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PERÍCIA AMBIENTAL Prof. Marcos Henrique 2 5 PERÍCIA AMBIENTAL SECURITÁRIA Introdução A coleta de amostras realizadas em uma perícia ambiental é considerada um processo de medição que determina os níveis de poluição encontrados em uma matriz ambiental, sendo dividido em diversas etapas. Nesse processo inicia-se com a caracterização da área afetada pelo dano ambiental e do entorno, a coleta de amostragens onde serão determinados o(s) poluente(s) alvo(s) e a análise da extensão do contaminante no meio, além da adoção de técnicas associadas ao manuseio, transporte e preservação das amostras, importantes para a obtenção de um resultado que elimine as incertezas da amostra coletada. Atualmente, exige-se cada vez mais profissionais que atuem no campo da perícia e que tenham conhecimento em diversas áreas do conhecimento, ocorrendo na maioria dos casos a necessidade da atuação de equipes multidisciplinares para a avaliação do dano ambiental como também na realização da coleta da amostragem e interpretação correta dos impactos causados pelos poluentes na área analisada. Nos últimos anos tem-se aumentado a contratação de peritos e assistentes técnicos para a realização de trabalhos na área de perícia ambiental. Esse mercado crescente abrange tanto a perícia ambiental judicial, que ocorre no âmbito da justiça, como também a perícia extrajudicial. Em relação à perícia extrajudicial, existe um campo de atuação bastante amplo para o perito, dentre essas diversas áreas podemos citar: passivo ambiental, elaboração de EIA RIMA, licenciamento ambiental, plano de controle ambiental, perícia securitária na área ambiental, plano de recuperação de áreas degradadas, laudo e termo de ajustamento de conduta. Neste bloco vamos abordar métodos aplicados em perícia ambiental, procedimentos adotados na coleta de amostras para identificação dos poluentes presentes no meio e o mercado crescente das perícias extrajudiciais envolvendo os passivos ambientais, contabilidade ambiental e os seguros direcionados a área ambiental. Bons estudos! 3 5.1 Métodos de Perícia Ambiental Em uma determinada Perícia Ambiental, as técnicas e os métodos são escolhidos de acordo com o objeto de estudo do caso, sendo definidos no contexto da vistoria, seguindo procedimentos técnicos adotados pelo Perito Ambiental para a execução da perícia. Dentre os diversos métodos e técnicas utilizadas na execução de Perícias ambientais podemos citar: • Medições e coleta de amostras para análise No trabalho do perito para verificar a existência de um dano ambiental, as medições e coleta de amostragem apresentam grande importância na avaliação de possíveis contaminantes no solo, águas e sedimentos. Os procedimentos adotados envolvem planejamento na coleta de amostras, os objetivos, quais substâncias serão amostradas, os tipos de amostradores, os equipamentos de medição, os métodos de análise aplicados, o histórico da região e a extensão da contaminação. De acordo com Nerici e Borrely (2011), as tecnologias utilizadas nos processos de coleta de amostras em um processo pericial estão em constante evolução, proporcionando o aumento na velocidade, na preservação adequada para posterior análise laboratorial e na maior confiabilidade da amostragem coletada. • Perícias Ambientais com a Utilização de Técnicas de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. Correspondem à tecnologia de aquisição, à distância, de dados da superfície terrestre, isto é, por meio de sensores instalados em plataformas terrestres, aéreas ou orbitais (satélites). Realizar georreferenciamento dos locais de coleta por meio de GPS, de sistemas de informações geográficas contribui para a aceleração do exame pericial em campo, ampliação da compreensão dos fenômenos associados, na obtenção de informações detalhadas sobre um local através de uma visão que não seria possível verificar com uma análise in loco da área e também na redução dos custos. Segundo Alves et al. (2012), esses instrumentos são importantes, pois a apresentação de imagens multitemporais facilita a interpretação da dinâmica dos fatos, caracterizando e quantificando, por exemplo, a degradação ambiental causada pelo desflorestamento, extração de minério, incêndios florestais, determinados tipos de poluição, ocupação irregular do solo em áreas de proteção ambiental, além da avaliação dos danos ambientais ocorridos. 4 • Veículos Aéreos não Tripulados Equipamentos utilizados para a obtenção de imagens de alta resolução, implicando na melhoria da qualidade da prova pericial, no detalhamento da área em estudo em minutos, na economia de recursos e no alcance de locais onde o acesso é dificultado. • Registro fotográfico e entrevistas Realizar o levantamento fotográfico do local do estudo e entrevistas com os moradores locais tem como finalidade a obtenção de dados adicionais que esclareçam os dados preliminares levantados. Para a elaboração da prova pericial, o Art. 422 do Código de Processo Civil de 2015, aprova o uso de reprodução mecânica, podendo ser ela fotográfica. Nesse artigo menciona: Art. 422. Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, a cinematográfica, a fonográfica ou de outra espécie, tem aptidão para fazer prova dos fatos ou das coisas representadas, se a sua conformidade com o documento original não for impugnada por aquele contra quem foi produzida. Também é possível utilizar-se da fotointerpretação, através da comparação de fotos anteriores e posteriores ao dano ocorrido, identificando diferenças encontradas, importantes no fornecimento de provas substanciais para a perícia ambiental. • Confecção de croquis Identifica as áreas direta e indiretamente afetadas e representa, visualmente, a situação ambiental do local, além de demonstrar os locais e pontos de coletas de amostras. 5.2 Amostragem em Perícia Ambiental No trabalho do perito para verificar a existência de um dano ambiental, a amostragem apresenta grande importância na avaliação de possíveis contaminantes no solo, águas e sedimentos. Segundo Nerici e Borrely (2011), podemos conceituar a amostra como uma “porção representativa do material amostrado, pequena o suficiente para ser transportada de forma adequada e manipulada em laboratório”. O material coletado deve representar de forma real o local estudado, como também as técnicas adequadas adotadas na coleta, transporte e preservação das amostras, cruciais para a confiabilidade e representatividade dos dados gerados, de acordo com os objetivos propostos pela perícia e sendo essenciais na elaboração do laudo pericial. 5 No campo da perícia é comum em muitas situações existir a necessidade da realização de análises químicas do material coletado e o resultado depende da coleta correta da amostra e da qualidade laboratorial onde a análise foi realizada. Os resultados das análises químicas são fundamentais para estabelecer uma comparação entre os contaminantes encontrados no ar, água e solo e os limites estabelecidos na legislação para verificar se houve dano ambiental. Geralmente os poluentes presentes na amostragem são denominados de analitos e os contaminantes adsorvidos pelo sedimento, plantas, solo, são chamados de matrizes ou suportes. Segundo Vendrame (2006), o método de coleta da amostra deve ser aquele que melhor atenda ao instrumento disponível, existindo a interação com o laboratório escolhido para que seja alinhado às diretrizes sobre a adoção de práticas corretas para a coleta do agente. A condução desse trabalho envolve uma série de procedimentos técnicos especializados em métodos de coleta, conhecimento de equipamentos, transporte e manuseio do material, além da análise laboratorial. O perito ambiental apresenta em sua maioria uma especialização básica e muitas vezes, ao avaliar umdeterminado dano ambiental necessita de conhecimento multidisciplinar, sendo imprescindível expandir o seu conhecimento em outras áreas e em diversas situações, deve buscar auxílio de outros profissionais ao defrontar com análises que exigem especialidades em que não apresenta domínio. De acordo com Nerici e Borrely (2011), existe também a importância de traçar um perfil de variabilidade temporal que definirá um plano de amostragem relacionada à quantidade de amostras coletadas, períodos, repetição de horários, combinações de diversas frações coletadas durante um dia para que a amostra seja representada. Segundo Filizola (2006), existem a seguintes possibilidades de ocorrência de erros na coleta de amostragem: - Erros de amostragem: As amostras coletadas são insuficientes, representando apenas um subgrupo de uma área extensa. - Erros analíticos: resultado em erros de metodologia aplicada na coleta, manipulação da matéria, transporte, estocagem, preparo e técnica utilizada na análise. - Erros de seleção dos locais: as amostras coletadas não correspondem à representatividade da área. Aumenta a possibilidade de obtenção de melhores resultados na amostragem quando aumenta a quantidade de amostras coletadas, aumentando a precisão e diminuindo a incidência de erros. A seguir, abordamos procedimentos de planejamento e coleta de amostras em diferentes locais: 6 • Amostragem em Solos De acordo com Filizola (2006) os procedimentos adotados no planejamento são fundamentais para caracterizar a área de coleta, os tipos e textura do solo, a geologia, a topografia, os índices pluviométricos, temperatura, ventos, sinais de erosão, atividades desenvolvidas no passado e manejo atual. Outro fator importante é georreferenciar por GPS os pontos de coleta ou utilizar trena e bússola para a avaliação da distribuição espacial dos contaminantes. Para Nerici e Borrely (2011), os procedimentos adotados de planejamento e coleta de amostra de solos devem ser precedidos por uma análise preliminar de caracterização da área em estudo, o tipo de solo, o entorno e em seguida por uma segunda etapa investigatória para elucidar o que aconteceu no local, definindo a extensão do dano ambiental. Os diversos contaminantes do solo, como agrotóxicos, derivados de hidrocarbonetos, fertilizantes, resíduos industriais, resíduos urbanos, entre outros, podem ser carreados pelo vento, arrastados por águas de escoamento superficial, adsorvidos, lixiviados, podendo em algumas dessas situações atingir as águas subterrâneas. Esse solo contaminado pode conter parte desses poluentes e modificar suas qualidades naturais, e os possíveis pontos de contaminação. A conduta adotada no planejamento da coleta da amostragem deve atender todas as possibilidades possíveis relacionadas ao tipo de poluente, incluindo coleta de gases. Por exemplo, no caso dos hidrocarbonetos, a maioria dessas substâncias químicas é classificada como líquido não aquoso e menos denso que água, originando frações com maior mobilidade, podendo ser transportado para outros locais, como também a formação de vapores. • Amostragem em Águas Superficiais Em relação à coleta de amostra em águas superficiais, o planejamento inicial envolve uma etapa exploratória do entorno, suas características e as principais atividades poluidoras da bacia, com o objetivo de obter informações preliminares sobre a área de influência do corpo d’água a ser amostrado. Segundo a Cetesb (2011), a caracterização de um determinado corpo de água envolve uma variável de determinantes como os parâmetros químicos, físicos, biológicos, toxicológicos e radiológicos e devem ser definidos de acordo com os objetivos da coleta de amostragem da perícia. É importante coletar amostras que possibilitem uma análise quantitativa dos contaminantes existentes no local. Além disso, deve ser levado em consideração os fatores de variabilidade do corpo d’água que indicam alterações na concentração dos seus constituintes em função das mudanças meteorológicas e recebimento de sedimentos, efluentes etc. 7 • Amostragem em Sedimentos Existem situações em que na impossibilidade de detectar a presença de poluentes dissolvidos na água, utiliza-se a coleta de sedimentos em corpos d’água, pois esse material tem a capacidade de acumular compostos orgânicos e inorgânicos, revelando algum tipo de contaminação existente. Segundo Nerici e Borrely (2011), os sedimentos apresentam uma grande variedade e diversidade de partículas quanto a tamanho, composição química e forma geométrica, e são transportados pelo ar, água, gelo a partir do seu ponto de origem e depositados no fundo ambientes aquáticos. Na coleta de amostras de sedimento presentes nos ecossistemas aquáticos, é necessária a participação de especialistas na área de ecotoxicologia para verificar os efeitos tóxicos de substâncias químicas presentes nos organismos aquáticos e conhecimento técnico para efetuar a coleta preservando a amostra de sedimento retirada. Para estabelecer os valores de concentração de poluentes nos sedimentos acima do permitido representando efeitos nocivos a biota aquática, é utilizada a Resolução Conama 344/2004 que determina os Valores-Guia da Qualidade de Sedimentos baseados em estudos ecotoxicológicos. • Amostragem em Gases De acordo com Nerici e Borrely (2011), quando se trata de composto gasoso, a amostragem envolve a caracterização e quantificação de um ou mais componentes presentes, como o próprio gás ou material particulado componente do próprio poluente. O trabalho pericial pode envolver o processo de coleta de amostra representativa de um gás para que seja posteriormente analisado em laboratório ou realizar o monitoramento através da utilização de equipamentos registram dados da presença de determinado poluente em tempo real. Não diferente da coleta de amostras de águas subterrâneas, a coleta de compostos gasosos exige profissionais qualificados na área de conhecimento de gases, conceitos de meteorologia, fenômenos térmicos, dispersão de ar, dinâmica atmosférica e de uma variedade de equipamentos que medem a velocidade de fluxos gasosos e determinam o volume e a concentração do tipo de poluente coletado. Além de caracterizar o local e entorno, o perito deve ter conhecimento dos instrumentos legais que estabelecem os padrões para o poluente em questão e a diversidade de legislação que tratam sobre a questão, onde podemos citar a Resolução Conama 003/1990 que determina os padrões de qualidade do ar, a Resolução Conama 382/2006 que determinam padrões de emissão para fontes fixas e a Resolução Conama 05/1989 que regulamenta o Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar. 8 • Amostragem em Águas Subterrâneas Segundo Nerici e Borrely (2011), no caso das águas subterrâneas temos os aquíferos livre que apresentam contato com a atmosfera e os aquíferos confinados delimitados por rochas e não apresentando contato com a atmosfera. No caso da atividade pericial, a exigência da coleta de amostras ocorre para: - Verificar uma possível contaminação nas águas subterrâneas ocasionadas pela existência nas proximidades do local, de indústria, agricultura, armazenamento de substâncias químicas, descarte de resíduos no solo, tratamento de efluentes, entre outras atividades que promovam riscos de impactos ambientais; - Verificar a direção e velocidade da pluma contaminante presente; - Identificar o volume e extensão da pluma de contaminação nas águas subterrâneas; - Efetuar a caracterização físico-química de contaminação em águas subterrâneas; - Verificar in loco o processo de remediação aplicado na área contaminada; - Verificar as variações da qualidade das águas subterrâneas no acompanhamento de ações realizadas ou para fins preventivos. O trabalho de coleta de amostras em águas subterrâneas exige a formação de equipe multidisciplinar,ou solicitar assessoria de equipes especializadas em análises laboratoriais em áreas da geologia, hidrogeologia e química, pois em muitas ocasiões não é possível visualizar o local de coleta, sendo necessário conhecer as formações geológicas do local, a profundidade das zonas saturada e insaturadas e informações que possam informar o fluxo e gradientes de pressão presentes. Outros fatores que devem ser levados em consideração no processo de coleta de amostras envolvem o método aplicado, a preservação da amostra, perfuração de poços, variações de temperatura e pressão da amostra, a contaminação externa dessa amostra, além da especialização necessária para analisar a amostra. 5.3 Passivos Ambientais O termo passivo ambiental passou a ser utilizado na área da gestão ambiental nas últimas três décadas, sendo visto com uma certa frequência em laudos periciais, relatórios técnicos e na imprensa, em virtude dos desastres ambientais. Pode ser definido como as obrigações de uma empresa ou indivíduo na entrega de ativos ou na prestação de serviços em decorrência das transações passadas ou presentes e que envolveram a empresa no campo ambiental. 9 Por se tratar de uma exigência legal que responsabiliza o causador do dano ambiental a reparar ou mitigar prejuízos provocados de forma direta ou indireta devido a externalidades negativas geradas, o passivo ambiental insere-se no âmbito social (EPA, 1996). Segundo Sánchez (2001) o passivo ambiental resulta em sua maioria na recuperação de áreas degradadas ou na reparação de danos ambientais. Esse custo utilizado nesses processos representa o montante do passivo ambiental, ou seja, como o valor monetário necessário para reparar os danos ambientais. De acordo com Roca (2013), o passivo ambiental é a herança deixada pelo desenvolvimento industrial e tecnológico, principalmente no passado, onde não existia sistemas de gestão ambiental implementados no sistema produtivo das empresas e os recursos econômicos eram totalmente dissociados do meio ambiente. O passivo ambiental pode também ser reconhecido como uma dívida ecológica, pois entende-se que a sociedade industrial acumulou ao longo do tempo uma dívida de natureza ambiental que será repassada às futuras gerações. Para Roca (2013), na existência de passivos toda a sociedade perde e os processos necessários na reabilitação e revitalização da área degradada acabam envolvendo a todos. Numa posterior venda de uma determinada empresa, por exemplo, o passivo ambiental passa a ser uma responsabilidade que é passada adiante. É uma informação que contribui para avaliar a relação de custo- benefício inerente à compra de uma empresa. Áreas degradadas por rejeitos de mineração, assoreamento de rios, processos erosivos, solos contaminados por resíduos industriais, vazamento de petróleo nos oceanos são exemplos de passivos ambientais. Na contabilidade empresarial (escala micro), de acordo com Bergamini Jr (1999) as obrigações relacionadas ao cumprimento da recuperação ou reparação de danos ambientais podem ser: • Legais Ocorre por instrumentos de força legal como a legislação, penalidades, multas, perda de incentivo. • Construtivas Quando a empresa adota postura, comportamento e ações que promovam o bem-estar da comunidade do entorno, cumprindo de forma espontânea e excedendo as exigências legais. 10 • Equitativas Independentemente da legislação, a empresa preocupada com a sua imagem perante a sociedade e de acordo com fatores éticos e morais, se vê na obrigatoriedade do cumprimento do reparo, mesmo na ausência de um instrumento legal. No caso da escala macro, podemos explicar utilizando-se de um exemplo: Se o produto interno do país cresceu em virtude da derrubada de hectares de florestas nativas para produzir madeira, deve ser contabilizada a perda dos serviços ecossistêmicos oferecidos pela área de floresta que foi desmatada. Para Neto (2005), a origem de passivo ambiental acontece quando a empresa realiza ações ou transações que representam interações da organização empresarial com o meio ambiente, através de custos empregados para: - Pagamento de multas relacionadas a infrações ambientais; - Custos realizados para reverter a imagem negativa da empresa perante a sociedade devido aos danos ambientais causados; - Aquisição de ativos (estação de tratamento de efluentes, troca de equipamentos) para mitigar impactos ambientais originados na atividade produtiva; - Gastos para recuperar o dano ambiental; - Aquisição de insumos utilizados no processo produtivo que não produzem efeitos tóxicos; - Custos para manter o departamento responsável pelo Sistema de Gestão Ambiental (SGA) da empresa. Segundo Galdino et al. (2004), esses custos relacionados à implementação de um SGA nas empresas são importantes na redução de possíveis danos ambientais, pois permitem: - Cumprir a legislação e as normas ambientais; - O uso de tecnologias mais limpas; - Controlar e mitigar impactos ambientais; - Avaliar processos e promover melhoria contínua; - Melhorar a relação entre os órgãos regulamentadores e a comunidade. Adotar as recomendações do sistema de gestão ambiental facilita a avaliação do passivo ambiental que está fundamentado no desenvolvimento de controle e reversão dos impactos das atividades econômicas sobre o meio ambiente, exigindo, portanto, custos empregados no desenvolvimento dessas atividades. O grande problema está na cultura de administração de muitas organizações que ainda relutam em contabilizar os custos ambientais em suas atividades, não percebendo que a falta de investimentos pode promover a descontinuidade de suas operações. 11 5.4 Contabilidade Ambiental A Contabilidade Ambiental pode ser definida como o estudo do patrimônio ambiental (bens, direitos e obrigações ambientais) das organizações, tendo como objetivo principal fornecer informações a comunidade interna e externa, sobre os eventos ambientais que causam alterações na situação patrimonial. Segundo Bergamini Jr (1999), por muito tempo existiu muita relutância das empresas em utilizar-se da contabilidade ambiental devido à conduta de muitas organizações em: - Manter o sigilo de informações sobre os impactos de suas atividades no meio ambiente; - Apresentar relatórios descritivos e parciais que não representavam uma visão abrangente do desempenho ambiental da empresa; - Não apresentar dados anuais comparativos sobre o seu desempenho ambiental; - Não reportar os passivos ambientais de maneira adequada, devido à dificuldade em mensurá-los. Além disso, diversos fatores impediam a implementação dessa ferramenta, como: - Calcular o valor de um passivo ambiental efetivo; - Não ter uma definição clara sobre os custos ambientais; - Falta de transparência relacionada aos danos ambientais ocasionados pela empresa; - Não admitir obrigações no futuro por danos ocorridos no passado. Com a exploração dos recursos naturais e o aumento da degradação ambiental, a sociedade, o Poder Público e as empresas começaram a perceber que o modelo não sustentável adotado promove a limitação na utilização desses recursos, trazendo consequências negativas ao desenvolvimento, além de alterações no equilíbrio dos ecossistemas e na manutenção da qualidade de vida das pessoas. Nesse cenário, a contabilidade ambiental ganha uma maior adesão das empresas ao implementar gestões mais voltadas ao aspecto ambiental, apresentando métodos ou sistemas para a contabilização das ações. Para Sanches (1997), houve mudanças no enfoque da proteção ambiental, exclusiva do setor de produção, para se tornar parte da função administrativa, determinando uma nova relação entre a empresa e o meio ambiente, a partir do momento que as questões ambientais passam a fazer parte das estratégias de negócios das organizações. Segundo Santos et al. (2011), essas mudançasocorrem em virtude das exigências do mercado para que as empresas respeitem o meio ambiente e as obrigam em adotar uma política de melhorias em seu processo produtivo, através da implementação de Sistemas de Gestão Ambiental, cujo objetivo principal é a redução dos impactos gerados em suas atividades. 12 A utilização da Contabilidade é uma ferramenta de gestão de negócios que facilita os administradores na área de gerenciamento empresarial do meio ambiente. Através do fornecimento de relatórios contábeis informa os custos da empresa com o controle ambiental, evidenciando o comprometimento da empresa em relação à responsabilidade ambiental, além de auxiliar em processos de tomada de decisão. De acordo com Santos et al. (2001), além do reconhecimento do passivo ambiental, temos os chamados ativos ambientais. O ativo ambiental são todos os bens e direitos destinados ou provenientes da atividade de gestão ambiental, podendo estar na modalidade de capital circulante ou capital fixo. O capital circulante ou capital de giro é o valor aplicado para o desenvolvimento da atividade econômica da empresa, onde podemos citar como exemplo a contabilização de valores recebidos provenientes, por exemplo, de receita ambiental. A receita ambiental pode ser conceituada como a entrada de benefícios econômicos durante o período contábil na forma de ativos, aumentando o patrimônio líquido da empresa. Essa receita ambiental pode ser gerada, por exemplo, a partir do reaproveitamento de insumos gerados no processo reprodutivo na elaboração de novos produtos. Em relação ao capital fixo as contas ambientais podem ser divididas em: - Investimentos: participação em empresas que adotam a gestão sustentável em seus negócios, sendo ecologicamente responsáveis; - Imobilizado: bens destinados à manutenção da gestão ambiental implementada em suas operações; - Diferidos: custos em na adoção de práticas de produção mais limpa e na solicitação de certificação do SGA ISO 14.000. Segundo Santos et al. (2001), outros conceitos aplicados na contabilidade ambiental são os custos e as despesas ambientais utilizados no sistema de gestão ambiental dos processos. Podemos citar como exemplo de custos e despesas ambientais proteção e recuperação ambiental, compra de insumos, mão de obra, serviços de consultoria ambiental. Esses custos podem ser internos ou externos. Os custos internos são aqueles que são contabilizados no processo de produção e servem de parâmetro para definir o preço de venda do produto. Já os custos internos são gerados pelos impactos ambientais gerados pela empresa na sociedade e no meio ambiente, denominados de externalidades negativas, os quais a companhia não se responsabiliza financeiramente. A exigência da sociedade para que as empresas respeitem o meio ambiente e um mercado globalizado cada vez mais competitivo, a contabilidade ambiental pode ser considerada uma importante ferramenta de gestão de negócios auxiliando no gerenciamento das empresas nas questões que envolvem o meio ambiente. 13 5.5 Seguro Ambiental Com o crescimento populacional e o aumento da degradação ambiental, surgiram nas últimas décadas pressões da sociedade, organizações sociais, dos órgãos controladores e fiscalizadores, para que as empresas adotem uma postura responsável e estejam comprometidas com as questões ambientais. O contexto fortalece no meio corporativo a aplicação de práticas sustentáveis em seu processo produtivo, buscando índices de ecoeficiência através de melhorias no processo e redução nos riscos de danos ambientais. Segundo Polido (2004), o desenvolvimento sustentável procura atender às necessidades e aspirações do presente sem comprometer a capacidade de também atender às do futuro, alinhado ao tripé: ecologicamente correto, inclusão social e desenvolvimento econômico. Nesse cenário, aparece um nicho de mercado das apólices de seguros ambientais com o objetivo principal de proteger as instituições corporativas contra ações movidas contra o seu patrimônio, em virtude de possíveis danos decorrentes de suas atividades. Segundo Costa (2011), o seguro ambiental tem como objetivo garantir a cobertura dos riscos provenientes da poluição ambiental ou pelo descumprimento de obrigações de proteção ambiental. A cobertura pelos danos ambientais ocorridos pode estar inclusa em um seguro de responsabilidades por danos ambientais ou relacionados à cobertura por alguns tipos de atividades que apresentam alto risco de ocorrência de acidentes. Para Polido (2004), o mercado securitário tem buscado aperfeiçoar os instrumentos relacionados com a proteção dos riscos ambientais inerentes a atividade desenvolvida, apresentando soluções que cada vez mais atendam o anseio da sociedade com as reais possibilidades do segmento segurador especializado nas questões ambientais. Deve corresponder na obrigatoriedade de reparar ou indenizar aos agentes afetados por parte do agente causador, tendo como objetivo corrigir os danos ambientais ocorridos. No caso do Brasil nos últimos anos, segundo Borelli (2014), apesar de ser facultativo, houve uma expansão considerável no setor securitário, devido alguns fatores como a entrada de companhias estrangeiras, a localização do Brasil por não ter fenômenos naturais causadores de desastres ambientais, como maremotos, furacões, terremotos e por ser um país de grande extensão territorial, apresenta um mercado heterogêneo com condições culturais, econômicas e sociais muito diversas. Além disso, com a ação das organizações ambientais, sociedade e dos órgãos regulamentadores em preocupar-se com a preservação ambiental e controle de danos ambientais, cobrando as empresas por uma conduta responsável e de comprometimento com o meio ambiente, o seguro é fundamental em 14 resguardar as organizações contra possíveis ações movidas contra o seu patrimônio em decorrência de possíveis danos ambientais originados pelas atividades comerciais ou industriais realizadas e também no auxílio do gerenciamento de risco. Borelli (2014) afirma que a legislação brasileira valida e fundamenta a proposta de formação dos produtos relacionados ao mercado de seguros ambientais, dando ao Seguro Ambiental um papel fundamental no cumprimento dos objetivos propostos na legislação. O seguro ambiental é mencionado como instrumento de proteção ambiental em diversos normativos. Podemos citar como exemplo o Artigo 40 da Lei Federal 12.305/10 - Política Nacional dos Resíduos Sólidos que menciona: Art.40. No licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades que operem com resíduos perigosos, o órgão licenciador pode exigir a contratação de seguro de responsabilidade civil por danos causados ao meio ambiente ou à saúde pública, observados as regras sobre cobertura e os limites máximos de contratação fixados em regulamento. O art. 9°, da Lei 6.938/81 da Política Nacional do Meio Ambiental contempla o seguro ambiental como um dos instrumentos da política nacional de meio ambiente. No caso do Estado de São Paulo a legislação estadual em sua Lei 13.577/2008 e art.3º, estabelecem diretrizes e situam o seguro ambiental dentre os instrumentos para a implantação do sistema de proteção da qualidade do solo e para o gerenciamento de áreas contaminadas. O responsável legal pelo projeto de remediação de área contaminada deve apresentar garantias bancárias ou seguro garantia para assegurar a execução do projeto no prazo determinado. No Senado Federal tramita um projeto que pode tornar seguro ambiental obrigatório exigindo contratação de seguro por dano ao meio ambiente e terceiros se o empreendimento necessitar de licença ambiental. Para os especialistas do mercado, o projeto de lei que está sendo avaliado é inviável, pois o mercado brasileiro não tem capacidade para atender o eventual aumento da demanda, caso seja aprovada a obrigatoriedadedo seguro em empreendimentos com potencial para causar danos ambientais, além da resistência das operadoras em assumir muitos contratos para não haver concentração muito grande de risco em pagar elevadas coberturas de seguros referentes às atividades de mineração e siderurgia, por exemplo. Segundo Costa (2011), apesar do Brasil não ser um mercado atraente para as corretoras de seguros e a existência de falta de interesse dos empresários em contratar esse tipo de seguro, o aumento na contratação do seguro ambiental serviria como um instrumento de fomento de uma maior a preocupação ambiental por parte das empresas, pois ao requerer o serviço, poderia contratar uma apólice com prêmio 15 reduzido e ao mesmo tempo estimularia a implementação de ações de gestão ambiental nas atividades produtivas, diminuindo os impactos de suas operações. Conclusão A degradação ambiental representa um modelo não sustentável de produção e consumo adotado pela sociedade moderna, contribuindo para uma contínua e rápida degradação dos sistemas naturais observadas em todo planeta, resultando no declínio dos serviços ecossistêmicos existentes. A complexidade da problemática ambiental exige cada vez mais uma abordagem multidisciplinar com a participação de diversos profissionais das áreas do conhecimento, tendo como objetivo único, encontrar as melhores soluções aos conflitos relacionados ao meio ambiente, garantindo a efetiva proteção ambiental e promovendo uma boa qualidade de vida e saúde pública a todo cidadão. Referências Bibliográficas ALVES, R. A. L.; RUSSO, D.; MAGLIANO, M. M.; BLUM, M. L. B. Fundamentos de Geoprocessamento Aplicado a Perícia. In: TOCCHETTO, D. Perícia ambiental criminal. 2. ed. Campinas: Millennium Editora, 2012. BERGAMINI JR, S. Contabilidade e Risco Ambiental. Revista do BNDES, v. 6, n. 11, p. 97-116, 1999. BORELLI, E.; MONTI, J. M. Análise da Aplicabilidade Mercadológica do Seguro Ambiental no Brasil. Revista Brasileira Seguros, v.1, n. 1. p. 1-20, 2014. CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. 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