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11 Filosofia-Medieval

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1 
 
 
FILOSOFIA MEDIEVAL 
1 
 
 
SUMÁRIO 
 
NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 2 
Disciplina: Filosofia Medieval ...................................................................................... 3 
Filosofia Cristã – Patricismo e Escolástica .................................................................... 3 
Santo Agostinho x São Tomás de Aquino. .................................................................... 3 
Santo Agostinho (354-430). .......................................................................................... 3 
Frases e Pensamentos de Santo Agostinho: ................................................................... 5 
São Tomás de Aquino ................................................................................................... 5 
Primeiros anos .............................................................................................................. 5 
A tentação e a vitória .................................................................................................... 6 
O boi mudo ................................................................................................................... 7 
Seus famosos escritos.................................................................................................... 7 
Morte Imprevista........................................................................................................... 8 
Ensinamentos de Tomás de Aquino ............................................................................... 9 
Os cinco caminhos ........................................................................................................ 9 
As leis segundo Tomás................................................................................................ 11 
Tomás de Aquino e a Filosofia Grega ......................................................................... 12 
Leão XIII e Tomás de Aquino ..................................................................................... 13 
Tomás de Aquino hoje ................................................................................................ 14 
João Paulo II e Tomás de Aquino ................................................................................ 15 
Tomás de Aquino e Francisco de Assis ....................................................................... 16 
Uma aventura divina ................................................................................................... 18 
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino .................................................................... 20 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 23 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
Disciplina: Filosofia Medieval 
Filosofia Cristã – Patricismo e Escolástica 
Santo Agostinho x São Tomás de Aquino. 
Santo Agostinho (354-430). 
O cristianismo estava consolidado nessa época: embora tivesse apenas 
quatrocentos anos, era considerado a verdade irrefutável. Apesar disso, Santo Agostinho, 
que nasceu no norte da África, numa cidade chamada Tagaste, nem sempre foi cristão. 
Fez os primeiros estudos na cidade natal e, com a ajuda de um amigo, foi para Cartago, 
aos dezesseis anos, completar os estudos superiores. Não foi um bom aluno. Na 
juventude, detestava estudar grego. Interessou-se por filosofia ao ler uma obra de Cícero. 
Quando criança era cristão, mas depois passou por outras religiões, como a dos 
maniqueus, que formavam uma seita e dividiam o mundo entre o bem e o mal, trevas e 
luz, espírito e matéria. Acreditavam que com o seu espírito, o homem pode transcender a 
matéria. O maniqueísmo contém uma visão dualista radical, bem e mal são tomados como 
princípios absolutos. Posteriormente, Agostinho combateu essa doutrina, que foi criada 
por Manes. De início ele recusava a ler a Bíblia, por considerá-la vulgar. Teve um caso 
de amor, envolto em paixões mundanas, e nasceu um filho, que falecido ainda 
adolescente. Com vinte anos, perdeu o pai e ficou sendo o responsável pelo sustento de 
duas famílias. Foi professor de retórica em Cartago, mas depois mudou-se para Roma. 
Sua mãe foi contra a mudança e Agostinho teve de enganá-la na hora da viagem. De Roma 
foi para Milão, lecionar retórica. Muito influenciado pelos estóicos, por Platão e o 
neoplatonismo, também estava entre os adeptos do ceticismo. Abandonou o 
maniqueísmo, que critica. 
Converteu-se então à fé cristã, depois de conhecer a palavra do apóstolo Paulo, e 
batizou-se aos trinta e dois anos de idade. Desistiu do cargo de professor e voltou a 
Tagaste, onde fundou uma comunidade monástica, disposto a fundamentar racionalmente 
a fé, como foi comum na Idade Média. Mostrou que, sem a fé, a razão não é capaz de 
levar à felicidade. A razão, para Agostinho serve de auxiliar a fé, esclarecendo e tornando 
inteligível aquilo que intuímos. Ele tinha tomado contato com o pensamento neoplatônico 
onde a natureza humana contém parte da essência divina. Demonstrou que há limites para 
a racionalidade. Receberemos um saber que está além do natural. Com o cristianismo, 
4 
 
 
uma luz inundou seu coração, sua alma encontrou a paz. Virou vigário aos trinta e seis 
anos, praticando a vida ascética. 
Santo Agostinho escreveu Contra os Acadêmicos, direcionado à filosofia cética e 
expôs a teoria de que os sentidos dizem algo verdadeiro. O erro provém do juízo que 
fazemos das sensações, e não delas próprias. A sensação não é falsa, o que é falso é querer 
ver nelas uma verdade externa ao próprio sujeito. Virou Bispo de Hipona. Agostinho 
ficou conhecido por “cristianizar” Platão, fazendo vários paralelos entre a parte 
espiritualista dele (que diz existir um mundo transcendente) e as Sagradas Escrituras. Faz 
a distinção entre o corpo, sujeito à sorte do mundo, e a alma, que é atemporal, e com a 
qual se pode conhecer Deus. Antes de Deus ter criado o mundo a partir do nada as Ideias 
eternas já existiam na sua mente. Deus é a bondade pura. 
Ele já conhece o que uma pessoa vai viver antes dela viver. Assim, apesar da 
humanidade ter sido amaldiçoada depois do pecado original, alguns alcançarão a verdade 
divina, a salvação. Isso depende do uso que fazemos do livre arbítrio, a faculdade que o 
indivíduo tem de determinar de acordo com a sua própria consciência a sua conduta, livre 
da Divina Providência, enquanto está vivo. Seria o ato livre de decisão, de opção. Durante 
um diálogo, Agostinho chega a conclusão que o mal não provém de Deus, mas sim do 
mau uso do livre arbítrio. De fato, para ele não existe mal, apenas a ausência de Deus. 
(com isso ele refuta de vez a doutrina dos maniqueus). Essa teoria encontra-se no livro O 
livrearbítrio. 
Com uma vida errada, a alma fica presa ao corpo, porém a relação correta é a 
inversa. Os órgãos sensoriais sentem a ação dos elementos exteriores, a alma não. Deus 
é a fonte dos conhecimentos perfeitos e não o homem. A experiência mística leva à 
iluminação divina. Assim se chega às verdades eternas, e o intelecto então é capaz de 
pensar corretamente a ordem natural divina. A unidade divina é plena e viva, e guarda a 
multiplicidade. O amor de Deus é infinito. A graça e a liberdade complementam-se. 
Na obra a Cidade de Deus, Agostinho faz oposição entre sensível e inteligível, 
alma e corpo, espírito e matéria, bem e mal e ser e não ser. Acrescenta a história à 
filosofia, interpretando a história da humanidade como o conflito entre a Cidade de Deus, 
inspirada no amor à Deus e nos valores que Cristo pregou, presentes na Igreja, e a Cidade 
humana, baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades estariam presentes na 
alma humana, e no final a Cidade de Deus triunfaria. 
5 
 
 
Outra obra importante são as Confissões, que é autobiográfica. Essa obra faz dele 
um precursor de Descartes, Rousseau e o existencialismo. Acredita na verdade contida 
nos números, que fazem parte da natureza. 
Algumas obras de Santo Agostinho: 
 Da Doutrina Cristã (397-426) 
Confissões (397-398) 
A Cidade de Deus (413-426) 
Da Trindade (400-416) 
Retratações 
De Magistro Conhecendo a si mesmo 
Frases e Pensamentos de Santo Agostinho: 
"Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, pois você irá 
perder um amigo. Porém, se dois estranhos pedirem a mesma coisa, aceite, pois você irá 
ganhar um amigo." 
"Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que entendemos 
sobre a natureza." 
"Certamente estamos na mesma categoria das bestas; toda ação da vida animal diz 
respeito a buscar o prazer e evitar a dor." 
"Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não 
é nos evangelhos que você crê, mas em você." 
"Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver 
aquilo em que você acredita." 
"A pessoa que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar." 
"A confissão das más ações é o passo inicial para a prática de boas ações." 
"A verdadeira medida do amor é não ter medida." 
"Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas 
não é sadio." 
São Tomás de Aquino 
Primeiros anos 
Tomás de Aquino que foi chamado o mais sábio dos santos e o mais santo dos 
sábios. Nasceu em março de 1225 no castelo de Roca-Sica, perto da cidade de Aquino, 
no reino de Nápoles, na Itália. Com apenas cinco anos seu pai, conde de Landulfo 
6 
 
 
d’Aquino, o internou no mosteiro de Monte Cassino. Aí iria ser educado pelos sábios 
monges beneditinos, ordem religiosa fundada por Bento de Núrsia exatamente naquele 
local. 
Tomás fez com raro brilhantismo os primeiros estudos. Mais tarde frequentou a 
Universidade de Nápoles. Conheceu então os frades dominicanos, seguidores de 
Domingos de Gusmão, fundador da ordem dita dos pregadores. Tinha dezoito anos e 
resolveu fazer-se dominicano. Seus pais e irmãos ficaram decepcionados, pois Tomás era 
genial e tinha uma carreira fulgurante pela frente. Não queriam que ele fosse um frade de 
uma ordem mendicante. 
Como a família o importunasse no Convento de Nápoles, Tomás foi transferido 
para Paris. 
À força foi de lá retirado e trazido de volta ao castelo paterno. Tudo fizeram para 
lhe tirar da cabeça a ideia de ser padre. Nada o convencia: nem rogos, nem promessas de 
uma existência com tudo que uma família rica pode oferecer. 
 A tentação e a vitória 
Seus irmãos imaginaram armar-lhe uma cilada. Foi um plano realmente diabólico. 
Introduziram no seu quarto uma mulher bonita, charmosa, jovem, mas sem moral. 
Pensaram eles que Tomás não resistiria. Entregar-se-ia a ela. Desistiria de sua 
vocação eclesiástica. A provocação era de baixo nível. Grande a tentação. Ao entrar a 
moça no quarto, Tomás compreendeu que deveria agir sem demora. O perigo era 
iminente. Então ele que estava entregue a uma piedosa leitura, imediatamente se levantou. 
Arrancou um tição da lareira. Com ele na mão, como uma espada de fogo, pôs a mulher 
em fuga. 
A moça gritou e sumiu. Deve ter pensado que estava a lidar com um louco furioso 
agitando chamas, ameaçando, na aparência, deitar fogo à casa. Tomás, logo que ela saiu 
foi correndo até à porta, a fechou e a trancou. Num impulso natural esmurrou o tição 
incandescente na porta e traçou nela com o carvão um grande sinal da cruz. Jogou o que 
sobrou do carvão no fogo. Sentou-se de novo na sua cadeira e voltou a estudar. 
Após dois anos, sua mãe Teodora concordou em libertá-lo. Deixou-se seguir para 
o convento de Nápoles em 1245. Acompanhado pelo Superior Geral, João o Teotônico, 
Tomás partiu para Paris. Dali foi para Colônia na Alemanha. Foi discípulo de Santo 
Alberto Magno com o qual logo se afinou culturalmente. Os estudantes de Colônia eram 
ávidos de discussões filosóficas. Nelas Tomás tomava parte ativamente. 
7 
 
 
Grande o proveito que tirou das sábias preleções de filosofia e teologia de Alberto 
Magno, cujos conhecimentos eram enciclopédicos. Com ele Tomás aprendeu que a 
verdadeira vida de um ser racional é fazer de sua inteligência uma ascensão contínua até 
chegar aos mais altos conhecimentos inteligíveis, atingindo a ciência da alma e a ciência 
de Deus. Ótimo discípulo, Tomás se distinguiu entre os colegas, obtendo fama pelo seu 
talento indiscutível. 
O boi mudo 
Tomás fora dos momentos de debates acadêmicos e das conversações atinentes a 
assuntos sérios, era calado, reservado. Além disto não apreciava perder tempo com 
conversas inúteis. Por isto um de seus colegas o chamou de “o boi mudo”. 
Este companheiro, certo dia, levou a Alberto Magno uns apontamentos de Tomás. 
Foi nesta ocasião que Alberto proferiu a frase que se tornou célebre, pois era uma profecia 
que se realizou: “Chamais Tomás de “o boi mudo”, mas vos asseguro que seus mugidos 
ouvir-se-ão por toda a terra”. De fato, até hoje são inúmeros os seguidores de Tomás de 
Aquino, chamados tomistas. 
Muito provavelmente foi porque deram a ele o apelido de “o boi mudo” que um 
dia os frades resolveram brincar com Tomás. Este estava, como sempre, andando no 
claustro, ou seja, no pátio interior do convento, meditando sobre profundos assuntos 
referentes a Deus. 
Alguém o chamou, dizendo: “Vem ver um boi voando”! Tomás, imediatamente, 
o acompanhou e se pôs a olhar para o alto ao som das gostosas gargalhadas de seus 
confrades. Estes então lhe perguntaram como, sendo tão inteligente, ele podia pensar 
que um boi estivesse voando. A resposta de Tomás foi uma lição maravilhosa: “Olhei 
porque deve ser mais fácil um boi voar do que um frade mentir”. Nunca mais brincaram 
com ele, respeitando seus instantes de funda reflexão. 
Seus famosos escritos 
Em 1252 Tomás em Paris ensinava como bacharel. Segundo o método da época, 
deste modo poderia alcançar o título de mestre e doutor. Escreveu neste período 
comentários ao livro de Sentenças de Pedro Lombardo, obra composta entre 1150 e 1152. 
Comentou também o Profeta Isaías e o Evangelho de São Mateus. 
Passados quatro anos era doutor e escrevia a Suma contra os Gentios, na qual faz 
uma exposição da crença cristã para uso dos missionários. São quatro livros dos quais os 
8 
 
 
três primeiros tratam de verdades acessíveis à razão e o quarto livro das verdades de fé 
propriamente ditas. 
Em 1268 iniciou a Suma Teológica, sua principal produção. Consta ela de três 
partes, subdivididas em questões e artigos. As duas primeiras partes datam dos anos de 
1266 a 1272. A terceira, iniciada em 1272, ficou incompleta. Foi complementada pelo 
companheiro e amigo fiel de Tomás, Reginaldo de Piperno. Esta parte se chama 
Suplemento. 
Além destes trabalhos citados, Tomás escreveuinúmeras Questões como sobre a 
Verdade, a Alma, o Mal, a Beatitude e vários Opúsculos Filosóficos sobre assuntos 
diversos como O Ente a Essência, Sobre as Falácias. Deixou ainda comentários a respeito 
das obras de Aristóteles e outros escritos filosófico-sociais. 
Morte Imprevista 
Quando Tomás de Aquino tinha cinquenta e três anos, a 7 de março de 1274, foi 
surpreendido pela morte no mosteiro cisterciense de Fossanova. Estava a caminho de Lião 
onde, por ordem do Papa Gregório X, iria participar do Concílio de Lião. Ainda no leito 
de morte encontrou forças para falar aos monges sobre o livro da Bíblia 
denominado Cântico dos Cânticos. 
Após seu falecimento ele entrou para a História com o título de Doutor Angélico, 
dada a culminância espiritual que atingiu e a perfeição de sua existência. 
Conta-se que certa ocasião, diante de um Crucifixo, Tomás ouviu de Jesus estas 
palavras: “Bem escrevestes sobre mim, Tomás, que prêmio quereis”? Respondeu ele: 
“Nada senão a Ti mesmo, Senhor”. Prestes a morrer pronunciou estas palavras, após 
receber a Eucaristia: “De ti, Senhor, me veio o preço da redenção da minha alma! Todos 
os meus estudos, vigílias e trabalhos foram por teu amor”. 
Conta-se que naquele dia 7 de março de 1274 Alberto Magno que se achava em 
Colônia, na Alemanha, com lágrimas nos olhos comunicou aos frades: “O irmão Tomás 
de Aquino, meu filho em Cristo, luz da Igreja, morreu. Deus acaba de me revelar isto”. 
Teve, portanto, a longa distância a percepção do falecimento de seu discípulo exemplar. 
O corpo de Tomás de Aquino repousa na Catedral de Tolosa, na França. Foi 
declarado Santo pelo Papa João XXII que o canonizou em 1323. Paulo V em 1567 o 
declarou Doutor da Igreja e Leão XIII o proclamou em 1879 padroeiro de todas as escolas 
católicas. Venera-se sua memória a 28 de janeiro, dia em que seu corpo foi transladado 
para Tolosa, em 1369. 
9 
 
 
Ensinamentos de Tomás de Aquino 
Tomás de Aquino acentuou a diferença entre a Filosofia, que estuda todas as 
coisas pelas últimas causas através da luz da razão, e a Teologia, ciência de Deus à luz da 
revelação. 
Mostrou que o homem é o ponto de convergência de toda a criação e que nele se 
encerram, de certo modo, todas as coisas. Ensinou que há uma união substancial entre a 
alma e o corpo. Isto é o fundamento maior da dignidade da pessoa humana. Esta é um 
corpo que está enformado por uma alma ou uma alma a enformar um corpo. Defendeu o 
livre arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade humana para aderir ao bem ou ao mal, donde 
a responsabilidade moral do homem. Daí a sanção da lei: prêmio para as boas ações e 
punição para os atos maus. 
Para ele a morte determina para sempre a alma humana quer na desordem e na 
infelicidade, quer na ordem e na felicidade, como está na Bíblia.O conhecimento, 
ensinava Tomás, tem a primazia sobre a ação, pois nada pode ser amado se não for 
conhecido primeiro. 
Os cinco caminhos 
Por cinco vias Tomás prova magistralmente a existência de Deus. Com notável 
clareza expôs ele a prova tirada do movimento, partindo do pressuposto de que “tudo o 
que se move é movido por outro”. Raciocina então: “se aquilo pelo qual é movido por sua 
vez se move, é preciso que também ele seja movido por outra coisa e esta por outra. Mas 
não é possível continuar ao infinito; do contrário, não haveria primeiro motor e nem 
mesmo os outros motores moveriam como, por exemplo, o bastão não move se não é 
movido pela mão. 
Portanto, é preciso chegar a um primeiro motor que não seja movido por nenhum 
outro, e por este todos entendem Deus”1. 
A segunda via é a da causa primeira universal. Eis o texto de Tomás de Aquino 
na Suma Teológica: “Constatamos no mundo sensível a existência de causas eficientes. 
É, entretanto, impossível que uma coisa seja sua própria causa eficiente, porque, se assim 
fosse, esta coisa existiria antes de existir, o que não tem nenhum sentido. 
Ora, não é possível proceder até o infinito na série de causas eficientes, porque, 
em qualquer série de causas ordenadas, a primeira é causa intermediária e esta é causa da 
última, quer haja uma ou várias causas intermediárias. 
10 
 
 
Com efeito, se suprimirdes a causa, fareis desaparecer o efeito: portanto, se não 
há causa primeira, não haverá nem última, nem intermediária. Ora, se fosse regredir até 
o infinito dentro da série de causas eficientes, não haveria causa primeira, e, assim, não 
haveria também nem efeito, nem causas intermediárias, o que é evidentemente falso. 
Portanto, é preciso, por necessidade, colocar uma causa primeira que todo o mundo chama 
Deus”2. 
Por este texto se percebe a clareza com que Tomás de Aquino expõe o seu 
raciocínio. Com rara habilidade intelectual ele procura o motivo da existência da 
causalidade no mundo. Assim se chega infalivelmente a uma causa que produz e não é 
produzida, ou seja, a causa eficiente primeira que é Deus. 
Em terceiro lugar vem a prova da contingência. Em sentido amplo, contingência 
significa a possibilidade de um objeto qualquer de não ser, de não existir. 
É tudo aquilo que pode ser como não ser. É contingente o fato de cada um de nós 
existirmos. Poderíamos não ter existido. A contingência metafísica significa que 
contingente é todo ente ao qual a existência não é essencialmente necessária. 
Eis como Josef de Vries resume esta prova da existência de Deus proposta por 
Tomás de Aquino: “a prova cosmológica, baseando-se no nascimento e desaparecimento 
das coisas, conclui a contingência das mesmas, e partindo da mutabilidade própria 
também dos elementos constitutivos fundamentais cuja origem não pode ser mostrada 
experimentalmente, infere sua natureza também contingente, provando dessa maneira que 
o mundo todo é causado por um Ser Supramundano”3. 
Este é o Ser Necessário que existe por sua própria natureza e não pode nunca 
deixar de existir. As criaturas nascem, crescem e morrem, são possíveis, não necessárias, 
ou seja, existem, mas não necessariamente. Se em algum tempo não tivesse havido nada 
de existente, teria sido impossível para qualquer coisa começar a existir, e, deste modo, 
também neste caso nada existiria o que seria um absurdo. Existe, portanto, um Ser 
Necessário que é Deus. 
A quarta via para provar a existência do Ser Supremo é tirada dos graus dos seres. 
Na Suma Teológica assim se expressa Tomás de Aquino: 
“Verificamos que alguns seres são mais ou menos verdadeiros, mais ou menos 
bons, etc. ora, diz-se o mais e o menos de coisas diversas segundo a sua aproximação 
diferente de um máximo. Existe, pois, alguma coisa que é o mais verdadeiro, o melhor, 
por conseguinte, o mais ser. Ora, o que é o máximo num gênero é a causa de tudo que 
11 
 
 
pertence a este gênero. Existe, portanto, um ser que é para todos os outros causa de ser, 
de bondade, de perfeição total, e este ser é Deus:”4. 
Deus possui o ser de modo absoluto, ao passo que as criaturas têm um grau diverso 
de ser. Isso significa que tal fato não lhes deriva em virtude de suas respectivas essências, 
caso em que seriam sumamente perfeitos e não em determinados graus. Ora, se não deriva 
de suas respectivas essências, isso, é lógico, significa que o receberam de um ser que 
concede tudo sem receber, que permite a participação sem ser ao mesmo tempo partícipe. 
Este ser é a fonte de tudo aquilo que existe de algum modo. Ele é a perfeição 
infinita, absoluta. É um ser perfeito sob todos os aspectos que se possam imaginar. Nele 
se realizam com perfeição suprema todas as possibilidades do ser. 
O quinto caminho apontado por Tomás de Aquino como prova da existência de 
Deus é o do finalismo, ou seja, do governo do mundo. 
Jolivet resume esta quinta via deste modo: “No conjunto das coisas naturais 
verificamos uma ordem regular e estável. Ora, toda ordem exige uma causa inteligente, 
que adapta os meios aos fins e os elementos ao bem do todo. Portanto, a ordem do mundo 
é obra de uma Inteligênciaordenadora, transcendente a todo o universo”5. Esse Ordenador 
é Deus. 
De fato, quando se analisa o que ocorre no mundo se verifica que tudo age e opera 
como se tendesse a um fim. Não se trata de uma ideia mecanicista do universo, como se 
Deus interviesse juntando partes como acontece com o relojoeiro para constituir um 
relógio. Trata-se de se perceber a finalidade inata em algumas coisas, coisas que mostram 
em si mesmas um princípio de finalidade e total unidade. As exceções que se podem 
atribuir ao acaso não invalidam este raciocínio. O que se busca é a causa da regularidade, 
da ordem e da finalidade visíveis em alguns seres. Esta causa não pode ser identificada 
com os próprios seres em si. É preciso, pois, remontar a um Ordenador que esteja em 
condições de dar ser aos seres e, na verdade, daquele modo específico no qual de fato eles 
operam. 
As leis segundo Tomás 
Segundo Tomás de Aquino, por ser racional, o homem conhece a lei natural, ou 
seja, está plenamente capacitado para saber que “se deve fazer o bem e evitar o mal”. 
Trata-se da participação da lei eterna pelo homem dotado de inteligência. A lei eterna 
outra coisa não é senão o plano racional de Deus, isto é, a ordem existente no universo 
todo. Por esta lei dirige tudo para o seu fim específico. 
12 
 
 
Além desta lei eterna e da lei natural, Tomás fala da lei humana, ou seja, jurídica. 
São normas feitas pelos homens para impedir que se pratique o mal. É a ordem 
promulgada por quem tem a responsabilidade pela comunidade. 
Seguindo Aristóteles, Tomás de Aquino considera o Estado como uma 
necessidade natural. É que o homem é um ser social e precisa de orientações para viver 
em sociedade. Entretanto, Tomás de Aquino deixa claro que as leis humanas não podem 
contradizer a lei natural. 
Aliás, no pensamento dele as normas do direito positivo existem para que os que 
são propensos aos vícios e neles se obstinam sejam persuadidos, a bem da ordem pública, 
a evitar tais desvios. Insiste Tomás na função pedagógica das leis humanas e nas sanções 
que podem e devem incluir. O objetivo é a convivência pacífica entre os homens. 
Tomás de Aquino e a Filosofia Grega 
Tomás de Aquino repensou Aristóteles, o grande filósofo grego do século V antes 
de Cristo. Deu diretrizes novas ao pensamento de Platão, outro grande filósofo daquele 
século. Deus é para Tomás o Criador de tudo, noção não atingida pela filosofia grega. O 
dualismo inexplicável entre o mundo ideal e o mundo fenomenal, entre Deus e a matéria 
foi inteiramente superado por Tomás de Aquino. A ética de Aristóteles é sem obrigação 
e sem sanção, mas não assim a moral exposta pelo Aquinate. Na lógica, parte da filosofia 
que trata da lei do raciocínio correto, Tomás de Aquino expôs e comentou os 
ensinamentos de Aristóteles, dado que a lógica aristotélica é perfeita. O filósofo grego foi 
o pioneiro que investigou cientificamente as leis do pensamento e as formulou com 
exatidão. Kant, filósofo alemão, afirmou que os filósofos posteriores nada acrescentaram 
ao que Aristóteles ensinou neste aspecto da filosofia6. 
Entretanto, a teodicéia de Aristóteles, ou seja, a parte que trata de Deus, é 
incomparavelmente inferior à de Tomás de Aquino. Como Aristóteles, porém, Tomás de 
Aquino na política, acertadamente, ensina que a bondade de um governo, sua eficiência, 
não dependem de sua forma, mas da honestidade, 
da competência com que se dedica ao bem comum, ao bem estar dos cidadãos. Seja 
monarquia, república ou outra forma qualquer, melhor será, concretamente, a que mais 
se ajustar às necessidades do povo. 
13 
 
 
Leão XIII e Tomás de Aquino 
Leão XIII que foi considerado o papa dos operários escreveu uma encíclica7, isto 
é, uma carta circular, solene, sobre a filosofia, em 1879. Neste documento a figura de 
Tomás de Aquino é objeto de especiais considerações. 
Diz o texto que Tomás de Aquino foi quem com maior perfeição uniu a 
inteligência, a razão, à fé. Fala na excelência e perfeição da doutrina tomista. A 
confirmação desta importância é atestada pelo valor em si do que ele ensinou, pelos 
aplausos das Academias e Escolas e até pelos que não são católicos. 
Odilon Moura deste modo resumiu o plano da referida encíclica: “Há necessidade 
de se instaurar uma Filosofia que harmonize a razão com a fé, para implantação da ordem 
na sociedade (números 1-20); ora, a Filosofia de Tomás é a que melhor atende aos 
requisitos para a harmonia entre a razão e a fé (números 21-27); logo, deve ser instaurada 
a Filosofia de Santo Tomás (números 28-37)”8. 
Um dos trechos mais expressivos da referida encíclica é este: “Entre todos os 
doutores escolásticos, brilha como astro fulgurante, e como príncipe e mestre de todos 
Tomás de Aquino, o qual, como observa o Cardeal Caetano, “por ter venerado 
profundamente os santos doutores que o precederam, herdou, de certo modo, a 
inteligência de todos”. O termo escolástica empregado acima significa filosofia ensinada 
nas escolas medievais do Ocidente Europeu. 
Diz ainda Leão XIII: “Tomás reuniu suas doutrinas, como membros dispersos de 
um mesmo corpo; reuniu-as, classificou-as com admirável ordem, e de tal modo as 
enriqueceu, que tem sido considerado, com razão, como o próprio defensor e a honra da 
Igreja”. 
Este trecho a seguir retrata admiravelmente quem foi Tomás de Aquino: “De 
espírito dócil e penetrante, de fácil e segura memória, de perfeita pureza de costumes, 
levado unicamente pelo amor da verdade, cheio de ciência divina e humana, justamente 
comparado com o sol, aqueceu a terra com a irradiação de suas virtudes e encheu-a com 
o resplendor de sua doutrina”. 
Sobre seu espírito filosófico Leão XIII atesta: “Não há ponto da filosofia que não 
tratasse com tanta penetração como solidez. As leis do raciocínio, Deus e as substâncias 
incorpóreas, o homem e as outras criaturas sensíveis, os atos humanos e seus princípios, 
são objeto das teses que defende, nas quais nada falta, nem a abundante colheita de 
investigações nem a harmoniosa coordenação das partes, nem o excelente método de 
14 
 
 
proceder, nem a solidez dos princípios”. Quem se interessa por obter outras análises de 
Leão XIII sobre Tomás de Aquino encontra nesta encíclica inúmeras outras considerações 
que mostram o valor deste filósofo extraordinário. 
Tomás de Aquino hoje 
Os discípulos, os seguidores de Tomás de Aquino neste final do século XX são 
incontáveis. Filósofos talentosos das mais diversas nações encontram em Tomás de 
Aquino elementos valiosos para suas pesquisas. Sertillanges, Maritain, Gilson, Garrigou-
Lagrange, De Finance, Caturelli são alguns entre muitos que manifestam a presença 
vigorosa do tomismo em nossos dias. 
No Brasil Fernando Arruda Câmara, notável filósofo brasileiro, lançou o livro 
“Tomismo Hoje”, no qual mostra o grande número de tomistas em nossa pátria, entre os 
quais, se destaquem Maurílio Teixeira Leite Penido, Leonardo Van Acker, Henrique 
Cláudio de Lima Vaz, Alexandre Correia. 
A reelaboração do tomismo efetuada pelos filósofos de nossos dias tem como 
característica um estudo direto dos textos de Tomás de Aquino. Além disto se nota uma 
fidelidade absoluta às teses fundamentais estabelecidas por ele. Percebe-se diálogo aberto 
com as outras correntes filosóficas atuais. Há ainda uma preocupação dos tomistas de 
hoje de investigar em profundidade a cultura moderna, contemporânea. Tais discípulos 
de Tomás de Aquino são chamados neotomistas que tentam responder às profundas 
perguntas que se colocam ao homem de hoje, cristãos ou não-cristãos. Há sobretudo um 
apelo à Verdade e ao Amor Criador que precisam penetrar no íntimo da realidade humana. 
À cultura moderna e contemporânea influenciada pela técnica e pela ciência, 
endeusadas erroneamente, o tomismo traz uma contribuição admirável. Leva o ser 
racional ao encontro de Deus e dos valores perenes, sem os quais é impossível a 
verdadeira felicidade. Trata-sede libertar o homem da escravidão do materialismo com 
todas as suas terríveis consequências. 
Chesterton, pensador inglês afirmou: “Neste momento atual, tão pouco 
esperançoso, não há homens tão esperançosos como aqueles que consideram agora Santo 
Tomás como guia em uma centena de perguntas angustiosas respeitante às artes, à 
propriedade e à ética econômica. Há inegavelmente um tomismo esperançoso e criador 
em nossa época”9. 
É também deste autor esta frase luminosa: “Que o tomismo seja a filosofia do bom 
senso, o mesmo bom senso o proclama”10. O erro seria considerar o tomista como quem 
15 
 
 
entende Tomás de Aquino de modo estático, medieval. Nada disto. Através de um estudo 
maduro, de uma reflexão atenta, o tomista procura pinçar o que está latente nos escritos 
de Tomás de Aquino. 
Como observou Dino Staffa: “Nenhuma das maravilhosas conquistas da ciência 
física são inconciliáveis com a doutrina tomista, senão que a integram e iluminam”11. 
Há, de fato, uma perfeita harmonia entre os ensinamentos de Tomás de Aquino e as 
descobertas científicas de hoje. 
Jean Ladrière recentemente declarou: “A atualidade do pensamento de Santo 
Tomás de Aquino é a presença contínua de uma força inspiradora capaz de assumir, em 
suas figuras cambiantes, o destino da razão, a consciência que ela tomou de suas 
conquistas como de seus limites, o pressentimento que ela traz consigo daquilo que lhe 
pode dar absolutamente seu sentido”12. 
Wolfgang Kluxen situou, com rara felicidade, a posição do tomismo ao escrever 
que este “não é a última palavra da razão e isto segundo seus próprios princípios. Basta, 
porém, que seja uma palavra real, séria, verdadeira; e, como tal, ele permanecerá sempre 
atual, contemporâneo a todas as épocas”13. 
O reencontro da juventude de hoje com Tomás de Aquino significa libertação e 
renovação cultural forte. Tomás de Aquino é um convite ao afastamento de tudo que 
degrada o ser humano. Ele inspira segurança para que se ande nos caminhos do bem e 
dos verdadeiros valores. Enche de esperança o coração juvenil. 
João Paulo II e Tomás de Aquino 
Realizou-se em Roma em 1990 o nono Congresso Tomista Internacional. João 
Paulo II, o atual papa, recebeu em audiência os participantes deste Congresso promovido 
pela Pontifícia Academia de Santo Tomás. Na oportunidade falando aos tomistas ali 
reunidos o papa recordou que em 1880 havia chamado Tomás de Aquino de “Doutor da 
Humanidade”. Tal título era baseado no muito que Tomás de Aquino escreveu 
dignificando a natureza humana com suas colocações filosóficas e teológicas. Lembrou 
o papa os ensinamentos do Aquinate nas obras “Sobre Homem” e “Sobre Deus Criador” 
nas quais ele ensina que “enquanto o homem é obra das mãos de Deus, traz em si a 
imagem de Deus e tende, por natureza, a uma semelhança com Deus cada vez mais 
plena”14. 
Depois de outras profundas considerações João Paulo II assim se expressou: 
“Deve-se, portanto, desejar e favorecer de todos os modos o estudo constante e 
16 
 
 
aprofundado da doutrina filosófica, ética e política que Santo Tomás deixou em herança 
às escolas católicas e que a Igreja não hesitou em fazer própria, de modo especial no que 
diz respeito à capacidade, à perfectibilidade, à vocação, à responsabilidade do homem 
quer na esfera pessoal quer na social…” 
Quanto à atualidade da doutrina tomista assim se expressou o papa: “Santo Tomás 
não podia certamente prever um mundo cultural e religioso tão vasto e complexo e 
articulado como nós hoje conhecemos. Nem podia, portanto, ditar soluções concretas para 
a grande quantidade de problemas específicos que nós hoje devemos enfrentar”. 
Prossegue, porém, o papa: “Mas dado que seu maior cuidado foi colocar-se e 
manter-se da parte da verdade universal, objetiva e transcendente [...] traçou um método 
de trabalho missionário que é hoje substancialmente válido também no plano das relações 
ecumênicas e inter-religiosas, assim como no confronto com todas as culturas antigas e 
novas”. Portanto, a doutrina de Tomás de Aquino é apta para a aproximação dos cristãos 
entre si e para o entendimento das culturas passadas e recentes. 
De fato, o amor à verdade que fulgiu, brilhou, em Tomás de Aquino conduz à 
sociabilidade é à solidariedade, à liberdade que, segundo João Paulo II, firmado no 
Aquinate, não pode ser real se não está fundamentada nesta verdade. A crise moral do 
mundo de hoje lembra no seu discurso o papa “depende do enfraquecimento do sentido 
da verdade nas inteligências e nas consciências, que perderam a referência à fundação 
última da verdade mesma”. É aí, precisamente, que se deve ver a importância capital do 
contato com a doutrina de Tomás de Aquino. 
Tomás de Aquino e Francisco de Assis 
Dada a popularidade de Francisco de Assis, melhor se pode ter uma ideia de 
Tomás de Aquino, fazendo-se uma comparação entre ambos. 
Francisco de Assis era magro, de baixa estatura, vibrante, um corisco. Vivia atrás de seus 
pobres. Era um andarilho de Deus. Caminhava pelas estradas para ajudar os necessitados. 
Andava modestamente pelas ruas edificando a todos. Tomás de Aquino era corpulento, 
pesado como um touro. Gordo, vagaroso. Tranquilo e quieto. Nada sociável, era tímido. 
Vivia meditando, refletindo. 
Francisco de Assis era irrequieto e para muitos um tanto quanto maluco em suas 
privações. Tomás de Aquino era o homem da pontualidade, da regra, do método. 
Francisco de Assis desprezou os estudos e nem queria que seus seguidores frequentassem 
as universidades. Tomás de Aquino era o intelectual debruçado sobre os livros e sempre 
17 
 
 
a escrever. Francisco de Assis era um poeta ambulante, imerso na beleza das flores, do 
murmúrio dos rios, do cântico dos pássaros. Tomás de Aquino era um poeta-teólogo, 
acadêmico, compondo hinos litúrgicos profundos. Francisco de Assis queria persuadir 
pela simplicidade das ações vistas pelos homens para arrastá-los a Deus. Tomás de 
Aquino desejava persuadir pelas palavras para levar milhares até o Criador. 
Francisco de Assis pode ser comparado com um manso cordeirinho imerso na 
natureza. Tomás de Aquino, como foi relatado, foi comparado a um boi, cujos mugidos 
ecoaram pelos séculos afora. Francisco de Assis era filho de um comerciante da classe 
média e não estava de acordo com a vida mercantil do pai, pois não amava a agitação do 
comércio. Seu desapego total às coisas do mundo não se adequava à busca de um lucro 
material. Tomás de Aquino era de família nobre e poderia ter todo o conforto que o mundo 
oferece, mas desprezou as glórias mundanas para se entregar inteiramente a seu mundo 
interior sem o apego a tudo que o luxo pode oferecer. 
Ambos por caminhos diferentes e numa ótica diversa optaram pela pobreza 
evangélica. Francisco de Assis o homem menos mundano que andou pelo mundo viveu 
neste mundo como um pobre caminhante. Tomás de Aquino procurava a solidão como 
alguém que não fosse deste mundo para andar pelos caminhos do espírito nas regiões de 
profundas questões intelectuais. Francisco de Assis pode ser chamado o trovador de Deus, 
mas, por certo, não admitiria o Deus dos trovadores. Tomás de Aquino não reconciliou 
Cristo com Aristóteles, mas sim reconciliou Aristóteles com Cristo. 
Francisco de Assis é o santo da ecologia. Tomás de Aquino é o santo da filosofia. 
Francisco de Assis mortificava tanto o seu corpo que mereceu ter em si os estigmas, ou 
seja, as chagas de Cristo. Tomás de Aquino preferia filosofar sobre o corpo, ensinando 
que o homem não é um homem sem o corpo, tal como o não é sem a alma. Francisco de 
Assis tornou-se um santo eminentemente popular. Tomás de Aquino um santo mais 
venerado pelos intelectuais. 
Quer Francisco de Assis, quer Tomás de Aquino deixam ambos uma mensagem 
vibrante para este final de milênio: a felicidade não se encontra fora de cada um, mas lá 
no íntimo do ser racional. Ambos convidam para esta viagem que muitos não gostam de 
fazer:entrar no âmago da própria consciência. Lá se descobre Deus, para, em seguida, 
como fizeram os citados personagens, se abrir para o próximo, para a natureza, para as 
conquistas da inteligência. 
Ambos mostram que há caminhos diversos para se atingir o objetivo último do 
homem nesta busca, nem sempre bem direcionada, da tranquilidade, da ordem e da paz. 
18 
 
 
Este reencontro com tão ilustres e sábias figuras por certo move a um repensar frutuoso 
no sentido daquele auto-controle tão necessário seja a quem for. Como mostra Francisco 
de Assis não é preciso se apartar do mundo e das maravilhas que Deus espalhou por toda 
parte. Cumpre curtir a vida. 
Como ensina a vida de Tomás de Aquino não se pode afastar das conquistas do 
espírito, da inteligência. Tomás, certamente, se vivesse hoje, estaria enfronhado nos 
progressos humanos. Nas suas reflexões procuraria o sentido, o significado da ciência e 
da técnica tão avançadas de hoje. Deixou, porém, ele princípios valiosos para que os 
homens do século atual façam tal análise com pertinência e sabedoria. 
Uma aventura divina 
A existência de Tomás de Aquino foi, sem dúvida, uma aventura divina. Quando 
olhamos para o firmamento à noite, imenso veludo cravado de estrelas, percebemos que 
umas brilham mais do que outras. Tomás de Aquino no firmamento dos grandes homens 
é estrela de primeira grandeza. Entre os santos que o cristianismo apresenta, nenhum foi 
mais sábio. 
Ao lado de uma cultura invejável e de uma inteligência admirável Tomás de 
Aquino deixou o exemplo de uma grande humildade. Honras e dignidades eclesiásticas 
lhe foram oferecidas, mas ele as recusou. Quis sempre viver na solidão de seu convento 
onde se refugiava quando não estava a dar aulas ou a pregar. 
Tomás de Aquino revela que não basta um saber enciclopédico, mas este deve ser 
sólido, profundo, alimentado na reflexão contínua. Na doutrina de Tomás de Aquino 
encanta não apenas a universalidade dos temas que abordou, dos quais tratou, mas a 
clareza de sua explanação é também digna de nota. 
A obra monumental de Tomás de Aquino foi, sem dúvida, a Suma Teológica, a 
qual se pode comparar às majestosas catedrais do estilo gótico de seu tempo, elevando-se 
acima de todos os escritos deste gênero. 
Tomás de Aquino ensina como uma vontade determinada, férrea, pode atingir os 
mais nobres objetivos. A concentração da inteligência nos estudos leva a resultados 
maravilhosos. Num mundo no qual tudo arrasta o homem para fora de si mesmo, 
deixando-o entre as ondas revoltas da angústia e da agitação interior, Tomás de Aquino é 
um convite vivo a instantes de uma salutar entrega ao silêncio em busca daquela 
serenidade que felicita e engrandece. 
19 
 
 
Tudo que foi relatado dizendo respeito ao tomismo, mostra que se trata de um 
tomismo atual, perdurável e não um tomismo medieval. Isto mostra que há, de fato, em 
tudo que Tomás de Aquino escreveu uma tendência universalista. 
Oferece, realmente, o conjunto de ensinamentos do grande filósofo de Aquino 
elementos valiosíssimos para pensar o mundo e o momento atual à luz das verdades 
perenes. Surgem, realmente, novos pensadores que sob a conduta do Doutor Angélico se 
consagram a estabelecer a ordem segundo a verdade. 
É a verdade que sempre salva e liberta o ser racional, hoje, sobretudo necessitando 
de um senso crítico apurado. A juventude precisa deste amor à verdade para não se deixar 
levar pelas armadilhas do erro e da mentira. 
O tomismo não quer em absoluto retornar à Idade Média. Trata-se, contudo, de 
salvar e de assimilar todas as riquezas oferecidas por Tomás de Aquino para valorizar 
tudo que há de positivo nos tempos modernos. É que o tomismo pretende usar da razão 
para separar o verdadeiro do falso. Pode purificar certas tendências modernas e integrar 
tudo que a verdadeira conquista do espírito humano conseguiu após Tomás de Aquino. 
De fato, o tomismo é uma filosofia essencialmente sintética e assimiladora. 
O tomismo é uma sabedoria que nasce de um sistema magnificamente arquitetado 
por Tomás de Aquino, apta, portanto, para orientar as mentes, libertando-se do erro. No 
momento em que se nota no mundo de hoje um surto religioso inegável, a presença de 
Tomás de Aquino é de fundamental importância. Os cristãos, sobretudo, se empenham 
em viver o que Jesus ensinou e procuram, sem falso moralismo, uma vida longe de lances 
desonestos que maculam e escravizam. O exemplo magnífico de Tomás de Aquino que, 
em plena juventude, venceu espetacularmente a tentação sexual, realmente, arrasta e 
inspira gestos semelhantes. 
Com justiça ele foi denominado o Doutor Angélico. Tal elevação de uma 
existência singular se deveu à sua íntima união com Deus. Hoje grupos juvenis se formam 
e sem nenhum respeito humano se põem a cantar os louvores divinos e buscam uma 
perfeição de vida, motivo de fagueiras esperanças. Tudo que Tomás de Aquino realizou 
ele o consegui indo à fonte suprema do Bem. Neste aspecto há uma sintonia muito grande 
entre a mentalidade do Aquinate e esta onda religiosa hodierna. 
A piedade de Tomás de Aquino era algo viril, pois o conduzia a ações 
verdadeiramente heróicas. É este o ideal que toma conta de centenas de jovens que não 
desejam se deixar levar pelas vagas dos vícios, mormente das drogas que matam e 
20 
 
 
rematam tantas vezes a crueldade de espíritos perversos que se enriquecem com as 
desgraças alheias. 
Tomás de Aquino constitui-se deste modo num apelo vibrante a que prossigam 
todos nesta caminhada vibrante da afirmação pessoal. Pode-se, portanto, dizer que Tomás 
de Aquino se torna assim um notável concidadão dos tempos modernos. 
Aos males da inteligência ele propõe o remédio do exercício da razão, capaz de 
desmascarar as insídias das manipulações dos donos do poder. Aos desastres éticos e 
morais ele aponta a retidão da vontade firmada na proteção de Deus a levar para longe 
das servidões dos falsos prazeres. 
Ao desânimo que, por vezes, se instaura em tantos corações ele propõe a 
experiência de Deus, fonte de toda paz e energia interior. A uma ciência e a uma 
tecnologia materialistas ele contrapõe o retorno incondicional a Deus, cuja existência ele 
soube tão bem provar. A este herói da ordem intelectual se deve acorrer para se buscar 
nas conquistas do espírito a força capaz de erguer um mundo que se deixou levar pelo 
endeusamento de falsos ídolos. 
Em nossos dias quando a filosofia voltou a ser novamente prestigiada nos currículos até 
do segundo grau, o reencontro com Tomás de Aquino só poderá resultar numa maior 
pujança intelectual e cultural. 
Por tudo que aqui foi escrito sobre Tomás de Aquino se pode concluir que ele é, 
de fato, o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios! 
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino 
Santo Agostinho e São Tomás de Aquino Santo Agostinho foram dois 
reconhecidos filósofos cristãos. Agostinho, viveu entre os séculos IV e V. Estudou na 
África e inicialmente foi um intelectual que tinha orientação religiosa pagã, aderiu ao 
maniqueísmo e posteriormente sob grande influência de sua mãe e de diversos autores 
que lera converteu-se ao catolicismo sendo considerado como pertencente à patrística. 
 A patrística, em síntese, é o esforço para se criar uma filosofia cristã a qual 
atribui às práticas tradicionais católicas um arcabouço teórico para que se apresentem 
como “um conjunto de ideias produzidas e sistematizadas pela razão em um todo lógico” 
(PESSANHA, 1980 p.XII). Porém as primeiras tentativas de se consolidar tal filosofia 
cristã que tentava conciliar a fé e a revelação divina com a razão e o raciocínio lógico não 
obtiveram grande êxito. Somente até Santo Agostinho, que conseguiu elaborar uma 
verdadeira síntese sistematicamente organizada da filosofia cristã baseada num 
21 
 
 
conhecimento de natureza neoplatônica que adequava o pensamento de Platão as 
concepções Católicas. 
São Tomás de Aquino, segundo Mariada Glória de Rosa, é considerado um dos 
mais famosos filósofos da escolástica, viveu no século XIII e precocemente recebeu o 
título de Mestre em Teologia devido à sua genialidade. 
 A escolástica é marcada pelas ideias de Santo Agostinho, além de também 
procurar uma conciliação entre a fé e a razão, o catolicismo e a filosofia e ser bastante 
influenciada pelo pensamento neoplatônico. Entretanto, aprofunda mais no método 
dialético e sob São Tomás de Aquino ela receberá fortes influências aristotélicas a fim de 
buscar respostas às novas questões que eram impostas a fé e a razão em meados do século 
XIII e que o pensamento agostiniano não conseguia abarcar. 
 Os dois filósofos convergiram e divergiram em variados aspectos de seus 
pensamentos. Ambos se preocuparam em pensar sobre as essências das “coisas” (Deus, 
a natureza, o ser humano, a verdade, o conhecimento, etc.) essas ideias metafísicas 
procuravam justificar através da razão a conduta e a moral da tradição cristã. Porém 
Agostinho acreditava existir, como Platão, um mundo das ideias que era a perfeição, a 
verdade e um mundo real que era a representação imprecisa deste mundo ideal apreendida 
pelos sentidos sob diferentes formas. Santo Agostinho defendeu a ideia do mestre interior 
em que todo o conhecimento é alcançado dentro do próprio ser e somente através da 
iluminação divina pode-se chegar à verdade: 
A teoria agostiniana estabelece, assim, que todo o conhecimento verdadeiro é o 
resultado de um processo de iluminação divina, que possibilita ao homem contemplar as 
ideias, arquétipos externos de toda a realidade. (PESSANHA, 1980 p.XVI). 
Para Agostinho a filosofia era a busca da felicidade e essa, para ele, era uma 
”indagação da condição humana em busca da beatitude” (PESSANHA, 1980 
p.XIII).Porém Agostinho não encontrou na filosofia helênica esta beatitude e sim nas 
Sagradas Escrituras de Paulo de Tarso, é daí que surge o seu esforço de unir a razão à fé. 
A primazia entre fé e razão, uma sobre a outra não fica clara em Agostinho e existem 
diversos debates sobre o assunto, porém convém deixar claro que seu objetivo era o de 
conciliar os dois: 
A razão relaciona-se, portanto, duplamente com a fé: precede-a e é sua 
consequência. É necessário compreender para crer e crer para compreender. 
(PESSANHA, 1980 p.XIV). 
22 
 
 
Já Tomás de Aquino, não acreditava em um mundo das idéias e sob influência 
do naturalismo aristotélico defenderá a existência de um mundo real, material. Esse 
mundo seria a criação divina – esta é uma das questões que surge ao seu tempo, a criação. 
Ele aponta a apreensão do divino através da verdade da razão que não pode ser negada 
pela verdade revelada da fé, ambas precisam ser idênticas, do contrário a fé ou a razão 
não foram adequadamente empreendidas. A teologia e a filosofia não se opõem. Fé e 
razão estão unidas em um único sentido: a perfeição, ou seja, o conhecimento de Deus. 
Para Tomás de Aquino a verdade e o conhecimento também são alcançados através de 
um mestre interior, porém, não há a intervenção de uma luz divina para que se dê o 
conhecimento, ele já existe como potencialidade no interior do ser e cabe a este descobri-
lo através do aprendizado, do estudo, da educação religiosa, da pedagogia. 
 Portanto concluímos que ambos, Santo Agostinho e São Tomás de 
Aquino procuraram conformar razão e fé, filosofia e religião. Também defendiam que 
a busca do conhecimento dado através de ambas citadas acima tinha um sentido comum: 
a verdade divina, o conhecimento da perfeição, ou seja, o entendimento de Deus. Seus 
pensamentos se distanciaram quanto ao processo que se dá esse conhecimento apesar de 
concordarem em sua origem no ser interior. Tomas de Aquino sob influência aristotélica 
defendia ideias mais “materialistas” enquanto Santo Agostinho sob influência 
neoplatônica manteve seus pensamentos mais ligados ao mundo das ideias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
[1] ELWELL, Walter A. (org). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. São 
Paulo: SREVN, 1993. (I, II e III Volume) 
 
 
http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=2320876534531591330#_ftnref1

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