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Logística Consolidação e unitização de cargas Consolidar as cargas significa agrupar várias mercadorias de um ou de vários usuários diferentes que tenham um só destino. Já unitizar é o processo de unificar as mercadorias em volumes únicos, de modo a simplificar o uso do espaço e garantir mais rapidez e segurança em processos de movimentação. Unitização é a ligação de vários pacotes ou embalagens de tamanho menor em uma unidade de carga. Esses pacotes podem ser transportados em contêineres, tanto no modal marítimo como no rodoviário, respeitadas as devidas proporções. Princípios de consolidação de cargas Consolidar cargas consiste em criar grandes carregamentos a partir de vários outros pequenos. Isso garante economia de escala no custo dos fretes e melhora o nível do serviço ao cliente (TYAN et al., 2003). Segundo Lopez (2000), a consolidação de carga propicia redução do custo de transporte por: box rate (rateio em função da fração de contêiner ocupado); concorrência entre agentes consolidadores, com transferência de parte das reduções de valor de frete obtidas junto aos transportadores via ampliação dos serviços prestados ou reduções nos próprios preços; e oferta de infraestrutura operacional de transporte mais ágil e eficiente. A redução das tarifas para os embarques de maior porte é um fator que incentiva os gerentes a optarem por maiores volumes. Consolidar pequenos fretes em maiores é uma ótima maneira de conseguir custo mais baixo de transporte por unidade de peso. De acordo com Ballou (2001), a consolidação de cargas pode ser alcançada de quatro maneiras: consolidação do estoque, do veículo, do armazém e temporal. Clique ou toque nos títulos para visualizar o conteúdo. Figura 1 – Cargas consolidadas Fonte: <http://chinagate.com.br/importar-da-china-de-varios-fornecedores/>. A figura que mostra uma carga consolidada em um caminhão. A unidade de carga é o volume de mercadoria adequado à sua unitização. Ela é chamada de ULD (unit load device) e deve ser adequada aos contêineres e às paletes utilizadas nas cargas aéreas, rodoviárias e marítimas. Os modelos se diferenciam na forma, no tamanho, na produção e no modo como serão utilizados. São empregados principalmente no modal marítimo, mas também podem ser transportados no rodoviário. Consolidação do estoque Cria-se um estoque de produtos a partir do qual a demanda é atendida. Isso permite embarques maiores e até carga completa dos veículos. Consolidação do veículo As coletas e as entregas envolvem quantidades incompletas de veículo. Mais de uma coleta ou entrega é colocada no mesmo veículo, de modo a se gerar um transporte mais eficiente. Consolidação do armazém A razão fundamental para armazenar é permitir o transporte de tamanhos grandes de embarque em distâncias longas e de tamanhos pequenos de embarque em distâncias curtas. Podem-se, por exemplo, usar armazéns para desmembrar volumes (break bulk ou crossdocking). Consolidação temporal Os pedidos dos clientes sofrem atrasos para que embarques maiores possam ser feitos, em vez de vários embarques pequenos. Também pode haver economia no transporte com a roteirização melhorada dos embarques. Unitização As cargas que serão unitizadas devem ter o maior volume possível, desde que as suas dimensões sejam compatíveis com as ferramentas de movimentação. O uso da expressão “unitização de cargas” pode remeter a uma imagem de muitas cargas juntas, mas não se trata exatamente disso. Unitizar uma carga consiste em transformar, de certo modo, volumes, pesos, formatos e tamanhos diferentes de cargas em uma unidade idêntica e uniforme. Isso pode ser aplicado tanto no segmento de cargas quanto nos armazéns, facilitando os processos logísticos. Eles se tornam mais ágeis e eficazes. Mas as vantagens do emprego de cargas unitizadas não estão somente no embarque e na comercialização. Há muitos outros benefícios envolvidos, como: O tamanho das novas unidades de carga tende a ser o maior possível, dentro dos limites de carga dos veículos utilizados ou do espaço dos centros e dos armazéns de distribuição e movimentação. A unitização de cargas, embora seja uma tendência da logística moderna e envolva volumes e unidades cada vez maiores, não é exatamente uma novidade. As sacas de produtos agrícolas, por exemplo, são cargas unitizadas. Elas sempre têm o mesmo peso e tamanho e, até em termos financeiros e comerciais, são sempre negociadas conforme um padrão. Isso torna o transporte mais fácil e permite que toda a cadeia opere dentro dos mesmos patamares de volume e classificação. Redução de custos e despesas das horas trabalhadas Menor dispêndio na movimentação e no controle de armazéns e áreas de estocagem, além de facilidades no controle de entradas e saídas e lançamento de volume e pedidos Agilidade no manuseio e na estocagem de cargas Melhor uso do espaço de armazenagem e de transporte, geralmente seguindo o mesmo padrão da unidade de carga empregada Redução das operações no trânsito das cargas Redução de desperdícios e perdas decorrentes do transporte Boa comunicação do segmento logístico com os departamentos de vendas e financeiro Maior dificuldade de desvios Diminuição de sinistros Os modelos mais comumente utilizados na unitização, no processo de cargas, são: Cargas pré-lingadas Cargas paletizadas Modalidades de contêineres Clique em cada botão para saber mais sobre cada modelo. Pré-lingagem Paletização Conteinerização Pré-lingagem A carga movimentada é acondicionada em redes de nylon ou cordas (proporcionando um manuseio fácil) e é movimentada por guindastes. Isso acelera a operação. As carcas são envolvidas por redes especiais (chamadas slings) ou cintas com alças adequadas à movimentação por içamento. Paletização Um tipo de engradado de madeira funciona como suporte para as cargas, que ficam anexadas. Há aberturas em sua parte inferior, permitindo o encaixe dos garfos das empilhadeiras, o que otimiza a movimentação das cargas. Figura 2 – Paletização Fonte: <http://lisalog.com.br/pb/member/paletizacao/>. A figura mostra cargas paletizadas conduzidas por uma empilhadeira. Para que seja possível unitizar cargas, é preciso utilizar alguns complementos logísticos, como os contêineres. Vejamos os modelos mais comuns. Conteinerização As cargas são alocadas em um recipiente no formato de um grande baú, que é largamente usado no comércio internacional e comumente conhecido como contêiner. Ele proporciona segurança e é de fácil manejo e transporte. Devido à sua capacidade e à facilidade no uso, os contêineres são empregados nos diversos modais, a nível mundial. Da conteinerização à unitização das cargas, são mais utilizados no transporte e na movimentação de comércio internacional, mas também são largamente utilizados nas movimentações de cargas feitas no Brasil. Figura 3 – Conteinerização Fonte: <http://www.linkmex.com.br/biblioteca/blog//>. A figura mostra um contêiner com paletes e uma empilhadeira manual. Dry box Trata-se de um modelo fechado, com portas na parte traseira. É o tipo de contêiner mais comumente empregado. É apropriado para a movimentação de cargas gerais do tipo secas (alimentos, itens de vestuário, móveis). Pode medir 20 ou 40 pés. O modelo de 20 pés pode abrigar um volume de 33,6 m³ e 19.046 kg; já o de 40 pés pode suportar um peso de 27.170 kg e abrigar 66,4 m³ em volume. Pode ter escotilhas no teto e aberturas nas laterais. Figura 4 – Contêiner dry box Fonte: <http://www.ibfreight.com.br/ferramentas/containers.php>. Uma figura que mostra um contêiner dry box e suas dimensões. Ventilated É semelhante ao dry box, porém pode ter as portas menores nas partes laterais, para permitir a entrada de ar. É indicado para tipos de carga que precisam ser arejadas, como café e cacau. Figura 5 – Contêiner ventilated Fonte: <http://www.ibfreight.com.br/ferramentas/containers.php>. A figura mostra um contêiner ventilated e suas dimensões. Reefer É equivalenteao tipo dry box, mas totalmente tampado. Como conta com abertura na traseira, é conveniente para cargas perecíveis congeladas (carnes, sorvete, hortifrutigranjeiros), por exemplo, situação que exige controle de temperatura. Figura 6 – Contêiner refeer Fonte: <http://mirandacontainer.com.br/tipos-de-containers/>. A figura mostra um contêiner reefer e suas dimensões. Bulk Diferentemente do modelo dry box, é fechado. É acessível pelo teto, por escotilhas. A carga (granéis sólidos e produtos de origem agrícola) permanece no fundo do contêiner. A parte posterior traseira é utilizada para carga e descarga. Figura 7 – Contêiner bulk Fonte: <http://www.v3shipping.com.br/containers.html#bulk_container>. A figura mostra um contêiner bulk e suas dimensões. Open top Não tem teto e pode ser fechado por lonas para movimentar cargas que não possam ser embarcadas pela parte de trás, exigindo uma entrada especial. Apesar disso, há também uma porta normal pela parte de trás. É adequado para cargas cujo volume exceda o tamanho do contêiner. Elas não poderiam ser acomodadas no interior de um dry box de tamanho normal. Figura 8 – Contêiner open top Fonte: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgOcIAG/conteineres>. A figura mostra um contêiner open top e suas dimensões. Half height É um contêiner do tipo open top, sem teto, mas com uma altura média de cerca de 4 ou 4,3 pés. Ele é fechado com lonas, e a cabeceira opera como uma basculante. É indicado para o transporte de minérios, devido à densidade do material. Figura 9 – Contêiner half height Fonte: <https://traderiskguaranty.com/trgpeak/14-common-shipping-container- types/>. A figura mostra um contêiner half height e suas dimensões. Open side Tem somente três tipos de separações, ou paredes, em seu lado interno. É normalmente usado para transportar cargas cuja movimentação é mais difícil pela abertura traseira e cujas dimensões ultrapassem os limites do receptáculo. Isso permite agilizar o processo de estufagem. Figura 10 – Contêiner open side Fonte: <https://www.oxymontage.com/en/our-containers/open-side-containers>. A figura mostra um contêiner open side com suas dimensões. Flat rack Trata-se de um contêiner semelhante a uma plataforma, uma fusão de open top e open side. Não tem paredes laterais nem teto. As suas cabeceiras fixas, que podem ser dobráveis, são apropriadas para permitir a movimentação de volumes que excedam as dimensões normais e são muito pesadas. Figura 11 – Contêiner flat rack Fonte: <https://www.stlfinder.com/3models/container-blue>. A figura mostra um contêiner flat rack com suas dimensões. Plataform Não tem paredes nem teto. Tem somente o piso próprio para a movimentação de volumes grandes e que possam ser pesados. Figura 12 – Contêiner plataform Fonte: <http://www.shippingcontainers24.com/dimensions/platform/>. A figura mostra um contêiner plataform com suas dimensões. Tank Trata-se de um contêiner igual a um tanque. Fica anexo a um tipo de armação-padrão para o uso e, normalmente, transporta líquidos em geral. Figura 13 – Contêiner tank Fonte: <https://mirandacontainer.com.br/tipos-de-containers>. A figura mostra um contêiner tank com suas dimensões. Natureza e tipos de cargas transportadas Palete Há diversas formas e modelos. O formato do estrado pode ser quadrado ou retangular. As laterais podem ser simples, mas com aberturas para permitir o encaixe dos garfos da empilhadeira. Figura 14 – Palete Fonte: <http://www.sistemadearmazenagem.com.br/tipos-de-paletes-para- armazenagem/>. Descrição ALT: A figura mostra uma palete. Cargas gerais As cargas são embarcadas e transportadas com ou sem a adição de estrado. Cargas granéis Podem ser líquidas ou sólidas. São embarcadas e transportadas sem que haja a estufagem, sem identificação de marca e sem a avaliação de unidades. Exemplos: arroz e soja. Cargas frigorificadas Requerem conservação e qualidade no seu transporte e movimentação. Devem ser transportadas refrigeradas ou congeladas. Exemplos: carnes e frutas. Cargas perigosas São produtos químicos, que podem propiciar danos para as pessoas e para o meio ambiente em geral. Sempre deve haver orientação para o seu transporte, e deve ser feita a denominação correta do material. Isso permite uniformizar o transporte e aplicar as regras regulamentares de manipulação. É preciso reiterar a importância das ferramentas apresentadas para o carregamento, o armazenamento e o transporte no processo logístico. Elas ajudam a minimizar riscos, a evitar a perda de cargas e a maximizar o processo eficiente da cadeia logística das organizações.