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CEERSEMA – CENTRO ECUMÊNICO DE ESTUDOS RELIGIOSOS SUPERIORES DO ESTADO DO MARANHÃO DISCIPLINA – GESTÃO ESCOLAR DOCENTE – GEOVANA SANTOS SOUSA 2022 2 GESTÃO ESCOLAR CARGA HORÁRIA: 60h EMENTA: Os principios fundamentais do processo da escolarização moderna; Gestão escolar participativa; OBJETIVOS GERAIS: Reconhecer a gestão como um processo que integra aspectos politicos, humanos, pedagógicos,culturais, administrativos,financeiros e tecnológicos; METODOLOGIA: Exposição oral; Seminários; Vídeos; Trabalhos de grupo; Análises; Resenhas de textos. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: - Gestão Escolar Democrática; - A Autonomia da Escola; - Gestão Escolar sob Diversos Olhares; - A Escola Estática e a Escola Dinâmica; - A Formação de Gestores Escolares; - Considerações Finais; CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO - Conhecimento do Tema; - Domínio do Tema; - Oratória; - Criatividade; - Pesquisa. 3 INTRODUÇÃO A gestão escolar tem a função de descentralizar o movimento administrativo e pedagógico no sistema de ensino. O resultado, seguramente, será uma crescente autonomia, considerando as inovações da implantação do processo que envolve a gestão participativa no contexto de escolas públicas. Com essa perspectiva optamos por uma metodologia crítica-reflexiva, levando em consideração os principais pilares de transformação da gestão escolar democrática, pois toda mudança é algo difícil de implantar, ainda mais no âmbito educativo, pois implica em mudanças de mentalidades, posturas e de atitudes. Para melhor compreensão dos processos de mudanças, associadas às transformações globais, principalmente as que buscam a autonomia das escolas públicas, preferimos descrevê-los em seções e subseções interligadas e complementares. O processo de gestão escolar tem como função primordial a descentralização do desenvolvimento pedagógico e administrativo no sistema de ensino. O resultado desse gerenciamento é a crescente autonomia da escola diante do compromisso e envolvimento de todos os atores que participam dessa construção democrática. Portanto, o processo de gestão evoca também vários indicadores a serem trabalhados, tais como a gestão participativa, relações interpessoais, desempenho e auto avaliação. A gestão escolar vem apresentando uma grande importância no âmbito mundial, tornando-se cada vez mais evidente a necessidade de que as instituições adotem uma gestão democrática e participativa para que haja o desenvolvimento pleno do ensino e da educação como um todo. A responsabilidade da gestão escolar é a de responder pela gestão administrativa, gestão pedagógica, gestão de recursos financeiros e gestão de pessoas. É fundamental a compreensão de que a construção da gestão escolar democrática é sempre processual. Sendo, então, uma luta política e pedagógica, para se impor, é necessário envolver a todos: pais, funcionários, estudantes, professores, equipe gestora e comunidade local. Os educadores comprometidos com a transformação social precisam dispor de conhecimentos para 4 repensar formas de funcionamento das escolas, de desenvolvimento da profissionalização e capacitação, de participação nas relações cotidianas da comunidade escolar (professores, pais e alunos), de avaliação etc., que considerem ao mesmo tempo a realidade socioeconômica e cultural em que se inserem a escola e os professores e as condições concretas dentro da escola e da sala de aula que garantam a justiça social do ponto de vista da escolarização. A tendência da educação atual no Brasil tem na gestão escolar um de seus principais pilares de transformação, porém, toda mudança de mentalidade, postura e atitude é algo difícil de implantar, principalmente no âmbito educativo. A aprendizagem é a razão de existir da escola e todos os seus processos devem estar em consonância para a efetivação da aprendizagem dos alunos. O funcionamento de uma escola depende do envolvimento e comprometimento de todos os envolvidos. Funcionários da limpeza, cozinha, segurança, área administrativa, docentes, todos são elementos fundamentais para a garantia do cumprimento daquilo a qual a escola se propõe: a qualidade no processo de ensino e aprendizagem. Essa qualidade é conceituada de diferentes formas, conforme as particularidades de cada instituição. Esse conceito, assim como o caminho pelo qual a escola pretende percorrer para atingir sua finalidade deve estar descrito no Projeto Político Pedagógico. Para conduzir o processo se faz necessária a presença de um gestor, nesse caso, o gestor escolar, juntamente com uma equipe – vice, supervisor e orientador escolar – conforme as necessidades e organização de cada escola/mantenedora. A esse gestor é atribuído o papel de promover e acompanhar o trabalho diário da escola, zelando pela qualidade e eficácia, essencialmente, do processo de ensino e aprendizagem. O papel do diretor como responsável pela gestão escolar e suas competências é uma tarefa complexa de difícil desempenho frente à escola e seus atores, principalmente se considerarmos que o indivíduo que assume essa função na escola sempre esteve em sala de aula como professor que é de ofício. 5 1 GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA O processo de gestão escolar tem como função primordial a descentralização do desenvolvimento pedagógico e administrativo no sistema de ensino. O resultado desse gerenciamento é a crescente autonomia da escola diante do compromisso e envolvimento de todos os atores que participam dessa construção democrática. Portanto, o processo de gestão evoca também vários indicadores a serem trabalhados, tais como a gestão participativa, relações interpessoais, desempenho e auto avaliação. A gestão escolar vem apresentando uma grande importância no âmbito mundial, tornando-se cada vez mais evidente a necessidade de que as instituições adotem uma gestão democrática e participativa para que haja o desenvolvimento pleno do ensino e da educação como um todo. A responsabilidade da gestão escolar é a de responder pela gestão administrativa, gestão pedagógica, gestão de recursos financeiros e gestão de pessoas. Gestão é o ato ou efeito de gerir, gerência, administração. Podemos então subentender que a gestão é um ato administrativo na unidade escolar, cargo que exige capacidade de liderança organizacional para que todas as tarefas sejam cumpridas rigorosamente em tempo e modo necessários. Sobre o perfil do gestor escolar na contemporaneidade, torna-se relevante, ainda, para uma nova visão e reformulação das práticas já concebidas como aplicáveis e significativas em uma proposta de análise crítica, realçar algumas características comuns de padrão de escola e paradigmas atribuídos e direcionados ao indivíduo na qualidade de gestor. Esta discussão parece enriquecer e mesmo suscitar novas reflexões sobre as numerosas atribuições exercidas pelos gestores de escolas brasileiras. 6 A concepção de gestão democrática pressupõe a historicidade em que a escola pública se constitui e de como foi sendo delineada pelos que acreditam no potencial humano, independente dos mecanismos que a influenciaram, inclusive os amparados em lei. A mudança faz parte dessa nova exigência mundial: na escola a busca não é mais apenas pelo acesso, mas pela qualidade do ensino, requerendo em seu processo de transformação uma gestão democrática com o intuito de que a escola deva formar para a cidadania, exigindo, portanto, um novo tipo de relação sociedade, aluno e conhecimento. Partindo do princípio de que o estabelecimento escolar não atua sozinho, mas dentro de um contexto coletivo, são apresentados quatro eixos norteadores para obtençãodo êxito no processo educacional: Gestão, organização, planejamento e avaliação: a figura do diretor, principal responsável pela instituição lidera o processo da gestão compartilhada por meio do envolvimento das partes - família, Estado, sociedade e comunidade - no decorrer do planejamento e avaliação das ações desenvolvidas na escola; 7 Práticas pedagógicas e proposta curricular: o projeto político-pedagógico da escola é o documento oficial que promove a articulação do currículo escolar e suas práticas, proporcionando o desenvolvimento do aluno dentro de uma visão crítico-social do processo de cidadania; Valorização dos profissionais da educação: a escola precisa estar ativa, acompanhando o processo de desenvolvimento e atualidade da sociedade vigente. Portanto, é necessário promover formação continuada para a comunidade escolar, valorizando o aperfeiçoamento das qualidades intrínsecas e o esforço de cada um de seus membros. Infraestrutura, equipamento e tecnologias: é dever do Estado oferecer o mínimo de estrutura física para receber a comunidade escolar, sendo parceira, apoiando e participando das ações planejadas que favoreçam o desenvolvimento escolar. Todos esses eixos norteadores perpassam pela inter-relação da família, Estado, comunidade e sociedade, priorizando o acesso ao conhecimento e a permanência do alunado, com o intuito de torná-la mais eficiente diante das situações de ensino e aprendizagem. Sobre o perfil do gestor escolar na contemporaneidade, torna-se relevante, ainda, para uma nova visão e reformulação das práticas já concebidas como aplicáveis e significativas em uma proposta de análise crítica, realçar algumas características comuns de padrão de escola e paradigmas atribuídos e direcionados ao indivíduo na qualidade de gestor. Esta discussão parece enriquecer e mesmo suscitar novas reflexões sobre as numerosas atribuições exercidas pelos gestores de escolas brasileiras. O termo gestão relaciona-se com administração, ou seja, administrar uma organização conduzindo-a para a concretização de objetivos. Administrar é um trabalho em que as pessoas buscam realizar seus objetivos próprios ou de terceiros com a finalidade de alcançar as metas traçadas. 8 A escola funciona como uma realidade neutra e objetiva, deste modo pode ser planejada, organizada e controlada de modo a obter altos índices de eficácia e eficiência. A direção é centralizada no papel do diretor, as decisões vem de cima para baixo onde não existe a participação coletiva. Valorizam a estrutura organizacional, normas, regulamentos. Este modelo é o mais comum encontrado na realidade brasileira. A escola, enquanto organização social, é parte constituinte e constitutiva da sociedade na qual está inserida. Portanto, o processo de gestão escolar deve estar voltado para garantir que os alunos aprendam sobre o seu mundo e sobre si mesmos em relação a esse mundo, adquiram conhecimentos úteis e aprendam a trabalhar com informações de complexidades gradativas e contraditórias da realidade social, econômica, política e científica, como condição para o exercício da cidadania responsável. Compete, pois, à gestão escolar estabelecer o direcionamento e a mobilização capazes de sustentar e dinamizar a cultura das escolas, para realizar ações conjuntas, associadas e articuladas, sem as quais todos os esforços e gastos são despendidos sem muito resultado, o que, no entanto, tem acontecido na educação brasileira, uma vez que se tem adotado, até recentemente, a prática de buscar soluções tópicas, localizadas, quando, de fato, os problemas são globais e inter- relacionados. Cabe ressaltar que a gestão escolar é um enfoque de atuação, um meio e não um fim em si mesmo. O fim último da gestão é a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, de modo que , no cotidiano que vivenciam na escola desenvolvam as competências que a sociedade demanda, dentre as quais se evidenciam pensar criativamente: analisar informações e proposições diversas, de forma contextualizada; expressar idéias com clareza, oralmente e por escrito; empregar a aritmética e a estatística para resolver problemas; ser capaz de tomar decisões fundamentadas e resolver conflitos. 9 2 AS COMPETÊNCIAS DO(S) GESTOR(ES) ESCOLAR(ES) Partindo da exposição das competências do gestor escolar, podemos afirmar que o diretor é o esteio do gerenciamento nas instituições de ensino, quer sejam elas públicas ou privadas. Lembrando que a participação de todos no processo é extremamente necessária para que se dê a efetivação da gestão democrática e participativa. Esta lei é indubitavelmente o eixo direcional para a concretização da gestão democrática nas escolas. Devemos também lembrar que a função social da escola é assegurar o desenvolvimento das capacidades cognitivas, operativas e sociais dos alunos pelo seu empenho na dinamização do currículo, no desenvolvimento dos processos de pensar, na formação da cidadania participativa e na formação ética. Isso, por meio da promoção da apropriação de saberes, procedimentos, atitudes e valores, por parte dos alunos, garantida, basicamente, pela ação mediadora dos (as) professores (as) e pela organização e gestão da escola. Compreender a função social da escola na sua relação com as finalidades sociais e legais pressupõe o entendimento de que a escola, na sua relação com os demais órgãos oficiais e a comunidade, se constitui como espaço de consolidação dos princípios estabelecidos na Constituição Federal de 1988, na Lei 10 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional/96 e nos Planos Nacional, Estadual e Municipal de Educação. MUDANÇAS DE PARADIGMA DE ADMINISTRAÇÃO PARA GESTÃO ORGANIZAÇÃO E AÇÕES DOS DIRIGENTES ADMINISTRAÇÃO GESTÃO O direcionamento do trabalho consiste no processo racional, exercido objetivamente de fora para dentro, de organização das condições de trabalho e do funcionamento de pessoas, em um sistema ou unidade social. Ao administrados compete manter-se objetivo, imparcial e distanciado dos processos de produção, como condição para poder exercer controle e garantir seus bons resultados. Ações e práticas que produzem bons resultados não devem ser mudadas, a fim de que estes continuem sendo obtidos. A autoridade do dirigente é centrada e apoiada em seu cargo. O dirigente exerce ação de comando, controle e cobrança. A responsabilidade maior do dirigente é a de obtenção e garantia de recursos necessários para o funcionamento perfeito da unidade. O dirigente orienta suas ações pelo princípio da centralização de competências e especialização da tomada de decisões. O direcionamento do trabalho consiste no processo intersubjetivo, exercido mediante liderança, para a mobilização do talento humano coletivamente organizado, para melhor emprego de sua energia e de organização de recursos, visando à realização de objetivos sociais. Ao gestor compete envolver-se nos processos sob sua orientação, interagindo subjetivamente com os demais participantes, como condição para coordenar e orientar seus processos e alcançar, melhores resultados. A alteração contínua de ações e processos é considerada como condição para o desenvolvimento contínuo; a sua manutenção, mesmo que favorável, leva à estagnação. A autoridade do dirigente é centrada e apoiada em sua competência e capacidade de liderança. O dirigente exerce ação de orientação, coordenação, mediação e acompanhamento. 11 A gestão, numa concepção democrática, efetiva-se por meio da participação dos sujeitos sociais envolvidos com a comunidade escolar, na elaboração e construção de seus projetos,como também nos processos de decisão, de escolhas coletivas e nas vivências e aprendizagens de cidadania. A possibilidade da construção de práticas de gestão na escola, voltadas para a transformação social com a participação cidadã, reside nessa contradição em seu interior. A gestão da educação acontece e se desenvolve em todos os âmbitos da escola, inclusive e fundamentalmente, na sala de aula, onde se objetiva o projeto político pedagógico não só como desenvolvimento do planejado, mas como fonte privilegiada de novos subsídios para novas tomadas de decisões para o estabelecimento de novas políticas. É importante que a gestão educacional esteja pautada em aspectos democráticos e participativos, sendo que esta construção coletiva de objetivos resulta na democratização da escola e na sua consequente melhoria enquanto local de formação de cidadãos conscientes de sua importância na sociedade. O gestor não se articula apenas com as questões financeiras, administrativas e burocráticas. Este personagem além de se identificar dessa forma, é visto pelos demais profissionais da educação como aquele responsável também pelas dimensões pedagógicas de relações humanas construídas e, dinamicamente, manifestadas nas mais diversas possibilidades de um contexto escolar. O gestor escolar é o maior responsável pelas áreas administrativa, financeira e pedagógica da instituição de ensino. Todavia, o pedagógico é a razão de ser de uma escola! A organização pedagógica bem gerenciada é quem direciona e dá qualidade ao ensino através de planejamento, acompanhamento, avaliação do rendimento da proposta pedagógica. Além de observar o desempenho dos alunos, do corpo docente e de todos da equipe escolar. 12 A organização pedagógica liderada pelo gestor escolar e elaborada de forma coletiva pode ser realizada em todos os níveis da instituição, a fim de superar uma visão autoritária e burocrática, como se os planejadores detivessem o conhecimento da realidade e a competência técnico – cientifica para direcioná- la, restando aos demais somente cumprir determinações, como se não fossem capazes e incompetentes para opinar na organização pedagógica da escola. Para a realização de suas funções pode-se classificar a gestão escolar em três áreas que funcionam de forma interligada: a) Gestão de Recursos Humanos: refere-se ao relacionamento com pais, alunos, comunidade, professores e pessoal administrativo, que deve ocorrer de forma a garantir o perfeito funcionamento da escola, contornando os problemas que surgirem e as questões de relacionamento humano; b) Gestão Administrativa: relaciona-se à parte física e institucional. A parte física é o prédio e os equipamentos/materiais que a escola possui e a parte institucional são os direitos e deveres, as atividades da secretaria e a legislação escolar; c) Gestão Pedagógica: estabelece os objetivos gerais e específicos para o ensino, definindo-os a partir do perfil da comunidade e dos alunos, além de elaborar os conteúdos curriculares e acompanhar e avaliar os alunos, os professores e a equipe gestora. As atribuições da gestão pedagógica estão descritas no Regimento Escolar e no Projeto Político Pedagógico da escola. 13 3 MEIOS DE ALCANÇAR O SUCESSO NA GESTÃO ESCOLAR O sucesso da organização pedagógica da escola é medido através da aprendizagem de seus alunos. Se os alunos, cada um no seu ritmo, aprendem continuamente, a escola é eficiente. Se as crianças frequentadoras assíduas das aulas, seguros de sua capacidade de aprender e interessados em resolver situações problema que os educadores lhes propõe, ela está cumprindo seu papel de torná-los pessoas autônomas, capazes de aprender pela vida toda. Se os alunos sabem ouvir, opinar, defender valores, respeitar opinião alheia, a escola pode orgulhar-se de estar cumprindo seu papel. E mais que isso, através de uma equipe gestora atuante na organização pedagógica, a escola pode proporcionar aprendizagens significativas com educação de qualidade, independente de origem social, raça, aparência ou credo. Daí a importância do gestor escolar na área pedagógica da escola. Pois, essa construção de sucesso nas aprendizagens de todos na escola se faz através da participação da gestão escolar. Depende da participação de todos os envolvidos no processo de ensino – aprendizagem, sobretudo de suas lideranças. Por meio da organização pedagógica, o gestor, impulsionará diante da equipe escolar, as concepções que a escola que deseja implementar, e de acordo com essa concepção deve definir o projeto pedagógico e o trabalho de cada profissional que atua na área pedagógica da escola, com a finalidade de promover a aprendizagem continua e significativa de todos na escola. Compete ao gestor escolar definir e discutir a forma de avaliação, para que possa reforçar seus pontos e corrigir suas falhas, replanejando quando o fazer pedagógico quando necessário. No entanto, o gestor escolar não é o único agente sensibilizador de uma escola, mas configura-se como um grande mobilizador pedagógico, na medida em que deve oferecer ao corpo docente as melhores condições de trabalho, repercutindo esse encadeamento na organização do seu trabalho com vistas a uma escola de qualidade e consequentemente nos melhores 14 resultados escolares, já que a qualidade não acontece por si mesma. Ela deve ser construída no dia-a-dia da escola por todas as pessoas direta ou indiretamente envolvidas no processo educacional. O sucesso escolar é medido pelo desempenho de seus alunos. Se os alunos conseguem aprender cada um no seu ritmo, são assíduos nas aulas, tem capacidade de resolver situações do dia- dia escolar e fora da escola, a escola está cumprindo seu papel e o gestor escolar com certeza está contribuindo para as aprendizagens de todos na escola. Se o aluno sabe ouvir, falar, expressar e defender seus valores, respeitar a opinião do próximo, a escola pode se orgulhar de estar cumprindo seu papel na aprendizagem. Mais do que isso, se a escola oferece uma Educação, independente de raça, credo, classe social, certamente essa é uma escola de sucesso. Numa gestão democrática e participativa todos os setores da escola precisam ser considerados, mesmo aqueles que não façam serviços burocráticos ou pedagógicos. Para que haja uma verdadeira gestão democrática, o diretor, os professores, os funcionários, os alunos e a comunidade devem ter os mesmos ideais participativos, onde o gestor deve comunicar esclarecer, perguntar e delegar responsabilidades entre todos os que participam da comunidade escolar. O diferencial da gestão escolar democrática encontra-se centrado na Participação Ativa dos atores da escola mediante ações a serem alcançadas, superadoras de ações individualistas, pois os desafios e dificuldades apresentados na participação ativa estão basicamente pautados na convivência diária, principalmente, diante de atividades autônomas, pois a falta de envolvimento na prática pedagógica poderá trazer resultados negativos para a organização escolar. Em contrapartida, a gestão participativa propõe compromissos e envolvimento dos diretores, pedagogos, docentes, funcionários e pais dos alunos, coletivamente organizados na busca de soluções para superação dos problemas existentes no espaço escolar. 15 4 ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO PEDAGÓGICA E O PLANEJAMENTO ESCOLAR A consolidação de um ambiente escolar interativo por meio da gestão participativa deve ser mediada por valores e eixos da gestão democrática - família, Estado, sociedade, comunidade - desmembrados em norteadores como a ética, a valorização profissional, a flexibilidade, o compromisso e a responsabilidade, dentre outros não menos importantes. Esses valores, eixos e norteadores devempermear as decisões da gestão escolar democrática, pois se encontram arraigados em princípios da formação. O planejamento enquanto construção-transformação de representações é uma mediação teórica metodológica para ação, que em função de tal mediação passa a ser consciente e intencional. Tem por finalidade procurar fazer algo vir à tona, fazer acontecer, concretizar, e para isto é necessário estabelecer as condições objetivas e subjetivas prevendo o desenvolvimento da ação no tempo. A metodologia do planejamento escolar enquadra-se no cenário da educação como uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos; quanto a sua previsão e adequação no decorrer do processo de ensino. O método do planejamento é útil e, sobretudo, muito importante, mas o mais importante é o maior ou menor conhecimento que se tenha do aspecto da realidade em que se está agindo, de sua inserção no conjunto. Tendo em mente a importância de uma metodologia que direciona o processo educativo, precisamos ainda mais saber que planejar é tomar decisões, mas essas decisões não são infalíveis, o planejamento sempre está em processo, portanto em evolução. 16 4.1 ORGÃOS DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR CONSELHO ESCOLAR: O conselho escolar é composto por pais, professores, funcionários, alunos e a comunidade em geral. É um órgão deliberativo responsável pela tomada de decisão de questões no âmbito escolar, sendo um instrumento de democratização da escola. O conselho escolar é um instrumento de democratização da escola e também auxilia na aprendizagem da função política da educação à medida que os alunos se organizam para formar os grêmios estudantis que também possuem poder decisório dentro da unidade escolar. PROPOSTA PEDAGÓGICA: A proposta pedagógica representa a escola, ou seja, é a identidade da instituição de ensino. Define os objetivos e quais caminhos seguir para alcançá-los. Deve ser fruto de todos os participantes da comunidade escolar, isto é, deve ser formulado pelo diretor, coordenador, professores, funcionários da unidade escolar, pais e alunos. O Projeto Político Pedagógico é o plano global da instituição. Pode ser entendido como a sistematização, nunca definitiva, de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada, que define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar a partir de um posicionamento quanto à sua intencionalidade e de uma leitura da realidade. O PPP é assim denominado devido às suas funções e aspirações dentro da escola, sendo que as próprias palavras que compõem o seu nome falam muito sobre ele: a) é projeto porque contém metas e objetivos concretos a serem alcançadas em um determinado período de tempo; b) é político à medida que considera a escola como um espaço onde se formam cidadãos responsáveis e críticos para viverem em sociedade; c) é pedagógico porque define, reúne e organiza as atividades necessárias para o desenvolvimento do ensino e aprendizagem no ambiente escolar. 17 AUTONOMIA: A autonomia está intimamente ligada à necessidade que os profissionais da educação possuem em adequar suas ações às necessidade de seus alunos ou dos profissionais que compõem a escola, ou ainda às aspirações da comunidade da qual a escola está inserida. A autonomia escolar evidencia-se como uma necessidade quando a sociedade pressiona as instituições para que promovam mudanças urgentes e consistentes. EQUIPE GESTORA: A equipe gestora é composta pelo diretor, coordenador pedagógico e supervisor escolar. Precisa agir em conjunto, de forma bem estruturada, pois para que a escola alcance bons resultados faz-se necessário um trabalho cooperativo bem realizado. Para organizar melhor o seu trabalho e a escola, o gestor e sua equipe poderão começar classificando as questões mais desafiadoras da eficácia do processo de mudança rumo ao crescimento organizacional. Para que haja uma gestão democrática verdadeira cada membro da equipe gestora deve realizar suas funções de forma crítica posicionando-se de acordo com suas concepções e discutindo novas posturas sempre que necessário. O(A) DIRETOR(A): A direção é a responsável principal pela gestão da escola. Compete a ela coordenar as demais áreas da escola, sendo a principal articuladora para o desenvolvimento de uma gestão democrática dentro da escola. A direção tem por função ser o grande elo integrador dos vários segmentos – internos e externos – da escola, cuidando da gestão das atividades, para que venham a acontecer e a contento (o que significa dizer, de acordo com o projeto). O diretor deve ser um indivíduo motivador no ambiente escolar, além de ser o responsável por liderar, gerenciar e articular o trabalho dos funcionários da escola. A direção põe em ação o processo de tomada de decisões na organização e coordena os trabalhos de modo que sejam executados da melhor maneira. 18 O diretor é o gestor escolar por excelência, aquele que lidera, gerencia e articula o trabalho dos professores e funcionários em função de uma meta: a aprendizagem dos alunos. É ele quem responde legal e judicialmente pela escola e pedagogicamente por seus resultados – essa última é a mais importante, e às vezes esquecida. O diretor deve valorizar o trabalho coletivo, respeitando e incentivando as contribuições, sugestões e ideias de todos os que fazem parte da comunidade escolar. COORDENADOR PEDAGÓGICO: O coordenador pedagógico é o profissional responsável pela formação dos professores, além de auxiliar o diretor na gestão escolar e relacionamento com os pais e a comunidade. O coordenador pedagógico deve ser o especialista nas diversas didáticas e o parceiro mais experiente do professor. É ele quem responde por esse trabalho junto ao diretor, formando assim uma relação de parceria – e cumplicidade – para transformar a escola num espaço de aprendizagem. O que ocorre em muitos casos é que, sem formação adequada, ele acaba assumindo funções administrativas – e a formação permanente fica em segundo plano ou desaparece. O profissional que exerce a função de coordenador pedagógico tem papel fundamental dentro de uma gestão democrática e participativa à medida que muitas vezes faz a ligação entre as necessidades dos professores e alunos com a direção. O coordenador pedagógico tem o papel, assim como o diretor, de construir uma gestão democrática e participativa dentro da escola, incentivando a participação dos professores, funcionários e da comunidade a participarem das ações desenvolvidas no ambiente, integrando, assim, todos os envolvidos no processo ensino aprendizagem. Poderíamos dizer que a coordenação pedagógica é articuladora do Projeto Político-Pedagógico da instituição no campo pedagógico, organizando a reflexão, a participação e os 19 meios para a concretização do mesmo, de tal forma que a escola possa cumprir sua tarefa de propiciar que todos alunos aprendam e se desenvolvam como seres humanos plenos, partindo do pressuposto de que todos tem direito e são capazes de aprender. SUPERVISOR ESCOLAR: O supervisor de ensino é o representante da Secretaria de Educação que dá apoio técnico, administrativo e pedagógico às escolas. É destacado pela Secretaria de Educação, geralmente um educador, para dar apoio às escolas e fazer a interface do Executivo com elas. As redes mais bem estruturadas dispõem de uma equipe de supervisores que divide responsabilidades e se articula para fazer a orientação dos diretores e apoiá-los nas questões do dia a dia, formar os coordenadores pedagógicos e os professores e garantir a implementação das políticas públicas, que são as orientações oficiais que dão unidade arede. Em seu início a Supervisão Escolar foi praticada no Brasil em condições que produziam o ofuscamento e não a elaboração da vontade do supervisor. E esse era, exatamente, o objetivo pretendido com a supervisão que se introduzia. Para uma sociedade controlada, uma educação controlada; um supervisor controlador e também controlado. CORPO DOCENTE: O professor tem papel determinante na gestão democrática e participativa da escola. Ele é o profissional que está em contato direto com os alunos e o indivíduo que representa a postura da escola diante dos pais, por isso é um grande agente de mudanças podendo estreitar o contato da comunidade com a escola. A tarefa do professor é extremamente importante e complexa: deve estar preparado para exercê-la, ou melhor, considerando que a prática é dinâmica e aberta, e que o professor não se propõe a realizar uma atividade mecânica e repetitiva, deve estar constantemente se qualificando para exercê-la. 20 A Escola precisa ser interessante à sua clientela, cativá-la, ser referencial e seus colaboradores devem ser capacitados e conscientes do papel de “transformadores de cidadãos”, devem repensar suas práticas, reformularem seu planejamento visando facilitar o processo de ensino e aprendizagem dos alunos e para então se empenharem em elevar o nível intelectual da escola. A aprendizagem é o que define o sucesso de uma escola e sua qualidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento dos alunos. O entendimento de que a qualidade diz respeito ao cumprimento do objetivo da escola deve ser absorvido por toda equipe, conduzida pelo gestor. O processo de gestão possui diversas etapas, destacando-se as de planejamento, liderança, organização e avaliação, que são fundamentais para garantir, de forma eficaz, o funcionamento das organizações e, consequentemente, permitir que os objetivos traçados sejam atingidos. As etapas do processo de gestão promove o alcance das metas propostas de forma eficiente e eficaz, pois permite que, no desenvolvimento das ações, aconteça o monitoramento das atividades e, com isso, sejam feitas as correções necessárias, além de propiciar que estas ações sejam realizadas de forma organizada e com uma liderança que motive os colaboradores. A qualidade da educação é de interesse tanto da equipe escolar como dos pais por isso faz-se necessário uma relação mais próxima entre a escola e as famílias. Quando o gestor e sua equipe pergunta, registra e divulga as necessidades e aspirações da comunidade escolar existe uma maior possibilidade de se atingir o principal objetivo da educação: formar cidadãos não apenas com conteúdos teóricos, mas também críticos e com capacidade de fazer escolhas conscientes.