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1 Sara Ribeiro 
 
 
 
 
As glândulas de Bartholin (ou glândulas vestibulares maiores) estão localizadas na vulva e têm a função principal de secretar 
muco por meio de ductos para promover lubrificação vaginal e vulvar. Quando estes são obstruídos, cursam com infecção 
e formação de abscesso, popularmente conhecido como bartolinite, o que corresponde a 2% das consultas ginecológicas 
por ano. 
 
 
 
Os abscessos podem ser polimicrobianos, causados por Staphylococcus aureus resistentes à Meticilina (MRSA), Escherichia 
coli, estreptococos do grupo B, Bacteroides spp, ou por doenças sexualmente transmissíveis (clamídia e gonococo em um 
terço dos pacientes). 
 
 
 
 
 
O cisto de Bartholin é tipicamente indolor e pode ser assintomático. Cistos maiores podem causar desconforto, geralmente 
durante as relações sexuais, ao sentar ou deambular. 
Os abscessos de Bartholin (bartolinite) comumente são unilaterais e se apresentam com dor importante, edema, por vezes 
incapacitando a paciente de andar, sentar ou ter relações sexuais. 
A febre está presente em apenas um quinto dos casos. 
Fatores de risco: Não há. Alguns estudos, porém, mostram que há maior incidência em mulheres com infecções 
sexualmente transmissíveis e que estão em idade reprodutiva. 
 
 
 
Ao exame: Em topografia da glândula de Bartholin, encontra-se uma nodulação (palpada entre o grande lábio e o introito 
vaginal) de consistência macia ou com flutuação, frequentemente dolorosa, com calor local e ocasionalmente cercada por 
eritema (celulite) e edema (linfangite). Um grande abscesso, no entanto, pode se expandir para os lábios superiores. Se 
estiver muito próximo à superfície, pode haver drenagem espontânea do abscesso. 
 
 
 
O tratamento típico é incisão sob anestesia local e drenagem da secreção purulenta, com colocação de cateter de Word. O 
procedimento pode ser realizado ambulatorialmente. 
A antibioticoterapia só é administrada em mulheres com fatores de risco ou achados clínicos indicativos de uma infecção 
mais grave ou em casos de abscessos recorrentes. 
Quando há ruptura e drenagem espontânea do abscesso as pacientes podem necessitar apenas de analgésicos, compressas 
mornas no local e/ou banhos de assento. 
Se o material obtido for purulento, o ideal é realizar cultura para exclusão de infecção por MRSA. 
Suspeita de doença sistêmica ou progressiva (ex: febre ou celulite extensa): Internação para incisão, drenagem e 
antibióticos parenterais. 
Etiologia 
Definição 
Apresentação Clínica 
Anamnese 
Exame Físico 
Abordagem Terapêutica 
 
2 Sara Ribeiro 
Em casos de recorrência de um cisto de Bartholin ou abscesso após uma ou duas colocações de cateter Word: Considerar 
marsupialização ou excisão da glândula. 
Excisão da glândula de Bartholin: É um tratamento definitivo, mas a excisão deve se realizada em centro cirúrgico e pode 
estar associada à hemorragia significativa e morbidade pós-procedimento. 
 
 
 
Em geral, está indicada nos seguintes casos: 
• Bartolinite recorrente; 
• Alto risco de infecção complicada (ex: sepse): celulite circundante extensa, gravidez, imunodeficiência, fatores de 
risco para colonização por MRSA; 
• Cultura evidenciando MRSA; 
• Sinais de infecção sistêmica (ex: febre, calafrios). 
Primeira opção: Sulfametoxazol + trimetoprima (800mg + 160mg): 1 comprimido VO 2x/dia, por 7 dias, para as pacientes 
candidatas à terapia oral. 
Alternativas: 
• Amoxicilina + clavulanato (875mg VO 2x/dia, por 1 semana), para cobrir E. coli e Streptococcus spp. E combinado 
com Clindamicina (300mg VO 4x/dia, por 1 semana), para cobrir Staphylococcus spp. (incluindo comunidade ou 
MRSA) e Bacteroides spp.; 
• Cefalosporina de segunda ou terceira geração ou Fluoroquinolona combinada com Clindamicina ou Doxiciclina (ex: 
Cefixima oral 400mg/dia, por 1 semana), para cobrir Streptococcus spp. e Escherichia coli. E combinada com 
Clindamicina oral (300 mg 4x/dia, por 7 dias), para cobrir estafilococos, incluindo MRSA e Bacteroides spp. 
O regime pode ter de ser modificado com base nos resultados da cultura. 
Infecção suspeita ou confirmada por clamídia ou gonococo: 
• Tratamento da clamídia: Azitromicina 1g VO dose única ou Doxiciclina VO 100mg 2x/dia, por 7 dias; 
• Tratamento da gonorreia: Ceftriaxona 500mg IM dose única. 
 
 
 
 
 
 
 
• A antibioticoterapia é administrada em doentes com fatores de risco ou achados clínicos indicativos de infecção 
mais grave ou de abscessos recorrentes. 
• É fundamental, entretanto, realizar a drenagem do abscesso; 
• Se suspeita de doença sistêmica ou progressiva (ex: febre ou celulite extensa): Internação para incisão, drenagem 
e antibióticos parenterais; 
• Se ruptura e drenagem espontânea do abscesso: Analgésicos, compressas locais mornas ou banhos de assento; 
• Tratar clamídia ou gonorreia caso sejam identificadas como causas do abscesso. 
 
 
 
Escolha um dos esquemas abaixo. 
Esquema A: 1º linha: 
• Sulfametoxazol + trimetoprima (800+160mg) 1 comprimido VO de 12/12 horas, por 7 dias. 
 
Esquema B: 
Associação: 
I. Amoxicilina + Clavulanato (875+125mg) 1 comprimido VO de 12/12 horas, por 7 dias. 
+ 
II. Clindamicina (300mg) 1 comprimido VO de 6/6 horas, por 7 dias. 
 
Antibioticoterapia 
Guia de Prescrição 
Prescrição Ambulatorial 
Orientações ao Prescritor 
Antibioticoterapia 
 
3 Sara Ribeiro 
 
 
1. Antibioticoterapia: Escolha uma das opções: 
• Azitromicina (500 mg/cp) 1g (2 comprimidos) VO em dose única; 
• Doxiciclina 100 mg VO de 12/12 horas, por 7 dias. 
 
 
1. Antibioticoterapia: 
• Ceftriaxona 500mg IM, dose única. 
 
 
 
Forma grave/severa. 
 
 
 
1. Dieta livre. 
2. Hidratação venosa, se necessário. 
 
 
 
Escolha um dos esquemas abaixo. 
 
Esquema A: Tratamento empírico: Escolha uma das opções: 
• Vancomicina 30mg/kg/dia, divididos em 2 doses; 
• Daptomicina 4 mg/kg/dia em doses únicas diárias; 
• Linezolida 600mg EV de 12/12 horas; 
• Ceftarolina 600mg EV de 12/12 horas; 
 
Esquema B: Se MRSA confirmado: Escolha uma das opções: 
• Sulfametoxazol + trimetoprima (800+160mg) 2 comprimidos VO de 12/12 horas; 
• Doxiciclina 100mg VO de 12/12 horas. 
 
Esquema C: Se MSSA confirmado: Escolha uma das opções: 
• Cefazolina 250mg EV/IM de 12/12 horas ou até de 8/8 horas; 
• Clindamicina 300mg VO de 6/6 horas, por 14 dias. 
 
 
 
1. Analgésicos e antitérmicos: Se presença de dor ou febre > ou = 37,8°. Escolha uma das opções: 
• Dipirona sódica (500mg/ml) 1-2g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5g em 24 horas); 
• Dipirona sódica gotas (500mg/ml) 20-40 gotas VO até de 4/4 horas; 
• Dipirona sódica 500-1000mg VO até de 4/4 horas; 
• Paracetamol gotas (200mg/ml) 35-55 gotas VO até de 6/6 horas; 
• Paracetamol 500-750mg VO até de 6/6 horas. 
 
2. Antieméticos: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções: 
• Metoclopramida (10mg/2ml) 10 mg EV, diluídos em água destilada, até de 8/8 horas; 
• Metoclopramida (4mg/ml) 50 gotas VO de 8/8 horas; 
• Metoclopramida 10mg VO de 8/8 horas; 
• Bromoprida (10mg/2ml) 10mg EV de 8/8 horas; 
• Bromoprida (4mg/ml) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas. 
Tratamento Farmacológico - Clamídia 
Tratamento Farmacológico - Gonorreia 
Prescrição Hospitalar 
Dieta e Hidratação 
Antibioticoterapia 
Profiláticos e Sintomáticos 
 
4 Sara Ribeiro 
 
3. Proteção gástrica: Escolha uma das opções: 
• Omeprazol (40mg/10ml) 20-40mg VO/EV de 24/24 horas, pela manhã; 
• Pantoprazol sódico 20-40mg VO de 24/24 horas, em jejum; 
• Pantoprazol sódico (40mg/10ml) 40mg EV de 24/24 horas. 
 
 
Cisto de Glândula de Bartholin 
 
 
 
Descrição das figuras: Ressonância magnética da pelve; planos axial e sagital. Presença de cisto de glândula de Bartholin 
no introito vaginal esquerdo (setas vermelhas). Bx: bexiga, Ut: útero, Va: vagina, R: reto. 
Cisto de Bartholin: É originado a partir da obliteração do canal principal das glândulas vulvovaginais que se abre no vestíbulo 
vaginal, sendo uma lesão frequente que ocorre em todas as idades. 
Quadro clínico: Pode causar desconfortoou dor pélvica, mas em geral não há sintomas significativos, a não ser quando 
infectado. 
Exames de imagem: Na maioria dos casos, são identificados na ressonância magnética da pelve como lesão ovalada ou 
arredondada, com dimensões que variam de 3 a 5 cm, com sinal hiperintenso em T2 e hipointenso em T1, com discreta ou 
ausente captação parietal do meio de contraste. Diante de quadros infecciosos ou sangramento, pode haver hipersinal em 
T2 (figuras acima). 
Complicações: A principal é a inflamação das glândulas vulvovaginais e formação de abscesso que, em geral, necessita ser 
drenado. 
 
 
Exames de Imagem 
Última atualização 10T14:1/03-10T1/2021