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1 Louyse Jerônimo de Morais Imaginologia óssea Referência: aula do prof. Ricardo Barros Objetivos • Conhecer imagens analógicas e digitais • Conceitos básicos sobre imagens digitais: matriz [pixel vs. voxel], DICOM, PACS • Noções sobre janela de visualização Um paciente chega no seu consultório com uma lesão na perda, qual a sua conduta? O exame que se pede é radiografia de tíbia, não se fala “raio-x de perna”. Como se obtém o exame radiográfico radiológico? Por meio de uma película contendo sais de prata. A menor parte da imagem é o cristal de prata. Esse cristal, se interagir com o raio-x, é queimado por ele, tornando a imagem escura. Contudo, também pode ocorrer de não interagir ou interagir pouco, mas isso vai depender da estrutura do corpo no qual o raio atravessa. Qual é a estrutura que reflete mais e refrata menos? O osso, que é mais denso. Dessa forma, os sais de prata que passam por ele são muito pouco queimados. Por outro lado, a estrutura que refrata mais e quase não reflete é o ar, presente no pulmão. O pixel da imagem analógica é o cristal de prata. Na imagem digital, temos um chassi cheio de pixels eletrônicos, que vão ser sensibilizados ou não pelo raio-x. Quanto mais captar, mais escurece, quanto menos captar, mais claro fica. Wilhelm Conrad Rontgen: descobriu o raio-x em 1895. Métodos radiológicos • Radiografias [RX]: usa raio-x. • Ultrassonografia [USG]: energia sonora. • Tomografia computadorizada [TC]: raio-x. • Ressonância nuclear magnética [RNM]: energia de campo magnético. • Medicina nuclear [MN] ou cintilografia: a partícula é injetada no sangue. Tem uma sonda que capta a radioatividade dessas partículas. Então, onde tem sangue capta mais, onde não tem, não capta. Uma doença que tem muito sangue é o tumor. Uma osteomielite tem pouco sangue, porque é um abscesso ósseo, então vai ter a captação em volta apenas. Exame de imagem A energia interage com o corpo, é captada e transformada em luz [imagem]. As imagens mostram essencialmente a anatomia do indivíduo. O exame é analisado e laudado. O laudo, por sua vez, só pode ser dado pelo radiologista. Na ortopedia, raramente se necessita disso. Estrutura do laudo • Técnica • Cabeçalho: identificação do paciente • Descrição • Conclusão • Resumo [opcional] Tudo isso precisa ser transformado em energia luminosa, para que se possa formar uma imagem. É preciso ter algum aparelho para isso, seja filme, chassi eletrônico ou sonda que capta energia radioativa. As imagens, principalmente a radiográfica, são boas para estudar a anatomia, mas não são boas para estudar função. Para estudar função, podemos usar alguns artifícios que facilitam, mas basicamente esses exames veem a anatomia. Tipos de imagem • Analógica: radiografia convencional [filme fotográfico, Chassi/écran, revelação] • Digital: radiografia digital/TC/RM/US/MN [impressão [filme ou papel], gravação. Tudo o que é negro no exame radiológico é chamado de hipertransparente. O branco é chamado de hipotransparente. A vantagem do digital é que se pode gravar a imagem e enviar para qualquer lugar. No analógico, isso não era possível, porque tinha que revelar o filme e etc. 2 Louyse Jerônimo de Morais Essa radiografia digital, que pode ser um arquivo digital gravado, pode ser impressa também, tanto em filme quanto em papel. A diferença é que na analógica é revelado, na digital é impresso com um filme especial ou papel. Então, existe exame digital em filme sim. Imagem de RNM da coluna lombossacra: ao pegar uma área e aumentar, vemos que o pixel é um quadrado. Como melhorar a qualidade da imagem? Aumentando o número de pixels e/ou diminuindo o tamanho do pixel. Isso é chamado de matriz, que é formada por um conjunto de pixels. Escala de cinza O olho humano não vê todas as tonalidades de cinza. As imagens digitais são matrizes. Cada pixel da imagem representa um voxel no tecido. Em imagens médicas, o padrão é o DICOM [digital imaging and communication in medicine/ .dcm]. • Visualizadores ou viewers: tem vários tipos, pois várias empresas desenvolvem. Quando se recebe o exame, seja em filme, em papel ou em uma mídia digital [CD/DVD], já vem com o viewer que permite a visualização daquele exame. • PACS: Picture archiving and communications system. Quando manda para algum lugar, manda um pacote de imagens e não apenas uma. Contraste Acima, temos uma imagem em preto e branco e outra em tons de cinza. A imagem mais nítida é a que está em tons de cinza, porque ela tem mais contraste. Unidade de Hounsfield [UH] TC de tórax – janela de pulmão vs. partes moles O exame tomográfico e, principalmente, o exame de RNM consegue identificar nuances de cinza parecidas para a gente. Quando tem derrame pleural, não se sabe se é sangue ou pus. Se na pelve, pode ser até urina. Como fazia antigamente? Pegava uma agulha e puncionava para ver o que era. Hoje em dia, uma TC ou RNM sabe exatamente a tonalidade de cinza do sangue, da urina, do pus e da serosa, porque o W e o L é diferente para cada tipo de substância. O software sabe qual é a tonalidade de cinza do pulmão, por isso podemos pedir exame nessa janela, que apaga tudo e deixa só a tonalidade de cinza do órgão que se quer estudar. 3 Louyse Jerônimo de Morais Tonalidade de cinza em UH por estrutura Métodos de apoio diagnóstico • Um exame de imagem é necessário? Na traumatologia, sempre vai ser. • Qual a mudança na conduta será adotada de acordo com o resultado do exame? Justificar os exames mais trabalhosos. • Qual exame de imagem? o Para ver osso, TC é melhor, para ver ligamentos e tendões, é melhor a RNM. Sempre se basear na especificidade do exame. Indicação do exame É uma balança que, de um lado, tem a sensibilidade [se vai dar a resposta que se quer ter] e do outro tem disponibilidade, custo, paciente, conduta, risco. Espectro eletromagnético No meio está a luz visível, que é a luz branca. Acima dela, radiação ionizante, abaixo, radiação não ionizante. Dentro do espectro de luz visível, temos infravermelha e ultravioleta. A diferença das não ionizantes é que elas apresentam grande comprimento de onda e frequência pequena. O contrário ocorre nas ionizantes. O problema da radiação ionizante é que ela interage com o corpo humano. • Efeitos: causa ruptura das ligações nas moléculas [DNA], afeta células somáticas e germinativas, efeitos são acumulados por toda a vida do indivíduo, são transmitidos pelos genes [as mutações]. Uma vez que se toma radiação, a mutação que ocorre em consequência dela fica no corpo pelo resto da vida. Radioproteção • Princípio da justificação: só se autoriza a realização do exame de imagem se houver suficiente benefício para o indivíduo exposto ou para a sociedade, de forma a compensar o detrimento que se possa causar. • Princípio da otimização [ALARA]: aparelho bem calibrado, usar apenas a radiação necessária. • Princípio da limitação de dose individual: não deixar o paciente se expor a mais radiação do que o necessário. o Sistemas de blindagem: paredes chumbadas/aventais de chumbo / óculos plumbíferos etc. o Fatores de radioproteção: tempo, distância. Quanto mais distante da fonte de radiação menos ela afeta, quanto menos tempo de exposição menos mal ela faz. o Projetos: área livre, área controlada. Qual a diferença de área livre para controlada? Na livre, o local que é feito o exame fica fora do ambiente hospitalar ou da clínica – só vai para lá se for para fazer o exame. Já a área controlada é quando fica dentro do ambiente hospitalar ou da clínica, mas existe um sistema de circulação que não passe por aquela área ou diminua muito. Radiografia • Radiografia simples • Planigrafia: isso não existe mais. • Radiografia contrastada:bário, iodo. Para vísceras ocas, é extracorpóreo, o que temos lá é ar. Um artifício usado é o contraste à base de bário. Se for interno, como no caso do exame contrastado do aparelho urinário, usa o contraste iodado. Sempre ter cuidado com as pessoas com alergia à iodo. Meios de contraste radiológico 4 Louyse Jerônimo de Morais • Bário o Meio externo = tubo digestivo • Iodo o Meio interno = urinários, fistulografias, angiografias mielograma, tomografia computadorizada etc. o Risco de reação alérgica Vantagens e desvantagens da radiografia • Vantagens: custo baixo, grande disponibilidade, dano conhecido. • Desvantagens: radiação ionizante, baixo contraste, sobreposição. Diferenças entre raio-x e a luz • Raio-x: atravessa o corpo humano, não é visível, ionizante, muito atenuada pelo ar. • Luz: corpo humano opaco, visível, não ionizante, pouco atenuada pelo ar. Tubo de raios-X O aparelho emite elétrons, que se chocam contra a parte positiva. Esse choque emite a radiação X, que é divergente. Se a parte do exame próxima ao filme estiver longe da fonte, o tamanho da imagem fica mais próximo do objeto. Se aproximar da fonte e afastar do filme, amplifica a imagem. Dentro da ampola, temos vácuo. A lâmina de vidro na entrada da ampola protege contra a entrada de ar. • Feixe de raios-x: divergente. Geometria da formação das imagens • O feixe de raio-x é cônico. • Distância foco-filme o Maior: raios + paralelos menos penumbra o Menor: raios = divergentes mais penumbra • Distância objeto-filme o Quanto mais próximo do filme ou écran, menos ampliação [ex.: PA de tórax] o Quanto mais afastado mais ampliação e penumbra. Técnica radiológica Densidades radiológicas • Cálcio • Água • Gordura • Ar Contraste significa diferença. Quanto mais diferente um ponto da imagem do meio que o cerca, mais fácil de identificar sua presença. Por exemplo, é mais fácil identificar um ponto preto em uma folha de papel branca do que em uma folha cinza escura. Já em uma folha preta, não é possível visualiza-lo. Com isso, podemos inferir que o contraste ótimo depende da distribuição adequada dos tons de cinza na imagem. Nosso olho tem uma capacidade limitada de identificar tons de cinza entre o branco e o preto [16 a 32 tons]. Essa é a maior limitação das radiografias, uma vez que a distribuição das densidades do corpo humano não favorece a formação de imagens. Poucas estruturas apresentam uma densidade bem alta [os ossos têm densidade de metal, por conta do alto teor de cálcio] e poucas estruturas têm densidade muito baixa [como o ar, que está no pulmão e nos tubos digestivos]. A grande maioria dos nossos órgãos apresenta uma densidade semelhante à do órgão vizinho, pois apresentam densidade próxima à da água. Para o nosso olho, isso é visto no mesmo tom de cinza [chamamos de “densidade de partes moles”]. 5 Louyse Jerônimo de Morais Por conta disso, a radiografia é muito boa para estudar ossos e ar, presente nos pulmões, pois tais estruturas contrastam com as regiões vizinhas. Por outro lado, regiões como abdome e encéfalo têm péssimo contraste natural e são muito mal estudados pelas radiografias. Resolução espacial [RE] A resolução espacial se trata da capacidade de individualizar dois pontos da imagem. Na prática, a resolução espacial vai depender do meio onde a imagem está registrada. Se for um filme, depende da quantidade e tamanho dos grãos de prata, que formam a parte sensível deste filme. Nas imagens digitais, a RE depende do tamanho da matriz. Dessa forma, quanto mais pontinhos na matriz, mais RE. Outra fonte importante de perda de RE nas radiografias é a sobreposição, pois estruturas tridimensionais serão representadas em um filme plano. Ou seja, cada ponto da imagem representa muitos pontos do corpo humano atravessado pelo raio. Para reduzir este problema, temos que estudar cada região com, pelo menos duas incidências perpendiculares [frente e perfil]. • Obter pelo menos duas radiografias em planos perpendiculares [frente-perfil-oblíquas] • Imagens em corte: quem faz isso é a tomografia. Se você olhasse a radiografia acima só de frente, talvez a tumoração passasse despercebida. Estrutura da radiografia • Identificação: sempre fica no lado superior direito do examinado ou superior esquerdo do examinador. Em decúbito lateral, a identificação vai para a parte inferior. Incidências O nome da incidência é dado pela direção do raio – primeiro o nome da entrada e depois o da saída. Ou seja, anteroposterior significa que o raio entra pela frente e sai atrás do segmento estudado. Em geral, o perfil é feito indiferentemente do lado de entrada e saída do raio. Oblíqua direita significa que o raio se dirige da direita para sair pela esquerda. Por sua vez, craniocaudal denomina a incidência em que o raio entra superiormente e sai inferiormente. Incidências de rotina • Coluna - AP e perfil [oblíquas e dinâmicas] • Bacia - AP [Alar e obturatriz] • Clavícula - AP [AP verdadeiro] • Ombro - AP [AP verdadeiro, axilar, axial da escápula, transtorácica]. 6 Louyse Jerônimo de Morais • Braço, cotovelo, antebraço e punho - AP e perfil • Mão – AP, oblíqua [perfil, escafoide]. O perfil não é para ver osso, pode ser para ver uma perfuração de objeto estranho; não é rotina. No que se refere ao osso escafoide, em cirurgia de trauma, pode não se ver a fratura. Se suspeitar, trata como se fosse [espera uns 15 dias, pois o foco da fratura, se houver, vai ser reabsorvido, então aumenta o espaço, se não ver, é porque não tem]. • Quadril – AP e perfil • Coxa, joelho, perna, tornozelo – AP e perfil • Pé – AP, oblíqua [perfil, axial do calcâneo].