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1.Das teorias clássicas, julgo que foi a do evolucionismo que foi decisiva para a afirmação social e institucional da antropologia. Esta utilizou o método comparativista, tentando compreender as origens dos homens, a natureza cultural e biológica dos povos, conhecer o “outro” para conhecermos o “eu”, explicar a evolução das sociedades (Sousa, 2019). Foi esta teoria que permitiu que a antropologia nascesse como “ciência” (Batalha). Defendeu “a cultura” e a evolução das sociedades (Batalha, 20004). Apesar das ideias defendidas por esta teoria já não estarem de acordo com as teorias que lhe sucederam, porque não fornecia todas as explicações necessárias, algumas delas continuem a serem pontos importantes na antropologia, sobretudo na antropologia cultural norte-americana. Um exemplo de atualidade é a “natureza comparativa da antropologia” que faz com que esta disciplina seja “particularmente consciente - ou reflexiva - quanto aos conceitos e noções que utiliza, inclusive quanto às suas premissas teóricas”, como afirma Cunha (Cunha, 2016, p. 17). Segundo Batalha (2004), o evolucionismo “unificou o estudo da “humanidade” sob uma mesma disciplina chamada antropologia.” (p.15). Para além disso, ela foi o ponto de partido para o desenvolvimento da antropologia norte-americana e europeia. 
Vários evolucionistas trouxeram grandes contributos para esta ciência, como por exemplo Morgan porque foi um dos pioneiros da pesquisa de campo; Powell, etnógrafo, ressalvou o termo “aculturação”; Tyler, considerado fundador da antropologia cultural, definiu o termo cultura (Sousa, 2019), revolucionando o “status da época” (p. 67).
2. 
Os dois antropólogos escolhidos são Boas e Malinowski, porque, como refere Gusmão (1997), “Com eles, o trabalho de campo se torna a própria fonte de pesquisa e a condição modular da antropologia como ciência da alteridade.” (p. 20). 
Assim, considerados os fundadores do trabalho de campo, propuseram um estudo profundo, baseado na interação e na observação. Para o trabalho dos antropólogos, a observação direta e a observação participante são pontos essenciais. Goldman (2016) afirmou que se deve fazer “o estudo das experiências humanas a partir de uma experiência pessoal” (2006, p. 167). Também Clifford (1999) escreveu que o trabalho de campo é “uma observação sistemática, uma interlocução efetiva (língua nativa), uma mistura de aliança, cumplicidade, amizade, respeito, coerção e tolerância irônica” (p. 94). Malinowski, foi o primeiro, através da sua obra “Os Argonautas do Pacífico ocidental” a formular o método etnográfico. Segundo Bittencourt & Silva (2006), “Boas fazia da investigação etnográfica de campo o interesse central, a experiência mais importante” (p. 199). Para ele, a observação participante era fundamental, uma vez que era só a partir dessa recolha de dados é que se podia efetivamente conhecer/compreender a sociedade em estudo. Para a antropologia, o trabalho de campo foi muito importante, dado que o antropólogo faz parte, como refere Berger (s. d.) de todas as etapas (p.1), existindo uma “aculturação” do pesquisador (p.6). Boas afirmava que “os factos sociais” falariam por si e, de acordo com Sousa (2019), promoveu “ a cultorologia” , realçando a ideia de relativismo cultural. 
3. 
De facto, ao longo dos tempos, assistiu-se ao surgimento de várias teorias e de escolas antropológicas que se vão, como é dito na afirmação apresentada, “tal como os micróbios e os glóbulos” alimentando e desconstruindo umas às outras. Cada vez que surge uma nova teoria, esta vai “aproveitando” aquilo que julga necessário para desenvolver as suas ideias, desenvolvendo alguns conceitos básicos enunciados por outros cientistas, normalmente anteriores. Quanto a outros conceitos, as críticas e a rejeição vão surgindo dado que estes vêm contradizer as suas novas visões, ideias. Por exemplo, quando surgiu o difusionismo, esta corrente, ao contrário dos evolucionistas que se apoiavam na Teoria da Evolução a nível do campo social considerava a difusão como essencial para “aferir as semelhanças e as diferenças entre as culturas” (Sousa, 2019, p. 67). Para eles, as diferentes culturas “trocam entre si elementos” (Batalha, 2004). Já os seguidores do particularismo histórico deram importância ao relativismo, porque cada cultura é única e só pode ser compreendida no contexto cultural onde ocorre. Mas, o culturalismo americano não concordou com essa explicação e apresentou uma abordagem holística de cultura, no qual destacaram a integração e a singularidade do todo. Por sua vez, o funcionalismo procurou descrever as instituições presentes na sociedade, com o intuito de demonstrar que elas contribuíram para a estabilidade da sociedade. É de referir que muitos autores de tradição funcionalista não valorizaram o conceito de cultura, mas sim o de sociedade. De acordo com Cruz (s.d), os conceitos de sociedade e cultura foram sempre uma problemática, impondo “um debate na teoria e prática” (p. 1). Efetivamente, estes conceitos, ao longo das teorias, que foram surgindo, foram objetos de muita discussão. Como afirmou Sousa, (2019), Kroeber e Kluckoln, por volta de 1950, reuniram mais de cem definições do conceito de cultura, o que evidencia bem a falta de consenso entre os diversos autores. De acordo com Sousa (2019), a distinção proposta por Kroeber entre o cultural e o natural teve imensas críticas. É de realçar que Kroeber retomou esta distinção de Tylor e, como eu já referi mais acima, os diversos autores da antropologia retomaram e trabalharam conceitos já enunciados pelos seus predecessores quer sejam da mesma corrente teórica ou não. Boas e Malinowski, consideravam a cultura de modo diferente, mas estavam de acordo relativamente à necessidade e à importância do trabalho de campo. No entanto, o trabalho de campo provocou muita discussão quanto à sua prática, à sua forma de realização e validade dos dados obtidos (Batalha, 2004), no seio científico, sobretudo a nível dos métodos a serem utilizado. Os evolucionistas basearam-se numa abordagem dedutiva e no método comparativo. Os difusionistas utilizaram uma abordagem indutiva. Já em relação ao método comparativo, rejeitado por vários investigadores, reapareceu no século XX com o neoevolucionismo. Assim, algumas ideias, postas de lado e criticadas voltam a ganhar força, mas com algumas alterações. O mesmo aconteceu com o neofuncionalismo. Aliás, Harris, neofuncionalista, foi acusado, como o refere Sousa (2016), de seguir ideias do positivismo.
Por exemplo, o pós-modernismo, muito criticado, dado que não consideravam o trabalho de campo representativo e isso porque o antropólogo nunca é um observador neutro e a interpretação é feita por esse observador que apresenta assim uma visão única.
 Como refere Batalha (2004), “o descreditar” (p.15) de alguns conceitos contribuíram para a “fragmentação da antropologia” (p. 15). Ao longo dos tempos não faltam as críticas dos autores uns aos outros.

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