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Trauma musculoesquelético

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então tem 
que fechar a bacia. 
 
• Avaliação: hipotensão sem explicação, edema 
progressivo, escoriações e hematoma – flanco, 
escroto, região perianal. 
 
 Na imagem acima, observe um trauma grave de 
bacia após fazer a rolagem do paciente. Esse indivíduo tem 
que ser estabilizado urgentemente, porque pode ir à 
óbito. 
• Conduta: encurtamento com rotação externa do 
membro sem fraturas de extremidade; o teste da 
instabilidade só deve ser realizado uma vez 
[movimentos de lateralização ou verticalização 
das asas do ilíaco], sempre lembrando de 
documentar. 
 
4 Louyse Jerônimo de Morais 
 
Isso é feito no hospital. Nos primeiros socorros, a 
conduta consiste em cruzar as pernas do paciente sem 
dobrar – joelho fica esticado e se dobra o tornozelo por 
cima um do outro. Assim, fecha-se a bacia e evita que o 
indivíduo perca muito sangue. 
Membros muito encurtados podem ter lesões 
graves. Na imagem imediatamente abaixo, a radiografia 
mostra várias lesões concomitantes – lesão de sacro-ilíaca, 
de ísquio e ramo ísquio-púbico. Você vai encontrar um 
encurtamento do membro sem ser uma fratura de fêmur. 
 
Abaixo, veja o desnivelamento da bacia. 
 
• Tratamento: reanimação com soluções salinas 
[geralmente, ringer lactato]; além disso, fazer 
controle de sangramento, com tração, rotação 
interna e manutenção da pelve fechada. 
2. Hemorragia arterial grave 
• Lesão: ferimentos penetrantes; fraturas ou 
luxações próximas às artérias. 
 
Ferimento por arma de fogo 
• Avaliação: pesquisa de sangramentos externos, 
avaliar desaparecimento ou modificação de 
pulsos, alterações do Doppler, extremidade fria, 
pálida e sem pulsos, bem como hematoma em 
rápida expansão. 
• Tratamento: pedir avaliação de um cirurgião, 
reanimação com soluções salinas, controle da 
hemorragia – com compressão ou garrote 
pneumático [uso criterioso]. Não usar pinças 
hemostáticas em ferimentos abertos na sala de 
emergência. 
Angiografia só deve ser feita após a reanimação. 
A primeira conduta frente a uma hemorragia é 
sempre fazer um enfaixamento compressivo. Se não 
conseguir, ou seja, se continuar pingando, o garrote pode 
ser feito, mas tem que levar o paciente rapidamente 
[membro superior aguenta 1h30 sem sangue; já o 
membro inferior aguenta 2h]. 
3. Síndrome de esmagamento [rabdomiólise traumática] 
• Lesão: músculos lesados levando à insuficiência 
renal aguda, devido à liberação de mioglobinas. 
 
 
5 Louyse Jerônimo de Morais 
A probabilidade de a lesão gerar perda do 
membro é muito grande. 
• Avaliação: urina escura; resultado positivo para 
teste de hemoglobina, testar especificamente 
mioglobinas; hipovolemia, acidose metabólica; 
hipercalemia, hipocalcemia; coagulação 
intravascular disseminada. 
• Tratamento: administração de soluções salinas 
durante a reanimação; alcalinização da urina com 
bicarbonato de sódio; manter débito urinário em 
níveis de 100 ml/hora até fim da hemoglobinúria. 
Lesões que podem comprometer o membro 
1. Fraturas expostas e lesões articulares 
• Lesão: existe uma comunicação entre o meio 
ambiente e o foco de fratura – não é o osso ter 
comunicação com o meio ambiente; o grau de 
lesão é proporcional à energia e são lesões 
propensas a desenvolver infecções. 
• Avaliação: na maioria das vezes, tem que ter um 
ferimento e fratura associada; esse ferimento será 
analisado e classificado – caracterização completa 
na fase pré-hospitalar seguido de curativo estéril 
[sempre documentar bem a fratura]. Recomenda-
se nunca utilizar instrumento para avaliar a 
profundidade e verificar ferimentos que se 
comunicam com articulações. 
• Tratamento: imobilização apropriada [o membro 
tem que ser tracionado], desbridamento 
cirúrgico, estabilização das fraturas e profilaxia de 
tétano. 
 
Fraturo-luxação exposta de tornozelo 
 Na imagem acima, pode-se tracionar o membro e 
a fratura ir para o seu lugar, não tem problema. Levar o 
paciente com o membro assim [na situação da foto] é 
muito arriscado, porque muitas estruturas permanecem 
em sofrimento. 
 
Fratura aberta tipo I: são fraturas que têm alguma 
pequena parte do osso furando a pele, sem muita lesão 
periosteal ou tecidos moles. O ferimento é limpo – de 
dentro para fora. 
 
 Na fratura tipo II, o ferimento vai até 10 cm; na III, 
passa de 10 cm, só que, na IIIA, consegue-se suturar 
enquanto que, na IIIB, não se consegue, por conta da 
perda de pele; e na IIIC, além do A + B, tem lesão vascular. 
Nesta última situação, a fratura se torna altamente de 
mau prognóstico. Muitas vezes, o paciente tem fratura 
exposta grau II ou I com lesão vascular. Nunca hesite em 
classificar as fraturas como IIIC, por conta da lesão 
vascular. 
 
2. Lesões vasculares, incluindo a amputação traumática 
• História e avaliação: identificar se o paciente tem 
uma insuficiência vascular, pela circulação 
colateral ou alguma lesão parcial de vaso. 
• Conduta: é de urgência, pois o músculo necrosa 
em 6 horas e os nervos são muito sensíveis. 
Arteriografia não deve retardar o reestabelecimento do 
fluxo arterial. 
Avaliar pulsos antes e depois de imobilizações 
• Tratamento: amputação traumática [lesões muito 
graves ou que já chegam pré-amputadas]; 
amputação de membro inviável pode salvar a vida 
de um paciente; antes do reimplante, avaliar as 
condições gerais do paciente [reimplante é 
indicado em lesões isoladas]. 
O membro amputado deve ser lavado 
meticulosamente com solução isotônica. Deve ser envolto 
 
6 Louyse Jerônimo de Morais 
em gaze estéril embebida em solução aquosa de penicilina 
[100 mil unidades em 50 ml de Ringer] e envolto em toalha 
estéril umedecida da mesma maneira. Colocar em saco 
plástico, dentro de uma caixa de isopor com gelo picado. 
3. Síndrome compartimental 
• Lesão: avaliar relação continente/conteúdo 
alterada. A membrana externa da aponeurose é 
inelástica [pele pode ser inelástica], por isso que 
existe a síndrome compartimental. A pressão do 
compartimento osteo-facial é suficiente para 
produzir isquemia e subsequente necrose. 
Geralmente acontece com fraturas fechadas, em 
que o sangramento todo não tem para onde expandir e 
acaba acumulando dentro da fáscia. É por isso que a 
conduta é fazer fasciotomia. Se não conseguir fazer ou não 
identificar, o paciente evolui com contratura isquêmica de 
Volkmann – a mão fica toda fechada ou o pé fica todo 
fechado e flexionado. Ali já não tem mais jeito, pois é a 
complicação. 
• Situações de risco: fraturas de tíbia e antebraço, 
lesões imobilizadas com aparelhos gessados ou 
curativos apertados, lesões com esmagamento 
importante de músculo, compressão externa de 
extremidade prolongada, aumento de 
capilaridade pós reperfusão muscular 
[garroteamento do membro, quando abre, causa 
edema muito grande da extremidade, se não fizer 
fasciotomia, vira contratura isquêmica], 
queimaduras e exercício excessivo. 
• Avaliação 
o Sinais e sintomas: dor intensa que 
aumenta com estiramento do músculo, 
parestesia na região do nervo associado, 
perda de sensibilidade ou função na 
região do nervo associado, edema tenso 
[não depressível], pulso pode ser 
palpável. Ausência de pulso e paralisia são 
tardias. 
o Exame físico: nunca se deve confiar em 
pulso ou tempo de enchimento capilar. 
Na suspeita, medir a pressão intra-
compartimental. Isso não é mais feito 
hoje em dia, pois é demorado e o 
diagnóstico é clínico. 
• Tratamento: remover todos os curativos e 
aparelhos gessados; monitorar e avaliar nos 
próximos 30-60 minutos; se não houver melhora 
significa, lança mão da fasciotomia. O retardo 
pode levar à perda permanente de função e 
mioglobinúria. 
4. Lesão neurológica secundária à fratura e/ou luxação 
• Lesão: compressão do ciático na luxação posterior 
do quadril [quando o paciente desacelera e bate o 
joelho no painel do carro, isso gera trauma 
indireto no quadril]; compressão axilar