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Copyright © 2015,
Editora Cristã Evangélica
Todos os direitos nacionais e internacionais desta edição reservados.
Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida – em qualquer
meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocópia, gravação, etc. – nem
apropriada ou estocada em sistema de banco de dados, sem a expressa
autorização da Editora Cristã Evangélica (lei nº 9.610 de 19/02/1998), salvo em
breves citações, com indicação da fontes
As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Atualizada
(ARA), 2ª edição (Sociedade Bíblica do Brasil), exceto indicações de outras
versões.
Editora filiada à
Associação de Editores Cristãos
 
Rua Goiânia, 294 – Parque Industrial
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Telefax: (12) 3202-1700
mailto:comercial@editoracristaevangelica.com.br
http://www.editoracristaevangelica.com.br/
A grande preocupação de Paulo nestas cartas é com a verdade. O apóstolo insiste para que
ela seja fielmente guardada e transmitida às gerações futuras. Paulo se preocupa com o
futuro da igreja e com a nova geração de pastores que tem a responsabilidade de continuar
fiel à 
“sã doutrina”, sem se contaminar.
Como a maioria das igrejas da Ásia Menor durante o período apostólico, a igreja de Éfeso
estava sendo desafiada por ensinos falsos. Por isso, Paulo enfatiza a importância de ensino
sadio e a necessidade de Timóteo combater com veemência tais doutrinas falsas. O
apóstolo está totalmente comprometido com a verdade. Para ele, a igreja é  “coluna e
fundamento da verdade” (1Tm 3.15); é “a verdade” que leva à“piedade” (Tt 1.1), enquanto os
falsos mestres “se desviaram da verdade... pervertendo alguns em sua fé”(2Tm 2.18). Isso descreve
bem a nossa situação. Vivemos um tempo de confusão teológica e moral e, por isso, essas
cartas são tão relevantes para os nossos dias quanto foram para o primeiro século.
As duas cartas de Paulo a Timóteo e a carta a Tito tratam da vida da igreja, que já existia há
cerca de trinta anos. Era necessário pensar nos futuros líderes e também como a igreja
deveria ser organizada. Então, Paulo escreveu para dar orientação sobre a administração das
igrejas pelas quais eram responsáveis. Há instrução apostólica a respeito da prioridade de
oração, do papel da mulher e do homem na igreja, as qualificações da liderança e assuntos
bem práticos como os perigos e deveres dos cristãos ricos. Tudo muito relevante para nós
hoje!
Terminamos este editorial citando palavras de John Stott no seu comentário de 2Timóteo:
“Imaginemos o apóstolo Paulo, já idoso, definhando numa masmorra escura e úmida em
Roma, de onde não deverá sair, a não ser para a morte. O seu trabalho apostólico está
concluído... Agora compete-lhe tomar providências para que, depois da sua partida, a fé seja
transmitida sem se contaminar, genuína, às gerações futuras”. Esta é a nossa tarefa hoje!
John D. Barnett
BIBLIOGRAFIA
BARCLAY, William; O Novo Testamento, Publicado em inglês pela Saint Andrew Press da Igreja da Escócia –
Ebook – Tradução Carlos Biagini.
BÜRKI, Hans; Comentário Esperança – Primeira Carta a Timóteo, Editora Evangélica Esperança.
KELLY, J.N.D.; I e II Timóteo e Tito – introdução e comentário, Edições Vida Nova.
PFEIFFER, Charles F., HARRISON, Everett F.; Comentário Bíblico Moody – Volume 2 – Mateus a Apocalipse,
Editora Batista Regular.
STOTT, John; A mensagem de 1Timóteo e Tito, ABU Editora.
STOTT, John; A mensagem de 2Timóteo, ABU Editora.
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– Sumário –
Personagens das cartas pastorais
A doutrina verdadeira
A oração e o culto público
Exigências para aqueles que aspiram à liderança
Falsa doutrina na igreja
Responsabilidade com os vários grupos na igreja
Os perigos do dinheiro
Recomendações ao homem de Deus
Guardar o evangelho
O bom samaritano
Sofrer pelo evangelho
Pregar o evangelho
Prefácio e saudação da carta a Tito
Organizando as igrejas em Creta
Instruções para grupos específicos na igreja
O poder moral da encarnação
A conduta cristã 
  
1
Personagens das cartas pastorais
John D. Barne�
texto básico 1Timóteo 1.1-7;
2Timóteo 1.1-5; Tito
1.1-4
versículo-chave 2Timóteo 3.14-15
“Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita
firmemente, sabendo de quem o aprendeu e que, desde a infância, você
conhece as sagradas letras, que podem torná-lo sábio para a salvação pela fé
em Cristo Jesus.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai conhecer os três personagens principais nestas
cartas, o temperamento deles, suas lutas e suas preocupações com a saúde
espiritual das igrejas.
leia a Bíblia diariamente
seg 2Tm 1.1-7
ter 1Tm 1.12-20
qua 1Tm 4.6-16
qui 2Tm 4.1-5,9
sex Tt 1.1-5; 3.12-15
sáb 2Co 7.5-9
dom 2Co 8.6,16-24
ada uma das chamadas “Cartas Pastorais” trata das tarefas especiais que
tanto Timóteo como Tito tinham de exercer. Em cada carta, Paulo se
Cpreocupa com a missão da igreja e a integridade dela.
I. Paulo, o autor das cartas
É bom estudar estes conselhos do experimentado apóstolo Paulo aos jovens
Timóteo e Tito. Paulo está chegando ao fim do seu ministério (como o
próprio autor desta lição!). Posso sentir com ele as mesmas preocupações
com o futuro do evangelho e a necessidade de a nova geração guardá-lo
bem, transmitindo a sã doutrina às gerações futuras. Vivemos dias em que há
muita confusão em relação ao evangelho e o futuro da igreja evangélica.
Essas preocupações de Paulo devem ser nossas também.
1. Preocupação com os falsos profetas
Paulo deixou Timóteo em Éfeso a fim de tratar problemas de ensino falso,
comportamento inadequado e má liderança que surgiram. Alguns falsos
líderes estavam desviando a igreja da sua verdadeira missão, criando
controvérsia e discórdia entre os convertidos – leis em relação à alimentação
foram introduzidas, e casamentos, proibidos.
2. Preocupação com a “verdade”
Em todas as três cartas, a preocupação do apóstolo é com a  verdade, que
deve ser bem guardada (2Tm 1.14) e transmitida a outros (2Tm 2.2). Num
tempo em que não existe verdade absoluta, como o nosso, é necessário ter,
como Paulo, total comprometimento com a verdade. Ele foi  “designado...
mestre dos gentios na fé e na verdade” (1Tm 2.7). Para Paulo, a igreja é “coluna e
fundamento da  verdade”  (1Tm 3.15) e é a verdade que leva para  “a
piedade”  (Tt 1.1). Paulo alerta os crentes em relação aos falsos profetas
que “se desviaram daverdade”  (2Tm 2.18),  “resistem à verdade” (2Tm 3.8) e
recusam “dar ouvidos à  verdade”(2Tm 4.4). Nas três cartas, sua autoridade
apostólica é afirmada ao dar ordens e exigir obediência. Ele se preocupa com
a sã doutrina que Timóteo e Tito têm que ensinar.
Cartas Pastorais para hoje
Será que temos a mesma preocupação com a verdade e desejo de ensiná-la?
II. Timóteo, filho na fé de Paulo
1. Conversão
É provável que Timóteo, um jovem de Listra, filho de pai grego e mãe judia,
tenha se convertido durante a primeira viagem missionária de Paulo.
Quando o apóstolo voltou à região, no início da sua segunda viagem,
Timóteo lhe foi recomendado pelos irmãos como fiel discípulo. Assim,
Paulo o convidou para fazer parte da sua equipe 
missionária (2Tm 1.3-5).
2. Ministério
Por mais de 15 anos, Timóteo foi o fiel companheiro de Paulo nas suas
viagens missionárias. Foi enviado a Tessalônica para encorajar os irmãos em
virtude de perseguições (1Ts 3.1-10). Trabalhou juntamente com Paulo em
Corinto, uma cidade difícil (2Co 1.19) e ficou com Silas em Bereia,
partindo depois para Atenas (At 17.14-15). Foi enviado em missão especial
à Macedônia, indo depois para Corinto (1Co 4.17). Timóteo estava em
Roma durante a primeira detenção de Paulo porque, quando este escreveu
as quatro cartas da prisão (Filipenses, Colossenses, Efésios e Filemom), a
presença de Timóteo é mencionada.
Paulo tinha uma grande afeição por Timóteo e o chamava de  “meu filho
amado e fiel no Senhor” (1Co 4.17). Tão grande era sua confiança nele que o
chamou “meu cooperador”(Rm 16.21) e “irmão e ministrode Deus no evangelho de
Cristo” (1Ts 3.2). De fato, Paulo podia dizer de Timóteo: “Não tenho ninguém
que, como ele, tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês... Timóteo foi aprovado
porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai” (Fp
2.20,22 NVI).
3. Jovem
Quando Paulo se encontrou com Timóteo pela primeira vez, este era bem
jovem. 
Na sua primeira carta, Paulo o incentivou, dizendo: “Ninguém o despreze pelo
fato de você ser jovem...”  (1Tm 4.12 NVI). Na sua segunda carta, o
aconselhou: “Fuja dos desejos malignos da juventude...” (2Tm 2.22 NVI).
4. Temperamento
Paulo deixou transparecer que Timóteo tinha espírito tímido, por isso
disse: “Não seja negligente para com o dom que você recebeu...” (1Tm 4.14; 6.20).
Parece que Timóteo não tinha muita confiança em si e talvez Paulo se
preocupasse com sua falta de experiência, exortando-o a ser exemplo dos
fiéis apesar de pouca idade. Ele foi admoestado a não se entregar aos
prazeres da mocidade ou ao simples exercício físico, mas ao exercício da fé.
Aparentemente, Timóteo não gozava de boa saúde e sofria de problemas
estomacais. Por isso, Paulo o orientou a tomar um pouco de vinho “por causa
do seu estômago e das suas frequentes enfermidades”  (1Tm 5.23). Paulo exorta-
o: “... fortifique-se na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm 2.1).
Cartas Pastorais para hoje
Não devemos usar nosso temperamento tímido como desculpa para não fazer a obra do
Senhor, pois o Senhor “não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e
de moderação” (2Tm 1.7).
5. Futuro do evangelho
Depois da libertação de Paulo da prisão em Roma (At 28), Timóteo e Tito o
acompanharam numa viagem missionária a Creta, onde Tito permaneceu
para ajudar no crescimento da igreja que tinha sido fundada. Paulo e
Timóteo continuaram a viagem até a cidade de Éfeso, onde Paulo deixou
Timóteo com a responsabilidade de supervisionar a igreja (1Tm 1.3). E que
responsabilidade! Ele devia: combater os falsos mestres que ensinavam
doutrinas falsas; eleger e ordenar presbíteros, organizar ajuda para as viúvas
que eram realmente necessitadas.
Paulo planejava visitar Timóteo em Éfeso, mas viu a possibilidade de
demorar, por isso, escreveu sua primeira carta, exortando o jovem Timóteo
a se dedicar “à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino”  (1Tm 4.13
NVI).
Ao escrever sua segunda carta a Timóteo, a preocupação de Paulo era com o
futuro do evangelho. Paulo estava para enfrentar a morte iminente pelas
mãos do imperador Nero. Durante trinta anos, ele tinha pregado fielmente o
evangelho, plantado igrejas e defendido a verdade (2Tm 4.7). Agora, o que
aconteceria com o evangelho depois da sua morte?
A esse jovem introvertido, foi dada a tarefa de continuar a obra do
evangelho depois da morte de Paulo. A responsabilidade passou a ser de
Timóteo.
Cartas Pastorais para hoje
Paulo foi o mentor espiritual de Timóteo. Quem é seu Timóteo? Para quem você está
sendo um verdadeiro mentor espiritual?
III. Tito
1. Sua conversão
Tito era um gentio grego que provavelmente se converteu por intermédio
do ministério de Paulo, que o chamou de  “meu companheiro e
cooperador” (2Co 8.23), embora 
Lucas não faça nenhuma menção dele no livro dos Atos. Paulo se refere a
Tito em 2Coríntios e em Gálatas.
2. Seu ministério
Paulo reconheceu o dom especial de Tito quando falou do seu ministério
tão abençoado em relação aos coríntios. Na segunda carta que escreveu a
essa igreja, Paulo mencionou nove vezes o nome de Tito. “Agradeço a Deus ter
ele posto no coração de Tito o mesmo cuidado que tenho por vocês, pois Tito não
apenas aceitou o nosso pedido, mas está indo 
até vocês, com muito entusiasmo e por iniciativa própria”  (2Co 8.16-17 NVI).
Enquanto Paulo estava em Éfeso, durante sua terceira viagem missionária,
recebeu notícias perturbadoras da igreja de Corinto. Foi Tito o portador da
carta “dolorosa” aos coríntios (2Co 2.4; 8.6,16-17), que resultou no
arrependimento da igreja (2Co 7.5-9).
Tito acompanhou Paulo e Barnabé na sua segunda viagem missionária. Os
judeus cristãos de Jerusalém insistiram para que Tito fosse circuncidado,
 
mas Paulo decidiu manter-se firme em sua posição e se negou a fazer (Gl
2.3-5).
Paulo enviou instruções aos crentes em Corinto por intermédio de Timóteo,
mas eles não as seguiram. Diante disso, Paulo enviou Tito para ensinar o
que precisavam aprender. Quando os dois voltaram a se encontrar na
Macedônia, Paulo ficou feliz, porque os problemas haviam sido
solucionados, e a igreja de Corinto estava em boa forma espiritual (2Co 7.6-
14).
3. Sua missão em Creta
Tito acompanhou Paulo numa missão a Creta e permaneceu ali a fim de
consolidar o trabalho do apóstolo naquela ilha. A situação em Creta era
muito desanimadora. A igreja estava desorganizada e, pelas injunções no
capítulo 2, seus membros eram instáveis na fé e relaxados no
comportamento; as mulheres idosas eram faladoras e bebedoras; as jovens
casadas flertavam... Por isto, Paulo deixou Tito em Creta: para pôr  “em
ordem as coisas restantes”  (Tt 1.5). Não é claro o que Paulo tinha deixado
incompleto a não ser a constituição de presbíteros, enfatizando a
necessidade de irrepreensibilidade moral e vida familiar estável. Seis vezes
nesta curta carta, Paulo enfatiza a necessidade de boas obras (Tt 1.16;
2.7,14; 3.1,8,14), embora deixe claro também que a salvação não pode ser
ganha pelas boas obras (Tt 3.5).
Tito era homem para as tarefas difíceis, confiável, com muito tato, e
tranquilizou situação desesperadora em várias ocasiões.
Conclusão
Como Deus preparou esses homens para o serviço do Rei! Eles foram
dotados de dons especiais que os equiparam de forma singular para o
ministério nas igrejas pelas quais eram responsáveis. O desejo de Paulo era
que tanto Timóteo como Tito pudessem desenvolver seus dons de liderança
por meio da devoção ao Mestre e da autodisciplina.
A
2
A doutrina verdadeira
Evaldo Bueno Rodrigues
texto básico 1Timóteo 1.1-20
versículo-chave 1Timóteo 4.16
“Cuide de você mesmo e da doutrina. Continue nestes deveres, porque, fazendo
assim, você salvará tanto a si mesmo como aos que o ouvem.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai compreender quão importante é para o crente
saber distinguir a verdadeira doutrina sem permitir que os falsos ensinos
corrompam a fé cristã.
leia a Bíblia diariamente
seg Pv 3.1-12
ter Gl 5.1-10
qua Ef 4.9-16
qui Cl 2.1-10 
sex 1Tm 1.1-20 
sáb 1Pe 3.13-22 
dom 1Pe 4.1-8 
primeira carta a Timóteo é epístola pastoral e nessa qualidade foi
escrita não só para encorajar, fortalecer e equipar aqueles primeiros
líderes a fim de manterem-se firmes nas doutrinas do cristianismo, mas
também para combater as heresias tão comuns e danosas daqueles dias.
Com o propósito de alertar o jovem pastor e seu rebanho, Paulo faz
declarações extraordinárias acerca das verdades do evangelho, para,
também, eliminar as tensões doutrinárias provocadas pelos hereges,
corrigindo o curso do ensino ministrado, visando o crescimento espiritual
dos cristãos. Falsas doutrinas eram armadilhas de Satanás no meio da igreja.
I. Os falsos mestres e a lei
(1Tm 1.1-17)
Quando Jesus declarou:  “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela”  (Mt 16.18), Ele já visualizava esse tipo de ataque
sobre o qual Paulo está alertando. São ações por vezes explícitas, outras
vezes sutis, mas danosas à integridade e à eficácia da fé. Vemos, no cuidado
de Paulo com aqueles irmãos, sua preocupação com:
1. Armadilhas de Satanás
Eram falsos ensinos que não edificavam a igreja, pelo contrário, tentavam
destruí-la. Eram histórias inventadas pelos mestres falsos, baseadas em
lendas que faziam alusão a personagens do povo judeu do passado. Eles
davam a essas fábulas ou mitos valor religioso, encobrindo e até excluindo a
obra salvífica de Cristo e as verdades acerca do evangelho.“Tenham cuidado
para que ninguém venha a enredá-los com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a
tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”(Cl
2.8).
2. Atalhos que levam à morte
Os falsos mestres pregavam doutrinas contrárias ao evangelho.
Anunciavam  “outro evangelho”, sem nenhum apoio ou base nas doutrinas
transmitidas pelos apóstolos de Cristo. Eram caminhos de morte. Para esses
hereges, valem as palavras de Paulo:  “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo
vindo do céu pregue a vocês um evangelho diferente daquele que temos pregado, que
esse seja anátema...” (Gl 1.8-9).
3. Perigo do desconhecimento da verdade
Fazendo-se passar por mestres da lei de Deus, anunciavam novidades que
eram nocivas à fé cristã e promoviam contendas, divisões, imoralidade e
perseguição aos que permaneciam fiéis ao cristianismo. De fato, nem eles
mesmos compreendiam o que diziam, nem o que afirmavam sobre a lei
(1Tm 1.7).
Cartas Pastorais para hoje
“A fé e o pensamento caminham juntos; e é impossível crer sem pensar” (John Stott).
II. Paulo e a eficácia do evangelho
(1Tm 1.5-17)
Rapidamente Paulo volta os holofotes para a grandeza e a sublimidade do
evangelho do qual ele mesmo fora alvo, e traz à memória sua própria
experiência de conversão: de obstinado perseguidor dos cristãos a ministro
de Cristo. Uma guinada somente possível porque sobre ele transbordou a
misericórdia e a graça de Deus.
Seu testemunho era uma afronta às falsas doutrinas gnósticas que afirmavam
ser má e perversa a matéria; o corpo, portanto, irrecuperável. Eles não
admitiam a possibilidade da transformação de pecadores em honrados e
muito bem preparados ministros da palavra de Deus. O objetivo de Paulo foi
mostrar que aqueles falsos ensinos nada tinham a ver com a proposta do
evangelho, que era alicerçada:
1. No amor segundo Cristo (v.5)
Ao contrário do prejuízo que os falsos ensinos geravam, Paulo dá ênfase ao
aspecto positivo da prática do amor segundo Cristo, que vem pela operação
do Espírito Santo, à medida que somos transformados e santificados pelo
poder da Palavra: “De tudo o que se deve guardar, guarde bem o seu coração, porque
dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23).
A ordem de Paulo para que permanecessem na prática do amor de uns para
com os outros, com coração puro, dá ênfase ao amor sacrifical de Cristo, que
é o amor de Deus encarnado. Esse amor elimina divisões e promove a paz
(v.4).
2. Numa consciência limpa e na fé sincera (v.5)
A atenção que devemos dar à voz da consciência diz respeito à percepção
interior que temos sobre questões morais e éticas. No caso em questão,
Paulo evoca a consciência pura, livre de sentimentos de culpa, que funciona
como um árbitro no cristão, fazendo-o refletir sobre ações e conduta. Essa
instrução confrontava a mente cauterizada daqueles falsos mestres e seus
seguidores.
Apesar de a expressão “fé sincera” (NVI) parecer estranha, na verdade não é,
pois pode, sim, haver fé fingida, fé hipócrita, como o caso daqueles hereges
gnósticos que, na verdade, exibiam apenas imitação da fé. Era uma lealdade
não autêntica a Cristo, em oposição à fé sincera, que é mais do que apenas
uma crença. Fé sincera é uma entrega pessoal aos cuidados de Cristo. É
sobre essa fé, operada pelo amor, que escreveu Paulo: “Porque, em Cristo Jesus,
nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo
amor”(Gl 5.6).
3. No conhecimento pleno da Verdade (v.7)
Aqueles que não conhecem a Palavra são facilmente enganados, podendo-se
constituir, também, em enganadores. Por isso a necessidade do estudo
constante e progressivo da Palavra para adquirir conhecimento e ter firmeza
de convicções: “Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir
que expliquem a esperança que vocês têm” (1Pe 3.15 NTLH).
4. Num viver frutífero (v.12-14)
Somente em Cristo somos capacitados para toda boa obra; distanciados
Dele desprezamos o certo e somos enganados, tornando-nos parte dos que
seguem os falsos ensinos. O objetivo de Paulo era instruir os cristãos de
maneira que tivessem vida abundante, útil e espiritualmente produtiva. Ele
mesmo, reconhecendo o derramar da graça e da misericórdia de Deus, se
apresentava como exemplo deste favor de Deus em sua vida, não obstante
seu passado: “a mim que, no passado, era blasfemo, perseguidor e insolente...” (1Tm
1.13). Esse ato de Deus fez de Paulo um instrumento vivo e frutífero para a
proclamação do evangelho.
III. Timóteo e o bom combate
(1Tm 1.18-20)
Ao findar o primeiro capítulo, encontramos Paulo novamente voltando-se
para 
o combate às falsas doutrinas. E não é sem razão que ele retoma o assunto,
pois em meio a esses falsos ensinos é que Timóteo, o mais novo
comissionado, iria desenvolver o seu ministério.
Paulo dá ordens claras de conduta e firmeza nas verdades do evangelho.
Timóteo deveria lutar bravamente contra os inimigos do evangelho, “segundo
as profecias que anteriormente foram feitas a respeito de você” (v.18).
Cartas Pastorais para hoje
O êxito do ministério do jovem pastor dependeria de quanto ele vivenciasse os
princípios ensinados por Paulo nesses últimos versos.
1. Obediência não é opção (v.18)
Quando Paulo menciona: “Esta é a admoestação que faço a você...”, está dizendo
que não se trata de uma sugestão. É mandamento, incumbência, confiada a
Timóteo, de cortar aquele mal pela raiz. Assim como o próprio Paulo havia
recebido no passado esse encargo por ordem de Deus (v.11), agora é a
Timóteo que a comissão é dada. Há todo um trabalho pastoral a ser
realizado, incluindo o combate às falsas doutrinas gnósticas já espalhadas
entre os cristãos.
Somente pela obediência, o servo alcança a aprovação do seu Senhor:  “A
obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de
carneiros” (1Sm 15.22 NVI).
2. Perseverança inegociável na doutrina verdadeira (v.19)
Os falsos mestres rejeitavam pontos inegociáveis da fé cristã, inclusive sobre
a pessoa e a autoridade de Cristo. Ignoravam a verdade absoluta do
evangelho, desprezavam a boa consciência e, por essa razão, naufragaram na
fé.
Perseverar é não se dobrar, é lutar até o fim (2Tm 4.6-7). Portanto, a
firmeza e a perseverança de Timóteo em toda a verdade do evangelho, a boa
consciência e a fé sincera seriam antídotos espirituais contra os ataques dos
   
inimigos de Cristo. Este também foi o testemunho de Josué: “Os meus irmãos
que tinham ido comigo amedrontaram o povo, mas eu perseverei em seguir o Senhor,
meu Deus.” (Js 14.8).
3. Prevenção é o segredo (v.20)
Neste verso, Paulo cita dois falsos mestres, os quais foram entregues  “a
Satanás, para serem castigados a fim de não mais blasfemarem”. Eles estavam entre
os cristãos, ouviram o evangelho, mas se deixaram levar pelo príncipe deste
mundo (Ef 2.2; 2Co 4.4).
A ideia transmitida aqui pode indicar a possibilidade da restauração mental
e moral desses homens, o que nos leva a pensar que faltou a eles a prevenção
contra as sutis investidas do inimigo.
Conclusão
Há neste primeiro capítulo uma série de advertências que o cristão deve
considerar: não se contamine (Dn 1.8); não imite o que é mau (Ananias e
Safira – At 5.1-11); não se aproxime do perigo (Ló – Gn 13.12-13); não
queira experimentar o mundo (Sansão – Jz 14.3) e, aprenda a fugir das
ciladas do inimigo (José – Gn 39.7-12).
O propósito da doutrina verdadeira é fazer com que os cristãos não se
desviem do alvo, o qual não é outro senão atingir a estatura de varão
perfeito, segundo Cristo, sem se deixar levar por falsos ensinos (Ef 4.14).
3
A oração e o culto público
Valdemberg Rodrigues Viana
texto básico 1Timóteo 2.1-15
versículo-chave Eclesiastes 5.1
“Guarde o pé, quando você entrar na Casa de Deus. Chegar-se para ouvir é
melhor do que oferecer um sacrifício de tolos, que fazem o mal sem se dar
conta.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai discernir a importância da oração e da postura no
culto público.
leia a Bíblia diariamente
seg Mt 6.5-13
ter 1Co 11.2-16
qua Jr 29.11-14
qui Jo 17.1-10
sex 2Ts 3.1-5
sáb Tg 5.12-18
dom 1Co 14.26-39
O ambiente do culto é diferenciado. O “solo” é diferente, “é terra santa” (Êx
3.5). Qual é a nossa postura quando a oração é no culto? Uma coisaé orar
no quarto fechado (Mt 6.6), e outra é orar em público. Vejamos algumas
razões que podem justificar o “medo” de falar em público:
consciência natural das próprias limitações (Êx 4.11);
timidez que dificulta a falar em público (Êx 4.10);
decepção antiga causa medo de fracassar (Êx 4.1);
vontade de não ser visto (Êx 4.14).
I. A oração de todos por todos
(1Tm 2.1-8)
1. Tempo para a oração “Antes de tudo”
Toda ação deveria ser precedida de oração. A versão NTLH diz “Em primeiro
lugar” – a oração deveria ter primazia. Temos pequena disposição em passar
uma hora em oração, não obstante a isso, “muito pode, por sua eficácia, a súplica
do justo” (Tg 5.16).
2. Variação da oração “…súplicas, orações, intercessões, ações de graças…”
Trata-se de quatro sinônimos que nos dão maior visão da oração:
súplicas – necessidades mais específicas;
orações – necessidades mais comuns, mas sempre presentes;
intercessão – necessidades de outrem;
ações de graças – expressões de gratidão, reconhecendo a bondade
de Deus.
3. Advertência para oração “…peço…”
Paulo insiste a que se pratique a oração. Portanto, não era uma sugestão, e
sim uma ordem. Precisamos nos disciplinar a ter vida de oração, a reservar
um local e um tempo para a “oração do quarto fechado”, mas temos
necessidade de “orar em todo lugar”.
4. A abrangência da oração “… em favor de todas as pessoas…”
Não apenas pelos meus interesses, mas pelas autoridades, quer sejam boas
ou não. Paulo estimula a que nossa oração alcance todos os grupos:
governantes (v.2), todos os que têm autoridade (v.2), os gentios (v.7) e,
por implicação, os judeus.
5. O objetivo da oração “... para que vivamos vida mansa e tranquila...”
6. O prazer da oração “Isto é bom e aceitável diante de Deus”
O Senhor tem satisfação em nossas orações, especialmente as de intercessão 
pelos outros.
7. O local para oração “em todos os lugares...”.
Todo tempo é tempo de orar; todo local é próprio para a oração.
Cartas Pastorais para hoje
O que estamos fazendo com a ordem de orar por todos antes de qualquer outra ação?
A oração não pode ser o último recurso ou algo para tentarmos quando nada mais deu
certo.
Incentive seus filhos a orarem a partir do culto doméstico; dê oportunidade
para 
que eles cresçam nessa área tão importante da vida cristã. Que tal
revezamento nas orações: um dá graças no café da manhã, outro no almoço
e outro no jantar? Bons incentivos e reconhecimento proporcionarão
crescimento sadio que os ajudará a vencer barreiras pessoais.
II. Os homens no culto
(1Tm 2.8)
Paulo agora descreve o que Deus espera de homens e mulheres no que diz
respeito ao culto público. Embora tudo o que façamos seja “culto” ao
Senhor, existe um momento e um local em que nos juntamos a outras
pessoas para celebrar ao Senhor. Nesse momento, a postura de cada um de
nós deve ser observada. Existem atividades nossas que só são cabíveis no
culto pessoal, e outras que são restritas ao culto público.
No AT, o culto público era muito bem detalhado, e as recomendações tão
claras e específicas, existindo uma postura adequada:  “Guarde o pé, quando
você entrar na Casa de Deus” (Ec 5.1). Não podemos esquecer que é necessária
uma roupa apropriada no que tange ao ajuntamento para cultuar.
Alguns dos sinais ritualistas que faziam parte do culto público do AT não
são encontrados no NT. O que subsiste são os princípios que preservam a
ordem. Neste texto, Paulo atenta para as atitudes próprias ao culto público.
1. “Quero, pois, que os homens orem em todos os lugares”
Aqui Paulo reforça a necessidade de oração por parte de quem tem a
responsabilidade da liderança, tanto no âmbito doméstico como
eclesiástico. Os líderes possuem o privilégio de serem alvos da oração do
povo de Deus, conforme o próprio Paulo recomenda (1Ts 5.25; 2Ts 3.1; Hb
13.18), e também têm o compromisso de orar pelos liderados, conforme
aqui é exposto.
2. “Levantando mãos santas”
A postura física na oração não é uma questão tola, uma vez que em muitos
lugares ela é citada (Ne 8.6; Tg 4.8; Lc 24.50). Aqui a expressão  “mãos
santas”  alude não somente à postura do membro em si, mas se verifica a
necessidade de santidade, de uma postura de alma limpa, conforme
recomenda Davi (Sl 24.3-4).
3. “Sem ira e sem animosidade”
A ideia presente aqui é que a oração vertical precisa ter o compromisso
da oração horizontal. A minha postura com o irmão abre portas para a minha
oração. O Senhor sempre valorizou a comunhão entre irmãos. Lembre-se da
recomendação de Jesus 
no sermão da montanha: “Portanto, se você estiver trazendo sua oferta ao altar e lá
se lembrar que o seu irmão tem alguma coisa contra você, ... vá primeiro reconciliar-se
com o seu irmão...” (Mt 5.23-24).
Cartas Pastorais para hoje
Comece o culto público antes de chegar ao templo, reveja seus relacionamentos e
mantenha-os em paz.
III. As mulheres no culto
(1Tm 2.9-15)
“Da mesma forma”; “semelhantemente”  – Isso denota que exortações também
eram passadas às mulheres, no que tange ao culto público. Enquanto para
eles o investimento no culto se dava numa postura de santidade que devia
iniciar na observação dos relacionamentos fraternais; para elas a postura
adequada ao culto público devia começar em casa, com a escolha da roupa.
1. “… em traje decente…”
O culto de todos nós começa mesmo em casa, na nossa motivação, no
investimento individual. A recomendação paulina é que as mulheres se
observem antes, para não serem observadas pela roupa. O atrativo delas não
deveria ser as roupas. Ao vestirem-se para o culto, as mulheres devem usar
de bom senso, de decoro. O que Paulo tinha em mente é uma postura que
não atraísse a atenção dos outros sobre elas. Paulo está dizendo que o
verdadeiro adorno de uma mulher não deve se limitar ao vestuário. 
A mulher cristã sabe que o seu verdadeiro adorno não é externo, embora a
roupa seja a expressão de uma modéstia interna. Nada há de errado em as
mulheres andarem bonitas e bem arrumadas, mas será preciso agir com
mente sadia e evitar os excessos e extremos, isso é bom senso.
2. “… boas obras…”
A prática de boas obras deveria ser a marca das mulheres cristãs. As pessoas
olhariam tais obras e certamente “glorificariam a Deus”. O verdadeiro
adorno da mulher virá pela realização de boas ações. Uma excelente
recomendação aliada a essa é encontrada em 1Pedro 3.3-4, quando
menciona as esposas. Embora Deus não se oponha à beleza externa, pois Ele
mesmo assim criou e “viu que era bom”, Ele Se agrada da beleza que está no
coração.
3. “A mulher aprenda em silêncio”
Embora não tenhamos clareza sobre a razão por que Paulo escreveu esta
seção, eis algumas ideias:
a. alguns mestres se infiltraram na igreja em Éfeso explorando a
disposição das mulheres e ensinavam heresias, como proibição de
casamento, abstinência de alimentos (1Tm 4.3);
b. no tocante à aplicação deste ensino, existem duas escolas – uma
ensina que esse assunto é temporal e circunstancial, pois lá havia
viúvas que se entregavam aos prazeres (1Tm 5.5-6), e outras
mulheres carregadas de pecados (2Tm 3.6). 
A outra escola defende que esse ensino tem significação para todos
os tempos e épocas, visto que Paulo usa dois argumentos fortes: a
ordem da criação e a entrada do pecado, ou seja, na propriedade de
Adão, no ato da criação; e na propriedade de Eva, no ato da queda.
O primeiro argumento paulino é que  “primeiro, foi formado Adão,
depois, Eva”, ou, como ele mesmo diz em Coríntios: “Porque o homem
não foi feito da mulher, mas a mulher foi feita do homem” (1Co 11.8). O
segundo argumento alude à queda:  “Adão não foi iludido, mas a
mulher, sendoenganada, caiu em transgressão” (1Tm 2.14).
Paulo atribui às mulheres uma posição diferente da dos homens no culto
público, não inferior. Entendemos que muitas mulheres dentro da igreja são
verdadeiramente abençoadoras por sua prudência, sensatez, sabedoria, e
que tais nunca reivindicaram títulos ou honras para si mesmas, deixando
com o seu Senhor tais reconhecimentos e recompensas. E o Senhor, sendo
fiel como é, o fará de bom grado.
Conclusão
A perspectivade Deus para o culto exige fraternidade, simplicidade,
santidade:  “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o
homem, independente da mulher” (1Co 11.11), “mas, se alguém quiser discutir essa
questão, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (1Co 11.16).
Lembre-se do sentimento de Davi no salmo 122:  “Alegrei-me quando me
disseram: Vamos à Casa do SENHOR”, e dê atenção ao conselho do autor de
Hebreus: “Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário,
façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o Dia se
aproxima.” (Hb 10.25).
4
Exigências para aqueles que aspiram
à liderança
Marcos A. Alves José
texto básico 1Timóteo 3.1-16
versículo-chave 1Timóteo 3.1 ARC
“Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra
deseja.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai descobrir que as virtudes cristãs, a maturidade e
a experiência com Deus são imprescindíveis no ato de liderar.
leia a Bíblia diariamente
seg Tt 1.4-16
ter At 6.1-7
qua 2Tm 2.14-26
qui 1Pe 5.1-11 
sex Tg 5.13-20
sáb At 20.13-38
dom 1Tm 3.1-16
Otexto básico começa dizendo que  “Fiel é a palavra: se alguém aspira ao
episcopado, excelente obra almeja”  (v.1 ARA);  “… nobre função”  (NVI).
Aspiração é o desejo profundo de atingir uma meta, um sonho, um desígnio.
Não devemos desestimular nem reprimir tal desejo. Por outro lado, precisa
ficar bem claro que o episcopado não é somente um título, mas uma“excelente
obra”  ou  “nobre função”. Não se almeja o título, e sim o desejo de servir a
Deus e à igreja.
A palavra “episcopado”, segundo o Dr. Phil Newton, foi usada pelos gregos
para definir um ofício que tinha funções de superintendência, quer no
âmbito político, quer no religioso. Essa palavra tem o sentido de “olhar
sobre”, “supervisionar”. O episcopado é a função desempenhada pelo bispo.
As palavras “bispo” e “presbítero” possuem o mesmo significado (Tt 1.5-7).
Podemos associar a elas a palavra “pastor” que também aparece na Bíblia
com o mesmo sentido (At 20.28; 1Pe 2.25; 5.1-3).
Não basta apenas aspirar à liderança, a Bíblia nos apresenta um padrão, e o
apóstolo Paulo nos traz uma lista de qualificações para aqueles que desejam
servir como presbíteros ou diáconos. O verso 2 começa com a expressão “É
necessário, pois…”. Paulo não está apenas dando algumas dicas de como os
líderes devem ser, ele está estabelecendo um padrão. Existem condições
impostas àqueles que aspiram à liderança espirtual.
I. O líder deve ter caráter aprovado
(1Tm 3.2-3,8-10)
O vocábulo “caráter” significa: conjunto de tendências, disposições morais,
integridade. Isso quer dizer que o líder deve ser íntegro, possuir as leis de
Deus impressas no coração e imprimir ou cunhar o caráter de Jesus em seus
liderados.
Ao examinar as Escrituras, percebemos que elas dão mais ênfase na pessoa
do líder do que naquilo que ele faz. Para o apóstolo Paulo,  ser  é mais
importante do que fazer. 
A primeira condição inegociável para aspirar a liderança é: CARÁTER
APROVADO. Os líderes devem ser irrepreensíveis (v.2,10). “Não deve ser
estigmatizado por nenhuma infâmia que leve sua autoridade ao descrédito”
(Calvino). Deve ser alguém com caráter aprovado por Deus, que não causa
escândalos na igreja nem fora dela. Ser irrepreensível é andar com Deus e
influenciar a outros com seu caráter.
1. O presbítero precisa ser (v.2-3)
“Esposo de uma só mulher” (v.2) – vida familiar exemplar – fiel à sua
esposa;“moderado, sensato”  (v.2), ou seja, controlado, que freia os
próprios desejos 
e impulsos.
“Modesto” (v.2) – bem organizado, conveniente.
“Hospitaleiro”  (v.2) – generoso, que trata bem as pessoas,
principalmente as visitas.
“Apto para ensinar”  (v.2) – Paulo está recomendando alguém que
ama a Palavra e estuda a Palavra visando edificar o povo; habilidoso
no ensino.
“Não dado ao vinho”  (v.3) – não descontrolado, que bebe em
excesso.
“Nem violento, porém cordial, inimigo de conflitos” (v.3) – não briguento,
mas íntegro, suave, gentil, pacífico e pacificador.
“Não avarento” (v.3) – não amante do dinheiro, dos lucros; alguém
que ama mais as pessoas do que bens e coisas.
2. O diácono precisa ser (v.8-10,12)
A palavra  “do mesmo modo”, que aparece no versículo 8, nos revela que o
ofício do diaconato não é menos digno do que o de presbítero. As exigências
são praticamente as mesmas, apenas a função entre eles que é diferente.
“Sejam respeitáveis” – dignos de respeito, sérios e honestos.
“De uma só palavra” – não diz uma coisa aqui e outra ali, imparcial.
“Não inclinados a muito vinho” – não seja viciado nem tenha a mente
voltada para a bebida.
“Não gananciosos” – não pode ser avarento, mas digno de confiança
para lidar com as ofertas e o dinheiro da igreja.
“Marido de uma só mulher”  (v.12) – que tenha uma vida familiar
irrepreensível.
“Conservando o mistério da fé com a consciência limpa”  (v.9) – vida de
pureza e de santidade.
Cartas Pastorais para hoje
O líder precisa ser aprovado por Deus, por si mesmo e pelos outros. Carisma e caráter
andam juntos.
II. O líder deve ter boa reputação
(1Tm 3.2,7-8)
Enquanto eu escrevia esta lição, li uma frase que circulou nas redes sociais
dizendo: “Caráter é fazer o certo, mesmo que ninguém esteja olhando”.
Concordo com essa afirmação, porque o caráter fala da essência da pessoa,
define o “SER”. Mas o caráter deve ser refletido na conduta. O caráter está
relacionado com o que eu sou, e a conduta, com o meu modo de viver. Jó
era “homem íntegro”, esse era o seu caráter. Mas o texto ainda diz que ele “se
desviava do mal”. Essa atitude prática revela como era a sua conduta (Jó 1.1).
Caráter trata da minha relação com Deus e comigo mesmo. Conduta, boa
fama, reputação dizem respeito à minha relação com os outros. O versículo
2 diz que o presbítero deve ser “irrepreensível”, e o versículo 7 diz que ele deve
ter  “bom testemunho dos de fora”. O versículo 8 diz que os diáconos devem
ser “respeitáveis”, ou seja, alguém que as pessoas possam olhar com respeito.
Esse é o padrão.
Cartas Pastorais para hoje
“Caráter é fazer o certo, mesmo que ninguém esteja olhando”. Você concorda com essa
afirmação?
III. O líder deve ter maturidade
(1Tm 3.7,10)
A maturidade é também uma exigência para ser líder na igreja. Quem almeja
a liderança precisa ter maturidade para conduzir segura e equilibradamente
a congregação. Por isso, a orientação de Paulo é que o presbítero não
seja “neófito”, isto é, novo 
na fé (v.7), e que o diácono seja “experimentado”, isto é, testado e experiente
(v.10). O líder precisa ser avaliado quanto à convicção de fé, quanto ao
caráter e aos dons. 
O neófito e inexperiente corre risco pessoal de se ensoberbecer, e a igreja
pode 
sofrer as consequências.
A experiência não está necessariamente vinculada à idade, pois Timóteo era
jovem (1Tm 4.12), nem por isso deveria ser desprezado. A recomendação
está vinculada à vida cristã testada e às virtudes cristãs vividas e praticadas.
Essa passagem não isenta os irmãos “mais velhos de fé” do exame, pois anos de
igreja nem sempre são reflexo de maturidade. Um cristão veterano não é
naturalmente alguém maduro. O líder deve ser coerente biblicamente,
íntegro no caráter, tanto na igreja quanto em sua vida na sociedade,
contando sempre com o “bom testemunho dos de fora” (v.7).
Cartas Pastorais para hoje
“É inconveniente, e até perigoso dar demasiada responsabilidade a novos convertidos
até que sejam estabelecidos na fé”. Discutir.
IV. O líder deve ter capacidade para liderar
(1Tm 3.4,12)
Liderança é uma necessidade para a vida de qualquer grupo ou organização.
A igreja de Jesus carece de uma liderança com características que vão além
das comuns a outros líderes, ou seja, vida espiritual autêntica e bom
testemunho na sociedade. A saúde de uma igreja começa com uma liderança
saudável. Por isso, a escolha e a eleição de presbíteros e diáconos devem ser
realizadas com muita responsabilidade diante de Deus. Tudo deve ser feito
com oração e de acordo com os critérios ordenados pela Bíblia.
A visão dosbispos é mais ampla do que a de um cristão comum: ele deve
superintender! O cargo de bispo é uma obra (3.1): “bispo” não é mero título
de honra, mas uma obra de muita responsabilidade espiritual (note as fortes
advertências de Paulo em At 20.28-32). Essa obra deve ser feita somente por
homens preparados e qualificados pela palavra de Deus! Quem vai
supervisionar, olhar sobre, liderar, precisa ter sido aprovado na liderança da
própria casa. Por isso, entre as características apontadas por Paulo, algumas
se relacionam com a família.
Destacamos as expressões dos versículos 4 e 12:
1. Referindo-se aos presbíteros
“… e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o
respeito”(v.4).
2. Referindo-se aos diáconos
“… seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria
casa” (v.12).
Governar bem a casa, liderar bem a família é o maior e melhor teste para
quem aspira liderar a igreja do Senhor Jesus. Quem aspira à liderança precisa
ter sido aprovado na liderança da própria família. O versículo 5 é
enfático: “Se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de
Deus?”
Cartas Pastorais para hoje
Será que Paulo está dizendo que o homem que não é apto para governar a própria
família será incapaz de ser líder na igreja de Deus? Discutir.
V. O líder deve conhecer a natureza da igreja
(1Tm 3.14-16)
Paulo usa três expressões para descrever a igreja nesta conclusão do texto
sobre a liderança:
Casa de Deus (v.15);
Igreja do Deus vivo (v.15);
Coluna e fundamento da verdade (v.15).
Conclusão
O verdadeiro líder cristão, antes de pensar em preencher todos os
requisitos, precisa andar com Deus, buscar os recursos de Deus, caminhar
em total dependência de Deus, porque Nele as necessidades são supridas,
somos capacitados e motivados a servir como presbítero, diácono, ou em
qualquer outra área que Deus nos colocar. O padrão elevado só pode ser
atingido quando estamos com Deus e dependemos Dele.
5
Falsa doutrina na igreja
José Nilton Alves Andrade
texto básico 1Timóteo 4.1-16
versículo-chave 1Timóteo 4.1
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns
apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de
demônios.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai identificar as falsas doutrinas e compreender que
o bom ministro deve ser fiel ao Senhor e diligente no ministério.
leia a Bíblia diariamente
seg Ef 6.11-18 
ter At 19.23-40
qua Mt 10.16-23 
qui At 20.28-31
sex 1Tm 4.1-5
sáb 1Tm 4.6-10
dom 1Tm 4.11-16 
N esta lição, tratamos das advertências do apóstolo Paulo a Timóteo acerca
do perigo das falsas doutrinas, do caráter e da obra do ministro, num
contexto de danosa influência dos falsos mestres. Identificamos um falso
mestre pela recusa em aderir ao ensino bíblico e pela atitude soberba (1Tm
1.7; 6.3-4).
A tarefa de Timóteo na cidade de Éfeso não era pequena. Paulo o havia
deixado com a incumbência de corrigir  “certas pessoas”  que estavam
promovendo erro doutrinário (1Tm 1.3). Para ajudar Timóteo a combater
falsos mestres, Paulo ensina  “como se deve proceder na casa de Deus”  (1Tm
3.15).
I. A natureza das ameaças
(1Tm 4.1-5)
A apostasia (v.1a)
Espíritos enganadores (v.1b)
Doutrinas de demônios (v.1c)
1. A Bíblia adverte que alguns deixarão a boa doutrina (v.1)
Apostasia significa “abandono premeditado e consciente da fé cristã”.
Nesses versículos, Paulo volta ao assunto de falsos mestres. (O que não
implica na perda de salvação destes, mas na revelação da verdadeira natureza
deles como não convertidos). (cf. 1Jo 2.19; Jd 24).
a. Paulo deixa claro que o aparecimento desses homens não deve
pegá-los de surpresa, porque o Espírito tinha avisado.
b. Isso indica que a base para tal ensinamento é de Satanás.
c. Ele dá exemplos específicos de erros e explica por que são erros.
2. A falsa doutrina é engano de Satanás (v.1)
O líder é responsável pela proteção e por alertar as ovelhas quanto ao perigo
dessas doutrinas. Por isso, precisa de preparo bíblico e teológico.
Doutrinas de demônios não significam ensinamentos sobre demônios, mas
doutrinas inspiradas por demônios, ou que têm sua fonte no mundo
demoníaco. As Escrituras descrevem o diabo não apenas como tentador,
atraindo pessoas para o pecado, mas também como enganador, seduzindo as
pessoas para o erro.
3. A falsa doutrina inclui legalismo e regras humanas (v.2-3)
Paulo sabia que, se a igreja deixasse de verificar os seus ensinamentos, a
saúde espiritual dela correria sérios riscos, ouvindo espíritos enganadores e
doutrinas de demônios.
a. Proibindo o casamento – A Bíblia ensina que o casamento é
honroso, e os apóstolos foram autorizados a ter a própria mulher
(1Co 9.5).
b. Ordenando a abstinência de alimentos criados por Deus.
A Bíblia diz que Deus nos dá tanto a instituição do casamento, como
também o alimento. Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito
bom (Gn 1.31). Em Marcos 7.19, lemos que Jesus considerou limpos todos
os alimentos.
4. A falsa doutrina nega que Deus é o Criador de todas as
coisas (v.4-5)
O versículo 5 prevê que a palavra de Deus nos ensina a verdade sobre
comida, sexo e todas as coisas (Gn 1.31; Mc 7.7,18-19). O evangelho havia
libertado todas as proibições e legalidades sobre alimentos. A pessoa de
oração, especialmente aquela que pratica a ação de graças, é quem desfrutará
plenamente dos dons divinos sem sentir qualquer culpa.
Cartas Pastorais para hoje
Como pode uma igreja fortalecer os seus membros para não serem enganados pelos
ensinamentos errados como esses? Você acha que é pecado comer alguma coisa?
Você já se sentiu culpado ao praticar sexo com seu cônjuge?
II. Como Timóteo deve lidar com as heresias
(1Tm 4.6-11)
1. “Expondo estas coisas aos irmãos”
Para que as pessoas não caiam no erro, é necessário que homens fiéis como
Timóteo ensinem cada vez mais  “as palavras da fé e da boa doutrina”,
praticadas por eles mesmos (v.6), e que rejeitem as  “fábulas profanas”,
tradições de homens tolos (v.7; cf. 1.4). O ensinamento da verdade dará aos
homens o que é necessário para a prática espiritual.
2. “Você será um bom ministro de Cristo Jesus”
Aqui, encontra-se a mensagem central da carta, porque estão concentrados
os conselhos para o pastor, e são de grande valor para todo servo de Deus.
Para ser bom professor, Timóteo precisava ser alimentado com as palavras
da fé e da boa doutrina, como vinha seguindo. Para sermos bons servos de
Jesus Cristo, devemos estar cheios da Bíblia, que contém as palavras da fé e
da boa doutrina. Ninguém dá o que não tem.
“O bom ministro”  é aquele que serve (diakonos) os convidados à
mesa como um garçom. Somos mordomos de Deus, e o alimento
que servimos a Seu povo 
é a Palavra.
“O bom ministro” exorta, ensina e discipula suas ovelhas (v.6).
“O bom ministro” zela pela vida espiritual do rebanho do Senhor.
“O bom ministro”  precisa conhecer a sabedoria e a instrução (Pv
1.2).
“O bom ministro”  deve ser consagrado com qualificação suficiente
para o ministério.
3. Exercício físico versus piedade (v.7-8)
Aqui temos o confronto da cultura grega sobre o culto ao corpo  versus  a
piedade.  “Exercite-se, pessoalmente, na piedade. Pois o exercício físico tem algum
valor, mas a piedade tem valor para tudo...”. O sentido básico da palavra
“piedade” é reverência e respeito. Assim como é necessário o exercício físico
para manter o corpo em boa forma, também é necessário exercitar a
alma “na piedade”  (v.7). O exercício espiritual é mais proveitoso do que o
físico, pois prepara pessoas para terem a força de lutar e se esforçar na
esperança da salvação (v.9-10).
III. Timóteo: exemplo a ser seguido
(1Tm 4.11-16)
1. “Seja um exemplo para os fieis” (v.12-16)
Paulo não queria que a juventude de Timóteo impedisse a sua eficácia como
pregador da palavra de Deus. Afinal, o que faz de um servo de Cristo um
bom ministro não é a sua idade ou formação teológica, e sim a sua fidelidade
para com a Palavra a ele conferida (v.12-13,16; 1Co 4.1-4). O servo de
Cristo precisa se dedicardiligentemente a fim de mostrar o “padrão” da vida
cristã na sua própria vida (v.12) e para exortar e ensinar a outros (v.13-15).
Sem o esforço necessário para estudar e viver verdadeiramente a palavra do
Senhor, muitos que se chamam  “ministros”  de Deus levam pessoas à
destruição eterna. O resultado, porém, da prática e do ensino fiel da
doutrina de Cristo é a salvação de todos que obedecem a ela (v.16).
2. Ensino prescritivo (v.11)
“Ordene estas coisas e ensine-as”. Paulo, aqui, determina que Timóteo não
fraqueje na ministração da doutrina à igreja em Éfeso, visto que as heresias
estavam se espalhando com certa facilidade, por meio de homens “que falam
mentiras e que têm a consciência cauterizada”(1Tm 4.2).
3. Exemplo para os fiéis (v.12)
Timóteo era jovem, tímido e doente. Por isso, algumas pessoas em Éfeso
estavam inclinadas a desprezar sua liderança. Paulo, então, desafia o jovem
pastor a não ficar desanimado, mas a se erguer como exemplo de maturidade
espiritual para todos os fiéis. Paulo elenca cinco áreas em que Timóteo
deveria ser exemplo:
a. No falar (na palavra).  O líder espiritual não pode tropeçar na
própria língua. Seu linguajar precisa ser puro, e suas palavras
precisam ser verdadeiras e oportunas. Não pode ser maledicente
nem usar linguagem profana.
b. Na conduta.  Ele deve ser irrepreensível na conduta. A vida do
líder precisa ser consistente com a grandeza do ministério que
exerce.
c. No amor. O amor é o distintivo do cristão. O líder cristão precisa
ter profundo apego pessoal a seus irmãos e genuína preocupação
com o seu próximo.
d. Na fé (nas relações com Deus). O líder espiritual precisa ter fé
sem fingimento. Deve confiar em Deus e ser fiel a Ele.
e. Na pureza.  Éfeso era um centro de impureza sexual, e o jovem
Timóteo enfrentava muitas tentações. Seu relacionamento com as
mulheres da igreja deveria ser puro (1Tm 5.2), refere-se à pureza de
ato e de pensamento.
Cartas Pastorais para hoje
Há uma relação estreita entre a vida do professor e vida exemplar. Se não vivemos o
que ensinamos, as pessoas não querem nos ouvir.
4. Cuidado na leitura pública das Escrituras, na exortação, no
ensino da doutrina
Há uma ordem definida aqui. Antes de tudo, Paulo enfatiza a  leitura
pública  da palavra de Deus – prática iniciada nos tempos do Antigo
Testamento (Ne 8.1-18) e continuada nas sinagogas (Lc 4.16). Depois,
Timóteo foi orientado a  exortar  os crentes, baseando-se no que tinha lido,
por meio da pregação. Ensinar refere-se ao treinamento na doutrina cristã.
Conclusão
A apostasia já começou, temo-la visto a cada dia, a cada instante. Muitos,
sem qualquer temor, têm trocado Jesus por tudo o que este mundo oferece,
endurecendo o coração às advertências e às palavras que o Espírito Santo
tem colocado na boca. Não nos cabe outra atitude senão a de vigiar!
6
Responsabilidade com os vários
grupos na igreja
Klaus Assalim Gomes de Oliveira
texto básico 1Timóteo 5.1–6.2
versículo-chave Hebreus 3.12-13
“Tenham cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração mau e
descrente, que o leve a se afastar do Deus vivo. Pelo contrário,animem uns aos
outros...”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai compreender o valor da prática da exortação
cristã e passará a exortar com amor.
leia a Bíblia diariamente
seg 1Tm 5.1-2
ter 1Tm 5.3-10
qua 1Tm 5.11-16
qui 1Tm 5.17-20
sex 1Tm 5.21-23 
sáb 1Tm 5.24-25
dom 1Tm 6.1-2 
A igreja é um dos poucos lugares da sociedade onde se pode obter auxílio e
orientação para todas as áreas da vida, para todo tipo de pessoa, em
qualquer idade. Por meio da palavra de Deus, a igreja tem o poder de
transformar o ser humano de dentro para fora, e de modo surpreendente
mudando, assim, a sociedade.
Essa é a nossa responsabilidade e, ao mesmo tempo, um grande privilégio.
Qual outro ensino pode transformar assim? Se não a igreja, pela Palavra,
quem poderá orientar a todos os homens rumo a Deus?
I. Ministrando a diversos grupos sociais
(1Tm 5.1-2)
Ao mesmo tempo em que precisamos ter um olhar para o mundo em que
vivemos, para a sociedade na qual estamos inseridos, precisamos também
focar nas pessoas que já estão fazendo parte da igreja do Senhor.
Sendo nossa tarefa, conforme a palavra de Jesus, ensinar “a guardar todas as
coisas que tenho ordenado a vocês” (Mt 28.20), precisamos fazer isso de modo
relevante para cada grupo de pessoas que temos sob nossos cuidados.
Todo cristão é responsável por compartilhar a palavra de Deus, por exortar
uns aos outros (Hb 3.13), por edificar uns aos outros (Ef 4.29). Portanto,
temos de procurar, com zelo, cuidar para que todos: idoso, moço, mulher,
moça, sejam ministrados de modo respeitoso e apropriado.
1. Exortar com consideração
Exortar = encorajar; consolar
Aos homens idosos: respeito como é devido ao pai;
Aos moços: respeito como é devido ao irmão;
Às mulheres idosas: respeito como é devido à mãe;
Às moças: respeito como é devido à irmã.
Com toda a pureza: como é devido a todos os irmãos, em todas as
circunstâncias e, especialmente, devido às moças, por um jovem pastor.
Devemos, portanto, exercer a exortação, em amor, com consideração e
respeito, de modo puro, isento de vaidade, soberba ou vanglória.
“Toda exortação que busca atingir o coração errará o alvo se não partir de
um grande respeito, de uma profunda consideração perante o caráter único
da condição do outro como criatura. Antes violentará, esmagará o outro,
constrangendo-o ou escravizando-o em vez de libertá-lo”
(1Timóteo, Comentário Esperança).
2. Falar ao coração
O jovem pastor Timóteo deveria estar seguro de quem era (2Tm 1.6) e da
função que ocupava diante da igreja. Isso o livraria de ser rude, autoritário
e/ou negligente com as pessoas, por motivo de insegurança pessoal. É tarefa
exortar seja quem for, mas nunca sem amor e respeito.
Ele, assim como todos os irmãos, deve exortar  “uns aos outros”  em amor,
visando alcançar o coração ao final.
Cartas Pastorais para hoje
O princípio geral ensinado por Paulo nos diz que devemos tratar as outras pessoas na
igreja como tratamos os membros da nossa própria família. Você tem feito assim?
II. Ministrando às viúvas
(1Tm 5.3-16)
A divisão de funções na igreja se mistura com o surgimento das necessidades
das viúvas (At 6.1). Paulo, sabendo que Timóteo tinha também dilemas na
igreja para lidar sobre esse assunto, traça um caminho para tomada de
decisão de como socorrer e quando socorrer a viúva.
1. “Aquela que é viúva de fato” (v.5,9-10)
Já mencionamos que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito, isso
inclui, portanto, todas as viúvas. Mas há um grupo específico de viúvas que
Paulo ressalta que de modo algum devem ser esquecidas:  “as que são
verdadeiramente viúvas”. São aquelas que, perdendo o marido, fonte de
“recurso para manutenção”, não tenham ninguém para assisti-las, exceto
Deus. Em Deus, elas buscam o auxílio constantemente.
A estas, devemos uma “honra” especial, ou seja, olhar atento, cuidadoso,
mantenedor e amoroso; fazendo o possível para suprir suas necessidades.
Uma série de características é apontada como atitudes especiais de uma
viúva cristã que deve, portanto, ser assistida pela igreja:
mais de 60 anos (bem específico para o contexto local da carta);
esposa de um só homem;
bom testemunho de boas obras;
criou bem os filhos;
acolheu a estranhos;
lavou os pés dos santos, ou seja, prestou serviços humildes aos que
pertencem ao povo de Deus;
socorreu o aflito;
viveu de modo digno.
2. Viúvas que têm família (v.4,8,16)
A igreja deve suprir a “desamparada”, mas, aquela que tem família, a igreja
deve instruir e motivar a família a ser a principal mantenedora da viúva. A
responsabilidade direta é da família que deve amparar (v.16) e não
ficar “sobrecarregada a igreja”. E isso é 
agradável diante de Deus (v.4).
Esse é um ponto delicado na prática, pois nem todas as famílias têm essa
consciência, ficando algumas viúvas em situação crítica. A estas, entendo
que a igreja deve considerar auxiliar, apoiar e motivar, lembrando que a
igreja não está no mundo para cumprir“assistencialismo”, e sim para mover
as pessoas a uma condição de vida digna.
3. Viúvas vivas, mas mortas (v.6-7)
“A verdadeira viúva está viva porque está acordada em Deus; a que vive
levianamente já morreu” (1Timóteo, Comentário Esperança).
Qualquer pessoa, inclusive a viúva, que ainda não reconheceu a Jesus como
seu Salvador, mesmo estando viva, está morta espiritualmente. É necessário
crer em Cristo para receber a vida que Deus dá (Ef 2.1,8-9). Deus deve ser a
nossa fonte de vida, porque Jesus é a vida (Jo 14.6).
Às vezes, essas viúvas vão viver uma vida dissoluta e sobrecarregar a igreja
com seus pedidos e necessidades. Devemos ter discernimento em ajudar tais
pessoas, pois as Escrituras afirmam que para serem ajudadas precisam
demonstrar, antes de tudo, que são mulheres de Deus.
4. “Viúvas mais novas” (v.11-15)
Cartas Pastorais para hoje
Quem cuida das viúvas desamparadas na sua igreja? Que devemos fazer?
III. Ministrando aos irmãos na liderança
(1Tm 5.17-25)
Paulo instrui o pastor Timóteo a preocupar-se com o perigo:
da falta de cuidado material dos presbíteros (v.17);
de se aceitar denúncia contra presbíteros sem o depoimento de
duas ou três testemunhas (v.19);
da negligência em disciplinar, publicamente, os presbíteros que
vivem no 
pecado (v.20);
de impor precipitadamente as mãos para a ordenação de presbíteros
correndo o risco de se tornar cúmplice de pecados de outrem – pois
os pecados de alguns são notórios (o que facilitaria a rejeição do
homem ao cargo de liderança), mas de outros só mais tarde se
manifestam, ou seja, é necessário cautela (v.22,24).
Cartas Pastorais para hoje
Como essa orientação de Paulo a Timóteo, em relação à liderança da igreja, se aplica à
sua igreja?
IV. Ministrando aos escravos
(1Tm 6.1-2)
É dever do ministro de Deus orientar os que se encontram em posição de
servo 
(empregado) a:
1. Considerarem dignos de toda honra o próprio senhor
(patrão)
Mesmo que o patrão seja descrente, devem agir dessa forma.
a. Porque é uma ordem – “considerem”, vem de egeomai que pode
ser traduzido também por: conduzir; pensar que; acreditar;
considerar como, tomar alguém por algo. O verbo se encontra no
presente do imperativo, devendo ser considerado uma ordem de
ação contínua.
b. Para que o nome de Deus e a doutrina não sejam
blasfemados– Deus é poderoso para que, por meio de um
testemunho exemplar, mesmo aqueles que se encontram em
posição de escravidão, sejam instrumentos para conduzir seus
senhores ao conhecimento de Cristo.
c. Porque agindo assim demonstram temor ao Senhor  (Cl
3.22).
d. Porque receberão do Senhor a recompensa da
herança (Cl 3.24; Ef 6.8).
2. Considerarem dignos de toda honra o próprio senhor
Principalmente se for crente (1Tm 6.2). Cuidados a serem evitados:
a. Desrespeito. “não o tratem com desrespeito”  – Alguns passam do
limite do bom senso por estar trabalhando para um irmão em
Cristo. Abusam da identidade (cristão) para agir com leviandade.
b. Negligência. “trabalhem ainda mais”  – Um crente que serve a um
senhor crente deveria ver nisso uma oportunidade de, juntos,
glorificarem a Deus ainda mais. Mas infelizmente, muitos abusam
da identidade (cristão) para agir com irresponsabilidade, achando
que serão perdoados e jamais punidos (no caso dos escravos) ou
demitidos (na atualidade).
Conclusão
A falência do alcance do testemunho cristão tem suas raízes num ensino
fraco aos diversos grupos na igreja. De certo que cada igreja tem seu “perfil”,
mas nenhuma pode ser estéril em ministrar aos diversos grupos que a
compõem.
7
Os perigos do dinheiro
Acácio Soares de Alencar
texto básico 1Timóteo 6.3-10,17-19
versículo-chave Provérbios 11.28
“Quem confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como as
folhagens.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai refletir sobre os ensinos bíblicos a respeito do
dinheiro e da riqueza, buscando contentamento em Deus.
leia a Bíblia diariamente
seg Pv 30.7-9
ter Lc 14.28-32
qua Pv 3.5-10; 2Co 9.6-11
qui 1Co 9.6-14
sex Mt 6.19-21
sáb Mt 5.1-11
dom Lc 19.1-10
A  fidelidade do apóstolo Paulo com o verdadeiro ensino bíblico e o zelo
com
o que se ensina na igreja precisam ser readquiridos por ambos, professor e
aluno. Esse cuidado com a igreja do Senhor nasceu bem antes de ele
escrever as cartas a Timóteo (At 20.29-35). E tempos antes desses fatos,
Jesus Cristo, o nosso Mestre, já advertira Seus primeiros alunos (Mt 7.15-
20). Precisamos ser tomados desse zelo cristão (Jo 2.17; Rm 12.11; 2Co
8.21; 11.2). Resolver as questões financeiras e usar adequadamente o
dinheiro no contexto da igreja cristã é um desafio constante. Fazer
orçamento, planilhas de gastos, poupança, são passos cruciais no processo.
Mas é o estudo adequado das Escrituras que nos darão os fundamentos e as
motivações necessárias para o domínio do dinheiro.
I. Falsos mestres
(1Tm 6.3-6)
O mau uso do dinheiro é tão perigoso quanto receber e dar ensino
falsificado, enganoso, heterodoxo, que  “não concorda com as sãs palavras de
nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade”  (1Tm 1.3; 6.3; Mt
7.15). O mau uso de recursos financeiros pode ter duas origens diretas:
1. Presença de ensino falso – “outra doutrina” (1Tm 1.3; 4.1-3)
Mitos sobre dinheiro são ensinados no meio evangélico como se fossem
verdades. Pessoas enganando e sendo enganadas estão dentro e fora da
igreja. Irmãos com dificuldade na área financeira se tornam vítimas de
enganadores de plantão que são motivados pelos possíveis lucros advindos
da piedade (1Tm 6.3-5).
2. Ausência de ensino verdadeiro (2Tm 3.16-17)
Na Bíblia, encontramos os ensinos mais preciosos sobre os princípios da boa
administração financeira. Jesus Cristo é o Mestre por excelência desses
princípios (Mt 13.45-46; 18.23-35; 22.15-22; Lc 14.28-32; 16.1-13). É
mister obedecer a esses ensinos, do contrário seremos enganados por falsos
mestres.
No contexto dos efésios, havia os gnósticos, os filósofos epicureus e
estoicos. Foi a respeito destes que Paulo admoestou Timóteo e Tito (1Tm
1.3; 6.3-4; Tt 1.14; At 17.18). A influência filosófica antropocêntrica
daquela época era tão ou mais perniciosa quanto a atual (2Tm 3.1-9).
Zelemos pelo ensino das Escrituras.
II. Os que querem ficar ricos
(1Tm 6.6-10)
Corações corrompidos pelo pecado da ganância não são um fenômeno
moderno. Milênios antes de Cristo, Deus condenou Balaão por sua ganância
(Nm 22.1-24.25; 2Pe 2.12-16; Jd 11); e o salmista reprova a arrogância, a
cobiça e a presunção do coração do homem ganancioso (Sl 10.2-4). Logo,
podemos inferir que o desejo por riqueza não é de agora. Deus nos deu as
Escrituras Sagradas como manual de disciplina e orientação nas questões
cruciais da vida (v.6), e para nos proteger dos perigos da riqueza (v.9-10).
Note, o problema não é a riqueza, mas falso ensino em que a piedade é fonte
de enriquecimento (v.5).
Estudemos esses quatro fatos.
1. A riqueza não gera contentamento (v.6)
O termo “contentamento” significa “uma suficiência interior que nos
mantém em paz apesar das circunstâncias exteriores” (W.W.
Wiersbe,  Comentário Bíblico Expositivo). Em Filipenses 4.11, Paulo usa o
mesmo termo, indicando o estilo de vida do legítimo cristão, que não
depende de dinheiro para sua satisfação e paz interior. Wiersbe comenta:
“são os ricos, não os pobres, que consultam os psiquiatras e que se mostram
mais propensos a cometer suicídio”.
2. A riqueza não dura pra sempre (v.7; Pv 11.28; 23.5; 27.24; Jó 1.21)
No livro  Minhas finanças: atitudes e ações para uma vida financeira bem-
sucedida (Editora Esperança), Ion de Verr escreve: “O dinheiro, sem dúvida
alguma, é importante e necessário, mas ele deve ser visto de uma perspectiva
menos fantasiosa e mais realista”. Ele destaca três mitos sobre o dinheiro:
a. dinheiro é sinônimo de sucesso e felicidade; 
b. a melhor estratégia de crescimento financeiro é aumentar a renda; 
c. dinheiro é sinônimo de filho bem-sucedido. 
Cartas Pastorais para hoje
Infelizmente esses mitos estão na mente de muitas pessoas. Estão também na
sua?
3. O contentamentoé possível e não exige alto custo (v.8)
A plena satisfação, o gosto de vida na boca, a vida abundante (Jo 10.10) não
são resultados direto de riqueza financeira. Veja o que disse o homem mais
rico que já existiu (Pv 17.1). O avarento é capaz de passar fome contando o
dinheiro que lhe custou tão caro para adquirir (Lc 12.15). Vida simples
como a de Cristo deve ser o padrão dos fiéis – “aprendam de mim”(Mt 11.28-
30).
4. A ganância pela riqueza produz malefícios (v.9-10)
O cenário que Paulo retrata aqui é de alguém afogado, atolado na desgraça
(v.9) como resultado de uma vida contaminada pelo amor ao dinheiro (no
grego, afeto pela prata). Leia Provérbios 21.6 e Eclesiastes 5.10-17. A
ganância financeira no meio religioso é um problema a ser resolvido, quiçá
pudéssemos resolver. Reafirmando, o problema aqui não é o dinheiro ou a
riqueza (Dt 8.18), mas as consequências nocivas de um coração ávido por
dinheiro, que aumenta a sua riqueza por meio do serviço piedoso (v.5).
Obviamente, isso não exclui a necessidade de sustento financeiro aos que
integralmente servem à igreja (1Tm 5.17-18; 1Co 9.6-14).
III. Os que são ricos
(1Tm 6.17-19)
Após as advertências de Paulo sobre não amar o dinheiro, ele dá três
recomedações aos irmãos ricos, membros da igreja, lembrando-os de que a
riqueza financeira só é riqueza neste presente mundo, no vindouro a riqueza
é outra (Lc 12.20-21; Mt 6.19-21).
1. Não sejam presunçosos, arrogantes (v.17)
A arrogância e o orgulho são como duas folhas de uma larga porta, por ela,
facilmente o pecado entra e se mistura com a riqueza, causando danos na
casa. O acúmulo de bens materiais sem a percepção dessa ameaça provoca a
perda da maior riqueza: a entrada no reino de Deus (Lc 18.24-25). Nossos
irmãos ricos necessitam de apoio em oração, para não caírem na tentação de
acreditar que a riqueza neste mundo gera o tipo certo de felicidade (Mt 5.1-
11; Jo 14.6).
2. Não depositem esperança na incerteza da riqueza (v.17)
Já aprendemos que a riqueza não é duradoura (v.7; Pv 11.28; 27.24).
Portanto, é tolice confiar na riqueza material. O orgulhoso rei Saul foi um
desses tolos que depositavam suas esperanças na abundância dos seus
próprios bens (Sl 52.7; 1Sm 22). Jesus Cristo é a única esperança digna de
total confiança (Rm 5.5; 8.24; 1Pe 2.6). Deus nos proporciona toda a
riqueza de que precisamos para o nosso contentamento Nele (Mt 6.25-34).
Cartas Pastorais para hoje
Uma excelente oração a ser feita aqui é a que o sábio Agur, filho de Jaque, recomendou
a Itiel e Ucal, em Provérbios 30.7-9. Vale a pena fazer essa oração!
3. Pratiquem boas obras com sensibilidade, solidariedade e
generosidade
Esta é a última orientação que Timóteo deu aos irmãos ricos da igreja em
Éfeso (v.18). 
O entendimento que se deve ter hoje e sempre é o mesmo. Deus é quem
proporciona a riqueza de origem lícita (Dt 8.17-18). Ele é a fonte, o
sustentador e quem dará fim a tudo o que existe (Rm 11.36). Portanto, é
sábio e prudente usar das riquezas para a prática de boas obras (Ef 2.10).
Jesus Cristo, além de ter recebido presentes caros, presentes de rei – ouro,
incenso e mirra (Mt 2.11), posteriormente foi ajudado por ricas senhoras
(Lc 8.3). Os crentes ricos praticaram espontaneamente a partilha de bens:
Zaqueu (Lc 19.1-10); José de Arimateia (Lc 23.50-53); Barnabé (At 4.36);
Cornélio (At 10.1-2); Lídia (At 16.15,40); Públio (At 28.7).
Conclusão
Timóteo tinha a missão de doutrinar teologicamente a igreja em Éfeso,
protegendo-a de falsos ensinos e de mestres falsos (v.3-4); do ímpeto pela
riqueza, custe o que custar (v.8-10); e de adequar o modus operandi dos ricos
convertidos (v.17-19).
Alicerçados e amparados na Palavra da fé (v.12), temos a garantia de que o
melhor tesouro, o mais valioso, nos aguarda no mundo por vir (v.19)
8
Recomendações ao homem de Deus
Jessé Ferreira Bispo
texto básico 1Timóteo 6.11-16,20-21
versículo-chave Provérbios 22.17 NVI
“Preste atenção e ouça os ditados dos sábios, e aplique o coração ao meu
ensino.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai refletir a respeito das características do
homem/mulher de Deus, identificar quais precisa desenvolver e esforçar-se para
isso.
leia a Bíblia diariamente
seg Pv 4.20-27
ter 1Tm 6.3-10
qua Pv 4.1-19
qui 1Tm 6.11-16
sex Pv 22.17-21
sáb Mt 11.28-30
dom 1Tm 6.20-21
É  maravilhoso poder se entregar ao serviço de Deus. Aqueles que de
maneira voluntária e espontânea se dispõem a essa tarefa, não há dúvidas,
tomaram uma excelente decisão. Esta carta visa especialmente falar com
esses servos de Deus. Ela está chegando ao fim, mas existem aqui preciosas
recomendações. Veja como Deus é poderoso. Seu exército possui os mais
diferentes tipos de pessoas, raças, idades, com muitas variações. Jovens
podem, por meio da fé, se identificar de tal forma com aqueles que são
chamados “homens de Deus”. É assim que Paulo inicia esta série de
recomendações ao jovem Timóteo. Deus espera que os que se
comprometem em Seu serviço sejam qualificados com princípios ligados ao
Seu caráter e aos Seus atributos. Essas instruções devem ser como aguilhões
bem fixados que tatuam o comportamento e o caráter de Seus escolhidos.
Eles vão perceber que, ao colocar em prática, acharão em cada uma delas
grande alegria. Nada no nosso andar com Deus deve ser um fardo pesado e
cansativo. Jesus nos motiva a experimentarmos do Seu jugo. Sua palavra é
clara e objetiva – ele é leve e suave. Então, vamos às recomendações.
I. Ande com conduta íntegra
(1Tm 6.11)
A forma como o homem de Deus deve andar e se comportar diante das
pessoas é muito importante. Ele deve transmitir a beleza de Deus com suas
palavras e ações. 
A integridade do homem de Deus será desenvolvida com o seguinte
contraste:
1. Obediência à ordem para fugir
Existem coisas das quais deve fugir (v.3-10), tais como, conversas que geram
controvérsias e contendas, apego às coisas materiais, faltar com a verdade,
duvidar da sã doutrina e ensinar falsas doutrinas. A ordem é clara: foge de
tudo isso.
2. Obediência à ordem para correr atrás (buscar)
Por outro lado, ele deve buscar bom testemunho de maneira justa, piedosa,
fervorosa, amorosa, perseverante e com mansidão. Seu testemunho deve ser
o cartão de apresentação de sua mensagem. Suas ações devem falar mais que
suas palavras, e também autenticá-las. Como é bonito estar com alguém que
trata as pessoas com amor, tem disposição para ouvi-las, dá conselho, faz
advertência construtiva, ora por elas e com elas. Eles não apenas conhecem a
Deus, mas estimulam outros a conhecê-Lo e ter intimidade com Ele.
Cartas Pastorais para hoje
Veja se não há coisas de que você precisa traçar um plano de fuga e se não há outras
que deve buscar com mais intensidade.
II. Lute pelos valores de sua fé
(1Tm 6.12)
Tantos lutam por coisas que perecem com o tempo: constroem lindos
castelos, plantam vinhas, alcançam impérios – coisas que não são eternas.
Mas o homem de Deus luta o bom combate da fé.
1. Luta de maneira perseverante por meio da vida devocional
Ele estuda a Bíblia, luta com persistência para conhecer e viver os
ensinamentos dela. Ele entra no mundo divino, apega-se a Deus em amor e
aperfeiçoa seu relacionamento com Deus.
2. Luta com as mesmas armas dos servos de Deus do passado
Lembra-se de Enoque? A Bíblia diz que ele aprendeu a andar com Deus com
intensidade cada vez maior. Chegou o tempo em que a identidade de
Enoque era a expressão do próprio Deus. Jesus disse que, quem tem os Seus
mandamentos e os guarda, este é o que O ama. Ao ler com atenção o famoso
capítulo da Bíblia sobre os heróis da fé, Hebreus 11, vemos personagens que
acreditaram em Deus e em Suas determinações. Alguns deles dispuseram a
dar a própria vida como prova concreta de sua confiança em Deus; outros
realizaram coisas grandiosas por crerem no Senhor. Há um bom combate, e
vale a pena lutar por ele.
Cartas Pastorais para hoje
Não existe condição de combater o bom combate, de terminar bem a carreira e guardar
a fé sem ter a vida dirigida pelo estudo e pela obediência à palavra de Deus. Pormeio
da obediência ao Senhor, podemos fazer a Sua vontade e lutar pelos valores de nossa
fé.
III. Aproprie-se da esperança na eternidade
(1Tm 6.12)
Sabemos que a natureza criada geme até agora, da mesma forma que sofre
uma mulher com dores de parto sabendo que em breve verá a criança que
alegrará seu coração (Rm 8.21-22). Essa é a condição deste tempo em que
vivemos. Aqui sofremos com perdas, enfermidades, frio, fome, calor, e a
recomendação é tomar posse da vida eterna e ter perspectiva que vai além
do tempo presente.
1. Olhar direcionado às coisas que hão de vir
O homem de Deus não tem os olhos presos à era presente. Ele vive
intensamente como peregrino neste mundo, mas seus olhos veem além. Ele
tem maravilhosa esperança na vida eterna.
2. Olhar direcionado ao conhecimento de Deus
Em Sua oração, Jesus afirmou que a vida eterna consiste em conhecer o
único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou (Jo 17.3). Isso
nos mostra que para tomar posse da vida eterna é necessário conhecimento
dinâmico e relacional com Deus por meio de Jesus. No nosso dia a dia, cheio
de tantas tarefas e responsabilidades, é necessário priorizar o tempo
reservado para cultivar esse contato e esse conhecimento de Deus. O profeta
convida seus ouvintes a conhecer ao Senhor. Eles precisam se esforçar por
esse objetivo (Os 6.3). Isso não é um toque mágico, mas um caminho
consciente e intencional de se relacionar diretamente com Deus por meio da
fé em Cristo. Não se pode ser um verdadeiro homem de Deus quando
ignoramos esse caminho.
Cartas Pastorais para hoje
Existe o dever de aguardar com expectativa o glorioso dia da manifestação do Senhor
Jesus Cristo (v.14). Tomar posse da vida eterna requer alimentar essa esperança. Quem
se apropria dessa esperança deve crer que, na época determinada, Ele será revelado.
Amém (v.15).
IV. Guarde o mandamento
(1Tm 6.14)
Novamente precisamos entender o sentido de mais uma recomendação. A
que se refere esse mandamento que o homem de Deus deve guardar? Aliás,
devemos sempre ler e estudar a Bíblia com este princípio: ler um texto,
buscar seu contexto, notar as ligações com outros textos bíblicos e, acima de
tudo, checar com o caráter de Deus. Algumas recomendações importantes já
foram tratadas. Aqui elas são referidas como mandamento. Esse é o
significado da palavra no texto original, mas podemos usar essa
recomendação para extrair também uma preciosa aplicação ao homem de
Deus: obediência às regras. O leitor desta carta não pode ser identificado
como homem de Deus se não seguir as instruções bíblicas. Lembram-se dos
amigos de Daniel? Eles puderam, com segurança, negar se curvar diante da
estátua de ouro que o rei mandou que curvassem, porque estavam
fundamentados em mandamentos da fé que professavam. Outra ilustração
foi o profeta Jonas. Em momento de dura disciplina da parte do Senhor, ele
recorreu à palavra de Deus. Lá no ventre do grande peixe, orou e citou
muitos versículos do livro de Salmos. Essa recomendação estimula a ser:
1. Zeloso guardião dos ensinos do Senhor
Para guardar tudo o que Deus deseja que saibamos, para viver com
integridade, tomar posse da vida eterna, combater o bom combate da fé, é
preciso conhecer a Bíblia e ter forte determinação em praticar seus ensinos.
2. Fiel cumpridor da confissão de sua fé e de seu chamado
O homem de Deus não apenas guarda, como maneja bem a palavra da
verdade, que é a palavra de Deus. Ele não inventa coisas baseadas em vãs
filosofias. Ele afirma com segurança: “está escrito”.
Cartas Pastorais para hoje
Nada de pensar que o verbo “guardar” se refere a esconder. Deus espera que
conheçamos o evangelho e possamos levá-lo ao conhecimento de muitas pessoas.
V. Tenha percepção da presença de Deus
(1Tm 6.13-16)
Às vezes, podemos ter bastante limitação com os nossos reflexos e nossas
percepções. O mundo agitado pode bloquear nossos ouvidos e nossos olhos,
assim não ouvimos nem vemos. A recomendação aqui é singular. O desafio é
educar nossa mente para reconhecermos a presença de Deus. Paulo faz essa
exortação apelando para que Timóteo entenda a sublimidade de reconhecer
a presença do Senhor.
1. Esta percepção nos supre plenamente
Aquele que a todos dá vida é também o provedor de todas as coisas. A
solidificação de nossa fé e o cumprimento de nosso chamado dependem do
Senhor. Sem Jesus não podemos fazer nada. Nossos olhos precisam ser
desimpedidos de qualquer barreira, o que nos ajudará a ver o Senhor Jesus
“sempre” ao nosso lado. É diante de Deus que devemos fazer todas as coisas.
2. Esta percepção estimula a pensar na grandeza de Cristo
Em breve, veremos a Jesus Cristo face a face. Ele virá nas nuvens dos céus,
com grande glória. Quem tem familiaridade com a presença de Deus poderá
afirmar que Cristo é o bendito e único Soberano, Rei dos reis e Senhor dos
senhores, o único que é imortal. A Ele pertencem a honra e o poder eterno!
Amém (16). É diante desse Senhor que vemos, por meio da fé, que o
homem de Deus deve exercer seu ministério, com alegria.
Cartas Pastorais para hoje
Será que podemos dizer como Jó: “Meus ouvidos já tinham ouvido falar a teu respeito,
mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5 NVI)?
Conclusão
Existe algo precioso que Deus nos confiou. Timóteo precisava entender que
não foi Paulo, mas o próprio Deus que o responsabilizou e requer
obediência aos ensinos desta carta, para não ser reprovado – “... guarde o que
lhe foi confiado...”  (v.20). Nesse recado, vão mais recomendações: evite
conversas que comprometam a reputação do homem de Deus, que o afastem
do alvo de ser exemplo, uma referência às pessoas que o rodeiam; falatórios
inúteis, assuntos profanos, contradições nas coisas que diz e transmissão de
falso conhecimento devem ser atitudes de que ele precisa se desviar. E Paulo
termina a carta fazendo recomendação aos cuidados com armadilhas que
podem desviar nossa fé. Timóteo precisa entender que alguns, por não
zelarem do que falam, se desviaram da fé (v.21). Tome cuidado com as
coisas que você fala. Guarde aquilo que lhe foi confiado.
9
Guardar o evangelho
Jucimar Leite
texto básico 2Timóteo 1.1-18
versículo-chave 2Timóteo 1.14
“Por meio do Espírito Santo, que habita em nós, guarde o bom tesouro que lhe
foi confiado.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai compreender a responsabilidade dos cristãos em
viver e pregar o evangelho genuíno, identificar os perigos doutrinários e ser
estimulado a defender a sã doutrina.
leia a Bíblia diariamente
seg Gl 2.11-21
ter At 20.17-35
qua Mt 24.23-26
qui At 7.1-53
sex Js 1.6-9
sáb Tt 1.10-16
dom Ap 22.18-20
Para perder valores, basta descuidar; para guardar, é preciso se concentrar!
Os cristãos são exortados a ser guardiões da Palavra em dois
aspectos: obedecer: “Ordene estas coisas e ensine-as” (1Tm 4.11) e “que pregue a
palavra, insista, quer seja oportuno, quer não...” (2Tm 4.2) e escoltar: “... insistindo
que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos”  (Jd 3 NVI).
Paulo não duvida da obediência de Timóteo, apenas o exorta a continuar
firme, sem medo.
A ideia de “escoltar” não se refere jamais à vulnerabilidade ou a alguma
fragilidade do evangelho, que é o poder de Deus. A tarefa consiste em levar
o evangelho de modo que ele chegue inteiro, puro, sem misturas até seus
ouvintes. Essa “escolta” exige dedicação, e esse é um assunto pertinente na
Segunda Carta de Paulo a Timóteo.
Aqueles que obedecem à Palavra podem falhar como guardiões de sua
preservação e transmissão (Jz 2.10). Devemos, porém, dar graças a Deus,
pois fiéis no passado deram a vida para “escoltar” o verdadeiro evangelho até
nós. Agora, a sublime tarefa nos foi dada, e a exigência é que sejamos
guardiões de  consciência limpa, conhecedores da  essência do evangelho  e
sóbrios quanto à tarefa con�ada de “escoltar” o evangelho.
I. Guardiões do evangelho
Paulo afirmava em suas cartas que seu ministério era legítimo (v.1,11),
recebido diretamente do Senhor (Gl 1.10-12). Ele tinha firme compromisso
de pregar o evangelho todo (At 20.27). Aqueles que receberama Palavra de
modo integral se tornam responsáveis por transmiti-la por inteiro. Por isso,
o apóstolo considerava uma medida de segurança repetir
o kerigma novamente no capítulo 1. Ninguém pode guardar um tesouro que
não possui. O cristão que conhece o evangelho pode avaliar se uma
mensagem possui três pilares destacados por Paulo nesse capítulo.
1. Mensagem cristocêntrica
O evangelho fala de Cristo como o centro de sua mensagem. Paulo confirma
que Cristo é a “promessa da vida” (v.1), a “graça que nos foi dada” e “manifestada
por meio de Cristo”  (v.9-10). Para o apóstolo, essa deve ser a ênfase, pois
diz:  “Porque decidi nada saber entre vocês , a não ser Jesus Cristo, e este,
crucificado.” (1Co 2.2).
2. Mensagem de salvação pela graça
O evangelho fala de salvação, e Paulo insiste que a mensagem deve ser
apresentada de modo simples, em que a oferta de perdão do Soberano
Senhor fique evidente. 
A expressão  “graça, misericórdia”  (v.2), repetida nos discursos de Paulo,
fundamenta que o evangelho é uma boa notícia de clemência. E essa oferta
de anistia não pode ser misturada com exigências de pagamentos ou obras.
Paulo afirma: “nos salvou... não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria
determinação e graça...” (v.9).
3. Mensagem de vitória da cruz
O evangelho fala da cruz, que é símbolo de morte. A mensagem cristã não é
amena 
e não se esquiva de tratar a mortalidade como a sentença imposta ao pecado.
Embora não mencione a palavra “cruz” nas cartas a Timóteo, Paulo mantém
a linguagem 
usada na carta aos Efésios, remetendo-nos ao Calvário (Ef 2.15-16). Paulo
afirma 
que o evangelho é a boa notícia de que Cristo “destruiu a morte” e “trouxe... a
imortalidade”  (v.10). A vitória da cruz não se reduz ao bem-estar terreno,
mas dá ênfase na esperança de imortalidade.
Cartas Pastorais para hoje
Você seria capaz de identificar igrejas modernas que mantêm o padrão da sã doutrina?
Podemos notar a ênfase na cruz e na ressurreição nos discursos de nossos dias?
II. O caráter da escolta
É necessário que um soldado tenha um bom caráter. Os que protegem
pessoas precisam ser confiáveis. Os que são incumbidos como mensageiros
do rei precisam ter boa reputação. O que se requer é “... todos nos considerem
como ministros de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que
se requer destes encarregados é que cada um deles seja encontrado fiel.” (1Co 4.1-2).
Paulo dá testemunho de si e de Timóteo quanto ao caráter que tinham
como obreiros. Vejamos as duas características destacadas.
1. Consciência limpa (2Tm 1.3)
A questão do caráter era essencial para Paulo e o testemunho do cristão é
uma exigência:  “... Afaste-se da injustiça todo aquele que professa o nome do
Senhor” (2Tm 2.19). 
A credencial era: “Antes, renunciamos aos procedimentos secretos e vergonhosos; não
usamos de engano, nem torcemos a palavra de Deus. Ao contrário, mediante a clara
exposição da verdade, recomendamo-nos à consciência de todos, diante de Deus” (2Co
4.2 NVI).
2. Fé sem fingimento (2Tm 1.5)
Outra qualidade destacada é a honestidade da fé (v.5). Paulo reconhece
Timóteo como Jesus reconheceu a Natanael: “... Eis um verdadeiro israelita, em
quem não existe fingimento algum!” (Jo 1.47). Denuncia que muitos pregam o
evangelho “... por inveja e rivalidade, ... com fingimento,... com sinceridade...”  (Fp
1.15-18). O caráter do obreiro era assunto fundamental para o ministério da
Palavra (1Tm 3.1-15).
Cartas Pastorais para hoje
“A fé da moderna igreja evangélica possui 100 quilômetros de largura e 1 centímetro de
profundidade” – A.W. Pink (1886-1952) – evangelista cristão inglês. Comente em
relação à igreja evangélica em nossos dias.
III. A tarefa de defesa do evangelho
Paulo, depois de elogiar a Timóteo, assevera que um guardião do evangelho
precisa, além do caráter, ter a tríplice virtude da coragem cristã: “de poder, de
amor e de moderação”  (2Tm 1.7). É possível ter coragem sem poder (At
19.13-17), sem amor (Lc 9.51-56), sem moderação (Jz 11.29-40).
O evangelho deve ser protegido e pregado com autoridade e amor,
considerando os contextos culturais aonde chega (At 15.1-35). Paulo
estimula Timóteo a não se envergonhar das lutas nem se intimidar com as
oposições. Alguns, que antes eram guardiões do evangelho, abandonaram
Paulo e a fé (2Tm 1.15; 4.10). O apóstolo exorta Timóteo a ter coragem.
Os cristãos precisam de muita firmeza, porque há uma intensa batalha
espiritual (Ef 6.10-17). Por causa dessa luta, Paulo pede orações para que
não lhe falte intrepidez, a fim de continuar levando adiante o evangelho (Ef
6.18-20). Pregar é defender a causa do reino, e defender é uma das maneiras
de guardar o bom depósito. Esse é o bom combate do qual Paulo fala (2Tm
4.7) e conclama cristãos a se unirem “lutando juntos pela fé do evangelho”  (Fp
1.27).
A tarefa de escolta envolve não apenas perigos físicos (como devemos orar
pela Igreja Perseguida!), mas perigos doutrinários. Paulo alertou a Timóteo
sobre sua missão de escoltar o evangelho e defendê-lo na esfera ideológica.
A mesma defesa corajosa Paulo exigiu de Tito (Tt 1.10-11).
Cartas Pastorais para hoje
Precisamos ser exortados a ter coragem. Vivemos numa era em que os cristãos são
tentados de diversas formas a aceitar um tipo de “evangelho light” sem o estigma da
cruz. O apóstolo Paulo concordaria com Judas quando este disse: “... senti que era
necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas
confiada aos santos” (Jd 1,3 NVI).
Nota: A próxima lição desta revista dedicará seu estudo a alertar os cristãos
desses perigos doutrinários.
Conclusão
Numa era de discursos religiosos que usam a Bíblia como resumo de
informações sempre favoráveis para a vida material, o evangelho corre
perigo de ser confundido. Por isso, os cristãos devem ser estimulados a lutar
para desfazer sofismas que ameaçam a igreja. Dentre fiéis do passado que
lutaram pela fé, destacamos o pastor Dietrich Bonhöeffer que lutou pelo
evangelho durante o movimento nazista. Ele foi capaz de perceber que a
Igreja Alemã estava  “abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela
graça de Cristo, para seguirem outro evangelho”  (Gl 1.6 NVI). E não apenas
identificou teologicamente, mas defendeu publicamente, expondo-se ao
perigo que o alcançou. Em sua obra Vida em Comunhão, Bonhöeffer denuncia
que é possível professar ser cristão, mas deixar Cristo à margem, e que a
igreja estava colocando um homem (Führer) acima do Senhor. Ele morreu
enforcado num campo de concentração nazista.
10
Sofrer pelo evangelho
Eduardo M. Bi�encourt
texto básico 2Timóteo 2.1-26
versículo-chave 2Timóteo 2.3
“Participe dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus.” 
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai entender que o servo de Deus sofrerá por pregar
fielmente o evangelho, e será estimulado a pregar corajosamente, zelando pela
sã doutrina.
leia a Bíblia diariamente
seg 2Tm 2.1-13
ter 2Tm 2.14-19
qua 2Tm 2.20-26
qui At 7.54-60
sex Ef 1.15-23
sáb Ef 2.19-22
dom 1Co 15.9-11
P aulo estava preso pela segunda vez, em Roma, sem esperança de que seria
liberto (2Tm 4.6-8). Numa cela fria, algemado e aguardando o martírio, ele
esperava se alegrar encontrando Timóteo, seu filho na fé (2Tm 1.4). O
apóstolo exortava o jovem pastor a permanecer firme em seus deveres e
apegado à sã doutrina, participando dos seus sofrimentos por causa do
evangelho.
Num clima de extrema perseguição aos cristãos por parte do imperador
Nero, do surgimento de várias heresias que dominavam a Ásia naquele
tempo e da iminência do seu martírio, o apóstolo Paulo estava preocupado
que o seu  “verdadeiro filho na fé”  guardasse “o bom tesouro”  do evangelho de
Cristo (2Tm 1.14) e assumisse a responsabilidade da mensagem da salvação
mesmo que isso implicasse sofrimento para ele (2Tm 1.8,12).
Cartas Pastorais para hoje
Qual é o nosso compromisso com o evangelho e com a sã doutrina num mundo cheio
de heresias e de filosofismos?
No texto a respeito do sofrimento pelo evangelho, é possível perceberque
Timóteo havia recebido:
I. Um chamado a participar
(2Tm 2.1-6)
“... participe comigo dos sofrimentos...”.  O servo de Deus precisa compreender
que todo ganho vem acompanhado de sofrimento.
1. Um soldado (v.3-4)
Deveria demonstrar total lealdade Àquele que o alistou. Muito mais do que
viver destituído de comodidades, ele deveria estar disposto a sofrer
perseguição por viver em completa consagração à missão do seu
Comandante.
2. Um atleta (v.5)
Paulo se refere a um atleta que luta segundo as regras. Todo atleta
estabelece metas 
e mantém uma forte disciplina em relação aos seus treinos para poder levar
o 
prêmio. No ministério, é o Senhor Quem estabelece as regras e recompensa
Seus 
ministros (2Co 5.10).
3. Um lavrador (v.6)
A recompensa do lavrador está no fruto do seu trabalho árduo. Não haverá
colheita se não tiver trabalho. Somente os que saem andando e chorando
enquanto semeiam é que voltarão com júbilo trazendo os seus feixes.
Timóteo deveria ponderar no que o apóstolo estava dizendo, porque, se ele
assim fizesse, o Senhor lhe daria compreensão em todas as coisas. A
meditação humana e a iluminação divina andam juntas, uma não anula a
outra!
II. Modelos para imitar
Paulo passa a exemplificar o que havia acabado de falar, ressaltando o
exemplo de Cristo e o seu próprio de que todo ganho vem depois de
sacrifício. O soldado será condecorado, o atleta levará o prêmio, e o
agricultor comerá dos primeiros frutos, se forem completamente dedicados.
1. Cristo
Olhando para Jesus, vemos que “... em troca da alegria que Lhe estava proposta,
suportou a cruz... e está sentado à direita do trono de Deus” (Hb 12.2). Primeiro a
cruz, depois a alegria. A humilhação vem antes da glorificação. Jesus Cristo
morreu, mas ressuscitou. Foi humilhado, mas Deus já O fez assentar “acima
de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa
mencionar...”(Ef 1.21).
2. Paulo
O apóstolo estava “sofrendo algemas”, mas suportava isso porque sabia que
o seu ministério levava salvação aos eleitos de Deus. As convicções que ele
possuía de que viveria e reinaria com Cristo, e de que negar a Cristo
significaria ser negado por Ele também o estimulavam a permanecer firme.
O Dr. Carlos Osvaldo disse que “a certeza da fidelidade de Cristo no seu
trato com 
Seus servos traz encorajamento para perseverar na provação” (2Tm 2.11-
13) Pinto, C.O.C., Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento; Ed. Hagnos.
O texto afirma que:
se alguém morrer com Cristo, também viverá com Cristo (v.11);
se alguém perseverar até ao fim, reinará com Cristo (v.12);
se alguém negar a Cristo, será negado por Ele (v.12);
se alguém for infiel a Cristo, isso não invalidará a Sua fidelidade
devido ao Seu caráter (v.13).
Timóteo poderia, como disse Stott, quando tentado a evitar sacrifícios,
humilhação, sofrimento ou morte em seu ministério, lembrar-se de Jesus
Cristo, e reconsiderar tudo de novo!
Cartas Pastorais para hoje
Estamos dispostos a sofrer por causa do evangelho, para que os homens obtenham a
salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória (2Tm 2.10)? Que preço temos
pago por causa do evangelho? O ganho está atrelado a esse investimento.
III. Um chamado a realizar
(2Tm 2.1-3,14-19)
Paulo prossegue dizendo sobre a importância de propagar a mensagem que
fora transmitida de Jesus para ele e dele para Timóteo, a homens capazes de
transmiti-la a outros, e assim por diante. O ministério da Palavra deveria ser
a sua prioridade. Nada e ninguém deveria demover Timóteo dessa missão.
Em relação a este ministério podemos perceber:
1. Sua força: a graça que está em Cristo Jesus (v.1)
A graça de Deus não apenas nos salva (Ef 2.8), mas também nos educa (Tt
2.11-12) e nos capacita (1Co 15.10).
2. Seu conteúdo: o ensino apostólico (v.2a)
O ministro de Deus não tem autoridade para criar a mensagem, mas deve
transmitir aquela que recebeu dos apóstolos de Cristo. A igreja só é igreja se
estiver alicerçada sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2.20).
3. Seu alvo: homens moralmente sadios e intelectualmente
capazes (v.2b)
O sucesso do ministério de um líder está na sua capacidade de transmitir a
mensagem a homens que possam transmitir a outros. Esta, sem dúvida, é a
melhor maneira de proteger o “bom tesouro de Cristo”, por várias gerações,
contra as falsas doutrinas e os falsos cristãos.
4. Sua consequência na identificação: sofrimento (v.3)
O ministério de transmitir o ensino apostólico a homens sadios e
intelectualmente capazes conta com a capacitação de Deus, mas também
envolve sofrimento. Paulo estava preso por causa do evangelho, e Timóteo
deveria seguir seu exemplo dando testemunho na presença de Deus e
procurando Sua aprovação.
Mais uma vez, três metáforas são usadas, agora para se referir à
responsabilidade que o obreiro de Deus deve ter com a sã doutrina.
a. Primeira metáfora  – um bom obreiro  (v.15-19) que tem
como função principal a exposição da palavra de Deus. Se Timóteo
se apresentasse a Deus manejando bem a Palavra, isto é, fizesse um
corte reto na Palavra (uma referência à exatidão exigida de alguns
ofícios como o de carpintaria e o de fabricação de tendas), 
não teria de que se envergonhar e se distinguiria de Himeneu e
Fileto. Estes, com ensino “torto”  “falatórios inúteis e profanos”,
estimulavam a impiedade e pervertiam a fé de alguns (v.17-18).
Stott destacou que a obra executada pelo obreiro cristão é o ensino,
e que há dois tipos de obreiros: os aprovados que não têm de que se
envergonhar, e os maus obreiros que deveriam se envergonhar
profundamente. A diferença entre essas duas categorias de obreiros
está no manejo da palavra da verdade. 
Apesar de o falso ensino estar entrando na igreja e desviando a fé de
alguns, Timóteo deveria firmar-se no duplo fundamento da verdade
divina: “a verdade divina está segura nos eleitos de Deus e na
separação do mal pelos verdadeiros crentes” (Carlos Osvaldo, obra
já citada).
b. Segunda metáfora – os utensílios de honra e os de
desonra  (v.20-23). Os utensílios de ouro e de prata
provavelmente eram usados em ocasiões especiais pelos 
donos dos palácios, diferentemente dos utensílios de madeira e
barro que são do uso comum dos empregados. Paulo ainda estava se
referindo aos mestres aprovados e aos reprovados, e lançou mão de
outra metáfora, usando vasos nobres, para ministros autênticos
como Timóteo, e vasos indignos, para os falsos como Himeneu e
Fileto.
A purificação pessoal é fundamental para que o ministro de Deus se
torne um “utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando
preparado para toda boa obra”. Nada pode ser mais honroso do que
ser usado pelo Senhor Jesus quando Este solicitar. A purificação
doutrinária (a si mesmo se purificar destes erros) e moral (v.22 - Foge)
atrelada à busca pelas virtudes cristãs essenciais com aqueles que
adoram ao Senhor sinceramente o tornarão nesse instrumento útil.
c. Terceira metáfora – o “servo do Senhor” (v.24-26) que não
pode viver a contender, mas deve revelar características
fundamentalmente cristãs e ministerialmente necessárias. Ele deve
ser:
“brando para com todos” – manso;
“apto para instruir”  – capaz de ensinar, tanto para instruir
como 
para corrigir;
“paciente”  – tolerante com os erros doutrinários e morais
das pessoas;
apto para disciplinar  “com mansidão os que se opõem”  – a
atitude diante da disciplina deve ser de humildade,
brandura e consideração.
Cartas Pastorais para hoje
Temos nos comprometido com o processo de transmissão da sã doutrina? Quem eu
tenho discipulado?
Será que estamos sendo aprovados por Deus na forma como manejamos a Palavra da
verdade?
Quando ministramos, buscamos a aprovação de Deus ou dos homens?
Conclusão
Timóteo receberaum chamado para participar, modelos a imitar e uma
missão a realizar. Como cristãos, devemos nos unir aos nossos irmãos que
sofrem por cumprir, com fidelidade, a missão delegada pelo Senhor Jesus,
certos de que receberemos a recompensa da herança.
Cartas Pastorais para hoje
Você tem buscado pureza doutrinária e moral para asua vida?
Quais características do “servo de Deus” precisam ser trabalhadas em sua vida?
D
11
Permanecer no evangelho
John D. Barne�
texto básico 2Timóteo 3.1-17
versículo-chave 2Timóteo 3.14
“Quanto a você, permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita
firmemente, sabendo de quem você o aprendeu.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai entender que, mesmo vivendo dias difíceis e de
apostasia para muitos, valerá a pena permanecer firme no evangelho.
leia a Bíblia diariamente
seg 2Tm 3.1-9
ter 2Tm 3.10-17
qua Fp 2.12-18
qui Rm 1.1-17
sex Mt 24.1-14
sáb 1Ts 1.1-10
dom Jd 17-25
eitado numa fria e úmida masmorra em Roma, tendo como luz apenas
uma fresta no telhado e aguardando a decapitação, Paulo, agora idoso
e esgotado pelo longo e árduo serviço a Deus, ainda está preocupado com o
futuro do Evangelho. Sua mente vagueia pensando ora na timidez de
Timóteo, ora na maldade dos tempos. Timóteo é um jovem tão fraco, e a
oposição tão forte! É estranho que um jovem fraco assim seja chamado por
Deus para combater o bom combate da fé 
(2Tm 4.7). Ele não deve conformar-se ao espírito de sua época, mas antes
deve permanecer firme na verdade.
I. Enfrentando tempos difíceis “nos últimos dias”
(2Tm 3.1)
Paulo descreve a Timóteo a situação que existe no mundo de hoje. John
Stott diz: “Pode ser natural aplicar este termo a uma época futura, aos dias
imediatamente precedentes ao fim, quando Cristo retornar. Contudo, a
correta prática bíblica não nos permite uma tal explicação, por ser convicção
dos autores do NT que a nova era (prometida no AT) chegou com Jesus
Cristo... Pedro, no dia de Pentecostes, se referiu à profecia de Joel, dizendo
que ‘nos últimos dias’ Deus derramaria o Seu Espírito ... e essa profecia então
se cumpria.” Sendo assim, estamos vivendo nesses  “últimos dias”  e
concordamos com aquilo que Paulo acrescenta: “sobrevirão tempos difíceis”. E
esses dias difíceis serão decorrentes das atividades de homens maus.
II. Os homens maus são descritos
(2Tm 3.2-9,13)
1. Quanto à conduta moral (v.2-4)
a. O amor deles está mal dirigido (v.2,4)
amor a si mesmo (egoístas);
amor ao dinheiro (avarentos) (veja 1Tm 6.9-10);
amor aos prazeres (mais amigos dos prazeres);
e não amor a Deus.
São indivíduos cheios de orgulho, sendo capazes de amar muito mais os
prazeres que a Deus (Tg 4.4; 1Jo 2.15-17).
a. São orgulhosos, arrogantes, blasfemadores  (v.2) –
Pessoas que têm opinião exagerada sobre si mesmas, menosprezam
as outras e falam mal.
b. A vida familiar está deteriorada, especialmente a atitude
adotada por alguns jovens em relação aos pais  (v.2-3) –
  “desobedientes aos pais, ingratos(destituídos de elementar
estima),  irreverentes  (alusão a falta do respeito
filial),  desafeiçoados  (sem afeição natural)  e
implacáveis  (irreconciliáveis – descreve a situação talvez de jovens
revoltados que não querem ter diálogo).
c. São mal agradecidos e malcriados  (v.3) –
  “caluniadores  (grego,  diabolos, literalmente  “diabos”), traduzido
também por  “mentirosos”  (propagadores de notícias maliciosas e
falsas – os famosos Fake News); cruéis  (grosseiros). “Sem domínio de
si”  significa carentes de autocontrole. O coração está cheio de
maldade e maquina o mal o tempo todo (Pv 6.12-19).
d. São traidores e atrevidos  (v.4) – Refere-se a pessoas
obstinadas, em quem não se pode confiar, não se detêm diante de
nada para obter seus propósitos (Mq 7.5-6).
2. Quanto à observância religiosa (v.5)
São pessoas que fazem profissão de fé no cristianismo, mas, pelo mau
comportamento, demonstram viver uma vida de mentira.
3. Quanto aos métodos (v.6-9)
Paulo mostra que são traiçoeiros e usa expressões espantosas:  “penetram
sorrateiramente nas casas”;  “mulherinhas sobrecarregadas de pecados”. Pode-se
supor que elas estavam buscando experiências que produzissem sensações.
O quadro que Paulo pinta aqui é relevante em qualquer época na qual falsos
mestres estejam operando. Ele tem convicção de que o erro não pode vencer
no final. Janes e Jambres não são mencionados em nenhum lugar na Bíblia –
parece que era o nome de dois mágicos de Faraó, chamados para imitar os
milagres executados por Moisés. Paulo está convicto de que esses falsos
mestres “não irão avante”. O verdadeiro líder de Deus pode ter a convicção de
que todos os falsos sistemas no fim serão desmascarados.
4. Quanto ao caráter (v.13)
São pessoas más, cruéis, fingidas, inimigas do bem, vão de mal a pior,
enganando e sendo enganadas (Jd 12-16). “Depois de espalhar mentiras por
tanto tempo, acabam acreditando nelas” (W. MacDonald).
Cartas Pastorais para hoje
“Dentro da igreja, no meio da visível sociedade de crentes professos, há homens de
caráter e conduta imorais, de religiosidade puramente exterior, de mente corrupta e de
fé fingida. Nós não devemos nos contagiar nem nos deixar levar por esta maré, mas sim
resistir corajosamente à onda prevalecente” (John Stott). ALUNO, TENHA MUITO
CUIDADO!
III. Mas o servo do Senhor é diferente!
(2Tm 3.10-17)
Quando John Stott escreveu o comentário sobre a Segunda Carta de Paulo a
Timóteo, deu este título ao livro: “Tu, porém”. Ele escreveu no prefácio: “As
palavras que para mim sintetizam esta epístola são as duas palavrinhas: ‘Tu,
porém’, que aparecem quatro vezes nesta epístola”. Duas dessas vezes
aparecem nos versículos 10 e 14.
As qualidades espirituais (fé, longanimidade, amor, perseverança) que
Paulo tinha demonstrado são as mesmas que ele já havia recomendado ao
próprio Timóteo na sua primeira carta (veja 1Tm 6.10). Paulo chama seu
filho na fé para ser totalmente diferente e, se necessário, permanecer
sozinho.
1. Siga o exemplo de Paulo (v.10-13)
Timóteo conhecia bem o exemplo de vida e ministério de Paulo que é
destacado aqui.
a. No ensino:  Timóteo abraçou o ensino de Paulo, que sempre foi
fiel à palavra do Senhor. “Sem dúvida, no início, Timóteo teve
dificuldades para entender o sentido da instrução dada por Paulo,
mas foi em frente. Ele se apossou do ensino, creu nele, absorveu-o,
e viveu de acordo com o mesmo...” (Stott).
b. No procedimento:  Timóteo começou por observar o modo de
vida do apóstolo... e passou a imitá-lo.
c. No propósito: Era de se afastar da moral e da doutrina do mal.
d. Na fé:  Timóteo conhecia de perto a grande fé que Paulo sempre
demonstrava no Senhor.
e. Na longanimidade, no amor e na perseverança:  Paulo
tinha capacidade de não perder a paciência com pessoas, ele
demonstrava o grande amor de Deus (como Paulo enfatizou em
1Coríntios 13).
f. Nos sofrimentos: Falam dos incidentes da primeira viagem, pois
foi nela que Paulo conheceu a Timóteo. Naturalmente ele lembrava
vividamente que Paulo exerceu perseverança a qual muito o
influenciou a se envolver na obra missionária. Paulo menciona três
cidades da Galácia onde sofrera perseguição: Antioquia, Icônio e
Listra, porque Timóteo era cidadão de Listra e, provavelmente,
presenciou o apedrejamento de Paulo pelo povo hostil, quando foi
arrastado fora da cidade e lançado à sarjeta para morrer,  “mas o
Senhor o livrou”. Leia Atos 13.45-50; 14.3-7,19-23. Timóteo
aprendeu que sofrimento faz parte da vida cristã (v.12), pois “todos
quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão
perseguidos” (2Tm 3.12; Jo 15.18-20; 16.33).
Cartas Pastorais para hoje
Sabemos que as pressões sobre nós para que conformemos com este mundo são
muito grandes, não somente em relação à doutrina cristã, mas também em relação ao
secularismo que já tem infiltrado no meio da igreja. Paulo nos exorta: “Não vivam como
vivem as pessoas deste mundo...” (Rm 12.2 NTLH).
2. Permaneça nas Escrituras Sagradas (v.14-17)
a. “Tu, porém” (v.14) – Mais uma vez Paulo começa um parágrafo
com  “Tu, porém”, distinguindo Timóteo dos  “homens perversos e
impostores”  do v.13. Paulo sempre lembra seu filho na fé de
permanecer firme nos ensinamentos da palavra de Deus. Como essa
é uma palavra necessária nos dias de hoje, quando a toda
hora  “homens impostores”  se orgulham de inventar “uma nova
teologia”!
b. A origem da Escritura  (v.15) – Paulo afirmacategoricamente
que “toda a Escritura é inspirada por Deus” – ela é “soprada” por Deus.
John Stott salienta que “Paulo está afirmando duas verdades sobre a
Escritura, a saber: que ela é inspirada por Deus e que ela é útil... Ela se
originou na mente de Deus e foi comunicada pela boca de Deus,
pelo sopro de Deus, ou pelo Seu Espírito”.
c. O propósito da Escritura  (v.15-17) – Paulo prossegue,
mostrando que a utilidade das Escrituras é tanto para a doutrina
cristã como para a nossa conduta.
Dá sabedoria que leva à salvação.
É útil para ensinar a verdade.
É valiosa para condenar o erro.
É útil para corrigir as faltas.
Acima de tudo, é valiosa para  “... ensinar a maneira certa de
viver. E isso para que o servo de Deus esteja completamente
preparado e pronto para fazer todo tipo de boas ações” (NTLH).
Conclusão
Esta é uma palavra para nós hoje, nestes “tempos difíceis”, numa sociedade
permissiva em que há tanta pressão para se acomodar. Tu, porém, permanece
naquilo que aprendeste”.
12
Pregar o evangelho
Luiz César Nunes de Araújo
texto básico 2Timóteo 4.1-22
versículo-chave 2Timóteo 4.2
“Pregue a palavra, insista, quer seja oportuno, quer não, corrija, repreenda,
exorte com toda a paciência e doutrina.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai entender a luta espiritual em que os servos de
Deus estão inseridos quando resolvem pregar o evangelho com mais seriedade,
e buscará pregar o evangelho com coragem e ousadia.
leia a Bíblia diariamente
seg At 16.19-26
ter At 19.23-41
qua At 20.17-35
qui At 21.17-26
sex At 23.1-24
sáb At 24.1-27
dom At 28.16-31
Paulo estava preso e tinha a preocupação de que o evangelho de Cristo
continuasse sendo pregado. Timóteo foi advertido, conjurado, a continuar
pregando. Ele precisava fazer da pregação da palavra de Deus o objetivo
primordial de sua vida. Com essa forte convicção, Paulo o orienta e, de certa
forma, nos orienta também a pregarmos o evangelho a qualquer tempo, em
qualquer lugar, a qualquer pessoa. Essa pregação, no entanto, precisa ser
cercada de certos predicativos.
I. Pregar com fidelidade e ousadia
(2Tm 4.1-5)
O evangelho de Cristo é a mensagem mais preciosa que alguém necessita
ouvir. Assim, precisamos pregar com fidelidade e ousadia. Paulo nos dá
alguns motivos relevantes para pregarmos ousadamente.
1. Por causa do julgamento (v.1-2)
Paulo está gritando:  “Diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar vivos e
mortos, pela sua manifestação e pelo seu Reino, peço a você com insistência que pregue
a palavra”. Ele entendia que a pregação era a única maneira de preparar os
homens para o julgamento que ocorrerá quando Jesus regressar. Ele se
refere àquele julgamento que será realizado após a ressurreição (2Co 5.10).
Essa pregação apaixonada salvará alguns e condenará outros. Apenas
devemos lembrar que, mesmo pregando com tanta ousadia, não devemos
ultrapassar os limites do bom senso. Preguemos  “com toda a paciência e
doutrina” (v.2).
2. Por causa da doutrina (v.3-4)
O velho apóstolo parece estar em nossas igrejas dizendo: “não deixemos que
as igrejas sejam dirigidas por falsos mestres, por gente que fala para aguçar
os desejos humanos”. Haverá um tempo em que os ouvintes preferirão ouvir
as fábulas, as histórias bonitas e extravagantes em detrimento do verdadeiro
evangelho de Cristo (v.3). Será que já chegou esse tempo em que a maioria
dos homens terá dificuldade para ouvir a verdade? Sejamos firmes em nossa
proclamação. Devemos ser fiéis e ousados. O evangelho é digno desse
cuidado especial.
3. Por causa do ministério (v.5)
Paulo orienta Timóteo a se diferenciar dos que pregam para agradar aos
homens. Ele diz:  “Mas você...”  (v.5). Ele não poderia impedir que homens
maus pregassem fábulas e doutrinas falsas, mas Timóteo não deveria se unir
a eles. O servo fiel terá que suportar as aflições, terá que fazer o árduo
trabalho de evangelista e cumprir cabalmente, sem interrupção, o ministério
dado por Deus, sabendo que passará por muitas tribulações (Jo 16.33).
Cartas Pastorais para hoje
Há uma grande fome da sã doutrina em muitas igrejas. Ore para que os nossos
pregadores sejam fiéis na pregação da Palavra, pois é a maior necessidade nas igrejas
evangélicas de hoje.
II. Pregar com perseverança
(2Tm 4.6-8)
Ao fechar a cortina da vida, a cena que está diante de Paulo é a de que ele
logo partirá para se encontrar com Cristo (v.6-7; Fp 1.23). Mas ele não
termina sua carreira como fracassado, ao contrário, olha para o passado e
diz:  “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.”  Paulo não
desperdiçou sua vida vivendo de forma banal, não investiu seu tempo
correndo atrás de coisas vãs e passageiras. Ele apresenta, neste texto, o
significado de pregar com perseverança.
1. Significa combater o bom combate
Paulo combateu o bom combate. O termo aqui no grego é agonizomai, que
traz a conotação de uma luta intensa, até agonizar, até não aguentar mais.
Nós também nos encontramos numa batalha espiritual constante. A Bíblia
faz referência a três inimigos do salvo: Satanás (1Pe 5.8-9), o mundo (1Jo
2.15-17) e a nossa própria carne (Gl 5.16-17). Felizmente temos os recursos
para ser vitoriosos. A leitura da Bíblia, a oração e a comunhão com os irmãos
são algumas das ferramentas para vencermos sempre.
2. Significa completar a carreira
Paulo correu até ao fim. A vida cristã é como uma grande corrida, e devemos
correr com perseverança até à bandeirada final (Hb 12.1-2). Completar a
carreira significa fazer tudo o que deve ser feito. Paulo exorta Timóteo a
cumprir cabalmente o ministério confiado a ele (e a nós!) (v.5). Jesus é o
maior exemplo desse ministério completo. Ele mesmo foi incentivado a
receber a glória sem a cruz, especialmente na tentação, no deserto (Mt 4.8-
9), porém, não retrocedeu até que tudo estivesse consumado. Jesus nos
amou até ao fim (Jo 13.1).
3. Significa guardar a fé
Agora Paulo usa o verbo  guardar, que tem o sentido de observar, não de
esconder. Ele lutou conforme a exata determinação que recebera de Deus,
não acrescentou nem tirou nada; ele obedeceu.
O Espírito Santo nos ajuda a preservar esse tesouro (2Tm 1.14). Assim, no
mesmo Espírito, em meio a tantas lutas, falsas doutrinas e desvios
doutrinários que rodeiam a igreja de Cristo, devemos guardar a fé, a
doutrina, a convicção doutrinária, os seus postulados, aquilo que
aprendemos desde o início.
Cartas Pastorais para hoje
Trabalhemos hoje para que, no final de tudo, possamos olhar para trás e observar que
levantamos gloriosas bandeiras: a de ter combatido o bom combate, terminado a
carreira, guardado a fé!
III. Pregar com parceria e amizade cristã
(2Tm 4.9-13,19-22)
Precisamos sempre ter amigos cristãos. O próprio Senhor Jesus se cercou de
discípulos que mais tarde foram chamados de amigos (Jo 15.15). Salomão
nos ensina que há amigos mais chegados do que irmão (Pv 18.24). Paulo
cita tantos amigos em suas cartas. Aqui, neste texto, ele fala de Timóteo,
Lucas, Marcos, Tíquico, Carpo, Priscila e Áquila, Onesíforo, Erasmo,
Trófimo, Êubulo, Prudente, Lino, Cláudia. Ele nunca trabalhou de maneira
isolada.
O texto nos apresenta razões por que Deus nos impulsiona à amizade
espiritual.
1. Para o nosso auxílio pessoal e ministerial
Paulo pediu que Timóteo fosse ao seu encontro (v.9). Ele se sentia muito
sozinho, pois havia perdido a companhia de Demas, de Crescente e de Tito.
O Senhor Jesus teve o mesmo sentimento em Seus últimos dias de vida (Mt
26.38). Em todas as suas cartas, Paulo faz referência aos cooperadores, aos
companheiros de ministério. Ele cita Urbano (Rm 16.9), Timóteo (Rm
16.21), Tito (2Co 8.23), Aristarco, Demas e Lucas (Fm 24). Feliz é o servo
de Deus que atrai para a causa de Cristo os cooperadores, os que cooperam
com ele. Lembremo-nos sempre de que somos servos, não senhores uns dos
outros, e todos servos de Cristo. O único Senhor é Jesus, e mesmo Ele foi
tantas vezes definido como “Servo” (Is 53.11; At 3.13,26).
2. Para o nosso aperfeiçoamento espiritual
Ao se referir a João Marcos, Paulo o considera útil para o seu ministério(v.11). No passado, João Marcos tinha abandonado a missão. Assim,
quando Barnabé quis levá-lo para visitar as igrejas, Paulo não permitiu.
Houve discórdia entre eles (At 15.36-41). Os anos se passaram, e agora
Paulo reconheceu que João Marcos lhe seria muito útil no ministério. Deus
usa os nossos companheiros de caminhada para nos ensinar, para nos
aperfeiçoar, para nos modelar. Sem essa amizade cristã, não teríamos
oportunidade de ser transformados por Deus.
3. Para o nosso suprimento
Paulo solicita ao seu pupilo Timóteo que leve até ele a sua capa e os seus
livros (v.13). Ele pede estes favores a um de seus discípulos mais amados.
Em outros textos, Paulo se refere a pessoas que o sustentavam. A mãe de
Rufo foi considerada por Paulo como sua própria mãe (Rm 16.13). A igreja
de Filipos tinha levantado uma oferta para o velho apóstolo, agora preso (Fp
4.18). Ele aceitou de bom grado o que lhe foi oferecido. Semelhantemente
Jesus também foi assistido por algumas mulheres (Mc 15.41).
Cartas Pastorais para hoje
As pessoas que Deus levanta para cooperar com o trabalho são bênçãos para a obra,
mas o são também para nós. Este é o sentido de Jesus ter criado a Sua igreja: Ele
queria que fôssemos bênçãos uns para os outros. Você sido bênção?
IV. Pregar, mesmo havendo adversários e
adversidades
(2Tm 4.14-18)
Já vimos que Paulo era alguém que trabalhava em equipe, no entanto, esse
homem de Deus tinha muitos adversários e grandes adversidades. Ele cita a
dor que lhe impuseram as autoridades e as falsas testemunhas numa
audiência judicial. É possível que Alexandre, citado no verso 14, tenha sido
uma testemunha muito prejudicial ao velho apóstolo. Muitos o
abandonaram durante o julgamento e não o defenderam (v.16). Também
temos amigos e parceiros, mas sempre haverá adversário e adversidade em
nossa jornada cristã. Em tempo de adversidades, devemos tomar alguns
cuidados.
1. Verificar cuidadosamente a adversidade
Paulo tinha plena convicção de que o sofrimento que lhe fora imposto era
em função do evangelho (v.17). A pregação deveria ser protegida, e não a
pessoa humana. A sua vitória não era em função de um livramento pessoal,
mas da possibilidade de pregar o evangelho. Não há mérito algum em sofrer
por causa de nossas próprias falhas, mas sofrer para que o evangelho flua é
um desafio muito precioso (1Pe 2.19-20). Sejamos gratos, no entanto, se o
sofrimento nos vier por causa de Cristo e Sua obra. Tenhamos esse
sofrimento como graça especial (Fp 1.29).
2. Trabalhar bem a reação (v.14-16)
Observemos que Paulo, nos dias mais difíceis de sua vida, reagiu de modo
cristão. Diante de Alexandre, simplesmente disse: “o Senhor dará a retribuição
de acordo com o que ele fez”  (v.14). Da mesma forma, diante dos que o
abandonaram, se expressou assim:  “Que isto não lhes seja posto na
conta!” (v.16). Paulo se assemelhou ao diácono Estêvão que, diante de seus
algozes, pediu que Deus não lhes imputasse aquele pecado (At 7.60). Os
dois estavam no mesmo espírito do Senhor Jesus, que suplicou perdão para
os que O matavam, dizendo:  “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que
fazem” (Lc 23.34).
A maturidade cristã é vista muito mais na reação do que na ação. A resposta
aos adversários e às adversidades revelam muito mais o que somos do que
quando agimos sem pressão alguma. Crentes maduros costumam reagir com
prudência diante das contrariedades (Rm 12.17-18).
3. Confiar intensamente em Deus
Paulo não subestima a adversidade, nem a humana nem a maligna (v.18). O
leão, aqui no final do verso 17, pode se referir a Nero, o Imperador, visto
que era homem sanguinário, ou ao próprio Satanás, que por Pedro é
comparado com o leão (1Pe 5.8). Paulo, homem experimentado nas
batalhas, nos exorta a tomarmos toda a armadura de Deus e, no final,
permanecermos firmes (Ef 6.10-13).
Cartas Pastorais para hoje
O Deus da História, que nos dá vitória diante dos adversários, é também o Deus da
eternidade. Nele podemos confiar plenamente.
Conclusão
Paulo termina essa carta e, possivelmente, três décadas de ministério, com
duas expressões grandiosas: a primeira é: “A ele, glória pelos séculos dos séculos.
Amém!” (v.18). A segunda, após a saudação final foi dirigida a Timóteo: “O
Senhor esteja com o seu espírito. A graça esteja com vocês” (v.22).
Com essas palavras, Paulo, na prisão, à beira da morte, esperava estimular o
tímido Timóteo, e todos nós a continuarmos o trabalho de Deus, até que
Cristo volte. Como bem terminou Stott o seu comentário: Dele a graça, a Ele
a glória. Quais serão nossas últimas palavras?
N
13
Prefácio e saudação da carta a Tito
Saulo César da Silva
texto básico Tito 1.1-4
versículo-chave Tito 1.4
“… a Tito, verdadeiro filho, segundo a fé comum. Que a graça e a paz, da parte
de Deus Pai e de cristo Jesus, nosso Salvador, estejam com você.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai conhecer o autor e o destinatário da carta, assim
terá prazer em estudá-la.
leia a Bíblia diariamente
seg 2Co 3.1-6
ter Gl 1.10-2.5
qua 1Co 15.9-11
qui 2Co 2.12-17
sex 2Co 7.5-16
sáb 2Co 8.16-23
dom 1Co 9.16-24
os tempos antigos, não havia computadores, internet, e-mails, por isso,
as cartas eram o meio mais comum para se comunicar com amigos e
pessoas queridas que estivessem longe. Naquele tempo, não havia canetas
esferográficas nem papel. Assim, as cartas eram escritas à mão, em couro
curtido (pergaminho), com um pincel levemente molhado num tinteiro.
Nos documentos importantes, como as epístolas, não poderia haver erros
nem rasuras. Se acontecesse, o couro deveria ser substituído. Imaginem o
trabalho que Paulo teve para escrever! Imaginem as dificuldades para que a
carta chegasse a Tito! Imaginem a alegria de Tito ao receber a carta! Graças
a Deus essa carta chegou a nós!
I. O remetente – Paulo
(Tt 1.1-3)
Há uma grande possibilidade de Paulo ter escrito esta carta quando se
encontrava na Macedônia, entre a primeira e a segunda prisão em Roma,
cerca de 64 a 67 d.C. Ele, mesmo considerando Tito como filho querido,
como era comum nas suas epístolas, se apresenta formalmente. Vejam
alguns comentários sobre a sua saudação.
“Esta saudação de abertura, construída de modo compacto e
intrincado, é esmerada e solene. De modo calmo, porém, firme,
Paulo reivindica e define de modo completo a função do
apostolado” (Kelly).
“Paulo, nos seus primeiros pronunciamentos, revela sua humildade,
sua 
autoridade, seu ponto de vista e a sua atitude” (D.L. Moody, citado
por 
Pfeiffer e Harrison).
1. Sua identificação
“servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo”
Na época de Paulo, era comum alguns indivíduos enviarem cartas às igrejas
e, para que essas cartas tivessem autoridade apostólica, eles se identificavam
como Paulo, Pedro, João, Tiago (cf. 2Ts 2.1-2). Aqui quem escrevia era o
verdadeiro Paulo.
“Servo de Deus”: Abraão, Moisés e Davi foram os primeiros que
receberam esse título (Sl 105.42; Dn 9.11; 2Sm 7.5). Paulo, talvez
para combater os insubordinados da circuncisão (1.10), se
posiciona ao lado deles. Para Barclay, ser  “servo de Deus”  significa
tanto a posição à qual ele se colocava diante de Deus, como
também a autoridade que recebia de Deus. Ou seja, sendo servo
submisso, Paulo, assim como os demais profetas do passado, era
comissionado e autorizado por Deus. Portanto, tudo que fazia, por
ser ordem divina, tinha autoridade e autenticação divinas.
“Apóstolo de Jesus Cristo”: o termo “apóstolo” significa “mensageiro”, isto
é, alguém enviado para anunciar a mensagem de Deus. Um enviado
sempre leva sobre si uma autoridade delegada. Aqui se explica em
que sentido Paulo é servo de Deus, a saber, ele serve como
emissário de Jesus. Assim, o verdadeiro enviado fala com o acento
da segurança e da autoridade de alguém que sabe. As palavras “eu
acho” ou “eu penso” não são usadas por ele. Isso porque sua fala e
sua mensagem não são propriamente suas, mas de Cristo.
2. Sua missão
“proclamar a fé e o conhecimento da verdade”
Esse ministério define o serviço apostólico. Para Bürki, esse serviço está
fundamentado naquilo que Deus feze faz. Não tem sua origem em Paulo,
mas em Deus. Foi confiado a Paulo, mas quem efetua e realiza a obra é
Deus. Assim como num supermercado existem os promotores que
promovem produtos que não lhes pertencem, a fé e o conhecimento que
Paulo promovia eram originários de Deus.
A fim de capacitar o homem para a vida com Cristo, o dever do apóstolo era
despertar nele a fé, ou seja, a confiança total e absoluta em Deus, a fé que
leva o homem a viver de tal maneira que outros vejam Cristo refletido nele,
fé que desperta no coração o desejo de se capacitar e aprofundar no
conhecimento divino.
Não está em jogo mero conhecimento da verdade, mas um conhecimento
que levava à fidelidade a Deus. Assim, a tarefa de Paulo era pregar o
evangelho que oferecia, não apenas um credo intelectual ou um código
moral, mas a própria vida de Deus.
3. Sua esperança
“a vida eterna com Deus”
O fundamento da confiança, tanto de Paulo como de todo aquele que prega
e recebe a verdade, é a esperança da vida eterna. Tal esperança é o alicerce
lançado antes da fundação do mundo, e Deus, Aquele que não engana nem
mente, é o idealizador (2Tm 1.9). Segundo o  Comentário Moody, esses
eternos propósitos começaram a ser desfrutados pelo mundo por meio da
pregação. Paulo recebeu e pregou essa mensagem.
Kelly argumenta que o serviço de Paulo tem cunho escatológico (do fim dos
tempos). Nele, Paulo se agarra, pois, praticando-o no presente, fortalecia
sua esperança no Cristo ressuscitado e na mensagem salvadora trazida por
Cristo. Assim, a mensagem de Paulo não é nada mais que o compartilhar da
esperança da vida com Deus.
Cartas Pastorais para hoje
Como é bom ter amigos que se importam conosco, amigos que compartilham suas
bênçãos, que nos encorajam e nos aconselham! Você tem amigos? Amigos de quem
você não se esquece e pelos quais se importa, aconselha e ora? Paulo se lembrou de
Tito e escreveu para ele num tempo em que a comunicação era muito difícil. Assim
como Paulo fez, devemos fazer também.
II. O destinatário – Tito
Tito, a quem Paulo endereçou a carta (v.4), estava em Creta, uma ilha grega
localizada no mar Mediterrâneo. Paulo havia passado por lá quando estava
sendo levado para a prisão, em Roma (At 27.7-13,21). No entanto, as igrejas
que lá havia, poderiam ter sido fundadas por ele ou surgido pela ação de
judeus convertidos no dia de Pentecostes (At 2.11). Mas, sendo Paulo ou
outros que tenham iniciado a igreja, parece que ele esteve noutra ocasião em
Creta e deixou Tito para que continuasse a obra lá iniciada (Tt 1.5). Neste
versículo 4, Paulo apresenta Tito usando as seguintes expressões:
1. “Um verdadeiro filho na fé”
O termo “verdadeiro”, usado por Paulo, significa: legitimamente nascido, não
espúrio, genuíno, sincero, autêntico. Paulo chamou Timóteo e Onésimo da
mesma forma que chamou Tito (1Tm 1.2,18; 2Tm 1.2; 2.1; Fm 10). Ou
seja, Tito, assim como Timóteo e Onésimo, abraçou a fé em Jesus por meio
da proclamação do apóstolo, representando fruto real do seu serviço.
2. Alguém que compartilhava da mesma fé
Alguns entendem que essa fé comum é uma analogia à comum salvação,
herança que Deus dá a todos (cf. Jd 3). O Comentário Moody concorda com
essa ideia e, segundo ele, Tito foi encarregado de fundamentá-la em Creta.
No entanto, J.N.D. Kelly entende que aqui a expressão é de foro íntimo e
pessoal; assim deve ser tratado, pois assim o contexto requer. Hans Bürki
entende que ela se apoia num relacionamento espiritual entre pai e filho. A
esse respeito, W. Barclay argumenta: “O grande dia para um pregador ou
um mestre é aquele em que seu filho na fé se converte em seu irmão na fé,
quando aquele que ensinou, treinado e nutrido está capacitado para tomar
seu lugar no trabalho da igreja, não já como um menor, mas sim como um
igual”. Em suma, Tito foi enviado a Creta, não apenas para falar como se
deve viver a vida cristã, mas para mostrar, pelo seu exemplo, como se vive a
vida cristã (Tt 2.7).
3. Um dos ajudantes mais valiosos e confiáveis de Paulo
Nas diversas referências feitas a Tito nas Escrituras, percebe-se que ele foi
importante colega de Paulo. Vejam e analisem as seguintes informações:
Mesmo sendo de origem grega (Gl 2.3), seu nome era de origem
latina, e com definição incerta, pode significar: “enfermeira ou ama-
seca”.
Ele foi destemido companheiro de Paulo. No concílio de Jerusalém,
igreja que não simpatizava muito com Paulo, este, além de Barnabé,
levou o destemido Tito (Gl 2.1).
Foi ele quem levou as orientações de Paulo à igreja de Corinto.
Quando a situação estava difícil ali, foi Tito quem levou uma das
cartas mais severas escritas por Paulo.
Tito, além de espiritual, era prático. Por isso, Paulo o escolheu para
organizar 
a coleta para os membros pobres da igreja de Jerusalém (2Co
8.6,10). Em 
Corinto, como colaborador fiel, ele andou no mesmo espírito do
apóstolo 
Paulo (2Co 8.16).
Tito, além de cooperar com Paulo em Corinto, também foi útil em
Nicópolis (Tt 3.12) e em Dalmácia (2Tm 4.10).
Sobre Tito, Barclay faz o seguinte comentário: “Há dois tipos de
pessoas: as que podem fazer com que uma situação má piore, e as
que conseguem trazer ordem ao caos e paz à contenda. Tito era a
pessoa para ser enviada a um lugar onde houvesse problemas”. Tito
era o homem para as tarefas mais duras.
Cartas Pastorais para hoje
As cartas de Paulo foram inspiridas por Deus. Assim, podemos dizer que também foram
direcionadas a nós. Penso que, quando Tito recebeu a carta de Paulo, ele, além de
refletir nela, procurou seguir todas as suas orientações, como também a reproduziu,
copiou e passou a outros. Que assim como Tito possamos valorizar e transmitir os bons
conselhos que recebemos de Deus!
Conclusão
Após observarmos essa série de deveres cristãos, cabe-nos agora praticá-los.
Somente o Espírito Santo pode nos conduzir ao cumprimento dessas
responsabilidades, sejam sociais ou eclesiásticas, portanto, oremos pedindo
capacitação para ser excelentes em nossa conduta cristã.
14
Organizando as igrejas em Creta 
Cledyson Assunção de Souza
texto básico Tito 1.5-16
versículo-chave Tito 1.5
“Foi por esta causa que deixei você em Creta: para que pusesse em ordem as
coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísse presbíteros, conforme
prescrevi a você.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai perceber como a palavra do Senhor é suficiente
para organizar e consolidar os valores de Jesus na igreja, e esses valores,
vivenciados primeiramente pelos seus líderes, vão gerar um corpo saudável e
forte.
leia a Bíblia diariamente
seg Jo 10.1-18
ter Fp 3.2-11
qua Gl 2.11-21
qui 2Pe 2.1-22
sex 1Tm 6.3-16
sáb 1Tm 3.1-16
dom At 20.17-38
Écurioso notar como os valores do mundo corporativo são antagônicos aos
do reino de Deus. Enquanto as multinacionais buscam pelos
empreendedores notáveis, líderes natos com diversas habilidades e
perceptiva ambição pelo sucesso para compor seus quadros de executivos, o
Senhor busca por homens íntegros e irrepreensíveis. Aprende-se claramente
que, para o Senhor, caráter vem bem antes de qualquer habilidade. E a
razão, como disse John Stott, é que “antes de ser ministro da Palavra ou da
igreja, os líderes são ministros ou servos de Cristo” (Sinais de uma Igreja Viva,
Editora Fiel).
Nesta lição, notamos que os “executivos do Senhor”, que em breve
assumiriam “cargos”, “empossados” por Tito, deviam ser homens que
contemplassem todos os requisitos já existentes e “publicados” por Paulo.
Observemos com muita atenção esse momento valioso da vida da igreja e
aprendamos, não como devem ser apenas os pastores, e sim todos aqueles
que se consideram servos do Senhor.
Aqui, Tito recebe de Paulo duas responsabilidades (Tt 1.5): organizar
algumas coisas ainda necessárias e constituir presbíteros nas igrejas da
região. Para isso, já existiam direções definidas (“conforme prescrevi a você”).
Que ensino valioso! Possuímos a palavra do Senhor, que organiza as coisas e
define quem continuará o processo de  “suprir o que ainda falta à fé que vocês
têm” (1Ts 3.10) e presidirá bem a igreja de Jesusconforme Ele quer (1Tm
5.17; 1Pe 5.2).
I. Características dos líderes na igreja
(Tt 1.5-9)
1. Irrepreensíveis no casamento e na vida familiar (v.6)
Os líderes da igreja são homens que causam o primeiro impacto na própria
casa. Antes de tudo, pais e maridos exemplares. Percebe-se que, antes de
dirigir a igreja, o Senhor requer que os líderes saibam das direções do
coração de seus filhos. Antes de pregar em púlpitos, encarando multidões,
têm que aprender a enxergar a sua mulher como única e ser-lhe fiel até à
morte. Para Sua igreja, Cristo busca homens que exercem o mais nobre dos
governos – o do próprio lar.
2. Irrepreensíveis no caráter (v.7)
Os presbíteros não podem ser pessoas que possuem certas características.
Paulo dá duas “listinhas” a Tito. Por elas, serão identificados aqueles que o
Senhor ergueu para liderar a Sua igreja. A primeira lista contém pontos
negativos.
a. Desclassificados  – Veja referências bíblicas que denunciam a
desclassificação de tais pessoas para o ministério.
Arrogante – Que se considera superior aos outros. É um líder que
acredita, seja lá por qual razão, que todos são menores que ele. Só
consegue enxergar o outro “de cima pra baixo”. Está desclassificado
por Paulo em Filipenses 2.3: “Não façam nada por interesse pessoal ou
vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si
mesmo.”
Irascível – Faz da ira uma resposta recorrente a qualquer
contrariedade que venha a passar. É uma pessoa desequilibrada,
que frequentemente usa um vocabulário destruidor e que suas
reações são sempre um perigo iminente. Desclassificado por
2Timóteo 2.24: “O servo do Senhor não deve andar metido em brigas, mas
deve ser brando para com todos”.
Dado ao vinho  – Possui o hábito de entregar-se à bebida
alcoólica. Habacuque 2.5 nos diz que “o vinho é enganoso”. Assim, ser
escravo dele (Tt 2.3) será uma flagrante contradição na vida
daqueles a quem Cristo libertou. A sobriedade exigida da igreja não
pode faltar no líder (1Pe 1.13). Desclassificado pela ordem de que
não devemos nos encher de vinho, mas do Espírito (Ef 5.18).
Violento – Suas armas não são espirituais, e os seus combates não
se desenrolam nas regiões celestiais. Um homem que marca com
sangue a sua terra não possui a menor possibilidade de assumir um
rebanho, pois se torna presa fácil e não é cuidador. O presbítero,
irremediavelmente, “leva desaforo pra casa”. Desclassificado pelo
fato de Deus ter ouvido a oração do salmista (Sl 140.1,4).
Cobiçoso de torpe ganância – Alguém que aprendeu que tudo
e todos existem para fazê-lo “subir de jatinho”. Esse não é pastor,
mas negociante de ovelhas. É nojento (torpe) aos olhos do Senhor.
Desclassificado pelo Salmo 10.3:  “Pois o perverso se gloria da sua
própria cobiça, o avarento maldiz o SENHOR e blasfema contra ele”.
b. Aprovados  – Percebe-se que as virtudes esperadas na vida dos
presbíteros 
são os opostos diretos às negativas descritas, por isso veja a
expressão “pelo contrário”  (v.8 NAA); algo que Paulo gosta de usar
nas suas “listinhas”, como em 1Timóteo 6.11.
3. Irrepreensíveis na conduta (v.8)
a. No contato com as pessoas
Ser hospitaleiro  –  A palavra no grego quer dizer  amigo de
estrangeiros. No tempo de Paulo, havia muito movimento de crentes
por causa de perseguição. Era essencial que tais pessoas
encontrassem uma porta aberta na comunidade cristã.
Ser amigo do bem  – A segunda palavra quer dizer:  amigo de
coisas boas ou amigo de boas pessoas. O líder na igreja deve demonstrar
devoção a tudo aquilo que 
é melhor.
b. Na própria vida
Ser “sóbrio”  – Segundo Kelly “em contraste com os traços
desordeiros 
condenados” no versículo 7.
Ser “justo, piedoso”  – Segundo Kelly “isso é, exemplar nos
relacionamentos tanto com seu próximo quanto com Deus”.
Ter “domínio de si” que faz parte do fruto do Espírito (Gl 5.23).
4. Irrepreensíveis na doutrina (1.9)
Nota-se que algo que se espera desses homens quanto à doutrina é que
sejam apegados a ela. Homens que meditam dia e noite na Palavra (Sl 1.2)
e, como resultado, tremem (Is 66.2). Assim, possuem “poder” nas palavras,
pois, além de transformados, não ensinam “achismos” nem se perdem em
discussões fúteis (Tt 3.9).
Cartas Pastorais para hoje
O meu comportamento na igreja, a minha vida no lar têm sido irrepreensíveis?
II. Como lidar com os falsos mestres e as falsas
doutrinas
(Tt 1.10-16)
Tito precisava ficar de olhos bem abertos para um grupo perigoso na vida da
igreja. Paulo destaca algumas marcas daqueles que “parecem, mas não são”.
Trata-se de pessoas más, que certamente causariam grandes danos às novas
igrejas em Creta.
1. Sua identidade (v.10)
A rebeldia é marca flagrante nos falsos mestres: pessoas que não se
submetem ao evangelho de Cristo, o deus delas é o próprio ventre (Rm
16.18), e o baluarte é uma religião (nesse caso, os judeus da circuncisão).
Tito precisava agir, pois a prisão do legalismo religioso promove uma
distância abismal da graça.
2. Sua influência (v.11)
Como podemos emudecer pessoas que não param de falar? Penso que
anunciando o genuíno evangelho de Cristo. O campo duro e difícil para
qualquer enganador é aquele que foi preparado pela verdade, que
dificilmente será uma terra boa para as sementes do mal. Para isso, precisa-
se entrar nas casas (relacionamento) e libertar as pessoas pelo anúncio das
boas-novas de Cristo (Jo 8.32). Urge que falemos a verdade, e assim
emudeceremos os enganadores.
3. Seu caráter (v.12-14)
Tito e os presbíteros deviam repreender os crentes da igreja de Creta que,
por causa das falhas no caráter dos cretenses, forneciam solo fértil para a
disseminação do erro, especialmente aquele que promovia ociosidade e
especulação. Bastava repreendê-los pela verdade do Senhor. Mentira,
ferocidade e preguiça são denúncias já confirmadas. A saúde da nossa fé
depende também da forma que reagimos frente aos mentirosos, pois são
sedutores, objetivam neutralizar o cristão na sua caminhada e mudar o seu
foco. São estes os mesmos que Davi advertiu a seu filho, Salomão (Pv 4.14-
16).
4. Seus erros (v.14-16)
a. Ocupam-se com os mandamentos de homens – Paulo diz,
em Gálatas 1.10, que os conceitos dos homens sobre ele não tinham
importância, mas sim os do Senhor. Os falsos mestres não possuem
esse valor.
b. Têm noção falsa de pureza – Que se baseia na lei da rédea, do
controle, da proibição no tocar nisso ou naquilo. O evangelho nos
diz que, quando Jesus tocou no leproso (imundo), foi o homem
quem ficou curado, não Jesus que Se contaminou. Isso é o
evangelho!
c. Professam conhecer a Deus, mas pelas obras O negam –
Nada possui uma declaração mais evidente da nossa fé em Deus do
que as nossas reações e os nossos valores. A questão não é se
professamos a fé, mas como o que professamos se associa aos
nossos atos. Os falsos mestres são aqueles que, como não há Deus
como referência de vida, a conduta deve estar de acordo com a
religião, com o conjunto de normas, mesmo que totalmente
desassociada ao caráter de Yaweh.
Cartas Pastorais para hoje
Quantas igrejas evangélicas têm deixado heresia entrar no meio do povo. Em vez de
criticar outras igrejas, devemos olhar para o nosso comportamento cristão. A saúde da
nossa fé depende também da forma que reagimos frente às falsas doutrinas.
Conclusão
Paulo registra a palavra REPROVADO (Tt 1.16). Que coisa dura de ler! Há
aqueles que são reprovados, e outros que assumirão o presbitério, obra esta
que Paulo chama de excelente (1Tm 3.1).
Oremos e trabalhemos para que a Igreja de Cristo seja presenteada com
homens APROVADOS. Que Jeremias 3.15, em que Deus diz: “Darei a vocês
pastores segundo o meu coração, que os apascentem com conhecimento e com
inteligência”, seja testemunhado por nós e pelas nossas gerações!
15
Instruções para grupos específicos na
igreja 
Edilson de Nunes Lima
texto básico Tito 2.1-10
versículo-chave Tito 2.1
“Mas você ensine o que está de acordo com a sã doutrina.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai compreender que Deus tem um propósito com a
maneira que você vive, por isso, obedeceràs orientações bíblicas é tão
necessário.
leia a Bíblia diariamente
seg Mt 5.13-16
ter Ef 5.22-28
qua Ef 6.5-9
qui 1Tm 4.6-12
sex Mt 28.18-20
sáb 1Ts 1.2-7
dom 1Co 4.1-5
Embora fique em maior evidência que aqui Paulo dá orientações aos grupos
da igreja (homens, mulheres, jovens e servos), vale notar que ele tem
algumas orientações que cabem ao pastor (líder) da igreja, no caso aqui o
seu discípulo, Tito.
I. Uma palavra pessoal a Tito
(Tt 2.1,7-8)
1. Fale de acordo com a sã doutrina (v.1)
Ao contrário dos falsos mestres que existiam ali em Creta, Tito devia se
manter fiel ao ensino da sã doutrina. Muitas vezes, os líderes cristãos são
pressionados a inventar “atrativos” (ensinos não baseados nas Escrituras)
para alcançar as pessoas, enquanto o que Deus espera é encontrar os líderes
cristãos fiéis (1Co 4.2). O dever do líder de uma igreja local é ensinar as
Escrituras Sagradas (Mt 28.20).
2. Seja exemplo aos jovens (v.7)
A ideia aqui é a mesma que Paulo orienta a Timóteo, dizendo para ele ser
padrão de boa conduta (1Tm 4.12). Tito ainda era um “adulto/jovem”, e
sua maneira de viver certamente serviria de influência aos mais jovens. Os
líderes devem sempre lembrar que as suas atitudes impactam a vida dos mais
jovens.
3. Seja um “professor” íntegro e sério (v.7)
Integridade  = pureza de motivo. No contexto aqui, mostra
ausência de desejo de qualquer tipo de lucro com isso. O líder não
deve ensinar com o objetivo de receber, ou mesmo, extorquir
dinheiro de seus alunos.
Seriedade  = reverência. Demonstra alto tom moral e maneira
séria (1Tm 2.2). O líder precisa mostrar vida piedosa para que
aquilo que ele ensina tenha autoridade.
4. Seja puro no falar (v.8)
Tenha uma linguagem sadia conforme o evangelho apostólico – puro tanto
na maneira como no conteúdo. O uso das palavras no momento que está
anunciando a palavra de Deus é muito importante para que o ouvinte
perceba o temor do pregador. O cuidado de não poluir o ensino da palavra
de Deus com nenhuma heresia é também uma tarefa que o pregador deve
ter.
II. Orientação aos homens mais velhos
(Tt 2.2)
1. Sejam moderados
A palavra grega usada por Paulo traz o entendimento de “temperantes”,
“sóbrios”, “que têm controle próprio em satisfazer os seus desejos”. O
homem mais velho deve ser exemplo em seu domínio próprio, controlando
seus impulsos (desejos). Essa orientação é também vista em 1Timóteo 3.2,
quanto às qualificações que os presbíteros deveriam ter. Os cretenses eram
acusados de não ter domínio próprio, mas entre os cristãos esse mal não
poderia imperar.
2. Sejam dignos de respeito
O termo grego pode ser traduzido por “respeitáveis, sensatos, dignos,
sérios”. Segundo Kelly, “o adjetivo abrange ao mesmo tempo o tempero
interior e a postura exterior”. O homem mais velho dentro da comunidade
cristã deve ser exemplo também na sua lisura. O respeito não devia vir
somente por causa da sua idade, mas sim porque os demais cristãos podiam
ver na vida dele o merecimento de tal respeito. A ideia é: há coerência no
que essa pessoa fala e vive?
3. Sejam sensatos
O termo grego usado aqui traz a ideia de disciplinados. O que Paulo está
chamando a atenção é que a disciplina dos mais velhos serve para orientar os
mais novos a viver a vida cotidiana de maneira que agrada ao Senhor e
testemunha aos incrédulos.
4. Sejam sadios na fé, no amor e na perseverança
Essa tríade que encontramos em outros escritos de Paulo (1Tm 6.11; 2Tm
3.10; 1Ts 1.3) vem trazer para o conceito dessas orientações uma conotação
estritamente cristã, pois é certo que as demais qualificações citadas podiam
ser exigências de qualquer homem idoso em Creta, mas fé, amor e
perseverança saudáveis só se requer e se espera do cristão.
III. Orientação às mulheres mais velhas
(Tt 2.3-4)
1. Sejam reverentes (v.3)
As mulheres devem levar para a vida cotidiana a mesma reverência que
praticam no templo (culto). A maneira que as mulheres de Creta viviam era
extremamente pecaminosa e deplorável. Assim, as mulheres cristãs são
orientadas a se opor a essa maneira de viver.
2. Não sejam caluniadoras (v.3)
As mulheres idosas que, na maioria, têm mais tempo livre devem tomar
cuidado para que essa ociosidade não as leve ao pecado da calúnia (fofoca e
difamação).
3. Não sejam escravas de muito vinho (v.4)
O contexto da vida social de Creta favorecia uma vida de bebedice.
Portanto, há uma orientação às mulheres idosas que não se deixassem levar
pela prisão do alcoolismo.
4. Sejam capazes de ensinar (v.4)
Discipular as mulheres mais novas a amarem ao marido e a seus filhos era
uma tarefa nobre que Paulo orienta Tito a ensinar às mulheres mais velhas,
com o objetivo de ocupar o tempo ocioso delas. A ideia de Paulo é que as
mulheres com mais experiência cristã devem aconselhar e encorajar as mais
novas, pela Palavra e pelo exemplo.
IV. Orientação às mulheres (casadas) mais novas
(Tt 2.4-5)
1. Amem ao marido e a seus filhos (v.4)
A primeira orientação às mulheres tem a ver com seu âmbito familiar. Elas
deviam zelar (amar/cuidar) do marido e dos seus filhos.
2. Sejam prudentes e puras (v.5 NVI)
É provável que o ambiente pernicioso de Creta favorecesse as mulheres mais
novas a terem vida promíscua, por isso a orientação de Paulo é que as
mulheres cristãs fossem puras.
3. Sejam trabalhadoras (boas donas de casa) (v.5)
No lar judeu, a mulher tinha que fazer o serviço de limpeza, cozinhar, cuidar
das crianças, guardar a casa e ser hospitaleira. No contexto atual em que
muitas mulheres trabalham fora de casa, é importante notar o papel da
esposa no cuidado com a casa junto ao equilíbrio entre seu dever (como
esposa) e sua vocação/aptidão no trabalho fora de casa. É um grande
desafio!
4. Sejam bondosas (v.5)
Essa bondade e simpatia eram devidas pela mulher à sua família e aos seus
empregados (se os tivesse).
5. Sejam sujeitas ao marido (v.5)
É notória a importância do tema “mulheres sujeitas ao marido” nas
Escrituras 
(Ef 5.22; 1Co 14.35; Cl 3.18), pois faz referência ao desígnio de Deus para a
mulher desde a sua criação. Sua posição de auxiliadora representa a relação
da igreja com Jesus (Ef 5.24).
Cartas Pastorais para hoje
Na construção do texto de Paulo a Tito, vamos encontrar dois “para quês” que nos
mostrarão o intuito do(s) ensino(s) anterior(es) a esses versos. No primeiro “para quê”,
notamos que o objetivo é não difamar a palavra de Deus com o mau testemunho dos
cristãos. Atentar para cada uma de nossas atitudes nos ajudará a não ser
instrumentos para a difamação da Palavra pelos incrédulos. Pense sobre a maneira
que você tem vivido e se tem algo que você faz que difame a palavra de Deus. Se
encontrar algo, arrependa-se e deixe agora mesmo tal prática.
V. Orientação aos jovens
(Tt 2.6-8)
1. Sejam prudentes (v.6)
O termo grego significa exercer autocontrole, ter a cabeça no lugar, ter toda
a vida sob o controle da mente, ser criterioso, ser sensato. Os jovens
deveriam exercer o domínio próprio, não se deixando levar pelo contexto
libertino que existia em Creta.
2. Sejam realizadores de boas obras (v.7-8)
Deveriam compreender a importância das boas obras para o testemunho do
evangelho e praticá-las com o intuito de glorificar a Deus (Mt 5.16).
Cartas Pastorais para hoje
O segundo “para quê” que encontramos nos escritos do nosso estudo indica a
necessidade de vigilância na forma de falar, pois, se não zelarmos pelas nossas
palavras, daremos armas àqueles que são nossos adversários. Por isso, é necessário
cuidado com o que sai da sua boca. Zele para não usar palavras indevidas e, se for
falar da palavra de Deus, veja que não fale “heresias”.
VI. Orientação aos escravos
(Tt 2.9-10)
1. Sejam submissos aos seus senhores (v.9; 1Tm 6.1-2)
A submissão dos escravos nas Escrituras tinha como objetivo levar esses
irmãos a não cometerem nenhum mal contra a vida dos seus senhores.
Também não deveriam fugir, mas antes servir aos senhores como se
servissem ao próprio Senhor Jesus.
2. Sejam agradáveis aos seus senhores (v.9)
Em outras palavras, deveriam deixar seus senhores satisfeitos com seusserviços.
3. Sejam educados (v.9)
Não deveriam “responder” a seus senhores, retrucar ou falar contra alguém.
O comportamento do escravo cristão deve levar em conta a sua fé e não a
sua condição momentânea.
4. Não sejam ladrões (v.10)
Muitos escravos tinham acesso aos ganhos dos seus senhores e poderiam ser
tentados a roubar alguma quantia (pequenas e sistematicamente) ou ter
algum aproveitamento de vantagens indevidas, por isso, a orientação para
não cederem à tentação.
Cartas Pastorais para hoje
Será que, como empregados, honramos o evangelho de Jesus com nossas ações e
posturas? Nosso comportamento cristão ajudará a mensagem do evangelho a tornar-se
atraente, nobre e evangelizadora com o objetivo de ganhar nossos
empregadores/chefes para Cristo.
Conclusão
É bom notar como Paulo orientou Tito a respeito dos vários grupos na
igreja. Cada grupo tem seu papel no desenvolvimento do corpo de Cristo. É
importante que cada um nós cumpra os seus deveres, para o bem da igreja
toda.
16
O poder moral da encarnação 
Samuel Cruvinel Borges
texto básico Tito 2.11-15
versículo-chave Tito 2.11
“Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você vai compreender quão importante é para o crente
saber o significado e as aplicações da graça de Deus na sua vida.
leia a Bíblia diariamente
seg Jo 1.1-14
ter 1Jo 1.1-4
qua 1Co 12.12-26
qui Rm 6.15-23
sex Cl 3.10-17
sáb 2Co 4.7-18
dom Ap 20.11-15
Nesse texto, Paulo condensou o projeto de salvação pela manifestação da
graça em três realidades:
salvação da penalidade do pecado (v.11);
salvação do poder do pecado (v.12);
salvação da presença do pecado (v.13).
Logo, faz-se necessário compreender que foi também para elevar os homens
a uma qualidade mais alta de vida que Deus interveio na história, mediante a
aparição de Jesus. E a graça de Deus é competente para operacionalizar
plenamente esse processo (Fp 1.6; 2Co 3.18).
Em Tito 2.1-10, Paulo nos descreve como deve ser a vida relacional, natural,
diária e ética daqueles que são transformados pela graça. Nos versículos 11-
15, ele demonstra quais são as bases teológicas da mecânica de salvação que
possibilitam e conduzem esse novo viver em Cristo.
I. A manifestação da graça
(Tt 2.11,14)
A primeira base teológica de Paulo para a salvação, a vida ética, santa, pura,
abençoada e glorificada é que a graça de Deus se manifestou salvadora e
transformadora entre nós, a todos os homens. Agora podemos e precisamos
viver um novo estilo de vida (Tt 2.12). Esse é o fundamento teológico para
uma vida reta. A graça sempre existiu, mas aprouve ao Senhor manifestá-la
no tempo e na história (Jo 1.1-14). Ela se tornou presente, rompeu as trevas
e fez raiar o sol da justiça e esperança de Deus sobre nós. Como os raios
solares, ela é competente para dissipar as nossas trevas, o frio da solidão e da
culpa, quebrando os grilhões que nos prendem (Jo 8.31-36; Gl 5.1). A
manifestação da graça é militante e atuante para nos mostrar uma nova
direção. É mais do que sentimento, qualidade, atributo; é ação, obra,
pessoa; é Jesus, Aquele que Se voluntariou a vir, viver entre nós, tão
próximo que foi possível tocá-Lo, trazendo consigo, do Pai, os mais ricos e
poderosos favores (1Jo 1.1-4). Pela Sua vida, Seu ministério, Sua morte,
ressurreição e promessas, podemos ter vida, e vida abundante (Jo 10.10).
Tudo isso é graça, oferecido por graça! Perceba comigo alguns aspectos
desta bendita “epifania”.
1. A origem da graça (v.11)
Como o próprio texto é claro em nos descrever, a graça tem sua origem na
pessoa de Deus (Rm 16.25-27). Ele é intencional e possui a primazia no
projeto de intervir em nossas trevas, nossa miséria e morte (1Jo 4.19).
Partiu do Senhor nos revelar o caminho, a porta, a saída, a vida, o perdão, a
esperança, a luz (Jo 14.6,9), levando-nos a compreender que não temos um
Deus que não Se importa ou muito menos que não possa redimir nossa vida.
2. O perfil da graça (v.11)
Essa graça bendita possui propósito, capacidade, característica e essência.
Sua natureza é salvar. Jesus é aquele que traz salvação (Lc 19.10).
3. O alcance da graça (v.11)
A ação intencional de Deus em manifestar salvação a todos os homens não
significa que todos indistintamente serão salvos sem Cristo, como pensam
os “universalistas”. O texto, na verdade, descreve a “abrangência” desse
projeto. Ele trata do alcance do resgate de todo aquele que crer em Jesus (Jo
3.16). Em Cristo, a salvação é oferecida a todos, inclusive a escravos (Tt
2.9) e pecadores (Rm 3.23; 5.8); tornando-os um só corpo que precisa
amar-se e edificar-se (1Co 12.12-26).
4. O presente da graça (v.14a)
Jesus é o maior presente de Deus ao homem. Sua vida é fonte de dádivas
indescritíveis. Agora podemos compreender a dimensão do amor do Pai,
pelo sacrifício do Filho em favor de pecadores.
5. O propósito da graça (v.14b)
A intervenção de Deus por meio de Cristo tem a finalidade de nos levar a
viver uma vida que O honre, glorifique e sirva, resgatando o que estava
perdido como nós.
6. O resultado da graça (v.14c)
Apesar de quão corrompido, obstinado, morto, tornou-se o homem e seu
contexto  de existência após o pecado, o resultado da ação de Deus nos
mostra a competência  do Pai para nos regenerar. Em Cristo, possuímos
nova natureza, por causa Dele podemos viver.
Cartas Pastorais para hoje
Você vive uma nova vida regenerada pela graça transformadora de Cristo? Que frutos
dessa graça são perceptíveis em sua vida?
II. A pedagogia da graça
(Tt 2.12-14)
A segunda base teológica de Paulo mostra que a graça salva e ensina. Ele a
personifica, chamando-a de mestre, que disciplina, corrige e nos coloca
numa nova forma de pensar e proceder (Hb 12.4-13).
1. A maneira negativa (v.12a)
Não que ela nos influencie negativamente, pelo contrário, ela nos mostra
que Cristo morreu por nós como estávamos, para não mais vivermos como
éramos (Rm 6.15-23). Ela nos mostra que aqueles que estão em Cristo
precisam ter coragem e postura de “renegar” tudo aquilo que contradiz os
mandamentos de Deus.
2. A maneira positiva (v.12b)
A graça nos ensina o que precisa ser buscado neste exato momento da nossa
vida (Cl 3.10-17),  “Ela nos educa para que... vivamos, neste mundo, de forma
sensata, justa e piedosa”  (Tt 2.12b). Observemos outros aspectos dessa
pedagogia graciosa.
a. A graça nos educa para renegarmos o mal – a falsa
teologia e a falsa ética.
b. A graça nos educa para praticarmos o bem – o correto
relacionamento conosco, com o próximo e com Deus. 
c. A graça nos educa para aguardarmos a manifestação da
glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus.
Cartas Pastorais para hoje
Olhar para aquilo que Deus fez em Cristo, no passado e fará no futuro, serve para que
hoje e agora, neste exato tempo da nossa vida, abracemos todos os preceitos do
Senhor para a nossa fé (Cl 3.1-4).
III. A manifestação da glória
(Tt 2.11-14)
Cristo veio pela primeira vez para nos salvar; a Sua segunda, e última vinda,
será para concluir esse processo.
1. Ela será tão certa como foi a primeira (v.11-13)
Jesus é um personagem histórico. Sua primeira vinda é fato (Tt 2.11,13;
2Tm 1.10) tanto quanto a segunda será.
2. Ela será tão poderosa como foi a primeira (v.12-13)
Olhar para aquilo que Deus fez em Cristo, no passado e fará no futuro, serve
para que hoje e agora, neste exato tempo da nossa vida, abracemos todos os
preceitos do Senhor para a nossa fé (Cl 3.1-4).
É por intermédio da pessoa de Cristo, e toda a extensão do Seu ministério,
que Deus opera o milagre da redenção humana (2Tm 1.8-10; Fp 2.5-11).
3. Ela será tão reveladora como foi a primeira (v.12-13)
A segunda vinda será de Cristo glorificado. Nesse verso, o apóstolo faz uso
de vários termos para demonstrar que Jesus é tão plenamente divino como
Jeová ou o Pai.
4. Ela é tão orientadora como foi a primeira (v.13-14)
O argumento teológico de Paulo para vivermos uma nova vida nos desafia a
olharmos para dois pontos: primeiro, para o que Deus fez em Cristo, no
passado; segundo, para aquilo queEle fará por intermédio de Seu Filho, no
futuro (Gl 5.1-5).
5. Ela já pode ser fonte de deleite como foi a primeira (v.13)
Quanto nossa esperança é bendita e fonte de bênçãos, felicidade, deleite e
glória!
6. Ela precisa ser tão desejada como foi a primeira (v.13)
Gênesis 3.15 é a primeira profecia sobre a pessoa, a manifestação e a obra de
Jesus, 
e ela foi feita dentro de um contexto de libertação. Nunca uma pessoa foi
tão 
desejada como o Senhor. O Seu nascimento trouxe muita alegria, por causa
de todas as bênçãos reveladas.
Cartas Pastorais para hoje
Você aguarda com esperança a gloriosa segunda vinda de Jesus? Como demonstra
isso?
IV. O ministério da graça
(Tt 2.15)
A última base destaca que, pela graça, todo homem pode receber não
somente a maior de todas as bênçãos, a salvação, mas também a mais nobre
de todas as tarefas, a proclamação do evangelho (Mt 28.18-20).
1. A tarefa de proclamar (v.15a)
Paulo instiga a Tito para que transmita particularmente e publicamente toda
a 
poderosa mensagem que sintetiza o evangelho, como também define o que é
o 
nosso ministério (2Tm 2.2).
2. A tarefa de repreender (v.15b)
O evangelho que precisa ser proclamado é o mesmo usado para a
evangelização, a repreensão e a edificação (2Tm 3.16-17). As pessoas
precisam saber que viver é ir ao encontro do nosso grande juiz (Jo 5.22).
Todos nós seremos julgados. Aqueles que foram fiéis a Cristo não correm o
risco de perder a salvação (Rm 8.1-4) – serão galardoados pelas suas boas
obras (Mt 25.31-46). Aqueles, porém, que não se renderam a Jesus serão
condenados (Ap 20.11-15).
3. A tarefa de convencer (v.15c)
Não há como negar que o nosso ministério é de consolação, salvação,
persuasão e confrontação, o que gera forte oposição (2Co 4.7-18). Ele
precisa ser exercido com toda autoridade.
Cartas Pastorais para hoje
Você tem proclamado a graça de Cristo com coragem, convicção e ousadia? Quais
foram as últimas pessoas a quem você pregou o evangelho e quando foi?
Conclusão
Realmente é maravilhoso estudarmos com um pouco mais de atenção o
magnífico amor de Deus na prática, que nos alcança no lamaçal do pecado,
nos perdoa, nos santifica, nos comissiona. Louvado seja Deus que nos
concedeu a Sua graça salvadora e transformadora. Que diariamente ela
opere profundas e sólidas mudanças em nossa vida!
17
A conduta cristã 
Dionatan Cardoso
texto básico Tito 3.1-15
versículo-chave 1Pedro 2.12 NTLH
“A conduta de vocês entre os pagãos deve ser boa, para que, quando eles os
acusarem de criminosos, tenham de reconhecer que vocês praticam boas ações,
e assim louvem a Deus no dia da sua vinda.”
alvo da lição
Ao estudar esta lição, você será desafiado a refletir sobre alguns deveres que
regem a conduta do verdadeiro cristão e a valorizar a obra de Cristo na cruz.
leia a Bíblia diariamente
seg Tt 3.1-3
ter Tt 3.4-5
qua Tt 3.6-7
qui Tt 3.8-9
sex Tt 3.10-11
sáb Tt 3.12-13
dom Tt 3.14-15
Oúltimo capítulo da epístola a Tito é uma descrição da preocupação que o
apóstolo Paulo tinha em relação à conduta dos crentes em Creta. Do
relacionamento da igreja com o poder civil, passando pela compreensão da
grandeza da salvação, prosseguindo com um alerta sobre o que deveria ser
evitado pelos crentes, avançando com algumas afirmações que demonstram
a necessidade do cuidado missionário, até sua saudação final, Paulo alista
uma série de deveres para todo cristão.
I. A prática da boa cidadania
(Tt 3.1-2)
Nesses versos, encontramos preciosas lições sobre a necessidade da boa
cidadania. Aqui o apóstolo Paulo apresenta uma série de prerrogativas sobre
o relacionamento do crente com o poder civil e com toda a sociedade, em
termos gerais.
1. “… se sujeitem aos governantes e, às autoridades…”
O apóstolo Paulo exorta o pastor Tito a conduzir os crentes em Creta à
lembrança da submissão às autoridades em razão da nova vida em Cristo. O
fato de os cristãos terem uma autoridade superior [Deus] não os isenta de
ser submissos às autoridades terrenas (Rm 13.1-7).
2. “… estejam prontos para toda boa obra…”
Os crentes devem ter significativo papel social no mundo por meio da
prática de boas obras.
3. “… não difamem a ninguém…”
Em geral, as pessoas tendem a insultar, injuriar e reclamar das autoridades
governamentais, às vezes, com alguma razão. Entretanto, essa não deve ser a
postura natural do crente. A melhor opção é orar pelos que nos governam
(1Tm 2.1-2).
4. “… que sejam pacíficos…”
O crente não deve ser brigão, e sim pacificador (Mt 5.9).
5. “… cordiais, dando provas de toda cortesia para com
todos…”
O cristão deve se mostrar com trato modesto, gentil e paciente, para com
todas 
as pessoas.
Cartas Pastorais para hoje
Submissão a Cristo é o princípio maior para todo cristão, mas também devemos
obediência ao nosso governo e às nossas leis. Somente quando o governo ou as leis
dos homens ferem diretamente a Escritura é que o cristão deve decidir por obedecer
primordialmente a Bíblia (At 5.29) e admitir os riscos pela desobediência aos governos
ou leis seculares.
II. O entendimento da grandeza da salvação
(Tt 3.3-8)
A lembrança do que éramos antes de ser alcançados por Cristo nos serve de
prova da grandeza da nossa salvação (Rm 6.17-18; 1Co 6.9-11; Ef 2.1-10; Cl
3.7-8).
1. O que éramos antes da salvação? (v.3)
a. Insensatos  – Ignorantes ou insensatos em relação a Deus e Sua
revelação.
b. Desobedientes  – Insubmissos a Deus e à Sua lei; não
persuasíveis.
c. Desgarrados – Desviados de Deus e de Sua vontade.
d. Escravos de todo tipo de paixões e dos prazeres  –
Dominados por prazeres ilícitos ou pela carnalidade.
e. Vivendo em maldade e inveja – Levados pelas ações
pervertidas, maldosas e invejosas.
f. Odiados e odiando-nos uns aos outros – Reciprocidade na
aplicação do ódio. Ódio que gera mais ódio.
2. Como ocorreu a salvação? (v.4-6)
A salvação não é produto do mérito humano, mas unicamente ação
misericordiosa de Deus (Jo 3.16), pela atuação do Espírito Santo (Rm 8.9;
Jo 16.13; Ef 1.13), por meio de Jesus Cristo (Rm 5.8).
3. O que somos depois da nossa salvação? (v.7)
Justificados pela graça, somos propriedade e herdeiros de Deus (Rm 8.12-
17; Gl 4.7).
4. Como devemos agir depois de salvos? (v.8)
Nesse verso, o apóstolo Paulo incentiva o pastor Tito a colocar em prática
sua fé e a estimular os demais crentes à prática de boas obras como ação
natural do salvo em Cristo.
Cartas Pastorais para hoje
Nesse trecho, o apóstolo Paulo resume o caminho da salvação em Cristo. A obra de
Cristo foi nos tirar de uma vida dominada pelo pecado para uma vida guiada pelo
Espírito Santo. O reconhecimento da grandeza dessa obra deve nos animar e nos
motivar à prática de boas obras.
III. O que deve ser evitado
(Tt 3.9-11)
Agora Paulo chama a atenção sobre alguns elementos que deveriam ser
evitados no seio da igreja.
1. Evitar discussões facciosas (v.9)
a. Evite discussões tolas – O mesmo que especulações filosóficas
ou teológicas sem embasamento na Escritura; coisas que não temos
conhecimento nem informações suficientes para entendê-las e/ou
explicá-las (Dt 29.29).
b. Evite discussões sobre genealogia  – Alguns religiosos da
época davam ênfase exagerada a observação dos seus antepassados.
Paulo considera esse tipo de discussão algo insensato.
c. Evite discussões que geram controvérsias – As discussões
insensatas e discussões sobre genealogias implicavam naturalmente
em contendas e deveriam ser evitadas.
d. Evite debates sobre a lei – Muitos judeus eram extremamente
legalistas. Desse modo, entendiam que eram obrigados a cumprir
uma série de exigências cerimoniais. O problema é que essas
exigências eram fruto de má interpretação da lei ou acréscimos à lei
de Deus (1Tm 1.8-11).
Essas coisas deveriam ser evitadas, porque não têm utilidade e são
fúteis (1Tm 6.4; 2Tm 2.23).
2. Evitar pessoas facciosas (v.10-11)
Paulo orienta Tito a evitar pessoas que fazem “panelinhas partidárias” na
igreja. Entretanto, essa ação não pode ser precipitada. É necessária aplicação
da disciplina bíblica admoestando primeira e segunda vez. Se essasadvertências não produzirem arrependimento e mudança no faccioso, então
não hesite em evitá-lo, pois ele está pervertido, vive pecando e está
condenado em seus atos.
Cartas Pastorais para hoje
No âmbito da igreja, qualquer pessoa que esteja provocando divisões deve ser
advertida e, se persistir nesse pecado, deve ser evitada e talvez até excluída da
convivência com os santos. Entretanto, o objetivo primário não é oprimir, mas conduzi-la
ao arrependimento e à unidade.
IV. O cuidado para a manutenção do trabalho
missionário
(Tt 3.12-14)
1. Missionários no campo (v.12)
É imprescindível notar a preocupação de Paulo em relação ao cuidado do
campo missionário enviando Ártemas ou Tíquico para substituir Tito. É
fundamental a permanência no campo missionário de obreiros devidamente
instruídos na Palavra.
2. Manutenção dos missionários (v.13)
“O pedido:  ‘Ajude, da melhor maneira possível... para que não lhes falte
nada...’  transmite uma impressão vívida da hospitalidade generosa
demonstrada na era apostólica pelas pequenas comunidades cristãs a irmãos
viajando de uma igreja para outra” (Kelly).
3. Capacitação dos missionários (v.14)
Um dos grandes problemas referentes à igreja é a estagnação do
conhecimento e da prática do ensino da Escritura. (Leia Hb 5.11-14.) O
apóstolo Paulo expressa a mesma preocupação em relação aos cretenses.
Segundo Paulo, é fundamental que os cristãos sejam habilitados para a obra
de Cristo.
Cartas Pastorais para hoje
A tarefa primária da igreja é fazer discípulos. Além disso, a igreja também deve se
aplicar na manutenção e na capacitação daqueles que se dispõem ao trabalho
missionário.
V. Saudação final
(Tt 3.15)
“Todos os que estão comigo mandam saudações a você.”. Nessa saudação final,
Paulo inclui seus companheiros de jornada, mas não cita nomes. Além disso,
o apóstolo indica que a saudação é diretiva apenas aos verdadeiros cristãos,
excluindo os falsos mestres:  “saúda quantos nos amam na fé”. Por fim, Paulo
lança mão da tradicional oração:  “A graça esteja com todos vocês.”  – O plural
indica que a carta deveria ser lida para toda a igreja.
Conclusão
Após observarmos essa série de deveres cristãos, cabe-nos agora praticá-los.
Somente o Espírito Santo pode nos conduzir ao cumprimento dessas
responsabilidades, sejam sociais ou eclesiásticas, portanto, oremos pedindo
capacitação para ser excelentes em nossa conduta cristã.
	Capa
	Folha de rosto
	Créditos
	Sumário
	1. Personagens das cartas pastorais
	2. A doutrina verdadeira
	3. A oração e o culto público
	4. Exigências para aqueles que aspiram à liderança
	5. Falsa doutrina na igreja
	6. Responsabilidade com os vários grupos na igreja
	7. Os perigos do dinheiro
	8. Recomendações ao homem de Deus
	9. Guardar o evangelho
	10. Sofrer pelo evangelho
	11. Permanecer no evangelho
	12. Pregar o evangelho
	13. Prefácio e saudação da carta a Tito
	14. Organizando as igrejas em Creta
	15. Instruções para grupos específicos na igreja
	16. O poder moral da encarnação
	17. A conduta cristã

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