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gestão empresarial
negócios internacionais
Câmbio e os Pagamentos 
internaCionais
6
ObjetivOs da Unidade de aprendizagem 
Conhecer o Sistema Cambial Brasileiro e as Modalidades 
de Pagamentos utilizadas no Comércio Internacional.
COmpetênCias
Verificar as características das Modalidades de Pagamen-
tos utilizadas no Comércio Internacional.
Habilidades
Explicar os Pagamentos Internacionais nas transações 
de comércio exterior.
Negócios iNterNacioNais
Câmbio e os Pagamentos 
internaCionais
ApresentAção
Você estudou que dentre as estratégias ou modos de en-
trada no mercado internacional estão a exportação e a 
importação. Um dos pontos que deve ser considerado 
quando a empresa decide atuar no mercado internacio-
nal fazendo uso dessas estratégias, refere-se às modali-
dades de pagamento. Quais são as modalidades de pa-
gamento utilizadas nas transações internacionais? Quais 
modalidades oferecem mais segurança para o exporta-
dor? E para o importador?
Nesta Unidade você estudará as modalidades de pa-
gamento normalmente utilizadas, conhecendo as ca-
racterísticas de cada uma delas de forma que consiga 
responder a estas questões. Antes você terá algumas 
noções de câmbio e conhecerá um pouco do Sistema 
Cambial Brasileiro.
Pronto para iniciar? Bons estudos.
pArA ComeçAr
Discutimos quando falamos sobre “Estratégias de en-
trada no Mercado Internacional” que cada vez mais em-
presas estão atuando no mercado internacional. E que 
dentre as estratégias possíveis, estão a exportação e a 
importação. Lembra-se o que cada uma dessas estraté-
gias significa?
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 4
Lembrou-se? Ótimo...
Um dos pontos que deve ser considerado quando a empresa decide 
atuar no mercado internacional fazendo uso dessa estratégia, refere-se às 
modalidades de pagamento. Você deve ter se perguntado: as formas de 
pagamentos que uma empresa adota no mercado nacional poderão ser 
usadas quando ela atua na exportação ou na importação? Essa pergunta 
fica para reflexão...
Antes de avançarmos, vamos esclarecer que em relação ao pagamento 
em uma exportação e/ou importação pode ser com ou sem cobertu-
ra cambial. A exportação sem cobertura cambial não gera compromisso 
de pagamento junto ao importador. Já a com cobertura cambial, o im-
portador tem a obrigação de efetuar o pagamento de acordo com o que 
foi negociado. Da mesma forma, há a importação com ou sem cobertura 
cambial.
Esta Unidade terá como foco as operações com cobertura cambial, ou 
seja, aquelas que geram compromisso de pagamento.
FundAmentos
1. O merCadO de CâmbiO nO brasil
A seguir vamos conhecer um pouco sobre a questão da moeda no comér-
cio internacional, sobre o câmbio como importante operação na atividade 
de comércio exterior e sobre o Sistema Cambial do Brasil.
1.1. Moeda
Antes de falarmos propriamente da definição de câmbio, vamos falar um 
pouco sobre a moeda.
Na evolução histórica da moeda, nós veremos que ela surge para fa-
cilitar as trocas comerciais, pois com a moeda é possível definir um valor 
que servirá de base para as trocas. Claro que o valor monetário percebido 
tem relação direta com a oferta e a demanda de mercado, como você já 
estudou na disciplina de Economia.
Porém você deve ter se perguntado: Será que eu posso efetuar um pa-
gamento internacional usando a nossa moeda, o Real?
Bem... se olharmos para as transações que realizamos dentro do mer-
cado brasileiro, nós verificaremos que estas transações são realizadas (ou 
cursadas) tendo o Real como moeda de relação de troca. Isso por que o 
Real representa a ordem monetária aqui do Brasil. Nós chamamos isso 
de “curso forçado de uma moeda”, ou seja, a obrigação de utilização e 
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 5
aceitação de uma moeda dentro de um determinado território. Além de 
estabelecer a ordem jurídica nas relações comerciais internas a cada país, 
a moeda também representa sua soberania nacional.
Voltando a nossa questão inicial sobre aceitação da nossa moeda, o 
Real, para efetuar um pagamento internacional, lamentamos informar 
que não. Isso por que no comércio internacional não vigora a lei do curso 
forçado das moedas, pois os vendedores podem ou não aceitar a moeda 
do país dos compradores.
Então como fazemos para efetuar o pagamento de uma transação in-
ternacional?
Para isso existe a operação de câmbio. Porém falaremos câmbio 
mais adiante...
Voltando a falar da moeda, nós veremos que as trocas comerciais rea-
lizadas no mercado internacional são cursadas por moedas negociadas e 
aceitas internacionalmente, denominadas moedas conversíveis.
Dica
As transações comerciais realizadas no mercado internacio-
nal (exportação e/ou importação) são cursadas por moedas 
negociadas e aceitas internacionalmente, denominadas mo-
edas conversíveis.
As moedas conversíveis são aquelas reconhecidas pelos agentes econômi-
cos e financeiros de todo mundo, fazendo com que elas sejam livremente 
aceitas como meio de troca e reserva de valor. Este reconhecimento e 
aceitação estão atrelados a estabilidade econômica e a credibilidade na 
condução de suas políticas econômicas, monetárias e fiscais, por parte de 
seus países.
Alguns exemplos de moedas conversíveis são apresentados nas figu-
ras abaixo:
euro yene japonêsdólar dos 
estados unidos
libra esterlina
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Infelizmente a nossa moeda, o Real, não é uma moeda conversível. Ela 
se enquadra no grupo das moedas inconversíveis, que são aquelas que 
não têm essas características de livre aceitação e negociação.
1.2. CâMbio – definição
Agora que você sabe que as transações internacionais são cursadas por 
meio de moedas conversíveis, você deve ter persistido o questionamento 
de como é que fazemos para liquidar os pagamentos internacionais já que 
a nossa moeda, o Real, não é considerada conversível?
A operação de câmbio é a resposta.
Podemos definir câmbio como toda operação em que há troca de mo-
eda nacional por moeda estrangeira ou vice-versa. A operação de câmbio 
torna-se necessária para que possamos trocar a nossa moeda por uma 
moeda conversível.
conceito
Câmbio é uma operação financeira caracterizada pela troca 
de moeda nacional por moeda estrangeira ou vice-versa.
Veja esta situação:
Numa exportação realizada, a empresa brasileira fechou a sua nego-
ciação com base numa moeda conversível, por exemplo, o Dólar, porém 
a empresa não pode manter dólar em seu caixa, pois a nossa moeda cor-
rente é o Real. Ao receber o valor correspondente pela venda feita em 
Dólar, a empresa deverá contratar uma operação de câmbio, convertendo 
o valor correspondente para Reais.
E na importação?
Temos a situação semelhante. Ao realizar uma importação digamos 
que a moeda negociada foi o Euro. Como compromisso da importação, 
a empresa brasileira tem que efetuar o pagamento para o fornecedor 
estrangeiro. No entanto a empresa tem como moeda o Real, o que ela 
deverá fazer? Deve contratar uma operação de câmbio, convertendo os 
Reais que ela possui no valor correspondente em Euro para que ela possa 
efetuar o pagamento internacional.
1.3. SiSteMa CaMbial braSileiro
O mercado de câmbio é aquele onde são realizadas as negociações de 
moedas estrangeiras entre os agentes autorizados ou credenciados pelo 
Banco Central do Brasil – dentre os quais podemos citar os bancos, as 
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 7
corretoras de câmbio, distribuidoras de títulos e valores, as agências de 
turismo etc. e os seus clientes: exportadores, importadores, turistas etc.
Você verá quando estudar “Organização e estrutura do comércio exterior 
brasileiro” que o Banco Central do Brasil é um órgão integrante do SistemaFinanceiro Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda do Brasil, sendo 
responsável pelo controle e fiscalização e geração das normas cambiais.
Como vimos anteriormente, as transações internacionais são cursadas 
em moeda conversível e que somente algumas moedas são classificadas 
como tal. Daí nós conseguimos perceber a importância do mercado de 
câmbio, pois é nesse mercado que se realiza a troca de moedas.
E essa troca de moedas é feita como? Somente basta eu trocar o 
meu Real (R$) por Dólar (US$) para eu poder liquidar um pagamento 
de importação?
Não é tão simples assim...
Para isso é necessário que a empresa realize a contratação de opera-
ção de câmbio. No entanto, para que a empresa realize uma operação 
câmbio, seja na exportação ou na importação, é necessário que empresa 
procure um dos agentes autorizados pelo Banco Central do Brasil, um 
banco ou corretora autorizados a operar no mercado de câmbio, e efetue 
um contrato de câmbio.
Essa contratação representa o fechamento de câmbio. No fechamen-
to de câmbio de uma exportação ocorrerá a venda para o banco, por 
parte do exportador, da moeda estrangeira resultante da operação de 
exportação. No fechamento de câmbio de uma importação nós teremos 
à troca dos Reais (R$) pela moeda conversível necessária para efetuar o 
pagamento internacional.
Para realização de uma operação de câmbio (troca de moedas), é de-
finida uma taxa de câmbio que estabelece uma relação de valor entre 
duas moedas. Por exemplo, U$ 1,00 representa R$ 1,81.
Aqui temos outra definição que é a da paridade entre moedas. A pari-
dade é o preço de uma unidade de moeda estrangeira medido em unida-
des ou frações de outra moeda estrangeira.
Para realização de uma operação câmbio, seja na exportação ou na im-
portação, é necessário que empresa procure um dos agentes autorizados 
pelo Banco Central do Brasil, geralmente um banco autorizado a operar 
no mercado de câmbio, e efetue um contrato de câmbio.
No Brasil a taxa de câmbio é flutuante, ou seja, é definida livremente. 
A sua definição não sofre intervenção do governo, flutua de acordo com 
a oscilação do mercado. Neste mercado de taxas flutuantes, se a quan-
tidade de unidades de uma determinada moeda necessária para se ad-
quirir outra moeda aumentar, diz-se que essa moeda se desvalorizou em 
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 8
relação à outra; caso essa quantidade se reduza, diz-se que a moeda se 
valorizou em relação à outra.
A variação da taxa de câmbio pode ser influenciada pelas condições do 
mercado doméstico, como por exemplo, a condução da política econômi-
ca, a posição das reservas cambiais do país, entre outras. Acontecimentos 
no mercado externo também influenciam na taxa de câmbio, por exem-
plo, a elevação da taxa de juro internacional. Alguma crise política, econô-
mica ou financeira, também gera efeito sobre a taxa de câmbio.
No entanto, devemos observar o que o Banco Central do Brasil (2011) 
aponta:
Deixar que a taxa de câmbio flutue e seja fixada pelas correntes de comércio, pelas 
correntes de fluxos cambiais e outros fatores – em resumo, seja fixada livremente pelo 
mercado – não significa ficar inativo quando o mercado se torna disfuncional. De fato, 
o Banco Central tem usado suas reservas internacionais na atual crise financeira, para 
assegurar que exportadores e importadores mantenham acesso a linhas de crédito, 
para ajudar as empresas a rolar suas dívidas externas e para injetar liquidez no mer-
cado spot e no mercado futuro.
2. mOdalidade de pagamentOs Utilizadas 
nO COmérCiO internaCiOnal
Agora que você já tem noções sobre o mercado de câmbio, vamos discutir 
as modalidades de pagamento que as empresas podem utilizar nas suas 
negociações internacionais. Basicamente, são quatro as modalidades de 
pagamento no comércio exterior:
 → Pagamento Antecipado;
 → Cobrança Documentária à vista, a prazo;
 → Remessa sem saque;
 → Carta de crédito, á vista ou a prazo.
Todas essas modalidades podem ser utilizadas pela empresa brasileira 
que decidir por realizar uma exportação ou importação. Cada modalidade 
tem suas características e as suas vantagens e desvantagens. Portanto, 
conhecer cada uma dessas modalidades torna-se importante para que 
a empresa saiba os direitos e obrigações assumidos na modalidade que 
for definida. O desconhecimento pode ocasionar prejuízos tanto para o 
exportador como para o importador.
A seguir apresentaremos cada uma das modalidades citadas.
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 9
Dica
Existem várias modalidades de pagamento que podem ser 
utilizadas no comércio internacional, cabendo à empresa de-
cidir por aquela que lhe oferece mais vantagens.
2.1. PagaMento anteCiPado
Nesta modalidade, como o próprio nome diz, o importador efetua o paga-
mento ao exportador antes do embarque da mercadoria. Com isso pode-
mos constatar que esta modalidade de pagamento é uma opção mais van-
tajosa para o exportador, pois este recebe antecipadamente o pagamento.
O risco fica do lado do importador, que não terá a certeza de que o 
exportador cumprirá a parte dele que é embarcar a mercadoria e se re-
alizado o embarque, se exportador embarcará a mercadoria dentro das 
condições negociadas.
Devido o risco envolvido, o Pagamento Antecipado é uma modalidade 
quando as empresas negociadoras não têm tradição comercial entre si. 
Este tipo de pagamento também é utilizado como uma parcela de adian-
tamento de produtos fabricado sob encomenda.
Realizado o embarque a mercadoria, o exportador deve encaminhar 
diretamente ao importador os documentos de embarque de exportação 
(Fatura Comercial e Conhecimento de Transporte), para que o importa-
dor possa providenciar a liberação alfandegária (despacho aduaneiro) 
no seu país.
2.2. Cobrança doCuMentária
A cobrança documentária é uma modalidade de pagamento que segue as 
orientações definidas na Uniform Rules for Collection 522 – URC 522, da 
Câmara de Comércio Internacional (CCI). A cobrança documentária pode 
ser à vista ou a prazo, conforme apresentado a seguir.
2.2.1. Cobrança à Vista
Nesta modalidade o exportador embarca a mercadoria, e após isso entre-
ga a um banco os documentos de embarque (Fatura Comercial e Conhe-
cimento de Transporte), acompanhados de um saque ou cambial, o qual 
se encarregará de encaminhá-los ao banco indicado pelo importador. O 
banco do país do importador somente deverá entregar os documentos de 
embarque ao importador mediante o pagamento (cobrança à vista).
Essa operação agrega risco ao exportador, pelo fato do importador po-
der deixar de acolher os documentos e, por conseguinte, não efetuar o 
pagamento. É bem verdade que ocorrendo este fato não poderá liberar a 
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 10
mercadoria na alfândega do seu país, mas será do exportador o custo da 
manutenção da mercadoria no exterior e a necessidade de redestiná-la a 
outro comprador, ou mesmo seu retorno ao país.
2.2.2. Cobrança a Prazo
Esta operação é também conhecida como cobrança documentária a prazo 
e, como a cobrança a vista também oferece risco para o exportador.
Na cobrança a prazo, o exportador providencia o embarque da merca-
doria. Realizado o embarque, o exportador providencia, por meio de um 
banco no seu país, a remessa dos documentos de embarque acompa-
nhados do título de crédito com vencimento a prazo, denominado saque 
ou cambial.
O banco, por sua vez, remete os documentos e o saque ao banco do 
país do importador, que somente deverá liberá-los ao importador, me-
diante o aceite do saque, ou seja, os documentos de embarque serão libe-
rados para o importador após este assumir o compromisso de liquidação 
futura da cobrança.
A entrega dos documentos ao importador permitirá que este provi-
dencie a liberaçãoalfandegária da mercadoria. O importador, quando do 
vencimento do saque, deverá providenciar a liquidação (pagamento).
Os riscos são do exportador, pois pode acontecer do importador não 
comparecer no banco do seu país para dar aceite no saque de exporta-
ção. É bem verdade que caso o importador não dê o aceite no saque ele 
não poderá liberar a mercadoria na alfândega do seu país, mas será do 
exportador o custo da manutenção da mercadoria no exterior e a neces-
sidade de redestiná-la a outro comprador, ou mesmo seu retorno ao país.
E caso o importador dê o aceite no saque? Tudo bem? Não. Ainda ha-
verá a insegurança por parte do exportador estrangeiro se o importador 
liquidará o pagamento no prazo negociado.
2.2.3. Remessa sem Saque
Na Remessa sem Saque, o exportador cumpre com o embarque da mer-
cadoria, remete os documentos de embarque (Fatura Comercial e Co-
nhecimento de Embarque) diretamente para o importador. De posse da 
documentação o importador processa liberação alfandegária (despacho 
aduaneiro) no seu país. Posteriormente, na data negociada, o importador 
providencia o pagamento para o exportador estrangeiro.
Como podemos observar esta modalidade de pagamento favorece, 
e muito, o importador, pois o pagamento somente é efetuado depois 
de recebida a mercadoria. Já para o exportador a Remessa sem Saque 
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 11
representa menor segurança, pois a mercadoria será entregue ao impor-
tador sem nenhuma garantia de pagamento.
A remessa sem saque é mais comumente utilizada quando há alto grau 
de confiança entre o exportador e o importador. Sendo bastante utilizada 
entre empresas coligadas (matriz e filial).
2.3. Carta de Crédito ou Crédito doCuMentário
A Carta de Crédito ou Crédito Documentário é uma modalidade de pa-
gamento bastante usual no comércio internacional, porque proporciona 
mais garantia para o exportador e para o importador. Conhecer um pou-
co mais sobre essa forma de pagamento é o que faremos na sequência.
2.3.1. Definição e tipos de carta de crédito
Condição mundialmente utilizada nas operações internacionais, sendo 
também denominada de “crédito documentário”.
A carta de crédito corresponde a um crédito que o importador toma 
junto a um banco do seu país tendo como beneficiário o exportador es-
trangeiro, ou seja, a carta de crédito é um documento de crédito a favor 
do exportador, emitido por um banco a pedido de um importador.
Sendo a carta de crédito uma garantia bancária solicitada pelo impor-
tador, terá este que assumir os custos (taxa e comissão de abertura) de 
abertura da carta de crédito, pagar taxas e comissões para abertura do 
crédito, além de apresentar as garantias exigidas pelo banqueiro que con-
cederá o crédito.
A carta de crédito pode ser negociada à vista ou a prazo e representa 
uma garantia dada por um ou mais bancos sobre a capacidade financeira 
do importador de efetuar o pagamento. Sendo assim, esta modalidade é 
que oferece maior segurança ao exportador, pois caso o importador não 
honre com o pagamento, o banco (ou bancos) terá que honrar.
Para o importador a segurança se dá em termos documentais, pois é 
ele quem especifica os documentos que lhe proporcionará a segurança e 
a eliminação de risco, no sentido de um perfeito cumprimento das condi-
ções de embarque pelo exportador.
Há diferentes tipos de carta de crédito como podemos observar na 
Tabela 1:
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 12
tiPos de Carta de Crédito e suas CaraCterístiCas
revogável Aquela que pode ser cancelada ou alterada apenas por uma das partes, ou seja, sem autorização da outra.
irrevogável
Aquela que qualquer alteração precisa da concordância 
das partes, sendo necessário um documento para que 
as alterações sejam feitas. De maneira geral a carta de 
crédito é de caráter irrevogável, exceto se estiver expresso 
que trata-se de uma carta de crédito revogável.
confirmada
Significa que o banco no exterior assume o compromisso 
e responsabilidade pelo pagamento, mesmo que não 
tenha cobertura do banco emitente da ordem.
transferível
O exportador autoriza transferir o valor ou parte do 
valor para outros beneficiários. Deve ser declarado que 
se trata de uma carta de crédito “transferível”, caso 
não seja declarado, será considerada intransferível.
intransferível Ao contrário da transferível, o beneficiário original não poderá ser alterado sob qualquer pretexto.
2.3.2. Partes de uma carta de crédito
A Câmara de Comércio Internacional (CCI), que você conhecerá mais 
quando estudar sobre “Organismos internacionais intervenientes no co-
mércio mundial”, é organismo que estabelece as normas para emissão e 
utilização de créditos documentários, que atualmente estão consolidadas 
na UCP 600, Uniform Customs and Practice for Documentary Credits, comu-
mente denominada UCP, que são Regras e Práticas Uniformes sobre o 
Créditos Documentários.
De acordo com a UCP 600, as partes intervenientes numa carta de cré-
dito são as indicadas a seguir:
O tomador (applicant) é em geral o próprio importador que solicita a 
um banco, normalmente em seu país, a abertura do documento de crédi-
to. O banco no qual o solicitará o crédito é denominado banco emissor ou 
instituidor (issuing bank).
O banco emissor ou instituidor (issuing bank) é aquele banco locali-
zado, em geral, no país do tomador, que institui o documento de crédito 
e que se compromete a honrá-lo, desde que o exportador ou vendedor 
respeite as condições nesse documento estipuladas.
Já o banco avisador (advising bank) é o banco no país do exportador 
ou vendedor, para o qual banco emissor remete a documentação nego-
ciada na carta de crédito. Cabe ao banco avisador comunicar o exportador 
sobre a abertura do crédito. Ao avisador cumpre conferir e declarar a 
carta de crédito aberta que está em ordem, se for o caso, Test contido na 
Carta de Crédito. Esse “test”, também é denominado de “chave bancária” 
ou “senha bancária”, é que confirmará que a Carta de Crédito procede 
Tabela 1. 
Fonte: Autores.
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 13
efetivamente daquele banco emitente, que é o responsável pelo paga-
mento do valor expresso.
Como beneficiário (beneficiary) nós temos o exportador ou vende-
dor, ou seja, aquele ao qual compete cumprir as condições expressas na 
carta de crédito e, por outro lado, receber o valor nela expresso.
O banco negociador (negotiating bank) é o banco escolhido pelo be-
neficiário para entrega dos documentos e para pagamento da operação. 
O banco negociador geralmente é o banco avisador.
Por fim, temos o banco confirmador (confirming bank), que assume 
o compromisso de pagar ao beneficiário, em qualquer circunstância. O 
banco confirmador do crédito surgirá quando o banco instituidor do cré-
dito escolhido pelo importador não for considerado um banco de primei-
ra linha, ou seja, um banco que tenha condições de honrar o pagamento 
no caso de inadimplência por parte do importador. Portanto, se o banco 
instituidor não for considerado um banco de primeira linha será necessá-
rio um banco confirmador para o crédito.
Qualquer que seja alteração na carta de crédito, mesmo após a sua 
emissão, as chamadas “emendas”, somente terão validade se forem acei-
tas por todas as partes intervenientes no crédito: banqueiro emissor, ban-
queiro confirmador, tomador do crédito e beneficiário.
antena 
pArAbóliCA
Pagamentos e recebimentos internacionais: uma vi-
são geral
Comprar ou vender um bem no mercado externo tem o 
pagamento/recebimento feito em uma moeda de livre 
conversibilidade e aceitabilidade. Para isto, o comercian-
te estabelecido no Brasil precisa, obrigatoriamente, efe-
tuar uma operação de câmbio.
Uma operação de câmbio é quanto se envia/recebe o 
pagamentopela mercadoria ou serviço, entre empresas 
que se encontram em países diferentes.
No Brasil, a intervenção bancária nas operações de 
câmbio é obrigatória, não havendo exceção para o paga-
mento/recebimento de recursos oriundos de uma tran-
sação comercial, sem que um banco esteja trabalhando 
como intermediário.
As modalidades de pagamento no comércio exterior 
são divididas em quatro: a) pagamento antecipado, b) re-
messa direta (à vista e a prazo), c) cobrança (à vista e a 
prazo) e d) crédito documentário (carta de crédito).
Para todas as formas de pagamento, o comerciante 
brasileiro precisará estar atento aos documentos que 
devem ser providenciados antes do contato com a ins-
tituição bancária.
No caso de pagamento antecipado, o único documen-
to exigido pela instituição financeira será a proforma in-
voice. Por conceito, um pagamento antecipado é quan-
do o exportador recebe os recursos antes de embarcar 
a mercadoria.
Para o pagamento cuja modalidade é a remessa dire-
ta ou cobrança, à vista, as instituições bancárias solici-
tam a fatura comercial e o conhecimento de embarque.
Nas situações de remessa direta, de cobrança e a 
prazo, os bancos/corretores exigem a fatura comer-
cial, o comprovante de exportação ou de importação, 
e o conhecimento de embarque. Este pagamento só 
acontecerá no prazo combinado entre as partes, cons-
tantes na fatura comercial.
Operacionalmente, uma transação de fechamento de 
câmbio acontece da seguinte forma:
De posse dos documentos e dados bancários do rece-
bedor, o interessado procura uma corretora de câmbio, 
ou diretamente a mesa de câmbio do banco, e solicita 
a remessa ou recebimento das divisas internacionais. A 
partir daquele momento, é negociada uma taxa de câm-
bio. A taxa de câmbio é o preço de uma unidade mone-
tária de uma moeda em unidades monetárias de outra 
moeda. Esta taxa, no Brasil, depende do mercado no 
momento da operação, já que atuamos em um regime 
cambial flutuante.
Negociada a taxa, a corretora ou o banco receberá 
os documentos e providenciará o contrato de câmbio. 
O contrato de câmbio é o documento que demonstra 
a troca de moeda estrangeira por moeda nacional, nas 
operações de comércio exterior.
Depois de emitido o contrato, este é encaminhado 
para que a empresa providencie sua assinatura e devol-
va ao banco. Atualmente, esta assinatura se dá por Cer-
tificado Digital.
O próximo passo é o débito/crédito em reais do va-
lor contratado. Assim, acontece a transferência dos re-
cursos entre contas. Se for um câmbio de exportação, o 
banco tem um período para creditar os valores em reais, 
na conta da empresa vendedora das moedas (exporta-
dora). Isto vai depender da forma como foi negociado 
pelo banco: Se D0, isto ocorre no mesmo dia. Se D1, es-
tes recursos entrarão no próximo dia útil.
Para a importação, a operação acontece de forma pa-
recida (D0 ou D1): Para que o banco envie tais divisas ao 
exterior, é preciso primeiro fazer o débito em reais na 
conta do comprador da moeda (importador), para então 
remeter a quantia em moeda estrangeira para a conta 
do fornecedor.
Esta transação é concluída no momento em que a 
remessa (divisa) chega à conta do recebedor, também 
chamado de Liquidação do Câmbio. Após a liquidação, 
o banco emite o swift, que é um termo utilizando para 
denominar operações de transferência de ordens de pa-
gamento. Este swift é o comprovante de que o valor che-
gou à conta de destino.
Tudo de forma rápida e sem nenhuma burocracia.
e AgorA, José?
Nesta Unidade você estudou que as transações do comér-
cio exterior são cursadas por meio de moedas conversí-
veis. Estudou também que uma empresa brasileira que 
atue no comércio exterior terá que realizar uma operação 
de câmbio (troca de moedas) para receber os recursos re-
sultantes das suas exportações ou para poder liquidar os 
seus compromissos de importação. Também foi aborda-
do que nos negócios internacionais nós temos como mo-
dalidades de pagamento, o pagamento antecipado, a co-
brança documentária (à vista ou a prazo), a remessa sem 
saque e a carta de crédito (à vista ou a prazo). Na próxima 
UA você vai conhecer mais um aspecto importante para 
o desenvolvimento da atividade de comércio exterior da 
empresa: a Logística Internacional!
Negócios Internacionais / UA 06 Câmbio e os Pagamentos Internacionais 17
glossário
Remessa direta: o mesmo que remessa sem 
saque.
Saque ou cambial: ordem de pagamento que 
acompanha os documentos de exportação, 
podendo ser à vista ou a prazo.
reFerênCiAs
BANCO CENTRAL DO BRASIL. 10 anos de câm-
bio flutuante no Brasil. Disponível em 
http://www.bcb.gov.br/Pec/ApPron/
Apres/10AnosDeCambioFlutuantevf.pdf. 
Acesso em: dez. 2011.

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