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Sumário FUNDAMENTOS BÁSICOS ................................................................................................................................................................ 3 Língua Portuguesa .......................................................................................................................................................................... 3 Relações Humanas e Éticas ......................................................................................................................................................... 14 Economia e Mercado .................................................................................................................................................................... 38 Matemática Financeira .................................................................................................................................................................. 47 Desenho Arquitetônico e Construção Civil .................................................................................................................................... 51 Direito e Legislação ...................................................................................................................................................................... 65 APROFUNDAMENTO EM TRASAÇÕES IMOBILIARIAS ................................................................................................................. 77 Organizações e técnicas comerciais ............................................................................................................................................. 77 Marketing Imobiliário ..................................................................................................................................................................... 90 Operações Imobiliárias ................................................................................................................................................................. 95 Prática em documentação Imobiliária ......................................................................................................................................... 100 Avaliação de imóveis .................................................................................................................................................................. 103 Transações de locações de imóveis ........................................................................................................................................... 108 Transações de Venda de Imóveis ............................................................................................................................................... 114 ANEXOS ......................................................................................................................................................................................... 118 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................................................................................... 120 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM .................................................................................................................................. 122 Instituição de Ensino Charles Babbage 2 Como Estudar na Uniorka? Apostila Nossa apostila foi elaborada para um melhor aproveitamento da sua dedicação. Ela consiste em conteúdo das disciplinas, exercícios de fixação e juntamente com as vídeos aulas para seu sucesso nas avaliações e no mercado de trabalho. Ambiente Virtual Utilizando a internet, o Estudante pode ter acesso ao Ambiente Virtual de Aprendizagem, por meio do endereço www.uniorka.com.br no link Acesso Estudante com seu login e senha fornecida pela Uniorka para rever as teles aulas, participar de fóruns, tirar dúvidas, realizar leituras, exercícios, receber e enviar trabalhos. Além de se comunicar com o professor e com os colegas, todas as informações sobre a utilização do Ambiente Virtual de Aprendizagem estão no final desta apostila. Tele-aulas Nossas Tele-aulas são transmitidas ao vivo para polos, ministradas por professores especialistas. Assim, os Estudantes podem interagir em tempo real com perguntas a qualquer momento. Confira o dia da semana e horário da tele aula do seu curso. Caso o Estudante perca alguma tele aula ao vivo, elas estarão gravadas no Ambiente Virtual de Aprendizagem na internet. Plantão Tira Dúvidas A Uniorka possui um exclusivo serviço de tele atendimento ao Estudante, com professores de plantão preparados para responder suas dúvidas sobre conteúdo do curso, provas e simulados. O horário de atendimento do Plantão Tira Dúvida é de segunda à sexta-feira das 14h00 às 18h00 horas pelo nosso 0800 600 2828. Secretaria Nossa Secretaria está pronta atender os Estudantes com informações sobre o curso como: matrícula, documentação, atestado, prova, certificado, mensalidade entre outros. Não deixe de entrar em contato conosco, nosso horário de atendimento são de segunda a sexta–feira das 08h00 às 21h00 e aos Sábados das 08h00 às 12h00, ligue gratuitamente 0800 600 2828 ou e-mail atendimento@uniorka.com.br http://www.uniorka.com.br/ mailto:atendimento@uniorka.com.br Instituição de Ensino Charles Babbage 3 FUNDAMENTOS BÁSICOS Língua Portuguesa Afinal por que se afirma que é tão importante ler? Entendimento: uma boa leitura leva a pessoa ao entendimento de assuntos distintos. Afinal, o que é entender senão compreender, perceber. Como você saberá conversar sobre determinado tema se não tem percepção ou se não o compreende? Conhecimento: através da leitura falamos e escrevemos melhor, sabemos o que aconteceu na nossa história, o porquê de nosso clima e do idioma que falamos, dentre muitas outras possibilidades. Informação: através da leitura ficamos informados sobre o que acontece no mundo e na nossa região. A leitura informativa mais usual é o jornal impresso. Escrita: com conhecimento, reflexão e vocabulário é óbvio que o indivíduo conseguirá desenvolver seu texto com muito mais destreza e facilidade. Quem lê, se expressa bem por meio da escrita. Lendo, nos tornamos reflexivos, ou seja, formamos uma idéia própria e madura dos fatos. Quando temos entendimento dos vários lados de uma mesma história, somos capazes de refletir e chegar a um consenso, que nos traz crescimento pessoal. Interpretar Interpretar um texto não é dar opinião nem dizer o que achamos dele, o que pensamos dele. Interpretar é antes de tudo, fazer uma primeira leitura para entender o assunto e, a seguir, uma releitura mais cuidadosa, quando encontramos detalhes para os quais não havíamos atentado. Porque um professor colocar uma questão de interpretação de texto? Quando um examinador ou professor propõe as questões de interpretação, ele está apenas procurando exercitar o raciocínio do aluno, para saber se ele apreendeu a mensagem do texto e se está atento para as várias armadilhas de uma leitura superficial e para as qualidades, defeitos, sutilezas e riquezas que o texto apresenta. Então... Interpretar significa explicar, comentar, julgar a intenção, tirar conclusão de certo assunto. Os testes de interpretação querem saber o que o candidato conclui sobre o que está escrito. Vamos praticar! Primeiro passo – Leia a charge abaixo e preste atenção a todos os detalhes, pois nada foi colocado de graça no texto. Segundo passo - Repare nas datas que vão passando e, além disso, o número de desemprego aumenta também. Terceiro passo- Agora leia a pergunta sobre o texto Assinale a alternativa que contém interpretação aceitável para a Charge no Correio Popular de Campinas a) Em2005, a oferta de emprego aumentou significativamente; b) Diminuiu a competição entre trabalhadores na procura por trabalho; c) Houve pouca alteração no quadro de desemprego nas últimas três décadas; d) Desde 1980 a 2005, o desemprego persistiu e diminuíram as chances de o trabalhador se integrar ao mercado de trabalho. Então, qual alternativa você marcaria e que está de ACORDO COM O TEXTO? A resposta correta é a letra d. Mas por quê? A alternativa a esta incorreta, pois foi utilizada a palavra significativamente. Sendo que houve um grande aumento e não pouca procura de emprego. A alternativa b diz que a competição acabou entre os trabalhadores. Ao contrario, a competição aumentou no decorrer dos anos. A alternativa c está errada, pois no último quadrinho um personagem precisa utiliza binóculos para enxergar a vaga de emprego por ter muita gente procurando uma oportunidade. LEMBRE-SE: Interpretamos o que havia no texto e não o que achamos. Muito cuidado ao responder questão utilizando o achismo. Fonema e Letra Dá-se o nome de fonema ao menor elemento sonoro capaz de estabelecer uma distinção de significado entre as palavras. Observe, nos exemplos a seguir, os fonemas que marcam a distinção entre os pares de palavras: amor - ator morro - corro vento - cento 1) O fonema não deve ser confundido com a letra. Na língua escrita, representamos os fonemas por meio de sinais chamados letras. Portanto, letra é a representação gráfica do fonema. Na palavra sapo, por exemplo, a letra s Instituição de Ensino Charles Babbage 4 representa o fonema /s/ (lê-se sê); já na palavra brasa, a letra s representa o fonema /z/ (lê-se zê). 2) Às vezes, o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto. É o caso do fonema /z/, que pode ser representado pelas letras z, s, x: Exemplos: zebra casamento exílio 3) Em alguns casos, a mesma letra pode representar mais de um fonema. A letra x, por exemplo, pode representar: - o fonema sê: texto - o fonema zê: exibir - o fonema chê: enxame - o grupo de sons ks: táxi 4) O número de letras nem sempre coincide com o número de fonemas. Exemplos: 5) As letras m e n, em determinadas palavras, não representam fonemas. Observe os exemplos: Compra Conta Nessas palavras, m e n indicam a nasalização das vogais que as antecedem. Veja ainda: Nave: o /n/ é um fonema; dança: o n não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras a e n. 6) A letra h, ao iniciar uma palavra, não representa fonema. Exemplos: O alfabeto Alfabeto com 26 letras a,b,c,d,e,f,g,h,i,j,k,l,m,n.o,p,q,r,s,t,u,v,w,x,y,z. Emprego de Letra Z(Fonemas /z/) 1) Substantivos abstrato derivados de adjetivos: pobreza, beleza, altivez, acidez... 2) Aumentativo ou diminutivo:copázio, balázio, papelzinho, homenzarrão, manzorra... 3) Verbos terminados em zer e zir: fazer, trazer, dizer, aprazer,aduzir, franzir, conduzir, produzir, reduzir...(execeções: coser e transir...). 4) Sufixo izar (em nomes sem s): finalizar, realizar, centralizar, idealizar, moralizar... 5) Desinência triz (formadora de feminino): embaixatriz, imperatriz, atriz, geratriz... Emprego da Letra S (fonema/z/) 1) Adjetivos que indicam origem: burguês, francês, inglês, camponês, montês... 2) Desinência de feminino esa/isa: baronesa, marquesa, japonesa, poetisa, sacerdotisa, profetisa... 3) Em todas as formas do verbos pôr(pus, pusemos, pusera, puseste...) e querer (quis, quisemos, quisera, quisesse...) 4) Adjetivos terminados em oso(a): aquoso(a), meloso(a), jeitoso(a), gostoso(a), seboso(a), vaidoso(a)... 5) Depois de ditongos, causa, coisa, lousa, náusea, aplauso, clausura, Sousa, Neusa... Emprego das Letras S e SS (Fonemas/z/ e /s/) Substantivos derivados dos verbos terminados em : ender- defender (defesa), empreender (empresa),surpreender (compreensão), repreender(reeprenão)... ergir - imergir (imersão), submergir (submersão); -erter - inverter (inversão), perverter (perversão); -pelir - repelir (repulsa), compelir (compulsão) ... -correr - discorrer (discurso), percorrer (percurso); ceder - ceder (cessão), conceder (concessão); -gredir - agredir (agressão), regredir (regresso); -primir - exprimir (expressão), comprimir (compressa); -tir - permitir (permissão), discutir (discussão). Emprego da letra X (Fonema /x/) 1) Depois de ditongos: caixa, trouxa, deixar, queixo, ameixa, baixo, paixão (exceção: recauchutar e derivadas). 2) Depois das sílabas iniciais: me-: mexer, mexerico, mexicano, mexilhão (exceção: mecha) -ia: laxante; li-: lixa, lixo; lu-: luxo, luxúria, luxação; gra-: graxa, graxeira, engraxate; bru-: bruxa, bruxelês... Emprego do G (Fonema /j/) Tóxico Fonemas: /t/ó/k/s/i/c/o/ Letras: t ó x i c o 1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 Galho Fonemas: /g/a/lh/o/ Letras: g a l h o 1 2 3 4 1 2 3 4 5 Instituição de Ensino Charles Babbage 5 1) Em palavras de origem tupi-guarani: jerivá, ji¬boia, jirau, pajé, jerimum ou africana: canjica, acarajé, lambujem. 2) Nos verbos terminados em -jar: viajar, arranjar, arejar e em -jear: gorjear, pajear . 3) Na terminação -aje: laje, ultraje, traje. 4) Em palavras com origens em outros padrões gráficos: laje (ár.), ojeriza (ár.). Emprego do C ou ç (Fonema /s/) 1) Em palavras de origem tupi-guarani: açaí, araçá, babaçu ou africana: paçoca, troça, caçula. 2) Em sufixos: barcaça, armação, criança, carniça, caniço, dentuço. 3) Depois de ditongos: foice, louça, beiço. 4) Nos derivados do verbo ter: abstenção, detenção, atenção, retenção. Emprego do Hífen Hífen em Palavra Compostas Compostas por justaposição: ano-luz, arco-íris, médico- cirurgião a) Compostas por justaposição: ano-luz, arco-íris, médico- cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, amor- perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, sul-africano, afro- asiático, primeiro-ministro... Há exceções (nos compostos dos quais se perdeu a noção de composição): girassol, madressilva, mandachuva, pontapé... b) Topônimos compostos, iniciados pelos adjetivos grã, grão, forma verbal e palavras ligadas por artigo: Grã- Bretanha, Grão-Pará; Abre-Campo; Passam- -Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca- Fortes; Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre- os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes. c) Compostas que designem espécies botânicas e zoológicas: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão- verde, bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha- de-cheiro ... Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima- roupa... d) Compostas com o advérbio mal seguido de nomes iniciados por vogal ou h: mal-afortunado, mal-estar, mal- apanhado, mal-humorado, mal-habituado... e) compostas com o advérbio bem seguido de nomes iniciados por vogais ou consoantes: bem-aventurado, bem- estar, bem-humorado, bem-criado, bem- -nascido, bem- falante, bem-visto, bem-vindo, bem-soante, bem-me-quer... Observação: O advérbio bem, ao contrário de mal, não se aglutina com palavras começadas por consoante. Veja: bem-criado / malcriado, bem-ditoso / malditoso, bem--falante / malfalante, bem-mandado / malmandado, bem-nascido / malnascido, bem-soante / malsoante, bem-visto / malvisto. f) compostas com os elementos além, aquém, recém e sem: além-mar, além-fronteiras, aquém-mar, recém-casado, recém-nascido, sem-cerimônia, sem- -número, sem- vergonha. Hífen em Palavras Derivadas Prefixos ou pseudoprefixos Segundo elemento a) Todos (sem exceção) Inicial: h Exemplos: anti-higiênico, circum-hospitalar, co- herdeiro, contra-harmônico, extra-humano, pré-história, sub-hepático, eletro-higrômetro, geo-história, neo- helênico,pan-helenismo, semi-hospitalar, macro- história, mini-hotel ... b) Terminados em vogal Inicial: vogal igual Exemplos: anti-inflacionário, contra-ataque, anti- inflamatório, contra-almirante, arqui-inimigo, auto- observação, eletro-ótica, micro-ondas, micro-ondas, micro-ônibus ... Atenção Antes do Acordo, são se usava hífen quando ocorre esses encontros envolvendo o prefixo anti e os pseudorradicais eletro e micro. Portanto, palavras como antiinflacionário, antiinflamatório, arquiinimigo, eletroótica, microondas etc, podem até 2012, ser grafadas sem hífen – (Dec. n°6.583, de 29/9/2008). c) Terminado em r Inicial:r Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, inter-regional, super-racista, super-reacionário, super-resistente, super-romântico, nuper-recuperado ... d) Ex-, pós-, pré-, pró-, sota-, soto- vice- e vizo- Iniciais: quaisquer Exemplos: ex-aluno, ex-diretor, ex-hospedeiro, pós- graduação, pré-história, pré-vestibular, pró-europeu, sota-piloto, vice-presidente, vice-reitor, vizo-rei ... e) Circum- e pan- Iniciais: vogal, h, m, n Exemplos: circum-escolar, circum-hospitalar, circum- murado, circum-navegação, pan-africano, pan-histórico, pan-mágico, pan-negritude... Observações: 1) Usa-se hífen: a) em palavras derivadas com os sufixos de origem tupi-guarani -açu, -guaçu e -mirim, antecedidos de palavra terminada em vogal acentuada graficamente ou por exigência da pronúncia: amoré-guaçu, anajá- mirim, andá-açu, Ceará-Mirim Exceção: capim-açu (sem hífen, a pronúncia seria: /ca pi ma çu/). b) para ligar palavras em encadeamentos vocabulares: a divisa Liberdade-lgualdade- Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, a ligação Austria- Hungria, Tóquio-Rio de Janeiro... Instituição de Ensino Charles Babbage 6 Observação: antes do acordo, essa ligação era feita por travessão. 2) Não se usa hífen: a) quando há encontro de vogais diferentes: auto instrução, antiaéreo, auto escola, anteontem, co educação, aeroespacial, auto estrada, auto aprendizagem, co autor, agroindustrial, co edição, extra escolar, hidroelétrico, infra estrutura, plurianual, semi aberto, semi analfabeto, semi esférico, semi opaco... b) quando há encontro de vogal com -r- ou -s-: antirrábico, antirreligioso, antissemita, biorritmo, biossatélite, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, eletrossiderurgia, microssistema, minissaia, neorrealismo, ultrarresistente, ultrassom, semirreta, microssistema ... Observação: nesse caso, duplicam-se as letras. USO DA CRASE Regra Geral: Haverá crase sempre que: I. o termo antecedente exija a preposição a; II. o termo conseqüente aceite o artigo a. Fui à cidade. (a + a = preposição + artigo ) ( substantivo feminino ) Nunca ocorre crase: 1) Antes de masculino. Caminhava a passo lento. (preposição) 2) Antes de verbo. Estou disposto a falar. (preposição) 3) Antes de pronomes em geral. Eu me referi a esta menina. (preposição e pronome demonstrativo) Eu falei a ela. (preposição e pronome pessoal) 4) Antes de pronomes de tratamento. Dirijo-me a Vossa Senhoria. (preposição) Observações: 1. Há três pronomes de tratamento que aceitam o artigo e, obviamente, a crase: senhora, senhorita e dona. Dirijo-me à senhora. 2. Haverá crase antes dos pronomes que aceitarem o artigo, tais como: mesma, própria... Eu me referi à mesma pessoa. 5) Com as expressões formadas de palavras repetidas. Venceu de ponta a ponta. (preposição) Observação: É fácil demonstrar que entre expressões desse tipo ocorre apenas a preposição: Caminhavam passo a passo. (preposição) No caso, se ocorresse o artigo, deveria ser o artigo o e teríamos o seguinte: Caminhavam passo ao passo – o que não ocorre. 6) Antes dos nomes de cidade. Cheguei a Curitiba. (preposição) Sempre ocorre crase: 1) Na indicação pontual do número de horas. Às duas horas chegamos. (a + as) Para comprovar que, nesse caso, ocorre preposição + artigo, basta confrontar com uma expressão masculina correlata. Ao meio-dia chegamos. (a + o) 2) Com a expressão à moda de e à maneira de. A crase ocorrerá obrigatoriamente mesmo que parte da expressão (moda de) venha implícita. Escreve à (moda de) Alencar. 3) Nas expressões adverbiais femininas. Expressões adverbiais femininas são aquelas que se referem a verbos, exprimindo circunstâncias de tempo, de lugar, de modo... Chegaram à noite. (expressão adverbial feminina de tempo) Caminhava às pressas. (expressão adverbial feminina de modo) Ando à procura de meus livros. (expressão adverbial feminina de fim) Exercícios Responda se esta certo ou errado crase a)Estou disposto à conversar. b) Vou à igreja. c) Andamos a cavalo. d) Chegaram à noite. e)Acordei as sete horas da manhã. na indicação de horas, ocorre a crase. f) Usava sapatos a Luís XV.(Errada) Gabarito comentado: Instituição de Ensino Charles Babbage 7 a) (Falso). Não há crase antes de verbo. b) (Correta).Temos a ocorrência da preposição "a", exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo "a" que está determinando o substantivo feminino igreja. c) (Correta).Diante de substantivos masculinos não ocorre crase. d) (correta).Nas expressões adverbiais femininas, ocorre a crase. e) (Errada).Na indicação de horas, ocorre a crase. f) (Errada).Sempre ocorre crase diante da palavra "moda", com o sentido de "à moda de" (mesmo que a expressão moda de fique subentendida. Usava sapatos à (moda de) Luís XV. Plurais das Palavras Compostas A formação do plural dos substantivos compostos depende da forma como são grafados, do tipo de palavras que formam o composto e da relação que estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os substantivos simples: Aguardente e aguardentes girassol e girassóis Pontapé e pontapés malmequer e malmequeres O plural dos substantivos compostos cujos elementos são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir: a) Flexionam-se os dois elementos, quando formados de: Substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras b) Flexiona-se somente o segundo elemento, quando formados de: Verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto- falantes palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos c) Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando formados de: Substantivo + preposição clara + substantivo = água-de- colônia e águas-de-colônia Substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo- vapor e cavalos-vapor Substantivo + substantivo que funciona como determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do termo anterior. Exemplos: palavra-chave - palavras-chave bomba-relógio - bombas-relógio notícia-bomba - notícias-bomba homem-rã - homens-rã peixe-espada - peixes-espada d) Permanecem invariáveis, quando formados de: verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca rolhas Flexão dos Adjetivos Compostos Adjetivo Composto Adjetivo composto é aquele formado por dois ou mais elementos. Normalmente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o último elemento concorda com o substantivo a que se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos elementos que formam o adjetivo composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto ficaráinvariável. Por exemplo: a palavra rosa é originalmente um substantivo, porém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo composto inteiro ficará invariável. Por exemplo: Camisas rosa-claro. Ternos rosa-claro. Olhos verde-claros. Calças azul-escuras e camisas verde-mar. Telhados marrom-café e paredes verde-claras. Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre invariáveis. - Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha têm os dois elementos flexionados. Concordância Verbal e Normal As meninas estão animadas. Meninas animadas. No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na terceira pessoa do plural, concordando com o seu sujeito, as crianças. No segundo exemplo, o adjetivo animadas está Instituição de Ensino Charles Babbage 8 concordando em gênero (feminino) e número (plural) com o substantivo a que se refere: crianças. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa, número e gênero se correspondem. Concordância é a correspondência de flexão entre dois termos, podendo ser verbal ou nominal. Concordância Verbal Regra Geral: Com elementos coordenados, todos de 3ª pessoa = verbo plural. Ex.: Telefone, passagem e luz custarão mais caro. Elementos coordenados Verbo no plural de 3ª pessoa Formado de palavras sinônimas Verbo no plural ou concordando com o núcleo mais próximo. Ex.: Descaso e desprezo marcou / marcaram sua administração. Palavras Verbo no singular Sinônimas ou plural Formado de palavras em gradação ou enumeração Um mês, um ano, uma década de ditadura não calou / calaram o povo. Palavras em gradação Verbo concordando com o núcleo ou enumeração. mais próximo ou no plural. Seguido de "tudo", "nada", "ninguém", "nenhum", "cada um" Desvios, fraudes, roubos, tudo acontecia naquele país. Núcleo resumido por "tudo" verbo no singular. Concordância Nominal 1. Substantivo + Substantivo... + Adjetivo Quando o adjetivo posposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o último ou vai facultativamente: Para o plural, no masculino, se pelo menos um deles for masculino; Para o plural, no feminino, se todos eles estiverem no feminino. Exemplos: Ternura e amor humano. Amor e ternura humana. Ternura e amor humanos. Carne ou peixe cru. Peixe ou carne crua. Carne ou peixe crus. 2. Adjetivo + Substantivo + Substantivo + ... Quando o adjetivo anteposto se refere a dois ou mais substantivos, concorda com o mais próximo. Exemplos: Mau lugar e hora. Má hora e lugar. 3. Substantivo + Adjetivo + Adjetivo ++... Quando dois ou mais adjetivos se referem a um substantivo, este vai para o singular ou plural. Exemplos: Estudo as línguas inglesa e portuguesa. Estudo a língua inglesa e (a) portuguesa. Os poderes temporais e espirituais. O poder temporal e (o) espiritual. 4. Ordinal + Ordinal + ... + Substantivo Quando dois ou mais ordinais vêm antes de um substantivo, determinando-o, este concorda com o mais próximo ou vai para o plural. Exemplos: A primeira e segunda lição. A primeira e segunda lições. 5. Substantivo + Ordinal + Ordinal + ... Quando dois ou mais ordinais vêm depois de um substantivo, determinando-o, este vai para o plural. Exemplo: As cláusulas terceira, quarta e quinta. 6. Um e outro / Nem um nem outro + Substantivo Quando as expressões "um e outro", "nem um nem outro" são seguidas de um substantivo, este permanece no singular. Exemplos: Um e outro aspecto. Nem um nem outro argumento. De um e outro lado. 7. Um e outro + Substantivo + Adjetivo Quando um substantivo e um adjetivo vêm depois da expressão "um e outro", o substantivo vai para o singular e o adjetivo para o plural. Exemplos: Um e outro aspecto obscuros. Uma e outra causa juntas. 8. "O (a) mais ... possível" - "Os (as) mais ... possíveis" - "O (a) pior ... possível" - "Os (as) piores ..." - "O (a) melhor ... possível" - "Os (as) melhores ... possíveis" O adjetivo "possível", nas expressões "o mais ...", "o pior Instituição de Ensino Charles Babbage 9 ...", "o melhor ..." permanece no singular. Com as expressões "os mais ...", "os piores ...", "os melhores ...", vai para o plural. Exemplos: Os dois autores defendem a melhor doutrina possível. Estas frutas são as mais saborosas possíveis. Eles foram os mais insolentes possíveis. Comprei poucos livros, mas são os melhores possíveis. 9. Particípio + Substantivo O particípio concorda com o substantivo a que se refere. Exemplos: Feitas as contas ... Vistas as condições ... Restabelecidas as amizades ... Postas as cartas na mesa ... Salvas as crianças ... Observação: "Salvo", "posto" e "visto" assumem também papel de conectivos, sendo, por isso, invariáveis: Salvo honrosas exceções. Posto ser tarde, irei. Visto ser longe, não irei. 10. Anexo / bastante / incluso / leso / mesmo / próprio + Substantivo Essas palavras concordam com o substantivo a que se referem. Exemplos: Vão anexas as cópias. Recebi bastantes flores. Vão inclusos os documentos. Cometeu um crime de lesa-pátria. Cometeu um crime de leso-patriotismo. Ele mesmo falou aquilo. Ela mesma falou aquilo. Elas próprias falaram aquilo. 11. Meio (= metade) + Substantivo O adjetivo "meio" concorda com o substantivo a que se refere. Exemplos: Meias medidas. Meio litro. Meia garrafa. Frase É o enunciado com sentido completo, capaz de fazer uma comunicação. Na frase é facultativo o uso do verbo. Exemplos: - Atenção! - Que frio! - A China passa por dificuldades. Oração É o enunciado com sentido que se estrutura com base em um verbo.Na oração é preciso usar verbo ou locução verbal. Exemplos: - A fábrica, hoje, produziu bem. Período É a oração composta por um ou mais verbos. O período classifica-se em: Simples: tem apenas uma oração. - ―As senhoras como se chamam?‖ (Machado de Assis) Composto: tem duas ou mais orações. - ―Um deles perguntou-lhes familiarmente se iam consultar a adivinha‖. (Machado de Assis) Sujeito A respeito do qual se declara alguma coisa. Exemplo: Heloisa controlou a situação. Quem controlou a situação? Heloisa. Logo, Heloisa é o sujeito. Quer descobrir o sujeito? Antes de tudo, colocam-se as expressões interrogativas Quem? Ou O Quê? Antes do verbo. Exemplo: O povo pediu uma providência ao presidente. Quem pediu uma providência ao presidente? O povo. Tipos de sujeito 1) Sujeito determinado: É identificado pelo contexto ou pela terminação do verbo (que sempre concorda com o sujeito) a) Simples: Denominamos de sujeito simples aquele que possui somente um núcleo. E você sabe o que é o núcleo? Quando falamos ―núcleo‖, logo pensamos em ―centro‖. Então, o núcleo do sujeito é a palavra mais importante que existe dentro do sujeito, ou seja, se ela for retirada, a informação ficará sem sentido: Pedro é um bom garoto. Nesse caso temos um sujeito simples, cujo núcleo (a palavra de maior valor) é Pedro. b) Composto: É aquele que possui mais de um núcleo, isto é, ele pode ter dois, três, ou até mais núcleos. Observe o exemplo, que tão logo entenderá: Eu e meus amigos fomos ao cinema. Percebemos que há dois núcleos nessa oração (eu e meus amigos). Instituição de Ensino Charles Babbage 10 c) Oculto, elípticoou desinencial: 2) Sujeito indeterminado: Como o próprio nome já nos indica, o sujeito oculto é aquele que não está claro, aparente, na oração. Mas será que podemos identificá-lo por meio de uma outra pista? Primeiro, vamos ao exemplo: Acordei feliz. Constatamos que a terminação do verbo acordar (acord – ei) se refere à primeira pessoa do singular (no caso, ―eu‖) do pretérito perfeito do modo indicativo. Sendo assim, mesmo que o sujeito não esteja expresso, podemos percebê-lo por meio da terminação verbal, ou seja, assim identificamos a qual pessoa ele faz referência. Oração sem sujeito Predicado Predicado é aquilo que se declara a respeito do sujeito. Nele é obrigatória a presença de um verbo ou locução verbal. Quando se identifica o sujeito de uma oração, identifica-se também o predicado. Em termos, tudo o que difere do sujeito (e do vocativo, quando ocorrer) numa oração é o seu predicado. Veja alguns exemplos: As mulheres Compraram roupas novas Predicado Durante o ano, muitos alunos desistem do curso. Predicado Predicado A natureza é bela. Predicado Tipos de predicado Predicado verbal Dizemos que um predicado é verbal quando ele apresenta verbo significativo (que pode ser um verbo transitivo ou intransitivo). O verbo significativo é considerado o núcleo (palavra mais importante) do predicado verbal. Exemplo. As crianças invadiram a praça. ↓ Predicado verbal Invadiram (verbo transitivo): núcleo do predicado verbal. Os pessegueiros floriam rapidamente. ↓ Predicado verbal Floriam (verbo intransitivo): núcleo do predicado verbal. Predicado nominal O predicado é nominal quando apresenta verbo de ligação. O núcleo do predicado nominal não é o verbo de ligação, e sim um nome: o predicativo. Exemplos. Os pessegueiros estão floridos. ↓ Predicado nominal estão: verbo de ligação. floridos (predicativo do sujeito): núcleo do predicado nominal. *Todos nós ficamos muito felizes. ↓ Predicado nominal ficamos: verbo de ligação. felizes: (predicativo do sujeito): núcleo do predicado nominal. Predicado Verbo-Nominal Apresenta as seguintes características: a) Possui dois núcleos: um verbo e um nome; b) Possui predicativo do sujeito ou do objeto; c) Indica ação ou atividade do sujeito e uma qualidade. Por Exemplo: Os alunos Saíram da aula alegres. Predicado Verbo-Nominal O predicado é verbo-nominal porque seus núcleos são um verbo (saíram - verbo intransitivo), que indica uma ação praticada pelo sujeito, e um predicativo do sujeito (alegres), que indica o estado do sujeito no momento em que se desenvolve o processo verbal. É importante observar que o predicado dessa oração poderia ser desdobrado em dois outros, um verbal e um nominal. Veja: Os alunos saíram da aula. Eles estavam alegres. Estrutura do Predicado Verbo-Nominal O predicado verbo-nominal pode ser formado de: 1 - Verbo Intransitivo + Predicativo do Sujeito Por Exemplo: Instituição de Ensino Charles Babbage 11 Joana partiu contente. Sujeito Verbo Intransitivo Predicativo do Sujeito 2 - Verbo Transitivo + Objeto + Predicativo do Objeto Por Exemplo: A despedida deixou a mãe aflita. Sujeito Verbo Transitivo Objeto Direto Predicativo do Objeto 3 - Verbo Transitivo + Objeto + Predicativo do Sujeito Por Exemplo: Os alunos cantaram emocionados aquela canção. Sujeito Verbo Transitivo Predicativo do Sujeito Objeto Direto CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DE CORRESPONDENCIA Correspondência é a forma de comunicação escrita que se estabelece entre pessoas – físicas ou jurídicas – para tratar de assuntos de mútuo interesse. A correspondência pode ser particular, oficial ou empresarial. Correspondência Particular: - É aquela que se dá entre pessoas físicas, podendo ter ou não caráter de intimidade. Correspondência Oficial: - É a que ocorre entre órgãos da administração direta ou indireta do serviço público civil ou militar, no âmbito municipal, estadual ou federal. Comunicação Empresarial: - É aquela através da qual as empresas se comunicam com as pessoas físicas ou jurídicas, tendo em vista as mais diversas finalidades. ATA Conceito: É o resumo escrito dos fatos e decisões de uma assembléia, sessão ou reunião para um determinado fim. Normas: Geralmente as atas são transcritas a mão em livro próprio. Nas atas, os números devem ser escritos por extenso, evitando-se também as abreviações. Livro de Atas: - Termo de Abertura - Termo de Encerramento ATESTADO Conceito: É o documento firmado por uma pessoa a favor de outra, atestando a verdade a respeito de determinado fato. Modelos: AVISO Conceito: É o tipo de correspondênciacujas características são amplas e variáveis. O aviso pode ser uma comunicação direta ou indireta; unidirecional ou multidirecional; redigida em papel próprio [timbrado], afixado em local público ou publicado através da imprensa. O aviso é usado na correspondência particular, oficial e empresarial. Contém este livro 100 (cem) folhas numeradas de 1 (um) a 100 (cem), por mim rubricadas, e se destina ao registro de Atas da Reuniões da Diretoria da Sociedade..............................., com sede nesta capital, sito à..................................................................................... Cuiabá-MT ......./......................../............. ...................................... Assinatura Contém este livro 100 (cem) folhas numeradas de 1 (um) a 100 (cem), rubricadas pelo Presidente.................................. que se destinaram ao registro de Atas das Reuniões da Diretoria da Sociedade......................................................... Conforme se lê no Termo de Abertura. Cuiabá-MT......./......................../............. ...................................... Assinatura ATESTADO Atesto, a pedido da parte interessada, que João dos Santos, no presente momento goza de sanidade física e mental. Cuiabá-MT 14 de agosto de 2012 ______________________ Dr. Fulano de Tal CRM 00.000.00 ATESTADO Para os fins de direito, atestamos que Paulo Oliveira foi aluno deste estabelecimento de ensino, nos anos de 1997 e 1998, não tendo praticado nenhum ato desabonatório à sua conduta. Cuiabá-MT 14 de agosto de 2012 ______________________ Fulano de Tal Diretor Instituição de Ensino Charles Babbage 12 Modelo: CARTA COMERCIAL Conceito: Carta comercial é a correspondência tradicionalmente utilizada pela indústria e comércio. Modelo de carta comercial moderna Sugestão para inícios e fechos de cartas comerciais - Inícios: a. Acusamos o recebimento de sua carta....... b. Cumpre cientificá-los de que ....................... c. Com a presente, vimos trazer ao conhecimento de V.Sª ............ D. Com referência ao assunto lamentamos comunicar................ e. Solicitamos a o especial obséquio de enviar- nos.................. - Fechos:a. Agradecendo a atenção que V.ªs dispensarão ao assunto firmamo-nos, Atentamente. b. Aguardando suas providências a respeito, subscrevemo- nos Atenciosamente. c. Com a consideração de sempre, firmamo-nos Atenciosamente. d. No aguardo de um pronunciamento a respeito, firmamo- nos Atentamente. e. Sem outro objetivo para o momento, firmamo-nos Atenciosamente. CIRCULAR Conceito: Circular é o meio de correspondência pelo qual alguém se dirige, ao mesmo tempo, a várias repartições ou pessoas. É, portanto, correspondência multidirecional. Na circular, não consta destinatário e o endereçamento vai no envelope. Observação: Modelo de Circular 6.1.3 Modelo de Memorando Circular Timbre AVISO DE LICITAÇÃO TOMADA DE PREÇOS Nº ...... / ...... Objeto: aquisição de equipamentos e componentes de informática. A COMISSÃO ESPECIAL DE LICITAÇÃO torna público aos licitantes e demais interessados que estará recebendo os envelopes com as propostas referentes ao objeto em epígrafe no dia ................... às ....... Informa, ainda, que cópia do Edital encontra-se à disposição na Seção de Compras, no 4º andar do Edifício Anexo do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Praça do Buriti. Informações adicionais poderão ser obtidas por meio dos telefones ................, ..................... e pelo fax ................... . Brasília (DF), ....... de ......................... de ............ NOME DO TITULAR Presidente da Comissão Especial de Licitação Timbre 06 de agosto de 2012 Fernando Barros & Cia. Ltda. Prezados Senhores: Seguiram pela VARIG, dez caixas dos medicamentos solicitados pelo Sr. Marcelo Silveira. Sua duplicata já foi encaminhada ao Departamento de Cobrança. Atentamente. Tiago Almeida Diretor Se um memorando, um ofício ou uma carta forem dirigidos multidirecionalmente, serão chamados de memorando-circular, oficio-circular e carta-circular. SECRETARIA DE FAZENDA TESOURO DO ESTADO Porto Alegre, 17 de dezembro de 1.998 Circular Geral nº 58 Prorroga o prazo para pagamento Da Taxa de Cooperação sobre bovinos. O Diretor Geral do Tesouro do Estado, no uso de suas atribuições, transmite as seguintes instruções: 1.0 – O prazo para pagamento da Taxa de Cooperação sobre Bovinos – TCB, fixado na Lei nº 4.948, de 28 de maio de 1998, fica prorrogado até 30 de dezembro de 1998, nos termos da Lei nº 7.034 de 10 de dezembro de 1998, publicada no Diário Oficial nesta mesma data. 2.0 Expirado o prazo estabelecido no item anterior, o pagamento será admitido com os acréscimos previstos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 6.537 de 27 de fevereiro de 1995, alterada pela Lei nº 7.027 de 25 de novembro de 1998. Fulano de Tal Diretor Geral Publicado no D.O. de 21/12/1998 Instituição de Ensino Charles Babbage 13 PARECER Conceito: Parecer é a análise de um caso e faz parte de um processo para o qual aponta uma solução favorável ou desfavorável, justificando a mesma através de dispositivos legais e informações. O parecer difere da informação, porque, enquanto o primeiro interpreta fatos, a segunda apenas informa. O parecer, dependendo do assunto, pode ser técnico, administrativo ou científico. Estrutura: a) timbre b) nº do parecer e ano c) assunto d) contexto (exposição e apreciação da matéria) e) conclusão: parecer do relator e da comissão (quando houver) f) data e assinatura Modelo: REQUERIMENTO 8.1.1 Conceito: Requerimento é um documento específico de solicitação e, através dele, a pessoa física ou jurídica requer algo a que tem direito (ou pressupõe tê-lo), concedido por lei, decreto, ato, decisão, etc. 8.1.2 Estrutura: a)Invocação: os termos devem ser escritos por extenso; b)Texto: inicia-se pelo nome do requerente, sua qualificação (ou representação, se for pessoa jurídica), exposição do ato legal em que se baseia o requerimento e o objeto desse mesmo requerimento. c)Fecho: em que entram as expressões ou seguidas da data e assinatura do requerente ou representante. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL M.F. – S.R.R.F. / 10ª R.F Memº.Circular 04/98 Porto Alegre, 03 de outubro de 1998 Do: Chefe da Divisão de Arrecadação Ao: ............................................... Assunto: Índices de correção monetárias 4cm ou 4 espaços duplos Anexos ao presente, remeto à V, Sa. Três exemplares dos índices da correção monetária para o 4º bimestre deste exercício, solicitando sejam os mesmos distribuídos aos estabelecimentos dessa organização em nosso Estado. Atenciosamente. INSTITUTO NACIONAL DE PREVIDENCIA SOCIAL PARECER Nº 72/98 Assunto: Al. Nº 00001 de 15/03/98. Claudio Rodrigues 1 – Claudio Rodrigues, a quem foi atribuída, neste Instituto, a inscrição 00.000.000000, foi autuado por infração do art. 79, inciso II da Lei nº 0.000 de ___/_____________/______. 2 – O autuado contestou (protocolo nº Y de 01/03/75; fls. 1 a 2) sua qualificação de filiado ao INSS, porquanto exerce a atividade de motorista. Junta, para comprovar suas alegações, certidão negativa emitida pela Exatoria de Renda Estadual, atestado de filiação ao sindicato de classe e certidão negativa expedida pela Delegacia Fiscal do Ministério da Fazenda. 3- A documentação apresentada pareceu suficiente ao Sr. Chefe da ............................. (fl.2), para se pronunciar pelo cancelamento da inscrição no INPS e anulação do auto de Infração. 4. A fiscalização confirmou integralmente o alegado (fl.2 verso). 5. A seção competente (fl.2 verso) cancelou a inscrição. 6. O presente processo deverá ser submetido à apreciação gerencia. 7. à consideração do Sr. Chefe da Seção de Infrações. Brasilia, 05 de junho de 1.998 Fulano de Tal MS/nz Nesses Termos Pede Deferimento N. Termos P. Deferimento Acesse WWW.uniorka.com.br- Portal do aluno, veja os vídeos disponíveis sobre este conteúdo. Bom estudo! http://www.uniorka.com.br-/ Instituição de Ensino Charles Babbage 14 Relações Humanas e Éticas O termo relações humanas tem sido muito empregado para se referir a relações interpessoais. Esse relacionamento pode ocorrer entre - uma pessoa e outra - entre membros de um grupo - entre grupos numa organização. Podemos ainda nos relacionar conosco mesmo que chamamos de relacionamento intrapessoal. Sabe - se que um funcionário eficiente tem de ser capaz além de lidar com problemas específicos da área de trabalho, ser capaz também de compreender e de lidar com pessoas. Muitas vezes discutimos o assunto mas o que verificamos na prática é que muitas pessoas não sabem lidar com pessoas e geralmente apresentam comportamentos como: a) não ouvem tão bem quanto falam; b) interrompem os outros quando falam; c) são agressivas; d) gostam de impor suas idéias; e) não compreendem as pessoas além do seu ângulo de visão. As relações humanas são importantes, pois através de estudos, psicólogos chegaram a conclusão que grande parte de qualquer trabalho é feito através do contato com outras pessoas seja ele individual ou em grupo. Um outro fato constatado é que as pessoas que tem mais habilidade em compreender os outros e traquejo no contato interpessoal são mais eficazes no relacionamento humano. A experiência tem comprovado que as pessoas podem aprender a aperfeiçoar a sua habilidade em compreender as pessoas e a si própria praticandoum bom relacionamento. A compreensão das pessoas é uma das aptidões mais importantes no relacionamento humano. Ela consiste em sentir o que os outros sentem e pensam. A essa aptidão chamamos de empatia. Perceba que empatia e diferente de simpatia, de antipatia ou de apatia. Simpatia você sente em relação ao outro, junto com ele. Se tenho simpatia por uma pessoa e ela está feliz fico feliz também. Na empatia compreendo como a pessoa se sente e sua maneira de agir em função desses sentimentos, mas não me envolvo com eles. Sou capaz de compreendê-la, mas não de sentir o que ela sente. Ao lidar com pessoas tenho de ter empatia e também outra aptidão que chamamos de flexibilidade de comportamento. Isto quer dizer que não podemos reagir da mesma forma com todas as pessoas. Para cada situação dada e cada pessoa, devemos conduzir de uma maneira. Podemos desenvolver estas aptidões de empatia e flexibilidade se tentarmos nos conhecer, compreender as pessoas e conviver em grupos. APTIDÕES E RELACIONAMENTO ―O homem é um ser contraditório e complexo e ainda é parte de uma totalidade social, ele nunca é produto e sim processo, nunca é dado mas um dar-se, é essencialmente um ser histórico. Conhecê-lo, portanto, implica em conhecer suas histórias e sua vida material.‖ Maria Lucia Martinelli À medida que vamos aos auto conhecendo e aos outros também, aprendemos que precisamos usar mais eficazmente a forma de nos comunicar pois isso facilita a relação interpessoal. Precisamos saber ouvir, dialogar, informar, avaliar, elogiar, repreender, etc. Todas as relações interpessoais envolvem comunicação e por isso devemos desenvolver a habilidade de ouvir e receber mensagens. Você já se questionou se sabe ouvir e receber as mensagens enviadas a você? Já percebeu que algumas vezes a pessoa está falando e você já está pensando no que vai responder ou apenas recebendo os sons das palavras ditas? Sendo assim você está filtrando a mensagem, ou seja, está ouvindo apenas o que quer ouvir. Da mesma forma que enviar uma mensagem a fim de que atinja seu interlocutor também não é uma tarefa fácil, pois precisamos escolher bem a mensagem, pensar na linguagem a ser usada, e coadunar com ela nossos sentimentos e idéias. Temos que ter cuidado ainda com os comportamentos não – verbais que não era nosso desejo transmitir, sentimento de desaprovação ou aborrecimento ou indiferença. Outro fato importante é a percepção que temos das pessoas, ou seja, a impressão que formamos ao observar as ações, gestos, movimentos, voz, o que a pessoa diz e como reage aos nossos comportamentos. Através da percepção que temos nos relacionamentos julgamos as pessoas, ou seja, as Instituição de Ensino Charles Babbage 15 experiências que temos com as pessoas e bem como a interação que temos com elas orientarão os nossos julgamentos. Se as nossas percepções e julgamentos forem corretos estabeleceremos uma eficaz comunicação e com isso uma boa relação interpessoal porem se ocorrer o contrário teremos nossos relacionamentos prejudicados. OS GRUPOS E AS RELAÇÕES HUMANAS Toda vez que se reúnem duas ou mais pessoas que mantém certa interdependência e certa unidade que pode ser reconhecida dizemos que há um grupo. Quando as pessoas dependem umas da outras chamamos de interdependência e quando reagimos diante dos comportamentos das pessoas chamamos de interação. Os elementos de um grupo atuam uns sobre os outros e juntos de uma forma quase uniforme. Porém várias pessoas juntas não formam um grupo. Há famílias que vivem juntas, mas não convivem juntas. Há funcionários que trabalham juntos numa seção, mas não formam um grupo. Pra se formar um grupo os elementos devem ter um objetivo comum. As características de um grupo podem ser verificadas quando os participantes se reúnem por uma razão comum, desenvolvendo papeis, normas, valores ou ainda elaborando normas que exercerão influencia sobre as pessoas e assim formando uma estrutura organizacional. A partir destas características cada grupo assume sua própria personalidade. Algumas pessoas reunidas transformam – se em grupo quando se verifica que cada individuo interage com os demais indivíduos do grupo. Assim a interação refere-se ás modificações de comportamento que se dão quando duas ou mais pessoas se encontram e entram em contato. Eles influem uns sobre os outros através da linguagem, símbolos, gestos, postura, etc. A interação leva ao desenvolvimento, manutenção, crescimento e coesão do grupo. Dentro de um grupo pode acontecer várias subdivisões, pois há hierarquias onde vão surgir lideres, liderados, bloqueadores, animadores... Porem esses papeis podem mudar de acordo com o desenvolvimento do grupo. Quando um grupo se estrutura, estabelecem-se normas , relações entre os membros e a liderança, padrões aprovados de conduta, recompensas e punições e sistema de comunicação. A estrutura passa a ser a origem das leis que governam o grupo. Vimos que o grupo à medida que cresce, as pessoas vão se ligando, se unindo através da comunicação. Isso produz a coesão. Esta sensação de pertencer ao grupo, de fazer parte dela, reforça os laços de camaradagem, amizade, lealdade para com os membros do grupo além de separar as pessoas de um grupo para outro. As pessoa passam a estabelecer diferenças para identificar o grupo (nomes, símbolos, linguagem própria,etc.) convertendo –o em um pequeno sistema social. Por isso a coesão é um fator importante, pois fortalece e unifica o grupo.A coesão tende a pressionar também as pessoas a conformar com a estrutura estabelecida e os que não se adequarem poderão sofrer sanções por parte do grupo como a exclusão, a denuncia aos superiores, não repasse de informações, as punições,etc. IMPORTANCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Nós podemos nos relacionar comas pessoas por vários motivos: profissionalmente, socialmente, por termos simpatia por ela,etc. Entretanto, o que importa neste momento é sermos capazes de avaliar qual o propósito pelo qual estamos buscando estabelecer um contato com outra pessoa. Isto é necessário por que irá impedir que o relacionamento humano que se estabelece naquele momento não seja ambivalente na sua interpretação. A tomada de consciência do propósito das relações humanas tem grande importância principalmente com relação aos relacionamentos profissionais. Se o profissional aprender a se relacionar profissionalmente de forma correta, muitos problemas futuros no local de trabalho poderão ser evitados. Se a pessoa souber identificar o real propósito do seu relacionamento com os colegas e seus clientes, ele estará dando um passo certo para o sucesso de seu trabalho. No ambiente de trabalho o que deve predominar são as condições para uma verdadeira harmonia entre o homem e o trabalho e vice-versa. A base concreta para um bom relacionamento é ter percepção dos nossos deveres e obrigações, e dos limites e regras que fazem a relação social ser harmônica. AS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS “SE TODOS FOSSEM IGUAIS A MIM, NÃO HAVERIA EU” Instituição de Ensino Charles Babbage 16 Cada um de nós é único no mundo. Mesmo sendo gêmeos idênticos na aparência, jamais encontraremos pessoas exatamente iguais a nós na maneira de pensar e agir. Na formação de nossa personalidade, daquilo que nos torna diferentes dos outros, influem, poderosamente, a hereditariedade e o meio. Pela hereditariedade recebemos dos pais, determinados caracteres, alguns comuns a todos, outros peculiares. Personalidade se constitui no conjunto dos processos psicológicos do individuo, que lhe permitem condutas próprias, que podem ser aprovadas ou não, conforme as condições impostas pelo meio ambientes. A personalidade é construída com base em aspectos inatos e adquirida.Inatos • Caracteres físicos – é a somatória de fatores como raça, sexo, cor, altura, etc... que diferenciam indivíduos ou grupos de indivíduos. • Temperamento – é a tendência herdada pelo individuo, que o faz reagir ao meio de maneira peculiar. • Inteligência – é capacidade do individuo para enfrentar certas situações ou executar certas tarefas. Adquiridos • Caráter – conjunto de ações, reações e maneiras habituais de uma pessoa proceder. É resultante da ação do meio ambiente sobre o temperamento. • Cultura - São os costumes, as tradições, padrões de vida, os modos de produção, os valores, e as instituições de um grupo social. Podemos constatar as diferenças individuais através dos seguintes pontos, que observáveis de diversas maneiras: Atitudes Aptidões Sociabilidade Inteligência Graus de maturidade Sexo, idade, valores, Constituição física, saúde Pontos de vista, temperamento Interesses, sensibilidade Aspirações. Não existem pessoas cujas características sejam sempre as mesmas. Isto é, imutáveis.Podemos apresentar, com o decorrer do tempo, bem como em diferentes situações, acentuadas variações, ou seja, as pessoas mudam, os comportamentos mudam. Lembre: o homem é dotado de ―livre arbítrio‖ e embora soframos a influência de dos fatores hereditários e do meio onde vivemos, podemos vencer condições e circunstâncias desfavoráveis. RELACIONAMENTO HUMANO NA EMPRESA Grande parte de nosso trabalho é feita por meio de contato com outras pessoas, quer como indivíduos ou como grupo. A produtividade e a satisfação do trabalhador tornam- se mais evidente no ambiente onde o trabalho é realizado em equipe. O trabalho em equipe pressupõe versatilidade na relação com as pessoas que possuem diferentes modos de pensar e agir. Conviver com outras pessoas nem sempre é fácil, porém mais difícil é trabalhar com pessoas estranhas que precisamos manter um contato quase diário. Se considerarmos que conviver com outras pessoas no local de trabalho é uma situação à qual não dá para fugir, e ainda, que passamos a maior parte de nosso tempo junto aos companheiros de trabalho, provavelmente até mais do que passamos com nossos familiares e amigos talvez seja fundamental pensar que quanto mais harmoniosa for esta convivência, mais prazeroso será o tempo gasto no trabalho e conseqüentemente nossa produtividade será maior. Obter essa harmonia no ambiente organizacional também não é tarefa fácil mas será possível se conhecermos melhor as pessoas com as quais trabalhamos. Sendo assim devemos: conhecer a empresa que trabalhamos procurando observar e respeitar as pessoas, seus comportamentos, sua forma de pensar, a hierarquia nela existente, seu regulamento interno, suas normas enfim sua cultura. Devemos conhecer o temperamento das pessoas que ocupam cargos de chefia e dos colegas de trabalho e enfim conhecer a si mesmo, o que se constitui tarefa difícil. Temos por hábitos enxergar somente o que temos de bom atribuindo falhas, defeitos aos outros. O questionamento sobre nossas qualidades e defeitos, por que agimos de determinada maneira deve sempre ser feito ao invés de se convencer que somente os outros erram. Os atritos e conflitos que observamos dentro das organizações muitas das vezes acontecem por causa de nossa personalidade ou da cultura. Muitas vezes agimos Instituição de Ensino Charles Babbage 17 preconceituosamente devido a influencia da cultura na qual fomos adquirindo. Temos que lembrar que a nossa percepção é parcial e a nossa verdade não é absoluta. A aquisição de uma postura madura em termos de relação e as possibilidades de desenvolver um perfil coerente está ligadas ao nível de maturidade que uma pessoa possui. Embora saibamos que a maturidade emocional é um processo vivenciado ao longo da vida, também sabemos que a reflexão sobre situações cotidianas é um ótimo instrumento para se favorecer, Não somente ao processo de maturidade emocional, mas também das estratégias capazes de maximizar o desempenho nas relações interpessoais. Saber se relacionar é uma arte que exige disciplina, treino e dedicação. Todas as pessoas que passam por nossa vida deixam marcas, significam algo. Este algo pode ser muito pequeno ou relevante dependendo do enfoque que damos a ele. Uma má atitude pode ser relevada ou não, depende apenas da forma como a olhamos. DINÂMICA DE GRUPO Kurt Lewin, psicólogo alemão, e reconhecido por todos no campo da Psicologia de Grupo foi um dos primeiros teóricos e experimentadores das leis dinâmicas que regem o comportamento dos indivíduos em grupo. Para este autor, todos os grupos devem ser compreendidos como totalidades dinâmicas que resultam das interações entre os membros. Estes grupos adotam formas de equilíbrio no seio de um campo de forças, tensões e pelo campo perceptivo dos indivíduos. Estas forças, tais como: movimento, ação, interação, reação, etc., é que constituem o aspecto dinâmico do grupo e, conseqüentemente, afetam a sua conduta. A Dinâmica de Grupo como disciplina moderna dentro do campo da Psicologia Social, estuda e analisa a conduta do grupo como um todo, as variações da conduta individual de seus membros, as reações entre os grupos ao formular leis e princípios, e ao introduzir técnicas que aumentem a eficácia dos grupos. No campo da Psicologia Social, o grupo pode ser definido como uma reunião de duas ou mais pessoas que compartilham normas, e cujos papeis sociais estão estritamente intervinculados. No campo da Dinâmica de Grupo, os grupos são classificados em primários e secundários. O grupo primário é composto por um número reduzido de pessoas que se relacionam "face a face", ligadas por laços emocionais com relações diretas, mantendo-se um processo de associação e cooperação íntima. Exemplo: grupo de amigos, grupo familiar, grupo de estudo e o próprio grupo de trabalho. O fato de um grupo ser pequeno, não significa sempre que é um grupo primário. Para que exista, é preciso que haja interação entre os participantes, no qual cada membro deverá perceber cada um como pessoas individuais. Nos grupos secundários as relações se mantêm mais frias, impessoais e formais. Estas se estabelecem através de comunicações indiretas, como é o caso das empresas, instituições, etc. O comportamento do grupo depende em grande parte do número de participantes. Este é um fator importante, no que diz respeito a produção e ao nível de desenvolvimento grupal. São Inúmeros os objetivos da dinâmica de grupo: a) ajudar o indivíduo a adquirir e desenvolver comportamentos mais funcionais que os utilizados até o momento; b) colaborar com o indivíduo no sentido de descentrá-lo de si mesmo e situá-lo em relação aos outros; c) levar o membro do grupo a se perceber honestamente, em uma autocrítica objetiva e construtiva, onde o indivíduo terá possibilidades de perceber e solucionar seus problemas; d) ajudar o indivíduo a perceber o seu crescimento como algo positivo, dando ênfase ao potencial de cada um; e) oferecer condições para que o indivíduo tenha noção do seu próprio valor; f) levar o membro do grupo a um nível de responsabilidade individual pelos seus atos; g) desenvolver no indivíduo tolerância consigo e com os outros; h) levar o indivíduo a respeitar a variedade de opiniões e atos que existem nas pessoas; i) levar o indivíduo a integração e ajustamento nos grupos em que participa para uma atuação cada vez mais satisfatória, e uma participação cada vez maior. A Motivação Humana A palavra motivação vem de motivo para ação e motivo vem do latim motivus que significa aquilo que se movimenta, que se move, faz andar. De modo geral, motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos,que dá origem a uma tendência, a um comportamento específico. Instituição de Ensino Charles Babbage 18 Ao estudarmos o ciclo motivacional, verificamos que toda pessoa tem um equilíbrio interno que de acordo com um estímulo ou incentivo faz surgir uma necessidade. Toda vez que surge uma necessidade esta rompe o estado de equilíbrio da pessoa, gerando uma descarga de tensão e um comportamento ou ação que por sua vez poderá gerar satisfação ou insatisfação. A insatisfação da necessidade poderá produzir um estado de frustração, transformadas num comportamento de agressão, insônia, resistência, moral baixo, etc. Se o comportamento ou ação for eficaz, a pessoa encontrará a satisfação da necessidade e, portanto, volta ao estado de equilíbrio anterior, à sua forma de ajustamento ao ambiente. Veja como acontece o ciclo motivacional no esquema abaixo. A preocupação com o tema motivação, no entanto, é algo recente e tem seu início na década de 70 quando uma parte considerável das pessoas que trabalhavam começou a se desencantar com a super especialização do trabalho e seu esvaziamento de significado traduzindo-se então para as organizações em altas taxas de absenteísmo e rotatividade. Desta forma algumas teorias motivacionais foram descritas para explicar de diversas formas sobre como se dá a motivação dos indivíduos buscando entender mais sobre o tema e na tentativa de auxiliar as organizações a garantir mais produtividade. A teoria motivacional de Abraham Maslow também conhecida como Hierarquia das Necessidades, postula que os seres humanos se motivam em uma escala dividida em cinco partes. Numa pirâmide dividida em dois grupos primeiro aparecem as necessidades primárias e depois as necessidades secundárias. As necessidades primárias que estão na base da pirâmide são as de satisfação das necessidades fisiológicas e das necessidades de segurança. Na parte de cima da pirâmide temos a satisfação das necessidades sociais, de estima e de realização pessoal. Segundo Chiavenato (1987), Maslow divide a pirâmide em duas partes por entender que se trata de importâncias diferentes entre elas. As necessidades fisiológicas se põe no nível mais baixo da pirâmide por se tratar das necessidades inatas, as mais elementares necessidades do indivíduo, como comer, dormir, beber, etc. São situações que exigem satisfação cíclica, momentânea. Estão ligadas à sobrevivência humana, são comportamentos que ao longo da vida vamos nos organizando para satisfazê-los como a hora do almoço, hora de dormir e assim por diante, diferente de quando no começo da vida, quando éramos bebês que tínhamos somente essas necessidades e não eram organizadas. São, portanto, necessidades relacionadas à existência do indivíduo, embora, todos tenham essas necessidades, cabe a cada indivíduo estabelecer seu grau de satisfação. As necessidades de segurança contribuem para formar a outra base da pirâmide, também inerente a todos os indivíduos. As pessoas buscam se proteger, a fuga de riscos do que não conhecem, escapar de situações que fogem de seu controle, até mesmo o medo de perder o emprego. Essas necessidades se suprem quando as necessidades anteriores já estão relativamente realizadas. Percebemos, então, que uma necessidade está diretamente ligada a outra de forma gradativa. As necessidades sociais fazem parte do segundo grupo. Elas estão ligadas às necessidades de relacionar-se, ou seja, tratam da vida social do indivíduo. Estão ligadas às suas necessidades de dar e receber afeto, que é de extrema Instituição de Ensino Charles Babbage 19 importância para a vida do sujeito, já que somos seres sociais. Quando tais necessidades não são satisfeitas o indivíduo se comporta de forma inadequada, respondendo ao meio de forma agressiva ou se isolando do resto das pessoas. Por conseqüência, essas necessidades só são supridas quando as demais anteriores estão relativamente sanadas, assim como as anteriores. As necessidades de estima contemplam a forma pelas quais as pessoas se vêem e se consideram, isto é, quando fazem uma auto-avaliação e se percebem de forma positiva ou negativa, mas para alcançar a satisfação buscam se ver de forma positiva e também que os outros as vejam da mesma forma. Tem como característica as necessidades de status, prestígio e boa aceitação social, como se necessitasse de credibilidade em seu meio social. Também ligada às demais necessidades por estar em uma das partes mais alta da pirâmide, a não satisfação dessas necessidades pode levar o indivíduo a desanimar ou a atividades compensatórias como, por exemplo, trocar de emprego, buscar algo que lhe traga satisfação em tal aspecto. As necessidades de auto-realização estão no topo da pirâmide, são as mais elevadas das necessidades humanas, que necessitam da realização das demais necessidades para que sejam alcançadas com sucesso. Estão ligadas às situações que levam o indivíduo a realizar seus próprios anseios, seu potencial, suas metas e objetivos, ou seja, enquanto as outras necessidades podem ser satisfeitas de forma externa, pelo ambiente, essas necessidades se satisfazem somente de forma interna, que não podem ser observadas ou mensuráveis por outros. Tais necessidades também possuem características já que dependem de atitudes individuais sem interferências externas. Estas podem ser insaciáveis, levando o mesmo ao vício pela realização de tais necessidades, quanto mais recompensas, maior o estímulo para buscar novas realizações. Diante das cinco necessidades colocadas por Maslow, constatamos que as necessidades primárias não são motivadoras, buscam atender uma necessidade imediata relacionada à sobrevivência do indivíduo. Assim que satisfeitas, deixam de ser motivadoras, no sentido de que o indivíduo tem estabelecido os meios de satisfazer as necessidades primárias e por serem sempre insatisfeitas, o indivíduo sempre necessitará delas para sobreviver. Todas as necessidades deixam de ser motivadoras a partir do momento que são alcançadas, levando o mesmo a buscar novas necessidades para sua satisfação e motivação. As necessidades mais elevadas são buscadas com mais afinco por serem mais difíceis de serem realizadas, sendo que cada indivíduo alcança de forma diferente tal estágio, as mesmas são predominantes em relação às necessidades mais baixas, mas se as necessidades primárias deixam de ser realizadas por muito tempo passam a ser predominantes. Maslow (1962) sugere que tais necessidades sejam adequadas nas organizações para que os indivíduos se sintam motivados nas mesmas, mas por conseqüência tal situação seria de certa forma inviável, pois para alinhar todas as necessidades seria praticamente impossível já que as necessidades são supridas de forma individual. O que cabe as organizações nesse aspecto é desenvolver programas que busquem alcançar de forma mais abrangente essas necessidades. Liderança ―É mais necessário estudar homens do que livros‖, disse um célebre escritor francês há cerca de 300 anos. Sendo assim foi sempre evidente como cientistas e pesquisadores se intrigam sobre tudo que diz respeito ao comportamento humano. E embora o termo liderança venha sendo usado apenas aproximadamente duzentos anos, na língua inglesa, Stogdill, (1974) acredita que ele tenha aparecido por volta do ano 1.300 da era cristã. Como afirma Feidler: ―A preocupação coma liderança é tão antiga como a história escrita. A Republica de Platão constitui um bom exemplo dessas preocupações inicias ao falar da adequada educação e treinamentos dos líderes políticos. Onde existia aristocracia hereditária, cada homem é potencialmente um líder e a sociedade tem que conseguir ainda identificar e treinar adequadamente aquele homem que será capaz de conduzir suas instituições‖(FEIDLER, 1967, p. 3 apud BRANDALIZE, ET AL)). A palavra liderar significa, em sua raiz, ―ir, viajar, guiar‖. Liderança tem, assim, um sentido de movimento. Os líderes ―vão primeiro‖; são pioneiros. Iniciam a busca de uma ordem. Aventuram-se em território inexplorado e nos guiam em rumo a lugares novos e desconhecidos. Diferentemente do que todos pensam manage (gerenciar) é uma palavra que significa ―mão‖. Em sua essência gerenciar significa ―manipular‖ as coisas, manter a ordem, organizar e controlar. A diferença básica entre gerenciamento e liderança pode ser percebida nas raízes etimológicas das Instituição de Ensino Charles Babbage 20 duas palavras - a diferença entre manipular as coisas e ir a lugares. O papel dos líderes é nos conduzir a lugares onde nunca estivemos antes. O estudo da liderança consiste em procurar saber como determinados homens e mulheres nos guiam através das extensões ameaçadoras de um território Não mapeado. Ao iniciar um estudo sobre liderança o ponto de partida sobre regras e práticas da liderança é a busca de novas oportunidades que os líderes empreendem. Os líderes em via de regra procuram modos de alterar um sistema ou criar algo que o complemente, buscando meios de encontrar processos novos e revolucionários. Sejam os líderes escolhidos para iniciar projetos, sejam eles os responsáveis pela criação desses projetos, eles irão sempre buscar a oportunidade de fazer coisas que nunca fizeram antes. Brandalize et al afirma em seu artigo O papel da liderança que ser líder não é uma herança genética, nem determinação do destino. É algo que se pode aprender, exercitar e aperfeiçoar pela prática. Trabalhando com valores, confiança e desafios, é possível criar oportunidades no contexto do desempenho cotidiano e fazer delas seu campo de treinamento. E, com a prática poder até transformar a liderança em um novo modelo de vida. A liderança é um fenômeno tipicamente social que ocorre exclusivamente em grupos sociais e nas organizações. Podemos definir liderança como influência interpessoal exercida numa dada situação e dirigida através do processo de comunicação humana para consecução de um ou mais objetivos específicos. Elementos que caracterizam a liderança são portanto quatro: a influência, a situação, o processo de comunicação, e os objetivos a alcançar. A liderança é uma tentativa, no âmbito da esfera interpessoal, dirigida por um processo de comunicação, para a consecução de alguma ou algumas metas. Essa definição indica que a liderança envolve o uso da influência e todas as relações interpessoais podem envolver liderança. Todas as relações dentro de uma organização envolvem líderes e liderados: as comissões, os grupos de trabalho, as relações entre linha e assessoria, supervisores e subordinados etc. outro elemento importante no conceito de liderança é a comunicação. A clareza e exatidão da comunicação afetam o comportamento e o desempenho dos liderados. A dificuldade de comunicar é uma deficiência que prejudica a liderança. O terceiro é a consecução de metas. O líder eficaz terá de lidar com indivíduos, grupos e metas. A eficácia do líder é geralmente considerada em termos de grau de realização de uma meta ou combinação de metas. Mas, por outro lado, os indivíduos podem considerar o líder como eficaz ou ineficaz, em termos de satisfação decorrente da experiência total do trabalho. De fato, a aceitação das diretrizes e comandos de um líder apóia-se muito nas expectativas dos liderados de que suas respostas favoráveis os levarão a bons resultados. Nesse caso, o líder serve ao grupo como um instrumento para ajudar alcançar objetivos. White e Lippitt os pioneiros sobre o estudo de liderança procurou verificar a influência causada por três diferentes estilos de liderança nos resultados de desempenho e no comportamento das pessoas. Os autores abordaram três estilos básicos de liderança: a autocrática, a liberal e a democrática. Liderança autocrática: o líder centraliza totalmente a autoridade e as decisões. Os subordinados não têm nenhuma liberdade de escolha. O líder autocrático é dominador, emite ordens e espera obediência cega dos subordinados. Os grupos submetidos à liderança autocrática apresentam maior volume de trabalho produzido, com evidentes sinais de tensão, frustração e agressividade. O líder é temido pelo grupo, que só trabalha quando ele está presente. A liderança autocrática enfatiza somente o líder. Segue anexo no final da disciplina: Anexo 01 Liderança liberal: o líder permite total liberdade para tomada de decisões individuais ou grupais, participando delas apenas quando solicitado pelo grupo. O comportamento do líder é evasivo e sem firmeza. Os grupos submetidos à liderança liberal não se saíram bem, nem quanto à qualidade do trabalho, com fortes sinais de individualismo, desagregação do grupo, insatisfação, agressividade e pouco respeito ao líder. O líder é ignorado pelo grupo. A liderança liberal enfatiza somente o grupo. Liderança democrática: o líder é extremamente comunicativo, encoraja a participação das pessoas e se preocupa igualmente com o trabalho e com o grupo. O líder atua como um facilitador para orientar o grupo, ajudando nas definições dos problemas e nas soluções, coordenando as atividades e sugerindo idéias. O grupo submetido à liderança democrática apresenta boa quantidade de trabalho e qualidade surpreendentemente melhor, acompanhados de Instituição de Ensino Charles Babbage 21 um clima de satisfação, integração grupal, responsabilidade e comprometimento das pessoas. Fonte: (CHIAVENATO, p. 213, 2000) Na prática, se utiliza os três estilos de liderança de acordo com a tarefa a ser executada, as pessoas e a situação. O desafio está em saber como aplicar cada estilo, com quem e em que circunstância e tarefas a serem desenvolvidas. Ética no Trabalho Tratar de um tema polêmico como a Ética, não é assunto dos mais fáceis, pois a mesma envolve muitos significados semelhantes e alguns de difícil distinção. Por outro lado, entendendo que se tratasse de algo fácil talvez não nos despertasse tanta vontade de estudar, pesquisar e discutir o assunto. Inicialmente é necessário ressaltar que os termos: Moral, Ética e Direito embora pareçam semelhantes possuem conceitos distintos, porém que se interrelacionam. Para entender mais facilmente os conceitos precisaremos talvez compará-los entre si na tentativa de esclarecer do que se trata cada um deles. Por Moral entende – se um conjunto de idéias, valores, crenças e costumes que são repassados pelos núcleos mais próximos do indivíduo como por exemplo a família, a escola, a Igreja, etc. e traz consigo algo mais restritivo,que conduzirá a comportamentos induzidos e percebidos como adequados. A Moral faz um percurso que vai do interior e se encaminha para o exterior, ou seja, vem de fora para dentro do indivíduo, pois é apropriado por este através do outro. Já por Ética, entende- se como algo mais amplo e que realiza um caminho inverso, ou seja, vem de dentro do indivíduo para fora e é neste sentido que podemos inferir que enquanto a Moral se refere a condutas, normas específicas que norteiam o nosso comportamento, a Ética nos ―presenteia‖ com a liberdade de escolhermos aquilo que julgamos ser mais correto para nós. Mas afinal como poderíamos então definir Ética? Seria ela passível de definição? Quando se fala em Ética a associamos à palavra ―liberdade‖, uma vez que tanto uma como a outra nos possibilita fazer escolhas e estas resultarão em conseqüências as quais teremos que arcar. Ao escolher, podemos dizer que somos ―presenteados‖, pois temos então a liberdade de fazer ou de escolher o que melhor nos convém. Mas uma dúvida nos acompanha, será possível, viávelou conveniente escolher aquilo que é melhor para mim sem levar em consideração o meu próximo? Será que o que eu escolho como mais adequado para mim o é também para o outro? Surge, neste momento, o Direito que se apresenta enquanto subproduto da Moral uma vez que impõe leis a serem acatadas restringindo às pessoas a possibilidade de escolha. Cabe esclarecer que a díade Moral – Direito ao impôr suas leis e regras de conduta submetem o individuo á Ética sugerindo ao mesmo a liberdade de acatar ou não tais leis e buscar (ou não) justificativas para as escolhas realizadas. Diante disto poderiam surgir questões importantes como por exemplo: como ser Ético sem ferir a Moral e o Direito? Como pode o indivíduo fazer suas escolhas baseando - se em seus próprios valores sem ferir o direito do outro? Como pode o indivíduo acatar as leis e normas da moral sendo que estas ferem seus valores próprios? Onde começa o meu direito e termina o direito do outro? No cotidiano, sempre se ouve as pessoas dizerem ―o meu direito termina onde começa o do outro‖, e então diante de tal afirmação se coloca a questão seguinte: mas se tenho a liberdade de escolher onde e quando possa começar e terminar o meu direito então posso dizer que o meu direito vai até onde eu quiser que vá? Segundo Sartre, apud Vasquez, 2002, o homem é liberdade, pois pode exercitá-la mostrando o que escolheu e sendo esta um valor supremo, então o que há de mais valioso é escolher e agir livremente. Mas se existem os outros eu só posso tomar a minha liberdade como fim se tomar a liberdade do outro também como fim. Ao escolher me comprometo enfim comigo mesmo e com o outro além de me comprometer com toda a humanidade. Desta forma podemos afirmar que o ser humano só se torna humano quando está dento desta relação, dentro da coletividade, precisa ser, junto com o outro. A vida é então um compromisso constante por isso, ainda segundo Sartre, ―estamos condenados a ser livres‖, pois posso escolher e até não escolher e mesmo não Instituição de Ensino Charles Babbage 22 escolhendo estaremos fazendo uma escolha: a de não escolher! Desta forma pode - se afirmar que ser humano é também ser capaz de dizer não. E quando se consegue dizer não sem se esconder atrás de justificativas é que conseguimos exercer a ética e conseqüentemente alcançamos a verdadeira liberdade. Etimologicamente, a palavra ética, vem de ethos, que até o século VI a.C. queria dizer ―morada do humano‖ algo que nos dá identidade, nos personifica. - Eu Quero ? - Eu devo? - Eu posso? Estas questões auxiliam na reflexão para além de si mesmo, a pautar as escolhas direcionando ao mundo exterior e livrando da cegueira do egoísmo. A ética, analogamente pode ser definida como a personalidade para a Psicologia, ou seja, não se pode dizer que um indivíduo não seja dotado de personalidade, pois estaria supondo que as pessoas nascessem com ou sem ela e sabe se que a mesma é construída a partir do relacionamento que se tem com sua família, sua sociedade dialeticamente e da mesma forma pode se dizer da Ética. O Assédio Moral Alguns autores já vêm discutindo ao longo do tempo o tema assédio moral, e alguns conceitos já formam formados sobre tal. José Roberto Heloani é um dos psicólogos brasileiros que mais escreve sobre o assunto, e em uma entrevista dada a Revista Psicologia Brasil em agosto de 2006 denomina assédio moral como: [...] um conjunto de condutas abusivas, que se expressam por palavras e gestos, e que têm por objetivo constranger a vítima. O assédio moral caracteriza-se pela intencionalidade, consiste na constante e deliberada desqualificação da vítima, seguida de sua conseqüente fragilização, com o intuito de neutralizá-la em termos de poder. Sem dúvida, trata-se de um processo disciplinador em que se procura anular a vontade daquele que, para o agressor, se apresenta como ameaça. (HELOANI, 2006, p.8) Zabala, 2003, trata o ―assédio psicológico no trabalho‖ ou ―psicoterror trabalhista‖, forma como o autor se refere ao tema, como uma verdadeira epidemia, pois desde que este começou a ser pesquisado em 1980 seu número só aumentou nos estudos realizados a cerca desta problemática. Zaballa, 2003, ressalta que é importante lembrarmos sempre que conflitos são inevitáveis, e não estamos falando de conflitos habituais, mas sim de um processo de graves prejuízos físicos e psíquicos, descartando assim os atritos habituais, as fricções, as tensões e até incidentes isolados próprios das organizações modernas. Segundo Soares, 2008, embora o assédio moral seja referido como uma das modalidades de violência comumente encontrada em nossas atuais interações sócios profissionais já se configurava um fenômeno existente muito antes de ser reconhecido. Figueiredo, 2006, traz o assédio como causador de doenças laborais, assim como doenças laborais podem ser causadoras do assédio , a vítima também se torna alvo de comentários maldosos diretos e indiretos e pode desenvolver uma infinidade de comportamentos que podem ser classificadas como doenças advindas do estresse, que vão desde de a área psicológica, como depressão e transtorno de ansiedade obsessiva generalizada, entre outras, até doenças psicossomáticas e dependência química por álcool e drogas. Há uma diferença comportamental entre assediados do sexo masculino e feminino. Os homens, quando humilhados, não expõem seus sentimentos e se isolam, sendo os pensamentos e as tentativas de suicídio manifestações que a violência moral pode levar. Guardando as emoções para si, os homens, com a identidade e a dignidade abaladas, são levados a ver tal situação como resultado de sua incapacidade. Sentem ódio, desejos de vingança ou depressão e todos esses sentimentos constroem um desejo suicida que às vezes se concretiza. (FIGUEIREDO, 2003,) Zaballa, 2003, cita cinco fases do assédio moral onde podemos visualizar como tal ocorre: 1) Fase dos Incidentes Críticos, onde a situação desencadeante do assédio psicológico é vista como um conflito,uma disputa, um desencontro, e esta fase costuma durar pouco e não constitui propriamente assédio psicológico. 2) Fase de Assédio e Estigmatização ocorre quando o assédio se desenvolve mediante comportamentos repetidos, tem o intuito de estigmatizar a vítima, marcado-a como tal diante dos demais trabalhadores, com intensidade perversa ou constituem um processo de intenção que consiste em servir-se do outro para prejudicá-lo, castigá-lo, miná-lo psicologicamente, utilizando um tipo de manipulação agressiva. Instituição de Ensino Charles Babbage 23 3) Fase da Intervenção da Direção (responsáveis hierárquicos), onde ocorre a intervenção da direção na problemática, no caso devido ao processo anterior de estigmatização da vítima, é habitual considerá-la responsável, e não quem a persegue, nesta fase a tendência natural é dar rapidamente um fim ao problema (normalmente a pessoa assediada). 4) Fase de solicitação de ajuda especializada de psicólogos externa e diagnóstico incorreto, nesta fase a pessoa assediada busca ajuda em psicólogos e psiquiatras e tem muitas possibilidades de receber diagnósticos incorretos, pois estes quando recebidos em consultórios se tratam de diagnóstico baseado em suas características pessoais, com o que seu sofrimento se vê maior e quando a pessoa se sente responsável por seu próprio assédio psicológico. Estes diagnósticos são tidos como incorretos na medida em que esquecem os aspectos das situações que os estão causando e que têm sua origem em uma agressão externa, continuada e mantida, e não na fragilidade constitutiva da vítima. 5) Saída da organização, fase onde está tudo pronto para que a vítima seja varrida do mapa, depois de toda movimentação a vítima acaba por pedirdemissão ou é demitida do trabalho, se a vítima pertencer a uma instituição pública costuma pedir transferência que não a beneficia, ou então solicita exoneração voluntariamente. É interessante ressaltar que estas fases nem sempre chegam até a quinta e acontecem na ordem que o autor coloca, variando de acordo com o assediado e assediado. Segundo Dolores & Ferreira 2004 o assédio moral pode ocorrer de forma descendente, horizontal ou ascendente. A forma descendente acontece quando o assédio moral emana da hierarquia, e é a forma mais comum do assédio. Quando o assédio é desenvolvido entre os colegas de trabalho este é chamado de horizontal ou simétrico e geralmente ocorre quando há disputa de cargos ou promoções. Segundo Heloani, 2006, o assédio moral de forma horizontal se torna mais presente quando as relações de trabalho ficam mais competitivas. Em algumas situações o profissional se faz obrigado a exercer inúmeras funções, é polivalente e vive essa competição, a idéia da possibilidade de se encontrar mão-de-obra de qualidade e a qualquer hora virou um convite para prática. Por último o assédio moral ascendente ocorre quando o superior hierárquico é assediado por um ou mais subordinados, esta situação não é vista com freqüência, mas ocorre. (Dolores & Ferreira, 2004) A Saúde Mental do Trabalhador Para Codo, Sampaio e Hitomi, 1995, a organização do trabalho exerce, sobre o homem, uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em certas condições, emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual, portadora de projetos, de esperanças e de desejos, e uma organização do trabalho que os ignora. Esse sofrimento, de natureza mental, começa quando o homem, no trabalho, já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no sentido de torná-la mais conforme as suas necessidades fisiológicas e a seus desejos psicológicos, isto é, quando a relação homem- trabalho é bloqueada. Saúde e doença não são fenômenos isolados que possam ser definidos em si mesmos, pois estão profundamente vinculados ao contexto socioeconômico- cultural, tanto em suas produções como na percepção do saber que investiga e propõe soluções. Todas as concepções de doença pressupõem uma norma objetiva que permita determinar um modelo referencial. Isto fica superlativamente evidente quando a questão é doença mental. Segundo Codo, Sampaio e Hitomi (1995), do choque entre um indivíduo, dotado de uma história personalizada e a organização do trabalho, portadora de uma injunção despersonalizaste, emergem uma vivência e um sofrimento que determinarão a saúde na organização e seu funcionamento. E o sofrimento do indivíduo traz conseqüências sobre o seu estado de saúde e igualmente sobre o seu desempenho, pois existem alterações e/ou disfunções pessoais e organizacionais. Esse sofrimento advém de sentimentos gerados por diversos aspectos e que atingem a organização em todo o seu contexto. Os sentimentos como geradores de disfunções são inúmeros e, entre eles estão: • sentimento de indignidade: • sentimento de inutilidade:; • sentimento de desqualificação: ESTRESSE Segundo Silva, 2000 o conceito de estresse foi primeiramente descrito por Selye, em 1936 (Helman, 1994; Instituição de Ensino Charles Babbage 24 Gasparini & Rodrigues, 1992). Selye (1959) definiu estresse como sendo, essencialmente, o grau de desgaste total causado pela vida. Não há um consenso sobre o termo estresse. Alguns autores entendem que representa uma adaptação inadequada à mudança imposta pela situação externa, uma tentativa frustrada de lidar com os problemas, mas estresse também pode ser definido como um referente, tanto para descrever uma situação de muita tensão quanto para definir a tensão a tal situação. Em uma visão biopsicossocial, autores afirmam que o estresse constitui-se de uma relação particular entre pessoa, seu ambiente e as circunstâncias as quais está submetida, que é avaliada como uma ameaça ou algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem estar. Cabe salientar, no entanto, que o estresse por si só não é suficiente para desencadear uma enfermidade orgânica ou para provocar uma disfunção significativa na vida da pessoa. Para que isso ocorra é necessário que outras condições sejam satisfeitas, tais como a vulnerabilidade orgânica ou uma forma inadequada de avaliar e enfrentar a situação estressante. Ao se tratar de estresse ocupacional, estes mesmos autores, consideram-no como aquelas situações em que o indivíduo percebe seu ambiente de trabalho como ameaçador, quando suas necessidades de realização pessoal e profissional, e/ou sua saúde física ou mental, prejudicam a interação desta com o trabalho e este ambiente tenha demandas excessivas a ela, ou que ela não contenha recursos adequados para enfrentar tais situações. O estresse ocupacional é decorrente das tensões associadas ao trabalho e à vida profissional. Os agentes estressantes ligados ao trabalho têm origens diversas: condições externas (economia política) e exigências culturais (cobrança social e familiar). No entanto, teóricos salientam que a mais importante fonte de tensão é a condição interior. Há vários estressores do ambiente físico: ruído, iluminação, temperatura, higiene, intoxicação, clima, e disposição do espaço físico para o trabalho (ergonomia); e como principais demandas estressantes: trabalho por turnos, trabalho noturno, sobrecarga de trabalho, exposição a riscos e perigos. Assim, o trabalho, além de possibilitar crescimento, transformações, reconhecimento e independência pessoal e profissional também causa problemas de insatisfação, desinteresse, apatia e irritação. Nem sempre o estresse é prejudicial, no entanto, o estresse prolongado é uma das causas do esgotamento, que pode levar ao Burnout , ou seja, o estresse pode ou não levar a um desgaste geral do organismo dependendo da sua intensidade, duração, vulnerabilidade do indivíduo e habilidade em administrá-lo. Para Codo, Sampaio e Hitomi (1995), saúde e doença não são fenômenos isolados que possam ser definidos em si mesmos, mas estão vinculados ao contexto sócio-econômico-cultural, tanto em suas produções como na percepção do saber que investiga e propõe soluções. Neste sentido autores afirmam que o estresse é um estado intermediário entre saúde e doença, um estado durante o qual o corpo luta contra o agente causador da doença. Quando se confronta com um agressor (estressor) o corpo reage. Essa reação tem três estágios: - alarme, - resistência e - exaustão. A fase de Alarme consiste em uma fase muito rápida de orientação e identificação do perigo, preparando o corpo para a reação propriamente dita, ou seja, a fase de resistência. A fase de Resistência é uma fase que pode durar anos. É a maneira pela qual o corpo se adapta à nova situação. A fase de Exaustão consiste em uma extinção da resistência, seja pelo desaparecimento do estressor, o agressor, seja pelo cansaço dos mecanismos de resistência. Então, é neste caso que o resultado será o da doença ou mesmo um colapso. As desordens psicológicas no trabalho constituem uma das dez freqüentes categorias de ―doença‖ ocupacional. Diversos trabalhos têm evidenciado uma diversidade de variáveis organizacionais, que contribuem para situações provocadoras de reações psicológicas e psicossomáticas. O estresse apresenta um alto custo para as empresas pois refletem diretamente na produtividade através de faltas, horas de trabalho perdidas, desperdício de material de trabalho e custos elevados em assistência médica e, além disso, pode prejudicar a imagem da empresa. Assim, o interesse atual pelos efeitos e conseqüências do estresse nos contextos de trabalhoresponde a várias razões, mas principalmente aos custos econômicos derivados, tanto para os indivíduos como para as organizações. Instituição de Ensino Charles Babbage 25 A relação do homem com a organização do trabalho é origem da carga psíquica do trabalho. Quando o rearranjo da organização do trabalho não é mais possível, quando a relação do trabalhador com a organização é bloqueada, o sofrimento começa. Teoria das Relações Humanas A Teoria das Relações Humanas (ou Escola Humanística da Administração) surgiu nos Estados Unidos, como conseqüência das conclusões da Experiência de Hawthorne, desenvolvida por Elton Mayo e colaboradores. Foi um movimento de reação e oposição à Teoria Clássica da Administração. As críticas à Abordagem Clássica A Teoria Clássica pretendera desenvolver uma nova filosofia empresarial, uma civilização industrial, na qual a tecnologia e o método de trabalho constituem as preocupações básicas do administrador. Todavia, apesar da hegemonia da Teoria Clássica e do fato de não ter sido questionada por nenhuma outra teoria administrativa durante as quatro primeiras décadas do século XX, seus princípios nem sempre foram pacificamente aceitos. Em um país democrático, como os Estados Unidos, os trabalhadores e sindicatos passaram a visualizar e interpretar a Administração Científica como um meio sofisticado de exploração de empregados a favor dos interesses patronais. A Pesquisa de Hoxie1 foi um alerta à autocracia do sistema de Taylor. Verificou-se que a Administração se baseava em princípios inadequados ao estilo democrático de vida americano. Assim, a Teoria das Relações Humanas nasceu da necessidade de corrigir a tendência à desumanização do trabalho com a aplicação de métodos científicos e precisos. As Origens da Teoria das Relações Humanas A Teoria das Relações Humanas tem suas origens nos seguintes fatos: 1. A necessidade de humanizar e democratizar a Administração, libertando-a dos conceitos rígidos e mecanicistas da Teoria Clássica e adequando-a aos novos padrões de vida do povo americano. Nesse sentido, a Teoria das Relações Humanas se revelou um movimento tipicamente americano e voltado para a democratização dos conceitos administrativos. 2. O desenvolvimento das ciências humanas, principalmente a psicologia, bem como sua crescente influência intelectual e suas primeiras aplicações à organização industrial. As ciências humanas vieram demonstrar a inadequação dos princípios da Teoria Clássica. 3. As idéias da filosofia pragmática de John Dewey e da Psicologia Dinâmica de Kurt Lewiri foram fundamentais para o humanismo na Administração. Elton Mayo é o fundador da escola. Dewey e Lewin também contribuíram para sua concepção? A sociologia de Pareto foi fundamental. 4. As conclusões da Experiência de Hawthorne, realizada entre 1927 e 1932, sob a coordenação de Elton Mayo, que puseram em xeque os principais postulados da Teoria Clássica da Administração. . *Kurt Lewin, o fundador da Psicologia Social. Foi professor das Universidades de Cornell e de Iowa. Em 1944, tornou-se o Diretor do Centro de Pesquisas para Dinâmica de Grupo de Massachusetts Institute of Technology (MIT). A Experiência de Hawthorne Em 1924, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos fez uma pesquisa para verificar a correlação entre produtividade e iluminação do local de trabalho, dentro dos pressupostos da Administração Científica. Pouco antes, Mayo conduzira uma pesquisa em uma indústria têxtil com elevadíssima rotatividade de pessoal ao redor de 250% ao ano e que havia tentado inutilmente vários esquemas de incentivos salariais. Mayo introduziu um intervalo de descanso, delegou aos operários a decisão sobre horários de produção e contratou uma enfermeira. Em pouco tempo, emergiu um espírito de grupo, a produção aumentou e a rotatividade do pessoal diminuiu. Em 1927, o Conselho Nacional de Pesquisas iniciou uma experiência na fábrica de Hawthorne da Western Electric Company, situada em Chicago, para avaliar a correlação entre iluminação e eficiência dos operários, medida por meio da produção. A experiência foi coordenada por Elton Mayo,6 e estendeu-se à fadiga, aos acidentes no trabalho, à rotatividade do pessoal (turnover) e ao efeito das condições de trabalho sobre a produtividade do pessoal. Acesse WWW.uniorka.com.br- Portal do aluno e teste os teus conhecimentos! http://www.uniorka.com.br-/ Instituição de Ensino Charles Babbage 26 Os pesquisadores verificaram que os resultados da experiência eram prejudicados por variáveis de natureza psicológica. Tentou eliminar ou neutralizar o fator psicológico, então estranho e impertinente, o que fez a experiência se prolongar até 1932. O contexto da experiência de Hawthorne A literatura a respeito da Experiência de Hawthorne é volumosa. A Western Electric fabrica equipamentos e componentes telefônicos. Na época, desenvolvia uma política de pessoal que valorizava o bem-estar dos operários, mantendo salários satisfatórios e boas condições de trabalho. Na fábrica de Hawthorne havia um departamento de montagem de relês de telefone constituído de moças (montadoras) que executavam tarefas simples e repetitivas que dependiam de sua rapidez. A empresa não estava interessada em aumentar a produção, mas em conhecer melhor seus empregados. Primeira fase da experiência de Hawthorne Na primeira fase da experiência foram escolhidos dois grupos de operários que faziam o mesmo trabalho e em condições idênticas: um grupo de observação trabalhava sob intensidade de luz variável, enquanto o grupo de controle tinha intensidade constante. Pretendia-se conhecer o efeito da iluminação sobre o rendimento dos operários. Os observadores não encontraram correlação direta entre ambas as variáveis, mas verificaram, desapontados, a existência de uma variável difícil de ser isolada, denominada fator psicológico: os operários reagiam à experiência de acordo com suas suposições pessoais, ou seja, eles se julgavam na obrigação de produzir mais quando a intensidade de iluminação aumentava e, o contrário, quando diminuía. Comprovou-se a preponderância do fator psicológico sobre o fator fisiológico: a eficiência dos operários é afetada por condições psicológicas. Reconhecendo o fator psicológico apenas quanto à sua influência negativa, os pesquisadores pretenderam isolá-lo ou eliminá-lo da experiência, por considerá-lo inoportuno. Segunda fase da experiência da Hawthorne A segunda fase da experiência começou em 1927. Foi criado um grupo de observação (ou grupo experimental): cinco moças montavam os relês, enquanto uma sexta operária fornecia as peças para abastecer o trabalho. A sala de provas era separada do departamento (onde estava o grupo de controle) por uma divisão de madeira. O equipamento de trabalho era idêntico ao utilizado no departamento, apenas incluindo um plano inclinado com um contador de peças que marcava a produção em fita perfurada. A produção foi o índice de comparação entre o grupo experimental (sujeito a mudanças nas condições de trabalho) e o grupo de controle (trabalho em condições constantes). O grupo experimental tinha um supervisor, como no grupo de controle, além de um observador que permanecia na sala e observava o trabalho e assegurava o espírito de cooperação das moças. Elas foram convidadas para participar na pesquisa e esclarecidas quanto aos seus objetivos: determinar o efeito de certas mudanças nas condições de trabalho (períodos de descanso, lanches, redução no horário de trabalho etc). Eram informadas a respeito dos resultados e as modificações eram antes submetidas a sua aprovação. Insistia-se para que trabalhassem dentro do normal e que ficassem à vontade no trabalho. A pesquisa com o grupoexperimental foi dividida em 12 períodos, para observar sua produção. 1. Este período durou duas semanas. Foi estabelecida a capacidade produtiva em condições normais de trabalho (2.400 unidades semanais por força) que passou a ser comparada com a dos demais períodos. 2. Este período durou cinco semanas. O grupo experimental foi isolado na sala de provas, mantendo-se as condições e o horário de trabalho normal e medindo-se o ritmo de produção. Serviu para verificar o efeito da mudança de local de trabalho. 3. Neste período modificou-se o sistema de pagamento. No grupo de controle havia o pagamento por tarefas em grupo. Os grupos eram numerosos - compostos por mais de cem moças -; as variações de produção de cada moça eram diluídas na produção e não se refletiam no salário individual. Separou-se o pagamento do grupo experimental e, como ele era pequeno, os esforços individuais repercutiam diretamente no salário. Esse período durou oito semanas. Verificou-se aumento de produção. 4. Este período marca o início da introdução de mudanças no trabalho: um intervalo de cinco minutos de descanso no período da manhã e outro igual no período da tarde. Verificou-se novo aumento de produção. Instituição de Ensino Charles Babbage 27 5. Neste período os intervalos de descanso foram aumentados para dez minutos cada, verificando-se novo aumento de produção. 6. Neste período introduziram-se três intervalos de cinco minutos na manhã e três à tarde. A produção não aumentou, havendo queixas das moças quanto à quebra do ritmo de trabalho. 7. Neste período voltou-se a dois intervalos de dez minutos, em cada período, servindo-se um lanche leve. A produção aumentou novamente. 8. Neste período foram mantidas as mesmas condições do período anterior, e o grupo experimental passou a trabalhar até às 16h30min e não até às 17 horas, como o grupo de controle. Houve acentuado aumento da produção. 9. Neste período o grupo experimental passou a trabalhar até as 16 horas. A produção permaneceu estacionaria. 10. Neste período o grupo experimental voltou a trabalhar até as 17 horas, como no 1-. A produção aumentou bastante. 11. Neste período estabeleceu-se a semana de cinco dias, com sábado livre. A produção diária do grupo experimental continuou a subir. 12. Neste período voltou-se às mesmas condições do 3º período, tirando-se todos os benefícios dados, com o assentimento das moças. Esse período, último e decisivo, durou 12 semanas. Inesperadamente, a produção atingiu um índice jamais alcançado anteriormente (3.000 unidades semanais por moça). As condições físicas de trabalho foram iguais nos 7º, I0º e 12º períodos. Contudo, a produção aumentou seguidamente de um período para o outro. No 11º período, um ano após o início da experiência, os pesquisadores perceberam que os resultados eram estranhos. Havia um fator psicológico que já havia aparecido na experiência anterior sobre iluminação. A experiência da sala de montagem de relês trouxe as seguintes conclusões: a) As moças gostavam de trabalhar na sala de provas porque era divertido e a supervisão branda (ao contrário da supervisão de controle rígido na sala de montagem) permitia trabalhar com liberdade e menor ansiedade; b) Havia um ambiente amistoso e sem pressões, no qual a conversa era permitida, o que aumentava a satisfação no trabalho; c) Não havia temor ao supervisor, pois esse funcionava como orientador; d) Houve um desenvolvimento social do grupo experimental. As moças faziam amizades entre si e tornaram-se uma equipe; e) O grupo desenvolveu objetivos comuns, como o de aumentar o ritmo de produção, embora fosse solicitado a trabalhar normalmente. Terceira fase da experiência de Hawthorne Preocupados com a diferença de atitudes entre as moças do grupo experimental e as do grupo de controle, os pesquisadores se afastaram do objetivo inicial de verificar as condições físicas de trabalho e passaram a se fixar no estudo das relações humanas no trabalho. Verificaram que, no grupo de controle, as moças consideravam humilhante a supervisão vigilante e constrangedora. Apesar de sua política pessoal aberta, a empresa pouco ou nada sabia acerca dos fatores determinantes das atitudes das operárias em relação à supervisão, aos equipamentos de trabalho e à própria organização. Assim, em 1928, iniciou-se o Programa de entrevistas (Interviewing Program) com os empregados para conhecer suas atitudes e sentimentos, ouvir suas opiniões quanto ao trabalho e tratamento que recebiam, bem como ouvir sugestões a respeito do treinamento dos supervisores. O programa foi bem recebido entre operários e supervisores e os resultados se mostraram animadores. Em função disso, foi criada a Divisão de Pesquisas Industriais para ampliar o programa de entrevistas e entrevistar anualmente todos os empregados. Para uma empresa com mais de 40.000 empregados, o plano se revelou ambicioso. Entre 1928 e 1930 foram entrevistados cerca de 21.126 empregados.10 Em 1931, adotou-se a técnica da entrevista não-diretiva, que permitia que os operários falassem livremente, sem que o entrevistador desviasse o assunto ou tentasse impor um roteiro prévio. A organização informal O Programa de Entrevista revelou a existência da organização informal dos operários a fim de se protegerem contra o que percebiam como ameaças da Instituição de Ensino Charles Babbage 28 Administração. Essa organização informal manifesta-se por meio de: 11 a) Padrões de produção que os operários julgam ser a produção normal que deveriam ter e que não eram ultrapassados por nenhum deles; b) Práticas não-formalizadas de punição social que o grupo aplica aos operários que excedem os padrões e são considerados sabotadores; c) Expressões que fazem transparecer a insatisfação quanto aos resultados do sistema de pagamentos de incentivos por produção; d) Liderança informal de alguns operários que mantêm o grupo unido e asseguram o respeito pelas regras de conduta; e) Contentamentos e descontentamentos em relação às atitudes dos superiores a respeito do comportamento dos operários. Com a organização informal, os operários se mantêm unidos através de laços de lealdade. Quando o operário pretende também ser leal à empresa, essa lealdade dividida entre o grupo e a companhia traz conflito, tensão, inquietação e descontentamento. Para estudar esse fenômeno, os pesquisadores desenvolveram uma quarta fase da experiência. Quarta fase da experiência de Hawthorne Foi escolhido um grupo experimental para trabalhar em uma sala especial com condições de trabalho idênticas às do departamento. Um observador ficava dentro da sala e um entrevistador do lado de fora entrevistava o grupo. Essa experiência visava analisar a organização informal dos operários. O sistema de pagamento era baseado na produção do grupo, havendo um salário-hora com base em fatores e um salário mínimo horário, para o caso de interrupções na produção. Os salários só podiam ser maiores se a produção total aumentasse. Assim que se familiarizou com o grupo experimental, o observador pôde constatar que os operários dentro da sala usavam várias artimanhas - logo que os operários montavam o que julgavam ser a sua produção normal, reduziam seu ritmo de trabalho. Os operários passaram a apresentar certa uniformidade de sentimentos e solidariedade grupal. O grupo desenvolveu métodos para assegurar suas atitudes, considerando delator o membro que prejudicasse algum companheiro e pressionando os mais rápidos para "estabilizarem" sua produção por meio de punições simbólicas. Essa quarta fase permitiu o estudo das relações entre a organização informal dos empregados e a organização formal da fábrica. A Experiência de Hawthorne foi suspensa em 1932por motivos financeiros. Sua influência sobre a teoria administrativa foi fundamental, abalando os princípios básicos da Teoria Clássica então dominante. Conclusões da experiência de Hawthorne A Experiência de Hawthorne proporcionou o delineamento dos princípios básicos da Escola das relações Humanas. Suas conclusões são as seguintes: a) O nível de produção é resultante da integração social O nível de produção não é determinado pela capacidade física ou fisiológica do empregado (como afirmava a Teoria Clássica), mas por normas sociais e expectativas grupais. É a capacidade social do trabalhador que determina o seu nível de competência e eficiência e não sua capacidade de executar movimentos eficientes dentro do tempo estabelecido. Quanto maior a integração social no grupo de trabalho, tanto maior a disposição de produzir. Se o empregado apresentar excelentes condições físicas e fisiológicas para o trabalho e não estiver socialmente integrado, sua eficiência sofrerá a influência de seu desajuste social. b) Comportamento social dos empregados O comportamento do indivíduo se apóia totalmente no grupo. Os trabalhadores não agem ou reagem isoladamente como indivíduos, mas como membros de grupos. A qualquer desvio das normas grupais, o trabalhador sofre punições sociais ou morais dos colegas, no intuito de se ajustar aos padrões do grupo. Enquanto os padrões do grupo permanecer imutáveis, o indivíduo resistirá a mudanças para não se afastar deles. Abordagem social e não-individual Isso significa que a administração não pode tratar os empregados, um a um, como se fossem átomos isolados. Precisa sim tratá-los como membros de grupos e sujeitos às influências sociais desses grupos. Os trabalhadores não reagem à administração, a suas decisões, normas, recompensas e punições como indivíduos isolados, mas como membros de grupos sociais e cujas atitudes são influenciadas por códigos de conduta grupais. É a teoria do controle social sobre o comportamento individual. A amizade e o agrupamento social dos Instituição de Ensino Charles Babbage 29 trabalhadores devem ser considerados aspectos relevantes para a Administração. A Teoria das Relações Humanas contrapõe o comportamento social do empregado ao comportamento do tipo máquina proposto pela Teoria Clássica, baseado na concepção atomística do homem. c) Recompensas e sanções sociais O comportamento dos trabalhadores está condicionado a normas e padrões sociais. Os operários que produziram acima ou abaixo da norma socialmente determinada perderam o respeito e a consideração dos colegas. Os operários preferiram produzir menos - e ganhar menos - a pôr em risco suas relações amistosas com os colegas. Cada grupo social desenvolve crenças e expectativas em relação à Administração. Essas crenças e expectativas - sejam reais ou imaginárias - influem nas atitudes e nas normas e padrões de comportamento que o grupo define como aceitáveis. As pessoas são avaliadas pelo grupo em relação a essas normas e padrões de comportamento: são bons colegas se seu comportamento se ajusta a suas normas e padrões de comportamento ou são péssimos colegas se o comportamento se afasta delas. Conceito de homem social Os precursores da Administração Científica se baseavam no conceito do homo economicus - pelo qual o homem é motivado e incentivado por estímulos salariais - e elaboravam planos de incentivo salarial para elevar a eficiência e baixar os custos operacionais. Para a Teoria das Relações Humanas, a motivação econômica é secundária na determinação do rendimento do trabalhador. Para ela, as pessoas são motivadas pela necessidade de "reconhecimento", de "aprovação social" e "participação" nas atividades dos grupos sociais nos quais convivem. Daí o conceito de homem social. d) Grupos informais Enquanto os clássicos se preocupavam com aspectos formais da organização (como autoridade, responsabilidade, especialização, estudos de tempos e movimentos, princípios gerais de Administração, departamentalização etc), os autores humanistas se concentravam nos aspectos informais da organização (como grupos informais, comportamento social dos empregados, crenças, atitude e expectativa, motivação etc). A empresa passou a ser visualizada como uma organização social composta de grupos sociais informais, cuja estrutura nem sempre coincide com a organização formal da empresa, ou seja, com os propósitos definidos pela empresa. Os grupos informais constituem a organização humana da empresa, muitas vezes em contraposição à organização formal estabelecida pela direção. Os grupos informais definem suas regras de comportamento, formas de recompensas ou sanções sociais, objetivos, escala de valores sociais, crenças e expectativas que cada participante vai assimilando e integrando em suas atitudes e comportamento. e) Relações humanas No local de trabalho, as pessoas participam de grupos sociais dentro da organização e mantêm-se em uma constante interação social. Para explicar o comportamento humano nas organizações, a Teoria das Relações Humanas passou a estudar essa interação social. As relações humanas são as ações e as atitudes desenvolvidas a partir dos contatos entre pessoas e grupos. Cada pessoa possui uma personalidade própria e diferenciada que influi no comportamento e nas atitudes das outras com quem mantém contatos e é, por outro lado, igualmente influenciada pelas outras. As pessoas procuram ajustar-se às demais pessoas e grupos: querem ser compreendidas, aceitas e participar, no intuito de atender a seus interesses e aspirações pessoais. O comportamento humano é influenciado pelas atitudes e normas informais existentes nos grupos dos quais participa. É dentro da organização que surgem as oportunidades de relações humanas, devido ao grande número de grupos e interações resultantes. A compreensão das relações humanas permite ao administrador melhores resultados de seus subordinados e a criação de uma atmosfera na qual cada pessoa é encorajada a exprimir-se de forma livre e sadia. f) Importância do conteúdo do cargo A especialização não é a maneira mais eficiente de divisão do trabalho. Embora não tenham se preocupado com esse aspecto, Mayo e seus colaboradores verificaram que a especialização proposta pela Teoria Clássica não cria a organização mais eficiente. Observaram que os operários trocavam de posição para variar e evitar a monotonia, contrariando a política da empresa. Essas trocas provocavam efeitos negativos na produção, mas elevavam o moral do grupo. O conteúdo e a natureza do trabalho têm influência sobre o moral do trabalhador. Trabalhos simples e Instituição de Ensino Charles Babbage 30 repetitivos tornam-se monótonos e maçantes afetando negativamente a atitude do trabalhador e reduzindo a sua satisfação e eficiência. g) Ênfase nos aspectos emocionais Os elementos emocionais não planejados e irracionais do comportamento humano merecem atenção especial da Teoria das Relações Humanas. Daí a denominação de sociólogos da organização aos autores humanistas. EXERCÍCIO - As linhas de montagem da TLT A TLT é uma empresa que produz telefones-padrão e celulares. O modelo mais importante da empresa é o TLT- 5455, cuja produção é realizada através de quatro linhas de montagem. Cada linha envolve cerca de 28 operárias que trabalham em tarefas superespecializadas e fragmentadas. A matéria-prima segue pela linha de montagem enquanto cada operária ao longo dela acrescenta um parafuso ou peça e, na ponta final, sai o produto acabado: uma sucessão de acréscimos feitos pelas várias operárias. A linha 1 produz 480 telefones em média por dia, a linha 2 cerca de 460, a 3 alcança 510 e a linha 4 chega a 550. Marina Fortes, a gerente de produção do TLT-5455 acha queo ideal seria que todas as quatro linhas apresentassem uma média equivalente com pequeno desvio padrão. O que fazer? A Civilização Industrializada e o Homem A Teoria das Relações Humanas mostra o esmaga- mento do homem pelo impetuoso desenvolvimento da civilização industrializada. Elton Mayo, o fundador do movimento, dedicou três livros17 aos problemas humanos, sociais e políticos decorrentes da civilização baseada na industrialização e na tecnologia. Para onde vai a cooperação humana? Enquanto a eficiência material aumentou vigorosamente nos últimos 200 anos, a capacidade humana para o trabalho coletivo não manteve esse ritmo de desenvolvimento. Com base nos sociólogos Le Play e Durkheim, cujas observações nas comunidades mais simples demonstraram que o progresso industrial provocou um desgaste no sentimento espontâneo de cooperação, Mayo afirma que a cooperação não pode ser encontrada pelo simples retomo as formas tradicionais de organização. Deve haver uma nova concepção das relações humanas no trabalho. A colaboração na sociedade industrializada não pode ser entregue ao acaso, enquanto se cuida apenas dos aspectos materiais e tecnológicos do progresso humano. Os métodos de trabalho visam à eficiência e não à cooperação. A cooperação humana não é o resultado das determinações legais ou da lógica organizacional. Mayo defende os seguintes pontos de vista: 1. O trabalho é uma atividade tipicamente grupal. A conclusão é a de que o nível de produção é influenciado mais pelas normas do grupo do que pelos incentivos salariais e materiais de produção. A atitude do empregado diante do trabalho e a natureza do grupo social do qual ele participa são os fatores decisivos da produtividade. 2. O operário não reage como indivíduo isolado, mas como membro de um grupo social. As mudanças tecnológicas tendem a romper os laços informais de camaradagem e de amizade dentro do trabalho e a privar o operário do espírito gregário. 3. A tarefa básica da Administração é formar uma elite capaz de compreender e de comunicar, com chefes democráticos, persuasivos e simpáticos com todo o pessoal. Em vez de tentar fazer os empregados compreenderem a lógica da administração da empresa, a nova elite de administradores deve perceber as limitações dessa lógica e entender a lógica dos trabalhadores. Para Mayo, "já passamos do estágio de organização humana em que a comunicação e a colaboração eram asseguradas pelas rotinas estabelecidas. A sociedade civilizada alterou seus postulados" 4. Passamos de uma sociedade estável para uma sociedade adaptável, mas negligenciamos a habilidade social. Nossa capacidade de colaborar com os outros está se deteriorando. "Somos tecnicamente competentes como nenhuma outra idade na História o foi, e combinamos isso com uma total incompetência social." É necessária a formação de uma elite social capaz de recobrar a cooperação. 5. O ser humano é motivado pela necessidade de "estar junto", de "ser reconhecido", de receber adequada comunicação. Mayo se contrapõe à afirmação de Taylor de que a motivação básica do empregado era salarial (homo economicus), a fim de usufruir uma remuneração mais elevada. Para Mayo, a organização eficiente, por si só, não leva à maior produção, pois ela é incapaz de elevar a produtividade se as necessidades psicológicas do trabalhador não forem descobertas, localizadas e satisfeitas. Lodi explica as diferentes posições de Taylor e de Mayo, Instituição de Ensino Charles Babbage 31 pelo fato de o primeiro haver subido na empresa por meio de um trabalho árduo e dedicado, acreditando que todos os empregados eram movidos como ele, enquanto o segundo era um sociólogo, vivendo no meio universitário e penalizado com as condições dos operários de seu tempo e com a pouca possibilidade de satisfação de suas necessidades psicológicas e sociais. 6. A civilização industrializada traz como conseqüência a desintegração dos grupos primários da sociedade, como a família, os grupos informais e a religião, enquanto a fábrica surgirá como uma nova unidade social que proporcionará um novo lar, um local de compreensão e de segurança emocional para os indivíduos. Dentro dessa visão romântica, o operário encontrará na fábrica uma administração compreensiva e paternal, capaz de satisfazer suas necessidades psicológicas e sociais. Já que os métodos convergem para a eficiência e não para a cooperação humana - e muito menos para objetivos humanos - há um conflito social na sociedade industrial: a incompatibilidade entre os objetivos organizacionais da empresa e os objetivos individuais dos empregados. Ambos nunca se deram muito bem, principalmente quando a preocupação exclusiva com a eficiência sufoca o trabalhador. O conflito social deve ser evitado a todo custo por meio de uma administração humanizada que faça um tratamento preventivo e profilático. As relações humanas e a cooperação constituem a chave para evitar o conflito social. Mayo não vê possibilidade de solução construtiva e positiva do conflito social. Para ele, o conflito social é o germe da destruição da própria sociedade. "O conflito é uma chaga social, a cooperação é o bem-estar social. EXERCÍCIO - O ambiente interno da Lucen Lac Como empresária Celeste Aguiar Luz considera se uma mulher bem-sucedida. Sua empresa, a Lucen Lac, alcança excelentes resultados financeiros e elevada lucratividade. Contudo, Celeste nota que o ambiente interno de sua empresa é frio, inamistoso e negativo. O clima é pesado e agressivo. Quando passa por entre os funcionários, Celeste percebe que não é bem recebida. Afinal, qual é o problema? Funções básicas da organização industrial A Experiência de Hawthorne promoveu uma nova literatura e novos conceitos sobre a Administração. Roethlisberger e Dickson, dois relatores da pesquisa, concebem a fábrica como um sistema social. Para eles, a organização industrial tem duas funções principais: produzir bens ou serviços (função econômica que busca o equilíbrio externo) e distribuir satisfações entre seus participantes (função social que busca o equilíbrio interno da organização), antecipando-se às atuais preocupações com a responsabilidade social das organizações. A organização industrial deve buscar simultaneamente essas duas formas de equilíbrio. A organização da época - estritamente calcada na Teoria Clássica - somente se preocupava com o equilíbrio econômico e externo e não apresentava maturidade suficiente para obter a cooperação do pessoal, característica fundamental para o alcance do equilíbrio interno. A organização industrial é composta de uma organização técnica (prédios, máquinas, equipamentos, instalações, produtos ou serviços produzidos, matérias- primas etc.) e de uma organização humana (pessoas que constituem a organização social). A organização humana tem por base as pessoas. Cada pessoa avalia o ambiente onde vive e as circunstâncias que a cercam de acordo com sua vivência anterior e com as interações humanas de que participou durante toda a sua vida. A organização humana é mais do que a soma dos indivíduos, devido à interação social diária e constante. Todo evento dentro da fábrica torna-se objeto de um sistema de sentimentos, idéias, crenças e expectativas, que visualiza os fatos e os representa sob a forma de símbolos que distinguem o comportamento "bom" ou "mau" e o nível social "superior" e "inferior". Cada fato, atitude ou decisão se torna objeto de um sistema de sentimentos: de aprovação, rejeição, neutralidade ou resistência, os quais podem conduzir à cooperação ou à oposição ou confusão, dependendo da forma como são compreendidos e interpretados pelas pessoas. Instituição de Ensino Charles Babbage 32 Figura 1: As funções básicas da organização, segundo Roethlisbergere Dickson. A organização técnica e a organização humana - formal e informal - são subsistemas interligados e interdependentes. A modificação em um deles provoca modificações no outro. Os dois subsistemas permanecem em um estado de equilíbrio, no qual uma modificação em uma parte provoca reação da outra no sentido de restabelecer a condição anterior de equilíbrio preexistente. Lodi assinala a influência do conceito de equilíbrio social de Vilfredo Pareto nessa concepção. A colaboração humana é determinada mais pela organização informal do que pela organização formal. A colaboração é um fenômeno social, não lógico, baseado em códigos sociais, convenções, tradições, expectativas e modos de reagir às situações. Não é questão de lógica, mas de psicologia. Dentro desse espírito, a Teoria das Relações Humanas trouxe novas dimensões e variáveis para a TGA. As conclusões de Hawthorne somente tiveram um impacto decisivo e definitivo na teoria administrativa a partir da década de 1950, com o aparecimento da Teoria Comportamental, que veremos adiante. EXERCÍCIO - O moral baixo Marcelo Tupinambá é um gerente extremamente preocupado com a satisfação de seus funcionários. Nos últimos tempos, Marcelo tem notado forte angústia entre seus subordinados, relacionamento humano precário, agressividade solta e constantes queixas e reclamações que demonstram elevado grau de insatisfação no trabalho. A barra está pesada. O que fazer? Resumo 1. As origens da Teoria das Relações Humanas remontam à influência das idéias do pragmatismo e da iniciativa individual nos Estados Unidos, berço da democracia. Na prática, essa teoria surgiu com a Experiência de Hawthorne. 2. A Experiência de Hawthorne marca, ao longo de sua duração, o início de uma nova teoria calcada em valores humanísticos na Administração, deslocando a preocupação colocada na tarefa e na estrutura para a preocupação com as pessoas. 3. As conclusões da Experiência de Hawthorne incluíram novas variáveis no dicionário da Administração: a integração social e o comportamento social dos empregados, necessidades psicológicas e sociais e a atenção para novas formas de recompensas e sanções não-materiais, o estudo dos grupos informais e da chamada organização informal, o despertar para as relações humanas dentro das organizações, a ênfase nos aspectos emocionais e não- racionais do comportamento das pessoas e a importância do conteúdo do cargo para as pessoas que os realizam. 4. Dentro da abordagem humanística, os pesquisadores se deparam com a civilização industrializada que torna as empresas preocupadas exclusivamente com sua sobrevivência financeira e maior eficiência para o alcance de lucros. Assim, todos os métodos convergem para a eficiência e não para a cooperação humana e, muito menos, para objetivos humanos. Daí a necessidade de um tratamento profilático e preventivo do conflito industrial: o choque entre os objetivos das organizações e os objetivos individuais dos participantes. 5. Assim, torna-se indispensável conciliar e harmonizar as duas funções básicas da organização industrial: a função econômica (produzir bens ou serviços para garantir o equilíbrio externo) e a função social (distribuir satisfações entre os participantes para garantir o equilíbrio interno). O que e ética? Ética vem do grego Ethos: Significa ―modo de ser‖ Instituição de Ensino Charles Babbage 33 É de competência da ética definir o que é BEM, porém, não mostra como se chega á prática do bem, pois é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. A Ética não se preocupa com casos particulares ou individuais, mas normatiza as relações comportamentais do indivíduo no contexto da sociedade. A Ética tem uma função de legisladora do comportamento dos homens e da sociedade, oferecendo orientação moral e a defesa de princípios ou benefícios que atinjam todas as pessoas. Diferença entre ética e moral É de extrema importância saber diferencia a Ética da Moral. Isso porque, os conceitos de moral e ética, pela sua complexidade, estão sujeitos a distorções. Uma das distorções, muito comum atualmente, é considerar os dois conceitos como sendo sinônimos. Isso tende acontecer porque embora sejam diferentes em termos de significado ambos os conceitos se inter-relacionam como veremos a seguir. Para um profissional capacitado, distinguir tais conceitos, sabendo aplicá-los corretamente é fundamental. Vejamos então: A moral baseia-se em regras que fornecem certa previsão sobre os atos humanos. A moral estabelece regras que devem ser assumidas pelo homem, como uma maneira de garantia de seu bem viver. Ela garante uma identidade entre pessoas que podem até não se conhecer, mas utilizam uma mesma referência de Moral entre elas. A ética por sua vez é um estudo amplo do que é bom e do que é mau. O objetivo da ética é buscar justificativas para o cumprimento das regras propostas pela Moral. É diferente da Moral, pois não estabelece regras, mas faz uma reflexão sobre atos humanos e os elementos que sustentam ou destroem tais atos. Ser ético, portanto, é saber sobre os valores que sustentam nossos atos e agir de acordo com eles. Vale a pena ser ético! Prezar os bons valores virou exigência de mercado. Ser ético pode alavancar carreiras e garantir bons negócios. Você já foi colocado numa situação em que sua ética foi testada? Como você agiu? Fez o que achou mais correto ou foi influenciado? Se você optou pela saída que considera justa, saiba que o mercado da sinais de que vai valorizá-lo. Se na política, a ética é constantemente colocada na berlinda, no mundo do trabalho, ela é pré-requisito do profissional moderno. Mas, afinal, o que é atuar de maneira ética? Como vimos,atuar de maneira ética é saber sobre os valores que sustentam nossos atos e se nossas ações estão de acordo com tais valores. Portanto, você será ético toda vez que trabalhar numa instituição que reflita seus valores e que acredite nas mesmas coisas que você. Caso contrário, você estará contradizendo a ética, pois agirá CONTRA seus princípios. É importante salientar, no entanto, que a ética não é um processo individual, embora seja construída por cada um de nós. É um processo coletivo constituído por elementos que podem ser considerados universais. No âmbito do trabalho, alguns elementos éticos universais TEORIA CLÁSSICA TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS • Trata a organização como máquina. • Enfatiza as tarefas ou a tecnologia. • Inspirada em sistemas de engenharia. • Autoridade centralizada. • Linhas claras de autoridade. • Especialização e competência técnica. • Acentuada divisão do trabalho. • Confiança nas regras e nos regulamentos. • Clara separação entre linha e staff. • Trata a organização como grupos de • Enfatiza as pessoas. • Inspirada em sistemas de psicologia, • Delegação de autoridade. • Autonomia do empregado. • Confiança e abertura. • Ênfase nas • Confiança • Dinâmica Instituição de Ensino Charles Babbage 34 1. Honestidade: Deve figurar entre as virtudes de um indivíduo, independentemente da situação. A credibilidade só nasce de uma relação franca. 2. Coragem: O profissional ético assume as decisões que torna, mesmo que seja preciso ir contra a opinião da maioria. 3. Tolerância e flexibilidade: Um líder deve ouvir as pessoas e avaliar as situações sem preconceitos. Uma das 50 lições de liderança de Tom Peters ―lideres entendem o poder supremo dos relacionamentos‖. 4. Integridade: Ser íntegro, agir dentro dos seus princípios éticos, seja em momentos de instabilidade, seja na hora de apresentar ótimas soluções. 5. Humildade: Essa competência distingue o profissionalmoderno dos demais. Ele sabe reconhecer que o sucesso individual é o resultado de trabalho em equipe. Fazendo a diferença A melhor maneira de termos um futuro ético é nos prepararmos agora. É necessário coragem para colocar a ética em primeiro lugar. No dia-a-dia da empresa, nos diversos níveis hierárquicos, surgem inúmeros dilemas e questões éticas com diferentes graus de complexibilidade. A presença de padrões éticos, a existência de diretrizes claras, o estímulo à comunicação aberta e transparente, a prática do debate periódico dos problemas éticos são fatores que levam a organização a solucionar os dilemas e questões com maior segurança e competência. Sabemos que no atual contexto aumenta aceleradamente o nível de exigência quanto a responsabilidade social e também referente ao comportamento ético. A negligência notada nos aspectos mencionados pode custar ―caro‖, comprometendo sua credibilidade de forma irreversível. Na era da qualidade o valor da ética tem sido rediscutido como conseqüência natural da cidadania e do desenvolvimento da consciência critica, cabendo ao corpo administrativo iniciar e incentivar mudanças necessárias na empresa. O desafio agora é a construção de projetos de renovação que priorizem o desenvolvimento de uma cultura ética nas organizações. Você também vale pelo que não fez Faz parte da ideologia dos nossos tempos dizer que: •uma pessoa vale aquilo que ela faz. •Que você é você pelo conjunto de seus atos. •Que você é o seu projeto. É obvio que essa não é toda a verdade, mas apenas aquilo que queremos frisar dentro de uma realidade. Porque claro você vale também pela sua origem, pelas verdades em que acredita, pelo, lugar que ocupa, pelo que pensa, sente, fala, aprende, enfim, por tudo o que acontece com você e por tudo o que faz acontecer. E você vale também pelo que não faz. Muitas vezes, o que define uma pessoa é aquilo que ela não está disposta a fazer. Ética e o comportamento profissional Quanto ao comportamento O fator humano é o grande responsável pelo sucesso das organizações. Analisaremos a seguir algumas habilidades essenciais para qualquer profissional que venha atuar no mercado de trabalho nos dias de hoje. Além de um total comprometimento e dedicação dentro da empresa, a sua colaboração como profissional é fundamental para uma boa projeção no mercado. Você deve conhecer a empresa onde vai exercer sua profissão e saber de seus compromissos e atribuições. 1. Responsabilidade: Estar consciente de suas atividades, deveres e atribuições. Saber o que, como e quando fazer. 2. Discrição: Condicionar o comportamento, mostrando controle sobre as situações difíceis, ouvir sem replicar, deixar de dizer palavras que possam agravar mais uma situação, etc. 3. Organização: Atividade permanente e necessária em todas as situações. É necessário que saiba organizar-se mentalmente e priorizar sua rotina de trabalho com favores pessoais e para outros departamentos. Ter sempre á mão o “Ética não se coloca no currículo. Mas pode ser sua qualidade mais importante” David Cohen Instituição de Ensino Charles Babbage 35 material necessário ao desenvolvimento do trabalho: agenda guia telefônico, lápis, caneta, bloco de recados, etc. Solicitar sempre com antecedência a matéria que for preciso. Buscar sempre a eficiência, conhecer perfeitamente o organograma da empresa, as principais rotinas e atribuições como também, normas e procedimentos da mesma. 4. Maturidade emocional: É a capacidade de sentir e atuar sobre situações anormais sem perder o equilíbrio. A pessoa que se exalta age com agressividade e perde o controle não tem maturidade profissional. O profissional temperamental é um elemento de conflito no ambiente de trabalho. Mesmo desempenhando bem suas funções é um fator negativo, pois cria dificuldades, tensões e conflitos dentro da empresa. 5. Trabalho em equipe: Assumir atitude visando atingir os objetivos comuns de todo o grupo de trabalho. 6. Iniciativa: Procurar encontrar a melhor forma de desempenhar as atribuições, buscando sempre maior aperfeiçoamento. 7. Educação, cortesia e respeito: Dirigir-se sempre às pessoas dedicando toda a atenção, pois tal atitude poderá influenciar diretamente na imagem da empresa que você representa. 8. Facilidade e adaptação: Esforçar-se para seguir as normas e rotinas da empresa. 9. Entusiasmo: Não esperar condições favoráveis de realizar suas atividades para vencer os desafios do dia-a-dia com entusiasmo e motivação. ―Não é o sucesso que traz o entusiasmo e sim o entusiasmo que traz o sucesso‖. 10. Pontualidade e assiduidade: Chegar com alguns minutos de antecedência para organizar o local de trabalho, pois este reflete a imagem de quem atua nele. A sua vida particular deve estar também organizada de modo que não interfira na profissional. Desde as questões corriqueiras como roupas, sapatos, remédios, que serão utilizados no dia seguinte quanto emoções, dissabores, etc. 11. Segurança: Procurar transmitir segurança e conquistar a confiança das pessoas, certificar-se das informações que recebeu e o modo como as transmitira. 12. Facilidade de comunicação: A comunicação contribui para um bom desempenho na execução de tarefas, para a economia de tempo, e para o relacionamento interpessoal. 13. Vontade e disposição: Tratar as pessoas cordialmente ao assessorá-las. Dedicar-se às atividades a que você esta ligado, estando sempre pronto a reconsiderar e encontrar soluções. As empresas estão em busca do profissional que consegue passar a crença, o comprometimento, à energia e a paixão por aquilo que faz. A dedicação pelo trabalho, o respeito aos valores da empresa (que devem ser compatíveis com seus valores) e a capacidade de agregar valores nas relações interpessoais são fundamentais para que você consiga executar suas atividades profissionais com eficácia. Como já estudamos anteriormente, ética não se põe no currículo, mas, então, como pode um profissional beneficiar-se de sua ética? Em que ela poderá ajudá-lo nos dias de hoje? Como demonstrar a outras pessoas que sou ético? Questões como estas são levantadas a todo o momento por diversas pessoas, em diversos lugares e as respostas sempre convergirão para um mesmo ponto. O profissional que acredita em seu potencial e leva consigo parâmetros norteadores, demonstra através de suas atitudes boa parte dos princípios éticos em que acredita. Desta forma, a ética torna-se um diferencial competitivo e não fica apenas no campo do discurso e assim não precisa ser divulgada aos que o cercam. Ela deve ser praticada quer seja em grandes ações quer seja em pequenas ações. É a partir de sua ética que o individuo demonstra seus valores a ser respeitado e tem sua conduta admirada por seus colegas superiores. Importante mencionar que não existe um cargo ou critério onde se deva ter mais ética ou menos ética, ela deve ser praticada em qualquer função, cargo e por qualquer pessoa. Considerando que o ser humano é indivisível, suas ações em seu trabalho serão semelhantes as suas ações particulares, considerando que a conduta do individuo é a mesma em qualquer lugar que ele esteja quanto mais se praticar a ética, maiores serão os benefícios alcançados em todas as áreas de sua vida. Esta é uma característica que deve ser construída pelo profissional, e como toda construção, leva certo tempo. Portanto, não adianta ter pressa, é preciso ser paciente e Instituição de Ensino Charles Babbage 36 perseverante conquistando a cada dia mais pontos frente a estas questões. Sem duvidas esta é uma construção sólida e que se leva por todas as áreas, tanto profissional quanto pessoal que o individuo vem a trilhar. Sem dúvida,ser e praticar a ética fará muita diferença na vida de um profissional. Falando de valores Atualmente muito se tem discutido no meio empresarial acerca de valores e princípios. Esta discussão se faz necessária uma vez que uma empresa é formada principalmente, por pessoas e estas pessoas refletem seus valores. Cada pessoa traz consigo um conjunto de valores nos quais suas ações são pautadas e embasadas. Podemos dizer, nesta forma, que cada um de nós possui uma escala valorativa. Estes valores estarão presentes na empresa, pois se cada indivíduo traz consigo seus valores, o ambiente de trabalho receberá influência deles. A ética é uma disciplina altamente importante na vida de qualquer pessoa, independentemente do cargo ou posição social que ocupa, pois determina o comportamento do individuo. Isto faz a diferença especialmente, na tomada de decisões uma vez que o indivíduo irá recorrer a seu conjunto de valores para começar a agir. Quando falamos em ética, muitas coisas nos vêm à cabeça como, as ações de políticos, as ações de nossos vizinhos, as ações de nossos patrões, e de muitos outros. Porém, nossas ações nem sempre são examinadas neste momento. Interessante compreender como conseguimos medir muito bem as ações e atitudes das outras pessoas, mas temos certa dificuldade em medir nossas próprias ações e atitudes. Isto acontece justamente pelo motivo de darmos maior importância aos outros do que a nós mesmos. Se o foco de nosso julgamento fosse o inverso, partindo inicialmente de dentro para fora, ou seja, primeiro medíssemos nosso comportamento para depois julgarmos o comportamento dos outros, seriamos mais assertivos e conseqüentemente mais éticos. A ética não deve ser apenas uma palavra em nosso vocabulário, ela deve ser mais do que isto, deve ser o reflexo de nossas ações, o expressarem do nosso comportamento. Desta forma, a ética será uma marca registrada de cada individuo que imprimirá na sociedade valores e princípios mais adequados ao bem estar do homem em sociedade. Atualmente vivemos uma crise de ética, vemos a sociedade sendo transformada e juntamente com ela seus valores; então, se vivemos uma crise ética, logo vivemos também uma crise de valores. A família não imprime os conceitos que imprimia antes, a igreja não tem o mesmo peso de outrora, e algumas respostas ficam pendentes. Como reverter esse quadro? É possível recuperar estes conceitos na sociedade? A resposta é sim! Porém, é preciso que tenhamos consciência de que não será fácil e, principalmente, devemos assumir este compromisso. Seja qual for a dose, é importante o comprometimento de cada um com o resgate de valores e a busca para estabelecer novamente a ética, quer seja na vida pessoal, ou profissional. E para que serve tudo isto em uma empresa? Serve para nortear as ações desta empresa junto a seus clientes, fornecedores, funcionários, concorrentes, enfim, com todas as pessoas que ela venha a estabelecer contato. E para que serve isto em sua vida? Para alinhar suas ações e assim promover mudança ao seu redor, impulsionando transformações e melhorias. Perceba que o objetivo vai além do material, pois as relações entre pessoas não são apenas bens materiais, mas é o reflexo de seus valores, ou seja, da essência interior de cada um. O aprendizado dos Valores Valores são lições e princípios que começamos a receber desde que nascemos, e os carregamos por toda nossa vida. Algumas pessoas despertam em si um maior número de valores, outras um menor número, porém, todos nós temos valores. Os valores traduzem pensamentos e sentimentos, desta forma, se uma empresa é constituída também pelas pessoas que compõem seu quadro de funcionários, podemos dizer que esta empresa é o conjunto de valores de suas pessoas. Ao aprofundar o estudo sobre os valores na equipe de uma empresa, iremos aflorar o cumprimento destes, o que promove o desenvolvimento da equipe e principalmente de sua visão de relação com outras pessoas. Nosso objetivo será discutir valores virtuosos que geram a reflexão em cada um e promova um resgate de valores em determinados casos e a busca por valores em outros. Ao iniciar a busca por seus valores você automaticamente inicia um exercício de autoconhecimento, Instituição de Ensino Charles Babbage 37 que irá contribuir de maneira produtiva para que conheça um pouco mais sobre suas características e sobre como você age em relação ao meio e às pessoas que o cercam. Se adotarmos o referencial de que os valores são as lições e princípios que recebemos desde nosso nascimento, entenderemos que a busca por valores nunca cessa, pois em alguns momentos estaremos em busca de determinado valor e em outro momento poderemos buscar outro valor, o que nos traz a idéia de que esta construção é constante e ocorre durante a vida do indivíduo. Qual a Importância de Conhecer os seus Valores? Pode ser que você esteja se perguntando qual a importância em se ter o conhecimento de seus valores, e a resposta ficará simples se compreendermos que nossas ações, comportamentos e sentimentos estão ancorados em nossos valores. Valores serão virtuosos quando não ferem sua relação com o outro nem com o meio, ou seja, quando ele traz benefícios para você e não causa prejuízo ao outro. Virtuoso é sábio é o individuo que se dispõe a questionar os seus valores no intuito de construir uma escala em que este serão dispostos de maneira a identificar quais são os valores que estão mais presentes em sua vida. Quais são os seus? Cada pessoa tem seus valores e é saudável que ela siga os que realmente lhe fazem bem e possuem forte significado. Busque os que ainda não tem e que acredita serem importantes. Em relação aos seus valores, não há como enganar os demais. Todos á sua volta percebem o que você verdadeiramente é, pois observam seu comportamento e concluem que é diferente de seu discurso. Portanto, parte de falar e entre em ação, lembre-se daquela velha máxima que nos diz: ―fale menos e faça mais‖. Mergulhe em seu interior e descubram quais são seus valores mais fortes, aqueles que você conseguiria listar sem muito embaraço. Observe no seu interior em que você acredita, quais são os princípios que regem a sua vida. Tão importante quanto olhar para dentro de si no intuito de conhecer-se será avaliar o quanto os valores que você cultiva tem influenciado a sua vida. Não há formula mágica, ou palavras milagrosas, ou mantra sagrado que mude condições e acontecimentos em sua vida, porém, os valores que você pratica lhe fazem mais forte ou fraco frente a tais acontecimentos e situações. Os valores na sua vida Profissional Como já falado anteriormente, de nada adianta discursar sobre os seus valores se eles não forem praticados, ou seja, de nada adianta declarar ter um determinado valor se este não fizer parte de sua pratica diária. Seus valores serão expressos por suas práticas, sua conduta no dia-a-dia de forma que as pessoas ao seu redor irão perceber os valores que você demonstra. Os valores de um profissional determinam inclusive os tipos de relacionamento estabelecidos por ele no trabalho. Assim como é preciso cuidar do marketing pessoal, seus valores fazem parte de um grupo de características altamente importantes e que cabe a você descobri-los e aprimorá-los. A busca por seus valores é uma atividade que não pode ser deixada por conta do outro, é um exercício de autoconhecimento, o qual deve ser praticado. Valores como honestidade, justiça, generosidade, figuram muitas vezes no grupo de valores das pessoas, e é altamente saudável que sejam manifestados em suas ações diárias como colaborador de uma empresa, efetivando sua imagem profissional como alguém comprometido e ligado com os objetivos da empresa.Em sua vida profissional existem muitas formas de manifestar seus valores e até mesmo difundi-los entres seus colegas. O simples fato de você não tecer comentários maldosos ou desnecessários sobre o outro, sobre a empresa ou sobre o concorrente é a expressão e a prática de um valor que você possui. O profissional que pratica seus valores preza por um ambiente saudável, onde exista verdade e sinceridade de maneira que possa se relacionar com todos sem medos nem desconfianças. Portanto, este profissional que não da ouvidos e também não gera ―fofocas‖,comentários vazios e que servem apenas para ferir algo ou alguém. Para ressaltar a importância em criar o hábito de vigiar suas ações cultivando seus valores, façamos a análise do texto abaixo: As três peneiras Os valores devem ser praticados em todas as suas ações para que se tornem hábitos Instituição de Ensino Charles Babbage 38 Olavo foi transferido de projeto. Logo no primeiro dia, para fazer media com o novo chefe, saiu com esta: -Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. -Disseram que ele...... Nem chegou a terminar a frase e Juliano, o chefe disse: -Espere um pouco, Olavo. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? -Peneiras? Que peneiras chefe? -A PRIMEIRA, Olavo, é a VERDADE. Você tem certeza de que esse fato é verdadeiro? -Não. Não tenho, não... Como posso saber? O que sei é que... E, novamente, Olavo é interrompido pelo chefe: - Então sua historia já vazou a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE. -O que vai me contar, você gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Claro que não! Deus me livre, chefe! – diz Olavo assustado. - Então, continua o chefe, sua história vazou a segunda peneira. Vamos ver a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE. - Você acha mesmo necessário me contar esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? - Não chefe. Passando pelo crivo dessas peneiras, vi que não sobrou nada do que eu ia contar, fala Olavo surpreendido. - Pois é, Olavo, já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras? Diz o chefe sorrindo e continua: Da próxima vez em que surgir um boato por ai, submeta-o ao crivo das três peneiras: VERDADE, BONDADE e NECESSIDADE, antes de obedecer ao impulso de passá-lo adiante, por que: 1. PESSOAS MEDÍOCRES falam sobre PESSOAS 2. PESSOAS COMUNS falam sobre COISAS 2. PESSOAS INTELIGENTES falam sobre IDÉIAS. Precisamos aprender a usar as três peneiras para filtrar os boatos que surgem em nosso dia a dia. Economia e Mercado O que é Economia? Você está iniciando seus estudos de Economia, e talvez já tenha se perguntado: o que é Economia? A Economia é uma ciência que surge a partir de uma questão aparentemente muito simples: a alocação de recursos escassos. Por recursos, entende-se não apenas dinheiro e recursos financeiros, mas também disponibilidade de matéria-prima, trabalhadores, terrenos etc. E, como bem se sabe, os recursos são limitados. Ainda que você seja a pessoa mais rica do mundo, sua conta bancária tem um valor que indica a quantidade máxima de recursos que você pode comprar (mesmo que ela seja, nesse caso, enorme). Como é possível, portanto, viver em um mundo com recursos escassos? Escassez não diz respeito apenas à potencial falta de algo, mas simplesmente à sua limitação, ou seja, ao fato de que esse ―algo‖ não pode ser utilizado irrestritamente, é finito. É verdade que existem alguns bens, indispensáveis a todos nós, e dos quais se pode dispor à vontade, sem que se chegue a uma situação de escassez: os chamados ―bens livres‖. Exemplos possíveis são o ar que respiramos, a luz do sol, etc. Para os povos primitivos, os bens livres eram muito mais numerosos: nossos índios, antes de Cabral, tinham ampla provisão natural de água ou de produtos de coleta ou de caça, sem temor de exaustão. Com o crescimento da população, os bens livres vão rareando; hoje em dia, mesmo o ar puro vai se tornando cada vez mais escasso. Os bens não-livres, caracterizados pela escassez, são chamados de ―bens econômicos‖; em geral são objeto de troca, e têm um preço no mercado. Aí se inserem todos os tipos de bens que você puder imaginar: laranjas, iPhones, biquínis, DVDs etc. Costuma-se definir a Economia, em princípio, como a ciência que estuda a alocação de recursos escassos. Ou seja, que estuda como as sociedades dispõem dos recursos existentes, que são, evidentemente, limitados, para tornar disponíveis os bens e serviços necessários à satisfação das necessidades e desejos das pessoas. Se há escassez, se Acesse WWW.uniorka.com.br- Portal do aluno e veja os vídeos aulas disponíveis! http://www.uniorka.com.br-/ Instituição de Ensino Charles Babbage 39 os recursos são finitos — enquanto as necessidades e desejos são ilimitados —, então é preciso escolher. Isso fica claro no nível individual: se você tem um salário e vai ao supermercado para gastá-lo, você tem que decidir o que comprar, pois não pode levar tudo o que gostaria; terá que escolher quais as necessidades ou desejos irá satisfazer com suas compras. Da mesma forma, se você é um empresário, terá que escolher a melhor maneira de aplicar seus recursos escassos: o que produzir como produzir, etc. Também as coletividades fazem escolhas, a todo o momento, explícita ou implicitamente. Uma escolha básica é a que se faz entre presente e futuro. Por exemplo: deve-se investir mais em aumento de capacidade produtiva (o que possibilitará crescimento do consumo mais tarde, beneficiando gerações futuras), ou favorecer o consumo atual, da geração presente? O governo deve construir mais estradas, ou conceder aumentos ao funcionalismo? O objeto da Economia é, em grande parte, o estudo de processos de escolha como os referidos acima. Economia positiva e economia normativa. A tomada efetiva de decisões de escolha nem sempre é fácil, como sabemos, especialmente quando envolve coletividades. Diferentes pessoas têm opiniões e interesses distintos; a escolha nesse caso envolve uma compatibilização de diferentes objetivos, ou distintos juízos de valor (ou juízos morais, como na citação que vai na epígrafe deste texto). Isso pertence ao campo da chamada Economia ―normativa‖. Por outro lado, enquanto fazem teorias para explicar a realidade, analisar e explicar os fenômenos econômicos tais como são, os economistas estão no campo da chamada Economia ―positiva‖. Vamos dar um exemplo. Imagine que você leia uma notícia que diz: ―o preço do feijão subiu 15% nos últimos três meses, o que pode ser atribuído à redução da produção pela escassez de chuvas nas áreas produtoras‖. É uma afirmativa sobre uma questão de fato: houve um aumento de preços, e se oferece uma explicação para ele. É possível que haja divergência sobre essa explicação — outros analistas podem julgar que a causa da alta de preços foi um aumento no preço do óleo diesel, por exemplo, onerando o custo de transporte. Essa divergência poderá, em princípio, ser dirimida por uma análise cuidadosa dos dados, resolvendo a questão de forma objetiva. Ou não: poderão persistir interpretações distintas, se os analistas não chegam a um consenso. De qualquer forma, estamos no campo da Economia positiva, da análise das coisas como são. Mas, se consta da notícia a opinião do jornalista de que, diante da subida de preços, o governo deveria subsidiar o preço do feijão para as famílias mais pobres, isso é uma prescrição de política; uma proposição de Economia normativa, portanto. Trata-se agora das coisas como devem ser, e não como são. Em princípio, as análises da Economia positiva devem pautar-se pela objetividade científica; elaboram-se teorias e modelos explicativos, a partirde certos pressupostos, e esses modelos e teorias são submetidos à validação empírica, pelo confronto de suas conclusões com a realidade concreta — por meio da coleta e análise de dados estatísticos, por exemplo. Se validados, revelam-se corretos; se não, será necessário buscar novos modelos ou teorias explicativas. Tudo sem a intromissão de juízos de valor. (É necessário atentar, no entanto, para o fato de que o economista, e de modo geral o cientista social, dificilmente pode ser tão objetivo e neutro quanto o físico, por exemplo, quanto este analisa a estrutura da matéria. O cientista social pertence à realidade que analisa, tem, em relação a ela, opiniões, juízos de valor e interesses, como qualquer outro agente econômico. Sendo humano, pode, eventualmente, ser influenciado por essas suas posições — ainda que inconscientemente — quando faz uma análise que se pretende científica e objetiva.) Quando estão envolvidos no desenho e aplicação de políticas econômicas — ou seja, em ações do Governo na área econômica — os economistas estarão, tipicamente, praticando Economia normativa, buscando agir sobre a realidade, impulsionando-a em determinada direção. Em que direção? Quais as metas e objetivos que se pretende atingir? No mais das vezes, haverá posições divergentes a esse respeito. Por exemplo: vimos que o valor do dólar em reais (a taxa de câmbio) reduziu-se significativamente, nos últimos anos: a cotação da moeda norte-americana caiu de uma média de R$ 3,40 / US$ 1, no segundo semestre de 2002, para metade desse valor (R$ 1,70 / US$1), no primeiro semestre de 2008. Isso trouxe grandes perdas para alguns (como exportadores, ou produtores nacionais de artigos importados) e ganhos para outros (consumidores de produtos importados, turistas no exterior). Supondo que o governo pudesse adotar medidas para conter essa queda (uma suposição duvidosa, cabe notar), certamente haveria interesses e posições diametralmente opostos, em relação a tal política. É nesse sentido que se costuma dizer que a política econômica é uma arte: a arte de conciliar interesses e posições muitas vezes conflitantes, compondo uma Instituição de Ensino Charles Babbage 40 resultante que seja aceitável pela maioria, e vantajosa para a coletividade. Alguns princípios básicos. O manual introdutório de Gregory Mankiw enuncia , em seu primeiro capítulo, o que o autor chama de dez princípios básicos de Economia. Comentaremos aqui os oito primeiros desses pontos, particularmente relevantes para o nosso contexto. Escolhas e trade-offs. Dado que os recursos são escassos, é necessário escolher, como vimos. No processo de escolha, os agentes econômicos — indivíduos, empresas, etc. — enfrentam trade-offs (um termo um tanto difícil de traduzir por uma só palavra). Ou seja: enfrentam a necessidade de um cotejo entre fatores que de alguma forma se opõem (sendo necessário sacrificar um em prol de outro), a fim de atingir a melhor combinação. Um arquiteto, por exemplo, frequentemente enfrenta um trade-off entre a funcionalidade e a beleza de uma edificação. E todos nós, em nossas decisões diárias de consumo, nos defrontamos com trade- offs de várias naturezas: juntar dinheiro ou gastar já? gastar mais em pizzas ou em idas ao cinema? Empresários, em suas decisões relativas à produção, deparam-se também com inúmeros trade-offs. Digamos que um produtor rural contempla fazer um investimento para expandir a produção. Seus recursos para esse investimento são limitados, pois ele dispõe de uma dada quantia de dinheiro. Contudo, sua fazenda demanda gastos diversos, tais como a compra de novas máquinas colheitadeiras, contratação e capacitação de empregados adicionais, mais insumos, como fertilizantes e sementes, visando aumentos de produtividade, etc. Isso indica que suas necessidades são, se não ilimitadas, muito amplas. Desse modo, ele deve realizar a escolha da melhor alternativa possível para aplicar o capital disponível no momento, levando em conta as possibilidades existentes, sua informação sobre elas, e a disponibilidade de recursos.1 E é claro que a opção por uma alternativa — uma determinada aplicação de recursos — significa a não adoção de outras. Há um trade-off envolvido. A escolha é uma questão básica em Economia; e trade-offs são umas características intrínsecas do processo de escolha. Trade-offs e o “custo de oportunidade” As escolhas dos agentes econômicos envolvem trade-offs; em geral, é necessário sacrificar uma alternativa, para se obter o que se escolheu. Nesse sentido, pode-se dizer que, do ponto de vista econômico, o custo da alternativa escolhida é dado pelo valor da alternativa que foi preterida. ―Custo de oportunidade‖ é, como vimos em texto anterior, a expressão que se usa para indicar tal forma de definir o custo de uma ação. Se você considera a opção de ficar em casa estudando ou sair com os amigos, o custo de oportunidade de sua saída serão as horas de estudo que você vai perder (e os benefícios que tiraria disso). É, portanto, o que se ―perde‖ (ou se deixa de ganhar) ao fazer uma escolha qualquer. O custo de oportunidade é um dos conceitos mais fundamentais da teoria econômica (e às vezes ignorado na prática, dando origem a decisões incorretas, como vimos antes). ―Custo‖, em Economia, significa, essencialmente, custo de oportunidade. É uma visão distinta da do contador, por exemplo, para quem custos são, em princípio, os de natureza monetária. Num investimento, por exemplo, os custos apurados na contabilidade sãos os dispêndios incorridos pelo empresário — compra de máquinas e equipamentos, juros de financiamentos, etc. o Já o economista procurará analisar, por exemplo, os lucros que o empresário deixou de ganhar em oportunidades alternativas de investimento. Ou, numa perspectiva mais ampla, os custos sociais do investimento, que incluirão, por exemplo, os danos ao meio ambiente trazidos pelo estabelecimento e operação de uma nova instalação produtiva. Escolha e decisão “na margem” Esse é outro conceito da maior importância em Economia: muitas escolhas e decisões econômicas só têm sentido se feitas na margem, ou seja, considerando não grandezas totais (como custos ou receitas), mas os acréscimos a esses valores associados à decisão considerada. Um exemplo, já referido antes, torna a Idéia mais clara. É o caso de viagens aéreas quando a venda de passagens, ao preço normal, deixa lugares vagos nos aviões. Nesse caso, o custo de transportar uma pessoa adicional — ou seja, o custo marginal — é irrelevante para a companhia aérea. Valerá a pena, então, oferecer os assentos que ficariam vagos a preços muito inferiores ao normal, o que traz para a companhia ganhos de publicidade e de conquista de novos passageiros. A venda de Instituição de Ensino Charles Babbage 41 passagens a preços simbólicos é, nesse caso, uma decisão economicamente racional, que não traz prejuízo ao empresário, e não deve, assim, ser vista como uma prática de concorrência desleal (como o dumping, que é uma venda a preços abaixo do custo). Pode-se racionalizar muitas decisões empresariais a partir de uma comparação entre o custo marginal e a receita marginal. Suponhamos, por exemplo, que uma montadora produza, em suas fábricas, 200.000 carros por ano. Com um aumento de demanda, considera-se a possibilidade de aumentar a produção, no curto prazo, para 220.000, sem expandir as instalações produtivas. A decisão racional sobre isso levará em conta o custo marginal desse aumento de produção (que poderia envolver, por exemplo, turnos extras) e a receita marginal que o produtor poderá ter com o aumento de vendas. Quem estudar Microeconomia verá a importância do cálculo marginal em várias questões importantes, como na determinação de preços.Voltando ao exemplo anterior de água e diamantes. Quando consideramos o benefício trazido por um balde de diamantes e um balde de água, o relevante é considerar o benefício marginal de cada um. Qual traz maior benefício marginal? Depende. Se uma pessoa estiver morrendo de sede num deserto, e não for possível trocar imediatamente os diamantes por água, o que ela escolheria? Certamente a água — que, portanto, tem para esse indivíduo um benefício marginal superior ao das pedras preciosas. Mas, à medida que for saciando sua sede, o benefício trazido pela água irá diminuindo, e o interesse nos diamantes passará a ser maior. O benefício marginal da água é, portanto, decrescente. E o processo de escolha é, como fica claro nesse exemplo, afetado pelo fato de o benefício marginal ser decrescente. Essa é outra idéia importante, em Microeconomia: o ganho marginal derivado do consumo de um dado bem (ou a utilidade marginal, como se diz em Microeconomia) decresce, em geral, com a quantidade consumida. Decisões e incentivos Este é um princípio importante do raciocínio em Economia: os agentes econômicos respondem a incentivos. É uma decorrência do pressuposto da racionalidade dos agentes, como vimos, e também uma implicação do ponto 2, acima. Uma vez que as pessoas analisam e comparam custos e benefícios ao tomar decisões, seu comportamento e suas escolhas podem mudar quando mudam os custos ou os benefícios envolvidos. Ou seja, quando se altera o sistema de incentivos. Se o preço das bananas sobe, há um incentivo maior para que as pessoas comprem outras frutas, já que aumentou o custo de comprar bananas. Por outro lado, o preço mais alto das bananas trará estímulo aos que cultivam a fruta, os quais tenderão a aumentar sua produção, possivelmente investindo na expansão da plantação, contratando mais mão-de-obra, etc., buscando ganhar mais com suas vendas. Haverá, assim, tanto incentivos ao consumo quanto à produção. Não existem apenas incentivos financeiros: pode haver incentivos morais, por exemplo. A desaprovação social a certas práticas, como a de jogar detritos nas ruas, faz com que pessoas bem-educadas as evitem. A conscientização quanto a questões ambientais tem induzido mudanças de comportamento, no sentido da preservação do meio ambiente. Quando tomamos decisões, portanto, levamos em consideração não apenas o custo de oportunidade de cada escolha ou a análise ―marginal‖ dessa escolha, mas também os incentivos, positivos ou negativos, associados a certas opções. Especialização na produção e trocas Numa coletividade onde há especialização de funções e trocas entre produtores, todos podem viver melhor do que num mundo onde cada um produz tudo o que consome. Se o padeiro faz só pães, o sapateiro sapatos, e o alfaiate roupas, a produção desses itens será mais eficiente do que se cada produtor fabricasse todos eles. Com a especialização de funções, cada um se dedica àquilo que sabe fazer melhor, e a produção será maior do que no caso em que todos produzem tudo. A especialização está associada à troca: cada um produz seu artigo e o vende, e com o produto da venda compra os demais artigos para seu consumo. Como a produção é maior, com a especialização de funções, em princípio todos podem viver melhor. (Todos podem ganhar com especialização na produção e trocas entre os produtores, mas não necessariamente todos ganham como você verá quando estudar o princípio das vantagens comparativas). Essa é uma proposição da maior importância: o comércio entre produtores pode melhorar a vida de todos. Trocas e mercados Instituição de Ensino Charles Babbage 42 Qual é a melhor forma de se organizar o sistema de especialização de funções e trocas entre produtores? Pode- se argumentar que, na maioria dos casos (mas não todos), isso é feito de forma mais eficiente pelo funcionamento livre dos mercados, sendo a alocação de recursos determinada, de forma descentralizada, pela interação entre os agentes econômicos, cada um tomando decisões guiado pelos seus próprios interesses e pela sinalização dada pelos preços. Não é necessário, por exemplo, que haja uma autoridade que determine quais e quantos pães as padarias de uma cidade vão produzir, e como irão organizar sua atividade produtiva. É fácil imaginar que uma centralização de decisões dessa ordem produziria, muito provavelmente, muita burocracia e pouca eficiência. Sem dúvida é melhor, nesse caso, que se deixe o mercado funcionar. Se determinado tipo de pão tem muita procura, seus preços tenderão a subir, o que indicará aos padeiros que vale a pena produzir mais deles; e o contrário, se um artigo não sai das prateleiras. Dessa forma, haverá tendência a um ajuste entre o que é produzido e as demandas dos consumidores. Se um novo método de produção reduz os custos de fabricação de pães, haverá indução para adotá-lo, e quem não o adotar ficará em situação de inferioridade em relação aos demais produtores, lucrando menos ou perdendo dinheiro. E, pela concorrência entre as padarias, a adoção generalizada de um método mais eficiente de produção acarretará queda nos preços de venda, beneficiando os consumidores. Em suma, as decisões de cada um, orientadas por seu próprio interesse individual, têm como resultado uma situação desejável para a coletividade. Ficou famosa a expressão usada por Adam Smith, um influente economista do final do século XVIII, para descrever isso: ele disse que tudo se passava como se as ações individuais fossem guiadas por uma ―mão invisível‖, de tal forma que a resultante de todas elas favorecesse o bem comum. (A mão invisível era, pode-se supor, a mão da Providência Divina; Smith era muito religioso). Mas, mesmo para os não-religiosos, é evidente que o funcionamento do mercado, com base em ações descentralizadas, no sistema de preços e na interação entre oferta e demanda, pode, em inúmeras situações, ser mais eficiente, e levar a resultados superiores para a coletividade, do que um complexo sistema de planejamento governamental. Falhas de mercado e funções econômicas do Governo. Em situações como a acima, o melhor é deixar o mercado funcionar, sendo desnecessária, ou contraproducente, a intervenção governamental no sistema econômico. Em alguns casos, no entanto, essa intervenção é necessária, ou desejável. Você vai estudar algumas situações em que o mercado não funciona adequadamente: ―falhas de mercado‖ fazem com que seja indicada uma ação corretiva ou de coordenação por parte do governo. Isso sucede, por exemplo, quando há um conflito entre o interesse individual e o coletivo: em certos casos, se cada um agir em função de seu próprio interesse, o resultado é pior para todos, ou para a maioria. São também vistas como desejáveis e necessárias ações do governo no sentido de reduzir desigualdades, seja diminuindo o poder de mercado de certos agentes (como um monopolista, que pode fixar seus preços sem a restrição dada pela concorrência de outros produtores), seja por ações diretas de distribuição de renda, ou por outros instrumentos. Cabe também ao governo um papel da maior importância na efetivação de investimentos de infraestrutura (construção de estradas, portos, etc.), na provisão de serviços de educação e saúde e, em geral, em atividades que, por várias razões, não podem ser supridas de forma adequada pela iniciativa privada. Também o próprio funcionamento de mercados depende de ações do governo, garantindo, por exemplo, o cumprimento de contratos entre agentes econômicos (como no caso de empréstimos e financiamentos), os direitos de propriedade, os direitos dos consumidores e dos trabalhadores, e assim por diante — sem o que os agentes econômicos não teriam confiança de efetuar trocas e negociar entre si. Um tipo de ação governamental cuja importânciapassou a ser reconhecida na primeira parte do século passado visa combater ou evitar reduções significativas na atividade produtiva, causando desemprego de mão-de-obra. Essas situações, como analisou Keynes, um economista inglês, em livro publicado em 1936, podem decorrer de uma insuficiência geral de demanda, ou seja, de um desequilíbrio entre o que é produzido e a disposição dos agentes econômicos em efetuar gastos de consumo ou de investimento. Nesse caso, o governo pode agir no sentido de aumentar diretamente seus gastos (em investimentos de infraestrutura, por exemplo) ou estimular a demanda dos agentes privados (reduzindo impostos, facilitando o crédito, etc.). Na recente crise econômica mundial, em 2008-2009, vários governos, inclusive o brasileiro, adotaram medidas nesse sentido. Cabe também mencionar que, na história econômica de vários países, como o Brasil, há exemplos de atuação Instituição de Ensino Charles Babbage 43 importante do governo no sentido de promover investimentos em determinados setores, a partir do pressuposto de que a iniciativa privada não teria, por si só, recursos ou incentivos suficientes para levar adiante empreendimentos julgados necessários ou vantajosos, do ponto de vista da coletividade. Na industrialização brasileira em seu período inicial, quando a produção se voltava apenas ao mercado interno, o papel de ações governamentais foi primordial, no fornecimento de incentivos de várias ordens aos investidores privados, no investimento promovido diretamente pelo Estado ou por suas empresas, em setores como o siderúrgico, etc. Embora essas ações tenham tido efeito positivo sobre o desenvolvimento da indústria e o crescimento econômico brasileiro no passado, especialmente no período de vigorosa expansão econômica entre 1930 e 1980, em geral se reconhece que sua eficácia foi decrescente, à medida que a economia se tornava mais complexa e, principalmente, mais integrada na economia internacional. Nesse novo contexto, a ineficiência de uma grande centralização de decisões econômicas no âmbito do governo foi-se tornando patente. Essa percepção influenciou a redução do papel do Estado na economia e o processo de privatização de empresas estatais, levado a efeito nas últimas décadas. Padrões de vida e produtividade. Considerando o funcionamento da economia como um todo, há uma pergunta fundamental que é sempre feita: o que explica a riqueza, ou pobreza, de países ou de regiões? E questões paralelas: por que há uma variação tão grande no nível de riqueza? Por que diferenças tão grandes nos padrões de vida, pelo mundo? É claro que, em alguns casos, há uma resposta óbvia: a disponibilidade de certos recursos, em países ou regiões específicas, pode trazer-lhes grande vantagem relativa, e explicar a maior prosperidade de uns em relação a outros, menos dotados de tais recursos. É como se fosse uma ―loteria‖ premiando, por exemplo, países árabes com enormes reservas de petróleo, a Rússia com muito gás em seu subsolo, o Brasil com minério de ferro e grande extensão de terras agricultáveis, etc. Já vimos, também, que em anos recentes a literatura econômica tem enfatizado a grande importância que instituições estatais podem ter sobre o bom funcionamento do sistema econômico e, particularmente, sobre as decisões dos investidores. Instituições estáveis e confiáveis facilitam o investimento e, por conseqüência, o crescimento econômico. Para alguns autores, esse seria o principal fator da superioridade histórica das economias de países como os da Europa Ocidental e da América do Norte, sobre as chamadas economias subdesenvolvidas. Mas há uma explicação mais geral, especialmente relevante do ponto de vista de políticas econômicas visando promover o crescimento econômico. O padrão de vida médio de um país depende de sua capacidade de produzir bens; e essa capacidade produtiva tem relação direta com a eficiência, a produtividade de sua economia. A produtividade é a relação entre a quantidade produzida e a quantidade de fatores de produção utilizados: a produtividade do trabalho é a produção por homem-hora; a produtividade da terra é a produção por hectare, e assim por diante. De que depende a produtividade? Muito da tecnologia de produção: máquinas mais eficientes produzem mais; é claro que um trabalhador com um trator movimenta muitíssimo mais terra do outro que tenha apenas uma enxada. E depende também do nível de preparação, da educação e experiência da força de trabalho. Particularmente nas indústrias modernas, onde as funções dos operários em geral não se resumem a apertar continuamente o mesmo parafuso numa linha de montagem (como ironizado no famoso filme de Charles Chaplin, ―Tempos Modernos‖), o nível de conhecimento e preparação dos trabalhadores pode fazer enorme diferença, no que toca à eficiência produtiva. Não é coincidência, assim, que fases de aumento expressivo na produtividade tenham conseqüências muito favoráveis sobre o crescimento econômico. O extraordinário salto de produtividade ocorrido no período da Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII, conseqüente à introdução de inovações tecnológicas na indústria e à difusão de máquinas a vapor, contribuiu para fazer da Inglaterra a ―oficina do mundo‖, e para pôr esse país na liderança da economia mundial, no século XIX. A posição de vanguarda da economia dos Estados Unidos, atualmente, tem muito a ver com a enorme capacidade de geração de progresso técnico em atividades produtivas, nesse país, assim como sua liderança em pesquisa científica básica. Um alto nível médio de educação da força de trabalho, como nos países do Sudeste asiático, é outro claro fator de superioridade, na busca de maiores índices de produtividade e crescimento econômico mais vigoroso. Instituição de Ensino Charles Babbage 44 No contexto brasileiro, pode-se mencionar que o rápido crescimento das exportações agrícolas, nos últimos quinze anos, tem relação direta com os expressivos aumentos de produtividade obtidos em setores como soja e açúcar que mostram, em algumas regiões do País, os maiores índices mundiais de produtividade por área. (E é importante referir que esses ganhos de produtividade resultaram, de forma decisiva, da atividade da EMBRAPA, um órgão governamental de pesquisa agropecuária. O que ilustra outro importante papel do Governo nas economias modernas: a condução de pesquisa básica e aplicada). O caminho do crescimento econômico passa, assim, necessariamente, pela busca constante de aumentos de produtividade. E aumentos de produtividade, seja pela introdução de novas tecnologias na produção, seja pelo aumento do nível educacional da força de trabalho, dependem de investimentos (em máquinas e equipamentos, no sistema educacional, etc.). Isso ressalta a importância central do investimento no crescimento econômico dos países. A taxa de investimento (a relação entre o investimento total e o Produto Interno Bruto) é um indicador relevante, nesse contexto. No caso brasileiro, muitos analistas mostram preocupação com o fato de que nossa taxa de investimento é relativamente baixa, atualmente (inferior a 20%), em contraste com a de países cuja economia tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, como a Índia e a China (com taxas de investimento da ordem de 30% e 40%, respectivamente). Os conceitos e princípios básicos, reunidos acima, serão a base de muitos conteúdos que virão pela frente, servindo de fundamento para análises mais elaboradas. Termos que você deve saber sobre economia... O que é taxa SELIC? Quase todo mundo já ouviu falar sobre a taxa SELIC, sobretudo após a mudança no rendimento da nova poupança, que passou a depender da taxa Selic (70% da taxa Selic + TR). Além da poupança, a Selic influenciadireta – ou indiretamente – em quase tudo em nossa economia. Alterações nessa taxa causam impactos nas taxas de juros, nas taxas de câmbio, nos preços dos ativos, no crédito e também nos investimentos. O objetivo deste artigo é explicar o que é a taxa Selic e mostrar como ela influencia em quase tudo na nossa economia. Taxa SELIC A taxa SELIC é um índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelo mercado se balizam no Brasil. É a taxa básica utilizada como referência pela política monetária. A taxa overnight do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), expressa na forma anual, é a taxa média ponderada pelo volume das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e realizadas no SELIC, na forma de operações compromissadas. A meta para a taxa SELIC é estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Comitê de Política Monetária – Copom O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros. A taxa de juros é definida como a meta para a taxa SELIC a vigorar no período entre as reuniões do Copom. O Copom se reúne ordinariamente oito vezes ao ano e extraordinariamente – sempre que necessário – por convocação do presidente do Banco Central. Influência da taxa SELIC sobre a economia O objetivo principal da política monetária é a obtenção e manutenção da estabilidade de preços. Por isso, torna-se importante a adoção pelo Banco Central de uma estratégia que permita antecipar quaisquer pressões inflacionárias futuras. Os principais canais de transmissão da política monetária são: 1.Taxa de juros; 2.Taxa de câmbio; 3.Expectativas; 4.Crédito; 5.Preço dos ativos. Ao afetar essas variáveis, as decisões de política monetária influenciam os níveis de poupança, investimento e gasto de pessoas e empresas, que, por sua vez, afetam a demanda por produtos/serviços, e por último, a taxa de inflação. Taxa de juros Instituição de Ensino Charles Babbage 45 Ao aumentar a taxa nominal de juros de curtíssimo prazo, o aumento se propaga por toda a estrutura. A elevação da taxa de juros influencia as decisões de investimento, diminuindo-o, o que afeta a demanda agregada. Também afeta a compra de bens duráveis. PIB Qual o significado do PIB? O Produto Interno Bruto é o principal medidor do crescimento econômico de uma região, seja ela uma cidade, um estado, um país ou mesmo um grupo de nações. Sua medida é feita a partir da soma do valor de todos os serviços e bens produzidos na região escolhida em um período determinado. Como ele é medido? A fórmula para o cálculo é a seguinte: PIB = consumo privado + investimentos totais feitos na região + gastos do governo + exportações – importações São medidas as produções na indústria, na agropecuária, no setor de serviços, o consumo das famílias, o gasto do governo, o investimento das empresas e a balança comercial. Entram no cálculo o desempenho de 56 atividades econômicas e a produção de 110 mercadorias e serviços. Quem faz essa medição no Brasil? Exclusivamente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, instituição federal subordinada ao Ministério do Planejamento. Por que o cálculo fica apenas nas mãos do IBGE? De acordo com Cláudia Dionísio, economista da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, muitos dados utilizados para a apuração do PIB brasileiro são sigilosos. Isso porque algumas empresas privadas não divulgam seus resultados e mandam os dados para o IBGE sob a garantia de sigilo. Dessa forma, outros analistas não teriam condições de determinar com precisão qual o valor correto, mas apenas realizar estimativas sobre o desempenho da economia. Desde quando é feita a medição do PIB? A medição foi aplicada no mundo e, consequentemente, no Brasil em 1948, ficando em seguida sob responsabilidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) – que tratou de espalhar seus conceitos às nações. No Brasil, a responsabilidade pelo cálculo já esteve a cargo da Faculdade Getúlio Vargas até 1990. Em seguida, o IBGE passou a fazer a medição. Inflação Milton Friedman, economista americano ganhador do prêmio Nobel, disse certa vez que a ―inflação é taxação sem legislação―. Ele não poderia estar mais correto. E o maior problema é que a inflação atinge diretamente as classes mais baixas da sociedade, pessoas essas que deveriam ser as menos taxadas. Todos que vivem exclusivamente dos salários, sem outras fontes de renda ou investimentos, sofrem ano após ano dos efeitos da inflação. Dificilmente o empregador – seja ele da iniciativa pública ou privada – oferece um reajuste anual que sequer iguale a inflação. Isso significa que o poder de compra dessas pessoas diminue ano a ano, ―tributando‖ desmedidamente a classe assalariada. O intuito deste artigo é explicar o que é e porque a inflação é o ―imposto‖ mais caro e injusto que pagamos e promover uma discussão sobre o tema. O que é inflação? A inflação é o aumento persistente e generalizado no valor dos preços. Quando a inflação chega a zero dizemos que houve uma estabilidade nos preços. De uma maneira simples, a inflação pode ser dividida em inflação de demanda e inflação de custos. Inflação de demanda É quando há excesso de demanda agregada em relação à produção disponível. Em outras palavras, tem muito mais gente querendo comprar do que produtos sendo ofertados. Para a inflação de demanda ser combatida, é necessário que a política econômica se baseie em instrumentos que provoquem a redução da procura agregada (elevação da taxa básica de juros) ou aumento da oferta. Inflação de custos Instituição de Ensino Charles Babbage 46 É associada à inflação de oferta. O nível da demanda permanece e os custos aumentam. Com o aumento dos custos ocorre uma retração da produção fazendo com que os preços de mercado também sofram aumento. As causas mais comuns da inflação de custos são: os aumentos salariais fazem com que o custo unitário de um bem ou serviço aumente o aumento do custo de matéria- prima que provoca um super aumento nos custos da produção fazendo com que o custo final do bem ou serviço aumente e por fim, a estrutura de mercado que algumas empresas aumentam seus lucros acima da elevação dos custos de produção. Índices de inflação Os principais índices de inflação são: IPCA, IPA, IPC- Fipe, INPC, INCC, IGP-M e IGP-DI. Todos estes índices estão muito bem detalhados no artigo ―Conheça os principais índices de inflação―. Problema da indexação A indexação é um sistema de reajuste de preços, inclusive salários e aluguéis, de acordo com índices oficiais de variação dos preços. Em conjunturas inflacionárias, a indexação permite corrigir o valor real dos salários e aluguéis e demais preços da economia, reajustando-os com base na inflação passada. No entanto, a indexação automática pode realimentar a inflação futura. Boa parte dos serviços públicos têm seus preços administrados corrigidos anualmente pela inflação. Apenas como exemplo, ônibus interestaduais, energia elétrica residencial, água, planos de saúde, serviços farmacêuticos, telefone fixo, telefone celular, telefone público e pedágio são autorizados pelo governo a reajustar seus preços de acordo com algum índice inflacionário, estimulando a inflação. Problema da falta de infra-instrutora e alta carga tributária Além da indexação, sofremos também com a incapacidade das indústrias oferecerem o suficiente para suprir a demanda. Dentre várias causas para isso, podemos citar: 1.Carga tributária elevada; 2.Custo de infra-instrutora; 3.Folha salarial sobrecarregada com encargos; 4.Custo do investimento;5. Baixo estágio tecnológico; Para saber mais, recomendo a leitura do artigo ―Os riscos do super-real―, escrito por Luis Nassif. E por que os pobres são mais afetados que os demais? Alguns podem estar se perguntando isso, já que a inflação causa impacto sobre todos. A grande diferença é que as classes mais baixas vivem exclusivamente do salário que recebem no final do mês, ao passo que os mais ricos possuem investimentos indexados à inflação. Dentre esses investimentos, é possível ressaltar imovéis para aluguel (indexado ao IGP-M), ações de boas empresas (como crescem acima da inflação, os dividendos são cada vez maiores) e títulos públicos (NTN-B, indexados ao IPCA). Entretanto essa lista é muito mais extensa. O QUE É ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA? Quem nunca ouviu (ou disse) a expressão ―você vai me pagar com juros e correção monetária‖? O termo ―atualização monetária‖, também conhecida como correção monetária, é muito utilizado no pagamento de dívidas. Muitas vezes até em dívidas não financeiras (metaforicamente falando). Entretanto muitos o utilizam sem, ao menos, compreender o significado. O intuito, portanto, desse artigo é justamente explicar o que se entende por atualização (ou correção) monetária, como é aplicado e o que perdemos por não termos nossos salários, investimentos e FGTS corrigidos monetariamente. Atualização monetária Em Economia é também chamado de ―Correção Monetária‖, ou seja, um ajuste feito periodicamente de certos valores na economia tendo em base o valor da inflação de um período, objetivando compensar a perda de valor da moeda. Em outras palavras, atualização monetária representa um valor que pagamos além dos juros ou eventualmente da multa (quando se trata de atraso de pagamento) para compensar a perda do poder de compra (por conta da inflação no período). Mas o que seria a perda do poder de compra? Instituição de Ensino Charles Babbage 47 Considere que na ida ao supermercado para fazer as compras do mês, a pessoa comprasse sempre os mesmos itens nas mesmas quantidades e das mesmas marcas. No primeiro mês, ele realiza todas as compras ao custo de R$ 100,00. Por conta disso, ele leva no mês seguinte os mesmos 100 reais mas, ao se dirigir ao caixa, percebe que o valor total ultrapassa um pouco esse valor, porque alguns itens aumentaram de preço. Isso significa que o poder de compra dos 100 reais no 1º mês já não é mais o mesmo no segundo mês, por conta da elevação (ou inflação) do preço. Aumento ou reajuste de salário? Algumas empresas, prefeituras e governos promovem um ―aumento salarial‖ anual em torno de 5%. Quando recebem, muitos funcionários ficam felizes por acharem que receberam um aumento. Mas pensemos um pouco. Se a inflação do ano anterior foi em torno de 5%, o que receberam foi realmente um aumento ou apenas um reajuste por conta da inflação ou, em outras palavras, nosso salário foi atualizado monetariamente, para não perdermos nosso poder de compra? Será que esse reajuste não deveria ser obrigatório? É algo a se pensar… Impacto da inflação nos investimentos Muitas vezes também não levamos em consideração o impacto da inflação em nossos investimentos. Já escrevi um artigo (―Impacto do IR e da inflação nos investimento―) explicando com isso ocorre. Inclusive disponibilizei também uma planilha para download gratuito onde é possível visualizar a diferença entre o rendimento do seu investimento e o rendimento real, após o desconto da inflação e do imposto de renda. O objetivo financeiro de muitos investidores é alcançar o tão sonhado primeiro milhão. Entretanto é bom lembrar que o poder de compra de um milhão de reais hoje é muito maior do que será daqui a 20 anos, por exemplo. Portanto é importantíssimo considerar os juros reais ao fazer projeções, pelo que expliquei no parágrafo anterior. Para finalizar, é muito importante saber que qualquer investimento ou aplicação financeira que render menos de 5% ao ano estará ―roubando‖ seu dinheiro. Em outras palavras, ela está te remunerando abaixo da inflação Matemática Financeira INTRODUÇÃO Muitas são as aplicações da Matemática Financeira no atual sistema econômico. A principal função dela é o estudo do valor do dinheiro no tempo. Para o estudo deste conteúdo é necessária a utilização de uma calculadora específica, denominada de calculadora financeira que hoje utilizamos a calculadora financeira HP 12C. Sem a utilização desta ferramenta o cálculo é demorado. O conteúdo disposto nesta tende a contribuir para organização e estruturação do pensamento para o raciocínio, e assim ajudar a resolver situações das mais variadas no cotidiano pessoal e profissional do estudante do curso de Técnico Administrativo do UNIORKA – Instituto Charles Babbage. Estas situações são exemplificadas como financiamentos em geral (casa e carros), realizações de investimentos e empréstimos, compras a crediário, dentre outras. Lembramos que todas as movimentações financeiras são baseadas na estipulação prévia de taxas de juros. Já os investidores buscam a melhor rentabilidade de seus recursos financeiros. Para se conhecer o retorno (financeiro) são necessárias a aplicação de cálculos financeiros. Assim, este material tem o intuito de introduzir o a assunto – Matemática financeira – no cotidiano do Técnico Administrativo, sem a pretensão de esgotar o assunto. Serão estudados os conceitos básicos da matemática financeira e suas aplicações. Para isso será necessário o uso da calculadora financeira HP 12C. Acesse WWW.uniroka.com.br- Portal do aluno, e faça as atividades para testar os teus conhecimentos! Bom estudo!! http://www.uniroka.com.br-/ Instituição de Ensino Charles Babbage 48 ―O lançamento da HP-12C, em 1981, marcou a história da companhia e dos profissionais que lidam com números. Desenvolvida para atender necessidades específicas da área financeira, a calculadora HP-12C foi um dos maiores sucessos da empresa. O novo produto, concebido com a mais avançada tecnologia, atendia à demanda de um mercado cada vez mais competitivo, que exigia ferramentas ágeis e inovadoras, com propostas tecnológicas avançadas, criativas e, ao mesmo tempo, acessíveis ao grande público.‖ Linguagem em matemática Financeira O Sr. Astolpho foi até uma financeira para realizar um empréstimo. Cumprida as exigências legais ele pegou 5.000,00 reais para pagar dívidas. O valor a taxa de juros cobrada foi de 9% ao mês. Esta taxa de juros para os empréstimos com pagamento em 12 meses. Ao final do contrato o Sr. Astolpho este empréstimo deveria ser totalmente quitado nas condições já mencionadas. As taxas de Juros são expressas em percentuais (centesimais) que deverão ser convertidos em taxas unitárias para fins de cálculo, por exemplo: Juros de 9% onde i será 0,09 Juros de 1,25% onde i será 0,0125 Juros de 0,5% onde i será 0,005 Quando o cálculo for realizado diretamente na calculadora HP 12C esta conversão é desnecessária, pois a própria máquina já faz isso. JUROS SIMPLES A capitalização simples é aquela em que os juros incidem apenas sobre o capital inicial, não incidindo sobre os juros acumulados para aquele mesmo período. J = PV . i . n A dívida ativa referente à locação de máquinas de R$ 800,00. Esta dívida será liquidada hoje, 10 dias após o vencimento. A taxa de juros de 0,5% ao dia. Calcular os juros simples a serem pagos. E o montante a ser pago. J = 800,00 . 0,005 . 10 J = 40,00 Cálculo do valor futuro ou montante ( a ser pago) FV = PV + J FV = PV + (PV . i . n) FV = PV (1+ i.n) M = 800,00 + 40,00 M = 840,00 A que taxa de juros simples deverá ser colocada em um determinado capitalpara que este duplique ao final de 10 anos? FV = PV (1 + i.n) 2PV = PV (1 + i.10) 2 = 1 + i10 2 – 1 = 10i 1/10 = i I = 0,10 I = 10% a.a Um determinado capital foi colocada por 5 anos a uma 4% a.a (juros simples) que produziu um montante de $ 8.500,00. Calcule o valor dos juros produzidos neste período. 1º passo – calcular o valor do capital investido (PV). FV = PV (1 + i.n) 8.500 = PV (1 + 0,04 . 5) 8.500 = PV (1 + 0,20) 8.500 = PV (1,20) PV = 8.500 ÷ 1,20 PV = 7.083,333 2º passo – calcular os juros J = PV . i . n J = 7.083,333 . 0,04 . 5 J = 1.416,666 OU J = 8.500,00 – 7.083,333 = 1.416,667 A fórmula para cálculo de juros simples é pouco utilizada, porque grande parte dos cálculos em matemática financeira usa os juros compostos. Instituição de Ensino Charles Babbage 49 JUROS COMPOSTOS No regime de capitalização que adota os juros compostos, o valor dos juros é incorporado ao capital (PV), que passa novamente a incidir a taxa de juros, rendendo novos juros. Geralmente são cálculos feitos na calculadora financeira – HP 12C. Assim teremos: Com juros compostos, no final de cada período, o juro é incorporado capital (C ou PV), passando assim a também render juros no próximo período. Que terá incidida novamente a taxa de juros daquele período: • No primeiro período: FV = PV + PV . i = PV . (1 + i) • No segundo período: FV2 = FV1 + FV1 . i = FV1 . ( 1 + i) = PV . (1 + i).(1 + i) = PV. (1 + i)2 • No terceiro período: VF3 = FV2 + FV2.i = FV2 . (1 + i) = PV. (1 + i)2. (1 + i) = PV. (1 + i)3 Se generalizarmos para um número de períodos igual a n, tem-se a expressão geral para cálculo de juros compostos, dada por: FV = PV . (1 + i)n Se utilizarmos os mesmos dados do exercício anterior teremos: A dívida ativa referente à locação de máquinas de R$ 800,00. Esta dívida será liquidada hoje, 10 dias após o vencimento. A taxa de juros de 0,5% ao dia. Calcular os juros compostos a serem pagos. E o montante a ser pago. FV = PV . (1 + i)n FV = 800 . (1+0,005)10 FV = 800 . 1,00510 FV = 800 . 1,05114 FV = 840,912 (montante a ser pago) Na calculadora HP 12C: Coloca-se 800 [CHS] [PV]; Insere-se 10 [n] Em seguida 0,5 [i] Então se aperta a tecla [FV] e aparecerá no visor o valor: 840, 912 (montante a ser pago) Um capital de $ 1.000,00 foi aplicado a juros compostos com taxa de 10% a.a, por 5 cinco anos com freqüência anual. Qual é o valor do montante a ser resgatado? FV = PV . (1 + i)n FV = 1.000 (1+ 0,10)5 FV = 1.000 (1,10)5 FV = 1.000 . 1,610 FV = 1.610,510 (montante a ser resgatado) Na calculadora HP 12C: Coloca-se 1000 [CHS] [PV]; Insere-se 5 [n] Em seguida 10 [i] Então se aperta a tecla [FV] e aparecerá no visor o valor: 1.610,510 (montante a ser resgatado) Qual é tempo necessário para que um capital inicial de $ 1.000,00 investido sob taxa de 5% a.a resulte em um montante de $ 2.000,00. Na calculadora HP 12C: Coloca-se 1000 [CHS] [PV]; Insere-se 2000 [FV] Em seguida 5 [i] Então se aperta a tecla [n] e aparecerá no visor o valor: 15 (anos) SÉRIES UNIFORMES DE PAGAMENTOS Séries uniformes e consecutivas Séries são pagamentos ou recebimentos iguais e consecutivos dentro de uma mesma freqüência de intervalos de tempo, com valores constantes. Termo se refere a cada depósito ou prestação; e Período é o intervalo entre dois termos. Prestação é representada pela letra R ou PMT (do inglês payment) na HP 12C. ATENÇÃO: Para efetuar os cálculos na calculadora financeira HP 12C é preciso saber que ao pressionar as teclas [g] [BEG] configura-se a calculadora para efetuar cálculos da Série de Pagamento Antecipada, isto é, com vencimento no início de cada período. No visor aparecerá escrito BEGIN. A programação original da calculadora é para Série de Pagamento Postecipada, Para retornar basta pressionar as teclas [g] [END]. SÉRIE DE PAGAMENTO ANTECIPADA Instituição de Ensino Charles Babbage 50 É considerada série de pagamento antecipada quando o primeiro pagamento é feito à vista, no ato da compra do bem ou serviço. No final da disciplina, olhar o anexo 02 TERMO J.J Pinho quer comprar uma TV LCD 22’ que custa à vista $ 1.600, em 12 meses. Neste caso de parcelamento valor dos juros serão de 3% a.m., com a primeira prestação no ato da compra. Calcule o valor das prestações. Resolução na HP 12C; Pressionam-se as teclas [g] [BEG] e [f] [REG] ; Coloca-se 1.600 [CHS] [PV]; Insere-se 3 [i]; Em seguida 12 [n]; Então se pressiona [PMT] que dará o resultado: 156,06 cada prestação. SÉRIE DE PAGAMENTO POSTECIPADAS (OU VENCIDA) É considerada série de pagamento postecipada quando o primeiro pagamento é feito à após transcorrido o primeiro período após a compra. J.J Pinho quer comprar uma TV LCD 22’ que custa à vista $ 1.600, em 12 meses. Neste caso de parcelamento valor dos juros serão de 3% a.m., com a primeira prestação para 30 dias após a compra. Calcule o valor das prestações. No final da disciplina, olhar o anexo 03 Resolução na HP 12C; Pressionam-se as teclas [f] [REG]; Coloca-se 1.600 [CHS] [PV]; Insere-se 3 [i]; Em seguida 12 [n]; Então se pressiona [PMT] que dará o resultado: 160,74 cada prestação. DESCONTOS Consiste na operação que estabelece o valor presente para pagamento de um título que foi antecipado. É o cálculo do um título cujo valor futuro é negociado no presente. Para a realização do cálculo é preciso saber alguns conceitos: Valor nominal = é o valor no título na data de vencimento. É o valor futuro (FV). Data de vencimento = é a data em o título deverá ser pago, é uma data futura. Prazo (tempo) = número de dias de antecipação (n). Os descontos são nomeados em simples ou compostos, em função do calculo aplicado. Desconto Simples por Fora (comercial ou bancário) É o cálculo do desconto sobre o valor nominal, utilizando-se taxa de juros simples. Df = FV x n x D PV = FV - Df Onde: Df – desconto por fora FV – valor nominal do título. Valor do mesmo na data de vencimento. n – prazo da antecipação (juros simples) D – taxa de desconto PV – é o valor descontado (para pagamento antecipado à data do vencimento) Uma empresa irá descontar hoje uma duplicata com valor nominal de $ 100.000,00 com vencimento em 20 dias. Calcule o valor descontado (desconto simples por fora) sabendo-se que a taxa de desconto é de 5% a.m. e Calcule o valor descontado. Resolução: Df = 100.000 x 0,05 x 20 30 Df = 100.000 x 0,001667 x 20 Df = 3.333,33 PV = 100.000 – 3.333,33 PV = 96.666,67 Desconto Composto (por dentro) Este desconto no regime de capitalização composta é idêntico ao do regime de juros simples no que tange ao raciocínio lógico: é o abatimento de valores por saldar-se um compromisso antes do seu vencimento, onde a diferença está no regime de juros. Aqui o regime de juros passa a ser o composto e não mais o simples. Assim temos: PV = FV (1+i)n Instituição de Ensino Charles Babbage 51 D = FV- PV ONDE: D – desconto composto FV – valor nominal do título. Valor no mesmo na data de vencimento. n – prazo da antecipação i – taxa juros compostos (utilizada na operação de desconto) PV – é o valor descontado (para pagamento antecipado à data do vencimento) Um título no valor nominal de $ 5,000,00 foi antecipado em 12 meses, onde a taxa de desconto composto é de 1% a.m. Calcule o valor do desconto. Resolução: D = FV- PV PV = FV = 5000 (1+i)n (1+0,01)12 PV = 5000 = 4.437,25 1,13 D = FV- PV D = 5.000,00 – 4.437,25 D = 562,75 Desconto Composto (por dentro) Este desconto no regime decapitalização composta é idêntico ao do regime de juros simples no que tange ao raciocínio lógico: é o abatimento de valores por saldar-se um compromisso antes do seu vencimento, onde a diferença está no regime de juros. Aqui o regime de juros passa a ser o composto e não mais o simples. Assim temos: PV = FV (1+i)n D = FV- PV ONDE: D – desconto composto FV – valor nominal do título. Valor no mesmo na data de vencimento. n – prazo da antecipação i – taxa juros compostos (utilizada na operação de desconto) PV – é o valor descontado (para pagamento antecipado à data do vencimento) Um título no valor nominal de $ 5,000,00 foi antecipado em 12 meses, onde a taxa de desconto composto é de 1% a.m. Calcule o valor do desconto. Resolução: D = FV- PV PV = FV = 5000 (1+i)n (1+0,01)12 PV = 5000 = 4.437,25 1,13 D = FV- PV D = 5.000,00 – 4.437,25 D = 562,75 Desenho Arquitetônico e Construção Civil PROJETO ARQUITETÔNICO – CONCEITOS O Projeto Arquitetônico é o processo pelo qual uma obra de arquitetura é concebida e também a sua representação final. É considerada a parte escrita de um projeto. O projeto arquitetônico é essencial para que a obra saia como planejada. É constituído de: - Implantação; - Plantas de cobertura - Plantas Baixas - Cortes e elevações - Layout Implantação: Criação de traços no terreno para demarcar localização exata de cada parte da construção. O mesmo que locação da obra. Planta de cobertura: a planta de cobertura é indicada nos níveis dos telhados, seus recortes, indicações de Os exercícios serão disponibilizados no ambiente de aprendizagem. Acesse WWW.uniorka.com.br- Portal do aluno Bom estudo! http://www.uniorka.com.br-/ Instituição de Ensino Charles Babbage 52 escoamento de água, caneletas, calhas, rufos, contra-rufos, terraços, lajes impermeabilizadas, inclinações e tipo de telhas utilizadas. Plantas Baixas: Elas devem conter todo o detalhamento do projeto. Cotas indicando as medidas, nível indicando suas alturas quanto ao terreno, área dos ambientes, nomes de cada ambiente e detalhamento dos materiais utilizados em cada um. São indicados nesta planta também, os locais onde serão efetuados os cortes, e a maneira que eles serão visualizados. Cortes: é como são visualizadas as elevações internas do projeto arquitetônico. São nele que e demonstradas às janelas, portas, bancadas, vasos sanitários, pias entre outros elementos na sua altura desejada. Ele deve conter cotas internas e externas. Nas internas devem ser cotadas: altura do pé direito (que é do piso ate o teto) altura do peitoril de janelas, alturas de portas e bancadas. Nas cotas externas, devem ser cotados os elementos fundamentais como: o nível da calçada externa ate o piso, do piso ate o teto do teto ate a cumeeira e depois uma cota total do inicio da calçada ate a cumeeira. Instituição de Ensino Charles Babbage 53 Elevações/ Fachadas: Representação gráfica das fachadas em plano ortogonal, ou seja, sem profundidade, e representada por: Frontal, lateral e posterior. Demostram como ficara a ―cara‖ do projeto. Nelas são demostradas as texturas e os materiais que serão utilizados como acabamentos no projeto. Podem ser demonstrados detalhes de placas bem como arvores e plantas de jardinagem. Layout: Layout é um esboço ao qual é mostrada a distribuição física juntamente com os tamanhos de elementos como texto, gráficos ou figuras em um determinado espaço. É nela que são representados as disponibilidades e tamanho dos moveis que serão colocados dentro de cada ambiente. Nela também que são colocados detalhes de paginação de piso, box de banheiros entre outros. PROJETO ARQUITETÔNICO – FASES, CONCEITOS E PRINCIPIOS Consiste na concepção arquitetônica da edificação e seus espaços interiores e exteriores (forma), adequando- os às necessidades dos usuários (função) e ao meio onde estão inseridas (contexto). O trabalho parte da análise do entorno, das condições climáticas, da vegetação e do relevo locais, da tecnologia adequada ao padrão de construção, da arquitetura pré-existente na vizinhança, e principalmente das necessidades e expectativas dos clientes. Etapas do Projeto de Arquitetura Os serviços são desenvolvidos em etapas, descritas a seguir, acompanhadas e discutidas com o cliente: 1. Estudo preliminar 2. Anteprojeto (projeto legal) 3. Projeto Executivo de Arquitetura 4. Detalhes para execução Instituição de Ensino Charles Babbage 54 Assistência à construção Estudo Preliminar: Consiste na configuração inicial da solução arquitetônica proposta à obra, considerando as principais exigências contidas no programa de necessidades discutido com o cliente, e a determinação da viabilidade econômica e legal da edificação, para a aprovação preliminar. Nesta fase o projeto é concebido como um todo e apresentado através de desenhos ilustrativos em planta baixa, vistas e perspectivas coloridas. Serão feitas visitas e levantamento do terreno e seu entorno, entrevistas com os clientes e definição do programa de necessidades. Material a ser entregue: - Fotografias do terreno; - Plantas dos pavimentos; - Perspectivas eletrônicas; - Memorial Descritivo. Nesta fase de estudo, o projeto poderá sofrer qualquer alteração solicitada pelo cliente, até que satisfaça plenamente todos os seus gostos e necessidades. Anteprojeto (projeto legal): Compreende a configuração definitiva da solução arquitetônica proposta para a obra, considerando o Estudo Preliminar aprovado pelo Proprietário e as Normas Técnicas emanadas pelos Órgãos Públicos. Nesta fase é sintetizada a solução geral com a definição do partido adotado, da concepção estrutural e das instalações em geral, possibilitando clara compreensão da obra projetada. Material a ser entregue: - Planta de Situação; - Plantas de Arquitetura dos pavimentos e das edificações de apoio; - Cortes transversais e longitudinais; - Fachadas; - Planta de cobertura; - ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) do Projeto. O produto desta fase, elaborado de acordo com as exigências dos poderes públicos a que serão submetidos, estará à disposição do cliente para tramitação da sua aprovação nos órgãos competentes. Projeto Executivo de Arquitetura: Consiste na versão final do projeto, devidamente aprovado, com especificações detalhadas, representação em escalas adequadas e necessárias à boa compreensão na execução da obra e ao desenvolvimento dos demais projetos, resultante da compatibilização básica do projeto arquitetônico com os projetos complementares em suas relações espaciais. Material a ser entregue: Planta de Situação; Planta de Locação; Plantas dos pavimentos, com legendas e especificações; Cortes transversais e longitudinais, com legendas e especificações; Fachadas, com legendas e especificações; Planta de Cobertura. Por se tratar da última etapa antes da execução da obra, requer interações com os pré-projetos de cálculo e instalações, a serem elaborados por profissionais especializados terceirizados. O conjunto formado pelos projetos Executivo de Arquitetura, Cálculo Estrutural e Instalações Prediais resultará no PROJETO DE EXECUÇÃO DA OBRA. Detalhes para execução: Consiste no trabalho de detalhamento construtivo dos elementos do projeto de arquitetura visando sua correta exeqüibilidade na obra. O material a ser entregue compreende o desenho dos seguintes elementos: - Portas internas e externas; - Janelas; - Grades e portões; Instituição de Ensino Charles Babbage 55 - Peças em madeira para varandas e cobertas;- Escadas internas, guarda-corpos e corrimãos; - Escadas externas, guarda-corpos e corrimãos - Soleiras, peitoris e rodapés; - Bancadas de banheiros, cozinha e serviço; - Paginação de forros, pisos e revestimentos; - Áreas externas e jardineiras; - Cobertas e calhas; - Caixa d’água e acesso; - Caderno de Especificações de Materiais. Os detalhes desenvolvidos conferem à obra caráter único, onde é priorizado o design dos elementos construtivos, que agregam valor estético ao espaço arquitetonicamente concebido como um todo. Assistência à construção: Consiste no assessoramento à obra por parte do escritório de arquitetura, objetivando minimizar os problemas de execução e garantir a fidelidade ao projeto aprovado pelo cliente. ELEMENTOS DO DESENHO Para que o projeto seja bem representado, faz-se uso dos diversos instrumentos disponíveis no desenho tradicional da geometria descritiva. Basicamente, o desenho arquitetônico manifesta-se principalmente através de linha se superfícies preenchidas (hachuras). Costuma-se diferenciar no desenho duas entidades: uma é o próprio desenho (o objeto representado, um edifício, por exemplo) e o outro é o conjunto de símbolos, signos,cotas e textos que o complementam. As principais categorias do desenho de arquitetura são: as plantas, os cortes e seções e as elevações (ou alçados, eventualmente chamadas também como fachadas). AS LINHAS As linhas de um desenho normatizado devem ser regulares, legíveis e devem possuir contraste umas com as outras. As linhas são a alma do desenho. Elas devem estar bem traçadas e compatíveis com sua indicação. Veja a baixo: CATEGORIA DAS LINHAS As linhas tem entre si uma hierarquização, que são obtidas através do diâmetro das penas (autocad) ou grafite (desenho manual), utilizados para executá-las. Tradicionalmente são quatro, veja: 1 – Linhas complementares: Pena 0,1. Usada basicamente para registrar elementos complementares do desenho, como linhas de cota, setas, linhas indicativas, linhas de projeção. 2 - Linha fina: Pena 0,2 (ou 0,3). Usada para representar os elementos em vista. 3 - Linha média: Pena 0.4 (ou 0,5). Usada para representar os elementos que se encontram imediatamente à frente da linha de corte. 4 - Linha grossa: Pena 0.6 (ou 0,7). Usada para representar elementos especiais, como as linhas indicativas de corte (eventualmente é usada para representar elementos em corte). CONVEÇÕES PARA REPRESENTAÇÃO Instituição de Ensino Charles Babbage 56 Caracterização no projeto, das partes a conservar, a demolir e a construir: na representação de uma reforma é indispensável diferenciar muito bem o que existe e o que será demolido ou acrescentado. Estas indicações podem ser feitas usando as seguintes convenções: Obs.: Essas pinturas devem ser feitas continuamente e sem falhas, quando feitas a mão. Se feitas no autocad, devem ser feitas com as hachuras correspondentes. HACHURAS Os elementos que em um desenho projetivo estão sendo cortados aparecem com um peso maior no desenho. Além da linha mais grossa, esses elementos costumam estar preenchidos por uma determinada hachura. Cada material é representado por uma hachura diversa. Veja: FOLHAS Normalmente, as folhas mais usadas para o desenho técnico são do tipo sulfite. Anteriormente à popularização do CAD, normalmente desenvolvia-se os desenhos em papel manteiga (desenhados à grafite) e eles eram arte-finalizados em papel vegetal (desenhados à nanquim). Tamanho das folhas As folhas devem seguir os mesmos padrões do desenho técnico. No Brasil, a ABNT adota o padrão ISO: usa-se um módulo de 1m² (um metro quadrado) cujas dimensões seguem uma proporção equivalente a raiz quadrada de 2 (841 x 1189 mm). Esta é a chamada folha A0 (a-zero). A partir desta,obtém-se múltiplos e submúltiplos (a folha A1 corresponde à metade da A0). A maioria dos escritórios utiliza predominantemente os formatos A1 e A0, devido à escalados desenhos e à quantidade de informação. Os formatos menores em geral são destinados a desenhos ilustrativos, catálogos, etc. Apesar da normatização incentivas o uso das folhas padronizadas, é muito comum que os desenhistas considerem que o módulo básico seja a folha A4 ao invés da A0. Isto costuma se dever ao fato de que qualquer folha obtida a partir desde módulo pode ser dobrada e encaixada em uma pasta neste tamanho, normalmente exigida pelos órgãos públicos de aprovação de projetos. Um desenho feito num determinado tamanho e reduzido por processo fotográfico à metade de seu tamanho original terá sua escala igualmente reduzida à metade. Isto significa que cada formato deve ter a metade das dimensões do anterior, havendo múltiplos e submúltiplos. Os formatos padrões devem levar em consideração as dimensões dos papeis vendidos no comercio. As copias são pagas em função da superfície em metro quadrado de papel. É, pois, vantajoso que os formatos em 1m². O desenhista deve procurar fazer todas as pranchas de um projeto em pranchas de tamanho único, isto é, com as mesmas dimensões. Quanto isto não for possível, procura-se ajustar as pranchas em dois formatos. A experiência ajudará na escolha do formato ideal. Tamanho de folhas ( mm): A4 – 210 X 297 A3 – 297 X 420 A 2 – 420 X 594 A1 – 841 X 1189 http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Sulfite&action=edit http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Papel_vegetal&action=edit http://pt.wikipedia.org/wiki/Metro_quadrado http://pt.wikipedia.org/wiki/Metro_quadrado http://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz_quadrada http://pt.wikipedia.org/wiki/Raiz_quadrada http://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_(medidas) Instituição de Ensino Charles Babbage 57 CARIMBO A legenda ou identificação na gíria profissional chama-se Carimbo, que tem a finalidade de uniformizar as informações que devem acompanhar os desenhos. Os tamanhos e formatos dos carimbos obedecem à tabela dos formatos A. Recomenda-se que o carimbo seja usado junto à margem, no canto inferior direito. Esta colocação é necessária para que haja boa visibilidade quando os desenhos são arquivados. O carimbo deve possuir as seguintes informações principais, ficando, no entanto, a critério do escritório, o acréscimo ou a supressão de outros dados: a- Nome do escritório, Companhia etc.; b- Título do projeto; c- Nome do arquiteto ou engenheiro; d- Nome do desenhista e data; e- Escalas; f- Número de folhas e número da folha; g- Assinatura do responsável técnico pelo projeto e execução da obra ; h- Nome e assinatura do cliente; i- Local para nomenclatura necessária ao arquivamento do desenho; j- Conteúdo da prancha. DOBRAMENTO Os desenhos originais são guardados em rolos ou abertos; se forem dobrados deixam manchas nas copias e podem rasgar-se. Assim, somente as copias serão dobradas. A NBR 6492 mostra uma seqüência de dobramento que aqui aparece com mais detalhes. As figuras a seguir mostram o dobramento praticado nos desenhos que levam seu titulo no canto inferior direito. Do maior ao menos: Instituição de Ensino Charles Babbage 58 DIMENSIONAMENTO – COLOCAÇÃO DE COTAS NOS DESENHOS A unidade usada é metros ou o milímetro, que é menos utilizado. O centímetro fica reservado para as medidas inferiores a UM METRO. Nos três casos, a cota será escrita sem símbolos da unidade de medida. Quando se utiliza metro, os algarismos de milímetros são indicados como expoente. Os desenhos de arquitetura, como os demais desenhos técnicos, devem trazer corretamente indicadas todas as suas medidas. Qualquer medida errada ou mal indicada costuma dar prejuízos. No desenho abaixo aparecem as indicações corretas de cotas em diversos exemplos. As cotas devem ser escritas acompanhandoa direção das linhas de cota. Qualquer que seja a escala do desenho, as cotas representa, a verdadeira grandeza das dimensões. É importante evitar o cruzamento de linhas de cotas. Os algarismos são colocados acima da linha de cotas, quando a linha é continua; se a linha é interrompida, a cota ocupa o intervalo desta interrupção. Instituição de Ensino Charles Babbage 59 Existem regras importantes: 1 – As cotas de um desenho ou projeto devem ser expressas em uma única unidade. 2 – Uma cota não deve ser cruzada por uma linha do desenho. 3 – As linhas de cota são desenhadas paralelas à direção da medida. 4 – A altura dos algarismos é uniforme dentro do mesmo desenho. Em geral usa-se altura de 2,5 ou 32 mm. 5 – No caso de divergência entre cotas da mesma medida em desenhos diferentes prevalece a cota de desenho feito em escala maior. Por exemplo: Se há divergência de cotas numa medida indicada nas escalas de 1:10 e 1:200, será considerada valida a cota escrita no desenho de escala 1:10. SISTEMAS DE REPRESENTAÇÃO As projeções ortogonais da geometria descritiva são usadas no desenho arquitetônico apenas mudando os termos técnico. Observe: A figura anterior esta representada abaixo em projeções ortogonais. Em geometria descritiva a posição 1 seria a projeção horizontal e a 2 a projeção vertical. A linha de terra não esta desenhada por ser dispensável. O 3 corresponde à projeção sobre o plano do perfil. Os desenhos 1,2e 3 são exatamente os três os mesmos em geometria descritiva e em desenho arquitetônico; apenas os nomes técnicos é que são diferentes. Veja: Instituição de Ensino Charles Babbage 60 Um objeto poderá ficar claramente representado por uma só vista ou projeção. Muitos objetos somente ficam bem representados, isto é, entendidos por meio de três vistas. Haverá casas ou objetos que somente são corretamente definidos mediante uso de maior quantidade de vistas. Os desenhos que seguem mostram quais seriam a demais vistas. Veja como são organizadas estas vistas, na pratica: REPRESENTAÇÃO DE UM PROJETO PLANTA DE COBERTURA: É também chamada de vista superior, é um dos tipos de planta sobre o plano horizontal. Os mais usados serão estudados em seguida: Planta de cobertura, planta de locação, planta baixa e planta de situação. A planta de cobertura em geral é desenhada na escala de 1: 100 ou 1:200. Quando há necessidade de maiores detalhes, usamos a escala de 1:50. Instituição de Ensino Charles Babbage 61 Na figura anterior e na figura seguinte você deve observar primeiramente o lugar da cobertura. Nestas figuras a cobertura avança além das paredes, de modo que o contorno destas não será veste do alto. Nesta condição, quando o contorno da parede é oculto pela cobertura, ele é desenhado com traços interrompidos, curto e fino. PLANTA DE LOCAÇÃO: A planta de locação não se limita a casa ou construção. Ela deve mostrar os muros, portões, árvores um ponto de referencia que desperte interesse, e a calçada. A planta de locação serve como ponto de partida para a marcação da construção no terreno. Por isso deve conter todas as informações como cotas e legenda. Observe o desenho à baixo que os afastamentos da construção são cotados ate a parede. Não é correto cotar as distancias entre o muro ate as extremidades da cobertura, pois as paredes serão construídas antes da cobertura. Observe a figura: PLANTA BAIXA: A planta baixa é um plano horizontal de 1,50 m acima do piso; Nela vemos as paredes, portas e janelas. Veja os desenhos abaixo para entender melhor. No desenho técnico a representação da planta é a da figura a baixo. Na maioria dos desenhos de projeto arquitetônico a escala usada é a de 1:50. Quando se trata de um projeto onde existam poucas paredes e os compartimentos são de grandes dimensões, podem-se usar outras escalas. Os detalhes podem ser feitos com linhas de chamada em escala 1:20. Instituição de Ensino Charles Babbage 62 CORTES: Na grande parte das vezes, os projetos não são tão explicados somente com a planta baixa e com a fachada, por isso são necessários os cortes, que são planos verticais, onde mostram maior parte de detalhes. Para desenhar o corte admitimos a planta já desenhada e nela marcamos a posição do plano vertical: essa marcação é um traço longo e dois curtos à esquerda e a direita da planta, correspondendo a A e B. As partes atingidas pelo corte são levadas ate a linha de terra. Acima dela marcam-se as alturas do poso, portas, das paredes e do telhado. Vocês devem se familiarizar com alguns termos técnicos a fim de falar e entender a mesma linguagem do arquiteto e engenheiro. Veja a baixo: Instituição de Ensino Charles Babbage 63 SIMBOLOS GRÁFICOS O desenho arquitetônico por ser feito em escala reduzida e por abranger áreas relativamente extensas, somos obrigados a recorrer a símbolos gráficos. É imprescindível que vocês conheçam os símbolos gráficos do desenho arquitetônico, assim como as dimensões reais dos objetos. A principio poderá haver dificuldade área decorar tantas medidas; com a repetição todas ficarão gravadas na memória. A porta interna faz a comunicação entre dois ambientes que tem os pisos no mesmo nível; na linguagem técnica, diz-se que possuem a mesma cota. As portas externas comunicam ambientes em que os pisos têm cotas diferentes, sendo, em geral, o piso externo o mais baixo. Nos banheiros, a água atinge a parte inferior da porta, que apodrece com facilidade ou a mesma passa o outro ambiente. Logo o banheiro deve ser elaborado com 1 ou 2 centímetros pelo menos de nível mais baixo que os demais ambientes. As janelas têm varias representações, cada uma de acordo com o modelo proposto. A janela alta, isto é, que tem peitoril maior que a altura da porta, não é cortada pelo plano da planta baixa, por esta razão ela é desenhada em planta baixo de maneira tracejada, conforme o desenho a baixo. O movimento que a janela fará não se torna necessário ser representado na planta baixa. Eles podem ser representados nos cortes. Veja alguns exemplos: As peças sanitárias são de suma importância em uma planta baixa, pois elas indicam onde serão colocadas. É importante saber quais são os tamanhos e suas representações. Instituição de Ensino Charles Babbage 64 Veja a baixo: Para a planta de layout, ou planta humanizada, são necessários mais detalhes. Por este motivo é importante saber algumas medidas e representação de moveis de uma residência. Dê em uma olhada nestas representações: Instituição de Ensino Charles Babbage 65 Direito e Legislação INTRODUÇÃO A vida do cidadão é regida pela Constituição Brasileira e por leis que dela decorrem. A Constituição encontra-se no ápice do ordenamento jurídico, é a LEI MAIOR. Todas as normas devem se adequar a ela, sob pena de serem inconstitucionais e, conseqüentemente, ficarem ―fora‖ do mundo jurídico. Cada Lei decorrente da Constituição trata, em regra, da conceituação básica de uma área de interesse e/ou das diretrizes específicas que se objetiva regular.Essas normas estabelecem os direitos e os deveres do cidadão em todos os campos de atividade - profissionais, socioculturais, políticos e econômicos; além de fundamentar e delimitar a Atividade Estatal. Legislação é um conjunto de leis que regulam um assunto em particular. Algumas atividades profissionais possuem um conjunto de leis que a regulam, ou seja, possuem legislação própria. A atividade profissional na área de Transação Imobiliária, do Corretor de imóveis tem a sua legislação própria. Os profissionais dessa área possuem prerrogativas legais que precisam ser conhecidas e vivenciadas.Para eles, são estabelecidos deveres e direitos. A disciplina Direito e Legislação, neste curso, significa estudo das Prerrogativas e Normas legais relativas ao Técnico em Transação Imobiliária. Assim, no presente trabalho, vamos tratar do Direito e da Legislação referente a esse profissional. Vamos destacar, sobretudo, o Código Civil Brasileiro e as leis complementares que regulam a matéria de forma específica e relacionada à área de transação imobiliária. Código Civil é o conjunto de disposições e de regulamentos legais, referentes ao direito civil, à vida do cidadão, sendo o grande tratado de Direito Privado. O Código Civil é o próprio cotidiano do indivíduo. Ele trata das situações que são mais afetas ao dia-a-dia do cidadão. O que está disposto no Código Civil diz respeito à vida da pessoa, de seus bens e de sua família, bem como regula as relações dos indivíduos em sociedade: obrigações contratuais, responsabilidades, entre outros. O atual Código Civil Brasileiro foi aprovado pela Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 que passou a vigorar 1 ano depois. Esse novo Código revogou o anterior que era de 1916 e, revogou, também, a primeira parte do Código Comercial que tratava, basicamente, das sociedades comerciais. Além dessas revogações, o novo Código Civil revogou toda ou partes de outras leis quando dispôs do assunto tratado nessas. Este tipo de revogação, denomina- se ―Revogação Tácita‖, pois a lei posterior não dispôs de forma expressa que a anterior seria retirada do mundo jurídico, mas por tratarem do mesmo tema, a mais nova prevalece. Revogar uma lei, portanto, é abolir toda ou parte dela que contenha disposições contrárias ao que foi disposto pela nova. Quando a lei é revogada no seu todo ocorre a ―AB- ROGAÇÃO‖; apenas em parte ocorre a ―DERROGAÇÃO‖. LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL Em 1942, foi promulgado o Decreto-Lei Nº 4.657, conhecido como Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro. Essa Lei estabelece dispositivos importantes que não foram derrogados pelo novo Código Civil. O tema central da Lei de Introdução do Código Civil é a própria lei, na medida em que versa a respeito: Cabe ressaltar que a Lei de Introdução ao Código Civil, na sua parte final, regula o chamado Direito Internacional Privado, o qual regula as relações entre pessoas jurídicas internacionais privadas, não sendo, portanto, objeto de análise do presente trabalho. Feita tal consideração, passamos a conceituar e analisar os principais tópicos tratados na Lei de Introdução do Código Civil. Toda Lei, depois de aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, e sancionada pelo Presidente da República, é apresentada ao povo, para que este conheça o seu conteúdo. Essa apresentação é feita no Diário Oficial da União. A publicação no Diário Oficial é o ato de tornar a lei pública e, portanto, de conhecimento geral. Instituição de Ensino Charles Babbage 66 A lei, para ser imperativa, ou seja, para ser obrigatória a todos, deve estar em vigor. A maioria delas costuma indicar a data a partir da qual entrará em vigor. Todavia, se uma lei nada dispuser a respeito, ela entrará em vigor 45 dias após a publicação oficial, no território nacional, e em 3 meses nos países estrangeiros onde se admite a legislação pátria. O intervalo de tempo que vai da data da publicação da lei até a data de sua entrada em vigor denomina-se vacatio legis. Durante esse período ela não produz efeito, valendo a lei anterior. Tal medida objetiva a concessão de prazo para que todos se adaptem à nova lei. O novo Código Civil, por exemplo, passou a vigorar após um período de vacatio legis. Esse período foi de 1(um) ano. Via de regra, a lei vigora por tempo indeterminado, até que outra lei posterior a modifique ou revogue. Mas, a lei nova deve ter hierarquia (grau de poder) igual ou superior à da lei modificada ou revogada. Há casos em que a lei é de vigência temporária, principalmente para atender situações extremas, mas passageira. Se a lei estiver em vigor, ninguém pode escusar- se de cumpri-la, alegando que não a conhece. A lei não é capaz de prever todas as situações jurídicas e, sendo omissa, deve, então, o juiz decidir o caso de acordo com a analogia (semelhança entre coisas ou fatos), com os costumes e com os princípios gerais de direito. A aplicação da lei ao caso concreto deve sempre atender aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Uma vez em vigor, a lei tem efeito imediato e geral, mas deve respeitar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. Ato jurídico perfeito é o já consumado segundo a lei vigente, ao tempo em que se efetuou. Direito adquirido é aquele que o seu titular pode exercer, pessoalmente ou por terceiros, ou aquele cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem. Chama-se coisa julgada a decisão judicial que não cabe mais recurso. Essas informações são de ordem geral para todas as leis brasileiras. A partir de agora, você vai conhecer alguns dispositivos do Código Civil, aqueles que guardam estreita relação com o Técnico em Transação Imobiliária. DAS PESSOAS Pela legislação brasileira todo indivíduo é capaz de direitos e obrigações na ordem civil. O reconhecimento da pessoa como tal é dada por sua personalidade jurídica. A personalidade civil começa com o nascimento, mas a lei protege, também, o nascituro desde a sua concepção. DAS PESSOAS NATURAIS Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na vida civil, ou seja, tem personalidade que a autoriza a ser titular de deveres e direitos nas relações jurídicas entre os homens. A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida e termina com a morte. A respiração é considerada como sendo a prova mais eficaz do nascimento com vida. Todavia, desde a concepção, a lei põe a salvo os direitos do nascituro; ser já concebido, mas que está por nascer. Nesse sentido, o nascituro pode herdar receber doações e legados, ser adotado, figurar como sujeito ativo e Passivo de diretos e obrigações, desde que venha a nascer. A CAPACIDADE CIVIL é a aptidão da pessoa para ser titular, ou seja, exercer direitos e assumir obrigações na ordem civil. Apesar de toda pessoa ser titular de diretos e deveres, necessariamente, não significa que ela possa exercê-los plenamente. Há casos em que a lei protege determinados grupos de pessoas, considerando a idade, saúde e o desenvolvimento mental, impedindo-os de exercer pessoalmente seus direitos. A esse grupo de pessoas dá-se a denominação de incapazes. Assim, a INCAPACIDADE pode ser entendida como a vedação imposta pela lei para a prática pessoal de direitos e obrigações, não obstante a pessoa seja titular desses direitos e deveres. A incapacidade pode ser absoluta ou relativa. São ABSOLUTAMENTE INCAPAZES, para exercer, pessoalmente, os atos da sua vida civil, os menores de dezesseis anos, os que, por enfermidade ou deficiência mental, não demonstram o necessário discernimento para a prática desses atos, e os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. A determinação da capacidade da pessoa é de suma importância para a validade de um negócio jurídico, pois ele é NULO quando celebrado por pessoa absolutamente incapaz. E sendo nulo não gera nenhum efeito. No exercício de diretos e deveres, os absolutamente incapazes são REPRESENTADOS pelo pai, tutor ou curador, que pratica ato jurídico em nome ou pela pessoa, absolutamente incapaz. Instituição de Ensino Charles Babbage 67 São RELATIVAMENTE INCAPAZES a certos atos ou à maneira de os exercer, os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; os ébrios habituais; os viciados em tóxicos e os que, por deficiência mental tenham o discernimentoreduzido; os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; os pródigos, ou seja, o dissipador de seus bens. O negócio jurídico celebrado por pessoa relativamente incapaz é ANULÁVEL. A lei permite aos relativamente incapazes a prática de atos jurídicos, mas condiciona essa prática à ASSISTÊNCIA do pai, tutor ou curador, ou seja, de uma pessoa plenamente capaz, que se posta ao lado do relativamente incapaz, auxiliando-o na prática do ato jurídico e integrando-lhe a capacidade. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Todavia, a incapacidade pode ser cessada, para os menores, pela EMANCIPAÇÃO concedida pelos pais, pelo casamento, pelo exercício de emprego público efetivo, pela colação de grau em curso de ensino superior, pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego no qual, o menor, com dezesseis anos completos tenha economia própria. Uma vez ocorrida à emancipação ela se torna irrevogável e definitiva. Quem se emancipou pelo exercício do comércio e depois faliu quem se casou e depois ficou viúvo ou se divorciou não retorna à condição de incapaz. A existência da pessoa natural termina com a morte. Pode- se, também presumir a morte e assim declará-la, sem decretação de ausência, depois de esgotadas as buscas e averiguações, nos casos em que é extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida, se o desaparecido em campanha ou feito prisioneiro não for encontrado até dois anos após o término da guerra. A morte presumida tem como conseqüência a abertura da sucessão definitiva quanto aos bens e a dissolução da sociedade conjugal. A observação de informações como essas são muito importantes no estabelecimento de uma transação imobiliária, principalmente no que tange a cobrança de impostos, sucessões de bens e realização de negócios, lembrando sempre, neste último caso, de se averiguar a idade e o desenvolvimento mental da pessoa com a qual será realizado qualquer contrato. A pessoa natural é, também, conhecida como pessoa física. Dos Direitos da Personalidade Toda pessoa tem direitos relativos à sua personalidade. Os direitos da personalidade são a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, o nome e o pseudônimo. Eles são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. Isto significa que o titular de direitos de personalidade não pode, exceto em casos específicos previstos em lei, transmitir esses diretos a outrem, não pode renunciar ou deles dispor voluntariamente. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. O nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória, nem se pode usar o nome alheio em propaganda comercial. Da Ausência A ausência ocorre quando uma pessoa desaparece do seu domicílio e dela não se tem mais notícia ou não tenha deixado representante ou procurador. Ao ausente será nomeado curador, que procederá a arrecadação dos bens. Tal fato pode gerar providências a serem observadas pelo corretor durante uma transação imobiliária. Os interessados poderão requerer a declaração de ausência e a abertura da sucessão provisória depois de decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou três anos se ele deixou representante ou procurador. São considerados interessados na declaração de ausência: o cônjuge não separado judicialmente, os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários, os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte e os credores de obrigações vencidas e não pagas. Dez anos depois da abertura da sucessão provisória poderão os interessados requerer a sucessão definitiva. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando- se que a ausente conta oitenta anos de idade e que as últimas notícias dele remontam há cinco anos. DAS PESSOAS JURÍDICAS Pessoa jurídica é a entidade constituída de indivíduos ou de bens com vida, direitos, obrigações e patrimônio Instituição de Ensino Charles Babbage 68 próprio. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. São pessoas jurídicas de direito público interno: a União; os Estados; o Distrito federal e os Territórios; os Municípios, as autarquias e as demais entidades de caráter público criadas por Lei. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. São pessoas jurídicas de direito privado as associações, as sociedades, e as fundações. A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade. Das associações e das sociedades As associações são constituídas pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos, exercendo via de regra, atividades culturais, religiosas ou beneficentes. As sociedades são constituídas pela união de pessoas que se organizam visando fins econômicos, ou seja, visando o lucro. São exemplos as sociedades civis, a sociedade limitada, a sociedade anônima de economia mista. Das Fundações Fundação é a pessoa jurídica composta pela organização de um patrimônio, destacado pelo seu instituidor para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. A fundação possui apenas patrimônio gerido por curadores e não tem proprietário, nem titular, nem sócios. As fundações são veladas pelo Ministério Público da unidade da federação onde estão situadas. O DOMICÍLIO Na área jurídica, domicílio é o local onde se considera que uma pessoa reside ou esteja estabelecida, para os efeitos legais; é onde ela se encontra para cumprir determinados atos. O domicílio pode ser classificado como voluntário legal e de eleição. Voluntário é o domicílio estabelecido por critério exclusivo do indivíduo, sem qualquer interferência exceto sua manifestação de vontade. Legal ou necessário é o domicílio fixado por lei para determinadas pessoas (exemplo: filhos menores – domicílio dos pais; funcionário público – local da lotação,). Domicílio de eleição é o especificado, de comum acordo, pelas partes contratantes. Domicílio da pessoa natural O domicílio da pessoa natural ou pessoa física é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. Todavia, se a pessoa tiver diversas residências, vivendo nelas alternadamente, qualquer delas poderá ser considerada seu domicílio. O domicílio também pode ser o local de trabalho ou o lugar onde a pessoa mantém o centro de suas ocupações, ou, ainda, o lugar onde for encontrada, se não tiver residência fixa ou centro de ocupações habituais. Domicílio da pessoa jurídica O domicílio das pessoas jurídicas é o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. DOS BENS Bens são as coisas de quantidades limitadas e com utilidade, econômica ou jurídica, para a pessoa e que nela provoca o desejo de possuí-las. Estão, portanto, fora da categoria de bens: terrenos em marte, o ar atmosférico, a água do mar, entre outros. Conforme as suas características, os bens têm diversas classificações, a saber: DOS BENS CONSIDERADOSEM SI MESMOS Dos Bens Imóveis São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Também são considerados imóveis, para efeitos legais, os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram e o direito à sucessão aberta. Não perdem o caráter de imóveis as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local, e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Instituição de Ensino Charles Babbage 69 Dos Bens Móveis São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social. Também são consideradas móveis, para efeitos legais, as energias que tenham valor econômico, os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes, e os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. Dos Bens Fungíveis e Consumíveis São fungíveis os móveis que podem substituir- se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Infungíveis são os que não podem ser substituídos, valendo pela sua individualidade. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação. Inconsumíveis, são os bens móveis de natureza durável. Dos Bens Divisíveis Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. É exemplo a gleba de lote rural, a barra de ouro. Indivisíveis são os bens que não admitem divisão. Dos Bens Singulares e Coletivos São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais. São coletivos os bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação comunitária. DOS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Acessório é o bem cuja existência supõe a do principal. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. DOS BENS PÚBLICOS São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. Todos os outros bens são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. São bens públicos: Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação. Os bens públicos dominicais podem ser alienados desde que observadas às exigências da lei. Em qualquer hipótese os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. DAS BENFEITORIAS Na área jurídica, benfeitoria significa obra, modificação ou conserto útil, realizado em propriedade alheia – móvel ou imóvel – e que reverterá em benefício do proprietário. As benfeitorias podem ser voluntárias, úteis ou necessárias. São voluptuárias as benfeitorias dispensáveis, que se prestam ao mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável, ou seja, de elevado valor. São úteis as benfeitorias que aumentam ou facilitam o uso do bem. São necessárias as benfeitorias indispensáveis, que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor. Instituição de Ensino Charles Babbage 70 No processo de transação imobiliária, esses conceitos são muito importantes e muito utilizados. FATOS JURÍDICOS FATOS, ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS Fato jurídico é o acontecimento que produz conseqüências jurídicas. O fato jurídico pode decorrer da natureza, como os efeitos de uma ventania, ou de uma ação humana, criando, transferindo, modificando, ou extinguindo direitos e obrigações. É importante diferenciar ato jurídico de negócio jurídico. O ato jurídico é o acontecimento que tem seus limites estabelecidos pela lei, tanto na forma, nos termos quanto nos efeitos. O negócio jurídico é o ato lícito que faculta às partes de estabelecerem a fixação dos termos e dos efeitos, de acordo com seus interesses particulares. A validade do negócio jurídico requer agente capaz; objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa (proibida) em lei. A realização de negócio jurídico tem como pressuposto uma declaração de vontade. Aquele que a emite deve ter capacidade, ou seja, estar consciente da declaração de vontade e das suas conseqüências. Quando existe incapacidade absoluta ou relativa, o agente deve ser representando ou suprido. A qualidade e o requisito do que é lícito, ou seja a liceidade do objeto visa garantir a obediência dos negócios ao ordenamento jurídico na medida em que não permite negócios jurídicos que vão de encontro à lei, a moral ou aos bons costumes. Ressalte-se que a impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado. Por fim, na realização do negócio jurídico é imprescindível a obediência à forma, ou seja, o meio pelo qual ele se exterioriza. A regra geral é de que a validade da declaração de vontade dependerá de forma especial somente quando a lei expressamente a exigir, sendo livre a forma nos demais casos. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, a sua ausência o invalida. A manifestação de vontade, mesmo que o autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, tem validade, exceto se o destinatário da manifestação tinha conhecimento do desejo do declarante. O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem e quando não for necessária a declaração de vontade expressa. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. DA REPRESENTAÇÃO Os poderes de representação são conferidos pela lei ou pelo interessado. A manifestação de vontade do representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado. O representante é obrigado a provar às pessoas, com quem tratar em nome do representado, a sua qualidade e a extensão de seus poderes, sob pena de, não o fazendo, responder pelos atos que a estes excederem. É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. Realizado o negócio, o prazo de decadência para pleitear sua anulação é de cento e oitenta dias, a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade. DA CONDIÇÃO, DO TERMO E DO ENCARGO Da condição Considera-se condição a cláusula que subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Deriva exclusivamente da vontade das partes. São lícitas todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes. São proibidas as condições que privarem o negócio jurídico de todo efeito e osujeitar ao puro arbítrio de uma das partes. Invalidam os negócios jurídicos, que lhes são subordinados, as condições impossíveis (quando suspensivas); as ilícitas, as de fazer coisa ilícita e as condições incompreensíveis ou contraditórias. A condição impossível é aquela em que o acontecimento necessário para a eficácia do ato jurídico é inatingível, inalcançável ou legalmente proibida. Condições suspensivas são aquelas em que a aquisição do direito fica na dependência de um evento futuro e incerto. Enquanto este não ocorrer, não se terá adquirido o direito. Instituição de Ensino Charles Babbage 71 Do Termo Termo é a definição do momento, do dia em que começam ou terminam os efeitos do negócio jurídico. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Para estabelecimento do termo, salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-seá prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. Meado é considerado, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. Os prazos fixados por hora contar-se-ão minuto a minuto. Estabelecido um negócio jurídico entre vivos, sem fixação de prazo, ele é exeqüível desde logo, exceto se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. Do Encargo O encargo é cláusula acessória que impõe uma obrigação ao beneficiário do ato jurídico. Não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. O encargo ilícito ou impossível será considerado não escrito, liberando o ato negociar de qualquer restrição. Todavia, se constituir o motivo determinante da liberalidade será invalidado o negócio jurídico. DOS DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO O negócio jurídico tem como fundamento a livre e consciente manifestação de vontade com vistas a atingir os fins pretendidos. Se ela não é consciente ou o querer não se manifestou livremente o negócio jurídico pode ser anulado porque defeituoso. O negócio jurídico é passível de anulação nos casos de erro ou ignorância, dolo, coação, estado de perigo e lesão. Há, também, manifestação de vontade que o agente quis e estava consciente, mas a expressou em desacordo com as disposições legais ou da boa-fé, como no caso da fraude contra credores. Do Erro ou Ignorância Erro é a falsa noção sobre alguma coisa, enquanto a ignorância é o desconhecimento acerca de algo. Ambos viciam o consentimento do declarante, que teria se manifestado de outra maneira se conhecesse a realidade. ATENÇÃO: São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanar de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio. Erro substancial ou essencial é aquele que recai sobre a natureza do negócio, sobre o objeto principal da declaração ou sobre alguma das qualidades a ele essenciais. Da mesma forma, erro substancial é aquele que recai sobre a identidade ou sobre a qualidade essencial da pessoa a quem se refira à declaração de vontade, desde que tenha influído nesta, de modo relevante. Ainda, erro substancial é aquele que ocorre quando for o motivo único ou principal do negócio jurídico, sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei. O ato jurídico somente é anulado por erro substancial ou essencial. Não acarreta nulidade o erro acidental ou secundário. O erro de indicação da pessoa ou da coisa, denominado erro acidental, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada. Do Dolo Dolo é o artifício ou expediente usado para enganar alguém. Os negócios jurídicos são anuláveis quando o dolo for a sua causa. Diferencia o dolo do erro porque à vontade neste é enganada espontaneamente, enquanto que naquele ela é provocada. O dolo é acidental quando, o seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo. Ele só obriga à satisfação das perdas e danos. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio ou reclamar indenização. Da Coação Instituição de Ensino Charles Babbage 72 Coação é a violência física ou moral que impede alguém de dispor livremente de sua vontade. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial. Do Estado de Perigo Ocorre o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Da Lesão Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Da Fraude Contra Credores Pratica fraude contra credores o devedor insolvente ou na iminência de o ser, que onera ou aliena seus bens, desfalcando seu patrimônio em detrimento dos credores. Nesse caso, os credores poderão anular os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO A desobediência quanto a forma prescrita em lei acarreta uma sanção que impede o negócio jurídico de produzir efeitos. Essa sanção é denominada nulidade, que pode ser absoluta ou relativa. A nulidade absoluta caracteriza-se pela falta de algum elemento substancial do negócio jurídico, como, por exemplo, quando for celebrado por pessoa absolutamente incapaz, quando for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto, quando o motivo determinante das partes for ilícito. Da mesma forma, nulo é o negócio jurídico quando não se reveste da forma prescrita em lei, tiver por objetivo fraudar lei imperativa, e quando a lei taxativamente o declarar nulo ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Também é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. A simulação ocorre nos casos de declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, ao se antedatar ou pós-datar escritos particulares, ou, ainda, quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou transmitem. A nulidade relativa caracteriza-se pela incapacidade relativa do agente ou por vício resultante de manifestação de vontade. A nulidade relativa só pode ser levantada pelo interessado direto. Pode ser convalidada com a ocorrência da prescrição, pela correção do vício, pela revogação da exigência legal ou pela ratificação. A nulidade absoluta, por ser matéria de ordem pública, pode ser levantada a qualquer tempo, por qualquer pessoa. Não admite convalidação ou ratificação e não se sujeita a prescrição. O prazo decadencial para anulação do negócio jurídico decorrente e vício de vontade é de quatro anos, contados conforme o vício. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecerprazo para pleitear se a anulação será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. Anulado o negócio jurídico, restituir-seão as partes ao estado em que antes dele se achavam e, não sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente. A invalidade do instrumento não induz a invalidade do negócio jurídico sempre que este puder provar-se por outro meio. Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável. A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal. DOS ATOS ILÍCITOS Denomina-se ilícito o ato condenado pela lei e/ou pela moral. É um ato, uma causa ou um procedimento proibido, ilegal. Em Direito existe ato ilícito e negócio ilícito. A distinção entre ato ilícito e negócio ilícito observa-se, sobretudo, quanto aos seus efeitos. O primeiro é punido com a ineficácia, enquanto o segundo gera a obrigação de reparar o dano. Instituição de Ensino Charles Babbage 73 A pessoa que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Também comete ato ilícito, o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Não são considerados atos ilícitos aqueles praticados em legítima defesa ou no exercício regular de direito ou a promoção da deterioração ou a destruição da coisa alheia ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente, observados as circunstâncias e o limites. DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA Em Português a palavra prescrição tem sentido diferentes. Ela é entendida como receita médica ou como ato de dar ordem antecipada para que se faça algo. Mas, juridicamente, ela tem outro sentido bem diferente. Na área jurídica, Prescrição significa esgotamento de prazo concedido por lei; perda de ação atribuída a um direito que fica desprotegido, em função do não uso dela durante aquele prazo. O titular de direitos deve, portanto, exercê- los no tempo em forma estabelecida pela lei ou estabelecida particularmente, sob pena de caducidade, de decadência e, por conseqüência, o perecimento do direito ou da possibilidade de cobrá-lo. Da Prescrição A prescrição é a extinção de uma ação ajuizável em decorrência da inércia do seu titular, durante certo lapso de tempo. A prescrição extingue a pretensão e por conseqüência a possibilidade de se exigir um direito. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Especificamente, afeta o direito imobiliário. Prescrevem em três anos: Prescrevem em cinco anos: Da Decadência Decadência e a extinção do direito em decorrência da inércia do seu titular, que deixa escoar o prazo legal ou convencionado, para o seu exercício. Enquanto a prescrição extingue a pretensão, na decadência, o titular perde o próprio direito e extingue-se não só a pretensão, mas o próprio direito pelo não exercício do mesmo. O titular inerte perde a possibilidade de ajuizar ação para fazer valer um direito. DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES As pessoas, quase sempre, devem dar fazer ou não devem fazer alguma coisa de ordem moral ou econômica em benefício de outrem. Esse dar, fazer ou não fazer determinada coisa, torna-se obrigação. Mas, algumas obrigações possuem vínculo de direito. Assim, muitas dessas obrigações são expressas em um escrito, pelo qual a pessoa se obriga a satisfazer uma dívida, a cumprir um contrato. A prestação ou contraprestação pessoal deve ser possível, licita determinada ou determinável, e traduzível em dinheiro. DAS MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES As obrigações dividem-se em obrigações de dar ou restituir, obrigações de fazer, ou de não fazer. Das Obrigações de Dar Essas obrigações relacionam-se a obrigatoriedade de entregar alguma coisa, que poderá ser certa, determinada e específica ou incerta, indeterminada ou genérica. Instituição de Ensino Charles Babbage 74 Via de regra as obrigações incertas tratam sobre coisas fungíveis, e as obrigações certas sobre coisas infungíveis. Das Obrigações de Dar Coisa Certa A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela, mesmo que não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. O credor de coisa certa não está obrigado a receber outra, ainda que mais valiosa. As obrigações de dar e de restituir se resolvem conforme averiguação da existência de culpa do devedor. Nas obrigações de dar coisa certa, se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. Se deteriorada, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar indenização das perdas e danos. Nas obrigações de dar coisa certa, se a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes. Se deteriorada a coisa, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu. Apenas para ilustrar: tradição é a entrega da coisa feita pelo devedor ao credor, e obrigação resolvida é a obrigação finda, extinta. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverão, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este, pelo equivalente, mais perdas e danos. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este, pelo equivalente e mais perdas e danos. Na área de transição imobiliária esta obrigação é muito comum, sobretudo na definição das características do imóvel alugado. Das Obrigações de Dar Coisa Incerta A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o contrário não resultar do título da obrigação; mas não pode rá dar a coisa pior, nem será obrigado a prestar a melhor. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito. Das Obrigações de Fazer A obrigação de fazer relaciona-se com o encargo de prestar um serviço, um ato positivo, material ou imaterial, em benefício do credor ou terceiro. Bem exemplifica a obrigação De fazer o encargo aceito pelo pedreiro para construir um muro. O devedor que recusar a prestação a ele só imposta, ou só por ele exeqüível incorrerá na obrigação de indenizar perdas e danos. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa dele, responderá por perdas e danos. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido. Das Obrigações de Não Fazer A obrigação de não fazer relaciona-se com o encargo de abster-se obrigatoriamente de um fato que poderia praticar, de tolerar, consentir ou não impedir. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. Se aquele que se obrigou a abster-se de praticar o ato o fizer, o credor pode exigir seu desfazimento, sob pena de o próprio credor odesfazer a custa do devedor, que responderá também por perdas e danos. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer, sem prejuízo do ressarcimento devido. Das Obrigações Alternativas Obrigação alternativa é aquela que tem por objeto duas ou várias prestações que são devidas de tal maneira que o devedor se libere inteiramente executando uma ―só dentre elas‖ (Planiol). Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou, mas ele não pode Instituição de Ensino Charles Babbage 75 obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas e danos que o caso determinar. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornarem-se impossível por culpa do devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis, poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a obrigação. Das Obrigações Divisíveis e Indivisíveis Obrigação divisível é aquela cuja prestação o devedor pode cumprir a obrigação por partes. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta se presume dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. O devedor, que paga a dívida, subroga- se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. Das Obrigações Solidárias Há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. A solidariedade não se presume, resulta da lei ou da vontade das partes. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co- credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro. Da Solidariedade Ativa Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba. Da Solidariedade Passiva O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcialmente ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou relevada. A cláusula, condição ou obrigação adicional, qualquer que seja ela, estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos os encargos de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado. Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um; mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais. DA TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES Da Cessão de Crédito Na cessão de crédito, o credor (cedente) pode transferir a terceiro (cessionário) o direito que possui em relação ao devedor (cedido), se a isso não se opuser à natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor. A cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada. Instituição de Ensino Charles Babbage 76 Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor. O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. Da Assunção de Dívida É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando- se o seu silêncio como recusa. Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este conhecia o vício que inquinava (corrompia, infamava) a obrigação. DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES O ato de cumprir a obrigação é denominado adimplemento. A obrigação pode ser extinta com o pagamento, com a dação em pagamento, com a novação, a compensação, a transação, confusão e a remissão de dívidas. Do Pagamento O pagamento é o cumprimento dado a uma obrigação, em dinheiro ou coisa. De quem deve Pagar Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá- la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à exoneração do devedor. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do devedor, salvo oposição deste. Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade, quando esse for feito por quem possa alienar o objeto em que ele consistiu. Se se der em pagamento coisa fungível, não se poderá mais reclamar do credor que, de boa-fé, a recebeu e consumiu, ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la. Daqueles a quem se deve Pagar O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pena de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo (suposto como legítimo) é válido, ainda provado depois que não era credor. Não tem validade o pagamento, cientemente, feito ao credor incapaz de quitar, se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu. Do Objeto do Pagamento e Sua Prova O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa. Aindaque a obrigação tenha por objeto prestação divisível, não pode o credor ser obrigado a receber, nem o devedor a pagar, por partes, se assim não se ajustou. As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal. É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira, bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional excetuada os casos previstos na legislação especial. Acesse WWW.uniorka.com.br- Portal do aluno, veja os vídeos relacionados á este conteúdo! Bom estudo! http://www.uniorka.com.br-/ Instituição de Ensino Charles Babbage 77 APROFUNDAMENTO EM TRASAÇÕES IMOBILIARIAS Organizações e técnicas comerciais ORGANIZAÇÃO DE EMPRESAS Conceito de Organização Organização é o processo administrativo por meio do qual se estrutura um todo, um determinado sistema, seja ele empresa, instituição, entidade. E a organização que possibilita a criação (estruturação) de um organismo econômico (empresa), dotando-o de recursos materiais (equipamentos) e recursos humanos (pessoas). Este é, portanto, o conceito de organização, do ponto de vista da administração. Não se deve esquecer que, de um ponto de vista mais amplo, a organização deve estar presente onde quer que o homem esteja: no lar, na escola, no clube etc. Por outro lado, a vida moderna exige, cada vez mais, a adoção dos princípios e normas da administração e da organização para a sobrevivência das empresas. Objetivos da organização O principal objetivo da organização é obter o máximo rendimento de toda e qualquer atividade, tanto pela estruturação como pela indicação dos melhores métodos para a realização dos serviços. Vistos por este ângulo, os objetivos de uma empresa ou instituição determinam seus conceitos de sucesso. A organização tem objetivos específicos. A sociedade moderna solicita cada vez mais o exercício da organização, por isso é necessário que ela tenha e alcance objetivos socialmente úteis. Idalberto Chiavenato, em Introdução a Teoria Geral da Administração, dá-nos um bom exemplo da estreita ligação entre objetivos e sucesso: Há várias empresas que nos querem vender seus automóveis e sabonetes, e a mais bem-sucedida é aquela que nos consegue transformar em seus clientes, e obter lucro. Assim, receita de vendas e lucro são duas das possíveis medidas de sucesso que se pode imaginar para um tipo específico de organização - as empresas. Da mesma forma, pode-se dizer que um governo é bem-sucedido quando a população de seu país desfruta de boas condições de vida - quando, por exemplo, não ha doenças e analfabetismo. Também é interessante que um país tenha equilíbrio em suas relações comerciais; dessa forma, pode-se dizer que a qualidade de vida da população e o estado da balança comercial são duas possíveis medidas de sucesso que podem caracterizar um outro tipo de organização - os países. Vimos dois exemplos nos quais os objetivos são diferentes. No primeiro, a preocupação é com o lucro, em razão da natureza da organização. No segundo, a preocupação maior é quanto à qualidade de vida da população e ao estado da balança comercial. Para realizar seus objetivos, as organizações devem preocupar-se, também, com os recursos disponíveis, pois não adiantam lançar-se em grandes empreendimentos se não ha recursos. A organização pode ser de pequeno ou grande porte. Uma oficina, uma lanchonete, ainda que de limitadas proporções, podem ser exemplos de organização de pequeno porte. Um hospital, um órgão público, como um ministério, são exemplos de organização de grande porte. Princípios da Organização Os princípios da organização são quatro: A. Divisão do Trabalho B. Cooperação C. Imitação D. Coordenação Divisão do Trabalho À medida que as instituições foram crescendo, aumentou também o nível de complexidade das tarefas e dos serviços. Dessa forma, surgiu a necessidade da divisão do trabalho, com vistas a melhorar a qualidade e a capacidade das instituições. A divisão do trabalho é o princípio por meio do qual as tarefas são distribuídas entre as pessoas em razão de sua especialização ou da decomposição de um serviço em várias fases. A necessidade da divisão do trabalho advém, principalmente, do fato de haver diferenças individuais que favorecem determinados tipos de trabalhos, bem como da impossibilidade de uma mesma pessoa realizar duas coisas ao mesmo tempo. Para uma empresa ou instituição funcionar eficientemente, é necessário ocorrer a distribuição de tarefas e responsabilidades. Instituição de Ensino Charles Babbage 78 Quando a empresa age dessa forma, está criando seus departamentos e seções, portanto, o modelo de instituição que conhecemos modernamente adota a divisão do trabalho. COOPERAÇÃO Cooperação é outro princípio da organização. É impossível uma organização funcionar sem o princípio de cooperação. É ele que impulsiona as pessoas a contribuírem para que as tarefas e os serviços sejam realizados. A cooperação é o princípio de organização por meio do qual as tarefas são distribuídas entre as pessoas de forma espontânea, a partir do interesse que elas têm em colaborar umas com as outras. IMITAÇÃO Este princípio gera bons resultados na empresa, pois tem como base a demonstração. As pessoas assistem a demonstrações dos procedimentos que são esperados delas. A imitação é o princípio por meio do qual os serviços são demonstrados pelos encarregados aos seus subordinados para que saibam como proceder para realizar determinada tarefa. Não fosse o princípio da imitação, toda experiência profissional acumulada seria em vão e se estaria constantemente recomeçando. COORDENAÇÃO A coordenação tem como finalidade harmonizar todo funcionamento da empresa. A coordenação deve estar presente em todos os serviços da empresa, bem como durante o desempenho do administrador, por meio de planejamento, organização, direção e controle das atividades administrativas. A coordenação é o princípio da organização mediante o qual as ações da empresa são integradas de forma a comporem um todo harmonioso. Tipos de Organização Organização informal É um processo de organização em que os objetivos não são definidos de forma rígida e expressos, e que não dispõe de um conjunto de regras e procedimentos escritos determinantes de sua ação. Um time de futebol amador, um grupo de música, cinema, teatro, sem fins lucrativos, são exemplos de organizações informais. Organização formal É um processo de organização estruturado de acordo com normas e regulamentos escritos rígidos (manual) nos quais é estabelecida uma hierarquia de autoridade, e as responsabilidades são claramente definidas. As universidades, os hospitais, os clubes são exemplos de organizações formais. As organizações formais compõem-se de indivíduos que estão juntos para atingir objetivos específicos, com maiores rendimentos e menores dificuldades. Organização formal e burocracia Para coordenar suas atividades e alcançar seus objetivos, as organizações formais utilizam-se da burocracia, uma hierarquia, rigidamente estabelecida, de autoridade e de responsabilidade. A burocracia é identificada por cinco características: especialização, hierarquia de autoridade, tratamento impessoal, qualificações técnicas e indicação por mérito, regrase regulamentos escritos. De forma breve e sucinta, vamos ver cada uma dessas características. 1. Especialização – É a divisão do trabalho realizada de forma que cada pessoa se ocupe de uma tarefa previamente definida e a ela confiada. Assim, por exemplo, cada operário de uma linha de montagem pode ser encarregado de apertar um parafuso, colocar uma boneca na caixa etc. Charles Chaplin, conhecido cineasta, realiza no filme ―Os Tempos Modernos‖ uma crítica especialização, que comumente leva o homem ao tédio, pois o trabalho é executado de forma alienada, mecânica, sem nenhum significado para a vida das pessoas. Essa crítica é hoje generalizada. Muitas pessoas se indagam se a excessiva especialização não prejudica também a própria eficiência da organização, uma vez que as pessoas, não se sentindo satisfeitas, podem deixar de produzir eficientemente. Instituição de Ensino Charles Babbage 79 2. Hierarquia de autoridade – É a divisão de responsabilidades. Cada posição dentro da hierarquia burocrática compreende direitos, deveres e responsabilidades. 3. Tratamento impessoal – Significa que os trabalhadores devem ser tratados de acordo com a posição que ocupam e por aquilo que realizam, ou seja, o tratamento não pode ser em função da pessoa. Em todas as organizações, as comunicações devem visar ao interesse da organização e não dos indivíduos. 4. Qualificações técnicas e indicação por mérito – Para cada cargo, deve ser selecionado o candidato que apresentar melhor qualificação para a posição. 5. Regras e regulamentos escritos – Nas organizações formais, todos os comportamentos dos indivíduos estão prescritos em regulamentos formais, escritos. Os regulamentos dizem respeito não só ao comportamento dos indivíduos, mas também a vida da instituição. Para finalizar, podemos afirmar que, por mais rígida que seja a burocracia, sempre são estabelecidas relações informais. Essas relações, embora teoricamente desaconselhadas, são geralmente importantes na vida da organização. Nem sempre a organização formal é inteiramente eficaz em seus procedimentos, pela excessiva rigidez burocrática. Na pratica, alcançamos mais rapidamente nossos objetivos, em algumas situações, quando agimos um pouco mais informalmente, isto é, com maior flexibilidade. É importante que haja lugar para troca de experiências e idéias. Recursos Organizacionais Para realizar seus objetivos, as organizações devem preocupar-se também com os recursos disponíveis, pois não adianta se lançar em grandes empreendimentos se não há recursos. Os recursos empresariais são os meios de que dispõem as empresas para poderem funcionar e alcançar seus objetivos. Eles podem ser de propriedade da empresa (fazendo parte de seu patrimônio), alugados ou arrendados. Os principais recursos empresariais são: recursos físicos ou materiais, recursos financeiros, recursos humanos, recursos mercadológicos, recursos administrativos. 1. Recursos físicos ou materiais são todas as coisas físicas e materiais de que dispõe uma empresa. Edifícios, instalações, equipamentos, matérias-primas etc. constituem os recursos físicos de uma empresa. Normalmente, a gestão dos recursos físicos ou materiais cabe a administração da produção da empresa. 2. Recursos financeiros correspondem ao fator de produção denominado capital. Abrangem, porém, muito mais que o capital, pois envolvem a totalidade dos recursos financeiros da empresa, como o faturamento, o fluxo de caixa, os investimentos, as contas a receber etc. A gestão dos recursos financeiros cabe a administração financeira da empresa. 3. Recursos humanos correspondem ao fator de produção denominado trabalho. Sua abrangência, porém, é bem maior, pois enquanto o trabalho focaliza apenas a mão de obra, os recursos humanos envolvem todas as pessoas na empresa, do presidente ao operário. A gestão dos recursos humanos cabe a administração de recursos humanos. 4. Recursos mercadológicos também chamados recursos comerciais, envolvem os meios mediante os quais a empresa faz fluir seus produtos ou serviços até o consumidor final. Pesquisa de mercado, vendas, promoção, propaganda e canais de distribuição são exemplos de recursos mercadológicos. A gestão dos recursos mercadológicos cabe a administração mercadológica ou administração de marketing. 5. Recursos administrativos correspondem ao fator de produção denominado empresa. Envolvem os meios de coordenação interna de todos os demais recursos empresariais, assegurando-lhes a integração necessária para o seu desempenho global. A gestão dos recursos administrativos cabe a administração geral. A Abordagem Sistêmica Nas Organizações Empresariais A Teoria Geral dos Sistemas ensina-nos que um sistema é um ―todo organizado e unido, composto por duas ou mais partes interdependentes, delimitado por fronteiras identificáveis do seu macros sistema ambiental‖. O Sistema Solar, o corpo humano, um ecossistema ou uma Instituição de Ensino Charles Babbage 80 organização são exemplos de interação dinâmica interdependente que caracterizam um sistema. Um sistema é composto por subsistemas ou componentes e está integrado num macro sistema. O todo formado por um sistema é superior a mera soma das partes que o constituem. Chama-se a esse conceito holismo, que resulta das sinergias estabelecidas entre os vários subsistemas. É preciso distinguir dois tipos de sistemas. Um sistema fechado não tem qualquer relação com o respectivo ambiente, enquanto um sistema aberto estabelece uma interrelação com aquilo que o rodeia. A maior parte, se não a totalidade, dos sistemas sociais corresponde a este segundo tipo. A descrição de sistema aberto é exatamente aplicável a uma organização empresarial. Uma empresa é um sistema criado pelo homem e mantém uma dinâmica interação com seu meio ambiente. Influi sobre o meio ambiente e recebe influências dele. E um sistema integrado por diversas partes relacionadas entre si, que trabalham em harmonia umas com as outras, com a finalidade de alcançar uma série de objetivos, tanto da organização quanto de seus participantes. É fácil observar que esses conceitos correspondem à realidade das organizações. O que a aplicação dessa visão sistêmica trouxe de novo a Teoria da Gestão foi o fornecimento de um quadro global, no qual podem ser integrados quase todos os conhecimentos colhidos anteriormente, considerando agora também o ambiente no qual a organização se insere. Esta é a grande novidade, pois, até esse momento, as teorias de gestão que tinham sido propostas viam a empresa como um sistema fechado. Os principais subsistemas que compõem o sistema empresarial são: Subsistema de Objetivos e Valores: há em cada organização um subsistema de objetivos e valores. Sendo a empresa um subsistema da sociedade onde se insere, é natural que uma boa parte dos seus valores sejam determinados pelo contexto em que se insere. Esse subsistema inclui a cultura e os objetivos globais, de grupo ou individuais. Subsistema Técnico: é o subsistema que integra o conhecimento necessário ao desempenho do papel produtivo da empresa, bem como a tecnologia envolvida. Subsistema Psicossocial: compreende os fatores que influenciam o comportamento individual, como a motivação, as dinâmicas de grupo, a liderança, a comunicação ou as relações interpessoais. Subsistema de Estrutura: inclui os meios de divisão e coordenação da organização, estabelecendo as relações formais de autoridade, comunicação e trabalho. Subsistema de Gestão: envolve os outros quatro, estabelecendo os objetivos, planejando, desenhando a estrutura e implementando sistemas de controle. O sistema organizacional Assim, a organização deve ser vista como um sistema aberto, compostopor um conjunto de subsistemas (ou processos) que trabalham coordenadamente como um único sistema global, para atingir os objetivos do negócio. As funções, os departamentos ou os serviços são subsistemas, cuja única razão de ser é contribuir para o processo-base da organização. A abordagem sistêmica estuda a empresa como um sistema (processos), focalizando a gestão na simplificação dos processos pelos quais os produtos são criados e na eliminação das tarefas que não tem valor agregado, permitindo que esta responda, de uma forma adequada, a crescente exigência por parte do cliente. PROCESSO ADMINISTRATIVO Administração: Conceito E Aplicação Administrar significa, portanto, realizar tarefas mediante uma relação entre autoridade e responsabilidade, isto é, comando e obediência. Administrar é a arte e a ciência de preparar, organizar e dirigir os esforços humanos, Instituição de Ensino Charles Babbage 81 aplicando-os a direção das forcas e a utilização dos materiais para benefício humano. Apesar dos diferentes tratamentos da Administração pelo tempo, ela permanece como forma de aprimorar os meios para atingir os melhores fins. Seja por meio da arte, seja da racionalização, seja do uso de ambas, a Administração propõe o desenvolvimento da melhor forma de agir para obter os resultados esperados. Segundo Stoner (1999, p.4): ―A Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar os esforços realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para alcançar os objetivos estabelecidos.‖ O conceito de administração está, dessa forma, estreitamente relacionado ao próprio conceito de organização, pois não se pode pensar em empresas, organismos e instituições que não utilizem processos administrativos, uma vez que é por meio deles que se estruturam as organizações, levando-as a realizar seus objetivos. Na verdade, como diz Idalberto Chiavenato na obra Introdução a Teoria da Administração: O objeto de estudo da administração sempre foi a organização, inicialmente entendida como um conjunto de cargos e tarefas, mais além como um conjunto de órgãos e funções, desdobrando-se, posteriormente, em uma complexa gama até chegar a concepção de sistema. As mais recentes teorias administrativas têm por objetivo o estudo da organização como um sistema composto de subsistemas que interagem entre si e com o ambiente externo. A administração não é uma atividade mecânica, varia de empresa para empresa. Logo, o administrador terá de reavaliar seu papel, suas atividades, suas funções, cada vez que necessitar exercer cargos administrativos. O sucesso de um administrador esta correlacionado mais as características de sua personalidade, ao seu modo de agir e de resolver problemas do que propriamente ao conhecimento adquirido sobre administração. Por isso, Idalberto Chiavenato destaca três aspectos importantes para que o administrador possa executar eficazmente o processo administrativo: a habilidade técnica, a humana e a conceitual. Vamos analisá-las. 1. Habilidade técnica – consiste em utilizar conhecimentos, métodos, técnicas e equipamentos necessários à realização de suas tarefas específicas, por meio de sua instrução, experiência e educação. 2. Habilidade humana – consiste na capacidade e no discernimento para trabalhar com pessoas, compreender suas atitudes e motivações e aplicar uma liderança eficaz. 3. Habilidade conceitual – consiste na compreensão global das complexidades da organização e no ajustamento do comportamento da pessoa na organização. Essa habilidade permite que a pessoa se comporte de acordo com os objetivos da organização. A necessidade de usar mais uma habilidade do que outra varia à medida que se sobe na escala hierárquica, de posições de supervisão a posições de alta direção. Assim, quando se exercem cargos mais elevados na organização, diminui a necessidade de habilidades técnicas e aumenta a necessidade de habilidade conceitual. A atividade administrativa pode ser exercida por profissionais de qualquer área: engenheiros, médicos, economistas, professores etc. Numa estrutura organizacional, qualquer profissional competente pode ser designado para ocupar cargos de supervisão, chefia, direção. A partir do momento em que for promovido, precisa, então, dedicar-se as responsabilidades que lhe exigirão conhecimentos e posturas novas e diferentes. Um bom administrador deve observar alguns fatores dos quais depende o sucesso de seu trabalho. Estes são os seguintes: filosofia, objetivos, aptidões humanas, recursos ambientais, normas e estrutura. Conheça, de forma breve, essas características. 1. A filosofia da administração compreende a orientação que o administrador imprime ao seu trabalho. Mesmo quando ela não é expressa – existe de forma implícita, norteando o trabalho do administrador –, está presente nas respostas que o administrador dá a certas questões. 2. Os objetivos são diferentes para a organização, para os empregados e para a comunidade. A organização, por exemplo, interessam a produção de bens ou serviços e o lucro que essa atividade possa proporcionar-Ihe. Já aos empregados interessam, sobretudo, a sobrevivência e a realização pessoal. Para a comunidade, interessam os bens e os serviços, e a qualidade deles. Cabe ao administrador conciliar os objetivos dos vários grupos sociais. Instituição de Ensino Charles Babbage 82 3. As aptidões humanas são um fator fundamental para o desenvolvimento das empresas e instituições, pois delas depende, em grande parte, a realização dos planos estabelecidos pela organização. É importante o cuidado constante com o aperfeiçoamento dos trabalhadores, bem como a busca de sua satisfação pessoal. 4. Os recursos ambientais dizem respeito a instalações, equipamentos e demais recursos e serviços de apoio necessários ao alcanc dos objetivos da organização, dos empregados e da comunidade. 5. As normas referem-se à seqüência em que as tarefas devem ser desenvolvidas, ou seja, cada atividade, cada trabalho deve ser executado mediante determinados passos previamente estabelecidos. É função do administrador promover pesquisas para verificar, em cada caso, qual a seqüência de etapas que conduz de forma mais eficiente aos objetivos. 6. A estrutura organizacional consiste em determinada distribuição das funções e responsabilidades administrativas dentro da organização. Por exemplo, a estrutura organizacional de uma universidade vai indicar as várias faculdades e institutos de que se compõe essa organização de Ensino Superior e, dentro de cada unidade, vai indicar os departamentos que a compõem, e assim por diante. Pode-se concluir que a administração, nos dias de hoje, é uma área de conhecimento humano imprescindível para o desenvolvimento da sociedade. Não se trata, entretanto, de uma atividade simples, ao contrário, é complexa e plena de desafios. Cada organização lida com problemas específicos, portanto o administrador deve estar preparado para antecipar e solucionar problemas, planejar a aplicação de recursos e desenvolver estratégias. Funções Empresariais Para atingir o objetivo estabelecido pela empresa, o administrador deve estar apto a utilizar os recursos humanos, materiais e financeiros numa ação ordenada das chamadas funções empresariais. Funções técnicas Referem-se às atividades de transformação de matérias-primas em produtos acabados, estando intimamente ligadas ao negócio em si. Uma imobiliária, por exemplo, tem por obrigação conhecer as diversas particularidades envolvidas na compra, na locação e na venda de imóveis. Funções comerciais Abrangem todas as etapas direcionadas à compreensão das necessidades/desejos do mercado, envolvendo, também,a análise da concorrência. Destinam- se a oferecer aquilo que os clientes almejam a preços competitivos. Funções financeiras Representam a habilidade de atrair recursos monetários e aplicá-los onde dêem maior retorno. É a gestão do capital. Funções de segurança Estão ligadas a proteção do patrimônio, incluindo pessoas, máquinas, equipamentos, instalações prediais etc. Funções contábeis Tem a finalidade específica de, mediante demonstrativos formalizados, apresentar a situação do negócio. Compreendem inventários, balancetes, balanços etc. Funções administrativas Relacionam-se à estipulação de programas de ação empresarial, gerenciando os recursos a disposição. Abrangem todo o processo de definição de objetivos e metas, culminando com a determinação das responsabilidades, níveis de autoridade, liderança e instrumentos de acompanhamento e controle. O Processo Administrativo As diversas funções do administrador, quando visualizadas como um todo para o alcance dos objetivos da empresa, constituem o processo administrativo. Este processo possui caráter extremamente dinâmico e contínuo, envolvendo as seguintes funções: A. Planejamento B. Organização C. Direção D. Controle Instituição de Ensino Charles Babbage 83 Vamos abordar cada uma delas de forma prática e resumida. O planejamento, na área administrativa, é a ação de especificar os objetivos a serem atingidos pela organização e determinar as formas de concretizá-los. A função básica do planejamento reside na importância de se definir linhas de atuação, sejam estas individuais, sejam coletivos, consoantes os desempenhos capazes de gerar resultados positivos a um todo. Variáveis externas Como qualquer função no mundo dos negócios, o planejamento sofre influências de variáveis internas e externas. Vamos exemplificar com fatores atuantes no mercado imobiliário. a economia interfere diretamente na oferta e procura de bens imóveis; a tecnologia fornece condições inovadoras no ato de vender e na captação da informação; o governo cria taxas e impostos; a legislação impõe normas de procedimentos administrativos; o modismo provoca mutações nos comportamentos de consumo; os aspectos sociais ditam posturas coletivas; a demografia demonstra os níveis de crescimento populacional e o fluxo desta provoca transformações nos limites das cidades. Variáveis Internas O conhecimento da realidade interna da organização, isto é, sua situação no que se refere à condição do mercado, subsidia o processo decisório acerca do que se pretende atingir e qual o impacto do alcance de determinados objetivos nos negócios. Partindo do exposto, pode-se concluir o seguinte. O planejamento existe em função da própria razão de existência da empresa. O planejamento responde as indagações: O que fazer? Onde fazer? Como fazer? Quanto fazer? Quando fazer? Quem vai fazer? e para quem fazer? O planejamento deve abranger toda a organização. Pressupostos do Planejamento O planejamento busca as ações a seguir. Eficiência: fazer as coisas com bom desempenho; está baseada em métodos, meios e procedimentos. Eficácia: fazer as coisas corretas, atingindo os resultados propostos. Efetividade: apresentar resultados positivos permanentes, generalizados por toda a empresa. Traduz-se pelas respostas eficientes e eficazes. Economicidade: nortear o trabalho com ausência de desperdício de recursos; está baseada na relação custo, benefício e viabilidade. Estrutura do planejamento A estrutura do planejamento em uma organização, quanto a sua abrangência, pode ser esta. Estratégico – Compreende as decisões que englobam a empresa como um todo. Está voltado para o estabelecimento de metas, objetivos e políticas da organização. Tende a ser mais complexo, exigindo um período relativamente longo para sua plena concretização. Tático – Compreende a procura por resultados eficientes e eficazes direcionados para um departamento da organização. É projetado para media prazo, muitas das vezes para um exercício anual. Operacional – Representa o próprio ato de ―fazer‖. Pode ser visualizado em setores, seções e até nos funcionários. É projetado para curto prazo, podendo envolver cada tarefa ou atividade isoladamente. Normalmente objetiva metas, programas, normas e procedimentos. Período do Planejamento Quanto ao período o planejamento pode ser. A. PLANEJAMENTO Instituição de Ensino Charles Babbage 84 Em longo prazo – Abrange períodos acima de cinco anos. Em médio prazo – Abrange períodos de dois a cinco anos. Em curto prazo – Abrange período de ate um ano. É a ação de estruturar a empresa por meio da reunião de pessoas e da aquisição dos equipamentos necessários a consecução dos objetivos. Fazem parte da estrutura organizacional as normas de trabalho, o pessoal, os materiais e os equipamentos. Como atividade básica da administração, serve para estruturar todos os recursos, humanos ou não, visando ao alcance dos objetivos predeterminados. Quando a função administrativa é estabelecida de forma adequada, oportuniza: a organização das funções e responsabilidades; a identificação das tarefas necessárias; a clareza de informações e feedback aos empregados; a oferta dos recursos e dos materiais para realização das tarefas; a avaliação de dos desempenhos compatíveis com os objetivos; o agrupamento de pessoas para realização de tarefas inter- relacionadas; um sistema de motivação eficiente. É a ação de fazer funcionar a organização, mediante coordenação de todo o trabalho e de seu acompanhamento. O papel da direção é acionar e dinamizar a empresa. Temos aqui a correção de desvios, o treinamento de pessoal, a reposição de materiais e a substituição ou o remanejamento de empregados, por exemplo. CAPÍTULO III: ORGANIZAÇÕES COMERCIAIS A palavra empresa (do latim prehensa) significa empreendimento, negócio. As empresas tem origem antiga, mas seu crescimento e sistematização datam da época da Revolução Industrial, quando houve major divisão do trabalho. Foi também naquela época que se organizaram os fatores de produção: trabalho e capital. Embora ate hoje sobrevivam outras formas de produção, como a do pequeno lavrador ou do produtor artesanal doméstico, a empresa é o processo principal no sistema econômico capitalista e socialista. A empresa é uma organização social em que se reúnem e combinam os elementos necessários a produção de bens e serviços, com finalidade de lucro. Dizemos que empresa é uma organização social por ser uma associação de pessoas para a exploração de um negócio, tendo em vista um objetivo – lucro ou atendimento a uma necessidade da sociedade. Os elementos que se reúnem e se combinam em uma empresa são, justamente, o material (capital aplicado) e o humano (trabalho). No sistema capitalista, as empresas caracterizam-se por visarem ao lucro do empresariado. Na ordem econômica socialista, a empresa pertence ao Estado. Os lucros são de direito do Estado, revertidos para a população. Costuma-se confundir empresa com entidade. No entanto, ha diferença significativa entre os dois organismos. Como vimos, as empresas visam ao lucro, no sistema capitalista. As empresas que não visam ao lucro são chamadas entidades. Constituição da Empresa Vamos conhecer, agora, a constituição das principais formas de empresas. Antes, porem, quer estudar o conceito jurídico de tais sociedades, pois, sem esse esclarecimento, é difícil compreender o assunto. Na linguagem do Direito Civil, encontramos dois sentidos de pessoa: pessoa física e pessoa jurídica. Vejamos cada um deles. Pessoa física é o individuo capaz de assumir direitos e obrigações. Pessoa jurídica é a reuniãode dois ou mais indivíduos, resultante de um contrato estabelecido para certo fim, com vida e patrimônio distintos dos daqueles dos indivíduos que a compõem. Por meio desses conceitos, compreendemos que os sócios de uma sociedade comercial são pessoas físicas, enquanto as sociedades comerciais são pessoas jurídicas. Os Tipos de Firmas e as Formas de Sociedade Comercial Vamos analisar aqui outros conceitos importantes a compreensão da constituição das empresas. Tipos de firmas comerciais B. ORGANIZAÇÃO C. DIREÇÃO Instituição de Ensino Charles Babbage 85 Firma comercial, razão social ou razão comercial é o nome que representa o estabelecimento comercial em todos os seus documentos e transações. A firma pode ser individual ou social. A firma comercial deve ser registrada na Junta Comercial. As empresas podem ser constituídas de duas formas: firmas individuais e firmas de sociedade. Firma individual é aquela que é representada por um só empresário. As responsabilidades, os direitos e os deveres concentram-se em uma única pessoa. As firmas individuais são consideradas pessoas jurídicas para fins tributários. Firma de sociedade é aquela que é propriedade de uma sociedade comercial. Nesse tipo de firma, as responsabilidades, os direitos e os deveres dividem-se entre duas ou mais pessoas. As firmas de sociedade podem assumir uma variedade de formas de sociedades comerciais. Junta Comercial E uma autarquia com personalidade jurídica de direito responsável pelo registro de atividades ligadas a sociedades empresariais, que executa serviços de arquivamento dos atos relativos a constituição, alteração, dissolução e extinção de empresas mercantis de: pequeno, médio, e grande porte, consórcios e grupos de sociedades; empresas estrangeiras autorizadas a funcionar no país, documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e atividades afins (leilões, traduções etc.) e daqueles que possam interessar ao empresário ou as empresas. Toda empresa após passar pela Junta Comercial e com o cumprimento de todas as exigências para seu registro, terá o número do CNPJ devidamente emitido pelo Ministério da Fazenda. Formas de sociedades comerciais As firmas podem assumir diferentes formas, dependendo dos interesses dos sócios e do tipo de negocio. Sociedade em nome coletivo – é uma associação de duas ou mais pessoas, operando sob nome ou firma em comum. Nesse tipo de sociedade, os sócios são responsáveis solidariamente pelos direitos e pelas obrigações da firma, sem qualquer limite. Sociedade de capital e indústria – consiste em uma associação que envolve dois tipos de sócios: os sócios capitalistas e os sócios de indústria. Os sócios capitalistas recebem esse nome porque contribuem com o capital; eles respondem pelas obrigações da sociedade. Os sócios de indústria incumbem-se da prestação de serviços técnicos ou profissionais e não respondem pelo capital social. Sociedade anônima – é um tipo de associação cujo capital social é dividido em ações (nominais ou ao portador) de um mesmo valor nominal e constituído por meio de subscrições. Nesse tipo de associação, cada pessoa adquire (subscreve) o número de ações que lhe convier, tornando-se acionista da sociedade anônima. O grupo, ou mesmo pessoa, que possui o maior número de ações pode eleger em assembléia de acionistas os dirigentes da empresa. Os acionistas assumem os direitos e os deveres da sociedade e as obrigações sociais, em função do número de ações que detenham. Sociedade em comandita simples – tem o capital formado pelas contribuições de duas classes de sócios: os sócios comanditários ou capitalistas e os sócios comandita dos. Os sócios comanditários respondem de forma limitada pelo capital subscrito. Os sócios comandita dos respondem solidaria e ilimitadamente pelas obrigações sociais; empenham seu patrimônio, seu trabalho e são os sócios comerciantes da sociedade. Sociedade em comandita por ações – representa também os dois tipos de sócios citados anteriormente: os comanditários e os comandita dos. Somente os sócios ou acionistas tem qualidade para gerir a empresa (como diretores ou gerentes, por exemplo). Esta é uma forma de sociedade rara em nosso país, pois a sociedade anônima a substitui com vantagem. Sociedade por quotas de responsabilidade limitada – pode funcionar com o nome de algum dos sócios ou adotar uma denominação social. Os sócios tem responsabilidade frente aos direitos e obrigações da firma proporcional ao capital registrado em seu contrato social. Sociedade cooperativa – é uma associação voltada exclusivamente para o suprimento de necessidades e Instituição de Ensino Charles Babbage 86 interesses dos associados (cooperativa de agricultores, produtores de cana-de-açúcar etc.). Seu capital é formado por quotas-partes e varia conforme aumenta ou diminui o número de associados, não podendo ser transferido para terceiros. Os associados podem participar das deliberações tomadas em assembléias gerais por meio de voto. Nesse tipo de sociedade, número de associados é ilimitado, sendo impedida a subscrição de quotas partes a estranhos ao meio social amparado pela associação. Sociedade em conta de participação – é a forma jurídica que ocorre quando duas ou mais pessoas, sendo ao menos uma comerciante, reúnem-se sem firma social, para lucro comum, em operações previamente determinadas, trabalhando uma, algumas ou todas em seu nome individual para o fim social. Nesse tipo de sociedade, o sócio ostensivo (ou gerente) é o único que se obriga com terceiros; os outros sócios, porem, ficam obrigados somente com sócio ostensivo por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas, nos termos exatos do contrato. Sociedade de economia mista – é uma associação de capital privado e público, em forma de sociedade anônima. O Estado canaliza para si, mediante participação privada, os recursos de que necessita para empreendimentos essenciais e ben6ficos para toda coletividade. CLASSIFICAÇÃO DAS EMPRESAS As empresas podem ser classificadas sob diversos aspectos, independentemente da espécie de firma comercial escolhida: quanto a sua propriedade; quanto ao tipo de produção e quanto ao tamanho. Vejamos, agora, cada um desses aspectos. Quanto à propriedade Quanto à propriedade as empresas podem ser: Empresas públicas (ou estatais). São aquelas de propriedade do Estado e que constituem o setor p6blico. Tem por objetivo o bem-estar social, pois estão voltadas para o beneficio da sociedade. São também conhecidas como empresas não lucrativas. Empresas privadas (ou particulares). São de propriedade de particulares e constituem o chamado setor privado. O principal objetivo dessas empresas é o lucro. Empresas mistas. São sociedades por ações de participação pública e privada, simultaneamente. Nas empresas mistas, a união, o estado, o município são geralmente os sócios majoritários, detendo a maior parte das ações. Essas empresas prestam serviços de utilidade pública ou de segurança nacional. Quanta ao tipo e a produção Quanto ao que produzem, as empresas podem ser estas. Empresas primárias ou extrativas. Executam atividades extrativas (empresas agrícolas, de mineração, de prospecção e extração de petr6leo etc.). São chamadas primarias porque trabalham visando a obtenção de matérias- primas. Empresas secundárias ou de transformação. Processam e transformam as matérias primas em produtos finais. Nessa classificação entram as indústrias em geral, quaisquer que sejam seus produtos finais. Empresas terciárias ou prestadoras de serviços. Executam e prestam serviços especializados. Enquadram-se nessa classificação os bancos, as financeiras,o comércio em geral, os hospitais, as escolas e as universidades, os serviços de comunicações (radio, TV, imprensa, telefonia, telex, fax, Internet etc.) e toda a gama de serviços realizados por profissionais liberais (advogados, médicos, engenheiros etc.). Quanto ao tamanho As empresas, quanto ao seu porte e ao volume de recursos de que dispõem, podem ser as seguintes. Empresas grandes. São de grande porte e de enorme volume de recursos (número de empregados, tamanho das instalações, volumes de capital e de equipamentos etc.). As empresas grandes são constituídas por um grande número de empregados. Empresas médias. São de porte intermediário e de razoável volume de recursos. São constituídas por um número entre 50 a 250 empregados, aproximadamente. O limite de empregados que separa uma empresa media de uma empresa grande é de aproximadamente 500 empregados. Empresas pequenas. São de pequeno porte e de limitado número de empregados (menos de 50). Outra definição para empresa pequena (ou microempresa) é a de que, nela, o administrador (geralmente o proprietário) devem o comando de todas as áreas funcionais da empresa (área Instituição de Ensino Charles Babbage 87 comercial, de produção, financeira e de pessoal), não havendo um segundo nível diretivo para essas responsabilidades. Essa classificação de empresas possibilita combinações interessantes: uma empresa pode ser privada (quanto à propriedade); secundária (quanto ao tipo de produção) e de grande porte (quanto ao tamanho), por exemplo. Existem as empresas multinacionais, aqueles que possuem filiais em diversos países. Escolha de atividades A escolha da atividade da empresa esta entre as primeiras decisões que seus sócios devem tomar. Aliás, a constituição da empresa depende da escolha da atividade. O que a empresa ira fazer? Em que volume ela ira produzir? Será uma empresa pequena, media ou grande? Perguntas como essas devem ser respondidas por seus sócios antes mesmo da constituição das empresas. Ha fatores decisivos na escolha da atividade da empresa. Entre os mais importantes destacamos os seguintes. O ―know-how‖: é o grau de conhecimento que os sócios têm sobre os produtos ou serviços a serem produzidos pela empresa e suas técnicas de produção; O conhecimento do mercado: abrange os consumidores ou usuários dos produtos ou serviços, as empresas concorrentes que também os produzem, as condições de compra e venda que vigoram no mercado etc. O capital: é o montante que os sócios podem investir no need°, a probabilidade de retorno desse capital e o risco que o negocio pode envolver. Os recursos empresariais: são todos aqueles que os sócios podem conseguir como prédios, edifícios, máquinas, equipamentos, instalações, matérias-primas, tecnologia de produção etc.; Os recursos empresariais podem ser de propriedade da empresa (fazendo parte de seu patrimônio), alugados ou arrendados. Os recursos humanos: referem-se a todos aqueles que os sócios podem recrutar para o funcionamento do negócio, dotados dos conhecimentos e habilidades necessários. As empresas e a influência no mercado Uma empresa deficitária, que não se sustenta, ou que transfere seus encargos para a sua mantenedora, é uma empresa inviável. Para obter lucros, as empresas baseiam-se na lei da oferta e da procura e tem livre iniciativa, ou seja, podem concorrer com outras empresas. Em que se fundamenta a lei da oferta e da procura? Segundo essa lei, os pregos dos bens e serviços aumentam quando a procura é maior do que a oferta e diminuem quando a oferta é maior do que a procura. As empresas, no entanto, podem burlar essa lei por mecanismos como o monopólio, o oligopólio e outros recursos. Monopólio O monopólio consiste no privilégio de vender ou fabricar determinado produto com exclusividade. Em geral, o monopólio é proibido, pois impede a livre concorrência, passando a favorecer apenas uma empresa. O monopólio pode ser legalizado pelo governo quando ha interesse de ordem pública ou de segurança. Embora seja proibido por lei, o monopólio existe largamente na sociedade. Às vezes, ele ocorre por falta mesmo de concorrentes ou pode acontecer de os grandes concorrentes se imporem ao mercado, sufocando os pequenos concorrentes. Esse procedimento também é uma forma de monopólio. Oligopólio O oligopólio ocorre quando, no mercado, ha grande número de pequenos compradores e pequeno número de grandes vendedores. Por exemplo: grande número de pessoas compra carros comercializados por um número reduzido de concessionárias. Truste Os trustes surgem da fusão de varias empresas de maneira completa e definitiva. As empresas que se fundem perdem a sua personalidade jurídica, dando origem a uma nova, representada pela junção do patrimônio de todas elas. As empresas agrupam-se formando trustes para adquirirem o monopólio do mercado, pois tornam-se fortes e passam a girar com grandes capitais. Ha diversos tipos de trustes. Cartel é a associação temporária de empresas juridicamente autônomas, mas que realizam acordos, definindo suas políticas de comercialização, principalmente de preços, visando a suprir ou a limitar a concorrência. As empresas que formam um cartel, ou seja, que se mantêm independentes, mas que não concorrem entre si, adquirem grande poder. Em casos extremos, mesmo que a Instituição de Ensino Charles Babbage 88 produção das empresas do cartel nä° seja suficiente para suprir o mercado, elas podem fazer reserva de mercado, impedindo o aparecimento de concorrentes por meio do aviltamento temporário de preços. Holding é a empresa que resulta da fusão de varias outras. Trata-se de uma sociedade sem atividade produtiva própria, mas que, por meio de sua participação financeira, detém o controle acionário de diversas empresas. Com o seu poder de decisão nas empresas que controla, uma holding pode dominar determinados mercados, impedindo a livre concorrência. Grupo de sociedade O grupo de sociedade é constituído por sociedades que combinam recursos ou esforços para a realização de objetivos comuns e participam em atividades ou empreendimentos comuns. Essa forma de associação pode ter efeitos econômicos benéficos, tais como redução de custos em conseqüência da racionalização, divisão de trabalho e outros procedimentos organizacionais. Técnicas Comerciais As empresas produzem bens e serviços consumidos pela sociedade. Os bens e serviços são colocados no mercado onde são vendidos. E necessário, portanto, que haja oferta (produtos) e sua exposição no mercado e procura (compra dos produtos). Essa transação de oferta e procura chama-se comércio. Técnica comercial são os processos utilizados pelo homem para realização do comércio, utilizando-se para este fim princípios econômicos, jurídicos e administrativos. Explicando por outras palavras, técnica comercial é a maneira pela qual uma empresa efetua suas atividades de compra e venda de bens ou serviços. ORGANIZAÇÃO COMERCIAL DA EMPRESA A organização comercial é responsável não só pelos aspectos relacionados às vendas (estratégia de marketing e bases de ação comercial da empresa em relação ao mercado), mas também a estratégia de compras. Podemos dizer que ela é o ponto de ligação entre a empresa e o mercado. Esse movimento é também conhecido pelo nome de interface. O objetivo da organização comercial é comprar e vender de forma eficiente e satisfatória. Para realizar o objetivo das empresas, ela conta com a ajuda de varies serviços, que são chamados serviços auxiliares do comércio. Estudo Do Mercado: Os Processos De Compra e Venda O estudo do mercado é a investigação de fenômenos que ocorrem no processo de intercambio de mercadorias do produtor ao consumidor. E uma sondagemcom vistas à obtenção de informações esclarecedoras quanto ao comportamento do mercado. Toda empresa, para vender bem, precisa realizar essa sondagem. Geralmente, as empresas têm seus órgãos de compra e de venda. O órgão de compras encarrega-se de suprir a empresa do material e instrumentos necessários ao seu funcionamento, no tempo certo, quantidade e qualidades adequadas. O processo de compras compreende as seguintes fases. Pesquisa do mercado de fornecedores; Recebimento da ordem de compra; Cotação de preços e condições de pagamento; Escolha do melhor fornecedor; Pedido de compra; Acompanhamento do pedido de compra; Recebimento do material. Elas são importantes e devem ser observadas para que o processo de compra se efetue eficientemente. O processo de vendas tem a função de colocar os produtos da empresa no mercado para serem consumidos. O órgão de vendas funciona como ponto de ligação entre a empresa e seus clientes. O órgão de vendas deve também observar alguns passos para funcionar com eficácia. Esses passos são: Pesquisa do mercado de consumidores Propaganda Venda Promoção de vendas Canais de distribuição Instituição de Ensino Charles Babbage 89 Merchandising (apresentação, características, preço, tamanho, nome, marca, embalagem etc. do produto). Propaganda, Publicidade e Promoção de Vendas A promoção, como termo genérico, é uma das formas de estimulo as vendas de uma empresa. Vista como um todo o promoção compreende quatro componentes: a propaganda, a publicidade, a promoção de vendas e a própria venda pessoal. Os conceitos de propaganda, publicidade e promoção de vendas tornam mais claras as qualidades específicas de cada um desses componentes promocionais. Propaganda é qualquer forma paga e impessoal de apresentação e promoção de idéias, bens ou serviços, por um patrocinador identificado, conforme estabelece o Decreto n° 57.690 de 1/2/1966, que regulamenta a profissão do publicitário e delimita as atividades das agendas de propaganda. Publicidade é o estimulo impessoal para a procura de um produto, serviço ou negócio, pela divulgação de noticias comercialmente significativas numa mídia impressa ou em apresentação favorável no radio, na televisão ou ate no palco. Promoção de vendas trabalha com as vantagens quanto à forma de aquisição, assim, ela é o estimulo a compra por parte do consumidor e eficácia dos revendedores. Utiliza recursos como displays, shows, exposições, demonstrações e outros esforços que não se incluem na rotina de vendas. A propaganda visa propagar, divulgar o produto; ela utiliza os mais diversos tipos de mídia: espaço em jornais e revistas; radio e televisão; outdoors (compreenda outdoors não só como aqueles enormes cartazes em exposição nas ruas, mas também os luminosos e a propaganda aérea); mala direta, souvenir (caixinhas de fósforos, blocos de rascunho, agenda, calendários); adesivos, catálogos; listas telefônicas e paginas amarelas etc. A propaganda pode ser realizada com vários fins: O de fixar o nome da empresa em longo prazo (propaganda institucional); O de desenvolver a marca em longo prazo (propaganda de marca); O de disseminar informações sobre uma venda, serviço ou acontecimento (propaganda classificada); O de anunciar uma venda especial (propaganda de vendas). O anúncio refere-se à propaganda comercial que visa despertar o interesse do consumidor por bens ou serviços anunciados. O COMERCIO E O MERCADO IMOBILIÁRIO Captação imobiliária A captação imobiliária é uma das principais funções da atividade de intermediação imobiliária. Consiste, basicamente, na realização de contatos junto ao mercado potencial visando à viabilização de uma venda ou um negócio imobiliário. O anúncio de imóveis para venda ou locação é um dos recursos técnicos mais utilizados para a captação imobiliária. Entretanto, outros recursos devem ser utilizados complementarmente de maneira a criar um ambiente de oportunidades que signifique a ampliação de mecanismos capazes de identificar mais rapidamente o cliente. Nesse sentido, pode destacar-se o oferecimento do serviço de corretagem ou intermediação imobiliária a potenciais clientes selecionados por grupo de renda, preferências ou qualificações para aquisição. Desenvolvimento de estratégias de captação de imóveis junto a empresas construtoras potencias interessados em vender seus imóveis, contatos com antigos clientes etc. representam alternativas de captação que possibilitam uma maior oportunidade de negócio. Condições de crédito Crédito pode ser definido como uma transação comercial em que um determinado comprador – ou beneficiário, adquire um bem ou serviço de um determinado credor – aquele que concede (empresa, pessoa, banco etc.) o qual será pago pelo comprador em uma ou mais parcelas, por um tempo determinado, com base na confiança que inspira ao credor. As Condições de Crédito podem ser consideradas tanto pelo aspecto do credor, isto é, aquele que concede o benefício do crédito quanto daquele que recebe o crédito, isto é, o beneficiário. Dessa forma, quando se fala em condições de crédito do credor, refere-se à disposição, interesse ou disponibilidade daquele que concede o beneficio em efetivamente conceder o crédito. Por outro lado, a condição de crédito do beneficiário este relacionada Instituição de Ensino Charles Babbage 90 à confiabilidade e à capacidade ecomônica-financeira do beneficiário para saldar o compromisso financeiro a ser assumido junto ao credor. Comunicação Empresarial Comunicação Empresarial (Organizacional, Corporativa ou Institucional) compreende um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para reforçar a imagem de uma organização junto aos seus públicos de interesse (interno e externo) ou junto à opinião pública. Item fundamental para a existência de qualquer organização, a Comunicação Empresarial tem assumido, nos últimos anos, maior complexidade, tendo em vista: a necessidade de trabalhar com diferentes públicos (portanto diferentes conteúdos, discursos ou linguagens), o acirramento da concorrência, a segmentação da mídia e a introdução acelerada das novas tecnologias. Tendo a comunicação como palavra-chave, a Comunicação Empresarial pode ser considerada no sentido mais amplo da comunicação, e, como tal, abre-se um leque de possibilidades em vários segmentos capazes de proporcionar ao corretor ou a empresa de intermediação imobiliária a identificação dos potenciais clientes para a concretização de um negócio. Com o surgimento de novas tecnologias, alem da sofisticação e aprimoramento de métodos de comunicação já existentes, afloram a cada dia novas alternativas, tornando mais dinâmicas as possibilidades de comunicação: telefone, correios, televisão, radio, jornais e principalmente a Internet. Os segmentos de mercado correspondem a parcelas da sociedade que estão cada dia mais sensíveis e, por conseqüência mais exigentes. Daí vem à necessidade de usarmos não só todas as possibilidades de comunicação existentes mas fazer isso de forma adequada no sentido de busca pertinente e individual de acordo com cada ramo de atividade, ou seja, atingir o segmento de mercado correto. E necessário buscar não só os meios de comunicação adequados, mas também utilizarmos a linguagem correta para cada tipo de mídia; buscar não só o universo correto desses meios de comunicação, mas também saber dosar as inserções em cada um deles. Com a evolução das novas tecnologias, a palavra comunicação amplia ainda mais seu significado. Hoje, a Comunicação Empresarial já desempenha papel fundamental, definindo se como estratégica para as organizações. MarketingImobiliário Processo de Marketing O processo de marketing consiste na análise de oportunidades, pesquisa e seleção de mercados-alvo, preparação de estratégias, planejamento de programas de marketing, organização, implementação e controle do esforço de marketing. As empresas de hoje devem urgente e criticamente repensar sua missão de negócio e estratégias de marketing. Em vez de operarem em um mercado formado de concorrentes fixos e desconhecidos e de consumidores com preferências estáveis, devem considerar existência de concorrentes ativos, avanços tecnológicos, novas legislações e, principalmente, a diminuição da lealdade do consumidor. As empresas que obtêm sucesso hoje são aquelas mais bem-sucedidas em satisfazer e encantar, de fato, seus consumidores-alvo. Essas empresas veem marketing como filosofia que permeia toda a companhia, não uma função separada em um departamento. Essas empresas procuram ser as melhores em atender as necessidades de seus mercados-alvo. Administração de vendas em empresas imobiliárias A Administração de Vendas, parte integrante do Marketing moderno, impõe o conhecimento do mercado e das características da clientela, bem como do produto/serviço a ser vendido de maneira a possibilitar a lealdade do consumidor. A Administração de Vendas considera analise, planejamento e implementação do controle do esforço de vendas da organização, exigindo a necessidade de previsão de vendas, distribuição física e esforços de promoção e propaganda. Sem a ajuda de uma adequada estrutura de recursos materiais, humanos, financeiros e tecnológico, Instituição de Ensino Charles Babbage 91 dificilmente uma organização moderna conseguira atingir, em curto prazo, a viabilização de suas metas de vendas e resultados. Composição e Estrutura da Força de Vendas Na composição da Força de Vendas de uma empresa imobiliária, o corretor é o responsável pela negociação de vendas de um imóvel. Convém, entretanto, que haja uma equipe de apoio ao corretor, bem treinada e orientada, visando à racionalização, ao direcionamento e à otimização do trabalho desse profissional. Essa equipe, se possível, deve ser composta por uma pessoa responsável a dar informações técnicas e responder aos questionamentos básicos dos clientes em potencial (apoio técnico) e uma pessoa encarregada pelos serviços de escritório (assistente de vendas), permitindo, assim, ao corretor, canalizar seu tempo para dar atendimento direcionado e diferenciado aos clientes em potencial que Ihe forem designados. O assistente de vendas tem basicamente a incumbência de: - dar as primeiras informações aos interessados; - realizar a identificação dos prováveis perfis; - realizar uma pré-identificação do perfil do cliente; - agendar compromissos com os clientes; - facilitar possíveis contatos com os corretores; - preencher cadastros e formulários; - elaborar e lavrar contratos; - dar seqüência aos tramites burocráticos etc. Entretanto, passo importante em uma empresa imobiliária é a organização da sua Força de Vendas. Organizar a forca de vendas significa estabelecer os critérios para a atuação dos vendedores. Os principais critérios para a atuação dos corretores são: Determinação de quotas de vendas por meio do estabelecimento dos objetivos de venda para a equipe de vendas. Análise do representante versus vendedor contratado, pela qual a empresa imobiliária devera decidir se a função vendas será uma função interna a empresa (integrada verticalmente), ou se ela será externa (relação contratual) composta de agentes de venda ou representantes. Departamentalização ou estruturação da força de vendas, pela qual a empresa se estrutura, segundo a função, em cinco possíveis departamentos: (1) Território – uma determinada área é dividida em território de vendas, (2) Produtos ou serviços – Forca de vendas trabalha separadamente com uma linha de produto ou serviço, (3) Projeto, em que a Força de Vendas trabalha, visando ao atendimento de projetos específicos (4) Clientes – Equipes especializadas em diferentes clientes, (5) Mistas – combinação da forma geográfica com alguma outra. Definição do número de vendedores, pela qual se considera o dimensionamento da intensidade em que será usada a força de vendas em conjunto com outras variáveis de marketing para que se consiga atingir o volume de vendas procurado. Definição e alinhamento de zonas de vendas, quando são estabelecidos os territórios de atuação da empresa, ou seja, áreas para atuação separada de vendedores e gerentes de vendas. Estabelecimento de níveis hierárquicos e amplitude de controle gerencial em vendas, relacionando-se a extensão vertical e horizontal da estrutura organizacional de vendas, ou seja, o número de níveis hierárquicos e o número de pessoas dentro de cada nível. As empresas imobiliárias vêm adotando a departamentalização como forma de aperfeiçoar, adequar e melhor estruturar sua Forca de Vendas, sendo as mais utilizadas: por território, por produto ou serviço, por projeto, por clientela e mista. Na departamentalização por território cada vendedor tem uma área definida, atendendo a todos os clientes dessa área. Esse critério de organização apresenta as seguintes vantagens: define claramente as responsabilidades do corretor, pois só ele recebe crédito sobre as vendas naquela área; aumenta o incentivo do corretor, que tende a desenvolver negócios e a criar laços muito úteis de amizade em seus ―domínios‖; possibilita que o corretor conheça melhor as especificidades da ―sua região‖. Na departamentalização por produto ou serviço, a empresa imobiliária tende a se estruturar com setores específicos para os serviços, como por exemplo, os serviços de administração de imóveis – locação e intermediação – compra e venda. Na departamentalização por projeto, a empresa imobiliária orienta sua equipe de vendas, marketing, engenharia, finanças, apoio técnico a trabalharem de forma integrada, visando ao atendimento de projetos específicos, tais como lançamentos imobiliários, feira de negócios imobiliários, campanhas especificas na mídia etc. A departamentalização por clientela organiza a atuação do corretor, segundo a disponibilidade deste, que Instituição de Ensino Charles Babbage 92 acompanha e da assistência a um grupo de clientes desde os primeiros contatos ate a finalização das negociações. A departamentalização mista resulta da combinação de critérios. Os vendedores especializam-se, por exemplo, em zona-produto; zona-cliente; produto-cliente ou ate zona produto-cliente. Seja qual for à organização da forca de vendas adotada por uma empresa, ela deve ser periodicamente avaliada. Só assim a empresa não correra o perigo de manter uma forca de vendas defasada pelo tempo. Dimensionamento, recrutamento e seleção da força de venda. Uma vez definida a estrutura de sua Força de Vendas, a empresa imobiliária devera se ocupar do tamanho da força de vendas necessária e adequada a organização, uma vez que o número de vendedores é uma importante questão em vendas. Uma força de vendas corretamente estruturada assegura a implementação de processo de vendas, individual ou em equipe, para cada segmento-alvo do mercado. Assegura que o esforço de venda e manutenção seja o mais eficaz possível, ao mesmo tempo em que usa os recursos de vendas com a máxima eficiência. Com uma organização de vendas do tamanho certo, os clientes efetivos e potenciais recebem a cobertura apropriada, a força de vendas se mantém ocupada, mas não sobrecarregada de trabalho, e a empresa faz um investimento adequado em seus recursos de vendas. O dimensionamento da intensidade com que será usada a força de vendas em conjunto com outras variáveis de marketing é a forma mais propicia para que se consiga atingiro objetivo de vendas. Algumas empresas imobiliárias utilizam a carga de trabalho para determinar o número de vendedores, com base na expectativa de contatos comerciais realizados, tempo gasto em cada contato, e demais aspectos envolvidos para se fechar uma transação imobiliária. O recrutamento e seleção da Força de Vendas é a decisão mais importante tomada pela empresa imobiliária. A contratação, o treinamento e o gerente de vendas são sempre classificados como os três fatores mais importantes, e a contratação geralmente são vista como o mais importante de todos. Para uma seleção bem-sucedida, é necessário que a empresa imobiliária defina previamente as características essenciais ao seu bom corretor. Entretanto, é bom ter em mente que o ―perfil’ de sucesso‖ está intimamente ligado a definição do cargo. As exigências específicas para a função sugerem o tipo de pessoa que mais tende a ser bem- sucedida. Algumas características essenciais aos bons vendedores são: Desejo inato de servir Motivação Entusiasmo Persistência Disciplina Sólida ética no trabalho Responsabilidade e Integridade Capacidade de deixar os outros a vontade Dons de comunicação eficazes Disposição para ouvir Entretanto, pode perceber-se que quase todas as características são intrínsecas ao candidato, por isso, só é possível ensiná-lo técnicas e conhecimentos. Toda empresa quer que os membros de sua força de vendas tenham a maior parte das características relacionadas acima. A contratação e o treinamento contribuem igualmente para a formação de uma organização de vendas de alto desempenho, mas suas funções são diferentes. A função de contratação é identificar pessoas com as características e os valores essenciais para o sucesso nas vendas. A função do treinamento é proporcionar a essas pessoas todas as oportunidades de sucesso, fornecendo-Ihes o conhecimento e as técnicas que Ihes permitirão atender as necessidades dos clientes. Atualmente, as empresas imobiliárias consideram o treinamento como um investimento, cujo retorno é detectado no aumento da eficiência nas transações imobiliárias. SUPERVISÃO E CONTROLE DE VENDAS Gerir uma unidade ou departamento de vendas de uma organização pressupõe a utilização de algumas ferramentas com vista a dar resposta a necessidades e, por Conseguinte, elaborar e colocar em pratica as melhores estratégias. Nesse sentido, a adoção de um controle de vendas possibilita ao empresário prever receitas futuras e, conseqüentemente, controlar as vendas e locações realizadas por corretores ou equipes de corretores. Além disso, torna-se mais fácil acompanhar o comportamento mensal das vendas, as variações devido à sazonalidade, Instituição de Ensino Charles Babbage 93 bem como o prazo médio concedido para os pagamentos realizados. O controle de vendas preconiza inicialmente o estabelecimento de padrões de avaliação de desempenho futuro da empresa, com o qual se pode fazer comparações do desempenho atual com o padrão então estabelecido, possibilitando assim a seleção e a adoção de ações destinadas a reduzir a diferença entre o desempenho esperado e o desempenho real. Os critérios para o estabelecimento de padrões de avaliação mais utilizados são análise de vendas, o estudo detalhado do desempenho de vendas da empresa, para detectar seus pontos fortes e fracos em marketing; análise de participação do mercado, se houve alguma alteração ou variação da participação da organização no mercado, verificando se ocorreu interferência interna ou externa na organização, analise da lucratividade, pela qual a qualidade e as características do lucro da organização são verificadas e análise do desempenho da força de vendas, pela qual o desempenho dos vendedores é avaliado por meio de Relatórios de Venda. O Relatório de Vendas é uma das principais ferramentas que a supervisão possui para avaliação do desempenho da força de vendas em uma organização. Nele são registrados, pelos vendedores de uma equipe de vendas, suas atividades, os contatos realizados com os clientes, as novas captações, as oportunidades, os negócios perdidos e as condições do mercado, permitindo assim uma analise tanto do desempenho dos vendedores como de informações úteis que serão a base para o planejamento de ações futuras. O supervisor de vendas pode, a partir da analise desse relatório, atuar na força de vendas para: Estabelecer um cronograma e um roteiro de atividades para a equipe (plantões de vendas, visitas, reuniões etc.); ―dar força‖ a equipe agindo ora como conselheiro ora como colega; Incentivar o grupo com um clima organizacional positivo; AUXILIARES DO COMERCIO As empresas trabalham com serviços auxiliares do comércio. Entre os serviços, merecem destaque: os bancos e as câmaras de compensação, as bolsas, os seguros, os transportes, os armazéns, a importação e a exportação, as feiras e exposições, as câmaras de comércio, os consulados, as associações comerciais e as organizações sindicais. COMPANHIAS DE SEGUROS As companhias de seguro são entidades auxiliares do comércio, por meio das quais se ressarcem empresas ou pessoas por danos ou prejuízos decorrentes de fatos danosos. Quanto aos tipos, os seguros podem ser os seguintes. Seguros sociais - aqueles que proporcionam proteção a todas as camadas sociais da população. São seguros obrigatórios operados pelo governo para proteger os beneficiários. Os seguros sociais são: Assistência Médica e Hospitalar, Aposentadoria, Pensão, Acidentes de Trabalho. Seguros privados - são aqueles operados pelo Sistema Nacional de Seguros Privados. Os seguros privados podem ser de dois tipos: ramo de vida e ramos elementares. Quanto aos objetivos, existem dois tipos de seguros: Ramo de vida - seguros de pessoas, voltados para sua integridade (Seguros de acidentes pessoais, seguro de vida, seguro de saúde.) Ramos elementares - aqueles que se referem a bens, direitos e obrigações (seguros contra incêndios, seguros de transportes, seguro de automóvel etc.). Os riscos assumidos pelas companhias de seguro podem ser classificados em: Riscos físicos - são os riscos dependentes das condições físicas, sociais, idade, estado de saúde. Riscos morais - são os decorrentes de condições mentais: insanidade, negligência, desonestidade etc. Seguro é um contrato consensual que apresenta os seguintes elementos: o segurador, o segurado, o risco, a base do contrato e o tempo, prazo do contrato. Todos estes elementos compõem o instrumento formal do contrato que é a apólice de seguro. ESTABELECIMENTOS FINANCEIROS Banco Central do Brasil - é autarquia federal integrante do Sistema Financeiro Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda. Como autoridade monetária principal do país, além de ser responsável pela emissão de papel moeda e moeda metálica, cumpre e faz cumprir a Instituição de Ensino Charles Babbage 94 legislação e normas que são expedidas pelo Conselho Monetário Nacional. Banco do Brasil – é uma instituição financeira brasileira, constituída na forma de sociedade de economia mista, com participação da união com 70% das ações. Possui a função de recebimento dos tributos federais, execução da política de pregos mínimos e financiamento dos produtos agrícolas, controle e incremento do comércio exterior, entre outras. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – (BNDS) – é uma empresa pública federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e tem por objetivo apoiar os empreendimentos que visem ao desenvolvimento nacional. Suas linhas de financiamentos contemplam projetos de investimentos e comercialização de máquinas e equipamentos,fabricados no país, bem como o incentivo ao aumento das exportações. Contribui também para o fortalecimento das empresas privadas nacionais e para o desenvolvimento tecnológico. Caixas Econômicas – é um estabelecimento que intermedia recursos e negócios financeiros, com o objetivo de estimular a poupança. Atua também, no fomento ao desenvolvimento urbano e nos segmentos de habitação, saneamento e infra-estrutura, e na administração de fundos, programas e serviços de caráter social. Alguns estados possuem a sua própria caixa econômica, atuando no âmbito estadual. Já a Caixa Econômica Federal – CEF atua, como o nome indica, em todo território federal. Bancos Comerciais – são instituições financeiras públicas ou privadas que tem como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, em curto e médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral. As atividades mais comuns de um Banco comercial são recebimentos, depósitos, depósitos de poupança, pagamentos, empréstimos e compra e venda de moedas e títulos. Bancos de Investimentos – são instituições financeiras privadas, especializadas em operações de financiamento da atividade produtiva para empréstimo de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros, principalmente empresas privadas. Fundos Mútuos de Investimento – refere-se ao conjunto de valores que resultam da coleta, capitalização e centralização de poupança dos particulares e das empresas. Companhias de Crédito, Financiamento e Investimento – são instituições especializadas em realizar investimentos de médio e longo prazos, por meio da captação de recursos, mediante emissão de letras de câmbio. Sociedade Distribuidora de Valores – tem como objetivo subscritar títulos para revender, intermediar e distribuir no mercado de capitais. BOLSAS As bolsas são instituições onde são, efetuadas negociações, por intermédio de corretores, com títulos de crédito, mercadorias, divisas, valores imobiliários e outros bens fungíveis. A classificação das bolsas pode ser feita pelo serviço que prestam. As bolsas de valores são, associações civis sem fins lucrativos. Seu patrimônio é constituído de títulos subscritos por sociedades corretoras, realizados em dinheiro. As sociedades corretoras são os membros das bolsas de valores. As bolsas de valores operam com títulos de crédito e tem suas atividades autorizadas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. As bolsas de mercadorias são instituições onde os produtores e comerciantes realizam a compra e a venda de mercadorias pelos de corretores. OUTROS SERVIÇOS DO COMÉRCIO Além dos serviços já citados, o comércio conta, também, com outros serviços importantes; vamos analisá- los resumidamente. Transportes Os meios de transportes constituem também um serviço auxiliar do comércio. Eles são fundamentais para transportar mercadorias do vendedor para o comprador, para deslocar matéria-prima, máquinas e equipamentos de um local para outro, para conduzir funcionários etc. Armazéns Armazéns são locais (prédios, galpões etc.) que servem para guardar, estocar mercadorias por um Instituição de Ensino Charles Babbage 95 determinado tempo. Quando a mercadoria é matéria-prima, em pequenas quantidades, é guardada em almoxarifados; quando se trata de produto acabado, é guardada em depósitos. Há épocas do ano em que se necessita, mais do que outras, de armazenar mercadorias. Também, quando há desequilíbrio entre oferta e procura, surge à necessidade de contar com espaços para o armazenamento. Importação e exportação O comércio compra e venda de mercadorias, pode ser interno ou externo. É considerado interno quando realizado dentro das fronteiras de um país. É externo quando envolve compradores e vendedores de diferentes países, com operações de importação – entrada de mercadorias estrangeiras em um país – e de exportação – saída de mercadorias nacionais de um país. A relação entre as importações e as exportações recebe o nome de balança comercial. Quando as exportações são maiores do que as importações, ocorre o que se chama superávit. Quando as exportações são menores do que as importações, ocorre défice. Exposições e feiras As feiras e as exposições são mecanismos criados para anunciar produtos ou serviços da empresa. Geralmente, são eventos coordenados entre várias empresas do mesmo ramo de atividade para apresentação conjunta de seus produtos ou serviços. A exposição caracteriza-se por realizar negócios em nível de atacado e raramente de varejo. As feiras são os meios mais econômicos de fazer negócios e lançar produtos no mercado, pois proporcionam ao expositor uma aproximação face a face com potenciais compradores nacionais e internacionais, de forma ágil, rápida e inteligente. Câmaras de comércio Câmaras de comércio são entidades sem fins lucrativos, constituídas por empresas de origem internacional, com o objetivo de facilitar seus contatos e comunicações e coordenar suas atividades. Consulados Consulados são representações diplomáticas e legais de um país em determinadas capitais estrangeiras. O consulado dispõe de amplo material sobre as atividades industriais e comerciais do país que representa, fornecendo informações para as empresas desenvolverem suas operações no país representado. Os consulados são ligados a embaixada de seu país no local. As embaixadas localizam-se na capital do país perante o qual representam o próprio país e, inclusive, as suas dependências são consideradas corno território do país de origem. Também as embaixadas realizam diretamente relações internacionais que proporcionam negócios e intercâmbios entre os países. Associações comerciais Associações comerciais são entidades associativas constituídas por empresas, visando ao intercambio de experiências, união da classe. As associações comerciais oportunizam contatos entre as empresas, uma vez que facilitam contatos e comunicações entre elas. Organizações sindicais Sindicatos são associações profissionais que agregam empregados ou empregadores que enxergam a mesma atividade ou profissão, com o objetivo de defender e coordenar seus interesses econômicos e profissionais. Existem sindicatos de empregados e sindicatos de empresas. Os sindicatos, quando em número superior a cinco, podem reunir-se, formando federações. As federações, por sua vez, podem agregar-se, constituindo as confederações, sediadas na capital federal. Operações Imobiliárias O CORRETOR DE IMÓVEIS Na Enciclopédia Saraiva de Direito, sob o Verbete ―Corretagem‖ em texto do Prof. Antonio Chaves encontramos: ―A expressão corretagem tanto indica, na definição de Waldemar Ferreira, `contrato por via do qual comerciantes, e também particulares, ajustam com corretores a compra e venda de mercadorias ou títulos e efeitos de comércio`, como a função ou ofício do corretor e o próprio salário, ou comissão a que faz jus quando consegue Instituição de Ensino Charles Babbage 96 proveitosamente aproximar as partes interessadas numa transação‖. Corretar é fazer o ofício de corretor, servindo de intermediário entre duas partes, representando ora o vendedor, ora o comprador. É pois o profissional que anda, procura ou agencia negócios imobiliários. A intermediação será bem ou mal sucedida na medida em que o corretor usa de sua capacidade profissional aliada à ética, honestidade e disposição para encontrar o imóvel certo para a pessoa certa. Sendo uma modalidade de trabalho de exploração econômica, porquanto, deverá a mesma ser desempenhada de forma tal que todas as partes envolvidas tenham um tratamento igualitário e coerente com os princípiosbásicos de qualquer profissional que prima pela melhor forma de desenvolver o seu trabalho. Definição do corretor É o profissional que, havendo satisfeito todas as exigências legais, se encontra apto a agenciar negócios para terceiros, intervindo na aproximação de partes interessadas em transações imobiliárias, procurando eliminar os pontos divergentes e diminuindo as distâncias até a otimização do negócio, que é o seu fechamento. O corretor é pois o profissional, dono de sua própria atividade e que pode trabalhar individualmente com escritório em sua própria casa ou aliar-se a outros corretores com escritório conjunto, ou ainda, ligar-se a uma empresa imobiliária, trabalhando em sistema de parceria, sem contudo perder o seu status de profissional liberal ou autônomo. - Histórico A intermediação imobiliária no Brasil começou de maneira informal, no período colonial, com os primeiros agentes de negócios imobiliários, denominação a que se dava àqueles que, entre outras atividades, também se encarregavam em descobrir os proprietários dos terrenos e moradias que poderiam ser vendidos aos estrangeiros que aqui chegavam. Não se tratava de uma profissão regular, na acepção técnica do termo, e sim, como todas as demais, sem qualquer vínculo de emprego ou classista. A limitação dos meios de comunicação e a dificuldade pela descoberta de novas oportunidades de negócios, fez surgir um movimento de troca de informações pessoais entre esses agentes imobiliários que, diariamente se encontravam nos cafés de esquina e outros pontos movimentados da cidade para procurar e oferecer imóveis para seus clientes. Esse intercâmbio, modesto a princípio, foi se desenvolvendo, atraindo novos interessados pela atividade e fazendo surgir as primeiras lideranças. Nascia assim, no Rio de Janeiro, o primeiro sindicato dos corretores de imóveis, no ano de 1927. Uma vez organizado e vendo a expansão de negócios de seus filiados, o Sindicato do Rio tornou¬se uma referência para a atividade de corretagem da época, cuja experiência foi levada a outros Estados, repetindo-se a boa repercussão no ainda incipiente mercado imobiliário. Unidos sob a forma de sindicatos, os corretores passaram a trabalhar no sentido de ver a atividade legalmente reconhecida, com lei própria disciplinando a profissão até então considerada sem importância já que, qualquer pessoa podia exercer, e que, pertencer ao sindicado era uma vantagem, mas não uma obrigatoriedade necessária. Este movimento sindical foi ganhando força e mobilizando outros segmentos dentro da própria atividade, em razão do surgimento das empresas imobiliárias que, como pessoas jurídicas, estavam a exigir atenção do poder público. Como fruto desta exigência , conscientização e organização, surgiu em 27 de agosto de 1962 a Lei 4.116, dispondo sobre a regulamentação do exercício da Profissão de Corretor de Imóveis. Foi uma grande conquista. Entretanto, por conter algumas falhas, tornou-se incapaz de atender à expansão e às novas características impostas pela atividade cada vez mais dinâmica, sendo com isso revogada em 1978 pela Lei 6.530, que devidamente regulamentada pelo Decreto 81.871/78, encontra-se em vigor até hoje. Mesmo contendo falhas, a Lei nº 4.116/62 tornou-se um marco na história do corretor de imóveis, razão porque, o dia 27 de agosto é oficialmente considerado o Dia do Corretor de Imóveis‖. A nova legislação, ao revogar a Lei 4.116, manteve os direitos dos corretores inscritos sob a sua égide, conforme preceitua o artigo 23 do novo dispositivo legal: ―Art. 23 – Fica assegurado aos Corretores de Imóveis, inscritos nos termos da Lei nº 4.116/62, de 27 de agosto de 1962, o exercício da profissão, desde que o requeiram conforme o que for estabelecido na regulamentação desta Lei‖. Esta ressalva que a Lei nº 6.530 fez para assegurar Instituição de Ensino Charles Babbage 97 os direitos dos Corretores de Imóveis justifica-se pelo teor de seu artigo 2º, que restringe o exercício da profissão quando diz: ―Art. 2º - O exercício da Profissão de Corretores de Imóveis será permitido ao possuidor de título de Técnico em Transações Imobiliárias‖. Resguardou-se assim o direito àqueles que já exerciam a atividade de corretor quando a nova lei criou exigências para o ingresso na profissão. Dentre essas exigências está o de que a pessoa para se inscrever nos Conselhos deverá comprovar ser um Técnico em Transações Imobiliárias – TTI, formado por estabelecimento de ensino reconhecido pelos órgãos educacionais competente. (Resolução COFECI nº 327/92). Esta Resolução foi baixada em cumprimento ao Decreto nº 81.871/78 que, ao regular a Lei nº 6.530/78 determina em seu art. 28: ―A inscrição do Corretor de Imóveis e da pessoa jurídica será efetuada no Conselho Regional da jurisdição, de acordo com Resolução do Conselho Federal de Corretores de Imóveis‖ . Atualmente a atividade de corretagem está passando por uma transformação substancial com o objetivo de adequar o profissional às novas formas de trabalhar, em que a qualificação profissional torna-se um ingrediente básico. Não há mais espaço para aventureiros. Aqueles que quiserem prosperar, deverão estar atentos às mudanças e às exigências da sociedade. O segundo grau completo é uma exigência, porém, já não é o bastante. Desde o longínquo ano de 1927 quando se formou o primeiro sindicado de corretores de imóveis, muita coisa mudou. A Lei nº 4.116 foi importante na sua época. A Lei nº 6.530 incrementou a atividade mas já não é satisfatória estando a reclamar sua substituição para se adequar aos novos tempos. A criação dos Cursos de nível superior bem traduz a importância deste segmento da sociedade brasileira, que é o mercado imobiliário. Espécies de Corretores Genericamente podem-se fazer duas grandes divisões quanto às espécies de corretores: Corretores oficiais – São aqueles que, tendo fé pública específica para determinada atividade, a exercem segundo normas. São os que, para o exercício de determinada atividade, são investidos de fé pública próprias do seu ofício. São exemplos: Os Corretores de Fundos Públicos (Lei nº 4.728/65); Corretores de Mercadorias (Decreto-Lei nº 806 de 1.851, art, 26); Corretores de Câmbio (Operações de Câmbio, Lei nº 5.601/70); Corretores de Seguro (Lei nº 5.594/64), etc. Corretores livres – São aqueles profissionais que atuam como intermediários em negócios próprios de suas atividades e que podem ser de coisas móveis, imóveis, bens ou serviços, promovendo a aproximação das partes e tendo direito à remuneração pelo trabalho prestado. Algumas dessas atividades ainda não têm nenhuma legislação específica e por isso mesmo qualquer pessoa, desde que tenha capacidade jurídica de fato, poderá praticar o serviço. Outros, porém já se encontram com a profissão reconhecida e regulada por lei. No primeiro caso podem ser citados como exemplo os corretores de automóveis, de agentes literários, de espetáculos públicos, etc. Já o segundo tipo, de corretores livres, é protegido pela legislação própria regendo toda a atividade. Os Corretores de Imóveis são o principal exemplo. Legitimidade para o Exercício da Profissão Como profissão regulamentada, é prerrogativa do Corretor de Imóveis a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. Só pode exercer a profissão de corretor de imóveis quem tem legitimidade para tal, uma vez que a atividade está disciplinada em legislação própria através da Lei 6.530/78 com regulamentação feita pelo Decreto 81.871/78. Estando assim protegida pelo imperativo da lei, obriga-se o profissional a sujeitar-se às normas oriundas de seus Conselhos Regionais que, em harmonia com o Conselho Federalse faz presente em todo o território nacional, criando condições de trabalho e disciplinando o seu funcionamento. Como qualquer outra profissão regulamentada, aquele que não atende às exigências de seu Conselho ou nele não está inscrito, não poderá fazer qualquer das atividades privativas da profissão. Neste sentido a lei é clara, respondendo civil e criminalmente todos aqueles que cometem tal ilícito. Os Conselhos Regionais, órgãos encarregados da orientação e da fiscalização da atividade em todo o território de suas jurisdições, encontram-se abarrotados de processos envolvendo pessoas que, não estando inscritos como profissionais, assim se comportam, e que, por ignorar ou por má-fé, estão lesando aos clientes que a eles confiam seus interesses. Por não estarem inscritos nos Conselhos de sua região, esses ―pseudo-corretores‖, quando flagrados ou Instituição de Ensino Charles Babbage 98 denunciados, têm contra si instaurados os processos pelo exercício ilegal da profissão, cuja conseqüência é uma ação penal pública, por enquadrarem-se como contraventores, como bem prescreve o Artigo 47 do Decreto-Lei nº 3.688 de 03/10/41 (Lei das Contravenções Penais) que assim se expressa: ―Art. 47 - Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício: PENA - Prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de cinqüenta centavos a cinco cruzeiros‖. (Texto original) Como toda profissão regulamentada, prevê a lei, direitos e obrigações, cuja subordinação obrigatória a todos, não pode ser ignorada pelo profissional, devendo estar atento às suas normas, já que responde pelos seus atos quando, no cumprimento de seu mister, age em desacordo com as normas legais, prejudicando, por culpa ou dolo interesses de terceiros, sejam eles clientes, parceiros ou estranhos. Além da legislação específica, outras existem e que o corretor de imóveis não pode ficar alheio, tanto na esfera cível como na criminal. Apenas como ilustração sobre a responsabilidade do corretor de imóveis, no exercício de sua profissão, transcrevemos o artigo 65 da Lei 4.591/64, que trata sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias: Artigo 65 – ―É crime contra a economia popular promover incorporação, fazendo, em proposta, contratos, prospectos ou comunicação ao público ou aos interessados, afirmação falsa sobre a constituição do condomínio, alienação de frações ideais do terreno ou sobre a construção das edificações.‖ Pena – reclusão de 1 a 4 anos e multa, de 5 a 50 vezes o maior salário mínimo vigente no País. Parágrafo 1º - Incorrem na mesma pena: I – o incorporador, o corretor e o construtor, individuais, bem como os diretores ou gerentes de empresas coletiva, incorporadora, corretora ou construtora que, em proposta, contrato, publicidade, prospecto, relatório, parecer, balanço ou comunicação ao público ou aos condôminos, candidatos ou subscritores de unidades, fizerem afirmação falsa sobre a constituição do condomínio, alienação de frações ideais ou sobre a construção das incorporações‖. EXERCENDO A PROFISSÃO Formas de Exercer O Corretor tem como objetivo buscar o acordo de vontade das partes numa transação imobiliária. Como profissional autônomo, pode exercer sua atividade de diversas formas, destacando-se como principais, muito embora outras existam: Trabalhando individualmente em casa ou em seu escritório; Aliando-se a outros corretores e mantendo um escritório conjunto com rateio das despesas e participação nos negócios realizados por qualquer um dos parceiros; Fazendo parceria com alguma pessoa jurídica, ou seja, uma empresa imobiliária. Existem pontos positivos e pontos negativos para cada uma destas situações e que, o profissional deverá fazer uma avaliação de qual é o melhor método para seu estilo de trabalho. Trabalhando em casa, onde o seu escritório é a própria residência, suas despesas são pequenas, entretanto ele corre o risco de ficar distante do dia a dia próprio da atividade, onde a troca de informações é altamente positiva para o corretor manter-se atualizado com a dinâmica do mercado imobiliário. É a oportunidade de oferecer alguma imóvel sua a outros profissionais e se informar com eles se os mesmos têm algum a oferecer e que, muitas vezes poderá ser a mercadoria de que ele está precisando. Exercendo sua atividade juntamente com outros corretores, ele deverá arcar com as despesas do escritório sob forma de rateio e igualmente dividir o resultado de seus ganhos. Em verdade, tudo vai depender na fórmula acordada para o funcionamento do escritório, que, em princípio funciona como se fosse uma empresa jurídica normalmente constituída. A terceira modalidade, que é a de estar ligado a uma empresa imobiliária, tem se mostrado a bastante eficaz e é largamente utilizada em todo o Brasil, principalmente nas grandes cidades. É a parceria capital financeiro (da empresa) aliada ao capital trabalho (do corretor). Por este sistema, a empresa oferece o suporte físico e operacional, bancando todos os custos, ficando o corretor com a função própria da intermediação, arcando tão somente com as despesas pessoais necessárias para a execução de seu trabalho. Cada imobiliária tem um fórmula de fazer a divisão dos resultados financeiros das comissões recebidas, obedecido todavia a um princípio de tradição para essa modalidade de parceria, uniforme quanto ao método e com Instituição de Ensino Charles Babbage 99 pequenas variações quanto aos percentuais de cada uma das partes. A Remuneração O corretor tem direito à remuneração sempre que ocorre um resultado satisfatório de seu trabalho. Na compra e venda de imóveis usados, ou os chamados ―Imóveis de Terceiros‖, quem paga a comissão do corretor é, como regra geral, o dono do imóvel, muito embora possa haver acordo para que o trabalho do profissional seja remunerado pelo comprador. Deverá todavia, ser formalizada de maneira clara a quem caberá o ônus pelo pagamento, evitando assim que haja dupla cobrança de comissão, o que, naturalmente é um ato ilícito, salvo se, as partes por mútuo e comum acordo, optarem por dividir o que é devido ao profissional. Daí porque a importância da Opção de Vendas. Nas vendas de imóveis novos pertencentes às construtoras, a remuneração já está incluída no preço de tabela e não oferece maiores particularidade, porquanto a início das vendas normalmente só acontece depois de celebrado um contrato entre o corretor ou a imobiliária e o empreendedor. Tratando-se de vendas em loteamentos, existem formas diferenciadas. Em alguns casos, a comissão equivale ao valor total da entrada e esta é repassada para a imobiliária responsável pelo lançamento, que em seguida faz o acerto com o corretor. Em outros casos, já na proposta de compra, o sinal de negócio corresponde à comissão do corretor, que ao entregar a proposta à imobiliária ou ao empreendedor já retém o que lhe é devido. Nas locações de imóveis, não se trata de corretagem, mas sim de taxa de administração, quem paga pelos serviços prestados é o proprietário. Aliás, nesse sentido, a própria Lei nº 8.245/91, a chamada Lei do Inquilinato, o artigo 22 ao tratar sobre as obrigações do locador expressamente diz: ―Art. 22 – O locador é obrigado a: ........ VII – pagar as taxas de administração imobiliária, se houver.......‖ Outros serviços cuja remuneração o corretor faz jus, constam das tabelas elaboradas pelos Sindicatos da categoria, podendo ser feitas somente por cada sindicato – dos corretores ou das imobiliárias - ou em conjunto. Ressaltando-se que, qualquer que seja o procedimento, há a necessidade da homologação da tabela pelos Conselhos Regionais,conforme determina a Lei nº 6.530/78 no art. 17, inciso IV e regulamentada pelo Decreto nº 81.871/78 no art. 16, inciso VIII, que assim se expressa: Compete aos Conselhos Regionais: ―Homologar, obedecidas as peculiaridades locais, tabelas de preços de serviços de corretagem para uso dos inscritos, elaboradas e aprovadas pelos sindicatos respectivos‖. O Over-price O ―Over-price‖ ou ―overprice‖, que se caracteriza como um ganho adicional superior à comissão normal devida pelos serviços prestados, e recebida de forma camuflada para que as partes não tenham consciência de que estão pagando a mais. Todo ganho que esteja acima do combinado e que o profissional recebe, sem que o cliente tenha conhecimento, caracteriza-se como over-price. Este abominável procedimento é proibido pelo Conselho Federal e que, expressamente o Código de Ética Profissional (Art. 6º, inciso III), proíbe sua aplicação, punindo o infrator com a multa pecuniária que varia de 2 a 6 anuidades, tanto para a pessoa física como para a pessoa jurídica. Se o over-price for praticado conjuntamente por mais de um corretor ou se em parceria com a imobiliária, todos receberão a punição prevista no Código. A Opção de Venda A Opção de venda é um contrato bilateral, porquanto é celebrado entre o corretor ou imobiliária e o titular dos direitos de determinado imóvel para que, na forma e nas condições ajustadas, o primeiro se propõe a prestar seus serviços para atender aos objetivos do segundo, que é vender o seu imóvel. Normalmente a opção é um contrato celebrado entre o profissional e o vendedor, porém nada impede que seja também firmado entre o corretor e o comprador. É a opção de compra ou, com maior precisão do termo, ―Autorização para procura de imóvel‖. O Conselho Federal dos Corretores de Imóveis, através da Resolução 005/78, estabelece em seu Artigo 1º que: ―Toda e qualquer intermediação imobiliária será contratada, obrigatoriamente, por instrumento escrito, que incluirá , dentre outros, os seguintes dados: nome e qualificação das partes; individualização e caracterização do objeto do contrato; preço e condições de pagamento da alienação ou da locação; dados do título de propriedade declarados pelo proprietário; menção da exclusividade ou não; remuneração Instituição de Ensino Charles Babbage 100 do corretor e forma de pagamento; prazo de validade do instrumento; previsão de até 06 (seis) meses de subsistência da remuneração, depois de vencido o prazo previsto na alínea anterior, na hipótese de se efetivar a transação com pessoa indicada pelo profissional dentro do prazo de validade do instrumento; autorização expressa para receber, ou não, sinal de negócio‖. Alguns cuidados devem ser tomados pelos profissionais ao preencherem a opção de venda. Com bastante freqüência são deixados em branco alguns dos itens acima citados e que a torna um documento juridicamente imperfeito e, como tal, passível de nulidade quando se questiona o direito do corretor em receber a sua remuneração em decorrência da negativa do contratante (o vendedor) em pagar pelo serviço. Entre os mais freqüentes casos de discussão via judicial para recebimento de comissão está o não preenchimento dos itens relacionados com o prazo de validade da opção e as vendas realizadas após expirar o prazo avençado. Pode ocorrer, muitas vezes, que o cliente só vem a manifestar concretamente sobre determinado imóvel, depois de vencida a opção, podendo ainda, procurar diretamente o proprietário para fazer a sua proposta. Para resguardar os seus direitos à comissão, deve o corretor, ao término do contrato de intermediação, comunicar por escrito ao proprietário, o nome e a identificação das pessoas por ele trabalhadas e, se possível, fazendo um pequeno resumo de como se procederam os entendimentos, incluindo as datas de visita e demais dados que poderão reforçar os fundamentos para se pleitear os honorários pelos prestados na tentativa de concretizar a transação. Estando bem fundamentado e documentado, dificilmente poderá o proprietário se eximir pelo pagamento da comissão. Casos há em que o proprietário não assina a opção de venda, mas tão somente uma autorização para que o imóvel seja trabalhado. É importante observar a diferença, porquanto a simples autorização poderá ser revogada a qualquer momento pelo cliente, enquanto que o contrato de intermediação ou opção, cria um vínculo de direitos e obrigações recíprocas. Aquele que se sentir prejudicado tem meios de reivindicar da outra parte o que lhe for devido. A autorização é um ato unilateral enquanto que a opção é bilateral, ou seja, o que vem escrito faz lei entre as partes, obrigando-as aos termos constantes do documento. Vale lembrar que o corretor ou empresa só poderá anunciar publicamente se estiver munido do documento que lhe faculta o direito de intermediar a venda, ou seja, a opção. É o que estabelece a Resolução nº 458/96 do Conselho Federal. Resolução COFECI nº 458/95 Dispõe sobre anúncio para venda de imóvel. O CONSELHO FEDERAL DE CORRETORES DE IMÓVEIS, no uso das atribuições que lhe confere o Artigo 16, Item XVII, da Lei 6.530, de 12 de maio de 1.978, RESOLVE: Art. 1º - Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver, com exclusividade, contrato escrito de intermediação imobiliária. Art. 2º - Dos anúncios e impressos contará o número da inscrição de que fala o artigo 4º da Lei 6.530/78, precedido da sigla CRECI, acrescido da letra ―J‖, quando se tratar de pessoa jurídica. A não obediência a esta norma sujeita o infrator à pena pecuniária, que varia de uma a três anuidades, podendo ser aumentada em até seis anuidades em caso de reincidência Fixada pela Resolução COFECI nº 492/96 Prática em documentação Imobiliária Introdução Na esfera contratual das transações imobiliárias, é necessário saber operacionalizar os negócios jurídicos com bastante destreza. Para tanto, se faz necessário estudar e analisar as legislações que possibilitem a análise dos documentos imobiliários com bastante precisão, tais como: contratos, procuração, escritura, etc. Antes, porém, é preciso compreender aspectos fundamentais. Parcelamento de solo O parcelamento de solo é o principal instrumento de estruturação do espaço urbano e, uma vez implantado, o espaço criado mantém sua estrutura por um período de tempo bastante longo. Portanto, o espaço urbano que criamos hoje será utilizado principalmente por gerações futuras. Modalidade de parcelamento de solo Loteamento Desdobro de lote Desmembramento de gleba Remembramento Instituição de Ensino Charles Babbage 101 Empreendimentos de Interesse Social Loteamento é a divisão de glebas em lotes destinados à edificação, com aberturas de novas vias de circulação, de logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias já existentes. Gleba é a área de terrno que não foi objeto de loteamento ou Desmembramento aprovado/registrado. Desdobro é a divisão do terreno oriundo de parcelamento aprovado, regularizado, inscrito no Cartório de Registro de Imóveis competente, com frente para rua oficial já existente, não implicando na abertura de novas vias e nem no prolongamento das vias já existentes. O Desmenbramento é a divisão de glebas em lotes destinados à edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes. Adminste-se o Remembramento de gleba e/ou lote, para a formação de nova área, para aprovação de Desmembramento de glebas, desde que atendidas as disposição da lei do parcelamento, uso e ocupaçãodo solo. Os Empreendimentos de Interesse Social corresponde a uma edificação ou a um conjunto de edificação destinadas à população com renda igual ou inferior a seis salários mínimos; tais empreendimentos poderão ser usados no desmenbramento de glebas, loteamento e desdobro de lote. Condomínios Condomínio vem a ser o domínio exercido por duas ou mais pessoas em relação a uma coisa comum. Assim, temos que há uma repartição do domínio de uma coisa para duas ou mais pessoas. Segundo o Dicionário Aurélio, é o domínio exercido juntamente com outrem; copropriedade. Condomínio fechado: conjunto residencial composto de edifícios e/ ou casas, geralmente cercado, com acesso controlado, e cujos moradores di videm equipamentos comunitários. Temos assim, que em um condomínio existe uma propriedade comum, ou seja, de todos os condôminos e uma propriedade particular. Temos como partes pertencentes à propriedade comum o solo em que se constrói o edifício, suas fundações, pilastras, teto, vestíbulos, pórtico, escadas, elevadores, assoalho, corredores, pátios, aquecimento central, ar condicionado central, depósito, morada do zelador, em suma, todos os efeitos e utilidades destinados ao uso comum. Assim, todos os proprietários podem dispor e usar livremente de todas as partes comuns, desde que respeitando sua destinação, de modo a não prejudicar a coletividade. Por sua vez, a propriedade particular constitui-se pelas unidades ou apartamentos autônomos, delimitados pelas paredes divisórias. Cada proprietário tem domínio único e exclusivo sobre suas partes ou dependências. O condomínio pode ser convencional ou incidental. Enquanto o primeiro nasce do contrato de duas ou mais pessoas que usam a coisa em comum, o último - também dito eventual- nasce não da vontade das partes envolvidas, mas de uma circunstância qualquer, como por exemplo da sucessão hereditária. Temos ainda o legal ou forçado quando nasce da imposição direta do ordenamento jurídico. Visando disciplinar os direitos e os deveres de cada condômino, bem como a vida no condomínio, existem três documentos básicos que estabelem esses direitos e devers: a Lei do Condomínio - Lei no.4591/64 e nova Lei 10.406 de 10/01/2002 (do condomínio edilício edifício = vertical e horizontal), comum a todos; a Convenção do Condomínio (uma espécie de "constituição interna"); e o Regulamento ou Regimento Interno, estes últimos específicos para cada prédio. Portanto, o termo condomínio é utilizado para definir o direito exercido por pessoas (condôminos) sobre suas unidades privativas e sobre as dependências de uso comum de edificação e pode se apresentar na forma horizontal ou vertical, residencial ou comercial. Administração imobiliária O condomínio é administrado pela figura do síndico, pessoa física ou jurídica, que pode (ou não) ser um condômino eleito pela maioria numérica dos presentes na Assembleia Geral Ordinária (AGO), em mandatos de até dois anos, podendo ser reeleito. A convenção é um conjunto de normas internas, registrada no cartório de registro de imóveis competente, formulada e aprovada por 2/3 das frações, para garantir o bem estar da comunidade. O condomínio não tem caráter comercial, sendo que todas as despesas são rateadas entre os condôminos respeitando normalmente as proporções de cada condômino no todo. Boa parte da função do síndico consiste em exigir a correta utilização das áreas de um condomínio, através do fiel cumprimento da Convenção e do Regulamento, além de cuidar dos reparos necessários à sua conservação. Sendo assim, deve exercer a administração interna do prédio, referente à vigilância, moralidade e segurança; representar o condomínio em juízo ou fora dele, defendendo os interesses comuns; selecionar, admitir e demitir funcionários fixando-lhes os salários de acordo com a verba do orçamento do ano, respeitando o piso salarial da categoria, com data base em outubro de cada ano; aplicar as multas estabelecidas na lei, na convenção ou no regulamento interno; guardar toda documentação contábil dentro do prazo da lei;arrecadar as taxas condominiais; proceder à cobrança executiva contra os devedores; escolher empresas prestadoras de serviços ou terceiros para execução das obras que interessem ao edifício, desde que aprovadas por assembléia; contratar o seguro contra incêndio; convocar assembléia geral ordinária e extraordinária; comunicar aos condôminos, nos oito dias subseqüentes à assembléia, o que foi deliberado; praticar os atos que lhe atribuírem a lei do condomínio, a convenção e o regimento interno. O síndico terá direito a remuneração se estiver previsto em Convenção, ficando determinado, na Instituição de Ensino Charles Babbage 102 Assembléia que o eleger, se ficará isento da taxa do condomínio ou se receberá algum tipo de honorário, lembrando sempre que o mesmo não é funcionário do condomínio, muito embora possa contribuir para a previdência social individualmente.O síndico pode contratar pessoa física ou jurídica para auxilia-lo em suas funções. Devido à complexidade dessas, é recomendável que o faça, às vezes, o barato sai caro, ou seja, deixar de contratar para economizar algum dinheiro pode custar muito mais caro, se houver algum erro ou omissão. O síndico deverá convocar Assembléia apresentando algumas propostas, relacionando tipo de prestação de serviços, honorários cobrados e prazo do contrato. Contudo, uma administradora deve ser bem escolhida, para que ela, em vez de solução, não seja um problema a mais. Dentre as várias precauções e procedimentos, pode-se citar: solicitar de proposta para, no mínimo três ou quatro empresas; consultar empresas indicadas por síndicos ou condôminos satisfeitos; ler com atenção o contrato a ser assinado, o rol de serviços prestados, etc; desconfie dos honorários muito baixos; peça uma lista de prédios administrados, com nome e telefone dos síndicos, e ligue para alguns; visite a empresa antes de contratá-la; verifique com quem a empresa trabalha (bancos, fornecedores), seu capital social, quem são seus proprietários, se tem sede própria, etc; verifique qual a forma de rescisão contratual prevista, se há multa; discuta com o conselho antes de se decidir por esta ou aquela empresa; opte por empresas com boa administração de recursos humanos, que tenha bons profissionais treinando periodicamente os funcionários dos edifícios; verifique se a empresa opera pelo sistema de conta pool, em que o dinheiro do condomínio fica na conta bancária da administradora, ou pelo sistema de conta bancária própria para cada condomínio. Por este último, os moradores passam a ter acesso aos extratos bancários, o que facilita o controle da aplicação dos recursos; verifique se o balancete é feito em bases correntes (de 1º a 30/31 de cada mês), de modo a coincidir com a movimentação financeira do condomínio. Esse expediente também facilita o controle dos recursos; analise os pequenos detalhes do contrato. Exemplos: número de assembléias a que a administradora comparece por ano, sem cobrar (há empresas que cobram sempre); sistema de cobrança de condôminos atrasados (se tem advogado próprio, se é obrigatório recorrer ao advogado da administradora); sistema empregado para compra de materiais (se permite que moradores apresentem orçamentos ou indiquem empresas); observar se no contrato há cláusula especificando que a administradora é responsável pelo pagamento de multas ou despesas extras decorrentes de seus erros. Exemplo: se não recolher o FGTS dos funcionários ou qualquer outro encargo ou tributo no prazo, deve arcar com as multas; solicitar um modelo de balancete da administradora; verificar se a administradora assessora o síndico na contratação de serviços do prédio, como colocaçãode PABX, antena parabólica, pintura; checar se a taxa de administração é aplicada sobre a despesa ou a receita e avaliar o que seria mais conveniente para o prédio. O fundamental é que não incida sobre receitas ou despesas extraordinárias, tais como pintura externa do prédio, troca de elevadores, etc.; A administradora deve ser de confiança do síndico, podendo ser destituída no momento em que não mais existir tal confiança, mediante aviso-prévio de 30 (trinta) ou 60 (sessenta) dias, conforme constar do contrato. Incorporações Imobiliárias Incorporação imobiliária é a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas. Incorporador é a pessoa física ou jurídica que administra uma incorporação imobiliária, coordenando-a e levando-a a termo. O incorporador somente poderá negociar sobre unidades autônomas após ter arquivado, no cartório competente de Registro de Imóveis, os documentos comprovando a propriedade do terreno; a inexistência de débitos de impostos, protesto de títulos; ações cíveis e criminais e de ônus reais relativos ao imóvel, aos alienantes e ao incorporador; os projetos de construção devidamente aprovados pelas autoridades competentes. O número do registro da incorporação, bem como a indicação do cartório competente, constará, obrigatoriamente, dos anúncios, impressos, publicações, propostas, contratos, preliminares ou definitivos, referentes à incorporação, salvo dos anúncios ―classificados‖. Quando o incorporador contratar a entrega da unidade a prazo e preços certos, determinados ou determináveis, deverá informar obrigatoriamente aos adquirentes, por escrito, no mínimo de seis em seis meses, o estado da obra. O incorporador responde civilmente pela execução da incorporação, devendo indenizar os adquirentes ou compromissários, dos prejuízos que a estes advierem do fato de não se concluir a edificação ou de se retardar injustificadamente a conclusão das obras. É vedado ao incorporador alterar o projeto, especialmente no que se refere à unidade do adquirente e às partes comuns ou modificar as suas especificações. A Lei nº 4.591/64, em seu artigo 28 expressa: Considera-se incorporação imobiliária a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas. Dentro da atividade imobiliária, um dos tópicos mais importantes diz respeito às INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS; isto porque uma incorporação imobiliária implica em tomar um terreno e sobre ele edificar unidades distintas e independentes entre si, para venda e entrega futura, porém unidas por situações necessárias a fim de atender os objetivos de uma habitação coletiva. Significa, portanto, mobilizar fatores de produção com objetivos definidos para construir e, antes, durante ou após a conclusão da construção, vender as unidades imobiliárias que integram a edificação coletiva. Para tanto, há o envolvimento de pessoas e técnicos das mais variadas especialidades e funções, objetivando levar a cabo o empreendimento até a sua conclusão, e finalizando todo o processo com a individualização e discriminação de cada uma das unidades edificadas, fazendo o assentamento no Registro de Imóveis da circunscrição a que originalmente o terreno encontrava- se matriculado. Até 1964 a atividade de construção civil era feita de forma desordenada e sem qualquer legislação específica. Instituição de Ensino Charles Babbage 103 Os poucos empresários que de dispunham a construir prédios condominiais se perdiam na própria falta de planejamento e na incerteza da liquidez de recebimento das unidades vendidas durante a construção. Muitos compradores atrasavam os pagamentos e conseqüentemente, atrasava-se ou inviabilizava-se a conclusão do empreendimento. Com a criação do Banco Nacional de Habitação em agosto de 1964 tornou-se necessária uma legislação regularizadora da atividade de construção civil voltada para as edificações residenciais. Assim, neste mesmo ano de 1964, no dia 16 de dezembro foi sancionada a Lei nº 4.591, recebendo o nome de Condomínio e Incorporações, por dispor sobre ―Condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias‖. Os primeiros 27 artigos da lei tratam das relações condominiais e os artigos 28 ao 66 se ocupam das edificações ou conjunto de edificações de prédios residenciais e não residenciais. Quem pode ser considerado incorporador? A resposta está no artigo 28, parágrafo único da referida Lei: Considera-se incorporação imobiliária a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas. O incorporador é, pois a figura central de uma incorporação imobiliária. É dele a ideia de empreender o projeto, planejar o negócio, assumindo a responsabilidade pelos recursos financeiros necessários ao empreendimento e ainda, pela comercialização e o registro de cada unidade junto ao Registro de Imóveis. O incorporador, para lançar um empreendimento, deverá seguir um roteiro, em conformidade com as características de cada projeto, porém todos eles sujeitos à Lei 4.591/64. Este roteiro é basicamente: Possuir ou adquirir o terreno onde se pretende construir; Ter os projetos aprovados nos órgãos competentes; Registrar o Memorial de Incorporação no Cartório de Registro de Imóveis; Contratar a construção; Comercializar as unidades que compõem o projeto; Concluir a obra; Fazer o registro individual no Cartório de Registro de Imóveis de cada unidade comercializada; Instalar o condomínio com entrega do prédio aos condôminos. Pelos artigos 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor, tem-se a caracterização de uma relação de consumo, a atividade de incorporar e vender unidades imobiliárias, o que, sempre é feito através de contratos de compra e venda. Avaliação de imóveis INTRODUÇÃO Quando um imóvel é colocado à venda é preciso que seja informado o seu valor/preço. Mas, esse preço é estipulado de acordo com o que vendedor acha que vale ou existe alguma técnica para aferição do valor? Por certo que existe sim um procedimento para se chegar até o preço final. Se o imóvel é colocado à venda por uma imobiliária o mais comum é que ela faça a avaliação do preço do imóvel sem cobrar nada por esse serviço. Mas, caso o proprietário queira consultar um corretor apenas para fazer a avaliação, ele cobrará um valor à parte pelo serviço de avaliação. Os Conselhos Regionais de Corretores de Imóveis divulgam uma tabela com os honorários dos principais serviços executados por corretores, como os percentuais de comissões por venda, locações, avaliações do valor do imóvel, etc. Em Mato Grosso, segundo o ato nº 07/2011 do CRECI/MT 19º Região, o PTAM – Parecer Técnico de Avaliação de Imóveis observa o seguinte parâmetro: Na maioria dos casos os corretores visitam o imóvel e sugerem o valor ao proprietário verbalmente. Mas, também é possível solicitar uma avaliação documentada, o chamado “Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica”. Esse documento fornece um valor para o imóvel e explica em detalhes porque foi determinado aquele preço; inclui dados da estrutura do imóvel, comparativos de imóveis semelhantes vendidos na região e informações sobre zoneamento, infra estrutura e de mobilidade urbana. O Parecer é essencial em situações nas quais parentes ou cônjuges em processo de divórcio discordam sobre o valor de um imóvel herdado ou compartilhado prestes a ser vendido. Também é usado em permutas de imóveis ou em caso de inadimplência, quando o imóvel é tomado por um banco e o proprietário considera que a