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EVICÇÃO
Do latim “evincere”: ser vencido.
É a perda da coisa em virtude de sentença judicial ou decisão administrativa, que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao contrato. Por ela responde o alienante, sendo garantia contratual do adquirente que vem a perder a posse e a propriedade da coisa (art. 447). Envolve:
· Alienante: que suporta o ônus da evicção, a responsabilidade;
· Adquirente/evicto/evicendo: que perde a coisa para o terceiro, sofrendo a evicção;
· Terceiro/evictor: terceiro que demonstra o direito anterior sobre a coisa.
Sendo a evicção defeito do direito, fundamenta-se no mesmo principio que à garantia quando aos vícios redibitórios, segundo o qual o alienante é obrigado não só a entregar ao adquirente a coisa alienada como também a garantir-lhe o uso e gozo. Assim como quanto aos vícios redibitórios, esta regra só se aplica aos contratos onerosos (art. 447).
Não se exige culpa do alienante, que mesmo de boa-fé responde pela evicção, salvo quando expressamente tenha sido convencionado em contrário, pois se admite a exclusão da responsabilidade. 
Por se tratar de garantia legal, existente mesmo na ausência de previsão expressa no contrato, também se aplica ao adquirente da coisa em hasta pública, que deve primeiro demandar o devedor executado, de cujo patrimônio saiu o bem, pela evicção. Não sendo possível, demandará o credor que se beneficiou com a arrematação. Araken de Assis, na linha de Castro Villar, vai além, admitindo que, em último plano, o Estado seja responsabilizado pela evicção.
Requisitos
· Perda total ou parcial da propriedade, posse ou uso da coisa, posteriormente ao seu recebimento, em razão de sentença judicial ou administrativa. Não ocorre evicção, por exemplo, quando a perda decorre da subtração do bem por terceiro, de esbulho, de seu perecimento em razão do fortuito e da força maior. A jurisprudência tem admitido a ação autônoma de evicção, independentemente de sentença e de denunciação, quando o evicto não foi parte na ação originária, não tendo oportunidade de denunciar a lide ao alienante, como nas hipóteses de apreensão de veículo furtado, devolvido à vítima, e de apreensão de bens contrabandeados, que são resultado de processo administrativo.
· Onerosidade da aquisição: não se aplica aos contratos gratuitos, salvo as doações modais (onerosas ou gravadas de encargo), da mesma forma que ocorre com os vícios redibitórios;
· Ignorância, pelo adquirente, da litigiosidade da coisa: apesar de aparentemente colidente com o princípio da função social “não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa” (art. 457), pois, neste caso, assume o risco de a decisão ser desfavorável ao alienante, tendo apenas direito à restituição do valor pago;
· Anterioridade do direito do evictor: mesmo que só produzam efeitos após a transmissão, a exemplo da decretação de desapropriação pelo poder público, que porém só produzam efeitos posteriormente. Se, caso contrário, o imóvel adquirido está na posse de terceiro, que adquire o domínio pela usucapião, não cabe ao alienante ressarcir o adquirente, porque competia a este evitar a consumação da prescrição aquisitiva, a menos que ocorresse em data tão próxima da alienação que se tornasse impossível ao evicto impedi-la;
· Denunciação da lide ao alienante: somente após a ação do terceiro contra o adquirente é que este poderá agir contra aquele.
Extensão da garantia da evicção
· Ressarcimento do valor do bem adquirido, inclusive benfeitorias;
· Juros e correção;
· Honorários e custas;
· Despesas relativas à aquisição;
· Perdas e danos.
Apenas as perdas e danos dependem de culpa do alienante, de modo que hospedam-se na evicção, a um só tempo, a responsabilidade objetiva (em relação às parcelas que independem de culpa) e subjetiva (em relação às pernas e danos). Assim, a boa-fé do alienante cessa a ocorrência das perdas e danos, mas não das demais parcelas, com o fito de evitar enriquecimento sem causa.
Estando o adquirente de má-fé, receberá apenas o que pagou pelo bem, evitando o enriquecimento sem causa do alienante.
São os direitos do evicto:
Art. 450 - Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou:
I. À indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II. À indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção;
III. Às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Em razão do uso da expressão “prejuízos que resultarem diretamente da evicção” [competindo ao evicto comprová-los], o ressarcimento deve ser amplo e completo, incluindo as despesas com o ITBI recolhido, lavratura e registro de escritura, juros e correção monetária. Também são devidos juros legais em razão do art. 404.
Único – “O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial”. Assim, alienante responde pela diferença entre o preço pago na aquisição do produto e o seu valor ao tempo em que se evenceu, ou seja, em que saiu da propriedade do adquirente.
Para manter a ideia de integralidade da indenização, estabelece o art. 451 que subsiste, para o alienante, a obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente, permanecendo a responsabilidade quando a deterioração decorre de simples culpa. Também não pode o alienante arguir a desvalorização da coisa evicta com a pretensão de obter uma diminuição do montante da indenização, salvo “se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações”, situação na qual elas serão deduzidas da verba a receber, a não ser que tenha sido condenado a indenizar o terceiro reivindicante (art. 452).
Art. 453 – As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante. O evicto, como qualquer possuidor, tem direito de ser indenizado das necessárias e úteis, pelo reivindicante (art. 1.219). Contudo, se lhe foram abonadas (pagas pelo reivindicante) e tiverem sido feitas, na verdade, pelo alienante, “o valor delas será levado em conta na restituição devida” (art. 454). 
Evicção parcial
Ocorre quando o evicto perde apenas parte da coisa, ou tem obstáculo oposto ao gozo, pelo adquirente, de uma faculdade que lhe fora transferida pelo contrato, como a utilização de uma servidão ativa do imóvel comprado; o fato de ter de suportar um ônus, como o de uma hipoteca incidente sobre o imóvel vendido como livre e desembaraçado; e a sucumbência em ação confessória de servidão em favor de outro prédio.
Art. 455 – “Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização”. A doutrina considera parte considerável para esse fim a perda que impediria o aperfeiçoamento do contrato caso dela tivesse conhecimento o adquirente. A perda pode referir-se à quantidade e qualidade.
Cláusula de exclusão da responsabilidade
Art. 448 - Podem as partes, por cláusula expressa [pactum de non praestanda evictione], reforçar [impondo a devolução do preço em dobro, por exemplo], diminuir [permitindo a devolução de apenas parte do preço, por exemplo] ou excluir a responsabilidade pela evicção. Para Gonçalves esta cláusula deve ser submetida ao controle judicial, não podendo, por exemplo, o valor a ser restituído pelo alienante superar o prejuízo sofrido pelo evicto, impedindo o enriquecimento sem causa e protegendo a boa-fé.
Art. 449 – “Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu”, não tendo assumido contrato aleatório. Deste modo, a presença da cláusula não significa o conhecimento da existência deste risco.
Ademais, cumpre ao alienante assistir o adquirido em suadefesa, ante ações de terceiros.
Denunciação da lide na evicção
Art. 456 – “Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe determinarem as leis do processo”. É útil que esta notificação ocorra por meio da denunciação da lide.
O art. 456 CC é o único caso de denunciação da lide vinda do direito material, bem como o único caso de denunciação obrigatória. Com ela o evincido terá reconhecido a seu favor as perdas e danos, não abrangendo as demais verbas. Prevalece, no entanto, no STJ, a tese que admite a ação autônoma para indenização/perdas e danos, com fundamento na vedação do enriquecimento ilícito.
Único - Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a procedência da evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de recursos.
O art. 1.072 CPC revogou a parcela deste dispositivo que permitia a denunciação da lide per saltum, ou seja, não somente ao alienante imediato, mas para toda e qualquer pessoa que conte da cadeira sucessória do bem, como todos os antigos donos de imóvel que o foram vendendo. Dispõe o art. 125, I, CPC - é admissível a denunciação da lide somente “ao alienante imediato”.
Ela deixa, porém, de ser obrigatória, quando o procedimento não comportar a intervenção de terceiros, como é o caso dos juizados especiais cíveis (art. 11, lei 9.099/95) e o procedimento sumario (art. 280, CPC). Neste caso o direito de regresso será exercido autonomamente pelo evincido.

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