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Ética e Responsabilidade Social das Empresas

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se modificou quanto à divisão de classes, na discussão 
ideológica, a emergência nos últimos anos de relatórios mais 
severos sobre o esgotamento dos recursos ambientais e as 
notícias diárias sobre as mazelas da exclusão social, têm sido 
sinais de alerta importantes. 
A chamada “economia pura”, entendida como economia dissociada 
de seu caráter social, é invadida por uma preocupação que pretende 
enfrentar os desafios do capitalismo, ao menos exigindo daqueles 
que antes somente pensavam em maximizar a riqueza, que se 
A chamada 
“economia pura”, 
entendida como 
economia dissociada 
de seu caráter social, 
é invadida por uma 
preocupação que 
pretende enfrentar 
os desafios do 
capitalismo, ao 
menos exigindo 
daqueles que antes 
somente pensavam 
em maximizar a 
riqueza, que se 
justifiquem do ponto 
de vista de sua 
contribuição para 
a invenção de um 
ethos humano do 
futuro. 
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justifiquem do ponto de vista de sua contribuição para a invenção 
de um ethos humano do futuro. 
O que a ética empresarial preconiza é a reflexão levada a efeito em 
formas objetivas de inserir a empresa em seu ethos, levando em 
conta o bem a ser garantido como abrigo protetor (como é o sentido 
do termo ethos para os gregos) a todos, o que implica também a 
conservação dos recursos naturais. 
As empresas, principalmente as de grande porte, têm grande 
responsabilidade na comunidade global justamente por serem elas 
a instância local que pode permitir uma resistência ao aniquilamento 
dos valores humanos e o descaso com a natureza.
É necessário reconhecer que a pressão exercida pelos vários 
mercados que compõem a globalização força as empresas e suas 
equipes a se autoanalisarem continuamente. E é exatamente esse 
autoexame, principalmente se ele for baseado em padrões de crítica 
racional, a exemplo daquela que os filósofos gregos fizeram de seu 
tempo, que cria a consciência necessária de que no movimento 
global contemporâneo se constrói um novo ethos. 
Para essa construção contribui imensamente a maneira como as 
empresas, em todo o mundo, propiciam a suas equipes o acesso 
a um nível de compreensão mais profundo do lugar da empresa. 
As empresas, assim como o Estado, tiveram seu papel alterado nos 
últimos anos. Hoje, é bem mais amplo o papel das empresas na 
sociedade, enquanto o próprio Estado, como garantidor da ordem 
social, tem sido forçado a redimensionar o seu papel. 
A administração superior de uma empresa, ao definir os campos 
de formação continuada de seus colaboradores, pode ter um 
papel fundamental se inserir as questões sociais e ambientais 
como objetivos de construção de saber para a empresa. Os 
funcionários da organização podem focalizar seus esforços 
educativos não somente na clarificação da estratégia empresarial 
As empresas, 
principalmente 
as de grande 
porte, têm grande 
responsabilidade 
na comunidade 
global justamente 
por serem elas 
a instância local 
que pode permitir 
uma resistência ao 
aniquilamento dos 
valores humanos 
e o descaso com a 
natureza.
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e na definição de metas financeiras desafiadoras e motivantes. A 
isso, pode-se acrescentar a investigação a respeito das formas 
de tornar a empresa também competitiva na responsabilidade 
social e ambiental.
Essa operação somente terá efeitos sobre o desenvolvimento 
da cultura organizacional se junto aos objetivos de inovação, 
experimentação, aprendizado contínuo e comprometido com 
os resultados de longo prazo, forem inseridos os esforços por 
desenvolver um saber ético. 
Em síntese, se o saber é o grande elemento da nova era das 
empresas, o saber sobre a otimização de todas as áreas da empresa 
deve incluir suas relações com as pessoas, como responsabilidade 
social, e as relações dos seus processos produtivos sobre a 
natureza, como responsabilidade ambiental. Essa deve ser uma das 
preocupações fundamentais da alta administração. 
No mundo globalizado, a organização empresarial ganha um 
intenso papel de instância de transformação (ou de estagnação) 
das sociedades. Aquilo que as empresas lançam aos mercados 
do qual participam têm efeitos não somente financeiros. Se elas 
disponibilizam ao mercado negociantes com capacidade limitada 
de análise da realidade, isso se reverterá em um conjunto de 
relações sociais alienantes. Se, por outro lado, elas estruturam 
sua produção, seu gerenciamento e a relação com a sociedade de 
maneira mais consciente, o efeito é um aumento da consciência 
em geral sobre a realidade.
A diversidade dos mercados e a diversidade de soluções que eles 
exigem não podem obscurecer a unidade do papel das empresas na 
instituição do ethos contemporâneo. 
Em resumo, teríamos que acrescentar a esse objetivo a consciência 
do efeito e responsabilidade da empresa pela efetivação criativa 
de novos elementos do ethos humano para os próximos séculos. 
A diversidade 
dos mercados 
e a diversidade 
de soluções que 
eles exigem não 
podem obscurecer 
a unidade do papel 
das empresas na 
instituição do ethos 
contemporâneo. 
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A empresa, mais do que o papel defensivo de não causar 
prejuízo, como era a preocupação no início do movimento pela 
responsabilidade ambiental, deverá fornecer em sua cultura e seus 
objetivos condições deliberadas para a invenção desse novo ethos.
A influência desse novo papel da empresa sobre os sujeitos 
humanos nas organizações empresariais e sobre os efeitos da 
produção sobre o meio ambiente é notória. As habilidades e 
competências que capacitam os profissionais para o contexto 
globalizado vão depender da inserção das pessoas nas exigências 
sociais e ambientais feitas à empresa.
As seguintes características ou habilidades são necessárias ao 
novo administrador: formação humanística e visão global; formação 
técnica e científica; internalização de valores de responsabilidade 
social, justiça e ética profissional; competência para empreender 
ações e para analisar criticamente as organizações e seus 
efeitos sociais e ambientais; compreensão da necessidade do 
contínuo aperfeiçoamento profissional e do desenvolvimento de 
autoconfiança; atuação de forma interdisciplinar. 
Mais do que lideranças técnicas ou de referências operacionais, 
esse perfil indica a necessidade das empresas, em obter em seus 
quadros funcionais lideranças éticas. Isto é, líderes com percepção 
suficiente do lugar da empresa na construção do ethos e com 
capacidade de traduzir essas exigências para os negócios da 
empresa. Esse novo líder, com apurado senso crítico quanto aos 
processos produtivos, deve primar pela capacidade de agir sobre a 
cultura da empresa influenciando-a na direção da atualização.
Dados científicos muitas vezes nos ajudam a compreender melhor a 
realidade. A chamada “Pesquisa Ação Social das Empresas”, realizada 
pelo Ipea pela segunda vez em todo o Brasil, aponta um crescimento 
As habilidades 
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