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Hemorragias da primeira metade da gestação

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Definição 
 É um termo genérico que engloba 
um conjunto de alterações que surgem a 
partir do trofoblasto. Humano e apresentam 
como característica comum o antecedente 
gestacional. Essas alterações se caracterizam 
pela proliferação anormal dos diferentes tipos 
de epitélio trofoblástico (citotrofoblasto, 
sinciciotrofoblasto e trofoblasto intermediário). 
 
 
 
Classificação: 
• Mola hidatiforme (benigna): completa 
ou parcial 
• Neoplasia trofoblástica gestacional 
(maligna): mola invasiva, 
coriocarcinoma, tumor trofoblástico 
do sítio placentário e tumor 
trofoblástico epitelióide. 
Neoplasia: malignização dessa degeneração 
placentária 
 
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Mola hidatiforme (completa ou parcial) 
Completa 
Não há desenvolvimento do embrião, 
membranas e cordão umbilical. 
Macroscopicamente, a mola completa tem o 
aspecto de “cacho de uva”. Do ponto de vista 
histológico, todas as vilosidades se encontram 
alteradas, com dilatação hidrófica e formação 
de cisterna central repleta de líquido. Não há 
vaso ou hemácia fetal na vilosidade coriônica. 
A principal característica histológica é a 
hiperplasia difusa do citotrofoblasto e dos 
sinciciotrofoblasto. 
Do ponto de vista genético, a mola 
completa tem seus cromossomos 
exclusivamente de origem paterna e em sua 
maioria as molas desse tipo são 46, XX. Por 
um mecanismo pouco conhecido, os 
cromossomos do óvulo estão ausentes ou 
inativos. 
Em relação a evolução clínica, a mola 
completa progride para formas malignas de 
doença trofoblástica gestacional em torno de 
20% das vezes. 
 
As vesículas da mola são preenchidas 
por hormônios (testosterona, Hcg, LH, PRL -
> tem sintomas de gravidez muito mais 
proeminente). 
 
Há degeneração completa da placenta 
Parcial 
 Macroscopicamente, pode ser 
identificado um embrião ou feto com 
inúmeras malformações associado a placenta 
aumentada com presença de vesículas (o 
feto vai a óbito rapidamente). A análise 
microscópica pode evidenciar vilosidades 
normais juntamente com vilosidades 
hidrópicas. A inclusão do trofoblasto dentro do 
estroma, ainda que não seja patognomônica, 
é altamente sugestiva de mola parcial. A 
hiperplasia é focal e em geral limitada ao 
sinciciotrofoblasto. 
 Do ponto de vista genético, 
aproximadamente 90% das molas parciais se 
originam da fecundação de um óvulo normal 
por dois espermatozóides, resultando em 
uma célula triploide (69, XXX ou 69, XXY), 
enquanto os 10% restantes são tetraploides. 
 A mola parcial apresenta evolução 
mais benigna que a completa, e 
aproximadamente 5% dos casos progridem 
para formas malignas de doença trofoblástica 
gestacional. 
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Degeneração parcial da placenta 
Diagnóstico 
Quadro clínico 
 A presença de quadro clínico típico 
da mola depende da idade gestacional de seu 
diagnóstico. EM virtude do avanço e da 
difusão da ultrassonografia, cada vez mais o 
diagnóstico de gestações molares é precoce, 
sendo que nesses casos as pacientes são 
assintomáticas em sua maioria 
 O sangramento vaginal é o sinal mais 
encontrado nos casos de mola, associado ou 
não a atraso menstrual. Apresenta-se com 
coloração escura, em geral em pequena 
quantidade, e tem início por volta da oitava 
semana de gravidez. A eliminação 
espontânea de vesículas é indício 
patognomômico dessa enfermidade; contudo, 
atualmente, é de ocorrência rara, em virtude 
do diagnóstico cada vez mais precoce. O 
sangramento pode vir acompanhado de 
dores abdominais, geralmente localizadas no 
hipogástrio. 
Sintomas: hiperêmese gravídica, 
perda grande de peso, hipertireoidismo (beta-
hCG muito aumentado é similar ao TSH, 
podendo estimular a tireoide materna), pré-
eclâmpsia no início da gravidez (pois existe 
muito hormônio circulante) 
 Ao exame físico, nota-se a 
discordância entre o volume uterino e o 
atraso menstrual. O aumento exagerado do 
volume, consequência da proliferação do 
conteúdo molar, é o segundo sinal mais 
frequente da mola. Com exceção de casos 
de mola parcial com feto, não se identificam 
partes fetais ou presença de batimentos 
cardíacos fetais. 
 As pacientes com mola completa 
podem apresentar cistos ovarianos 
(tecaluteínicos -> pela hiperestimulação do 
beta-hCG) com mais de 6cm de maior 
diâmetro, é comum a ocorrência de dor 
abdominal pela distensão da cápsula ovariana. 
 
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 Nos exames, o T4 livre está 
aumentado, TSH reduzido (suprimido pela 
ação do beta-hCG simulando o TSH). O Raio-
X de tórax pode ser útil para identificar 
metástases (se malignizar o pulmão é o 
primeiro local acometido) 
Tratamento 
• Curetagem por vácuo aspiração 
(risco de perfuração uterina e de 
deixar restos – esvaziamento 
incompleto) – não utiliza a 
curetagem cortante por risco de 
perfuração 
• Histerectomia: exceção, em prole 
definida 
• Acompanhamento: 
o Beta-hCG semanas até 3 
normais consecutivas, 
mensais por 6 meses e com 
1 ano 
o Contracepção: ACO ou 
injetável, DIU contraindicado 
(pela inflamação que causa 
no endométrio, dificultando a 
visualização do ógão pelo 
USG) 
o Imunoglobulina anti-D para 
paciente Rh– e parceiro Rh+ 
Neoplasia trofoblástica gestacional 
 
Mola invasora é menos grave, 
enquanto o caoriocarcinoma é mais grave 
 
 
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• Apenas quimioterapia (QTX) quando 
a paciente ainda deseja ter filhos. 
• Já a histerectomia é feita na paciente 
com prole definida ou na presença 
de sangramento incontrolado -> 
histerectomia total abdominal (HTA) 
 
• 3 negativos semanais -> mensal por 
um ano (para ver se não tem 
recrudescência da doença ou 
metástase não vista 
• Estadio IV: manter dosagem mensal 
por 2 anos 
• MAC = método contraceptivo por 5 
anos (não pode engravidar neste 
período)