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GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Prof. Rogerio Meirelles AULA 1 2 TEMA 1 – O MUNDO E AS ORGANIZAÇÕES Muito já se falou e se fala sobre o mundo globalizado, mas essa é uma realidade: o mundo é globalizado. As organizações existem há milênios, mas nos séculos XX e XXI foram obrigadas a se reinventar. As que não o fizeram foram incorporadas ou não sobreviveram. O advento de novas tecnologias de produtos e serviços, o desenvolvimento dos transportes e o surgimento da internet, além de obrigarem as organizações existentes a se reinventarem, provocaram o surgimento de novas organizações, cuja existência não teria feito sentido em outros tempos (Google e Facebook, por exemplo), ou seria impossível (Uber, por exemplo). Assim é estabelecida a relação entre o mundo e as organizações. A organização, simplificadamente, possui dois ambientes, o interno e o externo. No interno, aplica seus métodos e visões administrativas. No externo, submete-se às leis e regras do local onde estiver instalada. Em complemento, adapta-se e modifica-se de acordo com a pressão sofrida pelas alterações mundiais. Essa realidade traz reflexos no ativo mais importante de qualquer organização: suas pessoas. A gestão de pessoas é muito mais complexa na contemporaneidade do que já foi no passado. Mudaram fatores culturais e sociais, valores morais e, especialmente, mudou significativamente a forma de valorizar a diversidade humana. a) A história das organizações - Laloux (2017) traz uma classificação interessante para a história das organizações, classificando-a em cinco atos: • Primeiro Ato: Organizações Vermelhas • Segundo Ato: Organizações Âmbar • Terceiro Ato: Organizações Laranja • Quarto Ato: Organizações Verdes • Quinto Ato: Organizações Evolutivas - Teal o As Organizações Vermelhas - Período: 100000 a.C a 50000 a.C. - A humanidade vivia em pequenos bandos familiares. O chefe da 3 tropa tinha que se esforçar constantemente para se manter no poder, perpetuando-se pela força. É um tipo de organização que prospera em ambientes desorganizados, ou caóticos. Laloux coloca como exemplos nos tempos atuais as máfias, gangues de rua e milícias tribais. o As Organizações Âmbares - Período: 7000 a.C. (Egito) - Já é retrato de uma evolução global, saindo das tribos nômades para a agricultura, civilizações, primeiras instituições, classes sociais e religião. Verifica-se a existência de hierarquia afunilada no topo (piramidal), com comando e controle. O controle era concentrado em grupos que declaravam seu direito de nascença a ele. Verifica- se também a existência de processos ou rituais, que tinham a finalidade de garantir que determinadas atividades fossem realizadas sempre com o mesmo padrão. Esse tipo de organização cresceu com as grandes civilizações, resistindo até à Idade Média e existindo ainda em nosso tempo. Laloux cita religiões tradicionais, agências governamentais, exército e sistema de ensino de escolas públicas. o As Organizações Laranja - Período: final do século XIX (Estados Unidos) - A Revolução Industrial tornou as organizações Âmbares obsoletas. O Fordismo (do fabricante de automóveis Henry Ford) popularizou a industrialização, a padronização e a produção em massa. O direito de nascença foi substituído pela meritocracia, na qual quem tiver mais méritos pode almejar o topo e obter privilégios. O foco das organizações é em processos e resultados, e as pessoas ficam em segundo plano. Walmart, Nike e Coca-Cola são exemplos de organizações laranja. o As Organizações Verdes - Período: meados do século XX (Estados Unidos) - Como resultado da I e da II Guerras Mundiais, nas quais se perdeu muita gente, os modelos focados em máquinas e processos começaram a ser criticados. Um dos resultados dessas manifestações foi a cultura hippie, que encontrou seu auge nos anos 1960 e 1970. A partir dessa fonte surgem organizações com ideais de harmonia, tolerância e igualdade. Existem processos e líderes, mas o foco é forte nas 4 relações, nas pessoas, num conceito próximo a uma família. Exemplos podem ser Starbucks e Mercur. o As Organizações Evolutivas – Teal - Período: início do século XXI (Holanda) - O total domínio da organização em rede. Katahira (2017) cita pesquisadores utilizando a sigla VICA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo). As organizações têm que ser evolutivas e em constante mudança. Não há hierarquia rígida, e sim liderança situacional, ou seja, adaptativa. O modelo de gestão é participativo e empoderador. O propósito é coletivo, o que desenvolve o indivíduo que o serve, e isso retroalimenta o processo. Um exemplo citado por Laloux com operação no Brasil é a AES (empresa do ramo de energia).1 No quadro a seguir, um resumo extraído de Laloux. Quadro 1 - As organizações, segundo Laloux Exemplos Atuais Principais Avanços Metáfora Orientadora Organizações Vermelhas Constante exercício do poder pelo chefe para manter tropas na linha. O medo é a liga da organização. Altamente reativa, foco no curto prazo. Prospera em ambientes caóticos. • Máfia • Gangues de Rua • Milícias Tribais • Divisão do trabalho • Autoridade de comando Alcateia Organizações Âmbares Papéis altamente formais em uma pirâmide hierárquica. Comando e controle de cima para baixo (o que e como). Estabilidade valorizada acima de tudo por meio de processos rigorosos. Futuro é repetição do passado. • Igreja Católica • Forças Armadas • Maioria das agências • governamentais • Sistemas de escolas públicas • Papéis formais (hierarquias estáveis e • escaláveis) • Processos (perspectivas de longo prazo) Forças Armadas 1 Nota do autor: o termo Teal é uma metáfora utilizada por Laloux. Teal é uma cor verde-azulada, que pode ser vista em patos que, nos Estados Unidos, são chamados de Teal Ducks. É utilizado por Laloux em seu livro aqui referenciado para identificar organizações que estão em um novo estágio no desenvolvimento da consciência humana e no modelo de organização a ele correspondente. Rapidamente está se tornando uma atitude e um estilo de vida (Teal for Teal). (adaptado e traduzido livremente pelo autor) 5 Organizações Laranjas O objetivo é vencer a concorrência; atingir lucro e crescimento. Inovação é a chave para ficar à frente. Gestão por objetivos (comando e controle no quê; liberdade no como). • Companhias multinacionais • Escolas autônomas • Inovação • Responsabilização • Meritocracia Máquina Organizações Verdes Dentro da estrutura da pirâmide clássica, foco na cultura e no empoderamento para alcançar extraordinária motivação dos funcionários. • Organizações direcionadas pela cultura (Exemplos: Southwest Airlines, Ben & Jerry´s) • Empoderamento • Cultura direcionada por valores • Modelo de stakeholders Família Organizações Teal ? ? ? ? Fonte: elaborado com base em Laloux, 2017. O desenvolvimento das organizações e a globalização traçam caminhos que se influenciam. Aquelas organizações que preferiram permanecer restritas a seus nichos de criação ficaram pequenas, fornecendo produtos artesanais para públicos específicos, ou desapareceram com o tempo, encerrando suas atividades ou sendo adquiridas por outras organizações. Esse desenvolvimento das organizações também favoreceu o surgimento de empresas modernas, cujo conceito seria impensável num passado não muito distante. As organizações, como entidades, foram capazes de se desenvolver, sobreviver a ameaças internas (vindas de dentro de seus domínios) e externas e adaptar-se a um mundo em constante mudança, e por isso puderam continuar existindo e prosperando. TEMA 2 – ORGANIZAÇÃO: SISTEMA VIVO Falar de uma organização como um sistema vivo não é uma ideia inédita. Compará-la à biologia do corpo humano também não. Para Pawar (2018),“explorando alguns dos modelos biológicos mais elegantes de nossa própria fisiologia humana, podemos obter insights e gerar "novas" ideias para administrar nossas empresas”2. Cabe dizer que Pawar é um médico em Denver, nos Estados Unidos, além de consultor e coaching. Em seu artigo, propõe cinco 2 Tradução livre do autor. 6 diferentes processos da biologia humana e propõe caminhos práticos para aplicar esses processos nas organizações. a) Neural Networks (Redes Neurais)2 - A inteligência e o aprendizado, no cérebro humano, estão conectados aos números e tipos de conexões entre os neurônios. Quando se adquire um novo conhecimento, as conexões se modificam para incorporar mais inteligência. Quanto mais um determinado aprendizado é reforçado, maior será a força da conexão entre os neurônios-chave. A relação que se pode estabelecer com as organizações é que “a inteligência organizacional coletiva, assim como a velocidade do aprendizado organizacional, está diretamente relacionada ao número de interconexões internas (entre os membros daquele grupo) e com entidades externas. Como resultado, o aprendizado em “silos” é menos desejável do que o aprendizado compartilhado”3 (Pawar, 2018). Pawar destaca também que as respostas automáticas dos indivíduos e das organizações às situações de stress podem ter configurações mais sofisticadas, e adaptações mais cuidadosas podem ser feitas no sentido de ajudar a lidar com elas. Para chegar a esse ponto, porém, deverá ter ocorrido uma evolução na organização, tendo sido atingida uma consciência organizacional de nível superior, que só poderá ter vindo da força dos relacionamentos estabelecidos internamente. b) Endocrine Feedback Loops (Retroalimentação Endócrina)4 - Neste tópico, primeiro Pawar detalha o funcionamento da relação entre a glândula pituitária (localizada no cérebro) e a glândula tireoide. A glândula tireoide é responsável do hormônio tireoideano, que em escassez ou excesso causa alterações por todo o corpo. Quem regula o volume de hormônio produzido pela glândula tireoide é um outro hormônio, thyroid stimulating hormone (TSH), produzido pela glândula pituitária. Se há escassez do hormônio tireoidiano, a glândula pituitária produz mais TSH, que estimulará maior produção dele. Se há excesso, a glândula pituitária produzirá menos hormônio tireoidiano, o que instruirá à glândula tireoide a diminuir sua produção. Esse é o processo de retroalimentação endócrina. Ele compara esse processo às ferramentas e abordagens de 3 Tradução livre do autor. 4 Tradução livre do autor. 7 pensamento sistêmico, que seriam uma maneira natural de adaptar esse processo fisiológico para o uso organizacional. O pensamento sistêmico já é uma realidade em organizações orientadas para resultados e com foco em melhoria contínua de processos. Resultados passados orientam atitudes futuras, num ciclo que se retroalimenta (feedback), admite influências externas e internas e não para de evoluir. Saiba mais Pensamento sistêmico Pensamento Sistêmico, conceitualmente, postula uma conexão entre todas as partes envolvidas em um sistema complexo. Pode ser aplicado a nosso corpo, pois um coração com mau funcionamento não prejudica somente ao sistema de circulação, mas traz prejuízo a todos os outros órgãos. Analogamente pode ser aplicado a uma organização, na qual a decisão sobre o processo de um único setor não leva em conta somente esse segmento, mas a organização como um todo, considerando sempre o planejamento estratégico como guia. c) Immunologic Memory and Modulation (Memória Imunológica e Modulação)5 - O sistema imunológico protege nosso corpo contra infecções, atacando-as ao mesmo tempo que não ataca outras partes do corpo. Por meio de proteínas e outras moléculas presentes nas superfícies das células, consegue-se fazer essa diferenciação, identificando o que é self (eu) e nonself (não eu). Ao encontrar uma nova ameaça, como uma infecção bacteriana ou viral, o sistema começa a “aprender”, passando a conhecer também essas novas proteínas, e passa a desenvolver a devida imunização contra a nova ameaça. Esses anticorpos passam a fazer parte da memória imunológica do sistema, e serão acionados se essa ameaça se repetir. Trazendo o modelo imunológico para as organizações, elas podem aprender por meio da consciência aguçada de self versus non self, desenvolvendo valores compartilhados, propósitos e sentido, promovendo uma forte identidade cultural. Atingido esse nível de clareza, altos níveis de engajamento e uma forte base de aprendizado compartilhado são estabelecidos. O aspecto da memória imunológica também traz oportunidades de aprendizado 5 Tradução livre do autor. 8 interessantes. Quando uma parte do corpo sai vitoriosa da luta contra uma infecção, o conhecimento gerado não fica apenas naquela parte, espalhando-se por todo o sistema imunológico. As organizações, analogamente, devem assegurar que o aprendizado e a memória organizacionais não permaneçam locais, e sim sejam distribuídos amplamente, de modo que a organização desenvolva a habilidade de rapidamente identificar e resistir às mesmas ameaças no futuro. Mutações, às vezes, podem favorecer à sobrevivência. Uma sutil mutação em células de anemia falciforme fornece proteção em áreas onde a malária é generalizada. Já numa organização, a inovação disruptiva pode, a princípio, ser percebida como uma ameaça, mas seus benefícios podem ser conhecidos e assimilados rapidamente. Saiba mais Inovação disruptiva Inovação disruptiva é um processo em que uma tecnologia, produto ou serviço é transformado ou substituído por uma solução inovadora superior. Essa superioridade precisa ser percebida pelos consumidores, por ser mais acessível, simples ou conveniente. Isso ocorre a ponto de acabar resultando em uma mudança no comportamento de consumo do público em geral. O resultado é que a solução anterior se torna obsoleta e praticamente desaparece. Um bom exemplo é o Netflix e outros serviços de streaming, que tornaram as locadoras de vídeo raridades no Brasil e no mundo (FIA, 2019). d) Cellular Turnover, Rejuvenation, and Replenishment (Rotatividade Celular, Rejuvenescimento e Reposição)6 - Ciente da estagnação de suas células, o corpo humano as renova constantemente. As células do seu corpo não são as mesmas de um ano atrás. Portanto, seu “eu” hoje não é o seu “eu” físico de ontem. No meio de toda essa reinvenção, porém, você retém sua identidade, sua autoconsciência, propósitos e valores. Para as organizações implica dizer que renovar e reinventar é um componente necessário do sucesso. Ao mesmo tempo a organização precisa reter a consciência de seus propósitos, valores, sentido e tudo aquilo que crie e fortaleça o senso de identidade organizacional. Sem a 6 Tradução livre do autor. 9 habilidade de renovar e reinventar, a organização perde sua capacidade de se adaptar a mudanças. e) Cellular Communication (Comunicação Celular)7 - As células se comunicam de várias maneiras, e são constituídas para isso. Quando o corpo está sob stress, ele envia mensagens aos vários sistemas para reagir rapidamente à percepção de ameaças. Essa reação às ameaças, porém, pode ter efeitos inesperados sobre o sistema imunológico, digestão e aprendizagem. Implicando às organizações, as mensagens enviadas pela liderança à organização devem levar em consideração consequências previstas e não previstas. O senso de urgência, por exemplo, pode ser importante para estimular uma mudança, mas se uma organização opera nesse modelo por muito tempo, terá dificuldades para fomentar a aprendizagem e a inovação. A liderança deve desenvolver um alto grau de consciência social para avaliar o impacto de suas mensagens ao permearem a organização. Pawar foi brilhante em estruturar sua visão quando comparou organizaçõesa sistemas vivos. Nessa comparação esclarece mecanismos do aprendizado, do pensamento sistêmico, desenvolvimento de valores e identidade cultural, da constante necessidade de renovação e da importância da comunicação, o que nos entrega um campo de estudo e nos favorece a um olhar sobre as organizações completamente novos. TEMA 3 – SUBSISTEMAS DE UMA ORGANIZAÇÃO Já comparamos as organizações com organismos vivos. Como tais, são compostas por subpartes, ou subsistemas. A divisão em subsistemas varia um pouco de autor para autor. Para Padoveze (2013), os subsistemas são: a) Subsistema Institucional - O Subsistema Institucional é a matriz para todos os outros subsistemas de uma organização, conectado ao nível estratégico de informações e decisões. A missão da organização e seus valores são definidos nessa matriz, e devem ser a base orientativa para qualquer decisão a ser tomada na organização, em qualquer nível. Também dessa matriz emana o modelo de gestão da organização. 7 Tradução livre do autor. 10 Saiba mais Modelo de gestão Estratégia adotada pela organização para orientar a equipe na busca de resultados e na execução da operação. Os tipos de gestão variam muito, e derivam de acordo com a conveniência. Entretanto, os mais comuns encontrados na literatura são: • Gestão democrática – os colaboradores têm voz ativa na tomada de decisão. • Gestão meritocrática – os colaboradores com melhor performance e formação ascendem na organização. • Gestão com foco em resultados – os resultados a serem alcançados guiam as decisões. Formalidade e estrutura perdem espaço, o que importa é o resultado. • Gestão com foco em processos – foco em métodos e procedimentos, normalmente buscando a padronização e a excelência da operação. • Gestão autoritária – o gestor principal é a figura central de todos os processos e decisões. É um modelo contraditório. • Gestão por cadeia de valor – a estratégia da organização se baseia nas expectativas do cliente. b) Subsistema de Gestão - O Subsistema de Gestão é a camada na qual as decisões são tomadas, com base nas definições do Subsistema Institucional. A gestão executiva, o planejamento, a operação e o controle estão nessa camada. Baseia-se em procedimentos, normas e diretrizes, e normalmente conecta-se ao Subsistema de Informação. c) Subsistema Formal - O Subsistema Formal é a estrutura administrativa da organização, camada na qual se definem autoridades e responsabilidades. Nessa camada as atividades são agrupadas em setores ou divisões. Conecta-se ao Subsistema Físico-Operacional, que abrigará em sua camada os produtos e serviços a serem produzidos. d) Subsistema Social - O Subsistema Social abriga, em sua camada, as pessoas. Cultura, características, especialidades, necessidades e objetivos estão compreendidos aqui. e) Subsistema de Informação - O Subsistema de Informação compreende os dados e informações necessários para dar suporte à operação da 11 organização. Pode ser chamado de software da organização. São dados, informações, procedimentos, controles, dados gerados a partir da execução das atividades. Compreende, assim, o recebimento, processamento e geração de informações. Também contempla sua guarda, acesso e recuperação. f) Subsistema Físico-Operacional - O Subsistema Físico-Operacional compreende as instalações e equipamentos da organização. Pode ser chamado de hardware da organização. Suas características advêm do tipo de produto ou serviço produzido pela organização, e de sua correta gestão advém a eficiência e a eficácia empresariais. Ainda, essa é a camada transacional da organização. Saiba mais Eficiência e eficácia Eficiente é o que executa uma tarefa com qualidade, competência, excelência, com nenhum ou com o mínimo de erros. A eficiência está ligada ao modo de fazer uma tarefa. O eficaz faz o que é certo para atingir o objetivo inicialmente planejado. O eficiente faz com qualidade, mas nem sempre atinge um objetivo. Para ilustrar a diferença, veja este exemplo: “A seleção brasileira de futebol de 1982 encantou o mundo, mas não ganhou a Copa. Foi eficiente, mas não foi eficaz. Já a seleção brasileira de 1994, apesar de não encantar, de jogar um futebol pragmático, foi campeã mundial. Ou seja, não foi eficiente, mas foi eficaz.” (TRF3, 2020) Padoveze conclui que “os demais subsistemas da organização canalizam suas funções para o sistema físico-operacional”, o que se mostra bastante lógico, já que essa é a camada que efetivamente executa a produção de produtos ou serviços, por meio dos quais a organização se coloca no mercado e realiza seu lucro. Na Figura 1 podemos ver um fluxograma simplificado sobre o inter- relacionamento entre os subsistemas: 12 Figura 1 - Relacionamento entre os Subsistemas da Organização Fonte: elaborada com base em Padoveze, 2013. Organizações, em sua maioria, são entidades complexas, difíceis de serem entendidas com um simples olhar. A depender do tipo de atividade à qual se dedicam, elas tendem a se estruturar de uma forma familiar àquele setor. Por isso a literatura nos fala sobre a divisão das organizações em subsistemas. Para não termos um olhar enviesado, preferimos adotar aqui a visão generalista de Padoveze. Ele apresenta sua visão que estrutura os subsistemas como elementos separados e demonstra o relacionamento entre eles, reforçando a necessidade desse entendimento para o sucesso de uma organização. TEMA 4 – CULTURA ORGANIZACIONAL Falando sem refinamento, a Cultura Organizacional é a “cola” que mantém unidos os valores de uma organização. Primeiro, vamos definir o que é Cultura. De acordo com o Dicionário Michaelis (2021), é o “conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que caracterizam um grupo social”. Tal definição sai da referência macroambiental e se insere perfeitamente no microambiente da organização. A cultura organizacional nem sempre é escrita, mas sempre será percebida pelas pessoas da organização. Ao conviver por algum tempo na organização, as pessoas serão capazes de identificar se sua cultura é 13 direcionada ao lucro ou à ação social; se é rígida ou flexível; se é do tipo planejador ou executante; se é centralizada ou descentralizada; se tem aversão ou adoração pelo risco; se lida com as pessoas de forma amigável ou fria; se privilegia o trabalho em equipe ou o trabalho individual. Uma ou outra opção para qualquer desses aspectos não significa certo ou errado, mas orientará as pessoas sobre como buscar conviver harmonicamente com a organização. Vários autores defendem que a cultura organizacional precisa estar suportada por três elementos: Missão, Visão e Valores. São os pilares que não só inicialmente a definem, como a sustentam ao longo do tempo, e podem servir de inspiração para a conduta das pessoas: • Missão – Ao declará-la, a organização deve responder a uma simples pergunta: “Para que essa organização existe?” • Visão – Por meio desse elemento a organização informa sua visão de futuro, até onde ela quer chegar. • Valores – A organização declarou para que existe e onde quer chegar. Por meio desse elemento ela explicita quais serão os princípios que regerão as ações necessárias para cumprir sua Missão e realizar sua Visão. A cultura organizacional pode se apresentar de muitas formas, com infinitas variações, mas existe uma classificação básica, segundo Handy (2012), que classifica as Culturas Organizacionais em Cultura do Poder, Cultura de Papéis, Cultura de Tarefas e Cultura de Pessoas. a) Cultura do Poder - Nesse tipo de cultura, a organização constrói uma estrutura que vai concentrando o poder nas mãos de poucas pessoas, à medida que a pirâmide é escalada. Essas pessoas influenciam a toda a organização. Em organizações menores, é muito comum queo poder seja centralizado no dono. As regras são flexibilizadas em função do alcance de resultados. A liderança tem autonomia para tomar decisões que por vezes são contrárias às regras da organização, mas que gerarão os resultados almejados. b) Cultura de Papéis - A organização constrói sua estrutura baseada no papel de cada indivíduo na cadeia. O poder é baseado na posição ocupada, e não na pessoa. As regras, os cargos e as funções são geralmente bem definidos, o que deixa pouca flexibilidade na execução 14 das tarefas. A pessoa que ocupa a posição realiza aquilo que foi a ele determinado, apenas. Organizações cujo mercado é baseado em um único produto ou uma pequena linha de produtos frequentemente associam-se a essa classificação. Esse tipo de cultura pode resultar em profissionais acomodados, pouco orientados a resultados e pouco preocupados com seu crescimento na organização. c) Cultura de Tarefas - É mais comum em organizações que lidam com a execução de projetos. O poder está nas mãos dos resolvedores de problemas, que podem ser equipes ou indivíduos. Os profissionais ocupam papéis fundamentais no processo, assumindo grandes responsabilidades, mas ganhando liberdade para tomar decisões em busca de soluções para os problemas que se apresentam em campo. O fato de valorizar os colaboradores que dão ideias e propõem soluções pode trazer um clima organizacional positivo. d) Cultura de Pessoas - As pessoas em primeiro lugar, independentemente do cargo que ocupam. O trabalho individual, o trabalho em equipe e o crescimento profissional das pessoas são os ativos mais valorizados. A organização entende que só existe por causa das pessoas que nela atuam, e que precisa valorizá-las e incentivá-las constantemente. Em seu livro Deuses da Administração, Handy prossegue em seu raciocínio comparando as classificações com os deuses do Panteão grego. 15 Figura 2 - Cultura do Poder Fonte: elaborada com base em Handy, 2012. Na mitologia grega, para que um deus assumisse seu trono, ele deveria matar seu pai. Em contrapartida, se o pai quisesse permanecer no trono, deveria matar seu filho. Crono, pai de Zeus, devorou os filhos mais velhos, Posseidon e Hades. Zeus tinha a tarefa de resistir aos ataques do pai e vingar seus irmãos. Na derradeira batalha, consegue tirar seus irmãos de dentro do pai e divide o seu poder com eles. Zeus domina os céus (e por isso é simbolizado por um raio), Posseidon, o mar, e Hades, o mundo subterrâneo. Handy utiliza a alegoria de Zeus no Olimpo para simbolizar a Cultura do Poder. Então, conforme Handy, “Zeus representava a tradição patriarcal, o poder irracional, mas muitas vezes benevolente, a impulsividade e o carisma”. Ele simboliza a Cultura do Poder por meio da teia de aranha. As linhas de poder se irradiam a partir do centro, mas as mais importantes são as que envolvem a aranha em seu cerne. São organizações com rapidez de decisão, mas a qualidade delas dependerá do “Zeus” que estiver no comando. Entre as pessoas, aquelas ligadas ao poder 16 desenvolvem características de afinidade e confiança, já que nem sempre os procedimentos formais são preponderantes. A depender de seu porte, podem apresentar tendência ao nepotismo e a afastar pessoas com correntes de pensamento contrárias à de “Zeus”. Figura 3 - Cultura de Papéis Fonte: elaborada com base em Handy, 2012. A Cultura de Papéis é simbolizada por Apolo e pela figura de um templo grego. Apolo é considerado um ser iluminado, a verdadeira luz. É simbolizado pelo Sol. É filho de Zeus, dotado de grande beleza e habilidade guerreira. Reconhecido por Zeus como patrono do equilíbrio, da harmonia, da ordem e da estabilidade, foi associado por Handy à ordem, às regras e à lógica na cultura organizacional. Reforçando a ideia, a figura do templo grego simboliza força e beleza em seus pilares. Nessa cultura as funções são mais importantes que as pessoas. O fluxo de trabalho é estabelecido rigidamente, independentemente da pessoa que ocupe aquele papel. A eficiência está baseada na racionalização, codificação e padronização. A criatividade não é marcante, e o poder está no 17 topo da pirâmide. As pessoas que ascendem ao poder são aquelas aderem aos pilares de ordens e regras que sustentam a organização. Figura 4 - Cultura de Tarefas Fonte: elaborado com base em Handy, 2012. A Cultura de Tarefas é simbolizada por Atena e pela figura de uma rede. Também é filha de Zeus (ou de Posseidon, sendo Zeus seu pai adotivo). De comportamento predominante guerreiro, é por esse motivo associada à Cultura de Tarefas. Como numa guerra, a organização se agrupa em equipes, cada uma composta dos especialistas necessários para solucionar os problemas apresentados. Cada membro da equipe é parte de uma rede, contribuindo para uma organização eficaz. O poder não está no topo nem no centro, está distribuído pela rede. 18 Figura 5 - Cultura de Pessoas Fonte: elaborada com base em Handy, 2012. A Cultura de Pessoas é representada por Dionísio e pela figura de estrelas agrupadas em um círculo. Dionísio é um filho ilegítimo de Zeus, e por isso vítima da ira de Hera, sua esposa. Hera tenta matá-lo, sua avó Reia salva-o e o entrega às ninfas. Elas o protegem de Hera em uma plantação de uvas. Hera tenta matá- lo novamente, mas ele sai vitorioso, e retornando às ninfas passa a fazer vinho e distribuí-lo por todo o mundo conhecido à época, para ser utilizado nas festas religiosas. Por essas e outras batalhas vencidas, enxergava-se como o existencialista por excelência, entre todos os deuses, já que o existencialismo apregoa que somos responsáveis por nossos destinos, e é fortemente focado no indivíduo. Traçando o paralelo, nesse tipo de cultura a organização é baseada no atingimento dos objetivos individuais. O poder emana da interdependência dessas pessoas, que utilizam talentos e habilidades individuais em favor do grupo, na busca de um objetivo comum. 19 Para fechar esse raciocínio, Handy apresentou suas comparações colocando os deuses em ordem de apresentação. Primeiro Zeus, simbolizando as organizações primitivas, com o poder centralizado. Depois Apolo, que colaborou com suas características na comparação com as organizações que precisavam organizar o trabalho. Em terceiro Atenas, comparada às organizações que precisavam criar e se especializar. E, por fim, Dionísio, comparado às organizações que experimentaram desenvolvimento e evolução e focaram-se nas pessoas. Concluindo, ele ainda faz um exercício de encaixá-los na evolução histórica. A construção de minas de carvão e estradas de ferro exigiam líderes firmes como Zeus. A Revolução Industrial trouxe à tona a necessidade de organizar as atividades em papéis, ou funções, exigindo as características de Apolo. A evolução do mundo gerou novas necessidades, mais sofisticadas e especializadas, o que demandou lideranças com as características de Atena. E nesses novos tempos que desafiam os empregos, surge Dionísio. Fica aqui o comentário do autor a respeito da genialidade do pesquisador e escritor Charles Handy, que consegue mesclar ciência, imaginação e criatividade em suas obras. TEMA 5 – MELHORES EMPRESAS PARA SE TRABALHAR Afinal, o que transforma uma empresa em um bom lugar para se trabalhar? Não há uma metodologia científica única e aceita, mas diversas organizações lançaram-se na tarefa de criar métodos de avaliação que fugissem da análise subjetiva, e que permitissem comparar as empresas umas com as outras. Quem sabe, a partir daí, fosse possível achar uma resposta? Hoje, evidentemente, temos valores diferentes de 10 anos atrás. Diversidade, inclusão, acessibilidade, não ao preconceito de raça e de gênero são compromissos bem vistos quando assumidos por uma organização. Da mesmaforma é observado o tratamento dado às mulheres, que hoje também não podem mais ser preteridas e discriminadas no mundo empresarial. Então, claro, valores são importantes. E o que mais? Diversas características são importantes, e a depender da conjuntura econômica e social, ganham destaque ou são consideradas menos relevantes. Como falamos em valores, o alinhamento dos valores do funcionário com os valores da organização é fundamental. Uma pessoa que preze equidade não 20 poderá conviver em uma organização discriminadora. O pacote de benefícios tem sempre um peso importante. Pacotes atraentes atraem funcionários com mais facilidade. A qualidade de vida que as pessoas conseguem alcançar por meio do trabalho e das condições do entorno (instalações da organização, distâncias a percorrer etc.) é uma característica muito valorizada hoje. Estabilidade é uma característica que já foi muito valorizada, mas que já não é mais tão apreciada pelos jovens profissionais. As oportunidades de crescimento profissional e o clima organizacional também são capazes de orientar uma decisão sobre aceitar um trabalho ou não. O Instituto Great Place To Work (2019) criou um ranking de referência das melhores empresas para se trabalhar. Disponibiliza um conteúdo muito rico em seu site e postula que quando as pessoas pensam em um ótimo local de trabalho, geralmente imaginam uma organização cheia de regalias, festas sofisticadas e benefícios surpreendentes. Embora esses elementos estejam presentes em muitos dos conhecidos Best Workplaces, a definição de um ótimo local de trabalho vai muito além das vantagens e benefícios. Na verdade, em sua essência, um ótimo local de trabalho tem relação com o nível de confiança que os funcionários experimentam em seus líderes, o nível de orgulho que sentem por seus empregos e até que ponto gostam de seus colegas. Embora a confiança, o orgulho e a camaradagem sejam muito mais desafiadores de sustentar do que um grande conjunto de vantagens, todos eles podem ser obtidos por qualquer organização willing to work®. (na qual se tem vontade de trabalhar)8 O Instituto propõe o Great Place to Work® Trust Model© como um padrão global para avaliação de uma organização. O Trust Model© é composto por cinco dimensões: Credibilidade (Credibility), Respeito (Respect), Equidade (Fairness), Orgulho (Pride) e Camaradagem (Camaraderie). As dimensões são esquematizadas na figura a seguir: 8 Tradução livre do autor. 21 Figura 6 - Great Place to Work® Trust Model© Fonte: Great Place to Work, 2019. Os funcionários devem enxergar a organização como uma entidade confiável, e que sua credibilidade se reflita em suas ações dentro e fora de seus muros. Precisam se sentir respeitados pela administração, e saber que a organização avalia as percepções dos funcionários quanto ao ambiente de trabalho e quanto às ações da organização. Acreditam que as ações da organização em relação aos funcionários são equânimes, e a organização avalia a percepção dos funcionários quanto à justiça de suas práticas. Os funcionários devem sentir orgulho do quanto colaboram individualmente para a engrenagem da organização, e devem sentir orgulho de pertencer àquela organização em particular. Por fim, devem enxergar a organização como uma comunidade, e não somente um local de trabalho. A organização avalia o quanto se sentem suportados e acolhidos. Ainda dentro de seu método, o Instituto divulga o The Manager´s View. Nele, afirma que da perspectiva do gestor, um great place to work é aquele no qual os gestores atingem os objetivos da organização, 22 trabalham com o máximo de seu empenho, oferecendo o melhor de si, e trabalham como um time, criando um ambiente de confiança. Figura 7 - Great Place to Work® Trust Model© - The Manager´s View Fonte: elaborada com base em Great Place to Work, 2019. Na figura se vê o círculo da Confiança (Trust) dividida em nove atributos: Contratar (Hiring), Inspirar (Inspiring), Dialogar (Speaking), Ouvir (Listening), Agradecer (Thanking), Desenvolver (Developing), Cuidar (Caring), Celebrar (Celebrating) e Compartilhar (Sharing). O empenho dos gestores em praticar e desenvolver esses atributos desenvolvem o ambiente de Confiança desejado, ajudando a alcançar a excelência no ambiente de trabalhando e transformando- o, portanto, num great place to work. E se temos essa visão baseada em métodos tão modernos quanto o Instituto Great Place to Work, que tal outro 23 ponto de vista? Schwartz (2011), em um interessante artigo para a Harvard Business Review, fala sobre Doze Atributos de um Lugar Verdadeiramente Excelente para se Trabalhar (The Twelve Attributes of a Truly Great Place to Work).9 Ele aborda o tema de forma mais clássica, falando de alguns temas talvez não tão “modernos”, mas que nem por isso deixam de ser importantes: a) Comprometa-se a pagar a todos os funcionários um salário digno - A distância entre os maiores e menores salários também precisa ser observada. b) Faça com que todos os funcionários participem do sucesso da empresa - Distribua lucros em qualquer formato, reconhecendo o bom trabalho. c) Pense em ambientes de trabalho que sejam seguros - Também devem ser confortáveis e atraentes para trabalhar. d) Ofereça alimentos saudáveis e de qualidade - Pratique os menores preços possíveis. e) Crie locais para os funcionários descansarem durante a jornada de trabalho - Incentive-os a fazer pequenas pausas renovadoras. f) Ofereça uma academia in company - Incentive os funcionários a se movimentar fisicamente e manter a forma. g) Defina expectativas claras e específicas de como o trabalho do funcionário será considerado bem-sucedido - Dê o máximo de autonomia possível para o seu funcionário. h) Implemente avaliações de desempenho bidirecionais - Os funcionários devem receber e oferecer feedback. i) Reafirme sempre aos líderes e gerentes que são responsáveis por tratar todos os funcionários com respeito e cuidado - Incentive-os a reconhecer os colaboradores regularmente pelas contribuições positivas que fazem. j) Crie políticas que incentivem os funcionários a reservar um tempo para se concentrar sem interrupção em suas prioridades - Dê-lhes tempo para realizar projetos pelos quais são especialmente apaixonados e que têm o potencial de agregar valor à empresa. 9 Tradução livre do autor. 24 k) Ofereça aos funcionários oportunidades e incentivos contínuos para aprender, desenvolver e crescer - Devem desenvolver novas hard skills e soft skills, que os beneficiam como indivíduos e como gerentes e líderes. l) Represente ideais que vão além dos lucros - Crie produtos ou forneça serviços ou sirva a causas que claramente agregam valor no mundo, possibilitando aos funcionários extrair sentido de seu trabalho. O que é digno de nota é que o foco está nas pessoas. Não importa o quão moderna, equipada ou rica a organização seja, ela precisa respeitar, acolher e desenvolver as pessoas, ou não será uma boa empresa para se trabalhar. 25 REFERÊNCIAS INOVAÇÃO DISRUPTIVA: o que é, importância e exemplos. FIA - Fundação Instituto de Administração, 10 jul. 2019. Disponível em: <https://fia.com.br/blog/inovacao-disruptiva/ >. Acesso em: 15 de out. 2021. WHAT is great place to work? Great Place to Work, c2019. Disponível em: <https://www.greatplacetowork.me/what-is-great-place-to-work/>. Acesso em: 25 out. 2021. HANDY, C. Deuses da administração: como enfrentar as constantes mudanças da cultura organizacional. São Paulo: Saraiva, 2012. LALOUX, F. Reinventando as organizações: um guia para criar organizações inspiradas no próximo estágio da consciência humana. Curitiba: Voo, 2017. MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Editora Melhoramentos, c2021. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/moderno- portugues/busca/portugues-brasileiro/>.Acesso em: 20 out. 2021. PADOVEZE, C. L. Controladoria estratégica e operacional: conceitos – estrutura - aplicação. São Paulo: Cengage Learning, 2013. PAWAR, M. Organizations as living systems: lessons from human physiology. Systems Thinker, 2018. Disponível em: <https://thesystemsthinker.com/organizations-as-living-systems-lessons-from- human-physiology/>. Acesso em: 14 out. 2021. SCHWARTZ, T. The twelve attributes of a truly great place to work. Harvard Business Review Publishing, 2011. Disponível em: <https://hbr.org/2011/09/the-twelve-attributes-of-a-tru.html>. Acesso em: 25 out. 2021. TRF3. Justiça Federal. Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Eficaz/ Eficiente/ Efetivo. 2020. Disponível em: <https://www.trf3.jus.br/emag/emagconecta/conexaoemag-lingua- portuguesa/eficaz-eficiente-efetivo>. Acesso em: 19 out. 2021. AULA 2 GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Prof. Rogerio Meirelles 2 TEMA 1 – DESENVOLVIMENTO DE ORGANIZAÇÃO OU DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (DO) O Desenvolvimento Organizacional (DO), como matéria, estuda as organizações e seus processos de mudança, entendendo as organizações como sistemas sociais complexos, compostos de processos, normas e estrutura (equipamentos, instalações etc.), e buscando conciliar suas metas com as metas e desejos das pessoas que trabalham na organização. Castro (2000) organizou a cronologia do DO entre 1911 e 1990, e essa linha do tempo nos permite entender um pouco melhor como se desenvolveu e continua se desenvolvendo essa corrente de pensamento. Figura 1 – Cronologia do Desenvolvimento Organizacional Fonte: Meirelles, 2022, com base em Castro, 2000. A obra de French e Bell (1981) é referência, tendo os autores publicado sobre o tema desde 1962. Para eles, na ciência comportamental [...], desenvolvimento organizacional é um esforço de longa duração para melhorar os processos de resolução de problemas e renovação de uma organização, particularmente através de 1911 1922 1926 1927 a 1932 1938 1939 1940 P u b li c a ç ã o d e P ri n c íp io s d e A d m in is tr a ç ã o C ie n tí fi c a , d e F re d e ri c k W in s lo w T a y lo r. C o n c e it o d e b u ro c ra c ia , p o r M a x W e b e r A M a n e ir a d e D a r O rd e n s , d e M a ry P a rk e r F o ll e t. E s tu d o s d e H a w th o rn e A s F u n ç õ e s d o E x e c u ti v o , d e C h e s te r B a rn a rd . P e s q u is a d e L e w in , L ip p it e W h it e s o b re a s u p e ri o ri d a d e d a l id e ra n ç a d e m o c rá ti c a . D in â m ic a d e G ru p o , la n ç a d a p o r K u rt L e w in e a lu n o s . 1940 a 1960 O s e s tu d o s d e H a w th o rn e d e ra m o ri g e m a o m o v im e n to d e r e la ç õ e s h u m a n a s . 1944 a 1947 1948 1950 1951 1954 1957 1960 M o v im e n to d e t re in a m e n to e m l a b o ra tó ri o , p re c u rs o r d o D e s e n v o lv im e n to O rg a n iz a c io n a l. C o n c e it o s d e L id e ra n ç a c o m p a rt il h a d a e o ri e n ta ç õ e s s o b re c o m o c o lo c a -l a e m p rá ti c a , p o r B e n n e e S h e a ts . P e n s a m e n to S is tê m ic o : C o n c e it o s d a t e o ri a g e ra l d o s s is te m a s a p re s e n ta d o s p o r L u d w ig v o n B e rt a la n ff y . S is te m a s s ó c io -t é c n ic o s , tr a b a lh o s o b re a s m in a s d e c a rv ã o i n g le s a s , p u b li c a d o p o r T ri s t e B a m fo rt h , d a C lí n ic a T a v is to c k ( L o n d re s ). M o ti v a ç ã o e P e rs o n a li d a d e , d e A b ra h a m M a s lo w . P e rs o n a li d a d e e O rg a n iz a ç ã o , o ri g in a l d e u m a s é ri e d e l iv ro s d e C h ri s A rg y ri s . O L a d o H u m a n o d a E m p re s a , d e D o u g la s M c G re g o r. 1951 T e ra p ia C e n tr a d a n o C li e n te , d e C a rl R o g e rs . 1961 1961 1966 1969 1980 1982 B u rn s e S ta lk e r d e s c re v e m d u a s f o rm a s d if e re n te s d e e s tr u tu ra s o rg a n iz a c io n a is : m e c â n ic a s e o rg â n ic a s . N o v o s P a d rõ e s d e A d m in is tr a ç ã o , d e R e n s is L ik e rt . P s ic o lo g ia S o c ia l d a s O rg a n iz a ç õ e s , d e K a tz e K a h n . E d it o ra A d d is o n W e s le y p u b li c a s é ri e d e l iv ro s s o b re D e s e n v o lv im e n to O rg a n iz a c io n a l. G e s tã o d a Q u a li d a d e . A M á q u in a q u e M u d o u o M u n d o , d e W o m a c k ,J o n e s e R o o s , e V e n c e n d o a C ri s e , d e P e te rs e W a te rm a n . R e e n g e n h a ri a E q u ip e s A u to -G e re n c ia d a s . A Q u in ta D is c ip li n a , d e P e te r S e n g e . 1990 3 um gerenciamento mais efetivo e colaborativo da cultura da organização – com especial ênfase na cultura de equipes formais de trabalho – com o auxílio de um agente de mudança, ou catalisador, e o uso da teoria e tecnologia da ciência comportamental aplicada, incluindo pesquisa- ação. Na sequência, vamos conceituar um pouco melhor alguns desses termos. O esforço de longa duração deve ser aplicado, pois as organizações, na maioria das vezes, não se desenvolvem com rapidez. E, além de as mudanças serem lentas, costumam ser duradouras. O processo de resolução de problemas é composto por métodos utilizados para diagnóstico e tratamento de situações de não conformidade, ajudando a analisar e a desenhar ações para a resolução imediata e permanente de problemas no ambiente interno e externo à organização. O gerenciamento mais efetivo e colaborativo da cultura da organização é importante, uma vez que guarda, controla e afeta os padrões que criaram e que mantêm e modificam uma cultura que deve satisfazer às aspirações das pessoas, e, ao mesmo tempo, permitir que a organização atinja seus propósitos. As equipes formais de trabalho (em algumas organizações chamadas também de setores idepartamentos) são células-base por meio das quais a organização se estrutura. Aparecem no organograma da organização com o gestor e os subordinados. São alvos preferenciais dos esforços de Desenvolvimento Organizacional, pois devem ser constantemente modernizadas, tendo seus modelos questionados, além de eventualmente terem seus membros participando de equipes temporárias para fins específicos. Um agente de mudança ou catalisador é uma pessoa com experiência e treinamento, a qual contribui para acelerar o trabalho do grupo com objetividade e produtividade. A teoria e a tecnologia da ciência comportamental aplicada são aqui referidas como um conjunto de conhecimentos que ajudam a entender o comportamento de uma pessoa quando inserida em uma organização, ambas diagnosticando como funciona e como poderia funcionar, utilizando psicologia, antropologia, sociologia etc. A pesquisa-ação é um modelo de pesquisa participativo, no qual o diagnóstico e os planos de ação são cooperativos e interativos, fazendo com que a liderança, os liderados e as pessoas envolvidas com as ações de DO trabalhem em conjunto na resolução de problemas. Nos livros e na internet, há muito material sobre DO. Para não começarmos a divagar e correr o risco de navegar por materiais que abordam o tema de forma muito superficial, vamos nos ater àqueles que derivam das teorias de referências. 4 Aprofundandoos estudos em DO, foram propostos modelos que buscam ilustrar e reforçar a teoria. Um desses modelos (entre aqueles baseados em French e Bell) é a Teoria da Eficácia Gerencial de Reddin (1977). Figura 2 – Teoria da Eficácia Gerencial Fonte: Meirelles, 2022, com base em Reddin, 1977. Para Reddin, há uma clara distinção entre o Gerente Eficiente e o Gerente Eficaz. O Gerente Eficaz prima por ser avaliado por resultados, manipulando as situações que se apresentam com esse objetivo, sendo criativo e pouco ortodoxo e extraindo o máximo dos recursos, não se preocupando em seguir os processos da organização. Ele aumenta os lucros e não necessariamente reduz os custos. O Gerente Eficiente também busca alcançar resultados, mas o faz conforme os procedimentos da organização. Resolve as situações que se apresentam e busca gerir os recursos de forma otimizada. Reduz custos, mas não necessariamente Habilidades Gerenciais Básicas: 1.Sensitividade situacional. 2.Flexibilidade de estilo. 3.Destreza de gerência situacional. Gerente Eficaz: • Executa as tarefas da forma necessária para atingir o objetivo. • Produz alternativas criativas. • Otimiza a utilização dos recursos. • Obtém resultados. • Aumenta os lucros. Gerente Eficiente: • Executa as tarefas da maneira correta. • É um resolvedor de problemas. • Gere os recursos. • Cumpre seu dever. • Reduz custos. 5 aumenta os lucros. Esse modelo é utilizado nos processos de DO para provocar, por parte da liderança, uma reflexão a respeito de seus estilos e práticas. Assim, o Desenvolvimento Organizacional é um campo de pesquisa para o estudo da cronologia e do desenvolvimento das organizações que estão em contínua mudança, permitindo-nos entender a posição delas nos tempos atuais, suas raízes no passado e como poderão continuar a sobreviver no futuro. O DO permite, ainda, que as organizações utilizem seus fundamentos para alicerçarem as mudanças necessárias à sua sobrevivência ao longo do tempo, considerando o ambiente interno e externo nos quais estão inseridas, buscando ganhar competitividade. TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL (DO) NA PRÁTICA Fundamentadas as teorias, como uma organização coloca o DO em prática? Também para esse ponto há uma ampla disponibilidade de material de pesquisa. Um dos modelos de implementação, conhecido como modelo de Lawrence e Lorsch (1969), ainda muito atual, é baseado no binômio Diagnóstico x Ação, propostos num ciclo contínuo. Figura 3 – Diagnóstico x ação Fonte: Lawrence; Lorsch, 1969. 6 A implementação em uma organização deve ser realizada em quatro fases: Diagnóstico, Planejamento da Ação, Implementação da Ação e Avaliação. O modelo se sustenta nos seguintes pilares conceituais: • Diferenciação e Integração: o trabalho dividido em setores provoca uma diferenciação entre eles. A tendência da diferenciação é a segregação. A segregação precisa ser mitigada com o favorecimento da integração; • Defrontamentos: a organização é composta de recursos (equipamentos, finanças, pessoas, valores). Tais recursos devem se defrontar com o intuito de extrair o maior rendimento de cada um na busca pelos objetivos da organização. São defrontamentos: organização x ambiente; grupo x grupo; indivíduo x organização; dentre outros. Firmado os pilares conceituais, parte-se para a implementação; • Diagnóstico: olha-se para o defrontamento entre a organização e o seu ambiente, identificando-se as ações estruturais necessárias. Do defrontamento entre os grupos, identificam-se as necessidades de ações estruturais e comportamentais; e do defrontamento entre os indivíduos e a organização, identificam-se as necessidades de ações de ordem comportamental; • Planejamento da Ação: é o plano de ação que permitirá executar as mudanças requeridas, identificará os métodos e recursos a serem utilizados e o passo-a-passo para modificar o status quo e atingir os resultados desejados; • Implementação da Ação: nesta etapa, a organização compromete as pessoas com a mudança. Assim, adotam-se as mudanças necessárias, aplicam-se os recursos devidos e faz-se o acompanhamento do processo (follow-up); • Avaliação: verificam-se os resultados atingidos. A depender dos resultados, encerra-se o ciclo ou pode se iniciar um novo diagnóstico, um novo planejamento da ação e uma nova implementação. Existem evidentemente muitos outros modelos de implementação, mais ou menos complexos. Entretanto, a grande pergunta é: por que submeter uma organização ao Desenvolvimento Organizacional ? Normalmente, a organização que se dispõe a fazê-lo está passando por alguma dificuldade que afeta seus resultados, ou está querendo melhorar sua competitividade. O DO, nesse caso, 7 torna-se um excelente meio para que a organização se conheça melhor e identifique os caminhos para resolver seus problemas e alcançar seus objetivos. Um DO bem-sucedido tenderá a aumentar a satisfação dos colaboradores, além de aumentar seu engajamento em relação aos valores e à cultura da organização. O efeito será a melhora do clima organizacional e o aumento na produtividade. Sobre a implementação, Cummings e Worley (2009) listaram 18 intervenções de DO, classificando-as em Intervenções nos Processos Humanos, Intervenções nos Processos Tecnoestruturais, Intervenções no Gerenciamento dos Recursos Humanos e Intervenções de Mudanças Estratégicas. Tais intervenções servem de guia para a implementação de um processo de DO. Figura 4 – 18 Intervenções de DO Intervenções nos processos humanos Intervenções Individuais Direcionadas ao indivíduo; Melhoram a comunicação; Devem dar coaching ao colaborador cujo comportamento interpessoal é contraproducente; Intervenções de Grupo Direcionadas aos conteúdos, estruturas ou processos que regem os grupos; Conteúdo direcionado para o foco de atuação daquele grupo; Especificam como um grupo deve estar estabelecido e equipado para execução do conteúdo; Abordam o processo, que é a forma pela qual o grupo realiza suas principais tarefas, o core de suas atividades; Intervenções de Terceira Parte Normalmente empregadas para mediar conflitos internos; A intervenção ajuda conflitos sérios a serem resolvidos com mais rapidez; Usualmente, o mediador é um consultor de DO; 8 Team Building Intervenção de DO mais conhecida do mercado; Ajudam o grupo a melhorar e harmonizar a forma com que realizam tarefas, enxergando-se como uma equipe; Utiliza-se de ferramentas como ações de voluntariado com todo o grupo, esportes coletivos e jogos; Reunião de Confronto Organizacional Visa identificar problemas, aperfeiçoar metas e definir prioridades; É um ponto de partida para endereçar os problemas identificados por meio da estrutura da organização; Intervenções nas Inter-relações entre Grupos Visam diagnosticar e compreender relações em grupo; Identificam problemas e prioridades e aperfeiçoam metas, para depois trabalhar nos problemas identificados; Intervenções de Grandes Grupos Ação intermediária entre as intervenções 5 e 6; Traz para a mesa um grande número de membros da organização, incluindo os formadores de opinião, podendo ser internos e externos; Discute os problemas da organização como um todo, conduzindo a alterações estruturais ou estratégicas; Intervenções nos processos tecnoestruturais Design Organizacional Estrutural Direcionado à estrutura funcional da organização (divisões, processos matriciais, processos dirigidos ao cliente e network); As ferramentas principais são reengenharia e downsizing; TQM – Total Quality Management As ferramentas são Melhoria Contínua de Processo, Lean Methodology e Six-Sigma; Adotada brilhantemente por Toyota e Motorola, e, posteriormente, por organizações de todo o mundo, propõe o controleda qualidade de todo o processo, por meio da capacitação de todas as suas etapas; 9 Work Design Desenha (especifica) como o trabalho deve ser realizado para que os resultados sejam alcançados; Identifica as habilidades necessárias aos colaboradores e os capacita de acordo com as necessidades da organização; Almeja alcançar a produtividade com excelência; Enriquecimento do Trabalho Cria um ambiente no qual o trabalho, por meio de seus desafios, aguce o interesse do colaborador; Os fatores de interesse podem ser a variedade de habilidades exigida, a identificação com a natureza do trabalho ou a autonomia; Intervenções no gerenciamento dos recursos humanos Gerenciamento de Performance Fixação de metas; Avaliação de performance; Sistema de recompensas; Desenvolvimento de Talentos Coaching & mentoring; Planos de carreira e de desenvolvimento; Desenvolvimento de gerentes e líderes; Intervenções por Diversidade Inclusão independente de idade, gênero, raça, orientação sexual, necessidades especiais, cultura e valores; Intervenções por Bem-Estar Programas de gerenciamento de stress; Programas de assistência aos colaboradores, compatíveis com as necessidades do momento; Equilíbrio entre a vida social e a vida profissional; Intervenções de mudanças estratégicas Mudança para Transformação (ou Transformacional) Mudanças estruturais e operacionais, no nível estratégico da organização; Mudança Contínua Aperfeiçoamento planejado e gradual, por meio de pequenas e constantes mudanças (learning organizations, ou organizações que aprendem); 10 Mudança Transorganizacional Mudanças que atingem organizações externas, por meio de operações como aquisições, joint-ventures e network estratégico. Fonte: Meirelles, 2022, com base em Cummings; Worley, 2009. Uma vez que a organização esteja convencida da necessidade de alavancar sua competitividade utilizando o DO como uma das ferramentas, é necessário adotar um modelo de implementação efetivo. Nós optamos por explorar um modelo conceitual que reforça a necessidade de integração e da utilização inteligente dos recursos disponíveis. Complementarmente, trouxemos as 18 intervenções de DO que podem guiar o processo de implementação de forma mais detalhada. TEMA 3 – MERCADO – VETOR DE DESENVOLVIMENTO Vamos começar conceituando “mercado” de forma simples. Mercado é um local, físico ou virtual, onde compradores e vendedores estabelecem relações de compra e venda de bens e serviços. As organizações estão no mercado, e para se destacarem, se expandirem e sobreviverem, precisam superar a concorrência. Fazem isso de muitas formas e colocam-se em constante desenvolvimento, acompanhando as mudanças que a evolução exige. Para nosso tema, o mercado é o vetor ou veículo desse desenvolvimento, pois seu constante movimento não permite que a organização fique estagnada. Vamos entender melhor esse movimento do mercado recorrendo aos conceitos de Porter (2008). Utilizaremos a revisão de 2008, mas a primeira edição deste artigo foi publicada em 1979. Quando o termo viralizou, sequer havia sido inventado. Esse artigo viralizou no mundo todo, ainda pelos meios analógicos de comunicação! Apesar de Porter dirigir seu artigo original para a competição industrial, o conceito é robusto e foi adotado por todo tipo de mercado, bem como para pequenos e grandes negócios. Porter caracteriza muito claramente as forças da concorrência e as formas de enfrentá-la. A representação gráfica é muito conhecida: 11 Figura 5 – Cinco Forças de Porter Fonte: Porter, 2008. A organização que decide aprimorar sua competitividade pode se utilizar dessa ferramenta para avaliar qual é a sua real situação e decidir qual a melhor estratégia de desenvolvimento. a) Risco de novos entrantes: para novos competidores, existem barreiras de entrada, ou o mercado é completamente amigável a novos entrantes? Se essa entrada demanda baixos investimentos, pouco investimento de tempo, pouco esforço operacional e legislação pouco rígida ou francamente favorável (como isenção de impostos), e ainda um mercado que promete lucros razoáveis, então é extremamente alta a possibilidade de que eles apareçam. Se o cenário é diferente, demandando investimentos altos, alto esforço operacional, legislação rígida, lucros moderados ou, ainda, 12 controlados por alguma agência governamental, cai o risco de que novos entrantes apareçam. Entretanto, quando isso ocorre, o mercado muda completamente. Um bom exemplo é o mercado brasileiro de telecomunicações, a partir da década de 1990; b) Risco de substituição de produtos ou serviços: um novo produto que possa exercer a mesma função com vantagens, ou com o custo mais baixo, é sempre um risco para a organização já existente. Portanto, a organização em desenvolvimento precisa focar não apenas nos novos concorrentes, mas também nos novos produtos. Um caso famoso do final da década de 1990 é o surgimento da Netflix. Os locadores de vídeos, dentre eles a poderosa Blockbuster, não levaram a sério a tendência do streaming. O mercado de locação de vídeos desapareceu e levou com ele essas organizações; c) Poder de negociação dos compradores: o poder dos compradores e dos fornecedores são forças de mercado atuando em direções opostas. Quando em determinado mercado o poder tende a favor do comprador, os preços caem, a demanda por alta qualidade sobe e a organização compradora coloca os concorrentes uns contra os outros. Um exemplo é o setor de papel e celulose. Há poucos produtores que, quando ampliam suas capacidades ou constroem novas plantas, fazem investimentos gigantescos e, por conta de deterem volumes de dinheiro muito consideráveis, provocam uma concorrência de preços feroz entre as organizações fornecedoras. A lógica é simples: quanto menor o número de compradores e maior o número de fornecedores no mercado, estabelece- se a pendência da balança para o lado comprador; d) Poder de negociação dos fornecedores: quando o poder tende a favor do fornecedor, os preços sobem, a qualidade pode sofrer restrições para barateamento dos custos e aumento das margens, e o fornecedor pode utilizar, como argumento de aumento de preços, o fato de ser melhor remunerado em segmentos concorrentes àquele da organização. Podemos citar a Microsoft e a Apple como exemplos. Monopolizam seus mercados e ditam os preços conforme suas conveniências. Novamente, lógica simples: conquistaram seus mercados monopolizando-os. O pequeno número de fornecedores contra o enorme número de compradores faz com que a balança penda para o lado fornecedor; 13 e) Concorrência entre competidores existentes: as organizações, em desenvolvimento ou não, estão mais acostumadas a lidar com essa força em seu cotidiano. Novos produtos, política de preços, campanhas de marketing, nível de serviço, engajamento social... Tudo isso é parte do pacote para alcançar vantagem competitiva. Essa força geralmente provoca uma briga de mercado que termina em redução da margem de lucro para todos os competidores, o que provoca nas organizações a necessidade de se desenvolver. Com o desenvolvimento e o ganho de vantagem competitiva, provocam na concorrência a necessidade de se desenvolver. Por isso, Porter demonstrou essa força em forma de ciclo. Por isso, afirma-se que o mercado, por sua evolução, é o vetor de desenvolvimento das organizações. Assim, a organização que decide aprimorar sua competitividade pode contar com mais esse suporte analítico para alavancar seu desenvolvimento, considerando as movimentações de mercado. TEMA 4 – PROJETOS: FERRAMENTA ESSENCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Podemos afirmar que uma organização pode viver sem realizar projetos? Se a organização decidiu que não vai ficar paradano tempo e vai se desenvolver de acordo com as estratégias estabelecidas e com os movimentos do mercado, cada um de seus planos de desenvolvimento será um projeto, devendo ser organizado como tal, dentro das melhores práticas de mercado. Considerando que essa matéria trata de Gestão do Conhecimento e Aprendizagem Organizacional, o autor afirma, portanto, que a resposta para a pergunta é não. Nenhuma organização pode viver sem realizar projetos. Relacionando projetos ao DO, uma das principais obras de referência é o Guia PMBOK, publicado pelo PMI (2017). Segundo o PMI, “um projeto é um esforço temporário, empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo”. Qualquer projeto possui um conjunto de requisitos bem definido: • Planejamento, Execução e Controle; • Orçamento e limitação de recursos financeiros; • Cronograma ou ciclo de vida; • Metas de custo, qualidade, segurança e prazo. 14 O Projeto é dividido em cinco etapas: • Início ou start-up; • Planejamento; • Execução; • Monitoramento e Controle de Execução e Orçamento; • Encerramento. Podemos discorrer longamente sobre projetos. O Guia PMBOK tem 726 páginas! Mas o que queremos é discutir de que forma projetos podem contribuir para o DO. As práticas de gerenciamento de projetos devem ser aliadas às necessidades de DO, como queremos demonstrar na figura 6. 15 Figura 6 – Cinco etapas do Gerenciamento de Projeto Fonte: Meirelles, 2022, com base em PMI, 2017. Considerando as cinco etapas mencionadas: a) Iniciação é quando se identifica a necessidade geradora daquele desenvolvimento, muitas vezes nascida de um problema ou de uma oportunidade. Nessa fase, devem ser registradas as necessidades do negócio e os resultados a serem perseguidos e alcançados com a realização do projeto; b) O Planejamento recebe um enfoque muito especial na metodologia do Guia PMBOK, pois tende a ser uma etapa subestimada. Um planejamento detalhado e bem idealizado pode significar a diferença entre o fracasso e o sucesso de um projeto, pois evitará uma série de imprevistos que poderiam 16 comprometer os resultados pretendidos. Nessa fase, o planejamento do desenvolvimento deve ser registrado em todas as suas etapas, e o cronograma deve ser desenvolvido para que a organização tenha uma visão clara do tempo de execução do projeto. Também nessa etapa devem ser estimados, com o maior nível de detalhe possível, o custo do projeto, o plano de qualidade (se aplicável), a carga de recursos humanos e o plano de compras (se aplicável); c) A Execução usualmente é a fase mais longa, quando aquilo que foi planejado é colocado em exercício. É o momento em que aparecem os erros, os imprevistos e a desorganização, demandando um gerente de projetos capaz de lidar com a pressão advinda. É também o momento em que se deve ter o mais rígido controle sobre o orçamento do projeto; d) O Monitoramento e o Controle lançam mão de métodos estabelecidos para regularmente reportar à direção da organização o progresso do projeto; e) No Encerramento, os resultados do projeto devem ser divulgados pela equipe, além de serem auditados por uma equipe interna ou externa. Ainda, deve existir a etapa de lessons learned (lições aprendidas). É quando se encerra a documentação do projeto e realiza-se uma reunião com os executores, na qual os erros cometidos são discutidos, verificados e registrados para que não sejam cometidos em novos projetos. O DO, portanto, beneficia-se da adoção de uma metodologia de gestão de projetos para conduzir as iniciativas da organização, pois: • Torna mais eficiente o processo de tomada de decisões – a clara definição de hierarquia favorece decisões mais rápidas e legítimas; • Alcança maior eficiência no cumprimento dos prazos – um desenvolvimento, muitas vezes, precisa acontecer dentro de determinado período, ou pode perder o sentido. Se a organização precisa de um produto novo até o Natal, não poderá lançá-lo se perder essa data; • Otimiza o aproveitamento dos recursos disponíveis quando executado um bom controle orçamentário; • Reduz a ocorrência de imprevistos, uma vez que todas as etapas foram planejadas. 17 TEMA 5 – ORGANIZAÇÕES QUE SE DESENVOLVEM = PESSOAS QUE APRENDEM Quando falamos em organizações que aprendem, por extensão nos referimos ao grupo de pessoas que as formam. São essas pessoas que, individualmente, contribuem com seus aprendizados para o desenvolvimento coletivo da organização. Senge (2010) afirma que uma organização possui cinco disciplinas de aprendizagem: • Domínio Pessoal; • Modelos Mentais; • Visão Compartilhada; • Aprendizado em Grupo; • Raciocínio Sistêmico. O autor ainda coloca sua visão de que o mundo é feito de forças interligadas. Esse conceito é fundamental para que se comece a construir uma organização que aprende. Também é fundamental desenvolver as cinco disciplinas de forma conjunta, e o raciocínio sistêmico é a disciplina que une as outras quatro. 18 Figura 7 – As cinco disciplinas de aprendizagem Fonte: Mierelles, 2022, com base em Senge, 2010. Na disciplina de Domínio Pessoal, as pessoas aumentam suas capacidades individuais visando atingir um objetivo. Dessa forma, a organização, por meio da capacitação de seus colaboradores, aumenta a probabilidade de alcançar suas metas. Na disciplina de Modelos Mentais, as pessoas são incentivadas pela organização a pensar, questionar, inovar, modificar, agitar e reorganizar continuamente. E essa forma de agir deverá servir de base para moldar suas decisões. Com a Visão Compartilhada, a organização visa 19 conseguir engajamento das pessoas para que todos caminhem juntos e continuamente em direção às metas e em direção ao futuro, já que a organização pretende continuar evoluindo. Por meio do Aprendizado em Grupo, a organização incentiva os colaboradores para que aprendam individualmente e contribuam para sua equipe com seu aprendizado. O Raciocínio Sistêmico engloba as outras quatro disciplinas, buscando construir uma visão ampla dos rumos que a organização precisa seguir para permanecer aprendendo de forma contínua. Dessa forma, o domínio pessoal motiva as pessoas a aperfeiçoarem seus conhecimentos e a tornarem mais profunda sua visão e compreensão de como suas ações são capazes de afetar os rumos da organização, ou até de impactar o mundo. Os modelos mentais, com sua constante provocação, causam nos indivíduos a falta de limites, necessária na busca de soluções inovadoras. A visão compartilhada estimula o compromisso de todos com a organização a longo prazo, e o aprendizado em grupo desenvolve nas equipes a habilidade de unir as habilidades individuais em uma força unificada, na qual todos olham para a mesma direção, independentemente de seus interesses pessoais. Aplicado nesse contexto, o raciocínio sistêmico faz com que as pessoas cresçam por meio de novas capacitações e redescubram seu lugar na organização e no mundo. Além disso, o colaborador, em sua posição, estará habilitado a entender o processo de trabalho da organização na totalidade. Senge traça ainda um paralelo entre organizações que aprendem e organizações que não aprendem. 20 Figura 8 – Organizações que não aprendem x organizações que aprendem Organização que não aprendem Organizações que aprendem Nesse ambiente, demonstrar falta de conhecimento a respeito de algum assunto traz o medo de perder o cargo ou o status Focam no futuro e no ciclo de melhorias contínuas. Favorecem a busca pelo conhecimento Focam nas mudanças de mercado, mas não focam nas necessidades de desenvolvimento das pessoas e das equipes Estimulam o trabalho em equipe e o ambiente de trabalho colaborativo Focam nos problemas, rejeitandosoluções de alto custo ou inovadoras Fortalecem as potencialidades dos indivíduos, buscando compensar eventuais fraquezas Reluta em adotar novos conceitos, pois teme os efeitos da mudança. Prefere ficar com os velhos conceitos, que, mesmo ultrapassados, já estão estabelecidos Focam no futuro com objetivos claros, traçando o caminho de desenvolvimento que precisam percorrer para alcançar esses objetivos Fonte: Senge, 2010. Com base nesses fundamentos, podemos afirmar que a organização que aprende, assim como suas pessoas que aprendem, precisam se acostumar a fazê-lo continuamente. Dessa forma, a organização se fortalece para sobreviver no mundo turbulento e confuso do mercado globalizado, aproveitando-se dos benefícios da melhoria contínua que o aprendizado traz. Se em outros tempos o diferencial competitivo era técnico (máquinas, equipamentos e tecnologia), hoje as organizações percebem o quanto é necessário investir em seu capital humano. Segundo a ELM (2021), agência especializada em experiências criativas para fomentar o aprendizado organizacional, investir no capital humano possibilita que as organizações cheguem aos seguintes resultados: • Empresas com empregados felizes e com menor taxa de rotatividade; • Criação de um senso de comunidade na organização; • O ambiente de aprendizado organizacional provoca novas ideias e soluções; 21 • Sucesso baseado no compartilhamento do conhecimento; • Colaboradores mais inteligentes. 22 REFERÊNCIAS CASTRO, D. M. de. Desenvolvimento Organizacional. Campinas, 2000. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/34463834/Desenvolvimento- Organizacional>. Acesso em: 27 fev. 2022 CUMMINGS, T. G.; WORLEY, C. G. Organization Development & Change. 9. ed. Manson: South-Western Cengage Learning, 2009. ELM Learning. What is a Learning Organization? Complete Guide. Elm. 2021. Disponível em: <https://elmlearning.com/what-is-a-learning-organization/>. Acesso em: 28 fev. 2022. FRENCH, W. L.; BELL JR., C. .H. Organizational Development: Behavioral Science Interventions for Organizational Improvement. New Jersey: Prentice-Hall, 1981. LAWRENCE, P. R.; LORSCH, J. W. Developing organizations: diagnosis and action. Massachusetts: Addison-Wesley Publishing Company, 1969. PMI – Project Management Institut. Guia PMBOK: Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. 6. ed. Pennsylvania: Project Management Institute Inc., 2017. PORTER, M. E. The Five Competitive Forces That Shape Strategy. Harvard Business Review: Boston, 2008. REDDIN, W. J. Eficácia Gerencial. São Paulo: Editora Atual, 1977. SENGE, P. A Quinta Disciplina: Arte e prática da organização que aprende. 26. ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2010. AULA 3 GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Prof. Rogerio Meirelles 2 TEMA 1 – CRIAÇÃO DO CONHECIMENTO NA ORGANIZAÇÃO Já falamos em nossos estudos sobre conhecimento organizacional e seus benefícios como fonte de vantagem competitiva. Também já caracterizamos aqui as organizações como entidades vivas, que nascem, crescem, permanecem em permanente evolução e, nesse processo, criam conhecimento. E por que criar conhecimento? Não há uma única razão, pois cada organização valoriza o conhecimento à sua própria maneira, mas sem dúvida a principal é manter seus produtos e serviços competitivos. De acordo com Nonaka e Takeuchi (2008), “a criação do conhecimento é um processo sintetizador, através do qual as organizações interagem com os indivíduos e o ambiente para transcender aos paradoxos emergentes”. A organização que cria conhecimento estimula o indivíduo para que ele entenda sua parte dentro de todo o processo. Então, ele compartilha seu conhecimento com o todo, contribuindo para que o processo melhore. As organizações encaminham suas estratégias de criação de conhecimento com base em duas visões: a visão de posicionamento e a visão baseada em recursos, conforme sintetizam Nonaka e Takeuchi. Na visão de posicionamento, a organização aponta a criação do conhecimento na direção do ambiente – categoria, indústria ou grupo econômico – no qual se posiciona e no qual tenta construir sua vantagem competitiva. Na visão baseada em recursos, a organização olha para seu interior e intenta melhorar seus conhecimentos por meio dos recursos que possui, buscando sua vantagem competitiva mediante recursos superiores aos da concorrência. Defendem, com isso, que o conhecimento ideal é criado pela síntese entre a visão de posicionamento e a visão baseada em recursos. Dados precisam ser organizados para que se transformem em informação. Esta precisa ser interpretada para se transformar em conhecimento. A criação do conhecimento na organização não segue, evidentemente, um curso natural. A liderança da organização precisa gerir o processo, incentivando-o e estruturando- o. A organização deve empregar recursos financeiros para custear estudos e treinamentos, no todo ou em parte. Deve também disponibilizar equipamentos, como computadores e aparatos de comunicação e disponibilizar locais virtuais e 3 físicos para que as pessoas encontrem suporte para absorver conhecimento e, posteriormente, compartilhá-lo com a organização. A entrada do conhecimento na organização sempre se dará por meio do indivíduo. Se mantido nesse âmbito, entretanto, o conhecimento se perde. A organização, portanto, deve fomentar a ampliação do conhecimento por meio daquilo que Nonaka e Takeuchi chamam de processo em espiral: o conhecimento transita e cruza os níveis das seções, departamentos, divisões e organizações. Antes de explorar o processo em espiral, vamos falar rapidamente sobre conhecimento tácito e conhecimento explícito. Digo rapidamente, pois iremos explorar esses conceitos com mais profundidade à frente. Conhecimento tácito é aquele advindo das experiências profissionais, das vivências pessoais e da visão de mundo de um determinado indivíduo. É um conhecimento adquirido e, usualmente, não formalizado, contido na cabeça dessa pessoa. Sua transmissão, portanto, não é uma tarefa fácil. Conhecimento explícito é aquele conhecimento declarado, ou seja, formalizado pelos recursos, textos, imagens, infográficos, vídeos etc. Como é registrado, permite o adequado armazenamento e transmissão. Voltando ao processo em espiral, a ampliação do conhecimento na organização ocorre por meio de quatro processos sociais, praticados entre os indivíduos. a. Socialização: o conhecimento tácito é transmitido pela convivência profissional direta e de trabalhos em equipe. É um conhecimento compartilhado. b. Externalização: o conhecimento tácito é convertido em conhecimento explícito. Um indivíduo ou um grupo detentor de conhecimento organiza suas ideias e as transforma em material para transmissão a outros indivíduos e grupos. Cria-se um conhecimento conceitual. c. Combinação: o conhecimento explícito é sistematizado, permanecendo no formato explícito. Organiza-se o material existente em bancos de dados, softwares ou outros tipos de registros, permitindo armazenamento e acesso. Cria-se assim o conhecimento sistêmico. d. Internalização: o conhecimento explícito é convertido em conhecimento tácito, naquele momento de sair do teórico para o prático, quando se ensina alguém a fazer algo baseado num ensinamento escrito. Cria-se, desta forma, o conhecimento operacional. 4 Vamos explorar mais um pouco de conceito para que possamos entender o gráfico que virá a seguir. O conhecimento possui duas dimensões: a epistemológica e a ontológica. Nonaka e Takeuchi definem a Dimensão Epistemológica como sendo aquela na qual os conhecimentos tácito e explícito se distinguem e se transformam. Já a Dimensão Ontológica é aquela na qual os níveis de conhecimento se distinguem: individual, grupal, organizacional e interorganizacional. Figura1 – Processo do conhecimento em espiral Fonte: Baseado em Nonaka e Takeuchi, 2008. Crédito: AKS/Adobe Stock; fotomek/Adobe stock. Na Socialização, o conhecimento transita de tácito para tácito, na dimensão individual. Na Externalização, ele transita de tácito para explícito, da dimensão individual para a grupal. Na Combinação, ele transita de explícito para explícito, da dimensão grupal para a organizacional. Na Internalização, ele transita de explícito para tácito, da dimensão individual para a grupal e para a organizacional. O conjunto, por fim, pode transitar para uma colaboração de conhecimentos interorganizacional. 5 TEMA 2 – CONHECIMENTO TÁTICO E EXPLÍCITO Quando se fala em gestão do conhecimento, uma das principais obras referenciais é Nonaka e Takeuchi (2008). Em sua obra, eles classificaram o conhecimento em dois tipos: o tácito e o explícito e exploram como, dentro da organização, um se converte no outro. Conforme Michaelis (2021), tácito quer dizer “não expresso por palavras, implícito”; já explícito quer dizer “explicado coerentemente, sem deixar dúvidas”. O conhecimento tácito não costuma ser visível. É o conhecimento advindo da prática. Por isso mesmo, é pessoal e não formalizado, formando lado a lado com a subjetividade. Enraíza-se no indivíduo e impregna-se de seus ideais, emoções e valores. É impreciso e difícil de compartilhar. O conhecimento tácito tem duas dimensões: a técnica e a cognitiva. A dimensão técnica engloba as habilidades do indivíduo em sua profissão, o know-how. O costureiro talentoso, o chef de cozinha estrelado e o piloto de Fórmula 1 intrépido possuem nativamente esse conhecimento tácito, aperfeiçoado após anos de experiência. A dimensão cognitiva é mais subjetiva. São valores, conceitos, percepções e modelos mentais adquiridos ao longo da vida e que se enraízam de tal forma que parecem naturais. Essa dimensão do conhecimento tácito influencia nossa forma de enxergar o mundo. O conhecimento tácito tem transmissão difícil, mas não impossível. Quando se ensina uma criança a andar de bicicleta, por exemplo, transmite-se conhecimento tácito por tentativa e erro. O conhecimento explícito pode ser expressado em palavras, números ou sons e pode ser dividido na forma de dados, fórmulas, textos, áudios, vídeos etc. Ou seja, é o conhecimento externalizado. Pode ser transmitido formal e sistematicamente e pode ser armazenado e publicado. Treinamentos corporativos e capacitações em determinados equipamentos ou serviços são bons exemplos de como o conhecimento explícito pode ser transmitido. Então, se numa empresa petrolífera existe a necessidade de capacitar operadores de torre, o primeiro passo do treinamento será lhes dar uma base teórica que lhes permita entender como a torre funciona e quais são suas capacidades e limites. Os conhecimentos tácito e explícito não são opostos, e sim complementares. De forma cíclica, dentro da aprendizagem organizacional, o explícito se converte em tácito que novamente se converte em explícito. 6 Permanecendo no exemplo do treinamento para operação da torre, o primeiro passo seria dar uma base teórica para os treinandos. Consolidada a base teórica, passar-se-ia à fase da prática. Essa é a fase do aprender fazendo, pois o aprendizado somente estará completo quando o operador de fato souber operar a torre, ou seja, tiver adquirido conhecimento tácito. Conforme comentamos, o conhecimento explícito se transformou em conhecimento tácito, e essas conversões ocorrem o tempo todo no processo de aprendizagem organizacional. Elas ocorrem por meio de quatro processos: a Socialização, a Externalização, a Combinação e a Internalização. Esse ciclo é chamado de modelo ou espiral SECI. No processo de criação do conhecimento organizacional, conhecimentos tácito e explícito são transmitidos e multiplicados em termos de qualidade e quantidade e migram do indivíduo para o grupo e para a organização: a. Socialização: de tácito para tácito I, de indivíduo para indivíduo: conhecimento compartilhado por meio da experiência direta. b. Externalização: de tácito para explícito I, do indivíduo para o grupo: conhecimento compartilhado por meio do diálogo e da reflexão. c. Combinação: de explícito para explícito I, do grupo para a organização: o conhecimento explícito é sistematizado e aplicado. d. Internalização: de explícito para tácito I, do indivíduo para o grupo e para a organização: o conhecimento migra da teoria para prática, aprende-se fazendo. O ciclo SECI está ilustrado na Figura 2. 7 Figura 2 – Ciclo SECI do Conhecimento Crédito: Rogerio Meirelles. Tácito e explícito são dois tipos de conhecimentos presentes em todas as organizações. O saber nascido da prática e o saber nascido da teoria migram de um para outro e interagem, gerando o portfólio de conhecimentos necessários à operação e à estratégia da organização. O ciclo SECI ilustra esse dinamismo, que deve ser compreendido e utilizado pelas organizações para otimizar a valorização de seu capital intelectual. TEMA 3 – TRANSFERÊNCIA DO CONHECIMENTO NA ORGANIZAÇÃO É necessário criar conhecimento e transferir conhecimento. Houve um tempo em que o conhecimento era poder e, por isso, era restrito. Saber ler foi uma vantagem competitiva imensa na Idade Média. Saber construir também. As pessoas que possuíam conhecimentos se destacavam das demais e repassavam seus conhecimentos a poucas pessoas. Hoje, o conhecimento ainda é fonte de poder, mas é senso comum que deve ser compartilhado e não restringido. Compartilhar conduz a um aumento do 8 conhecimento. E, ainda que permaneça sendo visto como poder, especialmente desde os anos 1990, passou a fazer parte do capital das organizações, como uma parte intangível de seus ativos. As organizações competem em seus mercados, buscam melhorar sua competitividade por meio de incrementos em qualidade, melhorias em produtos e mudanças tecnológicas. O capital imaterial, formado pelo conhecimento de seus funcionários, figura como mais uma arma nessa luta pela competitividade. Investir em pesquisa para treinamento está na pauta de qualquer organização séria. Nesse provimento de treinamentos para ampliar o conhecimento, alguns fatores devem ser levados em consideração. a. Tempo: a organização deve fazer uma avaliação transparente a respeito da carga de trabalho dos colaboradores. Na maioria delas, a resposta dos colaboradores deverá ser a de que falta tempo para as tarefas diárias. Um investimento importante na criação do conhecimento é, portanto, um treinamento que os habilite a gerenciar melhor esse recurso escasso. b. Idioma: é importantíssimo no momento da transferência do conhecimento. Se a organização tem o idioma inglês, por exemplo, como sua língua nativa, e, no Brasil, contrata a maioria dos funcionários sabendo falar essa língua, pode conduzir treinamentos nesse idioma. Entretanto, se isso não for verdade, é fundamental que o treinamento e todo o material sejam traduzidos para o português. Caso contrário, o risco de uma gigantesca falha de comunicação passa a ter alta probabilidade de ocorrer. c. Empoderamento: como dissemos, conhecimento é poder. O empoderamento por meio da aquisição do conhecimento é uma realidade, já que destaca o indivíduo nas esferas em que circula. A transferência de conhecimento pode diminuir esse empoderamento. Uma pessoa com forte conhecimento tácito pode hesitar em transferir esse conhecimento por medo de perder o emprego. Cabe à organização garantir que a transferência de conhecimento também seja fonte de empoderamento, trazendo recompensa e destaque ao profissional que decidir compartilhar aquilo que sabe. d. Credibilidade: as relações de indivíduo para grupo e para organização, em qualquer direção, precisam contar com credibilidade. O emissor precisa contar coma credibilidade do receptor e vice-versa. O ministrante de um treinamento precisa ter uma experiência respeitável e habilidade para 9 transmitir seu conhecimento. Também precisa acreditar que os receptores estão qualificados para recebê-lo. O receptor do treinamento precisa estar seguro de que haverá algum tipo de progresso após o treinamento, e essa segurança precisa ser assegurada pela organização. Não se fala necessariamente em promoção, embora seja sempre importante, mas pelo menos em melhoria na rotina de trabalho ou na possibilidade de implementar mudanças. e. Comunicação: a organização deve mapear onde está o seu conhecimento e qual a melhor forma de permeá-lo pela empresa. A organização também deve comunicar seus esforços de transferência de conhecimento e deve incentivar que todos os transmissores e receptores participem das iniciativas. Além disso, a organização, por meio da comunicação, também deve criar um ambiente seguro para que as pessoas expressem diferentes ideias e opiniões. f. Sistemas de recompensa: para estabelecer uma cultura honesta de transferência do conhecimento, não são suficientes somente palavras. A organização precisa criar um sistema de aumentos de salários, promoções, prêmios, ou seja, representações efetivas do apreço pelo esforço empreendido. Isso leva as pessoas a empreenderem novos esforços. g. Ferramentas de treinamento: a velha lousa e velho giz há muito tempo se aposentaram. Os treinamentos precisam ser respaldados por recursos audiovisuais a serem utilizados em aulas e palestras, suportes para treinamentos à distância, apostilas, manuais, plantas-piloto, simuladores e outras soluções personalizadas. h. Transmissão de conhecimento: as estratégias de transmissão podem ser focadas no contato pessoal (tácito I tácito) e na transferência do conhecimento codificado (tácito I explícito ou explícito I explícito). Apesar de o contato pessoal ser mais dependente dos indivíduos que da tecnologia, e o conhecimento codificado depender mais da tecnologia do que dos indivíduos, deve se destacar que a tecnologia não funciona sem que os indivíduos se envolvam com ela. i. Armazenagem do conhecimento: o conhecimento explícito, e o tácito, quando possível, precisam ser armazenados. A organização precisa investir em registros impressos (cada vez menos utilizados, mas ainda necessários, especialmente para operações em campo com procedimentos 10 e manuais) e tecnologia da informação, para garantir o armazenamento e o acesso ao conhecimento. O conhecimento ainda é fonte de poder, mas é senso comum de que, contemporaneamente, ele não seja restrito, e sim compartilhado. Até porque compartilhar conduz ao aumento generalizado do conhecimento. Ainda, o conhecimento é o ativo primordial na composição do capital intelectual das organizações. TEMA 4 – CONCEITUANDO COMPETÊNCIA Quando se fala em conhecimento organizacional, certamente também se fala no incremento das competências das pessoas da organização por meio do conhecimento. E o que é competência? Fleury e Fleury (2000) definem competência como “um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Nesse raciocínio, a empresa seria, portanto, um portfólio de competências. As competências essenciais a um negócio variarão muito, a depender de sua natureza. Na literatura, porém, encontram-se algumas enumeradas em senso comum: a. Competência em processos: agrega os conhecimentos sobre os processos de trabalho pertinentes à atividade da organização. b. Competência técnica: agrega conhecimentos específicos sobre o trabalho a ser realizado, mais relacionados às especificidades do produto do que do processo. c. Competência de organização: agrega conhecimentos sobre a companhia e sobre a estruturação e organização dos fluxos de trabalho. d. Competência de serviço: avalia o impacto que o produto ou serviço provoca ou provocará sobre o cliente ou consumidor final. e. Competência social: focada na qualidade do relacionamento entre os membros da organização e na avaliação comportamental das pessoas. Para aplicarem de forma maximizada suas competências e, com isso, ganharem em competitividade, as organizações, segundo Fleury e Oliveira (2001), 11 podem focar estrategicamente em: a. Excelência operacional: competição baseada na otimização dos custos, produtos de qualidade aceitável, bons preços e bom atendimento. b. Inovação no produto: oferta de produtos inovadores, revolucionários e de alto preço, resultado de investimento em pesquisa e desenvolvimento. c. Orientação para serviço: oferta de produtos ou serviços customizados, de acordo com o desejo ou a necessidade do cliente. Desenvolvem soluções estando em proximidade com o cliente, estudando in loco suas necessidades. Focamos nas competências da organização. Vamos falar um pouco agora sobre as competências do indivíduo. Fleury e Oliveira (2001) as categorizaram em três blocos: a. Competências técnicas profissionais: são específicas para uma operação, ocupação ou tarefa, como desenho técnico, especificações de produto, finanças ou operações. b. Competências sociais: são direcionadas à interação com as pessoas, como comunicação, negociação, gestão de mudança, sensibilidade e trabalho em equipe. c. Competências de negócio: são direcionadas à compreensão do negócio, seu mercado, seus objetivos, clientes e concorrência, assim como o ambiente externo em que se inserem. No processo de desenvolvimento de competências, em algum momento, será necessário definir ou restringir o foco. Não será possível se desenvolver em tudo o tempo todo. Existem habilidades que podem ser facilmente transmitidas e aprendidas e outras nem tanto. Umas e outras, de qualquer maneira, cumprirão o propósito de desenvolver competências. São as hard skills e as soft skills. Hard Skills são habilidades que podem ser mais facilmente aprendidas e quantificadas. Podem também ser qualificadas como habilidades técnicas. Salas de aula, livros, apostilas, manuais e conteúdos online estruturados são recursos que podem dar suporte a esse tipo de aprendizado. São avaliáveis e podem ter seus resultados comparados. Alguns exemplos de hard skills são engenharia, finanças, operação de máquina, programação, ensino. O caminho mais simples 12 para aprendê-las é o caminho do estudo, seja por meio da educação formal, de cursos livres, de cursos de especialização ou do autodidatismo. Soft Skills são habilidades subjetivas, mais difíceis de transmitir e aprender e de avaliar. Podem ser qualificadas como habilidades comportamentais e estão relacionadas à forma de interagir e de se relacionar com as pessoas. São características da personalidade e interferem, positiva ou negativamente, nos relacionamentos corporativo e na produtividade da equipe. Podem ser avaliadas por meio de conversas com profissionais especializados, testes de personalidade ou dinâmicas específicas. Alguns exemplos de soft skills são comunicação, resolução de conflitos, liderança, solução de problemas, trabalho em equipe, automotivação. Apesar de serem subjetivas e parecerem ter nascido conosco, podem e devem ser desenvolvidas. Autodidatismo, busca por autoconhecimento, sessões de terapia se aplicável, coaching, cursos online, palestras e treinamentos direcionados a desenvolver soft skills (como treinamentos de negociação, por exemplo) e graduação em cursos como comunicação. As hard skills sempre serão necessárias, pois são a qualificação técnica para uma atividade. Houve um tempo em que eram tudo o que importava. Hoje, qualquer profissional que queira se desenvolver na carreira escolhida precisará agregar aos seus conhecimentos técnicos uma carga de soft skills, que lhepermita se relacionar adequadamente com as pessoas. Na Figura 3, temos exemplos de hard e soft skills e como elas contribuem respectivamente com aprendizado e desenvolvimento. 13 Figura 3 – Hard Skills e Soft Skills Crédito: Rogerio Meirelles. No campo da aprendizagem organizacional, o desenvolvimento de competências é essencial para alavancar os resultados dos negócios. A literatura auxilia na organização dos programas de desenvolvimento, enumerando competências básicas à organização, orientando os programas quanto aos seus focos estratégicos e, ainda, auxiliando na preparação do indivíduo para que acolha o desenvolvimento de competências da forma mais aberta possível. TEMA 5 – GESTÃO DO CONHECIMENTO: ABORDAGEM CONCEITUAL Fleury e Oliveira (2001) reúnem os diferentes focos que encontraram na literatura revisada para conceituar Gestão do Conhecimento: • Aprendizado individual e organizacional (cultura organizacional). • Relações entre as pessoas, as diferentes áreas da empresa, as diferentes empresas e o ambiente. • Desenvolvimento de competências individuais e organizacionais. • Mapeamento, codificação e compartilhamento do conhecimento organizacional. • Conectividade entre as pessoas. • Alavancagem do avanço em informática e em telecomunicações. • Mensuração do capital intelectual da empresa. A Gestão do Conhecimento está ligada à capacidade das empresas em utilizar e combinar as várias fontes e tipos de conhecimento organizacional (Nonaka; Takeuchi, 2008) para desenvolverem competências específicas e capacidade inovadora, que se traduzem, permanentemente, em novos produtos, 14 processos, sistemas gerenciais e liderança de mercado. As organizações precisam estar atentas, no momento de direcionar seus esforços de Desenvolvimento Organizacional (DO), ao ambiente competitivo. Criar produtos, processos, serviços e sistemas gerenciais são fundamentais para a perenidade do negócio e da própria organização. Esse ambiente complexo não permite direcionar os esforços de DO a poucos indivíduos ou áreas. A organização deve ser muito efetiva em envolver todas as pessoas necessárias e desenvolvê-las no sentido de alcançar seus objetivos. Uma organização deve, em seus esforços de gestão do conhecimento, adotar políticas gerenciais que englobem os planos organizacional e individual, estratégico e operacional e que inclua normas formais e informais. Fleury e Oliveira (2001) demonstram na figura a seguir como esses planos se relacionam com os diversos níveis de uma organização. Figura 4 – Gestão do conhecimento: planos e dimensões Fonte: baseado em Fleury e Oliveira, 2001. a) <1> Visão e Estratégia da Organização: Alta Administração; tem um papel fundamental de definir a estratégia da organização, as metas a serem alcançadas e para quais campos do conhecimento os colaboradores devem direcionar seus esforços de aprendizado. 15 b) <2> Cultura Organizacional: deve ser estimulada pela Alta Administração a se desenvolver no sentido da inovação, experimentação, aprendizado contínuo, comprometimento com a estratégia da organização e suas metas. c) <3> Estrutura Organizacional: as estruturas organizacionais continuam em constante mudança nas organizações, favorecendo à inovação, ao aprendizado e à geração de novos conhecimentos, em oposição às antigas estruturas hierárquicas. As novas equipes são multidisciplinares e autônomas. d) <4> Políticas de RH: as políticas de RH devem ser associadas à aquisição, geração e armazenamento de conhecimentos na organização. Destacam- se as seguintes iniciativas: a. Retenção de talentos que começa no processo seletivo, levando em consideração as habilidades e conhecimentos pregressos, a capacidade de absorção e a diversidade na composição do quadro. b. Plano de carreira alinhado com os requisitos dos processos de geração de conhecimentos individuais e organizacionais. c. Remuneração associada também à aquisição de competências. e) <5> Sistemas de Informação: o processo de geração, transmissão e armazenamento de conhecimento é diretamente afetado pelos sistemas de informação. A tecnologia é, sem dúvida, um elemento fundamental, mas o contato pessoal e a transmissão tácito I tácito ainda são considerados elementos essenciais. Da mesma forma, independentemente do avanço tecnológico, todos os sistemas dependem de inputs individuais, ou seja, não há como prescindir das pessoas. f) <6> Mensuração de Resultados: a mensuração dos resultados atingidos em relação às metas de DO deve ser comunicada para toda a organização como iniciativas bem-sucedidas. g) <7> Organização x Ambiente Externo: o DO deve se estender ao ambiente no qual a organização se insere, por meio da relação com a comunidade, fornecedores, clientes e, se o ambiente permitir, concorrentes. Fleury e Oliveira (2001) finalizam dizendo que “o capital humano, formado pelos valores e normas individuais e organizacionais, bem como pelas competências, habilidades e atitudes de cada funcionário, é a mola propulsora da geração de conhecimento e da geração de valor nas empresas”. 16 REFERÊNCIAS FLEURY, A. C. C.; FLEURY, M. T. L. Estratégias empresariais e formação de competências. São Paulo: Atlas, 2000. FLEURY, M. T.; OLIVEIRA, M. M. Jr. Organizadores: gestão estratégica do conhecimento – integrando aprendizagem, conhecimento e competências. São Paulo: Atlas, 2001. MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2021. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Porto Alegre: Bookman, 2008. AULA 4 GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Prof. Rogerio Meirelles 2 TEMA 1 – DECIDIR APRENDER Como já dissemos, a formação do capital humano é diferencial competitivo para as organizações, que se utilizam de iniciativas de inovação, criatividade e autonomia. Para isso, ela precisa qualificar suas pessoas. A organização, entretanto, possui um desafio. Além de oferecer treinamentos conforme seu desenho estratégico, ela ainda precisa provocar em seus profissionais a decisão de aderir a essas ofertas, a decisão de não se acomodar, a decisão de abraçar o novo, a decisão de aprender. Os talentos individuais motivados e qualificados serão a mola propulsora da competitividade da organização. Marques ([S.d.]) fala sobre motivação intrínseca e extrínseca. No final, motivação é o que levará o indivíduo a tomar a decisão de aprender. Segundo Marques ([S.d.]), motivação intrínseca é aquela “que depende exclusivamente do indivíduo e que está diretamente ligada aos seus sentimentos, gostos, prioridades, desejos e outros estímulos relacionados às questões internas”. Já a motivação extrínseca é aquela “utilizada pelas empresas como forma de manter os funcionários engajados. Esse estímulo está relacionado às ações que acontecem de fora para dentro [da organização]” (Marques, [S.d.]). Para estimular a decisão de aprender, a organização deve privilegiar os dois aspectos da motivação. Gomes (2017) compila de vários autores os fatores que a organização deve levar em consideração no momento de planejar seus treinamentos e torná-los atrativos aos colaboradores. 1.1 Levantamento das necessidades A organização, durante o planejamento dos treinamentos, deve identificar suas necessidades. Deve ouvir seus acionistas, seus colaboradores, seus fornecedores, seus clientes e estudar o mercado, de forma a identificar os rumos a tomar. 1.2 Diagnóstico do problema Durante a fase de levantamento das necessidades é natural que sejam apontados problemas a resolver, alguns deles com treinamentos e outros com outros tipos de ação. A organização deve utilizar essas informações em seu benefício. 3 1.3 Identificação do cliente interno A organização precisa identificar os perfis que deseja atingir. Deve cruzar asnecessidades das pessoas com suas necessidades. 1.4 Elaboração de um programa de treinamento É preciso converter as necessidades de treinamento em programações efetivas, que atendam ao propósito de suprir a necessidade identificada. 1.5 Objetivos Cada treinamento deve ter seus objetivos claramente definidos, assim como deve ser estabelecido um desempenho final a ser alcançado e seu tempo de execução. 1.6 Definição dos temas (conteúdo) Tão importante quanto os objetivos é o conteúdo a ser oferecido. Deve ser discutido, revisado e aprovado pela organização, visando atingir os melhores resultados. 1.7 Metodologia Forma de execução do treinamento: presencial, on-line, discursivo, interativo, externo, no Brasil, no exterior. 1.8 Tempo e custo Imprescindíveis à elaboração do planejamento, precisam ser consistentemente previstos e mantidos sob controle. 1.9 Convocação dos treinandos Momento de conscientizar aos treinandos sobre a importância do treinamento, sobre a visão que a organização tem a seu respeito, sobre o investimento realizado e momento de motivá-los, incluindo aí, sempre que pertinente, o sistema de recompensas sobre o qual já falamos. 4 1.10 Instrutores Devem ser escolhidos com critério, possuir experiência, conhecimento, didática e soft skills. Com toda essa estrutura de planejamento estabelecida, resta ainda aos gestores da organização construir a ponte entre as intenções da organização e as dos funcionários. Garrido, Mendonça e Silveira (2017) resumem em seu artigo algumas ações orientativas aos gestores para que sejam bem-sucedidos nessa missão: • A organização deve propiciar um ambiente favorável ao processo de aprendizagem, para que o colaborador a receba bem; • Ao inserir o colaborador num processo de aprendizagem bem estruturado, esse processo gerará naturalmente um aumento de sua autoestima, como profissional e como indivíduo; • O enriquecimento cognitivo tende a desenvolver suas potencialidades, tornando-o um profissional melhor e mais produtivo; • O enriquecimento cognitivo, uma vez reconhecido pelo colaborador, será gatilho motivacional; • A organização precisa ser sensível à situação pessoal do colaborador. Se for conhecedora de que o colaborador passa por uma provação pessoal, não deve insistir em inseri-lo em processos de treinamento, pois provavelmente o aproveitamento não será satisfatório; • Se a organização tiver sucesso em oferecer ao colaborador um treinamento que se alinhe às suas aspirações pessoais, conseguirá que ele se inclua numa imensa força motivacional; • O colaborador motivado por um treinamento bem-sucedido tenderá a ser mais engajado na organização, além de sentir-se inclinado a aumentar sua eficiência e eficácia. O artigo afirma que é impossível ignorar a influência da afetividade e da subjetividade humanas na motivação intrínseca e no processo cognitivo. Ou seja, o indivíduo não consegue separar completamente a pessoa do profissional e, à medida que se motiva a pessoa, consequentemente se motiva o profissional. 5 TEMA 2 – APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Ao abordarmos um tema, sempre devemos nos perguntar sobre sua relevância. Nesse tópico específico, qual é a importância da aprendizagem organizacional? Os colaboradores de uma organização, independentemente de seu nível hierárquico, precisam, numa periodicidade razoável, se reciclar. Conhecimentos direcionados ao aprimoramento pessoal, técnico ou gerencial devem ser acessados para manter a organização e o próprio profissional no patamar competitivo. Ao final, é isso: aprendizagem organizacional é elemento de vantagem competitiva, pois aprimora o capital intelectual da organização. Aprendizagem organizacional é o conhecimento patrocinado ou copatrocinado pela organização e absorvido pelo colaborador para o desenvolvimento de ambos. É claro que uma grande parte da absorção da aprendizagem organizacional ocorre informalmente, aproveitando-se da experiência adquirida na realização das atividades diárias, com seus acertos e erros, e da absorção dos exemplos e da experiência dos colegas e gestores. Mas vamos focar na absorção formal. As organizações que incluem, em suas estratégias, planejamento para incremento da aprendizagem organizacional são definidas como organizações que aprendem. Falamos sobre elas na Aula 2. Manter um processo de aprendizagem organizacional traz vantagens, dentre as quais podemos destacar maior eficiência nas atividades rotineiras, colaboradores mais motivados e mais comprometidos, maior receptividade à inovação, clientes mais satisfeitos. Além de trazer vantagens, faz bem à sobrevivência da organização. John Gardner (citado por Carvalho, 1999) enumera as características básicas que as organizações autorrenováveis (e portanto em constante aprendizado organizacional) possuem. São características de organizações cujos olhos se voltam para o futuro: • Capacidade de experimentação na busca de novas alternativas para enfrentar os desafios do meio onde atuam; • Menor preocupação com o passado convencional, com as regras e procedimentos normais; 6 • Disposição para assumir riscos, inerentes ao princípio de tomada de decisões; • Capacidade para superar os desafios próprios do processo de mudança autorrenovado; • Desenvolver um contínuo aprendizado como filosofia de vida organizacional. Uma vez adotado o processo de aprendizagem organizacional, segundo Guns (1998), ele provavelmente será enquadrado em uma dessas categorias: 2.1 Aprendizagem de tarefas Orienta para o desempenho e a valorização de tarefas específicas. 2.2 Aprendizagem sistêmica Diz respeito aos processos da organização, seu desenvolvimento e suas melhorias. 2.3 Aprendizagem cultural Trata dos fundamentos de uma organização, seus valores, convicções e atos, incluindo missão e visão. 2.4 Aprendizagem de liderança Voltada para a gestão e a liderança de pessoas, grupos e unidades de empresas de médio e grande porte. 2.5 Aprendizagem de equipe Orienta para a eficiência na prática da função, mostrando também como se faz para promover o aprendizado e o crescimento da equipe. 2.6 Aprendizagem estratégica Esse tipo de aprendizagem está focado nas estratégias da organização, como se dá o seu desenvolvimento, sua implementação e prováveis melhorias. 7 2.7 Aprendizagem empreendedora Trata do empreendedorismo e a gestão de equipes, como se estas fossem microempresas. Provoca no colaborador a chamada visão de dono. 2.8 Aprendizagem reflexiva Enfatiza o questionamento dos modelos vigentes na organização. É uma aprendizagem que alcança grupos mais restritos no ambiente da organização. 2.9 Aprendizagem transformacional Orienta para as formas de se realizar mudanças dentro da organização que surtam efeitos significativos. Normalmente formatada para uma mistura de treinamento técnico e emocional, trazendo afetividade para os momentos de afetividade e mudança. Além dessa abordagem, encontram-se na literatura outras referências. Uma delas é a aprendizagem com os erros cometidos durante a rotina de trabalho, valorizada por alguns autores. Para implementar a estratégia de aprendizagem organizacional, devem ser levados em conta, além das necessidades corporativas, os desafios externos ao ambiente da organização. A alta direção precisa dar suporte à aprendizagem, sendo parte ativa do processo e, por fim, deve-se pensar num aprendizado de médio e longo prazo, sem ser baseado em ensinamentos da moda, mas sim naqueles alinhados com a estratégia de negócios. Ao final de todo esse esforço, quais são os benefícios que a organização deve esperar colher após incentivar a aprendizagem organizacional? FNQ (Já ouviu falar..., 2021), blog especializado em gestão, compilou os principais: • Ganhos de eficiência; • Produtividade aprimorada e processos otimizados;• Lucro aumentado; • Redução da rotatividade de funcionários, pois conforme aumentam seus níveis de satisfação, aumentam também a lealdade e o comprometimento; • Criação de um mindset de melhoria contínua, propriedade compartilhada para projetos e responsabilidade compartilhada por resultados; 8 • Desenvolvimento de líderes em todos os níveis, o que ajuda no planejamento da sucessão; • Criação de uma cultura de investigação, capacidade adaptativa e compartilhamento de conhecimento; • Capacidade aprimorada para indivíduos e equipes adotarem e se adaptarem à mudança. TEMA 3 – GESTÃO: EXERCÍCIO DA LIDERANÇA CONTEXTUALIZADA Liderança contextualizada é um conceito relativamente recente. Na literatura brasileira, as publicações são ainda limitadas, mas há bastante material a respeito em publicações estrangeiras. Liderança contextualizada é aquela exercida pelo gestor por meio da compreensão de um ambiente em evolução, aplicando as tendências desse ambiente à sua realidade organizacional. O site Business-Leadership-Qualities (Contextual..., [S.d.]), dedicado à metodologia StrengthsFinder® Coach, aponta Apple, Uber e AirBnb como empresa cujas lideranças foram efetivas na leitura de tendências e em aplicá-las, antes mesmo que os consumidores identificassem a necessidade. O contexto, entretanto, não se refere somente ao ambiente externo à organização, mas também ao ambiente interno. O gestor, assim como entende o que ocorre fora dos muros e, como líder contextual, se adapta, mas também deve fazê-lo no ambiente interno. Nesse ambiente, o gestor lida todos os dias com várias situações complexas que demandam tratamentos separados, mas que compõem o contexto. O gestor pode ser a interface na parceria com clientes, fornecedores ou governo; pode precisar dar atenção individual a um liderado; pode ter que liderar um projeto específico; pode precisar conduzir um trabalho de sua equipe; ou pode realizar uma tarefa multifuncional ou corporativa, reunindo várias filiais. O exercício da liderança contextualizada, portanto, demanda a completa compreensão da cultura organizacional, assim como demanda o conhecimento de seus liderados como pessoas (em termos de características pessoais) e como profissionais. Juntar tudo isso no exercício diário da gestão, juntamente com a execução de suas atividades diárias, é praticar liderança contextualizada. Esse exercício é complexo e não pode ser executado à perfeição em todos os seus aspectos. A organização, da mesma forma que precisa investir na aprendizagem organizacional, precisa estar atenta às necessidades de seus 9 gestores. O gestor deve ser apresentado a ferramentas que lhe permitam desenvolver o seu potencial, reforçando suas características fortes e auxiliando-o em seus pontos de melhoria. A literatura indica alguns pontos em comum que demandam atenção do gestor no exercício da liderança contextualizada bem-sucedida: 3.1 Envolvimento com a equipe É preciso participar ativamente do recrutamento, colocar nas posições adequadas, motivar e apoiar sua equipe, sendo participativo e evitando ser omisso. 3.2 Explorar e entender os limites organizacionais Entender e explorar os limites que determinados sistemas de trabalho impõe aos relacionamentos entre lideranças ou mesmo setores dentro de uma organização e tutorear sua equipe a lidar com essas barreiras. 3.3 Aplicar e cascatear as diretrizes organizacionais Liderar a equipe em suas tarefas rotineiras e provocar neles o entendimento do nível estratégico da organização, incentivando-os a conhecer e se envolver em projetos estratégicos, metas organizacionais e visões de futuro divulgadas pela organização. 3.4 Capacitar-se para exercer sua liderança up and down O gestor precisa ser capaz de relacionar-se com seus superiores para ser merecedor de sua confiança, e precisa cultivar o relacionamento com seus subordinados de modo a conquistar sua lealdade. 3.5 Atentar para o microcontexto Embora a liderança contextualizada naturalmente guie o gestor a adotar uma visão mais ampla, uma fatia de sua atenção deve estar voltada para o entendimento da cultura daquela unidade da organização, daqueles setores que a compõem, de sua própria equipe como conjunto e dos indivíduos que a compõem. 10 3.6 Olhar para os indivíduos O gestor jamais deve perder de vista que esse é o princípio de tudo: gerir os indivíduos e lidar com seus comportamentos, pois é uma parte importantíssima na composição do contexto. 3.7 Autoavaliar-se, sendo seu maior crítico e seu maior fã O gestor deve buscar construir uma visão crítica harmônica a respeito de si, avaliando-se sempre quanto à sua performance em lidar com a efetividade de sua liderança, o acerto em suas tomadas de decisões, suas habilidades em comunicar-se com superiores, pares e equipe e sua capacidade de realizar aquilo que é planejado, ou seja, alcançar seus objetivos organizacionais. Figura 1 – Elementos da liderança contextualizada Para ilustrar nosso texto, buscamos colocar em representação o que pode significar o dia a dia de um gestor que exerça sua liderança de forma contextualizada. Relaciona-se com muitos elementos em interface de mão-dupla (BA), oferecendo e recebendo informações e atividades, com outros em interface simples (A), apenas oferecendo sua expertise para a execução dos processos da AMBIENTE EXTERNO AMBIENTE INTERNO CLIENTES FORNECEDORES LIDERADOS (INDIVÍDUOS) PROJETOS ATIVIDADES ROTINEIRAS TAREFAS MULTIFUNCIONAIS TAREFAS CORPORATIVAS CULTURA ORGANIZACIONAL LIDERADOS (PROFISSIONAIS) DIRETRIZES ORGANIZACIONAIS ALTA DIREÇÃO MICRO CONTEXTOS AUTO AVALIAÇÃO GOVERNOGESTOR 11 organização e com outros apenas recebendo os inputs estratégicos orientativos à sua gestão (B). Reparemos ainda que todos esses elementos podem relacionar-se não somente com o gestor, mas uns com os outros. TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO E GESTÃO POR COMPETÊNCIAS Em nossas aulas, falamos muito sobre cultura organizacional e sua importância para fortalecer os processos gerenciais e produtivos da organização e para reter seus talentos. As pessoas que hoje iniciam suas carreiras tornaram- se um desafio de retenção para as organizações. Têm valores diferentes, exigências diferentes e querem que o progresso profissional ocorra muito mais rápido. Para organizar esse cenário de transição entre o comportamento tradicional e o novo, adotar bons modelos de gestão pode ser a chave do sucesso. Gerir competências é buscar o máximo desenvolvimento dos profissionais, fortalecendo suas habilidades técnicas e comportamentais. Competência pode ser definida como a habilidade para realizar uma tarefa de maneira eficiente e pode ser dividida em duas categorias básicas: competências técnicas e competências comportamentais. As competências técnicas são as hard skills, e as comportamentais são as soft skills. De acordo com Ceitil (2007), ambos os tipos de competências são compostos por cinco componentes essenciais, que veremos a seguir: 4.1 Saber É o conjunto de conhecimentos que permite ao executor realizar os comportamentos associados àquelas competências. 4.2 Saber fazer É o conjunto de habilidades que fazem com que o executor esteja capacitado para aplicar os conhecimentos que possui na solução de problemas no ambiente do trabalho. 4.3 Saber estar Além de desempenhar as tarefas com eficiência e eficácia, o 12 comportamento do executor deve adequar-se às normas e regras da organização em geral e de sua equipe ou gerência em particular. 4.4 Querer fazer O executor deve estar imbuído da vontade de desenvolver e realizar os comportamentos que compõem as competências. 4.5 Poder fazer A organização deve dispor e disponibilizar os meios e recursos necessários que possibilitem ao executor o desempenho dos comportamentos associados àscompetências. Gestão por competências envolve seleção, treinamento, remuneração, avaliação e monitoramento de desempenho. Elaborada a lista de competências, a organização deve colocar em prática um plano de aprendizado organizacional, oferecendo recursos para o desenvolvimento dos colaboradores, e um plano de comunicação para divulgá-lo adequadamente. Chiavenato (2003) sugere a formatação do seguinte plano, antes de comunicá-lo: • Mapear e descrever as competências; • Mensurar as competências; • Criar ou adotar um sistema para remunerar as competências; • Selecionar com base em competências; • Desenvolver competências; • Avaliar desempenho por competências; • Desenvolver e manter um plano contínuo de desenvolvimento por competências. Abordado o ponto de vista da organização, como o desenvolvimento de competências traz evolução ao profissional, melhorando sua atuação? LeBoerf (citado por Fleury; Fleury, 2001) propõe algumas reflexões: 4.6 Saber agir O profissional desenvolve a habilidade de saber o que faz e por que o faz. Desenvolve também saber julgar, escolher e decidir. 13 4.7 Saber mobilizar recursos Desenvolve a criação de sinergia e mobilização de recursos e competências. 4.8 Saber comunicar Desenvolve a compreensão e a transmissão assertiva de informações e conhecimentos. 4.9 Saber aprender Desenvolve a recepção otimizada do conhecimento e da experiência, e revê modelos mentais. 4.10 Saber engajar-se e comprometer-se Desenvolve a habilidade de empreender, de assumir riscos, de comprometer-se com uma meta. 4.11 Saber assumir responsabilidades Desenvolve a capacidade de responsabilizar-se conscientemente por suas ações, assumindo riscos e consequências e negociando reconhecimento por isso. 4.12 Ter visão estratégica Esforça-se por conhecer e entender o negócio da organização e seu contexto, buscando identificar oportunidades e alternativas. Devemos enfocar ainda a transição das competências aprendidas, do nível individual para o nível organizacional. Conforme Fleury e Fleury (2001), o processo ocorre primeiro no nível do indivíduo, e as competências aprendidas são carregadas de emoções positivas ou negativas de cunho pessoal. As competências são integradas depois no nível do grupo. Cada indivíduo contribui com suas competências, carregadas de emoções positivas ou negativas, e elas são combinadas, constituindo um novo conjunto. As competências integradas no nível do grupo são transformadas e 14 expressas em artefatos organizacionais: políticas, procedimentos, instruções de trabalho e estratégias, que orientarão o funcionamento da organização. TEMA 5 – TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO Treinamento é uma ferramenta de curta ou média duração, utilizada para prover o colaborador de conhecimentos e habilidades para aperfeiçoar a execução de seu trabalho. Desenvolvimento é um conjunto de conhecimentos de longo prazo que são aplicados tanto para aperfeiçoar a execução do trabalho quanto para trazer desenvolvimento pessoal ao indivíduo que os recebe. No tema anterior, falávamos sobre competências. No momento em que a organização percebe a necessidade de uma determinada competência, ou de um conjunto delas, pode trilhar dois caminhos. É possível buscar essa competência no mercado por meio de recrutamento, ou qualificar uma pessoa de seu quadro. Vamos focar no segundo caminho. Para suportar essa decisão da organização, Chiavenato (2014) sugere a modernização dos planos de treinamento e desenvolvimento, comparando as características clássicas com as atuais quando o tema é desenvolver pessoas. 5.1 Comparação das características clássicas com as atuais 5.1.1 Planejado versus casual A organização deve antecipar-se às suas necessidades baseando-se em suas metas estratégicas, planejando suas iniciativas de treinamento e desenvolvimento. Contrapõe-se à qualificação casual, eventual. 5.1.2 Intencional versus randômico A organização deve decidir quem treinar e desenvolver de forma intencional, utilizando-se de critérios claros, não subjetivos. Contrapõe-se a decisões baseadas em critérios randômicos, aleatórios, ou em critério nenhum, ao sabor da liderança. 15 5.1.3 Proativo versus reativo Uma vez que a organização antecipou-se às suas necessidades, ela passa a desenvolver seu grupo de forma proativa, precisando preocupar-se menos em ser reativa às situações que se apresentem. 5.1.4 Longo prazo versus curto prazo A organização deve organizar seu programa de treinamento e desenvolvimento olhando à frente em meses e anos, no longo prazo, e não focando somente em atender às necessidades de curto prazo. 5.1.5 Instabilidade versus estabilidade O programa de treinamento e desenvolvimento não pode ignorar o elemento instabilidade, característico do mercado atual. Precisa incluir o gerenciamento da mudança em seu conteúdo, primando para que o processo, ao final do programa, esteja mudado e não estável. 5.1.6 Consensual versus imposto A montagem do programa de treinamento e desenvolvimento deve contar com a participação do colaborador, para que seu conteúdo seja enxergue como relevante de forma consensual. Deve ser evitada a atitude de simplesmente impor ao colaborador que realize determinado treinamento. 5.1.7 Provisório versus permanente A organização deve enxergar que o conteúdo de seu programa de treinamento e desenvolvimento precisa ser constantemente revisto, considerando as mudanças do mercado e de sua própria estratégia. Não é possível estabelecer um programa permanente. Tomada a decisão de prover treinamento e desenvolvimento aos colaboradores, que etapas devem ser seguidas para implementação? Há diversas interpretações na literatura, mas a Gupy (2021), empresa que atua no ramo de RH e publica um blog bastante robusto, traz uma interessante compilação: 16 5.2 Etapas para implementação do treinamento e desenvolvimento 5.2.1 Diagnóstico É a etapa na qual se entendem as necessidades da organização, identificando-se as que são pontuais e de curto prazo para treinamentos e as de longo prazo para desenvolvimento. Algumas ferramentas ajudam a formar um diagnóstico consistente, como o mapeamento de competências, a pesquisa de clima organizacional, o balanced scorecard e a avaliação de desempenho. 5.2.2 Planejamento É a etapa em que se associam os cargos, funções e pessoas com suas respectivas necessidades de treinamento e desenvolvimento (t&d). Dessa forma, é possível obter o montante necessário de t&d nas perspectivas curta e longa. Aí deve-se compor um plano de ação, respondendo a um checklist com perguntas como: quais são as necessidades de t&d, quais são os objetivos do programa, quais são os gaps a serem resolvidos, quais os tipos de t&d a serem aplicados, quem receberá t&d, onde ocorrerão, quando ocorrerão, qual será o custo de cada treinamento e do plano como um todo, quem será o responsável por coordenar sua execução? 5.2.3 Execução É a etapa da realização. A organização deve comunicar aos colaboradores o que está ocorrendo, divulgando o plano de treinamento e desenvolvimento e seus objetivos. Deve passar à etapa da realização, aplicando os métodos escolhidos; levantar dados para avaliar o desempenho, como notas e mudanças nos resultados da empresa; e consolidar o andamento da execução em documentação apropriada, com atualização periódica. 5.2.4 Avaliação É o momento de avaliar o programa de treinamento e desenvolvimento em si e seu impacto nos colaboradores e na organização. Os custos devem ser contabilizados, a satisfação dos participantes com o programa deve ser mensurada, e o desempenho das pessoas e da organização deve ser analisado. 17 Além da melhora de desempenho, que outros benefícios a organização pode esperar colher implementando um programa de treinamento e desenvolvimento? O maisevidente talvez seja reduzir a lacuna entre as competências possuídas e as desejadas. Essa redução trará melhores condições para o atingimento de resultados, maior excelência na realização das tarefas e funções, melhor performance na resolução de problemas e crises, melhores produtos e serviços e maior predisposição à inovação. Um outro benefício é a melhora dos indicadores de recursos humanos (RH): redução do turnover, maior assiduidade, melhoria do clima organizacional e maior engajamento podem ser esperados. A cultura organizacional também sai fortalecida do processo, pois, ao trazer o colaborador para participar do esforço de progresso da organização e recompensá-lo por isso, naturalmente ocorre a consolidação das crenças, valores e normas de comportamento. Por fim, os talentos que a organização possui e seu capital intelectual ganham qualidade e, consequentemente, valor, pois melhores competências técnicas e comportamentais trazem maiores benefícios. 18 REFERÊNCIAS CARVALHO, A. V. de. Aprendizagem organizacional em tempos de mudança. São Paulo: Pioneira. 1999. CEITIL, M. Gestão e desenvolvimento de competências. 2. ed. Lisboa: Edições Sílabo, 2007. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. _____. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. CONTEXTUAL leadership Business-Leadership-Quality, [S.d.] Disponível em: <https://www.business-leadership-qualities.com/contextual-leadership.html>. Acesso em 22 mar. 2022 FLEURY, M. T. L.; FLEURY, A. Construindo o conceito de competência. Revista de Administração Contemporânea, v. 5, n. esp., p. 183-196, 2001. GARRIDO, G.; MENDONÇA, A. V.; SILVEIRA, M. A. Aprendizagem organizacional e motivação humana: uma relação sistemicamente representada Revista de Administração da Universidade Federal de Santa Maria, 24 set. 2017. Disponível em: <https://www.redalyc.org/journal/2734/273458852005/html/>. Acesso em: 22 mar. 2022. GOMES, A. P. T. A importância da motivação e do treinamento nas organizações Revista Educação, Psicologia e Interfaces, v. 1, n. 1, 2017. Disponível em: <https://educacaoepsicologia.emnuvens.com.br/edupsi/article/view/15 >. Acesso em: 22 mar. 2022. GUNS, B. A organização que aprende rápido: seja competitivo utilizando o aprendizado organizacional. São Paulo: Futura, 1998. GUPY, M. D. Treinamento e desenvolvimento de pessoas: o que é e como criar uma estratégia de sucesso. Gupy, 3 nov. 2021). Disponível em: <https://www.gupy.io/blog/treinamento-e-desenvolvimento>. Acesso em 22 mar. 2022 19 JÁ OUVIU FALAR em aprendizado organizacional? Saiba como aplicar! FNQ, 19 jul. 2021. Disponível em: <https://blog.fnq.org.br/aprendizado-organizacional- saiba-como-aplicar/>. Acesso em: 22 mar. 2022. MARQUES, J. R. Qual a diferença entre motivação intrínseca e extrínseca? JRM, [S.d.] Disponível em: <http://www.jrmcoaching.com.br/blog/qual-a-diferenca- entre-motivacao-intrinseca-e-extrinseca/>. Acesso em: 22 mar. 2022. AULA 5 GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Prof. Rogerio Meirelles 2 TEMA 1 – EDUCAÇÃO CONTINUADA: O APRENDER INCORPORADO EM NOSSO DNA Vamos começar conceituando educação continuada: ela é a constante aprendizagem praticada pelo indivíduo ou pelo grupo, no contexto acadêmico, profissional (organizacional) ou pessoal. Há uma diferença, encontrada na literatura, entre os conceitos de educação continuada e educação permanente. Educação continuada é a constante busca por mais conhecimento dentro da área inicial de formação (por exemplo, o advogado que se forma bacharel e faz pós-graduação, mestrado e doutorado, todos na área do Direito). Educação permanente é a constante busca por conhecimento em sua área de formação e em outras (como o engenheiro que busca cursos em soft skills). Para a nossa aplicação, no entanto, trataremos educação continuada e permanente como figuras semelhantes, retratando a busca constante por conhecimento. E qual a relevância da educação continuada para a aprendizagem organizacional? É importante manter o indivíduo e o grupo interessados em renovar continuamente seus conhecimentos? Acreditamos que a educação continuada é muito relevante, e que deve ser continuamente renovada na aprendizagem organizacional. É a forma de enfrentar as constantes mudanças e inovações do mercado, mantendo a organização competitiva. Para a organização, é impossível buscar a todo momento, no mercado, as capacidades de que necessita. Ela deve, portanto, investir em seu capital intelectual para supri-las. A sociedade, como um todo, também se beneficia quando pode contar com indivíduos em constante evolução compondo seu amálgama. De acordo com André Cintra (2020), do site DNA Conteúdo Digital, especializado em facilitação de aprendizagem organizacional, a educação continuada passou a conquistar seu lugar no Brasil a partir dos anos 1970, quando os profissionais de saúde passaram a demandar e serem demandados pela renovação constante de seus conhecimentos. A educação continuada, no âmbito organizacional, pode ser composta por cursos complementares à formação escolar e cursos livres de curta, média e longa duração. A organização deve montar seu plano de treinamento e desenvolvimento (T&D) avaliando suas necessidades de capacitação, tanto imediatas, quanto de educação continuada. 3 A organização, evidentemente, espera que seus investimentos em T&D retornem no aprimoramento de seu capital intelectual e em resultados concretos. Há vários benefícios a serem colhidos, alguns específicos do negócio da organização, e outros mais gerais, tanto para o profissional como para a companhia. a. Aumento da satisfação profissional – À medida em que adquire conhecimento e o renova, é natural que o profissional encontre mais satisfação e realização em seu trabalho. Com o sentimento de realização, é natural que aumentem também sua autoconfiança e autoestima. b. Redução do turnover (rotatividade de pessoal) – O colaborador que tem sua gama de conhecimentos ampliada por meio das iniciativas da organização, tende a engajar-se mais, valorizando-a e permanecendo nela por mais tempo. c. Aumento na produtividade – O ganho de conhecimentos direciona o colaborador e o grupo a buscarem a realização de suas atividades com excelência e otimização dos processos. d. Melhora da imagem da organização do mercado – A organização começa a ser conhecida pela excelência de seus colaboradores. A educação continuada pode ser oferecida em vários formatos, desde os formais, até os mais modernos, com a utilização de tecnologia de ponta. No âmbito educacional, há os cursos de extensão, que são específicos de uma área do conhecimento, aprofundando-se em um determinado aspecto. Existem também as pós-graduações em lato sensu (viés objetivo e voltado para aplicação na vida profissional), e stricto sensu (viés científico e voltado para a vida acadêmica). As organizações também podem acessar ferramentas diversas: contratando consultorias ou utilizando-se de seus próprios profissionais. Programas de reciclagem em diversas áreas podem ser constantemente oferecidos, especialmente para assuntos como segurança, saúde, meio ambiente, comportamento nos ambientes de trabalho e assédio moral e sexual. Cursos livres são opções de curta duração para agregar rapidamente competências necessárias, muito aplicáveis para soft skills. Internamente, a organização pode estruturar a passagem de conhecimento de um funcionário para outro, favorecendo a criação de material de ensino e procedimentos e instruções de trabalho, agregando teoria e prática. Paley e Rodgers (citados por Gallagher, 2007), trazem uma análise conceitual da educação continuada aplicada à área da 4 enfermagem, mas que facilmente pode ser aplicadaa qualquer outra área profissional. Podemos vê-la ilustrada na Figura 1. Figura 1 – Educação continuada: uma análise conceitual Fonte: Elaborado com base em Paley e Rodgers, citados por Gallagher, 2007 (tradução nossa). Vamos falar primeiro sobre os atributos associados à educação continuada identificados nesse estudo. a. Direção e objetivo – Estudos revelaram que as práticas interativas resultaram em incrementos na prática profissional, enquanto apenas assistir a palestras não demonstrou melhorias relevantes. b. Dimensões de uma profissão – Embora típicas da categoria da enfermagem, as exigências poderiam ser aplicadas a qualquer profissão, se não como exigências, pelo menos como bons conselhos. O United Kingdom Central Council for Nursing, Midwifery and Health Visiting (Conselho Central para Enfermagem, Obstetrícia e Visita de Saúde do Reino Unido – tradução nossa), conforme Gallagher (2007), declara que a competência só pode ser mantida pela educação continuada. Além disso, o An Board Altranais (Conselho de Enfermagem e Obstetrícia da Irlanda), afirma que sempre haverá a necessidade de enfermeiros registrados obterem novos conhecimentos e atualização periódica. Essa classe 5 entende que a educação continuada é tão importante, que hoje sua obrigatoriedade é amplamente debatida. c. Domínios da prática – Em alguns países, como os Estados Unidos, o relicenciamento para a prática da profissão é obrigatório. Esse processo exige nova demonstração de conhecimentos na área a cada renovação, e o teste evidentemente segue se modernizando. Há vários relatos similares nos quais, cada um em seu formato, encontram maneiras de retestar frequentemente seus profissionais de enfermagem para que possam continuar praticando. Na Figura 1 também encontramos a área de antecedentes, que representa a afirmação de que antes que a educação continuada possa ser acessada, ocorrências que afetem sua aceitação pelo profissional precisam ser reconhecidas e, se for o caso, adequadamente tratadas. d. Contexto econômico e sociopolítico – A inclusão dessa dimensão na figura ocorre pelo fato de que Gallagher (2007) tem um viés voltado para a área do Reino Unido e Irlanda, nas quais a profissão é exercida de forma oficial somente pelo poder público. Nesses casos, as mudanças no contexto econômico e sociopolítico afetam as verbas destinadas à educação continuada. e. Oportunidades de acesso à educação continuada – São apontadas barreiras como falta de disponibilidade de oportunidades, de dinheiro, de conscientização, de pessoal, compromissos familiares e falta de incentivo dos gestores. Por fim, a Figura 1 aborda a área consequências, que representa a afirmação de que uma vez que se compreenda o verdadeiro valor da educação continuada, o profissional (no caso desse estudo, da área de enfermagem) pode procurar mais ativamente os programas disponíveis e engajar-se nele com mais entusiasmo. f. Melhor atendimento ao cliente – Embora a simples aquisição da educação continuada não garanta incrementos à performance automaticamente, Gallagher (2007) aponta que ela fomentou melhor atendimento ao cliente (ou paciente), estimulou a capacidade de adquirir conhecimentos atualizados, questionou e mudou práticas, promoveu credibilidade acadêmica e proporcionou status profissional mais elevado. 6 g. Crescimento e desenvolvimento na profissão de enfermagem – O estudo aponta que a educação continuada facilitou aos profissionais desenvolverem habilidades e atitudes, aumentarem sua autoconsciência, sua capacidade de avaliar a própria prática, sua capacidade de resolver problemas e adquirirem autonomia pessoal. h. Expandindo o papel – A educação continuada conduz o profissional a extrapolar seu papel inicial. De profissional de enfermagem, ele passa a enxergar a possibilidade de ser um gestor em sua área de atuação, ou pode acessar outras áreas do conhecimento, correlatas ou não, que lhe permitam desenvolver sua carreira. Falamos, portanto, sobre atributos, antecedentes e consequências do conceito desenvolvido por Gallagher (2007). Retornando à visão geral, a educação continuada é, portanto, relevante instrumento de vantagem competitiva, de valorização do capital intelectual, traz satisfação ao profissional, melhorias à organização e benefícios à sociedade. TEMA 2 – COMUNICAÇÃO: A MAIS PODEROSA DAS FERRAMENTAS Para um tema tão amplo, antes de entrarmos diretamente na comunicação organizacional, vamos falar um pouco sobre comunicação. Comunicação é um processo primário, não exclusivamente humano, instintivo, e envolve a troca de informações entre dois ou mais seres pelos mais diversos meios – de gestos a meios materiais –, que evoluíram e se sofisticaram com o tempo. Já a comunicação organizacional é um processo mais sofisticado, que se utiliza de meios e estratégias para garantir que a organização se comunique com os mais diversos públicos: seus colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade e acionistas. A comunicação organizacional se subdivide em vários tipos, que evoluem para formas específicas para que sejam mais efetivos. Podemos apontar, como tipos principais: a. Comunicação de mercado (ou mercadológica) – Destina-se a promover a marca, os produtos e os serviços da organização. Utiliza, como meios, estratégias de marketing, publicidade, eventos corporativos e feiras setoriais. 7 b. Comunicação institucional – Destina-se ao contato com o ambiente externo, e relaciona-se diretamente ao cuidado com a imagem da organização. Normalmente é conduzida por assessorias de imprensa e utiliza programas comunitários, socioambientais ou culturais como ferramentas de aproximação e identificação com o ambiente externo. c. Comunicação interna – Voltada para os colaboradores, o público interno da organização. Utiliza, como ferramentas, internet, murais, rádios e televisões corporativas, e redes sociais, na missão de manter canais de contato entre a organização e os colaboradores. A comunicação interna, a depender do tipo de organização, também pode utilizar o chamado endomarketing, que engloba ações de marketing interno, como treinamentos, palestras e outros eventos para melhorar o clima organizacional e aumentar a identificação do colaborador com a organização. E quais são as principais funções da comunicação organizacional? A visão da literatura sobre o assunto varia um pouco, mas podemos enumerar: • Atuar de forma influenciadora sobre as atitudes dos colaboradores. • Incentivar a sensação de pertencimento, equalizando o nível de informações entre todos os colaboradores. • Integrar os colaboradores e criar neles sensação de compromisso com os objetivos da organização. • Garantir que o fluxo de comunicação interna seja racional e eficaz. • Atuar como ferramenta para melhorar o clima organizacional. Falamos sobre como a comunicação organizacional se subdivide e quais são suas funções básicas. Vamos agora falar um pouco sobre como implementá- la? Cintra (2020) sugere um roteiro simplificado que pode servir como pontapé inicial. Os passos sugeridos são: 1. Conhecer os públicos – É preciso entender quais são as preferências dos segmentos de público aos quais a organização deseja alcançar. Quais são as marcas que mais agradam aos clientes? Qual é a reputação de seus produtos e serviços junto aos clientes? Qual é a opinião de seus colaboradores a respeito do clima organizacional, dos salários e benefícios praticados pela organização? Como os fornecedores enxergam a 8 organização? Esse feedback pode ser obtido por meio de diversas ferramentas, como e-mails e redes sociais. 2. Definir objetivos – Uma vez que os públicos foram identificados, os rumos da estratégia de comunicação já podem começar a ser definidos. Isso é importante, pois públicos diferentes não podem ser atingidos comuma única iniciativa de comunicação. A segmentação dos públicos permitirá entender as necessidades de cada um e elaborar cada iniciativa de modo a satisfazê-las. 3. Escolher os canais – Para satisfazer as necessidades de diferentes segmentos, os mais diferentes meios de comunicação podem ser utilizados. Entretanto, não se pode levar em conta apenas as necessidades a serem satisfeitas. É fundamental equilibrar essas escolhas com o orçamento e a infraestrutura disponíveis, e levar em consideração o tipo de linguagem, que deve ser definido de acordo com o tipo de público. 4. Preparar conteúdo – Esse é um outro passo importantíssimo. A comunicação oferecida precisa ser produzida de forma adequada, buscando atingir seu público-alvo conversando com ele, entregando-lhe um conteúdo técnico e estético que faça sentido. 5. Analisar resultados – Os resultados das ações de comunicação empreendidas precisam ser avaliados. Quais foram os ganhos para a imagem da organização? Os colaboradores estão mais engajados? Adesões às redes sociais foram conquistadas com as campanhas realizadas? Essas e outras respostas serão decisivas no planejamento das próximas ações de comunicação. Quantas iniciativas perderam-se ao longo do tempo por terem sido planejadas, executadas e implementadas, mas que pereceram por não terem sido adequadamente divulgadas? Os recursos e pessoas foram aplicados, mas a falta de divulgação deixou ao largo uma parte importantíssima do ciclo, que é despertar o interesse e provocar o engajamento das pessoas da organização. Desde a Revolução Industrial, ocorrida a partir do século XVIII, foram notados os primeiros sinais da necessidade da utilização da comunicação organizacional. Utilizada, naquele momento, de forma rudimentar e sem planejamento estratégico, era voltada apenas para atender às necessidades internas das organizações que estavam nascendo. Desde então passamos por duas Guerras Mundiais, pela Guerra Fria e pela Guerra do Golfo, apenas para focar no aspecto militar. Citamos 9 esses fatos porque tais eventos têm algo em comum: forçaram o desenvolvimento da comunicação, modernizando-a em grandes saltos, e, posteriormente, todo o desenvolvimento obtido foi aplicado à vida civil. Hoje e no futuro, a continuidade do desenvolvimento da comunicação organizacional aponta para uma mudança de direção. De empresa para o público, essa direção da interação tem se modificado para empresa → público → indivíduo → empresa, ou seja, uma comunicação cada vez mais interativa e individualizada. Nesse modelo, as organizações têm de se adaptar para lidar com essa interação, que não pode de forma alguma ser ignorada. É um momento da comunicação no qual todos os clientes têm vez e têm voz. TEMA 3 – CONFLITOS: CRESCIMENTO PELA DIVERSIDADE Conceitualmente, podemos entender conflito como o choque entre duas ou mais visões diferentes sobre um mesmo tema, na qual um grupo A se esforça para alcançar um objetivo trilhando um determinado caminho que é frustrante para um grupo B, que tem o mesmo objetivo, porém trilhando um caminho diferente. O conflito está presente em todas as organizações, e parece sempre surgir e ser encerrado pela comunicação. A comunicação organizacional inadequada favorece seu aparecimento, mas, se for aplicada corretamente, tende a resolvê- lo. Nem sempre os conflitantes entram em confronto, mas a divergência de ideias certamente causa perda de produtividade na busca dos objetivos organizacionais. Ainda que não houvesse outros motivos, a perda de produtividade, por si só, seria suficiente para considerar os conflitos como elementos prejudiciais à organização, a qual, portanto, deverá aplicar seus esforços para resolvê-los. Devemos também entender que o conflito, com confrontos, ou sem eles, é um elemento natural das relações humanas e, como tal, naturalmente migra para as relações organizacionais. O Instituto Elo (S.d.) compila várias definições para o termo conflito por autores diversos, compondo a sua própria: Um impasse que ocorre naturalmente nas nossas relações. Ele pode resultar na satisfação dos envolvidos, caso as suas necessidades sejam atendidas. É comum que se busque soluções apenas a partir dos elementos manifestos do conflito, mas isso restringe as possibilidades de superação, pois grande parte do conflito não aparece na sua manifestação. Além disso, as pessoas, frequentemente, entendem que o conflito é o confronto, mas essa é apenas uma forma de lidar com o conflito e não o conflito em si. 10 Para que possam ser resolvidos, os conflitos precisam ser estudados e entendidos. Na literatura especializada, encontramos diversas formas de classificar conflitos. Vamos abordar aquelas comumente relacionadas por diferentes autores: a. Conflito pessoal – Um indivíduo, confrontado com uma situação no ambiente organizacional que demanda uma decisão, mas fica em conflito interno por não conseguir decidir que caminho seguir. b. Conflito interpessoal – Uma ou mais pessoas defrontando-se com a necessidade de resolver uma determinada situação, mas com visões conflitantes a respeito de como solucioná-la. c. Conflito intragrupal – Um grupo de pessoas que precisa encontrar uma solução para um problema, mas há divergências sobre o melhor caminho a seguir. d. Conflito intergrupal – Semelhante ao interpessoal, mas englobando grupos cujos líderes têm visões diferentes sobre a solução a ser adotada para resolver um problema. Com os conflitos entendidos e classificados, a organização, por meio de seus líderes, precisa empenhar-se para resolvê-los. Novamente, a literatura é rica no assunto, então compilamos as visões comuns entre vários autores sobre as ferramentas indicadas para a resolução de conflitos: a. Negociação – Indivíduos em posições divergentes entram em diálogo aberto e direto, pleiteando e concedendo sem a intervenção de terceiros. Normalmente é um processo interno à organização, de formalidade reduzida, cujas decisões acordadas não têm cumprimento obrigatório, podendo ainda ser renegociadas. b. Conciliação – Os grupos ou pessoas atribuem a um elemento neutro – o conciliador –, a tarefa de orientar as partes a buscarem um entendimento para a realização de um acordo. O conciliador pode ser um elemento interno ou externo à organização, e não tem poder de decisão. Se for interno, a formalidade é um pouco maior, mas o cumprimento das decisões ainda não será necessariamente obrigatório. Se for externo, a obrigatoriedade no cumprimento das decisões certamente será obrigatório. c. Mediação – Ferramenta semelhante à conciliação, a mediação, entretanto, buscará, além da resolução do conflito, ir mais a fundo em seus motivos, 11 reforçar os vínculos organizacionais entre as partes e trabalhar na prevenção de conflitos futuros. O mediador não tem poder de decisão. d. Arbitragem – Ferramenta que engloba todos os elementos da conciliação e da mediação. Entretanto, se ao final do processo as partes não chegarem a um acordo, o árbitro, baseado nas audições colhidas, tem poder de decisão para resolver o conflito, com obrigatoriedade do cumprimento das decisões. Tratamos dos tipos de conflitos e de como resolvê-los, mas não falamos muito sobre suas causas. O conflito surge da diferença de ideias e de pontos de vista, que, por sua vez, têm suas origens nos alicerces de cada indivíduo. É uma questão, portanto, de diversidade de opiniões. Dentro das organizações, saber gerir e canalizar produtivamente essa diversidade pode ser fator de sucesso. A diversidade geracional costuma ser uma constante fonte de conflito. Pessoas nascidas em épocas diferentes tendem a ter visões de mundo diferentes. Hoje, convivem marcadamente quatro gerações que desafiam a resiliência das organizações para harmonizá-las. 1. Baby boomers (1946-1964) – Pessoas nascidas após a Segunda GuerraMundial, em um momento de reconstrução da Europa, prosperidade econômica e altas taxas de natalidade. Presenciaram a ida do homem à Lua, a Guerra Fria, as ditaduras militares em países da América Latina, os agitados anos 1960 e o nascimento da televisão. Muitos tiveram sua vida profissional vivida em apenas uma ou duas organizações. 2. Geração X (1965-1979) – Geração pós regulamentação do divórcio, com mulheres trilhando carreiras profissionais, além de outras revoluções sociais, e ainda o desenvolvimento de novas tecnologias como o videocassete, os videogames e os personal computers. Falência de grandes corporações, demissões em massa e surgimento dos embriões de gigantes como Apple, Google e YouTube. 3. Geração Y ou Millenials (1980-2000) – Acreditam que podem mudar o mundo. A internet e a globalização os fizeram adeptos da comunicação instantânea, e por isso são imediatistas, privilegiando sempre resultados a curto prazo. São ativos, multitarefas e trocam de emprego sem pestanejar. 4. Geração Z (2001 a 2014) – A primeira geração digital e conectada, que não conheceu o mundo pré-internet. Uma geração que provoca a interação 12 presencial e digital simultaneamente, e dispostos a eliminar preconceitos de raça, etnia, sexo e religião. Essas gerações conflitam, pois têm diferentes visões sobre como devem se dar as relações com os colegas de organização e com a autoridade, sobre a forma de conduzir as atividades e sobre a forma, ou o estilo, para gerenciá-las. Diversidades de todo os tipos causam conflitos, não apenas aquelas geracionais, e isso não é necessariamente ruim. Quando um trabalhador percebe que, apesar das diferenças existentes, a organização respeita e integra as diferenças, sente-se mais engajado e com mais adesão aos seus valores. Aceitar e integrar as diferenças, por si só, já é um ato que também colabora para a redução dos conflitos; com menos conflitos, haverá um ambiente de trabalho melhor e com maior competitividade. A diversidade, uma vez que a organização decida empregá-la como incremento de seu capital intelectual e ferramenta de vantagem competitiva, deve, portanto, ser promovida no quadro de funcionários pela realização de um mergulho na cultura organizacional, para que dela se extraiam percepções sobre clima organizacional ou sentimentos de exclusão. A organização deve ainda ser muito criteriosa em seus processos de recrutamento, buscando compor diversamente os quadros de pessoal, devendo investir na comunicação interna e externa, expondo, claramente, a forma como se posiciona a respeito do acolhimento da diversidade. TEMA 4 – AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO – O NOME JÁ DIZ: PURO DESENVOLVIMENTO Avaliação de desempenho é uma metodologia utilizada na medição da performance individual e coletiva dos colaboradores e das áreas de uma organização. O conjunto desses indicadores mensura a performance da própria organização. A avaliação é importante e consome esforços e recursos. Portanto, de seus resultados devem ser extraídos indicativos que direcionem ações de aperfeiçoamento das performances pessoais e organizacionais. A avaliação de desempenho deve sempre objetivar desenvolvimento e, ao seu lado, buscar aperfeiçoamento e inovação. Esses três pontos de atenção devem ser transformados em metas focadas nas funções e processos mais relevantes da organização, cuja medição faça sentido. As metas relacionadas a 13 desenvolvimento devem ser direcionadas ao crescimento pessoal e profissional dos colaboradores. As metas de aperfeiçoamento são relacionadas a correções de desempenho de performances insuficientes identificadas em períodos anteriores. As metas de inovação, por sua vez, são relacionadas à medição da performance de novas funções ou produtos, e são também destinadas a aumentar a produtividade ou a participação de mercado. Metas relacionadas a esses três pontos (ou a outros) precisam obedecer a certos critérios, para que avaliações subjetivas sejam evitadas. Um dos critérios mais aplicados e amplamente conhecidos é o chamado método SMART. De acordo com esse método (formulado por Drucker, 2001), uma meta deve ser: • S – Specific (“específica”) – Claramente identificável e particularizada. • M – Measurable (“mensurável”) – Possível de aferir qualitativa ou quantitativamente. • A – Attainable ou Achievable (“atingível”) – Possível de atingir dentro de um patamar razoável, ainda que demandando grandes esforços. Não pode ser uma meta impossível. • R – Relevant (“relevante”) – Que represente um fator ou elemento realmente importante para a performance do colaborador e/ou da organização. • T – Time based (“com prazo definido”) – Realizável dentro de um determinado prazo ou período. Vejamos na Figura 2 um exemplo de meta SMART. 14 Figura 2 – Meta SMART Fonte: Prof. Rogerio Meirelles, 2022. Há várias ferramentas que suportam a formatação de um processo de avaliação de desempenho. Algumas das mais conhecidas são: a Matrix 9Box, voltada para avaliação de potencial; a Avaliação de Desempenho 180º, na qual o funcionário é avaliado por seu gestor direto; a Avaliação de Desempenho 360º, na qual o funcionário é avaliado pelo gestor, pelos pares, pelos colaboradores e se autoavalia; Avaliação por Competência, na qual se mensura se o colaborador possui as competências necessárias para o exercício da função; e, Avaliação por Objetivos, na qual se traçam metas e se verifica seu atingimento ao final do período. De forma geral, podemos considerar que o processo de avaliação, para que alcance os objetivos pretendidos pela organização, deve seguir os seguintes passos: 1. Planeje e defina os objetivos – Devem ser definidas as metas, expectativas, responsabilidades e prazos. Realizar treinamentos internos e externos nas seguintes áreas: • NONONO • NONONO • NONONO • NONONO Total de horas de treinamentos: 25 horas Durante o ano o colaborador poderá utilizar 10 dias úteis para a realização de treinamentos internos ou externos O colaborador deverá apresentar, ao final do período, um projeto de melhoria para ás áreas NONONO e NONONO em evento específico da Alta Administração Os treinamentos devem ser realizados entre Jan/YYYY e Dez/YYYY 15 2. Estruture o processo – Deve ser criado ou adquirido um software de suporte de interface amigável, com formulários estruturados especificamente para a organização, que tenham padrões definidos e que possibilitem o acompanhamento do processo ao longo do período. 3. Colete as informações – O processo de avaliação deve ser aplicado com prazo definido para início, revisão e final, e as informações devem ser coletadas, consolidadas e acompanhadas pela direção da organização. 4. Registre e garanta a guarda e recuperação dos dados armazenados – A segurança de dados não deve ser negligenciada. 5. Calibre a avaliação – Deve ser criado um comitê de calibração que envolva lideranças e pares para discutir casos extremos, como avaliações superlativas, ou muito negativas, visando evitar subjetividade nos julgamentos. 6. Realize o processo de feedback – Após o final do período e registro dos resultados, deve ser fornecido ao colaborador um feedback a respeito de sua performance, tanto em relação aos resultados obtidos, quanto em relação ao seu comportamento sob o ponto de vista organizacional. Deve ser específico e, se houver necessidade de melhorias, deve haver o estabelecimento de um plano com pontos de verificação. 7. Realize a premiação de bons resultados – Deve ser estabelecido um plano de recompensas, com prêmios relacionados a aumentos de salários ou de outras naturezas, que causem um sentimento positivo nos colaboradores que tiveram performances de destaque. É importante que a postura da organização em todo esse processo seja a de garantir sua estrutura para uma boa realização, e que empregue seusesforços para que ele seja conduzido de forma colaborativa e transparente A avaliação de desempenho, portanto, é uma ferramenta de desenvolvimento. Do ponto de vista organizacional, ela alavanca competitividade e inovação. Do ponto de vista do colaborador, possibilita uma avaliação objetiva de seu desempenho e lhe fornece indicações para que pense e planeje seu desenvolvimento futuro. 16 TEMA 5 – FEEDBACK: O MELHOR TERMÔMETRO PARA O CRESCIMENTO Feedback é uma palavra inglesa que pode ser traduzida, no contexto organizacional, como “retroalimentar”. É uma resposta dada como avaliação do desempenho de um profissional, ou de um produto ou serviço oferecido por uma organização. No processo de avaliação de desempenho sobre o qual já falamos, a conclusão com um feedback bem estruturado dá continuidade ao plano de desenvolvimento organizacional. O colaborador que o recebe é elogiado, incentivado a continuar melhorando, e a organização permanece aprimorando seu capital intelectual. Além disso, esse processo fortalece a formação de novos líderes. Embora estejamos focando no colaborador, tudo o que dissermos sobre feedback não se limitará às pessoas. Ele pode acontecer do cliente para a organização, do fornecedor para a organização, da comunidade para organização e de muitas outras formas. O DNA do feedback não é composto de emoção, e demanda parâmetros claros e objetivos para ser efetivo. É muito importante que o feedback seja bem construído, para que seu resultado seja efetivo e possa ser utilizado para o crescimento das pessoas e para o aprimoramento de produtos e serviços. Os indivíduos e a organização nem sempre são capazes de perceber por si sós as melhorias necessárias em suas atuações, e é isso que faz o processo de feedback dos gestores, dos indivíduos e dos clientes da organização, uma ferramenta tão importante para o suporte do crescimento. Como nosso foco é o crescimento do colaborador, compilamos boas dicas para o momento de fornecer um feedback bem estruturado: a. Prepare-se bem – Faça uma lista com os pontos importantes a tratar com seu colaborador. Caso o feedback envolva resultados, tenha em mãos os atingimentos e os discuta um a um. O colaborador precisa sentir que o momento é relevante para ele, para o gestor e para a organização. b. Dê feedback no tempo apropriado – Não adianta abordar um comportamento que já ocorreu há um ano. Todo o esforço em discutir e resolver o problema não fará sentido. c. Pense no que pode dar errado – A depender do assunto a ser tratado, o colaborador pode contra-argumentar. Pense antecipadamente nas variantes que ele pode abordar e nas reações que ele pode apresentar. 17 Prepare respostas sinceras e busque manter a serenidade em qualquer reação. d. Utilize-se de um quebra gelo – Antes de entrar no assunto do feedback, busque um assunto ameno ou que vocês tenham em comum, e o introduza, para que não se estabeleça um clima de confronto. e. Explique resumidamente o que será discutido – Esse briefing é importante para que o colaborador mantenha suas expectativas sob controle e participe da discussão produtivamente. f. Seja transparente – Mesmo que seja necessário apontar falhas e pontos de melhoria, não esconda do colaborador sua opinião a respeito de seus pontos fortes e, se houver algo a observar sobre o futuro dele na organização, não deixe de fazê-lo. g. Fale sobre os pontos fortes – Ninguém é perfeito. O colaborador certamente terá pontos de melhoria a serem apontados, mas nesse processo é muito importante destacar de forma objetiva seus pontos fortes, seus atingimentos e a importância deles para a organização. h. Fale sobre os pontos fracos com calma e respeito – Novamente, ninguém é perfeito. Se antes você reforçou os pontos fortes, também será necessário falar a respeito do que não vai tão bem. É necessário abordar esses pontos com delicadeza, calma e respeito às reações que o colaborador possa vir a apresentar. Também é necessário estar preparado para argumentar pacientemente caso haja discordância e, em caso de impasse, marcar uma nova discussão para revisão da situação. i. Crie um plano de ação para alcançar melhorias – Parte do respeito que se demonstra ao colaborador no momento de tratar de seus pontos fracos é mostrar que você se importa com sua permanência e com a continuidade de seu progresso na organização. Por isso, após o feedback e a identificação dos pontos de melhoria, trabalhe num plano de ação objetivo, com ações, medições pré e pós, responsabilidades e prazos, e acompanhe o processo periodicamente. Falamos sobre o que fazer. E o que não fazer? a. Dar um feedback genérico – O feedback precisa ser personalizado e especifico para a pessoa e para a situação. b. Falar sobre pontos fracos em público – Elogios devem ser feitos em público; críticas, não. 18 c. Fazer piadas – Apresente-se bem-humorado, mas não faça piadas sobre a situação, pois isso pode desviar o propósito da conversa ou ser ofensivo. d. Não programar a reunião com tempo adequado para a manifestação do colaborador – Suas respostas àquilo que foi dito e seus pontos de vista têm de ser ouvidos sem pressa. e. Fazer do feedback uma punição – Por mais negativo que seja, maneire o tom de voz e o linguajar, sendo amistoso e educado. O momento é difícil para o emissor e para o receptor. Por fim, vamos abordar métodos de feedback bastante aplicados no mercado e citados na literatura: a. Feedback sanduíche – É um método muito conhecido, que se divide em três partes: elogio, pergunta e ação. Começa com um elogio sincero a um ou mais pontos positivos sobre a performance do colaborador. Na segunda parte, o gestor pergunta ao colaborador se há algum ponto de melhoria que ele próprio enxergue para melhorar sua performance. Por fim, constrói-se uma ação em conjunto, que é uma proposta efetiva de atividades a serem realizadas no sentido de melhorar a performance do colaborador. Devemos perceber que essa construção é bem mais cuidadosa que o uso inicial do feedback sanduíche, que consistia em fazer um elogio, abordar os pontos de melhoria e fechar com outro elogio. O método é antiquado, soa falso e deve ser evitado. b. Feedback 360 – À semelhança da Avaliação 360º, ocorre em várias direções: de colaborador para colaborador, de colaborador para gestor, de gestor para colaborador, e de colaborador para si mesmo. A vantagem desse método é obter uma coleta de opiniões mais rica. c. Feedback canvas – Proposta moderna, que consiste em avaliar uma equipe, compondo a avaliação coletiva por meio da avaliação individual de seus membros. Pode resultar na indicação de ações que melhorem a performance do time. d. Feedback wall – Também recente, nesse método a organização é avaliada pelos colaboradores pelo apontamento de melhorias e de elogios, nos quais se salientam os pontos negativos e positivos. A organização pode utilizar essas informações para realizar ações de integração e de melhoria do clima organizacional. 19 e. Feedback kudo ou High five – A organização disponibiliza algum meio (cartões, mural, posts na intranet) para que os gestores e colaboradores possam elogiar uns aos outros, fomentando o incentivo e o engajamento das pessoas, e melhorando o clima organizacional. Feedback é uma resposta que percorre várias vias da comunicação, e é uma ferramenta poderosa para direcionar indivíduos e organizações nos esforços de aprimoramento de seu crescimento. A oportunidade de dar e receber feedback precisa ser enxergada sob esse ponto de vista, e sua aplicação deve ser bem preparada e suportada por uma metodologia robusta, para que sua efetividade seja garantida. 20 REFERÊNCIAS CINTRA, A. O que é comunicação organizacional? Post Digital, 22 fev. 2020. Disponível em: <https://www.postdigital.cc/blog/artigo/o-que-e-comunicacao-organizacional>. Acesso em: 4 abr. 2022.DRUCKER, P. O homem, a administração, a sociedade. 2. ed. Barueri: Nobel, 2001. GALLAGHER, L. Continuing Education in Nursing: A Concept Analysis. Nurse Education Today, 27, 466-547, 2007. Disponível em: <http://nur655sect2jan12teama.pbworks.com/w/file/fetch/51085671/Continuing% 20education%20in%20nursing.pdf>. Acesso em: 4 abr. 2022. O CONFLITO. Instituto Elo. Disponível em: <http://institutoelo.org.br/site/files/arquivos/d1aaee6d8a529d6737b303af6e4909d 6.pdf>. Acesso em: 4 abr. 2022. PROGRAMAS de educação continuada: o que são e como aplicar nas empresas? DNA Conteúdo Digital, 2020. Disponível em: <https://dnaconteudo.com/treinamento-e-desenvolvimento/programas-educacao- continuada>. Acesso em: 4 abr. 2022. GESTÃO DO CONHECIMENTO E APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Prof. Rogerio Meirelles AULA 6 2 TEMA 1 – GESTÃO DE CONHECIMENTO: UM DESAFIO DO TAMANHO DE SUA COMPETITIVIDADE Ao longo dos conteúdos, falamos muitas vezes a respeito do aprimoramento do capital intelectual de uma organização. Afirmamos que ele precisa ser gerenciado, conservado, registrado, armazenado, tornado recuperável, atualizado e disseminado, tudo isso para assegurar que seja um elemento forte na composição do esforço da organização para se manter competitiva. Gestão do conhecimento é organizar o conjunto de conhecimentos disponíveis na organização, formalizá-lo, armazená-lo e, mais do que tudo, criar meios que tornem fácil sua utilização. O colaborador e a organização precisam contar com ferramentas e métodos de pesquisa que permitam acessar esses conhecimentos sempre que necessário. A utilização inteligente do conhecimento gera valor para a organização, aumenta seu desempenho e engrandece sua imagem no mercado. Para suporte à gestão do conhecimento e à sua efetiva utilização, a organização deve criar um ambiente de aprendizado que promova o florescimento de ideias inovadoras, deve estabelecer uma universidade corporativa, assunto que abordaremos mais tarde, e deve aplicar a tecnologia para facilitar todo esse processo. Longo (S.d.) corrobora nosso raciocínio: O processo de construção coletiva de conhecimento organizacional só é possível em um ambiente de aprendizagem que favoreça o compartilhamento de experiências e de informações entre os indivíduos. A organização que aprende é aquela que dispõe de processos sistematizados em que este conhecimento é compartilhado de maneira significativa entre seus colaboradores, e isso pode contribuir para o crescimento da empresa. O aprendizado organizacional é fonte sustentável de vantagem competitiva, pois acredita que o verdadeiro diferencial entre as organizações são as pessoas que a constituem. As pessoas são únicas, com seus paradigmas, objetivos, habilidades, formas de enxergar, pensar, falar e agir. Estas características influenciam suas ações que repercutem diretamente na sociedade. Para que se possa aliar a gestão do conhecimento ao aumento da competitividade, precisamos implementá-la. De acordo com Silva (2016), essa implementação pode se dar em etapas bem definidas: a) Análise do ambiente econômico – identificação de oportunidades, ameaças, forças e fraquezas advindas da conjuntura econômica, que possam interferir na atuação da organização e na capacidade de atingimento de suas metas. 3 b) Análise estratégica – ao lado da estratégia do negócio, a organização deve analisar seu capital intelectual, considerando os conhecimentos tácitos e explícitos que possui, e planejar a implementação do registro desses conhecimentos priorizando-os por ordem de importância. c) Identificação de áreas relevantes para a gestão do conhecimento na organização – o esforço de implementar uma metodologia de gestão do conhecimento precisa contar com uma matriz que identifique o conhecimento e a que área ou áreas pertence, de modo a facilitar e garantir uma catalogação e recuperação eficientes. Conceitualmente, todas as áreas da organização são relevantes, mas para uma implementação desse tipo é fundamental ter uma identificação precisa. As áreas solucionarão problemas, auxiliarão a tomada de decisões e alavancarão a aprendizagem organizacional. d) Identificação das ações necessárias e formulação da estratégia para a gestão do conhecimento – seguidos os passos anteriores, deve-se partir para a implementação de uma metodologia de suporte que se adeque às necessidades da organização. Essa metodologia, ou alguma ferramenta-satélite, deve dar suporte ao trabalho de identificar o passo a passo necessário para a implementação efetiva da ferramenta de gestão. Em paralelo, a organização deve planejar a estratégia de comunicação para divulgar a iniciativa. Uma vez implementada, quais os benefícios que podemos esperar advindos da gestão do conhecimento? a) Fortalecimento do capital intelectual – ter uma fonte de conhecimentos organizada, acessível e à qual a organização incentive o acesso faz com que as pessoas se habituem a acessar esse repositório e enriqueçam seus conhecimentos. b) Contribuição para os processos internos – a cultura de gestão do conhecimento melhora o fluxo de processos produtivos e administrativos da organização, o que permitirá aumentar e eficiência e reduzir os custos. c) Tomadas de decisões embasadas – conhecimentos organizados e acessíveis permitem tomar decisões de forma ágil e baseadas em informações concretas. 4 Alves et al. (2004) esquematiza as principais atividades realizadas no processo de gestão do conhecimento, como podemos ver na Figura 1. Figura 1 - Principais atividades realizadas por meio da gestão do conhecimento Fonte: Alves et al., 2004. A Inteligência Empresarial ou Competitiva é a coleta e análise de informações de mercado de várias naturezas, vindas da área tecnológica, da concorrência, informações sobre tendências, fatos políticos ou sociais que possam vir a se relacionar com assuntos da organização ou que apenas sejam de interesse geral. A Memória Organizacional é a representação explícita do conhecimento adquirido, catalogado e mantido acessível pela organização. A Gestão de Competências é o elemento de desenvolvimento humano, para atrair e reter talentos que contribuam para o crescimento da cultura organizacional e Gestão do Conhecimento 5 da própria organização. A Tecnologia da Informação tem a função de ser o ferramental que possibilita a organização, armazenamento e acesso ao conhecimento da organização, assim como ser vetor de transferência de conhecimento. A Gestão do Capital Intelectual promove condições para que as ideias fluam com liberdade em ambientes físicos e virtuais, favorecendo seu compartilhamento entre indivíduos, grupos e organização. A Educação Corporativa assume o papel de plano de educação estruturado para organizar e garantir o acesso das pessoas ao conhecimento, assim como assegurar servir de guia para que esses conhecimentos afetem favoravelmente os resultados dos negócios. É possível, portanto, durante o processo de implementar e utilizar uma metodologia de gestão do conhecimento, identificar as principais áreas de ataque, alocar os recursos para a empreitada, investir em treinamento e conduzir a documentação da organização a um patamar de excelência. Retrabalhos podem ser evitados e tempo e recursos podem ser otimizados. Respostas ágeis, decisões embasadas, suporte aos fluxos operacionais e aos programas de treinamento, tudo isso faz parte do pacote de benefícios de uma metodologia de gestão do conhecimento bem implementada. TEMA 2 – DESIGN THINKING Conceitualmente, design thinking é um direcionamento de mentalidade, mindset em inglês, uma forma de agir, com o objetivo de entender as necessidades do público-alvo da organização, influenciando seu comportamento atual e suas necessidades futuras. Entendemos que o conceito é um tanto etéreo,mas o objetivo de ficar cada vez mais íntimo do seu público-alvo direciona a organização na criação e inovação de seus produtos e serviços. 6 Figura 2 - Mouse da Apple criado pela empresa IDEO Créditos: Nor Gal/ Shutterstock. A empresa de design californiana IDEO criou o primeiro mouse para a Apple. Dois de seus executivos, David Kelley, que também é um de seus fundadores, e Tim Brown, são reconhecidos como os pais do Design Thinking, no início dos anos 1990. Após a Revolução Industrial, os produtos que eram adquiridos pelos consumidores tinham função, mas não primavam pela forma. Os liquidificadores eram quadradões e feios, as geladeiras idem. As cores, https://www.shutterstock.com/pt/g/norgal 7 quando eram aplicadas, não seguiam tendências ou padrões. Aos poucos, especialmente a partir dos anos 1970, a produção industrial evoluiu, e os consumidores passaram a dar preferência para utensílios que, ao mesmo tempo, cumprissem sua função, mas possuíssem cores, formas e curvas agradáveis ao olhar. Nascia aí o conceito de design. Brown (2020) estrutura o design thinking em três pilares, facilitando a tarefa de colocá-lo em prática: a) Empatia – pré-julgamentos, preconceitos e convicções pessoais precisam ser deixados de lado. O contexto do produto ou serviço ou de qualquer necessidade a ser atendida precisa ser enxergado pelos olhos de quem as vivencia diariamente. Por meio dessa imersão com o público- alvo é possível trazer valor para a realidade dele, e não para o que se acreditava ser melhor para ele. b) Colaboração – não basta um único olhar para alcançar a inovação. Uma mesma ocorrência gera impressões e interpretações diferentes. Design thinking demanda profissionais e pensamentos multidisciplinares. Várias perspectivas enriquecem e aprofundam a criação. c) Experimentação – a primeira coisa que um candidato a chef de cozinha aprende é que não deve servir nada sem experimentar primeiro. No design thinking ocorre a mesma coisa. Não basta criar e conceber o produto. É preciso testar o produto junto ao consumidor em versões MPV (Mínimo Produto Viável) ou de teste, para que se verifique a viabilidade do produto e para que sejam mitigados os erros advindos de verdades “absolutas” e ideias apaixonadas. Deve-se errar, portanto, o mais cedo possível, ainda antes do lançamento, para que a rota seja corrigida e os prejuízos sejam evitados. Brown explora ainda a forma pela qual ocorre o processo de design thinking. Esta, obviamente, não é a única maneira, e o processo pode e deve ser adaptado. Esta concepção inicial, no entanto, é um ótimo guia em quatro fases, que vão da identificação do desafio até a solução do problema: a) Imersão – o problema do cliente é colocado sob um holofote. Suas necessidades, seu perfil e seu potencial de negócios são analisados profundamente, para que sejam identificadas preferências e especificações que permitam a criação de um produto sob medida para 8 atendê-las, gerando aceitação e engajamento. Nessa fase também se identificam os pontos de melhoria e aqueles que já estão estáveis, e, portanto, devem ser deixados como estão. b) Análise e síntese – a fase de imersão gera muito material, mas uma boa parte desse conhecimento pode não ser apropriado para aquele projeto. As ideias devem ser agrupadas, categorizadas e catalogadas, e após essa organização racional e lógica, devem ser filtradas. c) Ideação – nessa fase deve-se pensar em soluções para os problemas identificados. Uma solução não basta, é preciso explorar a fundo e pensar “fora da caixa” para encontrar a melhor alternativa. Os insights podem vir de várias fontes como pesquisa de mercado, big data e brainstorming com os profissionais envolvidos, incluindo aqueles a serviço do cliente. As informações colhidas precisam ser transformadas em direcionamentos para que o produto alcance viabilidade, escalabilidade e relevância nas fases seguintes. d) Prototipação – o resultado de uma boa ideia precisa ser conferido na prática. Por isso é importante que sejam desenvolvidos os protótipos, que devem simular, tanto quanto possível, a vivência proporcionada pelo produto definitivo, trazendo mais segurança para a produção em escala. O protótipo pode ser produzido muito semelhante ao produto final, ou pode, de início, adotar o conceito de MPV (Mínimo Produto Viável), ou seja, reunir as características mínimas para que possa ser testado. É mais um momento para verificar o que funciona e o que precisa ser corrigido. e) Realização – uma vez realizados os testes, é hora de colocar o produto no mercado. Plano de comunicação, planejamento de distribuição e aproximação do público-alvo são algumas das ações que devem ser realizadas. Se esse esforço final não for bem-sucedido, todo o processo de design thinking terá sido em vão, já que o objetivo de toda essa ação é atender a uma necessidade específica por meio de um produto. Por fim, vamos falar um pouco sobre ferramentas que são aplicadas durante a realização de um processo de design thinking. Reunimos ocorrências mais frequentes na literatura, mas novas ferramentas sempre podem ser acrescentadas. A metodologia para aplicação de todas essas ferramentas pode ser comprada por meio de consultorias ou desenvolvida na própria organização após pesquisas a literatura e sites sobre o assunto. O Mapa de Empatia é uma 9 ferramenta na qual se registra o que o cliente pensa, fala, escuta, sente, deseja e expressa, e esses registros não devem ser perdidos de vista durante todo o processo. O Mapa Mental é uma ferramenta visual, no qual se desenha uma ideia central e a partir dela vão se desenhando as ramificações possíveis ou, pelo menos, aquelas que o grupo consiga enxergar. A cocriação é o processo no qual se integra o cliente ao processo de desenvolvimento da solução, obtendo dele insights diretos que podem agregar muito ao projeto. E o storyboard é um quadro (literalmente) que serve para representar a solução de forma gráfica, sendo composto por textos, fotos e ilustrações. TEMA 3 – EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO: O SEU NEGÓCIO É TAMBÉM O MEU NEGÓCIO O conceito de empreendedorismo corporativo não é complicado: trata-se de empreender na organização na qual você trabalha, mas que não é de sua propriedade. Mesmo não sendo sua, você se posiciona na organização como empreendedor, provocando e gerando oportunidades de crescimento e inovação, trazendo progresso para ela e para você. O empreendedor corporativo tem o espírito inquieto e está sempre incomodado com a situação atual. Organizações mais modernas, inclusive, incentivam e recompensam esse comportamento de seus funcionários, como é o caso do Google e da Meta – Facebook. O blog Contabilizei (2021) compilou uma lista das características que o perfil de um empreendedor corporativo deve reunir: a) Visão sistêmica – é a capacidade de enxergar a organização como um sistema, como um todo. O empreendedor corporativo não pode enxergar somente o seu setor, mas todos aqueles que tenham atividades que possam impactar no resultado do negócio. b) Espírito inovador e ousadia – é a coragem de enxergar fora da caixa, pensar além do curto prazo e ignorar a palavra impossível. c) Foco – as ideias precisam ir além da fase da concepção. O profissional empreendedor precisa ser capaz de manter o projeto vivo até a sua execução. d) Criatividade – é a capacidade de encontrar novas soluções para velhos problemas. 10 e) Comunicação – é a capacidade de transmitir o que pensa e convencer às outras pessoas da importância da ideia colocada em pauta. A ideia mal comunicada tende a morrer. f) Habilidade no relacionamento interpessoal – o empreendedor corporativo precisa atuar além de seu departamento. Precisa, portanto, relacionar-se bem com outras pessoas, para conhecer a dinâmicados outros setores e poder, também, exercer influência sobre as pessoas no sentido de convencê-las da importância da mudança. g) Flexibilidade – é preciso cultivar a capacidade de lidar com o inesperado, com o indesejado, com a rejeição. A ideia proposta pode ser recusada, modificada ou adiada. O empreendedor corporativo precisa ser flexível e lidar com essas mudanças, sem perder sua motivação ou sua capacidade empreendedora. h) Liderança – o fato de transitar por outras áreas da organização, comunicar-se com outras pessoas, trabalhar em equipe e exercer influência tem muito mais efetividade quando o empreendedor tem a habilidade da liderança entre seus skills. Com todas essas habilidades, o empreendedor corporativo não pode, entretanto, transformar-se de um alento para um risco na organização. Assim, é importante que seu perfil contenha, além das qualidades relacionadas a arrojo, alguns limites como, apesar de ter espírito inquieto, respeitar a hierarquia e as regras da organização, calcular os riscos dos projetos de empreendedorismo corporativo pelos quais é responsável e consultar seus superiores antes de tomar decisões arriscadas fora do limite de sua alçada. Empreender corporativamente não significa somente criar novos negócios. Aperfeiçoar processos cotidianos e questionar velhas práticas também são práticas empreendedoristas. O empreendedorismo corporativo pode, em algumas ocasiões, ser uma atividade solitária. Entretanto, dentro de uma organização, há grandes chances de que os processos sejam mais bem sucedidos se contarem com a colaboração multifuncional, ou seja, trabalho em equipe. Embora o espírito empreendedor seja único, o empreendedorismo não tem um tipo único. Batista (2005), citado por Eliana Pessoa, refletiu a respeito. O autor converteu essa reflexão na tabela a seguir, que compra 11 empreendedorismo corporativo, empreendedorismo de start-up e empreendedorismo social. Figura 3 - Comparação entre tipos de empreendedorismo Fonte: Meirelles, 2022, baseado em Batista, 2005. Entendemos que essa reflexão nos leva a pensar que o empreendedorismo, independentemente de sua natureza, primeiro está relacionado com o fato de o indivíduo possuir habilidades específicas para empreender. Depois, com o fato de encontrar motivação, aliada à paixão por uma ideia ou por um conceito. E esse perfil, claro, pode ser aperfeiçoado por meio da aquisição de conhecimentos técnicos e voltados para relações interpessoais. O empreendedor corporativo, exatamente por exercitar essa “visão de dono” dentro da organização, mesmo que não seja seu proprietário, deve ser valorizado pela direção. A organização só terá a se beneficiar por manter em seu quadro um profissional criativo, inovador, ousado, organizado, resiliente e dono de visão sistêmica e de uma inteligência emocional amadurecida. 12 TEMA 4 – UNIVERSIDADE CORPORATIVA Universidade corporativa (UC) é uma instituição de educação pública ou privada, vinculada a uma organização ou a uma entidade que represente um grupo delas, criada com objetivo de capacitar colaboradores da organização ou do setor, buscando reduzir custos e obter rapidez e qualidade na formação de mão de obra estratégica. As primeiras UCs conhecidas globalmente tiveram origem nos anos 1950, nos Estados Unidos, como a Coca-Cola. No Brasil, começaram nos anos 1990, como a Natura. Temos ainda Ambev, Chevrolet, Banco do Brasil e Petrobrás conduzindo suas UCs. A criação de uma universidade corporativa demanda estratégia e planejamento, pois demanda tempo, dedicação de capital intelectual e dinheiro da organização. Também não basta formatar um conteúdo. É preciso desenvolver cada um de seus tópicos com a devida qualidade e relevância e, também, é preciso disponibilizá-los por meio de uma plataforma tecnológica adequada. Tornam-se cada vez mais raros os casos em que livros, apostilas e cadernos são material didático para o aprendizado, embora, evidentemente, ainda tenham valor. Esse esforço também precisa levar em consideração que o conteúdo não deve ser genérico. Ele deve refletir o “DNA” da organização. Não falamos aqui de simples propaganda corporativa, mas de alinhar o conteúdo oferecido com a missão, os valores e a visão da organização. Nem toda organização precisa de uma UC. As organizações menores podem recorrer a treinamentos internos ou externos, que exigem estruturas menores, e os franqueados muitas vezes contam com uma UC mantida pelo franqueador. Entretanto, se a organização decidir lançar-se nesse projeto, deve seguir algumas etapas importantes. a) Avaliar a real necessidade da UC – a organização deve considerar os custos e o trabalho envolvidos. Precisa decidir objetiva e estrategicamente, deixando de lado a paixão pela ideia. b) Planejar – é sempre interessante buscar expertise para planejar a implementação. Pode ser uma agência, um profissional freelancer experiente ou mesmo um talento interno conhecedor do assunto que, nesse caso, deve poder se dedicar inteiramente ao projeto. 13 c) Montar uma equipe multidisciplinar – deve ser nomeado um líder de projeto, e devem ser escolhidos colaboradores com diferentes habilidades para colaborarem com suas inteligências e com seu esforço, já que uma implementação desse tipo demanda muito trabalho. d) Adotar uma plataforma de suporte – é preciso formatar uma robusta plataforma on-line para hospedar e disponibilizar o material didático. Pode ser desenvolvida na própria organização ou adquirida no mercado. e) Elaborar o conteúdo on-line e off-line – se todos os passos anteriores foram importantes, essa é a joia da coroa. O conteúdo entregue vai definir o interesse dos treinandos pela continuidade do desenvolvimento in company, e vai aumentar a identificação de quem passar pelas cadeiras da UC com a organização. Os cursos precisam ter definição de conteúdo, objetivo, duração e, sempre que possível, avaliação dos participantes. f) Definir objetivos e metas para a UC – a UC deve começar a funcionar conhecendo seus custos, prazos, padrões de qualidade e objetivos. O esforço é realmente grande, mas as organizações que resolvem empregá-lo tendem a colher muitos benefícios importantes. Eles variarão de organização para organização, especialmente considerando seu ramo de atividade, mas podemos falar sobre os principais. a) Alinhamento estratégico – o conteúdo bem-elaborado e alinhado com o “DNA” da empresa agrega valor ao negócio, provoca engajamento dos colaboradores com os valores, missão e visão da empresa e harmoniza o wto (way to operate – forma de operar) de todas as filiais da organização. b) Visibilidade de marca empregadora – o profissional que cogita encontrar uma nova posição certamente olhará para uma organização que oferece uma UC como um de seus diferenciais para atrair talentos. c) Vivência do colaborador – o colaborador que experimenta a UC, por ter recebido esse benefício, tende a permanecer mais tempo na organização, uma vez que se enxerga como parte importante do todo. d) Alavancagem da liderança – a UC pode ser o caminho preferencial da organização para o desenvolvimento interno de seus líderes. e) Reforço à cultura organizacional – quando o conteúdo de ensino oferecido pela UC é identificado com o “DNA” da organização, a cultura corporativa é fortalecida sempre que um colaborador o acessa. 14 f) Inovação e desenvolvimento – UCs devem ser formatadas de modo a constituir um terreno fértil para novos pensamentos e ideias, estimulando discussões e colaborações entre os indivíduos da organização. Ideias e pensamentos livres, ainda que no ambiente da organização, contribuem para o desenvolvimento e para a inovação de serviços e produtos. Além das que já citamos, a Accor, o Santander e o McDonald´s mantêm suas UCs. Vamos explorar um pouquinho mais o exemplodo McDonald´s, a Universidade do Hamburguer. Sallit (2019) realizou reportagem enfocando essa iniciativa da multinacional e sua filial no Brasil. O McDonald´s está presente em mais de cento e vinte países no mundo. A Hamburguer University (HU) tem campi em oito países, na América, Ásia, Europa e Oceania. Foi fundada em 1961 em Chicago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Há unidades em Londres, Munique, Moscou, Tóquio, Xangai e Sydney. O campus da América Latina foi inaugurado em 1997 no bairro de Alphaville, na cidade de São Paulo. Até 2019, mais de cento e vinte mil estudantes de todo o continente já haviam passado pela HU. Forma mil e cem alunos presenciais e noventa mil alunos em EAD por ano. Os cursos são voltados aos níveis gerenciais e de liderança, tanto nos escritórios corporativos quanto nos restaurantes, e visa levar a todos noções de administração e negócios. A UH é dividida em quatro escolas de formação: Escola de Excelência Operacional, Escola de Liderança, Escola de Negócios e Escola de Desenvolvimento e Inovação. O aluno recebe o treinamento e aprofunda seus conhecimentos nos padrões operacionais da empresa para crescer profissionalmente na organização. Entretanto, a fundamentação dos cursos na teoria da administração lhes traz a vantagem de carregar esse treinamento para suas vidas pessoais. A Arcos Dourados é a maior franquia do McDonald´s do mundo. Seu CEO, Marcelo Rabach, seu COO, Luis Raganat e dois presidentes divisionais, Rogerio Barreira e Alejandro Yapur, passaram pelos bancos da HU. No Brasil são 70 professores e 30 alunos por turma, em média. A missão da HU é transmitir os pilares que fazem da marca um sucesso. Além disso, oferecer aos alunos um processo contínuo de Educação, capaz de transformar conhecimento em resultados para o negócio e desenvolvimento pessoa. Isso é o que afirma à reportagem Rozália Del Gaudio, diretora de Comunicação Corporativa do McDonald's Brasil. O conteúdo oferecido pela HU é robusto. 15 Começa pela integração institucional dos novos funcionários, passa pelos cursos obrigatórios para o exercício de certas funções e pelos programas de aprimoramento. Complementarmente, a HU oferece, em regime de parceria, MBAs na área de negócios com a Fundação Instituto de Administração (FIA - USP), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Senac. E, curiosamente, apesar do nome, a HU não oferece cursos na área de culinária. No campus de Alphaville existe um Centro de Nutrição. Segundo Rozália informou à reportagem, tem o objetivo de centralizar e embasar todas as informações nutricionais sobre os produtos da rede, formar uma rede de nutricionistas, dar respaldo ao desenvolvimento de produtos e guias de nutrição e tabelas nutricionais, educar os públicos interno e externo sobre os alimentos e refeições oferecidos pela empresa e manter um canal direto de comunicação com mães, médicos e especialistas em nutrição. Mensalmente a HU oferece o Open Day, que apresenta a estrutura da universidade ao público externo. Oferece também um ciclo de palestras com temas alinhados às quatro escolas e aos objetivos da organização, com convidados selecionados de acordo com o tema abordado. TEMA 5 – AMBIENTES COLABORATIVOS DE APRENDIZAGEM E MULTIPLICAÇÃO DE CONHECIMENTOS O conceito de aprendizagem colaborativa é recente, mas se alinha com a interatividade tão bem vista em praticamente todas as atividades atuais relacionadas a educação e entretenimento. A aprendizagem colaborativa está associada, contemporaneamente, ao ambiente virtual de aprendizagem (AVA), que é como se chama o suporte tecnológico à aprendizagem corporativa on-line. A aprendizagem colaborativa difere do modelo tradicional professor/ aluno, pois ao invés da transmissão do conhecimento, valoriza sua aquisição por meio da colaboração. Esse viés incentiva à busca pela autonomia, fomenta o desejo pelo autoconhecimento e pelo autodidatismo e transforma o aluno em protagonista no aprendizado. É uma linguagem complementar, não substituindo, portanto, o método tradicional, e favorece à comunicação e à disseminação do conhecimento, além de estimular à criatividade. Adotar uma estratégia de aprendizagem colaborativa pode trazer alguns benefícios sensíveis: 16 a) Fomento do trabalho em equipe – aprendizagem coletiva é sinônimo de trabalho em conjunto. O indivíduo transporta para sua vida profissional valores como praticar liderança, o compartilhamento de pensamentos e ideias, abdicar de crenças individuais em prol do time e aceitar desafios. b) Interação nivelada – a dinâmica da aprendizagem colaborativa permeia o time. Um coordenador, ou professor, quando cabível, auxilia na compreensão dos conceitos que estejam sendo discutidos, na leitura analítica do material e nas atividades complementares. c) Aplicação do aprendizado – a aprendizagem colaborativa é um processo prático e ativo, complementar ao processo teórico. O debate e a troca de experiências traz ao indivíduo uma melhor compreensão sobre a aplicação prática dos conceitos aprendido no mundo real. d) Prazer por compartilhar o saber – compartilhar conhecimento é multiplicá-lo. A troca de experiências provoca o surgimento de novas ideias, além de favorecer a análise crítica daquilo se ouve e compartilha. e) Aumento da autoestima, da automotivação e do hábito do autodidatismo – saber que seus conhecimentos e opiniões são importantes e válidos no grupo de aprendizagem motiva e eleva a autoestima. Esse sentimento tende a ser uma referência para o indivíduo em futuras atividades. Além disso, estar preparado para as interações motiva a conhecer melhor os assuntos em pauta, o que o estimula a pesquisar e aprender por conta própria. f) Desenvolvimento da capacidade analítica e do pensamento lógico – o debate típico da aprendizagem colaborativa provoca nos indivíduos, para que possam participar produtivamente, a necessidade de raciocinar mais profundamente sobre os temas, buscando argumentos para valorizar a interação. A capacidade analítica e o pensamento lógico têm seu desenvolvimento favorecido nesse processo, e tendem a acompanhar o indivíduo em toda sua vida profissional. Uma outra questão que se faz presente nesse tema é que os alunos de hoje são diferentes dos alunos de ontem. As crianças são muito conectadas à tecnologia, o que lhes proporciona aprender não apenas passivamente, mas ativamente. Aprendizagem colaborativa e AVA são, portanto, realidades em suas vidas. O ambiente clássico de uma grande sala com cadeiras e mesas dispostas a favorecer que os alunos enxerguem uns aos outros de frente e realizem a 17 atividade interativa com suportes como quadro branco, flip-chart e outras mídias sem dúvida nenhuma continua válido e eficiente. A necessidade de colaborar com pessoas em locais distantes, bem como o “novo normal” trazido pela pandemia de covid-19, reforçou a necessidade de alternar esse ambiente físico com ambientes virtuais de aprendizagem. A aprendizagem colaborativa, quando é virtual, precisa ser suportada por um ambiente tecnológico que favoreça a interação entre seus membros e o armazenamento e acesso aos conhecimentos gerados pelos conceitos debatidos e elaborados em colaboração. Quando se fala em colaboração, um primeiro ponto importante e comum na literatura consultada é que o processo de interação precisa ser conduzido. Significa que deixar os alunos sozinhos numa plataforma, por conta própria, pode não trazer os resultados desejados. A atividade deve contar com um coordenador que conduza as atividades e conversas. Barros et al. (2013), compilando visões de vários autores, conceitua que o AVA deve suportar as atividades de colaboração e cooperação, entendendo que colaboração é um processo de interação contínua, em que o grupo constrói um resultado coletivamente, e cooperação é um trabalho conjunto no qualcada integrante do grupo realiza uma parte da tarefa, e o resultado final é a compilação dessas atividades realizadas individualmente. Para nossa finalidade, portanto, o foco permanece em colaboração. Elaboram, também, uma figura que ilustra os elementos básicos para uma postura colaborativa. 18 Figura 4 - Elementos da postura colaborativa Fonte: Barros et al., 2013. Exercitar as habilidades de negociação e interação, exercitar a autoridade compartilhada, a interatividade, a convivência com diferentes e a tolerância, praticar consciência social, ações conjuntas nesse time e favorecer o conhecimento compartilhado são fatores de sucesso para o processo de aprendizagem colaborativa. A estrutura do AVA deve contar com recursos tecnológicos como chat, editor de textos coletivo (também chamado de wiki), videoconferência, blog (quando aplicável), e-mail, glossário colaborativo e fórum, e seus curadores devem estar atentos às novidades de mercado, que surgem a todo momento. Postura Colaborativa Negociação Conhecimento Compartilhado Autoridade Compartilhada Interação Interatividade Consciência Social Convivência com diferentes / tolerância Ações Conjuntas 19 Figura 5 - Resumo dos recursos tecnológicos que devem compor o AVA Fonte: Meirelles, 2022, baseado em Barros et al., 2013. No AVA, a comunicação assume duas características temporais: relações síncronas, que ocorrem quando os participantes estão conectados simultaneamente, e relações assíncronas, que ocorrem para cada participante em um momento diferente, mesmo que estejam todos conectados. Uma relação síncrona seria, por exemplo, uma conversa entre seis pessoas numa sala de bate-papo aberta para aquele assunto específico. Uma relação assíncrona seria vários participantes acessarem um treinamento gravado em um mesmo dia, em horários diferentes. Essas relações também têm direcionamentos característicos: entre as pessoas do grupo, de pessoa para pessoa ou de pessoa para o grupo. 20 REFERÊNCIAS ALVES, G. F. et al. Learning Organizations: a importância da gestão do conhecimento. Anais KM Brasil - Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento. São Paulo, 22 a 24 de novembro de 2004. BARROS, R. S. et al. Potencialidades de uso de ambientes colaborativos de aprendizagem na educação. XI Congresso Nacional de Educação (Educere). Curitiba, 23 a 26 de setembro de 2013. BATISTA, M. Tipos de empreendedorismo: semelhanças e diferenças. Administradores.com, 2005. Disponível em: <https://administradores.com.br/artigos/tipos-de-empreendedorismo- semelhancas-e-diferencas>. Acesso em: 13 mar. 2022. BROWN, T. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Edição Comemorativa de 10 anos. Rio de Janeiro: Alta Books, 2020. EMPREENDEDORISMO corporativo: o que é? Quais as principais competências e como se aplica? Contabilizei [blog], 2021. Disponível em: <https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/empreendedorismo- corporativo/#:~:text=Empreendedorismo%20corporativo%20consiste%20em%2 0empreender,voc%C3%AA%20e%20para%20a%20empresa>. Acesso em: 11 mar. 2022 LONGO, R. M. J. Gestão do conhecimento: uma questão de competitividade empresarial. Observatório IPEA de Gestão do Conhecimento, [S.d.]. Disponível em <http://www.mestradoprofissional.gov.br/observatorio/palavra-de- espcialista/99-rose-mary-juliano-longo/124-gestao-do-conhecimento-uma- questao-de-competitividade-empresarial>. Acesso em: 18 fev. 2022. SALLIT, M. Universidade do Hambúrguer: Conheça o Centro de Capacitação do McDonald's. Revista Quero, 2019. Disponível em: <https://querobolsa.com.br/revista/universidade-do-hamburguer-do-mcdonald- s>. Acesso em: 14 mar. 2022. SILVA, M. R. da. Gestão do conhecimento: estratégia para competitividade nas organizações. In: Congresso Nacional de Excelência em Gestão. Rio de Janeiro, 2016.