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95 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Unidade IV 7 GESTÃO DE SERVIÇOS E PRODUTOS Entender alguns conceitos iniciais em gestão e administração proporcionará ao profissional de marketing e vendas uma visão mais genérica sobre a realidade organizacional e, consequentemente, possibilitará desenvolver planos estratégicos para produtos e serviços condizentes com a realidade da organização. Dessa forma, explicaremos um pouco sobre como gerir as empresas, os produtos e os clientes. A origem da palavra administração vem do latim administer e se a dividirmos, o sufixo ad está relacionado com direção ou tendência, já o restante da palavra, minister, é igual à subordinação ou obediência. E o que é então administração? É o ato de trabalhar com e por meio de pessoas para realizar os objetivos tanto da organização quanto de seus membros. A administração é uma ciência fundamentada em um conjunto de normas e funções elaboradas para disciplinar elementos de produção. Seu objetivo é obter resultado eficaz e retorno desejado, com ou sem fins lucrativos, de forma sustentável e com responsabilidade social. Sendo assim, é importante deixar claro dois conceitos muito usados na ciência da administração, que são: • Eficiência: determina o quanto uma organização usa corretamente seus recursos. Quanto mais alto o grau de produtividade na utilização de seus recursos, mais eficiente é a organização. • Eficácia: determina o quanto uma organização realiza os seus objetivos. Quanto mais alto o grau de realização dos objetivos, mais a organização é eficaz. Maximizar a realização de objetivos Eficácia Fazer as coisas certas Preocupação com os fins Maximização dos objetivos alcançados Ênfase nos resultados Escolha dos objetivos mais apropriados Eficiência Fazer bem as coisas Preocupação com os meios Minimização dos recursos utilizados Ênfase nos processos Ausência de desperdícios Minimizar a utilização de recursos Figura 37 Fonte: Sobral e Peci (2013, p. 6). 96 Unidade IV Saiba mais Para saber mais sobre eficiência e eficácia, assista ao vídeo do Portal dos Administradores. QUAL a diferença entre eficiência e eficácia? 14 out. 2016. 1 vídeo (2min43s). Publicado pelo canal Portal Administradores. Disponível em: https://bityli.com/uypoEL9. Acesso em: 3 jan. 2022. Dessa forma, quando a administração está sendo eficaz, quer dizer que está alcançando aquilo que foi objetivado; já quando está sendo eficiente, está alcançando o que foi objetivado, porém utilizando menos recursos do que foi programado. Para facilitar a criação e implantação dos objetivos e metas organizacionais, é necessário dividir as organizações em área funcionais, que são, normalmente, quatro: • Finanças. • Produção e operações. • Marketing e vendas. • Recursos humanos. Recursos humanos Áreas funcionais da organização Produção e operações Finanças Marketing e vendas Figura 38 – Áreas funcionais da organização Vale ressaltar que essas áreas precisam trabalhar em conjunto com o objetivo principal de alinhamento para entregar um produto ou serviço de excelência para o mercado, sendo assim, não 97 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS existe uma área mais importante do que a outra, todas têm a mesma importância na administração e são interdependentes de recursos, informações e processos. A área financeira cuida das finanças da empresa, tem como funções preocupar-se com as questões de análise e informações de valores, investimentos, financiamentos e distribuição de dividendos. A área operacional produz bens ou serviços, recebimentos e transformação de matéria-prima ou insumos em produtos. As funções da área são de planejamento de produtos, instalações, processos produtivos, organização de trabalho, planejamento da produção, estoques, controle e compras. A área de marketing e vendas tem como objetivo conseguir e manter os clientes em uma organização. As funções da área são de pesquisa de mercado, criação e gestão de produtos, precificação, distribuição, comunicação e atividades de vendas. A área de recursos humanos cuida e capitaneia pessoas, recrutando e selecionando profissionais para as organizações. As funções da área são de implantação de políticas de gestão de pessoas, recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, avaliação de desempenho, remuneração, benefícios. Saiba mais Diego Barreto, especialista em estratégia e mentor de startup, explica sobre a sistematização dos processos tradicionais e como as empresas precisam se preocupar mais com o comportamento dos funcionários do que com as habilidades processuais. EMPREENDEDORISMO e processos tradicionais. Diego Barreto. 7 mar. 2017. 1 vídeo (7min7s). Publicado pelo canal Casa do Saber. Disponível em: https://bityli.com/qdqqdWS. Acesso em: 3 jan. 2022. A tarefa da administração é interpretar os objetivos propostos pela empresa e transformá-los em ação através do planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados, em todas as áreas e em todos os níveis da companhia, a fim de atingir tais objetivos. Administrar envolve a elaboração de planos, pareceres, relatórios, projetos, arbitragens e laudos, em que é exigida a aplicação de conhecimentos relativos às técnicas de administração. Dessa forma, é a ação que envolve várias áreas do conhecimento das ciências exatas, filosóficas e humanas. Outros pontos importantes da administração são os papéis de liderança e as competências necessárias, conforme gráfico seguinte. 98 Unidade IV Habilidades conceituais (ideias e conceitos abstratos)Nível estratégico Nível tático Nível operacional Habilidades humanas (relacionamento interpessoal) Alta direção Gerência Supervisão Habilidades técnicas (manuseio de coisas físicas) Execução das operações Fazer e executar Figura 39 – Habilidade de administrar Adaptada de: Sobral e Peci (2013, p. 19). Toda a organização tem uma estrutura que pode ser dividida em três níveis hierárquicos, cada um deles necessita de uma habilidade específica dos profissionais de gestão. Na base da pirâmide, temos o nível operacional. Nessa situação, os profissionais precisam supervisionar as atividades e possuir habilidades técnicas para manusear equipamentos físicos. No meio da pirâmide, temos o nível tático. Nessa situação, os profissionais precisam de habilidades humanas, isto é, saber se relacionar com pessoas, o que também pode ser chamado de relacionamento interpessoal. Aqui cabe o gerenciamento das operações e dos processos organizacionais. No topo da pirâmide, temos o nível estratégico. Nessa situação, profissionais precisam de habilidades conceituais, um profissional com conhecimento, habilidades e atitudes condizentes com as necessidades das organizações. Normalmente, nesse espaço, estão a alta gerência, a presidência e os CEOs. O processo de administrar também conta com algumas funções importantes e correlacionadas que são: • Planejamento: —― estabelecer objetivos e a missão; — criar/definir estratégias para o alcance dos objetivos; 99 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS — examinar alternativas; —― determinar as necessidades de recursos. • Direção: —― conduzir e motivar empregados na realização de metas organizacionais; —― estabelecer comunicação com os trabalhadores; —― apresentar solução dos conflitos; —― gerenciar mudanças. • Organização: —― criar a estrutura organizacional; —― desenhar cargos e tarefas específicas; —― definir e destinar recursos; —― coordenar as atividades de trabalho. • Controle: —― medir o desempenho; —― estabelecer comparação do desempenho com os padrões; —― tomar as ações necessárias para melhoria do desempenho. Vale lembrar que como no processo uma função é interdependente da outra e precisa funcionar como uma engrenagem para que a gestão ocorra de maneira eficiente no alcance de metas e objetivos. A partir daqui, abordaremos um pouco sobre o comportamento específico do administrador moderno e quais as competências desejadas paraesses profissionais. Logo, o profissional precisa de algumas características que, unidas, se transformam em competência. No caso de administradores, podemos dividir em quatro aspectos: conhecimento, julgamento, perspectiva e atitude. 100 Unidade IV Julgamento Avaliar situação Obter dados e informações Julgar os fatos Ponderar com equilíbrio Definir prioridades Conhecimento Saber Know-how Aprender contínuo Ampliar, transmitir e compartilhar Conhecimento Atitude Saber fazer acontecer Empreendedorismo Criatividade e inovação Foco em resultado Autorrealização Agente de mudanças Perspectiva Saber fazer Aplicar conhecimento Visão global e sistêmica Propor soluções Trabalhar em equipe Figura 40 – Competências do administrador O aspecto conhecimento está relacionado com o saber que o profissional adquiriu, o saber fazer, chamado no inglês de know-how, o aprender contínuo, ensinando e aprendendo. O aspecto julgamento é a competência relacionada com a avaliação, isto é, através de dados e informações, julgar os fatos e propor soluções certeiras e equilibradas. A perspectiva é a competência relacionada com o saber fazer, aplicação de conhecimentos. O profissional tem visão global e sistemática para propor soluções de problemas, além disso, é importante saber trabalhar em equipe. A atitude é a competência relacionada com o saber fazer acontecer, isto é, as ações têm resultados positivos e favoráveis, competências como empreendedorismo, criatividade, inovação são pontos importantes para o gestor com essa competência. Outros aspectos importantes que os profissionais de gestão e administração precisam estabelecer são os papéis e perfis na tomada de decisão. Nesse caso, existem três formas e possíveis conjunturas no ato de decidir: papéis interpessoais, informacionais e decisórios. Quadro 5 – Papéis do administrador Papéis interpessoais Papéis informacionais Papéis decisórios Como o administrador interage Como o administrador intercambia e processa a informação Como o administrador utiliza a informação nas suas decisões - Representação - Liderança - Ligação - Monitoração - Disseminação - Porta-voz - Empreendedorismo - Solução de conflitos - Alocação de recursos - Negociação 101 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS O papel interpessoal está relacionado com a interação do administrador pautada na liderança ou na representação, é uma competência que liga a interação do gestor com as demais pessoas nos processos organizacionais. O papel informacional está relacionado em como o gestor faz o intercâmbio das informações. Aqui, a competência e o compromisso com a comunicação podem ser a chave para o sucesso. E, por último, o papel decisório, que é utilizar as informações obtidas para tomar determinadas decisões ligadas a situações mais diversas do âmbito organizacional. No quadro, apresentamos as categorias da tomada de decisão, os papéis do administrador e quais são as atividades ligadas a cada um dos papéis. Quadro 6 – Papéis e atividades do administrador Categoria Administrador Atividade Interpessoal Representação Assume deveres cerimoniais e simbólicos, representa a organização, acompanha visitantes, assina documentos legais Liderança Dirige e motiva pessoas, treina, aconselha, orienta e se comunica com os subordinados Ligação Mantém redes de comunicação dentro e fora da organização, usa malotes, telefonemas e reuniões Informacional Monitoração Manda e recebe informação, lê revistas e relatórios, mantém contatos pessoais Disseminação Envia informação para os membros de outras organizações, envia memorandos e relatórios, telefonemas e contatos Porta-voz Transmite informações para pessoas de fora através de conversas, relatórios e memorandos Decisorial Empreende Inicia projetos, identifica novas ideias, assume riscos, delega responsabilidades de ideias para outros Resolve conflitos Toma ação corretiva em disputas ou crises, resolve conflitos entre subordinados, adapta o grupo a crises e a mudanças Aloca recursos Decide a quem atribuir recursos. Programa, orça e estabelece prioridades Negocia Representa os interesses da organização em negociações com sindicatos, em vendas, compras ou financiamentos 7.1 Cadeia de valor para a gestão de serviços e produtos A cadeia de valor é um modelo desenvolvido por Michael Porter nos anos 1980. Ela serve para que tenhamos uma visão ampla e integrada das diversas atividades, ou melhor, da cadeia de atividades da empresa. Como elas se dividem, se relacionam e devem ser administradas a fim de que cada um possa adicionar valor e criar vantagem competitiva. 102 Unidade IV Serviço Atividades de apoio Atividades primárias M argem M argem Infraestrutura da empresa Logística interna Operações Logística externa Marketing & vendas Gerência de recursos humanos Desenvolvimento de tecnologia Aquisição Figura 41 – Cadeia de valor Adaptada de: Porter (1980, p. 36). Saiba mais Para entender melhor os conceitos de vantagem competitiva, assista ao vídeo da Casa do Saber, com Diego Barreto, especialista em estratégia e empreendedorismo. PARA entender a vantagem competitiva. Diego Barreto. 4 maio 2017. 1 vídeo (12min31s). Publicado pelo canal Casa do Saber. Disponível em: https://bityli.com/G3wVQju. Acesso em: 3 jan. 2022. As atividades primárias estão diretamente ligadas à produção e à comercialização de um produto. Já as atividades de apoio ou suporte ajudam que os produtos sejam comercializados e produzidos. E a margem é a receita da cadeia superando o custo. Para melhor entendimento, explicaremos pontualmente cada etapa da cadeia de valor, iniciando com os processos principais: • Logística interna: atividades responsáveis pela obtenção de insumos necessários à produção. • Operações: atividades de transformação dos insumos em produtos. • Logística externa: atividades que fazem o produto acabado chegar ao cliente. 103 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS • Marketing e vendas: informar, estudar e planificar meios de atingir o cliente e oferecer o produto. • Serviços: atividades de after market, assistência ao cliente no pós-venda. Já os processos de apoio ou secundários são: • Infraestrutura: atividades de administração-administrativo, contábil, financeiro, jurídico, diretoria etc. • Gestão de RH: gestão do pessoal como recrutamento, seleção, admissão, demissão, pagamentos, registros, desenvolvimento, treinamento, universidade corporativa etc. • Desenvolvimento tecnológico: inovações, otimizações, reengenharia, produtividade. • Aquisições: atividades de compras de insumo, bens e imobilizados. Quando propomos essa ferramenta de trabalho, esperamos que exista uma melhor interface entre áreas com menor ruído possível. Dessa forma, teremos um processo enxuto e com pouco desperdício e entregaremos ao cliente um produto de valor. 7.2 Relacionamento com o cliente O bom atendimento é uma necessidade ou um diferencial para as empresas? Ou seria a mistura dos dois? Essas perguntas parecem bastante fáceis de responder, entretanto o difícil é aplicar processos eficientes para atender às necessidades e expectativas dos clientes e, quiçá, ter um atendimento diferencial. O ponto de maior concordância é que com a realidade econômica e a alta concorrência nos mais diversos segmentos da indústria, fica difícil acreditar que uma organização conseguirá operar não tendo um bom atendimento ao cliente. Logo, os clientes são essenciais para as organizações, são o oxigênio delas e precisam ser cuidados, monitorados e controlados constantemente. Vale lembrar que estudar o cliente e as relações com as organizações é muito importante, pois além de possibilitar a criação de planos e estratégias de fazer o atendimento e relacionamento, capacita os profissionais que trabalharão no atendimento. De acordo com Meinberg et al. (2007), o verdadeiro vendedor é aquele que transforma o não em sim, e pessoas que não são clientes em consumidores assíduos. Além disso, elesacreditam que a competência de vendas pode ser desenvolvida com aperfeiçoamento. Desenvolver a habilidade em vendas pode ser conseguido pelos profissionais com cursos e aperfeiçoamentos, conhecimentos técnicos, relacionamento interpessoal, boa comunicação, empatia e resiliência. Como é dito popularmente: 99% transpiração e 1% inspiração. 104 Unidade IV Exemplo de aplicação Figura 42 Disponível em: https://bityli.com/G5LsOhD. Acesso em: 28 dez. 2021. Uma atividade importante no relacionamento com o cliente é conseguir responder se você seria seu próprio cliente. E aí? Sim? Não? Por qual motivo escolheu tal resposta? Existem dois tipos de clientes: os que são externos e os que são internos da organização. Quem é cliente interno? São as pessoas que trabalham direta ou indiretamente nas organizações, os empregados e colaboradores. Quem é cliente externo? São as pessoas que estão externas às organizações e solicitam um serviço/produto ou informação. Vale ressaltar que os clientes internos precisam que as expectativas e demandas sejam atendidas, eles necessitam sentir-se parte da organização e, consequentemente, a tendência é a prestação de um bom atendimento ao cliente externo. Logo, não é possível acreditar que será realizado um bom atendimento ao cliente externo sem que os clientes internos se sintam satisfeitos com os seus postos, benefícios, salários e lideranças. E como as organizações precisam ter as áreas funcionais integradas e com processos interdisciplinares, a satisfação dos clientes internos precisa ser de todas as áreas, não apenas com foco nos funcionários do comercial e marketing. 105 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Saiba mais Para saber mais sobre gestão de pessoas, acesse: IDALBERTO Chiavenato. Referência na administração #7. 14 set. 2017. 1 vídeo (18min32s). Publicado pelo canal A Serviço da Administração. Disponível em: https://bityli.com/LW7FW9p. Acesso em: 3 jan. 2022. Já quando falamos dos clientes externos, podemos definir como uma pessoa ou unidade organizacional que desempenha papel no processo de troca ou transação com uma empresa ou organização, podendo assumir diferentes papéis durante o processo de compra: o de comprador, de pagante e o de usuário. Conforme diagrama seguinte: Comprador É a pessoa que faz a escolha de determinado produto ou serviço Pagante É a pessoa que paga por determinado produto ou serviço Usuário É a pessoa que irá utilizar e/ou usufruir de determinado produto ou serviço Figura 43 – Papéis dos clientes Um ponto importante para ser observado é que uma mesma pessoa pode assumir os três papéis simultaneamente ou pessoas distintas assumem os mais diversos papéis no processo de consumo. Um exemplo pode ser o de produtos para bebês, nos quais os pais são os compradores e pagantes; o bebê, o usuário dos produtos ou serviçs. Logo, as organizações precisam se preocupar em atender os mais diversos possíveis clientes e todos os papéis que estes ocupam. Vale notar que cada um dos papéis terá necessidades e expectativas distintas. Outra particularidade dos clientes é que estes têm formas de atuação: fabricantes, intermediários ou clientes finais. 106 Unidade IV Fabricante Intermediário Cliente final ou consumidor Figura 44 – As formas de atuação dos clientes Adaptada de: https://bityli.com/MrXuuda; https://bit.ly/3spwlUc; https://bityli.com/cMhpBwC. Acesso em: 7 jan. 2022. Um fabricante pode comercializar o seu produto diretamente com os clientes finais ou utilizar-se de um intermediário. Quando, nos processos de vendas, existem os clientes intermediários, os clientes finais são clientes dos intermediários; e estes, clientes dos fabricantes. Outra forma são os clientes dos governos que, no caso, são todos os cidadãos de um município, estado e federação. O cidadão passa a ser o usuário dos serviços e produtos do governo, sendo os serviços gratuitos ou cobrados que respondam a necessidades individuais ou coletivas. Alguns exemplos de serviços públicos gratuitos são de saúde, serviço educacional, em obras, de segurança. Alguns exemplos de serviços públicos privados são energia, água e esgoto. O faturamento do estado ocorre através de impostos cobrados de pessoas físicas, jurídicas, isso quer dizer que somos clientes do estado, e este, por sua vez, deveria ter o compromisso de prestar bons atendimentos aos clientes. Existem os clientes do terceiro setor que, normalmente, são usuários de um serviço que, muitas vezes, é financiado com o auxílio do estado, de empresas e da sociedade civil. Alguns exemplos de empresas do terceiro setor são: Figura 45 Fonte: https://bityli.com/AxhlMnm; https://bit.ly/3HI8LZj; https://bityli.com/CUYU6O9. Acesso em: 7 jan. 2022. 107 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Um exemplo de ação para o terceiro setor é a campanha de arrecadação, o McDia Feliz, uma iniciativa da empresa McDonald’s e do Instituto Ronald McDonald. Nesse dia, a rede de fast-food comercializa o sanduíche Big Mac, a renda arrecadada com as vendas é destinada aos projetos relacionados à promoção de educação para jovens e ao aumento das chances de cura do câncer infantil. A campanha acontece desde 2001, e o Instituto Ronald McDonald é responsável por liderar a mobilização de instituições de todo o Brasil para a promover a saúde e a qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e seus familiares. Atualmente, 70% da arrecadação obtida com a venda do sanduíche Big Mac, isoladamente ou na McOferta n. 1 (exceto impostos), é revertida a projetos de instituições que trabalham em benefício de crianças e adolescentes com câncer. Soma-se à venda dos sanduíches, a comercialização de tíquetes antecipados de Big Mac e de produtos promocionais vendidos pelas instituições parceiras, como camisetas e canecas. Saiba mais Para conhecer as instituições que o McDia Feliz ajuda, acesse: INSTITUTO RONALD MCDONALD. Campanha McDia Feliz vai beneficiar 67 projetos de 57 instituições que atuam com câncer infanto-juvenil no Brasil. [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/34ACyEN. Acesso em: 4 jan. 2022. Já estudamos os mais diversos papéis e atuações de clientes, cada empresa precisa organizar o atendimento de maneira específica. No entanto, existem alguns aspectos essenciais que mesmo sendo tratados de maneiras diferentes, devem ser compreendidos e colocados em prática nas organizações que pretendem ter sucesso no relacionamento com seus clientes. Logo, as organizações precisam entender as necessidades, expectativas e os desejos dos clientes, se comunicar com eles de maneira efetiva e, para que isso seja constante, ter um programa de treinamento e capacitação dos clientes internos. Compreender o cliente significa entender suas necessidades e as formas como ele se relaciona com o mundo. As organizações devem obter informações, como vontades, hábitos, comportamentos de consumo e, principalmente, expectativas do cliente em relação ao produto/serviço oferecido. Dessa maneira, conhecer o cliente é a base de tudo, pois é a partir desse conhecimento que a percepção de oportunidade se consolida e as estratégias das organizações podem ser desenvolvidas. 108 Unidade IV Ou seja, essas informações são importantes e influenciam a escolha de fornecedores, os tipos e as quantidades de produtos e serviços oferecidos, os canais de comunicação com o mercado, a formação do preço, como será a distribuição etc. Um exemplo que pode ilustrar o que está sendo abordado até aqui é um restaurante que atende boa parte de funcionários de empresas e não aceita vale-alimentação, porém a maioria das pessoas recebe o benefício através de vales. Esse restaurante não está respondendo às necessidades básicas dos clientes. Logo, a tendência é que eles procurem outro restaurante que aceite o vale-alimentação. Outro exemplo a ser seguido é o de um representante comercial que todos os dias ligava para quatro pessoas: um cliente atual, um ex-cliente, um potencial cliente e um fornecedor.Assim, ao final de um ano, teve contato direto com centenas de pessoas ligadas diretamente ao seu negócio, entendendo necessidades e identificando eventuais oportunidades e ameaças. O melhor caminho para as organizações é compreender cada vez mais os seus clientes, identificando que os desejos, necessidades e expectativas são cíclicas e mudam rapidamente, logo, o relacionamento com os clientes deve ser constante. Outro ponto importante é perceber que os produtos e serviços precisam ter muitos atributos para satisfazer os clientes. Uma cadeira pode ser avaliada pelo design, a cor, o conforto, a ergonomia, o preço. Um restaurante, pela qualidade da comida, a diversidade de cardápio, a rapidez de atendimento, a higiene do local. A pergunta é: considerando que um produto ou serviço pode ter muitos atributos, quais deles são os mais relevantes? Mais importantes? Mais valorizados? Por que alguns atributos são escolhidos enquanto outros são desconsiderados? Exemplo de aplicação Normalmente preço é uma espécie de etiqueta colocada no produto, indicando o seu grau de qualidade: alto preço, significava alta qualidade; baixo preço, baixa qualidade. Você concorda com essa afirmação? Cite exemplo. Pensando no exemplo “cadeira”, o preço é um fator extrínseco ao produto, também como prazo de entrega e forma de pagamento. Já a cor, o conforto, são fatores intrínsecos ao produto. Assim como design. Outros atributos que podem influenciar no ato de compra são marca, embalagem e dimensões. Estes podem trazer situações relevantes ao consumidor. Karl Albrecht (1997) defendeu os conceitos a seguir. • Os atributos básicos são os essenciais, podem ser tangíveis ou intangíveis. Eles são o mínimo que o cliente espera de um produto ou serviço. 109 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS • Os atributos esperados são associados à experiência, à prática, estão relacionados à expectativa dos clientes. • Os atributos desejados são aqueles que o cliente não espera necessariamente, mas conhece e aprecia se a experiência os incluir. • Já os atributos inesperados são as surpresas, adicionam valor para o cliente, além dos seus desejos e expectativas normais. Quanto mais os clientes forem surpreendidos, entende-se que todos os outros atributos foram entregues por um determinado produto ou serviço. Vale lembrar que a alta concorrência entre as empresas se conforma em oferecer apenas atributos básicos, mas pode ser perigoso para as estratégias de relacionamento com clientes. De acordo com Silva e Zambon (2014), há métodos para descobrir o que os clientes valorizam. Abordaremos três formas apresentadas pelos autores: • Análise de preferência: análises e modelos cujos experimentos darão respostas de preferências individuais. • Escala de Thurstone: preferência utilizando escala. Como uma régua em que se colocam os elementos em preferência. • Matriz trade-off: para Meireles (apud SILVA; ZAMBON, 2014), a matriz trade-off força o entrevistado ou pesquisado a fazer escolhas, possibilitando saber, em condições conflituosas, o que o respondente valoriza. Esse tipo de matriz pode ser aplicado em diversos cenários. Descobrindo o que o cliente valoriza, fica mais fácil atendê-lo. Nesse caso, atendimento significa o ato ou efeito de atender; outras explicações podem ser ouvir atentamente, tomar em consideração, estar atento, servir, escutar e responder. Outro ponto importante é a comunicação com os clientes, o significado da palavra comunicar é enviar/receber, transmitir, ouvir, ilustrar, contagiar, participar, dar a conhecer/compreender, unir, tornar comum. Para comunicar, é necessário ouvir, falar, emitir e receber mensagens, sejam elas verbais, gestuais ou escritas. A comunicação é um processo inerente ao ser humano. É através dela que o indivíduo ou grupo interage com outros indivíduos ou grupos, recebendo suas impressões sobre o que foi comunicado. O processo de comunicação é composto das etapas: emissor, receptor, mensagem, canal, decodificação, retroalimentação e/ou feedback. Além disso, o processo de comunicação realiza-se por vários meios, principalmente, através da fala, da escrita e da expressão corporal, do silêncio etc. 110 Unidade IV Retroalimentação ou feedback Emissor Codificação Canal Decodificador Receptor Mensagem MensagemMensagem Ruído RuídoRuído Figura 46 – Diagrama do processo de comunicação Comunicar significa tornar comum. Tanto os companheiros de tribo dos homens das cavernas quanto leitores da internet podem compreender ou não a mensagem e dar um retorno para o emissor. Esse retorno é chamado pelos teóricos de feedback. Quando o retorno não é o mesmo esperado pelo emissor, há um ruído no processo comunicativo. O processo de comunicação pode ser entendido como: • Quem: emissor. • Diz o que: mensagem. • Em que canal: meio. • Para quem: receptor. • Com que efeitos: feedback. É importante perceber que os meios de comunicação influenciam uns aos outros. Assim, não basta simplesmente a comunicação verbal ocorrer, pois outros meios podem fazer com que a mensagem seja compreendida de forma diferente daquela que se deseja transmitir. Um vendedor de trufas, por exemplo, que aborda seus clientes diz “senhor, não quer nada hoje, não?”. Se observarmos a frase detalhadamente, vamos notar que existem três palavras negativas: a palavra “não”, citada duas vezes, e a palavra “nada”. Dessa forma, as palavras utilizadas na frase são contrárias à intenção da mensagem, o que facilita ao cliente a resposta “não, realmente não quero”. Dessa forma, para que o processo de comunicação ocorra de forma perfeita, é preciso a completa integração entre os vários meios de comunicação. Se o que o emissor quer falar for comum, estiver na mesma forma (código) que o receptor conhece, a comunicação acontecerá. Quando não é comum, há um ruído no processo. 111 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Uma organização precisa ter claras as noções de comunicação para que adotem os melhores meios e mediações para cada circunstância e, assim, poder se comunicar bem com seus clientes e em uma perspectiva bidirecional do processo. Nessa lógica, ouvir o que o cliente tem para dizer passa a ser uma atividade necessária e de extrema importância para as organizações que procuram se manter no mercado e fazer um relacionamento de excelência com os clientes. Ainda sobre a questão da comunicação e como a nossa postura influencia a maneira como os clientes nos percebem, uma impecável apresentação, boa oratória, roupas limpas e passadas ou uniformes, crachás, cabelos penteados e barba aparada para os homens e maquiagem leve para mulheres também ajudam na eficiência do processo de comunicação com os clientes. Portanto, comunicação é um assunto a ser tratado frequentemente com todos os clientes internos, ressaltando sempre que um bom negócio começa e se manter com uma comunicação eficaz e eficiente. Toda a organização precisa ter claros quais são seus objetivos em ouvir clientes, compreender os motivos para ouvi-los e ser capaz de identificar quais as ferramentas que podem ser utilizadas para ouvir clientes. O antigo CEO (chief executive officer) Jack Welch da General Electric foi abordado por um funcionário que lhe perguntou o que devia fazer para que ele lhe garantisse o emprego.III – No CEO respondeu que quem pode garantir-lhe o emprego são os nossos clientes. O comportamento do cliente pode ser entendido como o estudo dos processos envolvidos quando indivíduos ou grupos selecionam, compram, usam ou dispõem de produtos, serviços, ideias ou experiências para satisfazer as necessidades e os desejos. Compreender os clientes possibilita o reconhecimento do mercado e a sua perfeita segmentação, bem como a obtenção de vantagens competitivas sustentáveis. A decisão de oferecer um produto ou serviço para determinado mercado-alvo deve obrigatoriamente considerar os resultados de uma análise das reais necessidades a serem atendidas, com base na sistemática adequada de se ouvir clientespotenciais. E, por essa razão, é essencial que as organizações ouçam os seus clientes. Nessa situação, as empresas conseguem mensurar o que o cliente valoriza. Valor para o cliente = O que o cliente obteve O que custou para o cliente Uma forma de explorar o que é valorizado pelas clientes pode ser através de pesquisas de marketing que funcionam como instrumentos de audição de suas necessidades. Há alguns tipos de pesquisas que podem ser utilizadas: exploratória, descritiva, causal, conclusiva, desempenho, experimental, levantamentos amostrais, método histórico, métodos qualitativos e quantitativos, ex-post facto. 112 Unidade IV Uma metodologia de pesquisa utilizada na área de marketing e vendas que busca ouvir os consumidores ou público-alvo é a abordagem qualitativa chamada grupo focal. No grupo focal, é feito um encontro com um número de pessoas, normalmente, um grupo pequeno, apresentando uma pauta de discussão, esses participantes discutem sobre tema, assunto ou produto, há um moderador de discussão e, muitas vezes, outros pesquisadores observam a reunião para avaliar a comunicação verbal e não verbal. Vamos falar de outras ferramentas a seguir. Saiba mais Para conhecer um pouco sobre a metodologia do grupo focal, acesse: SOUZA, I. O que é um grupo focal e como aplicar essa metodologia na sua estratégia de marketing. Rockcontent, 3 abr. 2019. Disponível em: https://bityli.com/0XNIiP. Acesso em: 4 jan. 2022. Independentemente do tipo de pesquisa escolhida para ouvir os clientes, é necessário que se organize um processo para ouvi-los. Seguem as etapas: Definir os objetivos da pesquisa Analisar as informações Alinhar-se com a voz do cliente Criar uma estratégia para ouvir Coletar e organizar informações Figura 47 – Etapas para ouvir clientes As ferramentas para ouvir os clientes podem ser em abordagens qualitativas ou quantitativas. Seguem algumas formas: Qualitativa • Painel de clientes: grupo de clientes reunido frequentemente para responder a perguntas abertas. • Grupo focal: reunião única de grupo de clientes com moderador para opinar sobre produtos/serviços, como já exploramos. • Visita a clientes: campo do cliente, sondagem. 113 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS • Entrevista individual: percepções detalhadas de diferentes clientes. • SAC: acesso telefônico gratuito para reclamação ou sugestão. • Registro de contatos com clientes: funcionário reporta algo de importante e significativo. • Cliente oculto: consultores compram e reportam a experiência do atendimento. • BI: atividades de observação e monitoramento das ações dos concorrentes. Quantitativa • Pesquisa por telefone: obter informações predefinidas, script, conversa e pergunta. • Pesquisa experimental: experiência real do uso de produto. • Internet: Google Analytics, os usuários conseguem visualizar resultados quantitativos de acesso e palavras-chaves. • Pesquisas online: obter informações predefinidas – script, conversa e pergunta através de questionários online. • Redes sociais: pesquisas dentro das redes sociais e como o perfil de cada segmento de mercado pode utilizá-las. Vale ressaltar que as organizações precisam de alguns cuidados ao ouvir os clientes, pois muitas vezes nas abordagens de pesquisas, eles podem dar opiniões reais ou falarem algo que não reflete a realidade e/ou não saber o que querem. Logo, fica claro que uma das principais qualidades que quem atende clientes deve ter é saber ouvir, talvez mais até do que falar, pois é ouvindo e interpretando o que se ouve que pode discernir entre necessidades declaradas e reais de cada cliente. Existem algumas necessidades que podem ser declaradas e outras que podem ser reais: • Necessidades declaradas: são as que os clientes dizem ter. • Necessidades reais: é necessário percebê-las, nem todas são ditas. Muitas vezes, o diferencial do atendimento das organizações está em decodificar o que o cliente declara como necessidade e perceber as reais necessidades deles. Existem alguns tipos de organização, como as que: 114 Unidade IV • levam os clientes para onde eles não querem ir e subestimam sua capacidade; • escutam os seus clientes e respondem às suas necessidades articuladas; • levam os clientes para onde eles querem ir, mas ainda não sabem disso. Estas, geralmente, são as que possuem um diferencial e uma vantagem competitiva considerável no mercado. Para elucidar melhor o conceito de empresas que levam os clientes para onde eles querem ir, mas ainda não sabem disso, o autor britânico americano Simon Sinek criounceito chamado ciclo de ouro, conforme figura seguinteê Por quê Como O quê Figura 48 – O ciclo de ouro Adaptada de: https://bityli.com/LUgENlH. Acesso em: 5 jan. 2022. Nas palavras de Simon Sinek num TED Talk, todas as empresas sabem o que fazem. Estes são os produtos que vendem e os serviços que oferecem. Algumas organizações sabem o como fazem isso. Estes são aqueles elementos que fazem as coisas que elas fazem especiais ou diferenciam da concorrência. Poucas organizações sabem por que fazem o que fazem. O porquê não é sobre ganhar dinheiro. Este é o resultado. O porquê é o proposito, a causa, ou crença. É a verdadeira razão para a qual a organização existe. Saiba mais Para saber mais sobre o conceito do círculo de ouro, acesse: SIMON SINEK. Inspire your people. 2020. Disponível em: https://bityli.com/ar1yQOa. Acesso em: 5 jan. 2022. Para assistir à palestra do autor no Ted Talk, acesse: COMO grandes líderes inspiram ação. TED por Simon Sinek. 2009. 1 vídeo (17min48s). Disponível em: https://bityli.com/wOP4F. Acesso em: 5 jan. 2022. 115 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Padronizar o atendimento ao cliente em termos de organizações significa definir resultados essenciais e desempenho esperados nas etapas críticas de um processo. A vantagem competitiva adquirida é o resultado da priorização adequada de necessidades e desejos dos clientes. As unidades produtoras podem aproveitar o feedback dos clientes para identificar um diferencial competitivo e oferecer produtos ou serviços inovadores que atendem melhor às necessidades e expectativas deles. Saber levantar as informações de forma sistemática e padronizada e interpretar a necessidade real do cliente trarão uma percepção confiável do posicionamento dos produtos e da empresa no mercado e das possibilidades de melhoria ou inovações. É comum nas comunicações das organizações ter frases de efeito ou projetos com ideias que convidam os clientes a falar, como: “se você tem algo a dizer, queremos ser os primeiros a ouvir”. Pedir para o cliente falar já é um passo significativo. Mas saber ouvir, registrar, aproveitar e dar retorno ao que ele tem a dizer deve ser um processo sistemático. Para os negócios que buscam sucesso no relacionamento com os clientes, é uma condição essencial. Outro ponto importante é o tempo de resposta aos clientes. Essa tarefa pode ser um dos padrões de atendimento mais mensuráveis, atingíveis e relevantes para o cliente, além de controlável pelos executores e responsáveis pelo processo. Quando uma reclamação é registrada, uma dúvida, ou sugestão são pontuadas, o mais inoportuno é quando não se tem resposta ou quando esse tempo é muito longo. Por isso, tratar as informações que os clientes estão transmitindo, principalmente se for uma reclamação, precisa ser uma prioridade das organizações, o feedback deve ocorrer para que o processo de comunicação se concretize. Uma experiência negativa gera clientes insatisfeitos, que podem reclamar ou simplesmente não dar nenhuma chance para a empresa ou marca. Os consumidores com mais acesso às tecnologias de informação e possibilidades de consumo estão exercendo o direito de reclamar por problemas em produtos ou serviços. Atualmente, somente no site Reclame Aqui são registradas por mês um milhão de reclamações. 116 Unidade IV Quadro 7 – Piores e melhores empresas no ranking Reclame Aqui Empresas que mais resolveramnos últimos 30 dias Piores empresas nos últimos 30 dias Americanas Marketplace Claro iFood Vivo (celular, fixo, internet, TV) Americanas – loja online Instagram Amazon Correios Magazine Luiza Uber Loggi Paypal Brasil Direct Logística Facebook Mercado Livre Decolar Adaptado de: Reclame Aqui (s.d.). A dona do Magalu, Luiza Helena Trajano, até hoje cuida do atendimento dos clientes da empresa, ela chega a tratar pessoalmente de reclamações e problemas, isso demostra o compromisso da empresa com os sentimentos dos clientes e apresenta um trabalho de excelência no atendimento. Saiba mais Luiza Helena Trajano foi entrevistada por Maurício Vargas no RA Trust XP 2020 e conta como foi a sua trajetória na empresa Magalu e de que forma o atendimento ao cliente faz parte do DNA da empresa. CARDOSO, A. P. O atendimento do DNA da empresa, Luiza Trajano fala da cultura do Magazine Luiza. Blog Reclame Aqui, 1º out. 2020. Disponível em: https://bityli.com/n5vdgyA. Acesso em: 4 jan. 2022. O modelo de excelência e gestão (MEG) da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) foi criado no ano de 2001 e serve como um modelo para avaliação da excelência de gestão das mais diversas organizações. Esse modelo da FNQ serve como referência para empresas que querem promover a melhoria contínua de seus processos e torná-los mais eficientes. O MEG não é um manual de regras, não tem receita a ser seguida, o que ele faz é através de questionamentos pautados em fundamentos para que as empresas consigam conduzir e promover a adequação de suas práticas gerenciais. Os fundamentos são, segundo a FNQ (s.d.): 117 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS • Pensamento sistêmico. • Aprendizado organizacional e inovação. • Liderança transformadora. • Compromisso com as partes interessadas. • Adaptabilidade. • Desenvolvimento sustentável. • Orientação por processos. • Geração de valor. Aprendizado organizacional e inovação Compromisso com as partes interessadas Orientação por processos Pensamento sistêmico Adaptabilidade Geração de valor Desenvolvimento sustentável Liderança transformadora Aprendizado organizacional e inovação Ap re nd iz ad o or ga ni za ci on al e in ov aç ão Ap re nd iz ad o or ga ni za ci on al e in ov aç ão Figura 49 – Critérios Fonte: FNQ (2016, p. 12). 118 Unidade IV O compromisso com as partes interessadas é o fundamento que demonstrará a importância do entendimento das necessidades e demandas, bem como os contratos de comunicação com as partes interessadas, em especial os clientes, suas inter-relações com as estratégias e com os processos em uma perspectiva de curto e longo prazos. Sem isso, perde-se o foco do negócio. Em síntese, para atender os clientes de maneira excelente, um ponto importante para o desenvolvimento é a padronização dos processos de atendimento. Alguns processos que devem ser realizados: • Recebimento e registro das reclamações. • Análise de procedência de cada reclamação. • Reclamações procedentes. • Tempo para a solução de problemas. • Informação ao cliente. • Registro de reclamações e soluções. • Informação das reclamações. Exemplo de aplicação No seu local de trabalho, quais são os processos e procedimentos que existem para atender reclamações, sugestões e pedidos? Uma ferramenta que pode auxiliar na padronização e na criação de processos de atendimento aos clientes é o Customer Relationship Management (CRM). Ela pode ser entendida como o gerenciamento dos meios utilizados para estabelecer e mensurar os contatos com os clientes. O entendimento do CRM pode ser alicerçado em diferentes olhares: • conceitual; • processo; • tecnológico; • mercadológico. 119 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Segundo Silva e Zambon (2014, p. 205), O CRM não é um conceito, tão pouco um projeto. Na verdade, é uma estratégia de negócios que visa entender, antecipar e administrar, de maneira lucrativa, as necessidades dos clientes atuais e potenciais de uma unidade produtora. Dessa forma, estruturar os dados e informações de clientes é fator preponderante para o alinhamento dos processos de atendimento, obviamente, empresas maiores precisam de CRMs mais sistematizados, já as menores conseguem se organizar com ferramentas e soluções mais adaptadas. Vale ressaltar que no mercado existem diversas soluções de CRM para empresas pequenas, médias e grandes. Até agora analisamos aspectos da infraestrutura e a padronização do atendimento ao cliente. Outro ponto essencial para a padronização do processo de atendimento aos clientes é como os empregados da empresa prestam esse serviço. O fator humano no atendimento ao cliente é um ponto-chave, pois é através dele que existirá o laço, a sensação de estar sendo ouvido, acolhido, atendido. Por mais que seja oportuno solicitar a comida em restaurante por um QR code, se o prato estiver ruim, ou muito bom, ou se o cliente quiser solicitar mais algum complemento, é o garçom que vai ouvi-lo e entender a sua necessidade. Estima-se que as organizações varejistas perdem clientes pelos seguintes motivos (ABLAC, 2019): • 1% morre; • 3% mudam-se; • 5% adotam novos hábitos; • 9% consideram o preço alto demais; • 14% estão desapontados com a qualidade do produto; • 68% estão insatisfeitos com a atitude do pessoal (má qualidade do atendimento). Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010) reforçam a necessidade que as organizações têm de cuidar do cliente como forma de reduzir perdas e ganhar competitividade. Ainda, segundo os autores, conseguir um cliente novo é entre cinco e sete vezes mais caro que reter o antigo. Logo, o que as organizações precisam fazer para os clientes não irem embora por má qualidade do atendimento é treinar os seus empregados. 120 Unidade IV As atitudes, as ações e o comportamento dos clientes internos exercem impacto na tomada de decisão de compra dos clientes externos. A capacitação do profissional de acesso (atendimento, relacionamento) pode ser consolidada em cinco características fundamentais: • autossuficiência técnica; • habilidades de comunicação; • cortesia e empatia; • capacidade de gerenciar crises; • autonomia para resolver problemas. Autossuficiência técnica Significa que o atendente deve ter conhecimentos técnicos suficientes sobre o funcionamento da organização. Ela, portanto, deve providenciar treinamento adequado ao colaborador no início de suas atividades e todas as vezes que necessário. Habilidades de comunicação É indispensável evitar erros de pronúncias, gírias, vícios de linguagem e gerúndios: • Falano-falando; pobrema-problema; mano; meu; • Tipo assim; né; estarei verificando. Tirar o não do vocabulário: “não consigo realizar”; “não posso fazer agora”. Transformar em “vou verificar se é possível atender sua solicitação”; “posso lhe retornar em algumas horas?”. Cortesia e empatia Habilidades para criar empatia e cortesia: • ouvir pessoas; • observar como as outras pessoas (clientes) participam da interação; • colocar-se no lugar do outro (cliente); • aceitar as diferenças. 121 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Capacidade de gerenciar crises Tratar com pessoas não é simples nem fácil. Nem todos que reclamam tratam os atendentes com cortesia. O que pode acontecer é o trato com pessoas exaltadas, malcriadas e, muitas vezes, até agressivas. Para resolver isso, é preciso ter equilíbrio emocional. Autonomia para resolver problemas A questão de se atribuir autonomia às pessoas que trabalham nas organizações não é simples. Em primeiro lugar, é preciso que haja predisposição e vontade. Lembrete Fazer a gestão estratégica correta de produtos e serviços possibilita mais probabilidade de sucesso para as organizações. 8 ÚLTIMAS NOTAS SOBRE CLIENTES E CONSUMO Uma questão que muitas vezes acontece e pode gerar insatisfação dos clientes e, consequentemente, um problema para as empresas é a forma como o consumo é realizado. Se, de um lado, existe a compra por impulso, também existem circunstânciasnas quais os clientes consomem de maneira racional. A compra racional é aquela em que o cliente, ao praticar qualquer aquisição, a faz de maneira racional, portanto, programada e, geralmente, baseada em necessidades claramente definidas. Atualmente, com o advento da internet, os clientes têm maiores e melhores condições de pesquisar preços, funcionalidades e características dos mais diversos produtos, há pessoas que gravam vídeos com a opinião de determinados itens. Isso demonstra a valorização do cliente. A compra impulsiva, normalmente, ocorre no próprio ponto de venda ou quando o cliente se depara com determinada promoção e se caracteriza por pouca ou nenhuma programação prévia. Esse tipo de consumo pode trazer arrependimentos por ter sido feita uma escolha sem muita reflexão, o que, por um lado, é bom para a empresa; por outro, dependendo do arrependimento ou bronca do cliente, ele pode não voltar mais a comprar e até falar mal do negócio. Saiba mais Para conhecer mais sobre compra racional ou impulsiva, assista ao filme: OS DELÍRIOS de consumo de Becky Bloom. Direção: P. J. Hogan. Estados Unidos: Touchstone, 2009. 104 min. 122 Unidade IV O arrependimento de consumo, ou o que Silva e Zambon (2014) chamam de dissonância cognitiva de consumo, pode acontecer por meio de um sentimento de arrependimento comparativo, quando o consumidor percebe que, se não tivesse comprado algo, por mais útil que seja, poderia ter adquirido outro produto, talvez mais importante ou interessante. A verdade é que por mais que empresas queiram vender produtos, e isso seja importante para a sobrevivência organizacional, é muito difícil operar quando existe o arrependimento por parte do cliente, o que, muitas vezes, gera insatisfação, reclamação, podendo até chegar a ações judiciais. Logo, as organizações precisam controlar e monitorar os sentimentos dos clientes para buscar a excelência no atendimento e nas vendas de produtos e serviços. Todos os esforços de marketing e comunicação devem ser feitos para que ele não aconteça e, consequentemente, não prejudique a recompra do produto, nem que o consumidor pense que fez um mau negócio. O Código de Proteção e Defesa do Consumidor, o CDC, foi instituído em 1990 e sancionado pelo Congresso Nacional: • regulamenta apenas relações nas quais em uma das pontas esteja presente o consumidor; • não existe produto sem informação clara e objetiva; • todo o produto ou serviço oferecido no mercado deve ser devidamente acompanhado de informações necessárias e adequadas a seu respeito. • tudo o que for oferecido de informação, publicidade integra automaticamente o contrato que porventura seja firmado entre fornecedor e consumidor. • o CDC proíbe prática da publicidade enganosa ou abusiva. O CDC, no artigo 49, que diz respeito ao arrependimento de compra, afirma: O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou à domicílio (BRASIL, 1990). Dessa forma, é importante que as organizações tenham alguns cuidados para evitar problemas com os clientes em relação aos possíveis arrependimentos de compras de produtos ou serviços e/ou situações de propagandas pouco claras ou de cunho enganoso. 123 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Saiba mais Para conhecer e acessar o texto do CDC: BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Brasília, 1990. Disponível em: https://bityli.com/mZDmE. Acesso em: 3 jan. 2022. Exemplo de aplicação Como tema, discutiremos sobre os clientes e não clientes no ambiente digital. Atualmente, é um desafio para as empresas e marcas se relacionar com os clientes e com os não clientes no ambiente digital, visto que, na internet, as relações entre indivíduos, tempo, produtos e marcas têm acontecido de maneira mais rápida, volátil e instável. Na internet e nas redes sociais online, todos podem comentar, palpitar, elogiar e criticar. Essa quantidade de informações e fluxos tem ocasionado oportunidades e ameaças às organizações e aos seus gestores. Dessa forma, comente como algumas organizações têm tido sucesso nas interfaces de comunicação e relacionamento com o cliente e outras têm tido insucesso por falta de eficácia nas interfaces de comunicação e relacionamento com os clientes. Exemplos devem ser citados. Vamos discutir para aprender? Lembrete Os conceitos de eficácia e eficiência provocam confusão. E por mais que tenham semântica parecida, há diferenças de conceitos importantes. 124 Unidade IV Resumo Discutimos a gestão e administração das organizações e os aspectos estratégicos, como o profissional deve estar preparado para relacionar-se com os clientes, consumidores e usuários, pautando as ações organizacionais nas atividades de relacionamento com os clientes. Introduzimos alguns preceitos teóricos básicos da administração, que são fundamentais para entender a importância de estabelecer processos, organização de funções e áreas. Os negócios que buscam excelência em suas operações devem trabalhar de maneira interdisciplinar para que o relacionamento com o cliente aconteça de maneira correta. Além disso, tivemos alguns conceitos de organização de processos internos como a cadeia de valor para auxiliá-los a entender a importância de mapear e organizar os processos. Na área de relacionamento com os clientes, foram abordados fundamentos teóricos importantes introdutórios sobre o que são clientes, suas formas e quais atributos eles valorizam. Foram apresentadas formas e metodologias para descobrir o que os clientes esperam/valorizam de produtos e serviços e quais são as principais ferramentas para ouvi-los. Outro ponto foi a apresentação de modelos para não somente atender e ouvir os clientes, mas também dar o retorno a eles. Lembrar-se de pesquisar satisfação ou intenção, o que é muito importante desde que o resultado seja utilizado e as demandas dos clientes sejam ouvidas e atendidas. Discutimos as últimas notas sobre clientes e consumo apresentando a questão da dissonância cognitiva aplicada ao consumo e como isso pode vir a ser um problema às organizações, inclusive gerando um passivo judicial em casos mais extremos, porém, não raros. Toda essa reflexão de conceitos é importante, pois apresenta como a utilização de teorias é necessária para criar e estabelecer políticas de atendimento ao cliente nos negócios. É importante ressaltar que o aspecto do relacionamento com o cliente, conhecendo a teoria que o engloba, constitui-se premissas essenciais da atividade do gerenciamento de produtos e serviços e na atividade profissional do gestor de marketing comercial. 125 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Exercícios Questão 1. Com relação aos conceitos de eficiência, eficácia e efetividade, avalie as afirmativas. I – A eficiência relaciona-se com a maneira pela qual fazemos as coisas. Ser eficiente é fazer as coisas da maneira mais racional possível. Ela está relacionada ao uso coerente dos meios e ao consumo consciente de recursos. II – A eficácia consiste em fazer a coisa certa (não necessariamente da maneira certa). Ela evidencia o cumprimento de uma missão. III – A efetividade ressalta o impacto, a medida em que o resultado almejado (e concretizado) mudou determinado panorama. Considerando a construção de automóveis e o incremento no número de veículos produzidos, a efetividade evidencia, por exemplo, de que maneira isso contribuiu para o aumento da frota de uma dada região (impacto). Ela ocorre quando um produto (ou um serviço) foi percebido pelo usuário como satisfatório. É correto o que se afirma em: A) I e II, apenas. B) II e III, apenas. C) III, apenas. D) I e III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativacorreta. Justificativa: a eficiência está relacionada ao modo como as tarefas são feitas, à maneira como os processos são executados e aos passos necessários para executá-las. A ênfase é o uso de recursos. É fazer as coisas de maneira correta. Ser eficiente significa realizar atividades ou tarefas da maneira certa e inteligente, com esforço reduzido e com o melhor aproveitamento possível dos recursos. 126 Unidade IV II – Afirmativa correta. Justificativa: a eficácia está relacionada ao alcance dos resultados planejados. Ser eficaz é fazer as coisas corretas, independentemente da forma como elas foram executadas. O que importa é o resultado. III – Afirmativa correta. Justificativa: a efetividade pode ser encarada como “a soma da eficiência com a eficácia”. Ou seja, significa fazer a coisa que deve ser feita da melhor maneira. Questão 2. No processo de administrar, temos funções importantes e correlacionadas, listadas a seguir. • Planejamento. • Direção. • Organização. • Controle. Em relação a tais funções, avalie as afirmativas. I – Criar e definir estratégias que possibilitem o alcance dos objetivos faz parte do planejamento. II – Propor solução para os conflitos faz parte da direção. III – Desenhar tarefas e cargos específicos faz parte da organização. IV – Mensurar o desempenho faz parte do controle. É correto o que se afirma em: A) I, II e III, apenas. B) II, III e IV, apenas. C) II e III, apenas. D) I e IV, apenas. E) I, II, III e IV. Resposta correta: alternativa E. 127 GESTÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS Análise da questão Na função chamada de planejamento, temos as atribuições a seguir: • Estabelecimento dos objetivos e da missão organizacional. • Criação e definição das estratégias necessárias para o alcance dos objetivos. • Exame das alternativas possíveis. • Determinação dos recursos necessários. Na função chamada de direção, temos as atribuições a seguir: • Condução e motivação dos colaboradores para o alcance das metas organizacionais. • Estabelecimento de comunicação com os colaboradores. • Proposta de solução para os conflitos. • Gerenciamento de mudanças. Na função chamada de organização, temos as atribuições a seguir: • Criação da estrutura organizacional. • Desenho de tarefas e de cargos específicos. • Definição e destino de recursos. • Coordenação das atividades de trabalho. Na função chamada de controle, temos as atribuições a seguir: • Mensuração do desempenho. • Estabelecimento de comparação do desempenho com padrões. • Tomada de ações necessárias para a melhora do desempenho. 128 REFERÊNCIAS Audiovisuais BONEQUINHA de luxo – trailer (1961). 22 jan. 2012. 1 vídeo (2min38s). Publicado pelo canal umdosinsaciaveis. Disponível em: https://bityli.com/tAiIuYt. Acesso em: 3 jan. 2022. CHARLIE Chaplin – Modern times (Trailer). 19 out. 2010. 1 vídeo (1min16s). Publicado pelo canal Charlie Chaplin. Disponível em: https://bityli.com/OVBQZ4l. Acesso em: 3 jan. 2022. COMO grandes líderes inspiram ação. TED por Simon Sinek. 2009. 1 vídeo (17min48s). Disponível em: https://bityli.com/wOP4F. Acesso em: 5 jan. 2022. 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