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COACHING EXECUTIVO E DE NEGÓCIOS Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autores: Juliano Zaffalon Gerber Luane Alcântara Nunes CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Profa. Bárbara Pricila Franz Profa. Cláudia Regina Pinto Michelli Prof. Ivan Tesck Profa. Kelly Luana Molinari Corrêa Revisão de Conteúdo: Profa. Juceléa Tatiana Nones Revisão Ortogramatical: Profa. Sandra Pottmeier Revisão Gramatical: Profa. Bárbara Pricila Franz Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI 658.31245 Z11c Gerber, Juliano Zaffalon Coaching executivo e de negócios /Juliano Zaffalon Gerber; Luane Alcântara Nunes. Indaial : UNIASSELVI, 2015. 109 p. : il. ISBN 978-85-69910-01-5 1. Treinamento de pessoal. I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Copyright © UNIASSELVI 2015 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Luane Alcântara Nunes Possui graduação em Engenharia de Produção e Sistemas pela Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC. É Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho - FTC e mestranda na área de Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente - PRODEMA/UESC. Atualmente é pesquisadora da UESC, atuando em projetos de pesquisas relacionados ao Coaching Executivo e de Negócios, ao Planejamento Estratégicos da Produção e de Cadeias de Suprimentos, a Logística Reversa e a Prospecção Tecnológica. Tem experiência em docência nas áreas de Coaching Executivo e de Negócios, Logística Integrada, Logística Reversa, Tecnologia e Meio Ambiente, Gestão de Operações Logísticas e Administração Geral. Currículo Lattes Completo no http://lattes. cnpq.br/6006412 058583668 Juliano Zaffalon Gerber Possui graduação em Análise de Sistemas pela Universidade Católica de Pelotas, mestrado e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência, tanto na pesquisa quanto na docência, nas áreas de Engenharia de Produção e Administração de Empresas, ambas com ênfase em Planejamento, Gestão e Controle da Produção, Coaching Executivo e de Negócios, Logística, Teoria dos Jogos e Sustentabilidade. Atua como professor adjunto no curso de Engenharia de Produção, Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC. Currículo Lattes Completo no http://lattes.cnpq. br/412772586 3581438 Sumário APRESENTAÇÃO ......................................................................7 CAPÍTULO 1 Coaching Executivo e de Negócios ..................................... 9 CAPÍTULO 2 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? ...... 35 CAPÍTULO 3 Coaching Interno e Externo .............................................. 55 CAPÍTULO 4 Metodologias de Coaching ................................................. 67 CAPÍTULO 5 Executive Coaching ............................................................. 95 APRESENTAÇÃO Caro(a) pós-graduando(a): O Coaching Executivo e de Negócios é um processo moderno de desenvolvimento de líderes em resposta às necessidades constantes das organizações de serem competitivas, de gerenciar mudanças e de estarem aptas a novos desafios. Consiste em uma estratégia que possibilita o desenvolvimento das pessoas e funciona como um auxílio para o atingimento de metas e de objetivos. O Coaching Executivo e de Negócios compreende que as organizações são movidas por pessoas, e que elas possuem vidas formadas por mundos individuais os quais interagem com o coletivo, logo, considera o âmbito total do ser humano ao auxiliá-lo na execução exemplar e eficaz de uma função. Este caderno apresenta um panorama global sobre O Coaching Executivo e de Negócios e está dividido em cinco partes distintas. Começa com a exposição da definição de Coaching Executivo e de Negócios, bem como suas relações, as características que o torna distinto de outras práticas, suas principais áreas de atuação e o entendimento do Coaching como desenvolvedor de mudanças. Segue com a apresentação da importância do Coaching Executivo e de Negócios nas organizações, os benefícios que sua aplicabilidade pode trazer, as vantagens de sua aplicação e os possíveis retornos adquiridos por meio do investimento. Em seguida, exibe a diferença entre Coaching Interno e Externo, sua importância e as vantagens e desvantagens relacionadas à escolha de cada abordagem. Na sequência, traz os procedimentos metodológicos de aplicação do Coaching Executivo e de Negócios nas empresas, com ênfase nas abordagens de solução de problemas, e demonstra também algumas formas de avaliação do Coach. Finalmente, demonstra o papel do Coach nas empresas e apresenta o quadro geral das atribuições e competências necessárias para a sua atuação na função. Dessa forma, o conteúdo deste caderno apresenta como o Coaching Executivo e de Negócios pode ser uma excelente alternativa estratégica para efetuar a melhoria das habilidades e competências dos profissionais de uma organização e alavancar, assim, o desempenho, a qualidade e os resultados dos negócios. Os Autores. CAPÍTULO 1 Coaching Executivo e de Negócios A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Definir Coaching Executivo e de Negócios, ao que estão relacionados os profissionais da área; características que os tornam distintos; as principais áreas de atuação e o entendimento do Coaching como desenvolvedor de mudanças. 3 Identificar a abordagem na qual o Coaching Executivo e de Negócios está inserido, a distinção das suas características, identificação das áreas de atuação e de como o Coaching pode desenvolver mudanças no âmbito empresarial. 10 Coaching Executivo e de Negócios 11 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 Contextualização O Coaching Executivo e de Negócios é uma abordagem moderna à liderança de pessoas e motivada pelo sucesso empresarial. É uma atividade que está em expansão, pois é notória a percepção da necessidade de se ter pessoas qualificadas para ajudar a desenvolver ou melhorar diferentes aspectos da trajetória de outra pessoa na carreira empresarial, em prol do melhor desempenho pessoal e das organizações. O fundamento do Coaching consiste em possibilitar a uma pessoa um aprendizado específico que sirva como benefício tanto para ela quanto para o grupo ao qual lidera, atingindo, assim, a organização na qual está inserida. O termo coach significa treinador, em sua tradução literal, porém, no contexto corporativo, é expresso em um sentido mais amplo: trata-se de uma pessoa que é qualificada profissionalmente para ajudar outra pessoa a expandir suas habilidades e competências, e que pode utilizar-se de diversas técnicas e ferramentas para atingir esse objetivo. Sendo assim, temos também o vocábulo coaching, que é empregado para representar esse processo de aplicação de técnicas e desenvolvimento dos indivíduos. No entanto, a aplicação do Coaching como um meio de desenvolvimento específico para executivos é mais um avanço dessa prática, que está se propagando com o decorrer dos anos. O capítulo apresenta em suas seções aspectos relativos à definição de Coaching Executivo e de Negócios e ao que estes conceitos estão relacionados. Esta etapa será fundamental para você aprender a fazer a correta definição da abordagem na qual o Coaching Executivo e de Negócios está inserido. Em seguida, apresentamos as características dessa abordagem e quais fatores atornam distinta de outras práticas de liderança e capacitação, efetuadas nas empresas e em outros locais. Vamos entender, também, as principais áreas de atuação do Coaching Executivo e como ele favorece o processo de desenvolvimento de mudanças nas pessoas e nas empresas. Portanto, o foco deste capítulo consiste em fornecer um panorama global da definição, das características e das diferenças do processo de atuação do Coaching Executivo e de Negócios em um ambiente empresarial. O que é o Coaching Executivo e de Negócios? Antes de responder a esta questão, torna-se necessário salientar o significado dos seguintes termos: Executivo, Negócios e Coaching. 12 Coaching Executivo e de Negócios O termo Executivo é denominado a uma pessoa que tem capacidade para agir e está associado a uma pessoa que decide e executa tarefas em uma empresa. Já o termo Negócios está relacionado às atividades de compra, venda ou troca, ou seja, às transações comerciais entre empresas ou pessoas. O processo Coaching, segundo Porché e Niederer (2002), é destinado a ajudar as pessoas a se dedicarem e a se entusiasmarem no cumprimento de seus objetivos. Estão inseridas neste processo de ajuda diversas proposições que sugerem toda uma versatilidade ao modelo, agregando métodos, ferramentas e toda prática de liderança que tenha por finalidade elevar o desempenho das pessoas e, consequentemente, as organizações onde atuam. Logo, muitos são os caminhos, técnicas e ferramentas que permitem a condução da liderança, bem como a melhoria das habilidades e competências de um colaborador nas organizações. No entanto, quando a questão é melhorar o desempenho, seja relacionada às questões técnicas, seja relacionada às questões comportamentais, uma solução que ganha cada vez mais força, já conquistou seu espaço nos meios empresariais e se propaga na literatura é o Coaching. Não por acaso, a denominação Coaching é divulgada nas literaturas administrativas tal como é percebida na sua tradução: “treinador”. Isso ocorre porque da mesma forma que um atleta faz uso de um treinador para alcançar seu máximo desempenho nas competições esportivas, na administração, o executivo também passa a usufruir desta figura para obter melhores desempenhos nos negócios e, consequentemente, elevar os lucros das organizações. A definição de Coaching é enunciada de diversas formas, mas, em sua essência, é quase uma unanimidade por autores que estudam ambientes empresariais. Goldsmith, Lyons e Freas (2012) definem Coaching como uma abordagem comportamental, mutuamente benéfica para os indivíduos e as organizações nas quais trabalham ou se relacionam. Trata-se de um processo estratégico, que agrega valor tanto às pessoas que estão sendo aconselhadas quanto aos resultados financeiros finais das organizações. Chiavenato (2002), por sua vez, define Coaching como um relacionamento que produz novas competências, no qual o coach se compromete a apoiar e ajudar o aprendiz (coachee) para que este possa atingir determinado resultado ou seguir determinado caminho. No início da década de 90, Fournies (1992) definiu e divulgou o Coaching como um processo que ajuda os gerentes, de forma eficiente, a obter resultados de desempenho que estão relacionados com a própria sobrevivência da empresa. Krausz (2007) é objetivo ao definir Coaching. Para o autor, este se trata de um 13 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 processo estruturado de duas vias, que desenvolve e potencializa os talentos de uma pessoa na perseguição de metas específicas. Sendo assim, de maneira geral, o Coaching Executivo e de Negócios consiste em uma abordagem holística de um processo integrado de desenvolvimento profissional, que tem como objetivo melhorar o desempenho de uma pessoa no contexto empresarial. Nesta categoria de Coaching, o processo é orientado por uma pessoa profissional e qualificada, que se apodera de diversos mecanismos, tais como: metodologias, técnicas ou ferramentas, desde que sejam adequadas para o benefício de uma empresa, com o intuito de aprimoramento do indivíduo que está trabalhando nela, seja em sua área pessoal, seja em sua área profissional. Pois se um indivíduo recebe novas capacitações e aprendizados, o benefício se propaga de forma indireta para a empresa em que trabalha, propiciando um ambiente com pessoas equilibradas e focadas em seus objetivos. Logo, esse tipo de Coaching também é chamado de Coaching empresarial ou Coaching profissional. Porém, o Coaching Executivo e de Negócios encontra- se voltado para indivíduos que operam serviços executivos em empresas ou tarefas categoricamente elevadas e que exercem influências sobre processos ou outras atividades. Não existe um significado consensual na literatura para o termo Coaching Executivo e de Negócios, mas entende-se que os coaches que aplicam suas abordagens em um ambiente empresarial e que visam à melhora do desempenho mútuo, tanto do indivíduo quanto da organização, encaixam-se nessa categoria. Logo, o processo Coaching Executivo e de Negócios é direcionado para os diretores, gerentes, gestores e líderes de uma empresa, com o intuito de colaborar para o desenvolvimento de capacidades e competências para o benefício da organização. Como exemplo, temos que uma maior produtividade e um aumento da satisfação profissional são frutos deste tipo de prática. Como em todas as outras categorias de Coaching, é essencial poder identificar as metas, ou seja, os resultados que precisam ser alcançados. Como esse tipo está associado ao ambiente empresarial, é de igual importância a identificação da missão e dos valores da empresa em análise. Ao percorrer a literatura especializada, do início da década de 90 até a contemporânea, observamos uma nítida evolução no trato e na percepção do papel do Coaching no universo empresarial. Se antes a ênfase era dada ao aconselhamento (counselling), para aumentar o desempenho e conseguir O Coaching Executivo e de Negócios consiste em uma abordagem holística de um processo integrado de desenvolvimento profissional, que tem como objetivo melhorar o desempenho de uma pessoa no contexto empresarial. 14 Coaching Executivo e de Negócios do aprendiz a execução bem-feita das suas tarefas, agora o objetivo é mais abrangente. A ideia ou a intenção é que o Coaching seja um processo no qual a pessoa que está recebendo o aconselhamento desenvolva habilidades e competências em todas as áreas do conhecimento em que necessite de aperfeiçoamento, seja técnica, de relacionamento interpessoal, de gestão ou mesmo nas questões pessoais e da vida particular, se assim desejar (FOURNIES, 1992; GOLDSMITH; LYONS; FREAS, 2012). O Coaching Executivo e de Negócios transforma o empresário em um líder mais eficaz, capaz de enfrentar situações de estresse e de administrar mudanças de uma forma mais efetiva. Ele visa desenvolver o capital humano e melhorar a qualidade de vida do coachee (cliente/aprendiz/executivo), e tem como foco a inteligência emocional, o equilíbrio e a liderança eficaz. Um executivo ou líder que tenha sido instruído por meio desta modalidade de Coaching, torna-se apto a trabalhar melhor em equipe e consegue resolver problemas mais facilmente. Goldsmith, Lyons e Freas (2012) dão ênfase a importância do Coaching para o desenvolvimento de liderança e dificilmente os demais autores da área separam esta prática do aprimoramento da liderança, pois com ela as possibilidades são transformadas em realidade e o potencial de um indivíduo é transformado em excelência. A revista Fortune elegeu os 50 maiores líderes mundiais de 2015, entre eles estão presidentes, líderes religiosos, ativistas e magnatas do mundo dos negócios. O maior líder do mundo, considerado pela revista, foi Tim Cook, CEO (presidente executivo) da Apple. Taylor Swift (artista musical) foi eleita a maior e mais poderosa mulher da lista, aparecendoem 6º lugar geral. Dentre os demais, encontram-se alguns autodidatas famosos como: Bill Gates (fundador da Microsoft), Henry Ford (fundador da Ford), Alexander Graham Bell (cineasta e inventor), Walt Disney (produtor, animador e cineasta), Albert Einstein (físico), José Saramago (escritor) e Machado de Assis (escritor). Dessa forma, entendendo-se o significado de Coaching Executivo e de Negócios, torna-se prudente analisar melhor determinados conceitos associados à sua definição, como, por exemplo: visão holística, liderança, desempenho ou performance, comportamento, habilidades, competências. Tais assuntos serão abordados a seguir: 15 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 a) Visão Holística A visão holística está relacionada ao entendimento e clareza de todas as partes que compõem um objeto. Nesse contexto, a organização pode ser entendida como um organismo vivo, ao qual se aplica a concepção sistêmica e holística, em que cada uma de suas partes contém propriedades representativas de sua composição, e, ao mesmo tempo, a sua totalidade é mais complexa do que a simples justaposição de suas diferentes áreas (FIORELLI, 2003). É o entendimento do “todo” de um processo. b) Liderança Liderança é a capacidade de exercer influência sobre pessoas, também pode ser a capacidade que algumas pessoas possuem de conseguir que outras, de modo espontâneo, ultrapassem o estabelecido formalmente. Na organização, a gerência possui finalidade específica: conseguir que as pessoas cumpram seu papel ou função. Para isso, ela exerce influência sobre os indivíduos, valendo-se do poder que o sistema normativo lhe proporciona. Logo, sem liderança não há organização (FIORELLI, 2003). c) Desempenho ou Performance De acordo com o significado encontrado no Dicionário Português (2015), Desempenho ou Performance é um conjunto de características ou capacidades de comportamento e rendimento de um indivíduo, de uma organização ou grupo de seres humanos, de animais ou de outros seres vivos, de máquinas ou equipamentos, e produtos, sistemas, empreendimentos ou processos, em especial quando comparados com metas, requisitos ou expectativas previamente definidos. d) Comportamento Entende-se por comportamento os padrões por meio dos quais o indivíduo manifesta-se em suas relações, nas mais diversas situações do convívio social, de trabalho e familiar. A personalidade de uma pessoa é um conjunto de padrões comportamentais (FIORELLI, 2003). De um lado, existem as organizações que estimulam a todo instante a competitividade e, do outro lado, tem-se um ser humano reagindo como pode. Muitos, preparados ou adaptados, superando os desafios e, via de regra, http://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o http://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo http://pt.wikipedia.org/wiki/Humano http://pt.wikipedia.org/wiki/Animal http://pt.wikipedia.org/wiki/Ser_vivo http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1quina http://pt.wikipedia.org/wiki/Equipamento http://pt.wikipedia.org/wiki/Produto http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema http://pt.wikipedia.org/wiki/Empreendimento http://pt.wikipedia.org/wiki/Processo http://pt.wikipedia.org/wiki/Meta http://pt.wikipedia.org/wiki/Requisito http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Expectativa&action=edit&redlink=1 16 Coaching Executivo e de Negócios prosperando, porém outros tantos, frágeis, sofrendo e manifestando suas angústias em sintomas físicos. Esse panorama é a simples moldagem do ser humano com comportamentos de adaptação às circunstâncias, sem o devido questionamento do que se passa em seu “eu”, composto por valores, crenças e desejos (PAULA, 2005). e) Habilidades Significa a capacidade e a condição necessária para realizar uma tarefa com êxito. De acordo com o Dicionário Português (2015), a habilidade é quando um indivíduo realiza com talento, facilidade e rapidez um objetivo proposto. Ou seja, a habilidade pode ser considerada como um grau de competência que a pessoa tem ao empenhar-se em alcançar determinado objetivo. A habilidade pode ser uma vocação inata ou desenvolvida. A prática, a capacitação, os treinamentos e a experiência permitem que uma pessoa obtenha a melhora das suas habilidades. Para se atingir o sucesso profissional, hoje, exige-se muito mais do que um conhecimento específico na área de atuação. Espera-se um profissional generalista que seja um especialista em sua área e que tenha habilidades múltiplas em tudo, e, nesse contexto, estão inclusas as relações humanas (PAULA, 2005). f) Competências A palavra competência tem várias vertentes: pode referir-se à aptidão, ao designar a qualidade de quem é capaz de resolver determinados problemas ou de exercer determinadas funções; à idoneidade, quando se está diante de um sujeito capaz de avaliar algo ou alguém. Competência está relacionada ao conjunto de conhecimento, habilidade e atitudes. Uma pessoa só é hábil em uma tarefa se primeiramente for competente para realizá-la. Segundo Paula (2005), não existe um padrão de quais competências devemos desenvolver para termos sucesso. Diversas competências são utilizadas em situações diferenciadas. Mas toda e qualquer competência deverá estar assentada na habilidade de liderar. A empatia, por exemplo, é uma competência fundamental na condução de um grupo e também na abordagem de um médico. Funções diferentes exigem competências diferentes: a habilidade política é fundamental para executivos de nível diretivo, já a formação de vínculos é imprescindível para profissionais de gerência média. Para o mesmo autor, a cultura da empresa também pode influenciar na necessidade de desenvolver competências específicas. Uma empresa mais Uma pessoa só é hábil em uma tarefa se primeiramente for competente para realizá-la. 17 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 formal apresentará uma necessidade maior em competências relacionadas à adaptação, e empresas mais informais poderão reforçar diferentes competências, como a inovação. Nesse contexto, têm-se os atributos específicos de competências emocionais e de competências no exercício da liderança. Como exemplos de competências emocionais, temos: Autocontrole, Empatia, Ética, Humildade, Humor, Motivação, Resiliência, Saber ouvir, entre outras. Já como exemplos de competências no exercício da liderança, podemos citar: Administração de conflitos, Articulação, Comando, Comunicação, Negociação, Persuasão, Tomada de decisões, entre outras. Cabe a ressalva de que é por meio do relacionamento interpessoal que se trabalham essas competências. Atividade de Estudos: TESTE DE LIDERANÇA Foi possível observar que o Coaching Executivo e de Negócios está totalmente associado ao desenvolvimento da liderança em uma pessoa para o seu próprio benefício e, consequentemente, para o da organização. A filósofa norte-americana Danah Zohar afirma que todos nós somos líderes em potencial, seja na comunidade, seja na família, seja na equipe de trabalho (IEL, 2015). Logo, Goldsmith, Lyons e Freas (2012) sugerem um interessante teste para identificar nossa percepção e conhecimento do assunto de liderança de pessoas, um dos pilares da prática de Coaching. Vamos fazê-lo para saber como anda o seu liderar? Quando foi a última vez que você recuou e se olhou no espelho? Quando foi a última vez que você desafiou suas velhas respostas e maneiras de fazer as coisas e olhou para a substância subjacente da sua liderança? Responda às seguintes perguntas e classifique a si próprio numa escala de 1 a 7. Um “1” implica um “não” definitivo à pergunta. Um “2” ou um “3” significa uma articulação ou uso infrequente, “4” implica às vezes, “5” ou “6” implica uma articulação ou uso frequente, e “7” implica um “sim” definitivo. Marque suas respostas nos quadradinhos 18 Coaching Executivo e de Negócios fornecidos. 1) Tenho valores claros como líder? 2) Os meus seguidores reconhecem meus valores pormeio de ações-chave que eu demonstro? 3) Sou claro em meus pontos fortes de liderança? 4) Estou envolvido em esforços de autodesenvolvimento que se concentram em meus pontos fortes? 5) Tenho um sentido claro de meu propósito como líder? 6) Deixo meu legado de liderança todos os dias? 7) Tenho um ponto de vista claro sobre o que significa liderar? 8) Os que estão à minha volta entendem meu ponto de vista sobre liderança? 9) Tenho uma visão para o que eu gostaria de realizar como líder? 10) Os meus seguidores conhecem minha visão porque eu comunico a eles? 11) Eu dedico tempo para refletir sobre liderança? 12) Tenho um “conselho de administração” pessoal com quem partilhar reflexões? 13) Tenho metas pessoais escritas de liderança? 14) Tomo atitudes baseadas em minhas metas de liderança? Plote seus resultados no gráfico abaixo. Primeiramente anote as questões 1, 3, 5, 7, 9, 11 e 13. Em seguida, as questões 2, 4, 6, 8, 10, 12 e 14. O primeiro conjunto de declarações (1, 3, 5, 7, 9, 11) avalia quão claro você é sobre suas qualidades de “essência”. O segundo conjunto de declarações (2, 4, 6, 8, 10, 12 e 14) avalia até que ponto você aplica e demonstra essas qualidades. As declarações nas quais a sua pontuação foi abaixo de “5” são áreas de crescimento em sua jornada para descobrir quem você é e o que você faz como líder. Nossa “essência” é quem nós verdadeiramente somos. Quando nós a descobrimos e aprendemos a liderar com ela, desenvolvemos confiança junto a nossos seguidores. 19 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 Fonte: Extraído e adaptado de Goldsmith, Lyons e Freas (2003, p. 127). Se você quiser conhecer mais sobre as formas de atuação do Coaching Executivo e de Negócios como um processo de exercício da liderança, este é um bom livro: GOLDSMITH, Marshall; LYONS, Laurence. FREAS, Alyssa. Coaching: o exercício da liderança. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012. Quais as Características e Diferenças do Coaching Executivo e de Negócios para Outras Práticas? Ao mesmo tempo em que o Coaching de executivos evoluiu como uma prática ou metodologia reconhecida, muitas outras formas de Coaching têm também atingido o mercado. Sendo assim, torna-se importante conhecê- los para que se possa entender seus significados e diferenciar as principais abordagens. A seguir apresentamos exemplos de abordagens de Coaching 20 Coaching Executivo e de Negócios e algumas diferenciações com abordagens que costumam causar confusões conceituais. A seguir você verá as definições de Coaching Pessoal ou de vida, de desempenho, espiritual, do novo líder, de relacionamento, de legado e de equipe: Coaching Pessoal ou de Vida: está relacionado a atingir metas pessoais. No trabalhar de pensamentos, sentimentos e ações de como o indivíduo poderá mudar sua vida para obter uma satisfação pessoal maior e mais efetiva. Coaching de Desempenho: Tem um objetivo pontual de melhorar determinado potencial do indivíduo, requisitos de seu trabalho, deficiências específicas, e em como diminuir as dificuldades de adequação ao trabalho para aperfeiçoar a performance. Coaching Espiritual: Tem o objetivo de questionar e refletir sobre posicionamentos filosóficos e espirituais. Coaching do Novo Líder: busca, de modo específico, ajudar o líder a assimilar seu novo papel, definir e programar seu novo negócio para garantirem juntos os componentes-chave para sua equipe. Coaching de Relacionamento: Favorece o aprimoramento das relações. Atua na formação ou mudança de comunicações para que a produtividade e a satisfação sejam maiores. Coaching de Legado: Atua em ajudar a pessoa que se aposenta a identificar o legado que ela gostaria de deixar e tomar as decisões apropriadas para fazê-lo tornar-se uma realidade. Coaching de Equipe: Está relacionado a um ou mais coaches se especializarem em dinâmica e efetividade da equipe para trabalharem juntos com o líder ou com cada membro do grupo. Fonte: Extraído e adaptado de Milaré e Yoshida (2007, p. 7). Existe também a associação do Coaching Executivo e de Negócios com as 21 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 práticas de Psicoterapia e Mentoring. A seguir são apresentadas as comparações entre essas abordagens e as diferenças que elas possuem em relação ao Coaching Executivo. a) Psicoterapia X Coaching de Executivos O Coaching Executivo, em virtude de apresentar um componente de atuação no campo emocional, pode suscitar um cruzamento com psicoterapia clínica. Porém essas duas práticas diferem, pois o campo de atuação do Coaching Executivo, embora percorra o emocional do sujeito, não abarca as suas questões pessoais. O profissional habilitado a aplicar o Coaching em um negócio apenas fará uma leitura dos aspectos emocionais presentes nas situações trazidas pelo cliente, com o objetivo de ajudá-lo a perceber-se melhor, para que, a partir daí, possa se posicionar de forma mais coerente e segura. A abordagem do Coaching não será interpretativa como em psicoterapia, e sim de constatação de sentimentos com base nas expressões manifestas do cliente (PAULA, 2005). Outras diferenças, segundo Milaré e Yoshida (2007), incluem a capacidade de ser mais diretivo em Coaching Executivo e de entender a relação entre o executivo e o coach como mais corporativa, já que a necessidade da autodescoberta do executivo talvez não seja tão grande quanto é para a terapia. A principal finalidade do Coaching Executivo é sua aplicação no mundo do trabalho, a sua eficiência e excelência na área profissional, sendo o alvo na terapia a pessoa e seus conflitos nas diferentes instâncias. b) Mentoring X Coaching de Executivos O Mentoring também possui uma abordagem de ajuda na melhora de desempenhos e competências do indivíduo com o qual se trabalha. Porém o Mentoring denomina e considera o mentor como um aprendiz da situação. Pode- se dizer que os Mentores são coaches de aprendizado, conselheiros sensíveis e de confiança. Em outras palavras, Mentoring é aquela parte do papel de cada líder que tem no crescimento do liderado o seu principal resultado. Para o sucesso desse programa, os autores recomendam o desenvolvimento de uma “parceria para o aprendizado”, diferente da orientação clássica. A parceria para o aprendizado significa conferir ao liderado um relacionamento de segurança, atitude defensora e igualdade. A metodologia do Mentoring pode ser um auxiliar na abordagem do Coaching. As principais diferenças podem ser visualizadas na Figura 1. 22 Coaching Executivo e de Negócios Figura 1 - Principais diferenças entre Coaching e Mentoring Fonte: Extraído e adaptado de Souza (2008, p. 4). O Quadro 1 apresenta um esclarecimento sobre as demais técnicas que podem ser confundidas com o Coaching Executivo e de Negócios e suas características singulares. Quadro 1 – Principais atributos de outras práticas Capacitação É o processo de adquirir conhecimento ou aptidões por meio do estudo e da experiência. O instrutor é normalmente o especialista. Ele sabe ou pode fazer algo que o orientando não sabe. A capacitação normalmente é dada numa base de um para muitos, em vez de um para um. Ensino É similar a capacitação pelo fato de que o professor sabe algo que o aluno desconhece e aprenderá diretamente. O aluno tem as perguntas e o professor as respostas. Aconselhamento Profissional Geralmente, aborda os problemas do cliente de forma terapêutica. O cliente sente-se desconfortável ou insatisfeito com a vida. 23 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 Consultoria Um consultor tem a experiência para resolver problemas de negó- cios e, frequentemente, lida com o negócio como um todo ou parte dele, e não com os indivíduos que o compõem. Um consultor, prova- velmente, recomendará Coaching para os indivíduos como parte do pacote do negócio. Counseling É para o cliente que procura alívio de sintomas psicológicose/ou físicos. O cliente almeja uma cura emocional. O motivo que leva um cliente a procurar terapia ou aconselhamento profissional é, em geral, a vontade de se desfazer da dor ou do desconforto, e não a de se preparar para atingir as metas desejadas. Fonte: Extraído e adaptado de Ferreira (2008). O que diferencia Coaching de Executivos da maioria das outras formas de Coaching e práticas é o seu enfoque dual de trabalho, em desenvolver o executivo como líder, enquanto também ajuda aquele líder a alcançar os resultados dos negócios. No entanto, vale ressaltar que o Coaching Executivo e de Negócios frequentemente incorpora algumas dessas outras formas de Coaching ou práticas como instrumentos de auxílio em suas metodologias de aplicação. Quanto às metodologias de Coaching Executivo, geralmente elas possuem duração entre alguns meses até um ano ou mais, em que o coach não tem autoridade direta sobre o executivo. Esse tipo de processo Coaching para o ambiente organizacional contêm geralmente cinco fases: (1) construção da relação das partes envolvidas, (2) avaliação, (3) feedback, (3) planejamento, (4) implementação da avaliação e (5) follow-up (continuidade do processo) (MILARÉ; YOSHIDA, 2007). No capítulo 4, você saberá mais detalhes sobre as abordagens metodológicas do Coaching Executivo e de Negócios e das formas de avaliações do coach Executivo. O que diferencia Coaching de Executivos da maioria das outras formas de Coaching e práticas é o seu enfoque dual de trabalho, em desenvolver o executivo como líder, enquanto também ajuda aquele líder a alcançar os resultados dos negócios. No entanto, vale ressaltar que o Coaching Executivo e de Negócios frequentemente incorpora algumas dessas outras formas de Coaching ou práticas como instrumentos de auxílio em suas metodologias de aplicação. 24 Coaching Executivo e de Negócios Atividades de Estudos: 1) Apresente as principais diferenças técnicas entre Metoring, Counseling e Coaching em um ambiente empresarial? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Sob qual critério as práticas Metoring, Counseling e Coaching se tornam práticas comuns? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Áreas de Atuação do Coaching Executivo e de Negócios Traçar um panorama das áreas de atuação do Coaching ajuda a dar clareza e uma linguagem comum em relação ao aconselhamento da carreira, e pode ser uma forma útil de orientar todas as partes do processo de contratação, avaliação e feedback. O Coaching Executivo e de Negócios atua apenas no ambiente organizacional do trabalho. Segundo Ferreira (2008), ele se destaca com objetivos pré- determinados nas seguintes áreas: a) Cultura Organizacional: promover um bom clima organizacional ou reduzir tensões e resistências à introdução de uma nova cultura, uma nova ideia, novas práticas ou tecnologias. b) Liderança: incluir Coaching para alto desempenho do líder de pessoas, para o desenvolvimento de habilidades, de técnicas, de gestão de conflitos e de planos sucessórios. 25 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 c) Alto desempenho: atuar como orientador e facilitador na criação e no desenvolvimento de indivíduos e de equipes de alto desempenho. d) Aprendizado organizacional: estimular a introdução do aprendizado contínuo. e) Carreira: trabalhar com indivíduos para deixá-los aptos a evoluir em suas funções na empresa. Pode fazer uso dos seguintes papéis: educar, patrocinar, desenvolver, aconselhar e confrontar. f) Alta gerência: treinar equipes de alto desempenho e estabelecer plano de carreira, planejamento estratégico, ética, moral e resiliência. g) Empreendedorismo: identificar e preparar aqueles com habilidades empreendedoras. h) Desenvolvimento organizacional: trabalhar a missão da organização, por meio do estímulo dos executivos à visão de futuro. O Coaching Executivo e de Negócios também pode atuar no desenvolvimento e planejamento ou organização da agenda de um executivo. O termo Agenda de um Executivo, segundo Goldsmith, Lyons e Freas (2012), é empregado para os problemas e tarefas pessoais ou de negócio de um executivo. Com frequência, esse tipo de Coaching engloba pontos importantes para os executivos e suas organizações que, de outra maneira, seriam desprezados, principalmente, no momento em que os projetos de mudança, demissões ou enquadramento da empresa acontecem. Às vezes, as reuniões chegam perto de aspectos relacionados ao aconselhamento de vida, se o executivo considerar seu propósito de vida e desafios pessoais como parte do processo para atingir as metas da empresa ou de sua agenda. O Desenvolvimento de Mudanças É notório que as empresas devem recriar-se continuamente ou perecerão. O desafio é conseguir que as pessoas acatem as mudanças e se focalizem em atingir as metas estabelecidas pelos executivos, o que requer, muitas vezes, mudança de comportamento. Milaré e Yoshida (2007) discutem sobre esse processo de adaptação e desenvolvimento de mudanças nas organizações, base teórica a qual apresentamos nos tópicos a seguir. 26 Coaching Executivo e de Negócios Adaptação dos Executivos às Mudanças O progresso da adaptação de executivos no ambiente empresarial pode ser considerado como a verificação do processo em que se dá a habituação desses líderes durante o desenvolvimento e avanço das mudanças nas empresas. Antigamente, as empresas possuíam um tempo gradual de desenvolvimento, em que as pessoas dispunham de tempo para assimilarem as ideias desenvolvidas e aplicarem à organização os mecanismos devidos para que todos obtivessem o entendimento da nova cultura ou missão. Hoje, as mudanças são constantes e ocorrem de maneira rápida, causando, muitas vezes, conflitos de diversas ordens pela falta do entendimento completo da execução de novas etapas, por todos os envolvidos da organização. Os níveis de mudança geralmente são graduais, ou seja, acontecem em etapas e de maneira imperceptível no decorrer do tempo. Porém, quando se está analisando o processo de adaptação de um indivíduo a esses níveis de mudança, percebe-se que ele pode responder de diversas maneiras a esse processo de implementação, colaborando com o novo fluxo de informações ou respondendo de maneira adversa, interrompendo o equilíbrio. Para analisar o nível de adaptação de um indivíduo, observam- se suas capacidades de respostas às circunstâncias. A estabilidade e adaptação de uma pessoa em uma empresa, que está sujeita a mudanças constantes, é avaliada segundo a capacidade dessa pessoa de oferecer respostas novas para cada fator novo, seja ele positivo, seja negativo, em um curto tempo. Desse modo, a cada instante, a adaptação do sujeito pode ser avaliada quanto à sua eficácia. Ela pode ser medida pela habilidade da adaptação de um indivíduo a áreas relacionadas à sua personalidade em situações afetivas e relacionais e à sua produtividade. Quando se está aplicando o Coaching de Executivos, recomenda- se realizar a avaliação da eficácia adaptativa do executivo como uma forma de obter diagnósticos e prognósticos, ao mesmo tempo em que se deve oferecer as instruções e diretrizes necessárias para conduzir a disposição do sujeito em continuar com o processo de aprimoramento. Portanto, ao se ter como objetivo a recomendação de mudanças em uma empresa por meio de um processo de capacitação como o Coaching, torna-se necessário, além de avaliar a eficácia adaptativa do sujeito, ou seja, sua capacidade de encarar as eventualidadesda vida por meio de respostas positivas, perceber também se o sujeito reconhece a importância da mudança e a necessidade de se comprometer adequadamente num processo de capacitação. 27 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 Logo, entende-se que para a realização de um processo de coaching de executivo em uma empresa, é fundamental o reconhecimento do participante que está enfrentando os problemas e a avaliação da sua disposição para enfrentá- los por meio de uma ajuda e de um procedimento metodológico. Portanto, ao se ter como objetivo a recomendação de mudanças em uma empresa por meio de um processo de capacitação como o Coaching, torna-se necessário, além de avaliar a eficácia adaptativa do sujeito, ou seja, sua capacidade de encarar as eventualidades da vida por meio de respostas positivas, perceber também se o sujeito reconhece a importância da mudança e a necessidade de se comprometer adequadamente num processo de capacitação. Sendo assim, visto que o Coaching se caracteriza, em alguns casos, na suposição de mudanças em padrões de comportamento ou de atitudes, torna-se necessário apresentar mais especificadamente os estágios e vertentes implicadas nesse processo de desenvolvimento de mudanças. Estágios de Mudanças nas Organizações Um negócio envolve várias áreas de decisões, tornando-se necessário estabelecer relações com todos os atores da cadeia em que ele está envolvido. Para cada área em que está inserido um negócio existe um mercado associado e um público alvo. Com isso, as mudanças são inevitáveis em um dado momento, pois podem ocorrer variações na demanda da população, na produção, na entrega, na organização, no uso de materiais, no quadro de funcionários, nos impostos, nos custos, nos rendimentos, etc. As variações podem ser decorrentes de fatores internos ou externos a organização. Outro aspecto diz respeito ao fato de que todo produto tem um ciclo de vida, possuindo, assim, um tempo determinado de trajetória no mercado, onde, antes ou após o momento do estágio final, a mudança ou inovação é quase uma obrigação se o proprietário não quiser que o negócio vá à falência. Porém existem diversos fatores que estão relacionados ao desenvolvimento e estímulo das mudanças necessárias em um negócio. Um desses fatores consiste na aptidão e disponibilidade dos líderes em empenhar-se a resolver um problema. Logo, as atividades que incluem um processo de mudança em um negócio estão também relacionadas ao padrão de vida e às questões pessoais dos responsáveis por implementá-las. 28 Coaching Executivo e de Negócios Quando se fala em processos de mudanças, considera-se que podem ser atividades encobertas ou manifestas, nas quais as pessoas se comprometem e se empenham para mudar o ponto de vista, o sentimento ou o relacionamento interpessoal diante de um problema ou de uma necessidade imposta. As etapas ou estágios de mudanças são baseados no fundamento de que uma mudança acontece no decorrer do tempo e que está associada ao grau de consciência da necessidade de resolver o problema e da aptidão ou empenho para resolvê-lo (MILARÉ; YOSHIDA, 2007). De forma semelhante, entende-se que durante a implementação do Coaching Executivo e de Negócios é necessário compreender as etapas ou estágios de mudanças em que o individuo que está recebendo o processo de capacitação se encontra, de forma a auxiliar na determinação dos instrumentos e técnicas mais adequadas para serem utilizadas no processo de avaliação e para intervir da melhor forma com o objetivo de sensibilizar o individuo à mudança. Foram identificados por Milaré e Yoshida (2007) cinco diferentes estágios de mudança em uma organização chamados de: Pré-Contemplação, Contemplação, Preparação, Ação e Término, esclarecidos a seguir: • Pré-contemplação – É um estágio no qual o indivíduo não aceita que precisa mudar. Mesmo que haja outras pessoas ao seu redor e que procurem alertá-lo ou pressioná-lo à mudança, existe uma resistência assumida em reconhecer ou modificar o problema ou padrão comportamental. • Contemplação – Consiste em um estágio no qual o indivíduo reconhece que existe um problema e que esse problema precisa ser resolvido. A pessoa identifica e admite que possui um problema ou dificuldade, porém não chega a encará-lo. • Preparação – Compreende o estágio em que o indivíduo se prepara para a mudança, mas essa não é concluída. Consiste no momento em que o indivíduo se empenhou para resolver algo que foi identificado, mas que não obteve bons resultados ou esses não foram efetivos. • Ação – Estágio representado pelo momento em que o indivíduo é capaz de entrar em ação com medidas eficazes, mostrando que está de fato disposto a empenhar-se para modificar o comportamento ou enfrentar o problema. Já existe um reconhecimento externo pelo esforço que foi empregado em solucionar o problema. • Término – É o estágio em que o indivíduo consegue estabilizar os resultados decorrentes da mudança e que enxerga que não existem motivos para recusa 29 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 ou retrocesso. O indivíduo já está com confiança e com a certeza de que o método antigo pelo qual as coisas funcionavam não é mais adequado e que a situação ou problema já está totalmente superado. Podemos perceber, assim, que o procedimento de Coaching em um ambiente empresarial exige uma clareza e a avaliação do nível em que o indivíduo se encontra em relação ao comprometimento em resolver o problema pelo qual o coach foi contratado a ajudá-lo e capacitá-lo a resolver. Por outro lado, conforme Krausz (2007, p. 11): Enquanto o mundo se torna cada vez mais conectado pela via da tecnologia, a vida das pessoas parece tornar-se mais desconectada. Apesar da aparente necessidade de novas maneiras de liderar, criar estratégias e organizar os processos de gestão, na verdade, a maioria das empresas pouco têm mudado de fato. Por isso, segundo Krausz (2007, p. 13): Na atualidade, a procura é por metodologias caracterizadas pela ênfase na mudança, na ação e nos resultados, na customização, na contextualização e na brevidade dos processos de aprendizagem e desenvolvimento de novas competências, habilidades, conhecimentos e comportamentos. Logo, diante de diversas técnicas e meios disponíveis para desenvolver essa demanda das empresas, extrai-se o Coaching de Executivos e de Negócios, cujos resultados se propagam pela organização de forma geral, devido às alterações que são estimuladas nas áreas estruturais, processuais, socioculturais e comportamentais das pessoas e das empresas. Uma vez que essas alterações tornam mais leves, aptas e eficientes todos os tipos de relações, interpessoais ou não, nas empresas, ocorre, assim, uma facilidade maior em integrar os esforços e conseguir de forma coletiva os resultados almejados. Os profissionais que são responsáveis por delegar e gerenciar tarefas, influenciando outros grupos, podem se desenvolver como pessoa e conseguir expandir o conhecimento sobre si mesmos e em como uma sociedade funciona de forma coletiva, colaborando, assim, para o bem de todos a sua volta e da organização. O sucesso da aplicação do Coaching Executivo pode ser percebido em diversas regiões do mundo. Cada vez mais, pessoas estão se capacitando para poder assistir, da melhor forma, as lideranças de empresas, possibilitando o 30 Coaching Executivo e de Negócios equilíbrio de sua trajetória rumo à vitória. Caso os problemas não são identificados e não se busque o equilíbrio de algo que está para cair, os prejuízos podem ser imensuráveis e ultrapassar a esfera organizacional. Exemplos assim podem ser vistos por meio das empresas que comunicam sua falência em manchetes de jornais e revistas do mundo, sejam empresas públicas, sejam privadas, provocando desordens nas esferas sociais e econômicas das regiões as quais estavam inseridas,além de efeitos éticos e morais na vida dos trabalhadores. Tente se lembrar de momentos de sua vida em que já ajudou alguém a aprimorar suas habilidades e competências. Você lembra das maiores dificuldades daquele momento? Você recebeu algum feedback dessa pessoa? Você acha que precisa melhorar sua forma de liderar as pessoas? A pessoa a quem orientou resistiu à sua instrução? Casos de Coaching Executivo Como já visto, o Coaching tem sido aplicado fortemente para desenvolver características específicas dos executivos. No Brasil, umas das dificuldades mais encontradas nos executivos estão relacionadas à forma como eles se comunicam com as pessoas envolvidas em seu trabalho. Dentro de todos os níveis hierárquicos, é necessário saber se comunicar a fim de resolver conflitos e passar informações. Outro fator que tem afetado a produtividade dos executivos diz respeito ao seu equilíbrio emocional. É muito importante o envolvimento de várias áreas da vida que, se bem trabalhadas juntas, desenvolvem qualidade de vida, tão desejada ultimamente. Para trabalhar equilíbrio emocional, uma técnica chamada Roda da Vida costuma ser utilizada. A Roda da Vida funciona como instrumento para medir a satisfação do coachee. O coach também pode utilizá-la para retirar informações importantes sobre o cliente. O cliente deve definir sozinho cada área e o quanto está satisfeito. A partir daí, são construídos os objetivos e planos de ação. Apesar de ser uma ferramenta utilizada em todos os tipos de Coaching, a Roda 31 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 da Vida é importante no desenvolvimento executivo. Como exemplo, temos um caso do manager de produção da Shell do Brasil. Como líder mais importante da organização, Charlie Miller sempre procurou se desenvolver por meio de várias ferramentas existentes no mercado. Em um momento de crise, um coach foi contratado. Miller disse que, como resultado, o coaching o fez ver mais profundamente e mudou a forma como a empresa passou a enxergá-lo. A revista Você S.A. conta a história da empresária Ângela Baptista Leal, que contratou o Coaching executivo para melhorar os resultados de sua empresa. Durante suas sessões de Coaching ela dividiu áreas de sua vida em que queria trabalhar. Com a ajuda do coach ela foi capaz de definir objetivos e traçar planos de ação. Na área executiva, ela afirma ter mais satisfação, pois conseguiu colocar em prática o que estava apenas no papel em relação à empresa e, junto a sua sócia, conseguiu fazer com que a empresa progredisse mais. O Coaching executivo também é muito procurado para o trabalho de sucessão de cargos. Novas gerações de gerentes são inevitáveis e, tanto os novos gerentes quanto a própria organização passam por processos de adaptação, que não são fáceis. Existe outro caso: a sucessão da empresa RBS, uma organização familiar que contratou o Coaching para melhorar o relacionamento entre o gerente e o sucessor que, além disso, eram parentes muito próximos. Segundo os dois, o Coaching foi essencial para clarear os limites que deveriam existir, já que estes vão além da organização. O processo, que valeu a pena para eles, foi rígido. Reuniões deveriam ser feitas com frequência, com tempo e data previamente estipulados, para resolver assuntos organizacionais. As reuniões, em geral, duravam duas horas. Investir em uma consultoria Coaching, quando necessário, produz grandes retornos para a organização. “Coaching produziu um retorno sobre investimento de 529% além de benefícios intangíveis significativos, segundo um estudo encomendado por uma empresa das 500 maiores da Fortune.” A conexão com a empresa, o executivo e os colaboradores traz uma percepção avançada das ações necessárias para a eficácia a qual o Coaching pode ajudar. Fonte: Extraído e adaptado de Lima (2013, p. 14-15). 32 Coaching Executivo e de Negócios Algumas Considerações Podemos perceber que o Coaching pode ser abordado por inúmeros pontos de vista diferentes e que a escolha da abordagem correta e seu pré- estabelecimento mútuo é vital para a consecução do resultado desejado. Vimos que o Coaching de Executivos e de Negócios se destina a alinhar o desenvolvimento de cada executivo ou de cada líder com os desafios do negócio no contexto total da organização. Esse processo se dá por um meio contínuo de aprendizado, durante o qual os executivos recebem as ferramentas para o aprendizado que aprimorarão as suas capacidades de conseguir resultados de negócios duradouros e que, após o processo, poderão até se tornarem coach de seus líderes subordinados. Abordamos, também, que esse processo pode não ser fácil, e geralmente não o é, uma vez que lida com processos que supõem mudanças em padrões de comportamento e de atitudes. O Coaching Executivo e de Negócios reconhece o fato de que as questões da vida pessoal não podem ficar totalmente separadas do âmbito empresarial, já que o indivíduo, muitas vezes de forma incontrolável, leva em seu subconsciente um conjunto de pensamentos, hábitos, temores, desejos e sentimentos diversos, que fazem parte de sua personalidade. No entanto, não faz parte do objetivo central da aplicação do Coaching neste local estimular as questões pessoais para os momentos do trabalho, mas, apenas, considerar que os fatores pessoais fazem parte do âmbito empresarial e possibilitar, assim, um mecanismo que englobe o ser humano por inteiro e o ajude a melhorar nas tarefas da empresa. Entendemos, assim, que as capacidades e habilidades desenvolvidas em um indivíduo no ambiente de trabalho e para o trabalho, por meio do relacionamento e métodos empregados de uma pessoa para outra, é o que chamamos de Coaching Executivo e de Negócios. Logo, o objetivo primordial do processo de Coaching Executivo e de Negócios é melhorar, sempre, os resultados de uma empresa. Isso é obtido com o aumento dos lucros e corte dos custos. Porém ele não é nem meramente intuitivo nem pura e simplesmente a aplicação de um processo mecanizado. Esses resultados refletidos nos lucros e na diminuição dos custos de uma empresa podem vir apenas pelo aumento da capacidade de um líder de exercer influência nos negócios ou, por exemplo, em sua atuação em reuniões que apresentam um quadro caótico, mas que são revertidas pela sua habilidade em gerenciar pessoas 33 Coaching Executivo e de Negócios Capítulo 1 e em empregar técnicas. O processo de aumento de desempenho precisa estar o tempo todo fundamentado nas estratégias de negócios de cada organização- cliente, justificando a si mesmo por meio de resultados tangíveis e concretos. Referências DICIONÁRIO PORTUGUÊS. Significado de Desempenho ou Performance e Habilidades. Disponível em: <http://dicionarioportugues.org/pt/desempenho> Acesso em: 15 jun. 2015. FERREIRA, M. Coaching: um estudo exploratório sobre a percepção dos envolvidos, organização, executivo e coach. 2008. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal de São Paulo, USP, São Paulo, 2008. FIORELLI, José O. Psicologia para administradores: integrando teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2003. FOURNIES, Ferdinand F. Como conseguir melhores desempenhos de seus empregados. São Paulo: Makron Books, 1992. GOLDSMITH, Marshall; LYONS, Laurence; FREAS, Alyssa. Coaching: o exercício da liderança. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012. IEL. Filósofa destaca que todos somos líderes em potencial. Disponível em: <http://www.ielrs. org.br/pt-br/noticia/filosofa-destaca-que-todos-somos-lideres- em-potencial>. Acesso em: 15 jun. 2015. KRAUSZ, Rosa R. Coaching executivo: a conquista da liderança. São Paulo: Nobel, 2007. LIMA, M. Uma abordagem aos principais tipos de coaching. 2013. Monografia (Curso de Graduação em Administração) - UniCEUB, Brasília, 2013. MILARÉ, S.; YOSHIDA, M. Coaching de executivos: adaptação e estágio de mudanças. Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, n.9, v. 1, p. 86-99, 2007. PAULA, Maurício de. Executive Coaching e gestão de carreira. São Paulo: Scortecci, 2005. PORCHÉ, Germaine; NIEDERER, Jed. Coaching: O apoio que faz as pessoas brilharem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002. 34 Coaching Executivo e de Negócios CAPÍTULO 2 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Entender a importância do Coaching Executivo e de Negócios nas Organizações e os benefícios que sua aplicabilidade pode trazer, sabendo as vantagens de aplicação e os possíveis retornos adquiridos por meio do investimento. 3 Identificar os benefícios obtidos pelos profissionais e pela organização quando utilizam o Coaching em seus negócios. 3 Fazer a arguição da importância do investimento em Coaching às empresas. Contextualização 36 Coaching Executivo e de Negócios 37 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 Contextualização Nos últimos tempos, a procura por profissionais especializados e que atuem no mercado na área de Coaching cresceu consideravelmente, e a ocorrência desse fato demonstra que os resultados do processo coaching nas empresas são tangíveis e que os investimentos em Coaching são válidos (AGARWAL; ANGST; MAGNI, 2009). Podemos observar que a maior parte do público que procura o procedimento de Coaching em suas empresas, busca, na verdade, um mecanismo de ajuda para planejar e desenvolver a vida pessoal e profissional de seus líderes, com o intuito de melhorar os processos de tomada de decisões e alcance dos resultados almejados. Sendo assim, as empresas parecem estar cientes da importância da técnica e dos benefícios que sua aplicação pode ocasionar (DIAZ, 2014). No entanto, alguns autores alertam que a percepção do sucesso em Coaching varia de empresa para empresa e depende principalmente da cultura em que ela está inserida (MOTTER JUNIOR, 2012). Dessa forma, neste capítulo, apresentamos ao leitor uma abordagem sobre a importância de as empresas investirem em Coaching Executivo e de Negócios e os benefícios desta iniciativa. Em seguida, expomos a importância do capital intelectual nas empresas e sua relação com o Coaching. Após, fazemos uma abordagem sobre o panorama dos atributos que contribuem para uma organização obter sucesso e como esses atributos estão relacionados a resultados de experiências reais em Coaching pelo mundo. Veremos, também, como o Coaching auxilia na abertura e gerenciamento de um negócio e como se torna uma propriedade de sucesso aos empreendedores. Em suma, este capítulo apresenta de forma geral os fatores que definem a importância do Coaching Executivo e de Negócios nas organizações, esmiuçando os benefícios que sua aplicabilidade pode trazer, e abordando sobre quais fundamentos eles estão sustentados. Por que Empresas Devem Investir em Coaching? Para responder a essa pergunta, apresentamos, em um primeiro momento, 38 Coaching Executivo e de Negócios as perspectivas de diversos autores da área sobre o assunto e, em seguida, demonstramos a importância do Coaching Executivo e de Negócios, bem como os benefícios trazidos à organização, o capital intelectual, além da criação e gerenciamento de um empreendimento, todos com a exposição de resultados reais nas empresas. Motter Junior (2012) ressalta que a compreensão dos retornos que as empresas obtêm com o investimento que é efetuado em Coaching depende da cultura da organização e, muitas vezes, as empresas não conseguem visualizar facilmente tais benefícios. Esse fato gera um debate na literatura, que estimula os questionamentos acerca da compreensão da dimensão do sucesso que o Coaching traz às empresas. Atualmente, os especializados em Coaching (os coaches) os quais desempenham suas funções na empresa, estão sendo cada vez mais cobrados para demonstrar resultados tangíveis e para correlacionar o sucesso da aplicação com a produtividade da empresa. Apesar de alguns autores identificarem que a avaliação dos benefícios do programa de Coaching é de difícil mensuração, por conta da cultura da empresa e das atitudes e qualificações dos coaches, é necessário salientar que vivemos em tempos de inúmeras ferramentas e possibilidades de geração de indicadores para medição de desempenhos, não sendo admissível esta abordagem de incerteza e intangibilidade do sucesso em Coaching nas empresas (PAULA, 2005). Para Diaz (2014), a abordagem Coaching é essencial para as empresas, pois colabora para que o indivíduo crie a consciência do problema, da situação que deseja enfrentar ou da meta que precisa alcançar, conseguindo compreender mais facilmente o seu potencial e os objetivos que precisam ser definidos e atingidos. A geração de uma competência mental ou emocional, que funcione como um mecanismo estimulador da potencialidade do indivíduo e o ajude a elaborar planos de ação, muitas vezes não é compreendida por algumas empresas como um resultado tangível, mas consiste em um atributo essencial para uma organização obter sucesso em suas metas. Paula (2005) acredita que as empresas devem investir em Coaching porque esse processo permite a evolução de indicadores importantes. Os indicadores observados pelo autor são fruto de experiências reais de sucesso no Coaching Executivo e de Negócios. Eles representam resultados positivos para as empresas e podem ser obtidos por meio das seguintes formas: a) Medição do grau de satisfação ou motivação da equipe vinculada ao executivo, A compreensão dos retornos que as empresas obtêm com o investimento que é efetuado em Coaching depende da cultura da organização. A abordagem Coaching é essencial para as empresas, pois colabora para que o indivíduo crie a consciência do problema, da situação que deseja enfrentar ou da meta que precisa alcançar, conseguindo compreender mais facilmente o seu potencial e os objetivos que precisam ser definidos e atingidos. 39 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 permitindo, assim, avaliar o clima organizacional. b) Verificação da elevação dos pontos fortes e redução dos pontos de oportunidade do líder. Essa avaliação é possível por meio da técnica chamada: “avaliação 360”. c) Ponderação dos resultados efetivos de projetos desenvolvidos. d) Construção de um projeto de carreira com alinhamento para o profissional e para a empresa ou mercado. e) Realização de um feedback com o executivo em relação ao nível de confiança em si mesmo. Existem ferramentas e métodos que são capazes de realizar as tarefas acima mencionadas, permitindo, assim, saber se o Coaching Executivo e de Negócios trouxe resultados tangíveis para as empresas. Essas ferramentas ou métodos serão detalhados no Capítulo 4. Benefícios à Organização Quando o Coaching Executivo e de Negócios é aplicado em uma empresa, espera-se algum tipo de benefício associado ao procedimento. Para Motter Junior (2012), os benefícios da aplicação do Coaching estão relacionados ao desenvolvimento da relação entre o coach e o coachee, que deve ser saudável, produtiva e estimular a reflexão, com o máximo de equilíbrio possível entre o problema objetivo e o ganho-pessoal. Para o mesmo autor, os benefícios também estão associados a, primeiramente, conseguir a transformação do indivíduo, e, depois, atingir as metas da organização, vindo, assim, a transformação pessoal do coachee antes da meta ou do objetivo pré-determinado pela empresa. Abordando o tema de outro modo, Paula (2005) realça que a percepção dos benefícios que o Coaching traz para as empresas é muito simples e, à medida que os profissionais desenvolvem suas performances e exercem a liderança, é possível identificá-los de modo geral. Os benefícios que se tornam claros após a aplicação são: A percepção dos benefícios que o Coaching trazpara as empresas é muito simples e, à medida que os profissionais desenvolvem suas performances e exercem a liderança, é possível identificá- los de modo geral. 40 Coaching Executivo e de Negócios a) O desenvolvimento da equipe de trabalho: a percepção deste benefício está associada à compreensão de que o resultado das ações da equipe é consequência do desempenho da pessoa que exerce a liderança. Sendo assim, é espontâneo o desenvolvimento dos atributos da equipe por meio do desenvolvimento do líder. b) Uma maior sinergia grupal: neste ponto, compreende-se que, ao mesmo tempo em que o líder desenvolve a sua competência de liderança, a capacidade em promover a cooperação e esforço para realizar uma determinada tarefa no grupo acontece. c) O incentivo à criatividade: quando um líder desenvolve o seu potencial, ele se sente mais seguro em seu ambiente de relações, podendo, assim, abdicar de ações de controle do seu grupo, tais como: a centralização, o controle excessivo e o autoritarismo, fatores que anulam a capacidade criativa do grupo. d) Uma melhoria nas tomadas de decisões: por meio de um local mais dinâmico e colaborativo o processo de tomada de decisões se torna mais claro, minimizando a linha dos desacertos. e) A melhora na saúde dos profissionais: por meio de um ambiente organizacional menos estressado, mais inovativo e com um processo de assistência de profissão e incentivo de melhoria das capacidades dos colaboradores pelos líderes, o limiar de saúde física e mental de todos aumenta. f) Uma convergência nos objetivos: por meio da capacidade relacional de um líder, a empresa pode sofrer desgastes incomparavelmente menores em relação às divergências entre os seus colaboradores, particularmente por fatores culturais, contribuindo com a persuasão destes aos objetivos centrais da empresa. g) O banco de talentos: a empresa possui o entendimento de que os seus trabalhadores são um investimento e fazem parte de seu capital. A aplicação do Coaching favorece o progresso do entendimento, por parte do profissional, de que este recebeu uma capacitação diferenciada, e a sua satisfação em relação ao trabalho e de fazer parte da empresa. Diaz (2014) realizou uma pesquisa com 5 gestores para identificar os benefícios que estes obtiveram ao passar pelo programa de Coaching Executivo. O autor constatou que o Coaching Executivo não pode ser considerado como a 41 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 solução final dos problemas da empresa, mas funciona como uma ferramenta de apoio e suporte, atendendo ao âmbito empresarial, pessoal, familiar e profissional, e favorece o desenvolvimento da performance e a melhoria dos resultados organizacionais. Foram listados, pelos gestores que passaram pela experiência com o Coaching Executivo, os seguintes benefícios: • Auxílio no desenvolvimento e alcance das metas e dos objetivos. • Satisfação em relação ao crescimento pessoal. • Rompimento de crenças e atitudes limitantes. • Ampliação das habilidades pessoais. • Aumento do desempenho profissional. • Trabalho em equipe mais favorável. • Maior motivação no trabalho. • Planos para resolução de problemas específicos. • Amplitude na comunicação. • Melhoria dos relacionamentos. • Esclarecimento da necessidade de equilibrar os conflitos pessoais. • Aumento da criatividade. • Maior segurança nas tomadas de decisão. • Alcance de ganhos para a empresa. • Ampliação da qualificação profissional. • Auxílio no planejamento para o lazer e família. • Melhoria nas habilidades de liderança. • Maior satisfação no trabalho. Outro ponto importante da aplicação do Coaching é que, frequentemente, a relação entre as empresas e seus colaboradores vem apresentando uma importante mudança de paradigma. Hoje não é mais suficiente que apenas o profissional atenda ao objetivo da empresa, mas agora as organizações necessitam avaliar a todo o momento se estão atendendo de forma recíproca aos objetivos de seus colaboradores. Com a aplicação do Coaching no ambiente organizacional isso se torna possível, pois favorece o estabelecimento de feedbacks nas relações entre os líderes e os colaboradores (PAULA, 2005). Segundo Goldsmith, Lyons e Freas (2012), do ponto de vista dos líderes corporativos e acionistas, a razão fundamental para se realizar um programa de Coaching na empresa é melhorar os resultados do negócio. Isso significa aumentar lucros, reduzir custos ou conquistar ambos dentro de um prazo definido. A razão fundamental para se realizar um programa de Coaching na empresa é melhorar os resultados do negócio. Isso significa aumentar lucros, reduzir custos ou conquistar ambos dentro de um prazo definido. 42 Coaching Executivo e de Negócios O Coaching assegura-se como um método diferenciado de aconselhamento de executivos e promete evitar as armadilhas das abordagens tradicionais de treinamento, que costumam apenas receber recursos de investimento e não se traduzir em benefícios para a organização. Mas o que torna o Coaching Executivo e de Negócios tão radicalmente diferente, e quais são os critérios para se obter um processo de Coaching com resultados traduzidos em benefício para a organização? Vamos ver a seguir! Segundo Goldsmith, Lyons e Freas (2012), o Coaching pode ser abordado de diversos pontos de vista e a escolha da correta abordagem é o que o torna diferente e permite a obtenção de resultados e benefícios. Para os autores, o Coaching Executivo e de Negócios, para ser diferenciado, deve ser estratégico e individualizado. Entendendo, assim, que é de suma importância atingir um equilíbrio entre a organização e o indivíduo. No que se refere ao indivíduo, o procedimento Coaching possui o objetivo de engajar e motivar, adaptando-se às necessidades e aspirações de cada pessoa. Já em relação ao negócio, o processo Coaching precisa ser organizacionalmente adaptado à estratégia, à visão e aos valores da empresa. O entendimento da inclusão dos fatores do negócio e dos fatores do indivíduo é o segredo para se visualizar os benefícios e atingir os resultados esperados. A implementação do Coaching Executivo e de Negócios em uma empresa se destina a alinhar o desenvolvimento da liderança de cada executivo com os desafios do negócio, no contexto total da organização. Isso é possível por meio de um processo contínuo de aprendizado, durante o qual os executivos recebem as ferramentas que aprimorarão sua capacidade em conseguir resultados de negócios duradouros, tais como: bons contratos com fornecedores, articulação de equipes em metas de vendas e delineamento do objetivo empresarial para o grupo. Para isso, o trabalho do coach é ajudar o executivo a aprimorar sua liderança; introduzir feedback na equipe; elaborar o planejamento de ação; aprimorar o aprendizado ativo e fazer um acompanhamento da vida normal de trabalho do executivo, trazendo, em consequência dessas etapas, benefícios pessoais e à organização. 43 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 A Revista Brasileira Você S/A, em 2008, entrevistou dez executivos que receberam a prática de Coaching para saber quais teriam sido os benefícios que eles haviam adquirido após o processo. Como resultado dessa pesquisa, foi destacado que todos os executivos melhoraram a capacidade de ouvir e mais da metade melhorou a flexibilidade, a capacidade de se relacionar com outros indivíduos e a perspectiva de aceitação de mudanças. A revista destacou também que a aplicação do Coaching ajuda as pessoas a possuírem mais foco nos resultados e faz com que o líder efetue uma boa gestão. Atividades de Estudos: 1) Por que a abordagem Coaching é essencial para as empresas? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________2) Quais são os benefícios que se tornam claros após a aplicação do Coaching em uma empresa? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 3) Qual é um dos maiores benefícios do Coaching Executivo e de Negócios para o resultado financeiro de um negócio? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 44 Coaching Executivo e de Negócios Em quais Situações a Empresa Deve Procurar o Coaching Executivo e de Negócios? Há diversas situações em que as empresas buscam o Coaching. Porém recomendamos que, em um momento anterior, ela realize um diagnóstico para averiguar as deficiências em seu ambiente organizacional e as condições de seus trabalhadores. O foco do Coaching Executivo e de Negócios está na melhoria dos executivos e dos responsáveis por cargos de liderança. Mas, em alguns casos, aplica-se a técnica também aos colaboradores com o objetivo de auxiliar o líder no cumprimento de um objetivo ou uma meta empresarial. Diaz (2014) identificou seis situações em que o Coaching seria a melhor técnica aplicável, classificadas da seguinte forma: a) Baixo desempenho dos funcionários: esta situação caracteriza-se como o principal fator de procura pelo Coaching. Com a dificuldade já identificada pela empresa, o Coaching entra no processo como uma forma de auxiliar na superação do problema, colaborando na identificação de pontos fortes e pontos fracos e na aplicação de procedimentos que melhorem o desempenho do indivíduo para a empresa. b) Necessidade de auxílio em ambientes organizacionais: em um ambiente organizacional no qual há interação entre as pessoas, costumam ocorrer conflitos de identidade e de competição para alcance do poder. A presença de um profissional que colabore na geração de um ambiente emotivo, em que os indivíduos possam confiar uns nos outros, favorece um ambiente de apoio e colabora para a confluência dos objetivos da empresa. O Coach entra nesse processo ajudando o líder a estabelecer alianças de confiança e tranquilizar o ambiente. c) Baixa motivação: em alguns momentos as pessoas se sentem inseguras quanto a sua capacidade de atingir as metas. O Coach colabora nesse momento ajudando o executivo ou os colaboradores a se motivarem, aumentando o nível de confiança deles em si mesmos. d) Alteração da função do empregado: este momento envolve muito mais do que a simples alteração da tarefa do empregado. A pessoa precisa apresentar novas competências e desenvolver novas habilidades. Esse processo pode afetar o desempenho da atividade e prejudicar a empresa. Para evitar que O foco do Coaching Executivo e de Negócios está na melhoria dos executivos e dos responsáveis por cargos de liderança. Mas, em alguns casos, aplica-se a técnica também aos colaboradores com o objetivo de auxiliar o líder no cumprimento de um objetivo ou uma meta empresarial. 45 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 isso aconteça, a contratação de um Coach auxilia o empregado a entender seu novo ambiente de atuação, colaborando em sua capacitação para a nova tarefa. e) Desenvolvimento de um plano de carreira para o executivo: esta situação compreende o momento em que o executivo está preocupado com a trajetória de sua carreira. A abordagem Coaching colabora para orientar o executivo no percurso almejado, auxiliando-o no cumprimento das metas e objetivos, tanto pessoais quanto do trabalho. f) Auxílio para as equipes atingirem resultados: quando a empresa estiver em um momento em que necessita acelerar seus resultados e orientar as dúvidas de equipe, o Coaching pode ser procurado. O coach entra como um colaborador para o líder orientar sua equipe e traçar um panorama de confiança e organização dos objetivos. Por outro lado, quando visualizamos as situações acima mencionadas, pensamos que não somente o Coaching entraria como o processo ideal para melhorar o diagnóstico apresentado, mas também outras práticas poderiam ser aplicadas em seu lugar, tais como: a psicoterapia, os jogos de vivência, a capacitação inter-relacional, o aconselhamento, etc. No capítulo anterior visualizamos e entendemos as principais diferenças entre o Coaching Executivo e tais práticas. Percebemos que o diferencial do Coaching é a preocupação com o indivíduo em relação ao seu desempenho profissional, e que a sua abordagem pode ser complementada com essas outras práticas para atingir o objetivo traçado. De forma geral, podemos entender que o Coaching deve ser proposto e procurado por uma empresa, quando esta tiver a consciência do seu diagnóstico em relação ao seu clima organizacional, suas necessidades e de seus problemas de relacionamento. A procura pela técnica pode se dá pelo líder de uma área da organização ou pelo executivo geral ou proprietário da empresa para setores específicos. No entanto, é extremamente necessário que a empresa possua o entendimento da importância de um executivo no ambiente corporativo, e entenda a sua conjuntura, de modo que o responsável pela contratação do programa saiba delinear ao Coach os resultados esperados. O Coaching deve ser proposto e procurado por uma empresa, quando esta tiver a consciência do seu diagnóstico em relação ao seu clima organizacional, suas necessidades e de seus problemas de relacionamento. É extremamente necessário que a empresa possua o entendimento da importância de um executivo no ambiente corporativo, e entenda a sua conjuntura, de modo que o responsável pela contratação do programa saiba delinear ao Coach os resultados esperados. 46 Coaching Executivo e de Negócios Leia o texto completo de Diaz (2014) e entenda melhor as situações reais pelas quais os gestores de empresas passaram e os benefícios que obtiveram com a aplicação do Coaching Executivo em seu negócio: DIAZ, D. P. G. Experiência de gestores que passaram pelo processo de coaching executivo. 2014 Monografia (Graduação em Administração) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/ handle/10183/102294/000934221.pdf?sequence=1>. Coaching para Criar e Gerenciar um Negócio Para abrir o próprio negócio, é preciso despertar um lado empreendedor. O problema de ser um empreendedor é que pouco se sabe sobre os verdadeiros riscos que estão por vir. Para ser empreendedor, é necessário arriscar-se e ser tolerante às incertezas e às variações do mercado. O auxílio do Coaching para criar e gerir um negócio favorece os indivíduos que necessitam desenvolver habilidades importantes e melhorar sua amplitude de visão sobre o seu negócio, os objetivos que precisam ser alcançados e as decisões sobre planos de ações presentes e futuros. Como exemplo, podemos citar dicas iniciais do trabalho do Coaching para conscientizar o empreendedor na abertura e gerenciamento de um negócio. As dicas são: amor pelo negócio; foco nas atividades que rendem clientes e receitas; confiança do proprietário na capacidade de tomar decisões e enfrentar desafios; aprender com os erros; planejar as ações e listar as tarefas para que se atinja o que se almeja; pensar de forma positiva; entender que para todo problema existe uma solução; ampliar a visão e percepção do negócio; desenvolver a capacidade de liderança; administrar o tempo; definir metas de longo e curto prazo; celebrar resultados positivos. A aplicação do programa de Coaching para os líderes que iniciam um novo negócio favorece o desenvolvimento de conhecimentos acercado saber- fazer de modo empreendedor. O papel do Coach é importante para auxiliar o 47 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 representante do negócio a visualizar o projeto como um todo e estar preparado para as incertezas ou possíveis oportunidades, as quais devem ser pontuadas e previstas. A função de um empreendedor geralmente não abre espaços para compartilhamento de ideias com outras pessoas sobre o quadro geral de sua empresa e das questões que surgem na aplicação da liderança. O papel de um acompanhante contribui para o empreendedor aumentar a motivação sobre o seu negócio e melhorar sua capacidade de enfrentamento de problemas e de relacionamento entre os funcionários. É necessário salientar que a cultura organizacional de uma empresa se aprimora por meio de pessoas que já possuem experiências técnicas e empreendedoras de sucesso. Os problemas que serão enfrentados futuramente podem ser visualizados como de grande porte, porém, quando se tem a presença de um coach, essa percepção pode diminuir e, ao mesmo tempo, habilidades podem surgir, influenciando de modo positivo nos resultados do negócio. A seguir apresentamos experiências reais de aplicação de Coaching com empreendedores. É importante lembrar que essas experiências podem ser traduzidas na aplicação do Coaching com executivos chefes ou líderes de gestão, devido ao desenvolvimento, muitas vezes, das mesmas atividades e da exposição às mesmas pressões de um ambiente corporativo. Experiências reais de aplicação do Coaching com empreendedores A primeira experiência destacada refere-se a um processo de Coaching desenvolvido com 15 mulheres empreendedoras, proprietárias de organizações de pequeno porte na Suécia. O processo foi desenvolvido por meio de sessões realizadas em grupo, e os temas abordados variavam entre gestão da empresa e troca de experiências e sentimentos. A condução ficava a cargo de um Coach especialista, que facilitava as sessões. As empreendedoras puderam compartilhar inquietações pessoais, como falta de tempo, comportamento dos clientes e funcionários, solidão em suas atividades e necessidade de desempenhar muitos papéis – algo intrínseco à condição de pequeno empresário. Ao longo do processo, a facilitação promovida pelo Coach influenciou para o desenvolvimento de um ambiente de aprendizagem coletiva, o que possibilitou que as empreendedoras 48 Coaching Executivo e de Negócios desenvolvessem novos conhecimentos a partir das experiências compartilhadas. Isso pode ser considerado um resultado positivo do trabalho de Coaching por ter viabilizado ganhos para todas em virtude da aprendizagem em grupo. Outro fato está relacionado a entrevista de 17 empreendedores norte-americanos que passaram por um programa de Coaching Executivo e de Negócios. O processo foi desenvolvido por meio de sessões individuais e grupais, conduzido por Coaches profissionalmente preparados, com formação específica na área. Os empreendedores relataram que o processo auxiliou no desenvolvimento de um raciocínio estratégico e julgamento autocrítico para encontrar áreas da organização que deviam ser aprimoradas, e isso teve impactos positivos para o aperfeiçoamento das habilidades gerenciais dos empreendedores. Os questionamentos propostos ao longo do processo ajudaram a aumentar o nível de autoconhecimento individual dos empreendedores. E isso foi benéfico para a compreensão de mecanismos individuais de motivação e valores pessoais. Por isso, pode-se concluir com a pesquisa que o Coaching pode gerar meios de aprendizagem movidos pela busca de autorrealização. Fonte: Extraído e adaptado de Campos (2014). Empreendedores ou executivos chefes têm necessidades únicas, razão pela qual aplicações de Coaching com certo padrão e sem um acompanhamento único tendem a não se traduzir em resultados ou benefícios. As experiências acima mencionadas fortalecem o entendimento de que o processo Coaching possui, de maneira muito forte, a incorporação da dimensão humana do indivíduo e das suas tarefas de vida, necessitando, assim, que o coach ultrapasse a linha do objetivo comercial e mergulhe um pouco no contexto pessoal do indivíduo a ser melhorado para o negócio. A figura 2 apresenta um modelo de abordagem de sucesso em Coaching para empreendedores. Empreendedores ou executivos chefes têm necessidades únicas, razão pela qual aplicações de Coaching com certo padrão e sem um acompanhamento único tendem a não se traduzir em resultados ou benefícios. 49 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 Figura 2 – Abordagem de sucesso em Coaching para empreendedores Fonte: Adaptado de Campos (2014). Campos (2014) efetuou uma pesquisa para saber como os Coachees de empresas brasileiras avaliaram a dimensão do sucesso que foi obtido com a aplicação do Coaching em suas empresas. O autor constatou que 95% dos representantes que desenvolveram experiências com o Coaching afirmaram que o processo foi considerado como de sucesso. Em associação com outros dados de sua pesquisa, o autor percebeu que uma abordagem de sucesso para os executivos não está necessariamente relacionada com o atingimento das metas pré-estabelecidas nos negócios, pois a maioria não havia alcançado inicialmente os objetivos estabelecidos, mas com experiências pessoais de relação e melhoria do clima organizacional da empresa. Há, também, alguns fatores negativos que contribuem como causas de insucesso de Coaching nas empresas e que servem de alerta aos futuros Coaches. Motter Junior (2012) realizou uma pesquisa semelhante a que foi mencionada acima e das 496 pessoas que receberam o processo Coaching, 42 identificaram a prática como inadequada, abandonaram o processo ou se sentiram insatisfeitas. Os itens abaixo demonstram as principais causas das queixas dos Coachees identificadas pela pesquisa. • Fata de Tempo do coachee. • Não comprometimento do coachee. • Falta de entendimento da abordagem pelo coachee. • Falta de dedicação do coach. • Inexperiência do coach. • Relação negativa entre o coach e o coachee. 50 Coaching Executivo e de Negócios • Não cumprimento da definição de metas e objetivos. • Planos elaborados e não executados. • Processo não explicado ou sem delineamento. • Suspensão do programa pelo empregador. • Objetivos e metas não atingidos. • Mudança de emprego do coach ou do coachee. • Alto custo. Podemos perceber que estas queixas realçam o modelo de uma abordagem de sucesso em Coaching, visto que estão relacionadas aos atributos necessários do coach, do coachee e de um bom relacionamento entre ambos. Atividades de Estudos: 1) Quais são as seis principais situações em que o Coaching seria a melhor técnica aplicável em uma empresa? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Quais os principais elementos de uma abordagem de sucesso em Coaching executivo e de negócios? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________________ 51 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 A Importância do Capital Intelectual Atualmente as empresas estão cientes de que o verdadeiro investimento está relacionado ao desenvolvimento e uso do conhecimento de seus funcionários. Se não há um conhecimento adequado das pessoas, as máquinas de nada servem, por mais tecnológicas que sejam. Para Fontanillas, Cruz e Gonçalves (2012) certos atributos, tais como a organização em rede e o fato dos valores pessoais estarem alinhados com o da organização, favorecem um cenário onde as pessoas são os diferenciais. As pessoas são fontes de inovação e de transferência de conhecimento, constituindo-se, assim, no principal ativo da organização. Afinal, um bom gerenciamento de recursos financeiros e de parcerias importantes para um negócio dependem de uma boa habilidade humana. Segundo Macedo et al. (2015), o capital intelectual de uma empresa está relacionado: • ao conjunto de habilidades, talentos e características únicas dos funcionários; • ao capital organizacional ou estrutural, que envolve elementos da cultura e de processos de inovação; • ao capital relacional, que diz respeito ao relacionamento da organização com seus stakeholders (intervenientes do negócio). Porém, para o entendimento da importância da aplicação do Coaching, é essencial que o perfil da empresa esteja voltado à percepção da importância do conhecimento e com características distantes dos atributos que marcaram a era industrial das empresas. O Quadro 2 demonstra as principais diferenças entre a cultura empresarial industrial e a cultura empresarial do conhecimento. Quadro 2 – Cultura Industrial X Cultura do conhecimento Cultura Industrial Cultura do Conhecimento Atividade baseada na especialização Atividade baseada no conhecimento Trabalhos repetitivos e mecânicos Trabalhos com inovação e sentimento Treinamento Capacitação contínua Organização para a função Organização autogerenciável Chefes com poder Clientes com poder Coordenação monodirecional Coordenação multidirecional Trabalho altamente especializado Polivalência Fonte: Adaptado de Fontanillas, Cruz e Gonçalves (2012, p. 4). 52 Coaching Executivo e de Negócios Sendo assim, é possível observar que é por meio da cultura inserida em uma empresa que será possível orientar as ações dos líderes para o atingimento dos objetivos. A cultura do conhecimento pode ser vista como impulsionadora para que o compartilhamento de informações ocorra, e possui seu ponto central na consolidação de equipes e busca por melhorias contínuas. O processo Coaching contribui efetivamente no desenvolvimento e consolidação destes aspectos. Atividade de Estudos: 1) Exemplifique três dos principais benefícios que uma empresa pode obter com o investimento em Coaching? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Algumas Considerações Foi possível observar que o Coaching Executivo e de Negócios pode contribuir para o desenvolvimento e obtenção de diversos benefícios para uma empresa e que esses aspectos positivos se inserem em resultados tangíveis e intangíveis. Vale salientar que essa percepção está voltada à cultura da empresa que, por sua vez, precisa estar relacionada ao entendimento da importância do capital intelectual e desenvolver suas atividades sobre outra ótica de organização, com características peculiares, tais como um relacionamento em rede e ausência de atividades mecanicistas, estimulando a criatividade e a propagação da informação. Tivemos a chance de analisar também diversos resultados de experiências 53 Por que as Empresas Devem Investir em Coaching? Capítulo 2 reais em Coaching Executivo com gestores e empreendedores, permitindo-nos fortalecer a ideia da importância de aplicação do programa para as empresas e para os executivos, além de poder visualizar tanto um modelo de abordagem que favorece o seu sucesso na aplicação quanto entender quais fatores podem contribuir para o seu insucesso. Portanto, por meio do quadro apresentado neste capítulo, compreende-se que as empresas, entendendo o seu grau de organização e a importância do seu capital intelectual, devem sim, investir em um programa de Coaching, com o intuito de fortalecimento e aprimoramento do seu negócio por meio do desenvolvimento das competências e habilidades de seus principais colaboradores ou do próprio proprietário e executivo chefe. Referências AGARWAL, R.; ANGST, C. M.; MAGNI, M. The performance effects of coaching : a multilevel analysis using hierarchical linear modeling. The International Journal of Human Resource Management, [s.l.], p. 2110-2134, 2009. CAMPOS, T. M. O coaching no desenvolvimento de competências empreendedoras: uma pesquisa-ação. 2014. Tese (Doutorado) - Universidade Nove de Julho, São Paulo, 2014. DIAZ, D. P. G. Experiência de gestores que passaram pelo processo de coaching executivo. 2014. Monografia (Graduação em Administração) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014. FONTANILLAS, C. N.; CRUZ, E. P.; GONÇALVES, J. P. S. A gestão do conhecimento e os processos de informações nas organizações: estudo de caso em uma empresa off shore. SBI Journal, [s.l.], n. 18, 2012. GOLDSMITH, Marshall; LYONS, Laurence; FREAS, Alyssa. Coaching: o exercício da liderança. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012. MACEDO, A. F. P. et al. Governança corporativa e evidenciação de capital intelectual em empresas brasileiras. Revista evidenciação contábil & finanças. João Pessoa, v. 3, n. 1, p. 18-33, jan./abr. 2015. MOTTER JUNIOR M. D. A Dimensão do Sucesso em Coaching-uma análise do contexto brasileiro. 2012. Dissertação (Mestrado em Administração) - Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2012. 54 Coaching Executivo e de Negócios PAULA, Maurício de. Executive Coaching e gestão de carreira. São Paulo: Scortecci, 2005. CAPÍTULO 3 Coaching Interno e Externo A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Saber a diferença entre Coaching interno e externo, sua importância e as vantagens e desvantagens relacionadas a escolha de cada abordagem. 3 Fazer a distinção entre Coaching interno e externo e a análise da devida aplicabilidade em uma empresa. 56 Coaching Executivo e de Negócios 57 Coaching Interno e Externo Capítulo 3 Contextualização Até este momento, você já viu sobre o conceito do Coaching Executivo e de Negócios, as características que o tornam distinto, as principais áreas de atuação, como ele está relacionado com uma organização empresarial e os principais benefícios que sua aplicação pode trazer neste ambiente. Também visualizou exemplos reais de aplicação do Coaching e os resultados que essas experiências trouxeram para os que estavam envolvidos. Agora, vamos apresentar o processo de aplicação do Coaching no ambiente empresarial, que se dá tanto por meio de um profissional que já trabalhe na empresa envolvida (Coaching interno) quanto por um profissional externo (Coaching externo), ou, ainda, por meio da união das duas possibilidades anteriores. Portanto, este capítulo apresenta a diferença da aplicação entre as alternativas de Coaching, como elas se desenvolvem e as vantagens e desvantagens que cada uma possui em relação aosobjetivos do Coaching Executivo e de Negócios. Definição de Coaching Interno e Externo O programa Coaching, quando ocorre em um ambiente empresarial, pode utilizar dois tipos de coaches (aplicadores/ treinadores), internos ou externos. Pode, também, fazer uma combinação de ambos. Segundo Krausz (2007), os coaches internos são os empregados diretos de uma organização e não são restituídos do seu trabalho pelo executivo ou coachee, mas pela empresa. Logo, o coach interno é considerado um empregado da empresa que possui a tarefa de aplicar programas internos de Coaching. Nesta situação, os dois, tanto o coach quanto o coachee, estão sob as mesmas ordens empresariais e, portanto, é necessário um delineamento das funções de maneira a evitar conflitos éticos ou de papéis. Já o coach externo é um profissional contratado por tempo limitado pela organização para prestar um serviço de Coaching com o executivo principal ou líderes e funcionários de setores específicos. O programa Coaching, quando ocorre em um ambiente empresarial, pode utilizar dois tipos de coaches (aplicadores/ treinadores), internos ou externos. Pode, também, fazer uma combinação de ambos. O coach externo é um profissional contratado por tempo limitado pela organização para prestar um serviço de Coaching com o executivo principal ou líderes e funcionários de setores específicos. 58 Coaching Executivo e de Negócios Segundo Krausz (2007), um coach externo geralmente possui maior clareza do ambiente dos negócios e mais experiências e relacionamentos com outros quadros empresariais, podendo até auxiliar os coaches internos no desenvolvimento de suas funções, só que por meio de prestação de serviço. Block, Mendes e Visconte (2012) entendem a definição de Coaching interno e externo de forma similar a mencionada acima, visto que consideram importante estabelecer as diferenças de cada conceito, de modo que a empresa possa auferir o custo benefício do modelo de serviço que está prestes a obter. O Coaching interno é executado por um funcionário da empresa e sua função é desenvolver atividades de capacitação e acompanhamento aos interessados da empresa. Esse tipo de Coaching não exige muito investimento e necessita de cautela e zelo em sua aplicação, não sendo recomendado para coachees que atuem em cargos acima do coach, pois pode romper a hierarquia de poder e é provável que o estabelecimento das relações não se dê de maneira confortável para ambos os lados. O Coaching externo é mais aplicável a tais situações e pode empregar mais benefícios, de modo que se introduza um novo ponto de vista para o comandante das atividades de um negócio (BLOCK; MENDES; VISCONTE, 2012). Para Ascama (2004), a diferença entre os programas de Coaching interno e externo consiste em que, no primeiro, o profissional está contido na organização e, no segundo, o profissional é um prestador de serviço com contrato pré-estabelecido. Esta e outras diferenças desse tipo de aplicação são insignificantes para o autor, desde que seja promovido por um coach experiente e que seja dotado da habilidade de liderança, possuindo o seu papel esclarecido e os objetivos definidos. Principais Diferenças Entre o Coaching Interno e Externo Como já observado, a principal diferença entre o Coaching interno e externo está na contratação do coach, ou ele é um profissional que já trabalha na empresa e que passa a desempenhar programas de Coaching entre os funcionários escolhidos pela alta gerência ou é um profissional oriundo de uma contratação de serviço e que tem como função desenvolver um programa de Coaching em específico. Porém, observamos a existência de outras características que podem ser O Coaching interno é executado por um funcionário da em- presa e sua função é desenvolver ativida- des de capacitação e acompanhamento aos interessados da empresa. A principal diferença entre o Coaching interno e externo está na contratação do coach, ou ele é um profissional que já trabalha na em- presa e que passa a desempenhar pro- gramas de Coaching entre os funcionários escolhidos pela alta gerência ou é um profissional oriundo de uma contratação de serviço e que tem como função desen- volver um programa de Coaching em específico. 59 Coaching Interno e Externo Capítulo 3 consideradas quando ocorre a aplicação dos diferentes tipos de Coaching. O Quadro 3 demonstra as principais diferenças no âmbito de aplicação entre o Coaching interno e externo. Quadro 3 – Principais diferenças entre o Coaching executivo interno e externo Coaching Interno Coaching Externo Atuação sobre supervisores ou gerência de média hierarquia. Atuação sobre a cúpula da empresa ou gerên- cia de alta hierarquia. Atenção na elevação da performance e resultados do seu trabalho, considerando em primeira ordem as necessidades da empresa. Atenção no desenvolvimento da performance de executivos chefes e no atendimento de suas necessidades para a empresa. Resultados esperados sobre a melhora do desempenho individual ou da equipe a qual o coachee pertence. Resultados esperados sobre o desempenho do executivo ou sobre benefícios diretos para a empresa. O cliente é o funcionário da empresa. O cliente é a empresa e um líder ou executivo. Decisão do coach realizada pela empresa. Decisão do coach realizada pelo executivo. Avaliação dos resultados realizada pela gerência imediata ou pelo setor de Recursos Humanos. Avaliação dos resultados realizada pelo execu- tivo em parceria com o coach. Fonte: Extraído e adaptado de Krausz (2007, p. 45). Silva (2010) aponta que, por causa das diferenças de ambos os processos, muitas empresas escolhem processos intermediários ou mistos, envolvendo os dois tipos de aplicação ao mesmo tempo, em que, por exemplo, um consultor interno da área de recursos humanos se associa com um consultor externo, de forma que os esforços se somam e ocorre uma maior eficácia e êxito no desenvolvimento do programa. A seguir, veremos as vantagens e desvantagens de cada tipo de aplicação do Coaching nas empresas. Atividades de Estudos: 1) Qual a principal diferença entre os programas de Coaching interno e externo? __________________________________________________ 60 Coaching Executivo e de Negócios __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Defina duas características peculiares para cada tipo de Coaching: interno e externo. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Vantagens e Desvantagens do Coaching Interno Ascama (2004) compreende que o coach interno tem a vantagem de possuir um conhecimento amplo sobre a organização da empresa e das relações que esta possui, podendo, desse modo, ampliar seu nível de visão e, ao mesmo tempo, estar inserido nos processos e dificuldades pelos quais os executivos ou profissionais de liderança estão passando. O indivíduo que atua como coach interno deve ter ciência de que precisa estabelecer uma relação de confiança mútua com o coachee e estar atento ao seu papel na empresa. Também precisa atentar para o fato de que não pode expor ou revelar as dificuldades pelas quais o coachee está passando para os outros funcionários e buscar sempre o estabelecimento de boas relações. Com isso, Krausz (2007) aponta as seguintes vantagens e desvantagens do Coaching interno: a) Vantagens: • Conhecimento do sistema e cultura organizacional da empresa. • Baixo custo e menor burocracia. • Conhecimento do coachee e das necessidades da organização. • Saber dar valor aos recursos e pessoas da organização. • Conhecimento das relações hierárquicas da empresa. • Facilidade de disseminação do programa Coaching na empresa. O coach internotem a vantagem de possuir um conhecimento amplo sobre a organização da empresa e das relações que esta possui, podendo, desse modo, ampliar seu nível de visão e, ao mesmo tempo, estar inserido nos processos e dificuldades pelos quais os executivos ou profissionais de liderança estão passando. 61 Coaching Interno e Externo Capítulo 3 • Melhor aplicável em níveis de média gerência. • Maior facilidade no acompanhamento dos resultados. • Maior contato entre o coach e coachee. • Conhecimento do estilo de liderança do coachee. • Maior conhecimento das habilidades e competências do coach. b) Desvantagens: • Possuir o foco no aumento da produtividade e buscar desenvolver um indivíduo para uma tarefa específica. • Risco do coach interno não ser especializado na área de Coaching. Sabe-se de ocorrências onde empresas atribuem funções de coach a colaboradores da área de Recursos Humanos ou outras áreas em que exista ociosidade, fazendo com que o individuo que desempenhe o papel de coach, que originalmente esteja lotado em outras funções, não tenha experiência, habilidade e competência para dedicar a atenção e o tempo devido ao processo. • A aplicação do Coaching interno costuma possuir falta de regularidade na aplicação, podendo funcionar também por um curto período. • O fato da demanda por Coaching estar relacionada a pessoas superiores hierarquicamente que o coach interno. • Atuação limitada sobre os chefes. • O fato de estar submetido às mesmas pressões do coachee. • Dificuldade de assegurar o papel do coach com outros funcionários. • Maior resistência do coachee em compartilhar informações e pontos fracos. • Probabilidade de menor confiança mútua entre as partes. • Dificuldade em estabelecer a imparcialidade sobre algumas questões empresariais. • Maior reforço no destaque de fatores irregulares da cultura empresarial. Portanto, percebe-se que o coach interno possui suas vantagens em relação ao conhecimento geral da empresa, do processo, das relações hierárquicas e do estilo da liderança, porém suas desvantagens estão em maior número quando se considera o nível e intensidade de atuação do coach neste ambiente, principalmente em relação ao relacionamento com os chefes e ao comprometimento e desenvolvimento do programa pelos parceiros de trabalho. A associação com outras atividades da empresa no trabalho do coach interno também é outro fator de peso na atuação desse tipo de Coaching no ambiente dos negócios. 62 Coaching Executivo e de Negócios Vantagens e Desvantagens do Coaching Externo O coach externo é um indivíduo que vem de um ambiente de fora da organização. O contrato entre as partes é realizado apenas de maneira formal, e suas responsabilidades o tornam isento das atividades da empresa, fazendo com que ele não esteja submisso às mesmas pressões dos outros indivíduos da corporação. No entanto, é primordial que o coach possua uma familiaridade com ambientes corporativos, saiba exercer a liderança e gerenciar aspectos emocionais do ser humano (ASCAMA, 2004). Krausz (2007) aponta as seguintes vantagens e desvantagens do Coaching Externo: Vantagens: • Ser imparcial ao ambiente empresarial. • Possuir maior liberdade de atuação nos níveis de alta gerência. • Não pertencer ao nível de hierarquia de poder da empresa. • Conhecimento de diversos ambientes empresariais. • Colaboração para a diminuição da resistência do coachee. • Não possuir vínculo empregatício com a empresa. • Maior flexibilidade no trabalho. • Probabilidade maior de sucesso em relação à confiança mútua do coachee e coach. • Maior amplitude de visão, por estar fora do contexto real da empresa e das pressões exercidas sobre os funcionários. • Maior compreensão das dificuldades da empresa e estabelecimento assíduo de sessões com o coachee. • Facilidade na comunicação e relações interpessoais. • O papel do coach é estabelecido em contrato. • Visão isenta de experiências negativas com a empresa. • O coach pode comunicar informações importantes ao coachee, quando este for o chefe da empresa, sem o medo de perder o emprego. • Maior eficácia na aplicabilidade com líderes de alta gerência. • Menor risco de insucesso. • Maior confiança e segurança entre as partes envolvidas. O coach externo é um indivíduo que vem de um ambiente de fora da organi- zação. O contrato entre as partes é realizado apenas de maneira formal, e suas responsabilida- des o tornam isento das atividades da empresa, fazendo com que ele não esteja submisso às mesmas pressões dos outros indivídu- os da corporação. 63 Coaching Interno e Externo Capítulo 3 Desvantagens: • Visão limitada do ambiente organizacional e da cultura da empresa. • Maior custo e burocracia por conta do contrato de prestação de serviços. • Maior demanda de tempo para realização dos diagnósticos e familiarização com o ambiente. • Maior risco na seleção e aceitação do coach. • Risco de propagação de informações secretas para o ambiente externo da empresa. • Ausência de poder da empresa sobre o programa de Coaching. • Maior tempo de duração do programa. Podemos perceber, por meio das vantagens e desvantagens mencionadas acima, que o número de vantagens do Coaching externo supera o número de desvantagens. Isso ocorre, principalmente, pela associação da visão que o Coaching externo apresenta, maior liberdade de ação dentro da empresa, por não possuir vínculo empregatício e possuir suas atividades estabelecidas em contrato, deixando claro ao coachee o seu papel e as melhorias que necessitam ser alcançadas. Outro fator de peso nas vantagens do Coaching externo é a visão do coachee sobre a especialização do coach e das experiências que ele pode acrescentar por meio da interação com outras empresas. Atividades de Estudos: 1) Cite três das principais vantagens e desvantagens do coaching interno. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Cite três das principais vantagens e desvantagens do coaching externo. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 64 Coaching Executivo e de Negócios Prestação de Serviço em Coaching Verificamos que o coach externo é inserido nas empresas por meio do estabelecimento de um contrato de prestação de serviços. O contrato de prestação de serviços é um documento jurídico pelo qual alguém (o prestador de serviços), seja físico, seja jurídico, compromete-se a realizar uma determinada atividade com conteúdo lícito pré-estabelecido e no interesse de outra pessoa (o tomador de serviços), também pessoa física ou pessoa jurídica, mediante uma remuneração determinada. Atualmente, a prestação de serviços é um fato comum no cotidiano de uma empresa, devido à necessidade de manter os esforços em uma atividade principal do negócio. Com isso, a demanda por outras soluções em processos desconhecidos e que apresentam deficiências no corpo geral da empresa ocorre por meio da contratação de serviços especializados temporários. Esse tipo de contratação envolve a admissão do serviço de um profissional ou de uma empresa especializada no assunto de interesse da empresa, possuindo um prazo determinado e sem manter um vínculo contratual formal e de subordinação funcional. Logo, esse processo pode ocorrer por meio de um profissional individual e autônomo, que não possua vínculo empregatício com outra empresa ou por meio de terceirização. A terceirização caracteriza-se como uma contratação de serviços que ocorre por meio da intermediação de uma empresa entre o tomador de serviços e o prestador da atividade, por meio de contrato de prestação de serviços. Orelacionamento ocorre entre o trabalhador e a empresa prestadora de serviços, não necessitando da relação de negócio entre o tomador do serviço e o profissional especializado contratado. Portanto, o Coaching externo pode advir da contratação de um profissional autônomo ou terceirizado, cabendo à empresa a escolha da melhor alternativa. Se você quiser conhecer mais sobre as discussões e diferenças entre as aplicações de Coaching interno e externo, este é um bom livro: KRAUSZ, Rosa R. Coaching executivo: a conquista da liderança. São Paulo: Nobel, 2007. 65 Coaching Interno e Externo Capítulo 3 Algumas Considerações Apresentamos, neste capítulo, a definição, as diferenças e as vantagens e desvantagens entre o Coaching interno e externo. Com isso, percebemos que o Coaching interno se apresentou com mais desvantagens em relação ao Coaching externo no que diz respeito a sua aplicação empresarial e ao desenvolvimento de executivos de alta gerência. No entanto, vale salientar que essa visão está relacionada às experiências dos autores da área de Coaching aqui expostos e que essa percepção não vale como regra de sugestão universal para aplicação do Coaching Executivo e de Negócios nas empresas. Ou seja, não necessariamente o Coaching externo será sempre a melhor solução para o desenvolvimento da performance de executivos, e, da mesma forma, o Coaching interno não estará sempre relacionado ao desenvolvimento da gerência de médio poder. Porém é de suma importância o entendimento das áreas de atuação de cada um e dos possíveis intervenientes do processo, de forma que funcione como um delineamento justo para a escolha da empresa de acordo com as suas necessidades. Logo, a escolha por um programa de Coaching orientado por um profissional interno ou externo está sujeita a razão que originou a procura e às necessidades das pessoas que estão envolvidas no processo, podendo em um espaço de tempo optar por um profissional interno, e, em outro momento, por um profissional externo ou ainda em ambos. Referências ASCAMA, M. J. O. Atuação do Psicólogo e de Outros Profissionais no Coaching em Organizações de Trabalho. 2004. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2004. BLOCK, Vichy; MENDES, João; VISCONTE, Luiz. Coaching executivo: uma questão de atitude. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. KRAUSZ, Rosa R. Coaching executivo: a conquista da liderança. São Paulo: Nobel, 2007. SILVA, Carlos R. E. Orientação Profissional, mentoring, Coaching e counseling: algumas singularidades e similaridades em práticas. Revista Brasileira de Orientação Profissional, v. 11, n. 2, p. 299-309, 2010. 66 Coaching Executivo e de Negócios CAPÍTULO 4 Metodologias de Coaching A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Saber as abordagens metodológicas com ênfase na estrutura focada em soluções e em avaliações do coach executivo. 3 Fazer a aplicabilidade de um procedimento metodológico de Coaching com ênfase na solução de problemas e de avaliação do coach executivo. 68 Coaching Executivo e de Negócios 69 Metodologias de Coaching Capítulo 4 Contextualização As metodologias de Coaching Executivo e de Negócios consistem no detalhamento das etapas de como se desenvolvem os processos de melhoria das habilidades e competências dos clientes ou dos executivos em um ambiente empresarial. Em um processo metodológico de Coaching executivo e de negócios sempre estarão envolvidos: o coach, que é o especialista, realizando o papel de conselheiro; o coachee, que é o cliente aconselhado, podendo ser um executivo, diretor, gerente ou colaborador; a organização, que caracteriza o ambiente detentor dos atributos do negócio e suas necessidades; e a equipe, que são os superiores e colegas de trabalho, caracterizando-se como fontes secundárias de informações. Ainda que o Coaching seja um processo cujo objetivo claro é desenvolver habilidades e competências de um indivíduo, as linhas de atuação das metodologias podem variar. Existem situações em que os coaches precisam abordar o desempenho insatisfatório; em outras, o desempenho é bom, mas pode ser melhorado; outras, ainda, o desenvolvimento da carreira. Há também situações em que será necessária a aplicação metodológica em prol da melhoria de aspectos comportamentais do executivo, enfim, as abordagens são muitas e quase ilimitadas. Outra situação que pode diferenciar a abordagem metodológica de Coaching é a caracterização do ambiente. Um ambiente de negócio pode variar pelo ramo, pode ser influenciado pelo nível hierárquico do cliente, ou, ainda, pelo grau de instrução do cliente e da equipe que nele se insere. Sendo assim, como ocorre nas linhas de atuação, um ambiente também tem inúmeras possibilidades e variações, cada qual com suas particularidades e que pode influenciar no processo. Da amplitude de aplicações do Coaching Executivo e de Negócios, extraímos e investigamos métodos com propósito similar: solucionar deficiências no ambiente organizacional do líder. Primeiramente, demonstramos a ênfase de cada metodologia e o passo a passo das etapas constituintes dessas aplicações. Em seguida, apresentamos também algumas possibilidades de avaliação do coach executivo pelo cliente e as ferramentas que são utilizadas para este fim. Em um processo metodológico de Coaching executivo e de negócios sempre estarão envolvi- dos: o coach, que é o especialista, realizando o papel de conselheiro; o coachee, que é o cliente aconse- lhado, podendo ser um executivo, diretor, gerente ou colaborador; a organização, que caracteriza o ambiente detentor dos atributos do negócio e suas necessidades; e a equipe, que são os superiores e colegas de trabalho, caracte- rizando-se como fontes secundárias de informações. Existem situa- ções em que os coaches precisam abordar o desem- penho insatisfa- tório; em outras, o desempenho é bom, mas pode ser melhorado; outras, ainda, o desenvolvimento da carreira. Há também situações em que será necessária a aplicação meto- dológica em prol da melhoria de aspectos com- portamentais do executivo, enfim, as abordagens são muitas e qua- se ilimitadas. 70 Coaching Executivo e de Negócios Portanto, este capítulo visa demonstrar o âmbito das metodologias de Coaching Executivo e de Negócios, sob a perspectiva de estruturas voltadas à solução de problemas comuns ao ambiente organizacional e de avaliação dessas técnicas pelos clientes. Metodologias de Coaching - Estruturas Focadas na Solução A seguir apresentaremos as metodologias que possuem suas estruturas baseadas na solução de aspectos específicos de um ambiente organizacional. Veremos sete metodologias de Coaching Executivo e de Negócios que visam à solução: (a) do desempenho insatisfatório dos subordinados; (b) das falhas na habilidade de liderança; (c) da resistência às mudanças; (d) do desenvolvimento de competências emocionais; (e) da baixa obtenção de resultados; (f) da baixa performance do executivo e (g) do planejamento da carreira. A seguir veremos o modelo e as fases de cada abordagem: a) Solução para Desempenho Insatisfatório A primeira metodologia de Coaching Executivo e de Negócios expõe o Coaching como recurso para auxiliar o líder na solução do problema do desempenho insatisfatório de um subordinado. O processo é dividido em duas etapas, como observamos na Figura 3. Na primeira etapa, chamada Análise, é realizada uma minuciosa investigação com o propósito de identificar os aspectos que influenciam o desempenho insatisfatório e responder se vale a pena o líder investir no subordinado. Sendo a resposta positiva, segue-se para a segunda etapa, chamada Reunião Face a Face, onde são realizados encontros que objetivam redirecionar o comportamento do subordinadopara melhorar seu desempenho. Veremos sete me- todologias de Co- aching Executivo e de Negócios que visam à solução: (a) do desempe- nho insatisfatório dos subordinados; (b) das falhas na habilidade de liderança; (c) da resistência às mudanças; (d) do desenvolvimento de competências emocionais; (e) da baixa obtenção de resultados; (f) da baixa performance do executivo e (g) do planejamento da carreira. A primeira metodo- logia de Coaching Executivo e de Negócios expõe o Coaching como recurso para auxi- liar o líder na solu- ção do problema do desempenho insatisfatório de um subordinado. 71 Metodologias de Coaching Capítulo 4 Vale salientar que o aconselhado de um processo Coaching Executivo e de Negócios costuma ser o líder ou executivo, porém como o problema do desempenho insatisfatório desta abordagem não provém dele, tal metodologia é aplicada ao subordinado e o aconselhado passa a ser, então, o funcionário subordinado ao líder do negócio. Figura 3 - Etapas do Coaching com ênfase no desempenho insatisfatório Fonte: Adaptado de Gerber (2006) e Gerber et al. (2012). A etapa Análise pode ser realizada somente pelo coach, mas é aconselhável coletar informações sobre o desempenho insatisfatório com os colegas de trabalho do aconselhado, superiores e/ou membros da sua equipe de trabalho. O próprio aconselhado pode ser fonte de informações, entretanto, a conversa entre coach e aconselhado na etapa Análise deve ser apenas de caráter investigativo e isento de sugestões ou ações disciplinadoras. A seguir, apresentamos os passos e aspectos envolvidos em cada uma das etapas: • Etapa 1 - Análise: constitui-se de cinco passos: – Identificação: O primeiro passo consiste na identificação do trabalho do aconselhado, ou seja, conhecer o que está e o que não está sendo feito, o seu comportamento, o relacionamento com o grupo, enfim, as atividades do aconselhado. Deste levantamento deve-se identificar o comportamento problemático que causa o desempenho insatisfatório. É importante identificar, também, parâmetros que regulam ou que possam regular o comportamento insatisfatório, como, por exemplo, número máximo de faltas permitidas, média de vendas, metas estipuladas, perfil ou comportamento desejado. – Dimensão do Problema: O segundo passo visa identificar a dimensão do problema, se é uma ocorrência isolada e se vale a pena o esforço 72 Coaching Executivo e de Negócios para saná-lo. O tempo do coach e do subordinado deve ser utilizado em discussões, arguições e negociações úteis. – Feedback: Muitos são os casos onde o subordinado não tem informações para acompanhar seu desempenho, não sabe o quanto deve produzir, não sabe claramente o que deve ser feito, como fazer, o comportamento a ser adotado e por aí afora. Portanto, o passo número três é verificar se existe feedback, se o aconselhado sabe do seu desempenho insatisfatório, se conhece claramente suas tarefas e se sabe o que deve ser feito. – Existência de Obstáculos: Convém investigar se existem obstáculos fora do controle do aconselhado, como, por exemplo, interferências negativas de líderes influentes ou superiores, doença, uso de drogas, problemas familiares graves, etc. – Comportamento e Consequência: Todo comportamento desencadeia uma consequência, ou seja, quando o comportamento é seguido de uma consequência positiva, tem a frequência aumentada, quando seguido de uma consequência negativa, sua frequência diminui. O problema é que, muitas vezes, o desempenho insatisfatório é seguido de consequência positiva e o bom desempenho é seguido de consequência negativa. Segue um exemplo: o subordinado por não simpatizar com uma tarefa deixa de executá-la como deveria, como “prêmio” recebe outra tarefa. A tarefa menos agradável acaba nas mãos de quem demonstra competência, ou seja, o bom desempenho é “punido”. Neste ponto, o processo Coaching chega numa encruzilhada. É o momento de avaliar o conjunto das informações coletadas e decidir se vale a pena ou não seguir adiante. Se a conclusão da etapa Análise for que o desempenho insatisfatório do aconselhado é irrecuperável, três são as alternativas possíveis: aceitar o colaborador como ele é, alternativa pouco sensata; transferir o colaborador para outra unidade de negócio, departamento ou setor; demiti-lo. Mas se a conclusão for que o subordinado pode melhorar, se quiser, então, o processo Coaching deve prosseguir. • Etapa 2 - Reunião Face a Face: Esta etapa também é dividida em cinco passos, conforme segue: – Concordância de que existe um Problema: o primeiro passo é conseguir a concordância do aconselhado de que existe um problema. Duas são as razões que convencem uma pessoa da existência de um problema: 73 Metodologias de Coaching Capítulo 4 Fazer com que a pessoa perceba os resultados do seu desempenho insatisfatório. Fazer com que a pessoa perceba as consequências que ela mesma sofrerá se não houver mudança. – Deste passo devem sair a concordância verbal do aconselhado de que existe um problema e uma lista escrita, feita em conjunto com o aconselhado, na qual aparecem os resultados e consequências do desempenho insatisfatório. – Soluções Alternativas: no segundo passo, o coach e o aconselhado devem identificar as soluções para resolver o desempenho insatisfatório. A lista com os resultados e consequências do desempenho deve ser completada com as soluções para resolver os pontos fracos identificados. – Concordância sobre as Providências a serem Tomadas: este passo consiste em conseguir a concordância do aconselhado sobre quais alternativas listadas anteriormente serão utilizadas para solucionar o desempenho insatisfatório. Outra medida deste passo é especificar quando as soluções serão postas em prática. Deste passo deve ser firmado o compromisso sobre o que, quando e como serão feitas as soluções para o problema. – Acompanhamento: este passo consiste no acompanhamento do aconselhado para assegurar que o combinado está sendo cumprido. O acompanhamento deve ser esquematizado para examinar o desempenho no momento combinado até concluir que o comportamento atual do aconselhado é o esperado. – Reconhecimento: último passo e considerado o de maior potencial para sustentar os melhores desempenhos. O reconhecimento por toda conquista é parte vital para corrigir os problemas de desempenho do aconselhado. Tal atitude serve como reforço positivo para aumentar a frequência do comportamento correto e atingir uma mudança sustentada. São exemplos de reforços: observações, agradecimentos, elogios, indicações para novos projetos, benefícios materiais, entre outros. Técnica para o líder ou executivo: a influência nos liderados por meio do poder O poder é o recurso que permite ao líder ou executivo influenciar 74 Coaching Executivo e de Negócios os outros ou conseguir sua submissão. Os poderes preconizados por Hersey e Blanchard (2002) como possíveis meios para influenciar com sucesso o comportamento dos subordinados são seis. Segue a apresentação: (1) Coerção: induz ao cumprimento das ordens porque a desobediência poderá acarretar punições. (2) Interpessoal: induz os subordinados ao cumprimento dos seus desejos porque querem obter favores ou desejam evitar as ameaças das conexões do líder com pessoas importantes ou influentes. (3) Formal: induz ao cumprimento das ordens porque os liderados percebem que o cargo ocupado pelo líder lhe concede o direito de esperar que seus desejos sejam realizados. (4) Competência: o respeito pela experiência, habilidades e conhecimento do líder que induz ao cumprimento das ordens. (5) Recompensa: baseia-se na crença de que o cumprimento das ordens do líder trará incentivos. (6) Informação: a posse ou acesso, por parte do líder, de informações consideradas importantes, influencia os subordinados. À medida que o lideradopassa de níveis de inexperiência e pouca motivação para níveis de competência e confiança, muda a necessidade de utilização dos diferentes tipos de poder. A Figura 4 ilustra o impacto dos diferentes tipos de poder nos diferentes níveis de capacidade e disposição do liderado de executar a tarefa: Figura 4 - Relação entre os diferentes tipos de poder e os diferentes níveis de capacidade e disposição do liderado de executar a tarefa. Fonte: Adaptado de Gerber (2006). 75 Metodologias de Coaching Capítulo 4 Se você quiser conhecer mais sobre as discussões e diferenças entre os tipos de poder, este é um bom livro: HERSEY, Paul; BLANCHARD, Kenneth H. Psicologia para Administradores. São Paulo: E.P.U., 2002. b) Solução para Falhas na Habilidade de Liderança Esta metodologia de Coaching funciona como um recurso para o executivo que possui falhas nas habilidades de liderança, para que ele possa entender o porquê do nível atual do seu desempenho e que seja estimulado com o desejo das mudanças que são necessárias. Antes de iniciar essa metodologia, deve-se verificar a real aplicabilidade do Coaching. Essa tarefa pode ser conduzida elaborando-se um esboço na forma de projeto ou plano de ação, no qual são identificadas: (a) as reais necessidades da organização; (b) o papel do indivíduo no contexto organizacional; (c) seus pontos fortes; (d) as áreas que precisam de melhorias e (e) as questões específicas que devem ser enfrentadas. Após serem executados esses passos e obtendo-se a resposta positiva da aplicabilidade do Coaching, parte-se, então, para a execução do processo propriamente dito. A execução do Coaching para solucionar falhas na habilidade de liderança é conduzida em quatro etapas conforme veremos a seguir: a) Concordância: a primeira etapa consiste na elaboração de um conjunto de acordos claros e exequíveis que auxiliarão na definição das metas, métodos de ação e resultados. Esta etapa envolve o coach, o aconselhado e o(s) representante(s) da organização. Como resultado, é esperado que todas as partes saibam o que vai acontecer, evitando, portanto, tensões, ansiedades, resistência ou mesmo raiva. b) Observar e Avaliar: a segunda etapa consiste em observar a pessoa que será aconselhada para avaliar seus pontos fortes e as habilidades gerenciais por desenvolver. A ênfase nesta etapa está nas necessidades específicas do aconselhado e da organização. Geralmente, as necessidades mais avaliadas são: comunicação, gerenciamento de tarefas, relacionamentos interpessoais, trabalho em equipe, análise de problemas Esta metodologia de Coaching funciona como um recurso para o executivo que possui falhas nas habilidades de liderança, para que ele possa entender o porquê do nível atual do seu desempenho e que seja estimu- lado com o desejo das mudanças que são necessá- rias. 76 Coaching Executivo e de Negócios e autogerenciamento. Analisar o perfil do cargo, os conhecimentos e habilidades necessários para melhor desempenhá-lo, permite obter informações complementares e relevantes neste momento do processo. Entrevistas estruturadas e instrumentos de avaliação de carreira são alguns exemplos de ferramentas disponíveis para mensurar as informações nesta etapa. c) Desafiar Construtivamente: a terceira etapa do processo consiste em utilizar as informações coletadas nas etapas anteriores para desafiar de forma construtiva o aconselhado. Nesta fase, o coach deve ser hábil o suficiente para apresentar ao aconselhado seus pontos fortes e os pontos por melhorar, ouvindo, mencionando exemplos de seus sucessos e dos comportamentos problemáticos. d) Lidar com Resistências e Desafios: nesta etapa, o coach deve preparar- se para lidar com duas situações. A primeira situação é a resistência do aconselhado, que pode se manifestar das formas mais variadas, como, por exemplo, frustração, ansiedade, baixa autoestima, medo ou mesmo raiva. O coach deve estar preparado também para lidar com os desafios diretos e indiretos que o aconselhado vai enfrentar, sejam eles referentes às habilidades técnicas, gerenciais, interpessoais ou outra qualquer. A ilustração dessa metodologia é apresentada na Figura 5. Figura 5 - Metodologia de Coaching Executivo para aumentar a performance da liderança Fonte: Adaptado de Gerber (2006) e Gerber et al. (2012). 77 Metodologias de Coaching Capítulo 4 É necessário salientar que além de seguir as quatro etapas, o feedback de ocorrer em duas vias, ou seja, tanto o coach quanto o aconselhado devem estar abertos e receptivos às informações e observações referentes aos seus trabalhos. Atividades de Estudos: 1) Qual a principal diferença entre o método que visa à melhoria da performance do subordinado e o método que visa à melhoria da performance do líder? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 2) Quais os pontos em comum entre as metodologias até agora vistas? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ e) Solução para Resistência a Mudanças Nesta metodologia, o processo Coaching funciona como um recurso para promover mudanças internas nas organizações para que se desenvolvam de forma positiva as inovações. Geralmente, as mudanças internas são atribuídas aos hábitos, aos valores, aos comportamentos, às atitudes e aos papéis assumidos pelas pessoas, além dos relacionamentos mútuos e da cultura organizacional. Nesta metodolo- gia, o processo Coaching funciona como um recurso para promover mudanças inter- nas nas organiza- ções para que se desenvolvam de forma positiva as inovações. 78 Coaching Executivo e de Negócios A metodologia Coaching de Chiavenato (2002), ilustrada na Figura 6, começa pelo levantamento do perfil do aconselhado. Esta atividade é preliminar às seções de Coaching e consiste na revisão do currículo pessoal e profissional do aconselhado, seus objetivos profissionais, o que entende e espera do Coaching. De forma complementar ao levantamento do perfil do aconselhado, recomenda-se uma autoavaliação, a avaliação da chefia, colegas e subordinados, suas atitudes, comportamentos e comunicação interpessoal. Do levantamento do perfil é extraído um relatório de avaliação que demonstra como estão as energias mental, física e emocional do aconselhado. O processo segue com as seções de Coaching, reuniões entre o coach e o aconselhado, que proporcionam muitas horas de discussões, novas avaliações, feedbacks específicos, planos de ações com atividades e definição de tempo para cumpri-las. As etapas para realizar seções de Coaching eficazes são: (1) criar um ambiente favorável às reuniões; (2) ouvir atentamente o aconselhado; (3) fazer perguntas ao aconselhado e (4) proporcionar feedbacks úteis. Figura 6 – Metodologia de Coaching para auxiliar o desenvolvimento de mudanças Fonte: Adaptado de Gerber (2006) e Gerber et al. (2012). f) Solução para o Desenvolvimento de Competências Emocionais Paula (2005) propõe essa metodologia de Coaching Executivo para o desenvolvimento da performance na Gestão de Competências Emocionais. A execução da metodologia é conduzida em três etapas, conforme segue. A ilustração do processo é apresentada na Figura 7. 79 Metodologias de Coaching Capítulo 4 • Contratação: Compõem esta etapa as atividades: – Definição do ambiente de trabalho, de forma que seja adequadopara reuniões e sem interferências; – Estabelecimento de contrato, mesmo que já tenha sido tratado verbalmente, este é o momento de definir os parâmetros que regem o trabalho; – Avaliação das necessidades mais emergentes junto ao setor de recursos humanos, ao aconselhado e seus superiores; – Cronograma, com a definição de tempo e número das sessões, bem como o término do trabalho. • Diagnóstico: Nesta etapa, o coach deve entrevistar o aconselhado, ouvindo-o atentamente, avaliar as relações e a performance do subordinado, além de avaliar seu perfil. Esta atividade visa identificar suas reais necessidades pessoais e/ou referentes ao trabalho. É pertinente, neste momento, conhecer a missão, a política e as características da organização perante seus colaboradores, além de realizar entrevistas com os superiores e colegas do aconselhado. A partir deste ponto, o coach passa a ter uma visão mais abrangente para construir seu planejamento do trabalho, posicionar o aconselhado no que poderá ser oferecido e o que será cobrado dele. • Planejamento do Trabalho: Com base na etapa anterior, o coach deve traçar um plano de desenvolvimento do aconselhado com ações pontuais. Deve ficar claro que no decorrer do processo outras ações serão desenvolvidas a partir das situações vividas durante o processo. Ao desenvolvimento de habilidades e competências voltadas ao exercício da liderança, o autor sugere duas possíveis situações. – A primeira situação é recomendada para profissionais que necessitam desenvolver habilidades e competências comportamentais. Para esses casos, são depuradas as necessidades pontuais do aconselhado, são identificados novos ângulos de visão sobre as questões e, em conjunto, coach e aconselhado, traçam novos caminhos de ação. – A segunda situação é recomendada para profissionais que necessitam desenvolver habilidades e competências técnicas de gestão. Para esses profissionais, o autor sugere o mesmo procedimento da situação anterior, 80 Coaching Executivo e de Negócios adicionado a uma “capacitação individual em laboratório”. A capacitação consiste no levantamento de informações do negócio e da performance desejada, além do desenvolvimento e aperfeiçoamento das habilidades e competências que merecem atenção. Figura 7 – Metodologia Coaching para o desenvolvimento da gestão de competências emocionais Fonte: Adaptado de Gerber (2006) e Gerber et al. (2012). g) Solução para Baixos Resultados Esta metodologia de Coaching Executivo e de Negócios é apresentada por Porché e Niederer (2002). Os autores propõem o Coaching como ferramenta para ajudar o aconselhado a compreender e a discutir ações relacionadas à obtenção de resultados de valores elevados. Para auxiliar o coach na consecução do objetivo, os autores sugerem um Roteiro de Coaching, um processo de orientação passo a passo, estruturado em sete etapas. A metodologia de Coaching para solução de baixos resultados é representada graficamente na Figura 6 e detalhada a seguir. Começando pela etapa “Relacionamento”, considerada pelos autores a base do trabalho, busca-se estabelecer nesta fase um convívio e atitudes recíprocas, além de obter credibilidade com o aconselhado. A etapa inicial busca estabelecer um bom relacionamento entre o coach e o cliente. Compartilhar a formação e os valores pessoais, partilhar da biografia e filosofia de Coaching são algumas maneiras de se obter sucesso no objetivo. O “Contrato de Resultados”, segunda etapa do processo, é tida pelos autores como um esquema para o sucesso. O Contrato deve ser cuidadosamente elaborado e redigido. Dez itens básicos devem ser incluídos no documento, são eles: Os autores pro- põem o Coaching como ferramenta para ajudar o aconselhado a compreender e a discutir ações relacionadas à obtenção de resul- tados de valores elevados. 81 Metodologias de Coaching Capítulo 4 1 - Finalidade do Coaching; 2 - Abrangência do Coaching; 3 - Resultados mensuráveis com cronograma; 4 - Duração do compromisso; 5 - Cláusula de cancelamento; 6 - Regras de confidência e comunicação; 7 - Acertos financeiros; 8 - Limitações; 9 - Expectativas; 10 - Frequência de reuniões, conteúdo e tempo de realização das sessões. A metodologia segue com a terceira etapa: “Ação”. Nesta fase, o coach deve observar o aconselhado no desenvolvimento das suas atividades e detectar pontos-chave, como o comprometimento com resultados, possíveis pontos a serem melhorados e que não foram abordados nas etapas anteriores. Outra atividade sugerida na etapa Ação é a aplicação da regra 80/20 de Pareto, na qual aproximadamente 20% das ações que podem ser efetivadas de forma eficaz produzirão cerca de 80% dos resultados desejados. “Diálogo” é a etapa seguinte da metodologia. Os autores sugerem para esta etapa o planejamento de reuniões periódicas, definição e comprometimento com possíveis meios de comunicação. O objetivo nesta fase é que sejam abertos novos caminhos e que a distância entre o nível atual de resultados e os resultados pretendidos seja encurtada. Figura 8 - Metodologia de Coaching para obtenção de resultados nas empresas Fonte: Adaptado de Gerber (2006) e Gerber et al. (2012). A etapa “Eventos” consiste na verificação do cumprimento regular dos objetivos estabelecidos. Esta etapa pode ocorrer no final do contrato. Se for o 82 Coaching Executivo e de Negócios caso, é a oportunidade para uma avaliação geral, tanto do aconselhado e seus compromissos assumidos e cumpridos quanto do coach e sua orientação. Se for dada sequência ao processo, as etapas “Ação” e “Diálogo” devem ser repetidas. Por fim, chega-se ao topo da pirâmide, com o “Resultado ou Desempenho”. Nesta etapa, o caminho percorrido deve ser analisado, revisado, registrado e o aprendizado absorvido. h) Solução para o Planejamento da Carreira Muitos executivos necessitam de um planejamento de carreira dentro da empresa ou apresentam queixas associadas à falta de planejamento e orientação profissional. Nesses casos, são utilizadas abordagens determinadas pelo coach para orientar o coachee em sua profissão. A metodologia apresentada por Paula (2005) é direcionada à solução deste problema. Composta por 13 etapas, é ilustrada na Figura 9 e, em seguida, são apresentadas as fases do processo. Figura 9 – Fases da metodologia Coaching para solução em planejamento de carreira Fonte: Adaptado de Paula (2005). • Entrevista Diagnóstica: fase necessária para se obter a noção correta de qual postura adotar. Muitas vezes, o cliente inicia a consulta com uma queixa de baixa performance na empresa quando a causa pode estar no desalinhamento com a inclinação profissional. 83 Metodologias de Coaching Capítulo 4 • Avaliação da Inclinação Profissional (teste projetivo): tem o objetivo de identificar valores e desejos do cliente em relação a uma ou mais profissões. Utiliza-se aqui um teste projetivo para entender que se deve partir dos conteúdos internos do cliente, muitas vezes inconscientes, para identificar sua real inclinação. • Avaliação de Âncora de Carreira: fase que identifica as âncoras que sustentam uma carreira. São identificadas pelo autor 8 âncoras, utilizadas para definir as características do cliente em relação a sua profissão: aptidão técnica funcional; aptidão administrativa geral; autonomia/independência; segurança/estabilidade; criatividade empreendedora; vontade de servir/ dedicação a alguma causa; desafios e estilo de vida. • Avaliação de Perfil Profissional: esta fase visa avaliar o perfil do cliente em relação a sua profissão, determinar se o cliente possui um perfil centralizado, extrovertido, introvertido, como formula seu processo decisório. Pode-se utilizar testes psicológicos, tais como: QUATI, VECA, PI e outras. • Trajetória Profissional: nesta fase observam-se os principais valores docliente, como foram tomadas suas principais decisões, utilizando, para isso, diversos tipos de dinâmicas. • Definição de Missão ou Dharma: orienta-se o cliente a refletir sobre seu propósito de vida. • Posicionamento: por meio da identificação do posicionamento do cliente, busca-se uma forma de inseri-lo no mercado identificado. • Definição do Negócio e da Visão: define-se aqui o formato do negócio do cliente e a visão do futuro da sua carreira. • Análise de Recursos: avaliam-se os recursos do cliente, tais como especializações e capacidade de investimento, para que possa se abrir um leque de oportunidades e possibilidades. • Informações do Ambiente Externo: realização da identificação do segmento de mercado, cultura da empresa e correlação com o perfil profissional do cliente. • Análise e Reformulação do Currículo: é realizada a construção de um currículo para o cliente, considerando esse documento como uma peça de venda. 84 Coaching Executivo e de Negócios • Plano de Ação: identificar ações imediatas, que alinhadas com a visão vão iniciar a construção da mudança. O plano irá depender da condição atual do cliente e dos seus objetivos futuros. Considera-se aqui a busca de um redirecionamento do cliente dentro da empresa, uma recolocação ou desenvolvimento de um negócio próprio. • Constituição do Plano B: por meio do levantamento de valores e da inclinação profissional, considera-se a possibilidade da condução de um plano B na vida do cliente, no qual se desenvolverá uma atividade que lhe dará prazer, de forma não profissional no princípio, mas que poderá se tornar uma atividade profissional de forma natural em algum momento da sua vida. Exemplos: dar início a uma carreira acadêmica, estudar a montagem de um negócio próprio, desenvolver ações sociais. i) Solução à Baixa Performance do Executivo Esta metodologia é apresentada por Goldsmith, Lyons e Freas (2012). Os autores propõem o Coaching como recurso para atender as necessidades dos executivos em termos de expectativas e feedback sobre sua performance. Das metodologias apresentadas, esta pode ser considerada a mais abrangente. Esta observação deve-se ao fato da proposta oferecer uma estrutura adicional, denominada Modelo de Liderança Situacional, que visa orientar o coach por meio de todas as etapas do processo. O processo em questão, denominado Coaching de Performance, é formado por três fases distintas: Preparação, Execução e Revisão. As atividades de cada fase são apresentadas a seguir: • Preparação: Definir claramente as expectativas referentes a cada período. Identificar e discutir, tanto as atividades para o sucesso como os resultados esperados. Além disso, devem-se estabelecer os padrões de performance. • Execução: Observar a performance e realizar feedbacks com o aconselhado e com outros que estejam em contato com o aconselhado. Ajustar as atividades e metas caso sejam oportunos. Reforçar o que está sendo bem feito e identificar o que precisa melhorar. Registrar sistematicamente, de forma escrita, a performance do aconselhado. • Revisão: Seção de aconselhamento com feedback mútuo de encerramento do período. É recomendada a realização de autoavaliação entre os envolvidos. Nesta etapa é realizada a comparação das realizações com o que foi especificado como metas. Todos os registros devem ser revistos. O coach Os autores pro- põem o Coaching como recurso para atender as neces- sidades dos exe- cutivos em termos de expectativas e feedback sobre sua performance. 85 Metodologias de Coaching Capítulo 4 deve aconselhar e obter respostas antes de registrar as observações finais. Conforme mencionamos anteriormente, o Coaching de Performance destaca- se por sugerir uma estrutura complementar às fases do processo, o Modelo de Liderança Situacional. Tal estrutura possibilita diagnosticar diferentes situações relacionadas ao aconselhado e prescrever um estilo de liderança com maior probabilidade de êxito. O relacionamento entre o Coaching de Performance e o Modelo de Liderança Situacional ocorre em todo o ciclo do processo. Na fase Preparar, o Modelo de Liderança Situacional auxilia o líder na abertura dos canais de comunicação e no diagnóstico do nível de prontidão do aconselhado para realizar as tarefas. Nas demais fases do processo orienta o líder nas interações com o aconselhado. A Figura 10 ilustra a metodologia de Coaching de Performance, bem como o relacionamento com o Modelo de Liderança Situacional. Em seguida é apresentado o tópico Ferramenta de Apoio ao Coaching com uma abordagem direta ao Modelo de Liderança Situacional. Figura 10 – Metodologia de Coaching de Performance com Modelo de Liderança Situacional. Fonte: Adaptado de Gerber (2006) e Gerber et al. (2012). 86 Coaching Executivo e de Negócios Ferramenta de Apoio ao Coaching - Modelo de Liderança Situacional O Modelo de Liderança Situacional pode ser utilizado como estrutura de apoio que proporciona ao coach orientação durante todo o processo de Coaching, tratando dos aspectos do aconselhado que necessitam de melhoramentos. Pesquisas sobre Liderança Situacional, desenvolvidas pelo Center for Leadership Studies, são utilizadas como guias aos gerentes no caminho da especialização enquanto ensinam um estilo que é apropriado ao nível de prontidão de um indivíduo. E é no nível de prontidão do aconselhado, ou seja, na capacidade e na disposição para executar uma determinada tarefa que reside o pilar central do modelo. Ao detectar o nível de prontidão do aconselhado, o coach habilita- se a ajustar, com grande probabilidade de acerto, o comportamento e a maneira de intervenção pela qual irá aconselhá-lo. O Modelo de Liderança Situacional é composto por duas fases, a Avaliação da Prontidão e a Escolha do Estilo. Cada fase possui relações entre os níveis de prontidão do aconselhado e o comportamento do coach de maior probabilidade de eficácia. A Figura 11 ilustra o modelo e os detalhes são apresentados a seguir: • Fase Avaliação da Prontidão: No início da aplicação do modelo, o coach deve estar focado no propósito de abrir os canais de comunicação para facilitar o diagnóstico do nível de prontidão do aconselhado. Os passos sugeridos são: – Preparar: as primeiras ações do coach devem ser observar, monitorar e acompanhar a performance do aconselhado. O comportamento do coach deve ser de pouca direção e pouco apoio. Ao coach, sugere-se, ainda, a revisão dos registros de performance do aconselhado e a revisão das metas. – Avaliar: ao realizar contato com o aconselhado, o coach deve aumentar o apoio na medida em que desenvolve concordâncias, mantendo níveis baixos de tarefa. Recomenda-se abrir os canais de comunicação com o aconselhado, reforçar seus potenciais positivos e obter uma autoanálise. – Diagnosticar: a primeira fase é encerrada com um diálogo no qual devem ser feitas perguntas diretas ao aconselhado. O objetivo é obter deste a O Modelo de Lide- rança Situacional pode ser utilizado como estrutura de apoio que proporciona ao coach orientação durante todo o processo de Co- aching, tratando dos aspectos do aconselhado que necessitam de melhoramentos. 87 Metodologias de Coaching Capítulo 4 visualização da percepção de performance e a identificação das suas deficiências. Para as tarefas críticas ligadas ao sucesso do aconselhado, o coach deve avaliar o nível de prontidão, para, então, escolher o comportamento de maior probabilidade de eficácia. • Fase Seleção do Estilo: Uma vez identificado o nível de prontidão do subordinado, o coach escolhe o estilo de liderança correspondente e de maior probabilidade de acerto. O coach deve observar a reação do aconselhado, sendo positiva, o coach utilizará o estilo seguinte, afim de desenvolver o aconselhado. As intervenções sugeridas são as seguintes: – Prescrever: Esta intervenção é aconselhadaquando o aconselhado apresenta incapacidade e indisposição para realizar determinada tarefa ou é inexperiente e possui pouca motivação. Nesses casos, é recomendado dirigir o aconselhado, ou seja, instruir e enfatizar a tarefa, com pouco relacionamento interpessoal. – Desenvolver: Nas situações em que o aconselhado apresenta pouca capacidade, mas está disposto ou, então, tem pouca experiência e alguma motivação, aconselha-se explicar e manter elevada a tarefa, aumentando um pouco o relacionamento interpessoal. – Reforçar: Se o aconselhado possui capacidade com pouca disposição ou tem experiência, mas está inseguro, o coach pode adotar um comportamento de maior relacionamento, dando-lhe apoio e motivação, reduzindo a ênfase na tarefa. Acompanhar: Finalmente, quando o aconselhado demonstrar capacidade e disposição, ou for experiente, seguro e estiver motivado, recomendam-se doses reduzidas de relacionamento interpessoal e de tarefa, apenas delega-se. 88 Coaching Executivo e de Negócios Figura 11 - Modelo de Liderança Situacional Fonte: Adaptado de Gerber (2006). Atividade de Estudos: 1) Quais os pontos em comum que todas as metodologias com ênfase na solução de problemas apresentam? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Avaliação do Coach Executivo Um coach (treinador) que executa o programa Coaching Executivo e de Negócios também pode ser avaliado por meio de técnicas de Feedback, tais como o Feedback 360° e o Feedback 3x3, apresentados a seguir: 89 Metodologias de Coaching Capítulo 4 a) Feedback 360° O Feedback 360° tem como objetivo principal o alinhamento do comportamento do coach com os valores da empresa. Segundo Goldsmith, Lyons e Freas (2012), este recurso pode viabilizar ao líder a prática de um aconselhamento comportamental consultivo, ao invés de um mero julgamento pessoal. A técnica começa com um questionamento pessoal por parte do líder para avaliar se uma das condições a seguir é predominante: • O coach está sinceramente disposto a empenhar-se para efetivar a mudança proposta? • O coach carece da inteligência ou aptidões funcionais necessárias ao cargo? • A missão da organização equivoca-se ao permitir essa atividade ou programa? Caso o líder perceba que o coach possui a vontade e a capacidade de mudar seu comportamento, está operando num ambiente que lhe dá oportunidade de mudar e está inserido em uma organização bem direcionada, então significa que o processo Coaching tem grandes chances de funcionar. Oito são as etapas neste processo: 1ª Concordância para o comprometimento: identificar as características comportamentais que se deseja ao coach e questioná-lo se concorda que são os comportamentos certos; 2ª Feedback de participantes-chave: determinar quem pode fornecer feedback com conteúdo significativo; 3ª Avaliações frequentes: levantamentos por escrito, anônimo, compilado por uma pessoa independente de relatórios oferecidos diretamente ao coach; 4ª Conversar com o coach: o líder deve debater com o coach seus principais pontos fortes e as áreas que requerem melhorias na empresa; 5ª Desenvolver alternativas a considerar: o resultado mais útil de uma conversa são os conselhos específicos, em vez de comandos; 6ª Sugestões adicionais: é recomendado que o coachee converse com cada participante-chave para coletar sugestões adicionais sobre como melhorar nas áreas que necessitam ajustes; 7ª Acompanhamento contínuo: em um período de três a quatro meses conduzir uma minipesquisa junto aos participantes-chave para verificar se o coachee 90 Coaching Executivo e de Negócios está mais ou menos eficaz nas áreas objetivadas a melhorias; 8ª Analisar os resultados e começar de novo: melhorias quase sempre são relatadas, sendo assim, o acompanhamento contínuo deve durar de doze a dezoito meses. Esta iniciativa, na maioria dos casos, garante o progresso contínuo, agrada aos participantes e o coachee e o coach se beneficiam de feedbacks contínuos para a melhoria das performances. Um dos aspectos positivos de destaque desta técnica é o de viabilizar ao líder a prática de um aconselhamento comportamental consultivo, ao invés de um mero exercício de julgamento pessoal do aconselhado, permitindo, assim, ao líder avaliar a abordagem do coach e entender seu objetivo de ação, facilitando o andamento do programa de Coaching na empresa. Esta técnica aborda questões comportamentais de uma forma ampla, seja de cunho positivo, seja de cunho negativo. Apresenta a característica peculiar de considerar e permitir a revisão da missão da organização em detrimento das características comportamentais do coach. É uma prática individualizada, porém democrática, pois leva em consideração a opinião dos colegas de trabalho e/ou equipe a qual o coachee está inserido. b) Feedback 3x3 O Feedback 3x3 é um sistema simples e objetivo que funciona com bastante eficácia para dar feedbacks de comunicação para coaches de alta performance, na maioria dos casos, profissionais objetivos, práticos, mas que frequentemente negligenciam sentimentos e querem ir direto ao assunto. O processo consiste em informar ao coach três pontos fortes que devem ser mantidos e três pontos fracos que precisam ser melhorados, ambos sobre uma determinada característica específica. É uma forma de dar feedback equilibrado sobre assuntos como performance e comportamento. Num processo de feedback, na maioria das vezes, devem existir bem mais que três prós e contras, no entanto, o autor lembra que números acima de três podem ser antiprodutivos e enfatiza: para um melhor aprendizado e desenvolvimento de aptidões a regra 3x3 é a mais eficaz. Um dos aspectos positivos de desta- que desta técnica é o de viabilizar ao líder a prática de um aconselha- mento comporta- mental consultivo, ao invés de um mero exercício de julgamento pesso- al do aconselhado, permitindo, assim, ao líder avaliar a abordagem do coach e entender seu objetivo de ação, facilitando o andamento do programa de Coa- ching na empresa. 91 Metodologias de Coaching Capítulo 4 A escolha forçada de três aspectos prós e três contras proporciona equilíbrio, então, o coach se sente apoiado e, ao mesmo tempo, obtém lições valiosas com as quais deve trabalhar com o coachee. Os exemplos de aptidões dos coaches que podem dar início ao processo de Feedback 3x3 são muitos, seguem dois: comunicação e competência. • Comunicação: saber como se comunicar eficazmente é de grande importância. Saber escutar, sintetizar e então falar é, em muitos casos, um processo que exige avaliação; • Competência: analisar as aptidões que levam à excelência de performance em uma organização também é muito importante, muitas vezes, é a imagem que serve como exemplo aos demais subordinados e o termômetro da produtividade. Similar as práticas homônimas, o Feedback 3x3 também oferece informações de desempenho aos coachees, entretanto, sua peculiaridade reside no equilíbrio das informações que transitam durante o processo. Apenas três aspectos prós e três contras são abordados de cada vez nas sessões. Essa característica sugere uma aproximação das forças “performance” versus “sentimentos” em profissionais que priorizam os resultados em detrimento dos relacionamentos. É um processo rápido, contínuo e de fácil adaptação às inúmeras variedades de situações do cotidiano. Atividade de Estudos: 1) Qual a principal diferença entre as técnicas feedback 360° e feedback 3x3 na avaliação do coach executivo? ____________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ o Feedback 3x3 também oferece informações de desempenho aos coachees, entretanto, sua pe- culiaridade reside no equilíbrio das informações que transitam durante o processo. Ape- nas três aspectos prós e três contras são abordados de cada vez nas sessões. 92 Coaching Executivo e de Negócios Algumas Considerações Podemos verificar neste capítulo o passo a passo de aplicação de um processo de Coaching Executivo e de Negócios e entender de forma geral como se dá o relacionamento entre o coach, coachee e empresa em busca do atingimento dos objetivos pré-estipulados e das soluções para as necessidades evidenciadas pelo cliente. Além das metodologias de Coaching, foram verificadas ferramentas de liderança e técnicas que auxiliam no desenvolvimento e aplicação do Coaching Executivo e de Negócios. Em nível de instrução, apresentamos também algumas ferramentas que o coach pode apresentar ao aconselhado (coachee) como uma forma de avaliação do seu trabalho e de acompanhamento dos objetivos propostos. Vale salientar que a apresentação das metodologias evidenciadas não restringe a área de atuação do coach às áreas avaliadas e não correspondem à única forma de relacionamento e de ação do coach para a solução dos problemas identificados. Portanto, buscamos, neste capítulo, demonstrar as metodologias utilizadas por coaches e que já representaram uma abordagem de sucesso, ficando, no entanto, a critério do novo coach a escolha do melhor modelo a ser adotado para a situação de vivência. Referências CHIAVENATO, Idalberto. Construção de talentos. Rio de Janeiro: Campus, 2002. GERBER, Juliano Z. Jogo de empresas e a formação de líderes empresariais. 2006. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis, 2006. GERBER, Juliano Z. et al. Processo coaching para simuladores de gestão empresarial. In: CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO – CNEG, 8., Rio de Janeiro, jun. 2012. Anais... Rio de Janeiro, 2012. p. 1-23. Disponível em: <http://www.excelenciaemgestao.org/Portals/2/documents/cneg8/ Vale salientar que a apresentação das metodologias evidenciadas não restringe a área de atuação do coach às áreas avaliadas e não correspon- dem à única forma de relacionamento e de ação do coa- ch para a solução dos problemas identificados. 93 Metodologias de Coaching Capítulo 4 anais/T12_0541_2831.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2015. GOLDSMITH, Marshall; LYONS, Laurence; FREAS, Alyssa. Coaching: o exercício da liderança. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012. HERSEY, Paul; BLANCHARD, Kenneth H. Psicologia para Administradores. São Paulo: E.P.U., 2002. PAULA, Maurício de. Executive Coaching e gestão de carreira. São Paulo: Scortecci, 2005. PORCHÉ, Germaine; NIEDERER, Jed. Coaching: O apoio que faz as pessoas brilharem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002. 94 Coaching Executivo e de Negócios CAPÍTULO 5 Executive Coaching A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: 3 Entender o papel e competências necessárias ao coach na aplicação do Executive Coaching e saber os resultados que são esperados com essa aplicabilidade em uma empresa. 3 Fazer a identificação do papel e competências necessárias ao coach e dos resultados esperados com a aplicabilidade do Coaching em uma empresa. 96 Coaching Executivo e de Negócios 97 Executive Coaching Capítulo 5 Contextualização Chegamos ao último capítulo de nosso caderno de estudos sobre Coaching Executivo e de Negócios. Já visualizamos até aqui a definição, os benefícios e as metodologias de aplicação do Executive Coaching nas empresas. Este capítulo tem o objetivo de demonstrar e esclarecer o papel do coach nas empresas e de apresentar o quadro geral das atribuições e competências necessárias para a sua atuação na função. Para finalizar, ressaltamos os resultados esperados com o emprego de Executive Coaching nas organizações e salientamos as formas de especialização e atuação de um coach no mundo dos negócios. O Papel do Coach O papel do coach é funcionar como um recurso estratégico nas Organizações. Para os cargos de liderança, o Coaching tornou-se uma arma estratégica por abrir as portas do alto desempenho. Paula (2005) acredita que o papel do coach de executivos é orientar o cliente em sua gestão, considerando as particularidades e as escolhas da empresa em que o executivo trabalha. Dentre os diversos benefícios do Coaching Executivo e de Negócios, Gerber (2006) aponta três, também considerados fatores estratégicos, e que se tornam essenciais no campo de atuação do coach nas organizações: a) Desenvolvimento de Líderes: sob uma perspectiva estratégica, o desenvolvimento de um líder tem um efeito multiplicador na organização. Torna-se necessário criar um perfil de liderança, que inclui comportamentos e práticas as quais despertem nos indivíduos o desejo de seguir seus líderes. Quando um líder utiliza comportamentos e práticas que outros desejam e podem seguir, a organização inteira é inspirada e se contagia de forma positiva e produtiva. Entende-se que o coach tem participação fundamental em um processo eficaz no desenvolvimento de comportamentos e práticas inspiradoras aos subordinados. b) Implementação de Planos Estratégicos: elaborar bons planos estratégicos e focalizar sua implementação são algumas das tarefas que os líderes realizam. Muitas vezes, as companhias fazem consideráveis investimentos O papel do coach é funcionar como um recurso estratégico nas Organizações. 98 Coaching Executivo e de Negócios financeiros, dedicam tempo e esforço para desenvolver um plano estratégico que, na prática, não se converte em ação. O coach possui o papel de manter os líderes focados nas tarefas enquanto oferece uma visão abrangente para alcançar os objetivos planejados. c) Atração, Retenção e Desenvolvimento de Talentos Humanos na Organização: mundialmente, diversas companhias fazem de tudo para criar uma atmosfera empresarial para atrair e reter os talentos humanos de que elas precisam para obter êxito no presente e no futuro. Pessoas altamente talentosas, muitas vezes, possuem personalidade forte e diferenciada, são pessoas inquietas, ávidas por aprender e desenvolver novas habilidades, frequentemente possuem todas essas características, são pessoas cientes de que a qualidade no trabalho faz parte também da qualidade de vida e o coach participa desse processo de retenção e desenvolvimento dos talentos humanos nas empresas. Sendo assim, o papel do Coaching é singular, estratégico e eficaz, pois oferece mecanismos para atender a todos os quesitos acima mencionados. Atividade de Estudos: 1) Quais os três fatores considerados estratégicos e essenciais no campo de atuação do papel do coach nas empresas? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Competências Necessárias ao Coach Se um executivo ou pessoa de alta e média gerência chegar a procurar um coach, significa que essa pessoa deseja desenvolver algo e, inconstantemente, vem apresentando baixa performance em algumas situações as quais vive em sua atuação profissional. 99 Executive Coaching Capítulo 5 Já entendemos que o papel do coach em uma organização compreende um meio estratégico no atingimento dos objetivosempresariais, por meio de diversas técnicas de implementação e acompanhamento. No entanto, é necessário que o coach seja um profissional preparado e especializado para saber como sua atuação comprometerá as áreas as quais possivelmente o executivo necessitará desenvolver. Não existe uma regra clara das competências que são necessárias a um coach para viabilizar sua atuação nas empresas. O assunto é peculiar e depende do objetivo principal do cliente que está recebendo o Coaching Executivo. De modo geral e sob o ponto de vista de Paula (2005), uma aplicação metodológica de sucesso em Executive Coaching exige que um coach possua competência em três grandes áreas: (a) Gestão Organizacional; (b) Gestão de Competências Emocionais e (c) Gestão de Carreira. A seguir, discorreremos sobre os principais aspectos de cada área. a) Gestão Organizacional Um gestor é avaliado com base em seus resultados e, para desenvolver a performance de um executivo nos aspectos técnicos da gestão organizacional, deve ser considerado o conhecimento mínimo em 3 áreas da gestão: • Gestão do Negócio: A gestão do negócio para o coach envolve o conhecimento e a habilidade dos seguintes temas: empreendedorismo; planejamento estratégico; estrutura organizacional; gestão de recursos (orçamentos, materiais e equipamentos utilizados, segurança, layout); ambiente externo (clientes, fornecedores, entidades, governos); processo decisório; indicadores de performance e instrumentos de controle. Se você quiser conhecer mais sobre gestão do negócio este é um bom livro: SLACK, N.; JONES, A. B.; JOHNSTON, R. Princípios de Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 2013. 100 Coaching Executivo e de Negócios • Gestão dos Processos: O entendimento da gestão dos processos envolve a descrição de seus fluxos, sua otimização, padronização, conceito de melhoria contínua, importância da eliminação de retrabalho e redução de custos. O coach precisa entender o planejamento, o controle e as ações corretivas correspondentes a cada processo da empresa que esteja sob a responsabilidade de seu cliente. Se você quiser conhecer mais sobre gestão dos processos este é um bom livro: BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: Planejamento, organização e logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. • Gestão do Conhecimento: A gestão do conhecimento é uma área importante em um ambiente empresarial e que muitas vezes é esquecida. É a área responsável por gerenciar o conhecimento produzido no ambiente organizacional. O coach necessita compreender que sua aplicação envolve os seguintes procedimentos: adoção de um sistema de informações (SI) para embasar o processo decisório das empresas; utilização de técnicas para o aproveitamento e armazenamento do conhecimento das operações da empresa; transformação do conhecimento tácito para o explicito; difusão do conhecimento para todos os níveis da organização; gerenciamento das informações para melhoria do relacionamento com os fornecedores e clientes. b) Gestão de Competências Emocionais O coach necessita somar aos conceitos dos aspectos de gestão organizacional e à pratica administrativa um profundo conhecimento da dinâmica emocional envolvida nas mais diversas situações do trabalho. A abordagem do coach em relação ao campo emocional será de apurar, com o executivo, as situações vividas no ambiente organizacional, objetivando oferecer-lhe novos ângulos de visão e abrindo um espaço para o autoconhecimento da sua vida profissional. Logo, é aconselhável que o coach já tenha vivenciado com profundidade um ambiente organizacional em funções de liderança e que tenha habilidade em lidar com os aspectos comportamentais humanos. O coach neces- sita somar aos conceitos dos as- pectos de gestão organizacional e à pratica administra- tiva um profundo conhecimento da dinâmica emo- cional envolvida nas mais diversas situações do trabalho. 101 Executive Coaching Capítulo 5 Um aprimoramento em gestão de pessoas é a vertente principal para o coach trabalhar o domínio em competências emocionais. Elementos como: ciúme, inveja, desejo pelo poder, medo, estresse elevado, aspectos pessoais presentes, diferenças de perfil na mesma equipe, competição, etc., devem ser conhecidos pelo coach e o caminho de como lidar com essas situações também. Paula (2005) afirma que só é possível entender essas vicissitudes do ser humano quando se olha para dentro de si mesmo. O autoconhecimento, tanto para o coach quanto para o cliente, é o principio básico da Inteligência Emocional. A gestão de pessoas está envolvida com a gestão de competências emocionais dos indivíduos e envolve as seguintes habilidades: • Avaliação da performance dos líderes; • Avaliação da performance dos subordinados; • Inserção da cultura do autodesenvolvimento nos colaboradores; • Realização de um contrato psicológico com cada colaborador (expor a adequação necessária de cada profissional na empresa e delinear o perfil da função); • Identificação, desenvolvimento e retenção de talentos; • Definição dos papéis e das competências essenciais para cada função; • Treinamento: capacitação técnica e emocional; • Realização de gestão participativa; • Administração de conflitos; • Promoção de sinergia grupal; • Bom relacionamento político em todas as áreas da empresa. Paula (2005) realça que a habilidade da gestão de competências emocionais se subdivide na distinção e conhecimento das competências pessoais e das competências sociais. Se você quiser conhecer mais sobre as discussões e abordagens acerca da Inteligência Emocional, a dica são as obras de Daniel Goleman. Estes são bons livros do autor: GOLEMAN, Daniel. Liderança a inteligência emocional na formação do líder de sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. GOLEMAN, Daniel. Trabalhando com a inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999. 102 Coaching Executivo e de Negócios GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional – a teoria revolu- cionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996. Os quadros 4 e 5 demonstram os atributos e as características singulares de cada competência mencionada e que devem ser de conhecimento do coach para a realização do programa de desenvolvimento de competências e habilidades nos executivos ou gestores. O coach não necessita necessariamente possuir as competências pessoais e sociais, mas precisa ser hábil em conhecer e reconhecer as características das competências nos indivíduos para que possa saber como gerenciá-las e aprimorá-las. Quadro 4 – Características das competências pessoais Atributos Características Autopercepção - Conhecer os próprios estados interiores, preferências, recursos e intui- ções. - Realizar uma percepção automática das emoções. - Realizar uma autoavaliação precisa. - Ser confiante na certeza do próprio valor e capacidade. Autorregulação - Saber como regular os próprios estados interiores, impulsos e recursos. - Demonstrar integridade e reponsabilidade sob a própria conduta. - Ser aberto a novas ideias e procedimentos. - Flexibilidade no enfrentamento de variados acontecimentos. Motivação - Possuir a tendência emocional de guiar e facilitar o alcance de metas. - Ser decidido a melhorar ou atingir um padrão de excelência. - Alinhar-se com as metas de um grupo ou organização. - Demonstrar persistência e proatividade. Fonte: Extraído e adaptado de Paula (2005). Quadro 5 – Características das competências sociais Atributos Características Empatia - Compreensão do outro e interesse em suas preocupações. - Prever, identificar e satisfazer a necessidade do cliente. - Perceber as necessidades de desenvolvimento de outras pessoas. - Compreender visões diversas do mundo. - Contestar preconceitos e intolerâncias. - Possuir uma percepção política das correntes emocionais e dos relacio- namentos de poder de um grupo. Aptidões Sociais - Aptidão naturalpara induzir em outras pessoas as respostas desejáveis. - Saber aplicar táticas eficazes de persuasão. - Ter habilidade na comunicação. - Realizar gerenciamento de conflitos. - Saber iniciar, promover ou gerenciar mudanças. Fonte: Extraído e adaptado de Paula (2005). 103 Executive Coaching Capítulo 5 Os atributos das competências pessoais e sociais fazem parte da Inteligência Emocional, que trata o perfil de um líder e lista os componentes desafiadores na formação de qualquer pessoa. No entanto, entende-se que por mais esforço pessoal que um líder ou liderado possam doar ao processo, a autoconsciência emocional, o controle de emoções, a canalização produtiva das emoções, a empatia e os relacionamentos, enfim, os parâmetros que traçam a inteligência emocional devem exigir um esforço extra de tempo, pois não é num período curto de tempo que se conseguem resultados tão significativos de acompanhamento profissional, pois trata de habilidades e competências talvez somente percebidas com o acompanhamento de profissionais da área da psicologia, ou da psicanálise, e de investimentos financeiros de grande montante. c) Gestão de Carreira A carreira profissional, segundo Paula (2005), necessita ser gerenciada ao longo da trajetória da vida humana e para o coach realizar o desenvolvimento de performance e gestão de carreira dos gestores precisa considerar os seguintes aspectos do indivíduo: sua inclinação profissional; a reorientação profissional, se for preciso; o planejamento da carreira e o estabelecimento da missão organizacional. A inclinação profissional está ligada ao talento único do indivíduo e quando sua escolha é alinhada à inclinação profissional, possibilita que a pessoa dê o melhor de si e que na mesma intensidade receba o retorno do que produziu, o que gera motivação e proporciona uma melhoria contínua na carreira. No entanto, quando um indivíduo faz a escolha errada da profissão e fica fora de sua inclinação profissional, ele pode apresentar baixa performance, doenças psicossomáticas e problemas de relacionamento no trabalho, atributos que são péssimos para a organização e que não oferecem resultados positivos para a empresa, necessitando, em alguns casos, que o individuo receba auxílio para uma reorientação profissional. Para auxiliar na formação de um planejamento de carreira do cliente, é necessário que este entenda a importância do planejamento estratégico organizacional, pois o executivo deve lidar com sua carreira como um patrimônio empresarial, tendo a ciência de que deve administrá-la. Uma das atribuições mais importantes do coach é a de monitorar, a todo instante, se as ações adotadas no dia a dia do cliente estão alinhadas com o planejamento da carreira traçado. Pois quando se estabelecem as bases do Para o coach realizar o desen- volvimento de per- formance e gestão de carreira dos gestores precisa considerar os se- guintes aspectos do indivíduo: sua inclinação profis- sional; a reorien- tação profissional, se for preciso; o planejamento da carreira e o estabelecimento da missão organi- zacional. 104 Coaching Executivo e de Negócios planejamento dentro do processo, o executivo se torna convidado a refletir sobre os aspectos integrais do ser humano e do negócio que foi delineado. Por exemplo: o executivo pode, em algum momento do processo, receber uma proposta de mudança da empresa que vai garantir um ganho momentâneo, mas que em longo prazo pode não compensar, logo, o papel do coach será levantar questões que façam o executivo refletir se a aceitação da proposta irá ferir algum valor fundamental colocado no planejamento estratégico da sua carreira. É necessário salientar que, muitas vezes, o coach pode se deparar com fragilidades emocionais severas do executivo e que, nesse caso, recomenda-se que seja traçado um bom diagnóstico e apresentado ao executivo o quadro geral da situação e quais são as recomendações externas mais indicadas para tratar a questão, já que o coach não possui a obrigação de resolver problemas que fogem do seu papel. Atividade de Estudos: 1) Quais são as três áreas das quais um coach precisa ter conhecimento teórico ou técnico para auxiliar o desenvolvimento da performance de executivos e colaboradores de um negócio? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Resultados Esperados com o Executive Coaching Goldsmith, Lyons e Freas (2012) identificam que o Coaching, sob uma ótica empresarial estratégica, incorpora as ambições do indivíduo, das equipes de trabalho e da organização. Segundo os autores, a aplicação do Executive Coaching nas corporações corrobora para os seguintes aspectos estratégicos: a) Comunicação: Por intermédio do diálogo, a maior ambição do coach é afetar profundamente a maneira pela qual o aconselhado pensa e se comporta. Um 105 Executive Coaching Capítulo 5 Coaching eficaz exige boa capacidade de escuta de ambos os lados, feedback honesto e capacidade de questionar. A fusão equilibrada destes fatores concede à técnica o poder estratégico da comunicação. Como consequência, pode-se citar: a elaboração de planos de ação; o surgimento de tópicos submersos que ajudam a pessoa aconselhada a reconsiderar alguma posição ou linha de ação proposta; atitudes e opiniões podem se tornar reforçadas ou desafiadas; reforço da confiança ao agregar valor ao plano proposto. b) Carreira: Ao alinhar as necessidades de negócio com as necessidades de desenvolvimento de seu pessoal o Coaching assume um aspecto de natureza estratégica. A criação de uma trajetória de carreira para conservar os talentos e impulsionar profissões são alguns exemplos de atuação do Coaching Executivo. Por intermédio deste método, a pessoa que está sendo aconselhada tem a oportunidade de refletir sobre seu desenvolvimento pessoal, aliviar as pressões imediatas do dia a dia e pensar um pouco em si, propicia a suspensão da reação e repetição cotidiana, permite ampliar a visão das pessoas que passam a perceber a importância da equipe na execução de atividades. c) Liderança: Respeitar as pessoas como indivíduos e não meramente como engrenagens de uma máquina, conduzir as pessoas ao sucesso combinando a maneira com que desejam trabalhar com a maneira com que se tem que trabalhar são contextos que dão visibilidade e status estratégico ao Coaching Executivo. Em tempos em que a liderança se tornou de vital importância na obtenção de vantagem competitiva, faz-se necessário ao líder um senso de valor individual e de comunidade, postura diretiva e de delegação às atividades, resultados esses desejados por qualquer organização. d) Capital Intelectual: O sucesso corporativo que há muito era medido pelo seu material imobilizado, passa a agregar valores intimamente relacionados à maneira pela qual os executivos pensam, agem e interagem cotidianamente. À medida que a tecnologia e a automação substituem a rotina humana por máquinas, as pessoas passam a ser desafiadas pelo seu intelecto e não pelos seus músculos. Sendo assim, a vantagem competitiva das corporações não mais se encontra no valor do seu patrimônio material, mas sim no seu capital intelectual. O Coaching oferece solução singular no auxílio deste desafio. e) Aprendizado Contínuo: Se por um lado tem-se organizações com ciclos de vida cada vez mais curtos, concorrência acirrada e um mundo em constante evolução e renovação, por outro temos executivos, líderes, gerentes e colaboradores que precisam manter, reciclar e adquirir habilidades e competências que atendam a todo o dinamismo que o mundo dos negócios impõe. Para manter-se atualizado, um colaborador precisa 106 Coaching Executivo e de Negócios aprender praticamentetoda vida profissional, a qualquer tempo, a cada momento e o Coaching Executivo favorece esse processo de interação. O Coaching permite que as pessoas que estão usufruindo do processo aprendam, modifiquem e apliquem uma abordagem adequada a cada situação. f) Resultados: A percepção de executivo eficaz já não é mais a mesma, se antes a ênfase era o esforço, agora o destaque fica por conta dos resultados. Numa economia de serviços e conhecimentos, a opção por escolher atividades que realmente agreguem valor ao invés de esforços que meramente pareçam eficazes, pode fazer toda a diferença no sucesso pessoal, da equipe e da organização. O Coaching Executivo deve desenvolver um rumo no sentido de fazer a coisa certa para alcançar o máximo de desempenho. g) Inovações: Ideias inovadoras, aos olhos de determinadas pessoas e grupos, muitas vezes, são sinônimo de desconfiança e taxações preconceituosas. Essas situações são percebidas de forma mais acentuada na fase inicial da ideia, quando ainda se faz necessário realizar o acabamento daquilo que pode ou não ser aproveitado. Vivenciar, ou simplesmente correr o risco de passar por essa situação, pode se tornar um tormento ao profissional inovador, motivo pelo qual muitos preferem permanecer em silêncio. O Coaching Executivo oferece a estes profissionais a oportunidade de expor sem receio aquilo que pensam, livres das amarras ideológicas, num ato de valorização do intelecto e respeito ao pensamento inovador. O Quadro 6 demonstra as diretrizes que garantem os resultados esperados acima mencionados. Quadro 6 – Diretrizes que garantem os resultados esperados Componentes Estratégicos - Entender o contexto e desafios do negócio; - Definir os fatores de sucesso – atuais, temporários e para o futuro potencial; - Identificar as necessidades da empresa e do indivíduo; - Esclarecer os papéis e responsabilidades dos principais stakeholders; - Assegurar que o clima está pronto para o desenvolvimento nos níveis organizacional e individual; - Estabelecer um processo eficaz de parceria; - Planejar o acompanhamento para adotar a mudança comportamental eficaz. Fonte: Extraído e adaptado de Goldsmith, Lyons e Freas (2012). Considerando as competências indicadas para atuação de um coach nas empresas e os resultados esperados na organização com a aplicação do 107 Executive Coaching Capítulo 5 Executive Coaching, torna-se interessante entender os requisitos necessários em nível de especialização para atuação de um coach no mercado. A seguir veremos uma discussão de Goldsmith, Lyons e Freas (2012) sobre este assunto. A especialização de um coach A meta universal do relacionamento de Coaching Executivo nas empresas é como ajudar os líderes a aprender. Dentro dessa meta universal, existem muitos tipos de metas específicas que exigem do coach diferentes competências. O relacionamento mais popular visa dar feedback ao cliente, frequentemente, de uma série de fontes, de forma que possa servir como uma base para sua autopercepção e para a elaboração de um plano que vise melhorar a sua performance individual no trabalho. Uma vez que o Coaching é tão evidentemente útil para os clientes, a tendência é não haver critérios rigorosos para uma definição da competência profissional exigida dos coaches. Não há uma diferenciação clara entre o Coaching profissional, o Coaching vindo do chefe ou o Coaching por parte de amigos e colegas. Logo, a gama de consultores que definem o seu trabalho profissional como coaches varia enormemente. No topo da lista existem consultorias, tais como a Keity, Goldsmith and Company, que utilizam mecanismos sofisticados e profissionais bem treinados em seu trabalho e na outra extremidade da lista, encontram- se as pessoas que trabalharam como consultores internos de desenvolvimento organizacional, que fizeram um pouco de aconselhamento para clientes internos e que decidiram constituir uma empresa individual, ou os que se especializaram em Coaching e anseiam por entrar no mercado para desempenhar essa atividade nas empresas. Embora existam redes que proporcionam o desenvolvimento profissional baseado em técnicas específicas de Coaching, qualquer um pode se autodenominar coach em uma atividade. Fonte: Extraído e adaptado de Goldsmith, Lyons e Freas (2012). 108 Coaching Executivo e de Negócios Podemos perceber, pela leitura acima, que devido a inexistência de normas na área, torna-se uma questão pessoal do indivíduo que se autodenomina coach possuir uma base que julgue a sua competência e identifique a necessidade de melhorias, crescimento e uma especialização de renome. Por outro lado, torna-se evidente que a escolha de receber o auxílio é feita pelo cliente, e como todas as áreas de um mercado, supõe-se que este irá procurar o caminho mais confiável para conduzir o seu desenvolvimento ou indivíduos especializados e experientes no assunto. É necessário ressaltar que existe uma diferença clara entre um coach executivo e um consultor em nível de papéis e atuação nas empresas. A diferença principal consiste no fato de que um coach, apesar de muitas vezes precisar ter certas habilidades em relação ao entendimento do funcionamento e gestão de uma empresa, não está focado em atuar nas especificidades técnicas ou aconselhamentos pontuais de gestão da empresa e dos processos. O foco do coach executivo consiste em elevar o desempenho do profissional que está sendo aconselhado e o conduzir, consequentemente, ao atingimento das metas da empresa, considerando o seu âmbito comportamental e técnico e contribuindo para o aperfeiçoamento da liderança na organização. Logo, pode-se afirmar que todo coach é um consultor, mas nem todo consultor é um coach. Algumas Considerações Podemos observar que alguns autores e também coaches recomendam que para auxiliar um executivo na melhoria de suas competências e habilidades é necessário que o coach possua conhecimento e domínio sob grandes áreas de gestão de um negócio, tais como: gestão organizacional, gestão de competências emocionais e gestão de carreira. O objetivo desse capítulo não foi de entrar nas especificidades dessas grandes áreas de gestão, até porque são assuntos extensos e que envolvem diferentes literaturas e autores especializados. Contudo, o propósito deste capítulo consistiu em demonstrar o quadro geral das competências recomendadas aos coaches para aplicação do Coaching Executivo e de Negócios nas empresas e os resultados que se esperam para a organização por meio dessa prática. 109 Executive Coaching Capítulo 5 Logo, com todos os resultados demonstrados, tanto por esse capítulo quanto pelos anteriores, pode-se afirmar com veemência que o emprego de Executive Coaching nas empresas é uma excelente alternativa estratégica para efetuar a melhoria das habilidades e competências das lideranças, alavancando, assim, o desempenho e qualidade dos negócios. Referências GOLDSMITH, Marshall; LYONS, Laurence; FREAS, Alyssa. Coaching: o exercício da liderança. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2012. PAULA, Maurício de. Executive Coaching e gestão de carreira. São Paulo: Scortecci, 2005.