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SECRETARIA ESTADUAL DA EDUCAÇÃO
SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
FUNÇÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
A educação de Jovens e Adultos, enquanto modalidade educacional que atende
educandos-trabalhadores, tem como finalidades e objetivos o compromisso com a
formação humana e com o acesso ao saber, fornecendo subsídios para que os
educandos (as) tornem-se ativos, e possam aprender permanentemente, refletir
criticamente, agir com responsabilidade individual e coletiva. A EJA deve constituir-se de
uma estrutura flexível, capaz de contemplar inovações que tenham conteúdos
significativos.
A função social da EJA deve possibilitar o envolvimento dos educandos jovens,
adultos e idosos nas práticas escolares, garantindo-lhes o acesso aos saberes em suas
diferentes linguagens, intimamente articulado com suas necessidades, expectativas e
trajetórias de vida, portanto, a escola deve superar o ensino de caráter enciclopédico, e
estar atenta aos conteúdos específicos de cada disciplina, articulados com a realidade e
colaborando para que os mesmos ampliem seus conhecimentos viabilizando a busca
pelos direitos da melhoria de sua qualidade de vida.
PERFIL DOS EDUCANDOS
A EJA atende um público diverso, jovens, adultos, idosos, e compreender o perfil
desses educandos requer conhecer a sua história, cultura e costumes, entendendo-o
como um sujeito com diferentes experiências de vida, e que em algum momento se
afastou da escola devido a fatores sociais, econômicos, culturais ou por motivos alheios a
sua vontade.
A Lei 9394/96, em seu artigo 38, determina que, no nível de conclusão do Ensino
Fundamental e Médio, a idade seja, respectivamente, 15 e 18 anos. 
Essa alteração de idade ocasionou uma mudança na composição da demanda,
principalmente pela presença de adolescentes. Outra demanda a ser atendida é a de
pessoas idosas que buscam a escola para desenvolvimento ou ampliação de seus
conhecimentos bem como outras oportunidades de convivência.
Esses educandos possuem uma gama de conhecimentos adquiridos em outras
instâncias sociais, visto que, a escola não é o único espaço de produção e socialização
de saberes e o atendimento não se refere, exclusivamente, a determinada faixa etária,
mas à diversidade sociocultural dos mesmos.
Se considerarmos que os frequentadores dessa modalidade de ensino se
encontram, em grande parte, inseridos no mundo do trabalho, é importante que o fazer
pedagógico seja compatível com as peculiaridades dessa parcela de educandos.
O planejamento das aulas para o perfil do educando da EJA necessita de um
levantamento junto aos mesmos, de como foram suas aulas e experiências anteriores,
para haver maior clareza de como o educador poderá planejar o trabalho pedagógico.
Outra perspectiva a ser considerada é o trabalho com a cultura local, buscando a
origem de suas práticas, transformações e diferenças em cada região. Geralmente quem
se matricula na EJA tem a autoestima devastada, mas algumas ações podem ser
tomadas para evitar que isso afaste o educando da escola, como por exemplo:
- mostrar que a atitude de voltar a estudar deve ser motivo de orgulho; 
- ajudar ao educando a identificar o valor e a utilidade do estudo em sua vida; 
- elaborar aulas dinâmicas e estimulantes; 
- ser receptivo para conversar; 
- mostrar que a aula é momento de troca entre todos e que o saber do educador não é 
mais importante que o deles; 
-valorizar e utilizar os conhecimentos de cada um; 
- promover entre eles o sentimento de grupo.
 EIXOS ARTICULADORES DO CURRÍCULO NA EJA:
CULTURA, TRABALHO E TEMPO
Das reflexões feitas no processo de elaboração das Diretrizes Curriculares
Estaduais para a Educação de Jovens e Adultos, identificaram-se os eixos cultura,
trabalho e tempo como articuladores de toda ação pedagógico-curricular. Tais eixos foram
definidos a partir da concepção de currículo, como processo de seleção da cultura e do
perfil do educando da EJA. De acordo com as Diretrizes, a cultura compreende toda a
forma de produção humana e as relações que ela perpassa. O trabalho é a ação pela qual
o homem transforma a natureza e nesse processo transforma-se a si mesmo. Para os
educandos(as) atendidos na EJA, o tempo é diversificado e considera a especificidade
dessa modalidade que busca atender o tempo de que o educando(a) dispõe para se
dedicar aos estudos. 
AVALIAÇÃO
A avaliação proposta para a EJA entende a necessidade da avaliação qualitativa e
voltada para a realidade. Proceder à avaliação da aprendizagem clara entendendo-a
como processo contínuo de obter informações, de perceber progressos e de orientar os
educandos para a superação das suas dificuldades, com o reconhecimento de suas
experiências, a valorização de sua história de vida, para que os mesmos atinjam o
conhecimento na busca de oportunidades de inserção no mundo do trabalho e na
sociedade.
Pautadas no princípio que valoriza a diversidade e reconhece as diferenças, a
avaliação precisa contemplar as necessidades de todos os educandos. “O importante é
permitir a cada um aprender” (PERRENOUD, 1999).
Nesse sentido, sugere-se o acompanhamento contínuo do desenvolvimento
progressivo respeitando suas individualidades. Desse modo, a avaliação não pode ser um
mecanismo apenas para classificar ou promover, mas um parâmetro da práxis
pedagógica, tomando os erros e os acertos como elementos sinalizadores para o seu
replanejamento.

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