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Aula sobre o papel do ouvinte no comportamento verbal. Explica como o ouvinte media o reforço por meio do pareamento de estímulos, discriminação e reforçamento diferencial; aborda linguagem receptiva, independência entre repertórios de ouvinte e falante e a função de audiência.

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AULA 03 - PAPEL DO OUVINTE
O ouvinte desempenha um papel fundamental na ocorrência dos episódios verbais
O comportamento verbal é um comportamento operante mediado por um ouvinte especialmente treinado por uma comunidade verbal.
Skinner traz que o primeiro papel do ouvinte é o de mediador do reforço. E para que ele consiga atuar como mediador do reforço, ele passa por esse histórico de condicionamento. E esse histórico consiste tanto no pareamento de estímulos não-verbais com estímulos verbais, ou seja, nomes de objetos, de situações ou de eventos, com palavras. Ou algum símbolo ou gesto que signifique o nome daquele objeto, situação ou evento. E também parte do princípio do reforçamento diferencial e da discriminação de estímulos.
Um exemplo no qual ocorre um pareamento de estímulos não-verbais com estímulos verbais, é quando, por exemplo, a mãe ou o pai de uma criança mostra para ela um objeto e diz o nome daquele objeto.
Isso é muito ligado ao que é comumente chamado de linguagem receptiva. Na verdade, o ouvinte, grande parte do papel dele é compreendido como linguagem receptiva, que é a capacidade da pessoa de compreender as palavras que são ditas a ela e agir como tal.
Como o comportamento de ouvinte é aprendido primeiro, às vezes é possível que essa criança, de tanto ouvir a mãe, o pai ou professor se referindo aos objetos, por exemplo, isso é o lápis de cor", "isso é a caneta", a criança possa responder como ouvinte no sentido de identificar esses objetos no cotidiano. Então, se a mãe fala: "pega o lápis de cor", aí a criança é capaz de pegar o lápis de cor.
É possível também que de tanto ouvir os objetos serem nomeados, a criança começa a imitar o comportamento desse adulto e nomear os objetos. Então vemos aquela relação de tato que vocês viram na aula anterior. Então, esses processos acontecem quase que simultaneamente.
Na verdade, existe uma independência funcional entre os repertórios de ouvinte e de falante. Isso significa que aprender a ser ouvinte não necessariamente implica em aprender a ser falante. a criança pode muito bem aprender antes a compreender, identificar objetos quando você fala o nome dos objetos, do que a falar. Ela pode ter alguma dificuldade em elaborar, em produzir essas vocalizações ou mesmo que não sejam vocalizações, gestos ou ao tocar figuras.
o repertório de ouvinte vem antes e ele é independente do repertório de falante.
Essa característica tratada por Skinner é fundamental para que a gente possa perceber onde é que estão os déficits. Na verdade, se a gente consegue separar esses repertórios, tratá-los como coisas diferentes, com aquisições diferentes, a gente pode direcionar os procedimentos para sanar os déficits que acontecem em um repertório ou em outro.
O outro processo pelo qual o ouvinte passa durante toda sua vida para poder aprender a se comportar como ouvinte é o processo de reforçamento diferencial. 
Eu emito uma resposta, essa resposta obtém reforço. Se num outro contexto eu emito a mesma resposta, e ela tem extinção, quer dizer que eu aprendo qual é o contexto em que aquela resposta será reforçada e qual contexto em que ela não será reforçada. Algumas respostas recebem reforço e outras não.
Isso é o reforço diferencial, é saber como se comportar em determinado contexto.
o ouvinte tem que ouvir as palavras, os estímulos verbais, ou atentar aos gestos, e se comportar de maneira discriminada, emitir determinada resposta diante daquele gesto ou daquela palavra, para ter a consequência.
Assim por meio desse longo histórico de condicionamento, o ouvinte passa a mediar o reforço para o falante, ele cumpre esse papel de mediador do reforço.
O segundo papel do ouvinte também é fruto de discriminação de estímulos, esses estímulos vão estar no antecedente do falante. O ouvinte, enquanto medeia o reforço sistematicamente, ele está sempre presente na ocasião em que o falante solicitou aquele reforço. Então, ele ao mesmo tempo cumpre um papel que a gente chama de audiência. Ele passa a ser também um estímulo discriminativo para aquela pessoa fazer um pedido, para aquela pessoa fazer um comentário que é um tato, por exemplo.
Ele passa a ser audiência para o falante também a partir do procedimento ou do processo de reforçamento diferencial.
Skinner recorre ao termo "ouvinte" quando a participação dessa pessoa no episódio verbal tem o caráter de mediador da consequência, e recorre ao termo "audiência" quando a participação dessa pessoa no episódio verbal tem o caráter de estímulo discriminativo.
Então todos esses operantes que têm como consequência reforço generalizado, eles beneficiam o ouvinte. No caso aí a gente só tira o mando, porque o mando tem um reforçador específico e beneficia o falante, quando a pessoa pede alguma coisa, e ela recebe, ela está sendo diretamente beneficiada.
Então, para o Skinner, o comportamento de ouvinte, ou repertório de ouvinte, o repertório de falante, eles não são duas faces da mesma moeda. Eles são coisas distintas, eles são diferentes na sua natureza.
Por exemplo, para o Skinner, o comportamento de ouvinte é um comportamento não-verbal, porque ele age diretamente sobre o ambiente.
Já o comportamento do falante é comportamento verbal porque age indiretamente. Primeiro, ele afeta um ouvinte que foi treinado.
Skinner: No momento em que o ouvinte responde a um estímulo verbal com outro estímulo verbal, ele se torna um falante. Alternando papéis.

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