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Man ual do Edu cad or An o6o E nsi no Fu nd am en tal Ar ma nd o M ora es | M ari a S ole da de da Co sta Cida dan ia M ora l e É tica SSE_ME_Etica_6A_001a002.indd 1 04/01/17 10:58 ISBN: 978-85-7797-736-9 Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Impresso no Brasil As palavras destacadas de amarelo ao longo do livro sofreram modificações com o novo Acordo Ortográfico. Cidadania moral e ética 6o ano do Ensino Fundamental Armando Moraes Maria Soledade da Costa Editor Lécio Cordeiro Revisão de texto Consultexto Projeto gráfico, editoração eletrônica e ilustrações Box Design Editorial Capa Gabriella Correia/Nathália Sacchelli/ Sophia karla Foto: siribao/shutterstock.com Outras ilustrações JrCasas/Shutterstock.com Direção de Arte Elto Koltz Direitos reservados à Distribuidora de Edições Pedagógicas Ltda. Rua Joana Francisca de Azevedo, 142 – Mustardinha Recife – Pernambuco – CEP: 50760-310 Fone: (81) 3205-3333 – Fax: (81) 3205-3306 CNPJ: 09.960.790/0001-21 – IE: 0016094-67 Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos direitos dos textos contidos neste livro. A Distribuidora de Edições Pedagógicas pede desculpas se houve alguma omissão e, em edições futuras, terá prazer em incluir quaisquer créditos faltantes. Para fins didáticos, os textos contidos neste livro receberam, sempre que oportuno e sem prejudicar seu sentido original, uma nova pontuação. SSE_ME_Etica_6A_001a002.indd 2 04/01/17 10:58 Apesar de, por vezes, serem tratadas como sinônimos, as palavras moral e a ética têm sentidos diferentes, e é de extrema importância que a consciência de cada um desses conceitos faça parte da formação dos estu- dantes, desde o Ensino Fundamental. É por meio dessa compreensão que os alunos terão, talvez, o primeiro contato com a noção de responsabilidade social que cada cidadão possui por direito e dever. Essa introdução às problemáticas sociais tem a função de trazer à percepção do aluno o seu papel de agen- te social. Por isso, é muito importante que, para que essa consciência social seja plenamente desenvolvida, a discussão sobre a moral e a ética seja alimentada em sala de aula, sempre incentivando o aluno a colocar o seu ponto de vista como elemento fundamental para a construção do conhecimento. É preciso, também, que os debates se apoiem em situações reais, onde o estu- dante deverá refletir sobre a sua prática social cotidiana. Assim, buscamos desenvolver a sua autonomia ética, seu potencial para avaliar as suas atitudes sob uma vi- são consciente da moral. Para que esse primeiro passo em direção à formação de um cidadão ativo e consciente seja dado, é impor- tante que apresentemos um panorama histórico sobre a concepção moral de cada época e cultura, como marca das várias sociedades existentes. A evolução social é um fator determinante para aguçar a percepção dos alunos sobre a inconstância do conceito, trazendo, dessa for- ma, a ideia de que podemos e devemos questioná-lo, com o intuito de estabelecer uma sociedade harmonio- sa para todos os cidadãos. Explicar que, em certas épocas, a existência da escra- vidão sequer era discutida sob o viés da ética; o feminis- mo não era uma causa válida, já que era perfeitamente natural haver desigualdade de gênero; e práticas de tortura eram consideradas um procedimento de corre- ção, por exemplo, nos dá a dimensão do desafio que é a prática educacional dos conceitos de moral e ética. Esses assuntos precisam ser revistos e reavaliados cons- tantemente, de modo a abarcar, refletir e posicionar-se a respeito dos valores contemporâneos. Go od lu z/ Sh ut te rs to ck .co m IIIManual do Educador – 6o ano Introdução ME_CMeE_6A_2017.indb 3 05/01/17 17:45 Assim, em meio à fluidez de conceitos e visões, a obri- gatoriedade da disciplina Cidadania Moral e Ética repre- senta um grande salto pedagógico. Isso faz com que a escola e os professores deixem de trabalhar apenas indiretamente ou de maneira difusa as dimensões da moral e da ética e passem a articular o que tem sido chamado de valores universalmente desejáveis, ba- seados na Declaração Universal dos Direitos Humanos e, mais especificamente, na Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988. A partir desses valores, você, professor, deve praticar suas ações pedagógicas no sentido de: • Compreender os fundamentos da ética e da mora- lidade e como seus princípios e normas podem ser trabalhados no cotidiano das escolas e da comuni- dade. • Compreender e introduzir no dia a dia das escolas o trabalho sistemático e intencional sobre valores de- sejados por nossa sociedade. Esses objetivos estão colocados no Programa Ética e Cidadania, módulo voltado para a formação dos pro- fessores, planejado pelo Ministério da Educação. Para que essas ações sejam amplamente executadas, é ne- cessário compreendermos melhor a expressão valores desejados. Quando falamos dessas normas, estamos nos refe- rindo ao núcleo moral de uma sociedade, isto é, aos valores escolhidos para mediar o convívio entre os in- divíduos integrantes dessa sociedade. Assim, o ensino de Cidadania Moral e Ética não está inserido em uma perspectiva de relativismo moral ou liberdade absoluta para seguir valores individuais. Isso porque, para que a sociedade democrática possa funcionar, é fundamental que exista um consenso, um conjunto mínimo de valo- res regentes. Alguns desses valores estão explicitados, como tópicos da Constituição, e devem ser tomados como referência em sala de aula. Ag ên cia B ra sil Ar in a_ P_ Ha bi ch /S hu tte rs to ck .co m IV Cidadania Moral e Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 4 05/01/17 17:45 A República Federativa do Brasil tem como funda- mentos: Art. 1o I - A soberania. II – A cidadania. III – A dignidade da pessoa humana. IV – Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. V – O pluralismo político. No que se refere aos seus objetivos enquanto Repú- blica Federativa, a Constituição enumera os seguintes propósitos: Art. 3o I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária. II – Garantir o desenvolvimento nacional. III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. IV – Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Quanto a alguns dos direitos individuais listados na Constituição, destacamos que: Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qual- quer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos es- trangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à pro- priedade [...]. I – Homens e mulheres são iguais em direitos e obri- gações, nos termos desta Constituição. II – Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se não em virtude da lei. III – Ninguém será submetido a tortura nem a trata- mento desumano ou degradante. IV – É livre a manifestação do pensamento, sendo ve- dado o anonimato. VI – É inviolável a liberdade de consciência e de cren- ça, sendo as segurado o livre exercício dos cultos reli- giosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos lo- cais de culto e a suas liturgias. VIII – Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alterna- tiva, fixada em lei. IX – É livre a expressão da atividade intelectual, artísti- ca, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. VG sto ck stu di o/ Sh ut te rs to ck .co m VManual do Educador – 6o ano ME_CMeE_6A_2017.indb 5 05/01/17 17:45 Esses valores nos dão uma ideia do núcleo moral pre- sente em nossa sociedade, o que nos impede de viver em estado de anomia — ausência de valores que re- gem a sociedade, ficando a cargode cada indivíduo o estabelecimento de suas condutas morais e éticas. Com a anomia, a democracia torna-se impraticável, dado a falta de organização e entendimento mínimo entre os integrantes da coletividade. Podemos pensar que, em um regime democrático, que valoriza e incentiva preceitos como liberdade e diversidade, é contraditório que haja um conjunto de valores a ser seguido por todos. Acontece, porém, que alguns entendem que a expressão de liberdade é, na verdade, a afirmação da inferioridade (étnica, social, ra- cial ou de gênero) de outro indivíduo, que, por sua vez, tem a liberdade subjugada. É por isso — para que todos os integrantes sociais possam usufruir da mesma liber- dade e dos mesmos direitos sem pôr em risco o direito alheio — que um conjunto de valores se faz necessário. E é neste sentido que a matéria de Cidadania Moral e Ética torna-se fundamental: para apresentar e estabele- cer fronteiras morais e éticas que garantam a convivên- cia harmoniosa e o fortalecimento do nosso país. Os itens que vimos anteriormente acerca dos valores que regem o Brasil pretendem, por sua vez, alinhar-se à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa de- claração foi proclamada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU) — organização internacional for- mada por vários países com o objetivo de trabalhar pela paz e pelo desenvolvimento mundial. Vejamos: “A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promo- ver o respeito a esses direitos e essas liberdades e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Semmick Photo/Shutterstock.com VI Cidadania Moral e Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 6 05/01/17 17:45 Artigo I Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às ou- tras com espírito de frater- nidade. Artigo II Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra nature- za, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Artigo III Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segu- rança pessoal. Artigo IV Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. A escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. Artigo V Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Artigo VI Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei. Artigo VII Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qual- quer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que vio- le a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo VIII Toda pessoa tem direito a receber dos tributos na- cionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhe- cidos pela constituição ou pela lei. M on ke y_ Bu sin es s_ Im ag es /S hu tte rs to ck .co m VIIManual do Educador – 6o ano ME_CMeE_6A_2017.indb 7 05/01/17 17:45 Artigo IX Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exi- lado. Artigo X Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal in- dependente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação cri- minal contra ela. Artigo XI 1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o di- reito de ser presumida inocente até que a sua culpa- bilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público, no qual lhe tenham sido asse- guradas todas as garantias necessárias à sua defesa. 2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tam- pouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso. Artigo XII Ninguém será sujeito a interferências na sua vida pri- vada, na sua família, no seu lar ou na sua correspon- dência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interfe- rências ou ataques. Artigo XIII 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. 2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar. on ei nc hp un ch /S hu tte rs to ck .co m VIII Cidadania Moral e Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 8 05/01/17 17:45 Artigo XIV 1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. 2. Esse direito não pode ser invocado em caso de per- seguição legitimamente motivada por crimes de di- reito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas. Artigo XV 1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacio- nalidade nem do direito de mudar de nacionalidade. Artigo XVI 1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qual- quer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao ca- samento, sua duração e sua dissolução. 2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. Artigo XVII 1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros. 2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua pro- priedade. Artigo XVIII Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. Artigo XIX Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e ex- pressão; este direito inclui a liberdade de, sem interfe- rência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e indepen- dentemente de fronteiras. Artigo XX 1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. fra nz 12 /S hu tte rs to ck .co m IX ME_CMeE_6A_2017.indb 9 05/01/17 17:45 Artigo XXI 1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no gover- no de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições pe- riódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a li- berdade de voto. Artigo XXII Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a orga- nização e recursos de cada Estado, dos direitos econô- micos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. Artigo XXIII 1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de tra- balho e à proteção contra o desemprego. 2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho. 3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remu- neração justa esatisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social. 4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e ne- les ingressar para proteção de seus interesses. Artigo XXIV Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias perió- dicas remuneradas. Ja ck _F ro g/ Sh ut te rs to ck .co m X Cidadania Moral e Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 10 05/01/17 17:45 Artigo XXVI 1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fun- damentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a to- dos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. 2. A instrução será orientada no sentido do pleno de- senvolvimento da personalidade humana e do for- talecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promo- verá a compreensão, a tolerância e a amizade en- tre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gê- nero de instrução que será ministrada a seus filhos. Artigo XXVII Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de par- ticipar do processo científico e de seus benefícios. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor. Artigo XXVIII Toda pessoa tem direito a uma ordem social e inter- nacional em que os direitos e as liberdades estabele- cidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. Artigo XXV 1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuida- dos médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doen- ça, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de per- da dos meios de subsistência fora de seu controle. 2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas den- tro ou fora do matrimônio gozarão da mesma pro- teção social. Monkey_Business_Images/Shutterstock.com iraua/Shutterstock.com XIManual do Educador – 6o ano ME_CMeE_6A_2017.indb 11 05/01/17 17:45 Artigo XXIX 1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua per- sonalidade é possível. 2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pes- soa estará sujeita apenas às limitações determina- das pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e das liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem- -estar de uma sociedade democrática. 3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósi- tos e princípios das Nações Unidas. Artigo XXX Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qual- quer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.” Recorremos, aqui, à Constituição e à Declaração de Direitos Humanos porque acreditamos que elas devem estar em nosso horizonte quando falamos da prática pedagógica. No entanto, reforçamos a ideia de que as considerações a respeito da ética e da moral não são modelos estanques a serem repassados para os estu- dantes. Toda e qualquer norma ou regra representa uma resposta a um determinado tempo/período histórico. É por isso que nós, professores, devemos ter em mente que trabalhamos com princípios passíveis de mudança, e não com mandamentos. E, assim, devido ao caráter abstrato dos valores morais e éticos, nosso papel pe- dagógico e formativo deve basear-se na intenção de colocar os alunos dentro desse processo de construção contínua de valores, de modo a torná-los seres eman- cipados e autônomos para agirem criticamente perante os preceitos morais e éticos. Rawpixel.com/Shutterstock.com XII Cidadania Moral e Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 12 05/01/17 17:46 Tendo em vista estabelecer padrões que ajudem a promover uma educação comprometida com a moral, a ética e a cidadania, os PCN propõem os seguintes tó- picos a serem trabalhados no Ensino Fundamental: Dignidade da pessoa humana: Implica respeito aos direitos humanos, repúdio à discriminação de qualquer tipo, acesso a condições de vida digna, respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas. Igualdade de direitos: Refere-se à necessidade de garantir a todos a mesma dignidade e possibilidade de exercício de cidadania. Para tanto, há que se considerar o princípio da equidade, isto é, que existem diferenças (étnicas, culturais, regionais, de gênero, etárias, religio- sas, etc.) e desigualdades (socioeconômicas) que neces- sitam ser levadas em conta para que a igualdade seja efetivamente alcançada. Participação: Como princípio democrático, traz a no- ção de cidadania ativa, isto é, da complementaridade entre a representação política tradicional e a participa- ção popular no espaço público, compreendendo que não se trata de uma sociedade homogênea, e sim mar- cada por diferenças. Corresponsabilidade pela vida social: Implica par- tilhar com os poderes públicos e diferentes grupos sociais, organizados ou não, a responsabilidade pelos destinos da vida coletiva. É, nesse sentido, responsabili- dade de todos a construção e ampliação da democracia no Brasil. Tyler Olson/Shutterstock.com XIIIManual do Educador – 6o ano O ensino baseado nos Parâmetros Curriculares Nacionais ME_CMeE_6A_2017.indb 13 05/01/17 17:46 O ambiente escolar, além dos outros papéis, repre- senta um microcosmo da sociedade. O primeiro conta- to com indivíduos que não fazem parte da nossa família e com os quais devemos estabelecer outro tipo de re- lação se dá no colégio. Essa é a nossa primeira vivência social. Lá aprendemos que temos, invariavelmente, de- veres e direitos que devem ser seguidos e respeitados por todos que compõem aquela realidade. O papel da escola se estende para além da transmis- são de conhecimento ou formação profissional. Nesse local, a intenção primeira é a de ajudar a de- senvolver as capacidades, a consciência, a compreen- são de si mesmo, do outro e da sociedade. E é por meio dessa experiência cotidiana que nos adequamos às demandas sociais. Essa consciência dos valores morais, no entanto, não deve ser imposta. É evidente que os estudantes devem saber diferenciar o certo e o errado, mas essa avaliação deve partir deles, de acordo com o conhecimento de suas responsabilidades, com a evolução do seu senso crítico e a sua capacidade de decisão. Os estudantes precisam assumir a sua prática, e não apenas seguir o estabelecido, sem nenhum exercício de reflexão. A formação do ser humano precede a formação do tra- balhador. A educação existe antes para que possamos discutir, estabelecer e ajustar as normas sociais. Dessa forma, o objetivo social da escola deve estar voltado para a formação de um cidadão consciente de suas ações e obrigações e ativo na construção permanente da socie- dade. Por isso, a inclusão da matéria Cidadania Moral e Ética no currículo do Ensino Fundamental e Médio é es- sencial para o desenvolvimento social dos estudantes. M on ke y_ Bu sin es s_ Im ag es /S hu tte rs to ck .co m XIV Cidadania Moral e Ética A importância do ensino de Cidadania Moral e Ética na escola ME_CMeE_6A_2017.indb 14 05/01/17 17:46 Levando em consideração que o volume de conhe- cimento produzido pela humanidade não pode ser completamente explorado em salade aula, mesmo que durante os doze anos previstos para a conclusão do En- sino Fundamental e Médio, é fundamental que exista uma seleção de conteúdos que consideramos indispen- sáveis para a formação de um indivíduo. A inclusão do conteúdo de Cidadania Moral e Ética foi aprovada no Senado no ano de 2012. As considerações do MEC sobre os objetivos a serem atingidos, durante o Ensino Fundamental, são: A compreensão do significado de justiça e a cons- cientização da construção de uma sociedade igualitária, tendo em vista a necessidade de internalizar e assimilar esse conceito na prática, para que possamos formar su- jeitos sociais ativos. O respeito pelas diferenças — seja ela de credo, cor, gênero, etc.—, fundamental ao convívio em uma so- ciedade democrática e pluralista; e a compreensão da diversidade como uma oportunidade de ampliação do conhecimento, promoção do desenvolvimento pessoal e social e enriquecimento dos processos de aprendi- zagem. A adoção de atitudes solidárias, de cooperação, e re- púdio às injustiças e discriminações. A reflexão é apenas o primeiro passo para uma atitude ética. É preciso que, além dos debates e preocupações sociais, nós sejamos o reflexo do nosso discurso. A compreensão da vida escolar como participação no espaço público, utilizando e aplicando os conhecimen- tos adquiridos na construção de uma sociedade demo- crática e solidária. A valorização e o emprego do diálogo como forma de esclarecer os conflitos e tomar decisões coletivas. Por isso a importância da construção dos debates no de- senvolvimento da capacidade argumentativa. A construção de uma imagem positiva de si, o respei- to próprio traduzido pela confiança em sua capacidade de escolher e realizar seu projeto de vida e pela legiti- mação das normas morais que garantam, a todos, essa realização. Para que possamos atingir as metas estabelecidas, é necessário que não só o professor de Cidadania Moral e Ética esteja comprometido, mas que todos os professo- res tenham em mente a responsabilidade da educação e da conscientização social no processo de aprendizagem. M on ke y_ Bu sin es s_ Im ag es /S hu tte rs to ck .co m XVManual do Educador – 6o ano Objetivos fundamentais para o ensino de Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 15 05/01/17 17:46 Em seu sentido tradicional, a cidadania expressa um conjunto de direitos e de deveres que permite aos ci- dadãos a participação na vida política e na vida pública, podendo votar e serem votados, fazendo parte ativa- mente na elaboração das leis e do exercício de funções públicas, por exemplo. Hoje, no entanto, o significado da cidadania possui contornos mais amplos, que ex- trapolam o sentido de apenas atender às necessidades políticas e sociais, e assume como objetivo a busca por condições que garantam uma vida digna às pessoas. Entender a cidadania a partir da redução do ser hu- mano às suas relações sociais e políticas não é coeren- te com a multidimensinalidade que nos caracteriza e com a complexidade das relações que cada um e to- das as pessoas estabelecem com o mundo à sua volta. Deve-se buscar compreender a cidadania também sob outras perspectivas, por exemplo, considerando a im- portância que o desenvolvimento de condições físicas, psíquicas, cognitivas, ideológicas, científicas e culturais exerce na conquista de uma vida digna e saudável para todas as pessoas. Tal tarefa, complexa por natureza, pressupõe a edu- cação de todos (crianças, jovens e adultos), a partir de princípios coerentes com esses objetivos, e com a inten- ção explícita de promover a cidadania pautada na de- mocracia, na justiça, na igualdade, na equidade e na par- ticipação ativa de todos os membros da sociedade nas decisões sobre seus rumos. Dessa maneira, pensar em uma educação para a cidadania torna-se um elemento essencial para a construção da democracia social. Entendemos que tal forma de educação deve visar, também, ao desenvolvimento de competências para li- dar com: a diversidade e o conflito de ideias, as influên- cias da cultura e os sentimentos e emoções presentes nas relações do sujeito consigo mesmo e com o mundo à sua volta. Uma questão a ser apontada é que, atualmente, as crianças e os adolescentes vão à escola para aprender as Ciências, a Língua, a Matemática, a História, a Física, a Geografia, as Artes, e apenas isso. Não existe o objetivo explícito de formação ética e moral das futuras gerações. Entendemos que a escola, enquanto instituição pública criada pela sociedade para educar as futuras gerações, deve-se preocupar também com a construção da cida- dania, nos moldes que atualmente a entendemos. Se os pressupostos atuais da cidadania têm como base a garantia de uma vida digna e a participação na vida política e pública para todos os seres humanos, e não apenas para uma pequena parcela da população, essa escola deve ser democrática, inclusiva e de qualidade, para todas as crianças e adolescentes. Para isso, deve promover, na teoria e na prática, as condições mínimas para que tais objetivos sejam alcançados na sociedade. Mas como os valores são apropriados pelos sujei- tos? Adotamos a premissa de que os valores não são nem ensinados, nem nascem com as pessoas. Eles são construídos na experiência significativa que as pessoas estabelecem com o mundo. Essa construção depende diretamente da ação do sujeito, dos valores implícitos nos conteúdos com que interage no dia a dia e da qua- lidade das relações interpessoais estabelecidas entre o sujeito e a fonte dos valores. Ulisses F. Araújo Hogan_Im aging/Shutterstock.com XVI Cidadania Moral e Ética A educação e a construção da cidadania ME_CMeE_6A_2017.indb 16 05/01/17 17:46 Na Filosofia, o campo que se ocupa da reflexão sobre a moralidade humana recebe a denominação de Ética. Estes dois termos, ética e moral, têm significados pró- ximos e, em geral, referem-se ao conjunto de princípios ou padrões de conduta que regulam as relações dos seres humanos com o mundo em que vivem. Uma educação ancorada em tais princípios deve con- verter-se em um âmbito de reflexão individual e coletiva que permita elaborar racionalmente e autonomamente princípios gerais de valor, que ajudem a defrontar-se criticamente com realidades como a violência, a tortura ou a guerra. De forma específica, educação ética e mo- ral deve ajudar na análise crítica da realidade cotidiana e das normas sociais e morais vigentes, de modo que contribua para idealizar formas mais justas e adequa- das de convivência. Ainda na linha de compreensão do papel da educação para a formação ética dos seres hu- manos, alguns teóricos entendem que a educação dos cidadãos deve levar em conta a dimensão comunitária das pessoas, seu projeto pessoal e também sua capaci- dade de universalização, que deve ser exercida dialogi- camente, pois, dessa maneira, elas poderão ajudar na construção do melhor mundo possível, demonstrando saber que são responsáveis pela realidade social. De forma específica, lidar com a dimensão comuni- tária, dialogar com a realidade cotidiana e as normas vigentes nos remete ao trabalho com a diversidade hu- mana, à abordagem e ao desenvolvimento de ações que enfrentem as exclusões, os preconceitos e as discri- minações advindos das distintas formas de deficiência e das diferenças sociais, econômicas, psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero. Conceber esse trabalho na própria comunidade onde está localizada a escola, no ambiente natural, social e cultural de seu entorno, é essencial para a construção da cidadania efetiva. Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/ materiais/0000015509.pdf. Adaptado. Acessado em: 14/07/2014. loreanto/Shutterstock.com XVIIManual do Educador – 6o ano Ética ME_CMeE_6A_2017.indb 17 05/01/17 17:46 Com o intuito de promover uma educação plena, a coleção leva para a sala de aula os temas mais impor- tantes e próximos aos alunos, para que, por meio de textos,imagens, exercícios e debates, eles possam de- senvolver solidamente a sua consciência social. Os capítulos que compõem os livros abrigam uma Ca pí tu lo4 Conhecimentos prévios • Você pratica esporte com frequência? • Você já presenciou alguma atitude violenta no esporte? • Na sua escola, há alguma falta de ética no esporte? • Quando você pratica atividade esportiva, é como um lazer ou atividade escolar? Ética no esporte e no lazer Analise as imagens e, a seguir, converse com seu professor e seus colegas sobre a relação entre as fotos e o tema do capítulo: Ética no esporte e no lazer. Vamos dialogar! D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : J ef fe rs on B er na rd es , B lu eS ky Im ag e, w av eb re ak m ed ia , N ad ya E ug en e/ S hu tte rs to ck .c om BOOK_CMeE_6A_2017 78 15/12/16 16:15 Vamos dialogar!: Esta é a única seção que se apresenta, exclusivamente, no princípio de cada capítulo. Aqui, intro- duzimos a temática por intermédio de imagens. A intenção é que os alunos construam suas falas a partir da memó- ria visual que as fotografias, somadas ao tema, despertam neles. O resultado dessa abordagem ampla é a probabili- dade de surgirem inúmeras e valiosas reflexões que ajudarão na construção de sentido dos assuntos abordados. unidade temática, norteadora das discussões, que é subdividida em três seções que se intercalam para um melhor aprofundamento do tema. Essas seções têm funções específicas e buscam estruturar da maneira mais didática e agradável o conteúdo estudado. Veja- mos, a seguir, quais elas: XVIII Cidadania Moral e Ética Estrutura da coleção ME_CMeE_6A_2017.indb 18 05/01/17 17:46 Para Refletir: Esta seção também se interpõe entre os textos responsáveis pelo desenvolvimento do conteú- do e as questões, que auxiliam nesse progresso. Nesse espaço, selecionamos diversos escritos que abordam o assunto do capítulo sob um viés lúdico. São crônicas, reportagens, sinopses, indicações de filmes, etc. que aproximam, ainda mais, os jovens estudantes das re- flexões propostas. 1. “Nem toda agressão é bullying, mas todo bullying é uma forma de agressão.” Pense nisso e desenvolva o que se pede abaixo: Resposta pessoal Como uma agressão pode se transformar em bullying? 2. Com base no que discutimos, responda. a. O que significa bullying? Essa palavra designa qualquer situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. b. O que envolvem as ações de bullying? As ações de bullying envolvem ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maus- -tratos. 3. Escreva, na cruzadinha, as palavras correspondentes às características das ações de bullying. Em seguida, escolha uma das palavras e elabore um comentário crítico sobre ela, apresentan- do de modo organizado sua opinião em relação à temática estudada. Resposta pessoal Questão de ética? I P N Ú T B E L C O N C O R D Â N C I A Ç C Ã O R E P E T I Ç Ã O Cidadania Moral e Ética I 6o ano8 BOOK_CMeE_6A_2017 8 15/12/16 16:14 Questões para reflexão? 1. Os números apontados pelos bombeiros chegam a causar algum espanto? Por quê? 2. Você chega a brincar em alguma modalidade apontada nas informações do corpo de bombeiros? Se sim, como faz para prevenir acidentes? 3. Pense e escreva um comentário sobre a seguinte questão: prevenir ou reme- diar? O que custa menos no bolso e na harmonia dos pais? 4. Qual é a sua opinião sobre o texto e sua relação com o tema Lazer e segurança? Para refletir Leia o texto a seguir. Depois, faça uma reflexão com seus colegas e responda às perguntas apre- sentadas. Acidentes com crianças no verão Anualmente, aproximadamente seis mil crianças morrem e 140 mil são hospitalizadas vítimas de acidentes que poderiam ser facilmente evitados com cuidados básicos por parte dos adultos. E, no verão, com as férias escolares, o índice de aciden- tes é elevadíssimo. Diversos são os fatores que influenciam o au- mento do índice de acidentes com crianças nesse período, tais como: número elevado de viagens no trânsito; mais tempo ocioso em casa; mais tempo para brincar no quintal, no mar, em lagos e rios; atividades com bicicletas, patins, skate, patinetes, pipas e outros, vitimando crianças com queima- duras por exposição ao sol ou por contato com materiais incandescentes, quedas, intoxicação, envenenamento, lesões por acidentes de trânsito, desidratação, insolação, afogamentos, asfixia, cho- ques elétricos e outros. Disponível em: http://www.cb.es.gov.br/conteudo/dicas/detalhe/default. aspx?id=4f2fbe95-a851-4e07-87d4-29284d831692. Acesso em: 23/10/2013. Adaptado. S uz an ne T uc ke r/ S hu tte rs to ck .c om 56 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 56 15/12/16 16:14 Questão de ética: Esta seção aparece depois de cada tópico proposto no capítulo. Dessa forma, podemos nos aprofundar no conteúdo de maneira gradual e agradável, sem diferenciar a apreensão teórica e prá- tica. As questões têm o propósito de colocar o aluno como protagonista, demandando reflexão para a expo- sição do seu ponto de vista. É interessante, também, pedir que os alunos compartilhem suas respostas a fim de que toda a turma possa ser responsável, conjunta- mente, pela conclusão desses tópicos. XIXManual do Educador – 6o ano ME_CMeE_6A_2017.indb 19 05/01/17 17:46 Sumário Capítulo 1 • Ética ..................................................................................... 6 • Ética e bullying ............................................................................7 • O que é lazer? .............................................................................14 • Qual é o meu lazer? ...................................................................20 • Lazer com a família .....................................................................23 • Lazer sem a família .....................................................................27 • Essas mães maravilhosas e suas máquinas infantis ..........32 Capítulo 2 • Ética na comunidade ......................................... 36 • Espaços coletivos: como se comportar neles? ....37 • Grupos de lazer............................................................41 • Regras para conviver em grupos .............................48 • Lazer e segurança .......................................................52 • Seja respeitado por ser diferente ............................57 ME_CMeE_6A_2017.indb 4 05/01/17 17:46 Capítulo 3 • Ética com meus amigos ......................................... 58 • Ética na diversão ...............................................................59 • Aceitação pelos amigos ..................................................63 • O que alguém faz, eu não preciso fazer ......................70 Capítulo 4 • Ética no esporte e no lazer ................................... 78 • Esporte x lazer ...................................................................79 • Lazer e saúde ....................................................................83 • Competir ou ganhar: o que é mais importante? ........88 ME_CMeE_6A_2017.indb 5 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética • Esclarecer os conceitos de ética, bullying e lazer. • Promover a reflexão acerca do vínculo entre a ética e o bullying. • Proporcionar o debate sobre as consequências do bullying na vida de todos os envolvidos. • Discutir a importância do lazer. • Analisar quais são as diferenças essenciais no lazer com e sem a família. Objetivos Pedagógicos Sugerimos algumas atividades para trabalhar o tema do capítulo. Sugestão de Abordagem Fundamentação Dramatização Utilize o teatro em sala de aula. Di- vida os alunos em grupos e motive os grupos a criarem uma dramatização sobre bullying e violência escolar. Di- recione os trabalhos para que a tur- ma crie duas versões, uma positiva e outra negativa. Acada apresentação, convide a turma a debater as ques- tões que foram tratadas, analisando os personagens e o contexto da dra- matização. Paródia é uma imitação cômica de uma obra. Após falar sobre bullying, discutir as causas, quem é a vítima, o agressor e outras questões teóricas importantes, divida a turma em gru- pos e incentive cada grupo a escolher uma música e criar uma paródia dela sobre o tema. Paródia Júri simulado >>> >>> Explique à turma o que é um julgamento, como ocorre e quem compõe uma audiência de julgamento público. Depois, crie com os alunos uma situação que será posteriormente julgada por eles. Esta é uma excelente atividade para discutir a violência no contexto escolar e o bullying. Bullying vai muito além da brincadeira sem graça Esse termo não tem um correspon- dente em português. Em inglês, refere- -se à atitude de um bully (valentão). Objeto de estudo pela primeira vez na Noruega, o bullying é utilizado para descrever atos de violência física ou 6 Cidadania Moral e Ética Ca pí tu lo1 Conhecimentos prévios • Para você, o que é ética? • O que quer dizer uma atitude ética? • Qual é o papel da ética na comunidade onde mora e na escola? • Respeitar os professores, os alunos, as pessoas com deficiências e o meio ambiente são atitudes éticas, mas por quê? Ética Ética (do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da Filosofia que bus- ca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidia- no e na sociedade. Observe a imagem e converse com o seu professor sobre a relação entre a foto e o tema do capítulo: Ética. Vamos dialogar! Podemos perceber que discutir o sentido ético entre os seres humanos nas relações traz uma reflexão sobre a liberdade e as decisões que tomamos durante toda a vida. O que é certo e o que é errado nas dimensões da vida social. Porque questiona sobre a virtude de práti- cas e valores culturais, abrangendo também as ações pessoais. Podemos também relacionar a ética com ati- tudes negativas que são, muitas vezes, desenvolvidas entre alunos, como o bullying. Vamos ler a seguir o texto sobre ética e bullying en- tre crianças e adolescentes. B ar ab as a/ S hu tte rs to ck .c om BOOK_CMeE_6A_2017 6 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 6 05/01/17 17:46 psicológica contra alguém em desvanta- gem de poder, sem motivação aparente e que causa dor e humilhação a quem so- fre. “É uma das formas de violência que mais cresce no mundo”, afirma Cleo Fan- te, pedagoga pioneira no estudo do tema no País e autora do livro Bullying escolar. Segundo ela, o bullying pode acontecer em qualquer contexto social, como esco- las, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho. “Identificamos casos de bullying em escolas das redes pública e privada, rurais e urbanas e até mesmo com crianças de três e quatro anos, ainda no Ensino Infantil”, comenta. Para o presidente do Centro Multidis- ciplinar de Estudos e Orientação sobre o Buylling Escolar, José Augusto Pedra, o fenômeno é uma epidemia psicosso- cial e pode ter consequências graves. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofen- sa. Crianças e adolescentes que sofrem humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem ter queda do ren- dimento escolar, desenvolver doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da per- sonalidade. “Se observa também uma mudança de comportamento. As víti- mas ficam isoladas, tornam-se agres- sivas e reclamam de alguma dor física justamente na hora de ir para escola”, detalha José Pedra. Até as testemunhas sofrem ao convi- ver diariamente com o problema, mas tendem a omitir os fatos por medo ou insegurança. Geralmente, elas não de- nunciam e se acostumam com a práti- ca — acabam encarando como natural dentro do ambiente escolar. “O espec- tador se fecha aos relacionamentos, exclui-se, porque ele acha que pode também sofrer no futuro. Se for pela Internet, no cyberbullying, por exemplo, as testemunhas apenas repassam a in- formação. Mas isso as torna coautoras”, completa Cleo Fante. O bullying, de fato, sempre existiu. O que ocorre é que, com a influência da televisão e da Internet, os apelidos pejorativos foram tomando outras pro- porções. “O fato de ter consequências trágicas, como mortes e suicídios, e impunidade proporcionou a necessida- de de se discutir de forma mais séria o tema”, aponta Guilherme Schelb, pro- curador da República e autor do livro Violência e criminalidade infantojuvenil. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/ formacao/bullying-preciso-levar-serio-431385. shtml?page=1. Acessado em: 23/05/2014. 7Manual do Educador – 6o ano Bullying é uma palavra que ainda não tem tradução no português. Trata- -se de uma palavra inglesa originada do termo bully, que significa brigão. Essa palavra designa qualquer situação caracterizada por agressões in- tencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva por uma ou mais pessoas contra um ou mais colegas. Assim, é possível identificar como bullying as ações envolvendo ameaça, tirania, opressão, intimidação, humi- lhação e maus-tratos. O bullying pode acontecer em qualquer contexto social, como escola, universidade, família, vizinhança e trabalho. Nem toda situação de desa- vença, briga ou discussão pode ser caracterizada como bullying. Para ser bullying, é necessário que as situações apresentem as seguintes caracte- rísticas: repetição, intenção, público e concordância. Repetição porque o agressor faz constantemente agressões à sua vítima. Intenção porque o agressor tem o nítido propósito de maltratar, agredir, humilhar, oprimir, inti- midar ou ameaçar sua vítima. Público porque o agressor pratica o bullying diante de uma plateia, ou seja, alguém presencia a situação. Concordância porque a vítima apresenta ou acha que tem alguma característica que a impede, em certa medida, de revidar a agressão (como ser muito magro ou muito gordo, por exemplo). Assim, nem toda agressão é bullying, mas todo bullying é uma forma de agressão. As vítimas do bullying devem procurar, de imediato, seus responsáveis e, se forem estudantes, o gestor da instituição de ensino, para tomarem as devidas providências. Se o caso não for resolvido, é possível procurar o Conselho Tutelar e as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente. Isso deve ser feito rapidamente, porque as pessoas que sofrem bullying apresentam consequências desse mal em sua vida. Normalmente, observamos diminuição do rendimento escolar, enfraque- cimento do convívio familiar, problemas de saúde, agressividade e até timi- dez em excesso. Ética e bullying Tw in D es ig n/ S hu tte rs to ck .c om K ze no n/ S hu tte rs to ck .c om Twin Design/Shutterstock.com Cidadania Moral e Ética I 6o ano 7 BOOK_CMeE_6A_2017 7 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 7 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética Com objetivo de fomentar as dis- cussões a respeito do assunto, pro- ponha questionamentos sobre tema estudado no capítulo. A seguir, suge- rimos algumas perguntas que podem iniciar o debate: • O que é bullying? • O bullying é um fenômeno que ocorre de forma mais recorrente em que faixa etária? • Como se sente ao ler o texto Ética e bullying (página 7)? • Como são realizadas as agressões? • Quais atitudes as vítimas de bullying devem ter em relação ao constrangimento? • Você já foi ou conhece alguém que foi vítima de bullying? • Em que outro meio, o bullying tem se manifestado? Como isso se dá? Diálogo com o professor Anotações Como prevenir o problema na escola Para evitar o bullying, as escolas de- vem investir em prevenção e estimular a discussão aberta com todos os atores da cena escolar, incluindopais e alunos. Para os professores, que têm um papel importante na prevenção, propomos alguns conselhos dos especialistas Cléo Fante e José Augusto Pedra, autores do livro Bullying Escolar. • Observe com atenção o comporta- mento dos alunos, dentro e fora de sala de aula, e perceba se há quedas bruscas individuais no rendimento es- colar. • Incentive a solidariedade, a genero- sidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, trabalhos didáticos e até de campanhas de incentivo à paz e à tolerância. • Desenvolva, desde já, dentro de sala de aula, um ambiente favorável à co- municação entre alunos. • Quando um estudante reclamar ou denunciar o bullying, procure imedia- tamente a direção da escola. • Muitas vezes, a instituição trata de for- ma inadequada os casos relatados. A responsabilidade é, sim, da escola, mas a solução deve ser em conjunto com os pais dos alunos envolvidos. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/ formacao/bullying-preciso-levar-serio-431385. shtml?page=3. Acessado em: 23/04/2014. Fundamentação 8 Cidadania Moral e Ética 1. “Nem toda agressão é bullying, mas todo bullying é uma forma de agressão.” Pense nisso e desenvolva o que se pede abaixo: Resposta pessoal Como uma agressão pode se transformar em bullying? 2. Com base no que discutimos, responda. a. O que significa bullying? Essa palavra designa qualquer situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. b. O que envolvem as ações de bullying? As ações de bullying envolvem ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maus- -tratos. 3. Escreva, na cruzadinha, as palavras correspondentes às características das ações de bullying. Em seguida, escolha uma das palavras e elabore um comentário crítico sobre ela, apresentan- do de modo organizado sua opinião em relação à temática estudada. Resposta pessoal Questão de ética? I P N Ú T B E L C O N C O R D Â N C I A Ç C Ã O R E P E T I Ç Ã O Cidadania Moral e Ética I 6o ano8 BOOK_CMeE_6A_2017 8 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 8 05/01/17 17:46 9Manual do Educador – 6o ano 4. Explique, com suas palavras, a seguinte afirmação: Resposta pessoal 5. Explique cada uma das características das ações de bullying abaixo. a. Repetição: O agressor faz constantes agressões à sua vítima. b. Intenção: O agressor tem a nítida intenção de maltratar, agredir, humilhar, oprimir, intimi- dar ou ameaçar sua vítima. c. Público: O agressor pratica o bullying diante de uma plateia, ou seja, alguém presencia a situação. d. Concordância: A vítima, por alguma característica que apresente, em certa medida, não revida a agressão por achar que essa característica a impede de revidar. 6. Como a vítima de bullying deve reagir em situação de perigo? A quem deve pedir ajuda? Ela deve procurar, de imediato, seus responsáveis e, se for estudante, o gestor da instituição de ensino. 7. Escreva, no espaço abaixo, algumas das características que as vítimas de bullying podem apresentar. a. Redução do rendimento escolar. b. Diminuição do convívio familiar. c. Timidez em excesso. d. Problemas de saúde. e. Agressividade. Um dos princípios éticos é a valorização do ser humano diante da sociedade. Sendo assim, o bullying é uma ação antiética. Cidadania Moral e Ética I 6o ano 9 BOOK_CMeE_6A_2017 9 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 9 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética 10 Cidadania Moral e Ética 8. As palavras a seguir correspondem aos tipos de bullying. Pesquise em dicionários e na Inter- net suas definições e, em seguida, com as palavras-chaves e seus respectivos significados, elabore comentários críticos sobre elas. Apresente de modo organizado seus argumentos em relação ao tema. Se necessário, solicite a ajuda do seu professor. Alguns tipos de bullying Físico (bater, chutar, beliscar, ferir, empurrar) Material (roubar, destruir pertences) Psicológico (ameaçar, ignorar, excluir, humilhar) Verbal (apelidar, insultar, ter preconceito) Resposta pessoal 9. Leia o texto a seguir e responda ao que se pede. Você sabe o que é cyberbullying? As tecnologias digitais e a profusão das redes interativas têm causado impactos nas práti- cas, nas atitudes, nos modos de pensamento e nos valores dos indivíduos na sociedade con- temporânea. Essas tecnologias trouxeram mudanças na vida e na rotina das pessoas e geraram a cibercultura: interações entre a sociedade e a Internet. Características do cyberbullying O cyberbullying tem algumas características bastante peculiares que são diferentes das do bullying tradicional: Anonimato: O agressor é muitas vezes anônimo. A vítima fica se perguntando quem é o cyberbully, o que pode causar um grande estresse. Acessibilidade: Há geralmente um período padrão de tempo durante o qual os agressores têm acesso a suas vítimas. Os cyberbullies podem causar sofrimento a qualquer hora do dia ou da noite. Medos de punição: Muitas vezes as vítimas do cyberbullying não denunciam por medo de represálias de seus agressores e medo de que seus privilégios relativos ao computador ou telefone lhes sejam tirados. Espectadores: O fenômeno de ser um espectador no mundo cibernético é diferente na medida em que se pode receber e transmitir e-mails, páginas da web, imagens, etc. Desinibição: O anonimato proporcionado pela Internet pode levar os jovens a terem com- portamentos que não podem realizar face a face. Ironicamente, é o seu próprio anonimato que permite a alguns indivíduos intimidar outros. Cidadania Moral e Ética I 6o ano10 CMeE_6A_2016_CAP1.indd 10 26/12/16 17:06 ME_CMeE_6A_2017.indb 10 05/01/17 17:46 Sugestão de Abordagem Dinâmica de grupo • Objetivo: levar o grupo a perceber a importância do respeito às diferenças individuais. • Participantes: até 15 pessoas. • Material: papel, canetas coloridas, vendas, mesas, cadeiras, tiras de pano, tapa-ouvidos. ridas para cada um deles. Explique que cada componente só poderá fazer um traço de cada vez e que, quando ter- minar, deve passar a folha para que o próximo colega possa fazer o mesmo. Peça que iniciem a atividade e informe que terão dois minutos para finalizá-la. Após a conclusão, verifique se todos completaram o desenho. Em seguida, esclareça que essa etapa foi apenas um ensaio e que eles terão de realizá-la no- vamente, mas, desta segunda vez, com as condições descritas a seguir: • Participante 1 Só poderá usar o braço direito. • Participante 2 Só poderá usar o braço esquerdo. • Participante 3 Terá os olhos vendados. • Participante 4 Não poderá falar. • Participante 5 Não poderá usar os braços. Em seguida, peça para que decidam quem irá assumir qual característica, entregando as vendas para os que se- rão cegos, tiras de pano para amarrar os braços dos participantes que não poderão utilizá-los, etc. Determine um tempo para que finalizem o exercício. Discussão Terminada a atividade, pergunte aos alunos como eles se sentiram durante ela: se conseguiram desenhar o barco, quais foram as dificuldades, etc. Construa, com os alunos, um deba- te sobre as limitações que dificultaram a realização do exercício; a partir daí, peça que reflitam sobre as diferenças e a importância do respeito mútuo. Pergunte se essa experiência pode ser transportada para o nosso dia a dia. Fre- quentemente, encontramos pessoas com dificuldades; como, geralmente, lidamos com elas? Reflita com o grupo sobre como tentamos rotular e afastar as pes- soas que são diferentes, além de dese- jarmos enquadrá-las aos nossos padrões. Disponível em: http://www.dinamicaspassoapasso.com. br/2012/11/dinamica-para-trabalhar-buillying.html. Adaptado. Acessado em: 23/05/2014. • Descrição: O facilitador explica ao grupo que a tarefa será a de desenhar um barco e que cada participante será responsável pelaexecução de uma parte desse barco. Desenvolvimento Divida os participantes em grupos e en- tregue uma folha de papel e canetas colo- 11Manual do Educador – 6o ano Numa sala de aula onde ocorre o bullying, geralmente um é o valentão, com mais dois ou três colegas, e os outros são testemunhas. No caso do cyberbullying, quando um ou alguns postam a mensagem ou as imagens, rapi- damente os que estão na rede vão transmitindo aos outros, e as testemunhas também se trans- formam em agressores. Nas condenações por bullying, geralmente há um ou dois alunos, mas nos processos de cyberbullying há vários alunos envolvidos. Disponível em: http://bullyingcyberbullying.com.br/bullying/o-que-e-cyberbullying/ Adaptado. Acesso em 18/07/2016. a. Quais são as características mais comuns dos cyberbullies? Os cyberbullies geralmente são anônimos, têm fácil acesso à Internet, não têm medo de serem punidos, adoram espectadores e são desinibidos. b. Qual é a diferença entre o bullying e o cyberbullying? No bullying, geralmente um é o valentão, com mais dois ou três colegas, e os outros são testemunhas; no cyberbullying, as ofensas são transmitidas pela Internet. c. Forme um grupo de três ou quatro colegas e monte estratégias de como é possível moni- torar o cyberbullying. Se necessário, peça ajuda ao seu professor. Resposta pessoal d. Você já foi ou conhece alguém que foi vítima de cyberbullying? Faça um breve relato dessa situação. Resposta pessoal 10. Pensando em tudo o que discutimos até agora e considerando a sua experiência de vida, discuta com seus colegas e seu professor sobre as questões a seguir. a. Como podemos criar um ambiente escolar estável? Resposta pessoal b. Como o sarcasmo é uma forma de defesa dos adolescentes? Resposta pessoal Cidadania Moral e Ética I 6o ano 11 CMeE_6A_2016_CAP1.indd 11 26/12/16 17:06 ME_CMeE_6A_2017.indb 11 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética A Internet é um instrumento muito importante para o desenvolvimento da humanidade, e tal qual o avião, pode ser utilizada tanto para o bem como para o mal. As agressões por meio eletrônico são uma evolução das antigas pichações em muros de colégios, casas ou até nos banheiros das escolas. Eram feitas na calada da noite e causavam grande dor nas ví- timas, além da impunidade para os seus praticantes. Sugira essas refle- xões do dia a dia para auxiliar nas suas aulas. Se estiver tempo hábil, sugira esta frase para fomentar reflexões so- bre cyberbullying: “No mundo real, a agressão tem começo, meio e fim. Na Internet, ela não acaba, fica aquele fantasma”. Diálogo com o professor Sugestão de leitura //// Cyberbullying e outros riscos da Internet — despertando a atenção Autora: Ana Maria de Albuquerque Lima Esta obra procura mostrar os con- siderados principais riscos que os jovens enfrentam no uso das tecno- logias digitais, dando pistas de como enfrentar esses problemas na família e na escola. Aborda também as ca- racterísticas que identificam as prá- ticas de cyberbullying e sua relação com o bullying tradicional, bem como o uso patológico de jogos e outros aplicativos da rede, identificando os conteúdos mais problemáticos e a questão do estresse provocado pela sobrecarga de informações que circu- lam na rede. Anotações 12 Cidadania Moral e Ética c. Quais são as outras formas de defesa? Resposta pessoal d. Quais são as formas de violência entre estudantes? Resposta pessoal 11. Leia o depoimento abaixo e, depois, responda a cada uma das perguntas apresentadas. Luciano estudava em uma escola pública no município do Rio de Janeiro. Presenciava cons- tantemente as brigas na escola, que, geralmente, eram provocadas por um grupinho de alunos grandalhões, cheios de “marra” e que se achavam os donos da área. Um de seus melhores amigos, Gustavo, era humilhado praticamente todos os dias na frente de outros colegas só porque usava óculos e era meio tímido. Chamavam-no de quatro-olhos, caladão, esquisitão. Cada vez que Gustavo abria a boca, lá vinham as zombarias: “Aí, galera, o caladão resolveu fa- lar, será que ele também enxerga?”. Nas vezes em que Gustavo tentava escapar, era agarrado pelas roupas, e seu material escolar, atirado ao chão. Luciano presenciava tudo e era amea- çado com gestos e olhares intimidadores caso contasse alguma coisa. Sentia-se péssimo por não ter condições de defender seu melhor amigo e tampouco contar para os professores ou mesmo para os pais. Depois de quase um ano nessa agonia, Gustavo e Luciano saíram do colégio. O primeiro ainda tem esperanças de encontrar outra escola onde possa ser mais respeitado. Já Luciano, sentindo-se responsável pelos constrangimentos sofridos pelo amigo, adoeceu e hoje sofre de fobia escolar. Só de pensar em voltar a estudar começa a passar mal, apresentando sintomas semelhantes aos de um ataque de pânico. SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. a. Apenas as vítimas diretas das ofensas sofrem com o bullying? Sugestão de resposta: Não. Conforme o texto, quem presencia a agressão também é afetado negativamente, por constrangimento ou incapacidade de reação. b. Pelo depoimento, quais as consequências sofridas pelo espectador? No caso de Luciano, do texto, presenciar o bullying de forma inerte fez com que essa situação frequente desencadeasse remorso e, tempos depois, fobia escolar. Cidadania Moral e Ética I 6o ano12 BOOK_CMeE_6A_2017 12 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 12 05/01/17 17:46 Dinâmica: Discriminação, não! Objetivo: • Exemplificar que atos de discrimina- ção devem ser combatidos e denun- ciados. Material: • ¼ da folha de papel ofício e caneta para cada aluno. Sugestão de atividade Procedimento: • Organize os alunos em círculo. • Distribua ¼ da folha de papel ofício. • Solicite que cada aluno escreva o que deseja que seu colega do lado esquer- do realize naquele momento da aula. Normalmente, as ações são engraçadas e até “micos”. • Oriente que o colega não pode ver o que o aluno está escrevendo. • Recolha todos os papéis. • Agora, fale: A regra da brincadeira está mudada, o “feitiço virou contra o feiticeiro”. Quem vai realizar a tarefa é a pessoa que escreveu e não o colega para quem você desejou. • Então, os alunos deverão realizar as tarefas. • Certamente, haverá um pouco de re- jeição ou vergonha, mas encorajem os alunos. • Depois, fale: Esta é a finalidade da brincadeira: não desejar aos outros ou fazer algo com os outros que você não gostaria para você. • Então, comece a trabalhar os te- mas da indiferença, discriminação, bullying, falta de respeito. • Fale: Comece por você, não discrimi- nando ninguém. Faça a diferença! Disponível em: http://euvoupraebd.blogspot. com/2015/06/dinamica-da-licao-12-bullying-juvenis. html#ixzz45vWphCmM. Acesso em 28/07/2016. Adaptado. Fundamentação O bullying se caracteriza por ações repetitivas de agressão física e/ou verbal com a clara intenção de preju- dicar a vítima. O cyberbullying é ainda mais terrível, porque a perseguição é implacável, podendo chegar a 24 ho- ras por dia nos sete dias da semana: a vítima é atacada por mensagens de celular, filmada ou fotografada secre- tamente em situações constrangedo- ras que podem ser colocadas na rede; o agressor pode criar um perfil falso da vítima em sites de relacionamento para difamá-la ou adulterar fotos em que, por exemplo, ela aparece como garota de programa, com seu celular divulgado nas listas de contato do agressor e de seus amigos. SILVA, Ana Beatriz B. Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas. Rio de Janeiro, Objetiva, 2010. 13Manual do Educador – 6o ano c. Como você agiria se estivesse no lugar de Luciano? Resposta pessoal d. Você acha que essas consequências influenciarão toda a vida de Gustavo e Luciano? Por quê? Resposta pessoal e. Mesmoque você não fosse amigo de uma vítima de bullying, mas presenciasse uma si- tuação dessa, o que deveria fazer? Resposta pessoal 12. Que ações do cotidiano podem ser identificadas como bullying? Sugestão de resposta: Criação de apelidos pejorativos para humilhar os colegas; intimidação; ridicularização do modo de vestir, falar ou se comportar; entre outras atitudes. 13. Conforme o texto, Luciano estudava em uma escola pública no subúrbio do Rio de Janeiro. Além da escola pública, há outros lugares onde é possível se praticar o bullying? Resposta pessoal Cidadania Moral e Ética I 6o ano 13 BOOK_CMeE_6A_2017 13 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 13 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética Dinâmica dos rótulos Objetivos • Favorecer reflexão sobre a influência dos preconceitos e dos sentimentos nas relações interpessoais. Recursos necessários • Rótulos em papel ofício. • Fita adesiva. Procedimentos • Em folhas de ofício, escrever os se- guintes rótulos: Sugestão de Abordagem • As palavras acima devem ser de um tamanho visível para todos na sala. Além destes rótulos, podem ser uti- lizados outros de acordo com a in- tenção do facilitador e a realidade do grupo. • Escolher uma pessoa por rótulo, colo- cando-a de frente para o grupo. • Mostrar para o grupo o rótulo, sem que o escolhido veja. Quando o es- colhido for responder a alguma pergunta (Por exemplo: O que você pensa sobre o preconceito?), o grupo deverá reagir de acordo com o rótulo e com a atitude sugerida no papel. • O grupo não poderá ler em voz alta o que está no papel, mas representar o que ele pede com expressão cor- poral. O escolhido não poderá ver o papel, mas identificar o rótulo que lhe coube observando a atitude do gru- po, enquanto tenta responder a uma indagação. Disponível em: http://atelierdeducadores.blogspot.com. br/p/dinamicas-de-grupo-e-jogos.html. acesso em 28/07/2016. Anotações 14 Cidadania Moral e Ética O que é lazer? Lazer é o conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode se entregar de livre vontade, seja para repousar, seja para se divertir, recrear e se entreter ou ainda para desenvolver sua formação desinteressadamente, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora. O lazer pode ser realizado individual ou coletivamen- te. Certamente, os momentos vividos devem ser apro- veitados ao máximo com responsabilidade e respeito ao próximo. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, as crianças têm o direito de brincar e se de- dicar às atividades recreativas. No entanto, apesar de terem esse direito assegurado pelo documento citado, são poucas as crianças que conseguem usufruir de mo- mentos de lazer e diversão. Devido aos altos índices de violência registrados no País, as brincadeiras de rua estão se tornando cada vez mais escassas. Para proteger os filhos, os pais optam É de conhecimento notório que o bullying é a falta de tolerância e respeito pelo próxi- mo. Esse tolhimento das escolhas e opções realizadas pelos sujeitos ocorre numa socie- dade que deve ser plural, com opções que devem ser respeitadas. O filme Billy Elliot pode contribuir para aprofundar questionamentos que possam desvendar certos preconceitos. O filme narra a história de um garoto de 11 anos, Billy Elliot, de família humilde, obrigado pelo pai a treinar boxe. No entanto, Billy fica fascinado com a magia do balé, com o qual tem contato por meio das aulas de dança clássica que são realizadas na mesma academia onde pratica boxe. O grande dilema de Billy, então, será enfrentar o preconceito da sua família e da sociedade para realizar o seu sonho: ser bailarino. Após assistir ao filme, reflita sobre as questões abaixo: • Por que, na nossa sociedade, os meninos têm que gostar de boxe, e não de balé? • Por que, na educação dos meninos, é comum muitos adultos incentivarem a agres- sividade em vez da sensibilidade, como se faz com as meninas? Depois de tudo o que você estudou sobre o bullying, anote a seguir alguns tó- picos e discuta com seus colegas e seu professor para criar uma campanha com o tema: Respeito às diferenças, bullying não! Para refletir Yongkiet Jitwattanatam/Shutterstock.com Cidadania Moral e Ética I 6o ano14 BOOK_CMeE_6A_2017 14 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 14 05/01/17 17:46 Happy Feet Diretor: George Miller O dom de cantar é o que se es- pera de todo pinguim que acaba de chegar ao mundo. Mano, no entan- to, é diferente. Nascido com os pés agitados, seu talento é dançar e sair sapateando por todo lugar. A excen- tricidade do filhote não abala a mãe, mas o pai do pequeno animal está definitivamente decepcionado com o filho. O tempo passa e ele cresce sem se encaixar em nenhum grupo de amigos e nem conquistar sua ama- da, Gloria, afinal não tem uma voz afinada. Isolado dos outros animais da sua idade, Mano encontra alento quando conhece um grupo de quatro pinguins latinos que têm outro estilo de vida. Amoroso e sua animadíssima turma propõem ao novo amigo uma incrível aventura: capturar os aliens que estão roubando os peixes do lo- cal em que vivem. A partir daí, muitas situações emocionantes desafiam es- tes audaciosos jovens. Sugestão de Filme Anotações 15Manual do Educador – 6o ano 2. Após encontrar as palavras do quadro, discuta com seus colegas: a. Qual é a importância do lazer na vida da criança e quais são as implicações dele para uma vida saudável? b. A ausência do lazer pode ser utilizada para justificar o trabalho infantil? Explique. Questão de ética? pela segurança das brincadeiras que podem ser reali- zadas dentro de suas residências. E, dentro de casa, as opções de divertimento são praticamente restritas à TV, à Internet e aos jogos eletrônicos. É importante lembrar que, para ter um bom desen- volvimento, as crianças precisam compartilhar vivências com outras crianças e com os próprios pais. É neces- sário reservar um espaço de lazer para que elas extra- vasem suas emoções e relaxem. A falta desse momento pode gerar consequências indesejadas, como proble- mas comportamentais e dificuldade de expressão. As- sim, concluímos que o lazer é fundamental para um cres- cimento saudável. 1. Encontre, no quadro abaixo, as palavras lazer, repouso, diversão, recreio e entretenimento. L N H G B T S V D B F G J K A V B G S H D U J R E V J N Z K F L O S B D G F V K B Y E R A J K N H D B F G E B R R E P O U S O B C N H D C E L C B G J C N V H D T Y Ç C O D P A N S H D B F J U C R P E C D I V E R S Ã O H W E P W A N C H D B C J K R X I L O N H C B X V F D T W P O E N T R E T E N I M E N T O Dreams Come True/Shutterstock.com Cidadania Moral e Ética I 6o ano 15 BOOK_CMeE_6A_2017 15 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 15 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética Lazer Nas reivindicações das associações de moradores, nos luminosos das lo- jas, nos anúncios de imobiliárias, nas propostas dos candidatos a cargos públicos, nos títulos de revistas, nas seções dos jornais e em muitas outras situações da vida cotidiana, a palavra lazer vem aparecendo com uma fre- quência cada vez maior, que não se verificava até bem pouco tempo atrás, pelo menos não com tanto destaque. Isso faz com que seja quase inevitável, quando se aborda de maneira especí- fica a temática do lazer, começar des- tacando os vários entendimentos que a palavra comporta na nossa socieda- de. Além disso, não se pode deixar de considerar que se trata de um termo carregado de preconceitos motivados por um pretenso caráter supérfluo dessas atividades, contrapondo-se à nossa situação socioeconômica, e pela sua utilização como instrumento ideo- lógico, contribuindo para o mascara- mento das condições de dominação nas relações de classes. Com relação à utilização da palavra lazer, o que se verifica, com maior fre- quência, é a simplesassociação com ex- periências individuais vivenciadas dentro de um contexto mais abrangente que caracteriza a sociedade de consumo, o que, muitas vezes, implica a redução do conceito a visões parciais, restritas aos conteúdos de determinadas atividades. Dessa forma, para algumas pessoas, la- zer é futebol, para outras é pescaria ou jardinagem, etc. O uso indiscriminado e impreciso da palavra, englobando con- ceitos diferentes e até mesmo conflitan- tes, fundamenta a necessidade de tentar precisá-lo com a finalidade de orientar discussões que contribuam para o seu entendimento e significado na vida co- tidiana de todos nós. Apenas pelo exemplo citado, perce- be-se que o entendimento do lazer não pode ser estabelecido somente a partir do conteúdo da ação, ou pelo menos Fundamentação que ele não constitui condição suficien- te para a conceituação. Se para algumas pessoas o futebol, a pescaria, a jardina- gem constituem atividades de lazer, cer- tamente isso não se verifica, em todas as oportunidades, para o jogador profissio- nal, o pescador que depende da sua pro- dução ou para o jardineiro. Além disso, aquilo que pode ser altamente atraente e prazeroso para determinada pessoa não raro significa tédio ou desconforto para outro indivíduo. Assim, as circuns- tâncias que cercam o desenvolvimento dos vários conteúdos são básicas para a concretização das atividades. Disponível em: http://www.cedes.ufsc.br:8080/xmlui/ bitstream/handle/123456789/370/CADERNO%20 INTERATIVO%204.pdf?sequence=1. Adaptado. Disponível em: 27/05/2014. 16 Cidadania Moral e Ética 3. Baseado no que você leu e no seu conhecimento de mundo, o que você entende por lazer? Resposta pessoal 4. Forme grupos em sala de aula para discutirem o que cada membro do grupo gosta de fazer: a. Sozinho: Resposta pessoal b. Acompanhado dos seus amigos: Resposta pessoal 5. Ainda em grupo, faça uma pesquisa em jornais, revistas e na Internet, apresentando, a partir de imagens e manchetes, a relação entre lazer e status (condição social). Peça ajuda ao professor para montar um mural para todos da escola apreciarem a construção estética de cada grupo. Resposta pessoal 6. Pense nos seus brinquedos e responda: por que você os considera ideais ou bons para o seu lazer? Resposta pessoal 7. Reflita e responda: a. Quais os possíveis benefícios da atividade de lazer para o bem-estar? Sugestão de resposta: O lazer proporciona descanso e descontração, tornando a vida mais saudável e prazerosa. Cidadania Moral e Ética I 6o ano16 BOOK_CMeE_6A_2017 16 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 16 05/01/17 17:46 Fundamentação Significados de lazer Grande parte da população ainda as- socia o lazer às atividades recreativas ou aos eventos de massa, talvez pelo fato de que a palavra tenha sido larga- mente utilizada nas promoções de insti- tuições com atuação dirigida ao grande público. Essa tendência é reforçada pe- los meios de comunicação que divulgam as atividades de lazer sob verbetes consa- grados, como teatro, cinema, exposições, esportes, turismo, etc. Tudo isso contribui para que se acabe tendo uma visão par- cial e limitada das atividades de lazer, res- tringindo o seu âmbito e dificultando o seu entendimento. Os conteúdos do lazer podem ser os mais variados, e, para que uma ativida- de possa ser entendida como lazer, é necessário se atender a alguns valores ligados aos aspectos tempo/espaço e atividade. Não há dúvidas de que o descanso e o divertimento são possibilidades aber- tas nas atividades de lazer. No entanto, além do descanso e do divertimento, outra possibilidade ocorre no lazer e, normalmente, não é tão perceptível. Trata-se do desenvolvimento pessoal e social que o lazer enseja. Deve-se levar em conta, ainda, que o conteúdo das atividades de lazer pode ser altamente educativo e, dessa forma, pode propor- cionar possibilidades pedagógicas mui- to grandes, uma vez que o componente lúdico do jogo, do brinquedo, do faz de conta, que pode permear o lazer, é uma espécie de denúncia da realidade, dei- xando clara a contradição entre obriga- ção e prazer. A possibilidade de escolha das ati- vidades e o caráter desinteressado de sua prática são características básicas do lazer. No entanto, o que se observa, muitas vezes, são práticas compulsivas, ditadas por modismos ou denotadoras de produtividade. Não é possível se entender o lazer isoladamente, sem relação com as ou- tras esferas da vida social. Não enten- der esse processo pode levar a equívo- cos que são muito comuns. Um deles manifesta-se na valorização unilateral das atividades de lazer, que não leva em conta uma série de riscos, como as pos- sibilidades de sua utilização como fuga, fonte de alienação e simples consumo. Creio que considerar apenas uma es- fera da atividade humana é entender o homem de maneira parcial. E muitos autores, fascinados pelas possibilidades abertas pelo progresso tecnológico, liberando tempo das obrigações pro- fissionais, passaram, em uma atitude radicalmente oposta à mitificação do trabalho, a propor o elogio do lazer, ou do ócio criativo, como finalidade de existência e ideal de felicidade. Dessa forma, todos os problemas pessoais e sociais estariam resolvidos, em um pas- 17Manual do Educador – 6o ano b. O que ocorre se o lazer se torna sempre a finalidade de nossas ações? Sugestão de resposta: Outros aspectos importantes da vida, como os estudos e o trabalho, serão comprometidos. 8. Faça uma pesquisa com seus familiares e descubra as atividades que eles mais gostam de realizar nos momentos de lazer e com que frequência as realizam. Em seguida, preencha o quadro abaixo: 9. Quando você está entediado das mesmas brincadeiras, quando elas não têm mais graça, o que você faz? Vamos inventar um pouco?! Forme grupos na sala de aula, sob orientação do seu professor, e elabore brincadeiras preenchendo a tabela abaixo. Depois, socialize com os demais alunos suas brincadeiras novas e brinque. Nome Atividade Frequência Resposta pessoal Tabela de brincadeiras Nome Objetivo Participantes Tempo Material Regras Cidadania Moral e Ética I 6o ano 17 BOOK_CMeE_6A_2017 17 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 17 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética se de mágica, ou, pelo menos, com- pensados pelas possibilidades ofere- cidas pelo lazer. O sentido da vida não pode ser buscado, como muitas vezes somos forçados a crer, apenas em um fim de semana ou em uma viagem, embora essas ocasiões possam ser conside- radas como possibilidades de felici- dade e formas de resistência para o dia a dia. A admissão da importância do lazer na vida moderna significa considerá-lo um tempo/espaço privi- legiado para a vivência de valores que contribuam para mudanças de ordem moral e cultural. Mudanças necessá- rias para a implantação de uma nova ordem social. Os movimentos eco- lógicos, de jovens, de mulheres, etc. têm alicerçado muitos dos seus valo- res na vivência e na reivindicação pela vivência do tempo/espaço de lazer. O lazer não pode ser considerado como simples assimilador de ten- sões ou alguma coisa boa que ajude a conviver com as injustiças sociais. Por isso, é importante registrar a opi- nião de alguns autores, entre os que se dedicam aos estudos do lazer, que observam a ocorrência, na nossa so- ciedade, não do lazer, mas do antila- zer, ou o lazer-mercadoria, sua pró- pria negação. Disponível em: http://www.cedes.ufsc.br:8080/xmlui/ bitstream/handle/123456789/370/CADERNO%20 INTERATIVO%204.pdf?sequence=1. Adaptado. Disponível em: 27/05/2014. Sempre que puder ressalte que é da natureza das palavras ter diversos sentidos conforme o uso — o chama- do caráter polissêmico das palavras. É importante que os alunos nãofiquem com a impressão de que determinada palavra tem apenas um sentido. Propo- nha pesquisas sobre os significados de lazer e recreação. Diálogo com o professor Anotações 18 Cidadania Moral e Ética 10. Observe as cenas: Leia o texto a seguir e, depois, faça uma reflexão com sua turma e seu professor baseando-se nas perguntas apresentadas. Programa de Esporte e Lazer muda a vida de jovens presidiários no Rio de Janeiro Uma parceria firmada entre o Ministério do Esporte e o Centro de Integração Social e Cultu- ral (Cisc), por meio do Programa Esporte e Lazer da Cidade (Pelc), está desenvolvendo ativida- des de esporte e lazer para jovens de 13 a 18 anos que cumprem medidas socioeducativas ou penas em regime de semiliberdade e privativas de liberdade a fim de ressocializá-los e os inserir no mercado de trabalho. As atividades se desenvolvem nas unidades penitenciárias no com- plexo Gericinó e Niterói e abrange as cidades do Rio de Janeiro, de Niterói e de São Gonçalo. Com sede no bairro de Tribobó, o Cisc vivencia a realidade de uma das comunidades de baixo poder aquisitivo de São Gonçalo, cidade com aproximadamente um milhão de habitantes — se- gunda maior população do Estado. As ações já foram iniciadas com jovens internos de Unidades do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), com o Centro de Recursos Integra- dos de Atendimento ao Adolescente (Criaad – Ricardo de Albuquerque) e também com o Centro Integrado de Tratamento ao Uso e Abuso de Drogas (Cituad). Você notou algumas diferenças entre os momentos de lazer das crianças? Isso mesmo, elas estão realizando atividades diversas, o que é muito importante em todas as culturas. O essencial é permitir momentos de descontração, relaxamento, saúde e entretenimento com responsabili- dade e respeito ao próximo. Com seus amigos, estabeleça algumas regras de comportamento e alguns cuidados que as pessoas devem ter em seus momentos de lazer. Em seguida, liste-os em seu caderno de exercícios. Resposta pessoal D a es qu er da p ar a di re ita : R ob er t K ne sc hk e, im ag ed b, T om W an g/ S hu tte rs to ck .c om Cidadania Moral e Ética I 6o ano18 CMeE_6A_2016_CAP1.indd 18 26/12/16 17:06 ME_CMeE_6A_2017.indb 18 05/01/17 17:46 19Manual do Educador – 6o ano Espaço que abriga adolescentes usuários de drogas por um período de quatro meses, o Ci- tuad ajuda a recuperar esses jovens e funciona como um subnúcleo do Pelc. Já o Criaad é um espaço onde os jovens cumprem medidas socioeducativas, estudam pela manhã ou tarde e no outro turno desenvolvem as atividades do Pelc. Eles dormem na unidade, podem sair e aos fins de semana retornam às suas casas. Segundo a equipe do Cisc, o cenário de violência aliado à ausência das condições básicas necessárias para uma melhor qualidade de vida é uma constante nos presídios do Rio de Janei- ro. “O Pelc contribui para minimizar os drásticos efeitos de abandono dessa população, uma vez que a promoção do esporte e do lazer influencia o desenvolvimento saudável do ser humano”, afirma a coordenadora do Pelc no Ministério do Esporte, Ana Elenara Pintos. Para o professor José Nildo Alves Caú, formador do Pelc, a proposta é que o programa aten- da quatrocentas pessoas, com aulas de esportes de quadra e salão, música e atividades cultu- rais. “Essa experiência é fundamental para compreender uma realidade — como formador, que possibilitou estabelecer um novo formato para estruturação do Pelc semiliberdade e privados de liberdade, e como adequação às condições do sistema penitenciário — e, ao mesmo tempo, refletir as lições passadas pelas pessoas”, afirmou o professor. A comprovação dos resultados desses programas está no depoimento de um jovem de 17 anos (o nome não pode ser divulgado), que, de acordo com ele, trazia apenas problemas para a mãe, que, bastante perturbada, ateou fogo no próprio corpo, pois não aguentava vê-lo envol- vido com as drogas. “Hoje, consegui perceber que, aqui no Cituad, com a prática do esporte e lazer e a atenção dos agentes, agora posso entender o que é ressocialização, pois no espaço semiaberto não percebi nenhuma mudança, mas agora comecei a dar orgulho à minha mãe, e ela está me respeitando. O projeto está me ajudando a voltar para casa”, disse o jovem. Disponível em: http://www.esporte.gov.br/index.php/institucional/esporte-educacao-lazer-e-inclusao-social/esporte-e-lazer-da-cidade/ noticias/145-noticias-programa-esporte-e-lazer-da-cidade/36055-programa-de-esporte-e-lazer-muda-a-vida-de-jovens-presidiarios-no-rio-de- janeiro. Acesso em 20/07/2016. 1. Como é possível promover o esporte e o lazer e mudar a vida de jovens em con- flito com a lei? 2. Que ações podem ser desenvolvidas visando um lazer sadio? 3. Você acha que o momento de lazer é importante não somente para os jovens do texto, mas, sim, para todas as pessoas? Por quê? 4. O esporte é praticado principalmente por jovens e é uma forma de lazer reali- zada em inúmeros lugares públicos. Qual é a relação da prática do esporte com o texto acima? Questões para reflexão? Cidadania Moral e Ética I 6o ano 19 BOOK_CMeE_6A_2017 19 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 19 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética 20 Cidadania Moral e Ética 1. Observe as imagens abaixo. Escreva sobre a importância dessas ações para o processo de desenvolvimento do ser humano e de sua formação cultural, ou seja, a construção do seu gosto, seu estilo, etc. Questão de ética? Qual é o meu lazer? O lazer é necessário para todas as pessoas, pois está relacionado à saúde. Para mantermos a saúde física e mental, precisamos levar em consideração seis aspectos: • Manter a higiene pessoal. • Descansar. • Ter uma dieta equilibrada. • Evitar substâncias nocivas. • Praticar esporte. • Levar uma vida tranquila. O lazer está diretamente relacionado ao descanso, ao esporte e à vida tranquila. Portanto, o lazer é fundamental para manter-se saudável, como diz o provérbio: “Mente sã, corpo são”. Dessa forma, cada pessoa precisa escolher o que fazer em seu tempo livre para manter a saúde física e mental. Existem muitas atividades consideradas lazer: ler; brin- car; praticar esporte; ir ao cinema, teatro, museu; cozinhar; plantar; dançar; pintar; viajar ou não fazer nada; ficar em casa com a família ou em uma praia admirando o Sol e to- mando banho de mar. O que você faz em seu tempo livre? M on ke y B us in es s Im ag es /S hu tte rs to ck .c om D a es qu er da p ar a di re ita : r S na ps ho tP ho to s, w av eb re ak m ed ia , F ot ok os tic /S hu tte rs to ck .c om Cidadania Moral e Ética I 6o ano20 BOOK_CMeE_6A_2017 20 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 20 05/01/17 17:46 Sugestão de leitura //// Veja como se faz - 500 coisas que você deve saber - instruções para a vida, do cotidiano ao exótico Autores: Lauren Smith e Derek Fagerstrom Ilustrações simples e divertidas que ensinam como fazer 492 coisas que todo mundo precisa saber e 8 que as pessoas sensatas jamais deveriam tentar! Veja como se Faz é um revolu- cionário manual de referências, uma parte, um guia do como se faz, outra parte gráfica e outra de muita inspi- ração. O livro contém perto de 500 ilustrações, altamente informativas, que ensinarão passo a passo os lei- tores a fazerem centenas de tarefas úteis (e fascinantes e importantes e, por vezes, bizarras), incluindo: dan- çar tango, fazer a mala, vencer uma competição de bar, tocar blues, fazer sushi, lutar com um tubarão... E mais outras tarefas essenciais para a vida moderna. Veja como se faz é uma fonte de informação indispensável para a vida real! Anotações 21Manual do Educador – 6o ano 2. Pesquise tipos de lazer vivenciados atualmente que podem ser prejudiciais à saúde. Resposta pessoal 3. Faça uma pesquisa sobre a prática de exercícios e qual é a sua relação com a qualidade de vida. Resposta pessoal4. Toda forma de exercício é um tipo de lazer? Resposta pessoal 5. Num painel, construa uma história em quadrinhos contando alguma situação vivida por você num momento de lazer. Resposta pessoal 6. Observe as fotos e as diferentes situações das crianças retratadas. Em seguida, escreva uma opinião crítica a respeito dessa diferença. Resposta pessoal D a es qu er da p ar a di re ita : C la ud in e Va n M as se nh ov e e M on ke y B us in es s Im ag es /S hu tte rs to ck .c om Cidadania Moral e Ética I 6o ano 21 BOOK_CMeE_6A_2017 21 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 21 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética 22 Cidadania Moral e Ética Para refletir Breve histórico do lazer — origem O lazer surgiu durante a segunda metade do século XX e no início do século XXI. Pode-se dizer que é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, divertir-se, recrear e entre- ter-se. A palavra lazer deriva do latim licere, ou seja, ser lícito, ser permitido. Nesse sentido, se ele é exercitado corretamente, pode-se colocar em prática os quatro pilares da educação, de Jacques Delors: aprender a conhecer, a pensar, a fazer, a viver juntos ou com os outros. Por ser fruto de relações sociais, o lazer é visto também como um espaço de vivência cultural no tempo livre das obrigações profissionais, escolares, familiares e sociais. Combinando os aspectos tempo e atitude, pode-se potencializar o lúdico (jogos, brinquedos, passatempos) cuja essência está na alegria e no prazer. Compreendendo-se lazer como necessidade cotidiana, espaço privilegiado de expressão do ser humano, ligado à existência social e histórica, compreende-se também que ele é influenciado e pode influenciar nossas relações. Existem diferentes tipos de lazer: lazer noturno, associado à noite e a atividades que se desenrolam em bares, discotecas e outros lugares em que a música e a bebida são pilares centrais; lazer espetáculo, dentre os quais podemos distinguir os culturais (teatro, cinema e shows); lazer esportivo, referente à prática de algum esporte; lazer passivo, que aliena o ser e o envolve na teia consumista gerada pela indústria cultural, na qual o consumidor não passa de mais uma peça de engrenagem; e lazer ativo, que possibilita uma nova enunciação de múltiplas vivências, uma conversão das atividades em conhecimento, em expressão criadora e em novos olhares e novas potencialidades socioculturais. O lazer ativo possibilita contatos sociais, convívio fraterno, criatividade; melhorando, dessa forma, nossa vida. No decorrer da história, verifica-se que o lazer também passou a ser tema preocupante na saúde, pois, nos tempos modernos, em que o estresse se tornou o mal do século, zelar pelo bem-estar físico, mental e emocional tornou-se primordial para melhorar a qualidade de vida, a qual está intimamente relacionada à saúde. Sendo assim, define-se lazer como uma forma de o indivíduo utilizar seu tempo dedicando-se a algo que goste de fazer, entregando-se de livre e espontânea vontade. A atividade escolhida pode ser uma entre tantas outras que possa gerar relaxamento, tranquilidade e bem-estar. Cidadania Moral e Ética I 6o ano22 CMeE_6A_2016_CAP1.indd 22 26/12/16 17:06 ME_CMeE_6A_2017.indb 22 05/01/17 17:46 23Manual do Educador – 6o ano Lazer com a família Utilize o espaço abaixo para ilustrar uma atividade de lazer que você costuma realizar com seus familiares. Resposta pessoal O lazer é visto como simples e pura diversão, mas não podemos esquecer que seu mau uso pode interferir negativamente nas relações familiares. O tempo dedicado a ele está cada vez mais raro. Os pais trabalham muito, e os interesses nas atividades de lazer diferem entre pais e filhos, o que não contribui para a relação familiar. Nem sempre todos concordam em como e onde compartilhar momentos de lazer. O diálogo e o uso do bom-senso costumam resolver essas situações de conflito. Cidadania Moral e Ética I 6o ano 23 BOOK_CMeE_6A_2017 23 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 23 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética 24 Cidadania Moral e Ética 1. Com a vida moderna, novas formas e novos espaços de lazer surgiram, como os shoppings, nas grandes cidades. No entanto, nem todas as cidades possuem esses centros de com- pras e, certamente, oferecem outros espaços e outras alternativas de lazer. Atento para essa nova realidade, faça o que se pede abaixo: a. Dê exemplos de espaços e modos de lazer nos grandes centros urbanos, explicando a sua importância para a sociedade. Resposta pessoal b. Cite alternativas de lazer encontradas pelas pequenas cidades e apresente a necessidade da criação de cada uma, os benefícios, as circunstâncias (se tiver tais informações), etc. Resposta pessoal 2. Responda de acordo com sua experiência de vida. a. Você considera importante os momentos de lazer com a família? Justifique. Resposta pessoal b. Como você se sente nesses momentos? Resposta pessoal c. Seus familiares têm tempo para o lazer em família? Resposta pessoal d. O que vem à sua cabeça quando é perguntado sobre o lazer em família? Resposta pessoal Questão de ética? Cidadania Moral e Ética I 6o ano24 BOOK_CMeE_6A_2017 24 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 24 05/01/17 17:46 25Manual do Educador – 6o ano e. Qual é a opinião dos outros membros da sua família em relação ao lazer familiar? Resposta pessoal 3. Apresente um lazer que, no momento, é inviável para você viver com sua família. Por quais motivos essa forma de lazer não pode ser realizada? Resposta pessoal 4. Observe a cena, pense e responda: como o lazer pode contribuir para a harmonia das pes- soas em sociedade e em sua própria casa? 5. Considerando a imagem abaixo e correlacionando-a com justificativas do tipo “falta de tem- po”, apresentadas pelas famílias modernas, responda: como o lazer ainda acontece na famí- lia de hoje? Diga o porquê. Resposta pessoal Resposta pessoal io fo to /S hu tte rs to ck .c om Cidadania Moral e Ética I 6o ano 25 BOOK_CMeE_6A_2017 25 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 25 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética A casa, a família e o lazer nas áreas urbanas O lazer tem sido estudado com rigor científico nos últimos tempos e tem-se mostrado como um elemento extre- mamente importante para analisarmos as transformações da sociedade, que atingem um ritmo intenso, atreladas às mudanças nas relações sociais, que capturam o tempo e o espaço, transfor- mando-os em mercadorias raras. O lazer, entendido como momento de encontro entre pessoas, é captu- rado, e toda a sua espontaneidade é normatizada. É a partir de então que o espaço doméstico, enquanto símbolo de lazer espontâneo, é modificado para dar lugar ao lazer normatizado. As mudanças na estrutura familiar e nas casas, principalmente das classes média e média alta, interferem direta- mente na forma de se ter lazer. As fa- mílias procuram, a partir do momento em que a casa deixa de ser também o espaço de trabalho, estruturá-la de for- ma a ampliar o conforto de seus mem- bros, sobre os ditames do aumento de privacidade para cada um deles. São inegáveis os benefícios dessa nova rea- lidade, mas, sem dúvida, ela conduz a uma nova perspectiva, que propicia a desvinculação dos contatos mais cons- tantes, que existiam anteriormente, ou seja, obrigatoriamente todos os familia- res faziam as refeições em um mesmo espaço, em um mesmo horário, muitas vezes compartilhavam o mesmo quar- to, e as crianças brincavam com seus vizinhos em seu quintal. Criam-se novas relações, novos con- ceitos de convivência, que priorizam, acima de tudo, a individualidade, os contatos esporádicos crivados de re- gras, que, transformam os momentos de lazer em um espaço onde os indi- víduos estão alienados dos questiona- mentos que só as relações de perten- cimento nosespaços vividos podem proporcionar. Portanto, o que verificamos no espa- Fundamentação ço doméstico é repassado para os espa- ços públicos que, justamente por serem públicos, são abandonados, tendo em vista que estão na contramão do que é valorizado por nossa sociedade, a indi- vidualidade, o contato com pessoas do mesmo grupo social, as relações sem pro- fundidade. A desestruturação das relações de con- vivência, a exacerbação do individua- lismo e a falta de espaços públicos que propiciem o contato entre grupos he- terogêneos atingem principalmente as crianças, que têm modificado os seus primeiros momentos de formação, os quais seguem modelos prontos, priva- dos da espontaneidade e de atuação criativa, como a que acontecia na ela- boração das brincadeiras diretamente relacionadas à ludicidade descompro- metida com padrões impostos. A infância é um momento único para 26 Cidadania Moral e Ética Para refletir Leia o texto a seguir e, depois, faça uma reflexão com seus colegas respondendo às perguntas apresentadas. Lazer e família ajudam a não adoecer com o trabalho Cientistas reuniram dados de mais de 200 estudos para chegar a essa conclusão. Eles mostraram ainda que o medo de perder o emprego é a maior razão de estresse. Um cotidiano de estresse e esgotamento tem um efeito tão danoso à saúde quanto ficar à exposição de fumaça de cigarro alheio. Isso foi o que mostraram pesquisadores da Universidade de Harvard e da Universidade de Stanford, ambas nos Estados Unidos. Os cientistas reuniram dados de mais de 200 estudos para chegar a essa conclusão. Eles mostraram ainda que o medo de perder o emprego é a maior razão de estresse e que tal temor leva 50% dos trabalhadores a desenvolverem problemas de saúde. [...] CAMInhoS PARA o BEM-EStAR Ela ressalta ainda que, apesar das pressões por produtividade, é fundamental orga- nizar o tempo de modo que as atividades de lazer e o contato com os amigos e a família não sejam esquecidos. “Esses momentos são fundamentais para uma descom- pressão das exigências da rotina e para garantir uma atividade profissional saudável”, diz o professor responsável pela pesquisa. Disponível em: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/lazer-e-familia-ajudam-a-nao-adoecer-com-o-trabal ho/?cHash=37567c0d1667ccc47537041cbebf8573. Manter contato com a família. Praticar atividade de lazer. Praticar atividade física. Dormir bem. Ter uma alimentação saudável. Cidadania Moral e Ética I 6o ano26 BOOK_CMeE_6A_2017 26 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 26 05/01/17 17:46 se firmarem relações de proximidade, e o espaço é condição para isso; portan- to, ao desestruturá-lo enquanto espa- ço da vida, podemos estar formando o que Sloterdijk chama de indivíduo sem retorno, ou seja, aquele que não conse- gue regressar às suas origens, visto que elas simplesmente não existem, foram absorvidas pelo modo de produção ca- pitalista, que destrói mais do que pode regenerar. E, se esse processo acontece desde a infância, provavelmente os in- divíduos gerados nessas estruturas não se darão conta de que vivem em uma sociedade sem vínculos, seus espaços referenciais serão os não lugares, dificul- tando qualquer movimento contrário. Disponível em: file:///C:/Users/editoria03/ Downloads/1064-2253-1-PB.pdf. Adaptado. Acessado em: 28/05/2014. Anotações 27Manual do Educador – 6o ano Questões para reflexão? 1. Que leitura crítica é possível fazer do tema do texto? 2. O que você acha que estava acontecendo com o trabalhador? Por quê? 3. De acordo com o texto, são de fundamental importância as atividades de lazer que contemplem amigos e, sobretudo, a família. O que você acha disso? Por quê? 4. Como é o verão da sua família? 5. É possível fazer uma relação entre o texto e o tema que estamos es- tudando, Lazer com a família? Lazer sem a família Nos momentos livres e de lazer, as pessoas podem estar acompanhadas pelos familiares, amigos, conhecidos ou, simplesmente, es- tar sozinhas. Em geral, as crianças, em seus momentos de lazer, são acompanhadas pelos pais ou responsáveis. Mas, à medida que elas vão crescendo, os pais começam a lhes dar mais liberdade e a deixar seus filhos frequen- tarem os lugares sozinhos. É fundamental saber que a liberdade cedida pelos pais ou responsáveis depende da confiança que estes têm em suas crianças. Isso porque elas de- vem aprender a ser responsáveis e a se com- portar também quando estiverem longe deles. Por isso, a confiança entre adultos e crianças é necessária para que estas possam vir a ter maior autonomia quando se trata de lazer sem a família. Na verdade, confiança não se impõe, adquire-se com o tempo. Então, procure ser digno de adquirir a confiança de seus pais sendo consciente e responsável por seus atos na presença ou longe deles. Essa situação está diretamente ligada ao fato de que, nos momentos de lazer, é preciso aprender a res- peitar todas as pessoas em qualquer lugar e também saber cuidar de si. Valua Vitaly/Shutterstock.com Cidadania Moral e Ética I 6o ano 27 BOOK_CMeE_6A_2017 27 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 27 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética As transformações no espaço vivi- do e o lazer O primeiro local sagrado foi a casa, já que não servia apenas de abrigo, mas era um local que incorporava simbolis- mos cósmicos em sua construção. Os índios navajos, por exemplo, diziam que suas moradias — as tendas — seguiam um modelo divino. A forma cônica lem- brava uma montanha no Novo México que os navajos chamavam de Coração da Terra. Eles acreditavam que Deus tinha criado a primeira tenda usando estacas feitas com conchas brancas, pedra turquesa, moluscos e pedras es- curas. Quando construíam uma nova tenda, os navajos enterravam esses quatro minerais sob as quatro estacas principais, que também correspondiam aos quatro pontos cardeais. Dessa for- ma, o construtor da tenda interrompia a continuidade do mundo cotidiano e criava um espaço mágico à parte. O espaço privado onde a reprodução das relações de produção se processa com mais intensidade é a casa, com a família. Portanto, é importante analisar- mos esse espaço para entendermos a importância dada ao lazer em sua pro- dução e como o que acontece nesse âmbito interfere no espaço do lazer. As mudanças nos espaços de lazer dentro das casas são, em um primeiro momento, estruturadas para atender às mudanças que acontecem na fa- mília e na divisão do trabalho. Como dizem Prost e Vincent, a família, com o passar do tempo, perde sua função pública, assegurando apenas as fun- ções privadas. Porém, como os auto- res evidenciam, essa análise poderia se tornar insuficiente diante de tantas mudanças que ocorrem dentro da ins- tituição família. Ao perder suas funções públicas, a família começa a se transformar, e tais alterações são perceptíveis nas mudan- ças que ocorrem nos espaços domésti- cos. Evidentemente, esse processo está muito relacionado à divisão social do trabalho. Fundamentação [...] desde a Idade Média, muitas pes- soas não mais viviam e trabalhavam no mesmo local. Apesar de a maioria dos donos de loja, mercadores e artesãos ainda morarem na “sobreloja”, havia mais burgueses — construtores, advogados, notários, funcionários públicos — para quem a casa era somente residência. A consequência dessa separação foi que — com relação ao mundo exterior — a casa estava se tornando um lugar mais privado. Junto com essa privatização da casa, surgiu um maior senso de intimi- dade, que identificava a casa exclusiva- mente com a vida familiar. As mudanças relacionadas ao traba- lho causaram algumas mudanças no espaço doméstico, contudo não deram mais privacidade às pessoas, que, obri- gatoriamente, compartilhavamtodos os momentos de sua intimidade com os demais membros da família. 28 Cidadania Moral e Ética 1. Escreva a resposta de cada uma das perguntas abaixo. a. Os seus pais confiam em você? Por quê? Resposta pessoal b. Seus pais deixam você ir sozinho para alguns locais? Justifique sua resposta. Resposta pessoal c. Como você se comporta quando está em momentos de lazer longe da família? Por quê? Resposta pessoal d. Vemos todos os dias formas de desrespeito com as pessoas, seja na escola, na rua, no shopping, entre outros. O que você acha disso? Justifique suas ideias. Resposta pessoal 2. Escreva dez palavras-chave relacionadas ao assunto que está sendo trabalhado utilizando as sílabas do quadro abaixo. Observe a numeração e ordene-as. Questão de ética? 1 – autonomia 2 – sozinho 3 – lazer 4 – família 5 – confiança 6 – tempo 7 – respeito AU 1 LA 3 NO 1 MI 1 LIA 4 FI 5 CUI 10 ÊN 8 RES 7 LI 9 MÍ 4 ZER 3 TO 1 FA 4 A 1 CON 5 AN 5 DO 10 DE 9 SO 2 CI 8 TO 7 CIA 8 NHO 2 DA 9 ÇA 5 PEI 7 BER 9 DA 10 ZI 2 TEM 6 CONS 8 PO 6 3. Agora, selecione duas palavras entre aquelas que você encontrou na questão anterior e procure relacioná-las com a temática Lazer sem a família. Resposta pessoal 8 – consciência 9 – liberdade 10 – cuidado Cidadania Moral e Ética I 6o ano28 CMeE_6A_2016_CAP1.indd 28 26/12/16 17:05 ME_CMeE_6A_2017.indb 28 05/01/17 17:46 Apesar de mudanças consideráveis, em alguns sentidos, os mais pobres continuam a ter poucos espaços des- tinados ao lazer. Muitas vezes é no pequeno quintal que as crianças têm seu espaço para brincadeira, quando não na rua, enquanto para os adultos a TV e o aparelho de som resumem os momentos de entretenimento. Ao mes- mo tempo, esses aspectos motivam o contato entre a vizinhança por meio das visitas, que aproximam e estreitam as relações pessoais; esse contato solidário produz a organização social dessas áreas. Para as classes média e média alta, as mudanças são mais significativas, pois surgem os espaços privados dentro dos espaços familiares, que, por sua vez, são a maior expressão de privacidade que exis- te. Aos poucos, a gama de opções de la- zer solitário vai-se ampliando no universo doméstico, favorecendo o individualismo. As casas das classes mais abastadas passam por um processo, se assim po- demos chamá-lo, de tematização, ou melhor, os diversos espaços se funcio- nalizam de tal forma, especializando- -se em determinadas tarefas e prazeres domésticos específicos, exigindo para isso todo um aparato mobiliário que confere peculiaridade a cada ambien- te. As casas burguesas na Inglaterra do século XIX já retratavam o processo de diferenciação das casas pobres. A casa era um lugar social, mas com uma rigorosa privacidade. Ela não era a “casa grande” medieval, onde as pes- soas entravam e saíam com naturalida- de. Bem ao contrário, a casa burguesa inglesa era um mundo isolado, onde só se permitia a entrada de visitas bem seletas; o mundo era mantido a distân- cia, e incomodava-se o menos possível a privacidade da família e do indivíduo. Havia os “dias de ficar em casa” e as “vi- sitas matinais” (que ocorriam à tarde). A etiqueta doméstica baseava-se, acima de tudo, na reserva; vizinhos de porta trocavam recados por escrito — que eram entregues por um criado — para evitar uma visita desavisada. Disponível em: http://siaiap32.univali.br/seer/index.php/ rtva/article/viewFile/1064/873. Acesso em 05/01/2017. Anotações 29Manual do Educador – 6o ano 4. Discuta com o professor e os colegas de turma sobre os motivos que levam os pais a não confiarem em seus filhos e apresente justificativas. 5. Agora, discuta também sobre o que os filhos devem fazer para receber a confiança de seus pais. 6. Considerando as situações abaixo, apresente as implicações (positivas e negativas) nas relações estabelecidas e na formação do caráter da pessoa. a. Você confiou em alguém que não merecia. Resposta pessoal b. Uma pessoa confiou em você, e você traiu a confiança dela. Resposta pessoal c. Uma pessoa confiou em você, e deu tudo certo. Resposta pessoal d. Você confiou em uma pessoa que, de fato, merecia. Resposta pessoal 7. Responda o teste a seguir e avalie se você merece confiança. Resposta pessoal S – sempre AV – às vezes n – nunca Cumpre o que promete? Diz o que pensa e sente sem se preocupar com o que os outros vão achar? Respeita e aceita as pessoas como elas são? Diz a verdade aos seus pais, mesmo que lhe traga consequências desagradáveis? Faz o que diz? Se houver necessidade, você descreve os fatos que realmente aconteceram? Sabe respeitar opiniões diferentes da sua? Acha que as pessoas acreditam em você? Você mente? Resultado: 1 a 4 ocorrências SEMPRE – As pessoas vão ter receio de confiar em você. 5 a 7 ocorrências SEMPRE – Algumas vezes, você pode não transmitir confiança por medo ou receio das consequências. 8 a 9 ocorrências SEMPRE – As pessoas podem confiar plenamente em você. Cidadania Moral e Ética I 6o ano 29 BOOK_CMeE_6A_2017 29 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 29 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética 30 Cidadania Moral e Ética Estando a sós, com os amigos ou familiares, devemos estar atentos às regras de segurança no momento do lazer. Os parques de diversões são os preferidos por grande parte das famí- lias que buscam momentos de diver- são, porém alguns acidentes têm tira- do a segurança de todos e causado até mortes. Então, para evitar que as estatísticas de acidentes em parques aumentem, foram criadas normas e re- gras para as instalações desses locais. De acordo com a Associação Brasilei- ra de Normas Técnicas (ABNT), essas regras darão maior segurança a todos. Você precisa estar atento à segu- rança nos seus momentos de lazer. Procure lugares seguros e brincadei- ras sadias que garantam a diversão para todas as pessoas. 8. Há quatro pontos importantes para você gerar confiança nas outras pessoas: credibilidade, coerência, aceitação e clareza. Pesquise cada uma dessas palavras no dicionário e escre- va o significado delas. Em seguida, reflita, com seus colegas e o professor, sobre as implica- ções filosóficas de cada uma no processo de desenvolvimento e formação do indivíduo, ou seja, como cada um desses conceitos pode ajudar o ser humano a se humanizar. a. Credibilidade: Característica de quem é confiável, honesto, leal, sincero. b. Coerência: Qualidade de quem é coerente, lógico, racional. c. Aceitação: Ação ou efeito de aceitar, receber, acatar. d. Clareza: Qualidade do que é claro, fácil de apreender ou entender. 9. Leia e converse com seus colegas sobre o assunto abordado no texto abaixo. A le ks ei A nd re ev /S hu tte rs to ck .c om Cidadania Moral e Ética I 6o ano30 BOOK_CMeE_6A_2017 30 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 30 05/01/17 17:46 Professor, o filme A corrente do bem pode ser observado os seguintes pontos para discutirmos depois em sala de aula. • As mazelas da sociedade. • O caminho de Trevor ao ir embora. • A violência e suas caras. • O tipo de escola em que Trevor es- tuda. • A mãe do garoto. • As atitudes de Trevor. • Desestrutura familiar. • Preconceito. • A fé em si e nos outros. Sugestão de Abordagem Anotações 31Manual do Educador – 6o ano Para refletir Questões para reflexão? 1. Qual é a mensagem do filme? 2. O filme mostra a ação de uma criança fazendo o bem para seus compa- nheiros da escola, seu professor e sua mãe. Quais ações você pode fazer para praticar o bem? O filme A corrente do bem retrata as ações positivas para vivermos melhor. Tudo começa quando Simonet, um professor de estudos sociais, faz um desafio aos seus alunos durante a aula: criar algo que possa mudar o mundo. Trevor, um de seus alunos, acolhe o desafio do professor. Ele cria um jogo de regras bem simples; a cada favor que alguém recebe, haverá umaretribuição a três outras pessoas. Surpreendentemente, a ideia funciona, ajudando o próprio professor a se desprender de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene, a encontrar um novo sentido em sua vida. Filme emocionante e simples, capaz de tocar o coração de todos. Nesse filme, a ficção mostra uma lição de vida que deveria ser aplicada na vida real. Mudar o mundo não é uma tarefa fácil, mas pode-se mudar uma enorme quantidade de coisas na vida de cada um, dos alunos e da comunidade educacional. Ideias são maravilhosas, sempre. O problema mais difícil é colocá-las em prática. E Trevor fez isso. Há uma infinidade de obstáculos para enfrentar, mas há que se manter a cabeça erguida e seguir em frente. Parar no meio do caminho ou dar ouvido às pessoas que falam que nada vai dar certo não é uma boa opção. A melhor maneira que existe é alcançar os objetivos “sem medo de ser feliz”. Deve-se seguir em frente. Rejeições sempre existem, mas o importante é a batalha para formar bons cidadãos para a vida e para o mundo! Destaque-se, nesse filme, que é essencial ao educador compreender a importância que o professor tem na vida de seus alunos, pois sua ação docente deve ser coerente com a realidade deles. Trevor mostrou o valor que o professor tem perante a sociedade e seus alunos, bem como o poder que possui de transformar-lhes a vida. 10. Leia cada característica abaixo e escreva, no local apropriado, CR, se for uma situação relacionada à credibilidade; Co, à coerência; A, à aceitação; e CL, à clareza. a. ( CR ) Se marcar um compromisso para as 5 horas, às 5 horas esteja lá. b. ( CO ) Se a pessoa diz que gostou de sua ideia é porque realmente gostou. c. ( A ) Se a outra pessoa tem opinião diferente, isso não é razão para conflito. d. ( CL ) Não esconda o jogo, passe aos outros as informações relevantes. Cidadania Moral e Ética I 6o ano 31 BOOK_CMeE_6A_2017 31 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 31 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética 32 Cidadania Moral e Ética Essas mães maravilhosas e suas máquinas infantis Flávia logo percebeu que as outras moradoras do prédio, mães dos amiguinhos do seu filho, Paulinho, seis anos, olhavam-na com ar de superioridade. Não era para menos. Afinal, o garoto, até aquela idade — imaginem —, limitava-se a brincar e ir à escola. Andava em tal descompas- so com os outros meninos, que já desenvolveram múltiplas e variadas atividades desde a mais tenra idade. O recorde, por sinal, pertencia ao garoto Peter, filho de uma brasileira e um cana- dense, nascido em Nova York. Peter tão logo veio ao mundo entrou para um curso de amamen- tação (Como tirar o leite da mãe em 10 lições). A mãe descobriu, numa revista, uma pesquisa feita por médicos na Califórnia informando sobre a melhor técnica de mamar (chamada técnica de Lindstrom, um psicanalista, autor da pesquisa, que, para realizar seu trabalho, mamou até os 40 anos). A maneira de a criança mamar, afirmam os doutores, vai determinar suas neuroses na idade adulta. Uma tarde, Flávia percebeu duas mães cochichando sobre seu filho: que se pode esperar de um menino que, aos seis anos, só brinca e vai à escola? Flávia começou a se sentir a última das mães. Pegou o marido pelo braço dizendo que os dois precisavam ter uma conversa com o filho. — O que você gostaria de fazer, Paulinho? — perguntou o pai dando uma de liberal que não costuma impor suas vontades. — Brincar... O pai fez uma expressão grave. 32 BOOK_CMeE_6A_2017 32 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 32 05/01/17 17:46 33Manual do Educador – 6o ano — Você não acha que já passou um pouco da idade, filho? A vida não é uma eterna brin- cadeira. Você precisa começar a pensar no futuro. Pensar em coisas mais sérias, desenvolver outras atividades. Você gostaria de praticar algum esporte? — Compra um time de botão para mim. — Botão não é esporte, filho. — Arco e flecha! Os pais se entreolharam. Nenhum dos meninos do prédio fazia curso de arco e flecha. Pau- linho seria o primeiro. Os vizinhos certamente iriam julgá-lo uma criança anormal. Flávia deu um calção de presente ao garoto e perguntou por que ele não fazia natação. — Tenho medo. Se tinha medo, então era para a natação mesmo que ele iria entrar. Os medos devem ser eliminados na infância. Paulinho ainda quis argumentar. Sugeriu alpinismo. Foi a vez de os pais tremerem. Mas o medo dos pais é outra história. Paulinho entrou para a natação. Não deu mui- tas alegrias aos pais. Nas competições, chegava sempre em último, e as mães dos coleguinhas continuavam olhando Flávia com uma expressão superior. As mães, vocês sabem, disputam en- tre elas um torneio surdo nas costas dos filhos. Flávia passou a desconfiar de que seu filho era um ser inferior. Resolveu imitar as outras mães e, além da natação, colocou Paulinho na ginásti- ca olímpica, cursinho de artes, inglês, judô, francês, terapeuta, logopedista. Botou até aparelho nos dentes do filho. Os amiguinhos da rua chamavam Paulinho para brincar depois do colégio. Cidadania Moral e Ética I 6o ano 33 BOOK_CMeE_6A_2017 33 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 33 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo1 Ética Sugestão de leitura //// Bullying: mentes perigosas na escola Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva O livro faz uma investigação sobre o bullying, apresentando informações aos pais, professores, alunos e profissionais de diversas áreas para identificar esse tipo de violência e suas consequências, como também o que se pode fazer para combatê-la. Bullying na escola Autora: Cristina Klein O livro disponibiliza um conteúdo in- trodutório e dá subsídios para a iden- tificação, a prevenção e o combate do bullying — agressão física e/ou psico- lógica, verbal, moral, sexual, material ou virtual, praticada por uma ou várias pessoas contra uma mesma vítima, por período prolongado de tempo, basea- da na disparidade de poder, sem moti- vo aparente e que deixa sequelas per- manentes. Cyberbullying: a violência virtual Autor: Josevaldo Araújo Melo Este livro é o resultado do esforço de juntar um pouco do que há de mais significativo sobre o cyberbullying com o intuito de levar alguns subsídios para os pais, professores e gestores. O cyber- bullying é uma variação na tipologia de agressão do bullying convencional; para muitos, a pior variação, em função do “anonimato” do agressor e das conse- quências, que podem ser irreparáveis. Lazer e educação Autor: Nelson Carvalho Marcellino Nesta obra, o autor busca conduzir à reflexão sobre o lazer como elemento pedagógico de significação, propondo a sua incorporação na educação como movimento da vida, como provocação de estímulo em uma civilização para a qual o lazer tem apenas aspectos fun- cionais. Anotações Sociologia empírica do lazer Autor: Joffre Dumazedier O que fazer com o tempo livre? Quais as dimensões reais do lazer? Quais as relações entre o lazer e a dinâmica das mudanças culturais, sociais e do mun- do do trabalho? Estas são algumas das questões que Dumazedier focaliza de modo pioneiro e incisivo nesta obra clássica. 34 Cidadania Moral e Ética — Não posso, tenho aula de hipismo. — E depois do hipismo? — Vou pro caratê. — E depois do caratê? — Faço sapateado. — Quando poderemos brincar? — Não sei. Tenho que ver na agenda. Paulinho andava com uma agenda Pombo debaixo do braço. À noitinha, chegava em casa mais cansado do que o pai em dia de plantão. Nunca mais brincou. Tinha todos os brinquedos da moda, mas só para mostrar aos amiguinhos do prédio. Paulinho dava um duro dos diabos. “Mas, no futuro, ele saberá agradecer”, dizia o pai. O garoto estava sendo preparado para ser um super-homem. E foi ficando adulto antes do tempo, como uma fruta que amadurece de véspera. Um dia Flávia flagrou o filho com uma gravata à volta do pescoço tentando dar um laço. Quando fez sete anos, disse ao pai que, a partir daquele dia, queria receber a mesada em dólar. Aos oito, abriuo berreiro porque seus pais não lhe deram um cartão de crédito de presente. Com nove anos, entre uma aula de xadrez e de sânscrito, Paulinho saiu de casa muito compenetrado. Os amiguinhos da rua perguntaram aonde ele ia: — Vou ao banco. 34 BOOK_CMeE_6A_2017 34 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 34 05/01/17 17:46 35Manual do Educador – 6o ano Questão de ética? 1. No texto acima, como os pais se colocam em relação ao lazer do filho? Sugestão de resposta: Os pais de Paulinho encaram o lazer da criança como um desperdício de tempo e energia. 2. Como os pais devem interferir no lazer das crianças? Sugestão de resposta: Os pais devem compreender que as atividades de lazer constituem um importante elemento na formação emocional e física da criança. Mas também se deve dosar o tempo gasto com a diversão ensinando o filho a ter prioridades. Caminhou um quarteirão até o banco, sentou-se diante do gerente, pediu sugestões sobre aplicações e pagou a conta de luz como um homenzinho. A façanha do garoto correu o prédio. A vizinhança começou a achá-lo um gênio. As mães dos amiguinhos deixaram de olhar Flávia com superioridade. Os pais, enfim, puderam sentir-se orgulhosos. “Estamos educando o meni- no no caminho certo”, declarou o pai batendo no peito. Na festa de onze anos, que mais parecia um coquetel do corpo diplomático, um tio perguntou a Paulinho o que ele queria ser quando crescesse. — Criança! Paulinho cresceu. Cresceu fazendo cursos e mais cursos. Abandonou a infância, entrou na adolescência, tornou-se um jovem alto, forte, espadaúdo. Virou Paulão. Entrou para a faculdade, formou-se em Economia. Os pais tinham sonhos de vê-lo na presidência do Banco Central. Ca- sou com uma jornalista. Paulão respirou aliviado por sair debaixo das asas da mãe, que até as vésperas do casamento queria colocá-lo num curso de preparação matrimonial. Na lua de mel, avisou à mulher que iria passar os dias em casa dedicando-se à sua tese de mestrado. A mulher ia e vinha do emprego, e Paulão trancado em seu gabinete de estudos. Uma tarde, o marido se esqueceu de passar a chave na porta. A mulher chegou, abriu e deu de cara com Paulão sentado no tapete brincando com um trenzinho. NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista & outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994. Cidadania Moral e Ética I 6o ano 35 BOOK_CMeE_6A_2017 35 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 35 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 36 Cidadania Moral e Ética • Compreender a importância da ética no convívio social. • Refletir sobre os comportamentos adequados aos diversos tipos de ambientes. • Debater a importância das regras de convivência para o funcionamento da sociedade. • Refletir sobre a necessidade de desenvolver as atividades de lazer com segurança. Objetivos Pedagógicos Sugerimos que o texto Hábito na- cional, de Luis Fernando Verissimo, seja trabalhado em sala de aula com a finalidade de fomentar a discussão sobre a ética. Aproveite para debater o famoso “jeitinho brasileiro”. Peça que os alunos reflitam se já tiveram alguma atitude que se encaixa nesse conceito e que opinem sobre essa maneira de agir. Sugestão de Abordagem Anotações Ca pí tu lo2 Conhecimentos prévios • Para você, qual a relação de ética com comunidade? • Como desenvolver uma atitude ética na comunidade? • Qual é o papel da ética na comunidade? • Respeito, ética, lazer e comunidade: como podemos relacionar esses temas? Ética na comunidade Observe as imagens e, a seguir, converse com seu professor sobre a relação entre as fotos e o tema do capítulo: Ética na comunidade. Vamos dialogar! D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : E S B P ro fe ss io na l, go od lu z, H at ch ap on g P al ur tc ha iv on g, S aj ee R od /S hu tte rs to ck .c om BOOK_CMeE_6A_2017 36 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 36 05/01/17 17:46 37Manual do Educador – 6o ano Os espaços coletivos são compartilhados por todos que buscam momentos de encontro, prática de esporte e relaxamento. Em uma comunidade, encontramos diferentes grupos e for- mas de lazer. São pessoas que se juntam em um grupo por possuírem interesses em comum. A sua comunidade escolar, a sua comunidade religiosa, a sua comunidade musical diferem nos gostos, nos prazeres e no lazer. O relacionamento entre os grupos nem sempre apresenta um convívio harmonioso, visto que, neles, encontramos pessoas de diferentes culturas que agem, pensam e se comportam de acordo com seus costumes. Em várias situações, o comportamen- to não é adequado para o local em que se encontram. Observe: Por ser um espaço coletivo, deve-se considerar que ele será utilizado e preservado por todos que o frequentam e que, em cada um deles, há regras que precisam ser seguidas para garantir o bem-estar de todos. Quando você vai à praia e joga lixo no chão, está desrespeitando a regra de convivência que garante uma areia limpa e livre de sujeira para todos que a frequentam. Quando você está brincando na praça e, por vontade, quebra, risca os brinquedos ou brinca de forma inadequada neles ou no espaço, está contribuindo para que ele seja destruído. Isso prejudica você, além de todos que gostam de frequentar esse lugar. Espaços coletivos: como se comportar neles? D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : A lf R ib ei ro , V la d O ze ro v, V er on ik aC he , 0 6p ho to /S hu tte rs to ck .c om 37Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 37 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 37 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 38 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Ética: a área da Filosofia que estu- da o comportamento humano A palavra ética se origina do termo gre- go ethos, que significa modo de ser, cará- ter, costume, comportamento. De fato, a ética é o estudo desses aspectos do ser humano: por um lado, procurando des- cobrir o que está por trás do nosso modo de ser e de agir; por outro, procurando estabelecer as maneiras mais convenien- tes de sermos e agirmos. Assim, pode-se dizer que a ética trata do que é “bom” e do que é “mau” para nós. Entretanto, esses valores não apresentam um caráter absoluto. Ao longo dos tempos, nas mais diversas civilizações, várias interpretações foram dadas a essas duas noções. A ética acompanha esse desenvolvimento histó- rico, para que isso sirva de base para uma reflexão sobre como ser ético no tempo presente. A ética se ocupa da convivência entre seres humanos na sociedade. Mas, antes de qualquer coisa, qual o significado da palavra ética? O filósofo contemporâneo espanhol Fernando Sa- vater apresenta uma resposta para essa pergunta em um livro intitulado Ética para meu filho. Como diz o título, ele es- creveu com o intuito de explicar a ques- tão para o seu filho adolescente. Veja um trecho do livro: Há ciências que estudamos por simples interesse de saber coisas novas; outras, para adquirir uma habilidade que nos permita fazer ou utilizar alguma coisa; a maioria, para conseguir um trabalho e ganhar a vida com ele. Se não sentirmos curiosidade nem necessidade de realizar esses estudos, poderemos prescindir de- les tranquilamente. Há uma infinidade de conhecimentos muito interessantes, mas sem os quais podemos nos arranjar muito bem para viver. Eu, por exemplo, lamento muito não ter nem ideia de as- trofísica ou de marcenaria, que dão tanta satisfação a outras pessoas, embora essa ignorância nunca me tenha impedido de ir sobrevivendo até hoje. E você, se não me engano, conhece as regras do futebol, mas é bem fraco em beisebol. Não tem maior importância, você desfruta os campeona- tos mundiais, dispensa olimpicamente a liga americana e todo o mundo sai satisfeito. O que eu quero dizer é que certas coisas a pessoa pode aprender ou não, conforme sua vontade. Como ninguém é capazde saber tudo, o remédio é escolher e aceitar com humildade o muito que ignoramos. É possível viver sem saber astrofísica, marce- naria, futebol e até mesmo sem saber ler e escrever: vive-se pior, decerto, mas vive-se. No entanto, há outras coisas que é preciso saber porque, por assim dizer, são funda- mentais para nossa vida. É preciso saber, por exemplo, que saltar de uma varanda do sexto andar não é bom para a saúde ou que uma dieta de pregos (perdoem- -me os faquires!) e ácido prússico não nos permitirá chegar à velhice. Também não é aconselhável ignorar que, se dermos um safanão no vizinho cada vez que cruzar- mos com ele, mais cedo ou mais tarde ha- verá consequências muito desagradáveis. 1. Procure no dicionário e escreva em seu caderno o significado das seguintes palavras e, em seguida, forme frases relacionadas com o tema estudado: Ética na comunidade. Depois, discuta com seus colegas o que você compreendeu. Resposta pessoal Comunidade Coletivo Convivência Sociedade Público 2. Leia o texto a seguir. Comunidade e sociedade Comunidade e sociedade são as uniões de grupos sociais mais comuns dentro da Socio- logia. Sabemos que ninguém consegue viver sozinho e que todas as pessoas precisam umas das outras para viver. Essa convivência caracteriza os grupos sociais, e, dependendo do tipo de relações estabelecidas entre as pessoas, esses grupos poderão se distinguir. Nas comunidades, as normas de convivência e de conduta de seus membros estão ligadas à tradição, religião, ao consenso e ao respeito mútuo. Na sociedade, é totalmente diferente. Não há o estabelecimento de relações pessoais e, na maioria das vezes, não há tamanha preocu- pação com o outro indivíduo, fato que marca a comunidade. Por isso, é fundamental haver um aparato de leis e normas para regular a conduta dos indivíduos que vivem em sociedade, tendo, no Estado, um forte aparato burocrático, central nesse sentido. Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/sociologia/comunidade-sociedade.htm. Acesso em: 21/11/2013. Questão de ética? 38 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 38 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 38 05/01/17 17:46 39Manual do Educador – 6o ano Pequenezas desse tipo são importantes. Podemos viver de muitos modos, mas há modos que não nos deixam viver. [...] Resumindo: ao contrário de outros seres, animados ou inanimados; nós, homens, podemos inventar e escolher, em parte, nossa forma de vida. Podemos optar pelo que nos parece bom, ou seja, conveniente para nós, em oposição ao que nos parece mau, inconveniente. Como podemos in- ventar e escolher, podemos nos enganar, o que não acontece com os castores, as abelhas e as formigas. De modo que pa- rece prudente atentarmos bem para o que fazemos, procurando adquirir certo saber- -viver que nos permita acertar. Esse saber- -viver, ou arte de viver, se você preferir, é o que se chama de ética. Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/ filosofia/etica-a-area-da-filosofia-que-estuda-o- comportamento-humano.htm. Adaptado. Acessado em: 29/05/14. Anotações A partir das informações dadas pela Sociologia sobre comunidade e sociedade, pense e responda: o que falta na comunidade para que a sociedade seja cada vez mais harmoniosa? Resposta pessoal 3. Quais espaços coletivos de lazer você costuma frequentar na sua comunidade ou no seu bairro? Resposta pessoal 4. Nas imagens abaixo, quais são as pessoas que não estão se comportando de forma ade- quada nos espaços coletivos? Reflita sobre as possíveis razões que as levam a ter esses comportamentos. Resposta pessoal D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : W ar re n G ol ds w ai n, V uk V uk m iro vi c, K oz ac he nk o O le ks an dr , F ra nc es co 83 , b ik er id er lo nd on , B ar ba ra K en ne dy /S hu tte rs to ck .c om 39Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 39 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 39 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 40 Cidadania Moral e Ética Selecionamos uma dinâmica de grupo que tem como finalidade instigar o debate sobre a necessida- de de tomarmos atitudes corretas na construção da nossa vivência em sociedade. Recomendamos que ela seja realizada em sala de aula, caso seja possível, e que, posteriormente, sejam trabalhados temas como res- peito, ética e convivência. Dinâmica do papel amassado Distribua folhas de papel em bran- co para cada aluno e peça que eles descrevam a folha (branca, lisa, qua- drada, etc.). Em seguida, peça que escrevam/ desenhem algo que quei- ram. Depois de finalizados os textos/ desenhos, os alunos devem amassar a folha tanto quanto puderem (sem a rasgar). Depois que todos estiverem com as bolinhas de papel na mão, diga que o objetivo é fazer com que a fo- lha volte a ficar como estava quando foi entregue a eles (branca, quadra- da, lisa). Neste momento, os alunos vão começar a questionar sobre o que fazer para que a folha volte ao seu estado original. É interessante que, a partir da im- possibilidade de devolver à folha suas características iniciais, faça-se uma analogia entre as ações sofridas pela folha e as nossas atitudes no mo- mento de convivência. Assim como a folha, as pessoas são afetadas pelo nosso comportamento, e, por isso, devemos respeitar os outros e as re- gras de convivência em sociedade. Disponível em: http://www.dihitt.com/barra/ dinamica-de-convivencia-papel-amassado-2. Adaptado. Acessado em: 29/05/2014 Sugestão de Abordagem Anotações 5. Você já deve ter percebido, em momentos de lazer coletivo, situações desagradáveis como bullying e até mesmo preconceito. Faça um relato pessoal sobre alguma situação que você presenciou e desaprova em um local coletivo de lazer. Qual foi a sua postura diante dessa situação? Resposta pessoal 6. Em diálogo com colegas de turma, responda às questões abaixo. a. Que espaços, na sua comunidade, estão precisando de reforma ou de maior atenção dos governantes? Resposta pessoal b. Que ações você adotaria para melhorar o lazer dos espaços coletivos de sua comunidade? Resposta pessoal 7. Agora, trabalhando em grupo, você e seus colegas deverão elaborar uma campanha de conscientização (cartazes, vídeos, panfletos, etc.) para esclarecer aos outros alunos da sua escola da importância do lazer nos espaços coletivos. Durante o planejamento da campa- nha, reflitam e discutam: a. Que atitudes desagradáveis vocês verificam comumente na escola? b. O que vocês podem fazer para evitar que isso continue acontecendo? c. Como as suas ideias podem ser reproduzidas em uma campanha de conscientização? 40 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 40 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 40 05/01/17 17:46 41Manual do Educador – 6o ano Fundamentação A relação professor-aluno A relação do professor com seus alu- nos é de fundamental importância para a educação, pois, de acordo com a for- ma de agir do professor, o aluno po- derá se sentir mais receptivo, ou não, à matéria. A reciprocidade, a simpatia e o respeito entre professor e aluno pro- porcionam um trabalho construtivo, em que o educando é tratado como pessoa, e não como número. Os objetivos da educação seriam mais facilmente alcançados se muitos dos problemas disciplinares fossem resolvidos com maior cautela, sem dramatização, onde um simples co- mentário bem-feito solucionasse o problema. Atividades variadas previnem a indisciplina dentro da sala de aula A realização de provas justas e bem dosadas estimula o aluno a estudar mais e diminui, ou até mesmo elimi- na, a famosa “cola”. Outra forma de melhorar essa relação é aplicando trabalhos interessantes que desafiem a capacidade do estudante e que não gerem angústia nem desânimo pelo grau de dificuldade. Não é possível educar sem dia- logarExistem quatro elementos funda- mentais para o ato de ensinar: o pro- cesso, a matéria, o aluno e o profes- sor, sendo este último o fator decisivo na aprendizagem, levando em conta a influência que exerce sobre a classe para ministrar as aulas. O professor tem de estar sempre aberto às novas experiências, aos sentimentos e aos problemas de seus alunos. É claro que a responsabilidade da aprendizagem está ligada ao aluno, mas deve ser facilitada pelo professor, levando o aluno à autorrealização. Disponível em: http://educador.brasilescola.com/ etica/relacionamento-professor-x-aluno.htm. Adaptado. Acessado em: 30/05/2014. Anotações Para refletir Qualquer que seja a atividade de lazer coletiva, é importante seguirmos regras preestabelecidas para que não ocorram conflitos. Leia algumas dessas regras e reflita com sua turma se você as tem praticado em seus momentos de lazer coletivo e, em seguida, confeccione uma cartilha de boas atitudes de lazer de forma coletiva. Sugerimos alguns tópicos para ajudar na realização do trabalho: • Aprender a fazer atividades junto com os outros. • Respeitar a vontade dos outros. • Cuidar de todos os seres vivos, incluindo pessoas, plantas e animais. • Ser amável com os demais. • Saber respeitar as normas e se comportar bem em todo e qualquer local. • Sempre dialogar com todas as pessoas, aprendendo a escutar e sabendo o momento correto de falar. • Ser organizado e deixar tudo arrumado. Jogar o lixo na lixeira e, se for possível, nos locais adequados para reciclagem. • Usar e cuidar dos espaços públicos de lazer. Grupos de lazer As pessoas, em geral, fazem parte de grupos de lazer, ou seja, de grupos de pessoas que reali- zam, juntas, atividades relacionadas ao lazer. Alguns exemplos desses grupos são: time de futebol, grupo de dança, banda de música, grêmio estudantil, etc. Quando fazemos parte de tais grupos de lazer, é preciso respeitar algumas regras para que possa existir uma boa convivência entre todos que deles participam. As normas ou regras para não haver discussão na convivência, normalmente, estão registradas num contrato de convivência. Entretanto, mesmo que não exista esse documento, basta ter bom-senso para aprender a lidar com outras pessoas, inclusive quando convivemos nos momentos livres ou de lazer. Algumas regras bá- sicas para a convivência com todas as pessoas, inclusive nos grupos de lazer, estão abaixo: • Sempre peça por favor. • Diga obrigado, com licença e desculpe sempre que necessário. • Se você acendeu, apague. • Se você abriu, feche. • Se você desarrumou, arrume. • Se você quebrou, conserte. • Se você sujou, limpe. • Se você falou demais, comprove. • Se você prometeu, cumpra. • Se você pediu emprestado, devolva. • Se você não sabe como funciona, não mexa. • Se você não sabe fazer melhor, não critique. • Se você não veio ajudar, não atrapalhe. • Se não é seu, peça permissão. 41 BOOK_CMeE_6A_2017 41 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 41 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 42 Cidadania Moral e Ética Discuta com seus alunos o que con- sideram boas maneiras para uma boa convivência em grupo na sala de aula. Peça a eles que relatem acontecimen- tos ou situações em que os colegas ou professores agiram com boas ma- neiras e outros acontecimentos em que eles ou mesmo os professores não tenham utilizado boas maneiras na sala de aula. Voce pode sugerir às crianças que listem palavras que representem ati- tudes boas e ruins manifestadas por colegas e para professores na escola. Você ou os alunos deverão escre- ver essas palavras em fichas de papel cartão ou cartolina e, posteriormente, fazer uma exposição das mesmas na lousa de forma que fiquem visíveis aos alunos. Para iniciar, sugira alguns nomes, por exemplo, agradecer, per- doar, gostar, proteger, bater, maltra- tar, brigar, xingar, prejudicar, incomo- dar, entre outras. Em seguida, solicite aos alunos que leiam e identifiquem se aquela palavra refere-se a atitudes certas ou erradas para uma convivên- cia harmoniosa. Depois, organize as palavras em co- lunas lado a lado e cada aluno deve- rá escolher quatro palavras, duas de cada coluna, e escrever frases conten- do as mesmas. Se você tiver tempo hábil, sugira que os alunos ilustrem as frases pro- duzidas. Sugestão de Abordagem Fundamentação Carta Internacional de Educação para o Lazer A sociedade atual vem experimen- tando diversas sensações ocasionadas pela velocidade das mudanças. Mal se consegue assimilar uma transformação, já aparecem outras conduzindo aos processos de desestabilização. Esses processos repercutem nas diversas ca- madas sociais, como também nos diver- sos setores da sociedade. É preciso estar preparado para assimilar tais alterações, saindo da uniformidade e da fixidez (Pier- re Lévy). Diferentes e inovadoras exigências são atribuídas às diversas esferas do cotidia- no, como educação, saúde, lazer e tra- balho, que são mercados em expansão, estabelecendo, como requisitos histó- ricos, modificações na lógica e na or- ganização do sistema de produção e, consequentemente, nas relações sociais e educacionais. Assim, as vivências lúdicas são reco- nhecidas como fortes elementos, que contribuem para a compreensão do novo mundo social, e reais possibilida- des de intervenção socioeducativa, em função de as práticas corporais estarem 1. Siga o passo a passo. a. Leia. O esporte e o lazer da cidade e as fases da vida O lazer é necessário, sempre há um tempo para o futebol, para o Carnaval, para um bate-papo. Esse tempo de lazer existe na vida das pessoas independentemente da classe social. O que irão variar são as condições de vida e a forma de aproveitá-lo. Alguns com maior poder aquisitivo viajam, vão ao teatro, ao cinema, compram brinquedos e frequen- tam clubes. Outros se restringem a ver televisão, participar de festas, jogar com os amigos ou ir ao futebol. Ainda existem diferenças de acesso ao lazer entre homens e mulheres, que possuem tempo disponível culturalmente desigual. Pouco tempo sobra para as mu- lheres, pois elas executam uma jornada dupla de trabalho, ficando, o divertimento, em segundo plano. FEIX, Eneida. O esporte e o lazer da cidade e as fases da vida. In: FERREIRA, Marcelo; MARCELLINO, Nelson. Brincar, jogar, viver: programa esporte e lazer da cidade. Volume 1. Brasília: Ministério dos Esportes, 2007. p. 37. b. O texto apresenta o lazer como necessário e que todos precisam dele para ter uma vida de qualidade. Mas nem todos podem ter acesso ao lazer. O que fazer? Resposta pessoal c. Há alternativas para diminuir ou acabar com a desigualdade social nos ambientes que proporcionam lazer? Apresente ideias para seus colegas. Resposta pessoal 2. Marque um x nos grupos de lazer dos quais você faz parte. Resposta pessoal ( ) Time de futebol ( ) Time de vôlei ( ) Grupo de esportes ( ) Banda de música ( ) Grupo da igreja ( ) Grupo de dança ( ) Grupo de estudos ( ) Grupo de teatro ( ) Grêmio estudantil ( ) Outro(s). Especifique: Questão de ética? 42 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 42 26/12/16 17:05 ME_CMeE_6A_2017.indb 42 05/01/17 17:46 43Manual do Educador – 6o ano inseridas no contexto do lazer, espaço propício para mudanças de valores, de condutas e de atitudes. Refletir sobre a relação entre lazer e educação não é tarefa fácil, vista a enor- me falta de consenso quanto aos con- ceitos dados pelos autores, e também porque essa discussão requer adoção de postura, como relata Christianne Gomes, “em face da gama de possibi- lidades, aspectos, desafios e dificuldades que tal questão envolve”. A Carta Internacional de Educação para o Lazer e seus conteúdos O teor da referida carta foi elaborado e aprovado no Seminário Internacional de Educação para o Lazer da World Leisureand Recreation Association — Associação Mundial de Recreação e Lazer (WLRA) —, realizado em Jerusalém, Israel, em 1993, e ratificado pelo conselho da WLRA em Jaipur, Índia, no mesmo ano. Esse documento tem como objetivo principal disseminar, junto aos gover- nos, às organizações não governa- mentais e às instituições de ensino, os conteúdos, os significados e os bene- fícios do lazer e da educação para e pelo lazer. Outro objetivo é preparar os agentes de educação, incluindo as escolas, a comunidade e as instituições envolvidas na capacitação de recursos humanos, sobre os princípios nos quais poderão se desenvolver políticas e es- tratégias de educação para o lazer. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/ fef/%20article/%20view/128/1489. Adaptado. Acessado em: 30/05/2014. Anotações 3. Observe as imagens e responda: D P E O S R C O M • L I C E N Ç A U F L A P V E O B R I G A D O R Resposta pessoal Como a solidão (isolamento, afastamento das pessoas) pode ser prejudicial para a nossa educação? O isolamento impossibilita a aprendizagem advinda do convívio social. 4. Complete a cruzadinha abaixo escrevendo as palavras que você sempre deve dizer e, em seguida, explique a importância dos grupos de lazer para o seu cotidiano. Quais são as in- fluências positivas que esses grupos proporcionam a você? C on ce pt P ho to /S hu tte rs to ck .c om P rix el C re at iv e/ S hu tte rs to ck .c om I. II. III. IV. 43Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 43 26/12/16 17:05 ME_CMeE_6A_2017.indb 43 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 44 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Questões pertinentes ao universo do lazer Vários aspectos são relevantes na vida do ser humano, inclusive as atividades vivenciadas durante o lazer, que também fazem parte da vida diária das pessoas. A tomada de consciência da importância do lazer no contexto de nossa sociedade essencialmente industrial e burocrática é, constantemente, caracterizada e ana- lisada por diversos estudiosos da área. O lazer é visto como algo integrante da vida social do indivíduo. Ao ser idea- lizado como caminho que leva o ser humano ao desenvolvimento pessoal, social e econômico, como elemento im- prescindível na aquisição de uma qua- lidade de vida melhor, também passa a ser denominado como um produto cul- tural e industrial, gerador de empregos, bens e serviços, não podendo ser com- preendido separadamente de outras metas da vida. Segundo o Ministério da Educação e Cultura, o governo, mediante a dificul- dade em desenvolver políticas efetivas nesses campos, firma suas convicções no campo do lazer e do desenvolvimento social e aponta-os como uma das solu- ções para o déficit social ao valorizar os serviços prestados pelas ONGs e conce- bê-las como estimuladoras de ações na área social e geradoras de empregos. Essas organizações se autodefinem al- ternativas de trabalho para os indivíduos excluídos do mercado formal de trabalho. A preocupação centra-se nas questões relativas à formação de profissionais na área do lazer e desenvolvimento social, com a finalidade de atuação junto às comunidades desprovidas de condições básicas. Por meio de elaboração e de- senvolvimento de projetos, esses profis- sionais atuam diretamente como media- dores de informações e conhecimentos acerca da melhor forma de aproveita- mento do tempo livre e na disseminação de posturas críticas quanto às condições sociais atuais vigentes. Ao se deparar com as profundas transformações sociais e econômicas, que produzem mudanças significativas no padrão e na quantidade de tempo li- vre disponível para o indivíduo durante o transcorrer da vida, faz-se necessário im- plantar políticas de lazer capazes de su- prir a demanda de bens e serviços. Essa problemática reflete-se efetivamen- te nos diversos segmentos da sociedade, causando transtornos tanto no aspecto pessoal como social. Esses contratempos se relacionam a diversas questões, princi- palmente o aumento do tempo livre, em virtude da crescente alta do desempre- go, ou pelo excesso de horas livres, re- lacionado aos processos de automação. Nesse sentido, de que adianta ter mais tempo disponível se as pessoas ainda não concebem a importância da vivência plena do lazer? Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/ fef/%20article/%20view/128/1489. Adaptado. Acessado em: 30/05/2014. 5. Em grupo, discuta as questões a seguir e, depois, responda ao que se pede. a. Em casa, com as pessoas do seu grupo familiar, que atitudes favorecem o respeito? Resposta pessoal b. Em um local público, como uma praça ou uma sala de cinema, que atitudes favorecem a harmonia? Resposta pessoal c. Na escola, com as pessoas que fazem parte dela, que atitudes contribuem para a sua aprendizagem? Resposta pessoal d. Com o seu grupo de amigos, que atitudes favorecem a segurança e a alegria? Resposta pessoal 6. Vamos trabalhar o trecho da música e suas relações com o cotidiano? Comida Titãs Composição: Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/Sérgio Britto Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. [...] Disponível em: https://www.letras.mus.br/titas/91453. Acesso em: 21/01/2016 44 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 44 26/12/16 17:04 ME_CMeE_6A_2017.indb 44 05/01/17 17:46 45Manual do Educador – 6o ano a. Qual é a mensagem que a música transmite? Segundo a canção, apenas as necessidades físicas básicas, representadas pelo termo comida, não são suficientes para uma vida digna. A arte e a diversão também constituem necessidades fundamentais. b. Quais são as semelhanças entre a letra da música e o tema estudado? A música corrobora a ideia de que o lazer, além de ser um direito, é uma necessidade do homem. 7. Em um mural, construa uma história em quadrinhos sobre a seguinte regra de convivência: 8. Descubra a mensagem escondida em cada item a seguir. a. IJSHNSEAPOSVOCÊPAMEJDESARRUMOU,QIEURYARRUME.AOAKUI Se você desarrumou, arrume. b. JSIHSEAPPOQKVOCÊMAJSQUEBROU,QEUAJCONSERTE.PLQOIK Se você quebrou, conserte. c. JANQUSEQOAIJVOCÊAMKSJUSUJOU,OQKAIELIMPE.MAJSU Se você sujou, limpe. d. ASJUSEAMSJUVOCÊAIQEHFALOUAMSJSUDEMAIS,MAKSJCOMPROVE.MAKSIO Se você falou demais, comprove. e. AOKQIESEAMJUVOCÊAMSJUPROMETEU,QOEIKCUMPRA.GFBDFI Se você prometeu, cumpra. Se você pediu emprestado, devolva. 45Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 45 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 45 05/01/17 17:46 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 46 Cidadania Moral e Ética Leve uma reflexão para a sala de aula sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, com atividades lúdicas e prazerosas permeadas em oficinas, reflexões, dinâmicas e brincadeiras focando nos direitos e nos deveres da criança. Sugestão de Abordagem Desenvolva um debate amplo, se possível, com a comunidade escolar e com a família sobre os direitos da criança e do adolescente. O texto O direito das crianças ao lazer e a crescer sem carências pode puxar o debate para a reflexão. Sugestão de Abordagem O Estatuto da Criança e do Adoles- cente foi especialmente criado para revelar os direitos e os deveres das crianças e dos adolescentes. Também há neste estatuto os direitos e deveres dos adultos, dispõe sobre a proteção integral das crianças e dos adolescen- tes. O art. 3o do ECA assegura-lhes a proteção integral, que se traduz em todas as oportunidades e facilidades “a fim de lhes facultar o desenvolvi- mento físico, mental, moral espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade”, garantindo que todas as crianças e adolescentes, indepen- dentemente de cor, etnia ouclasse social, sejam tratados como pessoas que precisam de atenção, proteção e cuidados especiais para se desenvol- verem e serem adultos saudáveis. O documento estabelece que é de- ver do Estado, da família e da socie- dade garantir o direito de crianças e adolescentes à liberdade, à dignida- de, à convivência familiar e comunitá- ria, à saúde, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, à profissionalização e à proteção do trabalho. Além dis- so, prevê a proteção contra qualquer forma de exploração, discriminação, violência e opressão. Diálogo com o professor Anotações Para refletir O direito das crianças ao lazer e a crescer sem carências Um estudo mostra que as crianças brincam menos e já não sonham em ser astronautas, e sim ricas e famosas Coincidindo com o Dia Internacional dos Direitos da Infância, foram apresentados diversos trabalhos que mostram as mudanças, nem sempre para melhor, que afetam a vida das crianças. Um deles, realizado pelo Instituto Tecnológico do Produto Infantil e do Lazer, compara o que sonham e brincam as crianças de hoje em relação às dos anos 1990. E o que se descobriu é que as crianças têm agora menos lazer e estão mais sobrecarregadas por deveres e atividades extracurriculares do que as de 25 anos atrás. Não é o primeiro estudo que alerta sobre o estresse infantil e a falta de tempo para brincar, o que tem consequências importantes em sua formação. A brincadeira é um elemento indispensável para uma infância feliz e um importante instrumento de socialização. As crianças de hoje não só dedicam menos tempo para brincar como também, quando brincam, a maioria não o faz com outras crianças, no parque, na rua ou na praça, mas em casa e, muitas vezes, sozinha. E já não brincam tanto com brinquedos, mas com aparelhos eletrônicos, entre os quais predomina o jogo individual com a máquina. É verdade que esses jogos potencializam as habilidades motoras e a rapidez de raciocínio, mas não deixa de ser uma forma de brincar solitária, o que não contribui para o amadurecimento da personalidade. Quando uma criança brinca com outras crianças, ela entra em contato com a realidade e tem de enfrentar situações difíceis, como uma disputa ou um conflito com outra criança, às vezes gratificantes, como fazer um novo amigo. Tudo isso a obriga a interagir com as demais e lhe oferece a possibilidade de experimentar situações que são uma excelente aprendizagem. ol iv er om g/ S hu tte rs to ck .c om 46 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 46 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 46 05/01/17 17:47 47Manual do Educador – 6o ano Uma criança que brinca sozinha em casa só pode aspirar a bater papo com os amigos na rede. Não é pouco. Mas não é suficiente. Esse tipo de relação a distância pode fazer vibrar e sofrer tanto quanto as presenciais, mas também permite escapar das situações indesejadas com um simples clique e desenvolver condutas de evasão que não ajudam a amadurecer. Talvez por falta de relações reais e tangíveis, as crianças de hoje tendam a ter mais fantasias. E entre essas fantasias está a de o que querem ser quando crescerem, algo em que também se observam mudanças. Se, há 25 anos, queriam ser professores ou astronautas, agora querem ser ricos e famosos. Seus modelos são os atletas profissionais, cantores e famosos que aparecem na televisão como grandes exemplos de sucesso. São sonhos destinados a se chocar com a realidade, porque não pode haver tantos Messis nem tantos Ronaldos quanto a quantidade de crianças que sonham em sê-lo. As Nações Unidas nos lembram que as crianças têm direito a uma infância gratificante e saudável. Isso inclui poder brincar e se divertir, mas também ter uma condição de vida que atenda às necessidades básicas. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/20/opinion/1448049716_380837.html. Acesso em: 26/07/2016. O le si a B ilk ei /S hu tte rs to ck .c om m ic ha el ju ng /S hu tte rs to ck .c om Th om as D ec o/ S hu tte rs to ck .c om C R E AT IS TA /S hu tte rs to ck .c om 47Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 47 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 47 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 48 Cidadania Moral e Ética Sugestão de leitura //// Valores: respeito e convivência Autor: Gabriel Chalita Os temas deste volume — como o respeito por si mesmo e pelo outro, os direitos e deveres de cada cidadão, as regras e leis da sociedade — possibili- tam discussões relevantes na vida dos adolescentes, que estão começando a entender o mundo e a se colocar dian- te dele de modo crítico, participando e construindo sua identidade. Valores: cooperação e igualdade Autor: Gabriel Chalita Respeitar as pessoas em qualquer idade — da criança ao idoso — é o princípio básico de qualquer sociedade digna em que há justiça, cooperação e igualdade, sem nenhuma espécie de discriminação. Neste volume, são abor- dadas, principalmente, as questões re- lativas aos idosos. O livro também trata do equilíbrio entre a razão e a emoção e da valori- zação da solidariedade e da igualdade, ressaltando o respeito aos diversos gru- pos sociais cujas origens e tipos de vida são diferentes dos nossos. Valores: solidariedade e gratidão Autor: Gabriel Chalita Este volume tem como objetivo pro- por reflexões sobre a solidariedade e a gratidão, valores fundamentais à con- vivência e à formação de indivíduos conscientes de seu papel na família, na escola e na sociedade. Pela leitura de textos informativos e ficcionais, o cida- dão em formação entrará em contato com alguns problemas atuais e poderá refletir sobre soluções simples e possí- veis para uma convivência saudável e solidária, pautada na compreensão, na vontade, na iniciativa e na tolerância, matérias-primas essenciais na constru- ção de um mundo mais digno, justo, pacífico e saudável. Mais respeito! Autor: William Sanches Neste livro, William Sanches relata suas experiências como educador discutindo a questão da violência e do respeito na sala de aula. O autor aponta caminhos para se estabelecer uma relação harmô- nica entre alunos e professores para que o resultado do trabalho educacional nas escolas seja mais produtivo e que ambos ganhem em aprendizagem. Questões para reflexão? 1. Para você, o que é brincar? 2. Como é sua forma de lazer e de seus amigos? 3. Ao longo do tempo, houve mudanças no modo de praticar o lazer tanto entre amigos como em família? 4. Como era a forma de lazer no tempo dos seus pais e como é a sua atualmente? 5. Você acha que as antigas formas de lazer são semelhantes às de hoje em dia? 6. Qual é a sua opinião sobre o texto e sua relação com o tema do capítulo? Regras para conviver em grupos Para garantir a convivência em grupo, foram criadas algumas regras. No cinema, no teatro, nos estádios, nas quadras e nas praças públicas são determinados alguns comportamentos adequados a cada ambiente. Por exemplo: • Quando você vai ao cinema, o silêncio é um aspecto importante a ser respeitado. Caso você converse, cante, fique de pé ou use o telefone celular, irá atrapalhar o outro que quer assistir ao filme. • No momento em que você frequenta uma praça pública e joga lixo no chão, quebra um brinquedo ou brinca em brinquedos que não são adequados para a sua idade, você está desrespeitando o direito da outra pessoa. • A piscina e a praia oferecem momentos de lazer para toda a família, porém algumas re- gras precisam ser respeitadas: evitar brincadeiras perigosas, evitar comer e beber dentro da água e usar roupas de banho adequadas são algumas delas. Você tem respeitado as regras no ambiente de lazer coletivo? M on ke y B us in es s Im ag es /S hu tte rs to ck .c om S to ck -A ss o/ S hu tte rs to ck .c om 48 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 48 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb48 05/01/17 17:47 49Manual do Educador – 6o ano 1. Forme dupla com um colega e elabore, com seu professor, tópicos de regras de convivência para sua sala de aula. Em seguida, façam um cartaz e exponham a produção. 2. A fotografia abaixo foi tirada no estádio do Barcelona, considerado um dos melhores times de futebol do mundo. O Barcelona é conhecido mundialmente, entre outros fatores, pela qualidade técnica dos jogadores e pela grandiosa torcida. Questão de ética? Agora, escreva três regras de como se comportar: a. como um atleta do Barcelona durante um jogo. Resposta pessoal b. como um torcedor do time que vai ao estádio assistir a uma partida. Resposta pessoal 3. Leia o texto a seguir e responda ao que se pede. Como se comportar no cinema, no teatro ou nos espetáculos em geral • Seja pontual. Nada de chegar atrasado, pois isso implicará importunar os outros para chegar ao seu lugar. • Nada de papinho com o vizinho. Se você foi, é para prestar atenção e respeitar o espetá- culo com silêncio. • Não saia no meio da sessão para nada, a não ser em caso de vida ou morte. Intervalos, se tiver, foram feitos justamente para sair sem atrapalhar ninguém. • Balas, pipocas, chocolates e outros pacotes devem ser consumidos na maior discrição, sem barulhinhos excessivos. C hr is tia n B er tr an d/ S hu tte rs to ck .c om 49Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 49 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 49 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 50 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Educação e lazer: possíveis relações? Segundo Nelson Carvalho Marcelli- no, a educação para o lazer pode ser compreendida também como uma fer- ramenta de defesa contra a homoge- neização e internacionalização dos con- teúdos veiculados pelos diversos meios de comunicação de massa, diminuindo seus efeitos por meio da ampliação e do desenvolvimento do espírito crítico. A ação conscientizadora da prática educativa, ao assimilar a ideia e forne- cer meios para que os indivíduos vi- venciem um lazer criativo e gratifican- te, torna possível o desenvolvimento de atividades até com um mínimo de recursos, ou contribui para que os re- cursos necessários sejam reivindicados, pelos grupos interessados, junto ao Po- der Público. A educação para o lazer deve ser adaptada às necessidades locais, levan- do em consideração os diferentes sis- temas sociais, culturais e econômicos, assim como deve ser um processo de aprendizado contínuo, que incorpora o desenvolvimento de atitudes, valores, conhecimentos e aptidões. Isso permite ao sujeito novos horizontes, possibili- tando a melhoria na qualidade de vida, com condições objetivas e progressivas, dando acesso a todos às riquezas social- mente produzidas, historicamente acu- muladas e que representam alternativas de construção da cultura humanizada. A viabilidade de uma intervenção pedagógica efetiva, segundo Silva e Schwartz, deve-se pautar em princípios éticos, como responsabilidade, no que se refere aos compromissos assumidos; respeito, ao valorizar a cultura e os cos- tumes; e formação permanente, quan- do se menciona a aquisição de conhe- cimentos sobre a realidade social. Ao compreender o lazer como veícu- lo de educação, é necessário considerar suas potencialidades para o desenvolvi- mento pessoal e social dos indivíduos. As atividades de lazer, tendo cumprido seus objetivos, como o relaxamento, o prazer propiciado pela prática ou pela contemplação e a compreensão da rea- lidade, favorecem o desenvolvimento social pelo reconhecimento das respon- sabilidades sociais a partir do incentivo ao autoaperfeiçoamento e ampliação dos sentimentos de solidariedade. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/ fef/%20article/%20view/128/1489.Adaptado. Acessado em: 30/05/2014. Anotações Respeito – Desrespeito – Bom-senso – Atitude – Relaxamento – Regra Não toque em nada; não passe na frente de outras pessoas que estão apreciando obras expos- tas; tenha comportamento sere- no, sem comentários ou risos al- tos. 5. Encontre as palavras do quadro abaixo no caça-palavras. Após encontrar as palavras, co- mente: “Cada ambiente social possui sua identidade e suas regras práticas”. Por que devemos aprender a im- portância dessa lição? R E L A X A M E N T O G N V B G S H D U J R E A M R E G R A S D G F V T O E A J K N H D B F G I O S A B O M S E N S O T L P B G J C N V H D T U O E P A N S H D B F J D P I C B N D H F V T E E P T A N C H D B C J K R L O N H C B X V F D T W D E S R E S P E I T O G - • Celular só desligado ou no modo silencioso. • A maneira correta de aplaudir é deixar uma das mãos parada, firme e forte, enquanto os dedos da outra são batidos na palma dela. • Se é a sua primeira ida a algum espetáculo desconhecido, como uma ópera, preste aten- ção nos outros e só bata palmas quando todos o fizerem. Um aplauso fora de hora é muito inconveniente. Adaptado de: http://dudesmodernos.com/2007/11/20/como-se-comportar-no-cinema-teatro-ou-espetaculos-em-geral/. a. Circule, no texto acima, as regras que você costuma respeitar. Resposta pessoal b. Discuta com seus colegas outras regras para se comportar nesses lugares. 4. Observe a cena abaixo e escreva as regras que as pessoas estão desrespeitando. 50 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 50 26/12/16 17:04 ME_CMeE_6A_2017.indb 50 05/01/17 17:47 51Manual do Educador – 6o ano Para refletir Conta comigo Adaptado de um conto de Stephen King, em Conta comigo, conhecemos quatro amigos tipicamente adolescentes que aproveitam como podem o final das férias escolares durante a década de 1960. O grupo é formado pelo rebelde Chris, o introspectivo Gordie, o explosivo Teddy e o nerd Vern. Tudo vai dentro da normalidade, até que Vern descobre que um garoto da vizinhança morreu atropelado por um trem e que ninguém sabe exatamente o local onde o corpo está. Como uma aventura, os quatro amigos deixam suas casas para passar o fim de semana na floresta movidos pela ideia de ver um homem morto. O filme nos conduz quase como um quinto integrante do grupo, que passamos a conhecer cada vez mais durante o percurso. Com o desenrolar da trama, vamos perceber que a vida não tem sido fácil para nenhum deles, que se apegam como podem aos momentos finais de uma infância que parece não os querer mais, ao mesmo tempo em que começam a perceber a chegada de um mundo adulto bastante temido. Em Conta comigo (que, voltando a lembrar, possui uma história voltada para o drama), existe o medo de algo inevitável e do qual não se pode fugir: crescer e aceitar a vida como ela é. Os garotos percebem isso empiricamente e, mesmo que tentem se mostrar fortes, são, na realidade, fracos e não sabem como lidar com tais acontecimentos. O filme possui momentos que exemplificam isso através de cada um dos personagens e seus temores interiores. Chris é o jovem rebelde da trama, mas que, durante uma conversa noturna com seu amigo Gordie, retira todas as máscaras e chora compulsivamente de raiva dos adultos e de como é fraco diante de um. O mesmo Gordie vive com o peso da morte do irmão, que, para a família, era o filho preferido. Afirmar que o medo mostrado pelos personagens de Conta comigo seja o principal pilar de sustentação da obra seria completamente falso. Trata-se apenas de um dos elementos da trama, mas que, por ser apresentado dentro de uma forma poética, quase lúdica, acaba passando despercebido, diluindo-se dentro da narrativa. Principalmente porque o filme trabalha de forma magistral elementos nobres como a própria perda da inocência, o valor da amizade e a importância dos momentos que marcam as pessoas. [...] Disponível em: http://bocadoinferno.com.br/criticas/2015/07/conta-comigo-1986/. Acesso em: 26/072016 51Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 51 15/12/16 16:14ME_CMeE_6A_2017.indb 51 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 52 Cidadania Moral e Ética Dinâmica de grupo – respeito aos valores pessoais Objetivo Propiciar a descontração e a inte- gração entre as pessoas, além da aná- lise da importância da relação entre a vitória e a derrota dentro do grupo. Material Uma bexiga e um pedaço de bar- bante para cada participante. Desenvolvimento É preciso que seja entregue, para cada participante, uma bexiga e um pedaço de barbante. Em seguida, peça para que cada um encha a sua bexiga, amarre no barbante e depois amarre o barbante no próprio torno- zelo. Quando todos tiverem executa- do o que foi pedido, o facilitador soli- cita que todos se encaminhem para o centro da sala e diz: “Aquele que me apresentar a bexiga cheia ganha um bom prêmio”. Normalmente, ao ouvir a ordem, todos saem tentando estou- rar a bexiga um do outro, ao passo que bastaria que todos apresentas- sem suas bexigas para que todos ga- nhassem o prêmio. Questões para discussão: • Recolocar a ordem dada e ques- tionar se, em algum momento, foi colocado que somente um deveria apresentar a bexiga cheia. • Dentro de um grupo, o que é mais importante: a competição ou a cooperação? • Como alcançamos a cooperação? • Qual a importância da vitória e da derrota dentro do grupo? • Quais as possíveis implicações des- se tipo de atitude para o indivíduo e para o grupo? • Como podemos minimizar a com- petição natural? Sugestão de Abordagem Anotações Questões para reflexão? 1. Qual é a mensagem que o filme passa sobre a amizade? 2. Você já teve algum momento de querer fazer parte de um grupo de amigos para realizar aventuras? Por quê? Quais aventuras seriam? 3. Percebemos que, ao longo do filme, as crianças tiveram que não só cumprir regras, mas também reinventá-las conforme as circunstâncias da aventura. O que acha dessas mudanças? 4. Qual é a sua opinião sobre o texto e sua relação com o tema Regras para se conviver em grupos? Lazer e segurança Os momentos de lazer ficam sempre em nossa me- mória por se tratar de momentos em que estamos felizes e, geralmente, acompanhados pelas pessoas de quem gostamos. O lazer diz respeito ao tempo que sobra do horário de trabalho, estudo e/ou do cumprimento de obrigações aproveitável para o exercício de atividades prazerosas. A segurança é o estado, a qualidade ou a condição de quem ou do que está livre de perigos, incertezas, as- segurado de danos e riscos eventuais; situação em que nada há a temer. Todas as formas de lazer, portanto, têm normas que as regulam para que as pessoas que as praticam pos- sam executá-las com segurança e garantia de que nada lhes acontecerá. Mesmo assim, muitas crianças se acidentam em seus momentos de lazer por falta de segurança. Cerca de 90% desses acidentes com crianças poderiam ser evi- tados com medidas preventivas bastante simples. Algu- mas dessas medidas são: • Ações educativas. • Modificações no meio ambiente. • Modificações de engenharia. • Criação e cumprimento de legislação e regulamen- tação específicas. Fa m Ve ld /S hu tte rs to ck .c om 52 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 52 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 52 05/01/17 17:47 53Manual do Educador – 6o ano 1. Muitas crianças se acidentam ao longo do ano por falta de segurança. Discuta com sua tur- ma e, depois, escreva, pelo menos, um exemplo de ação preventiva de cada item. a. Ações educativas. Sugestão de resposta Ensinar a criança a brincar no brinquedo de modo seguro. b. Modificações no meio ambiente. Ensinar a criança a perceber que, quando chove, o piso fica mais escorregadio. c. Modificações de engenharia. Construir espaços com mais segurança. d. Criação e cumprimento de legislação e regulamentação específicas. Estabelecer legislação, regulamentação e fiscalização em relação aos espaços de lazer. a. a t r e o n p e t l A m o Atropelamento c. E n t g a o s g n a e m Engasgamento e. I n t a c o x ã i ç o Intoxicação g. v o t a n m e n e e n E n Envenenamento b. a f o t o g A m e n Afogamento d. S u ç o ã f o c a Sufocação f. Q u d e a Queda h. Q u e a i m d r u a Queimadura 2. Desembaralhe as letras, escreva a palavra correspondente ao acidente que pode ocorrer num momento de lazer e apresente atitudes que podem prevenir cada exemplo. Questão de ética? 53Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 53 26/12/16 17:11 ME_CMeE_6A_2017.indb 53 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 54 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Educação para o lazer e escola: desvelando possibilidades A escola é evidenciada como um dos pilares básicos na sociedade para a for- mação moral, cívica e ética dos indiví- duos e também da própria comunidade na qual se encontra inserida. Essa res- ponsabilidade da escola é inegável e a torna uma instituição fundamental na estruturação dos valores e mudanças de atitudes em frente à vida em sociedade. A educação para o lazer tende a en- volver várias organizações educativas, e as instituições de educação formal deverão se comprometer a exercer um papel ativo diante dessa questão. Faz- -se necessário o compartilhamento das obrigações entre comunidades e esco- las, no sentido de educar os jovens para a realidade. As diferentes disciplinas escolares, devem buscar a reflexão sobre a edu- cação para o lazer. No entanto, a atual prática escolar nos remete a perceber que somente a Educação Física e a Edu- cação Artística têm uma maior relação com o lazer, transmitindo práticas a serem vivenciadas com maior engaja- mento corporal. As abordagens de ensino e aprendiza- gem da educação para o lazer nas esco- las devem ocorrer individualmente e em grupos, dentro ou fora do ambiente es- colar, proporcionando que o educando seja mais estimulado do que instruído. Tal processo só tem sentido à medi- da que procura satisfizer as necessida- des individuais e sociais. A escola, ao desconsiderar fatores que também de- sempenham um papel importante na formação do aluno, ignorando todos os processos educativos que atualmente se produzem à margem dela, torna-se en- fraquecida, limitando-se a ensinar para o momento e a não dar bases para um reajuste permanente de conhecimentos e capacidades exigido numa sociedade que evolui de maneira acelerada. Para gerar continuamente novas competências diante de uma realidade cada vez mais dinâmica, faz-se necessá- rio investir na formação e capacitação de agentes comunitários, compromissados com a disseminação de valores e conteú- dos do lazer junto às comunidades, como também cobrar dos profissionais do la- zer atualizações dos conhecimentos para atender às novas necessidades. A impor- tância da formação científica encontra- -se aí explicitada, auxiliando na contínua aquisição desse conhecimento. Torna-se premente elevar as discussões relacionadas à educação para o lazer em todos os cenários e foros apropria- dos, assim como apoiar a implemen- tação de estratégias e programas de educação para o lazer. Ao unir esforços para introduzir estratégias de educação para o lazer, os benefícios deste ficarão acessíveis a todos. Disponível em: http://www.revistas.ufg.br/index.php/ fef/%20article/%20view/128/1489. Adaptado. Acessado em: 02/06/2014. 3. Você conhece algum lazer que seja perigoso e que pode povocar acidentes? Sobre isso, escreva, em seu caderno, duas formas de lazer que podem provocar acidentes e explique como podem ocorrer. Resposta pessoal 4. Observe a cena a seguir e escreva, pelo menos, três acidentes que podem acontecer. Resposta pessoal 5. Você conhece alguém que se acidentou durante um momento de lazer? Se sim, converse com essa pessoa para saber como foi e compartilhe a experiência com sua turma. Resposta pessoal 6. Esporte, recreação e lazer são coisasdiferentes que, por vezes, são confundidas. Leia as dicas a seguir e escreva, no local indicado, A, se corresponde a um cuidado antes do jogo ou da recreação; ou D, se durante. a. ( A ) Observar os níveis de dificuldade de cada esporte para saber se são compatíveis com a idade e o tamanho da criança. b. ( A ) Para andar de bicicleta, patins ou skate, a criança deverá sempre utilizar roupas adequadas e proteção apropriada (capacete, joelheiras e cotoveleiras), além de praticar em locais seguros. c. ( A ) Evitar que crianças machucadas realizem atividades que possam vir a lesioná-las ainda mais. d. ( A ) Fazer um exame médico completo. e. ( A ) Checar se a pessoa que treina a criança poderá prestar um serviço de primeiros socorros em caso de acidente. i-m -a -g -e /S hu tte rs to ck .c om 54 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 54 26/12/16 17:04 ME_CMeE_6A_2017.indb 54 05/01/17 17:47 55Manual do Educador – 6o ano f. ( D ) A criança deverá ser supervisionada por um adulto. g. ( D ) Garantir que a criança beba bastante líquido para evitar a desidratação. h. ( A ) Os responsáveis pelas crianças (pais, tios, treinadores, etc.) devem dar o exemplo e praticar apenas atividades seguras. i. ( A ) Sempre deixar o telefone de contato, o endereço e as informações médicas com o adulto responsável pelas crianças para o caso de ocorrer algum acidente. 7. Em um cartaz, desenvolva uma história em quadrinhos sobre um momento de lazer sendo realizado de forma segura. Resposta pessoal 8. Observe a imagem, pense sobre o questionamento feito e exponha seu argumento de modo crítico e organizado. Em que medida o brincar ajuda no desenvolvimento da criança? Resposta pessoal P oz ny ak ov /S hu tte rs to ck .c om 55Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP2.indd 55 26/12/16 17:04 ME_CMeE_6A_2017.indb 55 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo2 Ética na comunidade 56 Cidadania Moral e Ética Sugestão de leitura //// Ética, educação, cidadania e direitos humanos Autor: Eduardo Carlos Bianca Bittar Ao abordar a crise axiológica atual e discutir o desmoronamento dos arquétipos institucionais que orien- tavam o pensamento, a conduta e as estruturas sociais, o autor analisa transformações em meio às mudan- ças pós-modernas. Enfrentando te- máticas sociais, discute cidadania, éti- ca, engajamento político, etc. Dialoga com Paulo Freire na educação, discu- te a situação da cidadania brasileira, polemiza Habermas e seu projeto cosmopolita, abre discussão sobre os direitos humanos na ordem interna- cional e discute valores e problemas políticos, entre outras contribuições Ética e cidadania na educação Autor: João Baptista Herkenhoff Os capítulos iniciais deste livro tratam de temas teóricos, como os fundamentos básicos da ética. Os se- guintes abordam questões práticas e essenciais à educação, como dis- ciplina e cidadania. Os questionários ao final dos capítulos servem de sub- sídio, motivando a análise crítica de cada tema. Ética Autor: Adolfo Sánchez Vázquez Ao elaborar este volume, o grande objetivo de Adolfo Sánchez Vázquez foi introduzir o leitor nos problemas fundamentais da ética na moderni- dade. Sánchez Vázquez se propõe a examinar os diversos fatores sociais que contribuem para a prática da moral. Ele mostra que a moral é uma forma do comportamento humano que se concretiza apenas quando as pessoas estão vivendo em socieda- de — segundo o autor, a moral existe necessariamente para cumprir uma função social. Anotações Questões para reflexão? 1. Os números apontados pelos bombeiros chegam a causar algum espanto? Por quê? 2. Você chega a brincar em alguma modalidade apontada nas informações do corpo de bombeiros? Se sim, como faz para prevenir acidentes? 3. Pense e escreva um comentário sobre a seguinte questão: prevenir ou reme- diar? O que custa menos no bolso e na harmonia dos pais? 4. Qual é a sua opinião sobre o texto e sua relação com o tema Lazer e segurança? Para refletir Leia o texto a seguir. Depois, faça uma reflexão com seus colegas e responda às perguntas apre- sentadas. Acidentes com crianças no verão Anualmente, aproximadamente seis mil crianças morrem e 140 mil são hospitalizadas vítimas de acidentes que poderiam ser facilmente evitados com cuidados básicos por parte dos adultos. E, no verão, com as férias escolares, o índice de aciden- tes é elevadíssimo. Diversos são os fatores que influenciam o au- mento do índice de acidentes com crianças nesse período, tais como: número elevado de viagens no trânsito; mais tempo ocioso em casa; mais tempo para brincar no quintal, no mar, em lagos e rios; atividades com bicicletas, patins, skate, patinetes, pipas e outros, vitimando crianças com queima- duras por exposição ao sol ou por contato com materiais incandescentes, quedas, intoxicação, envenenamento, lesões por acidentes de trânsito, desidratação, insolação, afogamentos, asfixia, cho- ques elétricos e outros. Disponível em: http://www.cb.es.gov.br/conteudo/dicas/detalhe/default. aspx?id=4f2fbe95-a851-4e07-87d4-29284d831692. Acesso em: 23/10/2013. Adaptado. S uz an ne T uc ke r/ S hu tte rs to ck .c om 56 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 56 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 56 05/01/17 17:47 57Manual do Educador – 6o ano Seja respeitado por ser diferente Um carpinteiro e seus auxiliares viajavam em busca de material para construções. Viram uma árvore gigantesca: cinco homens de mãos dadas não conseguiam abraçá-la, e seu topo era tão alto que quase tocava as nuvens. — Não vamos perder nosso tempo com esta árvore — disse o mestre carpinteiro. — Para cortá-la, demoraremos muito. Se quisermos fazer um barco, ele afundará, de tão pesado que é o seu tronco. Se resolvermos usá-la para a estrutura de um teto, as paredes terão de ser exa- geradamente resistentes. O grupo seguiu adiante. Um dos aprendizes comentou: — É uma árvore tão grande e não serve para nada! — Você está enganado — disse o mestre carpinteiro. — Ela seguiu seu destino à sua ma- neira. Se fosse igual às outras, nós já a teríamos cortado. Mas, porque teve coragem de ser diferente, permanecerá viva e forte por muito tempo. Devemos ter algo de grandioso que sempre possa nos diferenciar: um conhecimento mais profundo, uma habilidade específica, algo que as pessoas respeitem e que não possam demolir. Pense no que você é bom e como pode se diferenciar dos outros e invista nisso. Revista Construir Notícias. n. 23, ano 04, Recife: Construir, jul./ago. 2005. N ex tM ar s/ S hu tte rs to ck .c om 57 BOOK_CMeE_6A_2017 57 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 57 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 58 Cidadania Moral e Ética • Compreender a importância da ética na construção das relações sociais. • Refletir sobre as posturas éticas que permeiam os nossos momentos de diversão. • Debater a ética como fundamento da amizade. Objetivos Pedagógicos Dinâmica da amizade Objetivo: Despertar para a importância que te- mos na vida das pessoas que estão ao nosso redor e da confiança que precisa existir na caminhada do grupo. 1. Clarear os passos: Convide os alunos a formarem duplas, ficando um ao lado do outro. A dupla combina quem será o cego e quem será o guia. O cego fecha livremente seus olhos e é auxiliado pelo guia. O guia, de olhos abertos, dá o seu ombro ou a sua mão e o ajuda. Enquanto isso, o aluno deve ficar atento aos sentimen- tos que experimenta: • Como cego, o que sente ao ser au- xiliado? • Como guia, o que sente enquanto auxiliador? 2. Caminhando: As duplas (cego e guia) seguem por diversos caminhos. Depois, o animador da dinâmica orienta que se mudem os papéis: quem é cego torna-se guia, e quem guiava passa a ser o cego. Sugestão de Abordagem 3. Partilha: Dê um sinalde parada e peça para que as duplas voltem aos seus lugares para partilhar com o grupo a experiên- cia vivenciada: o que sentiram como ce- gos e como guias? Como isso se aplica à nossa vida e à vida do grupo? E em nossas relações de amizade? Anotações Ca pí tu lo3 Conhecimentos prévios • Será que eu respeito meus amigos? • As minhas brincadeiras confirmam de maneira ética os meus comportamentos? • Ter cuidado comigo e com o próximo é uma atitude ética? • Suas amizades colaboram para uma ética do humano? • Afinal, o que é ética? Ética com meus amigos Observe as imagens abaixo e converse com seu pro- fessor sobre a relação entre as fotos e o tema do capí- tulo: Ética com meus amigos. Vamos dialogar! D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : M on ke y B us in es s Im ag es , C on st an tin e P an ki n, M on ke y B us in es s Im ag es , M ar co s M es a S am W or dl ey /S hu tte rs to ck .c om BOOK_CMeE_6A_2017 58 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 58 05/01/17 17:47 59Manual do Educador – 6o ano Assim como o trabalho, a educação e o esporte, a diversão também exige que você aja com responsabili- dade, buscando a melhor forma de conviver com a outra pessoa. Para você se divertir, não é necessário que o outro seja prejudicado ou tenha seus direitos violados. Muitas vezes, torna-se difícil saber se a escolha que fizemos é certa ou errada. Temos que tomá-la, acredi- tando que os nossos costumes nos ajudam a tomar a melhor decisão. Por exemplo: você está mergulhando em uma piscina e molha todas as pessoas que estão na borda aprovei- tando o sol. Você agiu com liberdade, porém não res- peitou o outro que estava fora da água. Você agiu com impulso e desrespeitou as regras de convivência com aquelas pessoas, que, com motivo, ficarão chateadas por terem sido molhadas. Ética na diversão 1. Relendo os conhecimentos prévios e as imagens na página anterior, escreva exemplos para as atitudes abaixo: a. Você agiu com liberdade e respeitou os demais. Resposta pessoal b. Você agiu com liberdade e desrespeitou os demais. Resposta pessoal c. Você respeitou os demais, mas não agiu com liberdade. Resposta pessoal Questão de ética? Olesia Bilkei/Shutterstock.com 59Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 59 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 59 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 60 Cidadania Moral e Ética Fundamentação A amizade para Aristóteles A amizade é uma virtude extrema- mente necessária à vida. Mesmo que possuamos diversos bens, como rique- za, saúde e poder, não será suficiente para nossa realização plena, pois nos falta a essencial e indispensável amiza- de. Na ética aristotélica, quanto mais in- fluência e poder manipular um homem, mais necessidade ele terá de ter ami- gos. A justiça e a amizade possuem os mesmos fins, mas considera-se a ami- zade superior à justiça, pois esta última é utilizada para contornar nossos atos em relação ao próximo que não co- nhecemos. Com os nossos amigos, não precisamos de justiça, pois a natureza da amizade nos é completa, como a mais autêntica forma de justiça. De acordo com a proporção da fai- xa etária de cada indivíduo, a amiza- de apresentará uma função específica. Para os jovens, ela ajuda a evitar o erro; para os mais velhos, serve de amparo para as suas necessidades e suprime as atividades que declinam com o passar dos anos, porque dois que andam jun- tos são mais capazes de agir e pensar. Sua utilidade se estende ainda mais, ela mantém cidades unidas, pois assegura a unanimidade e repele o faccionis- mo. Por conta disso, afirma Aristóteles: “A amizade não é apenas necessária, mas também nobre, pois louvamos os homens que amam os seus amigos, e considera-se que uma das coisas mais nobres é ter muitos amigos. Ademais, pensamos que a bondade e a amizade encontram-se na mesma pessoa”. A condição necessária e basilar para se formar uma amizade se dá pelo co- nhecimento de uma a outra pessoa que desejam, entre si, reciprocamente, o bem, assim como a condição espe- cífica para ser objeto de amor é ter um caráter bom, agradável e útil. Aristóte- les acrescenta que deve existir mais de uma forma de amizade; nesse sentido, apresenta três espécies de objetos de amor: o que é bom, o agradável e o útil. Desses três objetos, nascem três espé- cies de amizade. Encontra-se em situação de superioridade aquela que é motivada pelo bem, pois é duradoura. Enquanto a agradável está relacionada aos jovens, e a terceira parece existir, principalmente, entre as pessoas idosas, pois nessa ida- de buscam não o agradável, mas o útil. Nesses tipos de amizade, as pessoas bus- cam seus próprios interesses para terem alguém que lhes proporcione prazer ou alguma utilidade. Não ama o amigo por ele mesmo, mas na medida em que ele pode proporcionar algum bem; utiliza a amizade para conseguir outra coisa, de modo que o amigo é tido como um meio, não como um fim. O verdadeiro amigo quer as coisas para as pessoas a quem ele ama, o amigo por acidente as quer para si. Disponível em: http://www.consciencia.org/o-conceito- de-amizade-em-aristoteles. Adaptado. Acessado em: 02/06/2014. 2. Escreva um pequeno texto relatando suas opiniões a respeito do que sejam ética e liberdade. Resposta pessoal 3. Faça o que está sendo solicitado. Resposta pessoal a. Leia, no dicionário, a definição de ética e liberdade e copie-as em seu caderno. Em seguida, discuta com o professor as definições encontradas. b. Compare as duas definições e, baseado nas duas, escreva novamente o que é ética. 4. Encontre termos relacionados à ética no caça-palavras a seguir. Após identificar as palavras, escolha uma e elabore um comentário crítico, justificando a importância de vivenciar essa palavra no dia a dia. Discuta com os seus colegas sobre as respostas dadas. H N H C O N V Í V I O G G B Y É G T B H T V B Í N H P A V B G S H D U J R E V B D C W N H B G T V F R B H N R K F L Õ S B D G F V K C F G S J B T V G C R F G J K M L Ã J K N H D R E S P E I T O L Ç P N H Y C T V G B O L A B S H D B C N H D W C U C M K O B H Y V G T C R N D B G J C N V H D T Y N C R I M L B Y G T V F R C Á I L P A N S H D B F J U L Ç V E L O N U B T G V F R L A L C O M P R E E N S Ã O C W D M C T V H Ê D C V F H P L À N C H D B C J K R P L Ç A P Ç I J Ú B T V G R F L D N H C B X V F D T W V W C D V G T C E W X F C G B R E S P O N S A B I L I D A D E Ç P Ç P M K N J B H V Á B G E T C V B S N M F H G N T D I G N I D A D E G T P L Ã N C H D B F U W M Q N C G D X F C G V H B J B J N H A B C J S M S O L I D A R I E D A D E B Y V T V G 60 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 60 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 60 05/01/17 17:47 61Manual do Educador – 6o ano Sugestão de leitura //// Saber cuidar Autor: Leonardo Boff Tudo o que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver — uma planta, um animal, uma criança, um idoso, o planeta Terra. Uma antiga fábula diz que a essência do ser humano reside no cuidado. O cuidado é mais fundamental do que a razão e a vontade. Este livro pro- cura detalhar o cuidado em suas vá- rias concretizações — cuidado com a Terra, com a sociedade sustentável, com o corpo, com o espírito, com a grande travessia da morte. A ótica do cuidado funda uma nova ética, com- preensível a todos e capaz de inspirar valores e atitudes fundamentais para a fase planetária da humanidade. Anotações 5. De acordo com o que você estudou neste capítulo, quais são as ações éticas nas imagens abaixo? Justifique sua resposta. Leia o texto abaixo e responda às questões 7 e 8. Saber cuidar O amor é o fundamento do fenômeno social, e não uma consequência dele. Em outras palavras, é o amor que dáorigem à sociedade; a sociedade existe porque existe o amor, e não o contrário, como convencionalmente se acredita. Se falta amor (o fundamento), destrói-se o social. Se, não obstante, o social persistir, ganha a forma de agregação forçada, de dominação e de violência de uns com os outros, coagidos a se encaixarem. Por isso, sempre que se destrói o encaixe e a congruência entre os seres, destrói-se o amor e, com isso, a sociabilidade. O amor é sempre uma abertura ao outro e uma convivência e comunhão com o outro. BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 1999. A 1 2 3 4 5 6 7 8 9 D SI O C E ED O 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 M TA C R O ME O TP N 4 5 6 3 7 2 1 8 9 S O C I E D A D E 5 1 2 8 7 6 4 3 10 9 11 13 12 C O M P O R T A M E N T O Resposta pessoal 6. As letras de duas palavras estão embaralhadas. Insira as letras de acordo com seu respec- tivo número e as ordene. Em seguida, responda em seu caderno: que relação deve haver entre os conceitos encontrados? D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : R aw pi xe l, ro be rt c ic ch et ti, O lly y, E Q R oy /S hu tte rs to ck .c om 61Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 61 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 61 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 62 Cidadania Moral e Ética Sugestão de leitura //// Sobre a amizade Autor: Marco Túlio Cícero Não há bem maior do que a amiza- de.” Essa máxima vem sendo afirmada e repetida desde a Antiguidade. Mas como saber se uma amizade é de fato autêntica? Quais parâmetros éticos e morais devem reger uma relação en- tre amigos? Essas e outras questões já preocupavam Marco Túlio Cícero, a tal ponto que um de seus trabalhos funda- mentais foi justamente o texto Sobre a amizade. Escrito em 44 a.C., este livro é um pequeno tratado no qual Cícero diz estar reproduzindo uma conversa na qual um dos participantes está entris- tecido com o falecimento de seu amigo Cipião. O diálogo só existe, efetivamen- te, em poucas passagens do texto, pre- valecendo, na verdade, uma envolvente exposição de teses sobre o tema. Educar para a amizade Autor: Gerardo Castillo A amizade ocupa um papel central na formação da personalidade. É por meio dela que a pessoa, ainda na adolescên- cia — a idade da amizade — aprende a conhecer a si mesma, a ganhar con- fiança nas suas capacidades, a satisfazer inúmeras necessidades afetivas, a viver a lealdade, a sinceridade e a genero- sidade, etc. No entanto, muitos pais e professores não sabem relacionar a vida de amizade dos filhos ou alunos com esse aprimoramento da personalidade a que desejam conduzi-los. Neste livro, Gerardo Castillo mostra-lhes as orienta- ções educativas mais apropriadas para formar a autêntica amizade ao longo de cada etapa de desenvolvimento, desde a infância até a idade juvenil. O autor estuda as situações excepcionais, como os conflitos de gerações que podem surgir por causa das amizades dos jo- vens, as gangues juvenis e os adoles- centes isolados, bem como as medidas que se devem tomar para preveni-las. E, sobretudo, oferece um critério ob- jetivo numa série de temas difíceis de deslindar: Como distinguir a verdadeira amizade dos seus sucedâneos? Como escolher bem os amigos? Como ser um bom amigo? Que balizas éticas seguir na vida de amizade? Anotações A Internet trouxe a todos muitas possibilidades. Jovens e adolescentes dedicam horas de seu lazer para navegar em sites de relacionamentos, para se manter informados, para estudar e se divertir. Durante o decorrer da nossa vida, precisamos tomar decisões, e com os jovens e as crianças isso não é diferente. Daí, a necessidade de solicitar a ajuda de seus pais e familiares para se proteger de algumas armadilhas oferecidas pela Internet. Observe uma pesquisa realizada entre os jovens que usam a Internet. • 49% dos jovens aprenderam a usar a Internet sozinhos. • 80% se dizem muito mais habilidosos que seus pais. • 80% têm redes sociais como sites preferidos. • 47% ficam conectados por mais de 4 horas. • 65% não se importam com as regras de navegação. • 22% recorrem aos pais em situação de perigo on-line. Disponível em: www.not1.com.br. Acesso em: 03 de março de 2011. Para refletir 7. Segundo o texto, “O amor é sempre uma abertura ao outro e uma convivência [...] com o outro”. Esse trecho é bem significativo, pois esclarece que viver em comunhão e harmonia com o próximo é praticar o amor. O que você acha dessa afirmação? Resposta pessoal 8. De acordo com o texto, o amor é um fenômeno social, ou seja, a sociedade existe por que há amor. Amar também pode ser uma atitude ética para com o próximo? Justifique sua resposta. Resposta pessoal 9. Baseado na leitura do texto Saber cuidar, pesquise, em jornais ou revistas, cenas de pes- soas com atitudes de amor e cuidado. Depois, recorte-as e cole-as em seu caderno. Resposta pessoal 62 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 62 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 62 05/01/17 17:47 63Manual do Educador – 6o ano Sugestão de leitura //// Sobre a amizade Autor: Michel de Montaigne Considerado o criador do ensaio como gênero literário, o francês Mi- chel de Montaigne versou sobre os mais diversos aspectos da natureza humana em seus textos publicados ao fim do século XVI. Neste livro, o autor mostra que, ao contrário do ca- samento, a amizade possui um calor geral e universal, permanentemente temperado e igual, um calor constan- te e relaxado, todo gentileza e poli- dez, que não tem nada de amargo nem de doloroso. A difícil vida fácil do adolescente: a arte de (con)viver Autores: Maria Carolina Negreiros, Mariangela Isaac e Sônia Sueli D’al Porto Este livro propõe um novo padrão de comunicação com os jovens, des- lizando suavemente pelas situações da adolescência de forma natural, lírica e acolhedora. Os fatos dessa fase são narrados com clareza, isen- ção de ânimo e sem juízo de valores. É um livro que não assume a tarefa de pontuar o certo e o errado, evi- tando teorizações. Anotações Questões para reflexão? 1. Você toma alguns cuidados ao usar a Internet? Quais? 2. Converse com seus colegas e seu professor sobre os perigos da Internet. Em segui- da, faça um cartaz alertando os jovens sobre as armadilhas da Internet. 3. Troque seu endereço eletrônico com seus amigos de sala e, depois, inicie um momento de bate-papo com segurança e responsabilidade. Aceitação pelos amigos Neste capítulo, será interessante analisar a importância, para um adolescente, da aceita- ção pelos amigos. O lazer, inclusive, é um aspecto por meio do qual podemos fazer grandes amizades. Atividades específicas de lazer, como, em especial, o esporte, ensinam as pessoas a se- guirem regras, a respeitarem limites e a buscarem possibilidades. Portanto, é necessário que percebamos que devemos respeitar os amigos. Também é importante defendê-los, mas sempre mantendo um limite claro em relação às regras e às possibilidades dessa amizade, para que não se venha a sofrer com consequências indesejadas. Enfim, é plenamente e até muito saudável que as pessoas mantenham amizade por meio do lazer. Entretanto, a aceitação pelos amigos deve respeitar normas claras de atitudes éticas. S at yr en ko /S hu tte rs to ck .c om 63Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 63 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 63 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 64 Cidadania Moral e Ética Propomos uma ótima dinâmica para iniciar ou aprofundar o debate sobre a concepção que o seu grupo de alunos tem sobre a amizade. Dinâmica da amizade Peça para que o grupo forme um círculo e lance uma bola entre os par- ticipantes, que a devem passar uns para os outros até que a músicaseja interrompida. Quando parar a músi- ca, quem estiver com a bola diz seu nome, quantos amigos tem e o que pensa ser importante numa amizade. Segue a dinâmica por alguns minu- tos, pedindo que as pessoas prestem atenção às falas dos colegas. Depois, inicie um debate com o grupo, destacando palavras-chaves que surgiram, reforçando o valor da amizade. Coloque também a questão dos relacionamentos virtuais e, nes- se contexto, pergunte como se pode fortalecer a amizade. Sugestão de Abordagem Anotações 1. Faça o teste a seguir para checar se você é uma pessoa sociável. Reposta pessoal I. Você costuma frequentar algum grupo social (religioso, time de futebol, grupo de estudo ou outro qualquer)? A. ( ) Nunca. B. ( ) Às vezes. C. ( ) Sempre. II. Você costuma ficar muito tempo na Internet? A. ( ) Não. B. ( ) Às vezes. C. ( ) Sim. III. Quantas pessoas você tem certeza que têm seu nome e endereço na agenda? A. ( ) Dez. B. ( ) Quinze. C. ( ) Mais de quinze. IV. Você tem facilidade para fazer amigos? A. ( ) Não. B. ( ) Às vezes. C. ( ) Sim. V. Durante um mês, em média, quantas pessoas o visitam? (É preciso contar vizinhos e parentes.) A. ( ) Duas. B. ( ) Seis. C. ( ) Mais de dez. VI. Para quantas festinhas você foi convidado no último mês? A. ( ) Nenhuma. B. ( ) Duas. C. ( ) Mais de duas. VII. Quando você recebe convite para uma festa na qual não encontrará pessoas conheci- das, o que você faz? A. ( ) Não vai. B. ( ) Vai com alguém conhecido. C. ( ) Vai só, para fazer novos amigos. Questão de ética? 64 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 64 26/12/16 16:42 ME_CMeE_6A_2017.indb 64 05/01/17 17:47 65Manual do Educador – 6o ano Como fortalecer a amizade As amizades se fortalecem com momentos de encontro de lazer, de estudo, de compartilhamento de vida, quando as pessoas se revelam e se acolhem. Sugira um momento de re- flexão, um encontro, com atividades recreativas ou culturais, como jogos, filme, debate, em que cada pessoa do grupo possa trazer um amigo e possa fazer novos amigos. Caso tenha tempo, peça aos alunos que recolham todas aquelas fotos que registram momentos alegres passados juntos e montem um painel com men- sagens sobre o que é importante na amizade. Reuna em uma caixa recados para os amigos para serem lidos em público ou retirados pessoalmente. Lembre-se de que o mais impor- tante é valorizar os laços de amizade. Afinal, quem não gosta de receber um abraço e de saber-se importante para alguém? Sugestão de Abordagem Anotações VIII. Se você estivesse precisando desabafar sobre seus problemas íntimos e pessoais, em quantas pessoas você poderia confiar para isso? A. ( ) Duas. B. ( ) Quatro. C. ( ) Mais de quatro. IX. A maioria de seus amigos é formada por indivíduos que fazem parte de que grupo? A. ( ) Família. B. ( ) Escola. C. ( ) Diferentes grupos sociais. X. Em seu aniversário, nas festas natalinas e em outros momentos, você costuma receber cartões ou cumprimentos de quantas pessoas no mínimo? (Não contar os parentes que moram no mesmo endereço.) A. ( ) Duas. B. ( ) Seis. C. ( ) Mais de dez. Resultado: • Se você marcou mais a opção A: Você é uma pessoa difícil de fazer amizade. Procure ser mais maleável e tratar melhor as pessoas, pois ninguém vai morder você se passar a conviver com elas. • Se você marcou mais a opção B: Em alguns momentos, você é agradável e bem simpático. Entretanto, há momentos em que você é casca-grossa. Procure ter mais paciência com as pessoas e respeitá-las. • Se você marcou mais a opção C: Você é muito simpático, agradável e faz amizade com facilidade. As pessoas gostam da sua companhia. Parabéns! Continue assim. Tendo feito o teste, faça uma pesquisa com, no máximo, cinco colegas da sala e registre no livro as respostas para as seguintes perguntas: • Você se considera popular? • O que fazer para ser popular na escola? • Quais são os aspectos positivos e negativos de ser popular? Resposta pessoal 65Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 65 26/12/16 16:42 ME_CMeE_6A_2017.indb 65 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 66 Cidadania Moral e Ética Fundamentação As amizades e as redes sociais Durante a puberdade e a adolescên- cia, as amizades vão ganhando progres- sivamente maior importância para os adolescentes. Fazer parte do grupo de pares é fundamental para a construção da identidade do adolescente, que as- sim vai definir os seus valores, ideias e opiniões acerca dos outros e do mundo. No entanto, o formato das amizades dos adolescentes atuais é bem diferente da estabelecida algum tempo atrás. As redes sociais trouxeram mudanças im- portantes na forma de viver e construir as amizades. Enquanto os pais desenvol- veram, predominantemente, amizades na escola, que eram suportadas pelo convívio diário com os amigos, os ado- lescentes atuais têm muitas vezes mais tempo de contato “virtual” com os ami- gos do que de contato“real”. Qual é o impacto das redes sociais nas amizades dos adolescentes? Quais as vantagens e desvantagens? Com as redes sociais, o próprio con- ceito de amizade parece ter-se alterado. Enquanto que, para construir uma ami- zade presencial, é preciso que haja um desejo mútuo de conhecer o outro, que a relação seja construída em privado, pela partilha de momentos que vão re- forçando a cumplicidade entre amigos, nas amizades nas redes sociais basta cli- car em alguém para se tornar seu ami- go, e, a partir desse momento, o outro passa a ter acesso a tudo que o amigo publicar. Além disso, enquanto na vida real todos procuram ter “poucos, mas bons” amigos, nas redes sociais os ado- lescentes, habitualmente, procuram ter muitas amizades, nas quais, geralmen- te, a quantidade suplanta a qualidade. No entanto, nem tudo é desvantagem. Em um mundo em que a maior parte dos pais desenvolveu um enorme receio de deixar os seus filhos conviver fora de casa, as redes sociais são, muitas vezes, o único local de convívio para os adolescentes. Outro aspecto importante é que as relações nas redes sociais são media- das, isso é, a relação não é feita direta- mente, como na vida real, mas através da rede social. Isso possibilita ao adolescente pensar antes de responder a um comen- tário, ao contrário da vida real, em que temos de ter a capacidade de dar respos- tas imediatas. Por um lado, isso acarreta vantagens: o adolescente pode, de forma segura, praticar as suas competências de comunicação, ganhar confiança nas in- terações sociais e construir amizades de forma mais confortável. Mas, por outro lado, pode permanecer inapto para dar resposta aos desafios que a vida real, mais cedo ou mais tarde, irá trazer a ele. Além disso, as redes sociais permitem aos adolescentes projetar característi- cas idealizadas, que não correspondem necessariamente ao que são ou a como se sentem. Por exemplo, podem colocar uma mensagem ou uma foto que trans- mite uma enorme autoconfiança e ale- 2. Dentre as atividades de lazer a seguir, com qual você mais se identifica para fazer amizades? Por quê? Resposta pessoal 3. Leia o trecho da música a seguir: Amizade sincera Renato Teixeira e Almir Sater [...] Os verdadeiros amigos do peito, de fé, os melhores amigos não trazem dentro da boca palavras fingidas ou falsas histórias. [...] D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : R ob B yr on , S am ue l B or ge s P ho to gr ap hy , M on ke y B us in es s Im ag es , V ar in a an d Ja y P at el , K ar en S tr ut he rs , d w ph ot os /S hu tte rs to ck .c om 66 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 66 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 66 05/01/17 17:47 67Manual do Educador – 6o ano gria, quando na realidade se sentem in- seguros e desanimados.Isso pode fazer com que os jovens, mesmo com inúme- ros amigos nas redes sociais, sintam-se extremamente incompreendidos e sós. A influência das redes sociais na construção de amizades é inegável. No entanto, elas não devem servir como um substituto das amizades e do conví- vio real. Fica um desafio: converse com os seus alunos sobre as amizades deles. Tente perceber se de fato têm amigos com quem possam contar, na escola e nas redes socias, e ajude-os a descobri- rem formas de se sentirem confortáveis tanto com as amizades virtuais como com as de “carne e osso”. Disponível em: http://oficinadepsicologia.com/as- amizades-e-as-redes-sociais. Adaptado. Acessado em: 03/06/2014. Leia, junto com sua turma, os pen- samentos acerca de amizade, logo abaixo, e reflitam sobre eles. Em se- guida, você pode pedir para seus alunos fazerem cartas sobre amizade. Essas cartas podem ser anônimas se, por ventura, algum aluno ficar com vergonha ou constrangido. Faça uma caixa simulando um correio para se- rem depositadas, mas lembre-se de avisá-los que, pelo menos, as cartas têm que ter remetente. “Para conseguir a amizade de uma pessoa digna, é preciso desenvolver- mos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos.” Sócrates “A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.” Millôr Fernandes “A amizade é um meio de nos iso- larmos da humanidade cultivando algumas pessoas.” Carlos Drummond de Andrade “A amizade é um amor que nunca morre.” Mario Quintana “A amizade duplica as alegrias e di- vide as tristezas.” Francis Bacon “A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor.” Joseph Addison “Quando defendemos os nossos amigos, justificamos a nossa amiza- de.” Marquês de Maricá “O amor pode morrer na verdade; a amizade, na mentira.” Abel Bonnard “A amizade é, acima de tudo, certe- za — é isso que a distingue do amor.” Marguerite Yourcenar “Nunca foi um bom amigo quem por pouco quebrou a amizade.” Pro- vérbio popular Sashahaltam. “A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada. De terminar com ela, também.” Oscar Wilde “A felicidade de um amigo deleita- -nos, enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque não existe.” Jean Cocteau “A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante o primeiro sabor.” Immanuel Kant Sugestão de Abordagem Nesse pequeno trecho, percebe-se a valorização da amizade e o quão é prazeroso ter uma. Pensando nesse excerto, crie uma história sobre uma grande amizade, entre duas pessoas, que nasceu durante momentos de lazer. Resposta pessoal 4. Escolha um colega da turma e peça que ele leia a sua história. O colega deve identificar os sinais de reflexão filosófica que a sua história possui, como, por exemplo, compreensão da ética, da amizade, etc. O colega deve deixar registrado o comentário da interpretação da leitura realizada. 5. Assista ao filme Ponte para Terabítia e, entre seus colegas de turma, opine sobre a amizade entre as duas crianças. Resposta pessoal 6. Observe a frase e, depois, escreva, em seu caderno, sua opinião sobre a moral apresentada. Resposta pessoal 7. Pesquise, em CDs, DVDs ou na Internet, uma canção que fale sobre a amizade e leia um trecho para seus colegas e seu professor. Em seguida, argumente: Resposta pessoal Um amigo, mesmo que não seja capaz de te levantar, arranjará uma forma de não te deixar cair... Por que a amizade é fundamental no exercício do desenvolvimento humano e social de cada indivíduo? 67Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 67 26/12/16 16:42 ME_CMeE_6A_2017.indb 67 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 68 Cidadania Moral e Ética Trabalhe com o texto Bobagem, de Luis Fernando Verissimo, para ilustrar uma situação comum a todas as ami- zades. Depois de realizar a leitura do texto em sala de aula e com a ajuda dos alunos, formule algumas ques- tões ligadas a temas abordados no texto, por exemplo: Vale a pena abrir mão de uma amizade por causa de um conflito? As amizades só podem ser mantidas se não houver desen- tendimento algum? O que é mais im- portante: o amigo ou a briga? Você pode encontrar esse texto no livro Comédias para se ler na escola. Sugestão de Abordagem Anotações Para refletir Leia, com a sua turma, um belo poema sobre a amizade. Um dia, a maioria de nós irá separar-se Um dia, a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, de angústia, das vésperas de fim de semana, dos finais do ano, enfim... do comportamento vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje, já não tenho tanta certeza disso. Em breve, cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez, continuaremos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocamos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... 68 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 68 15/12/16 16:14 ME_CMeE_6A_2017.indb 68 05/01/17 17:47 69Manual do Educador – 6o ano Aí, os dias vão passar, meses... anos... até esse contato se tornar cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia, nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: “Quem são essas pessoas?”. Diremos que eram nossos amigos, e isso vai doer tanto! Porém, meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida. A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para último adeus a um amigo. E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos. Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco e que pequenas adversidades sejam causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Disponível em: http://www2.dnoticias.pt/denoticias/sonhos/357385-um-dia-a-maioria-de-nos-ira- separar-se. Acesso em: 26/07/2016. Questões para reflexão? 1. Quais são as contribuições do amor e da amizade para a formação do indivíduo? 2. Você tem algum amigo de quem é inseparável? 3. Para você, qual é o valor da amizade? 4. Como você se sentiria se não tivesse amigos? 5. Você sente saudade de alguma amizade que não está com você agora? 6. Escreva uma carta para um amigo ou amiga sua expressando sua aten- ção e carinho. 69Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 69 26/12/16 16:42 ME_CMeE_6A_2017.indb 69 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 70 Cidadania Moral e Ética O que alguém faz, eu não preciso fazer Às vezes, você precisa tomar decisões que parecem ser muito difíceis. As orientações fornecidas pelos seus familiares parecem não ser suficientes para ajudá-lo em al- gumas situações. Todos nós temos a capacidade de tomar nossas próprias decisões, certas ou erradas. Porém, nem tudo que alguém faz você precisa fazer. Por exemplo: • Se seu amigo fuma, você não precisa fazer o mesmo. • Se seu grupo costuma ir ao cinema fazer barulho, atender ao celular, sujar o ambiente, você não precisa fazer o mesmo. As suas decisões em todas as situações precisam ser tomadas de acordo com seus princípios e com a educação dada por seus pais. O que seus amigos fazem ou pensam não é necessariamente uma lei a ser seguida. Assim, é pre-ciso decidir qual alternativa o deixa feliz e satisfeito e não prejudica o outro. Questão de ética? 1. Marque um x nas pessoas que estão demonstrando pouca satisfação em realizar algumas atividades com seu grupo. Em seguida, comente se o dito popular a seguir possui alguma verdade. Resposta pessoal “Dize-me com quem andas que eu te direi quem és.” K ze no n/ S hu tte rs to ck .c om Ia ko v Fi lim on ov /S hu tte rs to ck .c om 70 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 70 26/12/16 16:45 ME_CMeE_6A_2017.indb 70 05/01/17 17:47 71Manual do Educador – 6o ano Resposta pessoal 4. Em seu caderno, crie uma história em quadrinhos representando uma atividade que você faz sem a interferência do outro. Resposta pessoal a. Agora, responda: quais são as possíveis razões da insatisfação? Resposta pessoal b. Quais são as atitudes necessárias para uma boa amizade? Resposta pessoal 2. Procure, no dicionário, a definição de livre-arbítrio e escreva-a no espaço abaixo. Sugestão de resposta: Liberdade para tomar decisões de acordo com seu próprio discernimento. 3. Que atitudes você tomaria em cada situação retratada abaixo? Escreva-as. K is el ev A nd re y Va le re vi ch /S hu tte rs to ck .c om M A N D Y G O D B E H E A R /S hu tte rs to ck .c om 71Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 71 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 71 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 72 Cidadania Moral e Ética Sugestão de leitura //// Tratado sobre a convivência Autor: Julián Marías Para Julián Marías, grande parte dos males deste mundo vem de uma má relação com a verdade. O respeito à verdade, estrutura única da realidade, evita que as diferenças pessoais levem as pessoas a esquecerem os elementos comuns que as unem. A diversidade do humano deve enriquecer a convivência, não a destruir. Tratado sobre a convivên- cia convida o leitor a rejeitar a falsidade que invade os meios de comunicação e os novos modos de vida. Nestes escri- tos, o autor analisa o presente e repassa o passado para exortar à reflexão e si- tuar o leitor no futuro. Eu e os outros Autora: Maria Helena Pires Martins Este livro trata das regras de con- vivência, proteção, organização, etc. Como vivemos em comunidade, o li- vro discute também a responsabilidade pessoal diante dos conflitos morais, a fim de que a autonomia não seja con- fundida com individualismo. Pedagogia da convivência Autor: Xésus Jares Este livro é um convite ao diálogo, à reflexão crítica e à participação global sobre um tema fundamental para nosso modelo educativo e social — afirmar a necessidade e a possibilidade de edu- car para a convivência a partir de cri- térios democráticos. Respeito, direitos humanos, ternura, diálogo, solidarieda- de e esperança são alguns dos marcos e conteúdos que viabilizam um convívio edificante e promissor, capaz de orien- tar as energias vitais e cognitivas, tanto de educandos quanto de professores, indivíduos, grupos e comunidades. Na perspectiva do autor, as famílias têm de ser o primeiro laboratório de resolução não violenta de conflitos, para o qual é necessário qualificar a capacidade de escuta e percepção de uma situação por diferentes ângulos, considerando sempre o contexto, os protagonistas e os valores que estão envolvidos nela. Anotações 6. Faça o teste para ver se você liga demais para a opinião dos outros ou se tem opiniões próprias. Em seguida, converse com seus familiares e professores a respeito. Após o teste, responda: quais são os danos de não ter opinião própria formada? I. Você está pensando em ir para a praia no fim de semana. Só que parece que vai fazer tempo feio. Como você resolve a sua vida? A. ( ) Olha pela janela, faz seu palpite, torce para acertar e vai (ou desiste e refaz a sua pro- gramação). B. ( ) Lê a seção de meteorologia do jornal. C. ( ) Pergunta para sua mãe se ela acha que vai chover. II. Quando você vai pela primeira vez a um restaurante, o que acontece na hora de fazer o pedido? A. ( ) Você olha o cardápio e escolhe o que combina melhor com a sua fome do momento. B. ( ) Depende do dia. C. ( ) Você pergunta o que as outras pessoas da mesa vão comer. III. Você passou as férias inteiras com alguém que agora está com hepatite. Ao descobrir isso, como se sente? A. ( ) Tranquilo. Se você não pegou, é porque não era para pegar. B. ( ) Com medo. C. ( ) Apavorado. Começa a sentir todos os sintomas e fica de cama. S N H G B T S V D B F O N E S C O L H A J R E R M K F L O S B D G F V I O L A J K N H D B F G E O A A B S H D D C N H N L T B G J C S E N S O T O I P Ã N S H C B F J A P T C B N D H I V T E Ç P U A N C H D S C J K Ã L D N H C B X Ã F D T O R E S P E I T O N B J G Senso Escolha Respeito Decisão Orientação Atitude 5. Encontre as palavras do quadro no caça-palavras. Depois, escolha uma delas e peça aos seus pais que registrem uma situação em que eles aprenderam a viver tal palavra ensinada pelos seus avós. 72 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 72 26/12/16 17:03 ME_CMeE_6A_2017.indb 72 05/01/17 17:47 73Manual do Educador – 6o ano IV. Você acha uma personalidade o máximo. Mas, um dia, ouve os seus amigos falarem que essa personalidade é um babaca. O que você faz? A. ( ) Tem um ataque de fúria. B. ( ) Diz que não concorda. C. ( ) Não liga. V. A moda... A. ( ) ... é uma invenção da indústria para a gente gastar mais dinheiro com roupa. B. ( ) ... é um ponto de referência muito importante. C. ( ) ... quase não influi na sua vida. VI. Você estudou muito para o exame de Matemática. Na hora da prova, consegue ver uma resposta do colega do lado, que deu diferente da sua. O que você faz? A. ( ) Acha que ele errou. B. ( ) Confere todas as contas daquela questão. C. ( ) Continua olhando para tentar copiar a resolução toda. VII. Numa viagem de carro com alguns amigos, a pessoa que está dirigindo começa a ir rápido demais. Você começa a ficar com medo e... A. ( ) ... pede para ele ir com cuidado. B. ( ) ... se desespera e pede para descer. C. ( ) ... se encolhe num canto e reza. VIII. Você detesta piadas racistas e, numa festa, alguém começa a contar algumas delas. O que você faz? A. ( ) Fica irritado e dá a maior bronca na pessoa. B. ( ) Sai de perto. C. ( ) Ri junto com seus amigos. IX. Você está muito a fim de ver um filme que está passando no cinema, mas não arranja companhia. Então... A. ( ) ... faz de tudo para convencer alguém a ir junto. B. ( ) ... fica esperando sair em vídeo. C. ( ) ... escolhe um cinema seguro, de preferência dentro de um shopping, e vai só. X. Quando você está doente, como costuma agir? A. ( ) De acordo com a sua cabeça. B. ( ) Obedece à sua mãe e ao médico. C. ( ) Você fica rebelde. Não se conforma com a situação. XI. A influência das propagandas na sua vida é... A. ( ) ... muito pequena. Você detesta a ideia de comprar alguma coisa só porque viu um anúncio. B. ( ) ... média. Elas despertam o seu interesse, mas você só compra o que realmente está precisando. C. ( ) ... grande. Você fica com vontade de comprar todos os produtos que vê na TV. 73Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 73 12/01/17 11:41 ME_CIDADANIA_E_ETICA_6ANO_Cap_3.indd 73 13/01/17 11:13 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 74 Cidadania Moral e Ética Um ótimo texto que pode ser traba- lhado em sala de aula é do escritor e jornalista Fabrício Carpinejar, Amiza- de platônica. O texto aborda uma das muitas nuances dos relacionamentos humanos. Recomendamos que o tex- to seja lido e desenvolvido em sala de aula com a participação dos alunos. Para ter acesso ao texto, você pode conferir no endereço: http://carpine- jar.blogspot.com.br/2012/06/amiza- de-platonica.html Sugestão de Abordagem Uma vida feliz é uma vida excelen- temente, ou virtuosamente, vivida.Segue-se, sugere Aristóteles, que uma concepção da felicidade exige uma concepção da virtude ou exce- lência (aretê). Visto que, contudo, a felicidade é uma expressão das facul- dades da alma. Diálogo com o professor Sugestão de leitura //// 100 Jogos para grupos Autor: Ronaldo Yudi K. Yozo Este é um instrumento de trabalho indispensável para qualquer profis- sional que trabalha com grupos. Seu autor, psicodramatista com experiên- cia em várias frentes, não se limita a listar cem jogos aleatoriamente. Ele os classifica de acordo com o momento do grupo, sendo, portanto, extrema- mente didático. A paginação cuidado- sa também facilita sua utilização como obra de consulta rápida e eficiente. Anotações 7. A partir do que estudamos neste capítulo sobre respeito, ética, amizade e liberdade, observe as imagens e escreva, no seu caderno, algumas atitudes que devemos ter nos ambientes abaixo. Resposta pessoal • Se você marcou mais as alternativas A: Você só faz o que quer, entretanto, seria interessante aprender a escutar as pessoas que realmente gostam de você. • Se você marcou mais as alternativas B: Você escuta a opinião dos outros e procura se informar para tomar a melhor decisão. • Se você marcou mais as alternativas C: Você escuta demais as opiniões das pessoas, e, muitas vezes, isso interfere em suas decisões. XII. Você está a fim de se inscrever no vestibular para Arquitetura, mas seus pais acham que Computação tem mais futuro. Em que isso muda os seus projetos? A. ( ) Em nada. B. ( ) Você resolve se informar melhor sobre Arquitetura e Computação. C. ( ) Você opta por fazer vestibular para Arquitetura e Computação. XIII. Você vai dar uma festa. Na hora de escolher sua roupa, você... A. ( ) ... decide sozinho, exatamente do seu gosto. B. ( ) ... olha as matérias de festa das revistas, algumas vitrines por aí, repara nas roupas que vê nas festas, junta um pouco de imaginação e decide. C. ( ) ... fica atrapalhado. Pede ajuda à sua mãe, aos amigos e demora um mês para decidir. XIV. Você está a fim de comprar uma camisa branca. Entra numa loja, e o único modelo de que você gosta só tem em azul. A vendedora sugere que você experimente. O que você faz? A. ( ) Vai embora. B. ( ) Experimenta, mas só leva se ficar muito bem. C. ( ) Experimenta e pergunta para a vendedora o que ela achou. D a es qu er da p ar a di re ita : p dr oc ha , V in ic iu s Tu pi na m ba , A lf R ib ei ro /S hu tte rs to ck .c om 74 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 74 26/12/16 17:03 ME_CMeE_6A_2017.indb 74 05/01/17 17:47 75Manual do Educador – 6o ano Para refletir O amor à vida: uma questão de ética Ao longo do tempo, a humanidade vem se apresentando cheia de conflitos que começam, primeiramente, no “ser” de cada um. Os laços de relacionamentos que prendem os seres humanos são uma preocupação de muitos estudiosos. A amizade se tornou um ponto de inquietação neste novo milênio. São os atos de humanidade, beneficência e gratidão que formalizam os deveres éticos dos amigos. Estamos numa sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difícil demonstrar um mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda de laços afetivos. Isso é também denunciado na afirmativa do Dalai Lama, em seu livro Uma ética para o novo milênio. O que gera essa situação é o crescimento e o desenvolvimento econômico, que reforçam intensamente a tendência das pessoas para a competitividade e a inveja. Os seres humanos vivem isolados e de forma egoísta, valorizando apenas suas vontades, seus bens, suas contas bancárias, e, consequentemente, falta espaço em sua vida para o interesse pela coletividade. O desrespeito à natureza, por exemplo, pode causar graves problemas ao planeta: lixo atômico, armas nucleares, ameaça de guerra bacteriológica, extinção de animais e vegetais, poluição do ar e das águas, desmatamento, etc. O homem, ser dotado de inteligência, julga-se superior. Demonstra isso por meio de atitudes diárias. Isso traz, como consequência, uma desvalorização do sentimento de amor para com a própria existência e, logicamente, para com a do semelhante, reduzindo a sua prática cidadã. “O amor flui em todos nós como rio invisível” (Sathya Sai Baba). Segundo esse autor, a condição essencial para se levar uma vida digna é viver o amor por meio da prática dos valores humanos. A vida é, então, uma sucessão de acontecimentos, formando a história de cada ser. É nossa responsabilidade transformar esses acontecimentos em favor de nós mesmos e da sociedade. Como? Sabendo voltar atrás quando for preciso, utilizando-se da justiça, da verdade, do diálogo, do perdão, da solidariedade. Aí, sim, estaremos lutando pela sobrevivência do nosso planeta. 75Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP3.indd 75 26/12/16 17:03 ME_CMeE_6A_2017.indb 75 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo3 Ética com meus amigos 76 Cidadania Moral e Ética 1. Em sua opinião, existe ética de amor à vida? Discuta com o professor e os colegas e escreva suas conclusões abaixo. Resposta pessoal 2. O que é necessário para se ter uma vida digna? Resposta pessoal 3. Pense sobre todas as coisas que você fez nas últimas 24 horas. Veja quais delas ajudaram você a viver com amor e quais não ajudaram. Anote aqui sua opinião sobre elas. Resposta pessoal 4. Você conhece algum caso em que ocorreu falta de ética? Qual? Debata com seus colegas de classe. Resposta pessoal 5. Debata com seus colegas de classe tendo em vista a situação apresentada no texto a seguir. A informação veste hoje o homem de amanhã Pelé tinha toda razão ao pedir pelos microfones — no dia em que marcou seu milésimo gol — que se cuidasse mais das criancinhas. Realmente, é necessário mais cuidado com elas. Eu conheço muita criancinha que já anda lendo revista para adultos. Não, meus caros, as criancinhas não são mais aquelas. Estão perdendo rapidamente a Questão de ética? 76 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 76 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 76 05/01/17 17:47 77Manual do Educador – 6o ano infância. E, a prosseguir nesse ritmo, daqui a pouco, com 5 anos, já serão adolescentes. Há pouco tempo, remexendo o passado, dei de cara com um pião, velho companheiro de brincadeiras de rua. Sem saber o que fazer com ele, resolvi dar de presente para o filho do porteiro. O garoto pegou-o, examinou sem muita animação e me perguntou insensível: — O que é que é isso? Seu pai, que se aproximava, respondeu: um pião. E, esquecendo-se por um momento de suas funções na portaria, apanhou o brinquedo, agachou-se e, numa animação quase infantil, ficou tentando soltá-lo. O filho, em pé, ao seu lado, olhou-o fixo, virou-se para mim e, assumindo um ar crítico, comentou: — Olha aí — disse para o pai abaixado —, parece uma criança. Segundo os educadores, as mudanças decorrem do fato de as crianças da década cres- cerem muito bem informadinhas. Um jornal publicou uma matéria baseada em pesquisa realizada entre crianças de 3 a 15 anos (se é que hoje ainda se pode chamar um cidadão de 15 anos de criança) cujo título era: Como se está fazendo o homem de amanhã. Eu, particularmente, creio que o homem de amanhã continua sendo feito com os mesmos ingre- dientes com que se fazia o homem de ontem, ou seja: um homem e uma mulher, que devem ser temperados com uma pitadinha de amor antes de levados ao forno. Mas não é isso que interessa. Num determinado trecho, a reportagem dizia: “O menino André Luís, de 4 anos, viu pela TV a chegada do homem à Lua. Achou o fato natural, pois estava informado sobre os preparativos e podia descrever perfeitamente o módulo lunar. Sabia de cor o nome dos astronautas e discutia sobre as possibilidades de o homem chegar a Marte”. Os senhores estão sentindo o drama? André Luís sabia mais sobre o espaço do que qualquerdatilógrafo da Nasa. A pesquisa revela também que as novas crianças preferem novelas e outros tipos de pro- grama aos feitos especificamente para a classe. Outro dia fui à casa do vizinho pedir gelo e, ao chegar, assisti à maior discussão entre ele e o filho de 5 anos diante da televisão. Meu vizinho querendo desenhos animados, e seu filho interessado no National Geographic. Antigamente, os campos estavam bem definidos: as crianças de um lado e os adultos de outro. Agora não há mais fronteiras. As crianças invadiram e tomam de assalto o mundo dos adultos. Eu me lembro do dia em que, com 4 ou 5 anos, meu pai me levou ao Jóquei Clube. Paramos ali junto ao padoque, e, pela primeira vez, vi um cavalo de perto. Excitado com a no- vidade, depois de um esforço — se vocês me permitem: cavalar —, o máximo que consegui perguntar ao meu pai era o que o cavalo comia. Pois bem, ontem voltei com meu sobrinho de 6 anos ao hipódromo. Recostamos no padoque perto de um cavalo castanho, e eu me recordei da cena com meu pai. Imaginando que o garoto poderia me fazer a mesma pergun- ta, antecipei-me com um certo orgulho e fui logo lhe informando que “O cavalo come aveia, alfafa e cenoura”. Quando acabei de falar, o menino me lançou um olhar enfastiado e disse: — O que o cavalo come, eu já sei, tio. Agora eu estou interessado em saber é quanto ele vai pagar na ponta. NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista & outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994 77Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 77 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 77 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 78 Cidadania Moral e Ética • Compreender a importância da prática esportiva para a vivência social. • Debater os benefícios do esporte. • Discutir as atitudes éticas nas atividades esportivas. • Perceber a necessidade do desenvolvimento de atividades físicas para uma vida saudável. • Refletir sobre os pontos positivos e negativos da competitividade. • Compreender a necessidade de saber lidar bem com a derrota e com a vitória. Objetivos Pedagógicos Anotações Ca pí tu lo4 Conhecimentos prévios • Você pratica esporte com frequência? • Você já presenciou alguma atitude violenta no esporte? • Na sua escola, há alguma falta de ética no esporte? • Quando você pratica atividade esportiva, é como um lazer ou atividade escolar? Ética no esporte e no lazer Analise as imagens e, a seguir, converse com seu professor e seus colegas sobre a relação entre as fotos e o tema do capítulo: Ética no esporte e no lazer. Vamos dialogar! D a es qu er da p ar a di re ita , d e ci m a pa ra b ai xo : J ef fe rs on B er na rd es , B lu eS ky Im ag e, w av eb re ak m ed ia , N ad ya E ug en e/ S hu tte rs to ck .c om BOOK_CMeE_6A_2017 78 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 78 05/01/17 17:47 79Manual do Educador – 6o ano Dinâmica do futebol com bexigas Divida o grupo em dois times e peça para que cada grupo eleja um líder. Cada líder deve dispor seus jo- gadores nas posições que desejar. Após ambos os times estarem devi- damente dispostos, informe que os pés dos jogadores não podem sair do chão, ou seja, ninguém pode se movimentar. Dê uma bexiga de uma cor para um time e outra para o outro time e determine um tempo para que eles consigam realizar a atividade. O objetivo é que eles consigam marcar a maior quantidade de gols que con- seguirem. Em nenhum momento foi falado que os times são concorrentes entre si e que devem disputar o jogo. Sen- do assim, o que se espera é o verda- deiro trabalho em equipe do grupo em geral, ou seja, as bexigas deverão passar pelas mãos de todos os par- ticipantes do jogo até chegar ao seu respectivo gol. Sem a ajuda de todos, o gol será um objetivo extremamente difícil de ser atingido. Sugestão de Abordagem Anotações Esporte x lazer Leia o texto a seguir e reflita, junto com o professor e os colegas, sobre as ações que estão acontecendo, fazendo uma relação com as imagens da página anterior. Importância do esporte Gabriela Cabral Dá-se o nome de esporte às atividades físicas realizadas por pessoas que se submetem a regulamentos e participam de competições. A prática de esportes beneficia grandiosa- mente as pessoas e até mesmo a sociedade, pois reduz a probabilidade de aparecimento de doenças, contribui para a formação física e psíquica, além de desenvolver e melhorar tais formações. Na adolescência, as pessoas são influenciadas pelo consumismo, por problemas psicoló- gicos, hábitos prejudiciais e outros, que também influenciam as demais faixas etárias, geran- do conflitos internos que desviam valores e aprendizagens antes obtidos. É nesse processo que o esporte mostra sua grande contribuição à sociedade. Cada esporte possui suas particularidades que envolvem as pessoas e as fazem optar por qual praticar. Os esportes influenciam no desenvolvimento saudável delas e as distan- ciam da mentalidade distorcida que hoje se prega no mundo e ainda faz com que as pes- soas se afastem da criminalidade, que está presente em todos os locais de forma bastante organizada e sedutora. Existem inúmeras instituições sem fins lucrativos que criam centros de esporte em áreas de baixa renda a fim de focar a atenção dos jovens e adolescentes e ainda distanciá-los da marginalidade e da criminalidade existentes no mundo. O crime organizado existe como organização estruturada e presente em todos os lugares, como sentinelas buscando novas vidas; o esporte tem a importante e difícil missão de mostrar que nem sempre o caminho mais fácil é o correto. Disponível em: http://alunosonline.com.br/educacao-fisica/importancia-do-esporte.html. Acesso em: 26/07/2016. D a es qu er da p ar a di re ita : f ot oi nf ot , M on ke y B us in es s Im ag es /S hu tte rs to ck .c om 79Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP4.indd 79 26/12/16 16:37 ME_CMeE_6A_2017.indb 79 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 80 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Efeitos da atividade física no adolescente A atividade física é um importante auxiliar para o aprimoramento e desen- volvimento do adolescente, nos seus aspectos físicos e psicológicos, poden- do aperfeiçoar o potencial físico deter- minado pela herança e adestrar o indi- víduo para um aproveitamento melhor de suas possibilidades. Paralelamente à boa nutrição, a adequada atividade física deve ser reconhecida como ele- mento de grande importância para o crescimento e desenvolvimento duran- te a adolescência, bem como para di- minuição dos riscos de futuras doenças. A prática do exercício físico, associa- da a uma oferta energética satisfatória, permite um aumento da utilização da proteína da dieta e proporciona ade- quado desenvolvimento esquelético. Várias outras influências positivas estão relacionadas à atividade física regular, como o aumento da massa magra, a diminuição da gordura corporal, a me- lhora dos níveis de eficiência cardior- respiratória, de resistência muscular e força isométrica, além dos importantes efeitos psicossociais. Mesmo que isoladamente o exercí- cio possa não ser capaz de promover rápida perda de gordura, ele apresen- ta diversas vantagens sobre outros ti- pos de tratamento, como conservação da massa magra — que ocorre devido ao efeito anabólico da atividade física — e o desenvolvimento de um melhor estilo de vida. Quanto ao efeito “estimulador” do crescimento, ainda é bastante difícil de- terminar a definição exata da influência que os programas de treinamento têm sobre o crescimento. Alguns pesquisa- dores sugerem que o treinamento in- tensivo tem pouco ou nenhum efeito no crescimento infantil, outros conside- ram que as diferenças físicas observa- das entre jovens atletas refletem, pro- vavelmente, uma seleçãode indivíduos que sejam mais aptos às demandas de determinados esportes. O treinamento físico regular parece ser apenas um dos fatores que podem afetar o crescimento. O desequilíbrio nutricional pode ocor- rer quando treinos excessivos não são acompanhados de aumento compatível dos nutrientes ingeridos. Devido aos ho- rários dos treinos, os adolescentes podem adotar dietas inadequadas, com omissão de refeições ou sua substituição, princi- palmente por líquidos que repõem ape- nas parte das calorias e dos eletrólitos. A realização de exercícios prolongados ou vigorosos que excedam dez horas semanais sem uma correta reposição nutricional e de calorias pode acarretar sérios riscos ao organismo do adoles- cente. Disponível em: http://ral-adolec.bvs.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414- 71302002000100007&lng=pt&nrm=iso. Adaptado. Acessado em: 05/06/2014. 1. Observe as imagens, reflita e responda: como se dão a ética e a moral no universo do esporte? Questão de ética? Resposta pessoal Resposta pessoal 2. Sabemos que a prática esportiva é de grande valor para todos os cidadãos. Então, respon- da: o que o esporte representa para você? Resposta pessoal 3. Conforme o texto, para a prática do esporte, há pessoas que se submetem a regulamentos tanto para participar de competições oficiais quanto amadoras. A partir disso, descreva uma atividade esportiva de livre escolha com suas regras. Resposta pessoal 4. No último parágrafo, a autora diz, em outras palavras, que o esporte salva vidas, principal- mente de jovens em situação de vulnerabilidade social. O que você acha disso? Resposta pessoal 5. A Grécia é o berço da Filosofia. Nela, o esporte sempre foi concebido e entendido como atividade necessária para o bom desenvolvimento do corpo e do caráter. Assim, pesquise a relação entre a Filosofia e os esportes nos ideais gregos e elabore um modo de socializar com a turma sua pesquisa (através de cartão, cartaz, fotografia, montagens, vídeos, etc.). D a es qu er da p ar a di re ita : A nd re sr , O le si a B ilk ei , R af ae l M ar tin -G ai te ro /S hu tte rs to ck .c om 80 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 80 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 80 05/01/17 17:47 81Manual do Educador – 6o ano Com a sequência de aulas aqui pro- posta, fomente nos estudantes a per- cepção de uma estrutura alternativa, ligada à criação de uma cultura da paz no esporte praticado na escola. Você pode aproveitar a ocasião para dialogar a respeito com o professor de Educação Física. Trabalhe com seus alunos os prin- cípios de cooperação, da calma, da determinação para discutir diferenças, capacidade para agir em um clima de cooperação para solução de proble- mas, amor e concordância e a capa- cidade de dizer “Eu sou humano. Co- meti um erro. Vou tentar novamente”. Esse momento é bem significativo para explorar o esporte como prática de sociabildade. O esporte pode ser visto, também, como escore central para ajudar jovens a se livrarem de situações de risco. Sugestão de Abordagem Sugestão de Abordagem A cultura é a forma de o ser hu- mano viver em sociedade, incluindo tudo o que ele pensa e faz com seus valores e características próprias. As- sim, torna-se possível pensar na cul- tura da paz, fundada na ética, que no espaço escolar deve trazer atitudes críticas, de reconhecimento de limites e de possibilidades, de novas ações e valores que permitam escolhas e ca- minhos baseados em ações coletivas e solidárias. Diálogo com o professor Sugestão de Abordagem Anotações SA COR A Ú TE DE TI VI MEN PO LA DE ZER DA Sim. Movimentar o corpo faz bem tanto para a saúde física (do corpo) como para a psíquica (da mente). 7. Decifre a mensagem e comente a questão: os gregos estavam certos quando defendiam a ideia de corpo são, mente sã? corpo — mente — saúde — lazer – atividade 8. Pesquise, nos espaços esportivos de lazer que existem na sua comunidade, as modalidades esportivas oferecidas. No seu bairro, o esporte é capaz de reunir pessoas com condições sociais diferentes? Justifique. Resposta pessoal 9. Pesquise com seus colegas de turma as atividades esportivas que eles realizam e como o esporte contribui para cada um: a. ser honesto. Resposta pessoal b. ser paciente. Resposta pessoal M ov im en ta ro co rp of azb emta ntoparaasaúdefísica(docorpo)comopara ap sí qu ic a( da me nte). 6. Junte as sílabas da mesma cor e forme palavras relacionadas ao tema Esporte e lazer. Em seguida, responda: como o esporte pode livrar o ser humano de doenças corporais e dos males sociais? 81Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 81 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 81 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 82 Cidadania Moral e Ética Para refletir Leia o texto a seguir e, depois, faça uma reflexão com seus colegas respondendo às perguntas apresentadas. Minha vida como pivete Não há segundo ato nas vidas americanas, disse Scott Fitzgerald, mas há nas vidas bra- sileiras: segundo, terceiro, décimo atos. Num desses atos — misteriosos são os desígnios da Providência — fui um pivete. Não por muito tempo, devo dizer. Na verda- de, por muito pouco tempo e em circunstân- cias especiais. Aconteceu no Bonfim, e numa época em que o bairro ainda não era barra-pe- sada. Nós estávamos na Rua João Telles, uma noite, e jogávamos futebol no meio da rua. O futebol não é um esporte silencioso, e algazar- ra nós fazíamos, não muita, mas o suficiente para incomodar um dos moradores, que veio à janela e mandou-nos embora. Seguiu-se uma áspera troca de palavras, e a janela fechou-se, no que parecia uma retirada. Não era. Enquanto continuávamos o jogo, o homem chamava a polícia. Minutos depois, en- costava na rua uma viatura da PM. Podíamos, ou devíamos, ter fugido; na verdade, porém, não nos ocorria que o objetivo das forças da lei era o nosso precário futebol. Para nossa surpresa, os policiais vieram em nossa direção. Um deles olhou-me (nunca imaginei ter aparência perigo- sa) e, abrindo a porta do camburão, ordenou: — Entra. Vacilei. Olhei lá dentro. Era um comparti- mento escuro e apertado aquele, um lugar de aparência sombria. Mas o pior era o significa- do de entrar ali. Quando a porta se fechasse, com estrondo, sobre mim, eu não apenas es- taria separado de meu bairro, de meus ami- gos, de minha família. Eu estaria penetrando numa outra realidade, tão escura, apertada e sombria quanto o compartimento dos pre- sos do camburão. Eu estaria ingressando na marginalidade, e quem me garantia que, dela, sairia? Não seria aquele o meu primeiro pas- so numa carreira (talvez bem-sucedida, talvez trágica; quem conhece os desígnios da Provi- dência?) de gângster? O policial esperava, impaciente, e eu não me decidia, mas aí o destino interveio sob a forma de um morador. Dirigindo-se aos ho- mens da lei, ele ponderou que não valia a pena me levar, mesmo porque me conhecia e estava seguro de que eu era um bom guri. — Garanto que ele não incomoda mais — repetia. Os homens se olharam e resolveram que não valia a pena gastar ficha policial comigo. De modo que, depois de algumas ameaças, embarcaram na viatura e se foram. Era o Bonfim, não a Candelária; era o Brasil, não a Europa Oriental. Escapei do Holocausto porque meus pais vieram para este país, onde nasci. E escapei porque havia alguém ali para di- zer que, apesar das aparências, eu era um bom guri. Tive sorte. Temos, todos nós, muita sorte. Em nome dessa sorte devemos pensar, cada vez que olhamos um suposto pivete, que ele pode, afinal, ser um bom guri. SCLIAR, Moacyr. Um país chamado infância. São Paulo: Ática, 2002. 82 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 82 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 82 05/01/17 17:47 83Manual do Educador – 6o ano Sugestão de leitura//// Esporte e atividade física na infância e na adolescência Autor: Dante de Rose Junior Este livro pretende abordar as mais diversas tendências e especificidades relacionadas à prática esportiva in- fantojuvenil, apresentando ao leitor uma perspectiva atual sobre temas como pedagogia, fisiologia, psicolo- gia, sociologia, etc. A obra é indica- da àqueles profissionais que buscam informações para embasar as ativida- des físicas propostas às crianças e aos adolescentes Esporte cooperativo: uma proposta Autor: Reinaldo Soler Por meio das atividades, perce- bemos que a escola não precisa ser sisuda só porque tem de ser séria. Quando nos divertimos, aprendemos muito mais, pois tudo que é diverti- do acaba se tornando significativo, e tudo que é significativo é guardado em nossas lembranças. O autor pro- põe que as regras devem ser flexíveis, e a ênfase está sempre no processo, não no resultado final. Anotações Questões para reflexão? 1. Qual é o tema do texto? 2. Você acha que as crianças estavam praticando o esporte competitivamente ou ape- nas por lazer? 3. A atitude do morador foi correta? Por quê? 4. Como você agiria no lugar dele? 5. Todas as crianças têm acesso ao esporte ou ao lazer? 6. Qual é a relação entre o texto e o tema do capítulo, Esporte x lazer? Lazer e saúde Lazer e saúde são direitos humanos básicos, assim como educação e trabalho, e, portanto, todas as pessoas devem ter garantias de que eles estarão presentes em sua vida. O lazer e a saúde são dois aspectos que nos trazem tranquilidade e satisfação. Ambos proporcionam experiências humanas singulares, como a liberdade de escolha e de expressão, a criatividade, o prazer, a diversão e a felicidade, porque envolvem aspectos físicos, sociais, emocionais e espirituais. Além disso, estão diretamente ligados à qualidade de vida de cada pessoa, pois lazer e saúde caminham de mãos dadas: o lazer promove a saúde e o bem-estar, já que as pessoas escolhem suas atividades de acordo com suas próprias necessidades, seus interesses e suas preferências. Mas é fundamental saber que, infelizmente, nem todas as pessoas têm acesso ao lazer e à saúde, pois nem têm sequer condições básicas de vida, como moradia, alimentação, educação, trabalho, etc. Nas sociedades, há ainda muito o que fazer para que todas as pessoas venham a desfrutar dos benefícios do lazer e da saúde, pois nelas há constantes indicativos de estresse, tédio, insatisfação, etc. O lazer e a saúde aliados podem trazer grandes benefícios nessas situações, já que são capazes de fazer com que as pessoas identifiquem e realizem desejos, satisfaçam necessidades pessoais e interajam positivamente com o ambiente. Tudo isso, na verdade, pro- move a melhora da qualidade de vida de cada pessoa. Enfim, procure realizar atividades que aliem lazer e saúde porque, nos tempos atuais, há pouco tempo livre para as pessoas ao longo da vida. Assim, aproveite seu tempo livre para fazer aquilo que lhe traz prazer e lhe faz bem. S ol ov io va L iu dm yl a/ S hu tte rs to ck .c om 83Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 83 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 83 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 84 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Esporte e saúde O esporte, como conceito, é consi- derado uma atividade metódica e re- gular, que associa resultados concre- tos referentes à anatomia dos gestos e à mobilidade dos indivíduos. Esta é a conotação que podemos chamar de esporte de alto nível, veiculada nas mídias em geral, representada por pessoas executando gestos extrema- mente mecanizados, uniformes, com certo gasto de energia para produzir determinado tipo de movimento repe- tidas vezes. São gestos plásticos, muito organizados, moldados e com muitas regras, para que se possa obter algum resultado prático. Existem outros conceitos de espor- te, nos quais se consideram como um componente dos blocos de conteúdos da Educação Física escolar. É na escola que a conotação de esporte deve ser diferente do esporte de alto nível, ape- sar de alguns professores de Educação Física insistirem em alto rendimento. Felizmente, esse modelo vem-se mo- dificando, aos poucos. Assim, a ideia que se tem de esporte é muito ampla, o que permite uma variedade de con- ceitos. Dependendo do conceito e do entendimento, esporte pode estar ou não veiculado à saúde. Associado à saúde está o conceito de qualidade de vida, definido como a condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais (modificáveis ou não) que caracterizam as condições em que vive o ser humano. O esporte é uma atividade física e, como tal, promove desgaste energé- tico, emagrecendo o organismo. Mas, sem respeitar os parâmetros físicos li- mitantes de cada indivíduo, ou ainda sem um controle alimentar adequado, ao invés de benefícios a atividade pode promover malefícios. O controle ali- mentar é muito importante no que se refere à relação entre ingestão e gasto de energia, ou seja, o quanto se come e o quanto se trabalha. O esporte pode vir a ser um promotor de saúde, mas nem sempre irá produzir saúde. Percebemos também que exis- tem vários desportistas que fazem uso de substâncias — questionáveis — para ob- ter melhores desempenhos nas ativida- des, o que corrompe a noção de que es- porte faz bem. Esporte só faz bem dentro de seus fatores limitantes: bem emprega- do, bem trabalhado e sob uma perspec- tiva que esteja além do alto rendimento. Isso não quer dizer que muitos que praticam esportes de alto rendimento não são pessoas saudáveis. Serão na medida em que o treinamento lhes provocar bem-estar físico e uma boa relação com os outros. Ao exagerar na atividade, acaba-se promovendo um malefício ao corpo. Outro problema nessa relação ocorre com uma con- cepção inadequada de esporte, sendo esta, muitas vezes, a concepção dos 1. Escreva, na cruzadinha a seguir, alguns dos direitos básicos que precisam ser garantidos. Depois, escolha uma das palavras e disserte sobre ela, apresentando sua importância e contribuição para o desenvolvimento da vida humana. Questão de ética? 2. Conforme o texto, como podemos relacionar o lazer e a saúde? Podemos relacionar o lazer e a saúde como direitos básicos, que, além do mais, são dois aspectos que nos trazem tranquilidade e satisfação. 3. Por que o lazer e a saúde são dois aspectos que nos trazem tranquilidade e satisfação? Por que ambos proporcionam experiências humanas singulares, como a liberdade de escolha e de expressão, a criatividade, o prazer, a diversão e a felicidade, porque envolvem aspectos físicos, sociais, emocionais e espirituais. 4. Faça uma pesquisa, na Internet e em livros, sobre como atitudes humanas no lazer e no cui- dado com a saúde podem colaborar para uma ótima qualidade de vida. Resposta pessoal A L I M E N T A Ç Ã O A Z S M E D U C A Ç Ã O R Ú R D A E D I T R A B A L H O IV. I. II. III. V. VI. 84 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP4.indd 84 12/01/17 11:42 ME_CIDADANIA_E_ETICA_6ANO_Cap_4.indd 84 13/01/17 11:14 85Manual do Educador – 6o ano professores de Educação Física dos en- sinos Fundamental e Médio. Em deter- minada ocasião, esporte é considerado como um conteúdo mínimo e único, o que acaba se tornando a exclusiva prioridade a ser promovida entre seus alunos: aos que jogam bem, a oportu- nidade de praticar; já os que possuem dificuldades acabam como juiz, gan- dula ou ainda sentados no banco, só observando a turma jogar. Nesses ca- sos, não há saúde social ou, sequer, saú- de motora. Como deve-se sentir o aluno que permanece sentado durante toda a atividade dos colegas? O que ele acaba por representar? E sobre a prática de dis- tribuir os alunos em dois times, onde são escolhidos um por vez, alternadamente: como se sente o último a ser escolhido? Estas são práticas a serem repensadas.A Educação Física nas escolas não pode ter por objetivo formar campeões. Temos a necessidade de dissociar a Educação Física escolar de treinamento esporti- vo, do contrário o esporte deixa de ser um agente de inclusão social para ser um fator de exclusão social onde quem joga bem joga e quem não joga bem é excluído. Disponível em: http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/ art_22/esportesaude.html. Adaptado. Acessado em:05/06/2014. Anotações 5. Responda às perguntas a seguir. a. O que o lazer e a saúde nos trazem? Tranquilidade e satisfação. b. Quais são os aspectos da vida que o lazer e a saúde envolvem? Aspectos físicos, sociais, emocionais e espirituais. c. Você já praticou alguma atividade que alia lazer e saúde? Resposta pessoal d. Por que dizemos que lazer e saúde caminham de mãos dadas? Porque o lazer promove a saúde e o bem-estar. e. A que aspecto da vida das pessoas estão ligados todos esses tópicos discutidos nas questões anteriores? À qualidade de vida de cada pessoa. 6. Escreva sobre qual atividade lhe traz prazer e melhora sua saúde. Relate como você se sente realizando-a e por quê. Resposta pessoal 7. Nas imagens a seguir, circule as pessoas que não têm acesso ao lazer ou à saúde e apre- sente a explicação social para isso. D a es qu er da p ar a di re ita : J an S , A nd re sr , Lu ci an C om an /S hu tte rs to ck .c om 85Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 85 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 85 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 86 Cidadania Moral e Ética Resultado: Se você marcou mais SEMPRE: sua vida é ótima! Se você marcou mais ÀS VEZES: procure rever o que lhe traz insatisfação. Se você marcou mais NUNCA: é preciso fazer uma mudança radical em sua vida. 8. Leia a mensagem abaixo, observe as imagens a seguir e escreva qual é a relação entre elas. As pessoas escolhem suas atividades de acordo com suas próprias necessidades, seus interesses e suas preferências. 9. Faça o teste a seguir para saber se você tem uma boa qualidade de vida. Tendo preenchido ao teste, pense e responda: que elementos existem na sociedade que impedem a saúde e o bem-estar? S – sempre AV – às vezes N – nunca Resposta pessoal Resposta pessoal Toma café da manhã com frutas e cereais? Come frutas e vegetais crus durante o dia? Toma mais de cinco copos de água durante o dia? Evita comer doces em seu cotidiano? Pratica atividade física durante 30 minutos pelo menos 3 vezes por semana? Evita lugares com pessoas que fumam? Você se protege do sol? É capaz de colocar para fora toda a sua raiva ou o seu descontentamento? Procura relaxar e meditar durante 15 ou 20 minutos por dia? Dorme, pelo menos, 8 horas por dia? No final do dia, você tem disposição para atividades extras? Gosta muito da sua vida? Sua rotina diária é fonte de prazer para você? Vê o futuro de forma positiva? A harmonia familiar faz parte de sua vida? D a es qu er da p ar a di re ita : C H E N W S , m ez zo tin t, N ea le C ou sl an d/ S hu tte rs to ck .c om 86 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 86 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 86 05/01/17 17:47 87Manual do Educador – 6o ano Para refletir Leia o texto a seguir e, depois, faça uma reflexão com seus colegas respondendo às perguntas apresentadas. Riscos da prática esportiva competitiva Cuidado! Esporte competitivo de alto rendimento não tem nada a ver com boa saúde! Pensem no atleta que admiravam e que, precocemente, está incapaz de atuar. O esporte competitivo pode ser perigoso para o ambiente escolar, por diversos motivos: • O coração da criança, submetido a esforços intensos e contínuos, pode desenvolver desproporção entre tamanho, espessura da parede, cavidade cardíaca e capacidade de contratilidade, o que pode causar distúrbios ou doenças, posteriormente. • Músculos submetidos precocemente a trabalhos intensos e indevidos podem sofrer hipertrofia, levando a compressões nos ossos, desequilíbrios articulares e defeitos posturais. • Podem ocorrer lesões em cartilagens, com prejuízo para o crescimento da criança. • Esportes unilaterais (tênis, esgrima e até futebol), ou seja, que exigem mais de um lado do corpo do que outro, podem levar a distúrbios do crescimento no lado dominante (mais usado pela criança). • Meninas em treinamento excessivo podem apresentar atraso do início da puberdade e osteoporose. • É errado submeter a criança a pressões psíquicas, como “ter que vencer”, ou fazê-la achar que deve ser elogiada desproporcionalmente por técnicos, dirigentes e pais. A atividade esportiva deve sempre contemplar: • Aquecimento. Exercícios preparatórios devem ser realizados antes do início da atividade esportiva. Eles têm como função aumentar o fluxo sanguíneo e de oxigênio nos músculos e diminuir a chance de lesões musculares. Devem ser iniciados devagar e ter intensidade progressiva. A duração deve ser de 5 a 15 minutos. • Alongamentos. Devem ser realizados logo após o aquecimento. Também diminuem a chance de lesões musculares. Cada posição deve ser mantida por 30 segundos. Esses exercícios devem ser repetidos ao fim da atividade física. • Segurança. A segurança no esporte tem o objetivo de prevenir lesões e acidentes. A prática esportiva segura deve garantir o respeito às regras do esporte e o uso de equipamentos de segurança, além de roupas e calçados apropriados a cada esporte. • Fortalecimento muscular. Aumenta a força e a massa dos músculos, protegendo as articulações, os tendões e os próprios músculos. LOPEZ, Fabio Ancona; CAMPOS JR., Dioclécio (Orgs). Filhos de 2 a 10 anos de idade: dos pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria para os pais (Barueri, SP). São Paulo: Manole, 2011. 87Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP4.indd 87 26/12/16 16:37 ME_CMeE_6A_2017.indb 87 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 88 Cidadania Moral e Ética Questões para reflexão? 1. Você gosta de esporte competitivo? 2. Você leva em consideração os pontos apresentados para escolher algum esporte para praticar? 3. Os aspectos que uma atividade esportiva deve contemplar fazem parte da sua rotina de exercícios? 4. Como é sua rotina de exercícios físicos? 5. Qual é a relação do texto com o tema do capítulo, Ética no esporte e no lazer? Competir ou ganhar: o que é mais importante? Praticar, competir, ganhar, perder, disputar, alcançar, atingir, conquistar, conseguir, levar, etc., todos esses e muitos outros verbos estão ligados às situações do esporte. Na verdade, o que diz a frase muito famosa do Barão de Coubertin (quem inventou os Jogos Olímpicos), “O importante, nos Jogos Olímpicos, não é vencer, mas competir. O essencial, na vida, não é conquistar, mas lutar com dignidade”, é muito difícil de acontecer entre os competi- dores. Ninguém entra numa partida, de qualquer que seja o esporte, para perder. O importante é saber perder, perder com dignidade, perder com honradez, perder lutando até o final, sendo ético e jogando dentro das regras preestabelecidas. Da mesma forma, é fundamental saber ganhar, ganhar por mérito, ganhar por competência, ganhar porque, afinal, é melhor do que com quem se está jogando, e, nesse caso, cabe também ser ético durante o jogo. Portanto, o que, de fato, importa num jogo não é perder ou ganhar, muito menos competir; o que importa é a forma como se ganha ou se perde. A .R IC A R D O /S hu tte rs to ck .c om 88 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 88 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 88 05/01/17 17:47 89Manual do Educador – 6o ano Sugerimos que a música O vence- dor, do grupo Los Hermanos, seja tra- balhada em sala de aula com os alu- nos. Apresente a canção e distribua a letra para que, em conjunto, seja feita uma breve interpretação. Em seguida, discuta os pontos em comum entre um dos tópicos abordados neste ca- pítulo e a música, como acompeti- tividade, a aceitação da derrota e a importância da vitória. Você pode ter acesso à letra da música em https://www.letras.mus.br/ los-hermanos/67545/. Sugestão de Abordagem Trabalhe com os alunos o conceito de autoestima e sua relação com o bem-estar e uma vida saudável. Além disso, promova discussões e reflexões sobre a relação da autoestima e iden- tidade. Uma atividade que você pode de- senvolver em sala é pedir para que os alunos peguem uma folha de caderno e sentem-se em círculos. Em seguida, peça para que cada aluno pense so- bre o seu nome, se este o agrada e quem o escolheu. Caso não goste do próprio nome, o aluno poderá optar por outro nome que gostaria que fos- se o seu, mas deverá explicar o por- quê da escolha deste. Feito isto, você solicitará que os alunos, ainda em círculo, falem sobre o seu nome, a origem deste, quem o escolheu etc., e sobre o outro nome que gostaria de ter (se este for o caso). Você mediará a discussão so- bre o nome, sobre as expectativas que este nome traz e seu significado. Sugestão de Abordagem Anotações 1. A partir da imagem em destaque, pense e responda: como o esporte educa o ser humano para conviver com os sentimentos (como a tristeza e a alegria, por exemplo)? Questão de ética? 2. Discuta com a turma sobre qual é o comportamento adequado para quem está: a. ganhando o jogo – Resposta pessoal b. perdendo o jogo – Resposta pessoal 3. Responda às perguntas a seguir sobre ganhar. a. Você já ganhou jogos? Sua comemoração foi respeitosa? Resposta pessoal b. Como você se comporta quando está ganhando? Sabe se controlar e não provocar o time perdedor? Resposta pessoal c. O que você sente em relação àquela pessoa que está ganhando? Resposta pessoal 4. Na vida, às vezes, não conseguimos ganhar, e nem por isso devemos baixar a cabeça, pois é com as derrotas que aprendemos a não errar. Relate alguma situação em que você não conseguiu ganhar uma competição, um jogo de futebol ou outro esporte qualquer. Descreva que sentimento teve, bem como qual atitude você aprendeu. Resposta pessoal Resposta pessoal G E TT Y IM A G E S 89Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 89 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 89 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 90 Cidadania Moral e Ética Fundamentação Ações benéficas para a autoconfiança e autoestima • Faça três listas. Em uma folha de pa- pel, escreva as suas forças, uma das suas conquistas mais importantes e uma das coisas que você admira mais em si mesmo. • Pense positivamente acerca de si mesmo. Lembre-se de que, apesar dos seus problemas, você é uma pes- soa única, especial e valiosa, e que você merece e pode vir a sentir-se bem acerca de si mesmo, se fizer coi- sas nesse sentido. • Preste especial atenção à sua higie- ne pessoal e aparência. Por exem- plo, cuidar do estilo do seu cabelo, aparar as unhas, usar fio dental nos dentes. Vestir roupas que façam você se sentir bem consigo mesmo. • Coma boa comida como parte de uma alimentação saudável e equi- librada. Faça refeições a pensar em si mesmo, torne isso um momento especial, mesmo se você estiver co- mendo sozinho. • Exercite-se regularmente. Sair para uma caminhada todos os dias e fazer exercícios mais vigorosos (exercícios que façam você suar) três vezes por semana é uma prática de enorme re- torno e satisfação. • Verifique se você está dormindo o suficiente. Após um dia de trabalho, a nossa energia diminui. É importante repor. • Faça coisas que você gosta. Por ve- zes, quando andamos mais em baixo, com preocupações a ocuparem-nos a cabeça e na presença de alguns sen- timentos negativos, fundimo-nos a isso e deixamos de fazer coisas que nos fazem sentir bem. • Evite as pessoas ou lugares que o façam sentir-se mal acerca de si mesmo. Não recomendo que faça isto durante toda a sua vida, mas se está atravessando um período de bai- xa autoconfiança e baixa autoestima, este é o momento de fazê-lo. Disponivel em: http://www.escolapsicologia.com/ sugestoes-para-construir-autoconfianca-e-autoestima/. Adaptado. Acesso em 14/08/2016. Sugestão de Abordagem Professor, com as frases construídas na questão 5, realize um mural para a escola. Resiliência: Fair play: Empatia: Respeito: Tolerância: Violência: Competição: Provocar: Disputar: 5. Procure, em dicionários, as palavras a seguir e forme frases relacionadas ao tema estudado: Ética no esporte e no lazer. Resposta pessoal 90 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 90 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 90 05/01/17 17:47 91Manual do Educador – 6o ano Sugestões de significados no dicionário: • Resiliência: Habilidade de se adap- tar com facilidade às intempéries, às alterações ou aos infortúnios. • Fair play: Conduta de quem se comporta ou age de maneira justa, pacífica. • Empatia: Ação de se colocar no lu- gar de outra pessoa, buscando agir ou pensar da forma como ela pen- saria ou agiria nas mesmas circuns- tâncias. • Respeito: Consideração; sentimento que leva alguém a tratar outra pes- soa com grande atenção, profunda deferência, consideração ou reve- rência. • Tolerância: Disposição de admitir, nos outros, modos de pensar, de agir e de sentir diferentes dos nos- sos: na vida social, a virtude mais útil é a tolerância. • Violência: Constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém. • Competição: Disputa ou concorrên- cia entre duas ou mais pessoas que buscam a vitória ou, simplesmente, superar quem os desafia. • Provocar: Estimular; incitar alguém a fazer alguma coisa. • Disputar: Competir; esforçar-se para conseguir algo desejado pelos de- mais. Sugestão de Abordagem Anotações 6. Faça o teste a seguir para ver se você é uma pessoa que sabe perder. Após fazer o teste, pense e responda: como aprender com os erros e as perdas? I. Você e um amigo vão a uma loja e gostam da mesma coisa. Então, ele propõe que joguem par ou ímpar para ver quem leva o produto. Você... A. ( ) ... não aceita e diz que, se não for seu, também não vai ser dele. B. ( ) ... aceita a sorte do par ou ímpar. C. ( ) ... desiste de comprar e deixa para ele. II. Num trabalho em grupo, sua ideia não foi acatada pelos demais integrantes. Você... A. ( ) ... acha que foram injustos e a decisão foi errada, então sai do grupo. B. ( ) ... procura escutar as outras ideias e avaliar se a sua realmente não foi a mais legal. C. ( ) ... com a recusa, passa apenas a aceitar o que os outros decidirem. III. Você está jogando videogame com outra pessoa e já está na terceira partida que você perde. Você... A. ( ) ... fica furioso porque acha que a pessoa está trapaceando. B. ( ) ... nem percebe que já perdeu três vezes, pois jogar é legal de qualquer jeito. C. ( ) ... não está nem aí, já que não sabe jogar mesmo, então sugere fazer outra coisa. IV. Você é fã de um cantor e passa a fazer parte do blog dele, mas suas perguntas nunca são respondidas. Você... A. ( ) ... fica com raiva e conta a situação no Twitter para ver se ele se toca. B. ( ) ... fica chateado e vai conversar com seu amigo. C. ( ) ... fica triste porque as pessoas deveriam saber dar atenção aos outros. V. Você falou mal de uma pessoa para outra que era muito amiga dela, mas você não sabia. Você... A. ( ) ... não se importa porque você não gosta da pessoa mesmo. B. ( ) ... vai falar com a pessoa para pedir desculpas. C. ( ) ... simplesmente nunca mais fala com nenhuma das duas. VI. Toda a turma do colégio vai passar o final de semana na casa de um colega na praia, mas seus pais não deixam você ir. Você... A. ( ) ... se tranca no quarto porque acha a decisão absurda. B. ( ) ... fica triste, mas tenta aproveitar o feriado se divertindo com outras coisas. C. ( ) ... já sabia que eles não deixariam, então nemdiscute e passa o feriado no com- putador. VII. Na hora da apresentação do trabalho na escola, você teve um branco na frente da clas- se toda. Você... A. ( ) ... fica furioso e chega a sair da sala. B. ( ) ... diz que deu um branco e pede ajuda aos colegas e ao professor. C. ( ) ... se desculpa e conversa com o professor para remarcar uma nova data porque não conseguirá apresentar o trabalho. 91Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP4.indd 91 26/12/16 16:41 ME_CMeE_6A_2017.indb 91 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 92 Cidadania Moral e Ética A capacidade de competição A capacidade de competição na mo- dalidade esportiva específica é conside- rada um dos componentes importantes da capacidade de desempenho espor- tivo. O desempenho esportivo é um as- pecto fundamental no esporte enquan- to processo e também resultado. Dessa forma, a capacidade de competição é uma qualidade necessária para os pra- ticantes da atividade esportiva. A origem da competição esportiva é tão antiga quanto a história da humani- dade, e competir é um fator motivador, pois representa conquistas pessoais e sociais. Não há esporte sem competi- ção. Aqueles que não gostam de com- petição não podem gostar de esportes. O treinamento esportivo é um con- junto de meios utilizados para o de- senvolvimento das qualidades técnicas, físicas e psicológicas de um atleta ou de uma equipe, tendo como objetivo final colocá-lo em eficiência máxima em de- terminada prova esportiva. Assim, os as- pectos competitivos e as competições, inerentes ao contexto esportivo, são produto do processo de treinamento. No entanto, na visão de muitos pe- dagogos, a competição pode ser con- siderada um dos componentes mais perversos do esporte, uma vez que significa rivalizar, lutar, disputar, classi- ficando os melhores dos piores ou ven- cedores dos derrotados. Utilizando-se o conceito de Foucault de perversão como conjunto de pertur- bações de ordem psíquica que dariam origem a tendências afetivas e morais contrárias às do ambiente social do in- divíduo pervertido, a competição no esporte poderia ser classificada dessa forma, pois promove valores exacerba- dos de concorrência e individualismo em detrimento dos valores de igualda- de e solidariedade. Na psicologia do desenvolvimento, a discussão teórica e conceitual da coo- peração e competição tem como base a caracterização dos comportamentos Fundamentação como sendo pró-sociais ou antissociais. No entanto, para muitos autores, com- portamentos pró-sociais são aqueles que representam ações ou atividades consi- deradas socialmente positivas, visando atender às necessidades e ao bem-estar de outras pessoas, como o altruísmo, a generosidade, a cooperação, os senti- mentos de empatia e simpatia. Por outro lado, comportamentos antissociais in- cluem ações ou atividades consideradas socialmente negativas, voltadas, por exemplo, à destruição ou ao prejuízo de outras pessoas e relacionadas a com- portamentos egoístas, competitivos e agressivos. Nessa visão maniqueísta, de divisão entre o bem e o mal, corre-se o risco de desconsiderar a complexidade do fenô- meno humano, deixando aberta a pos- sibilidade para generalizações, muitas vezes preconceituosas ou equivocadas PERDER Resposta pessoal GANHAR Resposta pessoal VIII. Você vai para uma festa, e outra pessoa está usando uma roupa exatamente igual à sua. Você... A. ( ) ... fica tão irritado que vai embora da festa. B. ( ) ... não se importa tanto e até chega a fazer piada da situação. C. ( ) ... não está nem aí, na verdade; você nem percebeu isso. IX. O time pelo qual você joga perde a final do campeonato. Você... A. ( ) ... chora e coloca a culpa em todas as outras pessoas do time, porque não se esforçaram tanto quanto você. B. ( ) ... fica chateado, mas “levanta a poeira” e já vai estimulando todo mundo a co- meçar a treinar para o campeonato do próximo ano. C. ( ) ... se conforma porque acha que seu time já tinha ido longe demais, já que havia times mais bem preparados. Resultado: • Se você marcou mais A: Você odeia perder. Na verdade, você não sabe perder. É bom aprender a perder. • Se você marcou mais B: Você sabe perder, mas sem perder a dignidade. É assim que devemos levar a vida. • Se você marcou mais C: Você já se sente perdedor em todas as situações. Levante a cabeça! 7. Junto com seus colegas, pense em regras para uma pessoa aprender a: 92 Cidadania Moral e Ética I 6o ano CMeE_6A_2016_CAP4.indd 92 26/12/16 16:41 ME_CMeE_6A_2017.indb 92 05/01/17 17:47 93Manual do Educador – 6o ano a respeito de cooperação e competição. Por exemplo, a cooperação promovida atualmente pelo capitalismo, nomeada por muitos de corporativismo (conceito que tem origem no sistema político uti- lizado na Itália fascista), embora repre- sente a motivação de pessoas perten- centes a uma mesma categoria a agirem em torno de interesses e objetivos co- muns desse grupo, é feita com base na imposição e tende a levar os indivíduos, mesmo de maneira não proposital, a re- presentarem ideologias do grupo no sen- tido da legitimação de preconceitos, o que faz com que o comportamento egocêntri- co seja necessário para preservar as condi- ções subjetivas. Dessa forma, nem sempre as ações cooperativas são benéficas. É necessário, porém, distinguir proces- sos de individuação e individualismo, pois o primeiro representa a conquista e o re- conhecimento da pessoa em sua condição de originalidade, autonomia e liberdade, e o segundo relaciona-se de perto com disposições egoístas e hostis. Na Antiguidade, especificamente na Grécia, as competições e a busca pe- las vitórias tinham como fundamento “romper” barreiras individuais, alcançar o seu máximo na competição em que participava e, assim, aproximar-se de uma condição divina. Para a sociedade grega helênica, os vitoriosos seriam to- dos aqueles que superassem seus limi- tes físicos pautados por uma conduta moral inquestionável. A vitória sobre o adversário era uma decorrência desse processo, não o fim. Assim, podemos compreender a com- petição no esporte como auxiliar no processo de individuação promotora de aprendizado de habilidades de disputa como confronto, conflito, agressividade e o limite das mesmas, muitas vezes ne- cessária em ambientes grupais. A competição tem um grande compo- nente de aceitação social, permitindo ao homem valorizar-se socialmente, o que corresponde a um momento “ímpar” da prática esportiva. A grande questão está no conceito de valor social; a ideia de valorização social por meio dos dados numéricos nasceu com o esporte mo- derno, final do século XVIII, e se consoli- dou no século XIX com as características da “sociedade de mensuração”, domina- da pela ciência e pela tecnologia, que transformou cada ação esportiva em uma medida quantificada. O valor dos atletas, dessa forma, tor- nou-se quantificável. Estudos mostram que a determinação e a persistência são características importantes do atle- ta talentoso; no entanto, a contribuição dos apoiadores sociais é fundamental para determinar quais os motivos que levam uma pessoa a se interessar pelo esporte, por que ela escolhe ser atle- ta de rendimento, que limites necessita ou deseja vencer, o doping e a derrota; enfim, a orientação do grupo no qual está inserida se torna providencial para a orientação competitiva. 8. Leia: É preciso saber perder Mariana de Viveiros Por mais que se fale que o que vale é competir, todo mundo quer mesmo é ganhar. Mas nem sempre isso é possível, pois a vida é feita de vitórias e derrotas. “Hoje, os jovens não sabem perder, não sabem ouvir não, querem tudo do jeito deles, e isso é um problema sério para a sociedade”, aponta QuéziaBombonatto, psicopedagoga e presidente da Associa- ção Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). Segundo Selma Maria Sabino Braga de Melo, diretora do Colégio Savioli, em São Paulo, a frustração geralmente está ligada a medos, inseguranças, estresse e a uma vida familiar conturbada. “Algumas crianças apresentam um exagerado sentimento de desgosto e inconformismo quando expostas a resultados negati- vos”, afirma. Quézia considera a escola um bom local para a criança aprender a lidar com frustrações, seja por ter perdido um campeonato ou por não ter tirado a nota mais alta da sala, porque ali ela está entre seus pares. Andressa Ruiz Barbosa, orientadora educacional do Colégio Franciscano Nossa Senhora do Carmo (Franscarmo), na capital paulista, concorda com ela: “O mercado pede profissionais que saibam lidar com a pressão e com a frustração. E a fase escolar é um aprendizado para a vida adulta”, diz. As especialistas consultadas entendem que a principal forma de se trabalhar essa questão na escola é conversando com a criança e dizendo a ela, de forma clara, que as frustrações fazem parte da vida de todos. “Colocar limi- tes desde cedo e criar uma rotina com obrigações simples também pode ajudar as crianças a aceitarem melhor as negações quando elas ocorrerem”, acrescenta Selma. Disponível em: http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/89/artigo235357-1.asp. Acesso em: 23 de novembro de 2013. O texto apresenta a importância de saber lidar com a perda, mas a sociedade de hoje incen- tiva cada vez mais a competir, a ganhar “somente e sempre” o primeiro lugar. Você sabe lidar com perdas e frustrações? Já vivenciou alguma frustração? E hoje, como se sente depois de ter passado por tal experiência? Resposta pessoal 93Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 93 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 93 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 94 Cidadania Moral e Ética Para refletir Rússia é banida de Jogos Paralímpicos por escândalo de doping O Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) decidiu suspender a de- legação russa dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 O presidente do IPC, Philip Craven, disse em entrevista que a decisão foi baseada no Relatório McLaren da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). O documento apontou que o governo da Rússia operava um esquema estatal de doping sistemático. “O sistema antidoping da Rússia está quebrado, corrompido e inteiramente comprometido”, disse Philip Craven. “O Comitê Paralímpico russo não tem condições de garantir a adequação nem a fiscalização de acordo com o código antidopagem do IPC ou do código antidopagem mundial dentro da sua jurisdição nacional nem de respeitar as suas obrigações fundamentais como membros do IPC. Como resultado, o Comitê Paralímpico Russo está suspenso com efeito imediato”, completa. Elaborado pelo especialista legal canadense Richard McLaren, o Relatório McLaren des- creveu um esquema sofisticado de doping patrocinado pelo Estado russo e posterior aco- bertamento da prática entre 2011 e 2015 — principalmente durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia, em 2014. De acordo com o relatório, o Ministério do Esporte russo “dirigiu, controlou e supervisio- nou” a manipulação de amostras de urina dos atletas e fraudou resultados. A decisão do IPC de banir a delegação paralímpica russa é mais dura que a do Comitê Olímpico Internacional (COI), que preferiu delegar para cada federação esportiva a decisão sobre banir ou não atletas russos nos Jogos do Rio. Ao mesmo tempo, o COI elevou os requerimentos para os atletas russos e proibiu todos aqueles que já tinham condenação anterior por uso de substâncias proibidas. Somente 270 atletas russos estão compe- tindo nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37004734. Acesso em: 14/08/2016. Questões para reflexão? 1. Para você, essas atitudes dos atletas russos são atitudes éticas? Por quê? 2. O que é importante para combater essas posturas lamentáveis no esporte? 3. Você achou justa a punição de banir os russos nos Jogos Paralímpicos Rio 2016? 4. Converse com seus amigos e seu professor a respeito de suas opiniões. 94 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 94 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 94 05/01/17 17:47 95Manual do Educador – 6o ano Sugestão de leitura //// Pedagogia do esporte Autores: Alcides José Scaglia, Riller Silva Reverdito e Paulo Cesar Montagner A pedagogia do esporte, com base em um incremento no número e na qualidade de estudos produzidos, vem-se consolidando enquanto sig- nificativa área do conhecimento no interior das ciências do esporte. Esse aumento nas produções tem gerado avanços nas reflexões acerca de temas, como metodologias de ensino e de treinamentos de esportes, aprendiza- gem, didática, análises de jogos, com- preensão do esporte como um pro- cesso e produto cultural, entre outros. Anotações Leia a mensagem abaixo e, depois, discuta com seus colegas sobre o tema abordado. Seria interessante que todas as pessoas que praticam algum esporte, de fato, fizessem-no segundo o juramento dos atletas e dos árbitros que participam dos Jogos Olímpicos. O jura- mento dos atletas é recitado por um atleta da equipe do país organizador dos Jogos segurando uma ponta da bandeira olímpica. “Em nome de todos os competidores, prometo que participaremos nestes Jogos Olím- picos respeitando e seguindo as regras que os regem, comprometendo-nos a um despor- to sem dopagem e sem drogas, com o espírito verdadeiro do desportivismo, para glória do desporto e honra das nossas equipes.” Impossível ganhar sem saber perder, impossível andar sem saber cair, impossível acertar sem saber errar, impossível viver sem saber reviver. Se aprenderes a perder, a cair, a errar, ninguém mais o controlará, porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder, e isso você já sabe. Bem-aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder. [...] O sucesso nunca é permanente, o fracasso nunca é total, mas o que vale é a coragem de lutar. Mario Benedetti In ov af ot o/ C B V 95Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 95 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 95 05/01/17 17:47 Ca pí tu lo4 Ética no esporte e no lazer 96 Cidadania Moral e Ética Sugestão de leitura //// A escola e o esporte Autora: Meily Assbú Linhales A partir da década de 1920, os pro- jetos e as prescrições relativos à esco- larização do esporte ganharam des- taque entre os educadores brasileiros. Tal movimento, analisado a partir da Associação Brasileira de Educação, guarda relação com o propósito de renovação pedagógica que buscou constituir a escola como uma expe- riência moderna, ativa e sintonizada com o trabalho urbano-industrial. Em uma perspectiva historiográfica, as práticas discursivas e institucionais investigadas permitem identificar que o esporte foi anunciado como con- teúdo escolar, como método de en- sino e, também, como conjunto de valores e atitudes. Ao mesmo tem- po, foi questionado como instituição educativa paralela e concorrente à escola. Leitores interessados na histó- ria da Educação e da Educação Física encontram aqui elementos de análise relativos ao processo de incorporação do ethos esportivo no esforço de pro- dução de uma moderna forma esco- lar de socialização. Anotações O juramento dos árbitros, em geral, também é recitado por um da equipe do país organizador dos Jogos. “Em nome de todos os júris e árbitros, prometo que cumpriremos as nossas funções durante estes Jogos Olímpicos em total imparcialidade, respeitan- do e seguindo as regras que os regem, num espírito de desportivismo.” 1. Lemos, na página anterior, que os jogadores e os árbitros dos esportes olímpicos fazem um juramento, a fim de promover um jogo mais amistosoe baseado na filosofia do fair play (jogo limpo). Ao jogar com seus amigos, que práticas você adota antes de iniciarem um jogo? Resposta pessoal 2. Nos jogos profissionais, bem como nos amadores, há regras que precisam ser respeitadas e cumpridas. Enumere quais são as regras que você e seus colegas seguem para jogar e qual é a modalidade esportiva de maior apreço por vocês. Resposta pessoal Questão de ética? H er be rt K ra tk y/ S hu tte rs to ck .c om 96 Cidadania Moral e Ética I 6o ano BOOK_CMeE_6A_2017 96 15/12/16 16:15 ME_CMeE_6A_2017.indb 96 05/01/17 17:47