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9 Ensino Fundamental - Anos Finais COMPONENTE CURRICULAR: CIÊNCIAS CIENCIAS MANUAL DO PROFESSOR Fernando Gewandsznajder Helena Pacca CAPA_CIE_9ANO_PNLD2020_MP.indd 3 24/11/18 10:59 9 MANUAL DO PROFESSOR 3a EDIÇÃO SÃO PAULO, 2018 Ensino Fundamental - Anos Finais COMPONENTE CURRICULAR: CIÊNCIAS CIENCIAS Fernando Gewandsznajder Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mestre em Educação pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Licenciado em Biologia pelo Instituto de Biologia da UFRJ Ex-professor de Biologia e Ciências do Colégio Pedro II, Rio de Janeiro (Autarquia Federal – MEC) Helena Pacca Bacharela e licenciada em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Experiência com edição de livros didáticos de Ciências e Biologia FRONTIS_CIE_9ANO_PNLD2020_MP.indd 1 27/11/18 10:23 II Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Isabel Rebelo Roque Coordenação: Fabíola Bovo Mendonça Edição: Daniela Teves Nardi, Lucas Augusto Jardim, Marcia M. Laguna de Carvalho, Sabrina Nishidomi (editores), Aline Tiemi Matsumura, Allan Saj Porcacchia, Flávia Maria Mérida Ramoneda (assist.) Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Maria Herrera, Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Carlos Eduardo Sigrist, Célia Carvalho, Cesar G. Sacramento, Claudia Virgilio, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Lilian M. Kumai, Luís M. Boa Nova, Maura Loria, Patrícia Travanca, Raquel A. Taveira, Rita de Cássia C. Queiroz, Sandra Fernandez, Sueli Bossi, Vanessa P. Santos; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), André Gomes Vitale (coord.) e Renato Neves (edição de arte) Diagramação: WYM Design Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito e Angra Marques (licenciamento de textos), Erika Ramires, Flávia Andrade Zambon, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Adilson Casarotti (proj. gráfico e capa) Gustavo Vanini e Tatiane Porusselli (assist. arte) Foto de capa: Tony Phelps/EyeEm/Getty Images Todos os direitos reservados por Editora Ática S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor A Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902 Tel.: 4003-3061 www.atica.com.br / editora@atica.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB - 8/010142 2018 Código da obra CL 713509 CAE 631683 (AL) / 631684 (PR) 3a edição 1a impressão Impressão e acabamento Gewandsznajder, Fernando Teláris ciências, 9º ano : ensino fundamental, anos finais / Fernando Gewandsznajder, Helena Pacca. -- 3. ed. - São Paulo : Ática, 2018. Suplementado pelo manual do professor. Bibliografia. ISBN: 978-85-08-19143-7 (aluno) ISBN: 978-85-08-19144-4 (professor) 1. Ciências (Ensino fundamental). I. Pacca, Helena. II. Título. 2018-0086 CDD: 372.35 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 2 27/11/18 10:24 Caro professor, Esta coleção de Ciências é resultado de um trabalho longo e permanente de atualização e aprimoramento. Por essa razão, a coleção recebeu ampla reformulação, atendendo aos novos parâmetros definidos pelo Ministério da Educação. O desenvolvimento da coleção foi pautado prin- cipalmente na adequação dos conteúdos à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), garantindo o trabalho com as competências gerais da BNCC, assim como o desenvolvimento das competências específicas de Ciências da Natureza e as habilidades relacionadas. Este Manual do Professor foi elaborado para auxiliá-lo na concretização dos objetivos que a coleção propõe para o ensino de Ciências da Natureza. Ele é dividido em orientações gerais, sugestões de leitura para o trabalho com o volume e reprodução do Livro do Estudante com orientações didáticas específicas. As orientações gerais visam ao esclarecimento e caracterização da proposta pedagógica da coleção, bem como sua adequação aos parâmetros estabelecidos pela BNCC. As sugestões de leitura para o trabalho com o volume estão divididas por unidade, de acordo com os temas trabalhados. A reprodução do Livro do Estudante em formato menor traz, página a página, orien- tações específicas acompanhadas das habilidades e competências que serão trabalhadas em cada unidade; orientações didáticas com subsídios para o trabalho com os conteúdos de cada capítulo; textos e atividades complementares; respostas das atividades e questões; e indicações de material extra para consulta e para uso em sala de aula. Esta coleção, enfim, será um recurso relevante para o trabalho em sala de aula. Mas temos consciência de que não há ninguém melhor do que você para conduzir os estudantes nessa jornada que é a formação escolar. Os autores Apresenta•‹o III 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 3 27/11/18 10:24 IV MANUAL DO PROFESSOR SUMçRIO Orientações gerais ...................................................................................................................................................................... V 1. Pressupostos teóricos e metodológicos ............................................................................................................................................................... V 2. O ensino de Ciências: importância e objetivos .................................................................................................................................................... V 3. A coleção .........................................................................................................................................................................................................................VII Os objetivos gerais da coleção: o trabalho com as competências e habilidades da BNCC ..................................................................VII Competências gerais da Educação Básica ...............................................................................................................................................................VII Competências específicas de Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental ................................................................................................VIII 4. Material Digital do Professor .................................................................................................................................................................................... X 5. Uma palavra a mais com o professor ..................................................................................................................................................................... X O livro didático e outros recursos ........................................................................................................................................................................... XII Estratégias de utilização do livro didático ..............................................................................................................................................................XIII A organização dos volumes .................................................................................................................................................................................... XIV As habilidades e as competências da BNCC na coleção ......................................................................................................................................XVIII Seções do Livro do Estudante ............................................................................................................................................................................... XXV A avaliação ............................................................................................................................................................................................................XXVII 6. Sugestões de leitura para o professor ...........................................................................................................................................................XXVIII Revistas brasileiras que tratam do ensino de Ciências ............................................................................................................................... XXIX Interdisciplinaridade ............................................................................................................................................................................................... XXIX Processo ensino-aprendizagem em geral ....................................................................................................................................................... XXIX Aprendizagem significativa ................................................................................................................................................................................... XXX Ensino de Ciências .................................................................................................................................................................................................... XXX Metodologia, História e Filosofia da ciência .................................................................................................................................................... XXX 7. Orientações gerais para o 9o ano ....................................................................................................................................................................... XXXI 8. Sugestões de leitura para o trabalho no 9o ano ...........................................................................................................................................XXXII Unidade 1 – Genética, evolução e biodiversidade .......................................................................................................................................XXXII Unidade 2 – Transformações da matéria e radiações ................................................................................................................................XXXII Unidade 3 – Galáxias, estrelas e o Sistema Solar ........................................................................................................................................XXXII Reprodução do Livro do Estudante com orientações específicas .............................. 1 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 4 27/11/18 10:24 VMANUAL DO PROFESSOR 1 Pressupostos teóricos e metodológicos Orientações gerais A rapidez das inovações científicas e tecnológicas, sua in- fluência cada vez maior na vida humana e a divulgação de in- formações científicas tanto nas mídias tradicionais como nas digitais têm despertado nos meios acadêmicos e científicos um intenso debate sobre o ensino de Ciências. Diante dessa realidade, pode-se admitir que os professores são também estudantes, e, portanto, devem estar permanen- temente em formação, ampliando seu contato com as novas descobertas da ciência, bem como novas maneiras de ensinar seus estudantes. Segundo os PNC/Ciências Naturais1: [...] Os estudantes desenvolvem em suas vivências fora da escola uma série de explicações acerca dos fenômenos naturais e dos produtos tecnológicos, que podem ter uma lógica diferente da lógica das Ciências Naturais, embora, às vezes a ela se assemelhe. De alguma forma, essas explicações satisfazem suas curiosidades e fornecem respostas às suas indagações. São elas o ponto de partida para o trabalho de construção de conhecimentos, um pressuposto da aprendi- zagem significativa. [...] Corroborando essa ideia de um ensino de Ciências que incen- tive o professor a apresentar ao estudante conceitos científi- cos significativos, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)2 propõe que: 1 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental / Ciências Naturais. Bra- sília, DF, 1998. p. 119. 2 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 320. [...] é imprescindível que eles sejam progressivamente estimu- lados e apoiados no planejamento e na realização cooperativa de atividades investigativas, bem como no compartilhamento dos resultados dessas investigações. Isso não significa realizar atividades seguindo, necessariamente, um conjunto de etapas pré-definidas, tampouco se restringir à mera manipulação de objetos ou realização de experimentos em laboratório. Ao contrário, pressupõe organizar as situações de aprendizagem partindo de questões que sejam desafiadoras e, reconhecendo a diversidade cultural, estimulem o interesse e a curiosidade científica dos alunos e possibilitem definir problemas, levan- tar, analisar e representar resultados; comunicar conclusões e propor intervenções. [...] Dessa forma, devem ser priorizadas propostas pedagógicas que avancem na direção de um trabalho pautado em exemplos do cotidiano do estudante. Essas propostas devem, ainda, fazer paralelos entre o dia a dia em sociedade e os assuntos apresen- tados no livro didático. A finalidade de tais práticas é fazer com que os objetivos de aprendizagem que se pretende desenvolver estejam relacionados com os objetos de conhecimento e suas respectivas habilidades, descritas na BNCC. Além de aproximar o tema de estudo à realidade do estudante, essa prática desperta o interesse e a curiosidade dos estudantes, favorecendo o pensar individual e coletivo em busca de soluções de problemas do cotidiano. 2 O ensino de Ciências: importância e objetivos Uma expressão presente em diferentes documentos relacio- nados ao ensino de Ciências é o chamado letramento científico, ou alfabetização científica. Como podemos mensurar se deter- minado processo de ensino-aprendizagem favorece o letramento científico nos estudantes? Conforme o documento da BNCC, o letramento científico pode ser entendido como um conjunto de ações que visam desenvolver no estudante a capacidade de compreender e interpretar o mundo em suas esferas natural, social e tecnológica. Para além disso, essas ações devem dar aos estudantes ferramentas para que eles possam transformar o mundo, com base nos aportes teóricos e processuais caracte- rísticos das ciências. O estudo de temas como a destruição dos ecossistemas, a perda da biodiversidade, os danos causados pelo fumo, pelo álcool e a desnutrição possibilita aos cidadãos refletir sobre fatos e suas consequências tanto em sua vida pessoal como na vida em sociedade e em todo o planeta. Além disso, a aquisição de conhecimento científico permite que os membros de uma sociedade democrática estejam bem informados para participar de forma esclarecida das decisões que interferem em toda a co- letividade. Por isso, o letramento científico no ensino de Ciências vem ganhando importância cada vez maior na atualidade. O ensino de Ciências constitui um meio importante de prepa- rar o estudante para os desafios de uma sociedade preocupada em integrar, cada vez mais, as descobertas científicas ao bem- -estar coletivo. Por isso, sejam quais forem as aspirações e os interesses dos estudantes, ou mesmo as atividades futuras que venham a realizar, eles devem ter a oportunidade de adquirir um conhecimento básico das Ciências da Natureza que permita não só acompreensão e o acompanhamento das rápidas transfor- mações tecnológicas, mas também a participação esclarecida e responsável nas decisões que dizem respeito a toda a sociedade. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 5 27/11/18 10:24 VI MANUAL DO PROFESSOR Duas competências gerais da BNCC3 propostas para as três etapas da Educação Básica têm forte relação com o ensino de Ciências, uma vez que possibilitam ao estudante: 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investi- gar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações con- fiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. É importante que o ensino de Ciências desperte no estudante o espírito crítico. Essa postura deve estimulá-lo a questionar afir- mações, propagandas ou notícias divulgadas na mídia tradicional ou em redes sociais. Por meio do pensamento crítico, espera-se que o estudante consiga, aos poucos, diferenciar o que é uma informação com base em evidências científicas do que é boato ou propaganda enganosa. Por essa razão, é estimulada ao longo de toda a coleção a busca de informações precisas e bem embasadas em fontes confiáveis. É dessa forma que o processo de ensino-aprendiza- gem contribui para o combate às informações incorretas, aos preconceitos e posições autoritárias e favorece a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, na qual os problemas sejam debatidos entre seus membros em busca de uma solução que beneficie todos os envolvidos, levando em conta setores menos favorecidos da sociedade. Com base nesse preceito, convém destacar que a crítica a uma ideia científica tem como objeto de interesse única e exclusi- vamente a ideia, e nunca a pessoa que a formulou. O respeito ao indivíduo é fundamental, não apenas por questões morais e éti- cas, mas porque a cooperação é essencial para a sobrevivência da espécie humana e para o desenvolvimento do conhecimento, que se constrói coletivamente. Além disso, todos nós, cientistas ou não, somos passíveis de erros, e é deles que extraímos novas ideias e práticas. Assim, ao estudar Ciências no âmbito escolar, o estudante deve ser estimulado a expressar seus conhecimentos prévios, embasados em suas experiências pessoais. Mesmo que esses conhecimentos sejam diferentes daqueles construídos e divulgados pela ciência, os estudantes e demais pessoas não devem passar por situações embaraçosas ou ser ridicularizadas. As pessoas devem sempre ser tratadas com respeito e isso deve ser estimulado dentro e fora da sala de aula. Diante das mais diferentes ideias, deve-se ressaltar aos estudan- tes que as ciências buscam explicar os fenômenos de forma objetiva e utilizando investigações sistemáticas e investigações próprias da ciência. O estudante deve perceber que a ciência é uma forma de ex- plicar os fenômenos baseada em observações e testes de hipóteses, construção de teorias e modelos e outras características desenvolvi- das ao longo de todo o processo de ensino-aprendizagem. 3 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 9. Os avanços científicos propiciados pelos recentes desenvolvi- mentos tecnológicos permitem um conhecimento cada vez maior em áreas como a saúde, por exemplo, seja na melhoria dos instru- mentos oftalmológicos, seja no uso da radiação eletromagnética para diagnóstico e tratamento médico. Esses exemplos, entre ou- tros, demostram como ciência e tecnologia podem viabilizar melho- rias da qualidade de vida das pessoas. O desenvolvimento científico permitiu, entre outras conquistas, a erradicação de doenças como a varíola; o tratamento e a cura de uma série de moléstias; o uso de anestesia para realizar cirurgias que salvam vidas; o desenvol- vimento de computadores que realizam operações matemáticas e lógicas complexas, possibilitando uma série de melhorias na re- cepção, manipulação e transmissão de informações; o aumento da produção de alimentos pelas modernas técnicas agrícolas; a síntese de novos materiais nas mais diversas áreas da indústria. No entanto, não podemos nos esquecer de que uma boa parte do desenvolvimento científico estimulou a formação de uma sociedade muito voltada para o consumo e isso tem produzido consequências indesejáveis ao meio ambiente, como a poluição ambiental e o de- sequilíbrio ecológico, que desencadeiam uma série de fenômenos danosos, muitos deles ainda desconhecidos. Nesse contexto, torna-se clara, novamente, a importância da educação científica para diagnosticar e refletir sobre os problemas que surgem na sociedade. Apenas como exemplo, podemos mencio- nar a educação dos cidadãos em relação aos seus hábitos, como a valorização dos serviços de saneamento básico, o descarte adequa- do de materiais poluentes, a separação de resíduos para reciclagem e o desenvolvimento de uma forma consciente de consumo. Verifica-se, assim, que a ciência e a tecnologia, com todos os seus recursos, embora possam beneficiar a humanidade, podem também trazer-lhe danos irreparáveis, muitas vezes relacionados a interesses econômicos, políticos e sociais des- vinculados de um objetivo comum. É preciso, então, garantir que o conhecimento científico e tecnológico seja empregado em benefício de todos e criar condições para que os tomadores de decisões atuem de forma esclarecida e consciente, discutindo os problemas globais e suas soluções pensando no melhor para a sociedade e o meio ambiente. Portanto, cabe ao ensino formal de Ciências manter compromisso com a formação integral dos estudantes, ressaltando que o mesmo desenvolvimento cientí- fico e tecnológico que resulta em novos ou melhores produtos e serviços também é responsável em promover transformações e desequilíbrios, tanto na natureza quanto na sociedade. Em uma sociedade democrática, cabe a cada cidadão fisca- lizar a atuação de seus representantes constitucionais e das entidades governamentais e não governamentais, contribuindo, entre outros aspectos, para que o uso da ciência traga sempre benefícios e minimize impactos ambientais e sociais. Isso sig- nifica que é fundamental garantir a todos o acesso à educação de qualidade, que favoreça o letramento científico e que sirva de base para a compreensão dos fundamentos da ciência. Para que as Ciências atendam às necessidades do ser huma- no e do meio ambiente, é preciso que os cientistas, assim como os demais cidadãos, não sejam apenas profissionais competen- tes, mas sim que tenham responsabilidade social, com princípios éticos que valorizem e respeitem todos os seres humanos e seres vivos e preservem o ambiente em que vivemos. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 6 27/11/18 10:24 VIIMANUAL DO PROFESSOR 3 A coleção 4 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 319-320. 5 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 9-10. A coleção foi desenvolvida tendo por base uma criteriosa e atualizada seleção de conteúdos de Ciências da Natureza vol- tados para o desenvolvimento das competências e habilidades propostas pela BNCC. Com o objetivo de desenvolver as compe- tências gerais propostas pela BNCC, a coleção procura, sempre que possível, estabelecer uma integração com outras áreas do conhecimento, como: História, Geografia, Arte e Matemática. A seleção de conteúdos atende as propostas educacionaisdos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), bem como as metas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB) e demais documentos que norteiam as diretrizes da educação no Brasil. A coleção é composta de 4 volumes, sendo cada um deles dividido em unidades que reúnem capítulos com temas relacio- nados. Os textos, imagens, seções e atividades presentes nos capítulos possibilitam trabalhar os objetos de conhecimento e as habilidades da BNCC. Essa abordagem deverá contribuir para cumprir o objetivo, previsto na BNCC4 de: [...] possibilitar que esses alunos tenham um novo olhar sobre o mundo que os cerca, como também façam escolhas e interven- ções conscientes e pautadas nos princípios da sustentabilidade e do bem comum. Para tanto, é imprescindível que eles sejam progressivamente estimulados e apoiados no planejamento e na realização cooperativa de atividades investigativas, bem como no compartilhamento dos resultados dessas investigações. [...] Também com base nos princípios propostos pela BNCC, a coleção se propõe a apresentar diversos tipos de situações de aprendizagem para desafiar os estudantes a resolver problemas e a desenvolver sua curiosidade científica. Ao mesmo tempo, as diferentes formas de apresentação do conteúdo ao longo da coleção estimulam os estudantes a reconhecer e valorizar a diversidade cultural. Os objetivos gerais da coleção: o trabalho com as competências e habilidades da BNCC Esta coleção de Ciências foi elaborada para atender estudan- tes do 6o ao 9o anos e tem por objetivo promover o processo de ensino-aprendizagem por meio de uma linguagem didática de fácil compreensão que estimule o estudante a construir o conhe- cimento e a desenvolver as competências e as habilidades nessa área de estudo. Nesta coleção, ao longo do desenvolvimento dos capítulos, os estudantes entram em contato com diferen- tes objetos de conhecimento e, por meio de leitura de textos, de imagens e da realização de atividades teóricas e práticas possibilitam o estabelecimento de conexões interdisciplinares, favorecendo o desenvolvimento de diferentes competências e habilidades. Conforme descrito anteriormente, cada livro desta coleção é dividido em unidades, cujos temas guardam relação com as unidades temáticas descritas na BNCC. Competências gerais da Educação Básica Não obstante, a coleção também se preocupa com o desen- volvimento das competências gerais propostas na BNCC5, vi- sando uma diversificação de atividades, conteúdos e diferentes experiências para fomentar ações cidadãs. De maneira mais detalhada, temos: 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente cons- truídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, de- mocrática e inclusiva. A obra busca uma constante revisão histórica sobre a for- mação dos conhecimentos ilustrados no componente curricular Ciências, mencionando as tecnologias disponíveis à época das descobertas e destacando o papel dos cientistas ao trabalhar conhecimentos construídos por outras pessoas ao longo da his- tória, ou seja, abordando a ciência como construção coletiva. Além de textos e seções, algumas atividades ajudam os estu- dantes a perceber a ciência como forma de entender e explicar a realidade. Estimula-se ainda, sobretudo nas atividades, o espírito investigativo e o anseio por uma sociedade justa e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investi- gar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. Para que esta competência seja desenvolvida, a coleção bus- ca uma análise integradora dos conhecimentos apresentados, evitando a separação em caixas e/ou blocos separados. Nos experimentos sugeridos e também nos textos dos capítulos e nas atividades, os estudantes são convidados a criar hipóteses e pensar em experimentos que possam responder às questões pertinentes às ciências, sobretudo na resolução de problemas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e cultu- rais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. Ao longo da coleção, é estimulada a saída para museus e exposições, bem como a valorização de manifestações cultu- rais e locais para além do que está diretamente relacionado a conteúdos de ciências da Natureza. É mostrado também que a ciência faz parte das ações humanas e, portanto, se insere na produção cultural da sociedade. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemá- tica e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 7 27/11/18 10:24 VIII MANUAL DO PROFESSOR Especialmente nos trabalhos em equipe a coleção estimu- la a exposição de cartazes, discussões em rodas de conversa, compartilhamento de ideias em diferentes formatos e criação de textos e relatórios. Ademais, algumas atividades visam a di- nâmicas ou atividades em grupo como forma de representar processos naturais. Sendo assim, há uma ampla preocupação com o desenvolvimento das linguagens associado à alfabetiza- ção científica dos estudantes. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informa- ção e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. Com relação a esta competência, uma preocupação contínua durante a elaboração da coleção foi a indicação de atividades para a comunidade escolar, bem como o estímulo ao comparti- lhamento dos resultados das pesquisas propostas. Desta forma, conteúdos, meios e processos desenvolvidos em âmbito escolar podem ser divulgados para a comunidade, tornando significati- vos os objetos de ensino-aprendizagem. Portanto, a dissemina- ção de tecnologias e conceitos desenvolvidos na escola podem ser úteis para a solução de problemas na vida pessoal e coletiva no meio escolar. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possi- bilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. Principalmente no que se refere aos temas associados ao meio ambiente, houve uma preocupação em enfatizar a impor- tância cultural de povos tradicionais e do conhecimento cons- truído por essas pessoas. Essas práticas possibilitam valorizar a diversidade de saberes e vivências, como por exemplo na in- terpretação de papéis sociais, proporcionando uma consciência crítica e autonomia na tomada de decisões. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações con- fiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o con- sumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. A coleção apresenta, em vários momentos, propostas de análise de resultados de experimentos e trabalhos de pesquisa rotineiros, com o objetivo de propiciar aos estudantes argumen- tos para que estes defendamideias e pontos de vista de modo fundamentado e embasado. A obra fomenta a valorização dos direitos humanos e a consciência socioambiental e ética no cui- dado de si e do planeta, ao abordar práticas cidadãs no consumo de água e recursos naturais. 6 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 322. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emo- cional, compreendendo-se na diversidade humana e reco- nhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. Especialmente no trabalho com a unidade temática “Vida e evolução” a coleção estimula, em todos os volumes, o cuidado pessoal do estudante com a própria saúde, incentivando muitas vezes que esse cuidado seja estendido para a comunidade, de forma geral, por meio do trabalho com aspectos da saúde cole- tiva. O estudo do meio ambiente está vinculado à compreensão de saúde e é abordado de maneira gradual em complexidade por toda a obra. Desta maneira, pretende-se, ao longo da coleção, trabalhar com aspectos ligados à saúde de forma coletiva e in- dividual, propiciando autonomia para lidar com a diversidade humana e reconhecendo a liberdade das pessoas, como sujeitos de direitos, evitando preconceitos e estigmatizações. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valo- rização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. Ao longo da coleção são sugeridas inúmeras atividades em grupo, trabalhos coletivos, atividades em duplas que visam, entre outros aspectos, facilitar o diálogo, empatia e a resolução coletiva de conflitos. O estímulo à cooperação faz parte do fazer ciência, já que é muito difícil, por exemplo, testar hipóteses sem a colaboração de outras pessoas. A valorização de identidades, grupos sociais, culturas e potencialidades é desenvolvida ao longo das diferentes seções do Livro do Estudante, ao tratar de particularidades de povos tradicionais e valorizando os saberes advindos desses povos. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabi- lidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. A autonomia, a responsabilidade e a flexibilidade das ações pes- soais são trabalhadas com os estudantes, sobretudo, nas atividades que envolvem pesquisas, discussões e interpretação de diferentes dados. Para evitar estigmas em relação às diferentes formas como os estudantes se desenvolvem e lidam com seus problemas, a co- leção pretende trabalhar gradualmente em termos de dificuldades dos conceitos, estimulando a inventividade e a participação dos estudantes em todo o processo de aprendizagem. Competências específicas de Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental Assim como o desenvolvimento das competências gerais, a coleção também leva em consideração as competências espe- cíficas da BNCC6 no tocante às Ciências da Natureza. A obra visa desenvolver as competências da seguinte maneira: 1. Compreender as Ciências da Natureza como empreendimen- to humano, e o conhecimento científico como provisório, cultural e histórico. A abordagem de objetos e instrumentos desenvolvidos atra- vés do processo científico fornecem elementos que evidenciam 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 8 27/11/18 10:24 IXMANUAL DO PROFESSOR as Ciências da Natureza como um empreendimento humano, cultural e historicamente produzido. Assim, a coleção não dis- socia a ciência da tecnologia, procurando abordar ao longo da história as diferentes formas de se observar o mundo natural e meios para investigar hipóteses. 2. Compreender conceitos fundamentais e estruturas explicati- vas das Ciências da Natureza, bem como dominar processos, práticas e procedimentos da investigação científica, de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, tecno- lógicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. Evidencia-se, ao longo de toda a coleção, uma preocupação com os conceitos adotados, partindo-se de uma exposição ou criação coletiva dos conceitos para então observar a investiga- ção específica dos fenômenos naturais e as teorias que melhor explicam esses fenômenos na atualidade. Ao abordar práticas e procedimentos associados ao cotidiano dos estudantes, espe- ra-se que estes possam dominar conceitos e práticas da inves- tigação científica, propiciando uma fundamentação da defesa de suas posições. 3. Analisar, compreender e explicar características, fenômenos e processos relativos ao mundo natural, social e tecnológico (incluindo o digital), como também as relações que se estabele- cem entre eles, exercitando a curiosidade para fazer perguntas, buscar respostas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das Ciências da Natureza. Durante a elaboração da obra, foram pensadas formas de não fazer com que os estudantes se prendessem exclusivamente ao livro, procurando incentivar a leitura de outras fontes seguras para investigar conceitos e fenômenos. Com a diversificação dos tipos de leitura, espera-se que os estudantes possam compreen- der e explicar fenômenos naturais, sabendo que os saberes não estão contidos exclusivamente no livro didático, estimulando a busca por respostas e soluções de maneira fundamentada acerca das Ciências da Natureza. 4. Avaliar aplicações e implicações políticas, socioambientais e culturais da ciência e de suas tecnologias para propor alter- nativas aos desafios do mundo contemporâneo, incluindo aqueles relativos ao mundo do trabalho. No que se refere às questões ambientais, principalmente, a coleção estimula um debate amplo acerca dos recursos naturais, recursos tecnológicos e alternativas de produção. Este tipo de debate propicia uma avaliação das aplicações e implicações políticas e socioambientais da ciência. O estudo das fontes de energia, por exemplo, propicia um debate das alternativas da matriz energética no campo da ética e da eficiência de conversão energética, levando-se em conta os impactos ambientais. 5. Construir argumentos com base em dados, evidências e informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diversidade de indivíduos e de grupos sociais, sem precon- ceitos de qualquer natureza. A pauta do meio ambiente e o desenvolvimento da consciên- cia socioambiental está presente em diferentes momentos ao longo de toda a coleção, estimulando nesse campo os valores éticos necessários para lidar com os desafios enfrentados pela sociedade. Assim, são estimuladas pesquisas para a construção de argumentos com base em dados e evidências que tratam do diagnóstico e solução de problemas ambientais e de saúde, por exemplo. Não obstante, a coleção fomenta uma educação cidadã para que haja o respeito a si e ao outro, evitando a criação de estigmas e preconceitos. 6. Utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de informação e comunicação para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resol- ver problemas das Ciências da Natureza de forma crítica, significativa, reflexiva e ética. Ao longo da coleção foram estimulados o uso de tecnologias e simulações virtuais sobre alguns temas elaborados na obra. Como o Brasil não dispõe ainda de recursos audiovisuais para todas as escolas de maneira igual e irrestrita, foram sugeridas alternativas de utilização de tecnologias digitais de informação e comunicação para a disseminação de conteúdocientífico. Ainda assim, a obra visa trabalhar a questão dialógica entre ciência e tecnologia, des- tacando suas interdependências e o papel do avanço tecnológico para a melhoria de vida das pessoas. 7. Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-estar, compreendendo-se na diversidade humana, fazendo-se res- peitar e respeitando o outro, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza e às suas tecnologias. Aspectos ligados à saúde individual e coletiva são tratados na obra, sobretudo nas unidades correlacionadas à unidade te- mática da BNCC “Vida e evolução”. A obra destaca a importância de campanhas do Ministério da Saúde para conscientização da população acerca da importância das vacinas, do uso de preser- vativos e da preservação do meio ambiente. Portanto, a coleção não se atém apenas aos aspectos individuais da saúde, mas também aos aspectos coletivos. 8. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar decisões frente a questões científico-tecnológicas e socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. Em relação a esta competência, a obra visa o ensino-aprendi- zagem de forma variada, evitando a mera reprodução de objetos de ensino, estimulando a participação em trabalhos coletivos e a colaboração e cooperação entre os estudantes na realização de experimentos e testes de hipóteses. Para este fim, a obra utiliza como base os princípios: éticos, democráticos, susten- táveis e solidários. Portanto, em todos os volumes da coleção, no conjunto do texto, atividades e outras seções, houve uma preocupação no desenvolvimento das competências prescritas pela BNCC, elevando a obra a um patamar integrador, ideal para o estudo das Ciências. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 9 27/11/18 10:24 X MANUAL DO PROFESSOR Já é consenso que ensinar Ciências não é apenas descrever fatos ou definir conceitos; por isso, sempre que possível buscou-se relacio- nar os conteúdos das unidades temáticas da BNCC com situações do cotidiano do estudante, por meio de situações contextualizadas. Dessa forma, esta coleção pretende possibilitar ao estudante: • compreender que a ciência não é um conjunto de conhecimen- tos definitivamente estabelecidos, mas que é uma construção coletiva que se modifica ao longo do tempo, buscando sempre a correção e o aprimoramento; • compreender os conceitos científicos básicos, relacionando o que aprende na escola com o cotidiano, sua saúde, o am- biente, a sociedade e as tecnologias. Ou seja, o ensino deve ser contextualizado, fazendo com que a aprendizagem tenha significado e seja relevante para o estudante; • desenvolver o pensamento lógico e o espírito crítico para identificar e resolver problemas, formulando perguntas e hipóteses, aplicando os conceitos científicos a situações 7 AUSUBEL, D. P. Educational Psychology: a Cognitive View. New York: Holt, Rinehart; Winston, 1968. p. VI. Além do livro mencionado nesta referência, as ideias de Ausubel encontram-se também em: NOVAK, J. D.; HANESIAN, H. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980. MOREIRA, M. A.; MASINI, E. F. S. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982. variadas, testando, discutindo e redigindo explicações para os fenômenos naturais, comunicando suas conclusões aos colegas para que elas sejam debatidas com todos; • relacionar o conhecimento científico com o desenvolvimento da tecnologia e as mudanças na sociedade, entendendo que esse conhecimento é uma parte da cultura e está ligado aos fatores políticos, sociais e econômicos de cada época e que suas aplicações podem servir a interesses diversos; • identificar as relações e a interdependência entre todos os seres vivos — incluindo a espécie humana — e os demais elementos do ambiente, avaliando como o equilíbrio dessas relações é im- portante para a continuidade da vida em nosso planeta; • aplicar os conhecimentos construídos de forma responsável e contribuir para a melhoria das condições ambientais, da saúde e das condições gerais de vida de toda a sociedade; conhecer melhor o próprio corpo e valorizar os hábitos e as atitudes que contribuam para a saúde individual e coletiva. 4 Material Digital do Professor O Material Digital do Professor, que acompanha a coleção, complementa o material impresso, fornecendo subsídios para que o professor possa organizar e enriquecer seu trabalho, con- tribuindo para sua contínua atualização. Nesse material são apresentadas sugestões a respeito do planejamento e desenvolvimento das aulas. O Material Digital do Professor é composto de: • orientações gerais para o ano letivo; • orientações para a gestão da sala de aula; • planos de desenvolvimento; • sequências didáticas; • proposta de acompanhamento da aprendizagem; • material audiovisual; • proposta de projetos integradores para o trabalho com os diferentes componentes curriculares. No Material Digital do Professor há quatro planos de desen- volvimento, um por bimestre. O objetivo dos planos de desenvol- vimento é explicitar as habilidades e os objetos de conhecimento a serem trabalhados em cada bimestre. Os planos de desenvol- vimento também sugerem práticas de sala de aula que propi- ciam o desenvolvimento das competências gerais da BNCC e das competências específicas relacionadas às Ciências da Natureza. Cada plano de desenvolvimento é acompanhado por um projeto integrador, que tem como objetivo apresentar propostas de projetos interdisciplinares, integrando objetos de conhecimento e habilida- des de pelo menos dois componentes curriculares, favorecendo assim o desenvolvimento das competências gerais da BNCC. Pensando no monitoramento das aprendizagens dos es- tudantes, é fornecida uma Proposta de Acompanhamento da Aprendizagem bimestral, composta de avaliação, gabarito e ficha de acompanhamento das aprendizagens do estudante. Para complementação do Material Digital do Professor há su- gestões de Sequências Didáticas e de Materiais Digitais Audio- visuais. Nas orientações específicas deste Manual do Professor, serão indicados as Sequências Didáticas e os Materiais Digitais Audiovisuais associados aos temas estudados. 5 Uma palavra a mais com o professor Sabe-se hoje que o estudante constrói ativamente seu conhe- cimento com base em um saber prévio que ele traz para a escola. Por isso esse conhecimento é fundamental para a aprendizagem de novos conceitos. Como sintetizou David Ausubel (1918-2008), psicólogo ligado à área de aprendizagem, “o fator isolado mais importante capaz de influenciar a aprendizagem é aquilo que o sujeito já sabe”7. Na década de 1960, Ausubel já se opunha à aprendizagem mecânica ou repetitiva, em que o estudante apenas decora conceitos para a prova e logo os esquece. Para Ausubel a aprendizagem é significativa quando um novo conteú- do tem uma conexão com o conhecimento prévio do estudante, passando assim a ter um significado para ele. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 10 27/11/18 10:24 XIMANUAL DO PROFESSOR Os trabalhos de Jean Piaget (1896-1980), psicólogo da área de aprendizagem, mostraram que o conhecimento é construído com base na interação pessoal com o mundo. E, em certos casos, é necessário que ocorram mudanças profundas nas estruturas mentais para que certos conteúdos sejam apreendidos8. Finalmente, o russo Lev Vygotsky (1896-1934) demonstrou que a aprendizagem é fortemente influenciada pela interação entre o estudante e os outros membros da comunidade9. Em síntese, esses e outros trabalhos mostram que a apren- dizagem depende de conhecimentos prévios trazidos pelo estu- dante ao ambiente em que se dá o ensino, e que esses conheci- mentos organizam e dão significado às novas informações.Em outras palavras, as ideias e as crenças que o estudante traz para a escola terão uma forte influência na interpretação daquilo que lhe é ensinado, isto é, na construção de significados. Em alguns casos, os conceitos prévios do estudante sobre determinado fenômeno são bastante diferentes dos conceitos científicos, e isso pode dificultar a aprendizagem. Nesse caso, o professor pode facilitar o processo de aprendizagem. Para isso, deve selecionar experiências apropriadas com base no conheci- mento prévio do estudante e mostrar a importância do conheci- mento científico para a explicação de um conjunto de fenômenos ligados às experiências selecionadas. Dessa forma, o professor vai estimular o estudante a construir novos significados e conceitos. Nessa concepção de aprendizagem, o professor não tem apenas a tarefa de apresentar informações ao estudante — mesmo porque a simples apresentação de informações não garante que estas sejam apreendidas pelo estudante. Ele deve encorajar o debate estimulando o estudante a apresentar seus pontos de vista e a avaliar sua concep- ção sobre o fenômeno abordado. Cabe ao professor procurar integrar concepções diferentes, mas conciliáveis, e apresentar aos estudantes problemas que confrontem as concepções trazidas por eles. Conforme orienta o texto da BNCC10: […] é imprescindível que eles [os estudantes] sejam progressi- vamente estimulados e apoiados no planejamento e na realização 8 As ideias de Piaget podem ser encontradas em: BECKER, F. O caminho da aprendizagem em Jean Piaget e Paulo Freire: da ação à operação. Petrópolis: Vozes, 2010. CASTORINA, J. A.; FERREIRO, E.; LERNER, D.; OLIVEIRA, M. K. Piaget e Vygotsky: novas contribuições para o debate. São Paulo: Ática, 1995. FREITAG, B. (Org.). Piaget: 100 anos. São Paulo: Cortez, 1997. GARCIA, R. Psicogênese e história das ciências. Lisboa: D. Quixote, 1987. GOULART, I. B. Piaget: experiências básicas para utilização pelo professor. 25. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. LEITE, L. B. Piaget e a escola de Genebra. São Paulo: Cortez, 1987. PIAGET, J. A construção do real na criança. Rio de Janeiro: Zahar/MEC, 1975. ______. A epistemologia genética. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Os pensadores). ______. A equilibração das estruturas cognitivas. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. 9 As ideias de Vygotsky encontram-se em: BAQUERO, R. Vygotsky e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 1998. CASTORINA, J. A.; FERREIRO, E.; LERNER, D.; OLIVEIRA, M. K. op. cit. DANIELS, H. (Org.). Vygotsky em foco: pressupostos e desdobramentos. 2. ed. Campinas: Papirus, 1995. MOLL, L. C. Vygotsky e a educação: implicações pedagógicas da Psicologia sócio-histórica. Porto Alegre: Artmed, 1996. OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento, um processo histórico. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1997. VYGOTSKY, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. ______. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 10 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 320. 11 Essa ideia está presente em Ausubel e pode ser encontrada em vários trabalhos do autor, op. cit. 12 HASHWEH, M. Z. Toward an Explanation of Conceptual Change. European Journal of Science Education, 1986, 8 (3). p. 229-249. 13 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 319. cooperativa de atividades investigativas, bem como no compar- tilhamento dos resultados dessas investigações. Isso não significa realizar atividades seguindo, necessariamente, um conjunto de etapas predefinidas, tampouco se restringir à mera manipulação de objetos ou realização de experimentos em laboratório. […] Para que a aprendizagem aconteça, o professor deve também estabelecer uma conexão entre o conceito científico (abstrato) e as experiências do cotidiano vividas pelo estudante (concreto) para apoiar o ensino de novos conceitos com base em conceitos previamente assimilados11. Deve ainda estimular a aplicação dos novos conceitos a si- tuações variadas. Pode, por exemplo, apresentar essas novas situações e promover debates livres entre os estudantes para que eles exponham suas ideias e tenham suas dúvidas esclarecidas12. Essas afirmações corroboram com o texto da BNCC13, que considera que [...] Nessa perspectiva, a área de Ciências da Natureza, por meio de um olhar articulado de diversos campos do saber, precisa assegurar aos alunos do Ensino Fundamental o acesso à diversidade de conhecimentos científicos produzidos ao longo da história, bem como a aproximação gradativa aos principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica. […] De modo geral, essas são as concepções básicas da chama- da abordagem construtivista, que compreende um conjunto de ideias que tem influenciado bastante a teoria e a prática pedagógi- ca atual. A literatura sobre o tema é muito ampla, por isso fornece- mos adiante, na seção Sugestões de leitura para o professor, uma pequena seleção de livros e artigos que tratam dessa proposta. O que se espera é que o professor analise criticamente a ideia da transmissão passiva de conhecimentos e perceba a necessidade de propor questões que funcionem como desafios, estimulem o estudante a aplicar o conhecimento a situações novas e promovam a contextualização dos conteúdos. Em seu trabalho, o professor se vale dos saberes do com- ponente curricular que ministra, dos saberes pedagógicos de 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 11 27/11/18 10:24 XII MANUAL DO PROFESSOR sua formação profissional e dos saberes de sua experiência, adquiridos no trabalho cotidiano, durante o processo de ensi- no-aprendizagem. Entre os saberes esperados na formação do professor de Ciências, portanto, estão não apenas os conteúdos de seu componente curricular (conceitos, procedimentos e ati- tudes), mas também as principais estratégias metodológicas para a facilitação da aprendizagem. O professor deve compreender e trabalhar as interações en- tre ciência e sociedade, assumindo uma postura ética com o compromisso de fortalecer, no estudante, a ideia de cidadania. Deve também estar sempre disposto a aprender algo novo; sele- cionar e adequar os conteúdos à especificidade do processo de ensino-aprendizagem; conhecer as novas tecnologias utilizadas em educação; levar em conta o saber de seus estudantes e pre- pará-los para a apreensão do conhecimento científico. O livro didático e outros recursos Como já foi dito anteriormente, o livro didático não é o úni- co recurso disponível para o professor, mas, sim, um entre os diferentes meios de aprendizagem no processo de construção do conhecimento, o qual ocorre por meio da interação entre es- tudantes e professores. O livro didático é um dos recursos que pode facilitar a aprendizagem do estudante, aumentando, por exemplo, a compreensão do estudante acerca de um conceito. Para isso, é fundamental que o professor se familiarize com a estrutura da obra, de modo a orientar os estudantes a explorá-la de maneira a ampliar seus conhecimentos. Por exemplo, as seções Ciência e História ou Ciência e ambien- te apresentam textos sobre temas relevantes relacionados aos conceitos em estudo. Recomenda-se que, após a leitura desses textos, o professor promova a mediação de discussão entre os estudantes e a reflexão sobre o assunto. Essa estratégia é funda- mental para ampliar os conhecimentos dos estudantes e possibi- litar conexões com outras áreas do conhecimento e com o mundo do trabalho. Especialmente durante as atividades de leitura, o uso do dicionário deve ser incentivado. E o professor pode também circular entre os grupos para ajudar os estudantes nesse trabalho. Recomenda-se que o livro didático seja combinado com es- tratégias que ajudem o estudante a construir o significadodos conceitos científicos. Dependendo dos recursos de cada escola, o professor pode valer-se de mídias impressas, como jornais, revistas, livros, e de mídias digitais, por exemplo, pen drives, aplicativos, programas eletrônicos educativos ou acessar sites relacionados ao tema ciência e tecnologia, além de promover a realização de atividades experimentais e de observação em laboratório e de outras atividades que envolvam a participação ativa do estudante, como estudo do meio. Não menos importante é a própria exposição de temas em sala de aula, que pode lançar desafios e incentivar o estudante a refletir sobre suas concepções e, com isso, desencadear per- guntas relacionadas com os temas em estudo. Uma maneira de promover essa exposição dos temas é solicitar aos estudan- tes que leiam uma reportagem de jornal ou revista ou um livro paradidático, que assistam a um filme ou pesquisem um tema específico na internet, e, depois, em grupo, discutam o que com- preenderam do assunto e anotem suas dúvidas e comentários. Por fim, em grupo, os estudantes podem preparar uma apresen- tação e compartilhar com os colegas por meio de um seminário. Como complemento a essa atividade de exposição, o professor pode sugerir aos estudantes que, em grupo, discutam entre si e exponham o que compreenderam sobre o tema, aproveitando para apresentar também suas questões e dúvidas. Recomen- da-se que, antes de indicar qualquer material ou fonte de pes- quisa aos seus estudantes, o professor certifique-se que ele é adequado à faixa etária e/ou ao nível cognitivo dos estudantes. Programações educativas, como a da TV Escola (canal de televisão do Ministério da Educação), também podem ajudar o professor em seu trabalho. Para saber mais sobre a TV Esco- la (onde assistir, programação, etc.), pode-se acessar o site: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content& view=article&id=12336&Itemid=823> (acesso em: 19 set. 2018). Uma lista de vídeos na área de Ciências da Natureza está disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/ pdf/ciencias.pdf> (acesso em: 19 set. 2018). Antes de apresentar para os estudantes materiais que extra- polam o que foi recomendado pela coleção, recomenda-se que o professor verifique a adequação do conteúdo à faixa etária e ao nível cognitivo dos estudantes, e anote os temas e as possíveis questões que podem ser discutidas e relacionadas com o conteúdo do com- ponente curricular e do livro didático. Procure também, sempre que possível e relevante, pesquisar informações complementares sobre o tópico em livros ou na internet e compartilhe essas informações com os estudantes. A internet é uma ferramenta valiosa para a pesquisa, tanto do professor quanto do estudante. Porém, é preciso verificar, com antecedência, se o computador, tablet ou smartphone possuem condições de acesso e se há programas de proteção e controle de acesso a sites com conteúdos inadequados para os estudantes. Certifique-se se os estudantes já dominam os procedimentos bá- sicos de uso do equipamento e, se for o caso, passe as instruções básicas e alerte-os sobre os cuidados ao manusear a máquina, considerando que é um bem comum da escola. Deve-se considerar a possibilidade de dispersão dos estudantes diante do grande volu- me de sites e informações disponíveis. Para evitar isso, e também para direcioná-los a conteúdos mais confiáveis, oriente-os a dar preferência a sites com maior credibilidade e confiabilidade, como os .edu, .gov e .org. Em outros tipos de sites, como os de grandes veículos de notícias, ou em plataformas de vídeos, convém habi- litar nos navegadores, sempre que possível, uma ferramenta de bloqueio de propagandas e/ou de conteúdo adulto. Ao solicitar um tema de pesquisa, o professor deve dar informa- ções claras sobre os objetivos e de que forma ela será apresenta- da. Sugere-se que oriente os procedimentos de busca na internet, por exemplo, usando palavras-chave ou questões específicas e sempre que possível acompanhe a busca dos estudantes, aju- dando-os a identificar o material relevante para compor a base da pesquisa. Os estudantes poderão apresentar o resultado da pesquisa em forma de relatório, redigindo, com as próprias pala- 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 12 27/11/18 10:24 XIIIMANUAL DO PROFESSOR vras, os conteúdos consultados. Oriente-os a anotar o nome dos sites consultados e citar as instituições responsáveis por esses sites como fonte bibliográfica. Eles também deverão apresentar as fontes de onde foram obtidas imagens, dando o devido crédito. Deve-se deixar claro que o livro, assim como qualquer outro texto didático que seja utilizado, é uma fonte de consulta, e não de memorização. O fato de os livros apresentarem termos espe- cíficos de cada área não significa que se deva exigir dos estu- dantes a memorização de todos esses termos científicos. Muito mais importante é trabalhar os conceitos fundamentais que se encontram no livro e enfatizar as ideias básicas, de caráter mais geral, que devem ter primazia sobre os conteúdos específicos. O professor pode apontar as ideias e os conceitos que considerar relevantes, pedir ao estudante que faça um resumo orientado do texto utilizando esses conceitos, ou seja, que crie um texto que preserve o significado das ideias básicas estudadas. Pode também estimular o estudante a elaborar perguntas a partir das ideias básicas do texto. Entre as questões indicadas nas atividades, pode selecionar aquelas que forem relevantes para a especificidade das condições de ensino-aprendizagem. Estratégias de utilização do livro didático Algumas pesquisas indicam que, usado isoladamente, o livro didático não tem o poder de modificar concepções que diferem muito das concepções científicas14. No entanto, tais pesquisas mostram que o livro didático pode ajudar nesse processo se for utilizado com estratégias que promovam a mudança dos conceitos prévios ou se for combinado com formas de leitura que auxiliem o estudante a construir conceitos com base no texto15. Desse modo, recomenda-se que, antes de iniciar o uso desta coleção, o professor estabeleça um plano de desenvolvimento que considere os assuntos abordados no capítulo, bem como as atividades de- senvolvedoras de habilidades e de verificação da aprendizagem que devem ser utilizadas ao longo das explicações e leituras. A partir desse plano de desenvolvimento, ao iniciar a aula, o professor pode apresentar o tema trabalhado nas unidades por meio do trabalho com as perguntas mobilizadores que abrem cada unidade. Depois de trabalhar essas perguntas de maneira coletiva ou individualizada, o trabalho com os capítulos pode se iniciar por meio das propostas no boxe A questão é.... Como alternativa, cada professor pode avaliar as necessidades de sua turma, trabalhando a partir de uma notícia de jornal ou revista, um filme, textos de outros livros, experimentos de laboratório — 14 GUZZETTI, B.; SNYDER, T.; GLASS, G.; GAMAS, W. Promoting Conceptual Change in Science: a Comparative Meta-analysis of Instructional Interventions from Reading Education and Science Education. Reading Research Quaterly, 28(2), 1993. p. 117-155. 15 Essas estratégias encontram-se em: DOLE, J.; DUFFY, G.; ROEHLER, L.; PEARSON, P. Moving from the Old to the New: Research on Reading Comprehension Instruction. Review of Educational Research, 61(2), 1991. p. 239-264. 16 As diferenças entre o conhecimento cotidiano e o conhecimento científico estão explicadas em: BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo: Ática, 1998. 17 A estratégia de apresentar fenômenos que não podem ser explicados adequadamente pela concepção do estudante faz parte da chamada teoria da aprendizagem por mudança conceitual e é discutida em: CHINN C. A.; BREWER, W. F. The Role of Anomalous Data in Knowledge Acquisition: a Theoretical Frame Work and Implications for Science Instruction. Review of Educational Research, 63, 1993. p. 1-49. HEWSON, P. W.; HEWSON, M. G. The Statusof Students’ Conceptions. In: DUIT, R. F.; NIEDDERER, H., eds. Research in Physics Learning: Theoretical Issues and Empirical Studies. Kiel: Institute for Science Education at the University of Kiel, 1992. p. 59-73. POSNER, G.; STRIKE, K.; HEWSON, P.; GERZOG, W. Accommodation of a Scientific Conception: to Ward a Theory of Conceptual Change. Science Education, 66, 1982. p. 211-227. o que for possível e pertinente ao tema que será exposto naquela aula. A intenção é despertar o interesse do estudante sobre o assunto e avaliar seu conhecimento prévio. É importante conhecer as opiniões dos estudantes sobre as questões propostas. Quando a concepção dos estudantes for muito diferente da concepção científica, cabe ao professor levá-los a perceber que, embora o conhecimento prévio tenha papel importante em certos contextos práticos, as concepções científicas são valiosas em outros contextos e contribuem para a explicação de novos fenômenos16. Para isso, o professor poderá apresentar indícios ou evidências, geralmente experimentais, que não podem ser explicadas adequadamente pela concepção do estudante, e mostrar-lhe que a concepção científica, além de elucidar esses dados, aplica-se a fatos novos e estabelece novas relações entre fenômenos17. Alguns autores acreditam que os conceitos prévios dos estudantes não devem necessariamente ser abandonados ou substituídos pelos conceitos científicos. Explicações científicas e cotidianas poderiam coexistir no estudante e ser utilizadas em contextos diferentes. Nesse caso, cabe ao professor identificar os conceitos prévios e ajudar o estudante a compreender o co- nhecimento científico, possibilitando que o estudante escolha a concepção apropriada para cada caso. Desse modo, o estudante pode utilizar cada concepção no contexto adequado. Não se pode esquecer de que a aprendizagem não depende apenas de fatores cognitivos, mas também de diversos com- ponentes afetivos e socioculturais que precisam ser levados em conta ao explanar sobre os temas dos capítulos. Por isso é importante estimular atividades em grupo e debates entre os próprios estudantes, e entre eles e você, professor. É preciso também estimular os estudantes a expressar suas concepções em um clima de respeito a suas ideias — mesmo quando elas não coincidem com as concepções científicas. Esta coleção apresenta inúmeras atividades que despertam a curiosidade do estudante e o estimulam a aplicar os conceitos científicos a novas situações, tanto individuais como coletivas. Entretanto, deve-se considerar que o desenvolvimento das ha- bilidades não ocorre exclusivamente por meio das atividades propostas no Livro do Estudante. Elas também são contempla- das por propostas didáticas realizadas em ambientes externos à sala de aula ou em laboratório, entrevistas, teatro, músicas, etc. Dessa forma, se achar oportuno, considere diversificar as estratégias e as atividades. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 13 27/11/18 10:24 XIV MANUAL DO PROFESSOR Embora esta coleção apresente um conteúdo amplo, completo e atualizado, o professor tem total autonomia para aprofundar ou reduzir conteúdos ou mesmo para deixar de trabalhar informações e conferir maior ou menor importância a determinado capítulo ou tópico de capítulo. O livro é uma ferramenta para auxiliar o trabalho dentro da sala de aula diante da escolha de proposta pedagógica da escola. Além disso, cabe ao professor definir como o conteúdo será ensinado e avaliar a relevância de tais conteúdos para a vida dos estudantes e para a continuidade de sua trajetória escolar. As informações sobre os conhecimentos mais específicos que o professor considerar pouco relevantes, como detalhes anatômicos ou fisiológicos, podem ser sugeridas ao estudante como tópico complemen- tar de estudo e pesquisa. Assim, o professor escolhe os recursos complementares e implementa a proposta didático-pedagógica de acordo com sua turma e com os objetivos traçados para o ano letivo. É importante salientar que o livro didático pode facilitar a aprendizagem: • se apresentar questões que motivem o estudante e o estimulem a formular hipóteses e a aplicar o que aprendeu a situações novas; • se fizer, com cuidado, comparações que facilitem a aprendizagem de conceitos científicos; • se relacionar explicações científicas a fenômenos do cotidiano do estudante e a temas da saúde, do ambiente e da tecnologia; • se estimular o estudante a pesquisar — individualmente e em grupo — as informações pertinentes em diversas fontes; • se ajudar o estudante a desenvolver uma atitude responsável, de modo que ele possa contribuir para a melhoria das condições gerais de vida (condições sociais, ambientais e de saúde) de toda a sociedade. Na abordagem dos principais temas de cada capítulo, serão indicados textos, questões e atividades que contribuam para que esses objetivos sejam atingidos. Recomenda-se que, sempre que possível, o professor reserve momentos de retomadas dos conteú- dos relevantes e, antes de iniciar a aula, certifique-se de que não restam dúvidas referentes aos conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais abordados nas aulas anteriores. A organização dos volumes Cada volume está dividido em unidades, que se subdividem em capítulos. Em cada capítulo, os assuntos são agrupados em subtítulos. No início da unidade, as questões propostas normalmente abordam de forma bastante abrangente os assuntos que serão desenvolvidos nos capítulos dessa unidade, com base nas vivências do estudante, como forma de aproximá-lo do conteúdo que será abordado. Se achar oportuno, leia com os estudantes essas questões e faça a mediação dessa discussão identificando os conhecimentos prévios do estudante sobre cada um dos assuntos. Espera-se que a partir dessa interação entre os estudantes ocorra o processo co- nhecido como aprendizagem significativa, no qual novas informações interagem com as ideias preestabelecidas do estudante, gerando um conflito cognitivo que resulta em organizar, alterar e adaptar o que sabem, levando em conta as novas informações adquiridas. Veja, a seguir, como as unidades estão distribuídas ao longo dos quatro volumes da coleção. 6o ano A unidade 1 do 6o ano, “O planeta Terra”, corresponde à unidade temática “Terra e Universo” da BNCC. Da mesma maneira, o capítulo 1 visa proporcionar ao estudante uma compreensão da estrutura, camadas do planeta Terra, recursos minerais e formação de fósseis. O capítulo 2 trata do solo, preparação para cultivo, nutrientes, conservação do solo. No capítulo 3, são estudadas a hidrosfera, as mudanças de estado físico e o ciclo da água, no capítulo 4, a atmosfera e a biosfera, introduzindo conceitos ecológicos e da biodiver- sidade. No capítulo 5, são introduzidos a forma e os movimentos do planeta Terra. A unidade 2 do 6o ano, “Vida: interação com o ambiente”, corresponde à unidade temática “Vida e evolução” da BNCC. No capítulo 6, há maior destaque para as características das células, seus elementos e a teoria celular. No capítulo 7, são destacados os níveis de organização dos seres vivos e o estudo de alguns sistemas. No capítulo 8, é destacado o sistema nervoso, neurônios e impulso nervoso, anatomia do sistema nervoso, cuidados com o sistema nervoso, estudo de substâncias psicoativas. No capítulo 9, há destaque para a interação entre o organismo e ambiente, sistema sensorial, visão, problemas da visão e lentes corretivas, audição e equilíbrio, olfato, gustação e tato. No capítulo 10, é estudada a função de controle exercida pelo sistema nervoso central e são fornecidos exemplos de integração entre diversos sistemas do corpo que possibilitam a locomoção. Na unidade 3 do 6o ano, “A matéria e suas transformações”, existe uma correlação com a unidade temática “Matéria e energia” da BNCC. No capítulo 11, são tratadas as substâncias e misturas, identificação de substâncias puras, tipos de misturas, separação de componentes de misturas e transformações químicas. No capítulo 12, o enfoqueé o tratamento de água e esgoto como técnicas de separação de misturas; e o capítulo 13 destaca os materiais sintéticos – plásticos, medicamentos e agrotóxicos – e resíduos sólidos, com ênfase no meio ambiente e no impacto sobre a saúde, a alimentação e a vida humana. No quadro a seguir são apresentados as unidades e os capítulos que compõem o 6o ano, bem como a unidade temática e o objeto do conhecimento da BNCC a que se referem. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 14 27/11/18 10:24 XVMANUAL DO PROFESSOR Unidade Unidade temática Capítulos Objetos do conhecimento UNIDADE 1 O planeta Terra Terra e Universo 1 – A estrutura do planeta e a litosfera • Forma, estrutura e movimentos da Terra 2 – Litosfera: o solo • Forma, estrutura e movimentos da Terra 3 – Hidrosfera: água no planeta Terra • Forma, estrutura e movimentos da Terra 4 – A atmosfera e a biosfera • Forma, estrutura e movimentos da Terra 5 – Terra: uma esfera em movimento no espaço • Forma, estrutura e movimentos da Terra UNIDADE 2 Vida: interação com o ambiente Vida e evolução 6 – A célula • Célula como unidade da vida 7 – Os níveis de organização dos seres vivos • Célula como unidade da vida 8 – O sistema nervoso • Interação entre os sistemas locomotor e nervoso 9 – Interação do organismo com o ambiente • Lentes corretivas 10 – Interação entre os sistemas muscular, ósseo e nervoso • Interação entre os sistemas locomotor e nervoso UNIDADE 3 A matéria e suas transformações Matéria e energia 11 – Substâncias e misturas • Misturas homogêneas e heterogêneas • Separação de materiais • Transformações químicas 12 – Tratamento de água e esgoto • Misturas homogêneas e heterogêneas • Separação de materiais • Transformações químicas 13 – Materiais sintéticos e os resíduos sólidos • Materiais sintéticos 7o ano A unidade 1 do 7o ano, “Terra: Os movimentos da crosta e a atmosfera”, corresponde à unidade temática “Terra e Universo” da BNCC. Nesse sentido, a unidade procura expor, em seu capítulo 1, a formação de vulcões, o estudo das placas tectônicas e seus movimen- tos, formação dos continentes da Terra, formação das cadeias de montanhas, estudo de fenômenos naturais como os terremotos e tsunamis; já no capítulo 2, são estudados a composição e alterações da atmosfera, composição do ar, ciclo de gases da atmosfera e o processo de combustão, a camada de ozônio, seu papel e as consequências de sua destruição, o efeito estufa e o aquecimento global, o processo de poluição do ar pelas atividades humanas, e formas de prevenção contra a poluição. Na unidade 2 do 7o ano, “Ecossistemas, impactos ambientais e condições de saúde”, há correspondência com a unidade temática “Vida e evolução” da BNCC. Nessa unidade, mais especificamente no capítulo 3, são tratados os tipos de ecossistema, classificação dos seres vivos e biodiversidade, o efeito do clima nos ecossistemas, processos de extinção em massa, estudo dos ecossistemas brasileiros. No capítulo 4, são investigados a vida aquática, ecossistemas aquáticos e ameaças a esses ambientes. No capítulo 5, constam as condições de saúde, indicadores sociais, alimentação saudável e dados demográficos de uma dada população. No capítulo 6, têm destaque as doenças transmissíveis, sistema de defesa do corpo, vacinas, doenças causadas por vírus, bactérias, protozoários e verminoses. A unidade 3 do 7o ano, “Máquinas, calor e novas tecnologias”, corresponde, em grande medida, à unidade temática “Matéria e ener- gia”. No capítulo 7, são trabalhadas as máquinas simples, alavancas, roldanas, força e trabalho e a história das máquinas simples. No capítulo 8, abordam-se transformações de energia, calor e temperatura, mudanças de estado físico da matéria, dilatação dos corpos, transmissão de calor, aplicações e funcionamento de objetos, como: garrafas térmicas, coletores de energia solar e geladeiras. No capítulo 9, são estudados combustíveis e máquinas térmicas, com ênfase no equilíbrio do planeta, tipos de combustíveis, máquinas a vapor, aspectos históricos da revolução industrial e de novas máquinas térmicas. No capítulo 10, o destaque é para as tecnologias relacionadas à saúde e à qualidade de vida das populações, discutindo avanços tecnológicos na produção de alimentos, na Medicina, 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 15 27/11/18 10:24 XVI MANUAL DO PROFESSOR na preservação do meio ambiente, na obtenção de informações e na comunicação entre as pessoas. Dessa forma, o capítulo 10 fecha o volume 7, retomando o trabalho com a unidade temática da BNCC “Vida e evolução”, com um caráter integrador entre as unidades. No quadro a seguir são apresentados as unidades e os capítulos que compõem o 7o ano, bem como a unidade temática e o objeto do conhecimento da BNCC a que se referem. Unidade Unidade temática Capítulos Objetos do conhecimento UNIDADE 1 Terra: Os movimentos da crosta e a atmosfera Terra e Universo 1 – As placas tectônicas • Fenômenos naturais (vulcões, terremotos e tsunamis) • Placas tectônicas e deriva continental 2 – A composição da atmosfera e suas alterações • Composição do ar • Efeito estufa • Camada de ozônio UNIDADE 2 Ecossistemas, impactos ambientais e condições de saúde Vida e evolução 3 – Ecossistemas terrestres • Diversidade de ecossistemas • Fenômenos naturais e impactos ambientais 4 – O ambiente aquático e a região costeira • Diversidade de ecossistemas • Fenômenos naturais e impactos ambientais 5 – Condições de saúde • Programas e indicadores de saúde pública 6 – Doenças transmissíveis • Programas e indicadores de saúde pública UNIDADE 3 Máquinas, calor e novas tecnologias Matéria e energia / Vida e evolução 7 – Máquinas simples • Máquinas simples 8 – O calor e suas aplicações • Formas de propagação de calor 9 – Combustíveis e máquinas térmicas • Equilíbrio termodinâmico e vida na Terra • História dos combustíveis e das máquinas térmicas 10 – Tecnologias e novos materiais • História dos combustíveis e das máquinas térmicas (Matéria e energia) • Fenômenos naturais e impactos ambientais (Vida e evolução) • Programas e indicadores de saúde pública (Vida e evolução) 8o ano A unidade 1 do 8o ano, “Reprodução”, tem correspondência com a unidade temática “Vida e evolução” da BNCC. No capítulo 1, é dado destaque para tipos de reprodução, desenvolvimento do embrião e reprodução de animais e plantas. No capítulo 2, são investigadas a reprodução humana e as transformações do corpo durante a puberdade, estudo dos órgãos genitais masculino e feminino, ciclo reprodutivo, gravidez, cuidados parentais. Na sequência desse tema, o capítulo 3 aborda a sexualidade e métodos contraceptivos; enquanto o capítulo 4 trata das doenças (ou infecções) sexualmente transmissíveis, métodos de prevenção, sintomas e tratamentos. Na unidade 2 do 8o ano, “A Terra e o clima”, há correspondência com a unidade temática “Terra e Universo” da BNCC, sendo destacados no capítulo 5 a Terra e o clima: movimentos relativos entre Sol, Terra e Lua, estações do ano e eclipses. Em seguida, no capítulo 6 são abordados tempo e clima, previsão do tempo, movimento das massas de ar, umidade, ventos e correntes oceânicas. Na unidade 3 do 8o ano, “Eletricidade e fontes de energia”, há correspondência, em grande parte, com a unidade temática “Matéria e energia” da BNCC. No capítulo 7 são estudados eletricidade e fontes de energia, cargas elétricas, condutores e isolantes elétricos, correntes, circuitos elétricos, cuidados nas instalações elétricas. Já o capítulo 8 trata das relações de consumo da eletricidade, cálculo do consumo de energia, ações cidadãs para economizar energia, magnetismo e eletromagnetismo. O capítulo 9, último deste volume, trata das fontes de energia e impactos socioambientais (inclusive no clima), distribuição de energia, recursos energéticos renováveis e não renováveis, geração de energia elétrica, tipos de energia, impactos ambientais. Essa última unidade aproveita o desenvolvi-002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 16 27/11/18 10:24 XVIIMANUAL DO PROFESSOR mento dos conceitos de matéria e energia para concluir o trabalho com a unidade temática “Terra e Universo” da BNCC, integrando os conhecimentos de matéria, energia e clima. No quadro a seguir são apresentados as unidades e os capítulos que compõem o 8o ano, bem como a unidade temática e o objeto do conhecimento da BNCC a que se referem. Unidade Unidade temática Capítulos Objetos do conhecimento UNIDADE 1 Reprodução Vida e evolução 1 – Tipos de reprodução • Mecanismos reprodutivos 2 – Reprodução humana e transformações na puberdade • Sexualidade 3 – Sexualidade e métodos contraceptivos • Sexualidade 4 – Doenças sexualmente transmissíveis • Sexualidade UNIDADE 2 A Terra e o clima Terra e Universo 5 – Movimentos da Terra e da Lua • Sistema Sol, Terra e Lua 6 – O tempo e o clima • Clima UNIDADE 3 Eletricidade e fontes de energia Matéria e energia / Terra e Universo 7 – Eletricidade • Transformação de energia • Cálculo de consumo de energia elétrica • Circuitos elétricos • Uso consciente de energia elétrica 8 – Eletricidade e consumo • Uso consciente de energia elétrica 9 – Fontes de energia e impactos socioambientais • Fontes e tipos de energia (Matéria e energia) • Uso consciente de energia elétrica (Matéria e energia) • Transformação de energia (Matéria e energia) • Clima (Terra e Universo) 9o ano A unidade 1 do 9o ano, “Genética, evolução e biodiversidade”, tem correspondência com a unidade temática “Vida e evolução” da BNCC. Nos capítulos 1 e 2, são estudados a transmissão das características hereditárias, trabalhos de Mendel, genes e características fenotípicas. Em seguida, o capítulo 3 trata das teorias evolucionistas e os trabalhos de Charles Darwin. No capítulo 4 são estudados aspectos mais recentes sobre a teoria da evolução, discutindo a variabilidade genética, seleção natural, geração de espécies, evolu- ção humana e origem da vida sob a óptica dos conhecimentos atuais. No capítulo 5, o enfoque é biodiversidade e sustentabilidade, unidades de conservação e importância da biodiversidade. A unidade 2 do 9o ano, “Transformações da matéria e radiações”, tem correspondência com a unidade temática “Matéria e energia” da BNCC. No capítulo 6, são estudados átomos, elementos químicos, tabela periódica, metais e não metais. No capítulo 7, há enfoque nas ligações químicas e mudança de estado da matéria, tipos de ligações químicas, substâncias simples e compostas e estados físi- cos da matéria. No capítulo 8, são analisados transformações químicas, modos de representação, leis das reações químicas, tipos de reações, ácidos, bases, sais e óxidos. O capítulo 9 trata das radiações e suas aplicações, características das ondas, ondas sonoras, radiações eletromagnéticas, laser, transmissão e recepção de imagens e sons. Já o capítulo 10 trata de luz e cores, reflexão, refração e separação das cores. A unidade 3 do 9o ano, “Galáxias, estrelas e o Sistema Solar”, tem correspondência com a unidade temática “Terra e Universo” da BNCC. Da mesma forma, em seu capítulo 11 a unidade trata das galáxias e estrelas, constelações, origem do Universo, exploração do espaço. No capítulo 12, há o estudo do Sistema Solar, movimentos dos planetas, estrutura do Sistema Solar, composição dos planetas, corpos menores do Sistema Solar e a investigação sobre a possibilidade da vida fora do planeta Terra. No quadro a seguir são apresentados as unidades e os capítulos que compõem o 9o ano, bem como a unidade temática e o objeto do conhecimento da BNCC a que se referem. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 17 27/11/18 10:24 XVIII MANUAL DO PROFESSOR Unidade Unidade temática Capítulos Objetos do conhecimento UNIDADE 1 Genética, evolução e biodiversidade Vida e evolução 1 – Transmissão das características hereditárias • Hereditariedade 2 – A genética depois de Mendel • Hereditariedade 3 – As primeiras ideias evolucionistas • Ideias evolucionistas 4 – Evolução: da origem da vida às espécies atuais • Ideias evolucionistas • Preservação da biodiversidade 5 – Biodiversidade e sustentabilidade • Preservação da biodiversidade UNIDADE 2 Transformações da matéria e radiações Matéria e energia 6 – Átomos e elementos químicos • Estrutura da matéria 7 – Ligações químicas e mudanças de estado • Estrutura da matéria 8 – Transformações químicas • Aspectos quantitativos das transformações químicas 9 – Radiações e suas aplicações • Radiações e suas aplicações na saúde 10 – Luz e cores • Radiações e suas aplicações na saúde UNIDADE 3 Galáxias, estrelas e o Sistema Solar Terra e Universo 11 – Galáxias e estrelas • Composição, estrutura e localização do Sistema Solar no Universo • Astronomia e cultura • Evolução estelar • Ordem de grandeza astronômica 12 – O Sistema Solar • Composição, estrutura e localização do Sistema Solar no Universo • Astronomia e cultura • Evolução estelar • Ordem de grandeza astronômica As habilidades e as competências da BNCC na coleção É importante destacar que, embora haja pequenas variações entre a ordem de aparição de temas da BNCC e a estrutura da coleção, não há qualquer perda de conteúdos vislumbrados nas habilidades da base. Ao contrário, a coleção procura trabalhar com a explicação de conceitos prévios necessários, interligando os temas com maior fluidez e, sempre que possível, integrando as diferentes unidades temáticas. No 6o ano, por exemplo, vamos além do estudo das camadas da Terra, discutindo recursos naturais renováveis e não reno- váveis e outros conceitos, como as propriedades do ar, que serão fundamentais para que o estudante compreenda as habilidades que serão trabalhadas nos próximos anos do Ensino Fundamental. A seguir, comentamos as situações, devidamente justificadas, em que trabalhamos algumas habilidades em unidades distintas das unidades temáticas da BNCC. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 18 27/11/18 10:24 XIXMANUAL DO PROFESSOR No 7o ano, a habilidade EF07CI11 está presente na unidade “Máquinas, calor e novas tecnologias”. Isso foi feito porque entendeu- -se necessário trabalhar as tecnologias de forma integrada com o estudo das máquinas, mas sem deixar de levar em conta o uso de tecnologias no estudo do meio ambiente. No 8o ano, a habilidade EF08CI16 é trabalhada na unidade “Eletricidade e fontes de energia”. Como a habilidade trata de equilíbrio ambiental e efeitos nas condições climáticas, mediante ações humanas, optamos por abordar a habilidade em conjunto com ações cidadãs que economizem a energia e o consumo de mercadorias. Nosso objetivo, mais uma vez, é incorporar as diferentes unidades temáticas, além de investigar os temas de modo amplo, com interdisciplinaridade, para despertar o espírito crítico e investigativo nos estudantes. Todos os capítulos trabalham as habilidades propostas pela BNCC, além de outros conteúdos que servirão de base para os trabalhos realizados posteriormente e para aprofundar certos conteúdos. Nos quadros a seguir estão descritos os capítulos que compõem cada unidade e as habilidades da BNCC trabalhadas em cada um deles. 6º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 1 O planeta Terra 1 – A estrutura do planeta e a litosfera (EF06CI11) Identificar as diferentes camadas que estruturam o planeta Terra (da estrutura interna à atmosfera) e suas principais características. (EF06CI12) Identificar diferentes tipos de rocha, relacionando a formação de fósseis a rochas sedimentares em diferentes períodos geológicos. 2 – Litosfera: o solo (EF06CI11) Identificar as diferentes camadas que estruturam o planeta Terra (da estrutura interna à atmosfera) e suas principais características. 3 – Hidrosfera: água no planeta Terra (EF06CI11) Identificar as diferentes camadas que estruturam o planeta Terra (da estrutura interna à atmosfera) e suas principais características. 4 – A atmosfera e a biosfera (EF06CI11) Identificar as diferentescamadas que estruturam o planeta Terra (da estrutura interna à atmosfera) e suas principais características. 5 – Terra: uma esfera em movimento no espaço (EF06CI13) Selecionar argumentos e evidências que demonstrem a esfericidade da Terra. (EF06CI14) Inferir que as mudanças na sombra de uma vara (gnômon) ao longo do dia em diferentes períodos do ano são uma evidência dos movimentos relativos entre a Terra e o Sol, que podem ser explicados por meio dos movimentos de rotação e translação da Terra e da inclinação de seu eixo de rotação em relação ao plano de sua órbita em torno do Sol. UNIDADE 2 Vida: interação com o ambiente 6 – A célula (EF06CI05) Explicar a organização básica das células e seu papel como unidade estrutural e funcional dos seres vivos. 7 – Os níveis de organização dos seres vivos (EF06CI06) Concluir, com base na análise de ilustrações e/ou modelos (físicos ou digitais), que os organismos são um complexo arranjo de sistemas com diferentes níveis de organização. 8 – O sistema nervoso (EF06CI07) Justificar o papel do sistema nervoso na coordenação das ações motoras e sensoriais do corpo, com base na análise de suas estruturas básicas e respectivas funções. (EF06CI10) Explicar como o funcionamento do sistema nervoso pode ser afetado por substâncias psicoativas. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 19 27/11/18 10:24 XX MANUAL DO PROFESSOR 6º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 2 Vida: interação com o ambiente 9 – Interação do organismo com o ambiente (EF06CI07) Justificar o papel do sistema nervoso na coordenação das ações motoras e sensoriais do corpo, com base na análise de suas estruturas básicas e respectivas funções. (EF06CI08) Explicar a importância da visão (captação e interpretação das imagens) na interação do organismo com o meio e, com base no funcionamento do olho humano, selecionar lentes adequadas para a correção de diferentes defeitos da visão. 10 – Interação entre os sistemas muscular, ósseo e nervoso (EF06CI07) Justificar o papel do sistema nervoso na coordenação das ações motoras e sensoriais do corpo, com base na análise de suas estruturas básicas e respectivas funções. (EF06CI09) Deduzir que a estrutura, a sustentação e a movimentação dos animais resultam da interação entre os sistemas muscular, ósseo e nervoso. UNIDADE 3 A matéria e suas transformações 11 – Substâncias e misturas (EF06CI01) Classificar como homogênea ou heterogênea a mistura de dois ou mais materiais (água e sal, água e óleo, água e areia etc.). (EF06CI02) Identificar evidências de transformações químicas a partir do resultado de misturas de materiais que originam produtos diferentes dos que foram misturados (mistura de ingredientes para fazer um bolo, mistura de vinagre com bicarbonato de sódio etc.). (EF06CI03) Selecionar métodos mais adequados para a separação de diferentes sistemas heterogêneos a partir da identificação de processos de separação de ma- teriais (como a produção de sal de cozinha, a destilação de petróleo, entre outros). 12 – Tratamento de água e esgoto (EF06CI03) Selecionar métodos mais adequados para a separação de diferentes sistemas heterogêneos a partir da identificação de processos de separação de ma- teriais (como a produção de sal de cozinha, a destilação de petróleo, entre outros). 13 – Materiais sintéticos e os resíduos sólidos (EF06CI04) Associar a produção de medicamentos e outros materiais sintéticos ao desenvolvimento científico e tecnológico, reconhecendo benefícios e avaliando impactos socioambientais. 7º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 1 Terra: Os movimentos da crosta e a atmosfera 1 – As placas tectônicas (EF07CI15) Interpretar fenômenos naturais (como vulcões, terremotos e tsunamis) e justificar a rara ocorrência desses fenômenos no Brasil, com base no modelo das placas tectônicas. (EF07CI16) Justificar o formato das costas brasileira e africana com base na teoria da deriva dos continentes. 2 – A composição da atmosfera e suas alterações (EF07CI12) Demonstrar que o ar é uma mistura de gases, identificando sua composição, e discutir fenômenos naturais ou antrópicos que podem alterar essa composição. (EF07CI13) Descrever o mecanismo natural do efeito estufa, seu papel fundamental para o desenvolvimento da vida na Terra, discutir as ações humanas responsáveis pelo seu aumento artificial (queima dos combustíveis fósseis, desmatamento, queimadas etc.) e selecionar e implementar propostas para a reversão ou controle desse quadro. (EF07CI14) Justificar a importância da camada de ozônio para a vida na Terra, identi- ficando os fatores que aumentam ou diminuem sua presença na atmosfera, e discutir propostas individuais e coletivas para sua preservação. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 20 27/11/18 10:24 XXIMANUAL DO PROFESSOR 7º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 2 Ecossistemas, impactos ambientais e condições de saúde 3 – Ecossistemas terrestres (EF07CI07) Caracterizar os principais ecossistemas brasileiros quanto à paisagem, à quantidade de água, ao tipo de solo, à disponibilidade de luz solar, à temperatura etc., correlacionando essas características à flora e fauna específicas. (EF07CI08) Avaliar como os impactos provocados por catástrofes naturais ou mu- danças nos componentes físicos, biológicos ou sociais de um ecossistema afetam suas populações, podendo ameaçar ou provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração etc. 4 – O ambiente aquático e a região costeira (EF07CI07) Caracterizar os principais ecossistemas brasileiros quanto à paisagem, à quantidade de água, ao tipo de solo, à disponibilidade de luz solar, à temperatura etc., correlacionando essas características à flora e fauna específicas. (EF07CI08) Avaliar como os impactos provocados por catástrofes naturais ou mu- danças nos componentes físicos, biológicos ou sociais de um ecossistema afetam suas populações, podendo ameaçar ou provocar a extinção de espécies, alteração de hábitos, migração etc. 5 – Condições de saúde (EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de políticas públicas destinadas à saúde. 6 – Doenças transmissíveis (EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de políticas públicas destinadas à saúde. (EF07CI10) Argumentar sobre a importância da vacinação para a saúde pública, com base em informações sobre a maneira como a vacina atua no organismo e o papel histórico da vacinação para a manutenção da saúde individual e coletiva e para a erradicação de doenças. UNIDADE 3 Máquinas, calor e novas tecnologias 7 – Máquinas simples (EF07CI01) Discutir a aplicação, ao longo da história, das máquinas simples e propor soluções e invenções para a realização de tarefas mecânicas cotidianas. 8 – O calor e suas aplicações (EF07CI02) Diferenciar temperatura, calor e sensação térmica nas diferentes situações de equilíbrio termodinâmico cotidianas. (EF07CI03) Utilizar o conhecimento das formas de propagação do calor para justificar a utilização de determinados materiais (condutores e isolantes) na vida cotidiana, explicar o princípio de funcionamento de alguns equipamentos (garrafa térmica, coletor solar etc.) e/ou construir soluções tecnológicas a partir desse conhecimento. 9 – Combustíveis e máquinas térmicas (EF07CI04) Avaliar o papel do equilíbrio termodinâmico para a manutenção da vida na Terra, para o funcionamento de máquinas térmicas e em outras situações cotidianas. (EF07CI05)Discutir o uso de diferentes tipos de combustível e máquinas térmicas ao longo do tempo, para avaliar avanços, questões econômicas e problemas socioam- bientais causados pela produção e uso desses materiais e máquinas. 10 – Tecnologias e novos materiais (EF07CI06) Discutir e avaliar mudanças econômicas, culturais e sociais, tanto na vida cotidiana quanto no mundo do trabalho, decorrentes do desenvolvimento de novos materiais e tecnologias (como automação e informatização). (EF07CI11) Analisar historicamente o uso da tecnologia, incluindo a digital, nas diferentes dimensões da vida humana, considerando indicadores ambientais e de qualidade de vida. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 21 27/11/18 10:24 XXII MANUAL DO PROFESSOR 8º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 1 Reprodução 1 – Tipos de reprodução (EF08CI07) Comparar diferentes processos reprodutivos em plantas e animais em relação aos mecanismos adaptativos e evolutivos. 2 – Reprodução humana e transformações na puberdade (EF08CI08) Analisar e explicar as transformações que ocorrem na puberdade con- siderando a atuação dos hormônios sexuais e do sistema nervoso. 3 – Sexualidade e métodos contraceptivos (EF08CI09) Comparar o modo de ação e a eficácia dos diversos métodos contracep- tivos e justificar a necessidade de compartilhar a responsabilidade na escolha e na utilização do método mais adequado à prevenção da gravidez precoce e indesejada e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). (EF08CI11) Selecionar argumentos que evidenciem as múltiplas dimensões da sexualidade humana (biológica, sociocultural, afetiva e ética). 4 – Doenças sexualmente transmissíveis (EF08CI10) Identificar os principais sintomas, modos de transmissão e tratamento de algumas DST (com ênfase na AIDS), e discutir estratégias e métodos de prevenção. UNIDADE 2 A Terra e o clima 5 – Movimentos da Terra e da Lua (EF08CI12) Justificar, por meio da construção de modelos e da observação da Lua no céu, a ocorrência das fases da Lua e dos eclipses, com base nas posições relativas entre Sol, Terra e Lua. (EF08CI13) Representar os movimentos de rotação e translação da Terra e analisar o papel da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação à sua órbita na ocorrência das estações do ano, com a utilização de modelos tridimensionais. 6 – O tempo e o clima (EF08CI14) Relacionar climas regionais aos padrões de circulação atmosférica e oceânica e ao aquecimento desigual causado pela forma e pelos movimentos da Terra. (EF08CI15) Identificar as principais variáveis envolvidas na previsão do tempo e simular situações nas quais elas possam ser medidas. UNIDADE 3 Eletricidade e fontes de energia 7 – Eletricidade (EF08CI02) Construir circuitos elétricos com pilha/bateria, fios e lâmpada ou outros dispositivos e compará-los a circuitos elétricos residenciais. 8 – Eletricidade e consumo (EF08CI03) Classificar equipamentos elétricos residenciais (chuveiro, ferro, lâm- padas, TV, rádio, geladeira etc.) de acordo com o tipo de transformação de energia (da energia elétrica para a térmica, luminosa, sonora e mecânica, por exemplo). (EF08CI04) Calcular o consumo de eletrodomésticos a partir dos dados de potência (descritos no próprio equipamento) e tempo médio de uso para avaliar o impacto de cada equipamento no consumo doméstico mensal. (EF08CI05) Propor ações coletivas para otimizar o uso de energia elétrica em sua escola e/ou comunidade, com base na seleção de equipamentos segundo critérios de sustentabilidade (consumo de energia e eficiência energética) e hábitos de consumo responsável. 9 – Fontes de energia e impactos socioam- bientais (EF08CI01) Identificar e classificar diferentes fontes (renováveis e não renováveis) e tipos de energia utilizados em residências, comunidades ou cidades. (EF08CI06) Discutir e avaliar usinas de geração de energia elétrica (termelétricas, hidrelétricas, eólicas etc.), suas semelhanças e diferenças, seus impactos so- cioambientais, e como essa energia chega e é usada em sua cidade, comunidade, casa ou escola. (EF08C0I16) Discutir iniciativas que contribuam para restabelecer o equilíbrio ambiental a partir da identificação de alterações climáticas regionais e globais provocadas pela intervenção humana. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 22 27/11/18 10:24 XXIIIMANUAL DO PROFESSOR 9º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 1 Genética, evolução e biodiversidade 1 – Transmissão das características hereditárias (EF09CI08) Associar os gametas à transmissão das características hereditárias, estabelecendo relações entre ancestrais e descendentes. (EF09CI09) Discutir as ideias de Mendel sobre hereditariedade (fatores hereditários, segregação, gametas, fecundação), considerando-as para resolver problemas en- volvendo a transmissão de características hereditárias em diferentes organismos. 2 – A genética depois de Mendel (EF09CI08) Associar os gametas à transmissão das características hereditárias, estabelecendo relações entre ancestrais e descendentes. (EF09CI09) Discutir as ideias de Mendel sobre hereditariedade (fatores hereditários, segregação, gametas, fecundação), considerando-as para resolver problemas en- volvendo a transmissão de características hereditárias em diferentes organismos. 3 – As primeiras ideias evolucionistas (EF09CI10) Comparar as ideias evolucionistas de Lamarck e Darwin apresentadas em textos científicos e históricos, identificando semelhanças e diferenças entre essas ideias e sua importância para explicar a diversidade biológica. (EF09CI11) Discutir a evolução e a diversidade das espécies com base na atuação da seleção natural sobre as variantes de uma mesma espécie, resultantes de processo reprodutivo. 4 – Evolução: da origem da vida às espécies atuais (EF09CI11) Discutir a evolução e a diversidade das espécies com base na atuação da seleção natural sobre as variantes de uma mesma espécie, resultantes de processo reprodutivo. 5 – Biodiversidade e sustentabilidade (EF09CI12) Justificar a importância das unidades de conservação para a preserva- ção da biodiversidade e do patrimônio nacional, considerando os diferentes tipos de unidades (parques, reservas e florestas nacionais), as populações humanas e atividades a eles relacionados. (EF09CI13) Propor iniciativas individuais e coletivas para a solução de problemas ambientais da cidade ou da comunidade, com base na análise de ações de consumo consciente e de sustentabilidade bem-sucedidas. UNIDADE 2 Transformações da matéria e radiações 6 – Átomos e elementos químicos (EF09CI03) Identificar modelos que descrevem a estrutura da matéria (constituição do átomo e composição de moléculas simples) e reconhecer sua evolução histórica. 7 – Ligações químicas e mudanças de estado (EF09CI01) Investigar as mudanças de estado físico da matéria e explicar essas transformações com base no modelo de constituição submicroscópica. (EF09CI03) Identificar modelos que descrevem a estrutura da matéria (constituição do átomo e composição de moléculas simples) e reconhecer sua evolução histórica. 8 – Transformações químicas (EF09CI02) Comparar quantidades de reagentes e produtos envolvidos em transfor- mações químicas, estabelecendo a proporção entre as suas massas. 9 – Radiações e suas aplicações (EF09CI05) Investigar os principais mecanismos envolvidos na transmissão e re- cepção de imagem e som que revolucionaram os sistemas de comunicação humana. (EF09CI06) Classificar as radiações eletromagnéticas por suas frequências, fontes e aplicações, discutindo e avaliando as implicações de seu uso em controle remoto, telefone celular, raio X, forno de micro-ondas, fotocélulas etc. (EF09CI07) Discutir o papel do avanço tecnológico na aplicação das radiações na medicina diagnóstica (raio X, ultrassom, ressonância nuclear magnética) e no trata- mento de doenças (radioterapia, cirurgia ótica a laser, infravermelho, ultravioleta etc.). 10 – Luz e cores(EF09CI04) Planejar e executar experimentos que evidenciem que todas as cores de luz podem ser formadas pela composição das três cores primárias da luz e que a cor de um objeto está relacionada também à cor da luz que o ilumina. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 23 27/11/18 10:24 XXIV MANUAL DO PROFESSOR 9º- ano Unidade Capítulos Habilidades trabalhadas UNIDADE 3 Galáxias, estrelas e o Sistema Solar 11 – Galáxias e estrelas (EF09CI14) Descrever a composição e a estrutura do Sistema Solar (Sol, planetas rochosos, planetas gigantes gasosos e corpos menores), assim como a localização do Sistema Solar na nossa Galáxia (a Via Láctea) e dela no Universo (apenas uma galáxia dentre bilhões). (EF09CI15) Relacionar diferentes leituras do céu e explicações sobre a origem da Terra, do Sol ou do Sistema Solar às necessidades de distintas culturas (agricultura, caça, mito, orientação espacial e temporal etc.). (EF09CI17) Analisar o ciclo evolutivo do Sol (nascimento, vida e morte) baseado no conhecimento das etapas de evolução de estrelas de diferentes dimensões e os efeitos desse processo no nosso planeta. 12 – O Sistema Solar (EF09CI14) Descrever a composição e a estrutura do Sistema Solar (Sol, planetas rochosos, planetas gigantes gasosos e corpos menores), assim como a localização do Sistema Solar na nossa Galáxia (a Via Láctea) e dela no Universo (apenas uma galáxia dentre bilhões). (EF09CI16) Selecionar argumentos sobre a viabilidade da sobrevivência humana fora da Terra, com base nas condições necessárias à vida, nas características dos planetas e nas distâncias e nos tempos envolvidos em viagens interplanetárias e interestelares. Ao longo das unidades, também são trabalhadas as Competências Gerais da Educação Básica18 e as Competências Específicas de Ciências da Natureza para o Ensino Fundamental19 elencadas na BNCC. As principais competências trabalhadas estão descritas nas Orientações específicas no início de cada unidade no Manual do Professor. COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protago- nismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações pró- prias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 18 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 9- 10. 19 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 322. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 24 27/11/18 10:24 XXVMANUAL DO PROFESSOR COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posiciona- mento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS DA NATUREZA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL 1. Compreender as Ciências da Natureza como empreendimento humano, e o conhecimento científico como provisório, cultural e histórico. 2. Compreender conceitos fundamentais e estruturas explicativas das Ciências da Natureza, bem como dominar processos, práticas e procedimentos da investigação científica, de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 3. Analisar, compreender e explicar características, fenômenos e processos relativos ao mundo natural, social e tecnológico (incluindo o digital), como também as relações que se estabelecem entre eles, exercitando a curiosidade para fazer perguntas, buscar respostas e criar soluções (inclusive tec- nológicas) com base nos conhecimentos das Ciências da Natureza. 4. Avaliar aplicações e implicações políticas, socioambientais e culturais da ciência e de suas tecnologias para propor alternativas aos desafios do mundo contemporâneo, incluindo aqueles relativos ao mundo do trabalho. 5. Construir argumentos com base em dados, evidências e informações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de vista que promovam a cons- ciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a diversidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconceitos de qualquer natureza. 6. Utilizar diferentes linguagens e tecnologias digitais de informação e comunicação para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas das Ciências da Natureza de forma crítica, significativa, reflexiva e ética. 7. Conhecer, apreciar e cuidar de si, do seu corpo e bem-estar, compreendendo-se na diversidade humana, fazendo-se respeitar e respeitando o outro, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza e às suas tecnologias. 8. Agir pessoal e coletivamente com respeito, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar decisões frente a questões científico-tecnológicas e socioambientais e a respeito da saúde individual e coletiva, com base em princípios éticos, democráticos, sustentáveis e solidários. Seções do Livro do Estudante No início do capítulo, no boxe A questão é..., há perguntas que avaliam o conhecimento prévio do estudante sobre as ideias fundamentais que serão trabalhadas, além de despertar o interesse dele pelo conteúdo da unidade e do capítulo. Pode-sepedir ao estudante que tente responder às questões no início do estudo — mas sem cobrar, nesse momento, as respostas corretas. No fim do capítulo, a questão poderá ser retomada para avaliar a aprendizagem. Na lateral das páginas há textos complementares cuja função é apresentar a definição do conceito, a etimologia de um nome ou alguma informação extra sobre o tema discutido no texto principal. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 25 27/11/18 10:24 XXVI MANUAL DO PROFESSOR Ao longo do capítulo há seções com textos que comple- mentam um tema abordado ou levantam alguma questão que desperta a curiosidade do estudante. Os textos podem tratar de conceitos, atitudes ou procedimentos relacionados com temas da atualidade, do cotidiano do estudante. Vários desses textos aparecem em seções, como Ciência e ambiente, Ciência e tecnologia, Ciência no dia a dia, Ciência e sociedade, Ciência e saúde, Ciência e História, Para saber mais ou em pequenas notas nas margens da página. No fim do capítulo há uma seção de atividades. O primeiro bloco — Aplique seus conhecimentos — permite familiarizar o estudante com as ideias e os termos básicos do capítulo. Essas atividades podem ser feitas depois de apresentar e discutir o tema com os estudantes. Pode-se optar por utilizar essas ques- tões durante a aula como motivação do interesse do estudante ou, como suplemento das questões de A questão é..., usar para avaliar o conhecimento prévio dele sobre determinado assunto. Várias questões dessa seção requerem do estudante a apli- cação do conhecimento obtido em novas situações, nas quais ele deve resolver problemas, interpretar tabelas, deduzir conse- quências do que aprendeu, estabelecer novas relações ou fazer generalizações a partir dos conceitos. Para isso, muitas vezes, o estudante terá de fazer uma leitura atenta do texto. Outras vezes, terá de relacionar os conceitos aprendidos no capítulo com o conhecimento elaborado em outros capítulos ou mesmo em anos anteriores. O professor deverá escolher o momento adequado para realizar essa atividade. Ele pode optar por utilizar essas questões durante a aula como motivação do interesse do estudante ou para avaliar o conhecimento prévio dele sobre determinado assunto, ou, ainda, após a discussão dos temas do capítulo. Algumas questões podem ser usadas também para criar situações-problema, antes ou durante o debate em sala. Nessa atividade, é importante estimular o estudante a formular hipóte- ses, mesmo que ele não chegue sozinho a uma elaboração final. Ele não precisa acertar de imediato a resposta. O importante é que se sinta estimulado a pesquisar, discutir com os colegas e usar a criatividade e o pensamento lógico. O professor pode decidir também que as questões de maior grau de dificuldade sejam objeto de pesquisa fora da sala de aula, mediante consulta a outras fontes de informação. A atividade Investigue, que se encontra em vários capítu- los, pode exigir que o estudante realize pesquisas simples (com o auxílio de livros, revistas, aplicativos, tablets, smart- phones, internet) sobre assuntos correlatos ao tema do ca- pítulo, interprete gráficos ou tabelas, busque relações entre determinada descoberta científica e o período da história em que ela ocorreu, etc. Em algumas dessas atividades, su- gere-se que o estudante peça ajuda a professores de outros componentes curriculares. O Trabalho em equipe da seção Atividades pede uma pesquisa em grupo para facilitar a aprendizagem, promovendo a interação 20 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental/Ciências Naturais. Bra- sília, DF, 1998. p. 28. entre indivíduos com conhecimentos e habilidades diferentes, além de estimular a socialização, a participação, o respeito e a cooperação entre os estudantes. Quando a pesquisa for realizada em sala de aula, o professor poderá circular entre os grupos para orientá-los e esclarecer dúvidas. Algumas atividades do Trabalho em equipe têm caráter inter- disciplinar. Além disso, propiciam a interação das diversas áreas do conhecimento e da cultura; promovem o desenvolvimento global do estudante, no sentido cognitivo, ético e estético; permi- tem relacionar os conceitos aprendidos com os temas atuais do cotidiano; incentivam as relações interpessoais, a socialização, o trabalho em equipe e a capacidade de cooperar, de se comunicar e de pesquisar. Nas atividades interdisciplinares, os professores dos com- ponentes curriculares relacionados podem auxiliar o estudante durante a elaboração do projeto e na avaliação. Algumas vezes, nas atividades Investigue e Trabalho em equipe, os estudantes deverão organizar uma apresentação dos trabalhos para a classe e uma exposição para a comunidade es- colar (estudantes, professores e funcionários da escola e pais ou responsáveis). Além disso, em alguns casos o estudante deve pesquisar se na região em que mora existe alguma universidade, museu, centro de ciências ou instituição que trate do tema traba- lhado e se é possível visitar esse local. Caso isso não possa ser feito, o professor deve recomendar que pesquise na internet sites de universidades, museus e outras instituições que mantenham uma exposição virtual sobre o tema. Na maioria dos capítulos são incluídas atividades De olho no texto ou as variações De olho na notícia, De olho nos quadrinhos, De olho na música, De olho na imagem, nas quais é apresentado um texto extraído de jornal, livro, revista, ou letra de canção, ou imagem que se relacione com o tema do capítulo e questões de interpretação, comparação, aplicação de conhecimentos apren- didos no capítulo, entre outras sugestões. Finalmente, nas atividades do Aprendendo com a prática são propostas práticas em laboratório ou situações que simulam observações ou experimentos científicos. Nessa atividade, como em todo o processo de ensino-aprendizagem, o professor deve buscar o envolvimento do estudante. Para isso, poderá usar, entre outras estratégias, as perguntas incluídas no fim de cada experimento sugerido. Nessas questões pede-se ao estudante que interprete o que aconteceu, encontre explicações ou aplique as conclusões a novas situações. Se julgar mais eficaz, o pro- fessor pode, por exemplo, solicitar ao estudante que faça uma previsão sobre o experimento que será realizado. A previsão do estudante deverá ser discutida. Pode-se ainda pedir ao estudan- te que tente explicar o resultado do experimento primeiro à luz da própria concepção e, depois, à luz da concepção científica, seguindo-se uma discussão sobre qual das abordagens é a mais adequada para explicar o fenômeno em questão20. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 26 27/11/18 10:24 XXVIIMANUAL DO PROFESSOR Além disso, conforme orienta a BNCC21 em relação ao proces- so investigativo, ele: [...] deve ser entendido como elemento central na formação dos estudantes, em um sentido mais amplo, e cujo desenvol- vimento deve ser atrelado a situações didáticas planejadas ao longo de toda a educação básica, de modo a possibilitar aos estudantes revisitar de forma reflexiva seus conhecimentos e sua compreensão acerca do mundo em que vivem. […] É importante lembrar que a atividade em grupo na montagem do experimento e na análise dos resultados propicia a partici- pação ativa dos estudantes e a troca fecunda de informações. As atividades do Aprendendo com a prática em laboratório devem obedecer a normas de segurança. Devem ser evitados experimen- tos com fogo, mas, caso sejam realizados, as instruções devem ser claras e alguns procedimentos não devem ser realizados pelos estudantes ou, se realizados, devem ser supervisionados e execu- tados com o auxílio do professor para garantir a integridade física deles. Cabe ao professor acompanhar com atenção o trabalho dos estudantes e vistoriar previamente os equipamentos de segurança da escola.Os experimentos com produtos químicos também devem ser feitos sob a supervisão do professor, em local apropriado e com proteção adequada, evitando-se o uso de substâncias tóxicas ou corrosivas, como ácidos e bases fortes ou corrosivos. Os experi- mentos com eletricidade devem utilizar apenas pilhas e baterias com corrente contínua e com, no máximo, 9V de tensão. Não devem ser feitos experimentos com sangue humano, e as observações de tecidos humanos só podem ser realizadas com material previamen- te fixado. Convém lembrar também que: • todos os frascos de reagentes devem ter etiqueta de iden- tificação; • deve-se lavar a aparelhagem antes e depois do uso e guar- dá-la em local adequado; • o manuseio e a estocagem de objetos de vidro e termômetros devem receber cuidado especial; • deve-se recomendar aos estudantes que não misturem substâncias desconhecidas nem realizem experimentos sem consultar o professor (o uso de quantidades mínimas de reagentes é recomendado tanto por razões de segurança quanto ambientais); • é essencial manter um estojo de primeiros socorros na escola e contar com pessoas preparadas para utilizá-lo em caso de emergência. A avaliação No processo educacional, a avaliação deve ser compreendi- da como mais um recurso para auxiliar o professor no processo ensino-aprendizagem; por esse motivo ela deve ser planejada de forma a respeitar o desenvolvimento cognitivo dos estudantes, estar de acordo com a prática pedagógica adotada pelo professor em suas aulas e atender a proposta curricular da escola. Conforme consta no art. 32 da Resolução CNE/CEB n. 722, a avaliação deve: 21 BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. p. 32. 22 BRASIL. Ministério da Educação – Resolução CNE/CEB n. 7, 2010. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb007_10.pdf>. Acesso em: 15 set. 2018. I – assumir um caráter processual, formativo e participativo, ser contínua, cumulativa e diagnóstica, com vistas a: a) identificar potencialidades e dificuldades de aprendizagem e detectar problemas de ensino; b) subsidiar decisões sobre a utilização de estratégias e abor- dagens de acordo com as necessidades dos alunos, criar condições de intervir de modo imediato e a mais longo prazo para sanar dificuldades e redirecionar o trabalho docente; c) manter a família informada sobre o desempenho dos alunos; d) reconhecer o direito do aluno e da família de discutir os resultados de avaliação, inclusive em instâncias superiores à escola, revendo procedimentos sempre que as reivindi- cações forem procedentes. II – utilizar vários instrumentos e procedimentos, tais como a observação, o registro descritivo e reflexivo, os trabalhos individuais e coletivos, os portfólios, exercícios, provas, ques- tionários, dentre outros, tendo em conta a sua adequação à faixa etária e às características de desenvolvimento do educando; III – fazer prevalecer os aspectos qualitativos da aprendizagem do aluno sobre os quantitativos, bem como os resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais, tal com determina a alínea “a” do inciso V do art. 24 da Lei nº 9.394/96; IV – assegurar tempos e espaços diversos para que os alunos com menor rendimento tenham condições de ser devidamente atendidos ao longo do ano letivo; V – prover, obrigatoriamente, períodos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, como determina a Lei no 9.394/96; VI – assegurar tempos e espaços de reposição dos conteúdos curriculares, ao longo do ano letivo, aos alunos com frequência insuficiente, evitando, sempre que possível, a retenção por faltas; VII – possibilitar a aceleração de estudos para os alunos com defasagem idade-série. Dessa forma, o processo avaliativo deve ir além da simples atribuição de notas ou conceitos de atividades planejadas como provas ou questionários: ele deve adotar outras estratégias ava- liativas que permitam ao professor mensurar o progresso do desempenho em situações do cotidiano escolar. Além disso, a avaliação não deve ser realizada somente no fim do curso ou depois de completada uma unidade do componente curricular. Ela pode ser usada também como um pré-teste, no início do curso ou de algum tópico, para descobrir o que os estudantes sabem ou o que eles ignoram e qual a concepção prévia que têm sobre o tema a ser tratado. Dessa forma, o professor poderá fazer a ava- liação regularmente, ao longo dos tópicos desenvolvidos, com o objetivo de orientar-se em relação ao que vai fazer em seguida. O professor deve avaliar não apenas a aprendizagem concei- tual, mas também a aprendizagem de procedimentos e atitudes. Para isso, as avaliações procedimentais e atitudinais podem ser realizadas durante as atividades em grupo, atividades práticas, como dramatizações, pesquisas, leituras, etc. ou experimentos e observações de laboratório. Na prática de laboratório, pode obser- var como o estudante manipula os equipamentos, se está atento 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 27 27/11/18 10:24 XXVIII MANUAL DO PROFESSOR às regras de segurança(23,24), como interage com os seus colegas de grupo, se segue o passo a passo dos experimentos e como orga- niza a bancada, após o término do experimento, e assim por diante. Nas atividades em grupo, outra possibilidade de avaliação é atribuir notas ou conceitos individuais e para o grupo. Assim, em uma atividade de seminário, na qual os estudantes tenham de realizar uma pesquisa e posteriormente uma apresentação, pode-se observar se o grupo utilizou os recursos disponíveis para a pesquisa e como cada estudante coopera com os colegas, ajudando na seleção das informações relevantes para o tema, e se todos os membros do grupo estão aptos a responder às ques- tões sobre o tema. Pode-se aproveitar esse momento e avaliar também se os expositores são capazes de expor suas ideias e de defender seus pontos de vista com argumentos ao mesmo tempo que respeitam as ideias alheias, além de responder às dú- vidas que possam surgir durante a apresentação. As atividades apresentadas no fim de cada capítulo podem ser utilizadas como avaliação oral ou escrita, individual ou em grupo, possibilitan- do desenvolver as habilidades e as competências descritas na BNCC. É importante que o professor não se preocupe apenas em 23 Para sugestões de condução de atividades práticas, consulte: ANGOTTI, J. A.; DELIZOICOV, D.; PERNAMBUCO, M. M. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2009. BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo: Ática, 2008. CAMPOS, M. C. da C.; NIGRO, R. G. Didática de Ciências: o ensino-aprendizagem como investigação. São Paulo: FTD, 1999. CARVALHO, A. M. P. de (Org.) et al. Ensino de Ciências: unindo a pesquisa e a prática. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. FOREMAN, J.; WARD, H.; HEWLETT, C.; RODEN, J. Ensino de Ciências. Porto Alegre: Artmed, 2010. GROSSO, A. B. Eureka: práticas de Ciências para o Ensino Fundamental. São Paulo: Cortez, 2003. KRASILCHICK, M. Prática de ensino de Biologia. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2004. NARDI, R.; BASTOS, F.; DINIZ, R. E. Pesquisas em ensino de Ciências: contribuições para a formação de professores. São Paulo: Escrituras, 2004. POZO, J. I. (Org.). A solução de problemas: aprender a resolver, resolver para aprender. Porto Alegre: Artmed, 1998. 24 As normas de segurança para atividades experimentais estão em: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: tercei- ro e quarto ciclos do Ensino Fundamental/Ciências Naturais. Brasília, DF, 1998. p. 124-125. 25 Sobre avaliação, consulte: ALMEIDA, F. J. de (Org.). Avaliação em debate no Brasil e na França. São Paulo: Cortez/Educ, 2005. BALZAN, N. C.; SOBRINHO, J. D. Avaliação institucional: teoria e experiências. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000. ESTEBAN, M. T. (Org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. 5. ed. Rio deJaneiro: DP&A, 2004. FREITAS, L. C. de (Org.). Questões de avaliação educacional. Campinas: Komedi, 2003. HADJI, C. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artmed, 2001. FRANCO, C. (Org.). Avaliação, ciclos e promoção na educação. Porto Alegre: Artmed, 2001. LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. 17. ed. São Paulo: Cortez, 2005. MORETTO, V. P. Prova: um momento privilegiado de estudo − não um acerto de contas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. PERRENOUD, P. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002. SANT’ANA, I. M. Por que avaliar? Como avaliar? Critérios e instrumentos. 9. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 1995. SILVA, J. F.; HOFFMANN, J.; ESTEBAN, M. T. (Org.). Práticas avaliativas e aprendizagens significativas em diferentes áreas do currículo. 6. ed. Porto Alegre: Mediação, 2008. SOUSA, C. P. de (Org.). Avaliação do rendimento escolar. 11. ed. Campinas: Papirus, 2003. diagnosticar o que o estudante aprendeu sobre teorias, fatos e conceitos, mas, sobretudo, que verifique se o estudante é capaz de aplicar o que aprendeu à resolução de problemas variados; se está apto a transpor o conhecimento adquirido para novas situa- ções; se ele adquiriu habilidades e competências para analisar situações complexas e propor soluções apropriadas, além de saber criticar hipóteses e teorias infundadas no discurso cien- tífico. Além disso, no decorrer dos capítulos da referida unidade, são sugeridas atividades de leitura que podem complementar o aprendizado dos conteúdos relevantes. O professor pode tam- bém fazer uso dessas sugestões de leitura e utilizá-las como estratégia complementar de aprendizagem. Dessa forma, as atividades finais do capítulo não esgotam as opções de que o professor pode dispor para mensurar o aprendizado dos estudantes; assim, deve-se considerar outras possibilidades, como a confecção de quadros-murais com no- tícias e imagens de jornais e revistas, as feiras de Ciências, as excursões e visitas a museus, bibliotecas, postos de saúde e centros de pesquisa, dentre outras opções a que o professor poderá recorrer25. 6 Sugestões de leitura para o professor A eficácia do processo de ensino-aprendizagem depende, entre outros fatores, de um conhecimento adequado, da parte do professor, sobre os temas presentes no material didático desta coleção e que serão trabalhados com os estudantes, além de estratégias pedagógicas utilizadas em sala de aula. Por isso, são apresentados a seguir livros, artigos e documentos que podem ajudá-lo a aprimorar seus conhecimentos, tanto na área pedagó- gica quanto nos temas de Ciências que aparecem neste volume. Deve-se enfatizar, no entanto, que é recomendado adequar os conhecimentos adquiridos nessas leituras ao nível cognitivo do estudante e ao processo específico de ensino-aprendizagem desenvolvido durante o ano letivo. É importante que o professor conheça os principais documen- tos públicos nacionais que orientam o ensino de Ciências para o Ensino Fundamental e que estão disponíveis em: <http://portal. mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/base-nacional- comum-curricular-bncc>. Acesso em: 25 set. 2018. BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/ 1990). Diário Oficial da União. Brasília, DF, 1990. _________ . Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, Lei n. 9.394/1996). Brasília, DF: MEC, 1996. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 28 27/11/18 10:24 XXIXMANUAL DO PROFESSOR _________ . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2017. _________ . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Brasília, DF, 2013. _________ . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Departamento de Políticas de Educação Infantil e Ensino Funda- mental (DPE)/Coordenação Geral do Ensino Fundamental (Coef). Ensino Fundamental de Nove Anos: orientações gerais. Brasília, DF, 2004. _________. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Funda- mental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental/Apresentação dos temas trans- versais. Brasília, DF, 1998. _________ . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamen- tal. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental/Ciências Naturais. Brasília, DF, 1998. _________ . Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamen- tal. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino Fundamental/Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, DF, 1998. __________ . Parecer CNE/CP n. 3/2004 e Resolução CNE/CP n. 01/2004. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico- -Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF, 2004. _________ . Política Nacional de Educação Ambiental (Lei n. 9.795/1999). Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1999. Revistas brasileiras que tratam do ensino de Ciências Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, com o objetivo de divulgar no meio acadêmico pesquisas (práticas ou teóricas) que tenham por objeto o processo ensino-aprendizagem: Disponível em: <https://periodicos.utfpr.edu.br/rbect >. Acesso em: set. 2018. Experiências em Ensino de Ciências. Disponível em: <http://if.ufmt. br/eenci>. Acesso em: 17 set. 2018. Areté: Revista Amazônica de Ensino de Ciências. Disponível em: <http://periodicos.uea.edu.br/index.php/arete>. Acesso em: 17 set. 2018. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências. Disponível em: <www. periodicosdeminas.ufmg.br/periodicos/ensaio-pesquisa-em- educacao-em-ciencias>. Acesso em: 17 set. 2018. Química Nova na Escola. Disponível em: <http://qnesc.sbq.org. br>. Acesso em: 12 set. 2018. Interdisciplinaridade CARLOS, J. G. Interdisciplinaridade no ensino médio: desafios e potencialidades. 2007. 171 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências) – Universidade de Brasília, Brasília, 2007. FAZENDA, I. (Org.). Práticas interdisciplinares na escola. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1993. JANTSCH, A.P.; BIANCHETTI, L. (Org.). Interdisciplinaridade. Para além da filosofia do sujeito. Petrópolis: Vozes, 1995. LUCK, H. Pedagogia interdisciplinar: fundamentos teórico-meto- dológicos. 11. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. Processo ensino-aprendizagem em geral BAQUERO, R. Vygotsky e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 1998. BUSQUETS, M. D. et al. Temas transversais em educação: bases para uma formação integral. 4. ed. São Paulo: Ática, 1998. CASTORINA, J. A. et al. Piaget e Vygotsky: novas contribuições para o debate. São Paulo: Ática, 1995. CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria e Educação, n. 2, p. 177-229, 1990. COLL, C. Contribuições da Psicologia para a Educação: teoria genética e aprendizagem escolar. In: LEITE, Luci B. Piaget e a Escola de Genebra. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1995. _________ . et al. O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática, 1997. _________. et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. Porto Alegre: Artmed, 1998. DANIELS, H. (Org.). Vygotsky em foco; pressupostos e desdobra- mentos. 2. ed. Campinas: Papirus, 1995. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prá- tica educativa. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FREITAG, B. (Ed.). Piaget: 100 anos. São Paulo: Cortez, 1997. GEELAN, D. R. Epistemological anarchy and the many forms of constructivism. Science & Education, v. 6, n. 1-2, p. 15-28, 1997. GIL-PÉREZ, D. Contribución de la historia y de la filosofía de las ciencias al desarrollo de un modelo de enseñanza/aprendizaje como investigación. Enseñanza de las Ciencias, v. 11, n. 2, p. 197-212, 1993. HAYDT, R. C. Avaliação do processoensino-aprendizagem. 6. ed. São Paulo: Ática, 1997. JANTSCH, A. P.; BIANCHETTI, L. (Org.). Interdisciplinaridade. 7. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2004. KRASILCHIK, M. Prática de ensino de Biologia. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2008. LEITE, L. B. Piaget e a Escola de Genebra. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1995. MATTHEWS, M. R. (Ed.). Constructivism in science education: a philosophical examination. Dordrecht: Kluwer, 1998. MOLL, L. C. Vygotsky e a Educação; implicações pedagógicas da Psicologia sócio-histórica. Porto Alegre: Artmed, 1996. OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky; aprendizado e desenvolvimento, um processo histórico. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1997. PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendi- zagens – Entre duas lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999. _________. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artmed, 1999. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 29 27/11/18 10:24 XXX MANUAL DO PROFESSOR PIAGET, Jean. O diálogo com a criança e o desenvolvimento do raciocínio. São Paulo: Scipione, 1997. PIMENTA, S. G. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: __________ (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez, 1999. SAVIANI, D. Os saberes implicados na formação do educador. In: BICUDO, Maria Aparecida; SILVA JUNIOR, Celestino Alves (Orgs.). Formação do educador: dever do Estado, tarefa da universidade. São Paulo: Unesp, 1996. TARDIF, M. Saberes profissionais dos professores e conheci- mentos universitários – Elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas consequências em relação à formação para o magistério. Revista Brasileira de Edu- cação, ANPED, São Paulo, n. 13, jan./abr. 2000. _________; LESSARD, C.; LAHAYE, L. Os professores face ao saber – Es- boço de uma problemática do saber docente. Teoria & Educação, Porto Alegre, n. 4, 1991. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 8. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. _________. Pensamento e linguagem. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. Aprendizagem significativa AUSUBEL, D. P. Educational Psychology: a cognitive view. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1968. _________. The acquisition and retention of knowledge: a cognitive view. Dordrecht: Kluwer Academic Publishers, 2000. _________; NOVAK, J. D.; HANESIAN, H. Psicologia educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980. MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem significativa. 2. ed. Bra- sília: Ed. da UnB, 2001. _________; MASINI, E. F. S. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982. NOVAK, J. D. A theory of Education. Ithaca: Cornell University Press, 1977. _________; GOWIN, D. B. Learning how to learn. New York: Cambridge University Press, 1984. Ensino de Ciências AXT, R.; MOREIRA, M. A. (Eds.). Tópicos em ensino de ciências. Porto Alegre: Sagra, 1991. BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo: Ática, 1998. CARVALHO, A. M. P.; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de ciências; tendências e inovações. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2003. KRASILCHIK, M. Prática de ensino de Biologia. 4. ed. São Paulo: Edusp, 2008. MARANDINO, M.; SELLES, S. E.; FERREIRA, M. S.; AMORIM, A. C. (Org.). Ensino de Biologia: conhecimentos e valores em disputa. Niterói: Eduff, 2005. MATTHEWS, M. R. Science teaching: the role of History and Philosophy of science. New York: Routledge, 1994. MOREIRA, M. A.; MASINI, E. F. S. Aprendizagem significativa; a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982. NARDI, R. (Org.). Questões atuais no ensino de ciências. São Pau- lo: Escrituras, 2001. SCHNETZLER, R. P. Construção do conhecimento e ensino de Ciên- cias. Em Aberto, Brasília, ano 11, n. 55, p.17-22, jul./set. 1992. Disponível em: <www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/ article/viewFile/813/731>. Acesso em: 10 mar. 2009. WEISSMAN, H. (Org.). Didática das ciências naturais; contribui- ções e reflexões. Porto Alegre: Artmed, 1988. Metodologia, História e Filosofia da ciência ALVES, R. Filosofia da ciência. São Paulo: Ars Poetica, 1996. ALVES-MAZZOTTI, A. J.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ci- ências naturais e sociais; pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1999. ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. 14. ed. São Paulo: Educ, 2003. BIZZO, N. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo: Ática, 1998. CHALMERS, A. A fabricação da ciência. São Paulo: Unesp, 1994. DUTRA, L. H. de A. Introdução à teoria da ciência. 2. ed. Florianó- polis: Ed. da UFSC, 2003. HENIG, R. M. O monge no jardim; o gênio esquecido e redescoberto de Gregor Mendel, o pai da Genética. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. JACOB, F. A lógica da vida: uma história da hereditariedade. Rio de Janeiro: Graal, 1983. KNELLER, G. F. A ciência como atividade humana. Rio de Janeiro: Zahar; São Paulo: Edusp, 1980. KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. LAUDAN, L. Science and relativism: some key controversies in the Philosophy of science. Chicago: The University of Chicago Press, 1990. MAYOR, D.; FORTI, A. Ciência e poder. Campinas: Papirus; Brasília: Unesco, 1998. MAYR, E. O desenvolvimento do pensamento biológico: diversida- de, evolução e herança. Brasília: Ed. da UnB, 1998. MOREIRA, M. A.; OSTERMANN, F. Sobre o ensino do método cien- tífico. Cadernos Catarinenses de Ensino de Física. v. 10, n. 2, p. 108-117, ago. 1993. OLIVA, A. Filosofia da ciência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. RONAN, C. A. História ilustrada da ciência. 2. ed. Rio de Janeiro: Cambridge University-Jorge Zahar, 2002. 4 v. SAGAN, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. SCHEID, N. M. J.; FERRARI, N.; DELIZOICOV, D. A construção coletiva do conhecimento científico sobre a estrutura do DNA. Ciência & Educação, v. 11, n. 2, p. 223-33, 2005. VIEIRA, S.; HOSSNE, W. S. Metodologia científica para a área de saúde. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 30 27/11/18 10:24 XXXIMANUAL DO PROFESSOR 7 Orientações gerais para o 9o ano Na tabela a seguir estão apresentados os conteúdos de cada capítulo e uma sugestão de divisão do conteúdo por bimestres. Bimestre Capítulo Conteúdo 1 1 – Transmissão das características hereditárias 1. O trabalho de Mendel 2. Interpretação atual das conclusões de Mendel 3. Resolução de problemas de genética 2 – A genética depois de Mendel 1. As descobertas após Mendel 2. Padrões de herança não estudados por Mendel 3. Os genes e o ambiente 4. Alterações genéticas na espécie humana 5. Biotecnologia 3 – As primeiras ideias evolucionistas 1. Fixismo e transformismo 2. Evolução: as ideias de Lamarck 3. Evolução: as ideias de Darwin 4 – Evolução: da origem da vida às espécies atuais 1. A teoria sintética da evolução 2. Formação e evolução das espécies 3. A origem da vida 4. História da vida no planeta 5 – Biodiversidade e sustentabilidade 1. A importância da biodiversidade 2. Unidades de Conservação 3. Sustentabilidade 2 6 – Átomos e elementos químicos 1. A história dos modelos atômicos 2. Íons: ânions e cátions 3. Número atômico e número de massa 4. A organização dos elétrons no átomo 5. Os elementos químicos 6. Os isótopos 7. A tabela periódica 7 – Ligações químicas e mudanças de estado 1. A estabilidade dos gases nobres 2. Ligações químicas 3. Substância simples e substância composta 4. Os estados físicos da matéria 8 – Transformações químicas 1. Representação de reações químicas 2. As leis das reações químicas 3. Tipos de reações químicas 4. Ácidos, bases, sais e óxidos 3 9 – Radiações e suas aplicações 1. As características de uma onda 2. Ondas sonoras 3. Radiações eletromagnéticas 4. Laser e fibras ópticas 5. Transmissão e recepção de imagens e sons 10 – Luz e cores 1. Por que vemos os objetos? 2. A reflexão da luz 3. A refração da luz 4. As cores da luz branca 4 11 – Galáxias e estrelas 1. As constelações 2. Asorigens 3. Estrelas e galáxias 4. Exploração do espaço 12 – O Sistema Solar 1. Os movimentos dos planetas 2. A estrutura do Sistema Solar 3. Corpos menores do Sistema Solar 4. Vida fora da Terra? 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 31 27/11/18 10:24 XXXII MANUAL DO PROFESSOR Unidade 1 - Genética, evolução e biodiversidade BIZZO, N. Darwin: do telhado das Américas à teoria da evolução. São Paulo: Odysseus, 2008. BORGES-OSÓRIO, M. R.; WANYCE, M. R. Genética humana. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. BROWNE, J. A origem das espécies de Darwin: uma biografia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. COYNE, J. A. Why Evolution is True. New York: Penguin, 2009. DARWIN, C. A origem das espécies. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1985. DAVIES, K. Decifrando o genoma. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. EL-HANI, C. N.; VIDEIRA, A. A. P. (Org.). O que é vida? Para entender a Biologia do século XXI. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000. FARAH, S. B. DNA: segredos e mistérios. São Paulo: Sarvier, 2007. FORTEY, R. Vida: uma biografia não autorizada. Rio de Janeiro: Record, 2000. FUTUYMA, D. Biologia evolutiva. Ribeirão Preto: Funpec, 2009. GRIFFITHS, A. J. F. et al. Introdução à Genética. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. HARTL, D. L. Princípios de genética de população. 3. ed. Ribeirão Preto: Funpec Editora, 2008. LANDIM, M. I.; MOREIRA, C. R. (Org.). Charles Darwin: em um futuro não tão distante. São Paulo: Instituto Sangari, 2009. MAYR, E. Biologia, ciência única: reflexões sobre a autonomia de uma disciplina científica. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. MEYER, D.; EL-HANI, C. N. Evolução: o sentido da Biologia. São Paulo: Ed. da Unesp, 2005. MILLER JR., G. T.; SPOOLMAN, S. E. Ciência ambiental. São Paulo: Cen- gage Learning, 2015. _________ . Ecologia e sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2013. MOORE, J.; DESMOND, A. J. Darwin: a vida de um evolucionista atormen- tado. 5. ed. São Paulo: Geração Editorial, 2007. NOGUEIRA, L. A. H.; CAPAZ, R. S. (Org). Ciências ambientais para enge- nharia. São Paulo: Elsevier, 2015. PENA, S. D. J. Humanidade sem raças?. São Paulo: Publifolha, 2008. PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. Rio de Janeiro: Guana- bara Koogan, 2016. RIDLEY, M. Evolução. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. SHUBIN, N. A história de quando éramos peixes: uma revolucionária teoria sobre a origem do corpo humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. SNUSTAD, D. P.; SIMMONS, M. J. Fundamentos de Genética. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. STEFOFF, R. Charles Darwin: a revolução da evolução. São Paulo: Com- panhia das Letras, 2007. ZIMMER, C. O livro de ouro da evolução: o triunfo de uma ideia. 2. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009. Unidade 2 - Transformações da matéria e radiações BRADY, J. et al. Química: a matéria e suas transformações. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002. BROWN, T. L. et al. Química: a ciência central. São Paulo: Pearson/Pren- tice Hall, 2005. DOCA, R. H.; BISCUOLA, G.; BÔAS, N. V. Tópicos de Física. São Paulo: Saraiva, 2007. 3 v. FILGUEIRAS, C. A. L. Lavoisier – o estabelecimento da química moderna. São Paulo: Odysseus Editora, 2002. GARRITZ, A.; CHAMIZO, J. Química. São Paulo: Pearson, 2003. GIESCRECHT, E. Experiências de química: técnicas e conceitos básicos. Projetos de Ensino de Química. São Paulo: Moderna, 1982. GOLDSMITH, B. Gênio obsessivo: o mundo interior de Marie Curie. São Paulo: Cia. das Letras, 2006. HEWITT, P. G. Física conceitual. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. KOTZ, J.; TREICHEL JR., P. Química geral e reações químicas. São Paulo: Thomson Learning, 2005. 2 v. KRAUSS, L. M. A física de jornada nas estrelas: Star Trek. São Paulo: Makron Books, 1996. MATEUS, L. A. Química na cabeça: experiências espetaculares para você fazer em casa ou na escola. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. MÁXIMO, A.; ALVARENGA, B. Curso de física. 6. ed. São Paulo: Scipione, 2007. 3 v. MORTIMER, E. F.; MACHADO, A. H. Química para o ensino médio: volume único. São Paulo: Scipione, 2003. PERUZZO, F. M.; CANTO, E. L. Química na abordagem do cotidiano. 5. ed. São Paulo: Moderna, 2009. 3 v. RAMALHO JR., F.; FERRARO, N. G.; SOARES, P. A. de T. Os fundamentos da física. 9. ed. São Paulo: Moderna, 2007. 3 v. SNYDER, C. H. The extraordinary chemistry of ordinary things. 4. ed. New York: John Wiley, 2003. TREFIL, J.; HAZEN, R. M. Física viva. Rio de Janeiro: LTC, 2006. 3 v. USBERCO, J.; SALVADOR, E. Química. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. 3 v. VAITSMAN, D. S. Para que servem os elementos químicos. Rio de Janeiro: Interciência, 2001. VALADARES, E. de C. Física mais que divertida: inventos eletrizantes baseados em materiais reciclados e de baixo custo. 2. ed. Belo Hori- zonte: UFMG, 2002. WOLKE, R. L. O que Einstein disse a seu cozinheiro: a ciência na cozinha (inclui receitas). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. Unidade 3 - Galáxias, estrelas e o Sistema Solar BOCZKO, R. Conceitos de Astronomia. São Paulo: Edgard Blücher, 1998. FARIA, R. P. (Org.). Fundamentos da Astronomia. 10. ed. São Paulo: Papirus, 2009. MOURÃO, R. R. de F. Da Terra às galáxias: uma introdução à Astrofísica. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1998. SAGAN, C. Cosmos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1992. 8 Sugestões de leitura para o trabalho no 9o ano 002-032-9TCieg20At_MPGERAL.indd 32 27/11/18 10:24 MANUAL DO PROFESSOR 1 9 Ensino Fundamental - Anos Finais COMPONENTE CURRICULAR: CIÊNCIAS CIENCIAS 3a EDIÇÃO SÃO PAULO, 2018 Fernando Gewandsznajder Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mestre em Educação pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ) Mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Licenciado em Biologia pelo Instituto de Biologia da UFRJ Ex-professor de Biologia e Ciências do Colégio Pedro II, Rio de Janeiro (Autarquia Federal – MEC) Helena Pacca Bacharela e licenciada em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Experiência com edição de livros didáticos de Ciências e Biologia 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 1 27/11/18 10:28 2 MANUAL DO PROFESSOR 2 Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Isabel Rebelo Roque Coordenação: Fabíola Bovo Mendonça Edição: Daniela Teves Nardi, Lucas Augusto Jardim, Marcia M. Laguna de Carvalho, Sabrina Nishidomi (editores), Aline Tiemi Matsumura, Allan Saj Porcacchia, Flávia Maria Mérida Ramoneda (assist.) Consultoria técnica: Nina Nazario Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Maria Herrera, Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Carlos Eduardo Sigrist, Célia Carvalho, Cesar G. Sacramento, Claudia Virgilio, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Lilian M. Kumai, Luís M. Boa Nova, Maura Loria, Patrícia Travanca, Raquel A. Taveira, Rita de Cássia C. Queiroz, Sandra Fernandez, Sueli Bossi, Vanessa P. Santos; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), André Gomes Vitale (coord.) e Renato Neves (edição de arte) Diagramação: Estúdio Grá�co Design Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Roberto Silva (coord.), Douglas Cometti (pesquisa iconográ�ca) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito e Angra Marques (licenciamento de textos), Erika Ramires, Flávia Andrade Zambon, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Tratamento de imagem: Cesar Wolf e Fernanda Crevin Ilustrações: Adilson Secco, Alex Argozino, Cláudio Chiyo, Daniel Roda, Danillo Souza, Gustavo Rodrigues, Hiroe Sasaki,Ingeborg Asbach, KLN Artes Grá�cas, Luis Moura, Luiz Rubio, Mauro Nakata, Michel Ramalho, Raul Aguiar e Rodrigo Pascoal Cartografia: Eric Fuzii (coord.), Robson Rosendo da Rocha (edit. arte) Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Adilson Casarotti (proj. grá�co e capa) Gustavo Vanini e Tatiane Porusselli (assist. arte) Foto de capa: Tony Phelps/EyeEm/Getty Images Todos os direitos reservados por Editora Ática S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor A Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902 Tel.: 4003-3061 www.atica.com.br / editora@atica.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB - 8/010142 2018 Código da obra CL 713509 CAE 631683 (AL) / 631684 (PR) 3a edição 1a impressão Impressão e acabamento Gewandsznajder, Fernando Teláris ciências, 9º ano : ensino fundamental, anos finais / Fernando Gewandsznajder, Helena Pacca. -- 3. ed. - São Paulo : Ática, 2018. Suplementado pelo manual do professor. Bibliografia. ISBN: 978-85-08-19143-7 (aluno) ISBN: 978-85-08-19144-4 (professor) 1. Ciências (Ensino fundamental). I. Pacca, Helena. II. Título. 2018-0086 CDD: 372.35 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 2 27/11/18 10:28 3MANUAL DO PROFESSOR 3 Apresenta•‹o Caro(a) estudante, Seja bem-vindo(a) ao último ano do Ensino Fundamental. Este não é o fim do seu percurso na área de Ciências, mas, sim, mais um passo im- portante no seu desenvolvimento como estudante e como cidadão. Para começar, na primeira unidade serão apresentados conceitos básicos de duas áreas fundamentais das Ciências: a Genética e a Evolução. Ao compreender ideias de genética, você vai descobrir como algumas características são passadas dos indivíduos para seus descendentes. Esse conhecimento vai ajudar você a entender as diversas contribuições e estudos relacionados à teoria da Evolução. A partir desse conhecimento fundamental, você poderá adquirir um novo olhar sobre a diversidade de espécies que observamos no planeta. Ao final da unidade veremos como parques, reservas, estações ecológicas e outras medidas sustentáveis são importantes para a preservação dessa biodiversidade. Na segunda unidade, vamos estudar de que é feita a matéria e como a ciência explica transformações, como as mudanças de estado físico. Vamos investigar ainda como se dão a transmissão e a recepção de in- formações de mídias que fazem parte da sua comunicação com o mundo. Por fim, vamos compreender como funcionam as aplicações tecnológicas da Física que proporcionaram uma série de avanços na Medicina e pode- rão contribuir para a sua saúde e a de sua família. Na última unidade do livro, vamos trabalhar com assuntos relacio- nados à localização do planeta Terra no Sistema Solar, na galáxia e no Universo. Ao estudar Ciências pelo ponto de vista da Astronomia, pode- remos construir novas formas de refletir sobre nosso papel na Terra. Vamos lá? Os autores 3 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 3 27/11/18 10:28 4 MANUAL DO PROFESSOR 4 10 11 Família de quatis (Nasua nasua; um adulto tem cerca de 60 cm de comprimento desconsiderando a cauda) na Mata Atlântica, Rio de Janeiro (RJ). Genética, evolução e biodiversidade A Genética e a Evolução estudam como novas características surgem e como podem ser transmitidas através das gerações. Essas ciências permitem compreender como os genes e o ambiente influenciam as características dos seres vivos. Veremos que muitos cientistas estudam os processos evolutivos que geram diferentes espécies e que é nossa responsabilidade preservá-las. 14 Você já observou a reprodução de seres vivos a sua volta? Como explicaria as semelhanças entre um pai e um filho; entre uma gata e seus filhotes; ou entre plantas que nascem a partir de sementes do mesmo tipo? Seria possível fazer estudos sobre a reprodução dos seres vivos sem conhecer os detalhes que sabemos hoje sobre as células? 24 Os Parques Nacionais começaram a surgir no mundo no final do século XIX. São áreas naturais conservadas e administradas pelo governo. Você já visitou um? Na sua opinião, por que essas áreas são importantes não só para o ambiente, mas também para toda a sociedade? 1 UNIDADE 10 L u iz C la u d io M a ri g o /N a tu re P L /E a s y p ix B ra s il UNIDADE 2 ¥ Transformações da matéria e radiações132 A descoberta dos gases nobres Em 1894, o cientista escocês William Ramsay (1852- -1916; veja a figura 7.4) descobriu um novo elemento encontrado no ar e constituído por átomos isolados, que não formavam moléculas. Por apresentar baixa reativida- de, o elemento foi chamado de argônio (do grego árgon, inerte). Nos anos seguintes, os outros gases monoatômi- cos foram descobertos. A descoberta dos gases nobres teve duas principais consequências. Uma delas, de caráter teórico, foi o melhor entendimento da estrutura atômica. Em 1916, para ex- plicar por que os gases nobres não costumam se combinar com outros elementos, os cientistas estadunidenses Gilbert Lewis (1875-1946) e Irving Langmuir (1881- -1957), com o alemão Walther Kossel (1888-1956), for- mularam a teoria do octeto. Antes deles, o físico Niels Bohr já havia proposto que os átomos possuem diversas camadas de elétrons que circundam seu núcleo, e que os gases nobres, com exceção do hélio, possuem oito elé- trons na última camada. Partindo dessa proposição, os autores da teoria do octeto propuseram que os átomos com oito elétrons na última camada costumam ser es- táveis. Eles afirmaram também que os demais átomos tendem a se combinar com outros, perdendo ou ganhan- do elétrons com a tendência de completar (ou esvaziar) sua camada externa. Essa regra pode ser usada em al- guns casos para encontrar a fórmula de certos compostos, mas não se aplica a todos os elementos da tabela periódica. Outra consequência da descoberta dos gases nobres, de caráter prático, diz respeito ao seu uso comercial. No final do século XIX, o argônio passou a preencher o interior das primeiras lâmpadas elétricas, a fim de impedir que seu fila- mento reagisse com o oxigênio e entrasse em combustão. Um uso mais recente do argônio é na extinção de incêndios em ambientes com materiais delicados, como eletrônicos e acervos de museus, por não reagir com eles. Outro exemplo são os balões dirigíveis, como o da figura 7.5, que antecederam o avião. Inicialmente, eles continham em seu interior o gás hidrogênio, que é altamente inflamável. Após 1937, quando um incêndio num dirigível alemão causou a morte de todos os seus ocupantes, os dirigíveis passaram a conter gás hélio, que não é inflamável. Ci•ncia e Hist—ria 7.5 Os balões dirigíveis atuais contêm gás hélio em seu interior. 7.4 William Ramsay, cientista que descobriu o argônio, em seu laboratório. S P L /F o to a re n a a lt re n d o t ra v e l/ G e tt y I m a g e s CONHEÇA SEU LIVRO Apresenta uma imagem e um breve texto de introdução dos temas abordados. Além disso, traz questões que relacionam os conteúdos abordados a competências que você vai desenvolver ao longo do estudo da unidade. Abertura da unidade Seções Não deixe de ler as seções que aparecem ao longo dos capítulos. Elas contêm informações atualizadas que contextualizam o tema abordado no capítulo e demonstram a importância, as aplicações e as interações da ciência com outras áreas do conhecimento. As seções relacionam ciência a: • ambiente; • dia a dia; • História; • tecnologia; • saúde; • sociedade. 71Evolução: da origem da vida às espécies atuais • CAPÍTULO 4 Evidências da evolução Para compreender a história evolutiva dos seres vivos, muitas vezes precisamos comparar organismos vivos com outros que já foram extintos. Como isso pode ser feito? Estudando fósseis de ossos das pernas de um animal, por exemplo, podemoster ideia de sua altura e de seu peso. Já os dentes podem indicar o tipo de alimentação, pois cada animal possui adaptações ao ambiente em que vive e a determinado modo de vida: carnívoros, por exemplo, geralmente têm dentes pontiagudos e afiados, o que lhes permite prender, perfurar e comer carne. Outros tipos de dentes são adaptados à captura de peixes. Veja a figura 4.11. De particular interesse são os fósseis com características intermediárias entre dois grupos. Esse é o caso dos inúmeros fósseis intermediários entre as baleias e seus ancestrais em comum com outros animais terrestres, que mostram uma progressiva adaptação ao ambiente aquático. Uma das principais características são as aberturas nasais, que ao longo de muitas gerações migraram para o topo da cabeça e possibilitaram que as baleias, por exemplo, respirassem sem precisar sair totalmente da água. Além disso, o corpo delas adquiriu um formato hidrodinâmico: os membros anteriores modificaram-se em nadadeiras e os membros posteriores diminuíram até desaparecer, como mostra a figura 4.12, o que tornou mais eficiente o deslocamento na água. A idade de um fóssil corresponde, aproximadamente, à do terreno em que ele se encontra. Em geral, quanto mais profundo o terreno, mais antigo o fóssil. Para calcular a idade de uma rocha e do fóssil que ela contém são analisadas quantidades muito pequenas de certos elementos químicos presentes na rocha que, bem lentamente, vão se transformando em outros. O tempo que esses elementos, chamados radioativos, levam para sofrer essas transformações é conhecido pe- los cientistas. Os elementos radioativos funcionam, então, como uma espécie de “relógio natural”. Além de estudar os fósseis, podemos estabelecer re- lações entre os seres vivos ao comparar o seu desenvol- vimento embrionário e a anatomia. Com isso, é possível estimar o grau de parentesco evolutivo pelas semelhan- ças (indicam parentesco mais próximo) ou diferenças (indicam parentesco mais distante) entre eles. Estudando os detalhes da anatomia do braço do ser humano, da nadadeira da baleia e da asa do morcego, por exemplo, podemos ver que, apesar de terem funções diferentes, esses órgãos apresentam o mesmo padrão estrutural: a formação e o arranjo dos ossos são muito semelhantes. Essas semelhanças podem ser explicadas pelo fato de que esses órgãos evoluíram a partir de um mesmo órgão presente no ancestral comum desses grupos. Ao longo do tempo esses órgãos sofreram modificações direcionadas pelo ambiente em que esses animais viviam, apresentando atualmente funções diferentes. Outra evidência da evolução são os órgãos vestigiais, ou seja, órgãos atrofiados que não desempenham mais suas funções originais e podem ser usados como indício de sua origem evolutiva. Podemos citar como exemplo os ossos vestigiais de membros posteriores em algumas baleias, como vimos na figura 4.12. Análises do DNA, proteínas, e outras substâncias também revelam evidências de evolução. Quanto maior a diferença nessas substâncias entre duas espécies, maior a distância evolutiva entre elas e quanto mais semelhantes, maior o grau de parentesco evolutivo entre as espécies. 4.11 Fóssil da cabeça do Anhanguera piscator, uma espécie de pterossauro, com cerca de 4,5 m de envergadura. Pela análise de seus dentes, acredita-se que esse animal se alimentava de peixes. P h o to R e s e a rc h e rs /L a ti n s to ck R o b e rt C la rk /N a ti o n a l G e o g ra p h ic / G e tt y I m a g e s 4.12 Esqueleto fóssil de animal do gênero Dorudon (cerca de 5 m de comprimento), parecido com um grande golfinho e considerado um ancestral das baleias. Esse gênero existiu entre 41 milhões e 33 milhões de anos atrás. Ossos em tamanho reduzido, semelhantes aos ossos dos membros posteriores dos mamíferos terrestres. Esses ossos também estão presentes em algumas baleias atuais. Para compreender a história evolutiva dos seres vivos, muitas vezes precisamos comparar organismos vivos com outros que já Estudando fósseis de ossos das pernas de um animal, por exemplo, podemos ter ideia de sua altura e de seu peso. Já os dentes podem indicar o tipo de alimentação, pois cada animal possui adaptações ao ambiente em que vive e a determinado modo de vida: carnívoros, por exemplo, geralmente têm dentes pontiagudos e afiados, o que 4.11 Fóssil da cabeça do Anhanguera piscator, uma Anhanguera piscator, uma , uma Anhanguera piscator espécie de pterossauro, com cerca de 4,5 m de Para saber mais Para saber mais Traz conteúdo complementar, aprofundando os conteúdos estudados no capítulo. 4 Este livro é dividido em três unidades, subdivididas em capítulos. 196 UNIDADE 2 ¥ Transformações da matéria e radiações Luz e cores CAPÍTULO É comum que as pessoas publiquem, nas redes sociais, fotos de fenômenos na- turais como o arco-íris. Veja a figura 10.1. Entretanto, muita gente não sabe explicar como ocorrem esses fenômenos. Você já fotografou um arco-íris? Consegue explicar como ele se forma? Como veremos com mais detalhes neste capítulo, o arco-íris sur- ge quando a luz do Sol atravessa as gotículas de água e a luz branca é decomposta em várias cores. É por isso que esse fenômeno ocorre geralmente quando há sol durante uma chuva ou logo depois dela, ou ainda em locais em que há queda de água, como cachoeiras e cataratas. M a rc o s A m e n d /P u ls a r Im a g e n s 10.1 Arco-íris observado na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Uiramutã (RR), 2017. O arco-íris é resultado da decomposição da luz branca e pode ocorrer quando raios solares atravessam gotículas de água da chuva. 10 » O que o arco-íris indica sobre a natureza da luz branca? » Que objetos do cotidiano funcionam com base na reflexão da luz? E na refração da luz? » Qual a relação entre a cor de um objeto e a cor da luz que o ilumina? A quest‹o Ž... Abertura dos capítulos Todos os capítulos se iniciam com uma imagem e um texto introdutório que vão prepará-lo para as descobertas que você fará no decorrer do seu estudo. A questão é... Apresenta perguntas sobre os conceitos fundamentais do capítulo. Tente responder às questões no início do estudo e volte a elas ao final do capítulo. Será que as suas ideias vão se transformar? 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 4 27/11/18 10:28 5MANUAL DO PROFESSOR 5 Na tela Sugestões de vídeos, filmes e documentários relacionados aos assuntos trabalhados no capítulo. Mundo virtual Dicas de sites interessantes para saber mais sobre o assunto tratado no capítulo. Minha biblioteca Indicações de livros que abordam os temas estudados no capítulo. Vídeo disponível O ícone indica que há um recurso audiovisual (áudio, vídeo ou videoaula) relacionado ao tema em estudo. • A escola sustentável: eco-alfabetizando pelo ambiente, de Lucia Legan. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2007. Neste livro, a autora apresenta diversas atividades fáceis de realizar, com foco em sustentabilidade. • Agir, percepção da gestão ambiental – Educação ambiental para o desenvolvimento sustentável https://ainfo.cnptia.embrapa. br/digital/bitstream/ item/164160/1/Hammes- Agir2002.pdf Vários autores contribuem com ideias e projetos para o desenvolvimento sustentável. • Desenvolvimento sustentável – ONU Brasil https://nacoesunidas.org/ secao/desenvolvimento- sustentavel Diversos artigos sobre o tema. Acessos em: 7 nov. 2018. Consulte Na prática 1. Quais foram as dificuldades encontradas? Como elas foram superadas? 2. Após a implementação, o resultado foi como esperado? 3. Quais são os pontos fortes e os fracos da solução desenvolvida? De que maneira poderiam melhorá-la? 4. O que pode ser compreendido com essa experiência? Propondo uma solução 5. Consumo responsável É importante saber a origem dos produtos utilizados fora e dentro da escola, tanto dos alimentos quanto dos produtos depapelaria e de limpeza, e até dos móveis. Não deve haver desperdício nem produção desnecessária de lixo. 1. Água A origem e o destino da água precisam ser conhecidos. A água deve ser tratada para que fique adequada ao consumo. O uso responsável e a reutilização ajudam a preservar esse precioso recurso natural. 2. Ecossistema Os jardins e as áreas verdes podem abrigar e atrair diversos seres vivos, como aves (por exemplo, beija-flores e sabiás) e insetos (por exemplo, joaninhas e abelhas), aumentando a biodiversidade. É importante respeitar todas as formas de vida. 4. Segurança alimentar A alimentação e a nutrição de todos devem ser tratadas com muita atenção. Todos precisam de alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. É possível até produzir alimentos na própria escola, em pequenas hortas. 3. Energia e tecnologia A geração de energia elétrica pode ter enormes impactos ambientais. Saber de onde ela vem e controlar o consumo são atitudes importantes. O acesso a recursos tecnológicos – como computadores e internet – favorece a inserção social, a troca de informações e o aprendizado. A tecnologia também pode contribuir para o uso mais racional dos recursos. 6. Comunicação O conhecimento deve ser compartilhado entre pessoas com experiências diversas e de diferentes idades. É importante que o ambiente favoreça a troca de ideias e a cooperação. Todas as pessoas devem ser respeitadas. Dividam-se em grupos e pesquisem os pontos apresentados abaixo. – Como é a situação da escola em que vocês estudam? – O que está bom e o que pode melhorar? Em seguida, desenvolvam um projeto que vise à melhoria do ambiente escolar. Escolham um dos temas a seguir e utilizem as perguntas apresentadas para organizar suas ideias e guiar a implementação da proposta. Por exemplo: • Água: Como coletar água da chuva na escola? Onde é possível reutilizar essa água? • Ecossistema: Como aumentar a biodiversidade nos jardins e nas áreas verdes da escola? • Energia e tecnologia: Como reduzir o consumo de energia? Como reciclar ou reutilizar materiais na própria escola? • Segurança alimentar: É possível fazer uma horta na escola? Como tratar a terra, que espécies plantar e como distribuir a colheita? • Consumo responsável: Como reduzir o consumo e o desperdício? As empresas que trabalham com a escola são social e ambientalmente responsáveis? • Comunicação: Como compartilhar as experiências? Como desenvolver trabalhos de modo cooperativo? Como promover o respeito a todos? captação de chuva composteira M ic h e l R a m a lh o /A rq u iv o d a e d it o ra Escola sustentável Uma das formas de abordar a sustentabilidade é buscar uma integração harmoniosa do ambiente com as pessoas. Para alcançar essa harmonia de maneira mais completa, é preciso reavaliar não só a produção e o consumo de alimentos, de energia e de qualquer outra necessidade material ou não ma- terial, mas também as relações entre as pessoas e entre elas e o ambiente. O ambiente da escola em que você estuda é sustentável? Veja a seguir seis pontos importantes para al- cançar um ambiente sustentável e harmonioso. 103102 OFICINA DE SOLUÇÕES OFICINA DE SOLUÇÕES OFICINA DE SOLUÇÕES 103102 Oficina de soluções Nesta seção você será convidado a propor soluções para situações e problemas do cotidiano por meio do desenvolvimento, da aplicação e da análise de diferentes recursos tecnológicos. 5 ATIVIDADES 81ATIVIDADES80 ATIVIDADES Aplique seus conhecimentos 1 Por que as mutações que afetam apenas as células somáticas não têm um efeito significativo em termos de evolu- ção como aquelas que afetam as células germinativas ou os gametas? 2 Em seu caderno, indique a alternativa correta e justifique as incorretas. a) Certa mutação provocada por radioatividade resulta em uma característica que dá resistência à radioatividade. b) A evolução pode ocorrer com a atuação da seleção natural sobre a variabilidade genética de uma população. c) Uma ginasta que desenvolveu músculos fortes, através de intensos exercícios, terá filhos com a musculatura bem desenvolvida. d) Duas populações da mesma espécie não podem originar espécies diferentes mesmo se estiverem isoladas geo- graficamente. 3 O biólogo alemão August Weismann (1834-1914) cortou a cauda de camundongos durante muitas gerações. Ao final do experimento, os filhotes continuavam a apresentar aquele órgão perfeitamente normal. O experimento mostra que (indique a resposta correta em seu caderno): a) os caracteres adquiridos não são transmitidos aos descendentes. b) as espécies não mudam. c) um órgão se desenvolve com o uso. d) os camundongos sofreram mutações devido ao corte da cauda. 4 Observe as fotos da figura 4.25 a seguir e leia as legendas. Formule hipóteses para explicar como a adaptação des- tacada na legenda de cada foto pode ter ajudado na sobrevivência do animal. 5 Em uma floresta com muitas árvores com tronco de cor clara viviam mariposas com asas também de cor clara. Havia ain- da algumas poucas mariposas com asas de cor escura. As mariposas mais escuras eram vistas com mais facilidade pelos pássaros que se alimentavam de mariposas. Com a poluição, os troncos das árvores acabaram ficando com a cor escura. O que possibilitou o surgimento de mariposas com asas de cor escura? O que deve ter acontecido ao longo do tempo com o número de mariposas escuras? Como você explica essa situação hipotética e como se chama esse processo? 6 Em uma ilha havia dois tipos de sementes: as grandes e as pequenas. Havia também dois tipos de pássaros: os de bico grande e os de bico pequeno. Só os pássaros de bico grande conseguiam quebrar e comer as sementes maiores. Após um longo período de seca, as sementes menores praticamente haviam desaparecido. O que deve ter aconte- cido com o número de cada tipo de pássaro durante a época da seca? Justifique sua resposta. 7 Organize os acontecimentos a seguir na sequência em que ocorrem na natureza: formação de subespécies; isola- mento reprodutivo; formação de novas espécies; isolamento geográfico. 8 Pesquisadores especulam que a formação do rio Congo, na África, por volta de 1,5 milhão de anos atrás, tenha colaborado para o surgimento, há cerca de 800 mil anos, a partir de um ancestral comum, das duas espécies de chimpanzés: o bonobo, encontrado ao sul de uma das margens do rio; e o chimpanzé comum, encontrado ao norte da margem oposta. Sabendo que esses animais não são bons nadadores, explique como a formação do rio pode ter influenciado essa especiação. 9 Entre as populações de insetos estudadas em determinado ambiente, observou-se que a população A cruza com B e geram descendentes férteis, mas A e B não cruzam com C. Quantas espécies estão envolvidas nesse estudo? Justifique sua resposta. 10 Você viu que no experimento de Redi havia carne em vários frascos de vidro, alguns abertos e outros cobertos com um tecido que impedia a entrada de moscas. Então, responda. a) Qual teoria Redi estava tentando derrubar? b) Por que Redi utilizou um frasco de vidro aberto e um frasco de vidro fechado? c) Qual foi o resultado obtido nesse experimento e o que Redi mostrou? d) Se Redi estivesse enganado, o que deveria ter acontecido nos frascos? 11 Alguns agricultores envolvem a goiaba ainda verde com um saquinho de papel parafinado, que é fechado e amarra- do no ramo da árvore. Como esse procedimento ajuda a evitar o aparecimento do bicho da goiaba? Como a eficácia desse procedimento para evitar o aparecimento do bicho da goiaba é uma evidência da biogênese? 12 Você aprendeu que Pasteur ferveu caldo de carne em um balão de vidro com gargalo em forma de S. Agora, responda: a) O que Pasteur pretendia demonstrar com esse experimento? b) Qual foi o resultado do experimento de Pasteur? c) Por que foi importante deixar o vidro aberto? 1 3 Um estudante afirmou que a espécie humana descende do macaco,mais especificamente, do chimpanzé. Critique a afirmativa do estudante. De olho na not’cia A notícia abaixo se refere ao incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ele continha um acervo de mais de 20 milhões de itens variados, desde documentos históricos até fósseis e acervos de plantas e animais. O acidente teve início no dia 2 de setembro de 2018. Leia a notícia e pesquise em um dicionário o significado das palavras que você não conhece. Em seguida, responda às questões. Há 20 anos, o antropólogo e arqueólogo Walter Alves Neves revelava Luzia ao mundo. Foi esse o apelido que o pes- quisador deu ao esqueleto humano mais antigo do Brasil e que revolucionou as teorias científicas sobre a ocupação do continente [...]. O crânio de Luzia [...] estava no Museu Nacional do Rio de Janeiro durante o incêndio no último domingo (2). O fóssil estaria sob uma área com escombros, e técnicos do museu não conseguiram acessar o local. [...] O fóssil de mais de 11 000 anos encontrado entre 1974 e 1975 na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, garantiu reconhecimento internacional à teoria de Neves de que o continente americano foi ocupado por duas levas migratórias de Homo sapiens vindos do nordeste da Ásia [...]. Os dentes caninos do leão (Panthera leo; 1,70 m a 2,5 m de comprimento, desconsiderando a cauda) são longos e pontiagudos. O formato do corpo do golfinho (ordem Cetacea; entre 1,30 m e 4 m de comprimento) lembra o formato do corpo de peixes. O jabuti (gênero Chelonoidis; até 70 cm de comprimento) apresenta uma carapaça rígida. O bicho-pau (ordem Orthoptera; cerca de 25 cm de comprimento, com as antenas) recebe esse nome porque seu corpo lembra o aspecto de um graveto. O ouriço-cacheiro (gênero Coendou; em torno de 10 cm a 35 cm de comprimento, desconsiderando a cauda) apresenta o corpo coberto por espinhos. 4.25 Os elementos representados nas fotografias não estão na mesma proporção. A l' fr e d /S h u tt e rs to ck e 2 d a n /S h u tt e rs to ck P h o to s to ck I s ra e l/ S P L /F o to a re n a F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo A rt u r K e u n e ck e /P u ls a r Im a g e n s Atividades Ao final de cada capítulo você vai encontrar questões para organizar e formalizar os conceitos mais importantes, trabalhos em equipe, propostas de pesquisa, textos para leitura e discussão e atividades práticas ligadas a experimentos científicos. Lembre-se de não escrever no livro, fazendo suas anotações no caderno. 107Átomos e elementos químicos • CAPêTULO 6 1 A história dos modelos at™micos No 6o ano, quando estudamos o movi- mento das placas tectônicas, usamos alguns modelos para entender a deriva dos continen- tes e a causa dos terremotos e vulcões. Em- bora um modelo não seja uma cópia exata da realidade, ele é uma representação simplifi- cada que nos ajuda a compreender como ocorrem certos fenômenos. Veja o modelo de uma casa na figura 6.2 Os modelos usados para representar os átomos são chamados modelos atômicos. Eles não são iguais aos átomos que eles re- presentam, mas nos ajudam a explicar alguns fenômenos que podem ser observados na natureza, como a transformação das subs- tâncias químicas, os fenômenos elétricos e muitos outros. Os modelos são aceitos pelos cientistas como uma possível forma de explicar alguns tipos de fenômenos. No entanto, à medida que novas observações e testes são feitos, e que novos conceitos e teorias são criados, esses modelos podem ser substituídos ou modificados para explicar novas descobertas. Isso ocorreu, por exem- plo, com os modelos atômicos que você verá neste capítulo. A teoria atômica e o modelo atômico explicam várias propriedades dos átomos. A ideia de que toda matéria é formada por átomos já havia sido proposta na Grécia antiga por um grupo de filósofos. O mais conhecido defensor dessa ideia foi o filósofo grego Demócrito, nascido por volta de 460 a.C. Veja a figura 6.3. Ao responder à pergunta “De que é formada a matéria?”, Demó- crito afirmou que todos os corpos podiam ser divididos em par- tículas cada vez menores, até chegar ao átomo, que não poderia mais ser dividido. O átomo seria, portanto, a menor parte da matéria. Muito tempo depois da proposição de Demócri- to, a partir do século XVI, durante o período conhe- cido como Renascimento, foram realizadas me- dições e experimentos que levantaram a hipóte- se de que a matéria era formada por átomos. Essa teoria ganhou força entre cientistas e filósofos, como veremos a seguir. 6.2 Modelo de partes da estrutura de uma casa. 6.3 Representação artística do filósofo grego Demócrito (460-400 a.C). Átomo: do grego átomos, “aquilo que não pode ser cortado ou dividido”. As leis científicas descrevem regularidades da natureza, enquanto as teorias científicas propõem mecanismos para explicar os fatos. S P L /F o to a re n a M m a x e r/ S h u tt e rs to c k Glossário Os termos sublinhados em azul remetem ao glossário na lateral da página. Ele apresenta o significado e a origem de muitas palavras e auxilia na leitura e na interpretação dos textos. Você também pode consultar o significado de algumas palavras no final do volume, na seção Recordando alguns termos. Informações complementares Diversas palavras ou expressões destacadas em azul estão ligadas por um fio a um pequeno texto na lateral da página. Esse texto fornece informações complementares sobre determinados assuntos e indica relações e retomadas de conceitos já estudados ou que serão vistos nos próximos capítulos ou volumes. 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 5 27/11/18 10:28 6 MANUAL DO PROFESSOR 6 SUMçRIO Unidade 1 Genética, evolução e biodiversidade ��������������������������������������������������� 10 3 Os genes e o ambiente ���������������������������������������������36 4 Alterações genéticas na espécie humana ��������37 Alterações cromossômicas �������������������������������������37 5 Biotecnologia ���������������������������������������������������������������39 Os organismos transgênicos ����������������������������������39 Clonagem reprodutiva �����������������������������������������������42 Atividades ����������������������������������������������������������������������������45 CAPÍTULO 3: As primeiras ideias evolucionistas ����������������������������������������������������������������47 1 Fixismo e transformismo ����������������������������������������48 2 Evolução: as ideias de Lamarck ����������������������������50 D e n is K u v a e v /S h u tt e rs to ck L u iz C la u d io M a ri g o /N a tu re P L /E a s y p ix B ra s il CAPÍTULO 1: Transmissão das características hereditárias ����������������������������������12 1 O trabalho de Mendel �����������������������������������������������13 Os experimentos de Mendel �����������������������������������14 As conclusões de Mendel ����������������������������������������15 2 Interpretação atual das conclusões de Mendel ����������������������������������������������������������������������17 Cromossomos e divisão celular �����������������������������17 Genes e as características hereditárias ��������������19 Explicação dos resultados de Mendel �����������������21 3 Resolução de problemas de genética ����������������24 Atividades ����������������������������������������������������������������������������27 CAPÍTULO 2: A genética depois de Mendel �������������������������������������������������������������������������31 1 As descobertas após Mendel ��������������������������������32 2 Padrões de herança não estudados por Mendel ��������������������������������������������������������������������34 A dominância incompleta ����������������������������������������34 Determinação do sexo ����������������������������������������������35 M in d e n // N a tu re P L /F o to a re n a 3 Evolução:as ideias de Darwin �������������������������������53 As observações de Darwin ��������������������������������������53 A explicação de Darwin: seleção natural ������������57 Problemas com a teoria de Darwin ����������������������61 Atividades ����������������������������������������������������������������������������62 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 6 27/11/18 10:28 7MANUAL DO PROFESSOR 7 CAPÍTULO 4: Evolução: da origem da vida às espécies atuais �������������������������������������64 1 A teoria sintética da evolução �������������������������������65 Variabilidade genética: mutações e reprodução sexuada �����������������������������������������������65 Seleção natural após Darwin ����������������������������������66 Unidades de Conservação de Uso Sustentável ����������������������������������������������������90 3 Sustentabilidade���������������������������������������������������������93 A pegada ecológica �����������������������������������������������������93 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável �����94 Energia: soluções individuais e coletivas ������������97 Água: soluções individuais e coletivas�����������������98 Atividades ����������������������������������������������������������������������������99 Oficina de soluções ������������������������������������������������������� 102 Unidade 2 Transformações da matéria e radiações ����������������������������������������������������������104 F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo A . A le k s a n d r a v ic iu s /S h u tt e r s to c k 2 Formação e evolução das espécies ���������������������68 Especiação ���������������������������������������������������������������������68 História evolutiva ��������������������������������������������������������70 3 A origem da vida ���������������������������������������������������������72 Abiogênese × biogênese ������������������������������������������72 Hipóteses sobre a origem da vida ������������������������74 4 História da vida no planeta�������������������������������������76 Evolução humana �������������������������������������������������������77 Atividades ����������������������������������������������������������������������������80 CAPÍTULO 5: Biodiversidade e sustentabilidade ������������������������������������������������������84 1 A importância da biodiversidade �������������������������85 Proteção da biodiversidade �������������������������������������87 2 Unidades de Conservação ���������������������������������������88 Unidade de Conservação de Proteção Integral ��������������������������������������������������������88 A n d re D ib /P u ls a r Im a g e n s CAPÍTULO 6: Átomos e elementos químicos ������������������������������������������������������������������������� 106 1 A história dos modelos atômicos���������������������� 107 O modelo atômico de Dalton ������������������������������� 108 O modelo atômico de Thomson ������������������������� 109 Os modelos de Rutherford e Bohr ��������������������� 109 2 Íons: ânions e cátions �������������������������������������������� 112 3 Número atômico e número de massa ������������� 113 4 A organização dos elétrons no átomo ������������ 113 5 Os elementos químicos ���������������������������������������� 115 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 7 27/11/18 10:28 8 MANUAL DO PROFESSOR 8 6 Os isótopos ���������������������������������������������������������������� 116 Massa atômica ��������������������������������������������������������� 116 Isótopos radioativos ����������������������������������������������� 117 7 A tabela periódica ���������������������������������������������������� 119 Tabela periódica dos elementos ������������������������� 120 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 126 CAPÍTULO 7: Ligações químicas e mudanças de estado ������������������������������������������ 130 1 A estabilidade dos gases nobres����������������������� 131 2 Ligações químicas ��������������������������������������������������� 133 A ligação iônica ��������������������������������������������������������� 133 A ligação covalente �������������������������������������������������� 136 A ligação metálica ���������������������������������������������������� 138 3 Substância simples e substância composta 139 4 Os estados físicos da matéria ���������������������������� 140 4 Ácidos, bases, sais e óxidos �������������������������������� 160 Propriedades dos ácidos ��������������������������������������� 161 Propriedades das bases ���������������������������������������� 163 Propriedades dos sais �������������������������������������������� 164 Propriedades dos óxidos ��������������������������������������� 165 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 166 CAPÍTULO 9: Radiações e suas aplicações ������������������������������������������������������ 170 1 As características de uma onda ������������������������� 171 Ondas transversais e longitudinais ������������������� 173 2 Ondas sonoras���������������������������������������������������������� 174 O eco ����������������������������������������������������������������������������� 176 Infrassom e ultrassom ������������������������������������������� 176 3 Radiações eletromagnéticas ������������������������������ 178 As ondas de rádio e as micro-ondas ���������������� 179 O infravermelho �������������������������������������������������������� 182 A n d re w B a in /L o n e ly P la n e t Im a g e /G e tt y I m a g e s O calor e as mudanças de estado ���������������������� 141 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 144 CAPÍTULO 8: Transformações químicas ���� 147 1 Representação de reações químicas ��������������� 148 Balanceamento da equações químicas ����������� 150 2 As leis das reações químicas ������������������������������ 154 A lei da conservação da massa ��������������������������� 154 Lei das proporções constantes ��������������������������� 156 3 Tipos de reações químicas ����������������������������������� 158 A luz visível ����������������������������������������������������������������� 182 Os raios ultravioleta ������������������������������������������������ 183 Os raios X �������������������������������������������������������������������� 183 Os raios gama ����������������������������������������������������������� 184 4 Laser e fibras ópticas ���������������������������������������������� 185 5 Transmissão e recepção de imagens e sons �������������������������������������������������� 187 Microfones e rádios������������������������������������������������� 188 Televisores ������������������������������������������������������������������ 188 Celulares e smartphones ���������������������������������������� 189 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 190 Oficina de soluções ������������������������������������������������������� 194 Iv a n S m u k /S h u tt e rs to ck34,8 22,9 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 8 27/11/18 10:28 9MANUAL DO PROFESSOR 9 4 Exploração do espaço �������������������������������������������� 225 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 227 Oficina de soluções ������������������������������������������������������� 228 CAPÍTULO 12: O Sistema Solar ������������������������ 230 1 Os movimentos dos planetas ����������������������������� 231 2 A estrutura do Sistema Solar ����������������������������� 232 O Sol ������������������������������������������������������������������������������ 233 Mercúrio ���������������������������������������������������������������������� 233 Vênus ���������������������������������������������������������������������������� 234 Terra ������������������������������������������������������������������������������234 Marte ���������������������������������������������������������������������������� 235 Júpiter ��������������������������������������������������������������������������� 236 Saturno ������������������������������������������������������������������������ 236 Urano ���������������������������������������������������������������������������� 237 Netuno ������������������������������������������������������������������������� 237 Plutão, um planeta-anão �������������������������������������� 238 3 Corpos menores do Sistema Solar ������������������� 240 Asteroides ������������������������������������������������������������������ 240 Cometas ���������������������������������������������������������������������� 240 Meteoroides, meteoros e meteoritos �������������� 242 4 Vida fora da Terra? �������������������������������������������������� 243 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 247 Recordando alguns termos �������������������������������� 249 Leitura complementar ������������������������������������������� 251 Sugestões de filmes ����������������������������������������������� 253 Sugestões de sites de Ciências ������������������������ 254 Sugestões de espaços para visita ����������������� 255 Bibliografia ������������������������������������������������������������������� 256 CAPÍTULO 10: Luz e cores ����������������������������������� 196 1 Por que vemos os objetos? ��������������������������������� 197 A formação de sombras ���������������������������������������� 199 2 A reflexão da luz ������������������������������������������������������ 200 Espelhos planos ������������������������������������������������������� 201 Espelhos curvos ������������������������������������������������������� 202 3 A refração da luz ������������������������������������������������������ 203 Lentes �������������������������������������������������������������������������� 203 4 As cores da luz branca ������������������������������������������� 204 Disco de Newton ������������������������������������������������������ 205 A cor dos corpos ������������������������������������������������������� 206 As cores da televisão ���������������������������������������������� 207 Atividades ������������������������������������������������������������������������� 209 Unidade 3 Galáxias, estrelas e o Sistema Solar ����������������������������������������������� 212 D e n n is H a lli n a n /A la m y /F o to a re n a CAPÍTULO 11: Galáxias e estrelas ������������������ 214 1 As constelações ������������������������������������������������������� 215 Constelações como guias ������������������������������������� 215 2 As origens ������������������������������������������������������������������� 218 3 Estrelas e galáxias �������������������������������������������������� 220 As estrelas ������������������������������������������������������������������ 221 As galáxias ������������������������������������������������������������������ 223 Formação do Sistema Solar ��������������������������������� 224 N a s a /H a n d o u t/ C N P 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 9 27/11/18 10:28 Objetivos da unidade Nesta unidade, serão traba- lhados conhecimentos de Gené- tica e Evolução relacionados a conceitos de biodiversidade. Em- bora alguns assuntos sejam tra- tados de forma isolada, eles devem ser compreendidos de forma integrada. A variabilidade genética, por exemplo, é um dos fatores que permitem a evolução; a biodiversidade é, de forma sim- plificada, a consequência da se- leção natural ao longo do tempo. Principais conceitos da unidade Características hereditárias, herança mendeliana, cromos- somos, divisão celular, domi- nância e recessividade, mutação, cromossomos se- xuais, alterações genéticas e cromossômicas, manipulação genética, organismos transgê- nicos, teoria, hipótese, teoria da evolução, seleção natural, variabilidade genética, espe- ciação, isolamento reprodutivo, classificação biológica, origem da vida, abiogênese, biogênese, evolução humana, biodiversi- dade, unidades de conservação, sustentabilidade. Principais competências gerais da BNCC abordadas 2. Exercitar a curiosidade in- telectual e recorrer à abor- dagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, ela- borar e testar hipóteses, formular e resolver proble- mas e criar soluções (inclu- sive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências cultu- rais e apropriar-se de conhe- cimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mun- do do trabalho e fazer esco- lhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu proje- to de vida, com liberdade, autonomia, consciência crí- tica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos hu- manos, a consciência so- cioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cui- dado de si mesmo, dos outros e do planeta. Principais competências especí� cas da BNCC 1. Compreender as Ciências da Natureza como empreendimen- to humano, e o conhecimento científico como provisório, cul- tural e histórico. 2. Compreender conceitos fundamentais e estruturas explica- tivas das Ciências da Natureza, bem como dominar proces- sos, práticas e procedimentos da investigação científica, de modo a sentir segurança no debate de questões científicas, tecnológicas, socioambientais e do mundo do trabalho, con- tinuar aprendendo e colaborar para a construção de uma so- ciedade justa, democrática e inclusiva. 5. Construir argumentos com base em dados, evidências e in- formações confiáveis e negociar e defender ideias e pontos de vista que promovam a consciência socioambiental e o respeito a si próprio e ao outro, acolhendo e valorizando a di- versidade de indivíduos e de grupos sociais, sem preconcei- tos de qualquer natureza. 10 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 10 Família de quatis (Nasua nasua; um adulto tem cerca de 60 cm de comprimento desconsiderando a cauda) na Mata Atlântica, Rio de Janeiro (RJ). 10 L u iz C la u d io M a ri g o /N a tu re P L /E a s y p ix B ra s il 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 10 27/11/18 10:28 Mundo virtual A revista Genética na Es- cola apresenta muitas su- gestões de como se trabalhar conceitos de Genética e Evo- lução em sala de aula. Para buscar temas de interesse, consulte o site: <http://www. geneticanaescola.com.br/>. Acesso em: 6 out. 2018. Orientações didáticas Pergunte aos estudantes qual é a relação entre Genética, Evo- lução e biodiversidade. Utilize algumas questões como: “Por que os filhotes se parecem com seus pais?”, “Por que, mesmo com algumas diferenças entre os indivíduos, as espécies man- têm a uniformidade?”, “Por que temos espécies diferentes?”. Se desejar, aproveite a imagem de abertura para debater a pri- meira questão proposta. Em se- guida, utilize a espécie humana como exemplo, abordando a di- versidade de características das pessoas, como cor de olho, cor de pele, altura, formato do rosto, tipo de cabelo, etc. Pergunte aos estudantes se duas pessoas po- dem ser exatamente iguais. Mes- mo que eles considerem os gêmeos univitelinos (idênticos), destaque que podem existir di- ferenças devido à influência do ambiente, como o peso, presen- ça de cicatrizes, etc., ressaltando que, quanto mais próximo o grau de parentesco, mais os indivíduos tendem a ser similares entre si. Aproveite a imagem de aber- tura da unidade e as questões de sensibilização para deixar os es- tudantes à vontade para expor dúvidas e interesses pelos temas. Essa é uma oportunidade ade- quada parao desenvolvimento de algumas competências gerais da BNCC, como a que visa a cons- ciência socioambiental e o con- sumo responsável em âmbito local, regional e global, com po- sicionamento ético em relação ao cuidado do planeta. Se julgar pertinente, anote as dúvidas dos estudantes e procure esclarecê-las ao longo do estudo dos capítulos. Por se tratar de um tema amplo e com avanços constantes, os pontos levantados pelos estudantes, e eventualmente não explora- dos nos capítulos, podem ser trabalhados com reportagens ou atividades de pesquisa. Questões de sensibilização 1. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes consigam refletir sobre o que aprenderam no 6o ano sobre as células e as- sociar esse conhecimento ao que foi visto no 8o ano sobre a reprodução dos seres vivos. Os seres humanos observam e fa- zem cruzamentos de seres vivos muito antes das descobertas científicas sobre as células, seus núcleos e o material genético. Mendel, por exemplo, tinha um conhecimento básico sobre cruzamentos de plantas, e, usando um conhecimento da Matemática, construiu um modelo para prever o resultado de cruzamentos de seres vivos. 2. Respostas pessoais. Espera-se que os estudantes lembrem o que já aprenderam e considerem que a preservação de áreas naturais é uma medida para conter ou combater os desequilíbrios causados pelas atividades humanas. Neste momento, é possível que já consigam compreender que os impactos ambientais também impactam a sociedade. 11 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR 11 Genética, evolução e biodiversidade A Genética e a Evolução estudam como novas características surgem e como podem ser transmitidas através das gerações. Essas ciências permitem compreender como os genes e o ambiente influenciam as características dos seres vivos. Veremos que muitos cientistas estudam os processos evolutivos que geram diferentes espécies e que é nossa responsabilidade preservá-las. 14 Você já observou a reprodução de seres vivos a sua volta? Como explicaria as semelhanças entre um pai e um filho; entre uma gata e seus filhotes; ou entre plantas que nascem a partir de sementes do mesmo tipo? Seria possível fazer estudos sobre a reprodução dos seres vivos sem conhecer os detalhes que sabemos hoje sobre as células? 24 Os Parques Nacionais começaram a surgir no mundo no final do século XIX. São áreas naturais conservadas e administradas pelo governo. Você já visitou um? Na sua opinião, por que essas áreas são importantes não só para o ambiente, mas também para toda a sociedade? 1 UNIDADE Respostas das questões de sensibilização nas Orientações didáticas. 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 11 27/11/18 10:28 Respostas para A quest‹o Ž... Os filhos se parecem com os pais devido aos genes que recebem deles pelos gametas. Porque os gametas que se uniram na fecundação que originou um irmão, em geral, são diferentes dos da fecundação que originou outro ir- mão. Mesmo gêmeos idênticos, que foram fecundados pelos mesmos gametas, apresentam algumas diferenças, determinadas pelo ambiente. Em outros animais e nas plantas, as características são transmitidas através dos gametas, dos esporos ou da reprodução assexuada. Verifique o que os estudantes sabem sobre Mendel e seus estudos acerca da hereditariedade. Mendel fez inúmeros cruzamentos entre plantas de ervilha e analisou seus resultados, demonstrando como os fatores responsáveis por determinadas características são transferidos de uma geração para outra. Objetivos do capítulo Neste capítulo, será estuda- da a transmissão das caracte- rísticas hereditárias, desde os estudos de Mendel até os co- nhecimentos atuais sobre os fatores e estruturas responsá- veis por essa transmissão, co- mo cromossomos e genes. É importante que o estudante reconheça o desenvolvimento histórico do conhecimento, re- lacionando os saberes do pas- sado com os atuais. Habilidades da BNCC abordadas EF09CI08 Associar os gametas à transmissão das caracterís- ticas hereditárias, estabelecen- do relações entre ancestrais e descendentes. EF09CI09 Discutir as ideias de Mendel sobre hereditariedade (fatores hereditários, segregação, gametas, fecundação), conside- rando-as para resolver problemas envolvendo a transmissão de ca- racterísticas hereditárias em di- ferentes organismos. Orientações didáticas Peça aos estudantes que ob- servem a figura 1.1 e citem qual é a relação entre as pessoas da imagem e o que fez com que chegassem a essa conclusão. Podem ser citadas algumas ca- racterísticas compartilhadas entre pais e filhos ou mesmo entre irmãos, como cor e textu- ra dos cabelos, cor da pele, altu- ra, alguns tipos de doenças. Em seguida, pergunte o que essas características têm em comum – são herdadas geneticamente. Pergunte aos estudantes se as características de animais e plantas também são passa- das de uma geração a outra. Apresente alguns exemplos pa- ra que os estudantes compreen- dam que a hereditariedade é observada em todos os orga- nismos vivos. Se for necessário, retome alguns conceitos do 8o ano sobre reprodução. Sequência didática No Material Digital do Pro- fessor que compõe esta co- leção, você encontra a sugestão de Sequência Di- dática 1 do 1o bimestre, “Es- tudo da hereditariedade”, que poderá ser aplicada para tra- balhar os conceitos aborda- dos neste capítulo. 12 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade12 Transmissão das características hereditárias 1.1 Pais e filhos costumam ter muitas características em comum. Você sabe por que isso acontece? CAPÍTULO Se você tem irmãos, provavelmente já percebeu que vocês compartilham algumas características em comum, como o tipo de cabelo, o formato dos olhos ou o tom de pele. O mesmo ocorre entre pais e filhos. Veja a figura 1.1. Mas, a não ser que sejam gêmeos idênticos, dois irmãos também possuem muitas dessas características diferentes entre si. Você sabe explicar as semelhanças e diferenças entre irmãos, ou entre pais e filhos? Embora nossas características possam estar relacionadas ao ambiente que nos cerca e a nossa cultura, várias delas são herdadas de nossos pais. N o ri k o C o o p e r/ A la m y /F o to a re n a » Por que os filhos são parecidos com os pais? » E os irmãos, por que geralmente se parecem, mas nunca são completamente iguais? » O mesmo ocorre com outros animais? E em plantas? » Você sabe quem foi Mendel? Conhece alguma de suas contribuições no estudo da Genética? A questão é... 1 Respostas do boxe A questão é... nas Orientações didáticas. 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 12 27/11/18 10:28 Orientações didáticas Faça uma introdução históri- ca, mostrando como os concei- tos e as teorias de herança foram se modificando ao longo do tem- po. Depois, peça aos estudantes que organizem as informações em uma linha do tempo, inserin- do as principais ideias relacio- nadas ao tema e à época em que foram propostas, incluindo ou- tras descobertas importantes em Biologia (por exemplo, a ob- servação das primeiras células, descrição da mitose e meiose). Caso haja tempo e interesse, estimule-os a pesquisar infor- mações adicionais sobre estas e outras descobertas científicas até os trabalhos de Mendel, mon- tando um histórico de explica- ções sobre a semelhança entre pais e filhos. Essa proposta é interessante para que os estu- dantes percebam a ciência como um empreendimento humano e o conhecimento científico como provisório, desenvolvendo assim uma competência específica de Ciências da Natureza. 13 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 13 1 O trabalho de Mendel Devido aos avanços científicos na área da Genética, compreendemos há algum tempo que os genes são responsáveis pelas características hereditárias, ou seja, aquelas transmitidas de pais para filhos. Mas a semelhança entre pais e filhos já foiexplicada de diversas maneiras ao longo da história. Até meados do século XVIII, alguns cientistas acreditavam na teoria da pré-for- mação, segundo a qual cada espermatozoide conteria um indivíduo em miniatura, totalmente formado. Para outros cientistas, eram os fluidos do corpo, como o sangue, que continham as características transmitidas. Outra ideia presente ao longo da história é a de que os elementos que determi- navam as características paternas e maternas se misturavam nos filhos. Essa ideia ficou conhecida como teoria da herança misturada. De acordo com essa teoria, uma vez misturados, esses elementos não se separariam mais. Ideias como essas predo- minaram por quase todo o século XIX. Aproximadamente na mesma época, o monge austríaco Gregor Mendel (1822- -1884) realizava pesquisas sobre a hereditariedade, de 1858 a 1866, ano de publica- ção do resultado de suas pesquisas. Ele utilizou como objetos de estudo as ervilhas da espécie Pisum sativum e seus experimentos foram feitos no jardim de um mosteiro na cidade de Brünn, na Áustria (hoje Brno, na República Tcheca; pronuncia-se “brunó”). Veja a figura 1.2. Vamos ver agora como foram os experimentos de Mendel e como ele interpretou os resultados obtidos. Finalmente, veremos como os resultados podem ser interpre- tados com o conhecimento atual. Lembre-se de que na época de Mendel não se co- nheciam genes, cromossomos e outros conceitos que hoje nos permitem compreen- der melhor as leis da hereditariedade. Ainda hoje há vestígios desse conceito em expressões como cavalo “puro-sangue”. O trabalho de Mendel não recebeu a merecida atenção na época. O reconhecimento ocorreu somente por volta de 1900. v v o e /S h u tt e rs to ck 1.2 Mosteiro onde Mendel conduziu pesquisas sobre as leis da hereditariedade e que hoje é um museu. Por suas investigações, Mendel recebeu o título de “pai da Genética”. No detalhe, retrato de Mendel. Ciência Hoje das Crianças http://chc.org.br/ a-fantastica-historia-do- monge-e-suas-ervilhas Artigo que conta a história das descobertas de Mendel. Acesso em: 6 set. 2018. Mundo virtual R e pr od uç ão /N ati ona l Lib rary Of Medicine 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 13 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Pergunte aos estudantes por que a ervilha foi escolhida por Mendel como organismo de es- tudo. Deixe que eles exponham suas hipóteses sobre as van- tagens desse organismo para um estudo relacionado à repro- dução. Anote no quadro as ideias que surgirem e debata cada uma com base nos conhe- cimentos sobre reprodução de plantas estudados no 8o ano. Essa proposta exercita a curio- sidade, a reflexão, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipó- teses com base nos conheci- mentos das diferentes áreas e permite aos estudantes desen- volverem esta competência ge- ral da BNCC. Pode-se, ainda, comparar o ciclo reprodutivo de uma plan- ta e de um animal para eviden- ciar a dificuldade de promover a reprodução de indivíduos de interesse e a análise da prole. É importante que fiquem claras aos estudantes algumas das características vantajosas das ervilhas como organismo de estudo: a espécie apresenta fenótipos contrastantes; a ma- nipulação da espécie para se fazerem os cruzamentos e pa- ra a obtenção de linhagens pu- ras (homozigotas) é fácil; o tempo de geração é curto e o desenvolvimento é rápido; é obtido um grande número de sementes a cada cruzamento. Também pode ser feita uma comparação com estudos ge- néticos feitos em outros orga- nismos. Por exemplo, em organismos com tempo de ge- ração longa e com prole peque- na, como os seres humanos, geralmente são estudadas várias gerações de muitas famílias pa- ra caracterizar o padrão de he- rança de uma determinada característica, como a hemofilia e o daltonismo. 14 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade14 Os experimentos de Mendel Para realizar seus experimentos, Mendel escolheu a ervilha da espécie Pisum sativum para obter cruzamentos. Veja a figura 1.3. Essa planta apresenta uma série de características que facilitaram o estudo de Mendel. Por exemplo, é fácil de cultivar, produz muitas sementes e, consequentemente, um grande número de descendentes. Em muitos experimentos de ciência, é importante usar amostras grandes. Isso permite uma avaliação melhor dos resultados porque facilita a identificação de padrões. Veremos agora como os padrões encontrados por Mendel permitiram o início do estudo da Genética. Além disso, as plantas de ervilhas apresentam partes mas- culinas e femininas no mesmo pé. Assim, a parte masculina pode fecundar a parte feminina da mesma planta, processo conhecido como autofecundação. Também é possível fazer uma fecundação cruzada, isto é, uma fecundação entre duas plantas diferentes de ervilha, como veremos adiante. Outra vantagem é que a ervilha apresenta algumas varia- ções em suas características contrastantes e fáceis de se iden- tificar: por exemplo, a cor da sua semente é amarela ou verde, sem tons intermediários; a forma da semente é lisa ou rugosa. Veja a figura 1.4. Características das ervilhas estudadas por Mendel Forma da semente lisa rugosa Cor da semente amarela verde Forma da vagem lisa ondulada Cor da vagem verde amarela Cor da flor púrpura branca Posição da flor axial (ao longo do caule) terminal (na ponta do caule) Tamanho da planta alta (cerca de 2 m) baixa (menos de 0,5 m) 1.4 Quadro que apresenta algumas características da ervilha Pisum sativum estudadas por Mendel. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Fonte: elaborado com base em KROGH, D. Biology: a guide to the natural world. 5. ed. Boston: Benjamin Cummings, 2011. p. 194. Il u s tr a ç õ e s : In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra ; F o to s : M a rt in S h ie ld s /P h o to R e s e a rc h e rs ,I n c ./ L a ti n s to ck 1.3 Planta de ervilha da espécie Pisum sativum, acima, e sua vagem com sementes, abaixo. (O caule tem, em geral, entre 0,2 m e 2,4 m de comprimento; as sementes medem de 7 mm a 10 mm de diâmetro.) Ta m a ra K u lik o v a /S h u tt e rs to ck jo p e lk a /S h u tt e rs to ck 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 14 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Comente com os estudantes que, assim como escolher um bom organismo de estudo, é importante selecionar caracte- rísticas que apresentem varia- ções claras para facilitar a observação. Retome a figura 1.4 da página anterior para siste- matizar as características sele- cionadas por Mendel e as duas variantes de cada característica analisada. Destaque que Mendel reali- zou observações das plantas para descobrir as característi- cas que variavam e, para isso, buscou plantas provenientes de linhagens puras (homozi- gotas). Trabalhe com os estu- dantes a impor tância do método científico e dos dese- nhos experimentais para o avanço da ciência e confiabi- lidade dos dados. Utilize a figura 1.5 para per- guntar aos estudantes por que o cruzamento entre plantas que produzem sementes verdes e plantas que produzem semen- tes amarelas resulta em plantas que produzem apenas sementes amarelas. Deixe os estudantes levantarem hipóteses e debata cada uma, ajudando-os a pensar que o fator determinante da cor amarela se sobrepõe ao que de- termina a cor verde. Essa ideia auxiliará os estudantes a com- preender conceitos como domi- nância e recessividade e, mais adiante, dominância completa. Em seguida, questione-os por que a cor reaparece em uma segunda geração filial, como mostra a figura 1.5, buscando relacionar esse resultado à re- produção sexuada e à trans- missão de fatores de expressão de características pelos game- tas, sendo um feminino e um masculino. Dessa forma, deve ficar claro para os estudantes que cada característica é resul- tante dacombinação de dois fatores, herdados dos genitores. Explore a figura desta página para que seja favorecido o de- senvolvimento da habilidade EF09CI08 . Atividade complementar Peça aos estudantes que pesquisem outros organismos que são utilizados como modelo para estudos de Genética e em outras áreas da Biologia, como espécies de mosca do gênero Drosophila, o verme Caenorhabditis elegans, a levedura Saccharomyces cerevisiae e a planta Arabidopsis thaliana. Os estudantes devem descrever quais características principais desses organismos os tornam bons mode- los para pesquisas biológicas. 15 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 15 Para explicar a variação nas características encontradas na ervilha, Mendel supôs que, se uma planta tinha semente amarela, ela devia possuir algum “fator” responsável por essa cor. O mesmo ocorreria com a planta de semente verde, que teria um fator determinando essa coloração. Acompanhe na figura 1.5 uma representação simplificada do experimento de Mendel. Ao cruzar plantas de sementes amarelas com plantas de sementes verdes (chamadas geração parental ou P), ele obteve na 1a geração filial (chamada geração F1) apenas plantas que produziam sementes amarelas. O que teria acontecido com o fator para a cor verde? Hoje sabemos que a cor da ervilha é determinada por um gene, mas na época de Mendel não se sabia disso. Você estudou como ocorre a reprodução das plantas no 8o ano. L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra geração F1 geração P geração F2 autofecundação 100% de sementes amarelas sementes amarelas fecundação cruzada sementes verdes cerca de 75% de sementes amarelas cerca de 25% de sementes verdes Fonte: elaborado com base em GRIFFITHS, A. J. F. et al. Introduction to genetic analysis. 9. ed. New York: W. H. Freeman, 2008. p. 39. 1.5 Representação esquemática do experimento de Mendel. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) A resposta veio com a geração F2, isto é, a segunda geração filial, resultante do cruzamento de uma planta da geração F1 com ela mesma (por autofecundação). Reveja a figura 1.5. Em F2 a cor verde reapareceu em cerca de 25% das sementes obtidas. Assim, Mendel concluiu que o fator para a cor verde não tinha sido des- truído, ele apenas não se manifestava na presença do fator para a cor amarela. Com base nisso, ele considerou dominante a característica “ervilha amarela” e recessiva a característica “ervilha verde”. As conclus›es de Mendel Seguindo os mesmos princípios desse experimento, Mendel realizou novos cruzamentos para testar se outras características da ervilha (como a forma da semente ou a forma da vagem; reveja a figura 1.4) manifestavam-se de modo semelhante. Em todos os casos estudados, os resultados eram semelhantes ao que ele tinha observado para a característica cor da ervilha: a geração F1 tinha a característica do- minante e a geração F2 apresentava uma proporção média de 3 dominantes para 1 recessivo, isto é, havia, por exemplo, uma quantidade três vezes maior de ervilhas de cor amarela do que de ervilhas cor verde. sementes verdes geração Fgeração F22 autofecundação 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 15 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Reforce os conceitos de do- minância e recessividade e ve- rifique se conseguem aplicá-los a outras situações. Para isso, apresente outro cruzamento utilizando as características selecionadas por Mendel, como plantas de sementes rugosas (variante recessiva) com plan- tas de sementes lisas (varian- te dominante), e peça aos estudantes que levantem hipó- teses sobre o que aconteceria em F 1 (são obtidas apenas plan- tas que produzem sementes lisas) e em F 2 (reaparecimento da variante rugosa em menor quantidade). Essa proposta per- mite verificar a aprendizagem dos estudantes, além de per- mitir que desenvolvam a habi- lidade EF09CI09 . Em seguida, explore a técni- ca de Mendel para realizar os cruzamentos de interesse para seus estudos. Com base na fi- gura 1.6, ressalte aos estudan- tes a facilidade de manipulação de flores de ervilha e de realiza- ção de cruzamentos específicos. Pode ser uma boa oportunidade para retomar conhecimentos de anos anteriores sobre as par- tes reprodutivas das plantas e a que grupo de plantas a ervilha pertence (pela presença de flo- res, a ervilha pertence ao grupo das angiospermas). Ao relacio- nar temas atuais a temas tra- balhados em anos anteriores, os estudantes conseguem per- ceber que as diferentes áreas da ciência (como Genética e Botânica) estão relacionadas. Utilize o texto da seção Para saber mais para debater com os estudantes as diferenças entre autofecundação e fecun- dação cruzada, destacando que proles geradas por autofecun- dação geralmente apresentam menor variabilidade genética do que as geradas por fecunda- ção cruzada. Peça aos estudan- tes que elaborem hipóteses para explicar essa afirmação. 16 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade16 Para saber mais Considerando esse padrão encontrado, Mendel chegou a algumas conclusões para explicar seus resultados: • Cada organismo possui um par de fatores responsável pelo aparecimento de determinada característica. • Esses fatores são recebidos dos indivíduos da geração paternal; cada um contribui com apenas um fator de cada par. • Quando um organismo tem dois fatores diferentes, é possível que uma das características se manifeste (dominante) sobre a outra, que não aparece (re- cessiva). Essas conclusões foram reunidas em uma lei que ficou conhecida como primeira lei de Mendel ou lei da segregação de um par de fatores. É costume enunciá-la assim: “Cada caráter é condicionado por um par de fatores que se separam na formação dos gametas, nos quais ocorrem em dose simples”. Essa lei não se aplica a todos os tipos de herança, isto é, ela é válida apenas dentro de certos limites e para determinadas características. A técnica de Mendel Mendel podia decidir se promoveria cruzamentos por autofecundação ou por fecundação cruzada. A autofecundação pode ocorrer naturalmente quando os grãos de pólen produzidos nos estames (parte masculina da flor) caem sobre os carpelos (parte feminina) da mesma flor. Logo, se desejasse impedir esse tipo de cruzamento, Mendel abria a flor e removia os estames antes que a planta atingisse sua maturidade reprodutiva. Para realizar a fecundação cruzada, ele recolhia os grãos de pólen com um pincel e o passava no estigma (a abertura do carpelo) de outra flor. Veja a figura 1.6. No caso apresentado na figura 1.5, Mendel fez os cruzamentos parentais usando a parte masculina de uma planta de semente amarela e a parte feminina de uma planta de semente verde. Fonte: elaborado com base em KROGH, D. Biology: a guide to the natural world. 5. ed. Boston: Benjamin Cummings, 2011. p. 193. 1.6 A ilustração mostra como Mendel realizava a fecundação cruzada em ervilhas. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Neste caso, o pólen é transferido da flor branca para a flor púrpura. Após a fecundação, os óvulos desenvolvem-se e originam sementes (ervilhas), e o ovário desenvolve-se e origina o fruto (vagem). carpelo estames removidos flor branca estames coleta de grãos de pólen flor púrpura As ervilhas podem ser plantadas e originar novas plantas. In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 16 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Relembre aos estudantes como as informações genéticas estão organizadas na célula. Cada cromossomo corresponde a uma molécula de DNA, que é uma longa fita contendo inúme- ros genes, e apresenta diversos níveis de compactação, sendo que o maior deles é atingido durante a divisão celular. É nes- se momentoque os cromosso- mos estão visíveis como estruturas individualizadas e apresentam o formato de um “X”: o DNA está duplicado para que cada célula-filha receba a mesma quantidade de material genético. Além disso, é importante que os estudantes compreendam que uma molécula de DNA (ou cromossomo condensado) apre- senta diversos genes em sequên- cia e que isso está relacionado à transmissão conjunta desses genes. Destaque que na maioria dos organismos eucariontes os cro- mossomos das células somá- ticas existem aos pares, sendo chamados de cromossomos homólogos. 17 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 17 1.7 Nos organismos eucariontes o DNA fica dentro do núcleo da célula, organizado na forma de cromossomos. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Fonte: elaborado com base em GRIFFITHS et al. Introdução à Genética. Tradução de P. A. Motta. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. p. 4. M ic h e l R a m a lh o /A rq u iv o d a e d it o ra célula núcleo da célula cromossomo no início da divisão celular trecho do cromossomo DNA 2 Interpretação atual das conclusões de Mendel Para interpretar as conclusões de Mendel à luz dos conhecimentos atuais, vamos recordar alguns conceitos que você aprendeu no 6o ano, quando estudou a organização básica das células; e no 8o ano, sobre a reprodução dos seres vivos. Muitos desses conceitos não eram conhecidos por Mendel, uma vez que vários desses conhecimen- tos científicos só foram desenvolvidos com base nas ideias dele. Cromossomos e divisão celular Você viu que muitos organismos se reproduzem de forma sexuada. Nessa forma de reprodução são produzidas células especiais, os gametas, que se unem na fecun- dação, formando uma nova célula, o zigoto, também chamado célula-ovo. No núcleo dos gametas e das demais células existe um conjunto de minúsculos fios organizados em estruturas chamadas cromossomos (são mais visíveis ao micros- cópio quando a célula começa a se dividir). Eles são formados por uma substância química chamada ácido desoxirribonucleico: o DNA. Cada cromossomo contém mi- lhares de genes. Veja a figura 1.7. Na maioria das células de um organismo, os cromossomos ocorrem aos pares. Para cada cromossomo existe outro com a mesma forma e o mesmo tamanho. Esses pares de cromossomos são chamados homólogos. A ervilha estudada por Mendel, por exemplo, possui sete pares de cromossomos homólogos. Homólogo: vem do grego homoios, "igual", e logos, "relação". 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 17 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Comente com os estudantes que, ao contrário das células do restante do corpo (células somáticas), os gametas são haploides e apresentam apenas uma cópia de cada cromosso- mo. Explique que, dessa forma, após a fecundação, o zigoto formado apresenta o mesmo número de cromossomos que seus pais. Explore as figuras 1.9 e 1.10 (na página seguinte) para es- clarecer os conceitos e as dife- renças entre os processos de mitose e meiose. Se julgar pertinente e for pos- sível, sugerimos que utilize mas- sa de modelar para representar as principais fases da mitose, como mostrado na figura 1.9. 18 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade18 Nos gametas não há cromossomos em pares. Cada gameta contém apenas a metade do número de cromossomos das outras células do corpo. No caso da espécie humana, o espermatozoide e o ovócito II humanos têm, cada um, 23 cromossomos. Quando os gametas se unem na fecundação, forma-se o zigoto, com 46 cromossomos, que se divide em outras células, também com 46 cromossomos. Veja a figura 1.8. No caso da ervilha, há sete cromossomos nos gametas e 14 na maioria das outras células. Cromossomos encontrados nos gametas. Apesar de o zigoto se dividir, o número de cromossomos das células-filhas se man- tém. Isso ocorre porque, antes de uma célula se dividir, cada cromossomo do núcleo se duplica. Com a duplicação dos cromossomos, a divisão do zigoto origina duas células- -filhas com o mesmo número de cromossomos da célula original. Esse processo de di- visão da célula é chamado de mitose. Veja a figura 1.9. A d ils o n S e c c o /A rq u iv o d a e d it o ra Il u s tr a ç õ e s : H ir o e S a s a k i/ A rq u iv o d a e d it o ra B a n c o d e i m a g e n s / A rq u iv o d a e d it o ra espermatozoide zigoto ovócito II novo ser humano F o to s : L . W ill a tt /E a s t A n g lia n R e g io n a l G e n e ti c s S e rv ic e /S P L /L a ti n s to ck ⎫⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪⎬⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪⎭⎫⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪⎬⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪⎭ Pares de cromossomos encontrados no zigoto e na maior parte das células do corpo. célula do corpo divisões celulares 1.9 Esquema simplificado da mitose, processo pelo qual uma célula se divide e origina duas com o mesmo número de cromossomos. No esquema, foi representada uma célula hipotética com apenas 4 cromossomos. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) 1.8 Fotografias ao microscópio óptico do conjunto de cromossomos humanos presentes no gameta masculino (espermatozoide), no gameta feminino (ovócito II), no zigoto e em uma célula do novo ser humano. (Os gametas, o zigoto e as células do corpo são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) célula com 4 cromossomos duplicação dos cromossomos divisão da célula duas células idênticas à célula original (cada uma com 4 cromossomos) Mitose: vem do grego mitos, “fio”, e ose, “estado de”; os fios referem-se aos cromossomos. célula com 4 cromossomos duplicados 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 18 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Ainda utilizando massa de modelar, reproduza a meiose, apresentada na figura 1.10. Ao final da construção coletiva do modelo, retome os principais eventos que ocorrem em cada tipo de divisão, ajudando na compreensão de todo o proces- so e das diferenças entre mito- se e meiose. Em seguida, faça dois mode- los em massa de modelar com o mesmo número de cromos- somos, mas utilizando cores diferentes para representar os gametas formados pelo proces- so de meiose nos dois indiví- duos parentais. Em seguida, una os cromossomos dos dois gametas para representar a fe- cundação. Estimule os estu- dantes a relacionar o processo de reprodução sexuada e a meiose à transmissão de ca- racterísticas hereditárias e aos resultados dos experimentos de Mendel. Solicite aos estudantes que descrevam como são os cro- mossomos da célula hipotética apresentada na figura 1.10. Es- pera-se que observem apenas dois tamanhos de cromossomo e retome a explicação de que, em organismos diploides, como a maioria dos seres vivos, os cromossomos são encontrados aos pares, sendo um de origem materna e o outro de origem paterna. Auxilie os estudantes a com- preender que os bastões azuis representam as moléculas de DNA antes da divisão celular, e que os dois bastões lado a lado representam o DNA duplicado, com o cromossomo na forma de “X”. Utilize a figura 1.11 para mos- trar a posição de um gene no cromossomo e explique o con- ceito de alelo. Retome o mode- lo de massa de modelar feito anteriormente para explicar a divisão celular e marque alguns genes no mesmo cromossomo e simule o processo de divisão celular. Repita a simulação com genes localizados em cromos- somos diferentes. 19 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 19 E por que os gametas possuem metade do número de cromossomos das outras células de um organismo? Algumas das células do corpo sofrem uma divisão especial, chamada meiose,que produz células com a metade do número de cromossomos das demais. Veja a figura 1.10. Na espécie humana, por exemplo, esse processo ocorre nos testículos e nos ovários e são produzidos gametas (espermatozoides e ovócitos II). Já em plantas com flores, o processo ocorre na flor e as células produzidas são chamadas esporos, que depois se transformam em gametas. Meiose: vem do grego meios, “diminuição”. célula com 4 cromossomos duplicados 2 células com 2 cromossomos duplicados primeira divisão duplicação dos cromossomos segunda divisão 4 células com 2 cromossomos simples em cada uma célula com 4 cromossomos 1.10 Esquema simplificado da meiose, processo pelo qual uma célula se divide e origina quatro células, cada uma com a metade do número de cromossomos da célula original. No esquema, foram representados apenas 4 cromossomos. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Genes e as características hereditárias Observe na figura 1.11 uma representação simplificada de dois dos sete pares de cromossomos homólogos de uma célula da ervilha estudada por Mendel. O lugar em um cromossomo onde um gene está situado é chamado loco. Um par de cromossomos homólogos apresenta genes que atuam nas mesmas características e nas mesmas posições. Por exemplo, no primeiro par da figura, está o loco de um gene para a cor da semente em dois cromossomos homólogos; no outro, para a forma da semente. Em cromossomos homólogos pode haver formas ou versões diferentes de um mesmo gene. Essas di- ferentes versões são chamadas alelos. Assim, em um dos cromossomos da figura 1.11, por exemplo, há um alelo do gene para cor da semente que determina a cor amarela (representado pela letra V), e no loco cor- respondente do cromossomo homólogo há um alelo que determina a cor verde (representado pela letra v). No outro par, um dos cromossomos tem o alelo que determina semente com a superfície lisa (repre- sentado pela letra R) e o seu homólogo tem o alelo que determina semente com superfície rugosa (represen- tado pela letra r). L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra Alelos que condicionam a cor da semente. V v cromossomos homólogos cromossomos homólogos R r Alelos que condicionam a forma da semente. ⎫⎪ ⎪⎬⎪ ⎪⎭ ⎫⎪ ⎪⎬⎪ ⎪⎭ ⎫ ⎪ ⎪ ⎬ ⎪ ⎪ ⎭ ⎫ ⎪ ⎪ ⎬ ⎪ ⎪ ⎭ 1.11 Esquema simplificado de dois dos sete pares de cromossomos homólogos da célula da ervilha e dois pares de alelos em destaque. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Loco: vem do latim locus, “lugar”. Alelo: em grego, significa “de um a outro”, indicando reciprocidade. A d ils o n S e c c o /A rq u iv o d a e d it o ra 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 19 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Após apresentar as definições de homozigoto e heterozigoto e de fenótipo e genótipo, solicite aos estudantes que elaborem, no caderno, um glossário dos termos apresentados até o mo- mento (gene, alelo, loco, domi- nante, recessivo, homozigoto, heterozigoto, genótipo, fenóti- po). Pergunte se existem caracte- rísticas que são herdadas gene- ticamente, mas que podem ser modificadas por influência do meio ambiente, e cite alguns exemplos como: mudança no tom de pele após exposição ao sol, influência da disponibilidade de água e nutrientes no desen- volvimento de plantas e animais, etc. Dessa maneira, pode ser enfatizado que, para alguns gru- pos de características, apesar de o organismo apresentar um determinado genótipo, podem ocorrer modificações nos fenó- tipos exibidos devido a fatores ambientais. Os estudantes devem perce- ber que os genes não são os únicos fatores que influenciam nas características pessoais. O ambiente também pode ter uma grande interferência, não só nas características físicas, mas também no comportamento, uma vez que fatores culturais têm um papel preponderante sobre o ser humano. Trabalhe o texto da seção Ciência e sociedade para dis- cutir como o contexto histórico e social influencia a ciência. Dessa forma, os estudantes poderão compreender o conhe- cimento científico como provi- sório, cultural e histórico. 20 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade20 Por convenção, usamos a letra inicial do caráter recessivo (verde e rugoso, neste caso) para denominar os alelos: o alelo responsável pela característica dominante é indicado pela letra maiúscula e o responsável pela característica recessiva, pela letra minúscula. Assim, o alelo para a semente de cor amarela é representado pela letra V; o alelo para a cor verde pela letra v; para a forma lisa da semente é usada a letra R e para a forma rugosa, r. O conjunto de alelos que um indivíduo possui em suas células é chamado de genótipo. Em relação ao seu genótipo, um indivíduo ou uma planta com dois alelos iguais (VV ou vv, no caso da ervilha) são chamados homozigotos (ou “puros”, segun- do Mendel), e um indivíduo ou planta com dois alelos diferentes (Vv, no caso da er- vilha) são chamados heterozigotos (ou “híbridos”, termo usado por Mendel). O genótipo e os fatores ambientais influenciam no conjunto de características manifestadas pelo indivíduo, como a cor ou forma da semente, por exemplo; ou a cor dos olhos, a cor da pele e a altura de uma pessoa. Dizemos que essas características formam o fenótipo do indivíduo. Às vezes, o efeito do ambiente pode ser muito pequeno, como ocorre no caso da cor dos olhos de uma pessoa. Na maioria das vezes, porém, o ambiente pode influir bastante no fenótipo, como ocorre com a cor da pele. O termo ambiente abrange desde o ambiente interno de um organismo, como os nutrientes, até fatores físicos do ambien- te externo, como a luz do sol, a alimentação e também fatores sociais e culturais, como a aprendizagem. Por isso, é mais adequado falar que um gene influencia uma caracte- rística do que falar que um gene determina uma característica. Genótipo: vem do grego genos, “originar”, e typos, “característica”. Homozigoto: vem do grego homoios, “igual”, e zygos, “par”. Heterozigoto: vem do grego hetero, “diferente”, e zygos, “par”. Fenótipo: vem do grego phainein, “fazer aparecer”. Por que o trabalho de Mendel foi ignorado? O trabalho de Mendel permaneceu ignorado pela comunidade científica por mais de trinta anos. Para alguns historiadores, isso ocorreu porque as descobertas de Mendel foram ofus- cadas pela polêmica acerca do livro A origem das espŽcies, de Charles Darwin. Outros consideram que os agrônomos da época estavam mais interessados em resultados práticos do que nas generalizações estatísticas de Mendel. E talvez os cientistas ainda não estivessem preparados para o uso da Estatística como Mendel estava. O certo é que as descobertas feitas nos estudos das células, que dariam uma evidência física para a hereditariedade, só ocorreram entre 1882 e 1903, e o trabalho de Mendel foi publicado em 1866. A redescoberta dos trabalhos de Mendel ocorreu por três cientistas que compreenderam e apoiaram suas ideias. William Bateson (1861-1926; figura 1.12) estudava variações encontradas nas plantas e já tinha uma ideia de como planejar os experimentos mesmo antes de ler o trabalho de Mendel. Já Hugo de Vries (1848-1935; figura 1.13) e Carl Erich Correns (1864-1933; figura 1.14) de- senvolveram de forma independente experimentos similares aos de Mendel e chegaram a conclusões semelhantes. É interessante pensar que, mesmo se Mendel não tivesse desenvolvido seus trabalhos, outros pesquisadores chegariam a conclusões semelhantes. Mesmo assim, houve oposição, principalmente pelo fato de as leis de Mendel não poderem ser aplicadas para todas as carac- terísticas hereditárias. Ci•ncia e sociedade Fonte: elaborado com base em HENIG, R. M. O monge no jardim. Rio de Janeiro: Rocco, 2001; IB-USP. A redescoberta e a expansão do mendelismo. Disponível em: <http://dreyfus.ib.usp.br/bio203/texto4.pdf>. Acesso em: 10 set. 2018. Por convenção, a letra maiúscula sempre é escrita antes da letra minúscula. 1.12 William Bateson (1861-1926). 1.14 Carl Erich Correns (1864-1933). 1.13 Hugo de Vries (1848-1935). A altura e o peso de uma pessoa, por exemplo, são influenciados por sua alimentação, ou seja, por um fator do ambiente. N a tu ra l H is to ry M u s e u m , L o n d o n /S P L /F o to a re n a U IG /B ri d g e m a n I m a g e s /F o to a re n a A m e ri c a n P h ilo s o p h ic a l S o c ie ty / S P L /F o to a re n a 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 20 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Para enfatizar os conceitos apresentados até o momento, retome o cruzamento entre uma planta produtora de sementes amarelas e uma planta produ- tora de sementes verdes utili- zando o modelo de massa de modelar para explicar os resul- tados obtidos na primeira e na segunda geração. Utilize a figura 1.15 para mos- trar a presença do gene em um dos cromossomos da ervilha e a existência de dois alelos para o mesmo gene: V – condicio- nando a cor amarela – e v – condicionando a cor verde. Explique que, por convenção, geralmente se utiliza a inicial da variante recessiva (no caso, a cor verde) para nomear o ale- lo. Mostre que a primeira gera- ção possui o alelo recessivo: embora todas as plantas pro- duzam sementes de cor ama- rela, é a presença desse alelo recessivo que permite o reapa- recimento da cor verde na se- gunda geração quando dois gametas com o alelo v se en- contram, produzindo um indi- víduo de genótipo vv. Caso os estudantes levan- tem alguma dúvida ou deseje reforçar os conceitos, utilize uma nova característica e re- pita a explicação. O trabalho com os conteúdos desta pági- na é importante para o desen- volvimento da habilidade EF09CI08 . Mundo virtual Para conhecer uma pro- posta interessante e traba- lhar os conceitos da 1a e 2a leis de Mendel, consulte o artigo “Aprendendo com as ervilhas de Mendel”, dispo- nível em: <http://docs. wixstatic.com/ugd/b703be_ 7acefd73e1774bb7a54f 72c966af8547.pdf>. Acesso em: 6 out. 2018. 21 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 21 Explicação dos resultados de Mendel Como você aplicaria agora os conceitos que acabou de aprender para explicar os resultados e as conclusões a que Mendel chegou ao fazer seus experimentos com ervilhas? A que correspondem os “fatores” de Mendel? Vamos analisar o caso da cor da ervilha como exemplo. Você aprendeu que na maioria das células os cromossomos ocorrem aos pares: são os cromossomos homólogos. Você também estudou que em cromossomos ho- mólogos podem existir formas ou versões diferentes de um mesmo gene, os alelos. Assim, em um cromossomo pode haver um alelo para cor da semente que condiciona semente amarela (V), e na posição correspondente do outro cromossomo do par pode haver um alelo que determina a semente verde (v). Essa planta pode ser representada por Vv e terá semente amarela, já que a cor verde é recessiva. Uma planta com se- mente verde será representada por vv. Já uma planta de semente amarela pode ser VV (se for homozigota) ou Vv (se for heterozigota). Acompanhe a descrição a seguir, observando a figura 1.15. VV vv gameta masculino gameta feminino mitoses zigoto V v V v Vv L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra 1.15 Esquema simplificado representando a produção de gametas e a fecundação entre uma planta de ervilha amarela e uma planta de ervilha verde, ambas homozigotas. (Gametas e cromossomos são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Uma planta de ervilha amarela homozigota pode ser representada por VV, indi- cando que ela possui dois alelos para a cor amarela em suas células. Essa planta irá produzir apenas gametas com o alelo V. A planta de ervilha verde, representada por vv, irá produzir apenas gametas com o alelo v. Com a fecundação, forma-se então uma planta amarela heterozigota, representada por Vv. Reveja a figura 1.15. Foi isso que aconteceu na formação da primeira geração no cruzamento de Mendel: plantas de ervilhas amarelas cruzadas com as de ervilhas verdes originaram apenas plantas de ervilhas amarelas (Vv). Você se lembra de que, quando Mendel realizou a autofecundação das ervilhas amarelas da primeira geração (F 1 ), ele obteve ervilhas com sementes amarelas e ver- des na proporção aproximada de 3 amarelas para cada verde? Como podemos explicar esse resultado? Essa proporção nos ajuda a prever o resultado de outros cruzamentos? Vv 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 21 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Pergunte aos estudantes quais serão os gametas pro- duzidos por indivíduos que são homozigotos dominantes ou recessivos e por indivíduos heterozigotos. Deve ficar claro para eles que, nos homozigo- tos, os dois alelos são iguais; logo 100% dos gametas terão a mesma constituição alélica. Já os heterozigotos apresen- tarão dois tipos de gameta, sendo 50% de gametas de ca- da tipo, pois apresentam dois alelos distintos para o mesmo gene. O intuito é que os estu- dantes percebam que é possí- vel deduzir os genótipos dos indivíduos de acordo com as características exibidas por eles e por seus ancestrais (pais, avós, irmãos, filhos). Utilize a figura 1.17 para evi- denciar por que o cruzamento entre indivíduos heterozigotos origina 75% de indivíduos com a característica dominante e 25% com a característica reces- siva, reforçando a habilidade EF09CI08 . Mundo virtual Para reforçar a aprendi- zagem de alguns conceitos importantes de Genética vis- tos até o momento e o en- tendimento dos resultados do cruzamento de ervilhas, utilize em sala de aula o jo- go disponível em: <http:// www.biologia.seed.pr.gov. br/arquivos/File/jogo_das_ ervilhas.pdf>. Acesso em: 27 out. 2018. 22 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade22 Observe a explicação dos resultados na figura 1.16. A ervilha amarela da geração F 1 é heterozigota (Vv). Então ela irá produzir game- tas com o alelo V e gametas com o alelo v. Isso ocorre na mesma proporção, ou seja, metade dos gametas terá o alelo V e a outra metade terá o alelo v. A autofecundação de uma planta Vv equivale ao cruzamento entre duas plantas heterozigotas (Vv e Vv). As fecundações ocorrem ao acaso. Isso significa que o fato de um gameta possuir determinado alelo não faz com que ele tenha chance maior de fecundar ou ser fecundado. Um gameta com o alelo V tem a mesma chance ou pro- babilidade – de 50% – de fecundar (ou ser fecundado) que um gameta com o alelo v. Veja na figura 1.17 que há quatro possibilidades de fecundação na formação das sementes da segunda geração. Note que elas têm chances iguais de ocorrer: • 25% de chance de um gameta masculino V fecundar um gameta feminino V, formando uma semente VV; • 25% de chance de um gameta masculino V fecundar um gameta feminino v, formando uma semente Vv; • 25% de chance de um gameta masculino v fecundar um gameta feminino V, formando uma semente Vv; • 25% de chance de um gameta masculino v fecundar um gameta feminino v, formando uma semente vv. 1.17 Representação esquemática das fecundações possíveis na formação das sementes da segunda geração. (Gametas são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.)25% 25% 25% 25% V vgametas Vv Vv vvVV Il u s tr a ç õ e s : M a rt in S h ie ld s /P h o to R e s e a rc h e rs , In c ./ L a ti n s to ck /A rq u iv o d a e d it o ra genótipos possíveis 1.16 Interpretação dos resultados da autofecundação das plantas de ervilhas amarelas e heterozigotas. Observe a proporção de ervilhas amarelas e verdes obtidas em F2. (Gametas são microscópicos. Elementos representadosem tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Geração F1 100% Autofecundação Gametas Fecundações possíveis Geração F2 Fonte: elaborado com base em HOEFNAGELS, M. Biology: concepts and investigations. 4. ed. New York: McGraw-Hill, 2018. p. 192. 3 gametas masculinos gametas femininos V Vv v M a rt in S h ie ld s /P h o to R e s e a rc h e rs , In c ./ L a ti n s to ck V v vvVvVvVvVV VvVv Vv 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 22 27/11/18 10:29 Orientações didáticas A figura 1.18 apresenta outra forma de representação de cru- zamento: o quadro de Punnett. Proposta pelo geneticista inglês Reginald Punnett (1875-1967), trata-se de um modo prático de resolver determinados proble- mas de genética. Estimule os estudantes a adotar essa re- presentação quando forem re- solver algum problema de Genética. Nela, os alelos dos indivíduos parentais são ano- tados de cada lado do quadro, obtendo-se os resultados do cruzamento nas intersecções entre linhas e colunas. Essa representação facilita a visua- lização da proporção de indiví- duos de cada fenótipo e genótipo que são esperados de cada cruzamento. Pode ser feito um trabalho em conjunto com o professor de Matemática para introduzir os conceitos de probabilidade, pois grande parte da dificulda- de de os estudantes compreen- derem alguns aspectos da Genética advém da dificuldade com os cálculos. Enfatize a importância na ciência de se utilizar testes es- tatísticos e trabalhar, sempre que possível, com grande núme- ro de casos. Por exemplo, um teste para comprovar a eficácia de um medicamento feito com apenas 20 pessoas não tem o mesmo rigor que outro feito com centenas ou milhares de pes- soas. Quanto maior o tamanho da amostra, maior a confiabili- dade do teste. 23 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 23 Embora existam quatro possibilidades de fecundação, cada uma com 25% de probabilidade de ocorrer, duas delas resultam no mesmo tipo de genótipo: Vv. Portan- to, podemos esperar desse cruzamento a proporção de uma semente com genótipo VV, duas Vv e uma vv (isto é, três sementes amarelas e uma verde a cada quatro se- mentes), ou, em porcentagem, 75% amarelas 3– 4 e 25% verdes 1– 4 . Veja outra forma de representar esse cruzamento no quadro a seguir, na figura 1.18, onde estão representados os gametas originados pelos indivíduos no cruzamen- to e os resultados das fecundações possíveis. Lembre-se de que há duas possibilida- des de uma semente Vv ser formada: quando um gameta masculino V fecunda um gameta feminino v e quando um gameta masculino v fecunda um gameta feminino V. gameta V gameta v V VV Vv v Vv vv gameta gameta 1.18 Representação do cruzamento entre uma planta feminina ( ) Vv e uma planta masculina ( ) Vv. Nesse quadro é possível verificar a proporção com a qual os genótipos se formam. 1.19 O lançamento de moedas é feito em alguns esportes para sortear quem começará a partida. Você sabe por quê? Por isso, o genótipo Vv aparece duas vezes no quadro e tem de ser contado duas vezes quando calculamos a proporção de, em quatro sementes, duas serem Vv. Veja que no quadro aparecem os genótipos VV (uma vez); Vv (duas vezes) e vv (uma vez). Como no quadro aparecem quatro possibilidades, a frequência de genótipos VV é 1– 4 ; a de Vv, 2– 4 ; a de vv, 1– 4 . Em outras palavras, a proporção genotípica é 1 : 2 : 1. Ao estudar o resultado de eventos que ocorrem ao acaso, como a fecundação, é importante considerar que calculamos as chances de cada evento ocorrer, o que não necessariamente corresponde ao que realmente acontece. Usamos para esses cálculos uma teoria da Matemática, a teoria da probabilidade, que tem aplicações em várias ciências. Para exemplificar isso, podemos analisar um evento mais simples, como o lançamento de uma moeda. Veja a figura 1.19. Ao jogarmos uma moeda para o alto, existe 50% de chances de sair cara e 50% de chances de sair coroa. Dificilmente veremos resultados coerentes com essa probabi- lidade ao analisar poucos lançamentos: em quatro lançamentos, por exemplo, pode ser perfeitamente possível obter 3 caras e 1 coroa. Entretanto, à medida que aumentamos o número de lances, a chance de o resul- tado obtido sair diferente do esperado diminui. Com isso, podemos obter um resulta- do aproximado de 50% de caras e 50% de coroas. Quanto maior o número de lança- mentos, mais os resultados obtidos se aproximarão dos valores esperados. Isso significa que, da mesma forma que ocorre com as moedas, os resultados obtidos com fecundações serão mais próximos aos resultados esperados quando analisarmos um grande número de descendentes: quanto maior o número, menor o desvio estatístico (há testes estatísticos para avaliar esses desvios). No caso de um cruzamento de ervilhas heterozigotas para a cor da semente, por exemplo, quanto maior o número de descendentes, mais próximos devemos ficar da proporção esperada de 3 : 1 (proporção fenotípica) ou de 1 : 2 : 1 (proporção genotípi- ca). Por isso, Mendel analisava sempre um grande número de indivíduos. Ao resolver atividades de Genética, calculamos o resultado esperado pela teoria da probabilidade. u rf in /S h u tt e rs to c 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 23 27/11/18 10:29 Orientações didáticas Uma maneira de verificar se os estudantes compreenderam os conceitos relativos à primei- ra lei de Mendel é com a reso- lução de exercícios. Aproveite esse momento para trabalhar com os estudantes a Atividade resolvida, desenvolvendo a ha- bilidade EF09CI09 e esclare- cendo eventuais dúvidas. Caso julgue necessário, peça aos estudantes que realizem a mesma atividade, mas altere o genótipo de um dos indivíduos parentais para um homozigoto recessivo. Note que, nesse ca- so, a tabela com os possíveis gametas sofrerá alteração, pois o indivíduo homozigoto vai pro- duzir apenas um tipo de game- ta e, como resultado, teremos metade dos indivíduos de pelo curto, heterozigotos, e metade dos indivíduos de pelo longo, homozigotos recessivos. 24 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade24 Considere que em porquinhos-da-índia o fenótipo pelo curto é dominante sobre o fenótipo pelo longo e que esse tipo de herança obedece à primeira lei de Mendel. Veja a figura 1.20. a) Qual o resultado do cruzamento entre dois porquinhos-da-índia heterozigotos para o tipo de pelo? Resolução: Como o alelo pelo curto é dominante e os dois porquinhos-da-índia são heterozigotos, o genótipo de cada um deles é LL. Cada um dos indivíduos produz dois tipos de gameta em igual proporção: a metade com o alelo L e a outra metade com alelo L. Veja a figura 1.21: Considerando que os encontros dos gametas ocorrem ao acaso, podemos calcular as chances de formação de cada genótipo e fenótipo. Analisando o quadro, vemos que os filhotes terão pelo curto em 75% dos casos (50% LL e 25% LL); e terão pelo longo (LL) em 25% dos casos. Isso quer dizer que quanto maior o número de filhotes originados desse cruzamento, mais o resultado irá se aproximar da proporção de 75% para 25%. b) O que aconteceria se o cruzamento fosse entre um porquinho-da-índia de pelo curto e heterozigoto e um de pelo longo? Resolução: O porquinho-da-índia de pelo curto e heterozigoto (LL) produz dois tipos de gameta em igual proporção, como aca- bamos de ver. Já o porquinho-da-índia de pelo longo é homozigoto (LL) e origina apenas um tipo de gameta (L). Então, só há dois tipos de fecundações possíveis em relação a esses alelos: um gameta L irá fecundar um gameta L ou um gameta L irá fecundar um gameta também L. O resultado é que 50% dos filhotes terão pelo curto (serão LL) e 50% terão pelo longo (serão LL). 1.20 Fenótipos e genótipos dos porquinhos-da-índia em relação ao tipo de pelo. O pelo curto é dominante sobre o pelo longo e aherança obedece à primeira lei de Mendel. (Cores fantasia.) 3 Resolução de problemas de genética A primeira lei de Mendel explica a transmissão de muitas características em várias espécies de plantas e animais. Veja a seguir se você já sabe usar seus conhecimentos de genética para resolver problemas, acompanhando a resolução de algumas questões. Atividade resolvida Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra / A rq u iv o d a e d it o ra Fenótipos: pelo curto pelo longo Genótipos: LL ou LL LL 1.21 Quadro de possíveis resultados do cruzamento de dois porquinhos-da-índia heterozigotos para o tipo de pelo. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) L L L LL – pelo curto LL – pelo curto L LL – pelo curto LL – pelo longo gameta gameta gameta gameta genótipo: LL fenótipo: pelo curto genótipo: LL fenótipo: pelo curto LLLL – pelo longo 3 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 24 27/11/18 10:30 Orientações didáticas Apresente aos estudantes os heredogramas, que são muito utilizados para repre- sentar a presença de deter- minada característica em uma família ou em outros grupos animais. Explique o que cada símbolo, fio e cor representam e solicite aos estudantes que montem um heredograma da sua própria família (deixe sem- pre aberta a possibilidade de montagem de heredogramas hipotéticos, para o caso de haver na turma estudantes que tenham sido adotados e desconheçam sua genealogia, evitando, assim, submetê-los a constrangimento). Por fim, sugerimos que tra- balhe com os estudantes a Ati- vidade resolvida. Peça a eles que utilizem o quadro com os tipos de gameta de cada indi- víduo para calcular a probabili- dade de o casal proposto ter um filho com albinismo. Espera-se que os estudantes montem um quadro semelhante ao repro- duzido a seguir: A a A AA (25%) Aa (25%) a Aa (25%) aa (25%) Dessa forma, tem-se as se- guintes probabilidades: 50% dos filhos serão portadores do ale- lo para o albinismo (serão in- divíduos heterozigotos), 25% serão homozigotos dominantes e apenas 25% terão albinismo. Pode-se complementar a ati- vidade alterando o fenótipo de um dos parentais, por exemplo: a probabilidade de um casal composto de um indivíduo com albinismo e de outro com pig- mentação normal (50%). Neste momento, pode ser interessante resolver coletiva- mente com os estudantes a atividade do De olho no texto, apresentada ao final deste ca- pítulo. 25 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR Transmissão das características hereditárias • CAPÍTULO 1 25 P e d ro K ir ilo s /A g e n c ia O G lo b o No próximo exemplo estudaremos um caso em seres humanos. Muitas caracte- rísticas humanas são hereditárias, quer dizer, são herdadas da mãe e do pai e podem ser transmitidas aos descendentes caso tenham filhos. Veja na figura 1.22 que podemos representar a união de um casal e seus filhos por meio de um diagrama chamado heredograma. Por convenção, o quadrado representa um indivíduo do sexo masculino e o círculo representa um indivíduo do sexo feminino. Um traço horizontal entre os dois simboliza a união de um casal, em seres humanos, ou um cruzamento, em outras espécies. Os filhos estão representados na linha de baixo e um traço vertical liga os pais aos filhos. Os portadores da característica analisada também podem ser identificados no heredograma com uma cor diferente. 1.23 Músico brasileiro Hermeto Pascoal, nascido em Alagoas no ano de 1936. Ele tem uma condição chamada albinismo, em que a produção de melanina é ausente ou muito baixa, deixando a pele e os cabelos brancos, entre outras características. 1.22 Exemplo de heredograma de casal com um filho e três filhas. sem a característica analisada com a característica analisada homem mulher homem mulher Um homem e uma mulher que não tenham albinismo podem gerar um filho com albinismo? Se isso for possível, represente essa situação por meio de um heredograma. Resolução: Se tanto o homem quanto a mulher possuírem um alelo para albinismo, eles têm chance de ter um filho com essa característica. Em outras palavras, se ambos forem Aa, poderão ter um filho aa. No exemplo da figura 1.24, um homem e uma mulher sem albinismo tiveram um filho também sem a condição e uma filha com albinismo. Como a filha possui a característica que está sendo estudada, o albinismo, o círculo que a representa recebe uma cor escura. Observe que o filho pode ser AA ou Aa, mas a filha é obrigatoriamente aa, já que estamos considerando que esse tipo de albinismo é uma característica recessiva. Ambos os pais têm de ser Aa, caso contrário, não poderiam ter uma filha com albinismo. Lembre-se de que um dos alelos vem do pai e outro da mãe. Um exemplo de característica hereditária é o albinismo. Uma pes- soa com albinismo não produz melanina, o pigmento responsável pela cor da pele. Veja a figura 1.23. Há vários tipos de albinismo. Aqui o termo é usado para o tipo mais comum, causado por um alelo recessivo. Nesse caso, há um alelo do- minante envolvido na produção de melanina – que podemos chamar de alelo A – e um alelo recessivo que impede ou deixa em níveis muito baixos a produção de melanina – o alelo a. 1.24 Representação simplificada da união de um casal, ambos heterozigotos para albinismo, e de seus dois filhos, um deles com albinismo (a menina). Aa Aa AA ou Aa aa Atividade resolvida 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 25 27/11/18 10:30 Orientações didáticas O texto da seção Para saber mais convida os estudantes a pensar se, ao ser analisada mais de uma característica por vez, haverá alguma alteração nas proporções de genótipos e fe- nótipos esperados na prole. Peça aos estudantes que sugiram maneiras de estudar duas características, como a cor e a forma das sementes de Mendel, sabendo que os genes das duas características ficam em cromossomos diferentes. Essa pode ser uma abordagem para introduzir a segunda lei de Mendel ou a lei da segrega- ção independente. Ressalte que, na formação dos gametas, os alelos se se- gregam independentemente, desde que esses alelos estejam localizados em cromossomos distintos. Caso os estudantes apresentem dificuldades em es- tabelecer os gametas, utilize novamente o modelo de massa de modelar sugerido para repre- sentar a meiose, indicando, em cromossomos distintos, os ale- los de cada gene. Depois de definir os tipos de gameta, oriente os estudantes a montar o quadro dos gametas para estabelecer os genótipos e fenótipos do cruzamento de dois indivíduos heterozigotos para as duas características, mostrando que a prole apresen- tará a proporção fenotípica de 9:3:3:1. 26 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade26 Para saber mais A segunda lei de Mendel A primeira lei de Mendel analisa uma caracterí stica de cada vez: apenas a cor da semente ou apenas sua textura, por exemplo. Seria possível analisar mais de uma característica ao mesmo tempo? Mendel cruzou ervilhas puras (homozigotas) para semente amarela e para superfí cie lisa (caracteres dominantes) com ervilhas de semente verde e superfí cie rugosa (caracteres recessivos). Constatou que F1 era totalmente constituí da por indiví duos com sementes amarelas e lisas, o que era esperado, uma vez que esses caracteres sã o dominantes e os pais eram homozigotos. Ao provocar a autofecundaç ã o de um indiví duo F1, observou que a geraç ã o F2 era composta de quatro tipos de sementes: amarela e lisa, amarela e rugosa, verde e lisa, verde e rugosa. Os fenó tipos “amarela e lisa” e “verde e rugosa” já eram conhecidos, mas os tipos “amarela e rugosa” e “verde e lisa” nã o estavam presentes na geraç ã o parental nem na F1. A partir desses dados, Mendel formulou sua segunda lei, també m chamada lei da recombinaç ã o ou lei da segregaç ã o independente, que pode ser enunciada daseguinte maneira: “Em um cruzamento em que estejam envolvidos dois ou mais caracteres, os fatores que condicionam cada um se separam (se segregam) de forma independente durante a formaç ã o dos gametas, recombinam-se ao acaso e formam todas as combinaç õ es possí veis”. Em termos atuais, dizemos que a separação do par de alelos para a cor da semente (V e v, com V condicionando semente amarela e v, semente verde) não interfere na separação do par de alelos para a forma da semente (R condi- cionando semente lisa e r, semente rugosa). O genó tipo de plantas de ervilhas com sementes amarelas e lisas puras (homozigotas) é VVRR e o de plantas com sementes verdes e rugosas é vvrr. A planta VVRR produz gametas VR, e a planta vvrr, gametas vr. A uniã o de gametas VR e vr produz apenas um tipo de planta na geraç ã o F1: VvRr. Esse indiví duo é duplamente heterozigoto, ou seja, he- terozigoto para a cor da semente e heterozigoto para a forma da semente, e produz quatro tipos de gametas: VR, Vr, vR e vr. Todos podem ocorrer com a mesma frequê ncia: 25% ou 1– 4 . As sementes resultantes da autofecundaç ã o dessa planta duplo-heterozigota (VvRr) serã o as possí veis combinaç õ es entre esses quatro tipos de gametas. Isso pode ser visto na figura 1.25. Os cruzamentos com duas ou mais características ao mesmo tempo são mais complexos. 1.25 Resultado do cruzamento de duas ervilhas heterozigotas para a cor da semente (amarela ou verde) e para a forma da semente (lisa ou rugosa) – as sementes de ervilha tê m cerca de 7 mm a 10 mm de diâ metro. Veja que há genótipos repetidos e diferentes que correspondem ao mesmo fenótipo. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Fonte: elaborado com base em RUSSELL, P. J.; HERTZ, P. E.; McMILLAN, B. Biology: The Dynamic Science. 4. ed. Boston: Cengage, 2017. p. 261. Proporção fenotípica • 9 — 16 amarela e lisa • 3 — 16 amarela e rugosa • 3 — 16 verde e lisa • 1 — 16 verde e rugosa VR Vr vR vr VR VVRR VVRr VvRR VvRr Vr VVRr VVrr VvRr Vvrr vR VvRR VvRr vvRR vvRr vr VvRr Vvrr vvRr vvrr Geraç ã o F 2 VVRR 3 Geraç ã o P VvRr (autofecundação) vvrr Geraç ã o F 1 M a rt in S h ie ld s /P h o to R e s e a rc h e rs ,I n c ./ L a ti n s to ck 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 26 27/11/18 10:30 Respostas e orientações didáticas Antes de debater as ativida- des propostas ao final do capí- tulo, sugerimos retomar o boxe A questão é... no início do capí- tulo. Peça que leiam os próprios registros e façam as modifica- ções e adequações necessárias para corrigir as respostas. Caso julgue necessário, solicite aos estudantes que troquem o re- gistro com um colega. Dessa maneira, entrarão em contato com diferentes respostas para a mesma questão e consegui- rão compará-las com as suas, valorizando as ideias de outras pessoas para a construção de suas próprias concepções. Aplique seus conhecimentos Estas atividades podem ser usadas, conforme o professor julgar mais adequado, para sis- tematizar conceitos vistos ao longo do capítulo. 1. a) O número 3. Gametas (es- permatozoide e ovóci- to II). b) 46. c) Meiose. d) 23. e) 46. f) Mitose. 2. Gametas não podem ser heterozigotos porque não há pares de cromossomos homólogos ou de alelos em um gameta. 3. a) Aos alelos de um gene. b) V e v. Espera-se que se- jam produzidos na mes- ma proporção: 50% de cada tipo. c) A meiose. 4. No cruzamento de Vv com vv (verde), Vv produzirá os gametas V e v, enquanto vv produzirá apenas ga- metas v. Considerando que os cruzamentos ocorrem ao acaso, esperamos con- seguir 50% de ervilhas ver- des (vv) e 50% de ervilhas amarelas (Vv). 5. a) VV. b) Vv. c) vv. 27 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR ATIVIDADES ATIVIDADES 27 Aplique seus conhecimentos Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. homem mulher espermatozoide ovócito II zigoto fecundação novo indivíduo 1 2 2 3 4 3 5 1 1 1 4 A figura abaixo representa: indivíduos que produzem gametas, a fecundação e a geração de um novo indivíduo. Observe a figura 1.26 e responda às questões no caderno. a) Qual é o número que representa os elementos relacionados à transmissão de características dos pais para o filho? b) Qual é o número de cromossomos da maioria das células do nosso corpo? c) O número 2 indica o tipo de divisão celular que origina 3. Qual é o nome dessa divisão? d) O número 3 indica o número de cromossomos dos gametas da espécie humana. Qual é esse número?. e) O número 4 indica o número de cromossomos do zigoto. Qual é esse número? f) O número 5 indica o tipo de divisão celular pelo qual o zigoto origina a maioria das células do corpo. Qual é o nome dessa divisão? 2 4 Um estudante afirmou que os gametas de um indivíduo eram heterozigotos. Por que essa afirmação está errada? 3 4 De acordo com a primeira lei de Mendel, características transmitidas, como a cor de uma semente de ervilha, são condicionadas por um par de fatores que se separam na formação dos gametas. a) A que correspondem os “fatores” considerados por Mendel? b) Que tipos de gametas um indivíduo Vv pode produzir? Em que proporção esses gametas são produzidos? c) Que processo é responsável pela separação desses fatores durante a formação dos gametas? 4 4 Se cruzarmos uma planta de genótipo Vv para cor de ervilha com uma planta que produz apenas ervilhas verdes, que proporção de ervilhas amarelas e verdes você espera conseguir? Justifique sua resposta indicando os genótipos das ervilhas. 5 4 Utilizando letras (use a letra inicial da característica recessiva), mostre os genótipos das seguintes plantas de: a) ervilhas de sementes amarelas que cruzadas entre si nunca originavam ervilhas verdes; b) ervilhas de sementes amarelas que cruzadas entre si originavam ervilhas amarelas e verdes; c) ervilhas de sementes verdes. 1.26 Esquema da união dos gametas e da formação de um novo indivíduo da espécie humana. (Gametas e outras células são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) M ic h e l R a m a lh o /A rq u iv o d a e d it o ra 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 27 27/11/18 10:30 Respostas e orientações didáticas Aplique seus conhecimentos 6. a) RR, Rr ou rr. b) Ervilhas lisas (caráter dominante) ou rugosas (caráter recessivo). c) O indivíduo rr só produz gametas r; o indivíduo Rr produz 50% de gametas R e 50% de gametas r. d) Ervilhas lisas (Rr) com rugosas (rr): 50% Rr – ervilhas lisas e 50% rr – ervilhas rugosas. Er- vilha lisa e homozigota (RR) com ervilha rugosa (rr): 100% Rr – ervilhas lisas. 7. AA e Aa: sem albinismo; aa: com albinismo. 8. a) Apenas descendentes de pelo preto. Genótipo Mm. b) Cruzamentos mm × mm produzem apenas indi- víduos com o pelo mar- rom (mm); cruzamentos Mm × mm podem gerar indivíduos com pelo mar- rom em 50% dos casos; cruzamentos Mm x Mm podem gerar 25% dos in- divíduos com pelo mar- rom. 9. 1 = Aa 2 = Aa 4 = aa Conhecendo o fenótipo de 4, sabemos que seu genó- tipo é aa. Cada um desses alelos veio de um dos pais. Mas, como os pais não são albinos, o genótipo de am- bos é Aa. 10. É a ideia de que um indiví- duo já está formado no in- terior do espermatozoide. Está errada porque o esper- matozoide leva os genes do pai, ou seja, apenas metade do material genético. 28 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR ATIVIDADES28 Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. 6 Em ervilhas, a herança da textura da semente, que pode ser lisa ou rugosa, é semelhante à observada em relação à cor das sementes. Observe o quadro abaixo. 1.28 Representação da união de um casal e de seus quatro filhos, um deles com albinismo. a) Quais são os pares de fatores possíveis relacionados à textura das sementes de ervilha? b) Quais são os fenótipos possíveispara essa característica? Qual é o caráter dominante e qual é o recessivo? c) Quais são os gametas produzidos por um indivíduo rr? E por um indivíduo Rr? d) Como são os genótipos e fenótipos possíveis de se obter no cruzamento de uma planta de ervilhas lisas de genótipo Rr com uma planta de ervilhas rugosas? E de uma planta de ervilha lisa e homozigota, com uma de ervilha rugosa? 7 Se o alelo a determina albinismo (característica recessiva) e o alelo A determina a presença de melanina (caracterís- tica dominante), como serão os fenótipos dos indivíduos AA, Aa e aa? 8 Em porquinhos-da-índia, vamos considerar que a herança para a cor do pelo obedece à primeira lei de Mendel. O caráter pelo preto (MM ou Mm) é dominante sobre o pelo marrom (mm). a) Que cores podem ter os descendentes de um cruzamento entre uma fêmea de pelo preto (MM) e um macho de pelo marrom (mm)? Qual é o genótipo desses indivíduos? b) Quais são os genótipos dos indivíduos que, quando cruzados, podem gerar descendentes com o pelo marrom? 9 Observe o heredograma abaixo. A cor preta, neste caso, representa indivíduos com albinismo. Observe que o casal (1 e 2) teve quatro filhos (3, 4, 5 e 6). A filha indicada pelo número 4 tem albinismo. Quais os genótipos dos indivíduos 1, 2 e 4? Justifique. In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra 1.27 Quadro representando os genótipos e fenótipos correspondentes à textura das sementes em ervilhas. (Cromossomos são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) R R RR R r Rr r r rr Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra ; fo to s : M a rt in S h ie ld s /P h o to R e s e a rc h e rs , In c ./ L a ti n s to ck 1.29 Ilustração de espermatozoide em 1694. 1 3 4 5 6 2 10 A figura abaixo, elaborada com base em uma ilustração feita em 1694, representa um espermatozoide. Ela mostra uma ideia popular na época sobre a função do espermatozoide para a formação de um novo ser vivo. Qual seria essa ideia? Por que, segundo nossos conhecimentos atuais, ela está errada? 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 28 27/11/18 10:30 Respostas e orientações didáticas Aplique seus conhecimentos 11. a) Braquidactilia. b) Bb. 12. Não, porque o ambiente tam- bém influencia as caracte- rísticas de um indivíduo. 13. c. De olho no texto Atividades com textos e notí- cias permitem aos estudantes interpretar informações relacio- nadas à ciência disponíveis em vários meios de comunicação. Auxilie os estudantes, sempre que necessário, na interpretação das informações. a) Respostas pessoais. b) Porque o albinismo pode ser causado por diferentes tipos de mutações, que in- fluenciam na quantidade de melanina produzida, que pode ser totalmente au- sente ou estar parcialmen- te presente. c) Porque as pessoas com albinismo apresentam de- ficiência na produção da melanina, pigmento que protege a pele dos efeitos da radiação ultravioleta do Sol. d) A ativação de vitamina D depende da exposição so- lar. Por essa razão, pessoas com albinismo, que não po- dem se expor ao sol, devem tomar suplementação de vitamina D, para evitar al- terações ósseas e imuno- lógicas. e) As cidades podem distri- buir gratuitamente filtro solar e bonés para a po- pulação, sobretudo em dias muito ensolarados, quando os índices de UV são mais altos. Também é interessante investir na arborização das ruas e proteção de lugares que concentram pessoas, co- mo pontos de ônibus. f) O homem produz gametas A e gametas a, enquanto a mulher produz apenas ga- metas a. g) Genótipos possíveis: Aa e aa. Sim, há chances de nas- cerem crianças albinas. Os filhos Aa não terão albinis- mo, mas os filhos aa serão albinos. 29 CAPÍTULO 1 – MANUAL DO PROFESSOR ATIVIDADES 29 Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. 114 Um homem com braquidactilia (condição caracterizada pelo encurtamento dos dedos), casado com uma mulher com a mesma característica, tem um filho com comprimento padrão de dedos. a) Qual deve ser o caráter dominante? b) Qual é o genótipo dos pais? 124 Os gêmeos univitelinos são geneticamente iguais, pois vieram de um mesmo zigoto. Isso significa que todas as suas características são também idênticas? Justifique sua resposta. 134 Em seu caderno, indique a opção falsa: a) o fenótipo é influenciado pelo ambiente. b) o fenótipo depende do genótipo e do meio ambiente. c) o genótipo depende do fenótipo e do meio ambiente. d) o genótipo depende dos genes. O texto a seguir foi retirado do site da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Ele descreve o albinismo oculocutâneo, ou seja, aquele que atinge os olhos e a pele. Leia o texto e faça o que se pede. O albinismo oculocutâneo é uma desordem genética na qual ocorre um defeito na produção da melanina, pigmento que dá cor a pele, cabelo e olhos. [...] Os sintomas são variáveis de acordo com o tipo de mutação apresentada pelo paciente. A mutação envolvida deter- mina a quantidade de melanina produzida, que pode ser totalmente ausente ou estar parcialmente presente. Assim sen- do, a tonalidade da pele pode variar do branco a tons um pouco mais amarronzados; os cabelos podem ser totalmente brancos, amarelados, avermelhados ou acastanhados e os olhos avermelhados (ausência completa de pigmento, deixan- do transparecer os vasos da retina), azuis ou acastanhados. Devido a deficiência de melanina, pigmento que além de ser responsável pela coloração da pele, a protege contra a ação da radiação ultravioleta, os albinos são altamente suscetíveis aos danos causados pelo sol. Apresentando frequen- temente, envelhecimento precoce [...] e câncer da pele, ainda muito jovens. Não é incomum encontrar albinos na faixa dos 20 a 30 anos com câncer da pele avançado, especialmente aqueles que moram em regiões quentes e se expõem de forma prolongada e intensa à radiação solar. [...] Não existe, atualmente, nenhum tratamento específico e efetivo, pois o albinismo é decorrente de uma mutação ge- neticamente determinada. [...] Como a principal fonte de vitamina D é proveniente da exposição solar, e os albinos precisam realizar fotoproteção estrita, é necessária a suplementação com vitamina D, para evitar os problemas decorrentes da deficiência dessa vitami- na, como alterações ósseas e imunológicas. SBD. Albinismo. Disponível em: <http://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/ doencas-e-problemas/albinismo/24>. Acesso em: 11 set. 2018. a) Consulte em dicionários o significado das palavras que você não conhece e redija uma definição para essas palavras. b) Por que podem existir variações na forma como o albinismo se apresenta? c) De acordo com o texto, pessoas com albinismo devem usar fotoproteção estrita, ou seja, não podem se expor ao sol. Por que as pessoas com albinismo são mais sensíveis aos danos causados pelo sol? d) Que implicações a falta de exposição ao sol pode trazer? e) A radiação solar é muito perigosa para pessoas com albinismo. Mas também traz problemas para todas as pessoas que se expõem em excesso. Pense em medidas que uma cidade pode tomar para permitir que as pessoas se protejam do sol. f) Imagine que o albinismo é causado por um gene. Um homem heterozigoto para o albinismo (Aa) é casado com uma mulher albina (aa). Quais são os gametas produzidos pelo homem? E pela mulher? g) Quais são os genótipos dos possíveis filhos desse casal? Há chances de nascerem crianças com albinismo? De olho no texto 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 29 27/11/18 10:30 Respostas e orientações didáticas Aprendendo com a prática Além dos aspectos procedi- mentais e conceituais de ciên- cias, um aspecto importante das atividades práticas é trabalhar as competências gerais da BNCC, como “exercitar a empatia, o diá- logo, a resolução de conflitos ea cooperação, fazendo-se res- peitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencia- lidades, sem preconceitos de qualquer natureza”; e “agir pes- soal e coletivamente com auto- nomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e deter- minação, tomando decisões com base em princípios éticos, de- mocráticos, inclusivos, susten- táveis e solidários”. A atividade proposta preten- de apresentar aos estudantes a importância do número de casos/indivíduos analisados para os estudos científicos, de- monstrando que as proporções esperadas não são necessaria- mente observadas quando são feitos poucos cruzamentos ao acaso, ao passo que, ao aumen- tarmos o número de cruzamen- tos, as proporções obtidas se aproximam das esperadas. a) Aa e Aa. b) Proporção esperada: 1/4 AA; 2/4 Aa; 1/4 aa. A pro- porção obtida pode ser di- ferente dessa. c) Proporção esperada: 3/4 dominante e 1/4 recessivo. A proporção obtida pode ser diferente dessa. d) As proporções obtidas de- vem variar entre os grupos. Isso acontece porque a pro- porção esperada indica apenas uma probabilidade, o que significa que pode haver um desvio entre es- sa proporção e a proporção obtida. e) Nessa nova situação, os genótipos dos pais seriam Aa e aa. A proporção espe- rada será de 1/2 Aa e 1/2 aa. A proporção obtida po- de ser diferente dessa. A proporção fenotípica espe- rada é de 1/2 dominante e 1/2 recessivo. A proporção obtida pode ser diferente dessa. 30 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR ATIVIDADES30 Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. Organizem-se em grupos de quatro ou cinco colegas. Material • Dois sacos de papel opaco • 12 peças de jogo de damas brancas e 12 peças pretas, todas do mesmo tamanho (podem ser usados feijões pretos e feijões mais claros, como o carioquinha, desde que sejam aproximadamente do mesmo tamanho) Procedimento 1 . Em um dos sacos de papel deve ser escrito “gametas masculinos”; no outro, “gametas femininos”. Cada saco deverá conter 6 peças pretas e 6 peças brancas. Veja a figura 1.30. 2 . Sem olhar o conteúdo do primeiro saco, um dos estu- dantes do grupo retira uma peça de seu interior; ou- tro estudante retira uma peça do outro saco, também sem olhar. Veja a figura 1.31. 3 . Um terceiro estudante do grupo anota a cor de cada peça (a ordem em que foram tiradas não importa). Veja a figura 1.32. As duas peças devem ser devolvidas aos respectivos sacos e misturadas com as outras. O pro- cesso deve ser repetido 32 vezes. Resultados e discussão Agora, respondam às seguintes questões: a) Suponham que cada peça corresponda a um alelo de determinado gene e cada sorteio represente o encontro de dois gametas. Usando letras maiús- culas e minúsculas para representar os alelos (con- sidere A = peça preta e a = peça branca), demons- trem os genótipos dos pais que participam dessa representação de cruzamentos. b) Usando as mesmas letras, informem qual a pro- porção genotípica esperada para a descendência desse cruzamento. Qual a proporção obtida pelo grupo na prática? c) Qual é a proporção fenotípica esperada, isto é, quantos são os indivíduos com a característica do- minante e quantos têm a característica recessiva? Qual é a proporção fenotípica obtida? d) Comparem as proporções obtidas em seu grupo com as de outros grupos. Os resultados foram os mesmos? Expliquem por que as proporções ge- notípicas e fenotípicas obtidas não precisam ser iguais às proporções esperadas. e) Redistribuam as peças de modo que um dos sacos fique com 3 peças brancas e 3 peças pretas e o outro saco fique com 6 peças brancas e repitam o processo de sorteio descrito anteriormente. Novamente, usando letras maiúsculas e minúsculas para os alelos e supondo novamente que as peças brancas representam o alelo reces- sivo, respondam novamente às questões a a d adaptando-as a essa nova situação. 1.30 1.31 1.32 Il u s tr a ç õ e s : M ic h e l R a m a lh o /A rq u iv o d a e d it o ra Aprendendo com a pr‡tica gametas femininos gametas femininos gametas masculinos gametas masculinos Il u s tr a ç õ e s : M ic h e l R a m a lh o /A rq u iv o d a e d it o ra gametas masculinos 001-030-9TCieg20At_MPU_cap01.indd 30 27/11/18 10:30 31 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Objetivos do capítulo Neste capítulo, serão estu- dados os conhecimentos de Genética que se desenvolveram após a divulgação e a aceitação dos trabalhos de Mendel. Entre os temas explorados, estão pa- drões de herança não men de- liana, a relação entre genes e ambiente, alterações genéticas e cromossômicas e aplicações de manipulação e análise ge- néticas em áreas de interesse humano, constituindo alguns métodos de biotecnologia. Habilidades da BNCC abordadas EF09CI08 Associar os gametas à transmissão das caracterís- ticas hereditárias, estabelecen- do relações entre ancestrais e descendentes. EF09CI09 Discutir as ideias de Mendel sobre hereditariedade (fatores hereditários, segregação, gametas, fecundação), conside- rando-as para resolver problemas envolvendo a transmissão de características hereditárias em diferentes organismos. Orientações didáticas Sugerimos que pergunte aos estudantes se eles sabem qual é o processo que a imagem de abertura deste capítulo está mostrando. Em seguida, ques- tione como a imagem se rela- ciona com o título do capítulo e com os estudos de Mendel. Deixe que busquem conexões entre o capítulo anterior e a ima- gem. Comente que o conheci- mento dos fatores hereditários de Mendel permitiu um grande avanço na ciência. Se julgar conveniente, solici- te aos estudantes que procu- rem notícias sobre Genética em diferentes mídias. As perguntas do boxe A quest‹o Ž... podem ser usadas como roteiro para ajudar os estudantes a buscar algumas notícias. Respostas para A quest‹o Ž... Como foram estudados apenas alelos dominantes e recessivos, os estudantes podem refletir se as características hereditárias apresentam sempre duas formas bem definidas, como ocorre com as ervilhas de Mendel, ou se é possível que tenham variações in- termediárias. Os estudantes podem apenas discutir o que sabem neste momento, mas o professor pode adiantar que em muitos animais o sexo biológico é determinado pelos cromossomos sexuais. Alguns medicamentos podem ser produzidos por bactérias, plantas ou animais através da modificação de seus genes, por exemplo. O termo “clone” indica seres geneticamente idênticos entre si. 31A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 A genética depois de Mendel CAPÍTULO Muitas descobertas em Genética foram possíveis a partir dos trabalhos de Mendel, como a descoberta de que os genes estão contidos nos cromossomos lo- calizados no núcleo das células e a descrição da estrutura química do DNA, da qual os genes são formados. Hoje, já é possível transferir material genético de um ser vivo a outro, ou alterar os genes de um organismo por meio de técnicas de uma área conhecida como Engenharia Genética. Veja a figura 2.1. Entretanto, essas aplicações costumam gerar controvérsias na sociedade. Neste capítulo, você vai conhecer alguns conceitos básicos nessa área e poderá discutir e formar suas próprias opiniões sobre esse assunto. 2.1 Óvulo de rato recebe material genético de outra espécie em técnica de genética molecular. À esquerda, uma pipeta segura o óvulo enquanto a ponta de uma microagulha contendo o material genético é introduzida nele. Foto de microscopia óptica (a célula tem cerca de 0,07 mm de diâmetro). » Em um gene, um alelo sempre apresenta dominância sobre outro alelo? » O sexo de um indivíduo é determinado pelos cromossomos? » Como a manipulação do material genético pode ser usada na produção demedicamentos? » Você sabe o que são clones? A questão é... M a rt in O e g g e rl i/ S P L /F o to a re n a 2 Respostas do boxe A questão é... nas Orientações didáticas. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 31 27/11/18 10:29 32 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Apresente aos estudantes o trabalho de diferentes cientis- tas e mostre como a ciência avança pela contribuição de diferentes pesquisadores, sen- do um empreendimento huma- no, coletivo e provisório, conforme descreve uma com- petência específica da BNCC. O desenvolvimento da Genética ilustra bem esse ponto. Comen- te com os estudantes como os trabalhos de Morgan, entre ou- tros cientistas, permitiram iden- tificar que os fatores de Mendel são os genes e que eles se lo- calizam nos cromossomos. Nes- te momento, é possível trabalhar a habilidade EF09CI09 . Ao explorar a figura 2.2, per- gunte aos estudantes como eles imaginam que Morgan e outros pesquisadores criavam as moscas em laboratório. Re- lembre as vantagens do uso de ervilhas em estudos e compa- re com as vantagens de utilizar as drosófilas – entre outras características, a reprodução rápida das moscas e o fato de possuírem apenas quatro tipos de cromossomo. Em seguida, mostre aos es- tudantes as características-pa- drão das moscas e as variações que podem ser encontradas utilizando a figura 2.3. Comen- te com os estudantes que no capítulo 4 eles vão aprender mais sobre o fenômeno das mu- tações. Explique que cada caracte- rística é determinada por um gene e apresenta alelos dife- rentes para cada variação. Apre- sente exemplos para que fique claro que os conceitos de gene e alelos, vistos no capítulo an- terior, valem também para as drosófilas: o gene que determi- na a cor do olho pode ter um alelo para a cor vermelha do padrão selvagem (o mais co- mum na população) e outro para a cor branca; o gene que determina o formato do olho tem um alelo para o olho arre- dondado como o do indivíduo selvagem, e um segundo alelo para o formato em barra; o mes- mo acontece para a cor do cor- po e o formato das asas. 32 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade 1 As descobertas ap—s Mendel No capítulo anterior, vimos que Mendel explicou como certas características de ervilhas são transmitidas entre as gerações. Ele formulou as leis da hereditariedade mesmo sem ter conhecimen- to dos conceitos de cromossomos, genes e meiose. Seu trabalho foi ignorado na época de sua publicação e re- descoberto em pesquisas independentes mais de 30 anos depois. Na época, o cientista estadunidense Walter Sutton (1877-1916), em estudo com gafanhotos, demonstrou que os cromossomos ocorriam aos pares e que sua distribuição na formação dos ga- metas coincidia com os denominados “fatores” de Mendel. Já o biólogo alemão Theodor Boveri (1862-1915), em estudo com gametas de ouriço-do-mar, percebeu que era necessário que os cromossomos estivessem presentes para que o desenvolvimen- to do embrião ocorresse. Entretanto, quem identificou os genes e os associou aos “fa- tores” de Mendel foi o geneticista estadunidense Thomas Hunt Morgan (1866-1945) e sua equipe de estudantes. Eles analisaram a transmissão de características em drosófilas (Drosophila melanogaster), pequenas moscas conhecidas popularmente como “mosquinhas da banana”. Veja a figura 2.2. Essa mosca foi escolhida para ser estudada por ser pequena, ser fácil de alimen- tar e de criar, e cada fêmea produzir centenas de ovos que, em pouco tempo (duas semanas), geravam grande número de descendentes. Além disso, ela possui apenas quatro tipos de cromossomos e muitas características físicas fáceis de observar, como a cor dos olhos e o tipo de asa. Nos cruzamentos das drosófilas, de vez em quando, é possível notar o nascimen- to de descendentes com características novas, que nunca tinham sido vistas na po- pulação original. Veja a figura 2.3. Como você explicaria o surgimento dessas novas características? 2.2 Thomas Morgan em seu laboratório na Universidade Columbia, em Nova York. A m e ri c a n P h ilo s o p h ic a l S o c ie ty /S P L /F o to a re n a drosófila com corpo amarelo e asas em miniatura 2.3 Mutações em drosófilas (Drosophila melanogaster; cerca de 3 mm de comprimento). Dr. Jeremy Burgess/SP L/Fo to a re n a mutante com olhos brancos J. C . R EV Y, ISM /SPL /Fotoarena mutante com olhos em barra (olhos mais estreitos) pulação original. Veja a figura características? J . C . R e v y, I S M /S P L /L a ti n s to ck drosófila com corpo amarelo e asas em S c ie n c e S o u rc e /P h o to R e s e a rc h e rs , In c /F o to a re n a S c ie n c e S o u rc e /P h o to R e s e a rc h e rs , In c /F o to a re n a Tipo selvagem, que é o mais comum na população. drosófila com asas vestigiais Em um ano é possível estudar até vinte gerações desse tipo de mosca. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 32 27/11/18 10:29 33 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Pergunte aos estudantes qual é o tipo de asa mais comum em moscas (tipo selvagem ou nor- mal), como eles pensam que surgiu a variação de asa vesti- gial e como seriam as asas dos descendentes resultantes de um cruzamento entre moscas com asas vestigiais (caracte- rística recessiva) e moscas sel- vagens (com asas normais). Deixe que eles levantem hipó- teses, incentivando-os a utilizar o conhecimento científico para justificar as respostas. Em seguida, explique que, en- tre um número muito grande de descendentes, uma mosca nas- ceu com olhos brancos: carac- terística que jamais tinha sido observada na população de dro- sófilas. Estimule-os a explicar a ocorrência desse fato. Oriente os estudantes a fazer uma pesquisa para começar a compreender o papel das muta- ções na variabilidade genética, um tema que será aprofundado no capítulo 4. Essa proposta per- mite aos estudantes desenvol- ver algumas competências gerais e específicas da BNCC relativas ao exercício da curiosidade e ao uso de abordagem própria da ciência, à avaliação e busca por explicações de características e fenômenos do mundo natural. Deve ficar claro para os estudan- tes que a mutação pode ser pro- vocada por fatores ambientais e pode levar ao surgimento de novos alelos. Atividades resolvidas Estimule os estudantes a construir a tabela dos tipos de gameta, conforme feito no capítulo anterior, para facilitar o estabelecimento dos genótipos e do cálculo da proporção de cada fenótipo. Esse procedi- mento contribui para o desenvolvimento da habilidade EF09CI08 . No primeiro caso apresentado, pergunte aos estudantes se o re- sultado seria diferente se a mosca de asas selvagens (normais em relação às vestigiais) fosse homozigota. O objetivo dessa alteração é fazer os estudantes perceberem que uma mosca de asas normais pode ser portadora do alelo recessivo (como proposto na ativida- de) ou ter os dois alelos dominantes (caso a mosca seja homozi- gota) e que, neste último caso, nenhuma mosca da geração filial nasceria com asas vestigiais. 33A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 Fatores ambientais, como a radiação solar, podem causar alterações no material genético de um indivíduo. Essas alterações são conhecidas como mutações e, quando ocorrem nas células que geram os gametas, elas podem ser transmitidas para as gerações seguintes, produzindo indivíduos chamados mutantes. Alguns mutantes têm asas muito reduzidas, chamadas vestigiais; outros apre- sentam a cor ou o formato dos olhos diferentes da condição comum. Reveja a figura 2.3. Esses organismos mutantes, quando cruzados, podem também passar suas caracte- rísticas para os descendentes, como veremos na atividade a seguir. 1. Ao cruzar drosófilas mutantes com asas vestigiais, um pesquisador percebeu que essa característica é transmitida aos descendentes e é recessiva com relação à asanormal. Supondo que essa herança ocorra de forma semelhante ao que observamos na herança da cor das ervilhas de Mendel, determine a proporção esperada no cruzamento re- presentado na figura 2.4. 2.4 Esquema de cruzamento entre drosófila macho de asa vestigial e drosófila fêmea com asas normais e heterozigota. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) asa normal V v Il u s tr a ç õ e s : L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra 3 asa vestigial v v Resolução: No cruzamento apresentado, a drosófila macho produzirá apenas gametas v e a drosófila fêmea produzirá 50% de gametas V e 50% de gametas v. Portanto, espera-se que os descendentes sejam 50% heterozigotos com asa normal (Vv) e 50% com asa vestigial (vv). 2. Em outro caso, ao cruzar duas moscas com corpo castanho, um pesquisador percebeu que eram gerados descen- dentes com corpo castanho e alguns com corpo preto, sendo esta uma característica recessiva. Supondo, mais uma vez, que essa herança ocorra de forma semelhante ao observado por Mendel, determine a proporção genotípica esperada no cruzamento representado na figura 2.5. 2.5 Esquema de cruzamento entre drosófilas de corpo castanho, ambas heterozigotas para cor do corpo. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.)3 P p P p Resolução: No cruzamento apresentado, a drosófila macho produzirá 50% de gametas P e 50% de gametas p, e a drosófila fêmea produzirá gametas nessa mesma proporção. Assim, espera-se que os descendentes sejam 25% homozigotos dominantes (PP), 50% heterozigotos (Pp) e 25% homozigotos recessivos (pp). Atividades resolvidas 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 33 27/11/18 10:29 34 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Peça aos estudantes que imaginem qual seria o resulta- do de um cruzamento entre uma planta que produz flores ver- melhas e uma planta que pro- duz flores brancas. Em seguida, apresente a cor das flores das plantas da geração filial como cor-de-rosa e peça a eles que expliquem o resultado. Após um breve debate, mos- tre o resultado da geração F 2 : uma planta com flores verme- lhas, duas plantas com flores cor-de-rosa e uma planta com flores brancas. Por fim, peça aos estudantes que expliquem o re- sultado e busquem definir os genótipos das plantas, seguindo os cruzamentos realizados para outras características. Depois que os estudantes refletirem e apresentarem suas ideias, mostre que as plantas homozigotas possuem dois ale- los iguais, os dois produzindo o pigmento vermelho (flores vermelhas)ou nenhum deles produzindo o pigmento (flores brancas); já as heterozigotas possuem apenas um alelo de cada tipo, e não produzem pig- mento suficiente para conferir cor vermelha à pétala, o que origina flores cor-de-rosa. Se for preciso, reproduza o cruza- mento da geração parental da figura 2.6 no quadro e continue a construção dos demais cru- zamentos com a participação dos estudantes. Para garantir ou verificar a compreensão dos estudantes com relação ao conceito de do- minância incompleta, utilize outros exemplos desse tipo de herança, como a anemia falci- forme, doença que se caracte- riza pela presença de hemácias de morfologia similar à de uma foice. Atenção A codominância é um tipo de herança que pode ser confundida com a dominância incompleta, então é preciso estar atento no caso de o estudante apresentar algum exemplo que não corresponda à dominância incompleta, evitando assim, erros na interpretação de exemplos. A codominância ocorre quando indivíduos heterozigotos expressam os dois alelos, como é o caso do grupo sanguíneo AB, do siste- ma ABO. Os indivíduos com esse tipo sanguíneo apresentam, no plasma, proteínas expressas tanto pelo alelo do tipo sanguíneo A (IA) quanto proteínas expressas pelo alelo do tipo sanguíneo B (IB). 34 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade 2 Padrões de herança não estudados por Mendel Estudos posteriores ampliaram as ideias sobre as leis da herança de Mendel, demonstrando que elas não são válidas para todos os casos. Entre outras descobertas, esses estudos permitiram a identificação dos cromossomos sexuais, além de casos em que um alelo não tem dominância sobre outro. A dominância incompleta Como vimos no capítulo anterior, nos estudos com ervilhas que Mendel conduziu, era possível observar uma dominância completa de um alelo sobre outro: basta a presença de um alelo que determina a característica dominante para que a caracterís- tica se expresse. Então, por exemplo, para uma ervilha ter sementes da cor amarela (característica dominante) basta que ela tenha um alelo que determina a cor amarela. Já em outros casos, como na planta maravilha (Mirabilis jalapa), o resultado do cruzamento entre plantas com flores vermelhas e plantas com flores brancas é uma planta com uma terceira característica: flores cor-de-rosa. Dizemos então, nesse caso, que há dominância incompleta entre os alelos, ou ausência de dominância. Na dominância incompleta, o indivíduo com os dois tipos de alelo (heterozigoto) apresenta um fenótipo intermediário em relação ao dos homozigotos: no caso apre- sentado, a presença de apenas um alelo para cor vermelha leva a planta a produzir o pigmento vermelho em menor quantidade; como o alelo para cor branca não produz pigmento, a planta será cor-de-rosa. Nesses casos, os alelos são representados por letras com índices, em vez de letras maiúsculas e minúsculas: a flor vermelha é CVCV (C de cor e V de vermelho); a branca, CBCB; a cor-de-rosa, CVCB. Essa notação pode também ser simplificada para VV, BB e VB. 2.6 Representação do cruzamento entre indivíduos da planta maravilha (Mirabilis jalapa; até 1 m de altura), que apresenta dominância incompleta para a determinação da cor da flor. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) gametas gametas fecundação CV CV CB C B CV CB C BCB CBCB CVCV CVCV CVCB CVCB C VCB CVCB proporção genotípica: 1_ 4 CVCV : 2_ 4 CVCB : 1_ 4 CBCB proporção fenotípica: 1_ 4 vermelha : 2_ 4 rosa : 1_ 4 branca In g e b o rg A s b a ch /A rq u iv o d a e d it o ra Veja, na figura 2.6, que o cru- zamento entre duas plantas homo- zigotas, uma vermelha e outra branca, produz apenas flores cor- -de-rosa. O cruzamento de duas plantas de flores cor-de-rosa pro- duz a proporção de uma flor verme- lha para duas cor-de-rosa e uma branca (ou seja, uma proporção de 1 : 2 : 1). Repare que a proporção genotípica é a mesma encontrada por Mendel no cruzamento entre duas plantas heterozigotas – o que muda é a proporção fenotípica. Além disso, repare que a distribuição dos alelos nos gametas também obe- dece, neste caso, à primeira lei de Mendel. O que muda é a ausência de dominância entre os alelos. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 34 27/11/18 10:29 35 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Na maior parte dos mamífe- ros e em alguns insetos, anfí- bios e lagartos encontramos cromossomos sexuais do tipo XX e XY. As fêmeas apresentam dois cromossomos sexuais do tipo X, e os machos apresentam cromossomos distintos: um X e um Y. Caso os estudantes per- guntem se existem outros tipos de determinação de sexo, esti- mule-os a realizar pesquisas em fontes confiáveis e direcio- ne a pesquisa até que encon- trem as informações sobre os outros principais sistemas cro- mossômicos: XX:XO (encontra- do em alguns grupos de insetos), em que fêmeas têm dois cromossomos X e machos somente um cromossomo X (tendo número ímpar de cro- mossomos) e ZZ:ZW (encon- trado em aves), em que as fêmeas apresentam cromosso- mos sexuais distintos (Z e W) e os machos apresentam um par de cromossomos sexuais idênticos (Z). Além desses sistemas, existe um sistema de determinação do sexo pela temperatura em que os ovos se desenvolvem. Nocaso das tartarugas marinhas, a de- terminação do sexo dos filhotes depende, de maneira geral e sim- plificada, da temperatura de in- cubação: temperaturas altas (acima de 30 oC) produzem mais fêmeas; temperaturas mais bai- xas (abaixo de 29 oC) produzem mais machos. Orientações didáticas Estimule os estudantes a pensar nos fatores que deter- minam as diferenças nos órgãos sexuais entre os machos e as fêmeas de várias espécies. É possível que eles respondam que os genes são os responsá- veis pelas diferenças entre os órgãos sexuais. Caso essa res- posta seja apresentada pelos estudantes, pergunte se apenas os genes são diferentes ou se existem diferenças nos cromos- somos. Em seguida, apresente o conceito de cromossomos sexuais e os genótipos de ho- mens e mulheres em relação a esse par cromossômico, utili- zando as figuras 2.7 e 2.8. 35A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 A determinação do sexo pode variar dependendo do organismo estudado. Em muitas aves, por exemplo, o sexo é determinado pelo gameta da fêmea. Em alguns casos, o sexo pode ser determinado por fatores ambientais, como a temperatura. 2.7 Representação artística do conjunto de cromossomos do ser humano. À direita, os cromossomos sexuais do homem e da mulher. (Os cromossomos são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) 2.8 Representação da produção de gametas por mulheres e homens e da determinação do sexo do indivíduo a partir da união dos gametas feminino e masculino. (Os gametas são microscópicos. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) homem mulher 1 6 11 16 17 18 19 20 21 22 12 13 14 15 7 8 9 10 2 3 4 5 autossomos cromossomos sexuais Os ovócitos II apresentam apenas um cromossomo X. espermatozoide com cromossomo X espermatozoide com cromossomo Y Os ovócitos II apresentam apenas espermatozoide com cromossomo Y O zigoto dá origem a uma menina (XX). O zigoto dá origem a um menino (XY). C a p re o la /S h u tt e rs to ck S o le il N o rd ic /S h u tt e rs to ckO zigoto dá origem a uma menina (XX). O zigoto dá origem a um menino (XY). S o le il N o rd ic /S h u tt e rs to ck Determinação do sexo Em muitas espécies, o sexo biológico é determinado por um par de cromossomos chamados cromossomos sexuais. Genes situados nesses cromossomos determinam se o embrião vai desenvolver determinados órgãos sexuais, como testículos ou ovários. Os testículos e os ovários, por sua vez, produzem hormônios masculinos e femininos, respectivamente, que influenciam diversas características sexuais, como vimos no 8o ano para a espécie humana. No caso da espécie humana, existem 22 pares de cromossomos comuns ao homem e à mulher (são chamados autossomos) e mais um par de cromossomos sexuais. As mulheres apresentam dois cromossomos sexuais iguais, chamados de cro- mossomos X. Já os homens apresentam um cromossomo sexual X e um cromossomo sexual Y, este bem menor que o cromossomo X. Veja a figura 2.7. Nos gametas há metade do conjunto de cromossomos. Todos os ovócitos que as mulheres liberam na ovulação a partir da puberdade contêm um cromossomo X. Já cerca de metade dos espermatozoides produzidos pelos homens terá um cromosso- mo X, enquanto a outra parte terá um cromossomo Y. Veja a figura 2.8. Na fecundação, o ovócito (X) tem 50% de chance de ser fecundado por um es- permatozoide (X), dando origem a um zigoto (XX), que será do sexo feminino. O ovócito (X) tem 50% de chance de ser fecundado por um espermatozoide (Y), for- mando um zigoto (XY) que será do sexo masculino. Portanto, como o ovócito II ne- cessariamente tem o cromossomo X, o sexo da criança é determinado pelo esper- matozoide no momento da fecundação, havendo chances iguais de a fecundação ocorrer por um espermatozoide contendo cromossomo X ou Y. Como vimos no 8o ano, os gametas femininos dos mamíferos estão, antes da fecundação, em um estágio conhecido como ovócito secundário. Mas é comum chamar esses gametas tanto de óvulos como de ovócitos. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 35 27/11/18 10:29 36 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Sugerimos que inicie a abor- dagem desse tema explicando aos estudantes que grande par- te das características físicas é determinada tanto pelos genes quanto pelo meio ambiente. Em seguida, peça que citem algumas dessas características. Altura e peso são bons exemplos: se um ser vivo se desenvolver em uma situação de restrição de nutrien- tes, pode não alcançar a altura e o peso determinados pelos seus genes. Outra característica que po- de ser citada é a cor da pele. Nesse caso, sugerimos que am- plie o conhecimento dos estu- dantes, explicando que a melanina é uma proteína pre- sente no corpo, que dá colora- ção aos olhos, aos cabelos e à pele. Ela fica na camada supe- rior à derme – e, geralmente, apresenta coloração amarron- zada. Além de dar a coloração à pele, aos olhos e ao cabelo, a melanina ajuda a proteger o or- ganismo da radiação solar. Mundo virtual Sugerimos a leitura do ar- tigo sobre os danos causados ao DNA após a exposição à luz ultravioleta para aprofun- damento, disponível em: <http://www.ib.usp.br/revis ta/system/files/02_Andra de-Lima_0.pdf>. Acesso em: 30 out. 2018. 36 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade 3 Os genes e o ambiente Os genes influenciam muitas características. Além do fator genético, hoje sabemos que fatores ambientais também têm forte influência sobre a forma como nós e os outros seres vivos nos desenvolvemos. Considera-se que esses fatores incluem aspec- tos físicos dentro e fora das células, como a alimentação e a exposição aos raios solares. Quando um caráter está presente já no nascimento – independentemente de sua causa ser genética ou ambiental –, ele é considerado cong•nito. Como exemplo, podemos mencionar duas causas para a surdez congênita, uma ambiental e outra genética. Se uma mulher for infectada pelo vírus da rubéola durante a gravidez, ele também pode infectar o embrião e provocar surdez congênita na criança. Mas a surdez pode ser causada também por alterações em um gene que é transmitido dos pais para os filhos. Pode-se dizer que, na maioria dos casos, uma característica é influenciada tanto pelos genes quanto pelos fatores ambientais. Uma pessoa com genes que deter- minam a produção de pouca melanina, por exemplo, terá a pele clara. Se ela se expuser muito ao sol, poderá ficar com a pele um pouco mais escura, mas nunca chegará a ter pele tão escura quanto a de uma pessoa com genes que determi- nam a produção de uma grande quantidade de melanina. Veja a figura 2.9. C e s a r D in iz /P u ls a r Im a g e n s É preciso compreender também que o efeito de um gene pode ser modificado pelo ambiente. Uma pessoa com tendência genética para a obesidade, por exemplo, pode conseguir manter um peso saudável se controlar a alimentação. Nesse caso, um fator ambiental, a alimentação, impede que um possível efeito genético se manifeste. Por isso, mesmo gêmeos monozigóticos ou idênticos, que possuem os mesmos genes, são diferentes entre si. O desenvolvimento humano, por exemplo, depende de fatores genéticos e até culturais e sociais, como indicam os estudos em Psicolo- gia e Sociologia. Dessa forma, tanto os genes quanto os fatores ambientais são res- ponsáveis por produzir a grande diversidade de indivíduos existentes. 2.9 Trabalhadora rural com a pele “queimada” pela exposição ao sol em colheita de couve em Ibiúna (SP), 2018. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 36 27/11/18 10:29 37 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Pergunte aos estudantes se eles conhecem alguma altera- ção genética na espécie hu- mana. Como alguns estudantes podem ser intolerantes à lac- tose ou ao glúten, essasca- racterísticas podem surgir como exemplos de alteração genética. Estimule-os a pes- quisar alterações genéticas e, além dos exemplos apresen- tados por eles, utilize outros do Livro do Estudante, como a fenilcetonúria. Explique que o acúmulo de fenilalanina no organismo pro- move efeitos tóxicos para o sis- tema nervoso central. Essa doença pode ser identificada com o teste do pezinho e o tra- tamento deve ser iniciado no bebê e seguir por toda a vida. O teste básico do pezinho é obrigatório e gratuito em todo o país. A discussão desse teste e o reconhecimento de sua impor- tância são uma forma de traba- lhar a competência específica da BNCC de agir pessoal e cole- tivamente com respeito, respon- sabilidade e determinação, recorrendo aos conhecimentos das Ciências da Natureza para tomar decisões a respeito da saúde individual e coletiva. Explique aos estudantes que as alterações genéticas podem ser causadas por uma mutação em um gene, por mutações em vários genes ou ainda por alte- rações em cromossomos intei- ros ou em partes deles. Em alguns casos, como na hemofi- lia (alteração genética recessi- va ligada ao cromossomo X) e na síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), as pessoas com essas alterações devem fazer acompanhamento médico para controlar alguns dos sin- tomas associados, como a ocor- rência de hemorragias no caso da hemofilia e de problemas car- díacos no caso da síndrome de Down. Minha biblioteca Para mais informações sobre doenças genéticas, consulte o livro Thompson & Thompson – Genética médica, de NUSSBAUM, R. L.; MCINNES, R. R.; WILLARD, H. F. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2016. 37A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 4 Alterações genéticas na espécie humana Vimos que os genes, em interação com o ambiente, são responsáveis pelo nosso desenvolvimento e por nossas características. Nos seres humanos, por exem- plo, alterações nos genes podem resultar em problemas de saúde quando afetam a produção de algumas substâncias, como as enzimas. Elas são substâncias que atuam nas transformações químicas. Sem as enzimas, essas transformações não ocorre- riam. Vamos analisar a seguir um caso de alteração genética. Pessoas com fenilcetonúria não conseguem utilizar adequadamente o aminoá- cido fenilalanina. Em pessoas com essa alteração genética, a fenilalanina se acumu- la no organismo, causando lesões no cérebro. Essa e outras alterações genéticas são muitas vezes diagnosticadas por meio de exames simples, como o chamado teste do pezinho (que você conheceu no 8o ano), realizado nos primeiros dias de vida do bebê. O exame é obrigatório por lei e realizado gratuitamente nos serviços públi- cos de saúde nos primeiros 15 dias de vida. Esse teste consiste em retirar gotas de sangue do calcanhar e analisá-las em laboratório para detectar alterações, como a fenilcetonúria. A fenilalanina pode ser encontrada em produtos indicados para pessoas que não podem consumir açúcar, como diabéticos, por exemplo. Se você já leu a compo- sição de um alimento dietético, é muito provável que tenha visto um aviso como o que aparece na figura 2.10. Ao longo dos estudos de Ciências você tem visto como é importante ter infor- mações sobre os alimentos para adotar uma dieta adequada. Os rótulos de alimen- tos trazem importantes informações sobre os ingredientes que eles contêm e sobre o seu valor nutricional. Como as doenças genéticas são transmitidas http://www.genoma.ib. usp.br/sites/default/ files/folder_doenca_ genetica_transmitidas.pdf Folheto sobre a transmissão das doenças genéticas. Acesso em: 10 set. 2018. Mundo virtual 2.10 Aviso sobre a presença de fenilalanina em embalagem de gelatina dietética. Alterações cromossômicas Ocasionalmente, pode ocorrer a formação de gametas com cromossomos a mais ou a menos. Isso pode acontecer devido à repartição desigual de material genético durante a meiose. Caso ocorra fecundação com esses gametas, essas alterações originam pessoas com um número de cromossomos diferente de 46. Um desses casos é a síndrome de Down, que afeta um em cada mil recém-nascidos. S ér gi o D ot ta J r./ A rq ui vo d a ed ito ra 9TCieg20At_031a046_U1cap2.indd 37 7/8/19 15:53 36 UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade 3 Os genes e o ambiente Os genes influenciam muitas características. Além do fator genético, hoje sabemos que fatores ambientais também têm forte influência sobre a forma como nós e os outros seres vivos nos desenvolvemos. Considera-se que esses fatores incluem aspec- tos físicos dentro e fora das células, como a alimentação e a exposição aos raios solares. Quando um caráter está presente já no nascimento – independentemente de sua causa ser genética ou ambiental –, ele é considerado congênito. Como exemplo, podemos mencionar duas causas para a surdez congênita, uma ambiental e outra genética. Se uma mulher for infectada pelo vírus da rubéola durante a gravidez, ele também pode infectar o embrião e provocar surdez congênita na criança. Mas a surdez pode ser causada também por alterações em um gene que é transmitido dos pais para os filhos. Pode-se dizer que, na maioria dos casos, uma característica é influenciada tanto pelos genes quanto pelos fatores ambientais. Uma pessoa com genes que deter- minam a produção de pouca melanina, por exemplo, terá a pele clara. Se ela se expuser muito ao sol, poderá ficar com a pele um pouco mais escura, mas nunca chegará a ter pele tão escura quanto a de uma pessoa com genes que determi- nam a produção de uma grande quantidade de melanina. Veja a figura 2.9. C e s a r D in iz /P u ls a r Im a g e n s É preciso compreender também que o efeito de um gene pode ser modificado pelo ambiente. Uma pessoa com tendência genética para a obesidade, por exemplo, pode conseguir manter um peso saudável se controlar a alimentação. Nesse caso, um fator ambiental, a alimentação, impede que um possível efeito genético se manifeste. Por isso, mesmo gêmeos monozigóticos ou idênticos, que possuem os mesmos genes, são diferentes entre si. O desenvolvimento humano, por exemplo, depende de fatores genéticos e até culturais e sociais, como indicam os estudos em Psicolo- gia e Sociologia. Dessa forma, tanto os genes quanto os fatores ambientais são res- ponsáveis por produzir a grande diversidade de indivíduos existentes. 2.9 Trabalhadora rural com a pele “queimada” pela exposição ao sol em colheita de couve em Ibiúna (SP), 2018. 9TCieg20At_031a046_U1cap2.indd 36 24/11/18 11:01 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 37 7/8/19 16:05 38 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Pergunte aos estudantes co- mo a síndrome de Down pode ser identificada na figura 2.11 e como a condição pode ter sur- gido. Com essa questão, é pos- sível falar sobre falhas na meiose, como a não disjunção, que leva ao aparecimento de gametas com cromossomos inteiros a mais em uma célula e a menos em outra. O estudo da origem da síndrome de Down contribui para o desenvolvimen- to da habilidade EF09CI08 . Muitas das síndromes relacio- nadas a modificações no núme- ro de cromossomos apresentam um aumento de incidência com o aumento da idade materna. So- licite aos estudantes uma expli- cação para esse fato e, para auxiliá-los, lembre-os de que exis- tem diferenças entre a formação de ovócitos e a de espermatozoi- des. Enquanto a produção de espermatozoides é contínua ao longo de toda a vida do homem, a formação de ovócitos tem seu início ainda durante o período fetal, quando as células germi- nativas femininas iniciam o pro- cesso de meiose. Se for o caso, retome alguns conceitos e in- formações apresentados no 8o ano ao tratar do assunto de re- produção. O texto da seção Ciência e sociedade trata das pessoas com síndrome de Down, mos- trando que elas são capazes de levar uma vida como a de todas as outras pessoas. Essa abor- dagemcontribui para reduzir o preconceito e o estigma que acompanham as pessoas com essa síndrome. Aproveite a opor- tunidade para desenvolver as competências gerais da BNCC referentes a compreender a di- versidade e reconhecer as emo- ções próprias e dos outros, respeitando as pessoas e os di- reitos humanos, com acolhimen- to e valorização da diversidade, sem preconceitos, além de to- mar decisões com base em prin- cípios inclusivos e solidários. 38 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade Pessoas com síndrome de Down nascem com três cromossomos do tipo 21 (os cromossomos são numerados em ordem decrescente de tamanho). Veja a figura 2.11 e a compare com a figura 2.7. Essa alteração cromossômica pode provocar, em dife- rentes graus, deficiência intelectual, problemas cardíacos, maior predisposição a infec- ções, entre outros. Pode influenciar também algumas características físicas, em graus variados: altura abaixo da média, orelhas com implantação baixa, pescoço grosso e mãos curtas e largas. Fundação síndrome de Down http://www.fsdown.org. br/sobre-a-sindrome-de- down/o-que-e-sindrome- de-down Explicações sobre a síndrome e indicação das leis que regulam os direitos das pessoas com síndrome de Down. Acesso em: 10 set. 2018. Mundo virtual Educação e síndrome de Down Uma boa educação é um bem enorme que produz benefícios pessoais durante toda a vida. Isso não é di- ferente para pessoas com síndrome de Down. [...] Conviver com pessoas de diferentes origens e for- mações em uma escola regular e inclusiva pode ajudar ainda mais as pessoas com síndrome de Down a desen- volverem todas as suas capacidades. Antigamente, acreditava-se que as pessoas com síndrome de Down nasciam com uma deficiência inte- lectual severa. Hoje, sabe-se que o desenvolvimento da criança depende fundamentalmente da estimulação precoce, do enriquecimento do ambiente no qual ela está inserida e do incentivo das pessoas que estão à sua volta. Com apoio e investimento na sua formação, os alunos com síndrome de Down, assim como quaisquer outros estudantes, têm capacidade de aprender. É importante destacar que cada estudante, independentemente de qualquer deficiência, tem um perfil único, com habilidades e dificuldades em determinadas áreas. No entanto, algumas características associadas à sín- drome de Down merecem a atenção de pais e professores, como o aprendizado em um ritmo mais lento, a difi- culdade de concentração e de reter memórias de curto prazo. Ci•ncia e sociedade 2.12 As relações com a família e a sociedade são importantes para o desenvolvimento de uma criança com síndrome de Down. Consultar um médico pediatra é fundamental para ter orientação sobre cuidados médicos e exames a serem realizados. Movimento Down. Educa•‹o e s’ndrome de Down. Disponível em: <www.movimentodown. org.br/educacao/educacao-e-sindrome-de-down>. Acesso em: 13 set. 2018. 2.11 Fotografia de cromossomos humanos observados ao microscópio óptico. Observe que há três cromossomos do tipo 21, indicados pelo círculo. Essa alteração determina a síndrome de Down. A observação dos cromossomos também permite concluir que essa pessoa é do sexo masculino, pois há um cromossomo X, o penúltimo, e um cromossomo Y, o último. (Aumento de cerca de 1 430 vezes; coloridos artificialmente.) L . W ill a tt , E a s t A n g lia n R e g io n a l G e n e ti c s S e rv ic e /S P L /F o to a re n a 1 6 2 7 3 8 4 9 5 10 11 12 13 19 20 21 22 14 15 16 17 18 X Y D e n is K u v a e v /S h u tt e rs to ck 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 38 27/11/18 10:29 39 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Pergunte aos estudantes co- mo os conhecimentos de Gené- tica podem ser utilizados pela sociedade, impactando na qua- lidade de vida das pessoas. Es- timule-os a realizar pesquisas para que conheçam algumas aplicações da Genética na agri- cultura, na criação de animais, na indústria de alimentos e na indústria farmacêutica. Pode ser interessante, ainda, que eles pesquisem profissionais dessas áreas, como biólogos, biomédicos, médicos, farma- cêuticos, nutricionistas, agrô- nomos, entre outros. Essa abordagem pode contribuir no desenvolvimento da compe- tência específica da BNCC refe- rente a avaliar aplicações e implicações políticas, socioam- bientais e culturais da ciência e de suas tecnologias para pro- por alternativas aos desafios do mundo contemporâneo, in- cluindo aqueles relativos ao mundo do trabalho. Comente com os estudantes que a Biotecnologia é uma área da ciência que visa desenvolver produtos e processos biológicos com a ajuda da ciência e da tec- nologia. Apresente a classifica- ção da Organização das Nações Unidas (ONU), que considera biotecnologia como “qualquer aplicação tecnológica que utili- za sistemas biológicos, organis- mos vivos, ou seres derivados, para fabricar ou modificar pro- dutos ou processos para utili- zação específica”. Com essa definição, é bastan- te provável que os estudantes comentem que os organismos transgênicos foram desenvolvi- dos por biotecnologia. Solicite a eles que compartilhem o que sabem sobre os transgênicos. Em geral, as pessoas tendem a correlacionar transgênicos com culturas de soja e milho princi- palmente e, em menor proporção, com a produção de medicamen- tos ou de substâncias sintéticas, como a insulina. Este é um bom momento para solicitar aos es- tudantes que selecionem repor- tagens sobre os temas de interesse individual para a dis- cussão em sala de aula, favore- cendo assim o contato com as novidades biotecnológicas e o desenvolvimento do letramento científico. 39A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 5 Biotecnologia Mesmo sem conhecimento dos conceitos atuais de Genética, já existia a ideia de que certas características po- dem ser transmitidas ao longo das gerações. Na agricultu- ra, por exemplo, o ser humano cruzava variedades de plan- tas com características de interesse para selecioná-las. O milho que conhecemos hoje, por exemplo, é resultado de centenas de anos de seleção de características interessantes ao consumo. Veja a figura 2.13. Outro exemplo de manipulação de organismos é no uso de microrganismos para produzir pães, bebidas fermentadas e outros alimentos, que existe há mais de 6 mil anos. O conhecimento genético deu um grande impulso a essas tecnologias, que passa- ram a incluir novas técnicas, como a identificação de genes, a manipulação do material genético de células isoladas e de organismos e até a transferência de genes de uma espécie para outra, com o objetivo de produzir substâncias e modificar uma série de processos. Métodos como esses fazem parte da área conhecida como Biotecnologia. Os organismos transg•nicos Você conhece alguém que tenha diabetes? Na maioria dos casos, pessoas com essa doença não produzem o hormônio insulina, ou o produzem em quantidade insuficiente. A insulina é sintetizada pelo pâncreas e sua função é permitir que o açúcar em circulação no sangue entre nas células, suprindo-as com energia. Sem a insulina, as taxas de açú- car no sangue aumentam muito, o que pode gerar consequências graves e até levar à morte. Por essa razão, muitas pessoas com diabetes devem tomar insulina. Durante muito tempo esse hormônio foi obtido de porcos, que produzem insulina semelhante à humana. O composto de origem animal, no entanto, podia causar aler- gia e outros problemas em algumas pessoas. Diante disso, a ciência desenvolveu técnicas de manipulação do DNA de bactérias que permitiram a produção de insulina idêntica à humana. Observe a figura 2.14. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 425 milhões de pessoas em todo o mundo são diabéticas. No Brasil são aproximadamente 12,5 milhões de diabéticos. 2.13 Milho selvagem (em cima) e moderno (embaixo), resultado de centenas de anos de cruzamentos selecionados.célula humana bactéria gene que comanda a produção de insulina DNA da bactéria gene para insulina combinado ao DNA da bactéria multiplicações sucessivas de bactérias capazes de produzir insulina L u is M o u ra /A rq u iv o d a e d it o ra J o h n D o e b le y /W ik im e d ia C o m m o n s 2.14 Ilustração da técnica que possibilita a produção de insulina por bactérias. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) Fonte: elaborado com base em U. S. Department of Health & Human Services. How did they make insulin from recombinant DNA? Disponível em: <https://www.nlm.nih.gov/ exhibition/fromdnatobeer/exhibition- interactive/recombinant-DNA/ recombinant-dna-technology- alternative.html>. Acesso em: 18 set. 2018. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 39 27/11/18 10:30 40 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Explique aos estudantes que a manipulação genética de or- ganismos como bactérias pos- sibilita a obtenção de uma série de produtos com aplicação mé- dica, como a insulina, e explore a figura 2.14 da página anterior para explicar a técnica de pro- dução de bactérias transgênicas. A insulina é um hormônio pro- duzido pelo pâncreas, envolvido no metabolismo de carboidra- tos. A falha na produção de in- sulina ou a produção de uma insulina alterada causa diabe- tes, ocasionando um aumento do nível de glicose no sangue. Estimule os estudantes a analisar a figura 2.15 e a pensar na vantagem de um gene de fluorescência de água-viva in- serido em outros seres vivos. Depois de deixá-los refletir um pouco a respeito dessa questão, comente que normalmente o gene da fluorescência é inseri- do com o gene de interesse pa- ra que seja possível verificar se a técnica de implantação dos genes foi realizada com suces- so. Caso não haja fluorescência, o gene de interesse não foi in- corporado ao ser vivo. É impor- tante ressaltar que a larva de mosquito transgênica com o gene de água-viva não foi de- senvolvida só para se criar um animal fluorescente, mas que isso é parte de pesquisas de aplicações como a tentativa de controlar os mosquitos porta- dores de agentes patogênicos. 40 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade Quando recebe o gene que codifica a insulina, a bactéria incorpora esse gene em seu material genético e começa a produzir insulina idêntica à humana. Além disso, quando a bactéria se reproduz, o gene se duplica junto com o DNA da bactéria. Como resultado, são geradas bilhões de bactérias produtoras de insulina humana. Reveja a figura 2.14. Seres que tiveram seu material genético alterado com técnicas de Biotecnologia são chamados de organismos geneticamente modificados (OGM). Em alguns casos, são implantados genes de uma espécie diferente, gerando organismos transgênicos. Técnicas de manipulação do DNA podem ser usadas para produzir várias substâncias: hormônios, como o do crescimento; diversos tipos de vacina, como a vacina contra a hepatite B; fatores que atuam na coagulação do sangue, entre outras. É assim que porcos, por exemplo, recebem de outras espécies genes que coman- dam a produção de hormônios de crescimento e passam a ter uma carne mais mus- culosa e menos gordurosa. Há vários outros exemplos de organismos transgênicos, como coelhos, ovelhas, bicho-da-seda, larvas de mosquito. Veja na figura 2.15 a foto de larvas de mosquito que receberam um gene de determinada espécie de água-viva. 2.15 Larvas de mosquito (Anopheles stephensi; cerca de 3 mm de comprimento) observadas ao microscópio óptico, sob luz ultravioleta. Nas células dessas larvas foi introduzido um gene que codifica uma proteína fluorescente. O gene foi extraído de uma espécie de água-viva. Esse procedimento é um passo preliminar para experimentos que visem controlar a transmissão de doenças, como a malária. Vários tipos de plantas transgênicas já são comercializadas e muitas ainda estão em fase de pesquisa. Uma variedade de soja transgênica, por exemplo, recebeu de uma bactéria um gene que confere resistência a um agrotóxico que destrói ervas daninhas. Assim, o agrotóxico pode ser aplicado na plantação para matar ervas daninhas sem que a soja seja prejudicada. Outro tipo de planta transgênica é o milho Bt. Ele foi criado a partir da combinação com um gene de uma bactéria do solo, o Bacillus thuringiensis. Esse gene regula a pro- dução da toxina Bt (iniciais do nome da bactéria), que mata a lagarta-do-cartucho e a lagarta-da-broca, ambas pragas do milho. Esses insetos morrem assim que começam a comer o milho Bt. Apesar dos benefícios, os transgênicos apresentam alguns riscos e são alvo de um debate entre seus defensores e seus críticos. As pessoas que criticam essa biotecnologia afirmam que faltam provas de que esses produtos não causam danos à saúde ou desequilíbrios ambientais. Por isso, em muitos países é necessário identificar os produtos que possuem um componente transgênico. S in c la r S ta m m e r/ S P L /F o to a re n a Conselho de Informações sobre Biotecnologia www.cib.org.br Notícias sobre biotecnologia, vídeo sobre melhoramento genético e infográficos sobre assuntos ligados à biotecnologia. Acesso em: 10 set. 2018. Mundo virtual 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 40 27/11/18 10:30 41 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Pergunte aos estudantes se eles conhecem outros exemplos de seres vivos transgênicos e qual a importância da técnica que os produziu. Nas técnicas de transgenia, os genes podem ser introduzidos no genoma de um ser vivo tanto para alterar características (modificar o teor de gordura na carne e no leite ou aumentar o teor de proteínas e nutrientes) quanto para que sejam produzidos outros pro- dutos, como no caso da insulina. Em seguida, questione os es- tudantes sobre a aplicação da transgenia em plantas e expli- que que o objetivo é torná-las mais resistentes a pragas, tole- rantes a herbicidas, adaptadas a condições adversas do clima e à produção de alimentos com maior valor nutricional e maior produtividade. Caso haja interes- se, comente que no Brasil é aprovado o cultivo de soja, mi- lho, algodão, feijão, eucalipto e cana-de-açúcar transgênicos. Vale lembrar que os produtos transgênicos só são liberados no Brasil depois da aprovação da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) após testes de biossegurança. Mundo virtual O Museu da Vida da Fio- cruz desenvolveu um material elucidativo sobre transgêni- cos, trazendo os prós e con- tras da utilização desses organismos na agricultura. Existe uma versão infantil que pode ser acessada em: <http://www.mu seudavida. fiocruz.br/ima ges/Publica coes_Educacao/ PDFs/trans genicosVersaoPublicoInfantil. pdf>. Acesso em: 16 out. 2018. Texto complementar – Plantar ou não plantar transgênicos? Decidir se as plantas transgênicas são boas ou ruins não é simples. Em primeiro lugar, não há uma resposta definitiva. Dados e resulta- dos às vezes conflitantes são também apresentados pelos diferentes grupos de pessoas, entre cientistas, ambientalistas, representantes de multinacionais pró-transgênicos, representantes de multinacionais de sementes convencionais, religiosos, produtores, parlamentares etc. [...] Pesquisas isoladas já demonstraram tanto benefícios quanto malefícios de determinados tipos de transgênicos para a saúde e para o meio ambiente. No entanto, nenhuma destas pesquisas foi conclusiva em relação aos transgênicos como um todo. Para alguns, a ausência de evidência é o bastante para provar que os transgênicos não trazem risco algum. Para outros, não. MASSARANI, L.; NATÉRCIA, F. Transgênicos em debate. Disponível em: <http://www.museudavida.fiocruz.br/images/Publicacoes_Educacao/PDFs/ TransgenicosVersaoAdultos.pdf>. Acesso em: 16 out. 2018. 41A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 Nesses países, os alimentos que contêm transgênicos apresentamessa informação no rótulo, com a presença de um selo. Veja a figura 2.16. A identificação é um direito do consumidor e um instrumento importan- te nos estudos de casos de alergias e outros problemas de saúde relacionados à ingestão de transgênicos. O ambiente também pode ser afetado pelos organismos gene- ticamente modificados. Carregados pelo vento ou por insetos, grãos de pólen de algumas plantas transgênicas podem acabar fecundan- do plantas não transgênicas. É preciso, portanto, estudar as conse- quências dessa mistura genética e avaliar o risco de perda da biodi- versidade original, além de estabelecer normas para seu uso. O cultivo de um único tipo de transgênico pode afetar a diversidade de plantas, reduzindo, portanto, a variabilidade genética e deixando um ecos- sistema mais vulnerável a pragas e a mudanças climáticas. Por isso é importante preservar as plantas nativas, que possibilitam o surgimento de novas variedades. Outro problema apontado é que o fornecimento de sementes poderia ficar sob controle de grandes empresas do setor agrícola. Esse monopólio já existe, com poucas empresas controlando mais da metade do mercado mundial de sementes e com produtores pagando pelo direito de uso das sementes. No caso do Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já possui tecnologia para produzir alguns transgênicos. Veja a figura 2.17. A Embrapa é uma empresa pública, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 2.16 Embalagem de alimento (óleo de soja) com identificação da presença de transgênicos. 2.17 Plantação de algodão transgênico produzido pela Embrapa, no estado da Bahia, 2017. Algumas variedades de transgênicos apresentam maior potencial produtivo; outras, maior resistência a insetos ou a variações climáticas, por exemplo. Os defensores dos transgênicos, por outro lado, alegam que a população mundial vem crescendo e que a produção de transgênicos representa aumento na qualidade dos alimentos e em sua produtividade. Essas pessoas acreditam, portanto, que a alta produtividade dos transgênicos possibilita que áreas menores possam ser dedicadas ao cultivo, o que representaria menor destruição ambiental. E você? O que pensa sobre a produção e o consumo de transgênicos? Você deve ter percebido que, apesar de alguns benefícios, ainda há preocupações acerca de questões sociais, econômicas, ambientais e de saúde envolvidas no cultivo de transgênicos. F a b ia n o J . P e ri n a /E M B R A P A /A c e rv o d o f o tó g ra fo Renato Luiz Ferreira/Folhapress Transgênicos: Inventando seres vivos, de Samuel Murgel Branco, Editora Moderna, 2015. Livro que apresenta uma visão geral sobre os transgênicos, sua história e sua importância para a humanidade, explicando as técnicas hoje utilizadas e mostrando por que o assunto é sempre tão polêmico. Minha biblioteca 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 41 27/11/18 10:30 42 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Pergunte aos estudantes se é possível produzir um clone em casa. A resposta é sim. Ao colocar uma folha de violeta ou de uma planta suculenta para brotar, você está desenvolven- do um indivíduo idêntico àque- le de que foi retirada a folha. Isso é possível porque essas plantas se reproduzem de for- ma assexuada. Utilize a figura 2.18 para explicar a técnica de clonagem reprodutiva por meio do exemplo da ovelha Dolly. Explique que as técnicas de clonagem foram aprimoradas e que, atualmente, é possível ob- ter clones de várias espécies de mamíferos. Isso pode ser inte- ressante não só para reproduzir um animal com uma caracterís- tica comercial interessante, mas também para a pesquisa. Um exemplo são os experimentos com camundongos genetica- mente idênticos, expostos a di- ferentes condições, para se compreender a influência do meio na expressão do fenótipo. No entanto, o sucesso da clo- nagem de animais ainda é baixo. A maioria dos clones morre no início da gestação e muitos ani- mais clonados têm anormalida- des. Essas alterações ocorrem, provavelmente, por falhas na reprogramação do genoma. A eficiência da clonagem depende do estágio de diferenciação da célula doadora. 42 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolu•‹o e biodiversidade Fonte: elaborado com base em RUSSELL, P. J.; HERTZ, P. E.; McMILLAN, B. Biology: The Dynamic Science. 4. ed. Boston: Cengage, 2017. p. 421. Clonagem reprodutiva Você sabe o que é um clone? Tem ideia das intervenções que podem ser feitas em um ser vivo usando a tecnologia de clonagem? O termo clone indica seres geneticamente idênticos entre si. A reprodução asse- xuada em bactérias e outros seres, por exemplo, produz clones de forma natural. Mas os clones que vêm despertando a atenção nos últimos tempos são os clones de animais produzidos em laboratório. Em 1996 nascia Dolly, a primeira ovelha clonada a partir de uma célula de uma ovelha adulta. Pesquisadores escoceses uniram uma célula da glândula mamária de uma ovelha da raça Finn dorsett a um ovócito II – do qual foi retirado o núcleo – de uma ovelha da raça Scottish blackface. A célula resultante foi implantada no útero de ou- tra ovelha da raça Scottish blackface. Observe a figura 2.18. Nasceu, então, Dolly, uma ovelha Finn dorsett, que é um clone daquela que forneceu a célula da glândula mamária. No final de 1998, pesquisadores japoneses, utilizando uma técnica mais eficien- te, produziram dezenas de vacas clonadas a partir de animais adultos. Eles trataram células do sistema reprodutor de uma vaca adulta, retiraram seus núcleos e os implan- taram em ovócitos de outra vaca, que tiveram seus núcleos removidos. Por meio dessa técnica, é possível clonar todo um rebanho a partir de um único animal que apresente carne de boa qualidade, dentre outras características vantajosas. P A I m a g e s /G e tt y I m a g e s 2.18 O esquema, à esquerda, demonstra o processo que gerou a ovelha Dolly (na foto acima). Ovelhas domésticas têm, em média, entre 1,20 m e 1,50 m de comprimento. (Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) InVivo – Fiocruz http://www.invivo.fiocruz. br/cgi/cgilua.exe/sys/ start.htm?infoid=5&sid=9 Texto sobre clonagem. Acesso em: 10 set. 2018. Mundo virtual ovelha Finn dorsett ovelha Scottish blackface Dolly, geneticamente igual à Finn dorsett (doadora da célula mamária). M ic h e l R a m a lh o /A rq u iv o d a e d it o ra Células mamárias são retiradas desta ovelha. meio de cultura Um ovócito II é retirado desta ovelha. O núcleo é retirado do ovócito II. Uma célula da glândula mamária é unida ao ovócito II sem núcleo. Um estímulo elétrico faz a célula se dividir. O embrião é implantado em outra ovelha. embrião 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 42 27/11/18 10:30 43 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Comente com os estudantes que, embora tenha sido reali- zada a clonagem de alguns ani- mais, a clonagem reprodutiva em humanos é proibida em to- dos os países do mundo. Per- gunte aos estudantes o porquê dessa proibição. Poderão ser abordadas questões éticas, le- gais e até mesmo religiosas nessa discussão, desenvolven- do competências específicas das Ciências da Natureza. Já a clonagem terapêutica pode ser utilizada em alguns países. Esse tipo de clonagem envolve a retirada de células de embriões nos seus primeiros estágios de desenvolvimento, células-tronco embrionárias, e seu cultivo em laboratório para que sejam utilizadas em pes- quisas para o tratamento de doenças como câncer, doença de Alzheimer, doença de Par- kinson, diabetes, artrite e doen- ças cardíacas, além de auxiliar no tratamento de lesões na co- luna, queimaduras, entre outras. Após muitas discussões, o Bra- sil foi o primeiro país da Améri- ca Latina a aderir a pesquisas com células-tronco,com a cria- ção da Lei de Biossegurança – Lei no 11 105, de 24 de março de 2005. O texto da seção Ciência e tecnologia mostra como a Bio- tecnologia pode ser aplicada a questões práticas, como no ca- so de exames de DNA. Esses exames podem ser utilizados para a confirmação de paterni- dade ou na identificação de en- volvidos em crimes. Também pode auxiliar na identificação de origem de animais silvestres apreendidos, pois as popula- ções apresentam assinaturas genéticas que permitem a sua identificação. Mundo virtual No artigo da Ciência Hoje “Mais perto da clonagem terapêutica humana” é citada uma publicação da revista Nature de 2017, em que é descrita a geração de células-tronco embrionárias de macacos a partir de células adultas desses animais com o método de transfe- rência nuclear de célula somática. Com essa nova técnica, fica mais próxima da realidade a utilização de células adultas para clonagem terapêutica em humanos. O artigo pode ser acessado em: <http://cienciahoje.org.br/mais-perto-da-clonagem-terapeutica-humana/>. Acesso em: 16 out. 2018. 43A genética depois de Mendel • CAPÍTULO 2 Durante esse procedimento, no entanto, a maioria dos embriões clonados morre, apresenta malformações ou tem maior probabilidade de desenvolver alterações ge- néticas. Dolly, por exemplo, apresentava sinais de envelhecimento prematuro quando foi sacrificada devido a uma infecção pulmonar, aos 6 anos de idade (a média de vida das ovelhas é de 12 anos). Apesar das dificuldades, a clonagem de animais domésticos vem sendo desen- volvida. No Brasil, a Embrapa produziu vários clones bovinos. Veja a figura 2.19. A clonagem reprodutiva humana também implicaria a destruição de muitos em- briões. Além disso, não haveria certeza de que o clone se desenvolveria sem problemas futuros. E, finalmente, há problemas éticos, jurídicos e religiosos que ainda precisam ser devidamente discutidos pela sociedade. Por isso, atualmente, nenhum país per- mite a clonagem reprodutiva de seres humanos. Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (USP) http://www.ib.usp.br/ biologia/projetosemear/ estanodna Site com informações sobre o DNA e a determinação das características dos indivíduos. Acesso em: 10 set. 2018. Mundo virtual C lá u d io M e lo /E m b ra p a Outras aplicações da biotecnologia Além de provocar uma revolução na Biologia, o desenvolvimento de biotecnologias levantou uma série de questões de ordem moral, social, econômica e política. É importante que todos estejam bem informados sobre os avanços dessas técnicas para que a sociedade tome decisões bem fundamentadas a respeito de como o conhecimento científico deve ser utilizado. Exame de DNA Você já deve saber que o DNA de uma pessoa é único. Por isso, o DNA pode ser usado como uma es- pécie de impressão digital, sendo possível identificar uma pessoa pelo exame do material genético de qual- quer célula do corpo dela que o contenha. Essa técnica permite, por exemplo, identificar um criminoso pelo exame da raiz dos fios de cabelo ou pelos vestígios de sangue ou esperma encontrados no local de um crime. Veja a figura 2.20. O exame de DNA permite também determinar se um homem é o pai de uma criança. A chance de acerto é muito próxima de 100%. 2.20 Em suas investigações, o profissional conhecido como perito criminal pode procurar por traços de DNA no local de um crime. Na foto, perita criminal analisando amostra de DNA no Instituto de Criminalística em São Paulo (SP), 2018. Ci•ncia e tecnologia 2.19 Vitória, o primeiro animal brasileiro clonado pela Embrapa. A bezerra nasceu em 2001. A d ri a n o V iz o n i/ F o lh a p re s s 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 43 27/11/18 10:30 44 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Explique aos estudantes que já foi realizado o mapeamento genético de uma série de orga- nismos, e esses estudos pro- moveram muitos avanços na compreensão dos mecanismos de herança, expressão e regu- lação dos genes, bem como na quantificação dos efeitos do ambiente em determinados fe- nótipos. Com os resultados do Projeto Genoma Humano várias doen- ças genéticas puderam ser mais bem caracterizadas e compreen- didas. Para muitas doenças, po- de ser feito um cálculo de risco de uma criança nascer com uma determinada doença ou carac- terística, de acordo com o his- tórico familiar. Esse tipo de cálculo é realizado no serviço de aconselhamento genético, que deve ser feito por um gene- ticista. Recomenda-se que so- mente casais que apresentam histórico familiar para determi- nado distúrbio procurem esse tipo de serviço. Se julgar pertinente, promo- va um debate sobre a utilização de testes genéticos para que as empresas possam decidir pela manutenção ou dispensa de funcionários conforme seu perfil genético. Também pode ser ressaltado que a presença de determinado gene não ne- cessariamente significa que ele será expresso. Por fim, converse com os es- tudantes sobre a terapia gênica, que pode ser definida como mo- dificações genéticas em células como uma forma de tratar uma doença. Essas modificações são realizadas por meio da inserção de um gene funcional dentro da célula que substituirá o gene não funcional. Essa técnica tam- bém permite o silenciamento de genes que não estão funcionan- do adequadamente. Mundo virtual Para mais informações sobre o Projeto Genoma Hu- mano, consulte: <http://geno ma.ib.usp.br/sites/default/ files/projeto-genoma-huma no.pdf>. Acesso em: 16 out. 2018. ATIVIDADES ATIVIDADES 45 Aplique seus conhecimentos 1 O cruzamento entre uma planta maravilha (Mirabilis jalapa), que tem flores vermelhas e uma planta da mesma es- pécie, que tem flores brancas, origina apenas plantas com flores cor-de-rosa. a) Qual é a explicação para esse resultado? b) Quais são os genótipos envolvidos nesse cruzamento? 2 Qual é o resultado do cruzamento entre planta maravilha de flores vermelhas e planta maravilha de flores cor-de- -rosa? Dê a proporção genotípica e fenotípica do resultado. 3 Quais são os cromossomos sexuais do sexo masculino e do sexo feminino em seres humanos? Em relação ao con- junto de cromossomos abaixo, identifique se ele pertence a uma pessoa do sexo masculino ou feminino. 4 Por que se diz que na espécie humana o sexo é determinado no momento da fecundação? Qual é a proporção espe- rada para cada sexo? 5 Os genes são os únicos fatores que influenciam nas características de uma pessoa? Justifique sua resposta. 6 O clone de um rato albino (suas células não produzem melanina) será também albino? Por quê? 7 Bactérias não produzem o hormônio insulina, importante no ser humano para controlar a quantidade de açúcar no sangue. a) Como é possível criar uma bactéria que produza esse hormônio? b) Qual é a importância dessa tecnologia no campo da saúde? 8 Que alteração nos cromossomos possui uma pessoa com síndrome de Down? 9 Como seria possível verificar a presença da síndrome de Down sem ver as características físicas do bebê? 10 Explique por que Dolly é parecida com a ovelha da qual foi extraída a célula da glândula mamária, e não com a que cedeu o óvulo. 11 Para clonar um animal podemos usar o núcleo de qualquer célula do corpo? Justifique sua resposta. De olho na notícia 2.23 Conjunto de cromossomos de ser humano vistos ao microscópio óptico (aumento de cerca de 860 vezes, coloridos artificialmente). A notícia abaixo é de janeiro de 2018 e discute a clonagem em uma espécie de macaco. Leia a notícia e pesquise em um dicionário o significado das palavras que você não conhece. Em seguida, responda às questões. Nascem os primeiros primatas clonados com a técnica da ovelha Dolly Depois de décadas de tentativas frustradas, cientistas conseguiram produzir os primeiros clones de primatas, o gru- po de mamíferos ao qual pertence o ser humano. São duas fêmeas de cinomolgo(espécie de macaco comum no Sudeste Asiático) que nasceram [...] no Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai. Zhong Zhong e Hua Hua, como foram apelidadas, agora estão com oito e seis semanas de vida, respectivamente – elas foram gestadas por mães de aluguel diferentes e, por isso, acabaram não nascendo ao mesmo tempo. Embora seja inevitável imaginar que o refinamento das técnicas de clonagem que levou ao nascimento delas possa ser usado um dia para “copiar” seres humanos, o objetivo dos cientistas chineses é que macacos clonados se transformem numa ferramenta importante da pesquisa biomédica daqui para a frente. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 X YLo o k A t S c ie n c e s /S P L /F o to a re n a Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. 9TCieg20At_031a046_U1cap2.indd 45 24/11/18 11:02 44 UNIDADE 1 • Genética, evolução e biodiversidade Mapeamento genético O desenvolvimento da Engenharia Genética também possibilitou a criação do Projeto Genoma Humano, que teve por objetivo descobrir a localização exata de cada gene no cromossomo e desvendar a sua estrutura química. Veja a figura 2.21. Com os estudos sobre o genoma espe- ra-se, por exemplo, identificar os genes que causam doenças hereditárias. Abre-se caminho para o desenvol- vimento de testes que permitam prever se uma pessoa terá ou não determinada doença genética, permitindo um tratamento mais adequado. Os genomas de outros organismos também têm sido mapeados: microrganismos que causam doenças; bacté- rias importantes na agricultura; mamíferos como o chim- panzé e o rato. Entre outras aplicações, esses estudos ajudam a traçar a história evolutiva e o grau de parentesco entre diversos organismos. Aconselhamento genético Se algumas doenças genéticas são identificadas antes ou durante a gestação, será que elas podem ser prevenidas antes do nascimento? No aconselhamento genético, o médico geneticista avalia os riscos de uma pessoa ou de um casal ter um bebê com uma doença genética. O profissional pode analisar o histórico familiar da doença e solicitar di- versos exames, como exames de cromossomos e testes genéticos. Em caso de risco, o médico também informa sobre a evolução da doença, as opções de tratamento e outras formas de lidar com o problema. Como foram identificados vários genes no Projeto Genoma Humano, atualmente é possível realizar exames para a detecção precoce de algumas doenças genéticas, facilitando o aconselhamento genético. Em alguns casos, os testes indicam apenas uma predisposiç ã o a certas doenç as, mas isso nã o quer dizer que a doença obrigatoriamente se desenvolverá. Pesquisas com células-tronco As células-tronco são capazes de se repro- duzir e originar células especializadas do corpo. São encontradas em embriões no início do de- senvolvimento (com até 200 células e 14 dias), no cordão umbilical e em alguns tecidos adultos, como a medula óssea. As células-tronco têm o potencial para rege- nerar células de órgãos comprometidos por doen ças, como paralisias causadas pela lesão da medula espinal, entre outros. Por enquanto, po- rém, os tratamentos com elas se encontram em fase de pesquisa. Veja a figura 2.22. Em alguns países, as células-tronco embrio- nárias podem ser obtidas de embriões de clínicas de fertilização assistida. Essas clínicas atendem, por exemplo, a casais que não conseguiram en- gravidar por métodos naturais. No entanto, há os que defendem que os em- briões humanos, mesmo na fase inicial, devem ser considerados seres humanos, com direitos como todos nós, e, por isso, posicionam-se contra as pesquisas com células-tronco embrionárias. 2.21 Centro de Estudos do Genoma Humano na Universidade de São Paulo (USP) em São Paulo (SP), 2017. 2.22 Após a fecundação em laboratório (1), forma-se um zigoto que se divide (2 e 3) formando um cacho de células, chamado mórula (4), e, em seguida, um blastocisto (5; em corte). Parte das células do blastocisto é cultivada em condições especiais (6) para se transformar em células (7) que poderiam ser utilizadas para regenerar tecidos de órgãos, como o coração (8). (As células são microscópicas. Elementos representados em tamanhos não proporcionais entre si. Cores fantasia.) A lo is io M au ric io /F ot oa re na V ic to r R ab bi ck V is io ns /S P L/ Fo to ar en a 9TCieg20At_031a046_U1cap2.indd 44 7/8/19 15:54 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 44 7/8/19 16:05 45 CAPÍTULO 2 – MANUAL DO PROFESSOR forma-se um zigoto que da- rá origem a um indivíduo do sexo masculino (XY). Há 50% de chance de nascer uma pessoa do sexo femi- nino e 50% de chance de nascer do sexo masculino. 5. Não. As características po- dem ser influenciadas tan- to pelos genes quanto pelo ambiente. Uma pessoa que tenha tendência gené- tica para a obesidade, por exemplo, pode manter um peso saudável se controlar sua alimentação. 6. Sim, porque a clonagem produz indivíduos geneti- camente idênticos. 7. a) Introduzindo, com auxílio das técnicas de engenha- ria genética, o gene hu- mano para a produção de insulina. A bactéria passa, então, a produzir insulina idêntica à huma- na. Além disso, quando a bactéria se reproduz, o gene se duplica junto com o DNA da bactéria. b) Essa técnica permite a produção de uma insu- lina idêntica à humana, evitando os efeitos co- laterais do uso de insu- l i n a p r o d u z i d a p o r o u t r o s m a m í f e r o s . Além disso, é mais sim- ples manter culturas de bactérias em labo- ratório do que criar ani- mais. Outra vantagem é que o uso das bacté- rias transgênicas au- menta a produtividade do hormônio. 8. A pessoa com síndrome de Down possui um cromosso- mo a mais, o de número 21. 9. Como a síndrome é carac- terizada pela presença de um cromossomo 21 a mais nas células, pode-se fazer um exame de sangue do bebê. 10. Porque o núcleo utilizado para formar Dolly veio da célula da glândula mamá- ria e não do óvulo, e é no núcleo que estão os genes responsáveis pelas carac- terísticas hereditárias. 11. Não. O núcleo de gametas não pode ser usado porque os gametas possuem ape- nas a metade dos cromos- somos das outras células. Respostas e orientações didáticas Aplique seus conhecimentos 1. a) Esse é um caso de ausência de dominância. A presença de apenas um alelo para a cor vermelha faz com que a planta produza o pigmento vermelho em menor quantidade; co- mo o alelo para cor branca não produz pigmento, a planta será rosa. b) Nesse cruzamento, o genótipo da planta de flor vermelha é VV, o de flor branca é BB e o de flor cor-de-rosa é VB. 2. Flor vermelha (VV) com flor cor-de-rosa (VB) origina 50% de flores vermelhas (VV) e 50% de flores cor-de-rosa (VB). 3. As células de um indivíduo do sexo masculino possuem um cromossomo X e um Y. Nas células de uma pessoa do sexo fe- minino há dois cromossomos X. O conjunto de cromossomos da imagem pertence a uma pessoa do sexo masculino. 4. Porque, se o ovócito for fecundado por um espermatozoide X, forma-se um zigoto que dará origem a um indivíduo do sexo feminino (XX). Se for fecundado por um espermatozoide Y, ATIVIDADES ATIVIDADES 45 Aplique seus conhecimentos 1 O cruzamento entre uma planta maravilha (Mirabilis jalapa), que tem flores vermelhas e uma planta da mesma es- pécie, que tem flores brancas, origina apenas plantas com flores cor-de-rosa. a) Qual é a explicação para esse resultado? b) Quais são os genótipos envolvidos nesse cruzamento? 2 Qual é o resultado do cruzamento entre planta maravilha de flores vermelhas e planta maravilha de flores cor-de- -rosa? Dê a proporção genotípica e fenotípica do resultado. 3 Quais são os cromossomos sexuais do sexo masculino e do sexo feminino em seres humanos? Em relação ao con- junto de cromossomos abaixo, identifique se ele pertence a uma pessoa do sexo masculino ou feminino. 4 Por que se diz que na espécie humanao sexo é determinado no momento da fecundação? Qual é a proporção espe- rada para cada sexo? 5 Os genes são os únicos fatores que influenciam nas características de uma pessoa? Justifique sua resposta. 6 O clone de um rato albino (suas células não produzem melanina) será também albino? Por quê? 7 Bactérias não produzem o hormônio insulina, importante no ser humano para controlar a quantidade de açúcar no sangue. a) Como é possível criar uma bactéria que produza esse hormônio? b) Qual é a importância dessa tecnologia no campo da saúde? 8 Que alteração nos cromossomos possui uma pessoa com síndrome de Down? 9 Como seria possível verificar a presença da síndrome de Down sem ver as características físicas do bebê? 10 Explique por que Dolly é parecida com a ovelha da qual foi extraída a célula da glândula mamária, e não com a que cedeu o óvulo. 11 Para clonar um animal podemos usar o núcleo de qualquer célula do corpo? Justifique sua resposta. De olho na not’cia 2.23 Conjunto de cromossomos de ser humano vistos ao microscópio óptico (aumento de cerca de 860 vezes, coloridos artificialmente). A notícia abaixo é de janeiro de 2018 e discute a clonagem em uma espécie de macaco. Leia a notícia e pesquise em um dicionário o significado das palavras que você não conhece. Em seguida, responda às questões. Nascem os primeiros primatas clonados com a tŽcnica da ovelha Dolly Depois de décadas de tentativas frustradas, cientistas conseguiram produzir os primeiros clones de primatas, o gru- po de mamíferos ao qual pertence o ser humano. São duas fêmeas de cinomolgo (espécie de macaco comum no Sudeste Asiático) que nasceram [...] no Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai. Zhong Zhong e Hua Hua, como foram apelidadas, agora estão com oito e seis semanas de vida, respectivamente – elas foram gestadas por mães de aluguel diferentes e, por isso, acabaram não nascendo ao mesmo tempo. Embora seja inevitável imaginar que o refinamento das técnicas de clonagem que levou ao nascimento delas possa ser usado um dia para “copiar” seres humanos, o objetivo dos cientistas chineses é que macacos clonados se transformem numa ferramenta importante da pesquisa biomédica daqui para a frente. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 X YLo o k A t S c ie n c e s /S P L /F o to a re n a Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 45 27/11/18 10:30 46 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Respostas e orientações didáticas De olho na notícia a) Por serem do mesmo gru- po ao qual pertence o ser humano, os primatas clo- nados poderão ser uma fer- ramenta para construir modelos precisos de doen- ças com base genética, além de permitir testar a eficácia de drogas. b) Desde a clonagem da Dolly já foram 23 animais dife- rentes, entre ratos, porcos, vacas e cães. c) Porque o ser humano está no mesmo grupo do maca- co clonado com sucesso. d) Além da legislação, que não autoriza a clonagem hu- mana em nenhum país atualmente, as mães de aluguel, nas quais os clo- nes seriam implantados, não estariam seguras com essa técnica. Trabalho em equipe 1. Resposta pessoal. 2. Exemplos de argumentos contra os transgênicos: se apenas um tipo de planta transgênica passasse a dominar o mercado, have- ria uma uniformidade ge- nética, o que tornaria a cultura mais vulnerável a pragas; a produção de ali- mentos ficaria sob contro- le de multinacionais, excluindo pequenos pro- dutores; por meio do pólen, os genes de plantas trans- gênicas poderiam ser transmitidos a plantas apa- rentadas. Alguns argumentos em defesa dos transgênicos: diante do aumento da po- pulação mundial e da inca- pacidade de a agricultura tradicional aumentar a produção de alimentos, a alternativa seria adotar produtos transgênicos, mais produtivos; depen- dendo do tipo de trans- gênico, seu uso reduz a necessidade de agrotóxi- cos, o que diminui os riscos à saúde e ao ambiente; por serem mais produtivos 3. O resultado do trabalho vai depender da situação re- cente das pesquisas nes- sa área. 4. Um problema ético desse tipo de terapia é que a manipulação do genoma de uma pessoa pode ser considerada uma manipulação de sua identidade. 5. Entre outros dados, os alunos poderão descobrir que Mayana Zatz é uma pesquisadora brasileira, com trabalhos sobre doenças neuromusculares. Crodowaldo Pavan realizou pesquisa sobre os cromossomos e o controle biológico de pragas. Warwick Este- vam Kerr pesquisou a genética de abelhas e Oswaldo Frota Pessoa realizou pesquisas em genética humana. 6. A atividade permite que os estudantes analisem informações atualizadas sobre um tópico que está em constante transforma- ção, devido à intensificação das pesquisas na área. 7. A pesquisa deve mostrar que diante dos milhões de testes genéticos realizados todos os anos, há muitos problemas legais e éticos que têm de ser discutidos. ATIVIDADES46 “Muitas perguntas sobre a biologia dos primatas podem ser estudadas com esse modelo”, argumenta Qiang Sun, coordenador do estudo sobre os clones que está saindo na revista científica “Cell”. “Dá para produzir macacos clonados com características genéticas idênticas entre si, com exceção do único gene que você decidir manipular. Isso levará a modelos precisos de doenças do cérebro com base genética, câncer, problemas imunes, além de permitir testar a eficácia de drogas antes do uso clínico.” [...] Desde que a ovelha Dolly se tornou o primeiro clone de mamífero produzido em laboratório, em 1996, a lista de espé- cies geradas pelo método não parou de crescer: hoje, são 23 animais diferentes, entre os quais estão ratos, porcos, vacas e cães. [...] Quanto à aplicação dessas técnicas em humanos, as barreiras são muito maiores, não apenas no que diz respeito à legislação (nenhum país permite a produção de clones humanos para fins reprodutivos hoje), mas também quanto à se- gurança das mães de aluguel. NASCEM os primeiros primatas clonados com a técnica da ovelha Dolly. Folha de S.Paulo. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ ciencia/2018/01/1952959-nascem-os-primeiros-primatas-clonados-com-a-tecnica-da-ovelha-dolly.shtml>. Acesso em: 12 set. 2018. a) De acordo com o texto, por que a clonagem de primatas pode contribuir para a ciência? b) Quantos mamíferos já foram clonados depois da Dolly? c) Por que essa notícia gerou preocupação sobre a produção de um clone humano no futuro? d) Quais problemas relacionados com a clonagem humana são apontados pela notícia? Trabalho em equipe Cada grupo de estudantes vai escolher uma das atividades a seguir para pesquisar em livros, revistas ou sites confiáveis (de universidades, centros de pesquisa, etc.). Vocês podem buscar o apoio de professores de outras disciplinas (Geografia, História, Língua Portuguesa, etc.). Exponham os resultados da pesquisa para a classe e a comunidade escolar (estudantes, professores e funcionários da escola e pais ou responsáveis), com o auxílio de ilustrações, fotos, vídeos, blogues ou mídias eletrônicas em geral. Ao longo do trabalho, cada integrante do grupo deve defender seus pontos de vista com argumentos e respeitando as opiniões dos colegas. 1 É fundamental conscientizar a população para que todas as pessoas tenham seus direitos garantidos. Pensem em uma campanha para esclarecer para sua comunidade a importância da participação das pessoas com síndrome de Down na sociedade. Vocês podem usar smartphones para gravar vídeos ou escrever textos em redes sociais. Se fizerem pesquisa de textos e imagens, não deixem de dar os créditos das fontes consultadas. 2 Procurem notícias recentes sobre alimentos transgênicos em jornais e revistas de divulgação científica. Verifiquem se houve ou não crescimento na produção desses alimentos; se novos transgênicos foram disponibilizadosno mer- cado; que países são os maiores produtores de transgênicos; quais são os transgênicos produzidos ou comerciali- zados no Brasil, etc. Pesquisem também argumentos a favor ou contra o cultivo de plantas transgênicas. 3 Busquem em jornais, revistas e na internet artigos sobre a clonagem de animais no Brasil e no mundo. Façam um resumo da notícia com suas próprias palavras e apresentem o resultado do trabalho para a classe. 4 Procurem informações sobre as pesquisas na área da terapia gênica. Apresentem também quais são os possíveis problemas éticos envolvidos nessa área de pesquisa. 5 Pesquisem a vida e o trabalho de alguns geneticistas brasileiros, como Mayana Zatz, Crodowaldo Pavan, Warwick Estevam Kerr, Oswaldo Frota-Pessoa, entre outros. 6 Pesquisem notícias recentes sobre estudos com células-tronco no Brasil e no mundo. Complementem a pesquisa com informações sobre a legislação acerca desse tema em nosso país. 7 Pesquisem problemas legais e éticos relacionados aos testes genéticos. Discutam pontos como: O que fazer quando o teste indica uma doença séria que poderá se desenvolver no futuro e para a qual ainda não há prevenção nem tratamento? Será que a pessoa deve saber que terá a doença? Essa é uma escolha individual difícil; será que todos estariam preparados para saber disso? Empresas teriam o direito de realizar testes em seus funcionários ou em candidatos a um emprego para procurar doenças que poderão se desenvolver no futuro? Companhias de seguro poderiam fazer testes para aprovar ou rejeitar pedidos de seguro saúde? Respostas da seção Atividades nas Orientações didáticas. 031-046-9TCieg20At_MPU_cap2.indd 46 27/11/18 10:30 47 CAPÍTULO 3 – MANUAL DO PROFESSOR Objetivos do capítulo Neste capítulo, serão estuda- das as ideias evolucionistas de Lamarck e de Darwin, incluindo o conceito de seleção natural. É importante deixar claro aos es- tudantes o que a comunidade científica pensa a respeito do processo de evolução biológica. Habilidades da BNCC abordadas EF09CI10 Comparar as ideias evolucionistas de Lamarck e Darwin apresentadas em textos científicos e históricos, identi- ficando semelhanças e diferen- ças entre essas ideias e sua importância para explicar a di- versidade biológica. EF09CI11 Discutir a evolução e a diversidade das espécies com base na atuação da seleção na- tural sobre as variantes de uma mesma espécie, resultantes de processo reprodutivo. Orientações didáticas Peça aos estudantes que ob- servem a figura 3.1 e que pro- curem explicar a diversidade de formas e cores de borboletas e de mariposas. Em seguida, es- timule-os a relacionar a diversi- dade de formas com o que sa- bem de Genética, relembrando- -os da variabilidade genética proporcionada pela reprodução sexuada, da existência das mu- tações e da presença de formas alélicas para um gene, que re- sultam nas variações morfoló- gicas de uma população. Dessa maneira, é possível avaliar os conceitos prévios dos estudan- tes relacionados à evolução e à diversidade. As perguntas do boxe A ques- t‹o Ž ... auxiliam na condução da reflexão sobre a evolução das espécies além de levantar os conhecimentos dos estudantes sobre Lamarck e D arwin. Respostas para A quest‹o Ž... Os organismos não são os mesmos. Muitos seres vivos que vi- viam há milhões de anos foram extintos e novas espécies surgiram. Essas características, em geral, estão relacionadas ao ambien- te no qual o ser vivo habita (são adaptações) e foram seleciona- das ao longo do tempo por proporcionar alguma vantagem de so- brevivência ou reprodução ao organismo que as possuía. Verifique se os estudantes sabem quem foi Lamarck e quem foi Darwin. Lamarck defendia que os organismos atuais teriam surgido a partir de outros, mais simples, e foram ganhando com- plexidade progressivamente. Para Darwin, as mudanças evoluti- vas ocorriam porque alguns indivíduos apresentavam caracterís- ticas que aumentavam suas chances de sobreviver e se reprodu- zir, deixando, portanto, mais descendentes. Sequência didática No Material Digital do Pro- fessor que compõe esta co- leção você encontra a suges- tão de Sequência Didática 2 do 1o bimestre, “Evolução das espécies”, que poderá ser aplicada para trabalhar os conceitos abordados nes- te capítulo. 47As primeiras ideias evolucionistas • CAPÍTULO 3 B u tt e rf ly H u n te r/ S h u tt e rs to ck Em nosso planeta encontramos uma grande diversidade de seres vivos, em praticamente todos os ambientes. Podemos encontrar organismos muito diferen- tes no mesmo ambiente, como uma alga e um tubarão, assim como organismos semelhantes em diferentes locais, com pequenas variações em certas caracterís- ticas, como podemos observar na figura 3.1. As ideias evolucionistas buscam ex- plicar o porquê das semelhanças e diferenças observadas nos seres vivos. 3.1 Representação da diversidade encontrada no grupo das borboletas e das mariposas. » Os organismos que viviam há milhões de anos no planeta são os mesmos de hoje? » Como explicar a origem de certas características dos seres vivos, como a presença de asas? » Você sabe quem foi Lamarck? E Darwin? Em que campo da ciência esses cientistas fizeram grandes contribuições? A questão é... Respostas do boxe A questão é... nas Orientações didáticas. As primeiras ideias evolucionistas3 CAPÍTULO 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 47 27/11/18 10:30 48 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Comente com os estudantes que inúmeras tentativas têm sido feitas ao longo da história da humanidade para explicar qual é a origem da diversidade de seres vivos existentes. Por muitos séculos, a ideia de que espécies eram entidades fixas, ou seja, cada uma teria carac- terísticas determinadas, que não se modificam, era a mais aceita. Um dos defensores des- sa ideia, chamada fixismo, era Carolus Linnaeus, conhecido por seu sistema de classifica- ção da diversidade, que utiliza- mos até hoje, o sistema bino- mial. Explique que Lineu propôs que o nome das espécies fosse definido por duas palavras em latim, sendo que a primeira es- taria relacionada ao gênero e a segunda, em conjunto com a primeira, à espécie. Se julgar interessante, é pos- sível nesse momento retomar a classificação dos seres vivos feita por Lineu e vista pelos es- tudantes no 7º ano. Ao integrar conceitos, essa abordagem con- tribui para a compreensão do estudante sobre as Ciências da Natureza. Atenção Ao longo do estudo sobre a evolução é importante dei- xar claro aos estudantes que um organismo unicelular não é menos evoluído ou menos adaptado por ter somente uma célula ou por ser mais simples do que outro ser vivo. Cada ser vivo está adaptado ao am- biente em que vive. Mundo virtual Para saber mais sobre os estudos de Lineu e sobre co- mo foi construída, ao longo dos anos, a sua proposta de classificação de plantas, con- sulte o artigo As origens da classificação de plantas de Carl von Linné no ensino de Biologia, disponível em: <http://www.abfhib.org/FH B/FHB-04/FHB-v04-04-Ma ria-Elice-Prestes-et-al.pdf>. Acesso em: 30 out. 2018. 48 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade 1 Fixismo e transformismo Você já aprendeu que muitos seres vivos são compostos de apenas uma célula, como as bactérias e os protozoários; outros podem ser formados por trilhões de células, como os animais e as plantas. Além do número de células, os organismos são diferen- tes em relação a uma série de outras características. Eles podem ter variados formatos de corpo, hábitos de alimen- tação e reprodução, podem ser sésseis ou se locomover de diversas formas. Além disso, os organismos podem ser en- contrados em diferentes ambientes do planeta. Compare, por exemplo, a rã e a minhoca mostradas na figura 3.2. Fica evidente que esses dois animais têm caracte- rísticas distintas, tanto na aparênciacomo nos hábitos de vida. Observamos na natureza uma diversidade enorme de seres vivos. Bactérias, protozoários, fungos, algas, plantas e animais são os principais exemplos. Como todos esses seres vivos diferentes teriam se originado? Ao longo da história, muitos pesqui- sadores tentaram responder a essa questão. No século XVIII, predominava a ideia do fixismo para explicar a biodiversidade. De acordo com esse pensamento, cada espécie teria surgido de maneira indepen- dente e permaneceria sempre com as mesmas características. Essa teoria, portan- to, não considerava que as espécies se transformassem. Um dos pensadores que acreditavam nessa ideia era o sueco Carl Von Linné (1707-1778), conhecido como Lineu, responsável por padronizar o nome científico das espécies e seu agrupamen- to em categorias hierárquicas (espécies, gêneros, famílias, ordens, classes e reinos). Outro cientista fixista era o francês Georges Cuvier (1769-1832), que estudava os fósseis encontrados em diferentes camadas de sedimentos. Veja a figura 3.3. No 6o ano, você estudou que fós- seis são vestígios ou restos de organismos que existiram no passado e se formam em condi- ções muito especiais. Para Cuvier, as espécies en- contradas em sedimentos mais antigos e que não existem hoje, tinham sido extintas por catás- trofes naturais. Outros cientistas consideravam que os fósseis de- safiavam a teoria do fixismo: se as espécies não se modificam ao longo do tempo, qual é a relação entre as espécies atuais e as do passado? Por que tantas espé- cies surgiram e desapareceram? 3.3 Foto de escavação no sítio arqueológico Grande Dolina, na Espanha, 2017. Observe as camadas de sedimentos: as mais profundas se formaram antes e acabaram sendo recobertas por novas camadas ao longo de muitos anos. J a v ie r Tr u e b a /M S F /S P L /F o to a re n a F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo 3.2 Rã (cerca de 10 cm de comprimento) comendo minhoca. A foto mostra dois seres vivos muito diferentes. Você conheceu os principais grupos de seres vivos no 7o ano. 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 48 27/11/18 10:30 49 CAPÍTULO 3 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Comente com os estudantes que, ao analisar o registro pa- leontológico, Cuvier, cientista fixista, defendia que os fósseis observados correspondiam a formas eliminadas em eventos de catástrofes naturais. Per- gunte aos estudantes se eles concordam com o cientista e que outras explicações pode- riam ser dadas para a ocorrên- cia de formas fósseis. Depois de deixar os estudantes refle- tirem e compartilharem suas ideias, explique que alguns gru- pos de pesquisadores sugeri- ram que os fósseis poderiam ser um indício de que as formas atuais se modificaram ao longo do tempo a partir de formas ancestrais. Essa foi a base do transformismo, que defendia que as espécies poderiam se mo- dificar ao longo das gerações. Caso julgue necessário, retome alguns conceitos sobre os tipos de rocha e a formação de fósseis, assuntos estudados no 6o ano. Ao abordar o texto da seção Ciência no dia a dia, peça aos estudantes que expliquem o que entendem por teoria (no caso, teoria científica) e por hi- pótese, e que reflitam se as duas palavras são sinônimas. Por fim, deixe claro aos estu- dantes que são conceitos dife- rentes, embora sejam empre- gados como sinônimos em lin- guagem coloquial: hipóteses são possíveis explicações para fatos que foram observados, que podem ser testadas para serem reforçadas ou refutadas; teorias são mais amplas e com- postas de leis, conceitos e mo- delos que conseguem explicar diversos fenômenos. Lembre-os também de que as teorias cien- tíficas podem sofrer mudanças ao longo do tempo, em razão de novas observações ou experi- mentos. 49 Com base nos fósseis e em outras evidências, alguns cientistas passaram a de- fender a ideia de que as espécies se transformam ao longo do tempo. Isso explicaria a diversidade das espécies e a existência de fósseis de organismos diferentes dos organismos atuais. Essa ideia ficou conhecida como transformismo ou transmutação das espécies. O geólogo escocês James Hutton (1726-1797), por exemplo, defendia a ideia de que, assim como as características físicas e químicas da Terra mudam ao longo do tempo, as espécies também se transformam. Essas mudanças seriam graduais, ou seja, ocorreriam aos poucos, ao longo do tempo. Apesar de seus defensores não apresentarem nenhuma explicação satisfatória de como esse processo ocorreria, essa nova ideia se difundiu e influenciou o pensa- mento de muitos estudiosos, como Lamarck e Charles Darwin, que você vai conhecer melhor adiante. Teoria e hipótese No dia a dia é comum ouvir pessoas usando a palavra “teoria” como sinônimo de hipótese. Por exemplo, quando alguém diz que tem uma teoria para explicar algo que aconteceu. Mas, em ciência, esse termo é usado com outro significado. A formulação de hipóteses é uma etapa da investigação científica, que envolve a observação de um fenômeno, a formulação de hipóteses para explicá-lo, os testes para verificar se a hipótese é correta ou não (por meio de observa- ções, experimentos ou coleta de dados) e a conclusão, que envolve a análise dos resultados obtidos e a comparação com outros trabalhos. Esses procedimentos, porém, variam de acordo com o tipo de pesquisa. Veja e compare as figuras 3.4 e 3.5. Por essa razão, não há um método de pesquisa único que possa ser aplicado a qualquer tipo de estudo. Após muitos estudos, é possível chegar a uma teoria científica. A teoria científica é um conjunto de leis, conceitos e modelos por meio do qual é possível explicar diversos fenômenos. Vamos considerar a teoria da evolução, construída a partir das conclusões de diferentes pesquisadores incorporadas ao longo do tempo. Essa teoria explica, por exemplo, como as espécies se transformam ao longo do tempo, como surgem as diversas características nos seres vivos e por que algumas espécies são mais semelhantes entre si do que em relação a outras espécies. É importante ter em mente que, por mais bem-sucedida que uma teoria seja, ela pode ser corrigida, aperfeiçoada e até substituída. Essas transformações ocorrem, por exemplo, à medida que são feitas novas descobertas ou realizados novos experimentos. Ci•ncia no dia a dia R ic a rd o T e le s /P u ls a r Im a g e n s 3.5 Pesquisadores avaliam resultado de experimento relacionado ao zika vírus no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo (SP), 2016. F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo 3.4 Pesquisadora grava sons na toca de um roedor em Tramandaí (RS), 2017. As primeiras ideias evolucionistas • CAPÍTULO 3 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 49 27/11/18 10:31 50 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Sugerimos que, ao abordar esse tema, deixe os estudantes livres para compartilhar o que sabem sobre Lamarck e para pesquisar algumas informações e curiosidades, como forma de extrapolar as informações do Livro do Estudante. Em seguida, comente com os estudantes que, com base em suas observações, Lamarck sugeriu que as espécies pode- riam se modificar ao longo do tempo e originar novas espé- cies a partir de formas de vida mais simples. Além disso, como a maioria dos cientistas da épo- ca, Lamarck considerava a ge- ração espontânea como uma explicação para a formação de seres vivos simples. Comente com os estudantes que os experimentos que refu- tam as ideias de geração es- pontânea serão discutidos no próximo capítulo. Mas, se julgar adequado solicite aos estudan- tes que elaborem uma hipótese alternativa à da geração espon- tânea para o surgimento de lar- vas na carne e em outros ali- mentos em decomposição. 50 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade 2 Evolução: as ideias de Lamarck No iníciodo século XIX, o naturalista Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, Chevalier de Lamarck, ou, simplesmente, Lamarck (1744-1829; figura 3.6), sugeriu um mecanismo para explicar a transformação das espécies. Por suas ideias, ele foi considerado um importante evolu- cionista que se opunha às ideias fixistas de sua época. A tese de Lamarck é expressa nos livros Filosofia zoológica (Philosophie zoologique, no original; veja a figura 3.7), publicado em 1809, e História natural dos animais invertebrados (Histoire naturelle des animaux sans vertèbres), publicado em dois volumes de 1815 a 1822. O conjunto de ideias de Lamarck é conhecido como lamarckismo. Contrariando as ideias fixistas da época, o pesquisador francês de- fendia que os organismos atuais teriam surgido a partir de outros, mais simples, e teriam uma tendência a se transformar, gradualmente, em seres cada vez mais complexos. A origem dos seres mais simples era explicada pela teoria da geração espontânea, em que a vida surgiria a partir da matéria sem vida, como veremos no próximo capítulo. Para Lamarck, a evolução seria guiada então pela necessidade dos organismos, que teriam uma tendência natural de aumentar de complexidade. Essa tendência é uma das ideias centrais na teoria da evolução de Lamarck. Lamarck considerou a formação dos tentáculos nos caracóis, por exemplo, como uma evidência desse processo. Ele acreditava que os tentáculos teriam se desenvol- vido para que os caracóis pudessem detectar objetos ao seu redor. Veja a figura 3.8. Atualmente, Lamarck é mais conhecido pela elaboração de duas leis que pretendiam explicar os me- canismos de transformação dos seres vivos: a lei do uso e desuso e a lei da herança das características adquiridas. Vale lembrar que, na época de Lamarck, era comum a crença nessas leis. 3.7 Primeira página da primeira edição da obra de Lamarck, Philosophie zoologique, publicada em 1809. 3.8 Caracol (Helix pomatia; a concha tem em torno de 8 cm de comprimento), também conhecido como escargot. As projeções na cabeça são os tentáculos. Universal Im ages G roup/G e tty Im ag e s W e llc o m e L ib ra ry , L o n d re s /C o le ç ã o p a rt ic u la r C h ri s ti a n M u s a t/ S h u tt e rs to ck 3.6 Lamarck defendeu a teoria de que as espécies mudam com o tempo e que as espécies atuais são descendentes de outras espécies. 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 50 27/11/18 10:31 51 CAPÍTULO 3 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Explique aos estudantes as duas leis defendidas por Lamarck: a lei do uso e do desuso e a lei dos caracteres adquiridos. Para verificar a compreensão das ideias de Lamarck, questione os estudantes sobre como se- riam as gerações de caracóis criados em aquários de vidro sem nenhum substrato (ape- nas recebendo, por exemplo, uma alimentação em pó, já pre- parada para ser digerida) e as gerações de caracóis criados em aquários com pedras, tron- cos e vegetação, segundo as ideias desse cientista. Em seguida, solicite aos es- tudantes que expliquem o ta- manho da língua do tamanduá de acordo com as leis defendi- das por Lamarck. Caso algum estudante apresente dificulda- de em explicar um dos exem- plos, busque solucionar as dú- vidas. 51As primeiras ideias evolucionistas • CAPÍTULO 3 Em seu livro Philosophie zoologique, Lamarck defendeu que a modificação dos animais se dá pelo uso e pela falta de uso das estruturas, e chamou esse fenômeno de lei do uso e desuso. Assim, ele escreveu que o uso frequente e contínuo de um órgão fortalece e desenvolve essa estrutura gradualmente, enquanto a falta de uso, ou o desuso, de uma estrutura faz com que ela se enfraqueça, perdendo aos poucos sua função até desaparecer. Ou seja, de acordo com essa lei, um órgão desenvolve-se com o uso e atrofia-se quando não é usado. Veja esta ideia aplicada para explicar as características da boca de um tamanduá, como o da figura 3.9. A língua do animal teria se desenvolvido em resposta às suas necessidades alimentares e ao uso desse órgão – o tamanduá usa a língua para capturar e comer insetos. Por outro lado, os dentes teriam desapare- cido por falta de uso. Hoje sabemos que essa lei é apenas parcialmente correta, porque o ambiente só altera as características do organismo dentro de certos limites. Como vimos no capítulo anterior, esses limites são deter- minados pela constituição genética do organismo. Isso quer dizer, por exemplo, que um filhote de cão pode crescer mais se tiver acesso a uma boa alimentação do que se for subnutrido. Mas, mesmo com uma boa alimentação, um cão de raça pe- quena não vai ficar do tamanho de cães de raças maiores. Sobre a lei da herança das caracterís- ticas adquiridas, Lamarck escreveu que as modificações que ocorrem em um orga- nismo são preservadas nas gerações se- guintes. Ou seja, ele, assim como muitos cientistas de sua época, acreditava que as características adquiridas do desenvolvi- mento pelo uso e da atrofia pelo desuso das estruturas, influenciadas pelo am- biente, seriam passadas para os descen- dentes durante a reprodução. Veja os fi- lhotes do caracol da figura 3.10. Ao observar um caracol e seus filhotes, Lamarck diria que os ancestrais dos cara- cóis precisavam dos tentáculos para inte- ragir com o ambiente. O uso dos tentáculos teria levado ao seu maior desenvolvimen- to ao longo da vida; a transmissão dessa característica adquirida para os descen- dentes teria resultado no que vemos hoje: caracóis com tentáculos desenvolvidos. 3.9 Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla; cerca de 80 cm de comprimento desconsiderando a cauda), Petrolina (PE), 2015. Nenhuma das quatro espécies de tamanduás tem dentes. F a b io C o lo m b in i/ A c e rv o d o f o tó g ra fo 3.10 De acordo com Lamarck, o desenvolvimento de tentáculos e a transmissão dessa estrutura para os filhotes seria um exemplo de herança das características adquiridas (a concha do adulto tem cerca de 3,5 cm de comprimento). M in d e n /N a tu re P L /F o to a re n a 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 51 27/11/18 10:31 52 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Sugerimos que relembre os conceitos de Genética vistos nos capítulos anteriores e, em conjunto com os estudantes, explique as características do caramujo: o gene que produz os tentáculos de caramujos apresenta alelos, cada um pro- duzindo essa estrutura com um tamanho diferente. Ao produzir gametas, os alelos são trans- mitidos para os descendentes. É importante deixar claro aos estudantes que as caracterís- ticas influenciadas pelo am- biente (e que não afetam o DNA) e as mutações pontuais em al- gumas células somáticas não são transmitidas aos gametas nem passadas para a próxima geração. Acrescente que esse tópico será aprofundado no ca- pítulo seguinte. O texto da seção Para saber mais explica que fatores am- bientais podem ativar (ligar) ou inibir (desligar) a atividade de genes. No entanto, estudos de epigenética têm mostrado que essas mudanças são, no geral, transitórias e, portanto, distintas das mudanças adqui- ridas presentes na teoria de Lamarck. 52 UNIDADE 1 ¥ Genética, evolução e biodiversidade O conhecimento atual na área da Genética invalida a lei da herança das carac- terísticas adquiridas. Sabemos que apenas os genes dos gametas e das células germinativas (que originam gametas) são passados para os descendentes. Caracte- rísticas que envolvem alterações nas células somáticas de um organismo não são transmitidas de uma geração para outra. Além disso, o uso e o desuso de órgãos e de outras estruturas não altera o DNA dos genes que serão transmitidos aos descendentes. Apenas as mutações, causadas por radiações, certas substâncias químicas e outros fatores ambientais podem al- terar o DNA. As mutações ocorrem ao acaso, quer dizer, elas não são dirigidas peloambiente. Em ambientes mais frios, por exemplo, a probabilidade de um indivíduo sofrer uma mutação que o torne mais adaptado ao frio é a mesma que a de ele sofrer uma outra mutação, que seja indiferente ou o torne menos adaptado ao frio. Da mesma maneira, embora as radiações possam provocar mutações, essas mutações não causam ne- cessariamente características que protegem o organismo das radiações. Para saber mais Genes que são ligados ou desligados Atualmente sabemos que certos fatores do ambiente podem fazer com que os genes sejam ativados ou desativados ao longo da vida de um indivíduo. Ou seja, fatores ambientais podem fazer com que certos genes que estavam inativos entrem em ação em determinado momento, ou vice-versa. Sabemos ainda que, em alguns casos, a ativação ou desativação desses genes pode ser passada para os descen- dentes – pelo menos por algumas gerações. Esse tipo de modificação pode explicar, por exemplo, o surgimento de alguns tipos de câncer e as diferenças entre gêmeos monozigóticos: esses gêmeos possuem o mesmo DNA, porém apresentam, ao longo da vida, algumas alterações na expressão dos genes. Veja a figura 3.11. R o s s H e le n /S h u tt e rs to c k Existe uma área da pesquisa dentro da Genética dedicada ao estudo desse fenômeno: a Epigenética. As mudanças epigenéticas podem ser influenciadas por fatores do ambiente, como alimentos, poluentes, doenças e até interações sociais (que provocam estresse, por exemplo). No entanto, é importante ressaltar que as alterações descritas pela Epigenética não estão de acordo com o que foi proposto por Lamarck, porque a Epigenética não apresenta a possibi- lidade de modificação no genótipo do indivíduo, mas apenas da expressão desse genótipo. 3.11 Alterações na forma como os genes se expressam podem explicar as diferenças entre gêmeos chamados idênticos, ou monozigóticos. CŽlula som‡tica: célula que forma os tecidos e os órgãos do corpo e não origina os gametas. 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 52 27/11/18 10:31 53 CAPÍTULO 3 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Comente com os estudantes que a formulação da teoria evo- lutiva por Darwin só foi possível devido à viagem ao redor do mun- do que durou quase cinco anos a bordo do navio HMS Beagle. Nessa viagem, Darwin fez ob- servações sobre a diversidade de animais e plantas em cada localidade visitada, além de ob- servações geológicas e paleon- tológicas, agrupando um nú- mero elevado de observações e dados para análise. Acrescen- te que, embora Darwin tenha ficado chocado com a presença de africanos escravizados no Brasil, a Inglaterra também os havia traficado para as suas colônias do Novo Mundo, e que se ele fosse nessa mesma épo- ca aos Estados Unidos também os encontraria ali, pois esse país aboliu a escravidão somen- te em 1863. Enfatize a importância do con- texto histórico, cultural e social em que as observações e for- mulações de hipóteses foram concebidas. Nessa época, os avanços na área da Geologia evi- denciaram que a Terra havia pas- sado por várias transformações ao longo do tempo. A descober- ta de fósseis também indicava modificações nos seres vivos e que muitas das formas fósseis se assemelhavam a formas atuais. Embora o transformismo estivesse sendo defendido por alguns cientistas, como Lamarck, o fixismo ainda continuava sendo a teoria mais aceita. Por fim, destaque caracterís- ticas importantes para a pes- quisa científica, como o poder de observação, a capacidade de registrar suas observações e de correlacioná-las entre si e com os achados de outros cientistas de diferentes áreas. 53As primeiras ideias evolucionistas • CAPÍTULO 3 3 Evolução: as ideias de Darwin O inglês Charles Darwin é conhecido como o “pai” da teoria da evolução. Mas, ao contrário do que se costuma pensar, em ciência poucas descobertas são feitas por uma pessoa só e de uma hora para outra. Vamos ver a seguir o contexto que influenciou Darwin a desenvolver as principais ideias da teoria da evolução. As observações de Darwin Em 1831, o inglês Charles Darwin (1809-1882) participou de uma expe- dição, cuja missão inicial era explorar a costa da América do Sul e depois ir para a Nova Zelândia e para a Austrália. A viagem, no navio HMS Beagle, começou em 1831 e durou quase cinco anos. Veja a figura 3.12. Nessa época, o trabalho escravo ainda existia no Brasil, mas o tráfico de pessoas escravizadas já era proibido por pressão da Inglaterra que, em 1833, decretara o fim da escravidão no país. ©Bettmann/Corbis/G etty Im ages J. Cameron/Bettm ann/C orbis/G etty Im ag e s Na época dessa viagem, ainda era comum a ideia do fixismo, que, como vimos, afirmava que as características de animais e plantas não eram alteradas ao longo do tempo. A existência de fósseis, como já mencionado, sugeria que organismos diferentes dos atuais tinham habitado a Terra no passado. Além disso, descobertas no campo da Geologia começavam a revelar que o planeta Terra tinha passado por muitas transformações. Darwin esteve no Brasil por duas vezes, nos trajetos de ida e de volta de sua viagem. Passou por Fernando de Noronha, Salvador, Recife, Abrolhos e Rio de Janeiro. O naturalista ficou fascinado com a exuberância da Floresta Tropical, mas chocado com a presença dos africanos escravizados. 3.12 Gravura de Robert Taylor Pritchett representando o navio HMS Beagle e, ao lado e acima, retrato de Charles Darwin pouco tempo após a viagem do Beagle, com cerca de 27 anos (aquarela de George Richmond, 1840). Ao lado, foto de Darwin aos 66 anos. S P L /F o to a re n a 047-063-9TCieg20At_MPU_cap3.indd 53 27/11/18 10:31 54 UNIDADE 1 – MANUAL DO PROFESSOR Orientações didáticas Explique aos estudantes que, durante a viagem a bordo do HMS Beagle, Darwin coletou fósseis que reforçaram a ideia de que existiam muitas formas que não eram mais encontra- das. Muitos dos fósseis encon- trados por Darwin foram enca- minhados a especialistas na Inglaterra para que pudessem ser classificados, já que algu- mas formas eram tão distintas das formas atuais que Darwin não conseguiu classificá-las. Porém, outros fósseis coleta- dos eram parecidos com for- mas atuais, levando-o a acre- ditar que poderiam acontecer modificações nas espécies ao longo do tempo e que for- mas extintas e fossilizadas poderiam fornecer pistas so- bre essas transformações. Utilize as figuras 3.13 e 3.14 para mostrar aos estudantes a similaridade entre alguns ani- mais atuais, como o tatu e a preguiça, e as representações artísticas elaboradas com base em fósseis coletados de ani- mais extintos (Glyptodon e Megatherium). Outra observação de Darwin foi que os indivíduos de uma mesma espécie, que habitavam ambientes distintos, apresen- tavam variação geográfica, in- dicando que o tipo de ambiente onde a espécie vivia poderia influenciar em algumas carac- terísticas. Mundo virtual Para obter informações adicionais sobre Darwin, a viagem a bordo do HMS Bea- gle e os locais por onde o na- turalista passou em sua vi- sita ao Rio de Janeiro, con- sulte: <www.casadaciencia. ufrj.br/caminhosdedarwin/>. Acesso em: 30 out. 2018. 54 Durante a expedição, Darwin coletou muitos fósseis, sobretudo na América do Sul. Na Argentina, encontrou fósseis de estranhos animais de grande porte que ele não conseguiu classificar. Veja a figura 3.13. Alguns eram semelhantes aos tatus, outros se pareciam com as preguiças. Darwin enviou os fósseis a especialistas em Londres, que identificaram semelhanças entre os fósseis coletados e os tatus e as preguiças atuais. Veja a figura 3.14. 3.13 Reconstituições artísticas elaboradas com base em fósseis de animais que viveram na América do Sul e foram extintos há milhares de anos: em A, animal que lembra um tatu-gigante (gênero Glyptodon; cerca de 3 m de comprimento); em B, animal que lembra uma preguiça-gigante