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Página 1 de 3 DOENÇAS INFECCIOSAS 10/08/2022 Peritonite Infecciosa Felina Gatos são susceptíveis a diversos tipos de coronavírus: variações assintomáticas, podem apresentar problemas gastroentéricos de intensidade variável, podem apresentar PIF PIF: síndrome de serosite e vasculite fibrinosa disseminada generalizada, ocorrência esporádica, surge de modo imprevisível na po- pulação felina. Doença imunomediada, diretamente associada ao status imunológico do hospedeiro, diretamente ligada imunidade celular e intensi- dade da reposta imune celular, é sistêmica, progressiva e fatal. Ligada a altas taxas de densidade populacional. CORONAVÍRUS FELINO - Vírus envelopado, pleomórfico, peplômeros Projeções peploméricas → S. Fusão, facilitam processo de absorção e induz produção de anticorpos neutralizantes - Vírus RNA (diversas mutações) ➢ Coronavírus entérico felino: Mais comum. A maioria são pouco invasivos e pouco purulentos, associados a problemas gastroen- téricos, afetam principalmente células maduras do intestino, causando episódios de diarreia (leves, autolimitantes). Dividido em tipo I e II. ➢ Vírus da PIF: Mutação. Pode ser agressivo, invasivo e altamente purulento, e não se limita ao trato gastrointestinal, essa variante tem a capacidade de se estabelecer e replicar em outros tecidos. Esses dois vírus podem representar variantes patogênicas de um único tipo de coronavírus. Em questão de diagnóstico: Tipo I → um pouco menos imunogênicos Tipo II → um pouco mais imunogênicos Resistência: temperatura ambiente: 24-48h Espécies susceptíveis: família Felidae Guepardo possui maior deficiência na resposta imune celular Idade susceptível: principalmente quando jovem, 5-13 anos momento menos susceptível (literatura) Incidência prevalente: colônias de gatos Transmissão: por secreções e excreções, fecal, oral, nasal, transmissão transplacentária rara. Pacientes com dificuldade na resposta imune celular. Patogenia PIF: Infecção pela via oral, animal entra em contato com secreção/excreção, no prazo de 24h se replica nas tonsilas, linfonodos regionais, atinge epitélio intestinal. Vírus vai para locais onde encontra grande quantidade de macrófagos: fígado, baço e linfonodos. Se o animal desenvolve uma boa resposta imune celular, ela pode ser eficiente a ponto de bloquear desenvolvimento de sinais clínicos, desenvolve doença subclínica. Pode desenvolver aumento de temperatura, febre. 2 tipos: mortalidade de ambas 100% ➢ PIF efusiva: gatos que produzem anticorpos, mas não desenvolvem imunidade celular. Desenvolve a pior PIF. Patogenia: vírus se dissemina no interior dos macrófagos. Macrófagos começam a se acumular no interior dos vasos e tecidos, começa a desenvolver lesões vasculares severas. Essas lesões começam a levar ao extravasamento de líquido altamente proteico, e começa a se acumular em cavidade abdominal, torácica. Organismo tenta coagulação, essa resposta leva a um quadro de coagulação intravascular disseminada (CID). Ocorre com maior frequência. Sinais clínicos: serosite fibrinosa (inflamação das membranas que reveste os órgãos) por acúmulo de líquido proteico. Palidez de mucosas, acúmulo de líquido viscoso, amarelo e opaco, cavidade abdominal e torácica, distensão abdominal, edema es- crotal, dispneia, ruídos cardíacos abafados, abafamento de sons pulmonares, intolerância de exercícios físicos. Apatia, anorexia e depressão → não se alimenta (lipidose hepática) → emagrece (distensão abdominal, tutor não tem percepção da magreza). Página 2 de 3 *Alterações a necropsia: exsudato fibrinoso branco, mesentério espessado (aspecto gelatinoso) e linfoadenopatia generalizada. ➢ PIF não efusiva: gatos com resposta imune celular parcialmente protetora. Indivíduo desenvolve PIF não efusivo. Patogenia: possuímos uma resposta imune parcialmente eficiente, porém esses anticorpos formados formam imunocomplexos, que começam a se acumular nas paredes vasculares e dando origem a reação de hipersensibilidade tipo III (de Arthus), ocorre pela depo- sição de imunocomplexos. Isso da origem não necessariamente a lesão vascular com extravasamento de líquido (pode ocorrer em menor quantidade), mas dá origem de formação de piogranulomas, nesses locais que está ocorrendo hipersensibilidade começa a ocorrer infiltrado de neutrófilos e macrófagos que começa a dar nódulos e piogranulomas nos órgãos (principalmente fígado e rins). Imunocomplexo → deposição em vasos → deposição em órgãos → reação de hipersensibilidade do tipo III → piogranulomas (não é neoplasia) A intensidade da inflamação e a quantidade de vírus são significativamente menores nas lesões de PIF não efusiva, quando compa- rada a efusiva → resposta imune celular. Sinais clínicos: lesões piogranulomatosas, a partir do momento que se formam estão associados a uma área de necrose, que leva ao comprometimento de função do órgão (depende de qual órgão será acometido). Principais sinais clínicos no olho: ocorrem por desenvolvimento de uma uveíte, desenvolve edema de córnea, irite, deslocamento de retina, hemorragias e engorgitamento de vasos Principais lesões neurológicas: depende da localização desse nódulo, vasculite, paresia dos membros pélvicos, ataxia generalizada, hiperestesia toracolombar, tetraparesia, tremores Sinais inespecíficos: apatia, anorexia, depressão, emagrecimento crônico progressivo. *Alterações a necropsia: piogranulomas (1-20cm de diâmetro), facilmente confundidos com neoplasia DIAGNÓSTICO Pode estar muito avançada antes que se reconheçam os sinais clínicos. Inespecíficos: prostração, depressão, anorexia, diarreia Distensão abdominal: ocorre na forma eclusiva, pode ocultar a perda de peso progressivo Diagnostico através do histórico, sinais clínicos, resultados laboratoriais, títulos de anticorpos coronavirais, e diagnostico diferencial. Exame histopatológico • Hemograma: anemia, leucocitose, neutrofilia, • Proteína total: aumento de volume de proteínas séricas • Aumento das globulinas (4,5g/dl) • Análise do líquido peritoneal: Efusiva: espesso, viscoso Não efusiva: amarelo claro, límpido, turvo MICRO: presença de proteína 5-8g/dL (chacoalha e forma bolhas), presença de fibrina, aumento de leucócitos, neutrófilos, poucas hemácias e linfócitos Análise do líquido cefalorraquidiano: presença de proteínas Teste de coagulação PIF: aumento da protrombina, reduzindo tempo de coagulação → cuidado com hemorragia Técnica ELISA KELA/cinético: PROVET, resultado em 30 dias, interpretação (positivo para coronavírus e falso negativo) *PCR: teste altamente sensível e específico, detecta também assintomáticos, mínimo 20 dias Diagnostico diferencial: - Efusiva: peritonite bacteriana, piotórax, colangite, neoplasias, doença renal e hepática, pancreatite - Não efusiva: linfossarcoma, infecções micóticas, toxoplasmose Página 3 de 3 TRATAMENTO Não há tratamento eficaz. A maioria é baseada em cuidados de suporte, inclui reposição de fluidos e nutrientes. A principal conduta é o uso tópico ou sistêmico de corticosteroides. Reduz diminuição resposta imune humoral de anticorpos, tentam minimizar resposta inflamatória. Porém compromete resposta imune celular. Cuidado com drenagem de líquido → hipoproteinemia Risco de infecção secundária bacteriana → antibiótico ➢ Prednisona ➢ Ciclofosfamida ➢ Interferon (imunoglobulador) humano ou felino ➢ Sonda nasogástrica PROFILAXIA Higiene, quarentena, medidas imunoprofiláticas, vacina (resposta imune celular)