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INTRODUÇÃO Na apostila Marketing esportivo, apresentaremos um estudo aprofundado acerca de questões relacionadas ao marketing esportivo, considerando a dinâmica do mercado do esporte, os seus players e estratégias. Nela abordaremos a construção do mix de marketing aplicado ao esporte e veremos como os vetores preço, produto, promoção e praça afetam o produto esportivo. Além disso, aprenderemos a traçar uma estratégia de construção e gestão da marca (branding) no esporte. Para tanto, trabalharemos temas como o papel do consumidor no esporte, a mecânica da construção de uma equipe de marketing, as estratégias de segmentação de mercado no esporte, a dinâmica da construção do mix de marketing no esporte e a avaliação e gestão da marca esportiva. Sob esse foco, esta apostila foi estruturada em quatro módulos. No módulo I, analisaremos a indústria do esporte e os fatores relacionados ao seu crescimento, destacando a importância do marketing e do profissional de marketing no mercado de esportes. Abordaremos também questões relacionadas ao fornecimento de serviços no esporte e apresentaremos as características fundamentais dos consumidores desse segmento. Por fim, analisaremos importantes critérios da segmentação do mercado de esportes. No módulo II, analisaremos as estratégias de marketing aplicando-as ao setor de esportes. Para tanto, faremos uma análise do ambiente e do consumidor, abordando as forças competitivas e o modo como podem atuar no marketing esportivo. Por fim, trabalharemos com a matriz Swot e mostraremos as opções de estratégia passíveis de utilização em uma organização do esporte. No módulo III, temos como tema principal o mix de marketing, também chamado de 4 Ps de marketing, e analisaremos, detalhadamente, as quatro variáveis que compõem esse mix: produto, preço, praça e promoção. Durante a nossa análise, veremos as estratégias utilizadas pelas organizações para cumprir os seus objetivos de marketing no esporte. No módulo IV, estudaremos as questões relacionadas à marca, abordando as suas funções e os seus valores. Realizaremos também uma análise tanto da imagem quanto da identidade da marca, esmiuçando todas as suas características. Por fim, veremos estratégias de marca que podem ser adotadas pelas organizações para que obtenham os melhores resultados. SUMÁRIO MÓDULO I – MERCADO ESPORTIVO .................................................................................................... 5 PANORAMA DO ESPORTE ................................................................................................................. 5 Definição de esporte ................................................................................................................. 5 Indústria do esporte .................................................................................................................. 6 Marketing esportivo .................................................................................................................. 7 FORNECIMENTO DE SERVIÇOS NO ESPORTE ................................................................................. 7 Dimensões afetiva, ambiental e social .................................................................................... 7 Competição e cooperação ........................................................................................................ 9 Controle sobre o produto esportivo ....................................................................................... 9 Embalagens e pacotes ....................................................................................................... 10 CONSUMIDOR DE ESPORTES ......................................................................................................... 10 Motivações e necessidades .................................................................................................... 11 Demanda por esportes de competição e lazer.................................................................... 11 Influenciadores ........................................................................................................................ 12 Grupos de referência ......................................................................................................... 12 Formadores de opinião ..................................................................................................... 13 SEGMENTAÇÃO ................................................................................................................................ 14 Estágios de segmentação ....................................................................................................... 15 Macrossegmentação .......................................................................................................... 15 Microssegmentação ........................................................................................................... 17 MÓDULO II – ESTRATÉGIA DE MARKETING ....................................................................................... 19 ANÁLISE ESTRATÉGICA .................................................................................................................... 19 Estágios da análise estratégica .............................................................................................. 20 OBSTÁCULOS À ENTRADA .............................................................................................................. 21 Ameaça por substituição de produtos .................................................................................. 24 Poder de negociação ............................................................................................................... 24 Poder de negociação do cliente ....................................................................................... 24 Poder de negociação do fornecedor ............................................................................... 24 Rivalidade dos concorrentes .................................................................................................. 25 ANÁLISE SWOT ................................................................................................................................. 26 OPÇÕES ESTRATÉGICAS PARA ALCANCE DE VANTAGEM COMPETITIVA ...................................... 30 Níveis estratégicos ................................................................................................................... 30 Vantagem competitiva: conceito ........................................................................................... 31 Estratégias de desenvolvimento de vantagem competitiva .............................................. 31 Precificação ......................................................................................................................... 32 Diferenciação ...................................................................................................................... 33 Segmentação ....................................................................................................................... 33 MÓDULO III – MIX DE MARKETING ..................................................................................................... 35 PRODUTO .......................................................................................................................................... 35 Utilidades e benefícios do produto ....................................................................................... 36 Gerenciamento do mix de produtos ..................................................................................... 37 Abrangência, profundidade e coerência do mix de produtos ...................................... 38 Merchandising e licenciamento...............................................................................................41 Sucesso de produtos derivados ....................................................................................... 41 Inovação e diferenciação ........................................................................................................ 42 PREÇO ................................................................................................................................................ 43 Categoriais determinantes para decisão de preço ............................................................. 43 Consumidor ......................................................................................................................... 43 Concorrência ....................................................................................................................... 44 Empresa ............................................................................................................................... 44 Ambiente ............................................................................................................................. 45 OBJETIVOS DO PREÇO DE VENDA .................................................................................................. 45 Abordagens de precificação ................................................................................................... 46 Abordagem de custos ........................................................................................................ 46 Teoria do Ponto de Equilíbrio ........................................................................................... 46 Método da abordagem da demanda ............................................................................... 47 Abordagem do valor de uso e de imagem ...................................................................... 48 Abordagem com base na concorrência........................................................................... 48 Preço de um novo produto .................................................................................................... 49 Política de preços diferenciados ............................................................................................ 49 Ofertas não comerciais ........................................................................................................... 50 Política de preços diferenciada......................................................................................... 51 Preço certo .......................................................................................................................... 51 Livre acesso ao esporte ..................................................................................................... 51 PRAÇA ................................................................................................................................................ 52 Redes de distribuição .............................................................................................................. 52 Distribuição de eventos esportivos .................................................................................. 53 Intermediários na distribuição de serviços esportivos ................................................. 54 Intensidade da distribuição .................................................................................................... 55 Ambiente ................................................................................................................................... 55 PROMOÇÃO ...................................................................................................................................... 56 Processo de comunicação ...................................................................................................... 57 Objetivos do mix de comunicação ......................................................................................... 58 Ferramentas do mix de comunicação ................................................................................... 59 Propaganda paga ............................................................................................................... 59 Contato pessoal .................................................................................................................. 60 Ações promocionais ........................................................................................................... 61 Publicidade gratuita ........................................................................................................... 62 MÓDULO IV – ESTUDO DA MARCA..................................................................................................... 63 MARCA: DEFINIÇÃO E FUNÇÕES .................................................................................................... 63 Definição de marca .................................................................................................................. 63 Identidade da marca ............................................................................................................... 64 Funções da marca .................................................................................................................... 65 Notoriedade .............................................................................................................................. 66 IMAGEM E IDENTIDADE ................................................................................................................... 67 Características da imagem ..................................................................................................... 68 Boa qualidade ..................................................................................................................... 68 Personalidade, originalidade e credibilidade ................................................................. 68 Boa duração ........................................................................................................................ 69 Capital da marca ou brand equity .......................................................................................... 69 ESTRATÉGIAS DA MARCA ................................................................................................................ 71 Objetivos e vantagens da extensão de uma marca ............................................................ 72 Proteção legal ........................................................................................................................... 72 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................... 74 PROFESSOR-AUTOR ............................................................................................................................. 76 Neste módulo, analisaremos a indústria do esporte e os fatores relacionados ao seu crescimento, destacando a importância do marketing e do profissional de marketing no mercado de esportes. Abordaremos também questões relacionadas ao fornecimento de serviços no esporte e apresentaremos as características fundamentais dos consumidores desse segmento. Por fim, analisaremos importantes critérios da segmentação do mercado de esportes. Panorama do esporte Definição de esporte O conceito de esporte pode variar bastante de uma cultura para outra. Por exemplo, o jogo de dardos é considerado um esporte bastante sério no Reino Unido. Já na França, esse jogo é considerado apenas um passatempo. Buscando conferir maior seriedade à sua imagem, o país até criou uma federação nacional e adotou o termo em inglês (darts) em seu nome: Fédération Française de Darts. Considerando essa realidade, nesta apostila, empregaremos uma definição ampla de esporte, entendendo-o como qualquer atividade que envolva participação física ativa. Independentementeda definição adotada, a maioria dos autores concorda quanto às funções desempenhadas pelo esporte. São elas: � função social interativa; � função educacional e � função de mídia e entretenimento, com aspectos de brincadeira e transgressão. MÓDULO I – MERCADO ESPORTIVO 6 Indústria do esporte Porter define indústria como um mercado em que produtos idênticos ou similares são vendidos a compradores. Esses produtos podem ser apresentados na forma de atividades, bens de consumo, serviços, locais ou ideias. Uma indústria oferece, geralmente, uma larga gama de produtos a um grande número de consumidores, sejam eles existentes ou em potencial. Esses consumidores apresentam diferenças demográficas e psicológicas, e seus desejos, necessidades, anseios e demandas evoluem ao longo do tempo. A indústria do esporte representa um mercado cujos produtos são ligados a esportes de competição, lazer, fitness, recreação, etc. e sofreu um desenvolvimento considerável ao longo dos últimos 20 anos. Esse crescimento pode ser explicado por diversos fatores, como: � o aumento do número de novos esportes, atividades de recreação e fitness; � o acréscimo de modalidades em um mesmo esporte – futebol de praia, futsal; � o aumento no número de revistas esportivas e resenhas direcionadas aos profissionais e ao público em geral; � o boom do fitness; � o aumento do número de academias para a prática de esportes e eventos esportivos; � a evolução das instalações multiesportivas; � a expansão de serviços ligados ao esporte; � o desenvolvimento de programas de esporte para todos; � o incremento de financiamento do esporte por meio de patrocínios e direitos de transmissão televisiva; � o aumento de cursos acadêmicos ligados à prática do esporte; � o desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas ao esporte, aos seus produtos e serviços; � o crescente mercado comercial do esporte; � o aumento de conhecimento profissional na área de gestão do esporte e � a globalização do esporte. Todos esses fatores têm contribuído para que o esporte e todos seus desdobramentos venham a tornar-se parte indissociável da vida moderna. 7 Marketing esportivo Mullin, Hardy e Sutton (2004) definem o marketing esportivo como toda atividade destinada a atender aos desejos e anseios dos consumidores do esporte por meio de processos de troca. Uma abordagem mais pragmática, baseada no mix de marketing, definiria o marketing esportivo como toda e qualquer atividade ligada à produção, ao estabelecimento de preços de venda, à comunicação e à distribuição de produtos esportivos. Essas atividades teriam como objetivo satisfazer os desejos e as necessidades tanto do público consumidor quanto da organização do esporte. Duas principais vertentes resultaram do desenvolvimento do marketing esportivo: a oferta direta de produtos e serviços esportivos aos consumidores do esporte e a oferta de outros produtos industriais e de consumo por meio da utilização de promoções esportivas. Isso significa que o marketing esportivo abrange também o marketing por meio do esporte. Dessa forma, o profissional de marketing que atua nessa área deve trabalhar com dois níveis de análise na sua estratégia de venda: � nível de compreensão global – abrange toda a indústria do esporte, o que engloba itens como a análise de mercado e dos concorrentes, as principais tendências, etc. e � nível de compreensão local – abrange a análise de consumidores potencias ou existentes, e a avaliação e adaptação do mix de marketing. Ao longo deste conteúdo, veremos cada um desses níveis de análise com mais detalhes, apresentando diversas estratégias de marketing disponíveis para o vendedor e desenvolvendo uma análise acurada tanto do consumidor quanto do mix de marketing. Fornecimento de serviços no esporte Dimensões afetiva, ambiental e social O fornecimento de serviços no esporte têm as suas especificidades. A primeira delas refere- se ao fato de o serviço esportivo ser caracterizado por gerar um forte laço afetivo com os seus consumidores. Um torcedor de futebol, por exemplo, frequentemente desenvolve profundos laços afetivos com o seu clube e, literalmente, torna-se integrante da sua equipe. O esporte é parte essencial da vida de muitos espectadores e jogadores. 8 Esse forte laço emocional resulta em uma fidelidade quase irrestrita não só ao produto mas também à marca, o que, por um lado, tende a gerar reflexos positivos, como bons lucros para o vendedor. Por outro lado, no entanto, esse apego pode trazer reflexos negativos. Quando uma organização esportiva transfere o seu melhor jogador ou passa a ter um desempenho muito ruim, por exemplo, ela desaponta os seus torcedores, afetando a sua fidelidade. Devemos notar que essa dimensão emocional é, geralmente, ampliada pela característica conflitante das práticas esportivas, que se torna mais evidente e significativa por meio do desafio presente em esportes como: � boxe – em que se confronta um adversário; � surfe – em que se confronta a natureza e � maratonas – em que se confronta a própria capacidade física. A segunda especificidade do fornecimento de serviços no esporte refere-se ao fato de a satisfação e o prazer do consumidor de esportes poderem ser fortemente influenciados pelo ambiente. Em outras palavras, o local e o ambiente onde é oferecido um serviço esportivo também agregam valor a esse serviço. Afinal, que sentido podemos conferir aos esportes sem relacioná-los a determinado ambiente? Assistir a uma partida de futebol no Maracanã proporcionará uma sensação bem diferente de assisti-la em um estádio local. Da mesma forma, próximo a uma área portuária, a prática do windsurfe não proporcionará o mesmo prazer que no Caribe. Nesse sentido, Minquet afirma que o ambiente é parte integrante do serviço. Já que o consumidor do esporte participa com a sua própria energia, seja como participante ou como espectador, ele espera que o prestador do serviço forneça um ambiente condizente com a sua entrega. A terceira e última especificidade que influencia a satisfação do consumidor de um serviço esportivo está ligada a fatores sociais. Estudos realizados nos Estados Unidos estimam que somente 2% dos espectadores de ligas profissionais ou universitárias vão aos estádios por vontade própria. Isso significa que, na maioria das vezes, a decisão pela compra de um ingresso é influenciada por terceiros. Nesses casos, os ingressos costumam ser comprados por: � empresas que premiam os seus melhores funcionários; � famílias que se reúnem para apoiar o seu time favorito e � grupos de amigos que precisam de um bom motivo para tomar uma cerveja juntos. Ao ser consumido de forma analógica, o evento esportivo proporciona aos consumidores uma experiência única. 9 Competição e cooperação A realização de qualquer campeonato esportivo (futebol, basquete, voleibol, handebol, etc.) implica, necessariamente, uma competição feroz entre os prestadores de serviços esportivos. Isso acontece porque o interesse dos consumidores depende, fortemente, do nível de competição entre as várias equipes de um campeonato ou liga. Elevando o interesse dos consumidores pelo esporte, os prestadores de serviços esportivos podem estimulá-los a: � comparecer aos jogos; � comprar os produtos de merchandising e � assistir às transmissões na televisão. Mas nem tudo é competição no mundo dos serviços esportivos. Frequentemente, a maximização dos lucros, durante um campeonato ou uma liga, requer cooperação entre as equipes quanto à política de marketing. Isso pode ocorrer de forma bastante estreita, restringindo-se, por exemplo, à venda conjunta dos direitos de transmissão televisiva, ou ser mais abrangente. Nas ligas profissionais dos Estados Unidos, por exemplo, omerchandising e o recrutamento de jogadores são governados por uma forte cooperação entre as equipes. Controle sobre o produto esportivo De certa forma, os profissionais de marketing têm pouco controle sobre o produto esportivo e, em algumas indústrias, a venda de um produto pode ser dificultada pela sua cor, pelo seu estilo, pela sua embalagem ou por qualquer outro critério preestabelecido. Nesse caso, o profissional de marketing pode trocar ideias com o responsável pela produção ou com a equipe de pesquisa e desenvolvimento de produtos para que desenvolvam as mudanças necessárias ao aprimoramento do produto e tornem o produto mais atraente aos olhos dos consumidores. No entanto, no esporte, é quase inconcebível que o profissional de marketing peça ao treinador que modifique o estilo de jogo da sua equipe para atrair mais espectadores. No caso específico do futebol brasileiro, os departamentos de marketing têm grande dificuldade até mesmo de implementar ações previstas em contrato, como ações promocionais. Isso acontece porque, segundo a cultura local, os departamentos de futebol podem mudar o acordado, se assim julgarem necessário, para preservar o bom ambiente dos jogadores. 10 Embalagens e pacotes Em qualquer indústria, a embalagem é a arte de proteger e apresentar um produto. O seu design possibilita diferenciar um produto esportivo de outro, produzido pelo concorrente. Além disso, exerce inúmeras funções adicionais, como: � proteção; � transporte; � armazenamento e � facilidade de abertura. Na área esportiva, a embalagem de produtos ganha um significado muito particular. Profissionais de marketing desenvolvem, frequentemente, várias embalagens para um produto básico. Dessa maneira, atraem uma gama maior de consumidores. Um evento esportivo também pode ser embalado, ou seja, enriquecido, com uma série de atividades, benefícios e produtos subsidiários. Dessa forma, são criados os pacotes. Os vendedores de franchises da Associação Nacional de Basquete (NBA), nos Estados Unidos, oferecem uma variedade de pacotes de assinatura. O mais barato inclui somente as entradas para os jogos nos piores lugares. Já o pacote mais caro oferece entradas para os melhores lugares, além do serviço de valet gratuito e um convite para a festa oficial de gala no fim do ano. O conceito de venda de pacotes é também amplamente utilizado na área de patrocínio, assim como na venda dos direitos de transmissão televisiva. Nesses casos, os direitos audiovisuais são divididos em pacotes pelos seus detentores para maximizar os lucros sobre a sua venda. É o que ocorre com o Campeonato Brasileiro de Futebol. Consumidor de esportes Podemos medir os resultados das políticas de marketing com base nas vendas, na notoriedade, nas preferências, na lealdade, etc. Essa medição em relação ao consumidor de esportes já se tornou prática quase rotineira, assim como os numerosos estudos que têm levado a uma melhor compreensão das fases iniciais e finais de um processo de compra. No entanto, a fase intermediária desse processo, que acontece no cérebro do consumidor, é ainda um enigma a ser decifrado. Dessa forma, é imprescindível que o profissional de marketing analise o consumidor atual e potencial, de modo a apreender: � as suas motivações; � as suas necessidades; � o seu comportamento e � o seu processo de compra. 11 Motivações e necessidades A maioria dos estudos sobre motivação de consumidores de esportes ressalta que a motivação para o consumo é variada e multidimensional. Wann (2001), por exemplo, propõe uma classificação em oito níveis: 1. eustress ou estresse positivo; 2. entretenimento; 3. autoestima e engrandecimento pessoal; 4. escape da vida cotidiana; 5. necessidade de afiliação ou pertencimento a um grupo; 6. ganhos econômicos; 7. motivos de família e 8. valor estético do esporte. Já as necessidades, segundo a teoria econômica, resultam de um sentimento de carência a ser preenchido pela oferta comercial ou gratuita. Por um lado, não é possível satisfazer todas as necessidades. Por outro, certas necessidades podem ser satisfeitas naturalmente, sem precisar recorrer a ofertas, como quando fazemos escaladas com amigos pelo prazer ou corremos para manter a forma. Demanda por esportes de competição e lazer Para Jacques DeFrance (2006), o esporte moderno é definido segundo duas éticas: � a ética do esporte competitivo, voltada para resultados e � a ética do esporte. A demanda pelo esporte competitivo surge da sua dimensão de conflito e da necessidade do esporte de confronto. Um exemplo disso é a necessidade de praticar uma forma de violência pacífica, à custa de intensos esforços e de sacrifícios físicos. Essa necessidade se insere, principalmente, no âmbito institucional, por meio da oferta de federações e associações nacionais – e internacionais, para a elite do esporte. A cultura também influencia fortemente a escolha pelo esporte competitivo. A demanda por esportes de competição é extremamente importante para o comércio, devido às suas oportunidades econômicas, que incluem reunir, de uma só vez, os atletas que praticam os esportes e os entusiastas do esporte que não o praticam. No entanto, embora haja ampla cobertura do esporte competitivo na mídia, a demanda por esse tipo de esporte é 12 relativamente baixa, ficando bem atrás das demandas que envolvem a busca por saúde, prazer e relaxamento por meio dos chamados esportes de lazer. A demanda por esportes de lazer se baseia em várias motivações e é de difícil identificação. Isso acontece porque, normalmente, ocorre à margem das federações e associações. Há vários prestadores desse tipo de serviço, como os clubes de fitness. Além disso, muitas pessoas que praticam esses tipos de esporte podem, facilmente, fazê-lo por conta própria. Mesmo assim, o setor é de grande interesse para o comércio e, à medida que as oportunidades de realizar lucros crescem, a oferta se desenvolve e intensifica cada vez mais. Influenciadores Nossa compreensão do consumidor não estaria completa se não olhássemos para os grupos de referência e os formadores de opinião, ambos responsáveis por exercer forte influência sobre o comportamento e as decisões dos consumidores. O uso de influenciadores é amplamente praticado no esporte. O profissional de marketing deve, no entanto, avaliar a imagem do influenciador em relação à imagem do produto e selecionar o que for mais apropriado, pois a opinião pública poderá ser positiva ou negativamente atingida por ele. A seguir, veremos cada um desses influenciadores com mais detalhes. Grupos de referência Vejamos como R. Muchielli define grupo de referência: “[...] grupo ao qual o sujeito em consideração não, necessariamente, pertence, seja fisicamente ou no momento em que está sendo considerado, mas do qual extrai, de forma mais ou menos consciente, suas opiniões, seus princípios, seus valores e seus objetivos.” Um grupo de referência é, portanto, um grupo de pessoas ou uma organização que o indivíduo respeita, de que deseja fazer parte ou com o qual se identifica. 13 Devido ao seu alto grau de influência, os profissionais de marketing recorrem, com frequência, a grupos de referência para comunicar a oferta de produtos. Essa influência é exercida a partir de três aspectos, podendo o grupo de referência ser considerado: a) Fonte de informação: Quando o indivíduo se identifica com a credibilidade e a expertise do grupo de referência. b) Fonte de comparação: Quando um indivíduo associa os seus valores, atitudes e estilo de vida ao grupo de referência com o qual concorda ou discorda, o que fortalece as suas opiniões, a sua autoestima e o seu ego. c) Fonte de princípios: Quando o grupo de referênciasegue os seus próprios preceitos e códigos precisos, que passam a ser também seguidos pelo indivíduo por ele influenciado. O poder e a influência exercidos por um grupo de referência aumentam à medida que a sua credibilidade ganha força, o que é melhor alcançado quando a expertise limita-se a somente uma área. Formadores de opinião Alguns indivíduos exercem – ou têm o poder de exercer – influência pessoal sobre as atitudes, o comportamento e a opinião de outros indivíduos. Aqueles mais capazes de exercer essa influência são chamados de formadores de opinião. Devido ao seu alto nível de cobertura na mídia, a indústria do esporte gera muitos formadores de opinião. São as personalidades consideradas experts na sua área. O uso de formadores de opinião no marketing esportivo não é uma prática recente. Atletas de alto nível têm sido usados para representar marcas e produtos há décadas. Nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, a Adidas já fornecia tênis de corrida a Jesse Owens em troca do uso da sua imagem e do seu nome. No Brasil, em 1939, foi lançado o chocolate Diamante Negro, 14 endossado pelo jogador de futebol Leonidas da Silva, conhecido pelo menos nome do chocolate e considerado, um ano antes, o melhor jogador do mundo. Os formadores de opinião devem testar amostras, protótipos ou mesmo novos produtos, antecipadamente. Essa é uma maneira de inserir os produtos em um processo de marketing, prática que possibilita reforçar certa lealdade e coletar um feedback valioso enquanto um produto novo está sendo desenvolvido. Além disso, pode assegurar uma boa divulgação boca a boca e uma exposição na mídia com baixo custo. Os atletas que alcançaram grande sucesso têm sido utilizados também em casos de expansão da marca. Nos Estados Unidos, por exemplo, treinadores são frequentemente chamados pelos fornecedores de equipamentos para representar os seus produtos. Já no Brasil, a utilização do patrocínio de camisa diferenciado para o uniforme do técnico de futebol tem sido crescente. As repercussões econômicas e de divulgação tornam esse investimento bastante lucrativo para os patrocinadores, especialmente por meio das transmissões televisivas dos jogos. Ao mesmo tempo, esse tipo de investimento cria uma nova propriedade para os clubes patrocinados. Segmentação Como vimos, o profissional de marketing deve conhecer e entender os consumidores atuais e potenciais dos seus produtos. Deve também conhecer os seus concorrentes a fundo. Essa necessidade é extremamente facilitada pelo uso de sistemas de pesquisa e informação de marketing, Os sistemas de pesquisa e informação de marketing auxiliam o profissional de marketing a organizar a informação coletada para que ela faça sentido, ou seja, auxiliam no processo de segmentação de clientes. A segmentação torna possível dividir o mercado em subconjuntos homogêneos, os segmentos, que são utilizados como base para a tomada de decisões estratégicas relacionadas à: � oferta de produtos; � precificação; � distribuição e � política de comunicação. O profissional de marketing deve então levar em conta os vários segmentos, a interação entre eles, o espaço que poderão ocupar na sua empresa e o impacto que poderão ter na sua organização e na oferta de produtos. 15 Estágios de segmentação A segmentação tem dois estágios: � macrossegmentação e � microssegmentação. Veremos cada um deles a seguir. Macrossegmentação A segmentação de uma indústria pode ser definida como a sua divisão em subunidades homogêneas (setores ou segmentos) no contexto de uma abordagem estratégica. A compreensão dos segmentos da indústria do esporte permite que uma empresa desse ramo conheça melhor os seus próprios produtos. Possibilita também que a empresa identifique e acompanhe os seus concorrentes com frequência e então defina, com mais eficiência, a sua estratégia. A macrossegmentação se baseia em organizações existentes e na sua oferta de produtos, possibilitando a identificação das esferas de atividade estratégica, ou seja, das áreas do mercado em que a empresa deseja estar presente. O modelo de segmentação proposto por Pitts, Fielding e Miller (1994) divide a indústria do esporte em três grandes grupos: � o segmento de esporte de desempenho; � o segmento de produção do esporte e � o segmento de promoção do esporte. 16 No quadro a seguir podemos ver as características dos produtos oferecidos a cada um desses segmentos segundo Pitts, Fielding e Miller (1994). Quadro 1 – Segmentação da indústria do esporte esporte de desempenho produção do esporte promoção do esporte produtos Produtos esportivos oferecidos a clientes como participantes ou espectadores. Produtos esportivos necessários (ou desejados) para a produção do esporte ou para influenciar a qualidade do desempenho esportivo. Produtos esportivos usados para promover o esporte. onde ou por quem são usados � esporte amador; � esporte profissional; � provedores particulares do esporte; � provedores sem fins lucrativos do esporte; � transmissões televisivas de eventos esportivos; � educação no esporte e � academias. � promoção do esporte; � instalações esportivas; � entidades de regulamentação do esporte; � oficiais, árbitros; � agências de marketing esportivo e � médicos do esporte, fisioterapeutas. � mídia; � eventos promocionais; � merchandising; � patrocínio de times, eventos, atletas, ligas, circuitos e � propaganda. Existem outros modelos de segmentação na indústria do esporte, como os de Parks e Zanger (1990), e de DeSensi et al (1994). No entanto, a classificação de Pitts, Fielding e Miller ainda é a mais utilizada. 17 Microssegmentação Ao contrário da macrossegmentação, que é baseada nas empresas existentes e na sua oferta de produtos, a microssegmentação é baseada no consumidor. A microssegmentação tem como objetivo dividir os consumidores de um mesmo segmento industrial em subgrupos homogêneos, o que possibilita a adoção de estratégias adaptadas e específicas para cada segmento de mercado, isto é, para cada subgrupo de consumidores. Kotler define essa microssegmentação como “a identificação e moldagem de vários grupos de consumidores, a quem uma oferta de produto específico, com um mix de marketing específico, possa ser oferecida.” Para elevar a eficiência do seu processo de planejamento de marketing, o profissional de marketing deve responder, incialmente, às seguintes perguntas: � Quem são meus clientes atuais? � Quem são meus clientes potenciais? � Quais são os grupos homogêneos a serem abordados? Cada esporte atrai consumidores com diferentes características. É claro e óbvio que as pessoas que veem luta livre na televisão são diferentes das que jogam polo. Por conta disso, é necessário que o profissional de marketing caracterize os grupos distintos de consumidores existentes. Neste módulo, analisaremos as estratégias de marketing aplicando-as ao setor de esportes. Para tanto, faremos uma análise do ambiente e do consumidor, abordando as forças competitivas e o modo como podem atuar no marketing esportivo. Por fim, trabalharemos com a matriz Swot e mostraremos as opções de estratégia passíveis de utilização em uma organização do esporte. Análise estratégica A estratégia consiste na escolha dos principais caminhos que, nos médio e longo prazos, assegurem o desenvolvimento e o futuro de uma organização. Essas escolhas são resultado tanto de uma análise estática da empresa e do seu ambiente, quanto de uma reflexão acerca do seu futuro desenvolvimento. É importante ressaltarmos que os conceitos de estratégia e tática são provenientes da arte da guerra, oque leva ao uso de certas expressões no mundo industrial e associativo, como “lutar para ganhar”, “concentrar as suas forças”, “calcular os riscos”, etc. Em marketing, os conceitos de estratégia e tática se aplicam no sentido de que uma organização deve entender as necessidades dos seus clientes e adaptar a sua oferta de acordo com elas. Além disso, deve levar em conta a concorrência em um mercado que se modifica rapidamente. MÓDULO II – ESTRATÉGIA DE MARKETING 20 O objetivo da empresa, ao usar tais estratégias, é defender e ampliar a sua fatia de mercado. A empresa precisa, portanto, posicionar a sua marca e ser melhor que a sua concorrência. Dessa forma, o consumidor reconhecerá as suas singularidade e superioridade. Estágios da análise estratégica Podemos identificar três grandes situações de mercado. Vejamos: � quando o mercado está expandindo e manter a participação no mercado é suficiente para gerar lucro; � quando o mercado está estagnado e é necessário aumentar a participação no mercado à custa da concorrência e � quando o mercado está em regressão e não há alternativa senão impor a sua marca ou retirar-se. Considerando essas situações, em uma abordagem tradicional, a análise estratégica pode ser dividida em cinco estágios: 1. divisão da empresa em esferas de atividade estratégica; 2. análise da concorrência em cada esfera de atividade estratégica – por meio de uma análise Swot; 3. escolha da nova estratégia para cada esfera de atividade estratégica; 4. arbitragem da destinação de recursos para cada esfera de atividade estratégica – por meio de ferramentas como a matriz BCG ou a matriz McKinsey e 5. evolução do perímetro de atividades em direção a novas esferas de atividade estratégica – diversificação, internacionalização, integração vertical ou externalização, fusões e aquisições, alianças ou parcerias. Antes disso, no entanto, é importante que a organização esportiva defina a sua estratégia de marketing. Para tanto, é preciso analisar a sua situação atual, considerando dois parâmetros-chave: o consumidor e ambiente. O consumidor pode ser examinado por meio de parâmetros como: � estilo de vida; � processo de decisão de compra; � influência do ambiente nesse processo e � lealdade. Já o ambiente deve ser analisado com base nos mercados, setores ou segmentos em que a organização se desenvolve. 21 Porter define setor como “uma unidade composta de grupos de organizações que fabricam produtos que são substituíveis entre si.” Devemos ressaltar, entretanto, que as bordas de um setor não são tão fáceis de serem determinadas, pois: � um setor raramente é fixo; � a concorrência evolui constantemente e � as organizações e os fornecedores podem aparecer e desaparecer de determinado setor rapidamente. Além disso, as necessidades e demandas dos consumidores de determinado setor estão em constante evolução. Obstáculos à entrada Não é fácil para uma organização ingressar em um novo setor. Como é considerada uma força competitiva, a organização sempre encontrará obstáculos à sua entrada. Segundo Porter, existem cinco forças competitivas cuja análise nos permite determinar a situação dos setores em que uma organização opera. Vejamos quais são elas no quadro a seguir. Quadro 2 – Cinco forças competitivas de Porter força problema participantes potenciais ameaça de novos participantes substitutos ameaça de produtos substituíveis compradores poder de negociação fornecedores poder ser negociação concorrentes do setor concorrência entre empresas existentes No quadro apresentado, os participantes potenciais são uma força competitiva e, obviamente, são considerados uma ameaça para as organizações já existentes. Isso acontece porque qualquer novo participante modifica o equilíbrio do setor em que ingressa, devido à sua nova capacidade de produção, aos seus grandes investimentos, e ao desejo e determinação agressiva de conquistar participação no mercado. 22 A nova organização deve esperar então uma reação, com maior ou menor agressividade, das empresas já estabelecidas no setor. Deve também enfrentar muitos obstáculos à sua entrada, que incluem: � economia de escala; � diferenciação de produto; � requisitos de capital; � custos de transferência; � acesso a canais de distribuição; � desvantagens de custos independentes da escala de produção e � política governamental. Vejamos cada um desses obstáculos detalhadamente: a) Economia de escala: A economia de escala é muito restritiva e obriga qualquer novo participante a começar, imediatamente, a produzir em grande escala para competir por meio do preço, o que a leva a correr grandes riscos, ou iniciar produzindo em uma escala menor, mas com uma estrutura de custos desfavorável. Os riscos são relacionados aos grandes investimentos e a uma forte reação por parte das organizações concorrentes. Essa situação se torna ainda mais verdadeira à medida que o setor amadurece e que as inovações de natureza tecnológica surgem. b) Diferenciação: O ingresso em um setor pode ser delicado para qualquer novo participante, caso as organizações já estabelecidas tenham uma boa reputação, um bom nível de lealdade dos clientes e uma boa imagem de marca. Essas organizações se beneficiam de toda uma história no mercado e são mais difíceis de destronar. Um exemplo é o papel histórico de Jake Burton Carpenter, fundador da Burton Company, no desenvolvimento do snowboard. c) Requisitos de capital: Qualquer esforço de ingressar em um novo mercado requer, obviamente, investimento. E todo investimento é um risco. Esse risco poderá ser ainda maior se os gastos comprometidos forem destinados à propaganda ou à pesquisa e ao desenvolvimento, e pode aumentar ainda mais em caso de setores já amadurecidos, em que os processos de fabricação já estão bem racionalizados. 23 d) Custos de transferência: Custos de transferência são os custos imediatos que o comprador tem de assumir quando muda de fornecedor. Esses custos abrangem: � treinamento de pessoal; � compra de novo equipamento auxiliar; � testes de novas fontes de suprimentos e � necessidade de assistência técnica ou remodelagem do produto. e) Acesso a canais de distribuição: A necessidade de construir toda uma nova rede de distribuição poderá ser uma tarefa bastante desalentadora para o novo participante. No setor automobilístico, por exemplo, é necessário contar com uma rede de vendedores. Já na indústria do esqui, com uma rede de varejistas e companhias subsidiárias. f) Desvantagens de custos independentes da escala de produção: As organizações já estabelecidas em um setor podem ter vantagens de custos que os novos participantes podem não conquistar, seja qual for o nível do seu investimento. Essas grandes vantagens podem ser: � técnicas – patentes; � geográficas – key sites; � oficiais – subsídio público e � internas – curva de aprendizado. g) Política governamental: O Estado pode limitar ou proibir o acesso a alguns setores por meio de restrições, como a obrigação da licença ou a limitação do acesso à matéria-prima. No esporte, muitos setores impõem restrições semelhantes. Por exemplo: � as ligas profissionais americanas, que são fechadas, e novos participantes precisam ser aceitos pelos sócios existentes; � as federações internacionais de esportes, que reconhecem apenas uma federação para cada país e � o número limitado de clubes que disputam a primeira divisão do campeonato brasileiro de futebol. 24 Ameaça por substituição de produtos Alguns produtos de reposição precisam ser acompanhados mais de perto. São os produtos que estiverem sofrendo melhorias na sua relação custo-benefício, em comparação aos outrosprodutos do setor, ou mesmo os que são fabricados em setores em que os lucros são maiores. No esporte, o futebol constitui séria ameaça nos países onde o seu potencial ainda não foi desenvolvido. Na Austrália, esportes como críquete e rugby, com regras australianas, são mais praticados e mais populares. No Brasil, por outro lado, o crescimento da popularidade dos chamados esportes radicais, como surfe e skate, entre o público jovem pode ser, no longo prazo, uma ameaça à popularidade do futebol. Poder de negociação O poder de negociação pode ser empenhado pelo cliente ou pelo fornecedor, como veremos a seguir. Poder de negociação do cliente A lucratividade do setor tende a diminuir quando os clientes têm o poder de: � derrubar preços; � negociar mais serviços ou melhor qualidade e � provocar a competição entre si. Em certos casos do esporte, os clientes têm grande poder de negociação. Isso acontece porque organizações ou eventos de maior prestígio (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Fórmula 1) vendem pacotes a patrocinadores que estão fora da esfera dos esportes. Dessa forma, muitas vezes, as organizações se deparam com os seus clientes sendo assediados por muitas outras organizações esportivas ou culturais, para venda de patrocínio. Poder de negociação do fornecedor O poder de negociação dos fornecedores pode derivar de ameaças quanto ao aumento dos seus preços e quanto à redução da qualidade dos seus produtos ou dos serviços que oferecem. Utilizando o seu poder, os fornecedores podem, no longo prazo, comprimir a rentabilidade de um setor. Isso acontece quando o setor não pode transferir os aumentos praticados pelos fornecedores para os preços de venda dos seus produtos. 25 Um grupo de fornecedores será poderoso se as seguintes condições se aplicarem: � o grupo de fornecedores é dominado por poucas empresas e possui estrutura mais concentrada do que o setor a que vende; � o grupo de fornecedores não é obrigado a lutar contra produtos de substituição; � o setor não é consumidor significativo do grupo de fornecedores e � o produto do fornecedor constitui um meio importante de produção na esfera de atividade do cliente. No esporte, o poder de negociação do fornecedor é, particularmente, verdadeiro no tocante à relação que alguns fornecedores de equipamentos esportivos têm com os seus fornecedores de materiais. São, principalmente, empresas do ramo químico ou metalúrgico de grande porte, para quem é essencial fornecer. A indústria do esporte é largamente dominada pelos seus fornecedores, mas consegue equilibrar esse relacionamento. Esse equilíbrio ocorre porque os fornecedores podem usar a imagem dos seus produtos na sua estratégia de comunicação. Rivalidade dos concorrentes A força da rivalidade entre concorrentes existentes deriva da interação de vários parâmetros estruturais: � concorrentes numerosos ou equilibrados; � crescimento lento do setor; � custos fixos ou custos de armazenamento altos; � ausência de diferenciação ou de custos de transferência; � aumento de capacidade em estágios significativos; � altos riscos estratégicos e � altos obstáculos de retirada. Na área do esporte, essa concorrência se dá no setor de bens de consumo de esporte, onde grandes marcas brigam por mercados já, muitas vezes, saturados. Esse é o caso de contratos de fornecedores de equipamentos oferecidos a federações nacionais de futebol. 26 Análise Swot A análise ou matriz Swot (em inglês, forças, deficiências, oportunidades e ameaças) é uma ferramenta de análise competitiva para uma esfera específica de atividade estratégica. O desenvolvimento de uma análise Swot equivale à elaboração de dois diagnósticos distintos: o diagnóstico externo e o interno. O diagnóstico externo é feito mediante a identificação de oportunidades e ameaças no ambiente. É possível desenvolver esse diagnóstico com ferramentas como: � o modelo Pestel – Pest; � as cinco forças competitivas de Porter; � a tabela de avaliação de valores por setor ou � a análise de cenários. Já o diagnóstico interno é feito mediante a identificação dos pontos fortes e fracos da organização na esfera da atividade estratégica em consideração. Essa identificação é feita por meio da comparação com os pontos fracos e fortes dos concorrentes, fornecedores, clientes e demais partes envolvidas. Nesse caso, o diagnóstico pode ser desenvolvido com ferramentas como a cadeia de valores de Porter ou o benchmarking. A formulação de opções estratégicas resulta do confronto entre os diagnósticos internos e externos. Eis a principal vantagem da matriz Swot: com base nos pontos fortes e fracos, nas oportunidades e ameaças encontrados nos diagnósticos, é possível desenvolver uma série de perguntas a serem respondidas pela organização esportiva. No quadro a seguir, podemos ver algumas dessas perguntas. Quadro 3 – Perguntas a serem respondidas com base na matriz Swot área perguntas pontos fortes � O que a sua organização sabe fazer muito bem? � Como você poderá se beneficiar desses pontos fortes? � De acordo com a sua concorrência, quais são os seus pontos fortes? � Qual era a situação financeira da organização no ano passado e há três anos? � O que torna a sua organização e os seus produtos únicos? � Como as habilidades da sua equipe contribuem para o seu bom desempenho? � O que os seus clientes especialmente valorizam nos seus produtos ou serviços? 27 área perguntas pontos fracos � Como pode melhorar? � Em quais áreas você tem menos recursos que os seus concorrentes? � Quais são os seus pontos fracos aos olhos dos seus concorrentes? � Como pode melhorar os seus pontos mais fracos? � Os seus pontos fracos estão relacionados a problemas reais do produto ou a como os seus clientes o percebem? � Você se certifica de que a sua empresa utilize sempre equipamentos tecnológicos de última geração? � O ciclo de vida dos seus produtos está em estágio de maturidade ou em declínio? � O recrutamento de novos talentos para a sua empresa poderá ser prejudicado pela falta de um sistema computadorizado de cadastro? � Quais habilidades específicas seriam necessárias para eliminar os seus pontos fracos? � Se os seus funcionários não têm o conhecimento e as habilidades necessárias, como poderá desenvolvê-los? � O que os consumidores desgostam nos seus produtos ou serviços? 28 área perguntas oportunidades � Quais boas oportunidades estão se abrindo para a sua empresa no momento? � Como poderá se beneficiar de algumas tendências de mercado? � Como poderá transformar os seus pontos fortes em oportunidades de crescimento para a sua empresa? � Quais desdobramentos da sua gama de produtos poderão impulsionar as suas vendas? � Quais ajustes no seu mix de marketing poderiam ampliar a sua participação no mercado? � Você usa o seu capital financeiro de forma aconselhável para o seu desenvolvimento? � Como poderia se beneficiar do sucesso das suas equipes de base para aumentar a venda de ingressos para assistir aos jogos do time profissional? � Como poderá explorar a sua base de dados de sócios para estimular as vendas de produtos de merchandising? � Como poderá explorar a sua base de dados de sócios para fortalecer o relacionamento da sua empresa com os seus torcedores? � Qual é a cultura da sua empresa? Qual é a mentalidade de sua equipe de funcionários? Poderia usá-los a seu favor? � Como poderia adaptar a estrutura da sua empresa para obter sucesso no lançamento de um novo produto? � Deve considerar outro segmento de mercado? � Outros segmentos de consumidores poderão se interessar pelos seus produtos? � Quais são os pontos fracos dos seus concorrentes? � A economia encontra-se em fase de desenvolvimento?29 área perguntas ameaças � Quais atuais tendências de mercado poderão ser negativas para a sua empresa? � Quais são os novos desenvolvimentos ou projetos dos seus concorrentes? � Os seus pontos fracos o expõem a quais ameaças? � A sua situação financeira é saudável o suficiente para pagar os seus compromissos? � Quem são os seus concorrentes mais ameaçadores? � A sua empresa depende demais de algum cliente ou fornecedor? � Os repetidos casos de doping no seu esporte podem prejudicar a sua empresa? � A atual queda de poder de compra poderá afetar as suas vendas? � É provável que os resultados esportivos ruins do seu time reduzam o amor e a lealdade dos seus apoiadores? � A sua equipe está pronta para aceitar novas ideias e embarcar na oferta de novos produtos? � Quais produtos do mercado são comparáveis aos seus? � Quais os pontos fortes dos seus concorrentes atuais? � Algum dos seus concorrentes está programando investimentos significativos? � Que concorrentes estão em melhor posição para roubar-lhe participação de mercado? � Que novas empresas poderiam entrar no seu segmento de mercado? � A economia, como um todo, está em fase de regressão? � Há alguma previsão de mudança de legislação que poderá limitar as suas atividades? É importante observarmos que essas questões dependem, inicialmente, do critério de avaliação escolhido pela organização em questão. 30 Opções estratégicas para alcance de vantagem competitiva Níveis estratégicos Segundo Bourgeois (1980), há três níveis estratégicos a serem identificados por uma organização que deseja obter vantagem competitiva. São eles: missão conselho estratégias divisão de esporte profissional divisão de esporte amador esporte esporte funções marketing marketing financeiro financeiro recursos humanos recursos humanos outros outros Vejamos a que se referem cada um desses níveis estratégicos: a) Missão: A missão define a razão de ser e as esferas de atividade de uma empresa, ou seja, os vários mercados em que pretende atuar. Por exemplo, a missão de um grande clube de futebol é satisfazer os seus sócios e manter todos os seus torcedores felizes com conquistas esportivas. b) Estratégia: A estratégia consiste em observar a operação da empresa em uma esfera de atividade estratégica, que considera determinado mercado e determinado segmento. Ela tem como objetivo a identificação de vantagens competitivas duráveis em comparação aos concorrentes. c) Funções: As funções se referem ao desenvolvimento e à implantação das estratégias por meio de políticas como as de recursos humanos, comunicação e marketing. 31 Vantagem competitiva: conceito Porter foi o primeiro a apresentar o conceito de vantagem competitiva. Segundo o autor, essa vantagem existe quando uma empresa é capaz de atingir o mesmo benefício que os seus concorrentes por meio do seu produto, a preços equivalentes. Lambin (2000) ampliou esse conceito, definindo a vantagem competitiva da seguinte forma: “[...] todas as características ou atributos de um produto ou marca que lhe conferem um grau de superioridade em relação a seus concorrentes diretos.” A criação e o desenvolvimento de uma vantagem competitiva dependem de vários fatores, como a estratégia dos concorrentes, os pontos fortes e fracos da própria empresa e a evolução do seu mercado ou setor de mercado. A estratégia dos concorrentes refere-se a: � sua oferta; � seu posicionamento; � sua política de comunicação e � sua rede de distribuição. Estratégias de desenvolvimento de vantagem competitiva Para alcançar vantagem competitiva, segundo Porter, a empresa deve optar por uma das seguintes estratégias genéricas: � vantagens nos custos ou � diferenciação. A empresa pode aplicar essas duas estratégias fundamentais tanto a grandes mercados quanto a mercados limitados. Ao fazer isso, ela desdobra essas estratégias genéricas em três estratégias específicas: � precificação; � diferenciação e � segmentação. A seguir, veremos cada uma delas com mais detalhes. 32 Precificação A empresa que opta pela liderança em custos, ou seja, pela estratégia de precificação, propõe-se a ser a produtora ou prestadora de serviços de baixo custo no seu mercado, considerando determinado nível de qualidade. Essa estratégia enfatiza a eficiência, isto é, o alcance de um objetivo com o mínimo de gasto possível, por meio da economia de escala e dos efeitos e benefícios da curva de aprendizagem. A oferta do produto é, portanto, geralmente básica e sem supérfluos. O sucesso dessa estratégia requer a busca contínua pela redução de custos em todas as áreas da empresa. Dessa forma, frequentemente, requer uma política de distribuição intensiva ou de massa. Além disso, depende de uma política de comunicação que mostre, claramente, essa política de preço baixo como algo positivo para o consumidor. Outro ponto importante refere-se à necessidade de a empresa contar com uma grande participação no mercado ou com o acesso preferencial à matéria-prima, à mão de obra ou a outra variável de input. Qualquer concorrente poderá, facilmente, copiar a estratégia de uma empresa caso ela não obtenha uma dessas vantagens. Quanto à implementação, muitas vezes, a estratégia de liderança com base na precificação depende da habilidade da empresa quanto à fabricação e ao desenvolvimento do design do produto, o que pode simplificar o processo de produção, dar acesso a vantagens de financiamento e facilitar a observação da produtividade dos funcionários. Todos esses fatores contribuem para manter os custos baixos. Na área do esporte, alguns fornecedores de equipamentos e distribuidores de artigos esportivos aplicam a estratégia de precificação. Um exemplo é a Decathlon, uma distribuidora de produtos esportivos franceses, e a sua marca de produtos para montanhismo, a Quéchua. A marca Quéchua é, geralmente, vendida com preços 30% abaixo dos praticados pelos concorrentes, o que é resultado de uma extensiva integração vertical: a Decathlon trata de todas as etapas de produção, desde o design até a venda, sem pagamentos ou margem para intermediários. Muitas operações são subcontratadas no exterior, como na China e em Maghreb. Também há negócios esportivos em que a estratégia de precificação não é aplicada, como no caso do futebol profissional. Nesse esporte, os elementos-chave para o sucesso são os resultados no esporte, os jogadores célebres, a infraestrutura moderna, etc., e os torcedores estão preparados para pagar a mais por isso. 33 Diferenciação A base da diferenciação está na criação de um produto cujos atributos ou benefícios levem o cliente a percebê-lo como único. Para que essa estratégia obtenha sucesso, esses atributos ou benefícios precisam levar ao consumidor um valor maior do que o oferecido pelos produtos dos concorrentes. Se um consumidor percebe um produto como exclusivo, o seu preço tende a perder elasticidade. Isso significa que a demanda passa a ser menos sensível a mudanças de preço e, mesmo assim, os clientes tornam-se cada vez mais fiéis. Por outro lado, essa estratégia pode gerar custos específicos referentes à política de diferenciação e levar à necessidade de apresentação de uma política premium de preços. Quanto à implementação, a estratégia de liderança com base na diferenciação requer que a empresa: � tenha grande competência em pesquisa e desenvolvimento; � tenha talentos criativos; � estabeleça um bom relacionamento com a sua rede de distribuição; � conte com boa expertise em marketing; � adote um sistema de premiação baseado em objetivos qualitativos, e não quantitativos; � seja capaz de manter uma comunicação eficiente, informando as qualidades únicas e osbenefícios da sua oferta; � esteja, continuamente, à procura de inovações e melhorias, e � atraia funcionários altamente qualificados e criativos. Uma estratégia de diferenciação implica, em última instância, a criação e a consolidação de uma marca. Quase todos os clubes profissionais de futebol implantam estratégias de diferenciação. Em contrapartida, aumentam os preços dos ingressos para a temporada como uma maneira de compensar esses custos adicionais, relativos à oferta que querem e julgam que seja única. A diferenciação tem como objetivo criar ou manter uma ou mais vantagens competitivas. Segmentação Na segmentação, também chamada de estratégia de foco ou estratégia de nicho, a empresa foca mercados estreitos ou segmentos de mercado (setores). Essa estratégia se baseia na ideia de que, ao focar uma fatia estreita de mercado, a empresa poderá desenvolver uma oferta e um mix 34 de marketing que melhor atendam às expectativas dos consumidores do mercado em questão. Depois de selecionar os segmentos, a empresa deve optar entre buscar uma vantagem nos custos ou uma vantagem de diferenciação. Quanto à implementação, a estratégia de liderança com base na segmentação pode ser implementada em setores da indústria: � que não sejam vulneráveis a produtos substitutos; � cuja concorrência seja fraca e não muito ativa, e � cujos retornos sobre investimentos estejam acima da média. Empresas que fornecem gramado artificial para campos de futebol são um exemplo de organização que opera em um nicho bem específico. Esse é um mercado relativamente jovem, que está crescendo e cujos clientes (clubes profissionais de futebol) são altamente visados. Neste módulo, temos como tema principal o mix de marketing, também chamado de 4 Ps de marketing, e analisaremos, detalhadamente, as quatro variáveis que compõem esse mix: produto, preço, praça e promoção. Durante a nossa análise, veremos as estratégias utilizadas pelas organizações para cumprir os seus objetivos de marketing no esporte. Produto Um mix de marketing é composto pelos seguintes elementos: � produto; � preço; � local – distribuição e � divulgação – comunicação. O desenvolvimento de um mix marketing requer a definição de cada uma das prioridades da empresa com precisão e também a combinação e o equilíbrio certos para posicionar o produto corretamente. O consumidor busca o produto certo, com o preço certo, no local certo, e quer ser bem informado. As fases iniciais de pesquisa de marketing fornecem a base de reflexão para a elaboração do mix de marketing. Também servem como base para reflexão a respeito de qualquer informação relacionada ao consumidor, aos concorrentes, à própria organização e ao seu ambiente. MÓDULO III – MIX DE MARKETING 36 Os elementos do mix de marketing não são independentes entre si. Dessa forma, durante o desenvolvimento de um mix de marketing, é necessário considerar cada um dos seus componentes separadamente e também a maneira como interagem. O produto, primeiro elemento a ser estudado, é o elemento central do mix de marketing e transcende o produto de consumo, ou serviço isolado, sendo associado a um conjunto de funções e benefícios pelo consumidor. Em outras palavras, o produto é visto como o agente da satisfação das necessidades do consumidor. Dessa forma, o profissional de marketing precisa tomar inúmeras decisões significativas quanto aos produtos da sua organização. Uma dessas decisões diz respeito ao número de produtos e aos tipos de produto a serem propostos. Essa escolha criará o mix de produtos, também chamado de linha de produtos. Qualquer decisão relacionada à linha de produtos de uma organização é vital, pois uma organização só existe por meio da linha de produtos que oferece aos seus consumidores. O produto deve atender às necessidades do consumidor. Um consumidor insatisfeito buscará outra fonte de satisfação. O lançamento de um novo produto ou de uma inovação significativa, por exemplo, determina o desenvolvimento futuro de uma empresa. Em uma estrutura pequena, qualquer erro nesse processo pode ser fatal. Por conta disso, alguns fatores, relacionados ao contexto das grandes escolhas de uma política de produtos, devem ser levados em conta. Entre eles, temos: � os outros elementos do mix; � a determinação do preço de venda; � a montagem de uma campanha de comunicação e � a definição de uma rede de distribuição. Essa política de produtos é um reflexo clássico das principais orientações estratégicas de uma organização. Utilidades e benefícios do produto De acordo com Stanton et al. (2001), a utilidade se refere aos atributos de um produto ou serviço de consumo que permitem a satisfação das necessidades do consumidor. Boone e Kurtz (2009) definem quatro tipos de utilidade do produto: � utilidade da forma; � utilidade de tempo; � utilidade de lugar e � utilidade de posse. 37 Um consumidor pode, por exemplo, desejar uma raquete de tênis especifica, com as seguintes utilidades: � forma – com fibra de carbono, Kevlar, encordoamento de tripa natural; � tempo – antes do início da temporada de tênis; � lugar – em uma loja próxima de onde mora e � posse – que possa comprar. Diferentemente das utilidades, que são mais concretas, os benefícios representam tudo aquilo que o consumidor pode abstrair de um produto ou serviço de consumo. Esses benefícios podem ser tangíveis, incluindo as funções do produto ou serviço, ou intangíveis, incluindo itens como qualidade, segurança, relação custo-benefício, imagem, etc. O consumo se baseia não só em atributos identificáveis e comparáveis, como o preço, mas também nas emoções. Dessa forma, os benefícios desejados por diferentes consumidores de um mesmo produto podem ser também diferentes. A compra de um produto esportivo tão simples como uma raquete de tênis pode ser condicionada a uma gama de motivações subliminares. Um consumidor pode comprar a raquete por motivos puramente técnicos. Outro consumidor pode realizar a compra motivado pela perspectiva de recuperar a sua forma física. Já um terceiro consumidor pode comprar a mesma raquete por ser da marca utilizada pelos campeões que admira. Gerenciamento do mix de produtos O gerenciamento do mix de produtos, também chamado de política de produtos, abrange todas as decisões relacionadas à gama e às linhas de produtos. Nesse etapa, é preciso saber, portanto, qual gama de produtos será oferecida, quais linhas serão incluídas nessa gama, quais produtos serão mantidos ou abandonados e quais serão lançados. Esse gerenciamento constitui um dos maiores desafios de qualquer organização de esportes. No linguajar do marketing, isso significa gerenciar: � o ciclo de vida dos produtos; � o posicionamento da empresa; � o desenvolvimento de novos produtos; � a extensão de linhas de produtos e � a diversificação de produtos. 38 Abrangência, profundidade e coerência do mix de produtos Um mix de produtos (sortimento de produtos ou gama de produtos) abrange a totalidade dos produtos oferecidos. As várias linhas de produtos de um mix são compostas, por sua vez, de uma variedade de produtos. Em uma organização de esportes, esse mix é, geralmente, definido pela sua abrangência, profundidade e coerência. A abrangência traduz o número de linhas de produtos disponíveis. A profundidade se refere ao número de produtos em uma mesma linha. Já a coerência descreve a similaridade, ou não, das diferentes linhas de produtos. Para um fornecedor de serviços esportivos, como um clube de esportes aquáticos, o mix de produtos será composto, provavelmente, de vários serviços. Todos esses serviços estarão, no entanto, em torno da mesma necessidade genérica relacionada a esportes de lazer em um ambiente aquático,podendo gerar um mix mais ou menos amplo. Vejamos alguns exemplos de itens que podem fazer partes desse mix: � natação; � vela; � canoagem; � kayak; � pedalinho; � áreas de recreação para crianças e � catering. O número de linhas de produtos dependerá das necessidades identificadas à época da realização dos estudos de pesquisa de marketing. Cada linha poderá então ser composta de produtos criados, especificamente, com a intenção de responder a determinada demanda da melhor forma possível. No caso de um clube de esportes aquáticos como o do nosso exemplo, poderia haver produtos como: � fórmulas de cursos de treinamento por um dia ou por uma semana, ou contratação de produtos náuticos e � oferecimento de catering com lanches e bebidas em quiosques e um restaurante aberto à noite. A escolha desse mix de produtos reflete tanto a estratégia de marketing adotada (quais segmentos, quais consumidores-alvo) quanto os recursos (financeiros, humanos, tecnológicos) disponíveis à organização de esportes. 39 No quadro a seguir, podemos ver alguns exemplos de mix de produtos, de linhas de produtos e de produtos disponíveis em cada uma dessas linhas na indústria esportiva. Quadro 4 – Mix de produtos e linhas de produtos organização mix de produtos (gama) linhas de produtos produtos disponíveis na linha de produtos centro esportivo fitness aulas de aeróbica aeróbica de baixo impacto aeróbica para crianças aeróbica para terceira idade aeróbica avançada emagrecimento bar e restaurante musculação musculação musculação musculação livre musculação específica, como sessão de musculação antes da temporada de esqui bronzeamento artificial massagem testes de condicionamento outros esportes, como tênis, natação e vôlei aulas de tênis competições de iniciantes competições de nível avançado torneios no clube loja 40 organização mix de produtos (gama) linhas de produtos produtos disponíveis na linha de produtos National Collegiate Athletic Association (NCAA School, USA) – Associação Atlética de Colégios Nacionais esportes femininos esportes femininos individuais atletismo natação cross-country tênis esportes femininos em equipes basquete vôlei futebol esportes masculinos equipamentos esportivos equipamentos de golfe golfe clubes de golfe bolas de golfe calçados para golfe equipamentos de tênis tênis raquetes de tênis encordoamento bolas de tênis Poucas organizações esportivas – talvez, nenhuma – oferecem somente um produto ou serviço no mercado. No entanto, o produto base é, geralmente, fácil de identificar e descrever, mesmo que tenha sido frequentemente enriquecido por produtos ou serviços adicionais, que chamamos de extensões do produto. Por exemplo, em um clube de futebol, os 90 minutos do espetáculo esportivo são o produto base oferecido aos espectadores no jogo e na TV. No entanto, além da partida de futebol, os clubes oferecem toda uma gama de produtos e serviços subsidiários, como catering, merchandising e programas das partidas. Isso não significa que eles operem na indústria alimentícia, têxtil ou gráfica. Esses são produtos gerados com a intenção de acrescentar renda em torno do produto base. 41 Merchandising e licenciamento Irwin e Stotlar (1993) definem o licenciamento como “a autorização que é conferida a um terceiro para usar um logotipo, design ou marca protegida.” Já a merchandising (ou produtos derivados) refere-se a todos os produtos identificados com o logotipo, o design ou a marca de uma organização esportiva. Essa última solução, a marca, é adotada, geralmente, por organizações de esportes com penetração local ou regional, proporcionando um maior controle sobre o gerenciamento do merchandising em termos de: � design; � redes de distribuição; � preço e � margens. Merchandising e licenciamento se tornaram produtos de extensão estratégicos, pois, segundo Irwin e Stotlar (1993), em termos de marketing, eles permitem aumentar a notoriedade da empresa, estimular o interesse do consumidor e gerar uma renda adicional, muitas vezes, considerável. Geralmente, isso ocorre sem aumentos substanciais de capital. Por conta disso, as vendas de merchandising experimentaram uma verdadeira explosão nos últimos anos. O aumento foi tanto que os grandes fornecedores de equipamentos esportivos passaram a entrar, regularmente, em conflito com o objetivo de obter os direitos de licenciamento das organizações de prestígio do esporte e, desse modo, criarem uma parceria. A associação a um bom fornecedor de equipamento, reconhecido no mercado, traz vantagens inegáveis para as organizações, como a notoriedade da sua marca, o acesso à sua rede de distribuição e, às vezes, até adiantamentos sobre receitas. Sucesso de produtos derivados O sucesso de produtos derivados pode ser explicado por conta da sua função de identificação. Torcedores de futebol, por exemplo, exibem os laços com os seus clubes por meio das suas roupas, que são uma lembrança de emoções compartilhadas. Outro fator importante é a relação com marcas de excelência. Esse é o motivo de milhões de camisas da seleção brasileira serem vendidas a não brasileiros. Há vários outros produtos de extensão, geralmente desenvolvidos por organizações do esporte, que estão disponíveis a quase todos os clubes profissionais de futebol, como o catering e a promoção de eventos e conferências. Esses produtos são também dignos de nota. 42 Inovação e diferenciação Há diversas razões para que as organizações de esportes tenham de inovar com regularidade. Entre elas, temos: � a necessidade de estimular as vendas; � o desejo de atingir uma nova demanda de consumo; � o desejo de melhorar a sua imagem e reputação, e � a necessidade de desenvolver o seu mercado ou novos mercados. Inovar, no entanto, nem sempre significa criar um conceito, design ou função inteiramente novos. Em muitos casos, a inovação se resume à modificação ou melhoria de produtos já existentes. Dessa forma, é possível renovar a oferta de um produto com preço e risco reduzidos, sem que seja necessário o envolvimento em uma estratégia de diversificação. Quando uma inovação se apoia em produtos ou conceitos existentes, ela é chamada de diferenciação. Segundo Tribou, um fornecedor de serviços esportivos precisa modificar, constantemente, a sua gama de produtos para lutar contra a indiferença dos seus usuários. Por exemplo, quanto um clube de fitness substituiu a ginástica aeróbica dos anos 1980 por aulas de slide, cardio-funk ou baixo impacto, ele está buscando atender às necessidades dos seus clientes por meio de uma oferta diferenciada, mas não está criando produtos totalmente novos. Uma inovação pode, portanto, ser definida como um processo: � de surgimento de novos produtos cujo caráter inovador conta com a percepção que o usuário possa ter; � que pode apoiar-se em produtos existentes e � cuja difusão deve situar-se em uma lógica de mercado que busca estender o alcance comercial ou não comercial do consumo de um produto. Os estágios envolvidos no processo de inovação são apresentados no esquema a seguir. Figura 1 – Estágios do processo de desenvolvimento de um novo produto 43 Preço O preço é, provavelmente, o componente mais manipulado e menos compreendido de um produto ou serviço. Para muitos economistas, ele é um elemento-chave, responsável pelo sucesso ou fracasso de uma empresa. Já para os especialistas em marketing, ele é apenas uma das quatro variáveis do mix de marketing, pois um produto de má qualidade, que não atenda à demanda do consumidor, não venderá independentemente do seu preço.Para alguns, a determinação do preço é uma ciência; para outros, uma arte. Os partidários da abordagem científica sugerem que fatores externos, de natureza sociológica, também são muito significativos na determinação do um preço de venda. Seja qual for a abordagem, o preço é, sem dúvida, o atributo mais sensível de um produto aos olhos do consumidor e é também uma variável de controle extremamente complexa para o vendedor, pois um preço certo reflete a imagem que o vendedor deseja associar ao seu produto. Categoriais determinantes para decisão de preço Para determinar um preço de venda, deve-se levar em conta um grande número de fatores. Esses fatores são, geralmente, agrupados em quatro categorias: � consumidor; � concorrência; � empresa que oferece o produto e � ambiente. A seguir, veremos cada uma dessas categorias detalhadamente. Consumidor Ao comprar um produto, o consumidor leva em conta muitos outros fatores além do preço. Entre as variáveis envolvidas na decisão de compra, podemos ressaltar: � qualidade do produto; � garantia; � serviço pós-venda; � imagem da empresa que oferece o produto e � reputação dessa empresa. 44 O ato da compra é fruto de todo um processo. Durante esse processo, a decisão final do consumidor pode ser afetada pela opinião de amigos, por membros da família ou pelos argumentos da equipe de vendas. Concorrência O profissional de marketing não poderá deixar de saber os preços cobrados pela concorrência e a sua estratégia de preço. Fixar um preço sem considerar os preços de mercado seria uma irresponsabilidade. Empresa Fatores específicos, ligados à empresa, podem influenciar a determinação de um preço de venda, como: � matéria-prima; � custo de tecnologia; � empréstimos; � aluguéis; � salários; � dividendos pagos aos acionistas e � natureza do negócio, seja comercial ou sem fins lucrativos. Além desses, há ainda dois fatores que também têm um importante impacto sobre o preço de venda: � efetividade – capacidade de atender a demanda em termos de qualidade de serviço e � eficiência – capacidade de minimizar o custo do serviço, especialmente os custos de mão de obra, para tornar-se o mais competitivo possível. À medida que os produtos forem mais eficientes e, portanto, menos caros, haverá ganho em efetividade, ou seja, as necessidades de mais pessoas serão atendidas. Por outro lado, ao ser inicialmente efetivo, o produto corre o risco de ser menos eficiente, já que satisfazer as necessidades dos clientes é algo caro. 45 Ambiente O ambiente inclui fatores externos sobre os quais o profissional de marketing não tem controle, como: � leis regulamentadoras de preços; � regulamentos governamentais; � situação política; � situação econômica e � clima social. Objetivos do preço de venda Entre os muitos autores que forneceram objetivos relacionados à determinação de preços, Boone e Kurtz (1998) propuseram os listados no quadro a seguir. Quadro 5 – Objetivos da determinação de preços tipo objetivos objetivos de lucratividade � retorno sobre investimento; � lucro total líquido; � aumento nos lucros em comparação ao exercício financeiro anterior e � aumento nas vendas – em valor. objetivos de volume � aumento da participação de mercado; � retenção da atual participação de mercado e � penetração de um novo segmento de mercado. objetivos relacionados à concorrência � alinhamento com preços de mercado; � elevação de prestígio e � posicionamento em termos de imagem e prestígio. objetivos de imagem e posicionamento � percepção da qualidade do produto e � imagem do produto em comparação à concorrência. 46 Abordagens de precificação Abordagem de custos A abordagem de custos é uma das formas de a empresa determinar o preço de venda de um produto. Nesse caso, usa-se a seguinte fórmula: preço de venda = custo + margem A margem desejada deverá ser acrescentada aos custos de fabricação, marketing, distribuição, etc. Dependendo dos produtos, atacadistas e pontos de venda (lojas especializadas, vendedores atacadistas) também acrescentarão a sua própria margem antes de chegar ao preço final de venda ao consumidor. A realização de lucro é, obviamente, um objetivo final de qualquer organização comercial. Algumas organizações, no entanto, não visam ao lucro. Nesses casos, mesmo que a margem em si não constitua o objetivo principal, ela continuará sendo um elemento significativo de gerenciamento, pois possibilitará custeio de pequenos investimentos. Teoria do Ponto de Equilíbrio A Teoria do Ponto de Equilíbrio é uma variação da abordagem baseada em custos que é amplamente empregada em todos os ramos da indústria. O objetivo dessa teoria é quantificar o número de unidades a serem vendidas a um preço específico, que cubra todos os custos. Os custos dividem-se em dois tipos: � custos fixos – não variam de acordo com o volume de vendas, como salários, aluguéis e depreciação, e � custos variáveis – variam conforme o volume de vendas, como matéria-prima e canais de distribuição. O custo total é então definido da seguinte forma: custo total = custos fixos + (custos variáveis X volume de vendas) 47 Método da abordagem da demanda O método da abordagem da demanda é amplamente utilizado na indústria esportiva. Segundo Howard e Crompton (2003), esse método baseia-se na identificação do preço aceitável, ou seja, do preço que os consumidores em potencial estão preparados para pagar por determinado produto. A descoberta desse preço aceitável resulta, geralmente, de pesquisas de mercado, da votação de consumidores e da análise da concorrência. O chamado preço aceitável ótimo deve ficar entre: � o preço-piso – preço mínimo, abaixo do qual o produto é julgado de qualidade baixa demais para ser comprado e � o preço-teto – preço máximo, levando-se em conta o poder de compra – frequentemente definido como a zona de aceitação. O esquema a seguir demonstra como podemos definir um preço aceitável ótimo. Figura 2 – Determinação de um preço aceitável ótimo O preço escolhido será o preço que maximiza a diferença entre os consumidores potenciais que o acharão muito alto e os que o acharão muito baixo. 48 Abordagem do valor de uso e de imagem Na abordagem do valor de uso e de imagem, o profissional de marketing procura definir um preço equivalente ao seu valor de uso com base em produtos semelhantes. Por exemplo, um fabricante de bolas de tênis que tenham durabilidade dobrada em relação às da marca líder pode fixar o seu preço de venda em quase o dobro do preço dessa marca líder, assumindo que o consumidor estará preparado para pagar mais por um produto mais durável. A imagem do produto é outro elemento que pode ser levado em consideração no estabelecimento de um preço de venda. É dever do profissional de marketing não fazer nada que possa prejudicar a imagem do produto. Por exemplo, a diminuição drástica do preço de um produto pode gerar uma reação negativa entre os consumidores, que poderão pensar que o produto é de baixa qualidade. A relação entre imagem e preço de venda é reforçada pelos custos relacionados à imagem e aos objetivos de posicionamento. Por exemplo, um maior gasto em comunicação refletirá, mais cedo ou mais tarde, no preço de venda. Como podemos notar, preço, imagem, posicionamento e qualidade percebida pelo consumidor são elementos que estão sempre interligados, interferindo uns nos outros. Abordagem com base na concorrência O método da abordagem baseada na concorrência consiste em analisar produtos semelhantes aos da empresa que já estejam no mercado. Esse método baseia-se no fato de que o consumidor não pagará, de forma alguma, a maispor um serviço ou produto equivalente. Nessa abordagem, o profissional de marketing deve também ampliar o seu horizonte e considerar produtos de outros setores que possam entrar em concorrência indireta com o seu produto. Em um evento esportivo, por exemplo, o gerente de marketing deve informar-se a respeito de outros eventos (shows, teatro, cinema) que possam vir a competir indiretamente pelo tempo livre dos seus consumidores potenciais e pela sua capacidade de realizar gastos. O preço de um ingresso para um show, uma peça ou um filme e o benefício que o consumidor obterá desses eventos influenciarão o possível preço de um evento esportivo. 49 Preço de um novo produto Para o lançamento de um novo produto, o profissional de marketing pode utilizar três principais opções estratégicas. Vejamos: a) Estratégia da nata: Essa estratégia consiste em fixar um preço alto de venda – geralmente, sem relação com o preço de custo –, que será reduzido, gradativamente, por meio do ciclo de vida do produto. Essa estratégia leva a uma seleção natural de consumidores com maior poder de compra (a nata da nata), conferindo ao produto uma imagem de top de linha e possibilitando um alto retorno à organização. b) Estratégia de penetração: Diferentemente da estratégia da nata, a estratégia de penetração estabelece um preço de venda relativamente baixo para conquistar uma grande parcela do mercado o mais rapidamente possível. Quando o produto ou serviço alcançar uma certa notoriedade e um certo reconhecimento no mercado, toda a arte do profissional de marketing consistirá em, gradativamente, aumentar o preço de seu produto sem perder seus clientes. A vantagem dessa abordagem é de desencorajar, em princípio, os concorrentes em potencial, pois os lucros são muito baixos. c) Estratégia de alinhamento: Nessa estratégia, o preço de venda é estabelecido de acordo com o preço de mercado, isto é, conforme o preço cobrado pela concorrência para produtos idênticos ou equivalentes. Esse método é muito popular e é usado por muitas pequenas organizações que alinham os seus preços com os praticados pelos líderes de mercado. Política de preços diferenciados Muitas organizações esportivas adotam a política de preços diferenciados, que consiste em oferecer o mesmo produto ou serviço a preços diferentes. Essa diferença depende: � da quantidade encomendada; � do status do cliente – pessoa física ou jurídica e � da localização geográfica – mercado doméstico ou exportação. 50 No esporte, a política diferenciada de preços é extremamente comum. O preço de um ingresso para o mesmo jogo de futebol sempre varia de acordo com a localização do assento no estádio. Dessa forma, é oferecida maior autonomia aos torcedores e espectadores na hora de tomarem a sua decisão de compra, e cada um pagará o que considera justo em relação ao benefício percebido. Ofertas não comerciais A teoria econômica sustenta que o mercado é controlado por preços. Na verdade, qualquer desequilíbrio entre a oferta e a procura se resolve, em curto prazo, por meio de uma variação de preços. No longo prazo, o equilíbrio torna-se então estrutural. Quando os consumidores modificam o seu comportamento, os mercados modificam a sua oferta. Diferente da oferta comercial, a oferta não comercial caracteriza-se pela vocação e pela ausência de qualquer motivação financeira. Nesse tipo de oferta, a empresa prefere padronizar o seu consumidor conforme uma ética de interesse geral, ao invés de conhecê-lo. Sob essas condições, a adoção de uma abordagem de marketing poderá ser vista como desnecessária. Imaginemos um serviço de esporte público abandonado pelos seus usuários ou uma associação de esportes sendo rejeitada pelos seus associados. Nenhum dos dois preencheria a sua missão básica nem serviria aos interesses do público. Até mesmo uma organização sem fins lucrativos ou de utilidade pública não pode ignorar as necessidades e expectativas do público. Ela precisa recorrer a uma espécie de marketing para os seus usuários, que são uma espécie de consumidor, apesar de esse termo ser malvisto no caso de ofertas não comerciais. No setor competitivo não comercial, a concorrência poderá vir, por exemplo, de um financiador privado, de outra organização não comercial (um clube de futsal competindo com um clube de futebol de campo) ou de um provedor privado (um clube de fitness competindo com um clube de ginástica olímpica). Nos casos, cada vez mais raros, em que não há competição, o setor não comercial monopolístico (um monopólio público, uma piscina pública) goza de total liberdade em relação não só aos produtos mas também aos preços. Nessa situação, o profissional de marketing precisa cuidar de informar aos consumidores em potencial sobre a oferta. No entanto, não precisa se preocupar muito com problemas de posicionamento ou desenvolvimento de lealdade do consumidor. 51 Política de preços diferenciada Em um contexto de objetivos éticos ou serviços públicos, a política de preços é a forma preferencial de garantir o cumprimento da missão de organizações que não visam a lucros. Por meio da utilização de uma política de preços adaptada à sua realidade, o setor não comercial pode influenciar o comportamento dos seus usuários ou membros. A utilização de preços baixos, por exemplo, garante a democratização de certos serviços, como as tarifas em piscinas públicas. A política de preços diferenciada é mais amplamente utilizada porque age como ferramenta de redistribuição de tarifas altas para adultos e tarifas reduzidas para jovens, desempregados, estudantes, etc. Ao mesmo tempo, ela age como ferramenta para regular o fluxo de tarifas plenas, em horários de pico, e de tarifas reduzidas, durante os períodos de baixo movimento. Um bom conhecimento das estatísticas de frequência, apoiado por estudos de pesquisa de mercado e estudos motivacionais, facilita a implementação dessa política diferenciada de preços. Preço certo O conceito de preço certo, nas organizações que não visam ao lucro, insere-se no contexto de missão ética ou de serviço público. O preço certo é então o preço de custo ou, ao menos, um preço calculado na base do custo real do serviço. É o preço esperado pelo usuário ou membro de um provedor não comercial, que a ele associa não só valores de interesse geral, mas também de honestidade e fraternidade. Por meio da política diferenciada de preços, as organizações não comerciais podem estabelecer preços que se devam tanto a escolhas políticas quanto à consideração dos custos reais, sempre justificando o seu posicionamento. Muitas vezes, essa prática beneficia os usuários ou membros graças à influência, por exemplo, de subsídios públicos. Livre acesso ao esporte O conceito e a expectativa de livre acesso ao esporte podem ser justificados de duas maneiras. Por um lado, o esporte é, por natureza, uma atividade física dolorosa e desafiadora que requer esforço e sacrifício, logo paga-se por ele um preço físico. Por outro lado, começar a praticar um esporte, geralmente na escola, cria esse conceito e essa expectativa de livre acesso à atividade esportiva em uma idade muito tenra. Essa atitude antieconômica de abordagem do esporte é, teoricamente, possível no contexto da oferta não comercial. Como exemplo, podemos citar uma associação com subsídios públicos suficientes. Os valores de ética, amadorismo e ausência de interesse, geralmente associados ao esporte, reforçam ainda mais esse conceito. 52 Praça Como componente de um mix de marketing, a distribuição possibilita a criação do elo físico essencial entre o produto e o consumidor de esportes, podendo assumir diversas formas de acordo com a natureza do produto (serviço, evento) a ser distribuído. Decisões relacionadasà política de distribuição têm, em princípio, um impacto muito duradouro sobre a política de marketing. Na verdade, geralmente, é muito mais difícil modificar a distribuição de um produto esportivo do que o seu preço. Os clientes de um clube de fitness, por exemplo, vivem em um perímetro situado, em média, a menos de 20 minutos do seu clube. Por conta disso, para o varejista de artigos de esporte, assim como para qualquer atividade comercial, a decisão estratégica mais significativa é a que se relaciona à localização. A localização e a política de distribuição, de modo geral, desempenham um importante papel na imagem do produto ou da organização esportiva. Marcas como Nike, Adidas ou Asics, por exemplo, não vendem os seus calçados top de linha por meio de cadeias de distribuição de massa, mas sim por meio de varejistas especializados, ou mesmo via lojas próprias. Já a associação do Flamengo a um fornecedor de material com perfil mais popular, a Olympikus, fez com que os produtos do Clube tivessem acesso a uma rede de distribuição mais ampla, capaz de atender melhor o seu mercado consumidor. Dessa forma, foi possível aumentar as vendas de 300 mil peças ao ano para 1,2 milhões de peças por semestre. Redes de distribuição Uma rede de distribuição consiste no grupo de intermediários envolvidos na manipulação de um produto desde os fabricantes até os consumidores. A natureza e o tipo de intermediário variam de acordo com o produto. Entre as categorias mais comuns, temos: � atacadistas; � empresas de transporte; � distribuidores; � varejistas; � estoquistas e � sites de vendas on-line. 53 Em uma indústria como a dos resorts de esqui, por exemplo, a rede de distribuição se reduz ao mínimo se a venda for feita diretamente pelo resort (o produtor) aos consumidores em férias. Esse tipo de serviço é chamado de distribuição ou venda direta. Já no caso de fornecedores de equipamentos de esporte, a rede de distribuição é mais complexa, pois, na maioria dos casos, há atacadistas e varejistas que fazem a intermediação entre os fabricantes e os consumidores. Esse tipo de serviço é chamado de distribuição indireta e, nesse caso, a política de distribuição dos fornecedores de equipamentos consiste em escolher a natureza e o número desses intermediários. Dessa forma, podem chegar aos seus consumidores em ótimas condições de lucratividade e qualidade. O objetivo da distribuição indireta é maximizar o potencial de vendas ao mesmo tempo em que se minimizam os custos de distribuição. No entanto, devido ao fato de cada intermediário almejar determinada margem, o fabricante não pode controlar o preço final de venda, podendo apenas recomendá-lo. Distribuição de eventos esportivos O caso de distribuição dos eventos esportivos é diferente, pois tais eventos ocorrem em infraestruturas ou estádios esportivos e quadras. Dessa forma, na maioria dos casos, é necessário levar o consumidor ao produto. Nesse caso, a rede de distribuição consiste na rede de venda dos ingressos, que pode ser montada pelo profissional de marketing: � nas bilheterias dos estádios; � nas sedes dos clubes; � em pontos específicos de vendas; � por meio de parceiros de vendas; � por meio do marketing de vendas e � via internet. É possível também que os eventos esportivos sejam “levados” aos consumidores por intermédio da mídia (TV, rádio, telefones celular, internet), caso em que ela atua como o intermediária final na cadeia de distribuição. A atuação da mídia como intermediária final na cadeia de distribuição relaciona-se, diretamente, a questões voltadas para os direitos audiovisuais. Esse é um campo que já sofreu mudanças consideráveis, devido aos avanços tecnológicos (transmissões ou compactos na internet ou em celulares) e à emergência dos canais de TV a cabo e via satélite. Essa evolução beneficia as federações de esportes, detentoras dos direitos. 54 A internet, por exemplo, oferece oportunidades de alcance de um público bastante específico para as federações cujos esportes não interessam à mídia de massa. Além disso, a distribuição via internet oferece à organização esportiva muito mais flexibilidade, permitindo acesso imediato ao cliente, a qualquer tempo, maior interatividade com o consumidor e melhor comunicação sobre os produtos. A distribuição via internet é fortemente baseada em preço, já que os consumidores podem mudar a sua localização quando quiserem, com um simples clique. Há também alguns impedimentos relacionados ao uso da internet para a distribuição de produtos de consumo no esporte. Pela internet, o consumidor não pode, por exemplo, experimentar produtos físicos, e a entrega não é imediata. Já para a venda de ingressos ou de produtos de merchandising, a distribuição via internet funciona muito bem, tanto que algumas empresas já se especializaram nesse modo de distribuição, tornando-se um novo tipo de intermediárias. O Ticket Master é um exemplo. Intermediários na distribuição de serviços esportivos A distribuição de serviços no esporte pode envolver intermediários tradicionais, como os fornecedores de equipamentos. Envolve também toda uma rede de autoridades públicas ou parapúblicas. O consumidor que queira participar de uma atividade esportiva, como natação, dispõe de diversas opções, como: � os serviços do Ministério do Esporte – informações úteis sobre o esporte, programas especiais, esportes e as suas limitações, inserção da educação esportiva; � as agências dos departamentos municipais de esportes – piscina pública; � as agências dos departamentos estaduais de esportes e � os serviços de fornecedores privados – aulas particulares de natação, centros privativos de esportes aquáticos. A distribuição de um produto esportivo poderá variar de um estádio onde acontece uma partida, um varejista de artigos esportivos, uma rede de venda de ingressos, canais de TV, autoridades públicas, até a residência do consumidor, quando ele escolhe ter aulas particulares de fitness ou, é claro, pela internet. 55 Intensidade da distribuição A intensidade da distribuição expressa o nível de disponibilidade de um produto em um mercado, isto é, indica até que ponto um produto está presente nas várias redes de distribuição. De modo geral, distinguem-se três níveis de intensidade de distribuição. Vejamos: a) Distribuição exclusiva: O produto só está disponível em uma única rede de distribuição – às vezes, somente em um varejista. b) Distribuição seletiva: O produto só está disponível em um número razoável de redes de distribuição. c) Distribuição intensiva – ou de massa: O produto está disponível em muitas e variadas redes de distribuição. Ambiente Com exceção dos produtos de consumo esportivos, a distribuição de produtos esportivos, na forma de eventos, não corresponde ao modelo tradicional. Essa distribuição fora do tradicional ocorre por não haver movimento físico do produto, já que se dá em uma instalação esportiva. Dessa forma, deve-se dar atenção particular ao local de consumo do esporte. O objetivo é escolher um ambiente favorável ao consumo do produto ou serviço oferecido pela organização. Isso é particularmente importante na indústria do esporte, pois, durante eventos esportivos, a produção e o consumo são simultâneos para os consumidores mais ativos – os fãs, que se envolvem na produção do espetáculo esportivo. A ambientação e a embalagem do produto esportivo são parte fundamental do mix. Alguns espectadores vêm tanto para aproveitar a ambientação quanto para assistir à partida em si. Além disso, é muito mais fácil garantir um evento extraesportivo do que garantir a qualidade do espetáculo esportivo, por conta da gloriosa incerteza do esporte. Por essa razão, mais e mais organizações esportivas estão produzindoverdadeiros espetáculos em torno dos encontros esportivos. 56 O uso da música ou a apresentação de corpos de dança durante os períodos ociosos são exemplos. Outros elementos de apresentação também são significativos, como: � decoração; � entretenimento; � qualidade da infraestrutura; � conforto; � proximidade e limpeza dos assentos; � acesso aos banheiros; � lanchonetes; � estacionamentos e � variedade de pontos de venda. Alguns patrocinadores também têm explorado essas possibilidades. Por exemplo, a Amstel, um patrocinador de futebol, organiza campeonatos de chapéus nos estádios. A Adidas, por sua vez, fornece camisetas gigantes às torcidas organizadas que trazem repercussão significativa na mídia. Promoção Para o público em geral, a atuação do marketing resume-se, frequentemente, ao quarto P do mix de marketing: a promoção. A promoção é, realmente, a parte mais visível do mix de marketing e o seu papel se resume, essencialmente, em chamar a atenção do público consumidor. Nesse caso, a propaganda é, obviamente, a forma mais conhecida de divulgação, sendo onipresente em: � TV e rádio; � revistas; � cinemas; � campos de esportes; � ônibus; � edifícios e � uniformes de atletas. A propaganda está, simplesmente, em todo o lugar. 57 Há também outras operações promocionais que visam atrair consumidores, como brindes de apresentação, loterias e pontos de lealdade. Tudo isso reforça a opinião do público em geral de que o marketing é somente uma questão de propaganda e de operações promocionais. No entanto, a promoção envolve muito mais que a criação de anúncios ou promoções. O quarto P do mix de marketing representa a arte de: � promover o produto; � tornar o consumidor atento à oferta do produto e às suas características, e � transmitir uma mensagem aos segmentos-alvo. A promoção pode, portanto, ser definida como o conjunto de ferramentas disponíveis ao profissional de marketing para comunicar a oferta de um produto. Como veremos a seguir, esse processo de comunicação envolve informar que produto está sendo oferecido, onde podemos obtê-lo, o que o distingue dos produtos da concorrência, etc. Processo de comunicação Vejamos como Lasswell (1948) define o processo de comunicação: “[...] poderá o processo de comunicação ser resumido a iniciar com um transmissor (quem?) enviando uma mensagem que tenha sido codificada (o quê?) através de um canal (qual canal?) para um receptor (a quem?) com um determinado propósito (para quê?).” Essa definição é também conhecida como a regra dos 5Ws: � who says – quem diz; � what by – o que diz; � which means to – de qual modo; � whom with – para quem e � what effects – com quais efeitos. Como podemos notar, a comunicação é um processo entre transmissores e receptores, e resulta da soma de dois elementos distintos: informação e intenção. A informação só adquire valor no momento em que o receptor a usa. Quanto à intenção, ela é parte de uma reflexão preliminar que, no casa de organizações de esporte, deve ser essencialmente realizada no processo de marketing. 58 O processo de comunicação também pode ser esquematizado conforme demonstrado no modelo apresentado por Kotler e Dubois (2003). Vejamos: Figura 3 – Processo de comunicação Objetivos do mix de comunicação Para que uma comunicação seja efetiva, a mensagem precisa: � atrair a atenção; � gerar interesse; � despertar um desejo e � fazer com que o consumidor aja na direção desejada. Esses quatro estágios foram resumidos por alguns autores sob o acrônimo AIDA, cujos elementos são: � attention – atenção; � interest – interesse; � desire – desejo e � action – ação. O objetivo principal do mix de comunicação é, portanto, encorajar, persuadir, empurrar o consumidor para a compra. Há também outros objetivos, como informar os consumidores sobre os produtos e seus atributos, aumentar a notoriedade de uma marca, estimular a demanda, posicionar uma organização esportiva com uma certa imagem próxima ao seu alvo, informar o consumidor sobre operações promocionais, associar valores, emoções ou crenças à oferta do produto e fidelizar o cliente. 59 De um modo geral, esses objetivos estão relacionados à: � demanda de consumo – para influenciar o seu comportamento quanto à oferta; � educação do consumidor – para influenciar o seu nível de informação e conhecimento da oferta e � percepção do consumidor – para influenciar a imagem que ele tem da oferta. Ferramentas do mix de comunicação As ferramentas do mix de comunicação são, geralmente, classificadas em quatro categorias principais. No quadro a seguir, temos alguns exemplos concretos de cada uma dessas categorias. Quadro 6 – Ferramentas do mix de comunicação propaganda paga contato pessoal ações promocionais publicidade gratuita � jornais � revistas � televisão � rádio � mala direta � outdoors � patrocínio � merchandising � publicações � internet � logotipo � força de vendas � apresentações públicas � feiras profissionais � conferências � preços promocionais � competições � loterias � amostras � eventos especiais � dias livres � telemarketing � merchandising � conferências com a imprensa � releases na imprensa � artigos em jornais locais ou nacionais, ou outras publicações � cobertura em rádio, TV ou internet Propaganda paga A propaganda paga pode ser realizada por meio de diversas formas de comunicação não pessoais, tais como: � comerciais; � outdoors em estádios; � nomes de patrocinadores oficiais; � malas diretas; � uso de atletas sob contrato; � qualquer forma de anúncio pago, direto ou indireto, na mídia – com parte dos serviços oferecido pelo patrocinado. 60 O desenvolvimento de programas especiais em jornais, revistas, mídias audiovisuais e na web pode ser considerado parte dessa categoria. A vantagem da propaganda paga consiste no fato de ser uma ferramenta sobre a qual o profissional de marketing exerce total controle: ele pode escolher não só a sua forma e o seu conteúdo, mas também quando, por quem e onde quer que a mensagem seja entregue aos consumidores-alvo. Contato pessoal Definimos contato pessoal como qualquer forma de apresentação oral aos consumidores em potencial com o objetivo específico da venda. Alguns exemplos clássicos dessa ferramenta do mix de comunicação são os departamentos de venda dos fornecedores de equipamentos esportivos, muito estruturados e com bons colaboradores, e o corpo de vendas, que fica em contato direto com os consumidores. Empresas como Adidas, Nike, Reebok e Olympikus, geralmente agrupadas em territórios geográficos estratégicos, almejam, por meio da força das suas vendas, o estabelecimento de elos pessoais duradouros com os seus clientes: os varejistas de artigos esportivos. A força de vendas representa um elemento chave do mix de comunicação dessas organizações esportivas, pois a relação pessoal entre o alvo e a organização possibilita: � ouvir sobre as suas necessidades; � desenvolver um produto ou serviço feito sob encomenda; � introduzir o fator humano e emocional à troca e � considerar a construção de uma rede de relações duráveis com os seus colaboradores. Enquanto isso, os funcionários em contato e a organização esportiva têm a possibilidade de fornecer um serviço que seja satisfatório aos parceiros. Nesse sentido, os fornecedores de equipamentos de esporte devem ser bem-sucedidos no desenvolvimento de verdadeiras redes de força de vendas. Dessa forma, podem formar laços duradouros com os seus clientes e ficar mais próximos deles. Caso isso ocorra, os outros tipos de organização esportiva também farão uso do contato pessoal,particularmente na venda de direitos comerciais ou de patrocínio. Nesse caso, a força de vendas pode ser composta apenas: � do profissional de marketing; � de alguns gerentes sênior ou mesmo do presidente da organização, que irá tentar convencer investidores em potencial. 61 Segundo Connor (1993), o cuidado na realização dessa tarefa e a identificação de clientes em potencial são essenciais nesse tipo de processo. Ações promocionais O objetivo das ações promocionais é causar um rápido, mas temporário, aumento nas vendas. Isso ocorre por meio da modificação do produto, para oferecer ao cliente (venda direta promocional) ou ao distribuidor (venda indireta operacional) uma especial, mas temporária, vantagem. No curto prazo, o objetivo dessas ações promocionais pode ser o de encorajar compras de ocasião, para: � ganhar parcelas de mercado dos concorrentes; � incentivar novos consumidores a testarem determinado produto ou � vender o estoque excedente. No longo prazo, o profissional de marketing espera conduzir os consumidores a novos hábitos de consumo e, talvez, ganhar assim a sua lealdade. Três tipos de técnica são aplicadas em ações promocionais. Vejamos: a) Enriquecer a oferta para o mesmo nível de preço: Ocorre, por exemplo, no “Compre 2, leve 3”, na extensão gratuita da garantia e nos acessórios oferecidos como brinde na compra de camisas de clubes de futebol. b) Reduzir o preço, temporariamente, para uma oferta: É o caso dos descontos em peças e dos cupons de desconto. c) Explorar o contexto para estimular a compra: Ocorre por meio de jogos, competições, loterias, eventos na loja, presença de um atleta no ponto de venda e amostras. Todas as organizações esportivas usam técnicas de ação promocional em vários graus. Fornecedores de equipamentos esportivos, por exemplo, podem brincar com os preços para queimar estoques de coleções anteriores ou convidar atletas que estejam sob contrato de patrocínio para a abertura de uma nova loja. Já as federações e os clubes têm a vantagem de oferecer promoções no local do evento esportivo ou durante a realização do jogo. Isso lhes confere uma dimensão e uma resposta superiores ao que poderia ser feito por bens de consumo padrão. 62 Publicidade gratuita A publicidade gratuita abrange qualquer forma de apresentação ou promoção gratuita e favorável na mídia. Isso pode ser obtido por meio de relações com a mídia mantidas pelas organizações esportivas por meio dos seus representantes ou pela sua capacidade de desenvolver informação e histórias que sejam passíveis de gerar interesse no público da mídia. A publicidade gratuita depende, geralmente, do assessor de imprensa da organização esportiva. Possivelmente, os serviços de imprensa e de comunicação estão organizados no mesmo departamento. Nesse caso, a mídia é vista como um alvo importante entre os outros a serem atingidos. A cobertura jornalística é muito efetiva para pontuar organizações esportivas e, obviamente, é maior quando há importantes competições, sejam em tamanho ou em apego emocional. No entanto, ao contrário do que ocorre na propaganda paga, o profissional de marketing não tem, por definição, muito controle sobre a publicidade gratuita. Dessa forma, essa ferramenta do mix de comunicação é menos eficaz para o posicionamento correto de uma oferta de produto, pois a mensagem que é passada ao consumidor é aquela que reflete a ótica e a interpretação da mídia que gera a propaganda gratuita. O profissional de marketing deve então, por meio de propaganda paga e de contato pessoal, cuidar de corrigir quaisquer possíveis discrepâncias entre o que é dito sobre a sua organização esportiva e a mensagem que realmente deseja transmitir. Neste módulo, estudaremos as questões relacionadas à marca, abordando as suas funções e os seus valores. Realizaremos também uma análise tanto da imagem quanto da identidade da marca, esmiuçando todas as suas características. Por fim, veremos estratégias de marca que podem ser adotadas pelas organizações para que obtenham os melhores resultados. Marca: definição e funções Definição de marca Uma marca é uma ferramenta poderosa de distinção e diferenciação em um mercado que, sabemos, é muito competitivo. Nas palavras de Lehu (2009), uma marca é um fator semântico para a designação distintiva de produtos oferecidos por um produtor ou distribuidor no mercado, podendo ser um: � nome com uma ou mais palavras, geográfico ou não; � pseudônimo; � patronímico; � nome usado como acrônimo ou na forma de abreviação, ou � nome que poderá ser associado a um símbolo, uma cor, uma fonte ou um tamanho de caracteres. A marca e a sua gestão (a política da marca ou branding) constituem, indubitavelmente, uma das diferenças fundamentais entre o marketing para o esporte comercial e o marketing público ou associativo. No primeiro caso, a política da marca costuma ser sofisticada e, no segundo, é quase inexistente. MÓDULO IV – ESTUDO DA MARCA 64 Apesar da sua conotação comercial, as marcas e os logotipos também têm uma participação significativa mesmo nas organizações de esporte não comerciais, pois, sendo os primeiros vetores da imagem da organização, esses itens lhe conferem valor. Em termos de comunicação, as marcas e os logotipos devem satisfazer quatro características básicas para serem relevantes: � distinguirem-se em um ambiente já sobrecarregado de signos; � serem fáceis de memorizar para poder influenciar a compra na hora certa; � serem facilmente reconhecidos, pois a sua leitura é, geralmente, rápida e � serem evocativos do produto. Já a partir de uma abordagem legal, a marca é um genuíno direito a posse, um valor precioso que a empresa deve, constantemente, capitalizar. A marca pode então ser sujeito de uma transferência de posse ou de um acordo sobre direitos de uso sob licença. Identidade da marca A identidade de uma marca é um conceito que transcende a marca. Segundo Keller (2003), “a identidade da marca reflete a contribuição de todos os elementos da marca, sua notoriedade e sua imagem.” Já Kapferer (2003) afirma o seguinte: “[...] o conceito de identidade é uma lembrança de que, se no momento da criação uma marca é somente o nome do produto, com o tempo, adquire autonomia, seu próprio significado. A marca age como uma memória de comunicações e produtos passados e não se apaga – define um campo de competências, potencialidades e legitimidade.” É essa identidade, além das características puramente semânticas, gráficas ou sonoras, que diferenciam uma marca de outras. 65 Funções da marca Kapferer (2003) elaborou uma lista exaustiva de funções da marca para consumidores. Essas funções estão presentes no quadro a seguir, juntamente com exemplos relacionados às organizações de esportes. Vejamos: Quadro 7 – Funções da marca função benefício ao consumidor exemplo localização Ver, com clareza, entender a oferta, identificar, rapidamente, os produtos necessários. Quero que meus filhos aprendam tênis. conveniência Poupar tempo e energia na repetição da compra idêntica. Peço informação, na federação, sobre os clubes que estão próximos de onde moro. garantia Ter a certeza de encontrar regularidade na qualidade do produto, em qualquer lugar e a qualquer hora. Um clube filiado à federação de tênis é garantia de competência. otimização Ter a certeza de estar comprando o melhor produto da sua categoria, com o melhor desempenho para uso específico. Os clubes filiados à federação oferecem os melhores serviços possíveis. caracterização Estar confortável com o seu autoconceito ou na imagem que transmite aos outros. Considero que o fato de ser membro de um clube de tênis afiliadoà federação é uma expressão da minha personalidade. continuidade Ter satisfação duradoura, originada pela familiaridade e pela intimidade dos laços com a marca que já vem consumindo há muito tempo. Inscrevi meus filhos no nosso clube de tênis. hedonismo Ter satisfação ligada à estética da marca, ao seu design e à sua comunicação. Estou bastante orgulhoso da organização do torneio de Roland Garros. Fonte: Ferrand e Torrigiani (2005). 66 Nem todas as funções da marca são úteis para uma organização esportiva. Mesmo assim, resta a certeza de que os benefícios para o consumidor indicam a existência de uma relação com a marca. A importância desses benefícios e a capacidade de satisfazê-los indicam o valor da marca para o consumidor. A relação estabelecida entre uma marca e o consumidor divide-se, geralmente, em três estágios: � conhecimento – o consumidor é simplesmente informado, sabe que a marca existe; � preferência – o consumidor já formou uma opinião favorável e optará por uma marca em relação às marcas concorrentes e � lealdade – o consumidor não mais considera outra marca senão aquela a que se tornou fiel. Notoriedade A notoriedade mede o grau de presença de uma marca na mente dos consumidores. Um dos maiores objetivos dos gerentes de marketing é, portanto, alcançar o mais alto grau de notoriedade possível. Isso deve ser feito por meio das várias ferramentas (propaganda paga, contato pessoal, ações promocionais, publicidade gratuita) do mix de comunicação. Quanto à mensuração da notoriedade, ela envolve, necessariamente, a realização de pesquisas junto a consumidores. No entanto, esse estudo é relativamente simples de planejar e presta-se bem a análises estatísticas. Podemos, por exemplo, utilizar as duas questões a seguir em uma entrevista ou enquete com o consumidor. Vejamos: a) Você pode listar as marcas de um ramo de atividades que conhece? Essa questão corresponde a uma avaliação espontânea de notoriedade, segundo a ordem em que a marca é lembrada: em primeiro lugar (top of mind), segundo lugar ou mais adiante na classificação. b) Entre estas marcas, você pode indicar as que conhece? Essa questão corresponde a uma avaliação de notoriedade assistida. 67 Quanto mais forte for a notoriedade (espontânea ou assistida), mais o consumidor estará familiarizado com a organização esportiva e a sua oferta, como podemos ver no esquema a seguir. Figura 4 – Força da notoriedade Fonte: Ferrand e Torrigiani (2005). Essa familiaridade pode, no entanto, representar um obstáculo. Um exemplo é quando a notoriedade é associada a eventos negativos, como escândalos de doping ou comportamentos antiéticos por parte de membros destacados da organização. Imagem e identidade A imagem de uma marca é definida como o total da representatividade uma determinada categoria de consumidores tem sobre ela. Não há, portanto, uma imagem universal, mas tantas imagens quanto o número de categorias de consumidores. Uma imagem não é estática, ela evolui no tempo, de acordo com os numerosos e contraditórios movimentos culturais que agitam a nossa sociedade. Não devemos confundir imagem e identidade. Essas duas noções levam ao mesmo conceito, mas envolvem diferentes perspectivas. A identidade é um conceito interno da organização esportiva, é um objetivo de comunicação, Já a imagem é uma percepção externa, aquela que os consumidores têm acerca da identidade da marca e que é desejada pela organização esportiva. A identidade da marca desempenha um papel ativo no posicionamento da oferta em um ambiente extremamente competitivo, podendo ser descrita, segundo Aaker, a partir de uma lista de elementos que gerem com a marca determinadas associações. Vejamos: � uma personalidade; � um símbolo; � uma cor; � um animal; � um negócio ou � uma forma. 68 A descrição da identidade por meio desses elementos é útil para dar consistência, para tornar a identidade da marca mais tangível. Idealmente, a marca é satisfatória quando corresponde à identidade desejada. Características da imagem Segundo Desbordes (2007), a imagem deverá reunir as seguintes características: � boa qualidade; � personalidade e originalidade; � credibilidade e � boa duração. Veremos os detalhes de cada uma dessas características a seguir. Boa qualidade A qualidade da imagem deve fazer com que surjam emoções em relação à marca. Para isso, deve acrescentar um plus emocional ao produto, um valor agregado. Dessa forma, um bom produto – de um ponto de vista objetivo – pode ser prejudicado por uma imagem negativa. Já um produto de qualidade mediana, ou até baixa, pode ser salvo por uma excelente imagem da marca. Personalidade, originalidade e credibilidade Para diferenciar-se da concorrência, a imagem deve ter personalidade e originalidade. É raro o consumidor ser sensibilizado ou envolvido por uma marca banal, normal, sem caráter ou sabor especial. A marca também deve ser crível, ou seja, ter credibilidade. No entanto, a credibilidade não pressupõe a pura autenticidade ou verdade do produto. Pode haver, portanto, um hiato entre imagem e realidade, embora esse hiato deva manter-se razoável para não enganar o consumidor. A credibilidade está então mais relacionada ao respeito dos consumidores, os quais uma organização de esportes não poderá decepcionar. 69 Boa duração A imagem de uma marca deve ser duradoura para que, em mercados em constante mudança, dê tranquilidade ao consumidor e torne possível à organização de esportes capitalizar sobre os seus esforços de comunicação sustentados pelo tempo. Permanência não significa, no entanto, imobilismo. Mais cedo ou mais tarde, uma imagem fixa pode tornar-se obsoleta e até transformar-se em uma contraimagem negativa. O profissional de marketing deve então cuidar da atualização de imagem da marca regularmente, sem permitir, contudo, que ela mude tão radicalmente a ponto de perder os seus honestos consumidores leais. Vejamos um exemplo de atualização de marca: Figura 5 – Atualizações da marca Adidas Capital da marca ou brand equity Nos últimos anos, o conceito de identidade da marca evoluiu para o conceito de capital da marca. Os financistas, no entanto, já chamavam atenção para esse conceito nos anos 1980. Nessa época, operações de aquisição de marcas mostraram que o valor de uma marca não reside apenas nas vendas que ela gera. Aaker (1998) define o termo capital da marca da seguinte forma: “[...] o conjunto de valores e dívidas ligados ao nome e símbolo de uma marca, que acrescentam ou subtraem do valor conferido por um produto ou serviço a uma empresa ou os clientes daquela empresa.” Os valores que sustentam uma marca devem ser relacionados ao nome ou aos símbolos da marca, como o logotipo e a embalagem. Se o nome ou logotipo forem mudados, o todo ou parte desses valores podem ser perturbados ou mesmo perdidos, ainda que certos elementos possam ser transferidos a outro nome ou a novos símbolos visuais da marca. Para mensurar o valor de uma marca, é possível levar em conta diversos componentes. No quadro a seguir, podemos ver os componentes levados em conta por diferentes autores da área. 70 Quadro 8 – Componentes de mensuração do valor de uma marca autor componentes D. A. Aaker (1991) � notoriedade; � associações à marca – a imagem, por exemplo; � qualidade percebida; � lealdade e � outros valores ligados à marca, como vantagens competitivas, marca registrada, força dos canais de distribuição, etc. J. N. Kapferer (1998) � notoriedade; � qualidade percebida em relação à concorrência; � nível de confiança, relevância, empatia e estima; � riqueza e atratividade imaginários da marca e � valoresintangíveis ligados ao uso. Interbrand (2003) � mercado (10%) – atratividade estrutural do mercado, precisão de crescimento; � estabilidade (15%) – longevidade da marca no mercado e a sua capacidade de promover a lealdade do cliente; � liderança (25%) – capacidade da marca de influenciar o mercado; � apoio (10%) – quantidade e qualidade dos investimentos planejados para sustentar a marca; � internacionalização ou geografia (25%) – atratividade da marca em mercados múltiplos, para definir o alcance da marca regional, nacional ou internacionalmente e � proteção (5%) – proteção da marca por meio de patentes, marcas registradas, litígios, etc. Fonte: Ferrand e Torrigiani (2005). É aconselhável sabermos distinguir entre os valores agregados à marca e o valor da marca. Os valores são os elementos que a constituem, que atestam a relação entre a marca e os seus consumidores. Já o valor da marca corresponde à avaliação do seu valor financeiro. 71 Estratégias da marca Como vimos, para ser relevante, uma marca deve: � ser legalmente defensável – e estar protegida; � ser de fácil pronúncia, reconhecimento e memorização; � chamar a atenção; � sugerir os benefícios dos produtos – funcionais, emocionais, etc. e � posicionar a organização esportiva, ou sua oferta de produtos, em relação à concorrência. Considerando essas necessidades, existem duas grandes linhas de estratégia de marcas: � a gestão de um portfólio de marcas múltiplas – o sistema de marcas e � a exploração de uma marca principal, a marca mãe, na forma de extensões da marca. O sistema de marcas é utilizado por algumas organizações para identificar, distinguir e posicionar os seus numerosos produtos, especialmente os fornecedores de equipamentos esportivos. Essa estratégia pode levar, no limite, a uma proliferação de marcas em uma mesma organização, o que a levará a fazer uma série de perguntas estratégicas, como: � É necessária uma marca específica para cada produto? � As várias marcas estão devorando umas às outras? � Há clareza, ou ao contrário, confusão na mente dos consumidores? � Qual papel é desempenhado por cada marca nessa situação? Em uma situação complexa como essa, há uma abordagem de gestão sugerida: encarar todas as marcas como um sistema. Já a utilização da extensão da marca consiste em usar a notoriedade e a imagem de uma marca já existente: a chamada marca mãe. Essa estratégia visa lançar novos produtos (bens ou serviços) em novas categorias de produtos. Existe, no entanto, uma distinção entre a extensão de marca em um sentido estrito (novo produto, nova categoria) e a extensão da linha de marcas (novo produto, mesma categoria). Merchandising e licenciamento de produtos são extensões de marcas frequentes nas organizações de esportes. Essas extensões permitem capitalizar, com relativa facilidade, sobre o valor da marca de uma organização de esportes para promover a venda de novos produtos. Um bom exemplo é o programa de licenciamento de eventos Fifa World Cup TM Licensing Programme. Esse é o nome oficial do programa de merchandising relacionado à Copa do Mundo da Fifa. 72 Objetivos e vantagens da extensão de uma marca O primeiro objetivo de uma extensão de marca deve ser o de reforçar o valor da marca mãe por meio da sua complementaridade e coerência. Dessa forma, serão conquistadas vantagens inegáveis, como: � oportunidades para crescimento; � desenvolvimento em novos mercados ou segmentos de mercado; � promoções com várias marcas em uma mesma organização de esportes e � economia de escala. A Fifa explorou essa estratégia de forma bem-sucedida criando extensões da marca mãe (Fifa) e da sua maior marca de competição, a Fifa World CupTM. As suas competições são agora chamadas de Fifa Confederations Cup, Fifa Futsal World Cup, Fifa U-20 World Cup e Fifa Interactive World Cup. Essa extensão de marca foi reforçada, ainda mais, por meio de um conjunto de logotipos que valorizou a unidade, a coerência e a complementaridade de todos os produtos esportivos da Fifa. A empresa foi ainda mais além ao integrar as suas próprias atividades em um novo painel gráfico. É preciso, no entanto, tomar o cuidado de não criar extensões de marca abusivas, ou seja, aquelas que não capitalizam, de maneira lógica, a marca mãe. Essas extensões estão fadadas ao fracasso e, provavelmente, irão desvalorizar a marca mãe e o seu respectivo valor. Dessa forma, quando da implantação de uma estratégia de marca, o profissional de marketing deve lembrar-se da definição de herança da marca, ou seja, “a experiência e a reputação que uma marca adquire com o passar do tempo, incluindo as suas origens e a evolução da sua política de comunicação” (BRODERICK et al., 2000). É importante que uma marca se mantenha fiel, ou ao menos coerente, à sua história. Proteção legal Uma marca deve ser legalmente protegida, ou seja, deve-se proibir o seu uso ou reprodução por terceiros quando não há autorização prévia da organização de esportes dela detentora. Para proteger legalmente a sua marca, a organização de esportes deve tomar as medidas necessárias junto às autoridades competentes. Os procedimentos e as condições de registro podem variar, ligeiramente, de um país a outro. No Brasil, a organização supervisora de registro de marcas é o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). Esse tipo de organização é 73 responsável por decidir se a marca a ser protegida é suficientemente distinta das que já existem no mercado, considerando determinada categoria de produtos e área geográfica. Para indicar que uma marca possui proteção legal, é possível – mas não obrigatório – utilizar determinados símbolos. Vejamos: � ® – significa registrado e indica que a marca é registrada em determinado país e � TM – significa trade mark e indica que a é uma marca de comércio, mas ainda não é registrada. O tempo necessário para realização do registro depende de país para país, podendo levar de alguns meses ou vários anos. 74 BIBLIOGRAFIA AAKER, David A. Marcas: brand equity gerenciando o valor da marca. Tradução de André Andrade. São Paulo: Negócio Editora, 1998. BOONE, Louis E., KURTZ, David L. Marketing Contemporâneo. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1998. ______; ______. Marketing contemporâneo. 12. ed. São Paulo: Cengage earning, 2009. BOURGEOIS, L. J. 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É diretor de consultoria e novos negócios da BSB Brunoro Sport Business, foi vice- presidente de marketing do Clube de Regatas do Flamengo entre os anos de 2006 e 2009 e atuou como consultor para clubes como o Clube Atlético Paranaense, o Clube Atlético Mineiro, o Vitória Esporte Clube e o Grêmio Football Porto Alegrense.