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Área de 6cm2 de abertura na valva mitral aberta – com estenose, redução da área = <2cm2. o 1,5cm2 – grave; o <1,0cm2 = muito grave. CARACTERÍSTICA: o Começa após B2 (sopro diastólico) – em decrescendo (protodiastólico); o Restrito ao ápice – pouca ou nenhuma irradiação; o Timbre grave – ruflar diastólico; o Intensifica no decúbito lateral esquerdo e na expiração – quanto mais longo, mais grave; o B1 com hiperfonese – ↓ do enchimento VE; o Principal causa: Febre reumática; o Estalido de abertura – alta frequência (ausculta com diafragma). Sintomas: Palpitações. Rouquidão (síndrome de Ortner) é típico e raro – paralisia do nervo laríngeo recorrente esquerdo por compressão do AE hipertrofiado. Fácies mitral: Hiperemia crônica dos maxilares, com ou sem teleangiectasias – hipertensão venosa cefálica, consequente à EM. Demais sintomas: Intolerância aos esforços, síncope, dispneia, disfagia e rouquidão (por lesão do laríngeo). ETIOLOGIA: Febre reumática – inflamação crônica com espessamento difuso dos folhetos da valva e formação de tecido fibroso (depósito de cálcio). o Fusão das comissuras mitrais; o União e encurtamento das cordas tendíneas; o Rigidez das cúspides valvares; o Estreitamento do ápice da valva afunilada (“em boca de peixe”); o Calcificação; o Imobilização das cúspides e estreitamento do orifício. FISIOPATOLOGIA: o Gradiente e área valvar são inversamente proporcionais. Valvopatias Gabrieli Flesch ATM 25/2 ESTENOSE MITRAL Aumento da pressão AE - manter DC Aumento da pressão venosa pulmonar Dificuldade de hematose - transudato Edema intersticial pulmonar Edema de membros inferiores e ascite Aumento da pressão de oclusão na artéria pulmonar Hipertensão pulmonar Redução da complacência pulmonar Dispneia de esforço Hipertrofia do AE - fibrose Fibrilação atrial Piora dos sintomas pela taquicardia Compressão esofágica Disfagia Lesão do nervo laríngeo recorrente Ronquidão Estase sanguínea (dificuldade de ejeção) Embolização Palpitação Aumento da pressão de AD Edema de membros inferiores Ascite Ejeção do VD contra gradiente de pressão Falência ou disfunção de VE Diminuição do tempo de diástole Aumento da FC TRATAMENTO: Tratar os sintomas. 1. Congestão, edema pulmonar e periférico – uso de diurético de alça (furosemida – Lasix). 2. Aumentar o tempo de diástole e diminuição do DC: Fármacos com efeito cronotrópico negativo – betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio (Diltiazem e Verapamil), digoxina e antiarrítmico de classe 3 (Amiodarona). 3. Evitar embolização: Anticoagulação – antagonistas da vitamina K (Varfarina). Monitorar – pode haver interação. 4. Dosar tempo de protrombina com frequência. TRATAMENTO CIRÚRGICO: Valvotomia mitral – percutânea ou cirúrgica (com circulação extracorpórea). Valvotomia mitral percutânea com balão de InoueI: Introdução de um cateter até o AE após punção transeptal – balão simples é direcionado através da valva e é insuflado no orifício. Menor taxa de morbidade e mortalidade. Indicação: Pacientes com cúspides relativamente flexíveis e com pouca calcificação comissural – estruturas subvalvares não devem ter sofrido fibrose ou espessamento significativos, nem deve haver trombo no AE. Fatores avaliados na conduta: Score de Block o Mobilidade dos folhetos; o Grau do espessamento dos folhetos; o Calcificação e aparato subvalvar (ECG). Score: 8 – bom candidato. 8-12 – risco intermediário. > 12 – indicação cirúrgica. o Regurgitação; o Sopro com morfologia “em barra” – holossistólico; o 4-5º espaço intercostal esquerdo – linha hemiclavicular esquerda; o Irradiação axilar e escápula esquerda; o Frequência sonora alta – ausculta com diafragma; o Se instalação de lesão abrupta = sopro em decrescendo (>pressão AE); o Hiperfonese de B2; o B3 presente – ausculta no ápice (com campânula); o Frêmito + B3 + irradiação = gravidade; o Cardiomegalia – ictus desviado. INSUFICIÊNCIA MITRAL CAUSAS – CARPENTIER I. Mobilidade normal Endocardite infecciosa com perfuração (tem mobilidade normal) – Cleft = tratamento cirúrgico (reparo ou prótese – determinado pelo grau de regurgitação) II. Mobilidade excessiva Prolapso (mobilidade excessiva – degeneração mixomatosa dos folhetos), Flail (rompimento da cordoalha – regurgitação excessiva) – tratamento cirúrgico. III. Mobilidade reduzida a. Redução da mobilidade durante a sístole, devido hipertrofia do VE (funcional) – tratamento da miocardiopatia. Caso não resolva, tratamento transcateter. b. Durante a sístole e diástole – reumático. FISIOPATOLOGIA: o Aumento da pressão atrial esquerda; o Hipertensão venosa pulmonar – hematose dificultada = edema intersticial; o Dilatação atrial esquerda – hipertrofia AE; o Sobrecarga de volume no VE – dilatação de VE – hipertrofia de VE – disfunção; o Redução do DC – menor perfusão. SINTOMAS: o Edema pulmonar; o Dispneia aos esforços; o Fadiga; o Ortopneia; o Arritmia atrial; o Intolerância ao exercício; o Hipoperfusão. TRATAMENTO – CLÍNICO: o Se tiver FA – Varfarina (exceto se houver comprometimento reumático ou em pacientes com próteses mecânicas); o Diuréticos, beta bloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina, digitálicos e marca-passo biventricular – quando indicados, em pacientes com miocardiopatia dilatada ou isquêmica; o Profilaxia antibiótica para prevenção de EI; o Diuréticos, vasodilatadores intravenosos (nitroprusseto de sódio) e suporte mecânico – pacientes com ruptura do músculo papilar pós-IAM. TRATAMENTO – CIRÚRGICO: I. Transferência da cordoalha, criação de neocordas, ressecção limitada dos folhetos e inserção de banda de anuloplastia. II. Envolve revascularização coronariana simultânea – anuloplastia com anel rígido Primária Secundária ATENÇÃO! A. Risco B. Leve/moderado C. Grave sem sintomas – C1: Sem comprometimento de VE. C2: Com comprometimento de VE. D. Grave com sintomas – D1: Sem comprometimento de VE. C2: Com comprometimento de VE. Intervir a partir de C2 – doença mitral primária. Em C1 – indicativo de cirurgia – reparo da valva (>95% de duração e <1% mortalidade). Em Carpentier III: Tratamento da miocardiopatia e reparo transcateter. subdimensionado ou substituição da valva com preservação da cordoalha. Reparo e substituição – transcateter: Tratamento de IM primária ou funcional – instalação de clipe passado via punção transeptal, com o objetivo de apreender as bordas principais dos folhetos. Congênita: Valva bicúspide – autossômico dominante com penetrância incompleta (sexo masculino). Adquirida: Degeneração aterosclerótica >65 anos – FR idade HAS, DM2, tabagista. o Aumento da pressão ventricular, gera um gradiente de pressão entre as duas cavidades, com consequente turbilhamento do sangue ejetado; o Sopro ejetivo (em diamante) – sístole; o Pulso Parvus et Tardus; o Cateterismo para avaliar se tem comprometimento de coronárias associado; o Protótipo do som da obstrução da saída ventricular; o Começa após B1, tipo de ejeção, em crescente e depois decrescente – antes de B2; o 2º espaço intercostal direito – irradiação para fúrcula, carótidas e ápice; o Clique de ejeção presente; o Tipicamente granuloso (áspero), rude e alto; o EAo + calcificação da aorta – irradiação do sopro para o foco mitral, com timbre musical piante (fenômeno de Gallavardin) TRÍADE: o Angina de esforço (PPC = PdAo – PdVE) – desbalanço entre oferta de O2 e demanda do músculo = isquemia – 5 anos de sobrevida. o Tonturas ou síncope relacionada aos esforços – 3 anos; o Dispneia progressiva – 2 anos. FISIOPATOLOGIA: o Obstrução ao fluxo de saída do VE – gradiente depressão sistólica entre VE e aorta; o Dilatação de VE – redução do volume de ejeção sistólico; ESTENOSE AÓRTICA o Incompatibilidade pós-carga e evolução das anormalidades da função diastólica – fibrose miocárdica irreversível; o Aumento das pressões médias no AE, artéria pulmonar e VD. TRATAMENTO – CLÍNICO: Pacientes com EAo grave: Atividades físicas extenuantes devem ser evitadas. Evitar desidratação e hipovolemia – prevenir redução significativa do DC. o Nitroglicerina – aliviar angina. TRATAMENTO – CIRÚRGICO Valvoplastia aórtica percutânea por balão (VAPB): o Preferível em crianças e adultos jovens com EAo congênita não calcificada; o Utilizada como “ponte até a cirurgia” em pacientes com disfunção grave do VE e choque – parte do procedimento de TAVR. OBS.: Não costuma ser empregada como tratamento definitivo em adultos com EAo grave calcificada pela alta taxa de reestenose e risco de complicações intraoperatórias. Substituição transcateter da valva aórtica (TAVR): Valva expansível por balão e valva autoexpansível – ambas incorporam uma prótese de pericárdio. Realizada com maior frequência por via transfemoral. o Regurgitação; o Começa após B2 – em decrescendo; o 2-4º espaço intercostal esquerdo (aórtico acessório) – irradiação para ápice; o Tipicamente tem som aspirativo e baixo. Causas: Dilatação idiopática da aorta, anormalidade congênitas (valva bicúspide), calcificação da valva, doença reumática, endocardite infecciosa, hipertensão artéria sistêmica, degeneração mixomatosa, dissecção da aorta ascendente e Síndrome de Marfan. Pode ser aguda – trauma, dissecção aórtica e endocardite. Sinais e sintomas: o Dispneia de esforço, ortopneia e dispneia paroxística noturna >IC; o Síncope; o Angina; o Palpitações. ATENÇÃO! A. Risco B. Leve/moderado C. Grave sem sintomas – C1: Sem comprometimento de VE. C2: Com comprometimento de VE. D. Grave com sintomas – D1: Sem comprometimento de VE. C2: Com comprometimento de VE. Grafientes: <20mmHg – não obstrutivo 20-29mmHg – estenose leve 30-39mmHg – estenose moderada >40mmHg – estenose grave Progressão da doença: 6-8mmHg/ano AVA menor ou igual a 1,0cm. INSUFICIÊNCIA AÓRTICA Sinais semiológicos: o Ictus hiperdinâmico; o Presença de B3; o Austin Flint; o Pulso em martelo – palpado na carótida; o Maior divergência entre os valores da PA sistólica e diastólica – aumento da pressão de pulso (com pressão diastólica baixa); o Múltiplos sinais propedêuticos causados pelo alto volume sistólico ejetado; o Sinal de Hill: Pressão nos MMII 60mmHg maior que nos MMSS (extracardíaco) – papel prognóstico. Dissecção aórtica: o Laceração da camada íntima promovendo dor torácica súbita e intensa – HAS e aneurisma prévio; o Exames de imagem (ATC/RM) mostram sinal de falsa luz; o Requer estabilização com BB até cirurgia ou tratamento endovascular. Tipo A: Aorta ascendente – tratamento cirúrgico. Quando compromete aorta ascendente e descendente – tratamento quando tiver Flap. Tipo B: Pode ter abordagem mais conservadora – exclusivo da aorta descendente (subclávia esquerda para baixo). Riscos: Maiores no tipo A – Insuficiência aórtica, IAM, AVC, dissecção de ramos abd e cervicais etc. Austin Flint: Sopro adicional diastólico mitral associado à reentrada diastólica do fluxo regurgitante sobre o folheto mitral. FISIOPATOLOGIA: o Sobrecarga de volume do VE – dilatação do VE – hipertrofia excêntrica; o Pressão diastólica do VE aumentada – aumento da pressão no AE – hipertensão pulmonar – edema intersticial; o Na aorta, aumento da pressão sistólica e redução da pressão diastólica = pressão em pulso ampla (160/40 – 150/50); o Pulsatilidade evidente – pêndulo; o Decrescente ao longo da diástole – quanto mais longo, mais grave. TRATAMENTO – CLÍNICO: IAo aguda Pacientes com IAo aguda podem responder bem a diuréticos e vasodilatadores intravenosos (nitroprussiato de sódio). Evitar o uso de betabloqueadores para não diminuir ainda mais o DC e a FC. TRATAMENTO – CLÍNICO: IAo crônica Em sintomas iniciais: o Dispneia e intolerância aos esforços: diuréticos e vasodilatadores (inibidores da enzima conversora de angiotensina, bloqueadores dos canais de cálcio dihidropiridínicos ou hidralazina). o Vasodilatadores (agentes anti-hipertensivos) – manter a PA sistólica. TRATAMENTO CIRÚRGICO: o Substituição da valva aórtica – tratamento de IAo grave, nos pacientes sintomáticos, independente da função do VE. o IAo devido dilatação aneurismática da aorta – diminuir ou eliminar a regurgitação por meio do estreitamento do anel ou excisão de parte da raiz, sem substituição valvar. ATENÇÃO! A. Risco B. Leve/moderado C. Grave sem sintomas – C1: Sem comprometimento de VE. C2: Com comprometimento de VE. D. Grave com sintomas – D1: Sem comprometimento de VE. C2: Com comprometimento de VE. Diâmetro diastólico: >70mm ou fração do VE. <50% definem comprometimento de VE – intervenção antes de desenvolver. Intervenção recomendada a partir de C2. C1 sem disfunção e sem dilatação importante – acompanhamento. Se desenvolver sintoma e evoluir com comprometimento de VE – repensar.