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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE DAKOTA UNION EMPRESA CONCESSIONÁRIA DE ENERGIA ELÉTRICA “SUPER SHOCK”, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ de nº, com sede na cidade, bairro, rua, nº, Estado, vem respeitosamente, por intermédio de seu advogado que a esta subscreve, com fundamento no art. 5º, LXIX, da Constituição Federal de 1988, e artigo 1º da Lei 12.016/09 impetrar MANDADO DE SEGURANÇA em face de ato administrativo praticado pelo Município DAKOTA UNION, pessoa jurídica de direito público interno com sede na ... e da Lei nº 123/2020 do referido Município, consubstanciado nos fatos e fundamentos jurídicos a seguir aduzidos. BREVE SÍNTESE FÁTICO-JUDICIAL A Empresa concessionária de energia elétrica “Super Shock”, ora reclamante, foi notificada pelo Município Dakota Union a efetuar o pagamento do valor de uma multa por supostamente ter descumprido o disposto na Lei Municipal nº 123/2020 que a impedia de: a) realizar estimativas de consumo para fins de cobrança e b) efetuar cobrança retroativa nos casos de erro/ defeito nos equipamentos de medição, prevendo sanção pecuniária em caso de inobservância da referida lei. Por não ter cumprido a ordem legal, o Município arbitrou à Concessionária multa no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). DO DIREITO O Mandado de Segurança é um remédio constitucional, definido tanto na Constituição de 1988, artigo art. 5º, LXIX, como na lei 2016/2009, servindo para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público (art. 5º, LXIX). De modo que, cabe ao impetrante demonstrar a lesão a direito líquido e certo, ou seja, direito que se considera incorporado definitivamente ao patrimônio de alguém e sobre o qual não paira dúvida ou contestação possível. Portanto, diante do caso em tela, é notório o cabimento do Mandado de Segurança. De forma clara, trazendo à baila os fatos acima expostos, há de se observar a absurdidade da aplicação de multa que o referido Município Dakota Union fez contra a parte autora. Considerando-se a importância que a empresa tem para o fornecimento de energia da cidade, é, no mínimo temerário aplicar multa que causa dificuldade no funcionamento da empresa. Ou seja, diferentemente do cidadão comum, que pode fazer tudo que a lei não proíbe (Art. 5º, inc. II da CF), a Administração Pública só pode fazer aquilo que estiver previamente previsto em lei (Art. 37 da CF). E com os órgãos de fiscalização de trânsito não é diferente, uma vez que são vinculados ao princípio da Legalidade, segundo o qual, devem seguir procedimentos legalmente previstos. O princípio da legalidade é a base de todos os demais princípios, uma vez que instrui, limita e vincula as atividades administrativas, conforme refere Hely Lopes Meirelles: "A legalidade, como princípio de administração (CF, art.37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da Lei e do Direito. É o que diz o inc. I do parágrafo único do art. 2º da lei9.784/99. Com isso, fica evidente que, além da atuação conforme à lei, a legalidade significa, igualmente, a observância dos princípios administrativos. Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘poder fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’." (in Direito Administrativo Brasileiro, Editora Malheiros, 27ª ed., p. 86), Assim entende a doutrina quanto ao fato de a empresa não ter tido a oportunidade de se defender : "É sabido que a ampla defesa e o contraditório não alcançam apenas o processo penal, mas também o administrativo, nos termos do art. 5º, LV da CF/88. É que a Constituição estende essas garantias a todos os processos, punitivos ou não, bastando haver litígios". (Harrison Leite, Manual de Direito Financeiro, Editora jus podivum, 3ª edição, 2014, p. 349). II – DOS PEDIDOS 1.) Que seja a multa aplicada pelo Município Dakota Union declarada inválida; 2.) Que seja declarada inconstitucional a Lei 123/2020, pois viola os preceitos e súmulas do Supremo Tribunal Federal; 3.) Que seja citado o Município Dakota Union, impetrado, e que, no prazo, possa apresentar suas contrarrazões; 4.) A intimação do ilustre represente do Ministério Público, pois, como parte autônoma deve acompanhar o feito; Dá-se à presente ação o valor de 20.000 (vinte mil) reais. Nestes termos, pede deferimento. Dakota Union/ Data Advogado OAB nº