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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE CARATINGA – FUNEC CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA – UNEC NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD BIOQUÍMICA Ronny Francisco de Souza GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 2 ÁGUA, PH E TAMPÃO . Água: Estrutura e Propriedades Físico-químicas A água é o principal componente da maioria das células, permeia todas as por- ções de todas as células. É importância em seres vivos, pois está envolvida como meio de transporte de nutrientes e reações metabólicas. É importante salientar que todos os aspectos de estrutura celular e suas fun- ções são adaptadas às propriedades físico-químicas da água. Nos animais o meio intracelular contém cerca de 55-60% de água e o extracelular 40-45%. Os meios de eliminação nesses organismos é vias pele, pulmões, rins e intestino. A água tem propriedades comuns como cor, odor, sabor, estado físico e propri- edades Incomuns como o PF (0°C), PE (100°C) e o calor de vaporização maior que os líquidos comuns. A água é um solvente universal (Figura 1), é produto de ionização e participa de interação entre as moléculas. Ela apresenta alta coesão e mínima distensão, ca- racterísticas estas que permitem que alguns insetos consigam andar sobre ela (tensão superficial), e explica porque ela permanece líquida a temperatura de 25⁰C enquanto que compostos como o CH4 e H2S, são gases nessa mesma temperatura. Figura 1 – A água como solvente. A água dissolve muitos sais cristalinos pela hidratação. Ex. rede cristalina do NaCl. Os átomos de hidrogênio da molécula de água, compartilha um par de elétrons com o oxigênio, formando uma geometria próxima do tetraedro (109,5°) (Figura 2). Os mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 3 pares de elétrons não compartilhados geram uma carga parcial (-) e a força de atração eletrônica do Oxigênio origina uma carga parcial (+), dando a água um caráter dipo- lar/eletricamente neutro. Figura 2 - Estruturas da molécula da água. Natureza dipolar da molécula H2O mostrado por (a) mo- delo bola e bastão; (b) modelo espacial. (c) Duas moléculas de H2O unidas por uma ligação de hidro- gênio. Propriedades solventes da água Substâncias iônicas polares são chamadas de hidrofílicas (afinidade por água). Os hidrocarbonetos são apolares, as interações íon-dipolo e dipolo-dipolo responsá- veis pela solubilidade de compostos iônicos e polares não ocorrem para compostos apolares, assim, esses compostos tendem a não se dissolver em água. As moléculas apolares que não se dissolvem em água são chamadas de hidro- fóbicas (aversão a água). Um líquido apolar forma um sistema em duas fases com a água, um exemplo é a mancha de óleo. As interações entre as moléculas apolares são chamadas de interações hidro- fóbicas, ou, em alguns casos, ligações hidrofóbicas. Uma única molécula pode ter porções polares (hidrofílicas) e apolares (hidrofó- bicas), e são chamadas de anfipáticas. E um exemplo desse composto são os ácidos graxos. A molécula de água dissolve rapidamente as moléculas polares ou carregadas (Figura 3). mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 4 Figura 3 - Exemplos de biomoléculas polares, apolares e anfipáticas. Ligação de Hidrogênio É atração eletrostática resultante entre o átomo de oxigênio de uma molécula de água e o átomo de hidrogênio de outra molécula de água. As ligações de hidrogênio são mais fracas que as ligações covalentes. Cada molécula de água se une mediante ligações de Hidrogênio a 3 ou 4 moléculas. A fluidez da água se deve a meia-vida curta das ligações que é de cerca de 9 a 10 segundos. Vale ressaltar que as ligações de hidrogênio não são restritas à água. Podem ser formadas entre um átomo eletronegativo (O, N) e um átomo de hidrogênio ligado a um outro átomo eletronegativo (Figura 4). Figura 4 – ligações de hidrogênio comum nos sistemas biológicos. Evidenciando as interações entre H-O, e H-N. mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 5 Assim, átomos de hidrogênio ligados à carbonos não formam ligações de hi- drogênio, como visto nas moléculas de butanol (P.F: 117°C), butano (P.F: -0,5°C), etc... (Figura 5). Figura 5 – Desenho esquemático demonstrando que as moléculas de água não interagem com o hi- drogênio da cadeia dos ácidos graxos, formando ligações de hidrogênio. Ligações de Hidrogênio Biologicamente Importantes As ligações de hidrogênio têm um envolvimento essencial na estabilização da estrutura tridimensional de moléculas biologicamente importantes incluindo o DNA, o RNA e as proteínas. As ligações de hidrogênio entre as bases complementares são uma das características mais marcantes da estrutura de dupla-hélice do DNA (Figura 6). Figura 6 - Ligações de hidrogênio de importância biológica. mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 6 O RNA transportador também tem uma estrutura tridimensional complexa ca- racterizada por regiões com ligações de hidrogênio. A ligações de hidrogênio em pro- teínas origina duas estruturas importantes, as conformações de α-hélice e folha β- pregueada (Figura 7). Figura 7 – Modelo de esfera e bastão mostrando as ligações de hidrogênio internas da cadeia. Solubilidade A interação com solutos ocorre porque a água é um líquido polar, a água pode dissolver sais cristalinos com íons que unem os átomos do sal (Figura 1). Em compostos orgânicos polares como nos açúcares, álcoois, aldeídos, ceto- nas, ácidos, onde há a formação de ligações de hidrogênio com os grupos hidroxila ou carbonila (Figura 6). Também ocorre interações com substâncias anfipáticas como nos fosfolipídios, proteínas, ácidos nucléicos. Nessas moléculas a água forma micelas, interagindo com a porção hidrofílica e repelindo a porção hidrofóbica. E a Solubilidade de alguns gases em água (Quadro 1). mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 7 Quadro 1 – Solubilidade dos gases Formação do complexo enzima-substrato é favorecido pela liberação das mo- léculas de H20 do sítio ativo (Figura 8). Figura 8 – Demonstrando a interação da molécula de água, no favorecimento na formação do complexo enzima-substrato. As interações fracas são cruciais para a estrutura e a função das macromolé- culas. Apesar desse tipo de interação serem individualmente fracas comparada a li- mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 8 gação covalente, o efeito cumulativo de muitas interações fracas pode ser muito sig- nificativo.Os quatro tipos de interações fracas (não covalentes) entre biomoléculas emsolvente aquoso podem ser visualizado no quadro 2. Quadro 2 – tipos de ligações fracas. Íon hidrogênio O íon hidrogênio (H+) é o íon mais importante nos sistemas biológicos. A con- centração nas células e líquidos biológicos influencia a velocidade das reações quími- cas, a forma e função das enzimas assim como de outras proteínas celulares e a integridade das células. A concentração desse íon nas células e líquidos biológicos deve estar em torno de 0,4nM (0,4x10-7). Água pura é levemente ionizada. Para a disponibilidade desses íons a molécula de água tem a leve tendência de sofrer uma ionização reversível, produzindo íon hidrogênio (próton-H+) e um íon hidróxila (OH-). Onde, H2O H+ + OH- mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 9 É bom salientar que mesmo mostrando o produto de dissociação da água como H+, os prótons livres H+, não existem em solução. Os íons hidrogênio formados em água são imediatamente hidratados para formar íons hidrônio. H2O e H2O H O+ H + OH- H Duas moléculas íon hidrônio de água Como representado acima, a dissociação das moléculas de água forma rapida- mente o íon hidrônio H3O+. Isto significa que em qualquer solução aquosa sempre haverá uma certa quan- tidade do íon hidrônio (H3O+) e do íon hidroxila (HO). Estes íons têm grande mobili- dade, maior que a dos outros íons, pois os prótons saltam de uma molécula para outra, e essa mobilidade resulta no “salto de prótons” (Figura 9). Figura 9 – Salto de prótons. O esquema mostra como o íon hidrônio doa prótons a molécula de água onde a mesma passa a ser o próprio íon hidrônio e assim por diante. A ionização da água é expressa pela constante de equilíbrio Em soluções aquosas diluídas o valor de [H2O], a 25°C, é essencialmente cons- tante e igual a 1000 g litro-1 ou seja 1000 g litro-1/18,015 g mol–1 = 55,5 M; por isto, pode-se incluir [H2O] na constante K, definindo uma nova constante de equilíbrio Keq. mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 10 Keq da água pura (25 ºC), mede grau de ionização da H2O, que é de 55,5 M. Keq = [H+] [OH-] [H2O] Considerando que o grau de ionização da H2O é de 55M, teremos o produto iônico da água (Kw) como segue Keq X [H2O]. Assim pela equação acima: Keq = [H+] [OH-], [H2O] Podemos considerar, que o produto iônico da água (Kw) (a 25 °C) é, Kw = [H+] [OH-] = Keq [H2O] E o produto iônico da água é de 1 x 10-14, assim: Kw = [H+] [OH-] =1 x 10-14 10-7 M 10-7 M Assim, se H+ for > 10-7 M, uma solução tendo mais H+, será ácida. E o inverso também é verdade, se em uma solução [OH-] > 10-7 M, ela será básica ou alcalina. Nos líquidos biológicos o valor de [H+] costuma estar próximo de 10-7 M. Há exceções, no entanto, como o suco gástrico, por exemplo, onde H+ for > 10-7 M, sendo uma solução ácida, para digerir os alimentos como proteínas. Definição de pH (potencial hidrogeniônico) e escala de pH Considerando Kw = [H+] [OH-], e fazendo o log negativo do mesmo (-log de Kw), teremos: log Kw log(1014) log([ H ][OH ]) log[ H ] log[OH ] Se chamarmos –log[H+] = pH e –log[HO–] = pOH, podemos escrever: 14 pH pOH A escala de pH é prática e costuma ser usada entre 0 e 14, na água pura: pH = -log[H+] = -log(10-7)= 7 Também na água pura: mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 11 pOH = 14 – pH = 14 – 7 = 7 O produto iônico da água, Kw é a base para a escala de pH (Quadro 3). Quadro 3 –Escala de pH É importante lembrar que a escala de pH é logarítmica, e não aritmética. Assim, se duas soluções diferem em pH por uma (1), unidade, isso significa que uma solução tem dez vezes mais a concentração de íons H+ que a outra. A figura 10 abaixo, for- nece valores de pH de alguns fluidos aquosos. Figura 10 – pH de alguns fluidos aquosos. mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 12 Ácidos e Bases O comportamento bioquímico de diversos compostos importantes depende de suas propriedades ácido-básicas. O ácido é a molécula que age como doador de pró- tons (íons hidrogênio) e a base é a molécula receptora de prótons. A velocidade com que ácidos ou bases doam e recebem prótons depende da natureza química dos compostos envolvidos. Segundo o conceito de Arrehnius (1887), o ácido é o composto que dissociado em água, libera íons H+. Já a base é o composto que dissociado em água, libera íons OH-. A água pode aceitar prótons também de outras substâncias, um fenômeno ex- tremamente importante não apenas em termos biológicos. Considera-se um ácido então, a substância que pode doar prótons e a base a substância que pode aceitar prótons. Onde, HA ácido e H2O base A- base conjugada do ácido HA H3O+ ácido conjugado da base H2O Uma forma abreviada da reação acima seria: Um doador de prótons e seu correspondente aceptor de prótons constituem um par de conjugado ácido-base (Figura 11). mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 13 Figura 11 – Pares conjugados ácido-base constituem em um doador de prótons e um aceptor de pró- tons. Desde que a razão de qualquer solução. [aceptor de prótons] [doador de prótons] seja conhecida, pode-se calcular o pH O valor de pKa é uma medida da força de um ácido, assim, quanto menor o valor pka, mais forte é o ácido. Costuma-se usar o valor de pKa também para medir a força de bases fracas, para tanto utiliza-se o pKa do ácido conjugado. pKa pKb 14 Portanto, vale a regra, quanto maior o pka de seu ácido conjugado, mais forte é a base, e quando menor o pkb, mais forte é a base Curvas de titulação e poder tamponante Se adicionarmos uma gota de 10 μl de HCl 1 M a um litro de água pura, o pH desce de 7 para 5, ou seja, ficará mais ácido. Se fizermos a mesma coisa com um litro mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 14 de sangue, adicionando uma gota do mesmo ácido, no entanto, a variação será mí- nima. Isto ocorre porque o sangue, assim como o interior das células, está tampo- nado, isto é, possui um sistema de ácidos e bases fracas que tende a absorver ex- cessos de prótons ou íons hidroxila. Para entender o fenômeno de tamponamento convém analisar as curvas de titulação de ácidos/bases fracos (Figura 12). Figura 12 - Comparação das curvas de titulação de três ácidos fracos. No ponto inicial existe apenas HÁ, à medida que HO- é adicionado forma-se A- . No ponto médio pH = pKa e [HA] = [A-]. No ponto final existe apenas A-. Da mesma forma podemos dizer que nas extremidades das curvas o pH varia muito com poucos equivalentes de HO- adicionados. Na faixa média, com pH’s pró- ximos aos dos pKa’s, no entanto, o pH varia pouco com muitos equivalentes de HO- adicionados.A faixa que resiste a variações de pH é chamada de faixa tamponante. Ela situa-se mais ou menos, entre pKa -1 e pKa +1. mailto:ronnyfrsouza@gmail.com GRADUAÇÃO UNEC / EAD CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Página | 15 As soluções tampão tendem a resistir a mudanças no pH na adição de peque- nas quantidades de ácidos ou bases fortes. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 1”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edição, 2014. Ed. Artmed. mailto:ronnyfrsouza@gmail.com CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com CARBOIDRATOS Os carboidratos são os compostos orgânicos que incluem amidos e açúcares. O amido e celulose, produzidos como resultado da fotossíntese dos vegetais, são res- ponsáveis pelo armazenamento de mais da metade do carbono orgânico total de nosso planeta. Dessa forma podemos destaca-las como a biomoléculas mais abundantes na natureza. O conceito dos carboidratos, integra sua natureza química, pois são denomina- dos de poliidroxialdeídos ou poliidroxicetonas (figura 1). Figura 1 – Um poliidroxialdeído com três carbono e uma poliidroxicetona também de três carbono. No geral, possuem a relação C:H:O de 1:2:1 = (CH2O)n. Assim se temos uma molécula com 3 carbono, considerando o afirmado anteriormente, posso afirmar que a molécula como um todo será C3H6O3. Essas moléculas desempenham uma ampla variedade de funções, pois são fonte de energia das células, funcionam como reserva (amido e glicogênio), são ele- mentos estruturais da parede celular e de proteção (exoesqueleto) como a quitina, participam como sinalizadores celulares (glicoproteínas e glicolipídeos), auxiliam na lubrificação de articulações como o líquido sinovial, alguns como a mucinas presentes AGORA É SUA VEZ. Como foi feito com uma molécula de três carbono. Faça agora com moléculas que tenha 5 carbonos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com na saliva são responsáveis pela lubrificação e proteção da cavidade bucal, atuam na adesão celular. A maior das vezes os carboidratos recebem nomes comuns que apresentam o sufixo “ose”, mas esta não é uma regra não se aplica a todas as classes, como pode ser verificado para os açucares glicogênio, amido, etc. Existem três classes principais de carboidratos, os monossacarídeos, os oli- gossacarídeos e os polissacarídeos. Monossacarídeos Esses são constituídos por uma unidade poliidroxicetona ou poliidroxialdeído e são as unidades de construção de sacarídeos mais complexos como os polissacarí- deos. Os mesmos são caracterizados por serem compostos sólidos, incolores, crista- linos, levemente solúveis em água, não sofrem hidrólise, insolúveis em solventes apo- lares e tem sabor adocicado, no geral. Os monossacarídeos podem ser classificados de duas maneiras. De acordo com a posição do grupo carbonila. E dessa forma podem ser aldoses, quando esse grupo químico estiver na extremidade da cadeia ou cetoses quando esse grupo quí- mico estiver no interior da cadeia (Figura2). Figura 2 – Classificação dos monossacarídeos. De acordo com a posição do grupo carbonila e número de carbono. E pode ser classificado de acordo com o número de átomos de carbono. Assim, um monossacarídeo com três carbono será uma triose (aldotriose ou cetotriose), sendo de quatro carbono será uma tetrose (aldotetrose ou cetotetrose) uma vez que tenha cinco carbonos será uma pentose (aldo ou cetopentose), sendo de seis carbono CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com será uma hexose (aldo ou cetoexose), sendo de sete carbono será uma heptose (aldo ou cetoheptose) (Figura 2). A aldose mais simples é o gliceraldeido (Figura 3), que possui apenas um car- bono assimétrico, o carbono 2. O carbono quiral ou carbono assimétrico é aquele que apresente quatro ligan- tes diferentes. Figura 3 – Gliceraldeído. Com a marcação se seu carbono quiral ou carbono assimétrico (estrela ver- melha). Assim, o gliceraldeído por apresentar o carbono quiral, ela pode ocorrer na na- tureza em duas formas espaciais ou estereoisômeros, a forma L, quando o grupo hi- droxila (álcool) do carbono assimétrico encontra-se voltado para a esquerda ou a forma D, quando o grupo hidroxila encontra-se voltado para a direita. Dizer que o gliceraldeído é um estereoisômero, significa que o mesmo se ca- racteriza por apresentar duas ou mais substâncias, que apresentam a mesma fórmula molecular mais diferentes fórmulas estruturais (Figura 4). . Figura 4 – As duas formas isomericas do gliceraldeído. Assim toda molécula de apresenta a mesma configuração do carbono quiral (C*) do D-gliceraldeido, é denominado de Isômero D e toda molécula de apresenta a mesma configuração do C* do L-gliceraldeido é denominado de Isômero L. A maioria das hexoses dos organismos vivos se apresenta forma D. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Epímeros são açucares que diferem em apenas na configuração de um car- bono. As moléculas de monossacarídeo em solução passam a formar a partir da es- trutura linear, uma estrutura cíclica (Figura 5). As estruturas abertas sugerem compor- tamento de aldeídos e cetonas normais. Entretanto, a glicose sólida é quase inerte ao oxigênio, enquanto que aldeídos são auto-oxidáveis. Figura 5 – Formação das duas formas cíclicas da D-glicose. Veja que após a ciclização o açúcar cíclico possui duas formas anoméricas, a forma alfa (α) e beta (β), ou seja, apresenta duas formas isoméricas. O carbono da carbonila é o carbono anomérico, ele é o centro quiral com duas configurações possí- veis (Figura 5). Isto se explica porque os açúcares reagem internamente para formar hemiacetais (reação que ocorre entre o aldeído e os grupos álcool da mesma molécula de carboidratos) ou hemicetais (reação que ocorre entre a cetona e o grupo álcool da mesma molécula de carboidrato) cíclicos. O carbono anomérico é aquele que vai sofrer a reação para formar o hemiacetal ou hemicetal cíclico, transformando-se em mais de um centro de assimetria e origi- nando duas formas estereisoméricas, como dito acima, os anômeros alfa (α) e beta (β). No anômero alfa, o OH do carbono assimétrico encontra-se voltado para baixo doCENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com plano do anel. No anômero beta, o OH do carbono assimétrico encontra-se voltado para cima do plano do anel. Todos os monossacarídeos podem ser oxidados por agentes oxidantes como o íon Fe3+ (férrico) e Cu2+ (cúprico). Assim, em presença de agentes oxidantes como os íons Fe3+ (férrico) e Cu2+ (cúprico) doam elétrons, reduzindo-os a íons Fe2+ (ferroso) e Cu+ (cuproso). A mudança no estado de oxidação do íon cobre é seguida de mu- dança de coloração do azul para o vermelho tijolo, sendo à base da reação de Bene- dict, utilizada na detecção de açucares redutores. Oligossacarídeos Oligossacarídeos são polímeros curtos, com dois a dez monossacarídeos uni- dos por uma ligação covalente denominada glicosídica (Figura 6). Figura 6 – Demonstração da ligação glicosídica, na formação da maltose. As ligações glicosídicas são ligações covalentes que envolvem obrigatoria- mente o carbono anomérico (extremidade redutora) de um resíduo (C1 nas aldoses ou C2 nas cetoses) de açúcar com um grupo hidroxila do outro resíduo de açucar. Quando na ligação o oxigênio está envolvido, essa ligação é chamada de ligações O- glicosídicas, mas quando o nitrogênio está envolvido ela denominada de ligação N- glicosídica. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Os dissacarídeos são carboidratos formados pela ligação glicosídica entre dois resíduos de monossacarídeos (Figura 6). A sacarose é formada através da união de molécula de α-D-glicose e de uma molécula de β-D-frutose, onde o carbono C1 da glicose e C2 da frutose formam a ligação glicosídica. É um açúcar não redutor pois os grupos químicos redutores (car- bonos anoméricos) participam na ligação glicosídica (Figura 7). A sacarose é hidroli- sada pela enzima digestiva sacarase ou invertase. Figura 7 – Formação da sacarose. Evidenciando que os carbonos anoméricos estão envolvidos na ligação glicosídica, o que não permite que essa molécula reduza o íon cúprico, sendo agora não redu- tora. Polissacarídeos Polissacarídeos são polímeros de carboidratos unidos por ligações glicosídicas do tipo alfa ou beta. As cadeias formadas podem ser lineares ou ramificadas. São também chamados de glicanos, são moléculas insolúveis em água. Apresentando apenas um único tipo de monossacarídeo em sua constituição são homopolissacarí- deos, mas se os monossacarídeos forem diferentes eles passam a serem denomina- dos heteropolissacarídeos (Figura 8). Apresentam duas funções biológicas principais: reserva energética e estrutural. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 8 – Polissacarídeos. Exemplos de homopolissacarídeos e heteropolissacarídeeos. Homopolissacarídeos São polímeros de açúcares formados a partir da ligação entre um mesmo car- boidratos (Figura 8). Glicogênio São polissacarídeos de reserva nos animais Ocorre principalmente no fígado e músculos esqueléticos, são formado por mais de 500 unidades de α-D-glicopiranoses, com ligação α (14) nas cadeias e α (16) nas ramificações. As ramificações surgem a cada 8 ou 12 resíduos (Figura 9). Figura 9 – Glicogênio. Evidenciando as ligações α (14) nas cadeias e α (16) nas ramificações CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Amido São polissacarídeo de reserva nos vegetais. Podem se apresentar de dois ti- pos: amilose e amilopectina. Amilose Se caracteriza por apresentar estrutura com ± 300 unidades de α-D-glicopira- noses, cuja as ligação α (14). Suas cadeias longas não apresentam ramificações, sendo assim helicoidais (Figura 10). Amilopectina Sua estrutura com mais de 300 unidade de α-D-glicopiranoses, onde suas liga- ções são α (14) nas cadeias e α (16) nas ramificações. Suas cadeias se ramificam entre 24 a 30 resíduos. Figura 10 – Amido. Evidenciando a amilose e amilopectina. Celulose São polímero de monossacarídeos, constituídos por uma sequência linear de β-D-glicose, com ligações β(14) (Figura 11). Este tipo de ligação confere à celulose CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com uma estrutura espacial muito linear estabilizada por pontes de hidrogênio intra e inter- cadeias, sendo responsável pela insolubilidade das fibras em água. Os seres huma- nos não possuem enzima para digeri-la, assim ao se alimentar de vegetais folhosos os mesmos não são degradados. Esse polímero compõe a estrutura da parede celular vegetal. Figura 11 – Estrutura da celulose. Evidenciando sua cadeia linear. Quitina Esses são polissacarídeo estrutural dos invertebrados, pois compõem o exoes- queleto dos artrópodes. Provavelmente, depois da celulose, é o polissacarídeo mais abundante na natureza. Também encontrado na parede celular de certos fungos. Esse polímero é formado por unidades de N-acetilglicosamina em ligações β (14), for- mando cadeias distendidas como a celulose (Figura 12) Figura 12 – Estrutura da quitina, evidenciando o tipo de monossacarídeo em sua composição. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Heteropolissacarídeos São polímeros de açucares, formados a partir da ligação entre dois ou mais carboidratos diferentes (Figura 8). Peptídeoglicano São componente rígido das paredes celulares bacterianas, formados por com- postos alternados de N-acetilglicosamina e ácido N-acetilmuramico, unidos por liga- ções β (14) (Figura 13). Figura 13 – Peptídeoglicano. Polissacarídeo, um heteropolissacarídeo. A penicilina e os antibióticos relacionados são bactericidas por impedirem a formação das ligações cruzadas, levando a parede celular fraca e consequentemente a lise osmótica. As enzimas lisozima produzidas naturalmente pelos seres humanos, pelas glândulas lacrimais, também hidrolisam essas ligações. Glicosaminoglicano São polissaarídeos lineares, presentes na membrana basal (uma matriz extra- celular-MEC especializada sobre a qual se assentam as células epiteliais. CENTROUNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Forma uma família de polímeros lineares compostos por unidades de dissaca- rídeo repetidas. São exclusivos de animais e bactérias e não estão presentes em plan- tas. Obrigatoriamente em sua estrutura está presente o N-acetilglicosamina ou N- acetilgalactosamina, sendo o outro na maioria dos casos, é um ácido uronico (D-gli- curonico ou ácido L-iduronico); Os glicosaminoglicanos sulfatados são ligados a proteínas extracelulares para formarem proteoglicanos. A heparina sulfatada, é um polímero mais altamente carregado nos tecidos de Mamíferos, e está envolvida no processo de coagulação sanguínea. O ácido hialurônico está presente no tecido conjuntivo, líquido sinuvial e humor vítreo dos olhos. O ácido hialurônico é composto pelo ácido glicurônico e N-acetil-D- glicosamina (GlcNAc). Glicoconjugados São polímeros de açúcar ligados a lipídeos ou proteínas. Estão envolvidos no transportadores de informação (Figura 14). Alguns fazem a comunicação entre as cé- lulas e a matriz extracelular circundantes, outros sinalizam proteínas para o transporte e a localização em locais específicos ou degradação. Alguns glicoconjugados atuam como ponto de reconhecimento para moléculas de sinalização extracelulares (fatores de crescimento) ou parasito\as extracelulares (bactérias e vírus). Os tipos de glicoconjugado são proteoglicanos, glicoproteínas e glicolipídeos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 14 – Glicoconjugado. Exemplificando os tipos glicoproteínas, proteoglicanos e glicoesfingolipí- deos Proteoglicanos São macromoléculas da superfície celular ou da matriz extracelular nas quais uma ou mais cadeias de glicosaminoglicanos sulfatados estão covalentemente unidas a uma proteína de membrana ou a uma proteína secretada. As cartilagens, são redes de fibrilas de colágeno preenchida por proteoglicanos. Glicoproteínas Possuem um ou alguns oligossacarídeos de complexidades variadas covalen- temente unidos a uma proteína, onde o conteúdo de carboidratos varia de < 1% a >90% em peso. São encontradas na superfície externa da membrana plasmática, na matriz ex- tracelular e no sangue. Glicolipídeos São esfingolipídeos de membrana nos quais os grupos da cabeça é um oligos- sacarídeo. São pontos de reconhecimento por lectinas. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com O cérebro e os neurônios são ricos em glicolipídeos, auxiliando na condução nervosa e na formação da mielina. São importantes na transdução de sinais. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 2”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edição, 2014. Ed. Artmed. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com LIPIDEOS Os lipídeos são representados pelas gorduras, óleos, ceras, hormônios sexuais e componentes correlatos encontrados em alimentos. No corpo humano encontram- se distribuídos em todos os tecidos, principalmente nas membranas celulares, lipo- proteínas (sangue), em corpúsculos lipídicos e nas células dos adipócitos. Nas membranas, a natureza anfipática dos lipídeos constituintes é fundamental para estabelecer uma interface entre o meio extracelular e o meio intracelular. Lipídeos são um conjunto de substâncias orgânicas que são caracterizadas principalmente pela baixa solubilidade em água e outros solventes polares, e alta so- lubilidade em solventes orgânicos apolares como éter, acetona e clorofórmio. Os lipídios possuem funções importantíssimas para o metabolismo celular dos organismos vivos, podendo atuar como componentes das membranas celulares, jun- tamente com as proteínas (fosfolipídios e colesterol), como reserva de energia, prote- ção, coparticipante no sistema de transporte de elétrons no interior da membrana mitocondrial, como alimento, isolante térmico, participam ainda de funções biológicas especializadas, como no caso dos hormônios e vitaminas, e na sinalização intra e intercelulares. Classificação dos lipídios Os ácidos graxos são ácidos monocarboxílicos, contendo grupo carboxila ioni- zável e uma porção hidrocarbonada. Geralmente apresentam número par de átomos de carbono em cadeias possuindo de 4 a 24 átomos de carbono. Possuem um grupo “cabeça” carboxílico de natureza polar (hidrofílico) e uma cadeia hidrocarbonada apo- lar (hidrofóbica) sendo, portanto, moléculas anfipáticas (Figura 1). Figura 1 – Demonstração de um ácido graxo, enfatizando a parte polar (grupo carboxil), e a parte apolar (grupo hidrocarbonada). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com A cadeia hidrocarbonada é quem confere à maioria dos lipídeos a sua natureza oleosa ou gordurosa, insolúvel em água. Os ácidos graxos são classificados, quanto à presença de duplas ligações em suas cadeias, em ácidos graxos saturados e insa- turados. Os ácidos graxos podem ser saturados quando não apresenta dupla ligação ou insaturados quando apresenta ligação dupla em alguma parte de sua estrutura. As estruturas dos ácidos graxos quase sempre se apresentam em configuração geomé- trica “cis”. As duplas ligações, nessas moléculas, quase nunca são conjugadas. Os ácidos graxos se diferem pela extensão da cadeia e a presença, número e posição das duplas ligações (Figura 2). Figura 2 – Estruturas esquemáticas exemplificando as diferenças entre as cadeias de ácidos graxos. Aqui é importante ressaltar que, para os ácidos graxos saturados, quanto maior o número de carbonos, maior o ponto de fusão. Nos insaturados quanto maior o nú- mero de duplas ligações, menor o ponto de fusão. Do ponto de vista da nutrição, são classificados em ácidos graxos essenciais e ácidos graxos cis ou trans. Ácidos graxos saturados (Figura 3), apresentam apenas ligações simples entre os carbonos na cadeia, assim, não possuem ligações duplas. São geralmente sólidos à temperatura ambiente. Figura 3 – Esquema da estrutura do ácido graxo saturado. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICANÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Os ácidos graxos saturados estão presentes em alimentos de origem animal como carne bovina, frango, porco, laticínios, onde predominam formando os lipídios de reserva energética, e em alguns alimentos vegetais como a palmeira e sua se- mente e óleo de côco. Agora os ácidos graxos que apresentam dupla ligação, os ácidos graxos insa- turados (Figura 4), podem apresentar uma ou mais duplas ligações. Figura 4 – Estrutura esquemática de ácido graxo insaturado. Os ácidos graxos com essas características são líquidos à temperatura ambi- ente, são de origem vegetais. Como podem apresentar uma ou mais ligações duplas, os ácidos graxos insaturados podem ser denominados de mono (uma dupla ligação) ou poli-insaturados (com várias ligações duplas). Alguns ácidos graxos não são possíveis serem produzidos pelo nosso orga- nismo, assim são adquiridos pela alimentação, como os ácidos graxos poli-insatura- dos (essenciais). Esses tipos de ácidos graxos essenciais são adquiridos pela inges- tão de óleos vegetais. Exemplos clássicos desse tipo de ácidos graxo, são os ácidos graxos linoléico e linolênico. A produção do ácido araquidônico se dá a partir do linoléico. A partir do araqui- dônico é possível a síntese dos eicosanóides como a prostaglandinas (Figura 5), trom- boxanas e leucotrienos, compostos de grande importância biológica. Nos alimentos como óleos de açafrão, soja, milho, semente de algodão e de amendoim, são encon- trados os ácidos graxos linoléico e linolênico. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 5 – Via de produção de eicosanoides (prostaglandinas), a partir do ácido graxo araquidônico. Os eicosanoides são derivados do ácido araquidônico e são importantes com- ponentes em vários processos metabólicos e de comunicação intercelular. Um dos eicosanoides presente na espécie humana e outros mamíferos é a prostaglandina e que tem como função o controle da inflamação, regular a temperatura corporal e aju- dar na formação de coágulos sanguíneos. Outros tipos desses lipídeos são os leuco- trienos que participam nas reações alérgicas e inflamatórias e os tromboxanos que participam em coagulação sanguínea e reduzem o fluxo de sangue ao sítio do coá- gulo. A forma cis e trans dos ácidos graxos cis e trans são constituintes das gorduras cis ou trans. A forma cis provoca uma prega na cadeia hidrocarbonada no local da dupla ligação. Já a forma trans tem formato semelhante aos ácidos graxos saturados, com a cadeia estendida, estando presentes nas gorduras vegetais hidrogenadas como margarinas, frituras, produtos de comercialização, etc. O processo pelo qual átomos de hidrogênio são adicionados às duplas ligações dos ácidos graxos insaturados, tornando-os mais sólidos e saturados é denominado de hidrogenação. Assim esse processo produz a margarina a partir do óleo de soja, que é rica em ácidos graxos “trans” que podem tornar-se extremamente tóxicos ao organismo humano, por inibir enzimas importantes, como a delta-6-desaturase do me- tabolismo dos lipídeos. Lipídeos de armazenamento Os lipídeos mais simples constituídos a partir de ácidos graxos são os triacilgli- cerois (TAG) (Figura 6). Esses são apolares e, portanto, são armazenados na forma de gotículas principalmente em adipócitos para serem utilizados como reserva ener- gética. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 6 – Um triacilglicerol, evidenciando a parte da estrutura marcado de salmão, o glicerol. Nele está ligado os três ácidos graxos, onde o ligado no carbono 2, se apresenta com duas ligações duplas. Os triacilglicerois são sintetizados principalmente no fígado e transportados no sangue na forma de lipoproteínas (quilomícrons, VLDL, LDL, HDL). São lipídeos constituídos de três ácidos graxos e glicerol, sendo que os ácidos graxos podem ser iguais ou diferentes (Figura 7). Figura 7 – Esquema mostrando a ligação dos ácidos graxos no glicerol formando o triacilglicerol. Além da função de reserva os mesmos participam como isolante térmico. Esse tipo de gordura está presente principalmente em recém-nascido de espécies de ma- míferos, sendo usada por esses para proteção em baixas temperaturas. Outras funções estão relacionadas a impermeabilização da pele, folhas e penas de aves. Muitas plantas têm na superfície foliar camadas de cutina substância a base de lipídeos para diminuir a perda de água por evaporação. Aves de maneira geral utilizam os lipídeos impermeabilizantes produzidos pela glândula uropigiana (Figura 8), para impermeabilizar as penas ou para proteção da chuva ou para facilitar o nado. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 8 – Momento em que uma ave da ordem columbiformes (ordem a qual os pombos e rolinhas pertencem), coleta da glândula uropigiana lipídeos para impermeabilizar as suas penas. Lipídeos estruturais em membranas Os lipídeos de membrana são anfipáticos, ou seja, uma parte é hidrofilica (tem afinidade a molécula de água) e uma hidrofóbica (não tem afinidade a molécula de água). Os cinco tipos de lipídeos de membrana que será tratado aqui são os glicero- fosfolipídeos, galactolipídeos, lipídeo éter de arqueias, esfingolipídeos e esteróis. Glicerofosfolipídeos São lipídeos de membrana nos quais dois ácidos graxos estão unidos por liga- ção éster ao primeiro e ao segundo carbono do glicerol e um grupo polar ou carregado está unido por ligação fosfodiéster ao terceiro carbono (Figura 9). Figura 9 – Demonstração de uma estrutura de um glicerofosfolipídeo, mostrando as duas cadeias hi- drofóbicas dos ácidos graxos e grupo fosfato ligado no carbono 3. Os glicerofosfolipídeos desempenham importante papel na estrutura e função das membranas plasmáticas, por apresentar essa característica de ser uma molécula anfipática. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Veja que dependendo da molécula que se liga na porção polar desse lipídeo como a colina, a etanolamina, o inositol, glicerol ou outros, formaremos diferentes gli- cerofosfolipídeos (Figura 10). Figura 10 – Demonstração dos tipos de moléculas que podem se ligar ao grupo polar do glicerofosfoli- pídeo, formando as mais variadas estruturas. Galactolipídeos Esses tipos de lipídeos estão presentes nos vegetais, mais precisamente nas membranas dos tilacóides, doscloroplastos (Figura 11). Figura 11 – Duas estruturas de galactolipídeos presentes nas membranas dos tilacóides de cloroplas- tos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Lipídeo éter de arqueias Algumas arqueias apresentam lipídeos de mambrana de hidrocarboneto de ca- deia longa ramificada, ligado a cada extremidade por glicerol por ligações éter, dando a essa molécula maior estabilidade tanto em pH baixos como em altas temperaturas. A cada extremidade da molécula estendida há um grupo polar que consiste em glicerol ligado a fosfato ou a resíduos de açúcar (Figura 12). Figura 12 – Um lipídeo de membrana encontrado apenas em algumas arqueias. Esfingolipídeos É um lipídeo formado por uma molécula de ácido graxo de cadeia longa, a es- fingosina (um aminoálcool de cadeia longa) e um grupo polar unido por ligação glico- sídica em alguns casos ou ligações fosfodiéster em outros (Figura 13). Figura 13 – Estrutura de um esfingolipídeo. O composto resultante da ligação de um ácido graxo no grupo NH ligado ao carbono 2 é um ceramida. Assim a ceramida é o precursor estrutural de todos os esfingolipídeos. Há três subclasses de esfingolipídeos, todos derivados da ceramida, a esfingo- mielina, glicoesfingolipídeos e gangliosídeos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Esfingomielinas possuem a fosfocolina (Figura 14) ou a fosfoetanolamina como cabeça polar. É um dos principais lipídios estruturais das membranas do tecido nervoso, formando uma camada isolante e protetora dos axônios de alguns neurônios, conhecida como bainha de mielina, onde se relacionam com o aumento da velocidade de condução do impulso nervoso. Figura 14 – Exemplificação da esfingomielina com a cabeça polar sendo a fosfocolina. Os glicoesfingolipídeos ocorrem na face externa da membrana plasmática. Um dos tipos de glicoesfingolipídeo é o cerebrosídeo que apresenta um único açúcar ligado à ceramida. Já os globosídeos são glicoesfingolipídeos com dois ou mais açú- cares, geralmente D-glicose, D-galactose ou N-Acetil-D-galactosamina. Esse tipo de lipídeo algumas vezes é chamado de glicolipídeo neutro por não possuírem carga em pH 7. Figura 15 – Demonstração do tipo de glicoesfingolipídeos pelo tipo de ligante na cabeça polar. Gangliosídios são os esfingolipídeos mais complexos, pois possuem em sua estrutura cabeças polares muito grandes formadas por oligossacarídeos e um ou mais resíduos do ácido N-acetilneuramínico e um ácido siálico, nas extremidades (Figura 16). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 16 – Demonstração do tipo de ligante dos gangliosídeos. Esteróis Os esteróis são lipídios estruturais presentes na maioria das membranas da maioria das células eucariontes. Eles apresentam um núcleo de quatro anéis fusiona- dos três com seis carbonos e um com cinco carbonos, também chamado de núcleo esteróide, cuja estrutura química é bastante diferente do resto dos lipídios. São exem- plos de esteróides: os sais biliares, hormônios sexuais, pró-vitamina D, corticóides ou corticosteróides. O colesterol (Figura 17) é o principal esterol nos tecidos animais que se carac- teriza por ser anfipático, tendo um grupo cabeça polar e um corpo hidrocarbonado polar (núcleo esteróide) e um cadeia lateral hidrocarbonada. Figura 17 – A estrutura do colesterol. Eles podem atuar, nos organismos, como hormônios e, nos humanos, são se- cretados pelas gônadas, córtex adrenal e pela placenta. Uma parte do colesterol é produzida no fígado, outra vem da alimentação, principalmente de carnes gordas, ovos, leite e seus derivados. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com A testosterona é o hormônio sexual masculino, enquanto que o estradiol é o hormônio responsável por muitas das características femininas. Lipídeos como sinalizadores, cofatores e pigmentos Fosfatidilinositóis e derivados de esfingosina O fosfatidilinositol e seus derivados fosforilados atuam em vários níveis para regular a estrutura celular e o metabolismo. O fosfatidilinositol-4,5-bifosfato (Figura 18) na face citoplasmática da mem- brana, ou seja, dentro da célula, serve como um reservatório de molécula mensageira que são liberadas dentro da célula em resposta a sinais extracelulares interagindo com receptores de superfície específicos. Figura 18 – A molécula de fosfatidilinositol-4,5-bifosfato, demonstrando o local de clivagem por enzimas específicas, para liberação de suas partes sinalizadoras. Enzimas específicas podem hidrolisa essa molécula e liberar dois compostos, o inositol-1,4,5-trifosfato (IP3) e o diacilglicerol. Uma das funções do IP3 é a de provo- car a liberação de Ca2+ do retículo endoplasmático, a combinação do diacilglicerol e da elevada concentração de Ca2+ citosólico ativa a enzima proteína cinase C. E o papel dessa enzima ativada é de fosforilar proteínas específicas para desenvolver de- terminadas ações dentro da célula alvo (Figura 19). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 19 – Um mecanismo de sinalização celular desencadeado pela clivagem do fosfatidilinositol-4,5- bisfosfato, tendo a proteína cinase C ativada. Eicosanoides Os eicosanoides são hormônios parácrinos, ou seja, agem em células próxi- mas. Nos vertebrados estão envolvidos na reprodução, na inflamação, na febre, na dor associada aos ferimentos ou às doenças, na formação de coágulos sanguíneos, na regulação da pressão sanguínea, na secreção de ácido gástrico e em outros pro- cessos. Todos eicosanoides são derivados do ácido araquidônico (Figura 20). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 20 – Alguns dos derivados do ácido araquidônico. Há três classes de eicosanoides: prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos. Prostaglandinas (PG) estão envolvidas na estimulação da contração da mus- culatura lisa do útero durante a menstruação e o trabalho de parto. Outrosgrupos de prostaglandina elevam a temperatura corporal, produzindo a febre, e causando infla- mação e dor. Tromboxanos são produzidos pelas plaquetas (Trombócitos) e tem o papel na formação de coágulos e redução de fluxo sanguíneo no local do coágulo. Os anti- inflamatórios não esteroidais (AINEs), inibem a formação dos tromboxanos e da pros- taglandina (Figura 20). Leucotrienos são produzidos por leucócitos e a forma A4, induz a contração da musculatura lisa que envolve as vias aéreas até o pulmão. Assim sua produção em grande quantidade causa a crise asmática. Assim os leucotrienos é alvo dos fármacos como a prednisona. Esteroides São moléculas hormonais lipídicas derivadas dos esteróis como o colesterol, que se ligam a seus receptores com alta afinidade, sendo necessário baixas concen- trações desses para exercer suas funções. Os principais grupos desses são os hormônios sexuais femininos e masculinos, os hormônios da suprarrenal, o cortisol e aldosterona. A prednisona e a prednisolona são fármacos esteroides com atividade anti-flamatórias potentes (Figura 21). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 21 – Alguns hormônios esteroides femininos (estradiol), masculino (testosterona), da suprarrenal (cortisol e aldosterona) e fármacos esteroides como a prednisona e prednisolona. Os hormônios brassinolídeo são produzidos nas plantas vasculares com função de regular o crescimento das plantas (Figura 22). Figura 22 – Hormônio brassinolídeo encontrados em plantas vasculares. Vitaminas A e D Essas vitaminas são precursoras de hormônios. A vitamina D3, conhecida como colecalciferol é formada na pele pelo 7-desidrocolesterol pela reação fotoquímica ca- talisada pelo componente UV da luz solar (Figura 23). No entanto, para ser ativo, o colecalciferol é convertido por enzimas do fígado e no rim a 1α,25-di-hidroxivitamina D3 (calcitriol). Assim, nessa forma podem regular a captação do cálcio no intestino e os níveis de cálcio no rim e nos ossos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 23 - Demonstração da conversão do 7-desidrocolesterol, pela luz UV e em seguida a vitamina D3 sendo convertida em calcitriol, no fígado. A deficiência da vitamina D leva ao raquitismo, um quadro de formação defei- tuosa dos ossos. Esse quadro é revertido pela administração de vitamina D. A vitamina A (retinol), funcionam como um hormônio e como pigmento fotos- sensível do olho dos vertebrados (Figura 24). Figura 24 – Reações sucessivas do precursor da vitamina A, o β-caroteno (a), levando a formação consequentemente da Vitamina A1 (b), Retinal (c), ácido retinoico (d) e do retinal todo-trans (e). O derivado da vitamina A, o ácido retinóico está envolvido na regulação da ex- pressão gênica do tecido epitelial, a partir de formulas farmacêuticas, esse hormônio tem papel no tratamento da acne grave e rugas. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com O retinal outro derivado da vitamina A, é o pigmento que inicia a resposta dos bastonetes e dos cones da retina à luz, levando a partir daí um sinal neuronal para o cérebro. A deficiência de vitamina A leva a secura da pele, dos olhos e das membranas mucosas, desenvolvimento retardado e cegueira noturna. Vitaminas E, K e as quinonas Os tocoferóis é um grupo de lipídeo relacionados denominados de vitamina E, que contém um anel aromático substituído e uma cadeia lateral longa de isoprenoide (Figura 25). Figura 25 – Estrutura de uma vitamina E. Os tocoferóis são antioxidantes biológicos e por serem moléculas hidrofóbicas se associam facilmente com as membranas celulares, depósitos de lipídeos e lipopro- teínas no sangue. Os alimentos como ovos, óleos vegetais, germe de trigo são locais onde en- contramos tocoferóis. A falta dessa vitamina em mamíferos pode levar a pele esca- mosa, fraqueza muscular, esterilidade e fragilidade dos eritrócitos (hemácias). A vitamina K (Figura 26), está envolvida em vários processos em muitos orga- nismos. Essa molécula passa por uma série de mudança antes de formar a protrom- bina ativa, que atua na coagulação sanguínea. Figura 26 – Estrutura da vitamina K. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com A varfarina (Figura 27) é um composto sintético que inibe a formação da pro- trombina ativa, assim é amplamente utilizada em paciente com risco de desenvolver coagulação excessiva, como em caso de trombose coronariana e em paciente sub- metidos a cirurgias. Figura 27 – Estrutura da varfarina, um anticoagulante. Esta vitamina é encontrada em folhas de plantas verdes (vitamina K1=filoquinona), são produzidas por bactérias que vivem em intestinos de vertebrados (vitamina K2=menaquinona) Deficiência dessa vitamina pode levar a um retardo na coagulação sanguínea, alguns bebes sofrem da doença hemorrágicas do recém-nascido que são condições que podem ser fatais para esse tipo de paciente. A ubiquinona e plastoquinona são isoprenoides presentes na cadeia transpor- tadora de elétrons, cuja função é a de transportares lipofílicos de elétrons para a for- mação de ATP tanto em mitocôndria como em cloroplastos (Figura 28). Figura 28 – Demonstrando a estrutura da ubiquinona e da plastoquinona, transportadores lipofílicos, presentes nas cadeias transportadora de elétrons. Dienos conjugados Essas moléculas possuem cadeias de carbono com ligações simples e duplas alternadas, permitindo assim, movimento dos elétrons que são excitados por radia- ções eletromagnéticas de baixa energia e com isso produzindo as mais diversas cores visíveis principalmente aos vertebrados (Figura 29). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 29 – Estrutura dos Dienos, evidenciando as cores produzidas a partir dessas moléculas. Policetídeos Esses lipídeos são compostos naturais (figura 30), produzidos por alguns orga- nismos como compostos do metabolismo secundário. Muitos são úteis na medicina como antibióticos (eritromicina), antifúngicos (anfotericina B) e os inibidores de síntese de colesterol (lovastatina). Figura 30 – Os tipos de policetídeos utilizados na medicina atual. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EADDISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 3”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edição, 2014. Ed. Artmed. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com AMINOÁCIDOS, PEPTÍDEOS E PROTEINAS A ingestão de alimentos proteicos que servirão de fonte de aminoácidos essen- ciais para a síntese de proteínas para os organismos heterotróficos. As proteínas podem estar envolvidas em várias funções como: de transporte de oxigênio, função de catalisar reações (enzimas), de defesa (anticorpos ou imunoglobulinas) e muitas outras funções que veremos dessas maravilhosas moléculas. . CLASSIFICAÇÕES DOS AMINOÁCIDOS Todas as proteínas apresentam um conjunto de 20 aminoácido (aa) unidos co- valentemente para compor o organismo vivo. As células podem formar um amplo conjunto de produtos, unindo os mesmos 20 aminoácidos em diferentes combinações e sequências. Assim, é possível construir enzimas, anticorpos, transportadores, hormônios, antibióticos, fibras musculares, re- vestimento da pele e matriz óssea, proteínas de reserva de sementes, unhas, penas de aves, venenos de cobras, proteínas do cristalino ocular, casco de tartarugas e mui- tas outras substâncias com diferentes atividades biológicas. Aminoácidos são compostos que apresenta duas funções orgânica em sua es- trutura, uma função amina e uma função carboxílica. Essas estão ligados no carbono, denominado carbono α (alfa), ao qual também se ligam um átomo de hidrogênio e um grupo R ou cadeia lateral (Figura 1). Figura 1 – Estrutura de um aminoácido evidenciando seus ligantes, um grupo amina, um grupo carbo- xílico, um hidrogênio e um grupo R. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Todos os aminoácidos apresentam quatro ligantes diferentes, com exceção da glicina. Carbono que apresentam essa característica são denominados de assimétri- cos ou carbono quiral. Isso dá a moléculas com essa característica a capacidade de formar estereoisômeros (Figura 2). Figura 2 – Os enantiômeros dos aminoácidos com carbono quiral Em aminoácidos, assim como pode ser visto nos carboidratos (verificar capítulo de carboidratos), os estereoisômeros podem ser classificados como D ou L mediante comparação dos quatro grupos substituintes ao redor do carbono α quiral com os es- tereoisômeros de um composto de referência, o gliceraldeído, um açúcar de três áto- mos de carbono, sendo o menor açúcar a ter um átomo de carbono assimétrico. Esta nomenclatura dos estereoisômeros dos aminoácidos é denominada de configuração absoluta. O isômero L-aminoácido, são as formas isoméricas encontradas nas proteínas. A forma L-aminoácido possui a mesma quiralidade do L-gliceraldeido, que é o oposto do D-gliceraldeido (Figura 3). Figura 3 – Os dois isômeros encontrados nos aminóaciados, forma L e D. Sendo que a forma L-ami- nóacidos é a presente na estrutura das protéinas. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Os aminoácidos podem ser identificado por uma abreviatura em uma ou três letras, assim, para Glicina (G ou Gly), Alanina (A ou Ala) e Valina (V ou Val) (Tabela 1). Tabela 1 – Símbolos, abreviações de cada aminoácido, internacionalmente re- conhecidas pela comunidade científica. Símbolo Abreviação Aminoácido Símbolo Abreviação Aminoácido A Ala Alanina M Met Metionina B Asx Asparagina ou As- partato N Asn Asparagina C Cis ouCys Cisteína P Pro Prolina D Asp Aspartato (Ácido aspartico) Q Gln Glutamina (Gluta- mida) E Glu Glutamato (Ácido glutâmico) R Arg Arginina F Fen ou Phe Fenilalanina S Ser Serina G Gli ou Gly Glicina T Tre ou Thr Treonina H His Histidina V Val Valina I Ile Isoleucina W Trp Triptofano (Tripto- fana) K Lis ou Lys Lisina Y Tir ou Tyr Tirosina L Leu Leucina Z Glx Glutamina ou Glu- tamato São 20 o número de aminoácidos primários, encontrados frequentemente em proteínas (tabela 1). Já outros tipos de aminoácidos põem ser encontrados em certos tipos de pro- teína, esses são denominados de aminoácidos especiais. Dentre os aminoácidos es- peciais temos a 4-hidroxiprolina e 5- hidroxilisina (colágeno), N-metil-lisina (miosina), γ-carboxiglutamato (protrombina) e desmosina (elastina). Temos ainda alguns ditos não proteicos como ornitina e citrulina presentes no ciclo da ureia. Aqui daremos ênfase nos aminoácidos padrões primários ou proteicos. Esses apresentam uma classificação com base na polaridade de seus grupos R ou cadeias laterais em pH 7,0. As classes são: aminoácidos com grupos R apolares (hidrofóbi- cos), Aminoácidos com grupos R polares sem carga (hidrofílicos), Aminoácidos com grupos R carregados negativamente ou aminoácidos ácidos (hidrofílicos), Aminoáci- dos com grupos R carregados positivamente ou aminoácidos básicos (hidrofílicos) e os aromáticos(Figura 4). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 4 – Os aminoácidos padrões encontrados nas proteínas e classificados conforme a polarização (de A a E) de seus grupos R (radical) em pH 7. A B C D E CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com COMPORTAMENTO ÁCIDO-BASE E CURVA DE TITULAÇÃO DOS AMINOÁCI- DOS O termo pH, significa potencial hidrogeniônico. Soluções que tem pH maior que 7 são alcalinas ou básicas ([OH] é maio que [+H]). Soluções que tem pH menor que 7 são ácidas ([+H] é maio que[OH]). Os aminoácidos têm a característica tanto de rece- ber prótons como de doar prótons. As substâncias com esta dupla natureza são ditas anfotéricas, também chamadas de anfólitos, de “eletrólitos anfotéricos” (Figura 5). Figura 5 – Demonstração dos aminoácidos funcionando tanto como ácido (seta vermelha) e base (seta verde). A titulação é a adição ou remoçãogradual de prótons de um eletrólito fraco por meio da adição ao meio de uma base ou ácido forte. A curva de titulação de um ami- noácido dá uma imagem quantitativa de suas propriedades ácido-base. Quando colocamos uma determinada concentração do aminoácido glicina a uma titulação, obtemos a curva de titulação. Essa titulação pode ser observada na figura 6, abaixo: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 6 – curva de titulação do aminoácido glicina. Observe que no início, caixas verde e vermelha, o aminoácido glicina estava protonado e no final está desprotonado, pela adição de uma base forte (NAOH). Esse processo representa a separação de dois prótons da glicina, um amino- ácido diprótico. Assim é possível obter o pK de cada grupo ionizável, que é as regiões de pH na qual a glicina pode tamponar as soluções. O pK é então corresponde ao pH em que a relação entre a base conjugada e o ácido conjugado é 1, ou seja, equimolar. E vice-versa, ou seja, o pH é igual ao pK pela equação de Handerson-Hasselbach, e a substância que está sendo titulada encontra- se no pH onde possui maior poder tampão. A figura acima demonstra dois pontos de interseção, que são os pontos da titulação do aminoácido glicina correspondem a dois pKa (pK1 e pK2). A partir dessa titulação podemos entender que existe um ponto em que as car- gas são nulas (neutras), denominado de ponto isoelétrico (pI) ou pH isoelétrico. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com PEPTÍDEOS E LIGAÇÃO PEPTÍDICA Quando os aminoácidos se unem podemos ter um peptídeo, ou oligossacarídeo ou polipeptídeo. Peptídeos são polímeros de aminoácidos ou ainda, sequências de aminoácidos unidos covalentemente por ligações peptídicas (Figura 7). Essa ligação é estabelecida entre o grupo α–carboxil de um aminoácido e o grupo α–amino do outro – denominada de ligação peptídica. Figura 7 – Ligação peptídica, entre dois aminoácidos. Ao estabelecer a ligação peptídica, a ligação que uniu os dois aminoácido pos- sui caráter de dupla ligação parcial, ela é rígida, planar, apresenta-se na configuração geométrica trans e é sem carga, porém polar (Figura 8). Figura 8 – a ligação que une os dois aminoácidos tem um caráter de dupla ligação, assim deixando nesse local uma rigidez. Por convenção, a extremidade α-amino livre da cadeia peptídica é denominada Nterminal, sendo escrita à esquerda, e a extremidade α-carboxila livre, C-terminal, à direita (Figura 9). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 9 – Ligação de aminoácidos formando um peptídeo, e suas extremidades aminoterminal e car- boxiterminal. Por perder uma molécula de H2O, cada aminoácido dentro da cadeia é deno- minado resíduo. O comportamento ácido-base de um peptídeo, pode ser predito a partir dos grupos α-amino e α-carboxila livres e da natureza de seus inúmeros grupos R ionizáveis. De acordo com o número de resíduos os peptídeos podem ser classificados como: oligopeptídeos por possuir de 2 a 10 resíduos na cadeia peptídica, de polipep- tídeos quando possuem de 11 a 100 resíduos em sua cadeia peptídica e ainda podem ser denominados de proteínas por possuir mais que 100 resíduos de aminoácidos ou massa maior que 10.000 Da (1Dalton = Massa de 1 átomo de hidrogênio). PEPTÍDEOS BIOLOGICAMENTE IMPORTANTES Oxitocina Esse peptídeo presente no organismo humano apresenta apenas 9 resíduos de aminoácidos (Figura 10). É produzido pela hipófise posterior e funciona como um hormônio atuando na indução do trabalho de parto em gestantes, contração de mus- culatura uterina, liberação de do leite das glândulas mamárias, entre outras funções. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 10 – Estrutura do hormônio ocitocina, demonstrando os nove aminoácidos presentes em sua estrutura pela abreviação. Vasopressina Esse hormônio peptídico apresenta assim como a ocitocina 9 resíduos de ami- noácidos (Figura 11). A vasopressina é sintetizada na hipófise posterior e tem papel no controle da pressão sanguínea, regulando as contrações do músculo liso. Também está envolvido na estimulação da reabsorção renal de água, ou seja, atua como anti- diurético, o que leva a retenção de água no organismo, culminando em aumento da pressão arterial. Figura 11 – A estrutura química da vasopressina, indicando os nove resíduos de aminoácidos diferentes presentes em sua estrutura, pelas respectivas abreviações. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Encefalinas Esse peptídeo apresenta apenas 5 resíduos de aminoácidos (Figura 12), e uma pequena observação é que o ultimo aminoácido pode ser a metionina ou a leucina. Esses são analgésicos naturais produzidos no cérebro que atuam aliviando a dor. São considerados opiáceos do próprio organismo. Figura 12 – Estruturas da encefalina. A) com o último resíduo sendo a metionina (Tyr-Gly-Gly-Phe- Met). B) com o último resíduo sendo a leucina (Tyr-Gly-Gly-Phe-Leu). FUNÇÕES E CLASSIFICAÇÕES DAS PROTEÍNAS Uma cadeia polipeptídica com cem a várias centenas de unidades de α-amino- ácidos ou resíduos unidos covalentemente através de ligações peptídicas, são deno- minadas de proteínas. Uma proteína pode apresentar uma variedade estrutural e tam- bém uma grande variedade de funções biológicas. O peso molecular de uma proteína pode ser calculado. Tomando por base o peso médio de todos aminoácidos que é de 110, e sabendo a quantidade de resíduos presente em uma proteína é possível então determinar o peso molecular. Assim uma A) B) CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com proteína que tenha em sua estrutura 829 resíduos de aminoácidos terá um peso mo- lecular de 91190 Dáltons (Da), ou simplesmente 91,9 KDa (KiloDáltons). As proteínas podem ser classificadas por vários critérios. Abaixo veremos al- guns dos critérios de classificação das proteínas. Quanto à composição química Quanto a essecritério, as proteínas podem ser classificadas como proteínas simples ou conjugada. A proteína simples apresenta apenas cadeia polipeptídica que hidrolisada libera apenas aminoácidos. Já a proteína conjugada é a cadeia proteica ligada a um componente não proteico, um grupo prostético. Dessa forma as proteínas conjugadas são classificadas de acordo com a natureza química de seu grupo pros- tético (tabela 2). Tabela 2 – Proteínas conjugadas Quanto ao número de cadeias polipeptídicas Quanto ao número de cadeias polipeptídicas as proteínas podem ser classifi- cadas em monoméricas ou multiméricas (Figura 13). As proteínas monoméricas são formadas por apenas uma cadeia polipeptídica, ou seja, uma única sequência de ami- noácidos. Já as proteínas multiméricas são aquelas formadas por mais de uma cadeia polipeptídica. Vale ressaltar que se das cadeias duas subunidade forem idênticas, a CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com proteína é denominada de OLIGOMÉRICA e essas subunidades idênticas são referi- das como PROTÔMEROS. Figura 13 – Demonstração de duas proteínas uma monomérica (mioglobina) e uma multimérica (hemo- globina). Quanto à forma No critério quanto à forma, as proteínas podem ser classificadas de fibrosas ou globulares. Uma proteína é denominada de fibrosa quando a mesma está adaptada às funções estruturais, com cadeias arranjadas em longos filamentos ou folhas. Já proteínas globulares são aquelas organizadas em uma forma esférica ou globular e se caracteriza por apresenta uma diversidade de estruturas terciárias. Vários padrões estruturais são visualizados nessa forma. São representantes desta classe as enzi- mas; transportadores como a hemoglobina e proteínas com função de defesa como os anticorpos. NÍVEIS ESTRUTURAIS DAS PROTEÍNAS Os níveis estruturais das proteínas referem-se à organização estrutural que é observada desde a sequência de aminoácidos, seu enovelamento, até a associação das cadeias polipeptídicas numa proteína multimérica (Figura 14). Partindo desse princípio, podemos afirmar que o arranjo espacial dos átomos de uma proteína é de- nominado de conformação. E uma proteína dobrada em qualquer uma de suas con- formações funcionais é chamada de proteína nativa. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 14 – Estrutura das proteínas nos seus respectivos níveis estruturais. Estrutura primária A Estrutura primária diz respeito a sequência dos aminoácidos, ligados cova- lente da cadeia polipeptídica de uma proteína. Estrutura secundária Já a estrutura secundária é o arranjo geométrico específico de um dado trecho da cadeia polipeptídica, formando ligações de hidrogênio. As duas principais confor- mações secundárias são, a α-hélice e a β-conformação (Figura 15). Figura 15 – Demonstrando a formação da estrutura secundaria, alfa hélice (esquerda) e folha beta. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com A α-hélice apresenta várias ligações de hidrogênio que ocorrem entre o hidro- gênio e o oxigênio do quarto resíduo adjacente à sua frente, assim a estrutura enrola- se e forma uma hélice. Desse modo a estrutura secundária do tipo α-hélice se dobra em estruturas repetitivas e regulares (Figura 15). Na β-conformação ou folha β as associações das cadeias polipeptídicas são feitas por ligações de hidrogênio que ocorrem entre o oxigênio e o hidrogênio da liga- ção peptídica. Essas ligações são feitas de forma intercadeia ou intracadeia, resul- tando em uma estrutura rígida e achatada. As folhas β podem ser paralelas ou anti- paralelas (Figura 15). Estrutura terciária É o arranjo tridimensional de todos os átomos da proteína, incluído os das ca- deias laterais ou de quaisquer grupos prostéticos (Figura 16). Figura 16 – Estrutura terciaria da mioglobina, demonstrando a presença de seus radicais inte- ragindo sobre as mais diversas forças moleculares. No dobramento da estrutura terciária, diversos tipos de forças moleculares es- tão envolvidas, como o arranjo da estrutura em α-hélice e β-conformação, coordena- ção pela presença de íons metálicos, ligação dissulfeto entre resíduos de cisteína, ligação de hidrogênio entre grupos laterais de resíduos, interações hidrofóbicas entre resíduos com cadeias laterais hidrofóbicas (valina, leucina e isoleucina), forças de Wan der Waals e atrações eletrostáticas entre grupos livres de NH3+ e COO- de re- síduos (Figura 16). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Estrutura quaternária Uma proteína pode ser constituída de múltiplas cadeias polipeptídicas chama- das de subunidades. Assim, o arranjo das subunidades umas em relação às outras é denominado de estrutura quaternária (Figura 17). Figura 17 – Estrutura quaternária da hemoglobina, onde quatro cadeias, duas alfas e duas betas se interagem para transporte de gases. INTERAÇÕES QUE ESTABILIZAM A CONFORMAÇÃO DE UMA PROTEÍNA Dentre as interações que agem estabilizando a conformação das proteínas, po- demos ressaltar que a ligação dissulfeto (covalente) são resultantes da ligação entre as cadeias laterais de cisteínas e é um importante fator nesse processo. A ligação de hidrogênio entre as cadeias laterais dos aminoácidos contribui também para essa estabilidade. Outra interação é a interações hidrofóbicas, que é o resultado dos resíduos apolares que tendem a se agrupar no interior da molécula de proteína. E mais uma interação é a iônica que ocorre entre grupos de cadeias opostas. DESNATURAÇÃO DAS PROTEÍNAS A perda da estrutura tridimensional suficiente para causar a perda de função é chamada de desnaturação. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Na prática os principais fatores desnaturantes são as mudanças de pH e tem- peratura, e a exposição das proteínas a solventes orgânicos, uréia e detergentes. Pois o calor atua desestabilizando as ligações fracas, principalmente as liga- ções de hidrogênio. Já o pH extremo, altera a carga líquida das proteínas e assim causando repulsão eletrostática e o rompimento de algumas ligações de hidrogênio. Solventes orgânicos como o álcool ou acetona, rompem as interações de hidrofóbicas. Já a ureia e hdrocarboneto de guanidina, agem rompendo as interações de hidrofóbi- cas e o detergentes rompendoas interações de hidrofóbicas. Uma proteína desnaturada pelos compostos dispostos acima, reassumem suas estruturas nativas e suas atividades biológicas se retornarem as condições nas quais as estruturas nativas são estáveis, processo chamado de renaturação (Figura 18). Figura 18 – Demonstração do processo de desnaturação e renaturação de uma proteína Vale ressaltar que algumas proteínas não se dobram espontaneamente à me- dida que estão sendo sintetizadas dentro da célula. Para isso a célula conta com a ajuda de outras proteínas, as denominadas de chaperonas moleculares. Dessas en- zimas temos duas grandes classes a Hsp 70 e a chaperoninas. Elas interagem com os polipeptídeos parcialmente dobrados ou dobrados de forma incorreta, facilitando os mecanismos de dobramento correto ou garantindo um microambiente adequado no qual o dobramento ocorre (Figura 20). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Dr. Ronny Francisco de Souza - ronnyfrsouza@gmail.com Figura 19 – Processo de dobramento correto auxiliado pela chaperona Hsp70. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 4”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edição, 2014. Ed. Artmed. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 1 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com ENZIMAS A célula viva é o local de muita atividade bioquímica chamada metabolismo. Este é o processo de mudança química e física que ocorre continuamente no orga- nismo vivo. Essas mudanças incluem o acúmulo de novos tecidos, substituição de tecidos antigos, conversão de alimentos em energia, eliminação de resíduos, repro- dução, etc. - todas as atividades que caracterizamos como "vida". Essa construção e destruição ocorrem em face de um aparente paradoxo. A grande maioria dessas reações bioquímicas não ocorre espontaneamente. O fenô- meno da catálise torna possíveis as reações bioquímicas necessárias para todos os processos vitais. A catálise é definida como a aceleração de uma reação química por alguma substância que não sofre nenhuma alteração química permanente. Os catali- sadores das reações bioquímicas são enzimas e são responsáveis por realizar quase todas as reações químicas nos organismos vivos. Sem enzimas, essas reações ocor- rem a uma taxa muito lenta para o ritmo do metabolismo. A maioria das enzimas são proteínas, embora algumas sejam moléculas de RNA catalíticas. As moléculas de RNA catalítico são chamadas de ribozimas. As en- zimas são compostas de alto peso molecular constituídos principalmente por ca- deias de aminoácidos unidas por ligações peptídicas (Figura 1). As enzimas podem ser desnaturadas e precipitadas com sais, solventes e outros reagentes. Figura 1 – Ligação peptídica. Essa ligação é estabelecida entre o grupo α–carboxil de um aminoácido e o grupo α–amino do outro. Muitas enzimas requerem a presença de outros compostos - cofatores - antes que sua atividade catalítica possa ser exercida. Todo esse complexo ativo é denomi- nado holoenzima; isto é, apoenzima (porção de proteína) mais o (s) cofator (es) (co- enzima, grupo protético ou ativador de íon metálico). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 2 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O cofator pode ser: 1. Uma coenzima - uma substância orgânica não proteica que é dialisável, ter- moestável e fracamente ligada à parte da proteína. 2. Um grupo prostético - uma substância orgânica que é dialisável e termoes- tável que está firmemente ligada à proteína ou porção apoenzima. 3. Um ativador de íons metálicos - inclui K +, Fe2 +, Fe3 +, Cu2 +, Co2+, Zn2+, Mn2+, Mg2+, Ca2+ e Mo3+. ESPECIFICIDADE DE ENZIMAS Uma das propriedades das enzimas é a especificidade que exibem em relação às reações que catalisam. Algumas enzimas exibem especificidade absoluta; isto é, eles irão catalisar apenas uma reação particular. Outras enzimas serão específicas para um tipo particular de ligação química ou grupo funcional. Em geral, existem quatro tipos distintos de especificidade: 1. Especificidade absoluta - a enzima catalisará apenas uma reação. 2. Especificidade de grupo - a enzima atuará apenas em moléculas que possuem gru- pos funcionais específicos, como grupos amino, fosfato e metila. 3. Especificidade de ligação - a enzima atuará em um tipo particular de ligação quí- mica, independentemente do resto da estrutura molecular. 4. Especificidade estereoquímica - a enzima atuará em um isômero estérico ou óptico particular. Embora as enzimas exibam grandes graus de especificidade, os cofatores po- dem servir a muitas apoenzimas. Por exemplo, o dinucleotídeo nicotinamida adenina (NAD) é uma coenzima para um grande número de reações de desidrogenase nas quais atua como um aceptor de hidrogênio. Entre elas estão as reações de álcool desidrogenase, malato desidrogenase e lactato desidrogenase. NOMENCLATURA E CLASSIFICAÇÃO Exceto por algumas das enzimas originalmente estudadas, como pepsina, re- nina e tripsina, a maioria dos nomes de enzimas termina em “ase”. A União Internaci- onal de Bioquímica (I.U.B.) iniciou padrões de nomenclatura de enzimas que reco- mendavam que os nomes das enzimas indicassem o substrato sobre o qual atuou e o tipo de reação catalisada. Nesse sistema, a enzima uricase é chamada de urato: O2 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 3 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com oxidoredutase, enquanto a enzima glutâmica oxaloacética transaminase (GOT) é cha- mada de L-aspartato: 2-oxoglutarato aminotransferase. A nomenclatura da enzima é incorporada a muitos outros recursos, incluindo os bancos de dados de bioinformática ExPASy-ENZYME, BRENDA e KEGG. O número de comissão enzimática (EC) é um identificador de quatro compo- nentes que classifica uma enzima de acordo com a classe, subclasse, subclasse e o componente final sendo um número de série dentro dessa subclasse. As classes EC estão atualmente listadas como: 1. Oxidorredutases - A esta classe pertence todas as enzimas que catalisam reações de redução de oxidação. O substrato que é oxidado é considerado doador de hidrogênio. 2. Transferases - Transferases são enzimas que transferem um grupo, por ex. um grupo metil ou um grupo glicosil, de um composto (geralmente considerado como doador) para outro composto (geralmente considerado como aceitador). 3. Hidrolases - Essas enzimas catalisam a clivagem hidrolítica de C-O, C-N, C- C e algumas outras ligações, incluindo ligações de anidrido fosfórico. 4. Liases - liases são enzimas que clivam C-C, C-O, C-N e outras ligações por eliminação, deixando ligações duplas ou anéis ou, inversamente, adicionando grupos aligações duplas. 5. Isomerases - Essas enzimas catalisam mudanças geométricas ou estruturais dentro de uma molécula. De acordo com o tipo de isomerismo, podem ser denomina- das racemases, epimerases, cis-trans-isomerases, isomerases, tautomerases, muta- ses ou cicloisomerases. 6. Ligases - Ligases são enzimas que catalisam a união de duas moléculas acopladas com a hidrólise de uma ligação difosfato em ATP ou um trifosfato seme- lhante. 7. Translocases - Catalisar a translocação de íons hidrogênio, cátions e ânions inorgânicos, aminoácidos, carboidratos ou outros compostos. REAÇÕES ENZIMÁTICAS BÁSICAS As enzimas são catalisadores que aumentam a velocidade de uma reação quí- mica sem que sofram qualquer alteração química permanente. Eles não são usados na reação nem aparecem como produtos da reação. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 4 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A reação enzimática básica pode ser representada da seguinte forma: S + E → P + E Onde E, representa a enzima que catalisa a reação; S, o substrato, a substân- cia sendo modificada; e P, o produto da reação. O COMPLEXO DE SUBSTRATO ENZIMÁTICO Uma teoria para explicar a ação catalítica das enzimas foi proposta pelo quí- mico sueco Savante Arrhenius em 1888. Ele propôs que o substrato e a enzima for- mavam alguma substância intermediária conhecida como complexo enzima/substrato (ES). A reação pode ser representada como: S + E → ES S = Substrato; E = Enzima; ES = Complexo Enzima/Substrato. Se esta reação for combinada com a equação de reação original, os seguintes resultados: S + E → ES → P + E S = Substrato; E = Enzima; ES = Complexo Enzima/Substrato; P = Produto. A existência de um complexo intermediário enzima-substrato foi demonstrada em laboratório, por exemplo, usando catalase e um derivado de peróxido de hidrogê- nio. Na Universidade de Yale, Kurt G. Stern observou mudanças espectrais na ca- talase à medida que a reação por ela catalisada prosseguia. Esta evidência experi- mental indica que a enzima primeiro se liga ao substrato e então retorna à sua forma original após a conclusão da reação. EQUILÍBRIO QUÍMICO O estudo de um grande número de reações químicas revela que a maioria não chega a uma conclusão verdadeira. Isso também é verdadeiro para as reações cata- lisadas enzimaticamente. Isso se deve à reversibilidade da maioria das reações. Em geral: K + 1 A + B → C + D (reação direta) K-1 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 5 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com C + D → A + B (Reação Revese) K + 1 é a constante de taxa de reação direta e K-1 é a constante de taxa para a reação reversa. Combinar as duas reações dá: K + 1 A + B C + D K-1 A aplicação desta relação geral às reações enzimáticas permite a equação: K + 1 K + 2 E + S ES P + E K-1 K-2 O equilíbrio, uma condição de estado estacionário, é alcançado quando as ta- xas de reação direta são iguais às taxas de retorno. Esta é a equação básica na qual a maioria dos estudos de atividade enzimática se baseia. NÍVEIS DE ENERGIA Os químicos sabem há quase um século que, para que a maioria das reações químicas prossiga, é necessária alguma forma de energia. Eles denominaram esta quantidade de energia, "a energia de ativação". É a magnitude da energia de ativação que determina a rapidez com que a reação ocorrerá. Acredita-se que as enzimas di- minuam a energia de ativação da reação que estão catalisando (Figura 2). Acredita- se que a enzima reduza o “caminho” da reação. Esse caminho encurtado exigiria me- nos energia para cada molécula de substrato seja convertida em produto. Figura 3 – Demonstração da reação sem (linha vermelha) e com a presença da enzima (linha azul) CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 6 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Dada uma quantidade total de energia disponível, mais moléculas de substrato seriam convertidas quando a enzima está presente (o “caminho” encurtado) do que quando ela está ausente. Portanto, diz que a reação é mais rápida em um determinado período de tempo. FATORES QUE AFETAM A ATIVIDADE ENZIMÁTICA O conhecimento da teoria cinética enzimática básica é importante para a aná- lise enzimática, a fim de compreender o mecanismo enzimático básico e selecionar um método para a análise enzimática. As condições selecionadas para medir a ativi- dade de uma enzima não seriam as mesmas selecionadas para medir a concentração de seu substrato. Vários fatores afetam a taxa na qual as reações enzimáticas ocorrem - concen- tração de enzima, concentração de substrato, a presença de quaisquer inibidores ou ativadores, temperatura e pH. CONCENTRAÇÃO ENZIMÁTICA Para estudar o efeito do aumento da concentração da enzima sobre a veloci- dade da reação, o substrato deve estar presente em quantidade excessiva; isto é, a reação deve ser independente da concentração de substrato. Qualquer alteração na quantidade de produto formado durante um período de tempo especificado dependerá do nível de enzima presente. Isso pode ser representado graficamente conforme indi- cado na Figura 3. Figura 3 – Ordem zero, a razão da reação independe da concentração do substrato. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 7 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Essas reações são chamadas de “ordem zero” porque as taxas são indepen- dentes da concentração de substrato e são iguais a alguma constante k. A formação do produto ocorre a uma taxa que é linear com o tempo. A adição de mais substrato não serve para aumentar a taxa. Em cinética de ordem zero, permitir que o ensaio seja executado por tempo duplo resulta no dobro da quantidade de produto. A quantidade de enzima presente em uma reação é medida pela atividade que ela catalisa. A relação entre atividade e concentração é afetada por muitos fatores, como temperatura, pH, etc. Um ensaio de enzima deve ser projetado de forma que a ativi- dade observada seja proporcional à quantidade de enzima presente para que a con- centração da enzima seja o único fator limitante. Ele é satisfeito apenas quando a reação é de ordem zero. Na Figura 4, a atividade é diretamente proporcional à concentração na área AB, mas não em BC. A atividade enzimática é geralmente maior quando a concentração de substrato não é limitante. Figura 4 – Atividade versus concentração Quando a concentração do produto de uma reação enzimática é representada graficamente em função do tempo, o resultado é uma curva semelhante (Figura 5). Entre A e B, a curva representa uma reação de ordem zero; ou seja, aquele em que a taxa é constante com o tempo. Um substratoé usado, os locais ativos da enzima não estão mais saturados, a concentração de substrato torna-se limitante da taxa e a rea- ção torna-se de primeira ordem entre B e C. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 8 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 5 – Limite da razão da reação por concentração de substrato. Para medir a atividade da enzima idealmente, as medições devem ser feitas naquela parte da curva onde a reação é de ordem zero. É mais provável que uma reação seja de ordem zero inicialmente, uma vez que a concentração de substrato é então mais alta. Para ter certeza de que uma reação é de ordem zero, várias medições da concentração do produto (ou substrato) devem ser feitas. A Figura 6 ilustra três tipos de reações que podem ser encontradas em ensaios enzimáticos e mostra os problemas que podem ser encontrados se apenas medições únicas forem feitas. Figura 6 - Reação inicial, retardada e linear. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 9 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com B é uma linha reta que representa uma reação de ordem zero que permite a determinação precisa da atividade enzimática para parte ou todo o tempo de reação. A representa o tipo de reação que foi mostrado na Figura 5. Esta reação é de ordem zero inicialmente e depois diminui, provavelmente devido à exaustão do substrato ou inibição do produto. Esse tipo de reação às vezes é chamado de reação "principal". A verdadeira atividade “potencial” é representada pela linha pontilhada. A curva C re- presenta uma reação com uma fase inicial de “lag”. Novamente, a linha pontilhada representa a atividade potencialmente mensurável. Múltiplas determinações da con- centração do produto permitem que cada curva seja traçada e a verdadeira atividade determinada. Uma única determinação de ponto final em E levaria à falsa conclusão de que todas as três amostras tinham concentração de enzima idêntica. CONCENTRAÇÃO DE SUBSTRATO Foi demonstrado experimentalmente que se a quantidade da enzima for man- tida constante e a concentração do substrato for gradualmente aumentada, a veloci- dade da reação aumentará até atingir o máximo. Após este ponto, aumentos na con- centração de substrato não irão aumentar a velocidade (Δ Absorbância/Δ Tempo). Isso é representado graficamente na Figura 7. Figura 7 – Efeito da concentração do substrato. É teorizado que, quando essa velocidade máxima foi atingida, todas as enzimas disponíveis foram convertidas em ES, o complexo enzima/substrato. Este ponto no gráfico é designado Vmáx. Usando essa velocidade e equação máximas, Michaelis CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 10 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com desenvolveu um conjunto de expressões matemáticas para calcular a atividade enzi- mática em termos de velocidade de reação a partir de dados laboratoriais mensurá- veis. vt = a velocidade a qualquer momento [S] = a concentração de substrato neste momento Vmax = a velocidade mais alta sob este conjunto de condições experi- mentais (pH, temperatura) Km = a constante de Michaelis para a enzima particular sendo investigada As constantes de Michaelis foram determinadas para muitas das enzimas co- mumente usadas. O tamanho do Km nos diz várias coisas sobre uma determinada enzima. 1. Um pequeno Km indica que a enzima requer apenas uma pequena quantidade de substrato para se tornar saturada. Consequentemente, a velocidade máxima é alcan- çada em concentrações de substrato relativamente baixas. 2. Um Km grande indica a necessidade de altas concentrações de substrato para atin- gir a velocidade máxima de reação. 3. O substrato com o Km mais baixo sobre o qual a enzima atua como um catalisador é frequentemente considerado o substrato natural da enzima, embora isso não seja verdade para todas as enzimas. EFEITOS DOS INIBIDORES NA ATIVIDADE ENZIMÁTICA Os inibidores enzimáticos são substâncias que alteram a ação catalítica da en- zima e, consequentemente, desaceleram ou, em alguns casos, param a catálise. Exis- tem três tipos comuns de inibição enzimática - inibição competitiva, não competitiva e de substrato. A maioria das teorias sobre os mecanismos de inibição é baseada na existência do complexo enzima-substrato ES. Conforme mencionado anteriormente, a existência de estruturas ES temporárias foi verificada em laboratório. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 11 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A inibição competitiva ocorre quando o substrato e uma substância semelhante ao substrato são adicionados à enzima. Uma teoria chamada de “ajuste induzido” dos catalisadores enzimáticos pode ser usada para explicar por que ocorre a inibição (Fi- gura 8). Figura 8 – Uma figura esquemática demonstrando uma inibição competitiva. Os inibidores não competitivos são considerados substâncias que, quando adi- cionadas à enzima, alteram a enzima de tal forma que ela não pode mais aceitar o substrato. A inibição do substrato às vezes ocorre quando quantidades excessivas de substrato estão presentes. A Figura 9 mostra a velocidade de reação diminuindo após a velocidade má- xima ter sido atingida. Figura 9 – O substrato tornando-se substrato Quantidades adicionais de substrato adicionadas à mistura de reação após este ponto realmente diminuem a taxa de reação. Acredita-se que isso se deva ao fato de que existem tantas moléculas de substrato competindo pelos sítios ativos nas super- fícies da enzima que elas bloqueiam os sítios e evitam que qualquer outra molécula de substrato os ocupe. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 12 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com EFEITOS DE TEMPERATURA Como a maioria das reações químicas, a taxa de uma reação catalisada por enzima aumenta à medida que a temperatura aumenta. Um aumento de dez graus centígrados na temperatura aumentará a atividade da maioria das enzimas em 50 a 100%. Variações na temperatura de reação tão pequenas quanto 1 ou 2 graus podem introduzir mudanças de 10 a 20% nos resultados. No caso de reações enzimáticas, isso é complicado pelo fato de que muitas enzimas são adversamente afetadas por altas temperaturas. Conforme mostrado na Figura 10, a taxa de reação aumenta com a temperatura até um nível máximo, então diminui abruptamente com o aumento adi- cional da temperatura. Como a maioria das enzimas animais rapidamente se torna desnaturada em temperaturas acima de 40 ° C, a maioria das determinações enzimá- ticas são realizadas um pouco abaixo dessa temperatura. Figura 10 – O efeito da temperatura sobre as reações catalisadas por enzimas.Após um período de tempo, as enzimas serão desativadas mesmo em tempe- raturas moderadas. O armazenamento de enzimas a 5 ° C ou menos é geralmente o mais adequado. Algumas enzimas perdem sua atividade quando congeladas. EFEITOS DO PH As enzimas são afetadas por mudanças no pH. O valor de pH mais favorável - o ponto onde a enzima é mais ativa - é conhecido como pH ótimo. Isso é ilustrado graficamente na Figura 11. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 13 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 11 – Efeito do pH sobre as reações catalisadas por enzimas. Valores de pH extremamente altos ou baixos geralmente resultam na perda completa da atividade da maioria das enzimas. O pH também é um fator na estabili- dade das enzimas. Tal como acontece com a atividade, para cada enzima existe tam- bém uma região de estabilidade ótima de pH. O valor de pH ideal variará muito de uma enzima para outra. Esses parâmetros físicos (temperatura) e químicos (pH) de- vem ser considerados e otimizados, para que uma reação enzimática seja precisa e reproduzível. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 5”. BIBLIOGRAFIA Worthington, Biochemical Corporation. Introduction to enzymes. Disponível em: < https://www.worthington-biochem.com/introbiochem/default.html>, acessado em 25 de junho, 2021. https://www.worthington-biochem.com/introbiochem/default.html CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 1 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS Todas as células vivas requerem energia para realizar várias atividades celula- res. Essa energia é armazenada nas ligações químicas das moléculas orgânicas (por exemplo, carboidratos, gorduras, proteínas) que comemos como alimento. Essas mo- léculas orgânicas são quebradas por reações enzimáticas nas células para gerar ener- gia na forma de trifosfato de adenosina (ATP). O ATP gerado por essas vias nas células é usado para conduzir processos celulares fundamentais. Os alimentos que consumimos são compostos principalmente de proteínas, polissacarídeos (carboidratos) e gorduras. Estes são primeiro divididos em unidades menores: proteínas em aminoácidos, polissacarídeos em açúcares e gorduras em ácidos graxos e glicerol. Este processo de digestão ocorre fora da célula. Os aminoácidos, açúcares simples e ácidos graxos então entram na célula e sofrem oxidação pela glicólise (no citosol) e pelo ciclo do ácido cítrico (na mitocôndria) para gerar ATP (do ADP e Pi). GLICÓLISE Na via da glicólise, a glicose é convertida em piruvato (condição aeróbia) ou lactato (condição anaeróbia), junto com a produção de uma pequena quantidade de energia. Todas as etapas da reação da glicólise, ocorrem no citoplasma. A glicólise é o único caminho que ocorre em todas as células do corpo, é a única fonte de energia nos eritrócitos, em exercícios extenuantes, quando o tecido muscular carece de oxigênio suficiente, a glicólise anaeróbica constitui a principal fonte de energia para os músculos, a via glicolítica pode ser considerada como a etapa preliminar antes da oxidação completa, ela fornece esqueletos de carbono para a sín- tese de aminoácidos não essenciais, bem como glicerol parte da gordura e nesse processo a maioria das reações é reversível. ETAPAS DA VIA GLICOLÍTICA 1. A glicose é fosforilada em glicose -6-fosfato. A enzima é a hexoquinase, que gasta uma molécula de ATP, liberando ADP e o Pi. A energia liberada pela hidrólise do ATP é utilizada para a reação direta. A hexoquinase é a enzima glicolítica chave e a reação é irreversível (Figura 1). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 2 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com 2. A glicose-6-fosfato é isomerizada em frutose-6-fosfato por fosfohexose iso- merase (Figura 1). 3. A frutose-6-fosfato é posteriormente fosforilada em frutose-1,6-bifosfato pela enzima fosfofrutocinase, que é uma enzima chave importante e essa reação é irrever- sível (Figura 1). 4. A frutose-1,6-bisfosfato é clivada em dois átomos de 3 carbono; um gliceral- deído-3-fosfato e a di-hidroxiacetona fosfato, pela enzima aldolase. A di-hidroxiace- tona fosfato é isomerizado em gliceraldeído-3-fosfato pela enzima fosfotriose isome- rase (Figura 1). 5. O gliceraldeído-3-fosfato é desidrogenado e simultaneamente fosforilado em 1,3-bis-fosfoglicerato com a ajuda de NAD+, pela enzima gliceraldeído-3-fosfato desi- drogenase (Figura 1). 6. O 1,3-bis-fosfoglicerato é convertido em 3-fosfoglicerato pela enzima 1,3-bis- fosfoglicerato quinase. Aqui, uma molécula de ATP é formada e esta reação é um exemplo de fosforilação em nível de substrato (Figura 1). 7. O 3-fosfoglicerato é isomerizado em 2-fosfoglicerato por deslocamento do grupo fosfato do 3º para o 2º átomo de carbono pela enzima fosfoglucomutase (Figura 1). 8. O 2-fosfoglicerato é convertido em fosfoenol piruvato pela enzima enolase e nessa reação uma molécula de água é removida. É produzida uma ligação de fosfato de alta energia. Esta enzima requer Mg++ e é inibida por flúor (Figura 1). 9. A fosfoenol piruvato é desfosforilado em piruvato, pela piruvato quinase. Uma molécula de ATP é gerada, sendo essa etapa é irreversível (Figura 1). 10. Em condições anaeróbicas, o piruvato é reduzido a lactato pela lactato de- sidrogenase. Em condições aeróbias, o piruvato entra no ciclo do ácido cítrico para oxidação completa. O lactato do ciclo anaeróbico entra no ciclo de Cori. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 3 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 1 – Ilustrando as reações da glicólise, onde a numeração representa cada reação descrita acima. CICLO DE ÁCIDO CÍTRICO: (CICLO DE KREB) Em condições aeróbias, o produto final da glicólise é o ácido pirúvico. A próxima etapa é a formação da acetil coenzima A (acetil-CoA) - esta etapa tecnicamente não faz parte do ciclo do ácido cítrico, mas é mostrada no diagrama no canto superior esquerdo. O acetil-CoA, seja da glicólise ou da espiral do ácido graxo, é o iniciador do ciclo do ácido cítrico (Figura 2). No metabolismo dos carboidratos, a acetil-CoA é o elo CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 4 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com entre a glicólise e o ciclo do ácido cítrico. A etapa inicial do ciclo do ácido cítrico ocorre quando um composto de quatro carbonos (ácido oxaloacético) se condensa com ace- til-CoA (2 carbonos) para formar ácido cítrico (6carbonos). Figura 2 – Ilustração simplificada das reações do Ciclo de Krebs. Todo o propósito de uma “virada” no ciclo do ácido cítrico é produzir duas mo- léculas de dióxido de carbono. Essa reação geral de oxidação é acompanhada pela perda de hidrogênio e elétrons em quatro locais específicos. Essas oxidações estão conectadas à cadeia de transporte de elétrons, onde muitos ATP são produzidos. Passo 1 A subunidade do ácido acético da acetil-CoA é combinada com o oxaloacetato para formar uma molécula de citrato. A acetil coenzima A atua apenas como um trans- portador de ácido acético de uma enzima para outra. Após a Etapa 1, a coenzima é liberada por hidrólise para que possa se combinar com outra molécula de ácido acé- tico para iniciar o ciclo de Krebs novamente (Figura 3). Passo 2 A molécula de ácido cítrico sofre uma isomerização. Um grupo hidroxila e uma molécula de hidrogênio são removidos da estrutura do citrato na forma de água. Os CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 5 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com dois carbonos formam uma ligação dupla até que a molécula de água seja adicionada de volta. Só agora, o grupo hidroxila e a molécula de hidrogênio são revertidos em relação à estrutura original da molécula de citrato. Assim, isocitrato é formado (Figura 3). Passo 3 Nesta etapa, a molécula de isocitrato é oxidada por uma molécula de NAD+. A molécula NAD+é reduzida pelo átomo de hidrogênio e o grupo hidroxila. O NAD+ se liga a um átomo de hidrogênio e carrega o outro átomo de hidrogênio, deixando um grupo carbonila. Esta estrutura é muito instável, então uma molécula de CO2 é liberada criando alfa-cetoglutarato (Figura 3). Passo 4 Nesta etapa, a coenzima A retorna para oxidar a molécula de alfa-cetoglutarato. Uma molécula de NAD+ é reduzida novamente para formar NADH e sai com outro hidrogênio. Essa instabilidade faz com que um grupo carbonila seja liberado como dióxido de carbono e uma ligação tioéster seja formada em seu lugar entre o antigo alfa-cetoglutarato e a coenzima A para criar uma molécula do complexo succinil-co- enzima A (Figura 3). Etapa 5 Uma molécula de água libera seus átomos de hidrogênio para a coenzima A. Então, um grupo fosfato flutuante desloca a coenzima A e forma uma ligação com o complexo succinil. O fosfato é então transferido para uma molécula de GDP para pro- duzir uma molécula de energia de GTP. Ele deixa para trás uma molécula de succinato (Figura 3). Etapa 6 Nesta etapa, o succinato é oxidado por uma molécula de FAD+ (Flavin adenina dinucleotídeo). O FAD+ remove dois átomos de hidrogênio do succinato e força uma ligação dupla a se formar entre os dois átomos de carbono, criando assim o fumarato (Figura 3). Etapa 7 Uma enzima adiciona água à molécula de fumarato para formar o malato. O malato é criado adicionando um átomo de hidrogênio a um átomo de carbono e, em seguida, adicionando um grupo hidroxila a um carbono próximo a um grupo carbonila terminal (Figura 3). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 6 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Etapa 8 Nesta etapa final, a molécula de malato é oxidada por uma molécula de NAD+. O carbono que carregava o grupo hidroxila agora é convertido em um grupo carbonila. O produto final é o oxaloacetato, que pode então se combinar com a acetil-coenzima A e iniciar o ciclo de Krebs novamente (Figura 3). Figura 3 – Ilustrando de forma completa as reações do ciclo de Krebs, com todas as enzimas envolvidas e o que é liberado em cada reação (Fonte Lehninger, 2016). Em resumo, três eventos principais ocorrem durante o ciclo de Krebs. Um GTP (trifosfato de guanosina) é produzido, o que eventualmente doa um grupo fosfato ao CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 7 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com ADP para formar um ATP; três moléculas de NAD+ são reduzidas; e uma molécula de FAD+ é reduzida. Embora uma molécula de GTP leve à produção de um ATP, a pro- dução de NAD+ e FAD+ reduzidos são muito mais significativos no processo de gera- ção de energia da célula. Isso ocorre porque o NADH e o FADH2 doam seus elétrons para um sistema de transporte de elétrons que gera grandes quantidades de energia formando muitas moléculas de ATP. Falaremos desse assunto a posterior, mais aqui, vale ressaltar que a oxidação de 1 molécula de NADH produz 2,5 molécula de ATP e a oxidação de 1 molécula de FADH2 produz 1,5 molécula de ATP. BIOSSÍNTESE DE GLICOGÊNIO O objetivo da glicólise, glicogenólise e do ciclo do ácido cítrico é conservar energia como ATP do catabolismo dos carboidratos. Se as células têm suprimentos suficientes de ATP, essas vias e ciclos são inibidos. Sob essas condições de excesso de ATP, o fígado tentará converter uma variedade de moléculas em excesso em gli- cose e/ou glicogênio. GLICOGÊNESE A glicogênese é a formação de glicogênio a partir da glicose. O glicogênio é sintetizado dependendo da demanda por glicose e ATP (energia). Se ambos estive- rem presentes em quantidades relativamente altas, o excesso de insulina promove a conversão da glicose em glicogênio para armazenamento nas células hepáticas e musculares. Na síntese do glicogênio, um ATP é necessário por glicose incorporada na es- trutura polimérica ramificada do glicogênio, na verdade, a glicose-6-fosfato é o com- posto das encruzilhadas. A glicose-6-fosfato é sintetizada diretamente da glicose ou como produto final da gliconeogênese (Figura 4). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 8 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 4 – Passos da glicogênese. GLICONEOGÊNESE A gliconeogênese é uma via metabólica que resulta na geração de glicose a partir de substratos de carbono não carboidratos, como piruvato, lactato, glicerol e aminoácidos glicogênicos (Figura 5). A grande maioria da gliconeogênese ocorre no fígado e, em menor extensão, no córtex dos rins. Esse processo ocorre durante períodos de jejum, fome ou exercí- cios intensos e é altamente endergônico. A gliconeogênese costuma estar associada à cetose. Figura 5 – Fontes de formação para gliconeogênese CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 9 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Entrando no caminho Vários substratos de carbono não carboidratos podem entrar na via de glicone- ogênese. Um substrato comum é o ácido láctico, formado durante a respiração anae- róbia no músculo esquelético. O lactato é transportado de volta ao fígado, onde é convertido em piruvato pelo ciclo de Cori, usando a enzima lactato desidrogenase. O piruvato, o primeiro substrato designado da via gluconeogênica,pode então ser usado para gerar glicose. Todos os intermediários do ciclo do ácido cítrico, por meio da conversão em oxaloacetato, aminoácidos diferentes da lisina ou leucina e glicerol também podem funcionar como substratos para a gliconeogênese. Os amino- ácidos devem ter seu grupo amino removido por transaminação ou desaminação an- tes de entrar no ciclo diretamente (como piruvato ou oxaloacetato), ou indiretamente por meio do ciclo do ácido cítrico. Os ácidos graxos não podem ser convertidos em glicose em animais, exceto os ácidos graxos de cadeia ímpar que produzem propionil CoA, um precursor do suc- cinil CoA. Em plantas, especificamente em mudas, o ciclo do glioxilato pode ser usado para converter ácidos graxos (acetato) na fonte primária de carbono do organismo. O ciclo do glioxilato produz ácidos dicarboxílicos de quatro carbonos que podem entrar na gliconeogênese. O glicerol, que faz parte dos triacilgliceróis, também pode ser usado na gliconeogênese. Em organismos nos quais o glicerol é derivado da glicose (por exemplo, huma- nos e outros mamíferos), o glicerol às vezes não é considerado um verdadeiro subs- trato gliconeogênico, pois não pode ser usado para gerar nova glicose. A gliconeogênese é uma via que consiste em onze reações catalisadas por enzimas (Figura 6). A via pode começar na mitocôndria ou no citoplasma, dependendo do substrato usado. Muitas das reações são etapas reversíveis encontradas na glicó- lise. A gliconeogênese começa na mitocôndria com a formação de oxaloacetato por meio da carboxilação do piruvato às custas de uma molécula de ATP. Essa reação é catalisada pela piruvato carboxilase, que é estimulada por altos níveis de acetil-CoA (quando a oxidação de ácidos graxos é alta no fígado) e inibida por altos níveis de ADP. O oxaloacetato deve então ser reduzido a malato usando NADH para ser trans- portado para fora da mitocôndria. No citoplasma, o malato é oxidado a oxaloacetato usando NAD+, onde ocorrem as etapas restantes da gliconeogênese. O oxaloacetato CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 10 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com é então descarboxilado e fosforilado para produzir fosfoenolpiruvato pela fosfoenolpi- ruvato carboxicinase (PEP-carboxilase). Uma molécula de GTP é hidrolisada em GDP no decorrer dessa reação. Figura 6 – Demonstração da via da gliconeogênese, evidenciando as reações irreversíveis de piruvato para fosfoenolpiruvato, de frutose 1,6-bifosfato, para frutose 6-fosfato e glicose-6-fosfato para glicose. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 11 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com As próximas etapas da reação são as mesmas da glicólise reversa. No entanto, a frutose-1,6-bisfosfatase converte a frutose-1,6-bifosfato em frutose-6-fosfato. O ob- jetivo dessa reação é superar o grande ΔG negativo. A glicose-6-fosfato é formada a partir da frutose-6-fosfato pela fosfo-glucoiso- merase. O glucoe-6-fosfato pode então ser usado para geração de glicose ou em ou- tras vias metabólicas. A glicose livre não é gerada automaticamente porque a glicose, ao contrário da glicose-6-fosfato, tende a se difundir livremente para fora da célula. A reação final da gliconeogênese, a formação de glicose, é realizada no lúmen do retículo endoplasmático. A glicose-6-fosfato é hidrolisada pela glicose-6-fosfatase para produzir glicose. A glicose é então transportada para o citosol por transportado- res de glicose localizados na membrana do retículo endoplasmático. Regulação Enquanto a maioria das etapas da gliconeogênese são o reverso daquelas en- contradas na glicólise, três reações reguladas e fortemente exergônicas são substitu- ídas por reações mais cineticamente favoráveis. As enzimas hexoquinase/glucoqui- nase, fosfofrutoquinase e piruvato quinase da glicólise são substituídas por glicose-6- fosfatase, frutose-1,6-bisfosfatase e PEP carboxicinase (Figura 6). Este sistema de controle recíproco permite que a glicólise e a gliconeogênese se inibam mutuamente e evitem a formação de um ciclo fútil (Figura 6). A maioria das enzimas responsáveis pela gliconeogênese são encontradas no citoplasma; as exceções são piruvato carboxilase mitocondrial e, em animais, fosfoe- nol-piruvato carboxicinase. Este último existe como uma isozima localizada tanto na mitocôndria quanto no citosol. Como não há mecanismo conhecido para transportar o fosfoenolpiruvato da mitocôndria para o citosol, acredita-se que a enzima citosólica seja a isozima importante para gliconeogênese. A taxa de gliconeogênese é contro- lada, em última instância, pela ação de uma enzima chave, a frutose-1,6-bisfosfatase, que também é regulada por transdução de sinal pelo AMPc e sua fosforilação. A maioria dos fatores que regulam a atividade da via da gliconeogênese o faz inibindo a atividade ou expressão de enzimas-chave. No entanto, tanto a acetil CoA quanto o citrato ativam as enzimas da gliconeogênese (piruvato carboxilase e frutose- 1,6-bisfosfatase, respectivamente). Devido ao controle recíproco do ciclo, acetil-CoA e citrato também têm papéis inibidores na atividade da piruvato quinase. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 12 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com INSULINA E GLUCAGON: CONTROLE DA GLICOSE NO SANGUE Uma das respostas mais importantes e rigidamente reguladas no corpo hu- mano é a concentração de glicose no sangue (açúcar no sangue). A glicose é o prin- cipal produto de degradação do metabolismo celular. Como tal, é necessário tanto como fonte de energia quanto como fonte de carbono para a produção de moléculas orgânicas. As concentrações de glicose no sangue são reguladas por vias de feed- back negativo que são moduladas por dois hormônios distintos: insulina e glucagon. Ambos os hormônios são produzidos em células especiais chamadas células das ilho- tas, ou ilhotas de Langerhans - são encontradas em aglomerados por todo o pâncreas. As células das ilhotas constituem uma porcentagem muito pequena do pân- creas (cerca de 1-2%); o restante do órgão é uma glândula exócrina que produz enzi- mas digestivas e íon bicarbonato. Esse pequeno número de células endócrinas é ex- tremamente importante. Cada ilhota contém dois tipos de células: células alfa, que produzem glucagon, e células beta, que produzem insulina. Insulina vs. Glucagon Normalmente, as concentrações de glicose no sangue humano devem variar entre 70-110 miligramas (mg / ml). A insulina e o glucagon atuam de maneira antagô- nica (oposta). O resultado é um controle preciso dos níveis de glicose no sangue den- tro dessa faixa. A via da insulina é ativada quando os níveis de glicose no sangue estão muito altos. Níveis elevados de glicose no sangue (por exemplo, ocorrendo após o estômago ter digerido um alimento rico em açúcar) estimulam as células beta no pâncreas a liberar insulina. A insulina provoca um aumento da captação de glicose no sangue; promove a conversão de glicose em triglicérides no fígado, nas células adiposas e musculares; e aumenta a taxa celular de glicólise - quebrando a glicose em compo- nentes menores que podem ser usados para a síntese de outros compostos.A via do glucagon é ativada quando os níveis de glicose no sangue estão muito baixos. Níveis baixos de glicose no sangue (por exemplo, devido ao exercício combi- nado com não comer por várias horas) estimulam as células alfa no pâncreas a pro- duzir glucagon. O glucagon faz com que o fígado converta o glicogênio armazenado em glicose e, em seguida, libere a glicose no sangue (um processo denominado gli- cogenólise). Os dois hormônios, insulina e glucagon, regulam o outro. Uma diminuição CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 13 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com na insulina (bem como baixos níveis de glicose) estimula a secreção de glucagon, enquanto um aumento na insulina (bem como um aumento na glicose no sangue) suprime a secreção de glucagon. Isso resulta em um ciclo contínuo, com a insulina e o glucagon monitorando constantemente os níveis de glicose no sangue e regulando sua secreção para manter esses níveis o mais constantes possível. A principal função da insulina é a remoção do excesso de glicose no sangue. Como todas as células usam a glicose como fonte de energia e matéria-prima para a produção de outros compostos orgânicos, todas as células, exceto as cerebrais, são alvos da insulina. Como a função do glucagon é oposta à da insulina, ele estimula a adição de glicose à corrente sanguínea. Assim, ele tem como alvo células com altas concentrações de energia armazenada como glicogênio, incluindo o fígado e os mús- culos esqueléticos. Ele também estimula a produção de glicose pelas gorduras, de modo que as células do tecido adiposo são outro alvo do glucagon. INTOLERÂNCIA A LACTOSE A intolerância à lactose é um problema digestivo comum em que o corpo é incapaz de digerir a lactose, um tipo de açúcar encontrado principalmente no leite e produtos lácteos. O corpo digere a lactose usando uma enzima chamada lactase para quebrar a lactose em dois açúcares mais simples chamados glicose e galactose, que podem então ser facilmente absorvidos pela corrente sanguínea. As enzimas são pro- teínas que causam a ocorrência de reações químicas. Em casos de intolerância à lactose, o corpo não produz o suficiente da enzima lactase, então a lactose permanece no sistema digestivo, onde é fermentada por bac- térias (da mesma forma que o fermento é fermentado para produzir cerveja). É esse processo de fermentação que causa os sintomas associados à intolerância à lactose. Os níveis de lactase geralmente caem à medida que as pessoas envelhecem e algumas condições de saúde também podem reduzir a produção de lactase. Os sintomas de intolerância à lactose incluem estômago inchado, flatulência (gases), diarreia. O tratamento da intolerância à lactose está em limitar a ingestão de alimentos e bebidas contendo lactose é o principal tratamento para a intolerância à lactose. Dependendo dos níveis de intolerância de uma pessoa, eles também podem exigir suplementos adicionais de cálcio e vitamina D para manter os ossos fortes e saudáveis. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 14 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O conselho de um nutricionista às vezes pode ser útil para determinar a melhor dieta para uma pessoa. Substitutos da lactase também estão disponíveis. São gotas que você pode adicionar às refeições ou bebidas para melhorar a digestão da lactose. DIABETES MELLITUS Diabetes mellitus (frequentemente referido simplesmente como diabetes) é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por níveis elevados de glicose no san- gue. O termo vem de duas palavras gregas: “diabetes” vem de um verbo que significa “passar” e se refere à micção frequente e abundante que é uma característica da do- ença; a palavra “meli” significa “mel” em grego, então o termo “mellitus” se refere à presença de altos níveis de glicose (açúcar) no sangue. Além da micção, outros sin- tomas clássicos do diabetes são o aumento da sede e da fome. O sangue do diabético contém mais glicose do que pode ser absorvido pelas células, então esse excesso de glicose é, portanto, liberado na urina (uma caracterís- tica diagnóstica do diabetes é o açúcar na urina). A presença de açúcar resulta em mais água sendo puxada para a urina para equilibrar a pressão osmótica, levando à micção abundante. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 6”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edição. Ed. Artmed. 2014. BIOCHEMISTRY. CARBOHYDRATE METABOLISM. Cap 3. Disponível em:< https://nios.ac.in/media/documents/dmlt/Biochemistry/Lesson-03.pdf >. Acessado em 18/06/2021. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 1 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com OXIDAÇÃO BIOLÓGICA, CADEIA DE TRANSFERÊNCIA DE ELÉTRONS E FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA Quimicamente, a oxidação é definida como a remoção de elétrons e a redução como o ganho de elétrons. Assim, a oxidação é sempre acompanhada pela redução de um aceptor de elétrons. Este princípio de oxidação-redução se aplica igualmente a sistemas bioquími- cos e é um conceito importante subjacente à compreensão da natureza da oxidação biológica. Muitas oxidações biológicas podem ocorrer sem a participação do oxigênio molecular, por exemplo, desidrogenações. A vida dos animais superiores é absolutamente dependente de um suprimento de oxigênio para a respiração, o processo pelo qual as células obtêm energia na forma de ATP da reação controlada do hidrogênio com o oxigênio para formar água. Além disso, o oxigênio molecular é incorporado em uma variedade de substra- tos por enzimas designadas como oxigenases; muitos medicamentos, poluentes e carcinógenos químicos (xenobióticos) são metabolizados por enzimas dessa classe, conhecidas como sistema do citocromo P450. A administração de oxigênio pode sal- var vidas no tratamento de pacientes com insuficiência respiratória ou circulatória. REDUÇÃO DE OXIDAÇÃO BIOLÓGICA POTENCIAL REDOX - MUDANÇAS DE ENERGIA LIVRE Em reações que envolvem oxidação e redução, a mudança de energia livre é proporcional à tendência dos reagentes de doar ou aceitar elétrons. Mudança de ener- gia livre expressa como redução de oxidação ou potencial redox. O potencial redox de um sistema é geralmente comparado com o potencial do eletrodo de hidrogênio (0,0 volts em pH 0,0). No entanto, para sistemas biológicos, o potencial redox é normalmente expresso em pH 7,0, em que pH o potencial do ele- trodo do eletrodo de hidrogênio é de -0,42 volts. As enzimas envolvidas na oxidação e redução são chamadas de oxidorredutases e são classificadas em quatro grupos: oxidases, desidrogenases, hidroperoxidases e oxigenases. As oxidases usam oxigênio como aceptor de hidrogênio. As oxidases catalisam a remoção de hidrogênio de um substrato usando oxigênio como um aceitador de hidrogênio e formam água ou peróxido de hidrogênio como produto de reação. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EADDISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 2 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com ALGUMAS OXIDASES CONTÊM COBRE. A citocromo oxidase é uma hemoproteína amplamente distribuída em muitos tecidos, tendo o grupo protético heme típico presente na mioglobina, hemoglobina e outros citocromos. É o componente terminal da cadeia de portadores respiratórios en- contrados na mitocôndria e transfere elétrons resultantes da oxidação das moléculas do substrato pelas desidrogenases para seu aceptor final, o oxigênio. A enzima é envenenada por monóxido de carbono, cianeto e sulfeto de hidro- gênio. Também foi denominado citocromo a3. Sabe-se agora que os citocromos a e a3 são combinados em uma única proteína, sendo o complexo conhecido como cito- cromo aa3. Ele contém duas moléculas de heme, cada uma com um átomo de Fe que os- cila entre Fe3+ e Fe2+ durante a oxidação e a redução. Além disso, dois átomos de Cu estão presentes, cada um associado a uma unidade heme. OUTRAS OXIDASES SÃO FLAVOPROTEÍNAS. As enzimas flavoproteicas contêm mononucleotídeo de flavina (FMN) ou dinu- cleotídeo de flavina adenina (FAD) como grupos protéticos. FMN e FAD são formados no corpo a partir da vitamina riboflavina. FMN e FAD são geralmente fortemente - mas não covalentemente - ligados às suas respectivas proteínas apoenzima. As metaloflavoproteínas contêm um ou mais metais como cofatores essenciais. Exemplos de enzimas flavoproteicas incluem L-aminoácido oxidase, uma enzima li- gada a FMN encontrada no rim com especificidade geral para a desaminação oxida- tiva dos L-aminoácidos de ocorrência natural. AS DESIDROGENASES NÃO PODEM USAR OXIGÊNIO COMO UM ACEITADOR DE HIDROGÊNIO Existe um grande número de enzimas nesta classe. Eles desempenham duas funções principais: 1. Transferência de hidrogênio de um substrato para outro em uma reação de redução de oxidação acoplada. Essas desidrogenases são específicas para seus substratos, mas frequentemente utilizam coenzimas comuns ou transportadores de CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 3 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com hidrogênio, por exemplo, NAD+ (Reação abaixo). Uma vez que as reações são rever- síveis, essas propriedades permitem que equivalentes redutores sejam livremente transferidos dentro da célula. Este tipo de reação, que permite que um substrato seja oxidado às custas de outro, é particularmente útil para permitir que processos oxidativos ocorram na ausên- cia de oxigênio, como durante a fase anaeróbica da glicólise. NAD+ + AH2 ←⎯→ NADH + H+ + A 2. Como componentes da cadeia respiratória do transporte de elétrons do subs- trato ao oxigênio. MUITAS DESIDROGENASES DEPENDEM DE COENZIMAS DE NICOTINAMIDA Essas desidrogenases usam nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+) ou ni- cotinamida adenina dinucleotídeo fosfato (NADP+) - ou ambos - e são formadas no corpo a partir da vitamina niacina. Essas coenzimas são reduzidas pelo substrato específico da desidrogenase e reoxidadas por um aceptor de elétrons adequado. Eles podem se dissociar livre e reversivelmente de suas respectivas apoenzimas. Geralmente, as desidrogenases li- gadas a NAD catalisam reações de oxidorredução nas vias oxidativas do metabo- lismo, particularmente na glicólise, no ciclo do ácido cítrico e na cadeia respiratória da mitocôndria. As desidrogenases ligadas a NADP são encontradas caracteristicamente em sínteses redutivas, como na via extramitocondrial da síntese de ácidos graxos e sín- tese de esteróides - e também na via da pentose fosfato. OUTRAS DESIDROGENASES DEPENDEM DA RIBOFLAVINA Os grupos de flavinas associados a essas desidrogenases são semelhantes ao FMN e FAD que ocorrem nas oxidases. Em geral, eles estão mais fortemente ligados às suas apoenzimas do que as coenzimas de nicotinamida. A maioria das desidrogenases ligadas à riboflavina está relacionada ao trans- porte de elétrons na (ou para) cadeia respiratória. A NADH desidrogenase atua como CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 4 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com um transportador de elétrons entre o NADH e os componentes de maior potencial redox. Outras desidrogenases, como succinato desidrogenase, acil-CoA desidroge- nase e glicerol3-fosfato desidrogenase mitocondrial, transferem equivalentes reduto- res diretamente do substrato para a cadeia respiratória. Outro papel das desidrogena- ses dependentes de flavina é na desidrogenação do lipoato reduzido, um intermediário na descarboxilação oxidativa do piruvato e α-cetoglutarato. A flavoproteína de trans- ferência de elétrons é um portador intermediário de elétrons entre a acilCoA desidro- genase e a cadeia respiratória. OS CITOCROMOS TAMBÉM PODEM SER CONSIDERADOS DESIDROGENASES Os citocromos são hemoproteínas contendo ferro nas quais o átomo de ferro oscila entre Fe3+ e Fe2+ durante a oxidação e redução. Com exceção da citocromo oxidase, são classificadas como desidrogenases. Na cadeia respiratória, eles estão envolvidos como transportadores de elétrons de flavoproteínas, por um lado, para a citocromo oxidase, por outro. Vários citocromos identificáveis ocorrem na cadeia respiratória, ou seja, os citocromos b, c1, c, a e a3 (citocromo oxidase). Os citocromos também são encontrados em outros locais, por exemplo, no re- tículo endoplasmático (citocromos P450 e b5) e em células vegetais, bactérias e leve- duras. AS HIDROPEROXIDASES USAM PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO OU PERÓXIDO ORGÂNICO COMO SUBSTRATO Dois tipos de enzimas encontradas em animais e plantas se enquadram nesta categoria: peroxidases e catalase. As hidroperoxidases protegem o corpo contra pe- róxidos prejudiciais. O acúmulo de peróxidos pode levar à geração de radicais livres, que por sua vez podem romper as membranas e talvez causar câncer e aterosclerose. AS PEROXIDASES REDUZEM OS PERÓXIDOS USANDO VÁRIOS ACEPTORES DE ELÉTRONS As peroxidases são encontradas no leite e em leucócitos, plaquetas e outros tecidos envolvidos no metabolismo de eicosanóides. O grupo protético é protoheme. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 5 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Na reação catalisada pela peroxidase, o peróxido de hidrogênio é reduzido às custas de várias substâncias que atuarão como aceitadores de elétrons, como ascorbato, quinonas e citocromo c. A reação catalisada pela peroxidase é complexa, mas a reação geral é a se- guinte: Em eritrócitos e outros tecidos, a enzima glutationa peroxidase, contendo se- lênio como um grupo protético, catalisa a destruição de H2O2 e hidroperóxidos lipídicos pela redução da glutationa, protegendo os lipídios da membrana e hemoglobina contra oxidação por peróxidos. CATALASE USA PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO COMO DOADOR DE ELÉTRONS E ACEITADOR DE ELÉTRONS Catalase é uma hemoproteína contendo quatro grupos heme. Além de possuir atividade peroxidase, é capaz de usar uma molécula de H2O2 como substrato doadorde elétrons e outra molécula de H2O2 como oxidante ou aceptor de elétrons (Na reação abaixo). Na maioria das condições in vivo, a atividade peroxidase da catalase parece ser favorecida. A catalase é encontrada no sangue, medula óssea, membranas mu- cosas, rins e fígado. Supõe-se que sua função seja a destruição do peróxido de hidro- gênio formado pela ação das oxidases. Os peroxissomos são encontrados em muitos tecidos, incluindo o fígado. Eles são ricos em oxidases e em catalase. Assim, as enzimas que produzem H2O2 são agrupadas com a enzima que o destrói. No entanto, os sistemas de transporte de elétrons mitocondrial e microssomal, bem como a xantina oxidase, devem ser consi- derados como fontes adicionais de H2O2. Catalase 2H2O2 ⎯⎯⎯⎯→ 2H2O + O2 OS CITOCROMOS P450 SÃO MONOOXIGENASES IMPORTANTES PARA A DE- SINTOXICAÇÃO DE MUITAS DROGAS Os citocromos P450 são uma importante superfamília de monooxgenases con- tendo heme, e mais de 1000 dessas enzimas são conhecidas. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 6 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Tanto o NADH quanto o NADPH doam equivalentes redutores para a redução desses citocromos, que por sua vez são oxidados por substratos em uma série de reações enzimáticas conhecidas coletivamente como ciclo da hidroxilase (Na reação abaixo). Nos microssomas hepáticos, os citocromos P450 são encontrados junto com o citocromo b5 e têm um papel importante na desintoxicação. Benzpireno, aminopirina, anilina, morfina e benzfetamina são hidroxilados, aumentando sua solubilidade e au- xiliando em sua excreção. Muitos medicamentos, como o fenobarbital, têm a capaci- dade de induzir a formação de enzimas microssomais e dos citocromos P450. Os sistemas mitocondriais do citocromo P450 são encontrados em tecidos es- teroidogênicos, como córtex adrenal, testículos, ovários e placenta, e estão relaciona- dos à biossíntese de hormônios esteróides a partir do colesterol. Reduced cytochrome P450 ⎯→ Oxidized cytochrome P450 RH + O2 ⎯→ R – OH + H2O A SUPERÓXIDO DISMUTASE PROTEGE OS ORGANISMOS AERÓBICOS CON- TRA A TOXICIDADE DO OXIGÊNIO A transferência de um único elétron para O2 gera o radical livre ânion superó- xido potencialmente prejudicial (O2 "-) (Na reação abaixo), cujos efeitos destrutivos são amplificados dando origem a reações em cadeia de radicais livres. A facilidade com que o superóxido pode ser formado do oxigênio nos tecidos e a ocorrência de superóxido dismutase, a enzima responsável por sua remoção em todos os organismos aeróbios (embora não em anaeróbios obrigatórios) indicam que a toxicidade potencial do oxigênio é devido à sua conversão em superóxido. O superóxido é formado quando flavinas reduzidas - presentes, por exemplo, na xantina oxidase - são reoxidados univalentemente pelo oxigênio molecular. Superoxide Dismutase O2 – + O2 – + 2H+ ⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯⎯→ H2O + O2 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 7 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A CADEIA RESPIRATÓRIA E A FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA Os organismos aeróbios são capazes de capturar uma proporção muito maior da energia livre disponível dos substratos respiratórios do que os organismos anaeró- bios. A maior parte disso ocorre dentro das mitocôndrias, que foram chamadas de “casas de força” da célula. A respiração é acoplada à geração do intermediário de alta energia, ATP, por fosforilação oxidativa, e a teoria quimiosmótica oferece uma visão de como isso é realizado. Vários medicamentos (por exemplo, amobarbital) e venenos (por exemplo, cianeto, monóxido de carbono) inibem a fosforilação oxidativa, geralmente com con- sequências fatais. Vários defeitos hereditários das mitocôndrias envolvendo componentes da ca- deia respiratória e fosforilação oxidativa foram relatados. Os pacientes apresentam miopatia e encefalopatia e muitas vezes têm acidose láctica. ENZIMAS ESPECÍFICAS ATUAM COMO MARCADORES As mitocôndrias têm uma membrana externa permeável à maioria dos metabó- litos, uma membrana interna seletivamente permeável e uma matriz interna. A mem- brana externa é caracterizada pela presença de várias enzimas, incluindo acilCoA sin- tetase e glicerolfosfato aciltransferase. A adenilil quinase e a creatina quinase são encontradas no espaço intermem- branar. O fosfolipídio cardiolipina está concentrado na membrana interna junto com as enzimas da cadeia respiratória. A CADEIA RESPIRATÓRIA COLETA E OXIDA EQUIVALENTES REDUTORES A maior parte da energia liberada durante a oxidação de carboidratos, ácidos graxos e aminoácidos é disponibilizada nas mitocôndrias como equivalentes redutores (H+ ou elétrons). As mitocôndrias contêm a cadeia respiratória, que coleta e transporta equiva- lentes redutores direcionando-os para sua reação final com o oxigênio para formar água, o mecanismo para aprisionar a energia livre liberada como fosfato de alta ener- gia, e as enzimas da β-oxidação e do ácido cítrico ciclo que produz a maioria dos equivalentes redutores. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 8 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com OS COMPONENTES DA CADEIA RESPIRATÓRIA SÃO ORGANIZADOS EM OR- DEM CRESCENTE DE POTENCIAL REDOX A cadeia respiratória consiste em uma série de transportadores redox que pro- cedem dos sistemas de desidrogenase ligada a NAD, por meio de flavoproteínas e citocromos, para o oxigênio molecular. Nem todos os substratos estão ligados à ca- deia respiratória por meio de desidrogenases específicas de NAD; alguns, porque seus potenciais redox são mais positivos (por exemplo, fumarato/succinato; estão li- gados diretamente às flavoproteínas desidrogenases, que por sua vez estão ligadas aos citocromos da cadeia respiratória. UBIQUINONA OU Q (COENZIMA Q) A coenzima Q liga as flavoproteínas ao citocromo b, o membro da cadeia do citocromo de menor potencial redox. Q existe na forma de quinona oxidada ou quinol reduzida em condições aeróbias ou anaeróbias, respectivamente. A estrutura de Q é muito semelhante à da vitamina K e da vitamina E e da plastoquinona, encontrada nos cloroplastos. O Q atua como um componente móvel da cadeia respiratória que coleta equi- valentes redutores dos complexos de flavoproteínas mais fixos e os passa para os citocromos. Um componente adicional é a proteína ferro-enxofre (FeS; ferro não heme). Está associada às flavoproteínas (metaloflavoproteínas) e ao citocromo b. Acredita-se que o enxofre e o ferro participem do mecanismo de oxidorredução entre a flavina e Q, que envolve apenas uma única mudança-e, o átomo de ferro sofre oxi- dorredução entre Fe2+ e Fe3+. Piruvato e α-cetoglutarato desidrogenase têm sistemas complexos envolvendo lipoato e FAD antes da passagem de elétrons para NAD, enquanto o elétron transfere de outras desidrogenases, por exemplo, L (+)-3-hidroxiacil-CoA desidrogenase, aco- pla-se diretamente com NAD. O NADH reduzido da cadeia respiratória é, por sua vez, oxidado por uma enzima metaloflavoproteína-NADH desidrogenase. Esta enzima con- tém FeS e FMN, está fortemente ligada à cadeia respiratória e passa equivalentesredutores para Q. Os elétrons fluem de Q através da série de citocromos a fim de aumentar o potencial redox para o oxigênio molecular. O citocromo terminal aa3 (citocromo oxi- dase), responsável pela combinação final de equivalentes redutores com o oxigênio CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 9 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com molecular, tem uma afinidade muito alta pelo oxigênio, permitindo que a cadeia respi- ratória funcione em velocidade máxima até que o tecido se torne esgotado de O2. Por se tratar de uma reação irreversível (única na cadeia), ela direciona o mo- vimento de equivalentes redutores e a produção de ATP, ao qual está acoplado. Fun- cionalmente e estruturalmente, os componentes da cadeia respiratória estão presen- tes na membrana mitocondrial interna como quatro complexos de proteína-lipídio da cadeia respiratória que se estendem pela membrana. O citocromo c é o único cito- cromo solúvel e, juntamente com o Q, parece ser um componente mais móvel da ca- deia respiratória que conecta os complexos fixos. A reação geral é dada na figura 1. Figura 1 - Nesta representação simples da teoria quimiosmótica aplicada às mitocôndrias, os elétrons do NADH e de outros substratos oxidáveis passam por uma cadeia de portadores dispostos assimetri- camente na membrana interna. O fluxo de elétrons é acompanhado pela transferência de prótons atra- vés da membrana, produzindo um gradiente químico (ΔpH) e um gradiente elétrico (Δψ). A membrana mitocondrial interna é impermeável aos prótons; prótons podem reentrar na matriz apenas por meio de canais específicos de prótons (Fo). A força motriz de prótons que leva os prótons de volta à matriz fornece a energia para a síntese de ATP, catalisada pelo complexo F1 associado a Fo. A CADEIA RESPIRATÓRIA FORNECE A MAIOR PARTE DA ENERGIA CAPTU- RADA DURANTE O CATABOLISMO O ADP captura, na forma de fosfato de alta energia, uma proporção significativa da energia livre liberada por processos catabólicos. O ATP resultante foi chamado de “moeda” de energia da célula porque ele passa essa energia livre para conduzir os processos que requerem energia. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 10 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Há uma captura direta líquida de dois grupos de fosfato de alta energia nas reações glicolíticas, equivalente a aproximadamente 103,2 kJ/mol de glicose. (In vivo, ΔG para a síntese de ATP a partir de ADP foi calculado como aproximadamente 51,6 kJ/mol. (É maior do que ΔG0 'para a hidrólise de ATP, que é obtido em concentrações padrão de 1,0 mol/L). mol de glicose rende aproximadamente 2870 kJ na combustão completa, a energia capturada pela fosforilação na glicólise é pequena. Mais dois fos- fatos de alta energia por mol de glicose são capturados no ciclo do ácido cítrico du- rante a conversão de succinil CoA em succinato. Todas essas fosforilações ocorrem no nível do substrato. Quando os substratos são oxidados por meio de uma desidrogenase ligada a NAD e da cadeia respiratória, aproximadamente 2,5 mol de fosfato inorgânico são incorporados em 2,5 mol de ADP para formar 2,5 mol de ATP por meio mol de O2 consumido; isto é, a razão P:O = 2,5. Por outro lado, quando um substrato é oxidado por meio de uma desidrogenase ligada a uma flavoproteína, apenas 1,5 mol de ATP são formados; ou seja, P:O = 1,5. Essas reações são conhecidas como fosforilação oxidativa no nível da cadeia respiratória. Essas desidrogenações mais fosforilações no nível do substrato podem agora responder por 68% da energia livre resultante da combustão da glicose, captu- rada na forma de fosfato de alta energia. É evidente que a cadeia respiratória é res- ponsável por grande parte da formação total de ATP. O CONTROLE RESPIRATÓRIO GARANTE UM FORNECIMENTO CONSTANTE DE ATP A taxa de respiração das mitocôndrias pode ser controlada pela disponibilidade de ADP. Isso ocorre porque a oxidação e a fosforilação estão fortemente acopladas; isto é, a oxidação não pode prosseguir através da cadeia respiratória sem fosforilação concomitante de ADP. Quando o trabalho é realizado, o ATP é convertido em ADP, permitindo que mais respiração ocorra, o que, por sua vez, reabastece o armazena- mento de ATP. Sob certas condições, a concentração de fosfato inorgânico também pode afe- tar a taxa de funcionamento da cadeia respiratória. Também existe a possibilidade de que o transportador ADP/ATP, que facilita a entrada do ADP citosólico para dentro e do ATP para fora da mitocôndria, torne-se um limitador da taxa. Assim, a maneira pela qual os processos oxidativos biológicos permitem que a energia livre resultante da CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 11 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com oxidação dos alimentos se torne disponível e seja capturada é gradativa, eficiente (aproximadamente 68%) e controlada - ao invés de explosiva, ineficiente e descontro- lada, como em muitos processos não biológicos. A energia livre restante que não é capturada como fosfato de alta energia é liberada como calor. Isso não precisa ser considerado “desperdiçado”, pois garante que o sistema respiratório como um todo seja suficientemente exergônico para ser removido do equilíbrio, permitindo fluxo unidirecional contínuo e fornecimento cons- tante de ATP. Também contribui para a manutenção da temperatura corporal. MUITOS VENENOS INIBEM A CADEIA RESPIRATÓRIA Muitas informações sobre a cadeia respiratória foram obtidas com o uso de inibidores e, inversamente, forneceram conhecimento sobre o mecanismo de ação de vários venenos. Eles podem ser classificados como inibidores da cadeia respiratória, inibidores da fosforilação oxidativa e desacopladores da fosforilação oxidativa. Os barbitúricos, como o amobarbital, inibem as desidrogenases ligadas a NAD, bloqueando a transferência de FeS para Q. Em dosagem suficiente, são fatais in vivo. A antimicina A e o dimercaprol inibem a cadeia respiratória entre o citocromo b e o citocromo c. Os venenos clássicos H2S, monóxido de carbono e cianeto inibem a ci- tocromo oxidase e podem, portanto, interromper totalmente a respiração. O malonato é um inibidor competitivo da succinato desidrogenase. O atractilo- sídeo inibe a fosforilação oxidativa ao inibir o transportador de ADP para dentro e para fora da mitocôndria. A ação dos desacopladores é dissociar a oxidação da cadeia respiratória da fosforilação. Esses compostos são tóxicos in vivo, fazendo com que a respiração se torne descontrolada, uma vez que a taxa não é mais limitada pela con- centração de ADP ou Pi. O desacoplador mais utilizado é o 2,4-dinitrofenol, mas ou- tros compostos atuam de maneira semelhante. O antibiótico oligomicina bloqueia completamente a oxidação e a fosforilação, agindo em uma etapa da fosforilação. A TEORIA QUIMIOSMÓTICA EXPLICA O MECANISMO DE FOSFORILAÇÃO OXI- DATIVA A teoria quimiosmótica de Mitchell postula que a energia da oxidação de com- ponentes da cadeia respiratória é acoplada à translocação de íons de hidrogênio (pró- tons, H+) de dentro para fora da membrana mitocondrial interna. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGAGRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 12 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A diferença de potencial eletroquímico resultante da distribuição assimétrica dos íons de hidrogênio é usada para conduzir o mecanismo responsável pela forma- ção do ATP (Figura 1). A CADEIA RESPIRATÓRIA É UMA BOMBA DE PRÓTONS Cada um dos complexos da cadeia respiratória I, III e IV atuam como uma bomba de prótons. A membrana interna é impermeável aos íons em geral, mas particularmente aos prótons, que se acumulam fora da membrana, criando uma diferença de potencial eletroquímico através da membrana. Este consiste em um potencial químico (dife- rença de pH) e um potencial elétrico. UMA ATP SINTASE LOCALIZADA NA MEMBRANA FUNCIONA COMO UM MO- TOR ROTATIVO PARA FORMAR ATP A diferença de potencial eletroquímico é usada para conduzir uma ATP sintase localizada na membrana que, na presença de Pi + ADP, forma ATP. Espalhados pela superfície da membrana interna estão os complexos fosforilantes, ATP sintase, res- ponsável pela produção de ATP. Estes consistem em várias subunidades de proteínas, conhecidas coletiva- mente como F1, que se projetam na matriz e que contêm o mecanismo de fosforilação. Essas subunidades estão ligadas a um complexo de proteínas de membrana conhe- cido como F0, que também consiste em várias subunidades de proteínas. F0 atra- vessa a membrana e forma o canal de prótons. O fluxo de prótons através de F0 faz com que ele gire, conduzindo a produção de ATP no complexo F1. As estimativas sugerem que para cada NADH oxidado, o complexo I transloca quatro prótons e os complexos III e IV translocam 6 entre eles. A TEORIA QUIMIOSMÓTICA PODE SER RESPONSÁVEL PELO CONTROLE RES- PIRATÓRIO E PELA AÇÃO DOS DESACOPLADORES A diferença de potencial eletroquímico através da membrana, uma vez estabe- lecida como resultado da translocação de prótons, inibe o transporte adicional de equi- valentes redutores através da cadeia respiratória, a menos que seja descarregado por CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 13 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com retrotranslocação de prótons através da membrana através da ATP sintase vetorial. Isso, por sua vez, depende da disponibilidade de ADP e Pi. Os desacopladores (por exemplo, dinitrofenol) são anfipáticos e aumentam a permeabilidade da membrana mitocondrial interna lipoide aos prótons, reduzindo as- sim o potencial eletroquímico e causando um curto-circuito na ATP sintase. Desta forma, a oxidação pode prosseguir sem fosforilação. IMPERMEABILIDADE DA MEMBRANA MITOCONDRIAL INTERNA A impermeabilidade relativa da membrana mitocondrial interna necessita de transportadores de troca. Sistemas de difusão de troca estão presentes na membrana para troca de ânions contra íons OH- e cátions contra íons H+. Esses sistemas são necessários para a captação e saída de metabólitos ioni- zados, preservando o equilíbrio elétrico e osmótico. A membrana mitocondrial bilipóide interna é livremente permeável a pequenas moléculas não carregadas, como oxigê- nio, água, CO2 e NH3, e a ácidos monocarboxílicos, como 3-hidroxibutírico, acetoacé- tico e acético. Os ácidos graxos de cadeia longa são transportados para a mitocôndria através do sistema carnitina, e também há um transportador especial para o piruvato envolvendo um simporte que utiliza o gradiente de H+ de fora para dentro da mitocôn- dria. No entanto, os ânions e aminoácidos dicarboxilato e tricarboxilato requerem um transportador específico ou sistemas de transporte para facilitar sua passagem atra- vés da membrana. Os ácidos monocarboxílicos penetram mais facilmente em sua forma indissociada e mais solúvel em lipídios. O transporte dos ânions di- e tricarbo- xilato está intimamente ligado ao do fosfato inorgânico, que penetra prontamente como o íon H2PO4- em troca do OH–. IONÓFOROS PERMITEM QUE CÁTIONS ESPECÍFICOS PENETREM NAS MEM- BRANAS Ionóforos são moléculas lipofílicas que complexam cátions específicos e facili- tam seu transporte através de membranas biológicas, por exemplo, valinomicina (K+). Os desacopladores clássicos como o dinitrofenol são, na verdade, ionóforos de pró- tons. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 14 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com UMA TRANSIDROGENASE DE TRANSLOCAÇÃO DE PRÓTONS É UMA FONTE DE NADPH INTRAMITOCHON-DRIAL A transidrogenase ligada à energia, uma proteína na membrana mitocondrial interna, acopla a passagem de prótons no gradiente eletroquímico de fora para dentro da mitocôndria com a transferência de H de NADH intramitocondrial para NADPH para enzimas intramitocondriais, como glutamato desidrogenase e hidroxilases envolvidas em esteroides síntese. A OXIDAÇÃO DO NADH EXTRAMITOCONDRIAL É MEDIADA POR TRANSPOR- TADOR DE SUBSTRATO O NADH não consegue penetrar na membrana mitocondrial, mas é produzido continuamente no citosol pela 3-fosfogliceraldeído desidrogenase, uma enzima da se- quência da glicólise. No entanto, em condições aeróbias, o NADH extramitocondrial não se acumula e presume-se que seja oxidado pela cadeia respiratória na mitocôn- dria. A transferência de equivalentes redutores através da membrana mitocondrial re- quer pares de substratos, ligados por desidrogenases adequada em cada lado da membrana mitocondrial. O mecanismo de transferência usa a lançadeira de glicerofosfato. Uma vez que a enzima mitocondrial está ligada à cadeia respiratória por meio de uma flavoproteína em vez de NAD, apenas 1,5 mol em vez de 2,5 mol de ATP são formados por átomo de oxigênio consumido. Embora essa lançadeira esteja presente em alguns tecidos (por exemplo, cérebro, músculo branco), em outros (por exemplo, músculo cardíaco) ela é deficiente. Portanto, acredita-se que o sistema de transporte de malato é de utilidade mais universal. A complexidade desse sistema se deve à impermeabilidade da membrana mi- tocondrial ao oxaloacetato, que deve reagir com o glutamato e transamine para as- partato e α-cetoglutarato antes do transporte através da membrana mitocondrial e re- constituição para oxaloacetato no citosol. O TRANSPORTE DE ÍONS NA MITOCÔNDRIA É LIGADO À ENERGIA As mitocôndrias mantêm ou acumulam cátions como K+, Na+, Ca2+ e Mg2+ e Pi. Presume-se que uma bomba de prótons primária conduza a troca catiônica. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 15 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O LANÇADOR DE FOSFATO DE CREATINA FACILITA O TRANSPORTE DE FOS- FATO DE ALTA ENERGIA DA MITOCÔNDRIA O lançador de fosfato de creatina aumenta as funções do fosfato de creatina como um tampão de energia, agindo como um sistema dinâmico para a transferência de fosfato de alta energia da mitocôndria em tecidos ativos, como coração e músculo esquelético. Uma isoenzima da creatina quinase é encontrada no espaço intermembranar mitocondrial, catalisando a transferência de fosfato de alta energia para a creatinaa partir do ATP que emerge do transportador de nucleotídeo de adenina. Por sua vez, o fosfato de creatina é transportado para o citosol por meio de poros protéicos na membrana mitocondrial externa, tornando-se disponível para geração de ATP extra- mitocondrial. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 7”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edição. Ed. Artmed. 2014. BIOCHEMISTRY. BIOLOGICAL OXIDATION, ELECTRON TRANSFER CHAIN AND OXIDATIVE PHOSPHORYLATION. 9. Disponível em:< http://www.esalq.usp.br/lepse/imgs/conteudo_thumb/Biological-oxidation.pdf>. Acessado em 18/06/2021. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 1 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com METABOLISMO DOS LIPÍDIOS DIGESTÃO DO LIPÍDIOS A ingestão média diária de lipídios para um adulto é de cerca de 81 g, dos quais mais de 90% é normalmente triacilglicerol (TAG). O restante dos lipídios da dieta con- siste principalmente de colesterol, ésteres de colesteril, fosfolipídios e ácidos graxos não esterificados (“livres”). A digestão de lipídios é aumentada se eles forem convertidos em um estado microscópico finamente disperso denominado emulsão/micelas, por um processo de- nominado emulsificação. O processo crítico de emulsificação de lipídios ocorre no duodeno. A emulsifi- cação é realizada pelos sais biliares e mistura mecânica devido ao peristaltismo. Os sais biliares, produzidos no fígado e armazenados na vesícula biliar, são derivados do colesterol. Eles consistem em uma estrutura de anel de esterol com uma cadeia lateral à qual uma molécula de glicina ou taurina é covalentemente ligada por uma ligação amida. Esses agentes emulsificantes interagem com as partículas lipídicas da dieta e o conteúdo duodenal aquoso, estabilizando assim as partículas à medida que se tor- nam menores e evitando que se aglutinem (Figura 1). Figura 1 – Os passos ilustrados da digestão dos lipídios (Fonte: LEHNINGER, 2014). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 2 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A emulsificação aumenta a área de superfície para a atividade da lipase (enzi- mas da digestão). As lipases então, hidrolisam as ligações éster dos lipídios saponificáveis, libe- rando ácidos graxos e os outros produtos como o glicerol, que atravessam então a mucosa intestinal, sendo convertidos em triacilgliceróis. Os triacilgliceróis, juntamente com o colesterol são incorporados às proteínas transportadoras, as apolipoproteínas, formando os quilomícrons. Os quilomícrons são grandes partículas de lipoproteína que transportam os li- pídios da dieta do intestino para outros locais do corpo. Os quilomícrons são um dos 5 grupos principais de lipoproteínas que permitem que as gorduras e o colesterol se movam na solução à base de água da corrente sanguínea. Os quilomícrons transpor- tam lipídios exógenos para o tecido do fígado, tecido adiposo, cardíaco e músculo esquelético. O TAG nos quilomícrons é degradado em ácidos graxos livres e glicerol pela lipase de lipoproteína. Principalmente os adipócitos e as células musculares sinteti- zam essa enzima. Os ácidos graxos livres derivados da hidrólise do TAG são trans- portados no sangue em associação com a albumina sérica e são absorvidos pelas células, onde oxidam os ácidos graxos para produzir energia. O principal órgão que metaboliza os lipídios é o fígado, entretanto eles também são metabolizados pelo coração para produção de sua própria energia. O fígado ex- porta lipídios metabolizados para outros tecidos como o cérebro na forma de corpos cetônicos, já que estes não metabolizam lipídios mas convertem os corpos cetônicos em acetil-CoA, sendo esta metabolizada no ciclo do ácido cítrico. O glicerol liberado do TAG é usado quase exclusivamente pelo fígado para pro- duzir glicerol 3-fosfato, que pode entrar na glicólise ou na gliconeogênese por oxida- ção em fosfato de dihidroxiacetona. Para isto ele precisa primeiro ser ativado pela enzima glicerol-quinase, que utiliza uma molécula de ATP para converter o glicerol em L-glicerol-3-fosfato. Em seguida a enzima glicerol3-fosfato-desidrogenase utiliza o NAD+ para converter o L-glicerol-3-fosfato em diidroxiacetona-fosfato. Por fim a en- zima triose-fosfato-isomerase converte a diidroxiacetona-fosfato em D-gliceraldeído- 3-fosfato, que segue seu caminho na via glicolítica (Figura 2). Dois ácidos graxos são essenciais para a dieta humana, o ácido linoléico, que é o precursor do ácido araquidônico, substrato para a síntese de prostaglandinas e o CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 3 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com ácido α-linolênico é o precursor do crescimento e do desenvolvimento. A deficiência de ácidos graxos essenciais pode resultar em dermatite escamosa, bem como anor- malidades visuais e neurológicas. Figura 2 – Via de metabolização do glicerol (Fonte: LEHNINGER, 2014). METABOLISMO DE ÁCIDOS GRAXOS E TRIACILGLICEROL Os ácidos graxos existem “livres” no corpo e são encontrados como ésteres de acil graxos em moléculas mais complexas, como os triacilgliceróis. Níveis baixos de ácidos graxos livres ocorrem em todos os tecidos, mas quantidades substanciais às vezes podem ser encontradas no plasma, principalmente durante o jejum. Os ácidos graxos livres podem ser oxidados por muitos tecidos, especialmente o fígado e os músculos, para fornecer energia. Os ácidos graxos também são compo- nentes estruturais dos lipídios da membrana, como fosfolipídios e glicolipídios, tam- bém são precursores das prostaglandinas semelhantes a hormônios. Os ácidos graxos esterificados, na forma de triacilgliceróis armazenados nas células adiposas, atuam como a principal reserva de energia do corpo. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 4 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A degradação dos triglicerídeos é facilitada por três enzimas, triacilglicerol li- pase (que é ativada pela epinefrina), diaciclglicerol lipase e a Monoacilglicerol lipase. Liberação de ácidos graxos do TAG A mobilização da gordura armazenada requer a liberação hidrolítica de ácidos graxos e glicerol de sua forma de TAG. Este processo é iniciado pela lipase sensível ao hormônio, que remove um ácido graxo do carbono 1 e/ou carbono 3 do TAG. Lipa- ses adicionais específicas para diacilglicerol ou monoacilglicerol removem os ácidos graxos restantes. A decomposição dos triglicerídeos pelas lipases está sob controle hormonal. As principais enzimas envolvidas são epinefrina, glucagon e insulina. A epinefrina e o glucagon promovem a quebra da gordura (lipólise), enquanto a insulina inibe a quebra da gordura. A lipasesensível a hormônios é ativada quando fosforilada por uma proteína quinase dependente de AMP 3 ', 5'-AMP (cAMP) (Figura 3). O AMP 3 ', 5'-cíclico é produzido no adipócito por vários hormônios, como a epinefrina ou o glucagon, que se liga a receptores na membrana celular e ativa a adenilil ciclase. A síntese de ácidos graxos é desligada quando a degradação de TAG é ligada. Na presença de níveis plasmáticos elevados de insulina e glicose, a lipase sensível a hormônios é desfosforilado e torna-se inativa. O glicerol liberado durante a degradação do TAG não pode ser metabolizado pelos adipócitos porque eles aparentemente carecem de glicerol quinase. Em vez disso, o glicerol é transportado pelo sangue até o fígado, onde pode ser fosforilado. O fosfato de glicerol resultante pode ser usado para formar TAG no fígado ou pode ser convertido em diidroxicetona fosfato pela glicerol fosfato desidrogenase. Os ácidos graxos liberados são metabolizados no interior da mitocôndria. Para que eles sejam metabolizados é necessário primeiro ativá-los, transformando seu grupo carboxilato em um tio-éster da CoASH. A enzima acilCoA sintetase inicialmente ativa o ácido graxo com uma molécula de ATP. O oxigênio da carboxila ataca o fós- foro-α do ATP, fornando acil-AMP e pirofosfato. O pirofosfato é hidrolisado à dois fos- fatos inorgânicos. Em seguida a CoASH ataca a carbonila da acil-AMP, saindo o grupo abandonador AMP e formando acil-CoA (Figura 4). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 5 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 3 – Mobilização dos ácidos graxos pelo sinal do glucagon (HSL –Lipase sensível a hormônio; MGL – Monoacilglicerol lipase; PKA – Fosfoquinase A; CGI – Proteína G; ATGL – Lipase triacilglicerol do adipócito) (Fonte: LEHNINGER, 2014). Figura 4 – Conversão de um ácido graxo em um acil- CoA graxo (Fonte: LEHNINGER, 2014). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 6 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Os ácidos graxos com até 12 carbonos atravessam a membrana mitocondrial sem problemas. Para ácidos graxos maiores entram em ação as enzimas carnitina- aciltransferase I e carnitina aciltransferase II. A primeira catalisa a transesterificação da acil-CoA com a carnitina formando acilcarnitina e CoASH. A acil-carnitina atravessa sem problemas a membrana mitocondrial, e do outro lado a segunda enzima catalisa a transesterificação da acil-carnitina com a CoASH, formando acil-CoA e carnitina (Fi- gura 5). Figura 5 – Entrada de ácido graxo na mitocôndria pelo transportador aci-carnitina/carnitina (Fonte: LEHNINGER, 2014). No interior da mitocôndria, pelo processo conhecido de beta-oxidação (β-oxi- dação), os ácidos graxos serão oxidados em quatro etapas, quebrando sua estrutura de dois em dois carbonos, até convertê-los em acetil-CoA, NADH e FADH2. O acetil- CoA segue para o ciclo do ácido cítrico e os NADH e FADH2 seguem para a fosforila- ção oxidativa (Figura 6). Figura 6 - Etapas da oxidação de ácido graxo (β-oxidação) (Fonte: LEHNINGER, 2014). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 7 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Β-OXIDAÇÃO DE ÁCIDOS GRAXOS A principal via de catabolismo de ácidos graxos saturados de número par é uma via mitocondrial chamada β-oxidação. Em que fragmentos de dois carbonos são su- cessivamente removidos da extremidade carboxila do acil CoA graxo, produzindo ace- til CoA, NADH e FADH2. Na β-oxidação, o ácido graxo é quebrado para liberar acetil-CoA. O processo envolve 4 etapas principais, a desidrogenação, a hidratação, a oxidação e a tiólise. A beta-oxidação de ácidos graxos ocorre principalmente na matriz mitocondrial. No entanto, os ácidos graxos devem ser ativados para degradação pela coenzima A (CoA), formando um tioéster de acil-CoA graxo. Para ácidos graxos de comprimento curto e médio, eles sofrem essa reação na mitocôndria. Os ácidos graxos de cadeia longa não podem atravessar a membrana, então essa reação ocorre na membrana mitocondrial externa. Os produtos finais de ácidos graxos são acetil-CoA para os ácidos graxos pares (sem ligações duplas), e para aqueles com um número ímpar de carbonos, é propionil- CoA de 3 carbonos. Beta-oxidação de ácidos graxos (cadeia uniforme) 1. Desidrogenação (Acil-CoA Desidrogenase): Esta primeira reação é a oxida- ção da ligação Ca-Cb. É catalisado por acil-CoA desidrogenases. Este catalisador é uma família de três enzimas de matriz solúvel. Essas enzimas carregam FAD não covalentemente ligado que é reduzido durante a oxidação do ácido graxo (Figura 7). 2. Hidratação (Enoil-CoA Hidratase): Nesta via é aquela em que a água é adi- cionada através da nova ligação dupla para formar hidroacil-CoA. O catalisador nesta reação é a Enoil-CoA hidratase. Isso também é chamado de crotonase e converte o trans-enoil-CoA em L-B-hidroxiacil-CoA. Esta reação seria classificada como uma re- ação de hidratação porque você está adicionando água (Figura 7). 3. Oxidação (L-Hidroxiacil-CoA Desidrogenase): Aqui, a oxidação do grupo hi- droxila na posição beta que forma um derivado beta-cetoacil-CoA e é catalisada pela L-Hidroxiacil-CoA desidrogenase. Essa enzima precisa ter o NAD+ como coenzima e o NADH produzido representa a energia metabólica, pois para cada NADH produzido, ele direciona a síntese de 2,5 moléculas de ATP na via de transporte de elétrons. Portanto, essa reação é classificada como uma reação de oxidação (Figura 7). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 8 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com 4. Tiólise: Esta é a reação final desta via e a tiolase catalisou esta reação. Esta reação cliva o β-cetoacil-CoA. Os produtos dessa reação são um acetil-CoA e um ácido graxo que foi reduzido em dois carbonos. Portanto, essa reação é classificada como uma reação de clivagem (Figura 7). Repetição do ciclo de beta-oxidação: o acil-CoA graxo encurtado, produto da última reação, agora passa por outro ciclo de beta-oxidação. Isso continua aconte- cendo até que você acabe com duas moléculas de acetil-CoA na etapa final. Este acetil-CoA está então disponível para ser posteriormente metabolizado no ciclo do ácido cítrico, ou pode ser usado como um substrato na biossíntese de aminoácidos. Não pode ser usado como substrato para a gliconeogênese. Figura 7 – Via da β-oxidação (Fonte: LEHNINGER, 2014). Oxidação beta de ácidos graxos com um número ímpar de carbonos As cadeias com um número ímpar de carbonos são oxidadas da mesma ma- neira que as cadeias pares, mas os produtos finais são propionil CoA e acetil CoA. O propionil CoA é convertido em succinil CoA (que é um intermediário no ciclo do ácido cítrico) em uma reação que envolve a vitamina B12. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEADPágina | 9 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Succinil CoA pode então entrar no ciclo do ácido cítrico. Por não ser completa- mente metabolizado no ciclo do ácido cítrico, os produtos de sua reação parcial devem ser removidos em um processo denominado cataplerose. Isso permite a regeneração dos intermediários do ciclo do ácido cítrico, possivelmente um processo importante em certas doenças metabólicas (Figura 8). Figura 8 - Oxidação da propionil-CoA, produzida na beta-oxidação dos ácidos graxos de número ímpar, de carbono (Fonte: LEHNINGER, 2014). Animais não podem produzir glicose nem mesmo com ácidos graxos de car- bono. O único escopo para a síntese de glicose a partir de ácidos graxos é a partir do propionil-CoA deixado para trás após a beta-oxidação de ácidos graxos de carbono ímpares. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 10 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com BIOSSÍNTESE DE ÁCIDOS GRAXOS A síntese de ácidos graxos é a criação de ácidos graxos a partir dos precurso- res de acetil-CoA e malonil-CoA por meio da ação de enzimas chamadas sintases de ácidos graxos. É uma parte importante do processo de lipogênese, que junto com a glicólise está por trás da criação de gorduras a partir do açúcar no sangue em orga- nismos vivos. A síntese ocorre no citosol, em humanos, os ácidos graxos são formados pre- dominantemente no fígado e nas glândulas mamárias lactantes e, em menor exten- são, no tecido adiposo. A maior parte do acetil-CoA é formada a partir do piruvato pela piruvato desi- drogenase na mitocôndria. O acetil-CoA produzido na mitocôndria é condensado com oxaloacetato pela citrato sintase para formar citrato, que é então transportado para o citosol e dividido para produzir acetil-CoA e oxaloacetato pela ATP citrato liase. O oxaloacetato no ci- tosol é reduzido a malato pela malato desidrogenase citoplasmática, e o malato é transportado de volta para a mitocôndria para participar do ciclo do ácido cítrico (Fi- gura 9). Figura 9 – Lançadeira para enviar grupo acetil da mitocôndria (matriz) para o citosol (Fonte: LEHNIN- GER, 2014). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 11 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O processo de biossíntese de ácidos graxos, envolve 4 etapas principais: 1. Condensação, 2. Redução, 3. Desidratação e 4. Redução (Figura 10). Figura 10 – Adição de dois carbonos a uma cadeia acil graxo em crescimento –sequência de 4 etapas (Fonte: LEHNINGER, 2014). Proteína transportadora de acila (ACP) é a proteína transportadora de acila (ACP) é um componente importante na biossíntese de ácidos graxos. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 12 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Diferenças entre a degradação de ácidos graxos e síntese Característica Degradação (catabolismo) Síntese (anabolismo) Localização Matriz mitocondrial Citosol Intermediários ativados Tioésteres Coa de ACP Tioésteres Coa de ACP Processo Remoção de 2-carbono do como acetil coa Alongamento com 2- carbono usando malo- nil-coa Direção Começa na extremidade car- boxila Começa na extremidade metil Cofatores de reação re- dox FAD / FADH2 e NAD + / NADH NADP + / NADPH Local principal do tecido Músculo e fígado Fígado Regulação hormonal Baixa relação insulina / glu- cagon Alta relação insulina / glucagon Ativador Gerado por FFA de lipase sensível a hormônios Citrato Inibidor Malonil Coa (inibe a carnitina acil transferase) Acil-Coa graxo (inibe a acetil coa Carboxilase) CETOGÊNESE A cetogênese é o processo pelo qual os corpos cetônicos são produzidos como resultado da degradação dos ácidos graxos. Os corpos cetônicos são produzidos principalmente nas mitocôndrias das célu- las do fígado. Sua síntese ocorre em resposta aos baixos níveis de glicose no sangue e após o esgotamento dos estoques celulares de carboidratos, como o glicogênio. A produção de corpos cetônicos é então iniciada para disponibilizar energia que é arma- zenada como ácidos graxos. Além de seu papel na síntese de corpos cetônicos, o 3-hidroxi-3-metilglutaril – CoA (HMG-CoA) também é um intermediário na síntese de colesterol. Os três corpos cetônicos são o acetoacetato, a acetona e β-hidroxibutirato (Fi- gura 11). Acetoacetato, quando não é oxidado para formar energia utilizável, é a fonte dos outros dois corpos cetônicos abaixo. Acetona, não é usada como fonte de energia, mas é exalada ou excretada como resíduo. β-hidroxibutirato, não é, no sentido técnico, uma cetona de acordo com a nomenclatura IUPAC. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 13 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 11 – Formação dos corpos cetônicos a partir de acetil-CoA (Fonte: LEHNINGER, 2014). A cetogênese pode ou não ocorrer, dependendo dos níveis de carboidratos disponíveis na célula ou no corpo. Isso está intimamente relacionado aos caminhos da acetil-CoA. Se o corpo tem muitos carboidratos disponíveis como fonte de energia, a gli- cose é completamente oxidada em CO2. Assim, o acetil-CoA é formado como um in- termediário neste processo, entrando primeiro no ciclo do ácido cítrico seguido pela conversão completa de sua energia química em ATP na fosporilação oxidativa. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 14 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Se o corpo tem carboidratos em excesso disponíveis, parte da glicose é total- mente metabolizada e parte dela é armazenada usando acetil-CoA para criar ácidos graxos (CoA também é reciclado aqui). Se o corpo não tem carboidratos livres disponíveis, a gordura deve ser que- brada em acetil-CoA para obter energia. Eles são usados como fonte de energia no coração e no cérebro. No cérebro, eles são uma fonte vital de energia durante o jejum. Patologia Os corpos cetônicos são criados em níveis moderados no corpo de todas as pes- soas, como durante o sono e outras vezes quando não há carboidratos disponíveis. No entanto, quando a cetogênese está acontecendo em níveis acima do normal, o corpo está em um estado de cetose. Tanto o acetoacetato quanto o beta-hidroxibutirato são ácidos e, se os níveis desses corpos cetônicos forem muito altos, o pH do sangue cai, resultando em cetoacidose. A cetoacidose é conhecida por ocorrer na diabetes Tipo I não tratada (cetoacidose diabética) e em alcoólatras após ingestão excessiva de álcool por tempo prolongado sem ingestão de carboidratos suficientes (cetoacidose alcoólica). CETOACIDOSE - A cetoacidose é um estado metabólico associadoa altas concentrações de corpos cetônicos, formado pela quebra de ácidos graxos e desaminação de aminoácidos. As duas cetonas comuns produzidas em humanos são o ácido acetoacético e o β- hidroxibutirato. - Na cetoacidose, o corpo não consegue regular adequadamente a produção de cetonas, causando um acúmulo tão grave de cetoácidos que o pH do sangue dimi- nui substancialmente. Em casos extremos, a cetoacidose pode ser fatal - a cetoaci- dose ocorre quando o corpo está produzindo grandes quantidades de corpos cetô- nicos através do metabolismo dos ácidos graxos (cetose) e o corpo está produzindo insulina insuficiente para retardar essa produção. - O excesso de corpos cetônicos pode acidificar significativamente o sangue. - Existem dois tipos comuns de cetoacidose, ou seja, cetoacidose diabética e alcoó- lica. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 15 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com i. Em pacientes diabéticos, a cetoacidose geralmente é acompanhada por deficiên- cia de insulina, hiperglicemia e desidratação. Particularmente em diabéticos tipo 1, a falta de insulina na corrente sanguínea im- pede a absorção de glicose e pode causar produção de corpos cetônicos não veri- ficada ii. Na cetoacidose alcoólica, o álcool causa desidratação e bloqueia a primeira etapa da gliconeogênese. O corpo é incapaz de sintetizar glicose suficiente para atender às suas necessidades, criando assim uma crise energética que resulta no metabo- lismo dos ácidos graxos e na formação de corpos cetônicos. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 8”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edi- ção. Ed. Artmed. 2014. MONDAL, S. Lecturer Notes_Sumanta Mondal_B.Pharm-II Sem. Medicinal Bioche- mistry . GITAM UNIVERSITY. UNIT – II: Lipid metabolismo. Disponivel em: https://www.researchgate.net/publication/331701677a, acessado em 27 de maio, 2021 https://www.researchgate.net/profile/Dr-Sumanta-Mondal?_sg=NLdLHnVON935Z3iFdFl6AyYS8hO5TdRlU9LeUgGcoxRDGT_lK6In4a09mvI5GGjEskK3NtS8LJ_buMlrc319DA https://www.researchgate.net/publication/331701677a CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 1 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com METABOLISMO DOS AMINOÁCIDOS E PROTEÍNAS Os aminoácidos são usados para três finalidades principais: 1. Eles são substratos para a geração de energia metabólica. A maioria das pessoas em países ricos obtém de 15% a 20% de sua energia metabólica da proteína. 2. Eles são substratos para a síntese de proteínas. As proteínas do corpo hu- mano são degradadas e ressintetizadas continuamente. Portanto, pools de aminoáci- dos livres devem ser mantidos em todas as células nucleadas. 3. Eles são substratos para a síntese de muitos produtos, incluindo heme, pu- rinas, pirimidinas, várias coenzimas, melanina e as aminas biogênicas. Apenas 11 dos 20 aminoácidos podem ser sintetizados no corpo humano, a partir de intermediários metabólicos comuns ou de outros aminoácidos. Aqueles que não podem ser sintetizados são chamados de aminoácidos essenciais. Os aminoáci- dos essenciais são valina, leucina, isoleucina, fenilalanina, triptofano, metionina, lisina, histidina e treonina. Este capítulo descreve o destino do amino nitrogênio durante o catabolismo de aminoácidos, as vias pelas quais os aminoácidos são degradados em intermediários metabólicos livres de nitrogênio e a biossíntese dos aminoácidos não essenciais. AMINOÁCIDOS PODEM SER USADOS PARA GLUCONEOGÊNESE E CETOGÊ- NESE O corpo humano adulto contém aproximadamente 10kg de proteínas, entre 50% e 75% delas no músculo esquelético. Além disso, pequenos grupos de aminoácidos livres são mantidos nas células e nos fluidos corporais. As concentrações plasmáticas dos 20 aminoácidos combina- dos são de apenas 20 a 30mg/dL, um quarto do nível de glicose no sangue. A Figura 1 dá uma visão geral do metabolismo de aminoácidos e proteínas. Uma ingestão típica de proteína na dieta é de 100g/dia. Outros 250 a 350g de amino- ácidos vêm da quebra das proteínas corporais, mas a mesma quantidade é consumida para a síntese protéica. Diferentes proteínas se transformam em velocidades diferen- tes. A maioria das enzimas metabólicas tem expectativa de vida de um ou alguns dias, mas a maioria das proteínas plasmáticas circula por 1 a 3 semanas. A hemoglobina sobrevive por 120 dias, o colágeno dura até vários anos em alguns tecidos e as pro- teínas do cristalino duram a vida toda. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 2 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 1 – Interação metabólica dos aminoácidos. Os aminoácidos glicogênicos são degradados em intermediários do ciclo do ácido tricarboxílico (TCA) ou glicólise. Eles são usados para gliconeogênese durante o jejum. Os aminoácidos cetogênicos são degradados em acetilcoenzima A (acetil- CoA). Eles não podem formar glicose, mas são usados para cetogênese durante o jejum. Apenas a leucina e a lisina são puramente cetogênicas. Alguns dos aminoáci- dos maiores, incluindo a isoleucina e os três aminoácidos aromáticos fenilalanina, ti- rosina e triptofano, são ambos. Todos os outros aminoácidos são glicogênicos. O EQUILÍBRIO DE NITROGÊNIO INDICA A TAXA LÍQUIDA DE SÍNTESE DE PRO- TEÍNAS Cem gramas de proteína dietética contêm aproximadamente 16 g de nitrogênio. Oitenta e três por cento desse nitrogênio ingerido eventualmente deixa o corpo como uréia, 10% como íon amônio e 7% como resíduos orgânicos, incluindo ácido úrico e creatinina. Noventa e cinco por cento da uréia e a grande maioria dos outros resíduos nitrogenados são excretados na urina. O balanço de nitrogênio é a diferença entre o nitrogênio que entra e sai do corpo. Um adulto saudável com ingestão adequada de proteínas deve estar em equi- líbrio de nitrogênio. Isso significa que a quantidade de nitrogênio que sai corresponde à quantidade de nitrogênio que entra, e a quantidade de proteína corporal permanece constante. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 3 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Um balanço de nitrogênio positivo é observado quando a ingestão de nitrogênio excede a excreção de nitrogênio. Isso implica que a quantidade de proteína corporal aumenta. Crianças em crescimento, mulheres grávidas, fisiculturistas e pacientes em recuperação de doenças graves têm um balanço de nitrogênio positivo. Portanto, eles têm uma necessidade maior de proteína na dieta. Um balanço negativo de nitrogênio é observado na deficiência de proteína na dieta. Mesmo o corpo sem proteínas degrada 30 a 40g de aminoácidos todos os dias. Essa quantidade de- fine as necessidades dietéticas. A deficiência de aminoácidosessenciais tem o mesmo efeito porque a síntese de proteínas é prejudicada, mesmo se apenas um dos aminoácidos essenciais estiver faltando. Pacientes com infecções crônicas, câncer ou outras doenças graves têm um balanço de nitrogênio negativo porque os glicocorticóides e outros hormônios do es- tresse favorecem a degradação de proteínas em relação à síntese de proteínas, for- necendo assim aminoácidos para a gliconeogênese. Algumas citocinas - proteínas biologicamente ativas liberadas pelos glóbulos brancos em muitas doenças - têm efei- tos catabólicos semelhantes aos dos hormônios do estresse. O GRUPO AMINO DE AMINOÁCIDOS É LIBERADO COMO AMÔNIA Durante o catabolismo de aminoácidos, parte do nitrogênio do aminoácido é liberado como amônia. A reação de formação de amônia mais importante é a desami- nação oxidativa do glutamato pela glutamato desidrogenase no fígado e em outros tecidos. A reação é reversível e pode funcionar tanto na síntese quanto na degradação do glutamato. A enzima usa principalmente nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD+) para a degradação do glutamato e fosfato de nicotinamida adenina dinucleo- tídeo reduzido (NADPH) para a síntese de glutamato. A reação da glutamato desidro- genase implica que o glutamato é não essencial e glicogênico. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 4 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A maioria dos outros aminoácidos não forma amônia diretamente. Eles trans- ferem seu grupo α-amino para αcetoglutarato para formar o glutamato. As enzimas que catalisam essas transferências reversíveis de grupos amino são chamadas de transaminases ou aminotransferases. Pelo menos uma dúzia de transaminases estão presentes em humanos tecidos. A maioria deles usa glutamato/α-cetoglutarato como um de seus substratos/produtos. Todos os aminoácidos, exceto treonina, lisina e prolina, podem ser transaminados. Seus grupos α-amino são incorporados ao glutamato por transaminação e, em se- guida, são liberados como amônia quando o glutamato é desaminado pela glutamato desidrogenase: Todas as transaminases contêm fosfato de piridoxal (PLP), a forma de coen- zima da vitamina B6, como um grupo protético. O PLP é ligado ao sítio ativo da enzima por interações eletrostáticas e por uma ligação de base de Schiff (aldimina) com uma cadeia lateral de lisina da apoproteína. O PLP participa diretamente da reação. AMÔNIA É DESTOXIFICADA PARA UREA A amônia é um resíduo perigoso. É neurotóxico mesmo em baixas concentra- ções, por isso deve ser eliminado rapidamente. Sendo incapazes de excretar amônia rápido o suficiente, os humanos a trans- formam em uréia não tóxica, solúvel em água e, portanto, facilmente excretável. A uréia é a diamida do ácido carbônico. Esta declaração seca implica que a uréia pode ser clivada em ácido carbônico e amônia. A reação é catalisada pela en- zima urease: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 5 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Os humanos não possuem urease, mas algumas bactérias sim. A bactéria Pro- teus mirabilis causa infecções do trato urinário nas quais a urease bacteriana produz grandes quantidades de amônia. A amônia alcaliniza a urina, causando a formação de grandes cálculos renais (“cálculos de staghorn”) que consistem em fosfato de amô- nio e magnésio. Além disso, o cheiro forte das latrinas é a amônia formada por bacté- rias produtoras de urease. Como a ureia contém 48% de nitrogênio por peso e as proteínas contêm 16%, 3g de proteína da dieta forma 1g de uréia - um total de 33g de uréia em uma dieta de 100g de proteína por dia. O nível de uréia no sangue é medido como nitrogênio da uréia no sangue (BUN). Na saúde, o nível é de 8 a 20 mg/dL. O BUN aumenta agudamente na insufi- ciência renal. Essa condição é chamada de uremia. A uréia não é responsável pelas manifestações clínicas da uremia, mas a BUN é uma medida conveniente para a re- tenção de resíduos nitrogenados. Os testes de uréia e creatinina são os dois métodos laboratoriais mais comumente usados para o diagnóstico de uremia e insuficiência renal. A UREA ESTÁ SINTESIZADA NO CICLO DA UREA A maior parte do catabolismo de aminoácidos ocorre no fígado, e o fígado é o único local importante para a síntese de uréia. O nitrogênio entra no ciclo da ureia na forma de carbamoil fosfato, que é sintetizado na mitocôndria do fígado a partir da amônia, dióxido de carbono e ATP: O uso de duas moléculas de ATP torna essa reação irreversível. A carbamoil fosfato sintetase requer N-acetilglutamato como ativador alostérico. Este metabólito CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 6 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com regulador é formado por uma enzima separada do glutamato e acetil-CoA sob condi- ções de alta disponibilidade de aminoácidos, o que indica a necessidade de catabo- lismo de aminoácidos e desintoxicação de amônia. A carbamoil fosfato sintetase tem uma afinidade muito alta para seu substrato amônia (Km = 250μmol/L) e, portanto, pode manter a concentração de amônia em um nível baixo de 30 a 60μmol/L em todos os momentos. As reações do ciclo da uréia propriamente dita são mostradas na Figura 2. Um dos dois átomos de nitrogênio da uréia vem da amônia via carbamoil fosfato e o outro do aspartato. A maior parte do nitrogênio do aspartato é derivado de reações de tran- saminação no fígado. Figura 2 – Ciclo da ureia. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 7 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A síntese de uma molécula de ureia requer quatro ligações de fosfato de alta energia. Duas moléculas de ATP são convertidas em ADP na reação de carbamoil fosfato sintetase, e duas ligações de fosfato adicionais são consumidas para a forma- ção de argininosuccinato, quando uma molécula de ATP é hidrolisada em AMP e pi- rofosfato inorgânico. O nitrogênio está comprometido com a síntese de ureia porque as duas reações que o introduzem no ciclo tornam-se irreversíveis pela hidrólise de ATP. ALGUNS AMINOÁCIDOS ESTÃO PRÓXIMOS RELACIONADOS A INTERMEDIÁ- RIOS METABÓLICOS COMUNS Alguns aminoácidos são parentes próximos de intermediários nas principais vias metabólicas. A alanina está relacionada ao piruvato por meio da reação reversível da alanina transaminase: O glutamato é similarmente interconvertível com o αcetoglutarato, tanto por transaminação quanto pela reação da glutamato desidrogenase. A glutamina é sinte- tizada e degradada em glutamato: A asparagina é sintetizada a partir do aspartato em uma reação em que a glu- tamina doa o nitrogênio: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 8 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.comGLICINA, SERINA E TRONINA SÃO GLUCOGÊNICOS A serina é sintetizada e degradada no intermediário glicolítico-gluconeogênico 3-fosfoglicerato. A serina também é convertida em piruvato pela serina desidratase e em glicina pela serina hidroximetil transferase. A última reação é uma fonte importante de unidades de um carbono para o tetra-hidrofolato. A principal reação de degradação da glicina em tecidos humanos (e outra fonte de unidades de um carbono para o tetra- hidrofolato) é a reação de clivagem da glicina: Um produto metabólico especializado formado a partir da glicina em bactérias (mas não em humanos) é a trimetilamina: onde SAH = S-adenosil homocisteína e SAM = S-adenosil metionina. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 9 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A trimetilamina se distingue por seu cheiro, que lembra o de peixe velho. É formado durante a decomposição bacteriana de muitos substratos ricos em proteínas. O cheiro típico é mais perceptível em condições alcalinas (por exemplo, na presença de sabão) quando a base livre volátil é liberada da forma protonada. A treonina não pode ser sintetizada no corpo humano, mas existem várias vias para sua degradação. A figura 3 resume as relações metabólicas de serina, glicina e treonina. Figura 3 – Metabolismo da serina, glicina e treonina. APLICANDO O CONHECIMENTO Pedras de oxalato Entre 5% e 15% das pessoas nas sociedades modernas desenvolvem cálculos renais em um ou outro momento de suas vidas. Oitenta por cento de todas as pedras nos rins con- sistem em oxalato de cálcio. Parte do oxalato é derivado do espinafre, ruibarbo e outras fontes dietéticas, mas apenas 10% dos 50 a 200 mg de ácido oxálico da dieta diária são absorvidos no intestino. Outra porção é formada no corpo a partir da glicina com a ajuda da enzima D-aminoácido oxidase: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 10 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Normalmente, a excreção urinária total de oxalato é inferior a 45mg/dia. Cálculos de oxa- lato podem ser evitados reduzindo a ingestão dietética de ácido oxálico e possivelmente proteína, mas o método preferido é o aumento da ingestão de líquidos, para fornecer solvente suficiente para o oxalato de cálcio. PROLINA, ARGININA, ORNITINA E HISTIDINA ESTÃO DEGRADADOS A GLU- TAMATO Prolina, arginina e ornitina são degradadas em glutamato. A prolina pode ser sintetizada livremente a partir de glutamato ou arginina e, portanto, não é nutricional- mente essencial. A arginina não é essencial porque pode ser sintetizada a partir do glutamato via ornitina, usando as reações do ciclo da ureia. A histidina é degradada em glutamato por uma via não relacionada (Figura 4). A última reação na via contribui com um grupo formimino para o tetraidrofolato. O requisito de folato desta reação é explorado em um teste de laboratório para deficiên- cia de folato. Após uma carga oral de histidina, o paciente com deficiência de folato processa a histidina em formiminoglutamato, mas a última etapa da via é bloqueada. O formiminoglutamato se acumula e pode ser demonstrado na urina. No entanto, esse teste pode produzir falsos positivos porque algumas pessoas não têm a formimino- transferase e normalmente excretam o formiminoglutamato como produto final da de- gradação da histidina. Essa deficiência enzimática é benigna. Figura 4 – Metabolismo da histidina CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 11 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Embora a histidina não possa ser sintetizada no corpo humano, as pessoas podem subsistir com uma dieta sem histidina por muitas semanas sem efeitos nocivos. A razão é que a histidina pode ser liberada do dipeptídeo carnosina (β-alanil-histidina), que está presente em grande quantidade no tecido muscular: Carnosina é um tampão de pH que limita o efeito do ácido láctico no pH do tecido durante a contração anaeróbia. METIONINA E CISTEÍNA SÃO METABOLICAMENTE RELACIONADAS O aminoácido essencial metionina é um precursor do doador do grupo metil S- adenosilmetionina (SAM). O SAM é sintetizado a partir da metionina e do ATP em uma reação incomum na qual todos os três fosfatos do ATP são liberados (Figura 5, passo 1). Ao doar seu grupo metil durante uma reação de metilação, SAM torna-se S-ade- nosylhomocysteine (SAH). A SAH forma homocisteína e finalmente metionina. A me- tilação da homocisteína em metionina requer folato (como metil-tetra-hidrofolato) e vitamina B12 (como metilcobalamina) (Figura 5). Figura 5 – Sintese de metionina e S-adenosilmetionina CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 12 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A cisteína é feita do esqueleto de carbono da serina e do enxofre da metionina. O catabolismo da cisteína libera o enxofre como sulfito inorgânico, que é rapidamente oxidado e excretado na urina como sulfato. VALINA, LEUCINA E ISOLEUCINA SÃO DEGRADADAS POR TRANSAMINAÇÃO E DESCARBOXILAÇÃO OXIDATIVA As três primeiras etapas na degradação da valina, leucina e isoleucina são idênticas para todos os três aminoácidos, como mostrado na figura 6. Figura 6 – Rotas metabólicas para os três aminoácidos de cadeia ramificada: valina, isoleucina e leu- cina. A transaminação é seguida por descarboxilação oxidativa. A última etapa é ca- talisada pelo complexo mitocondrial α-cetoácido desidrogenase de cadeia ramificada, que se assemelha ao complexo piruvato desidrogenase em estrutura, requisitos de coenzima e mecanismo de reação. A terceira reação na sequência se assemelha à primeira etapa da β-oxidação. As reações restantes são diferentes para os três aminoácidos (Figura 7). A va- lina é glicogênica, a leucina é cetogênica e a isoleucina é ambas. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 13 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com As reações finais para valina e isoleucina são compartilhadas com as vias de ácidos graxos de cadeia ímpar, treonina (treonina desidratase) e metionina. Os distúr- bios mais importantes da degradação de aminoácidos de cadeia ramificada afetam a primeira e a última reação. Figura 7 - Catabolismo de valina, leucina e isoleucina. TPP, pirofosfato de tiamina. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 14 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com A FENILALANINA E A TIROSINA SÃO TANTO GLUCOGÊNICAS E CETOGÊNI- CAS Os sistemasde anéis dos aminoácidos aromáticos não podem ser sintetizados no corpo humano. Apenas a tirosina é considerada não essencial porque é sintetizada a partir da fenilalanina na reação da fenilalanina hidroxilase: Esta reação irreversível ocorre apenas no fígado. É uma reação de monooxi- genase que requer oxigênio molecular e tetrahidrobiopterina (BioH4). A di-hidrobiop- terina (BioH2) formada na reação é reduzida de volta a BioH4 por uma di-hidropteri- dina redutase dependente de NADH: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 15 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O mecanismo de reação é o mesmo que para as reações de tirosina hidroxilase e triptofano hidroxilase. A Figura 8, mostra o catabolismo da tirosina no fígado. As deficiências enzimáticas herdadas nesta via dão origem a várias doenças raras. Figura 8 – Vias catabólicas para fenilalanina e tirosina A MELANINA É SINTESIZADA A PARTIR DA TIROSINA A melanina é o pigmento escuro da pele, cabelo, íris e epitélio pigmentar da retina. A melanina protege a pele absorvendo não apenas a luz visível, mas também o componente ultravioleta da luz solar. A radiação ultravioleta, especialmente em com- primentos de onda de 280 a 320 nm, é perigosa porque danifica o DNA, causando queimaduras de sol e câncer de pele. No olho, a melanina do epitélio pigmentar sub- jacente às células sensoriais da retina absorve a luz dispersa, melhorando assim a acuidade visual e evitando a superestimulação dos fotorreceptores. A melanina é sintetizada a partir da tirosina. Nos melanócitos, a tirosina é oxi- dada primeiro em l-DOPA e depois em dopaquinona pela enzima tirosinase contendo CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 16 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com cobre (Figura 9). Esses produtos de oxidação polimerizam não enzimaticamente para formar melanina. Figura 9 - Síntese de melanina a partir da tirosina Os defeitos herdados da síntese de melanina são a causa do albinismo oculo- cutâneo. Alguns albinos não têm tirosinase, enquanto outros são deficientes em uma proteína da membrana do melanossomo, cujas funções não são bem compreendidas. LISINA E TRIPTOFANO TÊM CAMINHOS CATABÓLICOS LONGOS A lisina é degradada em acetoacetil-CoA em uma via com nove reações enzi- máticas. Portanto, é um aminoácido cetogênico. A carnitina, que transporta os ácidos graxos de cadeia longa para a mitocôndria, é sintetizada a partir da trimetilisina ligada à proteína. Após a degradação da proteína, a trimetilisina é convertida em carnitina. O triptofano é glucogênico e cetogênico. O anel indol é cetogênico e a cadeia lateral forma o produto glicogênico alanina. Algumas isoquinolinas derivadas do trip- tofano, incluindo o ácido quinurênico e o ácido xanturênico, não são degradadas pos- teriormente, mas são excretadas na urina. Eles são em parte responsáveis pela cor amarela da urina: CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 17 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O FÍGADO É O ÓRGÃO MAIS IMPORTANTE DO METABOLISMO DE AMINOÁCI- DOS Quase metade da proteína do corpo humano está no tecido muscular, mas as enzimas do catabolismo de aminoácidos são mais abundantes no fígado. Isso faz sentido porque durante o jejum, os aminoácidos devem ser canalizados para as vias hepáticas de gliconeogênese (aminoácidos glicogênicos) e cetogênese (aminoácidos cetogênicos). Após uma refeição (Figura 10), a maior parte da glutamina e do glutamato da dieta é metabolizada na mucosa intestinal. A maioria dos outros aminoácidos vai para o fígado. Alguns são usados para a síntese de proteínas plasmáticas, mas a maioria é catabolizada. Apenas a valina, a leucina e a isoleucina passam pelo fígado e são transaminadas nos músculos e outros tecidos periféricos. Os α-cetoácidos de cadeia ramificada resultantes retornam ao fígado para um catabolismo posterior, exceto du- rante o exercício físico, quando são catabolizados nos músculos. Figura 10 – Demonstra que após a refeição todos os aminoácidos, exceto valina (Val), leucina (Leu) e isoleucina (Ile), são extensivamente metabolizados durante sua primeira passagem pelo fígado. O tecido muscular é a principal fonte de aminoácidos plasmáticos no estado de jejum (Figura 11). A alanina é responsável por 50% dos aminoácidos liberados e a glutamina por 25%. A maior parte da alanina vai para o fígado para a gliconeogênese, e a maior parte da glutamina vai para os rins e o intestino. Nos rins, a glutaminase a reação produz amônia para excreção urinária. Para o intestino, a glutamina é o prin- cipal substrato para a geração de energia metabólica. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 18 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 11 - Estado pós-absorvente. O tecido muscular é a principal fonte de aminoácidos plasmáticos. Alanina e glutamina são quantitativamente mais importantes. O nitrogênio é transportado para o fígado tanto como constituinte de aminoáci- dos quanto como amônia livre (Figura 12). A amônia é produzida pela glutamato desidrogenase (a maioria dos tecidos), glutaminase (rim, intestino), histidase (pele) e outras enzimas. As bactérias intestinais contribuem com amônia adicional da ureia e sobras de proteína dietética. A maior parte da amônia para a reação de carbamoil fosfato sintetase do ciclo da ureia é importada de outros órgãos, mas a maior parte do nitrogênio que é trazido para o ciclo da ureia pelo aspartato vem de reações de transaminação no fígado. As células perivenosas dos lóbulos hepáticos possuem glutamina sintetase, que elimina a maior parte da amônia que escapou da carbamoil fosfato sintetase nos hepatócitos periportais (Figura 12). CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 19 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Figura 12 - Transporte de nitrogênio para o fígado. A, Vias extra-hepáticas. Apenas o intestino fornece nitrogênio para a síntese de uréia, principalmente na forma de amônia, que é derivada da reação da glutaminase e de enzimas bacterianas que atuam sobre a uréia nas secreções digestivas e sobre os aminoácidos de proteínas dietéticas não digeridas. Outros tecidos fornecem a maior parte de seu nitro- gênio na forma de aminoácidos não tóxicos, principalmente alanina (Ala) e glutamina (Gln). B, Vias intra-hepáticas. A desintoxicação da amônia é compartimentada entre os hepatócitos periportais e pe- rivenosos no lóbulo hepático. O ciclo da ureia é mais ativo nas células periportais. A amônia residual é eliminada pela glutamina sintetase nas células perivenosas. A GLUTAMINA PARTICIPA DA REGULAÇÃO DA BASE DE ÁCIDO RENAL O sangue tem pH entre7,35 e 7,40. A manutenção desse pH a longo prazo é tarefa dos rins. Na acidose, os rins excretam o excesso de prótons; na alcalose, eles retêm prótons. Portanto, o pH urinário pode variar entre 4 e 8. A Figura 13 mostra como os CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 20 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com rins usam amônia derivada da glutamina como veículo para a excreção do excesso de prótons durante a acidose crônica. Figura 13 - Metabolismo da glutamina e regulação ácido-base nos túbulos renais. As reações mostra- das aqui são mais ativas durante a acidose crônica, quando uma grande proporção do nitrogênio total é excretada como íon amônio em vez de uréia. No epitélio dos túbulos renais proximais, a glutamina derivada do sangue é de- saminada primeiro em glutamato e depois em α-cetoglutarato. Por ser pequena e sem carga, a amônia (NH3) formada nessas reações se difunde na urina do lúmen tubular. A urina é mais ácida do que o citoplasma porque as células epiteliais secretam prótons por meio de um antiporter sódio-próton. Portanto, a amônia na urina se combina com um próton para formar o íon amônio (NH4+). Sendo carregado, o íon amônio não pode se difundir de volta para a célula e é liberado pelo sistema de esgoto do trato urinário. Embora o NH3 se equilibre através da membrana, seja por difusão passiva ou difusão facilitada, os íons de amônio se acumulam na urina, desde que a urina seja mais ácida do que o citoplasma do células epiteliais. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 21 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com O α-cetoglutarato derivado da glutamina é convertido em glicose por gliconeo- gênese nos rins. Este processo absorve quatro prótons para cada molécula de glicose formada de acordo com a seguinte equação: Os oito átomos de hidrogênio ([H]) nesta equação são trocados com NAD e FAD nas reações de α-cetoglutarato desidrogenase, succinato desidrogenase, malato desidrogenase e gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase. A excreção de íons de amônio - mas não de ureia - como produto final do me- tabolismo de aminoácidos é acompanhada pela remoção de prótons. Mesmo sem os detalhes mostrados na Figura 13, isso é aparente a partir da estequiometria para a oxidação de um aminoácido típico, como a alanina: Durante a acidose, o fígado desvia uma fração crescente da amônia que entra da síntese de uréia nas células periportais para a síntese de glutamina nas células perivenosas (Figura 12). O fígado passa a ser um produtor líquido de glutamina, que é encaminhada para os rins. Nos rins, a acidose induz glutaminase, glutamato desi- drogenase e a enzima gliconeogênica PEP carboxicinase. Como resultado, até 50% do nitrogênio é excretado como íon amônio em vez de uréia durante a acidose crônica. APRIMORANDO CONCEITOS Eu li, agora vou fixar. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO UNEC / EAD DISCIPLINA: BIOQUÍMICA NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 22 Professor: Ronny Francisco de Souza – ronnyfrsouza@gmail.com Após a leitura, retire do texto as informações mais importantes. Esse é o seu RESUMO das ideias principais. PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CONCEITOS – RESUMO 9”. BIBLIOGRAFIA LEHNINGER, T. M., NELSON, D. L. & COX, M. M. Princípios de Bioquímica. 6ª Edi- ção. Ed. Artmed. 2014. PRINCIPLES OF MEDICAL BIOCHEMISTRY. Amino Acid Metabolism. Chapter 28. January 2012. Disponível em:< file:///C:/Users/Cliente/Downloads/finCh28%20(1).pdf >. Acessado em 18/06/2021.