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S1P1-Refluxo Gastroesofágico

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cintura ou se deita, e 
frequentemente é aliviado na posição sentada com as costas retas. 
 A esofagite de refluxo consiste em lesão da mucosa do esôfago, hiperemia e inflamação. As complicações 
como estenoses e esôfago de Barrett desencadeiam um ciclo de lesão da mucosa seguida de hiperemia, 
edema e erosão da superfície interna do órgão. As estenoses são causadas por uma combinação de fibrose 
tecidual, espasmo e edema. Essa complicação causa estreitamento do esôfago e disfagia quando a 
constrição do lúmen esofágico é significativa. O esôfago de Barrett (Figura 37.4) consiste em alteração 
anormal (metaplasia) nas células da parte inferior do esôfago caracterizada por um processo de reparo, no 
qual a mucosa escamosa que normalmente reveste o esôfago substituída de forma gradativa por epitélio 
colunar anormal semelhante ao encontrado no estômago ou nos intestinos.1 Essa complicação está 
associada ao aumento do risco de desenvolver adenocarcinoma do esôfago. 
 Sintomas típicos 
 Pirose (sensação de queimação retroesternal, ascendente em direção ao pescoço) e regurgitação (retorno 
de conteúdo gástrico, ácido ou amargo, até a faringe), de fácil reconhecimento. 
 Sintomas atípicos 
 Sintomas extraesofágicos 
 Manifestações extraesofágicas pulmonares (tosse crônica, asma, bronquite, fibrose pulmonar, aspiração 
recorrente, den- tre outras). 
 otorrinolaringológicas (rouquidão, globus, roncos, pigarro, alterações das cordas vocais, laringite crônica, 
sinusi- te e erosões dentárias) estão associadas à DRGE, mas não são específicas. A maioria dos pacientes 
com sinais e/ou sintomas extraesofágicos não apresenta sintomas típicos concomitan- tes. Na realidade, a 
DRGE pode ser apenas uma das diversas causas destes sintomas. Portanto, nos pacientes com sintomas 
extraesofágicos, é necessária a confirmação da existência de DRGE, através de exames complementares 
ou de resposta ao tratamento com antissecretores potentes, para concluir que a causa é a DRGE. 
 
 Sintomas de alarme 
 As manifestações de alarme, que sugerem formas mais agres- sivas ou complicações da doença, são: 
odinofagia, disfagia, sangramento, anemia e emagrecimento. 
Diagnóstico 
 O diagnóstico do refluxo gastresofágico baseia-se principalmente no relato de sintomas de refluxo e nos 
exames diagnósticos opcionais, inclusive teste de supressão da acidez, esofagoscopia e monitoramento 
ambulatorial do pH esofágico. 
 Os testes de supressão da acidez consistem em administrar um inibidor da bomba de prótons (IBP) por 7 
a 14 dias para determinar se os sintomas são aliviados. 
 A esofagoscopia consiste em introduzir um endoscópio de fibra óptica flexível no esôfago com a 
finalidade de examinar o lúmen do sistema digestório superior. Esse exame também possibilita fazer 
uma biopsia, se for necessário. 
 Com o monitoramento do pH por 24 h, um tubo fino com eletrodo de pH é introduzido pelo nariz até o 
esôfago. Os dados fornecidos pelo eletrodo são registrados em uma pequena caixa leve fixada por um 
cinto em torno da cintura e depois analisados por um computador. Esse equipamento torna possível ao 
paciente anotar as alterações da posição, refeições, pirose ou dor, que depois são correlacionadas com os 
episódios de refluxo ácido. 
 Endoscopia digestiva alta 
A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha para ava- liação das alterações da mucosa esofágica 
secundárias à DRGE, permitindo, além de sua visualização direta, a coleta de frag- mentos esofágicos 
através de biopsias. As principais indicações de realização de endoscopia digestiva em pacientes com 
sus- peita de DRGE são: 
•Excluir outras doenças ou complicações da DRGE, prin- cipalmente em pacientes com sintomas de 
alarme, como disfagia, emagrecimento, hemorragia digestiva. 
•Pesquisar a presença do esôfago de Barrett em pacientes com sintomas de longa duração. 
•Avaliar a gravidade da esofagite. 
•Orientar o tratamento e fornecer informações sobre a Tendência de cronicidade do processo. 
Refluxo gastresofágico em crianças 
 O refluxo gastresofágico (RGE), definido como a passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, é 
diferenciado da DRGE, que inclui sintomas significativos ou complicações associadas ao RGE. 
 O RGE ocorre em mais de dois terços de recém-nascidos/lactentes saudáveis e é objeto de discussão 
com pediatras em 25% das consultas de puericultura (lactentes com 6 meses de vida). O RGE é 
considerado um processo fisiológico normal que ocorre várias vezes ao dia em lactentes, crianças e 
adultos saudáveis. 
 De modo geral, o RGE está associado a relaxamento transitório do EEI independentemente de 
deglutição, que possibilita a entrada do conteúdo gástrico no esôfago. Menos se sabe sobre a fisiologia 
normal do RGE em lactentes e crianças, mas a regurgitação, a manifestação clínica mais visível, é 
relatada como ocorrendo diariamente em 50% dos lactentes. 
 A capacidade reduzida do reservatório esofágico dos lactentes, combinada com reduções espontâneas e 
frequentes da pressão dos esfíncteres, contribui para o refluxo. 
 Em cerca de 50% dos recém-nascidos até os 3 meses de idade, ocorre no mínimo um episódio de 
regurgitação por dia. 
 Com 8 meses, o refluxo torna-se menos frequente e desaparece aos 2 anos de idade21, à medida que a 
dieta da criança avança naturalmente e ela consegue manter uma postura mais ereta. Embora muitos 
recém-nascidos apresentem refluxo leve, as complicações podem ocorrer nas crianças com episódios 
mais frequentes ou persistentes. Essa condição é mais comum nas crianças com paralisia cerebral, 
síndrome de Down, fibrose cística e outras doenças neurológicas. 
Na maioria dos casos, os recém-nascidos com refluxo simples crescem normalmente e são saudáveis e seus 
sintomas regridem entre 9 e 24 meses de idade. O refluxo patológico é classificado em três grupos: 
1.Regurgitação com desnutrição 
2.Esofagite 
3.Problemas respiratórios. 
Manifestações clínicas 
 As manifestações clínicas de refluxo variam de acordo com a idade da criança. 
 Crianças pré-adolescentes apresentam, com frequência, pirose, epigastralgia, dor abdominal, 
regurgitação e vômitos intermitentes. 
 Lactentes e crianças com 1 a 3 anos de idade, contudo, apresentam mais comumente regurgitação e 
distúrbios alimentares. Investigação diagnóstica adicional é necessária se vômitos recorrentes forem 
acompanhados por retardo do ganho de peso, choro excessivo, irritabilidade, transtorno do sono, 
dificuldade para se alimentar ou distúrbios respiratórios ou se os sintomas persistirem após o uso de 
fórmula hipoalergênica ou supressão empírica do ácido gástrico 
 Inclinação da cabeça para um dos lados e arqueamento do dorso podem ocorrer nas crianças com refluxo 
grave. O posicionamento da cabeça parece representar uma tentativa de proteger as vias respiratórias ou 
reduzir o refluxo associado à dor. Em alguns casos, a regurgitação está associada a cáries dentárias e 
otalgia recidivante. A dor na orelha parece ser devida à irradiação da dor esofágica para a orelha por 
meio do nervo vago. 
 Vários sinais e sintomas respiratórios são causados pela lesão da mucosa respiratória quando o refluxo 
gástrico entra no esôfago. O refluxo pode causar laringospasmo, apneia e bradicardia. Cerca de 50% das 
crianças asmáticas podem ter também DRGE. As crianças asmáticas que são especialmente suscetíveis a 
apresentar DRGE como fator desencadeante são as que apresentam sintomas de refluxo, asma refratária 
ou dependência de corticoide e agravamento noturno dos sintomas. 
 OBS: HERNIA DE HIATO 
 
 
 
 
Hérnia de hiato 
A hérnia de hiato caracteriza-se por uma protrusão ou herniação do estômago através do hiato esofágico 
do diafragma. Existem dois padrões anatômicos de hérnia de hiato: axial (ou deslizamento) e não axial 
(ou paraesofágica).13 A hérnia de hiato por deslizamento