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O apóstolo insiste para que ela seja fielmente guardada e transmitida às gerações futuras. Paulo se preocupa com o futuro da igreja e com a nova geração de pastores que tem a responsabilidade de continuar fiel à “sã doutrina”, sem se contaminar. Como a maioria das igrejas da Ásia Menor durante o período apostólico, a igreja de Éfeso estava sendo desafiada por ensinos falsos. Por isso, Paulo enfatiza a importância de ensino sadio e a necessidade de Timóteo combater com veemência tais doutrinas falsas. O apóstolo está totalmente comprometido com a verdade. Para ele, a igreja é “coluna e fundamento da verdade” (1Tm 3.15); é “a verdade” que leva à“piedade” (Tt 1.1), enquanto os falsos mestres “se desviaram da verdade... pervertendo alguns em sua fé”(2Tm 2.18). Isso descreve bem a nossa situação. Vivemos um tempo de confusão teológica e moral e, por isso, essas cartas são tão relevantes para os nossos dias quanto foram para o primeiro século. As duas cartas de Paulo a Timóteo e a carta a Tito tratam da vida da igreja, que já existia há cerca de trinta anos. Era necessário pensar nos futuros líderes e também como a igreja deveria ser organizada. Então, Paulo escreveu para dar orientação sobre a administração das igrejas pelas quais eram responsáveis. Há instrução apostólica a respeito da prioridade de oração, do papel da mulher e do homem na igreja, as qualificações da liderança e assuntos bem práticos como os perigos e deveres dos cristãos ricos. Tudo muito relevante para nós hoje! Terminamos este editorial citando palavras de John Stott no seu comentário de 2Timóteo: “Imaginemos o apóstolo Paulo, já idoso, definhando numa masmorra escura e úmida em Roma, de onde não deverá sair, a não ser para a morte. O seu trabalho apostólico está concluído... Agora compete-lhe tomar providências para que, depois da sua partida, a fé seja transmitida sem se contaminar, genuína, às gerações futuras”. Esta é a nossa tarefa hoje! John D. Barnett BIBLIOGRAFIA BARCLAY, William; O Novo Testamento, Publicado em inglês pela Saint Andrew Press da Igreja da Escócia – Ebook – Tradução Carlos Biagini. BÜRKI, Hans; Comentário Esperança – Primeira Carta a Timóteo, Editora Evangélica Esperança. KELLY, J.N.D.; I e II Timóteo e Tito – introdução e comentário, Edições Vida Nova. PFEIFFER, Charles F., HARRISON, Everett F.; Comentário Bíblico Moody – Volume 2 – Mateus a Apocalipse, Editora Batista Regular. STOTT, John; A mensagem de 1Timóteo e Tito, ABU Editora. STOTT, John; A mensagem de 2Timóteo, ABU Editora. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 – Sumário – Personagens das cartas pastorais A doutrina verdadeira A oração e o culto público Exigências para aqueles que aspiram à liderança Falsa doutrina na igreja Responsabilidade com os vários grupos na igreja Os perigos do dinheiro Recomendações ao homem de Deus Guardar o evangelho O bom samaritano Sofrer pelo evangelho Pregar o evangelho Prefácio e saudação da carta a Tito Organizando as igrejas em Creta Instruções para grupos específicos na igreja O poder moral da encarnação A conduta cristã 1 Personagens das cartas pastorais John D. Barne� texto básico 1Timóteo 1.1-7; 2Timóteo 1.1-5; Tito 1.1-4 versículo-chave 2Timóteo 3.14-15 “Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem o aprendeu e que, desde a infância, você conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai conhecer os três personagens principais nestas cartas, o temperamento deles, suas lutas e suas preocupações com a saúde espiritual das igrejas. leia a Bíblia diariamente seg 2Tm 1.1-7 ter 1Tm 1.12-20 qua 1Tm 4.6-16 qui 2Tm 4.1-5,9 sex Tt 1.1-5; 3.12-15 sáb 2Co 7.5-9 dom 2Co 8.6,16-24 ada uma das chamadas “Cartas Pastorais” trata das tarefas especiais que tanto Timóteo como Tito tinham de exercer. Em cada carta, Paulo se Cpreocupa com a missão da igreja e a integridade dela. I. Paulo, o autor das cartas É bom estudar estes conselhos do experimentado apóstolo Paulo aos jovens Timóteo e Tito. Paulo está chegando ao fim do seu ministério (como o próprio autor desta lição!). Posso sentir com ele as mesmas preocupações com o futuro do evangelho e a necessidade de a nova geração guardá-lo bem, transmitindo a sã doutrina às gerações futuras. Vivemos dias em que há muita confusão em relação ao evangelho e o futuro da igreja evangélica. Essas preocupações de Paulo devem ser nossas também. 1. Preocupação com os falsos profetas Paulo deixou Timóteo em Éfeso a fim de tratar problemas de ensino falso, comportamento inadequado e má liderança que surgiram. Alguns falsos líderes estavam desviando a igreja da sua verdadeira missão, criando controvérsia e discórdia entre os convertidos – leis em relação à alimentação foram introduzidas, e casamentos, proibidos. 2. Preocupação com a “verdade” Em todas as três cartas, a preocupação do apóstolo é com a verdade, que deve ser bem guardada (2Tm 1.14) e transmitida a outros (2Tm 2.2). Num tempo em que não existe verdade absoluta, como o nosso, é necessário ter, como Paulo, total comprometimento com a verdade. Ele foi “designado... mestre dos gentios na fé e na verdade” (1Tm 2.7). Para Paulo, a igreja é “coluna e fundamento da verdade” (1Tm 3.15) e é a verdade que leva para “a piedade” (Tt 1.1). Paulo alerta os crentes em relação aos falsos profetas que “se desviaram daverdade” (2Tm 2.18), “resistem à verdade” (2Tm 3.8) e recusam “dar ouvidos à verdade”(2Tm 4.4). Nas três cartas, sua autoridade apostólica é afirmada ao dar ordens e exigir obediência. Ele se preocupa com a sã doutrina que Timóteo e Tito têm que ensinar. Cartas Pastorais para hoje Será que temos a mesma preocupação com a verdade e desejo de ensiná-la? II. Timóteo, filho na fé de Paulo 1. Conversão É provável que Timóteo, um jovem de Listra, filho de pai grego e mãe judia, tenha se convertido durante a primeira viagem missionária de Paulo. Quando o apóstolo voltou à região, no início da sua segunda viagem, Timóteo lhe foi recomendado pelos irmãos como fiel discípulo. Assim, Paulo o convidou para fazer parte da sua equipe missionária (2Tm 1.3-5). 2. Ministério Por mais de 15 anos, Timóteo foi o fiel companheiro de Paulo nas suas viagens missionárias. Foi enviado a Tessalônica para encorajar os irmãos em virtude de perseguições (1Ts 3.1-10). Trabalhou juntamente com Paulo em Corinto, uma cidade difícil (2Co 1.19) e ficou com Silas em Bereia, partindo depois para Atenas (At 17.14-15). Foi enviado em missão especial à Macedônia, indo depois para Corinto (1Co 4.17). Timóteo estava em Roma durante a primeira detenção de Paulo porque, quando este escreveu as quatro cartas da prisão (Filipenses, Colossenses, Efésios e Filemom), a presença de Timóteo é mencionada. Paulo tinha uma grande afeição por Timóteo e o chamava de “meu filho amado e fiel no Senhor” (1Co 4.17). Tão grande era sua confiança nele que o chamou “meu cooperador”(Rm 16.21) e “irmão e ministrode Deus no evangelho de Cristo” (1Ts 3.2). De fato, Paulo podia dizer de Timóteo: “Não tenho ninguém que, como ele, tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês... Timóteo foi aprovado porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai” (Fp 2.20,22 NVI). 3. Jovem Quando Paulo se encontrou com Timóteo pela primeira vez, este era bem jovem. Na sua primeira carta, Paulo o incentivou, dizendo: “Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem...” (1Tm 4.12 NVI). Na sua segunda carta, o aconselhou: “Fuja dos desejos malignos da juventude...” (2Tm 2.22 NVI). 4. Temperamento Paulo deixou transparecer que Timóteo tinha espírito tímido, por isso disse: “Não seja negligente para com o dom que você recebeu...” (1Tm 4.14; 6.20). Parece que Timóteo não tinha muita confiança em si e talvez Paulo se preocupasse com sua falta de experiência, exortando-o a ser exemplo dos fiéis apesar de pouca idade. Ele foi admoestado a não se entregar aos prazeres da mocidade ou ao simples exercício físico, mas ao exercício da fé. Aparentemente, Timóteo não gozava de boa saúde e sofria de problemas estomacais. Por isso, Paulo o orientou a tomar um pouco de vinho “por causa do seu estômago e das suas frequentes enfermidades” (1Tm 5.23). Paulo exorta- o: “... fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm 2.1). Cartas Pastorais para hoje Não devemos usar nosso temperamento tímido como desculpa para não fazer a obra do Senhor, pois o Senhor “não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2Tm 1.7). 5. Futuro do evangelho Depois da libertação de Paulo da prisão em Roma (At 28), Timóteo e Tito o acompanharam numa viagem missionária a Creta, onde Tito permaneceu para ajudar no crescimento da igreja que tinha sido fundada. Paulo e Timóteo continuaram a viagem até a cidade de Éfeso, onde Paulo deixou Timóteo com a responsabilidade de supervisionar a igreja (1Tm 1.3). E que responsabilidade! Ele devia: combater os falsos mestres que ensinavam doutrinas falsas; eleger e ordenar presbíteros, organizar ajuda para as viúvas que eram realmente necessitadas. Paulo planejava visitar Timóteo em Éfeso, mas viu a possibilidade de demorar, por isso, escreveu sua primeira carta, exortando o jovem Timóteo a se dedicar “à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino” (1Tm 4.13 NVI). Ao escrever sua segunda carta a Timóteo, a preocupação de Paulo era com o futuro do evangelho. Paulo estava para enfrentar a morte iminente pelas mãos do imperador Nero. Durante trinta anos, ele tinha pregado fielmente o evangelho, plantado igrejas e defendido a verdade (2Tm 4.7). Agora, o que aconteceria com o evangelho depois da sua morte? A esse jovem introvertido, foi dada a tarefa de continuar a obra do evangelho depois da morte de Paulo. A responsabilidade passou a ser de Timóteo. Cartas Pastorais para hoje Paulo foi o mentor espiritual de Timóteo. Quem é seu Timóteo? Para quem você está sendo um verdadeiro mentor espiritual? III. Tito 1. Sua conversão Tito era um gentio grego que provavelmente se converteu por intermédio do ministério de Paulo, que o chamou de “meu companheiro e cooperador” (2Co 8.23), embora Lucas não faça nenhuma menção dele no livro dos Atos. Paulo se refere a Tito em 2Coríntios e em Gálatas. 2. Seu ministério Paulo reconheceu o dom especial de Tito quando falou do seu ministério tão abençoado em relação aos coríntios. Na segunda carta que escreveu a essa igreja, Paulo mencionou nove vezes o nome de Tito. “Agradeço a Deus ter ele posto no coração de Tito o mesmo cuidado que tenho por vocês, pois Tito não apenas aceitou o nosso pedido, mas está indo até vocês, com muito entusiasmo e por iniciativa própria” (2Co 8.16-17 NVI). Enquanto Paulo estava em Éfeso, durante sua terceira viagem missionária, recebeu notícias perturbadoras da igreja de Corinto. Foi Tito o portador da carta “dolorosa” aos coríntios (2Co 2.4; 8.6,16-17), que resultou no arrependimento da igreja (2Co 7.5-9). Tito acompanhou Paulo e Barnabé na sua segunda viagem missionária. Os judeus cristãos de Jerusalém insistiram para que Tito fosse circuncidado, mas Paulo decidiu manter-se firme em sua posição e se negou a fazer (Gl 2.3-5). Paulo enviou instruções aos crentes em Corinto por intermédio de Timóteo, mas eles não as seguiram. Diante disso, Paulo enviou Tito para ensinar o que precisavam aprender. Quando os dois voltaram a se encontrar na Macedônia, Paulo ficou feliz, porque os problemas haviam sido solucionados, e a igreja de Corinto estava em boa forma espiritual (2Co 7.6- 14). 3. Sua missão em Creta Tito acompanhou Paulo numa missão a Creta e permaneceu ali a fim de consolidar o trabalho do apóstolo naquela ilha. A situação em Creta era muito desanimadora. A igreja estava desorganizada e, pelas injunções no capítulo 2, seus membros eram instáveis na fé e relaxados no comportamento; as mulheres idosas eram faladoras e bebedoras; as jovens casadas flertavam... Por isto, Paulo deixou Tito em Creta: para pôr “em ordem as coisas restantes” (Tt 1.5). Não é claro o que Paulo tinha deixado incompleto a não ser a constituição de presbíteros, enfatizando a necessidade de irrepreensibilidade moral e vida familiar estável. Seis vezes nesta curta carta, Paulo enfatiza a necessidade de boas obras (Tt 1.16; 2.7,14; 3.1,8,14), embora deixe claro também que a salvação não pode ser ganha pelas boas obras (Tt 3.5). Tito era homem para as tarefas difíceis, confiável, com muito tato, e tranquilizou situação desesperadora em várias ocasiões. Conclusão Como Deus preparou esses homens para o serviço do Rei! Eles foram dotados de dons especiais que os equiparam de forma singular para o ministério nas igrejas pelas quais eram responsáveis. O desejo de Paulo era que tanto Timóteo como Tito pudessem desenvolver seus dons de liderança por meio da devoção ao Mestre e da autodisciplina. A 2 A doutrina verdadeira Evaldo Bueno Rodrigues texto básico 1Timóteo 1.1-20 versículo-chave 1Timóteo 4.16 “Cuide de você mesmo e da doutrina. Continue nestes deveres, porque, fazendo assim, você salvará tanto a si mesmo como aos que o ouvem.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai compreender quão importante é para o crente saber distinguir a verdadeira doutrina sem permitir que os falsos ensinos corrompam a fé cristã. leia a Bíblia diariamente seg Pv 3.1-12 ter Gl 5.1-10 qua Ef 4.9-16 qui Cl 2.1-10 sex 1Tm 1.1-20 sáb 1Pe 3.13-22 dom 1Pe 4.1-8 primeira carta a Timóteo é epístola pastoral e nessa qualidade foi escrita não só para encorajar, fortalecer e equipar aqueles primeiros líderes a fim de manterem-se firmes nas doutrinas do cristianismo, mas também para combater as heresias tão comuns e danosas daqueles dias. Com o propósito de alertar o jovem pastor e seu rebanho, Paulo faz declarações extraordinárias acerca das verdades do evangelho, para, também, eliminar as tensões doutrinárias provocadas pelos hereges, corrigindo o curso do ensino ministrado, visando o crescimento espiritual dos cristãos. Falsas doutrinas eram armadilhas de Satanás no meio da igreja. I. Os falsos mestres e a lei (1Tm 1.1-17) Quando Jesus declarou: “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18), Ele já visualizava esse tipo de ataque sobre o qual Paulo está alertando. São ações por vezes explícitas, outras vezes sutis, mas danosas à integridade e à eficácia da fé. Vemos, no cuidado de Paulo com aqueles irmãos, sua preocupação com: 1. Armadilhas de Satanás Eram falsos ensinos que não edificavam a igreja, pelo contrário, tentavam destruí-la. Eram histórias inventadas pelos mestres falsos, baseadas em lendas que faziam alusão a personagens do povo judeu do passado. Eles davam a essas fábulas ou mitos valor religioso, encobrindo e até excluindo a obra salvífica de Cristo e as verdades acerca do evangelho.“Tenham cuidado para que ninguém venha a enredá-los com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”(Cl 2.8). 2. Atalhos que levam à morte Os falsos mestres pregavam doutrinas contrárias ao evangelho. Anunciavam “outro evangelho”, sem nenhum apoio ou base nas doutrinas transmitidas pelos apóstolos de Cristo. Eram caminhos de morte. Para esses hereges, valem as palavras de Paulo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu pregue a vocês um evangelho diferente daquele que temos pregado, que esse seja anátema...” (Gl 1.8-9). 3. Perigo do desconhecimento da verdade Fazendo-se passar por mestres da lei de Deus, anunciavam novidades que eram nocivas à fé cristã e promoviam contendas, divisões, imoralidade e perseguição aos que permaneciam fiéis ao cristianismo. De fato, nem eles mesmos compreendiam o que diziam, nem o que afirmavam sobre a lei (1Tm 1.7). Cartas Pastorais para hoje “A fé e o pensamento caminham juntos; e é impossível crer sem pensar” (John Stott). II. Paulo e a eficácia do evangelho (1Tm 1.5-17) Rapidamente Paulo volta os holofotes para a grandeza e a sublimidade do evangelho do qual ele mesmo fora alvo, e traz à memória sua própria experiência de conversão: de obstinado perseguidor dos cristãos a ministro de Cristo. Uma guinada somente possível porque sobre ele transbordou a misericórdia e a graça de Deus. Seu testemunho era uma afronta às falsas doutrinas gnósticas que afirmavam ser má e perversa a matéria; o corpo, portanto, irrecuperável. Eles não admitiam a possibilidade da transformação de pecadores em honrados e muito bem preparados ministros da palavra de Deus. O objetivo de Paulo foi mostrar que aqueles falsos ensinos nada tinham a ver com a proposta do evangelho, que era alicerçada: 1. No amor segundo Cristo (v.5) Ao contrário do prejuízo que os falsos ensinos geravam, Paulo dá ênfase ao aspecto positivo da prática do amor segundo Cristo, que vem pela operação do Espírito Santo, à medida que somos transformados e santificados pelo poder da Palavra: “De tudo o que se deve guardar, guarde bem o seu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). A ordem de Paulo para que permanecessem na prática do amor de uns para com os outros, com coração puro, dá ênfase ao amor sacrifical de Cristo, que é o amor de Deus encarnado. Esse amor elimina divisões e promove a paz (v.4). 2. Numa consciência limpa e na fé sincera (v.5) A atenção que devemos dar à voz da consciência diz respeito à percepção interior que temos sobre questões morais e éticas. No caso em questão, Paulo evoca a consciência pura, livre de sentimentos de culpa, que funciona como um árbitro no cristão, fazendo-o refletir sobre ações e conduta. Essa instrução confrontava a mente cauterizada daqueles falsos mestres e seus seguidores. Apesar de a expressão “fé sincera” (NVI) parecer estranha, na verdade não é, pois pode, sim, haver fé fingida, fé hipócrita, como o caso daqueles hereges gnósticos que, na verdade, exibiam apenas imitação da fé. Era uma lealdade não autêntica a Cristo, em oposição à fé sincera, que é mais do que apenas uma crença. Fé sincera é uma entrega pessoal aos cuidados de Cristo. É sobre essa fé, operada pelo amor, que escreveu Paulo: “Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor”(Gl 5.6). 3. No conhecimento pleno da Verdade (v.7) Aqueles que não conhecem a Palavra são facilmente enganados, podendo-se constituir, também, em enganadores. Por isso a necessidade do estudo constante e progressivo da Palavra para adquirir conhecimento e ter firmeza de convicções: “Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm” (1Pe 3.15 NTLH). 4. Num viver frutífero (v.12-14) Somente em Cristo somos capacitados para toda boa obra; distanciados Dele desprezamos o certo e somos enganados, tornando-nos parte dos que seguem os falsos ensinos. O objetivo de Paulo era instruir os cristãos de maneira que tivessem vida abundante, útil e espiritualmente produtiva. Ele mesmo, reconhecendo o derramar da graça e da misericórdia de Deus, se apresentava como exemplo deste favor de Deus em sua vida, não obstante seu passado: “a mim que, no passado, era blasfemo, perseguidor e insolente...” (1Tm 1.13). Esse ato de Deus fez de Paulo um instrumento vivo e frutífero para a proclamação do evangelho. III. Timóteo e o bom combate (1Tm 1.18-20) Ao findar o primeiro capítulo, encontramos Paulo novamente voltando-se para o combate às falsas doutrinas. E não é sem razão que ele retoma o assunto, pois em meio a esses falsos ensinos é que Timóteo, o mais novo comissionado, iria desenvolver o seu ministério. Paulo dá ordens claras de conduta e firmeza nas verdades do evangelho. Timóteo deveria lutar bravamente contra os inimigos do evangelho, “segundo as profecias que anteriormente foram feitas a respeito de você” (v.18). Cartas Pastorais para hoje O êxito do ministério do jovem pastor dependeria de quanto ele vivenciasse os princípios ensinados por Paulo nesses últimos versos. 1. Obediência não é opção (v.18) Quando Paulo menciona: “Esta é a admoestação que faço a você...”, está dizendo que não se trata de uma sugestão. É mandamento, incumbência, confiada a Timóteo, de cortar aquele mal pela raiz. Assim como o próprio Paulo havia recebido no passado esse encargo por ordem de Deus (v.11), agora é a Timóteo que a comissão é dada. Há todo um trabalho pastoral a ser realizado, incluindo o combate às falsas doutrinas gnósticas já espalhadas entre os cristãos. Somente pela obediência, o servo alcança a aprovação do seu Senhor: “A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22 NVI). 2. Perseverança inegociável na doutrina verdadeira (v.19) Os falsos mestres rejeitavam pontos inegociáveis da fé cristã, inclusive sobre a pessoa e a autoridade de Cristo. Ignoravam a verdade absoluta do evangelho, desprezavam a boa consciência e, por essa razão, naufragaram na fé. Perseverar é não se dobrar, é lutar até o fim (2Tm 4.6-7). Portanto, a firmeza e a perseverança de Timóteo em toda a verdade do evangelho, a boa consciência e a fé sincera seriam antídotos espirituais contra os ataques dos inimigos de Cristo. Este também foi o testemunho de Josué: “Os meus irmãos que tinham ido comigo amedrontaram o povo, mas eu perseverei em seguir o Senhor, meu Deus.” (Js 14.8). 3. Prevenção é o segredo (v.20) Neste verso, Paulo cita dois falsos mestres, os quais foram entregues “a Satanás, para serem castigados a fim de não mais blasfemarem”. Eles estavam entre os cristãos, ouviram o evangelho, mas se deixaram levar pelo príncipe deste mundo (Ef 2.2; 2Co 4.4). A ideia transmitida aqui pode indicar a possibilidade da restauração mental e moral desses homens, o que nos leva a pensar que faltou a eles a prevenção contra as sutis investidas do inimigo. Conclusão Há neste primeiro capítulo uma série de advertências que o cristão deve considerar: não se contamine (Dn 1.8); não imite o que é mau (Ananias e Safira – At 5.1-11); não se aproxime do perigo (Ló – Gn 13.12-13); não queira experimentar o mundo (Sansão – Jz 14.3) e, aprenda a fugir das ciladas do inimigo (José – Gn 39.7-12). O propósito da doutrina verdadeira é fazer com que os cristãos não se desviem do alvo, o qual não é outro senão atingir a estatura de varão perfeito, segundo Cristo, sem se deixar levar por falsos ensinos (Ef 4.14). 3 A oração e o culto público Valdemberg Rodrigues Viana texto básico 1Timóteo 2.1-15 versículo-chave Eclesiastes 5.1 “Guarde o pé, quando você entrar na Casa de Deus. Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer um sacrifício de tolos, que fazem o mal sem se dar conta.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai discernir a importância da oração e da postura no culto público. leia a Bíblia diariamente seg Mt 6.5-13 ter 1Co 11.2-16 qua Jr 29.11-14 qui Jo 17.1-10 sex 2Ts 3.1-5 sáb Tg 5.12-18 dom 1Co 14.26-39 O ambiente do culto é diferenciado. O “solo” é diferente, “é terra santa” (Êx 3.5). Qual é a nossa postura quando a oração é no culto? Uma coisaé orar no quarto fechado (Mt 6.6), e outra é orar em público. Vejamos algumas razões que podem justificar o “medo” de falar em público: consciência natural das próprias limitações (Êx 4.11); timidez que dificulta a falar em público (Êx 4.10); decepção antiga causa medo de fracassar (Êx 4.1); vontade de não ser visto (Êx 4.14). I. A oração de todos por todos (1Tm 2.1-8) 1. Tempo para a oração “Antes de tudo” Toda ação deveria ser precedida de oração. A versão NTLH diz “Em primeiro lugar” – a oração deveria ter primazia. Temos pequena disposição em passar uma hora em oração, não obstante a isso, “muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16). 2. Variação da oração “…súplicas, orações, intercessões, ações de graças…” Trata-se de quatro sinônimos que nos dão maior visão da oração: súplicas – necessidades mais específicas; orações – necessidades mais comuns, mas sempre presentes; intercessão – necessidades de outrem; ações de graças – expressões de gratidão, reconhecendo a bondade de Deus. 3. Advertência para oração “…peço…” Paulo insiste a que se pratique a oração. Portanto, não era uma sugestão, e sim uma ordem. Precisamos nos disciplinar a ter vida de oração, a reservar um local e um tempo para a “oração do quarto fechado”, mas temos necessidade de “orar em todo lugar”. 4. A abrangência da oração “… em favor de todas as pessoas…” Não apenas pelos meus interesses, mas pelas autoridades, quer sejam boas ou não. Paulo estimula a que nossa oração alcance todos os grupos: governantes (v.2), todos os que têm autoridade (v.2), os gentios (v.7) e, por implicação, os judeus. 5. O objetivo da oração “... para que vivamos vida mansa e tranquila...” 6. O prazer da oração “Isto é bom e aceitável diante de Deus” O Senhor tem satisfação em nossas orações, especialmente as de intercessão pelos outros. 7. O local para oração “em todos os lugares...”. Todo tempo é tempo de orar; todo local é próprio para a oração. Cartas Pastorais para hoje O que estamos fazendo com a ordem de orar por todos antes de qualquer outra ação? A oração não pode ser o último recurso ou algo para tentarmos quando nada mais deu certo. Incentive seus filhos a orarem a partir do culto doméstico; dê oportunidade para que eles cresçam nessa área tão importante da vida cristã. Que tal revezamento nas orações: um dá graças no café da manhã, outro no almoço e outro no jantar? Bons incentivos e reconhecimento proporcionarão crescimento sadio que os ajudará a vencer barreiras pessoais. II. Os homens no culto (1Tm 2.8) Paulo agora descreve o que Deus espera de homens e mulheres no que diz respeito ao culto público. Embora tudo o que façamos seja “culto” ao Senhor, existe um momento e um local em que nos juntamos a outras pessoas para celebrar ao Senhor. Nesse momento, a postura de cada um de nós deve ser observada. Existem atividades nossas que só são cabíveis no culto pessoal, e outras que são restritas ao culto público. No AT, o culto público era muito bem detalhado, e as recomendações tão claras e específicas, existindo uma postura adequada: “Guarde o pé, quando você entrar na Casa de Deus” (Ec 5.1). Não podemos esquecer que é necessária uma roupa apropriada no que tange ao ajuntamento para cultuar. Alguns dos sinais ritualistas que faziam parte do culto público do AT não são encontrados no NT. O que subsiste são os princípios que preservam a ordem. Neste texto, Paulo atenta para as atitudes próprias ao culto público. 1. “Quero, pois, que os homens orem em todos os lugares” Aqui Paulo reforça a necessidade de oração por parte de quem tem a responsabilidade da liderança, tanto no âmbito doméstico como eclesiástico. Os líderes possuem o privilégio de serem alvos da oração do povo de Deus, conforme o próprio Paulo recomenda (1Ts 5.25; 2Ts 3.1; Hb 13.18), e também têm o compromisso de orar pelos liderados, conforme aqui é exposto. 2. “Levantando mãos santas” A postura física na oração não é uma questão tola, uma vez que em muitos lugares ela é citada (Ne 8.6; Tg 4.8; Lc 24.50). Aqui a expressão “mãos santas” alude não somente à postura do membro em si, mas se verifica a necessidade de santidade, de uma postura de alma limpa, conforme recomenda Davi (Sl 24.3-4). 3. “Sem ira e sem animosidade” A ideia presente aqui é que a oração vertical precisa ter o compromisso da oração horizontal. A minha postura com o irmão abre portas para a minha oração. O Senhor sempre valorizou a comunhão entre irmãos. Lembre-se da recomendação de Jesus no sermão da montanha: “Portanto, se você estiver trazendo sua oferta ao altar e lá se lembrar que o seu irmão tem alguma coisa contra você, ... vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão...” (Mt 5.23-24). Cartas Pastorais para hoje Comece o culto público antes de chegar ao templo, reveja seus relacionamentos e mantenha-os em paz. III. As mulheres no culto (1Tm 2.9-15) “Da mesma forma”; “semelhantemente” – Isso denota que exortações também eram passadas às mulheres, no que tange ao culto público. Enquanto para eles o investimento no culto se dava numa postura de santidade que devia iniciar na observação dos relacionamentos fraternais; para elas a postura adequada ao culto público devia começar em casa, com a escolha da roupa. 1. “… em traje decente…” O culto de todos nós começa mesmo em casa, na nossa motivação, no investimento individual. A recomendação paulina é que as mulheres se observem antes, para não serem observadas pela roupa. O atrativo delas não deveria ser as roupas. Ao vestirem-se para o culto, as mulheres devem usar de bom senso, de decoro. O que Paulo tinha em mente é uma postura que não atraísse a atenção dos outros sobre elas. Paulo está dizendo que o verdadeiro adorno de uma mulher não deve se limitar ao vestuário. A mulher cristã sabe que o seu verdadeiro adorno não é externo, embora a roupa seja a expressão de uma modéstia interna. Nada há de errado em as mulheres andarem bonitas e bem arrumadas, mas será preciso agir com mente sadia e evitar os excessos e extremos, isso é bom senso. 2. “… boas obras…” A prática de boas obras deveria ser a marca das mulheres cristãs. As pessoas olhariam tais obras e certamente “glorificariam a Deus”. O verdadeiro adorno da mulher virá pela realização de boas ações. Uma excelente recomendação aliada a essa é encontrada em 1Pedro 3.3-4, quando menciona as esposas. Embora Deus não se oponha à beleza externa, pois Ele mesmo assim criou e “viu que era bom”, Ele Se agrada da beleza que está no coração. 3. “A mulher aprenda em silêncio” Embora não tenhamos clareza sobre a razão por que Paulo escreveu esta seção, eis algumas ideias: a. alguns mestres se infiltraram na igreja em Éfeso explorando a disposição das mulheres e ensinavam heresias, como proibição de casamento, abstinência de alimentos (1Tm 4.3); b. no tocante à aplicação deste ensino, existem duas escolas – uma ensina que esse assunto é temporal e circunstancial, pois lá havia viúvas que se entregavam aos prazeres (1Tm 5.5-6), e outras mulheres carregadas de pecados (2Tm 3.6). A outra escola defende que esse ensino tem significação para todos os tempos e épocas, visto que Paulo usa dois argumentos fortes: a ordem da criação e a entrada do pecado, ou seja, na propriedade de Adão, no ato da criação; e na propriedade de Eva, no ato da queda. O primeiro argumento paulino é que “primeiro, foi formado Adão, depois, Eva”, ou, como ele mesmo diz em Coríntios: “Porque o homem não foi feito da mulher, mas a mulher foi feita do homem” (1Co 11.8). O segundo argumento alude à queda: “Adão não foi iludido, mas a mulher, sendoenganada, caiu em transgressão” (1Tm 2.14). Paulo atribui às mulheres uma posição diferente da dos homens no culto público, não inferior. Entendemos que muitas mulheres dentro da igreja são verdadeiramente abençoadoras por sua prudência, sensatez, sabedoria, e que tais nunca reivindicaram títulos ou honras para si mesmas, deixando com o seu Senhor tais reconhecimentos e recompensas. E o Senhor, sendo fiel como é, o fará de bom grado. Conclusão A perspectivade Deus para o culto exige fraternidade, simplicidade, santidade: “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher” (1Co 11.11), “mas, se alguém quiser discutir essa questão, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (1Co 11.16). Lembre-se do sentimento de Davi no salmo 122: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do SENHOR”, e dê atenção ao conselho do autor de Hebreus: “Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o Dia se aproxima.” (Hb 10.25). 4 Exigências para aqueles que aspiram à liderança Marcos A. Alves José texto básico 1Timóteo 3.1-16 versículo-chave 1Timóteo 3.1 ARC “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai descobrir que as virtudes cristãs, a maturidade e a experiência com Deus são imprescindíveis no ato de liderar. leia a Bíblia diariamente seg Tt 1.4-16 ter At 6.1-7 qua 2Tm 2.14-26 qui 1Pe 5.1-11 sex Tg 5.13-20 sáb At 20.13-38 dom 1Tm 3.1-16 Otexto básico começa dizendo que “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (v.1 ARA); “… nobre função” (NVI). Aspiração é o desejo profundo de atingir uma meta, um sonho, um desígnio. Não devemos desestimular nem reprimir tal desejo. Por outro lado, precisa ficar bem claro que o episcopado não é somente um título, mas uma“excelente obra” ou “nobre função”. Não se almeja o título, e sim o desejo de servir a Deus e à igreja. A palavra “episcopado”, segundo o Dr. Phil Newton, foi usada pelos gregos para definir um ofício que tinha funções de superintendência, quer no âmbito político, quer no religioso. Essa palavra tem o sentido de “olhar sobre”, “supervisionar”. O episcopado é a função desempenhada pelo bispo. As palavras “bispo” e “presbítero” possuem o mesmo significado (Tt 1.5-7). Podemos associar a elas a palavra “pastor” que também aparece na Bíblia com o mesmo sentido (At 20.28; 1Pe 2.25; 5.1-3). Não basta apenas aspirar à liderança, a Bíblia nos apresenta um padrão, e o apóstolo Paulo nos traz uma lista de qualificações para aqueles que desejam servir como presbíteros ou diáconos. O verso 2 começa com a expressão “É necessário, pois…”. Paulo não está apenas dando algumas dicas de como os líderes devem ser, ele está estabelecendo um padrão. Existem condições impostas àqueles que aspiram à liderança espirtual. I. O líder deve ter caráter aprovado (1Tm 3.2-3,8-10) O vocábulo “caráter” significa: conjunto de tendências, disposições morais, integridade. Isso quer dizer que o líder deve ser íntegro, possuir as leis de Deus impressas no coração e imprimir ou cunhar o caráter de Jesus em seus liderados. Ao examinar as Escrituras, percebemos que elas dão mais ênfase na pessoa do líder do que naquilo que ele faz. Para o apóstolo Paulo, ser é mais importante do que fazer. A primeira condição inegociável para aspirar a liderança é: CARÁTER APROVADO. Os líderes devem ser irrepreensíveis (v.2,10). “Não deve ser estigmatizado por nenhuma infâmia que leve sua autoridade ao descrédito” (Calvino). Deve ser alguém com caráter aprovado por Deus, que não causa escândalos na igreja nem fora dela. Ser irrepreensível é andar com Deus e influenciar a outros com seu caráter. 1. O presbítero precisa ser (v.2-3) “Esposo de uma só mulher” (v.2) – vida familiar exemplar – fiel à sua esposa;“moderado, sensato” (v.2), ou seja, controlado, que freia os próprios desejos e impulsos. “Modesto” (v.2) – bem organizado, conveniente. “Hospitaleiro” (v.2) – generoso, que trata bem as pessoas, principalmente as visitas. “Apto para ensinar” (v.2) – Paulo está recomendando alguém que ama a Palavra e estuda a Palavra visando edificar o povo; habilidoso no ensino. “Não dado ao vinho” (v.3) – não descontrolado, que bebe em excesso. “Nem violento, porém cordial, inimigo de conflitos” (v.3) – não briguento, mas íntegro, suave, gentil, pacífico e pacificador. “Não avarento” (v.3) – não amante do dinheiro, dos lucros; alguém que ama mais as pessoas do que bens e coisas. 2. O diácono precisa ser (v.8-10,12) A palavra “do mesmo modo”, que aparece no versículo 8, nos revela que o ofício do diaconato não é menos digno do que o de presbítero. As exigências são praticamente as mesmas, apenas a função entre eles que é diferente. “Sejam respeitáveis” – dignos de respeito, sérios e honestos. “De uma só palavra” – não diz uma coisa aqui e outra ali, imparcial. “Não inclinados a muito vinho” – não seja viciado nem tenha a mente voltada para a bebida. “Não gananciosos” – não pode ser avarento, mas digno de confiança para lidar com as ofertas e o dinheiro da igreja. “Marido de uma só mulher” (v.12) – que tenha uma vida familiar irrepreensível. “Conservando o mistério da fé com a consciência limpa” (v.9) – vida de pureza e de santidade. Cartas Pastorais para hoje O líder precisa ser aprovado por Deus, por si mesmo e pelos outros. Carisma e caráter andam juntos. II. O líder deve ter boa reputação (1Tm 3.2,7-8) Enquanto eu escrevia esta lição, li uma frase que circulou nas redes sociais dizendo: “Caráter é fazer o certo, mesmo que ninguém esteja olhando”. Concordo com essa afirmação, porque o caráter fala da essência da pessoa, define o “SER”. Mas o caráter deve ser refletido na conduta. O caráter está relacionado com o que eu sou, e a conduta, com o meu modo de viver. Jó era “homem íntegro”, esse era o seu caráter. Mas o texto ainda diz que ele “se desviava do mal”. Essa atitude prática revela como era a sua conduta (Jó 1.1). Caráter trata da minha relação com Deus e comigo mesmo. Conduta, boa fama, reputação dizem respeito à minha relação com os outros. O versículo 2 diz que o presbítero deve ser “irrepreensível”, e o versículo 7 diz que ele deve ter “bom testemunho dos de fora”. O versículo 8 diz que os diáconos devem ser “respeitáveis”, ou seja, alguém que as pessoas possam olhar com respeito. Esse é o padrão. Cartas Pastorais para hoje “Caráter é fazer o certo, mesmo que ninguém esteja olhando”. Você concorda com essa afirmação? III. O líder deve ter maturidade (1Tm 3.7,10) A maturidade é também uma exigência para ser líder na igreja. Quem almeja a liderança precisa ter maturidade para conduzir segura e equilibradamente a congregação. Por isso, a orientação de Paulo é que o presbítero não seja “neófito”, isto é, novo na fé (v.7), e que o diácono seja “experimentado”, isto é, testado e experiente (v.10). O líder precisa ser avaliado quanto à convicção de fé, quanto ao caráter e aos dons. O neófito e inexperiente corre risco pessoal de se ensoberbecer, e a igreja pode sofrer as consequências. A experiência não está necessariamente vinculada à idade, pois Timóteo era jovem (1Tm 4.12), nem por isso deveria ser desprezado. A recomendação está vinculada à vida cristã testada e às virtudes cristãs vividas e praticadas. Essa passagem não isenta os irmãos “mais velhos de fé” do exame, pois anos de igreja nem sempre são reflexo de maturidade. Um cristão veterano não é naturalmente alguém maduro. O líder deve ser coerente biblicamente, íntegro no caráter, tanto na igreja quanto em sua vida na sociedade, contando sempre com o “bom testemunho dos de fora” (v.7). Cartas Pastorais para hoje “É inconveniente, e até perigoso dar demasiada responsabilidade a novos convertidos até que sejam estabelecidos na fé”. Discutir. IV. O líder deve ter capacidade para liderar (1Tm 3.4,12) Liderança é uma necessidade para a vida de qualquer grupo ou organização. A igreja de Jesus carece de uma liderança com características que vão além das comuns a outros líderes, ou seja, vida espiritual autêntica e bom testemunho na sociedade. A saúde de uma igreja começa com uma liderança saudável. Por isso, a escolha e a eleição de presbíteros e diáconos devem ser realizadas com muita responsabilidade diante de Deus. Tudo deve ser feito com oração e de acordo com os critérios ordenados pela Bíblia. A visão dosbispos é mais ampla do que a de um cristão comum: ele deve superintender! O cargo de bispo é uma obra (3.1): “bispo” não é mero título de honra, mas uma obra de muita responsabilidade espiritual (note as fortes advertências de Paulo em At 20.28-32). Essa obra deve ser feita somente por homens preparados e qualificados pela palavra de Deus! Quem vai supervisionar, olhar sobre, liderar, precisa ter sido aprovado na liderança da própria casa. Por isso, entre as características apontadas por Paulo, algumas se relacionam com a família. Destacamos as expressões dos versículos 4 e 12: 1. Referindo-se aos presbíteros “… e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito”(v.4). 2. Referindo-se aos diáconos “… seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa” (v.12). Governar bem a casa, liderar bem a família é o maior e melhor teste para quem aspira liderar a igreja do Senhor Jesus. Quem aspira à liderança precisa ter sido aprovado na liderança da própria família. O versículo 5 é enfático: “Se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” Cartas Pastorais para hoje Será que Paulo está dizendo que o homem que não é apto para governar a própria família será incapaz de ser líder na igreja de Deus? Discutir. V. O líder deve conhecer a natureza da igreja (1Tm 3.14-16) Paulo usa três expressões para descrever a igreja nesta conclusão do texto sobre a liderança: Casa de Deus (v.15); Igreja do Deus vivo (v.15); Coluna e fundamento da verdade (v.15). Conclusão O verdadeiro líder cristão, antes de pensar em preencher todos os requisitos, precisa andar com Deus, buscar os recursos de Deus, caminhar em total dependência de Deus, porque Nele as necessidades são supridas, somos capacitados e motivados a servir como presbítero, diácono, ou em qualquer outra área que Deus nos colocar. O padrão elevado só pode ser atingido quando estamos com Deus e dependemos Dele. 5 Falsa doutrina na igreja José Nilton Alves Andrade texto básico 1Timóteo 4.1-16 versículo-chave 1Timóteo 4.1 “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai identificar as falsas doutrinas e compreender que o bom ministro deve ser fiel ao Senhor e diligente no ministério. leia a Bíblia diariamente seg Ef 6.11-18 ter At 19.23-40 qua Mt 10.16-23 qui At 20.28-31 sex 1Tm 4.1-5 sáb 1Tm 4.6-10 dom 1Tm 4.11-16 N esta lição, tratamos das advertências do apóstolo Paulo a Timóteo acerca do perigo das falsas doutrinas, do caráter e da obra do ministro, num contexto de danosa influência dos falsos mestres. Identificamos um falso mestre pela recusa em aderir ao ensino bíblico e pela atitude soberba (1Tm 1.7; 6.3-4). A tarefa de Timóteo na cidade de Éfeso não era pequena. Paulo o havia deixado com a incumbência de corrigir “certas pessoas” que estavam promovendo erro doutrinário (1Tm 1.3). Para ajudar Timóteo a combater falsos mestres, Paulo ensina “como se deve proceder na casa de Deus” (1Tm 3.15). I. A natureza das ameaças (1Tm 4.1-5) A apostasia (v.1a) Espíritos enganadores (v.1b) Doutrinas de demônios (v.1c) 1. A Bíblia adverte que alguns deixarão a boa doutrina (v.1) Apostasia significa “abandono premeditado e consciente da fé cristã”. Nesses versículos, Paulo volta ao assunto de falsos mestres. (O que não implica na perda de salvação destes, mas na revelação da verdadeira natureza deles como não convertidos). (cf. 1Jo 2.19; Jd 24). a. Paulo deixa claro que o aparecimento desses homens não deve pegá-los de surpresa, porque o Espírito tinha avisado. b. Isso indica que a base para tal ensinamento é de Satanás. c. Ele dá exemplos específicos de erros e explica por que são erros. 2. A falsa doutrina é engano de Satanás (v.1) O líder é responsável pela proteção e por alertar as ovelhas quanto ao perigo dessas doutrinas. Por isso, precisa de preparo bíblico e teológico. Doutrinas de demônios não significam ensinamentos sobre demônios, mas doutrinas inspiradas por demônios, ou que têm sua fonte no mundo demoníaco. As Escrituras descrevem o diabo não apenas como tentador, atraindo pessoas para o pecado, mas também como enganador, seduzindo as pessoas para o erro. 3. A falsa doutrina inclui legalismo e regras humanas (v.2-3) Paulo sabia que, se a igreja deixasse de verificar os seus ensinamentos, a saúde espiritual dela correria sérios riscos, ouvindo espíritos enganadores e doutrinas de demônios. a. Proibindo o casamento – A Bíblia ensina que o casamento é honroso, e os apóstolos foram autorizados a ter a própria mulher (1Co 9.5). b. Ordenando a abstinência de alimentos criados por Deus. A Bíblia diz que Deus nos dá tanto a instituição do casamento, como também o alimento. Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom (Gn 1.31). Em Marcos 7.19, lemos que Jesus considerou limpos todos os alimentos. 4. A falsa doutrina nega que Deus é o Criador de todas as coisas (v.4-5) O versículo 5 prevê que a palavra de Deus nos ensina a verdade sobre comida, sexo e todas as coisas (Gn 1.31; Mc 7.7,18-19). O evangelho havia libertado todas as proibições e legalidades sobre alimentos. A pessoa de oração, especialmente aquela que pratica a ação de graças, é quem desfrutará plenamente dos dons divinos sem sentir qualquer culpa. Cartas Pastorais para hoje Como pode uma igreja fortalecer os seus membros para não serem enganados pelos ensinamentos errados como esses? Você acha que é pecado comer alguma coisa? Você já se sentiu culpado ao praticar sexo com seu cônjuge? II. Como Timóteo deve lidar com as heresias (1Tm 4.6-11) 1. “Expondo estas coisas aos irmãos” Para que as pessoas não caiam no erro, é necessário que homens fiéis como Timóteo ensinem cada vez mais “as palavras da fé e da boa doutrina”, praticadas por eles mesmos (v.6), e que rejeitem as “fábulas profanas”, tradições de homens tolos (v.7; cf. 1.4). O ensinamento da verdade dará aos homens o que é necessário para a prática espiritual. 2. “Você será um bom ministro de Cristo Jesus” Aqui, encontra-se a mensagem central da carta, porque estão concentrados os conselhos para o pastor, e são de grande valor para todo servo de Deus. Para ser bom professor, Timóteo precisava ser alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina, como vinha seguindo. Para sermos bons servos de Jesus Cristo, devemos estar cheios da Bíblia, que contém as palavras da fé e da boa doutrina. Ninguém dá o que não tem. “O bom ministro” é aquele que serve (diakonos) os convidados à mesa como um garçom. Somos mordomos de Deus, e o alimento que servimos a Seu povo é a Palavra. “O bom ministro” exorta, ensina e discipula suas ovelhas (v.6). “O bom ministro” zela pela vida espiritual do rebanho do Senhor. “O bom ministro” precisa conhecer a sabedoria e a instrução (Pv 1.2). “O bom ministro” deve ser consagrado com qualificação suficiente para o ministério. 3. Exercício físico versus piedade (v.7-8) Aqui temos o confronto da cultura grega sobre o culto ao corpo versus a piedade. “Exercite-se, pessoalmente, na piedade. Pois o exercício físico tem algum valor, mas a piedade tem valor para tudo...”. O sentido básico da palavra “piedade” é reverência e respeito. Assim como é necessário o exercício físico para manter o corpo em boa forma, também é necessário exercitar a alma “na piedade” (v.7). O exercício espiritual é mais proveitoso do que o físico, pois prepara pessoas para terem a força de lutar e se esforçar na esperança da salvação (v.9-10). III. Timóteo: exemplo a ser seguido (1Tm 4.11-16) 1. “Seja um exemplo para os fieis” (v.12-16) Paulo não queria que a juventude de Timóteo impedisse a sua eficácia como pregador da palavra de Deus. Afinal, o que faz de um servo de Cristo um bom ministro não é a sua idade ou formação teológica, e sim a sua fidelidade para com a Palavra a ele conferida (v.12-13,16; 1Co 4.1-4). O servo de Cristo precisa se dedicardiligentemente a fim de mostrar o “padrão” da vida cristã na sua própria vida (v.12) e para exortar e ensinar a outros (v.13-15). Sem o esforço necessário para estudar e viver verdadeiramente a palavra do Senhor, muitos que se chamam “ministros” de Deus levam pessoas à destruição eterna. O resultado, porém, da prática e do ensino fiel da doutrina de Cristo é a salvação de todos que obedecem a ela (v.16). 2. Ensino prescritivo (v.11) “Ordene estas coisas e ensine-as”. Paulo, aqui, determina que Timóteo não fraqueje na ministração da doutrina à igreja em Éfeso, visto que as heresias estavam se espalhando com certa facilidade, por meio de homens “que falam mentiras e que têm a consciência cauterizada”(1Tm 4.2). 3. Exemplo para os fiéis (v.12) Timóteo era jovem, tímido e doente. Por isso, algumas pessoas em Éfeso estavam inclinadas a desprezar sua liderança. Paulo, então, desafia o jovem pastor a não ficar desanimado, mas a se erguer como exemplo de maturidade espiritual para todos os fiéis. Paulo elenca cinco áreas em que Timóteo deveria ser exemplo: a. No falar (na palavra). O líder espiritual não pode tropeçar na própria língua. Seu linguajar precisa ser puro, e suas palavras precisam ser verdadeiras e oportunas. Não pode ser maledicente nem usar linguagem profana. b. Na conduta. Ele deve ser irrepreensível na conduta. A vida do líder precisa ser consistente com a grandeza do ministério que exerce. c. No amor. O amor é o distintivo do cristão. O líder cristão precisa ter profundo apego pessoal a seus irmãos e genuína preocupação com o seu próximo. d. Na fé (nas relações com Deus). O líder espiritual precisa ter fé sem fingimento. Deve confiar em Deus e ser fiel a Ele. e. Na pureza. Éfeso era um centro de impureza sexual, e o jovem Timóteo enfrentava muitas tentações. Seu relacionamento com as mulheres da igreja deveria ser puro (1Tm 5.2), refere-se à pureza de ato e de pensamento. Cartas Pastorais para hoje Há uma relação estreita entre a vida do professor e vida exemplar. Se não vivemos o que ensinamos, as pessoas não querem nos ouvir. 4. Cuidado na leitura pública das Escrituras, na exortação, no ensino da doutrina Há uma ordem definida aqui. Antes de tudo, Paulo enfatiza a leitura pública da palavra de Deus – prática iniciada nos tempos do Antigo Testamento (Ne 8.1-18) e continuada nas sinagogas (Lc 4.16). Depois, Timóteo foi orientado a exortar os crentes, baseando-se no que tinha lido, por meio da pregação. Ensinar refere-se ao treinamento na doutrina cristã. Conclusão A apostasia já começou, temo-la visto a cada dia, a cada instante. Muitos, sem qualquer temor, têm trocado Jesus por tudo o que este mundo oferece, endurecendo o coração às advertências e às palavras que o Espírito Santo tem colocado na boca. Não nos cabe outra atitude senão a de vigiar! 6 Responsabilidade com os vários grupos na igreja Klaus Assalim Gomes de Oliveira texto básico 1Timóteo 5.1–6.2 versículo-chave Hebreus 3.12-13 “Tenham cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração mau e descrente, que o leve a se afastar do Deus vivo. Pelo contrário,animem uns aos outros...” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai compreender o valor da prática da exortação cristã e passará a exortar com amor. leia a Bíblia diariamente seg 1Tm 5.1-2 ter 1Tm 5.3-10 qua 1Tm 5.11-16 qui 1Tm 5.17-20 sex 1Tm 5.21-23 sáb 1Tm 5.24-25 dom 1Tm 6.1-2 A igreja é um dos poucos lugares da sociedade onde se pode obter auxílio e orientação para todas as áreas da vida, para todo tipo de pessoa, em qualquer idade. Por meio da palavra de Deus, a igreja tem o poder de transformar o ser humano de dentro para fora, e de modo surpreendente mudando, assim, a sociedade. Essa é a nossa responsabilidade e, ao mesmo tempo, um grande privilégio. Qual outro ensino pode transformar assim? Se não a igreja, pela Palavra, quem poderá orientar a todos os homens rumo a Deus? I. Ministrando a diversos grupos sociais (1Tm 5.1-2) Ao mesmo tempo em que precisamos ter um olhar para o mundo em que vivemos, para a sociedade na qual estamos inseridos, precisamos também focar nas pessoas que já estão fazendo parte da igreja do Senhor. Sendo nossa tarefa, conforme a palavra de Jesus, ensinar “a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês” (Mt 28.20), precisamos fazer isso de modo relevante para cada grupo de pessoas que temos sob nossos cuidados. Todo cristão é responsável por compartilhar a palavra de Deus, por exortar uns aos outros (Hb 3.13), por edificar uns aos outros (Ef 4.29). Portanto, temos de procurar, com zelo, cuidar para que todos: idoso, moço, mulher, moça, sejam ministrados de modo respeitoso e apropriado. 1. Exortar com consideração Exortar = encorajar; consolar Aos homens idosos: respeito como é devido ao pai; Aos moços: respeito como é devido ao irmão; Às mulheres idosas: respeito como é devido à mãe; Às moças: respeito como é devido à irmã. Com toda a pureza: como é devido a todos os irmãos, em todas as circunstâncias e, especialmente, devido às moças, por um jovem pastor. Devemos, portanto, exercer a exortação, em amor, com consideração e respeito, de modo puro, isento de vaidade, soberba ou vanglória. “Toda exortação que busca atingir o coração errará o alvo se não partir de um grande respeito, de uma profunda consideração perante o caráter único da condição do outro como criatura. Antes violentará, esmagará o outro, constrangendo-o ou escravizando-o em vez de libertá-lo” (1Timóteo, Comentário Esperança). 2. Falar ao coração O jovem pastor Timóteo deveria estar seguro de quem era (2Tm 1.6) e da função que ocupava diante da igreja. Isso o livraria de ser rude, autoritário e/ou negligente com as pessoas, por motivo de insegurança pessoal. É tarefa exortar seja quem for, mas nunca sem amor e respeito. Ele, assim como todos os irmãos, deve exortar “uns aos outros” em amor, visando alcançar o coração ao final. Cartas Pastorais para hoje O princípio geral ensinado por Paulo nos diz que devemos tratar as outras pessoas na igreja como tratamos os membros da nossa própria família. Você tem feito assim? II. Ministrando às viúvas (1Tm 5.3-16) A divisão de funções na igreja se mistura com o surgimento das necessidades das viúvas (At 6.1). Paulo, sabendo que Timóteo tinha também dilemas na igreja para lidar sobre esse assunto, traça um caminho para tomada de decisão de como socorrer e quando socorrer a viúva. 1. “Aquela que é viúva de fato” (v.5,9-10) Já mencionamos que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito, isso inclui, portanto, todas as viúvas. Mas há um grupo específico de viúvas que Paulo ressalta que de modo algum devem ser esquecidas: “as que são verdadeiramente viúvas”. São aquelas que, perdendo o marido, fonte de “recurso para manutenção”, não tenham ninguém para assisti-las, exceto Deus. Em Deus, elas buscam o auxílio constantemente. A estas, devemos uma “honra” especial, ou seja, olhar atento, cuidadoso, mantenedor e amoroso; fazendo o possível para suprir suas necessidades. Uma série de características é apontada como atitudes especiais de uma viúva cristã que deve, portanto, ser assistida pela igreja: mais de 60 anos (bem específico para o contexto local da carta); esposa de um só homem; bom testemunho de boas obras; criou bem os filhos; acolheu a estranhos; lavou os pés dos santos, ou seja, prestou serviços humildes aos que pertencem ao povo de Deus; socorreu o aflito; viveu de modo digno. 2. Viúvas que têm família (v.4,8,16) A igreja deve suprir a “desamparada”, mas, aquela que tem família, a igreja deve instruir e motivar a família a ser a principal mantenedora da viúva. A responsabilidade direta é da família que deve amparar (v.16) e não ficar “sobrecarregada a igreja”. E isso é agradável diante de Deus (v.4). Esse é um ponto delicado na prática, pois nem todas as famílias têm essa consciência, ficando algumas viúvas em situação crítica. A estas, entendo que a igreja deve considerar auxiliar, apoiar e motivar, lembrando que a igreja não está no mundo para cumprir“assistencialismo”, e sim para mover as pessoas a uma condição de vida digna. 3. Viúvas vivas, mas mortas (v.6-7) “A verdadeira viúva está viva porque está acordada em Deus; a que vive levianamente já morreu” (1Timóteo, Comentário Esperança). Qualquer pessoa, inclusive a viúva, que ainda não reconheceu a Jesus como seu Salvador, mesmo estando viva, está morta espiritualmente. É necessário crer em Cristo para receber a vida que Deus dá (Ef 2.1,8-9). Deus deve ser a nossa fonte de vida, porque Jesus é a vida (Jo 14.6). Às vezes, essas viúvas vão viver uma vida dissoluta e sobrecarregar a igreja com seus pedidos e necessidades. Devemos ter discernimento em ajudar tais pessoas, pois as Escrituras afirmam que para serem ajudadas precisam demonstrar, antes de tudo, que são mulheres de Deus. 4. “Viúvas mais novas” (v.11-15) Cartas Pastorais para hoje Quem cuida das viúvas desamparadas na sua igreja? Que devemos fazer? III. Ministrando aos irmãos na liderança (1Tm 5.17-25) Paulo instrui o pastor Timóteo a preocupar-se com o perigo: da falta de cuidado material dos presbíteros (v.17); de se aceitar denúncia contra presbíteros sem o depoimento de duas ou três testemunhas (v.19); da negligência em disciplinar, publicamente, os presbíteros que vivem no pecado (v.20); de impor precipitadamente as mãos para a ordenação de presbíteros correndo o risco de se tornar cúmplice de pecados de outrem – pois os pecados de alguns são notórios (o que facilitaria a rejeição do homem ao cargo de liderança), mas de outros só mais tarde se manifestam, ou seja, é necessário cautela (v.22,24). Cartas Pastorais para hoje Como essa orientação de Paulo a Timóteo, em relação à liderança da igreja, se aplica à sua igreja? IV. Ministrando aos escravos (1Tm 6.1-2) É dever do ministro de Deus orientar os que se encontram em posição de servo (empregado) a: 1. Considerarem dignos de toda honra o próprio senhor (patrão) Mesmo que o patrão seja descrente, devem agir dessa forma. a. Porque é uma ordem – “considerem”, vem de egeomai que pode ser traduzido também por: conduzir; pensar que; acreditar; considerar como, tomar alguém por algo. O verbo se encontra no presente do imperativo, devendo ser considerado uma ordem de ação contínua. b. Para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados– Deus é poderoso para que, por meio de um testemunho exemplar, mesmo aqueles que se encontram em posição de escravidão, sejam instrumentos para conduzir seus senhores ao conhecimento de Cristo. c. Porque agindo assim demonstram temor ao Senhor (Cl 3.22). d. Porque receberão do Senhor a recompensa da herança (Cl 3.24; Ef 6.8). 2. Considerarem dignos de toda honra o próprio senhor Principalmente se for crente (1Tm 6.2). Cuidados a serem evitados: a. Desrespeito. “não o tratem com desrespeito” – Alguns passam do limite do bom senso por estar trabalhando para um irmão em Cristo. Abusam da identidade (cristão) para agir com leviandade. b. Negligência. “trabalhem ainda mais” – Um crente que serve a um senhor crente deveria ver nisso uma oportunidade de, juntos, glorificarem a Deus ainda mais. Mas infelizmente, muitos abusam da identidade (cristão) para agir com irresponsabilidade, achando que serão perdoados e jamais punidos (no caso dos escravos) ou demitidos (na atualidade). Conclusão A falência do alcance do testemunho cristão tem suas raízes num ensino fraco aos diversos grupos na igreja. De certo que cada igreja tem seu “perfil”, mas nenhuma pode ser estéril em ministrar aos diversos grupos que a compõem. 7 Os perigos do dinheiro Acácio Soares de Alencar texto básico 1Timóteo 6.3-10,17-19 versículo-chave Provérbios 11.28 “Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como as folhagens.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai refletir sobre os ensinos bíblicos a respeito do dinheiro e da riqueza, buscando contentamento em Deus. leia a Bíblia diariamente seg Pv 30.7-9 ter Lc 14.28-32 qua Pv 3.5-10; 2Co 9.6-11 qui 1Co 9.6-14 sex Mt 6.19-21 sáb Mt 5.1-11 dom Lc 19.1-10 A fidelidade do apóstolo Paulo com o verdadeiro ensino bíblico e o zelo com o que se ensina na igreja precisam ser readquiridos por ambos, professor e aluno. Esse cuidado com a igreja do Senhor nasceu bem antes de ele escrever as cartas a Timóteo (At 20.29-35). E tempos antes desses fatos, Jesus Cristo, o nosso Mestre, já advertira Seus primeiros alunos (Mt 7.15- 20). Precisamos ser tomados desse zelo cristão (Jo 2.17; Rm 12.11; 2Co 8.21; 11.2). Resolver as questões financeiras e usar adequadamente o dinheiro no contexto da igreja cristã é um desafio constante. Fazer orçamento, planilhas de gastos, poupança, são passos cruciais no processo. Mas é o estudo adequado das Escrituras que nos darão os fundamentos e as motivações necessárias para o domínio do dinheiro. I. Falsos mestres (1Tm 6.3-6) O mau uso do dinheiro é tão perigoso quanto receber e dar ensino falsificado, enganoso, heterodoxo, que “não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade” (1Tm 1.3; 6.3; Mt 7.15). O mau uso de recursos financeiros pode ter duas origens diretas: 1. Presença de ensino falso – “outra doutrina” (1Tm 1.3; 4.1-3) Mitos sobre dinheiro são ensinados no meio evangélico como se fossem verdades. Pessoas enganando e sendo enganadas estão dentro e fora da igreja. Irmãos com dificuldade na área financeira se tornam vítimas de enganadores de plantão que são motivados pelos possíveis lucros advindos da piedade (1Tm 6.3-5). 2. Ausência de ensino verdadeiro (2Tm 3.16-17) Na Bíblia, encontramos os ensinos mais preciosos sobre os princípios da boa administração financeira. Jesus Cristo é o Mestre por excelência desses princípios (Mt 13.45-46; 18.23-35; 22.15-22; Lc 14.28-32; 16.1-13). É mister obedecer a esses ensinos, do contrário seremos enganados por falsos mestres. No contexto dos efésios, havia os gnósticos, os filósofos epicureus e estoicos. Foi a respeito destes que Paulo admoestou Timóteo e Tito (1Tm 1.3; 6.3-4; Tt 1.14; At 17.18). A influência filosófica antropocêntrica daquela época era tão ou mais perniciosa quanto a atual (2Tm 3.1-9). Zelemos pelo ensino das Escrituras. II. Os que querem ficar ricos (1Tm 6.6-10) Corações corrompidos pelo pecado da ganância não são um fenômeno moderno. Milênios antes de Cristo, Deus condenou Balaão por sua ganância (Nm 22.1-24.25; 2Pe 2.12-16; Jd 11); e o salmista reprova a arrogância, a cobiça e a presunção do coração do homem ganancioso (Sl 10.2-4). Logo, podemos inferir que o desejo por riqueza não é de agora. Deus nos deu as Escrituras Sagradas como manual de disciplina e orientação nas questões cruciais da vida (v.6), e para nos proteger dos perigos da riqueza (v.9-10). Note, o problema não é a riqueza, mas falso ensino em que a piedade é fonte de enriquecimento (v.5). Estudemos esses quatro fatos. 1. A riqueza não gera contentamento (v.6) O termo “contentamento” significa “uma suficiência interior que nos mantém em paz apesar das circunstâncias exteriores” (W.W. Wiersbe, Comentário Bíblico Expositivo). Em Filipenses 4.11, Paulo usa o mesmo termo, indicando o estilo de vida do legítimo cristão, que não depende de dinheiro para sua satisfação e paz interior. Wiersbe comenta: “são os ricos, não os pobres, que consultam os psiquiatras e que se mostram mais propensos a cometer suicídio”. 2. A riqueza não dura pra sempre (v.7; Pv 11.28; 23.5; 27.24; Jó 1.21) No livro Minhas finanças: atitudes e ações para uma vida financeira bem- sucedida (Editora Esperança), Ion de Verr escreve: “O dinheiro, sem dúvida alguma, é importante e necessário, mas ele deve ser visto de uma perspectiva menos fantasiosa e mais realista”. Ele destaca três mitos sobre o dinheiro: a. dinheiro é sinônimo de sucesso e felicidade; b. a melhor estratégia de crescimento financeiro é aumentar a renda; c. dinheiro é sinônimo de filho bem-sucedido. Cartas Pastorais para hoje Infelizmente esses mitos estão na mente de muitas pessoas. Estão também na sua? 3. O contentamentoé possível e não exige alto custo (v.8) A plena satisfação, o gosto de vida na boca, a vida abundante (Jo 10.10) não são resultados direto de riqueza financeira. Veja o que disse o homem mais rico que já existiu (Pv 17.1). O avarento é capaz de passar fome contando o dinheiro que lhe custou tão caro para adquirir (Lc 12.15). Vida simples como a de Cristo deve ser o padrão dos fiéis – “aprendam de mim”(Mt 11.28- 30). 4. A ganância pela riqueza produz malefícios (v.9-10) O cenário que Paulo retrata aqui é de alguém afogado, atolado na desgraça (v.9) como resultado de uma vida contaminada pelo amor ao dinheiro (no grego, afeto pela prata). Leia Provérbios 21.6 e Eclesiastes 5.10-17. A ganância financeira no meio religioso é um problema a ser resolvido, quiçá pudéssemos resolver. Reafirmando, o problema aqui não é o dinheiro ou a riqueza (Dt 8.18), mas as consequências nocivas de um coração ávido por dinheiro, que aumenta a sua riqueza por meio do serviço piedoso (v.5). Obviamente, isso não exclui a necessidade de sustento financeiro aos que integralmente servem à igreja (1Tm 5.17-18; 1Co 9.6-14). III. Os que são ricos (1Tm 6.17-19) Após as advertências de Paulo sobre não amar o dinheiro, ele dá três recomedações aos irmãos ricos, membros da igreja, lembrando-os de que a riqueza financeira só é riqueza neste presente mundo, no vindouro a riqueza é outra (Lc 12.20-21; Mt 6.19-21). 1. Não sejam presunçosos, arrogantes (v.17) A arrogância e o orgulho são como duas folhas de uma larga porta, por ela, facilmente o pecado entra e se mistura com a riqueza, causando danos na casa. O acúmulo de bens materiais sem a percepção dessa ameaça provoca a perda da maior riqueza: a entrada no reino de Deus (Lc 18.24-25). Nossos irmãos ricos necessitam de apoio em oração, para não caírem na tentação de acreditar que a riqueza neste mundo gera o tipo certo de felicidade (Mt 5.1- 11; Jo 14.6). 2. Não depositem esperança na incerteza da riqueza (v.17) Já aprendemos que a riqueza não é duradoura (v.7; Pv 11.28; 27.24). Portanto, é tolice confiar na riqueza material. O orgulhoso rei Saul foi um desses tolos que depositavam suas esperanças na abundância dos seus próprios bens (Sl 52.7; 1Sm 22). Jesus Cristo é a única esperança digna de total confiança (Rm 5.5; 8.24; 1Pe 2.6). Deus nos proporciona toda a riqueza de que precisamos para o nosso contentamento Nele (Mt 6.25-34). Cartas Pastorais para hoje Uma excelente oração a ser feita aqui é a que o sábio Agur, filho de Jaque, recomendou a Itiel e Ucal, em Provérbios 30.7-9. Vale a pena fazer essa oração! 3. Pratiquem boas obras com sensibilidade, solidariedade e generosidade Esta é a última orientação que Timóteo deu aos irmãos ricos da igreja em Éfeso (v.18). O entendimento que se deve ter hoje e sempre é o mesmo. Deus é quem proporciona a riqueza de origem lícita (Dt 8.17-18). Ele é a fonte, o sustentador e quem dará fim a tudo o que existe (Rm 11.36). Portanto, é sábio e prudente usar das riquezas para a prática de boas obras (Ef 2.10). Jesus Cristo, além de ter recebido presentes caros, presentes de rei – ouro, incenso e mirra (Mt 2.11), posteriormente foi ajudado por ricas senhoras (Lc 8.3). Os crentes ricos praticaram espontaneamente a partilha de bens: Zaqueu (Lc 19.1-10); José de Arimateia (Lc 23.50-53); Barnabé (At 4.36); Cornélio (At 10.1-2); Lídia (At 16.15,40); Públio (At 28.7). Conclusão Timóteo tinha a missão de doutrinar teologicamente a igreja em Éfeso, protegendo-a de falsos ensinos e de mestres falsos (v.3-4); do ímpeto pela riqueza, custe o que custar (v.8-10); e de adequar o modus operandi dos ricos convertidos (v.17-19). Alicerçados e amparados na Palavra da fé (v.12), temos a garantia de que o melhor tesouro, o mais valioso, nos aguarda no mundo por vir (v.19) 8 Recomendações ao homem de Deus Jessé Ferreira Bispo texto básico 1Timóteo 6.11-16,20-21 versículo-chave Provérbios 22.17 NVI “Preste atenção e ouça os ditados dos sábios, e aplique o coração ao meu ensino.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai refletir a respeito das características do homem/mulher de Deus, identificar quais precisa desenvolver e esforçar-se para isso. leia a Bíblia diariamente seg Pv 4.20-27 ter 1Tm 6.3-10 qua Pv 4.1-19 qui 1Tm 6.11-16 sex Pv 22.17-21 sáb Mt 11.28-30 dom 1Tm 6.20-21 É maravilhoso poder se entregar ao serviço de Deus. Aqueles que de maneira voluntária e espontânea se dispõem a essa tarefa, não há dúvidas, tomaram uma excelente decisão. Esta carta visa especialmente falar com esses servos de Deus. Ela está chegando ao fim, mas existem aqui preciosas recomendações. Veja como Deus é poderoso. Seu exército possui os mais diferentes tipos de pessoas, raças, idades, com muitas variações. Jovens podem, por meio da fé, se identificar de tal forma com aqueles que são chamados “homens de Deus”. É assim que Paulo inicia esta série de recomendações ao jovem Timóteo. Deus espera que os que se comprometem em Seu serviço sejam qualificados com princípios ligados ao Seu caráter e aos Seus atributos. Essas instruções devem ser como aguilhões bem fixados que tatuam o comportamento e o caráter de Seus escolhidos. Eles vão perceber que, ao colocar em prática, acharão em cada uma delas grande alegria. Nada no nosso andar com Deus deve ser um fardo pesado e cansativo. Jesus nos motiva a experimentarmos do Seu jugo. Sua palavra é clara e objetiva – ele é leve e suave. Então, vamos às recomendações. I. Ande com conduta íntegra (1Tm 6.11) A forma como o homem de Deus deve andar e se comportar diante das pessoas é muito importante. Ele deve transmitir a beleza de Deus com suas palavras e ações. A integridade do homem de Deus será desenvolvida com o seguinte contraste: 1. Obediência à ordem para fugir Existem coisas das quais deve fugir (v.3-10), tais como, conversas que geram controvérsias e contendas, apego às coisas materiais, faltar com a verdade, duvidar da sã doutrina e ensinar falsas doutrinas. A ordem é clara: foge de tudo isso. 2. Obediência à ordem para correr atrás (buscar) Por outro lado, ele deve buscar bom testemunho de maneira justa, piedosa, fervorosa, amorosa, perseverante e com mansidão. Seu testemunho deve ser o cartão de apresentação de sua mensagem. Suas ações devem falar mais que suas palavras, e também autenticá-las. Como é bonito estar com alguém que trata as pessoas com amor, tem disposição para ouvi-las, dá conselho, faz advertência construtiva, ora por elas e com elas. Eles não apenas conhecem a Deus, mas estimulam outros a conhecê-Lo e ter intimidade com Ele. Cartas Pastorais para hoje Veja se não há coisas de que você precisa traçar um plano de fuga e se não há outras que deve buscar com mais intensidade. II. Lute pelos valores de sua fé (1Tm 6.12) Tantos lutam por coisas que perecem com o tempo: constroem lindos castelos, plantam vinhas, alcançam impérios – coisas que não são eternas. Mas o homem de Deus luta o bom combate da fé. 1. Luta de maneira perseverante por meio da vida devocional Ele estuda a Bíblia, luta com persistência para conhecer e viver os ensinamentos dela. Ele entra no mundo divino, apega-se a Deus em amor e aperfeiçoa seu relacionamento com Deus. 2. Luta com as mesmas armas dos servos de Deus do passado Lembra-se de Enoque? A Bíblia diz que ele aprendeu a andar com Deus com intensidade cada vez maior. Chegou o tempo em que a identidade de Enoque era a expressão do próprio Deus. Jesus disse que, quem tem os Seus mandamentos e os guarda, este é o que O ama. Ao ler com atenção o famoso capítulo da Bíblia sobre os heróis da fé, Hebreus 11, vemos personagens que acreditaram em Deus e em Suas determinações. Alguns deles dispuseram a dar a própria vida como prova concreta de sua confiança em Deus; outros realizaram coisas grandiosas por crerem no Senhor. Há um bom combate, e vale a pena lutar por ele. Cartas Pastorais para hoje Não existe condição de combater o bom combate, de terminar bem a carreira e guardar a fé sem ter a vida dirigida pelo estudo e pela obediência à palavra de Deus. Pormeio da obediência ao Senhor, podemos fazer a Sua vontade e lutar pelos valores de nossa fé. III. Aproprie-se da esperança na eternidade (1Tm 6.12) Sabemos que a natureza criada geme até agora, da mesma forma que sofre uma mulher com dores de parto sabendo que em breve verá a criança que alegrará seu coração (Rm 8.21-22). Essa é a condição deste tempo em que vivemos. Aqui sofremos com perdas, enfermidades, frio, fome, calor, e a recomendação é tomar posse da vida eterna e ter perspectiva que vai além do tempo presente. 1. Olhar direcionado às coisas que hão de vir O homem de Deus não tem os olhos presos à era presente. Ele vive intensamente como peregrino neste mundo, mas seus olhos veem além. Ele tem maravilhosa esperança na vida eterna. 2. Olhar direcionado ao conhecimento de Deus Em Sua oração, Jesus afirmou que a vida eterna consiste em conhecer o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou (Jo 17.3). Isso nos mostra que para tomar posse da vida eterna é necessário conhecimento dinâmico e relacional com Deus por meio de Jesus. No nosso dia a dia, cheio de tantas tarefas e responsabilidades, é necessário priorizar o tempo reservado para cultivar esse contato e esse conhecimento de Deus. O profeta convida seus ouvintes a conhecer ao Senhor. Eles precisam se esforçar por esse objetivo (Os 6.3). Isso não é um toque mágico, mas um caminho consciente e intencional de se relacionar diretamente com Deus por meio da fé em Cristo. Não se pode ser um verdadeiro homem de Deus quando ignoramos esse caminho. Cartas Pastorais para hoje Existe o dever de aguardar com expectativa o glorioso dia da manifestação do Senhor Jesus Cristo (v.14). Tomar posse da vida eterna requer alimentar essa esperança. Quem se apropria dessa esperança deve crer que, na época determinada, Ele será revelado. Amém (v.15). IV. Guarde o mandamento (1Tm 6.14) Novamente precisamos entender o sentido de mais uma recomendação. A que se refere esse mandamento que o homem de Deus deve guardar? Aliás, devemos sempre ler e estudar a Bíblia com este princípio: ler um texto, buscar seu contexto, notar as ligações com outros textos bíblicos e, acima de tudo, checar com o caráter de Deus. Algumas recomendações importantes já foram tratadas. Aqui elas são referidas como mandamento. Esse é o significado da palavra no texto original, mas podemos usar essa recomendação para extrair também uma preciosa aplicação ao homem de Deus: obediência às regras. O leitor desta carta não pode ser identificado como homem de Deus se não seguir as instruções bíblicas. Lembram-se dos amigos de Daniel? Eles puderam, com segurança, negar se curvar diante da estátua de ouro que o rei mandou que curvassem, porque estavam fundamentados em mandamentos da fé que professavam. Outra ilustração foi o profeta Jonas. Em momento de dura disciplina da parte do Senhor, ele recorreu à palavra de Deus. Lá no ventre do grande peixe, orou e citou muitos versículos do livro de Salmos. Essa recomendação estimula a ser: 1. Zeloso guardião dos ensinos do Senhor Para guardar tudo o que Deus deseja que saibamos, para viver com integridade, tomar posse da vida eterna, combater o bom combate da fé, é preciso conhecer a Bíblia e ter forte determinação em praticar seus ensinos. 2. Fiel cumpridor da confissão de sua fé e de seu chamado O homem de Deus não apenas guarda, como maneja bem a palavra da verdade, que é a palavra de Deus. Ele não inventa coisas baseadas em vãs filosofias. Ele afirma com segurança: “está escrito”. Cartas Pastorais para hoje Nada de pensar que o verbo “guardar” se refere a esconder. Deus espera que conheçamos o evangelho e possamos levá-lo ao conhecimento de muitas pessoas. V. Tenha percepção da presença de Deus (1Tm 6.13-16) Às vezes, podemos ter bastante limitação com os nossos reflexos e nossas percepções. O mundo agitado pode bloquear nossos ouvidos e nossos olhos, assim não ouvimos nem vemos. A recomendação aqui é singular. O desafio é educar nossa mente para reconhecermos a presença de Deus. Paulo faz essa exortação apelando para que Timóteo entenda a sublimidade de reconhecer a presença do Senhor. 1. Esta percepção nos supre plenamente Aquele que a todos dá vida é também o provedor de todas as coisas. A solidificação de nossa fé e o cumprimento de nosso chamado dependem do Senhor. Sem Jesus não podemos fazer nada. Nossos olhos precisam ser desimpedidos de qualquer barreira, o que nos ajudará a ver o Senhor Jesus “sempre” ao nosso lado. É diante de Deus que devemos fazer todas as coisas. 2. Esta percepção estimula a pensar na grandeza de Cristo Em breve, veremos a Jesus Cristo face a face. Ele virá nas nuvens dos céus, com grande glória. Quem tem familiaridade com a presença de Deus poderá afirmar que Cristo é o bendito e único Soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que é imortal. A Ele pertencem a honra e o poder eterno! Amém (16). É diante desse Senhor que vemos, por meio da fé, que o homem de Deus deve exercer seu ministério, com alegria. Cartas Pastorais para hoje Será que podemos dizer como Jó: “Meus ouvidos já tinham ouvido falar a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5 NVI)? Conclusão Existe algo precioso que Deus nos confiou. Timóteo precisava entender que não foi Paulo, mas o próprio Deus que o responsabilizou e requer obediência aos ensinos desta carta, para não ser reprovado – “... guarde o que lhe foi confiado...” (v.20). Nesse recado, vão mais recomendações: evite conversas que comprometam a reputação do homem de Deus, que o afastem do alvo de ser exemplo, uma referência às pessoas que o rodeiam; falatórios inúteis, assuntos profanos, contradições nas coisas que diz e transmissão de falso conhecimento devem ser atitudes de que ele precisa se desviar. E Paulo termina a carta fazendo recomendação aos cuidados com armadilhas que podem desviar nossa fé. Timóteo precisa entender que alguns, por não zelarem do que falam, se desviaram da fé (v.21). Tome cuidado com as coisas que você fala. Guarde aquilo que lhe foi confiado. 9 Guardar o evangelho Jucimar Leite texto básico 2Timóteo 1.1-18 versículo-chave 2Timóteo 1.14 “Por meio do Espírito Santo, que habita em nós, guarde o bom tesouro que lhe foi confiado.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai compreender a responsabilidade dos cristãos em viver e pregar o evangelho genuíno, identificar os perigos doutrinários e ser estimulado a defender a sã doutrina. leia a Bíblia diariamente seg Gl 2.11-21 ter At 20.17-35 qua Mt 24.23-26 qui At 7.1-53 sex Js 1.6-9 sáb Tt 1.10-16 dom Ap 22.18-20 Para perder valores, basta descuidar; para guardar, é preciso se concentrar! Os cristãos são exortados a ser guardiões da Palavra em dois aspectos: obedecer: “Ordene estas coisas e ensine-as” (1Tm 4.11) e “que pregue a palavra, insista, quer seja oportuno, quer não...” (2Tm 4.2) e escoltar: “... insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos” (Jd 3 NVI). Paulo não duvida da obediência de Timóteo, apenas o exorta a continuar firme, sem medo. A ideia de “escoltar” não se refere jamais à vulnerabilidade ou a alguma fragilidade do evangelho, que é o poder de Deus. A tarefa consiste em levar o evangelho de modo que ele chegue inteiro, puro, sem misturas até seus ouvintes. Essa “escolta” exige dedicação, e esse é um assunto pertinente na Segunda Carta de Paulo a Timóteo. Aqueles que obedecem à Palavra podem falhar como guardiões de sua preservação e transmissão (Jz 2.10). Devemos, porém, dar graças a Deus, pois fiéis no passado deram a vida para “escoltar” o verdadeiro evangelho até nós. Agora, a sublime tarefa nos foi dada, e a exigência é que sejamos guardiões de consciência limpa, conhecedores da essência do evangelho e sóbrios quanto à tarefa con�ada de “escoltar” o evangelho. I. Guardiões do evangelho Paulo afirmava em suas cartas que seu ministério era legítimo (v.1,11), recebido diretamente do Senhor (Gl 1.10-12). Ele tinha firme compromisso de pregar o evangelho todo (At 20.27). Aqueles que receberama Palavra de modo integral se tornam responsáveis por transmiti-la por inteiro. Por isso, o apóstolo considerava uma medida de segurança repetir o kerigma novamente no capítulo 1. Ninguém pode guardar um tesouro que não possui. O cristão que conhece o evangelho pode avaliar se uma mensagem possui três pilares destacados por Paulo nesse capítulo. 1. Mensagem cristocêntrica O evangelho fala de Cristo como o centro de sua mensagem. Paulo confirma que Cristo é a “promessa da vida” (v.1), a “graça que nos foi dada” e “manifestada por meio de Cristo” (v.9-10). Para o apóstolo, essa deve ser a ênfase, pois diz: “Porque decidi nada saber entre vocês , a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado.” (1Co 2.2). 2. Mensagem de salvação pela graça O evangelho fala de salvação, e Paulo insiste que a mensagem deve ser apresentada de modo simples, em que a oferta de perdão do Soberano Senhor fique evidente. A expressão “graça, misericórdia” (v.2), repetida nos discursos de Paulo, fundamenta que o evangelho é uma boa notícia de clemência. E essa oferta de anistia não pode ser misturada com exigências de pagamentos ou obras. Paulo afirma: “nos salvou... não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça...” (v.9). 3. Mensagem de vitória da cruz O evangelho fala da cruz, que é símbolo de morte. A mensagem cristã não é amena e não se esquiva de tratar a mortalidade como a sentença imposta ao pecado. Embora não mencione a palavra “cruz” nas cartas a Timóteo, Paulo mantém a linguagem usada na carta aos Efésios, remetendo-nos ao Calvário (Ef 2.15-16). Paulo afirma que o evangelho é a boa notícia de que Cristo “destruiu a morte” e “trouxe... a imortalidade” (v.10). A vitória da cruz não se reduz ao bem-estar terreno, mas dá ênfase na esperança de imortalidade. Cartas Pastorais para hoje Você seria capaz de identificar igrejas modernas que mantêm o padrão da sã doutrina? Podemos notar a ênfase na cruz e na ressurreição nos discursos de nossos dias? II. O caráter da escolta É necessário que um soldado tenha um bom caráter. Os que protegem pessoas precisam ser confiáveis. Os que são incumbidos como mensageiros do rei precisam ter boa reputação. O que se requer é “... todos nos considerem como ministros de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer destes encarregados é que cada um deles seja encontrado fiel.” (1Co 4.1-2). Paulo dá testemunho de si e de Timóteo quanto ao caráter que tinham como obreiros. Vejamos as duas características destacadas. 1. Consciência limpa (2Tm 1.3) A questão do caráter era essencial para Paulo e o testemunho do cristão é uma exigência: “... Afaste-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (2Tm 2.19). A credencial era: “Antes, renunciamos aos procedimentos secretos e vergonhosos; não usamos de engano, nem torcemos a palavra de Deus. Ao contrário, mediante a clara exposição da verdade, recomendamo-nos à consciência de todos, diante de Deus” (2Co 4.2 NVI). 2. Fé sem fingimento (2Tm 1.5) Outra qualidade destacada é a honestidade da fé (v.5). Paulo reconhece Timóteo como Jesus reconheceu a Natanael: “... Eis um verdadeiro israelita, em quem não existe fingimento algum!” (Jo 1.47). Denuncia que muitos pregam o evangelho “... por inveja e rivalidade, ... com fingimento,... com sinceridade...” (Fp 1.15-18). O caráter do obreiro era assunto fundamental para o ministério da Palavra (1Tm 3.1-15). Cartas Pastorais para hoje “A fé da moderna igreja evangélica possui 100 quilômetros de largura e 1 centímetro de profundidade” – A.W. Pink (1886-1952) – evangelista cristão inglês. Comente em relação à igreja evangélica em nossos dias. III. A tarefa de defesa do evangelho Paulo, depois de elogiar a Timóteo, assevera que um guardião do evangelho precisa, além do caráter, ter a tríplice virtude da coragem cristã: “de poder, de amor e de moderação” (2Tm 1.7). É possível ter coragem sem poder (At 19.13-17), sem amor (Lc 9.51-56), sem moderação (Jz 11.29-40). O evangelho deve ser protegido e pregado com autoridade e amor, considerando os contextos culturais aonde chega (At 15.1-35). Paulo estimula Timóteo a não se envergonhar das lutas nem se intimidar com as oposições. Alguns, que antes eram guardiões do evangelho, abandonaram Paulo e a fé (2Tm 1.15; 4.10). O apóstolo exorta Timóteo a ter coragem. Os cristãos precisam de muita firmeza, porque há uma intensa batalha espiritual (Ef 6.10-17). Por causa dessa luta, Paulo pede orações para que não lhe falte intrepidez, a fim de continuar levando adiante o evangelho (Ef 6.18-20). Pregar é defender a causa do reino, e defender é uma das maneiras de guardar o bom depósito. Esse é o bom combate do qual Paulo fala (2Tm 4.7) e conclama cristãos a se unirem “lutando juntos pela fé do evangelho” (Fp 1.27). A tarefa de escolta envolve não apenas perigos físicos (como devemos orar pela Igreja Perseguida!), mas perigos doutrinários. Paulo alertou a Timóteo sobre sua missão de escoltar o evangelho e defendê-lo na esfera ideológica. A mesma defesa corajosa Paulo exigiu de Tito (Tt 1.10-11). Cartas Pastorais para hoje Precisamos ser exortados a ter coragem. Vivemos numa era em que os cristãos são tentados de diversas formas a aceitar um tipo de “evangelho light” sem o estigma da cruz. O apóstolo Paulo concordaria com Judas quando este disse: “... senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos” (Jd 1,3 NVI). Nota: A próxima lição desta revista dedicará seu estudo a alertar os cristãos desses perigos doutrinários. Conclusão Numa era de discursos religiosos que usam a Bíblia como resumo de informações sempre favoráveis para a vida material, o evangelho corre perigo de ser confundido. Por isso, os cristãos devem ser estimulados a lutar para desfazer sofismas que ameaçam a igreja. Dentre fiéis do passado que lutaram pela fé, destacamos o pastor Dietrich Bonhöeffer que lutou pelo evangelho durante o movimento nazista. Ele foi capaz de perceber que a Igreja Alemã estava “abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho” (Gl 1.6 NVI). E não apenas identificou teologicamente, mas defendeu publicamente, expondo-se ao perigo que o alcançou. Em sua obra Vida em Comunhão, Bonhöeffer denuncia que é possível professar ser cristão, mas deixar Cristo à margem, e que a igreja estava colocando um homem (Führer) acima do Senhor. Ele morreu enforcado num campo de concentração nazista. 10 Sofrer pelo evangelho Eduardo M. Bi�encourt texto básico 2Timóteo 2.1-26 versículo-chave 2Timóteo 2.3 “Participe dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai entender que o servo de Deus sofrerá por pregar fielmente o evangelho, e será estimulado a pregar corajosamente, zelando pela sã doutrina. leia a Bíblia diariamente seg 2Tm 2.1-13 ter 2Tm 2.14-19 qua 2Tm 2.20-26 qui At 7.54-60 sex Ef 1.15-23 sáb Ef 2.19-22 dom 1Co 15.9-11 P aulo estava preso pela segunda vez, em Roma, sem esperança de que seria liberto (2Tm 4.6-8). Numa cela fria, algemado e aguardando o martírio, ele esperava se alegrar encontrando Timóteo, seu filho na fé (2Tm 1.4). O apóstolo exortava o jovem pastor a permanecer firme em seus deveres e apegado à sã doutrina, participando dos seus sofrimentos por causa do evangelho. Num clima de extrema perseguição aos cristãos por parte do imperador Nero, do surgimento de várias heresias que dominavam a Ásia naquele tempo e da iminência do seu martírio, o apóstolo Paulo estava preocupado que o seu “verdadeiro filho na fé” guardasse “o bom tesouro” do evangelho de Cristo (2Tm 1.14) e assumisse a responsabilidade da mensagem da salvação mesmo que isso implicasse sofrimento para ele (2Tm 1.8,12). Cartas Pastorais para hoje Qual é o nosso compromisso com o evangelho e com a sã doutrina num mundo cheio de heresias e de filosofismos? No texto a respeito do sofrimento pelo evangelho, é possível perceberque Timóteo havia recebido: I. Um chamado a participar (2Tm 2.1-6) “... participe comigo dos sofrimentos...”. O servo de Deus precisa compreender que todo ganho vem acompanhado de sofrimento. 1. Um soldado (v.3-4) Deveria demonstrar total lealdade Àquele que o alistou. Muito mais do que viver destituído de comodidades, ele deveria estar disposto a sofrer perseguição por viver em completa consagração à missão do seu Comandante. 2. Um atleta (v.5) Paulo se refere a um atleta que luta segundo as regras. Todo atleta estabelece metas e mantém uma forte disciplina em relação aos seus treinos para poder levar o prêmio. No ministério, é o Senhor Quem estabelece as regras e recompensa Seus ministros (2Co 5.10). 3. Um lavrador (v.6) A recompensa do lavrador está no fruto do seu trabalho árduo. Não haverá colheita se não tiver trabalho. Somente os que saem andando e chorando enquanto semeiam é que voltarão com júbilo trazendo os seus feixes. Timóteo deveria ponderar no que o apóstolo estava dizendo, porque, se ele assim fizesse, o Senhor lhe daria compreensão em todas as coisas. A meditação humana e a iluminação divina andam juntas, uma não anula a outra! II. Modelos para imitar Paulo passa a exemplificar o que havia acabado de falar, ressaltando o exemplo de Cristo e o seu próprio de que todo ganho vem depois de sacrifício. O soldado será condecorado, o atleta levará o prêmio, e o agricultor comerá dos primeiros frutos, se forem completamente dedicados. 1. Cristo Olhando para Jesus, vemos que “... em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz... e está sentado à direita do trono de Deus” (Hb 12.2). Primeiro a cruz, depois a alegria. A humilhação vem antes da glorificação. Jesus Cristo morreu, mas ressuscitou. Foi humilhado, mas Deus já O fez assentar “acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa mencionar...”(Ef 1.21). 2. Paulo O apóstolo estava “sofrendo algemas”, mas suportava isso porque sabia que o seu ministério levava salvação aos eleitos de Deus. As convicções que ele possuía de que viveria e reinaria com Cristo, e de que negar a Cristo significaria ser negado por Ele também o estimulavam a permanecer firme. O Dr. Carlos Osvaldo disse que “a certeza da fidelidade de Cristo no seu trato com Seus servos traz encorajamento para perseverar na provação” (2Tm 2.11- 13) Pinto, C.O.C., Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento; Ed. Hagnos. O texto afirma que: se alguém morrer com Cristo, também viverá com Cristo (v.11); se alguém perseverar até ao fim, reinará com Cristo (v.12); se alguém negar a Cristo, será negado por Ele (v.12); se alguém for infiel a Cristo, isso não invalidará a Sua fidelidade devido ao Seu caráter (v.13). Timóteo poderia, como disse Stott, quando tentado a evitar sacrifícios, humilhação, sofrimento ou morte em seu ministério, lembrar-se de Jesus Cristo, e reconsiderar tudo de novo! Cartas Pastorais para hoje Estamos dispostos a sofrer por causa do evangelho, para que os homens obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória (2Tm 2.10)? Que preço temos pago por causa do evangelho? O ganho está atrelado a esse investimento. III. Um chamado a realizar (2Tm 2.1-3,14-19) Paulo prossegue dizendo sobre a importância de propagar a mensagem que fora transmitida de Jesus para ele e dele para Timóteo, a homens capazes de transmiti-la a outros, e assim por diante. O ministério da Palavra deveria ser a sua prioridade. Nada e ninguém deveria demover Timóteo dessa missão. Em relação a este ministério podemos perceber: 1. Sua força: a graça que está em Cristo Jesus (v.1) A graça de Deus não apenas nos salva (Ef 2.8), mas também nos educa (Tt 2.11-12) e nos capacita (1Co 15.10). 2. Seu conteúdo: o ensino apostólico (v.2a) O ministro de Deus não tem autoridade para criar a mensagem, mas deve transmitir aquela que recebeu dos apóstolos de Cristo. A igreja só é igreja se estiver alicerçada sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2.20). 3. Seu alvo: homens moralmente sadios e intelectualmente capazes (v.2b) O sucesso do ministério de um líder está na sua capacidade de transmitir a mensagem a homens que possam transmitir a outros. Esta, sem dúvida, é a melhor maneira de proteger o “bom tesouro de Cristo”, por várias gerações, contra as falsas doutrinas e os falsos cristãos. 4. Sua consequência na identificação: sofrimento (v.3) O ministério de transmitir o ensino apostólico a homens sadios e intelectualmente capazes conta com a capacitação de Deus, mas também envolve sofrimento. Paulo estava preso por causa do evangelho, e Timóteo deveria seguir seu exemplo dando testemunho na presença de Deus e procurando Sua aprovação. Mais uma vez, três metáforas são usadas, agora para se referir à responsabilidade que o obreiro de Deus deve ter com a sã doutrina. a. Primeira metáfora – um bom obreiro (v.15-19) que tem como função principal a exposição da palavra de Deus. Se Timóteo se apresentasse a Deus manejando bem a Palavra, isto é, fizesse um corte reto na Palavra (uma referência à exatidão exigida de alguns ofícios como o de carpintaria e o de fabricação de tendas), não teria de que se envergonhar e se distinguiria de Himeneu e Fileto. Estes, com ensino “torto” “falatórios inúteis e profanos”, estimulavam a impiedade e pervertiam a fé de alguns (v.17-18). Stott destacou que a obra executada pelo obreiro cristão é o ensino, e que há dois tipos de obreiros: os aprovados que não têm de que se envergonhar, e os maus obreiros que deveriam se envergonhar profundamente. A diferença entre essas duas categorias de obreiros está no manejo da palavra da verdade. Apesar de o falso ensino estar entrando na igreja e desviando a fé de alguns, Timóteo deveria firmar-se no duplo fundamento da verdade divina: “a verdade divina está segura nos eleitos de Deus e na separação do mal pelos verdadeiros crentes” (Carlos Osvaldo, obra já citada). b. Segunda metáfora – os utensílios de honra e os de desonra (v.20-23). Os utensílios de ouro e de prata provavelmente eram usados em ocasiões especiais pelos donos dos palácios, diferentemente dos utensílios de madeira e barro que são do uso comum dos empregados. Paulo ainda estava se referindo aos mestres aprovados e aos reprovados, e lançou mão de outra metáfora, usando vasos nobres, para ministros autênticos como Timóteo, e vasos indignos, para os falsos como Himeneu e Fileto. A purificação pessoal é fundamental para que o ministro de Deus se torne um “utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra”. Nada pode ser mais honroso do que ser usado pelo Senhor Jesus quando Este solicitar. A purificação doutrinária (a si mesmo se purificar destes erros) e moral (v.22 - Foge) atrelada à busca pelas virtudes cristãs essenciais com aqueles que adoram ao Senhor sinceramente o tornarão nesse instrumento útil. c. Terceira metáfora – o “servo do Senhor” (v.24-26) que não pode viver a contender, mas deve revelar características fundamentalmente cristãs e ministerialmente necessárias. Ele deve ser: “brando para com todos” – manso; “apto para instruir” – capaz de ensinar, tanto para instruir como para corrigir; “paciente” – tolerante com os erros doutrinários e morais das pessoas; apto para disciplinar “com mansidão os que se opõem” – a atitude diante da disciplina deve ser de humildade, brandura e consideração. Cartas Pastorais para hoje Temos nos comprometido com o processo de transmissão da sã doutrina? Quem eu tenho discipulado? Será que estamos sendo aprovados por Deus na forma como manejamos a Palavra da verdade? Quando ministramos, buscamos a aprovação de Deus ou dos homens? Conclusão Timóteo receberaum chamado para participar, modelos a imitar e uma missão a realizar. Como cristãos, devemos nos unir aos nossos irmãos que sofrem por cumprir, com fidelidade, a missão delegada pelo Senhor Jesus, certos de que receberemos a recompensa da herança. Cartas Pastorais para hoje Você tem buscado pureza doutrinária e moral para asua vida? Quais características do “servo de Deus” precisam ser trabalhadas em sua vida? D 11 Permanecer no evangelho John D. Barne� texto básico 2Timóteo 3.1-17 versículo-chave 2Timóteo 3.14 “Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai entender que, mesmo vivendo dias difíceis e de apostasia para muitos, valerá a pena permanecer firme no evangelho. leia a Bíblia diariamente seg 2Tm 3.1-9 ter 2Tm 3.10-17 qua Fp 2.12-18 qui Rm 1.1-17 sex Mt 24.1-14 sáb 1Ts 1.1-10 dom Jd 17-25 eitado numa fria e úmida masmorra em Roma, tendo como luz apenas uma fresta no telhado e aguardando a decapitação, Paulo, agora idoso e esgotado pelo longo e árduo serviço a Deus, ainda está preocupado com o futuro do Evangelho. Sua mente vagueia pensando ora na timidez de Timóteo, ora na maldade dos tempos. Timóteo é um jovem tão fraco, e a oposição tão forte! É estranho que um jovem fraco assim seja chamado por Deus para combater o bom combate da fé (2Tm 4.7). Ele não deve conformar-se ao espírito de sua época, mas antes deve permanecer firme na verdade. I. Enfrentando tempos difíceis “nos últimos dias” (2Tm 3.1) Paulo descreve a Timóteo a situação que existe no mundo de hoje. John Stott diz: “Pode ser natural aplicar este termo a uma época futura, aos dias imediatamente precedentes ao fim, quando Cristo retornar. Contudo, a correta prática bíblica não nos permite uma tal explicação, por ser convicção dos autores do NT que a nova era (prometida no AT) chegou com Jesus Cristo... Pedro, no dia de Pentecostes, se referiu à profecia de Joel, dizendo que ‘nos últimos dias’ Deus derramaria o Seu Espírito ... e essa profecia então se cumpria.” Sendo assim, estamos vivendo nesses “últimos dias” e concordamos com aquilo que Paulo acrescenta: “sobrevirão tempos difíceis”. E esses dias difíceis serão decorrentes das atividades de homens maus. II. Os homens maus são descritos (2Tm 3.2-9,13) 1. Quanto à conduta moral (v.2-4) a. O amor deles está mal dirigido (v.2,4) amor a si mesmo (egoístas); amor ao dinheiro (avarentos) (veja 1Tm 6.9-10); amor aos prazeres (mais amigos dos prazeres); e não amor a Deus. São indivíduos cheios de orgulho, sendo capazes de amar muito mais os prazeres que a Deus (Tg 4.4; 1Jo 2.15-17). a. São orgulhosos, arrogantes, blasfemadores (v.2) – Pessoas que têm opinião exagerada sobre si mesmas, menosprezam as outras e falam mal. b. A vida familiar está deteriorada, especialmente a atitude adotada por alguns jovens em relação aos pais (v.2-3) – “desobedientes aos pais, ingratos(destituídos de elementar estima), irreverentes (alusão a falta do respeito filial), desafeiçoados (sem afeição natural) e implacáveis (irreconciliáveis – descreve a situação talvez de jovens revoltados que não querem ter diálogo). c. São mal agradecidos e malcriados (v.3) – “caluniadores (grego, diabolos, literalmente “diabos”), traduzido também por “mentirosos” (propagadores de notícias maliciosas e falsas – os famosos Fake News); cruéis (grosseiros). “Sem domínio de si” significa carentes de autocontrole. O coração está cheio de maldade e maquina o mal o tempo todo (Pv 6.12-19). d. São traidores e atrevidos (v.4) – Refere-se a pessoas obstinadas, em quem não se pode confiar, não se detêm diante de nada para obter seus propósitos (Mq 7.5-6). 2. Quanto à observância religiosa (v.5) São pessoas que fazem profissão de fé no cristianismo, mas, pelo mau comportamento, demonstram viver uma vida de mentira. 3. Quanto aos métodos (v.6-9) Paulo mostra que são traiçoeiros e usa expressões espantosas: “penetram sorrateiramente nas casas”; “mulherinhas sobrecarregadas de pecados”. Pode-se supor que elas estavam buscando experiências que produzissem sensações. O quadro que Paulo pinta aqui é relevante em qualquer época na qual falsos mestres estejam operando. Ele tem convicção de que o erro não pode vencer no final. Janes e Jambres não são mencionados em nenhum lugar na Bíblia – parece que era o nome de dois mágicos de Faraó, chamados para imitar os milagres executados por Moisés. Paulo está convicto de que esses falsos mestres “não irão avante”. O verdadeiro líder de Deus pode ter a convicção de que todos os falsos sistemas no fim serão desmascarados. 4. Quanto ao caráter (v.13) São pessoas más, cruéis, fingidas, inimigas do bem, vão de mal a pior, enganando e sendo enganadas (Jd 12-16). “Depois de espalhar mentiras por tanto tempo, acabam acreditando nelas” (W. MacDonald). Cartas Pastorais para hoje “Dentro da igreja, no meio da visível sociedade de crentes professos, há homens de caráter e conduta imorais, de religiosidade puramente exterior, de mente corrupta e de fé fingida. Nós não devemos nos contagiar nem nos deixar levar por esta maré, mas sim resistir corajosamente à onda prevalecente” (John Stott). ALUNO, TENHA MUITO CUIDADO! III. Mas o servo do Senhor é diferente! (2Tm 3.10-17) Quando John Stott escreveu o comentário sobre a Segunda Carta de Paulo a Timóteo, deu este título ao livro: “Tu, porém”. Ele escreveu no prefácio: “As palavras que para mim sintetizam esta epístola são as duas palavrinhas: ‘Tu, porém’, que aparecem quatro vezes nesta epístola”. Duas dessas vezes aparecem nos versículos 10 e 14. As qualidades espirituais (fé, longanimidade, amor, perseverança) que Paulo tinha demonstrado são as mesmas que ele já havia recomendado ao próprio Timóteo na sua primeira carta (veja 1Tm 6.10). Paulo chama seu filho na fé para ser totalmente diferente e, se necessário, permanecer sozinho. 1. Siga o exemplo de Paulo (v.10-13) Timóteo conhecia bem o exemplo de vida e ministério de Paulo que é destacado aqui. a. No ensino: Timóteo abraçou o ensino de Paulo, que sempre foi fiel à palavra do Senhor. “Sem dúvida, no início, Timóteo teve dificuldades para entender o sentido da instrução dada por Paulo, mas foi em frente. Ele se apossou do ensino, creu nele, absorveu-o, e viveu de acordo com o mesmo...” (Stott). b. No procedimento: Timóteo começou por observar o modo de vida do apóstolo... e passou a imitá-lo. c. No propósito: Era de se afastar da moral e da doutrina do mal. d. Na fé: Timóteo conhecia de perto a grande fé que Paulo sempre demonstrava no Senhor. e. Na longanimidade, no amor e na perseverança: Paulo tinha capacidade de não perder a paciência com pessoas, ele demonstrava o grande amor de Deus (como Paulo enfatizou em 1Coríntios 13). f. Nos sofrimentos: Falam dos incidentes da primeira viagem, pois foi nela que Paulo conheceu a Timóteo. Naturalmente ele lembrava vividamente que Paulo exerceu perseverança a qual muito o influenciou a se envolver na obra missionária. Paulo menciona três cidades da Galácia onde sofrera perseguição: Antioquia, Icônio e Listra, porque Timóteo era cidadão de Listra e, provavelmente, presenciou o apedrejamento de Paulo pelo povo hostil, quando foi arrastado fora da cidade e lançado à sarjeta para morrer, “mas o Senhor o livrou”. Leia Atos 13.45-50; 14.3-7,19-23. Timóteo aprendeu que sofrimento faz parte da vida cristã (v.12), pois “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12; Jo 15.18-20; 16.33). Cartas Pastorais para hoje Sabemos que as pressões sobre nós para que conformemos com este mundo são muito grandes, não somente em relação à doutrina cristã, mas também em relação ao secularismo que já tem infiltrado no meio da igreja. Paulo nos exorta: “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo...” (Rm 12.2 NTLH). 2. Permaneça nas Escrituras Sagradas (v.14-17) a. “Tu, porém” (v.14) – Mais uma vez Paulo começa um parágrafo com “Tu, porém”, distinguindo Timóteo dos “homens perversos e impostores” do v.13. Paulo sempre lembra seu filho na fé de permanecer firme nos ensinamentos da palavra de Deus. Como essa é uma palavra necessária nos dias de hoje, quando a toda hora “homens impostores” se orgulham de inventar “uma nova teologia”! b. A origem da Escritura (v.15) – Paulo afirmacategoricamente que “toda a Escritura é inspirada por Deus” – ela é “soprada” por Deus. John Stott salienta que “Paulo está afirmando duas verdades sobre a Escritura, a saber: que ela é inspirada por Deus e que ela é útil... Ela se originou na mente de Deus e foi comunicada pela boca de Deus, pelo sopro de Deus, ou pelo Seu Espírito”. c. O propósito da Escritura (v.15-17) – Paulo prossegue, mostrando que a utilidade das Escrituras é tanto para a doutrina cristã como para a nossa conduta. Dá sabedoria que leva à salvação. É útil para ensinar a verdade. É valiosa para condenar o erro. É útil para corrigir as faltas. Acima de tudo, é valiosa para “... ensinar a maneira certa de viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações” (NTLH). Conclusão Esta é uma palavra para nós hoje, nestes “tempos difíceis”, numa sociedade permissiva em que há tanta pressão para se acomodar. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste”. 12 Pregar o evangelho Luiz César Nunes de Araújo texto básico 2Timóteo 4.1-22 versículo-chave 2Timóteo 4.2 “Pregue a palavra, insista, quer seja oportuno, quer não, corrija, repreenda, exorte com toda a paciência e doutrina.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai entender a luta espiritual em que os servos de Deus estão inseridos quando resolvem pregar o evangelho com mais seriedade, e buscará pregar o evangelho com coragem e ousadia. leia a Bíblia diariamente seg At 16.19-26 ter At 19.23-41 qua At 20.17-35 qui At 21.17-26 sex At 23.1-24 sáb At 24.1-27 dom At 28.16-31 Paulo estava preso e tinha a preocupação de que o evangelho de Cristo continuasse sendo pregado. Timóteo foi advertido, conjurado, a continuar pregando. Ele precisava fazer da pregação da palavra de Deus o objetivo primordial de sua vida. Com essa forte convicção, Paulo o orienta e, de certa forma, nos orienta também a pregarmos o evangelho a qualquer tempo, em qualquer lugar, a qualquer pessoa. Essa pregação, no entanto, precisa ser cercada de certos predicativos. I. Pregar com fidelidade e ousadia (2Tm 4.1-5) O evangelho de Cristo é a mensagem mais preciosa que alguém necessita ouvir. Assim, precisamos pregar com fidelidade e ousadia. Paulo nos dá alguns motivos relevantes para pregarmos ousadamente. 1. Por causa do julgamento (v.1-2) Paulo está gritando: “Diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu Reino, peço a você com insistência que pregue a palavra”. Ele entendia que a pregação era a única maneira de preparar os homens para o julgamento que ocorrerá quando Jesus regressar. Ele se refere àquele julgamento que será realizado após a ressurreição (2Co 5.10). Essa pregação apaixonada salvará alguns e condenará outros. Apenas devemos lembrar que, mesmo pregando com tanta ousadia, não devemos ultrapassar os limites do bom senso. Preguemos “com toda a paciência e doutrina” (v.2). 2. Por causa da doutrina (v.3-4) O velho apóstolo parece estar em nossas igrejas dizendo: “não deixemos que as igrejas sejam dirigidas por falsos mestres, por gente que fala para aguçar os desejos humanos”. Haverá um tempo em que os ouvintes preferirão ouvir as fábulas, as histórias bonitas e extravagantes em detrimento do verdadeiro evangelho de Cristo (v.3). Será que já chegou esse tempo em que a maioria dos homens terá dificuldade para ouvir a verdade? Sejamos firmes em nossa proclamação. Devemos ser fiéis e ousados. O evangelho é digno desse cuidado especial. 3. Por causa do ministério (v.5) Paulo orienta Timóteo a se diferenciar dos que pregam para agradar aos homens. Ele diz: “Mas você...” (v.5). Ele não poderia impedir que homens maus pregassem fábulas e doutrinas falsas, mas Timóteo não deveria se unir a eles. O servo fiel terá que suportar as aflições, terá que fazer o árduo trabalho de evangelista e cumprir cabalmente, sem interrupção, o ministério dado por Deus, sabendo que passará por muitas tribulações (Jo 16.33). Cartas Pastorais para hoje Há uma grande fome da sã doutrina em muitas igrejas. Ore para que os nossos pregadores sejam fiéis na pregação da Palavra, pois é a maior necessidade nas igrejas evangélicas de hoje. II. Pregar com perseverança (2Tm 4.6-8) Ao fechar a cortina da vida, a cena que está diante de Paulo é a de que ele logo partirá para se encontrar com Cristo (v.6-7; Fp 1.23). Mas ele não termina sua carreira como fracassado, ao contrário, olha para o passado e diz: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” Paulo não desperdiçou sua vida vivendo de forma banal, não investiu seu tempo correndo atrás de coisas vãs e passageiras. Ele apresenta, neste texto, o significado de pregar com perseverança. 1. Significa combater o bom combate Paulo combateu o bom combate. O termo aqui no grego é agonizomai, que traz a conotação de uma luta intensa, até agonizar, até não aguentar mais. Nós também nos encontramos numa batalha espiritual constante. A Bíblia faz referência a três inimigos do salvo: Satanás (1Pe 5.8-9), o mundo (1Jo 2.15-17) e a nossa própria carne (Gl 5.16-17). Felizmente temos os recursos para ser vitoriosos. A leitura da Bíblia, a oração e a comunhão com os irmãos são algumas das ferramentas para vencermos sempre. 2. Significa completar a carreira Paulo correu até ao fim. A vida cristã é como uma grande corrida, e devemos correr com perseverança até à bandeirada final (Hb 12.1-2). Completar a carreira significa fazer tudo o que deve ser feito. Paulo exorta Timóteo a cumprir cabalmente o ministério confiado a ele (e a nós!) (v.5). Jesus é o maior exemplo desse ministério completo. Ele mesmo foi incentivado a receber a glória sem a cruz, especialmente na tentação, no deserto (Mt 4.8- 9), porém, não retrocedeu até que tudo estivesse consumado. Jesus nos amou até ao fim (Jo 13.1). 3. Significa guardar a fé Agora Paulo usa o verbo guardar, que tem o sentido de observar, não de esconder. Ele lutou conforme a exata determinação que recebera de Deus, não acrescentou nem tirou nada; ele obedeceu. O Espírito Santo nos ajuda a preservar esse tesouro (2Tm 1.14). Assim, no mesmo Espírito, em meio a tantas lutas, falsas doutrinas e desvios doutrinários que rodeiam a igreja de Cristo, devemos guardar a fé, a doutrina, a convicção doutrinária, os seus postulados, aquilo que aprendemos desde o início. Cartas Pastorais para hoje Trabalhemos hoje para que, no final de tudo, possamos olhar para trás e observar que levantamos gloriosas bandeiras: a de ter combatido o bom combate, terminado a carreira, guardado a fé! III. Pregar com parceria e amizade cristã (2Tm 4.9-13,19-22) Precisamos sempre ter amigos cristãos. O próprio Senhor Jesus se cercou de discípulos que mais tarde foram chamados de amigos (Jo 15.15). Salomão nos ensina que há amigos mais chegados do que irmão (Pv 18.24). Paulo cita tantos amigos em suas cartas. Aqui, neste texto, ele fala de Timóteo, Lucas, Marcos, Tíquico, Carpo, Priscila e Áquila, Onesíforo, Erasmo, Trófimo, Êubulo, Prudente, Lino, Cláudia. Ele nunca trabalhou de maneira isolada. O texto nos apresenta razões por que Deus nos impulsiona à amizade espiritual. 1. Para o nosso auxílio pessoal e ministerial Paulo pediu que Timóteo fosse ao seu encontro (v.9). Ele se sentia muito sozinho, pois havia perdido a companhia de Demas, de Crescente e de Tito. O Senhor Jesus teve o mesmo sentimento em Seus últimos dias de vida (Mt 26.38). Em todas as suas cartas, Paulo faz referência aos cooperadores, aos companheiros de ministério. Ele cita Urbano (Rm 16.9), Timóteo (Rm 16.21), Tito (2Co 8.23), Aristarco, Demas e Lucas (Fm 24). Feliz é o servo de Deus que atrai para a causa de Cristo os cooperadores, os que cooperam com ele. Lembremo-nos sempre de que somos servos, não senhores uns dos outros, e todos servos de Cristo. O único Senhor é Jesus, e mesmo Ele foi tantas vezes definido como “Servo” (Is 53.11; At 3.13,26). 2. Para o nosso aperfeiçoamento espiritual Ao se referir a João Marcos, Paulo o considera útil para o seu ministério(v.11). No passado, João Marcos tinha abandonado a missão. Assim, quando Barnabé quis levá-lo para visitar as igrejas, Paulo não permitiu. Houve discórdia entre eles (At 15.36-41). Os anos se passaram, e agora Paulo reconheceu que João Marcos lhe seria muito útil no ministério. Deus usa os nossos companheiros de caminhada para nos ensinar, para nos aperfeiçoar, para nos modelar. Sem essa amizade cristã, não teríamos oportunidade de ser transformados por Deus. 3. Para o nosso suprimento Paulo solicita ao seu pupilo Timóteo que leve até ele a sua capa e os seus livros (v.13). Ele pede estes favores a um de seus discípulos mais amados. Em outros textos, Paulo se refere a pessoas que o sustentavam. A mãe de Rufo foi considerada por Paulo como sua própria mãe (Rm 16.13). A igreja de Filipos tinha levantado uma oferta para o velho apóstolo, agora preso (Fp 4.18). Ele aceitou de bom grado o que lhe foi oferecido. Semelhantemente Jesus também foi assistido por algumas mulheres (Mc 15.41). Cartas Pastorais para hoje As pessoas que Deus levanta para cooperar com o trabalho são bênçãos para a obra, mas o são também para nós. Este é o sentido de Jesus ter criado a Sua igreja: Ele queria que fôssemos bênçãos uns para os outros. Você sido bênção? IV. Pregar, mesmo havendo adversários e adversidades (2Tm 4.14-18) Já vimos que Paulo era alguém que trabalhava em equipe, no entanto, esse homem de Deus tinha muitos adversários e grandes adversidades. Ele cita a dor que lhe impuseram as autoridades e as falsas testemunhas numa audiência judicial. É possível que Alexandre, citado no verso 14, tenha sido uma testemunha muito prejudicial ao velho apóstolo. Muitos o abandonaram durante o julgamento e não o defenderam (v.16). Também temos amigos e parceiros, mas sempre haverá adversário e adversidade em nossa jornada cristã. Em tempo de adversidades, devemos tomar alguns cuidados. 1. Verificar cuidadosamente a adversidade Paulo tinha plena convicção de que o sofrimento que lhe fora imposto era em função do evangelho (v.17). A pregação deveria ser protegida, e não a pessoa humana. A sua vitória não era em função de um livramento pessoal, mas da possibilidade de pregar o evangelho. Não há mérito algum em sofrer por causa de nossas próprias falhas, mas sofrer para que o evangelho flua é um desafio muito precioso (1Pe 2.19-20). Sejamos gratos, no entanto, se o sofrimento nos vier por causa de Cristo e Sua obra. Tenhamos esse sofrimento como graça especial (Fp 1.29). 2. Trabalhar bem a reação (v.14-16) Observemos que Paulo, nos dias mais difíceis de sua vida, reagiu de modo cristão. Diante de Alexandre, simplesmente disse: “o Senhor dará a retribuição de acordo com o que ele fez” (v.14). Da mesma forma, diante dos que o abandonaram, se expressou assim: “Que isto não lhes seja posto na conta!” (v.16). Paulo se assemelhou ao diácono Estêvão que, diante de seus algozes, pediu que Deus não lhes imputasse aquele pecado (At 7.60). Os dois estavam no mesmo espírito do Senhor Jesus, que suplicou perdão para os que O matavam, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34). A maturidade cristã é vista muito mais na reação do que na ação. A resposta aos adversários e às adversidades revelam muito mais o que somos do que quando agimos sem pressão alguma. Crentes maduros costumam reagir com prudência diante das contrariedades (Rm 12.17-18). 3. Confiar intensamente em Deus Paulo não subestima a adversidade, nem a humana nem a maligna (v.18). O leão, aqui no final do verso 17, pode se referir a Nero, o Imperador, visto que era homem sanguinário, ou ao próprio Satanás, que por Pedro é comparado com o leão (1Pe 5.8). Paulo, homem experimentado nas batalhas, nos exorta a tomarmos toda a armadura de Deus e, no final, permanecermos firmes (Ef 6.10-13). Cartas Pastorais para hoje O Deus da História, que nos dá vitória diante dos adversários, é também o Deus da eternidade. Nele podemos confiar plenamente. Conclusão Paulo termina essa carta e, possivelmente, três décadas de ministério, com duas expressões grandiosas: a primeira é: “A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (v.18). A segunda, após a saudação final foi dirigida a Timóteo: “O Senhor esteja com o seu espírito. A graça esteja com vocês” (v.22). Com essas palavras, Paulo, na prisão, à beira da morte, esperava estimular o tímido Timóteo, e todos nós a continuarmos o trabalho de Deus, até que Cristo volte. Como bem terminou Stott o seu comentário: Dele a graça, a Ele a glória. Quais serão nossas últimas palavras? N 13 Prefácio e saudação da carta a Tito Saulo César da Silva texto básico Tito 1.1-4 versículo-chave Tito 1.4 “… a Tito, verdadeiro filho, segundo a fé comum. Que a graça e a paz, da parte de Deus Pai e de cristo Jesus, nosso Salvador, estejam com você.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai conhecer o autor e o destinatário da carta, assim terá prazer em estudá-la. leia a Bíblia diariamente seg 2Co 3.1-6 ter Gl 1.10-2.5 qua 1Co 15.9-11 qui 2Co 2.12-17 sex 2Co 7.5-16 sáb 2Co 8.16-23 dom 1Co 9.16-24 os tempos antigos, não havia computadores, internet, e-mails, por isso, as cartas eram o meio mais comum para se comunicar com amigos e pessoas queridas que estivessem longe. Naquele tempo, não havia canetas esferográficas nem papel. Assim, as cartas eram escritas à mão, em couro curtido (pergaminho), com um pincel levemente molhado num tinteiro. Nos documentos importantes, como as epístolas, não poderia haver erros nem rasuras. Se acontecesse, o couro deveria ser substituído. Imaginem o trabalho que Paulo teve para escrever! Imaginem as dificuldades para que a carta chegasse a Tito! Imaginem a alegria de Tito ao receber a carta! Graças a Deus essa carta chegou a nós! I. O remetente – Paulo (Tt 1.1-3) Há uma grande possibilidade de Paulo ter escrito esta carta quando se encontrava na Macedônia, entre a primeira e a segunda prisão em Roma, cerca de 64 a 67 d.C. Ele, mesmo considerando Tito como filho querido, como era comum nas suas epístolas, se apresenta formalmente. Vejam alguns comentários sobre a sua saudação. “Esta saudação de abertura, construída de modo compacto e intrincado, é esmerada e solene. De modo calmo, porém, firme, Paulo reivindica e define de modo completo a função do apostolado” (Kelly). “Paulo, nos seus primeiros pronunciamentos, revela sua humildade, sua autoridade, seu ponto de vista e a sua atitude” (D.L. Moody, citado por Pfeiffer e Harrison). 1. Sua identificação “servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo” Na época de Paulo, era comum alguns indivíduos enviarem cartas às igrejas e, para que essas cartas tivessem autoridade apostólica, eles se identificavam como Paulo, Pedro, João, Tiago (cf. 2Ts 2.1-2). Aqui quem escrevia era o verdadeiro Paulo. “Servo de Deus”: Abraão, Moisés e Davi foram os primeiros que receberam esse título (Sl 105.42; Dn 9.11; 2Sm 7.5). Paulo, talvez para combater os insubordinados da circuncisão (1.10), se posiciona ao lado deles. Para Barclay, ser “servo de Deus” significa tanto a posição à qual ele se colocava diante de Deus, como também a autoridade que recebia de Deus. Ou seja, sendo servo submisso, Paulo, assim como os demais profetas do passado, era comissionado e autorizado por Deus. Portanto, tudo que fazia, por ser ordem divina, tinha autoridade e autenticação divinas. “Apóstolo de Jesus Cristo”: o termo “apóstolo” significa “mensageiro”, isto é, alguém enviado para anunciar a mensagem de Deus. Um enviado sempre leva sobre si uma autoridade delegada. Aqui se explica em que sentido Paulo é servo de Deus, a saber, ele serve como emissário de Jesus. Assim, o verdadeiro enviado fala com o acento da segurança e da autoridade de alguém que sabe. As palavras “eu acho” ou “eu penso” não são usadas por ele. Isso porque sua fala e sua mensagem não são propriamente suas, mas de Cristo. 2. Sua missão “proclamar a fé e o conhecimento da verdade” Esse ministério define o serviço apostólico. Para Bürki, esse serviço está fundamentado naquilo que Deus feze faz. Não tem sua origem em Paulo, mas em Deus. Foi confiado a Paulo, mas quem efetua e realiza a obra é Deus. Assim como num supermercado existem os promotores que promovem produtos que não lhes pertencem, a fé e o conhecimento que Paulo promovia eram originários de Deus. A fim de capacitar o homem para a vida com Cristo, o dever do apóstolo era despertar nele a fé, ou seja, a confiança total e absoluta em Deus, a fé que leva o homem a viver de tal maneira que outros vejam Cristo refletido nele, fé que desperta no coração o desejo de se capacitar e aprofundar no conhecimento divino. Não está em jogo mero conhecimento da verdade, mas um conhecimento que levava à fidelidade a Deus. Assim, a tarefa de Paulo era pregar o evangelho que oferecia, não apenas um credo intelectual ou um código moral, mas a própria vida de Deus. 3. Sua esperança “a vida eterna com Deus” O fundamento da confiança, tanto de Paulo como de todo aquele que prega e recebe a verdade, é a esperança da vida eterna. Tal esperança é o alicerce lançado antes da fundação do mundo, e Deus, Aquele que não engana nem mente, é o idealizador (2Tm 1.9). Segundo o Comentário Moody, esses eternos propósitos começaram a ser desfrutados pelo mundo por meio da pregação. Paulo recebeu e pregou essa mensagem. Kelly argumenta que o serviço de Paulo tem cunho escatológico (do fim dos tempos). Nele, Paulo se agarra, pois, praticando-o no presente, fortalecia sua esperança no Cristo ressuscitado e na mensagem salvadora trazida por Cristo. Assim, a mensagem de Paulo não é nada mais que o compartilhar da esperança da vida com Deus. Cartas Pastorais para hoje Como é bom ter amigos que se importam conosco, amigos que compartilham suas bênçãos, que nos encorajam e nos aconselham! Você tem amigos? Amigos de quem você não se esquece e pelos quais se importa, aconselha e ora? Paulo se lembrou de Tito e escreveu para ele num tempo em que a comunicação era muito difícil. Assim como Paulo fez, devemos fazer também. II. O destinatário – Tito Tito, a quem Paulo endereçou a carta (v.4), estava em Creta, uma ilha grega localizada no mar Mediterrâneo. Paulo havia passado por lá quando estava sendo levado para a prisão, em Roma (At 27.7-13,21). No entanto, as igrejas que lá havia, poderiam ter sido fundadas por ele ou surgido pela ação de judeus convertidos no dia de Pentecostes (At 2.11). Mas, sendo Paulo ou outros que tenham iniciado a igreja, parece que ele esteve noutra ocasião em Creta e deixou Tito para que continuasse a obra lá iniciada (Tt 1.5). Neste versículo 4, Paulo apresenta Tito usando as seguintes expressões: 1. “Um verdadeiro filho na fé” O termo “verdadeiro”, usado por Paulo, significa: legitimamente nascido, não espúrio, genuíno, sincero, autêntico. Paulo chamou Timóteo e Onésimo da mesma forma que chamou Tito (1Tm 1.2,18; 2Tm 1.2; 2.1; Fm 10). Ou seja, Tito, assim como Timóteo e Onésimo, abraçou a fé em Jesus por meio da proclamação do apóstolo, representando fruto real do seu serviço. 2. Alguém que compartilhava da mesma fé Alguns entendem que essa fé comum é uma analogia à comum salvação, herança que Deus dá a todos (cf. Jd 3). O Comentário Moody concorda com essa ideia e, segundo ele, Tito foi encarregado de fundamentá-la em Creta. No entanto, J.N.D. Kelly entende que aqui a expressão é de foro íntimo e pessoal; assim deve ser tratado, pois assim o contexto requer. Hans Bürki entende que ela se apoia num relacionamento espiritual entre pai e filho. A esse respeito, W. Barclay argumenta: “O grande dia para um pregador ou um mestre é aquele em que seu filho na fé se converte em seu irmão na fé, quando aquele que ensinou, treinado e nutrido está capacitado para tomar seu lugar no trabalho da igreja, não já como um menor, mas sim como um igual”. Em suma, Tito foi enviado a Creta, não apenas para falar como se deve viver a vida cristã, mas para mostrar, pelo seu exemplo, como se vive a vida cristã (Tt 2.7). 3. Um dos ajudantes mais valiosos e confiáveis de Paulo Nas diversas referências feitas a Tito nas Escrituras, percebe-se que ele foi importante colega de Paulo. Vejam e analisem as seguintes informações: Mesmo sendo de origem grega (Gl 2.3), seu nome era de origem latina, e com definição incerta, pode significar: “enfermeira ou ama- seca”. Ele foi destemido companheiro de Paulo. No concílio de Jerusalém, igreja que não simpatizava muito com Paulo, este, além de Barnabé, levou o destemido Tito (Gl 2.1). Foi ele quem levou as orientações de Paulo à igreja de Corinto. Quando a situação estava difícil ali, foi Tito quem levou uma das cartas mais severas escritas por Paulo. Tito, além de espiritual, era prático. Por isso, Paulo o escolheu para organizar a coleta para os membros pobres da igreja de Jerusalém (2Co 8.6,10). Em Corinto, como colaborador fiel, ele andou no mesmo espírito do apóstolo Paulo (2Co 8.16). Tito, além de cooperar com Paulo em Corinto, também foi útil em Nicópolis (Tt 3.12) e em Dalmácia (2Tm 4.10). Sobre Tito, Barclay faz o seguinte comentário: “Há dois tipos de pessoas: as que podem fazer com que uma situação má piore, e as que conseguem trazer ordem ao caos e paz à contenda. Tito era a pessoa para ser enviada a um lugar onde houvesse problemas”. Tito era o homem para as tarefas mais duras. Cartas Pastorais para hoje As cartas de Paulo foram inspiridas por Deus. Assim, podemos dizer que também foram direcionadas a nós. Penso que, quando Tito recebeu a carta de Paulo, ele, além de refletir nela, procurou seguir todas as suas orientações, como também a reproduziu, copiou e passou a outros. Que assim como Tito possamos valorizar e transmitir os bons conselhos que recebemos de Deus! Conclusão Após observarmos essa série de deveres cristãos, cabe-nos agora praticá-los. Somente o Espírito Santo pode nos conduzir ao cumprimento dessas responsabilidades, sejam sociais ou eclesiásticas, portanto, oremos pedindo capacitação para ser excelentes em nossa conduta cristã. 14 Organizando as igrejas em Creta Cledyson Assunção de Souza texto básico Tito 1.5-16 versículo-chave Tito 1.5 “Foi por esta causa que deixei você em Creta: para que pusesse em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísse presbíteros, conforme prescrevi a você.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai perceber como a palavra do Senhor é suficiente para organizar e consolidar os valores de Jesus na igreja, e esses valores, vivenciados primeiramente pelos seus líderes, vão gerar um corpo saudável e forte. leia a Bíblia diariamente seg Jo 10.1-18 ter Fp 3.2-11 qua Gl 2.11-21 qui 2Pe 2.1-22 sex 1Tm 6.3-16 sáb 1Tm 3.1-16 dom At 20.17-38 Écurioso notar como os valores do mundo corporativo são antagônicos aos do reino de Deus. Enquanto as multinacionais buscam pelos empreendedores notáveis, líderes natos com diversas habilidades e perceptiva ambição pelo sucesso para compor seus quadros de executivos, o Senhor busca por homens íntegros e irrepreensíveis. Aprende-se claramente que, para o Senhor, caráter vem bem antes de qualquer habilidade. E a razão, como disse John Stott, é que “antes de ser ministro da Palavra ou da igreja, os líderes são ministros ou servos de Cristo” (Sinais de uma Igreja Viva, Editora Fiel). Nesta lição, notamos que os “executivos do Senhor”, que em breve assumiriam “cargos”, “empossados” por Tito, deviam ser homens que contemplassem todos os requisitos já existentes e “publicados” por Paulo. Observemos com muita atenção esse momento valioso da vida da igreja e aprendamos, não como devem ser apenas os pastores, e sim todos aqueles que se consideram servos do Senhor. Aqui, Tito recebe de Paulo duas responsabilidades (Tt 1.5): organizar algumas coisas ainda necessárias e constituir presbíteros nas igrejas da região. Para isso, já existiam direções definidas (“conforme prescrevi a você”). Que ensino valioso! Possuímos a palavra do Senhor, que organiza as coisas e define quem continuará o processo de “suprir o que ainda falta à fé que vocês têm” (1Ts 3.10) e presidirá bem a igreja de Jesusconforme Ele quer (1Tm 5.17; 1Pe 5.2). I. Características dos líderes na igreja (Tt 1.5-9) 1. Irrepreensíveis no casamento e na vida familiar (v.6) Os líderes da igreja são homens que causam o primeiro impacto na própria casa. Antes de tudo, pais e maridos exemplares. Percebe-se que, antes de dirigir a igreja, o Senhor requer que os líderes saibam das direções do coração de seus filhos. Antes de pregar em púlpitos, encarando multidões, têm que aprender a enxergar a sua mulher como única e ser-lhe fiel até à morte. Para Sua igreja, Cristo busca homens que exercem o mais nobre dos governos – o do próprio lar. 2. Irrepreensíveis no caráter (v.7) Os presbíteros não podem ser pessoas que possuem certas características. Paulo dá duas “listinhas” a Tito. Por elas, serão identificados aqueles que o Senhor ergueu para liderar a Sua igreja. A primeira lista contém pontos negativos. a. Desclassificados – Veja referências bíblicas que denunciam a desclassificação de tais pessoas para o ministério. Arrogante – Que se considera superior aos outros. É um líder que acredita, seja lá por qual razão, que todos são menores que ele. Só consegue enxergar o outro “de cima pra baixo”. Está desclassificado por Paulo em Filipenses 2.3: “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo.” Irascível – Faz da ira uma resposta recorrente a qualquer contrariedade que venha a passar. É uma pessoa desequilibrada, que frequentemente usa um vocabulário destruidor e que suas reações são sempre um perigo iminente. Desclassificado por 2Timóteo 2.24: “O servo do Senhor não deve andar metido em brigas, mas deve ser brando para com todos”. Dado ao vinho – Possui o hábito de entregar-se à bebida alcoólica. Habacuque 2.5 nos diz que “o vinho é enganoso”. Assim, ser escravo dele (Tt 2.3) será uma flagrante contradição na vida daqueles a quem Cristo libertou. A sobriedade exigida da igreja não pode faltar no líder (1Pe 1.13). Desclassificado pela ordem de que não devemos nos encher de vinho, mas do Espírito (Ef 5.18). Violento – Suas armas não são espirituais, e os seus combates não se desenrolam nas regiões celestiais. Um homem que marca com sangue a sua terra não possui a menor possibilidade de assumir um rebanho, pois se torna presa fácil e não é cuidador. O presbítero, irremediavelmente, “leva desaforo pra casa”. Desclassificado pelo fato de Deus ter ouvido a oração do salmista (Sl 140.1,4). Cobiçoso de torpe ganância – Alguém que aprendeu que tudo e todos existem para fazê-lo “subir de jatinho”. Esse não é pastor, mas negociante de ovelhas. É nojento (torpe) aos olhos do Senhor. Desclassificado pelo Salmo 10.3: “Pois o perverso se gloria da sua própria cobiça, o avarento maldiz o SENHOR e blasfema contra ele”. b. Aprovados – Percebe-se que as virtudes esperadas na vida dos presbíteros são os opostos diretos às negativas descritas, por isso veja a expressão “pelo contrário” (v.8 NAA); algo que Paulo gosta de usar nas suas “listinhas”, como em 1Timóteo 6.11. 3. Irrepreensíveis na conduta (v.8) a. No contato com as pessoas Ser hospitaleiro – A palavra no grego quer dizer amigo de estrangeiros. No tempo de Paulo, havia muito movimento de crentes por causa de perseguição. Era essencial que tais pessoas encontrassem uma porta aberta na comunidade cristã. Ser amigo do bem – A segunda palavra quer dizer: amigo de coisas boas ou amigo de boas pessoas. O líder na igreja deve demonstrar devoção a tudo aquilo que é melhor. b. Na própria vida Ser “sóbrio” – Segundo Kelly “em contraste com os traços desordeiros condenados” no versículo 7. Ser “justo, piedoso” – Segundo Kelly “isso é, exemplar nos relacionamentos tanto com seu próximo quanto com Deus”. Ter “domínio de si” que faz parte do fruto do Espírito (Gl 5.23). 4. Irrepreensíveis na doutrina (1.9) Nota-se que algo que se espera desses homens quanto à doutrina é que sejam apegados a ela. Homens que meditam dia e noite na Palavra (Sl 1.2) e, como resultado, tremem (Is 66.2). Assim, possuem “poder” nas palavras, pois, além de transformados, não ensinam “achismos” nem se perdem em discussões fúteis (Tt 3.9). Cartas Pastorais para hoje O meu comportamento na igreja, a minha vida no lar têm sido irrepreensíveis? II. Como lidar com os falsos mestres e as falsas doutrinas (Tt 1.10-16) Tito precisava ficar de olhos bem abertos para um grupo perigoso na vida da igreja. Paulo destaca algumas marcas daqueles que “parecem, mas não são”. Trata-se de pessoas más, que certamente causariam grandes danos às novas igrejas em Creta. 1. Sua identidade (v.10) A rebeldia é marca flagrante nos falsos mestres: pessoas que não se submetem ao evangelho de Cristo, o deus delas é o próprio ventre (Rm 16.18), e o baluarte é uma religião (nesse caso, os judeus da circuncisão). Tito precisava agir, pois a prisão do legalismo religioso promove uma distância abismal da graça. 2. Sua influência (v.11) Como podemos emudecer pessoas que não param de falar? Penso que anunciando o genuíno evangelho de Cristo. O campo duro e difícil para qualquer enganador é aquele que foi preparado pela verdade, que dificilmente será uma terra boa para as sementes do mal. Para isso, precisa- se entrar nas casas (relacionamento) e libertar as pessoas pelo anúncio das boas-novas de Cristo (Jo 8.32). Urge que falemos a verdade, e assim emudeceremos os enganadores. 3. Seu caráter (v.12-14) Tito e os presbíteros deviam repreender os crentes da igreja de Creta que, por causa das falhas no caráter dos cretenses, forneciam solo fértil para a disseminação do erro, especialmente aquele que promovia ociosidade e especulação. Bastava repreendê-los pela verdade do Senhor. Mentira, ferocidade e preguiça são denúncias já confirmadas. A saúde da nossa fé depende também da forma que reagimos frente aos mentirosos, pois são sedutores, objetivam neutralizar o cristão na sua caminhada e mudar o seu foco. São estes os mesmos que Davi advertiu a seu filho, Salomão (Pv 4.14- 16). 4. Seus erros (v.14-16) a. Ocupam-se com os mandamentos de homens – Paulo diz, em Gálatas 1.10, que os conceitos dos homens sobre ele não tinham importância, mas sim os do Senhor. Os falsos mestres não possuem esse valor. b. Têm noção falsa de pureza – Que se baseia na lei da rédea, do controle, da proibição no tocar nisso ou naquilo. O evangelho nos diz que, quando Jesus tocou no leproso (imundo), foi o homem quem ficou curado, não Jesus que Se contaminou. Isso é o evangelho! c. Professam conhecer a Deus, mas pelas obras O negam – Nada possui uma declaração mais evidente da nossa fé em Deus do que as nossas reações e os nossos valores. A questão não é se professamos a fé, mas como o que professamos se associa aos nossos atos. Os falsos mestres são aqueles que, como não há Deus como referência de vida, a conduta deve estar de acordo com a religião, com o conjunto de normas, mesmo que totalmente desassociada ao caráter de Yaweh. Cartas Pastorais para hoje Quantas igrejas evangélicas têm deixado heresia entrar no meio do povo. Em vez de criticar outras igrejas, devemos olhar para o nosso comportamento cristão. A saúde da nossa fé depende também da forma que reagimos frente às falsas doutrinas. Conclusão Paulo registra a palavra REPROVADO (Tt 1.16). Que coisa dura de ler! Há aqueles que são reprovados, e outros que assumirão o presbitério, obra esta que Paulo chama de excelente (1Tm 3.1). Oremos e trabalhemos para que a Igreja de Cristo seja presenteada com homens APROVADOS. Que Jeremias 3.15, em que Deus diz: “Darei a vocês pastores segundo o meu coração, que os apascentem com conhecimento e com inteligência”, seja testemunhado por nós e pelas nossas gerações! 15 Instruções para grupos específicos na igreja Edilson de Nunes Lima texto básico Tito 2.1-10 versículo-chave Tito 2.1 “Mas você ensine o que está de acordo com a sã doutrina.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai compreender que Deus tem um propósito com a maneira que você vive, por isso, obedeceràs orientações bíblicas é tão necessário. leia a Bíblia diariamente seg Mt 5.13-16 ter Ef 5.22-28 qua Ef 6.5-9 qui 1Tm 4.6-12 sex Mt 28.18-20 sáb 1Ts 1.2-7 dom 1Co 4.1-5 Embora fique em maior evidência que aqui Paulo dá orientações aos grupos da igreja (homens, mulheres, jovens e servos), vale notar que ele tem algumas orientações que cabem ao pastor (líder) da igreja, no caso aqui o seu discípulo, Tito. I. Uma palavra pessoal a Tito (Tt 2.1,7-8) 1. Fale de acordo com a sã doutrina (v.1) Ao contrário dos falsos mestres que existiam ali em Creta, Tito devia se manter fiel ao ensino da sã doutrina. Muitas vezes, os líderes cristãos são pressionados a inventar “atrativos” (ensinos não baseados nas Escrituras) para alcançar as pessoas, enquanto o que Deus espera é encontrar os líderes cristãos fiéis (1Co 4.2). O dever do líder de uma igreja local é ensinar as Escrituras Sagradas (Mt 28.20). 2. Seja exemplo aos jovens (v.7) A ideia aqui é a mesma que Paulo orienta a Timóteo, dizendo para ele ser padrão de boa conduta (1Tm 4.12). Tito ainda era um “adulto/jovem”, e sua maneira de viver certamente serviria de influência aos mais jovens. Os líderes devem sempre lembrar que as suas atitudes impactam a vida dos mais jovens. 3. Seja um “professor” íntegro e sério (v.7) Integridade = pureza de motivo. No contexto aqui, mostra ausência de desejo de qualquer tipo de lucro com isso. O líder não deve ensinar com o objetivo de receber, ou mesmo, extorquir dinheiro de seus alunos. Seriedade = reverência. Demonstra alto tom moral e maneira séria (1Tm 2.2). O líder precisa mostrar vida piedosa para que aquilo que ele ensina tenha autoridade. 4. Seja puro no falar (v.8) Tenha uma linguagem sadia conforme o evangelho apostólico – puro tanto na maneira como no conteúdo. O uso das palavras no momento que está anunciando a palavra de Deus é muito importante para que o ouvinte perceba o temor do pregador. O cuidado de não poluir o ensino da palavra de Deus com nenhuma heresia é também uma tarefa que o pregador deve ter. II. Orientação aos homens mais velhos (Tt 2.2) 1. Sejam moderados A palavra grega usada por Paulo traz o entendimento de “temperantes”, “sóbrios”, “que têm controle próprio em satisfazer os seus desejos”. O homem mais velho deve ser exemplo em seu domínio próprio, controlando seus impulsos (desejos). Essa orientação é também vista em 1Timóteo 3.2, quanto às qualificações que os presbíteros deveriam ter. Os cretenses eram acusados de não ter domínio próprio, mas entre os cristãos esse mal não poderia imperar. 2. Sejam dignos de respeito O termo grego pode ser traduzido por “respeitáveis, sensatos, dignos, sérios”. Segundo Kelly, “o adjetivo abrange ao mesmo tempo o tempero interior e a postura exterior”. O homem mais velho dentro da comunidade cristã deve ser exemplo também na sua lisura. O respeito não devia vir somente por causa da sua idade, mas sim porque os demais cristãos podiam ver na vida dele o merecimento de tal respeito. A ideia é: há coerência no que essa pessoa fala e vive? 3. Sejam sensatos O termo grego usado aqui traz a ideia de disciplinados. O que Paulo está chamando a atenção é que a disciplina dos mais velhos serve para orientar os mais novos a viver a vida cotidiana de maneira que agrada ao Senhor e testemunha aos incrédulos. 4. Sejam sadios na fé, no amor e na perseverança Essa tríade que encontramos em outros escritos de Paulo (1Tm 6.11; 2Tm 3.10; 1Ts 1.3) vem trazer para o conceito dessas orientações uma conotação estritamente cristã, pois é certo que as demais qualificações citadas podiam ser exigências de qualquer homem idoso em Creta, mas fé, amor e perseverança saudáveis só se requer e se espera do cristão. III. Orientação às mulheres mais velhas (Tt 2.3-4) 1. Sejam reverentes (v.3) As mulheres devem levar para a vida cotidiana a mesma reverência que praticam no templo (culto). A maneira que as mulheres de Creta viviam era extremamente pecaminosa e deplorável. Assim, as mulheres cristãs são orientadas a se opor a essa maneira de viver. 2. Não sejam caluniadoras (v.3) As mulheres idosas que, na maioria, têm mais tempo livre devem tomar cuidado para que essa ociosidade não as leve ao pecado da calúnia (fofoca e difamação). 3. Não sejam escravas de muito vinho (v.4) O contexto da vida social de Creta favorecia uma vida de bebedice. Portanto, há uma orientação às mulheres idosas que não se deixassem levar pela prisão do alcoolismo. 4. Sejam capazes de ensinar (v.4) Discipular as mulheres mais novas a amarem ao marido e a seus filhos era uma tarefa nobre que Paulo orienta Tito a ensinar às mulheres mais velhas, com o objetivo de ocupar o tempo ocioso delas. A ideia de Paulo é que as mulheres com mais experiência cristã devem aconselhar e encorajar as mais novas, pela Palavra e pelo exemplo. IV. Orientação às mulheres (casadas) mais novas (Tt 2.4-5) 1. Amem ao marido e a seus filhos (v.4) A primeira orientação às mulheres tem a ver com seu âmbito familiar. Elas deviam zelar (amar/cuidar) do marido e dos seus filhos. 2. Sejam prudentes e puras (v.5 NVI) É provável que o ambiente pernicioso de Creta favorecesse as mulheres mais novas a terem vida promíscua, por isso a orientação de Paulo é que as mulheres cristãs fossem puras. 3. Sejam trabalhadoras (boas donas de casa) (v.5) No lar judeu, a mulher tinha que fazer o serviço de limpeza, cozinhar, cuidar das crianças, guardar a casa e ser hospitaleira. No contexto atual em que muitas mulheres trabalham fora de casa, é importante notar o papel da esposa no cuidado com a casa junto ao equilíbrio entre seu dever (como esposa) e sua vocação/aptidão no trabalho fora de casa. É um grande desafio! 4. Sejam bondosas (v.5) Essa bondade e simpatia eram devidas pela mulher à sua família e aos seus empregados (se os tivesse). 5. Sejam sujeitas ao marido (v.5) É notória a importância do tema “mulheres sujeitas ao marido” nas Escrituras (Ef 5.22; 1Co 14.35; Cl 3.18), pois faz referência ao desígnio de Deus para a mulher desde a sua criação. Sua posição de auxiliadora representa a relação da igreja com Jesus (Ef 5.24). Cartas Pastorais para hoje Na construção do texto de Paulo a Tito, vamos encontrar dois “para quês” que nos mostrarão o intuito do(s) ensino(s) anterior(es) a esses versos. No primeiro “para quê”, notamos que o objetivo é não difamar a palavra de Deus com o mau testemunho dos cristãos. Atentar para cada uma de nossas atitudes nos ajudará a não ser instrumentos para a difamação da Palavra pelos incrédulos. Pense sobre a maneira que você tem vivido e se tem algo que você faz que difame a palavra de Deus. Se encontrar algo, arrependa-se e deixe agora mesmo tal prática. V. Orientação aos jovens (Tt 2.6-8) 1. Sejam prudentes (v.6) O termo grego significa exercer autocontrole, ter a cabeça no lugar, ter toda a vida sob o controle da mente, ser criterioso, ser sensato. Os jovens deveriam exercer o domínio próprio, não se deixando levar pelo contexto libertino que existia em Creta. 2. Sejam realizadores de boas obras (v.7-8) Deveriam compreender a importância das boas obras para o testemunho do evangelho e praticá-las com o intuito de glorificar a Deus (Mt 5.16). Cartas Pastorais para hoje O segundo “para quê” que encontramos nos escritos do nosso estudo indica a necessidade de vigilância na forma de falar, pois, se não zelarmos pelas nossas palavras, daremos armas àqueles que são nossos adversários. Por isso, é necessário cuidado com o que sai da sua boca. Zele para não usar palavras indevidas e, se for falar da palavra de Deus, veja que não fale “heresias”. VI. Orientação aos escravos (Tt 2.9-10) 1. Sejam submissos aos seus senhores (v.9; 1Tm 6.1-2) A submissão dos escravos nas Escrituras tinha como objetivo levar esses irmãos a não cometerem nenhum mal contra a vida dos seus senhores. Também não deveriam fugir, mas antes servir aos senhores como se servissem ao próprio Senhor Jesus. 2. Sejam agradáveis aos seus senhores (v.9) Em outras palavras, deveriam deixar seus senhores satisfeitos com seusserviços. 3. Sejam educados (v.9) Não deveriam “responder” a seus senhores, retrucar ou falar contra alguém. O comportamento do escravo cristão deve levar em conta a sua fé e não a sua condição momentânea. 4. Não sejam ladrões (v.10) Muitos escravos tinham acesso aos ganhos dos seus senhores e poderiam ser tentados a roubar alguma quantia (pequenas e sistematicamente) ou ter algum aproveitamento de vantagens indevidas, por isso, a orientação para não cederem à tentação. Cartas Pastorais para hoje Será que, como empregados, honramos o evangelho de Jesus com nossas ações e posturas? Nosso comportamento cristão ajudará a mensagem do evangelho a tornar-se atraente, nobre e evangelizadora com o objetivo de ganhar nossos empregadores/chefes para Cristo. Conclusão É bom notar como Paulo orientou Tito a respeito dos vários grupos na igreja. Cada grupo tem seu papel no desenvolvimento do corpo de Cristo. É importante que cada um nós cumpra os seus deveres, para o bem da igreja toda. 16 O poder moral da encarnação Samuel Cruvinel Borges texto básico Tito 2.11-15 versículo-chave Tito 2.11 “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você vai compreender quão importante é para o crente saber o significado e as aplicações da graça de Deus na sua vida. leia a Bíblia diariamente seg Jo 1.1-14 ter 1Jo 1.1-4 qua 1Co 12.12-26 qui Rm 6.15-23 sex Cl 3.10-17 sáb 2Co 4.7-18 dom Ap 20.11-15 Nesse texto, Paulo condensou o projeto de salvação pela manifestação da graça em três realidades: salvação da penalidade do pecado (v.11); salvação do poder do pecado (v.12); salvação da presença do pecado (v.13). Logo, faz-se necessário compreender que foi também para elevar os homens a uma qualidade mais alta de vida que Deus interveio na história, mediante a aparição de Jesus. E a graça de Deus é competente para operacionalizar plenamente esse processo (Fp 1.6; 2Co 3.18). Em Tito 2.1-10, Paulo nos descreve como deve ser a vida relacional, natural, diária e ética daqueles que são transformados pela graça. Nos versículos 11- 15, ele demonstra quais são as bases teológicas da mecânica de salvação que possibilitam e conduzem esse novo viver em Cristo. I. A manifestação da graça (Tt 2.11,14) A primeira base teológica de Paulo para a salvação, a vida ética, santa, pura, abençoada e glorificada é que a graça de Deus se manifestou salvadora e transformadora entre nós, a todos os homens. Agora podemos e precisamos viver um novo estilo de vida (Tt 2.12). Esse é o fundamento teológico para uma vida reta. A graça sempre existiu, mas aprouve ao Senhor manifestá-la no tempo e na história (Jo 1.1-14). Ela se tornou presente, rompeu as trevas e fez raiar o sol da justiça e esperança de Deus sobre nós. Como os raios solares, ela é competente para dissipar as nossas trevas, o frio da solidão e da culpa, quebrando os grilhões que nos prendem (Jo 8.31-36; Gl 5.1). A manifestação da graça é militante e atuante para nos mostrar uma nova direção. É mais do que sentimento, qualidade, atributo; é ação, obra, pessoa; é Jesus, Aquele que Se voluntariou a vir, viver entre nós, tão próximo que foi possível tocá-Lo, trazendo consigo, do Pai, os mais ricos e poderosos favores (1Jo 1.1-4). Pela Sua vida, Seu ministério, Sua morte, ressurreição e promessas, podemos ter vida, e vida abundante (Jo 10.10). Tudo isso é graça, oferecido por graça! Perceba comigo alguns aspectos desta bendita “epifania”. 1. A origem da graça (v.11) Como o próprio texto é claro em nos descrever, a graça tem sua origem na pessoa de Deus (Rm 16.25-27). Ele é intencional e possui a primazia no projeto de intervir em nossas trevas, nossa miséria e morte (1Jo 4.19). Partiu do Senhor nos revelar o caminho, a porta, a saída, a vida, o perdão, a esperança, a luz (Jo 14.6,9), levando-nos a compreender que não temos um Deus que não Se importa ou muito menos que não possa redimir nossa vida. 2. O perfil da graça (v.11) Essa graça bendita possui propósito, capacidade, característica e essência. Sua natureza é salvar. Jesus é aquele que traz salvação (Lc 19.10). 3. O alcance da graça (v.11) A ação intencional de Deus em manifestar salvação a todos os homens não significa que todos indistintamente serão salvos sem Cristo, como pensam os “universalistas”. O texto, na verdade, descreve a “abrangência” desse projeto. Ele trata do alcance do resgate de todo aquele que crer em Jesus (Jo 3.16). Em Cristo, a salvação é oferecida a todos, inclusive a escravos (Tt 2.9) e pecadores (Rm 3.23; 5.8); tornando-os um só corpo que precisa amar-se e edificar-se (1Co 12.12-26). 4. O presente da graça (v.14a) Jesus é o maior presente de Deus ao homem. Sua vida é fonte de dádivas indescritíveis. Agora podemos compreender a dimensão do amor do Pai, pelo sacrifício do Filho em favor de pecadores. 5. O propósito da graça (v.14b) A intervenção de Deus por meio de Cristo tem a finalidade de nos levar a viver uma vida que O honre, glorifique e sirva, resgatando o que estava perdido como nós. 6. O resultado da graça (v.14c) Apesar de quão corrompido, obstinado, morto, tornou-se o homem e seu contexto de existência após o pecado, o resultado da ação de Deus nos mostra a competência do Pai para nos regenerar. Em Cristo, possuímos nova natureza, por causa Dele podemos viver. Cartas Pastorais para hoje Você vive uma nova vida regenerada pela graça transformadora de Cristo? Que frutos dessa graça são perceptíveis em sua vida? II. A pedagogia da graça (Tt 2.12-14) A segunda base teológica de Paulo mostra que a graça salva e ensina. Ele a personifica, chamando-a de mestre, que disciplina, corrige e nos coloca numa nova forma de pensar e proceder (Hb 12.4-13). 1. A maneira negativa (v.12a) Não que ela nos influencie negativamente, pelo contrário, ela nos mostra que Cristo morreu por nós como estávamos, para não mais vivermos como éramos (Rm 6.15-23). Ela nos mostra que aqueles que estão em Cristo precisam ter coragem e postura de “renegar” tudo aquilo que contradiz os mandamentos de Deus. 2. A maneira positiva (v.12b) A graça nos ensina o que precisa ser buscado neste exato momento da nossa vida (Cl 3.10-17), “Ela nos educa para que... vivamos, neste mundo, de forma sensata, justa e piedosa” (Tt 2.12b). Observemos outros aspectos dessa pedagogia graciosa. a. A graça nos educa para renegarmos o mal – a falsa teologia e a falsa ética. b. A graça nos educa para praticarmos o bem – o correto relacionamento conosco, com o próximo e com Deus. c. A graça nos educa para aguardarmos a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus. Cartas Pastorais para hoje Olhar para aquilo que Deus fez em Cristo, no passado e fará no futuro, serve para que hoje e agora, neste exato tempo da nossa vida, abracemos todos os preceitos do Senhor para a nossa fé (Cl 3.1-4). III. A manifestação da glória (Tt 2.11-14) Cristo veio pela primeira vez para nos salvar; a Sua segunda, e última vinda, será para concluir esse processo. 1. Ela será tão certa como foi a primeira (v.11-13) Jesus é um personagem histórico. Sua primeira vinda é fato (Tt 2.11,13; 2Tm 1.10) tanto quanto a segunda será. 2. Ela será tão poderosa como foi a primeira (v.12-13) Olhar para aquilo que Deus fez em Cristo, no passado e fará no futuro, serve para que hoje e agora, neste exato tempo da nossa vida, abracemos todos os preceitos do Senhor para a nossa fé (Cl 3.1-4). É por intermédio da pessoa de Cristo, e toda a extensão do Seu ministério, que Deus opera o milagre da redenção humana (2Tm 1.8-10; Fp 2.5-11). 3. Ela será tão reveladora como foi a primeira (v.12-13) A segunda vinda será de Cristo glorificado. Nesse verso, o apóstolo faz uso de vários termos para demonstrar que Jesus é tão plenamente divino como Jeová ou o Pai. 4. Ela é tão orientadora como foi a primeira (v.13-14) O argumento teológico de Paulo para vivermos uma nova vida nos desafia a olharmos para dois pontos: primeiro, para o que Deus fez em Cristo, no passado; segundo, para aquilo queEle fará por intermédio de Seu Filho, no futuro (Gl 5.1-5). 5. Ela já pode ser fonte de deleite como foi a primeira (v.13) Quanto nossa esperança é bendita e fonte de bênçãos, felicidade, deleite e glória! 6. Ela precisa ser tão desejada como foi a primeira (v.13) Gênesis 3.15 é a primeira profecia sobre a pessoa, a manifestação e a obra de Jesus, e ela foi feita dentro de um contexto de libertação. Nunca uma pessoa foi tão desejada como o Senhor. O Seu nascimento trouxe muita alegria, por causa de todas as bênçãos reveladas. Cartas Pastorais para hoje Você aguarda com esperança a gloriosa segunda vinda de Jesus? Como demonstra isso? IV. O ministério da graça (Tt 2.15) A última base destaca que, pela graça, todo homem pode receber não somente a maior de todas as bênçãos, a salvação, mas também a mais nobre de todas as tarefas, a proclamação do evangelho (Mt 28.18-20). 1. A tarefa de proclamar (v.15a) Paulo instiga a Tito para que transmita particularmente e publicamente toda a poderosa mensagem que sintetiza o evangelho, como também define o que é o nosso ministério (2Tm 2.2). 2. A tarefa de repreender (v.15b) O evangelho que precisa ser proclamado é o mesmo usado para a evangelização, a repreensão e a edificação (2Tm 3.16-17). As pessoas precisam saber que viver é ir ao encontro do nosso grande juiz (Jo 5.22). Todos nós seremos julgados. Aqueles que foram fiéis a Cristo não correm o risco de perder a salvação (Rm 8.1-4) – serão galardoados pelas suas boas obras (Mt 25.31-46). Aqueles, porém, que não se renderam a Jesus serão condenados (Ap 20.11-15). 3. A tarefa de convencer (v.15c) Não há como negar que o nosso ministério é de consolação, salvação, persuasão e confrontação, o que gera forte oposição (2Co 4.7-18). Ele precisa ser exercido com toda autoridade. Cartas Pastorais para hoje Você tem proclamado a graça de Cristo com coragem, convicção e ousadia? Quais foram as últimas pessoas a quem você pregou o evangelho e quando foi? Conclusão Realmente é maravilhoso estudarmos com um pouco mais de atenção o magnífico amor de Deus na prática, que nos alcança no lamaçal do pecado, nos perdoa, nos santifica, nos comissiona. Louvado seja Deus que nos concedeu a Sua graça salvadora e transformadora. Que diariamente ela opere profundas e sólidas mudanças em nossa vida! 17 A conduta cristã Dionatan Cardoso texto básico Tito 3.1-15 versículo-chave 1Pedro 2.12 NTLH “A conduta de vocês entre os pagãos deve ser boa, para que, quando eles os acusarem de criminosos, tenham de reconhecer que vocês praticam boas ações, e assim louvem a Deus no dia da sua vinda.” alvo da lição Ao estudar esta lição, você será desafiado a refletir sobre alguns deveres que regem a conduta do verdadeiro cristão e a valorizar a obra de Cristo na cruz. leia a Bíblia diariamente seg Tt 3.1-3 ter Tt 3.4-5 qua Tt 3.6-7 qui Tt 3.8-9 sex Tt 3.10-11 sáb Tt 3.12-13 dom Tt 3.14-15 Oúltimo capítulo da epístola a Tito é uma descrição da preocupação que o apóstolo Paulo tinha em relação à conduta dos crentes em Creta. Do relacionamento da igreja com o poder civil, passando pela compreensão da grandeza da salvação, prosseguindo com um alerta sobre o que deveria ser evitado pelos crentes, avançando com algumas afirmações que demonstram a necessidade do cuidado missionário, até sua saudação final, Paulo alista uma série de deveres para todo cristão. I. A prática da boa cidadania (Tt 3.1-2) Nesses versos, encontramos preciosas lições sobre a necessidade da boa cidadania. Aqui o apóstolo Paulo apresenta uma série de prerrogativas sobre o relacionamento do crente com o poder civil e com toda a sociedade, em termos gerais. 1. “… se sujeitem aos governantes e, às autoridades…” O apóstolo Paulo exorta o pastor Tito a conduzir os crentes em Creta à lembrança da submissão às autoridades em razão da nova vida em Cristo. O fato de os cristãos terem uma autoridade superior [Deus] não os isenta de ser submissos às autoridades terrenas (Rm 13.1-7). 2. “… estejam prontos para toda boa obra…” Os crentes devem ter significativo papel social no mundo por meio da prática de boas obras. 3. “… não difamem a ninguém…” Em geral, as pessoas tendem a insultar, injuriar e reclamar das autoridades governamentais, às vezes, com alguma razão. Entretanto, essa não deve ser a postura natural do crente. A melhor opção é orar pelos que nos governam (1Tm 2.1-2). 4. “… que sejam pacíficos…” O crente não deve ser brigão, e sim pacificador (Mt 5.9). 5. “… cordiais, dando provas de toda cortesia para com todos…” O cristão deve se mostrar com trato modesto, gentil e paciente, para com todas as pessoas. Cartas Pastorais para hoje Submissão a Cristo é o princípio maior para todo cristão, mas também devemos obediência ao nosso governo e às nossas leis. Somente quando o governo ou as leis dos homens ferem diretamente a Escritura é que o cristão deve decidir por obedecer primordialmente a Bíblia (At 5.29) e admitir os riscos pela desobediência aos governos ou leis seculares. II. O entendimento da grandeza da salvação (Tt 3.3-8) A lembrança do que éramos antes de ser alcançados por Cristo nos serve de prova da grandeza da nossa salvação (Rm 6.17-18; 1Co 6.9-11; Ef 2.1-10; Cl 3.7-8). 1. O que éramos antes da salvação? (v.3) a. Insensatos – Ignorantes ou insensatos em relação a Deus e Sua revelação. b. Desobedientes – Insubmissos a Deus e à Sua lei; não persuasíveis. c. Desgarrados – Desviados de Deus e de Sua vontade. d. Escravos de todo tipo de paixões e dos prazeres – Dominados por prazeres ilícitos ou pela carnalidade. e. Vivendo em maldade e inveja – Levados pelas ações pervertidas, maldosas e invejosas. f. Odiados e odiando-nos uns aos outros – Reciprocidade na aplicação do ódio. Ódio que gera mais ódio. 2. Como ocorreu a salvação? (v.4-6) A salvação não é produto do mérito humano, mas unicamente ação misericordiosa de Deus (Jo 3.16), pela atuação do Espírito Santo (Rm 8.9; Jo 16.13; Ef 1.13), por meio de Jesus Cristo (Rm 5.8). 3. O que somos depois da nossa salvação? (v.7) Justificados pela graça, somos propriedade e herdeiros de Deus (Rm 8.12- 17; Gl 4.7). 4. Como devemos agir depois de salvos? (v.8) Nesse verso, o apóstolo Paulo incentiva o pastor Tito a colocar em prática sua fé e a estimular os demais crentes à prática de boas obras como ação natural do salvo em Cristo. Cartas Pastorais para hoje Nesse trecho, o apóstolo Paulo resume o caminho da salvação em Cristo. A obra de Cristo foi nos tirar de uma vida dominada pelo pecado para uma vida guiada pelo Espírito Santo. O reconhecimento da grandeza dessa obra deve nos animar e nos motivar à prática de boas obras. III. O que deve ser evitado (Tt 3.9-11) Agora Paulo chama a atenção sobre alguns elementos que deveriam ser evitados no seio da igreja. 1. Evitar discussões facciosas (v.9) a. Evite discussões tolas – O mesmo que especulações filosóficas ou teológicas sem embasamento na Escritura; coisas que não temos conhecimento nem informações suficientes para entendê-las e/ou explicá-las (Dt 29.29). b. Evite discussões sobre genealogia – Alguns religiosos da época davam ênfase exagerada a observação dos seus antepassados. Paulo considera esse tipo de discussão algo insensato. c. Evite discussões que geram controvérsias – As discussões insensatas e discussões sobre genealogias implicavam naturalmente em contendas e deveriam ser evitadas. d. Evite debates sobre a lei – Muitos judeus eram extremamente legalistas. Desse modo, entendiam que eram obrigados a cumprir uma série de exigências cerimoniais. O problema é que essas exigências eram fruto de má interpretação da lei ou acréscimos à lei de Deus (1Tm 1.8-11). Essas coisas deveriam ser evitadas, porque não têm utilidade e são fúteis (1Tm 6.4; 2Tm 2.23). 2. Evitar pessoas facciosas (v.10-11) Paulo orienta Tito a evitar pessoas que fazem “panelinhas partidárias” na igreja. Entretanto, essa ação não pode ser precipitada. É necessária aplicação da disciplina bíblica admoestando primeira e segunda vez. Se essasadvertências não produzirem arrependimento e mudança no faccioso, então não hesite em evitá-lo, pois ele está pervertido, vive pecando e está condenado em seus atos. Cartas Pastorais para hoje No âmbito da igreja, qualquer pessoa que esteja provocando divisões deve ser advertida e, se persistir nesse pecado, deve ser evitada e talvez até excluída da convivência com os santos. Entretanto, o objetivo primário não é oprimir, mas conduzi-la ao arrependimento e à unidade. IV. O cuidado para a manutenção do trabalho missionário (Tt 3.12-14) 1. Missionários no campo (v.12) É imprescindível notar a preocupação de Paulo em relação ao cuidado do campo missionário enviando Ártemas ou Tíquico para substituir Tito. É fundamental a permanência no campo missionário de obreiros devidamente instruídos na Palavra. 2. Manutenção dos missionários (v.13) “O pedido: ‘Ajude, da melhor maneira possível... para que não lhes falte nada...’ transmite uma impressão vívida da hospitalidade generosa demonstrada na era apostólica pelas pequenas comunidades cristãs a irmãos viajando de uma igreja para outra” (Kelly). 3. Capacitação dos missionários (v.14) Um dos grandes problemas referentes à igreja é a estagnação do conhecimento e da prática do ensino da Escritura. (Leia Hb 5.11-14.) O apóstolo Paulo expressa a mesma preocupação em relação aos cretenses. Segundo Paulo, é fundamental que os cristãos sejam habilitados para a obra de Cristo. Cartas Pastorais para hoje A tarefa primária da igreja é fazer discípulos. Além disso, a igreja também deve se aplicar na manutenção e na capacitação daqueles que se dispõem ao trabalho missionário. V. Saudação final (Tt 3.15) “Todos os que estão comigo mandam saudações a você.”. Nessa saudação final, Paulo inclui seus companheiros de jornada, mas não cita nomes. Além disso, o apóstolo indica que a saudação é diretiva apenas aos verdadeiros cristãos, excluindo os falsos mestres: “saúda quantos nos amam na fé”. Por fim, Paulo lança mão da tradicional oração: “A graça esteja com todos vocês.” – O plural indica que a carta deveria ser lida para toda a igreja. Conclusão Após observarmos essa série de deveres cristãos, cabe-nos agora praticá-los. Somente o Espírito Santo pode nos conduzir ao cumprimento dessas responsabilidades, sejam sociais ou eclesiásticas, portanto, oremos pedindo capacitação para ser excelentes em nossa conduta cristã. Capa Folha de rosto Créditos Sumário 1. Personagens das cartas pastorais 2. A doutrina verdadeira 3. A oração e o culto público 4. Exigências para aqueles que aspiram à liderança 5. Falsa doutrina na igreja 6. Responsabilidade com os vários grupos na igreja 7. Os perigos do dinheiro 8. Recomendações ao homem de Deus 9. Guardar o evangelho 10. Sofrer pelo evangelho 11. Permanecer no evangelho 12. Pregar o evangelho 13. Prefácio e saudação da carta a Tito 14. Organizando as igrejas em Creta 15. Instruções para grupos específicos na igreja 16. O poder moral da encarnação 17. A conduta cristã