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COMPLICAÇÕES DO HIV PNEUMOCISTOSE PULMONAR (PCP) É uma doença provocada pelo fungo Pneumocystis jirovecii responsável por ser a principal doença pulmonar da fase AIDS do HIV em que ocorre uma infecção trato respiratório que leva a inflamação da arvore brônquica mas também da membrana alveolar dos alvéolos, impedindo a troca gasosa nesses pacientes, mais especificamente na membrana dos alvéolos capilares, em um quadro muito semelhante que ocorre no enfisema pulmonar. As manifestações, além do quadro de PCP ocorrem com o sistema imune extremamente defasado como ocorre nos pacientes na fase AIDS se não tratados, sendo os Linfócitos CD4 encontrados em valores abaixo de 200 células por mm no sangue, ou em alguns casos, pode-se encontrar algum paciente com manifestações clínicas de candidíase, seja as manifestações comuns como oral, dermatológica ou casos mais graves como esofagianas e pulmonares. As manifestações clínicas decorrem da fisiopatologia em que se tem o acometimento da membrana alvéolo capilar por meio do processo inflamatório, não gerando grandes quantidades de catarro ou secreções, assim como ocorre no enfisema pulmonar, além da troca gasosa estar muito comprometida já que o oxigênio não consegue difundir ao sangue, necessitando de maior esforço para que consiga trazer cada vez mais ar proveniente da inspiração. Assim sendo, as manifestações clínicas incluem sintomas como dispneia e tosse seca as vezes arrastada/prolongada devido ao pouco muco produzido. Muitas das vezes esses pacientes se apresentam cianóticos com hipoxemia devido justamente a má perfusão que ocorre por comprometer os sacos alveolares. A ausculta pulmonar se apresenta normal devido também ao pouco muco produzido por acometer os alvéolos pulmonar, pode-se apresentar com esterores. Em termos de exames, é preciso realizar a gasometria que irá indicar queda nos valores do O2 evidenciado também pelo quadro de cianose e hipoxemia do paciente, além de apresentar queda nos valores de CO2 por conta de existir um mecanismo compensatório de taquipnéia que irá levar ao aumento da eliminação de CO2 (devido a capacidade melhor de difusão) representado por uma alcalose muito discreta. O Raio-X desses pacientes irá aparecer como um infiltrado bilateral que acomete praticamente todo os pulmões, em especial as regiões da base, sendo como se pintasse todo o pulmão com tinta branca, de maneira intersticial. Esse é uma característica que difere da tuberculose, que afeta na maioria dos casos as regiões apicais dos pulmões, já nesses casos de Pneumocistose afeta menos as regiões do ápice. Nesses casos não ocorre a presença de adenomegalia hilar que é o aparecimento de regiões edematosas onde se tem a origem dos pulmões com os linfonodos aumentados nos locais e também não se apresenta derrame pleural nesses casos. Lembrando que a tuberculose é o principal tipo de diagnostico diferencial nesses casos, se assemelhando as vezes no quadro clínico, e se não for possível diferenciar os dois quadros, deve-se realizar o tratamento para ambos e em casos que o paciente chega muito grave. Outro achado laboratorial importante é o aumento do LDH ou Lactato Desidrogenase que é uma enzima que possui o aumento em duas situações especificas, seja em casos de ativação exacerbada do sistema imune ou guerra imune e em casos de destruição celular principalmente por hipóxia ou má perfusão tecidual. Nesses casos, os valores de LDH serão extremamente altos, em valores acima de 500. O diagnóstico geralmente é clinico com auxílio dos exames de imagem e laboratoriais. No entanto, pode-se realizar o isolamento do fungo por meio do escarro e coloração com prata metenamina, principalmente em casos em que não se tem a certeza quando ao diferencial de tuberculose. O tratamento é realizado com Bactrim que é uma mistura de Sulfametoxazol + Trimetropina durante 21 dias, pode- se administrar IV em casos mais graves ou VO em casos de manifestações mais leves. Em casos que o paciente possui uma gravidade muito grande quanto a hipóxia e cianose com PO2<70 é obrigatório o uso de corticoides a fim de se diminuir processo inflamatório que acomete a membrana, sendo a prednisona a principal escolha. A profilaxia pode ser realizada com Bactrim em casos desse paciente possuir CD4<200 ou candidíase oral ou febre por mais de 2 semanas sem causa aparente. TUBERCULOSE PULMONAR Outra doença muito característica é a tuberculose sendo o principal diagnostico diferencial quando comparado com a Pneumocistose em pacientes portadores de HIV, mas que possui diferenciais importantes em relação ao diagnóstico de Pneumocistose. Nem sempre em casos de Tuberculose, o CD4 necessita ser diminuído ou abaixo de 200 como na PCP, sendo que nas grandes maioria das vezes é normal, assim como o LDH não está elevado exorbitantemente com valores acima de 500 900 ou até 1000. No Raio-X de tórax é possível ver a formação de pontos de foco que representam granulomas, localizado mais dentro das regiões apicais, enquanto na PCP ocorre na maioria das vezes na base dos pulmões, sendo regiões mais difusas que acometem o interstício pulmonar. Portanto, as duas principais manifestações respiratórias de pacientes portadores de HIV, principalmente aqueles que não realizam tratamento, possuem uma carga viral alta e com CD4 extremamente diminuídos já na fase AIDS são a Pneumocistose Pulmonar e a Tuberculose. Sempre deve- se desconfiar em casos de HIV positivos com alterações na respiração ou no sistema respiratório, até que se prove o contrário pode indicar essas duas doenças oportunistas. MENINGITE: NEUROCRIPTOCOCOSE É uma doença causada por um fungo encapsulado que vive no SNC chamado Cryptococcus neoformans. As principais manifestações dessa doença é o aumento da PIC excessiva por conta do entupimento dos granulocitos aracnoides por onde o líquor é reabsorvido, além de provocar paralisia do sexto par craniano por compressão devido aumento da PIC justamente, impedindo que o paciente consiga virar o olho para fora, ficando paralisado para dentro (esotropia). Os sinais de meningite clássico já que essa doença é típica de inflamação das meninges cerebrais não aparecem como rigidez de nuca ou sinais positivos de Kernick e Brudizinsk já que o organismo não possui uma capacidade de reagir a infecção por conta da depleção do sistema imune, sendo em especial, os linfócitos CD4 estarem muito baixos. Pode aparecer febre e cefaleia por conta da infecção e aumento da PIC, que é o principal achado característico. O diagnóstico, assim como a maioria dos casos meningite é feito clinicamente pelos sinais característicos meningites mas nesses casos, esses sinais não aparecem. Dessa forma é necessário realizar a punção que irá determinar algumas características especificas: por conta do aumento da PIC, o líquor escapa em uma velocidade de gotejamento muito elevada, quase que jorrando para fora, sendo medida essa pressão que pode chegar a 100 mmH20 enquanto pressão normal é de 18 mmH20. Na avaliação qualitativa do líquor é possível observar além do aumento da PIC que é o principal sinal, um aumento dos MONOcelulares discretamente, diminuição da glicose e o aumento das proteínas também de maneira discreta causa da guerra imune no local. Especificamente é possível por meio da coloração com Tinta Nanquim identificar o próprio fungo que se multiplica intensamente devido a falha dessa resposta imune do paciente. Pode ser realizado a cultura do líquor também, assim como o antígeno criptococico extremamente sensível que quase em todos os casos se apresenta positivo. Portanto, pode- se pedir os três exames laboratoriais para confirmar esse diagnóstico de neurocriptococose. O tratamento é realizado com antifúngico de forte ação ou de largo espectro:Anfotericina B + flucitosina que são mais uteis para erradicação do fungo rapidamente. Existem os casos mais graves em que a paciente permanece com um quadro de cefaleia mesmo após erradicação do fungo, em que a PIC está muito elevada, sendo em casos > 25cmH2O é preciso realizar punção de alivio. NEUROTOXOPLASMOSE É a principal doença que se pode pensar em um paciente é soropositivo e portador de HIV com sintomas neurológicos focais, até que se prove o contrário, é neurotoxoplasmose sendo o principal diagnóstico diferencial Linfoma Primário com mortalidade extremamente alta. Geralmente quase que todas as pessoas já possuíram ao longo da vida algum contato com o Toxoplasma gondii em que a grande maioria não desenvolveu qualquer sintoma que seja. No entanto, em pacientes com HIV que possuem um sistema imune defasado, ocorre uma reativação dessa doença e o SNC é a principal área de tropismo. A principal característica desse patógeno é provocar uma formação de abscessos no encéfalo da paciente, fazendo com que se tenha déficits focais, por conta da lesão serem locais, em determinado ponto do encéfalo, afetando logo as estruturas que são mais comumente associadas por ter as mesmas funções entre si como hemiparesia, convulsões e cefaleia intensa, sendo que a febre não é muito elevada mas pode estar presente. Quando se depara com um quadro de sintomas focais em pacientes HIV positivos, deve-se suspeitar dessa doença e realizar rapidamente exame de imagem, até para possível descartar presença de AVC. No exame de imagem, especial a Tomografia de Crânio, possível observar múltiplas lesões hipodensas circundadas por bordas brilhantes chamado de realce de contraste em anel e edema perilesional marcado por áreas pretas em volta dos anéis. O tratamento é feito por dois esquemas: o primeiro e mais clássico é o Sulfadiazina + Pirimetamina + ácido Folínico já que o esquema dos dois primeiros inibe a síntese do ácido fólico e para não prejudicar a medula é feita essa dosagem a mais de ácido Folínico. O segundo esquema é o uso do clássico Bactrim também utilizado na Pneumocistose que é a combinação de Sulfametoxazol + Trimetropina. É realizado ainda a profilaxia primaria neurotoxoplasmose com uso também do Bactrim, mas em condições especiais em que o paciente possui uma guarda imune totalmente devassada com CD4<100 e IgG + indicando que já teve um contato com o agente causador da doença anteriormente. LINFOMA PRIMÁRIO DO SNC É um linfoma não Hodgkin provocado por um vírus que é muito conhecido popularmente, Epstein-Barr Vírus tendo um prognostico extremamente complicado com uma alta mortalidade dos pacientes. O quadro clínico é semelhante ao da neurotoxoplasmose sendo o diferencial quando se realiza o tratamento seja o tratamento clássico como o tratamento com Bactrim e o paciente não apresenta melhora após 14 dias. É um indicio de Linfoma, mas que assim como toda neoplasia, só pode ser confirmada por meio do achado histopatológico. O diagnóstico é confirmado quando o paciente possui um sistema imune totalmente destruído com CD4<50 sendo essa doença característica dos pacientes na fase AIDS do HIV. Deve-se ainda realizar punção líquor que evidenciará a presença de Epstein-Barr com PCR + e realizar uma RM indicando a presença de lesão única e a biopsia daquela lesão que fecha o diagnóstico da doença, infelizmente. O tratamento é feito por uma radioterapia paliativa a fim de diminuir ou manter o tumor naquele estagio que ele se encontra. É difícil de se realizar o tratamento, assim como é extremamente baixa a sobrevida nesses casos, rezando sempre para que déficits neurológicos focais sejam casos de neurotoxoplasmose. LEUCOENCEFALOPATIA MULTIFOCAL PROGRESSIVA Causada por um vírus comum em que todas as pessoas do mundo podem ter é o Vírus JC que provoca como próprio nome já diz múltiplas lesões em inúmeros focos em locais de substancias brancas do encéfalo de forma progressiva nos pacientes que possuem um sistema imune debilitado ao extremo. Na ressonância, aparece como múltiplos AVC e o quadro clínico indica déficits focais como perda olfatória, perdas visuais que ocorrem ao longo do tempo. Lembrando que na RM, os locais acometidos ficam brancos, enquanto na TC de crânio permanecem pretos, semelhantes ao quadro de AVC em que liquido na TC é de cor preta, hipodenso em relação a massa encefálica. O tratamento é feito basicamente melhorando o sistema imune do paciente com uso de TARVS ou Antirretrovirais a fim de evitar a progressão da doença que ocorre apenas em casos de imunidade extremamente comprometida. Portanto, quando se pensa inicialmente em déficits focais em pacientes portadores de HIV deve-se pensar prontidão em neurotoxoplasmose, assim como realizar tratamento para a mesma. Se após 14 dias não ocorrer melhora desse quadro, suspeitar de Linfoma Primário do SNC e em casos mais raros, se os déficits focais forem múltiplos ao longo do tempo pode-se pensar em LEMP causada pelo JC. COMPLEXO DEMENCIAL DA AIDS É uma condição extrema de pacientes portadores de HIV e que não realizaram qualquer tratamento ao longo da vida para essa doença. É causada pelo próprio vírus do HIV em fases avançadas de AIDS acarretando em atrofia cerebral importante gerando debilidade cognitiva, além de causar alteração comportamental e motora dependendo da área cortical que for prejudicada e atrofiada. O tratamento consiste em diminuir justamente a ação do vírus do HIV no sistema imune da pessoa, iniciando logo de prontidão o TARV com uso de Tenofovir + Lamivudina que são a dupla clássica associado a Dolutegravir em grande maioria dos casos. “Déficit neurológico focal é a perda de movimento, sensação ou função em um local específico do corpo, como o lado esquerdo da face, braço esquerdo ou áreas menores, como a língua. Complicações na visão, audição e fala também são considerados déficits neurológicos focais.”