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Gestão da Qualidade e Produtividade Autoria Ricardo Verçoza Mendes Gestão da Qualidade e Produtividade SEJA BEM-VINDO! Reitor: Prof. Cláudio Ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. Rafael Rabelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio Rabelo Bastos Pró-reitora acadêmica: Profa. Flávia Almede de Almeida Direção Nead: Prof. Ricardo Zambrano Júnior Coordenação Nead: Profa. Luciana Rodrigues Ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou par- cialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotos- tática ou outros, sem a autorização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. ExpEdiEntE Ficha técnica Autoria: Rcardo Verçoza Mendes Supervisão de Produção Nead: Francisco Cleuson do Nascimento Alves Design instrucional: Antonio Carlos Vieira Projeto gráfico e capa: Francisco Erbínio Alves Rodrigues Diagramação e tratamento de imagens: Jocivan de Castro Costa Revisão textual: Claudiene Braga Ficha catalográFica catalogação na publicação bibliotEca cEntro univErsitário atEnEu MENDES, Ricardo Verçoza. Gestão da qualidade e produtividade. / Ricardo Verçoza Mendes. – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 124 p. ISBN: 1. Gestão da qualidade. 2. Sistema de normalização. 3. Diretrizes, processos e ro- tinas. 4. Ferramentas de gestão da qualidade. Centro Universitário Ateneu. II. Título. SEJA BEM-VINDO! Caro estudante, temos a alegria de apresentar o material didático da disciplina Gestão da Qualidade e Produtividade. Ao ler e estudar por esse material, você terá condições de responder às atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Os estudos serão iniciados com o histórico da gestão da qualidade, com seus estágios de desenvolvimento e os autores importantes que pensaram a qualidade – contribuindo para sua definição e compreensão. Posteriormente, iremos estudar como a gestão da qualidade tem função estratégica para as empresas atualmente, colaborando para sua liderança e excelência. Em seguida, iremos analisar a importância de um sistema de gestão baseado em normas e procedimentos para se criar produtos e serviços com padrão e com qualidade. Por fim, estudaremos como a rotina pode ser importante para compreender e aplicar a qualidade na gestão, como as ferramentas podem ajudar a criar um método fácil e objetivo na gestão da qualidade e como o setor de serviços se torna mais eficiente e competitivo com boas práticas de qualidade – tudo para beneficiar o cliente. Nosso objetivo não é esgotar todo o assunto, mas lhe despertar a curiosidade para procurar outras fontes de conhecimento além deste livro (como textos, artigos e vídeos), de forma a estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. Através do estudo dos temas contidos neste material didático, você estará apto para corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos e compreender seus impactos na vida em sociedade – já que a qualidade se faz presente em qualquer espaço social e humano. Bons estudos! SUMÁRIO CONECTE-SE ANOTAÇÕES REFERÊNCIAS Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem e significam: SUMÁRIO 1. A história da gestão da qualidade............................ 8 2. Um olhar estratégico para a qualidade .................. 16 3. Gestão da qualidade total e modelos de excelência em desempenho organizacional .......... 21 Referências ............................................................... 28 01 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE 1. Modelo seis sigma ................................................. 32 2. Sistema de normalização na gestão: evolução, conceitos e certificações (ISO 9001; ISO 14001 e TS 16949) ................................................ 42 3. Controle estatístico de processo............................ 49 4. ISO 9001 e o controle estatístico ........................... 58 5. Qualidade e sustentabilidade: sistemas integrados de gestão ............................................. 58 Referências ............................................................... 67 02 SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO NA GESTÃO: CONCEITOS, NORMAS E CRITÉRIOS PARA A PRÁTICA DA QUALIDADE 1. Abordagem econômica da qualidade .................... 92 2. Ferramentas para a gestão da qualidade .............. 95 3. Qualidade no setor de serviços ........................... 116 Referências ............................................................. 121 04 QUALIDADE DO SERVIÇO PRESTADO E FERRA- MENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE 1. Gerenciamento das diretrizes ............................... 72 2. Gerenciamento por processos ............................... 77 3. Gerenciamento da rotina ....................................... 84 Referências ............................................................... 8903 A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO PARA A DE- FINIÇÃO DE DIRETRIZES, PROCESSOS E ROTINAS Apresentação Bem-vindo à primeira unidade! Nela, iremos dialogar sobre a evolução da qualidade ao longo do tempo, indo desde uma visão mais artística do produto até um controle de todas as etapas de fabricação e o envolvimento do pós-venda como critério de qualidade. Entender esta evolução da qualidade também implica em estudar a contribuição de alguns autores, como Juran, Feigenbaum, Deming e Ishikawa, para a definição e compreensão do que seja qualidade. Além disso, dentro da perspectiva da evolução, estudaremos os impactos para a gestão da empresa, quando ela deixa de focar somente da produção em massa dos produtos e passa a valorizar o cliente – modificando o processo produtivo e a relação com a equipe em busca da excelência e da competitividade. A qualidade passa, assim, a ter um caráter estratégico dentro das organizações, que envolveu o controle da qualidade total (TQC) e a gestão da qualidade total (TQM) e seus modelos. A qualidade está presente em todo momento na nossa vida, seja na área pessoal ou profissional. Desta forma, esperamos que você possa entender a importância de estudar esta matéria e aplicá-la para tornar-se um profissional melhor – e um cidadão também. Unidade 01 Histórico e evolução da gestão da qualidade Ricardo Verçoza Mendes 8 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Compreender a evolução da qualidade através de seus estágios e impactos para as empresas; • Analisar os principais autores que contribuíram para a definição e compreen- são da qualidade; • Reconhecer que a qualidade contribui para o desenvolvimento da competitivi- dade e que estimula a excelência em produtos e processos; • Entender o caráter estratégico da qualidade atualmente. 1. a história da gestão da qualidade A palavra qualidade, assim como feedback, produtividade, turnover e competitividade, é muito falada no mercado de trabalho e também na sociedade. No entanto, cada pessoa tem uma maneira individual (subjetiva) de compreender o que possa ser qualidade – que pode coincidir ou não –, e isso acaba interferindo para pensar e criar produtos e serviços. Ao longo das décadas, houve uma mudança na ideia de qualidade: se antes o artesão dominava o processo de produção e a qualidade era entendida como beleza artística, agora é possível enxergar técnicas e práticas de gestão influenciando o processo de produção e as características ou atributos que formam um produto/serviço com qualidade. 1.1. O histórico da qualidade ...A qualidade evoluiu ao longo das décadas, especialmente no século XX... A qualidade evoluiu ao longo das décadas, especialmente no século XX, e teve dois eventos como instrumentos que incentivaram seu desenvolvimento e aperfeiçoamento: a Revolução Industrial e a Segunda Guerra Mundial. GESTÃO DA QUALIDADEE PRODUTIVIDADE 9| Figura 01: As primeiras máquinas a vapor surgem na Inglaterra no século XVIII. Fonte: <http://bit.ly/2D5BuI7>. A Revolução Industrial, que começou na Inglaterra no século XVIII e se espalhou no século XIX e XX por boa parte do hemisfério norte, foi um processo que substituiu o trabalho do homem, muitas vezes chamado de artesão, pelas máquinas. Essa substituição acelerou o ritmo de fabricação dos produtos, conhecido hoje como “produção em massa” e conduziu os gestores da época a, pouco a pouco, pensar sobre qualidade nas etapas de produção. Contudo, a Revolução Industrial não foi o único evento a gerar impacto sobre a qualidade. Figura 02: A Segunda Guerra Mundial ocorreu de 1939 até 1945. Fonte: <http://bit.ly/2Ij0Gyo>. A Segunda Guerra Mundial foi o segundo “evento” que contribuiu para o avanço da qualidade. A busca para ter armamentos melhores levou os países a investirem bastante, inovando para poder superar a capacidade dos inimigos, mas foi no pós-guerra que tivemos a aplicação do conhecimento para amadurecer e aperfeiçoar o que se sabia sobre qualidade. 10 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Muitos países ficaram destruídos no final da Segunda Guerra, entre eles o Japão, que teve boa parte da estrutura física das indústrias devastada pelas bombas. Bem, como retomar a produção das fábricas com a estrutura destruída, competir com países pouco impactados pelas bombas, e ainda pagar uma dívida fruto da derrota da guerra? Mudando a mentalidade de produção. Isso envolvia executar os trabalhos com disciplina para produzir com qualidade igual ou superior ao dos concorrentes (especialmente os norte-americanos) e oferecer um preço competitivo. FIQUE ATENTO A Revolução Industrial e a Segunda Guerra Mundial foram importantes marcos para um intenso desenvolvimento e aperfeiçoamento da qualidade. Para melhor analisarmos os efeitos da Revolução Industrial e da Segunda Guerra Mundial sobre a temática da qualidade, é importante estudar as Eras da qualidade. 1.2. As Eras da qualidade As Eras da qualidade são estágios de evolução da qualidade ao longo de décadas (e séculos), e marcam a mudança de pensamentos sobre o conceito e prática da qualidade dentro das empresas. Figura 03: Organização é fundamental para construir edifícios e também para buscar a qualidade. Fonte: <http://bit.ly/2Fzcjl9>. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 11| Como um edifício que toma forma à medida que é construído, iremos abordar quatro estágios para analisar como ocorreu a evolução da qualidade. Os quatro estágios são: inspeção, controle estatístico da qualidade, garantia da qualidade e gestão da qualidade total. Figura 04: Estágios da evolução da gestão da qualidade. Controle estatístico da qualidade Garantia da qualidade Gestão da qualidade total Inspeção Fonte: Elaborada pelo autor. O primeiro estágio da qualidade é a inspeção e tinha como objetivo separar produtos bons dos ruins. Desta forma, não existia um feedback do processo, ou seja, ninguém buscava saber a causa dos problemas dos produtos defeituosos já que a qualidade só era observada ao final da produção. Neste estágio, existia um alto nível de desperdício e desinteresse pelo processo. O segundo estágio da qualidade é o controle estatístico da qualidade. O objetivo deste estágio era utilizar procedimentos estatísticos para controlar a qualidade. Isso acontecia através de amostras – retirada de uma parcela de produtos –, que serviam de base para que fosse verificada e analisada a qualidade. Devido à produção em série, fruto também do cenário da Segunda Guerra Mundial e da expansão da Revolução Industrial, os funcionários eram especializados, ou seja, focados em poucas ou em apenas uma tarefa para melhor realizar o trabalho. Já o terceiro estágio, chamado de garantia da qualidade, teve como objetivo envolver a qualidade antes da produção ser iniciada. Logo, o planejamento torna-se peça fundamental para comprometer toda a organização na busca por qualidade – já que perfeição técnica não era mais suficiente. Por isso, era necessário treinar, melhorar e avaliar (feedback) para que o processo pudesse ser feito de maneira organizada e padronizada. Tudo isso iria contribuir para duas coisas: 1 – produzir dentro da metodologia “zero defeito”, proporcionando um produto com custo baixo e com desempenho de longo prazo e 2 – melhor satisfação do cliente. 12 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Por fim, o quarto estágio é a gestão da qualidade total. O objetivo deste estágio é ter a qualidade como diferencial competitivo. Não era suficiente incluir o planejamento no processo de produção e olhar somente o momento atual da empresa. Era necessário olhar o futuro, ou seja, buscar a melhoria contínua através de práticas de gestão (ferramentas e metodologias) para diminuir ou eliminar a ocorrência de falhas e desperdícios, além de aumentar a chance de satisfação do cliente. Desta forma, todas as partes interessadas na empresa – os stakeholders (funcionários, fornecedores e acionistas, por exemplo), precisariam ser envolvidas nos projetos e ações para tornar realidade a qualidade com caráter competitivo para a empresa. 1.3. Algumas definições de qualidade A evolução da qualidade através das Eras contribuiu para que se chegasse a algumas definições, o que favoreceu sua compreensão e prática. Observe, no quadro abaixo, algumas definições. Quadro 01: Definições de qualidade. Definição Autoria Qualidade está associada a características intrínsecas (essenciais) do produto, como desempenho técnico e durabilidade. Carpinetti (2012) “Qualidade é o grau com que o produto atende satisfatoriamente às necessidades do usuário durante o uso.” “Qualidade é o grau de conformidade do produto fabricado com suas especificações do projeto.” Desempenho do produto que resulta em satisfação do cliente. Juran (apud INFOESCOLA, 2018) Qualidade nada mais é que a soma dos es- forços de toda a organização para satisfazer o cliente. Feigenbaum (apud QUALIDADE, 2017) Fonte: Elaborado pelo autor. Como é possível observar, não existe consenso sobre a definição de qualidade, mas visões que se complementam e se completam. Cada autor, ou “guru” como vamos tratar, propõe qualidade de uma forma específica para nos ajudar a compreender o tema na realidade em que vivemos. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 13| 1.4. Os “gurus” da qualidade Os “gurus” são pessoas que têm elevada sabedoria e capacidade para orientar e também influenciar uma ou mais pessoas sobre um tema específico, que, no nosso caso, é a qualidade. Vamos analisar as contribuições de quatro “gurus”: Kaoru Ishikawa, Joseph M. Juran, Armand V. Feigenbaum e William Edwards Deming. Kaoru Ishikawa, nascido no Japão, na cidade de Tóquio, contribuiu com o desenvolvimento de uma visão mais ampla da qualidade, na ênfase no seu lado humano e no desenvolvimento e aplicação de ferramentas de qualidade. Entre essas ferramentas, é possível citar o diagrama de causa e efeito, também conhecido como “diagrama espinha de peixe” (pois seu formato lembra um peixe), e o círculo de controle da qualidade. O diagrama de causa e efeito foi criado para representar as relações existentes entre um problema (ou efeito indesejável) e todas as possíveis causas desses problemas e tem função de orientar os gestores na identificação de medidas corretivas necessárias. Já o círculo de controle da qualidade (CCQ) tem como proposta reunir colaboradores para resolver problemas relacionados com um sistema de gestão da qualidade. Joseph M. Juran nasceu na Romênia, mas logo depois se mudou com a família para Minnesota (EUA), onde publica, em 1950, o Manual de Controle da Qualidade. Nesta publicação, Juran propõe que o controle da qualidade deve incluir todas as atividades do ciclo produtivo, como planejamento do produto, aquisição, comercialização e pós-venda. Junto com Deming contribui para a recuperação das fábricas japonesas após a SegundaGuerra Mundial, saindo do foco no controle estatístico e avançando para o controle da qualidade total. Juran é um dos precursores da qualidade como um sistema de gestão. Armand Vallin Feigenbaum, nascido na cidade de Nova York – Estados Unidos –, publicou, em 1951, um livro chamado Controle da Qualidade Total. O tema deste livro foi um sistema criado pelo Feigenbaum que servia para: ...integrar os esforços de desenvolvimento, manutenção e de me- lhoria da qualidade dos vários grupos em uma organização, de modo a permitir produtos e serviços com níveis mais econômicos que permitam a plena satisfação do cliente. (RAMOS, 2017B) 14 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Ou seja, Feigenbaum propôs que todos os setores da empresa deveriam se integrar com o objetivo de entregar produtos de qualidade ao cliente (entregar valor). O controle da qualidade total, em inglês chamado de total quality control (TQC), era baseado em quatro atividades, a citar: controle de projeto, controle de material recebido, controle do produto e estudo de processos especiais. Outra contribuição de Feigenbaum foi propor o conceito “Fabrica Oculta”. A não utilização de métodos que evitasse o desperdício e o retrabalho (repetição de processos ou atividades por descuido, pressa ou equipamento inadequado) reduzia bastante o potencial de produção – o que fazia com que existisse uma fábrica (oculta) dentro de outra: uma que não produz dentro de outra que produz. E, finalmente, temos William Edwards Deming. Ele nasceu em Sioux City, Iowa (EUA), e junto com Juran e Feigenbaum, tornou-se um dos mais influentes estudiosos sobre a qualidade – especialmente no Japão, e mais tarde nos Estados Unidos. Duas contribuições de Deming foram os seus “14 pontos” e o “Ciclo PDCA”. Os “14 pontos de Deming” eram voltados para a melhoria do gerenciamento da qualidade através de uma filosofia que impulsionava as pessoas a fazerem o seu melhor. Já o “Ciclo PDCA”, criado em parceria com Shewhart, é uma ferramenta que propõe analisar em etapas um determinado processo, contribuindo com uma visão em ciclo, ou seja, com começo (planejamento), meio (desenvolvimento e controle) e fim (avaliação e novo planejamento). 1.5. Os profissionais da gestão da qualidade (GQ) A sociedade passou por variados ciclos evolutivos que geraram profundas transformações na economia e cultura humana: nômade, agrícola, guerreira, comercial, industrial e, atualmente, vive sob o impacto e influência da tecnologia. Quando contemplamos o fator da tecnologia, é possível compreender que sua evolução determinou em grande parte a capacidade produtiva da sociedade e seus padrões de vida, bem como formas sociais de organização econômica. Diante do inevitável impacto da tecnologia na vida da sociedade, o profissional da gestão da qualidade precisa mediar as necessidades da empresa – que estabelece padrões e parâmetros de trabalho – com as necessidades da equipe – que precisa ser ouvida e liderada. Quando este GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 15| profissional consegue alinhar (organizar) as demandas da empresa e da equipe, pode ter como resultado mudanças e inovações que vão impactar nos produtos e serviços. Esse resultado deve ir além de simplesmente oferecer algo sem defeito, mas deve buscar fidelizar o cliente. A empresa que consegue fidelizar o cliente, através de seus profissionais de qualidade, constrói de forma sólida sua imagem e fortalece enormemente seu nível de competitividade no mercado. PRATIQUE 1. Ao longo das décadas, o conceito de qualidade alterou? Explique. 2. Dois eventos foram marcantes para que autores e gestores pudessem repen- sar o significado de qualidade. Cite quais foram esses eventos e suas influên- cias para a qualidade. 3. O que foram as “Eras da qualidade”? 16 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 4. Cite as quatro “Eras da qualidade”, explicando cada uma delas. 2. um olhar estratégico para a qualidade Como vimos até aqui, a qualidade evoluiu ao longo do tempo com influência de alguns “gurus”, e sua definição pode variar de pessoa para pessoa – também se levando em consideração expectativas e realidade. Cada indivíduo tende a ter expectativas sobre aquilo que vai consumir, e isso pode gerar três situações: 1 – a satisfação dessas expectativas (situação de qualidade), 2 – superação dessas expectativas (situação de excelência), e 3 – não satisfação dessas expectativas (situação de frustração). Desta forma, para que este mesmo indivíduo possa ser compreendido e, consequentemente, sair satisfeito com aquilo que vai adquirir, é necessário um olhar estratégico para a qualidade. 2.1. O significado da perspectiva estratégica da qualidade Devido ao alto nível de competitividade hoje no mercado, torna- se urgente e extremamente importante para as empresas terem um comportamento de cuidado e atenção em suas ações. Não é mais suficiente pensar somente no que pode acontecer amanhã, mas se imaginar no semestre que vem ou até no ano que vem. Este tipo de raciocínio permite que a empresa antecipe – com relativo grau de certeza – possíveis problemas e/ou contratempos que ameacem a sua reputação e a sua presença no mercado. Sendo assim, é fundamental pensar e praticar a qualidade com uma perspectiva estratégica. Bem... mas o que isso significa? Significa que a empresa precisa pensar as suas ações não só no curto prazo, mas também no médio e longo prazos; significa analisar como as decisões vão impactar fornecedores e clientes; significa entender a necessidade de mudança diante de um mundo que constantemente está inovando. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 17| Figura 05: Planejamento estratégico no xadrez contribui para um jogo mais competitivo, assim como nas empresas. Fonte: <http://bit.ly/2PuhMhA>. Isso requer que os gestores executem seu trabalho buscando sempre a melhora contínua. Como num tabuleiro de xadrez, com cada peça posicionada só esperando ser movimentada, a empresa precisa também posicionar cada funcionário, ou seja, precisa orientar suas ações para que a perspectiva de futuro – a visão – possa ser concretizada. Desta forma, a qualidade será analisada com uma perspectiva estratégica. 2.2. A qualidade como fator de liderança estratégica A perspectiva estratégica da qualidade propõe a adoção de um comportamento voltado para as boas práticas de gestão, com a utilização de métodos e ferramentas que possibilitam a oferta de bons (se não excelentes) produtos e serviços. Mas como podemos verificar se estes métodos e ferramentas estão impactando em produtos e serviços satisfatórios? Pela resposta do cliente. Figura 06: A avaliação do cliente ajuda a melhorar o desempenho da empresa. Fonte: <http://bit.ly/2T9YwnP>. 18 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| O cliente vai apontar se determinado produto/serviço tem ou não qualidade, se suas funções atenderam ou não as expectativas, e se vale a pena comentar positivamente sobre o desempenho deste produto/serviço. Se o cliente não ficar satisfeito com a qualidade, desempenho ou qualquer outra característica, que na sua opinião é importante, pode não voltar a comprar, e pior: pode fazer propaganda negativa do seu produto/serviço e da sua empresa. Diante de um mundo tecnológico, com abertura para que as pessoas possam falar ou escrever suas opiniões sobre o que quiserem, é fundamental que a empresa possa estar atenta às repercussões. MATERIAL COMPLEMENTAR Um dos principais méritos da internet está na mudança da forma como empresas e clientes interagem através do meio. Além de encurtar o tempo que uma reclamação leva para ser respondida, serviços como o Twitter e o Facebook permitem que as instituições fujam da linguagem burocrática e interajam com usuários de uma nova maneira. O banco Bradesco deu uma prova disso na última terça-feira (25 de outu- bro de 2011), ao responder uma solicitação feita na forma de um poema com ou- tro. Além de seguir uma estrutura poética bem aparente, a mensagem publicadapela instituição financeira usa rimas para esclarecer as dúvidas do cliente quanto à substituição de seu cartão de crédito perdido. A originalidade do pedido e da resposta fez com que o acontecimento virasse um sucesso na rede, sendo compartilhado tanto pelo Facebook quanto através do Twitter, Google+ e outros sites. Porém, o fato de o cliente ser ex- -funcionário do Banco HSBC gerou desconfiança entre alguns usuários, que co- locaram em dúvida a espontaneidade da dúvida e da resposta publicada pela empresa. Independentemente de ter sido uma situação combinada ou não, o fato é que a interação está rendendo bons frutos para o Bradesco – ao menos dentro do Facebook. Até o momento, quase 1500 usuários já curtiram a resposta (en- quanto mais de 2000 pessoas já aprovaram o pedido), que rendeu quase 350 comentários de membros da rede social. Fonte: <http://bit.ly/2TaY1cV>. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 19| Este caso do Bradesco com seu cliente demonstra uma preocupação do banco em responder uma solicitação de forma criativa. Quando a empresa presta realmente atenção ao que é dito sobre ela, poderá colher bons frutos por saber ouvir e ter empatia. 2.3. A visão estratégica da qualidade Toda empresa hoje deve estar preocupada com possíveis ameaças que venham interferir nos negócios, mas também deve perceber as oportunidades que surgem no mercado. Independente se a empresa tiver que lidar com ameaças ou oportunidades, é necessário um preparo, um planejamento que permita analisar o que pode ou não ser feito para alcançar os objetivos. E isso só pode acontecer se a empresa tiver visão. A visão nada mais é do que a projeção de futuro que a empresa faz, ou seja, aquilo que ela espera conquistar ou ser. Quando associamos a compreensão de visão com qualidade, é importante fazer a seguinte pergunta: como eu quero que meus clientes, e também o mercado, avaliem o meu produto/serviço? Figura 07: Ideias são importantes para levar a empresa a novas conquistas e alcançar a visão dela. Fonte: <http://bit.ly/2z8MRwO>. Fazer essa pergunta torna-se crucial para que a empresa possa definir seus objetivos e as vantagens competitivas que pretende ter. Os objetivos – que podem ser qualitativos e quantitativos – orientam o pensamento e a prática da empresa de maneira clara, evitando desvios e ações desnecessárias. Já as vantagens competitivas propõem um foco quanto ao que a empresa pretende valorizar em seus produtos/serviços, direcionando os esforços dos funcionários. 20 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 2.4. O impacto da estratégia da qualidade para as pessoas A implantação de um modelo de gestão da qualidade numa organização estimula transformações estruturais, processuais, comportamentais e no desempenho organizacional. Ao construir esse modelo de gestão, que nada mais é do que uma referência de trabalho para que as pessoas possam realizar suas tarefas de maneira mais organizada e competente, a empresa cria as condições favoráveis para o processo decisório acontecer de forma objetiva, clara e com alto grau de sucesso. Só que não estamos tratando, neste processo decisório, apenas de informações, ações e feedbacks sobre a atuação da empresa no mercado, mas de como as pessoas vão se apropriar disso para gerar efetivo aprendizado (e resultado). Todo e qualquer resultado – seja ele positivo ou negativo – começa e termina com as pessoas; sendo assim, é necessário que as empresas, através de seus gestores, entendam como vão convencer e conquistar seus profissionais sobre a utilização de determinada ferramenta ou método. Figura 08: O potencial das pessoas vale mais que qualquer equipamento ou tecnologia. Fonte: <http://bit.ly/2VtMXZf>. As pessoas, mais do que qualquer estrutura, equipamento ou tecnologia, é que vão pensar a melhor ação ou o caminho para atingir os objetivos. Desta forma, a estratégia tende a ter um resultado positivo na atuação e comportamento das pessoas a partir do momento em que a empresa envolver os funcionários, possibilitando ideias, sugestões e até contribuições nas decisões. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 21| 3. gestão da qualidade total e modelos de excelência em desempenho organizacional 3.1. Conceito da gestão da qualidade Inicialmente, buscamos definir o que é qualidade isoladamente. Agora, vamos buscar defini-la a partir do momento em que associamos a perspectiva de processo (envolvendo etapas, ferramentas e critérios), ou seja, quando abordamos o conceito de “gestão da qualidade”. A gestão da qualidade é uma ação coordenada que envolve o planejamento, organização, controle e avaliação para manter o padrão de excelência e, assim, garantir a satisfação das necessidades do cliente, buscando sua fidelização. Gestão da qualidade também é percebida na fabricação de um produto: é o estabelecimento de padrões e normas com os fornecedores, envolvendo o cuidado com a matéria-prima escolhida, a observação das etapas de fabricação, a comercialização e o acompanhamento nas atividades de suporte e também de pós-venda. Uma terceira compreensão acerca da gestão da qualidade envolve um padrão na rotina de trabalho, executando processos por etapas, de maneira que o produto/serviço final atenda às especificações do cliente. Figura 09: Planejamento, atividade essencial da gestão da qualidade. Fonte: <http://bit.ly/2QJFXF5>. 3.2. O controle da qualidade total (ou TQC – Total quality control) e a gestão da qualidade total (ou TQM – Total quality management) O total quality control (TQC), em português controle da qualidade total, é um sistema que busca alcançar a qualidade de maneira ampla, para que uma organização alcance os níveis de excelência na sua produção. Pode 22 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| também ser compreendida como uma filosofia empresarial nascida no Japão que envolve todos os setores da empresa, utilizando-se do controle, padronização e aperfeiçoamento das tarefas de fabricação. Desta forma, o controle da qualidade total tem como objetivo buscar a satisfação dos fabricantes, com a produção sempre em conformidade e excelência, e também dos clientes, que recebem produtos que atendem as suas expectativas. Total quality management (TQM) é uma filosofia empresarial nascida com os norte-americanos, e em português pode ser traduzida por gestão da qualidade total. O TQM segue os mesmos princípios do TQC, como poderemos observar nas definições de Juran e do Departamento de Defesa dos EUA. TQM para Juran é o “sistema de atividades dirigidas para se atingir clientes satisfeitos (delighted), empregados com responsabilidades e autoridade (empowered), maior faturamento e menor custo” (p. 21). Já o TQM para o Departamento de Defesa dos EUA compreende: “atividades de melhoria contínua envolvendo todos em uma or- ganização em um esforço totalmente integrado na direção de melhoria do desempenho em cada nível da organização. Esta melhoria de desempenho é direcionada para satisfazer os obje- tivos como qualidade, custo prazo, missão e objetivos. [...] Es- sas atividades são focadas no aumento na satisfação do cliente/ usuário”. (p. 21) Figura 10: Comprometimento da equipe contribui para o alcance dos objetivos organizacionais. Fonte: <http://bit.ly/2Q1RF0I>. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 23| Gestão da qualidade total é uma estratégia que tem por objetivo maximizar a competitividade através da melhoria contínua da qualidade de produtos/serviços, processos, ambiente e pessoas. Desta forma, o TQC e o TQM tratam basicamente dos mesmos princípios, se diferenciando apenas quanto à origem (PEARSON EDUCATION BRASIL, 2011). 3.2.1. Modelos de TQM Os modelos de gestão da qualidade total (TQM) são interpretações de teóricos acerca de sua definição, evolução e aplicação. Destacaremos três formas de interpretar a TQM: • A visão de Lascelles e Dale: com a chegada da Revolução Industrial, um dos eventos já citados, a qualidade vem evoluindo ao longo do tempo – e mais intensamente aolongo das últimas décadas. Essa evolução ocorreu a partir das Eras da qualidade: inspeção, controle estatístico da qualidade, garantia da qualidade e gestão da qualidade; • O modelo de Shiba: este modelo propõe que a TQM funciona apoiada em cinco pontos, a citar: foco nos clientes, melhoria contí- nua, participação total, entrelaçamento social e atividade com foco na qualidade. Desta forma, a TQM funcionaria como um sistema em evolução baseado na melhoria contínua de produtos e serviços e na satisfação do cliente; • O modelo Zaire: este modelo estabelece que a TQM é constituída por fases construtivas, com estrutura similar à de uma construção civil. Em cada fase – fundação, pilares e topo – são definidas ações e elementos necessários para sua construção. Na fase da fundação são definidas as ações de melhoria contínua, envolvimento dos fun- cionários, e gerenciamento de atividades que adicionam valor; na fase dos pilares são definidos ações e elementos de controle estatístico de processo e da qualidade, cadeia fornecedora e usuário, sistema de gerenciamento e controle, flexibilidade do processo, e projeto do local de trabalho; e, por fim, na fase do topo são definidos os elementos de liderança, planejamento da qualidade, e visão para competitividade de classe mundial. 24 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 3.3. Modelos internacionais de excelência em qualidade: Prêmio Deming e Prêmio Malcolm Baldrige Práticas de gestão da qualidade vêm sendo desenvolvidas em várias empresas, estimulando a competitividade e a busca pelo melhor produto/ serviço. Contudo, como reconhecer essas práticas a fim de estimular sempre melhorias e evolução? Através dos prêmios em qualidade. Os prêmios funcionam como um modelo de referência em gestão da qualidade, estabelecendo uma série de critérios com pontuação. Entre esses prêmios em qualidade, no nível internacional, é possível citar o Prêmio Deming e o Malcolm Baldrige. O Prêmio Deming – The Deming Prize – foi criado, em 1951, pela JUSE (Japanese Union of Scientists and Engineers ou simplesmente União dos Cientistas e Engenheiros Japoneses), em homenagem a William Edwards Deming, que contribuiu para a propagação do controle estatístico de qualidade no Japão após a Segunda Guerra Mundial. Segundo a JUSE, “seus ensinamentos ajudaram o Japão a construir sua base, pela qual o nível de qualidade dos produtos japoneses foi reconhecido como o mais alto do mundo”. CURIOSIDADE ' O prêmio Deming é o único entre os analisados que pode ser concedido a empresas e também a pessoas. “O Prêmio Deming é dividido em três categorias: o Prêmio Deming para pessoas, o Prêmio Deming por inscrição e o Prêmio Deming de Controle de Qualidade para unidades operacionais” (The W. Edwards Deming Institute, 2010 apud MIRANDA, VALADÃO e TURRIONI, 2012, p. 516). O primeiro prêmio é oferecido a pessoas que tiveram destaque na gestão da qualidade total (TQM) e ocorre anualmente. Já o segundo prêmio é oferecido às empresas que tiveram desempenho de destaque na aplicação da gestão da qualidade total (TQM) – independente se é pública ou privada, ou ainda, do seu tamanho. E, finalmente, o terceiro prêmio é para empresas que se destacaram ao adotar políticas de controle da qualidade (MIRANDA, VALADÃO e TURRIONI, 2012). GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 25| LINK WEB Saiba mais sobre o Prêmio Deming através dos links: <http://www.juse. or.jp/deming_en/> e <https://deming.org/>. Já o Prêmio Malcolm Baldrige foi instituído em 1987, nos EUA, pelo presidente Reagan, e teve como objetivo incentivar a melhoria da qualidade e competitividade da indústria norte-americana (CARPINETTI, 2012), diante de uma maior necessidade de aumentar a ênfase na qualidade e no estabelecimento de um padrão de excelência na década de 1980. Figura 11: Modelo de excelência do Prêmio Malcolm Baldrige. Perfil organizacional: Ambiente, Relacionamento e Desafios 4 - Medição, Análise e Gestão do Conhecimento 2 Planejamento estratégico 3 Foco no mercado e no cliente 1 Liderança 5 Foco nos Recursos Humanos 6 Gestão de Processos 7 Resultados dos negócios Fonte: CARPINETTI, 2012 (Adaptada). Como é ilustrado na figura 11, o modelo de excelência do Prêmio Malcolm Baldrige é baseado em sete critérios que são inter-relacionados: 1 – liderança, 2 – planejamento estratégico, 3 – foco no cliente, 4 – medição, análise e gestão do conhecimento, 5 – pessoas, 6 – gestão dos processos e 7 – resultados. No critério da liderança, é avaliado como os líderes lideram e como a empresa cumpre suas responsabilidades sociais; no segundo critério, planejamento estratégico, é analisado como a empresa desenvolve sua estratégia; no critério do foco no cliente, é avaliado como a empresa atende as necessidades dos clientes, constrói relacionamentos e como obtém e usa as informações destes mesmos clientes. 26 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| No quarto critério, medição, análise e gestão do conhecimento, é avaliado como a empresa mede, analisa e melhora seu próprio desempenho e como gerencia a informação, o conhecimento e a tecnologia; já no quinto critério, as pessoas, é avaliado como a empresa constrói um ambiente de trabalho efetivo e como envolve os funcionários para obter o sucesso. O sexto critério, gestão dos processos, é uma avaliação de como a empresa projeta seu sistema de trabalho e de como estrutura a melhora em seus processos- chave. E, por fim, o último critério são os resultados, onde serão analisados os efeitos dos outros critérios. 3.4. O modelo de excelência brasileiro: o Prêmio Nacional da Qualidade Com forte influência do Prêmio Malcolm Baldrige, foi criado em 1991, através da Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade (FPNQ), o Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ), cujo objetivo principal é de apoiar, incentivar e reconhecer o desenvolvimento eficaz da gestão da qualidade total nas empresas do Brasil. O prêmio brasileiro está baseado em uma junção de oito critérios para analisar a excelência do desempenho, que envolvem as seguintes questões: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados. LINK WEB Para saber mais informações sobre o prêmio brasileiro de qualidade, bas- ta acessar: <http://www.fnq.org.br>. Para saber mais informações sobre o prêmio da qualidade, basta acessar: <http://www.inovarse.org/sites/default/files/T11_0328_1936.pdf>. PRATIQUE 5. Como você poderia definir qualidade? GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 27| 6. Cite os “gurus da qualidade” estudados e suas contribuições para o tema. 7. Por que devemos entender a qualidade com um olhar estratégico? 8. Explique, com suas palavras, a definição de “gestão da qualidade”. 9. Explique o que você entendeu por controle da qualidade total (TQC) e por gestão da qualidade total (TQM). 10. Comente sobre os três prêmios da qualidade estudados, buscando mostrar a diferença entre cada um deles. RELEMBRE Tanto a Revolução Industrial quanto a Segunda Guerra Mundial foram importantes marcos para a construção e evolução da qualidade, influenciando diretamente as “Eras da qualidade” – que foram estágios de desenvolvimento da qualidade ao longo do tempo. Os “gurus”, sábios e estudiosos da qualida- de, como Kaoru Ishikawa, Joseph M. Juran, Armand V. Feigenbaum e William Edwards Deming deram importantes contribuições para a evolução da qualida- de, fazendo-a ser entendida atualmente como assunto estratégico dentro da em- presa, que influencia diretamente na liderança de mercado. A qualidade impacta o nível de comprometimento das pessoas em fazer as atividades com atenção, dedicação e excelência, fazendo com que atividades de gestão sejam necessá- rias, juntamente com ferramentas e métodos que auxiliarão no desenvolvimento das práticas ligadas à qualidade. 28 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| A qualidade atualmente está cada vez mais sendo vista como um assunto estratégico dentro das empresas,gerando oportunidades de crescimento, au- mentando a competitividade e trazendo a liderança no setor. Desta forma, ana- lisar a perspectiva de futuro, ou seja, a visão que a empresa estabelece para si vai facilitar o entendimento dos funcionários e, consequentemente, as tarefas serão realizadas com mais empenho e dedicação. Pessoas conscientes fazem um trabalho melhor, especialmente referente à qualidade – assunto que aborda padrões, normas e regulamentos para atingir os objetivos organizacionais. A qualidade agora não é mais vista de maneira isolada, mas numa pers- pectiva que envolve a gestão – com ferramentas e métodos que ajudam a ter boas práticas de qualidade. O controle da qualidade total e a gestão da qualidade total, essa é a ideia de que tudo deve estar interligado, e para que a empresa possa conquistar o sucesso e produzir produtos/serviços de excelência, deve incentivar todos os setores e pessoas. E como maneira de estimular essas práti- cas de excelência, temos os prêmios de qualidade: instrumentos para observar, medir, avaliar e destacar empresas (ou pessoas) que desenvolvam atitudes vol- tadas para a qualidade. Referências BLOG DA QUALIDADE. Gurus da Qualidade: Armand Vallin Feigenbaum. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/gurus-da-qualidade- armand-vallin-feigenbaum/>. Acesso em: 05 nov. 2018. CARPINETTI, Luiz Cesar Ribeiro. Gestão da Qualidade: conceitos e técnicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012. INFOESCOLA. Joseph M. Juran. Disponível em: <https://www.infoescola. com/biografias/joseph-juran/>. Acesso em: 05 nov. 2018. JUSE. Deming Prize. Disponível em: <http://www.juse.or.jp/deming_en/>. Acesso em: 11 nov. 2018. MIRANDA, Rafael de Carvalho; VALADÃO, Alexandra de Fátima Chiaradia; TURRIONI, João Batista. Análise da expansão dos modelos de excelência regionais em gestão da qualidade no Brasil. Revista Eletrônica Sistema & Gestão, Pinheirinho, v. 7, n. 4, p.514-525, 2012. Disponível em: <http://www. revistasg.uff.br/index.php/sg/article/viewFile/V7N4A1/V7N4A1>. Acesso em: 11 nov. 2018. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 29| PEARSON EDUCATION BRASIL. Gestão da Qualidade. São Paulo: Pearson Education Brasil, 2011. PORTAL EDUCAÇÃO. As Eras da Gestão da Qualidade. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/administracao/as- eras-da-gestao-da-qualidade/73490>. Acesso em: 05 nov. 2018. RAMOS, Davidson. Gurus da Qualidade: Armand Vallin Feigenbaum. 2017B. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/gurus-da-qualidade- armand-vallin-feigenbaum/>. Acesso em: 06 nov. 2018. ______. Gurus da Qualidade: Kaoru Ishikawa. 2017A. Disponível em: <http://www.blogdaqualidade.com.br/gurus-da-qualidade-kaoru-ishikawa/>. Acesso em: 06 nov. 2018. ANOTAÇÕES 30 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| ANOTAÇÕES Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Gestão da Qualidade e Produtividade Autoria Ricardo Verçoza Mendes Gestão da Qualidade e Produtividade SEJA BEM-VINDO! Reitor: Prof. Cláudio Ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. Rafael Rabelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio Rabelo Bastos Pró-reitora acadêmica: Profa. Flávia Almede de Almeida Direção Nead: Prof. Ricardo Zambrano Júnior Coordenação Nead: Profa. Luciana Rodrigues Ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou par- cialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotos- tática ou outros, sem a autorização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. ExpEdiEntE Ficha técnica Autoria: Rcardo Verçoza Mendes Supervisão de Produção Nead: Francisco Cleuson do Nascimento Alves Design instrucional: Antonio Carlos Vieira Projeto gráfico e capa: Francisco Erbínio Alves Rodrigues Diagramação e tratamento de imagens: Jocivan de Castro Costa Revisão textual: Claudiene Braga Ficha catalográFica catalogação na publicação bibliotEca cEntro univErsitário atEnEu MENDES, Ricardo Verçoza. Gestão da qualidade e produtividade. / Ricardo Verçoza Mendes. – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 124 p. ISBN: 1. Gestão da qualidade. 2. Sistema de normalização. 3. Diretrizes, processos e ro- tinas. 4. Ferramentas de gestão da qualidade. Centro Universitário Ateneu. II. Título. SEJA BEM-VINDO! Caro estudante, temos a alegria de apresentar o material didático da disciplina Gestão da Qualidade e Produtividade. Ao ler e estudar por esse material, você terá condições de responder às atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Os estudos serão iniciados com o histórico da gestão da qualidade, com seus estágios de desenvolvimento e os autores importantes que pensaram a qualidade – contribuindo para sua definição e compreensão. Posteriormente, iremos estudar como a gestão da qualidade tem função estratégica para as empresas atualmente, colaborando para sua liderança e excelência. Em seguida, iremos analisar a importância de um sistema de gestão baseado em normas e procedimentos para se criar produtos e serviços com padrão e com qualidade. Por fim, estudaremos como a rotina pode ser importante para compreender e aplicar a qualidade na gestão, como as ferramentas podem ajudar a criar um método fácil e objetivo na gestão da qualidade e como o setor de serviços se torna mais eficiente e competitivo com boas práticas de qualidade – tudo para beneficiar o cliente. Nosso objetivo não é esgotar todo o assunto, mas lhe despertar a curiosidade para procurar outras fontes de conhecimento além deste livro (como textos, artigos e vídeos), de forma a estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. Através do estudo dos temas contidos neste material didático, você estará apto para corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos e compreender seus impactos na vida em sociedade – já que a qualidade se faz presente em qualquer espaço social e humano. Bons estudos! SUMÁRIO CONECTE-SE ANOTAÇÕES REFERÊNCIAS Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem e significam: SUMÁRIO 1. A história da gestão da qualidade............................ 8 2. Um olhar estratégico para a qualidade .................. 16 3. Gestão da qualidade total e modelos de excelência em desempenho organizacional .......... 21 Referências ............................................................... 28 01 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE 1. Modelo seis sigma ................................................. 32 2. Sistema de normalização na gestão: evolução, conceitos e certificações (ISO 9001; ISO 14001 e TS 16949) ................................................ 42 3. Controle estatístico de processo............................ 49 4. ISO 9001 e o controle estatístico ........................... 58 5. Qualidade e sustentabilidade: sistemas integrados de gestão ............................................. 58 Referências ............................................................... 67 02 SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO NA GESTÃO: CONCEITOS, NORMAS E CRITÉRIOS PARA A PRÁTICA DA QUALIDADE 1. Abordagem econômica da qualidade .................... 92 2. Ferramentas para a gestão da qualidade .............. 95 3. Qualidade no setor de serviços ........................... 116 Referências ............................................................. 121 04 QUALIDADE DO SERVIÇO PRESTADO E FERRA- MENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE 1. Gerenciamento das diretrizes ............................... 72 2. Gerenciamento por processos ............................... 77 3. Gerenciamento da rotina ....................................... 84 Referências ...............................................................8903 A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO PARA A DE- FINIÇÃO DE DIRETRIZES, PROCESSOS E ROTINAS Apresentação Bem-vindo à segunda unidade! Seguiremos com a proposta de avançar nos estudos referentes à qualidade, só que agora analisaremos mais cuidadosamente os impactos para a gestão, especificamente através das normas. Quando nos referimos às normas, elas estabelecem critérios a serem seguidos e podem contribuir bastante para orientar as empresas em suas tarefas diárias, gerando nos funcionários um comportamento orientado para a excelência, e nos produtos/serviços conformidade com as especificações determinadas pela empresa. Analisaremos as normas que tratam inicialmente sobre qualidade, mas também incluiremos em nossos estudos as normas sobre gestão ambiental, responsabilidade social e saúde e segurança. Desta forma, será possível entender que tipo de referências as normas oferecem às empresas, e que tipos de ganhos serão possíveis conquistar a partir da implantação dos critérios das normas. Além disso, estudaremos a complexidade da qualidade através do modelo seis sigma, e concluiremos a unidade abordando o CEP – Controle Estatístico de Processo –, que é um conjunto de técnicas utilizadas (ferramentas) para o acompanhamento das etapas de produção, e seu consequente aperfeiçoamento através de ferramentas – como os gráficos. Bons estudos! Unidade 02 sistema de normalização na gestão: conceitos, normas e critérios para a prática da qualidade 32 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender um sistema de normalização e possíveis contribuições para a em- presa; • Avaliar como as normas podem facilitar a adoção para boas práticas referen- tes à qualidade; • Analisar os impactos das normas também em outros temas, como gestão ambiental, responsabilidade social e saúde e segurança no trabalho; • Reconhecer a importância do acompanhamento das etapas de um processo de produção e suas formas de controle. 1. modelo seis sigma 1.1. O que é o modelo seis sigma? O sigma é uma letra do alfabeto grego e uma medida de variação utilizada em estatística, e quando aplicado no universo empresarial (através do seis sigma) contribui para calcular o nível de desempenho dos processos: No universo empresarial, a sigma se refere à frequência com que determinada operação ou transação utiliza mais do que os recursos mínimos necessários para satisfazer o cliente, ou seja, ela determina uma taxa de desperdício/desvio por operação. Assim, você pode usar o seis sigma para calcular matematica- mente o nível de desempenho dos processos da sua empresa e obter um diagnóstico. (ENDEAVOR BRASIL, 2015) ...o sigma funciona como uma escala de qualidade... Nesta lógica, o sigma funciona como uma escala de qualidade, variando de 1-sigma (que é o nível mais baixo, pois apresenta alta quantidade de defeitos e grande potencial de perda de vendas devido a não qualidade) até 6-sigma (que é o mais alto nível de excelência dentro da metodologia, apresentando apenas 3 defeitos em um milhão). GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 33| Figura 01: O seis sigma contribui para diminuir o número de produtos defeituosos. Fonte: <http://bit.ly/2I7PaHL>. Como modelo de gestão, podemos compreender o seis sigma (em inglês, Six Sigma) como “um conjunto de práticas desenvolvidas para maximizar o desempenho dos processos dentro da empresa, eliminando os seus defeitos e as não conformidades de acordo com as especificações de fábrica” (PELIARD, 2012). Este modelo foi desenvolvido nos anos 80 pela Motorola, através do engenheiro Bill Smith, e também pode ser compreendido como um programa de melhoria que tem por objetivo “a redução de desperdícios da não qualidade e consequente redução de custos e melhoria no atendimento de requisitos de cliente, como qualidade de produto e confiabilidade na entrega” (CARPINETTI, 2012, p. 138). Mikel Harry e Richard Schroeder propõem o conceito de seis sigma como sendo “um processo de negócio que permite que as empresas melhorem drasticamente suas atividades de forma a reduzir desperdícios ao mesmo tempo em que aumenta a satisfação dos clientes” (apud CARPINETTI, 2012, p. 138). Este nome, seis sigma, faz referência ao nível de capabilidade dos processos, ou seja, a maneira de medir o quão bem aquele processo entrega o que o cliente deseja. 1.2. Perspectiva estratégica do seis sigma O seis sigma, interpretado como um modelo de gestão, tem foco em bons, para não dizer excelentes, resultados quando o assunto é qualidade por meio de mudanças e melhorias contínuas. 34 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Figura 02: Definir com clareza a estratégia é um ponto fundamental para satisfazer o cliente. Fonte: <http://bit.ly/2SGpXYY>. Como parte do planejamento, o seis sigma tem caráter estratégico já que, orientada para a satisfação do cliente, a organização tem a possibilidade de colher alguns benefícios, como: • A diminuição dos custos organizacionais; • O aumento expressivo da qualidade e produtividade em produtos/ serviços; • A ampliação e consequente retenção de clientes; • A eliminação de atividades desnecessárias (que não agregam valor); • Uma maior colaboração das equipes de trabalho; • A diminuição da inconstância dos processos. Os benefícios são resultados do comprometimento na compreensão e, consequentemente, na aplicação da metodologia – que busca uma melhor orientação na tomada de decisão para fortalecer a estratégia da empresa. FIQUE ATENTO A metodologia do modelo seis sigma valoriza o cuidado com todas as etapas do processo de produção da fábrica para poder diminuir, e até eliminar, desperdícios, já que os mesmos geram perdas de tempo, dinheiro e de compe- titividade da empresa. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 35| 1.3. Caracterização dos projetos seis sigma 1.3.1. Alvo dos projetos seis sigma O seis sigma, entendido como um modelo de gestão, contribui para promover a integração entre os objetivos estratégicos (influenciando no nível de competitividade e na perspectiva de futuro da empresa) e os objetivos operacionais (organizando e melhorando as atividades cotidianas). O alvo de atuação do seis sigma é reduzir a variabilidade e aumentar a capacidade dos processos, já que sua “implementação está vinculada ao uso de métodos estatísticos que buscam facilitar a interpretação de relações de causa e efeito que afetam diretamente processos críticos para o negócio” (SANTOS E MARTINS, 2008, p. 47). 1.3.2. A equipe seis sigma ...Um dos diferenciais do seis sigma é a criação de equipes... Um dos diferenciais do seis sigma é a criação de equipes mais aptas a desenvolverem e promoverem o aumento do desempenho organizacional, a partir dos resultados da implementação de projetos direcionados estrategicamente (SANTOS E MARTINS, 2008). Compor estas equipes, orientadas para a correta aplicação do seis sigma, e tendo o conhecimento necessário e a capacidade de análise para interpretar e propor mudança no curso das ações, nem sempre é fácil, mas é fundamental para aumentar o padrão de qualidade dos processos dos produtos: A definição dessa equipe composta por pessoas com papéis distintos e níveis de subordinação diferenciados consiste numa forma de reunir colaboradores para que a organização consiga incrementar significativamente o desempenho de seus proces- sos e para que aumente o padrão de qualidade de seus produ- tos de modo perceptível pelo cliente e desenvolva seu potencial de aprendizagem. (SANTOS E MARTINS, 2008, p. 49) Para tanto, é fundamental a presença de figuras organizacionais com papéis bem definidos para atingir bons desempenhos no processo com o objetivo de satisfazer o cliente. Estas figuras são chamadas de Champions, Master Black-belts, Black-belts, Green-belts e os White-belts. 36 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Figura 03: Composição de uma equipe seis sigma. Champions Green-belts White-belts Master Black- belts ou Black-belts Fonte: Elaborada pelo autor.Pertencendo ao nível estratégico da empresa, temos o profissional conhecido como Champions, um defensor da estratégia do seis sigma que transmite a visão da alta gerência para a organização e destaca-se dos demais por sua função de articulador. Lidera o processo de mudança, contribui para viabilizar recursos para a implementação e manutenção do programa seis sigma, fazendo a ponte entre a alta gerência e os executores e coordenadores, além de fazer uma revisão do progresso das ações, bem como de sua prestação de contas. Com uma formação técnica, e sendo um funcionário de média gerência, temos o Master Black-belt ou o Black-belts – designado especificamente para a função. Coordena diversas iniciativas do programa seis sigma, também devido a seu grande conhecimento em técnicas estatísticas utilizadas e necessárias ao programa. Contribui também acompanhando a implementação, auxiliando na análise e interpretação dos dados, considerando a redução de desperdícios e possíveis benefícios de novas ações. Já o funcionário conhecido como Green-belt é de nível médio para baixo, tem menos treinamento aprofundado nas técnicas estatísticas, em contrapartida é grande conhecedor dos processos e atividades que precisam ser melhorados. Na maior parte do tempo é envolvido com atividades rotineiras. Por fim, os White-belts pertencem ao nível operacional e são treinados nas bases do seis sigma para que possam dar suporte aos Black e Green-belts. Dentro da estrutura organizacional cada uma dessas figuras desempenha papel crucial para a correta aplicação do seis sigma, e de seu consequente sucesso. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 37| Figura 04: A escolha correta das pessoas que vão formar a equipe contribui para a aplicação correta do seis sigma. Fonte: <http://bit.ly/2Dt6UYf>. A empresa, portanto, precisa mobilizar as pessoas como equipe (com os mesmos objetivos e entusiasmo) para que o programa seis sigma possa funcionar e gerar resultados satisfatórios. FIQUE ATENTO Os profissionais que desempenham papéis como Champions, Master Bla- ck-belts, Black-belts, Green-belts ou White-belts não fazem apenas atividades relacionadas ao seis sigma, dividem seu tempo com atividades rotineiras do car- go que exercem na empresa. 1.3.3. O modelo DMAIC O modelo DMAIC, método cíclico mais difundido de desenvolvimento de projetos seis sigma, tem suas bases no ciclo PDCA (que estudaremos na unidade 04), e é compreendido por seu potencial de solução de problemas e por garantir a redução na taxa de defeitos e falhas nos produtos, serviços e processos. DMAIC é um acrônimo (palavra ou sigla formada pelas letras ou sílabas iniciais de palavras sucessivas) para Define - D (Definir), Measure - M (Medir), Analyse - A (Analisar), Improve - I (Melhorar), Control – C (Controlar). Cada uma destas palavras/conceitos tem ações específicas que devem ser realizadas com bastante atenção e comprometimento, como veremos detalhadamente a seguir: 38 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Define - D (Definir): nesta etapa se define claramente o que se espera do projeto a partir dos objetivos e toda decisão referente à ocorrência ou não do projeto se deve ao profissional de titulação Black-belt ou Master Black- belt. É fundamental ter clareza do objeto de estudo e do problema que vai ser enfrentado e, consequentemente, o que se pretende eliminar. Algumas questões podem melhor orientar os participantes nesta etapa: • Quais são as características críticas para que o produto tenha qualidade? • Nossos processos (atividades/tarefas) estão sendo mapeados corretamente? • Que problema pretende-se resolver? • Os clientes e fornecedores são afetados pelo nosso problema? • Qual o ganho estimado após a correção do problema? • Quais serão as pessoas envolvidas, o cronograma de atividades e os recursos necessários? Measure - M (Medir): complementando a etapa anterior, agora nós vamos, a partir do momento que o objeto de estudo foi definido, ou seja, que se definiu claramente qual problema deve ser resolvido, realizar uma investigação para obter informações essenciais para o processo de tomada de decisão. Essa investigação pode ser feita através de ferramentas de medição, como Histograma e o Diagrama Espinha de Peixe (abordaremos essas ferramentas na unidade 04). Algumas questões podem melhor orientar os participantes nesta etapa: • A fonte de dados sobre o projeto é confiável? • Que análise podemos fazer dos dados coletados? • É possível realizar análises quantitativas e qualitativas sobre os re- sultados obtidos? • Como se encontra nossos processos atualmente? Analyse - A (Analisar): feita a análise das informações obtidas, tem-se por objetivo identificar a essência do problema. Conhecer o problema através das informações analisadas permite definir melhores estratégias diante do problema, sendo claro e preciso em toda e qualquer ação realizada – isso evita perda de recursos e de foco. Ao final desta etapa é possível obter o problema e quais serão as possíveis oportunidades de melhoria através das soluções. Algumas questões podem melhor orientar os participantes nesta etapa: GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 39| • Devemos priorizar alguma causa para resolver mais rapidamente o problema? • Utilizar análises estatísticas contribui para analisarmos melhor nosso problema? Improve - I (Melhorar): nesta fase é hora de tratar das oportunidades de aprender e amadurecer, ou seja, após concluídas as propostas de melhoria (que antes só estavam no campo das ideias), deve-se focar no planejamento e na execução da ação de melhoria propriamente dita. Por mais que apareça mais de uma solução, a equipe responsável por tornar realidade as melhorias deve priorizar qual ideia vai ser aplicada, já que, na tentativa de resolver logo o problema, a melhoria pode ser mal escolhida e mal executada. Ferramentas como o 5W 2H (Plano de Ação) e o diagrama de árvore, além da metodologia 5s (que nós veremos na unidade 04), podem possibilitar enxergar questões como: pessoas envolvidas, o que deve ser feito, prazo de implementação, mapear caminhos e analisar o potencial de evolução do ambiente de trabalho. Algumas questões podem melhor orientar os participantes nesta etapa: • Qual solução devemos priorizar para colocar em prática? • Quem será o responsável por cada tarefa da melhoria? • Qual prazo teremos para a implementação da melhoria? • Como medir os resultados obtidos? Control – C (Controlar): esta é a última etapa e tem por objetivo garantir que as melhorias realizadas não se percam. Para tanto, é necessário que se defina critérios de controle para que o trabalho realizado nas etapas anteriores não seja desconstruído, e que se possa, de fato, analisar os retornos e avaliar os benefícios econômicos. É possível adotar gráficos de controle ou de tendência e dispositivos que sejam à prova de falhas para se certificar da aplicabilidade das melhorias. Algumas questões podem melhor orientar os participantes nesta etapa: • Quais instrumentos de trabalho podem nos ajudar a garantir as melhorias? • É necessário rever procedimentos sobre o processo? 40 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 1.3.4. Calculando a capacidade sigma Estudar a capacidade sigma (capacidade do processo) é determinar se um certo processo tem condições de atender as especificações do cliente para um respectivo produto/serviço. Segundo Pinto et al. (2015): “[...] para o cálculo da capacidade sigma do processo, deve-se conhecer o número de defeitos ou defeituosos (um ou mais de- feitos em item) em um conjunto de dados para, então, calcular a fração defeituosa e assim desenvolver os cálculos da capacida- de sigma para atributos. (p. 6) Desta forma, é possível se calcular a capacidade sigma em situações onde se trabalha com atributos, através da compreensão de conceitos como: defeito, unidade, defeito por unidade, oportunidade e defeitos por um milhão de unidades. • Defeito: não conformidade com qualquer doscritérios definidos es- pecificados; • Unidade: elemento a ser analisado quanto à existência de defeitos; • Defeito por unidade (DPU) - DPU= n° de defeitos n° de unidades • Oportunidade: chance de cometer erros dentro das unidades (forma de falhar); • Defeitos por milhão de oportunidades (DPMO): DPMO = n° de defeitos * 1.000.000 (n° de unidades * Oportunidades) Vamos para um exemplo para tornar mais claro para você: em uma loja de eletroeletrônicos, quando uma venda de qualquer produto é realizada, deve-se abrir um pedido de venda, que possui 10 itens a serem preenchidos. Numa amostra de 100 pedidos que foi selecionada ao acaso, representando o mês de julho de 2017, encontrou-se 12 erros nestes formulários. • Qual é o defeito? 1 erro de qualquer tipo no pedido; • Com qual unidade trabalhamos? 1 unidade do formulário de pedido de venda; • Quantos defeitos por unidade? Basta dividir 12 (quantidade de erros/ defeitos) por 100 (quantidade de pedidos/unidades): 12/100= 0,12; GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 41| • Quantos defeitos por milhão de oportunidades? Basta dividir 12 (quantidade de erros/defeitos) pelo resultado da multiplicação de 100 (quantidade de pedidos/unidades) por 10 (oportunidades de errar no pedido de venda), e depois disso, multiplicar por 1 000 000: DPM = 12 * 1.000.000 = 12.000 (100 * 10) 1.3.5. O modelo DFSS O modelo DFSS surgiu na General Electric (GE), no final da década de 1990, e é acrônimo para Design for Six Sigma. O DFSS auxilia a empresa no projeto de novos produtos (bens ou serviços), ou seja, diferentemente do modelo DMAIC, que auxilia a empresa em projetos já existentes, o DFSS contribui em projetos que precisam ser lançados para atender a certas demandas. Segundo Werkema (2010): O DFSS pode ser definido como uma abordagem metodológica sistemática, caracterizada pela utilização conjunta de métodos estatísticos e de engenharia. Quando adequadamente empre- gado, permite que a empresa lance no mercado o produto certo, no prazo mais curto possível e com custos mínimos. Sendo assim, é possível antecipar necessidades com um maior grau de certeza, evitando até falhas (graves) no desenvolvimento dos projetos. Em uma definição genérica, DFSS pode ser traduzido como “projetando para o seis sigma” e se refere a uma metodologia aplicada para processos produtivos e de serviços que precisam ser constituídos para funcionar nos níveis seis sigma de desempenho (FIORAVANTI, 2005). Alguns dos benefícios de se utilizar o modelo DFSS são: • Apoio ao processo de desenvolvimento de produtos e serviços; • Equilibrar custo, prazo e qualidade; • Integra engenharia de sistemas a técnicas estatísticas; • O DFSS reduz o tempo de ciclo no longo prazo, já que seu empre- go resulta em um maior domínio do processo de desenvolvimento do produto. 42 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 2. sistema de normalização na gestão: evolução, conceitos e certificações (iso 9001; iso 14001 e ts 16949) 2.1. A visão sistêmica das empresas A visão sistêmica é um elemento que as empresas podem desenvolver para saber antecipadamente fatores positivos e negativos que vão interferir nos negócios. Mas o que é, de fato, visão sistêmica? É uma maneira de ver o mundo, onde se considera toda e qualquer habilidade, comportamento, ou outra variável que possa contribuir para o bom andamento de alguém, ou no nosso caso, de uma empresa. Figura 05: Um aeroporto é um exemplo para o desenvolvimento da visão sistêmica, pois a diversidade de elementos pode interferir positiva ou negativamente no seu funcionamento. Fonte: <http://bit.ly/2GhWdM0>. Deixe-me exemplificar com algo que acontece sempre: ao atravessar a rua, possivelmente, você tende a olhar para um ou ambos os lados com o intuito de se certificar que não tem nenhuma variável (bicicleta, moto, carro, caminhão ou ônibus) que possa atrapalhar seu bem-estar, correto? Pois bem, inconscientemente, você, assim como eu, está utilizando a visão sistêmica para atravessar a rua – mas numa perspectiva muito pequena. As empresas lidam com uma quantidade de variáveis enorme e, por isso, torna-se quase que obrigatório o desenvolvimento da visão sistêmica para buscar a competividade e alcançar bons lucros. Sendo assim, as empresas precisam olhar para cada departamento/setor para que eles se integrem e ajam em conjunto para atingir os objetivos – e para que isso aconteça são fundamentais critérios definidos em normas. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 43| 2.2. Sistema internacional de normalização A normalização é o processo de desenvolvimento, difusão e aplicação de normas técnicas para a solução ou prevenção de problemas, com o objetivo de promover a economia global (SEBRAE, 2016), e ela pode ser definida localmente (em cada país) ou internacionalmente (vários países em conjunto). Quando abordamos um sistema internacional de normalização estamos tratando de normas que definem critérios de excelência sobre vários temas, e que devem funcionar de maneira interdependente dentro da empresa. Desta forma, iremos estudar o International Organization for Standardization, também conhecido como ISO, que propõe, para vários temas, sistemas de normas que são internacionalmente aceitas, reconhecidas e valorizadas. 2.2.1. Evolução dos sistemas normalizados de gestão Para que todo planejamento e ações definidas no nível estratégico da empresa se tornem realidade, é necessário algum tipo de orientação que sirva de base para os funcionários. Essa orientação vinha através de instrumentos que são internacionalmente aceitos e difundidos como meios para se alcançar os objetivos sobre algum campo específico. Em 1947, surge o International Organization for Standardization, também conhecido como ISO, formada por diversas organizações de normalização de vários países. Segundo Barbieri e Cajazeira (2009), a ISO esteve direcionada a desenvolver normas técnicas sobre produtos e processos produtivos, e a partir de 1970 começou a produzir normas de gestão que contribuíram para a implantação e operação de sistemas de gestão, o que gerou cooperação na perspectiva científica, tecnológica e científica: “O objetivo da ISO é desenvolver a normalização e atividades relacionadas para facilitar as trocas de bens e serviços no mer- cado internacional e a cooperação entre países nas esferas científicas, tecnológicas e produtivas”. (p. 171) A proposta foi criar um padrão na definição de critérios que sejam internacionalmente aceitos e reconhecidos. Portanto, todas as normas, além de se basear no ciclo PDCA (planejar, desenvolver, checar e avaliar), são horizontais, ou seja, podem ser aplicadas em qualquer tipo de organização - independentemente do tamanho ou do produto/serviço oferecido. 44 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 2.3. Série ISO 9000 A série de normas 9000 é até hoje de grande repercussão entre pessoas e empresa, mas isso também se deve a acontecimentos históricos. Em 1979, a British Standards Institution (BSI), no Reino Unido, criou a norma BS 5750 sobre gestão da qualidade, fato que gerou o surgimento de várias outras normas sobre gestão da qualidade, impactando na vida dos exportadores que tinham que se adequar a requisitos diferentes. Quando o comércio internacional começou a lidar com normas diferentes para cada país, criou-se uma dificuldade para os exportadores devido a necessidade de se adequar a cada realidade. Então, aproveitando o momento para unificar os requisitos e exigências sobre gestão da qualidade, a ISO cria um comitê específico para tratar sobre o assunto – resultando na série de normas ISO 9000. Figura 06: Estabelecer um sistema que interligue a empresa é essencial para a aplicação das normas do tipo ISO. Fonte: <http://bit.ly/2U8vWlR>. Essas normas abordam os requisitos de um sistema de gestão da qualidade, os fundamentos e vocabulário que devem ser utilizados e tambémas diretrizes para melhoria de desempenho. Na série de normas ISO 9000, a norma ISO 9001 é a mais conhecida e comentada. 2.3.1. ISO 9001 A norma ISO 9001 propõe requisitos para um sistema de gestão da qualidade (SGQ) através de um conjunto de atividades interdependentes que interagem formando um sistema de atividades (denominado de requisitos). Este sistema de gestão da qualidade funciona como um instrumento para ajudar o gestor a identificar e corrigir processos deficientes dentro da empresa, além de ser uma forma de documentar a cultura da organização, permitindo que o negócio cresça mantendo a qualidade dos bens e serviços prestados (TEMPLUM, 2018A). GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 45| A partir da norma ISO 9001, o International Organization for Standardization (ISO) criou uma metodologia de certificação para um sistema da qualidade – única norma da série a ter a possibilidade de gerar uma certificação. Essa certificação é realizada por um organismo independente, segundo propõe Carpinetti (2012): O certificado ISO 9001, que as empresas obtêm por meio de um processo de auditoria de certificação, é um documento emitido por um organismo independente (terceira parte) que atesta que o sistema produtivo da empresa está capacitado para gerenciar o atendimento de requisitos dos clientes. (p. 49) Através da certificação da ISO 9001, as empresas têm como mostrar para o mercado que seus processos possuem qualidade e que seu modelo de gestão é executado para ser eficiente (uso inteligente dos recursos, como tempo, dinheiro e matéria-prima) e eficaz (busca atingir os objetivos estabelecidos previamente). No entanto, para algumas empresas ou cadeias produtivas, o certificado ISO 9001 não é suficiente devido à especificidade do negócio; desta forma, torna-se necessário seguir uma norma específica para potencializar a qualidade, como a certificação ISO/TS 16949 – que é uma norma de sistema de qualidade particular para a indústria automobilística (CARPINETTI, 2012). O certificado da ISO 9001 tem validade de três anos, e após esse período a empresa, se desejar, passa por um processo de recertificação para renovação do certificado por um período também de três anos. Contudo, torna-se necessário, para as empresas certificadas, passar por auditorias de manutenção, com periodicidade semestral ou anual. CURIOSIDADE No Brasil, a normalização técnica é de responsabilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), uma sociedade privada, sem fins lucra- tivos, fundada em 1940, que é reconhecida pelo governo como o Foro Nacio- nal de Normalização. A ABNT é membro da ISO - International Organization for Standardization (SENAC NACIONAL, 2011). 46 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Quadro 01: Normas complementam a proposta da ISO 9001. ISO 9000 Sistema de gestão da qualidade, fundamentos e vocabulário: esta norma apresenta os princípios de gestão que fundamen- tam o sistema, além de ajudar a definir os termos usados pela ISO 9001. ISO 9004 Sistema de gestão da qualidade, diretrizes para melhoria de desempenho: esta norma explica detalhadamente cada um dos requisitos estabelecidos pela norma ISO 9001, e tem por objeti- vo auxiliar a implementação de seu sistema da qualidade. Fonte: CARPINETTI, 2012 (Adaptado). Segundo Carpinetti (2012), a ISO 9001 foi editada pela primeira vez em 1987, e depois em mais quatro ocasiões: 1994, 2000, 2008 e 2015 (e a partir da revisão feita no ano 2000, as certificações ISO 9002 e ISO 9003 foram eliminadas). 2.3.1.1. Requisitos e benefícios de um sistema de qualidade ISO 9001 O modelo de sistema de gestão da qualidade estabelecido pela ISO propõe cinco requisitos, que podem ser entendidos como etapas/atividades de um processo de gestão e que devem funcionar ao serem inter-relacionadas: • Documentação do sistema da qualidade: a empresa deve criar documentos que possam ser atualizados, revisados e que possam circular pela empresa para melhor orientar procedimentos em seus procedimentos padronizados; • Responsabilidade da direção: a direção deve criar condições para despertar uma cultura com foco no cliente e no atendimento de suas necessidades, implementar políticas de qualidade, prover recursos necessários e analisar melhorias para a gestão; • Gestão de recursos: neste requisito, a empresa deve determinar treinamentos necessários para que os funcionários, em conformida- de com os requisitos dos clientes, avaliem sempre a eficiência (uso inteligente dos recursos) das ações; • Realização do produto: este requisito é desdobrado em plane- jamento da realização do produto, relacionamento com o cliente, projeto e desenvolvimento, aquisição, produção, controle de dispo- sitivos de medição; GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 47| • Medição, análise e melhoria: aqui a empresa deve trabalhar o monitoramento e medição, o controle de produtos que não estavam adequados, analisar os dados referentes às ações e buscar melhorias. A figura a seguir representa melhor essa inter-relação: Figura 07: Requisitos de gestão da qualidade ISO 9001. Responsabilidade da direção Realização do produto Gestão de recursos Medição, análise e melhoria Entrada Saída R E Q U I S I T O S C L I E N T E S S A T I S F A Ç Ã O C L I E N T E S Fonte: CARPINETTI, 2012 (Adaptada). No que se refere aos benefícios, a ISO 9001 serve para melhorar a gestão da sua empresa e aumentar a satisfação dos seus clientes. É por isso que a adoção de um sistema de gestão é uma decisão estratégica da empresa (TEMPLUM, 2018A). Desta forma, é possível apontar alguns benefícios que a empresa pode conquistar com a implantação da norma ISO 9001: • Identificação detalhada do contexto que a empresa está inserida; • Visão holística da organização, utilizando a abordagem de processos; • Identificação dos riscos que podem prejudicar o andamento das atividades; • Medição e avaliação dos resultados do desempenho e eficácia dos processos – bem como da busca por melhorias; • Monitoramento contínuo da satisfação dos clientes. 48 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| FIQUE ATENTO Os organismos certificadores (o reconhecimento da parte técnica), ou seja, as empresas que emitem certificados, são normalmente credenciados para a emissão de um certificado ISO 9001. No Brasil, o órgão responsável é o IN- METRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), que coordena o sistema nacional de certificação, e é reconhecido internacional- mente. O credenciamento por organismos certificadores é voluntário e não obri- gatório, mas quando é feito pelo INMETRO dá maior credibilidade ao processo de certificação (CARPINETTI, 2012). 2.4. Série ISO 14000 Após o sucesso das normas de qualidade, a história se repetiu – agora com foco no meio ambiente. O British Standards Institution (BSI), no final da década de 1980, iniciou o desenvolvimento de esforços para criar uma norma sobre sistema de gestão ambiental. A norma BS 7750 ficou pronta em 1992, e desencadeou esforços de diversos países para ter normas semelhantes (BARBIERI E CAJAZEIRA, 2009). Quatro anos após, em 1996, através do Comitê Técnico (CT) 207, foram editadas as primeiras normas sobre um sistema de gestão ambiental: ISO 14001 e ISO 14004. Atualmente, existem muitas normas da série ISO 14000, que tratam da implementação de um sistema de gestão ambiental (SGA), que contemplam a auditoria ambiental e sua credibilidade, que abordam o desempenho do SGA ou que analisam o impacto causado pelos produtos, processos e serviços desde a extração dos recursos naturais até a disposição final. PRATIQUE 1. Explique o que é o seis sigma e quais contribuições pode dar para uma empresa. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 49| 2. Explique os modelos “DMAIC” e “DFSS”, utilizados no seis sigma. 3. Qual a função da International Organization for Standardization (ISO)? 4. Explique a ISO 9001, citando, ao menos, 3 benefícios para a empresa. 3. controle estatísticode processo 3.1. Introdução A dinâmica do mercado impõe às empresas uma busca incessante por oferecer produtos de qualidade, e que possa atender o cliente onde ele esteja – seja perto ou longe. Nesta vontade de poder atender o cliente, a empresa pode, por falta de atenção, pressa, ou simplesmente falta de controle, ter etapas do processo produtivo com falhas. Mas nenhuma empresa deseja, em suas etapas de produção, que problemas possam atrapalhar a capacidade de entregar produtos no tempo e prazo estipulados, ameaçando os objetivos traçados. Para ajudar as empresas a evitarem contratempos em sua produção, uma das formas práticas é o controle estatístico de processo. O controle estatístico de processo (CEP) é uma ferramenta da qualidade que pode ser definida como um método de prevenção e detecção de defeitos/problemas, e tem como objetivo monitorar um produto durante 50 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| seu processo de produção para que a causa raiz possa ser eliminada e o processo seja estabilizado, evitando que mais variações ocorram. Para um melhor entendimento do CEP é necessário analisarmos as quatro ideias básicas de um controle estatístico de processo: • Todo processo tem variação; • A variação pode ser de “causa comum” (são aquelas inevitáveis, aleatórias e muitas vezes indetectáveis) ou de “causa especial” (são aquelas que, às vezes, estão lá, outras vezes, não; são detectáveis e removíveis); • A variação é quantificada através de amostragem e estimativa de parâmetros de distribuição; • As mudanças são reveladas desenhando as amostras através do tempo. Sendo assim, é possível compreender que todo processo de fabricação de um determinado produto vai ter algo que o faça funcionar incorretamente, e a isso, nós damos o nome de variação. Essa variação pode ser inevitável e indetectável, ou pode ser detectável e sujeita à remoção, e a sua medição acontece através de um gráfico com uma amostragem demonstrando suas mudanças ao longo do tempo. 3.2. Ferramentas de CEP O monitoramento do processo é a preocupação essencial do CEP, buscando a redução de sua variabilidade para a manutenção da qualidade e sua consequente melhoria. Mas para definir ações que visem ter essas conquistas, as empresas precisam definir um caminho, ou seja, precisam definir um método claro e de fácil entendimento. Neste caso, esse método pode ser obtido através de um conjunto de ferramentas que tem por objetivo: 1 – identificação de um problema, 2 – identificação das causas fundamentais desse problema, 3 – análise da situação visando eliminação ou minimização dessa causa fundamental, 4 – verificação dos resultados, 5 – padronização de procedimentos após conhecimento dos resultados, e 6 – realizar o controle para evitar irregularidades no processo. A figura a seguir contribui para o entendimento da importância das ferramentas durante um processo: GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 51| Figura 08: Etapas de controle de um processo. Meta de melhoria Identificar as causas Agir para eliminar as causas Verificar o resultado Padronizar Estabelecer controle Identificação do problema Fonte: CARPINETTI, 2012. Para auxiliar no desenvolvimento de ações que tenham por objetivo entender e executar melhor o processo, fazendo as devidas análises e verificações, vamos estudar algumas ferramentas, a citar: estratificação, folha de verificação, gráfico de Pareto, diagrama de causa e efeito, histograma, diagrama de dispersão e gráfico de controle. 3.2.1. Estratificação Estratificar consiste em dividir dados em diferentes camadas (ou estratos), ou seja, dividir os dados coletados em dois ou mais subgrupos de forma a obter uma variedade maior de dados (PINTO, 2014). Segundo Carpinetti (2012), a estratificação dos dados tem por objetivo identificar como a variação de cada um desses fatores interfere no resultado do processo ou do problema que a empresa deseja analisar. Portanto, a estratificação permite encontrar padrões que auxiliem na compreensão dos mecanismos causais e variações (aquilo que está fora do esperado) de um processo – contribuindo para o desenvolvimento de uma rápida resposta. É possível citar alguns fatores de estratificação bastante utilizados: o tempo, o local, o turno de produção, as pessoas e a matéria-prima. • Tempo: os resultados indesejáveis são diferentes de manhã, à tarde e à noite? • Local: os resultados são diferentes nas várias linhas de produção ou nas várias regiões do país onde é comercializado? 52 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| • Turno de produção: quando levamos em consideração diferentes turnos de produção, existe variedade de resultados? • Pessoas: é possível verificar diferentes resultados com a mudança do indivíduo que opera a máquina? • Matéria-prima: a escolha do fornecedor tem impacto no resultado? A estratificação é um recurso bastante útil para análise e observação dos dados. O detalhe a ser contemplado é que esses mesmos dados não sejam coletados durante um período de tempo não muito curto (CARPINETTI, 2012). 3.2.2. Folha de verificação As folhas de verificação são formulários utilizados para padronizar e facilitar a coleta de dados e a organização dos mesmos para a estratificação – eliminando-se a necessidade de uma outra organização (rearranjo) para análise. É na folha de verificação que são incorporadas as categorias de dados necessárias para a validação (reconhecimento) das hipóteses sobre a influência de alguns aspectos, sendo possível avaliar os itens de controle do processo, os itens de verificação, classificar os dados, localizar defeitos e identificar uma possível relação causa-efeito - desde que o documento seja devidamente construído (PETENATE, 2018). Diferentes folhas de verificação podem ser desenvolvidas, mas os tipos mais usados são: • Verificação para a distribuição de um item de controle de processo, utilizando-se dois limites: o LIE (limite inferior da especificação) e o LSE (limite superior da especificação); • Verificação para classificação de defeitos. Quadro 02: Exemplo de folha de verificação – Espessura da roda após todo o processo. Peça (Produto) Operação (Processo) Operador Máquina Data Seção Dimensão Amostra Total Menos de 9,50 1 2 3 4 5 6 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 53| 9,50 9,55 9,60 Acima de 9,60 Fonte: Elaborado pelo autor. O exemplo anterior retrata uma folha de verificação, onde o LIE é 9,50 e o LSE é 9,60. Desta forma, o processo é controlado a partir do intervalo entre LIE e o LSE, e como vai ocorrer essa variação. Quadro 03: Exemplo de folha de verificação – Classificação de defeitos. Tipo Rejeitados Subtotal Marcas IIIIIIIIII 10 Trincas IIIIIIIIIIIIIIIIIIIII 21 Incompleto IIIII 5 Distorção IIIIIIIIIIIIII 14 Outro IIIIIIIII 9 Total Geral 55 Fonte: Elaborado pelo autor. O exemplo acima retrata uma folha de verificação que estabelece quais são os defeitos e sua representatividade no processo. 3.2.3. Gráfico de Pareto Desenvolvido pelo sociólogo e economista Vilfredo Pareto (1843- 1923), o Princípio de Pareto foi adaptado aos problemas da qualidade por Juran, e estabelece que a maior parte das perdas decorrentes dos problemas relacionados à qualidade tem origem em algumas poucas, mas essenciais, causas (CARPINETTI, 2012). Por exemplo, pelo entendimento do Princípio de Pareto, se uma empresa tiver 30 problemas relacionados à qualidade (como retrabalho, matéria-prima ruim, ou reclamações dos clientes), a solução de quatro ou oito desses problemas poderá representar uma redução significativa das perdas. 54 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Figura 09: Custo com o retrabalho. 5000 4000 3000 2000 1000 0 Fa lta de tr ein am en to Fa lta de co mu nic aç ão Co mp on en tes Ro tat ivi da de Lid er an ça Fo rn ec ed or So lda Ou tro s Fonte: Elaborada pelo autor. O problema em questão é o custo com o retrabalho, ou seja, o custo que a empresa tem por não realizar o processo corretamenteda primeira vez. Se você observar o gráfico, poderá perceber que existem 8 fatores que causam o problema, mas apenas 3 deles têm grande impacto no problema: falta de treinamento, falta de comunicação e componentes. Agindo sob essas 3 causas, será possível diminuir significativamente as perdas da empresa. Logo, o Princípio de Pareto, demonstrado através de barras verticais, propõe de maneira visual que entre todas as causas de um problema, algumas poucas são as grandes responsáveis pelos efeitos indesejáveis – e assim será possível eliminar quase todas as perdas da empresa por meio de um pequeno número de ações. CURIOSIDADE O gráfico de Pareto aborda necessariamente um problema, com suas res- pectivas causas. Se não tratar de um problema, não é um gráfico de Pareto. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 55| 3.2.4. Diagrama de causa e efeito O diagrama de causa e efeito, também conhecido como diagrama espinha de peixe (pois sua estrutura lembra um esqueleto de peixe), foi criado pelo professor Kaoru Ishikawa para explicar a alguns engenheiros de uma indústria japonesa como os fatores de um processo estavam inter- relacionados. O diagrama de causa e efeito é estruturado de forma a ilustrar as várias causas que levam a um problema, contribuindo para a determinação de medidas corretivas que devem ser adotadas pela empresa. Logo, o diagrama espinha de peixe é uma ferramenta de representação das possíveis causas que levam a um determinado problema (efeito). Para facilitar a aplicação do diagrama, as causas são agrupadas em categorias, denominadas de “Seis M”: Método, Mão de obra, Meio ambiente, Matéria- prima, Máquinas e Medidas. Figura 10: As seis categorias básicas para se desenvolver um diagrama de causa e efeito. Método É referente à maneira como a empresa realiza seus processos e atividades. Mão de obra É referente ao conhecimen- to que as pessoas têm ou não, e que vem afetando a empresa. Meio ambiente É referente aos impactos das ações da empresa no meio ambiente, ou seja, no seu entorno. Matéria- prima É referente a qualquer desvio no padrão que a empresa esperava. Máquinas É referente a problemas (disfunções) nos equipamen- tos utilizados pela empresa. Medidas É referente a qualquer ação que não esteja em conformidade com os procedimen- tos da empresa. Fonte: Elaborada pelo autor. Figura 11: Visualização do diagrama de causa e efeito. Método Mão de obra Medidas Problema (efeito) Máquinas Matéria-prima Meio ambiente Fonte: Elaborada pelo autor. 56 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| A partir do agrupamento das causas em seis categorias (tipos), fica mais fácil o entendimento do problema – mas isso não significa dizer que todo problema deve ter esses seis tipos de causas e nem que esses seis tipos são únicos, pois podem aparecer outros dependendo do problema analisado. Os seis tipos de causas são os mais comuns de surgir diante de uma situação. Vamos analisar o seguinte problema: atraso nos pedidos de compras. Figura 12: Aplicação do diagrama de causa e efeito. Método Alto tempo de cotação Excesso de trabalho Qualificação Não cumprimento de normas Fluxo de informação incorreto Computador ocupado Relefone ocupado Coleta de dados incompleta Falta de funcionários Falta de treinamento Falta de conhecimento das normas Falta de procedimento Falta de computador Falta de telefone Mão de obra Máquina Meio ambiente Atraso nos pedidos de compra Fonte: Elaborada pelo autor. A partir do nosso problema, temos quatro tipos de causas influenciando-o: método, mão de obra, máquina e meio ambiente. Após o reconhecimento sobre que tipo de causa tem impacto no problema, precisamos especificá-la para identificar com mais clareza possíveis soluções. Por exemplo, temos o tipo de causa referente à mão de obra, na qual é possível identificar, para o problema “atraso nos pedidos de compra”, que “excesso de trabalho” e “qualificação” são as razões para o tipo de causa a ser destacado na aplicação do diagrama de causa e efeito. Portanto, o diagrama de causa e efeito atua como guia para identificação das coisas erradas no processo e aponta medidas para corrigir o que não está correto. Sendo assim, esta ferramenta é apenas corretiva, pois sua única finalidade é ajudar a entender e resolver um problema. 3.2.5. Histograma Um histograma é um gráfico de frequência que tem por objetivo ilustrar como uma determinada amostra (ou população) de dados está distribuída, medindo quantas vezes temos determinado valor dentro dessa nossa distribuição de dados (FM2S, 2018A). Desta forma, um histograma GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 57| “dispõe as informações de modo que seja possível a visualização da forma da distribuição de um conjunto de dados e também a percepção da localização do valor central e da dispersão dos dados em torno deste valor central” (CARPINETTI, 2012, p. 86). Trata-se, portanto, de um método estatístico que mede uma realidade concreta, gerando conhecimento sobre como se distribuem os dados, ou seja, se são concentrados em uma pequena faixa de valores ou mais espalhados. 3.2.6. Diagrama de dispersão Sendo uma das sete ferramentas da qualidade, segundo Carpinetti (2012), o gráfico de dispersão é utilizado para a visualização do tipo de relacionamento existente entre duas variáveis. É importante definir este tipo de relacionamento para entender os padrões que surgem a partir desta interação. Esses padrões entre duas variáveis são: • De relação positiva: o aumento de uma variável leva ao aumento da outra. Por exemplo, no caso da relação entre o aumento da tempera- tura e número de sorvetes vendidos, temos uma relação positiva; • De relação negativa: o aumento de uma variável leva à diminuição da outra. Por exemplo, se correlacionarmos a taxa de natalidade com a riqueza de um país, veremos que quanto mais rico um país, menor é a taxa de natalidade; • De relação inexistente: a variação de uma variável não leva a uma variação sistemática da outra variável. Outro entendimento sobre o diagrama de dispersão é que ele se mostra muito eficaz na resolução de problemas na produção, visto que ele aponta se existe ou não uma relação entre duas variáveis. O diagrama mostra uma nuvem de pontos correspondente aos dados de uma certa classe/grupo. 3.2.7. Gráfico de controle Os gráficos de controle nada mais são do que gráficos de tendência que mostram como um determinado indicador varia no tempo, com limites de controle, sendo capaz de nos mostrar se o processo está estável - com tudo acontecendo como sempre acontece -, ou se há alguma coisa de anormal com ele, como causas especiais (FM2S, 2018B). “O objetivo do uso dos gráficos de controle é garantir que o processo opere na sua melhor 58 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| condição” (CARPINETTI, 2012, p. 91). A utilização dos gráficos de controle pode trazer benefícios para a empresa e para os processos por ela realizados (PORTAL ACTION, 2018), como: • Um aumento no percentual de produtos capazes de satisfazer aos requisitos do cliente; • Uma diminuição do retrabalho com diminuição dos custos de fabricação; • Aumenta a probabilidade geral de produtos aceitáveis; • Informações de qualidade para melhoria do processo. 4. iso 9001 e o controle estatístico Um sistema de gestão, na estrutura e condições definidas pela norma ISO 9001, tem muito mais facilidade para ser definido e realmente funcionar quando as pessoas envolvidas nos processos entendem que não podem realizar suas tarefas baseadas em “achismos”, mas em métodos claros e objetivos – para elas e para a equipe. Os métodos, ou seja, os caminhos escolhidos para a realização dos processos devem contribuir positivamente para que a excelência seja alcançada – e isso só é possível com o auxílio das ferramentas. As ferramentas de qualidade aqui estudadas permitem, através de um criterioso estudo de informações, melhorar (qualificar) os processosdesenvolvidos pela empresa para gerar produtos que atendam as especificações dos clientes. Entender as etapas dos processos, suas partes críticas e seus pontos sensíveis aos problemas possibilitam às empresas buscarem com mais clareza serem competitivas, e isso inclui estabelecer um sistema de gestão. 5. qualidade e sustentabilidade: sistemas integrados de gestão 5.1. Introdução Se a gestão da qualidade é uma estratégia que foca a qualidade máxima em todos os processos, produtos e serviços, e deve passar por todas as etapas do negócio, é fundamental envolver desde a alta administração, a definição da matéria-prima, o recrutamento e a seleção de colaboradores qualificados até os métodos de produção com o mínimo desperdício. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 59| Qualidade e sustentabilidade estão sendo mais inseridos na nossa rotina e não seria diferente com as empresas. O tema da sustentabilidade tem um conceito sistêmico, relacionado à continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana de forma dinâmica e viva – e se relaciona amplamente com a perspectiva de qualidade. Sendo assim, já tendo analisado o conceito de qualidade, sua evolução e aspectos relacionados à gestão, iremos compreender sua relação com a sustentabilidade e suas implicações e possibilidades para a adoção de critérios que favoreçam a integração, o compromisso e a responsabilidade. 5.2. Sistema integrado de gestão A ligação entre os temas de qualidade e sustentabilidade permite a compreensão da importância das normas, assim como estudamos a da International Organization for Standardization (ISO), para um desempenho uniforme e competitivo das empresas também relacionado a esses temas. Torna-se necessário, portanto, pensar e agir de maneira integrada e complementar, desenvolvendo ações que sejam importantes e interdependentes para um sistema. Figura 13: A integração é elemento fundamental para um sistema funcionar bem. Fonte: <http://bit.ly/2G8HvEx>. Um sistema é uma relação entre certos componentes para que, em conjunto, possam desempenhar uma função específica e atingir um objetivo. Só que um sistema, muitas vezes, não trabalha (ou funciona) isolado: precisa, para sua sobrevivência, de outros sistemas. A partir disto, temos o entendimento de “Integração”, que é incorporar um elemento que poderia existir sozinho em um determinado conjunto, com o objetivo de potencializar suas funções. 60 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Desta forma, o conceito de “sistema integrado de gestão” deve ser compreendido por todos os profissionais da empresa – especialmente os gestores. Um sistema integrado de gestão refere-se à maneira de executar um processo, e ao seu consequente resultado, que visa unir soluções diversas para que os dados contidos em cada uma das etapas do processo se tornem parte de um sistema maior para serem compartilhados de maneira fácil e rápida entre os funcionários. Um outro entendimento do que é um sistema integrado de gestão é que ele visa agregar todos os componentes de um negócio em um único sistema coerente, de forma que seja possível alcançar seu propósito e missão – muitas vezes definidos pela alta administração da empresa. É possível citar alguns benefícios para a implantação de um sistema integrado de gestão pela empresa: • Descentralização do sistema de poder; • Possibilita harmonizar e otimizar as práticas; • Melhora a comunicação; • Facilita o treinamento e desenvolvimento dos funcionários; • Reduz os riscos e aumenta a lucratividade. Esses benefícios não são os únicos, mas a partir deles podemos visualizar os impactos das normas voltadas para gestão ambiental, responsabilidade social e saúde e segurança. 5.3. Gestão ambiental (ISO 14001) A globalização, através da tecnologia disponível, proporciona um aumento no nível de competição e torna urgente a atenção das empresas sobre vários temas, e entre eles está a gestão ambiental - que deve ser pensada de forma intrínseca (inseparável) em todos os seus processos. Através da valorização da preservação ambiental, como parte da conduta moral das organizações, é possível ter um diferencial competitivo que venha beneficiar também a sociedade. Neste contexto, iremos dialogar sobre o que é ISO 14001 e para o que serve. A ISO 14001, da série ISO 14000, visa especificar os requisitos para a implementação de um sistema de gestão ambiental (SGA), permitindo que qualquer organização, independentemente de seu tamanho, possa GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 61| desenvolver práticas sustentáveis em seus negócios. Desde a sua primeira versão, em 1996, até a sua última edição, em 2015, a norma ISO 14001 se tornou mais específica em relação à teoria e prática que devem ser observadas pela empresa: Figura 14: Evolução da norma ISO 14001. Primeira versão da norma, com o objetivo de definir critérios para implantação do sistema de gestão ambiental e gerenciamen- to dos impactos ambien- tais das atividades das organizações. A nova versão da ISO 14001, publicada em setembro de 2015, tem como destaques: o alinhamento da gestão ambiental à estraté- gia da empresa, a gestão de riscos e a busca pela maior compatibilidade com as demais normas ISO. Revisão e atualização de conceitos e definições. O grande destaque dessa versão é o conceito de desempenho ambiental. 1996 2004 2015 Fonte: Elaborada pelo autor. Sendo uma das únicas normas da série que é certificável, a ISO 14001, além de ajudar a implementar um SGA, pode também aprimorar um existente alinhando as ações da empresa com as políticas ambientais e demonstrar que ela está comprometida com a sustentabilidade. Estas ações são baseadas em alguns objetivos: Quadro 04: Objetivos da norma ISO 14001. Proteger o meio ambiente: Prevenção ou mitigação (diminuição) dos impactos ambientais adversos. Diminuição dos efeitos ruins: Observação das condições ambientais e seus impactos na organização. Atendimento aos requisitos legais: Auxiliar a organização no cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Aumentar o desempenho ambiental: Possibilita desenvolver ações que beneficiem e protejam o meio ambiente. 62 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Controlar ou influenciar o modo que os produtos e servi- ços da organização são proje- tados, fabricados, distribuídos, consumidos e descartados: Utiliza-se, desta forma, uma perspectiva de ci- clo de vida que possa prevenir o deslocamento involuntário dos impactos ambientais dentro do ciclo de vida: Alcançar benefícios financei- ros e operacionais: A implementação de alternativas ambientais que reforçam a posição da organização no mer- cado gera benefícios financeiros e operacionais. Comunicar as informações ambientais para as partes interessadas pertinentes: Informar os stakeholders (os interessados no negócio) permite que a empresa seja transpa- rente e honesta, o que acarreta em ganhos de credibilidade e confiança. Fonte: Verde Ghaia Consultoria On-line, 2018 (Adaptado). Quando a empresa, a partir do entendimento da norma ISO 14001, estabelece os objetivos a serem alcançados, ficam bastante perceptíveis os (possíveis) benefícios, em termos de competitividade, imagem diante do mercado, valorização dos produtos/serviços, e também da lucratividade. Sendo assim, a norma ISO 14001 é uma ferramenta que auxilia as empresas a identificar, priorizar e gerenciar seus riscos ambientais dentro de seus processos e atividades, dando uma maior atenção às questões mais relevantes de seu negócio, seus impactos e os compromissos gerados a partir de suas ações. FIQUE ATENTO A norma ISO 14001 é baseada no ciclo PDCA – Planejar, Desenvolver, Checar e Avaliar, além de utilizar terminologia e linguagem conhecida da gestão, apresentando uma série de benefícios para a organização. 5.4. Responsabilidade social (ISO 26000) A ISO 26000 é a norma de responsabilidade social que foi desenvolvida por pessoas e organizaçõesde diversas nacionalidades, mas com a liderança de dois países: o Brasil (com a coordenação da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT) e a Suécia (com o Instituto Sueco de Normalização – SIS). Segundo Barbieri e Cajazeira (2009), em uma eleição disputada em cinco candidaturas, venceram Brasil e Suécia, que desde 2004 passaram a presidir e secretariar, respectivamente, o grupo de trabalho para a construção GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 63| da norma. Era a primeira vez que a presidência dos trabalhos para produzir uma norma de gestão internacional era confiada a um representante de um país não desenvolvido. CURIOSIDADE O tema de responsabilidade social conversa muito facilmente com o tripé da sustentabilidade, que envolve pensarmos as ações da empresa focando em três aspectos, a citar: o econômico, o ambiental e o social. O fato da escolha do Brasil também se deve ao protagonismo junto ao tema, com o desenvolvimento de uma norma própria, a NBR 16001 – que estabelece requisitos para a criação e operação de um sistema de gestão de responsabilidade social. No dia 1o de novembro de 2010, foi publicada a Norma Internacional ISO 26000 – Diretrizes sobre Responsabilidade Social, cujo lançamento foi em Genebra, Suíça. Segundo a ISO 26000 (apud INMETRO): [...] a responsabilidade social se expressa pelo desejo e pelo propósito das organizações em incorporarem considerações socioambientais em seus processos decisórios e a responsabi- lizar-se pelos impactos de suas decisões e atividades na socie- dade e no meio ambiente. Isso implica um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento sustentá- vel, que esteja em conformidade com as leis aplicáveis e seja consistente com as normas internacionais de comportamento. Também implica que a responsabilidade social esteja integrada em toda a organização, seja praticada em suas relações e leve em conta os interesses das partes interessadas. Desta forma, o objetivo é conceituar responsabilidade social, através da norma ISO 26000. Isso é para que as empresas que se interessem em implementá-la saibam o que deve ser feito, sendo estabelecido um padrão mundial referente ao tema. Logo, a norma ISO 26000 “tem como propósito básico ser um documento integrador de diversos instrumentos de gestão reconhecidos internacionalmente” (BARBIERI E CAJAZEIRA, 2009, p. 200). Foram listados na norma os seguintes temas básicos: a. Meio ambiente; b. Direitos humanos; 64 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| c. Práticas de trabalho; d. Práticas leais de operação; e. Governança organizacional; f. Desenvolvimento social; e g. Questões relativas aos consumidores. Esses temas abordam questões essenciais para a responsabilidade social, facilitando a compreensão e ação da gestão e dos demais funcionários. A ISO 26000 pode ser adotada por empresas que já tenham experiência prévia com responsabilidade social e queiram aprofundar suas ações neste aspecto ou por empresas que desejem começar a desenvolver sua responsabilidade social. A empresa, antes de qualquer tipo de ação ou intenção, precisa ter o real desejo de adotar atitudes sustentáveis, pois a norma tem a função de fazer as empresas incorporarem em seu processo de decisão a consideração da sociedade e do meio ambiente – fato que para muitos gestores ainda não tem importância. Além disso, a empresa terá sempre que ter noção sobre sua responsabilidade socioambiental, e compreender que suas ações podem impactar, direta ou indiretamente, a sociedade e a natureza. CURIOSIDADE Ao contrário das outras normas (como a ISO 9001 e a ISO 14000), a ISO 26000 não terá uma certificação, sendo apenas um guia para as organizações. 5.5. Saúde e segurança (OHSAS 18001) Bons procedimentos e políticas em relação à saúde e segurança ocupacional são fundamentais para os funcionários, e também são cada vez mais importantes para os clientes da empresa e para os stakeholders (partes interessadas no negócio). A certificação OHSAS 18001 permite reforçar o compromisso que a empresa tem com seus funcionários, que cada vez se tornam o principal ativo, ou seja, a parte essencial para gerar inovação, criatividade e capacidade competitiva. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 65| OHSAS é a sigla em inglês para Occupational Health and Safety Assessments Services, cuja melhor tradução é Serviços de Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional. Quando abordamos a OHSAS 18001, tratamos de uma série de normas britânicas, desenvolvidas pelo BSI Group, que define um padrão para um sistema de gestão da segurança e da saúde ocupacional. Segundo Barbieri e Cajazeira (2009), “a implantação dessa norma baseia-se no compromisso da empresa com a redução dos riscos decorrentes do trabalho e com a melhora contínua de seu desempenho em saúde e segurança dos trabalhadores” (p. 178). A certificação OHSAS 18001 está baseada nos riscos que as atividades de uma empresa podem trazer à saúde dos colaboradores, assim, se utiliza da implementação do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional para contemplar todas essas atividades (TEMPLUM, 2018B). Logo, a partir da implantação desse sistema, a empresa pode obter benefícios como: • Diminuição significativa de acidentes, perigos e paralisação do tra- balho, através da organização de todas as atividades; • Evitar o risco de ações judiciais, pois se obterá acesso e conhecimento constante à legislação; • Valorização da imagem da empresa, por estar comprometida com a saúde e segurança do colaborador; • Aumento da identificação e motivação do funcionário, através do envol- vimento nos processos de gestão de segurança e Saúde ocupacional. Esses benefícios não são apenas bons para a empresa, mas também para os funcionários, que têm a possibilidade de desenvolver suas atividades em um local que preserva sua saúde e segurança. FIQUE ATENTO A OHSAS 18001 entrou em vigor em 1999, após uma série de estudos de organismos (entidades) certificadoras, e seu surgimento foi motivado pela recusa da ISO em escrever uma norma sobre saúde e segurança do trabalho em função da posição da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que já possuía suas recomendações e guias sobre o assunto (BARBIERI E CAJAZEIRA, 2009). 66 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| PRATIQUE 5. O que é o CEP? 6. Explique como o “gráfico de Pareto” e o “diagrama de causa e efeito” podem ajudar a empresa a resolver um problema. 7. Explique, com suas palavras, o que é um “Histograma” e um “gráfico de controle”. 8. Qual a importância de um “sistema integrado de gestão”? 9. Explique a ISO 14001 e a ISO 26000. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 67| 10. Na sua opinião, qual a importância que a norma OHSAS 18001 tem para as empresas atualmente? RELEMBRE A metodologia do modelo seis sigma valoriza o cuidado com todas as etapas do processo de produção da fábrica para poder diminuir, e até eliminar, desperdícios, já que os mesmos geram perdas de tempo, dinheiro e de compe- titividade da empresa. Para que isso possa acontecer, é necessário definir alvos de atuação claros, dividir responsabilidades entre os participantes da equipe e saber usar os modelos estudados (DMAIC e DFSS). A visão sistêmica é um elemento que as empresas podem desenvolver para saber, antecipadamente, fatores positivos e negativos que vão interferir nos negócios. A partir desta perspectiva, o Sistema Internacional de Normalização (ISO) possibilitou uma visão sistêmica de assuntos importantes para a empresa, entre eles a gestão da qualidade e a gestão ambiental. Estudamos também o CEP (controle estatístico do processo), entendido como um método de prevenção e detecção de defeitos/problemas através de certas ferramentas. E, por fim, foi possível entender melhor o que é um sistema de gestão integrado, base para várias normas (certificáveis ou não), entre elas a ISO 14001 e a ISO 26000. Referências BARBIERI, José Carlos; CAJAZEIRA, Jorge Emanuel Reis. ResponsabilidadeSocial Empresarial e Empresa Sustentável: da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2009. CARPINETTI, Luiz Cesar Ribeiro. Gestão da Qualidade: conceitos e técnicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012. 68 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| CENTRO DA QUALIDADE SEGURANÇA E PRODUTIVIDADE (Ed.). Desmitificando os SIGS - Sistemas Integrados de Gestão. 2005. Disponível em: <https://www.qsp.org.br/biblioteca/desmitificando.shtml>. Acesso em: 03 dez. 2018. ENDEAVOR BRASIL. Como o seis sigma pode ajudar sua empresa a alcançar a excelência. 2015. Disponível em: <https://endeavor.org.br/ estrategia-e-gestao/seis-sigma/>. Acesso em: 17 nov. 2018. FIORAVANTI, Alexandre. Aplicação da metodologia "Design For Six Sigma" (DFSS) em projetos automotivos. 2005. 134 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado Profissionalizante em Engenharia Automotiva, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: <https://www. teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3149/tde-26122014-174443/publico/Diss_ ALEXANDRE_FIORAVANTI.pdf>. Acesso em: 12 abr. 2019. FM2S. O que é Histograma? Quando utilizar? Como construir? 2018. Disponível em: <https://www.fm2s.com.br/histograma/>. Acesso em: 11 dez. 2018A. ______. O que é o Gráfico de Controle? Disponível em: <https://www.fm2s. com.br/portfolio/planilha-de-grafico-de-controle/>. Acesso em: 12 dez. 2018B. INMETRO. ISO 26000. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/ responsabilidade_social/iso26000.asp>. Acesso em: 04 dez. 2018. PELIARD, Gustavo. Seis Sigma: O que é e como funciona. 2012. Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/seis-six-sigma-o-que-e-como- funciona/>. Acesso em: 17 nov. 2018. PETENATE, Marcelo. Conheça as principais ferramentas da qualidade: Folha de verificação. 2018. Disponível em: <https://www.escolaedti.com. br/conheca-as-principais-ferramentas-da-qualidade-folha-de-verificacao/>. Acesso em: 11 dez. 2018. PINTO, Cristiano. Estratificação. 2014. Disponível em: <https://qualescap. wordpress.com/tag/estratificacao/>. Acesso em: 10 dez. 2018. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 69| PINTO, Silvia Helena Boarin et al. Indicadores de capacidade sigma de processos e melhoria de desempenho: um estudo de caso em serviços ao cliente. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO. 2015, Fortaleza. Anais. Fortaleza: Associação Brasileira de Engenharia de Produção, 2015. p. 1 - 13. Disponível em: <http://www.abepro.org.br/ biblioteca/TN_STO_207_232_27156.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2018. PORTAL ACTION. Gráficos ou cartas de controle. Disponível em: <http:// www.portalaction.com.br/controle-estatistico-do-processo/graficos-ou-cartas- de-controle>. Acesso em: 12 dez. 2018. PORTAL SEG BR. Para que serve a OHSAS 18001. Disponível em: <http:// www.segurancadotrabalhobr.com.br/para-que-serve-a-ohsas-18001/>. Acesso em: 04 dez. 2018. SANTOS, Adriana Barbosa; MARTINS, Manoel Fernando. Modelo de referência para estruturar o seis sigma nas organizações. Gestão & Produção, São Carlos, v. 15, n. 1, p.43-56, abr. 2008. Disponível em: <http:// www.scielo.br/pdf/gp/v15n1/a06v15n1>. Acesso em: 17 nov. 2018. SEBRAE. O que é normalização? 2016. Disponível em: <http://www.sebrae. com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-que-e-normalizacao,82bc438af1c92410 VgnVCM100000b272010aRCRD>. Acesso em: 26 nov. 2018. SENAC NACIONAL. Qualidade em prestação de serviços. 26. ed. Rio de Janeiro: Senac, 2011, 112 p. TEMPLUM. ISO 9001: O que é? Para que serve? Benefícios? Disponível em: <https://certificacaoiso.com.br/iso-9001/>. Acesso em: 28 nov. 2018A. ______. OHSAS 18001. Disponível em: <https://certificacaoiso.com.br/ ohsas-18001/>. Acesso em: 04 dez. 2018B. VERDE GHAIA CONSULTORIA ON-LINE. Para que serve ISO 14001 e como essa norma fará com que minha empresa alcance o sucesso sustentável. Disponível em: <https://www.consultoriaiso.org/para-que-serve- iso-14001/>. Acesso em: 04 dez. 2018. WERKEMA, Cristina. Design for Six Sigma – DFSS. 2010. Disponível em: <http://engenhariadeproducaoindustrial.blogspot.com/2010/07/design-for- six-sigma-dfss.html>. Acesso em: 25 nov. 2018. 70 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| ANOTAÇÕES Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Gestão da Qualidade e Produtividade Autoria Ricardo Verçoza Mendes Gestão da Qualidade e Produtividade SEJA BEM-VINDO! Reitor: Prof. Cláudio Ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. Rafael Rabelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio Rabelo Bastos Pró-reitora acadêmica: Profa. Flávia Almede de Almeida Direção Nead: Prof. Ricardo Zambrano Júnior Coordenação Nead: Profa. Luciana Rodrigues Ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou par- cialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotos- tática ou outros, sem a autorização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. ExpEdiEntE Ficha técnica Autoria: Rcardo Verçoza Mendes Supervisão de Produção Nead: Francisco Cleuson do Nascimento Alves Design instrucional: Antonio Carlos Vieira Projeto gráfico e capa: Francisco Erbínio Alves Rodrigues Diagramação e tratamento de imagens: Jocivan de Castro Costa Revisão textual: Claudiene Braga Ficha catalográFica catalogação na publicação bibliotEca cEntro univErsitário atEnEu MENDES, Ricardo Verçoza. Gestão da qualidade e produtividade. / Ricardo Verçoza Mendes. – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 124 p. ISBN: 1. Gestão da qualidade. 2. Sistema de normalização. 3. Diretrizes, processos e ro- tinas. 4. Ferramentas de gestão da qualidade. Centro Universitário Ateneu. II. Título. SEJA BEM-VINDO! Caro estudante, temos a alegria de apresentar o material didático da disciplina Gestão da Qualidade e Produtividade. Ao ler e estudar por esse material, você terá condições de responder às atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Os estudos serão iniciados com o histórico da gestão da qualidade, com seus estágios de desenvolvimento e os autores importantes que pensaram a qualidade – contribuindo para sua definição e compreensão. Posteriormente, iremos estudar como a gestão da qualidade tem função estratégica para as empresas atualmente, colaborando para sua liderança e excelência. Em seguida, iremos analisar a importância de um sistema de gestão baseado em normas e procedimentos para se criar produtos e serviços com padrão e com qualidade. Por fim, estudaremos como a rotina pode ser importante para compreender e aplicar a qualidade na gestão, como as ferramentas podem ajudar a criar um método fácil e objetivo na gestão da qualidade e como o setor de serviços se torna mais eficiente e competitivo com boas práticas de qualidade – tudo para beneficiar o cliente. Nosso objetivo não é esgotar todo o assunto, mas lhe despertar a curiosidade para procurar outras fontes de conhecimento além deste livro (como textos, artigos e vídeos), de forma a estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. Através do estudo dos temas contidos neste material didático, você estará apto para corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos e compreender seus impactos na vida em sociedade – já que a qualidade se faz presente em qualquer espaço social e humano. Bons estudos! SUMÁRIO CONECTE-SE ANOTAÇÕES REFERÊNCIAS Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem e significam: SUMÁRIO 1. A história da gestão da qualidade............................ 8 2. Um olhar estratégico para a qualidade .................. 16 3. Gestão da qualidade total e modelos de excelência em desempenho organizacional .......... 21 Referências ...............................................................28 01 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE 1. Modelo seis sigma ................................................. 32 2. Sistema de normalização na gestão: evolução, conceitos e certificações (ISO 9001; ISO 14001 e TS 16949) ................................................ 42 3. Controle estatístico de processo............................ 49 4. ISO 9001 e o controle estatístico ........................... 58 5. Qualidade e sustentabilidade: sistemas integrados de gestão ............................................. 58 Referências ............................................................... 67 02 SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO NA GESTÃO: CONCEITOS, NORMAS E CRITÉRIOS PARA A PRÁTICA DA QUALIDADE 1. Abordagem econômica da qualidade .................... 92 2. Ferramentas para a gestão da qualidade .............. 95 3. Qualidade no setor de serviços ........................... 116 Referências ............................................................. 121 04 QUALIDADE DO SERVIÇO PRESTADO E FERRA- MENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE 1. Gerenciamento das diretrizes ............................... 72 2. Gerenciamento por processos ............................... 77 3. Gerenciamento da rotina ....................................... 84 Referências ............................................................... 8903 A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO PARA A DE- FINIÇÃO DE DIRETRIZES, PROCESSOS E ROTINAS Apresentação Bem-vindo à terceira unidade! Nesta etapa dos nossos estudos, iremos nos dedicar aos efeitos do gerenciamento para definir procedimentos e ações claras aos profissionais. Mas, se o gerenciamento é um assunto voltado para a administração, por que relacioná-lo com qualidade? Porque tudo que envolve qualidade precisa de método, dividido em etapas, para que as coisas possam funcionar adequadamente, ou seja, para organizar a maneira de proceder dos profissionais de uma determinada empresa. Iremos estudar os impactos e importância das diretrizes para a empresa, como a identificação de seus processos (e também das suas falhas e pontos de melhoria) pode resultar em um maior nível de competição e organização, e como a rotina pode permitir um preparo mais adequado das pessoas frente às situações em que podem enfrentar. Para tanto, entender como gerenciar as diretrizes, os processos e a rotina é um ponto fundamental para a empresa buscar o equilíbrio internamente e externamente. Unidade 03 a importância do gerenciamento para a definição de diretrizes, processos e rotinas 72 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Compreender que a função de gerenciamento pode trazer significativos ganhos para a empresa; • Entender a importância das diretrizes para a organização do trabalho na empresa; • Analisar os efeitos da gestão por processos na produtividade empresarial; • Avaliar o impacto da rotina na construção de uma equipe apta a resolver os pro- blemas da empresa. 1. gerenciamento das diretrizes 1.1. Introdução Toda organização deve buscar estabelecer prioridades de desempenho, caso contrário pode perder o foco de atuação e não ser mais competitiva. Desta forma, criar condições para um efetivo gerenciamento das atividades permite aos gestores organizar e direcionar os esforços da empresa, saber com mais clareza quais são os pontos críticos, ou seja, os problemas que afetam a empresa, e definir com objetividade planos de ação que direcionem a empresa para alcançar a sua missão e a sua visão. Figura 01: Critérios e etapas no gerenciamento devem estar relacionados. Fonte: <http://bit.ly/2tlMEDa>. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 73| Para tanto, é importante esclarecer e conceituar “gerenciar” e “diretrizes”. Gerenciar é a “responsabilidade de fazer os planejamentos de ações, tomar as decisões mais importantes, delegar as tarefas, acompanhá- las e cuidar para que seus colaboradores atendam as demandas de modo correto” (MARQUES, 2016). A execução correta de um gerenciamento permite tratar de diversas ações de interesse da empresa, que muitas vezes são urgentes, conduzindo os profissionais a atingir os objetivos, realizar as estratégias do planejamento, ou até mesmo resolver um problema: Um gerenciamento, então, poderá estar orientado a resolver um problema específico, a concretizar um projeto, um desejo, mas também pode se referir à direção e administração que se realiza em uma empresa, uma organização, um negócio, e inclusive a nível governamental, é comum que a tarefa que leve a cabo o governo de um determinado país seja também denominada gerenciamento. Portanto, gerenciar é preparar, tanto gestores quanto funcionários, para enfrentar com perspicácia, a rotina de trabalho. Complementando essa ideia, temos a definição de diretriz. Uma diretriz é um guia que define e regula uma determinada ação, que no caso das empresas serve para orientar como um funcionário deve fazer uma certa tarefa. Figura 02: Ter uma orientação adequada permite alcançar o objetivo definido. Fonte: <http://bit.ly/2SKICCO>. Diretrizes são normas, escritas ou verbais, de como proceder diante de determinada situação – e seu uso deve ser compartilhado por todos da empresa para se realizar as estratégias definidas. Podem existir diretrizes gerais, nas quais todos devem se empenhar para cumprir, e também podem existir diretrizes específicas, que são particulares de um certo cargo ou grupo de cargos. 74 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Segundo Carvalho e Paladini (2017), uma diretriz é dividida em quatro componentes, a saber: 1 – direção (o que se deseja conquistar e para onde se deseja caminhar), 2 – objetivo (tanto quantitativo quanto ao longo do tempo), 3 – condições de contorno (variáveis necessárias ao bom desenvolvimento da diretriz) e 4 – linhas mestras (indicação das estratégias de ação). Confira no exemplo a seguir. Quadro 01: Exemplificação dos componentes de uma diretriz. Direção Objetivo Condições de contorno Linhas mestras Redução nos custos de compra de materiais. De R$ 1,20 por peça para R$ 0,90 por peça. Manter a qualidade do produto entregue pela organização. Parcerias com me- lhores fornecedores. Reduzir os fornece- dores. Não aumentar o estoque de maté- rias-primas. Comprar com melhor qualidade e menor preço. Fonte: Elaborado pelo autor. No exemplo, a direção (o caminho que se quer seguir) é a redução nos custos de compra dos materiais de R$ 1,20 para R$ 0,90 (objetivo). Para que isso possa acontecer, é necessário avaliar possíveis variáveis, que no nosso caso é manter a qualidade de entrega do produto e não aumentar o estoque de matérias-primas (condições de contorno). As estratégias de ação (linhas mestras), ou seja, como o objetivo vai ser colocado em prática, pode ser executado a partir de parcerias com melhores fornecedores, bem como na diminuição da quantidade desses mesmos fornecedores – direcionando o relacionamento com poucos, mas importantes, além de realizar as compras com maior qualidade e menor preço. Compreendendo o significado de “gerenciar” e de “diretriz” separadamente, iremos estudar agora como podemos aplicar e a importância do “gerenciamento das diretrizes”. 1.2. Gerenciamento das diretrizes: aplicação, etapas e desdobramento “O gerenciamento pelas diretrizes é um sistema administrativo, praticado por todas as pessoas da organização, que visa garantir a sobrevivência da organização à competição” (TURRIONI, 1995, p. 333), por meio do estabelecimento da visão estratégica e do direcionamento da GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 75| prática das atividades. Por meio do gerenciamento das diretrizes procura-se criar condições para o gerenciamento das prioridades da organização no dia a dia, articulando áreas de ação, modos de atuação, responsabilidades e recursos, além dos tempos. Figura 03: Estrutura analítica da articulação. Diretriz Responsabilidades e recursos Áreas de ação Modos de atuação Tempos Fonte: Elaborada pelo autor. Destaforma, o que se busca com o “gerenciamento das diretrizes” é servir de orientação para a empresa e estabelecer consenso (harmonia) entre suas diferentes áreas e profissionais, e deve ser aplicada a partir de quatro etapas: Quadro 02: Etapas do gerenciamento de diretrizes. Estabele- cimento da política de qualidade Nesta etapa, busca-se estabelecer a política da qualidade, que é a base para a aplicação do gerenciamento das diretrizes. Estas são estabelecidas através de quatro parâmetros: 1 - visão da equipe ge- rencial, 2 - análise da situação competitiva, 3 - análise do ambiente tecnológico, e 4 - oportunidades de mercado. Definição de uma “estraté- gia” de manufatura A estratégia de manufatura é o conjunto de ações que vão ser estabelecidas para o atingimento da política de qualidade. Esta não pode atrapalhar os funcionários através de falsas expectativas, já que deve estar baseada em métodos que sejam adequados à realidade da empresa. Coleta e aná- lise de fatos e dados Esta etapa aborda a coleta de dados e a sua análise com o objetivo de selecionar adequadamente as prioridades na aplicação dos métodos estabelecidos. O objetivo aqui é detectar pontos em que a aplicação correta dos métodos acelera o atingimento da Política da Qualidade, buscando orientar os esforços de cada um. Planejamento dos alvos e meios Nesta etapa, são estabelecidos os parâmetros que permitirão a avaliação do atingimento da política da qualidade estabelecida – com base no que foi realizado nas três etapas anteriores. A defi- nição dos alvos a serem atingidos e dos meios a serem utilizados deve dar prioridade às observações feitas nas fases anteriores, e resulta da contínua negociação entre os níveis de gerenciamento da empresa. Fonte: TURRIONI, 1995 (Adaptado). 76 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Segundo Turrioni (1995), o gerenciamento de diretrizes trata dos resultados e dos meios para atingi-los (considerando como ponto primordial as correlações entre os resultados), de focalizar os fatores críticos para o êxito, (entre as quais se destaca o atingimento da satisfação dos clientes), além de permitir a implementação das diretrizes tanto de “cima para baixo” quanto de “baixo para cima”. Logo, o comportamento dos gestores, que pode se propagar pela empresa, tem enorme potencial para gerar desdobramentos (ou benefícios) a partir do momento que o gerenciamento de diretrizes é pensado, implementado e também avaliado. Esses desdobramentos podem ser representados pela sigla IDEIA, onde temos: • Incentivar a geração de ideias; • Desenvolver iniciativas de melhoria que apresentem resultados sig- nificativos, mesmo a curto prazo; • Estabelecer o consenso na organização em relação aos objetivos de melhoria; • Intensificar contatos; • Assegurar a coerência entre diretrizes e ações por meio da cadeia de comando, tornando possível controlar as atividades de melhoria no dia a dia. Saber identificar os desdobramentos que surgirão do gerenciamento das diretrizes permite mensurar (medir) com maior grau de certeza quais as consequências de se organizar uma diretriz através dos esforços dos funcionários, além de propiciar um ambiente voltado para a constante melhoria dos processos de qualidade. 1.3. Desdobramento das Prioridades da Organização – DEPRO É o sistema que serve para monitorar continuamente os resultados que levam a atingir os objetivos propostos para a realização do desdobramento das diretrizes, utilizando vários conjuntos de diagramas de causa e efeito, associados a uma etapa do desdobramento das diretrizes. Esses desdobramentos, quando realizados, dividem os objetivos em objetivos menores. Realizar o desdobramento das diretrizes implica estabelecer um planejamento estratégico sincronizado com a gestão diária, trabalhando ações da grande estratégia em pequenas partes com detalhes. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 77| MATERIAL COMPLEMENTAR Estudo de caso No ano de 2010, uma indústria estabelecida na Região Metropolitana da Bahia, do setor de calçados, produtora de tênis esportivos para competição, apli- cou o gerenciamento das diretrizes em sua unidade. A diretriz oriunda da alta direção era de aumentar a capacidade produtiva em pelo menos 45% no período de um ano, com a linha mestra de utilizar o sistema TQM e tendo como condi- ções de contorno a não realização de investimentos em novos equipamentos e a manutenção da operação em dois turnos de trabalho. O desdobramento desta diretriz indicou a área de melhoria de aumento da eficiência de utilização dos equipamentos, e o macroindicador de desempenho escolhido foi o OEE (eficiência global dos equipamentos). O desdobramento da área indicou três famílias de equipamentos como áreas de melhoria operacional, cuja apuração dos resultados indicavam um OEE de 45, 60 e 70 para cada uma das famílias. O plano de ação para a primeira família, com OEE de 45, teve como objetivo levantar o valor desse indicador para um valor acima de 78, buscando concentrar-se na redução do tempo de set-up de 3 horas por lote de produção para no máximo 30 minutos. Já o plano de ação para a segunda família, com OEE 60, teve como objetivo levantar esse índice para 80, acelerando a velocida- de de produção das máquinas. Por fim, a terceira família, que tinha OEE 70, tinha como objetivo diminuir os gastos com manutenção corretiva. Através destas intervenções a empresa pôde alcançar os objetivos da diretriz estabelecida, eliminando a necessidade de mais de 2 turnos de trabalho (Adaptado de CARVALHO, 2017). 2. gerenciamento por processos 2.1. Introdução A substituição do trabalho do homem pelas máquinas, através da Revolução Industrial, acelerou o ritmo de produção e trouxe, como consequência, um crescimento exponencial (contínuo) na produtividade. A evolução da administração, inicialmente com as teorias de Taylor e Fayol, proporcionou uma preocupação dos gestores em organizar o processo produtivo. Tinha-se a ideia que o ótimo de cada área conduziria ao ótimo da empresa como um todo. O que não era necessariamente verdade. 78 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Considerando o alto nível de competitividade e o natural amadurecimento do mercado, tornou-se fundamental para as empresas não somente olhar cada área isoladamente, mas buscar integrá-las e organizá- las. Atualmente, os gestores passaram a adotar a gestão por processos como um instrumento contínuo de gestão como um meio de proporcionar vantagem competitiva. Mas, antes de abordarmos o que é gestão por processo, é necessário entendermos o que é um processo. Figura 04: Um processo bem definido e organizado contribui para atividades realizadas com sucesso. Fonte: <http://bit.ly/2GmaOGj>. Um processo é um conjunto ordenado de atividades de trabalho, no tempo e espaço, com início, meio e fim, além de entradas e saídas bem definidas. Desta forma, ao falarmos em gestão por processo, estudaremos como tratar a organização desses processos de maneira a beneficiar a empresa como um todo. 2.2. Gestão por processo ...Toda empresa realiza várias atividades que levam à produção de alguns resultados específicos... Toda empresa realiza várias atividades que levam à produção de alguns resultados específicos. Essas mesmas atividades, quando organizadas em conjunto, podem ser entendidas como processos, que, de forma integrada e conectada, funcionam para atingir os objetivos determinados no planejamento (seja ele estratégico, tático ou operacional). GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 79| Figura 05: Os planejamentos dos setores estratégico, tático e operacional devem convergir para se alcançar os objetivos organizacionais. Fonte: <http://bit.ly/2GjQTXf>. Logo, para buscar o sucesso, a empresa precisa aproveitar por completo os recursos disponíveis, como pessoas, equipamentos e tecnologias; caso contrário, por melhor que sejam a estrutura e as pessoas, sem processos claros e simples, e sua consequente gestão, a empresa perderáprodutividade, competitividade e poderá fechar as portas. Sendo assim, a gestão por processos (GP), ou Business Process Management (BPM), é uma abordagem sistemática de gestão que potencializa diretamente o desempenho da organização, buscando a excelência organizacional e a agilidade nos negócios (REPÚBLICA, 2013). A gestão por processos (GP) permite a análise, definição, execução, monitoramento e administração com mais cuidado e atenção, incluindo o suporte para que as pessoas possam interagir – também com o auxílio da tecnologia. É possível destacar alguns benefícios que surgem a partir da gestão por processos (ENDEAVOR BRASIL, 2015): • Concentrar o foco no que realmente interessa: o trabalho; • Implementar uma sólida e forte estratégia organizacional; • Conferir agilidade às atividades e flexibilidade para a empresa; • Facilitar a gestão através de indicadores de desempenho; • Criar métodos para a aplicação de abordagens inovadoras; • Facilitar a gestão do conhecimento na empresa e a gestão de com- petências. 80 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Os benefícios só são possíveis quando a empresa, através de seus funcionários, consegue identificar com clareza os problemas, neste caso os processos que são críticos. 2.2.1. Identificação dos processos críticos Os processos são críticos quando apresentam problemas, ou seja, quando não funcionam quando deveriam funcionar. Portanto, é fundamental que a empresa esteja atenta às possíveis causas do problema em um processo para que possa agir rapidamente. Um processo é considerado crítico quando tem pelo menos uma dessas características: Figura 06: Características que classificam um processo como crítico. Afetam o funcionamento da empresa Risco elevado Envolve o cliente Fonte: SECAF, 2018 (Adaptada). O primeiro aspecto que podemos comentar é o risco elevado. Um processo pode ser considerado crítico quando ele oferece riscos acima do aceitável para a empresa, já que seus efeitos prejudiciais podem ser de natureza financeira, jurídica ou operacional. Para deixar claro, podemos citar, como exemplo, o transporte de mercadorias. Ao longo das décadas, quadrilhas se especializaram em roubo de cargas nas rodovias do Brasil, deixando as empresas, que dependem deste tipo de transporte para realizar uma entrega ao cliente, expostas a um risco muito grande. O segundo aspecto trata de riscos que afetam o funcionamento da empresa, pois com eles o negócio é incapaz de exercer suas atividades. Vamos utilizar como exemplo uma determinada linha de ônibus. Imagine que todos os motoristas da frota dessa empresa entrem em greve. Isso ocasionará em um bloqueio operacional, ou seja, será inviável a circulação dos ônibus devido aos motoristas que não querem trabalhar. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 81| O terceiro e último aspecto envolve o cliente. O contato direto entre o produto (bens ou serviços) e o cliente pode se tornar um processo crítico e ser significativamente prejudicial para a empresa se ela o negligenciar (não prestar atenção). Imagine que você é dono de uma livraria virtual e no período de final de ano recebeu diversas encomendas – muitas delas com prazo para chegar antes do natal. Contudo, os correios entraram em greve, comprometendo sua credibilidade. Você não tem como controlar, mas pode se preparar e definir planos alternativos para não deixar de atender os clientes. Conhecendo quais são as características de um processo crítico é possível identificá-lo e traçar estratégias adequadas que melhorem a produtividade e a qualidade dos produtos/serviços oferecidos pela empresa. 2.2.2. Mapeamento dos processos O mapeamento dos processos permite visualizar a complexidade do processo, bem como de suas etapas, descrevendo seu funcionamento, e tem a finalidade de ajudar o que já existe ou de implantar uma nova estrutura de processos. Segundo Campos e De Lima (2012), o objetivo do mapeamento dos processos “é buscar um melhor entendimento dos processos de negócios existentes e dos futuros para melhorar o nível de satisfação do cliente e aumentar o desempenho do negócio”. Além desses objetivos é possível destacar documentação e padronização clara de processos existentes, e a sua utilização como suporte de treinamento e integração de novos servidores e como avaliação de padrões e conformidades. Até aqui tudo bem? Mapear um processo, resumindo, é poder identificar os acertos e erros e, consequentemente, saber onde pode melhorar. Identificar esses acertos e erros envolve a utilização de técnicas, tais como entrevistas, questionários, reuniões, observações de campo, análise da documentação existente, análises dos sistemas utilizados e a coleta de evidências. É importante destacar que a gravidade do processo, e sua tendência de agravamento, a urgência necessária para resolver a situação, bem como prazos, locais de execução, planejamento, acompanhamento e avaliação devem ser levados em consideração no momento de mapear um processo. Tudo isso para trazer melhoria para um determinado processo. 82 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 2.2.3. Melhoria do processo A partir do momento em que entendemos o que é gestão e processo separadamente, torna-se fácil a compreensão do que seja gestão do processo e suas implicações para a empresa. Este entendimento permite à empresa aprender com seus erros e potencializar (ou expandir) seus acertos, graças às modificações e melhorias. A melhoria de processos consiste na análise do processo como se encontra atualmente, verificação de ineficiências e a buscar realizar atividades que podem ser feitas de uma forma melhor, com o objetivo de definir: 1 – Metas, 2 – Fluxo de trabalho, 3 – Controle e 4 – Integração com outros processos. Segundo Veyrat (2016), é possível destacar quatro elementos fundamentais, após um adequado mapeamento do processo, que podem surgir como benefícios para a empresa: Figura 07: Benefícios importantes ao mapear um processo com eficácia. PROCESSO Fidelização dos clientes Atividades que agregam valorSistemas integrados Fim dos gargalos Fonte: VEYRAT, 2016 (Adaptada). Os gargalos são pontos em que as tarefas se acumulam e atrasam o fluxo do processo, e por isso devem ser analisados para que o problema seja solucionado. Quando abordamos o fator relacionado ao cliente, devemos entender que suas experiências precisam ser plenas e satisfatórias, já que seu julgamento influencia a percepção de outros clientes. As atividades precisam agregar valor, ou seja, precisam realmente ser importantes para que os funcionários possam executá-las. Logo, aquelas atividades que agregam valor devem ser melhoradas ao máximo, enquanto GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 83| aquelas que não agregam valor precisam ser eliminadas. Por fim, o fator referente aos sistemas reflete a sua interação em relação às informações da empresa, e que as mesmas sejam confiáveis. Buscar a melhoria contínua de processos, nos dias atuais, não é apenas mais uma vantagem das empresas sobre seus concorrentes, mas um dever para manter-se produtiva, competitiva e sempre inovando para o cliente. PRATIQUE 1. Como o conceito de gerenciamento pode ser importante para a empresa? Explique. 2. Explique o que é o gerenciamento das diretrizes. 3. Cite dois desdobramentos (ou benefícios) do gerenciamento das diretrizes. 4. Como a gestão por processos pode ajudar a empresa a ser mais competitiva? 5. Cite e explique os fatores que tornam um processo crítico. 6. Cite e explique dois benefícios de se mapear um processo corretamente. 84 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 3. gerenciamento da rotina 3.1. Introdução Uma organização possui um modelo de gestão próprio, práticas bem definidas, processos diversos e vários perfis de funcionários, e isso tudo influencia a sua cultura. Figura 08: A gestão de rotina é uma maneira de minimizar diversos problemas que podem surgir nas atividades da empresa, especialmente a falta de tempo. Fonte: <http://bit.ly/2MZVQq9>.Com a proposta de diminuir os diversos problemas que podem surgir em suas atividades cotidianas, bem como minimizar a competitividade do mercado e suas mudanças, as organizações devem adotar maneiras que façam parte da sua cultura e que tragam consequências positivas. Uma dessas maneiras é através da gestão da rotina. 3.2. Gestão da rotina A rotina, para muita gente, significa desempenhar as mesmas tarefas do mesmo jeito – ocasionando cansaço físico e mental. A repetição de algo é visto com um certo desinteresse, o que não deixa de ser verdade, mas não é a única verdade. A rotina, entendida como um caminho que é normalmente utilizado ou o hábito de fazer algo da mesma forma, permite compreender profundamente determinada tarefa a ponto de evitar problemas ou de resolvê- los rapidamente quando eles aparecem. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 85| Sendo assim, a gestão da rotina é uma maneira de nortear (orientar) as ações realizadas pelos funcionários de uma empresa, para que eles entendam suas responsabilidades e que possam cumprir suas funções com excelência. Desta forma, a empresa pode conquistar melhoria contínua, qualidade, diminuição dos custos e satisfação dos stakeholders (as partes interessadas no negócio). “O gerenciamento da rotina permite que profissionais da base sejam capazes de resolver problemas do dia a dia e de minimizar a sobrecarga de supervisores e gerentes” (FALCONI, 2018), garantindo os resultados esperados de cada processo. Além disso, este tipo de gerenciamento é essencial para garantir a melhoria contínua e para garantir a qualidade de entrega ao cliente. 3.2.1. Campo e condições de aplicação Com o ritmo de trabalho ficando cada vez mais intenso, e até estressante, o tempo de cada atividade realizada dentro da empresa deve ser pensado para otimizar seu desempenho geral, gerar um comportamento de inovação e atender as demandas no prazo adequado. Contudo, alguns elementos podem reduzir a produtividade e ocasionar baixa qualidade de serviços e produtos, sem contar na diminuição e lentidão operacional. É possível destacar três destes elementos: Figura 09: Tríade de redução da produtividade. Má definição de prioridades Falta de foco Procrastinação Fonte: Elaborada pelo autor. 86 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| A procrastinação é a ação ou o comportamento de adiar alguma coisa, com ou sem motivo aparente. Ela faz com que a empresa tenha uma gestão da rotina devido às perdas de prazo, de vendas e, principalmente, de reputação da empresa. Adiar, quando a ação deveria ser fazer, aumenta as chances de incertezas e de falhas no planejamento inicial. Já em relação à falta de foco, é possível que a empresa querendo fazer tudo, acabe não fazendo nada, pois falta uma prioridade. A prioridade permite que a empresa direcione suas energias para uma atividade que vai realmente trazer algo de bom, e não se distraia com coisas ou ações que vão trazer poucos ganhos ou até nenhum. Por fim, já que falamos em prioridade, ela também pode ser um problema quando não é bem definida. Toda ação que a empresa realiza é um gasto de esforços e de recursos – como tempo, dinheiro, matérias-primas e pessoas –, e uma prioridade mal definida atrasa o alcance das metas e atrapalha a capacidade competitiva. Por isso, é importante estratégias que visam melhorar a aplicação da gestão da rotina para impulsionar a qualidade na performance das equipes em superar os desafios que se apresentam no cotidiano. 3.2.2. Metodologia para aplicação Qualquer processo de gestão que tenha por objetivo levar uma empresa ao sucesso precisa ser fundamentado em um método consistente, que direcione o empenho dos funcionários e que, obviamente, tenha ótimos resultados. Desta forma, todos os envolvidos sabem qual caminho, o porquê devem executá-lo e como devem reagir diante dos problemas. Figura 10: A aplicação direcionada de energia contribui para atingir os objetivos, como um corredor faz numa maratona. Fonte: <http://bit.ly/2RTQAoF>. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 87| A gestão da rotina possibilita garantir que as tarefas produzam os resultados esperados pelos clientes internos e externos, eliminando o retrabalho (fazem novamente um certo trabalho por ter ficado mal feito) e redundâncias, além de possibilitar adequar o tempo e dimensionar o número de pessoas necessárias para que os objetivos sejam alcançados - sem que haja sobrecarga de trabalho em uma ou poucas pessoas. Para isso acontecer, é necessário ter uma metodologia de aplicação da gestão da rotina, ou seja, um passo a passo de como concretizá-la na empresa: Quadro 03: Passo a passo para desenvolver a gestão da rotina em uma empresa. Padronizar os processos. A alta administração da empresa deve unir as demandas da organização e verificar as práticas dela. Identificação de processos mal executados. Através desta identificação é possível determinar quais processos precisam mais do gerenciamento da rotina. Definição de metas para processos críticos. Um problema quando existe devemos buscar resolvê-lo logo. Sendo assim, qualquer processo crítico deve, para uma rápida solução, ter metas claras para serem atingidas. Capacitação da equipe. As pessoas precisam ser treinadas para entender e aplicar a gestão da rotina. Monitoramento dos resultados. Monitorar os resultados permite a empresa corrigir ações que não estão em conformidade. Avaliação e correção. Todo processo precisa ser avaliado para entender melhor o que se faz, e se for o caso, corrigir o que não está bom. Busca pela excelência. Perfeição é a busca de muitas empresas, que se traduz na excelência de um produto ou serviço. Fonte: Elaborado pelo autor. A realização correta pode acarretar em resultados positivos para a empresa, que, segundo Falconi (2018), podem ser compreendidos em: • Aumento da produtividade e garantia de processos estáveis e padronizados; • Aumento da satisfação dos clientes internos e externos; • Procedimentos gerenciais e operacionais padronizados; • Maior previsibilidade das operações; • Aumento da eficácia e eficiência operacional; • Redução dos acidentes no trabalho. 88 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| A implementação do gerenciamento de rotina nem sempre ocorre facilmente, pois ele exige a aplicação de novas práticas e ferramentas e nem sempre os colaboradores estão abertos às mudanças e adaptações necessárias. Portanto, o líder é imprescindível nesse processo, pois ele será a pessoa que trabalhará em prol do envolvimento da equipe, apresentando as modificações necessárias e promovendo o relacionamento interpessoal, para que ela se comprometa com a organização, desenvolva um trabalho de excelência e alcance os melhores resultados para a empresa. PRATIQUE 7. Quando você ouve falar na palavra “rotina”, você pensa em coisa boa ou coisa ruim? Explique. 8. Explique, com suas palavras e com base no que foi estudado, o que é a ges- tão da rotina. 9. Cite e explique os três fatores básicos que conduzem uma empresa a pensar em adotar um gerenciamento da rotina. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 89| 10. Cite e explique dois benefícios que a empresa pode obter com a gestão da rotina. RELEMBRE Estudamos, nesta unidade, o gerenciamento das diretrizes, dos proces- sos e da rotina. Gerenciamento é a ação ou o comportamento de planejar e organizar alguma atividade que tem potencial de gerar lucro ou de aumentar a reputação da empresa. A partir deste entendimento, vimos que uma diretriz proporciona para os funcionários orientação para realizar suas atividades diárias. Quando abordamos os processos foi possível verificar que eles são um conjunto de atividades que precisam ser padronizados e avaliados, pois processos que não ocorrem adequadamente podem ocasionar prejuízo para a empresa. Por fim, tratamos a rotina não como algo ruim e cansativo, mas como algo necessário para o entendimento das atividades pelos profissionais e pela real compreensão dessasatividades e suas conexões. Referências CAMPOS, Renata Alves; DE LIMA, Sandra Maria Peron. Mapeamento de processos: importância para as organizações. 2012. Disponível em: <http://www.venki.com.br/blog/tecnicas-mapeamento-analise-melhoria- processos/>. Acesso em: 24 dez. 2018. 90 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| CARVALHO, Marly Monteiro de; PALADINI, Edson Pacheco (Org.). Gestão da Qualidade: teoria e casos. 3. ed. São Paulo: Elsevier, 2017. ENDEAVOR BRASIL. Gestão de processos: quando o seu objetivo é otimização de resultados. 2015. Disponível em: <https://endeavor.org.br/ operacoes/gestao-processos/>. Acesso em: 21 dez. 2018. FALCONI. (Brasil). Gerenciamento da rotina. Disponível em: <https://www. falconi.com/flcn_solution/gerenciamento-da-rotina/>. Acesso em: 26 dez. 2018. MARQUES, José Roberto. O que significa gerenciar? 2016. Disponível em: <https://www.jrmcoaching.com.br/blog/o-que-significa-gerenciar/>. Acesso em: 18 dez. 2018. ______. Entenda o que é gerenciamento de rotina e como implementar o conceito na sua gestão. 2017. Disponível em: <https://www.ibccoaching. com.br/portal/empreendedorismo/entenda-o-que-e-gerenciamento-de-rotina- e-como-implementar-o-conceito-na-sua-gestao/>. Acesso em: 27 dez. 2018. PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA. Manual de Gestão por Processos. Brasília: MPF/PGR, 2013. Disponível em: <http://www.mpf. mp.br/conheca-o-mpf/gestao-estrategica-e-modernizacao-do-mpf/escritorio- de-processos/publicacoes/livros/manualdegestaoporprocessos.pdf>. Acesso em: 21 dez. 2018. QUECONCEITO (Brasil). Conceito de gerenciamento. Disponível em: <https://queconceito.com.br/gerenciamento>. Acesso em: 18 dez. 2018. SECAF, Jorge. Processos críticos de uma empresa: definição, importância e como identificá-los. 2018. Disponível em: <https://www.setting.com.br/blog/ processos/processos-criticos-de-uma-empresa/>. Acesso em: 23 dez. 2018. TURRIONI, João Batista. Gerenciamento pelas diretrizes e o gerenciamento por objetivos: uma análise comparativa. Gestão & Produção, São Paulo, v. 2, n. 3, p.331-338, dez. 1995. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/gp/ v2n3/a07v2n3.pdf>. Acesso em: 21 dez. 2018. VEYRAT, Pierre. 3 Técnicas de mapeamento, análise e melhoria de processos. 2016. Disponível em: <http://www.venki.com.br/blog/tecnicas- mapeamento-analise-melhoria-processos/>. Acesso em: 25 dez. 2018. Rua Coletor Antônio Gadelha, Nº 621 Messejana, Fortaleza – CE CEP: 60871-170, Brasil Telefone (85) 3033.5199 w w w .U ni AT EN EU .e du .b r Gestão da Qualidade e Produtividade Autoria Ricardo Verçoza Mendes Gestão da Qualidade e Produtividade SEJA BEM-VINDO! Reitor: Prof. Cláudio Ferreira Bastos Pró-reitor administrativo financeiro: Prof. Rafael Rabelo Bastos Pró-reitor de relações institucionais: Prof. Cláudio Rabelo Bastos Pró-reitora acadêmica: Profa. Flávia Almede de Almeida Direção Nead: Prof. Ricardo Zambrano Júnior Coordenação Nead: Profa. Luciana Rodrigues Ramos Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, total ou par- cialmente, por quaisquer métodos ou processos, sejam eles eletrônicos, mecânicos, de cópia fotos- tática ou outros, sem a autorização escrita do possuidor da propriedade literária. Os pedidos para tal autorização, especificando a extensão do que se deseja reproduzir e o seu objetivo, deverão ser dirigidos à Reitoria. ExpEdiEntE Ficha técnica Autoria: Rcardo Verçoza Mendes Supervisão de Produção Nead: Francisco Cleuson do Nascimento Alves Design instrucional: Antonio Carlos Vieira Projeto gráfico e capa: Francisco Erbínio Alves Rodrigues Diagramação e tratamento de imagens: Jocivan de Castro Costa Revisão textual: Claudiene Braga Ficha catalográFica catalogação na publicação bibliotEca cEntro univErsitário atEnEu MENDES, Ricardo Verçoza. Gestão da qualidade e produtividade. / Ricardo Verçoza Mendes. – Fortaleza: Centro Universitário Ateneu, 2019. 124 p. ISBN: 1. Gestão da qualidade. 2. Sistema de normalização. 3. Diretrizes, processos e ro- tinas. 4. Ferramentas de gestão da qualidade. Centro Universitário Ateneu. II. Título. SEJA BEM-VINDO! Caro estudante, temos a alegria de apresentar o material didático da disciplina Gestão da Qualidade e Produtividade. Ao ler e estudar por esse material, você terá condições de responder às atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. Este livro está dividido em quatro unidades de acordo com a ementa da disciplina. Os estudos serão iniciados com o histórico da gestão da qualidade, com seus estágios de desenvolvimento e os autores importantes que pensaram a qualidade – contribuindo para sua definição e compreensão. Posteriormente, iremos estudar como a gestão da qualidade tem função estratégica para as empresas atualmente, colaborando para sua liderança e excelência. Em seguida, iremos analisar a importância de um sistema de gestão baseado em normas e procedimentos para se criar produtos e serviços com padrão e com qualidade. Por fim, estudaremos como a rotina pode ser importante para compreender e aplicar a qualidade na gestão, como as ferramentas podem ajudar a criar um método fácil e objetivo na gestão da qualidade e como o setor de serviços se torna mais eficiente e competitivo com boas práticas de qualidade – tudo para beneficiar o cliente. Nosso objetivo não é esgotar todo o assunto, mas lhe despertar a curiosidade para procurar outras fontes de conhecimento além deste livro (como textos, artigos e vídeos), de forma a estar sempre atualizado sobre os temas estudados aqui. Através do estudo dos temas contidos neste material didático, você estará apto para corresponder às exigências solicitadas nos trabalhos acadêmicos e compreender seus impactos na vida em sociedade – já que a qualidade se faz presente em qualquer espaço social e humano. Bons estudos! SUMÁRIO CONECTE-SE ANOTAÇÕES REFERÊNCIAS Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem e significam: SUMÁRIO 1. A história da gestão da qualidade............................ 8 2. Um olhar estratégico para a qualidade .................. 16 3. Gestão da qualidade total e modelos de excelência em desempenho organizacional .......... 21 Referências ............................................................... 28 01 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DA GESTÃO DA QUALIDADE 1. Modelo seis sigma ................................................. 32 2. Sistema de normalização na gestão: evolução, conceitos e certificações (ISO 9001; ISO 14001 e TS 16949) ................................................ 42 3. Controle estatístico de processo............................ 49 4. ISO 9001 e o controle estatístico ........................... 58 5. Qualidade e sustentabilidade: sistemas integrados de gestão ............................................. 58 Referências ............................................................... 67 02 SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO NA GESTÃO: CONCEITOS, NORMAS E CRITÉRIOS PARA A PRÁTICA DA QUALIDADE 1. Abordagem econômica da qualidade .................... 92 2. Ferramentas para a gestão da qualidade .............. 95 3. Qualidade no setor de serviços ........................... 116 Referências ............................................................. 121 04 QUALIDADE DO SERVIÇO PRESTADO E FERRA- MENTAS DE GESTÃO DA QUALIDADE 1. Gerenciamento das diretrizes ............................... 72 2. Gerenciamento por processos ............................... 77 3. Gerenciamento da rotina ....................................... 84 Referências ............................................................... 8903 A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO PARA A DE- FINIÇÃO DE DIRETRIZES, PROCESSOS E ROTINAS Apresentação Bem-vindo a nossa última unidade! Nossa caminhada foi longa, trabalhosa e produtiva! Estudamos a história da qualidade e sua evolução, seus métodos e práticas que ajudam a empresa a ser mais competitiva, e o surgimento de normas que orientam o desempenho e o comportamento das pessoas.Diante disso tudo, precisamos avaliar os impactos econômicos para a empresa, até porque é preciso saber mensurar (medir) corretamente os efeitos de tudo o que a empresa faz, inclusive sobre ações de qualidade. Saber medir corretamente envolve ter consciência do custo daquilo que está dando certo e daquilo que está dando errado, para gerar um aprendizado que diminua os custos com qualidade. Após analisarmos estes custos, e entendê-los, estudaremos um outro grupo de ferramentas, desta vez direcionadas para a gestão da qualidade na empresa, entendendo suas características e aplicações para melhor aproveitamento e, consequentemente, melhores chances de atingir os objetivos determinados. Por fim, iremos analisar as consequências da qualidade no setor de serviços, relacionando a capacidade que a empresa tem de fidelizar o cliente com sua disposição para atender as suas expectativas. O mercado competitivo da atualidade faz com que as empresas deem uma atenção especial ao serviço oferecido, já que o cliente pode rapidamente mudar de opinião sobre a qualidade do que é oferecido, e pior, pode compartilhar nas redes sociais – influenciando clientes atuais e potenciais clientes. Unidade 04 qualidade do serviço prestado e ferramentas de gestão da qualidade 92 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender os impactos econômicos gerados pela qualidade; • Compreender a qualidade no setor de serviços como elemento de retenção do cliente; • Estudar o que são as ferramentas da qualidade e para que servem; • Analisar as aplicações das ferramentas para a gestão da qualidade. 1. abordagem econômica da qualidade 1.1. Generalidades e introdução Para uma empresa existir, bem como crescer e competir, é necessário que existam clientes (ou usuários) dispostos a comprar (com uma certa regularidade) seus produtos e serviços. E para que estes mesmos clientes/ usuários estejam dispostos a comprar, é necessário que os produtos e serviços oferecidos sejam competitivos, isto é, que tenham qualidade e custo, e que mostrem vantagem em relação aos seus concorrentes. Logo, a devida aplicação da gestão da qualidade possibilita a empresa conquistar essa vantagem em relação aos concorrentes, manter-se competitiva e, como consequência, gerar lucro. Por se tratar da aplicação de um conjunto muito diversificado de instrumentos, e de práticas muito específicas para um determinado setor/área, demanda dos gestores uma clara definição das prioridades, de modo que sejam adotadas ações que tragam um resultado mais eficaz. Figura 01: Definir metas claras para emagrecer ajuda a alcançar o objetivo, assim como na gestão da qualidade. Fonte: <http://bit.ly/2RU0HK5>. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 93| Um resultado eficaz só é possível através da utilização de métricas (referência de medidas) bem escolhidas que devem levar em conta a redução dos custos e a melhoria das margens de lucro alcançadas através da gestão da qualidade. “Para isso, é necessário identificar a composição de custos do empreendimento em termos de cada processo sendo executado na empresa, colocando em evidência os custos das perdas existentes nesses processos, em geral ocultos na contabilidade” (LINS, 2001, p. 3). Estes custos, que nada mais são do que os procedimentos e/ou ferramentas (alguns até já estudados), também são compreendidos como “custos de conformidade” e determinam se o produto/serviço está dentro do padrão esperado; caso contrário, a inexistência desse padrão pode acarretar em falhas (não conformidades). Sendo assim, torna-se fundamental entender quais são os elementos que formam os custos da qualidade para identificar e avaliar corretamente o que está afetando negativamente (como retrabalho, matéria-prima de má qualidade, atraso na entrega do fornecedor ou problemas constantes no maquinário da produção) os custos para a empresa. 1.2. Custos da qualidade “Os custos da qualidade são os custos relacionados com a avaliação e prevenção de não conformidades de um processo, produto ou serviço” (ACC ENGENHARIA DE MEDIÇÃO, 2016), e abordá-los é entender que fazer certo é um tipo de custo, e que fazer errado é outro tipo de custo. Como assim? Dentro de qualquer realidade, e em qualquer empresa, sempre vai existir acertos e falhas e, independente do que acontecer, tudo gera um custo para a empresa. É claro que diante de uma certa atividade o que se espera é que o profissional possa fazê-la corretamente, eliminando a possibilidade de erro. Mas isso nem sempre acontece. Sendo assim, podemos compreender que existem dois grandes grupos de custos: “custos de conformidade” (custos de prevenção) e “custos de não conformidade” (custo de análise e falhas). Segundo Batista (2016), os “custos de conformidade” estão associados a tudo referente a produzir produtos e serviços dentro de certas especificações (o que também envolve pensar o planejamento); por sua vez, os “custos de não conformidade” são aqueles associados a algum tipo de ineficiência do processo. 94 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Quadro 01: Detalhamento dos custos da qualidade. GRUPOS CATEGORIA EXEMPLOS Custos de Conformidade Custos de avaliação da qualidade Inspeções, ensaios e testes; Verificação e validação de projetos; Controle de processos; Autorias em geral. Custos de preven- ção da qualidade Planejamento para a qualidade; Critérios e especificações; Análise de capacidade de processos; Manutenção preventiva; Treinamento; Qualificação de sistemas da qualidade. Custos de Não Conformi- dade Custos de falhas internas Perdas de material e de serviços; Correções e retrabalhos; Estoque de material defeituoso; Custos de devoluções de insumos. Custos de falhas externas Descontos; Devoluções de produtos e recalls; Manutenção na garantia; Indenizações e custos processuais; Desgaste da imagem. Fonte: LINS, 2001 (Adaptado). Para facilitar o entendimento, podemos detalhar esses dois grupos (custos de conformidade e custos de não conformidade) em quatro categorias: 1 - custos de avaliação da qualidade, 2 - custos de prevenção da qualidade, 3 - custos de falhas internas e 4 - custos de falhas externas (LINS, 2001). Os custos de avaliação da qualidade são relativos àqueles procedimentos (de inspeção, teste ou auditoria) que têm por objetivo avaliar o nível da qualidade do produto ou serviço, referentes à infraestrutura laboratorial e manutenção de equipamentos, por exemplo. Já os custos de prevenção da qualidade são os custos de procedimentos destinados a reduzir os custos de falhas ou de avaliação, como custos com planejamento e treinamento, por exemplo. Por sua vez, os custos de falhas internas são os custos referentes aos defeitos identificados antes da entrega do produto/serviço ao cliente, ou de seu lançamento no mercado, como estoque de matéria-prima defeituosa e retrabalho (repetição de operações do processo produtivo). E, finalmente, os custos de falhas externas são os custos decorrentes de falhas ocorridas após a comercialização do produto ou serviço, tais como custos GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 95| de manutenção na garantia e concessões ao cliente, por exemplo. O custo total da qualidade (CQ), segundo Lins (2001), é um somatório dos grupos de custos – custos da conformidade (COC) e custos de não conformidade (CONC): CQ = COC + CONC. Um equilíbrio entre o custo da conformidade e o custo da não conformidade é o que deve ser obtido para que possa ser minimizado o custo total da qualidade, evitando-se uma atitude desleixada com a qualidade, buscando com empenho uma atitude perfeccionista: Uma atitude desleixada com a qualidade gera gastos consi- deráveis com a não conformidade: retrabalhos, desperdícios, atrasos e uma possível consequência na imagem da empresa. Quanto mais desleixada a atitude com a qualidade maior serão os custos da não conformidade. Nesse contexto, um pequeno investimento em qualidade pode reduzir muito os custos de não conformidade.No outro lado, uma atitude “perfeccionista” com a qualidade, que busca 100% de produtos dentro das especifi- cações gera um aumento considerável nos custos da qualidade sem uma grande redução nos custos da não qualidade (ACC ENGENHARIA DE MEDIÇÃO, 2016). Diante de um mercado cada vez mais concorrido, é papel dos gestores identificar e eliminar essas atitudes desleixadas com a qualidade para evitar perda de produtividade e de competitividade. Desta forma, cria-se na empresa uma cultura de comprometimento com a qualidade, estimulando a inovação e a correção de erros antes de maiores danos. Segundo Robles Jr. (1996 apud OLIVEIRA, 2004), torna-se importante medir a qualidade pelos seus custos, pois é possível identificar a perda da empresa com a falta de qualidade, fixar os objetivos e os recursos para treinamento dos profissionais, facilitar a elaboração do orçamento de custos da qualidade, aumentar a produtividade por meio da qualidade, entre outros fatores que afetam diretamente a capacidade de competitividade da empresa. 2. ferramentas para a gestão da qualidade 2.1. Características gerais Para gerenciar os processos (as atividades da empresa) e, sobretudo, para tomar decisões com maior grau de precisão, é necessário trabalhar com base em fatos e dados, ou seja, em informações consistentes geradas no 96 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| processo, buscando e interpretando corretamente as informações disponíveis como forma de eliminar o empirismo – a atitude de fazer alguma atividade sem certeza (com base em “achismos”). Figura 02: As ferramentas possibilitam a realização de uma atividade com muito mais facilidade. Fonte: <http://bit.ly/2USWqsf>. Para tanto, existem técnicas importantes e eficazes, denominadas de ferramentas da qualidade, capazes de propiciar a coleta, o processamento e a disposição clara das informações, ou dados relacionados aos processos gerenciados dentro das organizações. Então, como podemos definir o que é uma ferramenta de qualidade? São instrumentos (meios) utilizados para percorrer uma sequência lógica, estabelecendo um método (um caminho) que será claro para gerar uma ideia ou resolver um problema. A utilização das ferramentas como um caminho científico (comprovado e objetivo) para a gestão da qualidade dentro das empresas possibilita alguns benefícios durante a realização de suas atividades, tais como: • Facilitar a percepção e entendimento dos problemas; • Reunir o conhecimento dos profissionais e ajudar nas suas conclusões; • Desenvolver e explorar a criatividade; • Permitir o conhecimento do processo (atividades); • Fornecer elementos para monitorar, controlar e avaliar os processos. Sendo assim, os gestores aumentam as chances para fazer algo certo da primeira vez quando se permitem utilizar as ferramentas, e deixam de lado a intuição e os achismos. Além das ferramentas, existem conceitos GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 97| que se encaixam mais na perspectiva de “técnica”, ou seja, um conjunto de procedimentos que igualmente ajudam a aprimorar produtos, processos, sistemas e projetos, e a melhorar a qualidade, prevenindo eventuais problemas futuros. 2.2. Classificação e aplicações Tratar das classificações e aplicações das ferramentas e técnicas é, basicamente, enxergar dois tipos de finalidades: preventiva e corretiva. Ferramentas ou técnicas com finalidade preventiva ajudam os gestores e demais profissionais a antecipar possíveis problemas ou a criar soluções para manter a empresa competitiva. Por sua vez, ferramentas ou técnicas com finalidade corretiva são usadas após a ocorrência de algo fora dos padrões esperados pelo gestor (e também pela empresa), que vem a se tornar um problema. Desta maneira, fica melhor identificar o que não está em conformidade, e mudar para consertar e redirecionar os esforços dos profissionais. 2.3. Tipos de ferramentas e técnicas de gestão de qualidade 2.3.1. Análise SWOT A análise SWOT foi criada por Albert Humphrey (pelo menos é creditada a ele), provavelmente na década de 60, na Universidade de Stanford (EUA), e hoje é uma das metodologias clássicas da Administração (CASAROTTO, 2018). Ela é uma ferramenta que serve para fazer o planejamento estratégico e novos projetos a partir da análise do ambiente interno e externo da empresa. SWOT é a sigla em para Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Outro entendimento sobre a ferramenta de análise SWOT é que ela é um sistema simples de análise que visa posicionar ou verificar a posição estratégica de uma determinada empresa em seu ramo de atuação. Devido a sua simplicidade metodológica, pode ser utilizada para fazer qualquer tipo de análise de cenário ou ambiente, desde a criação de um produto à gestão estratégica de uma empresa, seja ela pequena ou multinacional (OLIVEIRA, 2018). 98 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| CURIOSIDADE A análise SWOT também é conhecida como análise FOFA, após feita a tradução para o português. Figura 03: Análise SWOT, também conhecida no Brasil como análise FOFA. Fatores Positivos S - Strengths F - Forças W - Weaknesses F - Fraquezas O - Opportunities O - Oportunidades T - Threats F - Ameaças SWOT FOFA F at or es In te rn os F at or es E xt er no s Fatores Negativos Fonte: Elaborada pelo autor. Se observarmos a análise SWOT através de colunas, iremos perceber que a coluna da esquerda se constitui de fatores positivos e a coluna da direita se constitui de fatores negativos. Numa outra perspectiva, se observarmos a análise SWOT através de linhas, iremos perceber que na linha de cima tem uma abordagem voltada para os fatores internos e na linha de baixo tem uma abordagem voltada para fatores externos. As forças são as qualidades da empresa, ou o que ela faz de excelente, e as fraquezas são os defeitos da empresa, ou aquilo que ela precisa melhorar. As oportunidades podem ser aquilo que a empresa pode conquistar através de suas forças, e as ameaças podem ser aquilo que a empresa pode não ter, ou até perder, por conta de suas fraquezas. É possível estabelecer alguns objetivos na utilização da ferramenta análise SWOT (OLIVEIRA, 2018): • Efetuar um resumo dos ambientes externos e internos; • Identificar itens importantes para a gestão da empresa, o que implica estabelecer prioridades de atuação; • Preparar opções estratégicas para riscos e problemas; GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 99| • Diagnosticar a empresa para fortalecimento dos pontos positivos, indicação de quais pontos devem melhorar, chances de crescimento, aumento das oportunidades, entre outras variáveis. A análise SWOT, ou FOFA, tem a finalidade tanto preventiva como corretiva, a depender do objetivo determinado pela empresa. CURIOSIDADE A análise SWOT também pode ser utilizada por pessoas para rea- lizar uma análise pessoal, definindo critérios que impedem e ajudam no seu desenvolvimento. 2.3.2. Ciclo PDCA Na década de 20, um físico norte-americano chamado Walter Andrew Shewhart – muito conhecido por sua atuação na área de controle estatístico de qualidade – criou o ciclo PDCA. Porém, só na década de 50 ele foi popularizado em todo mundo pelo, também americano, professor William Edwards Deming, conhe- cido por dedicar-se às melhorias dos processos produtivos dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial e por ter o título de guru do gerenciamento de qualidade. (JÚNIOR, 2017) O ciclo PDCA, também conhecido como ciclo de melhoria contínua, é uma ferramenta que tem por objetivo identificar e organizar as atividades de um processo em etapas bem definidas para garantir, de maneira eficaz, o desenvolvimento de uma atividade planejada (LOBO, 2010). Figura 04: Ciclo PDCA. Agir Planejar Checar Desenvolver Verificação dos resultados. Ação corretiva. • Educar e treinar; • Execução do trabalho. • Definição dos objetivos; • Definição de metas e especificação de métodos. 23 4 1 Fonte: Elaborada peloautor. 100 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| PDCA é uma sigla para Planejar (Plan), Desenvolver (Do), Checar (Check) e Agir (Action). Na etapa “planejar” é estabelecido um plano a partir da definição dos objetivos determinados pela empresa, junto com a definição das metas, ou seja, dos caminhos (métodos) que serão escolhidos para atingir os objetivos. Na etapa “desenvolver” é necessário, antes de colocar o planejamento em prática, educar e treinar os profissionais para que a execução do que foi estabelecido possa ser concretizado corretamente. Já na etapa “checar” é realizado o acompanhamento das ações executadas pelos profissionais da empresa, de modo que o resultado seja aquilo que foi definido no planejamento. Por fim, na etapa “agir” será realizada uma avaliação clara dos resultados que foram finalmente alcançados para colocar em prática possíveis correções com o objetivo de melhorar o desempenho. Após a correção daquilo que não estava em conformidade com o que foi definido no planejamento, é feita a padronização de procedimento com base nos novos referenciais. CURIOSIDADE É importante destacar que a ferramenta “Ciclo PDCA”, por se fundamen- tar na ideia de um ciclo (começo, meio, fim, e começo novamente), tem todo seu processo formado por atividades que voltam a ser executadas (sem um fim obrigatório), numa busca constante de melhoria nos processos. O ciclo PDCA pode ser utilizado em qualquer tipo de empresa, como forma de alcançar um nível de gestão melhor... O ciclo PDCA pode ser utilizado em qualquer tipo de empresa, como forma de alcançar um nível de gestão melhor a cada dia, atingindo resultados excelentes dentro do sistema de gestão do negócio (especialmente quando o foco é a qualidade). No entanto, é fundamental a execução de todas as etapas já que o uso incorreto do ciclo PDCA pode comprometer seriamente o processo de melhoria contínua (PERIARD, 2001). Sendo assim, ao aplicar o ciclo PDCA na empresa, é necessário evitar alguns tipos de comportamentos negativos, que também podem ser compreendidos com “ações pela metade”: GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 101| Figura 05: O que se deve evitar ao utilizar o ciclo PDCA. Fazer e não checar; Fazer sem planejar; Definir metas e não preparar o pessoal para executá-las; Definir as metas e não definir os métodos para atingi-las; Planejar, fazer, checar e não agir corretivamente, quando necessário; Parar após uma “volta” do ciclo. Fonte: PERIARD, 2001 (Adaptada). O ciclo PDCA pode ter finalidade tanto preventiva quando corretiva. 2.3.3. Fluxograma Todo e qualquer processo, tanto administrativo quanto operacional, deve ter um fluxo das operações bem definido, com entrada, desenvolvimento e saída. Existem vários tipos de gráficos, mas o que mostra o fluxo das operações para trabalhos de análise administrativa e operacional é o fluxograma, “um gráfico universal que representa o fluxo ou a sequência normal de qualquer trabalho, produto ou documento” (LOBO, 2010, p. 54). Os principais aspectos e benefícios resultantes da utilização do fluxograma são: • A padronização da representação dos métodos e os procedimentos administrativos; • Maior rapidez no detalhamento dos métodos administrativos; • Facilitar a leitura e o entendimento dos processos; • Facilitar a localização e a identificação dos aspectos mais importantes de um processo. “Para elaborar um fluxograma, deve-se fazer um levantamento dos passos que envolvem o trabalho, desde o operador até o final, passando, inclusive, pelos formulários envolvidos no processo” (LOBO, 2010, p. 55). Desta forma, ao identificar todas as etapas que envolvem uma certa função, é preciso criar um roteiro, com símbolos previamente conhecidos. 102 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Figura 06: Símbolos de um fluxograma. Inicia ou termina uma rotina ou um processo qualquer, devendo ser colocada sua identificação dentro do símbolo. Terminal Identificação de arquivamento no fluxo de processamento do trabalho, em caráter definitivo, podendo inscrever-se no interior do símbolo o tipo de arquivamento: alfabético, numérico, cronológico etc. Arquivo Indica fluxo em parada temporária, aguardando algum tipo de providência, para poder prosseguir. É importante colocar no seu interior o tipo de pendência, por exemplo, aguardando MP. Espera Identifica a tomada de decisão, levando ao desdobramento do fluxo, segundo as alternativas verificadas. Conector de fluxo, utilizado para indicar conexões na mesma página. Dentro é preciso colocar um número ou letra que será repetido na conexão. Conector de página, utilizado para indicar conexões em páginas diferentes. Dentro deve-se colocar um número ou letra (contrário ao utilizado no conector de fluxo) que será repetido na conexão na outra página. Decisão Serve para identificar o documento que entra no fluxo, devendo seu nome ou sigla ser colocado no seu interior e sua representação deve consignar o número de vias graficamente. Documento Identifica-se a emissão de documento com o escurecimen- to do canto superior esquerdo do símbolo, observadas as demais instruções constantes do quadro anterior. Emissão de documento Identificar qualquer processa- mento que se efetive num fluxo de trabalho e que não possa ser traduzido por símbolo próprio. Operação Utilizado sempre que se faz necessário um controle ou inspeção durante o processo. Inspeção Indica o sentido do fluxograma. Fonte: LOBO, 2010 (Adaptada). A proposta de um fluxograma pode parecer sem lógica para você, e um dos motivos pode ser porque muito do que fazemos no nosso dia a dia é automático, ou seja, nós não paramos para refletir, muito menos para colocar no papel alguma tarefa. Então, vamos exemplificar o fluxograma com uma situação simples: Figura 07: Situação de uso do fluxograma. A lâmpada não funciona. Comprar outra lâmpada. Conectar a lâmpada. Trocar o bulbo. Não Não Sim A lâmpada estava conectada ? O bulbo queimou? Sim Fonte: Elaborada pelo autor. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 103| É bem provável que em algum momento da vida você, ou alguém que conhece, terá problema com lâmpadas, seja em casa ou no ambiente de trabalho. O fluxograma anterior demonstra, através de símbolos, que antes mesmo de comprar uma lâmpada é necessário confirmar algumas questões – para só assim poder decidir. Se a lâmpada não funciona precisamos, primeiro, confirmar (decisão) se ela está conectada ou não. Se não estiver conectada, basta fazê-lo que provavelmente a situação será resolvida; mas se estiver conectada, passamos ao nível (decisão) de análise numa outra perspectiva: o bulbo queimou? Se a resposta for sim, recomenda-se trocar o bulbo, mas se for negativa a solução provavelmente será comprar uma nova lâmpada. Toda essa sequência é automática para a maioria das pessoas, também por se tratar de uma atividade simples. Agora, imagine que um processo produtivo dentro de uma fábrica acontece em várias etapas e envolve vários setores (e pessoas). Se uma grande parcela realiza suas atividades automaticamente, ou seja, não percebe quais partes estão relacionadas e não analisa o conjunto do processo, em algum momento problemas poderão surgir. Desta forma, a utilização do fluxograma permite analisar todo um processo realizado pela empresa, antecipar e resolver problemas com mais clareza e rapidez, o que nos possibilita entender o fluxograma como uma ferramenta tanto preventiva quanto corretiva. 2.3.4. Brainstorming Brainstorming significa tempestade cerebral ou tempestade de ideias e é usado “em várias empresas como uma técnica para resolver problemas específicos, para desenvolver novas ideias ou projetos, para juntar informação e para estimular o pensamento criativo” (SIGNIFICADOS, 2014). Figura 08: O brainstorming ajuda a desenvolver a criatividade, seja para resolver problemas ou criar um produto. Fonte: <http://bit.ly/2RSGbtv>. 104 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE|Esta técnica, criada nos Estados Unidos pelo publicitário Alex Osborn, propõe que um grupo de pessoas se reúna e utilize seus pensamentos e ideias para que possa chegar a um denominador comum, seja para resolver um problema ou criar algo, testando e explorando a capacidade criativa de indivíduos ou grupos. Desta forma, o brainstorming pode ter tanto finalidade preventiva quanto corretiva. Sua utilização é recomendada quando os recursos técnicos, experiências, fórmulas e métodos não resolvem o problema e/ou quando os esforços individuais não produzirem resultados satisfatórios. No entanto, para que o brainstorming possa ter um resultado satisfatório, é fundamental que as pessoas envolvidas sigam um roteiro, que nada mais é do que uma orientação para que seu propósito realmente aconteça. Mas que propósito é este? Ideias! Quando as pessoas se reúnem para criar ou resolver um problema, várias ideias podem surgir, e outras tantas podem nem ser expostas porque alguém achou sem sentido, ou por falta de foco. Desta maneira, um roteiro serve para direcionar, e não para engessar a geração de ideias: Figura 09: Etapas para o desenvolvimento de um brainstorming. 5 - Gerar • Gerar as ideias. 6 - Selecionar • Selecionar as ideias relaciona das com o tema. 7 - Registro Final • Compactar e organizar as ideias para direcionar ao objetivo. 1 - Tema • Definir o tema em local visível. 2 - Regras • Não rir, criticar ou elogiar ideias; • Não fazer gestos de reprovação; • Não julgar; • Toda ideia deve ser lançada. 3 - Ideias • Definir como as ideias vão ser geradas: de maneira sequencial ou espontânea. 4 - Registro • Definir como será feito o registro da ideia: visível a todos ou com quem deu a ideia. Fonte: Elaborada pelo autor. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 105| A primeira etapa do roteiro é definir o tema, de preferência em local visível. É comum, em reuniões, as pessoas começarem a perder o foco à medida que vão dialogando; sendo assim, definir com clareza o tema lembra às pessoas qual o interesse realmente deve ser levado em conta. A segunda etapa é a definição de regras. Como assim regras? Se a realização do brainstorming visa gerar ideias, rir, criticar e gestos de reprovação podem desestimular alguém a contribuir com sua ideia. E o elogio? Deve ser evitado. Quando um profissional tem sua ideia elogiada (o exagero), um outro pode pensar que a sua é desnecessária frente ao “sucesso” da ideia do colega. A terceira etapa busca definir como as ideias vão ser geradas: de maneira sequencial (numa ordem preestabelecida cada um deve dar sua ideia), ou espontaneamente (fluindo na medida em que o diálogo ocorre e as ideias são expostas). Na quarta etapa é feito o registro da ideia, que pode ser visível a todos da reunião ou com a pessoa que deu a ideia. Feito tudo isso, a quinta etapa é o brainstorming propriamente dito, com as pessoas sugerindo suas ideias. As etapas seis e sete são complementares, onde serão selecionadas as ideias relacionadas com o tema e, posteriormente, são organizadas para que possam servir ao objetivo pretendido (criar algo ou resolver um problema). Estas sete etapas do roteiro podem favorecer o clima organizacional no momento de realização do brainstorming, facilitando o alcance do objetivo, seja ele criar algo ou resolver um problema. Um brainstorming realizado adequadamente deve ter características que contribuem para o envolvimento das pessoas durante o processo. Segundo Rocha (2018), estas características podem ser entendidas assim: • Quantidade: quanto mais ideias direcionadas especificamente para o mesmo problema (ou para criar algo), melhor; • Flexibilidade: para buscar novas abordagens e fugir das tradicionais; • Liberdade: ideias não devem ser alvo de críticas ou deboche durante a realização de um brainstorming; • Interatividade: as ideias apresentadas podem ser aperfeiçoadas ou mesmo combinadas entre elas, dando origem a novas abordagens; • Tangibilidade: as ideias sugeridas precisam ter a capacidade de sair do papel e se transformar em ações concretas, e não simplesmente ficar no campo da fantasia. 106 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 2.3.5. Benchmarking Benchmarking é uma palavra que significa usar um padrão ou ponto de referência, é uma técnica que foi introduzida em 1979 pela Xerox, e consiste em fazer comparações e procurar imitar as organizações, concorrentes ou não, do mesmo ramo de negócios ou de outros (geralmente líderes de mercado), que tenham práticas exemplares e excelentes em sua administração. Desta forma, seu objetivo envolve melhorar funções e processos através da análise de estratégias: O benchmarking tem o objetivo de melhorar as funções e pro- cessos de uma determinada empresa, além de ser um impor- tante aliado para vencer a concorrência, uma vez que o ben- chmarking analisa as estratégias e possibilita a outra empresa criar e ter ideias novas em cima do que já é realizado. (SIGNI- FICADOS, 2018) É uma investigação contínua de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais entre uma empresa e seus concorrentes, possibilitando aprendizagem dos melhores casos e a identificação de pontos que podem ser melhorados (MARQUES, 2018). O benchmarking pode ser aplicado a qualquer processo e é relevante para todo tipo de empresa, considerando o fato que contribui para seu melhor desempenho. Quadro 02: Etapas para a realização de um benchmarking. 1. PLANEJAMENTO Definição das melhores práticas a serem copiadas e do método para a obtenção dos dados. 2. ANÁLISE Coleta, estudo e interpretação dos dados do benchmarking. 3. INTEGRAÇÃO Definições das modificações a serem feitas no produto ou serviço. 4. AÇÃO Implementação. 5. MATURIDADE/AVALIAÇÃO Aprimoramento do que foi feito. Fonte: Elaborado pelo autor. Planejar, analisar, integrar, agir e avaliar são algumas etapas para a empresa conseguir estruturar o benchmarking, funcionando como um estímulo para irem além de suas limitações, buscando fatores-chaves que aumentem exponencialmente sua competitividade. Esta técnica pode ter caráter tanto preventivo quanto corretivo. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 107| FIQUE ATENTO “É importante ressaltar que não se trata de uma simples imitação, mas da capacidade em enxergar as melhores práticas e adequá-las às peculiaridades de sua companhia” (ENDEAVOR, 2015). 2.3.6. 5W2H (Plano de ação) A ferramenta 5W2H foi criada por profissionais da indústria automobilística do Japão como a proposta auxiliar para a utilização do PDCA, principalmente na fase de planejamento. Pode ser utilizada em qualquer empresa a fim de registrar de maneira organizada e planejada como serão efetuadas as ações, assim como por quem, quando, onde, por que, como e quanto irá custar para a empresa. É uma ferramenta de produtividade que consiste em um conjunto de sete diretrizes em inglês (cinco diretrizes que começam com a letra W - What, Why, Where, Who e When e duas iniciadas com a letra H - How e How Much), que têm por objetivo ajudar os profissionais a fazerem o planejamento de projetos, estratégias ou atividades com mais praticidade e clareza: Quadro 03: Compreensão da ferramenta 5W2H. WHAT O QUÊ? O que deve ser feito? (Etapas) WHO QUEM? Quem são os responsáveis pela execução? (Pessoas) WHERE ONDE? Setor em que deve ser executado? (Local) WHEN QUANDO? Ocasião em que deve ser executado? (Tempo) WHY POR QUÊ? Por que deve ser executado? (Justificativa) HOW COMO? De que maneira deve ser executado? (Método utilizado) HOW MUCH QUANTO? Quanto custa para executar? (Custo financeiro) Fonte: Elaborado pelo autor. Na coluna da esquerda, temos a diretriz no inglês, na coluna do meio, temos a sua tradução para o português e na coluna da direita, temos o que é pretendido de cada diretriz. Na diretriz “O quê?” (What, eminglês), a empresa irá definir o que deverá ser feito (projeto, estratégia ou atividade), ou estabelecer um objetivo para começar a desenvolver a ferramenta e a 108 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| trabalhar. Na diretriz “Quem?” (Who, em inglês), são definidas quais pessoas serão envolvidas, o que é fundamental para distribuir responsabilidades corretamente e, também, para cobrar resultados posteriormente. Já na diretriz “Onde?” (Where, em inglês), é definido em qual setor a tarefa será realizada, ou ainda, se o que tem que ser feito precisa de um local fora da empresa. Na diretriz “Quando?” (When, em inglês), é determinado o prazo que a empresa pretende realizar o projeto, estratégia ou objetivo. Ser objetivo e preciso nesta diretriz possibilita a empresa assumir compromissos e responsabilidades sérias, deixando claro para funcionários (e clientes, se for o caso) qual a data de início e término. E para finalizar as diretrizes que começam por “W”, temos o “Por quê?” (Why, em inglês). Nesta diretriz, é esclarecida a razão de se fazer a estratégia, projeto ou de se alcançar o objetivo, para que os profissionais possam se engajar verdadeiramente em sua execução. Já nas diretrizes que começam por “H”, temos “Como?” (How, em inglês) e “Quanto?” (How Much, em inglês). A diretriz “Como?” busca esclarecer o método que será utilizado para realizar o que foi proposto na diretriz “O quê?”, e a diretriz “Quanto?” busca determinar, de maneira precisa ou aproximada, as despesas que existiram com o que foi planejado. MATERIAL COMPLEMENTAR Estudo de caso Você assumiu a coordenação do setor de vendas da empresa de refrige- rantes Apollo LTDA. Este setor de coordenação é composto por você e mais 5 pessoas e terá como missão vender 100 mil unidades de refrigerantes (sabores diversos), utilizando a ferramenta 5W2H. Vamos detalhar a aplicação para alcan- çar o objetivo: • O quê? > Vender 100 mil unidades de refrigerantes (nosso objetivo); • Quem? > Você mais as cinco pessoas da coordenação (são as pesso- as essenciais para alcançar o objetivo); • Onde? > A atuação nesta diretriz será dividida em duas partes: 1 – foco nos pontos de venda (PDV), e 2 – foco na produção da empresa; • Quando? > O prazo estipulado para alcançar o objetivo é 3 meses; • Por quê? > A razão de atingir o objetivo é para manter a empresa na competividade e ganhar participação de mercado (market share); GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 109| • Como? > A equipe poderá trabalhar com os vendedores para que eles possam organizar os produtos nos pontos de venda, e também dar des- contos aos donos dos estabelecimentos nas compras acima de 30 uni- dades de refrigerante. Além disso, teremos campanha de estímulo para o pessoal da produção, para poder acelerar a fabricação dos produtos sem esquecer-se da qualidade; • Quanto? > O custo estimado para alcançar o objetivo da empresa é R$ 3 500 reais, entre campanha na internet, panfletos e premiação para os vendedores e o setor de produção. A ferramenta pode ter tanto uma finalidade preventiva, quanto corretiva, e sua utilização pode ocorrer também na vida pessoal – e não somente na empresa –, ajudando a definir planos de ação, concretizar ideias, organizar o tempo gasto na execução e determinar as pessoas envolvidas. 2.3.7. 5S da qualidade Os 5S é uma prática (técnica ou programa) que se expandiu no Japão ensinando bons hábitos, eliminação de desperdícios e perdas, sendo capaz de modificar o humor, harmonizar o ambiente de trabalho e a maneira da condução das atividades de todos pela forma como as pessoas pensam e executam suas atividades. Logo após a Segunda Guerra Mundial, as fábricas no Japão estavam desorganizadas e sujas, e para combater esses problemas foi ensinada, como princípio educacional para a formação de indivíduos e profissionais, a prática chamada “5S”, que é composta de cinco conceitos simples que, em japonês começam com a letra “s”: Seiri, Seiton, Seiso, Seiketsu, Shitsuke. Como em português não existe o significado de todas essas palavras começando com a letra S, acrescentou-se, então, a palavra “Senso” à sua respectiva tradução: Quadro 04: Os 5S da qualidade e a sua tradução para o português. Japonês Português 1º S Seiri Senso de Utilização Seção 2º S Seiton Senso de Ordenação Arrumação Classificação 110 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 3º S Seiso Senso de Limpeza Zelo 4º S Seiketsu Senso de Asseio Higiene Saúde Integridade 5º S Shitsuke Senso de Autodisciplina Educação Compromisso Fonte: CARPINETTI, 2016 (Adaptado). Como existe mais de uma tradução do português para as palavras em japonês, iremos adotar as palavras que estão destacadas em sublinhado no quadro 04. O 1º S (Seiri) tem como tradução “Senso de Utilização”, e significa saber diferenciar coisas necessárias e desnecessárias, descartando ou dando o devido destino àquilo considerado útil ao exercício das atividades para não acumular coisas desnecessárias. Para relacionar o que é necessário do que é desnecessário, é fundamental entender o quanto precisamos, de fato, de alguma coisa: Figura 10: Grau de importância das coisas sobre sua utilização. CONSTANTEMENTE Manter no local de trabalho ou próximo OCASIONALMENTE Manter um pouco afastado do local de trabalho NUNCA Descartar RARAMENTE Manter em um depósito ou em um armário afastado do local de trabalho Seleção do que é usado: Fonte: Elaborada pelo autor. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 111| O objeto que é utilizado constantemente é recomendado deixar em um local próximo – para facilitar seu manuseio. O objeto que é utilizado ocasionalmente recomenda-se deixar em local um pouco afastado, diferente do objeto que é utilizado raramente, que deve ficar no depósito ou em um armário afastado do local de trabalho. Por fim, o objeto que nunca é utilizado deve ser devidamente descartado – evitando o acúmulo de coisas desnecessárias. O 2º S (Seiton) significa ter “Senso de Arrumação” e é uma perfeita tradução da expressão “ter cada coisa em seu lugar”. Ter Senso de Arrumação significa definir locais apropriados e critérios para estocar (uma ordem apropriada), guardar ou dispor do necessário, de modo a facilitar o seu uso e manuseio, facilitar a procura e localização de qualquer item. É como a organização das pastas de fotos que estão no nosso celular, que são separadas em grupos. Ao definir locais apropriados, pode-se adotar como critério a facilidade para estocagem, identificação, manuseio, reposição, retorno ao local de origem após o uso, consumo dos itens mais velhos primeiro, dentre outros. CURIOSIDADE O lixeiro da coleta seletiva é um bom exemplo do Senso de Arrumação, pois divide em cores (verde, amarelo, azul, vermelho e marrom - basicamente) a separação do lixo, para que cada tipo de material tenha um espaço adequado. O 3º S (Seiso) tem como tradução “Senso de Limpeza” e significa eliminar a sujeira ou objetos estranhos para manter limpo o ambiente (parede, armários, o teto, gaveta, estante, piso), bem como manter dados e informações atualizados para garantir a correta tomada de decisão. Neste “S” da qualidade, o mais importante não é o ato de apenas limpar, mas o ato de “não sujar”, e isto significa que além de limpar é preciso identificar a fonte de sujeira e as respectivas causas, de modo a podermos evitar que isto ocorra novamente. O 4º S (Seiketsu) tem como tradução “Senso de Saúde” e significa criar condições favoráveis à saúde física e mental, garantir ambiente não agressivo e livre de agentes poluentes e manter boas condições sanitárias nas 112 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| áreas comuns (lavatórios, banheiros, cozinha, restaurante etc.). Além disso, deve-se buscar zelar pela higiene pessoal e cuidar para que as informações e comunicados sejam claros, de fácil leitura e compreensão. E o 5º S (Shitsuke) pode ser compreendido como “Senso de Disciplina” e significa desenvolver o hábito de observar e seguir normas,regras, procedimentos. Este hábito é o resultado do exercício da força mental, moral e física. Poderia ainda ser traduzido como desenvolver o “querer de fato”, “ter vontade de”, “se predispor a”. Figura 11: Uma luta marcial requer disciplina para evoluir para outros estágios, o mesmo ocorre com a aplicação da metodologia 5S. Fonte: <http://bit.ly/2IanMIU>. Iniciar o desenvolvimento dos 5S é relativamente fácil, mas para a sua continuidade o nível de comprometimento deve ser o mesmo do início. Segundo Carpinetti (2016), a utilização de premiações e penalização é uma forma atrativa para responsabilizar as pessoas de uma equipe, bem como de engajá-las na continuidade: O 5S é um programa conceitualmente muito simples, mas de difícil implementação e manutenção. Muitas empresas iniciam o 5S pelo descarte, arrumação e limpeza, mas não conseguem manter o padrão. Um recurso usado por algumas empresas que mantêm um programa 5S ativo é a utilização de algum critério de premiação ou penalização das equipes responsáveis pela ma- nutenção do programa em determinadas áreas. (p. 102) Desta forma, existe uma possibilidade maior dos profissionais se engajarem para obter os benefícios da aplicação da metodologia 5S, tais como a melhoria do ambiente de trabalho, a redução de desperdícios, a melhoria da produtividade e da saúde e segurança no trabalho (CARPINETTI, GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 113| 2016). O 5s funciona a partir do momento que os profissionais internalizam (se conscientizam da sua importância) este conceito e o colocam em prática – tornando as atividades muito mais eficientes. FIQUE ATENTO Alguns autores inserem, dentro da metodologia 5S, mais 3S: • Shikari Yaro – Senso de determinação e união: são precisos determina- ção, comprometimento e união de todos para que o programa funcione continuamente, sendo a transparência na gestão da empresa essencial para alcançar este objetivo; • Shido – Senso de educação e treinamento: qualificação e treinamento para que todos os envolvidos possam atingir a competência adequada na realização de suas atividades; • Setsuyaku – Senso de economia e combate ao desperdício: é o mo- mento de conscientizar as pessoas da importância de economizar e combater o desperdício. 2.3.8. Outras ferramentas da qualidade Ao longo da década de 70 outras ferramentas foram surgindo na intenção de facilitar os estudos a respeito da qualidade, sendo chamadas, portanto, de as “7 Novas Ferramentas do Controle da Qualidade” ou “7 Ferramentas do Planejamento da Qualidade – 7 FPQ” (MARINHO, 2010). Figura 12: Uma gestão organizada permite à empresa alcançar seus objetivos, e isso também acontece com a qualidade. Fonte: <http://bit.ly/2GqA50Z>. 114 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Segundo De Lima (2008), essas ferramentas fornecem aos gerentes e administradores meios de viabilizar o mapeamento dos problemas da qualidade e o planejamento dos esforços para o detalhamento dos planos de ação, sendo “um poderoso e valioso arsenal de instrumentos para o planejamento, a organização, a implantação e a melhoria contínua dos esforços em busca da qualidade e da excelência”. São elas: • Diagrama de relações: essa ferramenta tem por objetivo estabelecer relações de causalidade entre diferentes fatores, se constituindo em um mapa de relações de causa e efeito entre o efeito indesejável em estudo e as suas causas fundamentais. O diagrama de relações pode, também, ser usado como uma opção (ou um complemento) ao diagrama de causa e efeito, já que ele mostra de forma mais clara as relações de causa e efeito; • Diagrama de afinidades: essa ferramenta é aplicável em processos onde a criatividade, mais do que a lógica, é o fator fundamental na associação/agrupamento dos dados, reunindo uma grande quantidade de dados (ideias, opiniões, declarações, manifestações, comporta- mentos, entre outros) e organiza-os em grupos, baseando-se no re- lacionamento natural/intrínseco (afinidade) entre cada item, definindo grupos de itens; • Diagrama em árvore: o diagrama em árvore é usado para, com base em um objetivo principal, elaborar seu detalhamento em objetivos menores, respondendo às questões “o quê” e “como”. Quanto mais exato e detalhado estiver, melhor será para alcançar o objetivo. Essa ferramenta pode ser usada para tarefas específicas e complicadas e quando é importante perceber todos os detalhes envolvidos; • Matriz de priorização: a matriz de priorização relaciona fatores a critérios de prioridade. É uma ferramenta prática e simples, sendo seu entendimento fator que ajuda no processo de priorização dos problemas e de situações internas da empresa; • Matriz de relações: a matriz de relações tem por objetivo identificar a existência de relações entre variáveis, normalmente até de critérios como forte, médio e fraco; GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 115| • Diagrama de processo decisório (Process Decision Program Chart): é uma ferramenta que procura sistematizar (organizar) o pro- cesso de decisão, descrevendo por meio de um diagrama em árvore o desenvolvimento entre as decisões tomadas e as consequências (ou desdobramentos dessas decisões); • Diagrama de setas (ou diagrama de atividades): esta ferramenta é usada para o planejamento das atividades com a finalidade de atingir determinado objetivo, especialmente em situações em que haja um número grande de atividades dependentes umas das outras. PRATIQUE 1. Por que uma empresa deve prestar atenção nos custos da qualidade? 2. Explique os custos de “conformidade” e de “não conformidade”. 3. Cite dois benefícios da utilização das ferramentas para melhor gerenciar a qualidade. 4. Explique a análise SWOT, e com quais objetivos a empresa pode utilizá-la. 5. O ciclo PDCA pode ser utilizado por qualquer tipo de empresa? Explique. 116 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 6. Por que o fluxograma pode ser importante para a organização de processo? 3. qualidade no setor de serviços 3.1. Importância do setor de serviços Transformação é a palavra de ordem do século XXI, porque as coisas no mundo, até mesmo as relações pessoais, vêm se modificando numa velocidade constante e nunca antes vista na história da humanidade (SENAC, 2011). Essa transformação está modificando a forma de trabalho e de relacionamentos entre pessoas e empresas, com um futuro que não está tão distante: Especialistas têm alertado para um futuro, que já nos parece familiar: redução da jornada de trabalho, enxugamento de car- gos nas empresas, trabalho temporário e sem vínculo empre- gatício, terceirização de serviços, relação cliente/fornecedor em detrimento da relação patrão/empregado, extinção de algumas profissões, surgimento de novas áreas de atuação, tecnologia e mais tecnologia. (SENAC, 2011, p. 7) Todo esse contexto faz com que as empresas prestadoras de serviços tenham que estar atentas a essa revolução do mercado para que possam manter seu espaço e sua competitividade. Mas não são só as empresas prestadoras de serviços que devem estar atentas. Empresas do setor terciário, conhecido por abranger as atividades de comércio bens e prestação de serviços, devem estar atentas aos impactos dessas transformações. A crescente relevância do setor terciário na economia brasileira, estando relacionado com uma forte variação do Produto Interno Bruto (PIB), permite afirmar sua influência para o país (SECRETARIA DE COMÉRCIO E SERVIÇOS, 2019). GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 117| Figura 13: A tecnologia tem grande impacto no setor de serviços. Fonte: <http://bit.ly/2RXzSoq>. A crescente importância e relevância do setor de serviços na economia brasileira são comprovadas pelo Banco Central; ele apontou, em relatório, que sua participação no PIB passou de 54,9%, em 2004, para 63,3%, em 2016, (ESTADÃO CONTEÚDO, 2019). Sendo assim, torna-se claro a necessidade de fortalecer serviços relacionados à agregação de valor, maior produtividade e diferenciação de marcas e produtos,bem como intensificar a formação de novas competências para a prestação de serviços (MAIA, 2015). “Estudos recentes sobre a produtividade dos serviços descrevem o setor como com produtividade relativamente elevada, composto por segmentos bastante heterogêneos e com alguns segmentos dinâmicos” (SILVA; FILHO; KOMATSU, 2016, p. 3), o que traz como resultados o fortalecimento do processo de inovação e a propagação do conhecimento na economia. Mas isso não torna mais fácil o trabalho das empresas e funcionários, até porque existem altas expectativas sobre eles: As expectativas são altas: das empresas, espera-se que cuidem da qualidade dos serviços que prestam, procurando excelên- cia nos mínimos detalhes. Dos profissionais, que estejam pre- dispostos ao aprendizado contínuo e interessados nas novas tecnologias. De ambos, empresas e profissionais, espera-se flexibilidade para se adaptarem à nova realidade das relações de trabalho, as quais têm como grande diferencial o aperfeiço- amento das relações humanas, do trato com colegas e clientes. Tudo isso com vistas a aprimorar a qualidade na prestação de serviços. (SENAC, 2011, p. 8) 118 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| Essas expectativas, quando bem trabalhadas, podem resultar, de fato, em uma proposta de qualidade realmente válida para o setor de serviços, que gere oportunidades de crescimento e oferta de bons serviços. Para isso, é necessário compreendermos a qualidade no setor de serviços. 3.2. Compreendendo qualidade no setor de serviços As tecnologias evoluem e transformam a maneira como são feitos os processos, deixando as empresas em um mercado de enorme diversidade de serviços, que cada vez mais são sofisticados e atraentes ao consumidor. “Para se diferenciarem nesse mercado competitivo e atraírem, ou manterem, os clientes, as empresas procuram valorizar sua marca e seus produtos através de investimentos” (SENAC, 2011, p. 12), mas sem deixar de lado a qualidade. Figura 14: Compreendendo os elementos de transformação da qualidade. Transformações Tecnológicas Mercado Competitivo Inovações Constantes Qualidade no Setor de Serviços Fonte: Elaborada pelo autor. “Atualmente, para se obter uma qualidade, não é suficiente exercer quaisquer atividades da melhor maneira possível, pois com a globalização cresceu a importância da produtividade” (MELO E ANDRADE, 2019), exigindo das empresas a busca pela excelência em suas estratégias para atender os desejos dos clientes e, consequentemente, oferecer um serviço de qualidade. Mas como podemos entender o que é um serviço? Serviço é o resultado de pelo menos uma atividade desempenhada, necessariamente, na interface do fornecedor com o cliente, sendo muitas vezes intangível (SENAC, 2011). GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 119| De outra forma, um serviço é formado pela relação de fornecedor e cliente, numa atividade que não tem como resultado um produto (algo tangível, ou que pode ser tocado), mas algo que vamos usufruir (algo intangível, ou que não tem como ser tocado). Por exemplo, quando você vai ao cabeleireiro cortar o cabelo, provavelmente não vai “usar o corte de cabelo”, mas vai ter o cabelo cortado, e vai se sentir bem após isso acontecer. Outra situação: quando você deixa o carro para lavar, você não “usa a lavagem”, mas tem o benefício de ter o carro limpo. Então, seja para ter o cabelo cortado ou o carro limpo, temos o benefício (bem intangível), e não um produto (bem tangível). Todas as ferramentas e conceitos vistos até aqui ajudam a empresa a definir melhores caminhos para oferecer um benefício ao cliente, de maneira a satisfazê-lo, fidelizá-lo, e deixá-lo feliz: A empresa que mantém seus clientes felizes é virtualmente im- batível. Seus clientes são mais leais. Eles compram mais, com mais frequência. Eles estão dispostos a pagar um pouco mais por produto da empresa e a permanecer vinculado a ela através de períodos difíceis, dando-lhe tempo para adaptar-se às mu- danças. (BARROS, 1999, p. 39) Portanto, implementar a qualidade no setor de serviços é criar diferenciais competitivos em um mercado cada vez mais disputado, que não se resume apenas ao preço, mas envolve também atendimento, ambiente, e pós-venda – por exemplo. Se o setor de serviços tem uma grande influência na economia do Brasil, é fundamental que os gestores percebam como podem estruturá-lo para ser competitivo e oferecer o que o cliente quer: qualidade nas mais diversas formas. PRATIQUE 7. Cite dois benefícios da ferramenta 5W2H e da técnica Benchmarking. 120 GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE| 8. Explique, com suas palavras, o que são os “5S da qualidade”. 9. Por que o setor de serviços é importante para um país? 10. Explique quais são os benefícios de se aplicar a qualidade no setor de serviços. GESTÃO DA QUALIDADE E PRODUTIVIDADE 121| RELEMBRE Nesta última unidade, nós pudemos entender melhor os custos da quali- dade, que envolvem custos de fazer certo (custos de conformidade) e de fazer errado (custos de não conformidade). E para que estes custos pudessem ser os menores possíveis, estudamos as ferramentas gerenciais, que nada mais são do que instrumentos ou formas para planejar, organizar, controlar e avaliar os processos da empresa. Por fim, analisamos os impactos da qualidade no setor de serviços, que hoje tem uma forte influência na economia do Brasil. Referências ACC ENGENHARIA DE MEDIÇÃO (Brasil). Entendendo os custos da qualidade e seus impactos econômicos. 2016. Disponível em: <http://www.accpr.com.br/ entendendo-os-custos-da-qualidade-e-seus-impactos-economicos/>. Acesso em: 28 dez. 2018. BATISTA, João Cláudio Pinheiro. Abordagem econômica da qualidade. 2016. Disponível em: <https://prezi.com/ld6beg0lloke/abordagem-economica-da- qualidade/>. Acesso em: 28 dez. 2018. 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