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16/4/2018 
 
Gestão de Cooperativas e Associativismo 
Material de Apoio – Unidade 3 – Período Letivo 2022/2 
Professor: Fabrício Carvalho da Silva 
Novembro/2022 
UNIVERSIDADE ABERTA DO PIAUÍ - UAB 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ - UESPI 
 
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
 
BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO 
 
 
 
______________________________________________________________________________ 
Universidade Aberta do Piauí | Núcleo de Educação a distância | Universidade Estadual do Piauí 
Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 1 
A ORGANIZAÇÃO FORMAL DAS COOPERATIVAS E ASSOCIAÇÕES: DIFERENÇAS ENTRE 
ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS 
 
Por ser o associativismo a doutrina básica ou inspiradora dos modelos organizativos de base coletiva, 
costuma haver alguma confusão na hora de escolher um modelo ou outro. Essa confusão é maior quando o 
objetivo da organização envolve atividade econômica. 
O objetivo deste conteúdo é apresentar diferenças entre associações e cooperativas de modo a possibilitar 
um melhor entendimento sobre ambas e, assim, orientar quanto à escolha de um ou outro modelo. 
A diferença essencial está na natureza dos dois processos. Enquanto as associações, capituladas no artigo 
53 e seguintes do Código Civil Brasileiro, são organizações que têm por finalidade a promoção de assistência 
social, educacional, cultural, representação política, defesa de interesses de classe, filantrópicas, as 
cooperativas têm finalidade essencialmente econômica, seu principal objetivo é viabilizar o negócio produtivo 
de seus associados junto ao mercado. 
A compreensão dessa diferença é o que determina a melhor adequação de um ou outro modelo. Enquanto a 
associação é adequada para levar adiante uma atividade social, a cooperativa é mais adequada para 
desenvolver uma atividade comercial, em média ou grande escala, de forma coletiva. 
Essa diferença de natureza estabelece também o tipo de vínculo e o resultado que os associados recebem de 
suas organizações. Nas cooperativas os associados são os donos do patrimônio e os beneficiários diretos do 
ganho que o processo por eles organizado propiciará. Uma cooperativa de trabalho beneficia os próprios 
cooperados, o mesmo em uma cooperativa de produção. As sobras, que porventura houverem das relações 
comerciais estabelecidas pela cooperativa, podem, por decisão de assembleia geral, serem distribuídas entre 
os próprios cooperados, sem contar o repasse dos valores relacionados ao trabalho prestado pelos 
cooperados ou da venda dos produtos por eles entregues na cooperativa. 
Em uma associação, os associados não são propriamente os seus “donos”. O patrimônio acumulado pertence 
à associação e não aos seus associados. No caso da sua dissolução, deverá ser destinado a outra instituição 
semelhante, conforme determina a lei. Os ganhos eventualmente auferidos pertencem à sociedade e não aos 
associados, que deles não podem dispor, pois, também de acordo com a lei, deverão ser destinados à 
atividade fim da associação. Na maioria das vezes, os associados não são nem mesmo os beneficiários da 
ação do trabalho da associação, assim como não há entre os associados direitos e obrigações recíprocas. 
A associação tem uma grande desvantagem em relação à cooperativa, ela engessa o capital e o patrimônio; 
em compensação, tem algumas vantagens que compensam grupos que querem se organizar, mesmo para 
comercializar seus produtos: o gerenciamento é mais simples e o custo de registro é menor. Outro ponto a 
destacar é que a qualidade de associado é intransmissível se o estatuto não dispuser o contrário. Em sendo o 
objetivo econômico, o modelo mais adequado é a cooperativa. 
Veja a seguir um quadro que mostra as principais diferenças entre associação e cooperativa: 
 
 
 
______________________________________________________________________________ 
Universidade Aberta do Piauí | Núcleo de Educação a distância | Universidade Estadual do Piauí 
Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 2 
1. Definição Legal 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Constituem-se as associações pela união de pessoas 
que se organizarem para fins não econômicos (art. 
53, Lei nº 10.406/2002). 
São sociedades de pessoas, com forma e natureza 
jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a 
falência, constituídas para prestar serviços aos 
associados, distinguindo-se das demais sociedades 
(art. 4º, Lei nº 5.764/71). 
 
2. Objetivos 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Prestar serviços de interesse econômico, técnico, 
legal, cultural e político de seus associados. 
Prestar serviços de interesse econômico e social aos 
cooperados, viabilizando e desenvolvendo sua 
atividade produtiva. 
 
3. Mínimo de pessoas para constituição 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
A Lei não define o número mínimo de pessoas para 
se constituir uma associação. 
20 (vinte pessoas) (se singulares), físicas, 
exclusivamente. 
 
4. Roteiro simples para constituição 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
1. Definição do grupo de interessados. 
2. Definição dos objetivos concretos do grupo. 
3. Elaboração conjunta do Estatuto Social. 
Realização da Assembleia de Constituição, 
com eleição dos Dirigentes. 
4. Registrar o Estatuto Social, os livros 
obrigatórios e a Ata de Constituição. 
5. Registros na prefeitura, INSS e Ministério do 
Trabalho. 
6. Elaboração do primeiro plano de trabalho. 
1. A sociedade cooperativa constitui-se por 
deliberação da Assembleia Geral dos 
fundadores. 
2. Constituição, com eleição dos Dirigentes. 
3. Subscrição e integralização das cotas de 
capital pelos associados. 
4. Encaminhamento dos documentos para 
análise e registro na Junta Comercial. 
5. Inscrição na Receita Estadual. Inscrição no 
INSS. 
6. Alvará de Licença e Funcionamento na 
prefeitura municipal. 
7. Outros registros para cada atividade 
econômica. 
8. Abertura de conta bancária. 
 
5. Pontos essenciais nos Estatutos Sociais 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
1. Nome da Associação. Sede e Comarca. 
2. Finalidades/objetivos concretos. 
3. Se os associados respondem pelas 
obrigações da entidade. 
4. Tempo de duração. Cargos e funções dos 
Dirigentes e Conselheiros. 
5. Como são modificados os estatutos sociais. 
6. Como é dissolvida a entidade e destino do 
1. Nome, tipo de entidade, sede e foro. 
2. Área de atuação. 
3. Duração do exercício social. Objetivos 
sociais, econômicos e técnicos. 
4. Forma e critérios de entrada e saída de 
associados. 
5. Responsabilidade limitada ou ilimitada dos 
associados. 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 3 
patrimônio. 6. Formação, distribuição e devolução do 
capital social. 
7. Órgãos de direção, com responsabilidade de 
cada cargo. 
8. Processo de eleição e prazo dos mandatos 
dos 
9. Dirigentes e Conselheiros. Convocação e 
funcionamento da Assembleia Geral. 
10. Forma de distribuição das sobras e rateio 
dos prejuízos. 
11. Casos e formas de dissolução. 
12. Processo de liquidação. 
13. Modo e processo de alienação ou oneração 
de bens imóveis. 
14. Reforma dos estatutos. 
15. Destino do patrimônio na dissolução ou 
liquidação. 
 
6. Representação Legal 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Representa, se autorizado pelo Estatuto Social, os 
associados em ações coletivas e prestação de 
serviços comuns de interesse econômico, social, 
técnico, legal e político. 
É representada por federações e confederações. 
Representa, se autorizado pelo Estatuto Social, os 
cooperados em ações coletivas e prestação de 
serviços comuns de interesse econômico, social, 
técnico, legal e político.Pode constituir federações e confederações para sua 
representação. 
 
7. Área de Atuação 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Limitada pelos seus objetivos. Limitada pelos seus objetivos. 
 
8. Atividades mercantis 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Pode ou não comercializar. Pratica qualquer ato comercial. 
 
9. Operações financeiras 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Pode realizar operações financeiras e bancárias 
usuais, mas não tem como finalidade nem realiza 
operações de empréstimos ou aquisições com o 
governo federal. Não é beneficiária de crédito rural. 
Realiza plena atividade comercial, operações 
financeiras e bancárias e pode candidatar-se a 
empréstimos e aquisições do governo federal. As 
cooperativas de produtores rurais são beneficiadas 
do crédito rural de repasse. 
Pode realizar qualquer operação financeira. São 
beneficiárias de crédito rural. 
 
 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 4 
10. Responsabilidade dos sócios 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Os associados não são responsáveis pelas 
obrigações contraídas pela associação. A sua 
diretoria só pode ser responsabilizada se agir sem o 
consentimento dos associados. 
Os cooperados não são responsáveis diretamente 
pelas obrigações contraídas pela cooperativa, a não 
ser no limite de suas quotas-partes e também nos 
casos em que decidem que a sua responsabilidade é 
ilimitada. A sua diretoria só pode ser 
responsabilizada se agir sem o consentimento dos 
cooperados. 
 
EMPREENDEDORISMO SOCIAL 
Comunidade que Sustenta a Agricultura – CSA 
CSA é um modelo de um trabalho conjunto entre produtores de alimentos orgânicos e consumidores: um 
grupo fixo de consumidores se compromete por um ano (em geral) a cobrir o orçamento anual da produção 
agrícola. Em contrapartida os consumidores recebem os alimentos produzidos pelo sitio ou fazenda sem 
outros custos adicionais. Desta forma o produtor sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de 
forma livre a sua produção. Os consumidores recebem produtos de qualidade, sabendo quem os produz e 
aonde são produzidos. 
CSA é um modelo de Agricultura Solidária em que o agricultor deixa de vender seus produtos através de 
intermediários e conta com a participação de membros consumidores para a organização e o financiamento 
de sua produção, colaborando para o desenvolvimento sustentável da região e estimulando o comércio justo. 
Objetivos 
 Novas formas de propriedade: a ideia que a terra deve pertencer e ser mantida pela comunidade, 
sendo arrendada pelos produtores. 
 Novas formas de cooperação: a ideia que as redes de relações humanas devem substituir o sistema 
tradicional de empregador/empregado. 
 Novas formas de economia: ideia que a economia não se deve basear apenas no aumento do lucro, 
mas sim nas necessidades das pessoas que estão dentro da empresa. 
Como funciona uma CSA (Exemplo)? 
 
 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 5 
ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS 
 
Por ser o associativismo a doutrina básica ou inspiradora dos modelos organizativos de base coletiva, 
costuma haver alguma confusão na hora de escolher um modelo ou outro. Essa confusão é maior quando o 
objetivo da organização envolve atividade econômica. 
O objetivo deste conteúdo é apresentar diferenças entre associações e cooperativas de modo a possibilitar 
um melhor entendimento sobre ambas e, assim, orientar quanto à escolha de um ou outro modelo. 
A diferença essencial está na natureza dos dois processos. Enquanto as associações, capituladas no artigo 
53 e seguintes do Código Civil Brasileiro, são organizações que têm por finalidade a promoção de assistência 
social, educacional, cultural, representação política, defesa de interesses de classe, filantrópicas, as 
cooperativas têm finalidade essencialmente econômica, seu principal objetivo é viabilizar o negócio produtivo 
de seus associados junto ao mercado. 
A compreensão dessa diferença é o que determina a melhor adequação de um ou outro modelo. Enquanto a 
associação é adequada para levar adiante uma atividade social, a cooperativa é mais adequada para 
desenvolver uma atividade comercial, em média ou grande escala, de forma coletiva. 
Essa diferença de natureza estabelece também o tipo de vínculo e o resultado que os associados recebem de 
suas organizações. Nas cooperativas os associados são os donos do patrimônio e os beneficiários diretos do 
ganho que o processo por eles organizado propiciará. Uma cooperativa de trabalho beneficia os próprios 
cooperados, o mesmo em uma cooperativa de produção. As sobras, que porventura houverem das relações 
comerciais estabelecidas pela cooperativa, podem, por decisão de assembleia geral, serem distribuídas entre 
os próprios cooperados, sem contar o repasse dos valores relacionados ao trabalho prestado pelos 
cooperados ou da venda dos produtos por eles entregues na cooperativa. 
Em uma associação, os associados não são propriamente os seus “donos”. O patrimônio acumulado pertence 
à associação e não aos seus associados. No caso da sua dissolução, deverá ser destinado a outra instituição 
semelhante, conforme determina a lei. Os ganhos eventualmente auferidos pertencem à sociedade e não aos 
associados, que deles não podem dispor, pois, também de acordo com a lei, deverão ser destinados à 
atividade fim da associação. Na maioria das vezes, os associados não são nem mesmo os beneficiários da 
ação do trabalho da associação, assim como não há entre os associados direitos e obrigações recíprocas. 
A associação tem uma grande desvantagem em relação à cooperativa, ela engessa o capital e o patrimônio; 
em compensação, tem algumas vantagens que compensam grupos que querem se organizar, mesmo para 
comercializar seus produtos: o gerenciamento é mais simples e o custo de registro é menor. Outro ponto a 
destacar é que a qualidade de associado é intransmissível se o estatuto não dispuser o contrário. Em sendo o 
objetivo econômico, o modelo mais adequado é a cooperativa. 
Veja a seguir um quadro que mostra as principais diferenças entre associação e cooperativa: 
01. Remuneração dos Dirigentes 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Não são remunerados pelo desempenho de suas 
funções. Recebem apenas o reembolso das 
despesas realizadas para o desempenho dos seus 
Podem ser remunerados por retiradas mensais de 
pró-labore, definidas pela assembleia, além do 
reembolso de suas despesas. Não possuem vínculo 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 6 
cargos. empregatício. 
 
02. Destino/Distribuição do Resultado Financeiro 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
As possíveis sobras obtidas de operações entre 
associados serão aplicadas na própria associação. 
Não há rateio de sobras das operações financeiras 
entre os sócios. Qualquer superávit financeiro deve 
ser aplicado em suas finalidades. 
Após rateio em assembleia geral, as sobras são 
divididas de acordo com o volume de negócios de 
cada cooperado. Deve recolher o IRPJ sobre 
operações de terceiros. Paga as taxas e os impostos 
decorrentes das ações comerciais. Há rateio das 
sobras obtidas no exercício financeiro, devendo antes 
a assembleia destinar partes ao Fundo de Reserva 
(mínimo de 10%) e FATES – Fundo deAssistência 
Técnica, Educacional e Social (mínimo de 5%). As 
demais sobras podem ser destinadas a outros fundos 
de capitalização ou diretamente aos associados de 
acordo com a quantidade de operações que cada um 
deles teve com a cooperativa. 
 
03. Escrituração Contábil 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Simplificada e objetiva. A escrituração contábil é mais complexa em função 
do volume de negócios e em função da necessidade 
de ter contabilidades separadas para as operações 
com os cooperados. É específica e completa. Deve 
existir controle de cada conta capital dos cooperados 
e registrar em separado as operações com não 
cooperados. 
 
04. Obrigações fiscais e tributárias 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Deve fazer anualmente uma declaração de isenção 
do Imposto de Renda. Deve, porém, declarar a 
isenção todo ano. Não está imune, podendo ser 
isentada dos demais impostos e taxas. 
Não paga imposto de renda nas operações com os 
cooperados. No entanto, deve recolher sempre que 
couber Imposto de Renda na fonte e o imposto de 
renda nas operações com terceiros. Paga todas as 
demais taxas e impostos decorrentes das ações 
comerciais. 
 
05. Fiscalização 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Pode ser fiscalizada pela prefeitura municipal (Alvará, 
ISS, IPTU), Fazenda Estadual (nas operações de 
comércio, INSS, Ministério do Trabalho e IR. 
Igual à associação. Poderá, dependendo de seus 
serviços e produtos, sofrer fiscalização de órgãos 
como Corpo de Bombeiros, Conselhos, Ibama, 
Ministério da Saúde etc. 
 
06. Estruturas de representação 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Representada pelos associados em ações coletivas 
de seu interesse. É representada por federações e 
confederações. Pode constituir órgãos de 
representação e defesa, não havendo, atualmente, 
nenhuma estrutura que faça isso em nível nacional. 
Pode representar associados em ações coletivas de 
seu interesse. Pode constituir federações e 
confederações para sua representação. 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 7 
 
07. Dissolução e Liquidação 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
Definida em Assembleia Geral ou mediante 
intervenção judicial, realizada pelo Ministério Público. 
A dissolução é definida pela Assembleia Geral. Pode 
ocorrer a liquidação por processo judicial. Nesse 
caso, o juiz nomeia uma pessoa como liquidante. 
 
08. Patrimônio/Capital 
ASSOCIAÇÃO COOPERATIVA 
É formado por taxa paga pelos associados, doações, 
fundos e reservas. Não possui capital social. A 
inexistência deste dificulta a obtenção de 
financiamento junto às instituições financeiras. Toda 
associação com personalidade jurídica é dotada de 
patrimônio e movimentação financeira, porém não 
poderá repartir o retorno econômico entre os 
associados, uma vez que será usada no fim da 
associação e nunca está sujeita à falência ou 
recuperação econômica. Os bens remanescentes na 
dissolução ou liquidação deverão ser destinados, por 
decisão da Assembleia Geral, para entidades afins. 
Possui Capital social, facilitando, portanto, 
financeiras. O capital social é formado por quotas 
partes podendo receber doações, empréstimos e 
processos de capitalização. Os bens remanescentes, 
depois de cobertas as dívidas trabalhistas e com o 
Estado, depois com fornecedores, deverão ser 
destinados a entidades afins. Em caso de liquidação, 
os associados são responsáveis, limitada ou 
ilimitadamente (conforme os estatutos, pelas dívidas). 
 
ADMINISTRAÇÃO DE COOPERATIVAS AGRÍCOLAS 
A necessidade de profissionalização da gestão das organizações cooperativas não é um tema recente. Com 
efeito, desde antes da constituição da Cooperativa dos Probos Pioneiros de Rochdale, já haviam iniciativas 
mal sucedidas de gestão de cooperativas, visto que a história cita exemplos de cooperativas constituídas e 
que encerraram suas atividades por problemas econômicos e sociais. 
Pesquisas indicam que em torno de 3/4 das cooperativas possuem algum tipo de problema considerável de 
gestão, principalmente no que diz respeito aos aspectos financeiros. Os problemas de planejamento 
financeiro tem constituído uma das fragilidades principalmente no ramo agropecuário. 
Aproximadamente 75% das sociedades cooperativas criadas apresentam sérios problemas de administração, 
principalmente no que diz respeito ao fluxo financeiro (capital). Outros motivos, também, contribuem para 
esse alto índice. 
A sociedade cooperativa caracteriza-se como empresa, organização dinâmica, inserida no ambiente, e que 
interage com o meio, onde são encontrados recursos materiais (bens, máquinas, equipamentos, mercadorias, 
construções); financeiros (compra, venda, dinheiro) e humanos (pessoas) com os quais há uma relação de 
diversas formas. 
Para poder atingir o equilíbrio do negócio, é necessário ter uma equipe de alto desempenho. Algumas 
vantagens são facilmente identificadas quando se trabalha em equipe. Uma destas vantagens está 
relacionada com a agilidade de informações e em seu uso. A dinâmica é muito rápida e todos têm que estar 
afinados no comprometimento da sociedade e de suas funções. Outra vantagem do trabalho em equipe 
consiste na riqueza das ideias do grupo, que são mais elaboradas e de mais qualidade porque se baseiam 
em apresentações de diferentes visões. 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 8 
Uma terceira vantagem deste tipo de trabalho pode ser relacionada com a tendência de assumir maiores 
riscos, porque a responsabilidade pelos resultados é compartilhada por todos. Por último, também está a 
vantagem relacionada com comprometimento. Quando o trabalho é participativo, todos se sentem 
responsáveis pelo resultado e engajam-se no processo. 
Uma equipe de alto desempenho tem que ter pessoas preparadas para orientar, coordenar e acompanhar o 
esforço de todos para os mesmos objetivos. O sucesso ou fracasso da empresa cooperativa depende de 
vários atores na organização, como o dirigente, (que é o líder escolhido democraticamente pelos associados), 
o seu conselho administrativo e seus funcionários, porque eles são, diretamente, os responsáveis pela 
condução, tomada de decisão e pela implementação de projetos. 
Para a empresa ter organização, direção e controle, é necessário possuir uma administração profissional bem 
preparada e em sintonia com os anseios dos seus donos e as exigências do mercado. 
No setor cooperativo, geralmente quem administra a empresa, até por razões legais como já foi mencionado, 
é o associado que, na maioria das vezes, é uma pessoa que possui facilidade nas relações pessoais, mas 
nem sempre reúne as qualificações específicas da área. 
Assim, surge uma forte necessidade de se buscar uma administração mais consistente, ágil e conectada com 
os acontecimentos do mercado, não esquecendo o foco principal, que são os resultados, inicialmente 
planejados pelos cooperados. 
Neste ponto, pode-se complementar, observando que a tendência é predominar nas organizações 
cooperativas, modernos complexos empresariais, com estrutura fluída, parceria estratégica, capital 
intelectual, cada vez mais importante, trabalho em equipe e marketing em rede de multimídia. 
Bem, como sabemos, para serem ágeis e competitivas as cooperativas precisam estar permanentemente 
atentas às tendências do mercado e evoluções tecnológicas. Esta tarefa deve ser realizada, se os gestores 
eleitos não possuírem as qualidades profissionais indispensáveis para as necessidades da organização, com 
a contratação de profissionaisexperientes, ou pela formação de colaboradores. 
Por isso, em vários estados, as OCEs – Organizações Cooperativas Estaduais, oferecem às cooperativas, 
através de parcerias com instituições de ensino superior e empresas de treinamento, oportunidades de 
melhorar a qualificação profissional de seus membros. 
Estes cursos, treinamentos, entre outros, são imprescindíveis, pois é impossível pensar em cooperativas sem 
uma gestão profissional. Observa-se que as cooperativas com maior nível de profissionalização, apresentam 
resultados maiores em relação às demais cooperativas, os indicadores econômicos e financeiros geralmente 
são os melhores e seguem uma tendência de crescimento ainda maior. 
Na mesma linha, as decisões de investimento nas cooperativas profissionalizadas obedecem aos requisitos 
básicos de análise de retorno do capital investido, considerando, taxas, prazos e valores de retorno, o 
potencial de mercado, a capacidade de financiamento próprio e o grau possível de endividamento. 
No Rio Grande do Sul, já existem muitas cooperativas trabalhando com planejamento estratégico, metas, 
monitoramento, uso de assessoria externa, entre outras medidas que caracterizam uma gestão profissional. 
Estas ações são essenciais para identificar os movimentos do mercado e traçar estratégias a partir dos 
diagnósticos precisos e consistentes. 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 9 
Por outro lado, cooperativas que não têm bom trabalho de gestão tendem a repetir práticas ineficientes, sem 
conseguir fazer as mudanças necessárias. Cooperativas com gestão mais restrita, não conseguem identificar 
as oportunidades, nem se adaptar rapidamente a mudanças e possivelmente trabalha com resultados 
negativos, deteriorando a situação econômico-financeira e diminuindo o patrimônio da cooperativa e dos 
associados. 
Além disso, os gestores devem monitorar o equilíbrio entre os interesses dos associados e das necessidades 
da organização. Por isso, em uma cooperativa não deve haver apenas ganhos para os produtores. A saúde 
financeira das próprias cooperativas também é essencial. 
As cooperativas precisam buscar o melhor resultado para o associado, mas também para si, para que 
possam continuar crescendo e ter suporte nos momentos de dificuldade no mercado. É muito importante 
desmistificar a questão dos resultados econômicos numa cooperativa: se ela não tiver excedentes 
econômico-financeiros para, no futuro, poder enfrentar momentos adversos, terá muitas dificuldades em 
sobreviver. 
Em uma análise preliminar, sobre os problemas que hoje permeiam o sistema cooperativo, através de 
informações atualmente disponíveis, pode-se inferir que algo em torno de 90 % (noventa por cento) das 
cooperativas tem problemas de ordem cultural, ou seja, pouco ou deficiente conhecimento do que é o 
cooperativismo e como praticá-lo nos processos de empreendimento econômico. 
Também, em 70 % (setenta por cento) delas identificam-se problemas de profissionais que não possuem 
perfil e qualificação para gerenciar um empreendimento como o negócio cooperativo, faltando treinamento 
adequado, capacitação, uso de ferramentas ou falta de tecnologia adequada para bem gerir. 
Enfim, em torno de 50 % (cinquenta por cento) das cooperativas existem problemas financeiros relevantes, 
decorrentes da falta ou fragilidade no planejamento. Em cooperativas, projetos com boas perspectivas de 
mercado, acabam sendo desativados frente a diversos problemas que vão surgindo no dia-a-dia. Nada muito 
diferente das empresas com fins de lucro operantes no mercado. Afinal, cooperativa também é um 
empreendimento econômico suscetível às alterações do mercado. Encontrar soluções que atendam aos 
valores e princípios do verdadeiro cooperativismo é uma questão imediata, que significa um grande desafio e 
não pode ser negligenciada por esta nova categoria profissional que está surgindo: O profissional formado em 
gestão de negócios cooperativos. 
O gestor de cooperativas atual é um profissional formado em diversas áreas, com conhecimentos na prática 
cooperativa, forçado, em muitas vezes, a se adaptar a uma nova realidade de sistema de trabalho. Preparar 
um novo perfil de formação de gestores, com uma visão mais reflexiva sobre o sistema, e com habilidades e 
competências para solucionar os problemas do dia a dia, planejando e operando o funcionamento da 
organização, pode ser uma forma de reverter os índices de fracasso do setor cooperativo. 
Também no sistema cooperativo, como em qualquer outro tipo de sociedade, presenciamos extremos. Se, 
por um lado, identificamos sociedades cooperativas que demonstram desenvolvimento digno dos melhores do 
mundo (e há vários exemplos), por outro, nos deparamos com inúmeros sócios-cooperados que ignoram os 
seus direitos e deveres, displicentes, e que estão navegando à mercê dos ventos. Quando favoráveis, são 
omissos, deixando que o negócio viva sem controle e quando desfavoráveis, reclamam da sua organização e 
de seus gestores e, ainda assim, sem se envolver em uma atuação que contribua efetivamente para o 
sucesso do seu negócio. 
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Curso: Bacharelado em Administração Disciplina: Gestão de Cooperativas e Associativismo Professor: Fabrício Carvalho Período letivo: 2022.1 10 
A questão cultural, instalada nesse meio também deve ter atenção dos profissionais de gestão cooperativa. O 
cooperativismo como essência de pensamento e modo de vida, embora intrínseco da natureza humana, 
precisa de estímulo para produzir seus efeitos, com forte trabalho educativo. 
Esse profissional precisa entender as questões culturais dos associados, de temas econômicos e sociais. 
Também, precisa entender, de políticas públicas e de temas relacionados ao meio ambiente e educação. Ela 
precisa usar esses conhecimentos para projetar uma cooperativa, considerando sua viabilidade econômica. 
Levar em conta também as necessidades da comunidade e suas condições de vida para determinar as 
atividades que serão oferecidas à população, o espaço físico, a cidade e o bairro em que será instalada, é 
relevante. Esse profissional pode ainda orientar os associados a gerenciar a cooperativa, de modo a 
promover o desenvolvimento social e econômico ou ocupar o cargo de gerente ou presidente.

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