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DISPNEIA DOENÇA VENOSA PROFUNDA Há muito tempo se entende que todo TEP é precedido pela TVP, sendo então dois espectros da mesma doença. ● Fator de risco: o Tríade de Virchow: Hipercoagulabilidade – Lesão endotelial – Estase sanguínea o Hereditários: TROMBOFILIA: Fator V de Leiden / Mutação do gene da protrombina / qualquer outra o Adquiridos: pós-operatório (principalmente ortopedia)/ Medicamentos (ACO) / Neoplasia maligna / Imobilização TROMBOEMBOLIA PULMONAR O indivíduo tinha um TVP, que poderia se manifestar clinicamente ou não, e subitamente o êmbolo impacta em um pulmão que anteriormente não tinha nada – apresentação súbita. Manifestações Clínicas ● Evento súbito ● Dor torácica (pleurítica) ● Hemoptise ● Sibilância ● Taquipneia (PRINCIPAL SINAL) ● Dispneia (PRINCIPAL SINTOMA) ● Taquicardia sinusal (ACHADO DO ECG MAIS COMUM) ● Padrão S1Q3T3 no ECG (ACHADO MAIS ESPECÍFICO DO ECG) ● TEP MACIÇO: o Hipotensão (choque obstrutivo – ↓sangue para o pulmão) o Cor pulmonale (insuficiência VD por alteração pulmonar) Ocorre uma obstrução vascular súbita do leito pulmonar → ativação de receptores J alveolares → induz o aumento da FR (taquipneia). Na embolia pulmonar existe um território do pulmão que recebe ar, mas para de receber sangue → não é possível transporte de oxigênio para o sangue → hipoxemia → desconforto respiratório / sensação de falta de ar (dispneia). TEP maciço (GRAVE) ● Hipotensão (choque obstrutivo) → instabilidade hemodinâmica ● Cor Pulmonale (insuficiência de VD que ocorre devido a alteração pulmonar) o ↑ BNP e troponina - no TEP maciço pode ocorrer aumento de BNP devido à alteração da função cardíaca pelo trabalho excessivo O êmbolo pode obstruir a totalidade ou quase a totalidade do leito vascular, causando alterações muito mais significativas: o sistema cardiovascular é totalmente fechado, logo, diante de um TEP maciço (obstrução significativa) o VD não ejeta sangue adequadamente no pulmão, não havendo sangue em quantidade suficiente chegando em VE, causando hipoperfusão periférica e consequente choque por obstrução ao fluxo normal de sangue (choque obstrutivo). O VD nas embolias mais graves não consegue ejetar o sangue adequadamente para o pulmão, e começa a entrar em disfunção/insuficiência. A insuficiência de VD por conta da alteração pulmonar chama-se cor pulmonale; o paciente pode apresentar, de forma aguda, turgência jugular, edema de MMII e hepatomegalia. No TEP maciço existe um peptídeo cujos níveis estão elevados diante de insuficiência ventricular = BNP. Uma vez que o VD não consegue ejetar o sangue para o pulmão, a pressão no seu interior torna-se muito aumentada → mecanicamente temos a compressão da parede de VD → esta compressão induz o surgimento de áreas de microinfarto na parede do VD → quando há infarto no miocárdio temos aumento das enzimas cardíacas, sendo que a mais cardio-específica é a troponina. EXAMES COMPLEMENTARES INESPECÍFICOS ESPECÍFICOS Reforçam a hipótese, mas não confirmam Podem confirmar Gasometria, ECG, RX, ECO, marcadores Doppler, cintilo, angioTC, arteriografia EXAMES COMPLEMENTARES INESPECÍFICOS Reforçam a hipótese, mas não confirmam Gasometria Hipoxemia e hipocapnia ECG Descarga adrenérgica pela dor / ansiedade / hipoxemia Alteração mais comum → taquicardia sinusal Alteração mais específica → padrão S1Q3T3 (Onda S em DI, onda Q em DIII, e inversão da onda T em DIII) Esta alteração não é diagnóstica de TEP, apenas reforça a hipótese Raio-x de Tórax Normal → mais comum Clínica pulmonar rica e raio-x normal – dissociação clínico-radiológica Inespecífico → derrame, atelectasia Específico = WESTERMARK, HAMPTON, PALLA (raros) Por mais específicos que sejam alguns achados radiológicos, eles não dão diagnóstico de TEP SINAL DE WESTERMARK Oligoemia localizada (região mais hipertransparente) CORCOVA DE HAMPTON Hipotransparência triangular periférica (área de infarto pulmonar justapleural) PALLA Dilatação do ramo descendente da artéria pulmonar Ecocardio Se houver alguma repercussão cardíaca, ela irá ocorrer em VD Disfunção de VD → pior prognóstico (TEP mais grave, pois já houve certa repercussão retrógrada) Marcadores Elevação de BNP / troponina → pior prognóstico (acometimento de VD - geralmente, TEP maciço) Atenção: D-dímero* (*) D-dímero: depois da agregação plaquetária, é ativada a cascata para que seja formada uma rede de fibrina, que irá estabilizar o coágulo, porém, logo após é necessário a dissolução do trombo / coágulo (fibrinólise); com isso são liberados na circulação alguns fragmentos da rede de fibrina. O D-dímero é um produto da degradação de fibrina (“pedaço de trombo”) – logo, a expectativa é que se houver embolia pulmonar, o D-dímero seja encontrado em valores elevados. Porém, o D-dímero estará elevado em qualquer situação que gere trombo – ex.: TVP, pós-operatório, paciente acamado. Assim, D-dímero não dá diagnóstico de TEP! EXAMES COMPLEMENTARES ESPECÍFICOS Podem confirmar Doppler de MMII TVP e TEP são dois espectros de uma mesma doença. Se a clínica é de TEP e o doppler de MMII mostra TVP, podemos confirmar o diagnóstico! CINTILOGRAFIA Alteração perfusional ANGIOTOMOGRAFIA ARTERIOGRAFIA PULMONAR Exame invasivo É o de maior acurácia (padrão-ouro)! Algoritmo diagnóstico SUSPEITA BAIXA PROBABILIDADE ALTA PROBABILIDADE WELLS ≤ 4 WELLS > 4 Alto D-DÍMERO IMAGEM ANGIO-TC (1ª escolha) Se ANGIO-TC negativa Normal CINTILOGRAFIA SEM TEP Se cintilo NEGATIVO DOPPLER MMII NEGATIVO Se doppler negaitvo NEGATIVO ARTERIOGRAFIA (Padrão ouro) CRITÉRIOS DE WELLS Clínica de TVP 3 pontos Sem outro diagnóstico mais provável 3 pontos FC > 100 bpm 1,5 pontos Imobilização > 3 dias / cirurgia < 4 semanas 1,5 pontos Episódio prévio de TVP/TEP 1,5 pontos Hemoptise 1 pontos Malignidade 1 ponto Pontuação: < 4: baixa probabilidade > 4: alta probabilidade Tratamento TEP é sempre muito grave ou potencialmente muito grave → iniciar tratamento antes mesmo de concluir o fluxograma diagnóstico - Anticoagulação por pelo menos 3 meses: ● Pilar terapêutico: evita que novos trombos de formem, mas não dissolve o já formado (retirar fatores de risco) ● Heparina: o Heparina não fracionada (HNF): ▪ Tem o antídoto que é a protamina o Heparina de baixo peso molecular (HBPM): enoxaparina (Clexane) → posologia mais fácil, não precisa monitorar TTPa, menor chance de trombocitopenia, porém é mais caro ● Opções: o Heparina + varfarina 5mg/dia (começam juntos) ▪ INR ideal → entre 2 e 3 (faixa terapêutica de anticoagulação) ▪ Suspender heparina com 2 INR entre 2-3 o Heparina 5 dias, depois iniciar os novos anticoagulantes orais → preferência atual, porém é mais caro → Dabigatran 150 mg/dia o Rivaroxaban 15mg 2x/dia (sem heparina) ● Filtro de Veia Cava Inferior o Impede que novos trombos que eventualmente se formam atinjam o pulmão o Indicado quando há contraindicação à anticoagulação ou falha desta O objetivo é frear a doença embólica, principalmente com anticoagulantes, os quais não dissolvem o trombo, apenas param a doença. Quem dissolve o trombo é o organismo. A warfarina não tem ação imediata, sendo necessário associar um anticoagulante de ação imediata (heparina) à warfarina. - Se TEP maciço (instabilidade, IVD): ● Trombolisar até 14º dia ● Embolectomia: se contraindicação a trombólise EMBOLIA GORDUROSA Fraturas de ossos longos e pelve ● PULMÃO → hipoxemia ● SNC → alteração neurológica ● PELE → rash petequial Tratamento: suporte ● Não há comprovação científica, é muito empregado na prática médica – o problema na embolia gordurosa é a inflamação que sucede a impactação das micropartículas de gordura → metilprednisolona Prevenção: ● Imobilização precoce ● Correção cirúrgica de fraturas (intervenção ortopédica precoce) ESPIROMETRIA FORÇADA Volume expirado x tempo Na espirometria é feito expiração forçada, sendo que o primeiro segundo (VEF1) é o momento em que mais sai ar do pulmão. A Capacidade Vital Forçada é quanto o paciente consegue colocar de ar para fora na expiração forçada. Na obstrução,durante a expiração, a quantidade de ar que entra é menor, logo, os volumes também diminuem (se entra pouco ar, também sai pouco). O paciente obstruído aumenta o tempo expiratório na tentativa de fazer mais ar sair dos pulmões. ● Normal: o VEF1 (volume expirado forçado no 1º seg) = 4L → é o volume de ar que foi saiu no primeiro segundo de expiração o CVF (capacidade vital forçada) = 5 L → volume total que saiu durante a expiração forçada o VEF1/CVF (Índice de Tiffeneau)= ▪ Adultos: acima de 0,75 ▪ Crianças: acima de 0,9 VEF1 CVF VEF1 / CVF* (Índice de Tiffeneau) OBSTRUTIVO ↓↓ ↓ ↓ RESTRITIVO ↓ ↓ NORMAL (*) ÍNDICE DE TIFFENEAU ● Padrão Obstrutivo: obstrução → ↑pressão torácica por maior contração da mm respiratória → o que é mais prejudicado é o VEF1 → ↓VEF1 e ↑tempo expiratório para compensar o ar que não conseguiu sair no primeiro segundo. A CVF também cai, porém cai menos que a VEF1, por isso a razão se altera. A razão VEF1/CVF tende a ficar menor que 0,5 ● Padrão Restritivo: pneumopatias intersticiais → fibrose pulmonar difusa → ↓complacência → problema na entrada de ar → se entra pouco, sai pouco. A razão tende a não se alterar, pois o VEF1 e CVF se alteram na mesma proporção. Sendo assim o índice de tiffeneau geralmente vai ser normal, pode chegar a ser reduzido, mas nunca será 70%, pois isso define doença obstrutiva (ASMA e DPOC). VEF1 CVF VEF1 / CVF VALORES NORMAIS 4 L 5 L 4/5 (0,8) OBSTRUÇÃO 1,8 L 3,2 L 0,5 Obstrução: PROVA BRONCODILATADORA Para a prova broncodilatadora ser positiva, o VEF1 tem que aumentar em número absoluto e relativo. No padrão obstrutivo, o índice de Tiffeneau diminui, caindo para < 0,7, diagnosticando obstrução! No padrão restritivo, VEF1 e CVF caem proporcionalmente, assim a razão fica normal! PNEUMOCONIOSE (SILICOSE/ASBESTOSE) Pneumoconiose → doença pulmonar ocupacional associada à inalação de micropartículas INALAÇÃO DE MICROPARTÍCULA (< 10 micrômetros) ⇓ INFLAMAÇÃO (alveolite) ⇓ FIBROSE ● Não há tratamento específico para pneumoconiose, pois não há como revertê-la (não há como reverter a fibrose). O mais importante é a prevenção. ● Diagnóstico: história ocupacional + clínica + RX ● Asbestose: o O asbesto sempre foi encontrado em telas de amianto (que durante muitos anos foram utilizadas em revestimentos – isolamento térmico e acústico). Pessoas que trabalharam na construção civil/demolição – podem ter sido expostas ao asbesto ● Silicose: o Existem várias ocupações de risco – pedreiras, jateamento de areia, jateamento de vidro, cerâmica,.. SILICOSE ● Infiltrado micronodular em zonas superiores → fibrose em zonas superiores ● Linfonodos com calcificação periférica → em casca de ovo (“eggshell”) PNEUMOPATIAS INTERSTICIAIS DIFUSAS FIBROSE = PADRÃO RESTRITIVO Fibrose superior Silicose Sarcoidose Fibrose inferior Fibrose pulmonar idiopática A silicose tem preferência por zonas superiores do pulmão - a TB tem mais propensão a causar doença pulmonar em zonas superiores – assim, a silicose facilita a reativação de um foco de TB. Quem tem silicose tem um risco 30x maior de desenvolver TB (silico-tuberculose). DPOC DPOC, segundo Gold, é uma doença evitável e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação ao fluxo aéreo, devido a alterações nas vias aéreas e nos alvéolos causadas por exposições significativas a partículas e gases nocivos. Existem duas formas de lesão que podem, de forma independente, levar ao desenvolvimento da DPOC: bronquite crônica obstrutiva e enfisema pulmonar; estes dois extremos não são os mais comuns, e muitas vezes a doença está entre estes dois tipos. (1) Bronquite crônica obstrutiva: inflamação da via aérea → fibrose (2) Enfisema pulmonar: a lesão do enfisema caracteriza-se pela destruição dos septos alveolares, de modo que iremos observar um “saco único” – lesão de caráter irreversível O tabagismo consegue induzir as duas formas de lesão. As mais de 1000 substâncias tóxicas causam inflamação da via aérea, induzindo uma resposta inflamatória rica em linfócitos e monócitos, evoluindo para fibrose. Tais células irão liberar enzimas proteolíticas nos alvéolos, causando destruição do septo alveolar. Bronquite obstrutiva crônica Inflamação / fibrose Enfisema pulmonar Enzimas proteolíticas Apresentação Clínica SUSPEITA Dispneia Tosse crônica Expectoração crônica (geralmente mucoide) História familiar de DPOC FATOR DE RISCO ● Tabagismo: o cigarro pode levar tanto à bronquite crônica quanto ao enfisema pulmonar ● Deficiência de α1-anti-tripsina → quando suspeitar? o A tripsina é uma enzima proteolítica, e quando livre na via aérea pode causar enfisema. o Enfisema em jovem sem risco conhecido (não fumante) o Enfisema em região basal pulmonar o Hepatopatia inexplicada o Vasculite C-ANCA (+) o História familiar o Enfisema panacinar → o enfisema do tabagismo é centroacinar OBS: a alfa 1 antitripsina protege o organismo em relação a destruição de septos alveolares. A falta dessa substância prejudica a proteção, permitindo a destruição dos septos intralveolares. OBS: enfisema do tabagismo é centroacinar. Independentemente de a lesão ser por bronquite ou enfisema, o paciente irá apresentar uma obstrução ao fluxo aéreo (a fibrose comprime a via aérea, no enfisema, a destruição dos septos, leva a uma perda da propriedade elástica do pulmão) = por uma lesão ou por outra, teremos uma certa obstrução ao fluxo aéreo. E, essa obstrução será mais acentuada no momento da expiração = com o passar dos anos, esse paciente vai guardando alíquotas de ar no tórax = hiperinsuflação (aumento do diâmetro AP do tórax). Alguns alvéolos irão receber menos ar do que deveriam = alvéolos mal ventilados. Sempre que houver um território bem perfundido porém mal ventilado = distúrbio V/Q. Por conta disso, o MV estará reduzido. Como o alvéolo é mal ventilado, a troca gasosa nesses pacientes será deficiente. São pacientes cronicamente hipoxêmicos. Existe um controle voluntário da respiração, porém, também há um controle autônomo no centro respiratório bulbar; esse controle depende da quantidade de CO2 no sangue (que altera o pH sanguíneo), e como esses pacientes são retentores crônicos de CO2, isso faz com que o bulbo desses pacientes se torne “resistente” ao CO2, de maneira que o drive respiratório será dependente da hipoxemia. Ou seja,o centro da respiração no bulbo, em pessoas sadias, é ativado pelo aumento do CO2, porém, em pacientes com DPOC como há cronicamente hipercapnia, o estímulo para inspiração passsa a ser a redução de O2. Nesse sentido, se eu der muito oxigênio para esse paciente, ele vai fazer uma bradpneia, o que pode ocasionar um retenção aguda de CO2 (carbonacose), podendo levar a uma redução do sensório e insuficiência respiratória aguda. Pessoas portadoras de DPOC tem o controle ventilatório alterado → a respiração não depende do CO2, mas da manutenção da hipoxemia. O oxigênio ofertado ao portador de DPOC serve para conforto do paciente e/ou atenuar a hipoxemia – sem a intenção de corrigi-la por completo (pois ele depende da hipoxemia para manter o controle ventilatório). A hipoxemia crônica induz vasoconstrição da artéria pulmonar, causando sofrimento de VD. Com o tempo o portador de DPOC pode desenvolver insuficiência de VD secundária a alterações pulmonares (cor pulmonale). Alterações esperadas na espirometria: padrão obstrutivo ● VEF1 e CVF reduzidos (especialmente VEF1) ● VEF1/CVF reduzida (< 70%) ● Padrão espirométrico mais sensível: FEF 25-75% (fluxo mesoexpiratório) – primeiro parâmetro a se alterar em doenças obstrutivas ● Classificação: ○ GOLD ▪ GOLD 1 (leve): VEF1 > 80% do previsto para aquela faixa etária ▪ GOLD 2 (moderada): VEF1 > 50% do previsto para aquela faixa etária ▪ GOLD 3 (grave): VEF1 > 30% do previsto para aquela faixa etária ▪ GOLD 4 (muito grave): VEF1 < 30% do previsto para aquela faixa etária DPOC – TERAPIA DE MANUTENÇÃO ● Medidas gerais: ○ Cessar tabagismo ○ Vacina influenza/pneumococo/coqueluche/covid ○ Broncodilatador de alívio ○ Reabilitação pulmonarpara B / C / D → equipe multidisciplinar ESTÁGIOS 1 - 2 (VEF1 ≥ 50%) E 0-1 exacerbação/ano ESTÁGIO 3 - 4 (VEF1 < 50%) OU ≥ 2 exacerbações/ano ou 1 grave GRUPO A GRUPO B GRUPO C GRUPO D ↓ sintoma ↑ sintoma ↓ sintoma ↑ sintoma (mMRC 0-1 OU CAT <10) (mMRC > 2 OU CAT > 10) (mMRC 0-1 OU CAT <10) (mMRC > 2 OU CAT > 10) (A) Pouco sintomático / Baixo risco de exacerbar NÃO é obrigatório, mas pode ser oferecido um broncodilatador de curta ou longa (B) Muito sintomático / Baixo risco de exacerbar Broncodilatador de longa: Tiotrópio (LAMA) ou β -2 de longa (LABA) (C) Pouco sintomático / Alto risco de exacerbar Tiotrópio (LAMA) (D) Muito sintomático / Alto risco de exacerbar Tiotrópio + β-2 de longa se CAT > 20 Β-2 de longa + corticóide inalatório se eosinofilia > 300 OU asma* * Se overlapping ASMA + DPOC, tratar como asma! → pacientes com eosinofilia e baixa resposta ao tratamento de DPOC ● Medidas que reduzem mortalidade: o Cessar tabagismo o Vacinação contra influenza o Oxigenoterapia domiciliar → 15h/dia → alvo SatO2 > 90%: SE ▪ PaO2 < 55 (pct estável e confirmada em uma segunda gaso com 3 semanas de intervalo) ou SatO2 < 88% em repouso OU ▪ PaO2 56-59 + Hematócrito > 55% (policitemia) OU cor pulmonale o Cirurgia de pneumorredução (enfisematosos) ● Avaliar pela gasometria (coletada em ar ambiente e pessoas compensadas). Essa gaso deve ser coletada em pacientes clinicamente estáveis (fora e distante das descompensações) – para que o paciente seja avaliado em seu status respiratório basal (em média: 60-90 dias fora da última descompensação). ● O oxigênio domiciliar quando bem indicado, consegue reduzir a mortalidade, porém, deve ser prescrito em baixo fluxo. E, para que ele tenha resultados, o paciente deve utilizá-lo ao menos 15h/dia. → O2 domiciliar, com as indicações corrretas, aumentam sobrevida Exacerbação aguda (DPOC descompensada) Aumento do volume do escarro Escarro purulento Aumento da dispneia Geralmente esses pacientes têm alterações de 3 aspectos clínicos que são chamados de sinais cardinais – são parâmetros de piora no padrão respiratório. Atualmente, o conceito de descompensação é mais abstrato, é o simples fato de ocorrer: piora aguda do quadro clínico. Essa descompensação pode ter diferentes causas – com muita frequência é de origem infecciosa – a presença de escarro purulento aumenta a probabilidade de que a razão da descompensação seja de origem infecciosa (e não um quadro de embolia ou infarto). ● Principal causa de descompensação: Infecção pulmonar o Vírus ou infecção bacteriana: ▪ Haemophilus influenza ▪ Pneumococo (2º) ▪ Moraxella (3º) ▪ Grave ou ATB recente (3-6 meses) → cobrir Pseudomonas TRATAMENTO DESCOMPENSAÇÃO - ABCD A ANTIBIÓTICO por 5-7 dias se: ● Escarro purulento ● Necessidade de VNI ● Necessidade de intubação ● ATB: o AmoxClav, macrolídeo, cefa2/3G, quinolona respiratória o Se grave ou ATB frequente: cobrir Pseudomonas (cefepime, mero, tazocin) B BRONCODILATADOR inalatório de ação curta ● Beta-2 agonista (SABA, atrovent) e/ou ● Anticolinérgico (ipratrópio) C CORTICOIDE sistêmico por 5 a 7 dias Prednisona VO ou metilprednisolona IV D DAR OXIGÊNIO ● O2 suplementar em baixo fluxo (1-3L/min) ● VNI: pH ≤ 7,35 ou PaCO2 ≥ 45 mmHg (acid. Resp) ● Intubação: ↓ consciência ● ATENÇÂO: o que nos mostra que a DPOC está compensada é o pH dentro da faixa de normalidade (o rim reteve bicarbonato a médio e longo prazo compensando assim a retenção de CO2) ASMA BRÔNQUICA Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, com episódios reversíveis de hiperreatividade brônquica. Definida por história de sintomas como sibilos, dispneia, opressão torácica e tosse, variáveis em intensidade e também no grau de obstrução. As drogas de manutenção devem ser capazes de desinflamar as vias aéreas, sendo os corticoides a melhor escolha. 70% dos casos de asma são alérgicos → a célula fundamental é o eosinófilo, fazendo com que a mucosa expresse receptores que a deixam hiperreativa e com grande produção de muco ao entrar em contato com o gatilho (ácaros, pólen, poeira, pelos de animais...). QUADRO CLÍNICO DA CRISE Tosse / Dispneia Sibilos / Aperto no peito ● Diagnóstico: Obstrução Reversível o Espirometria INICIAL: VEF1/CVF = Obstrução (< 0,7) o Espirometria PÓS-BRONCODILATADOR (broncodilatador de curta duração): ▪ Reversão no adulto: ↑>12% do ponto de vista relativo E ↑>200ml do ponto de vista absoluto na VEF1 ▪ Reversão na criança: ↑>12% (crianças) → só precisa avaliar do ponto de vista relativo o Se espirometria inicial for NORMAL: ▪ Teste provocativo (Metacolina → induz reatividade em todas as pessoas, mas mais no asmático): ↓20% no VEF1 ▪ Isso é feito pois como a asma é uma doença crônica, ela é variável, então você pode estar fazendo o exame em um dia que não está muito reativa o Medidor de Pick flow: ▪ Diz qual foi a maior velocidade que você consegue colocar o ar para fora → na pessoa com asma o pick flow vai ser muito variável ao longo de 2 semanas, de acordo com a exposição à gatilhos ● Situações especiais: o Broncoespasmo induzido por exercício: (principalmente em clima seco e frio) usar ANTES do exercício → B2 agonista de curta ação e fazer um aquecimento prévio antes do exercício extenuante o Grávida asmática: trate como se não estivesse grávida (bem-estar fetal depende da asma controlada) ▪ Broncoespasmo no trabalho de parto: risco de hipoglicemia fetal se usar muito b2 de curta duração TRATAMENTO DE MANUTENÇÃO o > 12 anos: PASSO 1 ou DROGA DE ALÍVIO/RESG ATE - Corticóide inalatório DOSE BAIXA (Budesonida: 200-400 mcg/dia) + B2 de longa (LABA, Formoterol) - apesar do formoterol ser beta 2 de longa, tem início de ação muito rápido) - Usar quando necessário (SOS) PASSO 2 - Corticóide inalatório DOSE BAIXA (Budesonida: 200-400 mcg/dia) + B2 de longa (Formoterol) - Usar quando necessário (SOS) PASSO 3 - Corticóide inalatório DOSE BAIXA (Budesonida: 200-400 mcg/dia) + B2 de longa (Formoterol) - Uso regular PASSO 4 - Corticóide inalatório DOSE MÉDIA (Budesonida: >400-800 mcg/dia) + B2 de longa (Formoterol) - Uso regular PASSO 5 - Corticóide inalatório DOSE ALTA (Budesonida: >800 mcg/dia) + B2 de longa - Uso regular + Especialista + Tiotrópio + Anti IgE o < 11 anos: PASSO 1 ou DROGA DE ALÍVIO/ RESGATE - Corticóide inalatório DOSE BAIXA(Budesonida) + B2 de curta - Usar quando necessário (SOS) PASSO 2 - Corticóide inalatório DOSE BAIXA (Budesonida: 100-200 mcg/dia) - Uso regular PASSO 3 - Corticóide inalatório DOSE MÉDIA (Budesonida: >200-400 mcg/dia) OU Corticóide inalatório DOSE BAIXA (Budesonida: 100-200 mcg/dia) + B2 de longa - Uso regular PASSO 4 - Corticóide inalatório DOSE MÉDIA (Budesonida: >200-400 mcg/dia) + B2 de longa - Uso regular + Especialista PASSO 5 - Corticoide inalatório DOSE ALTA + B2 de longa + Anti IgE - Consultar especialista o < 5 anos: em princípio não devo usar B2 de longa ▪ Corticóide inalatório crônico: diminui crescimento ▪ B2 de longa crônico faz taquifilaxia e diminui a ação do B2 de curta ▪ Melhor método para uso: ● 0 - 3 anos: máscara facial ● 4 - 5 anos: espaçador PASSO 1 ou DROGA DE ALÍVIO/ RESGATE - B2 de curta - Usar quando necessário (SOS) PASSO 2 - Corticóide inalatório DOSE BAIXA (Budesonida NBZ: 500 mcg/dia) - Uso regular PASSO 3 - Corticóide inalatório DOSE DOBRADA - Uso regular PASSO 4 - Uso regular + Especialista ● Classificação do controle: “ABCD” 1. Atividades diárias limitadas? 2. Bombinha de alívio: ▪ > 2x* na semana? ▪ < 5 anos → >1x 3. “Cordou” à noite? (“Cintomas” noturnos?) 4. Diurnos: ▪ Sintomas > 2x* na semana? ▪ Sintomas < 5 anos → >1x 5. Avaliação: ▪ Controlada: nenhum “SIM” → ASMA CONTROLADA POR 3 MESES = VOLTAR 1 PASSO! ▪ Parcialmente controlada: até 2 “SIM” → CONSIDERAR AUMENTAR O PASSO, porém antes verificar outros fatores que influenciam ▪ Descontrolada: 3 ou 4 “SIM” OU no mínimo 1 internação por crise asmática → AUMENTAR O PASSO, porém antes verificar outros fatores que influenciam ● Observação: Se a asma do paciente não estiver controlada: ANTES DEAUMENTAR O PASSO, VERIFICAR AMBIENTE, ADERÊNCIA E TÉCNICA DO TRATAMENTO! ● Medidas ambientais: ↓umidade e mofo ● Classificação da gravidade: ● Leve: controle com passos 1-2 ● Moderada: controle com passo 3 ● Grave: controle com passos 4-5 CRISE ASMÁTICA LEVE A MODERADA Fala frases completas PFE > 50% FC: 100 – 120 SatO2: 90 – 95% Paciente clinicamente bem B2 de curta ação: 20/20 min por 1h Prednisolona VO ● 1mg/kg, máx. 50mg ● 1-2mg/kg, máx. 40mg (criança) O2 suplementar: ● Alvo: SatO2 93 – 95% (adultos) ● 94 – 98% (criança, grávidas, coronariopatas) GRAVE Fala por palavras, agitação PFE 30 - 50% FC > 110, SatO2 < 90, FR > 30 Alcalose respiratória Não melhorou Acrescentar: ● Ipratrópio: dobro do B2 Considerar: ● MgSO4 EV ● Corticoide inalatório dose alta MUITO GRAVE PFE < 30% ↓ Consciência Tórax silencioso (MV abolido, não sibila - não ta passando nada de ar) Acidose respiratória Todos anteriores e mais: ● Preparar IOT ● Indicar CTI NOMES COMERCIAIS ● Beta 2 agonista ○ Curta duração: SABA ■ Salbutamol: Aerolin ■ Fenoterol: Berotec ○ Longa duração: LABA ■ Salmeterol: Serevent ■ Formoterol: Fluir, Formocaps ○ Ultra longa duração: ■ Indacaterol: Onbrize ■ Vilanterol: relvar → associação com fluticasona ■ Olodaterol: Striverdi ● Anticolinérgicos: ○ Curta duração: ■ Brometo de ipratrópio: Atrovent ○ Longa duração: LAMA ■ Brometo de tiotrópio: Spiriva ● Corticoide inalatório ○ Beclometasona: Clenil ■ Fostair: associação com formoterol (b2 agonista de longa duração) ○ Fluticasona: ■ Seretide: associação com salmoterol ■ Relvar: associação com indacaterol ○ Budesonida: Busonid, Pulmicort ■ Foraseq: associação com formoterol ■ Alenia: associação com formoterol ■ Symbicort: associação com formoterol ○ Mometasona: Oximax ○ Ciclesonida: Alvesco PNEUMOPATIAS INTERSTICIAIS DIFUSAS ● Fisiopatologia: Inflamação → fibrose → padrão restritivo (espirometria: redução proporcional de VEF1 e CVF, com índice de Tiffeneau normal ou minimamente reduzido - sempre > 70%) ● Diagnóstico: ○ Clínica: ■ Dispneia aos esforços ■ Tosse seca ■ Estertor em velcro ■ Baqueteamento digital ■ Hipoxemia intensificada ao exercício físico ○ Pistas: ■ História ocupacional ● Silicose: pedreira, jateamento de areia ● Asbestose: isolamento acústico sonoro ● Pneumonite por hipersensibilidade: exposição ocupacional ou recreacional (pássaros, calopsitas) ■ Medicações: amiodarona, metotrexate, nitrofurantoína ■ Outras doenças: artrite reumatoide, esclerodermia (raynaud) ■ Padrão restritivo na espirometria ○ Imagem: ■ Inespecífico: infiltrado reticulonodular difuso ■ Pega ⅔ superiores do pulmão: ● Silicose ● Sarcoidose ● Pneumonite por hipersensibilidade ● Granulomatose de células de Langerhans (Histiocitose) ■ Terço inferior do pulmão: ● Fibrose pulmonar idiopática ● Asbestose ● Artrite reumatoide ● Esclerodermia ■ Tomografia: ● Padrão de Pneumonia intersticial usual (PIU): ○ Aspecto em faveolamento + bronquiectasias + áreas de pulmão sadio. Pulmão heterogêneo, com distorção da arquitetura e gradiente ápico-basal ● Padrão de Pneumonia intersticial não específica: padrão em vidro fosco + consolidação ● FIBROSE PULMONAR IDIOPÁTICA ○ Homem de 40-60 anos ○ Pneumopatia pulmonar difusa mais frequente ○ Relação com tabagismo ○ Diagnóstico de exclusão: radiologia + biópsia em alguns casos ● GRANULOMATOSE DE CÉLULAS DE LANGERHANS ○ Doença cística com cistos que se localizam mais superiores ○ Cistos heterogêneos e confluentes, bizarros ○ Perfil: homem de 20-30 anos, com forte relação com tabagismo ○ Pode causar pneumotórax ● LINFANGIOLEIOMIOMATOSE ○ Doença cística ○ Cistos mais homogêneos, paredes lisas e finas. Disposição homogênea ao longo do pulmão ○ Perfil: mulher em fase de menacme ○ Pode causar pneumotórax e derrame pleural de conteúdo de triglicerídeos (quilotórax) ○ Relação com doenças genéticas, principalmente esclerose tuberosa ● ASBESTOSE ○ Fator de risco → história ocupacional: produtos com amianto e isolamento sonoro ○ Opacidades concentradas em campos pulmonares inferiores ○ Placas pleurais calcificadas - pleura espessada ○ Relacionado com Mesotelioma ● SARCOIDOSE ○ Doença granulomatosa não caseoso e estéril, que acomete diferentes órgãos ○ Epidemiologia: mais comum em mulheres, negras, entre 20-40 anos ○ Clínica: depende do local de acometimento ■ Síndrome de Lofgren: uveíte, eritema nodoso, adenopatia hilar bilateral e artrite ou artralgia ■ Síndrome de Heerfordt-Waldenstrom: febre, aumento de parótida, uveíte anterior, paralisia facial