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Queimaduras e Intoxicações Enfermagem na Saúde da Criança e Adolescente ACIDENTES Amanda Gonçalves Isabella Torres Lara de Freitas Natan Gustavo Pedro Henrique Rafael Santos Savana Oliveira Discentes Objetivos Abordar o tema proposto dentro da Saúde da Criança e do Adolescente; Falar sobre a Importância epidemiológica dos acidentes e suas incidências, prevenção e promoção da saúde; Aplicar a SAE na prevenção de acidentes com crianças e adolescentes. Fonte G1globo.com As lesões por queimadura constituem uma importante causa acidental em todo o mundo, com grande frequência entre as crianças, sendo as escaldaduras as mais comuns. Introdução As intoxicações exógenas na infância e na adolescência representam um importante problema de saúde pública mundial. As intoxicações acidentais desempenham uma grande porcentagem no contexto dos acidentes na infância, principalmente pela elevada incidência, possibilidade de sequelas irreversíveis, custos para tratamento imediato e tardio e pelo sofrimento que provocam nas crianças e suas famílias. Importância epidemiológica dos acidentes Estudos epidemiológicos, a partir de registros nacionais e internacionais, são extremamente importantes para uma melhor orientação das práticas de promoção de saúde, como campanhas de prevenção, e melhoria da relação custo-efetividade no cuidado ao queimado e ou intoxicado. Diversos estudos epidemiológicos realizados em diversas regiões do mundo envolvendo a faixa pediátrica, mostraram a maior predominância do sexo masculino, maior ocorrência de acidentes em ambiente domiciliar e o líquido superaquecido como principal agente causal. O sexo é um dos fatores pré-evento a ser analisado, pois a partir do primeiro ano de vida os meninos têm o dobro de chance de sofrer injúrias do que as meninas, inclusive queimaduras. Incidência de queimadura por faixa etária Incidência de Intoxicação por faixa etária Medidas preventivas - Queimaduras Fonte: Departamento de Pediatria UFMG Medidas preventivas - Intoxicação Fonte: Departamento de Pediatria UFMG Promover campanhas preventivas contra acidentes domésticos, com pipas durante as férias, acidentes com fogos de artifício em festas juninas, etc; Organizar um calendário anual de eventos relacionados com a segurança da criança e do adolescente e respectivas ações educativas; Produzir e divulgar material educativo em diferentes ambientes e oportunidades (ambulatórios, hospitais, mídia, etc); Estratégias de promoção da saúde contra riscos de acidentes Trabalhar em parceria com os órgãos envolvidos na segurança da criança e do adolescente, tendo como base estudos realizados em serviços de saúde, centros educacionais e domicílios. Primeiros socorros Queimaduras Fonte INBRAEP Pele O que fazer 1) Lavar o local com água fria e corrente imediatamente e, se possível, deixe alguns minutos na água, para diminuir a temperatura local. 2) Faça compressas frias, pois elas aliviam a dor. Em queimaduras extensas ou com bolhas e/ou sinal de tecido carbonizado, cubra as lesões com compressa úmida e leve a um hospital de confiança. Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica Atenção: a água deve ser fria, não gelada, nunca coloque gelo nas lesões, pois o mesmo também pode queimar a pele. Google imagens O que NÃO fazer Nunca toque a queimadura com as mãos; Nunca fure bolhas; Nunca tente descolar tecidos grudados na pele queimada; Nunca retire corpos estranhos ou graxa do local queimado; Nunca coloque manteiga, pó de café, creme dental ou qualquer outra substância sobre a queimadura – somente o médico sabe o que deve ser aplicado sobre o local afetado. 1. 2. 3. 4. 5. Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica Quando a pessoa estiver com as roupas queimando, pegue uma toalha, um cobertor grosso ou mesmo um casaco, e abafe o fogo. Uma criança pode entrar em pânico e começar a correr aumentando as chamas. Procure acalmá-la, coloque-a no chão e chame imediatamente um médico. Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica Intoxicação Disque-Intoxicação (0800-722-6001) Google imagens As intoxicações e o envenenamento são causados pela ingestão, aspiração e introdução no organismo, acidental ou não, de substâncias tóxicas de naturezas diversas. Podem resultar em doença grave ou morte em poucas horas se a vítima não for socorrida em tempo. Hospital Santa Cruz Produtos químicos utilizados em limpeza doméstica e de laboratório. Venenos utilizados no lar (como raticidas, por exemplo). Entorpecentes e medicamentos em geral. Alimentos deteriorados. Gases tóxicos. Substâncias comuns nas intoxicações: O que fazer 1) Isolar a área; 2) Identificar o tipo de agente que está presente no local onde foi encontrado o acidentado; Quem for realizar o resgate, deverá estar utilizando equipamentos de proteção próprios para cada situação, a fim de proteger a si mesmo. 3) Remover o acidentado o mais rapidamente possível para um local bem ventilado; Fundação Oswaldo Cruz O que fazer 4) Solicitar atendimento especializado; 5) Verificar rapidamente os sinais vitais; 6) Aplicar técnicas de ressuscitação cárdio-respiratória, se for necessária; Não faça respiração boca-a-boca caso o acidentado tenha inalado o produto. Para estes casos, utiliza máscara ou outro sistema de respiração adequada. 7) Manter o acidentado imóvel, aquecido e sob observação. Os efeitos podem não ser imediatos. Fundação Oswaldo Cruz Estes procedimentos só devem ser aplicados se houver absoluta certeza de que a área onde se encontra, juntamente com o acidentado, está inteiramente segura. É importante deixar esclarecido o fato de que a presença de fumaça, gases ou vapores, ainda que pouco tóxicos, em ambientes fechados, pode ter conseqüências fatais. A substância irritante ou corrosiva deverá ser removida o mais rapidamente possível. ATENÇÃO Google imagens ATENÇÃO Pode-se provocar o vômito em casos de intoxicações por alimentos, medicamentos, álcool, inseticida, xampu, naftalina, mercúrio, plantas venenosas e outras substâncias que não sejam corrosivas nem derivados de petróleo. NÃO PROVOCAR VÔMITO EM VÍTIMAS INCONSCIENTES E NEM DE ENVENENAMENTO Google imagens SAE aplicada a prevenção de acidentes com crianças e adolescentes NANDA-I NOC NIC Mobilidade física prejudicada Dor aguda Integridade da pele prejudicada Privação de sono Volume de líquidos deficiente Integridade da tissular prejudicada Risco de síndrome do desequilíbrio metabólico Risco de desequilíbrio eletrolítico Dor aguda Náusea Troca de gases prejudicada Risco de integridade da membrana mucosa oral prejudicada Privação do sono Caso Clínico - Queimaduras V.R.M, sexo masculino, 1 ano e 4 meses. Hospitalizado devido à queimadura de 2º grau ocasionado por água quente utilizada no banho. A criança estava em creche municipal quando, na hora do banho, cuidadora não verificou a temperatura da água. A queimadura atingiu cerca de 22% da superfície corporal, compreendendo as nádegas, pernas e pés. Paciente choroso, evoluiu com hiporexia importante e baixa aceitação da dieta. Antropometria Peso atual: 9 kg Comprimento: 75 cm IMC: 16 kg/m² Exames bioquímicos Determinadas situações (agressões) causadas ao nosso organismo desencadeiam o processo conhecido como estresse metabólico. Quais as principais características do estresse ocasionado pela queimadura? Por qual motivo é comum o quadro de sepse em pacientes queimados? Qual o papel do enfermeiro para monitorização do paciente queimado pediátrico durante o cuidado nutricional? Caso Clínico - Queimaduras Papel do enfermeiro -Peso; -Aceitação da dieta e função GI; -Aspecto das lesões; -Avaliação e controle da dor na assistência ao paciente queimado Monitorar -Balanço hídrico e balanço proteico-calórico; -Função renal (Registrar e comunicar o volume, frequência e características da micção espontânea); -Eletrólitos e glicemia.- Realizar a limpeza prévia das lesões antes do curativo sempre com água corrente; - Rompimento das bolhas e remoção dos tecidos desvitalizados, aplicando uma cobertura antimicrobiana, tendo a atenção voltada ao tratamento tópico da ferida, limpeza, desbridamento e aplicação da cobertura. Caso Clínico - Queimaduras Caso Clínico - Intoxicação Criança do sexo feminino, 2 anos, parda, 13 kg, que deu entrada no HETDLGF, após ter ingerido, acidentalmente, dose excessiva de paracetamol. De acordo com o relato da mãe, a criança tinha feito ingestão de aproximadamente 2.400 mg de paracetamol. O tempo entre a ingestão e a chegada ao hospital foi de três horas e meia. No exame físico, a paciente se encontrava levemente sonolenta, o abdômen estava flácido, com leve dor à palpação profunda, massa palpável em flanco inferior esquerdo, móvel. Com temperatura de 37°C, a criança tinha frequência cardíaca (FC) de 100 bpm (batimentos por minuto) e frequência respiratória (FR) de 24 irpm (incursões respiratórias por minuto). A conduta imediata, recomendada pela equipe, foi a administração de N-Acetilcisteína (NAC), sendo 140 mg/Kg (em dose de ataque) e 70 mg/Kg (dose de manutenção) a cada 4 horas, até completar 17 doses. Os exames realizados no momento da admissão hospitalar mostraram elevação das transaminases, da alanina aminotransferase, de 139 U/L, e da aspartato aminotransferase, de U/L. Creatinina apresentou valor elevado (1,3 mg/dl) e ureia valor discretamente elevado (32 mg/dl). As alterações das transaminases ocorrem nos casos de doses tóxicas do paracetamol. O paracetamol (acetaminofeno) é metabolizado no fígado, principalmente, por três vias. Uma delas origina um metabólito de variável grau de toxicidade, atingindo principalmente o fígado, podendo causar insuficiência hepática (IH), além de danos renais e aos processos de coagulação O diagnóstico precoce pode ser realizado após avaliação da história do paciente, bem como dos aspectos clínicos e laboratoriais. O diagnóstico precoce é de grande importância no tratamento de pacientes intoxicados pelo paracetamol. O método mais utilizado para quantificar esse fármaco é o Nomograma de Rumack-Matthew. Por esse método, é avaliada a concentração do paracetamol em relação ao tempo, após a exposição. A NAC é um antídoto capaz de repor os estoques da Glutationa, a glutationa molécula simples, composta por três aminoácidos: cisteína, glicina e glutamina que auxilia o organismo processos de detoxificação, ou seja, tem a função de livrar o organismo de elementos nocivos. Caso Clínico - Intoxicação Papel do Enfermeiro Avaliação clínica: A avaliação clínica inicial da criança tem o objetivo de identificar situações de risco iminente de morte. Dessa forma, a prioridade no exame físico é avaliar as condições respiratórias, a função cardiovascular e a presença de alterações neurológicas. Verificação e monitorização dos sinais vitais e oximetria de pulso; Avaliação do nível de consciência e reatividade das pupilas; Verificação da glicemia capilar; Punção de acesso venoso calibroso, manutenção das vias aéreas abertas e auxílio na intubação orotraqueal (IOT), se necessário. Após a estabilização clínica da criança, a equipe deve considerar a realização da descontaminação gástrica. Em algumas intoxicações, pode-se utilizar antídoto, como foi no caso clínico, de preferência dentro de 8 a 10 horas do ocorrido. Por fim, toda criança vítima de intoxicação exógena, mesmo que assintomática, deve ficar em observação, por um período de 6 horas no mínimo, em unidade hospitalar, podendo ter alta, caso permaneça assintomática. Caso Clínico - Intoxicação Artigos Curiosidades Conclusão As principais temáticas encontradas nos estudos analisados foram relacionadas com a epidemiologia, conduta médica e prevenção de queimaduras. Estudos epidemiológicos são importantes para conhecer os padrões de ocorrência de condições que afetam a população, bem como seus fatores determinantes, e os seus resultados podem viabilizar ações de prevenção de acidentes, uma vez que há identificação da população mais afetada. Em suma, é de grande relevância que os assuntos sejam discutidos e que apontam para a urgência de medidas de controle e prevenção, bem como a realização de novos estudos que preencham lacunas do conhecimento e venham colaborar no combate a estes agravos à saúde infantil, que é a ocorrência de queimaduras e intoxicações. Referências SCHUENGUE, Nathalia.Intoxicação exógena em crianças: conduta do enfermeiro.Pebmed, 2019. disponível em: <https://pebmed.com.br/intoxicacao- exogena-em-criancas/> acesso em: 18 de janeiro de 2022. BARBOSA, F.O; MORAIS, L.C.A; ROLIM, A.P.P; MARIZ S.R; Fook, S.M.L. INTOXICAÇÃO POR PARACETAMOL: UM RELATO DE CASO. Congresso Brasileiro de Ciências da Saúde. RAITH, Alexandre. Como prevenir ou socorrer casos de intoxicação em crianças.Veja Saúde, 2021. Disponível em: <https://saude.abril.com.br/familia/como-prevenir-ou-socorrer-casos-de- intoxicacao-em-criancas/>. Acesso em 18 de janeiro de 2022. Secundo CO, Silva CCM, Feliszyn RS. Protocolo de cuidados de enfermagem ao paciente queimado na emergência: Revisão integrativa da literatura. Rev Bras Queimaduras2019;18(1):39-46 JACOMASSI, L.S.; PAULA, F.P; KAKEHASI, F.M. ; MENDONÇA, M.L. QUEIMADURA INFANTIL: PRIMEIROS CUIDADOS E COMO EVITÁ-LAS. OBERVAPED- EIXO: SEGURANÇA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE INFORMATIVO Nº1/2018 Kakehasi, F. M.; Paula, F. P.; Azevedo, L. A. C. et. al. Segurança da Criança e do Adolescente - programa de extensão “Observatório da Saúde da Criança e do Adolescente”. Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). https://pebmed.com.br/author/nathalia-schuengue/ https://pebmed.com.br/intoxicacao-exogena-em-criancas/ https://saude.abril.com.br/familia/como-prevenir-ou-socorrer-casos-de-intoxicacao-em-criancas/ Obrigado! Dúvidas? Perguntas Quais os cuidados o enfermeiro deve orientar aos pais em relação a casos de intoxicação? Quais as medidas os familiares devem ter após queimaduras em crianças? Em relação ao caso clínico, como o enfermeiro pode educar os profissionais da creche para eliminar esses acidentes ? O que é importante observar nos casos de intoxicação em crianças?