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Hemostasia: A hemorragia é uma perda de sangue para o espaço extravascular. A conduta frente a hemorragia é manter calma, expor o local de sangramento usando técnica hemostática compressiva para que faça a visualização adequada do ponto de sangramento e evitar lesão tecidual desnecessária (se fazer uma abordagem tecidual histérica pode causar lesão dos tecidos ao redor) e efetuar uma hemostasia permanente para visualização adequada do local de hemorragia. A abordagem histérica da hemorragia, aumenta a laceração vascular já que acaba pinçando sem está enxergando adequadamente e lacerando os tecidos ao redor, prolongar o tempo de hemorragia já que o paciente continua com o sangramento- porque não ouve a localização do local, comprometer a segurança do paciente, visto que quanto mais tempo ele está de sangramento mais sangue ele está perdendo desnecessariamente. Quanto a localização, pode-se classificar como: ➔ Interna: associada a massas musculares e cavidades corporais ➔ Externa: em relação ao meio externo, luz de órgãos ocos (como sangramento gastrointestinal, urinário) e vai ser eliminado do corpo pelas cavidades normais. Quanto a profundidade: ➔ Superficial: sangramento em pele, subcutâneo ou em superfície visceral ➔ Profunda: sangramento em massas musculares, cavidades corporais, parênquima visceral Quanto ao tempo de ocorrência: ➔ Primária: imediatamente após a lesão ➔ Intermediária ou retardada: até 24h no pós- operatório ➔ Secundária: após as primeiras 24h pós- operatório Quanto a forma de sangramento: ➔ Pontual: lesão vascular isolada ➔ Difusa ou lençol: lesões vasculares múltiplas, alteração da coagulação- dificuldade em conte-la Quanto a pressão de sangramento: ➔ Baixa pressão: pequenas artérias e veias em geral ➔ Alta pressão: artérias de médio e grande calibre e ramos diretos da aorta. A hemostasia é um dos tempos básicos da cirurgia que cursa sendo um mecanismo fisiológico espontâneo- o organismo faz naturalmente; utiliza de fatores vasculares, extravasculares e intravasculares, iniciada a formação efetiva do trombo pode utilizar métodos cirúrgicos para tentar ampliar e facilitar a hemostasia para que tenha uma hemorragia menor e uma menor perda de sangue do paciente e para ter um campo cirúrgico mais adequado para o procedimento com menos chance de infecção e mais visível para enxergar o que está fazendo, pode agir tanto na prevenção (que é o ideal- faz com que tenha uma menor hemorragia) e no tratamento. O sangue mascara o campo cirúrgico, complica a visualização do que está sendo feito; sangue acumulado favorece infecção, hemorragia pós- operatória dificulta a coaptação tecidual (dificulta as bordas encostarem uma na outra), retarda a cicatrização e quando retarda a cicatrização favorece a infecção. A hemorragia prolongada resulta em hipotensão (impede detecção de lesão vascular- pode não perceber a lesão vascular, visto que não consegue visualizar o sangramento, o que impede o uso de uma técnica de hemostasia adequada), choque e óbito. Precisa-se de um campo cirúrgico seco que está relacionado com uma técnica eficiente, principalmente, preventiva de hemostasia. Devido a hipotensão- não visualização da lesão- quando há restauração da pressão sanguínea pode ocorrer uma hemorragia retardada pós-operatório, já que no estabelecimento normal da pressão aqueles vasos que foram lesionados voltam a sangrar. Quanto ao controle do sangramento: ➔ Temporária: retém hemorragia em períodos breves, precede a hemostasia permanente ➔ Permanente: retém a hemorragia de forma definitiva. Quanto ao trauma tecidual: ➔ Atraumática: feitas através de tampões compressivos ou hemostáticos tópicos ➔ Traumática: realizada por meio de pinças, eletrocautério, grampos e ligaduras. Quanto a evolução de coagulação: ➔ Primária: fase vascular e plaquetária ➔ Secundária: fase dos fatores de coagulação ➔ Terciária ou fibrinolítica: fase de fibrinólise • Os tecidos ao redor tentam conter a hemorragia Métodos hemostáticos: Seriam as técnicas compressivas, uso de pinças hemostáticas, cautério, grampos e ligaduras vasculares, suturas hemostáticas, hemostáticos tópicos. ➔ Técnicas compressivas: compressão digital- comprime o tecido e mantem a compressão por tempo suficiente para que forme o coáguloe ao retirar tomar cuidado para não tirar o coágulo juntamente com a compressa, tampões compressivos, fitas umbilicais, bandagens compressivas. ➔ Aplicação: aplicados para hemostasia temporária- faz uma compressão para que o próprio organismo faça a hemostasia através da formação do tampão e do coágulo, eficazes apenas para vasos de baixa pressão, caso contrário eles vão ser eficazes apenas para uma hemostasia temporária até que faça uma outra técnica. O êxito vai depender da escolha de locais certos para fazer. ➔ Pinças hemostáticas: fazem uma hemostasia traumática- compressão que elas fazem no vaso fazem a formação do trombo e o vaso não vai ter mais puncionamento. As principais pinças usadas para uso pontual nos vasos são as pinças de Halstead, Kelly, Crile. Dentre os princípios da aplicação de pinças hemostáticas, deve-se utilizar a menor pinça capaz de realizar a hemostasia para gerar menor trauma possível pegando apenas aquele vaso, uma pinça curva facilita a visualização e o pinçamento, utilizar técnica correta para oclusão vasos de diferentes calibres. A empunhadura correta é feita por um tripé de base ampla usando a mão dominante e manipulando os tecidos com pinça dissecção (Cushing dentada ou serrilhada) para poder fazer a manipulação do tecido e pinçar adequadamente o vaso. A pinça deve ser aplicada paralela ao vaso, para a apreensão com a ponta da pinça, apreender se possível apenas o vaso e a parte côncava da pinça devem ficar voltada para baixo, para depois conseguir colocar a pinça desancando sobre o tecido e manter uma forte pressão se necessário. Em vasos de grande calibre deve-se aplicar pinças perpendicular ao vaso, a apreensão deve ocorrer com o ramo da pinça, a extremidade côncava fica voltada para extremidade seccionada do vaso. As principais técnicas de aplicação de pinças hemostáticas são: ➔ Forci-Pressão: promove o esmagamento temporário do coto vascular- deixa a pinça até que o trombo seja formado ➔ Forci-troção: além do esmagamento temporário faz um estiramento do coto vascular girando a pinça ao redor dela mesma. O cautério é uma técnica hemostática que emprega corrente elétrica altamente atenuada, a aplicação é indicada para artérias de até no máximo 1mm e veias de 2mm. ➔ Monopolar é o mais comum com o circuito fechado através do eletrodo ativo (caneta) passando pelo corpo do paciente até uma placa-terra, o acionamento pode ser manual ou no pedal. Cuidado para não pegar outros tecidos para evitar lesão ao redor- a carga tem que ser pequena para não levar a lesões muito grandes. O uso da eletrocirurgia tende a diminuir a resistência bacteriana da ferida a infecção, é um tecido que tende a mais infecção. Quando utilizado para coagulação a chance da diminuição de cicatrização e predisposição de infecção é menor quando usa para corte. ➔ O bipolar permite apenas a coagulação tem o uso de pinças ou outras estruturas que Halstead Crile Kelly permite fazer a coagulação mais próxima. A carga passa apenas no tecido que vai tem que ser coagulado. O circuito da corrente é mais curto, passa corrente de uma ponta ativa para a ponta-terra com tecido interposto, não necessita de placa terra, a distância entre as ponteiras é de 1mm ou maior. Uso de pinça em baioneta. Pode-se utilizar também os grampos vasculares podem ser peças metálicas, maleáveis, grampos absorvíveis de polidioxanona (custo)são eficientes até 5mm, os grampos variam de acordo com o tamanho dos vasos. Os inabsorvíveis são feitos de prata, tântalo, aço inoxidável- ficava como corpo estranho, é visível em RX. São facilmente aplicados em lugares que a ligadura seria difícil de ser feita, mas a ligadura é mais eficiente- tem que deixar o coto um pouco maior para ter certeza que vai deixar o grampo exatamente no local. Durante o procedimento cirúrgico após fazer esse grampeamento é mais comum o grampo sair do lugar pela manipulação cirúrgica que as próprias ligaduras. É feito mais rápido que as ligaduras. As ligaduras são as mais eficientes, mas leva mais tempo e tem a deposição de corpo estranho, o ideal que sejam feitas com fios absorvíveis ou com categute cromado ou com os absorvíveis sintéticos, mas podem ser feitas com os inabsorvíveis. Utiliza o menor fio possível para fazer as ligaduras. Para realizar as ligaduras precisa dos nós cirúrgicos (nós quadrado e cirúrgicos são considerados os nós cirúrgicos- porque tem uma eficiência maior e é mais difícil de desfazer), o nó simples seria considerada uma laçada, o quadrado tem duas laçadas simples com a inversão de movimento da primeira para segunda laçada e faz com que no atrito segure melhor, o nó duplo tem a sucessão de duas laçadas simples, o nó de cirurgião é um nó quadrado, mas que na primeira laçada tem mais uma volta passando (primeira laçada é dupla) seguida de uma laçada simples; o nó de meia-volta é o nó que não aperta adequadamente as duas pontas do fio e com isso fio corre. O quadrado é usado para ligaduras e o de cirurgião só em locais que tem mais tensão. O nó quadrado tem menos deposição de corpo estranho e também tem uma resistência melhor a aquele nó correr. As ligaduras vasculares tem a utilização de material de sutura na oclusão vascular, é o método mais utilizado, apresenta várias modalidades (com uma mão, as duas mãos) é um método bastante seguro (mas leva tempo e tem a deposição de corpo estranho). As vantagens são: mais seguras que a maioria dos grampos vasculares, são mais adequadas para oclusão de muitos vasos e pedículos. As desvantagens são: mais demoradas na execução e maior consumo de material. Dentre os métodos de aplicação tem a técnica de 1 mão que é a técnica mais indicada para ligaduras profundas e permite o uso de um instrumental em uma das mãos, mas o afrouxamento é mais comum. A técnica de 2 mãos é a técnica mais confiável, mas leva mais tempo. Com instrumental é confiável, mas é menos confiável que com as mãos já que a manual consegue apertar com a ponta do dedo e levar o nó bem perto do local. Em ligaduras deve fazer pelo menos 3 laçadas de nós quadrados. Para ligaduras os fios mais adequados são os absorvíveis naturais ou sintéticos, podem ser usados o seda e o algodão (pouco utilizado), categute cromado. Os tipos de ligaduras vasculares podem ser em vasos isolados: ➔ Ligadura simples: após o pinçamento faz a ligadura abaixo da pinça ➔ Ligadura dupla: quando faz a ligadura de um lado, gira o fio e faz de outro lado ➔ Ligadura transfixante: passa o fio, gira e da o nó do outro lado- arteria grande. ➔ Ligadura transfixante modificada: dá uma laçada, aperta antes de girar para o outro lado Em casos de ligaduras de pedículos a técnica mais utilizada é a técnica das três pinças- coloca 3 pinças a pinça mais distal serve para esmagar o tecido, a pinça próxima serve para conter o retorno venoso e a pinça média serve para guia na ligadura, a ligadura é abaixo das pinças distais e média, quando aperta a primeira laçada, tira a pinça e o nó vai ficar preso no lugar que teve a remoção da pinça e no esmagamento promovido por ela ajudando na hemostasia. Pode fazer o nó de Miller modificado que passa duas vezes o fio e depois da o nó e pode fazer a subdivisão do pedículo quando o pedículo é muito grande, subdivide ele em dois ou três e faz ligadura separada e depois junta o pedículo. Em pedículos faz a utilização de pinças mais calibrosas como a de Rochester, Rochester Pean e Carmolt Princípios gerais da aplicação de nós: A segurança está diretamente relacionada com o menor diâmetro do fio de sutura, então o ideal é que se use o menor fio possível que seja suficiente para fazer a ligadura, os vasos isolados que o fio não seja mais calibroso do que o 3-0 e nos pedículos que não seja mais calibroso que o 0. O aperto inadequado faz com que tenha que colocar mais nós o que faz com que aumente o volume de corpo estranho e diminua a segurança dos nós- por isso a ligadura com as mãos é mais adequada devido a retroalimentação que ela dá a possibilidade de apertar com as pontas dos dedos. O nó quadrado é o mais indicado para ligadura de vasos isolados enquanto o nó de cirurgião é mais indicado para ligadura de pedículos a não ser que esteja usando o fio de catigu- se fizer o nó de cirurgião, as fibras desse fio acabam rompendo e desfia. O número de laçadas mínimo para ligadura de vasos são 3 laçadas de um nó quadrado e a ligadura de pedículos vai variar de 4 a 6 laçadas, um nó de cirurgião somado de dois quadrados. A reação de corpo estranho para ela ser evitada corta as extremidades o menor possível, em fios inabsorvíveis, como o nylon corta vem curto, nos fios absorvíveis sintéticos deixa uma extremidade de 3mm e no categute precisa deixar 6mm (ingurgita com o líquido tecidual e acaba abrindo). A inclusão de material desfiado na sutura faz com que tenha uma menor segurança do nó e a condução apenas com as pontas dos dedos ajuda na segurança. Suturas hemostáticas: Produzem compressão no vaso na intimidade dos tecidos, quando não é possível ligar aquele vaso ou ligar aquele pedículo pode suturar o tecido fazendo com que a sutura aperte o vaso no meio daquele órgão ou tecido. As suturas mais empregadas são a sutura de Wolf ou “U” deitado e a sutura de colchoeiro. Hemostáticos tópicos: Para hemorragia difusa de baixa pressão, hemorragia não controlada por métodos convencionais (desde que seja de baixa pressão), tem como os principais membros dessa classe os adesivos de fibrina, a celulose oxidada, o colágeno microfibrilar e as esponjas, tem a cera óssea usada na intimidade dos ossos, mas tem que tomar cuidado por ser inabsorvível e pode ficar muito tempo dentro do ósseo e pode predispor a infecção secundária e dificultar a vascularização, é contraindicada quando não é em cirurgia limpa. Alguns são absorvidos mais rápidos, outros demoram um pouco mais, fazem uma pressão sobre o tecido (principalmente a cera e as esponjas- embebem com o sangue e a pressão sobre o vaso faz com que para o sangramento). É importante pensar que a hemostasia é uma etapa muito importante sem a hemostasia não teria uma boa visibilidade do campo, com hemorragia poderia ter um meio de cultura e predispor uma infecção e no pós-operatório poderia ter a não aderência das bordas por conta do coágulo interposto. Evitar que o paciente entre em cirurgia com problemas de coagulação. 3 pinças Subdivisão do pediculo Pinça de Rochester Pinça de Carmalt Pinça de Rochester Pean