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IMUNOLOGIA DE TRANSPLANTES 29/07/2022 O que é um transplante? O transplante é o processo de remoção de células, tecidos ou órgãos, chamados enxertos de um indivíduo e sua transferência para o mesmo indivíduo ou não. O que fornece o enxerto é chamado de doador e o que recebe é o receptor ou hospedeiro. → Auto-transplantes ou entre irmãos gêmeos idênticos ( transplante singênico) - não têm rejeição → Transplantes alogênicos possuem alta taxa de rejeição que é mediada por uma resposta imunológica ADAPTATIVA, ou seja uma resposta que envolve células B e T contra as moléculas de MHC I e II do doador não compatível ( glicoproteínas com peptídeos não próprios ). No experimento de enxerto de pele: O camundongo B recebeu o enxerto do camundongo A, o qual foi rejeitado em 10 a 14 dias ( rejeição de primeira fase) mostrando que foi uma resposta mais demorada . Tempos depois esse camundongo é submetido a outro transplante do mesmo doador levando a uma segunda rejeição mais rápida que a primeira, o que corrobora que o processo é mediado por células B e T já que há a geração de células de memória. O animal já havia sido sensibilizado. Tipos de transplantes → Transplante autogênico : O próprio paciente é o doador e também o receptor. Exemplos: medula óssea, sangue periférico, enxerto de pele. Não há rejeição → Transplante alogênico: doador e receptor não são geneticamente semelhantes. Pode acontecer entre irmãos, familiares ou pessoas sem laços familiares. Grande taxa de rejeição. Exemplo: medula óssea, sangue periférico e de cordão umbilical. → Transplante singênico: doador e receptor são geneticamente idênticos ( gêmeos idênticos). Não há rejeição. Exemplo: medula óssea e sangue periférico → Transplante xenogênico: doador e receptor são de espécies diferentes. Exemplo: transplante de células Nk de um humano para um camundongo ou transplante de coração de porco para ser humano. Tem grandes taxas de rejeição. MHC Mais especificamente, a proteína que vai mediar a rejeição de transplantes é o MHC I/ II → O MHC I está presente em todas as células nucleadas e é composto por 3 cadeias alfa estabilizadas por uma molécula de beta microglobulina. É codificado nos lócus HLA ABC do gene HLA presente no cromossomo 6. O MHC I reconhece antígenos protéicos externos incluindo tecidos e células transplantadas e os apresenta para linfócitos T CD8+. → O MHC II está presente nas células apresentadoras de antígeno e é composto por 2 cadeias alfa e 2 cadeias beta. É codificado nos locus HLA DR, DP E DQ do gene HLA no cromossomo 6. O MHC II possui um papel predominante na resposta imunitária inicial a antígenos de tecidos transplantados e ao entrarem em contato com antígenos não próprios ativam linfócitos TCD4+ que sofrem expansão clonal através da produção de citocinas reguladoras. Tipos de reconhecimento na rejeição imunológica à transplantes Células T podem reconhecer as moléculas alogênicas do MHC no enxerto exibidas por células dendríticas do doador no enxerto ou aloantígenos do enxerto podem ser processados e apresentados pelas células dendríticas do hospedeiro Muitos tecidos contêm células dendríticas, e quando os tecidos são transplantados, as células dendríticas são transportadas para os receptores de enxerto. No reconhecimento direto a célula dendrítica do DOADOR apresenta as moléculas alogênicas de MHC do DOADOR não processada aos linfócitos T do RECEPTOR. Esse tipo de reconhecimento estimula o desenvolvimento de células T CD4+ e CD8+ alorreativas que reconhecem e atacam as células do enxerto ( célula alvo que contém o MHC do doador). No reconhecimento direto ocorre especialmente a ativação de células TC8+ que reconhecem as moléculas de MHC da célula tecidual do enxerto e liberam grânulos citotóxicos como granzimas e perforinas que induzem a apoptose dessa célula alvo. As citocinas produzidas pelos linfócitos CD4+ alorreativos intensificam a resposta do linfócitos´T citotóxicos No reconhecimento indireto as moléculas alogênicas do MHC de células do enxerto são capturadas e processadas pelas células apresentadoras de antígeno do RECEPTOR, dessa forma os fragmentos peptídicos das moléculas alogênicas do MHC são apresentados por moléculas do MHC próprio do RECEPTOR aos linfócitos T CD4+ também do RECEPTOR estimulando o desenvolvimento de células T helper alorreativas. Essas células podem entrar no enxerto junto com as APC do receptor e ao reconhecer antígenos do enxerto exibidos pelas APC ( incluindo o peptidio do MHC alogênico) e secretam citocinas pró inflamatórias desencadeando uma reação inflamatória que lesam o enxerto. Elas podem ainda induzir a produção de anticorpos pelas células B do receptor (geralmente IgG) que irão mediar também a lesão do enxerto. As APC receptoras podem também processar e apresentar outras proteínas do enxerto, diferentes das moléculas alogênicas do MHC. A via direta é importante para aguda mediada por linfócitos T citotóxicos e a via indireta tem um papel maior na rejeição crônica. Base molecular para o reconhecimento direto das moléculas de MHC alogênicas O reconhecimento direto das moléculas de MHC alogênicas pode ser pensado como uma reação cruzada na qual uma célula T específica para um complexo MHC próprio-peptídeo estranho também pode reconhecer uma molécula de MHC alogênica. Os peptídeos que se ligam a moléculas de MHC no enxerto podem contribuir ou não para esse alorreconhecimento. Ativação de células T alorreativas Tipos de rejeição de tumores Rejeição hiperaguda ( é rara e pode ser evitada) → ocorre minutos após a anastomose (comunicação entre os vasos do receptor e do doador) devido à uma incompatibilidade do tipo sanguíneo, caracterizando uma hipersensibilidade do tipo III. A rejeição hiperaguda é mediada por anticorpos circulantes específicos para antígenos nas células endoteliais do enxerto, que estão presentes antes do transplante. Esses anticorpos pré-formados podem ser anticorpos IgM naturais específicos para antígenos de grupo sanguíneo que também são expressos no endotélio vascular ( enxerto ) , ou podem ser anticorpos específicos para antígenos HLA. Os anticorpos ativam o sistema complemento e de coagulação levando a um processo inflamatório local que lesa o endotélio e formação de trombos. É frequente na rejeição de xenotransplantes Rejeição aguda (principal) → ocorre dias ou semanas após o transplante devido a uma resposta imune ativa do receptor estimulada pelos aloantígenos no enxerto. É mediada por células T e anticorpos específicos contra as moléculas de MHC I e II incompatíveis. As células T CD8 + destroem diretamente as células do enxerto enquanto as células T CD4+ secretam citocinas e induzem a inflamação, com quimioatração de neutrófilos provocando a destruição do enxerto. As células T também reagem contra as células nos vasos do enxerto, levando ao dano vascular ( endotelite). Os anticorpos ativam células NK pelo mecanismo da CCDA e também a via clássica do SC intensificando a inflamação local, dano ao endotélio e podendo levar a formação de trombos. Rejeição crônica → forma indolente de lesão do enxerto que pode demorar meses ou anos .É mediada por células T, sobretudo T CD4+, as quais produzem citocinas de forma lenta e gradual ( TGF beta principalmente) em pequenas quantidades levando ao processo inflamatório crônico com intensa atividade fibroblástica e de células musculares lisas da camada íntima dos vasos do enxerto, culminando no aparecimento de fibrose e oclusão arteriolar que levam à perda progressiva da função do enxerto. Fármacos imunossupressores A base da prevenção e do tratamento da rejeição de transplante de órgãos é a imunossupressão, desenvolvida primeiramente para inibir a ativação de células T e funções efetoras CICLOSPORINA E TACROLIMO → agem bloqueando a produção de IL 2 reduzindo assim a proliferação e ativação de células T RAPAMICINA → diminuem a ação da IL 2 ANTICORPOS MONOCLONAIS → anti TCR que se ligam aos receptores dos linfócitos T impedindo o reconhecimento do aloantígeno e anti - IL - 2R quese ligam aos receptores de IL -2 dos linfócitos T impedindo sua ação. A grande desvantagem é que esses tratamentos imunossupressores não são específicos para os enxertos transplantados, podendo tornar o organismo do paciente imunodeficiente o que aumenta a suscetibilidade para infecções oportunistas causadas por fungos, vírus e bactérias além também de aumentar a chance de desenvolvimento de neoplasias malignas ( câncer) Existem alternativas... Tolerância oral → modulação da tolerância por células T reguladoras pela ingestão de poucas quantidades de um certo antígeno por muito tempo PORÉM, na maioria dos casos, os transplantes são muito rápidos porque eles são urgentes → o órgão doador não sobrevive tempo demais fora do corpo e o receptor tem urgência do órgão T reguladores → IL-2 → imunossupressão específica Transfusão sanguínea e os grupos de antígenos ABO E RH Os indivíduos que expressam um antígeno do grupo sanguíneo são tolerantes daquele antígeno, mas têm anticorpos contra os outros; os indivíduos do grupo O produzem ambos os anticorpos, anti-A e anti-B. Esses anticorpos são produzidos contra antígenos similares expressos pelos micorganismos intestinais e que reagem de forma cruzada com antígenos do grupo sanguíneo ABO. Os anticorpos pré-formados reagem contra células sanguíneas transfundidas que expressam seus antígenos-alvo, e o resultado pode ser uma reação transfusional grave. Esse problema é evitado pelo casamento do sangue de doadores e receptores, um procedimento padrão em medicina. Como os antígenos de grupos sanguíneos são açúcares, eles não ocasionam respostas das células T.