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HERMENÊUTICA I. INTRODUÇÃO Texto Base: 1Coríntios 12.10: a;llw| de. evnergh,mata duna,mewn( a;llw| Îde.Ð profhtei,a( a;llw| Îde.Ð diakri,seij pneuma,twn( e`te,rw| ge,nh glwssw/n( a;llw| de. e`rmhnei,a glwssw/n\, a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las.. Paulo usa a palavra “interpretá-la” que no grego bíblico é e`rmhnei,a (hermeneía) que significa: tradução, interpretação. Tradução: transpor de uma língua para a outra. Interpretação: Explicar ou esclarecer o sentido do texto, tornar claro, compreensível o texto. “Uma boa hermenêutica é aquela que tem uma boa tradução e uma boa interpretação”. “São muitas e variadas às razões que tornam necessário o fazer uma boa tradução, e é em conformidade com essas razões que se determinam os critérios para definir a sua qualidade. Estes critérios que não dependem de noções abstratas, nem genéricas, mas essencialmente da finalidade que tiver cada tradução”. Razão: faculdade de avaliar, julgar e ponderar ideias, faculdade de estabelecer relações lógicas. Agora esta faculdade obedece algumas normas (princípios estabelecidos). A “interpretação” também seguem alguns critérios. O termo "hermenêutica" deriva do grego e`rmhnei,a (hermeneía) cujo significado é "interpretação". A Hermenêutica Bíblica cuida da reta compreensão e interpretação das Escrituras. Consiste num conjunto de regras que permitem determinar o sentido literal da Palavra de Deus. É o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir o significado original que foi pretendido. É a tentativa de escutar a Palavra conforme os destinatários originais devem tê-la ouvido; descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia. A Escritura é explicada pela Escritura e pelo Santo Espírito. A Bíblia interpreta a própria Bíblia. Em resumo: A hermenêutica é a ciência que estabelece os princípios, leis e métodos de interpretação. Em sua abrangência trata da “teoria da interpretação de sinais, símbolos de uma cultura e leis”. A “hermenêutica” antecede a exegese, porque a exegese usa regras e métodos hermenêuticos em suas conclusões e investigações. Hermenêutica é a teoria e a exegese a prática. II. A NECESSIDADE DO ESTUDO O pecado obscureceu o entendimento do homem e exerce influência perniciosa em sua mente e torna necessário o esforço especial para evitar erros. 2Pedro 3.16: “ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles”. Aqui no texto Pedro usa a palavra grega para “deturpar” é “streblo,w” significa “distorcer, deformar, alterar, desfigurar”. A aplicação e a conservação do caráter teológico da hermenêutica estão vinculadas ao recolhimento do princípio da inspiração divina da Bíblia Sagrada. 1 - O próprio Pedro admitiu que há textos difíceis de entender: "os quais os indoutos e inconstantes torcem para sua própria perdição" (2Pedro 3.15 e 16). 2 - A arma principal do soldado cristão é a Escritura, e se desconhece o seu valor ou ignora o seu legítimo uso, que soldado será? (2Timóteo 2.15). 3 - As circunstâncias variadas que concorreram na produção do maravilhoso livro exigem do expositor que o seu estudo seja meticuloso, cuidadoso e sempre científico, conforme os princípios hermenêuticos. Atos 8.30-31: “E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me explica (ensina)?”. O etíope estava lendo o profeta Isaias, não estava compreendendo o que estava lendo, necessitava de alguém que soubesse compreender e que lhe ensinasse. E Filipe faz uma indagação, perguntando se ele estava entendendo o que estava lendo e etíope responde no v.31: “Como poderei entender, se alguém não me explicar?” Lucas usa a palavra “ginw,skeij“ cuja raiz vem de “ginw,skw“ A palavra “ginw,skw“ significa: 1. Aprender: através da experiência e através de ensinamento. Todo aprendizado é um processo, não se aprende de um dia para o outro. 2. Perceber: adquirir conhecimento através dos sentidos. Ver bem. 3. Avaliar: determinar o valor de cada sentido. 4. Entender. Ter ideia claro sobre o assunto. O etíope diz que não tinha ninguém que lhe ensinasse. Lucas usa a palavra grega “o`dhge,w” que significa: Ensinar, explicar, instruir “transmitir conhecimento”. III. A NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA 1. O conflito hermenêutico: O mundo de lá e o mundo de cá, isto gera um desafio que o estudante da bíblia deve entender como tal, desde que esteja disposto a desgastar-se na descoberta da mensagem de Deus no texto. 2. As diversas dificuldades que o texto bíblico apresenta: língua, tempo, história, sociedade, estilos de vidas, estilos culturais, gêneros literários, etc, 3. Diversidade na literatura bíblica: poesias, estórias, parábolas, apocalíptica, epístolas,etc. 4. A própria história da Igreja. 2.000 anos de interpretação bíblica 5. A complexidade das Escrituras - João 3.16 vs. 1aPe:3:18-22 6. É uma motivação e prática bíblica: Neemias 8.8, Atos 8.26-31a; 2Pedro 3.15. IV. O VALOR DA HERMENÊUTICA 1. Aproxima-nos do texto e do seu sentido e significados corretos 2. Fortalece a nossa convicção na pessoa de Deus- Deus revelou a eternidade 3. Enaltece a Soberania de Deus que preservou a escrita até hoje 4. Coloca-nos na linha da história da igreja 5. Traz equilíbrio entre o conteúdo (revelação) e comportamento (ética, exigência) 6. Confirmação da credibilidade da revelação. 7. Auxilia-nos para determinar o permanente e o temporário 8. Base “cientifica” a vida devocional. 9. Válida a encarnação do Filho de Deus. O texto inserido na história e cultura de um povo. “teologia da terra” 10. Evita o desvio (sensus plenior) Em exegese bíblica, a expressão “sensus plenior” (do latim "sentido mais pleno") é usada para descrever o "um sentido mais profundo do texto, desejado por Deus, mas não claramente pelo autor humano". 11. Descobre-se a unidade da revelação V. A DIVISÃO DA HERMENÊUTICA A divisão da hermenêutica é reconhecida como geral e específica. 5.1. Hermenêutica Geral: interpreta o texto sistemático inteiro incluindo tópicos das analises históricos, cultural, léxico-sintético-contextual e teológico. 5.2. Hermenêutica Específica: estuda as regras se aplicam a géneros específicos, isto é, se aplica a determinados tipos de produção literais tais como: Leis, histórias, profecias, poesias, etc. e que será tratada neste estudo por estar dentro do campo de aplicação a literatura sacra - A BÍBLIA como inspirada Palavra de Deus. (2Timóteo 3.16) A hermenêutica não se encontra isolada de outros campos de estudo da bíblia tal como o estudo do cânone crítica textual, crítica histórica exige teologia bíblica e teologia sistemática. 5.3. Crítica textual: A crítica textual é também chamada de baixa crítica ou crítica documental - estuda os textos antigos e a sua preservação (ou corrupção) ao longo do tempo, visando reconstituí-los com base na documentação disponível, enquanto a alta crítica tem como foco não só a recuperação do texto em si, mas também outros aspectos, tais como a autoria e o contexto da obra. Alta crítica é o nome dado aos estudos críticos da Bíblia. 5.4. Critica histórica: Crítica histórica ou método histórico também chamado de método crítico, compreende duas operações a saber: análise e síntese. A Análise compreende, por sua vez, quatro operações: a heurística, as críticas interna e externa, e a hermenêutica. Heurística, é a operação pela qual se procede a recolha das fontes de informação necessárias à análise histórica. Crítica, onde se avalia a validade ou não das versões contraditórias. É o mais complexo. Heródoto neste campo estudam a autoria de um livro, data da sua composição, circunstância histórica que cerca a sua composição antencidade do seu conteúdo e sua unidade literária.Exige-se: é a aplicação dos princípios de hermenêutica para chegar-se a um entendimento correto do texto em vez de ler. 5.5. Teologia bíblica: é o estudo da revelação divina do antigo e novo testamento. 5.6. Teologia sistemática: organiza os dados bíblicos de uma maneira lógica antes que a história tenta reunir toda informação sobre determinado tópico, temática, textual, exposição. VI. MÉTODOS DA HERMENÊUTICA Método é a maneira ordenada de fazer alguma coisa. É um procedimento seguido passo a passo com o objetivo de alcançar um resultado. Durante séculos os eruditos religiosos procuraram todos os métodos possíveis para desvendar os tesouros da Bíblia e arquitetar meios de descobrir os seus segredos. 6.1. Método Analítico É o método utilizado nos estudos pormenorizados com anotações de detalhes, por insignificantes que pareçam com a finalidade de descrevê-los e estudá-los em todas as suas formas. Os passos básicos deste método são: 6.1.1. Observação – É o passo que nos leva a extrair do texto o que realmente descreve os fatos, levando também em conta a importância das declarações e o contexto; 6.1.2. Interpretação – É o passo que nos leva a buscar a explicação e o significado (tanto para o autor quanto para o leitor) para entender a mensagem central do texto lido. A interpretação deverá ser conduzida dentro do contexto textual e histórico com oração e dependência total do Espírito Santo, analisando o significado das palavras e frases chaves, avaliando os fatos, investigando os pontos difíceis ou incertos, resumindo a mensagem do autor a seus leitores originais e fazer a contextualização (trazer a mensagem a nossa época ou ao nosso contexto); 6.1.3. Correlação – É o passo que nos leva a comparar narrativas ou mensagem de um fato escrito por vários autores, em épocas distintas em que cada um narra o fato, em ângulos não coincidentes como por exemplo a mesma narrativa descrita em Mc 10.46 e Lc 18.35, onde o primeiro descreve "saindo de Jericó" e o segundo "chegando em Jericó"; 6.1.4. Aplicação – É o passo que nos leva a buscar mudanças de atitudes e de ações em função da verdade descoberta. É a resposta através da ação prática daquilo que se aprendeu. Um exemplo de aplicação é o de pedir perdão e reconciliar-se com alguém ou mesmo o de adoração à Deus. 6.2. Método Sintético. É o método utilizado nos estudos que abordam cada livro como uma unidade inteira e procura o seu sentido como um todo, de forma global. Neste caso determina-se as ênfases principais do livro ou seja, as palavras repetidas em todo o livro, mesmo em sinônimo e com isto a palavra-chave desenvolve o tema do livro estudado. Outra maneira de determinar a ênfase ou característica de um livro é observar o espaço dedicado a certo assunto. Como por exemplo, o capítulo 11 da Epístola aos Hebreus enfatiza a fé e em todos os demais capítulos ela enfatiza a palavra SUPERIOR. (De acordo com a versão Almeida Revista e Atualizada – ARA). SUPERIOR: a) Aos anjos – 1.4; f) Ao sacrifício – 9.23; l) Ao sacerdócio – 5 a 7; b) A aliança – 7.22; g) Ao patrimônio – 10.34; c) A bênção – 7.7.; h) A ressurreição – 11.35; d) A esperança – 7.19; i) A pátria – 11.16; e) A promessa – 8.6; j) A Moisés – 3.1 a 4; 6.3. Método Temático É o método utilizado para estudar um livro com um assunto específico, ou seja, no estudo do livro terá um tema específico definido. Como exemplo temos a FÉ: a) Salvadora – Ef. 2.8; d) Grande – Mt 15.21 a 28; b) Comum – Tt 1.4; Jd 3; e) Vencedora – I Jo 5.4; c) Pequena – Mt 14.28 a 31; f) Crescente – II Ts 1.3. 6.4. Método Biográfico de Estudo da Bíblia Esta espécie de estudo bíblico é divertida, pois você tem a oportunidade de sondar o caráter das pessoas que o Espírito Santo colocou na Bíblia, e de aprender de suas vidas. Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse: "Estas cousas lhes sobrevieram como exemplo, e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado." (1Coríntios 10.11) Sobre alguns personagens bíblicos muito foi escrito. Quando você estuda pessoas como Jesus, Abraão e Moisés, pode precisar restringir o estudo a áreas como, "A vida de Jesus como nos é revelada no Evangelho de João", "Moisés durante o Êxodo", ou "Que diz o Novo Testamento sobre Abraão". Lute sempre para manter os seus estudos bíblicos em tamanho manejável. 6.4.1. Estudo Biográfico Básico. PASSO UM – Escolha a pessoa que você quer estudar e estabeleça os limites do estudo (por exemplo, "Vida de Davi, antes de tornar-se rei"). Usando uma concordância ou um índice enciclopédico, localize as referências que têm relação com a pessoa do estudo. Leia-as várias vezes e faça resumo de cada uma delas. 1. Observações - Anote todo e qualquer pormenor que notar sobre essa pessoa. Quem era? O que fazia? Onde morava? Quando viveu? Por que fez o que fez? Como levou a efeito? Anote minúcias sobre ela e seu caráter. 2. Dificuldades - Escreva o que você não entende acerca dessa pessoa e de acontecimentos de sua vida. 3. Aplicações possíveis - Anote várias destas durante o transcurso do seu estudo, e escreva um "A" na margem. Ao concluir o seu estudo, você voltará a estas aplicações possíveis e escolherá aquela que o Espírito Santo destacar. PASSO DOIS – Com divisão em parágrafos, escreva um breve esboço da vida da pessoa. Inclua os acontecimentos e características importantes, declarando os fatos, sem interpretação. Quando possível, mantenha o material em ordem cronológica. 4.2. Estudo Biográfico Avançado. Os seguintes passos podem ser acrescentados quando você achar que o ajudarão em seus estudos biográficos. São facultativos e só devem ser incluídos progressivamente, à medida que você ganhe confiança e prática. Trace o fundo histórico da pessoa. Use um dicionário bíblico para ampliar este passo somente quando necessário. As seguintes perguntas haverão de estimular o seu pensamento. 1. Quando viveu a pessoa? Quais eram as condições políticas, sociais, religiosas e econômicas da sua época? 2. Onde a pessoa nasceu? Quem foram seus pais? Houve alguma coisa de incomum em torno do seu nascimento e da sua infância? 3. Qual a sua vocação? Era mestre, agricultor, ou tinha alguma outra ocupação? Isto influenciou o seu ministério posterior? Como? 4. Quem foi seu cônjuge? Tiveram filhos? Como eram eles? Ajudaram ou estorvaram a sua vida e o seu ministério? 5. Faça um gráfico das viagens da pessoa. Aonde ela foi? Por que? Que fez? 6. Como a pessoa morreu? Houve alguma coisa extraordinária em sua vida? 6.5. Método de Estudo Indutivo. a) O método indutivo se baseia na convicção de que o Espírito Santo ilumina a quem examina as escrituras com sinceridade, e que a maior parte da Bíblia não é tão complicada que quem saiba ler não possa entendê-la. Os Judeus da Bereia foram elogiados por examinarem cada dia as escrituras "se estas coisas eram assim". (At 17.10,11) b) É óbvio que obras literárias tem "partes" que se formam no "todo". Existe uma ordem crescente de partes, de unidades simples e complexas, até se formarem na obra completa. c) A unidade literária menor, que o Estudo Bíblico Indutivo (EBI) emprega, é a palavra. Organizam-se palavras em frases, frases em períodos, períodos em parágrafos, parágrafos em seções, seções em divisões, e por fim, a obra completa. PALAVRA – Unidade menor; FRASES – Reunião de palavras que formam um sentido completo; PERÍODO – Reunião de frases ou orações que formam sentido completo; PARÁGRAFOS – Um discurso ou capítulo que forma sentido completo, e que usualmente se inicia com mudança de linha. SEÇÃO – Parte de um todo, divisão ou subdivisão de uma obra, tratado, estudo. VII. EXEGESE Exegese é o estudo cuidadoso e sistemático de um texto para comentários, visando o esclarecimento ou interpretação do mesmo. É o estudo objetivando subsidiar o passo da interpretação do método analítico da hermenêutica. Este estudo é desenvolvido sob as indagações de um contexto histórico e literário. 1. Pré-requisitos para uma boa exegese. a) Tenha uma vida afinada com o Espírito Santo, pois Ele é o melhor interpreteda Bíblia – (Jo 16.13; 14.26; I Cor 2.9 e 10; I Jo 2.20 e 27); b) Vá você mesmo diretamente ao texto não permitindo que alguém pense por você, evitando assim a dependência de outra pessoa para que você desenvolva ao máximo o seu potencial próprio. c) Procure o significado de cada palavra dentro do seu contexto. Deve ser tomado conforme o sentido da frase nas Escrituras, porque as palavras variam muito em suas significações. 2. Aplicação da exegese. A aplicação da exegese é realizada a partir das indagações básicas sobre o contexto e o conteúdo do texto em exame. a) Texto – O capítulo, parágrafo ou porção bíblica que encerra uma idéia completa, que se pretende estudar. Ex.: Mateus 5.1-12; I Coríntios 11.1-3; João 14,6, etc. b) Contexto – A parte que antecede o texto e a parte que é precedida pelo texto. Ex.: Texto João 14.6, Contexto Gênesis 1.1 a João 14.5 e João 14.7 a Apocalipse 22.21. Obs.: As vezes tomando-se o contexto próximo do texto, é o suficiente para uma interpretação correta. Outras vezes será necessário lançar mão do capítulo inteiro, ou do livro inteiro, ou ainda da Bíblia toda. VIII. REGRAS FUNDAMENTAIS DE INTERPRETAÇÃO Não devemos nos esquecer que a primeira pessoa a interpretar as Escrituras, de forma distorcida, foi o diabo. Ele deu à palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astutamente a verdade. (Gn 3.1). Os seus imitadores, conscientes e inconscientes, têm perpetuado este procedimento enganando à humanidade com falsas interpretações das Escrituras Sagradas. A maior de todas as regras é: A ESCRITURA É EXPLICADA PELA PRÓPRIA ESCRITURA, ou seja, A BÍBLIA, SUA PRÓPRIA INTERPRETE. 1. Primeira Regra – É preciso, o quanto seja possível, tomar as palavras em seu sentido usual e comum. Porém, tenha-se sempre presente a verdade de que o sentido usual e comum não equivale sempre ao sentido literal. Exemplo: Gênesis 6.12 = A palavra CARNE (no sentido usual e comum significa pessoa) A palavra CARNE (no sentido literal significa tecido muscular) 2. Segunda Regra – É de todo necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase. Exemplos: a) FÉ em Gálatas 1.23 = significa crença, ou seja, doutrina do Evangelho. FÉ em Romanos 14.23 = significa convicção. b) GRAÇA em Efésios 2.8 = significa misericórdia, bondade de Deus. GRAÇA em Atos 14.3 = significa pregação do Evangelho. c) CARNE em Efésios 2.3 = significa desejos sensuais. CARNE em 1Timóteo 3.16 = significa forma humana. CARNE em Gênesis 6.12 = significa pessoas. 3. Terceira Regra – É necessário tomar as palavras no sentido indicado no contexto, a saber, os versículos que estão antes e os que estão depois do texto que se está estudando. No contexto achamos expressões, versículos ou exemplos que nos esclarecem e definem o significado da palavra obscura no texto que estamos estudando. 4. Quarta Regra – É preciso levar em consideração o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras. O objetivo ou desígnio de um livro ou passagem se adquire, sobretudo, lendo-o e estudando-o com atenção e repetidas vezes, tendo em conta em que ocasião e a quais pessoas originalmente foi escrito. Alguns livros da Bíblia já trazem estas informações. Ex.: Provérbios 1.1-4. 5. Quinta Regra – É necessário consultar as passagens paralelas, "explicando cousas espirituais pelas espirituais". (1Coríntios 2.13) Passagens paralelas são as que fazem referência uma à outra, que tem entre si alguma relação, ou tratam de um modo ou outro de um mesmo assunto. Existe paralelos de palavras, paralelos de ideias e paralelos de ensinos gerais. a) Paralelos de palavras – Quando lemos um texto e encontramos nele uma palavra duvidosa, recorremos a outro texto que contenha palavra idêntica e assim, entendemos o seu significado. Ex.: "Trago no corpo as marcas de Jesus." (Gálatas 6.17). Fica mais fácil o seu entendimento quando lemos a passagem paralela: "Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus (I Cor. 4.10). b) Paralelos de Ideias – Para conseguir idéia completa e exata do que ensina determinado texto, talvez obscuro ou discutível, consulta-se não somente as palavras paralelas, mas os ensinos, as narrativas e fatos contidos em textos ou passagens que se relacionem com o dito texto obscuro ou discutível. Tais textos ou passagens chamam-se paralelos de ideias. Ex.: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja". (Mt 16.16) Quem é esta pedra? Se pegarmos em I Pd 2.4, a idéia paralela: "E, chegando-vos para ele, (Jesus) pedra viva..." entenderemos que a pedra é Cristo. Outro exemplo: Em Gálatas 6.15, o que é de valor para Cristo é a nova criatura. Que significa esta expressão figurada? Consultando o paralelo de 2 Cor. 5.17, verificamos que a nova criatura é a pessoa que "esta em Cristo", para a qual "as cousas antigas passaram", e "se fizeram novas". c) Paralelos de ensinos gerais – Para a correta interpretação de determinadas passagens não são suficientes os paralelos de palavras e de ideias, é preciso recorrer ao teor geral, ou seja, aos ensinos gerais das Escrituras. Exemplos: - O ensino de que "o homem é justificado pela fé sem as obras da lei", só será bem compreendido, com a ajuda dos ensinos gerais na Bíblia toda. - Segundo o teor ou ensino geral das Escrituras, Deus é um espírito onipotente, puríssimo, santíssimo, conhecedor de todas as cousas e em todas as partes presente. Porém há textos que, aparentemente, nos apresentam um Deus como o ser humano, limitando-o a tempo ou lugar, diminuindo em algum sentido sua pureza ou santidade, seu poder ou sabedoria; tais textos devem ser interpretados à luz dos ensinos gerais das Escrituras. IX – FIGURAS DE RETÓRICA Exporemos em seguida uma série de figuras com seus correspondentes exemplos, que precisam ser estudados detidamente e repetidas vezes. 9.1. Metáfora. Esta figura tem por base alguma semelhança entre dois objetos ou fatos, caracterizando-se um com o que é próprio do outro. Exemplo: Ao dizer Jesus: "Eu Sou a Videira Verdadeira", Jesus se caracterizou com o que é próprio e essencial da videira (pé de uva); e ao dizer aos discípulos: "Vós sois as varas", caracterizou-os com o que é próprio das varas. Outros exemplos: "Eu Sou o Caminho", "Eu Sou o Pão Vivo", "Judá é Leãozinho", "Tu és minha Rocha", etc. 9.2. Sinédoque. Faz-se uso desta figura quando se toma a parte pelo todo ou o todo pela parte, o plural pelo singular, o gênero pela espécie, ou vice-versa. Exemplos: Toma a parte pelo todo: "Minha carne repousará segura", em vez de dizer: meu corpo. (Sl 16.9) Toma o todo pela parte: "...beberdes o cálice", em lugar de dizer: do cálice, ou seja, parte do que há no cálice. 9.3. Metonímia. Emprega-se esta figura quando se emprega a causa pelo efeito, ou o sinal ou símbolo pela realidade que indica o símbolo. Exemplos: Jesus emprega a causa pelo efeito: "Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos", em lugar de dizer que têm os escritos de Moisés e dos profetas. (Lc 16.29) Jesus emprega o símbolo pela realidade que o mesmo indica: "Se eu não te lavar, não tem parte comigo." Lavar é o símbolo da regeneração. 9.4. Prosopopéia. Esta figura é usada quando se personificam as cousas inanimadas, atribuindo-se-lhes os feitos e ações das pessoas. Exemplos: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão?" (I Cor 15.55) Paulo trata a morte como se fosse uma pessoa. "Os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas." (Is 55.12) "Encontraram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram. Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar." (Sl 85.10,11) 9.5. Ironia. Faz-se uso desta figura quando se expressa o contrário do que se quer dizer, porém sempre de tal modo que se faz ressaltar o sentido verdadeiro. Exemplo: "Clamai em altas vozes... e despertará." Elias dá a entender que chamar por Baal é completamente inútil. (1 Rs 18.27) 9.6. Hipérbole. É a figura pela qual se representa uma cousa como muito maior ou menor do que em realidade é, para apresentá-la viva à imaginação. É um exagero. Exemplos: "Vimos aligigantes... e éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos... as cidades são grandes e fortificadas até aos céus." (Num. 13.33) "Nem no mundo inteiro caberiam os livros que seria, escritos". (Jo. 21.25) "Rios de águas correm dos meus olhos, porque não guardam a tua lei". (Sl 119.136) 9.7. Alegoria. É uma figura retórica que geralmente consta de várias metáforas unidas, representando cada uma delas realidades correspondentes. Exemplo: "Eu Sou o Pão Vivo que desceu do céu, se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo, é a minha carne... Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna", etc. Esta alegoria tem sua interpretação nesta mesma passagem das Escrituras. (Jo 6.51-65) 9.8. Fábula. É uma alegoria histórica, na qual um fato ou alguma circunstância se expõe em forma de narração mediante a personificação de cousas ou de animais. Exemplo: "O cardo que está no Líbano, mandou dizer ao cedro que lá está: Dá tua filha por mulher a meu filho; mas os animais do campo, que estavam no Líbano, passaram e pisaram o cardo." (2 Rs 14.9) Com esta fábula Jeoás, rei de Israel, responde a proposta de guerra feita por Amazias, rei de Judá. 9.9. Enigma. Exemplo: "Do comedor saiu comida e do forte saiu doçura." (Jz 14.14) 9.10. Tipo. Exemplos: A serpente de metal levantada no deserto foi mencionada por Jesus como um tipo para representar sua morte na cruz. (Jo 3.14) Jonas no ventre do grande peixe, foi usado como tipo por Jesus para representar a sua morte e ressurreição. (Mt 12.40) O primeiro Adão é um tipo para Cristo o último Adão. (I Cor 15.45) 9.11. Símbolo. Representa alguma cousa ou algum fato por meio de outra cousa ou fato familiar que se considera a propósito para servir de semelhança ou representação. Exemplos: Representa-se: A majestade pelo leão, a força pelo cavalo, a astúcia pela serpente, o corpo de Cristo pelo pão, o sangue de Cristo pelo cálice, etc. 9.12. Parábola. Apresentada sob a forma de narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre com o objetivo de ilustrar uma ou várias verdades importantes. Exemplos: O Semeador (Mt 13.3-8); Ovelha perdida, dracma perdida e filho pródigo (Lc. 15), etc. 9.13. Símile. Procede da palavra latina "similis" que significa semelhante ou parecido a outro. É uma analogia. Comparação de cousas semelhantes. Exemplos: "Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim (do mesmo modo) é grande a sua misericórdia para com os que o temem". (Sl 103.11); "Como o pai se compadece de seus filhos, assim (do mesmo modo) o Senhor se compadece dos que o temem". (Sl 103.13) 9.14. Interrogação. Somente quando a pergunta encerra uma conclusão evidente é que é uma figura literária. "Interrogação é uma figura pela qual o orador se dirige ao seu interlocutor, ou adversário, ou ao público, em tom de pergunta, sabendo de antemão que ninguém vai responder." Exemplos: "Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (Gn 18.25) "Não são todos eles espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?" (Hb 1.14) "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?" (Rm 8.33) "Com um beijo trais o Filho do homem?" (Lc 22.48) 9.15. Apóstrofe. O vocábulo indica que o orador se volve de seus ouvintes imediatos para dirigir-se a uma pessoa ou cousa ausente ou imaginária. Exemplos: "Ah, Espada do Senhor, até quando deixarás de repousar?" (Jr 47.6) "Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão!" (2 Sm 18.33). 9.16. Antítese. "Inclusão, na mesma frase, de duas palavras, ou dois pensamentos, que fazem contraste um com o outro." Exemplos: "Vê que proponho hoje a vida e o bem, a morte e o mal." (Dt 30.15) "Entrai pela porta estreita (larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz a perdição e são muitos os que entram por ela) porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela." (Mt 7.13,14) 9.17. Provérbio. Trata-se de um ditado comum. Exemplos: "Médico cura-te a ti mesmo" (Lc 4.23); "Nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra." (Mt 6.4; Mt 13.57) 9.18. Paradoxo. Denomina-se paradoxo a uma preposição ou declaração oposta à opinião comum. Exemplos: "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos". (Mt 8.22) "Coais o mosquito e engolis o camelo". (Mt 23.24) " Porque quando sou fraco, então é que sou forte". (2 Cor 12.10) X. DISPOSIÇÕES NECESSÁRIAS PARA O ESTUDO DAS ESCRITURAS Assim como para apreciar devidamente a poesia se necessita possuir um sentido especial para o belo e poético, e para o estudo da filosofia é necessário um espírito filosófico, assim é da maior importância uma disposição especial para o estudo proveitoso da Sagrada Escritura. 1. Necessita-se de um espírito respeitoso: Um filho que não respeita, que caso fará dos conselhos, avisos e palavras de seu pai? A Bíblia é a revelação do Onipotente. "O homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito, e que treme da minha palavra." (Is 66.2) 2. Necessita-se de um espírito dócil: Isto significa ausência de obstinação e teimosia diante da revelação divina. É preciso receber a Palavra de Deus com mansidão. (Tg 1.21) 3. Necessita-se de um espírito amante da verdade: Um coração desejoso de conhecer a verdade (Jo 3.19-21) 4. Necessita-se de um espírito paciente: Como o garimpeiro que cava e revolve a terra, buscando com diligência o metal precioso, da mesma maneira o estudioso das Escrituras deve pacientemente, buscar as revelações que Deus propôs e que em algumas partes é bastante profunda e de difícil interpretação. 5. Necessita-se de um espírito prudente: Iniciando a leitura pelo mais simples e prosseguir para o mais difícil. "Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus... e ser-lhe-á concedida." (Tg 1.5) fica à base do planejamento da organização econômica e espacial da reprodução social. XI. ASPECTOS GERAIS DA HERMENÊUTICA BÍBLICA 1 - É necessário tomar as palavras no sentido que indica o contexto, isto é, os versos que precedem e seguem o texto que se estuda. Consulte o texto imediato e remoto. 2 – Vocabulário do escritor - Enquanto for possível, é necessário tomar as palavras no seu sentido usual e ordinário. É absolutamente necessário tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase. Comente: Estamos debaixo da lei. (I João 1:4) 3 – O intuito do escritor - É preciso tomar em consideração o desígnio ou objetivo do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras. Esta regra tem importância especial quando se trata de determinar se as palavras devem ser tomadas em sentido literal ou figurado. Para não incorrer em erros, convém, também, deixar-se guiar pelo pensamento do escritor, e tomar as palavras no sentido que o conjunto do versículo indica. Exemplos: · Apóstolo João no fim do seu evangelho (20:30-31) · Lucas no começo de seu evangelho (1:1-4) · Dedução ( Rom. 1:1-7; Gal 1:6-7; I Tim 1:3-4 ) · Chaves ( Num 1:1 - No deserto ) 4 – Paralelismo e correlação - É indispensável consultar as passagens paralelas explicando as coisas espirituais pelas espirituais (I Cor 2:13). · Verbais passagens que ocorrem as mesmas palavras. · Reais – se trata do mesmo assunto ou se expõe a mesma doutrina. (evangelhos) XII. BREVE HISTÓRICO O método crítico histórico de investigação bíblica, que surgiu no século XIX, salienta a necessidade de compreendermos o que os próprios autores bíblicos entendiam com aquilo que diziam, considerando-se a posição deles dentro da história. Esse método de investigação salienta que eles viveram em uma época em que a ciência era deficiente e muito limitada; que eles viviam herdando idéias primitivas sobre a natureza; seus pontos de vista sobre Deus eram bastante antropomórficos; que eles tinham pouca noção sobre crítica textual, e que, virtualmente, desconheciam totalmente a arqueologia. Assim, cresceu a ênfase acerca do descobrimento do que esses autores sagrados tinham querido ensinar, e uma preocupação menor com o conteúdo das VERDADES que eles ensinavam. Aos teólogosdogmáticos foi entregue a tarefa de investigar esse conteúdo. A NOVA HERMENÊUTICA A renovação do interesse pela hermenêutica bíblica tem sido estimulada por teólogos existencialistas, como Rudolf Bultmann e seus seguidores. Nomes associados a isso são Gerhard Ebelin, Ernest Fuchs e Martin Heidegger. Esses homens seguiam as idéias de Bultmann, embora as tivesse levado a extremos que ele não teria aprovado. Heidegger enfatizava a importância da linguagem como algo anterior à humanidade, como um poder que teria moldado a compreensão dos homens. A própria existência humana seria definida linguisticamente; e, através da linguagem, chegaríamos a entender o ser humano. A existência humana torna-se autêntica quando tem permissão de desempenhar o seu papel; e então chegamos a uma compreensão apropriada da mensagem que ela tenta comunicar. Isso posto, a linguagem seria Hermes, o mensageiro dos deuses. Por meio da ciência da hermenêutica, procuramos recapturar os eventos proferidos pelos profetas, extraindo dali o sentido que convém. Isso envolve mais do que entender o que um profeta qualquer tem a dizer, no contexto de sua própria época. Antes, devemos procurar penetrar no seu sentido, naquilo que significa hoje em dia, pois a verdade reveste-se de uma universalidade que é comunicada por meio da linguagem. Jesus proferiu palavras imortais, aplicáveis em qualquer época. Não precisamos nos preocupar com toda a forma de questão cultural e histórica, a fim de entender a mensagem universal da alma, mas precisamos entrar na linguagem do coração, para que tenhamos uma perfeita compreensão das coisas. E também há uma linguagem da fé, que devemos esforçar-nos por entender. Verdadeiramente, parece que esses filósofos-teólogos acreditam que a linguagem reveste-se de alma qualidade mística, dotada de tesouros ocultos. A demitização pode ser uma tarefa infrutífera. A verdadeira hermenêutica tem a tarefa de compreender de que modo o Evangelho de Cristo aplica-se ao homem moderno. Há nisso uma fé de que o evangelho, verdadeiramente, dirige aos homens uma mensagem universal, mensagem essa que pode ser determinada. A nova hermenêutica não ignora a erudição histórica e crítica os eruditos do século XIX. Porém, apronta para uma tarefa idêntica à do pregador. Há uma mensagem a ser comunicada que é mais importante do que o manuseio crítico de um texto qualquer. A erudição, quando muito, leva-nos somente ao limiar da interpretação. A partir desse ponto, o Espírito, que fala através da linguagem, deve receber a permissão de levar-nos a profundezas maiores. A mensagem pode ficar aprisionada em um texto; e precisa ser liberada. A tarefa da hermenêutica e da pregação, portanto, é a libertação. Uma vez liberada, a mensagem pode nos transformar. Dentro dessa interpretação, encontramos o casamento entre a interpretação e o dogma; e o dogma torna-se uma verdade viva que nos transforma, não se limitando a ser apenas uma criança credal. A erudição histórico-crítica, pois, torna-se uma serva da hermenêutica, e não a própria substância da mesma. AUXÍLIOS EXTERNOS A época e a cultura do autor e dos seus leitores: fatores geográficos, topográficos e políticos, a ocasião da produção do livro. A questão mais importante do contexto histórico tem a ver com a ocasião e o propósito de cada livro. II.1 INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA E GEOGRÁFICA: O interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência. É necessário conhecer as maneiras, costumes, e psicologia do povo no meio do qual o escrito é produzido. A psicologia de uma pessoa inclui suas idéias de cronologia, seus métodos de registrar a história, seus usos de figura de linguagem e os tipos de literatura que usa para expressar seus pensamentos. Condições Geográficas e Meteorológicas. Os povos antigos viviam limitados por sua geografia local, pelo clima em que viviam e pela fertilidade das terras que ocupavam. O temor da fome, entre outras coisas, produziu a adoração às forças da natureza, o sacrifício de crianças a certos deuses, cujos favores buscavam, além de outras coisas desse jaez. Para os cananeus, Baal era o deus da chuva, que cuidaria das terras e as tornaria férteis. Os poderes do relâmpago e do trovão, além de outras forças naturais, não eram entendidos. Esses poderes eram atribuídos a seres divinos, bons ou maus. Isso originou todo o desenvolvimento de uma teologia primitiva, completa com deuses de todas as espécies, que controlariam todas as facetas das atividades humanas. Precisamos saber algo sobre os próprios hebreus, além de entender porque acreditavam em certas coisas e faziam certas coisas. Ao estudarmos a história de um povo qualquer, temos de compreender o meio ambiente em que eles viviam, bem como toda a sua formação Visto que a Bíblia é um documento histórico e a igreja é um movimento histórico, a exegese histórica é importante tanto para compreender a mensagem bíblica como para determinar seu significado na atualidade. Questões de data, autoria, antecedentes e circunstâncias são essenciais à tarefa de preparar sermões bíblicos. Quanto mais conhecermos as condições político-religiosas e socio-econômicas sob as quais foi escrito certo documento, tanto melhor poderemos compreender a mensagem do autor e aplicá-la de acordo com isso." II.2. O CONTEXTO LITERÁRIO: As palavras somente fazem sentido dentro das frases, e estas em relação às frases anteriores e posteriores. Devemos procurar descobrir a linha de pensamento do autor. O que o autor está dizendo e por que o diz exatamente aqui? Reconhecer o que o autor tenciona dizer: Quando Jesus disse “Eu sou a porta” entendemos essa expressão como comparação. Quando Ele disse: Vê e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus”, sua intenção era que a palavra fermento simbolizasse a doutrina de grupos. Quando disse ao paralítico: “levanta-te, toma o teu leito, e vai para a tua casa”. Ele esperava que o paralítico obedecesse. II.3. INTERPRETAR LEXICAMENTE E SINTATICAMENTE (DICIONÁRIOS). É conhecer a etimologia das palavras, o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob consideração. Esta informação pode ser conseguida com a ajuda de bons dicionários. o uso dos dicionários, deve notar-se cuidadosamente o significar-se da palavra sob consideração nos diferentes períodos da língua grega e nos diferentes autores do período. Visto que a Bíblia foi escrita em hebraico e grego (e algumas partes em aramaico) o ministro que não conhece essas línguas se encontra numa posição desvantajosa. Não basta achar num dicionário o termo equivalente em português a uma palavra hebraica ou grega. O ministro que deve possuir adequadas habilidades linguísticas para fazer uso de tais auxílios lexicais como comentários, concordâncias e dicionários teológicos, contanto que compreenda o seu objetivo e saiba como incorporar as informações no sermão. Com o conhecimento de alguns significados o sermão de um pregador será extremamente enriquecido. Exemplo: Abraão – pai de muitos povos; Dalila – mulher dócil O interprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi escrito. A função das gramáticas não é determinar as leis da língua, mas expô-las. O que significa, que primeiro a linguagem se desenvolveu como um meio de expressar os pensamentos da humanidade e depois os gramáticos escreveram para expor as leis e princípios da língua com sua função de exprimir ideias. Para quem deseja aprofundar-se é preciso estudar a sintaxe da gramática grega, dando principal relevo aos casos gregos e ao sistema verbal a fim de poder entender a estruturação da língua grega. Isto vale para o hebraico do Antigo Testamento. O estudioso também deveria consultar não apenas uma, mas muitas traduções, para então julgar os seus méritos comparativos, quanto a casos específicos. Deveria ter cuidado para evitar envolvimento na manipulação sofista de vocábulos ou expressões hebraicas e gregas. Quase qualquer coisa pode serensinada, e através da manipulação indevida dos textos. As próprias traduções oficiais, algumas vezes, envolvem-se nesse tipo de atividade. Consideremos os muitos sermões que têm sido pregados com base nas supostas diferenças entre AGAPÃO e PHILÉO (palavras essas que são meros sinônimos), na tentativa de explicar o trecho de João 21:15ss. Sugestões de Leitura. LINGUAGEM LITERAL E FIGURADA Certos textos devem ser entendidos literalmente. Há também na Bíblia passagens em linguagem figurada. Devemos ler a bíblia deixando-a significar o que quer dizer. Sua linguagem figurada é geralmente indicada pelo contexto; sues símbolos e tipos são explicados por outras passagens, quando não o são no prórpio texto ou no contexto imediato. Fora disso, sua linguagem deve ser entendida literalmente, a não ser que o sentido requeira interpretação figurada. “A pregação bíblica começa com a exegese do texto, e a exegese segue os princípios gramaticais. Ela procura entender o significado verbal do texto analisando a função e o sentido das palavras empregadas...”. Dividem-se assim os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia: a) Narrativo: b) Legislativo c) Sapiencial d) Profético e) Cânticos Um dos aspectos do lado humano da Bíblia, Deus escolheu fazer quase todo tipo de comunicações disponíveis: Exemplos: * Genealogias * Crônicas * Leis de todo tipo * Poesia * Drama * Parábola * Etc. III.1 LITERAL A definição para este modo de interpretação é a seguinte: Conforme a letra do texto, sujeito ao rigor das palavras; esta forma de interpretação das escrituras sagradas são mais aceitas no meio cristão, por vários motivos: · Este sistema de interpretação é a maneira aceita em todas as línguas, povos e nações; · Esta forma de interpretação respeita as parábolas, sonhos e simbologia; · No sentido literal de interpretação é possível fazer comparações com outros textos das santas escrituras; · Esta forma de interpretação considera todo o contexto e não só uma parte do texto isolado das demais; · O Senhor Jesus, os profetas e apóstolos, utilizaram esta forma de interpretação das escrituras divinas. Jonas passou três dias dentro do peixe Jonas 1:17 S. Mat. 12:40 Jesus entra em Jerusalém montado num jumentinho Zacarias 9:9 S. Mat. 21:2 a 9 A pedra de Sião, quem nela crer não será confundido Isaías 28: 16 S. Mat. 21:42, Efésios 2:20 A seca dos tempos de Elias I Reis 17:1 Tiago 5:17-18 O dilúvio sobre a terra nos tempos de Noé Gênesis 7:1-23 II Pedro 2:5, Hebreus 11:7 A passagem de Israel pelo mar vermelho Êxodo 14:21-27 Deus 1:4, Salmo 136:13-15 Israel no cativeiro Babilônico de 70 anos Jeremias 25:11 e 12 Daniel 9:2 III.2 PRINCIPAIS FIGURAS DE LINGUAGEM 1 - Metáfora – é uma comparação não expressa. É a figura em que se afirma que alguma coisa é o que ela representa ou simboliza, ou como que se compara. O sujeito está entrelaçado com a coisa comparada. Ao contrário da símile que é uma comparação expressa onde o sujeito está de fora. Ex.: Metáfora -“Eu sou o pão da vida”. “Vós sois a luz do mundo” Símile – “O reino dos céus é semelhante...”) 1 – Metonímia. É o emprego do nome de uma coisa pelo de outra com que tem certa relação. Ex.: Jó 32:7 “Falem os dias e a multidão dos anos ensine...”. A idade por aqueles que a têm. Gn 25:23 “Duas nações há no teu ventre”. Os progenitores pelas descendências. 2 – Sinédoque – É a substituição de uma idéia por outra que lhe é associada. Ex.: Gn 6:12 “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida” – terra=homem do geral pelo particular. 3 – Hipérbole - É a afirmação em que as palavras vão além da realidade literal das coisas. Ex.: Dt 1:28 “As cidades são grandes e fortificadas até os céus”. 4 – Ironia - É a expressão de um pensamento em palavras que, literalmente entendidas , exprimiriam o pensamento oposto. Ex.: Juízes 10:14 “Clamai aos deuses que escolhestes, eles que vos livrem no tempo de vosso aperto. 5 – Prosopopéia – É personificação de coisas ou de seres irracionais. Ex.: Sl 35:10 “Todos os meus ossos dirão: Senhor quem é como tu”. Ossos/fala 6 – Antropomorfismo – É a linguagem que atribui a Deus ações e faculdades humanas, e até osso e membros do corpo humano. Ex.: Gn 8:12 “O Senhor cheirou o suave cheiro, e disse ...”. Cheirar/sentido 7 – Parábola – É uma narrativa de acontecimento real ou imaginário em que tanto as pessoas como as coisas e as ações correspondem a verdades de ordem espiritual e moral. Regras de interpretação das parábolas: Primeira – Todos os termos devem ser interpretados. Segunda – Devemos procurar o ponto central. Terceira – Deve-se conhecer a interpretação dos símbolos bíblicos. Quarta – Prestar atenção no início e no fechamento. Quinta – Os passos mais obscuros interpretam-se pelos mais claros. Sexta – Em certos casos um termo, pode aplicar-se com variadas modalidades. 8 – Provérbios – Demonstram a verdadeira religião em termos práticos e significativos. Os provérbios têm um único tipo de comparação ou princípio de verdade para comunicar. Não se pode ir além da intenção do autor. Ex.: Pv 31:14 – III.2 TEMPOS E ÉPOCAS. Para interpretar corretamente a bíblia é preciso distinguir os tempos. Não devemos confundir as injuções e os privilégios de uma era com os de outra. Podemos observar este detalhe em Hebreus 1:1 ANÁLISE TEOLÓGICA A pergunta fundamental feita na análise teológica é: Como essa passagem se enquadra no padrão total da revelação de Deus?. Antes de respondermos a esta pergunta, devemos Ter uma compreensão do padrão da história da revelação. Há, neste momento uma necessidade de conhecimento dos conceitos de graça, lei, salvação e o ministério do Espírito Santo. "O ministro também deve compreender e explicar um texto teológicamente. Não somente deve estar inteirado do que esse texto está dizendo em primeiro plano, mas também da teologia que elucida o texto." Isto significa que o pregador deve conhecer as tradições, a filosofia, a maneira de pensar, a "Cosmovisão", as idéias acerca de Deus e da religião na época em que aquela mensagem foi escrita. As divisões naturais incluem as grandes doutrinas a serem estudadas na análise teológica: A Doutrina da Criação A Doutrina de Deus A Doutrina do Homem e do Pecado A Doutrina da Salvação. Exemplo: Têm surgido as mais variadas teorias acerca da origem do homem. De um modo geral, elas não conseguem anular a ligação do ser humano com a Terra. Entretanto, a única fonte realmente autorizada, acerca da origem da humanidade, é a Bíblia Sagrada. Os dois primeiros capítulos de Gênesis nos oferecem, de modo plausível e coerente, a verdadeira história das origens, inclusive a do homem. TIPOLOGIA V.1 INTRODUÇÃO Deus mandou Moisés subir no monte Sinai e, lá ordenou-lhe que construí-se em santuário. Convém lembrar que Moisés ficou 40 dias e 40 noites para receber a planta do Tabernáculo. O Tabernáculo estava dividido internamente por uma cortina que recebeu o nome de Véu. É de grande valor e necessidade, também uma bênção, quando podemos penetrar e ultrapassar os limites de nossa mente e espírito, no grande palácio de Deus, e conhecermos um pouco mais de sua ciência e filosofia, bem como, conhecer melhor do sábio construtor, através da revelação e iluminação do Espírito, como escreveu São Paulo em Romanos 11 : 33 - 36, consequentemente, isto nos torna capacitados ante as descobertas dos mistérios do Reino de Deus. V.2 O QUE É TIPOLOGIA ? É o estudo das figuras e símbolos da Bíblia, com os quais Deus procura mostrar, por meio de coisas terrestres as coisas espirituais. Visto a incapacidade da mente humana de compreender as coisas divinas, nos mesmos termos encontramos no Antigo Testamento Deus falando das glórias celestiais através de coisas terrestres, ou sejam, TIPOS, ou o que revelam o ANTI-TIPO. Não se pode conhecer o ANTI-TIPO, sem antes conhecer o TIPO. EXEMPLOS TIPO Adão homem carnal Enoque no carro de fogo O Sacerdote Melquizedeque Davi rei de Judá Cristo Maná no deserto Libertação do Egito Marcha no deserto ANTI-TIPO Cristohomem espiritual O arrebatamento da Igreja Cristo, o Sumo Sacerdote Rei dos reis Alimento espiritual Libertação do mundo Nossa peregrinação na terra CAPÍTULO VI EXEGESE VI.1 INTRODUÇÃO: Na atualidade a mídia, especialmente a TV e o rádio, tem sido usada como um instrumento para espalhar a palavra de Deus, mas ao mesmo tempo tem provocado na mente de muitos cristãos a "lerdeza do pensar". Hoje existe o "evangelho solúvel", "evangelho do shopping center", "dos iluminados", etc. Mas pouco se estuda a fonte do evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta página tem o objetivo de estimular e incentivar ao estudo das Sagradas Escrituras, isto é muito mais do que uma leitura diária e muitas vezes feita as pressas para cumprir um ritual. Todo cristão - leigo -, leitor da Bíblia arroga para si o direito de interpretar o texto bíblico com propriedade, sem contudo ter o conhecimento das técnicas que se aplicam ao que executa tal tarefa, a de interpretador do texto sagrado. Todo pregador do evangelho deve, por obrigação, dominar as técnicas básicas da exegese, sob pena de trair o real sentido do texto sagrado a ser explanado e de ser um disseminado de heresias, portanto se você ainda não domina a arte de interpretar e compreender os textos, deve então começar agora, pelo básico. VI.2 DEFINIÇÃO DE EXEGESE Guiar para fora dos pensamentos que o escritor tinha quando escreveu um dado documento, isto é, literalmente significa "tirar de dentro para fora", interpretar. Dicionário Teológico: Exegese: do Grego:ek + egnomai, = ek + egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto. É a prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam o Antigo e o Novo Testamento. Vale-se, pois, do conhecimento das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), da confrontação dos diversos textos bíblicos e das técnicas aplicadas na lingüistica e na filosofia. É a disciplina que aplica métodos e técnicas que ajudam na compreensão do texto. Do ponto de vista etimológico hermenêutica e exegese são sinônimos, mas hoje os especialistas costumam fazer a seguinte diferença: Hermenêutica é a ciência das normas que permitem descobrir e explicar o verdadeiro sentido do texto, enquanto a exegese é a arte de aplicar essas normas. VI.3 REGRAS BÁSICAS 1° - denomina-se princípio da unidade escriturística. Sob a inspiração divina a Bíblia ensina apenas uma teologia. Não pode haver diferença doutrinária entre um livro e outro da Bíblia. 2° - A Bíblia é sua própria intérprete. diz o princípio hermenêutico. Deixe a Bíblia interpretar a própria Bíblia. Este princípio vem da Reforma Protestante. O sentido mais claro e mais fácil de uma passagem explica outra com sentido mais difícil e mais obscuro. Este princípio é uma ilação do anterior. 3° - Jamais esquecer a Regra Áurea da Interpretação, chamada por Orígenes de Analogia da Fé. O texto deve ser interpretado através do conjunto das Escrituras e nunca através de textos isolados. 4° - Sempre ter em vista o contexto. Ler o que está antes e o que vem depois para concluir aquilo que o autor tinha em mente. 5° - Primeiro procura-se o sentido literal, a menos que as evidências demonstrem que este é figurado. 6° - Ler o texto em todas as traduções possíveis - antigas e modernas. Muitas vezes uma destas traduções nos traz luz sobre o que o autor queria dizer. 7° - Apenas um sentido deve ser procurado em cada texto. 8° - O trabalho de interpretação é científico, por isso deve ser feito com isenção de ânimo e desprendido de qualquer preconceito. (o que poderíamos chamar de "achismos"). 9° - Fazer algumas perguntas relacionadas com a passagem para chegar a conclusões circunstanciais. Por exemplo: a) - Quem escreveu? b) - Qual o tempo e o lugar em que escreveu? c) - Por que escreveu? d) - A quem se dirigia o escritor? e) - O que o autor queria dizer? 10° - Feita a exegese, se o resultado obtido contrariar os princípios fundamentais da Bíblia, ele deve ser colocado de lado e o trabalho exegético recomeçado novamente. Interpretar de acordo com a analogia da Escritura. VI.3 O PROCEDIMENTO EXEGÉTICO 1.O procedimento errado. Ler o que muitos comentários dizem com sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais agrade. Este procedimento é errado pelas seguintes razões: a) encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua preconcepção e b) forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas. Isto para o iniciante, freqüentemente resulta em confusão e ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese. Isto não é exegese, é outra forma de decoreba e é muito desinteressante. O péssimo resultado e mais sério do "procedimento errado" na exegese é que próprio interprete não pensa por si mesmo. 2. Procedimento correto 2.1. o interprete deve perguntar primeiro o que o autor diz e depois o que significa a declaração. 2.2 consultar os dicionários para encontrar o significado das palavras desconhecidas ou que não são familiares. É preciso tomar muito cuidado para não escolher o significado que convêm ao interprete apenas. 2.3.depois de usar bons dicionários, uma ou mais gramáticas devem ser consultadas para entender a construção gramatical. No verbo, a voz, o modo e o tempo devem ser observado por causa da contribuição à idéia total. O mesmo cuidado deve ser tomado com as outras classes gramaticais. 2.4. Tendo as análises léxicas, morfológica e sintática sido feitas, é preciso partir para análises de contexto e história a fim de que se tenha uma boa compreensão do texto e de seu significado primeiro e. 2.5. Com os passos anteriores bem dados, o interprete tem condições de extrair a teologia do texto, bem como sua aplicação às necessidade pessoais dele, em primeiro lugar, e às dos ouvintes. Que o texto tem com a minha vida? Com os grandes desafios atuais? VI. 4 O USO DE INSTRUMENTOS 1. Comentários: eles não são um fim em si mesmo. O interprete deve manter em mente o clima teológico em que foram produzidos, porque isso afeta de maneira direta a interpretação das Escrituras. Um comentarista pode ser capaz, em certa media, de evitar " bias" [tendências] e permitir que o documento fale por si mesmo, mas sua ênfase nos vários pensamentos na passagem será afetada pela corrente de pensamento de seus dias. Os comentários principalmente os devocionais, tem a marca da desatualização. Prefira os comentários críticos e exegéticos. 2. Uso de dicionário e gramáticas: e importante manter em mente a data da publicação. Todas as traduções de uma palavra devem ser avaliadas e não apenas tirar só o significado que interessa a nossa interpretação. Explore o recurso dos próprios sinônimos. Por exemplo a palavra pobre é tradução de duas palavras gregas. [penef e ptohoi- transliterado por jotaeme] A primeira significa carente do supérfluo, que vive modestamente, com o necessário e a segunda, significa mendigo, desprovido de qualquer sustento. Na interpretação de Mateus 5:3 isto faz muita diferença!. BIBLIOGRAFIA 1. Exegese Bíblica - Professor Pedro Apolinário do Instituto Adventista de Ensino, 1977; 2. Revista da Bíblia, n° 6 Abr-Jun/97 - W.B Chamberlain; 3. Professora Ruth, Instituto Teológico Quadrangular de Curitiba; 4. Dicionário Teológico, Claudionor Corrêa de Andrade, 1996, São Paulo; 5. Internet;