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Prof. Claudio Colucci UNIDADE I Estratégia Competitiva Você utiliza exclusivamente a intuição? Você toma decisões racionais? Você equilibra a intuição e a razão? Você consulta outras pessoas? Você provoca conflitos? Você age emocionalmente às provocações? Ou racionalmente? Como você negociaria para comprar um imóvel? Como você negociaria um aumento de salário? Os colegas de trabalho consideram que você colabora? Ou apenas pensam que você compete? Como você toma decisões? Você torce para algum clube de futebol? Esse clube joga da mesma maneira contra todos os adversários? Ou ocorre uma adaptação em função do adversário? Você considera que existe uma interdependência? A tática de um também é influenciada pela tática do adversário? Em quais modalidades de jogos os jogadores fazem movimentos simultâneos? Em quais modalidades de jogos os movimentos não são sequenciais? Agora, pense na competição entre as empresas. Como ocorre? A sua empresa tem um histórico sobre como agem ou reagem os concorrentes? Como esse conhecimento sobre os padrões dos concorrentes pode ajudar a sua empresa? Vamos pensar sobre jogos... A Teoria dos Jogos pode ser definida, em termos simples e precisos, como o estudo das decisões em situação interativa (GREMAUD et al., 2011). A Teoria dos Jogos é o ramo da economia que trata da análise de tomada ótima de decisões quando todos os tomadores de decisões são presumivelmente racionais, e cada um está tentando prever as ações e reações de seus concorrentes (BESANKO et al., 2006, p. 59). Teoria dos Jogos, que poderia se chamar muito apropriadamente de Teoria das Decisões Interdependentes, tem como objeto de análise situações em que o resultado da ação de indivíduos, grupo de indivíduos, ou instituições, depende substancialmente das ações dos outros envolvidos. Teoria dos jogos A Teoria dos Jogos não elimina a necessidade de conhecimento e intuição, mas oferece algumas dicas para a tomada da decisão. Vantagens da Teoria dos Jogos: a compreensão teórica do processo de tomada de decisão das empresas, como agentes econômicos que interagem entre si, a partir do contexto em que estão envolvidos; o desenvolvimento da capacidade de raciocinar estrategicamente para além da simples intuição sobre as possibilidades daquelas empresas (FIANI, 2006). Nesta disciplina, trataremos sobre algumas modalidades de jogos: simultâneos, equilíbrio de Nash, jogos sequenciais e outros. Vantagens da teoria dos jogos Os dois jogam ao mesmo tempo. Jogos sequenciais são aqueles nos quais os jogadores não fazem os movimentos simultaneamente, mas sequencialmente. Portanto, os jogadores tomam suas decisões estratégicas em uma sequência definida anteriormente (conhecida pelos jogadores). Jogos repetitivos são um caso específico de jogos sequenciais. Jogos simultâneos Considere a guerra da pasta de dente: As empresas envolvidas nessa situação são representadas pelas marcas Colgate (submarca da Colgate-Palmolive) e Oral-B (marca da Procter & Gamble). Elas dividem um determinado mercado igualmente: cada uma com 50% de participação (R$ 30 milhões em vendas/ano). No contexto do jogo, ambas estão avaliando o lançamento de uma campanha publicitária. Quem são os jogadores? Colgate e Oral-B. Quais são as possíveis ações? Realizar a campanha de comunicação; Não realizar a campanha de comunicação. A guerra das pastas de dentes Analise o contexto de interação estratégica: Quais são as regras do jogos? As duas empresas decidem simultaneamente. Segundo Fiani (2006), decisões tomadas simultaneamente são aquelas em que um jogador toma as suas decisões sem saber as do outro e vice-versa. Analise o contexto daquela situação de interação estratégica: Quais são os possíveis resultados? As duas não realizam a campanha e mantêm 50% de participação de mercado (sem custo). As duas realizam a campanha e mantêm 50% de participação de mercado (com custo). Apenas uma realiza a campanha e conquista 80% de participação de mercado (com custo), enquanto para a outra empresa restam os 20% de participação (sem custo). A guerra das pastas de dentes Oral-B Realizar a campanha Não realizar a campanha Colgate Realizar a campanha 8;8 17;6 Não realizar a campanha 6;17 15;15 Quais são os possíveis resultados? Caso as duas não realizem a campanha, cada uma permanece com sua participação de mercado usual – portanto, 50%, equivalendo a R$ 15 milhões em vendas por ano. Caso as duas realizem a campanha, essa ação não terá efeito na participação, a qual permanecerá em 50% para cada, mas sim nos custos da campanha, de tal maneira a subtrair uma parcela dos rendimentos: R$ 15 – R$ 7 = R$ 8 milhões. Caso apenas uma realize a campanha: Marca com campanha publicitária: R$ 24.000.000,00 (80% de participação) – R$ 7.000.000,00 (custos da campanha) = R$ 17.000.000,00. Marca sem campanha publicitária: R$ 6.000.000,00 (20% participação de mercado). A guerra das pastas de dentes Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230 Quadro 1 – Guerra da pasta de dente Uma estratégia dominante é uma estratégia que é ótima para um jogador independentemente da estratégia escolhida pelo outro jogador. Caso os dois jogadores adotem uma estratégia dominante, a combinação dessas estratégias é chamada de um equilíbrio com estratégias dominantes. Uma estratégia é dita estritamente dominada se há uma outra que sempre proporciona um melhor resultado, independentemente da que foi adotada pelo outro jogador. A estratégia é chamada fracamente dominada se uma outra estratégia proporciona sempre um resultado melhor ou igual independentemente da estratégia escolhida pelo outro jogador. Estratégia dominante X Estratégia dominada Considere a seguinte situação: duas pizzarias localizadas em uma mesma praça de alimentação de um movimentado campus universitário, na cidade de São Paulo: Patroni Pizza e Pizza Hut. As duas empresas estarão em competição pelo mercado formado basicamente por alunos e funcionários daquele campus universitário. Dessa forma, as decisões de preços dos dois restaurantes, por exemplo, influenciarão seus resultados finais. Vamos analisar mais estruturadamente essa situação de interação estratégica: Eliminando estratégias dominadas Quem são os jogadores? — Patroni Pizza; — Pizza Hut. Quais são suas possíveis decisões de preço? — Preço alto: R$ 36; — Preço médio: R$ 30; — Preço baixo: R$ 15 Sobre os preços, ainda, é importante ressaltar que, especificamente neste caso, 10 mil alunos e funcionários frequentam o campus universitário, sendo que, deles: • 3 mil compram apenas na Patroni Pizza; • 3 mil compram apenas na Pizza Hut; • 4 mil compram na pizzaria com o menor preço ou aleatoriamente quando o preço é o mesmo nos dois restaurantes. Eliminando estratégias dominadas As regras desse jogo: As duas empresas irão decidir seus preços simultaneamente. Os possíveis resultados: Primeiro exemplo: Se a Patroni Pizza decidir pelo preço baixo, irá vender para os seus 3 mil clientes fiéis e para os outros 4 mil: (3.000 + 4.000) x R$ 15 = R$ 105.000 • Se, ao mesmo tempo, a Pizza Hut decidir pelo preço alto, ela irá vender apenas para seus 3 mil clientes mais fiéis: (3.000) x R$ 36 = R$ 108.000. Eliminando estratégias dominadas Segundo exemplo: Se a Patroni Pizza decidir pelo preço médio, irá vender para os seus 3 mil clientes fiéis: (3.000) x R$ 30 = R$ 90.000. Se, ao mesmo tempo, a Pizza Hut decidir pelo preço baixo, esta irá vender para seus 3 mil clientes fiéis e para os outros 4 mil: (3.000 + 4.000) x R$ 15 = R$ 105.000. Último exemplo: Se a Patroni Pizza decidir pelopreço médio, irá vender para os seus 3 mil clientes fiéis e para os outros 2 mil: (3.000 + 2.000) x R$ 30 = R$ 150.000. Se, ao mesmo tempo, a Pizza Hut decidir pelo preço médio, ela irá vender para seus 3 mil clientes fiéis e para os outros 2 mil: (3.000 + 2.000) x R$ 30 = R$ 150.000. Eliminando estratégias dominadas Uma conclusão lógica sobre esses conceitos, em um jogo, consiste na antecipação de que jogadores racionais sempre escolherão estratégias dominantes, e nunca as dominadas. Com relação às estratégias dominantes, a análise é mais simples. Como os jogadores racionais decidirão por ela, sempre que ela exista, basta ao analista identificá-la para determinar o resultado do jogo. Eliminando estratégias dominadas Eliminando estratégias dominadas Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Patroni Pizza Preço alto Preço médio Preço baixo Pizza Hut Preço alto 180; 180 180; 210 108; 105 Preço médio 210; 108 150; 150 90; 105 Preço baixo 105; 108 105; 90 75; 75 Quadro 3 – Decisões de preço no campus Estratégias dominantes Estratégias dominadas Sempre trarão melhores resultados quando compradas a qualquer outra possível estratégia do jogador Nunca trarão os melhores resultados quando comparadas a qualquer outra possível estratégia do jogador Quadro 4 – Estratégias dominantes versus dominadas Patroni Pizza Preço alto Preço médio Pizza Hut Preço alto 180; 180 108; 210 Preço médio 210; 108 150; 150 Quadro 8 – Resultado final do jogo em “decisões de preço no campus” A estratégia de preço baixo, para Pizza Hut, é considerada uma estratégia dominada, podemos eliminá-la de nossa análise estratégica. Vale ressaltar ainda que o mesmo vale para a Patroni Pizza, ou seja, a estratégia de preço baixo, da mesma forma, nunca lhe trará os melhores: Eliminando estratégias dominadas Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Patroni Pizza Preço alto Preço médio Pizza Hut Preço alto 180; 180 108; 210 Preço médio 210; 108 150; 150 Quadro 7 – Estratégias dominadas eliminadas (parte 2) Quadro 6 – Eliminado estratégias dominadas (parte 1) Patroni Pizza Preço alto Preço médio Preço baixo Pizza Hut Preço alto 180; 180 180; 210 108; 105 Preço médio 210; 108 150; 150 90; 105 Preço baixo 105; 108 105; 90 75; 75 Patroni Pizza Preço alto Preço médio Preço baixo Pizza Hut Preço alto 180; 180 180; 210 108; 105 Preço médio 210; 108 150; 150 90; 105 Preço baixo 105; 108 105; 90 75; 75 Quadro 5 – Estratégia dominadora para Pizza Hut Escolha a alternativa correta. a) A Teoria dos Jogos não elimina a necessidade de conhecimento e intuição, mas oferece algumas dicas para a tomada da decisão. b) A Teoria dos Jogos elimina a necessidade de conhecimento e intuição, mas oferece algumas dicas para a tomada da decisão. c) A Teoria dos Jogos não elimina a necessidade de conhecimento e intuição e não oferece dicas para a tomada da decisão. d) A intuição é a única opção para as decisões. e) A intuição sempre deve ser descartada. Interatividade Escolha a alternativa correta. a) A Teoria dos Jogos não elimina a necessidade de conhecimento e intuição, mas oferece algumas dicas para a tomada da decisão. b) A Teoria dos Jogos elimina a necessidade de conhecimento e intuição, mas oferece algumas dicas para a tomada da decisão. c) A Teoria dos Jogos não elimina a necessidade de conhecimento e intuição e não oferece dicas para a tomada da decisão. d) A intuição é a única opção para as decisões. e) A intuição sempre deve ser descartada. Resposta Os estudos sobre a teoria dos jogos tornaram-se ainda mais desenvolvidos com os estudos do matemático John Forbes Nash, sobre a escolha de indivíduos em situações que envolvem concorrência. É uma combinação de estratégias na qual nenhum jogador racional pode desviar-se unilateralmente de sua própria estratégia, pois quando um jogador alcança o Equilíbrio de Nash não há outra estratégia que lhe traga melhores resultados, considerando – sempre – as ações do outro jogador, ou seja, a interdependência mútua dos jogadores. Uma condição necessária para um jogador cooperar voluntariamente no dilema dos prisioneiros repetido é o reconhecimento de que, ao final, seu rival retaliará qualquer trapaça. Equilíbrio de Nash O equilíbrio de Nash é uma combinação de estratégias em que cada um dos jogadores faz o melhor que pode em função das estratégias dos demais jogadores. O equilíbrio em estratégias dominantes é um caso especial de equilíbrio de Nash. O equilíbrio de Nash parte da racionalidade de cada jogador. A estratégia mais conservadora maximiza o resultado mínimo possível. O equilíbrio de Nash é um conjunto de estratégias (ou ações) no qual cada jogador faz o melhor que pode em função das ações de seus oponentes. Equilíbrio de Nash X Estratégias Dominantes Estratégias dominantes: Eu faço o melhor que posso, não importa o que você faça. Você faz o melhor que pode, não importa o que eu faça. Equilíbrio de Nash: Eu faço o melhor que posso, em função daquilo que você faz. Você faz melhor que pode, em função daquilo que eu faço. Equilíbrio de Nash X Estratégias Dominantes O conceito de ótimo de Pareto reza o seguinte: Quando a situação de pelo menos um agente melhora, sem que a situação de nenhum dos outros agentes piore, diz-se que houve uma melhoria paretiana ou uma melhoria no sentido de Pareto. Da mesma forma, se em uma dada situação não é mais possível melhorar a situação de um agente sem piorar a de outro, diz-se que essa situação é um ótimo de Pareto, ou seja, ganhos de eficiência não são mais possíveis (FIANI, 2006, p. 102). Equilíbrio de Nash e ótimo de Pareto A partir de exemplos como do dilema do prisioneiro, John Nash desenvolveu a teoria com seu conceito mais conhecido como Equilíbrio de Nash. A estratégia de equilíbrio, segundo ele, é tomar a decisão que é melhor para cada prisioneiro. Este equilíbrio acontece no caso de os dois prisioneiros revelarem o crime e cooperarem, pois o benefício é garantido para ambos. O prisioneiro que não testemunha corre o risco de ficar mais tempo preso se o outro revelar o crime cometido. Equilíbrio de Nash... e o dilema dos prisioneiros Por este dilema, cada um dos prisioneiros poderá trair ou ficar em silêncio, porém nenhum sabe qual será a ação do outro e isso resultaria em penas diferentes para cada um. Vejamos os resultados práticos dessa interação estratégica: Se apenas um prisioneiro confessar o crime, ele seria libertado (como em uma espécie de delação premiada) e as autoridades condenariam, então, o outro prisioneiro a seis meses de prisão, já que, ao contrário dele, o comparsa não teria colaborado com as investigações. Se ambos os prisioneiros negassem seu envolvimento, eles passariam apenas um mês na prisão, devido a aspectos puramente burocráticos (imaginando que a investigação não tenha sido capaz de provar a autoria dos prisioneiros naquele crime). Dilema dos prisioneiros... contexto E se, por outro lado, confessam o crime, ambos seriam presos por três meses, pois os dois colaboraram com a polícia. Dilema dos prisioneiros... contexto Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Prisioneiro 2 Confessa Nega Prisioneiro 1 Confessa -3; -3 0; -6 Nega-6; 0 -1; -1 Quadro 19 – O dilema dos prisioneiros Há uma estratégia dominante tanto para o prisioneiro 1 quanto para o 2. Coloque-se no ponto de vista do prisioneiro 1: Caso o prisioneiro 2 resolva confessar o crime, o melhor seria também confessá-lo, pois três meses de prisão seria uma pena inferior aos seis. Caso o prisioneiro 2 decida negar o crime, a melhor opção seria confessá-lo, pois a liberdade seria mais vantajosa que a pena de um mês na prisão. Assim, para o prisioneiro 1, confessar é uma estratégia dominante, ou seja, é aquela que sempre trará os melhores resultados quando comparada a qualquer estratégia possível do prisioneiro 2. Para o prisioneiro 2, confessar também é uma estratégia dominante. O Equilíbrio de Nash acontece se os dois prisioneiros confessarem, com pena de três meses para cada. Dilema dos prisioneiros... análises O grande problema do Dilema do Prisioneiro é que o equilíbrio (Confessar – Confessar) não é o melhor resultado. Pois, se os dois permanecessem em silêncio, cada um permaneceria apenas um mês preso. Esse dilema resulta em um equilíbrio ineficiente, pois os incentivos e racionalidade induzem a um pior resultado. Você pode considerar que isto se deve porque não é possível conversar com o outro. Mas, mesmo que pudesse conversar, que garantia você teria de que o outro cumpriria o combinado? E agora, o que você pensa em situações de competição de mercado? A sua empresa versus o mais direto concorrente... Dilema dos prisioneiros... análises O dilema dos prisioneiros, se considerado um jogo de movimento único, impede que os jogadores obtenham ganhos superiores, em termos individuais e coletivos. Caso o jogo se repita com os mesmos jogadores, pode ocorrer um aprendizado. Dessa forma, em alguma situações pode ocorrer uma coordenação das estratégias dos jogadores para o resultado mais eficiente individual e coletivamente. O dilema dos prisioneiros repetido Considere duas empresas: A primeira fornece um insumo específico para a segunda, que o utiliza em sua produção. Caso a empresa fornecedora tenha realizado investimentos em ativos específicos na produção daqueles insumos, a rentabilidade desses investimentos dependerá de sua clientela, no caso, a segunda empresa. No caso, esta segunda empresa pode aproveitar-se dessa situação para propor um preço inferior ao previamente negociado (ameaçando adiar ou interromper sua aquisição) e, com isso, obter ganhos expressivos em curto prazo. Outra possibilidade, a empresa fornecedora perceber que não há concorrentes para os insumos que sua cliente busca, ela pode pressioná-la por um preço de fornecimento maior que o contratado, igualmente, para alcançar maior lucro em curto prazo. O dilema dos prisioneiros repetido – exemplo O comportamento oportunista, em economia, é particularmente denominado “custos de transação”. Fiani (2006) ressalta que o problema prático dos custos de transação reside no aumento dos custos que as empresas incorrem toda vez que negociam com outras empresas ou indivíduos no mercado, e isso, em última análise, eleva os preços dos bens na economia, reduzindo a oferta e o bem-estar social, pois assim se oferta quantidade menor de bens e serviços na economia. Os ganhos na matriz estão expressos em termos de preferência para cada empresa de acordo com cada combinação de negociação. O dilema dos prisioneiros repetido – exemplo Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Cliente Acordo inicial com cláusulas protetoras Acordo inicial sem cláusulas protetoras Fornecedora Acordo inicial com cláusulas protetoras 1;1 3;0 Acordo inicial sem cláusulas protetoras 0;3 2;2 Quadro 20 – Atividade econômica com custos de transação O jogo “atividade econômica com custos de transação” demonstra que o Equilíbrio de Nash não se encaminha para o resultado mais eficiente tanto do ponto de vista individual quanto da perspectiva coletiva, pois as duas empresas irão – sempre – preferir um acordo com cláusulas protetoras contra atitudes oportunistas. Por outro lado, ambos os jogadores possuem conhecimento completo dos resultados desse jogo e, consequentemente, percebem que estariam em melhor situação, caso optassem – simultaneamente – por cumprir o acordo inicial sem cláusulas protetoras, diminuindo os custos de transação para ambos. A questão importante neste ponto é a seguinte: em quais circunstâncias o comportamento egoísta e oportunista pode dar espaço à colaboração e à cooperação entre os jogadores? O dilema dos prisioneiros repetido – exemplo Nem sempre as situações de interação estratégica ocorrem simultaneamente. Há situações em que os jogos precisam ser analisados a partir de um contexto que considera, por exemplo, a ação de um jogador e uma ou mais reações de um outro jogador, quando eles estiverem em uma situação de interação estratégica. Implicações do dilema do prisioneiro repetido Baseado em Barrichelo (2017) Considere que uma cidade tem dois postos de gasolina (Posto Gasoil e Posto Cargas). Hipótese (Posto Gasoil): se baixar o preço em 5%, ganha 30% dos clientes do concorrente. Reduzo de R$ 3,00 para R$ 2,90? Como reagirá o Cargas? E se os dois reduzirem, ambos passarão a vender por R$ 2,90. Essa é a possível guerra de preços entre os dois postos. No domingo você decide o preço que praticará na segunda, e não será possível alterar ao longo do dia. Mas você não sabe o que o concorrente fará... Essa é a dinâmica de um mercado sensível ao preço, os concorrentes podem reduzir para tentar aumentar a participação de mercado. E se combinassem? Cuidado... cartel... Além disso, você iria dormir sem ter a certeza de que o concorrente cumpriria o combinado. Agora há o Dilema da Confiança. Dilema dos prisioneiros – guerra de preços entre postos de gasolina A seguir, há uma representação hipotética de quanto cada posto ganharia por dia (exemplo, R$ 50). Se os dois colaborarem, os dois ganham R$ 50 por dia. Se um deles reduz o preço ganha R$ 60, enquanto que o que manteve ganha R$ 30. Se os dois reduzirem o preço, o resultado será R$ 40. Reduzem os preços, mas não aumentam o volume de vendas. (40; 40) é o ponto de equilíbrio, pois abaixar o preço é a estratégia dominante para cada um. Dilema dos prisioneiros – guerra de preços entre postos de gasolina Baseado em Barrichelo, Fernando. Estratégias de decisão: decida melhor com insights da teoria dos jogos. Crayon Editora, São Paulo, 2017. Escolha a alternativa correta: a) O equilíbrio de Nash é uma combinação de estratégias em que cada um dos jogadores faz o melhor que pode em função das estratégias dos demais piores jogadores. b) O equilíbrio em estratégias dominantes não é um caso especial de equilíbrio de Nash. c) O equilíbrio de Nash não parte da racionalidade de cada jogador. d) Estratégias dominadas sempre trarão os melhores resultados. e) O equilíbrio de Nash parte apenas da intuição de cada jogador. Interatividade Escolha a alternativa correta: a) O equilíbrio de Nash é uma combinação de estratégias em que cada um dos jogadores faz o melhor que pode em função das estratégias dos demais piores jogadores. b) O equilíbrio em estratégias dominantes não é um caso especial de equilíbrio de Nash. c) O equilíbrio de Nash não parte da racionalidade de cada jogador. d) Estratégias dominadas sempre trarão os melhores resultados. e) O equilíbrio de Nash parte apenas da intuição de cada jogador. Resposta Estudados os jogos simultâneos, a partir de agora, precisaremos pensar os sequenciais, os quais incorporam sempre algum aspecto de tempo à interação estratégica analisada. Para Fiani (2006, p. 53): “um jogo sequencial é aquele em que os jogadores realizamseus movimentos em uma ordem predeterminada”. Essa expressiva diferença com relação aos jogos simultâneos (jogos de movimento único) consiste no fato de que o sequencial traz importantes implicações para a análise dos jogos e jogadores. No jogo, um jogador age antes do outro, enquanto o segundo determinará suas ações conhecendo o que já foi feito pelo primeiro (conhecimento do histórico daquele jogo). Jogos sequenciais Os sequenciais são representados e modelados em sua “forma extensiva”, utilizando a denominada “árvore de um jogo”, ou “árvore de decisão” (GREMAUD et al., 2011), ou ainda, por exemplo, “forma estendida” (FIANI, 2006). Os jogadores tomam suas decisões estratégicas em uma sequência definida anteriormente (conhecida pelos jogadores). Jogos repetitivos representam uma modalidade de jogos sequenciais. Jogos sequenciais Todo nó deve ser precedido por apenas um outro nó. Nenhuma trajetória no tempo pode ligar um nó a ele mesmo. Todo nó na árvore de jogos deve ser sucessor de um único nó inicial. Representação formal de um jogo sequencial Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Na prática, a representação formal de um jogo sequencial é composta pelas seguintes informações: A Rede Globo oferece um posicionamento de marca em sua próxima novela de horário nobre a duas empresas: (1) Honda Motor do Brasil Ltda.; e (2) Grupo Caoa – responsável pela distribuição, montagem e importação dos veículos da marca coreana Hyundai. Devido a um relacionamento mais estreito, a Rede Globo oferece o posicionamento da marca primeiro para o Grupo Caoa (Hyundai) e, caso a representante da marca coreana recusasse a oferta, ela seria estendida à Honda. Exemplo: jogo de posicionamento das marcas Caso a Hyundai decida posicionar sua marca: aumento estimado nas vendas → R$ 15 milhões; custo de publicidade e propaganda → R$ 5 milhões. Para a Honda, nessa situação não resta nada a fazer: redução de R$ 5 milhões em suas vendas. por outro lado, caso a Hyundai decida não posicionar a marca e a Honda também decida por não posicionar sua marca na novela, nada muda; Exemplo: jogo de posicionamento das marcas Porém, caso a Honda decida posicionar sua marca: aumento estimado nas vendas → R$ 25 milhões naquele ano (o aumento superior se deve à maior abrangência geográfica que as concessionárias Honda têm no Brasil); custo de publicidade e propaganda → R$ 5 milhões. Por sua vez, para a Hyundai, não resta nada a fazer: sofrer com uma redução → R$ 7 milhões em suas vendas. Exemplo: jogo de posicionamento das marcas Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. A partir do jogo de posicionamento das marcas, por exemplo, para a Honda, existem três possíveis estratégias: status quo; posicionar a marca; não posicionar a marca. Quando se comparam as estratégias disponíveis, interessa constatar que, para a Hyundai, existem apenas duas possíveis estratégias, em virtude de ser ela a primeira a jogar: posicionar a marca; não posicionar a marca. Exemplo: jogo de posicionamento das marcas Determinar o resultado ótimo de jogo de movimento sequencial a partir do jogador que inicia o jogo. “a habilidade de mover primeiro num jogo de movimento sequencial pode às vezes ter um valor significativo” (BESANKO; BRAEUTIGAM, 2004, p. 425). Fiani (2006) argumenta que a aplicação do método de indução reversa é iniciado com a análise do jogo de trás para a frente, examinando os payoffs (recompensas) dos jogadores até o primeiro nó de decisão, procurando evidenciar as opções ótimas de cada jogador. Indução reversa Retomaremos o jogo de posicionamento das marcas como exemplo inicial para a aplicação do método de indução reversa. De trás para a frente, a árvore de decisão do jogo de posicionamento das marcas evidencia que, na última rodada, quem toma a decisão é a Honda. Primeiro, se a Hyundai decide posicionar a marca, a única decisão para a Honda será manter tudo como estava antes (isto é, o status quo). Em segundo lugar, se a Hyundai optar por não posicionar sua marca na novela, a Honda decidirá entre posicionar ou não a sua. Indução reversa Fonte: Arten, Fábio. Estratégia Competitiva. / Fábio Arten. – São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230 Essas figuras demonstram que, no primeiro caso, como não há alternativas para a Honda, sua decisão já está tomada e sua recompensa será uma redução de R$ 5 milhões em sua receita com vendas. Caso a Hyundai decida não posicionar sua marca na novela, a Honda terá duas alternativas (posicionar ou não sua marca), mas racionalmente decidirá posicionar, a fim de aumentar em R$ 20 milhões suas vendas. Indução reversa Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. A habilidade de se mover primeiro pode apresentar um valor estratégico em jogos de movimentos sequenciais, consideraremos um exemplo adaptado de Besanko et al. (2006). Urdan e Urdan (2013, p. 329): na estrutura oligopolista, poucos concorrentes disputam o mercado, e isso equivale, em termos numéricos, que não mais de seis empresas faturam pelo menos metade das vendas totais do ramo. Movimentos estratégicos A indústria de aviação civil em um país latino-americano, pelo qual duas empresas estão concorrendo. A empresa 1 domina 37,5% do mercado e está avaliando sua estratégia relacionada à capacidade produtiva, considerando duas opções denominadas “capacidade agressiva” e “capacidade passiva”. A empresa 2 configura-se nesse mercado como uma concorrente menor, possuindo apenas 12,5% de market share (em português, participação de mercado), e estuda sua estratégia de expansão da capacidade produtiva. Por isso, está avaliando as opções estratégicas agressiva e passiva. Os payoffs estão representados em milhões de reais em lucro associado a cada combinação de opções das duas empresas (BESANKO et al., 2006) Movimentos estratégicos – exemplo Empresa 2 Capacidade agressiva Capacidade passiva Prisioneiro 1 Capacidade agressiva 13; 4 17; 5 Capacidade passiva 15; 7 18; 6 Quadro 21 – Decisão de capacidade produtiva em um oligopólio Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. A empresa 1 pode alterar o resultado previamente discutido, e a possibilidade dessa mudança está diretamente relacionada a duas hipóteses diferentes: Na primeira, para que a empresa 1 seja capaz de coordenar as ações da empresa 2: um anúncio para a imprensa especializada sobre a intenção de “ganhar mercado” nos próximos anos e a alterada política de bonificação dos seus diretores (empresa 1), atrelada ao aumento da participação de mercado, em vez de aumento no lucro, demonstraria claramente que a empresa 1 está comprometida com a estratégia “capacidade agressiva”. A segunda hipótese consiste em a empresa 1 antecipar sua jogada, ou seja, antes mesmo que a empresa 2 fosse capaz de decidir o que fazer, a empresa 1 já teria acelerado a decisão de expandir sua capacidade produtiva com a estratégia de capacidade agressiva. Movimentos estratégicos – exemplo Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicadonos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. O resultado do jogo da decisão de capacidade produtiva sequencial, obtido por meio de indução reversa: A empresa 1 foi capaz de conseguir um resultado superior àquele obtido quando o jogo era simultâneo, isto é, a empresa 1 optaria pela capacidade agressiva, enquanto a empresa 2, pela passiva. Os lucros da empresa 1, quando o jogo era simultâneo, equivaliam a R$ 15 milhões e R$ 17 milhões, por sua vez, quando o jogo foi reconfigurado para a sequencial. Essa situação ilustra um conceito teoricamente abordado em estratégia competitiva denominado “comprometimento estratégico”, ou “movimentos estratégicos”. Movimentos estratégicos – exemplo Escolha a alternativa correta: a) Um jogo sequencial é aquele em que os jogadores realizam seus movimentos em uma ordem predeterminada. b) Um jogo sequencial é aquele em que os jogadores realizam seus movimentos em uma ordem indeterminada. c) A habilidade de mover primeiro num jogo de movimento sequencial nunca tem um valor significativo. d) O método de indução reversa não é relacionado ao resultado ótimo de jogo de movimento sequencial a partir do jogador que inicia o jogo. e) A habilidade de se mover primeiro nunca apresenta um valor estratégico em jogos de movimentos sequenciais. Interatividade Escolha a alternativa correta: a) Um jogo sequencial é aquele em que os jogadores realizam seus movimentos em uma ordem predeterminada. b) Um jogo sequencial é aquele em que os jogadores realizam seus movimentos em uma ordem indeterminada. c) A habilidade de mover primeiro num jogo de movimento sequencial nunca tem um valor significativo. d) O método de indução reversa não é relacionado ao resultado ótimo de jogo de movimento sequencial a partir do jogador que inicia o jogo. e) A habilidade de se mover primeiro nunca apresenta um valor estratégico em jogos de movimentos sequenciais. Resposta Três classes especiais de jogos: de coordenação: caracterizados pela possibilidade de cooperação entre os agentes (FIANI, 2006); de competição: as situações de interação estratégica em que os ganhos de um jogador equivalem à perda do outro jogador denominam-se “jogos de soma zero”, contrastando com os de “cooperação” (VARIAN, 2006). Conclui-se, desse modo, que os jogos da “campanha publicitária” e da “roleta-russa” são considerados, além de jogos de coordenação, como jogos de competição; de compromisso: os jogos de compromisso são desenvolvidos em estruturas de jogos de movimento sequencial, em que a iniciativa dos movimentos, a possibilidade de contratos e reputação se configuram em aspectos essenciais para o sucesso. Outros jogos importantes A batalha dos sexos descreve uma situação em que um rapaz e uma moça querem encontrar-se para assistir a um filme juntos no cinema, porém um imprevisto qualquer não permitiu que eles tivessem a oportunidade de combinar a qual filme assistiriam. Suponha ainda que eles tenham esquecido os seus celulares. Dessa forma, sem comunicação, terão de adivinhar o filme que outro decidiu assistir (VARIAN, 2006). Portanto, o principal objetivo dos dois jogadores consiste em assistir ao filme juntos, mas o rapaz prefere filmes de ação e a moça, por sua vez, romances, no entanto não se encontrarem de modo algum é a pior preferência de ambos. Batalha dos sexos Os payoffs desses jogos, de acordo com o descrito, seguem representados na matriz a seguir. Um dos equilíbrios consiste nos dois assistirem ao filme de ação, o outro em os dois optarem pelo romance. Batalha dos sexos Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Moça Ação Romance Rapaz Ação 2; 1 0; 0 Romance 0; 0 1; 2 Quadro 22 – Batalha de sexos A corrida armamentista, disputada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, é um dos melhores exemplos a ilustrar os jogos de segurança. Nesse jogo, de forma simples, os dois países decidiriam se fabricariam ou não mísseis nucleares. Existem dois equilíbrios: abstém; abstém; constrói; constrói. É fácil concluir que os dois países prefeririam a combinação de estratégia da abstenção para ambos, para não ter de concentrar seus gastos de governo com a indústria bélica. Portanto, estão liberados, para aumentar seus investimentos em áreas mais importantes ao bem-estar social, como a saúde e a educação. Jogos de segurança Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Rússia Abstém Constrói Estados Unidos Abstém 4; 4 1; 3 Constrói 3; 1 2; 1 Quadro 24 – Corrida armamentista No jogo “roleta-russa”, dois jovens disputam o coração de uma bela jovem em uma espécie de racha, posicionando seus carros em extremidades opostas de uma rua deserta, e dirigem, em linha reta, em rota de colisão. O primeiro dos dois desafiantes que desviasse daquela rota, desmoralizado, perderia a disputa. Caso nem um desviasse da rota, destruir-se-iam os carros. Por fim, se ambos desviassem, ninguém ficaria com a garota (VARIAN, 2006). Roleta-russa Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517- 9230. Antônio Desvia Vai em frente João Desvia 0; 0 -1; 1 Vai em frente 1; -1 -2; -2 Quadro 26 – Roleta russa Varian (2006), o sapo e o escorpião estavam à beira do rio, quando ambos avaliavam um modo de alcançar a outra margem. O escorpião sugere ser levado até o outro lado rio nas costas do sapo, que, por sua vez, alerta ao escorpião o risco que ambos correriam, caso ele resolvesse picá-lo com seu ferrão. O escorpião trata de dissuadi-lo, argumentando a irracionalidade de uma decisão como essa, já que assim ambos morreriam afogados. Convencido pelo escorpião, o sapo aceita sua proposta, porém, no meio da travessia, efetivamente o escorpião ferra o sapo que, inconformado, questiona o motivo disso, ao que o escorpião retruca ser essa a natureza dele. Jogos de compromisso – o sapo e o escorpião Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. A fábula do sapo e o escorpião pode ser verificada em uma situação típica de estratégia competitiva, como uma negociação entre um fornecedor de grande porte e um comprador de pequeno porte. O fornecedor pode favorecer-se da fragilidade do comprador (com pouco poder de barganha), impondo alterações nas condições negociadas previamente, em termos de preços e/ou quantidades, a fim de lograr proveito desse tipo de situação, comprometendo os lucros previstos pelo comprador. Jogos de compromisso – o sapo e o escorpião Esse jogo considera uma situação ainda mais peculiar: um sequestro no qual os sequestradores descobrem que o refém e sua família não terão condições de efetuar o pagamento para o resgaste. Nesse caso, os sequestradores devem libertar o refém? A próxima figura representa o jogo: A diferença essencial entre os dois jogos apresentados e discutidos reside no jogador que precisa promover mecanismos de coordenação para alterar seus ganhos no jogo. No jogo do “sapo e o escorpião”, é o primeiro jogador quem deve preocupar-se com isso; no do “sequestro”, essa responsabilidade cabe ao segundo jogador. Jogos de compromisso – sequestrador cordial Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudose Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Uma indústria montadora de automóveis contrata uma empreiteira para construir um galpão. Após a aprovação da obra e com a construção próxima de sua conclusão, a indústria contratante nota um erro na elaboração do projeto, relacionado às dimensões de um dos espaços daquele galpão. Segundo a empreiteira, a alteração do projeto custaria R$ 1 milhão. Por meio do uso do método de indução reversa, a empreiteira contratada poder ser oportunista e decidir extorquir sua cliente, para a indústria, qualquer ação será indiferente, pois, cedendo ou trocando de empreiteira, terá de arcar com um prejuízo de R$ 500 mil. Caso a empreiteira decida cobrar um preço justo, não ganhará nada além do esperado. Ou seja, nesse jogo, o equilíbrio implica a extorsão da indústria, bem como sua anuência à extorsão. Jogos de compromisso – extorsão Fonte: ARTEN, Fábio. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. Um jogo também pode se diferenciar de acordo com o conjunto de informações que os jogadores possuem. Um jogo é de informação completa ou de informação incompleta se cada jogador conhece ou não as seguintes informações: A) o conjunto de jogadores; B) as estratégias disponíveis para cada jogador; e C) todos possíveis resultados para todos os jogadores. Um jogo é de informação completa quando cada jogador conhece A), B) e C) e é de informação incompleta quando um ou mais jogadores desconhecem alguma das informações citadas. E agora, vamos consolidar alguns temas Um jogo pode ser de informação perfeita e de informação imperfeita. Um jogo é de informação perfeita se a cada movimento todos os jogadores conhecem as escolhas feitas nos movimentos anteriores. Caso esta condição não ocorra, o jogo é de informação imperfeita. E agora, vamos consolidar alguns temas Uma situação, para ser considerada como jogo, teria que apresentar a existência de conflito e interdependência entre as decisões dos participantes. Esta é a caracterização mais abstrata que podemos fazer de um jogo. No entanto, num plano mais concreto, podemos identificar dois tipos de jogo: (1) o jogo não cooperativo, quando as condições orgânicas do mesmo não permitem a formação de coalizões que possam determinar o resultado do jogo, e (2) o jogo cooperativo, quando as próprias condições orgânicas do jogo permitem a possibilidade dos participantes atuarem por meio de coalizões. Empresas concorrentes cooperam? E agora, vamos consolidar alguns temas Os jogos chamados cooperativos constituem uma classe determinada de jogos que se diferenciam dos jogos não cooperativos principalmente pelo fato de que, ao contrário dos jogos não cooperativos, eles possuem, como já afirmamos anteriormente, em sua estrutura interna, condições que favorecem a possibilidade dos agentes fazerem coalizões entre si com vistas a garantir um determinado resultado. E agora, vamos consolidar alguns temas Devemos começar uma batalha para o alcance de maior participação de mercado? O que faremos? Como reagirão os concorrentes? O que devemos temer? O que faremos na sequência? Onde atacar? Onde não atacar? Quais são os investimentos necessários? Quais são os possíveis ganhos? E se o movimento for iniciado por algum concorrente? Como reagiremos? E agora, como posso pensar sobre o uso na minha empresa? É possível sinalizar aos concorrentes? Concorrentes estão emitindo sinais? Quais são os movimentos de mercado observados? Cooperar? Ou apenas competir? Apenas defender? Ameaçar? Sinalizar? Quais são os payoffs – valores associados a um resultado possível? Qual é a estratégia ótima (maximiza o payoff esperado do jogador)? E agora, como posso pensar sobre o uso na minha empresa? Escolha a alternativa correta: a) Nos jogos de segurança, a coordenação envolve o convencimento dos dois jogadores no sentido da cooperação para um equilíbrio que desagrade mutuamente. b) Na roleta-russa, a capacidade de coordenação não determina o jogador que obterá as perdas do jogo a partir das perdas de seu adversário (jogo de soma zero). c) Nos jogos de segurança, a coordenação não envolve o convencimento dos dois jogadores no sentido da competição para um equilíbrio que agrade mutuamente. d) Na roleta-russa, a capacidade de coordenação determina o jogador que obterá os ganhos do jogo a partir das perdas de seu adversário (jogo de soma zero). e) Os jogos de compromisso não são desenvolvidos em estruturas de jogos de movimento sequencial, em que a iniciativa dos movimentos, a possibilidade de contratos e reputação se configuram em aspectos essenciais para o sucesso. Interatividade Escolha a alternativa correta: a) Nos jogos de segurança, a coordenação envolve o convencimento dos dois jogadores no sentido da cooperação para um equilíbrio que desagrade mutuamente. b) Na roleta-russa, a capacidade de coordenação não determina o jogador que obterá as perdas do jogo a partir das perdas de seu adversário (jogo de soma zero). c) Nos jogos de segurança, a coordenação não envolve o convencimento dos dois jogadores no sentido da competição para um equilíbrio que agrade mutuamente. d) Na roleta-russa, a capacidade de coordenação determina o jogador que obterá os ganhos do jogo a partir das perdas de seu adversário (jogo de soma zero). e) Os jogos de compromisso não são desenvolvidos em estruturas de jogos de movimento sequencial, em que a iniciativa dos movimentos, a possibilidade de contratos e reputação se configuram em aspectos essenciais para o sucesso. Resposta ARTEN, F. Estratégia competitiva. São Paulo: Editora Sol, 2022. 132 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230 BARRICHELO, F. Estratégias de decisão: decida melhor com insights da teoria dos jogos. Crayon Editora, São Paulo, 1 Ed., 2017. BESANKO, D. A.; BRAEUTIGAM, R. R. Microeconomia: uma abordagem completa. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos S.A., 2004. BESANKO, D. et al. A economia da estratégia. São Paulo: Bookman, 2006. Referências FIANI, R. Teoria dos jogos: para cursos de administração e economia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. GREMAUD, A. P. et al. Manual de Economia. São Paulo: Saraiva, 2011. URDAN, F. T.; URDAN, A. T. Gestão do composto de marketing. São Paulo: Atlas, 2013. VARIAN, H. R. Microeconomia: conceitos básicos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. Referências ATÉ A PRÓXIMA!