Prévia do material em texto
Semiologia ginecológica Parte da semiologia que se ocupa do estudo dos sintomas e sinais das modificações funcionais e das doenças do aparelho genital feminino; Obedece às regras gerais dos restantes ramos da clínica médica e inclui o interrogatório e o exame físico naturalmente mais detalhado do aparelho genital, recorrendo quando se necessário a meios auxiliares de diagnóstico. CONSULTA GINECOLÓGICA ANATOMIA CICLO MENSTRUAL COLO UTERINO AMBIENTE Temperatura, materiais, limpeza HABILIDADE E CONHECIMENTO Tempo e empenho CONDUTA Medicina baseada em evidências EXAME FÍSICO Ginecológico detalhado EMPATIA! FASES EVOLUTIVAS 1. TELARCA: broto mamário; 2. PUBARCA: transformação do velus pubiano e axilar em pelo intermediário; 3. MENARCA: 1ª menstruação (11-14 anos); 4. MENACME: período reprodutivo; 5. MENOPAUSA: última menstruação; Anamnese ginecológica 24 anos, consulta devido a acne em face e dorso e irregularidade menstrual. o QP: irregularidade menstrual e acne o HDA: Refere ciclos com intervalos longos desde a menarca aos 13 anos. Aos 17 anos foi iniciado ACO EE 30+Drospirenona 3mg, para controle do ciclo. Manteve o ACO até os 23 anos com boa adaptação quando suspendeu por contra própria devido aos riscos de trombose descritos em post que viu no Instagram. No último ano refere ciclos irregulares e acne em face e tronco. Está há 4 meses sem menstruar. Já fez diversos teste de gravidez, pois não usa preservativo, mas em todos o resultado foi negativo. o HMP: constipação; o HF: mãe hipertensa e diabética. Pai faleceu por infarto do miocárdio aos 55 anos. o AGO: Nuligesta, início da atividade sexual aos 19 anos, não foi vacinada para o HPV IRREGULARIDADE MENSTRUAL 1. AMENORRÉIA PRIMÁRIA = ausência de menstruação aos 15 com CSS ou 13 sem CSS (caracteres sexuais secundários) 2. AMENORRÉIA SECUNDÁRIA = ausência de sangramento vaginal por 3 ciclos regulares ou 6 meses em ciclos irregulares. 3. OLIGOMENORRÉIA OU ESPANIOMENORRÉIA = Ciclos maiores de 35 dias. 4. POLIMENORRÉIA: Ciclos menores que 21 dias HIPERANDROGENISMO HIRSUTISMO – pelos em áreas androgênio-dependentes. a. avaliação é feita pela Escala de Ferriman-Galleway b. hirsutismo se >4 em orientais ou >6 nas outras etnias Æ INVESTIGAÇÃO DO HIPERANDROGENISMO Laboratoriais devem ser coletados do 2º ao 7º dia do ciclo: § Testosterona total; § 17OH progesterona – diferenciar de Hiperplasia Adrenal Congênita Não Clássica; § SDHEA – diferenciar de tumores de suprarrenal; § Prolactina e TSH; CASO 1 DIAGNÓSTICO = SOP (SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS) NORMAL - irregularidade no primeiro ano após a menarca ANORMAL - 1º ao 3º ano após menarca se: < 21 ou > 45 dias; - Após 3º ano da menarca até a perimenopausa se: < 21 dias ou > 25 dias OU < 8 ciclos/ano ESCALA DE FERRIMAN GALLEWAY CRITÉRIOS ULTRASSONOGRÁFICOS Novas recomendações da ASRM/ESHRE de 2018: o Presença de ≥ 20 folículos com diâmetro médio de 2-9mm e/ou volume ovariano total ≥ 10cm3, em um ou ambos ovários Paciente de 23 anos, vem na consulta para iniciar anticoncepc ̧ão o QP: “quero iniciar um método contraceptivo” o HDA: Refere ciclos regulares, com intervalos de 28 dias, e duração de 4-5 dias. Nega dismenorreia. Nega planos de engravidar nos próximos anos. Tem receio de não lembrar de tomar a medicação regularmente. o HMP: enxaqueca com aura, rinite alérgica; # nega vícios o HF: Nega o AGO: Nuligesta, início da atividade sexual aos 18 anos, vacinada para o HPV COMO ESCOLHER O ANTICONCEPCIONAL ADEQUADO? 1. Estabelecer conexão; 2. Identificar quem precisa de contracepção; 3. Avaliar HMP e contraindicaçãoes; 4. Aconselhamento contraceptivo; 5. Preferências pessoais; 6. Aconselhar o método e forma de iniciar; IDENTIFICAR QUEM PRECISA DE CONTRACEPÇÃO AVALIAR HMP E CONTRAINDICAÇÃOES o Categoria 1 – Pode ser usado o Categoria 2 – Benefício > Risco o Categoria 3 – Risco > Benefício, mas pode ser usado se única opção o Categoria 4 – Risco inaceitável ACONSELHAMENTO CONTRACEPTIVO o Eficácia = índice de PEARL CASO 1 MÉTODO DE BARREIRA • Preservativo masculino; • Preservativo feminino; • Diafragma + espermicida; MÉTODO DE CURTA DURAÇÃO 1. ESTROGÊNIO + PROGESTERONA § Orais Combinados § Injetável Mensal § Adesivo § Anel Vaginal 2. PROGESTERONA § Pílula Progestágeno § Injetável Trimestral ANTICONCEPCIONAL ORAL COMBINADO Anovulação por inibição do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano 1. PROGESTAGÊNIO § Inibição do pico pré-ovulatório do hormônio luteinizante (LH); § Espessamento do muco cervical; § Efeito antiproliferativo no endométrio, tornando-o não receptivo à implantação; § Altera a secreção e peristalse das trompas de Falópio; 2. ESTROGÊNIO § Inibe o pico do hormônio foliculoestimulante (FSH) -> evita a seleção e o crescimento do folículo dominante; § Estabiliza o endométrio; § Potencializa a ação progestagênica por meio do aumento dos receptores de progesterona intracelulares. COMO ESCOLHER???? 1. ESTROGE ̂NIO § Etinilestradiol ou Valerato de Estradiol § Dosagem de 15mcg, 20mcg, 30mcg e 35 mcg § Sempre preferir dosagens menores que 30mcg § Combinações de 21, 24 e 28 comprimidos CONTRAINDICAÇÕES DOS COMBINADOS 2. PROGESTÁGENO MÉTODOS DE CURTA DURAÇÃO ESTROGÊNIO + PROGESTERONA 1. ORAIS COMBINADOS 2. INJETÁVEL MENSAL = MESIGYNA® | PERLUTAN® = Aplicação IM, preferencialmente em nádega, a cada 30 dias; 3. ADESIVO = EVRA® - Colado sob a pele (braços, costas ou região abdominopélvica anterior ou posterior). Cada adesivo permanece colado na pele por 7 dias, totalizando 21 dias de uso, seguidos de 7 dias de pausa. 4. ANEL VAGINAL = NUVARING® - Inserido intravaginal e mantido por três semanas. Fazer pausa de 7 dias, e recolocar no anel. PROGESTERONA 1. PÍLULA PROGESTÁGENO = DESOGESTREL 75MCG – 1cp ao dia, 28 dias, continuo. 2. INJETÁVEL TRIMESTRAL = ACETATO DE MEDROXIPROGESTERONA 150MG/ML – 1 aplicação IM a cada 90 dias MÉTODOS DE LONGA DURAÇÃO 1. NÃO HORMONAL (DIU de cobre & DIU de cobre + prata) § Duração: 3 - 10 anos (depende modelo) § Mecanismo: Citotoxicidade endometrial, impede migração sptz § Benefícios: Sem hormônio; Pode ser usado como MAC emergência § Efeitos Colaterais: Dismenorréia, sangramento uterino anormal 2. HORMONAL – PROGESTERONA a. DIU MIRENA / KYLEENA § Duração: 5 anos § Mecanismo: espessamento muco cervical, atrofia endometrial, inibição 30% ovulações, impede junção ovulo+sptz * § Benefícios: Diminuição dismenorréia , 86% amenorréia , diminuição risco CA endométrio e ovário § Efeitos colaterais: Hiperandrogenismo, edema e SUA b. IMPLANTE SUBDÉRMICO (implanon) § Duração 3 anos § Efeito: Espessamento muco cervical, Atrofia endometrial; Inibição secreção de gonadotropinas; Efeito positivo no alívio da dor em pacientes com endometriose; § Favorece a diminuição de sintomas pré-menstruais; 32 anos. Queixa de sangramento vaginal intenso e dismenorréia QP: Sangramento vaginal intenso e cólica menstrual; HDA: Relata ter parado anticoncepcional combinado há 6 meses para tentar gestar. Neste período percebeu aumento importante no volume de sangramento, com duração de 12 dias, associada a dismenorreia. Relata dispareunia de profundidade há 2 anos. DUM: há 2 semanas HMP: apendicectomia aos 22 anos, hipotireoidismo HF: Avó câncer de endométrio AGO: Nuligesta, início da atividade sexual aos 15 anos, não recorda o número de parceiros e não realizou vacina HPV DISPAREUNIA 1. DISPAREUNIA DE INTRÓITO OU PENETRAÇÃO = Lesões vaginais, infecções vaginais, vulvarese cervicais; vaginismo; causas anatômicas; neoplasias; CASO 3 DIAGNÓSTICO = SUA (SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL) + DISMENORREIA. 2. DISPAREUNIA DE PROFUNDIDADE = Aderências; Endometriose; SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL MAS QUAL O NORMAL? § Frequência: 24 – 38 dias § Volume: 20-80mL § Duração: 4 a 8 dias a. estrutural b. não estrutural O SANGRAMENTO É MESMO DO ÚTERO? TRAUMA VAGINAL TUMOR CERVICAL PÓLIPO/TUMOR VESICAL HEMORROIDA/ FISSURA ANAL QUAL A IDADE DA PACIENTE? QUAIS PODEM SER AS CAUSAS 1. POLIPO = Projeção de tecido glandular com pedículo vascular; Pequeno percentual malignidade § Tipos: Cervicais ou endometriais; § Clínica: Maior parte assintomáticos; Sangramento intermenstrual § Diagnóstico: Ultrassonográfico ou por histeroscopia § Conduta: expectante ou cirúrgica 2. ADENOMIOSE = Tecido endometrial entre o miométrio e hipertrofia miometrial. § Clínica: sangramento uterino anormal e dismenorréia § Diagnóstico: ultrassonografia, ressonância de pelve: Doença focal ou difusa; Aumento no volume uterino; Associação com endometriose. § Conduta: clínica ou cirúrgica 3. LEIOMIOMA = Tecido endometrial entre o miométrio e hipertrofia miometrial; Prevalência 70% população caucasiana § Tipos: Submucosos, intramurais, subserosos § Manifestação conforme localização § Preservação ou não fertilidade § Conduta: clínica ou cirúrgica MALIGNIDADE • Sempre pensar quando SANGRAMENTO PÓS MENOPAUSA • 6-20% CANCER DE ENDOMÉTRIO • Espessura endometrial no Ultrassom: > 4-5mm - Sem reposição hormonal > 7-8 mm – Em uso de reposição hormonal • AMOSTRA ENDOMETRIAL EM SUA > 45 ANOS SEMPRE! COAGULOPATIA § Sangramento intenso na menarca § Avaliar se outros episódios de sangramento intenso (cirurgia odontológica, epistaxe, hematomas) Possíveis condições: - Doença de Von Willebrand - Hemofilias - Púrpura Trombocitopênica - Anticoagulação medicamentosa OVULATÓRIA • Sangramentos imprevisíveis • Associados a anovulação – SOP, tireoideopatias • Comum nos primeiros anos após a menarca e na perimenopausa ENDOMETRIAL • Sangramentos aumentados no período menstrual sem outra causa aparente • Desordem na hemostasia endometrial causada por prostaglandinas e endotelinas • Endometrite (Clamídia) IATROGE ̂NICA • Causadas por TH, ACO, medicações • DIU • Escapes / spotting NÃO ESPECIFICADA • Engloba entidades adicionais • ISTMOCELE – defeito em região de cicatriz uterina prévia OUTRAS NOMENCLATURAS ESPECÍFICAS § Sinusiorragia § sangramento de privação spotting/escape § sangramento uterino anormal dismenorréia § dispareunia § leucorréia