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Universidade Federal do Piauí Centro de Educação Aberta e a Distância qUímiCA orgâniCA Prof. José Arimatéia Dantas Lopes Prof. Sidney Gonçalo de Lima Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ministério da Educação - mEC Universidade Aberta do Brasil - UAB Universidade Federal do Piauí - UFPi Centro de Educação Aberta e a Distância - CEAD Prof. José Arimatéia Dantas Lopes Prof. Sidney Gonçalo de Lima química orgânica Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Cleidinalva Maria Barbosa Oliveira Ubirajara Santana Assunção Zilda Vieira Chaves Elis Rejane Silva Oliveira Roberto Denes Quaresma Rêgo Samuel Falcão Silva José Luís Silva Aurenice Pinheiro Tavares Carmem Lúcia Portela Santos PRESIDENTE DA REPÚBLICA MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GOVERNADOR DO ESTADO REITOR DA UNIVERSAIDADE FEDERAL DO PIAUÍ SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO MEC PRESIDENTE DA CAPES COORDENADOR GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL DIRETOR DO CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA E A DISTÂNCIA DA UFPI Dilma Vana Rousseff Linhares Fernando Haddad Wilson Nunes Martins Luiz de Sousa Santos Júnior Carlos Eduardo Bielshowsky Jorge Almeida Guimarães João Carlos Teatine de S. Clímaco Gildásio Guedes Fernandes CONSELHO EDITORIAL DA EDUFPI Prof. Dr. Ricardo Alaggio Ribeiro ( Presidente ) Des. Tomaz Gomes Campelo Prof. Dr. José Renato de Araújo Sousa Profª. Drª. Teresinha de Jesus Mesquita Queiroz Profª. Francisca Maria Soares Mendes Profª. Iracildes Maria de Moura Fé Lima Prof. Dr. João Renór Ferreira de Carvalho COORDENAÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO TÉCNICOS EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS EDIÇÃO PROJETO GRÁFICO DIAGRAMAÇÃO REVISÃO REVISÃO GRÁFICA © 2011. Universidade Federal do Piauí - UFPI. Todos os direitos reservados. A responsabilidade pelo conteúdo e imagens desta obra é dos autores. O conteúdo desta obra foi licenciado temporária e gratuitamente para utilização no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil, através da UFPI. O leitor se compromete a utilizar o conteúdo desta obra para aprendizado pessoal, sendo que a reprodução e distribuição ficarão limitadas ao âmbito interno dos cursos. A citação desta obra em trabalhos acadêmicos e/ou profissionais poderá ser feita com indicação da fonte. A cópia deste obra sem autorização expressa ou com intuito de lucro constitui crime contra a propriedade intelectual, com sansões previstas no Código Penal. É proibida a venda ou distribuição deste material. EQUIPE DE DESENVOLVIMENTO COORDENADORES DE CURSOS ADMINISTRAÇÃO CIÊNCIAS BIOLÓGICAS FILOSOFIA FÍSICA MATEMÁTICA PEDAGOGIA QUÍMICA SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Francisco Pereira da Silva Filho Maria da Conceição Prado de Oliveira Zoraida Maria Lopes Feitosa Miguel Arcanjo Costa João Benício de Melo Neto Vera Lúcia Costa Oliveira Rosa Lima Gomes do Nascimento Pereira da Silva Luiz Cláudio Demes da Mata Sousa Lopes, José Arimatéia Dantas, Lima, Sidney Gonçalo de Química Orgânica / José Arimatéia Dantas, Sidney Gonçalo de Lima - Teresina: EDUFPI/UAPI, 2011 210 p. ISBN: 978-85-7463-326-8 1- Química Orgânica 2 - CPU. 3 - Motivação Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Este texto é destinado aos estudantes aprendizes que participam do Programa de Educação a Distância da Universidade Aberta do Piauí (UAPI), vinculada ao consórcio formado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI-PI), com apoio do Governo do Estado do Piauí, através da Secretaria de Educação e Cultura. A Química Orgânica é uma ciência em pleno desenvolvimento, e suas aplicações podem ser percebidas em muitos eventos comuns que se passam conosco e ao nosso redor. O Curso que ora apresentamos está distribuído em dez unidades, sem a preocupação de aprofundá-las demais ou de esgotá- las completamente. Todos os capítulos se iniciam por um breve resumo, também apresentado a seguir, que visa contextualizar o aluno com os objetivos da unidade. Gostaríamos de enfatizar que esta não é, de fato, uma obra completa; deste modo, buscar informações em outras fontes torna-se essencial para um melhor aprendizado. Unidade 1 - Esta unidade inicia-se pela origem e definição da Química Orgânica; em seguida, apresentamos algumas ideias gerais da estrutura atômica e a natureza das ligações químicas. É provável que grande parte do conteúdo tratado neste capítulo seja familiar ao leitor, ainda que em outro contexto. Nossa intenção é recapitular alguns conceitos e aprofundar outros importantes para a compreensão da estrutura e reatividade das moléculas orgânicas. Unidade 2 - Esta unidade dá uma visão geral da nomenclatura dos compostos orgânicos, abordando os nomes triviais, semitriviais e, com maior ênfase, os nomes sistemáticos, elaborados de acordo com os procedimentos descritos nas seções A, B, C, D, E, F, e H, da edição de 1979 do Nomenclature Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db of Organic Chemistry, e modificado pelas recomendações de 1993, da Internaitonal Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC). Unidade 3 - Esta unidade destaca a importância da Estereoquímica Orgânica e discute os termos fundamentais a ela relacionados, além de aplicar os conhecimentos dessa área da Química Orgânica para o melhor entendimento da estrutura dos compostos orgânicos. Unidade 4 - Nesta unidade, estudaremos os hidrocarbonetos, que são as matérias-primas básicas para muitos dos produtos químicos que o homem usufrui em seu dia-a-dia. Apesar de sua composição elementar simples, esses compostos mostram uma extraordinária diversificação em estruturas e comportamento. Trataremos sobre as informações gerais e propriedades físico-químicas dos hidrocarbonetos, tais como: ponto de fusão e ebulição, dos métodos de obtenção, e das principais reações químicas dos alcanos e cicloalcanos, alcenos e compostos aromáticos. Unidade 5 - Nesta unidade, estudaremos as principais características dos compostos orgânicos halogenados, origem, e suas principais reações químicas. Veremos que as reações de substituição e eliminação, a que esses compostos estão sujeitos, estão entre as reações mais versáteis e utilizadas em Química Orgânica. Veremos como essas reações ocorrem, quais são suas características e como elas podem ser empregadas na síntese de novas moléculas. Unidade 6 - Nesta unidade, e nas duas seguintes, trataremos da química de diversos grupos funcionais contendo oxigênio. A interação entre estas importantes classes de compostos (álcoois, éteres, fenóis, aldeídos, cetonas, ácidos carboxílicos e seus derivados) é fundamental para a Química Orgânica e para a Bioquímica. Nesta unidade, iniciaremos o estudo destes compostos, tratando dos álcoois, fenóis e éteres que se caracterizam por apresentarem em suas estruturas um átomo oxigênio ligado a dois outros átomos, sendo um deles um carbono e o outro um novo átomo de carbono ou de hidrogênio. Unidade 7 - Nesta unidade, estudaremos duas classes de compostos carbonilados: os aldeídos e as cetonas. Estes compostos são muito abundantes na natureza, contribuem para o aroma e o sabor de muitos alimentos e participam das funções biológicas de muitas enzimas. Na indústria eles são utilizados como reagentes e solventes em síntese. De maneira geral, você aprendeu a nomear esses compostos em capítulos anteriores. Nesta unidade, estudaremos suas propriedades físicas, métodos de produção, origem e suas Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db principaisreações químicas. Unidade 8 - Esta unidade tratará de um segundo grupo de compostos carbonílicos: os ácidos carboxílicos e seus derivados. Esses compostos têm larga aplicação na indústria, no laboratório, e estão muito presentes em nosso dia-a-dia, conforme será visto no decorrer desta unidade, que abordará as propriedades físicas, os métodos de obtenção e as reações características destes compostos. Unidade 9 - Esta unidade dá continuidade ao estudo dos compostos orgânicos nitrogenados, iniciado no final da unidade anterior, com as amidas. Nesta unidade, estudaremos as aminas, principais bases orgânicas, e as nitrilas e isonitrilas. Unidade 10 - Nesta unidade, você terá a oportunidade de conhecer alguns experimentos, que envolvem preparação e caracterização de compostos orgânicos. Essas práticas devem ser realizadas sob a orientação do professor ou monitor da disciplina. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 9 UniDADE 1 Estrutura atômica e ligações Estrutura atômica e ligações................................................................15 Química Orgânica: uma perspectiva histórica...............................15 Grupamentos funcionais e reatividade das moléculas orgânicas..........................................................................................17 Estruturas e fórmulas das moléculas orgânicas...................................18 Estrutura atômica................................................................................19 Estrutura atômica moderna: orbitais...................................................20 Desenvolvimento da Teoria de Ligação Química.................................21 A natureza da ligação química.............................................................22 Polaridade das ligações........................................................................23 Teoria de Ligação de Valência..............................................................24 Hibridização de orbital, comprimento de ligação, força de ligação e ângulos de ligação...............................................................................26 Geometria molecular ................................................................ .........30 Teoria de Orbitais Moleculares ................................................. ..........31 UniDADE 2 Nomeclatura de compostos orgânicos Nomeclatura de compostos orgânicos ......................................... ......35 Introdução .................................................................................... ......35 Nomes não-sistemáticos ............................................................. .......35 Nomes sistemáticos .................................................................. ..........36 15 33 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0110 UniDADE 3 Estereoquímica de compostos orgânicas Estereoquímica de moléculas orgânicas..............................................51 Introdução...........................................................................................51 Esteroisômeros.....................................................................................52 Atividade óptica...................................................................................53 Projeções de moléculas no plano........................................................53 Nomenclatura de estereoisômeros.....................................................56 Moléculas cuja quiralidade se deve à presença de um eixo................60 Exercícios propostos.............................................................................62 UniDADE 4 Hidrocarbonetos Hidrocarbonetos ........................................................................... ......67 Petróleo, principal fonte de Hidrocarbonetos ............................. .......67 Hidrocarbonetos insaturados ..................................................... ........71 Alcinos. ..................................................................................... ..........74 Hidrocarbonetos Aromáticos (HA) ............................................... ......75 Reações químicas ......................................................................... ......79 Classificação das reações orgânicas ............................................ .......82 Reações dos alcanos. ................................................................ ..........83 Reações dos alcenos ..................................................................... ......85 Reações dos hidrocarbonetos aromáticos .................................... ......88 Síntese de benzenos trissubstituído ............................................ .......92 UniDADE 5 Haletos orgânicos Haletos orgânicos. ....................................................................... .......97 Ocorrência e formação ................................................................. ......97 Propriedades físicas ..................................................................... .......98 Reações químicas ..................................................................... ..........98 Reações de eliminação..... ...................................................... ..........103 49 65 95 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 11 UniDADE 6 Álccois, fenóis e éteres Álcoois, fenóis e éteres......................................................................111 Introdução.........................................................................................111 Álcoois..............................................................................................111 Éteres.................................................................................................118 Fenóis.................................................................................................120 UniDADE 7 Aldeídos e cetonas Substâncias carboniladas .......................................................... .......129 Aldeídos e cetonas .................................................................... .......130 Propriedades físicas .................................................................. ........130 Preparação de aldeídos e cetonas. ........................................ ...........132 Reatividade dos aldeídos e cetonas .......................................... .......133 Reações químicas ...................................................................... .......135 Adição nucleofílica a aldeídos e cetonas - insaturados. ............ .......137 Reações de substituição alfa a carbonila.. .............................. ..........139 Reações de condensação carbonílica. ........................................ ......142 UniDADE 8 Ácidos carboxílicos e derivados Ácidos carboxílicos e derivados. ................................................. ......149 Ésteres ........................................................................................ ......158 Anidridos e haletos de ácidos .................................................... .......161 Amidas .................................................................................... ..........165 UniDADE 9 Aminas e nitrilas Aminas e nitrilas ......................................................................... ......173 Aminas ........................................................................................ ......174 Nitrilas e isonitrilas ..................................................................... ......179 109 127 147 171 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0112 UniDADE 10 Preparação e caracterização de compostos orgânicos Preparação e caracterização de compostos orgânicos......................185 Destilação..........................................................................................185Extração da cafeína............................................................................188 Cromatografia....................................................................................191 Preparação de sabão..........................................................................195 Propriedades do sabão......................................................................197 Biodiesel de óleos vegetais................................................................198 Preparação do ciclo-hexeno...............................................................201 Síntese do ácido acetil salicílico (ASPIRINA)......................................202 183 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 13 UniDADE 01 Estrutura Atômica e ligações Esta unidade inicia-se pela origem e definição da Química Orgânica e em segui- da apresentamos algumas ideias gerais da estrutura atômica e a natureza das ligações químicas. É provável que grande parte do conteúdo tratado neste capítulo seja familiar ao leitor, ainda que em outro contexto. Nossa intenção é recapitular alguns concei- tos e aprofundar outros importantes para compreensão da estrutura e reatividade das moléculas orgânicas. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0114 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 15 EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs Química Orgânica: uma perspectiva histórica A química orgânica é um ramo da química relativamente jovem; na metade do século XVIII, começou a evoluir da arte dos alquimistas para uma ciência moderna, nascida do estudo das substâncias que constituem a matéria viva e dos compostos resultantes de suas transformações. Torbern Bergman (1770) foi o primeiro a expressar a diferença entre substâncias orgânicas e inorgânicas. Inicialmente pensava-se que a síntese de substâncias orgânicas só era possível com a interferência de organismos vivos (animais, vegetais, bactérias etc.), utilizando uma “força vital”, proposta por Berzelius. No entanto, quando se demonstrou que estes compostos podiam ser sintetizados em laboratório, com os experimentos de Friedrich Wöhler (1828), que sintetizou Uréia (composto orgânico), apenas aquecendo o cianato de amônio (CH4CNO), a designação “orgânico” perdeu o sentido. Outros cientistas, tais como Michel Chevreul and Pierre Eugene Marcellin Berthelot, deram contribuições importantes não só para desmascarar de vez a teoria da força vital como também para o avanço da ciência. Nos dias atuais, prefere-se a designação de compostos de carbono a compostos orgânicos, visto que este elemento é comum a todos eles; sendo, em parte, responsável por suas propriedades. Por um ou outro caminho, quase todos os elementos da Tabela Periódica podem ser incorporados na estrutura de uma molécula orgânica. Assim, nem todos os compostos que possuem o elemento Carbono são incluídos no grupo dos compostos orgânicos e Jöns Jacob Berzelius, (Väfversunda, Östergötland, 20/08/1779 — Esto- colmo, 07/0/1848) Foi um químico sueco. Estudou Medicina na Universidade de Uppsala e foi professor de Medicina, Farmácia e Botânica no Insti- tuto Karolinska de Estocol- mo. Em um período de dez anos, estudou em torno de dois mil compostos químicos. Na segunda metade do séc. XVIII, a grande revolução que transformou a Química e as ciências exatas ainda estava no seu alvorecer. As concepções de Lavoisier eram as pioneiras desta grande metamorfose. Fonte: Disponível em: <http:// pt.wikipedia.org>. ureia (orgânico)cianato de amônio (sal inorgânico) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0116 nem todos são derivados de organismos vivos. Químicos modernos são extremamente habilidosos na síntese de novos compostos orgânicos no laboratório. Remédios, corantes, polímeros, aditivos alimentares, pesticidas e uma variedade de substâncias podem ser preparados em laboratório. Por que o Carbono é especial? O que o separa dos outros elementos? Friedrich August Kekulé foi um dos responsáveis por desvendar muitas das propriedades desse elemento. As respostas a essas perguntas são resultado de sua posição na Tabela Periódica. A facilidade com que os átomos de Carbono (6C 1s2 2s2 2p2, 4 elétrons de valência) formam ligações covalentes (simples, duplas ou triplas) com outros átomos de Carbono ou com átomos de outros elementos explica o número e a variedade de compostos orgânicos. O Carbono é capaz de formar uma diversidade imensa de compostos, desde o mais simples até o mais surpreendentemente complexo – do metano (CH4) com um único átomo de Carbono ao taxol ou ainda o DNA, que pode conter alguns bilhões de átomos. Problema 1 - A estrutura molecular do taxol e sua importância é citada na Tabela 1 - Principais características do átomo de carbono, base fundamental da química orgânica (postulados de Kekulé). Friedrich Wöhler (31/071800, Escher- sheim/Frankfurt am Main – 23/09/1882, Göttingen) Foi um pedagogo e químico alemão. Precursor no campo da Química Orgânica, Wöhler é famoso por sua síntese do composto orgânico ureia. Também levou a cabo investigações importantes sobre o ácido úrico e o azeite de amêndoas amargas em colaboração com o químico alemão Justus von Liebig. Fonte: Disponível em: <http:// pt.wikipedia.org>. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 17 caixa de texto ao lado. O que é e quais são os grupo funcionais presentes na molécula de taxol? Problema 2 - Cocaina e ecstasy são drogas que provocam dependência e aumentam o risco de câncer, podendo também provocar mutações genéticas. No que diz respeito às mutações genéticas, essas drogas, no ápice de seus efeitos toxicológicos, atacam o DNA, alterando material hereditário, o que é muito preocupante para os efeitos que podem causar em gerações futuras. Desenhe suas estruturas químicas e demonstre suas diferenças em termos de grupos funcionais. Grupamentos funcionais e reatividade das moléculas orgânicas A Química Orgânica é uma ciência que diz respeito à vida de todos nós. Seu estudo é um empreendimento fascinante. Milhares de novos compostos orgânicos são descobertos em todo o mundo, seja ele derivado de organismos vivos, vegetais, animais ou produto de síntese, por isso é de fundamental importância sua classificação e/ou seu agrupamento. Tal divisão é feita de acordo com a presença de determinados grupos de átomos em suas moléculas (os grupos funcionais); grupos esses que são responsáveis pelo comportamento químico dessas famílias de compostos orgânicos. Na verdade, essa ciência é unificada, os mesmos princípios que explicam os compostos inorgânicos mais simples também explicam os compostos orgânicos mais complexos. A Química Orgânica, por sua vez, divide-se em uma grande variedade de ramos especializados: • Análise orgânica: detecção de produtos naturais, presentes por vezes em quantidades ínfimas, como, por exemplo, o taxol. • Síntese orgânica: imitar a natureza e produzir quantidades úteis de produtos naturais raros, assim como de compostos de interesse puramente acadêmico. • Mecanismos de reações: permite descobrir novas reações, novas sínteses e degradações, relacionar a estrutura com a reatividade dos compostos orgânicos. Estruturas e fórmulas das moléculas orgânicas O taxol é uma importante droga utilizada, principal- mente, na luta contra o cancro. Ele exerce esta pre- ciosa atividade anticancerí- gena através da inibição da mitose. Desde 1989, o taxol tem sido alvo de intensas pesquisas. Verificaram-se aplicações deste composto no tratamento de várias doenças, desde diversos ti- pos de cancro, incluindo can- cro do ovário, peito, cólon, gástrico e dos pulmões, à doença de Alzheimere artrites. É também utilizado como agente antiviral e como auxílio em procedi- mentos necessários ao lidar com doenças coronárias. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0118 A boa compreensão da natureza das ligações permite aprender como os químicos determinam a identidade das moléculas orgânicas e estabelecem suas estruturas. Lembre-se, para estabelecer a identidade de uma molécula, é preciso determinar sua estrutura. Os químicos orgânicos dispõem de diversas técnicas de determinação de estrutura molecular. A análise elementar dá a fórmula empírica, uma síntese dos elementos presentes e das razões entre eles. Outras técnicas são necessárias para determinar a fórmula molecular (FM) e distinguir as diversas estruturas possíveis. Assim, por exemplo, a fórmula C2H6O corresponde a duas substâncias conhecidas, o etanol e metóxi- metano. Podemos distingui-las com base em suas propriedades físicas, ponto de fusão, ponto de ebulição, índice de refração etc. Moléculas como esta com a mesma FM, porém com sequência dos átomos ligados (conectividade) diferentes, são chamados de isômeros estruturais ou de constituição. Quando um composto natural ou produzido em uma reação é isolado, o químico pode tentar identificá-lo por comparação com as propriedades de substâncias conhecidas (presentes na literatura), mas se o produto é novo a elucidação exige outros métodos mais sofisticados, muitos dos quais espectrométricos. Os métodos mais completos de determinação de estruturas são a difração de raios X de nanocristais e a difração de elétrons e espectrometria de microondas de gases. Estas técnicas permitem a determinação da posição exata de átomos, como se houvesse sido feita uma grande ampliação: a visualização das moléculas orgânicas em três dimensões, a estrutura e sua reatividade. Vários tipos de desenhos são usados para representar as estruturas moleculares: estrutura de Kekulé, Condensadas e Fórmulas de linha de ligação. Problema 3 - Escreva todos os isômeros estruturais de fórmula C4H10. Probema 4 - Desenhe a estrutura condensada de uma substância que contém apenas carbono e hidrogênio que tenha: a) três carbonos hibridizados em sp3; b) um carbono hibridizado em sp3 e dois carbonos hibridizados em sp2; c) dois carbonos hibridizados em sp3 e dois carbonos hibridizados em sp. Representação em três dimensões do etanol (I) e metóxi-metano (II) com auxílio de modelos moleculares do tipo bola e palito, construído no programa Avogadro: http:// avogadro.sourceforge.net. As distâncias interatômicas estão em angstroms e nos ângulos de ligação em graus. A estru- tura III é do metóxi-metano representado com auxílio de modelos de bolas que con- sidera o tamanho efetivo das nuvens de elétrons ao redor do núcleo. Fonte: Disponível em: <http://avogadro.sourceforge.net>. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 19 Estrutura atômica Todas as substâncias são feitas de moléculas, que é feita de átomos, os átomos, este por sua vez, são feitos pelo núcleo e a eletrosfera. Isso era o que se sabia até o início do século XX. De lá para cá, descobriu-se que o núcleo também tem partes internas. Ele é feito de Prótons e Nêutrons que ficam presos um ao outro pela força nuclear. Na década de 1960, os instrumentos da Física ficaram mais potentes e mostraram que tanto os prótons como os nêutrons são formados por outras subpartículas: os quarks; cada próton ou nêutron é formado por três quarks. Eles também se ligam por força nuclear. No universo atual, só os quarks para cima e para baixo são usados para construir substâncias. No inicio do universo, havia outros tipos de quarks, eles hoje estão extintos, mas podem ser recriados a partir de energia pura nos laboratórios. A energia que mantém todas estas partículas e subpartículas unidas é muito grande, e pode ser aproveitada, tal como ocorre em processos de obtenção de energia nuclear (usinas e bombas nucleares). Para construir alguns conceitos que ajudam a entender a química do dia-a-dia, o modelo de átomo descrito por Rutherford-Bohr é suficiente e o aluno já teve oportunidade de estudá-lo em Química Geral. Para maiores detalhes sobre estrutura atômica e configuração eletrônica (princípio de Aufbau, princípio de exclusão de Pauli e regra de Hund). A Figura 1 apresenta a distribuição eletrônica do estado fundamental para alguns elementos. Estrutura atômica moderna: orbitais Como os elétrons estão distribuídos em um átomo? Os cientistas que estudavam a estrutura do átomo no início do século XX descobriram Figura 1 - Confiração eletrônica do estado fundamental de alguns elementos. Aplicação da regra de Hund, Pincípio de exclusão de Pauli e Princípio de Aufbau. Rutherford-Bohr - Graduou-se em 1893 em Matemática e Ciências Físicas na Universidade da Nova Zelândia. Nova Zelândia, 30/08/1871 — Cambridge, 19/10/1937). Apesar de ser um físico, recebeu o Prémio Nobel da Química em 1908 por suas investigações sobre a desin- tegração dos elementos e a química das substâncias radioativas. No modelo planetário formulado por ele, o átomo é formado por um núcleo muito pequeno em relação ao átomo, com carga positiva, no qual se concentra praticamente toda a massa do átomo. Ao redor do núcleo localizam-se os elétrons neutralizando a carga positiva. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0120 algo muito interessante. As regras estabelecidas pelo físico inglês Isaac Newton, e que eram capazes de descrever o comportamento dos corpos macroscópicos, não funcionavam na escala atômica. A mecânica Newtoniana não pôde corretamente descrever o comportamento de prótons, nêutrons, elétrons ou átomos. Niels Bohr, Max Planck, Wolfgang Pauli, Louis de Broglie, Erwin Schrödinger, Werner Heisemberg e outros grandes cientistas daquela época começaram a desenvolver um novo conjunto de “leis” físicas que se aplicavam, muito bem, ao mundo microscópico dos átomos. Esta nova teoria foi chamada de Mecânica Quântica. O modelo do átomo de Bohr é apenas uma aproximação à descrição feita pela mecânica quântica, mas com a virtude de ser muito mais simples. De acordo com o modelo atual da mecânica quântica de um átomo, o comportamento de um elétron específico de um átomo pode ser descrito pela expressão matemática denominada equação de onda – o mesmo tipo de expressão usada para descrever o movimento das ondas em fluidos. A solução de uma equação de onda é denominada função de onda, ou orbital, e é descrita pela letra grega Ψ. Nese modelo, considera-se que os elétrons ocupam orbitais em torno do núcleo, e não órbitas fixas propostas por Bohr. Orbitais diferentes têm níveis de energia e formas diferentes. Por exemplo, orbitais s são esféricos, orbitais p têm a forma de halteres. Os sinais + e – referem-se a funções de onda, e não a cargas elétricas, têm relação com uma onda. Os lobos de sinais diferentes são separados por Um corpo grande como um planeta, por exemplo, é composto de átomos, cada qual consistindo de um núcleo rodeado por uma núvem de eletróns. O núcleo é feito de prótons e Nêutrons, cada qual consistindo de “quarks” virados para cima (up; “u”) e para baixo (down; “d”). Figura 2 - Representação dos orbitais 2s e 2p e sua hibridização. Se considerarmos a natureza ondulatórias das partículas em movimento teremos um modelo melhor. Um corpo de massa m que se move com velocidade v, está associado a comprimento de onda i. Um elétron em órbirta pode ser descrito por equações semelhantes à utilizadas na mecânica clássica para descrever as ondas. Essas ondas tem amplitude que assumem sinal positivo ou negativo. Os pontos em que ocorrem mudança de sinal são chamados de nodos. As ondas que interagem em fase reforçam umas às outras. Remova Marca d'águaWondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 21 um plano nodal perpendicular ao eixo principal do orbital. Problema 5 - Escreva a configuração eletrônica para o Carbono, Cloro e Ferro. Compare usando a configuração no estado fundamental e confira sua posição na Tabela periódica. Problema 6 - Discuta sobre os tipos de ligações envolvidas nos seguintes itens: a) NaI b) LiBr c) Cl2 d) KCl e) H2O f) CH 3CH2CH3 Desenvolvimento da Teoria de Ligação Química A maior parte da matéria existente, seja ela orgânica ou inorgânica, viva ou não, é composta por sais e moléculas simples ou complexas, nos quais os elementos se encontram conectados através de ligações químicas. Entender como se dá a formação de uma ligação química é, então, o primeiro passo para desvendar a magia e os encantos do universo químico que nos cerca. Com base nos conhecimentos que se acumulavam, o alemão Friedrich August Kekulé e o Escocês Archibald Scott Couper propuseram (1857) que o Carbono faz quatro ligações e pode unir-se com outros carbonos, formando cadeias (1858). Kekulé foi também o primeiro a sugerir a estrutura aceita atualmente para o benzeno. Os trabalhos do francês Louis Pasteur sobre a atividade óptica levaram o holandês Van Hoff e o francês Le Bel a tentar explicar a assimetria molecular, propondo uma geometria tetraédrica para o Carbono em 1874. Assim, estava sendo construído o alicerce sobre o qual toda a Química Orgânica pôde desenvolver-se. Acrescente-se que, nas primeiras décadas do século XX, houve melhor compreensão dos átomos e das ligações químicas, impulsionando-se no sentido de descobertas notáveis. Por exemplo, elucidação estrutural do DNA pelo geneticista americano James Watson e pelo físico inglês Francis Crick, em 1953, que lhes valeu o Prêmio Nobel em 1962. A natureza da ligação química Por que os átomos se ligam e como as ligações podem ser descritas eletronicamente? A primeira questão é fácil de responder: átomos se ligam uns aos outros porque os compostos resultantes apresentam menor energia que os átomos separados. A segunda questão é um pouco mais difícil, mas Todas as proteínas que compõe o nosso organ- ismo são constituídas por sequência de aminoácidos, ligados covalentemente. Estes compostos possuem grupos -OH e -NH capazes de formar uma forte rede de ligações intermoleculares. É isto que confere a estrutura terciária das proteínas, isto é, a sua forma característica de orientação espacial. Outro exemplo é o DNA de todos os humanos: sua forma de dupla-hélice é mantida graças às ligações hidrogênio entre os grupos dos -OH e -NH das bases nitrogenadas heterocíclicas que o compõe: GCAT. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0122 uma explicação convincente, embora genérica, foi dada por Kossel e Lewis no início do século XX. Essa teoria afirmava que os elétrons que participam de ligações estão na camada mais externa do átomo, os chamados elétrons de valência. Com base nessa ideia, a valência de um átomo passou a ser vista como a quantidade de elétrons que um átomo deveria receber, perder ou compartilhar para tornar sua última camada (camada de valência) igual a do gás nobre de número atômico mais próximo. Dependendo do caráter eletropositivo ou eletronegativo dos átomos envolvidos, três tipos de ligações químicas podem ser formadas: ligação iônica, covalente e metálica. 1) Ligação Iônica: ligação iônica ou eletrovalente é a atração eletrostática entre íons de cargas opostas em um retículo cristalino. Esses íons formam-se pela transferência de elétrons dos átomos de um elemento para os átomos de outro elemento. Para se formar uma ligação iônica, faz-se necessário que os átomos de um dos elementos tenham tendência a ceder elétrons e os átomos do outro elemento tenham tendência a receber elétrons. 2) Ligação Covalente normal: é formada quando um par de elétrons é compartilhado por dois átomos, sendo um elétron de cada átomo participante da ligação. Há, ainda, um caso especial de ligação covalente denominada ligação covalente dativa ou coordenada, na qual em um par de elétrons compartilhado por dois átomos, os dois elétrons são fornecidos apenas por um dos átomos participantes da ligação; forma-se quando um dos átomos já tem o seu octeto completo e o outro ainda não. 3) Por último temos a ligação metálica, objeto de estudo mais estudada na química inorgânica, é constituída pelos elétrons livres que ficam entre Figura 3 - Estruturas representativas de uma ligação covalente, iônica e metálica. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 23 os cátions dos metais. A ligação metálica explica a condutividade elétrica, a maleabilidade, a ductilidade e outras propriedades dos metais. Polaridade das ligações É importante lembrar que poucas ligações são totalmente iônicas, covalentes ou metálicas, existindo na maioria das vezes uma ligação intermediária entre estes três tipos de ligações, onde haverá características de duas delas ou até mesmo das três. Uma ligação covalente pode ser, ainda, do tipo polar, formada quando as eletronegatividades dos elementos ligados são diferentes; a do tipo apolar, que não é constituída de dipolo elétrico; e as eletronegatividades dos átomos ligados são similares. Os diversos tipos de ligações, das ligações covalentes às iônicas, são resultado da distribuição assimétrica dos elétrons. A polaridade da ligação surge das diferenças de eletronegatividade, a habilidade intrínseca que um átomo possui de atrair os elétrons compartilhados em uma ligação covalente. De maneira geral, as ligações entre átomos de eletronegatividade próximos, cujos valores diferem de duas unidades, a ligação é considerada covalente apolar, e quando essa diferença é acima de duas unidades são consideradas iônicas. A diferença de eletronegativadade entre os átomos provoca na molécula a formação de um dipolo μ ou momento de dipolo μ, ao qual é atribuído um vetor momento dipolar que, por convenção, a seta aponta para o elemento mais eletronegativo. Somando-se todos os vetores momento dipolar de uma molécula, obtém-se um vetor resultante μR, que irá definir se a molécula é ou não polar. A polaridade resultante pode ser medida por uma quantidade denominada momento de dipolo, μ = Q x r (magnitude da carga Q em ambas as extremidades do dipolo molecular multiplicada pela distância r entre as cargas). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0124 Problema 7 - Escreva a estrutura de Lewis para a acetonitrila, C2H3N, que contém uma ligação tripla C-N. Quantos elétrons o átomo de nitrogênio possui em sua camada mais externa? Quantos são ligantes e quantos são não-ligantes? Problema 8 - Que tipo de ligação química predomina entre os átomos dos compostos KBr, NH3 e HCN? Justifique sua resposta. Problema 9 - Átomos de um elemento 20X e de outro elemento 7Y unem-se por ligações iônicas, originando o composto de fórmula. Problema 10 - O CO2 tem um momento de dipolo zero, embora a ligação C-O seja fortemente polarizada. Explique. Teoria de Ligação de Valência Como ocorre o compartilhamento de elétrons entre os átomos? Dois modelos foram desenvolvidos para descrever a formação da ligação covalente: Teoria de Ligação de Valência (TLV) e Teoria de Orbital Molecular (TOM). A primeira descrição quanto-mecânica de uma ligação covalente foi publicada por Heitler e London em 1927. Nesse trabalho, os dois cientistas estudaram teoricamente a formação da molécula de H2. Esse trabalho deu início ao ramo da ciência conhecido como Química Quântica. Baseados na descrição desses dois autores e na ideia de ligação química de Lewis, alguns anos mais tarde Pauling, Slater e outros desenvolveram a Teoria de Ligação de Valência (TLV) paraexplicar a formação de uma ligação covalente à luz da Mecânica Quântica. De acordo com a Teoria De Ligação De Valência (TLV), a ligação entre dois átomos é conseguida através da sobreposição de dois orbitais atômicos semipreenchidos. Sobreposição refere-se a uma porção destas orbitais atômicas que ocupam o mesmo espaço. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 25 Nesta zona de sobreposição, existe apenas um par de elétrons com spins desemparelhados, provocando a aproximação dos núcleos e diminuindo a energia potencial do sistema. Logo, os átomos tendem a posicionar-se de forma a que a sobreposição de orbitais seja máxima, reduzindo a energia do sistema a um mínimo, formando ligações mais fortes e estáveis. Em alguns casos, pode haver formação de uma ligação dita covalente dativa por sobreposição de um orbital totalmente preenchido de um átomo com um orbital vazio de outro. Exemplificando com a molécula de H2: Orbitais σ - Quando o emparelhamento se dá através de orbitais segundo o eixo de ligação dos átomos, as ligações denominam-se σ. As orbitais que geralmente formam ligações σ são s e pz. Orbitais π - Quando o emparelhamento se dá através de orbitais fora do eixo (interação entre orbitais paralelo, conforme figura abaixo) de ligação dos átomos, as ligações denominam-se π. Os orbitais que geralmente formam ligações π são px e py. Quão próximos estão os dois núcleos na molécula de H2? Se tiverem muito próximo eles irão se repelir porque ambos são carregados positivamente. Se estiverem distantes (I), não compartilharão os elétrons ligantes. Desse modo, existe uma distância ótima (74 pm, III) entre os núcleos que conduzem a um máximo de estabilidade, denominado comprimento de ligação (Figura 4). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0126 Hibridização Hibridização sp3 explica a forma tetraédrica dos compostos de carbono A ligação na molécula de hidrogênio é obtida diretamente, porém a situação é mais complicada para as moléculas orgânicas com átomos de carbono tetravalentes. Como explicar o fato de as quatro ligações no metano serem idênticas e orientadas especialmente em relação aos vértices de um tetraedro regular? Uma proposta foi dada em 1931 por Linus Pauling, que mostrou matematicamente como um orbital s e três orbitais p podem se combinar, ou hibridizar, para formar quatro orbitais atômicos equivalentes, com orientação tetrédrica. A hibridação sp3 é facilmente explicada pelo carbono. Para o carbono tetraédrico (como no metano, CH4), deve haver quatro ligações simples. O problema é que a distribuição eletrônica do carbono no estado fundamental é 1s2 2s2 2px1 2py1. Dessa forma, o carbono deveria realizar apenas duas ligações, pois há apenas dois orbitais semipreenchidos. Entretanto, o átomo de carbono no metileno (CH2) é extremamente reativo, não estando equilibrado quimicamente. O primeiro passo para se entender o processo de hibridação é excitar o átomo de carbono em questão. Então, o carbono equilibra os quatro orbitais, originando orbitais de energia intermediária entre atraçãoE ne rg ia Distância internuclear(r) repulsão não há atração 435 kilojoules mol-1mais estável Figura 4 - Gráfico de energia versus distâncias internuclear para dois átomos de hidrogênio. A distân- cia entre os núcleos no ponto de energia mínima é o comprimento da ligação. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 27 2s e 2p, dando origem ao orbital sp3, assim chamado por ser o resultado da fusão de um orbital s com três orbitais p (Figura 6). Qualquer átomo de hidrogênio do metano pode ser substituído por metila (CH3) ou outros grupos para formar novas combinações. Em todas essas novas moléculas o átomo de carbono leva a arranjos aproximadamente tetraédricos. É a possibilidade que o carbono oferece de formar cadeias de átomos com vários substituintes que leva a extraordinária diversidade da Química Orgânica. Os orbitais híbridos sp2 dão origem a estruturas trigonais Eteno (Etileno) é o hidrocarboneto mais simples que possui uma ligação dupla C = C. Os seis átomos nessa molécula estão arranjados de forma planar, com ângulo de ligação em torno de 120o. Cada átomo de carbono utiliza três orbitais híbridos sp2 e um orbital p. Os três orbitais híbridos sp2 originam da combinação de um orbital 2s com dois dos três orbitais atômicos 2p, cuja orientação é trigonal. O orbital molecular resultante da interação (overlap) de dois orbitais híbridos sp2, um de cada átomo de carbono, acomoda os dois elétrons da ligação sigma (σ) C-C. Para minimizar a repulsão eletrônica, os três orbitais sp2 precisam ficar o mais distante possível uns dos outros. Figura 5 - Hibridização do carbono na molécula de metano. Quatro orbitais híbridos sp3, orientado em relação aos vértices de um tetraedro regular, são formados pela combinação de um orbital atômico s de três orbitais atômicos p. Os orbitais híbridos sp3 são assimétricos em relação ao núcleo. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0128 Os orbitais híbridos sp dão origem a estruturas lineares Dois orbitais sp são obtidos por combinação de um orbital s com um orbital p e fazem entre si um ângulo de 180º. Os dois orbitais p que não entraram na hibridação são perpendiculares aos orbitais híbridos e só podem estabelecer ligações pi. Por exemplo, a molécula H-Be-H, em que o Be (configuração eletrônica de valência 2s2) apresenta duas zonas com eletrons, é descrita por duas ligações sigma, obtidas por sobreposição dos orbitais 1s dos 2 átomos de H com os dois orbitais híbridos sp do Be que fazem entre si ângulos de 180º. A molécula H-Be-H é linear. ligação pi (p) perpendicular a ligação sigma, seus orbitais p estão paralelos entre si. A interação entre esses orbitais faz com que o comprimento da ligação (s) sigma seja menor que o previsto. 2 orbitais porbital s 3 orbitais sp2 Figura 6 - Se combinarem dois orbitais p com o orbital s, obtêm-se três orbitais híbridos sp2. Estes três orbitais fazem entre si ângulos de 120º e o orbital p que não entrou na hibridação é perpendicular ao plano definido pelos orbitais híbridos. Figura 7 - Os dois orbitais sp são obtidos por combinação de um orbital s com um orbital p e fazem entre si um ângulo de 180º. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 29 Hibridização, comprimento de ligação, força de ligação e ângulo de ligação Como no carbono, a hibridização de um átomo de N, O ou S é sp3, mas o ângulo em torno de elemento central pode ser alterado por efeitos estereoeletrônicos e eletronegatividade. Uma ligação pi é mais fraca que uma ligação sigma. Quanto maior a densidade eletrônica na região de sobreposição dos orbitais, mais forte é a ligação. Quanto menor o caráter s, menor e mais forte é a ligação. Quanto maior o caráter s, maior é o ângulo de ligação. Caráter s: sp (50% s) > sp2 (33,3 % s) >sp3 (25% s). Uma ligação C-H é menor e mais forte que uma ligação C-C, pois o orbital s do hidrogênio está mais próximo do núcleo, sendo mais fortemente atraído do que o orbital sp3 do carbono (Tabela 3). Molécula Hibridiza- ção do carbono Ângulo De ligação Com- primento de ligação C-C em A Força de ligação C-C Kjs/mol Com- primento de ligação C-H em A Força de ligação C-C Kj/mol Etano sp3 109,5o 1,54 377 1,10 423 Eteno sp2 120 o 1,33 720 1,08 466 Etino sp1 180 o 1,20 967 1,06 548 Problema 12 - Qual a fórmula geométrica do cloreto de alumínio? Quanto vale o ângulo entre as ligações? Problema 13 - Se não houvesse hibridização, qual seria a fórmula do composto de Boro e Fluor? Problema 14- A cocaína é uma droga sintetizada em laboratório e sua matéria-prima é a folha de um arbusto denominado Erytroxylon coca. Um dos grandes problemas da cocaína é a adulteração pela qual o produto puro passa. Como é comercializada por peso, diversas substâncias são acrescidas ao produto inicial e, normalmente, chegam ao consumidor final com apenas 30% de pureza. Os mais variados produtos são misturados, tais como: soda cáustica, solução de bateria de carro, água sanitária, cimento, pó de vidro, hormônio para a engorda de gado e talco. Desenhe a estrutura química da Cocaína e mostre a hibridização de cada átomo nessa molécula. Problema 15 - Para as moléculas N2 e N2H4 (hidrazina), pede-se: a) Escreva as respectivas estruturas de Lewis. Tabela 2 - Relação entre hibridização, ângulo, comprimento e força de ligação. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0130 b) Em qual das duas moléculas a distância de ligação N-N é menor? Justifique sua resposta. Geometria molecular Conforme vimos, as moléculas são constituídas por átomos ligados por ligação covalente, e podem mostrar, na sua composição, de dois a milhares de átomos. Além de descrever o número e os tipos de ligações em uma molécula, um modelo eficiente deve também predizer o arranjo aproximado dos átomos no espaço. A Teoria da Repulsão dos pares eletrônicos da camada de valência - RPENV (década 1960) é uma das formas mais utilizadas para prever a geometria das moléculas que apresentam mais de dois átomos. Essa teoria baseia-se na ideia de que pares eletrônicos da camada de valência de um átomo central estejam fazendo ligação química ou não; comportam-se como nuvens eletrônicas que se repelem, ficando com a maior distância angular possível uns dos outros. A geometria das moléculas é determinada pela disposição dos núcleos dos átomos ligados ao átomo central. Ao aplicar esta regra a moléculas específicas, encontramos que átomos de carbono e outros elementos leves, em geral, podem assumir várias formas geométricas, sendo as mais comuns a linear, angular, trigonal plana, piramidal e a tetraédrica. Problema 16 - Determine a geometria molecular das estruturas, bem como a polaridade das ligações e das moléculas: água, amônia, pentacloreto de fósforo, hexafluoreto de enxofre, metano, trifluoreto de boro. Tabela 2 - Geometria de algumas moléculas e íons baseada na Teoria RPENV. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstrUtUrA AtômiCA E ligAçõEs 31 Problema 17 - Desenhar esquematicamente a molécula NH2F, mostrando apenas os orbitais que participam das ligações. Qual a fórmula geométrica das moléculas? Teoria de Orbitais Moleculares Vimos que na a Teoria de Ligação de Valência (TLV) todas as ligações químicas são formadas por orbitais semipreenchidos que se sobrepõem. Entretanto, pela TLV, a substância mais simples formada por C e H deveria ser o CH2, mas sabemos que CH2 não existe. É uma espécie química instável, de alta energia! A substância mais simples formada por carbono e hidrogênio é o METANO, CH4. Como explicar isso? Com a Teoria da HIBRIDIZAÇÃO (TH)! Essa teoria diz que os orbitais puros podem se fundir para formar novos orbitais, menos energéticos e, portanto, mais estáveis. Anteriormente, vimos que os elétrons nos átomos podem ser descritos por determinadas funções de onda, que chamamos de orbitais atômicos. A TOM é uma alternativa à TLV; segundo ela, os orbitais atômicos deixam de existir quando os átomos se unem para formar moléculas. Orbitais moleculares passam a existir, com novas energias, e constituem uma propriedade da molécula como um todo. Ela é importante, pois explica alguns fatos experimentais que as outras teorias não explicam, tais como: forma, os ângulos de ligação de algumas moléculas, o papel do par electrônico nas ligações, e propriedades de algumas moléculas, como o paramagnetismo. A interação de dois orbitais atômicos 1s e os orbitais moleculares que resultam dessa interação pode ser representado por um diagrama de energia (diagrama de orbital molecular), semelhante ao da Figura 8. A distribuição dos elétrons nos orbitais moleculares segue os princípios propostos no item 1.3. Na TOM a estabilidade de uma ligação covalente está relacionada com sua ordem de ligação (OL), definida como: OL = ½ (número de elétrons ligantes – números de elétrons antiligantes). Esse valor representa o número de ligações que podem ser formadas, a espécie química existe se tem a OL ≠ 0. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0132 Problema 18 - Com base no diagrama de energia, diga quais das espécies a seguir existem? Se existem, qual a ordem de ligação? a) H2 + b) He2 + c) He2 d) H2 - Figura 8 - Diagrama de energia para molécula de hidrogênio, mostrando a formação de orbitais moleculares ligantes (σ) e antiligantes (σ*) pela adição e subtração de orbitais atômicos (AO). Ao contrário do orbital molecular antiligante, um orbital molecular ligante tem menor energia e maior estabilidade que as orbitais moleculares que lhe deram origem. E ne rg ia Molecular Átomo Átomo Interação destrutiva Orbital molecular sigma ligante Orbital molecular sigma antiliganteInteração construtiva Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 33 UniDADE 02 nomeclatura de compostos orgânicos Esta unidade dá uma visão geral da nomenclatura dos compostos orgânicos, abordando os nomes triviais, semi-triviais e, com maior ênfase, os nomes sistemáticos elaborados de acordo com os procedimentos descritos nas seções A, B, C, D, E, F, e H, da edição de 1979 do Nomenclature of Organic Chemistry e modificado pelas reco- mendações de 1993, da Internaitonal Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0234 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 35 nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos Introdução Um número cada vez maior de compostos orgânicos identificados a cada dia, juntamente com o fato de que muitos desses compostos são isômeros uns dos outros, exige o desenvolvimento de um sistema para a elaboração da nomenclatura desses compostos. Da mesma maneira que cada composto tem uma estrutura molecular única, que pode ser designada por uma fórmula estrutural, a cada composto deve ser associado um nome que leve inequivocamente a essa estrutura. A IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry) elaborou um conjunto de regras, publicadas nas seções A, B, C, D, E, F, e H, da edição de 1979 do livro Nomenclature of Organic Chemistry e modificado pelas recomendações de 1993, para construir nomes para as moléculas orgânicas. A aplicação destas regras dá origem a uma nomenclatura sistemática: “É importante reconhecer que as regras de nomenclatura sistemática não conduzem necessariamente a um único nome para cada composto, embora tenham de conduzir sempre a um nome a que inversamente corresponde, sem ambiguidade, uma estrutura única. A clareza na comunicação exige muitas vezes que em cada caso as regras sejam aplicadas com prioridades diferentes”. Contrastando com tais nomes sistemáticos, existem nomes tradicionais, semisistemáticos ou triviais, que são muito usados para determinadas substâncias. Esses nomes comuns (tradicionais, semisistemáticos ou triviais) têm, muitas vezes, a sua origem na história da ciência e nas fontes naturais dos compostos específicos. A relação entre esses nomes é arbitrária e não racional. Nomes não-sistemáticos Muitos nomes comuns (não-sistemáticos) fazem parte da linguagem comum não científica e o uso desses nomesnão está, portanto, confinado dentro da ciência química. Eles são úteis e, em alguns casos, indispensáveis. Ganhar- se-ia pouco, e certamente muito se perderia, ao substituir tais nomes por outros. “A principal finalidade da no- menclatura química é iden- tificar as espécies químicas através de palavras escritas ou faladas. Para poder ser útil na comunicação entre químicos, a nomenclatura dos compostos químicos deve, além disso, conter em si própria uma relação explícita ou implícita com a estrutura do composto, de tal forma que o leitor ou ouvinte possa deduzir essa estrutura (e assim a identidade do composto) a partir do nome. Esse propósito exige um sistema de princípios e regras, cuja aplicação dá origem a uma nomenclatura sistemática.” Fonte: IUPAC Isômeros São compostos diferentes que apresentam a mesma fórmula molecular. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0236 Por isso, desde que satisfaçam às exigências de utilidade e precisão, e sejam usados amplamente por químicos e leigos, esses nomes são aceitos, e, na maior parte dos casos, até preferidos. Exemplos destes nomes são: “ácido acético”, “benzeno”, “colesterol”, “estireno”, “formaldeído”, “água”. Também existem nomes semissistemáticos, tais como metano, propanol e ácido benzóico, que são tão familiares para os químicos que poucos se apercebem do fato de que estes nomes não são plenamente sistemáticos. Tipos de nomes não-sistemáticos Nome trivial: um nome que não contém nenhuma parte com significado sistemático. Exemplo: Ureia Nome semisistemático ou nome semitrivial: um nome em que, pelo menos uma parte, tem um significado sistemático. Exemplos: Glicerol (ol) Acetona (ona) No nome “Glicerol” a terminação “ol” refere-se à presença da função álcool (OH); e no nome “Acetona” a terminação “ona” refere-se à presença da função cetona (R1R2C=O). Nomes sistemáticos Existem vários tipos de nomes sistemáticos, nomes IUPAC, de acordo com o tipo de operação de nomenclatura envolvido. Nome de fusão Nome Hantzsch-Widman Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 37 Nome de classe funcional (antigamente nome radicofuncional) Nome substitutivo Nesta unidade, será dada ênfase à nomenclatura que leva à formação dos nomes substitutivos. Os demais tipos de nomes citados serão apenas, brevemente, definidos e exemplificados. Nome de fusão Este tipo de nome é aplicado para compostos cujas moléculas são formadas a partir da fusão orto de anéis. O nome é formado pela junção dos nomes dos anéis, que podem ser nomes triviais ou semissistemáticos aceitos, sendo um deles selecionado como anel principal e os demais como substituintes. Os pontos de junção entre esses anéis são descritos, entre colchetes, por números ou letras, entre os nomes do anel principal e dos substituintes. Exemplos: No nome “Dibenzo[b,e]oxepina”, dibenzo refere-se aos dois anéis benzênicos, oxepina refere-se a um anel de sete membros (epina) contendo o oxigênio (oxa) como heteroátomo; e as letras “b” e “e” referem-se às ligações da oexpina, nas quais os anéis benzênicos estão conjugados. A oxepina é considerada o anel principal, porque contém heroátomo. No nome “Tieno [b,e] furano”, tieno refere-se ao anel insaturado contendo um átomo de enxofre, e furano benzênicos refere-se ao anel insaturado contendo um átomo de oxigênio; os números 3 e 2 referem-se aos átomos do tieno que são comuns ao anel furânico e a letra b refere-se à ligação do furano na qual o tieno está conjugado. O furano é o anel principal porque o oxigênio tem prioridade sobre o enxofre como heteroátomo. Nome de Hantzsch-Widman Este tipo de nome aplica-se a mono-heterociclos contendo até dez átomos. O nome é formado pela união de prefixos que designam os heteroátomos Fusão ORTO É a junção de anéis pelo compartilhamento, entre estes anéis, de dois átomos vizinhos. Ordem de prioridade de heteroátomos Um heteroátomo pertencente a um grupo situado mais à direita da tabela periódica tem prioridade sobre aquele localizado em um grupo mais à esquerda. Em um mesmo grupo um átomo localizado mais acima tem prioridade sobre um átomo situado mais abaixo. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0238 presentes no anel e um sufixo que se refere ao tamanho do anel e à condição de saturado ou insaturado. Exemplos: No nome 1,4-Tiazepina, os números 1 e 4 referem-se às localizações dos heteroátomos, o prefixo “tia” refere-se à presença de um átomo de enxofre, o prefixo “aza” refere-se à presença de um átomo de nitrogênio e o sufixo “epina” refere-se a um anel de sete membros, insaturado. A combinação dos prefixos “tia” e “aza” gera o prefixo “tiaza”. Os prefixos são citados por ordem de prioridade dos heteroátomos. A numeração dos átomos no anel também segue a ordem de prioridade dos heteroátomos. Enxofre tem prioridade sobre nitrogênio. No nome 1,2,5-oxadiazol, os números 1,2 e 5 referem-se às localizações dos heteroátomos, o prefixo “oxa” refere-se à presença de um átomo de oxigênio, o prefixo “diaza” refere-se à presença de dois átomos de nitrogênio e o sufixo “ola” refere-se a um anel de cinco membros, insaturado. Elemento Valência Prefixo Elemento Valência Prefixo Fluor Cloro Bromo Iodo Oxigênio Enxofre Selênio Telúrio Nitrogênio Fósforo I I I I II II II II III III Fluora Clora Broma Ioda Oxa Tia Selena Telura Aza Fosfa Arsênio Antimônio Bismuto Silício Germânio Estanho Chumbo Boro Mercúrio III III III IV IV IV IV III II Arsa Estiba Bisma Sila Germa Estana Pluma Bora Mercura 1,4 - Tiazepina 1,2,5 - oxadiazola Tabela 1. Prefixo para nomenclatura de Hantzsch-Widman. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 39 Tamanho do anel Insaturado Saturado 3 4 5 6A(O, S, Se, Te, Bi Hg)* 6B(N, Si, Ge, Sn, Pb) 6C(B, F, Cl, Br, I, P,As, Sb) 7 8 9 10 ireno,irina(N) ete ola ina ina inino epina ocina onina ecina irano, iridina(N) etano, etidina(N) olano, olidina(N) ano inano inano epano ocano onano ecano Nome de classe funcional Nome constituído pelo nome da classe funcional (função) seguido dos nomes dos grupos ligados ao grupamento funcional, listados em ordem alfabética. Exemplos: Grupamento funcional O grupamento funcional ou grupo funcional: é o átomo ou grupo de átomos responsável(eis) pelas propriedades químicas características dos compostos pertencentes a uma determinada função química. Funções orgânicas: são grupos de compostos orgânicos que possuem estruturas químicas semelhantes e, consequentemente, apresentam comportamento químico similar. Exemplos: Função: Cetona Cetona etílica e metílica Brometo de benzila Tabela 2. Terminações para sistema de nomenclatura de Hantzsch-Widman Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0240 Função: Ácido carboxílico Ácido hexanoico Ácido hexanoico Tabela 3. Principais grupos funcionais Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 41 Nome substitutivo Um nome substitutivo é um nome que indica, através de um sufixo e/ou prefixo(s), a substituição de um ou mais átomos de hidrogênio de um hidrocarboneto por outro(s) átomo(s) ou grupo(s). Exemplos: Roteiro para a “construção” de um nome substitutivo O nome substitutivo de um composto orgânico é “construído”, de acordo com os seguintes passos: 1 Identificar a função principal presente na molécula (consultar a Tabela 3, a seguir). 2 Identificar a cadeia principal (maior cadeia contendo a função principal). 3 Numerar a cadeia principal de forma a atribuir o menor número ao carbono do grupamento funcional ou ligadoa ele. 4 Identificar os substituintes e suas localizações. 5 Localizar na Tabela 4, página 43, o sufixo correspondente à função principal e os prefixos correspondentes às funções secundárias. 6 Localizar na Tabela 5, página 43, o termo numérico correspondente ao número de carbonos da cadeia principal. 7 Escrever os prefixos referentes as funções secundárias segundo a ordem de prioridade e os nomes dos substituintes em ordem alfabética. 8 Em seguida, escrever o termo numérico correspondente. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0242 9 Escrever o infixo referente às insaturações, se presentes. 10 Por fim, escrever o sufixo correspondente à função principal. 11 Imediatamente antes de cada prefixo, infixo e sufixo, escrever o respectivo localizador (número que identifica a localização dos substituintes, funções secundárias, insaturações e função principal). Tabela 6 – Classes gerais de compostos por ordem decrescente de prioridade para efeito de escolha e designação de um grupo característico principal. 1 Radicais 2 Ânions 3 Cátions 4 Compostos dipolares (Zwitterionic compounds) 5 Ácidos [por ordem COOH, C(O)O2H; seguem-se os seus derivados S e Se e depois os ácidos sulfônicos, sulfínicos, selenoicos, etc., fosfônicos, arsônicos, etc.] 6 Anidridos 7 Ésteres 8 Haletos de ácidos 9 Amidas 10 Hidrazidas 11 Imidas 12 Nitrilas 13 Aldeídos seguidos pelos tioaldeídos, selenoaldeídos e teluroaldeídos 14 Cetonas seguidas pelas tiocetonas, selenocetonas e telurocetonas 15 Álcoois e fenóis seguidos pelos tióis, selenóis e teluróis 16 Hidroperóxidos seguidos pelos tio-hidroperóxidos, seleno-hidroperóxidos e teluro-hidroperóxidos 17 Aminas 18 Iminas 19 Hidrazinas, fosfanos etc. 20 Éteres seguidos pelos sulfetos, selenetos e teluretos 21 Peróxidos seguidos pelos disulfetos, diseletos, and diteluretos Tabela 4. Sufixos e prefixos para alguns grupos característicos importantes na nomenclatura substitutiva (por ordem alfabética) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 43 Classe Prefixo Sufixo Ácidos carboxílicos Ácidos sulfônicos Álcoois, fenóis Alcoolatos, fenolatos Aldeídos Amidas Amidinas Aminas Carboxilatos Cetonas Ésteres (de ácidos carboxí- licos) Éteres Halogenetos de acila Hidroperóxidos Iminas Nitrilas Peróxidos Sais (de ácidos carboxílicos) Sulfetos Sulfonatos Tióis Tiolatos carboxi- --- sulfo- hidroxi- óxido- formil- oxo- carbamoil- --- carbamimidoil- --- amino- carboxilato- --- oxo- (R)-oxicarbonil- --- (R)-oxi- halogenocarbonil- --- hidroperoxi- imino- (R)-imino- ciano- --- (R)-peroxi- --- --- (R)-sulfanil- sulfonato- sulfanyl- sulfido- ácido.... carboxílico ácido.... óico ácido.... sulfônico -ol -olato -carbaldeído -al -carboxamide -amida -carboximidamida -imidamida -amina -carboxylato -oato -ona ...carboxilato de (R) ...oato de (R) --- halogeneto de......-carbonila halogeneto de......-oíla --- -imina --- -carbonitrila -nitrila --- ...carboxilato de (cátion) ...oato de (cátion) --- -sulfonato -tiol -tiolato Tabela 5 - Termos numéricos de base. No. Termo numérico No. Termo numérico 1 mono- (a) 100 hecta- 2 di- (a) 200 dicta- 3 tri- 300 tricta- 4 tetra- 400 tetracta- 5 penta- 500 pentacta- 6 hexa- 600 hexacta- 7 hepta- 700 heptacta- 8 octa- 800 octacta- 9 nona- 900 nonacta- 10 deca- 1000 kilia- 11 undeca- (a) 2000 dilia- Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0244 No. Termo numérico No. Termo numérico 12 dodeca- (b) 3000 trilia- 20 icosa- (c) 4000 tetralia- 30 triaconta- 5000 pentalia- 40 tetraconta- 6000 hexalia- 50 pentaconta- 7000 heptalia- 60 hexaconta- 8000 octalia- 70 heptaconta- 9000 nonalia- 80 octaconta- 90 nonaconta- Exemplo 1: Função principal: ÁCIDO CARBOXÍLICO Sufixo: OICO Cadeia principal com sete carbonos Termo numérico: HEPTA Função secundária: CETONA Prefixo: OXO Localizador: 4 Substituintes: dois grupos metila e um grupo etila Prefixos: ETIL Localizador: 2 Prefixo: DIMETIL Localizadores: 5,5 Insaturações: DUPLA LIGAÇÃO Infixo: EN Localizador: 6 NOME: ÁCIDO 2-ETIL-5,5-DIMETIL-4-OXO-HEPT-6-ENOICO Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 45 Exemplo 2: Função principal: CETONA Sufixo: ONA Lcalizador: 2 Cadeia principal com dez carbonos Termo numérico: DECA Função secundária: AMINA Prefixo: AMINO Localizador: 8 Substituintes: um grupo fenila e um grupo propila Prefixo: FENIL Localizadores: 4 Prefixos: PROPIL Localizador: 5 Insaturações: TRIPLA LIGAÇÃO Infixo: IN Localizador: 9 NOME: 8-AMINO-4-FENIL-5-PROPIL-2-ETILDEC-9-IN-2-ONA EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1 Identifique os grupamentos funcionais presentes em cada uma das estruturas abaixo e escreva um nome sistemático para cada um dos compostos: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0246 2 Desenhe a estrutura molecular correspondente a cada um dos nomes sistemáticos citados a seguir: a) 1-ciclo-hexil-2,2-dimetilpropan-1-ona b) 4-metilpentanoato de but-2-ila c) ciclobut-2-eno carboxilato de metila d) éter alílico e benzílico e) ácido 3-oxobutanoico f) 4,4-dimetilcilco-hexa-2,5-dienona g) 4-ciclopropil-3-clorometilciclobutano-1,2-diol 3 Os “enineninóis” são compostos que apresentam em sua estrutura duas ligações duplas, duas ligações triplas e uma hidroxila (J. Chem. Ed. 74 (7), 782- 783 (1997)). Escreva um nome sistemático para cada um dos enineninóis a seguir: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 47 4 Escreva um nome sistemático para cada um dos “”fármacos” cujas estruturas são mostradas a seguir: a) Aspirina (AAS) b) Paracetamol (Tylenol) c) Primocarcina d) Lidocaína (cloridrato de Xilocaína) e) Verapamil (Cloridrato de Dilacoron) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0248 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db nomEClAtUrA DE ComPostos orgâniCos 49 UniDADE 03 Estereoquímica de compostos orgânicos Esta unidade destaca a importância da Estereoquímica Orgânica e discute os termos fundamentais a ela relacionados além de aplicar os conhecimentos dessa área da química orgânica para o melhor entendimento da estrutura e das reações dos compos- tos orgânicos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0250 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 51 EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs Introdução Estereoquímica é o estudo da Química em três dimensões. A razão e importância da estereoquímica estão baseadas na ocorrência de moléculas que diferem unicamente em seus arranjos espaciais. Muitas dessas moléculas, que têm a mesma conectividade e diferem apenas no arranjo espacial, apresentam atividades biológicas completamente diferentes, como é o caso da talidomida (quadro ao lado). Antes de tratar dos estereoisômeros, vamos lembrar a classificação geral de isômeros, que são moléculas diferentes que apresentam a mesma fórmula molecular. O fluxograma abaixo apresenta a classificação de isômeros. Isômeros constitucionais são aqueles que diferem na conectividade de seus átomos. Eles se classificam em diversos tipos, tais como: de cadeia, de posição, de função etc. Como exemplos de isômeros constitucionais, podemos citar: etanol (CH3CH2OH) e éter dimetílico (CH3OCH3), isômeros de função. As atividades de muitos fármacos dependem do arranjo espacial dos átomos de suas moléculas. A talidomida, já citada, que causou a má formação de milhares de fetos, quando administrada, na década de 1960,a várias gestantes, é uma molécula QUIRAL e, por isso, existe em dois arranjos espaciais que se constituem um par estereoisômeros. Um deles tem a atividade farmacológica desejada e outro a atividade teratogência. Classificação de ISÔMEROS TALIDOMIDA Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0352 Estereoisômeros Isômeros espaciais ou estereoisômeros são aqueles que diferem apenas no arranjo espacial de seus átomos; e uma das razões da ocorrência de estereoisômeros é a presença de carbonos assimétricos em uma molécula. Carbonos assimétricos são carbonos ligados a quatro átomos ou grupos diferentes. Por serem responsáveis pela ocorrência de estereoisômeros esses carbonos são chamados de centros estereogênios. A ocorrência de estereoisômeros pode também ser devido à presença de eixos de quiralidade em uma molécula. Os esteroisômeros podem ser classificados como enantiômeros ou diastereoisômeros. Se dois estereoisômeros mantêm entre si uma relação de objeto/imagem, eles são classificados como enantiômeros, se não mantêm essa relação, eles são classificados como diastereoisômeros. No caso do limoneno, enquanto um enantiômero apresenta o odor de laranja, o outro apresenta o odor de limão! Os enantiômeros são moléculas QUIRAIS. E o que é uma molécula QUIRAL? É uma molécula que não é superponível à sua imagem especular; ou seja, sua imagem especular é outra molécula, portanto, seu enantiômero. Uma molécula que é superponível à sua imagem, ou seja, uma molécula cuja imagem especular é ela própria é uma molécula aquiral. A molécula do 2-bromobutano, mostrada acima, é um exemplo de molécula QUIRAL. Existem duas moléculas de 2-bromo-butano distintas, e uma é imagem da outra; estas moléculas correspondem, portanto, a um par de enantiômeros. MOLÉCULAS QUIRAIS Em geral as moléculas presentes na estrutura dos organismos vivos são QUIRAIS e ocorrem, apenas, como um dos possíveis enantiômeros. Por exemplo: dos vinte aminoácidos de nosso organismo, os blocos que compõem as proteínas, 19 estão na forma L. A glicina é a ÚNICA exceção porque não é um composto quiral. R = HGli; R = CH3Ala; R = CH2SHCys; R = CH2PhPhe. Exemplos de ENANTIÔMEROS Espelho Limoneno Espelho 2-Bromobutano Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 53 As moléculas QUIRAIS apresentam ATIVIDADE ÓPTICA, enquanto que as moléculas aquirais não apresentam essa atividade. Atividade óptica É a propriedade que certos materiais possuem de girar o plano de polarização de um feixe de luz linearmente polarizada. Essa propriedade é observada no polarímetro, ver a figura ao lado. Projeções de moléculas no plano I. PROJEÇÃO DE NEWMAN - É a projeção de uma molécula no plano, vista ao longo de uma ligação. II. PROJEÇÃO EM CAVALETE - É a projeção de uma molécula no plano, vista em perspectiva em relação a uma ligação alongada. III. PROJEÇÃO DE FISCHER - É a projeção de uma molécula no plano, com a cadeia carbônica desenhada na vertical, de cima para baixo, tendo as ligações horizontais colocadas à frente do plano e os terminais verticais para trás do plano. Projeções de Newman a) Etano b) Butano Polarímetro: esquema e foto de um aparelho. O aparelho é formado por uma fonte de luz (1), um filtro polarizador fixo (2), um tubo (3), contendo a amostra (4) e um filtro polarizador para análise (6), que ao ser girado registra o sentido levó- giro (-) ou dextrógiro (+) e o ângulo em graus (de 0 a 180). Observe na figura o desvio do plano ao sair a luz do compartimento da amostra (5). A atividade óptica de um composto é expressa como “rotação óptica específica”, que é calculada a partir da fórmula a seguir. Onde “20” é a temperatura da medição em graus centígrados, “D” é a linha D do espectro de emissão do sódio (598 nm), “l” é o comprimento do comparti- mento da amostra em dm, e “c” a concentração da amostra em g/mL. eclipsadaalternada anti gauche gauche Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0354 Rotações no plano da projeção de Fischer A projeção de Fischer de uma molécula pode ser girada de 180°, no plano, pois manterá sua configuração original; no entanto, não pode ser girada de 90° ou 270°, porque sua configuração seria alterada. O giro de 180° é um recurso utilizado para checar a identidade de duas moléculas. Exemplo do emprego da rotação de 180º para checar a identidade de duas moléculas: Permuta de ligantes na projeção de Fischer Na projeção de Fischer de uma molécula, é permitida a permuta de posição de três ligantes, simultaneamente, no sentido horário ou anti-horário, pois a configuração original será mantida; no entanto, a permuta de posição de dois ligantes não é permitida porque altera a configuração da molécula Molécula A Molécula A Molécula B Molécula B Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 55 Projeções de Fischer de alguns monossacarídeos Um monossacarídeo é classificado como “D” se a hidroxila do último carbono assimétrico (de cima para baixo), na projeção de Fischer, estiver do lado direito e, como “L” se ela estiver do lado esquerdo. Projeções de Fischer dos ácidos tartáricos D-(+)-Glicose L-(-)-Glicose Ácido L-(-) - Tartárico Ácido D-(+) - Tartárico D-(-)-Eritrose L-(+)-Eritrose L-(+)-TreoseD-(-)-Treose Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0356 Projeções de um estereoisômero da eritrose Nomenclatura de estereoisomêros Nomenclatura de Cahn, Ingold e Prelog (R/S) Esta nomenclatura é utilizada para denominar a configuração absoluta de carbonos assimétricos. Procedimentos para aplicação das regras a um carbono assimétrico: • Classificar os ligantes em ordem de prioridade; • Observar a face formada pelos três ligantes de maior prioridade; • Se a sequência destes ligantes estiver no sentido horário, o carbono será denominado “R” (de rectus); • Se a sequência destes ligantes estiver no sentido anti-horário, o carbono será denominado “S” (de sinister). Idênticas Enantiômeros Ácido D-(+) - Tartárico Diastereoisómeros Ácido D-(+) - Tartárico COOH COOHCOOH COOH COOH COOH COOHCOOH PROJEÇÃO DE NEWMAN PROJEÇÃO DE FISCHER PROJEÇÕES EM CAVALETE Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 57 Regras para a definição da ordem de prioridade dos ligantes a um carbono assimétrico: 1 Maior prioridade para o átomo de maior número atômico ligado ao carbono assimétrico. 2 Em caso de isótopos, maior prioridade para o isótopo de maior massa. 3 Em caso de empate nos átomos imediatamente ligados ao carbono assimétrico, passa-se para os seguintes e aplicam-se as regras 1 e 2 novamente. 4 Em caso de ligações múltiplas, considera-se a existência de múltiplos ligantes. 5 Ligante com configuração (R) tem prioridade sobre ligante com configuração (S). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0358 Aplicação da nomenclatura R/S a moléculas de monossacarídeos. Descritores usados para especificar configurações relativas Descritores eritro e treo Indicam a posição relativa, na projeção de Fischer, dos substituintes de dois carbonos assimétricos vizinhos: se estiver do mesmo lado – eritro, se estiver de lados opostos – treo. Ex: D(-)-treo-2-(2,2-dicloroacetamido)-1-(p-nitrofenil)-(D-treo-Cloran-fenicol) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 59 Símbolos α e β Indicam a posição dos substituintes em um sistema de anéis, rígido: α. se o substituinte se localiza para trás doplano e β se o substituinte se localiza à frente do plano. Ex: (9α,11β,16α,17α)-9-Fluoro-11,17,21-tri-hidroxi-16-metilpregna--1,4-dieno-3,20- diona (DEXAMETASONA) DECADRON (Fosfato Dissódico de Dexametasona) Descritores usados para especificar a configuração de duplas ligações ou de sistemas cíclicos Descritores cis e trans Indicam a posição relativa dos susbsituintes dos carbonos de uma dupla ligação ou de dois substituintes presentes em uma molécula cíclica: cis indica que os substituintes estão do mesmo lado (da dupla ou do anel) e trans que estão de lados opostos. D-(+)-Glicose L-(-)-Glicose Símbolo D e L: nomenclatura usada para determinar a configuração ou posição da hidroxila do último carbono assimétrico de açúcares. Se a hidroxila estiver para direita escreve-se D, se estiver para esquerda escreve-se L. O sinal de (+) e/ou (-) diz respeito ao giro do plano de polarização da luz: (+) = dextrógiro; (-) = levógiro. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0360 Símbolos (E) e (Z) (Entgegen, Zuzammen) Indicam a posição relativa dos susbsituintes de maior prioridade de cada um dos carbonos de uma dupla ligação: a letra E indica que estes substituintes estão do mesmo lado (da dupla) e a letra Z indica que estão de lados opostos. Descritores usados para especificar a estereoquímica em anéis de seis membros a) Conformações cadeira, barco e barco torcido b) Substituintes axiais (ax) e equatoriais (eq) MOLÉCULAS CUJA QUIRALIDADE SE DEVE À PRESENÇA DE EIXO DE QUIRALIDADE Estas moléculas são quirais, embora não possuam carbonos assimétricos, uma vez que, nestes casos, a quiralidade resulta da presença de eixo de quiralidade. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 61 A seguir, são mostrados um eixo de quiralidade e exemplos de tipos de moléculas que apresentam esse tipo elemento de quiralidade. A nomenclatura aplicada para denominar um eixo de quiralidade é semelhante à nomenclatura R/S. Neste caso, usam-se Ra e Sa em lugar de R e S. O subscrito “a” refere-se à palavra eixo em inglês (axis). Para aplicar esta nomenclatura, classifica-se em ordem de prioridade os dois ligantes de uma extremidade do eixo (prioridades 1 e 2) e, separadamente, os dois ligantes da outra extremidade do eixo (prioridades 1 e 2 ou 1’ e 2’), e, em seguida, observa-se a molécula, em uma projeção ao longo do eixo, semelhante à projeção de Newman. Para definir a denominação do eixo, observa-se a ordem de prioridade dos ligantes a partir da extremidade mais próxima da visão do observador. Faz-se então a ligação, na sequência, ligante de prioridade 1, ligante de prioridade 2, ambos da extremidade mais próxima do observador, e ligante de prioridade 1ou 1’, da outra extremidade. Se esta sequência estiver no sentido horário o eixo é denominado Ra; e se estiver no sentido anti-horário será denominado Sa, conforme desenhos ao lado: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0362 Exemplos de moléculas com eixo de quiralidade: EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1 Qual o menor número de carbonos que um alcano deve possuir para ser quiral? Qual a fórmula molecular correspondente? Desenhe as estruturas, e escreva os nomes de todos os isômeros desta fórmula, e indique quais deles são quirais. 2 Considere os seguintes pares de estruturas e identifique a relação entre elas, classificando-as como: enantiômeros, diastereoisômeros, isômeros constitucionais ou moléculas idênticas. Classifique cada carbono assimétrico como (R) ou (S). 3 Escreva estruturas tridimensionais para cada um dos estereoisômeros do aminoácido TREONINA (ácido 2-amino-3-hidroxibutanóico). Indique a configuração R ou S de cada centro assimétrico e faça a correlação entre os enantiômeros e os diastereoisômeros. 4 Escreva um nome sistemático, incluindo a designação E ou Z, para cada um dos seguintes compostos: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db EstErEoqUímiCA DE moléCUlAs orgâniCAs 63 5 Escreva estruturas tridimensionais para cada um dos seguintes compostos: a) ácido (R)-2-hidroxipropanóico b) (R)-2,3-dibromopropanal c) ácido-(R,R) 2,3-diclorobutanóico d) (S)-3-etil-hepta-1-eno-5-ino f) (R)-3-cianociclopentanona e) (S) 2-metoxi-2-metil-hexa-3-enal 6 Os itens a seguir referem-se à estrutura mostrada ao lado: a) Qual o número de estereoisômeros ? b) Qual o número de enantiômeros ? c) Desenhe a conformação preferida do isômero mais estável. 7 Um álcool de ocorrência natural, de fórmula C6H12O, exibe uma rotação óptica específica de +49,5o. Sob hidrogenação catalítica um mol deste álcool absorve um mol de hidrogênio para formar um novo álcool que é opticamente inativo. Escreva a estrutura do álcool natural e de seu produto de hidrogenação. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0464 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 65 UniDADE 04 Hidrocarbonetos Obtém-se um grande número de compostos orgânicos, constituídos somente de carbono e hidrogênio, a partir de gás natural, petróleo e carvão. Estes hidrocarbonetos são as matérias-primas básicas para muitos dos produtos químicos que o homem usufrui em seu dia-a-dia. Apesar de sua composição elementar simples, esses compostos mostram uma extraordinária diversificação em estruturas e comportamento. Neste capítulo estudaremos sobre as informações gerais e propriedades físico-químicas dos hidrocarbonetos, tais como ponto de fusão e ebulição, método de obtenção e principais reações químicas dos alcanos e cicloalcanos, alcenos e compostos aromáticos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0466 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 67 HiDroCArBonEtos Petróleo, principal fonte de hidrocarbonetos Como os compostos de carbono são muito numerosos, é conveniente organizá-los em famílias que exibem similaridades estruturais. A classe de compostos orgânicos mais simples é a dos hidrocarbonetos. E o que é um hidrocarboneto? Em Química, um hidrocarboneto é um composto químico constituído essencialmente por átomos de carbono e de hidrogênio, aos quais se podem juntar átomos de Oxigênio (O), Nitrogênio (N) e Enxofre (S) dando origem a diferentes compostos de outros grupos funcionais. São conhecidos alguns milhares de hidrocarbonetos. As diferentes características físicas são uma consequência das diferentes composições moleculares. Os hidrocarbonetos podem ser divididos em quatro tipos gerais, dependendo dos tipos de ligações C-C em suas moléculas: alifáticos, alicíclicos ou cíclicos e aromáticos. Estes últimos são classificados separadamente por causa de suas características físicas e propriedades químicas. Atualmente, os hidrocarbonetos são a fonte de energia mais importante e indispensável para as necessidades e o desenvolvimento dos países. É sabido que os hidrocarbonetos, sob a forma de gás natural ou de petróleo, formam- se e acumulam-se no subsolo ao longo de milhões de anos. A exploração e 3-fenil-6-metil-2-ciclopentil- 7-isopropildec-4-eno, um hidrocarboneto complexo. Em 24 de março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez, proprietário da empresa americana Mobil, bateu em rochas da baia de Prince, no Alasca, por razões pouco esclarecidas. Devido ao acidente, o barco derramou 40.000 toneladas de óleo nesses mares gélidos, com consequências graves para os bancos pesqueiros e para a fauna marinha. Erro humano, negligência grosseira, tripulação não qualificada levaram a Mobil a pagar multas milionárias. O caso teve repercussão insólita em todo o mundo, criando uma grande sensibilidadena opinião pública. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0468 a produção dos hidrocarbonetos não só exigem investimentos consideráveis, bem como metodologias muito avançadas para se poder trabalhar em condições cada vez mais complexas e em regiões de acesso muito difícil. Os hidrocarbonetos naturais formam-se a grandes pressões no interior da terra (abaixo de 150 km de profundidade) e são trazidos para zonas de menor pressão através de processos geológicos, onde podem formar acumulações comerciais (petróleo, gás natural, carvão etc). As moléculas de hidrocarbonetos, sobretudo as mais complexas, possuem alta estabilidade termodinâmica. Apenas o metano, que é a molécula mais simples (CH4), pode se formar em condições de pressão e temperaturas mais baixas. Os demais hidrocarbonetos não são formados espontaneamente nas camadas superficiais da terra. No capítulo anterior, vimos que a IUPAC vem aperfeiçoando um sistema de nomenclatura de compostos orgânicos desde 1892, entretanto a proposta atual segue o mesmo princípio básico: • Cada composto orgânico deve ter um nome diferente; • A partir do nome deve ser possível esquematizar a fórmula estrutural do composto e vice-versa. Propriedades físicas dos Hidrocarbonetos (HD) Em geral os membros dessas diferentes classes de hidrocarbonetos exibem diferentes comportamentos químicos, como veremos mais adiante. Entretanto, suas propriedades físicas são similares em vários casos. O ponto ou temperatura de fusão (pf), de Ebulição (te) e o consequente estado físico de um composto orgânico dependem de dois fatores principais: • Das forças intermoleculares existentes entre as moléculas do composto; • Da massa molecular (e, deste modo, do tamanho) das moléculas do composto. Uma vez que o C e H não diferem muito nas respectivas eletronegatividades (C = 2,5 e H = 2,1), as moléculas HD são relativamente apolares. Além disso, seus Pontos de Fusão (pf) e ebulição (pe) são determinados por forças de dispersão de London. Consequentemente, os HD em uma série homóloga (hidrocarbonetos que diferem entre si por um grupo metileno -CH2-) tendem a tornar-se menos voláteis com o aumento da massa molar. Como resultado os HD de massa molecular muito baixa, como etano (pe = -89 oC), são gases à temperatura ambiente; àqueles com massa molecular moderada, como o hexano (pe = 69 oC), são líquidos; e os com massa molecular alta, como o docosano (C22H46; PF = 44 oC), são sólidos. Essas generalizações, certamente, se aplicam à temperatura ambiente (25oC) e pressão atmosférica padrão (760 torr). O METANO (CH4), um alcano muito importante, ocorre na natureza a partir da decomposição, na ausência de ar, de material orgânico tanto de origem animal quanto de origem vegetal. É um dos principais constituintes do chamado gás natural, encontrado em jazidas de petróleo ou em bolsões, mesmo em regiões não petrolíferas. É encontrado também em jazidas de carvão nos interstícios e nos pântanos. O gás metano, um dos subprodutos da decomposição de matéria orgânica de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto, sempre foi um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Mais de 20 vezes mais poluidor que o famoso dióxido de carbono (CO2). O gás metano, com as tecnologias adequadas, pode se tornar uma fonte preciosa de energia. Alguns projetos, inclusive em cidades brasileiras, já estão em prática e dando resultados satisfatórios. Se manejada de forma controlada e responsável, essa captação de energia é uma forma excelente de sustentabilidade, pois o lixo é um dos grandes problemas mundiais em busca de uma solução concreta e rápida. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 69 Lembram de gases reais: desvio do comportamento ideal? Em temperaturas suficientemente altas e pressões suficientemente baixas, todos os alcanos, por exemplo, tornam-se gases. Solubilidade: Quanto à solubilidade, os alcanos, sendo moléculas apolares, dissolvem-se apenas em solventes apolares, como benzeno e em outros alcanos líquidos (gasolina, querosene etc.). A regra geral que explica a solubilidade com base na polaridade das moléculas é que “semelhante dissolve semelhante”. Em outras palavras, substâncias polares dissolvem em solventes polares e substâncias apolares dissolvem em solventes apolares. Alcanos e cicloalcanos Temos visto que hidrocarbarbonetos alifáticos saturados têm fórmulas empíricas CnH2n + 22. O termo cicloalcanos é frequentemente usado para descrever hidrocarbonetos cíclicos saturados. Alcanos monocíclicos têm fórmula empírica CnH2n + 2. Alcanos são relativamente estáveis a reações químicas; embora alguns processos industriais em larga escala envolvam transformações iônicas e radicalares de alcanos a altas temperaturas ou na presença de catalizadores; veremos que hidrocarbonetos saturados são comumente empregados com solventes “inertes” no laboratório. Por serem compostos apolares, as forças de London que mantêm as moléculas dos alcanos unidas são muito mais fracas e possuem curto raio de ação que as ligações dipolo-dipolo e ocorrem entre moléculas polares tal como HCl. As forças de London atuam apenas entre partes de moléculas vizinhas que se encontrem em contato, ou seja, entre as superfícies das moléculas. Deve- se esperar, portanto, que quanto maior for a molécula, e consequentemente a área superficial, maiores serão as forças intermoleculares. Assim, algumas propriedades físicas, como o pf e o pe crescem à medida que aumenta o número de átomos carbonos na cadeia (ver Tabela 4.1). À temperatura ambiente, os n-alcanos com até quatro carbonos são gasosos; de cinco a dezesseis carbonos são líquidos; e acima de dezessete são sólidos. Os alcanos isômeros apresentam diferenças no pe e pf. Por exemplo, o butano tem pe = -138 oC e o isobutano tem pe = -159 oC.. Pode-se generalizar que, para alcanos isômeros, aquele que tiver maior número de ramificações terá menor ponto de ebulição. Imagina-se que, pela inserção de cadeias laterais, a molécula tende a aproximar- se da forma esférica, o que diminui sua superfície de contato entre as moléculas e consequentemente diminuem as forças de atração intermoleculares. A densidade Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0470 dos alcanos aumenta inicialmente com a massa molecular, mas tende depois para um limite de cerca de 0,778, sendo todos, afinal, menos densos que a água. A Tabela 1 mostra algumas propriedades físicas dos alcanos e cicloalcanos. Cicloalcanos (também chamados naftenos, especialmente se originados de petróleo) são tipos de alcanos que apresentam um ou mais anéis de átomos de carbono. Em muitos aspectos, a química dos cicloalcanos é parecida com a química dos n-alcanos: ambos são apolares e bastante inertes. Entretanto, existem diferenças importantes entre eles. Observa-se, por exemplo, que, quando se comparam essas propriedades físicas em uma série homóloga de alcanos com número par de átomos de carbono e uma série homóloga com número ímpar de átomos de carbono, não há uma variação regular com o aumento da massa molar, porque as formas diferentes desses compostos fazem com que o empacotamento nos cristais seja diferenciado. Quanto mais compacto é o acomodamento entre as moléculas, maior é a energia necessária para quebrar a rede cristalina e fundir a substância. Ao contrário dos isômeros constituicionais butano e isobutano, que têm seus átomos ligados em uma ordem diferente, as ligações dos átomos nos dois isômeros do 1,2-dimetilciclopropano têm a mesma ordem. Esses dois cicloalcanos apresentam um tipo de estereoisômeros denominados isômeros cis-trans. Melhores detalhes sobre isômeros constitucionais e estereoisômeros foram apresentados no capítulo sobre estereoquímica mais adiante. Problema 1 - Por que o pf de uma sériehomóloga de alcanos com número par ou impar de átomos de carbonos crescem de forma linear com o aumento da massa molar, entretanto quando se desenha em mesmo gráfico a curva de pf dos alcanos com número par de átomos de carbono e a curva de pf dos alcanos com número ímpar de átomos de carbono não se observa uma sobreposição dessas curvas? (Ver gráfico acima). Alcanos com número par de átomos de carbono caem em uma curva de ponto de fusão (pf) que é maior que a curva de pf de alcanos com número ímpar de átomos de carbono. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 71 Hidrocarbonetos Insaturados São hidrocarbonetos que possuem uma ou mais ligação dupla (C=C). Normalmente o estado físico pe e pf das demais séries de hidrocarbonetos – alcenos, dienos, alcinos, ciclanos e aromáticos – acompanham as mesmas ideias. Alguns alcenos de baixa massa molar são gases e têm importância na indústria petroquímica. Industrialmente, os alcenos são obtidos a partir do craqueamento de alcanos encontrados no petróleo: A indústria de polímeros forma um dos maiores segmentos de produtos químicos. Diferentes alcenos podem ser usados como matéria-prima de Polímeros. O alceno mais simples é o eteno, que, em 1985, ocupava o sexto postos na produção química nos EUA, encontrado principalmente em poços petrolíeros. É usado como combustível, no amadureimento articial de frutos, como narcótico e na fabricação de plásticos como o polietileno. O mirceno, α-pineno carvona são monoterpenos (alcenos – com uma ou mais insaturações) encontrados em alta abundância relativa em óleos essenciais de muitas plantas aromáticas. Se uma substância possui ligações duplas conjugadas suficientes, ela vai absorver luz visível (λmax > 400 nm) e a substância será colorida. O ᵦ-caroteno, precursor da vitamina A, é uma substância laranja encontrada em cenouras, damasco e batatas-doces. O licopene é vermelho e pode ser encontrado em tomates, melancias etc. Tabela 4.1. Propriedades Físicas de alguns Hidrocarbonetos mais comuns Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0472 A maioria dos alcenos comuns usados em laboratórios são líquidos com odores pungentes. Como os alcanos, os alcenos são relativamente apolares os quais são insolúveis em água. As propriedades físicas de alguns hidrocarbonetos insaturados são apresentadas na Tabela 4.2. A principal característica de um alceno é, sem dúvida, a dupla ligação. A hibridação do carbono ligado pela dupla é sp2, o que lhe confere uma estrutura geométrica trigonal plana. A energia contida em uma ligação dupla C=C está em torno de 100 kcal, evidentemente, mais forte que uma ligação simples. O fato de os carbonos estarem mais fortemente ligados entre si faz com que a distância da ligação seja menor. A ligação dupla é o grupo funcional ou centro de reatividade de um alceno. Pode-se estabelecer que a fórmula geral para um hidrocarboneto é CnH2n + 2, menos dois hidrogênios para cada ligação π e/ou ciclos na molécula. Níveis de energia relativa (estabili- dades) de três alcenos que podem ser hidrogenados cataliticamente ao butano. O calor liberado numa reação de hidrogenação é chamado calor de hidrogenação. As reações de hidrogenação são exotérmica (∆H é negativo). A estabilidade de um alceno pode ser facilmente medida avaliando seu calor de hidrogenação. Observe que quanto maior é estabilidade da substância, mais baixa é sua energia e menor é seu calor de hidrogenação. Tabela 4.2 - Proriedades físicas de alguns alcenos e cicloalcenos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 73 O número de ligações pi ou ciclos são chamados de grau de insaturação. Logo, se conhecemos a fórmula molecular de um hidrocarboneto, podemos determinar quantos ciclos e/ou ligações pi que determinado hidrocarboneto possui. Problema 2 - Determine o grau de insaturação e desenhe pelo menos três estruturas possíveis para as substâncias com as seguintes fórmulas moleculares: a) C4H8 b) C12H20 c) C12H20 c) C6H10 Resolução a): Se não houvesse nenhuma insaturação ou ciclo o composto teria fórmula geral CnH2n + 2 = C4H2 x 4 + 2 = C4H10. Subtraindo essa fórmula C4H10 da fórmula do composto dado no problema C4H8, obtém-se uma deficiência de 2H, que equivale a uma insaturação ou a um ciclo. Isso sugere as seguintes estruturas: Isômeros Geométricos: como a rotação em torno da ligação dupla, devido à alta energia (cerca de 260 kJ/mol), é restrita nesses compostos; eles podem existir como estereoisômeros (isômeros com átomos conectados na mesma ordem, mas com arranjo tridimensinal diferente). Para esses isômeros geométricos, utilizam-se dois tipos diferentes de nomenclatura: o sistema cis-trans e o sistema E-Z. Por exemplo, tanto o but-2-eno como o pent-2-eno podem existir em duas formas diferentes: isômeros cis apresentam os hidrogênios do mesmo lado da dupla, enquanto que os isômeros trans têm seus hidrogênios de lados opostos da ligação dupla. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0474 A isomeria geométrica E (do alemão Entgegen, “opostos”) - ocorre quando os carbonos de rotação impedida são ligados a dois grupos diferentes, podendo ser os quatro grupos diferentes entre si. Os isômeros Z (do alemão Zusammen, “juntos”) apresentam os grupos de maior prioridade do mesmo lado da ligação dupla; já os isômeros E apresentam os grupos de maior prioridade em lados opostos da ligação dupla. As prioridades relativas dependem do número atômico dos átomos ligados diretamente ao carbono sp2. O sistema de nomenclatura E-Z também pode ser aplicado a compostos cíclicos, em casos como o esquematizado a seguir: Os isômeros geométricos diferem entre si em algumas propriedades químicas, especialmente quanto à velocidade das reações, mas diferem principalmente nas propriedades físicas, tais como índices de refração, solubilidade, densidade etc. Também o número de ramificações existentes no alceno pode conferir-lhe estabilidade: quanto maior o número de grupos alquilo ligados aos carbonos da dupla ligação, mais estável será o alceno. Os alcenos que apresentam o fenômeno da isomeria geométrica podem apresentar diferenças em seus pequenos momentos de dipolo. Os isômeros trans geralmente apresentam μ = 0. Já os isômeros cis revelam um pequeno valor para μ. Isso porque os isômeros trans possuem grupos iguais em posições opostas, gerando, portanto, efeitos indutivos equivalentes que se anulam, o que não ocorre com os isômeros cis. Alcinos São os hidrocarbonetos acíclicos (CnH2n - 2) que contêm pelo menos uma ligação tripla entre dois átomos de carbono. O membro mais simples desse grupo é o etino (acetileno). Têm baixa polaridade e apresentam propriedades físicas semelhantes às dos alcenos e alcanos. Os alcinos têm maior acidez em relação aos alcenos e aos alcanos, devido a sua ligação tripla, que proporciona maior força de ligação entre os átomos de carbono, deixando a molécula de alcino com maior capacidade de liberar prótons. O acetileno (que pertence à classe dos alcinos e também conhecido como etino) é usado em grande escala na fabricação de borrachas sintéticas, plásticos, como o PVC e PVA, e ainda de fios têxteis para a produção de tecidos. Também, uma parte boa do acetileno é usada como o combustível dentro de soldadores, devido às altas temperaturas alcançadas. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 75 O alcino de maior importância industrial é precisamente o membro mais simples da família - o acetileno (etino), preparado pela ação da água sobre o carboneto de cálcio. Embora os alcinos não sejam abundantes, ocorrem emalgumas plantas e outros organismos. A primeira substância a ser isolada, em 1826, foi o éster de desidro-matricária, da flor da camomila. Mais de 1000 compostos naturais com ligações triplas já são conhecidos, alguns dos quais são fisiologicamente importantes. Algumas etinil-cetonas naturais, como a capilina, um óleo encontrado no crisântemo, por exemplo, têm atividade fungicida. Os alcinos sofrem típicas reações de adição eletrofílica, assim como os alcenos, e pela mesma razão: a reatividade dos elétrons pi. As reações de adição ocorrem em condições muito semelhantes e obdecem as mesmas regras de regioquímica e estereoquímica. Reagentes como HX e X2 podem se adicionar por etapas. A adição de água a uma das ligações pi, entretanto, produz algo novo: o enol resultante se rearranja (tautomeria) a um aldeído ou a uma cetona. Por fim, os alcinos terminais têm um tipo de reação que dificilmente ocorre com os alcenos ou com os alcanos. Por causa da maior acidez de seu hidrogênio terminal, o ânion resultante é capar de reagir com diferentes carbonos eletrofílicos. Hidrocarbonetos Aromáticos (HA) O benzeno é o mais importante dos compostos aromáticos. Muitos HA e, em especial, o benzeno podem ser encontrados no alcatrão da hulha e no petróleo. Na natureza, vegetais e muitos outros organismos vivos são fontes de HA. Essa estrutura é plana, pois só existem carbonos sp2, e o ângulo de ligação entre eles é de 120o, todas as ligações têm comprimento de 1,39Å. Os seis elétrons pi são compartilhados por todos os seis carbonos, (Figura 4.1). Substâncias como o benzeno, que possui alta estabilidade, são denominadas HA. Muitas drogas têm sido modificadas por síntese, para incluir substituintes Alcino, porque estes compostos muitas vezes são mais facilmente absorvidos pelo organismo, menos tóxicos e mais ativos do que os alcenos ou alcanos correspondentes. O 3-metil-pent- 1-in-3-ol, por exemplo, tem sido usado como um hipnótico sem prescrição, e vários outros alcióis tem eficiência semelhante: Grupos funcionais ENEDIINO (-C ≡ C-CH=CH-C ≡ C-) e trissulfeto (RSSSR), altamente reativos, caracterizam uma classe de agentes antibióticos e antitumorais naturais que foram descobertos no fim da década de 1980, da qual são exemplos a caliqueamicina e a esperamicina: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0476 Como o benzeno, muitos HA policíclicos são cancerígenos. O benzo(a) pireno, por exemplo, é molécula gerada pela queima da gasolina e óleos, incineração de lixo, incêndios florestais, cigarros, charutos e carnes assadas. O calor de hidrogenação, extremamente baixo, indica uma energia de ressonância, ou aromaticidade, de cerca de 30 Kcal/mol. Quanto maior for o número de contribuintes de ressonância relativamente estáveis e quanto mais equivalentes se apresentarem, maior é a energia de ressonância de uma substância. Cátions alílico e benzílicos (e radicais) têm elétrons deslocalizados, portanto são mais estáveis que carbocátions (e radicias) similarmente substituídos. Figura 1 - Diferentes maneiras de representar o anel benzeno. Em B os seis orbitais p se sobrepõem para formar uma nuvem de elétrons pi localizada acima e abaixo do plano médio da molécula; em C o mapa de potencial eletrostático mostra que o anel é relativamente rico em elétrons e que a densi- dade eletrônica é a mesma em todos os seis carbono. + H2 ∆H = -28,6kcal + 2 H2 ∆H = -55,4 kcal (previsto: -57,2) + 3 H2 ∆H = -49,8 kcal (previsto: -85,8) Figura 4.2 - Calores de hidrogenação evidenciam a alta estabilidade do benzeno. Os valores experi- mentais para o ciclo-hexeno e 1,3-ciclo-hexadieno permitem estimar o valo ∆ H para o “1,3,7-ciclo- hexatrieno” hipotético (-85,8 Kcal). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 77 ∆ Ponto de Fusão, Ebulição e Solubilidade: como compostos de baixa polaridade, apresentam basicamente as mesmas características dos demais hidrocarbonetos. Os pontos de fusão dos aromáticos são relativamente mais elevados que os equivalentes alicíclicos, devido ao fato de as moléculas aromáticas serem planas, o que permite uma melhor interação intermolecular. Quanto mais elevada for a simetria de um composto, tanto melhor será a ordenação segundo uma rede cristalina; por isso tanto mais alto será o ponto de fusão e mais baixa será a solubilidade. Observem-se, por exemplo, os pontos de fusão dos isômeros do xileno (dimetil-benzeno): orto-xileno: -25 oC; meta-xileno: -48 oC; para-xileno: 3 oC. Componentes da fumaça do cigarro. A brasa de um cigarro atinge temperaturas por volta de 850 °C, sufi- cientes para produzir reações químicas que liberam mais de 4.700 substâncias em cada tragada. Um fumante que consome em média 1 maço de cigarros por dia terá dado 100.000 tragadas em um ano. Aproximadamente 400 substâncias, entre as 4.000, são tóxicas - incluindo o monóxido de carbono e a nicotina. Essas substâncias representam uma grande agressão aos lábios, à língua, ao nariz, à corrente sanguínea, aos pulmões e ao cora- ção do fumante. Acetona, formaldeído, óxido nítrico, gás cianídrico, metanol, amônia e substâncias aromáticas, tais como: anilina, antraceno, benzeno, benzopireno, fenantreno, antraceno, naftaleno, etc. Estrutura da hemoglobina. O monóxido de carbono (CO) liga-se ao ferro presente na hemoglobina do sangue com intensidade 250 vezes maior que o gás oxigênio (O2). Isso reduz em aproximadamente 8% a capacidade do sangue de transportar O2 para as células. Em resposta a essa redução, o corpo aumenta a produção de células vermelhas, o que acarreta um espessamento do sangue, obrigando o coração a um esforço extra para bombeá-lo. O CO no sangue de uma gestante priva o feto da quan- tidade de O2 de que ele necessita para um desenvolvi- mento normal. Filhos de mulheres que fumam durante a gravidez nascem com peso 200 gramas menor, em média, do que os de não-fumantes. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0478 Aromaticidade Para ser classificada como aromática, uma substância deve ter uma nuvem cíclica e ininterrupta de elétrons pi que contenha um número impar de pares de elétrons pi (obedecer a regra de Erich Hückel, 4n + 2 elétrons pi, sendo n um número inteiro Figura 4.3. Segundo a Teoria do Orbital Molecular (TOM), substâncias aromáticas são estáveis porque seus orbitais ligantes estão completamente preenchidos, sem elétrons nos orbitais não ligantes ou nos antiligantes. Como consequência, por exemplo, do ânion ciclopentadienila e do cátion ciclo-heptatrienila apresentam alta estabilidade. Acidez e Basicidade A doação de elétrons pode afetar a natureza do produto formado em uma reação e o pKa de uma substância. Um ácido carboxílico (por exemplo, ácido acético) e um fenol são mais ácidos que um álcool (como o etanol). Uma anilina protonada é mais ácida que uma amina protonada, porque a retirada de elétrons estabiliza suas bases conjugadas, e a perda de um próton é acompanhada do aumento na energia de ressonância. Pelo mesmo motivo, o ciclopentadieno é muito mais ácido do que o etano: Figura 4.3 - Alguns exemplos íons com caráter aromáticos, e contribuintes de ressonância do ânion ciclopentadienila. Essas estruturas são planares e obedecem a regra de Hückel. Figura 4.4 - Distribuição dos elétrons nos orbitais moleculares (OM) pi do benzeno e do ânion ciclopentadienila. As energias relativas dos orbitais moleculares pi em uma substância cíclica correspondem aos níveis relativos dos vértices. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 79 Reações químicas Teoricamente, milhares de compostos de carbono podem ser formados pela adição de um ou mais grupo funcional a um hidrocarboneto. Derivadosde hidrocarbonetos podem ser formados quando há uma substituição de um grupo funcional em uma ou mais destas posições. Ao longo dos próximos capítulos, aprenderemos sobre as propriedades químicas, como e com que reagem, as principais classes dos compostos orgânicos. A figura 4.5 apresenta um resumo das principais reações químicas. Figura 4.5 - Síntese dos principais compostos orgânicos. Estes belos animais são chamados Zoanthids (Coral), estes podem ser mortais. Contêm palitoxina. Palitoxina é um produto natural marinho incrivelmente complexo, que contém 71 CENTROS ESTEREOQUÍMICOS. É considerado uma das mais tóxicas substâncias não-peptídeo conhecidas, requerendo somente cerca de 0,15g/Kg à complicada estrutura. Os sintomas típicos de intoxicação são politoxinas angina - como dores no peito, dificuldades respiratórias, asma, taquicardia, pressão arterial instável, hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos). O início dos sintomas é rápido, e a morte geralmente resulta apenas minutos depois. A palitoxina tem fórmula molecular C129H223N3O54 e massa molar 2680.13 g/mol. Sua estrutura química completa foi publicada pelo Prof. Daisuke Uemura e colaboradores em Nagoya University, em 1982. O grupo do professor Yoshito Kishi da Universidade de Harvard foi o primeiro a sintetizar palytoxin em 1994. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0480 Função Química: aprendemos também que cada função orgânica é caracterizada por um grupo funcional, ou seja, um grupo de átomos, ligados de forma determinada, que confere propriedades químicas semelhantes a uma série de compostos orgânicos diferentes. Um determinado grupo funcional comporta-se quimicamente quase da mesma forma em todas as moléculas das quais faz parte. Um dos grupos funcionais mais simples, por exemplo, é o da ligação dupla Carbono-Carbono (C=C). O eteno (H2C=CH2), composto mais simples que contém uma dupla ligação, sofre reações muito semelhantes ao patchouleno (C15H24), um hidrocarboneto sesquiterpeno presente em óleos essenciais extraído de vegetais superiores. Ambas as moléculas reagem com Br2 para originar produtos em que um átomo de bromo se liga a cada átomo de carbono da ligação dupla (Figura 4.6). Muitas vezes, em um sistema em reação, existem, por exemplo, mais de uma espécie de nucleófilo ou eletrófilo, que então competem para a reação com o substrato. No entanto, vários fatores físicos e químicos vão determinar qual deles é que vai efetivamente reagir, como, por exemplo, reagentes muito volumosos, força ácido-básica etc. Antes de se realizar uma reação, todas as características dos reagentes são verificadas, e os reagentes são escolhidos convenientemente, dependendo do produto que se deseja obter. Não importa se existem possibilidades de formação de outros produtos. O mecanismo tem que explicar o que aconteceu realmente na prática. Figura 4.6. Exemplo de reações de halogenação de alcenos, adição de bromo a ligação dupla. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 81 De forma sucinta, a seguir, estudaremos as principais reações químicas dos HD saturados e insaturados e seus mecanismos reacionais. Para entender como as reações acontecem, é importante aprendermos sobre tipos principais de quebra e formação de ligações, tipos de reagentes e efeitos estereoeletrônicos envolvidos nas respectivas reações. Rupturas de ligações Nas reações orgânicas é muito comum a formação de grupos intermediários instáveis, sendo, portanto, de existência transitória, nos quais o carbono não tem efetuadas suas quatro ligações. Estes grupos se originam da ruptura de ligações entre átomos, que pode ocorrer de modo homolítico ou heterolítico. Quando a ruptura é feita igualmente, de modo que cada átomo fique com seu elétron original da ligação, temos uma quebra homolítica, que resulta na formação de radicais livres. Quando a ruptura é feita de modo desigual, ficando o par eletrônico com apenas um dos átomos da ligação, temos uma quebra heterolítica. Essa quebra ocorre frequentemente em ligações polarizadas. Classificação dos reagentes As espécies químicas que se combinam com os compostos orgânicos são classificados em dois tipos: eletrófilo (E+) e nucleófilo (:Nu). O eletrófilo (E+) é uma espécie que possui afinidade por elétrons, e se liga a espécies capazes de fornecer-lhe esses elétrons. O eletrófilo pode ser um cátion ou uma molécula com deficiência eletrônica (com orbital vazio para receber um par eletrônico). Quando uma reação é iniciada pela combinação de eletrófilo com um reagente orgânico (substrato), temos uma reação eletrofílica. radical livre carbocátion carbânion Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0482 O nucleófilo (:Nu) é uma espécie que possui par de elétrons disponíveis para efetuar uma ligação, e se liga a espécies capazes de comportar esses elétrons. O nucleófilo pode ser um ânion ou uma molécula com disponibilidade eletrônica (com orbital preenchido para coordenar elétrons não-ligantes). Quando uma reação é iniciada pela combinação de um nucleófilo com um substrato, temos uma reação nucleofílica. Mecanismos de reações orgânicas Um mecanismo reacional é a descrição, etapa por etapa, do processo de quebra e formação de ligações que ocorrem durante uma reação. Fatores estereoeletrônicos e a natureza do solvente influenciam no mecanismo da reação orgânica. Uma reação orgânica pode ocorrer basicamente de duas maneiras: ionicamente ou via radicais livres (espécies instáveis, muito reativas, de alta energia). Classificação das reações orgânicas As reações orgânicas podem ser classificadas em: 1 Adição nucleofílica - reação comum dos compostos carbonilados: 2 Adição eletrofílica - comum em alcenos e alcinos: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 83 3 Substituição nucleofílica - essa reação é típica dos haletos de alquila: 4 Substituição eletrofílica - típica dos compostos aromáticos, e em sua primeira etapa um dos grupos do substrato é substituído por um reagente eletrófilo: 5 Substituição via radical livre - nessa reação, típica de alcanos, o substrato sofre na primeira etapa um ataque por radical livre: 6 Reações de eliminação: geralmente, nas reações de eliminação, o substrato tem dois de seus ligantes retirados, formando uma insaturação: 7 Reações eletrocíclicas (pericíclicas) – típicas dos dienos conjugados e derivados, não há formação de cargas sobre nenhum intermediário. O mais famoso exemplo é a reação de Diels-Alder: Reações dos alcanos As reações mais importantes dos alcanos são a pirólise, a combustão e a halogenação. A pirólise ocorre quando o alcano é aquecido a altas temperaturas Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0484 na ausência de oxigênio. As ligações C-C e C-H são rompidas, formando radicais que se combinam entre si, formando outros alcanos de maior número de C. As reações geralmente se dão pela subtração de hidrogênios do alcano, rompendo homoliticamente a ligação via radical livre. Forma-se então um radical livre, que continua a sequência da reação. A molécula do alcano, todavia, possui diversos átomos de hidrogênio, e o produto, que efetivamente se forma, depende de qual desses hidrogênios é removido. A estabilidade dos radicais determina a quebra da ligação C-H. Estabilidade dos radicais aumenta de acordo: CH3• (∆H0 = 105 kcal mol-1) < primário (∆ H0 = 101 kcal mol-1) < secundário (∆H0 = 98.5 kcal mol-1) < terciário (∆H0 = 96.5 kcal mol-1). A estabilidade dos radicais livres pode ser explicada por efeitos de ressonância, por hiperconjugação e por efeitos estéricos. Na presença de luz, ou em altas temperaturas, alcanos reagem comhalogênios (Cl2 ou Br2) para formar haletos de alquila: RCH3(g) + X2(g) RCH2X(g) + HX(g) Conforme visto anteriormente, os hidrocarbonetos não existem somente na forma de cadeia linear, mas também como estruturas cíclicas, e suas propriedades físicas e reações são muito similares àquelas dos hidrocarbonetos lineares. Problema 3 - Cicloalcanos sofrem reação de bromação conforme mostrado a seguir: Ruptura homolítica do Br2 e formação de bromo nascente Ataque do radical bromo ao hidrogênio e ruptura homolítica da ligação C-H calor ou luz O ataque pode ocorrer em diferentes hidrogênios. Isto dependerá da velocidade relativa de substituição dos hidrogênios Figura 4.7 - Mecanismo de reação radicalar dos alcanos Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 85 a) Considerando os produtos formados, a – d, o que se pode afirmar a respeito da estabilidade relativa dos anéis com três, quatro e cinco átomos de carbono? Justifique. b) Dê o nome dos compostos orgânicos formados nessas reações. Nitração – os alcanos podem ser nitrados, utilizando-se ácido nítrico concentrado em condições enérgicas (aprox. 400 oC), produzindo nitro-compostos: Sulfonação – os alcanos podem ser sulfonados, utilizando-se ácido sulfúrico concentrado à alta temperatura, produzindo ácidos sulfônicos: Reações dos alcenos Os alcenos sofrem principalmente reações de adição. Os elétrons pi são menos fortemente atraídos pelos núcleos e, portanto, mais disponíveis, particularmente para um reagente deficiente de elétrons, ou seja, um eletrófilo. Veja a seguir o que ocorre com a insaturação, devido ao efeito da ressonância: Existem duas possibilidades de reação: a adição nucleofílica e a adição eletrofílica. Verifica-se experimentalmente que, talvez devido à alta mobilidade dos elétrons pi, uma quase totalidade das reações dos alcenos é iniciada por um ataque desses elétrons a um eletrófilo. Portanto, as adições eletrofílicas são típicas dos alcenos. Preparação de alcenos Os métodos para a preparação de alcenos geralmente envolvem a Captura de um próton formação do carbânion Ataque do carbânion ao nitrogênio e saída de uma molécula de água nitro isopropano Captura de um próton formação do carbânion Ataque do carbânion ao enxofre e saída de uma molécula de água ácido isopropil-sulfônico Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0486 reação de eliminação, tais como desidro-halogenação (I) e desidratação (II): Reações de hidrogenação São extremamente lentas, exceto na presença de um catalisador (usa- se mais comumente C/Pd, PtO2 ou níquel de Raney) capaz de romper a forte ligação H-H. A adição de H2 está sujeita a controle estérico, e a face menos impedida da ligação dupla, menos substituída, é atacada preferencialmente. A reação depende do pH, da temperatura, pressão e/ou solvente. Reações de adição de HX (X = Cl, Br e I) O HCl, o HBr e o HI transformam os alcenos nos correspondentes haletos de alquila. A reação inicial da ligação dupla nucleofílica com H+ produz um intermediário, o carbocátion, o qual reage com o ânion brometo. A regioquímica de Markovnikov é observada: o H adiciona-se ao carbono menos substituído (mais hidrogenado), e o haleto (X) ao carbono mais substituído. Se a adição HBr for feita em presença de peróxidos, a orientação da adição se dá exatamente de modo oposto (anti-Markovnikov), ou seja, o H se liga ao carbono secundário e o Br no carbono primário. Ataque da nuvem pi ao hidrogênio polarizado do HBr e formação do carbocátion Ataque do nucleófilo ao carbocátion Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 87 Reações de halogenação (adição de Cl2 ou Br2) O bromo ou cloro adiciona-se a um alceno por meio de um anel de três átomos, um íon bromônio ou um íon clorônio intermediários, para formar produtos de adição com estereoquímica Anti, figura 4.8. Se a água estiver presente durante as reações de adição de halogênio, uma haloidrina será formada. Reações de hidratação A adição de água a um alceno para formar álcoois é realizada por três procedimentos, dependendo do produto desejado. Em meio ácido, os alcenos reagem com a água formando álcoois. A oximercuração envolve a adição eletrofílica de Hg++ a um alceno, seguido pela reação do cátion com água e subsequente tratamento com LiBH4 (Figura 4.9). A reação de hidroboração- oxidação envolve a adição de borano (BH3), seguida pela oxidação do organoborano intermediário com H2O2 em meio básico, para a conversão de um alceno a um álcool (Figura 4.9). Os dois últimos métodos são complementares: a oximercuração forma o produto de adição de Markovnikov, enquanto a hidroboração/oxidação forma o produto de adição syn anti-Markovnikov. Figura 4.8 - Formação de um íon bromônio intermediário pela reação de Br2 com alceno. Figura 4.9 - Oximercuração de um alceno para produzir um álcool. O produto da reação é um álcool mais substituído, correspondendo à regioquímica de Markovnikov Equação química geral mecanismo íon mercúrio Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0488 Reações dos hidrocarbonetos aromáticos Diferentemente dos alcenos, que sofrem reações de adição, o benzeno e seus derivados mais comuns sofrem geralmente reações de substituição eletrofílica (Figura 4.11), sendo esta habilidade um bom teste de aromaticidade. A aromaticidade do benzeno faz com que ele sofra reações de substituição aromática eletrocíclica. As reações de adição eletrofílicas, características dos alcenos e dienos, levariam a produtos de adição não aromáticos muito menos estáveis. Problema 4 - A adição de bromo a um alceno é exotérmica por cerca de 30 Kcal/ mol (125 KJ/mol), enquanto que a adição ao benzeno é endotérmica por cerca de 2,5 Kcal/mol (10 KJ/mol). Justifique essa diferença energética. Equação química geral Mecanismo de formação do intermédiário alquilborano estado de transição Alquiborano Figura 4.10 - Hidroboração de alceno. A reação ocorre em uma única etapa, na qual as ligações C-H e C-B se formam ao mesmo tempo. Figura 4.11 - Diferença de reatividade entre um alceno (ciclo-hexene) e o benzeno Bromobenzeno Ácido Benezenosulfônico Aquecimento Aquecimento Experimento 1. Alcanos sofrem reações de substituição radicalar na presença de bromo e energia solar. Experimento 2. Os alcenos sofrem reações de adição eletrofílica, e descolora a solução de bromo. Experimento 3. Por causa de sua estabilidade o benzeno não sofre reação de adição, e não descolora a solução de bromo. Entretanto, na presença de um catalisador de Lewis sofre reação de substituição eletrofílica. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 89 Mecanismo reacional Uma vez que o eletrófilo é gerado, todas as reações de substituição aromática eletrofílica ocorrem pelo seguinte mecanismo: 1- A substância aromática reage com um eletrófilo (E+), formando um carbocátion intermediário. Essa primeira etapa é relativamente lenta e endergônica, porque uma substância aromática está sendo convertida em um intermediário não aromático, muito menos estável. 2 - A base retira um próton do carbono que formou a ligação com o eletrófilo. Essa segunda etapa é rápida e fortemente exergônica porque a aromaticidade, que aumenta a estabilidade, está sendo restaurada. As cinco reações mais comuns de substituição aromática eletrofílicas e um mecanismo geral, representado pela nitração do benzeno, são mostrados .A sulfonação é uma reação reversível; o aquecimento do ácido benzenosulfônico em ácido diluído remove o grupo sulfônico. Tanto um haleto de acila quanto um anidrido ácido podeser usado para Acilação de Friedel-Crafts. Se o carbocátion formado a partir de um haleto de alquila usado em uma reação de Alquilação de Friedel-Crafts puder se rearranjar, o produto principal será aquele resultante do carbocátion mais rearranjado mais estável. Para maiores detalhes sobre as Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0490 demais reações, consulte seu professor ou referências bibliográficas. Orientação da segunda substituição no benzeno A cloração ou bromação do benzeno monossubstituído requer também um ácido de Lewis como catalisador. O benzeno pode sofrer mais de uma substituição. A primeira substituição ocorre normalmente, com a entrada do eletrófilo no lugar de qualquer um dos hidrogênios do anel, já que são equivalentes. Entretanto, uma segunda substituição dependerá do substituinte já existente, que então irá orientar a entrada do próximo grupo no anel, pela combinação de Efeitos Indutivos e de Ressonância. Os grupos substituintes podem ser classificados como Ativadores Dirigentes Orto e Para; Desativadores Dirigentes Meta. Os grupos que doam elétrons por indução e/ou ressonância são ativantes e orientam orto-para: • Fortemente ativadores: -NH2, -NHR, -NR2, -OH. • Moderadamente ativadores: -OR, -NHCOR. • Fracamente ativadores: Radical fenila, radicais alquila e halogênios. Os halogênios, embora sejam desativantes, orientam orto-para. Figura 4.12 - Principais reações de substituição eletrofílica do benzeno Figura 4.13 - Efeito indutivo doador e retirador de elétrons de alguns substituintes. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 91 São substituintes que diminuem a densidade eletrônica do anel por indução, mas são doadores de cargas por ressonância. Os grupos que retiram elétrons por indução e/ou ressonância são desativantes e orientam meta e atraem para si elétrons do anel: NO2, NH3 +, NR3 +, SO3H, COOH, COOR, CHO, COR, CN etc. Estes grupos geralmente apresentam ligações duplas, triplas ou coordenadas. Para predizer o produto principal de uma reação de substituição eletrofílica em aromáticos, faz-se necessário analisar todos os intermediários catiônicos possíveis e avaliar sua importância relativa. A reação do tolueno com um E+ (NO2 +) produz o-nitrotolueno (60%), p-nitrotolueno (36%) e m-nitrotolueno com apenas 4% de rendimento (Figura 4.15). Quando um benzeno substituído sofre uma reação de substituição eletrofílica, três carbocátions intermediários diferentes podem ser formados (orto, meta e para). A estabilidade relativa dos três carbocátions permite-nos determinar o caminho de reação preferencial, uma vez que, quanto mais estável o carbocátion, menor a energia necessária para gerá-lo e maior a probabilidade de que seja o intermediário formado. Figura 4.14 - Efeito de ressonância de alguns substituintes (grupos retiradores e doadores de elétrons) ligados ao benzeno Antioxidantes e Radicais Livres. Recentemente, surgiram evidên- cias de que algumas vitaminas e o mineral selênio podem atuar como defesas contra certas doenças. Quando o oxigênio é utilizado pelas reações químicas em seu corpo, ele produz, como um subproduto, substâncias potencialmente prejudiciais chamadas radicais livres. Estas causam danos aos tecidos e po- dem levar a alguns males como doenças do coração e alguns cânceres. Seu corpo possui um poderoso mecanismo de defesa para prevenir estes danos; mas em alguns casos (por exemplo, em fumantes), este mecanismo está prejudicado. Os anti- oxidantes, como a vitamina A, beta-caroteno (pro-vitamina A), vitamina C e E e selênio, são capazes de impedir a ação de radicais livres. As doenças relacionadas pelos danos causados pelos radicais livres ocorrem por varias razões. Contudo, ter uma dieta rica em alimentos antioxidantes pode re- duzir o risco de desenvolvê-las. Vitamina A A Vitamina E é razoavelmente resistente ao aquecimento e a ácidos e instável a álcalis, luz utravioleta e oxigênio Vitamina E Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0492 Síntese de Benzenos Trissubstituídos Quando um benzeno dissubstituído sofre reação de substituição eletrofílica, o efeito dirigente de ambos os substituintes deve ser considerado. Em geral, o substituinte que mais fortemente doar densidade eletrônica ao anel (mais ativante), seja por efeito indutivo ou de ressonância, orientará a terceira substituição. Figura 4.15 - Estruturas dos intermediários nas substituições orto, para e meta Explicação com base na estabilidade do intermediário carbocátion terciário, mais estável tolueno Ataque orto Ataque meta Ataque meta Carbocátion terciário Carbocátion terciário o-nitrotolueno (64%) p-nitrotolueno (38%) M-nitrotolueno (4%) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HIDROCARBONETOS 93 Substituição aromática nucleofílica Conforme visto anteriormente, as reações de substituição aromática geralmente ocorrem por um mecanismo eletrofílico. Entretanto, os haletos de arila, que possuem substituintes retiradores de elétrons, também podem sofrer Substituição Aromática Nucleofílica, figura 4.16; as condições reacionais tendem a ser relativamente severas. Um nucleófilo forte (base) é geralmente requerido. Essas reações são favorecidas por substituintes retiradores de elétrons que estabilizam o intermediário carbânion. As substituições nucleofílicas trocam um grupo de saída do anel. Problema 5 - Que produto (s) resultaria (m) da nitração de cada uma das seguintes substâncias: a) propilbenzeno b) bromobenzeno c) benzaldeído d) ácido benzenosulfônico e) ciclo-hexilbenzeno f) fenol Problema 6 - Sugira um mecanismo para a reação do cloreto de acetila com o benzeno na presença de AlCl3 como catalisador. Problema 7 - Qual o produto (s) principal em cada uma das seguintes reações. Dê o nome de cada produto. Figura 25 - Sulfonação do m-nitroanisol. O grupo –OCH3 orienta a terceira substituição, pois é melhor doador de elétrons (fortemente ativante), facilitando o ataque do E+ (SO3) nas posições orto e para. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 95 UniDADE 05 Haletos orgânicos Nesta unidade estudaremos as principais características dos compostos orgânicos halogenados, origem e suas principais reações químicas. Veremos que as reações de substituição e eliminação, a que esses compostos estão sujeitos, estão entre as reações mais versáteis e utilizadas em química orgânica. Veremos como essas reações ocorrem, quais suas características e como elas podem ser empregadas na síntese de novas moléculas. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0596 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 97 HAlEtos orgâniCos Os haletos orgânicos são compostos que apresentam pelo menos um átomo de halogênio ligado a um radical derivado de hidrocarboneto. Esses compostos são representados genericamente por: R-X, onde X= F, Cl, Br ou I. São importantes não apenas como intermediários orgânicos, mas também em diversas aplicações industriais. Os compostos compostos: tetracloreto de carbono (CCl4), clorofórmio (HCCl3), tricloroetano (Cl3CCH3), são amplamente empregados como solventes. Cl2CF2 (freon 12) é um gás usado em refrigeradores, usado também como propelente em aerossóis. Polímeros halogenados como politetrafluoroetileno (teflon) e poli-1,1-dicloroetileno são amplamente utilizados no dia-a-dia. Diversos pesticidas, que foram largamente utilizados na agricultura, são fabricados à base de compostoshalogenados, como os inseticidas DDT, clordane dieldrin, e os herbicidas 2,4-D e 2,4,5-T . Ocorrência e formação Até a década de 1970, poucos halogenados haviam sido obtidos a partir de organismos vivos. Com o crescente estudo da Química de Organismos Marinhos (esponjas, corais e algas), as estruturas de milhares de compostos halogenados obtidos dessa fonte já foram determinadas. Por exemplo, algas vermelhas sintetizam um derivado halogenado tóxico, cujo gosto é horrível, porém evitam que os predadores as comam. A reação de formação de um haleto orgânico é chamada halogenação. Em compostos saturados, a halogenação ocorre na reação de substituição de um hidrocarboneto com a substância simples do halogênio: R-H + X2 → R-X + HX Por exemplo, na formação do clorometano a partir do metano e do gás cloro (Cl2): CH4 + Cl2 → CH3Cl + HCl Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 0598 Propriedades físicas Como os halogênios (F = 4,0; Cl = 3,5; BR = 2,8; I = 2,5) são mais eletronegativos que o carbono (2,5), a ligação C-X é polarizada, de forma que o átomo de carbono suporta uma carga parcial positiva, e o halogênio, uma carga parcial negativa. Esse fenômeno pode ser responsável por várias propriedades físico-químicas desses compostos. A massa molar influencia no ponto de ebulição e na massa específica destes compostos, bem como no número de halogênios presentes. À medida que aumenta a massa molar e o número de halogênios na fórmula, tanto a massa específica quanto o ponto de ebulição aumentam. Apresentam baixa solubilidade em água e são solúveis em solventes pouco polares. A densidade dos compostos monoclorados e monofluorados é normalmente menor que 1 g/ cm3, já os monobromados e monoidados possuem densidade acima da água (1 g/cm3). Reações químicas É a ligação polar C-X que provoca o haleto de alquila a sofrer dois tipos principais de reações: Substituição e Eliminação. Existem dois mecanismos importantes para a reação de substituição: a) Substituição Nucleofílica Bimolecular (SN2), na qual um nucleófilo é atraído pela carga parcial positiva do carbono (eletrófilo). Quando o nucleófilo se aproxima do carbono e forma uma nova ligação, a ligação C-X se rompe heteroliticamente (R = H, grupo alquila): b) Substituição Nucleofílica Unimolecular (SN1), na qual a ligação C-X se rompe heteroliticamente sem nenhuma assistência do nucleófilo, formando um carbocátion. O carbocátion, um eletrófilo, reage com um nucleófilo para formar um produto de substituição: Haletos Orgânicos na Medicina: Devido à complexidade dos complexos cirúrgicos e aos riscos de transmissão de alguns tipos de hepatite, do Trypanossoma cruzi e do HIV, tornam-se imperiosas as pesquisas no sentido de desenvolver substâncias que possam substituir o sangue e seus derivados. Um tipo destas substâncias denominado perfluoroquímicos, foi inicialmente testado em ratos. Seu uso, substituindo todo o sangue, não produz nenhuma alteração nos animais, que continuam a se alimentar normalmente, não “sangram” com pequenos cortes nem desenvolvem infecções. Quando, após sete dias, o sangue é reposto, os animais continuam a se desenvolver normalmente. Recentemente, nos EUA, o FDA aprovou o uso de uma mistura perfluorodecalina e perfluorotripropilamina como substituto de sangue em algumas cirurgias cardíacas. O molusco, chamado lebre do oceano, depois de comer a alga vermelha, converte o derivado original em uma substância estruturalmente semelhante que passa a usar para a própria defesa. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 99 Independente do mecanismo pelo qual a reação de substituição ocorre, ela é chamada de reação de substituição nucleofílica, porque um nucleófilo substitui um halogênio. Na verdade, o mecanismo que predomina depende de vários fatores, tais como: estrutura do substrato; reatividade do nucleófilo; concentração do nucleófilo e o solvente em que a reação é realizada. Embora esse tópico seja muito rico, faremos apenas uma breve apresentação de cada um dos tipos de reações ilustradas anteriormente, sem entrar em detalhes de tais fatores. Para maiores detalhes consulte as referências citadas no final da unidade. Mecanismo SN2 X SN1 Na unidade sobre hidrocarbonetos, apresentamos as principais reações orgânicas, e mostramos alguns detalhes mecanísticos sobre as reações dos hidrocarbonetos. É importante salientar que entender o mecanismo reacional é parte fundamental para o químico, pois ele poderá controlar as condições reacionais de modo a obter um produto cinética ou termodinamicamente favorável. E o que isso tem a ver com nosso cotidiano? Conhecendo como interferir no meio reacional você poderá produzir um ou outro composto com maior rendimento e em menor tempo, que venha ser útil do ponto de vista biológico ou farmacológico. Você poderá produzir uma substância nociva ou um antídoto. Em ambas as reações, um nucleófilo substitui um halogênio (X) que é chamado grupo de saída. Uma reação SN2 é bimolecular, porque duas moléculas estão envolvidas na etapa determinante (etapa lenta) da velocidade de reação. Uma reação SN1 é unimolecular – uma molécula está envolvida na etapa determinante da velocidade de reação. Como o mecanismo de uma reação é determinado? Podemos aprender muito sobre mecanismo de uma reação, estudando sua cinética – o fator que afeta Aplicações Práticas O DDT é um dos mais conheci- dos inseticidas de baixo custo. Ele foi utilizado inicialmente, à época da 2ª Guerra Mun- dial, para controlar doenças transmitidas por insetos, tais como Malária, Tifo e Febre Amarela. Em muitas partes do mundo, seu uso foi proibido por apresentar efeito acumulativo no organismo e por ser capaz de interromper o equilíbrio natural do meio ambiente, envenenando alimentos, como verduras, carnes e peixes, e, ainda, enfraquecendo as cascas de ovos das aves. Atualmente, o uso do DDT, embora permitido no Brasil, é bastante controlado, sendo necessárias a autorização e a supervisão de um agrônomo para a sua compra e utilização. O comprador desse produto deve assinar um documento, comprometendo-se a usá-lo na dosagem indicada e com os equipamentos de proteção necessários a sua aplicação. Durante a produção desse composto, porém, ocorre a formação de um contaminante muito perigoso, o derivado clorado mais tóxico conhecido: a dioxina. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 05100 a velocidade da reação. No passado, alguns pesquisadores avaliaram os fatores que interferiam em centenas de reações, repetidas vezes, avaliando inicialmente a relação entre velocidade e concentração dos reagentes, e escreveram duas leis de velocidade: I) Uma em que a velocidade da reação depende de ambos os reagentes (segunda ordem), substrato (haleto de alquila, R-X) e nucleófilo (base, Nu-): V ∞ [R-X] x [Nu-] mol L-1 s-1 II) E uma segunda lei em que a velocidade dependia apenas do haleto de alquila (reação de primeira ordem). Se dobrasse a concentração do haleto, a velocidade também dobraria; mas se a concentração do nucleófilo fosse alterada, nenhum efeito na velocidade da reação era observado. V ∞ [R-X] mol L-1 s-1 Na reação do tipo SN2, o nucleófilo de entrada se aproxima do haleto com ângulo de 180oC do grupo de saída, resultando em uma inversão de configuração no átomo de carbono do tipo guarda-chuva, Figuras 5.1 e figura 5.2 - A reação é fortemente inibida pelo aumento do volume estérico do reagente. São favorecidas com substratos primários e secundários, e na presença de solvente aprótico e de alta constante dielétrica (DMS, DMF). Figura 5.1 - A reação SN2 acontece em uma única etapa com o Nu se aproximando a 180 oC em relação ao grupo de saída. O gás mostarda foi utilizado durante a 1ª Guerra Mundial e em lutasmilitares na Etiópia, em 1936. Os Estados Unidos produziram e estocaram uma grande quantidade deste composto, desde a 2ª Guerra Mundial. É um veneno mortal, que provoca graves ulcerações e irritações na pele, nos olhos e no sistema respiratório, além de lesões neurológicas e gastrointestinais, e destruição de tecidos e vasos sanguíneos. Como haleto primário, o gás mostarda é altamente reativo ao deslocamento SN2 pelo grupo amino nucleofílico da proteína. Ele age por meio de um íon sulfônio intermediário, da mesma maneira que a S-adenosilmetionina, quando reage com a Norepinefrina durante a síntese biológica da adrenalina (A adrenalina é um hormônio e um neurotransmissor). Saiba mais Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 101 Quando os elétrons ocupam o orbital antiligante, a ligação C-X é enfraquecida. No estado de transição, ligações parciais existem sobre carbono, nucleófilo e o halogênio (o orbital do carbono é essencialmente sp2). Finalmente, uma ligação sigma se desenvolve e o halogênio é perdido como ânion (Figura 5.3). Outros bons grupos abandonadores que podem ser deslocados pelo nuceófilo em reações SN2 são: Na reação do tipo SN1, a reação ocorre em mais de uma etapa. A primeira etapa envolve a cisão heterolítica da ligação C-X resultando na formação de um carbocátion. Essa etapa é endotérmica e mais lenta que a segunda, sendo Inversão de configuração de um composto opticamente puro pela reação SN2 Figura 27 - Mecanismo do tipo SN2. Quando o substrato apresenta carbono assimétrico há inversão de configuração Figura 5.2. - Orientação dos orbitais em reações SN2. Grupos abandonadores: Sulfato e Sulfonato íon sulfato de metila íon metanosulfato (íon mesilato) íon trifluorometano sulfonato (íon triflato) íon 4-metilbenzenosulfonato (íon p-tolueno sulfonato, íon tosilato) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 05102 assim, a etapa determinante da velocidade da reação, por isso a velocidade do processo depende apenas da concentração do haleto de alquila (reação unimolecular). Ocorre com racemização de configuração no átomo de carbono assimétrico. São mais favoráveis com substrato terciário, benzílicos e alílicos. Caso o nucleófilo seja neutro, como a água, alcoóis ou aminas, haverá mais uma etapa, que envolverá a perda de um próton. Como a etapa determinante da velocidade envolve a formação de um carbocátion, quanto mais estável ele for, mais rapidamente a reação ocorrerá (Figura 5.4). Problema 8 - Em relação às reações de substituição em haletos orgânicos: a) Explique as diferenças entre as reações do tipo SN1 e SN2. b) Qual desses mecanismos ocorre com inversão de configuração? Problema 9 - Forneça o nome dos compostos orgânicos obtidos nas reações relacionadas a seguir, e indique, em cada caso, qual tipo de reagente – radical livre, eletrófilo ou nucleófilo – envolvido. a) 2-bromopropano + água → b) monoclorometano + água → Problema 10 - A primeira síntese química da adrenalina foi feita em 1904, por F. Stolz. Partindo do pirocatecol, ele preparou a adrenalona, que foi reduzida a uma mistura racêmica de adrenalina, segundo equação química abaixo. Qual dessas etapas representa uma reação de substituição nucleofílica? E uma substituição eletrofílica? Figura 5.4 - Mecanismo do tipo SN2. Quando o substrato apresenta carbono assimétrico há inversão de configuração Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 103 Problema 11 - Justifique as percentagens dos produtos formados nas seguintes reações: Reações de eliminação Conforme mencionado, além da reação de substituição, os haletos de alquilas podem sofrer reação de eliminação de HX (X = halogênio). Geralmente as reações de eliminação e substituição competem entre si, de modo que é comum, sempre que se tentar realizar uma reação de substituição, isolar produtos resultantes da reação de eliminação e vice-versa. A reação de eliminação, para produzir alcenos, também ocorre por dois mecanismos diferentes: reações E2 (eliminação bimolecular) e reações E1 (eliminação unimolecular). É importante notar que, no caso de haletos com mais de três carbonos, podem se formar produtos diferentes, em quantidades variadas. No exemplo a seguir, o 2- Bromo butano dá origem a uma mistura de dois alcenos isômeros. O produto majoritário, geralmente (porém nem sempre) é o alceno mais substituído, termodinamicamente mais estável, seguindo a regra de Zaitsev. pirocatecol cloro-acetilcloreto adrenalona amalgama de sódio adrenalina dihidroxi ω-cloroacetofenona Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 05104 As reações de eliminação de HX de um haleto de alquila é um excelente método para a preparação de alcenos, porém esse assunto é muito complexo, essas reações ocorrem por vários mecanismos diferentes da mesma maneira que as reações de substituição. Reações E2 Nas reações E2, a base abstrai um H+ de um carbono ao mesmo tempo em que o grupo de saída deixa o átomo vizinho. A reação ocorre preferencialmente por um estado de transição antiperiplanar, ou seja, todos os cinco átomos que participam efetivamente da reação devem estar em um mesmo plano e com um ângulo de 180oC entre si, conforme representado na Figura 5.5. Este mecanismo ocorre quando o haleto de alquila, mais comumente quando secundário, é tratado com uma base forte. A reação E2 segue a lei de velocidade V = K [R-X] x [Nu-] mol L-1 s-1. No caso de se pretender favorecer a reação SN2 sobre a eliminação, devem ser utilizadas bases mais fracas. Um exemplo desse efeito da força da base é mostrado na figura abaixo. Base Grupo de saída Competição EZ e SN2 base forte alceno Figura 5.5 - Reação E2 de uma haleto de alquila Figura 5.6- Competição entre reação E-2 e SN2. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 105 Reações E1 Esta reação tem uma cinética de primeira ordem. A velocidade da reação depende somente da concentração do haleto de alquila: V = k [R-X] mol L-1 s-1. A reação de E1 tem como características principais (Figura 5.7): 1 O haleto de alquila se dissocia espontaneamente para produzir o carbocátion (etapa determinante da velocidade). 2 Ocorre em duas etapas: uma lenta e outra rápida, que é o ataque do nucleófilo ou base. 3 Preferencialmente em solventes básicos. Compete com a reação do tipo SN1. Em geral, as reações E1 e SN1 ocorrem juntas, qualquer que seja o haleto de alquila tratado com solvente prótico com um nucleófilo não básico. A Figura 5.8 mostra uma reação em que há formação de produto E1 e SN1. 1) Dissociação espontânea do haleto de alquila 2) A perda de um H+ vizinho em uma etapa rápida gera um alceno neutro carbocátion etapa rápida íon hidrônio alceno Figura 5.7 - Mecanismo geral para as reações E1 Figura 5.8. Competição entre reação E2 e SN2 2-cloro-2-metilpropano 2-metilpropano-2-ol 64% 2-metilpropeno 36% Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 05106 Problema 12 - Em relação às reações de eliminação dos haletos orgânicos: a) Explique as diferenças entre as reações do tipo E2 e E1. b) Por que o bromopropano sofre reação E2 - em etanol-etóxido a 55oC – a uma velocidade relativa muito maior do que o bromoetano? Problema 13 - Os compostos a seguir podem sofrer reações de eliminação ou de substituição. Forneça o nome de todos os produtos possíveis dessas reações, indicando as condições que favorecem a formação de cada produto. a) 2-clorobutano b) 3-etil-3-iodopentano Problema 14 - Com base nos resultados a seguir, explique por que o isômero cis sofre eliminação cerca de 500 vezes mais rápidodo que o isômero trans. Problema 15 - Até aqui, estudamos três tipos de reações orgânicas: adição, eliminação e substituição. Analise as equações químicas a seguir e classifique- as como tal. Demonstre o mecanismo de formação dos respectivos produtos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db HALETOS ORGÂNICOS 107 16 - Com base nas equações a seguir, explique os produtos formados. 17 - Em um estudo da cloração do propano, isolaram-se quatro produtos de reação (A, B, C e D) de fórmula C3H6Cl2. Quais as estruturas desses compostos? Clorou-se mais ainda cada um deles, obtendo-se vários produtos triclorados (C3H5Cl3), cujo número se determinou por cromatografia gasosa. No caso de A, obteve-se um produto triclorado; no caso de B, dois; nos casos de C e D, três. Qual é a estrutura de A? De B? De C e D? O composto C foi obtido por outro método de síntese em forma opticamente ativa. Em face deste resultado, qual é a estrutura de C? E de D? Por cloração subsequente do composto C, opticamente ativo, um dos tricloropropanos (E) obtidos também era opticamente ativo, enquanto os outros dois eram inativos. Qual a estrutura de E? E quais as dos outros dois? Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 109 UniDADE 06 Álcoois, fenóis e éteres Nesta e nas duas próximas unidades, trataremos da química de diversos grupos funcionais contendo oxigênio. A interação entre estas importantes classes de compostos (alcoóis, éteres, fenóis, aldeídos, cetonas, ácidos carboxílicos e seus derivados) é fundamental para a química orgânica e para a bioquímica. Nesta unidade, iniciaremos o estudo destes compostos, tratando dos alcoóis, fenóis e éteres que se caracterizam por apresentarem em suas estruturas um átomo oxigênio ligado a dois outros átomos sendo, um deles um carbono e o outro um novo átomo de carbono ou de hidrogênio. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06110 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 111 ÁlCoois, FEnóis E étErEs Álcoois e fenóis se caracterizam por apresentarem em suas moléculas grupos hidroxilas (um átomo de O ligado a um H). nos álcoois, a hidroxila está ligada a uma carbono alifático (R), enquanto que no fenóis ela se encontra ligada a um anel aromático( Ar). O éter é uma substânica que tem os dois grupamentos alquila ligaods ao mesmo átomo de oxigênio. R-OH Ar-OH R-O-R’ Álcool Fenol Éter Álcoois Classificação Os álcoois podem ser classificados de acordo com do tipo de carbono ao qual a hidroxila está conectada. Álcool primário – hidroxila ligada a carbono primário. Álcool secundário – hidroxila ligada a carbono secundário. Álcool terciário – hidroxila ligada a carbono terciário. Propriedades físicas As moléculas dos álcoois, por possuírem o grupo hidroxila (OH), polar, se ligam entre si por ligações de hidrogênio, os mesmos tipos de forças intermoleculares que agregam as moléculas de água umas às outras. Por essa razão, os álcoois mais simples (metanol, etanol e propanol) são completamente Alguns álcoois de ocorrência natural Mentol (obtido do óleo essencial de hortelã-pimenta e usado como flavorizante). Glicose (o mais importante dos carboidratos). Retinol (vitamina A, substância importante para a química da visão). Colesterol (principal constituinte dos cálculos biliares, precursor biossintético de hormônios esteroidais). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06112 miscíveis com a água. Nesses álcoois, que são líquidos incolores voláteis e de cheiro característico, o grupo OH constitui importante porção da molécula; no entanto, com o aumento do número de carbonos, o grupo OH começa a perder sua importância relativa, uma vez que a cadeia carbônica passa a se constituir a maior parte da molécula. Os álcoois tornam-se cada vez mais viscosos, menos voláteis e menos solúveis em água, até chegar a álcoois de massa molecular tão elevada que são sólidos e insolúveis em água. Quando o número de hidroxilas presentes em uma molécula de álcool aumenta, os pontos de fusão e de ebulição, a viscosidade e a solubilidade desses álcoois também aumentam. Métodos de obtenção Os álcoois mais simples, metanol e etanol, podem ser obtidos a partir de fontes naturais ou sinteticamente. Até a década de vinte, do século passado, o metanol era obtido como subproduto da produção de carvão de madeira, por isso era conhecido como álcool da madeira. Atualmente, milhares de toneladas de metanol são produzidas sinteticamente, a partir da redução de monóxido de carbono com hidrogênio, conforme a equação química a seguir. Grande parte desse metanol é convertida em formaldeído (ver reações de álcoois) que, por sua vez, é utilizado na produção de resinas e plásticos. O metanol é um líquido incolor, venenoso, ponto de ebulição 65°C, miscível em água em todas as proporções. A ingestão de cerca de 30 ml é fatal e a ingestão de quantidades inferiores pode levar à cegueira. O etanol é obtido a partir da fermentação de material vegetal rico em carboidratos. No Brasil, a principal fonte de etanol é a cana-de-açúcar, da qual é obtido por fermentação. O etanol também pode ser obtido, sinteticamente, a partir do petróleo, pela hidratação do etileno. Principais métodos de obtenção Uma reação característica de um grupo funcional serve como um método sintético de preparação de outro; assim, algumas já citadas em outras unidades, como propriedades químicas de alguns compostos, são reações usadas na Para saber mais acesse: <www.petrobras.com.br>. Clique em “a petrobras” e depois em “Espaço Conhecer.” Álcool hidratado e álcool anidro O etanol, quando misturado com a água na proporção de 95% de álcool e 5% de água, forma uma mistura azeotrópica ou azeótropa. Esta mistura comporta-se como um composto puro, sendo impossível separar os dois componentes através da destilação fracionada. Por esta razão, o álcool puro, chamado álcool absoluto, é muito mais caro e utiliza-se apenas quando estritamente necessário. O etanol a 95% em água tem PE = 78,15 oC, inferior aos pontos de ebulição de seus componentes (etanol = 78,3 oC e água = 100 oC). O álcool etílico hidratado combustível (AEHC), utilizado nos carros a álcool, como o próprio nome diz é hidratado, ou seja, possui água. Esse teor de água é, em média, de 7% (a Portaria ANP 45/01 fixa o teor alcoólico na faixa de 92,6º a 93,8º INPM). Este produto não é utilizado como aditivo à gasolina. O produto que, por lei federal, é adicionado à gasolina é o álcool etílico anidro (isento de água) combustível (AEAC) e, de acordo com a Portaria ANP 45/01, possui teor alcoólico mínimo de 99,3º INPM. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 113 preparação de álcoois. Formação de álcoois por alcenos Em meio ácido, os alcenos reagem com a água formando álcoois: Oxidação branda de alcenos O permanganato, em meio neutro ou levemente alcalino, é oxidante brando e reage com alcenos formando dióis geminais. A solução aquosa de permanganato tem coloração violeta intensa e o MnO2, formado após a oxidação do alceno, apresenta coloração marrom escura. Como exemplo desta reação, mostramos a seguir a oxidação do propeno: Outros métodos de obtenção de álcoois Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06114 Hidratação de epóxidos A hidratação de epóxidos também produz dióis geminais, como no exemplo a seguir. A diferença entre estas duas reações está na estereoquímica da reação. Na reação com permanganato,a adição das hidroxilas segue estereoquímica “sin”, enquanto que na hidratação de epóxidos a adição se dá pelo lado oposto ao oxigênio do epóxido. Reação de aldeídos ou cetonas com reagente de Grignard Aldeídos e cetonas podem reagir com reagentes de Grignard, seguido de hidratação em meio ácido, produzindo álcoois. O reagente de Grignard atua como um nucleófilo: Reação de aldeídos ou cetonas com hidreto Os aldeídos e cetonas podem ser reduzidos com reagentes doadores de hidretos (ex: LiAlH4, NaBH4): Reação de éteres com HX Os éteres, apesar de pouco reativos, podem sofrer ruptura na cadeia, originando dois produtos. A reação com ácidos halogenídricos fortes (HX), por exemplo, fornece um álcool e um haleto. Veja: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 115 Hidrólise de ésteres Os ésteres podem ser hidrolisados em meio básico ou em meio ácido, resultando um álcool e um ácido carboxílico. A seguir a equação da hidrólise de um éster em meio básico: Em meio básico, a reação é mais rápida, visto que os íons hidróxido adicionados à solução são nucleófilos mais fortes do que a água. A reação em meio ácido seria: Propriedades químicas A parte mais reativa da molécula de um álcool é o grupo OH. Um álcool pode reagir de duas maneiras: rompendo a ligação O-H ou rompendo a ligação C-OH. O grupo OH é um péssimo abandonador, ou seja, difícil de desligar-se de uma molécula, uma vez que o grupo hidróxido (OH-) é uma base forte. O rompimento da ligação C-OH é facilitada pela utilização de um ácido que protona a hidroxila, resultando na formação de um melhor grupo abandonador, a água. Os álcoois podem comportar-se como ácido ou como base, ambos muito fracos, dependendo da natureza do outro reagente. A acidez dos álcoois se deve ao hidrogênio da hidroxila; este ligado ao oxigênio é um átomo muito eletronegativo. O caráter ácido dos álcoois segue a seguinte ordem: álcool primário > álcool secundário >álcool terciário. Isso ocorre por causa do efeito indutivo +I do grupo alquilo. Quanto mais grupos alquilas ligados ao carbono da hidroxila maior será a densidade eletrônica no oxigênio, e mais fortemente ligado estará o hidrogênio. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06116 Principais reações dos álcoois Desidratação Os álcoois podem ser desidratados com ácido sulfúrico concentrado a quente ou com Al2O3 (alumina). A desidratação pode ser intramolecular ou intermolecular, dependendo da temperatura da reação. Se a reação for realizada à temperatura em torno de 180oC, o produto principal será um alceno, resultante da desidratação intramolecular, uma reação de eliminação; no entanto, se a reação for realizada à temperatura de cerca de 140oC, o produto principal será um éter, resultante de uma desidratação intermolecular, uma reação de substituição. Reação com HX diluído Os álcoois podem ser tratados com ácidos halogenídricos (HX), produzindo haletos, através de uma reação de substituição nucleofílica. : Reação com ácidos (Esterificação) Uma das reações mais importantes dos álcoois é a esterificação, ou seja, a formação de ésteres. Reage-se o álcool com um ácido, a frio, em presença de H2SO4 concentrado: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 117 Reação com aldeídos ou cetonas Reagindo-se um álcool com aldeídos ou cetonas, em meio ácido, pode- se obter compostos chamados acetais, que são éteres duplos. Veja: Reação com cloretos de ácidos Reagindo-se um álcool com cloreto de ácido, podemos obter um éster: Éteres Os éteres são compostos orgânicos polares, pouco reativos; e, por esta razão, muito utilizados como solventes em reações orgânicas. Eles podem ser classificados como simétricos ou assimétricos, dependendo se dois grupos ligados ao oxigênio são iguais (simétrico) ou não (assimétrico). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06118 Propriedades físicas Sendo o ângulo entre as ligações R-O-R diferente de 180oC, devido ao efeito da repulsão dos pares eletrônicos não ligantes do oxigênio, os momentos de dipolo das duas ligações não se anulam mutuamente. Por isso os éteres apresentam certo momento de dipolo, ainda que pequeno, mas diferente de zero. Essa fraca polaridade, no entanto, não exerce efeito considerável sobre o ponto de ebulição do éter, sendo aproximadamente igual ao do alcano de massa molecular e geometria correspondentes, mas muito menor que o dos álcoois isômeros. Isto se deve principalmente ao fato de que nos álcoois é possível a formação de ligações de hidrogênio entre as moléculas, o que não ocorre nos éteres. Por outro lado, a solubilidade dos éteres em água é comparável à dos álcoois correspondentes, já que, com as moléculas de água, os éteres podem formar ligações de hidrogênio através de seus oxigênios e os hidrogênios da água. Os éteres são substâncias muito mais voláteis do que os álcoois correspondentes (mais uma vez, devido à ausência de ligações de hidrogênio). Os éteres líquidos são incolores, de cheiro agradável. Por apresentarem um momento de dipolo desprezível, os éteres podem servir como solventes apolares para substâncias orgânicas. Métodos de obtenção Métodos já vistos em outras unidades • Desidratação intermolecular de álcoois • Reação de álcoois com aldeídos ou cetonas Novos métodos de obtenção • Reação de fenóis com haletos Os fenóis podem ser reagidos com haletos, em meio básico, produzindo éteres. Geralmente utilizam-se os iodetos, por ser o iodo um grupo de fácil saída. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 119 • Reação de haletos com alcóxidos (síntese de Williamson) Reagindo os haletos com alcóxidos, podem-se produzir éteres: Propriedades químicas Os éteres são pouco reativos, em virtude da grande estabilidade das ligações C-O-C. No entanto, os éteres são altamente inflamáveis, exigindo cuidado na sua manipulação. Além disso, em contato com o ar, a maioria dos éteres alifáticos transforma-se em peróxidos instáveis. Embora se encontrem em baixa concentração, esses peróxidos são muito perigosos, pois podem dar origem a explosões violentas durante as destilações que se seguem às extrações com éter. A presença de peróxido pode ser identificada pela adição de sulfato ferroso e tiocianato de potássio. O peróxido oxida o ferro II a ferro III, o qual reage com o íon tiocianato, produzindo um complexo de coloração vermelho- sangue característica. Essa é também uma maneira de eliminar o peróxido, pois ele é reduzido pelo íon Fe2+. Também se pode eliminar o peróxido destilando o éter com ácido sulfúrico concentrado. Poucas reações dos éteres são importantes. Porém, a reação com HX é um método interessante para a obtenção de álcoois e haletos. Fenóis Os fenóis são compostos que apresentam uma hidroxila ligada a um anel benzênico. Os fenóis mais simples podem ser nomeados, usando o anel aromático como cadeia principal, e os grupos ligados a ele como substituintes. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06120 Propriedades físicas Os fenóis mais simples são líquidos ou sólidos de baixo ponto de fusão e ponto de ebulição elevado, devido à ligação das moléculas, umas às outras, por ligações de hidrogênio. São, em geral, pouco solúveis ou insolúveis em água, de cheiro forte e característico. São tóxicos e têm ação cáustica sobre a pele. A menos que exista na molécula algum grupo suscetível de produzir cor, os fenóis são incolores. Oxidam-se facilmente, como as aminas, e muitos fenóis apresentam cor devido à presença de produtos de oxidação corados. A comparação das propriedades físicas dos nitrofenóis isômeros fazressaltar um aspecto importante. Notamos que o orto-nitrofenol tem ponto de ebulição bem mais baixo e muito menor solubilidade em água que os outros isômeros, além de ser o único facilmente destilável em corrente de vapor d’água. Como se explica essas diferenças? Consideremos primeiramente os isômeros meta e para. Eles têm pontos de ebulição mais elevados devido à existência de ligações de hidrogênio Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 121 intermoleculares. A solubilidade mais elevada se deve à formação de ligações de hidrogênio com as moléculas de água. A destilação em corrente de vapor depende de a substância apresentar apreciável pressão de vapor à temperatura de ebulição da água. Observando-se o isômero orto-nitrofenol em um modelo molecular, podemos ver claramente que a pequena distância dos grupos NO2 e OH e as suas disposições no anel favorecem a formação de ligações de hidrogênio intramoleculares, ou seja, uma ponte de hidrogênio dentro da molécula. Neste isômero, portanto, as ligações de hidrogênio intramoleculares tomam o lugar das ligações de hidrogênio intermoleculares. Métodos de obtenção Muitos fenóis simples como o fenol comum, os naftóis e os cresóis podem ser obtidos diretamente do alcatrão da hulha. Por isso, em laboratório, as reações geralmente objetivam a produção de fenóis com estruturas mais complexas. Hidrólise de sais de diazônio Os sais de diazônio podem ser transformados em fenóis por hidrólise: Obs.: No sal de diazônio acima não está representado o ânion, mas apenas o cátion, que é o importante para a reação. O sal pode ser qualquer um: cloreto, sulfato, nitrato etc. Hidroxilação de haletos aromáticos Os haletos aromáticos podem ser hidroxilados, de modo que o ataque nucleofílico ocorra no carbono polarizado da ligação com o haleto, e não capturando um próton. Observe-se: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06122 Oxidação do cumeno Esse é um dos métodos mais importantes e eficazes, utilizado inclusive em escala industrial. Trata-se da oxidação do isopropil-benzenol (cumeno). É o método industrial utilizado para a produção simultânea de fenol e acetona: Propriedades químicas Principais reações dos fenóis Os fenóis têm caráter relativamente ácido, porém, menos ácido que os ácidos carboxílicos (observe-se a comparação da força ácida destes compostos). Os fenóis podem ser facilmente diferenciados dos álcoois por meio de alguns testes simples em laboratório. Substituições eletrofílicas Ao anel aromático do fenol pode ser adicionado um ou mais grupamentos funcionais, em reações de substituição eletrofílica, semelhantes às que ocorrem com o benzeno (nitração, sulfonação, halogenação, acilação, alquilação). No entanto, como o anel apresenta um grupo direcionador orto-para (OH), a entrada dos grupamentos serão orientadas nestas posições. Reação com haletos em meio básico Os fenóis podem ser reagidos com haletos em meio básico, produzindo éteres. Geralmente utilizam-se os iodetos, por ser o iodo um grupo de fácil saída. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 123 Esterificação Os fenóis, assim como os álcoois, podem ser transformados em ésteres. Geralmente utiliza-se um anidrido ou cloreto de ácido: Reação com amônia Os fenóis podem reagir com a amônia, produzindo aminas: Sais de fenóis Conforme já foi dito, os fenóis são compostos relativamente ácidos, e podem ser convertidos nos respectivos sais por soluções aquosas de hidróxidos. Estes sais são conhecidos como fenóxidos ou fenolatos. Como seria de se esperar, os fenóis e seus sais têm características opostas, quanto à solubilidade: os sais são solúveis em água e insolúveis em solventes orgânicos. A força ácida dos fenóis e a solubilidade dos respectivos sais em água podem ser utilizadas tanto em análise quanto em separações. Uma substância insolúvel em água, solubilizada por soluções aquosas de hidróxido, mas não por soluções aquosas de bicarbonato, tem, por força, de ser mais acídica do que a água, mas menos acídica do que os ácidos carboxílicos; a maioria dos compostos neste escalão de acidicidade são fenóis. Com base na solubilidade em meio alcalino, podem separar-se os fenóis dos compostos não acídicos; por meio da insolubilidade em bicarbonato é possível separá-los dos ácidos carboxílicos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 06124 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1 Designe cada estrutura a seguir pelas nomenclaturas usual (quando houver) e sistemática (IUPAC). a) CH3CH2CH2OH b) C6H5OC(CH3)3 c) p-NO2C6H4OCH3 d) CH3-O-CH2CH3 e) m-BrC6H5OH f) C6H5OCH3 g) CH3-CH(CH3)-OH h) (CH3)3C-OH 2 Escreva as fórmulas estruturais dos seguintes compostos: a) glycerol b) álcool benzílico c) o-,m-,p-cresol d) anisol e) éter fenílico f) éter benzílico g) hidroquinona h) α- e β-naftol i) furano j) 2,4-dinitro-fenol k) tetrahidrofurano (THF) l) oxirano 3 Coloque os seguintes álcoois em ordem decrescente de ponto de ebulição: álcool n-butílico, álcool s-butílico, álcool t-butílico e álcool isobutílico 4 Escreva a estrutura formada por duas moléculas de álcool metílico ligadas por ligação (ponte) de hidrogênio. 5 Considere os quatro compostos com aproximadamente o mesmo peso molecular: 1,2-dimetoxi-etano, éter metil n-propílico, hexano e pentan-1-ol. Qual deles você espera ter o ponto de ebulição mais alto? Qual deles deve ser o mais solúvel em água? Explique as razões de sua escolha. 6 Escreva as estruturas dos álcoois pentílicos isômeros e dos éteres de fórmula C5H12O e: a) Designe cada um deles pela nomenclatura sistemática substitutiva. b) Classifique os álcoois em primários, secundários e terciários e os éteres em simétricos e assimétricos. 7 Explique as afirmações seguintes: a) Os éteres têm ponto de ebulição inferior aos álcoois isômeros; b) As solubilidades em água dos éteres e álcoois isômeros são comparáveis; Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁlCoois, FEnóis E étErEs 125 c) Comparado ao tolueno, o fenol tem ponto de ebulição mais alto e é mais solúvel em água. 8 Coloque os seguintes compostos em ordem crescente de acidez. Explique sua resposta. 9 Que produtos devem ser obtidos nas reações de álcoois primários, secundários e terciários, com cada um dos seguintes agentes oxidantes: KMnO4, K2Cr2O7 e PCC. 10 Dê os produtos das seguintes reações: a) Etanol+Na→ b) Álcool t-bulítico+HCI→ c) Éter etílico+HBr→ d) Etóxido de sódio em etanol + fenol→ e) Fenol + NaOH→ f) Fenóxido de sódio + HCI→ g) Álcool etílico + acetileto de sódio→ calor Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db UniDADE 07 Aldeídos e Cetonas Dentre os compostos orgânicos de odores mais potentes e variados, estão as moléculas que têm ligação dupla carbono-oxigênio, o grupo carbonila. Neste capítulo, estudaremos duas classes de compostos carbonilados, os aldeídos e as cetonas. São muito abundantes na natureza. Contribuem para o aroma e o sabor de muitos alimentos e participam das funções biológicas de muitas enzimas. A indústria utiliza aldeídos e cetonas como reagentes e solventes em síntese. De maneira geral, você aprendeu a nomear esses compostos em capítulos anteriores, nesta unidade estudaremos suas pro- priedades físicas, métodos de produção, origem e suas principais reações químicas. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07128 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 129 AlDEíDos E CEtonAsSubstâncias carboniladas O grupo carbonila é, provavelmente, o grupo funcional mais importante encontrado em substâncias orgânicas e abundantes na natureza. Muitas desempenham papel de grande importância em processos biológicos. Hormônios, vitaminas, aminoácidos e flavonoides são apenas alguns exemplos de substâncias carboniladas que nos afetam diariamente. O grupo acil consiste em um grupo carbonila ligado a um grupo alquila ou arila As substâncias carboniladas podem ser divididas, com base em sua reatividade, em duas classes: aquelas em que um átomo ou grupo de átomos pode ser substituído por um nucleófilo. Tais compostos são chamados derivados de ácidos carboxílicos: Aquelas que fazem parte deste grupo, os aldeído e as cetonas, nos quais o grupo acila está ligado a um grupo que não pode ser facilmente substituído por um nucleófilo. A cetona mais simples é a propanona, amplamente utilizada como solvente, enquanto que o aldeído mais simples é o formaldeído, cujo consumo anual ultrapassa quatro bilhões de litros. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07130 Nesta unidade, estudaremos essas duas últimas classes de compostos carbonilados. Aldeídos e cetonas São estruturalmente semelhantes, ambos apresentam o grupo (C=O). Os aldeídos apresentam um grupo alquil ou aril e um átomo de hidrogênio ligado ao carbono carbonílico, enquanto as cetonas possuem dois grupos alquil ou aril. O aldeído mais simples, denominado formaldeído (CH2O), possui dois átomos de hidrogênio ligados à carbonila. São largamente encontrados na natureza, assim como em fragrâncias, corantes, hormônios, açúcares etc., conforme ilustrado a seguir. Dentre as cetonas aromáticas, merece destaque o cinamaldeído, a vanilina e a acetofenona. Esta última é utilizada principalmente como solvente na indústria de perfumaria e como intermediária em certas sínteses orgânicas. Propriedades físicas O grupo carbonila contém uma ligação curta, forte e polar. A hibridização dos átomos de C e O do grupo carbonila apresenta hibridização sp2. O ângulo de ligação em torno da carbonila é cerca de 120O (Figura 7.1). Progesterona (hormónio sexual feminino) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 131 À temperatura de 25o C, os aldeídos com um ou dois carbonos são gasosos, de três a onze carbonos são líquidos e os demais são sólidos. Aldeídos e Cetonas com até 4 átomos de carbonos são solúveis em água, em consequência da possibilidade de formação de ligações de hidrogênio. Devido ao fato de serem compostos polares, os aldeídos e cetonas têm temperaturas de ebulição maiores que os hidrocarbonetos de pesos moleculares correspondentes, e como não podem formar ligações de hidrogênio intermoleculares, apresentam temperaturas de ebulição menores que os álcoois de pesos moleculares correspondentes. Comparando-se as cetonas com os aldeídos de massa molar semelhante, as cetonas têm temperatura de ebulição mais elevadas e são mais solúveis em água, pois suas moléculas são mais polares que a dos aldeídos. A ligação C=C de alcenos tem uma energia de ligação média de 146 Kcal/mol. Uma vez que a ligação sigma C-C tem uma energia de ligação média de 83 Kcal/mol, a energia de ligação pi pode ser estimada em 63 kcal / mol (ou seja, menor do que a energia da ligação sigma). A energia de ligação do grupo C=O, por outro lado, varia de acordo com sua posição (Tabela 4). A grande diferença nos valores de, por exemplo, pe, deve-se a polaridade da ligação C=O. H2C=O→170 kcal/mole; RCH=O →175 kcal/mole; R2C=O →180 kcal/ mole. Foto do animal Moschus mos- chiferus (Disponível em: <http:// en.wikipedia.org>. Por razões históricas, algumas fragrâncias contêm ingredientes inspirados (ou originalmente en- contrados) pelo odor de glândula de uma certa espécie de cervo- almiscarado. O cervo e a fragrân- cia são chamados de almíscar. Um substâncial contribuinte para a fragrância natural é a muscona: O cervo está ameaçado de extin- ção, então a maioria do suposto almíscar que você cheira é mus- cona sintética (ou outro odor simi- lar ao almíscar). Sintetizar macrociclos não é fácil, embora atualmente se con- sigam bons resultados. Observe, por exemplo, o artigo sobre a sín- tese da muscona disponível em: http://scienceblogs.com/mole- culeoftheday/2007/02/muscone_ sixty_percent_of_the_t.php Figura 7.1 - Orbitais moleculares do grupo carbonila e mapa de potencial eletrostático da acetona, mostrando sua distribuição de carga. A ligação dupla é polar devido a maior eletronegatividade do oxigênio. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07132 Tabela 1. - Valores comparativos de ponto de ebulição de alcenos e compostos carbonílicos. Composto Massa molar Ponto de Ebulição Solubilidade em água (CH3)2C=CH2 56 -7.0 ºC 0.04 g/100 (CH3)2C=O 58 56.5 ºC infinite CH3CH2CH2CH=CH2 70 30.0 ºC 0.03 g/100 CH3CH2CH2CH=O 72 76.0 ºC 7 g/100 96 103.0 ºC insoluble 98 155.6 ºC 5 g/100 Preparação de aldeídos e cetonas Os aldeídos e cetonas são normalmente preparados no laboratório por clivagem oxidativa de alcenos, por oxidação de álcoois primários, por redução parcial de ésteres, clivagem de glicóis. As cetonas são similarmente preparadas por clivagem oxidativas de alcenos, por oxidação de álcoois secundários, pela acilação de Friedel - Crafts ou pela adição de reagentes diorganocobre a cloretos ácidos. 1 Oxidação de álcoois: em meio ácido o KMnO4 é oxidante bastante enérgico e leva à ruptura da dupla ligação, quebrando o alceno em moléculas menores. Os produtos formados na reação dependem do tipo de carbono da dupla ligação. 2 Ozonólise de alcenos: há quebra da ligação dupla com formação de um aldeído e posterior tratamento redutor (por exemplo, com Zn/H3O +, H2/Pd, íon iodeto) ou oxidante (H2O2 e ácido acético) para originar aldeídos e cetonas no primeiro caso e ácidos carboxílicos no segundo. CH 2 O Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 133 3 Acilação de Friedel-Crafts: esta reação foi apresentada na unidade sobre hidrocarbonetos aromáticos; é um método de preparação de arilcetonas. 4 Hidratação de alcinos terminais e clivagem de glicóis: 5 Adição de reagentes diorganocobre a cloretos ácidos: Reatividade dos aldeídos e cetonas Os aldeídos e cetonas são úteis em síntese orgânica, uma vez que eles podem ser transformados em muitos outros compostos. Apresentam reatividade química semelhantes. Devido ao caráter dipolar do grupo carbonila, um nucleófilo pode adicionar-se ao átomo de carbono carbonílico, e um eletrófilo pode adicionar-se ao átomo de oxigênio carbonílico: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07134 Um aldeído é menos estável e, portanto, mais reativo que uma cetona, porque ele apresenta maior carga parcial positiva em seu carbono carbonílico; um hidrogênio é mais retirador de elétrons se comparado com um grupo alquila. Como o grupo carbonila confere à molécula uma estrutura plana, a adição de um reagente nucleófilo pode ocorrer em dois lados. Isso possibilita a formação de racematos (mistura de enantiômeros), caso a molécula seja Proquiral (uma molécula que pode ser convertida de aquiral para quiral). Quanto ao volume do(s) grupamento(s) ligado(s) à carbonila, tanto mais facilitada será a reação quanto menor forem esses grupos, devido a um menor impedimento estérico. Também a velocidade da reação cresce proporcionalmente à intensidade da polaridade do grupo carbonila, pois mais intensa será a carga parcial positiva sobre o carbono, e maior será sua afinidade com o nucleófilo. Reações químicas Neste item, veremos que uma das características mais usual dos aldeídos e cetonasé a sua habilidade em sofrer ataque nucleofílico. Em geral, estes compostos são intermediários sintéticos importantíssimos para a construção ou síntese de moléculas orgânicas complexas. As principais reações de adição nucleofílica a aldeídos e cetonas são: ( Eq 42) Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 135 I) Sofrem reações de redução com complexos de hidreto metálico (NaBH4 ou LiAlH4) para formar álcoois primários e secundários, respectivamente. Esses reagentes são as duas principais fontes de hidretos; são sólidos brancos, e são preparados pela reação com haletos de alumínio ou boro e ésteres. O LiAlH4 é o mais reativo dos dois, reage violentamente com água, solventes próticos e outros grupos ácidos, liberando gás H2. II) A adição de reagentes de Grignard também produz álcoois (terciários e secundários, respectivamente), e adição de HCN produz as Cianoidrinas: III) Os álcoois adicionam-se a grupos carbonilas para produzir os Acetais, os quais são importantes como Grupos Protetores (grupos introduzidos na molécula para proteger um grupo funcional sensível próximo ao sítio que se deseja alterar na molécula). Depois de funcionar como grupo protetor, ele pode ser removido: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07136 IV) Os fosforanos adicionam-se a aldeídos e a cetonas para produzir os alcenos (reação de Wittig), nos quais a nova ligação C=C no produto fica exatamente onde a ligação C=O estava no material de partida. Os iletos de fósforos essenciais para a reação de Wittig são facilmente preparados pela reação SN2 de haletos de alquilas primários (e alguns secundários) com trifenilfosfina, seguido pelo tratamento com uma base. Por causa da carga positiva sobre o fósforo, o hidrogênio sobre o carbono vizinho é fracamente ácido e pode ser removido por uma base como butil – lítio (LiBu) para gerar o ileto neutro. Por exemplo: V) A reação de um aldeído ou cetona com uma hidrazina e uma base produz um alcano (redução de Wolff-Kishner). Essa reação envolve, inicialmente, a formação de um intermediário chamado hidrazona, o qual se decompõe com perda de N2, dando origem ao grupo metilênico: VI) As aminas primárias (RNH2) adicionam-se a compostos carbonílicos formando as Iminas (R2C=NR) e as aminas secundárias (R2NH) geram as Enaminas (R2N-CR=CR2). As iminas são importantes intermediários em muitos caminhos metabólicos. Prof. Dr. Georg Wittig (1897 – 1987, Alemão) recebeu o prêmio Nobel de Química, em parceria com H. C. Brown, em 1979 por seus trabalhos com compostos orgânicos contendo fósforo. A reação de Wittig foi um dos primeiros métodos de síntese de alcenos. Ela usa um composto carbonílico como um eletrófilo, que é atacado por um “ilídeo de fósforo” (o reagente de Wittig). Estas reações são usadas comercialmente na produção de numerosos agentes farmacêuticos. Por exemplo, a companhia suíça de produtos químicos, Hoffmann-La Roche, preparou β-caroteno, um agente colorante de alimento amarelo e fonte nutricional de vitamina A, pela reação de Wittig entre a retinal e o retinilidentrifenilfosforano β-caroteno retinilidenotrifenilfosfaranoRetinal Reação de Wing Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 137 Problema 17 - Forneça as fórmulas de todos os compostos orgânicos formados pelo tratamento da acetaldeído com os reagentes que seguem. Faça o mesmo com o ciclo-hexanona. a) Ag(NH3)2OH (reagente de Tollens) b) CH3OH (excesso), meio ácido c) NaOH, aquecimento d) LiAlH4, THF, seguido de água e) CH3MI, seguido por água f) KCN / H2SO4 Problema 18 - O p-nitrobenzaldeído é mais reativo perante a adições nucleofílicas que p-metoxibenzaldeído. Explique. Problema 19 - Dê três métodos para a redução de um grupo carbonila para um grupo metileno. Quais são as vantagens e desvantagens de cada? Problema 20 - Os aldeídos e cetonas reagem com tióis (grupo protetor), produzindo os tioacetais, conforme reagem com álcoois para gerar os acetais. Preveja o produto da seguinte reação, e proponha um mecanismo: Adição nucleofílica conjugada a aldeídos e cetonas α, β insaturados Os aldeídos e as cetonas α,β-insaturados frequentemente reagem com os nucleófilos para gerar o produto de adição conjugada, ou adição 1,4. Esta adição conjugada é provocada pelos mesmos fatores eletrônicos responsáveis pela adição direta a um composto saturado: o átomo de oxigênio retira os elétrons a partir do carbono β, tornando-o, portanto, pobre em elétrons e mais eletrofílico que o carbono típico de alceno: a) Adição (1,2) direta - com nucleófilos que são bases fortes (por exemplo, C6H5Li, LiAlH4) tendem a formar produtos de adição direta: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07138 b) Adição (1,4) conjugada - com nucleófilos que são bases relativamente fracas (por exemplo, NH2CH3, CN -, CH3SH) normalmente formam produtos de adição conjugada: Problema 21 - Como você pode usar uma reação de adição conjugada para preparar a 2-metil-propilciclopentano? Reagentes: Li(n-pr)2Cu/éter, seguido de H3O + Problema 22 - Organize os seguintes compostos em ordem crescente de acidez: a) ácido propanóico b) etanol c) propanona d) ácido tricloroacético e) propanal Problema 23 - Indique todos os hidrogênios ácidos (pKa<25) nas seguintes moléculas: Reações de substituição alfa a carbonila Os átomos de hidrogênios ligados ao carbono alfa ao grupo carbonila são mais acídicos do que a maioria dos hidrogênios ligados a carbono. Este efeito é atribuído a habilidade do carbono carbonílico de estabilizar um carbânion adjacente. O ânion estabilizado é um ânion enolato e envolve deslocalização do par de elétron sobre um sistema de três átomos. Portanto, as soluções de aldeídos e cetonas apresentam-se como uma mistura de duas formas isoméricas em equilíbrio, conforme tabela 7.2. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 139 Os equilíbrios mostrados acima deslocam-se para um lado ou outro em razão do solvente e do pH do meio. A formação do enol pode ser catalisada tanto por ácido (H3O +, ou qualquer ácido de Lewis) quanto por base: Embora a quantidade da forma enólica nos equilíbrios seja em geral muito pequena, os enóis e enolatos são importantes em várias reações. Alquilação de enolatos As cetonas que possuem hidrogênios alfa podem ser convertidas em enolatos, por tratamento com bases fortes e pouco nucleofílica (KNH2, NaNH2, LDA, KH, NaH). Como os enolatos possuem carga negativa, podem atuar como nucleófilo reagindo com eletrófilo diversos, como haletos de alquila, halogênios, Tabela 7.2- Constante de tautomerização de compostos contendo grupo carbonila; Ke = [enol] / [carbonila]. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07140 aldeídos e cetonas. Para que a completa conversão ocorra preferencialmente à adição nucleofílica, deve ser utilizado um solvente aprótico e é necessária uma base forte e estericamente impedida, como LDA. Alguns eletrófilos, como os citados, ligam-se preferencialmente ao carbono, enquanto outros, como ClSiMe3 (muito reativo), ligam-se ao oxigênio. O produto é um enol-éter, e a substituição nucleofílica é conhecida como sililação. O exemplo a seguir mostra outro exemplo em que há substituição tanto no carbono quanto no oxigênio para o ânion enolato derivado da ciclo- hexanona. Uma explicação para esta seletividade está além dos objetivos deste texto. Entretanto, alguns fatores podem ser considerados, tais como: o ClSiMe3 é um eletrófilo mais forte (note a diferença de eletronegatividade entre Si-Cl); a energia de ligação Si-O (cercade 25 kcal/mol maior do que Si–C) favorece termodinamicamente o produto silil enol-éter; em relação à reação de metilação SN2, o estado de transição assemelhar-se-á mais com os reagentes do que com os produtos, consequentemente a reação do lado da maior carga negativa (oxigênio) será favorecida: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 141 Problema 24 - Desenhe as possíveis formas enólicas da estrutura a seguir, e comente sobre sua estabilidade. Problema 25 - Sugira um mecanismo para a seguinte reação: Problema 26 - A vitamina C é um exemplo de composto que existe predominantemente na forma enólica. Ela é também conhecida como ácido ascórbico. Indique qual dos hidrogênios é mais ácido e explique o motivo da acidez. Atribua a configuração absoluta (R-S) aos carbonos assimétricos da vitamina C. Adição de Michael Assim como outros nucleófilos, os enolatos dão adições conjugadas aos aldeídos e cetonas α,β-insaturados, uma reação conhecida como adição de Michael. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07142 O mecanismo da adição de Michael inclui o ataque nucleofílico pelo enolato ao carbono beta de um composto carbonilado insaturado, seguido de protonação do enolato resultante. Como o mecanismo indica, a reação funciona devido ao potencial nucleofílico do carbono alfa de um enolato e à reatividade eletrofílica do carbono beta de um composto carbonilado α,β-insaturado. Reações de condensação carbonílica Uma reação de condensação carbonílica ocorre entre duas moléculas, contendo grupos carbonila, e envolve etapa de adição nucleofílica e substituição alfa. Uma das moléculas (o doador) é convertida por uma base em um íon enolato nucleofílico, que então se adiciona a um grupo carbonila eletrofílico de uma segunda molécula (o receptor). A molécula doadora sofre uma reação de substituição alfa, enquanto a molécula receptora sofre uma reação de adição nucleofílica. Quando o acetaldeído é tratado com uma base forte (por exemplo, NaOH, NaOEt ou NaOMe) em solvente prótico, observa-se a formação do 3-hidroxibutanal (aldol). Se esse produto for submetido a aquecimento prolongado, ocorre eliminação de água, resultando no composto carbonílico α,β,-insaturado. O produto dessa reação é conhecido com aldol, e a reação é denominada condensação aldólica. O mecanismo dessa reação pode ser representado conforme ilustra a Figura 7.2. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 143 Outro exemplo da aplicação dessa importante reação é encontrado no preparo do “flosal”, ingrediente de um perfume francês. O benzaldeído é utilizado em excesso para minimizar a autocondensação do heptanal. Essa reação funciona tanto com aldeído quanto com cetonas, que possuem pelo menos um hidrogênio alfa. O tratamento da propanona (acetona) produz 4-hidroxi-4-metil-pentan-2-ona, mas a conversão não é muito boa, porque o equilíbrio com o reagente inicial é desfavorável. Figura 7.2 - Mecanismo da condensação aldólica em meio básico Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 07144 Esta reação pode ocorrer entre dois compostos carbonílicos diferentes, sendo, nesse caso, denominada Condensação Aldólica Cruzada. É particularmente útil nos casos em que apenas um dos reagentes possui hidrogênio alfa ou em alguns casos de Condensação Intramolecular. A condensação aldólica intramolecular é útil na síntese de compostos cíclicos. Tratamento de uma solução diluída de hexanodial com base em água produz 1-ciclopentenocarbaldeído: As condensações intramoleculares de cetonas são uma fonte interessante α,β-insaturadas cíclicas e bicíclicas. Normalmente se forma um anel com menos tensão, em geral com cinco ou seis átomos: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AlDEíDos E CEtonAs 145 Problema 27 - Com respeito às reações aldólicas, julgue os itens, a seguir, como verdadeiro ou falso. a) Os enolatos também atacam o carbono beta de um composto carbonilado α,β-insaturado. A reação é chamada de adição de Michael. b) Os aldeídos e cetonas α,β-insaturado têm química característica das duas ligações duplas. c) Os enolatos são eletrófilos e atacam reversivelmente o carbono da carbonila de um aldeído ou cetona. A reação é chamada condensação aldólica. d) Os cupratos adicionam-se nas posições 1 e 4. e) Os alquil-lítios normalmente atacam a carbonila. Problema 28 - Dê os possíveis produtos de condensação aldólica. Problema 29 - A condensação aldólica intramolecular do composto a seguir pode levar, em princípio, a quatro compostos diferentes (ignorando-se a estereoquímica). Desenhe suas fórmulas e diga qual delas deve se formar. Dê o nome desses compostos segundo a IUPAC. Sugestão: monte modelos! Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db UniDADE 08 Ácidos carboxílicos e derivados Esta unidade tratará de um segundo grupo de compostos carbonílicos: os ácidos carboxílicos e seus derivados. Esses compostos têm larga aplicação na indústria, no laboratório e estão muito presente em nosso dia-a-dia, como será visto no decorrer desta unidade que abordará as propriedades físicas, os métodos de obtenção e as reações características destes compostos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08148 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 149 ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos Introdução Ácidos carboxílicos são compostos orgânicos que se caracterizam pela presença do grupo funcional carboxila (carbonila + hidroxila). Muitos dos ácidos carboxílicos possuem nomes vulgares e, em geral, são mais conhecidos por esses nomes do que por seus nomes sistemáticos. Fórmula molecular Ácido Vulgar Sistemático HCOOH Fórmico metanoico CH3COOH Acético etanoico C2H5COOH Propiônico propanoico C3H7COOH Butírico butanoico C4H9COOH Valérico pentanoico C5H11COOH Caproico hexanoico C6H13COOH Caprílico heptanoico C7H15COOH Cáprico octanoico C11H23COOH Láurico dodecanoico C13H27COOH Mirístico tetradecanoico C15H31COOH Palmítico hexadecanoico C17H35COOH Esteárico octadecanoico C17H33COOH Oléico cis-octadec-9-enoico C17H31COOH Linoléico cis,cis-octadeca-9,12-dienoico C17H29COOH Linolênico cis,cis,cis-octadeca-9,12,15- trienoico (C6H5)COOH Benzoico fenilmetanoico (C6H5)CH2COOH Fenilacético feniletanoico o-(C6H5)(COOH)2 Ftálico o-benzenodicarboxílico m-(C6H5)(COOH)2 Isoftálico m-benzenodicarboxílico p-(C6H5)(COOH)2 Tereftálico p-benzenodicarboxílico Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08150 Quando se uiliza a nomencaltura usual (popular) costuma-se nomear as posições de substituição em um ácido carboxílico com letras gregas, em vez de numerais. Assim, o carbono ligado diretamente ao grupo COOH é chamado carbono alfa (α); o carbono seguinte é o carbono beta (β); o próximo é o gama (γ), e assim por diante. Propriedades físicas Como se poderia prever, pela estrutura molecular, os ácidos carboxílicos são substâncias polares, e podem, assim como os álcoois, formar ligações de hidrogênio entre si ou com moléculas de outros compostos. Por essa razão, os ácidos carboxílicos apresentam praticamente o mesmo comportamento dos álcoois, quanto à solubilidade. Os ácidos com até quatro carbonos são líquidos incolores, miscíveis com a água; os ácidos de cinco a nove carbonos são líquidos incolores e viscosos, muito pouco solúveis. Os ácidos com dez ou mais carbonos sãosólidos brancos, semelhante à cera, insolúveis em água. O ácido aromático mais simples, o ácido benzoico, por apresentar já elevado número de carbonos, não tem apreciável solubilidade em água. Os ácidos carboxílicos são solúveis em solventes menos polares, como o éter, o álcool, o benzeno. O cheiro característico dos ácidos alifáticos mais baixos passa progressivamente de forte e irritante nos ácidos fórmico e acético, para extremamente desagradável (semelhante à manteiga rançosa) nos ácidos butírico (4C), valérico (5C) e caproico (6C). Os ácidos mais altos não têm muito odor, por serem pouco voláteis. Comparando-se um ácido carboxílico e um álcool, ambos com o mesmo número de carbonos, o ácido terá maior ponto de ebulição, devido à formação de duas pontes de hidrogênio e não apenas uma, como no álcool. Observe-se: Métodos de obtenção Reação de alcenos com perácidos Tratamento de alcenos com perácido orgânico (epoxidação), produzindo ácidos carboxílicos: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 151 Oxidação enérgica de alcenos Em meio ácido, o permanganato é oxidante bastante enérgico, e leva à ruptura da dupla ligação, quebrando o alceno em moléculas menores. Os produtos formados na reação dependem do tipo de carbono da dupla ligação. Carbonos primários originam CO2 e H2O; carbonos secundários, ácidos carboxílicos, e carbonos terciários, cetonas. Vejamos o primeiro exemplo - a oxidação do buteno-2: Perceba que o carbono da dupla na molécula inicial era secundário; daí a formação de ácidos carboxílicos. Oxidação de álcoois e aldeídos Os álcoois primários e os aldeídos podem ser oxidados com permanganato, produzindo ácidos carboxílicos (os mecanismos de oxidação ainda não estão muito bem explicados): RCH2OH RCOOH + H2O RCHO RCOOH [O] [O] Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08152 Hidrólise de ésteres Os ésteres podem ser hidrolisados em meio básico ou em meio ácido, resultando um álcool e um ácido carboxílico. Em meio básico temos a seguinte proposta mecanística: Em meio básico a reação é mais rápida, visto que os íons hidroxidos adicionados à solução são nucleófilos mais fortes do que a água. Em meio ácido teríamos o seguinte: Hidrólise de nitrilas As nitrilas podem ser hidrolisadas em meio ácido, originando ácidos carboxílicos: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 153 Hidrólise de cloretos de acila Os cloretos de ácidos (cloretos de acila) podem ser hidrolisados, produzindo o respectivo ácido carboxílico: Propriedades químicas Os ácidos carboxílicos possuem caráter ácido devido à sua ionização em água: R-COOH + H2O R-COO - + H3O +. Essa força ácida pode ser maior ou menor dependendo do tipo de efeito indutivo causado pelo grupamento ligado à carboxila: No primeiro caso (a), o grupo X é elétron-atraente. O efeito indutivo é –I; portanto, deixa a carbonila com déficit eletrônico, o que leva a um enfraquecimento da ligação com o hidrogênio ácido. Logo, será mais fácil a liberação do próton. Assim, o caráter ácido aumenta. No segundo caso (b), o grupo X é elétron-repelente. O efeito indutivo é +I; portanto, deixa a carbonila com superávit eletrônico, o que leva a um aumento da força de ligação com o hidrogênio ácido. Logo, será mais difícil a liberação do próton. Assim, o caráter ácido diminui. Os ácidos carboxílicos não substituídos possuem valores de Ka no intervalo de 10-4 a 10-5 (pKa = 4 – 5) e são ácidos fracos. O acido fórmico é o mais forte ácido carboxílico não substituído. O ácido acético é mais fraco porque grupos alquila exercem efeito indutivo positivo (I+) e colocam elétrons na carboxila, fortalecendo a ligação do oxigênio e o hidrogênio. Então, quando se aumenta o tamanho da cadeia diminui a força do ácido. Se o ácido possuir Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08154 substituinte eletroatraentes, esse substituinte retira elétrons do da carboxila e enfraquece a ligação do hidrogênio da carboxila, aumentando a força do ácido. Os ácidos aromáticos comportam-se de maneira semelhante quando neles se inserem grupos substituintes. Assim, a introdução de grupos CH3, OH ou NH2 (efeito indutivo -I) no ácido benzóico, por exemplo, conduz a ácidos mais fracos do que ele; já a introdução de grupos Cl, Br ou NO2 (efeito indutivo +I) conduz a ácidos mais fortes. Também influencia sobre a força ácida o efeito da ressonância do anel aromático, que enfraquece o ácido devido à deslocalização de cargas elétricas. Os ácidos carboxílicos geralmente apresentam quatro possibilidades para reagir. Observe-se que o ácido pode sofrer um ataque nucleofílico, eletrofílico ou de uma base. No caso de um reagente nucleofílico (:Nu), o ácido reage preferencialmente através do carbono da dupla, que é muito polarizado; portanto, tem uma carga parcial positiva, o que permite a entrada do nucleófilo. Se for um reagente eletrofílico (E), o ácido reage preferencialmente através do oxigênio da hidroxila, que coordena um de seus pares de elétrons livres para o eletrófilo. Finalmente, o reagente pode ser uma base, que então vai atuar capturando um próton do ácido, seja da hidroxila (que é liberado mais facilmente) ou, dependendo da força dessa base e das condições da reação, do carbono α (carbono ligado ao grupo COOH). As substituições nucleofílicas nos ácidos carboxílicos geralmente seguem o seguinte mecanismo: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 155 A protonação prévia do ácido é necessária para facilitar o ataque do nucleófilo e acelerar a reação. Caso contrário, a reação seria muito lenta ou talvez não ocorresse. Reação com álcoois (Esterificação) Uma das reações mais importantes dos ácidos é a esterificação, ou seja, a formação de ésteres. Reage-se o ácido com um álcool, a frio, em presença de H2SO4 concentrado: Reação com haletos de fósforo Pode-se obter haletos de ácidos pela reação de um ácido com haleto de fósforo, especialmente, os cloretos. Reação com amônia Reagindo-se um ácido carboxílico com a amônia, obtém-se um sal de amônia, que, se submetido a uma temperatura adequada, rearranja-se e transforma-se em amida. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08156 Em laboratório, no entanto, para a preparação de amidas, é mais frequente recorrer-se à reação de cloretos de acila com amônia. Reação com cloreto de tionila Com cloreto de tionila, os ácidos carboxílicos formam cloretos de acila (cloretos de ácido): Reação com bases inorgânicas (formação de sais) Os ácidos carboxílicos, quando reagidos com bases inorgânicas resultam sais, através de uma simples reação de salificação: Embora muito mais fracos que os ácidos inorgânicos fortes (sulfúrico, nítrico, clorídrico), os ácidos carboxílicos podem reagir completamente com hidróxidos, produzindo os respectivos sais; soluções de ácidos minerais (H3O +) realizam a transformação inversa: RCOOH + OH ⇌ RCOO- + H2O RCOO- + H3O ⇌ RCOOH + H2O Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 157 Os sais dos ácidos carboxílicos, como todos os sais, são sólidos cristalinos, formados por íons positivos e íons negativos. As intensas forças eletrostáticas existentes entre esses íons só são vencidas por altas temperaturas ou por ação de solventes altamente polares. Os sais carboxílicos dos metais alcalinos são solúveis em água, mas insolúveis em solventes apolares. Os sais de cátions bivalentes são insolúveis, porque um cátion bivalente liga-se fortemente a dois ânionscarboxílicos e as moléculas de água não conseguem separá-los, por possuírem ligações mais fortes, além do impedimento estérico. A maioria dos outros sais é insolúvel. Para solubilizar um ácido carboxílico insolúvel em água, podemos usar uma solução aquosa de hidróxido de sódio ou de bicarbonato, transformando o ácido em seu respectivo sal. Observe-se: RCOOH + NaOH ⇌ RCOO-Na+ + H2O RCOOH + NaHCO3 ⇌ RCOO-Na+ + CO2 + H2O Aplicações dos ácidos carboxílicos Os ácidos carboxílicos encontram numerosas aplicações na indústria e no laboratório, mas sem dúvida os mais representativos são os ácidos fórmico e acético. Ácido fórmico • Tingimento e acabamento de tecidos; • Produção de ácido oxálico e outros produtos orgânicos; • Desinfetante em medicina e na produção de bebidas; • Fabricação de polímeros. Ácido acético • Produção de acetato de vinila (plástico PVA); • Produção de anidrido acético e cloreto de vinila, importantes em sínteses orgânicas; • Fabricação de ésteres, importantes como solventes, em perfumaria e essências artificiais; Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08158 • Produção de acetato de celulose (fibras têxteis artificiais); • Na fabricação do vinagre. Ésteres Introdução Os ésteres são compostos que se caracterizam pela presença de um grupo alcoxi (RO-) ligado diretamente ao carbono da carbonila: Propriedades físicas A presença de um grupo carbonila (C=O) confere aos ésteres caráter polar. Os ésteres de massa molar mais baixa são líquidos incolores voláteis e têm cheiro agradável, sendo, por isso, utilizados frequentemente na preparação de perfumes e essências artificiais. À medida que a massa molecular aumenta, eles vão se tornando líquidos viscosos (óleos vegetais e animais) e os de massa molecular muito elevada são sólidos (gorduras e ceras). Por não formarem ligações de hidrogênio, os ésteres têm pontos de ebulição menores que os dos álcoois e ácidos de igual massa molecular. Pelo mesmo motivo, são insolúveis em água. A seguir alguns ésteres que fazem parte de algumas essências naturais de frutas: Éster Fórmula molecular Essências Formiato de etila HCOOCH2CH3 framboesa, groselha Acetato de etila CH3-COOCH2CH3 laranja, pera, abacaxi, framboesa Acetato de amila* CH3COOCH2(CH2)3CH3 maçã, banana Butirato de etila CH3(CH2)2COOCH2CH3 abacaxi, banana, morango, fram- boesa Butirato de amila CH3(CH2)2COOCH2(CH2)3CH3 Abricó Caprilato de n-nonila CH3(CH2)6OOCH2(CH2)7CH3 Laranja * O radical amila, ou n-pentila, na formação do éster, provém do álcool amílico, de fórmula molecular CH3(CH2)4OH. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 159 Métodos de obtenção de ésteres Reação de ácidos carboxílicos com álcoois Uma das reações mais importantes dos ácidos é a esterificação, ou seja, a formação de ésteres. Reage-se o ácido com um álcool, a frio, em presença de H2SO4 concentrado: Reação de haletos com sais de ácidos carboxílicos Com os sais de ácidos carboxílicos os haletos produzem ésteres: Reação de álcoois com cloretos de acila A reação de sais de ácidos carboxilicos com haletos de alquila produzem ésteres. Propriedades químicas Normalmente o grupo C=O não sofre qualquer modificação permanente, no decorrer da maioria das reações; por consequência, aparecem intactos nos compostos resultantes. A sua presença, no entanto, determina o comportamento químico dos ésteres, assim como o dos demais derivados dos ácidos carboxílicos. A reação mais característica dos ésteres é a hidrólise, que fornece como produtos um álcool e um ácido carboxílico. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08160 As gorduras e o sabão Sob o ponto de vista de nossa existência, os ésteres mais importantes são os que se encontram nas gorduras e óleos animais e vegetais. Um importante grupo destes compostos deriva de um álcool apenas, o glicerol HOCH2CH(OH) CH2OH e são por isso chamados glicerídeos. São triésteres de ácidos graxos (ácidos de elevada massa molecular). Quando um glicerídeo é tratado com hidróxido inorgânico, produz-se o sabão um sal do ácido graxo (observe o processo de saponificação de gorduras). O sabão ordinário dos nossos dias é uma mistura de sais de sódio de ácidos graxos. A composição de um sabão e seu método de preparação pode variar, mas o seu comportamento químico é o mesmo. A ação detergente do sabão é um assunto extremamente complicado; podemos fazer alguns comentários acerca de sua atuação como agente de limpeza. As moléculas do sabão têm uma extremidade polar (-COO-Na+) e uma extremidade apolar, a longa cadeia carbônica. A extremidade polar é solúvel em água (porção hidrófila) e a apolar não (esta porção, hidrófoba, é solúvel em óleo). Normalmente, as gotículas de óleo em contato com a água tendem a aglutinar-se, formando uma camada distinta sobre a água. A presença do sabão, porém, altera esta situação. As extremidades hidrófobas das moléculas do sabão se interagem quimicamente por ligações intermoleculares e dissolvem-se nas gotículas de óleo, enquanto as extremidades hidrófilas se projetam para o exterior, na camada de água circundante. Devido à presença dos grupos iônicos (–COO-Na+), cada uma das gotículas de óleo fica rodeada de uma atmosfera iônica. A repulsão entre essas esferas de carga elétrica idêntica impede a coesão das gotículas de óleo e obtém-se assim uma emulsão estável de óleo em água. Essas esferas formadas são chamadas micelas. O sabão limpa ao emulsionar a gordura que constitui ou contém a sujeira. Podem ser observadas mais informações sobre a inibição da ação do sabão em água dura. Observe, a seguir, um esquema da ação detergente do sabão: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 161 Aplicações dos ésteres Os ésteres encontram muitas áreas de aplicação. Dentre seus principais usos estão: • Fortalecimento de polímeros; • Produção de fibras sintéticas e plásticos; • Cardiotônicos, anestésicos e fungicidas (benzoatos); • Fabricação de essências artificiais de frutas; • Solventes para vernizes; • Lubrificantes; • Perfumaria. Anidridos e haletos de ácidos Introdução Os anidridos são derivados de ácidos carboxílicos, obtidos pela união de duas moléculas de ácido com perda de uma molécula de água (desidratação); enquanto que os haletos de ácidos são derivados de ácidos carboxílicos obtidos pela substituição da hidroxila por um halogênio: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08162 Propriedades físicas Em geral, todos os haletos de acila têm pontos de ebulição muito baixos. Os cloretos de ácidos mais simples são líquidos de cheiro forte e irritante, tóxicos, insolúveis e mais densos que a água. O anidrido mais simples é o acetico - um líquido incolor de cheiro forte e irritante, pouco solúvel em água, mas solúvel em solventes orgânicos. Os anidridos de massa molecular elevada se apresentam como sólidos de baixo ponto de fusão. Por não formarem ligações de hidrogênio, os anidridos têm pontos de ebulição e solubilidade, em água, menores que outros compostos de igual massa molecular, que formam tais ligações. Métodos de obtenção O brometo e o iodeto de acila são muito difíceis de obter; por isso têm importância prática somente os cloretos de acila. Estes são preparados a partir dos ácidos correspondentes, por meio de reação destes últimos com cloretos de fósforo ou com cloreto de tionila. Os anidridos são preparados principalmente pela desidratação de ácidos (1) em presença de agentes desidratantes como o P2O5, e pela reação entre um sal sódico de ácido e um cloreto de ácido (2): 1) RCOOH + HOOCR ⇌ RCO-O-OCR + H2O 2) RCOONa + ClOCR ⇌ RCO-O-OCR+ NaCl O anidrido acético, em especial, é um dos mais importantes, e frequentemente é preparado pela reação de um ácido acético com um composto chamado ceteno, obtido a partir do aquecimento da acetona a 700-750oC: anidrido etanoico anidrido acético anidrido etanoico-propanoico anidrido acético-propiônico anidrido butanodioico anidrido succínico anidrido o-benzenodioico anidrido itálico Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 163 CH3COCH3 CH4 + H2C=C=O H2C=C=O + RCOOH CH3-CO-O-OC-CH3 Propriedades químicas Analogamente aos demais derivados dos ácidos carboxílicos, os cloretos de acila e os anidridos reagem principalmente por substituição nucleofílica. As reações são muito semelhantes àquelas que ocorrem com os ácidos carboxílicos, onde o grupo OH é protonado e abandona a estrutura para a entrada de outro grupo básico. No entanto, os cloretos de acila são muito mais reativos do que seus respectivos ácidos, visto que o cloro abandona facilmente a estrutura, sem precisar ser protonado. Daí a grande importância dos cloretos de acila em laboratório. Quando exposto ao ar úmido, o cloreto de acetila exala odor de ácido acético e vapores brancos de ácido clorídrico, devido à reação: CH3COOCl + H2O CH3COOH + HCl. Reação com álcoois Reagindo-se um álcool com cloreto de ácido, podemos obter um éster: Reação com amônia (ou com amina) Na reação com a amônia os cloretos de acila produzem amidas. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08164 Se for utilizado excesso de amônia, o subproduto da reação pode ser o cloreto de amônio (NH4Cl). A reação também pode ser feita com aminas, e o mecanismo é idêntico. Hidrólise Os cloretos de ácidos (cloretos de acila) podem ser hidrolisados, produzindo o respectivo ácido carboxílico: Acilação de Friedel-Crafts Reagindo-se cloretos de ácido com benzeno, em presença de AlCl3 ou FeCl3 (ácidos de Lewis), obtêm-se cetonas. O eletrófilo é o íon acetoxônio. Observe-se o exemplo a seguir: Os anidridos de ácidos carboxílicos apresentam as mesmas propriedades químicas dos cloretos de acila, porém as reações são mais lentas. Enquanto nas reações dos cloretos de acila um dos produtos é geralmente o HCl, nas dos anidridos um dos produtos é o próprio ácido que lhe deu origem. Duas reações industrialmente importantes dos anidridos são: com fenilamina (síntese da acetanilida) e com o ácido salicílico (síntese da ácido acetil-salicílico - AAS). Reação de anidrido com aminas: síntese da acetanilida Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 165 Aplicações dos anidridos e dos cloretos de ácidos As aplicações mais importantes dos cloretos de ácido estão no laboratório, como matéria-prima para a síntese de outros compostos. Dentre os anidridos mais importantes, destacam-se o anidrido acético e o anidrido ftálico. O anidrido acético é usado principalmente em: Reações de acetilação (síntese de aspirina, acetato de celulose etc.); Produção de filmes fotográficos; Fabricação de fibras têxteis; O anidrido ftálico é usado principalmente em: Fabricação de resinas e plastificantes; Síntese da fenolftaleína e outros corantes. Amidas Introdução Podemos considerar as amidas como um derivado de ácido carboxílico, resultante da substituição do OH por um grupo NH2, NHR ou NR2. As amidas são classificadas em três tipos quanto à substituição no nitrogênio: • Simples - É do tipo R-CONH2, ou seja, não há substituições no nitrogênio, além do grupo acila. N - substituída - É do tipo R-CONHR, ou seja, um dos hidrogênios do NH2 foi Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08166 substituído por um radical. N, N - dissubstituída - É do tipo R-CONRR’, ou seja, os dois hidrogênios do NH2 foram substituídos por radicais. Podemos também classificar as amidas quanto ao número de grupos acila ligados ao nitrogênio: • Primária - É do tipo (R-CO)NH2, ou seja, há somente um grupo acila ligado ao nitrogênio. • Secundária - É do tipo (R-CO)2NH, ou seja, há dois grupos acila ligados ao nitrogênio. • Terciária - É do tipo (R-CO)3N, ou seja, há três grupos acila ligados ao nitrogênio. Obs: As amidas secundárias e cíclicas são chamadas imidas. Propriedades físicas As amidas primárias têm pontos de ebulição muito superiores aos dos ácidos correspondentes, apesar de a massa molecular ser aproximadamente igual. Isso se deve à formação de maior número de ligações de hidrogênio e maior formação de “moléculas dímeras” pelas amidas. Pode-se provar esse fato, substituindo os hidrogênios do grupo amino por radicais CH3. Verifica-se que os pontos de fusão e ebulição diminuem, apesar de o aumento da massa molecular. A única amida no estado sólido, à temperatura ambiente, é a formamida (metanamida): Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos 167 Estrutura da amida mm PF (oC) PE (oC) H3C-CO-NH2 59 81 222 H3C-CO-NH(CH3) 73 28 206 H3C-CO-N(CH3)2 87 06 166 Métodos de obtenção As amidas normalmente não ocorrem na natureza, e são preparadas em laboratório. Uma importante amida é a acetanilida. As amidas podem ser preparadas principalmente por: • Aquecimento (desidratação) de sais de amônio: R – COONH4 R – CONH2 + H2O • Hidratação de nitrilas (catalisada por H2SO4): R – CN + H2O R – CONH2 • Reação de cloretos de ácido com amônia (ou com amina), pode utilizar também, no lugar de cloreto de acila, anidridos ou ésteres. Propriedades químicas A presença do grupo C=O confere às amidas um caráter polar. Normalmente o grupo C=O não sofre qualquer modificação permanente, no decorrer da maioria das reações, e, por consequência, aparecem intactos nos compostos resultantes. A sua presença, no entanto, determina o comportamento químico das amidas, assim como o dos demais derivados dos ácidos carboxílicos. Aplicações das amidas As amidas são utilizadas em muitas sínteses em laboratório e como intermediários industriais na preparação de medicamentos e outros derivados. O nylon é uma poliamida muito importante dentre os polímeros. A uréia, de fórmula CO(NH2)2, é uma amida do ácido carbônico, encontrada como produto final do metabolismo dos animais superiores, e eliminada pela urina. A amida do ácido sulfanílico (sulfanilamida) e outras amidas substituídas relacionadas com ela têm considerável importância terapêutica e conhecem-se por sulfamidas. Exercícios propostos Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 08168 1 Indique os nomes triviais e sistemáticos (nomenclatura substitutiva) dos ácidos carboxílicos de cadeia não ramificada, saturada, contendo os seguintes números de átomos carbono: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 16 e18. 2 Indique a estrutura e, nos casos em que for possível, outro nome para cada um dos seguintes compostos: a) ácido isovalérico b) ácido trimetil-acético c) ácido α,β-dimetil-caproico d) ácido γ-fenil-butírico e) ácido adípico f) ácido p-toluico g) ácido ftálico h) ácido isoftálico i) ácido tereftálico j) ácido maleico k) butironitrila l) ácido α,α’-dibromo-succínico 3 Represente as estruturas e indique os nomes de: a) nove ésteres isômeros de fórmula C5H10O2. b) seis ésteres isômeros de fórmula C8H8O2. c) três ésteres metílicos isômeros de fórmula C7H12O4. 4 Escreva equações que mostrem como o ácido benzoico poderia ser convertido em cada um dos seguintes compostos: a) tolueno b) benzonitrila c) álcool benzílico Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db ÁCiDos CArBoxíliCos E DErivADos169 5 Escreva equações que representem a reação (se houver) do ácido benzóico com: a) NH3(aq) b) LiAlH4 c) PCl3 d) SOCl2 e) Br2/Fe f) Br2+ P g) HNO3/H2SO4 h) CH3(CH2)2OH,H+ 6 Repita as equações da questão anterior (5), substituindo o ácido benzóico pelo ácido valérico. 7 Escreva equações que representem os diversos passos da transformação do ácido benzoico em cada um dos seguintes compostos: a) benzoato de sódio b) cloreto de benzoíla c) benzamida d) benzoato de n-propila e) álcool benzílico f) benzoato de p-tolila Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AminAs E nitrilAs 171 UniDADE 09 Aminas e nitrilas Esta unidade dá continuidade ao estudo dos compostos orgânicos nitrogenados, iniciada no final da unidade anterior, com as amidas. Nesta unidade estudaremos as aminas, principais bases orgânicas, e as nitrilas e isonitrilas. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db 172 unidade 9 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AminAs E nitrilAs 173 AminAs E nitrilAs Definição, classificação e exemplos Podemos considerar as aminas como produtos resultantes da substituição de um ou mais hidrogênios do NH3 por grupos alquila ou arila. Dependendo do número de grupos ligados ao nitrogênio, as aminas são classificadas em três tipos: • Primária - Apenas um dos hidrogênios do NH3 é substituído por radical. • Secundária - Dois dos hidrogênios do NH3 são substituídos por radicais. • Terciária - Os três hidrogênios do NH3 são substituídos por radicais. Alguns exemplos importantes: Propriedades físicas A polaridade das aminas decresce no sentido: primária, secundária, terciária. Consequentemente, os pontos de ebulição decrescem no mesmo sentido. Com exceção das aminas terciárias, as demais aminas formam ligações de hidrogênio, assim como os álcoois; no entanto, as ligações de hidrogênio formadas entre as moléculas de aminas são mais fracas que aquelas formadas entre as moléculas de álcoois. Assim, as aminas apresentam pontos de ebulição menores que os álcoois. As aminas de massa molecular mais baixa são perfeitamente solúveis em água. A partir das aminas com seis átomos de carbono, a solubilidade decresce, e as aminas passam a ser solúveis em solventes menos polares (éter, álcool, benzeno etc.). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db 174 unidade 9 A metilamina, a dimetilamina, a trimetilamina e a etilamina são gases; as seguintes até a dodecilamina são líquidos; e daí em diante são sólidos. Os compostos nitrogenados costumam ter cheiro forte e desagradável. As aminas aromáticas são geralmente muito tóxicas e facilmente absorvidas pela pele, tendo muitas vezes consequências mortais. Métodos de obtenção As aminas podem ser preparadas por vários métodos. Entre eles destacam-se: • Alquilação da amônia (Reação de Hoffmann) - reagindo-se um haleto RX com NH3 obtém-se uma amina primária, que pode ser novamente alquilada, gerando uma amina secundária, e esta, por sua vez, uma terciária. • Redução de compostos nitrogenados - muitos compostos nitrogenados (nitrilos, isonitrilios, oximas, amidas, hidrazonas, nitro-compostos etc.) podem ser reduzidos com hidreto, produzindo aminas. Redução de nitrocompostos O benzeno pode reagir com ácido nítrico, em presença de ácido sulfúrico, para prover a nitração do anel aromático, que posteriormente, pode ser reduzido a amina. A redução do nitrocomposto pode ser realizada na presença de ácido e ferro. Também pode ser feita usando-se zinco, estanho ou um sal metálico como SnCl2. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AminAs E nitrilAs 175 Aminação redutiva Aldeídos ou cetonas podem ser convertidos em aminas por redução catalítica na presença de amônia ou amina: Propriedades químicas As aminas têm caráter básico, semelhante ao da amônia, e, por isso, as aminas são consideradas bases orgânicas. Esse caráter básico pode ser maior ou menor, dependendo dos grupos ligados ao grupo amino. As reações características das aminas são aquelas iniciadas por um ataque nucleofílico do nitrogênio, que tem um par de elétrons disponível. As aminas aromáticas são bases muito fracas, devido ao efeito da ressonância, que diminui a densidade eletrônica no nitrogênio. Muitas reações das aminas aromáticas são importantes devido ao forte efeito ativador do grupo amino, que facilita a reação e orienta as substituições eletrofílicas nas posições orto-para. Caráter básico - Observe o que ocorre com uma amina (base orgânica): Grupo elétron-atraente Diminui o caráter básico Grupo elétron-repelente Aumenta o caráter básico Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db 176 unidade 9 (a) o grupo X é elétron-atraente efeito indutivo –I e, leva a uma diminuição de seu caráter básico. (b) o grupo X é elétron-repelente efeito indutivo +I , deixa o grupo amino com superávit eletrônico, leva a um aumento de seu caráter básico. Como os grupos metila possuem efeito indutivo +I, a basicidade aumenta da amina primária para a secundária. No entanto, a amina terciária tem menor basicidade, devido ao impedimento estérico que dificulta a aproximação do eletrófilo ao nitrogênio. Reação de ácido carboxílico com amônio Reagindo-se um ácido carboxílico com a amônia obtém-se um sal de amônio, que, se submetido a uma temperatura adequada, rearranja-se e transforma-se em amida. Em laboratório, no entanto, para a preparação de amidas, é mais frequente recorrer-se à reação de cloretos de acila com amônia. Reação com haleto de ácido Reagindo os cloretos de acila com amônia produzem amidas. Se no lugar da amônia forem usadas aminas, obtêm-se amidas N-substituídas ou N, N-dissubstituidas. Se for utilizado excesso de amônia, o subproduto da reação pode ser o cloreto de amônio (NH4Cl). A reação também pode ser feita com aminas, e o mecanismo é idêntico. Reação com aldeídos ou cetonas As aminas reagem com aldeídos e cetonas, em meio ácido, para formar iminas: Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AminAs E nitrilAs 177 Sais e hidróxidos de amina quaternária Os sais de aminas quaternárias são preparados a partir da reação de uma amina terciária com um haleto de alquila. Esta é semelhante à reação da amônia com HX, dando NH4X. Este sal de amina quaternário, conforme já foi dito, é idêntico a um sal de amônio comum, porém, os quatro hidrogênios foram substituídos por radicais orgânicos (R) iguais ou diferentes entre si. Veja alguns exemplos: • [N(CH3)4] Cl - cloreto de tetrametilamina • [N(CH3)2(C2H5)2] NO3 - nitrato de dimetil-dietilamina • [NPh4]2 SO4 - sulfato de tetrafenilamina Os sais de amina quaternária quando tratados com bases produzem os respectivos hidróxidos de amina quaternária: [N(CH3)4]Cl + AgOH [N(CH3)4]OH + AgCl Ao contrário das aminas, os hidróxidos de amina quaternária são bases fortíssimas, comparáveis ao NaOH ou KOH, e também tóxicos e venenosos. Quando aquecidos, eles sofrem uma decomposição conhecida como degradação de Hoffmann. Formam-se uma amina terciária e um álcool: [N(CH3)4]OH N(CH3)3 + CH3OH Entretanto, havendo um radical orgânico mais longo, poderá ocorrer uma reação diferente. Veja: [N(CH3)3(C3H7)]OH N(CH3)3 + H3C-CH=CH2 + H2O Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db 178 unidade 9 Muitos radicais de amina quaternária aparecem nos seres vivos e desempenham um papel importante no metabolismo (colina, acetil-colina, lecitinas etc.). Sais de diazônio As reaçõesdas aminas aromáticas primárias com ácido nitroso (HNO2) dão origem a uma série de compostos importantes, chamados sais de diazônio. Estes sais são obtidos a baixas temperaturas (0 a 5o C), pois são decompostos pelo calor. Os sais de diazônio anídricos são sólidos cristalinos, muitos deles explosivos. Por isso, raramente eles são separados e purificados, mas normalmente utilizados em solução aquosa. Como o ácido nitroso é muito instável, tem de ser produzido diretamente em presença da amina, para que ele reaja no mesmo instante em que se forma. Para tanto, utiliza-se o nitrito de sódio em meio ácido (normalmente HCl ou H2SO4). Essa reação é chamada diazotação: Ar-NH2 + NaNO2 + 2 HCl Ar-N N+ Cl- + NaCl + 2 H2O Os sais de diazônio servem de ponto de partida para a síntese de vários outros compostos como fenóis, haletos, cianetos etc. e uma classe especial (-) os azo-compostos ou compostos azóicos (Ar-N=N-Ar) (-) dos quais muitos deles são utilizados na preparação de corantes (azo-corantes), como o alaranjado de metila, por exemplo. Aplicações das aminas • No preparo de vários produtos sintéticos; • Como aceleradores no processo de vulcanização da borracha; • A etanolamina (HO-CH2-CH2-NH2) é usada como tensoativo, isto é, para mudar a tensão superficial de soluções aquosas; • Aminas aromáticas são muito usadas na produção de corantes orgânicos (ex: anilina); • Síntese da acetanilida e outros medicamentos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AminAs E nitrilAs 179 Nitrilas e isonitrilas Exemplos Propriedades físicas Da etanonitrila (termo mais simples) até o C14H29CN as nitrilas são líquidos estáveis, insolúveis em água. Daí por diante, as nitrilas são sólidas, em condições normais. A grande polaridade do grupo CN faz com que as nitrilas apresentem altos pontos de fusão e ebulição. As nitrilas são tóxicas, apesar de serem muito menos do que o HCN (ácido cianídrico). As isonitrilas mais simples são líquidos incolores, de cheiro extremamente desagradável e muito tóxicas. São ligeiramente solúveis em água e bastantes solúveis em álcool e éter. Métodos de obtenção As nitrilas normalmente são preparadas das seguintes maneiras: • Reação de haletos com cianeto de sódio: R-X + NaCN R-CN + NaX • Aquecimento de sais de amônio (catalisado por P2O5): R-COONH4 R-CONH2 R-CN + 2 H2O As isonitrilas podem ser obtidas por: • Reação de haletos com cianeto de prata: R-X + AgCN R-NC + AgX • Reação de aminas primárias com clorofórmio (em meio fortemente básico): R-NH2 + CHCl3 3 NaOH R-NC + 3 NaCl + 3 H2O Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db 180 unidade 9 Reações com Nitrilas Dentre as principais reações das nitrilas estão: • Hidrólise (origina ácidos carboxílicos). As nitrilas podem ser hidrolisadas em meio ácido, originando ácidos carboxílicos: • Reação com composto de Grignard (produz cetonas): R-CN + RMgX + 2 H2O R2C=O + NH3 + Mg(OH)X • Redução (produz aminas primárias): R-CN + H2 R-CH=NH (imina) R-CH=NH + H2 R-CH2-NH2 (amina prim.) Reações com Isonitrilas As isonitrilas são mais reativas do que as nitrilas e menos estáveis do que estas. Por aquecimento, as isonitrilas se transformam nas nitrilas correspondentes. As reações mais importantes das isonitrilas são: • Hidrólise (origina ácidos carboxílicos e aminas): R-NC + 2 H2O HCOOH + R-NH2 • Reação com composto de Grignard (produz aldeídos e aminas): R-NC + RMgX + 2 H2O RCHO + R-NH2 + Mg(OH)X • Redução (produz aminas secundárias): R-CN + H2 R-N=CH2 (imina) R-N=CH2 + H2 R-NH-CH3 (amina sec.) • Reações de adição: R-NC + 1/2 O2 R-C=N=O (isocianato) R-NC + S R-C=N=S (isotiocianato) Aplicações das nitrilas e isonitrilas Dentre as nitrilas, sem dúvida, a acrilonitrila é a mais importante, pois é usada industrialmente, em larga escala, para a produção de borrachas sintéticas de alta qualidade. As isonitrilas não têm muitas aplicações, porém, são Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db AminAs E nitrilAs 181 importantes para a produção de outros compostos, como os isocianatos, que são utilizados na síntese de polímeros. Exercícios propostos 1 Dê o nome, desenhe as estruturas e classifique como primária, secundária ou terciária as oito aminas de fórmula C4H11N. 2 Diga como você poderia separar os componentes de uma mistura de p-toluidina, p-cresol e p-xileno, utilizando-se dos conceitos de acidez, basicidade e neutralidade. 3 Escreva as reações de n-butilamina com: a) HCl diluído b) NaOH diluído c) anidrido acético 4 Sem consultar tabela, coloque os compostos a seguir em ordem crescente de basicidade: a) amônia, anilina, ciclo-hexilamina b) etilamina, 2-aminoetanol e 3-aminopropan-1-ol c) anilina, p-metoxianilina, p-nitroanilina d) p-cloro-N-metilanilina, 2,4-dicloro-N-metilanilina, 2,4,6-tricloro-N-metilanilina. 5 Qual é mais fortemente básica: uma solução aquosa de trimetilamina ou uma solução aquosa de hidróxido de tetrametilamônio? Por quê? 6 Compare o comportamento das três aminas: anilina, N-metilanilina e N,N- dimetilanilina com: a) HCl diluído Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db 182 unidade 9 b) NaNO2 + HCl(aq.) c) iodeto de metila 7 Dê as estruturas dos principais produtos que se formam da ação de nitrito de sódio e ácido clorídrico com: a) p-toluidina b) N,N-dietil-anilina c) N-propilamina d) ácido sulfanílico e) N-metilanilina f) 4,4-diaminobifenila 8 Descreva a sequência de reações necessárias para preparar os compostos a seguir, a partir de benzeno: a) m-diclorobenzeno b) p-clorobenzenonitrila c) m-etilfenol d) 3,5-dibromoanilina Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 183 UniDADE 10 Preparação e caracterização de compostos orgânicos Nesta unidade você terá a oportunidade de conhecer alguns experimentos, envolvendo preparação e caracterização de compostos orgânicos. Essas práticas devem ser realizadas sob orientação do professor ou monitor da disciplina. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10184 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 185 PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos ATENÇÃO! Laboratórios de Química não precisam ser lugares perigosos de trabalho (apesar dos muitos riscos em potencial que neles existem), desde que certas precauções elementares sejam tomadas e que cada operador se conduza com bom senso e atenção. Acidentes no laboratório ocorrem frequentemente em virtude da pressa excessiva na obtenção de resultados. Cada um que trabalha deve ter responsabilidade no seu trabalho e evitar atitudes impensadas, de desinformação ou pressa, que possam acarretar um acidente e possíveis danos para si e para os demais. Deve-se prestar atenção a sua volta e prevenir-se contra perigos que possam surgir do trabalho de outros, assim como do seu próprio. O estudante de laboratório deve, portanto, adotar sempre uma atitude atenciosa, cuidadosa e metódica em tudo o que faz. Deve, particularmente, concentrar-se em seu trabalho e não permitir qualquer distração enquanto trabalha. Da mesma forma, não deve distrair os demais desnecessariamente. Nunca cheire nem coloque na boca materiais de laboratório. Eles podem ser tóxicos e prejudiciais a saúde. PREPARAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS Destilação Destilação é uma técnica geralmente usada para remover um solvente, purificar um líquido ou para separar os componentes de uma mistura de líquidos, ou ainda separar líquidos de sólidos. Ela se baseia na diferença de temperatura de ebulição dos componentes dosmateriais. Durante o aquecimento da mistura, é separado, primeiramente, o líquido de menor P.E (ponto de ebulição), depois o líquido de P.E intermediário e sucessivamente até o líquido de P.E maior. Durante o aquecimento, as substâncias entram em ebulição de acordo Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10186 com a temperatura atingida, então, evaporam. Depois, por refrigeração, voltam ao estado inicial e podem ser recolhidas. Trata-se de um processo largamente utilizado na sociedade em que vivemos. É por meio dela, por exemplo, que se produzem a cachaça (que é o resultado da destilação do caldo de cana fermentado) e a água destilada. Nas refinarias, é pela destilação que se separam as diferentes substâncias encontradas no petróleo, com gás butano, gasolina, querosene, óleo diesel etc. Há dois métodos de destilação: a simples e a destilação fracionada. A destilação simples é uma técnica usada na separação de um líquido volátil de uma substância não volátil. Não é uma forma muito eficiente para separar líquidos com diferença de pontos de ebulição próximos. A destilação fracionada é o método utilizado para separar misturas homogêneas, do tipo líquido (petróleo, água e álcool). Na destilação fracionada, os líquidos são separados através de seus pontos de ebulição, desde que eles não sejam muito próximos. SEPARANDO ÁLCOOL DO VINHO: Materiais: Bico de Bunsen, Suporte metálico, Tela de amianto, Béquer, Anel metálico, Condensador, Termômetro, Balão de destilação, Mangueiras de borracha, Erlenmeyer, Garras metálicas, Proveta graduada e Vinho. PROCEDIMENTO: 1 Transferir o vinho para balão de destilação 250 mL e adicionar algumas pedras de porcelanas. Colar um volume de vinho de tal modo que não exceda 2/3 de sua capacidade. 2 Montar uma aparelhagem para destilação simples ou fracionada, a que houver disponível. Figura 10.1 - Sistema de destilação Figura 10.1 - Sistema de destilação fracionada Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 187 3 Abra com cuidado a entrada de água para o condensador e depois inicie o aquecimento do balão, lentamente. 4 Recolher o destilado em uma proveta graduada. 5 Anote a temperatura durante a destilação. Obs.: O balão de destilação pode ser substituído por uma jarra de cafeteira elétrica, que resiste ao aquecimento, e o condensador por uma mangueira enrolada dentro de uma garrafa descartável de refrigerante tipo PET. Use sua criatividade para construir alguns desses materiais, mas tenha sempre muito cuidado. Dê preferência ao uso do aquecimento com manta elétrica, e vez do bico de bunsen, porque o vapor de álcool pode escapar do sistema e provocar um incêndio. Questionário 1 Por que a destilação simples não é usada na separação de líquidos de ponto de ebulição relativamente próximos? 2 É possível separar álcool do vinho por decantação? 3 O vinho é uma solução? 4 Qual a temperatura de ebulição do vinho nesta destilação? Justifique com base em seus conhecimentos. 5 A temperatura de ebulição do etanol será a mesma? Justifique. 6 Qual a propriedade física utilizada para separar substâncias por meio da destilação? 7 Que propriedade específica pode ser usada para separar o álcool do vinho? Justifique. 8 Por que, no início da destilação, o balão deve estar cheio a dois terços de sua capacidade? 9 Por que é perigoso aquecer um composto orgânico em uma aparelhagem totalmente fechada? 10 Qual a função da pedra de porcelana porosa, pedra pomes ou bolinhas de vidro em uma destilação? 11 Por que a água do condensador deve fluir em sentido contrário à corrente dos vapores? Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10188 12 Por que misturas azeotrópicas não podem ser separadas por destilação? 13 Diferenciar destilação simples de destilação fracionada. 14 Qual a diferença entre um condensador de Liebig e um condensador de bola? 15 Como fonte de aquecimento pode-se utilizar manta ou banho maria, banho de óleos e bico de Bunsen. Quando se deve usar cada um desses sistemas? Justifique. Extração da cafeína alcaloide ( sugestão) Alcaloides são substâncias orgânicas nitrogenadas de caráter básico, geralmente de origem vegetal, e que provocam efeitos fisiológicos característicos nos organismos humanos. Nem todas as substâncias classificadas como alcaloides obedecem rigorosamente a todos os itens desta definição; por exemplo, o alcaloide da pimenta (piperina) não é básico, mas tem acentuada ação fisiológica. Do ponto de vista químico, os alcaloides não constituem um grupo homogêneo de substâncias. Quase todos, porém, apresentam estrutura química derivada de um composto heterociclo. Uma classificação química de alcaloides baseia-se na estrutura deste heterociclo: alcaloides da piridina (ex.: nicotina), da xantina (ex.: cafeína), da quinolina, do pirrol, do indol, da piperidina etc. Certas famílias vegetais são particularmente ricas em alcaloides, por exemplo, as rubiáceas (café) e as solanáceas (fumo). A cafeína (1,3,7-trimetilxantina, 1) pertence à família dos alcaloides xantínicos. Alguns exemplos de alcalóides xantínicos. A cafeína foi isolada do café por Runge, em 1820, e do chá preto por Oudry em 1827. Ela é encontrada ainda no guaraná, erva-mate e em outros vegetais; e é responsável pelo efeito estimulante de bebidas como chá e café; e de refrigerantes como Coca-Cola e Pepsi-Cola. É também um dos princípios ativos de bebidas ditas “energéticas” (Red Bull, Power Flash etc.). A cafeína provoca um efeito pronunciado no sistema nervoso central (SNC), mas nem todos os derivados xantínicos são efetivos como estimulantes do SNC. A teobromina, uma xantina encontrada no cacau, possui pouco efeito O sabor e o aroma característicos do café vêm das substâncias que se dissolvem na água quente. Quando separamos essas substâncias do pó de café e evaporamos a água, por processos industriais, temos o café solúvel. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 189 no SNC, porém é um forte diurético e é utilizada em medicamentos para tratar pacientes com problemas de retenção de água. A teofilina (3), encontrada no chá junto com a cafeína, também tem pouca ação no SNC, mas é um forte estimulante do miocárdio, relaxando a artéria coronária, que fornece sangue ao coração. Teofilina, também chamada de aminofilina, é frequentemente usada no tratamento de pacientes que tiveram parada cardíaca. É também um diurético mais potente que a teobromina. Sendo um vasodilatador, é geralmente empregada no tratamento de dores de cabeça causadas por hipertensão e asma. A cafeína é relativamente tóxica, (LD50 = 75 mg/Kg), mas para obter-se uma dose letal de cafeína, o indivíduo deveria ingerir dezenas de quilos de café em um curto período de tempo. Figura 10.3, são apresentadas as quantidades médias de cafeína encontradas em algumas bebidas e alimentos. Devido aos efeitos provocados pela cafeína no SNC, algumas pessoas preferem usar café descafeinado. A descafeinação reduz o conteúdo de cafeína do café para aproximadamente 0,03 - 1,2% BEBIDA / ALIMENTO % EM MASSA DE CAFEÍNA Café moído Café instantâneo Chá Chocolate Coca-cola 0,64 - 0,88 0,42 - 0,56 0,18 - 0,53 0,71 0,10 METODOLOGIA Nesse experimento, realiza-se a extração da cafeína das folhas do chá, usando água quente contendo carbonato de cálcio. Por sua vez, a cafeína será extraída desta fase aquosa com diclorometano. Com a evaporação do solvente obtém-se a cafeína impura. A purificação da cafeína obtida será feita através da técnica de recristalização, utilizando tolueno e éter de petróleo como solvente. Alcaloides são aminas e, portanto, formam sais solúveis em água, quando tratados com ácidos. A cafeína encontrada nasplantas apresenta-se na forma livre ou combinada com taninos fracamente ácidos. A cafeína é solúvel em água, então pode ser extraída de grãos de café ou das folhas de chá com água quente. Junto com a cafeína, outros inúmeros compostos orgânicos são extraídos, e a mistura destes compostos é que dá o aroma característico ao chá e ao café. Entretanto, a presença desta mistura de compostos interfere na etapa Figura 10.3 - Porcentagem em massa de cafeína presente em bebidas e alimentos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10190 de extração da cafeína com um solvente orgânico, provocando a formação de uma emulsão difícil de ser tratada. Para minimizar este problema, utiliza-se uma solução aquosa de carbonato de cálcio. O meio básico promove a hidrólise do sal de cafeína-tanino, aumentando assim o rendimento de cafeína extraída. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Em um erlenmeyer de 250 ml coloque 15,0 g de chá preto, 150 mL de água e 7,0 g de carbonato de cálcio. Ferva a mistura com agitação ocasional por 20 minutos, filtre a mistura quente em Buchner e esfrie o filtrado a 10-150 C (banho de gelo). Transfira o filtrado para um funil de separação e extraia a cafeína com 4 porções de 20 ml de cloreto de metileno (extração múltipla com agitação suave para evitar a formação de emulsão). Destile o solvente com um aparelho de destilação simples até que se obtenha um volume de 5-7 ml no balão. Transfira então o extrato concentrado para um béquer e evapore o restante do solvente em banho de vapor até a secura. Pese o resíduo esverdeado de cafeína bruta e calcule a percentagem de alcaloide no chá. O resíduo pode ser recristalizado, dissolvendo-o em 5 ml de tolueno a quente e adicionando algumas gotas de éter de petróleo (p. e. 60-80C) até formar o precipitado. Determine o ponto de fusão do cristal e compare-o com o descrito na literatura. Questionário 1 O que é um alcaloide? 2 Por que os alcaloides geralmente apresentam caráter básico? 3 Por que a maioria dos alcaloides são extraídos das plantas com uma solução aquosa ácida? 4 Por que a cafeína é extraída com uma solução aquosa básica? 5 Explique a técnica de recristalização usada nesta experiência: 6 Quais as estruturas dos heterociclos: piridina, piperidina, pirrol, quinolina, indol e xantina? 7 Apesar de existirem alcaloides de origem animal (por ex., nos venenos de alguns animais peçonhentos), a vasta maioria dos alcalóides é encontrada em vegetais. Sugira razões para este fato (ou seja, por que as plantas sintetizam alcaloides?). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 191 8 Discuta sobre a metodologia de isolamento de um produto natural a partir de plantas, que foi utilizada neste experimento. Ela pode ser considerada geral? Quais as dificuldades encontradas? Quais as vantagens desse método? 9 Discuta a porcentagem de cafeína bruta isolada e de cafeína após a recristalização. Levando-se em conta que as plantas produzem milhares de compostos diferentes, o que você conclui a respeito da quantidade de cafeína presente no chá preto? 10 Cite exemplos de alguns alcaloides extraídos de plantas, correlacionando-os com as respectivas atividades biológicas. 11 Em caso de intoxicação com soda cáustica e metanol, quais os primeiros socorros? (consultar o Manual de Segurança da Aldrich). CROMATOGRAFIA Suponha você tenha uma mistura de compostos. Seria possível separar uns dos outros? Você pode pensar em uma maneira? Você certamente não pode catá-los à mão! O método que os cientistas usam para agrupar os diferentes componentes de uma mistura é conhecido como cromatografia. É uma técnica utilizada para analisar, identificar ou separar os componentes de uma mistura. É uma técnica indispensável hoje em dia para as análises químicas nas indústrias, laboratórios farmacêuticos ou universidades do mundo inteiro. De maneira mais completa, a técnica baseia-se no princípio da adsorção seletiva (que não deve ser confundida com absorção), um tipo de adesão. A técnica foi descoberta em 1906, pelo botânico italiano naturalizado russo Mikahail Tswett, mas não foi largamente utilizada até 1930. Tswett separou pigmentos de plantas (clorofilas), Figura 10.4, adicionando um extrato de folhas verdes em éter de petróleo, sobre uma coluna, com carbonato de cálcio em pó, em um tubo de vidro vertical. Enquanto a solução percolou através da coluna, os componentes individuais da mistura migraram para baixo em taxas diferentes de velocidades, e então a coluna apresentou-se marcada com gradientes horizontais de cores. A esse gradiente deu-se o nome de cromatograma. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10192 A cromatografia em coluna usa atualmente uma grande variedade de adsorventes sólidos, incluindo sílica, alumina e sílica gel. Os líquidos também podem ser adsorvidos por estes sólidos e assim atuarem como adsorventes – em um processo chamado de cromatografia de partição - que permite aos químicos construir colunas com propriedades muito diferentes para utilizações particulares. A Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE), uma variável desta técnica que hoje tem uso bastante comum, promove a adsorção de líquidos em partículas extremamente pequenas e uniformes para promover alta sensibilidade. Uma bomba é requerida para levar a mistura até a coluna. Três outras técnicas de cromatografia são amplamente usadas: A Cromatografia em Camada Delgada (CCD) e Cromatografia em papel e a Cromatografia Gasosa (CG). A cromatografia em camada delgada é outra forma de cromatografia em coluna, onde o material adsorvente fica sobre um vidro ou filme plástico (Figura 10.5). Figura 10.4 - Processo de separação de mistura de compostos por Cromatografia. Figura 10.5 - Cromatografia em Camada Delgada (CCD) Solvente front original spot frente do solvente 3. desenvolvimento solvente ou eluente 2. A placa é colocada dentro da cuba, de forma que o ponto de aplicação da amostra fique próxima do solvente, SEM tocá-lo. Após imersão a cuba é tampada. 1. Amostra é aplicada a 1,0cm da borda em uma fina camada de sílica ou alumina. 1 cm 0,5-1,0 cm papel de filtro 4. placa desenvolvida, ou após eluição com solvente adequado Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 193 Aplicações: 1. Análise de substâncias orgânicas e inorgânicas; 2. Acompanhamento de reações em síntese; 3. Acompanhamento de processos de purificação; 4. Critério de pureza; 5. Identificação de subtâncias. Em contraste à CLAE, o principal mecanismo de separação da Cromatografia Gasosa (CG) está baseado na partição dos componentes de uma amostra entre a fase móvel gasosa e a fase estacionária líquida. A utilização de fases estacionárias sólidas, as quais levariam à separação por adsorção, apresenta poucas aplicações. Para saber mais, a cromatografia gasosa é uma das técnicas analíticas mais utilizadas. Além de possuir um alto poder de resolução, é muito atrativa devido à possibilidade de detecção em escala de nano a picogramas 10-9 a 10-10 g. Colunas de CG são maiores em comprimento, menores em diâmetro, possuem a fase líquida como um filme aplicado diretamente às paredes do tubo da coluna e são mais eficientes (Ver Figura 10.6). O exemplo de cromatografia mais clássico é a cromatografia em papel, Figura 10.7. Neste tipo de cromatografia, uma amostra líquida flui por uma tira de papel adsorvente vertical, onde os componentes depositam-se em locais específicos. O papel é composto por moléculas extremamente longas chamadas celulose. Mas o que acontece quando você mergulha uma das pontas de uma tira de papel, como um filtro de café, em uma xícara de água? A água realmente escala o papel!Este processo acontece porque as moléculas polares de água Figura 10.6 - Moderno sistema de Cromatografia Gasosa. 1. Reservatório de gás e controle de vazão/pressão; 2. injetor, vaporização da amostra; 3. Coluna cromatográfica (30 m, 0,25 mm de diâmetro, filme de 0,25 mm) e forno da coluna; 4. Detector; 5. Eletrônica de tratamento (amplificação) de sinal; 6. Registro de sinal (registrador ou computador). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10194 que estão em contato com a tira de filtro de café começam a subir pelas fibras do papel (por efeitos de micro-capilaridade) conforme acham novas regiões de celulose carregadas para interagir e são substituídas por outras moléculas de água na xícara, que vêm de baixo. Geralmente, obtém-se o colorido das tintas de pigmentos colhidos de terras raras (grupo de elementos químicos). As tintas coloridas usadas em canetas são obtidas por convenientes misturas desses pigmentos dissolvidos em solventes próprios, sendo que a cor obtida é o resultado visual dessa composição de pigmentos coloridos. Tais tintas, de modo geral, são insolúveis em água, mas solúveis em álcool. É a solubilidade dessas tintas (pigmentos) em álcool que utilizaremos nesse experimento. O propósito desta experiência é separar uma mistura de tinturas em tinta de caneta tinteiro. MATERIAL: 1) Papel de filtro; 2) Caneta preta ou marcador preto; 3) Vidro de relógio (ou pires); 4) Etanol (álcool); 5) Béquer ou copo. PROCEDIMENTO: 1) Corte na forma de um retângulo de 1,0 cm por 6,0 cm, um pedaço do papel- filtro (pode ser filtro para café). 2) Desenhe, com a caneta preta ou marcador preto, uma pequena bolinha a uma altura de 1,0 cm da borda do papel. 3) Coloque álcool em uma cuba de vidro (ou copo) até a altura de 0,5 cm; 4 Coloque o papel dentro do copo, de forma que a bolinha pintada fique próxima do álcool, sem tocá-lo. Tampe o copo com um vidro de relógio ou pires. 5 Espere por cinco minutos e retire o papel de dentro do copo. 6 Observe. Figura 10.7. Cromatografia em Papel. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 195 Obs.: Deve-se tapar o frasco onde se realiza o experimento para retardar a evaporação do álcool. O ambiente vedado, saturado de vapor de álcool, impedirá que o álcool seque no meio do caminho, durante sua migração (o fundo ficará seco). A quantidade de álcool deve ser ajustada experimentalmente já que, se for pequena demais, não conseguirá chegar até a borda do disco. Questionário 1 A tinta de caneta preta é uma substância ou mistura? 2 Quantos componentes e qual é mais solúvel em água? 3 Qual é o estado físico da fase móvel e da fase estacionária na cromatografia em camada delgada (CCD) e na cromatografia em papel? 4 Qual é o mecanismo de separação da cromatografia em camada delgada de sílica gel? 5 O que se entende por fator de retenção (Rf)? 6 Dois componentes A e B foram separados por CCD. Quando a frente do solvente atingiu 6,5 cm, acima do ponto de aplicação da amostra, a mancha de A estava a 5 cm, a de B a 3,6 cm. Calcular o Rf de A e de B. Desenhar esta placa, obedecendo o mais fielmente possível as distâncias fornecidas. O que se pode concluir sobre a resolução das manchas, nesta separação? 7 Coloque os seguintes eluentes em ordem de polaridade crescente: benzeno, hexano, metanol, água, tetracloreto de carbono, clorofórmio, éter de petróleo. Preparação dos sabões PREPARAÇÃO DO SABÃO Os sabões são produzidos a partir de óleos e gorduras através de reações de saponificação. Os sabões e os detergentes são compostos de moléculas que contêm grandes grupos hidrocarbônicos, os grupos hidrofóbicos (que não têm afinidade pela água), e um ou mais grupos polares, os grupos hidrofólicos (que têm afinidade pela água). As partes não-polares de tais moléculas dissolvem-se em gorduras e óleos e as porções polares são solúveis em água. A capacidade de limpeza dos sabões e detergentes depende da Os sabões são feitos pela sa- ponificação de gorduras e óleos. Qualquer reação de um éster com uma base para produzir um álcool e o sal de ácido é chamada uma reação de saponificação. Um subproduto da manufatura de sabões é a glicerina, da qual se pode obter a nitroglicerina, um poderoso explosivo. Durante a I e II guerras mundiais, as donas de casa guardavam o excesso de óleo e gorduras de cozinha e o devolviam para a recuperação da glicerina. Os detergentes e o problema da poluição: Nos EUA é ilegal a comercialização de detergentes não-biodegradáveis. No começo da década de 1960, enormes quantidades de detergentes que continham cadeias alquídicas ramificadas estavam sendo usadas. Estes detergentes não eram degradados pelas bactérias e apareciam na descarga dos es- gotos nos rios, fazendo com que mesmo os grandes rios como o Mississipi se tornassem imensas bacias de espumas. Vários detergentes muito eficien- tes não espumam em água. Em- bora os trabalhos de laboratório tenham mostrado que o grau de formação de espuma tem muito pouco a ver com a eficiência do detergente, mas as donas-de- casa geralmente associam a espuma com a eficiência. Por isto, os fabricantes frequentemente adicionam agentes espumantes aos seus produtos. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10196 sua capacidade de formar emulsões com materiais solúveis nas gorduras. Na emulsão, as moléculas de sabão ou detergente envolvem a “sujeira” de modo a colocá-la em um envelope solúvel em água, a micela (Fig. 1). Partículas sólidas de sujeira dispersam na emulsão. Este experimento tem como objetivo verificar algumas propriedades do sabão. MATERIAIS: • 23 ml de óleo vegetal; • 1 béquer de 300 ml (copo de vidro incolor); • 20 mL de etanol (álcool comum); • 1 bastão de vidro (colher de sopa); • 80 ml de solução de NaOH 25% (soda caústica); • 1 funil; • 150 mL de solução saturada de NaCl (sal de cozinha); • 1 papel de filtro (coador de café); • ácido acético (vinagre); • água gelada. PROCEDIMENTO: 1 Transferir 23 ml de óleo vegetal para um béquer de 300 ml. 2 Adicionar 20 ml de etanol e 80 mL de NaOH 25%. 3 Adicionar lentamente ácido acético e controlar o pH entre 6 e 7 com a ajuda de papel indicador (ou papel de tornassol). 4 Aquecer lentamente em banho-maria, agitando constantemente com um bastão de vidro. Seja cuidadoso, pois o álcool é inflamável. 5 Após cerca de 20 minutos, o odor do álcool deverá desaparecer, indicando o final da reação. Deve-se observar a formação de uma massa pastosa, contendo sabão, glicerol e excesso de NaOH. 6 Usar um banho de gelo para resfriar o béquer. 7 Para precipitar, ou “salt out” o sabão, adicionar 150 mL de solução saturada de NaCl, agitando vigorosamente. Este processo aumenta a densidade da solução aquosa e o sabão irá flutuar. 8 Filtrar e lavar com 10 mL de água gelada. Interface da micela com um meio polar. Emulsificação de óleo em água por sabões. As cadeias hidrocarbônicas não-polares dissolvem- se em óleo e os grupos iônicos polares em água. As gotículas carregadas negativamente repelem- se mutuamente. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 197 Propriedades do sabão Este experimento tem como objetivo verificar algumas propriedades do sabão produzido anteriormente. MATERIAL E REAGENTES: • Tubos de ensaio; • Suporte para tubos de ensaio; • Papel indicador. PROPRIEDADES EMULSIFICANTES: 1 - Agitar cinco gotas de óleo mineral num tubo de ensaio contendo cinco ml de água. Observe a formação temporária de uma emulsão água-óleo. 2 - Repetir o mesmo teste, adicionando um pequeno pedaço do seu sabão antes de agitar. O que acontece com a emulsão água-óleo? TESTE DE ALCALINIDADE Usar o tubo do ítem dois do testeanterior, testando com papel indicador. Qual é o pH aproximado de sua solução? Adaptado de: <http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/experimentos/sabao. html>. Questionário 1 “As donas de casa normalmente associam a eficiência de um detergente ou sabão com a quantidade de espuma que a mesma provoca.”Para um químico, a frase acima está correta ou incorreta? Por quê? 2 Os sabões são produzidos a partir de óleos e gorduras através de reações de saponificação. Sabendo-se disto, como é possível o próprio sabão retirar “sujeiras” em geral, gorduras e óleos dos utensílios domésticos? 3 O que são grupos hidrofóbicos e hidrofólicos? 4 Como ocorre o processo de eliminação da “sujeira” (gordura)? 5 Qual a finalidade de adicionar-se ácido durante a preparação do sabão? Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10198 6 Qual a equação geral da saponificação de um triéster de ácido graxo com NaOH? 7 Quando um éster sofre hidrólise em meio ácido quais os compostos orgânicos (funções) que se formam? 8 Por que a água dura é imprópria para a lavagem de roupas? 9 Qual a diferença entre sabão e detergente? 10 O que é índice de saponificação? Qual é a relação entre o índice de saponificação e a massa molecular média dos ácidos graxos que compõem o triglicerídeo? 11 Qual a diferença entre óleo e gordura? 12 Como se dá a ação de limpeza do sabão? 13 Que é um detergente biodegradável? Biodiesel de óleos vegetais O biodiesel é um combustível biodegradável produzido a partir de fontes renováveis em diversos processos de fabricação como o craqueamento, a esterificação (reação química entre um ácido carboxílico) e um álcool que produzem éter e água ou a transesterificação que consiste em uma reação química dos óleos vegetais ou gorduras animais com o etanol ou metanol, sendo este o mais usado. Foi criado com a finalidade de substituir o diesel a fim de diminuir a quantidade de poluentes liberados na atmosfera. Além disso, o biodiesel é um ótimo lubrificante, aumenta a qualidade do motor, possui baixo risco de explosão, não libera resíduos no motor, aceita misturas com o diesel, absorve menor quantidade de oxigênio, é constituído por carbono neutro capturado pelas plantas, é econômico e gera empregos nas áreas rurais e urbanas. Sistema para preparação da reação de sabão. O biodiesel é um combustível obtido de fontes limpas e renováveis que não contém compostos sulfurados nem aromáticos, apresenta alto número de cetanos e é biodegradável. Fonte: Foto disponível em: <www. images.google.com.br>. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 199 A produção do biocombustível constitui-se em uma alternativa para a geração de empregos no setor primário e de suma importância para o desenvolvimento regional. Pesquisas realizadas pela Embrapa-clima temperado demonstraram que a Metade Sul do RS apresenta clima e solo extremamente favoráveis ao cultivo da mamona, permitindo até 3.000 Kg/ha por safra de grão com elevado teor de óleo. Estudos demonstraram também que, no caso da mamona, há ainda problemas na obtenção do biodiesel etílico, tanto utilizando catálise básica quanto ácida, especialmente no que se refere à separação dos co-produtos. Este fato pode ser atribuído à maior viscosidade do biodiesel formado, devido à presença de hidroxilas na cadeia graxa do ácido ricinolêico. As fontes usadas para originar o biodiesel são: gorduras animais, óleos vegetais de mamona, dendê, girassol, babaçu, amendoim, pinhão, soja, canola e outros. Neste experimento será realizada a síntese do biodiesel, a partir da transesterificação de óleo de soja com metanol catalisada por base. O METANOL é um líquido VOLÁTIL, INFLAMÁVEL e TÓXICO, por isso deve ser manipulado na CAPELA e com PELA de sucção. MATERIAIS: Óleo vegetal (soja, coco, algodão, mamona etc.); metanol ou etanol, KOH, Balão de fundo redondo de 105 mL, Condensador de refluxo, Erlenmeyer 105 mL, Funil de separação 105 mL, Proveta de 50 mL, Placas de CCD (para acompanhamento da síntese), glicerina, HCl 0,5%, NaSO4 anidro, I2. Sistema para preparação do biodiesel (sob refluxo). Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10200 PROCEDIMENTO: 1 Monta-se o seguinte sistema: balão de fundo redondo 105 ml, equipado com condensador de refluxo, barra magnética (ou placas de porcelana). 2 Adiciona-se a esse balão (ou sistema) 20,0 g do óleo vegetal. 3 Em seguida adiciona-se uma solução metanólica KOH (10 ml de metanol e 0,2 g de KOH). 4 Manter a reação sob refluxo (à temperatura de refluxo do metanol) por trinta minutos, sob agitação magnética. A reação deve ser monitorada por CCD (eluente hexano: acetato 5%) após os 30 minutos. 5 Após término da reação, indicada por CCD, a mistura é colocada em funil de separação. 6 Adicionam-se 200 mg de glicerina (para a reação de etanólise) para acelerar a formação da fase inferior. Isto resultará na formação de duas fases no funil: uma fase superior correspondente aos ésteres metílicos ou etílicos (biodiesel), e uma fase inferior contendo a glicerina (formada pela reação e adicionada), excesso de metanol ou etanol, KOH que não reagiu e sabões formados, traços de éteres etílicos ou metílicos e glicerídeos parciais. 7 Após a separação das duas fases por decantação, os ésteres obtidos (biodiesel) são purificados através da lavagem com uma solução de HCl 0,5%, para neutralização do catalisador remanescente, fato confirmado pela análise do pH da água de lavagem com papel indicador fenolftaleina. 8 A fase aquosa é separada dos ésteres (biodiesel) no funil de decantação e os traços de umidade são retirados pela filtração posterior com NaSO4 anidro. 9 Pese a massa do óleo obtido, após secagem em sulfato de sódio. 10 A composição em ácidos graxos do óleo, na forma de ésteres metílicos, é determinada por CG-EM (Obs.: coloque as condições de análise e a marca do sistema de análise no relatório). Questionário 1 O que se entende por: a) solvólise? b) hidrólise? c) alcóolise? 2 Escreva a equação, mostrando o mecanismo, para a obtenção de ácidos graxos a partir do óleo de soja, e calcule o rendimento teórico? 3 O que é saponificação? Escreva a equação para esta reação e compare com Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 201 a equação da reação de obtenção do ácido láurico. 4 O que é esterificação? Escreva o mecanismo para esta reação. 5 Descreva como é feita, normalmente, a determinação da composição percentual e a identificação dos ácidos graxos de um triglicerídeo. Preparação do ciclo-hexeno I. MATERIAL E REAGENTES: - Balão de fundo redondo de 100 mL - Papel de filtro - Coluna de fracionamento - Termômetro - Condensador de Liebig - Tubo de ensaio - Erlenmeyer de 105 ml - Ácido sulfúrico concentrado - Pedrinhas de porcelana - Água de bromo - Proveta de 5 e 25 ml - Ciclo-hexanol - Espátula - Solução saturada de cloreto de sódio - Funil de separação - Sulfato de sódio anidro - Manta elétrica - Pipeta de Pasteur - Adaptadores de destilação II. PROCEDIMENTO: Em um balão de fundo redondo de 100 ml, colocar 20 g de ciclo- hexanol (d=0,94 g/cm3) e 0,6 ml de ácido sulfúrico concentrado, adicionar 2 a 3 fragmentos de porcelana porosa e agitar bem. Ajustar ao balão uma coluna de fracionamento, um condensador de Liebig, um adaptador e um balão coletor. Aquecer o balão em uma manta, de tal modo que a temperatura na extremidade superior da coluna não exceda a 1000 C. Adaptar ao balão coletor um banho de gelo. Parar a destilação quando restar apenas um pouco de resíduo e o odor de anidrido sulfuroso forem aparentes. Transferir o destiladopara um pequeno funil de separação. Adicionar ao destilado cerca de quatro ml de solução saturada de cloreto de sódio e dois ml de solução de carbonato de sódio a 10% e agitar livremente. Deixar que as duas camadas separem-se; escorrer a camada inferior aquosa. Despeje o ciclo-hexeno, pela boca do funil de separação, para o interior de um erlenmeyer seco. Adicionar 3 a 4g de sulfato de sódio anidro, agitar por 2 a 3 minutos, e deixar em repouso por 15 minutos com agitação ocasional. Filtrar o produto seco, usando pepel de filtro pregueado. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10202 III. REAÇÃO DE CONFIRMAÇÃO: Dissolver, em um tubo de ensaio, algumas gotas de ciclo-hexeno e CCl4, e adicionar uma gota de solução a 20% de bromo em ácido acético. Registrar suas observações e justificar. QUESTIONÁRIO 1 O que se entende por desidratação? 2 Escrever o mecanismo para a reação de obtenção do ciclo-hexeno a partir do ciclo-hexanol. 3 Com que finalidade são usadas solução saturada de NaCl, solução de CaCO3 e Na2SO4 anidro. 4 Quais seriam os produtos da reação de eliminação do 4-metil-2-pentanol? 5 Os álcoois podem sofrer eliminação de água em meio ácido com formação de alceno ou substituição nucleofílica com formação de éter. Discutir as condições que favorecem cada um dos casos e escrever o mecanismo para a formação do éter. 6 Por que o ciclo-hexeno é preparado e paralelamente destilado? 7 Como se explica que o tratamento do ciclo-hexeno, com solução de bromo em CCl4 , é considerado um teste de confirmação da presença da insaturação? Por que não se costuma usar água ao invés de CCl4? Síntese do ácido acetilsalicílico - (ASPIRINA) Embora a aspirina, sintetizada pela primeira vez por Felix Hoffmann (1897), seja um remédio muito eficaz, também é muito mais perigosa do que se acreditava. Cerca de 15g de aspirina pode ser letal a uma criança pequena, além de causar hemorragia no estômago e reações alérgicas para os usuários de longa data. A aspirina pode causar a síndrome de Reye, uma reação fatal a esse medicamento, que ocorre muitas vezes em crianças que estão se restabelecendo de uma gripe. Por causa desses efeitos negativos, vários outros tipos de NSAID (derivada do inglês, non-stereodal-anti-inflammatory drug, que significa droga antiinflamatória não-esteroidal), foram desenvolvidos nas últimas décadas, entre eles o ibuprofen e o naproxene. Da mesma forma que a aspirina, o ibuprofen e o naproxen são compostos aromáticos simples que contêm um grupo carboxílico Alguns medicamentos que contêm em sua composição o Ácido Acetil Salicílico (AAS). Mais uma vez a história da Química demonstrou que é nos laboratórios, entre reagentes químicos, vidros e pequenas engenhocas, que os atores entram em cena, sucedendo- se uns aos outros e legando à humanidade meios para prolongar a vida e diminuir o sofrimento humano. Desta vez, o teatro é um dos laboratórios da Bayer, o ano é 1897, e o ator é Felix Hoffman. O enredo da peça trata do sofrimento diário de um velho enfermo. O pai de Hoffman sofria de reumatismo crônico que combatia diariamente com ácido salicílico, o que lhe causava sérios transtornos estomacais e um desagradável gosto na boca. Não suportando mais as dores e o gosto ruim do remédio, o velho pai pediu ao filho que lhe desse outro remédio que não provocasse tantos efeitos colaterais. Hoffman, atendendo ao apelo do pai, preparou e lhe deu o ácido acetilsalicílico (3); daí para frente a história é bem conhecida. A aspirina foi patenteada pela Bayer em 1899, e o seu nome deriva da acetil e spirina de “spiric acid”, o outro nome em inglês pelo qual era também conhecido o ácido salicílico. “Spiric” por sua vez tem origem em Spiraea, gênero ao qual pertence a Salix alba, planta de onde foi isolada a salicilina. Desde então, a medicina passou a dispor da aspirina como uma das mais potentes armas de seu arsenal terapêutico. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 203 na cadeia lateral. Ambos têm o mesmo efeito da aspirina, mas permanecem ativos no organismo por um tempo aproximadamente seis vezes maior. Em sua maioria, os fármacos são ácidos ou bases fracas. MATERIAL E REAGENTES: - Bequer de 250 e 100 mL - Etiquetas - Bastão de vidro - Placa de Petri - Kitazato de 250 e 105 mL - Pisseta - Espátula - Ácido salicílico (C7H6O3) - Pipeta de Pasteur - Ácido sulfúrico (H2SO4) - Funil de Bucher - Anidrido acético (C4H6O3) - Proveta de 25 e 10 mL - Erlenmeyer de 105 mL - Papel de filtro Figura 10.8 - Filtração a vácuo, com funil de Buchner. Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10204 PROCEDIMENTO: Pesar em bequer de cem ml, cerca de 3,0g de ácido salicílico, adicionar 6 ml de anidrido acético e juntar seis gotas de H2SO4 concentrado. CUIDADO: Anidrido acético e ácido sulfúrico causam graves queimaduras. Aqueça o béquer em banho-maria, a 50-60o C durante dez minutos, agitando a mistura de vez em quando, com um bastão de vidro. Remover o béquer do banho-maria e adicionar 30 mL de água destilada. Deixar o béquer esfriar ao ar, para que se formem os cristais. Se os cristais demorarem a surgir, resfrie em banho de gelo para acelerar a cristalização e aumentar o rendimento do produto. Filtrar sob sucção, utilizando funil de Buchner e lavar duas vezes com 5 mL de água gelada. OBSERVAÇÃO: A próxima etapa só deverá ser realizada, caso não seja feita a purificação da aspirina. Secar a aspirina, ao ar ou na estufa a 50 oC, pesar o produto e determinar o rendimento percentual da reação. PURIFICAÇÃO DA ASPIRINA: Dissolver o produto bruto em béquer de cem ml usando 10 mL de álcool etílico, aquecendo em banho-maria. Verter a solução alcoólica quente sobre vinte e dois ml de água quente, contida em um béquer de 100 mL. Caso haja precipitação, dissolver por aquecimento em banho-maria. Deixar em repouso na geladeira. Cristais sob a forma de agulha serão obtidos. Filtrar em Buchner, lavar com alguns mL de água gelada e depois com alguns de álcool gelado. Secar ao ar ou em estufa a 50 oC. Pesar e determinar o rendimento da aspirina. Obter o espectro de infravermelho do material de partida (ácido salicílico) e do produto obtido (AAS). Comparar os dois espectros, observando as modificações que ocorreram, e fazer a atribuição dos principais sinais. Questionário 1 - Qual dos três compostos acima tem maior solubilidade em meio aquoso? 2 - Identifique as funções químicas presentes nesses compostos. 3 - Se a eficácia de um medicamento fosse relacionada à sua habilidade de penetrar as membranas apolares de uma célula, qual dos três compostos acima Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 205 você acha que é o mais efetivo e por quê? 4 - Que tipo de reação se verifica na obtenção da Aspirina? Proponha um mecanismo para a reação entre ácido salicílico e anidrido acético. 5 - Se você quisesse aumentar a solubilidade do Ácido Acetil Salicílico, você produziria um sal de sódio ou metilava o grupo carboxila? 6 - Escrever a equação da reação de obtenção da ASPIRINA. 7 - Qual a finalidade da adição de ácido sulfúrico concentrado? 8 - Por que, na determinação do ponto de fusão da ASPIRINA, não se encontra um valor real? 9 - Calcular o rendimento teórico de ASPIRINA se 1,0 kg de ácido salicílico é usado com 2,0 kg de anidrido acético? 10 - Quais as principais mudanças observadas no espectro de infravermelho do ácido salicílico, quando comparado ao espectro do ácido acetilsalicílico? Site para a busca de substâncias químicas Disponível em: <http://www.chemfinder.com/> Site com dados de segurançade produtos comerciais Disponível em: <http://www.hazard.com/msds/> Dados físicos-químicos de substâncias Disponível em: <http://webbook.nist.gov/> Homepage da agência americana de proteção ao maio ambiente Disponível em: <http://www.epa.gov/> Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db unidade 10206 Remova Marca d'água WondersharePDFelement http://cbs.wondershare.com/go.php?pid=5484&m=db PrEPArAção E CArACtErizAção DE ComPostos orgâniCos 207 SOLOMONS, T. W. G. Organic Chemistry, 5th ed. New York: John Wiley & Sons , 1992. MORRISON, R. T. & BOYD, R. N. Química Orgânica, 13ª. ed.. Lisboa: Fundação Calouste Goulbenkian, 1996. SPQ/IUPAC. Guia IUPAC para a Nomenclatura de Compostos Orgânicos. Lisboa: Editora Lidel, 2002. DIAS, A. G.; COSTA, M. A.; GUIMARÃES, P. I. C. Guia prático de Química Orgânica. 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