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1 Universidade Nove de Julho – São Bernardo do Campo Beatriz de Paula | @plannedmed | FISIOPATOLOGIA I Identificação: Homem, de 50 anos, pardo, professor, portador de diabetes e hipertensão arterial sistêmica. QP: Apresenta-se com desconforto abdominal à direita após consumir paracetamol para cefaléia. Anamnese: Negou outras doenças. Referiu consumir bebidas alcoólicas de rotina e dieta hiperlipídica com frequência. Utiliza medicações hipoglicemiantes oral e anti- hipertensivos. Exame físico: Apresentou discreto desconforto à palpação no hipocôndrio direito, indolor. Exames complementares: Enzimas hepáticas normais, bilirrubina direta e indireta normais. US abdome: imagens hipoecóicas hepáticas compatíveis com esteatose hepática. Conduta: Foi mantido em observação e privação do uso do álcool e do paracetamol. Apresentou melhora clínica em alguns dias e recebeu alta médica. Após 1 mês, o paciente voltou ao PS apresentando intensa dor abdominal, estava ictérico e apresentava petéquias por todo o corpo. Na internação foram avaliadas: a função renal que estava diminuída e as enzimas hepáticas que estavam aumentadas em pelo menos 10 vezes. Tendo em vista a história pregressa do paciente foi avaliado o nível sérico de acetaminofeno que estava elevado. No dia seguinte a internação o paciente apresentou piora do quadro sendo transferido para a Unidade de Terapia Intensiva com quadro de encefalopatia e insuficiência hepática evoluindo com óbito após 72 horas da entrada no hospital. Figura 1: Fotomicrografia de fragmento de tecido hepático colhido na necrópsia. Nota-se necrose avançada (lado direito) e necrose mais recente (lado esquerdo). Escasso infiltrado inflamatório . 1 - Pesquisar sobre hepatotoxicidade do paracetamol. A intoxicação pelo paracetamol, ou acetaminofeno, constitui uma das principais causas de insuficiência hepática aguda, no entanto, o mecanismo preciso de hepatotoxicidade deste fármaco ainda possui muitas questões em aberto. Na intoxicação pelo paracetamol, é formado um metabólito extremamente reativo, o N-acetil-p- benzoquinonaimina (NAPQI), que se acumula em quantidades de tal ordem, que superam a capacidade das vias inativadoras, nos hepatócitos. O NAPQI é particularmente tóxico para as mitocôndrias, desacoplando a cadeia respiratória, levando ao stress oxidativo e à disfunção mitocondrial. A disfunção destes organelos, combinada com a fragmentação nuclear associada, culminam na necrose dos hepatócitos. Ao mesmo tempo, o stress oxidativo ativa as vias de sinalização c-jun-N-terminal kinase (JNK), p53, fissão mitocondrial, stress do 2 Universidade Nove de Julho – São Bernardo do Campo Beatriz de Paula | @plannedmed | FISIOPATOLOGIA I retículo endoplasmático e aumento do cálcio citoplasmático, que exacerbam a toxicidade hepática do paracetamol, enquanto que vias de sinalização, como a nuclear factor-like 2 (Nrf2) e a mitofagia, mostraram um papel de contrarregulação deste mecanismo. A seguir à necrose dos hepatócitos, o sistema imune é chamado a intervir e cada um dos tipos de células efetoras poderá ter um papel potenciador ou protetor da lesão hepática. - Petéquias = manchas vermelhas pelo corpo devido a problemas de coagulação. - Ictérico = fica claro o problema no fígado. - O produto do metabolismo do paracetamol é tóxico, devido o abuso do medicamento (em excesso). PARACETAMOL → METABÓLICO TÓXICO (radical livre) → ESGOTAMENTO DA GLUTATIONA → ESTRESSE OXIDATIVO → PEROXIDAÇÃO LIPÍDICA / LISE DAS PROTEÍNAS / INTERAÇÃO COM DNA. - O paracetamol é metabolizado em um metabólico tóxico pela enzima CYP450. - A glutationa é esgotada na tentativa de eliminar o metabólico tóxico (que é muito, então ela não dá conta). - O etilismo crônico piora a situação, além de ser um fator de risco. - O fato do paciente ser diabético e hipertenso também influenciaram no óbito. - Etiologia: abuso do paracetamol (etiologia tóxica). 2 - Explicar detalhadamente o mecanismo de lesão celular envolvido na insuficiência hepática que o paciente apresentou. - O paciente apresentou esteatose, que é o acúmulo de gorduras neutras no citoplasma das células. Sendo assim, ele sofreu uma degeneração gordurosa; - Essa lesão é provocada por agentes etiológicos tóxicos (no caso do paciente álcool e o paracetamol) que aumentam a síntese e captação, dificultam a utilização, o transporte e a excreção dos ácidos graxos. - A menor disponibilidade de NAD, que é necessário para a oxidação de lipídeos, faz com que sua redução contribua para o acúmulo de gorduras nos hepatócitos; - A maior disponibilidade de acetil-CoA irá induzir a síntese de ácidos graxos, que, somados aos provenientes da circulação, originam triglicerídeos que se acumulam nas células; - O acúmulo de triglicerídeos ocorre também, porque o transporte das vesículas de lipoproteínas está comprometido devido à ação do acetaldeído e de radicais livres gerados do metabolismo do etanol no retículo endoplasmático liso sobre microtúbulos e microfilamentos. - Por fim, o excesso de ácidos graxos pode gerar ceramida, que é um potente indutor de apoptose, podendo ainda esses hepatócitos repletos de gordura se romper e haver a formação de cistos gordurosos. A formação desses cistos gordurosos pode gerar uma reação inflamatória e ainda, uma embolia gordurosa, caso ocorra a ruptura desses cistos gordurosos na circulação. Um homem de 59 anos de idade se apresenta no departamento de emergência com uma história de 4 horas de dor torácica “em aperto”. Seu exame cardíaco é normal, sem sopros e com bulhas cardíacas normais. Um ECG revela 3 Universidade Nove de Julho – São Bernardo do Campo Beatriz de Paula | @plannedmed | FISIOPATOLOGIA I elevação do segmento ST nas derivações precordiais laterais, e as enzimas cardíacas mostram evidências de lesão miocárdica. Ele foi imediatamente submetido a terapia de reperfusão. Após 3 horas da intervenção o paciente evoluiu com óbito. 1 - Pesquisar sobre lesão - isquêmica por reperfusão. As consequências da isquemia em diferentes tecidos depende de sua duração, e que muitas das lesões são desenvolvidas durante o estágio de reoxigenação decorrente da reperfusão tecidual. As mitocôndrias são alvos importantes dos danos provocados pelos processos de isquemia e reperfusão, nelas ocorrem diminuição das atividades da nicotinamida adenina dinucleotídeo ligada com hidrogênio (NADH) desidrogenase, do carreador de adenosina difosfato / adenosina trifosfato (ADP/ATP) e da ATP sintase. Ocorre ainda, acentuado acúmulo de cálcio e aumento da geração de radicais livres pelas mitocôndrias. - Reperfusão = uso de fármacos trombolíticos que agem na área obstruída para desobstruir. - Mitocôndrias que ainda não morreram, quando forem reoxigenadas, passarão por um processo de fosforilação oxidativo incompleto, o que fará com que haja maior formação de radicais livres. 2 - Descrever a patogênese do processo que culminou em piora do quadro cardíaco do paciente. O paciente teve uma isquemia prolongada, que fez com que o aporte de oxigênio da célula fosse diminuído (hipóxia). Como a hipóxia perdurou, as perturbações eletrolíticas e a síntese de proteínas e lipídeos passaram a agredir as membranas citoplasmáticas e das organelas, agravando progressivamente as condições da célula, podendo ainda essas alterações se tornam irreversíveis e a célula morrer. Porém, esse paciente foi reoxigenado, pois passou pelo processo de reperfusão, e nos casos de isquemia prolongada essa reoxigenação agrava a lesão, porque teremos a formação de radicais livres de oxigênio a partir das primeiras moléculas de O2 que chegamaos tecidos após a recuperação do fluxo sanguíneo.