Prévia do material em texto
Esôfago · É um tubo muscular revestido de mucosa em 2 camadas · Possui porções cervical, torácica e abdominal · É um tubo muscular oco, localizado entre a traqueia e a coluna vertebral e que conecta a garganta ao estômago. · A parte superior do esôfago tem uma área especial de músculo que se afrouxa abrindo o esôfago quando sente a presença de alimentos ou líquidos. · Função principal é transportar alimento da faringe ao estômago · 25 a 30 centímetros de comprimento · 3 centímetros no diâmetro laterolateral e 2 centímetros no diâmetro anteroposterior · Inicio em C6 e termino em T11 · Localizado no mediastino posterior · O esôfago possui 3 camadas das paredes esofágica: · Mucosa · Submucosa · Muscular · OBS: não possui camada serosa, menos resistente a anastomose (risco maior de fístula), é um fator a menos inibitório e possibilita maior facilidade de invasão da estrutura (exemplo, fator carcinogênico) · Inervação do esôfago é: · Simpática: gânglios da cadeia simpática · Parassimpática: nervo vago · Plexo mioentérico: auerbach (é o mais importante e o mais rico em células de inervação) · Plexo submucoso: meissner · Esôfago possui 2 esfíncteres · Esfíncter esofagiano superior: músculo circofaríngeo é responsável pela área de alta pressão · Pressão de repouso de 30 a 60 mmHg · Esfíncter esofagiano inferior: cárdia esfíncter verdadeiro, pressão de repouso 6 a 26 mmHg , principal função evitar o retorno do conteúdo do estomago para o esôfago Fisiologia da Deglutição · É realizado por 3 fases: · Oral · Faríngea · Esofágica · Relaxamento de esfíncter esofagiano superior e passagem do alimento pra esôfago · Peristaltismo primário: inicia-se ao nível do esfíncter esofagiano superior logo após o inicio da deglutição, com velocidade de 2 a 4 cm/seg, leva 9 segundos para alcançar o esfíncter esofagiano inferior · Peristaltismo secundário: inicia-se ao nível do esfíncter esofagiano superior, geradas a partir da distensão ou irritação do esôfago · Relaxamento do esfíncter esofagiano inferior e passagem do alimento para o estômago · O processo de deglutição é coordenado pelos plexos nervosos do esôfago MegaesôfagoAcalasia: é caracterizada pela incapacidade de relaxamento do esfíncter esofágico inferior em resposta à deglutição e ausência de peristalte no corpo do esôfago. Em virtude desses defeitos no trato de saída e nos mecanismos de bombeamento do esôfago, o alimento fica retido, e o órgão sofre hipertrofia e dilatações. A falha do relaxamento normal esfincteriano se deve à ausência ou à doença das células ganglionares dos plexos mientéricos do músculo liso no esôfago distal. · Megaesôfago = esôfago aumentado · Megaesôfago é mais comum em lugares endêmicos, exemplo Chagas · Megaesôfago Chagásico: fase crônica da doença, 40% dos pacientes chagásicos · Megaesôfago Idiopático: sem causa identificável, pode ocorrer formas graves em pacientes jovens Epidemiologia · Países onde existe doença de chagas x Países onde não existe doença de chagas · Países onde não existe doença de chagas · Idiopática: principal etiologia · 1 caso por 1000.000 habitantes · Países onde existe doença de chagas 90% dos casos · Brasil · Megaesôfago chagásico: 90% dos casos · 8 milhões de chagásicos: 40% apresentam megaesôfago chagásico Fisiopatologia · Destruição dos plexos nervosos · Perda e coordenação no processo de deglutição · Acalasia: não relaxamento do esfíncter esofagiano inferior no momento da passagem do alimento do esôfago para o estômago · O não relaxamento do esfíncter esofagiano inferior impossibilita a descida do bolo alimentar para o estômago · Hipertonia do esfíncter esofagiano inferior · Perda da coordenação no movimento propulsório do esôfago · Peristaltismo ou ondas terciárias: ondas peristálticas que surgem em qualquer ponto do esôfago, descoordenadas, não efetivas Quadro Clínico · Disfagia: dificulta da deglutição, cerca de 90% dos casos · Disfalgia para sólidos e líquidos · Necessidade de ingesta de grande quantidade de líquido para tentar impulsionar alimento até o estomago · Regurgitação: ocorre em cerca de 78% dos casos, fase avançada da doença · Perda de peso: ocorre em cerca de 84% dos casos · Dor retroesternal: 25% · Pirose: 40% · Os sintomas que representam o quadro clínico são: · Regurgitação · Disfagia de condução · dificuldade de engolir alimentos e líquidos, a percepção de “arranhar”, ou ficar “presa” a comida ou bebida na passagem da garganta · Rouquidão · Dor retroesternal · Beber líquidos para ajudar a comida a descer · Tosse · Halitose · Cólica esofagiana · Perda ponderal Paciente mulher, 44 anos. Refere-se a disfagia e regurgitação há 12 meses progressivo, inicialmente sólidos e hoje para líquidos associados a dor torácica retroesternal em queimação. Refere-se a perda ponderal de 17 kg (68 kg para 51 kg) Diagnóstico · Laboratório · Testes sorológicos para doença de chagas · Pelos menos 2 testes positivos · Exames de imagem · REED: radiográfica contrastada de esôfago, estômago e duodeno · Manometria esofágica: permite avaliar as pressões esofágicas · É o principal exame diagnóstico, uma vez que permite a avaliação do tônus do EEI e avaliação do seu relaxamento durante a deglutição. · As características na manometria que indicam o diagnóstico de acalasia são, principalmente, a ausência de relaxamento do EEI durante a deglutição, aperistalse ou hipocontratilidade dos dois terços distais do esôfago, hipertonia do EEI, pressão intraesofagiana maior que a pressão intragástrica e formas de ondas de baixa amplitude indicando ausência de tônus muscular. · REED · Exame de grande utilidade na avaliação de megaesôfago · O exame demonstra um esôfago dilatado, nível de ar-líquido, um retardo do esvaziamento esofágico e uma deformidade regular e afunilada no EEI, tipicamente descrita como esôfago em “bico de pássaro” ou “chama de vela”. · Endocospia digestiva alta · Não faz diagnóstico de megaesôfago · Necessário em casos de megaesôfago para avaliar os seguintes aspectos · Alterações de mucosa · Infecções associadas · Afastar neoplasia – megaesôfago aumenta ao risco de carcinoma espinocelular do esôfago · Manometria esofágica · É considerado o exame padrão-ouro · Alterações que podem ser observadas à manometria no megaesôfago: · Aumento do tônus em esfíncter esofagiano inferior · Ausência de relaxamento do esfíncter inferior na deglutição · Ondas peristálticas descoordenas e não efetivas Classificação · Rezende · Grupo I: esôfago de calibre aparentemente normal, com pequena retenção de contraste na radiografia · Grupo II: esôfago com aumento de calibre leve a moderado, com moderada retenção de contraste e presença de grande quantidade de ondas terciárias · Grupo III: esôfago com grande aumento de calibre, grande retenção de contraste e hipotonia do esôfago · Grupo IV: dolicomegaesôfago, grande aumento de calibre, grande retenção de contraste, atonia do esôfago, esôfago dobra-se sobre o seu próprio eixo · Esofagograma contrastado: · Grau I: < 4cm · Grau II: 4-7 cm · Grau III: 7-10 cm · Grau IV: > 10 cm → dólico · Manometria · Incipiente · Não avançada · Avançada Tratamento · Visa a melhora dos sintomas de disfagia · Dividida em tratamento não-cirúrgico e cirúrgico · Tratamento varia para cada grupo · Nenhum tratamento é 100% eficaz · Medidas dietético-comportamentais · Drogas de diminuam a pressão no EEI · Terapia endoscópica · Injeção de medicamentos · Dilatação do cárdia · Miotomia endoscópica perioral · Operações sobre a transição esofagogástriga · Ressecção esofágica · Tratamento inicial atual no esfíncter esofagiano inferior · Megaesôfago: grupo I · Dieta fracionada, liquidificada ou pastosa · Terapêutica farmacológica: pouco eficaz · Bloqueadores de canal de cálcio · Nitratos · Injeção de toxina botulínica · Dilatação pneumática · Pode ser utilizada para qualquer caso de megaesôfago · É uma das opções de tratamento no caso de recidiva de sintomas · Megaesôfago: grupo II · Cardiomiotomia a Heller · POEM: miotomia endoscópica perioral · Rompe a camada muscular, inativando oesfíncter esofágico inferior já não irá existir a acalasia. Nessa cirurgia é necessário ser associada com uma válvula antirrefluxo afim de diminuir a volta do alimento · Megaesôfago: grupo III · Cardiomiotomia a Heller · POEM: · Megaesôfago: grupo IV · Cirurgia de serra-dória · Cirurgia de grondhal + antrectomia com reconstrução em Y-de Roux · Esofagectomia Questão 1. Sobre o megaesôfago, assinale a alternativa correta: a. É uma doença endêmica no Brasil, cuja incidência vem aumentando ao longo do tempo b. O principal mecanismo fisiopatológico da doença é a agressão direta às células da camada muscular do esôfago c. De acordo com a classificação do Rezende, no megaesôfago grau III há uma diminuição no número de ondas terciárias, dilatação esofágica e retenção de contraste moderadas, sem perda do eixo longitudinal do esôfago d. No megaesôfago grupo II o principal tratamento é a dilatação endoscópica