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CADERNO- INTRODUÇÃO À FILOSOFIA - JORGE FREIRE PÓVOAS

Caderno de introdução à Filosofia com aulas sobre "O homem e a cultura" — aborda o humano como síntese natureza/cultura, racionalidade, trabalho, socialização, linguagem e mutabilidade cultural; e "Do mito à filosofia" — ruptura mítica, milagre grego, pré-socráticos e Sócrates.

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Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
FBDG – CADERNO INTRODUÇÃO À FILOSOFIA – JORGE FREIRE PÓVOAS 
AULAS 01 E 02 – O homem e a cultura 
“O ser humano é uma síntese entre natureza e cultura” 
Em primeira análise, é importante salientar que o homem é um ser racional, social e 
político. Dessa forma, difere-se dos demais seres vivos, como os animais, a partir da sua 
racionalidade e da sua capacidade de interpretar símbolos, podendo agir de diferentes 
maneiras para solucionar um mesmo problema. Destarte, a filosofia considera o homem 
livre, já que diferente de uma aranha, por exemplo, não age exclusivamente por instintos, 
apresentando a capacidade de transformar a realidade que está ao seu redor de acordo com 
seus interesses e necessidades – portanto, o homem é produtor e produto do meio em que 
se encontra inserido, vinculado diretamente à cultura. A aranha, diferentemente do homem, 
não tem consciência do resultado do processo, realizando-o apenas de forma intuitiva e esse 
trabalho dificilmente sofrerá alguma modificação. Outra observação importante consiste na 
importância do trabalho na interação humana, sendo imprescindível no contato com outros 
seres a partir do diálogo e da cooperação. Vale salientar também que o desenvolvimento de 
características consideradas humanas como a capacidade de transformar a realidade, de 
dialogar e de interpretar sentidos é formulada a partir do processo de socialização, isto é, a 
interação coletiva é fundamental nesse processo. 
Por último, é ressaltado que sendo o homem produto do meio em que se encontra, a 
cultura interfere significativamente no modo de pensar, de agir e de se comportar de um 
indivíduo. Embora não apresente uma única definição, cultura pode ser entendida como um 
conjunto das produções coletivas da existência humana (vale ressaltar que nomes como o 
existencialista Sartre defenderam a máxima de que a existência precede a essência, 
diferentemente do que acontece com os objetos materiais). Outra análise importante 
consiste na concepção de que os elementos culturais independem da vontade de um 
indivíduo, uma vez que este, ao chegar no mundo, já se depara com uma realidade já 
formada por ideias, ou seja, tudo praticamente já se encontra codificado mas alguns 
aspectos culturais (como a forma de pensar sobre determinados assuntos) pode sofrer 
modificações ao longo do tempo, sendo a cultura, portanto, mutável e flexível. 
Outrossim, é imprescindível ressaltar o papel da linguagem, isto é, o conjunto de 
signos (elementos providos de significado) no cotidiano humano. É através das diferentes 
formas de linguagem que o homem molda a sua própria identidade, expressa suas emoções, 
planeja o seu futuro, relembra o seu passado, modifica o seu presente, interage com demais 
indivíduos e desenvolve a sua cultura, transcendendo as suas experiências. (Outra 
característica que difere os homens dos animais é a sua capacidade de transcender o tempo 
presente) 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
AULA 03 – DO MITO À FILOSOFIA 
 O “sair de si” representaria a necessidade humana de olhar para si mesmo e para os 
demais a partir de outra perspectiva – uma visão mais altruísta, reflexiva e consciente 
em direção ao aperfeiçoamento do autoconhecimento juntamente com a 
possibilidade de formar uma sociedade mais harmônica; 
 O mito, baseado na cosmogonia, predominou durante muitos anos como a principal 
fonte de conhecimento. Dessa forma, a busca por explicar o natural com base no 
sobrenatural de forma impositiva, dogmática e inquestionável consistia na principal 
maneira de se obter a verdade. Nesse sentido, os homens encontravam-se 
submetidos à vontade divina, tendo seu livre-arbítrio extremamente atrofiado ou 
inexistente; 
 A virtude humana era baseada, nesse cenário, na coragem – seja demonstrada em 
campos de batalha ou através da capacidade de persuasão através do diálogo; 
 No período arcaico, ocorre o denominado “milagre grego”, simbolizando uma 
ruptura com a tradição mítica e a ascensão do pensamento filosófico, ou seja, da 
cosmologia. Destarte, alguns fatores foram determinantes para esse processo, entre 
eles o surgimento da pólis, a circulação de moedas, a invenção da escrita e a fixação 
de leis escritas; 
 Os primeiros filósofos foram designados pré-socráticos, não somente por 
antecederem o pensamento de Sócrates mas, principalmente, por ainda carregarem 
influência das narrativas míticas em suas concepções. Os pré-socráticos, como 
Heráclito e Parmênides, por exemplo, refletiram sobre discussões de base ontológica, 
ou seja, a busca por desvendar qual seria o princípio originário de todos os 
elementos da natureza – arché; 
 Sócrates, um dos destaques da Filosofia Clássica, realizou uma forte oposição aos 
sofistas. Sócrates reconhecia-se como sábio pelo fato de reconhecer a sua própria 
ignorância e, através do diálogo, ir em direção à verdade. Por outro lado, os sofistas 
cobravam para ensinar e criavam verdades através de estratégias de persuasão. 
Sócrates acabou sendo condenado à morte; 
 O termo filosofia foi utilizado pela primeira vez pelo filósofo pré-socrático e também 
matemático Pitágoras, significando “amor ou prazer à sabedoria”. Partindo desse 
pressuposto, filósofo seria aquele que se dedicava ao estudo e ao exercício do saber 
filosófico; 
 A Filosofia, portanto, é compreendida como um pensamento radical, rigoroso e de 
conjunto pois busca, por meio de métodos pautados no questionamento, no debate 
e na razão sistemática, o alcance da verdade. Vale salientar que o exercício filosófico 
requer bastante coragem e é imprescindível na dissolução de preconceitos assim 
como no rompimento com ideologias predominantes; 
 Outro destaque da Filosofia Clássica, Platão, realizou estudos no campo 
epistemológico, ou seja, relativo ao conhecimento. Segundo o discípulo de Sócrates, 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
a obtenção da verdade acompanharia uma sequência gradual pautada em: 1. Opinião 
(senso comum – Doxa)/2. Ciência (Episteme)/ 3. Filosofia (senso crítico). Por 
conseguinte, pode-se concluir que Platão considera o saber filosófico crucial para 
colocar em prática as conclusões científicas e fugir do senso comum, uma vez que o 
conhecimento científico, visto de forma isolada, pode contribuir para atender a 
interesses particulares (sociais, políticos, econômicos, etc...); 
 
 
 
 
 
AULA 04 – PRÉ-SOCRÁTICOS, SÓCRATES E OS SOFISTAS 
 PRÉ-SOCRÁTICOS: 
 Filósofos que antecederam o pensamento de Sócrates, carregando, ainda, 
forte influência mítica; 
 Esses filósofos realizaram concepções voltadas para uma base ontológica, ou 
seja, buscaram o princípio originário de todos os elementos da natureza– a 
arché; 
 Entre os pré-socráticos destacamos Heráclito e Parmênides; 
 Para Heráclito, a arché seria o devir, isto é, o mobilismo. Heráclito parte do 
pressuposto de que não há ser estático e esse dinamismo pode ser 
identificado, por exemplo, na metáfora do fogo (ora acende e ora apaga); 
 Para Heráclito, os elementos da natureza estão em constantes 
transformações e são, portanto, flexíveis (ex: as águas de um rio jamais serão 
as mesmas que vimos anteriormente); 
 O que mantém esse fluxo não é o simples aquecer de novos seres mas sim a 
luta dos contrários; 
 O pensamento de Heráclito pode ser contemplado em músicas de Lulu Santos 
e Raul Seixas; 
 Parmênides se opôs a Heráclito ao apontar para o monismo como a sua 
arché. Destarte, Parmênides considera que o ser é imóvel (o ser não está 
sendo, o ser é), criticando a concepção acerca da mobilidade do ser; 
SENSO COMUM SENSO CRÍTICO 
OPINIÃO ARGUMENTAÇÃO FILOSÓFICA 
EXPANDE PRECONCEITOS DESCONSTRÓI PRECONCEITOS 
CONHECIMENTO POPULAR E MAGIA RAZÃO SISTEMÁTICA 
DOGMÁTICO RADICAL, RIGOROSO E DE CONJUNTO 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Para Parmênides, o ser possui uma essência fixa, sendo um ser imutável, 
infinito e imóvel; 
 JeanPaul Sartre, filósofo existencialista, apresenta relação em seu 
pensamento com os dois pré-socráticos citados anteriormente. Ao considerar 
que para o homem, a existência precede a essência, corrobora com a tese de 
Heráclito acerca da constante mudança e de que nada é predeterminado para 
esses indivíduos. Ao considerar que para as coisas, a essência precede a 
existência, corrobora com o paradigma de Parmênides; 
 
 SOFISTAS : 
 O conhecimento seria importante pois representava poder; 
 Destaque para Protágoras de Abdera e Górgias de Leôncio; 
 Sofista = homem que emprega sofismos; 
 Foram importantes para a consolidação do pensamento filosófico a partir da 
valorização da argumentação e da retórica; 
 Buscavam impor verdades através de estratégias de persuasão; 
 Cobravam para ensinar, contribuindo para acirrar as desigualdades entre os 
cidadãos; 
 Não consideravam mulheres, escravos, crianças e estrangeiros como 
cidadãos; 
 Formaram um currículo de estudos de gramática, retórica, dialética, 
aritmética, geometria, astronomia e música; 
 Hoje em dia, o termo “sofista” vincula-se a uma concepção pejorativa; 
 
 SÓCRATES : 
 O conhecimento seria importante para ajudar o próximo e se auto-ajudar; 
 Grande crítico dos sofistas, considerando-os “prostitutas do saber”; 
 Sócrates defendia que o acesso diferenciado ao conhecimento alimentava 
desigualdades e, por isso, passa a dialogar também com os excluídos da 
cidadania – mulheres, estrangeiros e crianças; 
 Pode-se inferir que Sócrates, assim como outros filósofos gregos, acreditavam 
na importância da escravidão para que membros da pólis pudessem obter 
ócio (tempo livre) para filosofar; 
 Considerava-se sábio por compreender os limites do seu conhecimento e 
reconhecer a sua própria ignorância – “só sei que nada sei”; 
 Foi condenado à morte, acusado de “corromper a juventude” pelo simples 
fato de se contrapor à mentalidade predominante na época; 
 Defensor do diálogo como a principal forma para se aprimorar o 
conhecimento humano; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 O seu método visando ao alcance da verdade era baseado na ironia 
(questionamento) e maiêutica (parto) – por exemplo, é através desse 
método que preconceitos podem ser descontruídos; 
 Teve Platão como o seu principal discípulo; 
 Sócrates privilegiou debates sobre a coragem, a covardia, a piedade e a 
justiça, criando “diálogos” para responder; 
 
AULA 05 – PLATÃO: EPISTEMOLOGIA E POLÍTICA 
 Fundador da escola Academia em Atenas; 
 Seu pensamento é ilustrado de forma bastante eficaz no mito ou alegoria da 
caverna, tanto no âmbito epistemológico quanto político; 
 
Dimensão epistemológica: 
 Interior da caverna – mundo sensível – resposta a Heráclito – as aparências, 
que encontram-se em constantes movimentos, são enganosas 
 Região externa da caverna – mundo inteligível – resposta a Parmênides – a 
essência do indivíduo é imutável, permanente e inflexível – local onde, de 
fato, encontra-se a verdade 
 
OBS: Fotografias, pinturas, caricaturas, embora bastante frequentes em nosso 
cotidiano, enquadram-se no mundo sensível. 
 
Dimensão política: 
 Para Platão, a Política é a arte de governar; 
 Resposta a Sócrates – o homem que retorna da caverna, após ter contato 
com a verdade propriamente dita, seria este o mais apto a governar – 
sofocracia; 
 Vale ressaltar, logicamente, que este indivíduo, ao retornar da caverna, 
entrará em descrédito com os demais, sendo inclusive, julgado como um 
louco; 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Para Platão, as ideias gerais são hierarquizadas e no topo delas encontra-se a 
concepção de bem, a mais alta em perfeição e a mais geral de todas (a suprema 
beleza – quando um indivíduo “dá luz” a outro que se encontra no interior da 
caverna) 
 
 Platão supõe que os homens já teriam vivido o puro espírito quando contemplaram o 
mundo das ideias mas esqueceram tudo quando se degradam ao se tornarem 
prisioneiros do corpo, entrando, nessa perspectiva, no interior de uma caverna  
Teoria da Reminiscência 
 Pela Teoria da Reminiscência, Platão explica como os sentidos se constituem apenas 
na ocasião para despertar nas almas as lembranças adormecidas – conhecer é 
lembrar (doxa  episteme) 
 
 A dimensão política vincula-se à transformação social. Platão conclui que a forma de 
governo ideal seria a sofocracia, cabendo aos mais sábios instruir aqueles que vivem 
no interior de uma caverna, presos nas concepções baseadas nas opiniões (doxa) – a 
sofocracia seria fundamental para a manutenção de uma sociedade coesa; 
 Para Platão, a educação das crianças caberia ao Estado, uma vez que proporcionaria 
uma visão mais geral e oportunidades iguais para todos; 
 A educação seria homogênea até o decorrer da fase adulta, quando ocorreria a 
diferenciação das funções a depender do tipo de alma do indivíduo, corroborando a 
teoria da tripartição das almas para Platão: 
 
 A ideia da virtude relaciona-se à valorização do espírito e a principal virtude seria a 
justiça; 
 Na teoria do Estado de Platão, os governantes devem usar a força, a prisão e o exílio 
ou morte para manter, caso necessário, a integridade do Estado; 
 
 
 Platão realizou duras críticas à democracia, uma vez que a igualdade deveria ocorrer 
somente na distribuição de bens e não em outros contextos como no usufruto do 
poder. A democracia não seria ideal por facilmente apresentar a tendência de se 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
transformar em uma demagogia, quando haveria a prevalência de interesses 
particulares através da manipulação popular; 
 O povo seria incapaz de possuir a Ciência Política por faltar aptidão para governar, 
além disso, a democracia levaria fatalmente à tirania, considerada pelo filósofo como 
a pior forma de governo (uma única pessoa exerce poder soberano em detrimento 
do bem comum); 
 
 
 
AULA 06 – O ESTUDO DE ARISTÓTELES 
 Discípulo de Platão; 
 Aristóteles discorda de seu mestre acerca da dualidade de mundos – sensível e 
inteligível, ou seja, nas questões de base epistemológica; 
 Aristóteles buscou definir a Ciência como a fonte mais segura de conhecimento, 
capaz de superar os enganos da opinião e de compreender a natureza do Devir 
(diferentemente de Platão, Aristóteles valoriza o pensamento de Heráclito); 
 Os mundos sensível e inteligível pertenceriam, portanto, a um só espaço – o físico, 
onde os seres humanos se encontram, distantes do motor imóvel que seria 
representado pela figura de Deus; 
 Aristóteles é considerado o criador da Lógica Formal, caracterizada pela presença de 
duas premissas e uma conclusão (silogismo); 
 
Silogismo correto e válido: 
 Se todos os homens são mortais; 
 Se Bernardo é homem; 
 Logo, Bernardo é mortal; 
 
Silogismo correto e inválido (falácia): 
 
 Se todos os homens são loiros; 
 Se Thiago é homem; 
 Logo, Thiago é loiro; 
 
 Classificação das Ciências: 
 
 Teoréticas – buscam o saber por si mesma – Metafísica, Física, Psicologia, 
Matemática... 
 Práticas – buscam a perfeição moral pelo saber – Ética e Política 
 Poiéticas – buscam o saber em vista do fazer – Retórica, Poética... 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
 As mais elevadas por dignidade e valor são primárias, como a Metafísica (A 
Física primeira); 
 A Metafísica aristotélica é a Ciência que se ocupa das realidades que estão 
acima das físicas (Metafísica = além da física), examinando o ser e suas 
propriedades; 
 
 Conceitos importantes: 
 
 Contingência x Necessidade – Aquele indivíduo contingente é aquele que não 
tem origem em si mesmo, diferentemente do ser necessário. Ex: Papel (Ser 
contingente) x Celulose (Ser necessário em relação ao papel); 
 Potência x Ato – O ato seria a atualização da potência (potencial) – Ex: 
Estudante de direito (potência) x advogado (ato); 
 
 Aristóteles define que Deus seria um motor imóvel,o ser necessário, desvinculado de 
potência, sendo o ato puro e responsável por originar todos os demais seres. 
 Deus seria um Motor Imóvel, um ato puro sem nenhuma potência – Imóvel, imutável 
e infinito; 
 
 Aristóteles chama, em geral, “Política” a ciência da atividade moral dos homens, ou 
seja, a ética estava subordinada à Política; 
 Para Aristóteles, todos os homens almejam um bem supremo (o sumo-bem) que 
seria, portanto, a felicidade, responsável por dar sentido à vida; 
 Assim como Platão, Aristóteles aponta para a ligação entre Ética e Política visto que 
um bom governo necessita da virtude de um bom governante; 
 
 Aristóteles refuta a concepção platônica de que o Estado estaria acima das outras 
instituições sociais como a família; 
 
 
 Aristóteles defendia o alcance das virtudes éticas como a concretização da felicidade 
através da justa-medida, isto é, o meio-termo entre os extremos; 
 
 Para Aristóteles, a Retórica refere-se à estrutura da persuasão em geral, pois é 
também verdade que os homens exercem suas atividades para persuadir – a Retórica 
é como um ramo da Dialética e da Ciência dos costumes que se denomina, 
justamente, Política; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 A aplicação da Psicologia na Retórica levou a Aristóteles não só a análise das paixões 
individuais, mas à descrição das características psíquicas das diferentes idades da 
vida humana; 
 
 No âmbito político, Aristóteles critica a defesa da Sofocracia platônica, além da 
dissolução da família. Ademais, a Sofocracia conduziria à formação de uma sociedade 
extremamente hierarquizada; 
 Aristóteles defendia que a justiça garante a igualdade, sendo necessário conceder a 
cada um o que lhe compete (justiça distributiva); 
 Aristóteles defendia uma cidadania excludente, uma vez que alguns habitantes como 
trabalhadores braçais e comerciantes não teriam tempo suficiente para dedicar-se à 
vida política; 
 
 
 
AULA 07 – FILOSOFIA MEDIEVAL E FILOSOFIA MODERNA 
1. Filosofia Medieval – 
1.1 - Contexto histórico – Idade Média – Séculos V ao XV: 
 Inicia-se a partir da queda do Império Romano do Ocidente; 
 A Igreja consolida-se como a instituição mais rica e mais poderosa, detentora, 
portanto, do monopólio do saber (conhecimento); 
 O Feudalismo consiste no modo de produção predominante; 
 Descentralização política; 
 Pluralismo jurídico – presença constante de disputa pelo poder entre distintos 
ordenamentos jurídicos (Igreja, Senhor Feudal e Nobreza); 
 
1.2 Filosofia Medieval – períodos e finalidade 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 A Filosofia Medieval representou a tentativa da conciliação entre fé e razão, 
baseando-se no pressuposto de que a Filosofia (razão) estaria a serviço da Teologia 
(fé); 
 Dividimos a Filosofia Medieval ou Filosofia Cristã em dois períodos: 
 Patrística (séculos II-VIII) – destaque para a figura de Santo Agostinho – inspirado na 
filosofia platônica; 
 Escolástica (séculos IX-XIII) – destaque para a figura de São Tomás de Aquino – 
inspirado na filosofia aristotélica; 
 
 
PATRÍSTICA ESCOLÁSTICA 
 Séculos II-VIII; 
 Santo Agostinho é o principal 
representante; 
 Escola baseada na filosofia de Platão; 
 Principais preocupações: relações 
entre fé e ciência, a natureza de 
Deus, a alma e a vida moral; 
 Lema: crer para compreender; 
 Santo Agostinho, inspirado na 
alegoria da caverna desenvolvida por 
Platão, aponta para a Teoria da 
Iluminação Divina; 
 Partindo desse pressuposto, Deus 
seria o responsável por conduzir o 
homem à verdade e, por conseguinte, 
à saída da caverna; 
 A igreja denominava aqueles que se 
encontravam no interior da caverna 
de hereges ou pagãos; 
 A razão, portanto, está submissa, 
está a serviço da fé; 
 Para a Patrística, predomina a 
concepção negativa do Estado, 
buscando a concepção positiva na 
Igreja, cabendo ao Estado vigiar e 
intimidar os homens a fim de evitar a 
prática de pecados; 
 Para Agostinho, o homem tem duas 
dimensões – terrena (perceptível e 
 Séculos IX-XIII; 
 São Tomás de Aquino é o principal 
representante; 
 Escola baseada na filosofia de 
Aristóteles; 
 Principais preocupações: a natureza 
do poder e das leis; e a questão 
clássica do melhor governo; 
 Lema: compreender para crer; 
 Formação de uma filosofia dita 
aristotélica-tomista; 
 A Filosofia permanece como serva da 
Teologia; 
 A paz social resulta da unidade do 
Estado, sendo importante a virtude 
do governante; 
 O Estado conduz o homem até a um 
certo momento, quando então se 
exige o poder da Igreja; 
 No final da Idade Média, o 
pensamento aristotélico-tomista 
torna-se, ainda mais, um entrave para 
o desenvolvimento do saber 
científico; 
 A crise do feudalismo e, 
consequentemente, o fim da Idade 
Média contribui para o início de um 
período de transição até a 
modernidade denominado 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
temporal) e celeste (comunidade 
cristã e baseada na fé); 
 Apesar da referência principal ser 
Platão, é nítida a presença da 
influência aristotélica na Patrística 
como na apologética e na retórica a 
fim de convencer os pagãos “a sair 
dessa caverna”; 
Renascimento; 
 
 
2. Filosofia Moderna – antecedentes 
 
 A Filosofia Moderna foi fortemente influenciada pelo Renascimento, ou seja, um 
período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna caracterizado por uma 
mudança de mentalidade em diversos âmbitos, entre estes, o epistemológico 
(relativo ao conhecimento). Suas principais características foram o racionalismo, o 
antropocentrismo, o naturalismo, o hedonismo, o universalismo e o individualismo, 
sendo as duas primeiras influências significativas para a mudança de perspectiva no 
que diz respeito à busca pela verdade. 
 Ocorre, portanto, uma ruptura gradual com o teocentrismo em direção ao 
antropocentrismo, evidenciando-se, cada vez mais, a separação entre o sujeito que 
conhece e o objeto a ser conhecido. 
 
3. Filosofia Moderna – desenvolvimento 
 
 A teoria do conhecimento (Epistemologia) buscará os métodos e de que forma o 
homem pode alcançar a verdade, surgindo duas principais correntes de pensamento 
– o racionalismo e o empirismo 
 
RACIONALISMO EMPIRISMO 
 Principal representante: René 
Descartes; 
 Defesa da dúvida como o método 
para o conhecimento; 
 René Descartes – obra: O discurso do 
método – converte a dúvida em 
método; 
 Interrompe essa cadeia diante do 
próprio ser que duvida – “penso, logo 
existo”; 
 A dúvida é o ponto de partida para 
 Principal representante: John Locke; 
 Ênfase no papel da experiência 
sensível no processo de 
conhecimento; 
 Priorização do campo psicológico ao 
lógico defendido por Descartes; 
 Locke distinguiu a sensação (sentidos) 
da reflexão (percepção que a alma 
tem daquilo que nela ocorre); 
 Por exemplo, o ato de beijar 
(sensação) x o motivo que levou ao 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
toda a construção do pensamento de 
Descartes; 
 Defesa da supremacia da razão como 
relevante para a obtenção da 
verdade; 
 Não ocorre o descarte total da 
experiência, uma vez que os 
racionalistas acreditam que as 
experiências são fundamentais para 
resgatar aquilo que o homem já sabe, 
mas não sabe que sabe; 
 As ideias podem ser claras e distintas 
(inerentes ao espírito) ou inatas (vem 
de fora, do âmbito da razão e 
formados pela ação dos sentidos); 
 A ideia da concepção infinita de Deus, 
para Descartes, seria uma ideia inata; 
 Acentua-se o caráter absoluto da 
racionalidade que, partindo do 
cógito, só com suas próprias forças 
pode chegar a descobrir todas as 
verdades possíveis; 
beijo (reflexão); 
 Os empiristas diferenciam-se dos 
racionalistas ao atribuírem um papel 
diferente à experiência na obtenção 
da verdade; 
 A experiência não seria uma 
coadjuvante mas sim a geradora do 
conhecimento, assumindoum caráter 
de protagonismo; 
 Distinção entre qualidades primárias 
(objetivas – solidez, extensão, 
configuração, extensão e número) x 
qualidades secundárias (sentidos – 
olfato, paladar, tato, visão, audição, 
sabor, cor); 
 Ex: O limão (qualidade primária) 
possui sabor azedo (qualidade 
secundária); 
 Locke critica as ideias inatas de 
Descartes, afirmando que a alma é 
uma tábula-rasa, ou seja, uma folha 
em branco que passa a ser 
preenchida pelas experiências 
individuais; 
 
 
AULA 08 – POLÍTICA MODERNA: MAQUIAVEL, HOBBES E ROUSSEAU 
 
NICOLAU MAQUIAVEL E O PRÍNCIPE 
 Desenvolveu seu pensamento em meio a uma instabilidade política italiana no século 
XVI. A Itália, que ainda não havia se unificado, encontrava-se dividida em principados 
e república, onde cada um possui sua própria milícia, geralmente formada por 
mercenários que recebem pagamento para manter a ordem; 
 É considerado o pai da Ciência Política e reconhecido pela sua obra “O príncipe”; 
 Ao longo da história, diversas interpretações equivocadas do pensamento de 
Maquiavel contribuíram para uma perspectiva pejorativa em relação a um “indivíduo 
maquiavélico” – expressão utilizada para designar aquele que age de má fé; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Em primeiro momento, haveria a necessidade do príncipe consolidar um poder 
absoluto para, posteriormente, pensar-se na instalação de uma República; 
 Dois conceitos requerem atenção na filosofia maquiavélica – virtude e fortuna; 
 Virtú = Virtude – qualidade de lutador e guerra viril, ou seja, o conceito de virtude 
associa-se à coragem. Um príncipe virtuoso seria aquele que chega no poder, exerce 
o poder e se consolida no poder; 
 Nicolau Maquiavel afasta-se dos ideais de bom e justo da moral cristã, valorizando, 
sobretudo, o jogo de forças que caracterizava a política, visando, por conseguinte, à 
existência de um príncipe virtuoso; 
 Fortuna é entendida por Maquiavel como uma ocasião, ou seja, o acaso. Um príncipe 
virtuoso deve aproveitar o acaso ou a sorte das circunstâncias (fatores que 
independem da sua vontade) para se consolidar no poder. Nesse sentido, a fortuna 
não deve existir sem a virtú, sob pena de se transformar em mero oportunismo; 
 Uma novidade no pensamento maquiavélico consiste na reavaliação da relação entre 
ética e política – ramo que abre espaço para interpretações errôneas do seu 
pensamento; 
 O afastamento entre a ética tradicional e a política não caracteriza-se como uma 
amoralidade. Dessa forma, percebe-se o surgimento de uma nova moral centrada 
nos critérios da avaliação do que é útil à comunidade; 
 O critério para definir o que é moral consiste no bem da comunidade (os fins 
coletivos – daí a interpretação “os fins justificam os meios”); 
 Maquiavel distingue o bom governante, que às vezes pode usar a força coercitiva 
visando ao bem coletivo, e o tirano, aquele que age por capricho ou interesse 
próprio; 
 Na perspectiva maquiavélica, para a prevalência do bem comum é legítimo o 
emprego da força coercitiva do Estado, a guerra e o emprego da violência; 
 Maquiavel distingue as esferas pública e privada. No momento em que as ações 
individuais se encontram no âmbito público, essas estão também submetidas a 
valores morais em prol do bem comum; 
 Maquiavel é um dos percursores da doutrina da razão do Estado, embora não tenha 
jamais utilizado esse termo, ou seja, pode-se defender o Estado, inclusive, violar 
normas jurídicas (algo pode ser mal, porém necessário para manter a ordem e o bem 
comum); 
 
THOMAS HOBBES E O LEVIATÃ 
 Empirista, realizou contribuições no âmbito político; 
 Desenvolveu o seu pensamento no século XVII, marcado pelo apogeu do absolutismo 
como também pela ascensão de correntes liberais; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Autor de “O Leviatã” – uma alegoria a esse Estado forte, interventor e, às vezes, 
cruel; 
 Busca pela compreensão da origem da base legal do Estado; 
 Os contratualistas acreditavam na existência de um estado de natureza, anterior a 
qualquer sociabilidade, quando o homem é dono de um poder ilimitado. Nesse 
estado de natureza, o homem tem direito a tudo (jus naturale); 
 Hobbes compreende que a essência humana é má e, no estado de natureza, há uma 
anarquia, geradora de insegurança, angústia e medo – a disputa pelo domínio 
contribui para a guerra de todos contra todos. Daí, a concepção de que o homem 
seria o lobo do próprio homem; 
 Nesse sentido, ocorre a necessidade da fixação de um contrato, isto é, um acordo de 
vontades no qual os homens abdicam de sua liberdade plena em favor do Estado 
Soberano a fim de manterem suas próprias vidas; 
 O contrato social surge, para Hobbes, com a finalidade do equilíbrio social, isto é, de 
manter a paz social e solucionar possíveis conflitos existentes; 
 O Estado, para Hobbes, seria detentor de poderes ilimitados, o que contribui para 
que o filósofo seja considerado um dos teóricos do absolutismo, ao lado de 
Maquiavel e Bossuet; 
 
JEAN-JACQUES ROUSSEAU E A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA 
 Contratualista, considerado um dos teóricos responsáveis por estabelecer as bases 
de uma democracia direta (ou participativa); 
 Essa democracia participativa seria mantida através de assembleias frequentes de 
todos os cidadãos; 
 Rousseau influenciou teóricos importantes como Karl Marx, principalmente pelas 
suas críticas destinadas à propriedade privada; 
 Defendeu o estabelecimento de um contrato social, assim como Hobbes, mas difere-
se deste ao apontar para outra finalidade do contrato – potencializar as habilidades 
humanas e não garantir o equilíbrio social; 
 Rousseau defendeu a soberania popular, ou seja, que a soberania estaria no povo; 
 O homem seria essencialmente bom, mas um bom selvagem, tendo em vista eu não 
fora projetado para viver em coletividade de acordo com Rousseau; 
 Partindo desse pressuposto, o surgimento da propriedade marca a origem da 
desigualdade entre os homens, consolidando relações de poder (submissão de uns 
aos outros) – interpretação “o homem é bom, mas a sociedade o corrompe”; 
 Os indivíduos perante aos governantes realizam uma alienação positiva e recíproca 
em prol dos interesses da comunidade; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Tendo em vista sua forte influência para a construção de um Estado Democrático, 
Rousseau diferenciou vontade de todos e vontade geral. A vontade de todos seria 
apenas a soma das vontades individuais, dotadas essas, portanto, de egoísmos e 
interesses particulares. A vontade geral consiste no consenso coletivo que deve ser 
garantido pelos governantes. Porém, vale ressaltar que nem sempre essas duas 
vontades acabam coincidindo e estabelecendo um convívio harmônico; 
 Resumindo, os aspectos avançados do pensamento de Rousseau estão no fato de 
denunciar a violência daqueles que abusam do poder conferido pela propriedade, 
bem como por ter desenvolvido uma concepção mais democrática de poder, baseada 
na soberania popular e no conceito-chave de vontade geral. 
 
AULA 09 – KANT E HEGEL 
Immanuel Kant 
 Kant é considerado um criticista, isto é, em seu pensamento a crítica assume um 
sentido preciso e se torna uma atitude sistemática; 
 Kant condena essa dicotomia entre empirismo e racionalismo, apontando para um 
criticismo, ou seja, para a coexistência entre matéria e forma na aquisição de 
conhecimento; 
 Kant busca superar alternativas consolidadas na sociedade (Ceticismo e 
Dogmatismo), invertendo a questão tradicional do conhecimento – é preciso, antes, 
examinar o próprio conhecimento; 
 Kant aponta para a classificação dos juízos: 
 Analíticos (a priori) – A é A e A não é não-A – independe da experiência – Ex: Ou está 
chovendo ou não 
 Sintéticos (a priori) - responde ao Racionalismo – Ex: 7+5 = 12 
 Sintéticos (a posteriori) – responde ao Empirismo – Ex: A flor é vermelha 
 
 Kant desenvolve essas questõesna Crítica à razão pura questionando sobre as 
realidades da Metafísica, tais como a existência de Deus e a imortalidade da alma; 
 Na Crítica à razão prática, de 1788, aborda a fundamentação filosófica. Nesse 
sentido, o dever (“tu deves”) para Kant significa o momento quando o homem age 
por dever, sendo a sua ação detentora de um valor moral; 
 Kant aponta para o conceito de imperativos, ou seja, leis racionais que se sobrepõem 
à vontade humana, podendo ser hipotéticos ou categóricos: 
 Hipotéticos – constitui uma ação que é realizada visando ao alcance de uma 
finalidade (repleta de interesses) – Ex: Um aluno presenteia o professor em prol da 
obtenção de uma melhor nota; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Categóricos – constitui uma ação moral que é necessária em si mesma, podendo se 
tornar uma lei universal – Ex: Um passageiro cede o seu assento para uma idosa em 
um ônibus; 
 
 Por exemplo, para Immanuel Kant, não faz sentido agir bem com o objetivo de ser 
feliz ou evitar a dor, para alcançar o céu ou não merecer a punição divina. Destarte, 
percebe-se críticas evidentes à filosofia clássica (de Aristóteles, por exemplo) e à 
filosofia cristã (Patrística e Escolástica). Além disso, Kant critica Maquiavel ao apontar 
para a separação entre Ética e Política; 
 O agir moralmente se funde exclusivamente na razão – o que importa são os fins e 
nãos os meios. Dessa forma, determina-se, portanto, se o ato é, de fato, 
genuinamente moral ou possui segundas intenções; 
 
PENSADOR (ES) ANÁLISE DA AÇÃO MORAL “NÃO 
ROUBAR” 
Pertencentes à Patrística e à Escolástica Ela se funda no sétimo mandamento de 
Deus 
Jusnaturalistas (Hobbes e Rousseau) Ela se funda no direito natural 
Empiristas (John Locke) A norma deriva do interesse próprio pois 
aquele que desobedece será submetido 
ao desprazer, à censura pública ou à 
prisão 
Kant A norma se enraíza na própria natureza 
da ação, sintetizando a construção de 
uma lei universal – “se todos podem 
roubar, não há como manter a posse do 
que foi furtado” 
 
 A moralidade em Kant é independente do afeto, da piedade e da dedução que são 
juízos subjetivos. Aplicado de forma universal, o dever universal é igual para todos os 
homens; 
 Por último, é de suma importância relembrar o conceito de Esclarecimento para 
Kant, o qual o autor define como a transição do ser humano da condição de sujeito 
menor para a condição de sujeito maior. Nesse caso, não há um respeito à idade mas 
sim da capacidade do homem de agir de forma racional e reflexiva, isto é, autônoma 
e independente de regras ou interesses. A título exemplificativo, pode-se citar o 
dilema entre um indivíduo que dirige com uma velocidade em prol da sua proteção e 
do bem comum (autônomo – sujeito maior) daquele que dirige em alta velocidade e 
freia bruscamente em determinadas ocasiões para escapar de multas (heterônomo – 
sujeito menor) 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
Frederich Hegel 
 Alemão que continuou vivendo a contradição (expectativa x realidade) de modo que 
a Alemanha ainda não havia se unificado, estando mergulhada na ordem feudal; 
 A dialética-idealista de Hegel é uma filosofia do devir, estabelecendo os princípios de 
uma nova lógica – a dialética; 
 Segundo a dialética hegeliana, todas as coisas e ideais morrem. O movimento da 
dialética se faz em três etapas – tese (ideia prévia), antítese (negação da tese) e 
síntese (consenso motivado pela luta entre os contrários). Por exemplo, durante 
muito tempo se consolidou a tese de que em “briga de marido e mulher não se mete 
a colher”. Todavia, acima de cônjuges, esses indivíduos são seres humanos e, por 
conseguinte, não merecem estar submetidos à violência (antítese). Daí, conclui-se 
que é imprescindível a realização de medidas voltadas para solucionar aquela ocasião 
e para evitar futuras repetições (síntese); 
 Hegel busca entender se é a percepção sensível ou a intelectualidade que é mais 
preponderante na modificação da realidade; 
 Na fenomenologia do espírito, encontra-se inserida a dialética do senhor e do escravo 
ilustrada por Hegel. Destarte, percebe-se que há uma relação mútua de dependência, 
uma vez que o senhor somente se mantém nessa condição enquanto o escravo o 
reconhece como tal. Portanto, o escravo que depende em princípio do senhor, torna-
se senhor da consciência do seu próprio amo; 
 O trabalho, para Hegel, surge, então, como expressão da liberdade reconquistada. 
Dessa abordagem dialética resulta o novo conceito de história, sendo um resultado 
do verdadeiro engendramento, de um processo cujo motor interno é a contradição 
dialética. Em síntese, a história seria uma manifestação da razão universal; 
 No movimento dialético, a razão passa pelas formas mais complexas da vida social, 
entre essas, estaria a vontade coletiva dos homens, manifestado por meio da Moral, 
do Direito e da Política, que se realizam no mundo da cultura; 
 Inspirado em Kant, Hegel propõe a denominada Filosofia do Dever, ou seja, de ser 
como processo, como movimento, como vir-a-ser; 
 A verdade para Hegel deixa de ser um fato para ser um resultado do 
desenvolvimento do espírito; 
 O espírito seria submetido a três subclassificações: 
 Subjetivo – contempla as vontade subjetivas (emoção, desejo, imaginação...) 
 Objetivo – expressão da vontade coletiva (cultura) 
 Absoluto – terminado o seu trabalho, transforma-se em uma nova tese, 
materializando-se na filosofia; 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Conforme mencionado anteriormente, Hegel defende que a história é um processo 
cujo motor interno é a contradição; 
 Para Hegel é necessário haver na dimensão humana um elemento ordenador, que 
ponha permanentemente o projeto racional em exercício. Esse elemento é o Estado. 
O Estado seria uma das mais altas sínteses do espírito objetivo, sendo a sociedade 
um intermediário entre a família e o Estado; 
 O Estado sintetiza numa realidade coletiva a totalidade dos interesses contraditórios 
(entre indivíduos), sintetizando as divergências entre diversas famílias; 
 Bebendo do princípio de universalidade de Kant, Hegel defende a necessidade de 
reconhecer a soberania do Estado, sendo este, por conseguinte, a única organização 
capaz de controlar a sociedade, agindo em prol da garantia do bem coletivo; 
 De acordo com Hegel, o Estado, através do direito, seria o exercício da 
universalidade; 
 O Estado é o reino da eticidade, é o centro gerador da normatividade, ou seja, dele 
partem leis cujo objeto-objetivo é a perpetuação da liberdade como o mundo 
governado pela razão. Somente o Estado assegura ao sujeito a possibilidade da 
liberdade e da igualdade, já que as leis são necessariamente racionais e universais; 
 Só há liberdade sob o império da lei, sendo esta um produto cultural pertencente ao 
espírito do momento. Assim, a Filosofia do Direito hegeliana busca interpretar e 
construir o presente. 
 
 
AULA 10 – O MATERIALISMO HISTÓRICO E DIALÉTICO DE KARL MARX 
 
 Economista, filósofo e sociólogo alemão, falecido em Londres; 
 Marx buscou compreender a lógica de funcionamento do capitalismo e propôs o 
materialismo histórico e dialético; 
 Esse materialismo é dialético uma vez que dialoga com a realidade e considera os 
fenômenos materiais possíveis de mudança; 
 É histórico pois busca analisar as sociedades a partir das relações materiais 
construídas ao longo da história (aspectos econômicos, sociais e técnicos); 
 Marx critica a filosofia medieval, ou seja, repudia a explicação da história pela 
intervenção divina. Nesse sentido, no lugar das ideias estão os fatos materiais e no 
lugar dos heróis está a luta de classes. Assim, o que fundamentalmente caracteriza o 
homem é a forma pela qual reproduz as suas condições de existência; 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 De acordo com Marx, a sociedade se estrutura em dois níveis – infraestrutura e 
superestrutura; A infraestrutura vincula-se à base econômica, englobando as relações do homem 
com a natureza; 
 A superestrutura seria constituída pela estrutura jurídico-política (representada pelo 
Estado e pelo Direito) e pela estrutura ideológica (representada pela religião, pela 
arte, pela literatura, pela educação, pela filosofia...); 
 Na superestrutura ocorre a sujeição ideológica da classe dominada cuja cultura e 
modo de vida reflete as ideias e os valores da classe dominante; 
 A infraestrutura determina a superestrutura, embora em algumas ocasiões seja 
perceptível um processo cíclico (uma determinando a outra); 
 
 
 A dialética marxista anteriormente mencionada, diferencia-se da dialética idealista 
de Hegel, ao valorizar as relações materiais da sociedade. Nessa perspectiva, essa 
dialética marxista ocorreria entre o homem e a natureza, mantida através do 
trabalho; 
 O trabalho, portanto, consiste no mecanismo de transformação da natureza em prol 
das necessidades humanas. O trabalho reflete como os homens produzem suas vidas 
e suas ideias. Em síntese, o trabalho é um projeto humano; 
 A práxis é a ação humana de transformar a realidade. É a união dialética da teoria e 
da prática. Ao mesmo tempo que a consciência é determinada pelo modo como os 
homens produzem a sua existência, também a ação humana é projetada; 
 
 Conceitos importantes: 
 Relações de produção – são relações que revelam como os homens usam as técnicas 
e se organizam por meio da divisão social do trabalho; 
 Modo de produção – maneira pela qual as forças produtivas se organizam em 
determinadas relações de produção em um dado momento histórico; 
 Mais-valia – lucro obtido pelo capitalista em relação à força de trabalho do operário; 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
 
 Marx considera que, embora não seja aparente, o desenvolvimento do capitalismo 
supõe a exploração do trabalho do operário. Assim, há uma incompatibilidade entre 
o que o trabalhador produz e aquilo que ele recebe em troca; 
 O operário não consegue reverter esse quadro e dominação uma vez que se encontra 
alienado; 
 Alienação para Marx: fenômeno de origem econômica caracterizado pela dominação 
do operário, que encontra-se apto a realizar somente uma única função, não possui 
consciência da totalidade do processo e não usufrui daquilo que produziu. Além 
disso, esse produto adquire existência independente do trabalhador. 
 Esse fenômeno de alienação é bem ilustrado no filme “Tempos Modernos”, de 
Charles Chaplin; 
 
 
 
 Essa contradição social aparece com a luta de classes, necessitando se repensar essa 
divisão do trabalho. Dessa forma, a luta de classes se caracteriza pelo confronto 
entre duas classes antagônicas – burguesia (detentora dos meios de produção) e 
proletariado (constituída por aqueles que vendem suas forças de trabalho em troca 
de um salário para garantirem a sobrevivência); 
 Os mecanismos ideológicos (a imprensa, o carnaval, o futebol, a religião...) são os 
principais responsáveis pela perpetuação dessa condição de alienação, visando à 
neutralização de possíveis condutas questionadoras. Nessa perspectiva, a classe 
dominante procura retardar a transformação, mantendo a ideologia, dissimulando as 
contradições e as aparências, apresentando soluções reformista e impedindo que 
classes oprimidas formem sua própria consciência de classe. 
 A ideologia impede que o proletário tenha consciência da própria submissão, uma 
vez que camufla a luta de classes quando faz a representação ilusória da sociedade 
mostrando-a como una e harmônica; 
 
 Outros conceitos importantes: 
 Fetichismo da mercadoria – fenômeno no qual as mercadorias passam a adquirir 
valores humanos, tornando-se parte determinante da vida dos homens; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Reificação do homem – o homem sucumbe diante da força das leis do mercado, 
ou seja, o homem passa a adquirir valor de mercadoria (coisa). Além disso, o 
homem transformado em coisa seria inferior à coisa que ele ajudou a produzir; 
OBS: Repertório sociocultural: música “Cidadão” (Zé Ramalho) - retrata a história de um 
trabalhador que ajuda a construir um prédio, todavia não usufrui e nem pode contemplar 
aquilo que produziu. O prédio torna-se um fetiche e ele se torna uma coisa menos 
importante diante da coisa que construiu. 
 
 Vale ressaltar que, para Marx, a Ideologia esconde que o Estado, longe de 
representar o bem comum, é expressão dos interesses da classe dominante. 
Ademais, percebe-se que Marx corrobora a tese da necessidade de eliminar o Estado 
de forma gradual. Assim, o Capitalismo seria o momento necessário para o acúmulo 
de riquezas; o Socialismo, o momento da estatização das propriedades; e, por último, 
o Comunismo, momento em que, de fato, ocorreria a extinção do Estado; 
 Esse alcance gradual se daria, justamente, pela luta de classes, até se instalar a 
Ditadura do Proletariado; 
 Percebe-se uma grande divergência de Marx em relação a Hegel, visto que o segundo 
considerava o Estado como praticamente um “Deus”, apresentando suma 
importância de garantir o bem coletivo. Entretanto, Marx possuía uma visão negativa 
do Estado (esse Estado excludente e responsável por manter as desigualdades 
existentes); 
 Marx realiza duras críticas ao Direito uma vez que este seria mais um mecanismo de 
manutenção à transformação. Partindo desse pressuposto, o Direito seria criado pela 
burguesia para a própria burguesia, estando, por conseguinte, a serviço da classe 
dominante; 
 
 
AULA 11 – NIETZSCHE 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
FREDERICH NIETZSCHE 
 Alemão, nascido em 1844; 
 Direcionou seu foco para o estudo da Moral, da Religião, das Ciências e das Artes. 
Sua filosofia possui uma caráter assimétrico fragmentário; 
 Aponta para uma contraposição (um duelo) entre o espírito apolíneo (da forma e da 
beleza) e o espírito dionisíaco (da inspiração e da embriaguez); 
 Para Nietzsche, a moral racionalista foi inventada pelos fracos para dominar os 
fortes, transformando o que é natural e espontâneo nos seres humanos em culpa, 
vício, falta e impondo a tudo que oprime a natureza humana os nomes de virtude e 
dever; 
 Percebe-se uma inversão de valores. Ao inverter os valores, o pensamento medieval 
atribuiu aos pobres e sofredores o “valor do bem”, aqueles que terão o reino de 
Deus. Nessa óptica, Nietzsche refuta a concepção de que o bom seria aquele que 
aceita os mandamentos; 
 Percebe-se uma crítica evidente do autor aos racionalistas, aos patrísticos e aos 
escolásticos; 
 Nietzsche indica três períodos da metamorfose do espírito, representando as etapas 
de desapego dos valores racionalistas e religiosos: 
 
FASE REPRESENTA O CARACTERÍSTICA EXEMPLO 
CAMELO TU DEVES Primada da moral e da 
religião 
Um homossexual 
se vê forçado a 
casar com uma 
mulher 
LEÃO EU QUERO Eclipse do mundo do 
dever a libertação da 
vontade 
O indivíduo, 
percebendo a 
infelicidade nesse 
contexto de sua 
vida, resolve se 
divorciar 
CRIANÇA EU SOU Nova relação do 
indivíduo com a sua 
existência. A criança 
marca o renascimento 
de um ser livre das 
convicções sociais 
hegemônicas 
O indivíduo, 
desprendendo-se 
dos preconceitos 
existentes, assume 
a sua orientação 
sexual e se casa 
com o seu amado 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
 Nilismo em Nietzsche – designa o movimento histórico em que se desvalorizam os 
valores supremos, ou seja, em síntese, representa uma ruptura com os valores 
supremos ou de ideia de “dever” com a morte de Deus; 
 Nietzsche é conhecido pela morte de Deus, implicando a desvalorização dos valores 
morais – é a morte do mundo-verdade que teve sua origem no platonismo. Portanto, 
o Nilismo marca o fim do platonismo; 
 Nietzsche é o representante desse nilismo que se perdeu toda a ilusão sobre a 
chance de estabelecer verdades definitivas sobre as coisas (carátercético); 
 Para analisar o valor da nossa moral, o filósofo vai opor dois universos espirituais – o 
dos senhores e dos escravos. Essa oposição designa, ao mesmo tempo, um contraste 
entre modos de existência; 
 Nossa moral, segundo Nietzsche é de escravos – os valores vão se tecendo em torno 
de um certo ideal de convivência. Nosso imaginário social desenha como ponto 
ótimo uma convivência, em que se pensa que vivermos nossa felicidade; 
 Esse ideal de convivência supõe, tacitamente, uma determinada Antropologia. De 
acordo com Nietzsche, se esses indivíduos não entram em conflito, é porque não 
espiram a mais nada, suas vontades estão paralisadas e por isso mesmo vivem a 
felicidade definida como resignação; 
 Assim, nossa moral prega o “tu deves”, as qualidades que adocicam como piedade, o 
desinteresse, tendo um ideário de esgotados que apenas exprimem uma vontade 
anêmica; 
 Para Nietzsche, nossa civilização enaltece a obediência e coloca o comando ao lado 
da má-consciência, promovendo como figura do homem alguém preparado apenas 
para obedecer – um escravo; 
 O nilismo como desvalorização dos valores faz surgir o niilismo como 
desvalorização da existência. Isso é evidente porque não haveria sentido viver uma 
vida pautada na dor. A promoção da dor seria exercida por mecanismos ideológicos 
voltados para controlar e manipular as massas. A título exemplificativo pode-se citar 
a justificativa dada pela Igreja de que os pobres teriam garantido um local no céu e, 
por conseguinte, valeria a pena sofrer em condições adversas às necessidades 
humanas; 
 Em síntese, somente o super-homem, aquele que está acima do bem e do mal pode 
começar essa mudança de valores, agindo de forma autônoma e coordenando os 
rumos de sua própria vida; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 
 
 
 
MARTIN HEIDEGGER 
 Martin Heidegger é um dos grandes representantes da Filosofia Existencial; 
 O ser se manifesta, no único ente que pode falar sobre o ser. O homem é esse ente 
pois é o único dotado de racionalidade para buscar pelo entendimento do sentido do 
ser; 
 Heidegger define o ser humano como Dasein, Ser-aí, Ser-no-mundo. Dessa forma, a 
primeira característica do Dasein é sempre se encontrar em uma situação, lançado 
nela e de forma ativa nessa relação. Assim, o homem ao se perceber se diferencia do 
que está simplesmente presente e ao seu dispor; 
 O modo de ser do Dasein, ou seja, sua existência, se caracteriza por se projetar por se 
lançar para o futuro; 
 Segundo Heidegger, existir é projetar-se, por isso, existência é essencialmente 
transcendência, superação. Essa é a marca característica da visão filosófica de 
Heidegger; 
 Não existe sujeito sem mundo. Na noção de intencionalidade, o ser humano não 
constitui uma consciência separada do mundo – é “ser lançado” no mundo; 
 Heidegger diferencia o ser autêntico do inautêntico. O ser autêntico seria aquele que 
sabe dos desafios de ser o sujeito de suas próprias escolhas – em síntese – cumpre 
com suas obrigações e projeta-se em direção ao futuro. A forma inautêntica de 
existência vincula-se à adoção de posturas passivas diante dos outros; 
 Além disso, o homem, para Heidegger, constrói uma existência inautêntica quando 
não questiona sua existência e atribui aos objetos importância desnecessária e de 
dependência existencial; 
 O que define o sujeito autêntico do inautêntico consiste no que o ser faz com a sua 
existência, isto é, com o seu vir-a-ser, ou com o seu projeto; 
 
 
 A autenticidade surge do sentido que o ser humano dá a sua ação, a autenticidade ou 
a inautenticidade para sua existência. A autenticidade se projeta no tempo, sempre 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
em direção ao futuro. A autenticidade é o lançar-se contínuo para as possibilidades 
sempre renovadas. Entre nossas possibilidades está uma que é a mais privilegiada e 
inexorável de todas, que é a morte. 
 É a morte, onde o Dasein, que é um ser-para-a-morte vislumbra um olhar crítico 
sobre a existência humana. O ser autêntico a tematiza, percebendo o significado de 
sua própria finitude; 
 Para Heidegger, a morte é a possibilidade (um nada) da impossibilidade de todos os 
projetos. Em síntese, é uma possibilidade de que todos os planos do ser venham a 
entrar em ruína, uma vez que a morte concretiza a finitude do ser; 
 Se a consciência autêntica nos revela o sentido da morte e a nulidade todo o nosso 
projeto, a perspectiva da morte nos leva ao entendimento positivo de sua finalidade, 
que é a consciência da própria finitude, onde o homem pode se libertar das amarras 
e com autenticidade pode melhor escolher seu caminho existencial, com liberdade e 
responsabilidade diante de todas as suas escolhas; 
 Em síntese, o viver para a morte constitui o autêntico sentido da existência (é o que 
faz o homem se manter em movimento); 
 Outro conceito importante em Heidegger é a angústia. O fenômeno da angústia se 
manifesta como abertura privilegiada do Dasein. Como ente lançado no mundo o 
Dasein, tem na angústia sua possibilidade de poder-ser; 
 A angústia surge da tensão entre o que o indivíduo é e aquilo que virá a ser. 
Portanto, a angústia retira o indivíduo do cotidiano e reconduz ao encontro de si 
mesmo; 
 Essa possibilidade ontológica do Dasein indaga pelo sentido do seu próprio ser, pode 
ser a angústia uma maneira originária e direta de abrir o mundo como mundo, de 
possibilitar ao Dasein ser-livre, para se escolher como ser-no-mundo. E a isso 
Heidegger chama de “descortinar o horizonte”; 
 
 Mas é por um outro fenômeno, o da decadência, que o Dasein é lançado no 
cotidiano. Ele vai decair, vai ser lançado pela facticidade no modo de ser do 
cotidiano, como possibilidade, como poder ser próprio (autêntico) e impróprio 
(inautêntico); 
 Para Heidegger, estão na decadência: o falatório, a curiosidade e a ambiguidade que 
expressam o decair do Dasein, sua convivência na facticidade como seu próprio 
modo de ser no mundo. Na decadência o Dasein desvia de si mesmo, o que lhe 
ameaça, é o seu próprio ser; 
 O ameaçador, que aqui angustia a angústia é o nada. O nada existe como total 
insignificância, como aquilo que não está em nenhum lugar, porém, sempre 
ameaçador; 
 Esse nada, que não é a ausência de mundo e sim mundo, nos responde que, assim 
sendo, é com o mundo que a angústia se angustia ou com seu próprio ser; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Se o Dasein, no angustiar-se, possibilita abertura originária e direta com o mundo, 
onde o mundo se abre como mundo, a angústia é uma disposição privilegiada, uma 
vez que abre inúmeras possibilidades, contribui para que os indivíduos venham 
enxergar a realidade como ela realmente é e propicia ao Dasein entrar em contato 
com o seu próprio ser (ser-no-mundo, ser livre e responsável); 
 A angústia nos leva diretamente ao que estamos sentindo ou como se está, o que 
contribui para uma sensação de estranheza, que se revela como ameaça da 
cotidianidade do Dasein; 
 Para Heidegger, o futuro seria o tempo autêntico, não permitindo ao homem ficar 
preso passivamente à tradição, nem ser envolvido nas possibilidades do momento 
meramente; 
 De acordo com o autor, contrariamente a essa vida autêntica, a cultura ocidental traz 
uma excessiva ênfase ao mundo técnico-científico, que acarreta num esquecimento 
do ser. Dessa forma, a técnica é o resultado daquele desenvolvimento pelo qual, 
esquecendo-se o ser, o homem se deixou arrastar pelas coisas, tornando a realidade 
puro objeto a dominar e explorar. A perda da dimensão do cuidado revela uma vida 
inautêntica; 
 O homem, enquanto portador da língua, é um ser privilegiado para responder com o 
seu ser-aí deve ser compreendido na sua condição temporal. Já que o mundo, aqui, é 
concebido como o lugar o ser aparece: uma clareira, no sentido heideggeriano; 
 
 
 
AULA 12 – JEAN PAUL SARTRE 
 
Thiago Coelho (@taj_studies) Em síntese, o homem possui a capacidade de transcender os fatos, tendo em vista 
que a sua existência precede a essência. Por exemplo, um indivíduo ao nascer no 
Brasil não possui condições de alterar essa determinação, contudo, poderá decidir se 
permanecerá vivendo aqui ou não, poderá escolher sua profissão, poderá optar por 
tais estilos musicais...; 
 Um lápis (uma coisa), por exemplo, ao surgir, já apresenta a finalidade pré-
determinada de servir como ferramenta para a escrita humana; 
 
Contexto histórico: 
 Jean- Paul Sartre (1905-1980) escreveu O ser e o nada, sua principal obra filosófica 
em 1943; 
 Sua produção intelectual foi fortemente marcada pela Segunda Guerra Mundial e 
pela ocupação nazista da França. Daí questões como: liberdade e engajamento estão 
presentes em suas obras; 
 Engajamento significa a necessidade do pensador estar voltado para a análise da 
situação concreta em que vive, tornando-se solidário nos acontecimentos sociais e 
políticos de seu tempo; 
 A título exemplificativo, esse engajamento encontra-se evidente em situações 
corriqueiras do nosso dia-dia como no ficar triste pela tristeza do outro, comemorar a 
felicidade alheia, etc; 
 
Essência e existência: 
 
 A existência precede a essência. Essa é a frase fundamental do existencialismo 
sartriano voltada para a análise do ser humano. Entretanto, analisando as coisas, 
para essas, a essência precede a existência; 
 A essência é o que faz com que uma coisa seja o que é, se não outra coisa. Por 
exemplo, a essência de uma mesa é o ser mesmo da mesa, aquilo que faz com aquela 
seja mesa e não cadeira – a sua finalidade. Não interessa, nessa análise, 
características secundárias como tamanho, cor, rigidez, etc. Esses objetos seriam, 
portanto, ser-em-si; 
 A tese de que a essência precede a existência dialoga com uma perspectiva 
determinista; 
 
Natureza humana: 
 
 Da mesma forma, quando uma pessoa que crê em Deus, supõe que ele seja o artífice 
superior que criou segundo um modelo, tal qual o artesão faz qualquer objeto; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 Dessa concepção de Deus como criador do destino humano deriva a noção de que o 
homem teria uma natureza humana, encontrada igualmente em todos os homens. 
Portanto, segundo essa concepção, a essência do homem precede a existência – 
visão totalmente refutada pelo filósofo Jean Paul Sartre; 
 De acordo com o pensamento sartriano, o homem, diferentemente das coisas, é 
detentor da liberdade de escolher aquilo que será. Nesse sentido, o homem, na visão 
sartriana seria um ser-para-si; 
 
OBS: Apesar de abrir margem para a observação de uma relação com o pensamento de 
Nietzsche, Sartre não realiza uma crítica direta à moral religiosa mas foca, sobretudo, na 
questão da perda da liberdade do homem quando este se submete a tais valores. 
 
Liberdade e angústia: 
 
 A diferença entre o homem e as coisas, conforme já citada anteriormente encontra-
se na liberdade inerente ao primeiro. O homem nada mais é do que o seu projeto; 
 A palavra projeto significa, etimologicamente, “ser lançado adiante”, assim como o 
sufixo “ex” da palavra existir significa “fora”; 
 Nesse sentido, sendo consciente, só o homem existe uma vez que é um ser-pra-si. A 
consciência seria auto-reflexiva pois assim o homem pensa sobre si mesmo e é capaz 
de sair de si; 
 
Condenado a ser livre: 
 
 O homem sartriano descobre que, não havendo essência ou modelo para lhe orientar 
o caminho, seu futuro se encontra disponível e aberto, estando, portanto, 
irremediavelmente “condenado a ser livre”; 
 O homem, sendo livre, é o único responsável por tudo aquilo que escolhe e faz. A 
liberdade somente possui significado na ação, na capacidade do homem de operar 
modificações no real; 
 
 
A má-fé: 
 
 De acordo com Sartre, o homem, ao experimentar a liberdade e ao sentir-se como 
um vazio, vive a angústia da escolha. Muitas pessoas não suportam essa angústia, 
fogem dela, aninhando-se na má-fé; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 A má-fé seria a transferência da responsabilidade do sujeito livre para terceiros. A 
má-fé é a atitude característica do homem que finge escolher, sem na verdade 
escolher; 
 Por exemplo, um aluno que tirou uma nota baixa em determinada avaliação e não 
assume os seus erros cometidos durante o período de estudo, transfere a culpa para 
o professor ou para uma divindade. Esses indivíduos, portanto, apresentam uma 
certa dificuldade de assumir a culpa e reconhecer os seus próprios erros; 
 O indivíduo quando age em má-fé, para Sartre, dissimula para si mesmo com o 
objetivo de evitar fazer uma escolha da qual possa se responsabilizar; 
 O que recusa a si mesmo aquilo que o fundamentalmente caracteriza como homem, 
ou seja, a liberdade, recusa dimensão do para-si e torna-se em-si; 
 A título exemplificativo, Sartre ilustra no caso do ser de garçom de café – o garçom 
acredita ser garçom como uma coisa garçom, representa para ele, negando sua 
possibilidade transcendência e afirmando como pura facticidade; 
 Outro exemplo seria o da mulher, que estando com um homem, deixa-se seduzir por 
ele, dissimulando para si mesma, desde o início, o caráter sexual do encontro; 
 
Responsabilidade: 
 
 Escolher ser isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, 
porque nunca podemos escolher o mal, o que escolhemos é sempre o bem, e nada 
pode ser bom para nós sem que o seja para todos; 
 Assim, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque 
ela envolve toda a humanidade; 
 
O absurdo: 
 
 Sartre também discute a questão da morte. Ele retira qualquer sentido da existência. 
A morte é a nadificação dos nossos projetos, ou seja, a certeza de que um nada total 
nos espera – infere-se uma relação com o pensamento heideggeriano; 
 Por isso, Sartre conclui pelo absurdo da morte e, simultaneamente da vida, que é 
uma “paixão inútil”, pois se nós temos de morrer, a nossa vida não tem sentido 
porque os seus problemas não recebem qualquer solução e porque até a significação 
dos problemas permanece indeterminada; 
 O conceito de náusea, usado no romance de mesmo nome, refere-se justamente ao 
sentimento experimentado diante do real, quando se toma consciência de que ele é 
desprovido de razão de ser, absurdo; 
 Sartre oferece com o personagem Roquentin, contido na sua obra Náusea, uma 
imagem da situação humana em geral, de como o homem vive sem saber qual a 
razão da sua existência; 
Thiago Coelho (@taj_studies) 
 
 O que Sartre quer expor com a náusea consiste na concepção de que o homem, 
constantemente, encontra-se abdicando de sua liberdade, por ter medo de escolher 
e de assumir a responsabilidade proveniente das consequências de suas escolhas. 
Assim, constantemente, o homem se transforma em coisa, sendo essa 
transformação simbolizada na sensação de uma náusea; 
 
 
Thiago Coelho – FBDG – 2021.1 
@taj_studies

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