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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA
Portal Educação
CURSO DE
TERAPIA ORTOMOLECULAR
Aluno:
EaD - Educação a DistânciaPortal Educação
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CURSO DE
TERAPIA ORTOMOLECULAR
MÓDULO IV
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do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.
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SUMÁRIO
OS ALIMENTOS.............................................................................................. 04
ALIMENTOS FUNCIONAIS........................................................................... 04
ALIMENTOS ORGÂNICOS............................................................................ 28
ALIMENTOS TRANSGÊNICOS..................................................................... 37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 44
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OS ALIMENTOS
Há dois mil e quinhentos anos, o mundo recebia do grande Hipócrates um
conceito revolucionário: “que o alimento seja o teu remédio e o teu remédio seja o
alimento”.
Chegamos ao século XXI endossando os “alimentos funcionais”, isto é,
aqueles que, além da função de nutrir, oferecem benefícios adicionais à saúde
humana, contribuindo para a prevenção de enfermidades ou retardando processos
degenerativos. Também, nos tempos modernos, valorizamos os alimentos
orgânicos, livres de agrotóxicos e pesticidas, visando um mundo mais sustentável e
ficamos intrigados com a tecnologia e benefícios dos alimentos transgênicos. Vamos
então conhecer um pouco mais sobre esses alimentos nesse capítulo.
ALIMENTOS FUNCIONAIS
É bem conhecido que determinados alimentos promovem a saúde e
previnem doenças. Por exemplo, os esquimós, com sua alimentação baseada em
peixes e produtos do mar ricos em ácidos graxos polinsaturados das famílias ômega
3 e 6, têm baixo índice de problemas cardíacos, assim como os franceses, devido ao
consumo de vinho tinto, o qual apresenta grande quantidade de compostos
fenólicos. Os orientais devido ao consumo de soja, que contém fitoestrogênios,
apresentam baixa incidência de câncer de mama.
Assim, podemos definir alimentos funcionais como aqueles que têm
propriedades benéficas além das nutricionais básicas, sendo apresentados na forma
de alimentos comuns. São consumidos em dietas convencionais, mas demonstram
capacidade de regular funções corporais de forma a auxiliar na proteção contra
doenças como hipertensão, diabetes, câncer, osteoporose e coronariopatias
(SOUZA et al., 2003). Portanto, alimentos funcionais são todos os alimentos ou
bebidas que, consumidos na alimentação cotidiana, podem trazer benefícios
fisiológicos específicos, graças à presença de ingredientes fisiologicamente
saudáveis (CÂNDIDO & CAMPOS, 2005).
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Recentemente, os alimentos funcionais ganham cada vez mais espaço na
mídia: programas de televisão, reportagens em jornais e revistas e até sites na
internet tratam dos benefícios à saúde oferecidos por alguns ingredientes antes
esquecidos ou desprezados em nossa dieta diária. Em 1999, a portaria n° 398 da
Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde deu a seguinte definição
para alimento funcional: "todo aquele alimento ou ingrediente que, além das funções
nutricionais básicas, quando consumido na dieta usual, produz efeitos metabólicos
e/ou fisiológicos benéficos à saúde, devendo ser seguro para o consumo, sem
supervisão médica" (BRASIL, 1999).
Para simplificar, vamos a um exemplo: o arroz integral é considerado um
alimento funcional porque oferece fibras e vitaminas do Complexo B, enquanto o
arroz branco e polido não é alimento funcional, pois no processo de industrialização
perde a maioria dos nutrientes.
Embora hoje em dia seja dada uma atenção especial aos alimentos
funcionais, este assunto é tão antigo quanto a Medicina. Há 2.500 anos, Hipócrates,
o pai da medicina, já dizia: “faça do alimento seu medicamento e do medicamento,
seu alimento.” Isto é, desde que começamos a nos preocupar com nossa saúde,
sabemos, intuitivamente, que os alimentos podem colaborar muito para nos manter
em boa forma.
A diferença agora é que o conhecimento sobre os alimentos funcionais está
deixando de ser intuitivo e saindo dos círculos da sabedoria popular para se
transformar em ciência.
Nós últimos anos foi dada muita atenção ao estudo das características
químicas dos alimentos. Como resultado, descobrimos que os alimentos funcionais
podem, de fato, ajudar-nos a ter uma vida mais longa e mais saudável, colaborando
na manutenção da saúde e na prevenção de doenças.
Os alimentos funcionais apresentam as seguintes características (MORAES
& COLLA, 2006):
a) devem ser alimentos convencionais e serem consumidos na dieta normal/usual;
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b) devem ser compostos por componentes naturais, algumas vezes, em elevada
concentração ou presentes em alimentos que normalmente não os supririam;
c) devem ter efeitos positivos além do valor básico nutritivo, que pode aumentar o
bem-estar e a saúde e/ou reduzir o risco de ocorrência de doenças, promovendo
benefícios à saúde, além de aumentar a qualidade de vida, incluindo os
desempenhos físico, psicológico e comportamental;
d) a alegação da propriedade funcional deve ter embasamento científico;
e) pode ser um alimento natural ou um alimento no qual um componente tenha sido
removido;
g) pode ser um alimento onde a natureza de um ou mais componentes tenha sido
modificada;
h) pode ser um alimento no qual a bioatividade de um ou mais componentes tenha
sido modificada.
Os princípios ativos desses alimentos são substâncias químicas que os
tornam os melhores colaboradores para preservar a saúde ou prevenir esta ou
aquela doença. Conheça de forma resumida alguns desses princípios ativos (Tabela
5).
Tabela 5. Princípios ativos e propriedades terapêuticas encontradas em vegetais.
Princípio ativo Onde é encontrado Funções
Alfacaroteno
Cenoura Protege as células dos
radicais livres.
Betacaroteno Frutas, legumes e
verduras
Neutraliza a ação dos
radicais livres.
Luteína
Folhas verdes Ajuda a manter a boa
visão.
Licopeno Tomate, goiaba
vermelha
É antioxidante, reduz o
risco de câncer cervical
e da próstata.
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Antocianina Frutas em geral Reduz risco de câncer
Flavonas Frutas cítricas e
verduras folhosas
Reduzem o risco de
câncer
Sulforafeno
Brócolis, repolho, e
todos os tipos couve
Barra substâncias que
podem detonar o câncer
e há indicações de que
também possa frear
tumores existentes
especialmente de
mama.
Genesteína
feijões, soja, ervilha e
lentilha
Diminui as taxas de
colesterol e o risco de
tumores ligados a
hormônios como os de
mama e de próstata.
Cumarina
Frutas cítricas e tomate Estimula a produção de
enzimas anticâncer pelo
próprio organismo.
Flavonóides
Frutas, tomate e
cenoura
Inibem enzimas
responsáveis pela
disseminação de
glândulas cancerosas.
Isotiocinato
Brócolis, repolho e
mostarda
Estimula a produção de
enzimas anticâncer no
organismo.
Triterpenóides Frutas cítricas Impedem o crescimento
de tumores em
formação.
Quercitina
Frutas e cebolas Reduz formação de
placas gordurosas nas
artérias ecombate as
alergias.
Luteonia Casca das frutas (uva) e Impede a formação de
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vinho tinto placas gordurosas.
Resveratrol Casca da uva, vinho
tinto e suco de uva
Também impede a
formação de placas
gordurosas.
Daidzeína Soja e produtos à base
de soja
Ameniza os sintomas da
menopausa, protege
contra o câncer de
mama e previne a
osteoporose.
Alicina Alho e cebola Ação antimicrobiana e
antiviral. Também dilata
os vasos, diminuindo a
pressão arterial.
Dialil dissulfeto Alho e cebola Reduz a formação de
placas gordurosas.
Polissulfeto-alila Alho e cebola Aumenta a elasticidade
dos vasos sanguíneos e
relaxa as fibras
musculares.
Dissulfeto de metil-alila
Alho Inibe o aparecimento de
coágulos na circulação.
Capsaicina
Pimenta vermelha Diminui a formação de
coágulos e protege as
células de substâncias
cancerígenas.
Adenosina Alho, cebola e cogumelo
preto.
Inibe coágulos.
Saponinas Soja, produtos à base
de soja.
Podem reduzir o
colesterol e proteger
contra o câncer.
Fibras insolúveis Cereais, frutas, legumes
e verduras.
Podem reduzir o risco
de câncer de cólon,
embora isso ainda seja
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polêmico.
Fibras solúveis Aveia Reduzem o risco de
doenças do coração.
Fonte: DOVERA, T. D. S. Nutrição Aplicada ao Curso de Enfermagem. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2007.
A seguir vamos descrever, mais detalhadamente, alguns princípios ativos e
suas respectivas funções:
Ácidos fenólicos: ação anti-séptica (combate os microrganismos), antioncogênica
(combate o câncer) e antioxidante (combate os radicais livres). São encontrados em
abundância na berinjela, cenoura, tomate, pimentão, frutas cítricas, cereja, couve e
brócolis.
Ácidos alfa-linoléicos: além de serem um bom estimulante do sistema imunológico,
ajudam a controlar inflamações. Existem nas nozes e amêndoas e, nos óleos de
soja e linhaça.
Adenosina: por seu efeito relaxante das fibras musculares, é coadjuvante no
tratamento da hipertensão arterial. Auxilia também no combate à formação de
coágulos, tendo importante papel na prevenção de derrames e infartos. Está
presente em maior quantidade na cebola, no alho e no cogumelo preto. Depois de
consumir estes alimentos, recomenda-se evitar o café e o chá preto, pois a cafeína
tem efeito antagônico.
Beta-glucanos: ótimo protetor contra as doenças cardiovasculares e é abundante
na aveia, cevada e milho.
Bífido-bactérias: encontradas em iogurtes naturais e em outros derivados
fermentados do leite. Produzem no corpo humano vitaminas do Complexo B,
antibióticos naturais, que regularizam a flora intestinal. Favorecem, portanto, o bom
funcionamento do intestino, o que se reflete também na beleza da pele. São hoje
conhecidos como FOS (Frutooligossacarídeos).
Carotenóides: além da ação antioxidante e antioncogênica, previnem a formação
de coágulos sangüíneos, o que evita infarto e derrame cerebral. Como precursores
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da vitamina A, seu consumo também é recomendado para manter saudável a função
visual. Os vegetais mais ricos nestas substâncias são os que têm cor entre amarelo
e laranja (cenoura, manga, abóbora, mamão, tomate) (Figura 37) e as verduras bem
escuras (couve, agrião, espinafre, almeirão).
Figura 37. Alimentos ricos em carotenóides. Fonte: DICAS DA NUTRICIONISTA.COM.BR.
Disponível em: <http://dicasdanutricionista.com.br/2010/11/24/carotenoides-contra-o-
cancer/>. Acesso em: 06 ago. 2012.
Cumarinas: ação antioncogênica, anti-séptica, antiespasmódica (combate as
cólicas) e vasodilatadora. Existem em maior quantidade na canela, cenoura e frutas
cítricas.
Fenóis e polifenóis: os fenóis e polifenóis estão presentes em abundância nos
vegetais nas cores roxo, azul e violeta como uva (Figura 38), amora, cereja ou
berinjela e também no chá verde. Em geral, têm ação antioncogênica, antioxidante,
antialérgica e antiinflamatória.
http://dicasdanutricionista.com.br/2010/11/24/carotenoides-contra-o-cancer/
http://dicasdanutricionista.com.br/2010/11/24/carotenoides-contra-o-cancer/
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Figura 38. Polifenóis são encontrados especialmente nas uvas vermelhas e nos vinhos
tintos também. Fonte: CITWAR. Disponível em:
<http://blogdacitwar.blogspot.com.br/2010_10_01_archive.html>. Acesso em: 06 ago. 2012.
Flavonóides: são também fenóis e, entre eles, estão as flavonas e as isoflavonas. A
camomila, por exemplo, possui uma flavona que tem função analgésica. Já a soja
tem em grande quantidade isoflavonas que funcionam como fitoestrogênios,
substância largamente utilizada no tratamento dos sintomas de pré e pós-
menopausa. São indicados também no bloqueio do estradiol, evitando o câncer de
mama, e da testosterona, inibindo a formação do câncer de próstata, Ainda há
discussões técnicas sobre a veracidade destas funções.
Fibras dietéticas: estes carboidratos podem ser solúveis ou insolúveis em água. As
fibras solúveis ajudam a reduzir o colesterol LDL (o mau colesterol) e os
triglicerídeos e a prevenir o câncer no intestino. As fibras insolúveis aumentam o
bolo fecal, reduzindo a prisão de ventre. Além disso, ajudam a limpar o organismo
dos compostos carcinogênicos, álcoois e metais; promovem a formação de uma flora
intestinal saudável; e têm valor indiscutível no controle da obesidade, pois impedem
a absorção de muitas calorias consumidas.
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Fitosterol: os vegetais são riquíssimos em fitosterol, uma substância que ajuda a
reduzir o colesterol e é auxiliar na prevenção de doenças cardíacas. Por isso,
mesmo nas dietas para redução de peso, é importante comer diariamente verduras,
frutas e legumes à vontade.
Licopeno: é da família dos carotenóides e tem função antioncogênica, antioxidante
e combate as doenças cardiovasculares, pois age sobre a oxidação do LDL (mau
colesterol). Importante colaborador na prevenção dos cânceres de mama ou de
próstata, o licopeno existe em maior quantidade nos tomates maduros, pimentão
vermelho, melancia, cenoura e mamão. A absorção intestinal do licopeno é mais alta
quando o alimento é ingerido cozido e com um pouco de óleo vegetal. Ou seja, um
molho de tomate (cozimento + óleo) oferece mais licopeno ao nosso organismo do
que uma salada de tomates crus.
Luteína: este carotenóide é o pigmento amarelo dos alimentos e nosso organismo
não consegue sintetizá-lo sozinho. Serve para preservar as funções visuais,
proteqendo a retina de lesões solares e degenerações maculares, e ajuda a prevenir
o câncer de cólon. Os melhores fornecedores de luteína são: cenoura, laranja,
cereais, gema de ovos e as verduras bem escuras (espinafre, agrião, brócolis).
Oligossacarídeos: este princípio ativo é muito encontrado nas frutas e cereais e
ativa a microflora intestinal.
Ômega 3: da família dos lipídeos, é um ácido graxo essencial, isto é, não pode ser
sintetizado pelo organismo e precisa ser retirado dos alimentos. A partir da
observação de que os esquimós não sofrem de arterosclerose, ficou demonstrado
que este tipo de gordura é benéfico para a circulação sangüínea, reduzindo a
pressão arterial, além de baixar os níveis do mau colesterol (LDL) e dos triglicérides.
É constituído basicamente pelo LNA (ácido alfalinolênico), sendo sintetizado em
alguns vegetais de folhas verdes. Os alimentos mais ricos em ômega 3 (Figura 39)
são: atum, salmão, arenque, sardinha, bacalhau e os óleos de canola, oliva e em
menor quantidade também o de soja. Os estudos mais recentes mostraram que a
gema de ovo apesar de tão atacada no passado, é rica em ômega 3 e pode ajudar a
baixar o mau colesterol.
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Figura 39. Alimentos que contêm ômega 3. Fonte: PESQUISANAWEB. Disponívelem:
<http://www.pesquisenaweb.com/beneficios-e-alimentos-com-o-omega-3/>. Acesso em: 06
ago. 2012.
Ômega 6: também é um ácido graxo essencial, isto é, não pode ser sintetizado pelo
corpo humano, e possui propriedades semelhantes às do ômega 3, além de
estimular o sistema imunológico e auxiliar na cicatrização da pele, É formado
basicamente pelo LA (ácido linoléico), sendo encontrado nas sementes de todas as
plantas, menos no coco, no cacau e na palmeira. O ômega 6 é encontrado em:
linhaça, gergelim, amêndoa, castanha do pará, aveia, cevada, milho e centeio, entre
outras oleaginosas.
Poliacetilenos: são poderosos antioxidantes e ajudam a combater os malefícios
causados pelo fumo, sendo encontrados em maior quantidade na cenoura, salsinha
(tempero verde) e salsão (aipo).
Polissulfeto de alila: o alho e a cebola são muito ricos neste princípio ativo, que é
importante na prevenção e controle da hipertensão arterial.
Resveratrol: poderosa função antiviral e antioncogênica, além de agir na prevenção
de doenças cardiovasculares e hepáticas. Está presente na casca vermelho escuro
das uvas e de outras frutas roxas e avermelhadas, como a amora. Por isso, o vinho
tinto e o suco de uva contêm bastante resveratrol. O vinho tinto, quando tomado com
moderação, pode fazer realmente muito bem à preservação da saúde.
http://www.pesquisenaweb.com/beneficios-e-alimentos-com-o-omega-3/
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Tocoferóis: conhecidos como vitamina E, atuam como antioncogênicos e
antioxidantes. Existem em grande quantidade nos vegetais oleaginosos: germe de
trigo, semente de girassol, caroço de algodão, óleo de dendê, amendoim, milho e
soja (Figura 40).
Figura 40. Alimentos ricos em tocoferóis (Vitamina E). Fonte: SEMPRETOPS. Disponível
em: <http://www.sempretops.com/saude/vitamina-e/>. Acesso em: 06 ag. 2012.
Terpenos: ação antioxidante e antioncogênica, especialmente na prevenção do
câncer de pulmão, estômago, pâncreas, fígado e pele. São carotenóides (vegetais
amarelos e avermelhados) e limonóides (frutas cítricas), precursores da vitamina A,
que é muito importante na preservação da saúde dos olhos.
A seguir descrevemos alguns alimentos funcionais de origem vegetal, listados
em ordem alfabética.
Abacate: especialmente indicado na prevenção e tratamento de cardiopatias, este
fruto é rico em ácidos graxos moninsaturados, ácido oléico, esteróis, tocoferóis e
carotenóides. É fonte importante também de glutationa, que tem função
antioncogênica. Comparado a outras frutas, apresenta uma maior concentração de
http://www.sempretops.com/saude/vitamina-e/
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proteínas, mas deve ser evitado em dietas de emagrecimento pelo alto teor de
gorduras.
Abacaxi: possui função diurética, antioxidante e antioncogênica. Rico em fibras, o
abacaxi estimula a sensação de saciedade e facilita a motilidade e a limpeza
intestinal. Fonte importante de bromelina, uma enzima que atua como os sucos
gástricos, facilitando a digestão. O abacaxi é tão bom para tantos sistemas
orgânicos que alguns chegam a afirmar que aumenta a longevidade!
Abóbora: muito rica em carotenóides precursores da vitamina A, é indispensável
para preservar a saúde dos olhos. Fonte de vitamina B3, protege as mucosas, a pele
e o sistema nervoso, além de prevenir o reumatismo. Tem ação antioncogênica, e
possui cálcio que fortalece os ossos e os dentes.
Alcachofra: indicada na prevenção e tratamento de distúrbios nos rins e no fígado,
pois tem ação diurética e combate os males hepáticos. Rica em ferro, é indicada
para combater a anemia, especialmente, quando associada ao consumo de cítricos,
pois a vitamina C aumenta a absorção do ferro. Para tratar dispepsia (digestão
difícil), deve ser consumida com bastante alho e cebola. Quando consumida com
cenoura e suco de limão serve também para melhorar as hemorróidas.
Algas marinhas: são ricas em fibras, sais minerais, vitaminas, aminoácidos
essenciais e ácido fólico. Têm inúmeras qualidades como alimentos funcionais e
também para uso externo. Por possuírem alta dosagem de iodo combatem o
hipotireoidismo. Têm ação antivirótica e combatem tumores. Por serem pobres em
gorduras e ricas em fibras, são auxiliares importantes nas dietas contra a obesidade.
As algas também possuem uso cosmético: eliminam as calosidades, amaciam a pele
e tornam os cabelos mais macios e brilhantes.
Arroz: o arroz integral possui nutrientes e fibras em quantidade suficiente para que
seja considerado como alimento funcional. O arroz industrializado branco e polido
acaba empobrecido. Mesmo assim, junto com o feijão, o arroz branco é o melhor
exemplo de mistura protéica na mesa cotidiana dos brasileiros. O feijão é rico no
aminoácido lisina e tem como aminoácido limitante a metionina. Já o arroz é rico em
metionina e pobre em lisina. Desta forma, ao comer um prato com arroz e feijão
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estamos fazendo uma mistura protéica ideal para favorecer a absorção dos
aminoácidos.
Aveia: nossas bisavós e avós já sabiam que a aveia é altamente nutritiva e ajuda no
bom funcionamento intestinal, por isso, não deixavam de incluí-Ia na preparação de
mingaus infantis. Rica em proteínas, ácidos graxos insaturados, vitaminas do
Complexo B, ferro, cálcio e fibras é importante no combate ao colesterol e ajuda na
prevenção de câncer, principalmente do cólon.
Azeite de oliva: junto com as fibras, o azeite de oliva integra a “Dieta do
Mediterrâneo”, região do mundo em que a população apresenta os menores índices
de doenças cardiovasculares. Possui alta dosagem de ômega 3 e ácido oléico e,
além de combater os males do coração e da circulação sangüínea, também ajuda a
prevenir a artrite reumatóide. Deve ser usado, preferencialmente, cru em saladas e
molhos, mas também pode ser utilizado no preparo de alimentos cozidos.
Banana: a sabedoria popular levou a exaltar os benefícios desta fruta. Além do alto
valor energético, a banana possui cálcio, fósforo, ferro e potássio e ainda vitaminas
A, C, B1 e B2. Junto com a aveia é bastante utilizada na alimentação infantil, mas os
adultos deveriam voltar a buscar seus benefícios. Embora rica em açúcar, não
possui gorduras e é recomendada mesmo nas dietas para emagrecimento.
Batata: é um dos alimentos mais consumidos em todo o mundo e durante séculos
manteve vivas enormes populações, principalmente em períodos de guerra na
Europa. É fonte muito importante de carboidratos, mas oferece também potássio e
vitaminas A e C.
Berinjela: rica em vitamina B5, que ajuda no equilíbrio do sistema digestório e do
sistema nervoso, além de proteger a pele, este alimento possui ainda cálcio, fósforo
e ferro. Estes sais minerais são importantes na construção dos ossos e músculos e
na coagulação sangüínea. Há a divulgação da idéia de que a berinjela combate os
altos índices de glicose e colesterol LDL (o mau colesterol) no sangue, mas isso não
está ainda comprovado. Quando consumida com casca, porém, a alta dose de fibras
pode auxiliar nestas duas funções preventivas.
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Beterraba: importante fonte energética, é usada inclusive para a fabricação de
açúcar refinado. Além do alto teor de açúcar, oferece também boa quantidade
vitamina C. Costuma ser indicada como fonte de ferro, mas por não possuir o heme,
sua absorção é prejudicada. Em um processo de reeducação alimentar deveríamos
dar mais importância às folhas da beterraba, que podem ser consumidas refogadas.
As folhas da beterraba, estas sim, além de poucas calorias, são bem ricas em
potássio, cálcio, ferro, betacaroteno, ácido fólico e vitamina C.
Brócolis: riquíssimo em potentes antioxidantes (quercetina, glutadiona,
betacaroteno, indóis, luteína e glucarato) atua como antiinflamatório, antibiótico,
anticoagulante, analgésico, antivirótico e na proteção do fígado,redução do
colesterol, combate às dores musculares, diminuição da pressão arterial e
prevenção do câncer de: estômago, esôfago, pulmão, faringe, útero, pâncreas e
cólon. Um buquê médio de brócolis possui mais vitamina C que uma laranja; tanto
cálcio quanto um copo de leite; e três vezes mais fibra do que uma fatia de pão de
centeio. É importante fonte de ferro e, por ter baixo valor calórico, é indicado nas
dietas de emagrecimento. Seus benefícios nutricionais são melhor preservados
quando o brócolis é consumido cru.
Café: é uma das principais fontes de cafeína, o estimulante legal mais consumido
em todo o mundo. Acelera os batimentos cardíacos e a diurese, além de estimular o
sistema nervoso e reduzir o sono.
Camomila: rica em apigenina, uma flavona que tem efeito analgésico.
Castanha de caju: rica em proteínas, carboidratos, lipídeos, fósforo, ferro, cobre,
zinco, magnésio, fibras e gorduras insaturadas (as chamadas boas gorduras, como
ômega 3). Tem ação antioxidante, ajuda a motilidade intestinal e combate o mau
colesterol (LDL).
Castanha do Pará: os estudos mais recentes mostram que o consumo destas
castanhas é capaz de suprir a necessidade diária de selênio. Além da ação
antioxidante e antioncogênica, auxilia na prevenção de doenças cardíacas e melhora
o sistema imunológico. Atua no equilíbrio do hormônio da tireóide, protege de
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doenças degenerativas como: esclerose múltipla e Alzheimer, pois possui boa
quantidade de vitamina E.
Cebola: suas propriedades benéficas como alimento são conhecidas desde o Antigo
Egito, quando alguns faraós eram enterrados junto com algumas delas em sua
tumba. Rica em adenosina, substância que atua como relaxante, ajuda a combater
dores musculares, auxilia no tratamento da hipertensão arterial e previne a
aterosclerose e a formação de coágulos. Outra substância, a quercetina, é um
poderoso antioxidante e ajuda a prevenir úlceras, câncer gástrico e do cólon. Depois
de consumir cebola, recomenda-se evitar o café, pois, a cafeína tem efeito oposto ao
da adenosina.
Cenoura: importante fonte de carotenóides, precursores da vitamina A, atuando na
preservação da visão e na proteção da pele e das mucosas. As vitaminas do
complexo B ajudam a regular o sistema nervoso e o funcionamento do aparelho
digestório e do fígado. Fonte de sais minerais como: iodo, fósforo, cloro, sódio,
potássio e cálcio. Por seu alto teor de fibras, funciona como laxante. Além de cuidar
da visão, da pele e das mucosas, a vitamina A é importante para proteger o sistema
circulatório e o imunológico. A cenoura tem importante ação antioxidante e
antioncogênica.
Cereais integrais: os benefícios dos cereais são bastante divulgados e a indústria
de alimentos já os inclui em pães, biscoitos, macarrão e os disponibiliza também em
forma de misturas matinais. O consumo de cereais leva à formação de glicogênio,
reserva de energia do organismo, o que pode resultar em ganho de peso quando
consumido em exagero. Ricos em fibras, aceleram o trânsito intestinal e, por isso,
sua ingestão deve ser acompanhada de bastante líquido. Retardam a absorção de
glicose, sendo bons coadjuvantes no tratamento de diabéticos. São especialmente
indicados na produção de energia para esportistas amadores ou profissionais.
Chá verde: importante no combate à obesidade e na redução do mau colesterol
(LDL), pois diminui os níveis de leptina, uma substância que favorece o ganho de
peso. Tem ação antioxidante e antioncogênica e ainda evita a formação de coágulos
sanguíneos. Diminui a ação das bactérias que causam as cáries dentárias.
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Milenarmente conhecido, o chá verde (Figura 41) promove a saúde e aumenta a
longevidade.
Figura 41. Chá verde muito utilizado em dietas para emagrecimento. Fonte: TUDOSOBRE.
Disponível em: < http://www.tudo-sobre.net/cha-verde-os-beneficios>. Acesso em: 06 ago.
2012.
Chocolate: os mais recentes estudos realizados não provaram até agora nenhuma
relação entre o consumo diário de chocolate e a ocorrência de enxaquecas ou até
mesmo de acnes. O chocolate também tem sido acusado de causar dependência,
pois estimula a produção pelo organismo de serotonina e endorfina, substâncias que
aumentam a sensação de bem-estar físico e psíquico. Nada disso está comprovado
cientificamente até o momento. Por enquanto, o que se sabe é que o chocolate é
rico em polifenóis e fitoesteróis, que têm ação antioxidante, antioncogênica e que
ajudam a combater o mau colesterol (LDL).
Cítricos: as frutas cítricas (laranja, bergamota, morango, acerola, caju, todos os
tipos de limão) estão entre as maiores fontes naturais de vitamina C, o que as torna
importantes agentes antioxidantes. Auxiliam a formação do colágeno, o que faz bem
para a pele e retarda o envelhecimento. Previnem também hemorragias na
circulação capilar. Quando consumidas com o bagaço (não sob a forma de suco),
são importantes fornecedores de fibras.
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Cogumelos: alimento com excelente valor nutritivo e altamente protéico. É fonte de
quase todos os aminoácidos. Ricos em vitaminas K, E, C, H e as do Complexo B,
além de ácido pantotênico e ácido fólico. Tem forte ação antioncogênica, evitando a
regeneração e a metástase de cânceres. Estimulam o sistema imunológico. Todos
os cogumelos comestíveis são bons alimentos.
Couve flor: rica em sais minerais, cálcio, fósforo, ferro, zinco, iodo, cobre e ferro e
também em vitaminas: A, C, B2 e B5. É importante na formação de ossos, dentes e
sangue; tem ação antioxidante e antioncogênica. Pobre em calorias e rica em fibras,
é útil nas dietas de redução de peso. É aconselhável lembrar que, por sua alta
quantidade de purinas, a couve flor não é indicada para pessoas que controlam o
ácido úrico, gerador de uma doença chamada gota.
Damasco: consumido como fruta passa ou em receitas doces e salgadas, o
damasco é rico em ferro, potássio, vitamina A e betacaroteno, um potente
antioxidante. Sua ação positiva sobre o funcionamento de músculos e nervos, a
baixa caloria e a riqueza em fibras torna-o útil para atletas e para quem faz dieta
para emagrecer.
Espinafre: rico em ferro, que é muito importante na formação do sangue e para o
transporte de oxigênio a todos os tecidos do organismo. Oferece também bastante
vitaminas A e B, além de cálcio e fósforo. Estes nutrientes têm função na proteção
da visão, da pele e mucosas e no fortalecimento de dentes e ossos. O espinafre
possui ainda ação laxante e previne cálculos renais. Por ser riquíssimo em
carotenóides é um poderoso antioxidante e antioncogênico.
Feijão: a mistura protéica do feijão com o arroz tem o poder de substituir a carne na
alimentação diária. Isso porque o feijão é rico no aminoácido lisina e tem como
aminoácido limitante a metionina. Já o arroz é rico em metionina e pobre em lisina.
Desta forma, ao comer um prato com arroz e feijão estamos fazendo uma mistura
protéica ideal para favorecer a absorção dos aminoácidos.
Gergelim: utilizado em doces e salgados ou sob a forma de óleo, é rico em cálcio,
potássio, vitamina E, e ácidos graxos insaturados. Atua como antioxidante e na
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prevenção de doenças cardiovasculares, tendo propriedades tão positivas quanto as
do azeite de oliva.
Germe de trigo: por ter ação antioxidante, ajuda na prevenção de tumores e
doenças cardiovasculares e retarda o envelhecimento. Rico em vitamina E,
associado a alimentos que contenham zinco, é importante nutriente para as células
sexuais. Oferece ainda cálcio, magnésio, ferro e muitas fibras. Excelente
coadjuvante na prevençãoe tratamento da prisão de ventre.
Laranja: além dos benefícios da vitamina C, a laranja possui grande quantidade de
vitamina B1, cálcio, fósforo, potássio, ácido fólico e betacaroteno. Uma laranja
oferece toda a quantidade diária de vitamina C necessária ao organismo. É indicada
até em dietas de emagrecimento e, neste caso, podem ser consumidas até 10 por
dia, desde que sejam ingeridas com todo o bagaço (fibras) e não sob a forma de
suco. Já está comprovado cientificamente que a laranja é um excelente preventivo e
deve ser incluída até no tratamento do câncer de próstata por sua capacidade de
reduzir células cancerosas.
Leveduras: fazem parte do reino Fungi e estão dispersas pelo ambiente,
participando de toda fermentação e transformação dos açúcares em álcoois. A mais
conhecida é a Sacharomyces cereviseae, presente na fermentação dos pães e na
fabricação de bebidas alcoólicas. Oferece proteínas (aminoácidos essenciais),
carboidratos e sais minerais (fósforo, cobalto, manganês, cobre e zinco), além de
vitaminas do Complexo B. Presentes também o ergosterol, precursor da vitamina D,
e o ácido nucléico, importante elemento biológico.
Limão: tem todas as características positivas dos cítricos e oferece potentes
antioxidantes como a quercetina e os flavonóides. É indicado até no tratamento de
Alzheimer, reduz o colesterol e ajuda a prevenir os cânceres de cólon, mama e
pulmão. Na época das grandes navegações (século XV), conta-se que, numa
viagem de circunavegação da África, um capitão de esquadra abandonou em uma
ilha um grupo de marinheiros doentes de escorbuto. Para sua surpresa, na viagem
de retorno, aqueles marinheiros estavam vivos, fortes e saudáveis. Para se
alimentar, eles haviam consumido limões nativos e ficaram curados por causa da
grande quantidade de vitamina C. Depois disso, todo navio passou a levar uma
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carga de limões para evitar o escorbuto nos marinheiros. Além disso, é bom para
combater infecções, arterosclerose, pequenas hemorragias e fadiga, além de
favorecer a cicatrização.
Maçã: há séculos os americanos costumam dizer que uma maçã por dia é sinônimo
de saúde e alegria. Rica em pectina, a maçã retarda a absorção da glicose e auxilia
na redução do mau colesterol (LDL). Oferece também flavonóides de grande poder
antioxidante. Com alto teor de potássio, protege o coração e agiliza a eliminação do
sódio excedente no organismo, o que facilita a redução de edemas (inchaço). É
muito utilizada no combate à diarréia infantil, colaborando na prevenção da
desidratação nos dias de forte calor por evitar a perda de água pelo intestino.
Mamão: rico em licopeno e carotenóides tem importante ação antioxidante e
antioncogênica. Oferece ainda sais minerais (cálcio, fósforo, ferro, sódio e potássio)
e vitaminas A e C. Possui ainda uma substância chamada papaína, que é muito
benéfica ao funcionamento dos sistemas digestório e intestinal, agindo como laxativo
e na diminuição da flatulência (gases),
Manga: alto teor de vitamina C e vitamina A (carotenóides), o que caracteriza a ação
antioxidante antioncogênica. Uma unidade pequena (100 g) de manga madura é
capaz de oferecer 100 mg de vitamina C. Por ser rica em fibras, não deve ser
proibida nas dietas de emagrecimento,
Maracujá: chama-se passiflorina ou maracujina, a substância que confere ao
maracujá um alto valor sedativo (calmante e relaxante). As propriedades desta fruta
são conhecidas desde o tempo de nossos avôs e bisavôs, que também usavam
suas sementes como um poderoso vermífugo. Além disso, é rico em fibras, nas
vitaminas C, B2 e B5 e nos sais minerais ferro, magnésio, cálcio e fósforo.
MeI: embora produzido por abelhas, o mel não costuma aparecer relacionado entre
os alimentos de origem animal. Suas propriedades funcionais são tantas que poderia
ser escrito um trabalho somente sobre este alimento. O mel fortalece o sistema
imunológico e tem poder antibacteriano, antiinflamatório, analgésico, sedativo,
expectorante e hipoalergênico. Oferece água, glicose, sacarose, ferro, sódio,
potássio, cloro, cálcio, enxofre, magnésio, fósforo, zinco e vitaminas A, C, E, e as do
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Complexo B. Além do poder anti-séptico e bactericida, auxilia nos processos de
desintoxicação do organismo e facilita a digestão. Apesar de todos estes benefícios,
o mel não é recomendado a pessoas diabéticas por sua alta concentração de
açúcar,
Morango: como fruta rica em vitamina C (Figura 42), tem ação antioxidante
(substância d-catequina) e antioncogênica, evita a fragilidade dos ossos e dá
resistência aos tecidos, além de agir contra infecções e ajudar nas cicatrizações e
ser diurético.
Figura 42. Morango rico em vitamina C. Fonte: ABRIL.COM.BR. Disponível em:
<http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-usado-
cremes-pele-cabelos-433321.shtml>. Acesso em: 06 ago. 2012.
Nozes: estudos realizados com pacientes americanos e de países mediterrâneos
comprovam que o consumo de nozes é importante na prevenção de doenças
cardiovasculares e reduz a incidência de morte súbita entre doentes deste grupo. As
nozes contêm grande quantidade de vitamina E, gorduras monoinsaturadas,
magnésio, potássio, cálcio, zinco e fibras. Também os consumidores de nozes têm
menos chance de desenvolver o mal de Alzheimer. Para obter estes benefícios,
basta comer uma porção de nozes (cerca de 30 g) duas vezes por semana.
http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-usado-cremes-pele-cabelos-433321.shtml
http://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conheca-beneficios-morango-usado-cremes-pele-cabelos-433321.shtml
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Óleos vegetais: com exceção do óleo de coco, óleo de folhas de palmeiras e do
óleo de babaçu, as gorduras vegetais são insaturadas, tornando-se agente
importante na prevenção de doenças cardiovasculares O óleo de oliva (azeite) e o
óleo de canola têm sido reconhecidos pela alta concentração de gorduras
insaturadas (ômega 3), mas seu preço de comercialização é muito superior ao do
óleo de soja, que também contém boa quantidade destes óleos essenciais (ômega
6). Sendo assim, do ponto de vista da saúde pública, o óleo de soja não deve ser
menosprezado, pois está ao alcance da população de menor poder aquisitivo e
possui significativa porcentagem de ácidos graxos insaturados de ação benéfica à
saúde.
Palmito: alimento altamente nutritivo, fornecedor de fibras dietéticas e de baixa
caloria, o palmito oferece ainda vitaminas (C e Complexo B), gorduras
poliinsaturadas e sais minerais: ferro, magnésio, fósforo, zinco e selênio. Tem
função importante no processo de cicatrização dos tecidos e na prevenção de
hemorragias e doenças da próstata.
Pimenta: O princípio ativo da maioria das pimentas é a capsaicina, que lhe dá o
sabor, aroma e ardência. Esta substância é um potente estimulador da circulação
sangüínea e alguns estudos mostram que as pessoas que consomem mais pimenta
estão menos sujeitas à formação de coágulos e à ocorrência de infartos.
Repolho: rico em fibras e de baixa caloria, é indicado em dietas de emagrecimento.
Importante fonte de vitamina C e de sulforafeno, substâncias com ação antioxidante
e antioncogênica. Outro princípio ativo do repolho é o glicosinolato, que auxilia na
prevenção do câncer de cólon. Por conter certo teor de enxofre, produz cheiro forte
ao ser cozido e pode causar aumento de gases (flatulência).
Soja: há milhares de anos, é reconhecida como um alimento de qualidade por seu
alto teor energético e pela excelência de sua proteína. Recentemente, pela
verificação de grande concentração de isoflavonóides (especialmente as isoflavonas
genesteína e daidzeina), foram comprovados os benefícios de sua utilização como
medicamento fitoterápico no tratamento alternativo dos sintomas da menopausae
do climatério. Rica em fibras, vitamina B, ácido fólico, iodo, magnésio, potássio e
fósforo, a soja demonstra também efeitos benéficos na prevenção de tumores,
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aterosclerose e na redução do mau colesterol (LDL). Já está comprovado também
que os melhores efeitos clínicos são obtidos com o consumo rotineiro da soja in
natura.
Tomate: devido à alta concentração de licopeno (carotenóide), especialmente nos
frutos mais maduros, o tomate tem sido recomendado na prevenção dos cânceres
de mama ou de próstata. O tomate cru oferece 30 mg de licopeno por quilo,
enquanto o suco tem 150 mg por litro e o catchup 100 mg por quilo. Estudos já
mostraram que o consumo de tomate cozido em óleo (molhos) aumenta de 2 a 3
vezes a concentração de licopeno no sangue no dia seguinte. O mesmo não
acontece quando o tomate é ingerido cru e sem gordura. Isto significa que o
cozimento e a adição de um pouco de gordura aos tomates maduros facilitam a
absorção do licopeno.
Uva: estudos realizados nas últimas décadas comprovam que a uva e,
principalmente, o vinho tinto, possuem grande concentração da substância
resveratrol, que diminui a viscosidade do sangue e tem potente ação antioxidante.
Desta forma, o consumo rotineiro e moderado (cerca de duas taças de vinho tinto
por dia) do vinho tinto é importante na prevenção da aterosclerose e evita a
formação de coágulos por diminuir a agregação plaquetária e dilatar os vasos
sangüíneos. Alguns trabalhos também indicam que o consumo moderado de álcool
pode ser um auxiliar na prevenção de demência em pessoas com idade acima de 60
anos.
Agora, apresentamos alguns alimentos funcionais de origem animal:
Carnes vermelhas: durante muitos anos, esta categoria alimentar foi execrada
pelos médicos e se criou uma mentalidade entre os leigos favorável à abstenção de
carnes vermelhas, o que tem sido, por exemplo, a principal causa de anemia entre
pessoas idosas. A carne vermelha oferece proteína de alto valor biológico com
aminoácidos essenciais (aqueles que não são sintetizados pelo organismo),
importantíssimos na construção de tecidos. É também a maior fonte de ferro,
fundamental na formação da hemoglobina, que transporta oxigênio a todos os
órgãos do corpo. A carne vermelha oferece ainda zinco, cálcio, fósforo, sódio,
potássio, enxofre, cloro, magnésio, cobre, níquel, manganês, substâncias
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nitrogenadas e vitaminas do Complexo B. Frente a esta riqueza de nutrientes e a
esta ampla gama de funções benéficas, é preciso reafirmar: Em relação à
informação de que o consumo rotineiro de churrasco aumenta a incidência de
câncer, é preciso esclarecer que isso se deve aos resíduos da fumaça aderida à
carne e, principalmente, de sua associação com o vício de fumar. Para comer
churrasco moderada e tranquilamente, recomenda-se: não fumar e unir o prazer da
boa carne assada ao consumo de verduras, legumes e frutas com função
antioxidante e antioncogênica.
Fígado: rico em ferro. É um dos alimentos mais indicados na prevenção e
tratamento de anemia ferropriva, o que significa também que é importante na
formação da hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio a todos os
tecidos orgânicos. A carne de fígado (Figura 43) oferece ainda sais minerais,
vitaminas do Complexo B e gorduras polinsaturadas, sendo estas indicadas na
prevenção de doenças cardiovasculares.
Figura 43. A carne de fígado é
rica em ferro. Fonte:
SUSTENTAVELEORGANICO.
BLOGSPOT.COM. Disponível
em:
<http://sustentaveleorganico.blo
gspot.com.br/2012/03/figado-
afinal-figado-faz-bem-ou-faz-
mal.html>. Acesso em: 06 ago.
2012.
Iogurte: milenarmente recomendado como alimento muito útil para o bom
funcionamento do intestino, o iogurte é obtido a partir da bactéria Lactabacillus
casei, responsável pela fermentação do leite. Hoje, estas bactérias são
denominadas FOS e se referem a probióticos como: bifidobacterium, lactobacillus,
streptococcus, enterococcus e escherichia. Quando os probióticos são ingeridos
juntamente com os prebióticos (oligossacarídeos presentes em alimentos como
banana, cebola, aspargo e alcachofra, entre outros) são potencializados seus efeitos
http://3.bp.blogspot.com/-EEuKxuxz-N4/T19NhFxNgcI/AAAAAAAAAs8/GucabdShlXE/s1600/00bife-figado.jpg
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benéficos sobre o sistema intestinal. Além da prevenção de distúrbios intestinais, os
probióticos devem ser ingeridos principalmente no tratamento de gastrenterites e
diarréias e depois do uso de antibióticos. Quem já tem excesso de acidez gástrica
deve evitar o consumo de iogurtes.
Leite: usado há milênios como alimento nos 5 continentes, o leite é a mais completa
fonte nutritiva em qualquer idade. Até os primeiros 6 meses de vida, o leite materno
é o alimento único e completo, sendo também a melhor fonte de água para evitar a
desidratação do bebê. O leite de vaca é considerado essencial até os 12 anos. No
adulto, garante vida saudável; e na maturidade, previne a osteoporose. Rico em
cálcio em função da lactose, vitamina D, proteínas, carboidratos, sais minerais e
gorduras, o leite possui todos os ingredientes necessários ao bom desenvolvimento
da massa muscular e óssea. Desta forma, o consumo regular de leite dispensa o
uso de suplementos alimentares até mesmo por atletas. O leite só não é indicado
para as pessoas com dificuldade para processar a lactose e apresentam sintomas
de intolerância.
Ovo: É uma das fontes nutricionais mais completas para gestantes, crianças e
jovens em crescimento, pois oferece proteínas de alto valor biológico, vitaminas e
sais minerais (principalmente ferro). Rico em gorduras, durante muito tempo, o ovo
foi considerado responsável pelo aumento do mau colesterol (LDL) causador de
doenças cardiovasculares, derrames e isquemias. Atualmente, sabe-se que é
justamente o contrário. O ovo é rico em gorduras polinsaturadas ômega 3, que
estimulam a formação do bom colesterol (HDL) e ajudam na prevenção de doenças
cardiovasculares.
Queijo: Como derivado do leite oferece todos os seus benefícios, mas pelo elevado
grau de concentração disponibiliza uma quantidade ainda maior de cálcio. Rico em
proteínas essenciais e também na gordura ômega 6, que tem ação contra o mau
colesterol (LDL), função antioncogênica e ainda fortalece o sistema imunológico. A
quantidade de gordura varia de um queijo para outro, por exemplo: o queijo prato ou
lanche possui 40% de gordura; o tipo minas 20%; e os da categoria light, cerca de
25% a menos. Uma maneira prática de conhecer o teor de gordura de um queijo é a
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sua cor: quanto mais amarelado for o queijo, maior será a quantidade de gordura em
sua composição.
Salmão: A carne de salmão, além de rica em proteínas essenciais, oferece grande
quantidade de vitaminas do Complexo B, vitamina A, ferro e o melhor nível da
combinação entre as gorduras polinsaturadas ômega 3 e ômega 6. É, por isso, muito
importante na prevenção de doenças cardiovasculares. Recomenda-se o consumo
de salmão e outros peixes em 3 refeições por semana.
ALIMENTOS ORGÂNICOS
A sociedade vem passando por uma série de transformações ao longo dos
últimos trinta anos. Dentre estas transformações, os hábitos de consumo são um
dos itens particularmente interessantes de serem observados. Em plena era de
ascensão dos fast food,eis que surge uma corrente em prol de alimentos mais
saudáveis que prolonguem a vida e mantenham a saúde das pessoas, sendo que a
produção deste tipo de alimento deve ser realizada considerando o respeito
ao meio ambiente, e aspectos até então ignorados como, por exemplo, a
qualidade de vida de quem produz o alimento.
Com esse apelo sócio-ambiental, surge a produção de alimentos orgânicos
como um novo nicho de mercado para produtos agrícolas e pecuários
(CAVALCANTE et al., 2007).
A definição oficial de alimentos orgânicos é encontrada na lei 10.831 de 23
de dezembro de 2003 que é a referência legal para os alimentos orgânicos:
“Art. 1º: Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo
aquele em que se adotam técnicas específicas, mediante a otimização do
uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à
integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a
sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios
sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável,
empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e
mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação
do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes,
em qualquer fase do processo de produção, processamento,
armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio
ambiente” (BRASIL, 2003).
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A cultura e comercialização dos produtos orgânicos no Brasil foram
aprovadas pela Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Sua regulamentação, no
entanto, ocorreu apenas em 27 de dezembro de 2007 com a publicação do Decreto
nº 6.323 (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 2012).
Segundo a Instrução Normativa n 64, de 18 de dezembro de 2008, artigo
17, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os sistemas orgânicos
de produção animal devem buscar:
I - seguir os princípios do bem-estar animal em todas as fases do processo
produtivo;
II - manter a higiene e saúde em todo o processo criatório, compatível com
a legislação sanitária vigente e com o emprego de produtos permitidos para
uso na produção orgânica;
III - a adoção de técnicas sanitárias preventivas;
IV - a oferta de alimentação nutritiva, saudável, de qualidade e em
quantidade adequada de acordo com as exigências nutricionais de cada
espécie;
V - a oferta de água de qualidade e em quantidade adequada, isenta de
agentes químicos e biológicos que possam comprometer sua saúde e vigor,
a qualidade dos produtos e os recursos naturais, de acordo com os
parâmetros especificados pela legislação vigente;
VI - utilizar instalações higiênicas, funcionais e adequadas a cada espécie
animal e local de criação; e
VII - destinar de forma ambientalmente adequada os resíduos da produção
(BRASIL, 2008).
Ainda em referência a mesma Instrução Normativa, no artigo 91, os sistemas
orgânicos de produção vegetal devem priorizar:
I - a utilização de material de propagação originário de espécies vegetais
adaptadas às condições edafoclimáticas locais e tolerantes a pragas e
doenças;
II - a reciclagem de matéria orgânica como base para a manutenção da
fertilidade do solo e a nutrição das plantas;
III - a manutenção da atividade biológica do solo, o equilíbrio de nutrientes e
a qualidade da água;
IV - a adoção de manejo de pragas e doenças que:
a) respeite o desenvolvimento natural das plantas;
b) respeite a sustentabilidade ambiental;
c) respeite a saúde humana e animal, inclusive em sua fase de
armazenamento; e
d) privilegie métodos culturais, físicos e biológicos;
V - a utilização de insumos que, em seu processo de obtenção, utilização e
armazenamento, não comprometam a estabilidade do habitat natural e do
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agroecossistema, não representando ameaça ao meio ambiente e à saúde
humana e animal (BRASIL, 2008).
O Censo Agropecuário, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, investigou, pela primeira vez em 2006, a prática de agricultura orgânica
nos estabelecimentos agropecuários (IBGE, 2006). Os estabelecimentos
agropecuários produtores de orgânicos representavam, aproximadamente, 1,8% do
total investigado. Na distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos por
grupo de atividade econômica, predominavam a pecuária e criação de outros
animais, com 41,7% e a produção das lavouras temporárias, com 33,5%. Os
estabelecimentos com plantios de lavoura permanente e de horticultura/floricultura
figuravam com proporções de 10,4% e 9,9%, respectivamente, seguidos dos
orgânicos florestais (plantio e extração) com 3,8% do total (Tabela 5).
Tabela 5. Distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos, segundo os
grupos da atividade econômica – Brasil, 2006.
Grupos da atividade econômica
Distribuição dos estabelecimentos
produtores orgânicos
Absoluta Percentual (%)
Total 90.497 100
Produção de lavouras temporárias 30.168 33,34
Horticultura e floricultura 8.900 9,83
Produção de lavouras permanentes 9.557 10,56
Produção de sementes, mudas e outras
formas de propagação vegetal
52 0,06
Pecuária e criação de outros animais 38.014 42,01
Produção florestal – florestas plantadas 1.638 1,81
Produção florestal – florestas nativas 1.644 1,82
Pesca 153 0,17
Aquicultura 371 0,41
Fonte: IBGE, Censo Agropecuário 2006.
A busca da qualidade alimentar está se tornando uma das principais
preocupações dos consumidores conscientes. Atualmente, as motivações para o
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consumo de alimentos orgânicos variam em função do país, da cultura e dos
produtos que se analisa. Todavia, observando paises como Alemanha, Inglaterra,
Austrália, Estados Unidos, França, Dinamarca, Polônia e Costa Rica percebe-se que
existe uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar, em primeiro lugar,
aspectos relacionados à saúde e sua ligação com os alimentos, em seguida ao meio
ambiente e, por último, a questão do sabor e frescor dos alimentos orgânicos.
No Brasil, a principal motivação para compra de alimentos orgânicos
também esta ligada a preocupação com a saúde (DAROLT, 2003). Hoje, no Brasil,
quem consome os alimentos orgânicos são adultos e idosos pertencentes as classes
sociais A e B. E importante destacar que o desafio de levar o alimento orgânico para
as outras camadas da população não está relacionado apenas aos aspectos
técnicos (produção em quantidade, qualidade, regularidade e diversidade) e
econômicos (preços competitivos aos produtos convencionais), mas também aos
aspectos políticos e sociais.
Segundo o Instituto Biodinâmico (IBC), um certificador brasileiro reconhecido
internacionalmente, a produção orgânica no Brasil cresce 30% ao ano e ocupa
atualmente uma área de 6,5 milhões de hectares de terras, colocando o país na
segunda posição dentre os maiores produtores mundiais de orgânicos
principalmente devido ao extrativismo sustentável de castanha, açaí, pupunha, látex,
frutas e outras espécies das matas tropicais, principalmente da Amazônia. Cerca de
75% da produção nacional de orgânicos é exportada, principalmente para a Europa,
Estados Unidos e Japão. A soja, o café e o açúcar lideram as exportações. No
mercado interno, os produtos mais comuns são as hortaliças, seguidos de café,
açúcar, sucos, mel, geléias, feijão, cereais, laticínios, doces, chás e ervas medicinais
(MEGA 21, 2010).
No Brasil são produzidos mais de 30 tipos de produtos orgânicos, sendo que
os principais estados produtores e seus produtos são (DAROLT, 2007):
- São Paulo: suco de laranja, açúcar, frutas secas, hortaliças;
- Paraná: soja, açúcar mascavo, café, erva-mate, hortaliças;
- Minas Gerais: café;
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- Bahia: cacau;
- Nordeste: castanha de caju, óleo de babaçu e dendê, frutas tropicais;
- Pará: óleo depalma, palmito;
- Amazonas: guaraná;
- Mato Grosso: carne bovina, soja;
- Rio Grande do Sul: arroz, vinho, frutas temperadas, hortigranjeiros;
- Santa Catarina: arroz, frutas temperadas, hortigranjeiros.
Na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem
em risco a saúde humana e o meio ambiente, tais como pesticidas, fertilizantes e
agrotóxicos. O Brasil, em função de possuir diferentes tipos de solo e clima é sem
dúvida um dos países com maior potencial para o crescimento da produção
orgânica.
Por outro lado, os agrotóxicos são produtos químicos que podem agredir o
ser humano e os recursos naturais. No Brasil, o consumo de agrotóxicos é grande.
Em 2010, o Brasil utilizou cerca de 1 bilhão de litros de agrotóxico, em um negócio
que movimentou mais de sete bilhões de dólares. Para a Agência de Vigilância
Sanitária (ANVISA), os agrotóxicos são utilizados, no Brasil, sem levar em
consideração a existência ou não de autorização do Governo Federal para o uso em
determinado alimento. Esta é uma constatação dos dados do Programa de Análise
de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgados pela ANVISA. Ainda,
segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, a segunda maior causa de
intoxicação depois de medicamentos é por agrotóxicos (CRN9, 2009).
A produção de alimentos por sistema convencional pode acarretar resíduos
de agrotóxicos em níveis preocupantes para a saúde pública. Pesquisa realizada
pela ANVISA mostrou que 28% de frutas, verduras e legumes, produzidos por meio
do sistema convencional, e comercializados em supermercados de 26 Estados
(Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo,
Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba,
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Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do
Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins) apresentavam níveis
de agrotóxicos acima do limite permitido pela legislação, além de produtos não
autorizados (ANVISA, 2010).
O consumo de alimentos contendo resíduos de agrotóxicos, a médio e longo
prazo, pode levar a problemas hepáticos (cirroses) e oftalmológicos, distúrbios do
sistema nervoso central, do sistema reprodutivo, câncer e efeitos mutagênicos e
teratogênicos (SANTOS & MONTEIRO, 2004).
Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um
ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os
princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do
ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.
Quem nunca ouviu ou falou que orgânicos são caros? Mesmo reconhecendo
o potencial benefício de ter um alimento mais saudável, sem risco de contaminação
por agrotóxicos ou com excesso de adubos químicos, é altamente provável que os
leitores já ouviram ou falaram que os alimentos orgânicos são caros. Segundo Tivelli
(2012), os alimentos orgânicos são mais caros do que os convencionais por pelo
menos sete razões que passamos a relacionar a seguir.
A primeira é a certificação. Para serem comercializados, os alimentos
orgânicos precisam ser certificados. O agricultor orgânico precisa provar que o que
produz respeita todas as normas da produção, a legislação trabalhista e ambiental.
Ele pode escolher entre três opções que a legislação permite: contratar uma
empresa para fazer a certificação, organizar-se com seus vizinhos em um Sistema
Participativo de Garantia ou cadastrar-se no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA), para, por meio do Controle Social, fazer a venda direta sem
certificação. O agricultor convencional não precisa nada disso.
A segunda é o período de conversão da área e a barreira de isolamento para
vizinhos não orgânicos. Para iniciar a produção orgânica, a maioria das
propriedades precisa passar por um período de adequação conhecido como período
de conversão. Neste período, que pode durar alguns anos, conforme normas do
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MAPA, a produção não é mais feita pelo sistema convencional, mas ainda não pode
ser vendida como orgânica. Portanto, o agricultor normalmente vê sua produtividade
habitual reduzida e ainda não recebe o valor adicional de um produto orgânico.
Além do período de conversão da área a que todos os novos agricultores
estão sujeitos, muitas propriedades, por estarem inseridas em áreas com produção
convencional em seu entorno, precisam instalar e manter barreiras com os vizinhos
convencionais. A barreira tem a finalidade de evitar a deriva de agrotóxicos
provenientes do cultivo convencional, e o deslocamento de pragas e doenças que
normalmente estão em desequilíbrio no vizinho convencional. Portanto, o agricultor
orgânico tem que reservar uma faixa sem produção no perímetro de sua propriedade
para garantir a qualidade de sua produção orgânica. Esta terra improdutiva não gera
receita e, portanto, deve ser computada no custo de produção do alimento orgânico.
Isto é especialmente significativo para agricultores familiares que dispõem de
pequenas áreas para produzir nossos alimentos orgânicos e sustentar a família
deles.
A terceira razão para os produtos agropecuários orgânicos custarem mais do
que o similar convencional é a maior demanda de mão de obra. A agricultura
orgânica trabalha com compostos orgânicos, que requerem mão de obra para ser
compostados e distribuídos nas áreas de cultivo. Aliado a isso há também a baixa
retenção dos jovens na atividade agropecuária, pois estes são atraídos pelo estilo de
vida urbana e partem para as cidades para estudar, trabalhar e constituir família,
fazendo questão de esquecer a origem de suas famílias, de nossas famílias. Ou
seja, só se consegue manter a mão de obra se esta for mais bem remunerada pelo
seu serviço. Isso onera o custo de produção dos alimentos orgânicos.
Em quarto lugar, o ciclo de produção de vegetais ou de formação de animais
é maior no sistema orgânico em relação ao convencional. Pelo fato de não utilizar
adubos prontamente solúveis para as plantas e promotores de crescimento na ração
dos animais, estes demoram mais para atingir o ponto de maior desenvolvimento
para a colheita ou abate, onerando o produto orgânico.
Uma lei de mercado aparece em quinto lugar nesta relação de motivos. A
conscientização na última década sobre questões ambientais e de saúde só faz
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crescer a demanda por alimentos seguros e saudáveis. Como o setor produtivo não
oferece produtos na mesma velocidade que cresce a demanda, é natural haver um
sobrepreço no produto em qualquer área que seja regida pelas forças de mercado.
Para os orgânicos isso não é diferente.
A assistência técnica deficiente ou inexistente é o sexto motivo. Os
agricultores orgânicos estão praticamente abandonados à própria sorte. A
assistência técnica oficial para o cultivo orgânico e mesmo para o cultivo
convencional foi desmontada pelos governos estaduais nas últimas gestões em
praticamente todos os Estados do Brasil.
Finalmente, em sétimo lugar, mas não menos importante do que os motivos
anteriores, está a falta de apoio à pesquisa e à transferência de tecnologia aos
agricultores familiares que produzem nossos alimentos, vestuário e bioenergia em
sistema orgânico.
Os produtos com certificação orgânica devem conter rótulos com
informações sobre a unidade de produção constando, no mínimo, o nome ou razão
social, endereço e o número do CNPJ ou CPF. A informação da qualidade orgânica
nos rótulos deve ficar na parte da frente do produto e será identificada pelo uso de
termos como: orgânico, produto orgânico e produto com ingredientes orgânicos.
Esses termos podem ser complementados pelas especificações ecológico,
biodinâmico, da agricultura natural, regenerativo, biológico,agroecológico,
permacultura, extrativismo sustentável orgânico e outros que atendam os princípios
estabelecidos pela regulamentação da produção orgânica (MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, 2008).
Para os produtos com ingredientes que não sejam de origem orgânica
certificada, incluindo os aditivos, prevê os seguintes cálculos, com exceção da água
e sal adicionados (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E
ABASTECIMENTO, 2008).
Produtos com 95% ou mais de ingredientes orgânicos certificados devem conter
no rótulo os ingredientes não-orgânicos;
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Produtos com 70% a 95% de ingredientes orgânicos certificados devem identificar
no rótulo os ingredientes orgânicos da seguinte maneira: PRODUTO COM
INGREDIENTES ORGÂNICOS;
Os produtos com menos de 70% de ingredientes orgânicos certificados não
poderão ter nenhuma expressão sobre a qualidade orgânica.
Os alimentos orgânicos também possuem melhor valor nutricional bem como
vários benefícios à saúde. Algumas pesquisas evidenciaram que produtos orgânicos
tendem a conter maior teor de micronutrientes como ferro, manganês e ácidos
graxos polinsaturados, além de maior quantidade de compostos bioativos e algumas
vitaminas, que previnem contra o surgimento de doenças como o câncer. Mas,
talvez o maior dos pontos positivos, independentemente do valor nutricional, que
parece estar muito mais relacionado ao solo, seja o fato de os produtos orgânicos
serem livres de agrotóxicos (MENEZES, 2012).
As amostras de alface e tomate oriundas de cultivo orgânico apresentam um
maior valor energético, menor teor de umidade e maior teor de vitamina C (ARBOS
et al., 2010). Premuzic e colaboradores (1998) compararam o conteúdo de ácido
ascórbico ou vitamina C de tomates cultivados com substrato orgânico aos tomates
cultivados hidroponicamente e também registraram um conteúdo maior de ácido
ascórbico para os frutos produzidos mediante utilização de composto orgânico.
Ren e colaboradores (2001) avaliaram o conteúdo de polifenóis de cinco
hortaliças (couve, repolho chinês, espinafre, alho e pimentão verde) amplamente
consumidas no Japão, produzidas pelo cultivo orgânico e convencional. Os
conteúdos dos orgânicos em flavonóides (quercetina) e ácido caféico foram de 1,3 a
10,4 vezes superiores aos encontrados nos convencionais, sugerindo assim a
influência exercida por diferentes práticas de cultivo.
Vale lembrar que o maior valor nutricional dos produtos orgânicos não é
conclusiva, pois uma ampla gama de fatores que pode afetar a composição dos
alimentos (genéticos, práticas agronômicas, clima e condições de pós-colheita) faz
com que as pesquisas sobre o valor nutricional de alimentos, produzidos orgânica e
convencionalmente, tornem-se difíceis de serem estabelecidas e seus resultados
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interpretados de forma consistente. No entanto, devido ao crescente interesse pelo
tema e ao aumento da produção e do consumo de alimentos orgânicos, maior
número de pesquisas deve ser implementado neste sentido.
Uma dieta orgânica pode ainda proporcionar uma melhoria nos indicadores
hematológicos, refletindo-se num sistema imunológico mais eficaz, resultado que
precisa ser confirmado por mais pesquisas de longo prazo de exposição (BARANKA
et. al., 2007). Esses resultados foram obtidos também em laboratório alimentando
duas gerações de ratos com dieta orgânica comparada à convencional.
Em outro estudo com aves (galinhas), Huber (2009) confirmou que animais
tratados com dietas provenientes de formas de cultivo diferenciadas (orgânico e
convencional) apresentaram diferenças em aspectos fisiológicos. De acordo com a
pesquisa, as aves que receberam a dieta convencional tiveram um crescimento mais
rápido e apresentaram maior peso final. Em síntese, a interpretação global é que
animais (aves) tratados com alimentos orgânicos tiveram um maior potencial para
reatividade imunológica, apresentando parâmetros imunológicos mais eficazes,
confirmando o que aconteceu com os ratos.
ALIMENTOS TRANSGÊNICOS
Os transgênicos estão presentes no dia-a-dia dos consumidores de todo o
mundo há mais de 12 anos. Enquanto você lê esta apostila, pessoas de mais de 50
países estão consumindo produtos com ingredientes transgênicos, como um
hambúrguer que contém soja geneticamente modificada ou uma calça jeans
produzida com algodão transgênico (CIB, 2009).
Os transgênicos são organismos que receberam um ou mais genes de
outros seres vivos para apresentar novas características. Ao receber um ou mais
genes de outro organismo, um vegetal pode se tornar resistente a pragas ou mais
nutritivo, por exemplo.
Os transgênicos surgiram, em 1973, quando os cientistas Cohen e Boyer,
que coordenavam um grupo de pesquisas em Stanford e na Universidade da
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Califórnia, davam o passo inicial para o mundo da transgenia. Eles conseguiram
transferir um gene de rã para uma bactéria, o primeiro experimento ocorrido com
sucesso usando a técnica do DNA recombinante.
Convencionalmente utilizam-se os termos Organismos Geneticamente
Modificados (OGMs) e transgênicos como sinônimos. Porém, existe uma diferença
técnica entre ambos. Os OGMs são organismos que foram modificados com a
introdução de um ou mais genes provenientes de um ser vivo da mesma espécie do
organismo de alvo. Um exemplo típico de OGM é o tomate Flavr savr, que foi
modificado geneticamente para apresentar um processo de maturação mais lento,
de modo a permitir que os frutos possam ser colhidos maduros ainda na planta. Isso
faz com que a qualidade nutricional e de acondicionamento sejam melhores. Essa
técnica de modificação consiste em isolar uma determinada sequência de genes do
próprio fruto e depois inseri-la em sentido inverso, no próprio fruto (ALVES, 2004).
O termo transgênico, termo usado pela primeira vez em 1983, na
Universidade da Pensilvânia, quando dois cientistas inseriram genes humanos de
hormônios de crescimento em embriões de ratos, produzindo os chamados “super
ratos”. A palavra transgênico é utilizada para designar um ser vivo que foi modificado
geneticamente, recebendo um gene ou uma sequência gênica de um ser vivo de
espécie diferente. Para a execução de tal processo utiliza-se a tecnologia DNA
recombinante. Como exemplos de transgênicos temos uma imensa gama de
alimentos consumidos diariamente em diversos países sem que se tenha ciência
dos processos de produção (ALVES, 2004).
Estima-se que 70% de todos os alimentos processados contenham pelo
menos um ingrediente derivado de soja ou milho, que podem ser transgênicos. Mais
da metade da produção nacional de soja é geneticamente modificada. Em 2008,
diferentes variedades de milho transgênico passaram a ser cultivados no país,
aumentando ainda mais a presença da biotecnologia na nossa alimentação (CIB,
2009).
No Brasil, os alimentos transgênicos chegaram de forma ilegal e agora
estão, passando por um processo de legalização. No Brasil, a Lei 8.974 de 1995,
estabelece normas para o uso das técnicas de engenharia genética e liberação no
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meio ambiente de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e o Decreto
1752/1995, criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), cuja
comissão tem elaborado instruções normativas analisando projetos de
experimentação. Em 2003, foi publicado o decreto de rotulagem (4680/2003) que
obrigou empresas da área da alimentação, produtores, e quem mais trabalha com
venda de alimentos, a identificarem, com um “T” preto, sobre um triângulo amarelo, o
alimento com mais de 1% de matéria-prima transgênica (GREENPEACE, 2012).
Cientistas de todo o mundo já estão desenvolvendo plantas biofortificadas,
geneticamente modificadas para possuir mais vitaminas, proteínas e outras
substâncias importantes para asaúde, como as que atuam na redução do risco de
doenças cardiovasculares, materno-infantis, gastrointestinais, oculares e até
diferentes tipos de câncer. Como exemplos de produtos transgênicos, podemos citar
morangos enriquecidos com vitamina C, óleos de canola e soja com mais gordura
monoinsaturada, que ajuda a reduzir o colesterol (LDL), batatas ricas em proteínas e
vitaminas, trigo com mais vitamina B9 (ácido fólico), que contribui para aumentar a
defesa imunológica do organismo, milho e soja com mais aminoácidos, que formam
as proteínas (CIB, 2009).
Um aspecto interessante a ser abordado em relação aos transgênicos, é a
questão da segurança alimentar. Nesse enfoque, destacam-se dois pontos
importantes: a toxidade e alergia. Alguns alimentos como leite, ovos, pescados,
crustáceos, trigo, nozes, soja e amendoim, possuem um potencial alergênico
natural. Dessa forma, a Organização Mundial de Saúde (OMS) desaconselha a
utilização de genes desses alimentos para experimentos com transgenia.
(FURTADO, 2003). Contudo, vale lembrar que a possibilidade de alimentos
transgênicos causar alergia é a mesma dos alimentos convencionais.
No mundo, em torno de 2% da população adulta (e 6-8% das crianças) é
alérgica a algum tipo de alimento e estudos indicam que mais de 160 alimentos
podem provocar reações alérgicas esporádicas (FURTADO, 2003).
Com a introdução dos alimentos geneticamente modificados na cadeia
alimentar de alguns países como os Estados Unidos e a Argentina, foi difundida
a idéia de que eles seriam mais propensos a provocar reações alérgicas nos
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consumidores. Muitos já devem ter ouvido o caso do milho geneticamente
modificado, aprovado para uso em ração animal, que teria sido inadvertidamente
misturado com milho para consumo humano. Tal “contaminação" teria
provocado reações alérgicas nos consumidores desta mistura de milho.
Entretanto, este e outros casos nunca foram cientificamente comprovados e,
assim, não passaram de boatos.
Também temos o exemplo do desenvolvimento de uma variedade de
soja geneticamente modificada, na qual foi inserido material genético
proveniente da castanha do Brasil (castanha-do-pará). Essa soja seria utilizada
na produção de ração animal, pois contém alto teor do aminoácido metionina,
normalmente adicionado a rações. Entretanto, devido ao fato de que tal material
genético provocasse reações alérgicas, o projeto foi interrompido. Muitos
projetos deste tipo são descartados logo no início, se for constatado que o
material genético a ser utilizado apresenta qualquer similaridade com
substâncias conhecidas por provocarem alergias ou por serem tóxicas.
Assim, um dos componentes do processo de avaliação de segurança
alimentar de um alimento geneticamente modificado consiste na avaliação de
sua alergenicidade, isto é, de seu potencial de causar alergias. Muitos estudos
são propostos para este fim.
O primeiro passo na avaliação de alergenicidade de um alimento
geneticamente modificado consiste na verificação da fonte do material genético,
pois esta pode ser alergênica (como no caso da castanha do Brasil,
anteriormente mencionado). Para isso, procura-se identificar qualquer identidade
e similaridade de composição e estrutura do material genético a ser utilizado,
com substâncias sabidamente alergênicas ou tóxicas. Depois, procede-se ao
teste de resistência à digestão com pepsina, uma enzima produzida no
estômago. Este teste é realizado, pois se sabe que substâncias que provocam
alergias, além de outras características, normalmente são mais resistentes à
digestão.
Dependendo do caso, recomendam-se testes com o soro do sangue de
pacientes hipersensibilizados a certos grupos de materiais que provocam
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alergias, testes cutâneos por punctura, testes com placebo e testes com
animais. Entretanto, é bom lembrar que muitas destas propostas referem-se a
métodos de análise que ainda se encontram em fase de desenvolvimento e
validação para alimentos transgênicos. Cabe também ressaltar que todas essas
análises nunca foram exigidas durante o desenvolvimento de novos alimentos
convencionais (como, por exemplo, grãos obtidos por melhoramento genético
convencional).
Até o momento, não se tem conhecimento de nenhum produto agrícola
ou alimento geneticamente modificado aprovado que tenha causado alergias.
Pode-se concluir que, pelo menos com relação às alergias alimentares, os
alimentos geneticamente modificados são até mais seguros do que alimentos
convencionais, pois passam por uma rigorosa avaliação de seu potencial
alergênico, que envolve muita pesquisa, estudos e análises laboratoriais.
Existe a recomendação de que todos os estudos conduzidos para a
avaliação de segurança de um alimento geneticamente modificado sejam
realizados em laboratórios acreditados em BPL (Boas Práticas de Laboratório).
Além disso, a metodologia utilizada deve ser validada, o que envolve ensaios
interlaboratoriais, quando os laboratoristas demonstram que têm competência
para realizar as análises propostas, dispondo da infra-estrutura para elas. Desta
forma, garante-se a qualidade e a credibilidade internacional dos dados obtidos,
que poderão então ser comparados com resultados obtidos em qualquer outro
laboratório credenciado que também esteja conduzindo a mesma análise.
Em 2011, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)
aprovou o plantio e a comercialização do primeiro alimento transgênico
totalmente produzido no país, o feijão 5.1 (Figura 44), resistente à principal praga
que ameaça a produção do grão, ou seja, o mosaico dourado que afeta o cultivo de
feijão na América do Sul e pode causar perdas de até 100% da colheita.
Segundo, a produtora do feijão 5.1, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de
Pesquisas Agropecuárias), o transgênico oferecerá muitas vantagens econômicas e
ambientais. Além de reduzir as perdas dos agricultores e garantir melhores
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colheitas, sua adoção permitirá diminuir o uso de inseticidas e outros produtos
químicos que ameaçam o meio ambiente e a saúde humana (EXAME.COM, 2012).
Figura 44. Feijão transgênico, denominado feijão 5.1, produzido pela EMBRAPA.
Fonte: EXAME.COM. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-
energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-
transgenico>. Acesso em: 06 ago. 2012.
Mais recentemente, a CTNBio aprovou a comercialização de um milho
geneticamente modificado da Monsanto, resistente a lagartas e tolerante ao
glifosato. Assim, o órgão eleva para 33 o número de sementes transgênicas
aprovadas para liberação comercial, sendo 18 de milho, cinco de soja, nove de
algodão e uma de feijão (SOUAGRO.COM.BR, 2012).
Ainda é muito forte o movimento em oposição a esses alimentos. Isso é uma
consequência natural da falta de informações verídicas sobre os seus efeitos
benéficos e maléficos. Existem aspectos positivos que fazem com que os
transgênicos sejam objeto de intensa especulação por parte dos cientistas,
empresários e políticos, porém, como foi visto, estamos ainda diante de um
processo de consolidação de uma nova tecnologia que pode produzir efeitos
adversos. Poucas pessoas sabem que, se bem utilizada, a engenharia genética tem
um enorme potencial para dar mais qualidade de vida às populações. No mundo em
que vivemos, com uma população desse porte, é impossível saciar a fome apenas
http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-transgenico
http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-transgenico
http://exame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/governo-aprova-producao-e-comercializacao-de-feijao-transgenico
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através da coleta de alimentos.Não se trata de tentar acabar com a fome através
dos transgênicos, mas, ver neles um elemento a mais nessa luta pela
sustentabilidade na tão complicada rede de relações da sociedade humana (ALVES,
2004).
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