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Icterícia Neonatal Zonas de Kramer: escala objetiva da icterícia do recém-nascido. Só vale para icterícia neonatal (por conta de sua progressão crânio-caudal). Cada zona tem uma representação laboratorial do nível total de bilirrubina. A icterícia é um sinal percebido no exame físico que é uma manifestação clínica da hiperbilirrubinemia. Considera-se hiperbilirrubinemia >1,5 mg/dl, mas o paciente só fica ictérico de 3 a 5 mg/dl. Praticamente 90% dos RNs nascidos a termo irão apresentar algum grau de icterícia na 1ª semana de vida, e há evolução benigna na maioria dos casos. ● OBS: Zonas de Kramer: escala objetiva da icterícia do recém-nascido. Só vale para icterícia neonatal (por conta de sua progressão crânio-caudal). Cada zona tem uma representação laboratorial do nível total de bilirrubina. A criança tem muitos fatores predisponentes para a icterícia fisiológica: ● Degradação da hemoglobina fetal; ● Imaturidade enzimática (Glicuronil transferase) → a icterícia do RN será às custas de bilirrubina não conjugada; ● Hemólise + capacidade reduzida de conjugação = icterícia própria (fisiológica) OBS: atenção para a desconjugação de bilirrubina no intestino (situações de trânsito intestinal inadequado → por hipoalimentação, por exemplo), podendo ser absorvida pela circulação entero-hepática e aumentando os níveis de bilirrubina indireta, sendo um fator de agravo. Icterícia por doença hemolítica: a icterícia é precoce (nas primeiras 24 horas de vida ele já fica ictérico, na fisiológica, a icterícia só aparece depois de 24 horas de vida → tempo para acumular bilirrubina indireta). As hemácias lisadas antes do tempo causam aumento da produção de bilirrubina indireta, além disso, a icterícia pode não ser o único problema dessa hemólise, podendo haver anemia hemolítica, por exemplo. Como compensação, há aumento da hematopoiese, tornando-se tão acelerado, que o sistema retículo-endotelial começa a enviar reticulócitos (hemácias imaturas) para a circulação, sendo a reticulocitose um dos sinais de que está havendo hemólise. ● OBS: existem outros tipos de manifestações eritrocitárias que podem causar icterícia hemolítica, como por exemplo a deficiência de G6PD (pouca G6PD na membrana da hemácia faz com que essa hemácia dure menos, havendo crises de hemólise, principalmente em contato com determinadas substâncias (como por exemplo a naftalina, dipirona, AINEs...)). A esferocitose também diminui a vida média da hemácia e favorece o processo hemolítico. Incompatibilidade RH: ● Para haver incompatibilidade RH, a mãe deve ser RH- e o RN deve ser RH+ ● A mãe RH- produz anticorpos IgG anti-D, que destrói as hemácias fetais ● É uma hemólise grave, que tem manifestações já intra-útero (lembrar da eritroblastose fetal, havendo necessidade, inclusive, de transfusão sanguínea intra-útero) ● Há necessidade de sensibilização prévia: contato com o antígeno-D (por exemplo, filho anterior com RH+ também (porém não precisa nascer, por vezes a mulher pode ser sensibilizada mesmo tendo um aborto, inclusive muito inicial) ● Existe possibilidade de profilaxia: imunoglobulina anti-D. Essa imunoglobulina destrói os antígenos D antes de sensibilizar a mãe. Toda gestante RH-, recebe uma dose dessa imunoglobulina durante o pré-natal. ● É uma doença muito grave, porém a incidência tem caído muito Incompatibilidade ABO: ● Sangue O: Produz anticorpos Anti-A e Anti-B ● O problema disso é a passagem desses anticorpos para a criança (via placentária), porém não há gravidade e nem manifestações intra-útero. Esses anticorpos irão causar hemólise na criança (se ela for A ou B). ● Para haver incompatibilidade ABO: a mãe deve ser O. ● Quando a mãe não é O, o anticorpo produzido é do tipo IgM, não sendo transmitido via placentária. ● As manifestações costumam ser após o nascimento ● Não há necessidade de sensibilização prévia e não há profilaxia. Devemos explicar à mãe o que pode acontecer, para que ela não seja surpreendida. ● OBS: Existem outros subgrupos que também podem gerar incompatibilidades (de grupos menores). Quando começar a se preocupar com a icterícia: ● Icterícia precoce (antes de 24 horas de vida) ● Incompatibilidade ABO e principalmente RH ● Outras alterações de exame físico (na icterícia fisiológica não há outras alterações de exame físico): anemia, por exemplo ● Alterações laboratoriais: Ht e Hb diminuem, reticulocitose (>6% → pensar em hemólise) e COOMBS indireto (procura-se presença do anticorpo no plasma da MÃE, caso positivo, ela já está sensibilizada; se negativo, ela recebeu profilaxia) e direto (procura-se se o anticorpo anti-RH já está ligado na hemácia do RECÉM-NASCIDO). ○ OBS: Para incompatibilidade RH com doença hemolítica, o COOMBS direto ajuda no diagnóstico. Na incompatibilidade ABO, esse exame não auxilia tanto. Tratamento: ● Fototerapia: A fototerapia promove dois processos físico-químicos na molécula de bilirrubina: fotoisomerização/fotooxidação → um dos isômeros que surgem é a lumirrubina (facilmente eliminada do organismo por ser hidrossolúvel). O processo é reversível, por isso a criança deve ficar o tempo todo debaixo da luz. A suspensão da fototerapia pode ter um número fixo (alguns serviços) ou podemos utilizar a curva de risco de icterícia (tanto para indicar como para suspender) ○ OBS: Não contraindica o alojamento conjunto ○ OBS: Um dos pontos fundamentais para a eficácia da fototerapia é o tamanho da área exposta à fototerapia. A distância da luz para o bebê também importa (cada fabricante tem uma distância ideal, mas na maioria das vezes são 30 cm). A luz de LED nessa tonalidade é a que promove fotoisomerização mais rapidamente. ● Exsanguineotransfusão total: Faz-se uma troca de TODO o sangue da criança (para tirar a bilirrubina em alto nível; normalmente >20 mg/dl). Faz-se cateterismo da veia umbilical, colocamos uma “torneira” e pedimos para o hemocentro preparar o sangue (o RN tem diferença na dinâmica sanguínea → antígenos e anticorpos). Então tira-se e coloca-se sangue, de acordo com o peso da criança (pois iremos tirar toda a volemia da criança), fazemos isso duas vezes. Qual o problema da hiperbilirrubinemia: Kernicterus (Encefalopatia bilirrubínica). A BHE separa o que corre no sangue do SNC (principal sistema do ponto de vista funcional). A bilirrubina habitualmente não passa a BHE, mas, quando a bilirrubina está muito aumentada, pelo aumento da pressão oncótica, há passagem para o SNC, causando a encefalopatia bilirrubínica. A bilirrubina impregna os núcleos da base. As consequências são morte ou, caso sobreviva, sequelas graves e irreversíveis, como atraso global do desenvolvimento em todas as esferas. Essas crianças normalmente precisam de um segmento auditivo especializado. ● Clínica do Kernicterus: Inicialmente a criança fica hipotônica, quase comatoso, então ele torna-se hipertônico, rígido, choro neurológico (inconsolável), evoluindo para quadro neurológico grave, com repercussões hemodinâmicas, quadro de mal convulsivo e pode morrer.