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 AN02FREV001/REV 4.0 
 1 
 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
TERAPIA ORTOMOLECULAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a DistânciaPortal Educação 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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CURSO DE 
TERAPIA ORTOMOLECULAR 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada.É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
 3 
SUMÁRIO 
 
 
OS ALIMENTOS.............................................................................................. 04 
ALIMENTOS FUNCIONAIS........................................................................... 04 
ALIMENTOS ORGÂNICOS............................................................................ 28 
ALIMENTOS TRANSGÊNICOS..................................................................... 37 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 44 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
 4 
OS ALIMENTOS 
Há dois mil e quinhentos anos, o mundo recebia do grande Hipócrates um 
conceito revolucionário: “que o alimento seja o teu remédio e o teu remédio seja o 
alimento”. 
Chegamos ao século XXI endossando os “alimentos funcionais”, isto é, 
aqueles que, além da função de nutrir, oferecem benefícios adicionais à saúde 
humana, contribuindo para a prevenção de enfermidades ou retardando processos 
degenerativos. Também, nos tempos modernos, valorizamos os alimentos 
orgânicos, livres de agrotóxicos e pesticidas, visando um mundo mais sustentável e 
ficamos intrigados com a tecnologia e benefícios dos alimentos transgênicos. Vamos 
então conhecer um pouco mais sobre esses alimentos nesse capítulo. 
 
ALIMENTOS FUNCIONAIS 
É bem conhecido que determinados alimentos promovem a saúde e 
previnem doenças. Por exemplo, os esquimós, com sua alimentação baseada em 
peixes e produtos do mar ricos em ácidos graxos polinsaturados das famílias ômega 
3 e 6, têm baixo índice de problemas cardíacos, assim como os franceses, devido ao 
consumo de vinho tinto, o qual apresenta grande quantidade de compostos 
fenólicos. Os orientais devido ao consumo de soja, que contém fitoestrogênios, 
apresentam baixa incidência de câncer de mama. 
Assim, podemos definir alimentos funcionais como aqueles que têm 
propriedades benéficas além das nutricionais básicas, sendo apresentados na forma 
de alimentos comuns. São consumidos em dietas convencionais, mas demonstram 
capacidade de regular funções corporais de forma a auxiliar na proteção contra 
doenças como hipertensão, diabetes, câncer, osteoporose e coronariopatias 
(SOUZA et al., 2003). Portanto, alimentos funcionais são todos os alimentos ou 
bebidas que, consumidos na alimentação cotidiana, podem trazer benefícios 
fisiológicos específicos, graças à presença de ingredientes fisiologicamente 
saudáveis (CÂNDIDO & CAMPOS, 2005). 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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Recentemente, os alimentos funcionais ganham cada vez mais espaço na 
mídia: programas de televisão, reportagens em jornais e revistas e até sites na 
internet tratam dos benefícios à saúde oferecidos por alguns ingredientes antes 
esquecidos ou desprezados em nossa dieta diária. Em 1999, a portaria n° 398 da 
Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde deu a seguinte definição 
para alimento funcional: "todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções 
nutricionais básicas, quando consumido na dieta usual, produz efeitos metabólicos 
e/ou fisiológicos benéficos à saúde, devendo ser seguro para o consumo, sem 
supervisão médica" (BRASIL, 1999). 
Para simplificar, vamos a um exemplo: o arroz integral é considerado um 
alimento funcional porque oferece fibras e vitaminas do Complexo B, enquanto o 
arroz branco e polido não é alimento funcional, pois no processo de industrialização 
perde a maioria dos nutrientes. 
Embora hoje em dia seja dada uma atenção especial aos alimentos 
funcionais, este assunto é tão antigo quanto a Medicina. Há 2.500 anos, Hipócrates, 
o pai da medicina, já dizia: “faça do alimento seu medicamento e do medicamento, 
seu alimento.” Isto é, desde que começamos a nos preocupar com nossa saúde, 
sabemos, intuitivamente, que os alimentos podem colaborar muito para nos manter 
em boa forma. 
A diferença agora é que o conhecimento sobre os alimentos funcionais está 
deixando de ser intuitivo e saindo dos círculos da sabedoria popular para se 
transformar em ciência. 
Nós últimos anos foi dada muita atenção ao estudo das características 
químicas dos alimentos. Como resultado, descobrimos que os alimentos funcionais 
podem, de fato, ajudar-nos a ter uma vida mais longa e mais saudável, colaborando 
na manutenção da saúde e na prevenção de doenças. 
Os alimentos funcionais apresentam as seguintes características (MORAES 
& COLLA, 2006): 
a) devem ser alimentos convencionais e serem consumidos na dieta normal/usual; 
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b) devem ser compostos por componentes naturais, algumas vezes, em elevada 
concentração ou presentes em alimentos que normalmente não os supririam; 
c) devem ter efeitos positivos além do valor básico nutritivo, que pode aumentar o 
bem-estar e a saúde e/ou reduzir o risco de ocorrência de doenças, promovendo 
benefícios à saúde, além de aumentar a qualidade de vida, incluindo os 
desempenhos físico, psicológico e comportamental; 
d) a alegação da propriedade funcional deve ter embasamento científico; 
e) pode ser um alimento natural ou um alimento no qual um componente tenha sido 
removido; 
g) pode ser um alimento onde a natureza de um ou mais componentes tenha sido 
modificada; 
h) pode ser um alimento no qual a bioatividade de um ou mais componentes tenha 
sido modificada. 
Os princípios ativos desses alimentos são substâncias químicas que os 
tornam os melhores colaboradores para preservar a saúde ou prevenir esta ou 
aquela doença. Conheça de forma resumida alguns desses princípios ativos (Tabela 
5). 
Tabela 5. Princípios ativos e propriedades terapêuticas encontradas em vegetais. 
Princípio ativo Onde é encontrado Funções 
Alfacaroteno 
 
Cenoura Protege as células dos 
radicais livres. 
Betacaroteno Frutas, legumes e 
verduras 
Neutraliza a ação dos 
radicais livres. 
Luteína 
 
Folhas verdes Ajuda a manter a boa 
visão. 
Licopeno Tomate, goiaba 
vermelha 
É antioxidante, reduz o 
risco de câncer cervical 
e da próstata. 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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Antocianina Frutas em geral Reduz risco de câncer 
Flavonas Frutas cítricas e 
verduras folhosas 
Reduzem o risco de 
câncer 
Sulforafeno 
 
Brócolis, repolho, e 
todos os tipos couve 
Barra substâncias que 
podem detonar o câncer 
e há indicações de que 
também possa frear 
tumores existentes 
especialmente de 
mama. 
Genesteína 
 
feijões, soja, ervilha e 
lentilha 
Diminui as taxas de 
colesterol e o risco de 
tumores ligados a 
hormônios como os de 
mama e de próstata. 
Cumarina 
 
Frutas cítricas e tomate Estimula a produção de 
enzimas anticâncer pelo 
próprio organismo. 
Flavonóides 
 
Frutas, tomate e 
cenoura 
Inibem enzimas 
responsáveis pela 
disseminação de 
glândulas cancerosas. 
Isotiocinato 
 
Brócolis, repolho e 
mostarda 
Estimula a produção de 
enzimas anticâncer no 
organismo. 
Triterpenóides Frutas cítricas Impedem o crescimento 
de tumores em 
formação. 
Quercitina 
 
Frutas e cebolas Reduz formação de 
placas gordurosas nas 
artérias ecombate as 
alergias. 
Luteonia Casca das frutas (uva) e Impede a formação de 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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 vinho tinto placas gordurosas. 
Resveratrol Casca da uva, vinho 
tinto e suco de uva 
Também impede a 
formação de placas 
gordurosas. 
Daidzeína Soja e produtos à base 
de soja 
Ameniza os sintomas da 
menopausa, protege 
contra o câncer de 
mama e previne a 
osteoporose. 
Alicina Alho e cebola Ação antimicrobiana e 
antiviral. Também dilata 
os vasos, diminuindo a 
pressão arterial. 
Dialil dissulfeto Alho e cebola Reduz a formação de 
placas gordurosas. 
Polissulfeto-alila Alho e cebola Aumenta a elasticidade 
dos vasos sanguíneos e 
relaxa as fibras 
musculares. 
Dissulfeto de metil-alila 
 
Alho Inibe o aparecimento de 
coágulos na circulação. 
Capsaicina 
 
Pimenta vermelha Diminui a formação de 
coágulos e protege as 
células de substâncias 
cancerígenas. 
Adenosina Alho, cebola e cogumelo 
preto. 
Inibe coágulos. 
Saponinas Soja, produtos à base 
de soja. 
Podem reduzir o 
colesterol e proteger 
contra o câncer. 
Fibras insolúveis Cereais, frutas, legumes 
e verduras. 
Podem reduzir o risco 
de câncer de cólon, 
embora isso ainda seja 
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polêmico. 
Fibras solúveis Aveia Reduzem o risco de 
doenças do coração. 
Fonte: DOVERA, T. D. S. Nutrição Aplicada ao Curso de Enfermagem. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2007. 
A seguir vamos descrever, mais detalhadamente, alguns princípios ativos e 
suas respectivas funções: 
Ácidos fenólicos: ação anti-séptica (combate os microrganismos), antioncogênica 
(combate o câncer) e antioxidante (combate os radicais livres). São encontrados em 
abundância na berinjela, cenoura, tomate, pimentão, frutas cítricas, cereja, couve e 
brócolis. 
Ácidos alfa-linoléicos: além de serem um bom estimulante do sistema imunológico, 
ajudam a controlar inflamações. Existem nas nozes e amêndoas e, nos óleos de 
soja e linhaça. 
Adenosina: por seu efeito relaxante das fibras musculares, é coadjuvante no 
tratamento da hipertensão arterial. Auxilia também no combate à formação de 
coágulos, tendo importante papel na prevenção de derrames e infartos. Está 
presente em maior quantidade na cebola, no alho e no cogumelo preto. Depois de 
consumir estes alimentos, recomenda-se evitar o café e o chá preto, pois a cafeína 
tem efeito antagônico. 
Beta-glucanos: ótimo protetor contra as doenças cardiovasculares e é abundante 
na aveia, cevada e milho. 
Bífido-bactérias: encontradas em iogurtes naturais e em outros derivados 
fermentados do leite. Produzem no corpo humano vitaminas do Complexo B, 
antibióticos naturais, que regularizam a flora intestinal. Favorecem, portanto, o bom 
funcionamento do intestino, o que se reflete também na beleza da pele. São hoje 
conhecidos como FOS (Frutooligossacarídeos). 
Carotenóides: além da ação antioxidante e antioncogênica, previnem a formação 
de coágulos sangüíneos, o que evita infarto e derrame cerebral. Como precursores 
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da vitamina A, seu consumo também é recomendado para manter saudável a função 
visual. Os vegetais mais ricos nestas substâncias são os que têm cor entre amarelo 
e laranja (cenoura, manga, abóbora, mamão, tomate) (Figura 37) e as verduras bem 
escuras (couve, agrião, espinafre, almeirão). 
 
Figura 37. Alimentos ricos em carotenóides. Fonte: DICAS DA NUTRICIONISTA.COM.BR. 
Disponível em: <http://dicasdanutricionista.com.br/2010/11/24/carotenoides-contra-o-
cancer/>. Acesso em: 06 ago. 2012. 
Cumarinas: ação antioncogênica, anti-séptica, antiespasmódica (combate as 
cólicas) e vasodilatadora. Existem em maior quantidade na canela, cenoura e frutas 
cítricas. 
Fenóis e polifenóis: os fenóis e polifenóis estão presentes em abundância nos 
vegetais nas cores roxo, azul e violeta como uva (Figura 38), amora, cereja ou 
berinjela e também no chá verde. Em geral, têm ação antioncogênica, antioxidante, 
antialérgica e antiinflamatória. 
http://dicasdanutricionista.com.br/2010/11/24/carotenoides-contra-o-cancer/
http://dicasdanutricionista.com.br/2010/11/24/carotenoides-contra-o-cancer/
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Figura 38. Polifenóis são encontrados especialmente nas uvas vermelhas e nos vinhos 
tintos também. Fonte: CITWAR. Disponível em: 
<http://blogdacitwar.blogspot.com.br/2010_10_01_archive.html>. Acesso em: 06 ago. 2012. 
Flavonóides: são também fenóis e, entre eles, estão as flavonas e as isoflavonas. A 
camomila, por exemplo, possui uma flavona que tem função analgésica. Já a soja 
tem em grande quantidade isoflavonas que funcionam como fitoestrogênios, 
substância largamente utilizada no tratamento dos sintomas de pré e pós-
menopausa. São indicados também no bloqueio do estradiol, evitando o câncer de 
mama, e da testosterona, inibindo a formação do câncer de próstata, Ainda há 
discussões técnicas sobre a veracidade destas funções. 
Fibras dietéticas: estes carboidratos podem ser solúveis ou insolúveis em água. As 
fibras solúveis ajudam a reduzir o colesterol LDL (o mau colesterol) e os 
triglicerídeos e a prevenir o câncer no intestino. As fibras insolúveis aumentam o 
bolo fecal, reduzindo a prisão de ventre. Além disso, ajudam a limpar o organismo 
dos compostos carcinogênicos, álcoois e metais; promovem a formação de uma flora 
intestinal saudável; e têm valor indiscutível no controle da obesidade, pois impedem 
a absorção de muitas calorias consumidas. 
http://blogdacitwar.blogspot.com.br/2010_10_01_archive.html
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Fitosterol: os vegetais são riquíssimos em fitosterol, uma substância que ajuda a 
reduzir o colesterol e é auxiliar na prevenção de doenças cardíacas. Por isso, 
mesmo nas dietas para redução de peso, é importante comer diariamente verduras, 
frutas e legumes à vontade. 
Licopeno: é da família dos carotenóides e tem função antioncogênica, antioxidante 
e combate as doenças cardiovasculares, pois age sobre a oxidação do LDL (mau 
colesterol). Importante colaborador na prevenção dos cânceres de mama ou de 
próstata, o licopeno existe em maior quantidade nos tomates maduros, pimentão 
vermelho, melancia, cenoura e mamão. A absorção intestinal do licopeno é mais alta 
quando o alimento é ingerido cozido e com um pouco de óleo vegetal. Ou seja, um 
molho de tomate (cozimento + óleo) oferece mais licopeno ao nosso organismo do 
que uma salada de tomates crus. 
Luteína: este carotenóide é o pigmento amarelo dos alimentos e nosso organismo 
não consegue sintetizá-lo sozinho. Serve para preservar as funções visuais, 
proteqendo a retina de lesões solares e degenerações maculares, e ajuda a prevenir 
o câncer de cólon. Os melhores fornecedores de luteína são: cenoura, laranja, 
cereais, gema de ovos e as verduras bem escuras (espinafre, agrião, brócolis). 
Oligossacarídeos: este princípio ativo é muito encontrado nas frutas e cereais e 
ativa a microflora intestinal. 
Ômega 3: da família dos lipídeos, é um ácido graxo essencial, isto é, não pode ser 
sintetizado pelo organismo e precisa ser retirado dos alimentos. A partir da 
observação de que os esquimós não sofrem de arterosclerose, ficou demonstrado 
que este tipo de gordura é benéfico para a circulação sangüínea, reduzindo a 
pressão arterial, além de baixar os níveis do mau colesterol (LDL) e dos triglicérides. 
É constituído basicamente pelo LNA (ácido alfalinolênico), sendo sintetizado em 
alguns vegetais de folhas verdes. Os alimentos mais ricos em ômega 3 (Figura 39) 
são: atum, salmão, arenque, sardinha, bacalhau e os óleos de canola, oliva e em 
menor quantidade também o de soja. Os estudos mais recentes mostraram que a 
gema de ovo apesar de tão atacada no passado, é rica em ômega 3 e pode ajudar a 
baixar o mau colesterol. 
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Figura 39. Alimentos que contêm ômega 3. Fonte: PESQUISANAWEB. Disponívelem: 
<http://www.pesquisenaweb.com/beneficios-e-alimentos-com-o-omega-3/>. Acesso em: 06 
ago. 2012. 
Ômega 6: também é um ácido graxo essencial, isto é, não pode ser sintetizado pelo 
corpo humano, e possui propriedades semelhantes às do ômega 3, além de 
estimular o sistema imunológico e auxiliar na cicatrização da pele, É formado 
basicamente pelo LA (ácido linoléico), sendo encontrado nas sementes de todas as 
plantas, menos no coco, no cacau e na palmeira. O ômega 6 é encontrado em: 
linhaça, gergelim, amêndoa, castanha do pará, aveia, cevada, milho e centeio, entre 
outras oleaginosas. 
Poliacetilenos: são poderosos antioxidantes e ajudam a combater os malefícios 
causados pelo fumo, sendo encontrados em maior quantidade na cenoura, salsinha 
(tempero verde) e salsão (aipo). 
Polissulfeto de alila: o alho e a cebola são muito ricos neste princípio ativo, que é 
importante na prevenção e controle da hipertensão arterial. 
Resveratrol: poderosa função antiviral e antioncogênica, além de agir na prevenção 
de doenças cardiovasculares e hepáticas. Está presente na casca vermelho escuro 
das uvas e de outras frutas roxas e avermelhadas, como a amora. Por isso, o vinho 
tinto e o suco de uva contêm bastante resveratrol. O vinho tinto, quando tomado com 
moderação, pode fazer realmente muito bem à preservação da saúde. 
http://www.pesquisenaweb.com/beneficios-e-alimentos-com-o-omega-3/
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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Tocoferóis: conhecidos como vitamina E, atuam como antioncogênicos e 
antioxidantes. Existem em grande quantidade nos vegetais oleaginosos: germe de 
trigo, semente de girassol, caroço de algodão, óleo de dendê, amendoim, milho e 
soja (Figura 40). 
 
Figura 40. Alimentos ricos em tocoferóis (Vitamina E). Fonte: SEMPRETOPS. Disponível 
em: <http://www.sempretops.com/saude/vitamina-e/>. Acesso em: 06 ag. 2012. 
Terpenos: ação antioxidante e antioncogênica, especialmente na prevenção do 
câncer de pulmão, estômago, pâncreas, fígado e pele. São carotenóides (vegetais 
amarelos e avermelhados) e limonóides (frutas cítricas), precursores da vitamina A, 
que é muito importante na preservação da saúde dos olhos. 
 A seguir descrevemos alguns alimentos funcionais de origem vegetal, listados 
em ordem alfabética. 
Abacate: especialmente indicado na prevenção e tratamento de cardiopatias, este 
fruto é rico em ácidos graxos moninsaturados, ácido oléico, esteróis, tocoferóis e 
carotenóides. É fonte importante também de glutationa, que tem função 
antioncogênica. Comparado a outras frutas, apresenta uma maior concentração de 
http://www.sempretops.com/saude/vitamina-e/
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 AN02FREV001/REV 4.0 
 15 
proteínas, mas deve ser evitado em dietas de emagrecimento pelo alto teor de 
gorduras. 
Abacaxi: possui função diurética, antioxidante e antioncogênica. Rico em fibras, o 
abacaxi estimula a sensação de saciedade e facilita a motilidade e a limpeza 
intestinal. Fonte importante de bromelina, uma enzima que atua como os sucos 
gástricos, facilitando a digestão. O abacaxi é tão bom para tantos sistemas 
orgânicos que alguns chegam a afirmar que aumenta a longevidade! 
Abóbora: muito rica em carotenóides precursores da vitamina A, é indispensável 
para preservar a saúde dos olhos. Fonte de vitamina B3, protege as mucosas, a pele 
e o sistema nervoso, além de prevenir o reumatismo. Tem ação antioncogênica, e 
possui cálcio que fortalece os ossos e os dentes. 
Alcachofra: indicada na prevenção e tratamento de distúrbios nos rins e no fígado, 
pois tem ação diurética e combate os males hepáticos. Rica em ferro, é indicada 
para combater a anemia, especialmente, quando associada ao consumo de cítricos, 
pois a vitamina C aumenta a absorção do ferro. Para tratar dispepsia (digestão 
difícil), deve ser consumida com bastante alho e cebola. Quando consumida com 
cenoura e suco de limão serve também para melhorar as hemorróidas. 
Algas marinhas: são ricas em fibras, sais minerais, vitaminas, aminoácidos 
essenciais e ácido fólico. Têm inúmeras qualidades como alimentos funcionais e 
também para uso externo. Por possuírem alta dosagem de iodo combatem o 
hipotireoidismo. Têm ação antivirótica e combatem tumores. Por serem pobres em 
gorduras e ricas em fibras, são auxiliares importantes nas dietas contra a obesidade. 
As algas também possuem uso cosmético: eliminam as calosidades, amaciam a pele 
e tornam os cabelos mais macios e brilhantes. 
Arroz: o arroz integral possui nutrientes e fibras em quantidade suficiente para que 
seja considerado como alimento funcional. O arroz industrializado  branco e polido 
 acaba empobrecido. Mesmo assim, junto com o feijão, o arroz branco é o melhor 
exemplo de mistura protéica na mesa cotidiana dos brasileiros. O feijão é rico no 
aminoácido lisina e tem como aminoácido limitante a metionina. Já o arroz é rico em 
metionina e pobre em lisina. Desta forma, ao comer um prato com arroz e feijão 
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estamos fazendo uma mistura protéica ideal para favorecer a absorção dos 
aminoácidos. 
Aveia: nossas bisavós e avós já sabiam que a aveia é altamente nutritiva e ajuda no 
bom funcionamento intestinal, por isso, não deixavam de incluí-Ia na preparação de 
mingaus infantis. Rica em proteínas, ácidos graxos insaturados, vitaminas do 
Complexo B, ferro, cálcio e fibras é importante no combate ao colesterol e ajuda na 
prevenção de câncer, principalmente do cólon. 
Azeite de oliva: junto com as fibras, o azeite de oliva integra a “Dieta do 
Mediterrâneo”, região do mundo em que a população apresenta os menores índices 
de doenças cardiovasculares. Possui alta dosagem de ômega 3 e ácido oléico e, 
além de combater os males do coração e da circulação sangüínea, também ajuda a 
prevenir a artrite reumatóide. Deve ser usado, preferencialmente, cru em saladas e 
molhos, mas também pode ser utilizado no preparo de alimentos cozidos. 
Banana: a sabedoria popular levou a exaltar os benefícios desta fruta. Além do alto 
valor energético, a banana possui cálcio, fósforo, ferro e potássio e ainda vitaminas 
A, C, B1 e B2. Junto com a aveia é bastante utilizada na alimentação infantil, mas os 
adultos deveriam voltar a buscar seus benefícios. Embora rica em açúcar, não 
possui gorduras e é recomendada mesmo nas dietas para emagrecimento. 
Batata: é um dos alimentos mais consumidos em todo o mundo e durante séculos 
manteve vivas enormes populações, principalmente em períodos de guerra na 
Europa. É fonte muito importante de carboidratos, mas oferece também potássio e 
vitaminas A e C. 
Berinjela: rica em vitamina B5, que ajuda no equilíbrio do sistema digestório e do 
sistema nervoso, além de proteger a pele, este alimento possui ainda cálcio, fósforo 
e ferro. Estes sais minerais são importantes na construção dos ossos e músculos e 
na coagulação sangüínea. Há a divulgação da idéia de que a berinjela combate os 
altos índices de glicose e colesterol LDL (o mau colesterol) no sangue, mas isso não 
está ainda comprovado. Quando consumida com casca, porém, a alta dose de fibras 
pode auxiliar nestas duas funções preventivas. 
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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Beterraba: importante fonte energética, é usada inclusive para a fabricação de 
açúcar refinado. Além do alto teor de açúcar, oferece também boa quantidade 
vitamina C. Costuma ser indicada como fonte de ferro, mas por não possuir o heme, 
sua absorção é prejudicada. Em um processo de reeducação alimentar deveríamos 
dar mais importância às folhas da beterraba, que podem ser consumidas refogadas. 
As folhas da beterraba, estas sim, além de poucas calorias, são bem ricas em 
potássio, cálcio, ferro, betacaroteno, ácido fólico e vitamina C. 
Brócolis: riquíssimo em potentes antioxidantes (quercetina, glutadiona, 
betacaroteno, indóis, luteína e glucarato) atua como antiinflamatório, antibiótico, 
anticoagulante, analgésico, antivirótico e na proteção do fígado,redução do 
colesterol, combate às dores musculares, diminuição da pressão arterial e 
prevenção do câncer de: estômago, esôfago, pulmão, faringe, útero, pâncreas e 
cólon. Um buquê médio de brócolis possui mais vitamina C que uma laranja; tanto 
cálcio quanto um copo de leite; e três vezes mais fibra do que uma fatia de pão de 
centeio. É importante fonte de ferro e, por ter baixo valor calórico, é indicado nas 
dietas de emagrecimento. Seus benefícios nutricionais são melhor preservados 
quando o brócolis é consumido cru. 
Café: é uma das principais fontes de cafeína, o estimulante legal mais consumido 
em todo o mundo. Acelera os batimentos cardíacos e a diurese, além de estimular o 
sistema nervoso e reduzir o sono. 
Camomila: rica em apigenina, uma flavona que tem efeito analgésico. 
Castanha de caju: rica em proteínas, carboidratos, lipídeos, fósforo, ferro, cobre, 
zinco, magnésio, fibras e gorduras insaturadas (as chamadas boas gorduras, como 
ômega 3). Tem ação antioxidante, ajuda a motilidade intestinal e combate o mau 
colesterol (LDL). 
Castanha do Pará: os estudos mais recentes mostram que o consumo destas 
castanhas é capaz de suprir a necessidade diária de selênio. Além da ação 
antioxidante e antioncogênica, auxilia na prevenção de doenças cardíacas e melhora 
o sistema imunológico. Atua no equilíbrio do hormônio da tireóide, protege de 
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doenças degenerativas como: esclerose múltipla e Alzheimer, pois possui boa 
quantidade de vitamina E. 
Cebola: suas propriedades benéficas como alimento são conhecidas desde o Antigo 
Egito, quando alguns faraós eram enterrados junto com algumas delas em sua 
tumba. Rica em adenosina, substância que atua como relaxante, ajuda a combater 
dores musculares, auxilia no tratamento da hipertensão arterial e previne a 
aterosclerose e a formação de coágulos. Outra substância, a quercetina, é um 
poderoso antioxidante e ajuda a prevenir úlceras, câncer gástrico e do cólon. Depois 
de consumir cebola, recomenda-se evitar o café, pois, a cafeína tem efeito oposto ao 
da adenosina. 
Cenoura: importante fonte de carotenóides, precursores da vitamina A, atuando na 
preservação da visão e na proteção da pele e das mucosas. As vitaminas do 
complexo B ajudam a regular o sistema nervoso e o funcionamento do aparelho 
digestório e do fígado. Fonte de sais minerais como: iodo, fósforo, cloro, sódio, 
potássio e cálcio. Por seu alto teor de fibras, funciona como laxante. Além de cuidar 
da visão, da pele e das mucosas, a vitamina A é importante para proteger o sistema 
circulatório e o imunológico. A cenoura tem importante ação antioxidante e 
antioncogênica. 
Cereais integrais: os benefícios dos cereais são bastante divulgados e a indústria 
de alimentos já os inclui em pães, biscoitos, macarrão e os disponibiliza também em 
forma de misturas matinais. O consumo de cereais leva à formação de glicogênio, 
reserva de energia do organismo, o que pode resultar em ganho de peso quando 
consumido em exagero. Ricos em fibras, aceleram o trânsito intestinal e, por isso, 
sua ingestão deve ser acompanhada de bastante líquido. Retardam a absorção de 
glicose, sendo bons coadjuvantes no tratamento de diabéticos. São especialmente 
indicados na produção de energia para esportistas amadores ou profissionais. 
Chá verde: importante no combate à obesidade e na redução do mau colesterol 
(LDL), pois diminui os níveis de leptina, uma substância que favorece o ganho de 
peso. Tem ação antioxidante e antioncogênica e ainda evita a formação de coágulos 
sanguíneos. Diminui a ação das bactérias que causam as cáries dentárias. 
{+98i 
 
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 19 
Milenarmente conhecido, o chá verde (Figura 41) promove a saúde e aumenta a 
longevidade. 
 
Figura 41. Chá verde muito utilizado em dietas para emagrecimento. Fonte: TUDOSOBRE. 
Disponível em: < http://www.tudo-sobre.net/cha-verde-os-beneficios>. Acesso em: 06 ago. 
2012. 
Chocolate: os mais recentes estudos realizados não provaram até agora nenhuma 
relação entre o consumo diário de chocolate e a ocorrência de enxaquecas ou até 
mesmo de acnes. O chocolate também tem sido acusado de causar dependência, 
pois estimula a produção pelo organismo de serotonina e endorfina, substâncias que 
aumentam a sensação de bem-estar físico e psíquico. Nada disso está comprovado 
cientificamente até o momento. Por enquanto, o que se sabe é que o chocolate é 
rico em polifenóis e fitoesteróis, que têm ação antioxidante, antioncogênica e que 
ajudam a combater o mau colesterol (LDL). 
Cítricos: as frutas cítricas (laranja, bergamota, morango, acerola, caju, todos os 
tipos de limão) estão entre as maiores fontes naturais de vitamina C, o que as torna 
importantes agentes antioxidantes. Auxiliam a formação do colágeno, o que faz bem 
para a pele e retarda o envelhecimento. Previnem também hemorragias na 
circulação capilar. Quando consumidas com o bagaço (não sob a forma de suco), 
são importantes fornecedores de fibras. 
http://cdn.tudo-sobre.net/wp-content/uploads/2012/04/cha-verde-os-beneficios.jpg
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http://www.tudo-sobre.net/cha-verde-os-beneficios
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Cogumelos: alimento com excelente valor nutritivo e altamente protéico. É fonte de 
quase todos os aminoácidos. Ricos em vitaminas K, E, C, H e as do Complexo B, 
além de ácido pantotênico e ácido fólico. Tem forte ação antioncogênica, evitando a 
regeneração e a metástase de cânceres. Estimulam o sistema imunológico. Todos 
os cogumelos comestíveis são bons alimentos. 
Couve flor: rica em sais minerais, cálcio, fósforo, ferro, zinco, iodo, cobre e ferro e 
também em vitaminas: A, C, B2 e B5. É importante na formação de ossos, dentes e 
sangue; tem ação antioxidante e antioncogênica. Pobre em calorias e rica em fibras, 
é útil nas dietas de redução de peso. É aconselhável lembrar que, por sua alta 
quantidade de purinas, a couve flor não é indicada para pessoas que controlam o 
ácido úrico, gerador de uma doença chamada gota. 
Damasco: consumido como fruta passa ou em receitas doces e salgadas, o 
damasco é rico em ferro, potássio, vitamina A e betacaroteno, um potente 
antioxidante. Sua ação positiva sobre o funcionamento de músculos e nervos, a 
baixa caloria e a riqueza em fibras torna-o útil para atletas e para quem faz dieta 
para emagrecer. 
Espinafre: rico em ferro, que é muito importante na formação do sangue e para o 
transporte de oxigênio a todos os tecidos do organismo. Oferece também bastante 
vitaminas A e B, além de cálcio e fósforo. Estes nutrientes têm função na proteção 
da visão, da pele e mucosas e no fortalecimento de dentes e ossos. O espinafre 
possui ainda ação laxante e previne cálculos renais. Por ser riquíssimo em 
carotenóides é um poderoso antioxidante e antioncogênico. 
Feijão: a mistura protéica do feijão com o arroz tem o poder de substituir a carne na 
alimentação diária. Isso porque o feijão é rico no aminoácido lisina e tem como 
aminoácido limitante a metionina. Já o arroz é rico em metionina e pobre em lisina. 
Desta forma, ao comer um prato com arroz e feijão estamos fazendo uma mistura 
protéica ideal para favorecer a absorção dos aminoácidos. 
Gergelim: utilizado em doces e salgados ou sob a forma de óleo, é rico em cálcio, 
potássio, vitamina E, e ácidos graxos insaturados. Atua como antioxidante e na 
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prevenção de doenças cardiovasculares, tendo propriedades tão positivas quanto as 
do azeite de oliva. 
Germe de trigo: por ter ação antioxidante, ajuda na prevenção de tumores e 
doenças cardiovasculares e retarda o envelhecimento. Rico em vitamina E, 
associado a alimentos que contenham zinco, é importante nutriente para as células 
sexuais. Oferece ainda cálcio, magnésio, ferro e muitas fibras. Excelente 
coadjuvante na prevençãoe tratamento da prisão de ventre. 
Laranja: além dos benefícios da vitamina C, a laranja possui grande quantidade de 
vitamina B1, cálcio, fósforo, potássio, ácido fólico e betacaroteno. Uma laranja 
oferece toda a quantidade diária de vitamina C necessária ao organismo. É indicada 
até em dietas de emagrecimento e, neste caso, podem ser consumidas até 10 por 
dia, desde que sejam ingeridas com todo o bagaço (fibras) e não sob a forma de 
suco. Já está comprovado cientificamente que a laranja é um excelente preventivo e 
deve ser incluída até no tratamento do câncer de próstata por sua capacidade de 
reduzir células cancerosas. 
Leveduras: fazem parte do reino Fungi e estão dispersas pelo ambiente, 
participando de toda fermentação e transformação dos açúcares em álcoois. A mais 
conhecida é a Sacharomyces cereviseae, presente na fermentação dos pães e na 
fabricação de bebidas alcoólicas. Oferece proteínas (aminoácidos essenciais), 
carboidratos e sais minerais (fósforo, cobalto, manganês, cobre e zinco), além de 
vitaminas do Complexo B. Presentes também o ergosterol, precursor da vitamina D, 
e o ácido nucléico, importante elemento biológico. 
Limão: tem todas as características positivas dos cítricos e oferece potentes 
antioxidantes como a quercetina e os flavonóides. É indicado até no tratamento de 
Alzheimer, reduz o colesterol e ajuda a prevenir os cânceres de cólon, mama e 
pulmão. Na época das grandes navegações (século XV), conta-se que, numa 
viagem de circunavegação da África, um capitão de esquadra abandonou em uma 
ilha um grupo de marinheiros doentes de escorbuto. Para sua surpresa, na viagem 
de retorno, aqueles marinheiros estavam vivos, fortes e saudáveis. Para se 
alimentar, eles haviam consumido limões nativos e ficaram curados por causa da 
grande quantidade de vitamina C. Depois disso, todo navio passou a levar uma 
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carga de limões para evitar o escorbuto nos marinheiros. Além disso, é bom para 
combater infecções, arterosclerose, pequenas hemorragias e fadiga, além de 
favorecer a cicatrização. 
Maçã: há séculos os americanos costumam dizer que uma maçã por dia é sinônimo 
de saúde e alegria. Rica em pectina, a maçã retarda a absorção da glicose e auxilia 
na redução do mau colesterol (LDL). Oferece também flavonóides de grande poder 
antioxidante. Com alto teor de potássio, protege o coração e agiliza a eliminação do 
sódio excedente no organismo, o que facilita a redução de edemas (inchaço). É 
muito utilizada no combate à diarréia infantil, colaborando na prevenção da 
desidratação nos dias de forte calor por evitar a perda de água pelo intestino. 
Mamão: rico em licopeno e carotenóides tem importante ação antioxidante e 
antioncogênica. Oferece ainda sais minerais (cálcio, fósforo, ferro, sódio e potássio) 
e vitaminas A e C. Possui ainda uma substância chamada papaína, que é muito 
benéfica ao funcionamento dos sistemas digestório e intestinal, agindo como laxativo 
e na diminuição da flatulência (gases), 
Manga: alto teor de vitamina C e vitamina A (carotenóides), o que caracteriza a ação 
antioxidante antioncogênica. Uma unidade pequena (100 g) de manga madura é 
capaz de oferecer 100 mg de vitamina C. Por ser rica em fibras, não deve ser 
proibida nas dietas de emagrecimento, 
Maracujá: chama-se passiflorina ou maracujina, a substância que confere ao 
maracujá um alto valor sedativo (calmante e relaxante). As propriedades desta fruta 
são conhecidas desde o tempo de nossos avôs e bisavôs, que também usavam 
suas sementes como um poderoso vermífugo. Além disso, é rico em fibras, nas 
vitaminas C, B2 e B5 e nos sais minerais ferro, magnésio, cálcio e fósforo. 
MeI: embora produzido por abelhas, o mel não costuma aparecer relacionado entre 
os alimentos de origem animal. Suas propriedades funcionais são tantas que poderia 
ser escrito um trabalho somente sobre este alimento. O mel fortalece o sistema 
imunológico e tem poder antibacteriano, antiinflamatório, analgésico, sedativo, 
expectorante e hipoalergênico. Oferece água, glicose, sacarose, ferro, sódio, 
potássio, cloro, cálcio, enxofre, magnésio, fósforo, zinco e vitaminas A, C, E, e as do 
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Complexo B. Além do poder anti-séptico e bactericida, auxilia nos processos de 
desintoxicação do organismo e facilita a digestão. Apesar de todos estes benefícios, 
o mel não é recomendado a pessoas diabéticas por sua alta concentração de 
açúcar, 
Morango: como fruta rica em vitamina C (Figura 42), tem ação antioxidante 
(substância d-catequina) e antioncogênica, evita a fragilidade dos ossos e dá 
resistência aos tecidos, além de agir contra infecções e ajudar nas cicatrizações e 
ser diurético. 
 
Figura 42. Morango rico em vitamina C. Fonte: ABRIL.COM.BR. Disponível em: 
<http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-usado-
cremes-pele-cabelos-433321.shtml>. Acesso em: 06 ago. 2012. 
Nozes: estudos realizados com pacientes americanos e de países mediterrâneos 
comprovam que o consumo de nozes é importante na prevenção de doenças 
cardiovasculares e reduz a incidência de morte súbita entre doentes deste grupo. As 
nozes contêm grande quantidade de vitamina E, gorduras monoinsaturadas, 
magnésio, potássio, cálcio, zinco e fibras. Também os consumidores de nozes têm 
menos chance de desenvolver o mal de Alzheimer. Para obter estes benefícios, 
basta comer uma porção de nozes (cerca de 30 g) duas vezes por semana. 
http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-usado-cremes-pele-cabelos-433321.shtml
http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-usado-cremes-pele-cabelos-433321.shtml
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Óleos vegetais: com exceção do óleo de coco, óleo de folhas de palmeiras e do 
óleo de babaçu, as gorduras vegetais são insaturadas, tornando-se agente 
importante na prevenção de doenças cardiovasculares O óleo de oliva (azeite) e o 
óleo de canola têm sido reconhecidos pela alta concentração de gorduras 
insaturadas (ômega 3), mas seu preço de comercialização é muito superior ao do 
óleo de soja, que também contém boa quantidade destes óleos essenciais (ômega 
6). Sendo assim, do ponto de vista da saúde pública, o óleo de soja não deve ser 
menosprezado, pois está ao alcance da população de menor poder aquisitivo e 
possui significativa porcentagem de ácidos graxos insaturados de ação benéfica à 
saúde. 
Palmito: alimento altamente nutritivo, fornecedor de fibras dietéticas e de baixa 
caloria, o palmito oferece ainda vitaminas (C e Complexo B), gorduras 
poliinsaturadas e sais minerais: ferro, magnésio, fósforo, zinco e selênio. Tem 
função importante no processo de cicatrização dos tecidos e na prevenção de 
hemorragias e doenças da próstata. 
Pimenta: O princípio ativo da maioria das pimentas é a capsaicina, que lhe dá o 
sabor, aroma e ardência. Esta substância é um potente estimulador da circulação 
sangüínea e alguns estudos mostram que as pessoas que consomem mais pimenta 
estão menos sujeitas à formação de coágulos e à ocorrência de infartos. 
Repolho: rico em fibras e de baixa caloria, é indicado em dietas de emagrecimento. 
Importante fonte de vitamina C e de sulforafeno, substâncias com ação antioxidante 
e antioncogênica. Outro princípio ativo do repolho é o glicosinolato, que auxilia na 
prevenção do câncer de cólon. Por conter certo teor de enxofre, produz cheiro forte 
ao ser cozido e pode causar aumento de gases (flatulência). 
Soja: há milhares de anos, é reconhecida como um alimento de qualidade por seu 
alto teor energético e pela excelência de sua proteína. Recentemente, pela 
verificação de grande concentração de isoflavonóides (especialmente as isoflavonas 
genesteína e daidzeina), foram comprovados os benefícios de sua utilização como 
medicamento fitoterápico no tratamento alternativo dos sintomas da menopausae 
do climatério. Rica em fibras, vitamina B, ácido fólico, iodo, magnésio, potássio e 
fósforo, a soja demonstra também efeitos benéficos na prevenção de tumores, 
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aterosclerose e na redução do mau colesterol (LDL). Já está comprovado também 
que os melhores efeitos clínicos são obtidos com o consumo rotineiro da soja in 
natura. 
Tomate: devido à alta concentração de licopeno (carotenóide), especialmente nos 
frutos mais maduros, o tomate tem sido recomendado na prevenção dos cânceres 
de mama ou de próstata. O tomate cru oferece 30 mg de licopeno por quilo, 
enquanto o suco tem 150 mg por litro e o catchup 100 mg por quilo. Estudos já 
mostraram que o consumo de tomate cozido em óleo (molhos) aumenta de 2 a 3 
vezes a concentração de licopeno no sangue no dia seguinte. O mesmo não 
acontece quando o tomate é ingerido cru e sem gordura. Isto significa que o 
cozimento e a adição de um pouco de gordura aos tomates maduros facilitam a 
absorção do licopeno. 
Uva: estudos realizados nas últimas décadas comprovam que a uva e, 
principalmente, o vinho tinto, possuem grande concentração da substância 
resveratrol, que diminui a viscosidade do sangue e tem potente ação antioxidante. 
Desta forma, o consumo rotineiro e moderado (cerca de duas taças de vinho tinto 
por dia) do vinho tinto é importante na prevenção da aterosclerose e evita a 
formação de coágulos por diminuir a agregação plaquetária e dilatar os vasos 
sangüíneos. Alguns trabalhos também indicam que o consumo moderado de álcool 
pode ser um auxiliar na prevenção de demência em pessoas com idade acima de 60 
anos. 
Agora, apresentamos alguns alimentos funcionais de origem animal: 
Carnes vermelhas: durante muitos anos, esta categoria alimentar foi execrada 
pelos médicos e se criou uma mentalidade entre os leigos favorável à abstenção de 
carnes vermelhas, o que tem sido, por exemplo, a principal causa de anemia entre 
pessoas idosas. A carne vermelha oferece proteína de alto valor biológico com 
aminoácidos essenciais (aqueles que não são sintetizados pelo organismo), 
importantíssimos na construção de tecidos. É também a maior fonte de ferro, 
fundamental na formação da hemoglobina, que transporta oxigênio a todos os 
órgãos do corpo. A carne vermelha oferece ainda zinco, cálcio, fósforo, sódio, 
potássio, enxofre, cloro, magnésio, cobre, níquel, manganês, substâncias 
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nitrogenadas e vitaminas do Complexo B. Frente a esta riqueza de nutrientes e a 
esta ampla gama de funções benéficas, é preciso reafirmar: Em relação à 
informação de que o consumo rotineiro de churrasco aumenta a incidência de 
câncer, é preciso esclarecer que isso se deve aos resíduos da fumaça aderida à 
carne e, principalmente, de sua associação com o vício de fumar. Para comer 
churrasco moderada e tranquilamente, recomenda-se: não fumar e unir o prazer da 
boa carne assada ao consumo de verduras, legumes e frutas com função 
antioxidante e antioncogênica. 
Fígado: rico em ferro. É um dos alimentos mais indicados na prevenção e 
tratamento de anemia ferropriva, o que significa também que é importante na 
formação da hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio a todos os 
tecidos orgânicos. A carne de fígado (Figura 43) oferece ainda sais minerais, 
vitaminas do Complexo B e gorduras polinsaturadas, sendo estas indicadas na 
prevenção de doenças cardiovasculares. 
 
Figura 43. A carne de fígado é 
rica em ferro. Fonte: 
SUSTENTAVELEORGANICO.
BLOGSPOT.COM. Disponível 
em: 
<http://sustentaveleorganico.blo
gspot.com.br/2012/03/figado-
afinal-figado-faz-bem-ou-faz-
mal.html>. Acesso em: 06 ago. 
2012. 
Iogurte: milenarmente recomendado como alimento muito útil para o bom 
funcionamento do intestino, o iogurte é obtido a partir da bactéria Lactabacillus 
casei, responsável pela fermentação do leite. Hoje, estas bactérias são 
denominadas FOS e se referem a probióticos como: bifidobacterium, lactobacillus, 
streptococcus, enterococcus e escherichia. Quando os probióticos são ingeridos 
juntamente com os prebióticos (oligossacarídeos presentes em alimentos como 
banana, cebola, aspargo e alcachofra, entre outros) são potencializados seus efeitos 
http://3.bp.blogspot.com/-EEuKxuxz-N4/T19NhFxNgcI/AAAAAAAAAs8/GucabdShlXE/s1600/00bife-figado.jpg
http://3.bp.blogspot.com/-EEuKxuxz-N4/T19NhFxNgcI/AAAAAAAAAs8/GucabdShlXE/s1600/00bife-figado.jpg
http://sustentaveleorganico.blogspot.com.br/2012/03/figado-afinal-figado-faz-bem-ou-faz-mal.html
http://sustentaveleorganico.blogspot.com.br/2012/03/figado-afinal-figado-faz-bem-ou-faz-mal.html
http://sustentaveleorganico.blogspot.com.br/2012/03/figado-afinal-figado-faz-bem-ou-faz-mal.html
http://sustentaveleorganico.blogspot.com.br/2012/03/figado-afinal-figado-faz-bem-ou-faz-mal.html
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benéficos sobre o sistema intestinal. Além da prevenção de distúrbios intestinais, os 
probióticos devem ser ingeridos principalmente no tratamento de gastrenterites e 
diarréias e depois do uso de antibióticos. Quem já tem excesso de acidez gástrica 
deve evitar o consumo de iogurtes. 
Leite: usado há milênios como alimento nos 5 continentes, o leite é a mais completa 
fonte nutritiva em qualquer idade. Até os primeiros 6 meses de vida, o leite materno 
é o alimento único e completo, sendo também a melhor fonte de água para evitar a 
desidratação do bebê. O leite de vaca é considerado essencial até os 12 anos. No 
adulto, garante vida saudável; e na maturidade, previne a osteoporose. Rico em 
cálcio em função da lactose, vitamina D, proteínas, carboidratos, sais minerais e 
gorduras, o leite possui todos os ingredientes necessários ao bom desenvolvimento 
da massa muscular e óssea. Desta forma, o consumo regular de leite dispensa o 
uso de suplementos alimentares até mesmo por atletas. O leite só não é indicado 
para as pessoas com dificuldade para processar a lactose e apresentam sintomas 
de intolerância. 
Ovo: É uma das fontes nutricionais mais completas para gestantes, crianças e 
jovens em crescimento, pois oferece proteínas de alto valor biológico, vitaminas e 
sais minerais (principalmente ferro). Rico em gorduras, durante muito tempo, o ovo 
foi considerado responsável pelo aumento do mau colesterol (LDL) causador de 
doenças cardiovasculares, derrames e isquemias. Atualmente, sabe-se que é 
justamente o contrário. O ovo é rico em gorduras polinsaturadas ômega 3, que 
estimulam a formação do bom colesterol (HDL) e ajudam na prevenção de doenças 
cardiovasculares. 
Queijo: Como derivado do leite oferece todos os seus benefícios, mas pelo elevado 
grau de concentração disponibiliza uma quantidade ainda maior de cálcio. Rico em 
proteínas essenciais e também na gordura ômega 6, que tem ação contra o mau 
colesterol (LDL), função antioncogênica e ainda fortalece o sistema imunológico. A 
quantidade de gordura varia de um queijo para outro, por exemplo: o queijo prato ou 
lanche possui 40% de gordura; o tipo minas 20%; e os da categoria light, cerca de 
25% a menos. Uma maneira prática de conhecer o teor de gordura de um queijo é a 
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sua cor: quanto mais amarelado for o queijo, maior será a quantidade de gordura em 
sua composição. 
Salmão: A carne de salmão, além de rica em proteínas essenciais, oferece grande 
quantidade de vitaminas do Complexo B, vitamina A, ferro e o melhor nível da 
combinação entre as gorduras polinsaturadas ômega 3 e ômega 6. É, por isso, muito 
importante na prevenção de doenças cardiovasculares. Recomenda-se o consumo 
de salmão e outros peixes em 3 refeições por semana. 
 
ALIMENTOS ORGÂNICOS 
A sociedade vem passando por uma série de transformações ao longo dos 
últimos trinta anos. Dentre estas transformações, os hábitos de consumo são um 
dos itens particularmente interessantes de serem observados. Em plena era de 
ascensão dos fast food,eis que surge uma corrente em prol de alimentos mais 
saudáveis que prolonguem a vida e mantenham a saúde das pessoas, sendo que a 
produção deste tipo de alimento deve ser realizada considerando o respeito 
ao meio ambiente, e aspectos até então ignorados como, por exemplo, a 
qualidade de vida de quem produz o alimento. 
Com esse apelo sócio-ambiental, surge a produção de alimentos orgânicos 
como um novo nicho de mercado para produtos agrícolas e pecuários 
(CAVALCANTE et al., 2007). 
A definição oficial de alimentos orgânicos é encontrada na lei 10.831 de 23 
de dezembro de 2003 que é a referência legal para os alimentos orgânicos: 
“Art. 1º: Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo 
aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do 
uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à 
integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a 
sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios 
sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, 
empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e 
mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação 
do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, 
em qualquer fase do processo de produção, processamento, 
armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio 
ambiente” (BRASIL, 2003). 
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A cultura e comercialização dos produtos orgânicos no Brasil foram 
aprovadas pela Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Sua regulamentação, no 
entanto, ocorreu apenas em 27 de dezembro de 2007 com a publicação do Decreto 
nº 6.323 (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 2012). 
Segundo a Instrução Normativa n 64, de 18 de dezembro de 2008, artigo 
17, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os sistemas orgânicos 
de produção animal devem buscar: 
I - seguir os princípios do bem-estar animal em todas as fases do processo 
produtivo; 
II - manter a higiene e saúde em todo o processo criatório, compatível com 
a legislação sanitária vigente e com o emprego de produtos permitidos para 
uso na produção orgânica; 
III - a adoção de técnicas sanitárias preventivas; 
IV - a oferta de alimentação nutritiva, saudável, de qualidade e em 
quantidade adequada de acordo com as exigências nutricionais de cada 
espécie; 
V - a oferta de água de qualidade e em quantidade adequada, isenta de 
agentes químicos e biológicos que possam comprometer sua saúde e vigor, 
a qualidade dos produtos e os recursos naturais, de acordo com os 
parâmetros especificados pela legislação vigente; 
VI - utilizar instalações higiênicas, funcionais e adequadas a cada espécie 
animal e local de criação; e 
VII - destinar de forma ambientalmente adequada os resíduos da produção 
(BRASIL, 2008). 
Ainda em referência a mesma Instrução Normativa, no artigo 91, os sistemas 
orgânicos de produção vegetal devem priorizar: 
I - a utilização de material de propagação originário de espécies vegetais 
adaptadas às condições edafoclimáticas locais e tolerantes a pragas e 
doenças; 
II - a reciclagem de matéria orgânica como base para a manutenção da 
fertilidade do solo e a nutrição das plantas; 
III - a manutenção da atividade biológica do solo, o equilíbrio de nutrientes e 
a qualidade da água; 
IV - a adoção de manejo de pragas e doenças que: 
a) respeite o desenvolvimento natural das plantas; 
b) respeite a sustentabilidade ambiental; 
c) respeite a saúde humana e animal, inclusive em sua fase de 
armazenamento; e 
d) privilegie métodos culturais, físicos e biológicos; 
V - a utilização de insumos que, em seu processo de obtenção, utilização e 
armazenamento, não comprometam a estabilidade do habitat natural e do 
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agroecossistema, não representando ameaça ao meio ambiente e à saúde 
humana e animal (BRASIL, 2008). 
O Censo Agropecuário, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística, investigou, pela primeira vez em 2006, a prática de agricultura orgânica 
nos estabelecimentos agropecuários (IBGE, 2006). Os estabelecimentos 
agropecuários produtores de orgânicos representavam, aproximadamente, 1,8% do 
total investigado. Na distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos por 
grupo de atividade econômica, predominavam a pecuária e criação de outros 
animais, com 41,7% e a produção das lavouras temporárias, com 33,5%. Os 
estabelecimentos com plantios de lavoura permanente e de horticultura/floricultura 
figuravam com proporções de 10,4% e 9,9%, respectivamente, seguidos dos 
orgânicos florestais (plantio e extração) com 3,8% do total (Tabela 5). 
Tabela 5. Distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos, segundo os 
grupos da atividade econômica – Brasil, 2006. 
Grupos da atividade econômica 
Distribuição dos estabelecimentos 
produtores orgânicos 
Absoluta Percentual (%) 
Total 90.497 100 
Produção de lavouras temporárias 30.168 33,34 
Horticultura e floricultura 8.900 9,83 
Produção de lavouras permanentes 9.557 10,56 
Produção de sementes, mudas e outras 
formas de propagação vegetal 
52 0,06 
Pecuária e criação de outros animais 38.014 42,01 
Produção florestal – florestas plantadas 1.638 1,81 
Produção florestal – florestas nativas 1.644 1,82 
Pesca 153 0,17 
Aquicultura 371 0,41 
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006. 
A busca da qualidade alimentar está se tornando uma das principais 
preocupações dos consumidores conscientes. Atualmente, as motivações para o 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 31 
consumo de alimentos orgânicos variam em função do país, da cultura e dos 
produtos que se analisa. Todavia, observando paises como Alemanha, Inglaterra, 
Austrália, Estados Unidos, França, Dinamarca, Polônia e Costa Rica percebe-se que 
existe uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar, em primeiro lugar, 
aspectos relacionados à saúde e sua ligação com os alimentos, em seguida ao meio 
ambiente e, por último, a questão do sabor e frescor dos alimentos orgânicos. 
No Brasil, a principal motivação para compra de alimentos orgânicos 
também esta ligada a preocupação com a saúde (DAROLT, 2003). Hoje, no Brasil, 
quem consome os alimentos orgânicos são adultos e idosos pertencentes as classes 
sociais A e B. E importante destacar que o desafio de levar o alimento orgânico para 
as outras camadas da população não está relacionado apenas aos aspectos 
técnicos (produção em quantidade, qualidade, regularidade e diversidade) e 
econômicos (preços competitivos aos produtos convencionais), mas também aos 
aspectos políticos e sociais. 
Segundo o Instituto Biodinâmico (IBC), um certificador brasileiro reconhecido 
internacionalmente, a produção orgânica no Brasil cresce 30% ao ano e ocupa 
atualmente uma área de 6,5 milhões de hectares de terras, colocando o país na 
segunda posição dentre os maiores produtores mundiais de orgânicos 
principalmente devido ao extrativismo sustentável de castanha, açaí, pupunha, látex, 
frutas e outras espécies das matas tropicais, principalmente da Amazônia. Cerca de 
75% da produção nacional de orgânicos é exportada, principalmente para a Europa, 
Estados Unidos e Japão. A soja, o café e o açúcar lideram as exportações. No 
mercado interno, os produtos mais comuns são as hortaliças, seguidos de café, 
açúcar, sucos, mel, geléias, feijão, cereais, laticínios, doces, chás e ervas medicinais 
(MEGA 21, 2010). 
No Brasil são produzidos mais de 30 tipos de produtos orgânicos, sendo que 
os principais estados produtores e seus produtos são (DAROLT, 2007): 
- São Paulo: suco de laranja, açúcar, frutas secas, hortaliças; 
- Paraná: soja, açúcar mascavo, café, erva-mate, hortaliças; 
- Minas Gerais: café; 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 32 
- Bahia: cacau; 
- Nordeste: castanha de caju, óleo de babaçu e dendê, frutas tropicais; 
- Pará: óleo depalma, palmito; 
- Amazonas: guaraná; 
- Mato Grosso: carne bovina, soja; 
- Rio Grande do Sul: arroz, vinho, frutas temperadas, hortigranjeiros; 
- Santa Catarina: arroz, frutas temperadas, hortigranjeiros. 
Na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem 
em risco a saúde humana e o meio ambiente, tais como pesticidas, fertilizantes e 
agrotóxicos. O Brasil, em função de possuir diferentes tipos de solo e clima é sem 
dúvida um dos países com maior potencial para o crescimento da produção 
orgânica. 
Por outro lado, os agrotóxicos são produtos químicos que podem agredir o 
ser humano e os recursos naturais. No Brasil, o consumo de agrotóxicos é grande. 
 Em 2010, o Brasil utilizou cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxico, em um negócio 
que movimentou mais de sete bilhões de dólares. Para a Agência de Vigilância 
Sanitária (ANVISA), os agrotóxicos são utilizados, no Brasil, sem levar em 
consideração a existência ou não de autorização do Governo Federal para o uso em 
determinado alimento. Esta é uma constatação dos dados do Programa de Análise 
de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgados pela ANVISA. Ainda, 
segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, a segunda maior causa de 
intoxicação depois de medicamentos é por agrotóxicos (CRN9, 2009). 
A produção de alimentos por sistema convencional pode acarretar resíduos 
de agrotóxicos em níveis preocupantes para a saúde pública. Pesquisa realizada 
pela ANVISA mostrou que 28% de frutas, verduras e legumes, produzidos por meio 
do sistema convencional, e comercializados em supermercados de 26 Estados 
(Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, 
Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 33 
Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do 
Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins) apresentavam níveis 
de agrotóxicos acima do limite permitido pela legislação, além de produtos não 
autorizados (ANVISA, 2010). 
O consumo de alimentos contendo resíduos de agrotóxicos, a médio e longo 
prazo, pode levar a problemas hepáticos (cirroses) e oftalmológicos, distúrbios do 
sistema nervoso central, do sistema reprodutivo, câncer e efeitos mutagênicos e 
teratogênicos (SANTOS & MONTEIRO, 2004). 
Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um 
ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os 
princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do 
ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. 
Quem nunca ouviu ou falou que orgânicos são caros? Mesmo reconhecendo 
o potencial benefício de ter um alimento mais saudável, sem risco de contaminação 
por agrotóxicos ou com excesso de adubos químicos, é altamente provável que os 
leitores já ouviram ou falaram que os alimentos orgânicos são caros. Segundo Tivelli 
(2012), os alimentos orgânicos são mais caros do que os convencionais por pelo 
menos sete razões que passamos a relacionar a seguir. 
A primeira é a certificação. Para serem comercializados, os alimentos 
orgânicos precisam ser certificados. O agricultor orgânico precisa provar que o que 
produz respeita todas as normas da produção, a legislação trabalhista e ambiental. 
Ele pode escolher entre três opções que a legislação permite: contratar uma 
empresa para fazer a certificação, organizar-se com seus vizinhos em um Sistema 
Participativo de Garantia ou cadastrar-se no Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento (MAPA), para, por meio do Controle Social, fazer a venda direta sem 
certificação. O agricultor convencional não precisa nada disso. 
A segunda é o período de conversão da área e a barreira de isolamento para 
vizinhos não orgânicos. Para iniciar a produção orgânica, a maioria das 
propriedades precisa passar por um período de adequação conhecido como período 
de conversão. Neste período, que pode durar alguns anos, conforme normas do 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 34 
MAPA, a produção não é mais feita pelo sistema convencional, mas ainda não pode 
ser vendida como orgânica. Portanto, o agricultor normalmente vê sua produtividade 
habitual reduzida e ainda não recebe o valor adicional de um produto orgânico. 
Além do período de conversão da área a que todos os novos agricultores 
estão sujeitos, muitas propriedades, por estarem inseridas em áreas com produção 
convencional em seu entorno, precisam instalar e manter barreiras com os vizinhos 
convencionais. A barreira tem a finalidade de evitar a deriva de agrotóxicos 
provenientes do cultivo convencional, e o deslocamento de pragas e doenças que 
normalmente estão em desequilíbrio no vizinho convencional. Portanto, o agricultor 
orgânico tem que reservar uma faixa sem produção no perímetro de sua propriedade 
para garantir a qualidade de sua produção orgânica. Esta terra improdutiva não gera 
receita e, portanto, deve ser computada no custo de produção do alimento orgânico. 
Isto é especialmente significativo para agricultores familiares que dispõem de 
pequenas áreas para produzir nossos alimentos orgânicos e sustentar a família 
deles. 
A terceira razão para os produtos agropecuários orgânicos custarem mais do 
que o similar convencional é a maior demanda de mão de obra. A agricultura 
orgânica trabalha com compostos orgânicos, que requerem mão de obra para ser 
compostados e distribuídos nas áreas de cultivo. Aliado a isso há também a baixa 
retenção dos jovens na atividade agropecuária, pois estes são atraídos pelo estilo de 
vida urbana e partem para as cidades para estudar, trabalhar e constituir família, 
fazendo questão de esquecer a origem de suas famílias, de nossas famílias. Ou 
seja, só se consegue manter a mão de obra se esta for mais bem remunerada pelo 
seu serviço. Isso onera o custo de produção dos alimentos orgânicos. 
Em quarto lugar, o ciclo de produção de vegetais ou de formação de animais 
é maior no sistema orgânico em relação ao convencional. Pelo fato de não utilizar 
adubos prontamente solúveis para as plantas e promotores de crescimento na ração 
dos animais, estes demoram mais para atingir o ponto de maior desenvolvimento 
para a colheita ou abate, onerando o produto orgânico. 
Uma lei de mercado aparece em quinto lugar nesta relação de motivos. A 
conscientização na última década sobre questões ambientais e de saúde só faz 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 35 
crescer a demanda por alimentos seguros e saudáveis. Como o setor produtivo não 
oferece produtos na mesma velocidade que cresce a demanda, é natural haver um 
sobrepreço no produto em qualquer área que seja regida pelas forças de mercado. 
Para os orgânicos isso não é diferente. 
A assistência técnica deficiente ou inexistente é o sexto motivo. Os 
agricultores orgânicos estão praticamente abandonados à própria sorte. A 
assistência técnica oficial para o cultivo orgânico e mesmo para o cultivo 
convencional foi desmontada pelos governos estaduais nas últimas gestões em 
praticamente todos os Estados do Brasil. 
Finalmente, em sétimo lugar, mas não menos importante do que os motivos 
anteriores, está a falta de apoio à pesquisa e à transferência de tecnologia aos 
agricultores familiares que produzem nossos alimentos, vestuário e bioenergia em 
sistema orgânico. 
Os produtos com certificação orgânica devem conter rótulos com 
informações sobre a unidade de produção constando, no mínimo, o nome ou razão 
social, endereço e o número do CNPJ ou CPF. A informação da qualidade orgânica 
nos rótulos deve ficar na parte da frente do produto e será identificada pelo uso de 
termos como: orgânico, produto orgânico e produto com ingredientes orgânicos. 
Esses termos podem ser complementados pelas especificações ecológico, 
biodinâmico, da agricultura natural, regenerativo, biológico,agroecológico, 
permacultura, extrativismo sustentável orgânico e outros que atendam os princípios 
estabelecidos pela regulamentação da produção orgânica (MINISTÉRIO DA 
AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, 2008). 
Para os produtos com ingredientes que não sejam de origem orgânica 
certificada, incluindo os aditivos, prevê os seguintes cálculos, com exceção da água 
e sal adicionados (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E 
ABASTECIMENTO, 2008). 
 Produtos com 95% ou mais de ingredientes orgânicos certificados devem conter 
no rótulo os ingredientes não-orgânicos; 
{+98i 
 
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 36 
 Produtos com 70% a 95% de ingredientes orgânicos certificados devem identificar 
no rótulo os ingredientes orgânicos da seguinte maneira: PRODUTO COM 
INGREDIENTES ORGÂNICOS; 
 Os produtos com menos de 70% de ingredientes orgânicos certificados não 
poderão ter nenhuma expressão sobre a qualidade orgânica. 
Os alimentos orgânicos também possuem melhor valor nutricional bem como 
vários benefícios à saúde. Algumas pesquisas evidenciaram que produtos orgânicos 
tendem a conter maior teor de micronutrientes como ferro, manganês e ácidos 
graxos polinsaturados, além de maior quantidade de compostos bioativos e algumas 
vitaminas, que previnem contra o surgimento de doenças como o câncer. Mas, 
talvez o maior dos pontos positivos, independentemente do valor nutricional, que 
parece estar muito mais relacionado ao solo, seja o fato de os produtos orgânicos 
serem livres de agrotóxicos (MENEZES, 2012). 
As amostras de alface e tomate oriundas de cultivo orgânico apresentam um 
maior valor energético, menor teor de umidade e maior teor de vitamina C (ARBOS 
et al., 2010). Premuzic e colaboradores (1998) compararam o conteúdo de ácido 
ascórbico ou vitamina C de tomates cultivados com substrato orgânico aos tomates 
cultivados hidroponicamente e também registraram um conteúdo maior de ácido 
ascórbico para os frutos produzidos mediante utilização de composto orgânico. 
Ren e colaboradores (2001) avaliaram o conteúdo de polifenóis de cinco 
hortaliças (couve, repolho chinês, espinafre, alho e pimentão verde) amplamente 
consumidas no Japão, produzidas pelo cultivo orgânico e convencional. Os 
conteúdos dos orgânicos em flavonóides (quercetina) e ácido caféico foram de 1,3 a 
10,4 vezes superiores aos encontrados nos convencionais, sugerindo assim a 
influência exercida por diferentes práticas de cultivo. 
Vale lembrar que o maior valor nutricional dos produtos orgânicos não é 
conclusiva, pois uma ampla gama de fatores que pode afetar a composição dos 
alimentos (genéticos, práticas agronômicas, clima e condições de pós-colheita) faz 
com que as pesquisas sobre o valor nutricional de alimentos, produzidos orgânica e 
convencionalmente, tornem-se difíceis de serem estabelecidas e seus resultados 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 37 
interpretados de forma consistente. No entanto, devido ao crescente interesse pelo 
tema e ao aumento da produção e do consumo de alimentos orgânicos, maior 
número de pesquisas deve ser implementado neste sentido. 
Uma dieta orgânica pode ainda proporcionar uma melhoria nos indicadores 
hematológicos, refletindo-se num sistema imunológico mais eficaz, resultado que 
precisa ser confirmado por mais pesquisas de longo prazo de exposição (BARANKA 
et. al., 2007). Esses resultados foram obtidos também em laboratório alimentando 
duas gerações de ratos com dieta orgânica comparada à convencional. 
Em outro estudo com aves (galinhas), Huber (2009) confirmou que animais 
tratados com dietas provenientes de formas de cultivo diferenciadas (orgânico e 
convencional) apresentaram diferenças em aspectos fisiológicos. De acordo com a 
pesquisa, as aves que receberam a dieta convencional tiveram um crescimento mais 
rápido e apresentaram maior peso final. Em síntese, a interpretação global é que 
animais (aves) tratados com alimentos orgânicos tiveram um maior potencial para 
reatividade imunológica, apresentando parâmetros imunológicos mais eficazes, 
confirmando o que aconteceu com os ratos. 
 
ALIMENTOS TRANSGÊNICOS 
Os transgênicos estão presentes no dia-a-dia dos consumidores de todo o 
mundo há mais de 12 anos. Enquanto você lê esta apostila, pessoas de mais de 50 
países estão consumindo produtos com ingredientes transgênicos, como um 
hambúrguer que contém soja geneticamente modificada ou uma calça jeans 
produzida com algodão transgênico (CIB, 2009). 
Os transgênicos são organismos que receberam um ou mais genes de 
outros seres vivos para apresentar novas características. Ao receber um ou mais 
genes de outro organismo, um vegetal pode se tornar resistente a pragas ou mais 
nutritivo, por exemplo. 
Os transgênicos surgiram, em 1973, quando os cientistas Cohen e Boyer, 
que coordenavam um grupo de pesquisas em Stanford e na Universidade da 
{+98i 
 
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 38 
Califórnia, davam o passo inicial para o mundo da transgenia. Eles conseguiram 
transferir um gene de rã para uma bactéria, o primeiro experimento ocorrido com 
sucesso usando a técnica do DNA recombinante. 
Convencionalmente utilizam-se os termos Organismos Geneticamente 
Modificados (OGMs) e transgênicos como sinônimos. Porém, existe uma diferença 
técnica entre ambos. Os OGMs são organismos que foram modificados com a 
introdução de um ou mais genes provenientes de um ser vivo da mesma espécie do 
organismo de alvo. Um exemplo típico de OGM é o tomate Flavr savr, que foi 
modificado geneticamente para apresentar um processo de maturação mais lento, 
de modo a permitir que os frutos possam ser colhidos maduros ainda na planta. Isso 
faz com que a qualidade nutricional e de acondicionamento sejam melhores. Essa 
técnica de modificação consiste em isolar uma determinada sequência de genes do 
próprio fruto e depois inseri-la em sentido inverso, no próprio fruto (ALVES, 2004). 
O termo transgênico, termo usado pela primeira vez em 1983, na 
Universidade da Pensilvânia, quando dois cientistas inseriram genes humanos de 
hormônios de crescimento em embriões de ratos, produzindo os chamados “super 
ratos”. A palavra transgênico é utilizada para designar um ser vivo que foi modificado 
geneticamente, recebendo um gene ou uma sequência gênica de um ser vivo de 
espécie diferente. Para a execução de tal processo utiliza-se a tecnologia DNA 
recombinante. Como exemplos de transgênicos temos uma imensa gama de 
alimentos consumidos diariamente em diversos países sem que se tenha ciência 
dos processos de produção (ALVES, 2004). 
Estima-se que 70% de todos os alimentos processados contenham pelo 
menos um ingrediente derivado de soja ou milho, que podem ser transgênicos. Mais 
da metade da produção nacional de soja é geneticamente modificada. Em 2008, 
diferentes variedades de milho transgênico passaram a ser cultivados no país, 
aumentando ainda mais a presença da biotecnologia na nossa alimentação (CIB, 
2009). 
No Brasil, os alimentos transgênicos chegaram de forma ilegal e agora 
estão, passando por um processo de legalização. No Brasil, a Lei 8.974 de 1995, 
estabelece normas para o uso das técnicas de engenharia genética e liberação no 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 39 
meio ambiente de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e o Decreto 
1752/1995, criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), cuja 
comissão tem elaborado instruções normativas analisando projetos de 
experimentação. Em 2003, foi publicado o decreto de rotulagem (4680/2003) que 
obrigou empresas da área da alimentação, produtores, e quem mais trabalha com 
venda de alimentos, a identificarem, com um “T” preto, sobre um triângulo amarelo, o 
alimento com mais de 1% de matéria-prima transgênica (GREENPEACE, 2012). 
 Cientistas de todo o mundo já estão desenvolvendo plantas biofortificadas, 
geneticamente modificadas para possuir mais vitaminas, proteínas e outras 
substâncias importantes para asaúde, como as que atuam na redução do risco de 
doenças cardiovasculares, materno-infantis, gastrointestinais, oculares e até 
diferentes tipos de câncer. Como exemplos de produtos transgênicos, podemos citar 
morangos enriquecidos com vitamina C, óleos de canola e soja com mais gordura 
monoinsaturada, que ajuda a reduzir o colesterol (LDL), batatas ricas em proteínas e 
vitaminas, trigo com mais vitamina B9 (ácido fólico), que contribui para aumentar a 
defesa imunológica do organismo, milho e soja com mais aminoácidos, que formam 
as proteínas (CIB, 2009). 
Um aspecto interessante a ser abordado em relação aos transgênicos, é a 
questão da segurança alimentar. Nesse enfoque, destacam-se dois pontos 
importantes: a toxidade e alergia. Alguns alimentos como leite, ovos, pescados, 
crustáceos, trigo, nozes, soja e amendoim, possuem um potencial alergênico 
natural. Dessa forma, a Organização Mundial de Saúde (OMS) desaconselha a 
utilização de genes desses alimentos para experimentos com transgenia. 
(FURTADO, 2003). Contudo, vale lembrar que a possibilidade de alimentos 
transgênicos causar alergia é a mesma dos alimentos convencionais. 
No mundo, em torno de 2% da população adulta (e 6-8% das crianças) é 
alérgica a algum tipo de alimento e estudos indicam que mais de 160 alimentos 
podem provocar reações alérgicas esporádicas (FURTADO, 2003). 
Com a introdução dos alimentos geneticamente modificados na cadeia 
alimentar de alguns países como os Estados Unidos e a Argentina, foi difundida 
a idéia de que eles seriam mais propensos a provocar reações alérgicas nos 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 40 
consumidores. Muitos já devem ter ouvido o caso do milho geneticamente 
modificado, aprovado para uso em ração animal, que teria sido inadvertidamente 
misturado com milho para consumo humano. Tal “contaminação" teria 
provocado reações alérgicas nos consumidores desta mistura de milho. 
Entretanto, este e outros casos nunca foram cientificamente comprovados e, 
assim, não passaram de boatos. 
Também temos o exemplo do desenvolvimento de uma variedade de 
soja geneticamente modificada, na qual foi inserido material genético 
proveniente da castanha do Brasil (castanha-do-pará). Essa soja seria utilizada 
na produção de ração animal, pois contém alto teor do aminoácido metionina, 
normalmente adicionado a rações. Entretanto, devido ao fato de que tal material 
genético provocasse reações alérgicas, o projeto foi interrompido. Muitos 
projetos deste tipo são descartados logo no início, se for constatado que o 
material genético a ser utilizado apresenta qualquer similaridade com 
substâncias conhecidas por provocarem alergias ou por serem tóxicas. 
Assim, um dos componentes do processo de avaliação de segurança 
alimentar de um alimento geneticamente modificado consiste na avaliação de 
sua alergenicidade, isto é, de seu potencial de causar alergias. Muitos estudos 
são propostos para este fim. 
O primeiro passo na avaliação de alergenicidade de um alimento 
geneticamente modificado consiste na verificação da fonte do material genético, 
pois esta pode ser alergênica (como no caso da castanha do Brasil, 
anteriormente mencionado). Para isso, procura-se identificar qualquer identidade 
e similaridade de composição e estrutura do material genético a ser utilizado, 
com substâncias sabidamente alergênicas ou tóxicas. Depois, procede-se ao 
teste de resistência à digestão com pepsina, uma enzima produzida no 
estômago. Este teste é realizado, pois se sabe que substâncias que provocam 
alergias, além de outras características, normalmente são mais resistentes à 
digestão. 
Dependendo do caso, recomendam-se testes com o soro do sangue de 
pacientes hipersensibilizados a certos grupos de materiais que provocam 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 41 
alergias, testes cutâneos por punctura, testes com placebo e testes com 
animais. Entretanto, é bom lembrar que muitas destas propostas referem-se a 
métodos de análise que ainda se encontram em fase de desenvolvimento e 
validação para alimentos transgênicos. Cabe também ressaltar que todas essas 
análises nunca foram exigidas durante o desenvolvimento de novos alimentos 
convencionais (como, por exemplo, grãos obtidos por melhoramento genético 
convencional). 
Até o momento, não se tem conhecimento de nenhum produto agrícola 
ou alimento geneticamente modificado aprovado que tenha causado alergias. 
Pode-se concluir que, pelo menos com relação às alergias alimentares, os 
alimentos geneticamente modificados são até mais seguros do que alimentos 
convencionais, pois passam por uma rigorosa avaliação de seu potencial 
alergênico, que envolve muita pesquisa, estudos e análises laboratoriais. 
Existe a recomendação de que todos os estudos conduzidos para a 
avaliação de segurança de um alimento geneticamente modificado sejam 
realizados em laboratórios acreditados em BPL (Boas Práticas de Laboratório). 
Além disso, a metodologia utilizada deve ser validada, o que envolve ensaios 
interlaboratoriais, quando os laboratoristas demonstram que têm competência 
para realizar as análises propostas, dispondo da infra-estrutura para elas. Desta 
forma, garante-se a qualidade e a credibilidade internacional dos dados obtidos, 
que poderão então ser comparados com resultados obtidos em qualquer outro 
laboratório credenciado que também esteja conduzindo a mesma análise. 
Em 2011, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) 
aprovou o plantio e a comercialização do primeiro alimento transgênico 
totalmente produzido no país, o feijão 5.1 (Figura 44), resistente à principal praga 
que ameaça a produção do grão, ou seja, o mosaico dourado que afeta o cultivo de 
feijão na América do Sul e pode causar perdas de até 100% da colheita. 
Segundo, a produtora do feijão 5.1, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de 
Pesquisas Agropecuárias), o transgênico oferecerá muitas vantagens econômicas e 
ambientais. Além de reduzir as perdas dos agricultores e garantir melhores 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 42 
colheitas, sua adoção permitirá diminuir o uso de inseticidas e outros produtos 
químicos que ameaçam o meio ambiente e a saúde humana (EXAME.COM, 2012). 
 
Figura 44. Feijão transgênico, denominado feijão 5.1, produzido pela EMBRAPA. 
Fonte: EXAME.COM. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-
energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-
transgenico>. Acesso em: 06 ago. 2012. 
Mais recentemente, a CTNBio aprovou a comercialização de um milho 
geneticamente modificado da Monsanto, resistente a lagartas e tolerante ao 
glifosato. Assim, o órgão eleva para 33 o número de sementes transgênicas 
aprovadas para liberação comercial, sendo 18 de milho, cinco de soja, nove de 
algodão e uma de feijão (SOUAGRO.COM.BR, 2012). 
Ainda é muito forte o movimento em oposição a esses alimentos. Isso é uma 
consequência natural da falta de informações verídicas sobre os seus efeitos 
benéficos e maléficos. Existem aspectos positivos que fazem com que os 
transgênicos sejam objeto de intensa especulação por parte dos cientistas, 
empresários e políticos, porém, como foi visto, estamos ainda diante de um 
processo de consolidação de uma nova tecnologia que pode produzir efeitos 
adversos. Poucas pessoas sabem que, se bem utilizada, a engenharia genética tem 
um enorme potencial para dar mais qualidade de vida às populações. No mundo em 
que vivemos, com uma população desse porte, é impossível saciar a fome apenas 
http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-transgenico
http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-transgenico
http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-transgenico
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 43 
através da coleta de alimentos.Não se trata de tentar acabar com a fome através 
dos transgênicos, mas, ver neles um elemento a mais nessa luta pela 
sustentabilidade na tão complicada rede de relações da sociedade humana (ALVES, 
2004). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
{+98i 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 44 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ABRIL.COM.BR. Conheça os benefícios do morango usado em cremes para a 
pele e os cabelos. 2009. Disponível em: 
<http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-
usado-cremes-pele-cabelos-433321.shtml>. Acesso em: 06 ago. 2012. 
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