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INTERPRETAÇÃO
PRÉ-VESTIBULAR 111PROENEM.COM.BR
FUNÇÕES DA LINGUAGEM05
Em um sistema de comunicação, reconhecemos os elementos 
básicos: o emissor, o receptor e a mensagem. Além desses 
elementos, temos o código pelo qual a mensagem é decodificada 
e o canal, que é o suporte físico que sustenta a comunicação. O 
ar, por exemplo, é o canal mais comum. O último elemento desse 
sistema de comunicação é o contexto ou referente.
Quando se dá uma comunicação, damos ênfase a um desses 
elementos, o que determina uma função a essa linguagem. 
Segundo um modelo proposto pelo linguista Roman Jakobson, são 
seis as funções da linguagem:
A ênfase no fator:
Emissor ð	 Emotiva ou Expressiva
Receptor ð	 Apelativa ou Conativa
Referente ð	 Referencial
Mensagem ð	 Poética
Código ð	 Metalinguística
Canal ð	 Fática
A FUNÇÃO EMOTIVA
Quando a intenção do produtor do texto é posicionar-se em 
relação ao que está abordando, é expressar seus sentimentos e 
emoções e o texto resultante é subjetivo, temos a função emotiva. 
Uma autobiografia, um diário são exemplos desses textos. Veja 
outros exemplos:
(QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2002.)
Velha infância 
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o 
meu amor
[...]
(ANTUNES, A. / BROWN, C. / MORAES, D. / MONTE, M. / BABY, Pedro. CD Tribalistas. 
EMI. 2002.)
Ainda que de gêneros diferentes, os dois textos – a tira de Quino 
e a música dos Tribalistas – apresentam uma linguagem centrada 
na 1ª pessoa, dando ênfase à expressividade, à subjetividade do 
emissor.
A FUNÇÃO APELATIVA
Quando a intenção do produtor da mensagem é influenciar, 
envolver, persuadir o destinatário; quando a mensagem se organiza 
em forma de ordem, chamamento, apelo ou súplica, temos a função 
conativa ou apelativa da linguagem. A linguagem publicitária utiliza 
essencialmente essa função da linguagem:
(Veja)
Veja que o anúncio se constrói a partir de um apelo ao 
leitor para que experimente a tinta da HP. Repare, também, 
nos verbos no Imperativo [ouse, invente]. O foco da mensagem 
está centrada no receptor. O uso do imperativo é representativo 
dessa função da linguagem.
A FUNÇÃO REFERENCIAL
A função referencial centra-se na informação. Quando a 
intenção é transmitir ao interlocutor dados da realidade de 
uma forma direta e objetiva, sem ambiguidades, com palavras 
empregadas em seu sentido denotativo. Portanto, essa é a função 
que predomina em textos técnicos, institucionais, jornalísticos – 
informativos por excelência. Veja um exemplo:
China quer investir na produção de soja no país
A China, maior importador mundial de soja, está promovendo 
uma ofensiva em várias frentes e em vários Estados no Brasil visando 
aumentar a sua presença na cadeia produtiva da cultura no país, 
informam Fabiano Maisonnave e Estelita Hass Carazzai. A estratégia 
será concretizada por meio de acordos de exportação com os 
agricultores, investimentos em indústrias e compra de terras.
(www.folhauol.com.br)
PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR112
INTERPRETAÇÃO 05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
A FUNÇÃO POÉTICA 
Quando a intenção do produtor do texto está voltada para a 
própria mensagem, mas não com a informação somente, e sim 
com a construção dessa mensagem, com uma melhor arrumação 
das palavras, quer na escolha, quer na combinação delas, temos 
a função poética. Assim, a função poética abarca elementos 
fundamentais expressivos como a sonoridade, o ritmo, o belo e o 
inusitado das imagens, valores conotativos, figuras de palavras. 
Esse belo poema de Manuel Bandeira dispensa comentários 
maiores. Apenas absorva a beleza de sua linguagem e de suas 
imagens poéticas:
Belo belo I
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Tenho o fogo de constelações extintas há milênios. 
E o risco brevíssimo — que foi? passou — de tantas estrelas 
cadentes.
A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.
O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.
Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.
As dádivas dos anjos são inaproveitáveis: Os anjos não 
compreendem os homens.
Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.
— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.
A linguagem publicitária frequentemente utiliza a função 
poética em seus anúncios. Repare a imagem poética gerada pela 
palavra “princípio” em uma campanha veiculada na década de 90:
Ética: uma questão de princípio.
A FUNÇÃO METALINGUÍSTICA
Quando a preocupação do emissor está voltada para o 
próprio código utilizado, ou seja, o código é o tema da mensagem 
ou é utilizado para explicar o próprio código, temos a função 
metalinguística. Veja os exemplos:
Gosto da palavra fornida. É uma palavra que diz tudo o quer 
dizer. Se você lê que uma mulher é bem fornida, sabe exatamente 
como ela é. Não gorda, mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez 
seja a semelhança com forno. Talvez seja apenas o tipo de mente 
que eu tenho.
(Luis Fernando Verissimo)
Fornido [part. De fornir.] Adj.
1. Abastecido, provido.
2. Robusto, carnudo, nutrido, alentado.
HOLLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio Eletrônico. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.)
Repare que nos dois exemplos temos uma metalinguagem. 
O cronista escreve um texto em que utiliza o código da língua 
portuguesa exatamente para falar da língua portuguesa; já o 
verbete do dicionário é o exemplo típico, uma vez que as palavras 
se organizam para explicar as próprias palavras.
A FUNÇÃO FÁTICA 
A preocupação do emissor em manter o contato com o 
interlocutor, prolongando uma comunicação ou então testando o 
canal com frases do tipo “Veja bem...” ou “Olha...” ou “Entende?” 
caracteriza a função fática. Assim, o início, a retomada e final de 
uma conversação centram-se numa função fática. Veja um trecho 
da canção Sinal Fechado, de Paulinho da Viola, que caracteriza 
essa função:
– Olá, como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem, eu vou indo correndo pegar meu lugar no futuro 
e você?
– Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranquilo, quem 
sabe...
– Quanto tempo.
– Pois é. Quanto tempo.
[...]
PROTREINO
EXERCÍCIOS
01. Explique no que consiste a função emotiva e apresente um 
exemplo.
02. Apresente dois exemplos de função apelativa.
03. Justifique por que as propagandas usam essencialmente a função 
apelativa.
04. Explique o que é função referencial e apresente dois exemplos.
05. Apresente uma característica da função fática.
PROPOSTOS
EXERCÍCIOS
01. 
Desabafo
Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha 
divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: 
esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz 
acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem 
respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para 
pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.
CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).
Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de 
várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de 
uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função 
da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois
a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.
b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.
c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da 
mensagem.
d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos 
demais.
e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da 
comunicação.
PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR
05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
113
INTERPRETAÇÃO
02. Assinale a alternativa que contenha a sequência correta sobre 
as funções da linguagem, importantes elementos da comunicação:
1. Ênfase no emissor (lª pessoa) e na expressão direta de suas 
emoçõese atitudes.
2. Evidencia o assunto, o objeto, os fatos, os juízos. É a linguagem 
da comunicação.
3. Busca mobilizar a atenção do receptor, produzindo um apelo 
ou uma ordem.
4. Ênfase no canal para checar sua recepção ou para manter a 
conexão entre os falantes.
5. Visa à tradução do código ou à elaboração do discurso, seja ele 
linguístico ou extralinguístico.
6. Voltada para o processo de estruturação da mensagem e para 
seus próprios constituintes, tendo em vista produzir um efeito 
estético.
( ) função metalinguística.
( ) função poética.
( ) função referencial.
( ) função fática.
( ) função conativa.
( ) função emotiva.
a) 1, 2, 4, 3, 6, 5.
b) 5, 2, 6, 4, 3, 1.
c) 5, 6, 2, 4, 3, 1.
d) 6, 5, 2, 4, 3, 1.
e) 3, 5, 2, 4, 6, 1.
03.
O exercício da crônica
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como 
faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é 
levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar 
dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa 
fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, olha através 
da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de 
preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, 
com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. 
Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar 
que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a 
crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente 
despertados pela concentração. Ou então, em última instância, 
recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do 
qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.
MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. 
São Paulo: Cia. das Letras, 1991.
Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui
a) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.
b) nos elementos que servem de inspiração ao cronista.
c) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica.
d) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica.
e) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma 
crônica.
04. Há o hipotrélico. O termo é novo, de impensada origem e ainda 
sem definição que lhe apanhe em todas as pétalas o significado. 
Sabe-se, só, que vem do bom português. Para a prática, tome-se 
hipotrélico querendo dizer: antipodático, sengraçante imprizido; 
ou talvez, vicedito: indivíduo pedante, importuno agudo, falta 
de respeito para com a opinião alheia. Sob mais que, tratando-
se de palavra inventada, e, como adiante se verá, embirrando o 
hipotrélico em não tolerar neologismos, começa ele por se negar 
nominalmente a própria existência.
(ROSA, G. Tutameia: terceiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001) (fragmento).
Nesse trecho de uma obra de Guimarães Rosa, depreende-se a 
predominância de uma das funções da
a) metalinguística, pois o trecho tem como propósito essencial 
usar a língua portuguesa para explicar a própria língua, por isso 
a utilização de vários sinônimos e definições.
b) referencial, pois o trecho tem como principal objetivo discorrer 
sobre um fato que não diz respeito ao escritor ou ao leitor, por 
isso o predomínio da terceira pessoa.
c) fática, pois o trecho apresenta clara tentativa de estabelecimento 
de conexão com o leitor, por isso o emprego dos termos “sabe-
se lá” e “tome-se hipotrélico”.
d) poética, pois o trecho trata da criação de palavras novas, 
necessária para textos em prosa, por isso o emprego de 
“hipotrélico”.
e) expressiva, pois o trecho tem como meta mostrar a subjetividade 
do autor, por isso o uso do advérbio de dúvida “talvez”.
05.
O telefone tocou.
— Alô? Quem fala?
— Como? Com quem deseja falar?
— Quero falar com o sr. Samuel Cardoso.
— É ele mesmo. Quem fala, por obséquio?
— Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel? Faça um 
esforço.
— Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro. Pode 
dizer-me de quem se trata?
(ANDRADE, C. D. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)
Pela insistência em manter o contato entre o emissor e o receptor, 
predomina no texto a função
a) metalinguística.
b) fática.
c) referencial.
d) emotiva.
e) conativa.
06. (ENEM) Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, 
o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-
lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos 
significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que o 
seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a essa 
leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo uma outra não prevista.
LAJOLO, M. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.
Nesse texto, a autora apresenta reflexões sobre o processo de 
produção de sentidos, valendo-se da metalinguagem. Essa função 
da linguagem torna-se evidente pelo fato de o texto
a) ressaltar a importância da intertextualidade.
b) propor leituras diferentes das previsíveis.
c) apresentar o ponto de vista da autora.
d) discorrer sobre o ato de leitura.
e) focar a participação do leitor.
07. (ENEM)
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR114
INTERPRETAÇÃO 05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
Predomina no texto a função da linguagem:
a) fática, porque o autor procura testar o canal de comunicação.
b) metalinguística, porque há explicação do signifi cado das 
expressões.
c) conativa, uma vez que o leitor é provocado a participar de uma 
ação.
d) referencial, já que são apresentadas informações sobre 
acontecimentos e fatos reais.
e) poética, pois chama-se a atenção para a elaboração especial e 
artística da estrutura do texto.
08. (ENEM) A biosfera, que reú ne todos os ambientes onde se 
desenvolvem os seres vivos, se divide em unidades menores 
chamadas ecossistemas, que podem ser uma tem mú ltiplos 
mecanismos que regulam o nú mero de organismos dentro dele, 
controlando sua reproduç ã o, crescimento e migraç õ es.
DUARTE, M. O guia dos curiosos. Sã o Paulo: Companhia das Letras, 1995.
Predomina no texto a funç ã o da linguagem
a) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento em relaç ã o 
à ecologia.
b) fá tica, porque o texto testa o funcionamento do canal de 
comunicaç ã o.
c) poé tica, porque o texto chama a atenç ã o para os recursos de 
linguagem.
d) conativa, porque o texto procura orientar comportamentos do 
leitor.
e) referencial, porque o texto trata de noç õ es e informaç õ es 
conceituais.
09. (ENEM)
TEXTO I
Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras 
dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas 
põem o seu ideal de perfeição, porque nela é que se espelha o que 
o uso idiomático estabilizou e consagrou.
LIMA, C. H. R. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 
1989.
TEXTO II
Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras 
são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades 
incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim 
interesse de nenhuma espécie — nem sequer mental ou de sonho 
—, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos 
verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal 
página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda 
a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente 
quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de 
Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer 
como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
PESSOA, F. O livro do desassossego.São Paulo: Brasiliense, 1986.
A linguagem cumpre diferentes funções no processo de 
comunicação. A função que predomina nos textos I e II
a) destaca o “como” se elabora a mensagem, considerando-se a 
seleção, combinação e sonoridade do texto.
b) coloca o foco no “com o quê” se constrói a mensagem, sendo o 
código utilizado o seu próprio objeto.
c) focaliza o “quem” produz a mensagem, mostrando seu 
posicionamento e suas impressões pessoais.
d) orienta-se no “para quem” se dirige a mensagem, estimulando 
a mudança de seu comportamento.
e) enfatiza sobre “o quê” versa a mensagem, apresentada com 
palavras precisas e objetivas.
10. (ENEM)
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava
no morro da Babilônia num barracão sem número.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.
No poema de Manuel Bandeira, há uma ressignifi cação de 
elementos da função referencial da linguagem pela
a) atribuição de título ao texto com base em uma notícia veiculada 
em jornal.
b) utilização de frases curtas, características de textos do gênero 
jornalístico.
c) indicação de nomes de lugares como garantia da veracidade 
da cena narrada.
d) enumeração de ações, com foco nos eventos acontecidos à 
personagem do texto.
e) apresentação de elementos próprios da notícia, tais 
como quem, onde, quando e o quê.
11.
O texto é uma propaganda de 
um adoçante que tem o seguinte 
mote: Mude sua embalagem. A 
estratégia que o autor utiliza para 
o convencimento do leitor baseia-
se no emprego de recursos 
expressivos, verbais e não verbais, 
com vistas a:
a) ridicularizar a forma física do possível cliente do produto 
anunciado, aconselhando-o a uma busca de mudanças estéticas;
b) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea de buscar 
hábitos alimentares saudáveis, reforçando tal postura.
c) criticar o consumo excessivo de produtos industrializados por 
parte da população, propondo a redução desse consumo;
d) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora de forma, 
sugerindo a substituição desse produto pelo adoçante;
e) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo humano 
que não desenvolve atividades físicas, incentivando a prática 
esportiva.
12.
As atrizes
Naturalmente
Ela sorria
Mas não me dava trela
Trocava a roupa
Na minha frente
E ia bailar sem mais aquela
Escolhia qualquer um
Lançava olhares
Debaixo do meu nariz
Dançava colada
Em novos pares
Com um pé atrás
Com um pé a fi m 
Surgiram outras
Naturalmente
Sem nem olhar a minha cara
Tomavam banho
Na minha frente
Para sair com outro cara
Porém nunca me importei
Com tais amantes
 [...]
Com tantos fi lmes
Na minha mente
É natural que toda atriz
Presentemente represente
Muito para mim
CHICO BUARQUE. Carioca. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2006 (fragmento)
PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR
05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
115
INTERPRETAÇÃO
Na canção, Chico Buarque trabalha uma determinada função da 
linguagem para marcar a subjetividade do eu lírico ante as atrizes 
que ele admira. A intensidade dessa admiração está marcada em:
a) "Naturalmente/ Ela sorria/ Mas não me dava trela".
b) "Tomavam banho/ Na minha frente/ Para sair com outro cara".
c) "Surgiram outras/ Naturalmente/ Sem nem olhar a minha cara".
d) "Escolhia qualquer um/ Lançava olhares/ Debaixo do meu nariz".
e) "É natural que toda atriz/ Presentemente represente/ Muito 
para mim".
13.
Entre as funções de um cartaz, está a divulgação de campanhas. 
Para cumprir essa função, as palavras e as imagens desse cartaz 
estão combinadas de maneira a 
a) evidenciar as formas de contágio da tuberculose. 
b) mostrar as formas de tratamento da doença.
c) discutir os tipos da doença com a população. 
d) alertar a população em relação à tuberculose. 
e) combater os sintomas da tuberculose.
14.
14 coisas que você não deve jogar na privada
Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o que contamina o 
ambiente e os animais. Também deixa mais difícil obter a água 
que nós mesmos usaremos. Alguns produtos podem causar 
entupimentos:
• cotonete e fi o dental;
• medicamento e preservativo;
• óleo de cozinha;
• ponta de cigarro;
• poeira de varrição de casa;
• fi o de cabelo e pelo de animais;
• tinta que não seja à base de água;
• querosene, gasolina, solvente, tíner.
Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como óleo 
de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados a pontos de 
coleta especiais, que darão a destinação fi nal adequada.
MORGADO, M.; EMASA. Manual de etiqueta. Planeta Sustentável, jul.-ago. 2013 
(adaptado).
O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do foco no 
interlocutor, que caracteriza a função conativa da linguagem, 
predomina também nele a função referencial, que busca
a) despertar no leitor sentimentos de amor pela natureza, 
induzindo-o a ter atitudes responsáveis que benefi ciarão a 
sustentabilidade do planeta.
b) informar o leitor sobre as consequências da destinação 
inadequada do lixo, orientando-o sobre como fazer o correto 
descarte de alguns dejetos.
c) transmitir uma mensagem de caráter subjetivo, mostrando 
exemplos de atitudes sustentáveis do autor do texto em 
relação ao planeta.
d) estabelecer uma comunicação com o leitor, procurando 
certifi car-se de que a mensagem sobre ações de 
sustentabilidade está sendo compreendida.
e) explorar o uso da linguagem, conceituando detalhadamente os 
termos utilizados de forma a proporcionar melhor compreensão 
do texto.
15.
TEXTO 1
TEXTO 2
Como já visto, a propaganda emprega a função apelativa numa 
intenção persuasiva. É o que acontece com esta propaganda do 
projeto “Brasil — um país de todos”:
Nessa propaganda, para expressar a necessidade de erradicação 
do trabalho escravo, as ferramentas apresentam um valor 
simbólico representado como:
a) armas de defesa que sugerem medo de transformações;
b) grades de prisão que marcam a intensidade da exploração;
c) instrumentos de luta que mostram o poder dos exploradores;
d) objetos de tortura que expressam a insignifi cância do trabalho.
16. (EPCAR (AFA) 2020) Em 1934, um redator de Nova York chamado 
Robert Pirosh largou o emprego bem remunerado numa agência 
de publicidade e rumou para Hollywood, decidido a trabalhar como 
roteirista. Lá chegando, anotou o nome e o endereço de todos 
os diretores, produtores e executivos que conseguiu encontrar e 
enviou-lhes o que certamente é o pedido de emprego mais efi caz 
que alguém já escreveu, pois resultou em três entrevistas, uma das 
quais lhe rendeu o cargo de roteirista assistente na MGM.
Prezado senhor:
Gosto de palavras. 1Gosto de palavras gordas, untuosas, como 
lodo, torpitude, glutinoso, bajulador. Gosto de palavras solenes, 
como pudico, ranzinza, pecunioso, valetudinário. 2Gosto de palavras 
espúrias, enganosas, como mortiço, liquidar, tonsura, mundana. 
Gosto de suaves palavras com “V”, como Svengali, avesso, bravura, 
verve. Gosto de palavras crocantes, quebradiças, crepitantes, 
como estilha, croque, esbarrão, crosta. 3Gosto de palavras 
emburradas, carrancudas, amuadas, como furtivo, macambúzio, 
escabioso, sovina. 4Gosto de palavras chocantes, exclamativas, 
enfáticas, como astuto, estafante, requintado, horrendo. Gosto de 
palavras elegantes, rebuscadas, como estival, peregrinação, Elísio, 
PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR116
INTERPRETAÇÃO 05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
Alcíone. Gosto de palavras vermiformes, contorcidas, farinhentas, 
como rastejar, choramingar, guinchar, gotejar. Gosto de palavras 
escorregadias, risonhas, como topete, borbulhão, arroto.
Gosto mais da palavra roteirista que da palavra redator, e por 
isso resolvi largar meu emprego numa agência de publicidade 
de Nova York e tentar a sorte em Hollywood, mas, antes de dar 
o grande salto, fui para a Europa, onde passei um ano estudando, 
contemplando e perambulando.
Acabei de voltar e ainda gosto de palavras.Posso trocar algumas com o senhor?
Robert Pirosh
Madison Avenue, 385
Quarto 610
Nova York
Eldorado 5-6024.
(USHER, Shaun .(Org) Cartas extraordinárias: a correspondência inesquecível de 
pessoas notáveis. Trad. de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.p. 
48.) 
Analisando a forma e o objetivo do texto, é correto afirmar que 
a) a linguagem utilizada é acentuadamente formal, já que o remetente 
está em um contexto que necessita desse tipo de tratamento. 
b) para convencer o destinatário, Robert utilizou, ao longo da carta, 
discurso direto, caracterizando assim um tom de proximidade 
e amizade com o receptor. 
c) o texto é marcadamente denotativo, possibilitando ao 
destinatário perceber a versatilidade linguística do remetente. 
d) a carta se utiliza de elementos da função emotiva – centrada 
no emissor – ainda que a intenção predominante do autor seja 
a função apelativa – conquistar o receptor. 
17. (PUCSP 2017) Segundo o crítico Araripe Jr., referindo-se à 
produção de Alencar no romance Iracema, “os assuntos pouco 
interessavam à sua musa fértil; a linguagem era tudo”. Ou seja, o 
como se diz é mais importante do que aquilo que se diz. Assim, é 
correto afirmar que, na linguagem da obra, 
a) predomina a função poética, ou seja, a que se volta para a 
construção do texto, a partir dos aprocedimentos de seleção e 
combinação vocabular, marcado por princípio estético. 
b) predomina a função emotiva, em detrimento da referencial, já 
que é sob a ótica de Iracema que se constrói a narrativa. 
c) a função referencial, de caráter histórico, é que dá chão firme 
para o desenvolvimento do romance que alegoriza a fundação 
do Ceará. 
d) há largo uso da função apelativa, visto que é forte a intervenção 
do narrador sobre os sentimentos das personagens. 
18. (EPCAR (CPCAR) 2017) Leia o texto a seguir e responda à questão.
O Sal da Terra
Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da
Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que 
dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra
GUEDES, Beto. www.mundojovem.com.br/musicas/o-sal-da-terra-beto-guedestransito.
Acesso em 18/04/2016. 
Assinale a opção que contém uma informação correta sobre a 
canção “O Sal da Terra”. 
a) A função apelativa é predominante no texto. 
b) Apenas a linguagem padrão foi empregada em toda a canção. 
c) Foi utilizado, no texto, apenas pronome de segunda pessoa 
gramatical para se referir à Terra. 
d) A canção foi escrita apenas para dois interlocutores: a Terra e 
o Tempo. 
19. (IFCE 2016) Leia os textos abaixo e indique a alternativa que 
contém, respectivamente, a classificação correta quanto à função 
da linguagem neles predominante.
Texto I
“Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e 
não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseje 
por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada 
de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar 
aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da 
contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, um 
poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê de inspirações fáceis, 
dócil às modas e compromissos.”
(Carlos Drummond de Andrade) 
Texto II
“Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas 
coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a 
atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, 
estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. 
Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: 
parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais”.
(Clarice Lispector)
Texto III
 
a) Referencial – apelativa – poética. 
b) Fática – poética – apelativa. 
c) Metalinguística – emotiva – poética. 
d) Poética – metalinguística – emotiva. 
e) Metalinguística – referencial – emotiva. 
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05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
117
INTERPRETAÇÃO
20. (IFSP 2016) Observe o texto adaptado abaixo.
O zika vírus foi identificado no Brasil pela primeira vez no 
final de abril por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia 
(UFBA). Pertencente à mesma família dos vírus da dengue e da 
febre amarela, o zika é endêmico de alguns países da África e do 
sudeste da Ásia. Veja perguntas e respostas sobre a doença:
Como ocorre a transmissão?
Assim como os vírus da dengue e do chikungunya, o zika 
também é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A prevenção, 
portanto, segue as mesmas regras aplicadas a essas doenças. 
Evitar a água parada, que os mosquitos usam para se reproduzir, 
é a principal medida.
Quais são os sintomas?
Os principais sintomas da doença provocada pelo zika vírus 
são febre intermitente, erupções na pele, coceira e dor muscular. 
Segundo a infectologista Rosana Richtmann, a boa notícia é que o 
zika vírus é muito menos agressivo que o vírus da dengue: não há 
registro de mortes relacionadas à doença. A evolução é benigna e 
os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em um 
período de 3 até 7 dias.
Como é o tratamento?
Não há vacina nem tratamento específico para a doença. 
Segundo informações do Ministério da Saúde, os casos devem ser 
tratados com o uso de paracetamol ou dipirona para controle da 
febre e da dor. Assim como na dengue, o uso de ácido acetilsalicílico 
(aspirina) deve ser evitado por causa do risco aumentado de 
hemorragias.
É correto afirmar que, no que tange às funções da linguagem, o 
texto acima é um exemplo de Função 
a) Referencial ou Denotativa. 
b) Expressiva ou Emotiva. 
c) Apelativa ou Conativa. 
d) Fática. 
e) Metalinguística 
05.
APROFUNDAMENTO
EXERCÍCIOS DE
01. (UFU 2018) Considerando-se o total de 140.350 relatos de 
violência à Central de Atendimento à Mulher, escreva um parágrafo 
com, no máximo 10 linhas, a partir do texto II, cuja função da 
linguagem predominante seja a referencial. 
02. (UFPE 2013)
Em todo texto, predomina uma determinada finalidade 
comunicativa.
Escreva um comentário, no qual você apresente a finalidade 
comunicativa predominante no texto acima, e pelo menos três 
características ou recursos da linguagem nele utilizada, em função 
dessa finalidade.
03. (UFU 2016) O Brasil conheceu em 2015 a pior epidemia de 
dengue de sua história. Segundo o Ministério da Saúde, foram 
notificados mais de 1,5 milhão de possíveis casos da doença, que 
resultaram em 811 mortes.
Viu, além disso, a chegada do vírus zika, que rapidamente se espraia 
pelo território. Dados oficiais estimam em ao menos 500 mil o número 
de possíveis contaminações por esse agente infeccioso. 
A princípio considerado pouco perigoso, o zika tornou-se 
motivo de inquietação após ser confirmada a relação entre o vírus 
e o nascimento de bebês com microcefalia. 
Tais números evidenciam as diversas falhas no combate ao 
mosquito transmissor dos dois patógenos, o famigerado Aedes 
aegypti. 
Como se não bastasse, é provável que esse quadro se agrave 
em 2016. Dados oficiais mostram 199 municípios sob risco de 
novas epidemias de dengue, zika e chikungunya e 665 em situação 
de alerta – cifras mais expressivas do que as registradas no ano 
passado. 
Diante de tal situação, seria de se esperar que as autoridades 
buscassem com máxima presteza todos os meios para enfrentar 
a doençae o seu transmissor. O sentido de urgência, entretanto, 
parece não contaminar a burocracia nacional.
 Folha de S. Paulo, 11 de dezembro de 2015 (fragmento). 
Com base no texto acima, faça o que se pede. 
Qual é a função da linguagem predominante desse texto, levando 
em consideração os recursos linguísticos empregados pelo autor? 
Justifique sua resposta com fragmentos do texto. 
04. (FUVEST 2010) Leia estas duas estrofes da conhecida canção 
“Asa-Branca”, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira.
Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João,
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação.
Quando o verde dos teus olhos
se espalhar na plantação,
eu te asseguro, não chores não, viu,
eu voltarei, viu, meu coração.
a) Na segunda estrofe, substitua a palavra “viu” por outra que 
cumpra a mesma função comunicativa que ela tem no texto.
b) Nessas estrofes, os únicos recursos poéticos utilizados são 
rima e ritmo? Justifique sua resposta. 
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INTERPRETAÇÃO 05 FUNÇÕES DA LINGUAGEM
05. (UERJ 2005)
TEXTO I
COPLAS1
I
O GERENTE - Este hotel está na berra2!
Coisa é muito natural!
Jamais houve nesta terra
Um hotel assim mais tal!
Toda a gente, meus senhores,
Toda a gente ao vê-lo diz:
Que os não há superiores
Na cidade de Paris!
Que belo hotel excepcional
O Grande Hotel da Capital
Federal!
CORO - Que belo hotel excepcional, etc... 
II
O GERENTE - Nesta casa não é raro
Protestar algum freguês:
Acha bom, mas acha caro
Quando chega o fim do mês.
Por ser bom precisamente,
Se o freguês é do bom-tom
Vai dizendo a toda a gente
Que isto é caro mas é bom.
Que belo hotel excepcional!
O Grande Hotel da Capital
Federal!
CORO - Que belo hotel excepcional, etc...
O GERENTE (Aos criados) - Vamos! Vamos! Aviem-se! Tomem as 
malas e encaminhem estes senhores! Mexam-se! Mexam-se!... 
(Vozerio. Os hóspedes pedem quarto, banhos, etc... Os criados 
respondem. Tomam as malas, saem todos, uns pela escadaria, 
outros pela direita.)
CENA II
O GERENTE, depois, FIGUEIREDO
O GERENTE (Só.) - Não há mãos a medir! Pudera! Se nunca houve 
no Rio de Janeiro um Hotel assim! Serviço elétrico de primeira 
ordem! Cozinha esplêndida, música de câmara durante as refeições 
da mesa redonda! Um relógio pneumático em cada aposento! 
Banhos frios e quentes, duchas, sala de natação, ginástica e 
massagem! Grande salão com um plafond3 pintado pelos nossos 
primeiros artistas! Enfim, uma verdadeira novidade! - Antes de nos 
estabelecermos aqui, era uma vergonha! Havia hotéis em S. Paulo 
superiores aos melhores do Rio de Janeiro! Mas em boa hora foi 
organizada a Companhia do Grande Hotel da Capital Federal, que 
dotou esta cidade com um melhoramento tão reclamado! E o caso 
é que a empresa está dando ótimos dividendos e as ações andam 
por empenhos! (Figueiredo aparece no topo da escada e começa a 
descer.) Ali vem o Figueiredo. Aquele é o verdadeiro tipo do carioca: 
nunca está satisfeito. Aposto que vem fazer alguma reclamação. 
(AZEVEDO, Arthur. A Capital federal. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, 1972.)
1espécie de estrofe
2estar na moda
3teto 
O texto I faz parte de uma peça de teatro, forma de expressão que 
se destacou na captação das imagens de um Rio de Janeiro que se 
modernizava no início do século XX.
a) Aponte o gênero de composição em que se enquadra esse 
texto e um aspecto característico desse gênero.
b) A fala do gerente revela atitudes distintas, quando se dirige aos 
criados e quando está só. Identifique o modo verbal e a função 
da linguagem predominantes na fala dirigida aos criados. 
GABARITO
 EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. B
02. C
03. E
04. A
05. B
06. D
07. E
08. E
09. B
10. E
11. D
12. E
13. D
14. B
15. B
16. D
17. A
18. A
19. C
20. A
 EXERCÍCIOS DE APROFUNDAMENTO
01. Para atender às exigências da linguagem referencial, as ocorrências relatadas à Central 
de Atendimento à Mulher, que infringem as disposições legais enunciadas no texto I, o 
parágrafo deve apresentar objetividade, imparcialidade e clareza. Como sugestão, poderia 
ser redigido o seguinte: O gráfico apresentado revela que o percentual de relatos relativos 
à violência física supera todos os outros que atingem a mulher de variadas formas. A 
violência psicológica, forma subjetiva de agressão por ferir a autoestima, abrange um 
terço das ocorrências, em um universo em que figuram também as de ordem moral e 
sexual, assim como as que resultam em cárcere privado, violação de patrimônio e tráfico 
de pessoas.
02. O conteúdo do texto e o próprio título, associados à fotografia de um jovem com 
síndrome de Down, incitam o receptor da mensagem a participar na construção de um 
mundo mais justo, aceitando a diversidade, a convivência pacífica com as diferenças 
e a união cada vez maior dos que abraçam essa causa. Assim, a função conativa ou 
apelativa, cujo objetivo é de influenciar e convencer o receptor de alguma coisa por 
meio de uma ordem ou pedido, usa verbos no imperativo (“mostre”, “junte”, “seja”) ou 
conjugados na 3ª pessoa, enfaticamente repetidos na expressão “se você acredita”, para 
defender a inclusão social das pessoas portadoras dessa deficiência e,assim, ajudar a 
construção de um mundo mais justo.
03. A função da linguagem predominante no trecho é referencial, uma vez que o destaque 
dado pelo autor é o assunto. Portanto, são esperados fatos concretos (“O Brasil conheceu 
em 2015 a pior epidemia de dengue de sua história. Segundo o Ministério da Saúde, 
foram notificados mais de 1,5 milhão de possíveis casos da doença, que resultaram em 
811 mortes.”) descritos de forma objetiva e impessoal (“A princípio considerado pouco 
perigoso, o zika tornou-se motivo de inquietação após ser confirmada
04. 
a) No contexto, o termo “viu” assinala a função fática da linguagem em que o emissor 
deseja chamar a atenção do receptor para se certificar que existe contato entre 
ambos e equivale a tá? ouviu? entendeu?
b) Além da rima e do ritmo marcado pelo predomínio do verso redondilho maior, o 
poeta usou figuras de estilo que traduzem a sua emoção: decepção, na primeira 
estrofe e anseio de regresso, na segunda. A comparação (“a terra ardendo/Qual 
fogueira de São João”), a metáfora (“Quando o verde dos teus olhos/se espalhar 
na plantação”) e a metonímia (”meu coração”) revelam a preocupação do eu lírico 
em transmitir sentimentos de forma original e concisa, como é típico da linguagem 
poética. 
05. 
a) Gênero dramático. 
Podemos citar como características desse gênero: 
- ausência de narrador 
- presença de rubricas 
- predomínio de diálogos 
- personagens encarnados por atores 
- encenação dos episódios em um palco 
b) Modo imperativo. 
Função apelativa ou conativa. 
ANOTAÇÕES

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