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Capítulo sobre avaliação do recém‑nascido que descreve adaptações respiratórias e circulatórias pós‑natais: início da respiração, transição pulmonar, fechamento do canal arterial e forame oval, circulação fetal (ducto venoso, ducto arterioso) e dados fisiológicos (FR ≈40/min; Vt ≈16 mL; V̇≈640 mL/min).

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Bárbara Vitória Marinho Moreira
GRUPO TUTORIAL:
GT 1: AVALIAÇÃO DO RECÉM NASCIDO
Os cursos formais de obstetrícia e pediatria contêm discussão completa sobre desenvolvimento fetal,
funcionamento da criança imediatamente após o parto e crescimento e desenvolvimento durante os
primeiros anos de vida. Entretanto, muitos princípios fisiológicos são peculiares ao próprio lactente, e
este Capítulo discute os mais importantes deles
Ajustes do Bebê à Vida Extrauterina:
SISTEMA RESPIRATÓRIO DO RECÉM-NASCIDO
A respiração é iniciada por:
1- A repentina exposição extrauterina.
2- Um estado leve de asfixia.
3- Impulsos sensoriais que se originam na pele subitamente resfriada.
Bebê que não respira de imediato à hipóxico e hipercápnico à estímulos adicionais ao centro
respiratório à respiração acontece após o nascimento dentro de alguns minutos.
Transição respiratória:
Imediatamente após o nascimento:
• Pulmões se expandem.
• Eliminação do líquido pulmonar fetal.
• Estabelecimento de trocas gasosas efetivas.
• Os Shunts circulatórios direito-esquerdo terminam.
Os primeiros momentos da respiração são os mais críticos, ocorrendo elevação da pressão de oxigênio
(pO2) nos alvéolos e na circulação que promove:
1- Redução da resistência vascular pulmonar: a elevação da pressão de oxigênio relaciona-se com a
redução da resistência vascular pulmonar.
2- Redução do Shunt direito-esquerdo por intermédio do canal arterial.
3- Aumento do retorno venoso para o átrio esquerdo.
4- Elevação da pressão arterial esquerda.
5- Interrupção do shunt direito-esquerdo por intermédio do forame oval.
Resultado: conversão do padrão circulatório fetal a um padrão neonatal.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Observações:
● O forame oval pode permanecer fechado apenas funcionalmente durante anos, mantido pelo
gradiente de pressão esquerdo-direito.
● O canal arterial sofre constrição por aumento da pO2 e, em até 8 dias, há interrupção do fluxo
sanguíneo (funcional), com fechamento anatômico entre 1 a 4 meses, por aporte de tecido
fibroso.
O ventrículo esquerdo, que feto envia sangue para o cérebro e parte superior do corpo, passa a ejetar
para todo sistema circulatório, com aumento do débito cardíaco em cerca de 200%. Para atingir esse
desempenho há um incremento das catecolaminas circulantes, bem como do número de receptores ß
no miocárdio.
• A frequência respiratória normal do recém-nascido fica em torno de 40 respirações por minuto, e o
volume de ar corrente em cada respiração é, em média, de 16 mililitros.
• Isto dá um volume respiratório total de 640 mL/min, que é cerca de duas vezes maior em relação ao
peso corporal de um adulto.
• A capacidade funcional residual dos pulmões do bebê é apenas a metade da de um adulto em relação
ao peso corporal.
• Essa diferença causa aumentos e reduções cíclicos excessivos na concentração de gases sanguíneos
do recém-nascido, se a frequência respiratória ficar lenta, já que é o ar residual nos pulmões que
atenua essas variações dos gases sanguíneos
Bárbara Vitória Marinho Moreira
CIRCULAÇÃO DO RECÉM NASCIDO
Estruturas Anatômicas Específicas da Circulação Fetal:
Os pulmões e o fígado fetal recebem pouco sangue do coração, visto que são órgãos pouco funcionais
na vida fetal. Entretanto, o coração fetal necessita bombear grande quantidade d e sangue para a
placenta e, dessa forma, seu citem circulatório opera de modo diferenciado.
• Sangue retorna da placenta pela veia umbilical e atravessa o ducto venoso.
• Nesse momento o fígado é basicamente deixado de fora do circuito.
• Em seguida, grande parte do sangue que entra no átrio direito proveniente da veia cava inferior é
direcionada de forma direta para a parte posterior do átrio direito através do forame oval diretamente
para o átrio esquerdo.
• O sangue bem oxigenado da placenta entra basicamente no lado esquerdo do coração, em vez de no
lado direito, e é bombeado pelo ventrículo esquerdo, em sua maior parte, para as artérias da cabeça e
membros anteriores.
• O sangue que entra no átrio direito, proveniente da veia cava superior, é direcionado para baixo
através da valva tricúspide para o ventrículo direito.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
• Esse sangue é basicamente sangue desoxigenado da região da cabeça do feto e é bombeado pelo
ventrículo direito para a artéria pulmonar e, então, em sua maior parte, através do ducto arterioso, para
a aorta descendente e, em seguida, através das duas artérias umbilicais, para a placenta, onde o sangue
desoxigenado é oxigenado.
Resistência Vascular Sistêmica Aumentada e Pulmonar Diminuída ao Nascimento:
• Perda do enorme fluxo sanguíneo pela placenta que aumenta a resistência vascular sistêmica ao
nascimento.
• O aumento da resistência vascular sistêmica aumenta a pressão aórtica, pressão no ventrículo
esquerdo e no átrio esquerdo.
• Resistência vascular diminui muito, em decorrência da expansão dos pulmões.
• Ao nascer, ocorre a imediata expansão do volume dos pulmões, os vasos sanguíneos não estão mais
comprimidos, e a resistência ao fluxo sanguíneo diminui muito.
• Ocorre a vasodilatação quando o ar entra nos pulmões eliminando a hipóxia.
• Todas essas mudanças reduzem a resistência do fluxo sanguíneo pelos pulmões, o que diminui a
pressão arterial pulmonar, a pressão ventricular direita e a pressão atrial direita.
Fechamento do Forame Oval:
A baixa pressão atrial e a alta pressão atrial esquerda, que ocorrem secundariamente às mudanças das
resistências pulmonar e sistêmicas ao nascimento, fazem com que o sangue tente fluir de volta através
do forame oval, ou seja, do átrio esquerdo para o átrio direito, em vez de na direção contrária, como
ocorria durante a vida fetal. Consequentemente, a pequena válvula que repousa sobre o forame oval,
no lado esquerdo do septo atrial, se fecha sobre essa abertura, evitando assim o fluxo de sangue
através do forame oval.
Observação:
Em dois terços das pessoas o forame oval não se fecha permanentemente. Esse é um estado patológico
forame oval patente.
Fechamento do Ducto Arterioso:
• A resistência sistêmica elevada aumenta a pressão aórtica, enquanto a menor resistência pulmonar
diminui a pressão arterial pulmonar. Consequentemente, depois do nascimento, o sangue começa fluir
de volta da aorta para a artéria pulmonar, através do ducto arterioso, em vez de na outra direção, como
era na vida fetal. Entretanto, depois de algumas horas, a parede muscular do ducto arterioso se contrai
de modo acentuado e, em 1 a 8 dias, a constrição é normalmente suficiente para interromper o fluxo
sanguíneo. É o fechamento funcional do ducto arterioso.
• A causa do fechamento do ducto arterioso está relacionada com a maior oxigenação do sangue que
flui pelo ducto, bem como a perda dos efeitos relaxantes vasculares da prostaglandina.
• Na vida fetal, a pressão parcial de oxigênio do sangue no ducto é de apenas 15 a 20 mmHg, mas
aumenta para cerca de 100 mmHg poucas horas após o nascimento.
Fechamento do Ducto Venoso:
• Na vida fetal, o sangue portal do abdome do feto junta-se ao sangue da veia umbilical e, juntos
passam através do ducto venoso de modo direto para a veia cava, imediatamente acima do coração,
mas abaixo do fígado, desviando-se, assim, do fígado.
• Imediatamente após o nascimento, o fluxo de sangue pela veia umbilical cessa, mas grande parte do
sangue portal continua a fluir pelo ducto venoso, com pequena quantidade passando pelos canais do
fígado.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
• Entre 1 a 4 horas a parede (Esfíncter) muscular do ducto venoso se contrai fortemente e fecha essa
via de fluxo. Consequentemente, a pressão venosa portal aumenta de quase 0 a 6 para 10 mmHg, o
que é suficiente para forçar o fluxo sanguíneo da veia porta pelos sinudoides hepáticos.
• A porção intra-umbilical do cordão umbilical e o ducto venoso se transformam posteriormente no
ligamento redondo do fígado
Volume sanguíneo:
• O volume sanguíneo do recém-nascido, imediatamente após o nascimento, é de aproximadamente
300 mililitros em média, porém, se o bebê ficar preso à placenta poralguns minutos depois de nascer
ou se o cordão umbilical for pressionado para forçar o sangue para fora de seus vasos para o bebê,
mais 75 mililitros de sangue entram no neonato, perfazendo o total de 375 mililitros.
• Então, durante algumas horas depois, o líquido penetra os espaços teciduais do recém nascido
proveniente desse sangue, aumentando o hematócrito, mas restaurando o volume de sangue
novamente ao valor normal em torno de 300 mililitros.
• Alguns pediatras acreditam que esse volume extra de sangue, causado pela ordenha do cordão
umbilical, possa levar a edema pulmonar brando com certo grau de angústia respiratória, mas as
hemácias extras muitas vezes são valiosas para o bebê.
Débito cardíaco:
• O débito cardíaco do recém-nascido é de, em média, 500 mL/min, o que, assim como a respiração e
o metabolismo corporal, é cerca de duas vezes maior em relação ao peso corporal do que no adulto.
• Ocasionalmente, a criança nasce com débito cardíaco particularmente baixo, causado por hemorragia
de grande parte de seu volume sanguíneo na placenta, ao nascer.
Pressão arterial:
• A pressão arterial durante o primeiro dia de vida é, em média, de 70 mmHg (sistólica) e 50 mmHg
(diastólica), aumentando lentamente durante os meses subsequentes para cerca de 90/60.
• Então, ocorre aumento ainda mais estável, nos anos subsequentes, até chegar à pressão adulta de
115/70 na adolescência.
Características do sangue:
• A contagem de hemácias no recém-nascido fica em torno de 4 milhões por milímetro cúbico, em
média.
• Se o sangue for ordenhado do cordão umbilical, a contagem de hemácias sobe mais 0,5 a 0,75
milhão, durante as primeiras horas de vida, perfazendo a contagem total de hemácias em torno de 4,75
milhões por milímetro cúbico.
• Subsequentemente, no entanto, poucas novas hemácias são formadas no bebê durante as primeiras
semanas de vida, talvez porque o estímulo hipóxico da vida fetal não esteja mais presente para
estimular a produção de hemácias.
• A contagem média de hemácias cai para menos de 4 milhões por milímetro cúbico, em torno de 6 a
8 semanas de vida.
• A partir desse momento, a maior atividade do bebê produz o estímulo apropriado para retornar a
contagem de hemácias ao normal, dentro de mais 2 a 3 meses.
• Imediatamente após o nascimento, a contagem de leucócitos do recém-nascido fica em torno de
45.000 por milímetro cúbico, que é cerca de cinco vezes maior que a de um adulto normal
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Icterícia neonatal e eritroblastose fetal:
• A bilirrubina formada no feto pode atravessar a placenta para a mãe e ser excretada pelo fígado
materno, mas, imediatamente após o nascimento, o único meio de livrar o recém nascido da
bilirrubina é por seu próprio fígado, que, na primeira semana de vida, ainda funciona mal e é incapaz
de conjugar quantidades significativas de bilirrubina com ácido glicurônico para excreção na bile.
• Consequentemente, a concentração plasmática de bilirrubina aumenta o valor normal de menos de 1
mg/dL para uma média de 5 mg/dL, durante os primeiros 3 dias de vida, e então volta gradativamente
ao normal, à medida que o fígado passa a ser funcional.
• Esse efeito, denominado hiperbilirrubinemia fisiológica, está associado à icterícia branda
(amarelidão) da pele do bebê e especialmente da esclerótica dos olhos durante uma semana ou duas.
• Entretanto, sem dúvida, a causa anormal mais importante da icterícia grave é a eritroblastose fetal,
em relação à incompatibilidade do fator Rh entre o feto e a mãe.
• Resumidamente, o bebê eritroblastótico herda hemácias Rh positivas do pai, enquanto a mãe é Rh
negativa.
• A mãe fica, então, imunizada contra o fator Rh positivo (uma proteína) nas células sanguíneas fetais,
e seus anticorpos destroem as hemácias fetais, liberando quantidades extremas de bilirrubina no
plasma fetal e, geralmente, causando o óbito do feto ou a falta de hemácias adequadas.
• Antes do advento de terapias obstétricas modernas, essa condição ocorria, de forma branda ou grave,
em um a cada 50 a 100 recém nascidos.
NUTRIÇÃO DO RECÉM NASCIDO
• Antes de nascer, o feto obtém toda a sua energia da glicose do sangue materno.
• Depois do nascimento, a quantidade de glicose armazenada no corpo do bebê, sob a forma de
glicogênio no fígado e nos músculos, é suficiente para suprir as necessidades dele por apenas algumas
horas.
• O fígado do recém-nascido ainda está longe de funcionar adequadamente, o que impede a
gliconeogênese em intensidade significativa.
• Portanto, a concentração de glicose no sangue do bebê com frequência cai, no primeiro dia, para até
30 a 40 mg/dL no plasma, menos da metade do valor normal.
• Felizmente, no entanto, existem mecanismos disponíveis apropriados que permitem ao bebê usar
suas reservas de gorduras e proteínas para seu metabolismo até receber o leite materno 2 a 3 dias
depois.
Digestão, absorção e Metabolismo de alimentos energéticos e nutrição:
• A capacidade do recém-nascido de digerir, absorver e metabolizar alimentos não é diferente da de
uma criança mais velha, com as três seguintes exceções:
1- A secreção da amilase pancreática no recém nascido é deficiente, assim o bebê usa os amidos
menos adequadamente do que as crianças mais velhas.
2- A absorção de gorduras pelo trato gastrointestinal é, de certa forma, menor do que em criança mais
velha. Por conseguinte, o leite com alto teor de gordura, como o leite de vaca, com frequência não é
absorvido adequadamente.
3- Uma vez que o fígado funciona de maneira imperfeita, durante pelo menos a primeira semana de
vida, a concentração de glicose no sangue é instável e baixa.
• O recém-nascido é especialmente capaz de sintetizar e armazenar proteínas.
• Na verdade, com uma dieta adequada, até 90% dos aminoácidos ingeridos são usados na formação
de proteínas corporais, uma porcentagem muito maior do que nos adultos
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Necessidades nutricionais durante as primeiras semanas:
• Ao nascer, o recém-nascido se encontra normalmente em total equilíbrio nutricional, desde que a
mãe tenha adotado uma dieta adequada.
• Ademais, a função do sistema gastrointestinal normalmente é mais do que adequada para digerir e
assimilar todas as necessidades nutricionais do bebê se os nutrientes apropriados foram supridos pela
dieta.
• Entretanto, três problemas específicos ocorrem na nutrição inicial do bebê:
1- Necessidade de cálcio e vitamina D.
2- Necessidade de ferro.
3- Deficiência de vitaminas C nos lactentes.
IMUNIDADE
• O recém-nascido herda grande parte da sua imunidade da mãe, porque muitos anticorpos se
difundem do sangue materno para o feto através da placenta. Entretanto, o recém-nascido não forma
anticorpos propriamente seus até determinado ponto.
• Ao final do primeiro mês de vida, as gamaglobulinas do bebê, que contêm os anticorpos, caem a
menos da metade do nível original, com queda correspondente na imunidade.
• Posteriormente, o próprio sistema imunológico do bebê começa a formar anticorpos, e a
concentração de gamaglobulina volta essencialmente ao normal, em torno dos 12 aos 20 meses de
vida.
• A despeito da queda nas gamaglobulinas, pouco depois do nascimento, os anticorpos herdados da
mãe protegem o bebê, durante cerca de seis meses, contra a maioria das doenças infecciosas infantis,
incluindo difteria, sarampo e pólio.
• Portanto, a imunização contra essas doenças antes dos seis meses normalmente não é necessária.
• Entretanto, os anticorpos herdados contra a coqueluche normalmente são insuficientes para proteger
o recém-nascido: portanto, como medida de segurança, recomenda-se imunizar o bebê contra essa
doença no primeiro mês de vida.
FUNÇÃO RENAL
• A intensidade de ingestão e excreção de líquido no recém-nascido é sete vezes maior em relação ao
peso, como no adulto, o que significa que mesmo um ligeiro aumento percentual da ingestão ou do
débito de líquidos pode ocasionar anormalidades que se desenvolvem rapidamente.
• O metabolismo do bebê é também duas vezes maior em relação à massa corporal que no adulto, o
que significa que duasvezes mais ácido é formado normalmente, gerando tendência de acidose no
bebê.
• O desenvolvimento funcional dos rins não está completo até, mais ou menos, o final do primeiro
mês de vida.
• Por exemplo, os rins do recém-nascido conseguem concentrar urina por até apenas 1,5 vez a
osmolalidade do plasma, ao passo que o adulto pode concentrar o triplo ou o quádruplo da
osmolaridade plasmática.
• Portanto, considerando-se a imaturidade dos rins, aliada à acentuada renovação hídrica no bebê e à
rápida formação de ácido, é possível entender com facilidade que entre os problemas mais
importantes do lactente estão a acidose, a desidratação e, mais raramente, a hiperhidratação.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
ESCALA DE APGAR
As atividades de assistência ao recém-nascido na sala de parto, por pediatra, objetivam auxiliá-lo a
efetuar as transições respiratória e circulatória de forma rápida e eficaz. Para que as transições
ocorram, os seguintes eventos são indispensáveis:
• Expansão dos pulmões.
• Eliminação do líquido alveolar.
• Troca de ar efetiva
• Cessação dos shunts circulatórios direito-esquerdo.
Imediatamente após o nascimento o recém-nascido deve ser colocado sobre a mãe, desde que tenha
mais que 34 semanas de gestação, esteja respirando e tenha um tônus adequado, o seu corpo deve ser
seco. Para avaliação da vitalidade e indicação de medidas de reanimação é utilizado o escore de
Apgar, (criado por Virgínia Apgar em 1952) com 1 e 5 minutos de vida. Esse escore avalia cinco
sinais do recém-nascido e atribui pontos a cada um deles.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Quanto mais pontos, maior é a vitalidade do recém nascido e a sua capacidade de efetuar as transições
fisiológicas indispensáveis: respiração e circulação adequadas.
• A baixa oxigenação cerebral se reflete na hipotonia e na diminuição de reflexos observada por bebês
que nascem com baixa vitalidade, como decorrência de sofrimento fetal intra-útero.
• A hipoxemia prolongada leva à redução da frequência cardíaca fetal e no recém nascido, bem como
baixa perfusão em diversos órgãos nobres como cérebro, fígado, rins e supra-renais.
• A ausência de movimentos respiratórios logo ao nascer determina interrupção do mecanismo de
redução da pressão da artéria pulmonar, por ausência de O2 nos alvéolos, o que mantém o fluxo
sanguíneo através do canal arterial, distribuindo sangue venoso não oxigenado para a circulação
sistêmica.
Tratamento para recém nascido com escore de apgar baixo:
• Remoção de secreções de vias aéreas.
• Elevação da temperatura do RN.
• Estímulo respiratório com pressão positiva de vias aéreas, com fornecimento de O2 conforme
necessário.
Observação:
Caso todas as medidas falhem é iniciada ventilação artificial através de intubação traqueal. O
objetivo principal dos primeiros cuidados é reestabelecer a adequada frequência cardíaca
(acima de 100 bpm) para que não haja lesão isquêmica.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
GT 2: ALEITAMENTO MATERNO
Único e inigualável, o leite materno é o alimento ideal para a criança, pois é totalmente adaptado às
suas necessidades nos primeiros dias de vida. Não existe nenhum outro leite igual e nem parecido.
DESENVOLVIMENTO DAS MAMAS
As mamas,começam a se desenvolver na puberdade. Esse desenvolvimento é estimulado pelos
estrogênios do ciclo sexual feminino mensal; os estrogênios estimulam o crescimento da parte
glandular das mamas, além do depósito de gordura que dá massa às mamas. Além disso, ocorre
crescimento bem mais intenso durante o estado de altos níveis de estrogênio da gravidez, e só então o
tecido glandular fica inteiramente desenvolvido para a produção de leite.
ESTROGÊNIOS
Durante toda a gravidez, a grande quantidade de estrogênios secretada pela placenta faz com que o
sistema de ductos das mamas cresça e se ramifique. Simultaneamente, o estroma das mamas aumenta
em quantidade, e grande quantidade de gordura é depositada no estroma.
Hormônios importantes para o crescimento dos ductos:
1- hormônio do crescimento
2- prolactina
3- glicocorticóides adrenais
4- insulina
Tem papel no metabolismo das proteínas.
PROGESTERONA
Quando o sistema de ductos estiver desenvolvido, a progesterona agindo de forma simultânea com o
estrogênio, bem como com os outros hormônios mencionados,causará o crescimento adicional dos
lóbulos mamários, com multiplicação dos alvéolos e desenvolvimento de características
secretoras nas células dos alvéolos. Essas mudanças são análogas aos efeitos secretores da
progesterona no endométrio uterino na última metade do ciclo menstrual feminino.
Observação: o estrogênio e a progesterona promovem o efeito de inibir a verdadeira secreção
de leite.
PROLACTINA
promove a lactação
Embora o estrogênio e a progesterona sejam essenciais ao desenvolvimento físico das mamas durante
a gravidez, um efeito especial de ambos esses hormônios é inibir a verdadeira secreção de leite. Por
outro lado, o hormônio prolactina tem o efeito exatamente oposto na secreção de leite, promovendo-a.
A prolactina é secretada pela hipófise anterior materna, e sua concentração no sangue da mãe
aumenta uniformemente a partir da quinta semana de gravidez até o nascimento do bebê, época em
que já aumentou de 10 a 20 vezes o nível normal não grávido.
Além disso, a placenta secreta grande quantidade de somatomamotropina coriônica humana,
que provavelmente tem propriedades lactogênicas, apoiando, assim, a prolactina da hipófise materna
durante a gravidez. Mesmo assim, devido aos efeitos supressivos do estrogênio e da progesterona, não
mais do que uns poucos mililitros de líquido são secretados a cada dia até após o nascimento do bebê.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
O líquido secretado, nos últimos dias antes e nos primeiros dias após o parto, é denominado colostro,
que contém, essencialmente, as mesmas concentrações de proteínas e lactose do leite, mas quase
nenhuma gordura, e sua taxa máxima de produção é cerca de 1/100 da taxa subsequente de produção
de leite.
Depois que o bebê nasce, a perda súbita tanto de secreção de estrogênio quanto de progesterona
da placenta permite que o efeito lactogênico da prolactina da hipófise materna assuma seu papel
natural de promotor da lactação, e no período de 1 a 7 dias as mamas começam a secretar
quantidades copiosas de leite, em vez de colostro. Essa secreção de leite requer uma secreção de
suporte adequada da maioria dos outros hormônios maternos também, porém os mais importantes são
hormônio do crescimento, cortisol, paratormônio e insulina. Esses hormônios são necessários para
fornecer aminoácidos, ácidos graxos, glicose e cálcio, fundamentais para a formação do leite.
Depois do nascimento do bebê, o nível basal da secreção de prolactina retorna aos níveis não grávidos
durante algumas semanas. Entretanto, cada vez que a mãe amamenta o bebê, sinais neurais dos
mamilos para o hipotálamo causam um pico de 10 a 20 vezes da secreção de prolactina, que dura
aproximadamente 1 hora. Essa prolactina age nas mamas maternas para manter as glândulas
mamárias secretando leite nos alvéolos para os períodos de amamentação subsequentes. Se o
pico de prolactina estiver ausente, ou for bloqueado em decorrência de dano hipotalâmico ou
hipofisário, ou se a amamentação não prosseguir, as mamas perdem a capacidade de produzir leite
dentro de mais ou menos uma semana. Entretanto, a produção de leite pode se manter por vários anos
se a criança continuar a sugar, embora a formação de leite, normalmente, diminua consideravelmente
depois de 7 a 9 meses.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
HIPOTÁLAMO
Tem papel essencial no controle da secreção de prolactina, como na maioria de todos os outros
hormônios hipofisários anteriores. Contudo, esse controle é diferente em um aspecto: o hipotálamo
essencialmente estimula a produção de todos os outros hormônios, mas efetivamente inibe a produção
de prolactina. Por conseguinte, o comprometimento do hipotálamo ou o bloqueio do sistema portal
hipotalâmico-hipofisário geralmente aumenta a secreção de prolactina, enquanto deprime a secreçãodos outros hormônios hipofisários anteriores. secreção pela hipófise anterior de prolactina seja
controlada totalmente, ou quase totalmente, por fator inibidor formado no hipotálamo e transportado
pelo sistema portal hipotalâmico-hipofisário à hipófise anterior. Este fator é, por vezes, chamado
hormônio inibidor de prolactina, se bem que ele é quase certamente o mesmo que a catecolamina
dopamina, conhecida por ser secretada pelos núcleos arqueados do hipotálamo e que pode diminuir a
secreção de prolactina em até 10 vezes.
A SUSPRESSÃO DO CICLO MENSTRUAL DURANTE O ALEITAMENTO
O ciclo ovariano e a ovulação apenas retornam depois de algumas semanas depois da mulher parar de
amamentar. Os mesmos sinais neurais das mamas para o hipotálamo que provocam a secreção de
prolactina durante o ato de sugar, inibem a secreção do hormônio liberador da gonadotropina pelo
hipotálamo. Entretanto, após alguns meses de lactação, em algumas mulheres, especialmente naquelas
que amamentam seus bebês apenas parte do tempo, a hipófise começa a secretar hormônios
gonodotrópicos suficientes para restabelecer o ciclo sexual mensal.
OCITOCINA (neurohipose)
A função da ocitocina é ejeção ou descida do leite. O leite é secretado de maneira contínua nos
alvéolos das mamas, mas não flui facilmente dos alvéolos para o sistema de ductos e, portanto, não
vaza continuamente pelos mamilos. O leite precisa ser ejetado dos alvéolos para os ductos, antes de o
bebê poder obtê-lo. A ejeção é causada por um reflexo neurogênico combinados a ocitocina.
Processo da ejeção de leite:
Quando o bebê suga, ele não recebe quase nenhum leite por mais ou menos 30 segundos.
1º passo- é preciso que impulsos sensoriais sejam transmitidos através dos nervos somáticos dos
mamilos para a medula espinhal da mãe e, então, para o seu hipotálamo, onde desencadeiam sinais
neurais que promovem a secreção de ocitocina, ao mesmo tempo em que causam secreção se
ocitocina.
2º passo- a ocitocina é transportada pelo no sangue para as mamas, onde faz com que as células
mioepiteliais (que circundam as paredes externas nos alvéolos) se contraiam, assim transportando o
leite dos alvéolos para os ductos, sob uma pressão de 10 a 20 mmHg.
3º passo- a sucção do bebê fica efetiva em remover o leite. Assim dentro de 30 segundos e 1 minuto
depois que o bebê começa a sugar, o leite começa a fluir.
O ato de sugar uma mama faz com que o leite flua não só naquela mama, mas também na
oposta. É especialmente interessante que, quando a mãe pensa no bebê ou o escuta chorar,
muitas vezes isso proporciona um sinal emocional suficiente para o hipotálamo provocar a
ejeção de leite.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
A inibição da ejeção de leite:
Fatores psicogênicos ou estimulação generalizada do sistema nervoso simpático em todo o corpo
materno podem inibir a secreção de ocitocina e, consequentemente, deprimir a ejeção de leite.
MANEJO CLÍNICO: AMAMENTAÇÃO
Para que o bebê ordenhe o peito, eficientemente, é necessário estar em posição que lhe permita
abocanhar, adequadamente, o mamilo e a aréola. A mãe pode estar sentada, recostada ou deitada;
mama apoiada com a mão, com o polegar bem acima da aréola e os outros dedos e toda a palma da
mão debaixo da mama; o polegar e o indicador formam a letra C, de modo que o lactente possa
abocanhar o mamilo e boa parte da aréola. Não é recomendado pinçar o mamilo entre o dedo médio e
o indicador. O bebê deve estar bem apoiado, com a cabeça e o corpo alinhados; o corpo, bem próximo
e voltado para o da mãe (barriga com barriga), queixo tocar o peito e boca bem aberta, de frente para o
mamilo.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
COMPOSIÇÃO DO LEITE MATERNO E SUA COMPARAÇÃO COM O LEITE DE VACA
A concentração de lactose no leite humano é cerca de 50% maior que no leite de vaca, mas a
concentração de proteína no leite de vaca é, em geral, duas a três vezes maior que no leite materno.
Finalmente, apenas um terço de cinzas que contêm cálcio e outros minerais é encontrado no leite
materno em comparação ao leite de vaca.
PARTE METABÓLICA DA AMAMENTAÇÃO:
Grandes quantidades de substratos metabólicos são perdidos da mãe durante a lactação. Exemplo: 50
gramas de gordura, 100 gramas de lactose, 2 a 3 gramas de fosfato de cálcio. Para suprir as
necessidades de cálcio e de fosfato, as glândulas paratireoides aumentam bastante, e os ossos são
progressivamente descalcificados.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
ANTICORPOS NO LEITE MATERNO
Não só o leite fornece ao recém-nascido os nutrientes adequados, como também proporciona uma
proteção importante contra infecções. Por exemplo, vários tipos de anticorpos e outros agentes
anti-infecciosos são secretados no leite, em conjunto com outros nutrientes. Além disso, diversos tipos
de leucócitos são secretados, incluindo neutrófilos e macrófagos, alguns dos quais são especialmente
letais a bactérias que poderiam causar infecções mortais aos recém-nascidos. Particularmente
importantes são anticorpos e macrófagos que destroem a bactéria Escherichia coli, que, com
frequência, causa diarreia letal em recém-nascidos.
Quando o leite de vaca é usado para fornecer nutrição ao bebê no lugar do leite materno, os
agentes protetores, no leite de vaca, geralmente são de pouco valor porque, normalmente, são
destruídos em questão de minutos no ambiente interno do ser humano.
CONTRAINDICAÇÃO DA AMAMENTAÇÃO
Bárbara Vitória Marinho Moreira
TIPOS DE LEITE
Colostro:
• Secretado no período de 1 a 7 dias.
• Contém o dobro de proteína (mais albumina e glubulina).
• Menor conteúdo de lactose e gorduras.
• Maior concentração de sais minerais e vitaminas lipossolúveis (A, E, K,), de fatores de crescimento
e imunológicos, principalmente imunoglobulina A (IgA).
• É amarelo, devido a vitamina A (vitamina A mantém a integridade das mucosas, protegendo contra
infecções e absorção de proteínas estranhas).
• Mais grosso.
• Secretado em pequenas quantidades (40 a 50 ml no primeiro dia).
• Rico em fatores de crescimento que estimulam o amadurecimento do intestino imaturo da criança a
se desenvolver.
• O fator de crescimento prepara o intestino para digerir e absorver o leite maduro e impede a
absorção de proteínas não digeridas.
• O colostro é laxativo e auxilia na eliminação do mecônio.
Observação: se a criança recebe leite de vaca ou outro alimento antes de receber o colostro, estes
alimentos podem lesar o intestino e causar alergia.
Leite Maduro:
• Geralmente, em torno de uma a duas semanas o leite muda seu aspecto, sua quantidade e
composição.
• Possui o aspecto mais ralo se comparado com o leite vaca (por isso, muitas vezes as mães pensam
que seu leite é fraco).
• Mesmo em climas muito quentes o leite possui água suficiente para manter o neném hidratado.
IMPORTANTE!
Leite anterior a mamada:
• É o leite do início da mamada.
• Tem coloração acinzentada e aguda.
• Rico em: proteína, lactose, vitaminas, minerais e água.
• Produção: associada à prolactina.
Leite posterior a mamada:
• Leite que surge no final da mamada.
• Aspecto mais branco.
• Contém mais gordura à mais rico em energia.
• Produção: associada a ocitocina.
QUAL A IMPORTÂNCIA DA AMAMENTAÇÃO?
Criança: leite materno protege contra infecções, como diarreia, pneumonia e infecção de ouvido
(otite) e, caso a criança adoeça, a gravidade da doença tende a ser menor. Também previne algumas
doenças no futuro, como asma, diabetes e obesidade; e favorece o desenvolvimento físico,emocional e
a inteligência. Os movimentos que a criança faz para retirar o leite do peito são um exercício
importante para a boca e para os músculos do rosto e irão ajudar a criança a não ter problemas com a
respiração, a mastigação, a fala, o alinhamento dos dentes.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Mulher: Amamentar auxilia na prevenção de algumas doenças da mulher, reduzindo as chances de
desenvolver, no futuro, câncer de mama, de ovário e de útero e também diabetes tipo 2. Amamentar
exclusivamente nos primeiros 6 meses pode aumentar o intervalo entre os partos. Quanto mais tempo
a mulher amamentar, maioresserão os benefícios da amamentação à sua saúde. Além disso,
amamentar pode fazer bem para a saúde mental da mulher, aumentando sua autoestima e
autoconfiança, elementos importantes para seu empoderamento.
Vínculo Afetivo: é um ato de interação profunda entre a mulher e a criança, com muitas trocas, sendo
geralmente prazeroso para ambas. Assim, a amamentação aproxima mãe e filho ou filha, facilitando o
vínculo afetivo entre eles.
Economia: amamentar é bem mais barato do que alimentar a criança com outros leites, pois o leite
materno é produzido pela própria mulher para ser oferecido para o seu filho. Não exige preparo, com
economia de tempo, água e gás. Já as fórmulas infantis industrializadas podem comprometer boa parte
do orçamento familiar. Além disso, não amamentar pode gerar gastos extras, já que a criança não
amamentada adoece mais.
Sociedade: Crianças amamentadas adoecem menos e tem menos chance de desenvolver algumas
doenças no futuro; com isso, o sistema de saúde e suas famílias gastam menos para preservar a sua
saúde. Quando as crianças adoecem, as mães e cuidadores muitas vezes perdem dias de trabalho, o
que pode prejudicar a família e a sociedade. Crianças amamentadas também têm maiores chances de
alcançar o seu potencial máximo de inteligência, resultando em adultos com maior capacidade para o
trabalho, o que contribui para o desenvolvimento do país.
Planeta: contribui efetivamente para a sustentabilidade ambiental e segurança alimentar e nutricional.
O leite materno é um alimento natural, não industrializado, produzido e fornecido sem poluição e sem
prejuízos aos recursos naturais. Dispensa a produção leiteira animal, reduzindo o seu impacto na
natureza, evitando resíduos que contribuem para a emissão de gás metano, com resultado direto no
efeito estufa. Reduz a produção industrial de fórmulas lácteas e toda uma cadeia de produtos
geradores de detritos, como toneladas de latas, plásticos e rótulos.
QUANTIDADE PRODUZIDA
A quantidade de leite que a mulher produz depende principalmente de quanto de leite está sendo
consumido pela criança ou retirado da mama. Logo, quanto mais vezes a criança for ao peito mais
leite consumir, mais leite a mulher vai produzir. Isso explica por que as mulheres podem doar leite
sem que isso prejudique a amamentação de seus filhos, assim como mães de gêmeas ou gêmeos são
capazes de alimentar as crianças exclusivamente com o seu leite.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
DIFICULDADE NA AMAMENTAÇÃO
Ingurgitamento e Dor nos Seios:
Os seios repletos de leite são sensíveis. Ingurgitamento pode ocorrer com a “descida” do leite (2 a 7
dias). Seios ficam brilhantes e edemaciados. Se não houver retirada do leite a produção pode diminuir.
conduta: Manter sucção efetiva e frequente, posição adequada, mudar posição para amamentar,
massagem localizada, compressas frias, expressão manual. Analgesia se necessário.
Mamilos Dolorosos,Fissuras:
Trauma por posicionamento e pega incorreta. Pode haver infecções por cândida, principalmente se
mãe ou bebê usarem antibióticos.
conduta: Manter amamentação. Posicionamento correto com boa pega previne dor. Banho de sol e
um pouco de leite no mamilo ao fim da mamada. Se a dor persistir pode haver infecção por cândida
que deve ser tratada.
Mastite:
Celulite pós-obstrução de ducto, estase de leite e infecção secundária. Sinais de inflamação local.
conduta: Manter aleitamento ou expressão manual para drenagem. Analgesia. Ingestão de líquidos.
Massagem para drenagem de ductos. Se persistir é indicado o uso de antibióticos
Mamilos Invertidos:
Mamilos invertidos ou planos podem exigir habilidade para posicionar corretamente.
conduta: Estimular amamentação. Orientar que o leite é retirado da mama, não do mamilo. Uso de
sutiã com orifício e tração do mamilo.
Implantes de Seio:
Preocupações com passagem de biomaterial para o leite.
conduta: Não há estudos conclusivos sobre inocuidade da amamentação
Redução Cirúrgica do Seio:
Produção de leite pode ser reduzida.
conduta: Estimular amamentação e verificar se há leite suficiente: aspecto do seio, intervalo das
mamadas, ganho de peso.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
GT 3: PALPITES
Como Retirar, Armazenar e Oferecer o Leite Materno:
Como preparar o frasco para guardar o leite:
● Frasco de vidro com tampa plástica e boca larga.
- Não utilizar potes com tampa de metal.
● No caso de vidros de algum produto alimentício, deve-se retirar toda cola e papel do rótulo
(incluindo o que fica dentro da tampa)
● Lavar com água e sabão, esfregando bem,
● Colocar o vidro e tampar a em uma panela com água e ferver por 15 minutos.
● Escorrer a água da panela e colocar frasco e tampa para secar de boca para baixo, em um pano
limpo ou papel toalha.
● Deixe escorrer a água, não enxugue.
● O frasco deve ser usado quando seco → guardar em um recipiente com tampa.
Como preparar para retirar o leite do peito:
● Deve-se retirar depois que o bebê mamar ou quando as mamas estiverem causando
desconforto à mulher (muito cheias).
● Não a criança não estiver por perto, é bom que a mãe pense nela para assim, estimular a saída
do leite (ocitocina).
● Deve-se escolher um lugar limpo, e longe de animais.
● Prender os cabelos com touca ou lenço.
● Evitar falar durante a retirada do leite
● Usar máscaras ou fralda de tecido ou lenço para cobrir boca e nariz.
● Retirar anéis, aliança, pulseiras, relógios que podem ser fontes de micróbios.
● Lavar as mãos e antebraço com água e sabão e seque bem com uma toalha.
Como fazer a retirada manual do leite do peito:
● Massagear toda a mama com as pontas dos dedos ou palma da mão, de forma circular,
começando pela parte escura da mama, a aréola.
● Com os dedos da mãe em forma de “C”, colocar o polegar perto da aréola na parte de cima do
peito, os outros dedos devem sustentar a mama pela parte de baixo.
● Firmar os dedos e empurrar a auréola para trás, em direção ao corpo.
● Apertar suavemente um dedo contra o outro, sem deslizá-los na aréola, repetindo esse
movimento várias vezes até o leite começar a sair.
● Não pressionar demais, pois pode bloquear os canais por onde passa o leite.
● O leite pode demorar um pouco para sair, mas depois de pressionar algumas vezes, começará
a pingar.
● Curvar o corpo para frente, posicionando o peito sobre a barriga, pode facilitar a saída do leite
e aumentar o fluxo.
● Desprezar os primeiros jatos ou gotas.
● Posicionar o recipiente em que será coletado o leite materno próximo à mama.
● Iniciar a coleta. Pressionar e soltar
● Mude a posição dos dedos ao redor da aréola para esvaziar todas as áreas.
● Alternar a mama quando o fluxo de leite diminuir, repetindo a massagem e o ciclo várias
vezes.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Não dói e demora em média de 20 a 30 minutos, em cada mama.
Como guardar o leite retirado:
● O frasco com o leite retirado deve ser guardado no congelador ou freezer (até 15 dias) ou na
prateleira mais próxima ao congelador da geladeira (12 horas).
● Não guardar na porta da geladeira
● Em caso de adoção, o leite encaminhado deve ter o congelamento de no máximo 10 dias.
● Tampar bem o frasco com leite, anotar a data da retirada.
● Da próxima vez de retirada de leite, usar outro recipiente de vidro esterilizado.
● Ao terminar, acrescentar esse leite ao frasco que está no freezer ou congelador.
● O frasco deve ser completado até no máximo 2 dedos abaixo da tampa.
● Frasco muito cheio: risco de quebrar.
● Quando vários leites forem guardados em um mesmo frasco, a validade será a data da
primeira coleta;
● Os fracos devem ser colados em ordem, com os mais antigos na frente → devem ser os
primeiros a serem usados.
● Leite que está + de 15 dias no congelador → descarte
Como oferecer o leite retirado à criança:
● Criança só pode receber o leite da própria mãe
● Em caso de força maior: usar banco de leite
● Leite congelado: descongelar em banho maria, com o fogo apagado. O leite materno não deve
ser fervido e nem aquecido no micro-ondas.
● O utensílio para o oferecimento do leite tem que ser fervido por15 minutos
● Agitar suavemente o frasco para misturar o leite
● Abrir o frasco e colocar um pouco de leite que foi retirado do peito em copo ou xícara limpos
● Acomodar a criança no colo, acordada e tranquila
● Posicioná-la o mais sentado possível, com a cabeça firme e o pescoço alinhado ao corpo, não
devendo ficar torcido
● Encostar a borda do copo no lábio inferior da criança e deixar o leite materno tocar o lábio
● A criança fará movimentos de lambida, engolindo leite
● Se preferir, utilizar uma colher para oferecer o leite
● Não entornar o leite na boca da criança para evitar engasgo
● Leite materno descongelado que ficou no frasco deve ficar na geladeira e pode ser
aproveitado em até 12 horas, devendo ser aquecido em banho-maria com o fogo apagado
● O leite materno não deve ser congelado uma segunda vez
● Restos de leite materno que a criança não mamou e ficaram no copo devem ser descartados
Bárbara Vitória Marinho Moreira
A Criança e a Alimentação a partir dos 6 meses:
Desenvolvimento e alimentação da criança:
● Os 2 primeiros anos de vida são decisivos para o crescimento e desenvolvimento da criança
● Leite materno deve ser mantido e novos alimentos devem ser oferecidos
● Nos 2 primeiros anos, a criança começa recebendo leite materno, passa pelos alimentos
amassados e picados, até aceitar a mesma consistência da comida da família
● É fundamental que quem alimenta a criança tenha uma relação de afeto e confiança e
paciência.
● Se a criança demonstra querer comer mais, deve-se oferecer mais comida e se ela não quiser
mais comer, não deve insistir nem forçar que ela coma
● Comer junto, com satisfação, elogiando a comida, incentiva a criança a comer e a gostar de
comer
● É desaconselhável oferecer recompensas pelo consumo de alimentos que a criança não gosta
ou escondê-los no prato embaixo de outras comidas
● Durante a refeição, a atenção da criança deve estar voltada para aquele momento
● É desaconselhável que ela seja alimentada enquanto anda e brinca pela casa ou ver televisão,
celular, computador ou tablet
● Não é recomendado dar outro leite ou fórmula infantil porque esses alimentos são
desnecessários e podem desestimular a criança a mamar no peito
● A água deve ser dada a partir do momento em que novos alimentos além do leite materno são
incluídos na rotina da criança
● A partir de 6 meses.
● No início, a criança deverá receber a comida amassada com um garfo
● Em seguida, deve-se evoluir para alimentos picados em pedaços pequenos, raspados ou
desfiados, para que a criança aprenda a mastigá-los
● Não ofereça preparações líquidas e nem use liquidificador
● À medida que a criança cresce e se desenvolve, essa quantidade aumenta gradativamente
● Se o crescimento e o desenvolvimento estiverem de acordo com o esperado, é sinal de que a
alimentação está adequada
● Quanto maior a variedade de alimentos minimamente processados, maior a diversidade de
nutrientes, o que contribui para um crescimento saudável
● O ideal é servir a comida no prato com os diferentes alimentos separados, sem misturar
● A comida deve ser preparada com óleo vegetal em pequena quantidade, temperos naturais e
com a quantidade mínima de sal
● Deve-se evitar temperos prontos em pó, em cubos ou líquidos
● Nos 2 primeiros anos de vida, frutas e bebidas não devem ser adoçados com um tipo de
açúcar
● Também não devem ser oferecidas preparações que tenham açúcar como ingrediente
● Nem mesmo o mel é recomendado
● Os utensílios utilizados devem ser adequados à idade e feitos de material resistente
● O uso de mamadeiras prejudica a habilidade da criança de regular o apetite e pode levar ao
desmame precoce
● A criança deve estar sentada, com uma postura reta, em um local confortável e seguro
● A melhor forma de dar a comida é sentar-se de frente para ela, na mesma altura para que não
precise ficar com a cabeça de lado nem levantar o queixo enquanto come
● Deixa a criança usando as mãos para apanhar a colher, mesmo que não consiga se alimentar
sozinha
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● A criança consegue comer mesmo que os dentes ainda não tenham surgido
● A criança pode gostar do alimento na primeira vez que o experimenta ou pode precisar provar
o alimento várias vezes até se familiarizar com ele
Desenvolvimento e sinais de fome e saciedade:
6 MESES
O que oferecer:
● O leite materno deve continuar a ser oferecida até 2 anos ou mais, não sendo necessário dar
leite de vaca ou fórmula infantil. Os novos alimentos devem complementar o leite materno e
não substituir.
● Nesta idade, a criança deve começar a receber 3 refeições, que podem ser almoço (ou jantar) e
2 lanches;
● Ou almoço, jantar e 1 lanche.
● Ao completar 7 meses, ela já deve receber 3 refeições.
● Oferecer água ao longo do dia.
● Protusão da língua
O que oferecer?
● O leite materno deve continuar a ser oferecido até 2 anos ou mais, não sendo necessário dar
leite de vaca ou fórmula infantil. Os novos alimentos devem complementar o leite materno e
não o substituir.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Nesta idade, a criança deve começar a receber 3 refeições, que podem ser almoço (ou jantar) e
2 lanches; ou almoço, jantar e 1 lanche. Não há regra sobre qual refeição iniciar primeiro. O
importante é que, ao completar 7 meses, ela já esteja recebendo 3 refeições.
Como oferecer?
● Coloque no prato pequenas quantidades dos alimentos.
● Ponto de partida: 1 colher de sobremesa de um alimento de cada grupo.
● A criança pode não aceitar tudo ou querer mais, podendo chegar a 3 colheres de sopa no total.
● Alimentos separados e bem amassados com garfo;
● Não devem estar liquidificados e nem peneirados.
● Carnes bem cozidas e bem picadas
● Alimentos crus (frutas e legumes) → raspados ou amassados
● Em caso de recusa de alimentos, espere alguns dias e volte a oferecer junto com alimentos
que ela gosta.
● Se continuar recusando: mude a forma de preparo
● Comida um pouco seca: adicionar caldo do cozimento dos legumes, do feijão ou das carnes.
● Ajude a criança a se alimentar, mas deixe que ela use as mãos para segurar o alimento ou uma
colher de tamanho adequado para pegá-los.
● Manter contato de olhar.
Alimentação da criança ao longo do dia:
Bárbara Vitória Marinho Moreira
ENTRE 7 E 8 MESES DE IDADE:
À medida que a criança cresce, ela repara cada vez mais no prato e nos alimentos que está recebendo e
aceita maior variedade e quantidade de comida
Desenvolvimento e sinais de fome e saciedade da criança entre 7 e 8 meses de idade:
O que oferecer?
● Leite materno contínuo, segundo a vontade da criança.
● Oferecer entre as refeições
● É o prato principal
● Passe a ofertar 4 refeições: almoço, jantar e 2 lanches contendo fruta.
● Varie os sabores e apresente novos alimentos.
Como oferecer?
● Alimentos menos amassados
● Quantidades um pouco maiores (¾ colheres de sopas)
● Alimentos macios em pedaços grandes suficiente para que a criança possa negar com as
próprias mãos e tentar comer sozinha.
● De uma colher para criança → incentivo
● Se preferir pegar com a mão está ok!
Bárbara Vitória Marinho Moreira
ENTRE 9 E 11 MESES DE IDADE:
● Criança continua ganhando habilidades e desenvoltura.
● Começa engatinhar fazer movimentos de pinça com a mão.
● Deve-se encorajar a criança para que ela pegue os alimentos com as mãos, estimulando o
movimento de pinça e, também, ensiná-la a cortar os alimentos com os dentes da frente para
estimular o crescimento e desenvolvimento da mandíbula (queixo).
● Embora o leite de peito continue a ser muito importante para a criança, a comida começa a ter
uma maior contribuição para atender as necessidades de nutrientes e energia que a criança
precisa para o seu crescimento.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
O que oferecer?
● Os tipos de refeição continuam os mesmos após os 9 meses: almoço, jantar e 2 lanches com
frutas.
● A criança deve continuar a receber o leite materno quando desejar.
● Continue variando os alimentos e experimentando novas formas de preparo.
Como oferecer?
● A criança já pode receber alimentos picadosna mesma consistência dos alimentos da família.
As carnes podem ser desfiadas.
● Coloque quantidades um pouco maiores do que as oferecidas quando a criança tinha 7 a 8
meses de idade.
● Encoraje a criança a pegar os alimentos com a mão para estimular os movimentos com as
pontas dos dedos.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
ENTRE 1 E 2 ANOS DE IDADE:
● Após 1 ano há redução da velocidade do ganho de peso.
● Criança triplica de peso.
● Dos 12 a 24 meses ele ganha menos peso (entre 2,5kg a 3kg).
● Criança fica curiosa com o ambiente ao seu redor → na hora da refeição os alimentos ficam
menos interessantes.
Mudanças:
● Aprende a falar
● Já pede alimentos de preferência
● Controla melhor a colher e segura o copo com as 2 mãos, alimentando sozinha.
● Surgimento de novos dentes → triturar alimentos mais sólidos fica ainda mais desenvolvida.
No 2º ano de vida:
● Resistir a experimentar novos alimentos ou recusar alimentos que gostava anteriormente.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
O que oferecer?
● Além do leite materno, a criança recebe o café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da
tarde e jantar.
● No lanche da tarde, em alguns dias da semana a fruta pode ser substituída por um alimento do
grupo de raízes e tubérculos, como mandioca, batata doce, inhame, ou do grupo de cereais,
como o pão (caseiro ou francês).
● Por exemplo, um dia você oferece o leite de peito e uma fruta e, no outro dia, leite de peito e
uma batata-doce cozida. Legumes e verduras também podem ser oferecidos nessas refeições,
se isso for do hábito da família.
● Não é necessário substituir o leite materno pelo leite de vaca ou fórmula infantil.
● Derivados do leite, como queijos e coalhadas, e o leite de vaca podem ser utilizados como
ingredientes em receitas feitas em casa, desde os 6 meses de idade.
Como oferecer?
● Ofereça os alimentos em pedaços maiores e na mesma consistência da comida da família.
● Nessa idade, a criança pode aceitar de cinco a seis colheres de sopa no total.
● Estimule a criança a comer sozinha.
● Continue ampliando a variedade de alimentos oferecidos.
● Estabeleça um local tranquilo para a criança se alimentar e evite distraí-la com equipamentos
eletrônicos.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
12 passos para a alimentação saudável:
1. Amamentar até 2 anos ou mais, oferecendo somente o leite materno até 6 meses
2. Oferecer alimentos minimamente processado, além do leite materno, a partir dos 6 meses
3. Oferecer água própria para o consumo à criança em vez de sucos, refrigerantes e outras
bebidas açucaradas
4. Oferecer a comida amassada quando a criança começar a comer outros alimentos
5. Não oferecer açúcar nem preparações ou produtos que contenham açúcar à criança até 2 anos
de idade
6. Não oferecer alimentos ultraprocessados para a criança
7. Cozinhar a mesma comida para a criança e para a família
8. Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento de experiências positivas,
aprendizado e afeto junto a família
Bárbara Vitória Marinho Moreira
9. Prestar atenção aos sinais de fome e saciedade da criança e conversar com ela durante a
refeição
10. Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança e da família
11. Oferecer à criança alimentação adequada e saudável também fora de casa
12. Proteger a criança da publicidade de alimentos
Bárbara Vitória Marinho Moreira
GT 4: TODO DIA É DE VACINAÇÃO
Fundamentos Imunológicos:
Resposta natural/ inata/ inespecífica: reação rápida aos agentes infecciosos
Resposta adquirida/adaptativa/ específica: reação lenta com uma resposta imune específica
Imunidade Inata:
Mecanismos de defesas já presentes no organismo antes do processo infeccioso. Tendo como
componentes:
● Barreiras físicas
● Barreiras fisiológicas
● Fatores séricos e teciduais
● Fagocitose
É a imunidade “linha de frente” do organismo e respondem por meio da fagocitose, sistema
complemento e/ou interferon
Imunidade Adquirida:
Proteção única de cada agente infeccioso, iniciando ao serem reconhecidos por linfócitos T
e B nos órgãos linfáticos.
Linfócitos B: produção de anticorpos específicos (imunidade humoral)
Linfócitos T: produção de células de memória (imunidade celular)
Respostas Primárias e Secundárias:
Primária: produção de IgM seguida por de IgG. Marcada pelo período indutivo em que só irá
produzir anticorpos após o linfócito B reconhecer.
Secundária: A imunidade pelo resto da vida, uma vez que, é composta pelo IgG. Assim todo novo
contato com o agente etiológico serão produzidas imunoglobulinas específicas pelo linfócito T.
Obs.: quando as vacinas não estimulam as células de memória tem a resposta imunológica
limitada (característico de vacinas apenas de polissacarídeo)
Vacinas virais, bacterianas – atenuadas ou inativadas – estimulam a memória por isso, em caso
de atraso vacinal, não é necessário recomeçar o esquema vacinal
Imunidade passiva e ativa:
Ativa:
Obtida pela estimulação da resposta imunológica e geração de anticorpos específicos
● Natural: infecção com ou sem sintomas
● Artificial: vacinas
Passiva:
É imediata, porém transitória. Pode ser dividida em:
● Natural: via placentária, amamentação pelo colostro e leite materno
● Artificial: administração de soro, imunoglobulinas ou anticorpos monoclonais
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Fatores que influenciam a resposta imune
Idade:
No primeiro ano de vida, devido ao fraco sistema imune, algumas vacinas precisam ser administradas
várias vezes
Ex: hepatite B
Algumas vacinas podem sofrer interferência dos anticorpos maternos.
Ex: a vacinação de RN com mães que adquiriram ou foram vacinadas do sarampo em menos de 6
meses pode gerar inativação vacinal.
Gestação:
Não deve vacinar gestantes com vírus vivos pois pode passar antígenos vivos atenuados para o feto e
causa:
● Aborto
● Má formação
● Trabalho de parto prematuro
● Nessas situações indica imunização passiva.
Amamentação:
Não há contraindicações de vírus atenuados, exceto febre amarela até o bebê ter 6 meses.
Reação anafilática:
Nesses casos ocorre atuação de mastócitos nas primeiras 2 horas após a aplicação, assim as próximas
doses são indicadas.
Imunodeprimidos:
Não devem receber vacinas e precisam serem avaliados cada caso.
Antitérmico profilático:
Ao receber paracetamol crianças tiveram ↓ anticorpos das vacinas administradas, mas não necessitar
de revacinação.
● Isso são não se aplica em crianças com febre e histórico de convulsões ou choro incontrolável
depois do tríplice bacteriano (DTP)
Fatores Relacionados a Vacina:
Vias de administração:
O uso de diferentes vias interfere na resposta imune.
Dose e esquema de vacinação:
Vacinas inativas precisam de mais de 1 dose para adequada proteção, enquanto atenuadas necessitam,
geralmente, de apenas 1.
Adjuvantes:
São substâncias presentes na composição de algumas vacinas e que aumentam a resposta imune dos
produtos que contêm micro-organismos inativados ou seus componentes. Não são utilizados em
vacinas que contêm micro-organismos vivos. Os sais de alumínio são mais utilizados em vacinas para
o uso humano
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Conservação dos imunobiológicos:
Rede frio:
Todas as vacinas que devem ser armazenadas entre +2º C e + 8º C, sendo ideal para 5
Geladeiras:
Utilizadas em centros de saúde e devem estar na temperatura entre 2 e 8ºC. Não pode colocar as
vacinas em congelador. A incidência direta de luz solar inativa as vacinas de vírus vivos
Produção de Vacinas:
DNA recombinante:
Proporciona meios para a produção de antígenos proteicos em grandes quantidades.
Esse método simplificou a produção de modo a evitar dependência do plasma sanguíneo humano →
elimina perigo de contaminação inadvertida
Ex: vacina para hepatite B
Polissacarídeos conjugados:
Polissacarídeos: Eficaz contra patógenos bacterianos encapsulados, porém a maioria é antígeno
T-independente (↓imunogenicidade). Crianças com pouca idade são incapazes de desenvolverem
respostas imunes
Conjugação de polissacarídeos: permite que se comporte antígeno T- dependente e induz uma forte
resposta emanticorpos contra a porção polissacarídeo.
Polissacarídeos sintéticos:
Utiliza peptídeos imunogênicos para gerar resposta imunológica protetora, por meio de conhecimento
da sequência de aminoácidos do antígeno.
Pode ser produzido em grande quantidade e gerar menos efeitos colaterais
Os peptídeos são fracos imunizantes por isso deve-se conjugar com proteínas carreadoras.
Anti-idiotipo:
Um anticorpo induzido para epítopo específico de um antígeno tem um sítio adequado de combinação
(Idiotipo) que se encaixa estruturalmente no epítopo. Isso pode induzir a produção de anticorpos
Vírus carregador:
Através de um vetor é introduzido um vírus vivo (vacina, adenovírus ou poliovírus) um gene de outro
microrganismo que contém o código para o antígeno desejado. Útil se o vírus não for perigoso para o
hospedeiro, como imunocomprometidos.Induz tanto a imunidade mediada por células quanta a pôr
anticorpos
Bactérias Carreadoras:
Bactérias atenuadas atuam como carreadoras de genes de patógenos como forma de desenvolver
uma resposta. Alteradas por tecnologia recombinante que introduz o gene que expresse os antígenos
do microrganismo patológico → induz respostas
DNA:
Usa plasmídeo com uma sequência de DNA para um antígeno protetor ligado a um promotor forte de
mamífero (proteína). Geram o antígeno desejado no interior das células → facilita apresentação de
MHC. Ausência de risco de infecção. Úteis para imunização de crianças que possuem anticorpos
maternos. Atualmente não existem vacinas que são aplicadas em humanos. Tem a preocupação que
esse tipo de vacina possar ser mutagênicas se elas se desintegrarem do DNA do hospedeiro
Toxoides:
Toxinas inativadas para produção de toxoides não patogênicos que possam ser utilizados em
vacinações. Toxoides tetânicos, botulínicos e diftéricos. Garante proteção completa apesar da toxina
natural não garantir.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Administração de Vacina:
Definido pela PNI (Programa Nacional de Imunizações) As vacinas que integram a rotina de
vacinacao do PNI são as seguintes:
● Vacina BCG;
● Vacina hepatite B (recombinante) – hepatite B;
● Vacina adsorvida hepatite A (inativada) – hepatite A;
● Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenuada) – VOP;
● Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) – VOP;
● Vacina adsorvida difteria, tetano, pertussis, hepatite B (recombinante) e Haemophilus
influenza b (conjugada) – penta;
● Vacina adsorvida difteria, tetano e pertussis – DTP;
● Vacina adsorvida difteria e tetano adulto – dT;
● Vacina rotavirus humano G1P1[8] (atenuada) – VORH ;
● Vacina febre amarela (atenuada) – FA;
● Vacina sarampo, caxumba e rubeola – triplice viral;
● Vacina sarampo, caxumba, rubeola e varicela (atenuada) – tetra viral
● Vacina meningococica C (conjugada) – meningo C;
● Vacina pneumococica 10-valente (conjugada) – pneumo 10;
● Vacina varicela (atenuada);
● Vacina influenza (inativada);
● Vacina raiva humana;
● Vacina papilomavirus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) – HPV.
Contraindicações:
Definição de contraindicação: condição do usuário a ser vacinado que aumenta o risco de um evento
adverso grave. Ou faz que o risco de complicação da vacina seja maior do que o risco da doença.
Vacinas bacterianas e virais atenuadas não devem ser administradas em usuários com
imunodeficiência congênita ou adquirida. Portadores de neoplasia maligna, em tratamento com
corticosteroides em dose imunossupressora e em outras terapêuticas imunodepressoras Quimioterapia
e radioterapia. Gestantes (exceto as em situação de risco de exposição → febre amarela)
Contraindicações comuns a todo imunobiológico:
A ocorrência de hipersensibilidade (reação anafilática) confirmada após o recebimento de doses
anterior. História de hipersensibilidade a qualquer componente dos imunobiológicos.
Situações especiais:
Usuários que fazem uso de terapia com corticosteroides devem ser vacinados com intervalo de 3
meses após a suspenção da droga.Usuários infectados por HIV precisam de proteção especial contra
as doenças imunopreviníveis mas é preciso avaliar a heterogeneidade de cada caso. Crianças filhas de
mãe HIV, menores de 18 meses, sem alterações imunológicas podem receber todas as vacinas dos
calendários de vacinação e as disponíveis no CRIE. Usuários com imunodeficiência clínica ou
laboratorial grave não devem receber vacinas de agentes vivos atenuados. O usuário que faz
transplante de medula óssea (pós-transplantado) deve ser encaminhando ao CRIE de 6 a 12 meses
após o transplante, para revacinação conforme indicação.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Adiamento da vacinação:
Usuário de dose imunossupressora de corticoide – vacine 90 dias após a suspensão ou o término do
tratamento. Usuário que necessita receber imunoglobulina, sangue ou hemoderivados – não vacine
com vacinas de agentes vivos atenuados nas 4 semanas que antecedem e até 90 dias após o uso
daqueles produtos Usuário que apresenta doença febril grave – não vacine até a resolução do quadro,
para que os sinais e sintomas da doença não sejam atribuídos ou confundidos com possíveis eventos
adversos relacionados a vacina.
Vacinação simultânea:
Administração de duas ou mais vacinas no mesmo momento em diferentes regiões anatômicas e vias
de administrações. As vacinas do calendário de vacinação podem ser administradas simultaneamente
sem que ocorra interferência na resposta imunológica, exceto:
● Tetra viral
● Tríplice viral
● Varicela
● FA
Falsas contraindicações:
Doença aguda benigna sem febre. Prematuridade ou baixo peso ao nascer. Ocorrência de evento
adverso em dose anterior de uma vacina
● Dor
● Vermelhidão
● Inflamação no lugar de injeção
Diagnóstico clínicos prévios de doença, tais como tuberculose, coqueluche, tétano, difteria,
poliomielite, sarampo, caxumba e rubéola. Doenças neurológicas estável ou pregressa com sequela
presente. Antecedentes familiares de convulsão ou morte súbita. Alergias, exceto as alergias graves a
algum componente de determinada vacina (anafilaxia comprovada). História de alergia não específica,
individual ou familiar. História familiar de evento adverso a vacinação (exemplo: convulsão). Uso de
antibiótico, profilático ou terapêutico e antiviral. Tratamento com corticosteroides em dias alternados
em dose não imunossupressora. Uso de corticosteroides inalatórios ou tópicos ou com dose de
manutenção fisiológica.Quando o usuário e contato domiciliar de gestante, uma vez que os vacinados
não transmitem os vírus vacinais do sarampo, da caxumba ou da rubéola. Convalescença de doenças
agudas. Usuários em profilaxia pós-exposição e na reexposição com a vacina raiva (inativada).
Internação hospitalar. Mulheres no período de amamentação (considere as situações de adiamento
para a vacina febre amarela.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Bárbara Vitória Marinho Moreira
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GT 5: PREGUIÇA?
Desenvolvimento:
Refere-se a uma transformação complexa, contínua, dinâmica e progressiva.
Inclui o crescimento, a maturação, a aprendizagem e aspectos psíquicos e sociais.
O desenvolvimento da criança deve ser mediado por outras pessoas, pelas famílias, pelos profissionais
de saúde e afins.
Acompanhamento e avaliação do desenvolvimento infantil:
Objetivo: proteção e detecção precoce de alterações passíveis de modificações que possa repercutir no
futuro da criança.
Os estágios de desenvolvimento cognitivo são sequenciais.
● Caso a criança não seja estimulada ela não consegue superar o atraso do seu
desenvolvimento.
A identificação de atrasos cognitivos é fundamental para a intervenção precoce.
Principais protocolos para o diagnóstico e acompanhamento do desenvolvimento da criança
preconizam:
● Avaliação objetiva de habilidades motoras
● Habilidades de comunicação
● Interação social e cognitivas
TEORIAS DE DESENVOLVIMENTO
• Freud (1856-1939):
o O desenvolvimento dos primeiros 6 anos é caracterizado pelo direcionamento do interesse e
do prazer para uma determinada parte do corpo ou função
o 0-1 ano: fase oral
o 1-3 anos: fase anal
o 3-6 anos: fase fálica (genitais)
- A maneiracomo a criança experimenta e resolve os conflitos que ocorrem nessas fases
influencia o desenvolvimento de sua personalidade, determinando os padrões pessoais de
comportamento por toda vida
• Watson (1878-1958):
Relação entre o estímulo ou reação e a resposta, que é a reação comportamental. A vida é um processo
contínuo de aprendizagem, no qual eventos trazem novos padrões de comportamento, enquanto as
respostas antigas e improdutivas tendem a desaparecer
• Piaget (1896-1980):
Estrutura e desenvolvimento dos processos afetam a compreensão de mundo pela pessoa
o 0-2 anos: desenvolvimento sensório-motor; as crianças usam seus sentidos e habilidades
motoras para compreender o mundo, não havendo pensamento conceitual ou reflexivo
o 2-6 anos: a criança usa o pensamento simbólico e a linguagem para compreender o mundo
- Ela compreende o mundo apenas por sua perspectiva
Bárbara Vitória Marinho Moreira
PRIMEIRA INFÂNCIA
• Nos 3 primeiros anos de vida ocorre um intenso processo de maturação neurológica
• As áreas sensoriais e motoras se desenvolvem rapidamente, responsáveis pela capacidade do bebê
de discriminar sons em diferentes frequências e distinguir gostos e cheiros
• No RN, sensações de tato, temperatura e posição são bastante imaturas
• O tipo de resposta individual assim como a capacidade de tolerância que o bebê apresenta
• O choro pode alertar os pais que algo não pode estar bem ou simplesmente é uma manifestação de
insatisfação de uma necessidade não atendida a tempo
• Ao final dos 2 meses de vida, o exame visual dos objetos acontece de forma mais detalhada, assim
como das pessoas, e passa a ter início o sorriso social
• Até os 3 anos ocorre o aprimoramento da função motora, em mecanismo positivo de feedback
• Juntamente com o amadurecimento do SNC, a criança começa a perceber o meio e relaciona-se com
os objetos
• E é o surgimento de problemas nessa interação o responsável pelo aprendizado gradativo das
soluções
Bárbara Vitória Marinho Moreira
SEGUNDA INFÂNCIA
• As habilidades adquiridas nos primeiros 3 anos de vida se consolidam, permitindo que a criança use
suas funções de maneira mais sofisticada
• Começam a mostrar preferência pela mão direita ou esquerda e o controle corporal começa a ficar
mais apurado
• As habilidades motoras finas permitem que essas crianças dessa faixa etária tenham maior
autonomia nas suas atividades e cuidados pessoais
• As mudanças nos desenhos refletem, além da maturação neurológica, maior compreensão do mundo
ao seu redor, saindo da fase do desenho abstrato para o desenho figurativo mostrando evolução
cognitiva importante
• Além disso, existe rápido crescimento da linguagem, com aumento do vocabulário, além de
transformar a linguagem infantil em uma comunicação similar à do adulto em relação à síntese e
gramática
• Ocorre o início do desenvolvimento do gênero, com a criança assumindo sua identidade sexual de
acordo com os modelos parentais
• Desenvolve o autoconceito
• Ocorre maior brincadeiras em grupos, com menos supervisão dos adultos, demandando maior
autocontrole, fazendo amigos
Bárbara Vitória Marinho Moreira
• Iniciam-se jogos de fantasia, quanto maior a capacidade da criança de representar e fazer de conta,
maior sua capacidade de promover um relacionamento social adequado com outras crianças
TERCEIRA INFÂNCIA
• Consolidação das habilidades adquiridas
• A criança começa a distanciar-se da casa e dos pais e participar de forma intensa na sociedade em
que vive
• As crianças são responsáveis por seus comportamentos em várias situações novas
• Desenvolve o relacionamento social por meio do entendimento moral e da consolidação da
identidade pessoal
• Ocorre o desenvolvimento motor, em que as crianças se tornam mais fortes, ágeis e seu equilíbrio
melhora consideravelmente
• Os fatores biológicos maturacionais são mediados diretamente pela influência ambiental o que torna
o produto final do desenvolvimento uma característica única e peculiar
• Nesse período, as crianças tornam-se capazes de pensar sobre algumas ações e trabalhar com elas
de forma mental
• Entre 6 e 12 anos deidade, as crianças passam quase metade do seu tempo na companhia de crianças
da mesma idade, surgindo uma estrutura social na qual existem várias categorias de crianças
• Durante os anos escolares, as crianças estão mais preocupadas com a opinião dos seus amigos do
que a dos seus professores ou mesmo dos pais
• É uma etapa marcada por períodos de sucesso social e também por fracassos
• A criança aprende a iniciar, manter e, quando apropriado for, terminar uma amizade
• Forma-se a autoestima, em que a criança que está caminhando na direção certa é capaz de
reconhecer sua própria competência, apresenta bom relacionamento com o seu grupo social e tem
desempenho adequado na escola
Bárbara Vitória Marinho Moreira
TESTE DE TRIAGEM DO DESENVOLVIMENTO DE DENVER II
• Avalie o desenvolvimento de crianças desde o Nascimento até 6 anos de idade nos domínios:
Pessoal-social
Motor fino adaptável
Linguagem
Motor bruto
• O teste ensina marcos do desenvolvimento quando administrado
• Não pode avaliar adequadamente as complexidades do desenvolvimento socioemocional
• O pediatra faz perguntas ou observo diretamente comportamentos
• Na folha de pontuação, uma linha é desenhada na idade cronológica da criança
• Tarefas que estão inteiramente à esquerda da linha que a criança não realizou são consideradas
atrasadas
• A triagem repetida em visitas subsequentes a manutenção da saúde geralmente detecta
anormalidades que uma única tela não conseguiu detectar
Bárbara Vitória Marinho Moreira
• Outras ferramentas de triagem para o desenvolvimento incluem questionário sobre idades e estágios
preenchidos pelos pais e a avaliação do status de desenvolvimento pelos pais
Bárbara Vitória Marinho Moreira
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GT 6: COMPARAÇÕES
Crescimento:
Seria um aumento linear contínuo, mas não constante, de determinadas estruturas da interação de
fatores intrínsecos ou orgânicos (genético, neuroendócrinos) e extrínsecos ou ambientais (nutricionais,
condições geofísicas, atividade física, vínculo mãe-filho)
● Fatores psicológicos: afetividade, segurança
● Fatores socioculturais: acesso à alimentação, cuidados gerais, cuidados de higiene e
condição de habitação e saneamento básico, acesso aos serviços de saúde
● Situações patológicas: intensidade e frequência de doenças, principalmente as infecciosas.
Avaliação do Crescimento:
O crescimento pode ser avaliado de suas formas:
● Avaliação transversal: as medidas são realizadas em um único “momento” (Ex: em uma
consulta). Serve apenas para obter a impressão inicial sobre o estado nutricional da criança,
mas não refletem o processo de crescimento em si. Podem ser alteradas por aspectos
momentâneos, como uma doença infecciosa que, por exemplo, causou a perda de peso da
criança.
Avaliação longitudinal: realizada ao longo do tempo.
● O crescimento é avaliado por meio da observação e quantificação em várias ocasiões. Permite
avaliar o ritmo de crescimento. Nas crianças, o estado nutricional exerce forte influência
sobre a morbimortalidade, o crescimento e o desenvolvimento.
● O monitoramento do crescimento a longo prazo permite a identificação precoce das situações
de risco nutricional, além de alertar os familiares sobre os possíveis problemas gerais de
saúde.
Fases do Crescimento:
1. Uma fase de crescimento rápido, porém com velocidade de crescimento progressivamente menor
dos 2,5 anos até os 3 anos;
2. Uma fase de crescimento mais estável com desaceleração lenta até o início da puberdade;
3. A fase puberal com o estirão de crescimento rápido, que em algumas crianças, há um estirão entre 7
e 8 anos (estirão do meio da infância).
● A menina e o menino crescem bem semelhantes na infância.
● Na puberdade, as meninas apresentam o estirão em média 2 anos antes que os meninos e
param de crescer + cedo.
Pico de velocidade de crescimento ♀: 8,5 cm/ano
Pico de velocidade de crescimento ♂: 9,5cm/ano
Diferença da média das alturasentre ♂ e ♀ é de 13cm.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Crescimento do recém-nascidos prematuros:
O uso da curva peso/idade não é adequado para os recém-nascidos pré-termo, pois implica em tratá-
los de maneira semelhante às crianças nascidas a termo. É recomendável corrigir a idade gestacional
do recém-nascido pré- termo antes de colocar os valores na curva:
IGC (idade gestacional corrigida):
40 – IG ao nascimento = X
Idade atual em semanas – X = IGC
Exemplo:
IG ao nascimento: 32 semanas
Idade atual: 3 meses (12 semanas)
40 – 32 = 8
12 – 8 = 4 (1 mês)
IGC = 1 mês. → Isso significa que os dados do bebê devem ser colocados na curva de crescimento
como se ele tivesse 1 mês de vida e não 3 meses.
Obs: Essa correção deve ser utilizada até os dois anos de idade cronológica – tempo médio em
que os prematuros retomam o padrão de crescimento semelhante ao das crianças nascidas a
termo.
Antropometria:
É o principal método de avaliação do crescimento em crianças. Possui suas vantagens:
● Simples
● Possui baixo custo
● Aceitabilidade pela população
● Permite a identificação precoce de crianças em risco nutricional
Índices Antropométricos:
Resulta da correlação entre medidas. Permite acomparação dos dados individuais com os de uma
população de referência. São os seguintes:
Peso/Idade:
Usado como triagem na avaliação nutricional, pois um ganho de peso satisfatório sugere processo de
crescimento normal. Não permite, numa medida isolada, a distinção de casos agudos e crônicos de
desnutrição.
Altura ou Comprimento/Idade:
A criança até os 3 anos deve ser medida em decúbito dorsal (obtêm-se o comprimento). Déficits na
estatura estão associados a processos biológicos de longo prazo, que resultam na redução da
velocidade de crescimento. Por esse motivo, agravos nutricionais só comprometem a altura
tardiamente. Baixa relação estatura/idade está associada a baixas condições socioeconômicas, aporte
inadequado de nutrientes e infecções repetidas ou crônicas. O déficit estatural, ao contrário do peso, é
dificilmente reversível.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Peso/Altura:
Identifica facilmente os casos agudos de desnutrição. O cálculo do IMC/idade vem substituindo esse
índice.
IMC:
Avalia desnutrição e obesidade Desvantagem: não permite a avaliação da composição corporal do
indivíduo, isto é, não distingue massa magra e massa gorda.
Perímetro Cefálico / Idade:
Medida importante até os 2 anos de idade, período em que ocorre rápido crescimento da massa
encefálica. Valores abaixo do esperado podem ser resultado do fechamento precoce de suturas,
malformações e sequelas de infecções perinatais. Valores acima do esperado podem ser explicadas por
hidrocefalia ou tumores.
O IMC:
Índice de massa corpórea
Índice de Quetelet: correlaciona o peso a estatura
IMC = Peso (Kg)/ Estatura²(m)
● Avaliação do estado nutricional de crianças entre 0 e 10 anos de idade.
Menores de 5 anos: curvas de crescimento infantil propostas pela OMS em 2006.
Curvas de Crescimento:
A utilização destes gráficos permite classificar uma criança em relação a uma população eutrófica de
referência. A inclinação na curva representa a velocidade de crescimento, que varia de acordo com as
etapas de vida. Espera-se que uma criança com bom ritmo de crescimento tenha curva de crescimento
com trajetória regular, ascendente e paralela às curvas padrão, o que indica normalidade.
Obs: uma linha ascendente, mas com inclinação menor do que a das curvas de referência,
significa ganho insuficiente de peso e, portanto, desaceleração do ritmo de crescimento.
● Linha horizontal significa platô de peso.
● Linha descendente indica perda de peso.
Percentil:
Interpretação: Se uma criança do sexo masculino, com 5 anos de idade, mede 110cm, ela se enquadra
no percentil 50. Isso significa que 50% da população tem altura superior à dele e que 50% têm altura
inferior a dele.
Score Z
Indica o número de desvios-padrão a partir da mediana. A mediana equivale ao percentil 50.
Valores de score-z negativos indicam que a medida está abaixo da mediana e valores positivos que a
medida está acima da mediana.
O uso do score-z é recomendado pela OMS por discriminar melhor os valores extremos.
Se pegarmos o mínimo possível de falso- negativo eu aumento o intervalo.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● 2,5% da população normal está abaixo do desvio padrão
● 2,5% da população normal está acima do desvio padrão
Indivíduos acima ou abaixo da linha vermelha são indivíduos de risco.
Indivíduos acima ou abaixo da linha preta são indivíduos de alto risco.
SCORE Z PERCENTIL
É mais específico É mais sensível
Casos mais graves É mais preventivo
Alto risco de falso negativo Alto risco de falso positivo
Casos extremos
Regulação Hormonal do crescimento:
● Eixo GH-sistema (IGF) + genética influenciam diretamente no crescimento.
● O eixo GH-sistema IGF constitui a via final mediante a qual a maioria dos fatores que atuam
no processo de crescimento exerce sua ação.
● GH é produzido pela adeno-hipófise e secretado em pulsos, com meia-vida de 20’.
● A secreção hipofisária de GH tem controle hipotalâmico, exercido pelo GnRH (hormônio
liberador do GH), somatostatina e grelina.
● GnRH e grelina estimulam a secreção de GH atuando nos receptores específicos distintos
acoplados à proteína G
● Somatostatina exerce ação inibitória. A tiroxina, o glucagon, os esteróides sexuais, a
dopamina, a hipoglicemia e alguns hexapeptídeos sintéticos estimulam a secreção de GH,
atuando no hipotálamo e/ou na hipófise.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
SEMINÁRIO:
SEMINÁRIO 1: AVALIAÇÃO DO RECÉM NASCIDO
Classificação do recém-nascido:
Em associação com o conhecimento do peso ao nascer, a avaliação da idade gestacional possibilita a
identificação de recém-nascidos de alto risco para a morbimortalidade desse período, permitindo a
antecipação de problemas neonatais.
● Quanto à idade gestacional
● Quanto ao peso ao nascer
● Quanto ao peso relacionado com a IG.
Por que classificar?
Definição de condutas específicas (prevenção e tratamento) de acordo com o risco inerente a cada
idade e peso.
Recém-nascido pré-termo (RNPT): alta probabilidade de desenvolver asfixia, HPIV, encefalopatia
bilirrubínica, infecções, distúrbios metabólicos, retinopatia, imaturidade pulmonar, atrasos
desenvolvimento neuropsíquico- motor (DNPM).
Classificação quanto à idade gestacional:
Leva em conta a ultrassom ou métodos de exames do RN.
● Pré-termo (< 37 semanas)
● Termo (37-41+6d semanas)
● Pós-termo > 42 semanas.
● RNPT extremo: IG < 28 semanas
● RNPT tardio: IG 34-36+6d semanas
● Menor morbimortalidade: 39-41 semanas (Academia americana considera a termo acima de
38 semanas).
Idade gestacional (IG) é o tempo transcorrido desde a concepção até o momento do nascimento
(diferente da embriologia). Na embriologia, conta a partir da fertilização.
- A DUM, de uso universal, é tanto mais confiável quanto melhor a mãe se recorda das datas
das suas menstruações e quanto mais regulares sejam seus ciclos.
o Mãe que tem ovário policístico: terão mais dificuldade de saber as datas da menstruação.
Quando a mãe desconhece a DUM, pode se recorrer aos seguintes métodos:
o medição do tamanho do feto pela ecografia/ ultrassom (abaixo de 20 semanas);
o Exame do RN.
Magnitude do crescimento fetal depende de duas coisas:
o Potencial de crescimento inerente ao feto
o Funcionamento adequado da placenta.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
o Fetos que não recebem nutrição adequada pela placenta podem estar pequenos, mas serem fetos
mais maduros (IG)
A IG neonatal é determinada pela inspeção dos diversos sinais físicos e características neurológicas
que variam conforme a idade e a maturidade fetais.
Tais sinais são avaliados durante o primeiro dia de vida e lhes são atribuídos pontos. Um valor
cumulativo correlaciona- se com a IG e essa correlação geralmente é precisa → 2 semanas
o Volume crescente do tecido mamário
o Diminuição dos pelos finos
Métodos de avaliação da IG pelo exame do RN:
Capurro:
o Uso validado em RN>28 semanas, porémpode subestimar IG a partir de 35 semanas.
o Ideal ser aplicado até 24 horas de vida.
Considera:
▪ Forma da orelha
▪ Tamanho da glândula
mamária
▪ Formação dos mamilos
▪ Textura da pele
Bárbara Vitória Marinho Moreira
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New Ballard:
Validada para uso em prematuros extremos e mantém-se válida para RN termos.
o Ideal ser realizada com menos de 12 horas.
▪ Calculadora
o Critérios neurológicos: postura, ângulo de flexão do punho, retração do braço, ângulo poplíteo
o Critérios físicos: Pele; Lanugem; Olhos/orelha; Glândula mamária; Genitália; Superfície plantar,
genitália
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Classificação quanto ao peso:
PN – Peso normal ao nascer: 2500 - 4000 g
o GIG > 4000g
BP – Baixo peso ao nascer: 1500g - 2500g
o Pré termo ou termos, mas PIG
MBP – Muito baixo peso: 1000g -1500g
EBP – Extremo baixo peso: < 1000g
Peso:
Baixo Peso: 40x maior mortalidade
o Riscos: Paralisia cerebral, retardo mental, pneumopatias, adaptação física, psicológica e social
reduzidas
Extremo Baixo Peso: 200x maior mortalidade
PIG: pequeno para a idade gestacional
GIG: grande para a idade gestacional
Classificação quanto ao peso e idade gestacional:
AIG - Adequado para a idade gestacional
o AIG (entre percentil 10 e 90)
PIG - Pequeno para a idade gestacional
o PIG (abaixo do percentil 10)
GIG - Grande para a idade gestacional
o GIG (acima do percentil 90)
Curvas: Peso X IG
Lubchenco, 1966: População do colorado, alta altitude, amostra pequena.
Alexander, 1996: N=3.808.689 (gestações entre 20 e 44 semanas, única, EUA, estudo do próprio
autor)
Fenton, 2003
o Revisão bibliográfica (metanálise), artigos publicados entre 1980 e 2002.
o 2013: N=3.986.456 (34.639 <30 semanas, Alemanha, EUA, Itália, Austrália, Escócia e Canadá,
metanálise da escala sendo aplicada)
Fenton, 2003
o Estatura
o Perímetro cefálico
o Peso
o Diferente para menina e menino
Causas:
PIG
o Constitucional
o Infecções crônicas (TORCHS → rubéola)
o Doenças crônicas maternas
o Malformações genéticas
o Síndromes cromossômicas
o Disfunções placentárias
GIG
o DMG
o Constitucional
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GIG: maior mortalidade perinatal, asfixia, hipoglicemia, tocotraumatismos, malformações, distúrbios
respiratórios, infecções
o O bebê GIG tem maior estímulo de glicose da mãe, tendo maior produção de insulina do que o AIG
→ suas reservas de glicose acabam rapidamente → se não mama rapidamente, ele consome muito o
glicogênio, de modo que cai o nível de glicose sanguínea.
Profilaxia após o nascimento:
Oftalmia gonocócica – iodopovidona nos dois olhos.
Doença hemorrágica do recém-nascido – vitamina K
Oftalmia gonocócica: É conjuntivite infecciosa.Utiliza-se iodopovidona → menos associada a
conjuntivite com menos efeito colateral
Tocotraumatismos:
Comprometimento da função corporal ou da estrutura do feto consequente a influências adversas que
ocorreram no nascimento.
Tipos de tocotraumatismo:
o Lesões de cabeça e de pescoço, por exemplo:
▪ Bossa serossanguínea
▪ Cavalgamento de suturas
▪ Cefalohematoma
▪ Lesões óssea
▪ Fratura de clavícula
▪ Lesões de nervos cranianos,de medula espinal e de nervos periféricos
▪ Paralisia de plexo braquial
▪ Lesão de nervo facial
Crânio:
Bossa serossanguínea: a lesão ocorre entre a pele e a aponeurose craniana
o Antes do perióstio
o Não pode invadir as suturas
o É mais amolecido.
Hemorragia Galeal: ocorre entre o perióstio e a gália
Cefalohematoma: ocorre entre o perióstio e o osso
o Não consegue ultrapassar as suturas cranianas – é limitado
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Cavalgamento de suturas:
Superposição de bordas ósseas com desaparecimento da sutura correspondente
Causa: moldagem da cabeça fetal ao espaço intrauterino e ao canal do parto
o No parto: as camadas/suturas sobem por cima da outra para diminuir o tamanho da cabeça e
permitir a passagem pelo canal de parto.
Não necessita tratamento especial, regride com o crescimento do encéfalo (nas 24h)
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Bossa serossanguínea:
É um acúmulo sub-cutâneo de líquido extraperiostial (seroso) Edema ou tumefação dos tecidos moles
sobre a parte do crânio que foi a parte de apresentação durante o parto. Pode ocorrer uma modelagem
da cabeça e cavalgamento dos ossos parietais que são transitórios. Se estende a parte do couro
cabeludo. O líquido é reabsorvido, espontaneamente, sem sequelas nos primeiros dias.
SINAL DE CACIFO: um sinal clínico avaliado por meio da pressão digital sobre a pele, por pelo
menos 5 segundos, a fim de se evidenciar edema. É considerado positivo se a depressão ("cacifo")
formada não se desfizer imediatamente após a descompressão.
Cefalohematoma:
Hemorragia subperiosteal traumática sobrejacente a um osso craniano
o Acúmulo de sangue
Ruptura de vasos sanguíneos que seguem do crânio para o periósteo.Especialmente provável durante
um parto prolongado ou difícil
o Parto instrumentado
Não ultrapassa os limites de uma sutura. Pode resultar em icterícia. Hemorragia raramente grave, além
disso, é reabsorvido em 8 semanas. Não tem cacifo positivo, pois está limitado pelo perióstio – lesão
mais endural
Fratura de clavícula:
Osso mais comumente fraturado no parto:principal fator de risco é os bebês GIG
-Aumento de volume no local da fratura, dor a palpação e a movimentação
-Pseudoparalisia do plexo braquial
-Maioria tipo galho-verde
-Espasmos do músculo esternocleidomastoideo
-Braço com pseudo paralisia
-Crepitação quando é completa
-Imobilização por 10 dias
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Paralisia de Nervo Facial:
Nervo periférico mais comum nos recém-nascido.
Causa: compressão do nervo facial pelo fórceps, pressão sobre o nervo pela posição do feto apoiado
contra o promontório sacral da mãe ou por compressão exercida por uma massa uterina.
Resulta em assimetria da face ao chorar
Lesão Periférica:
envolve todo o lado do rosto e é consistente com uma lesão do neurônio motor inferior.
o Prega nasolabial é achatada
o Boca se inclina para o lado fetal
o O bebê não consegue fechar o olho completamente e nem enrugar a testa
o Mais comum
Prognóstico: recuperação completa habitualmente em 3 semanas
-Prognóstico: excelente
-Recuperação em até 3 semanas
Tratamento de prevenção de lesões na córnea (lágrimas artificiais)
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Paralisia de plexo braquial:
Causa: tração excessiva sobre a cabeça, o pescoço e o braço durante o parto.
Fatores de risco: Macrossomia, distocia de ombro, apresentação distócica, partos instrumentados.
O tratamento inicial é conservador. A fisioterapia e os exercícios de amplitude de movimento passivos
previne contraturas. A maioria dos lactentes se recupera totalmente até os 3 meses de idade.
Cuidados do recém-nascido:
Banho: postergar até 24h
o A camada que recobre o bebê (vérnix casioso) protege de hipotermia e está associado a menor risco
de sepse neonatal.
o Cordão umbilical cai mais rápido (na Europa só da bebê no neném quando o cordão umbilical cai)
Contato pele a pele deve ser estimulado
Aleitamento na 1ª hora de vida:
o Eficaz no aumento do tempo de leitamento
o Eficaz para fortalecer o vínculo mãe-filho e melhoras para a mãe no puerpério
Triagens neonatais
o Teste do reflexo vermelho*
o Triagem auditiva – até 1 mês de vida
o Teste do pezinho – até 5 dias de vida no bebê a termo.
o Teste do coraçãozinho*
o Teste da linguinha*
*testes realizados na maternidade
Cuidados com o cordão umbilical.
Os recém-nascidos tardio devem permanecer com a mãe o máximo de tempo, ou todo o tempo
o Contato pele a pele estimulado
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Cordão umbilical:
Coto umbilical cai ao redor de sete dias e deixa em seu lugar uma ferida – cicatriz umbilical
Exsuda, seca e epiteliza-se, ao mesmo tempo que se afunda pela retração progressiva dos cordões
fibrosos dos vasos fetais
Entre o 12º dia e o 15º já se acha constituído, inteiramente seco e com sua forma característica
O motivo mais comum de não cair: mãe deixa a região úmida
Umbigo cutâneo – normal: se atrai
Cuidados com o coto umbilical:
Idealmente,não vamos passar nada próximo ao cordão umbilical, para ele secar.
Manter a área limpa, limpando com sabonete e água (limpeza)
Manter a área seca e limpa
Usar cotonete ou gazes (sempre seco)
Álcool – desaconselhado
Gaze – sim, para secar
Água e sabão - SIM
Sangramentos
Evitar pomadas
Tumefações ou eritema na base do cordão umbilical – sinais precoces de onfalite
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Granuloma Umbilical:
Formação de cor vermelho-vivo, por vezes branca, situada no fundo da fossa umbilical, de tamanho
variável. Produz secreção serosa que pode infectar. Mantém umidade local. Aguardar o período
neonatal (28 dias) para sua resolução espontânea. Se persistir, o tratamento com nitrato de prata ou sal
de cozinha estão indicados.
Onfalite:
Eritema e/ou enduração periumbilical associada a secreção purulenta.
o Pode evoluir para celulite ou fascite necrosante.
o Investigar Sepse neonatal (incluindo coleta de cultura)
o Tratamento EV. (intravenosa)
o Investigar sepse neonatal
o Internação hospitalar
O que deve ser utilizado?
-Recomenda-se o uso de clorexidina que reduz o risco de morte em 20%
-A clorexidina reduz o risco de sepse neonatal em morte e de onfalite
Não foi associada ao aumento de desenvolvimento de separação do cordão.
Conclusão: usar clorexidina no cordão – higiene Manter o local limpo, seco e limpar a cada troca de
fralda.
Álcool não se mostrou eficaz; é bom deixar o cordão seco.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
QUESTÕES SEMINÁRIO:
a) Pesar, medir, vitamina K, iodopovidona (antropometria e profilaxias)
b) Uma hora apenas o nascimento fazer as condutas, de imediato somente amamentação/ fazer
vínculo pele a pele com a mãe, 12 horas exame físico, 24 h é banho, teste do coração, 48 h teste do
pezinho
Bárbara Vitória Marinho Moreira
a) Fratura da clavícula, lesão do plexo braquial. Medidas clinicas servem para diferenciar as duas:
palpação, crepitação, edemaàfratura clavicular; lesão de plexo: posição do braço do baby (aduzido
e rodada), arreflexia, tudo isso é parte clínica
b) Solicitar radiografia de ombro e braço para descartar lesão óssea, evitar tomografia, pois sua
radiação é muito forte.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
a) Umidade, limpeza adequada, secreções, consistência, rubor, sangramento, edema, dor, a
hiperemia pode estar presente sem infecção
b) sabão, clorexidina (evita sepse), manter seco, com ou sem gazes. Álcoolàaumenta umidade,
queima, causa hiperemia
Bárbara Vitória Marinho Moreira
SEMINÁRIO 2 : TBL VACINAS
Vacinas Atrasadas
● Pandemia: isolamento social + medo de adoecer
● Aumento da influência dos grupos anti- vacinismo
● Há queda das taxas de coberturas vacinais.
- BCG e Hepatite B deveria ter 100% de cobertura vacinal, mas, atualmente, sua cobertura está
aquém.
- Penta (DTB+HIB+HB): baixa queda de cobertura vacinal (2020)
- Tríplice viral (D2): diminuiu muito a taxa de cobertura
- Para combater o sarampo, é preciso uma taxa de > que 95%
Retorno de doenças. “Vacina é trabalho de formiguinha” → desde 2018 não há campanhas
vacinais de grande porte
Intervalos de vacinação
O calendário p/ a idade deve ser finalizado brevemente
Respeitar as recomendações p/ cada faixa etária
Respeitar intervalos mínimos entre doses de uma mesma vacina
- Ou de vacinas diferentes: FA, MMR, varicela, COVID-19
Aplicar o maior no possível de vacinas na mesma visita
No caso do particular ($$), tem como colocar várias vacinas em uma só
Não existe intervalo máx. entre doses
Esquemas iniciados não devem ser recomeçados
Atenção à rotavírus!
Rotavírus:
Só recebe a 1a dose até 3m e 15 dias.
Se perder a rotavírus, não vacina mais.
Não vacina mais nenhuma dose.
2ª dose até 7 meses de 19 dias.
Se perder a 2ª dose, a rotavírus é cortada.
Causador da diarreia em população < de 5 anos
Imunossupressão Vacinal/Situações Especiais:
Há um limite de corticoides (200mg/dia de prednisona para adultos) e 20mg/dia/kg de prednisolona
para crianças).
● Adm. sistêmico
Pacientes com imunodeficiências podem receber algumas vacinas, mas imunodeficiências graves não
recebem vacinas de vírus vivos atenuados
● Usa vacina inativa
Segurança X Resposta Imune Eficaz
A natureza e grau da imunossupressão deve ser avaliada: população heterogênea
● Primárias: vacinas inativas; +/- vacinas vírus vivo; +/- BCG
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Secundárias:
Princípios gerais
Def. imunidade celular (ex.: HIV CD4 < 200): não administrar vacinas vivas
Terapia imunossupressora
Vacina inativada 14d antes
Vacina viva 14 a 30 dias
Corticoide: sistêmico, dose e tempo
Crianças com Febre/Alterações
Contraindicação:
Anafilaxia por componentes das vacinas
Evento grave pós 1ª dose
Falsas Contraindicações:
A maioria são falsas *
Doença aguda leve com ou sem febre
● Com febre: falsa contraindicação
Sintomas gripais
● COVID: esperar 14 dias para vacinar.
Exposição recente de doença infecciosa
Uso de ATB e antiviral
Internação hospitalar
HF eventos adversos a vacina
Convalescença de doença aguda
Alergias não relacionadas à vacina (componentes)
Lactentes *
Situações especiais:
Gestantes: não vacinar com vírus vivo
● Em caso de febre amarela, impedir a lactação
Proteção de Grupo “REBANHO”
Depende das características da doença
Depende das características da vacina
Depende da cobertura vacinal
Geralmente, > 95% → sarampo!
Redução da circulação do patógeno
Forma clássica (ex: sarampo, rubéola)
Minimizar a fonte de contágio (menC,hepA)
Meningo C: vacina conjugada que eliminam o estado de portador → proteção de pessoas, mesmo não
vacinando.
Adolescentes → piores taxas de cobertura vacinal
Hepatite A (crianças < de 5 anos): as crianças não manifestam a doença
Portadoras do vírus por algumas semanas
Eliminam o vírus pelas fezes
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Proteção da população, pois eles podem entrar em contato com o vírus vacinal (enfraquecido) e
imunizar o grupo social dessas crianças.
“imunização por contato” (VOP) – “zé gotinha”
O vírus sai pelas fezes
Criança dissemina o vírus vacinal
O vírus pode contaminar pessoas alheias ao bebê, gerando conflitos.
No BR, ↓ a taxa da VOP para impedir esses conflitos.
VOP só tem o tipo 2 agora
Vacinação de Prematuros:
Bebês internados devem ser vacinados (termo ou prematuro)
Se estáveis clinicamente
Exceção: rotavírus oral
A fim de impedir a disseminação dos vírus pelas fezes
Preferencialmente DTpa
Componente acelular inativo, para evitar apneias
As vacinas devem ser administradas de acordo com idade cronológica
Algumas particularidades na imunização do prematuro
● BCG: peso > 2KG
Devido a via de administração (intradérmica)
● Reduzir o no de injeções por visita
● DTPa: bebês peso < 1000g ou < 31 semanas
Em caso de sepse, esperar
Vacinas contra COVID-19:
CoronaVac:
Vírus inativados
Contraindicações: alergia grave a componente ou dose anterior
Doses: 2 (14-28d)
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Oxford/AstraZeneca:
Vetores não replicantes (ChAd)
Adenovírus de chimpanzé
Chimpanzé → organismo reconhece como algo estranho (PAMPs)
Não replica no corpo → carreia as proteínas para produção de resposta imune
Contraindicações: alergia grave a componente ou dose anterior
Doses: 2 (4-12s)
Pfizer/Biontech:
RNA sintético → pedaço de um RNAm
Célula produz espícula
Contraindicações: alergia grave a componente ou dose anterior
2 doses (21d-3 meses)
Eventos Adversos:
Eventos Esperados:
Comuns: febre, dor e edema local
Graves: convulsão febril, EHH, anafilaxia hipotônico
Eventos Inesperados:
não identificados durante o estudo
ex: inavgainção intestinal (rotavíruso) relacionados à qualidade do produto
ex: abscessos
Classificação dos Eventos Adversos
Tipo de manifestação
● Locais
● sistêmicos
Gravidade (Diferente Intensidade)
Grave: hospitalização, risco de morte, disfunção significativa e/ou permanente, óbito
Não grave
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Bárbara Vitória Marinho Moreira
SEMINÁRIO 3: DESENVOLVIMENTO PSICOEMOCIONAL NA INFÂNCIA
DEFINIÇÃO:
Capacidade de realizar funções cada vez mais complexas, aquisição de competências e refinamento de
habilidadesque promoverão autonomia.
Sistemáticas - ordenadas, padronizadas e relativamente permanentes
DOMÍNIOS:
● Físico: crescimento do corpo e do cérebro, capacidades sensoriais, habilidades motoras e
saúde
● Cognitivo: aprendizagem, atenção, memória, linguagem, pensamento, raciocínio e
criatividade
● Psicossocial: emoções, personalidade e relações sociais
VISÃO CRONOLÓGICA:
● Período pré-natal - concepção ao nascimento
● Primeira infância - primeiros 2-3 anos
● Pré-escolar / segunda infância - 3 a 6 anos
● Meninice / terceira infância - 6 a 12 anos (início da puberdade)
● Adolescência - 12 a 20 anos (ou independência dos pais)
● Adulto jovem - 20 a 40 anos
● Meia-idade - 40 a 65 anos
● Velhice - a partir de 65 anos
Características
● Processo contínuo e cumulativo
● " a única constante é a mudança "
● Processo Holístico - a divisão em domínios é um pouco equivocada...
● Mudanças em um aspecto do desenvolvimento têm importantes implicações nos outros
aspectos!
● Plasticidade - capacidade de mudança em resposta à experiências positivas ou negativas
Contexto histórico e cultural
CONTROVÉRSIAS:
● Natureza X Educação
Debate sobre importância das predisposições biológicas e as influências do ambiente
● Atividade X Passividade
Debate sobre se as crianças contribuem ativamente para o próprio desenvolvimento ou se são
recipientes vazios influenciados pelo ambiente (tábula rasa)
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Continuidade X Descontinuidade
Teoria Psicanalítica
A maturação do instinto sexual fundamenta as fases do desenvolvimento da personalidade e a maneira
com a qual os pais lidam com as pulsões instintivas das crianças determinam os traços no decorrer do
desenvolvimento.
● Freud (1856-1939) acreditava que as pessoas nascem com impulsos biológicos que devem
ser redirecionados para tornar possível a vida em sociedade.
Id X Ego X Superego
Consciente X Inconsciente
Sexualidade infantil: fase oral (até 1 ano), anal (1 a 3 anos), fálica (3 a 6 anos), latência (6 a 11 anos) e
genital (12 anos em diante)
Freud mostrou a
• importância do inconsciente;
• o papel das experiências infantis;
• a ambivalência das respostas emocionais;
• o papel das representações mentais do eu e dos outros no estabelecimento das relações íntimas;
• o curso do desenvolvimento normal partindo de um estado imaturo e dependente para um estado
maduro e independente.
- Não há evidências que os conflitos descritos predizem a personalidade adulta.
- Alguns conceitos não podem ser testados (id/ego/superego), outros tornaram-se obsoletos
(complexo de Édipo).
- Sua ênfase na influência dos impulsos sexuais e nas primeiras experiências não levou em
conta outras influências posteriores sobre a personalidade
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Erik Erikson (1902-1994), psicanalista alemão, modificou e ampliou a teoria freudiana
● As crianças são exploradores ativos e curiosos que buscam adaptar-se a seu ambiente.
● Deu menor ênfase às pulsões sexuais e enfatiza as influências culturais (da sociedade)
● Enquanto Freud sustentava que as primeiras experiências na infância moldavam
permanentemente a personalidade, Erikson afirmava que o desenvolvimento do ego se
estende por toda a vida.
Estágios Psicossociais
● Confiança X desconfiança (até um ano) - virtude esperança
O bebê desenvolve o senso de perceber se o mundo é um lugar bom e seguro Precisa
desenvolver um equilíbrio entre confiança (que lhe permite formar relacionamentos
íntimos) e desconfiança (que lhe permite proteger-se) Virtude: esperança (crença de que
poderá satisfazer suas necessidades e desejos)
● Autonomia X vergonha e dúvida (1 a 3 anos) - virtude vontade
A criança desenvolve um equilíbrio de independência e auto-suficiência em relação à
vergonha e à dúvida; marcado pela passagem do controle externo para o autocontrole
● Iniciativa X culpa (3 a 6 anos) - virtude propósito
A criança desenvolve a iniciativa quando experimenta novas atividades e não é
dominada pela culpa. Virtude: propósito (a coragem de imaginar e buscar metas sem
serem indevidamente inibidas pela culpa ou pelo medo da punição)
● Produtividade X inferioridade (6 a 12 anos) - virtude habilidade
A criança deve aprender as habilidades da cultura ou enfrentar sentimentos de
incompetência. Virtude: habilidade/competência - visão de si mesmo como capaz de
dominar certas habilidades e realizar tarefas
● Identidade X confusão de papéis (12 a 20 anos) - virtude fidelidade
Ainda: intimidade X isolamento, generatividade X estagnação e integridade do ego X
desesperança
Teorias da Aprendizagem
As mudanças no comportamento resultam da experiência ou da adaptação ao ambiente. John Watson
(1878-1958) - primeiro teórico da aprendizagem social. Criou o Behaviorismo
● As conclusões sobre o desenvolvimento humano devem-se basear em observações
controladas em vez de especulações sobre motivos inconscientes ou fenômenos não
observáveis
● Watson via as crianças como tábula rasa, o que elas se tornarão depende inteiramente do
ambiente e da maneira em que são tratadas.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Behaviorismo
Skinner (1904-1990) formulou os princípios do condicionamento operante - o indivíduo aprende com
as consequências de sua “operação” sobre o ambiente. Um organismo tenderá a repetir uma resposta
que foi reforçada por consequências desejáveis e suprimirá uma resposta que foi punida
• Reforço - consequência que aumenta a probabilidade do comportamento acontecer novamente
• Punição - consequência que diminui a probabilidade do comportamento acontecer novamente
Teoria Sociocognitiva
Albert Bandura (1925-) enfatizou os aspectos cognitivos da aprendizagem social.
O ser humano é capaz de processar informações ativamente e tende a pensar sobre as relações entre
seu próprio comportamento e suas consequências - é mais influenciado pelo que acredita que vai
acontecer do que pelos eventos que experimenta. Aprendizagem social - pessoa aprende o
comportamento social principalmente observando e imitando modelos (modelamento)
Teoria Cognitiva
Jean Piaget (1896-1980) era biólogo e filósofo por formação, nossa compreensão de como as
crianças pensam se deve muito ao seu trabalho. As crianças constroem ativamente novos
entendimentos do mundo baseadas nas próprias experiências. Estágios de desenvolvimento:
sensório-motor (até 2 anos), pré-operacional (2 a 7 anos), operacional concreto (7 aos 11-12 anos) e
operações formais (11-12 anos em diante)
Primeira Infância
● Fase marcada principalmente pelo desenvolvimento sensório-motor
● Necessário maturação neurológica e estabelecimento de relações afetivas satisfatórias
● Ao nascimento o RN prefere a voz feminina e preferência inata por rostos
● Olfato e paladar também parecem estar desenvolvidos desde o nascimento
● Nos primeiros dois meses têm-se fixação de rotinas alimentares e ciclo sono vigília
● Fase marcada principalmente pelo desenvolvimento sensório-motor
● Necessário maturação neurológica e estabelecimento de relações afetivas satisfatórias
● Ao nascimento o RN prefere a voz feminina e preferência inata por rostos
● Olfato e paladar também parecem estar desenvolvidos desde o nascimento
● Nos primeiros dois meses têm-se fixação de rotinas
● Pesquisadores descrevem quatro padrões de apego: seguro, evitativo, ambivalente (resistente)
e desorganizado-desorientado.
● Os padrões de apego podem depender do temperamento do bebê, bem como da qualidade da
educação dos filhos, e podem apresentar implicações de longo prazo para o desenvolvimento.
● Desenvolvimento emocional é ordenado, emoções complexas parecem desenvolver-se de
emoções anteriores mais simples.
● Por volta de 2 meses - sorriso social
● À medida que adquiri maior mobilidade aumenta sua autonomia e também os riscos de
acidente
● Permanência do objeto - entre 6 e 12 meses
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Angústia de separação (descrita por Spitz por volta de 8meses, observada atualmente em
lactentes mais jovens)
● A independência é demonstrada pelo uso do "não"
Segunda Infância
● Período marcado pelodesenvolvimento da linguagem e pela exposição social cada vez maior
● Controle dos esfíncteres
● Noção de certo e errado
● A função simbólica permite que as crianças reflitam sobre as pessoas, objetos e eventos que
não estão fisicamente presentes
● A teoria da mente - se desenvolve notadamente entre 3 e 5 anos
● A autoestima na segunda infância tende a ser global e irrealista, refletindo a aprovação dos
adultos
● As crianças aprendem os papéis de gênero bem cedo por meio da tipificação de gênero
● Os estereótipos de gênero atingem um ponto máximo durante os anos de pré-escola
● A identidade de gênero é um aspecto do autoconceito em desenvolvimento
● Cinco importantes perspectivas sobre o desenvolvimento do gênero são a biológica, a
evolucionista, a psicanalítica, a cognitiva e a da aprendizagem social
Terceira Infância
● Grande maturação das funções motoras, linguísticas, psicológicas, sociais e cognitivas
● Transição do pensamento concreto para o simbólico e capacidade de abstração
● Aumento progressivo das habilidades atencionais
● O autoconceito torna-se mais realista
● A empatia e o comportamento pró-social aumentam
● O grupo de pares torna-se mais importante
● O grupo de pares ajuda a criança a desenvolver habilidades sociais, permite que ela teste e
adote valores independentemente dos pais, proporciona um senso de afiliação e ajuda a
desenvolver seu autoconceito e a identidade de gênero
● A criança que aprendeu
• confiar (0-1a),
• ser independente (1-3anos)
• ter iniciativa (3-6anos)
● será potencialmente uma criança competente para iniciar o período escolar, sem ter
complexo de inferioridade
Cognição
O desenvolvimento moral está ligado ao amadurecimento cognitivo e se desenvolve em três estágios,
à medida que as crianças passam do pensamento rígido para o mais flexível. As habilidades
executivas, o tempo de reação, a velocidade de processamento, a atenção seletiva, a metamemória e o
uso de estratégias mnemônicas melhoram durante os anos escolares.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Sinais de Alarme
1-2 meses:
• Nunca segue a face humana
• Não sorri
• Não estabelece qualquer tipo de interação
• Não se mantém em situação de alerta
3-4 meses:
• Não fixa nem segue objetos
• Não vira os olhos ou a cabeça para o som
• Chora sempre quando tocado
• Tem pobreza de movimentos
• Reação de sobressalto ao menor ruído
6 meses:
• Não olha nem agarra nenhum objeto
• Não reage a sons
• Não vocaliza
• Não manifesta interesse pelo meio
9 meses:
• Não estabelece relações preferenciais
12 meses:
• Permanece imóvel e não procura mudar de posição
• Não pega brinquedos
• Não brinca nem estabelece contato
18 meses:
• Não responde quando a chamam
• Não vocaliza espontaneamente nem usa palavras soltas
• Não estabelece contato
• Não se interessa pelo que a rodeia
• Jogar fora objetos ou os leva sistematicamente à boca
2 anos:
• Jogar fora objetos
• Não constrói nada
• Não parece compreender o que lhe dizem
• Não pronuncia palavras inteligíveis
• Não estabelece contato nem se interessa pelo que está a seu redor
• Não procura imitar
Bárbara Vitória Marinho Moreira
SEMINÁRIO 4: METABOLISMO
METABOLISMO
Processo em que substâncias como fármacos passam por reações químicas, mediadas por enzimas,
que o convertem em um composto diferente do originalmente administrado. É uma série de reações
químicas que converte uma substância em outra (Modificações) Este processo converte os fármacos
lipossolúveis em substâncias hidrossolúveis, facilitando sua eliminação do organismo.
ELIMINAR!
Fase I: o fármaco fica inativo
Fase II: o fármaco vira conjugado para ser eliminado.
Reação de Fase I:
● Reações de funcionalização (oxidação, redução ou reações hidrolíticas - hidrolisar)
● Originam metabólito hidrossolúveis.
● Precisa de outras reações (fase II) de conjugação, para ser eliminado.
Reação de fase II:
● Reações de biossíntese
● Conjugação do substrato facilitando a eliminação do fármaco no organismo.
● Ocorre conjugação do metabólico, com uma substância endógena, transformando o conjugado
em hidrossolúvel.
METABOLISMO DE AAS
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Reação de Fase I (acima)
Reações de Fase II
● Glicuronosídeo
● Conjugado glicina-AS
Nem sempre as reações de fase I vão tornar o fármaco inativo (na maioria dos casos)
Bárbara Vitória Marinho Moreira
O QUE SÃO OS PRÓ-FÁRMACOS?
São substâncias que precisam ser metabolizados (ficarem ativos) para exercer sua função no
organismo. Pró-fármacos são substâncias que necessitam do processo de metabolização para daí
exercer a ação farmacológica. Em alguns casos, a substância ativa não tem característica suficiente
para ser absorvida → transforma ela em uma substância inativa capaz de sofrer absorção. Depois de
absorvida, ela passa pelo processo de metabolização ficando apta para exercer sua função
farmacológica.
Reação de Fase I:
Reações de funcionalização (oxidação, redução ou reações hidrolíticas). Originam metabólito
hidrossolúveis
Reações Fase I – Enzimas Hepáticas:
Oxidação – mono-oxigenases do complexo enzimático P450 (CYP)
Catálise de enzimas hepáticas
Complexo enzimático P450 (CYP): são as enzimas do citocromo P450 – principais enzimas
envolvidas no processo de metabolização
Constituem o grupo mais importante de reações de metabolismo das drogas:
● Hidroxilação aromática
● Hidroxilação alifática
● Epoxidação
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● N-desalquilação
● 0-Desalquilação
● N-oxidação
● S-oxidação
● Desaminação
● Dessulfuração
Oxidação - mono-oxigenases do complexo enzimático P450 (CYP)
Redução – redutases (P450)
Hidrólise – esterases e amidases
● Queda mediada pela água
● Esterases hidrolisam grupo éster
● Amidases hidrolisam grupo amida
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Reação de fase II:
Reações de biossíntese
Conjugação do substrato facilitando a eliminação do fármaco no organismo.Conjugação de
substâncias endógenas
Reação Fase II – Enzimas Hepáticas:
Conjugação com glicuronídio – UDP-glicuronato Reações Fase II- enzimas hepáticas
● Consiste na reação mais importante das reações de fase II
Conjugação com glicuronídio – UDP-glicuronato
Acetilação – N-acetiltransferase
Conjugação com sulfato - sulfotransferases
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Conjugação com glutationa – glutationa-S-transferase
Conjugação com glicina - transferases
● A inativação do fármaco deve ocorrer após a sua ação farmacológica
● A inativação dos pró-fármacos deve ocorrer antes da sua ação farmacológicos
Se ocorrer antes, é problemático.
Metabólito inativo hidrossolúvel para ser eliminado
Metabólito ativo – apto para agir
Metabólito inativo hidrossolúvel antes de exercer sua ação farmacológica
Ponto negativo
Metabolismo de primeira passagem (metabolismo pré-sistêmico)
É quando o medicamento é metabolizado, antes de exercer sua ação farmacológica Diminui a
biodisponibilidade do fármaco para exercer sua ação. Mecanismo de primeira passagem: o primeiro
que local que o medicamento é absorvido é pelo fígado Absorvido pela veia porta → fígado. No
fígado, sobre etapas de metabolização. Do fígado vai para circulação sistêmica
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Para reverter o efeito de primeira passagem, deve-se mudar a via de administração.Via intravenosa é
uma via sem metabolismo de primeira passagem, aumentando a biodisponibilidade
● Enzimas do lúmen (trato gastrointestinal)
● Enzimas das paredes intestinais
● Enzimas bacterianas
● Enzimas hepáticas.
Biodisponibilidade:
Indicação a porção do fármaco que atinge a circulação geral, na forma ativa, após sua administração.
É a quantidade de fármaco disponível para ser utilizada pelo organismo e exercer sua ação
farmacológica.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
A biodisponibilidade é afetada por dois fatores: absorção e metabolismo de 1ª passagem
Absorção: Metabolismo 1ª passagem
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Bárbara Vitória Marinho Moreira
SEMINÁRIO 5: EXCREÇÃO
Locais de Excreção:
Excreção renal
Excreção da maioria dos fármacos
Excreção biliar (biliar fecal)
Excreção pulmonar
● Menoscomum
Suor, saliva, leite materno
Excreção Renal:
Filtração Glomerular:
● Moléculas pequenas
● Não ligadas a proteínas (livre)
● Hidrossolúveis (polares e ionizadas)
● Facilita filtração
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Reabsorção:
● Fármacos lipossolúveis são reabsorvidos
● Determinada pela solubilidade - lipossolúveis
Secreção Tubulares Ativas:
● Sistema transporte de fármacos:
● OAT (organic anion transport) e OCT (organic cátion transport)
Competição por sítio de ligação → gera interações competitivas. O fármaco não foi filtrado, segue
para a arteríola eferente e é secretado → vai para o lúmen do túbulo → excreção
Fatores que Influência na Excreção:
● pH da urina
● Insuficiência renal
● Insuficiência hepática
pH da URINA:
pH ácido:
● fármacos básicos estarão na forma ionizadas
● fármacos ácidos estão na forma não ionizadas.
Favorece excreção de fármacos básicos!
pH básico:
● fármacos básicos estarão na forma não ionizada
● fármacos ácidos estarão na forma ionizada
● não é exclusivo, apenas favorece
Favorece excreção de fármacos ácidos!
Insuficiência renal:
Paciente com insuficiência renal pode interferir na excreção dos fármacos, principalmente os que tem
alta porcentagem de excreção por via renal
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Clearance renal: cálculo da eliminação da creatinina
Creatinina: substância que não é absorvida nem secretada. É filtrada.
Resultado:
● Normal (≥ 90mL/min)
● Leve (60-89 mL/min)
● Moderado (30-59 mL/min)
● Comprometimento grave (15- 29mL/min)
Paciente com insuficiência renal: tem dificuldade de eliminar os fármacos → muito fármaco na
corrente sanguínea → faixa tóxica → efeitos colaterais graves.
Problema hepático:
Paciente com insuficiência hepática pode interferir na excreção dos fármacos, pois pode comprometer
a metabolização dos fármacos.
Sem metabolização, não elimina.
Se metaboliza muito, elimina rápido e não tem ação farmacológica
As enzimas citocromo P450 podem:
● Ser inativadas diminuindo a taxa de metabolização → eliminação dificultada
Mais comum!
● Ser induzidas aumentando a taxa de metabolização → elimina muito rápido e não tem
quantidade para exercer função farmacológica
Excreção Biliar:
Excreção pela bile e sistema entero-hepático
● A excreção é pelas fezes.
● Fármacos que não foram absorvidos
Fármacos do TGI
Ação local
Passam direto e são eliminados pelas fezes.
● Fármacos que foram metabolizados pelo fígado e eliminados pela bile.
● Está relacionado aos problemas hepáticos.
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Fármacos polares → excretado nas fezes
● Pode acontecer reabsorção → aumenta o tempo de meia vida do fármaco
● Metabólitos glicuronizados (conjugação com glicuronídeos) → reação de fase II de
metabolização
● São reabsorvidos → bactérias do intestino produzem a β-glicuronidade bacteriana → desfaz a
fase II → reabsorção do fármaco
● São hidrolisados pela enzima β- glicuronidade bacteriana e o fármaco é reabsorvido
Outras formas de Excreção:
Excreção pelo leite:
● Epitélio secreto – características da membrana lipídica
● pH levemente ácido (6,4-6,8) → facilita a passagem de fármacos básicos contraindicações de
fármacos no processo de lactação
Excreção pulmonar:
● Álcool e fármacos gasosos
● Hálito de bebida
Clearance:
● Pode ser chamado de depuração
● Remoção completa de determinado soluto ou substância de um volume específico de sangue
na unidade de tempo.
● Descreve sua taxa de remoção do sangue dividida por seu volume de distribuição.
● Essa relação permite quantificar a quantidade de uma substância excretada na urina, em
relação à quantidade devolvida à circulação sistêmica
Cl = Taxa de eliminação/(Concentração)
● Pode acontecer por um ou mais órgãos
● Clearance renal: excreção pelos rins
● Clearance hepático: excreção biliar
● Clearance outros: excreção por outros órgãos.
Clrenal + Clhepático + Cloutros = CL
Alguns fármacos são parcialmente eliminados por uma via e por outra via – vias diferentes de
eliminação
Tempo de Meia Vida:
T1/2: é o tempo necessário para que a concentração plasmática do fármaco caia pela metade.
● Está associado ao metabolismo e a eliminação.
● Fator importante para determinar o grau de toxicidade
● Fármacos que acumulam no tecido adiposo → vai menos para o fígado para ser metabolizado
→ não é eliminado
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Clearance
● Inversamente proporcional à sua meia-vida de eliminação (T1/2)
● Diretamente proporcional ao volume aparente de distribuição (Vd).
↑ Clearance ↓ T1/2
↑ Clearance ↑ Vd
Por que é importante estudar os princípios básicos de farmacocinética?
● Pois esses princípios (absorção, distribuição, biotransformação e excreção) interferem
diretamente na posologia do medicamento.
Fatores que Governam a Disposição do Fármaco:
● Biodisponibilidade
● Volume de distribuição
● Depuração
● Meia vida de eliminação
Bárbara Vitória Marinho Moreira
Parâmetros Farmacocinética:
Linha rosa: intravenosa → não tem metabolização
Dosagem Terapêutica:
Procura manter a concentração plasmática do fármaco abaixo da concentração tóxica e a concentração
mínima acima do seu nível minimamente efetivo. Imediatamente após a administração do fármaco –
Taxa de entrada é superior a taxa de eliminação
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Após um tempo na administração
Aumenta a concentração no plasma – aumenta a taxa de eliminação
● Estado de equilíbrio
As duas taxas se tornam iguais.
● Esquema posológico: manter a concentração plasmática do fármaco no estado de equilíbrio
dinâmico dentro da janela terapêutica
C estado de equilíbrio dinâmico = Biodisponibilidade X Dose/Intervalodosagem X Depuração
É o quanto eu tomo e em quanto tempo (doses)
Objetivo: manter a concentração do fármaco dentro da faixa terapêutica
Bárbara Vitória Marinho Moreira
● Dose de Ataque: obter níveis terapêuticos do fármaco com apenas uma ou duas doses do
fármaco
● Primeira dosagem: alta
● Sem dose de ataque: são necessários de 4 a 5 meia vida para que o fármaco atinge o estado
de equilíbrio
Doseataque = Vd x Cestudo de equilíbrio dinâmico
Exemplo: Lidocaína
Vd: 77 L para adultos 70 Kg
C estado de equi. dinâmico = 3,5 mg/L para controlar arritmia cardíaca
Qual a dose de ataque?
Doseataque = 77L x 3,5mg/L = 269,5mg
Dose de manutenção: após atingir o equilíbrion dinâmico do fármaco, as doses subsequentes
precisam repor a quantidade do fármaco que é perdido através do metabolismo e da excreção
Dosemanuntenção = Depuração x Cestado de equilibrio dinâmico
Exemplo: Warfarina
Depuração: 0,192 L/h para adultos 70Kg
C estado de eq. Dinâmico: 1,01 mh/L
Qual a dose de manutenção?
Dosemanuntenção = 0,192 L/h x 1,01 mg/L = 0,194mg/h = 4,65mg/dia
Biodisponibilidade= 93%
Dose = 5mg/dia
Bárbara Vitória Marinho Moreira
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