Relação entre objetivos organizacionais e objetivos individuais Identidade de interesses. Não há conflito perceptível Identidade de interesses. Todo conflito é indesejável e deve ser evitado Integração entre os objetivos organizacionais e individuais Resultados almejados Máxima eficiência Máxima eficiência Ótima eficiência , 57 3.4 Administração por Objetivos – APO A Administração por Objetivos – APO surgiu em decorrência da Teoria Neoclássica. Peter Drucker foi o pioneiro a utilizar a expressão “administração por objetivos” em 1954. O foco da Administração por Objetivos mudou de forma significativa a forma de administrar uma organização. Anteriormente, estudiosos de Administração se preocuparam em encontrar respostas sobre “como” administrar e a APO procurou respostas sobre “por que” administrar. Através da APO os administradores começaram a se preocupar em fazer a organização alcançar os objetivos individuais e organizacionais de uma maneira racional, com máxima eficiência. Segundo Chiavenato (2014), a APO apresentou as seguintes características: • Definir os objetivos necessários entre cada gerente e seu superior; • Definir objetivos para cada área, departamento ou setor; • Interligar os objetivos com todas as áreas da organização; • Dar ênfase na mensuração e no controle dos resultados atingidos; • Manter constante avaliação, revisão e substituição dos planos elaborados; • Todas as gerências e seus respectivos funcionários devem participar intensamente; • Os órgãos de staff (assessoria) devem dar o máximo de apoio às áreas de linha/operação. , 58 O quadro abaixo exemplifica o que é um processo na APO: Fonte: SILVA, 2008, p. 395 Figura 3.3 O uso da APO trouxe várias vantagens para as organizações e vamos citar algumas, conforme comentado por Silva (2008): O foco da administração fica concentrado no desempenho e eficiência das principais áreas da empresa; É mais fácil identificar as áreas que não conseguem ajudar no alcance dos objetivos organizacionais; A informação e os padrões de desempenho da organização são constantemente melhorados; A estrutura organizacional é racional e voltada ao desempenho da empresa; O treinamento é direcionado à melhoria contínua dos funcionários, aumentando o nível de conhecimento da organização; Os sistemas de avaliação, por serem bem controlados e revisados, apresentam maneiras mais adequadas e equilibradas para a distribuição de recompensas e promoção; , 59 O processo de comunicação e os relacionamentos interpessoais estimulam a motivação dos funcionários, melhorando o desempenho individual e organizacional. 3.5 Eficiência, eficácia e competitividade organizacional A Teoria Neoclássica contribuiu de maneira significativa para que as organizações melhorassem seu desempenho. Conceitos de eficiência, eficácia, produtividade e competitividade começaram a ser estudados e os administradores adotaram tais ferramentas como novo modelo de gestão organizacional. Alguns aspectos de similaridades nas organizações foram apontados pelos autores neoclássicos como: • Com relação aos objetivos: as organizações não coexistem sozinhas, pelo contrário, são meios, entidades sociais que buscam a concretização de uma atividade social; • Com relação à administração: cada organização tem seus objetivos próprios, mas são bem semelhantes na administração de suas atividades; • Com relação ao desempenho individual: o desempenho depende da eficiência e eficácia dos colaboradores. Eles executam, tomam as decisões e realizam os respectivos planejamentos. Eficiência • A eficiência de um sistema só é alcançada, quando os recursos são utilizados corretamente. Para isso, é necessário que as atividades ou tarefas, sejam realizadas de maneira correta. Significa realizar as atividades, com o menor uso de recursos possível. , 60 Figura 3.4 – Eficiência Eficácia • Ajuda a explicar os critérios para o planejamento e avaliação do desempenho das organizações em sua relação com o ambiente. Relaciona-se com a maneira ou forma com que os objetivos e resultados são alcançados; • Quanto maior for o grau de coincidência dos resultados em relação aos objetivos planejados, mais eficaz é a empresa; • Competência que um sistema, ou um processo, tem de resolver um problema. , 61 Figura 3.5 – Eficácia Para verificar o grau de eficácia de um sistema, operação ou processo, é necessário saber quais são os objetivos e quais os resultados reais que foram alcançados. Figura 3.6 – Grau de Eficácia , 62 Quando uma organização consegue ser eficiente e eficaz, simultaneamente, podemos dizer que ela conseguiu sua efetividade, conforme quadro a seguir: Figura 3.7 – Eficiência, eficácia e produtividade Produtividade • Podemos avaliar a eficiência de um sistema com base em sua produtividade. A produtividade de um sistema pode ser definida como a maneira pela qual os recursos são utilizados para determinar os resultados alcançados; • Qualquer sistema ou processo tem um índice de produtividade. Tal índice pode ser verificado com base na contagem da quantidade produzida por uma unidade de recursos utilizada. Competitividade As empresas têm em sua essência a natureza competitiva, principalmente no mercado globalizado em que vivemos atualmente. Elas têm que concorrer entre si, para ganhar a preferência dos clientes e consumidores que normalmente são os mesmos. , 63 O sucesso de uma empresa tem como consequência imediata, o fracasso de outra ou outras. A busca pelos fatores que podem influenciar o desempenho da organização em situações de mercados com muita concorrência pode levar à competitividade. Condições da competitividade • A necessidade do cliente; • Fascinar o cliente; • Bens e serviços que representamvalores; • Integração de cliente internos e externos. Vantagem competitiva • É alcançada dependendo da maneira como a estratégia é definida e seguida pela organização; • Para obter a vantagem competitiva, a empresa precisa ter valor no seu produto ou serviço, que ultrapasse os custos de produção e que o cliente aceite, deseje e pague por isso. Conclusão Nesse bloco conhecemos os tipos de poder e autoridade utilizados nas organizações, burocráticas ou não, entendendo as principais características e vantagens do uso da Administração de Objetivos e aprendendo a reconhecer e utilizar corretamente os conceitos de eficiência e eficácia. Você se tornará um administrador com maior conhecimento e estará preparado para ajudar a organização a alcançar o objetivo, tornar-se uma empresa competitiva para sobreviver e até destacar-se no atual mundo complexo e globalizado. , 64 Referências CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014. SILVA, Reinaldo O. da. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. , 65 4 ABORDAGEM SISTÊMICA E CONTINGENCIAL Neste bloco abordaremos a Teoria de Sistemas buscando entender a importância em analisar a organização numa visão sóciotécnica; explicar as variáveis ambientais e as respectivas relações com a estrutura organizacional abordadas na Teoria Contingencial; descrever as dimensões da qualidade e as técnicas da Qualidade Total; definir como resolver problemas e tomar decisões com eficiência e explicar principais conceitos e como se realiza o processo de mudança organizacional na busca contínua do desenvolvimento da empresa. Tais conteúdos proporcionarão ferramentas para o administrador analisar a organização sob um enfoque mais contemporâneo e holístico para responder rapidamente às mudanças ambientais. 4.1 Teoria de Sistemas As organizações normalmente são estudadas como se fossem sistemas abertos, que por sua vez, buscam interagir com outros sistemas, com os quais trocam informações. Segundo Caravantes (2005), sistema é qualquer entidade conceitual ou física, composta de partes inter-relacionadas, interatuantes ou interdependentes. Na abordagem sistêmica, as organizações são analisadas como sistemas sociotécnicos estruturados. As diversas teorias anteriores estudaram a organização com uma visão mecanizada e atomística. A Teoria de Sistemas muda essa visão e analisa a organização sob um novo enfoque denominado de visão holística. Veja no quadro abaixo as diferenças entre essas concepções: , 66 Fonte: SILVA, 2008, p. 319 Figura 4.1 Segundo Silva (2008), as considerações básicas a respeito do que é um sistema foram apresentadas por C.West Churchman (1913-2004) que destacou cinco considerações: 1. Objetivos do sistema: todo sistema necessita ter objetivos e metas para analisar seu desempenho. 2. Ambiente do sistema: significa tudo que está do lado de fora do sistema para identificar como e de que maneira o sistema precisa funcionar. 3. Recursos do sistema: são todos os elementos internos que o sistema necessita para funcionar corretamente, tais como materiais, equipamentos, pessoas, etc. 4. Componentes do sistema: são todas as atividades necessárias para o alcance dos objetivos que o sistema necessita alcançar. Nas organizações, significam os departamentos ou áreas. 5. Administração do sistema: são as funções básicas que um sistema necessita (planejamento e controle) para funcionar. , 67 Segundo Caravantes (2005), os componentes e características de um sistema são: • Insumos (entradas, inputs): são todos os insumos que o sistema necessita para funcionar, tais como: pessoas, materiais, equipamentos, investimentos etc.; • Processamento (trhoughput): é onde os recursos são transformados através de operações, processos, tecnologia etc.; • Saídas (produto, output): depois de processados os insumos se transformam em produtos ou serviços, elementos que resultam no tipo de negócio da organização; • Entropia: todo sistema onde seus insumos e processos não são renovados ou continuados, tendem à entropia. Na organização, significa que ela tem que estar constantemente em operação, para não sofrer entropia e paralisar; • Homeostase: todo sistema quando apresenta problemas, necessita criar dispositivos para combater. Na organização isso não é automático, uma vez que depende da atuação dos administradores; • Retroalimentação (realimentação, feedback): significa a capacidade que um sistema tem para ajustar algo que já aconteceu; • Decomposição de um sistema em subsistema: todo sistema é composto de um ou mais subsistemas que devem trabalhar interligados. A empresa vista como um sistema pode ser representada conforme figura abaixo: Fonte: CARAVANTES, 2005, p. 151 Figura 4.2 , 68 A organização como um sistema sociotécnico estruturado Segundo Caravantes (2005), a Teoria de Sistemas trouxe uma nova maneira de analisar e entender a organização. A Teoria Clássica considerava a organização somente como um sistema técnico e a Teoria das Relações Humanas, somente como um sistema social. A Teoria de Sistemas considera a organização como um sistema sociotécnico estruturado onde necessita do subsistema técnico (tarefas, equipamentos, técnicas administrativas) e do subsistema social (relações das pessoas) trabalhando interligados e estruturados através de uma organização que dará suporte às ações necessárias da empresa. Ou seja, tanto o subsistema técnico, o subsistema social e a estrutura organizacional, não podem ser tratados isoladamente e, caso haja problema em qualquer um deles, toda a organização estará comprometida. Veja na figura abaixo como se comporta o inter-relacionamento dos subsistemas técnico e social na organização. Fonte: CARAVANTES, 2005, p. 153 Figura 4.3 , 69 Segundo Caravantes (2005), foi criado um novo modelo da Teoria de Sistemas, com 5 elementos, complementando a visão da organização como sistema sociotécnico estruturado apresentado pelos professores Fremont Kast e James Rosenzweig, da Universidade de Whashington, conforme figura abaixo: Fonte: CARAVANTES, 2005, p. 154 Figura 4.4 Análise e planejamento de sistemas Para analisar ou planejar sistemas, devemos considerar os seguintes elementos OBJETIVOS: Busca entender quais são as principais funções do sistema, os indicadores necessários para avaliar a sua eficácia e, quais sistemas e usuários dependem dele. , 70 COMPONENTES: Quais são as partes, os elementos necessários, bem como a natureza, origem e nível de participação de cada um. PROCESSO: Quais atividades ou operações a empresa necessita realizar, para alcançar seus objetivos, bem como a forma e o tempo de cada uma. ADMINISTRAÇÃO E CONTROLE: Como garantir que o alcance dos objetivos seja realizado com base na eficiência dos sistemas; quais informações necessitam; como obtê-las e quais decisões necessitam ser realizadas. 4.2 Teoria Contingencial A partir do surgimento da Teoria de Sistemas, surgiu uma série de estudos a respeito da organização e do ambiente onde ela está inserida. Novas opiniões a respeito da Administração surgiram e uma delas, correlacionou a Administração com a visão de Contingência. Segundo Silva (2008), Freemont Kent e James Rosenzweig escreveram o seguinte a respeito da visão de Contingência: A visão de contingência procura entender as relações dentro e dentre os subsistemas, bem como entre a organização e seu ambiente, e procura definir padrões de relações ou configurações de variáveis. Essa visão enfatiza a natureza multivariada das organizações e tenta entender como as organizações operam sob condições variáveis e em circunstâncias específicas. (SILVA,2008, p. 332) A Teoria da Contingência aborda a organização considerando as diversas variáveis existentes na tecnologia, tamanho da organização e natureza do ambiente. Ou seja, cada organização, tem a sua forma de lidar com tais variáveis, dependendo da força de cada uma e irá encontrar respostas específicas para situações específicas. Ficou conhecida como a Teoria do “se” e “então”, “se” acontecerem certos fatores , 71 situacionais “então” certas definições de estruturas organizacionais e certos modelos de gerenciamento serão os mais adequados. Ou seja, a Teoria da Contingência estabelece que não há maneira única de administrar uma organização, pois cada situação vai exigir práticas gerenciais diferentes e distintas, para aquela situação, naquele ambiente, com aquela estrutura e tamanho de empresa, conforme demonstrado na figura abaixo. Fonte: SILVA, 2008, p. 333 Figura 4.5 Vários estudiosos despontaram na Teoria da Contingência, tentando encontrar uma forma de entender a organização sob esse novo ângulo. Vamos falar de alguns deles a seguir, que foram abordados por Silva (2008). Joan Woodward (1916-1971) Os Estudos de Woodward demonstraram que dependendo do tamanho da tecnologia ou da produção, realizada pela organização, sua estrutura organizacional tinha que ter uma relação proporcional à sua complexidade. Considerou que as empresas poderiam ser classificadas com base em 3 tipos de sistemas de produção: , 72 1. Unitário e de pequenos lotes: a produção era com base nos pedidos realizados pelos clientes, onde a área de marketing era a responsável e considerada uma atividade importante. Como as quantidades e modelos de produtos dos clientes poderiam variar constantemente, exigindo uma integração muito forte com as áreas de produção e marketing, o tipo ideal de estrutura era a orgânica. 2. Grande quantidade e produção em massa: por ser produzida em grandes lotes, a prioridade da produção vinha através do desenvolvimento do produto (escolha do melhor) e da produção (volume de fabricação). A área de marketing não tinha a mesma importância que nas empresas de sistema de produção unitário e de pequenos lotes. O tipo ideal de estrutura era a mecânica. 3. Processo contínuo: nesse tipo de empresa, ela mantinha uma posição de destaque no mercado e o papel da área de marketing era estratégico. A quantidade a produzir era determinada de acordo com a situação do mercado. Sistemas de Burns e Stalker Tom Burns e George M. Stalker, desenvolveram um estudo com base numa pesquisa realizada com 20 empresas britânicas e escocesas, em 1960. Nesse estudo analisaram qual era a relação existente entre os efeitos do ambiente externo, o tipo de administração que a empresa utilizava e qual era o desempenho econômico que obtinham. Desse estudo conseguiram classificar cinco tipos de ambientes com base na variação desde o mais instável até o mais estável. Concluíram que, nos extremos opostos, as práticas de administração e estrutura organizacional, também eram. Tais extremos foram classificados como sistema mecanístico e sistema orgânico. O sistema mecanístico tem o funcionamento da organização, parecido com uma máquina, repetitiva e sem muitas variações. O sistema orgânico tem o funcionamento da organização, parecido com um organismo vivo, com constantes mudanças. As características básicas desses sistemas estão representadas na figura a seguir: , 73 Fonte: SILVA, 2008, p. 340 Figura 4.6 Pesquisa de Lawrence e Lorsch Paul R. Lawrence e Jay W.Lorsch, professores da Harvard Business Scholl, realizaram uma pesquisa com seis empresas na área de plásticos, duas no setor de contêineres e duas no ramo de alimentos. Tal pesquisa foi comparar as estruturas organizacionais das empresas com as condições do ambiente onde cada uma estava inserida. Dessa pesquisa concluíram dois importantes conceitos de diferenciação e integração. Ou seja, a estrutura organizacional vai ser diferenciada, conforme as variáveis ambientais onde ela está inserida, tornando-as mais ou menos complexas. A integração da empresa vai depender da complexidade do ambiente e da estrutura organizacional. Segundo eles, a diferenciação é oposta à integração. Quanto mais diferenciada por a estrutura organizacional, maior a dificuldade de obter uma boa integração, por causa dos conflitos gerados pela complexidade da estrutura organizacional. Essa pesquisa iniciou a Teoria da Contingência que, segundo Chiavenato (2014), apresenta os seguintes aspectos básicos: , 74 • A organização é de natureza sistêmica, isto é, ela é um sistema aberto; • As características organizacionais apresentam uma interação entre si e com o ambiente; • As características ambientais são as variáveis independentes, enquanto as características organizacionais são variáveis dependentes. Ambiente Com a Teoria Contingencial, conhecer o ambiente se tornou uma importante estratégia que toda a organização começou a estudar e até hoje, continua sendo. Ambiente é tudo que está fora da organização, na parte exterior. Como a organização é considerada um sistema aberto, necessariamente, realiza transações e intercâmbios com o ambiente. Dependendo das variáveis que o ambiente proporciona e do tipo de estrutura organizacional da empresa, haverá maior ou menor impacto positivo ou negativo. O ambiente pode ser classificado como Ambiente Geral ou Ambiente Tarefa (ou operacional). Segundo Chiavenato (2014), o ambiente geral é comum para todas as empresas, afeta direta ou indiretamente cada uma, de acordo com as variáveis que ele proporciona. As principais variáveis são: Condições tecnológicas: cada organização tem uma dependência com a tecnologia que o ambiente oferece. Quanto maior for a necessidade tecnológica da empresa, maior a sua necessidade em relação a essa variável ambiental. Condições legais: refere-se à legislação que o ambiente proporciona a cada empresa, dependendo do seu tipo de negócio e local onde atua. Condições políticas: a política federal, nacional e municipal vai interferir em cada empresa que, com certeza, irá influenciar as organizações. Condições econômicas: dependendo de como está a economia do país ou região onde a empresa atua, o impacto será imediato nas organizações. , 75 Condições demográficas: taxa de crescimento, população, religião, sexo e outras variáveis demográficas vão compor o mercado onde a empresa deseja atuar e pode sofrer transformações. Condições ecológicas: as organizações impactam e são impactadas pelas variáveis ecológicas no ambiente onde atuam. Condições culturais: cada cultura tem seus valores, práticas e costumes que são levados para as organizações e influenciam a cultura organizacional. A ambiente tarefa (ou operacional) é aquele que está mais próximo da organização e, portanto, aquele que ela mais conhece e se relaciona no cotidiano. Esse ambiente contém as seguintes variáveis ou elementos: Fornecedores: de onde a organização busca todos os recursos que necessita (matéria- prima, máquinas, pessoas, capital). Constitui a entrada (inputs) da organização. Clientes ou usuários: é o público alvo para quem a organização vende seus produtos ou serviços. Constitui a saída (outputs) da organização. Concorrentes: empresas que disputam os mesmos clientes e usuários que a sua organização. Entidades reguladoras: organizações que regulam a sua empresa e/ou sua atividade (sindicatos, associações de classes, órgãos regulamentadores do governo). O ambiente geral e ambiente tarefa estão representados na figura a seguir: , 76 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 514 Figura 4.7 Tipologia de ambientes Apesar de o ambiente ser único para todas as organizações existentes, cada uma delas será influenciada de forma variada. Nesse sentido, alguns estudiosos da Teoria Contingencial,também estudaram o ambiente e, segundo Chiavenato (2014), apontaram as seguintes classificações: • Em relação à estrutura foram classificados em homogêneos ou heterogêneos: Ambiente homogêneo: quando apresentam semelhanças com relação a variáveis tais como fornecedores, concorrentes e clientes; Ambiente heterogêneo: quando apresentam muitas diferenças de fornecedores, concorrentes e clientes, produzindo, consequentemente, problemas diferentes. , 77 Vide as características desses ambientes na figura abaixo: Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 516 Figura 4.8 • Em relação à dinâmica podem ser classificados em: Ambiente estável: apresenta poucas mudanças ou mudanças lentas, sendo previsível; Ambiente instável: apresenta muitas mudanças, algumas rápidas, sendo imprevisível. Veja as características desses ambientes na figura a seguir: Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 517 Figura 4.9 , 78 4.3 Administração da Qualidade A qualidade sempre esteve presente na gestão da organização. Administração e Qualidade devem caminhar sempre juntas, pois uma depende da outra, principalmente no mundo globalizado e competitivo que vivemos. A partir da década de 1990, no governo Collor, o Brasil abriu suas portas para o mercado internacional e começaram a chegar produtos industrializados com melhor qualidade e preço que os produtos brasileiros. A partir de então, todas as empresas brasileiras começaram a preocupar-se e a investir na Administração da Qualidade. Nos demais países, a preocupação pela qualidade começou logo após a segunda guerra mundial, quando a globalização tornou a competição mais acirrada. Segundo Mello (Pearson), o conceito de qualidade está diretamente relacionado com três fatores: • Redução de custos; • Aumento da produtividade; • Satisfação dos clientes. Ou seja, a qualidade significa fabricar seu produto ou serviço com eficiência e eficácia, buscando satisfazer as necessidades do cliente. Quando um cliente compra um produto/serviço ele analisa a relação custo/benefício, ou seja, quer pagar o menor preço pelo benefício que espera receber. Fora essa relação, recentemente o cliente está se preocupando com a questão ambiental. Ou seja, procura produtos/serviços de empresas que tenham responsabilidade social. Outro conceito em relação à qualidade é que ela não aumenta os custos, pelo contrário, reduz. Quando uma empresa utiliza a Administração da Qualidade na sua gestão, está constantemente eliminando erros nos processos, na matéria, pois a qualidade também está relacionada com: • Eliminar desperdícios em geral; , 79 • Reduzir tempos de fabricação e/ou processos; • Gerar maior satisfação ao cliente. Para uma empresa utilizar a Administração da Qualidade, necessariamente deverá trabalhar com planejamento, pois a qualidade de um produto ou serviço inicia bem antes do processo de fabricação dele. Segundo Mello (2011), as três premissas presentes na maioria das definições de qualidade são: Fonte: PEARSON, 2011, p. 6 Figura 4.10 História da qualidade A qualidade é tão antiga quanto a evolução do homem. Quando o homem pré- histórico, ao pegar uma fruta na árvore, escolhia aquela que parecia mais suculenta e bonita, sem saber já estava pensando na qualidade da fruta que iria comer. De acordo com Mello (2011), a história da qualidade passou pelas seguintes fases: , 80 Inspeção de produtos: consistia em verificar se o produto, após ser fabricado, tinha os requisitos mínimos (padrões) de qualidade, definidos no planejamento. Ou seja, era uma inspeção visual, seguindo padrões previamente definidos. Controle estatístico de qualidade: com o aumento da capacidade produtiva das empresas, por conta da evolução tecnológica, ficava mais difícil inspecionar os produtos, pois necessitava cada vez mais, de uma grande quantidade de inspetores de qualidade. Em 1930, o físico Walter A. Shewart criou o conceito de “controle estatístico de qualidade-CEQ”. Começou a ser utilizado procedimento de inspeção com base na estatística. Ou seja, não se inspecionava mais todos os produtos, mas sim uma parte de um lote específico que, com base nos fundamentos da estatística, liberava ou não toda a quantidade de produtos do lote como um todo. A partir de então, a inspeção da qualidade passou a ser uma área específica dentro da estrutura organizacional. Garantia da qualidade: após a Segunda Guerra Mundial, a preocupação com a qualidade começou a ficar mais estratégica nos países desenvolvidos. O Japão começava a despontar como grande país industrial e foi um dos responsáveis por introduzir nas organizações padrões e normas de qualidade, fazendo o foco ser na prevenção dos defeitos. Com isso surgiram os primeiros conceitos de qualidade total. A qualidade passou a não ser mais responsabilidade apenas de uma área, mas de todas as áreas e processos da empresa. Gestão da qualidade total: a partir da década de 1970, os japoneses já eram reconhecidos mundialmente pela sua competência em qualidade e seus produtos ganhavam cada vez mais posição no mercado internacional. A gestão da qualidade total utiliza todos os conceitos de qualidade, de outras ferramentas das Teorias de Administração e amplia seu foco que, inicialmente, era de prevenção de defeitos, para também o de agregar valor aos produtos. Tal evolução na gestão da qualidade total contribuiu para que, em 1980, surgissem as normas ISO, que começou a definir normas e padrões de qualidade a nível internacional. , 81 A história da evolução da qualidade está representada no quadro a seguir: Fonte: SILVA, 2008, p. 408 Figura 4.11 Principais representantes da administração da Qualidade W.Edwards Deming: nasceu no EUA em 1900, mas tornou-se mundialmente reconhecido no Japão, onde trabalhou como consultor de qualidade em grandes empresas japonesas. Foi um dos responsáveis pelo uso das ferramentas estatísticas da qualidade. Segundo Deming, a qualidade tem 3 importantes aspectos que devem ser tratados: cliente, atendimento ao cliente e produto, conforme demonstra a figura a seguir: , 82 Fonte: PEARSON, 2011, p. 15 Figura 4.12 Joseph M.Juran: Nasceu na Romênia em 1904, mas se formou nos EUA. Em 1979 criou o Instituto Juran, instituição voltada ao estudo da qualidade. Ficou famoso por definir a trilogia da qualidade: planejamento, controle da qualidade e aperfeiçoamento, conforme figura a seguir: Fonte: PEARSON, 2011, p. 18 Figura 4.13 , 83 Philip Crosby: nasceu em 1926 nos EUA, foi engenheiro e fundou a Philip Crosby Associates, empresa que prestava serviços de consultoria e treinamento em qualidade. Ficou reconhecido internacionalmente pelo seu programa Zero Defeito, com a frase “fazer o trabalho direito logo da primeira vez” (Pearson, 2011, p.19); Armand V.Feigenbaum: nasceu em 1922 no EUA e trabalhou na General Eletric e foi presidente da American Society for Quality Control. Autor do livro Total Quality Control -TQC (Controle da qualidade total), considerado como o criador desse modelo de qualidade. Os dez princípios do Controle da Qualidade Total de Feigenbaun são: Fonte: PEARSON, 2011, p. 20 Figura 4.14 Kaoro Ishikawa: nasceu em 1915 no Japão. Foi o responsável por divulgar os conceitos de qualidade no país e ficou conhecido pela difusão dos Círculos de Controle de Qualidade (CCQ). Criou o diagrama de Ishikawa, conhecido como Gráfico Espinha de Peixe. , 84 Normas ISO A qualidade tornou-se um item importante em qualquer organização, processo e país. Passou a ser considerada uma ferramenta estratégica para a empresa alcançar sua competitividade, ou seja, não é possível uma empresa ser competitiva no atual mercado, se seus produtos ou serviços não tiverem qualidade. A partir da década de 1980, com o processode globalização se desenvolvendo e devido à necessidade de criar um padrão internacional de qualidade, foi criada a International Organization for Standartization – ISO. Tal organização reúne especialistas de diversos países para discutir e definir padrões de qualidade internacional. Surgem então as normas ISO. No Brasil, a organização responsável pela distribuição das normas ISO é a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. A ISO 9000 contém oito princípios de gestão de qualidade, conforme resumo Pearson (2011) a seguir: 1. Foco no cliente 2. Liderança 3. Envolvimento de pessoas 4. Abordagem de processo 5. Abordagem sistêmica para a gestão 6. Melhoria contínua 7. Abordagem factual para a tomada de decisões 8. Benefício mútuo nas relações com fornecedores Ferramentas da Qualidade O bom controle da qualidade é fundamental para que a empresa consiga manter uma Gestão da Qualidade eficiente. Nesse sentido, estudiosos desenvolveram inúmeras ferramentas de controle da qualidade das quais estudaremos as sete principais, segundo Mello (2011). , 85 Diagrama de causa-efeito O diagrama de Ishikawa é uma ferramenta muito utilizada para identificar as causas de um defeito ou desvio de qualidade, onde se identifica as seis principais causas de um problema, conhecido como 6Ms (mão-de-obra, materiais, máquinas, métodos, meio ambiente e ambição). Veja a seguir a figura do diagrama de Ishikawa . Fonte: PEARSON, 2011, p. 22 Figura 4.15 Folha de verificação Trata-se de um controle preparado para registrar todos os dados referentes a não conformidade de um produto ou serviço. Ela é considerada o início para controlar a qualidade, pois com ela pode ser utilizada outras ferramentas para localizar e descobrir as possíveis falhas. Veja um exemplo da folha de verificação de uma fábrica de bolos. , 86 Fonte: PEARSON, 2011, p. 89 Figura 4.16 Histograma É um modelo de gráfico de barras para demonstrar a frequência que um evento (erro, problema) aparece diante de uma série de dados (diária, mensal e anual), permitindo visualizar onde ocorre a maior frequência de eventos. Conforme exemplo abaixo: Fonte: PEARSON, 2011, p. 91 Figura 4.17 , 87 Gráfico de Pareto Esse modelo de gráfico foi proposto por Juran, utilizando o princípio de Pareto que usa o seguinte raciocínio: 80% dos efeitos derivam de 20% das causas. Também conhecido como gráfico 80/20. Isso significa que ao analisarmos uma produção que apresenta 80% de qualidade, 20% dos procedimentos são os responsáveis por falhas de qualidade. Ou seja, é melhor tentar melhorar somente os 20% dos procedimentos, do que todos. Figura 4.18 – Gráfico de Pareto Diagrama de correlação É um gráfico para ser utilizado quando o problema é causado por conta de duas variáveis correlacionadas. Ex: número de horas extras realizadas relacionadas com o número de erros cometidos nesses horários para ver, por exemplo, se o cansaço não pode causar mais erros que em horários normais. , 88 Figura 4.19 – Correlação negativa e positiva Fluxograma Trata-se de ferramenta muito utilizada para demonstrar como é realizado determinado processo ou atividade, usando figuras padronizadas. Permite que qualquer pessoa, ao visualizar a imagem, sabe como funciona aquele processo ou atividade, permitindo melhorias e padronização de execução. , 89 Figura 4.20 – Modelo de Fluxograma Gráfico de Controle Foi proposto por Shewardt e permite analisar a variação que ocorre num determinado processo, com base em padrões médios estabelecidos. Se a variação ocorrida estiver dentro do desvio estabelecido, está com a qualidade normal, caso contrário precisa ser verificado. Figura 4.21 – Gráfico de Controle , 90 Melhoria contínua A qualidade é importante e deve ser constantemente melhorada dentro da organização. Nesse sentido a melhoria contínua, faz parte do cotidiano das empresas que se preocupam com a qualidade. Existem programas de qualidade que buscam a melhoria contínua e os mais utilizados de acordo com Pearson (2011) são: Cinco S, Kaizen e Seis Sigma. 5S É um programa de origem japonesa que demonstra a importância da limpeza e ordem numa empresa, que deve ser constantemente monitorada através de 5 passos, que são: Seiri: consiste em separar o necessário do desnecessário, eliminando espaços ocupados indevidamente. Seiton: consiste em colocar cada coisa em seu devido lugar, organizando o espaço da melhor forma possível. Seiso: consiste em limpar e cuida continuamente do ambiente de trabalho, tornando-o mais higiênico. Seiketsu: consiste em tornar saudável o ambiente de trabalho, eliminando tudo que possa comprometer a ordem do ambiente. Shitsuke: elaborar normas e rotinas para que a aplicação dos conceitos seja mantida continuamente. Kaizen Quando se fala em melhorar um processo logo associamos à palavra tecnologia. Ou seja, sempre pensamos que a maneira de melhorar um processo é mudando ou aumentando a tecnologia existente. Para os japoneses melhorar um processo não significa alterá-lo através da tecnologia, mas sim, melhorar aos poucos, reduzindo tempo e desperdício de recursos materiais e humanos. , 91 A filosofia Kaizen consiste na melhoria contínua de pessoas, processos e ambiente. Ou seja, não está preocupada com o tamanho e impacto da melhoria, mas sim com a filosofia de querer melhorar sempre, um pouco de cada vez. Programa Seis Sigma Esse programa foi criado pela Motorola nos anos de 1980, sendo adotado por outras organizações. Em termos conceituais Seis Sigma, significa buscar a melhoria contínua de processos até que os defeitos sejam reduzidos na proporção de 3,4 peças por milhão, ou seja, um processo com 99,9997% de qualidade. O programa utiliza a metodologia de redução na variabilidade dos processos. Sigma vem do grego e significa “quanto maior o valor de sigma, menor o número de defeitos nos resultados de processos.” De acordo com Pearson (2011). Fonte: PEARSON, 2011, p. 152 Figura 4.22 A implantação do Seis Sigma é feita através de projetos com base na metodologia conhecida como DMAIC (define, measure, analyse, improve, control), conforme figura a seguir: , 92 Fonte: PEARSON, 2011, p. 152 Figura 4.23 4.4 Tomada de Decisão Constantemente o administrador necessita tomar decisões, independentemente de ter ou não todas as informações necessárias. Muitas vezes a tomada de decisão é com base no bom senso (feeling) do gerente que, dependendo da sua experiência ou conhecimento, poderá ter bons resultados ou criar mais problemas. Na maioria das vezes doe responsabilidade do administrador ou dos gerentes da organização a função de resolver problemas, utilizando para tanto a tomada de decisão. Em termos conceituais a tomada de decisão é um processo onde o administrador, através do seu conhecimento, deve selecionar uma opção entre várias alternativas existentes. Portanto ao tomar uma decisão é necessário, ter uma série de opções e escolher aquela mais viável ou conveniente para aquela determinada situação. Segundo Caravantes (2005), o processo de tomada de decisão tem os seguintes passos: , 93 1. Reconhecer e diagnosticar a situação: é o primeiro passo onde o gerente reconhece a necessidade de tomar uma decisão e precisa avaliar e definir parâmetros que deverá utilizar. Eventualmente, a necessidade é um problema que acabou de acontecer e outras vezes, é preciso analisar e estudar uma alternativa para uma alteração no planejamento, na estratégia ou num processo de trabalho específico. 2. Gerar alternativas: uma vez realizado o diagnóstico da situação é necessário encontrar ou gerar todas as alternativas possíveis, pois, se o gerente quer tomar a melhor decisão, precisa certificar-sede qual delas é a melhor. Ou seja, se trabalhar só com uma alternativa, o campo de decisão fica restrito e pode, na maioria das vezes, não ser a melhor alternativa. 3. Avaliar alternativas: após ter escolhido as alternativas possíveis, vem o momento de avaliar cada uma. A primeira avaliação é saber se a alternativa é ou não viável. Se sim, verificar se é ou não satisfatória. Se sim, verificar se as consequências que ela proporciona são ou não aceitáveis. Se sim, considerar a alternativa como válida. Tal procedimento deverá ser feito com todas as alternativas existentes, separando as válidas e eliminando as inválidas. 4. Selecionar a melhor alternativa: após ter separado todas as alternativas válidas, vem o processo de escolher a melhor para resolver o problema em questão. Se possível é recomendável sempre escolher mais de uma alternativa, pois, caso a primeira escolhida dê errado na implantação, já tem a segunda para substituí- la. 5. Implementar a alternativa: uma vez definida a alternativa desejada, vem o processo de implantar. Dependendo da complexidade da implantação, muitas vezes é necessário criar um projeto e acompanhá-la. O ideal é que toda alternativa tenha um planejamento de implantação, para não ter problemas ou dificuldades e torná-la inviável, antes de entrar em operação. 6. Avaliar os resultados: logo após a implantação da alternativa é necessário avaliar se os resultados obtidos estão de acordo com o planejado, quando a alternativa ainda estava no processo de avaliação. Caso não esteja, o processo , 94 inicia-se novamente e continua até obter os resultados planejados. Ou seja, o processo de tomada de decisão é contínuo. Observe a figura abaixo representando o processo de resolução de problemas e tomada de decisão. Fonte: CARAVANTES, 2005, p. 446 Figura 4.24 É necessário cuidado com o processo de tomada de decisão, pois o problema pode ser igual a um ocorrido anteriormente ou pode ser um problema novo, desconhecido. Nesse sentido as decisões podem ser: • Decisões programadas: aquelas já conhecidas, pois resolveram problemas que já foram enfrentados e se comportam da mesma maneira; • Decisões não programadas: aquelas não conhecidas. São dificuldades ou problemas novos em que a organização precisa encontrar uma solução, pela primeira vez. Além de saber se a decisão é ou não programada, é necessário saber identificar três condições que são fundamentais, no processo de tomada de decisão: • Certeza: nesse caso o gerente ou administrador já conhece bem o problema, já resolveu várias vezes com sucesso e, portanto tem a alternativa certa para tomar a decisão; • Risco: nesse caso o gerente ou administrador tem um entendimento necessário do problema, embora não tenha resolvido um antes. O grau de risco é baixo, , 95 pois além de conhecer o problema, tem informações suficientes para tomar a decisão; • Incerteza: nesse caso o gerente ou administrador não conhece o problema, tem poucas informações a respeito e precisa descobrir quais são as alternativas disponíveis, sem saber se tem todas. Como vimos, o processo de tomada de decisão parece simples, mas exige muitos cuidados a serem tomados pelo gerente ou administrador, responsável pela decisão. Na maioria das vezes, a tomada de decisões é racional, ou seja, com base em alternativas possíveis escolhe-se com objetividade a melhor. Porém, dependendo da rapidez da decisão, da situação de conflito existente, do cansaço físico e outras variáveis, a tomada de decisão não adota o modelo racional e sim o comportamental. A diferença entre o modelo racional e o comportamental, está explicada na figura a seguir: Fonte: CARAVANTES, 2005, p. 455 Figura 4.25 , 96 Segundo Hobbins (2010), os erros mais comuns na tomada de decisão são: • Excesso de confiança: é necessário cuidado para não exagerar no otimismo na hora da tomada de decisão, pois mesmo o problema sendo rotineiro, o fato de ele aparecer novamente pode haver uma variável nova, não identificada anteriormente; • Ancoragem: quando o gerente ou administrador, antes de tomar uma decisão tem a ideia fixa numa informação que poderá influenciar negativamente a qualidade da decisão. Cuidado para não confiar demasiadamente numa informação sem antes saber a origem e qualidade dela; • Evidência confirmadora: quando a evidência de um problema é muito forte e visível, tendemos a rejeitar opiniões contrárias que, em alguns casos, são extremamente importantes; • Viés da disponibilidade: quando há muitas informações disponíveis a respeito do problema, podemos tomar a decisão com base nessa facilidade e, em alguns casos, aumentar o risco de a alternativa escolhida não ser a melhor. Não tome decisão só com base na facilidade da informação; • Escalada do comprometimento: quando se toma uma decisão que necessitou de altos investimentos e, após determinado tempo, percebe que não foi a melhor, o gerente pode não querer tomar a decisão de mudar algo, devido ao seu comprometimento na decisão anterior. É preciso ter coragem e responsabilidade para mudar; • Erro de aleatoriedade: quando achamos que podemos prever erros aleatórios, podemos tomar a decisão errada, pois existem variáveis difíceis de prever devido à sua aleatoriedade. Ao avaliar a alternativa é preciso ter certeza que ela não é aleatória; • Aversão ao risco: muitos gerentes não gostam de tomar decisões com riscos e só tomam decisões onde não há riscos. Dependendo da situação é normal e estratégico tomar decisões com certo grau de risco, caso contrário seu concorrente toma e sua empresa perde; , 97 • Compreensão tardia: ocorre quando o gerente, após avaliar o resultado, achar que já sabia do acontecimento, isso pode prejudicar a visão de análise do resultado obtido. É muito fácil falar, depois de avaliado o resultado, que sabia que isso iria acontecer, pois é o óbvio. 4.5 Desenvolvimento Organizacional – DO Toda organização enfrenta um dilema constante, como buscar o equilíbrio entre alcançar o mais elevado índice de produtividade para sua empresa e atender, simultaneamente as necessidade de seus colaboradores. O Desenvolvimento Organizacional procura encontrar soluções para a busca desse equilíbrio, tentando analisar as organizações como sistemas abertos e dinâmicos que necessitam constantemente estar interligadas com o ambiente onde estão inseridas. Segundo Silva (2008), os especialistas em DO adotam duas estratégias na busca do objetivo organizacional com maior eficácia: • Abordagem do processo humano: tem como objetivo melhorar o relacionamento interpessoal entre os colaboradores, os grupos e entre os processos da organização; • Abordagem tecnoestrutural: tem como objetivo focar a melhor eficiência e produtividade, com base nos fluxos de trabalho, nos processos, na estrutura organizacional, no melhor desempenho e na integração entre pessoas e tecnologia. Vamos adotar o conceito de Desenvolvimento Organizacional do pesquisador Warren Bennis, da Universidade de Bufallo – EUA: O desenvolvimento organizacional é um processo sistemático, administrado e planejado de mudança de cultura, sistemas e comportamentos de uma organização, a fim de melhorar a eficácia na solução dos problemas e no alcance dos objetivos organizacionais (SILVA, 2008, p.365). , 98 O DO se preocupou em estudar e propor ferramentas para que as organizações possam realizar mudanças planejadas, em oposição às mudanças casuais que normalmente ocorrem. Lidar com mudanças na organização é muito complexo, pois além de envolver processos organizacionais, envolve pessoas, valores e clima organizacional. Características básicas do DO De acordo com Silva (2008) o DO apresenta as seguintes características básicas: • Foco na cultura e nos processos organizacionais; • Estimular a colaboraçãoentre os responsáveis pelo gerenciamento da cultura e processos organizacionais; • Foco na participação de todos os níveis organizacionais nos processos decisórios; • Buscar uma mudança completa na organização, inclusive na visão do negócio; • Visão desenvolvimentista que procura incentivar a melhoria contínua dos colaboradores e da organização. Para implementar o Desenvolvimento Organizacional é necessário adotar o modelo de estágios proposto por Silva (2008) que são os seguintes: 1. Estágio conceitual: quando a organização necessita avaliar ou redefinir seu negócio, identificar as oportunidades, analisar riscos e avaliar as possibilidades de lucro e crescimento. 2. Estágio organizativo: concluído o estágio conceitual, a organização avalia a ideia das mudanças necessárias, definindo possíveis localizações e melhorias de processos, redefinindo a missão e identificando o nível de comprometimento social e cultural. 3. Estágio produtivo: quando os produtos e serviços do novo modelo começam a ser entregues. Nesse momento se avalia também possíveis ameaças à organização, por conta das mudanças realizadas. , 99 4. Estágio administrativo: nesse estágio é necessário rever ou implantar todas as normas e regulamentos da organização, delegando e descentralizando atividades, racionalizando controles e burocratizando as atividades administrativas. 5. Estágio normativo: quando a organização já absorveu o processo de mudanças, todas as normas e procedimentos já foram implantados e a empresa começa se tornar um sistema mais eficiente. Para realizar o processo de mudança na organização não existe um modelo único, pois cada uma tem suas características básicas, mas pode-se utilizar um modelo teórico como base. Um desses modelos utilizados é o modelo de Kurt Lewin que considera o processo de mudança em três etapas: diagnóstico, intervenção e acompanhamento, conforme figura a seguir: Fonte: SILVA, 2008, p. 371 Figura 4.26 Diagnóstico: é o início do processo de mudança da organização. Independentemente do diagnóstico que vai ser feito pela própria empresa ou por uma empresa de consultoria especializada, é importante identificar em quais áreas a empresa irá realizar o diagnóstico. É nessa fase que ocorre o “descongelamento”, que é identificar a real e verdadeira situação que se encontra a empresa. , 100 Intervenção: uma vez realizado o diagnóstico e identificado todas as deficiências organizacionais que sofrerão mudanças, inicia-se a intervenção, que é uma maneira de tentar corrigir tais distorções e inicia o processo de mudança. Tais intervenções podem ser realizadas em diversas áreas e níveis organizacionais, conforme figura a seguir: Fonte: SILVA, 2008, p. 372 Figura 4.27 Acompanhamento: após a realização de todas as mudanças previstas no diagnóstico, a organização começa a trabalhar no novo contexto para absorver o impacto de tais mudanças, denominado de recongelamento. Nesse momento inicia-se a fase de acompanhamento para avaliar qual foi a eficiência e eficácia das mudanças e, caso tenha algum problema, iniciar o processo de manutenção para corrigir as possíveis distorções. Nessa fase é importante que os critérios de avaliação sejam objetivos para poder mensurar com qualidade, conforme quadro a seguir: , 101 Fonte: SILVA, 2008, p. 377 Figura 4.28 Causas de resistência às mudanças Normalmente qualquer tipo de mudança causa certo temor, apreensão e até medo nos funcionários. Uma grande dificuldade de realizar a mudança organizacional está relacionada com a cultura organizacional da empresa. De acordo com os pesquisadores John Kotter e Leonard Schlesinger, há quatro causas de resistência às mudanças em Silva (2008): Egoísmo provinciano: é a mais comum que significa o medo de um colaborador perder seu poder e/ou prestígio; Má compreensão e falta de confiança: quando a comunicação a respeito das mudanças não é boa ou quando o gerente ou responsável pela realização das mudanças não é confiável; Avaliações diferentes: quando vários grupos diferentes fazem uma mesma avaliação, com enfoques divergentes; Baixa tolerância à mudança: normalmente ocorre nas organizações com cultura muito forte e apoiada em normas e procedimentos burocráticos. , 102 Conclusão Conhecendo a Teoria de Sistemas vimos a importância de administrar uma organização dentro de uma visão sociotécnica mais abrangente. A Teoria Contingencial demonstrou a necessidade da organização e do administrador saber lidar com as diversas variáveis ambientais em constante mudança. Com a explicação das dimensões da qualidade, vimos o quanto ela é necessária nos processos, na gestão e nos produtos e serviços que a organização entrega a seus clientes. Analisando o processo de tomada de decisão, o administrador terá chances de tornar a sua empresa mais competitiva e, principalmente, saber lidar e interpretar os constantes processos de mudanças organizacionais necessários para manter-se no mercado globalizado e complexo que estamos vivenciando. Referências CARAVANTES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLOECKNER, Mônica C. Administração: teorias e processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014. PEARSON, Education do Brasil. Gestão da Qualidade. São Paulo: Pearson, 2011. ROBBINS, Stephen P.; JUDGE, Timothy A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento Organizacional. 14. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. SILVA, Reinaldo O. da. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. , 103 5 ADMINISTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA Neste bloco vamos identificar os elementos da cultura e os conceitos do que é aprendizagem organizacional; descrever e discutir os principais tipos de poder utilizados na organização; entender as técnicas necessárias para negociação de conflitos; descrever o que é Reengenharia e interpretar suas aplicações nos processos organizacionais e entender o que é Benchmarking e como utilizá-lo nas empresas. O objetivo deste bloco é permitir que o administrador conheça e saiba lidar com a cultura organizacional, administrando eficientemente os conflitos e promovendo melhorias nos processos organizacionais com o uso de técnicas da administração contemporânea. 5.1 Cultura e aprendizagem organizacional Cada organização é diferente da outra devido a uma série de fatores e particularidades tais como: tipo de negócio, mercado onde atua, estrutura organizacional, distribuição do poder, atividades, tecnologia, recursos e outros itens. Uma maneira de identificar uma organização é conhecendo a sua cultura organizacional. “A cultura organizacional é o sistema de valores, crenças e hábitos compartilhados que rege a interação dos elementos de uma organização”. (SILVA, 2008, p.384): A cultura organizacional é desenvolvida através de inúmeras fontes onde os funcionários antigos, que já incorporaram tais fontes, vão disseminando para os mais jovens e assim sucessivamente. De acordo com Dias (2008), para analisar a cultura organizacional e como ela impacta as atividades da organização, é importante analisar três aspectos: direção, difusão e força. Direção: se refere a intensidade que a cultura organizacional apoia e defende as metas organizacionais; , 104 Difusão: o modo como a cultura organizacional é entendida e assimilada por todos os funcionários da organização; Força: se refere a quanto cada funcionário acredita e trabalha de acordo com os valores, normas, regulamentos e outros aspectos da organização. O tipo de cultura organizacional vai determinar a maneira como ela vai reagir perante as metas, objetivos e missão da organização, influenciando de forma negativa ou positiva. Um dos mais conceituados estudiosos, especialistaem cultura organizacional, Edgar Schein, estabeleceu três níveis, conforme figura abaixo: Fonte: SILVA, 2008, p. 385 Figura 5.1 • Artefatos: são os componentes mais visíveis de uma cultura organizacional: arquitetura, veículos, roupas, produtos que as pessoas usam, utilização do espaço, quantidade de recursos etc.; • Valores adotados: são aqueles estabelecidos, normalmente pelos fundadores da organização, e que os funcionários acreditam, ou seja, uma razão para explicar por que a área/organização executa daquela maneira; , 105 • Hipóteses básicas: são todas as crenças que os colaboradores acreditam ser a maneira certa de realizar determinada atividade/ação, ou seja, é o modo certo de fazer. Características da cultura organizacional Segundo Robbins (2010), a cultura organizacional possui sete características básicas: 1. Inovação: é o grau de motivação de funcionários que buscam a inovação apesar dos riscos que ela traz. 2. Atenção aos detalhes: é determinada pelo nível de cuidado e atenção que os funcionários dedicam às atividades, utilizando o detalhamento como ferramenta básica. 3. Orientação aos resultados: é quando os executivos e dirigentes da empresa dão maior importância ao alcance dos objetivos organizacionais do que as técnicas e processos utilizados. 4. Foco na pessoa: é quando os executivos e dirigentes da empresa se preocupam mais com o impacto que os objetivos e metas organizacionais irão realizar nos funcionários. 5. Foco na equipe: é quando os executivos e dirigentes da empresa se preocupam mais com o impacto que os objetivos e metas organizacionais irão realizar nas equipes e não nos funcionários. 6. Agressividade: é o nível de competividade e agressividade existente internamente na organização entre os funcionários e/ou entre as áreas. 7. Estabilidade: é quando os funcionários preferem manter sua posição ou status quo, do que realizar mudanças. Funções da cultura organizacional Define a maneira como os colaboradores da empresa devem se relacionar entre si e com o ambiente externo. Exemplos: • Critérios para avaliação do desempenho dos colaboradores; • Modelos de recompensas e punições; , 106 • Tipo de comportamento em relação à autoridade. Tratamento formal ou informal. • Solidariedade ou o individualismo. Disfunções da cultura organizacional São motivadas pela ocorrência de desvios no comportamento dos colaboradores. Exemplos: • Resistência à necessidade de mudança interna; • Tendência de subestimar outros grupos; • Tendência de utilizar recursos incorretamente, priorizando cuidar mais da própria organização do que no desempenho dela. Indicadores da cultura organizacional Serve para avaliar como é a cultura organizacional de uma empresa, utilizando diversos tipos de indicadores tais como: • Distância do poder: como as pessoas percebem a autoridade; • Linguagem: palavra escrita (confiança pessoal) ou palavra falada (valor à formalidade); • Relações humanas: individualismo ou coletivismo; • Atitudes em relação ao futuro: proativa (longo prazo) e reativa (curto prazo); • Propensão ao risco: orientadas para a certeza (acomodadas); • Orientadas para a incerteza (inovadoras). , 107 Aprendizagem Organizacional No atual mundo competitivo e globalizado, o recurso mais valioso para a organização é o conhecimento. O conhecimento não é um recurso físico que a organização pode armazenar e usar quando precisar. Ele é um recurso intangível e está na cabeça de cada funcionário, portanto o dono do conhecimento é o funcionário. A organização que souber lidar com a gestão do conhecimento, será muito mais competitiva que as demais. Segundo vários autores, estamos vivenciando a Era do Conhecimento, conforme tabela abaixo: Quadro 5.1 Item Paradigma da Era Industrial Paradigma da Era do conhecimento Pessoas Geradores de custos ou recursos Geradores de receitas Fonte do poder gerencial Nível hierárquico na organização Nível de conhecimento Luta de poder Operários x capitalistas Trabalhadores de conhecimento x gerentes Responsabilidade da gerência Supervisionar os subordinados Apoiar os colegas Informação Instrumento de controle Recurso e ferramenta para a comunicação Produção Operários que processam recursos físicos para criar produtos tangíveis Trabalhadores do conhecimento que convertem conhecimento em ativos intangíveis Fluxo de informação Por meio da hierarquia organizacional Por meio de redes colegiadas Gargalos de produção Capital financeiro e habilidades humanas Tempo e conhecimento Fluxo de produção Sequencial. Direcionado por máquinas Caótico. Direcionado por ideias Efeito do tamanho Economia de escala no processo produtivo Economia de escopo das redes Relações com clientes Unidirecionais por meio do mercado Interativas por meio de redes pessoais Conhecimento Uma ferramenta ou um recurso O foco do negócio Propósito do aprendizado Aplicação de novas ferramentas Criação de novos ativos Valor de mercado (das ações) Decorrente de ativos tangíveis Decorrente de ativos intangíveis Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 602 , 108 Para que a organização inicie seu processo de Gestão de Conhecimento e se torne uma organização que “aprende”, segundo Peter Senge em Chiavenato (2014) é necessário conhecer as cinco disciplinas de aprendizagem e colocá-las em prática: 1. Domínio pessoal: todo funcionário deve aspirar ao desejo de conhecer/aprender, sempre visando o estado atual e a realidade que o envolve, procurando obter os melhores resultados. 2. Modelos mentais: é a disciplina que ajuda a desenvolver a reflexão e o questionamento. Quanto maior a reflexão, mais capacidade de agir e administrar suas ações será alcançada. 3. Visão compartilhada: envolve o conceito coletivo, ou seja, aprender a atingir e trabalhar com objetivos mútuos e obter um senso de compromisso coletivo para atingir as metas organizacionais. 4. Aprendizagem de equipes: é a disciplina para obter a interação grupal. Para obter a aprendizagem é importante saber trabalhar em equipe, trocando conhecimentos através de diálogos e discussões, na busca dos objetivos. 5. Pensamento sistêmico: é a disciplina que busca a aprendizagem, pois entendendo como são as relações de interdependência, se torna mais fácil aceitar as mudanças necessárias e mobilizar as energias em busca do foco organizacional. Como vimos, a grande vantagem competitiva que uma empresa deve buscar atualmente é capacidade para aprender, pois dessa forma conseguirá ser inovadora, criativa e saberá lidar com as constantes mudanças que ocorrem no meio ambiente. É através da aprendizagem organizacional que a organização conseguirá obter o capital mais valioso no mundo atual, o capital intelectual. , 109 5.2 Poder nas organizações O poder nas organizações, quando utilizado corretamente, é uma importante ferramenta que auxilia na obtenção de resultados e competitividade. O poder ao mesmo tempo em que é atrativo (para quem possui), pode ser extremamente prejudicial para aquele que não souber lidar com ele. “Poder é a capacidade que A tem de influenciar o comportamento de B, de tal maneira que B aja de acordo com a vontade de A.” (ROBBINS, 2010, p. 402) Podemos observar que quanto maior a dependência que B tem de A, maior é o poder de A para influenciar. Liderança e poder estão bem próximos, mas, em certas situações o líder tem o poder apenas por causa do cargo que ocupa. Segundo Robbins (2010), o poder pode ser dividido em dois grupos: o formal e o pessoal. O poder formal está contido no cargo que a pessoa utiliza na organização, enquanto o poder pessoal vem das características individuais que cada pessoa tem de influenciar outras. O poder formal pode ser dos seguintes tipos: Poder coercitivo: que se refere à capacidadeque vem do poder utilizado para punir ou aplicar sanções, quando suas ordens não são obedecidas; Poder de recompensa: se refere à capacidade que vem do poder utilizado para distribuir recompensas materiais (aumento, promoções, bônus, etc.) ou recompensas sociais (mudar de horário de trabalho, sala, elogios, etc.); Poder legítimo: normalmente é mais amplo que o poder coercitivo e de recompensa, está atrelado ao nível hierárquico que ocupa e é mais facilmente aceito. Quando um presidente está expondo sua opinião, normalmente os demais se calam, aceitando seu poder superior. , 110 O poder pessoal pode ser dos seguintes tipos: Poder de competência: se refere ao poder com base na competência, conhecimento que a pessoa detém. Em alguns casos, esse poder está junto com o poder formal, o chefe pode ter um conhecimento da área acima de todos, além do poder do cargo que ocupa. Quando alguém detém determinado conhecimento, todos o procuram mesmo ele não sendo o chefe. Poder de referência: é o poder que está associado a alguns traços ou recursos que a pessoa tem e é favorável aos demais. Por exemplo, o filho do dono da empresa, pode não ter nenhum cargo formal, mas todos se interessam por ele por conta dessa característica. Como já dissemos anteriormente, quanto maior for o grau de dependência que B tem de A, maior é o poder de A. Nesse sentido podemos constatar que um fator importante do poder está relacionado à dependência. Segundo Robbins (2010), a dependência pode ser criada da seguinte forma: Importância: se um funcionário controlar um tipo de recurso importante para todos os demais, fica poderoso. Ex: controlar a distribuição de todos os recursos materiais e financeiros da organização; Escassez: se um funcionário tem um conhecimento que é difícil ser encontrado no mercado, devido à escassez, ele pode determinar seu próprio salário e as suas condições de trabalho; Não substituição: se um funcionário domina um processo complexo de trabalho na organização, onde ninguém consegue fazer sem ele, torna-se poderoso. Quanto maior for sua capacidade de influenciar as pessoas, mais poder terá para fazer com que sigam suas recomendações. Existem vários estudos que analisaram quais as melhores táticas a serem utilizadas para exercer a influência. Segundo Robbins (2010) existem nove táticas que são: 1. Legitimidade: quanto mais legal for sua ação (escrita em normas, regulamentos, leis, etc.) maior legitimidade terá sua influência. , 111 2. Persuasão racional: quando se utiliza de argumentos válidos e lógicos com evidências que possam embasar sua opinião. 3. Apelo inspiracional: quando utiliza ideias baseadas em valores e emoções, capazes de levar à inspiração. 4. Consulta: quando a pessoa-alvo de determinada ação é convocada para participar em conjunto com as demais. 5. Troca: quando oferece benefícios, presentes ou outros bens materiais em troca do apoio necessário. 6. Apelo pessoal: quando usa seu relacionamento pessoal (amizade, lealdade, parentesco, etc.) para realizar a ação. 7. Insinuação: uso de elogios, comportamento amigável, bajulação e outros atrativos, para conseguir obter o apoio necessário. 8. Pressão: uso de ameaças (perda de promoção, demissão, etc.) para obter o apoio necessário. 9. Coalizão: fazer alianças com outras pessoas ou grupos, para ajudar a obter o apoio necessário. 5.3 Mediação de conflitos Segundo Robbins (2010) conflito é um processo que tem início quando alguém percebe que outra parte afeta, ou pode afetar, negativamente alguma coisa que considera importante. Com base nessa definição podemos deduzir que o conflito é um sentimento, portanto pode ou não ocorrer e depende de cada tipo de pessoa. Anteriormente, nas organizações, havia uma crença equivocada de que o conflito era ruim e deveria ser evitado. Hoje se percebe que o conflito, quando bem administrado, é positivo para a organização, pois a partir dele podem surgir ideias novas, trazendo oportunidades e melhorando o desenvolvimento da empresa. Os conflitos que ajudam o desempenho da organização são denominados de conflitos funcionais. Aqueles que não ajudam são denominados de conflitos disfuncionais. , 112 Tipos de conflito Conflito de tarefa: está relacionado com o tipo de tarefa e com os objetivos que trabalha. Conflito de relacionamento: proveniente das relações interpessoais que ocorrem nas empesas. Conflito de processo: motivado devido à maneira como o trabalho é executado. Processo do conflito O processo do conflito é formado através de 5 estágios segundo Robbins (2010): 1. Oposição potencial ou incompatibilidade: estágio onde pode se iniciar um conflito. Geralmente uma ideia/opinião é oposta a outra por razões técnicas ou por questões pessoais. Nesse momento três fatores podem provocar o início do conflito: comunicação, estrutura e variáveis pessoais. 2. Cognição e personalização: mesmo havendo divergência de ideias e opiniões, pode ser que não se inicie o conflito. Ou seja, duas pessoas podem discutir fortemente a respeito de um assunto e depois saírem para tomar um café juntos normalmente. Nesse estágio, a discussão aconteceu e o conflito surgiu, seja porque não chegaram a um acordo de imediato, seja por questões pessoais. 3. Definição das estratégias de resolução de conflitos: uma vez iniciado o conflito é necessário escolher a melhor estratégia para lidar com ele, que poderá ser da seguinte maneira: Competição: nesse momento os dois envolvidos querem competir entre si, cada um buscando somente seus próprios interesses; Colaboração: nesse momento, apesar de estarem com opiniões diferentes, os dois tentam encontrar uma solução que seja boa para ambos; Evitamento: é quando um dos envolvidos evita discutir, mesmo sabendo que não vai resolver o conflito; , 113 Acomodação: é quando um dos envolvidos, mesmo não concordando, aceita a opinião do outro para terminar o conflito; Compromisso: é quando os dois, apesar de não concordarem, aceitam uma solução parcial que não atende aos interesses de ambos. Fonte: ROBBINS, 2010, p. 442 Figura 5.2 4. Comportamento: quando o conflito chega num momento onde todos estão envolvidos, ficando bem visível existência dele. A intensidade desse conflito vai determinar o comportamento dos participantes que pode até chegar a agressões físicas. Negociação Para mediar um conflito é necessário haver negociação. Negociação é um modelo de processo onde duas ou mais pessoas trocam bens ou serviços e tentam estabelecer um acordo sobre as vantagens dessa troca. A negociação também pode ser denominada de barganha. , 114 Estratégias de barganha Segundo Robbins (2010), podem existir duas abordagens ou estratégias de negociação: Barganha distributiva: busca a divisão de determinada quantidade fixa de recursos (solução perda-ganho), ou seja, uma parte ganha e a outra perde; Barganha integrativa: quando busca um ou mais acordos que podem trazer ganhos para ambos os lados (solução ganha-ganha). Sempre que possível é a melhor para ser utilizada. Processo de Negociação O processo de negociação compreende 5 passos: Preparar e planejar; Estabelecer as principais regras básicas; Relacionar os esclarecimentos e justificativas; Propor a barganha e solução de problemas; Concluir e implementar. Fonte: ROBBINS, 2010, p. 452 Figura 5.3 , 115 5.4 Reengenharia Durante muito tempo os pressupostos da Administração Clássica e Científica foram utilizados na maioria das empresas. A divisão do trabalho com base na especialização dos funcionários os tronou mais produtivos, mas não conhecedores de todo o processo. A filosofia de melhoria contínua da qualidade (kaizen) e os pressupostos da Qualidade Total, também foram introduzidos com sucesso nasorganizações. Na década de 1980 o mercado tornou-se mais globalizado, competitivo e os clientes se tornaram mais exigentes, obrigando as empresas a buscarem novas técnicas para responder rapidamente tais exigências. As empresas então passaram a se preocupar em melhorar rapidamente, não somente suas atividades e operações, mas, também seus processos. No início da década de 1990 os americanos Michael Hammer e James Champy, criaram a Reengenharia, que a definiram da seguinte forma: A reengenharia é o repensar fundamental e reestruturação radical dos processos empresariais que visam alcançar drásticas melhorias em indicadores críticos e contemporâneos de desempenho, como custos, qualidade, atendimento velocidade. Essa definição encerra quatro palavras- chave: fundamental, radical, drástica e processos. (CARAVANTES, 2005, p. 272) A reengenharia significa abandonar tudo o que existe na organização e começar de novo, isto é abandonar todas as práticas antigas e substituí-las por novas As palavras-chaves utilizadas na definição de Reengenharia são: Fundamental: ao iniciar um processo de Reengenharia na organização, ela deve analisar tudo o que existe para descobrir o que é realmente fundamental para a empresa; Radical: significa abandonar tudo o que existe e substituir por novos processos. Não é melhoria nos processos existentes, mas, simplesmente, eliminá-los; , 116 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 593 Figura 5.4 Drástica: significa que a reengenharia não se preocupa com pequenas melhorias, mas com aquelas que vão alterar drasticamente o desempenho da organização; Processos: significa que não vamos mudar atividades, tarefas, mas sim processos, que é muito mais complexo. Para a reengenharia é fundamental entender o que é processo. Segundo Caravantes (2005), processo é: Um conjunto de atividades estruturadas e medidas destinadas a resultar num produto específico para determinado cliente ou mercado. Portanto, é uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com começo, fim, inputs e outputs claramente identificados: uma estrutura para a ação. Ou, se quisermos uma definição mais simples, processos é um conjunto de atividades, com um ou mais tipos de entrada, com o objetivo de definir uma ou mais saídas que representa um valor significativo para o cliente. , 117 Segundo Chiavenato (2014), os processos organizacionais mais importantes para realizar a reengenharia são: Desenvolvimento de produtos/serviços: área onde a empresa define seu negócio; Atendimento ao cliente: área onde a empresa busca informações sobre necessidades e desejos de seus clientes; Fabricação e manufatura/operações: área onde a empresa produz o seu produto/serviço; Logística: área onde é realizada a gestão de toda movimentação de materiais, recursos e informações que a empresa utiliza; Gerenciamento de pedidos: área onde a empresa define o que está vendendo e precisa produzir; Gestão de pessoas: área onde estão os recursos mais importantes, as pessoas; Planejamento e alocação de recursos: área de planejamento, controle e distribuição dos recursos que a empresa utiliza; Monitoração do desempenho organizacional: área responsável para avaliar o desempenho da organização e corrigir os possíveis desvios. A reengenharia de processos, quando realizada numa organização, altera o modelo organizacional trazendo inúmeras consequências. Tais consequências, segundo Chiavenato (2014), podem ser as seguintes: • As áreas que seguiam o modelo tradicional de departamentalização se transformam em equipes orientadas para os processos, onde o funcionário que era especializado em uma só atividade, se torna um especializado no processo; • O modelo de estrutura organizacional (vertical), com vários níveis hierárquicos, se transforma numa estrutura enxuta horizontal (downsizing), com poucos níveis hierárquicos; , 118 • Há uma mudança profunda na atividade (simples, monótona, rotineira, individual) e a transforma em equipes autogeridas com tarefas multidimensionais; • Os papeis dos funcionários que eram geridos através de normas e regulamentos se transformam em papeis com maior autonomia e liberdade para os mesmos; • O treinamento dos funcionários, que era voltado ao tipo de cargo e especialidade, é modificado para um treinamento por tipo de processo, em ênfase nas habilidades pessoais; • Os critérios de avaliação de desempenho, que eram baseados nas atividades realizadas, muda para mensurar os resultados obtidos pela organização e o índice de satisfação dos clientes; • Os gerentes, antes controladores dos seus funcionários, se tornam líderes para desenvolver as pessoas e estimular sua motivação. 5.5 Benchmarking No atual mundo competitivo das organizações, adotar as melhores práticas e ferramentas da administração é essencial na busca pela sobrevivência ou competitividade. Uma ferramenta utilizada pela Xerox em 1979, que é muito utilizada atualmente o benchmarking. Benchmarking significa a empresa identificar as melhores práticas de administração existentes no mercado, e, através de um processo de análise e comparação, implantar na sua organização melhorando ainda mais as práticas. O benchmarking é uma ferramenta poderosa, pois evita o desperdício de tempo que as organizações tinham para desenvolver suas melhores práticas. No mundo atual, onde a informação está acessível através do uso da internet, facilmente você encontra boas práticas de administração que empresas adotaram e tiveram sucesso. Basta conhecer, analisar e adaptar às reais necessidades e características da sua empresa. , 119 Segundo Silva (2008), para implantar um processo de benchmarking na sua empresa é necessário seguir os sete passos, conforme figura abaixo. Fonte: SILVA, 2008, p. 428 Figura 5.5 Quando a empresa decidir utilizar a ferramenta benchmarking, necessita definir três objetivos segundo Chiavenato (2014): 1. Conhecer suas operações: identificar para qual operação ou processo sua empresa deseja utilizar o benchmarking, avaliando e medindo todas as atividades/tarefas desse processo, principalmente os “gargalos”. 2. Localizar e conhecer as melhores práticas existentes: pesquisar no mercado com concorrentes ou empresas que tenham o processo que quer realizar, e que são bem-sucedidas nesse tipo de processo. Escolher o melhor processo existente e conhecê-lo com todo o detalhamento possível. 3. Incorporar a melhor prática: após conhecer as melhores práticas do processo que quer implantar, ver quais os pontos fortes desse processo, adequar às suas necessidades e implantar um parecido, se possível, melhorando ainda mais o processo. A implantação de um processo utilizando a ferramenta benchmarking traz inúmeras vantagens para a empresa, conforme podemos verificar na tabela a seguir: , 120 Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 595 Figura 5.6 Conclusão Ao longo desse bloco estudamos os elementos que fazem parte da cultura organizacional de uma empresa; como é o processo de aprendizagem organizacional; como o administrador pode tornar sua empresa mais competitiva e organizada. Entendemos os principais tipos de poder; técnicas de negociação de conflitos; objetivos organizacionais relacionados a eficiência e eficácia. Analisamos a filosofia da reengenharia, do benchmarking e como o administrador pode transformar os processos proporcionando mais agilidade, menores custos e adotando práticas em busca de melhoria contínua para a empresa se adequar às constantes mudanças que o ambiente provoca, tornando-a mais flexível e atrativa. , 121 Referências CARAVANTES, Geraldo R.; PANNO, Cláudia C.; KLOECKNER, Mônica C. Administração: teorias e processos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014. ROBBINS, Stephen P.; JUDGE, Timothy A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento Organizacional. 14. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. SILVA, Reinaldo O. da. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. , 122 6 ADMINISTRAÇÃO AVANÇADA Neste bloco vamos definir os conceitos de estratégia, entender os principais tipos existentes e suas aplicações nas organizações; apontar conceitos de Governança Corporativa e relatar a importância da gestão responsável e ética nas organizações; discriminar a importância do uso da tecnologia para propiciar e incentivar a inovação nas organizações; definir o que é uma Administração Empreendedora e sua importância no atual contexto, e relacionar as principais tendências futuras da administração. O objetivo desse bloco é propiciar um conhecimento das técnicas mais avançadas em administração, bem como as principais perspectivas do futuro, permitindo ao administrador atualizar seus conhecimentos e preparar-se para os novos desafios que terá que enfrentar nesse mundo complexo e em constante mudanças. 6.1 Administração Estratégica No mercado globalizado e competitivo, dificilmente uma organização está sozinha no mercado onde atua (exceto para casos específicos de empresa que tenha um produto ou serviço patenteado que só ela pode fornecer), portanto para conseguir ser competitiva e melhor que seus concorrentes, a empresa deverá fabricar um produzido ou serviço, que somente ela possui com determinado valor agregado que encante seus clientes. A única maneira de uma empresa ter um produto ou serviço com valor agregado, que a diferencie dos demais concorrentes, é utilizar uma estratégia diferente de todas as demais empresas. A estratégia é utilizada há muito tempo, desde a época dos primeiros impérios existentes e, nessa época, era a ação que os generais utilizavam para ganhar uma batalha de seus inimigos. Durante muitos anos a estratégia esteve ligada ao exército, na arte da guerra, de como escolher a melhor ação, para eliminar o inimigo. , 123 Posteriormente, a estratégia começou a ser utilizada pelas grandes empresas, como forma de combater ou eliminar seus concorrentes. Ou seja, a estratégia esteve sempre relacionada com uma ação para competir num determinado mercado ou ambiente. A melhor forma de uma empresa ter um desempenho superior aos seus concorrentes é oferecer um produto/serviço com algum valor agregado que o cliente aceite e valorize, e que os demais concorrentes não possuam, conforme figura a seguir: Fonte: SOBRAL, 2008, p. 141 Figura 6.1 Em Sobral (2008), vemos que existem várias maneiras para uma empresa elaborar estratégia, que ficaram conhecidas como os 5 P’s da estratégia, conforme figura a seguir: , 124 Figura 6.2 – Os 5 Ps da Estratégia Para implantar uma administração estratégica na empresa é necessário adotar alguns procedimentos, considerados essenciais na administração estratégica que, segundo Sobral (2008), são os seguintes: 1. Diagnóstico da situação atual: análise para verificar como a empresa está no mercado onde atua, avaliando sua missão, seus objetivos e estratégias. 2. Análise estratégica: análise do ambiente organizacional onde a empresa está e onde pretende atuar, verificando todas as variáveis do ambiente interno (forças e fraquezas) e as variáveis do ambiente externo (ameaças e oportunidades). 3. Formulação estratégica: com base nas informações obtidas no diagnóstico e na análise estratégica, a empresa define os novos objetivos. Se necessário for, a missão e a visão da organização podem ser alteradas, nesse momento. 4. Implementação estratégica: nesse momento a empresa necessita de bons líderes para que as ações estratégicas realizadas levem aos objetivos previamente definidos. É nesse momento que a cultura e a estrutura organizacional poderão afetar de forma positiva ou negativa o sucesso da implementação. 5. Controle estratégico: avalia e monitora se o desempenho da organização está compatível com os objetivos estratégicos planejados e faz as alterações necessárias. , 125 Tais procedimentos estão representados na figura a seguir: Fonte: SOBRAL, 2008, p. 143 Figura 6.3 Após analisar o ambiente externo e interno a empresa precisa definir que tipo de estratégia será melhor para a situação que analisou. Segundo Sobral (2008), as estratégias podem ser: Estratégia de crescimento: quando a empresa deseja aumentar suas operações em virtude de ter encontrado oportunidades a serem aproveitadas; Estratégia de estabilidade: quando a empresa decide manter a situação igual a que se encontra no momento da análise, evitando apenas retrocessos; Estratégia de retração: quando a empresa decide diminuir suas operações, reduzindo a produção, retirando alguns produtos ou ainda, deixando de atender algumas regiões não lucrativas. Outra forma de escolher as melhores estratégias é utilizar o modelo das cinco forças competitivas de Michael Porter como descrito por Sobral (2008), que são: Ameaça de novos entrantes: identificar as possíveis empresas que poderão tornar-se concorrentes; Ameaça de produtos substitutos: identificar quais produtos/serviços que existem no mercado onde atua e que poderão ser substituídos pelos que produz; , 126 Poder de barganha dos fornecedores: identificar a força dos fornecedores com os quais a sua empresa trabalha; Poder de barganha dos clientes: identificar a força dos clientes que poderá afetar sua empresa; Rivalidade entre os concorrentes existentes: identificar o nível de rivalidade que existe entre os concorrentes no mercado onde sua empresa atua. Com base na análise das cinco forças competitivas de Michael Porter, é possível a empresa decidir qual dos três tipos de estratégias competitivas adotar, de acordo com Sobral (2008) conforme listado a seguir: Liderança em custos: quando a empresa decide ser líder no mercado onde atua, com base no custo, ou seja, seu preço será o menor; Diferenciação: quando a empresa decide ser líder no mercado onde atua, escolhendo algum produto/serviço que tenha alguma característica diferente dos demais concorrentes e, que o cliente valorize tal diferença; Nicho de mercado: quando a empresa foca toda sua força competitiva num determinado segmento de mercado por achar que naquele segmento ela é mais forte que nos demais. 6.2 Governança Corporativa Por causa de diversos escândalos envolvendo empresas multinacionais, a partir de 1980, surgiu uma nova preocupação na administração de empresas, denominada Governança Corporativa. A partir de então a sociedade começou a exigir mais ética e transparência das empresas, obrigando-as a repensar a maneira de administrar e deixar de lado o tradicional objetivo exclusivamente de lucro. Ao mesmo tempo, ambientalistas começaram a criar movimentos sociais em torno da preocupação com o uso desenfreado de matéria-prima das indústrias e empresas, ou seja, a responsabilidade ambiental. , 127 Um grande escândalo internacional foi o caso da Eron nos EUA, uma grande empresa de energia, que entrou em concordata em 2001, e manipulou seus balanços financeiros juntamente com outra empresa de consultoria famosa, a Arthur Anderson. No Brasil também temos várias histórias tristes, sendo a mais recente, da Petrobras, que causou enormes prejuízos ao erário. “A governança corporativa é o sistema e a estrutura de poder que regem os mecanismos através dos quais as companhias são dirigidas e controladas.” (ALENCASTRO 2017, p.18) A governança corporativa analisa e estuda como uma empresa deve se relacionar com seus acionistas, stakeholders e o meio ambiente, procurando atender a todoscom ética e transparência. O objetivo da governança corporativa é aumentar o valor da empresa no mercado onde atua, mas sem comprometer os interesses de todas as demais partes envolvidas, conforme figura abaixo: Fonte: ALENCASTRO, 2017, p. 19 Figura 6.4 , 128 A crescente preocupação com a governança corporativa vem pelo fato de que os principais stakeholders das empresas estão mais fortes e exigentes. Ou seja, as empresas, para serem competitivas e terem sucesso no atual mercado, deverão agir proativamente em busca de atender as exigências e expectativas de seus stakeholders. Segundo Alencastro (2017): Governança é o ato de governar, sendo que governar é administrar com autoridade, ou seja, exercer a função de governo, para regulamentar. Governar corresponde a uma faixa de ações, que vai da regra à influência, passando pelo autocontrole. (ALENCASTRO, 2017, p. 20): Segundo Lodi, apud Alencastro (2017), a governança corporativa tem os seguintes princípios fundamentais: • Fairness: Uso do senso de justiça e de equidade, para impedir discriminações ou privilégios; • Disclosure: Uso da transparência, através de canais de informação confiáveis e acessíveis; • Accountability: Uso da responsabilidade pela prestação de contas, com dados acurados e corretos; • Compliance: Uso da obediência às leis do país em que a empresa atua. Ética empresarial Para a empresa utilizar a governança corporativa como prática de administração, é essencial que tenha também a prática da ética e responsabilidade social, pois elas são estratégicas para a implantação da governança corporativa, conforme figura abaixo. , 129 Fonte: ALENCASTRO, 2017, p. 23 Figura 6.5 A ética é fundamental para uma empresa que queira implantar a prática da governança corporativa, pois através das práticas de ética empresarial e regras mais rígidas, é possível ter sucesso nessa implantação. Em 1988, foi criado no Brasil o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, com a finalidade de divulgar, sensibilizar e dar auxílio às empresas que queriam implantar a ética empresarial nos seus negócios. Segundo Moreira, apud Alencastro (2017) “a ética nos negócios, ou ética empresarial, é comportamento da empresa entendida como lucrativa quando age em conformidade com os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade.” (ALENCASTRO, 2017, p.23) Para a empresa incorporar a ética empresarial na gestão corporativa é necessário que tenha aprovado e implantado, um código de ética, para regulamentar e definir os padrões mínimos exigidos. Segundo Alencastro (2017) o código de ética deverá contemplar os seguintes tópicos: , 130 Atitudes diante de preceitos legais ou regulamentos da empresa: para que todos os colaboradores possam agir respeitando a legislação existente e os padrões de ética, definidos pela empresa; Limites para brindes, presentes, gratificações ou qualquer outro benefício pessoal: o código de ética deve deixar claro o que é permitido e o que é vedado para os colaboradores terem ações positivas nesse item; Adulteração de registros contábeis: proibir a alteração para fortalecer a transparência e que as normas contábeis e legislações, sejam seguidas rigorosamente; Atividades políticas: limitar as contribuições individuais para partidos ou políticos; Sigilo quanto a informações privilegiadas: dar ciência dos riscos e punições quando o sigilo não for respeitado; Conflito de interesses entre o colaborador e a empresa: deixar claro para os colaboradores não terem dúvidas quanto aos interesses pessoais x interesses empresariais; Sonegação fiscal: proibir de forma rigorosa a prática da sonegação fiscal. Meio ambiente: informar aos colaboradores qual é o compromisso da empresa e deles, com relação ao meio ambiente; Assédio moral e sexual: deixar bem claro as punições para quem realizar tais atos ilícitos; Uso de álcool ou de drogas ilícitas: deixar claro a proibição do uso e comércio do álcool e drogas ilícitas na empresa. Responsabilidade social Assim como a ética empresarial, a responsabilidade social é fundamental para a empresa incorporar a governança corporativa em seu cotidiano. , 131 De acordo com o Instituto Ethos, apud Alencastro (2017), responsabilidade social é: Forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução de desigualdades sociais. (ALENCASTRO, 2017, p.41) É interessante destacar também a abordagem proposta por Archie Carrol, apud Alencastro (2017), que contempla a responsabilidade social numa visão de desempenho empresarial e desempenho econômico, conforme figura a seguir: Fonte: ALENCASTRO, 2017, p. 42 Figura 6.6 Durante muito tempo uma empresa era considerada sustentável se, economicamente fosse saudável. Atualmente, uma empresa para ser considerada sustentável deve adotar o tripé da sustentabilidade ou o triple bottom line, apresentado pelo economista John Elkington de acordo com a figura a seguir: , 132 Fonte: ALENCASTRO, 2017, p. 44 Figura 6.7 6.3 Inovação e Tecnologia Desde as primeiras empresas que se tornaram líderes e competitivas, a tecnologia e a inovação estiveram presentes como elemento propulsor e transformador de criar novos produtos e serviços. Não existe inovação sem tecnologia e vice-versa, ou seja, uma complementa a outra e sãos os elementos responsáveis pelo desenvolvimento da humanidade. Para isso, é fundamental que toda empresa consiga ter uma boa gestão em tecnologia e inovação, para que possa sobreviver e competir no mundo atual. Segundo Carstens (2019), a gestão da tecnologia e inovação compreende: Saber liderar estrategicamente, sempre identificando os sinais internos e externos do mercado onde atua; Inovar é difícil, mas é indispensável para a organização; O uso das inovações tecnológicas agrega valor aos produtos e serviços que a empresa produz sempre com o objetivo de satisfazer as necessidades do cliente; Integrar a gestão da empresa com as principais Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC; , 133 Ter uma cultura organizacional que incentive práticas inovadoras e ações empreendedoras; Estar constantemente tentando alterar ou criar modelos de negócio, de produtos e serviços, na busca constante de um novo público-alvo; Saber lidar com riscos e incertezas que as práticas inovadoras proporcionam; Buscar obter vantagem competitiva através da criação de novos produtos e serviços, agregando sempre valores que os clientes aceitem e estejam dispostos a pagar. Atualmente, inovar não significa criar algo nunca existente. Criações revolucionárias como luz elétrica, navio a vapor, automóvel e avião, são cada vez mais difíceis de acontecer no mundo atual. Inovação, hoje, significa criar uso diferente para um produto ou serviço pré-existente. Por isso, o investimento em pesquisas, estudos, práticas empreendedoras é fundamental para a empresa ser inovadora. Diante dessa informação vem a seguinte dúvida: como surge a inovação? A inovação pode surgir de várias maneiras: pode surgir através da ideia de um colaborador; por necessidade de resolver determinado problema; por acaso numa ação fortuita; como resultado de um estudo ou de uma pesquisa e outras mais. Para uma empresa acostumar-se com a gestão da tecnologia e inovação, Tidd, Bessant e Pavitt apud Carstens (2019), recomendam o seguinte: Realizar pesquisas de cenários internos, sempre atento às variações do ambiente externo (clientes, fornecedores e concorrentes); Selecionar as ações estratégicas com maior potencial de atender o mercado. Investir sempre em pesquisa e desenvolvimento; Implementar a inovação passo a passo, sempre avaliando e mensurando os resultados obtidos. Atualmente, uma empresa só obtém vantagem competitiva se seu produto ou serviço for diferente tecnologicamente, criando um atrativo aos clientes para comprar da sua empresa e não da concorrente. , 134 Segundo Carstens (2019), os principais tipos de inovação são os seguintes: Inovação de produto: quando altera as características de um produto, o que é bastante comum atualmente; Inovação de processo: quando altera a forma de realizar um produto e/ou serviço. Pode ocorrer simultaneamente com a inovação do produto, quando se altera a produção e o processo de uma só vez; Inovação de posição: quando altera o uso ou a posição de determinado produto. O melhor exemplo é a Coca-Cola que surgiu a partir de uma mudança de um remédio de dor de cabeça, para tornar-se o refrigerante mais utilizado no mundo; Inovação de paradigma: é uma mudança mais drástica, pois altera padrões ou modelos referenciais de um produto ou serviço. Tal inovação ocorreu no Brasil na década de 1990, quando o sistema de telefonia foi alterado de poucas linhas a custo elevado, para uma ampliação de redes e concessões, tornando o telefone mais barato e acessível. Tais tipos de inovação são considerados como os 4 P´s da inovação, conforme figura a seguir: Fonte: CARSTENS, 2019, p. 30 Figura 6.8 INOVAÇÃO PARADIGMA PRODUTO POSIÇÃO PROCESSO , 135 Dependendo da intensidade que uma inovação pode provocar num produto ou serviço, poderá ser classificada como uma inovação incremental, contínua, descontínua, arquitetural, radical e disruptiva. Segundo Carstens (2019), as principais características da inovação incremental são: Quando as regras que vão proporcionar a inovação são claramente entendidas por todos na organização; Normalmente, ocorre em processos, produção, produtos e serviços; Normalmente, a inovação incremental e a contínua estão juntas; Através da inovação incremental pode surgir a descontinuidade de um produto ou serviço. Segundo Cartens (2019), algumas características das inovações descontínuas são: Surgimento de um novo produto substituto; Possibilidade de alterar as regras do jogo; Motivação muito forte para a empresa fazer um produto ou serviço diferente; Quando surge a oportunidade da empresa praticar a “destruição criativa” de um produto ou serviço, para lançar um novo. Uma inovação arquitetural é quando altera a estrutura do produto. Uma inovação radical é quando um novo produto, totalmente diferente do anterior é criado. Uma inovação disruptiva é quando sua empresa, com base numa linha de produtos existentes, consegue criar um com necessidades diversas e diferentes dos demais, exercendo várias funções simultaneamente. Para melhor entendimento desses tipos de inovações, observe o quadro abaixo: , 136 Quadro 6.1 Fonte: CARSTENS, 2019, p. 43 Para que uma empresa seja inovadora é importante que sua cultura organizacional favoreça, ou seja, voltada à inovação. Segundo Tidd e Bessant, apud Carstens (2019), uma cultura voltada à inovação apresenta os seguintes elementos: • Capacidade para realizar ou adaptar-se às mudanças; • Saber lidar com incertezas; • Ser flexível e favorecer a adaptabilidade; • Ter equipes multidisciplinares e facilitar o intercâmbio de conhecimentos; • Estimular a criatividade; • Ter regras de socialização e respeito ao próximo; • Ter cultura ética; • Valorização do aprendizado; • Implantar sistemas de reconhecimento e recompensas. 6.4 Administração Empreendedora No subitem 6.3 falamos sobre a importância de a empresa ter uma gestão voltada à inovação e a tecnologia. Para isso é necessário que ela seja também empreendedora e incentive o empreendedorismo aos seus colaboradores. , 137 O empreendedorismo durante muito tempo estava relacionado com as empresas inovadoras e, principalmente no Brasil, a partir da década de 1990, houve um incentivo por parte do Governo Federal de estimular o empreendedorismo nas pequenas e médias empresas. Atualmente, a maioria das empresas busca por administradores empreendedores, para fomentar a inovação e criatividade empresarial. O quadro abaixo apresenta o conceito de empreendedorismo de diversos autores: Quadro 6.2 Fonte: FABRETE, 2019, p. 6 Diante de tantos conceitos e da importância desse tema atualmente, fica a seguinte dúvida: qual a diferença entre o administrador e o empreendedor? O quadro abaixo traz uma comparação entre eles. , 138 Quadro 6.3 Fonte: FABRETE, 2019, p. 11 Para um administrador ser empreendedor, precisa ter algumas características. Segundo Fabrete (2019), os empreendedores têm as seguintes características: Visão do negócio; Ousadia; Sabe lidar com a pressão; Comprometimento; Apaixonado pelo que faz; Não se considera vencido e nem derrotado, luta constantemente; É otimista e independente; Busca a liberdade; É líder e sabe trabalhar em equipe; Acredita nas pessoas; Tem ampla rede de relacionamentos; É organizado e sabe planejar; Está constantemente atualizado, através de cursos, palestras e seminários; Assume riscos calculados. , 139 Existem inúmeros tipos de empreendedores, o que significa que não se pode adotar um modelo como o mais adequado. Vai depender do tipo de negócio, empresa e ambiente. Os modelos mais tradicionais, segundo Fabrete (2019) são: Empreendedor nato: já nasce com características do empreendedor e logo cedo, se torna um deles. O melhor exemplo brasileiro é Silvio Santos; Empreendedor por oportunidade: é aquele que vira empreendedor por acaso, através de uma oportunidade que surgiu sem planejar; Empreendedor corporativo: são os empreendedores que não tem seu negócio próprio, trabalham em empresas, mas são extremamente inovadores; Empreendedor social: são aqueles que pensam mais em ajudar o próximo do que a si mesmo. Normalmente o foco desses empreendedores não é lado econômico, mas sim o lado social; Empreendedor por necessidade: é aquele que, devido alguma necessidade repentina (desemprego, doença), necessita de uma renda maior e investe num negócio; Empreendedor por sucessão familiar: é aquele que vira empreendedor por meio de uma sucessão familiar (pai, avó, irmão etc.) assumindo o negócio da família. Constantemente a empresa precisa inovar seus produtos e serviços para poder continuar no mercado, caso contrário, deixará de existir. Inúmeras empresas de sucesso deixaram o mercado por não querer inovar ou demorar muito, casos como a Blockbuster (maior empresa de locação de vídeos em VHS) e Kodak (maior empresa de fotografia). A inovação não necessariamente implica em criar um novo produto ou serviço, mas pode (e na maioria das vezes é assim) implementar melhorias naqueles já existentes. O importante é a empresa estar continuamente preocupada com a evolução tecnológica, as alterações nas necessidades dos clientes e as mudanças ambientais (de fornecedores, concorrentes, economia, legislação). Para conseguir isso, Tidd e Bessant apud Fabrete (2019), propuseram o quadro abaixo: , 140 Quadro 6.4 Fonte: FABRETE, 2019, p. 28 Saiba Mais Vide Unidade 1 – Empreendedorismo (p. 1-29) do livro FABRETE, Teresa Cristina Lopes. Empreendedorismo, 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. , 141 6.5 Tendências futuras da Administração Estamos vivendo uma era de constantes mudanças onde o tempo está cada vez mais comprimido e curto. As organizações precisam estar sempre atentas às mudanças ambientais e tecnológicas, alterando ou adequando suas estruturas organizacionaise procurando satisfazer ao máximo as necessidades dos clientes. A concorrência está cada vez mais acirrada, exigindo que as organizações adotem estratégias competitivas e saibam lidar e responder rapidamente às variações ambientais. Os clientes por sua vez, estão cada vez mais exigentes cobrando das empresas práticas ambientais, éticas e transparentes. Diante dessa complexidade, as Teorias da Administração e os administradores, são cada vez mais exigidos na busca de novas técnicas e ferramentas para atender tais necessidades. Conforme pesquisa realizada e divulgada pelo SEBRAE, os fatores condicionantes do sucesso empresarial são: Quadro 6.5 Fonte: Sebrae, 2004 apud SOBRAL, 2008 , 142 Atualmente, é necessário que as empresas saibam administrar da forma mais eficiente e eficaz possível, mas, diante de tantas variáveis e mudanças constantes, como fazer? Inúmeros estudos surgiram e estão surgindo na busca dessa resposta e vamos comentar alguns deles. Peter Drucker, considerado o “pai da administração” propôs um modelo de administração baseado no alcance dos objetivos planejados, conhecida como Administração por Resultados, mas somente isso não se tem apresentado saudável para várias empresas. Pensar na Administração como factual também é uma proposta, mas difícil de ser implantada, pois como se baseia na análise de fatos empresariais ocorridos, pode ser que não representem o que poderão ocorrer no futuro. Um exemplo do uso da Administração Factual está na tabela abaixo: Quadro 6.6 – Administração factual nas maiores empresas do mundo Fonte: SOBRAL, 2008, p. 144 , 143 Atratividade: relação percentual entre lucro líquido e faturamento. Fazendo uma breve análise da tabela, podemos destacar os seguintes pontos: • As maiores empresas do mundo são antigas. • Quase todas as marcas são dos antigos proprietários, com exceção da GE. • As marcas mais fortes (Coca-Cola, McDonald’s), são as que faturam menos. Como pudemos observar, apenas um quadro pode dar várias discussões e interpretações para escolha do modelo ideal de gestão de empresas. No tocante à análise das Teorias de Administração, Chiavenato (2014) apresenta duas visões de mundo e duas diferentes visões organizacionais, conforme tabelas abaixo: Quadro 6.7 – Duas visões de mundo: a clássica e a quântica Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 469 , 144 Quadro 6.8 – Duas diferentes visões organizacionais Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 470 Teoria do Caos Desde o início das primeiras Teorias de Administração houve uma busca constante para evitar ou reduzir a incerteza através da lógica e racionalidade. Atualmente, na visão da ciência moderna, quase nada existente no universo é estável ou passivo, pois tudo muda e evolui. Nesse sentido, para a Teoria do Caos, mudanças, desordens e instabilidades fazem parte do cotidiano e as Teorias de Administração que se basearam em controle, estabilidade e previsibilidade, atualmente não funcionam. A Quinta Onda A revolução Industrial que iniciada no final do século XVIII e que predominou por quase todo o século XX, foi substituída pela Era da Informação. As mudanças são rápidas e contínuas, as empresas não podiam fazer projeções com base no passado ou no que acontecera recentemente. Ou seja, não é prudente organizar o que já existe, mas sim inovar para tornar cada vez melhor. , 145 A globalização e o surgimento da internet, dois elementos importantes da Quinta Onda, fazem com que as empresas aceitem a mudança como uma realidade constante e permanente. Segundo Kanter, apud Chiavenato (2014), a globalização apresentou quatro processos abrangentes: 1. Mobilidade de capital, pessoas e ideias; 2. Simultaneidade – em todos os lugares ao mesmo tempo; 3. Desvio – múltiplas escolhas; 4. Pluralismo – o centro não pode dominar. Conforme Chiavenato (2014), para as empresas se adequarem a esses quatro processos, deverão realizar as seguintes ações: • Organizar em torno da lógica do cliente; • Estabelecer metas elevadas; • Definir cargos de forma abrangente e não de forma limitada; • Investir no empreendedorismo através de equipes empowerment; • Buscar e manter o aprendizado constante; • Manter constante colaboração com parceiros (fornecedores, clientes). Desafios da Era da Informação Segundo Chiavenato (2014), as principais diferenças entre a Era da Informação e Era Industrial são: Conhecimento: o conhecimento deve ser sempre criado por pessoas, apesar da existência de Tecnologias Artificiais; Digitalização: a nova economia é veloz e digital; Virtualização: a tendência de cada vez mais as coisas físicas tornarem-se virtuais; Molecularização: a nova economia e formada por diversas moléculas dinâmicas em constante mutação; Integração: evolução constante das redes interligadas; , 146 Desintermediação: o contato cada vez mais direto do cliente com o produtor elimina os intermediários; Convergência: a economia está convergindo para empresas e serviços de computação e comunicação; Inovação: com a redução dos ciclos de vida dos produtos, inovar é o novo modelo de produção; Produ-consumo: a diferença entre o produtor e o consumidor está se tornando cada vez mais difícil de ser reconhecida; Imediatismo: cada vez mais as empresas devem trabalhar com o imediato, pois um simples click no mouse de um computador pode gerar inúmeras ações; Globalização: cada vez mais o mercado, as empresas e o conhecimento serão globais; Discordância: inúmeras mudanças sociais estão ocorrem e isso traz conflitos que deverão ser bem administrados. Nova lógica das organizações Para a empresa poder ser competitiva e sobreviver no mercado complexo e globalizado que estamos vivendo, as principais tendências organizacionais que estão ocorrendo no mundo, segundo Chiavenato (2014) são: Cadeias de comando mais curtas: enxugar os níveis hierárquicos da organização (downsizing), para torná-la mais ágil e flexível; Menos unidade de comando: as empresas deverão sair do modelo de comando tradicional (vertical – cada funcionário tem apenas um chefe) para o modelo horizontal (um funcionário poderá ter mais de um chefe, de acordo como o processo ou projeto em que estiver trabalhando); Amplitude de controle: o modelo tradicional de cada 5 ou 10 funcionários ter um chefe, está sendo substituído por um modelo onde centenas de funcionários são liderados por um único chefe, trabalhando com mais autonomia; Mais participação e empowerment: o funcionário deve adotar nova postura, sendo proativo e tomando mais decisões; , 147 Staff como consultor e não como executor: os especialistas (consultores) deverão deixar de realizar serviços e passar a assessorar orientando os funcionários operacionais; Ênfase nas equipes de trabalho: redução de áreas, formação de equipes de trabalho com caráter definitivo ou transitório; Organização como um sistema de unidades e negócios interdependentes: cada unidade da empresa passará a ser responsável por um negócio, tendo seu centro de custo e lucro específico; Infoestrutura: organização deverá ser integrada, mas sem, necessariamente, estar num único local. Deverá utilizar intensivamente a Tecnologia da Informação e os recursos tecnológicos decorrentes; Abrandamento dos controles externos às pessoas: cada vez mais a organização deverá se preocupar com os resultados obtidos e não em como serão realizados, deixando a responsabilidade para equipes autônomas; Foco no negócio essencial (core business) e eliminação do acessório, supérfluo ou acidental: utilizar o máximo de terceirização (outsourcing) para focar somente no que é importante para a organização; Consolidação da economia do conhecimento: o trabalho nas organizações será cada vez mais intelectual, obrigando-asa investir continuamente na busca do conhecimento. Organizações de aprendizagem O aprendizado da nova organização não poderá ser temporário ou por eventos específicos, mas sim contínuo para produzir cada vez mais o conhecimento. Portanto, é necessário que a organização consiga aprender a aprender, através do conhecimento dos seus funcionários. Segundo Chiavenato (2014), as organizações deverão abandonar as práticas da Era Industrial e adotar as da Era do Conhecimento, conforme tabela abaixo: , 148 Quadro 6.9 – Princípios da organização baseada no conhecimento Fonte: CHIAVENATO, 2014, p. 499 Segundo Kanter apud Chiavenato (2014), as organizações para serem competitivas, deverão reunir os cinco Fs: • Fast (veloz) • Focused (focada) • Flexible (flexível) • Friendly (amigável) • Fun (divertida) , 149 Competência das pessoas Assim como as organizações precisam de novas práticas e estratégias para o mundo atual, os funcionários e trabalhadores do conhecimento deverão mudar e desenvolver novas competências. Segundo Chiavenato (2014) essas competências são: Aprender a aprender: deve fazer parte do cotidiano do novo trabalhador para que o conhecimento seja uma constante; Comunicação e colaboração: anteriormente a conclusão da atividade era o item mais importante para o trabalhador. Agora, saber comunicar-se e ser colaborador é fundamental; Raciocínio criativo e solução de problemas: o trabalhador vai ter que descobrir por si só as soluções dos problemas que forem surgindo, desenvolvendo novas habilidades; Conhecimento tecnológico: o computador é a principal ferramenta do trabalhador atual. Portanto deverá conhecer seu manuseio e o uso de sistemas de informações; Conhecimento de negócios globais: o trabalhador deverá estar em constante contato com o meio ambiente para descobrir ou criar novos negócios, pois a mudança é muito rápida; Liderança: deverá desenvolver habilidades de liderança, fundamentais na Era do Conhecimento; Autogerenciamento da carreira: o trabalhador será o responsável pela sua carreira e desenvolvimento, não mais a empresa. , 150 Conclusão Com base nos conceitos e tipos de estratégias comentadas o administrador poderá saber distinguir a mais adequada para tornar sua empresa competitiva. Entendendo a importância da gestão ética e responsável, o administrador criará valores para a organização, tornando-a mais respeitada para os clientes e stakeholders. Utilizando a tecnologia adequadamente a empresa será inovadora e empreendedora, destacando- se dos demais concorrentes. Conhecendo as principais tendências futuras e administração, o administrador e as empresas poderão adquirir novos conhecimentos necessários para atender às constantes demandas do mercado, enfrentando desafios com competência e eficiência. Referências ALENCASTRO, Mário S.C. Governança, gestão responsável e ética nos negócios. Curitiba: InterSaberes, 2017. CARSTENS, Danielle D.S. Gestão, tecnologia e inovação. Curitiba: InterSaberes, 2019. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral de Administração. 9. ed. Barueri: São Paulo: Manole, 2014. FABRETE, Teresa C. L. Empreendedorismo. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008.